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L

, -E
MENEUTICA
Para a critica da hermenéutica
de Gadamer . =,»
,
.

~.Cham. 193.9 Hit t4h.Pv \987


Autor: Hab rmas, Jürgen, 1929-
I Itulo: Dialetica e hermeneutica . pat

11111111111111
1 II11ll11IIlllIIII\llII 1\1\
9~O 2 10 Ac 21949
Urna Controvérsia sobre Método em
i Filosofta
~ Jürgen Habermas e Hans Georg Gada~er, do~s
.. pensadores de primeira grandeza e de caminhos di-
~versos, mantiveram um diálogo'filosófico que se es-
;,tendeu dos anos 60 aos 80. O pressuposto deste diá-
r

~logo,envolvendo a dialética e a hermenéutica como


! ideais da reflexáo enquanto busca da racionalidade,
sempre foi o de que nenhum dos contendores tinha
a ilusáo de que um dos dois poderia reter a última
¡
palavra.
1 Desta controvérsia, fundamental para a filosofia e
para as discussóes relativas ao método de conheci-
mento no ámbito das ciencias hUI}%J '1~'" "emergem
urna dialética e uma hermenéutica q.j; -cada urna
negando a outra a pretensáo de unlvcrsalidade -
"trazem em seu ventre a idéia fecunda e inalienável
das condicóes históricas do trabalho do pensarnen-
I ro" .
I Nesre volume ternos um lado dessa controvérsia,
o ponto de vista da dialética de Habermas sobre a
hermenéutica gadameriana, completado por um ar-
tigo do professor Ernildo Stein (UFRGS), que reali-
za u~ balance desse diálogo crítico. Métodos cuja
aproX1m~o básica é o fato de terem a práxis como
objeto, dialética e hermenéutica sao hoje o horizon-
te fundamental a toda práxis que pretenda se exercer
em seu sentido pleno.

01 &Ji/arel
-- --_"4&&&",,"., und MethOde"
ndlUUel(

tatsanspruch der Hermeneutik", extraídos


tik und Ideologiekritik (Suhrkamp, 1971)
:0 u"De
r Universau.
lvro llermeneu.
I

• Urbanisierung der HeideggerSChen Provinz ._ Laudar ..


Hans-Georg Gadamer", extraído do livro Das Erbe Hegel10 a~
Reden aus A n1ass d es H ege1sprelses
. (Suhrkamp, 1979)s ZWer

Philosophische Hermeneutik. Traditionalitische und kritisch


el

Lesart", extraído do livro Theorie des kommunikativen Han~


delns, Bd. 1, pp. 188-196 (Suhrkamp, "1981).
~ ...................__
e.b_'Ot~~(!a D
capa: Ivan G. Pinheiro Machado de J=:"iloSQAl!o.\
revisiio: Maria Clara Frantz e Suely N· # .".)§:..2 d ~ ~
traducáo: Alvaro L. M. Valls
".ta:~lJdl_"'7'
ISBN• 8~·2~4-016~-x

H114d Habermas, J ürgen


Dialética e hermenéutica I Jürgen Haber-
mas; \radu~ao de Alvaro Valls. Porto
Alegre : L&PM, 1987.
136 p. : 21 cm.
5(0:2
NIVERS17-
f(/t.l'.~..-~ __ emá.
....... l. Titulo.

: 101 ( tNl\ RIlA 1 CDO 193


~305 8-1 I CDU 1(091) F'loso-
I! I Habermas I
na de Habermas
(c&/_~/_~t _)
Merlo, eRB 10/329.~
Cat.loaa~'u eIabo rada por Izabel A.

@ Jüraen Habermas, 1981

Tod~ dircitos desta


_..a'"
aAl~O
reservados a S e
UlPM Editora SI A. Porto Alegre _ R
Rua Nova Jorque. 306 -o~·~SO_-S10
Pauto _ SP J
Rua do Triun(o, 171 -:
Impresso no B n
Inverno de 1987
- Surnário

v •
r

IntrQC1u~o - Alvaro L. M. Valls 5


Sobre Verdade e Método, de Gadamer 13
A Pretensáo de Uni versalida de "da 'lIe:tftitmeutica 26
.Hans Georg Gadamer: Urbaniza~áo.Ca Província
Heideggeriana ' .-. · · · · · · · · · · · · · · · · · 73
Hermeneutica Filosói!ca. Lertura Tradicio.nalista e
Leímra Crítica 86
Apéndice - Dialética e Hermenéutica: Uma Con...
trovérsia sobre Méto~o em Filosofia. por Ernil ..
do S"teín .................• .
•• •••• •••• • •• • • • • 98

,.,- ...
.
I

I
I
I

1 •
,1. No dJa 13 de Junho •
datner. profeuor cmerilo da
be.... ,recebeu o Prtmlo H f

Alemanha Pederal. O d cm
• tradicional IllIulllllo. coube ex I
cincia em Hdde1ba¡,. JUrpn Habennu. Al n-
tram, frente a frente. doil pensado de prime
linha, de grande lnflumeia dentro e rora da Al •
nha, e de provenimcias bastaDtc CÜ(eRDCiad... G4d4·
mer, o homenageado. e o mai. vdho. poli nuceu em
1900. Estudou em Marburgo. doulOU_rou em 1922
sob a críentacác de Paul Natorp e completou os UI
estudos, de germanistica. história da arte e filosofia,
com o aprendizado da filología clássica, Depois fez
sua habilitacáo para o magistério superior sob a orien-
tacáo de Martin Heidegger, que acabava de publi-
car Ser e Tempo. Lccionou filosofía em Leipzig e
Frankfurt e a partir de 1949 fixa...
se cm Heidelberg,
assumindo a cátedra de Karl Jaspers. Publica em 1960
sua grande obra, Verdade e Método. Traeos Funda ..

5
AO é {rutO
ugart no '.L

mentaie de Urna Hermeneutica Pil 'dade de 5tU , flaberrnas)~


estudos hermeneuticos ocu los6fica, Seus .. t . lIegel da ci ue o próprtO encontro
b parn volum
res, dem ora densos e com enonne e esdí bell\ -.
OUtr()
" do prt.(11l0o e. verdade, q cm 1973. Masdo e de ca-
.. ,en(). acas . pr~mlO . ran eza
de u.(11 roesroo d primelra g. ue po¿~
gan o especialmente os temas da d' ru ,l~ao. inves'
:10
e de ,Hegel, alérn de questaes ligad~!éhca de Plat~~
mantlsmo "
dos dIScípulos
alernáo e a He'd
1 egger. de
mais próximos A
a arte • ao ro,
' quem foi urn
rece,,:r~o~pensado::~i
de~~~os diversOS :as insin~ado. S:
sentido m:~:~;!., grac;as
~ua aproxirnac;ao
:~ aqui pe~~:s hurnanisUcO~;eresse filosófico pelo
geant H b '
, e, a ermasl parece inspirar-se ern
carrelra do h
OItlena. 'oS seus es , desenvolveu um In in uas e as culturas
diferentes. Nascido em 1929 est d fo~tes Itluita a ¡.Jeidegger, tradi~o, com as 1 d~ <>eshistóricas e
, a Segunda Guerra Mundial ' u a na unwe ' rsiid ade 'ó1 o coro refletiu
a - Ha be,·
apos
, d • como disct dL og sobre as con le; retac;ao,
. ter
arrugo e Theodor Adorno constír ' d pu1o e distan~es,~a cornpreensáo e da In tr! frankfurtianos
f ' UIn o-se de
orma, num dos herdeiros da ..Teoria Crfti ' " d cena filosóficasdo ir alérn de seus mes nca que neles
mada u Escola de Frankfurt" .. De seus es~~~ a chao tentan . - da espera ... ,
M F d b os sobre
",as, da concreuzae;ao ,.1' rOes de poSS1·
arx el' :eu rot~ urna preocupa~ao central com el11busca d estudo das con 1...
urna, po rtíca emancípatorta. Acompanha de perto o resiste- através ~municafáo humana, nao só no
rnovimento estudantil dos anos 60'. estuda as questoes - bilidaded~ ~ma e na linguagem corrente, mas ta~·
, , mundocotidiano e _ d obstáculos que um dls-
da esfera pública e da relacáo teoria e práxis, publi. d upera~ao os
bém através a s de certas ciencias e urna
cando, em 19~8,_seu conhecido livro Conhecimento e f 16 ico como o \ '
Interesse. Leciona em Heidelberg de 1961 a 1964, paso curSOmono ~l ti mente distorcida na pato ogia
, ~áo sistema lea '
sa entáo para Frankfurt, de onde sai em 1971 para comun1cal ' 1 produzem e apresentam -, preci-
individua e SOCIa ,. \ t \
dirigir, em Starnberg, o Instituto Max Planck de in. saya inevitavelmente entrar num diálogo ~te ec ua
vestigacóes sobre as condícóes de vida do mundo téc- tro com aquele que ele caractenza como
com o ou , . • A
nico-científico. Continua publicando regularmente, até l. alguém que "lanca pontes e vence dist~n~las ., apro-
os nos sos días, Iívros, ensaios e coletáneas de artigos, xima~áose deu na forma de um diálogo filosófico, que
participando de variadas discussóes, sempre perseo ínclui, naturalmente, critica, réplica e tréplica. E.ste
guindo urna reflexáo sobre as condicóes de um diá- diálogo.que buscou sempre a descoberta dos melho-
logo livre de dominacáo, isto é, as condicóes, i~clu- res argumentos, mas sem ter jamais a ilusao de que
sive sociais, de urna comunícacáo isenta de coacao e um dos dois pudesse reter a última palavra, se es-
violencia onde só pese a forca do melhor argumenta. tende dos anos 60 aos SO"
Finalme~te, em 1981, publica a sua obra ma~s v~lu-
mosa (por enquanto): Theorie des kommumk~tlven 1
Handelns (Teoria da A~ao Comunicativa), em dois vo- \ 2. A presente edicáo reproduz um dos lados do
lumes e mais um terceiro de estu dos pr é'VIO s ,e com- ~bate '. ~ue. como foi dho. tern a forma de um diá-
plernentacóes, nenhum deles até agora tradUZldopa· go crdl~lco,onde se respeita a liberdade de o outro
poder uer nao b
ra o portugues. 'd • mas se usea um consenso produ-
A reuniao de Gadamer e Habermas na entrega II o argume t t'
n a lvamente. Este pequeno volume reú.

6 7
oc a trad~ de quatro textos de Habermas, de di- nalista e Leítura Crítica" foi, como o nosso pr~me~ro
ferentes épocas, tarnanhos e géneros; texto, extraído de um Iívro, Mas, e~q~anto ?
p;rmelro
2.1. "Sobre 'Verdade e Método', de Gadamer- texto fazia parte de um "relato blbh~gráflc~ • o ~e-
data originalmente de 1967. Fazia parte inicialmente gundo era um ensaio a parte e o tercerro fOI um dis-
de um relato bibliográfico intitulado • A Lógica das e hornenagern, este quarto texto se destaca
curso d . d A-
Ciéncias Sociais", que naquele ano apareceu na re- como urna parte de um capítulo da Teorl~ ~ ~ao
vista especializada Philosophische Rundschau, de Tü- Comunicativa. Extrafmos nos so texto do prrrneiro vo-
bingen, a mesrna cidade onde Gadamer publicara, se- lume (intitulado "Racíonalídade de A~ao e Raciona-
te anos antes, sua obra maior, Este estudo aparece Iízacáo Social"). Eje corresponde, no interior des te
como livro ern Frankfurt em 1970, e daí Habermas L° voJume, a dívisáo 1.4. (2). (e), isto é: .na introdu-
destaca o capitulo referente a Yerdade e Método, pa- ~o, em que Habermas trata do acesso a problemá-
ra incluí-lo como artigo (com o titulo que traduzimos tica da racionalidade, o capítulo 4 discute a proble-
aquí) na coletánea editada por ele, Hermeneutik und mática da compreensáo do sentido nas ciencias so-
ldeologiekritik, Frankfurt, Suhrkamp, 1971. ciáis, o que é visto em parte da perspectiva da teoria
2.2. • A Pretensáo de Universalidade da Herme- da ciencia .e em parte (2) da perspectiva da sociologia
néutica" data originalmente de 1970. ~ um ensaio es- compreensiva. Neste último contexto, Habermas tra-
crito para urna coletánea em homenagem aos setenta ta da fenomenologia social, da etnometodologia (e)
anos de Gadamer, e que recebeu o titulo de Herme- da hermenéutica filosófica. Assirn, a forma exterior
neutik und Dialektik, dois volumes, de R. Bubner e do tratamento da hermenéutica filo ' fí d
out ros, Tübingen, Mohr. Responde já a dois artigos
de Gadamer, aparecidos em 1967 em Kleine Schrijten 1;6~,9:\!~:a
rn;~:sc~~melhan<;as
co: l~adoe~~xt:x~~
tacáo
parar a argumen d e arn-
1: "Die Universalitat des hermeneutischen Problema" bos. ~
(A Universalidade do Problema Hermenéutico) e
• Rhetorik, Hermeneutik und Ideologiekritik" (Retóri-
ca, Hermenéutica e Critica da Ideologia). Habermas
2.5. Por firn' fa'I aco Ih'd
cas a gentileza do prof d E
urn texto seu intitul;dor. "
1 a
.t .d ,.
lela
¿-in; ~?
de anexar, gra-
J. Stein, da UFRGS,
tomará • publica-lo em su. coletánea de ensaios dis-
persos Kultur und Kritik, Frankfurt, Suhrkarnp, 1973, U~a Controvérsia sobre o Méa e~lca e Hermeneutica.
depois de, em 1971, inseri-lo em Hermeneutik und Ideo- na.o apenas resenha m b to o ern Filosofía" que
urna v d d . ' as Usca u' •
logiekritik, já citado. ses d ~r a erra refIexao filoso'f. roda lnterpreta~ao e
2.3. - Hans-Georg Gadamer: Urbanizacáo da Pro- 01S rnesj lea a dí -
de Stein alé res da argUmenta~ao ra . ISCussao des-
vincia Heideggeriana" ~ a laudatio por ocasiáo da en- a vantag~m dm de aliar clareza e c:ona~. O artigo
trega do Premio Hegel, de 1979. Foi publicado pela em debate e trazer ao nosso vol pro undldade, tern
Suhrkarnp no mesmo ano, junto com o discurso de e' apresent d urns as d
t:
I
rn que cada a as a partir d " uas vozes
Gadamer, que dá o título também ao pequeno volu'
me: Das Erbe Hegels (A Heranca de Hegel).
2.4. • Hermenéutica Filosófica. Leitura Tradicio-
~ida procura,
es da POsi~aa
~7 J re~onhece e ace¡
a oglCamente indo
V~rIOS angulos
a go e ern se.
I

de fato e de do autro, nurn e' f icar possíveis lirni.


8 cansen s or~o d
So racional. e cornpreensao

9
Um outro relato da COntrovérsia co
de chepr • w:na solucáo s~ntética. z: en:n~;:t::sa~
vro de hul Ricoeur. .orgamzad.o e traduz'd li-
tes, abre caminhos, aproxima distancias, e mostra co-
mo mUI a
it s vezes estas sao só aparentes. E consegue
. difícil os
• . _ 1 .o por Hil- té >.. sua maneira, realizar o rnars 1 ICI, vencer
ton J.pULSSU, 1"IUpr~ta~ao e Ideologias Rí d aabismos
e, d criados pelos pensadores ra dilcal~, co locan do
t ' t
~ro. Francisco
_._1 .
A ves, 1983, especialmente
o e Ja-
ri . em contato Heidegger, Freud, Wittgenstem, Weber e
e terceíra par1es._ P melra
Adorno, entre outros. O leitor atento náo deixará de
perceber, de qualquer modo, a sombra de Hegel por
• trás de todo o debate.
l. Com a inclusáo do texto de Stein, ficam 1
. d os os Iimutes da presente selecáo. Ela oferece
aponlA ogo
os textos de um dos dois participantes do debate, que 4. Um Iívro que trata constantemente da herme-
aJih envolveu ainda vários outros protag.onistas. ro- néutica, da questáo da cornpreensño, da interpretacáo,
mo K. O. Apel. CJaus v. Bormann, Rüdiger Bubner e da tradícáo lingüística e da traducáo nao pode deixar
Hans Joachim Giegel. para náo mencionar todos. Mas de suscitar; em quem o traduz, muitas reflexóes e
• nossa íntencáo de traduzir ao menos os textos de muitas dúvidas sobre a tarefa de lancar pontes que
H aberrnas tern cm sua defesa um argumento: Ga- incumbe ao tradutor. Nao cabe aqui alongar-se sobre
darner JA está traduzido pelo menos para o espanhol os problemas desta traducáo, mas poderia ao menos
em sua obra maíor, que já vem produzíndo frutos en- ser indicado que se tentou urna traducáo filosófica
tre nós. E o surgimento, em portugués, de alguns honesta, entendida como priorizando o sentido do
de seus textos menos extensos jA desperta a esperan- pensamento original. Entre um texto de fácil leitura
~ de que logo aparecarn tambérn as traducóes dos ern portu.gue~ com menor exatidáo conceitual e um
outros escritos aqul mencionados. (Por razáo análo- ,¡ 1 texto rnais fiel ao sentido original e o mais legível
ga nAo lncluírnos nesta selecao os capítulos sobre Dil- l
possível, a preferencia recaiu na segunda alternatí
they e a compreensño, de Conh~cimento e lnter~se). I ré t Em alguns casos, foi preciso mencionar entre
en eses a expressao alem - ""
lpV:~
Afinal de urna maneira ou de outra, traduzmdo te quando e t a ongmana, principalmen-
a parte de Habermas no debate. estamos seguindo o
espirito de Gadamer. caracterizado pelo lan~ar pon- It tificável, na: ~a~~:o~t:~
tre as duas Iíngua E
mais ~e um sentido jus-
perfelto paralelismo en-
tu eara aproximar tcrnt. órl nos .,.
ímcia lmente distantes.. I .
aínda sugerir algum s. m certos mome t foi
nos" 01 preciso
.
r- . ., . d . compreender as .1
Os textos do prtmerro nos aju am a - AIguns exemplosa mou~ra tradu~ao alternativa.
. . d
.__ de cerro modo Já clássícas. o segundo 'd'á} e nao
aiS comuns, . "T ra díl~ao
- n cor-
'"-o 1. m 1 ogo respon de em nossa l'
SÓ' col oca m ainda os dois, e o euor, nu . nto to a Tradition Se olon~~. tlanftoa Vberlieferung quan-
. . do pensame d . . rigma alava T d"
com mais outras formas Importantes L. W·ttgenstein. UZImos sem maís: ca em ra uton, tra-
atual, ~ja de um A. Lorenzer. de um .10S outros. lieferung, ou a paÍavr:od c~ntrário, colocamos V ber-
de um N. Chomsky. de um J. Piaget e mIultdo eID si teses. envada desta. entre paren-
desenv.o ven
P.oli Habermas taro bém vem bém lan~ pon- "Entendimento"
aquil.o que l.ouva em Gadamer: ele tam corresponde, num contexto filo-

10 11
Método»,
Sófico. tanto a V~r$tQ'ld (como .'. t 1
de e r
V~'sllindnis (num seDtido de" lllde ectoj quanto « Vet•daGadamer
caractenza
. .
a situa~Ao ern que doí
aCOr oj E '
. sta Ultir.._
a de
ou m . -,'"
(en dem mutuamente, se compreend OIS
,als se en.
.a
te, que !II; • COnota~Ao comum em nosso em reclpr",,~
"'-Cltnen.
i -,
$SO usamos entendlmento· e "acordo" s .textos ' e POr
terna dam ente. Quando, porém, o oriainalJuntos f la ou al.
" :ti.'gung, tra duzimos somente por"
V erstan C' a va ern
d f
A palavra • representa~o· pode traduzir Ro" ' ..
aCOr
. R ., epra·
.sl!ntallo". ~prQs~ntQnz e V~rtretung, conforme fica.
ñ assínalado ern parénteses a cada caso. "Interpre.
~o·, palavra central em nos so contexto, pode tra-
duzir lnterpretation, Deutung e Auslegung. Reserva.
mos eolio "exegese" para Auslegung, e destacamos em
parblteses quando o original falava de Deutung, co- . m ao encontro da
guma COlsa •
.
mo um • dar um certo sentido, e nao outro, a al-
. 1
Gadamer, ínvo.u~~a.
riamente, ve
. - posltlvlstlca
da hermeneutica.
1
E e se
- de que a
Finalmente, urna palavra técnica de Gadamer: desvalonza~ao adversários na concepc;ao ,. d
Wirlu"gsgeschichte significa a hi.stória dos efeitos _de encontracom seus A' "ultrapassa o dominIO e
urna certa obra, de sua influéncía sobre as_ ge;a?oes experienciahermen~ut:~acientífica".l No prólogo a ~e-
. e por isso adotamos a expressao dhlstó- controleda metodo og b Gadamer resume sua m-
pos tenores, d
na efetual", que parece já se estar consagran o e- gundae~i~ao de s"!,ado q~~ o momento histórico-efe-
d .
pois da traducáo espanhola de Gadamer. ;:1tígacáo na tese e
(wirkungsgeschichtliche)perman~ce pro utívo em
Porto Alegre, junho de 1987. toda compreensáo da tradicáo (Vberlte~:ru~g), ~~s~o
lá onde a metodologia da moderna CIenCIa hlston~a
tomoulugar e transforma em 'objeto' aquilo que his-
toricamenteveio a ser, e que deve ser 'fixado' como
um achado científico, como se a tradícáo (Vberlie-
ferung) fosse tao estranha e, vista humanamente, in-
compreensível,como o objeto da física".~
Esta crítica correta de urna autocompreensao ob-
jetivísticafalsa nao pode, contudo, levara suspensáo
até do estranhamento metódico do objeto, que distin-
gue.~en~reurna compreensao que se reflete e a ex-
perIencia comunicativa do cotidiano. A confrontacáo

12 13
de Verdade" e Método" ná
ti ti
1 o passado e
Gadamer a contra o ao deveria, ter ' • rt sgeschehen), n:d~~:áO.:e ísto que
hermeneutica ao co p r .abstratamente a ex In~Ulido
do. Este é, afinal onhceh~lmdento
,
e mesmo que se tratasse de
metódico co""Poerlencia
ao as c' ~, ." Um t
lenclas hermeneuti o-
I í
,á o
(Oberlie/eru g rn continua ro
,.eseote
estáOe
o P d ser defcn 1
d'do na reori
.a herroen
la idéia de uro
eutica que está
'
procedimen o,
t

manities do ambito d . afastar totalmen.te cas;


I u:f1l~ o dominada pe
-
nao escapariam da . a SClence
l _' as Ciencias
.~ daas hLt_-
I def1la~ lad do" 4
.rnétoo . id nuro urnc
, • opon to as tra-
, . VInCuacao de p
PlrJco-analíticos com proc di

roce lmentos e
a~ao Gada.rnervé fundl, as~áo herroeneAutica_. A isto se
de urJI
' , d' e lmentos h In- .. s vivase a investiga ía áo refletida da tra-
reivin Ica~ao, que a hermeneutic e~r:neneuticos,A
valer contra o absolutismo t b~ leglhmamente faz :;: a no~áode q:~:n~~r:~u;aIística da. t.radi~áo
q.üencias práticas, de urna ~e~~o~m, cheio de conss, dicáoro.rnpea su sd'fica a po-si~áo dos su)eltos ne-
eras da experiencia nao dis e . ogra geral das cien- (Vberlieferung)be e_rno 1 -.A 'as henneneuticas só se
que as ClenCl ~
da metodologia _ e será p nsa de todo o trabalho la. Gada.rncr sa - a urna decrescente preten-
' , como ternos de te lverarnem rea~ao .
pro d utlva nas ciencias ou SI· l . mer, ou de5e~voI'dade das trad~oes, Se ele, mesmo assrrn,
id d
senn o e Heidegger que Gad
d' ,
'
A autocompreensáo ontológica mp esmente nao
d h
a
amer ver balí
A

ermeneuhca
,o será,
aliza no ci
ta . o prologo, nao me parece adequada a intenra- d -
no I
I
sáo e vae as tradi~Oesnáo teriam perdido seu poder
acentua qu
pelaconscienciahistórica (
p, XV) , en e
a criticajustificada ~ falsa autocompreensao
ao e_le reveste.
do his-
COIsa' E ti - . ')' o a toricismocom a expectativa injustificada de que o
. u nao quena desenvolver um sistema de re-
gras que ~ossem capazes de descrever ou mesmo guiar historicismonao tenha conseqüéncias. Nao há dúvida
o procedlmento. metódico das ciencias do espírito, que a tese de Scheler, de que as tradícóes históricas
Tampouco era rninha Intencáo investigar as bases teó- perderiamsua produtividade natural pela objetívacáo
ricas do trabalho das ciencias do espirito com o fim científica,está falsamente fundamentada do ponto de
de orientar para a prática os conhecimentos adquiri- ~istametodológico; e nao há dúvida que, frente a
dos, Se existe uma conseqüéncia prática a partir das JS~O, a no~ao hermenéutica continua a ter raza o , ao
ínvestígacóes aqui apresentadas, náo será, em todo aflrma~ ~ue urna compreensao, por mais controlada
caso, para um 'engajarnento' nao-científico, mas sim que seja, nao consegue simplesmente ultrap
para a 'honestídade' científica de admitir o engaja- vínculosda tradi~ao do Intérnren-- assar os
estrutural do cornpr d prete, mas, da perten~a
mento produtivo em toda compreensáo, Minha ver- een er as t dicñ
dadeira pretensáo era e é filosófica: nao se trata do longaatravésda apro ria _ _ ra I~oes, que o pro-
que nos fazemos (tun), nem do que nós deveríamos da tradi~ao(Vberlief:runr;~o,?ao segue que o medium
fazer, mas o que está em questáo é o que acontece do profundamentepela gn n~o s~ tenha transforma_
conosco por cima de nosso querer e fazer".' Esta tese tdradi~ao ininterruptamenrte exaodcientífica. Mesmo na
encontra sua fundamentacáo no principio segundo o o ape
(EjMs' hnas urna autoridade s
e pro utiv a
a n o está atuan-
quaI ,.a compreensáo (Verstehen) nao deve ser pen- r. le t) qu·
tem d ' e se lmporia ce
epa rada d • 1
a inte eccao
sada tanto como urna acáo da suhjetividade quant?
para ~:/ecida cOm linha ~:~~?te; cada tradi~ao
como o entrar (Einrücken) num acontecer da tradi-
inteligentet~r aplicar;ao. ¡sto é u lentemente grossa,
ndo em vista sit ' _ ma transforma~ao
J4 ua~oes modificadas. Só
--- ---
---------- ------- ------- 15
--------------------------
ma interio-
é poss{ve1 u - de preo
que a forma9ao metódica d . és da qual sedirnen1ac;ao s con-
só atraV portanto• a r sua veZ. ~ to
ou prudencial) nas ciencias ~:;a
pesos entre autoridade
lO~eli~enci~ ( r .
_ meneUhcas dt: áltca
a forca da reflexao que s: drazao. Gadamer aV:l~a. Os
t t Oridade. normas e. 'toS sáO. po
• de
riz,l1~aOOs preco
ncel , 1 Este
pOSSIVC .
conhecJJllen
transparente
o
El - esenvolve la rn 1 cOl1ceitOds,conheórnentondo ele torna d'da que ele se
a nao está mais aquí ofus d no compree a .-s e
dl~óC
~o qua
~ ref]e"a .
.
rmaUvo.
a me 1 éutica e 1cva
absolutidade que precisaría ~:r a pela ilusao de~er. leva .nCla no herrnen -
fundamenta9ao e nao se d resgatada pela a roa ( se ~ro de refere deste. Assim, a da cornpreensao
. ' esprende do h- Uto. qUa......
enta dentro '10 que nOS atos. mente através
tmgente, no qual ela se encontra p . e ao do COn ¡llOVIl" . aquI h] tonca .
d?gmática da práxis vital sacudi~:vlamente. Mas~ v cOl1sciéncla eestruturado IS ta vez caracte-
é
a teve pr G d rner cer d
genes e da tradi9ao (Uberlieferung) ao ~escobrir a sefllpre.e~ s inculcadas. a a rica: ela teria e r 7
surge a reflexao, e sobre a qual ~ ta partir da qual de trad~~oeatarefa da hermen~uh da Fenomenologra
r G d s a se curva
a arner transforma a intelec9ao d . riza ~:J1lsentidooposto o ca~~~a oa mostrar ern toda
preconceitual da compreensao nu bao.estrutura ~z~sp¡rito hegeliana. d~ mll'daade que a determina.' To-
preconceito
. _
como tal . Mas segue dm~ r~a blhta~aodo
a rneví ta ilida ao . d substancIa é d do nao
antecipacñn hermeneutica eo ipso que . de da subjetivldae a . 1 do historicamente pr . a
. ,. ' , eXlstem p cbsvia.o substanCIa ído na reflexao. A estrutura
cencerros Iegítirnos? Gadamer
.
éimpulso d
lona o pelo
re- . d o ser assum - po<!
fíca mt<><;a o a e se tornoU transparente nao e
conserva d orismo daqueIa primeira seracao p 1
. . dO... • e o rno- preconcel~al q~ Illaneira de preconceito. Mas é exa-
vunento ain a nao voltado contra o racionalism d ís funCIOnar es Q to-
século XVIII, como em Burke na convicra-o d o o :ente isto que Gadamer parece su~r. ~e au .
. . ' ... e que 'dade convirja COIllconhecimento, equlvalena a di-
a verdadeira autoridade nao precisaria aparecer co
. ,. 1 mo ~r que a tradicáo. que atua por trás do educador,
autorrtáría. E a se diferenciaría da falsa autoridade
pelo reconhecímento, "sim, imediatamente autoridade legitimariaos preconceitos inculcados aos da nova ge-
nao tem a ver com obediencia, e sim com conhecí- racáo: e que só se poderiam, entáo, ratificar na re-
mento".' Esta frase duríssíma exprime uma convic- flexáo dos mais jovens. Ao certificar-se da estrutura
cáo filosófica fundamental, que nao coincide com a preconceitual, o joyero tornado maduro transporia o
hermenéutica, mas quando muito com sua absoluti- reconhecimento, antes náo-livre, da autoridade pessoal
'-- zacáo. do preceptor, agora refletidamente, para a autorída-
Gadamer visa aquele tipo de processo de forma- de o~jetiva d~ um contexto da tradicáo, S6 que a
cáo através do qual a tradicáo (Uberlieferung) é transo aut~ndade tena permanecido autoridade pois a re-
posta para os processos individuais de aprendizagem flexáo s6 deri ,
id d po ena ter-se movido nos limites da fati-
e apropriada como tradícáo (Tradition). A pessoa do ~~a .e do transmitido (Vberlieferten). O ato do reco-
educador legitima aquí preconceitos que sao inc~l. eclmento, que é mediad 1 -_
cados (eingebildet) no educando com autoridade. e IS' alterado nada no f t d o pe a reflexao, nao tería
to quer dizer, como quer que o encaremos: sob po- pennaneceu a únic: o . ~ ~e a tradi~áo eoquanto tal
tendal arneaca de sancóes e com perspectivas de grao O preconceito d~~~d a validade do preconceito.
rífícacóes. A ídennfícacáo com o modelo produz a au- Jos preconceitos d amer ern favor do direuo
ocumentados 1 . -
pe a tradlc;ao q~estio-
16
17
Jt:) .•(o~ da refle o. que entretanto se confirma
lo l ro de que da pode tambérn rejeitar a pre-
tema de referencia que ultrapasse o contexto de tra-
o ln~. A substancialidade se esvaí na dicáo enquanto tal: só entáo a tradicáo pod~ ser tam-
reO -o. porque: esta náo apenas ratifica, mas também bém criticada. Mas ~~~é_.que
I -um tal -sístema ,de
mpe ou dc:rruba poderes dogmáticos. Autoridade e referencia deve ser por sua vez legitimado de maneira
hcdmc:nco MO convergern. Nao há dúvída que o
becimeoto K enraíza ern tradicáo (Oberlieferun )
, ; de: permanece ligado a condicóes contingente~,
-
diferentedo q~e pela apropríacáo da tradicáo?

lAs • ren o n50 trabalha na faticidade das nor- Wittgenstein submeteu a análise da linguagem
aus lTan miudas (überlieferten) sem deixar vestigios, primeiramente a urna auto-reflexáo transcendental e
El... é condenada a chegar depois, mas, ao olhar para depois a urna socio lingüística. A hermenéutica de Ga-
~ • desenvolve urna Iorca retroativa. Nós só pode- damer assinala um terceiro degrau da reflexáo: a his-
DOi voltar para as normas interiorízadas depois tórica, que concebe o Intérprete e seu objeto como
de termo aprendido prirnelro cegarnente a seguí-las momentos do mesmo contexto, Este contexto objetivo
b um poder que se irnpós de Iora. A medida, porém, se apresenta como tradicáo ou história-efetual (W ir-
qt...e a reflexáo recorda aquele caminho da autoridade, kungsgeschichte). Através dele, enquanto um meio
1M. qual : gramáticas dos jogos de línguagern foram (Medium) de símbolos lingüísticos, as comunicacóes
e.\.: itadd dogmarícarnente como regras da concep- se prop~ga~ histol'icamente. Chamamos este progres-
do mundo e do agir, pode ser tirado da auto- so d~ hIstÓrICO,porque a continuidade da origem s6
ri ade aq Jito que ncla era pura dorninacáo, e ser dis- se pl,eserva através da traducáo, através de urna fí-
ido oercño sern víoléncia da Intcleccáo e da lología em grandes linhas, que se realiza de urna ma-
cL.dSoAo lonal. nelr~ co~o qu~ natural. A intersubjetividade -da ca-
Est experiéncia da reflcxáo «! a heranca imper- mumca~ao ~m Imguagem corren te rompída e precisa
é

di .e! que nos (o¡ legada pelo idealismo alemáo a par- ser reconquistada sempre de .
Esta realizacáo (Leistung) r~~vo.' Intermitentemente .
•i, do e pirita do século XVIII. Somos tentados a apli-
hermeneutica, efetivada imp1íc't utrva da. ~ompreensao
r Gad mer contra Gadamer e lhe demonstrar her-
tá al motivada desde o . , , I a ou exphcltamente, es-
ID nculi amente que ele ignora aqucla hcranca por te,r , IniCIO pela tradi -
sim vai progredindo. Tradi áo (Ob ' cao, que as-
e (. assumidc um conceito nño-dialétko d,e E~I~ecl. um processo que aprend ~ erlleferung) nao é
m; nto (Al'¡klarung), a partir da perspec.tlva limitada ll emos a domina
mguagem transmitida (t d') r, mas sim
d século XIX alcrnáo, e. com este conceíto, wn afe!o "A ra zerte na qu 1 ' .
rnos. maneira de ser lSei ' a nos VIve-
_:,' di a diante de nós uma perigosa dipretensao
que rervrn I - . lieferung) nao é de t Seznsart) da tradi~ao (Vber-
d supcrioridade e que nos separo~ da~ t~ ~oe~ OCI- " cer o nenhum '
mente lmedlata. Ela é lin a manelra sensivel-
d..ntais. Mas as coisas nao sao assim tao sImples: ~a- compreende, inclui sua ve gduadgem,e o escutar, que a
rner tern a máo um argumento sistemático, O dlre.lto . port amento-no.mundo lin r ""a e em . urn especíífiICO com-
d.l
da refle:<áo exjge a auto-restri~ao d o ponto de Partlda, interpreta textos, A com g~lSh:o, .na medida em que
(AnsQrzes) hennencutico. Aquele direito requer um SIS- sen te e tradi9ao (Vberlief~~~~~ao hngüística entre pre-
g) era, como já mostra-
18
I 19
., o precisa, por isso, atolar-
conscienCia o ,
mos, o acontecer (evento) que traca -seu caminh MaS est3 'd alismo relativo"
díC(jesorninho de urn I e evento da tradi~ao (Vbu- .
todo compreen d ero A experrencia h ermeneutica o ern
o A o

autentica experiencia, preci~a assumír tudo o ~u~O~~ se nO ca id d de urn


A obJoetivl a e ) que e. fel'to de senll o sim , lr
id imbó
é presente, Ela nao tem a Iiberdade para previame
ieit ar. Mas e 1a t am b ern
se 1ecionar e rejei
o . nao pode nte
f' I
., oo na
J le,
sgeschehens ,
é

sim dizer, a
b te de en
b ietivao A hermeneutlca,
lieferu~go suficientementde °trJo nas paredes do con-
. .tes limites sao expenen-
,
mar urna liberdade absoluta no deixar as coisas a Ir- or as - logo que t:::s 1
mo estáo, que parece específico para o compreen~o- P a tradi~ao; 1 - pode mais abso unzar
o

I texto d conhecJid o s , e a nao , Há um bom sen-


do cornpreendido. Ela nao pode tornar sem efeito (un- er
ciad~s_e (Vberlieferungen) culturals, écie de
geschehen) o evento (Geschehen) que ela é."? tradJ~oes lin uagem como urna esp, ' '
A auto-reflexáo hermenéutica da análise da Iin, tido ern con~eber g 1 dependem todas as mstlttll'
guagem ultrapassa e vence a concepcáo transcenden. , it 'rao da qua , .
meta·msu UI'!J ~ _ cial só se constItUl na co-
tal, que Wittgenstein manteve ainda mesmo frente a o ' pOlS a ac;ao so
, ,
róes SOClalS, rrente' Mas esta meta-ms-
pluralidade das gramáticas dos jogos de linguagem, y - d r guagem co '
IIlunica~ao ~ In roo tradi~ao é evidentemente.
Enquanto tradicáo, a linguagem abrange todas as gra- o ,- o da hnguagem co . . -
tItUJ~a d dente de processos SOClalS, que nao
máticas determinadas e instala unidade na -lDultiplici.
dade empírica das regras .transcendentaís. No nível do , P
or sua vez, epen
b
{'eam a sorVl
'dos por contextos normatIvos.
. L'
d
mgua-
lem também é medium de dorninacáo e de p~ e~ s~
espírito objetivo, a linguagem se torna um absoluto
contingente. Como espírito absoluto, ela nao pode \ ~ial. Ela serve a legitimacéo de rela~óe~ .de v~olenc~a
mais se compreender; ela agora só se faz sentir como orgamza , da. Na medida em que as legltlma~oes . 1
A •
nao
.'

poder absoluto para a consciencia subjetiva, Na trans- ifestam (aussprechen) a relacáo de VIO encía, cuja
man did
formacáo histórica dos horizontes de experiencia pos- institucionalizac;ao possibilitam, e na me 1 a em que
sível, este poder se torna objetivo. A experiencia de isso apenas se exprime (ausdrückt) nas legitirnacóes,
Hegel da reflexáo encolhe-se, reduzindo-se a conscien- a linguagem também é ideológica. Ai nao se trata a pe-
cia de que estamos entregues a um evento (acontecer) nas de enganos numa linguagem, mas sim de engano
no qual, irracionalmente, as condícóes da racionalida- com a própria linguagem. A experiencia hermenéuti-
de se alteram segundo tempo e lugar, época e cultura. ca que topa com urna tal dependencia do contexto
A auto-reflexáo hermenéutica só se descaminha simbólico corn referencia as relacóes fáticas passa a
para este írracionalismo, contudo, quando ela absolu- ser crítica da ideología.
tiza a experiencia hermenéutica e nao reconhece a foro As forcas (Gewalten) nao-normativas que se avo-
ca de transcender da reflexáo, que também trabalha lumam (para) dentro da linguagem enquanto meta-
nela. A reflexáo nao pode mais, certamente, ultra- instituic;ao nao provérn apenas dos sistemas da dorni-
passar-se rumo a urna consciencia absoluta que ela
mesma pretendería entáo ser. Está barrado o carni-
¡ ?ac;ao, mas tamhérn do trabalho social. Neste campo
Instrumental do agir controlado pelo sucesso, organi-
000 para o idealismo absoluto a urna consciencia zam:se experiencias (Erfahrungen) que evidentemente
transcendental que foi abalada hermeneuticamente e motlVam interpretac;oes lingüísticas e podem alterar
derrubada de voIta para o contexto contingente de tra- modelos transmitidos de interpretacáo, sob coacáo
,I
20 21
f
-- exto institucional da sociedade como um todo,
OpCl'~.t moa t.ranSfOn1l3~O dos .modos de pro. o contgindo e transformam
. a Iimguagem.
~Jo :anna u.ma recstrutura~Ao da imagern lingüis- retroa '.
Uma sociologta compreensiva, . '.
que hípostasía a
, do mundo. IsIO pode ser estudado, por exempl0, ' agem como sujeito da forma de vida e da tra-
1,lngu
co a.brpmento do terreno profano em sociedades pri- d. áo (Vberlieferung) , pren d e-se C1
>.. • -
pressuposicao id
1 ea-
miu\ Jo há dú\tida de que revolucóes nas condí. tl~ta de que a consciencia lingüisticamente articulada
eX t"q)rodu io da vida material sáo, por sua vez, ~:termina o ser material da práxis vital. Mas o, con-
medwiu lingOistlumente; mas urna nova práxis nao texto objetivo do agir social nao se esgota na dimen-
posu ero a ~o apenas por urna nova interpreta~,ao, sao do sentido suposto intersubjetivamente e trans-
e s.im antip modelos de ínterpretacáo vérn a ser tarn- mitido simbolicamente. A infra-estrutura lingüística da
bero. "cX baixo para cima", ating.idos por urna nova sociedade é momento de um contexto que, embora
e rTVolucionados.9 sempre mediado simbolicamente, se constituí por coa-
hlA pnLds da pesquisa institucionalizada das ciel)- ~óes da realidade: através da coacáo da natureza ex-
du empíricAJ, ha je esl' assegurada urna afluencia de terior, coacáo que se. introduz nos processos de dis-
W~6es que outrora se acumulavam pré-científí- posi~ao técnica, e através da coacáo da natureza in-
ClJDC'nte em slsternas de trabalho social. Estas infor- terior, que se espelha nas repressóes das relacóes so-
~óes elaborarn e.lperitncias naturaU ou provocadas, eíais de forca. Ambas as categorias de coacáo sao nao
qur lit conatituern no círculo funcional do agir ins- apenas objeto de interpretacóes: as costas da lingua-
U"LIl'DCSltat Eu presumo que as modjfica~Oes ínstitu- gem elas também atuam sobre as próprias regras gra-
c:io:Pis (~ pelo progresso cient1fico-técnico exer- maticais, segundo as quais nós interpretamos o mun-
c:em JObre 05 ~1..lC'lDa.5 lingüísticos da concepcáo de do. O contexto objetivo, só a partir do qual podem
mundo indircumalte urna influencia do mesmo tipo ser compreendidas aciies sociais, constitui-se sobretu-
do de linguagem, trabalho e dominaciio. Em sistemas
que outrOnt exerciam as modifi~óes ~ .modo de
prod~~ país a, citncia se tomou a principal entre de trabalho, como da dominacáo, se relativiza o even-
to da tradicáo (Vberlieferungsgeschehen), que só se
as [o~ produtivas, As ciencias empíricas, contudo,
apresenta como o poder absoluto para urna hermenéu-
Dio representam afinal um jogo de linguagem prop~
tica tornada autónoma. Por isso, a sociologia nao de-
mente arbj trário. A sua linguagem interpreta a realí-
ve deixar-se reduzir a socio logia compreensiva. Ela
dadc ¡ob o ponto de vista. profundamente ancorado exige um sistema de referencia que, por uro lado, nao
an termos antropológicos, da possível disponibilidade oculta naturalisticamente a mediacáo simbólica do agir
akn.ica. Atra\~ dela, a coacáo fática das circunstan- social sob uro comporta mento apenas controlado por
cias nanrrais da vida penetra na socíedade, ~ claro sinais e estimulado por impulsos; e que, por outro la-
que os sistemas de enunciados das teorías empírico- do, tampouco cai num idealismo da lingüisticidade
científicas também remetern para a linguagem cor- e sublima processos sociais a
tradicáo cultural. Um
rente como última metalinguagem; mas o sistema de tal sistema de referencia náo poderia mais deixar, de
ativídades. que elas possibilitarn, as técnicas para dis- maneira indeterminada, a tradicáo como o abrangente,
por da narureza. atuam inversamente também sobre
23
22
. 286. (Trad. esp., p. 372.)
r , d,,"t'na tornar eompreen ível a tradicáo como tal 6. Op· eu.. p. 't P 439. (Trad. esp., p. 554 s.)
e ero u.~ RJ p3r1i com outro momentos do CO'l-
r op CI., • 1 .
7. GadaIlle. . . orienta a crítica de K. O. Ape ao lOS-
J, para podcrrnos indicar condi<;Oes E te ponto de vista f Apel "Arnold Gehlens Philosophie
wb 3 quais se alterarn empirica_ 8· s de Gehlen, e ., O 1962 1 s
•ne.. t< rq; tran endentáis da concepcáo do mundo
l. titucionalis~O.. . . Phil. RLmdschau. ano 1 ,
·tuBon , In.
, p. ss.
der Insu A Sociology 01 Language, Nova Iorque,
e do ir. 9 Cf. 1. O. Hertzler, vn. "Sociocultural Change and
c;'d:uncr. que dcscende do neokantismo de Mar- 1%s. especialmente,.9 cap. .
. g Language .
o (i impedido,pelo re íduos do kantismo que Changtn .' r W. Pannenberg: u:e, um espetáculo sin-
a enro . ed rcnclal de Heidegger conservou, de ti. 10. Isto foi v~sto po um autor agudo e que enxerga fundo
resenclar como
rar consequéncias que, contudo, estáo próximas de guIar P _ dir para evitar que seu pensamento tome
- t m maos a me I é f
njfisn. Ele evita a passagern das condi<;Oes nao e _ está apontada por ele. Este espetáculo o e-
fl"aI\SCendenlJlis da historicídade para a história uní- a ~ol qUl~ de Gadamer em seus esforcos para evitar
recído pe o ivro 1 hi óri
\~* na qual essas condlcóes se constituem. Ele nao . áo total hegeliana da verdade presente pe a íst na.
a medla~a
forro está muito bem fundamentado pe a Indiicacao
l . - da
\'i qut". NI dimen ~o do evento da tradícáo (Vberlie. Este es •.,. .. á l b r
fi írude da experiencia humana, jamais super ve em um sa e
/DU1ftstescht'hetr), precisa pensar como já mediado o :olutO. Mas, estranhamente, os fenómenos descritos por Ga-
q~. segundo a difcrenca ontológica, nao seria capaz ~er empurram sempre na direcáo de urna concepcáo uni-
dr WD.I mediacáo: as e truturas lingüísticas e as con- versal da história da qual ele gostarla justamente de fugir -
di empíricas, sob as quais elas se transforrnam por ter ruante dos olhos o' sistema de Hegel", (W. Pannenberg,
hís lOricamen te. Sé por causa dísso Gadamer pode dis- ! "Hermeneutik und Universalgeschichte", in: Zeitschr, f. Theol.
simular para si mcsmo que a vinculacáo prático-vital u. Kirche, ano 60, 1963, p. 90 ss.). Na mais moderna teologia
evangélica, conforme eu vejo, foi a recepcáo da obra de Bloch
da eompreensño a sltuacño hermenéutlca inicial da- que deu o impulso para ultrapassar a ontologia da historíci-
queJe que compreende leva necessariarnente l antecí- dade (Bultmann, Heidegger) através de urna reflexáo sobre
~ hipotética de urna Illosofia da hist6ria de in. a dependencia das condicóes tránscendentaís da compreensáo
leD~O prática (eine Geschichtsphilosophie in praktis- frente ao contexto objetivo da história universal. Além dos
cita Abncht).· trabalhos de Pannenberg, cf. também J. MoItmann, Theologie
der Hoffnung, 1964._,.

NOTAS
"_

J. wdamer W4hrhnl und Merhode, 2.- ed., Tübingen, 1965. In-


t~ errad. espanhola,
Verdad y Método, Salamanca, Edi-
dones Si¡uemc, 1934,p. 2J s.)
2. Gadamer, op. cít., p. XIX. (Trad. esp., p. 16.) ,"-1...: -

J. G3damer, op. eir., p. XIV. (Trad. esp., p. 10.)


.. ..~

4. Gadamer, op. cit., p. 274 s. (Trad. esp., p. 360.)


S· Op, cít., p. 264. (Trad. esp., p. 347.)

24
pode ser artificial-
A Pretensáo de Universalidade d . de cada faJante, mas quhebilidade particular.
. ".
Hermeneutrea a ',aUva
nI te desenvoJvl a c,
id omo urna a
orl'ginaram-se como tecno o-
1
JIlen neutlca dí •
Retórica e heo:ne . da arte, Kunstlehren), q~e lSCI-
, s (ou doutrtnas di mente uma capacldade na-
gla Jt'vam meto ica
plinam e cu l .

"
tural! h néutica filosófica, as cotsas se pas-
Com a erme . ,2 ela nao é tecnología (ou do u-
tra manelra, )",
sam de ou sim crítica, Com efeito, e1a traz ca
trina da arte), ma~ ntara-o reflexiva experiencias (Er-
,~ 'a em orte ..,. ,
consclencl)'que fazemos na linguagem, ao exercennos
•..
f ahrungen eténda comunicativa , . e, portan t o, a o nos
~~ro mp . h
na li'ilguagem. Como a retónca e a er-
movermo S
- di . r
menéutica servem a íniciacáo e la forma~a~ iscip I-
da da competencia comunicativa, a reflexao herrne-
na
neutica póde partir do terreno d e experrencia 'A' d e 1as.
1. Hermenéutica se refére a urna "capacidade"
(Vermogen) que adquirimos a medida que aprende- e ..
Mas a reflexáo do correto (de acordo corn as regras
mos a dominar" urna linguagem natural: a arte de
11
da arte) compreender e tornar inteligível, por um
compreender um sentido lingüisticamente cornunicá- lado (1), e convencer e persuadir, por outro lado
vel e, no caso de comunícacóes perturbadas, torné-lo (2), está a servico nao de urna tecnologia (Kuns-
inteligível. Cornpreensáo do sentido se orienta para o
' .. tlehre), e sím de urna meditacáo (ou tomada de cons-
conteúdo semántico do discurso, mas também para as ciencia,Besinnung) filosófica sobre estruturas da co-
sígnífícacóes fixadas por escrito ou em sistemas de municacáo em linguagem corren te.
símbolos náo-Iingüísticos, na medida em que eles, em ,. (1) A arte do cornpreender e do tomar lnteligí-
princípio, podem ser "recolhídos" (eingeholt) em dis- vel, a h~rmeneutica filosófica deve a experiencia ca-
cursos. Nao é por acaso que falamos da arte de com- racterístIca de que os meios de urna Ii
tural '. mguagcm na-
preender e de tornar inteligível, porque a capacidade 'dem princípío sao suficientes para esclarecer o
de ínterpretacáo, de que dispóe todo falante, pode ser senh o de q .
estranho uaisquer ~ontextos simbólicos, por mais
estilizada e mesmo desenvolvida como urna habili- s e macess(velS que
dade técnica tKunstlertígkeit): Esta arte (ou técnica) ro momento Nó . possarn ser num prirneí,
gua pára q~alqu:r~~e~~s trad~zir de qualquer Un-
se relaciona simetricamente com a arte de convencer
(Vberz.eugung) e persuadir (Vberredung) em situa~óes relacionar as objet' o! (ou hnguagem).
cultura mais dist IV~~d s da época mais afastada e da
Podemos
ero que sao trazidas para decisáo questóes práticas.
Para a retórica vale o mesmo: também cla se ap6ia
é .
, .pré-comprecndido da'
ancia a corn o
contexto
ramiliar, isto
numa capacidade que pertence a cornpeténcia cornu- nClra cOmprcensívcÍ A quilo que nos cerca, de ma-
c1aro h . o mesmo t
..., , ao ?rizonte de cad li empo pertence, é
26 a mguagem natural, a dis-
• • mesIllO teJllr~
, sobre
a qua! ao
ti guagem
natural e
1
ljr:' tQJ de trad~ÓC$ cslranhas E
liDguagero Is toda n baseia ~que a
..-r.se ~ objeto: pO JJl. NisLO se dos tipoS.
h.-xlo sempre Já compreendido do tambérn o COn- IP' coIPO 1:nguage regra ., ,
man.t.
. ~--'J' ~
aTa laUlJ UlT poce, a quaJquer
que nos ce
tea de se fala . ..;" roetalP He contra a . en ros linguIS-
&

ruPl..... perIll' rofenm °f ta


bnr-$e como questionável, . momento d
ele é o POt . ' eSC(>. ~ p. 'dade que ~ ticO de p . áo matll es •
ccmprecn.sSvet Só os dois momentos' enclalrnente in- reflePVl , do seroan d cOIllU01ca~ apU-
_ ....,,_~ '. . Juntos é que . o conteu lado a. sobre su as .
... ~.<; .. ern a cxpenenCla hermeneuti" . Clt- que contenh<l.ao . ca~o indJIeta o metafóriCO
, ',";-'--'- d o acor d o (Versriindigung) ca.na a lingu
IOtersu~ 1.. ticos coroun1 l para o us .
_JeLJnu. ••uc béIP U1Jl<l exeJJlPo. . a das bngua-
corrente é em principio tanto ilimitada agern ~..o" Isto 'Vale,por ). estrutura reflebxlv ne) conquis-
pida.. Ilimitada: pois pode ser estendida ~uanto rOIll_ ca~v--' Gra~s ca • ('nge ore
"da ." Vontade' e
da lingu<lge~. f lante natiVO el. to metaconlU-
romp. : pois Jamais pode ser produzida inte l' natuf3lS.o a ro de IllOVunen
te. Isto val . - gra men- gens urna marge
. d e para as co~umca~oes contemponlneas no portaIlto• . ) , urna
mterior e urna cornunidade lingüística sociocul ta, o sui generts. '.' : d d (de movimen to e
ho • tura], nicauva
O re'Ver50 es a
d t líber -.' a die áo linguIstIca.
., " Lingua-
mente mogenea, tanto quanto por sobre a distan .
das diferentes classes, culturas e épocas, cía . . -o coro a tra l~ 11) or isso os
delicadaliga<;8 _ . f rmais (m/orme , p .
A experiencia hermenéutica eleva a conscienc' gensnaturais sao ~ o dem encarar sua lmguagem
a posicáo do sujeito falante com respeito a lin~ sujeitos falantes nao hPod A competencia lingüística
. t ma fec a o. 1
gem, o sujeito falante pode servir-se do caráter de cornouro SlSe 'ostas dos sujeitos: e es
auto-referéncia das linguagens naturais, para parafra- e como que as e t
permanec li uamente de um contex o
sear metacomunicativamente quaisquer aItera~Oes pod ro assegurar-se exp ici
(Amlerungen), ~ claro que se deixam construir hie- : sen:ido (SinnZUSammenhangs) na medida em que
bérn dependentes de um contexto
rarquias de Iinguagens formais sobre a base da lin- permanecem t am e , . ' .,
guagem natural, tomada cada vez como "a última- transmitido no conjunto dogmática e lmphcltamente
metalinguagern. AqueJas se rclacionam mutuamente sempre já previamente dado. A compreensáo herme-
como Iínguagern-objeto para a metalinguagem e para néutica nao pode penetrar na coisa (Sache) sem pre-
a metametalínguagern, etc. A construcáo formalística conceítos, mas já está inevitavelmente condicionada
de taís sistemas de Jinguagem exclui que as regras pelo contexto no qual o sujeito que compreende ad-
de aplicacáo para proposicóes tSatze) Individuáis pos. quiriu inicialmente seus esquemas de ínterpretacáo.
sam ser ad hoc fixadas, comentadas ou modificadas. Esta pré-compreensao pode ser tematizada, e em cada
E a regra dos tipos proíbe que ocorra metacomunica-
~ sobre proposicóes de urna linguagem ao nível análise hermeneutica consciente precisa ser experi-
desta mesma linguagem-objeto. Na linguagem corren- ~e?ta~ na coisa. Mas mesmo a modificacáo das me-
vItavelSanteci .-
te. porém. ambas as coisas sao possíveis. o siste~ lin eclpa~oes nao quebra a objetividade da
de urna linguagem natural nao é fechado. mas pefIJll- ~gdem frente ao sujeito falante: ao ser assim
ens!na o ou corrí id
te ad hoc a fixa<;áo, o comentário e a modifica~ao das nOvapré....t'n g _ o. este apenas desenvolve urna
regra.s de aplica~.o para quaisquer proferiment.o~ '-Vmpreensao qu
próximo pa sso herrne ' e novamente o orientará no
(A,usserungen). E a metacomunica~ao só pode utili- A •

neuhco,. 1:. isto que quer dizer a

28 29
S
sivos, da
. e expre ,bre
aniUvos ens1na so
ni) COe-- , 'ca nos O
tet1ly- corcente. .~ncia retorl linguageIll.
frase de Gadamer: • a consciencia históríco-efetual é, guageIIl bé'rtl a expene 1 te coJl1 sua l' ngua r,ens
Tatn ' . o fa an d das 1 ~
ele maneira insuperável, mais ser do que consciéncía",'
(2) A arte do convencer e do persuadir, a herme-
nhldca filosófica deve, por outro lado, a experiencia
, 8 re a
1 ~o do SUJ~lt da criatiVida e
d servIr-se t neamente
falante pO e responder espon a defl'nir novas SI u. -
a situa~óes
it a
. para para . íplO
c:a.racterlstica de que no medium da comunicacáo de \ natUralS lternam e ) ero' pnnc
de vida que sfe~IllentoS (AUSSerungenl ente (forman
Unguagem corrente nao só sao trocadas comunicacóes,
mas também sao formadas e modificadas atitudes 1
I ~óeS ~,
ID pro erl
. jsso
_ forma m
pressupoe rmite produzlr
,
e
(EiJutdlungm) que orientam a acáo. A retórica tem iJnprevlslvels,de linguagem que pe conjunto in-
sido tradicionalmenteconsiderada como a arte de pro- uma estrutura do regraS gerais urn úmero
duzir um consenso cm questóes que nao podem vir coropreendersegun a ajuda de uro n
a ser decididas por urna dernonstracáo concludente.A finito de proposi~óes c~~ r~dutividade se estende,
tradj~ (OberUeferung) clássica reservou por isso pa- finito de elementoS. Es P_ rto prazo de pro-
ra a retórica o terreno do meramente "provável", di- , a a gera~ao a cu d
porém. nao so par bém para o processo e
ferente do terreno no qual a verdade de enunciados posicóes em geral, ma~ ta:e es uemas de int.erpreta-
se encontra disponível para a discussáo teórica, Tra- longo prazo de forma~ao q uais si-
ta-se, portanto, de questóes prátícas, que podem ser -o formulados em linguagem corrente, os q,,, '
remetidas para decisóes sobre a aceitacáo ou rejeícáo ca
multaneamentepOSSluuam e ibili preJ'ulgam expenenCIas. d
de standards, de crítérios de avaliacáo e normas do O discurso competente (gekonnte Rede), _ que p,r~ uz
agir. Ouandoestas declsóes sao tomadas racionalmen- um consenso sobre a decísáo de questoes prátícas,
te, das nao sao • pronunciadas" (fallen) nem de ma- assinala apenas o lugar no qual nós tentamos intervir
oeira teoreticamente concludente nem meramente ar- conscientementeneste processo de crescimento espon-
bitrá.ria: antes elas sao motivadas por um discurso táneo (naturwüchsig) e alterar esquemas de interpre-
convincente.Na notável ambivalenciaentre convencer tacáo a que estamos acostumados, com a finalidade
e persuadir, da qual o consenso produzido retorica- de aprender (e ensinar) a ver de outra maneira e ao
mente nao se livra, mostra-se nao apenas o momento mesmo tempo julgar de novo o que foi compreendido
da fo~ (¡;ewalt), que até nos dias de hoje nao foi previamente de maneira tradicional. Este tino de in-
apagado dos "ilocessos de formacáo da vontade, mes- teleccáo inovador em virtude da esco hl. da pa 1avra
é
04

mo quando se apresentam em forma de discussáo. certa, Gra~as.a criati~idade das linguagens naturais
Antes,aquela ambigüidade um indício de que ques-
é o falante nativo adqulre, portanto urn od ,.'
tóes práticas só podem ser decididas dialogicamente I
sobre a consciencia prática de h' p er ~nlco
e por isso pennanecem presas ao contexto da 1in- Ela pode, COITJ.(' mostra a hí , ?men~ que convlvem.
guage:mcorrente. Decisóes motivadas racionalmente tica, ser utilizada l~tona unlversal da softs-
. para a aglta~ao b
só se fonnam sobre a base de um consenso que é
Siro como também ar o scurecedora as-
produzído pelo discurso convincente, e isto quer di- , . O outro lado d~stea ~ esclarecimento.
zer: na dependenciados meios adequados, ao mesmo clf¡ca impotencia do SUj~i!erf ~' decerto, urna espe-
a ante frente a jogos
30
, 31

,
t
de linguagem que se tornaram hábitos. Quem os o
ser modificar, precisa primeiro já participar dele qU~
, afOS /undamenloLS da linguagem. tanto ~n~::
So .r;;.
isto sucede, por sua vez, na medida da interioriza _ Ir. o 'dude e a integra~¡¡o de lingt4agem e flr •
o o de bnguagemo
o ~ao cnallVI ntra na ·cons-
das regras que deterrnínam o jogo O tal saber reflexivo. que se canee o . .
exercícios de introducáo a tradicóes lingüísticas r: ~~. h -, rica" distingue··se vIslve1mente do
CIenCIa ermencu I , om reen-
querem, porta~to, pelo meno~ ~irtualmente, o esfor~o dOmento técnico (KunSIVersland) da o P
enten I o di o li ados como tal. Mas. ber-
de um procedunento de socializacáo: a "gramática" sAo e do dIscurso ISClp10 • da Il
dos jogos de linguagem precisa tornar-se urna parte meneu ..' ti ca se· dLS· ringue. também
. da cá~neaa ,ngua.-
. llngü ístíca Sprachwi.ssenscha/I ,.
integrante da estrutura da personalidade. O discurso gem (ou. '. . .rere. ~ eomee-
competente deve o seu poder sobre a consciencia prá. A liingu.OíSI,rica (Lingwslllc) náo se redad r'"
do la la n-
tíca a circunstancia de que urna linguagem natural
náo se deixa conceber suficientemente como um sis-
renda comunicativa. portanto, ~ capacr
te nativo de participar, compreendendo e falal~~'
comumcaca ,
e
·0 ern linguagem corren te; ela se ,m la
.
d:
tema de regras para a geracáo de contextos simbó-
competencia lingüística em sentido estruo. Esta ex-
licos sistematicarnente ordenados e semanticamente pressáo foí introduzida por Chomsky,' para carscte-
carregados de sentido, mas também remete, de rna- . a capacidade de um falante ideal que domina
neira imanen te e obrigatória, ao contexto de a~Oes e rizar
o sistema abstrato de regras de uma inguagem na,.
.0
expressóes corporais (gestos, leibgebundenen Expres- tural. O conceito de sistema lingüístico (Sprach.system)
sionen). Assim, a experiencia retórica ensina o cru- DO sentido de langue abstrai da dímensño prag.mit~
zamento de linguagem e práxis. Comunicacáo em lino ca, na qua) langue vern a ser convertida cm parole.
guagem corrente seria, fora de um contexto grama- J:. a esta experiencia do falante nesta última dime.uwo
ticalmente regulado com ínteracóes normativamente que se refere, porém, a hermenéutica. Além dísso .•
exercitadas e expressóes de vivencias acompanhantes lingüística sem por meta urna reconstrucáo do síste-
ou intermitentes, náo apenas incompleta. mas até im- ma de regras que autorize a geracáo de todos os pos-
possível. Linguagem e acáo se interpretam reciproca- síveis elementos de urna linguagem natural grarnan-
mente: isto já está, aliás, desenvolvido no conceito calmente corretos e semánticamente carregados de
de Wittgenstein do jogo de linguagem, que ao mesmo sentido, enquanto a hermenéutica reflete experiénclas
tempo é urna forma de vida. A gramática dos jogos fundamentais de um falante comunicativarnente com-
de Iinguagem no sentido de urna completa práxis da petente (cuja competencia lingüística é- tacitamcnte
vida regula náo apenas a combinacáo dos símbolos, pressuposta), A distincáo entre reconstrucáo racional
mas igualmente a interpretacáo de símbolos lingüís- e auto-reflexáo, eu a quena introduzir apenas com
ticos através de acóes e expressñes.' urna indica~áo intuitiva.
A hermenéutica filosófica des en volve, portanto, e No carninho da auto-reilexáo, um sujeito com..
minhas indicacóes querem apenas lembrá-lo. as no- preende ou esclarece pres uposicóes inconscientes de
~óes da estrutura das línguagens naturais que podero suas realizacóes executadas diretarnente (geradeh¡"
vollzogenen Leistungen), Assim, a consciéncía berme-
ser adquiridas a partir de um uso refletido da co~'
néutíca é resultado de urna auto-reflexáo. na qua! o
peténcía comunicativa: reflexividade e objetividade sao
33
32
, o de opinióes pré-
sujci(Q (:al ore percebe suas libcrdades d és da abstra~a flexao sobre o
cuis . com reía áo a linguag: ePendén. rada atraV é de uma re "incula
so dcsen\'Ol\-"'C tanto urna ilusáo su~: <¿>rnis, ser assegu omente atraV s desde sempre ) Além
quanlo lAmbbn uma obj~ti\'ística cm q JehVística víaS,Jllas ~ 'ico-cfetual, que objeto.6 2 .:
• ' uc a texto blstor nhece com o seu da as cienCIas
in.¡cn.u cstJ presa. A aut~renexao COns. cO n ue CO " ti a recor . ..
o sujeito q 'Anda hermeneu IC da preestruturac;ao
(!1.¡" tnc/) apcriéncias que sucedeR} COm esclarece disso, a' conSC1es que resulta~ Se o acesso aos
o su' .
fabnte no uso de sua competéncia comunicar
va, Jeito sociais probleJlladominio de obJetos, ..es controladas,
oJo pode aplicar (erA:li.iren) esta competenc .. Illa$ sirnbólic~do s:ediado por ob~erva:Oem corrente, o~
:::S' rurtlo i I d
SCI'\c'C. ao conu uno, para a explica~ao da
la. A re-
rae ona -l. C, um sistema de regras lingüís- aados nao
Jllas sun
é

. por co .
municac;ao em hng~ gser operacionah-
nao po dem malS m exerclta' do
pe 'LinguI lica. EIa explicita regras que o f lcorn. conceitoSteóflCOS do jogo de lin~age roblemas
, , 1" a ante
ti
u ''O domma rrnp rcitamente: mas propriamente
tru • consciencia do sujelto pressuposi~Oes inc nao

r
zados nos quadros d medir fisicabsta. Os p ível da
pré-Cientificamente do medir retornam ao m . 1 e
orrem ao níve d uadro categona
denles. A subjerividade do falante, semente ern ~'; iU~:áO da reoria: a escolh.a (~~ndpradikate) pre-
horizonte ~ possível • experiencia da re Ilexáo, penna- . :os predicados fundament~:~to prévio do próprio do-
eece ero princfpio de (ora (ausgespart). Pode-se dizer cisa corresponder a urn con or tentativas.' 3) A cons-
que U11l4 recon lru~áo lingüística bem-sucedíds eleva minio de objetos, que surge P também a autocom-
• colUdéncia o aparato lingüístico que funciona in- " ti a refere-se 1
ciencia hermeneu le d '''nCl'as naturais, natura-
COO ienternente. Mas isto seria, con ludo, um uso im- , ífICIista as cíe
preensáo Clentl , o áo de que as lim-
própno da Iinguagcrn. A consciencia do falante nao mente nao , .,.
),.sua metodologla. A n a~ el de urna " u' Iti1-
se transforma pelo saber lingüístico. guagens naturais tém sempre o pp. de lingua-
Se enráo • hermenéutica filosófica tem tao pou- roa " metalinguagem para todas as teonas ,._
. .. a importancIa
ro • ver com a arte da compreensáo e do discurso gern formal explica a posicao ou
quanto com a lingüística, se ela traz tao pouco para (Stellenwert) gnosiológica da linguagem cor.r:_nte no
o uso pré-cienrlfico da .competéncia comunicativa co- processo de pesquisa. A [egitimacáo das declsoe~ que
IDO para a iéncla da Iinguagem, ero que consiste en- determinam a escolha de estratégias de pesquisa, a
tAo a signmca~o OU a importancia da consciencia construcáo (Aufbau) e os métodos de revisáo (Vber-
heralenb.a t ica ? prü/ung) de teorías; e assim o "progresso da cien-
Ouatro aspectos Podem ser, de qualquer modo, cia", é dependente das discussoes da comunidade dos
nomeado , sob os quais a hermeneutica adquire im- pesquisadores. Essas discussoes conduzidas ao nível
portAn ia para as ciencias e a interpreta~o de seus metateórico sao, porérn, por princípio, ligadas ao con-
resultados. 1) A consciencia henneneutica destrói a texto de linguagens naturais e a forma de expli.ca~ao
autocompreensAo objetivística das tradicionais cien- de comunicac;áo em.linguagem corrente. A' hermeneu-
cias do espirito. Da liga~o do cientista que interpreta tica pü:.1e_,oferecerrazoes de por que neste nível mé-
com a sua silua~o inicial hermeneutica segue que a tateorético pode ser almejado uro consenso decerto
objetividade (Sachlichkeit) da compreensao nao pode motivado racionalmente, mas nao concludente. 4) Fi-

34 35
D3lmenle, boje lcan(,'OUatualidade social um dominio
, (o) erguer teorias construídas monologicamente
de anlerpreua o que. como nenhum out ro, desafia a seJa, ,a das por observac;oes
- contro 1a das, Da do que os
conscj~n ia ~ulica, ou seja, a traducáo de in- e . apola s científicos de enunciaiad os hiípot éti
neo- d edutt-'
fOnD1l.;'ÓCS..· de conseqücncias, para a linguagem sIstemaáo sáo elementos d o diiscurso, as In . f orrnacoes
-
do mundo da ,.jda social:·0 que é que nós sabería_ vos na dem ser derivadas des tes sístemas
. f
se a astam
mos cID fj ¡ca moderna. que transfigura tao vlsive], que po do da vida (Lebenswelt) articulado em Iingua-
mente o wSltnda, sornen te a partir da fíSica? do mun , _
em natural. :e. certo que a transposicao do saber tec-
Todas as cxposi~ dela, que se dirigem para além g. ente utilizável para dentro do contexto do mun-
do dtculo dos especialistas, devem seu efeito ao ele- nlcam
d da vida exige que o sentido . gera d o mono Iozi ogica-
meolO retórico... Toda ciéncia que deve tornar-se o te seja tornado compreensível na dimensáo do
pnh' depende da retórica .... men
discurso e, portanto, no dila'1ogo .COtidi llano; e cer ta-
As fun9')cs que se acrescentaram ao progresso te essa traduc;ao nos coloca diante de um proble-
entIflC'O-rc!cnico para a manutencáo do sistema das men hermeneutico - mas justamente d'íante d e um
sociedades índustriaís explicam a necessidade objeti- ma roblema que é novo para a propna "h ",.
errnenéutíca. A
'''a de p6r o saber tecnicamente urilizável em relacso ~onscienciá hermeneutica brota, afinal, da reflexáo
radoruaJ com a eonscíéncla prática do mundo da vi- sobre nosso movimento dentro de linguagens natu-
cia. Creio que • hermenéutica procura satisfazer esta rais, enquanto que a ínterpretacáo das ciéncias para
nece5$idade com sua pretensáo de uníversalidade. A o mundo da vida tem de realizar á mediacáo entre
consciéDcia herrnenéutica abre um caminho para rein- linguagem natural e sistemas lingüísticos monológicos.
troduzir • ero nossa experiencia própria, geral e hu- Este processo de traducáo nao ultrapassa as fronteiras
mana da vida, também a experiencia da ciencia",' en- da arte retórico-hermeneutica, que tinha a ver com
do. e só enrio, quando a "universalidade da Iíngüís- a cultura constituída e transmitida em linguagem cor-
tícídade humana" puder ser afirmada "como um ele- rente. Ultrapassando a consciencia hermenéutica, que
mento cm si ilimitado portador de tudo, e nao ape- se formou no exercício refletido daquela arte, a her-
nas da cultura transmitida através da linguagem" ,- menéutica teria que clarificar as condicóes que pos-
Gadamer evoca as palavras de Platáo, de que quem .. sibilitam como que sair da estrutura de diálogo da
observar as coisas no espelho dos discursos as des- linguagem corren te e empregar a linguagem monolo-
cobriri cm sua verdade plena e integral - "no es- gicamente para a estrita formacáo de teoria e para
pc1ho da linguagern se reflete tudo o que é·.1I a organízacáo do agir racional-com-respeito-a-fins
Cootudo, justamente aquele motivo (Motiv) his- (zweckrationalen Handelns).,
tórico que fez a hermenéutica reagir corn seus es- Eu gostaria de íntroduzir, entre parénteses, neste
r~ n!o combina com a afírmacáo de Platáo. Poís ponto urna consíderacáo. A epistemologia genética de
~ evidente que a cléncía moderna pode legítimamente J.ean Piaget" traz -a luz as raízes, independentes da
pretender chegar a enunciados verdadeiros sobre - as lmguagem, do pensamento operativo. E. certo que este
coísas" através de procedimentos monológicos. em vez só pode amadurecer em virtude de urna integracáo
de atentar para o espelho do discurso humano: ou dos esquemas cognitivos pré-lingüísticos, que surgem

J6 37
írcu10 funcional do agir instrumental, corn o sis- _ sentido para os pró- .
eo e ~~ ....-me: Jin--;'stico. Mas há bastantes indic' a compreensao do, em corrente que
t~ma uc:; .""&.- YA 6 • • ( [si lOS po ssível um "mbólicos em hnguag Auticas de
de que a linauDgem apenas monta Iid au SUzt) sobr e textos SI " - es hermenc .
0- prios co~ rada as pressuPosI<;Od t do contexto e
caregorias como espaco. tem~, ,.~au~~1, ade e subs- náo est~~ad~gcompreensáo d"epe';¡ae~i:~agem natural
tAlld e sobre regras de assocracao ,gl~fonnaI de
proces:ste
que, n sentido, se esqUl~eDado que a compreen·
símbolos que tém um fundamento pré·hngüístico, Colll
bipótese se poderia lomar compreensíveI o Uso orno u
'ltl'ma meta Iimguagem.
e precIsa. proceder ,.ad hoc(
e
::O,6g:iCO da Iinguagern para a organiza~o do agir
nao. oakom-respeito-a·fins e para r a COnstru~ao de
e_ h rmeneutica sempr
s~o : deixa constituir em um x: étodo cíentífico mas
urna arte-técnica),
nao mSáxímo disciplinar-se como que o seguinte pro-
teorías científicas: oeste caso, a inguagem natural se. no . T a o mesm t
aqueta questáo srgrn IC teoria adequada a estru u-
na como que desligada da estrutura da intersubjeti. blema: se pode haver u~a e fundamente urna com-
'dade: da se colocana, sern seus elementos consj], . naturais qu d
VI •
IUiotes do diálogo e separa a
d da comumca~ao,
. só sob
ra das hnguagens, dicaroente as segura a.
preensao do se~tIdo n:e~~s pelos quais nós podemos
as OODcfj~ da inteligencia operatíva.f Esse compl«>
Eu vejo doís camm ectativa de sucesso.
so &inda náo foi clarificado; tal darifica~ao virá a
Procurar uma resposta coro exp com limites nao-tri.
ser, cm todo caso, relevante para a decisáo de nossa l d depararoo-nos
Por um a o,d aplícacáo. _ d a e ompreensao herrne-
questAo. Se ~ correto que a inteligencia operativa re-
viais do terreno e . álise e quando se trata
mete a esquemas cognitivos pr~·lingüisticos e por isso L A' casos que a psicana 1, ")
a I.inguagem pode ser tomada a servico instrumental. néutíca em '(k llektive Zusammenhange , a
de conjuntos coletívos o 1 r Ambas térn
mente, entáo a pretensáo de' universaJidade da her- crítica da ideologia pretendem ese arece .
menlutia encontra um limite nos sistemas Iíngüíst]. a ver com objetivacóes em Iinguage~ corr_ente. n~s
ros da cilncia e Das teorías da escolha racional. Com quais o sujeito que produz estas manifestacóes v~tals.
deito. sob tal pressuposleáo pode-se tomar plausível nao reconhece suas próprias íntencóes, Essas manifes-
por que sistemas lingüísticos construídos monologíca, tacóes se deixam conceber como partes de urna co-
mente náo podem ser interpretados sem referencia a munícacáo sisternaticamente distorcida (verzerrten).
urna linguagem natural, e, contudo, podem muito bem Elas s6 podem ser compreendidas na medida em que
ser ·compremdídos· delxando-se de fora a problema- sao descobertas as condicóes gerais da patología da
tia hermenlutica: as condícóes da compreensáo nao cornunica<;ao em linguagem corrente. Urna teoria da
seriam simuJtaneamente as condicóes da comunicacáo comunica~ao em linguagem corrente precisa, com is-
em linguagem corren te. Isso só seria o caso no íns- so, primeíro abrir o acesso ao contexto de sentido aba-
tante em que o conteúdo de teorias estritas devesse lado patologicamente. Se a pretensao de expor urna
ser traduzido para o contexto, do mundo da vida, do tal teoría fosse justa, seria possível urna cornpreensao
discurso. e~planatória que ultrapassaria os limites da compreen-
Njo POSSOtratar aqui este problema: eu gostaria sao herrneneutica do sentido ..
de colocar de outra maneira a questáo da validade ~or outro lado, o programa de urna teoria geral
da preteosao de universalidade da hermenéutica. Será das hnguagens naturais foi renovado pelos defensores

38 39
de urna hn¡id lO rativa hA maís de Ulna déc _ - a objetividade da
so nao sao o d
c~ J
por a I'U'On tru~Ao racIonal d a~
A

~t t n ~ ve o
o
orrenteoNeste ca : ..'stica a dependencla- o-
i 'e~ d ~ que dcfma suficientemente a e urn geI11.c_ (Vberlieferung) hngu~ d ~mundo lingüística
tradl~ao compreensao- o d d írnpfi-
:\
P'CCc.:1lC . ':ft..r.l·
......... ~ ral o Se esta pretensao pudCOIll. horizonte que a o 1 0ncompreensibilida e o 1
r cumplida ck mi maneira que a cada element es~ neI11a potenCIa l o primeiramente aos es-
rern, , b' que resIstem
lin¡u:l&t'1D natural se deixassern coordenar o o . .....enteo VIO, -
ella,..
~ mente el ~ teórico-lingüísticas de estruUnt• f r~osda interpretac;a~ ompreensao que result~m
o
descri eX de estruturas exprimidas ~ o Nas dificuldades .e e 1 1 temporal ou socIal,
~_ . podo o na d di tanCla cu tura , f-
U4I leona enam vrr a OCupar o lug de urna gran e lS. " o indicar de que in ormac;oes
compl'ftO o ncnnencutlca
L_ o o d
o sentido, ar nós podemos e~ pr~nclpl dis or para compreender:
Eu também nño posso tratar des te problema no adicionais preclsaonam~:deciirar um alfabeto, apr~~-
toot~ to arualo No que scgue, vou apenas perseguir sabemosque precIsamo s de aplicac;óes especIfl-
1 ,'
der o eXICO ou deduzlr regra
d [írnite de toleranCIa
A o d a·\
• qu ~ de se urna ciencia critica como a psicaná.
texto Dentro o I d
lise pode escapar da ligacáo da interpretacao escolada . cas do con o._ lin agem corrente, nós po e-,
.l compe-t~ncia natural da comunicacáo ern linguagern , usual cornumcac;aoe~ dguesclarecer hermeneutica-
aber na tentativa e , .
C'Of1"'CI)U. grac;.'\S a urna análise semántica teoretica. mos s , t de sentido incompreenslvels, o que
mente fundamentada. e com lsso recusar a pretensao mente contex os OA • hermeneu
,s (ainda) nao sabemos. Esta conSCIenCIa -
dr universalidade da hermenéutica. Esta investigac;ao ~i~ase mostra como insuficiente no c~so da com~-
ajudaronos a preci ar em que sentido a tese fun- nícacáo sistematicamente distorcida: a l~co~preens~-
damental hermenéutica mesmo assim pode ser defen- bilidade nao resulta aquí de uma orgamzacao defeí-
dida .. 00 Kja, que nós, segundo a Iormulacáo román- tuosa do próprio discurso o Perturbacóes lingüísticas
ti de Gadamer. n50 podemos transcender "o diálogo claramente patológicas, como por exemplo as que
que nós somos-o ocorrem com psic6ticos, podem ser negligenciadas pe-
la hermenéutica, sem ser ferida a autocompreensáo
desta. O terreno de aplicacáo da hermenéutica coin-
JI. A consciencia hermenéutica será incompleta cidirá com os limites da comunicacáo normal em lin-
enquanto nao as urnir em si a reflexáo sobre .~s ~i. guagem corrente enquanto só os casos patológicos fi-
miles da cornpreen Ao hermenéutica. ~ expe~lencl~ carem subtraídos a ela. A autocompreensao da her-
hermenéutica do limite se refere a manifestacóes vi- menéutica só poderá ser abalada quando se mostrar
tais específicamente jncompreensív~iso Est~ [ncom- q~e modelos de comunicacáo sistematicamente distor-
preensibllídade específica nao se delxa. dominar por cidos retornam também no discurso u normal" di _
mos no di . , 19a
um exercício, por mais técnico que seja, da compe- th ¡' , h iscurso lmperceptivelmente patológico (pa-
tencia comunicativa adquirida natura.lmente; sua obs- daop~~~~ocuonmauf~alli~en Rede)o Assim ocorre no caso
tínacáo pode valer como sinal de que e 1a nao
- é ex- umcac;ao em qu - fi
..- id a cons- aos participantes urn ' be nao ica reconhecível
plicável apenas a partir da estrutura, trazi a '. Somente alguém que aehpertur ac;ao da comunlca~aoo '-
m bngua-
o -
ciéncía pela hermenéutica, da comumca~ao e egue de fora perceberá que

41
40
um entende malo outro. A pseudocomunica~ao ge . a comuOl'cario
y
distorcida
d
um sistema de mal-entendidos que nao é descober~a drls símbolos IingUísUco~:a~áo de regras que se es-
ou percebido (durchschaut) na aparencia de urn fal o f~z.sepercepdvel pela ap :c da linguagem pública. Po-
ermeneutíca nos ensinou quso
consenso.: Pois b em, a hermenéutí jarn do sistema de reg~ato alguns conteúdos sem!\n-
. e V
. ·dos por IS ex-
nós, enquanto nos movemos numa lmguagem natural dem ser atIngl. . de significados; ern casoS
sempre estamos participando como interessados e na ' t jCOSe campos mtel_r0s é preJ·udicada. Freud, nos
podemos nos evadir do papel de parceiros refIetido: bé a smtaxe . .
tremos tam m T aumtexten), investigou pnncl-
Nao dispomos, por isso, de nenhum critério geral que textos do sonho (an._ r (Verdichtung), destocamento
nos permita verificar quando é que estamos presos almente condensa~ao h. bung) agramaticalidade e
P . - Verse le ,
na consciencia falsa de um acordo (ou entendimento) (ou: transpOsl~ao, . áo No nivel do corn-
pseudonormal, e consideramos algo, que em verdade I s de opOsl~a .
o papel das pa a~ra d rnguagem deformado faz-se
careceria de urna explicacáo sistemática, como sendo portamento, u,m J.o~~ezee ~ela compulsao a repeticáo
dificuldades a serem esclarecidas apenas hermeneuti. perceptível pe a ng1) Modelos estereotipados de
camente. A experiencia hermenéutica do limite con- (Wiederholungszwang. it acóes com estímulos
siste, portanto, em que nós descubramos ou revele- comportamento retomam em SI u y ••

mos como tais os mal-entendidos gerados sísternanes. .íguais. qu e provocam abalos emocionais (Aflektstosse). .d
mente - sem antes "concebé-Ios ou compreende-Ios". Esta infIexibilidade é um sinal de que o c?nteu ~ se-
Freud esgotou esta experiencia da comunica~ao rnántico do símbolo perdeu a Independencia da srtua-
sistematicamente desfigurada para delimitar um ter- ~ao, específica da linguagem. E se nós, por fim, ob-
reno de manífestacóes vitais específicamente íncom. servarnos em conjunto o sistema da cornunícacáo dis-
preensíveis. Eje sempre encarou o sonho como "rno- torcida, entáo chama a atencáo a discrepáncia peculiar
dejo normal" destes fenómenos. Tais fenómenos váo entre os níveis da comunicacáo: está desintegrada a
desde pseudocomunícacóes inofensivas e atos falhos usual congruencia' entre simbologia lingüística, acóes
até as manífestacóes ou fenómenos patológicos das e expressóes associadas. Os síntomas neuróticos sao
neuroses, das doencas do espírito e das perturbacñes apenas o testemunho mais obstinado e palpável des-
psicossomáticas. Nos seus escritos sobre teoria da cul- s~ di~sonancia. Qualquer que seja o nível de cornu-
tura, Freud concebeu o terreno da comunicacáo sís- n.lca~ao ~~ ~ue, aparecem os síntomas _ no profe-
tematicamente distorcida de maneira mais ampla e
utilizou as nocóes adquiridas em fenómenos clínicos :::;:; d:n:~~:~~a::~o:imbologia corporal ou ern
como chave para a pseudonorrnalídade, isto é, para al urn conteúdo excom d- sempre se autonorniza
a patología oculta de sistemas da sociedade global. ~agem, Este conteúdo u~;a r'o do uso .público da lin-
Concentremo-nos primeiramente no terreno, melhor IncompreensíveI segu d p une urna mten~áo que é
'bl· n o as regr d
aclarado, das rnanifestacóes neuróticas. ~u ica, e neste sentido es ,a~ a comunica~áo
Tres critérios se oferecem para demarcar maní- macessíveI até m tá pnvahzado e permane
ím u d esmo ao autor a ce
festa~OeS vitais neuroticamente distorcidas, e, neste ,p ta a, No Si-mesmo (S lb) quem ela deve ser
sentido, especificamente incompreensíveis. No nível
relra a, comufl1ca~ao enr
e s t se m
,ant
é
m urna bar-
peten te, que participa n~: ~ eu hngüisticamente COm-
42 Jogos de linguagem .
lncor-
43
po iDlersubjeti\-amente, e aquele ·estrangeir . cáo da cena original atestada em urn ato de
- .. (F-'~
tenOr ,~. que e representado (ou: substituid o 10.- reconstruy-
t reflexáo do doente.
l~rlrrlOt) peb sirnbologia da linguagem privada o, au (TA ena original reproduzida (wiederhergestellt) é,
da Iinguaacm primaria, ou ~renzer apresentou no caso da fobia do Joáo-
AllITd Lorenzer invesrigou o diálogo analítico COIIlO d ., t .
zinho pesquisado por Freu , tlplCame~ e,. urna sl~ua-
tre lD!Ikiico e paciente sob o ponto de vista da :~ _ na qual a críanca sofre um conflito ínsuportável
c::a.nálise como urna análise da Iinguagem.1t Ele co~ ~o defende dele. A defesa está ligada com o proce-
a:be • dccilra~o do sentido, da hermenéutica pro- ~=ento de dessimbolizafiío (Desymbolisierung) e de
funda, das objcrivacóes específicamente incompreen_ forma~áo de um síntoma. A experiencia da re~a~o
sh-ci. como sendo urna cornpreensáo de cenas análo, conflituosa com o objeto é expurgada pela crianca
ps. A mela da ínterpretacáo (Deutung) anal1tica é da comunica~ao pública (e com isso tornada inaces-
la bermcneulicamente, o esclarecirnento do sentldo sível também para o próprio eu); a crianca separa a
incomprecn Ivel de manifestacóes sintomáticas. Ouan- parte conflituosa da representacáo do objeto (Objekt-
do le tnata de neuroses. essas manífestacóes sao parte reprdsentanz) e dessimboliza de certa maneira a sig-
de wn jogo de linguagem deformado, no qua) o doente nífícacáo da pessoa de referencia relevante. A lacuna
".lla· (agiu/): ele representa (spíell) urna cena in- surgida no campo semántico vem a ser preenchida
eompreensível ao chocar-se vísivelmente contra expec- pelo síntoma, na medida em que no lugar do conteúdo
lati as de eomportamento vigentes estereotipicarnen- separado entra um símbolo insuspeito, Este símbolo,
te. O analista procura tornar compreensível o sentido allás, se salienta como um sintoma, porque adquiriu
da cena .intomática ao coloca-la ero relacáo com ce- urna significacáo de linguagem privada e nao pode
nas análogas da situa~o de transferencia. Esta con- mais ser empregado de acordo com as regras da Iin-
cbu • chave para a relacáo cifrada da cena sintomá- gua~em p~blica. A. ~~preensao cénica, que produz
tica que o paciente adulto representa fora do trata- equivalencias de sígnificacñr, entre os elementos de
mento, por um lado, e, por outro, com urna cena t~es modelos: a cena cotidiana, a cena de transferén-
original d1 prirneira ínfáncia. Pois na sltuacáo de c~ e a cena original, e corn isso suspende (aufhebt)
a lDcompreensibilidade específica do síntoma col b
tn.ns(er~ncia o médíco ~ empurrado pelo paciente pa-
ra o papel da pessoa de referencia prirnária conflitual. ~:n~o~~~~t~
cindidos
par~ a ressimboliza~ao (Resy:nbol~si:
' adremtrodu~ao de conteúdos semanticos
O m&iJCO pode. no papel de parceiro reflerido, inter- para entro da co . - ,.
PTetar (dn41tn) a itua áo de transferencia como re- tido latente da't _ mumca~ao pública. O sen-
petí :Ao de cenas da primeira infáncia e assirn cons- referencia (Be'7uS1 uha~ao)atual torna-se palpável pela
~ gna me a . .f - -
truir wn léxico para as slgnificacócs de linguagcm da cena original infa 1'1 A signi icacao nao·mutilada
privada das manifesta (>e sintomáticas. A compreen- bilita, portanto n ,~. compreensao cénica possi-
. , urna tradudi" d .
sAo céníca parte, assim, da dcscoberta de que o doente tao macessível ). ." o o sentido, até en-
"comunlcarao ' bli
se comporta em suas cenas sintomáticas assim cornO na dor de comport ,. pu ica, mas determi-
.
pato 1oglcamente
amento do m d 1 d
t ~.
.
o e o e comunlca~ao
ero determinadas cenas de transferencia; e ela visa a en orpecldo.

44 45
A comprec-ns50 céníca distingu~se da . , nI
ifi
Ica~·óeS· a relarOes
y
de objeto tObjektbezie-
compn:cnslo bermenéutica do sentido pela su:unp1es veis slg . res e perturbadas por conflitos. O ma-
en) anteno
explanatória. Ela deduz (er.schliesst) o 5ent.d for~ hung . .., ti co que resulta das conversas corn o pa-
. 1 hngulS 1 • •
rnanJlest t6es vitais especificarnenrs incomp l o das terIa ser ordenado nurn contexto estreí tamen-
reensfv . dente, vem ~to de possível duplo sentido. Este con-
$OInC.nle na medida em que consegue. Com a eis
circunscn
~o da cena original. esclarecer também asrecons- te . te de urna [nterpretacáo geral de modelos
cond· te "to conSl S
_o da primeira ínfáncia• que vém a ser or-
~ da Ibl~ do sern-sentido (Unsinns). O que (lV l-
de intera~a uma história da formacáo- d a persona Iíd I ade
O eonteúdo de significado da manifesta~ao sist a.s~. d
dena os a b." .
c:amente ístorci a. n..o se eixa compreender- ernah_
di id ~ deixa " .ficamente fásica. Am as as CIrcunstancias per-
pode ser • e~p l· especl -
lea d.
o o POrque se ao A· -
JI.
mesmo tems>? n..o (Wa- mitem reconhecer que a compreensao c~nlca nao po-
nml), o surgimento da cena Sintomática, com refe • r concebida, tal como a compreensao hermenéu-
d e se l· _. d .
da u condicóes iniciais da própria distorrao y
s:etn-
IS e-
. como sendo urna ap icacao, ísenta e teoría e
mática. nca.
or sua vez recém-possl ibili l Ita d ora d e teorías, . d a com-
p . .
A cornpreensáo só pode. a]iás. assurnír fun~ao ex- petencia comUniCatIva.
planatória no sentido estríto quando a análise da sigo As hipóteses teoréticas, que fundamentam tacita-
nifica~Ao n50 se fia unicamente na ap1ica~ao escolada mente a análise da linguagem de hermenéutica pro-
da competéncla comunicativa. mas se deba dirigir funda, deixam-se desenvolver sob tres pontos de vista.
por hlpóteses (Annahmen) teóricas. Eu cito dois indi- O psicanalista tem um conceito prévio (Vorbegriff)
cios de que a cornpreensáo cénica se apóia em pres- da estrutura da cornunicacáo náo-distorcída em Iin-
suposi~Ms teóricas que absolutamente nAo resultam g~agem corren!e (~); ele reenv!a a distorcáo sistemá-
por si mesmas da competencia natural de um falante tíca da comumcacao a confusao de dois degraus da
nativo. organizacáo simbólica pré-lingüística e lingüística, se-
Em primelro lugar, a compreensáo cénica está li- parados em termos de história do desenvolvimento
gada a urna ordcnacño experimental (Versuchsanord- (~): ele explica o surgimento da deforrnacáo com au-
"ung) hermenéutica singular. A regra fundamental XIlIo.de urna teoria de procedimentos de socializacáo
analítica, introduzida por Freud, assegura urna comu- ?eSvlan_tes, que chega até a conexáo de modelos de
nica,50 entre médico e paciente que preenche como lntera~ao da primeira infancia com a formacáo de
que condícóes experimentáis (experimeruelleí: virtua- estruturas de personalidade (3). Eu nao preciso de-
liza,Ao da situacño de perigo (Ernstsituation) e livre senvolver aqui si t .
e M IS ematlcamente as hipó teses teorétí-
associacño. por parte do doente, bern como reacáo di- as. as gostaria de (
de . t comentar erliiuterrú os pontos
rigida (rielgehemmte) e partlcipacáo no jogo (Mits- VIS a nomeados.
pie/en), por parte do analista, possibilitam a realiza- 1. A primeira pr . - d .
se refere ~ . _OposI~ao as hipóteses teoréticas
~o (Zustandekommen) de urna situacáo de transfe- aS condl~oes est t .
preench· d ro urais que precisam ser
rencia que pode servir de foIheta de traducáo (Uber- mal" e~ ~.s, se queremos falar de comunicacñn "nor-
settungsfolie). Em segundo lugar. a pré-compreensá? mguagem corrente .
do analista se dirige a um pequeno setor de pOSSl- . a ) Num jog d li
o e mguagem nao-deformado (nicht

46 47
_ destacada dos objetos
t/tt>/ont,ic,tm) OCO\ le congruencia da . di rínta tao
a realidade IS 1 d ' coisa representados quan-
ero tod nfveis da comunica~ao' a: man~festa~Oes cebe uJ1l dos estados e
lingUhtk:unente s~mbolizadas, as 'rep=~::<;Oes tados e . das
deDO 'vendas prIva· l em linguagem corren-
"""'_ e concretízadas ern expressOes e . em de VI . ráo norma d
ro d) Na comunIca..,. intersubjetividade a re-
cootradium, e sim se complement orporals nao mantém a . , e-
ni th'1llnell. te. Contradi~Oes propositaisamq metacomuo
.s. • _
\'Q eontem urna comunaca~ao (Milleilung)
' ue por sua
-
::~o,
forma·see se. t -dade de indiVIduos que se r
fiadora da 1~~e~ En~uanto o uso analítico d~
conhecemmutu~m 'dentifica~áo de estados de COI-
senudo, normais. Além disso pertence a form' sao, neste
..t_ I '
va comun cacáo em linguagem corrente que
a normal
. linguagernperDute a 1tegoriza~áo de obiJetos, co m au-
urna ~s (e, portan.~~,a _cado particular, da subsunc;áo do
te
'" socl ocu rura mente carn sante, mas constante dpar.
"1 bi
xílio da iden~1.Idca~al o m classes e da inclusáo de con-
tro de urna comunidade lingüística, das significa .~ to índívi ua e
O' - __ L. • • • • J
u averoars precise ser mtenciona mente, Isto
<;oes ,. elemen fl ívo da linguagem garante urna
é
. tos) o uso re exi
. - ve rba lizá
p rincrpro, l ve.1 ' em JUD _ ' (V h··ltnis) do sujeito falante com a comu-
rela~o li er a
.., tica que náo pode ser exposta su icien-
fi .
b) A comunicacáo normal em linguagem corrent nidade mgulS , ,. . d A
se orienta por regras válidas intersubjetivamente: ela t com as opera~óes analíticas menciona as.
temenel' . .
~ pública. As signiflcacóes comunicadas sao em prin- . tersubJ'etividadedo mundo, no qua os sujeítos VI-
cípío idénticas para todos os membros da comunida.
ID
vem em comum somente em vírtu • d e d e sua cornuru-.
de Iingülsrica. Os proferímentos verbais vérn a ser ca~áoem linguagem corrente, náo é um universal ao
formados de acordó com o sistema de regras gra- qualos individuos estariam subordinados da mesma
maticais cm vigor e aplicadas de acordó com o con- maneira que os elementos em suas classes. A relacáo
texto específico; para manifestacóes extraverbaís, que (Relation) entre eu, tu (outro eu) e nós (eu e os ou-
MO sáo reguladas gramaticalmente, existe também tros eus) antes vem a ser produzida através de um
um léxico sociocuhuralmente cambiante no interior desempenhoanaliticamente paradoxal. Os falantes se
de determinados limites. identificamsimultaneamente com dois papéis de diá-
e) No discurso normal, os falantes estáo conscien- logo incompatíveis e garantem assim a identidade do
tes da diferenca categorial entre sujeito e objeto. Eles eu como a do grupo. Um daqueles (eu) afirma frente
diferenciam entre discurso exterior e interior e se- ao outro (tu) sua absoluta náo-identidade; mas ao
param mundo privado e público. A diferenciacáo en- ~e¡mo tempo ambos conhecem também sua ídentí-
tre ser e parecer (ou ilusáo, Schein) é, além dísso, de- id e, a~ se reconhecerem reciprocamente como indi-
pendente da distincáo entre o símbolo lingüístico. seu ;e~os msubstituíveis, de modo que aquilo que os
significado (Signijik at um) e o objeto que o símbolo e novamente é um (
por sua vez afirm co.mum. nós), um grupo, que
inala (Re/erent, Denotatum). Só sobre esta b~se é
grupos d . a sua ldenhdade frente a outros
posstvel um ernprego de símbolos lingüísticos m~~' , e manelra que se p d '
tivos ligados int b" ro uz ao nivel dos col e-
pendentes da situacáo (Dekontextua l!tsierun« . ) . O sujet- ersu Jehvamente 1
entre os individuos.l! a mesma re acáo que
to Ialante aprende a dominar a dístincáo entre ser e •
ílusáo na medida em que para ele a linguagem re- O específico na
intersubjetividade lingüística é

49
que indJ, d dn¡uJ res (ou: singulares indo .
in.J"ü,u¡otc Ein~e1ne) se cornunicatn lvld~ a' operac;óes analiticamen-
. xatamen t e !'> 1
'o uso rdlc::ú~'O da linguagetn. nós apr,flo~ se subtral e de interpretac;ao causa con-
lJlOS, 'vacas. O esquema ..encías empíricas de acon-
o ln4h~uaI tnalienÁ,<d ero categorias ine....¡~~ te uru - as consequ )
d na aplicac;ao . de "causa" (Ursache. e. na
mm~ unh'U14is. de tal modo que num ceno ta~tI. UZ, concelto . 1 con
ec Unentos• ao to de ac;ao intenclona • ao -
I'"C'\ ~lacomunicativamente as ca sentido t um contex t também
rn~ aplicaC;áoa . .. (Motivs). Analogamen e. A'

d.arctas (e as confirmamos com ressalvas) tto de "mOtIVO_ matizados com referenCia


exprimir indimamente no eu o !Üo-identico. ~ue~ cel po sao esque - . de
es pac;o e t~m. s fisicalisticamente mensuravels
K IOta ero determinacóes universais e co ~ as caractenstIca . tos diferentemente do que com
• ntu.
do. leS pode ser represen lado por meio deJas." O objetoS e acontecl~e~ (Erfahrung) intersubjetiva de
an.a.Utico d.t Iinguagern está ínserido (eingebeUet) Uso referencia a expenen~la diadas simbolicamente. As
USO rd1e~h'o, porque a Intersubjetívídade do enten~
de interac;ao me . d
contextos no rimeiro caso, como srsterna e
mento ou acordo ero Iinguagem corrente nao pode categorias ser;:~bse:a~ao do agir instrumental con-
ser mantich Km urna auto-representacáo (Selbstre. coordenadas sso e no segundo caso, como qua-
F ~1tIQI;on) recíproca dos sujeitos Ialantes. Na me. uolado peflo.succ1·aeda e~periencia (Erfahrung) subjeti-
dro de re eren . "
dldA cm que o Ialante domina aquela comuni~ ro social e do tempo hístoríco. A
ex t ensa- o
indi~ta ao nível metacomunicativo, ele distingue es- do espay bí -
va f ) do terreno de expenencla
'.' -
da íntersu jetrvi-
Itnc~ e [enómeno. Nós podemos nos entender dire. 1 (Um ang
dade se altera complementarmente
a ex t ensao.
- do ter
-
tamente sobre estados de coísas (Sachverhalte). mas reno de experiencia dos objetos ~. dacontecdlmEent~s
a subjelh-idade que n6s atingimos quando faJamos objetivados (objektivierter Gegenstan e un rerg-
un¡ com os outros apenas transparece nas comuní-
nisse). . - . , f
~ diretas. O sentido categorial da forma indíreta 2. A segunda proposicao das hipóteses se re ere
da cornunícacáo, na qual ~ díto (zur Sprache kommt) a vincula~ao (Zusammenhang) de dois níveis geneti-
o [ndizivelmente individualizado. ~ apenas ontologí- camente subseqüentes da organizacáo simbólica hu-
zado DO conceíto da esséncla existente em seus fe- mana.
nómenos. . a) A organizacáo simbólica mais antiga, que se
e) Finalmente. o discurso normal se caracte~ua opóe a urna conversáo de seus conteúdos em comu-
pelo fato de que o sentido de substáncia e causalida- nicacáo regulada gramaticalmente, s6 se deixa explo-
de espaco e lempo. ~ diferente conforme estas ca- rar ou deduzir com auxílio de dados da patología lin-
• ~sejarn aplicadas aos objetos
. no mun dou
U'gorias o . güística e a base da análise do material onírico
ao mundo constituldo lingüísticamente dos própnos (Traummaterial). Trata-se aí de símbolos que dírigem
sujdtoJ Calantes. Para a identidade dos objetos. qu; condutas, e nao apenas de sinais, pois os símbolos tém
podern ser categorizados analíticamente de fo~ un- urna autentica funcáo de significacáo: eles expóem
vaca o esquema de tnterpretacáo ·substancla . ~em experiencias de intera<;ao. De resto faltam, porém, a
um sentidc diferente daquele que tern para sUJeltoS esta camada dos paleossímbolos todas as característi-
falantes e agentes, cuja . eu-iidentid
enn a d e, como mostra- cas do discurso normal," Paleossímbolos nao estáo en-

so 51
mio sao elementos ordenados e nao apare regras. E.les
. ecem ern atisfat6ria do mundo dos objetos experienciado. Nos
Juntos que podem ser transformados gr . Con_
P ·· amahcalrn ~asos de perturba~ao da cornunicacáo e do pensamen-
te. or lSS0,comparou-se o modo funcional d en-
' Iimguístrcos to dos psicóticos,20encontram-se dois fenómenos de
b o 1os pre- .., . com os da calculad esses sín-..
~'l-
perda (Ausfallerscheinungen) extremos; em ambos os
díf ora anal' .
ca, 1 erentes dos da calculadora digital. Já FreUdog~- casos estáo perturbadas as operacóes analíticas de for-
nha notado, em suas análises do sonho a f 1 u, macao de classes. Num lado se mostra urna estrutura
relacóes lógicas. Ele chama a atencáo princip alta de da fragmenta~ao que nao permite reunir ern classes
. - a mente
para as pa Iavras d e oposicao, que conservaram . d sob critérios gerais elementos singulares desintegra~
no mve ' 1 l'mguísnco
.., .. a propnedade geneticament am .a
dos. No outro lado se mostra urna estrutura amorfa
. d . - " e malS'
antíga e urna associacao de significados logicam que nao permite analisar agregados de coisas super-
. '1., .. , ente
rrreconci raveis, IStO e, contrarios." Os símbolos é ficialmente parecidas e vagamente reunidas. O uso do
lingüísticos sao fortemente carregados afetivamen::r ~ símbolo nao está destruído no seu todo. Mas a In-
sempre presos a cenas determinadas. Falta urna se- capacidade de formar hierarquias de c1asses e ídcnrl-
paracáo entre símbolo lingüístico e expressáo corpo, fícar elementos de cIasse atesta nos dois casos a des-
ral: A Iígacáo a um contexto particular é tao forte truicáo do uso analítico da linguagem. I! bern verdade
que o símbolo nao pode variar livremente frente a que a segunda variante deixa concluir daí que ~ pos-
acóes." Embora os paleossímbolos representem urna sível urna formacáo arcaica de cIasses com auxílío
base pré-língüístíca da intersubjetividade do viver em dos símbolos pré-lingüístícos. Em todo caso, nós en-
comum e do agir com os outros, eles nao permitem contramos, tanto nos primeiros graus de desenvolví-
nenhuma comunicacáo pública no sentido estrito. Pois mento, em termos ontogenéticos e de história do gé-
a constancia das sígnífícacóes é mínima e as partes nero, quanto em casos lingüístico-patológicos, as cha-
de significacáo privada sao consideráveis: ainda nao madas classes primárias, que nao sao formadas sobre
garantem nenhuma identidade de sígnificacóes in ter- a base abstrata da identidade de propriedades (Ei-
subjetivamente obrigatória. O privatismo da organí- genschaften). Os agregados abrangem antes objetos
zacáo simbólica pré-Iingüístíca, que se salienta em to- concretos ~onsider~ndo ~~e eles sao incluidos, sem que
das as formas da patologia lingüística, se reporta ao suas propnedades IdentIflcáveis sejam levadas em con-
fato de que a distancia usual, para a cornunicacáo em ta, num contexto de motiva~o abrangente e subjetí-
linguagem corren te, entre emissor e destinatário, e a v~ente convincente. Imagens animistas do mundo
sao . d
dístíncáo entre sinal simbólico, conteúdo semántico e organIza as segundo tais classes primarías. Como
referentes, ainda nao estáo desenvolvidas. Os graus os ~ontextos intencionais abrangentes nao se deixam
de realidade de ser e parecer, de mundo privado e proJetar sern experiencias de interacáo, há razáo para
público, nao podem ainda ser claramente diferencia- supo~ que formas prévias da intersubjetividade ji se
dos com a ajuda dos paleossímbolos (adualismo). conshtuam
.., . ao nílve 1 d a orgamza~ao
. - símbóllca
. pré-lin-
Finalmente, a organizacáo simbólica pré-lingüísti- gUlshca. Os paleossímbolos se formam evidentemente
ca nao permite nenhuma categorizacáo analiticamente ern contextos de intera~ao, antes de serem assurnidos

52 53
so úblico da linguagem e como <:lue
em um sistema gramatical de regras e de serern rnungada do u p ível dos paleossfmbolos, genetlca-
sociados a inteligencia operativa. as- diada para o n
b) A organízacáo simbólica descrita, que preced cepu • antigo. 6 . "'-
mente mals d e o comporta mento neur treo ~
Nao a podemos observar em parte alguma. Mas a d:
geneticamente a Iinguagem, é urna constru~ao teóric e

cifracáo psicanalítica da comunícacáo sistematicarnen_


A hipótese, . ebquI'camente e s6 posteriormente
"d paleoss1m o I
ding1 o r raCIOna
verna se
. t JI:
. liIzado através de urna. mterpre acao
também uma exphcac;ao para as
te dístorcida pressupóe uma tal construcño, porque a lingüística,.oferdecet forma de comportamento: para
rístlcas es a t'
hermenéutica de· profundidade (Tiefenhermeneutik) caracte II rt) pseudocomunicativos, estereo 1-
compreende as confusóes do discurso normal seja co- valores (Ste e1n_we (Zwangshaltigkeit), para ocupacáo
mo uma regressáo forcada a níveis anteriores da co- . e compu sao 'd
pla. . to Besetzung) emocional, conteu o ex-
municacáo, seja como uma írrupcáo da forma mais (ou: mvestlmen , . . _
. o e vínculacác rfgida a sltuac;oes.
antiga de comunicacáo na linguagem. Partindo de ex- presslV alque pode entao ser compreendido como
~o~ .
periencias do analista com pacientes neuróticos, Al- dessimboliza~ao, resulta també~ para o mecanismo
fred Lorenzer, como já mostramos, ve o sentido da
de defesa complementar, que nao se lid volta contra o
psicanálise no seguinte: reintegrar no uso universal próprio Si-mesmo e sim contra a rea 1 a d e extertor, .
da linguagem conteúdos simbólicos cindidos, que le- isto é, para a projecáo e a denegacáo (Verleugnung),
vam a um estreitamento de linguagem privada da co- urna iDterpreta~ao de análise de linguagem. Enquanto
municacáo pública. O trabalho analítico, que reverte lá o uso público da linguagem é mutilado pelos sin-
o processo do recalque, serve a "ressimbolizacáo"; o tomas formados no lugar dos elementos lingüísticos
próprio recalque (ou: recalcamento, Verdriingungt po- excomungados, aqui a distorcáo resulta imedíatarnen-
de ser, portanto, compreendido como u dessimboliza- te da ínvasáo incontrolada de derivados paleossimbó-
fao· (Desymbolisierung). O mecanismo de defesa do licos na Iinguagem. Aqui, a análise da linguagem visa
recalcar, análogo a fuga, e que o paciente deixa per- nao urna retroversáo (Rückverwandlung) do conteúdo
ceber na resistencia frente as interpretacóes certeiras dessirnbolizado para um sentido lingüisticamente ar-
(triftige Deutungen) do analista, é urna operacáo con- ticulado, e siro uma excornunháo conscientemente rea-
duzida na e com a linguagem; se nao fosse assim, nao lizada do invasor pré-lingüístico. Em ambos os casos,
seria possíveI reverter hermeneuticamente, justamen- a distorcáo sistemática da comunícacáo em linguagem
te pela análise da linguagem, o processo de defesa. O co:re~te se explica pelo fato de que conteúdos se-
eu em fuga (jlüchtende), que teria de se submeter, rnanhcos paleossimbolicamente ligados se enquistam
numa situacáo de conflito, as pretensóes da realidade como corpos estranhos no emprego de símbolos re-
exterior, oculta-se de si mesmo, ao depurar o texto gulado n ... .
mgUlstlcamente. A análise da linguagem tem
de sua autocornpreensáo cotidiana dos representantes
b tarefa de dissolver as síndromes, isto é, isolar am-
(Repriisentanten) das pretensóes pulsionais indesej~- as as camadas de linguagem.
veis. Através desta censura, a representacáo (Repta:
E~ processos de críacáo lingüística realiza-se, ao
sentanzi do objeto de amor desaprovado (ou: proibi- contráno urna t'" .
, au enhca lntegra~ao: o potencial de
do sob arneaca de pena, verpiinten) vem a ser exco-
55
54
sígnificacáo paleossimbolicamente n
recuperado publicamente no uso e l?a~o ve.rn a uer tradu~ao, está atingida énquanto
gem e posto a disposicáo de urn e natIvo da lin~l' ubJ'aZa qualq _ na hermeneutica profunda neces-
Jos regulado gramaticalmente.21 Estmprego de sÍlnl...·
s preensao . á .
tal. A co~ de uma pré-compreensao sistem nca que
'd ... d a transrv,.· U().
con t eu os sernantícos a situarao d I'VSl~aod sita por ISS~ a ens como um todo, enquanto a corn-
Ii iif • 'J" e agre d e abarca as bngu ge tica parte a cada vez de um en-
ingu suco para a de lingüístico e d ga o Pré
do azi ", xpan e o d . preensao herrnen u do prévio (Vorvestandnis) deter-
o agir comurucatívn as custas do m ti Olllínio
.
cíentemente,
O
momento do sucess
o lvado .
Incons. tendiunento ou di acoráo que se forma e se a ltera tera no no in-
I
li o no Uso ' , d pela tra l~a , .
d a mguagem é um momento da em Illlna o , acáo lingü ística. As hípóteses teó-
. ~ Cflativo , da comume 'J' 'd
D1'ferentemcnte se dá com o grace' anClpa~ao
.
tenor
, que se re
ferern por urn lado, a dois graus e
,
· (W')uz . O riso . JO ou a brí rIcas" _ 'bóliea e por outro lado, aos proces-
d erra
. com
. que nós reagim
forca d os pe 1a comícldads do grace]o con
os quase
Inca· Jllza~ao Slm ' - ' - d
or;a de des. e ressirnboliza~ao, de mvasao e e eme.,?
1
que
... . Íib d serva a ex so l 'bólieos na linguagem e de exeomunhao
periencia 1 era ora da passagem do nível d - tos pa eOSSlm ,'-
, te destes invasores, assrm como a íntegracao
paleossimbólico para o lingüístico: é cómic o pensa,r . b ÓliICOS pre-é-línzü
üíd d d a a ambl
conselen
, üí t' a dos eonteúdos sim ingu (stícos
,
gui a e esmascarada do gracejo, a qual consiste e~ bngu s le
s hipóteses teóricas se deixam ordenar dentro
que o narrad~r nos ~eduz (verführt) para a regressao -~ ta d .
de um modelo de estrutura que ~reu CO~qUlStou a
ao nível da simbología (Symbolik) pré-Iingu"ística p artir de experiencias fundamentaís da análise de pro-
' or
exemp 1o, para a confusáo de identidade e semelhan, ~edimentos de defesa (Abwehrvorgangen). As constru-
~a, e ao mesmo tempo nos denuncia e faz confessar ~óes do "eu" (ou Ego, [eh) e do "id" (Es) interpretam
(überführt) o erro dessa regressáo. O riso é um riso experiencias do analista com a resistencia do paciente.
de alívio. Na reacáo ao gracejo, o qual nos faz re- "Eu" é a instancia que preenche a tarefa da pro-
petir virtualmente e por tentativas a passagem perí- va da realidade (Realitiitsprüfung) e da censura da
gosa sobre os limites arcaicos entre comunícacáo pré- pulsáo. "Id" é o nome para as partes do Si-mesrno
lingüística e lingüística, nós nos asseguramos do con- (Selbst) isoladas do Eu, e cuja representacáo iReprii-
trole que alcancamos sobre os perigos de um nível sentanz) é acessível em conexáo com os procedimen-
de consciencia já vencido. tos de defesa. O "id" (Es) é representado mediatamen-
3. A herrnenéutíca de profundidade, que escla- te através de sin tomas que fecham as lacunas sur-
rece a incompreensibilidade específica da comunica- gidas pela dessimbolizacáo no uso normal da lingua-
~o sistematicamente distorcida, nao se deixa mais gem; e o "id" é representado imediatamente pelos ele-
conceber, quando tomada estritamente, segundo o ~entos de ilusáo (wahnhaften) paleossimbólicos que
modelo da traducáo, como é o caso da simples como ~ao~contrabandeados para a linguagem através de pro-
preensáo hermenéutica. Pois a "traducác" controlada jecao e denegacño, Ora, a mesma experiencia clínica
da "resistencia", que obriga a construir a instancia
da simbologia pré-Iingüístíca para a linguage~ afa~ta
~o eu e a do id, mostra também que a atividade da
confusóes (Unklarheiten) que nao surgem no mtenor Instancia defen siva
.
. no mais. d as vezes ocorre incons- '
da linguagem, e sim com a própria linguagem: a es' CIentemen te . Por lSS0, , Freud ,introduz a categoria do
trutura da comunicacáo em Iinguagem corren te, que

57
56
« superego " (Ober-I eh)'. um a Insta
. .
tranha ao eu (ou: Ego) que é f nCIa de d f
1
ident if'icacoes
- em aberto ' co 0rm a da a he esa eS. struturas do eu (Ego), ?O
m as exp .t"al1' , do surgitnento dec~rresponde, no plan~ SOCIO-
soas de referencia primárias. T d ectativas d Ir de teorJa uperegO. A ela .' áo das qualifica~oes fun-
eu (E go,) 1id e superego esta- o as as . t res~ Catee M:S,
l\~
id e do s a teoria da aqUldsl~ péis (Rollenhandelns).
id . ,
senn o específico de urna e 'o aSSlm'
. &ori
vInculad as,
omumca - as lógica, u~ do agir-segun o-pa de uma meta-herme-
mente distorcida, na qual o médi ~ao Sistelllarao damentalSrnbas as teonas
. sáo parte
'mento psicológico de es-
gressam com a finalidade de po co e o paCienteI~.
~:~i:a, que ree;~:li~a~~r~ a aquisi~áo das .qU~~i!~:
processo dila ló gico . de esclarecime r ern
t anda mento uIn,
é

d oente a auto-reflexáo, A metapsicolo e .de condulir rno


n ttuturas de per . do desempenho de pap 15
f un d amenta d a com? meta-hermeneutica. ogIa so ca~óesfundamen!~:titUi~áO ou forma~ao da com p.e-
22 Pode ser lenhandelns) ~ c. . to quer dízer: ao exercíclO
O modelo das ínstáncías se apóia írn " mcatIva e IS . ub '
tencía comu ~' (sozia[isierende Emu ung m
num modeló de deformaeao da intersub' pl,lc~talllente
, Jehvldad d SOCia. llIzador das lormas bi t'vidade de enten diírnento ou
1mguagern corrente: as dimensoes que id e a ) da intersu je I 1
' I e Super Formen . a em corren te. Com isso resu ta urna
f ixam para a estrutura da personalidade ego acordo ern lm~ ~ossa questáo inicial: compreensáo
.
d em umvocamente correspo
as dimensóes da tran f' ~. resPlostaó~arano sentido de decifra~áo hermeneutica
('"yer f ormung ) d a estrutura da intersubjetividad s 19ura~ao
dd exp anat na, anifestaróes vnais I
. . especiifireamen tee 10-
. . _. d
na cornurncacao ísenta e coacáo, O modelo estrunj,
e aa profunda de m y • l
suficientes, pressupóe nao apen~s, :omo a, sirnp es
ral, qu~ Freud introduziu como quadro de referencia compreensáo hermenéutica, a aplicacáo exercitada da
categorial da metapsicologia, pode portanto ser reme. competencia comunicativa adquirida naturalmente,
tido a urna teoria dos desvios da competencia comu. mas sim urna teoria da competencia comunicativa.
nicativa. Esta se estende as formas da intersubjetividade da
'Ora, a metapsicologia consiste principalmente de linguageme ao surgimento de suas deformacóes, Eu
hipóteses (Annahmen) sobre o surgimento de estrutu- náo afirmo que urna teoria da competencia comuni-
ras de personaJidade. Também isto se explica a partir cativa hoje já tenha sido satisfatoriamente empreen-
do papel meta-hermenéutico da psicanálise. A como dida, para nem falar de explícitamente desenvolvida.
preensiio do analista, como já vimos, deve sua forca A metapsicologia de Freud teria de ser libertada de
explanatória a circunstancia de que o esclarecimento sua equivocada autocornpreensáo cientificista iszien-
de um sentido sistematicamente ínacessível só tem su- tistischen Selbstmissverstandnis), antes de poder tor-
cesso na medida em que o surgimento do sem-sentídc nar.se, fecunda como parte de urna rneta-hermenéutí-
(Unsinns) é explicado. A reconstrucao da cena ongi- ~a, AfIr~o: porém, que toda interpretacáo (Deutung)
nal possibilita as duas coisas de urna vez: ela abre .ermeneutIca profunda de urna ccmunicacáo sistema-
urna compreensáo de sentido do jogo de linguagem 1tIcamente.. diIS torciida, quer seja encontraday num diá-
ogo anah tíco quer . f 1
deformado e ao mesmo tempo exp Iíica o su rgirnento • irn Ii . ' m orma mente, precisa pressupor
p lcltarnente aquel a h' .
da própria deforrnacáo. Por ísso, a compreens áo ce· que s6 d s ipoteses teoréticas exigentes
nica pressupóe a metapsicologia no sentido de urna quad d po em ser desen vo 1VIid as e f undamentadas no
ro e urna teoria da competencia comunicativa.
58
59
JI!, o que resulta da! para a pretens- d d ez' que aprendemos algo (in allem Belehrtwer-
versalidade da hermenéutica? Se nao valess:o l~ Uni. to ) ~oma esta dependencia e a vira ontologicamen_
gem teórica de urna meta-hermeneutica o a lngua. den, primado inevitáve1 da tradicáo (Vberlieferung)
, que t ' te num 1 - ..
de ser proclamado (in Anschlag gebracht) a t d ena íií ti'ca 23 Gadamer evanta a questao: O fenórne,
teorías: teriam de ser alertadas de que Urna°li~s as lingu s .
da compreensao está adequadamente definido
gem corrente dada, nao reconstruída é a últ' gUa- no
quando eu digo: compreensao- quer d'izer evitar
, mal
, ,_' lrna me.
talmguagem? E a aplicacáo a um material d d entendido (ou: evitar compreender ma1)? Nao subjaz,
,
1mguagem corren te das mterpreta~6es
' gerais qa o de em verdade, a todo cornpreender-mal algo assim co-
d enam ser enva as e urna tal teoria nao neue po.'
' d ' d d
mo um "acordo fundamental" (tragendes Einvers-
iav tam
també m agora, d a pura e simples compreecess],
tarta, _ tandnis)?"24 Nós estamos de acordo quanto a resposta
h ermenéutíca, que nao po d e ser substituída pornsao_
A' -
positiva, mas nao estamos de acordo a respeito de
nhum procedimento generalizado de mensura~ao? ~~_ como deve ser determinado este consenso prévio.
nhuma das duas perguntas precisaria ser respondid Se eu vejo bem, Gadamer é da opiniáo de que
incondicionalmente (umstandslos) no sentido da pre~ o aclaramento hermenéutico de manifestacóes vitais
tensáo de universalidade da hermenéutica, caso o su- incompreensíveis ou malcompreendidas sempre deve
jeito cognoscente, que sempre tem de se servir, cla- é remeter a um consenso, que foi previamente ensaiado
ro, de sua competencia lingüística previamente adqui- de maneira confiável através de tradicáo convergente,
rida, pudesse assegurar-se expressamente desta com- Esta tradicáo (Vberlieferung), porérn, é para nós ob-
petencia pelo caminho de urna reconstrucáo teórica, jetiva no sentido de que n6s nao a podemos confron-
Nós deixamos entre paren teses este problema de urna tar com urna pretensáo de verdade em termos de
teoría geral das Iínguagens naturais, Mas mesmo an- princípios tprinzipiellen Wahrheitsanspruch), A estru-
tes de toda formacáo de teorias, nós já podemos in- tura preconceitual da cornpreensáo nao apenas proí-
vocar a competencia que o analista (e o crítico da be, mas faz mesmo aparecer como sern sentido, re-
ideología) tem de manejar faticamente na exploracáo colocar em questáo aquele consenso faticamente al-
de manifestacóes vitais especificamente incornpreensí- caneado, e que cada vez subjaz ao nosso mal-enten-
veis, Já o conhecimento implícito das condiciies da dido (Missverstandnis) e a nossa incompreensao (Un-
comunicaciio sistematicamente distorcida, que é pres- verstandnis). Hermeneuticamente, nós nos atemos a
suposto de fato no uso hermenéutico profundo da nos referir a acordos prévios (Vorverstandigungen)
competencia comunicativa, basta, para por em questiio c?n~ret~s, que. em última análise se reportam a so-
a autocompreensiio ontológica da hermenéutica, que clahz~~ao, a mtrodu~ao (treinamento, aprendizado,
Gadamer explicita, seguindo Heidegger" exerclta~ao, Einübung) em contextos comuns de tra-
Gadamer toma a dependencia contextual da com- dícáo. Nenhum deles pode fugir, em principio, a criti-
preensáo do sentido, trazida a consciencia hermenew ca, mas nenhum pode ser posto em questáo abstra-
ticamente, e que nos obriga cada vez a partirmos de tamente. Isto s6 seria possível se nós pudéssemos en-
U1;l1apré-compreensño apoiada por tradícáo e a cons- tender (einsehen) um consenso produzido pelo acordo
tituirmos .constantemente urna nova pré-compreensao recíproco como que olhando do lado de fora, e pu-

61
déssemos subrneté-Io ' as costas d os partO o
novas exigencias de legitima~aoo Mas nós :~pantes, a
í que h
o contexto da tradicáo (Uberlielerungsl.usam-
) como o lugar da verdade possível e do f 6-· ..
levantar tais exigencias frente aos o o Podernos men ang , .. di ')
me d 1ida em que entramos nurn diál partIcIpa n tes na , tar-de.acordo (Verstan igtseins ao mesmo temo
o ogo COm el uco es bém é o lugar da inverdade fática e da vio-
lSS0, nós nos submetemos outra v). es. Corn
o d ez él coal"- h ~o ~amduradoura (jortdauernder Gewalt)·.B
meneutíca e aceitar primeiro um con /.
A

cao ej-, lenc1a


o, senso acl d Nós só estaríamos legitrma
., d os a 1identí ifiicar o acor-
ao qua 1 o diálogo retomado pode m UIit o b ern ara or,
do fundamental, que segundo Gadamer se~pre subjaz

I
o ..

zrr, como sendo o acordo fundament 1 ( 1 condu_


· .. d ntsi,
') A tentativa de suspeíta a bs tragend es ao entendimento frustrado, corn o respectrvo estar-de-
E tnverstan
I ar a strata ordo fático, se pudéssernos estar seguros de que ro-
te d e que .este acordo certamen te co n tiIngente men,
ía 1sa conscrencra, é sem sentido porque '
A. ' . .
:. seJa
I ~~ consen~o ensaiado no medium da tradicáo (Uber-
' nos nao lieferung) lingüística se realizou sern coacáo e náo
d emos transcender o diálogo que nós som D' po,
. G da os. al con distorcidarnente. Ora, a experiencia hermenéutica pro-
I
e ui a mer pela primazia ontológica da tr d' _ - funda nos ensina que na dogmática do contexto de
(Vberlieferung) lingüística frente a possível ca'tl~ao tradi~ao (Uberlieferungszusammenhangs) nao se irn-
, , d n lca'
nos so po emos exercer a crítica, por isso sobre t . póem só a objetividade da Iinguagern em geral, mas
dicoes- a ca da vez individuais, na medida em ' ra-
que nós também a repressividade de urna relacáo de violencia
mesmos pertencemos ao contexto abrangente de tra- (ou: poder), relacáo que deforma a intersubjctivida-
dj~ao de urna Jinguagem. "f de do entendimento como tal e distorce sistematíca-
Essas consíderacóes parecem inicialmente plausí- mente a comunícacáo em Iinguagem corrente. Por i50
veis. Mas das sao abajadas pela nocáo, da herme- so, todo consenso em que desemboca (terminiert) a
néutica profunda, de que um consenso ensaiado de compreensáo do sentido está cm principio sob sus-
maneira aparentemente "racional" (vernünftig) pode peita de ter sido forcado de maneira pseudocornuní-
muito bem ser também resultado de pseudocomunica- cativa: os antigos chamavam de cegamento (Verblen-
~o. Albrecht WelImer apontou para o fato de que dung) quando se perpetuavam in tocados mal-enten-
na tradícáo do Iluminismo (Esclarecímento, Aujkld- didos e mal-entendidos-sobre-si·mesmo, na aparencia
rung) foi generalizada aquel a nocáo contrária as tra- do estar-de-acorde fático. A visáo (Einsicht) da estru-
dícóes. o Iluminismo exige, apesar de todo interesse tura preconceitual ~ co~~reensao do sentido nao po-
pelo acordo, que se faca valer a razáo (Vernunft) co- de responder pela ldenhflca~ao do consenso Iatica-
mo o princípio da comunicacáo isenta de violencia ~ente, ?roduzido corn o consenso verdadeiro. Esta
(gewaltloser) frente a realidade experienciada de urna
comunícacáo distorcida pela violencia: u O Iluminismo
sabia o que a hermenéutica esquece: Que o 'diálogo',
tz:
(ldentlflca~ao) antes conduz ~ ontologiza~ao da lin-
e a hipostasiar o contexto da tradícáo (Uber.
erungszusammenhangs). Urna henneneutica critica-
que segundo Gadamer nós 'somos', também é um con- ~:nt~ ~sclarecida sobre si mesma, que diferencia en-
texto de violencia e exatamente nisto nao é nenhum h visao e cegamento, assume em si o saber meta-
erme~cutico sobre as condi~Oes de possibilidade da
diálogo ... A pretensáo universal do ponto de parti- comuntca e- -· •
da hermenéutico s6 (pode) se manter, se partimos de cao slstemahcamente distorcida. Ela vincula

62 63
. - da comunidade"P A idéia da
o de org anlzac;:ao
d consenso verda dei . liica
erro imp
a compreensáo ao príncípio do discurso racional, se- rocess me e no . l.
P d de que se . T mbém podemos dizer: e a ID-
gundo o qual a verdade s6 poderia ser av.alizada (ou: ver a dadelra. a ,.
vida ver id de (Mündigkeit). So a antecí-
garantida. verbürgt} por aquele consenso que fosse a da . d rna tun a f d
obtido sob as condícóes idealizadas de comunieac;ao [ui a idéla a di álogo idealizado como orma e
e f al do la ,1 .
ilimitada e Iivre de domínacáo e que pudesse se afir- P~aráo orro ~~aOO . d futuro garante o u timo acor-
.
mar duradouramente -, VI
'da a ser r t 1 contra a f' tíco que nos une previamen-
K. O. Apel acentuou com razáo que a compreen_ do fundamen a do fático quando for falso, po-
I cada acor '. A •

sao hermenéutica ao rnesrno tempo só serve para nos te, e no qua,. do como falsa conSCIenCIa.,
certificannos criticamente da verdade na medida ern derá ser cntlca . nós só estaremos em situa-
lquer manelra, .
que ela se subrnete ao princípio regulativo: produzir De qua d· ígir aquele princípio regulativo
- penas e eXl (b
entendimento universal no quadro de referencia de cdáo nao a
ropreensao, mas
_ também de fundamentá-Io e-
urna ilimitada comunidade de InterpretacáoP Corn a,.co se ou quando pudermos provar que a an-
efeito, só este princípio assegura que o esforco her- gru.nde~), d erdade possível e da vida correta é
teclpac;:ao a v l. ..,. -
menéutico nao deve desistir enquanto nao tiver deseo- .' todo entendimento lDgulStlcO nao-
constItutIva para A· d l
berto o engano no consenso forcado e a deturpac;ao ,· .... certo que a experiencia fun amenta
mono1OglCO. L • A· d
no maI-entendido aparentemente casual. Se a compre- hermeneutica traz a consciencia a Circunstancia e que
ensáo do sentido nao deve permanecer a fortiori indi- a critica, ou seja, urna compreensao ~enetrante que
ferente diante da idéia da verdade, nós precisamos nao retrocede ante os cegamentos, se orienta pelo con-
antecipar tarnbém a estrutura de urna convivencia em ceito da concordancia ideal e, nesta medida, segue o
comunícacáo isenta de coacáo, junto com o conceito princípio regulativo do discurso racional. Mas, que
de urna verdade que se rnede pela idealizada concor- em cada compreensáo penetrante nós nao apenas efe-
dáncía visada em comunicacáo ilimitada e livre de tuamos de fato aquela antecípacáo formal, mas sim
dominacáo. Verdade é a coacáo peculiar ao reconhe- ternos de efetuá-la, quanto a isto nós nao podemos nos
cimento universal isento de coacáo: este está, porém, apoiar apenas na experiencia. Para nomear razóes de
vinculado a urna situacáo ideal do falar, e isto quer direito, nós ternos de desenvolver numa teoria o sa-
dizer urna forma de vida ern que é possível entendí- ber implícito pelo qual urna análise de linguagem de
mento universal sem coacáo. Nesta medida, a com- hermenéutica profunda sempre se deixa guiar, teoria
preensáo crítica do sentido tem de assumir (sich z~: que permite deduzir, a partir da lógica da linguagem
muten) a antecipacáo formal da vida cerreta. Isto Ja corrente, o princípio do discurso racional como o re-
foi dito por G. H. Mead: uO diálogo universal é, po~- gulativo necessário de cada discurso real, por mais
tanto, o ideal formal da comunícacáo. Se a comum- deturpado que este seja.
cacao pode ser realizada e aperfeicoada, entáo tam- Entretanto, mesmo sem antecipacáo (Vo_rgriff) de
bérn pode existir aquela forma de democracia ... , na urna teoria geral das linguagens naturais, bastam as
qual cada um traz ern si a reacáo (resposta) da qual considerac;:oesapresentadas até aqui para criticar dU?~
ele sabe que ele a provoca (ou: resgata) na comuni- concep~oes, que nao resultam da hermenéutica. mas
da de. Com isso, a comunícacáo significante toma-se

64
sim de urna autocompreensa- distorcida colide com
, o ontológ' fcamente .
trca, que me parece falsa lea da herrn . so sistema I d (Gewalt) adqulre perrna-
1, Gadamer deduziu' da '_ eneu. oJ11unica~osiráO• O po e: . (Schein) objetiva da
,
estrutura preconceitual da comp
ta - d .
vrsáo he
reenss¿
rtneneutica
da
e
estar essuP y 1 parencla
aliás, só p~ a a altlosigkeit) de urna concor-
.oéJl~la,.de violencIa. (G~w Um poder legi timado ~es-
.

cao o preconceito, Ele nao ve h' urna reabT


entre autoridade e razáo A ~en urna 0l>os' ~l· ause~claseudocomUn1cauva~om Max Weber, autonda-
(Oberliquung) nao se i~pOe autOrtdade da trad:~:o dáJlfclaJTl~ nós chamamos,. fazer a ressalva, ero ter-
' cegamen te ' ~ao ta or, e precIsO do uní .
reoo nhecunento refletido daqueles q
é

, e Slrn Pelo ~ por jsso qu t dimento ou acor o umven-


tradi cao, - a compreendem e a continu ue, estand o nUll1a de. Jjde prInCIPIO,
.,' do en_ en poder di'f'erenClar em
mOS d mina~ao, para d .
Em sua réplica a minha crítica:za G dam pela aplica~ao sa
1 e [ivre de o .
onheclmen o
t dogmático do verda erro,
. "
, a amer acl '
urna vez a sua posícáo: ..Concedam ara mais princÍpio o re:o (Vernunft) no sentido do pnnclplO
d pod os que auto id
usa e c: r (ou: violencia) ern incontáveis fO ade consenso, Raza. l' aquel a rocha, contra a qual
de.. ordena~oes de dominarao (Herrsc haf tsord
OTlllas do dí[scurso raCIOna .d d
e fáticas maís se d estro~araro,.
,. té hoje as auton a es
gen ) ... Mas esta imagem da obediencia d nun: a sobre ela se fundaram. _
.a.. id d
.. autorí a e nunca pode mostrar por q emonstr-cld
d' a do que oposi~áo entre autoridade e razao,
, . d ue tu o isto 2 Mas se a - d ser
CODStJtw or enacóes e nao a desordem do .. lamada pelo Iluminismo, éjusta e nao po e
f 11-.1 pod (di U exerCICIO rec da hermeneuticamente, entáo tambérn se torna
~ e-co e~ le nordnung handfester Gewaltau. supera . - d .
sübung). Parece-me concludente, se eu considero que blemática a tentativa de impor restn~oes e prm-
o reconh~iment~ (Anerkenn.ung) é determinante pa- P:~o ),. pretensáo de esclarecimento (Aufkliirungsans-
I Clpl él , d d . d .
ra as reais relacóes de autoridade ... Precisamos ape- I pruch) do intérprete. Gadamer tambem . e UZIU a VI-
nas estudar processos como o da perda de autorida- I sáo hermenéutica da estrutura preconceItual da com-
de ou da decadencia da autoridade ... , e vemos o , preensáo um recuo do momento do esclarecimento de
que é autoridade e de que é que ela vive. Nao do po- volta ao horizonte das conviccóes vigentes. O saber-
der tGewalt) dogmático, mas sim do reconhecimento melhor do intérprete encontra o seu limite nas con-
dogmático .. Mas, o que deve ser reconhecimento
mático, senáo que a autoridade
perioridade
se concede urna su-
de conhecimento ... ~29 Todavia, reconhe-
dog-
I vÍC90esreconhecidas e habituadas tradicionalmente
mundo da vida sociocultural, ao qual ele mesmo per-
tence: "Como o saber do psicanalista se relaciona com
do

cimento dogmático de urna tradícáo (Vberlieferung), e a sua posicáo no interior da realidade social, a qual

I
isto significa a aceitacáo da pretensáo de verdade des- ele pertence? Que ele questione as interpretacóes su-
la tradicáo, só poderia ser identificado com o con he- perficiais mais conscientes, rompa a autocompreensáo
cimento mesmo, se estivessem asseguradas na tradi- ~a.sca:ada, descubra a funcáo repressiva de tabus so-
~ao ísencáo de coacáo (Zwanglosigkeit) e ilimita~ao do ( clal~, 15S0 pertence a reflexáo emancipatória, na qual
acordo (Verstiindigung) sobre a tradicáo. O argumen- I ele Introduz o seu paciente. Mas quando exerce a mes-
to de Gadamer pressupóe que o reconhecimento le- rna fun~ao lá onde nao está legitimado como médico
gítimante e a concordancia que fundamenta a auto- f mas ele mesmo parceiro social ele cai fora de seu
é

ridade sao ensaiados sem violencia. A experiencia da papel social. Quem descobre em seus parceiros so-

66 67
, t ID razáo (behii1t rechi)-
ciais algo que está além deles o '
,' , dI' . t'Ca de Gadamer e) de hermeneutica pro-
seno o jogo e es (ou: o que represu seja ' nao
-
leva neU 1 - (Deutung
h entam) é a berJ1leinterpretac;ao confirIDa~áo fora da auto-
mane a-prazeres (ou: estraga-Jo
ogo S '1 ' Urn d
, pie verd es, pa~aa náo há nenhU:: diálogo, realizada por to~os
quem as pessoas se afastam A fo erber) d
-
da re flexao, , ' r~a ema ' ' e fon _ que. sucede d A partir do status hipo-
que o pSlcanalista reívíInd'ICa tenClpat6..:4¡a
d
to e encontrar seus limites na cons-'" " m POrtan. refl;;;~cipanteSintere~:~ ;:~ais resultarn de fato a
' ciencia s ' o:tico das interpr~t~~~ na escolha do modus, segun-
qua 1 tanto o anahsta quanto o seu P'aClente oClal,na
d em com todos os outros, Pois a refle - h se enten. t iori graves restfl90 tensáo imanente de esclare-
, xao erme" prr da vez a pre did
ca nos ensma que a comunidade socí 1
- a, apesar d
neuti. do o qualdacacompreensao - crí tica deve ser aten 1 a
das as tensoes e perturba~6es, sempre r e to, cimento
d
acor o (E ' " d ís)
tnverstan rus social pelo qual 1 emete ' uIn
a ( einge(Ost),31 . cl'rcunstfmcias seja mais ur-
" e a eXiste" I bas atuals - d
Ora, n Ó s ternos motivo para supor qu •'
lO Ta vez so limites da falsa pretensao e
ontar para os -
so de fund o d as tra diicoes - ,
enraizadas e o' consen_
e dos gente a, P d d
'versahda e a en 1
íti ca do que para os da pretensao
di d
1mguagem a ítuais po e ser urna conscl'e Jogos de
, h bí . d unl. l'dade da hermeneutica. Mas, na me I a
_ nCla inte-
A , ,

de umversa 1 - d
grada por coacao, um resultado de pseudocom ' se trata da clarifica~áo de urna questao e
- - , , 1 UnIca·· em que -'t d
cao, nao so no caso partícu ar dos sistemas familia- direito, também esta última pretensao necessi a a
res perturbados, mas também em sistemas de socie- crítica.
dade global. A Iiberdade de rnovimento de urna com-
preensáo hermenéutica alargada para a crítica (zur NOTAS
Kritik erweiterten) náo pode por isso ficar presa ao
espaco de jogo tradicional das conviccóes vigentes.. Já 1, Empregamos a expressáo "natural" no mesmo sentido em
que urna hermenéutica de profundidade comprometi- que diferenciamos linguagens "naturais" de "artificiais".
da corn o principio regulativo do discurso racional 2. H. G, Gadamer, "Rhetorik, Hermeneutik und Ideologie-
tern de buscar, e pode encontrar, rnesmo nas concor- kritik", in: Kleine Schriiten 1, Tübingen, 1967, p. 113-30,
dancias fundarnentais e nas legitimacóes reconhecidas, 3. Op. cit., p. 127. No volume Hermeneutik und Ldeclogiekri-
os vestigios históríco-naturais da comunicacáo pertur- tik, Frankfurt am Main, 1971, p. 78.
bada, urna privatízacáo de suas pretensóes de escla- 4. Cf. J. Habermas, Erkenntnis und lnteresse, Frankfurt, 1968,
recirnento e urna 'restri~áo da crítica da ideologia ao p. 206 ss. Nova edicáo 1973, stw 1.
papel de urn tratarnento institucionalizado na relacáo S, N. Chomsky, Aspekte der Syntax-Theorie Frankfurt am
médico-paciente seriam inconciliáveis com seu ponto Main,1969. Nova edícáo 1974, stw 42. '
de partida metódico, \ O esclarecimento (AufkUirung~, 6. Gadamer comprovaisto na segundaparte de Wahrheit und
que produz urna compreensáo radical, é sernpre p~h- Methode, 2.' ed, Tübingen, 1965.
tico. Está claro que também a crítica permanece vm- ~. Cf. J. Habermas,Ztcr Cogik der Sotialwissenschaiten, Frank-
urt, Suhrkamp, 1970.
culada ao contexto de tradícáo (V berlieferungszusam:
menhang) que ela reflete. Frente a uma certeza ~e _51 8: Gadamer, "Rhetorik, Hermeneutik und Ideologiekritik", op.
crt., p, 117 s.
monológica que arroga só para si a crítica, a obJeC;ao

69
ick J.
P WatzlaW ' nicatiort,
9, H, G, Gadamer, "Die UniversaliCt tJe, 1961;J{~rrtart ~or_n;:nschliche
Problerns", in: Kleine Schriften 1 opa .des hel1lte ~oVIl 10~atiCS °1' f',rn alernao.
, . CIt., p 109 l\el1ti 'o,., ?raS 6 e . .' s-
10. Gadamer, "Rhetorik, Hermeneutik '. ~~ r"rall "soo, . caP' OPpOslltOrt
op. cit., p. 118. No volume H ermeneut 'kund Ideolollr; ~~ JJ. '~~1,eS~·1912. . terrnos opost~~iás, náo ~ó a
l Und 1 O)leltti '
p. 64. deOlo' tl~'
&Iekr' , '
rorQ~:~/iO'"J3c o si~áo (OUárias atest~JIl, taJIlbérn S.ltua·
11. Idem, p. 123. 1IIIt, (IIlltll vras de. ~es contf e elas flxarn de posiCiona·
AS pala sigoiflCa~tJJ1'liVelJ1'lentde conduta e . ráo (Ertt·
12, Cf. a magnífica investiga~áo de H G F 18· cortJ pfes A cía d·ferenCla,. .
.urle) . udade; J1'lbivalc:;n ..... a des I desaparecl.
und Erkennen. Die Grundlagen der gene;isch' Urth, lmel!" - I~ auca de a .' ca co.o. coJIl o .
. P'
rie iagets,
F
ran kf urt; 1972. Em ingles: Pia
ledge, Englewood CHffs, 1969.
en Erke I1l1tnisll¡
Igelt~
gel and l(ltoeo.
j1~

~óespr~uese
¡!lentO
tO;
'rtJitivas oU cfOnI
! ulsáeS e cificos (ou:
sisteJ1'la der (AUslOser) .espee estabiliza·
nzierung) ) aos liberado e foí abson'lda Urmertsch
w.
13, De resto, a fundarnentacáo operativa da lé . differe Ausfallel1 . her) e qu f A Gehlen, d
oglca p ¡!lentO (': artspeziftScI· gu"ísticos. C. 9'64' A. S. Diarnon •
por Lorenzen concorda com esta concepr;áo. E .ropOSta
da es
pé Cle,'rnbolos pré- 1956'
JO
fran'
kfurt 1 ,
1959.
, - ma
ínterpretacao ., exp l'icar por que os elementos dsta hnha de
da peloSSI tur. Bonn, , n uage, Londres,
proposicóes (Aussagenkalküls)
. .
podern ser assim 1~tCálculo de IJlld spatkUlond Origin 01 La g . h n Symbolbegriffs,
independenternente da hnguagem, de modo que an rrOduz'dI Os [he History . 'k des psychoanalyltSC e as características
natural empregada para a introducáo só vern a s~~gua~~1l\ r (Krltl tra as mes m di
19. Lore~910 p. 87 ss.) enc~n en) inconscientes que 1·
dicada como auxiliar, para fins didáticos, mas nao relv.ln.
. . Cf.. P Lorenzen, Norm
precisa frankfurt, res~ntac;óes(Reprasenla~ticos: a confusáo en~re
ser pressuposta ststematícamente. r
para aso;e~odOS de condut.a neurErlebnisausdruck) e sirn-
Logic and Ethics, Mannheim, 1969.Ainda K. Lorenzyj, Mi~tI~~
rigelll ·0 de vivencia emocional ( modo particular de con-
trass, "Die Hintergehbarkeit der Sprache", Kantstudien, en~' expressa dena~áo corn um t Os
58, 1967, p. 187-208. bolo,a estreit~ coo~. de ndéncia frente ao conte~ o.
duta,o conteudo .cemco'sáOpearte das intera~óes habituadas
14, A. Lorenzer, Sprachzerstorung und Rekonstruktion, Vo-
esquemasjnCOns~le~tes. dPerelacóes" (Beziehungsschabla.
rarbeiten zu einer Metatheorie der Psychoanalyse, Frankfurt tamente' sao rotínas ,.
1970. Nova edicáo 1973, stw 7. ' concre
nen).
15. Esta se reflete também em nossa relacáo com as línguas 21). Cf. Arieti, op.·cit., p. 286 ss., Werner e Ka~~an. o~. cit.,
estrangeiras. Em princípio, nós podemos nos apropriar de p.253SS., e L. C. Wynne, "Denkstorung und Farnilienbeziehung
qualquer língua estrangeira porque todas as linguagens natu- beiSchizophrenen",in: Psyche, maio de 1965, p. 82 ss.
rais podem ser remetidas a um sistema geral generativo de
regras. E contudo nos só aprendemos as línguas estrangeiras 21. Arieti,op. cit.,' p. 327 ss.
na medida em que recuperamos ou refazemos (nachholen)
pelo menos virtualmente o processo de socializacáo do Ia- 22, Cf. Erkenntnis und Interesse, p. 290 ss. (Trad. brasileira,
lante nativo e através disso, virtualmente, de novo, cresce· Conhecimento e lnteresse, Rio de Janeiro, Zahar, 1982, p. 254
mos em urna comunidade lingüística individual: a linguagem ss,)
natural só é um universal como um concreto.
'~, A respeito. da metacrítica de Gadamer as minhas obje.
16. Quanto ao conceito do nao-identico, cf. T. W. Adorno, ~ contra a mterpreta~ao o t 16' d
Negative Dialektik, Frankfurt, 1966. Ges. Schriften, vol. ~, neutica dada n . n o glca a consciencia herme·
Frankfurt, 1973. (Em espanhol, Dialéctica Negativa, Madn, Lcgik der SOZia~~;;~elr~ Pfarte de Verdade e Método (Zur
Tauros, 1975, reimpressOes 1984, 1986.) C.\'. Bormann "D' Znsc.a ten, op. cit., p. 172-80) cf. agora
f ,le weldeutigk't d '
17. Cf. S. Arieti, The lntrapsychic Self, Nova Jorque, 19;7¡ ahrung". in: Ph '1 R el er hermeneutischen Er-
lum H t • undschau ano 16 1969
espec. cap. 7 e 16; além disso, H. Werner e B. Kaplan, Sym o e ermeneutik und Id l' . ' • p. 92 ss. No va.
eo ogtekritik, p. 83 ss.
70
71
24: Gadamer, "Die UniversaJiHit d
bIems", in: Kleine Schri/ten 1 op e.s berllleneut'
, • CIt., p. 104 lschell
25. A. WelImer, Kritisehe Gesellseh t . ~t().
mus, Frankfurt, 1969, p. 48 s. a tstheorie vna
POSit' ,
26. K. O. Apel, "Szientismus oder t 1\l1$. . Ceorg Cadanlcr: Urbnniz~u;ii()
l
J 80S
neutik?" in: Hermeneutik und Dialekr~szen~entale
Bubner e outros, Tübingen, 1970, p. 10~: ' edlt. Por l{~~~nte.
da Província I 1elld f'ggerluna
·
VG'
. . H. Mead, Mind, Self, Soeiety Ch' ~
Em alemáo: Geist, Identitiit und Geseíl h IcagO, 1934, p
p. 276 s. se al!, FrankfUrt'1327.
, 968
28. Zur Logik der Sozialwissenschaften o' '
, p. CIt. P 17
29. ~adamer, "Rhetorik, Hermeneutik und Id ' : 4 Ss.
op. CIt., p. 124. e01og¡ekritik"
,
30. Ibid., p. 129 s.
31. Cf. Habermas, Protestbewegung und
Frankfurr, 1969. Introdu~áo, p. 43, nota 6. HOchschu/reform,

1. Por ocasíáo de Pentecostés do ano de 1940.


Gadamer abriu em Weimar urna jornada sobre He-
gel com urna conferencia sobre "Hegel e a dialéuca
antiga". A reacáo que este estranho provocou ent~o
no círculo dos pesquisadores de Hegel nao deve ter
sido muito amigável, se considerarmos a rerniniscén-
da até agora meio assustada do Gadamer de setenta
e sete anos: "Eu nao figurava entáo entre os hege-
lianos. Mas afinal de contas nao era proibído mesmo
assim compreender algo de Hegel, nao é verdades. ..
Fui recuperar-me deste desgaste espiritual vi itando
os sepulcros de nossos grandes poetas no cernitérlo
de Weimar".' Até hoje Gadamer continua nao sendo
um hegeliano; mas foi ele quern, nos anos 60, fez nas-
cer a Associacáo Alemá de Hegel iDeutsche Hegel.
Vereinigung); ele promoveu importantes congresso
internacionais em que especialistas em Hegel discutí-
ram seus respectivos trabalhos; e a sua iniciativa se
deveu o Congresso Hegel, em Stuttgart, no ano do
bicentenário, de 1970. Aquela conferencia, que na sua
72
73
~.
esrrera encontrou rejeirao d
va demaí y
ernars Hegel de Platáo
, ecerto p orque ap .
vro no quaI Gadamer reü , agora, aliás, abr tO'Cln1a.
o Iitvr'o se encerra corn urn ne seu. s e s t u d os dee bull1 l'l· a grande realizacáo falosóf!ca de Cadamer no '.to •
d n ensalo sob--.« negC)·l ele lancar ponte. sobre este ah, mo. M a 1m m
egger . E estas sao, de fato re liegel e b ~
il . , as duas n.Cl. da ponte sugere falsas conotacóes. su ha a lmpres
que 1 urmnam o caminho do p Constela ~
Q uan do a cidade de Stutt
ensa- de G d t;oes de alguém dando uma ajuda peda¡Ó¡lca p fa a ,~""
a amero tativa de se aproximar de um lugar lnaceulvcl. N
,. . gart se dec'd'
um . Prermo . Hegel ' Gadamer , c'uJa InIciat'
'. 1 lU a cria
r é o que quero dizer, Eu preferirla ent~o di/ct ~
aquí era inconfundívsl, fez valer . iva tambérn Gadamer urbaniza a províncía hcidcggc:dna. t daro
. sua mflue .
conseguir que Heidegger fosse o . . nCla Para que deveríamos levar cm conta que com a ~"avn
A • O . . pnmelro a r b "prov(ncia" (Provínz), sobretudo cm atc:m~. nóe
premio. prrrnerro agraciado foi d f ece er o
O Curatóno· deve ter levado em, coe tato, Bru no SneH. sociamos nao semente o limitativo, mlls tam~m o
. n a essa p , hi teimoso e cabecudo (Dickschadelig.E'gcnjinn,V t o
na ao decidir agora, alternando corn . re- lst6.
. l' d Importantes primitivo ou original (Urspri4ngliche).
pecia ístas as. ,ciencias do espirito , .eonce der nova es- O próprío Gadamer certarnente vt 1M<> de O\llra
mente a um f ilósofo o premio , e a este filó f
1 SO o que
- maneira. Uma vez ele afirrnou que lIc:idc:¡gcr prec;'.
costuma caracterizar-se através da observa~ao dupla' saria de um Karl Marx, o qual, em sua ~POC:Il. cm-
de que ele ~ discípulo de Heidegger e de que passo~ bora ele mesmo adversario de Hegel, impcdlra que
pelo aprendízado da filología clássica. Ninguém me- Hegel fosse tratado como um cachorro mortc. Se C\&
lhor do que ele poderia hoje lancar urna ponte sobre interpreto bem o final dos anos 70, Heidegger nlo ne-
a crescente distancia entre filosofia e ciencias do es- cessita do seu Marx: já irrompem os peregrinos (Wun-
pírito. derer) da subcultura rumo aos quatro cantos averuu-
rando-se pelas sendas perdidas das montanha (in,
O lancar pontes caracteriza a mentalidade e o
Geviert und ins Verstiegene). Tanto mais necesaitarnos
estilo de pensamento deste homem erudito: Distin- 11
de alguém que aplaine os caminhos atravé do qual
guendum, está certo, mas ainda melhor: precisamos Heidegger possa regressar do isolamento que de: mes-
ver as coisas em conjunto".' Esta máxima provém mo escolheu. Terá de ser alguém que, por uro ladc,
da boca de Gadamer, mas formulada gadameriana- siga Heidegger a distancia, mas que, por cutre lado,
mente ela soaria assim: precisamos lancar pontes e o siga suficientemente longe para prosseguir de nw..
transpor distancias (überbrücken). Nao somente a dis- neira produtiva os seus pensamentos. Na minha opl-
tancia entre disciplinas que se afastaram urnas das niáo, é desta espécie a produtividade de Gadamer.
outras, mas sobretudo a distancia temporal que se-
para as geracóes posteriores dos textos da tradi~á?,
a distancia entre as diferentes Iínguas, que desafía 2. A relacáo de Gadamer coro Heidegger e ti
a arte dos intérpretes, e aquela distancia que a vio- marcada pela distancia que as próprias circunstánclas
lencia (Gewaltsamkeit) de um pensamento radical en- exteriores trazem consigo: Gadamer conheceu aqeele
gendra. Ora, Heidegger foi um des ses pensadores r~' que era apenas onze anos mais velho que ele IÓ de-
dícaís, que abriu ao redor de si um abismo. Eu vejo pois de ter firmado pé no mundo do neokantismo de

75
74
Marburgo e de ter já seu doutorado
de Natorp, e arrugo . d ' Como ,,;-~.
e Nicolai"artmann ~lpulo . da mundialmente e um centro vivo das ciencias
mais velho. Ero sua autobiografia, com ' ~ colegá pelta spírito e da teologia. Mas ainda frente a este
- -,
b ívalente d e An os d e Aprendizagem (Lehrjahre
o tItulo élJ:n.. do edo da filoso fila aca dérni
ermca e d e um h urnarusmo
.
darner descreveu este mundo ern que ÍI'd ). Ca- mun o de si Gadamer se demarca. e isto claramente
segur '
- irrompeu:
tao . e le d escreve o circulo do elhiegger. en- s ao impulso que recebe de Heidegger. Até en-
~- Ricnar
ha d Hamann.oa g~a~:le tinha visto a tradicáo ocidental com os olhos
WI arte
t
arnann, a Irradiacáo de Stefstonado r
drao éculo XIX h·ístorícísta:
-- e hegou en t-ao Heid
el egger
ge sob re os espmtos jovens, as caminhadas 3D Geor-
- . .
e~t:alizou de maneira mais radical esta tradicáo num
R. Curtius, as disputas dos teólogos evangélico COm E. b co retomo aos seus cornecos. Gadamer evoca es-
.~ í l - d
0 os e rcu os priva os que se encontravam re l
....
s, e en-
- ~~adidio. mas de agora em diante ele quer ir além
mente para l erturas, o círcu 1o de Rudolf Bultma gu ar- ~ 7 l
u da religiao da cultura burguesa, em que ta tra icao
d·-
_ • n 4
on~e se liarn os clássicos gregos cada quinta.feir~ sobrevlv1a ~
norte, ou aquele onde Gerhard Krüger fazia leituras Este é decerto o impulso fundamental que está
das grandes obras da literatura universal. e tudo isso or trás de sua obra filosófica principal, amadureci-
durante mais de quinze anos. como que separados por ~a durante decenios: o estímulo para tornar claro,
urna parede de cristal dos acontecimentos políticos para si e para os outros, o que significa o encontro
da República de Weimar. Entrando neste mundo. Hei- com textos eminentes, em que implica o caráter vin-
degger tinha de produzir o efeito de um raio. O Ga- culante dos clássicos, enquanto Gadamer sabe que nao
damer ido so recorda: • Nao podemos imaginar de ma- pode mais recorrer a um cánone, mas que tem de
neira suficientemente dramática a aparicáo de Hei- recuar para além do cánone a fim de aclarar as con-
degger em Marburgo". dícóes hístóríco-efetuais (wirkungsgeschichtlichen) sob
Se nos perguntarmos numa perspectiva biográfi- as quais urna obra adquiriu signífícacáo de clássica:
ca em que pode ter consistido a sua signifícacáo pa- "¡:_ urna das experiencias mais elementares do filo-
ra Gadamer. talvez possamos partir da observacáo de sofar, que os clássicos do pensamento filosófico ...
que Gadamer caracteriza a si mesmo por urna seqüén- fazem valer por si urna pretensáo de verdade (Wahr·
da de dernarcacóes (Abgrenzungen). Gadamer provém heitsanspruch) que a consciencia contemporánea nao
da Silésia, urna província prussiana, e quando era jo- pode nem rejeitar e nem sobrepujar .. A ingenua auto-
vem previam para ele urna carreira militar - mas confianca do presente pode muito bem se rebelar con-
Gadamer nao tem nada de um prussiano e com toda tra isso .. _ Mas certamen te será urna fraqueza muito
certeza é um civilista. Gadamer provém de urna fa- maior do pensamento filosófico se alguém se nega a
roma de académicos voltados as ciencias da natureza. expor-se a esta prova e prefere bancar o bobo por
o pai se orgulhava de ser químico - mas já no pri- conta própría (den Narren auf eigene Faust zu spielen).
meiro semestre da universidade Gadamer se deixou
Ternos de admitir, mesmo que isto contradiga opa-
atrair para o campo das ciencias do espírito por seus
dráo da pesquisa e do progresso, que na compreensáo
interesses pelas belas-artes, Por isso en tao Marburgo.
dos textos daqueles grandes pensadores torna-se co-
que naquela época era o Jugar de urna filosofía res-

76 77
nhecida urna verdade que por OUITO •
ria alcancdvel", cammho nao se.
d rnas ciencias históricas tomou lugar e. .. objetifica
(ZeUm Objekt machi) o que foi transmitido historica-
mente."5
J. Esta citacáo provém da introd • A segunda ponte lancada vem sob a forma de uma
de e Mi . u~ao de V d
. to dO, o Iivro com o qual o se . er Q. reconstrur;áo da tradicáo do pensamento humanista
. xagenáno G d
mer re r anvarnente tarde após longos a d a a· que apela para a faculdade do julgar (an Urteilskraft).
• . ' nos e infI
le docencia ern Leipzig ern Frankfurt buen. Ele transpoe a suposta oposicáo entre ciencia meto-
á ' e so retud dicamente rigorosa e razáo prática. O ataque se diri-
d
na e te ra d e Jaspers ern Heidelberg se' A • o
. . ' lmpos hte. ge aquí contra um conceito de conhecimento e mé-
ranamente e conqurstou reconhecimento inte .
I:..
AJ'á po<!' rnaclonal
emos. ainda perceber o contexto oral d~
d ocencia na ongem do escrito pelo estilo dis
todo objetivos que deve reservar (reservieren) para as
modernas ciencias da experiencia um monopólio das
' ~n~. possibilidades humanas do conhecimento> Frente a
deste texto. A hermenéutica filosófica que Gad
'. . ' amer ísso. Gadamer quer mostrar a validade de urna com-
projeta, nao tem o sentido de urna doutrina do mé. preensáo (Verstehens) que antecede (vorausliegt) ao
todo, mas sim é a tentativa de renovar depois de He- pensamento objetivante e que associa as formas de
gel, e, portanto, depois do ambíguo fim da metafísica experiencia da prática comunicativa cotidiana corn a
a pretensáo de verdade da filosofía: A hermeneutic~ experiencia da arte, da filosofía, das ciencias do espí-
filosófica se propóe assim a ousada tarefa de recons- rito e da história (Historie).
truir a continuidade desta pretensáo de verdade su- Finalmente, Gadamer promete a reabilitacáo do
perando urna tripla quebra de tradicáo, vencer aque- conteúdo objetivo (sachlichen) da filosofia de Platáo
Jes tres abismos que se abriram entre nós e a filosofía e de Hegel. Com ísso, ele quer vencer, segundo ele,
dos gregos: eu me refiro ~ ruptura que o historicismo a falsa oposicáo entre cornpreensáo de mundo meta-
promoveu no século XIX, a física no século XVII e física e moderna. As alternativas que separam os cam-
a passagem para a cornpreensáo moderna do mundo pos na famosa querelle des anciens el des modernes
no inicio da idade moderna. devem revelar-se como pseudo-alternativas. Para isso,
Gadamer lanca a primeira ponte na forma de urna Gadamer se utiliza de urna jogada de xadrez, que iro-
crítica ~ teoria de Dilthey das ciencias do espirito. Ele nícernente recorda a superacáo, por Wittgenstein, dos
vence a suposta oposicáo entre a presentificacño (Ver- pseudoproblemas filosóficos. Se nós analisarmos com
gegenwdrtigungt meramente histórica e o conhecimen- suficiente rigor o fato de nossa dependencia das tra-
to sistemático. O ataque se dirige contra urna cons- dicóes (Vberlieferungen) históricas, topamos com a
ciencia histórica que aprisiona no museu as tradicóes, razáo (Grund) do nosso interesse quase natural (na·
ao se apropriar delas, privando-as de sua forca de turwüchsiges) por essas tradícóes (Vberlieferungen):
conviccáo. Frente a este objetivismo, Gadamer defen- a tradicáo (Tradit~on) tem algo a nos dizer que nós
de a tese • de que o momento histórico-efetual per- nao podemos conhecer por conta própria. O argumen-
manece produtivo em toda compreensáo de tradícác to se coloca na seguinte questáo: "E sem fundamento
(Uberlielerung) mesmo onde a metodologia das roo- o diálogo com o todo de nossa tradicáo (Oberlieie-

78 79
1JIIEi&S'~------iiiiiiiíiiiiiiiiiiiiiiiiiiiií=~
rung) filosófica, no qual nós estam
mos como filosofantes? Será nece °ás.e qUe nós
ss na ( . So.
fundamentacáo (Begründung) para a '1 aInda) urn to ínstrutivo.. o. relato de urna disputa que Gad
.. arner
sustenta (tragt) desde sempre')'" A q~1 o qUe já n a reve com LOWlth,quando ambos dirigiram um semi.
. . SSlm ca Os
genstem se apóía no fato do fu' mo Witt nário comum, nos anos SO, sobre o escrito de Hei-
. . nClOname t •
degger "Sobre a Esséncia da Verdade-,.LOwith .tI.
tionierenst da nossa linguagem cot'd' n o (Funk.
I lana as' nha descoberto por si mesmo o jovem Heidegger e
bém Gad amer apela para a experie A .' SIOl tamo
- d ncia de evidentemente também nao ignorava a importAncia
nao po emos esgotar o conteúdo objer¡ ( que nós (Rang) de Ser e Tempo. Mas a 'reviravolta' e o dis-
.
dos textos emmentes. IVO sachZ'
Gadamer se afe"'a lchen) curso sobre o ser que nao seria o ser do ente. isso
desta experiencia (Erfahrung) I do mes:a. autoridade ele considerava mitologia ou pseudopoesia. Mase _
." )" d o modo co
um posrnvísta él a percepcáo s~nsorial.... rno assim Gadamer defende o mestre -, "nao ~ mitologia
e nao é poesia, e sim pensamento (Denken). mesmo
se o discurso metafórico e poético e até a tentativa
4. Esta concepcáo contrasta da maneira ' de poetizar acabam atestando de maneira multas ve-
, Id' malS na. zes desconcertante a carencia lingüística (Sprachnot)
táve com a estruicáo imperial (senhorial ' ,
, h . h ) d . , autofltá. do novo pensarnento, Eu procurei a minha maneira
na, . ernsc er o pensamento ocidental ' com aque Ie
continuar apesar de tudo ajudando-me pelo pensa-
p_roJet~ que desvaloriza a história da filosofia de Pla. mento de Heidegger".' Se vejo as coisas corretarnente,
tao ate Descartes e Hegel, passando por Tomás d Gadamer só pode defender tao enfáticamente como
Aquino, declarando-a um drama do esquecimento d e pensamento esta recordacáo (Andenken), que caracte-
ser. Poderíamos imaginar um contraste mais forte do riza a falta de linguagem do místico, porque ele se
que entre este abandono, numa mística do ser, de explica (interpreta, sich zurechtlegti o ser como tra-
todas as configuracóes articuladas da tradicáo e a ten- dicáo, porque ele nao se entrega a ressaca amorfa
tativa gadameriana de urna renovacáo do humanismo do ser libertado da gravidade, mas sim, voltando o
de Platáo até o Renascimento, de Vico até as ciencias olhar para Hegel, leva em conta a corrente massiva
do espírito do século XIX, passando pela filosofia mo- da tradícáo da palavra tornada objetiva, pronunciada
ral escocesa, com a ajuda de conceitos fundamentais de fato concretamente em seu lugar e em seu tempo.
como "cultura ou formacáo" (Bildung), "senso ca- Se aqui ocorre um equívoco produtivo, nao é o que
mum", "faculdade de julgar" (ou "juízo"), "gesto", etc.? importa; como poderia urna tradicáo permanecer vi-
Um humanismo que brota do contexto de experien- va, se ela nao se reproduzisse através de mal-enten-
cias do cidadáo, do morador da cidade, sendo que didos?
a ameaca a este humanismo sempre repercutiu nurn De qualquer modo, houve urna circunstancia que
desmoronamento da urbanidade. deixou pensativo o autor de Verdade e Método, como
Gadamer seguiu Heidegger até mais longe do que o mostra o posfácio da terceira edicáo, Gadamer sem-
a maioria; acompanhou-o na "revíravolta" (Kehre), pre voltou a indicar que a hermenéutica filosófica náo
com a qual Heidegger revisou a compreensáo trans- podía ser reduzida a teoria da ciencia. que o fenó-
cendental do ser de Ser e Tempo. Neste ponto é muí- meno da compreensáo caracteriza anteriormente a to-

80 81
da ciencia as referencias ao m d
'da' un o de
VI constItuida comunicativam urna f0rtn
to a historia dos efeitos (Wirk ente, Contudo d a de
'· ungsgeseh' h ' e fa d modernas ciéncias, Como a fenomenologiae a aná-
1ivro deixou, ela mesma, profund le te) de ' as h A.. ••

as marcas Seu Use da lingua~e~, a e:r?encuhca t.raz para o primei-


d as criéncínetas e nas ciencias SOCI', na teo . lano condi~S cotidianas da Vida (alIttigliche Le-
disc - que Iogo seguiu ao Iívro alS e do,esPírito. tíaA ro P
rscussao, bensverhiiltnisse ) e promove o ese1arecunento
.
sobre
Jau' VIZaras
. ,~ .
CIenCIaS,defrontando-as co
, malS do ~
qUe re. struturas profundas do mundo da vida (Lebenswe1t).
experiencia da filosofía e da arte consem? terreno de ~a tradi~ao da filosofía da Iinguagern de Humboldt,
' gulU p'" e de certo modo paralelamente ao pragmatismo, in-,
co berto a dímensáo hermenéutica no int ' or a des, fluenciado por Hegel, de um Peirce, de um Royce,
,
eras, b d
SO retu o nas ciéncías sociais e n t
enor ' das Clen_
'.
.. ' filoso'f'rca nos últimos anos a uralS ',er- A h
de um George Herbert Mead, a hermenéutica gadame-
meneunca riana acentua a intersubjetividade lingüística, que
- ,
la trad ucao inglesa de Verdade e Método , promovIda
~e- vincula previamente os indivíduos comunicativamente
bé ' , promovIda
tam m pe las vánas estadas do autor como " socializados. Ela persegue obstinadamente a questáo
d e umversi'°dad' es ,-'
amencanas produziu efeítos VIsItante
d da forma e do conteúdo "da solidariedade que une
d ouros sobre as discussóes anglo-saxónicas, A ' fl ura, ~ todos os falantes de urna língua (alle Sprecher einer
. da h .., o. In uen, ')'" .
Sprac h e eint
c~" ermeneutíca filosófica nao se restringiu as
Esta questáo ganha alta atualidade exatamente
DIVJnJty Schools. Ela se associou a impulsos que fo-
em nossos días, em que as ameacas de formas hís-
ram desencadeados pelo movimento de protesto, Po-
ram percebidos os pontos comuns com a análise da r rorícas de vida importunam urna consciencia do co-
tidiano sensibilizada, perigos de urna colonizacáo do
Iinguagern do último Wittgenstein, com a teoria da mundo da vida (Kolonialisierung der Lebenswelt) pe-
ciencia pós-empirista de Thomas Kuhn, ela se fundiu los imperativos de um crescimento económico incon-
com os pontos de partida (Ansatzen) fenomenológicos, trolado, pelas invectivas burocráticas, pelos custos ex-
interacionistas e etnometodológicos da sociología com- ternos dos dominios juridificados e organizados for-
preensíva Iverstehenden Soziologie). Esta influencia malmente (verrechtlichten, [ormlicñ organisierten Be-
nao acentuou, absolutamente, o sentido polémico que reiche) de nossa sociedade. Gadamer nao vacila em
se encerra no título Verdade e Método. Pelo contrá- estender a realidade social a crítica heideggeriana ao
río, eJa mostra que a hermenéutica contribuíu exata- 1# subjetivismo da idade moderna, que se crucifica a si
mente para o auto-esclarecímento do pensamento me- mesmo". Ele observa a autonornízacáo de subsistemas
tódico, para a Iiberalízacáo da cornpreensáo de cien- sociais, 1# cuja característicaé a auto-regulacáo e que
cia e até para urna diferencíacáo da práxís da in- com isso... nos fazem pensar mais fortemente na vi-
vestigacáo, • da organizada em círculos regulados (RegelkreisenY,
para acrescentar entáo, advertindo: ..Seria, contudo,
um erro, ignorar a vontade de dorninacáo iHerr-
5. Temos que concordar que a hermenéutica náo schaftswillen) que encontrou sua expressáo nestes no-
esgota nem suas inten~óes e nem suas influencias nes- vos métodos de dominacáo (Beherrschung) da natu-
te horizonte de urna autocompreensáo transformada reza e da socíedade",' Aqui se tocam a crítica ~ téc-

82 a ...
nica, de proveniéncía heideggeriana co
-'
da razao instrumenta 1 que se alimenta
' Inde UIna
o crítica - é defesa do tradicional (HerJcommlichcn), mas
tes. Ambas concordam em que ao pode utras fono que nao nligurafiío continuad" da vid" ttlco-socla'. le
a exclusividade do pensamento objetivanr (Gewalt) e slm ~ co mpre na tomada de consciencia que ume
de a valorízacáo (Auszeichnung) filosóficae ~orres~on. base:i~:r~ade. "11 No entanto (allerdings), n6s s6 ~ u.
vidade e ambas compreendem por subjetiv'da dSUbJeti. efl'! tradi~óes ern liberdade quando podemo d\/u
.... Iiecída, urna autonomia1 a de u--ua mImos coisas: sim e nao. - Eu sou d a OPlOl . II!..O de que
autoconscíencía enrrjeci aJll bas as
da ou obstinada, que foi instrumentalizada p en ureci. á deveríamos obscurecer a tra l~ao humnnlsta
d d'" .
nós n o te o Iluminismo (Aufkli:irung), o século XVl11
nalidades da auto-afirmacáo. Aqui Gadamerara a~ fi- ex.atamen .
- E le segue urnse Sltua . Iista Mas com este acréscimo eu náo 'lucro
em uma tra diicao- rnuito
. a Iema. unlversa
.
1 •
m a última palavra. Gadamer ~ o pnmeiro

.mterpre t acao
- da modernid
erm a e contra a qual a f auto-
d
flcar COt ar o caráter aberto (Offenheit) do diálogo.
Ievantadas obijecoes
- de outro Iado em nome da oram 1 . a acen u bed . [ ..i_
Dele todos nós podemos aprender a ~a ona unU.
timidade da idade moderna. egl· rmeneutica de que é uma ilusáo achar que
Se eu devesse localizar a influencia (Wirkun) men t a1 he " .
alguém possa fícar com a última palavra.
filosófica de Gadamer no contexto alemáo da histórTa
do pós-guerra, enfatizaria como o elemento mais sigo
nificativo, como elemento purificador, o seguinte: a NOTAS
grandiosa atualízacáo da tradicáo humanista, voltada
para a formacáo ou a cultura do espírito Iívre, que 1. H. G. Gadamer. Philosophische Lehriahre, Frankfurt, 1m.
percorre a idade moderna como secreto concorrente p. 115 s.
e como cornplementacáo para a forca mareante da 2. Hegels Dialektik, Bonn, 1971.
ciencia moderna. Mas o próprio Gadamer chama a t
I 3. Lehrjahre. p. 23.
atencáo para o fato de que na Alemanha, que nao
4. Lehrjahre, p. 181.
realizou revolucóes por própria forca, o humanismo
estético sempre foi mais fortemente característico que 5. Wahrheit und Methode, p. XV.
o humanismo político. Se mantemos em mente que 6. Prologo da segunda edícáo de Wahrheit und Methode, p.
nas nacóes da Europa ocidental entrou mais cons-
ciencia política nas Humaniora." surge em nosso con- I XXIII.
7. Lehrjahre, p. 177.
texto a questáo de ande se encontra o maior perigo:
se no rebaixar a tradicáo dos gregos a urna figura I
t
8. H. G. Gadamer, Yemunit im Zeitalter der Wissen.schaft.
Frankfurt, 1976, p. 10. (Há traducáo brasíleira: A RatCio n4
Epoca da Ciencia, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro. 1983.)
prévia da modernidade ou no desconhecer a dígnída-
de da própria modernidade. Gadamer acabaria recu- 9. Yernunit im Zeitalter der Wissenschaft. p. 24.
sando esta alternativa, em favor da dignidade da tra- 10. Prólogo da segunda edicáo de Wahrheit und Melhade, p.
dícáo, claro que nao da tradicáo em geral, mas sim XIV.
das tradícóes cuja forca se fundamenta em sua ra- 11. Posfácio da terceira edicáo de Wahrheit und Methode, p.
cionalidade (Vernünftigkeit). "Em verdade, a tradícáo, 533 s.

84 85
\
I eutica se ocupa com a interpretacáo como urna rea-
.
I I

I "
Hermeneutlca Filosófica. Leitura ~zafáo excepcional (Ausnahmeleistung), que sé se tor-
na necessária quando relevantes setores do mundo da
Tradicionalista e Leitura Crítica. vida (Lebenswelt) ficam problemáticos, quando cer-
tezas do fundo culturalmente ensaiado se rompem e
\ os meios normais do entendimento falham. Sob o ma-
croscópio, o entendimento aparece ameacado somente
,_;"
nos casos extremos do penetrar numa língua estran-
1
geíra, numa cultura desconhecida ou numa época afas-
tada, e mais ainda nos domínios da vida patologica-

I'1 I
I
mente deformados. Para o nosso contexto presente,
este questionamento hermenéutico tem prioridade.
Com efeito, no caso-teste da comunícacáo perturbada,
I o problema que a sociologia compreensiva dcixa de
lado nas duas variantes anteriormente estudadas" nao
rnais se deixa omitir: em última instancia, questóes
A etnometodología se interessa pela competencia de explícacáo do significado (Bedeutungsexplikation)
interpretativa de falantes adultos, porque quer pesqui- podem. ou náo ser separadas das questóes de reflexáo
sar como acóes sao coordenadas, pela via dos pro- da valídade (Geltungsreflexion)?
cessos cooperativos de ínterpretacáo (Deutungsprozes- Urna comunicacán pode ser chamada de pertur-
se). Ela se ocupa com a interpretacáo (Interpretation) bada q~ando (algumas) condi90es lingüísticas para um
como urna realizaciio constante (Dauerleistung) de entendlmen!O direto entre (pelo menos) dois partid-
participantes da interacáo, e portanto com os micro- pant.es da mtera9ao nao sao preenchidas. Eu quero
processos da interpretacáo de situacáo (Situations- partir do caso nítid .
. _ o, em que os partIcipantes em re-
deutungy e de consolidacáo de consenso (Konsenssi- gamdproposl90es gramaticais de urna linguagem d p .
cherungj, que sao altamente complexos mesmo quan- na a em co ( . orm-
mum ou traduzível sern dificuldades) O
do os participantes podem vincular-se sem dificuldade caso exemplar hermeneutico é •

a urna habitual compreensáo da situacáo em contextos de urn texto trans itid a exegese (Auslegung)
mi 1 o por tradi - O'
estáveis de acáo. Sob o microscópio, cada entendi- parece inicialmente e d 19ao. mtérprete
rI
II ~ento ou acordo (Verstiindigung) se mostra como oca- 7
autor, mas no decurs ompre n er as proposi~oes do
~lonale frágil. A herm~l1,.~utic~filosófica, ao contrário, quietante de, contudoo ~:gumte faz a experiencia in-
lD~e_:tigaa competencia interpretativa de falantes adul- bern que ele pude ' o compreender o texto tao
sse eventualm t
tos desde
; o- "p_gn
t~ de vi -----
vlsta_9.~_comlJum ~--sujeito capaz guntas do autor I O . té en e responder as per-
de hnguage d - -. ---- .- • ID rprete toma isso como um in-
". m e e acao pode compreender (sich vers-
tandlzch macht) -. .
_ ou
tacóes ' em urn
feri --o ambiente .estranho
--_. . manifes-
_.L-!.
- pro enmentos mcompreensíveis. A. herme- * Isto é, fenomenolo . .
gia socIal e etnometodologia. (N. do T.)
86 1 I
87
'da que o autor cornpar-
dícío de que eJe situara erradamente o texto undo da VI ,
. d
outro contexto e de que partíu e outras q ern Um
_ '~óes do m mportmeos:,.
sllp~Slorn oS seus conte de entao a significa<;.aode
. uestoes
que nao as do própno autor. 'lholle'térprete
". . co mpreen
u· descobre por que o au-
A tarefa da ínterpretacáo deixa-se entáo d t .
- r: _-. eerml_ ?ex: na medi~a ~m d~eapresentar detenninada~
nar da seguinte maneira; que o mtérprete aprend
díferenciar
. da compreensao - de contexto do aut aa llrflse sentíu no dlrel~adeiras), reconhecer detennl-
to~ ees (comO ver o corretos), extemar de-
sua pr6pria 'cornpreensáo decO"ntexto,que ele in~~ai aflrIlla~ 1 s e normas (com . ) D intérprete
mente acredítava cornpartilhar _<20m a do autor m dos va ore . (omo smceras.
ib ' ,_ as na inadas vivenCias ~ contexto que tem de ter
que d c:. fat~ aper.!_as
atrí uira a ~s_!e_co~o urn pressu-- terIllde aclarar para SI rt r e pelo público contem-
po_sto. A tarefa consiste em_ explorar ou deduzir tem pelo au olé oca
- 'd pressuposto para que naque a p
(erschliessen) as defínicóes de situa~ao-; que o texto SI o ber comum, h
odineo como sa aquelas dificuldades que o-
transmitido pressupóe, a partir do mundo da vida P ., ....,aparecer d apa-
do autor e de seus destinatários. 'nao precIsasseua e para que pu essem
[e o texto nos apresenta~raneos outras dificuldades,
Como já vimos, um mundo da vida forma o ho- recer entre os contemp te parecem triviais. Somente
rizonte de processos de entendímento, com os quais --- - 6' versamen , .- .
gue par~ n s, m de elementos cogmt1VOS,moráis ,e
os participantes concordam ou discordam sobre algo sobre este fundo . _ ltural do saber, a partir
num único mundo objetivo, num mundo social co- , da provlSao cu í
expresslVOS temporaneos constru ram
mum a eles ou em um mundo sempre subjetivo. O 1 utor e seus con
do qua o a _ de-se tornar manifesto o sen-
intérprete pode pressupor tacitamente que compartí- suas interpreta~oes, po tro lado o intérprete nas-
Iha com o autor e os contemporáneos deste essas re- id d texto Mas, por ou ,
ferencias formais ao mundo (formalen Weltbezüge), t~do o, tar'de nao pode identificar estes pressupos-
CI o mais , licit te
Ele procura compreender por que o autor, acreditan- tos se ele nao toma posi~ao ao m:nos lm.p ICI amen
do que determinados estados de coisas existem, deter- com respeito as pretensoes de validade Vinculadas ao
minados valores e normas térn validade, determinadas texto.
vivencias podem ser imputadas a determinados sujei- Isso se ~explica a partir da racionalidade (Ver-
tos, apresentou em seu texto determinadas afirma- nünftigkeit) Q_manenteque o intérprete deve supor em
~Oes,observou ou transgrediu certas convencóes, ex- todas as manifestacóes ou proferimentos (Ausserun-
ternou determinados propósitos, disposícóes, sentí- gen), por mais opacas que sejam inicialmente, con-
mentos, etc. 56 na medida em que _g intérprete des- tanto que ele as possa atribuir a um sujeito de cuja
cobre as oes iGrúndei que fazem aparecer os pro- responsabilidade iZurechnungsjdhigkeit} nao tenha ne-
ferimentos_do autor como racionais vernünftig), ele nhuma razáo de duvidar. O intérprete nao pode corn- I

compree~de Q qu --;'utor odia ter querido.sdizer, preender o conteúdo de signifícacáo de um texto en- J
podía, !.e.L1ido__em mente (gemeint). Diante deste fun- quanto nao estiver em condicóes de se presentificar
do deixam-se identificar eventualmente idiossincrasias as razóes que o autor teria podido mencionar nas de-
individuais, e, portanto, aquelas passagens que nao se vidas circunstancias. E já que a justeza (Triftigkeit)
tornam compreensíveis nem mesmo a partir das pres- das razóes (seja para a afirmacáo de fatos, para a

88 89
r~ nuais~
~recomenda~ao de normas e val . , <)eS sob as..,..
f d o A o ) ores ou nelas pressupoSl~
. e vivencias nao Idéntica com
é a express~ ta y- 11 ...
.. - o, o ter-por JO a() do ele per,gun

¡ razoes, o Interprete nao pode d .- Ustas ess pr.eensíve . - « "anteclpa-
.,. e manelra as _9.uao texto lncolll xto de urna ir) O
( presenti tcar-se razóes sem as 1U . 1sar, sem t nenhuPn a se situ~_UIll- Caía neste conte Vollkommenhel~:
~ o _

sicao em relacáo a elas ' afirmatl' va ou neg' ornar t'V- """ -"Gadamer, _ (vorgriff auf
lO o tran5nlltldo,
Po d e muito bem acontecer que o ínté ahvarnente ~áOda perfel~Ode supor que, ~ , text ara o intérpre-
erprete do' intérprete tem, ssibilidade lDlctal, P 1 isto {un-
é,
suspenso determinadas pretens6es d lí elJte ern apesar de sua lnace anifesta~áO raclon~ Ai "náo
1 decida
e e se eci e va
a nao considerar de te . d idad e, qUe ta urna m UpOSI~~'
';;'De.

rmma as qu - te, represen


1 b deterI1l1
'nadas press d 'manen te de sen-
reso 1vidas, como o autor as cons¡ideravaestoes
o

como
o, damentáve so urna unida e 1 Ié disso, a
SIm a tratá-Ias como problemas .. Mas , se eIe nao _' Illas é pressuposta 'mas a m
d . apenas .'0 ao leltor, , béxn cons-
xasse nem mesmo entrar numa avaliarao o . ei- tido que dá a dlre~~d ís) do leitor é tam de-
m en t e SlS . t ematica
' o

ansatzweise systemat LSC


( ~ mcoallva
Oh) compreensáo (Verstan ms tativas transcendentes
e urna
o
íad por expec a ver-
toma da de posicáo, portanto, pelo menos ímpí¡ . tantemente gUla a, ' da rela~áo para corn
' - IClta sentido, que se ongmam se refere (Gemeinten). As-
quan to as razoes que o autor podia conside rar VI-. dade daquilo a que o texto carta compreende as
gentes para o texto, se ele nao apenas suspend ecebe uma '
. id esse sim como o que r rérn e pnmelr " amente vé as COISas
lSSO, mas o consi eras se como algo de incompatível notícias que ela con e . t é considera ver-
com o caráter descritivo de seu empreendimento, en- a escreveu, IS o ,
com os olhos do que - pr.ocura digamoS
tao ele nao poderia tratar as razóes assim como elas . o que este esc~eve - ehnao o inióes ' do autor
daderro
estavam na mente do autor (wie sie gemeint si~. assim, compreender as estran as . P d também
enquanto tais -, assim nós compreen emods ta
Neste caso, o intérprete nao estaria tomando a sério di - a base e expec . -
textos transmitidos pela tra icao
como um sujeito responsável aquele que está diante - . d artir da -nossa
tivas de sentido que sao cna as a p " '
dele. prévia compreensáo do assunto (Sachverstandms), •.
Uro intérprete só pode esclarecer a signífícacáo Só o fracasso da tentativa de considerar como verda-
de urna manífestacáo opaca explicando como se deu deiro o que foi dito é que conduz ao esforco de 'corn-
esta opacídade, isto é, por que as razóes que o autor preender' - psicológica ou hístoricamente - o texto
teria podido dar em seu contexto náo sáo mais acei- como a opiniáo (Meinung) do outro. O preconceito
da perfeícáo contém, portanto, nao apenas o aspecto
táveís para nós. Se o intérprete nem ao menos ro-
formal (dies Formale) de que uro texto deve exprimir
locasse questóes de validade, poder-se-ía perguntar-
completamente sua opiniáo, mas também que aquilo
lhe, coro todo o díreíto, se ele afinal de contas es-
que ele díz é verdade. Tambérn aqui se confirma que
taria interpretando, isto é, empreendendo um esfor- compreensáo significa primariamente entender-se na
. - rturbada entre o
co para reativar a comumca~o pe 1 coisa (sich in der Sache verstehen), e 56 secundaria-
Coro outras pa a-
autor seus contemporaneos e nos. mente: destacar e compreender a opiniáo do outro
A '

,
, 1 ntenha a aU' enquant~o(urna) tal. A primeira de todas as condicóes
vras: exige-se
'- - do intéfErete que e e IDa 1 urne--como
tude (Einstellung) performative que e c_ª$5 ~--. hermenéutícas permanece , portante , a pré-compreen- ~
_ ,: ',' t mente eJ}1ao,
agente comu~m--~ J_us a _-
--- --- 91
roferi-
Ue o P
sao (Vorverstandnis), que se origina d 'Jllos de q favor a
o mesmo assunto".' o ter-a-ver c0t'll Ós paru a seU d
do diálogo n ro autor tero nas conce e-
- Gadamer emprega aqui "verdade" eipantes ) de u áo ape 'uJ1l
\ dicional filosófico de urna racionalida:o sentido tta. (Ausserung l'dade nós n dum seJa
mento _ d raciona 1 ' 'nterpretarz der d~
\ keit) que abrange verdade proposicional e {Vern_ii.n!tig, un~ao a d que o , apren
, id a d e e veracidade (ou:' correl"a pres ssibilidade e os possaroos 'bilidade
'1'"I ma ti' va, autenticí ' ~ o nOto moSa po ó e que n m a paSSI f
- , Slnce 'd modelo para n o~tamos tambérrt c~ rzós, Gadamer 1-
\ Julgamos que sao capazes desta racion l'd rr ade),
I ' , , al ade todOs le', antes nós e poden'a aprender d que se ocupa coJ1l
I os sujeítos que se orientam pelo entend'
" d')' Imento (V de que o autor ,. ' do filólogo, 'ste firme-
I ta~ tgung), e, com lSS0, por pretensoes de Va' ers. enenela que res1 ,
ca preso na exP "c1ássico é o b corporih-
universal, no que eles entáo colocam Como fu hdade lá tcos - e ," 5 O sa er
to de suas realizacóes interpretativas (lnte nda~en_ textoS e SSl 'tica históflCa .. , dpio supe-
' ) " rpretatlon mente frente a en opiniáO dele, ern prm experien-
1eistungen um sistema mtersubjetivamente ál'd s· cado no texto é, na e ísto contrasta a f
d di v I o de rior ao do intérprete, orn 'na que o intérprete ren-
mun os, gamos: urna compreensao descentrada de
\"--mundo, Este acordo que subjaz como fund cía do antropÓlogo,que ensl, nenhuma ocupa se ro-
,
(zugrun d e1tegen dee Éitnverstan " d rus
ís) que nos Iiamento . ' - de ,manelra
te a urna tra d l~ao ' Para compreen d er sa-
, ' 19a pre, . ,-
pre a posl~ao
de um Illfenor..
. bruxas dos Zan e, u
d ro
víamente e , no , qual cada acordo faticamente ' do
Visa
pode ser criticado, fundamenta a utopia hermeneutic tisfatoriamente a cren~a, na~ até reconstruir os pro-

) do diálogo universal e ilimitado em um .mundo da


vida habitado em comurn.' Toda interpreta~ao bem~
ucedida é acompanhada pela expectativa de que o
intérprete moderno preclsana
cessos de aprendizagem que nos separa
poderiam explicar em que aspectos o pensamfentdo ~11-
tico se diferencia do moderno, Aqui,' a tare a a m-
ro deles e que

,
.

autor e seus destinatários poderiam compartilhar de terpretacáo se estende até a tarefa teórica propna-
~j?ossa compreensáo do seu texto, se eles simples mente mente dita de seguir a descentralizacáo da compreen-
lossem capazes de transpor tt a distancia temporal" sao de mundo e conceber como, neste caminho, os
4>or um processo de aprendizagem complementar ao processos de aprender e desaprender se restringiram.
*osso procedimento de interpretacáo. Em um tal pro- Somente urna história sistemática da racionalidade,
cesso de entendimento que uItrapassa contrafatualrnen- da qual ainda estamos muito longe, poderia nos guar-
te o tempo, o autor teria de se libertar de seu hori- dar de cairmos num mero relativismo ou de absolu-
zonte contemporáneo de maneira semelhante áquela tizarrnos de maneira ingenua nos sos próprios stan-
em que nós, como intérpretes, alargamos nosso pró- dards de ra~io?~1idade (Rationalitatsstandards).
prio horizonte ao nos deixarmos levar pelo seu texto,
[Gadamer emprega para isso a imagem dos horizontes
't...._quese fundem mutuamente (miteinander verschmel:
~ contnbul~ao metodológica da hermeneutica
losófíca pode ser .
- que o mtérprete'
resumida da·
seguínte manelra'
d
.
.
fi-
I
fica~ao de urna manifesta s~ p~ e ~~clarecer a signi- ,
zen). tual participante do <; o slmbohca enquanto vir- ,
Entretanto, Gadamer dá ao modelo exegético da partícipes imediatos' processo de entendimento dos
compreensáo um rumo (Wendung) estranhamente un~- ,
- que o posicionamento
lateral. Se na atitude performativa de virtuais partl- performativo sern dú)
92 93
ta identificayáO d.c
vida o vincula a pré-compreensao da' _ favoreceu es do (Verstandrus
A.
neutíca inicial •
lDlCI SItuarao
,. her- do menos dAncía ou acor áo é, de
• -~&
\ - que, porérn, esta vincula~ao nao t mente, :OsáO e concor ..~ estar de aco~do : uma at'i-
I • di líd d d e sua interpreta~ao; ern de Pre-
1 JU rcar a va 1 a e cO~P~~rrverstiírzdnis~: condi~áo necessá:laq~er compre-
- porque ele pode tomar útil para . u" enhuma, uilo que s para
. (B'innenstruktur¡ racional do' SI a estru tu- maneira 11. para com aq dialoo-icamente
ra Interna de dialógica noS comportar ee;demos em sua
d ' agn- orie tu podemos ue compr d no H-
o para o entendimento e para reivindicar refl ~ta- ender. 'do expresso, q fique valen o ,
/ mente a competencia avaliadora de um pa ti ,eXlVa_ om o senU deixar que esta o destinatáno
da icomuni
respons á ve l a cornunícacáo, para r lClpante e - sem . SOlO como
pretens~o~preender a SI m;, a ter de aceitar a pre-
"'-, . - por em relacáo sistematicamente o mundo da na1.' . o retensáo náo signI ic á la a sério, I Também
I VIda do autor e de seus contemporaneos corn de urna p SI'm decerto, torn - 1 que examina o
'.
, própno mundo da VIda o seu - mas' - aque e
tensaO, io uma pretensao
é menta e naO a
- e para reconstruir a significacáo do interpre_ leva a s r ern portanto, argo m pro-
direito dela -: qu ~enos (unverzüglich): Que m
tandum como o conteúdo objetivo (Sachgehalt) pelo
a lica sern malS nern entativo, a um dlscurso co
menos implicitamente avaliado de urna maneira cri- Pd a urn exame argum 1· áo fundamentadora, se I
ticável. ce e d rna ava la~a .
a finalidade bém e u , 1 da validade dialoglcamen·
\. Gadamer póe em perigo sua vrsao fundamental
hermenéutica, porque por trás do modelo preferido
cornpOrta ta_m r -o fica devendo a correspo n-
ao mve·
te .. , Urna ~~ra ap :c~~a urna pretensao só pod~ ser
por ele, em que as ciencias do espírito se ocupam com dencia díalog1ca, po q - de validade num díscur-
textos canonizados, se esconde o caso propriamente íd mo pretensao f'
reconhecl a co _ de validade contém a a ir-
problemático da exegese dogmática de escritos sagra- Poís urna Eretensao --- - -- h 'd" 7
so. - 1 édigno de ser recon eCI o .
dos. Somente sobre esta folheta (Folie) ele pode ana- mac;ao de que a go
lisar a ínterpretacáo exclusivamente na linha (am - --
Leitfaden) da aplicacáo (Applikation), e isto significa
analisá-Ia sob o ponto de vista "de que toda com- NOTAS
preensáo de texto representa urna apropria~ao atua-
lizadora do sentido do texto pelo intérprete com re- 1. Sobre a sígníficacáo metodológica de pergunta e resposta
ferencia a situacóes possíveis no mundo"." A he~- em relacáo a Collingwood, cf. W. Kuhlmann, Reflexion und
néútica filosófica afirma, coro razáo, urna conexao kommunikative Erjahrung, Frankfurt, 1975, p. 94 ss.
\ interna de questóes de significacác e de ~ali?~de, Com- 2. '!j.Kuhlmann elaborou muito energicamente o caráter per-
formativoaa- práxis exegética e mostrou que a compreensáo
) I
Ipreender urna manifestacáo simbólica sígnífíca sab~r
sob que condicóes sua pretensáe de validade po~e~la do sentido só é possível no caminho de uro entendimento ao
menos virtual sobre' a coisa mesma: a compreensáo de um
J ser aceita. Compreender urna manifesta~o simbohcl~
texto exige o entendimento com o autor, o qual, enquanto
\. - de va 1-
nao significa, porérn, aceitar sua pretensao her- valer como um sujeito responsável, nao pode de maneira
da de sem levar em consíderacáo o contexto. ~ , nZenhumaser totalmente objetivado .. Pois responsabilidade
( urechn
menéutica_ de Gadamer, orientada tra dici
ícrona hstlca- ungs[dhi
a 19k eitv,
' como capacidade de se orientar por

94 95
preteIlSOes de validade que visam o I'eCOnhecim
isst Universalpragmatik.?·, in Apel (OTg..)
jetívo, s:ign.ifica que o autor frente ao intérp ento intersuo. • e1Jl: "Was ~ d PJlilosophie. Frankfurt, 1976, p.. 114 ss.;
de acabar tendo raziio (rectu beha11en) COmrete tanto letia
tprachpragmat,lc ~ahrheitsbegriff bei Husserl u~ Hride~,e,..
em principio teria de poder aprender de ~. P?~ SUa "ez Tugendhat, Der . d. também D. Bóhler •.·Pbilosophisebe
. -
presseposecoes, pranca
. da pe) Ctitica'
o intérprete: ·Só se o a SUa.s
e
J3erliJIl, 1970• P. 321ss.; neutische Meth~
¡;;.. _..l_. . .
• m. M. F··~----
também e justamente aos olbos daquele que
algo sobre de - (1) cm principio permanece ~r
auno _
apr~der
l lIerxneneutik.
1I R. JaUSS &
un.! b;::enberg
'483 ss
UJU lUALLIl.

(Orgs.). Tul und Applilt.cUiort,

de cfize:r ~ ~ realmente I'UWO e surpreendente ~ndi~ rd~que. 1981,p. .


(2) cm prmaplO pudesse proferir algo de superior'asso ~.~le
daqude que qua c:onhece-lo. caso aquele QUÍSesse OPUU~
cip:o apl ender algo deje. e (3) •.. só QUando o em Prin-
principio Ul3Dlém a possibilidade de dizer algo de vc;:ro ~
\
56 entáo de Rm a ser conhecido e ao mesmo tero dadezro.
nhtrido como sajeito", Kuhlmann, op, cit •• p. 84. po l'e(». ,
I
J. Gadamer. Wahrheil und Met1wde. Tübingen. 1960. p. 278
Vertúz4 y Método. p. 363 s, .

4. Sobre o postulado do "entendímento ilimitado- (unbegrenz.


IDI YnSlQ:ndigung). cf. K. O. Apel. "Szientísmus oder trans-
nndentale Hermeneutík", in Apel. Transtormauon der Phi.
Iosophie. vol l. p. 213 ss.
S. Gadamer. op. cit., p. 271.
6. D. BOhler: "Philosophísche Hermeneutik und hermeneu-
tiscbe Methode"'. in: H. Hartung, W. Heistennann & P. M.
Stephan, Fruchtblduer, Yeroifentl, d. P. H. Berlín. isn, p.
15 ss. Bóhler descreve o caso especial da hermenéutica dogo
mática: -A exegese de textos ínstitucionaís, cuja validadc é
pressuposta na comun idade, se coloca a tarefa de vencer as
d.i(~ entre texto e sítuacáo dada a cada vez de tal
maneira, que elas sejam atualmente trazidas para um resul-
tado (Wirkung) orientador da acáo, ou seja, venharn a ser
aplicadas l sítuacáo presente do intérprete. Esta colocacáo
da tarefa da atualízacáo de acordo com a situacáo, da aproo
príacáo e da aplicacáo de um sentido prático obrigatórlo
(verbindUchen) vern a ser refletida e dominada metodologi- t
camente pela hermenéutica dogmática, que foi desenvolvida
tanto pela teología judaica e cristá quanto pela jurispruden.
cia, e cuja precursora em termos de filosofia social pode
ser considerada a doutrina aristotélica da phronesis".
7. Bohler, op. cit., p. 40 s. A crítica de Bohler a Gadamer
segue K. O. Apel, op. cit., vol. 1, p. 22 s; J. Habermas: zur
Logik der Sotialwissenschajten, Frankfurt, 1970, p. 282 ss.;

96 97
APtNDICE como resultado da
dá no entanto , - - d d fio
d ideología.p., di~áo histórica e o esa 1
JJlas.e cía de nossa ~on a aspira~áo e urna vo~-
Dial "tica, e Ilermeneuli ca.· lJtn consCl~~das ideologlaS,uro de salvar nelas a urn-
críuca humano d
ntrovérsia sobre 1félod a da
. do pensamento. id de da reflexáo atrav s e
é

!_8deaUdadee a co~t1nUl:e se comensuram com as


Filosofia o elll vers osturas teórIcas <:I d ensamento histórico:
dua~i~es de contin~encla °q!estáo da dialética co-
Ernildo Stein con... d os sItuar a -
é aí que po ero - da hermeneutica como ten-
mo IJlétood e a questao d de mesmo para aIéem do
. tar a ver a
tativa de I?v~n. e hermeneutica representam os
IJlétodo.plaletlca é dos quais o debate atual so-
. hos atrav s d
doís camln_ d método como instrumento e pro-
questaolonalid
o A • n•

,bre -a de raCiOna la, de através da convergencia e -


~9ao fi - - ~:;- cías humanas se desenvolve numa
filosola e Cien ' di
~ ue transcende a fragroe~ta~áo dos proce rmen-
..
I '~ser~e~tíficosero geral. s possível, portanto, de,s:n-
L1_ - urna questáo filosófica relevante, pela análise
vover . d
Urna vez chegados a era do fim da metafísica, que das relacóes. das diferen~as e do unlvers? c?mu~ ?
podemos chamar o tempo da crise do fundamento, pensamentocrítico-dialético e da hermenéutíca filosó-
surge a dificuJdade de traduzir a nossa reflexáo no fica.
campo da fiJosofia e das ciencias humanas em ter-
mos de verdade e de racionalidade. Urna vez perdido
o fundamento que vincula significante e significado 2, Crítica e historia
de maneira on tológica, e postos num plano em que
o espaco de fundacáo é inelutavelmente histórico, to- Retomando alguns aspectos analisados em outros
da a tentativa de fundar a universalidade e neces- textos, continuamos a perguntar pelo lugar de ra-
sidade do conhecimento se transforma num proble- cionalidadeda postura da crítica da ideologia. Ana-
ma de semántica. A partir dela nossa atividade de po- lisamos até agora aspectos da sociologia do conheci-
voar o mundo com objetos e proposícóes parece an- me?~oe da crítica da ideología, fazendo passar esta
tes urna ocupacáo lúdica de construcáo aIeatória de ana~lsepelo que chamamos de historicismo negativo
um mundo do que propriamente urna vontade de jus- e hlstonclsmo positivo. O potencial crítico que ten-
tífícacáo racional da nossa relacáo com o mundo, ~amosextrair da teoria marxiana revelou-nos dentro
Urna vez postos na arena da história e a eIa Aa ~r6pria problernatiza~ao do marxismo, a' ambiva-
confinados, a questáo da fundamentacáo da verdade lencía que se est b 1
.. a e ece entre urna concepcáo histo-
parece ter-se convertido num confronto entre proble- rtcrsta de cunh id ll
o 1 ea ista e urna visáo da história que
98 99
discursO
detcnnlrustnos rna .
¡:, daro que uro
. 1 JIlesJlla. rá inevi13vehnente
c.Luo que ea .. 13 se N-
¡pado. biS tó na
C05cas da' ler\aj,s ~ iA_
,-- Inl~ --=o. ¡narca bistoncls fundaC;áo circular. . ao
. se infiltra a qUCs~ do CTiticoa ~ ue tenba a a ~jgencia. de da história que JUS-
en. fun~
:atadO de urnde referenCia fora hecer o historicismo
tando por ale fundamento bá urn pont~posiC;óeS.Ao reco~ o marxismo como
a.::onlntdo lo da hj tória • que nao Po-
tifique as P ¡nante fundamenta, fundac;áo de SUa5
t&o Um ( e ~ Ju (IrlJ a ques.
corno deterDl'
_ penas f oge de urna íd d fora da hi1st óri
~ ~~
na,
~lbC'!UC &brx. se fa.ze.ra ~ ;:. da ideo~ . . naO a ionah a e d
ct1uca . ~ e de sua rac . do a circularida e, re-
com , JI • ~¡r do rTlalffialismo hUI: da eco. assumlO , . d
prop<> mesmo tempo,
SIC;U-
. compreenslvels o
C'Om pr'C"tC't\ de vaJ¡da~ ~. apre. ¡nas ao {>eS mentals,. - d
'ece nas operac; sistema de produc;ao e
~iAJIC Wln 1. un Iver Ji~
5C pode cona:~r como
,~cru. poi • de um I do. essa O l'
da criC de al.
. aca. entre.
Uma UOrvn-saJiA- _.
-....aoe
canh todo uro
própriO discUrso, sua lógica própria. Por
, ..ntidO que rern a
=»:
di'cá o de circulandade
qu
em
e

p 'Ca~ Univer - tizado a con .. , .


• -.o ~mo tempo critica. pre-ttn~ atingir t~ se ttoba tema od - de racionalidade da cn nca,
r~ lAneo d m ln-blidadc infra-atrutura} que trabalba a Pber uc;aqOue as análises descritivo-com-
é precISO
. aperce r·se . ente , e de modo imp . Iícit
ICI o,
como da lldade uperestrutlJl1l'; e de Outro lado . as foraID pratlcam
dn se fundar. de algum modo. o antter raciona] des: precnslV
reconhecidas.
lA UnJ\O rsalídsde, tsro ~. a prop05i~~ do materia-
Ibmo hi t ri devem apresentar urna consisl~ncia
e uma re.oci que prantcm a ua justifi~~o como 3. Diferenfa e mediacáo
ducu
A unhe ldade da melca parte das condi~óes A questáo que se levanta a partir do exposto po-
húJ lll4rtrbls e alinna que a universalidade que de ser explicitada como urna questáo de método. O
lÚa lit nAo percebe as condi '(}e$ a partir das potencial crítíco-dialétíco das proposicóes marxianas
vu......da nad . E a im que o discurso marxiano se articula a partir do que chamamos, em análises
dnTri reeoe -cr ~us prépríos determinismos anteriores, de método dialético. Mas ainda que se
ftUl«U.i.J. pe ebendo t'n130 aquilo que. sem a critica, acentue apenas o uso deste método, junto coro ele
o c::on,'Crt~rla num discurso ideológico. Mas os limi- opera como pressuposto o que chamaremos, de ora
da ai desse discurso dáo-se de duas manei- em diante, de método henneneutico. :E. claro que o
! de wn lado. pela Intransparéncía do dado que o modo de operar dessas duas concepcóes de método
¡tta. e de outro Indo. pelo mundo categorial de pro- foi ~plicitad~ separadamente, mesmo a partir de dois
adlEJC"U hLs,ó' determinada que ele utiliza. mOVlDlentos fIlosóficos distintos. Mas o fato de o mé-
p~ ro muito sentido querer libertar a todo herm ti
A .
fíl sóf' ,ene~ ICO ter SIdo explicitado na reflexao
crif da ItoÑ m.:lrxiana de um caráter historicista o lea tardlamente
signif e somente em nos so século, nao
iDdud.h-cl UlO porque O principio que vai Ihe dar dialét~ea~sua falta de relevancia em face do método
J"CC:101!14lidade 5e' irua na própria história, é de algum lCO. produ~áo de racionalidade nas teorias so.

100 101
eOs~doS
. pOd e
J1l ser P
d sa es
tru-
dais, através da crítica d . éf,ltlcQ rtir es co-
l! herrflerl f, é a pa ntender
pela hermeneutica. a ldeologia, tarnbé critica de refle"áool pOdereJ1l0dSeseus respeC-
sa \
F' rn Pas roO o e q1.1e e gen-
G 01 o conceito he '
tiu a introdu<;ao da gehano ~e reflexao que e .
' saménto hegelian dchamada fllosoBa crítica n: rnu.
de ce> 'r do at efle"áo. se serveJ1l dos di"er rl
• p.rtJ lar da r eo~1.1Uca'reJ1l de J1lO o Se a e -
,1.1'" ;;:ica e herfllracoovergl nosso teJ1lP '0 contras-
) tiica que tomou fo e esquerd a. A Hl Peno
1 osoña herrnenA tflO e étOdospa o isto é, o diferen<;a e n neutica
~, orma ern no '1 eu, tivostJl o JflesJ'll.' ..... eote na f1 a herIl1e o
pnamente opor-se a 1 sso secu o nao vem pro- sobre baslcaJ" re ete, . - o coIl1
foi a histórica contreovaé'~omGodveremos mais tarde
tes e afirJfla bre o q1.1e_ e a uni{lca'Y_a odetn
. rSla a a ' ticas aquilo SO a rnediaC;ao mediafao, P do
) deu ongem e atualíd d mer-Habermas que te como . aJfleote d'ferettfa e de acor
, _ 1 a e ao confr t d rlmelr réJ'll ' 1 - o que, 1a-
' POSl<;oesmetodológicas na filosof' on o essas duas visaP AmboS,po 'de ref exa , 1 _o entre
veremos, nao excludente mas anlat'Cobnfronto,como smO. d no ato Illa re a'Ya o
tfle distiog1.1i OS estabe1ece u o Il1estnO tetnP ,
PI' 'es
ementandade, apesar da pretensao de
de apresentada tanto pela crítica co
usca d
. e com-
unlVersalida_
~:m sua nat1.1r~~r isso seIllpr:'sada reflexáo, a po-
doS separados"As distintaS poSl<;~etíca. tetn plena r~-
00 néutica. mo pela herme- epara. . _ herIlleneu _ e rel-
une e S . e a pOSl<;ao onsidera'Yao _
- No confronto entre o método crítico-dial~t' si~áocriucadcada urna toma eml e tra: a crítica nao
o método hermenéuríco está em jogo a rela('ao ¿co e - quan o do pe a ou ' In
dua ,s conce!,~oes
- f'llOSÓfiicas com
J ':Ir
o nos so tempo.essas
Po-
13°, . o momento acentua
. dica li áo a ro
d ed'laráo e a co -
'Y •

derfamos dizer com Hegel que ambas procuram apre- V1ll inteirarnente a rea lza<;Ii . a toda a instanCia
recusa Autica náo e lmm
ender nosso tempo pela reflexáo. Mas isso nao de reensáo hermene
maneira absoluta; porém, de modo contingente. Ma- p " 112 dí Iéti o e o herrne-
cnuca., dois métodos, o la e IC
neiras de u apreender nosso tempo em pensamentos", portanto, OS . _ filosóficas que nele se
ainda que nao de maneira hegeliana! . as duas pos190es
neutlCO,e seu estatuto teórico na re-
Para compreendermos melhor esta polaridade en- ifestam encontram o
tre crítica e hermenéutica convém entender o que m~ncia
f a esta polaridade da reflexáo. Mas esta p~
ere
1 .dade nao apenas toma comparavers o
" método cn-
significa reflexáo. Reflexáo tem como propriedade ser
em si enquanto se relaciona com o outro; produzir t~; e o método hermenéutico. Ela instaurou, desde
identidade justamente pela oposícáo. A consciencia sempre,urna proximidade entre ambos, De tal roa-
de algo e. ao mesmo tempo, consciencia de si e a neiraque uro nao pode operar sem o outro. Portanto,
consciencia humana de maneira geral e só se sustenta tantona filosofia crítica como na filosofia hermenéu-
e mantém sua unidade se constantemente se relacio- tica,o ideal da reflexáo aparece enquanto busca da
na com conteúdos estranhos a ela .. Os dois aspectos racionalidade.Apenas a reflexáo crítica acentua a di-
da relacáo consigo e da relacáo com o outro constí- ferenca,o contraste e a reflexáo hermenéu tica acen-
tuem, de certa forma, a estrutura da reflexáo que es- ~a a identidade. O método crítico se apresenta ba-
tá na base da consciéncia. Enquanto reflexáo, unida-
~lcamednte co~o um instrumento para detectar a rup-
de e oposícáo subsistem inseparados. J:. de~ta .estr~. ura o sentido en
tura polar da reflexao que nos vern urna mdlca9ao busca nos muit~s qU~~to o método hermeneutico
senh os a unidade perdida, Essa
0102 0,0
tOl
estrutura ambo
flexao funda, ~:l::te da razáo humana e , (ilosona, na u:ur\ el ei:\ncl.
universalidade t menos justifica nquanto re , na polluca. na
anto da ent' , a preten - ' nomU1, 'na arte. etc ..
ica eomo da h sao de na saciologlll, lo da rcfledo. 8 hcrmen~utlca. ~
enneneut'lea, O outro Pó 'uma posi~Ao ant..g6nlca corn a
, por assum1r ., _,
4, Marxismo e a ractenZB . r e a seu rempo- cnquonto • ers-
operllfao hermenéutica d crítica ac h er ..
po sic,;áOdia íge b'aS1camente contra seu tempo..
tiea se n penetrar cautelosamente em cu
A crítica da ídeolo ' , procura
dos pólos da reflexao gia representa, portanto mencUtlca d s possibitidadcs de que dlsp6c •
tempo, Sao as un contrar com a rca Iid 1 a d e hl1st 6 r I l."
longa história atrás d:n¿'~:i~~o ~st~ é cnt~ca, Há' u~~ reflcxiio::r:Cr~ti~n sobre contcúdos abstratos que se
momento em que Ruge a ldeologla, Desde ern vez ra tornar'se conscicnte dos condldo-
eonverteu a di lé ' o
na numa "crítica que fl '
. "
la tíca hegelia.
Ul eternamente" I Ih e op eem • procudctcrminam sua poslcño dentro d
pnncipro dialético da ngi "d' ez sístemátí ' 'sa vando o namentOS • que hi tMica Através da comprccnsuo. A
a her-
pe Ia análise que Marx f
,. " ica; passando
az em sua "Crítica d Crítí
consteJl
I ' procura atingir o senlldo que nos vern do
ac,;ao 15 '. .'

efirttíca
,. h
(Sagrada Família) e a
sua resposta para da
tíca ment;uuca
passa do e', qu
e abrange num único " mOVlmento. aqueo
. '
e reacia istórica a reflexáo (teoria) aposta a lid r le que compreende e aquilo que ~ comprc:~nd,do, A
de , atr aves ' d a me diiacáo da práxis revoluciona rea " latea·' pretensáO de universalid.ad~ ~a henncncuuca nasce
t . , . ana, redsamente desta tendenCia mtegradora, De algurn
a . eona crítíca da Escola de Frankfurt ' ande o mar-
~odo. tudo deve ser compreensívet. Ainda que Ga-
XlS~~, nos velhos frankfurtianos, reassume traeos da damer afirme: ..Ser que pode ser comprccndido Iin- é

posicao dos hegelianos da primeira geracáo. Adorno guagem". "A pretensao de urna unidade abrangente.
por exemplo, escreve: u Quem ainda filosofa, somen- a henneneutica eré poder defender particularmente
te o pode, se negar a tese marxiana (tese 11 sobre pelo fato de ela mesma, como teoría, nao se Iazer
Feuerbach, E. S.) da superacáo da reflexáo filosófica". distinguir virtualmente do complexo tematizado peta
Filosofía, a única que ainda é necessária u como crí-
tica, como resisténcia contra a heteronomia que se
-
compreensao. ".
O método dialético e o método hermenéutico, o
alastra como se fosse urna tentativa impotente do primeiro partindo da oposicáo e o segundo da medía-
pensamento de ficar senhor de si", reduz-se assim a ~áo, constituem momentos necessários na producáo
liberdade da reflexáo de se apoiar nela mesma, em de racionalidade e desta maneira operam indissolu-
velmente como elementos de urna unidadc. t:. neste
contraposi~ao a tudo o mais.'
E, finalmente, esta reflexáo crítica encontra na sentido que a critica das ideologías. como propo ta é

por Marx e basicamente todo seu projeto de critica


crítica das ideologías, como boje se apresenta, um
da economia política. opera com o in trumental her-
instrumento de produ~o de racionalidade para atra-
men~u~ico. ainda que resulte a impressáo de que a
vés dela encontrar-se com o seu tempo, através do oposicao se renova indefinidamente, Para cornpreen-
diagnóstico das patologías sociaís, tornando transpa· der a operacáo hermenéutica nos textos de ManJ na-
rentes fenómenos ideológicos que aparecem na eco-
lOS
104
--- --- --- --- ' I---
da melhor que sua Int
. .)
d . (materialldade dAS reI
Politica (1857) p rodUfiio a Critica d
. ara compr d a E '.ubstapdalida ..e
metodológico da crín een errnos o pr conOntiQ •que. determina .
Usa rca e da h OCedim
r como referencia F errneneutica eOto
de Hegel. Ela possui a enomenologia do POdemos ltd de • clrc'4Iar¡dadc
radigma: iouu! a
paradigmático para ' de c~rto modo, Urn si E~~lrito, tjm nOVO
pa é od
consciencia de deg a crílIca: o desenvolvirngOlf¡cado 5, d questAO do m t o
' rau ern degra ento d , m torno a ¡ e
a t o emancipatório que í' u, representa a a A controvérsla e f to~Ao entre marx st •
exp ." . a cr tíca tern qUele
enenCla da consciencia até che Corno meta. A desencadeada, ~~5 ~o~:aC;;;~áOhermenc:utlca od·tln8~~
compreensao representa a . gar a urna aui nensadores ligad "O na discuss50 do mét o
bertacso da ilusao ideoló . lmagem originária da ~ y- J1lomento eCIS1V
um
exposi~ao da história d gica ~ue. a crítica busca ~
a aparencIa tern .
atualidade, nas interpretaram de divcr O!
"OS filósofos ape . porta 6 Ironsform1\·to
na marcha para frente, através da ua seu sentido ndo' o que rrn
pel?s seu s esfor~os críticos, se liberta ~ l ~~spírito, J1lodos o mUX1 Tese sobre Fcu.erbach). Nesta te e.
toncamente condicionados M os lImites his- (Karl Mane, de certa maneira. a fílosofia a um pa ..
dí . ~ as Como refen Mane relega, JI.' levantando o imperativo de urna
19mahcamente a hermeneutica a F r para- hermenc;utlco, f
Gad d enomenologia' sado lucí á 'a que teria por meta a trans or-
arner nos á urna indicarao' "Refa
. h d T:" zer, para trás
. 'ca
pr á ti d
revo UClOnn
lid de presente O apelo k trans orrna-
r
o carrnn o a Fenomenologia do Espirito d H ' cao_ a rea
J1la,. . 1 a .
de maneira alguma. a necessi ida d e d a
até t e egcl
mos rar, em toda subjetividade, a 'substanc' 1'- r~O nao recusa, tti d
dade' que a determína". ." 5 Esta seria a via pela qual la 1 r- _ I Aparece aqui talvez antes a cr nca e
interprcta9ao.
Marx ~ filosona idealista, incapaz ?e ~, tomar mun-
hermeneutica realiza a sua tarefa: a busca de a
t ". urna do, porque, segundo ele, já era a )ustlfl~a~ll~ de um
~a~sparencla possível através da compreensao da mul- determinado mundo. Certamente a tese lmp!lca t~m.
tipficidade dos sentidos dados. bém o apelo a um novo tipo de trabalho Iílosófíco:
Marx, na sua famosa Introduciio el: Crítica da Eco- trabalho no qual a ínterpretacáo seja urna transfor-
nomia Política, quando estabelece, como lugar privi- macáo e em que a transforrnacáo seja conduzlda pela
legiado para a interpretacáo (situacáo hermeneutica), ínterpretacáo.j
a crítica da economia burguesa, para a partir dela O método dialético e o método hcrmenéu rico se
compreender os modos anteriores de produciio, refaz relacionam através de um contato que nao se cons-
o mesmo caminho hermenéutico. Mas a substanciali- titui ao modo de fundante e fundado .. Basicarnenre
dade que determina toda subjetividade nao é a que os dois métodos se apresentam, como nenhum outro,
se constitui pela sedímentacáo dos sentidos passados com urna pretensáo de universalidade. Pretensáo que
que agem na subjetividade, e sim as condícóes ma- pode ser entendida como o desejo de constituir o pon-
teriais que determinam as consciencias. Portanto: to de partida e o eixo fundamental de posicóes filo-
"Refazer, para trás, o caminho da Fenomenología do só~icas. O~ simplesmente um método de trabalho que
Espírito de Hegel até mostrar em toda subjetividade afirma a 1mbrica~ao entre método e coisa, adequan-

106 107

I
do-se a urn Ílpo . de diISCursoe
das p . - de cruznmento d [\\0-
ropoSI~oes é feíta de ~ que a Jusn . método, lugar dá-lhes Indl cutlve\-
que esta compreens- d manelra circul iflca~ao d como h manas, t
definItlvO
.. com o
ao e mét d
dí o o pratico aro ~ certo
ciencia ou da reppara igrna das filosofiauudrnCorte
proCc er as cit!ncias u 'ca capaz de dnr con
sofia .com autoridnde epi~.~~ml. n(veis de l"octonnU·
urna [VUuzlr
\
. resenta~ao 'L'r s a mente ressupostoS e ~ pOndo através do pro-
maugura~ao de um .' nOUve com 1 cons. de seus. p legitimac;áO v~l-se re
-
re 1acao entre ser paradIgma
d na llosofia e as urna
f'
dade cUJa b lho te6nco.
estabelecida retor' e ever ser , t·eona e práx'ern qu_e a gres
so do tra a
fi1 lcamente a p . d lS, nao é
osofias do absoluto. O m't darhr. as pretensoes d
bérn ' d e o o dlalétic e a controvérsia
1 . o meto o hermeneutico trabalh o, Cornotarn. que documentam
6. TextoS .
pano em que há propriamen~e am sobre Urn
dcrmos e visualizarmos q'unse an-
claro, urna tal redu~ao do es aPdenaso hornern. ~ Para compre~n l' óe s de vizinhanc;a dos dots
sí tamb ' paco a teoría t te as írnp lcae; .
rgo ern novas Possibilidades d raz Con. tuitivamen como obj cto de anál ise o con-
da produ~ao de racionalidade a et'umda amplia~ao métOdos,
vamos tomar entre Habermas e C a damero
e da A. par Ir a integ - é •
e a controv rsra
convergencIa entre filosofia e ci A. ra~ao fronto blicou no corneco dos anos 60 um
A • lenClas hum
convergencIa que vem substituir a pseudo-rado a~as, Gadamer pu . ducño d
. . 1 d Verdade e Método. Na mtro UC;4\O ces-
de e transparencia de urn tipo de discurso nahda. livro [ntitu a o . 'r'
obra vem a seguinte jus tt icacáo:
..O UC:
de dois pressupostos excIuídos do campo h~ue pa~te sa vo1umosa .'
tico e d o campo dila Iéético: . rmeneu· me seja pennitido esbocar de novo brevcmen[tc ."" l.~-
o ponto de partida do - e o alcance da obra: ( ... ) urna tecno ogla ca
mundo natural ou o ponto de partida do mund Oeo- t ten~ao . . .

1OgICO. compreensao tal como a herm~neutlc~ mais arruga
1:: vital perceber as conseqüéncías de uro tal _ quis ser é estranha ao. meu proJ~to: nao propus um
t o fíl 'f' l' I
lOSO ICO: e e rmp ica a recusa da totalidade d
ges sistema de regras técnicas suscetíveis de descrever, e
tradícáo metafísica, de um lado. E de outro, introdu a aínda menos de guiar o comportamento metodológico
urna idéia de totalidade que se faz no próprio pr: das ciencias humanas. Nao era tambérn minha inten-
ces so, que é operada no trabalho teórico. Mas que ~o explorar os fundamentos teóricos do trabalho das
nao se .finaliza e nao se completa. Essa totalidade , ciencias humanas com a finalidade de convertcr os
como ela é sernpre teórico-prática, se repóe a cada conhecirnentos assim adquiridos em prática; se resul-
momento do esforco teórico e permanece urna es- ta alguma conseqüéncía prática das presentes inves-
pécie de horizonte regulador nas questóes da prática. tigacóes, elas náo saberiam, em nenhum caso, condu-
Nao é rnais urna totalidade hipostasiada, nem urna zir a um engagement náo-científico mas. ao contráric,
totalídade que seguramente resulta de determínacóes reconhecer, por probidade 'científica'. o engajamento
que váo sendo progressivamente postas até se atingir q~e es~á ero obra em todo o trabalho de cornpreen-
um estágio final. ~ claro que tanto a dial ética como sao. Mmha ambi~áo autentica foi e continua sen do
a hermenéutlca nao perceberam de maneira explícita dée natureza filosófica: o que está ern questáo nao
o paradigma que eIas inauguram. Mas seu modo de o que fazemos ne d
m o que evemos Iazer, mas O'
108 109
que nos sobrevem al' d mpreender,
fazer".7 em e noSSo querer e d li r e co
, entre exP lca _ de método naS
Esta t " e nosSo érS1a
contrOVd dobra a di1scussaoa discussao - arn-
ese vern explicitad d e na d se es 'u para T
no corpo do Iivro' "O a e maneira rn ' eu d r on e ue atral, alitica. a mbém
sado ele mesmo' compreender nao dev ais clara filio !,Ohumanas e q 'a filosoha ari 1 e em seU par
como uma at - e ser p
mas COmo o penetrar no ua~ao da Subjetivid en, cienCJastoresda pró';;~bennas desenvo ":' do Agir ca-
qual passado e presente se aco~t~cer da tradic;aoade, plo~ seaspectOSque oIll o título !eo~ta volume rraz
l!. is~o que deve chegar a af~e elam constantern~n~o UltOS e veIll e pnme1ro l'
rn lurnes qU 14 sendo que o . e Raciona Iza-
neutlca, que é por demais :a~-se dna teoria herrn:: de~;~atiVO, (1¡81~acionalidade do ;!~re a Critica da
um procedimento, de um mét~lr:aa a pela idéia de :rno s~btlt~ ~ segundo. volum~~os aspectos ali abor-
Gadamer publicou sua o . fáo _so;la~ciona1ista, repIto, ;~eneutica sobret,:d~ a
nela pós os fundamentos degr_:nde obra em 1960 e ]?azao u _ III questóes da :'d Iísrno herrneneuUco
sofíca. Habennas publica madhermeneutica filo- dados repoe le charna de 1 ea 1
b no ano e 1967 " do que e ."
so re A Lógica das Ciencias S " 9 seu estudo parttr . 1 . cornpreenslva ....
se t ocuus, no qual da soctO ogla
n a as pretensoes do método crítico dí lé . apre-
mina e . la etíco e ex
xaustlvamente a filosofia hermens tí a-
dam eu ica de Ga '1 da hermenéutica filosófica de Gadamer
, . er, contrapondo a ela o pensamento crítico di .
letlco e mostrando assim os déficits de racional"d da- 7, O nuC eo 1 f.
da hermeneutica. Mais ou menos na mesma ,. a e .' Gadamer parte da radica l-
A hermeneutlca de . . -bTdade de
Gad amer pu bhica seu ensaio 11A Universalidade do epoca h mem Daí que a úmca possr 1 1
blema Hermeneuticon•1o Este é logo seguido de
um trabalho de Gadamer em que responde as críti-
m::
p ,
nitude d? o dar
a roxunar a ques a
táo do hornem situa-se na co-
se ~ ~ dos homens entre si. Esta é posslve,
. 1 di
iz-
mUDlcaC;ao t condi
cas de. Habermas a sua hermenéutica filosófica coro a experiencia. Quais sao, no entan o, as -
o ensaio "Retórica, Hermenéutica e Crítica da Ideolo- n:s de possibilidade de comurricacáo, quais as suas
gia ".11 Em 1970, Habermas realiza um primeiro ba- ;struturas? Essas questóes constituem o conteúdo da
Ianco crítico do debate entre pensamento dialético e hermenéutica como urna filosofia transcendental.
hermenéutico com o ensaio itA Pretensáo de Univer- A comunicacáo dá-se corno compreensáo e esta
salidade da Hermenéutica ny acontece no seio da linguagem. "Ser que pode ser
Evidentemente essa díscussáo foi entrando lenta- compreendido é linguagem.?" Esta proposicáo tem
mente num espaco público ma.is arnplo, tanto no am- sentido universal: poi s vale sempre onde se trata da
b~.ente filosófico do continente 'como no mundo anglo- comunicacáo corn os outros. O que ultrapassa os li-
saxónico. Para isto contríbuíu, de um lado, a enorme mites da possível comunicacáo humana é indlzível ;
eficacia de Verdade e Método de Gadamer. De outro Nada se pode afirmar aí que abranja a cornpreensáo
lado, os trabalhos de K. O. ApeI reunidos nos dois no seio da linguagem._
volumes de sua A Transjormaciio da Filosojia" leva- um O sujeito que compreende é finito, isto é, ocupa
ram adiante essa díscussáo e deram-Ihe mais arnpli- 1 p~~t~ ~o tempo, determinado de muitos modos
pe a tstóría. A partir daí desenvolve seu horizonte
110
111
uízO de-
Ue seU j o
de c_?mpreensao,o ual_ 'o dn f q '11 sobre
mumca~ao - pode ~r ~ste é o prOCes . eS, resuItano rna hCgernon' Gadamer.
tros horizontes .. O SUjeit:nPhado e fundidoSo da ca. penor é tcr1l U segundo
~ns:\1o SU islO' valería,
escapar da história pela reffue__compreende n~orn Ou. p''''- rcvalCcer~11O Jl'Icsr1l
va p ·uízo.
° ~
rccnsao
e verda-
te estar na história t exao. Dela faz p ao Pode rópriO.J.o dido na cornP nhecímento me-
. . ern com arte b
sUJelto é ocupado por o COnseqüenc' . ~ es. P dl~a . preen do co d ro tu,
preconce't la que o da tra é coJl'l esfera .é cía e u
car no processo d .~ 1 os que p d
O q~ ultrapassa ;plO, na expefl ~ isso que o t(-
id
qui ar inteirament
a expenencia., mas que na o e rnodI'f'l·
Sil qU or e"e . a ¡:, po l'd corn
"" e. o Pode l' de,. . corno, p. _ hurnanísllC' d ve ser 1 o
z=. assírn que Gadam .. r- ,bdICO, da tradl~ao d de e Método e traposi~áo de
ilustra~ao: o pensamento ~~u:~h.ca o racionalismo d da arte, bra Ver a omO con t r
de sua o . eirarnente e _ uer apresen a
vitabilidade de preconc't InIsta cego para a' a
é
tUlo . tal vez pnJl'l G damer naO q - por-
el os em todo Ine. cuidado, odo. Mas a . da compre en sao,
compreender. Já que nao é o' . o prOCessod rdade e rnét ma lecno1og1a d da cornpreen•
conceitos, e J'á que pel p sSlvellrbertar_sedos p e ve áreas u . méto o
, o contrár' 1 re· para ess:s quer construir u~mente dita era e é urna
toda comunica~o é prov' 1 ro, e_es Possibilitarn o n..O - proprta - o que
. ' ave que nao h . t
tan , . h pretensao fazcmos nao
preconceltos falsos mas tambe aja apenas "MIO a -o o que ' er e
.. ' em preco . sáo. '0 filosófica: na lém de nosSO quer
mos. Preconceito nao signifl'c nceHos legíti_
so, mas nele reside a possibl'l'd d d
a, portanto' o . ,
. JUIZO fal- P retensa s faze,r mas o que, a - "tJ
• • 1 a e e ser aval' d
deVeríar110 está em questao:_
srtíva e negativamente "16 "".
• • z=. por ISSOque o juíz
la o po- po e,r acontece,
d
tívo do iluminismo sobre o preconceito consti~ ?ega-
tro preconceito, e um preconceito falso que dU1ou- alisa a hermenéutica
dra'stl'cas consequenclas .. po e ter 8. Habermas an
ja que sobre ele _
A. .,

f1 fí ' nao se re- ta as passagens transcritas aci-


ete, ícando por isso desapercebido e O ílurnílnISmo ,
Habermas comen. ."0 confronto de Verdade e
contudo, pensa poder situar-se num ponto de vista
fora da hlstoria , a ma s:~
Méto
da
do
inte manelra.
deveria ter seduzido Gadamer ao ponto
sua totalidade e absolutamente, a expe-
Segundo Gadamer, segue como conseqüencia do de opor em ' . di El
conhecimento da estrutura do preconceito urna reabi- ,. ' hermeneutica ao conhecimento metó ICO. e
nencla d . A •

Iítacáo de autoridade e tradícáo. Autoridade e tradicáo é, quer o queiramos quer nao, o chao as crencias
nao sao necessariarnente fontes de inverdades. O con- hermeneuticas;e mesmo que se tratasse de afastar
trário é possíveJ. Ouern, a partir do preconceito Hu- as humanities do contexto da science, as ciencias da
minista, nao quer reconhecé-Io, tranca para si mesmo afáo nao poderiam evitar de ligar modos de proceder
um acesso a mais verdade e mais liberdade. b evi-a empírico-analíticoscom modos de proceder herme-
dente que a autoridade nao de ve ser aceita de maneira néuticos.A pretensáo que afirma legitimamente a her-
cega. u A autoridade de pessoas nao tem (.,,) sua menéutíca contra o absolutismo, de consequencias
razáo última num ato de submissáo e abdicacáo da tambérnpráticas, de urna metodologia geral das cien-
raza o, mas nurn ato de reconhecimento e conhecírnen- cias da experiencia, nao dispensa da ocupacáo com
to de que o outro está de posse de um juízo e corn- a metodologia como tal; esta pretensáo, assim teme-

112 113
- .
. uva e ass
iJ1l prescreve t:adi~áO '?~
eeJlder uJ1lapO d e-se en ta
o de subJede coJ1lpr. do disto. .\ ófiea neS-
mos, torna-se eficaz nas ci .
alguma ",J9 lenClas ou nao terá f' todll .u:~bjlida~:tórica. par;:eJl~utiea f~~S trás o ca~
e lcácia toda t:rídade )11 refa da be la refa~ pade l-legel. at
Habermas, embora reconhecend
tamente, o alcance da hermenAut' o, e aqui itnplicl' s\Jllllterízara t~eciSOq~e jo EspiritO bstancialida-
e lca teme
to-suflICIenCla
.• .
ontológl'ca (heran~a ' h .d que sua au-- ~rac os' é P rtologra 'dade a SU
teSte~a 'Fertorrte da subjetivI' V rdade e
pensamento de Gadamer) a afaste do ~l eggeriana do o nho crn to rn e
com as questc5es do método na .• . ebate relevante ~~er a 1~~terrnilla"/'outra passage~ :egundo Gada-
H b s CIenCias~ .
a ermas, num texto bern recente .' aSSltnqUe de que a ainda urna ui lerJlbrada. chichte) ou a
na obra de Gadamer urna 11 b .' eXigee constata E bá deve ser a~ (WirkurtgSges acontecer
heideggeriana ".10 , ur anlza~ao da provincia'
MétodOh~~;ría da atuac;:ab~taJlcia1idade •. urn ue escreve
Para Habermas, portanto, a questáo a 15 nto sU l! assun q .
lfle~i<;áO enquaOSultrapassa.
é, reertderrlOS (gr í-

mer formula no título do 1ivro nao que Gada_


di - se esgota num ~a verdadeque: . "Enquanto corrzp acontecer
o da
rsjuncao ou alternativa, ou numa simples . _a a fiIJ1 de sua o ra. os inseridos num ndo quere-
t d d °POSlc;ao
en re ver a e e método. Permanece a tensao - entre no E S.) estam °e tarde. qua
ver d a d e e método que exige a presenca da herm • ío lfleU, ~hegamoS como qu .. 2l confirmando o que
·
t rca. M H b .,. eneu- verdadee que devemos erer , di 1 na introdu~áo:
as a ermas é insistente em afirmar que é aber o d ais ra ica
pensamento crítico dialético que capta a necessidad~ t
moS s d modo ain a m _ é que fazeroos nero
da reflexáo que a hermenéutica nao leva até as últi- dissera etá ern questáo nao o sobrevem além
"O que es f mas o que nos
mas conseqüéncias. Hermenéutica e dialética nao po- e devemos azer, .. 23
o qu nos~o fazer . .
dem dispensar a questáo do método e o debate corn de nossOquerer e nv= e Habermas roostra pn-
as ciencias humanas. Mas, ao mesmo tempo, ultrapas. ¡:, entao neste con~ex~o qu de tornar transparente.
sarn a questáo do método nas ciencias para recolocá- . hermeneutlca po di
meirccom~ a 1 - com a autoridade e a tra 1-
la ao nível filosófico pela reflexáo. ~ nela que se pro- 1 reflexao a re acao ."
duz O ponto de convergencia entre ciencia e filosofía. ~o~ "A for~a<;ao metódica da inteligencia nas .cien-
O que falta a hermenéutica filosófica para Ha- cia~ hermeneuticas desloca os pesos entre auto_:1dade
bermas é esta reflexáo.. A crítica que faz a Gadamer e razáo. Gadamer desconhece a Iorca da reflexao que
incide particularmente ali onde este identifica auto- se desenvolvena compreensáo. A razáo nao fica aqui
ridade (tradícáo) coro conhecimento e tenta reabilitar por mais tempo ofuscada pela aparencia de urna ab-
o preconceito a partir da estrutura preconceitual do solutidadeque deveria ser justificada na autofundacáo
compreender .•Habermas se deteve numa passagem de e nao se desvincula do chao do contingente ern que
Verdade e Método, que certamentc consta entre ~s está radicada; mas ~ razáo torna transparente a gé-
mais citadas da obra, para en tao analísá-Ia: "Ser hIS- nese da tradicáo da qual nasce a reflexáo e para on-
tórico nao significa jamais poder díssolver-se em sa- de ela. de novo se volt·a. o d ogmatzsmo . da praxis,. é
ber de si mesmo. Todo saber de si mesmo surge de sacudldo".24
um dado histórico preliminar que com Hegel c~a~a- Habermas póe ern dúvida
ríamos de substancia, porque sustenta toda Oplmao, a reabilitac;ao do pre-

114 115
'versa
da ,_¡rlL
" favor
5 .. , de ar gu-
Coneeito que Gad rrzerllO sérle t3f\tO
· amer pretend
a flrma~ao deste de .. e realizar. E OS (Jr~f,lliCa tiell1ar \lJll;resentaJllda her-
ver imediatamente eo;;:e a a~~oridade nad~ontra a 9, /ferrrte gora a a~ debate';rsalida~e de uní-
nhecimento" ele es a obedlencia, mas e tel1l a J1losa ores e de \lpl f' tIla~ao Ex.-
, ereve' "E 001
do livro, exprime urn . sta frase, a Ola' o Co- l'asse oS allt etensáo f re a a Ir d·alética. _
a conv¡ - fi is d Ura
tem O aval d h
a ermeneut'
ccao Ilosófi
El ca qUe - eJ'ltOS q~;eita a pr qUe se re'~eo ou dad ljustifica~ao
solutiza9ao" 2S E e t' lea. a resulta de nao ¡Jl qtle ,re corno pO mentO en nsaios e a uni"er-
f 'on mua mais ad! SUaah- ~eJ'létltlcda e do pensa·ocínios e e ara afirmar do li"ro
azer para trás o caminho d F iante- u ela deve r
pírito de modo a mostr a enomenologia do Ee- w _Ijda d raCl pta P 1 ente
yers<:lJérie e, aprese d menta Jll. sobre o
substancialidade que a daertem. toda subjetividade s- , aS ~uuca ,f1lP a salOS
ermma Ent a traJO}lerJ1lenevigenCIa 'ncÍpais en
mento substancial do histor-í . retanto, o ele qllea de sua doS pn G da:rner. en-
, oncamente d d - saUdade Método e ritoS por a ':rneiro arguIl1 1
sumido na reflexáo nao permanece a o que é as- de e ao ese ptar, com o pn entra, 1 a que e.
fer daquesta
trutura preconceitual (da compreen _ o) ~esmo. A es-
ce
r a
funcao
- de preconceitos ( )sao nao pod
A b
de se dissolve na r'eflexáo porq'ue' . 't _su stancialida_
e exer_ objetO ;:demos apr:;:J1l0 argumento
1, lmente . parte
;0 li"ro, princ1-
1" O As-
es a nao apen provave d na terCelra o títu o
tata a presenca de forcas dogmát¡ as eOns_ ro : é apresenta í~ulO final, q~e !r:z A forIl1ula~áo ge-
teas, mas tamb'
as rompe, Autoridade e conhecimento na-o em q~lrnenteno c:Pda lIerIlleneutlca. de ser COIl1preen-
.E 1 converge
, e aro que o conhecimento radica ern tradí - f~' t
;ecto unive~saseguinte: ..Ser que po o compreender
trcas:, pe rmanece l'19ado a condícóes contingentes recesM a-
ral da tese e a ,,28 Neste contexto, Iid d do que é
a reflexáo nao trabaIha na faticidade das norm . has id ' linguagern . d d uni"ersa 1 a e
d d d . as er- dí o e universalida e a did "0 fenómeno her-
a . as sem erxar marcas. Está condenada a virr d~ ecebesua preen 1 o. .
pOIS, mas na retrospectiva ela desenvolve forra q ~ornpreensível~u do c~~ como que sua própria um-
' :r ue
re troage. Nos somente podemos voltar-nos sobre a rneneuticoproJeta aq tituiráo do ser, enquanto a
. 1
normas interna izadas, quando aprendemos a seguí-
s lid de sobre a consnw-v li m e
versa1 .a sentido universal, como lnguage I
las cegamente por Imposicáo de coercáo externa. Mas
detefIm:aa':e~:mina sua própria relacáo corn o endte
enquanto a reflexáo refaz o caminho da autoridade ,
enquanm' terpretarao I Assim, nao falamos apenas e
no qua1 as gramáticas dos jogos de linguagem foram como ~ . , l·
aprendidas dogmaticamente como regras de concep- urna linguagem da arte, mas tambem de urna ingua-
~ao do mundo e do agir, a autoridade pode ser des- gemda natureza e até de urna linguagem das coisas."?'
pojada daquiIo que neIa era pura dominacáo e pode Gadamer pode determinar o ser como linguagem
ser dissolvida na coercáo sem violencia da compreen- na medida em que atribui a própria linguagem urna
sao e da decísáo racionaI",26 estrutura especulativa. Isto quer dizer: fe Manifestar-se
na linguagem nao significa receber urna segunda exis-
te~c!a.Aquilo como algo se apresenta faz, pelo con-
tarar~lo. parte de seu próprio ser. Portanto em tudo
qUl o que é l' ,
mguagem está presente urna unidade
J 16
117
. U"'~ - ~ tica ..--
especulativa' tuna di . . da l.lJl'l~ rJfleJ1.el.l datner
se'''''"4Ha
........ di'stin~ao stUl~aoem SI;. ser e lar alO da e or Ga das
arro lidade tado P ítica
distin""ao"lO que, entretanto n- d apresenta podefllOs Ulliversa é aprese~tltica e ~r de para-
~ . , ao eVe r-
2 . No seu ensaio ..A . ser -'~la
11_ 4'_t'rfllar a.....
1rYleO~0aerJl'leJ1. espéc~e teIll seU
Rermeneutico" G d Umversalidaded no IillJ arl!>"'-.órlca, urna , rICa
- ,a amer real'IZa UInaanál' o .-roblerna J'9ra ~ste. "¡tet belece pr. reto " o cien-
que é msuficient. ) sófi~' ePsa10 <Iodo eS~eJ1.étltica: nO doIlllnl través
jetos de arte' b) e. a na contempla~aoeste!t~e daqUilo setl "qu.. he1W rnbéIll S6 a
• na consid ~;eOlOgi9S;etórica ~OJJlíOio,. ra é ilirnitada. ial da vida
e e) na coleta d ' era~aohistórica da .de ob..
- lea
cia modern E e carater positivista de dad hidastória; leloeptreqtlalquer da retórIca uxn fator sOCderna que
a. m cada urn d os ci~ ltlgare.?!presen~a pverte e~ da física ~o .a apenas
tao da significa~ao dos fen~m:stas tr~s.áreas, a qu:~~ , ~. se CO nOS 'stenC1 ,
de ser considerada sob o nos ah lDcluídosdeixa tí{Jco.cienCIa beríaJJlOS nossa eXI da física que
que poSSUI para rním e para a de. d
. Ponto vi t d
1S a a rela~ao °
deJaapa,Que sa trapsforJll tlresentaC;óes ) deveIll
me t . SOCIeade ~ . btlJlla'sivelrJle~te. todas as ap pecialistaS (. 't' "32 Ora,
n e rusto que se manifesta o ' '. precIsa_ táO VI d fíSIca, 1 s dos es susten a. .
hermeneutica, de uma outra rnan ~r~:eNr_unlV~rsal da através a os círcu o tórico que a~ "Náo havena
. - eIra. ao eXlst
posI9ao PossÍvel que nao possa ser compreend'~pro- u
ltrapassarJlleI1leptore
~ ao e ern hel....-Tneneutlca._
,,~A 1 C;oes humanas
rno resposta a urna pergunta, e só assím a ro 1 a.c_o- stlaa~ao ía retórica s f la se as re a pelo acor-
pode ser compreendida" .31 P POSI~ao náOhaverIllla arte da ala cOIllpreensáo e ordo da-
3. A mesma univers~lidade da hermeneutica re- o:adts;~ sustenta~s':rIIleneutiC~se o ;~rturbado
vela-se também na experiencia do tradutor com os naO~o haveria tared~'logo' náo estlvesse d 1133
textos. A experiencia do tradutor tem sua razao fun- do; n 'sáo um la ser procura 0:.-
quelesque do nso devesse
damental na universalidade das linguagens ordiná- e se este acor
rias. Tais linguagens se apresentam como abertas e
ampliáveis para todos os lados. A universalidade her-
1
["mites da crítica segun d o Gadamer
meneutica resulta da própria universalidade interna t lO, Os t r
das linguagens ordinárias. Também aqui se manifesta leiteia a universa l-
novamente a estreita Iigacáo entre Iinguagem, ser e Uro quinto argumentodq~e p entendido basica-
compreender. Qualquer comunícacáo do homem com d h rmeneutica po era ser
dade a e t ..s objecóes de Habermas,
outros homens é, em última instancia, um processo mentecomo urna respos a a ve na psi.
de traducáo, de fusáo de horizontes, urna incorpora. que apresentaremos mais tarde., Habermas ...
9aO do estranho no que é próprio. Esse processo da canálise e na crítica das ideologias estruturas que terr
cornpreensáo é essencialmente intenn~nável, porque_o urnaanalogiaentre si e disto conclui que nao a her é

hornem nao consegue reduzír, atraves de sua razao menéutica, mas a crítica das ideologias que apresent:
finita, a totalidade do que compreensível, ~ um con-
é
a perspectivamais ampla.
eeito. E contudo, eonstitui propriedade da hnguagem Gadameranalisa a psicanálise e a crítica das idee
urna universahdade Interna, porque u ser que pode ser
I •• logiaspara mostrar seus limites e, em face deste:
eornpreendido é linguagem n. afirmar novamente a universalidade da hermeneut
ca. O filósofo reconhece que as possibilidades da ps
118
119
especuJativa: urna d' . _
se', urna di'stinc;ao lShn~ao ern SI;. ser e
distinrao"lO
r •
que, entretanto , n-ao deveapresentar_
2 N ser u
. o seu ensaio •A . Illa
Hermeneutico" Gad UnlVersalidadedo p
. 'éUTler realiza roble
~ue é Insuficiente: a) na urna análise da ~a
Jetos de arte' b) n . conternplac;aoestétl' qUllo
, a consIdera - h' ca de ab-
e e) na coleta de á 5~0 lstórica da hi .
cía moderna Em card ter POsItivista de dados ~st6~~a;
- . ca a urna dest. a Cien.
tao da significa~ao dos fenóme as tr~s. áreas, a queso
de ser considerada sob nos ah InclUídosdeix
o ponto de vi t d a
que possui para rnirn e pa . is a a relac;ao
. ra a socledade 1:. .
mente rusto que se manifesta o e á '. preCIsa·
hermeneutica, de urna outra rnan .aro:eNr _ulllv~rsalda
. - elra. ao eXlst
posicao possível que nao possa ser compreendi~aP:O-
mo resposta a urna pergunta, e s6 assirn a proposi _o-
pode ser compreendida" .31 cao
3. A rnesrna univers;lidade da hermeneutica re-
vela-se tarnbém na experiencia do tradutor com os
textos. A experiencia do tradutor tem sua razáo fun.
damental na universalidade das Iinguagens ordína.
rías. Tais linguagens se apresentam como abertas e
ampliáveis para todos os lados. A universalidade her-
menéutíca resulta da própria universalidade interna
das linguagens ordinárias. Também aqui se manifesta
I . 'tes da crítica segun d o
10 Os l tmt
.
Uro quinto argum
Gadamer
Iei
ento que P eltela
derá
.
r entendido
a universa
.
bastea-
l·l-

novarnente a estreita Iigacáo entre linguagem, ser e ·utica po era se b


dade da hermene ). ob]ecoes de Ha ermas,
cornpreender. Qualquer cornunicacáo do hornern com urna resposta élS ~ •
mente como . t de Habermas ve na PS1-
outros hornens é, ern última instancia, um processo a resentaremos mal S ar ., ..
de traducáo, de fusáo de horizontes, urna incorpora- ;::áli~ee na crítica das ideologias e~trutur~s que te~
9ao do estranho no que próprio. Esse processo da
é urna analogia entre si e disto concluí que nao é a her
cornpreensáo essencialrnente interm~náveI, porque_o
é menéutica, mas a crítica das ideologias que apresenta
hornem nao consegue reduzir, atraves de sua razao a perspectiva mais ampla.
finita a totalidade do que cornpreensível, a urn con-
é Gadamer analisa a psicanálise e a en tica das ideo-
ceito.' E contudo, constitui propriedade da linguagem logias para mostrar seus limites e, em faee destes,
: . d e interna.
. porque 11 ser que pode ser
urna universalida afirmar novamente a universalidade da 'hermenéuti-
cornpreendido é línguagem". ca. O filósofo reconhece que as possibilidades da psi-

118
119
¡-mites inelu-
canálise se fundam na f d um lado, I OS limite
- O orca emancipat'· d . d nvolvido, e. assim, um
xao, analista, entretanto " , ona a refle_ dnio aquí es~ a das ideolog1as ~'.o l! evidente que
. , so esta 1 . ti d
minar as perturbal"Oes '. egi una o a exa- díveis da ~rít1f¡dade de seu ex:rclcl .medida ern qu~
I - ~ PSIquIcas de .
re acao terapeutica. "Quando seu paciente na para a raclO~a lve a questao, na. onde a fí-
mesma reflexao lá onde .' entretanto, exerce a o filósofo nao reso pécie de circulandadede violencia.
, . para ISSOnao está 1 '.
COmo medIco, onde é urn a egIhmado ela _imdPlic~~~~ee;artida irnp~cadum c~~~ca das ideo-
t·d entre os out ros h
~sgn e seu papel social ( ... ) omens,. ele xacao op a questao a ,. tico
tona da reflexao que o . l.· A for~a emancIpa_ Gadamer retorna blerna hermeneu 1
seu s Iirnit
1 - coro o pro . ori da
pSIcana ista assume encontra logias na sua re a9a",0. "d DicionárioBtst neo
bIes na consciencia social na qual o analista . te "HermeneutIca o . -. "Uma no-
ern como seu paciente se cornu . , no verb e inte aflrma~ao.
outros homens."34 ' ruca corn todos os Filosofia.~Aí ternos a. segu roblema hermeneutico
va importancia COnqUlstoU. "'o ~ humanas Pois tam-
Gadamer afirma ainda r· d
no campo a gt 16 ·ca das cienCias
. • . -
.
arxísta con-
ideologia. "Em face d os Imites da_crítica da
... . e que autocompreensao da cons- bém a crítica da tdeología de msplra~ao II_1 • • •
CIenCIa . l
SOCIa_ - e qualquer costume constitui tal au-
,. h
corda com a crttíca ermeneu IC ti
A a do obJetlVlSmO. In-
d
tocompreenss¿ - tem seu lugar adequado seu ques- génuo nas ciencias humanas, ainda q~e a c.rítIca a
t~on~~ento e sua radicaliza~ao? Na vontade revolu- ideologia discuta a pretensáo de umversahdade da
~Ionana da transformacáop E em face de que auto- hermenéutica, acusando-a de 'idealista', e ofereca o
Interpreta9ao da consciencia social o questionamento modelo da psicanálise para legitimar a pretensáo so-
e a radicalizacáo nao podem ter lugar? Essas ques- cial-crítica de urna hermenéutica bem entendida: dis-
toes parecem nao ter resposta. ~ assim que parece curso livre de coercáo e racional deve 'curar' a falsa
resultar como conseqüéncia inelutável que a conscien- consciencia social, do mesmo modo como o diálogo
cia emancipatória radical termina visando a dissolu- psic~terapeutic~ conduz o doente de volta para a co-
~ao de qualquer coercáo do poder. Isto terminaria sig- mumdade do diálogo, Efetivamente, o curar pelo diá-
nificando que o modelo último da consciencia eman- Iogo é um fenómeno eminentemente hermeneutico a-
cipatória seria a utopia anarquista. "35 Gadamer leva, ra o quaI, sobretudo, Ricoeur e Lacan di . P
portanto, através de sua argumentacáo, a urna situa- vamente as bases teóricas ~ iscuttram no-
cáo em que as possíveis corrseqfiéncias de urna crítica analogia entre doen~s do c~a.ro que o alcance da
das ideologias de caráter total devem ser reconheci- ciedade é duvidoso". esplnto e doen~as da so-
das como instauradoras de urna inelutável ínjustica. Radicalizando sua linha
A crítica das ideologías só poderá, portanto, exercer mer chega a atribuir a her de: a~gumenta~ao, Gada-
sua funcáo positiva, quando se inserir no h?rizonte versal prático."A. meneUhca urn caráte .
penderá d f· umversalidade da h ". r uni-
mais amplo de um acordo social; quando aceitar, n~- d o ato de o cará . enneneutlca de-
roa certa medida, a validade da tradicáo e da auto~-
in~e%:~:e~.t!ca .fic~r lirn¡~:~~e:r~ou e tlranscenden tal
dade como fontes possíveis de mais liberdade e mars . lenCla ou 1 va or no" bi
verdade. CíPIOS do sensu se e a também arn rto
Gadamer estabelece, portanto, a partir do rado- rno todo o uso s .comrnunis e corn . aponta os prin-
cIentífico é .' lsto, o modo
Integrado co-
120 na consciencia
121

... -
prá tica, A h A
'111corno veI1l
lllo' erIneneu tica d do espirito aSSI
unIversal I sen o entend'd
tica, Cuja re ' co oca-se na vizinhan
da filosofia ~:va~ao corne~ou, no z:1 a, assim,. Co-
f~osofia prá-
e sua escola An;.~endental, nos trabalhI oda tradi~ao
d ciencias
jetivística as te apresentad~s.
tradicionahnen eutica tem lmpo~
38
tanda para as el n-
1110stra que seu
•e

4. A herrnen dida em que es la tradi~áo e


disso U '
, llla teori d
nao práxis'
1 osofia hermen A , os e J, Ritter
eUhca e tá
a a práxis é evident s consciente
das sociais,.n~ m: stá preestrutur~~o peue eornpreen-
q
uma 'técn" ~as urna teoria da prá ' emente teoria e domínio objetIVObem co mo o SUjelto . d
rca ou' XIS nao é que e1asmesmas, 'órico deter111ma 0_ e re-
~efe??er, estas v~~~~~e~~~~ciza~ao da práxis ~~:~::;; de rérn seu lugar ~lsth meneutica atinge, {ere
, 5 A consciencIa er . d ciencias natu-
e ,cIencIa é uma das princi r~ o moderno coneeito . . . auto-suficiencla as dolosl
sofía hermeneutI'c a," palS tarefas.• de urna fíllo- vela os hmltes da_ ssa questionar a meto o ogra
rais, ainda que nao poJ9
de que elas fazem us~,.. esfera da interpreta~áo
6 Finalmente, hOJe urna nenhuma OU-
11, As realizacoes positivas da hermews.,»: , Iid d ocial e exige como
Habermas ,ermeneutlca segundo alcancou atua 1 a e s A'" b r a tradu~áo
tra a consciencia hermeneutIca. a sa e , ,
de' ínformacóes científicas relevantes para a hngua-
Pa:semos agora para a análise do estilo de ar _ gem do mundo da vida social, . ..
men~a~ao do pensamento crítico, Desde o início~ Estas concessóes, entretanto, nao slgnlflcam a
prec~so anotar que Habermas recorre freqüenteme~te rendicáo de Habermas diante da hermeneutica. Por
aos Instrumentos da hermeneutica. Desenvolve, entre- mais que acentue as realizacóes positivas, ele nao
tanto, sua argumentacáo a favor da dialética e da aceita sua pretensiio de universalidade. • A conscien-
superioridade da crítica das ideologias, em face da cia hermenéutica sempre estará incompleta enquanto
hermenéutíca, Habermas, portanto, nao recusa a her- nao assumir em si a reflexáo sobre os limi tes do
menéutíca, Sem aceitar sua pretensáo de universalí- compreender hermeneutico,-.
dade, reconhece-lhe, entretanto, a importancia ao lado
do pensamento crítico, Podemos mesmo destacar nas
páginas de seus livros urna série de posícóes que o 12, Os limites da hermenéuite¿ segundo Habermas
fazem reconhecer as realízacóes positivas da herme-
néutíca, Entre eJas poderíamos enumerar, segundo Ha- Habermas descreve duas si -
de, segundo seu pens tua~oes específicas on-
bermas, as seguintes: me' , amento a co ..
1, A hermenéutica é capaz de descrever as es· neUhca desaparece:.. • mpetencia da her-
truturas da reconstítuícáo da comunicacáo perturba- 1. O comp d
minio d reen er hermene .
da, is 1 a comunica~ao da n Uhco IllOve-se no do-
2, A herrnenéufica, e nisso seu juízo coincide com so, e e perde su tnguagem ord' á .
proPosi~oesulr a competencia nas f m na. Por
o de Gadamer, está necessariamente referida a praxis." dinária A 'JI. r~passam o doml" des eras onde as
3, A hermenéutica destrói a auto-suficiencia ob- , . CienCia d ruo a u
Sistemas lin ". , rno erna conh lnguagem or-
gUIshcos organizados ece a constru~ao de
122
monologicamente. A
com uma
. nalída de,
déficit de raclO
tradu~o de tais sistemas de linguagens fechados p
urna linguagem do mundo da vida coloca a he~ra
um .
episteIlllca.
néutica diante de questñes inteiramente novas. ..~
é necessária
conscienciahermeneutica nasce da nossa refIexao so- é possivel e x-
bre nosso movimento em meio as linguagens naturais 13. A crítica como Habermas e -1
enquanto a interpreta~ao das ciencias deve produzi; rnaneira áo de un-
agora a pretens f'
para o mundo da vida a medíacáo entre linguagem Analiseroos rnpreender a e a filoso la
do de co ostra qu .
natural e sistemas de linguagem monológicos. Este
processo de traducáo ultrapassa os limites da arte
retórico-hermeneutica que tem como objeto próprio
póe seu roo

como críuca
. a O autor m
versalidad~ dad~r!~~oiogia é possivel
záo humana po
:eé necessárra.
mais do que
- tem ape-
apenas a cultura constituída e herdada no contexto da S possivel. A ~ . a filosófica. Ela nao Ihe
linguagem ordinária. "41 lhe atribui a hermedneutlc[her e reconhecer o qhue ro
nas a capacidade e aco bém recusA-lo. O orne
2. A hermenéutica também nao competente, se-
é
é estranho; ela pode tam ntecer "no qual, mesmo
gundo Habermas, onde nao apenas a comunicacñn, nao está entregue a urn faco m as condi~óes de ra-
mas a própria linguagem está perturbada, Iinguagem 1mente, se trans orma
.
¡rraCIOna o lugar ou a poc aé

em cujo contexto as perturbacóes da comunicacáo de- cionalidade, conforme o te~r. ea razáo humana uma
veriam ser trabalhadas. A consciencia hermenéutica a cultura- 4) Habermas atn Ul • di
"mostra-se insuficiente no caso da comunicacáo sís- e . d tI" A hermeneutica, por asarrn 1-
forca transcen en a . d t
tematicamente perturbada: a compreensáo resulta, no zer, bate, a partir de dentro, nas paredes o ~ontex o
caso, de urna organízacáo falha do próprio díscurso'j" da tradicáo; tendo experimentado e reconhecldo estes
Este é o caso, segundo largamente Habermas explici- limites ela nao pode mais colocar como absolutas as
tou em sua obra, da psicanálise no dominio indivi- tradícóes culturais. -.. A experiencia destes limites sig-
dual e da crítica das ideologias no dominio coletivo. nifica, para Habermas, a superacáo da hermenéutica.
Habermas, portanto, incursiona em duas áreas do A reflexáo entra entáo em questáo e nao como her-
conhecimentocrítico, a psicanálise e a crítica das ideo- menéutica, mas como crítica. J:. neste contexto que
logias, onde a producáo de racionalidade para o diag- Habermas afirma: "A substancialidade se dissolve na
nóstico, de um lado, no domínio individual, e de ou- reflexáo, porque essa nao apenas confirma mas tam-
tro, no domínio coletivo, nao pode esperar subsídios bém rompe forcas dogmáticas· ..., Lembremos aqui que
d~ trabalho hermeneutico. Sao, portanto, duas dimen- Habermas, a seu modo, recorre a condícáo ambo 1
s~s que nao sao cobertas pela hermenéutica filosó-
fíca e onde o pensamento crítico é chamado a exer-
cer s .
te da
nosso ~:~~lh:'
_ '"
q~e al_udimos nas páginas iniciais de
. razao que confirma
que contesta, dissocia.
lva en·

' une, e a razáo


da eu Instrumental de análise. Nessas duas esferas
,~ J1ecessdria. Se -está
c.ultura humana, portanto, a atividade crítica é
cons~de~da por Habermas nao apenas superior a her-
meneutlca, mas esta se apresenta diante delas coro
, tradi~ao está sistemat' . certo que o contexto da
ló sof o que pensa criti lcamente pertu r b a d Q, entño o fi.
camente e é cond'dUZl o pel' o In.
I
124 125
tete
c ' sSe e d' ote da,.
títica lllanc'
nao é cOrn 1Patór' eLldCS. la odería- I
o o 10 d }lctf1lCIl, sif1l, P, pté-
tOtal' apen llla' eVe
¡dad as lUtt 15 all} teco . ~o da ¡:: elltaO, Ildi~ao
tes do e do a eSt Plo, Ollhece 1 poslCf citO, da s. cO, 110 do-
aPe Pod lllttnd tutu Co t o h tltest9(do ptecOIl~3f1le(:da ela critlcade domj-

ea p
Ilas el' e d o teal ta cul llte)tt Oti~
lltn f o t e
artir d ator, rabalh cOntp de a ttCld'da
liolllpreend~dqual :Si~ifi~
nguag 1 a
é
tUral o d nte
a est~~da ~~tid(),,~1l
at1vid nte "O Uta d Osf a
;'~;~~'~~:t~:~~::C~::e
~os cotldjq~~o, istO é~áO e 3L1tOr~clltO fjlla\~ellmer:
Cul tura~rn.¡ Pelo 'tra~ .tnes~de S'OcialC()nte)(~o sentid:t~ \'Jaí~jO cole!o siJ1l,(3 cof1lOargtlde j\lbrecbt Squece:
J1I" nta, . '3J1l' 3 . a e
lIy~OI e nvergJtl lLlf1liIlOS _,.,elleUUC , tam-
trabalho através d a alho eO tentpo aPenas Ob,ietiv E 11 der CO d1.1rae e a }lel
JO- 'sornos , .
béll} e do a lingu' Pelo ' cOnsr Pode () e pO passageJ1l bi3 o qLld G3daJ1le~ náo é dlá-
é naoé POder N agent ~ POder~46 1tuido Set sta áO S3 gull o nlsto to
O mei o meio ' eSta nao é in' A t1'a?ela e '!¡Jstraq , q1.1e se . rllcía e d do pon
.}. 1 'diálogo, ro de VIO e 'versalida e parte
e Pode o ern. qUe ,Ou ltlelho.tnedida,a l~ePendentd,l~all q¡Jeo J1lconte" áO de u(ll uando se
ter se d' r a ln&tl e d béJ1l é Il) }. pretellS sustentada.q, enquanto , o
lllove n caráter' a o POd~ tradi~ao a&elt} ta Il
logo (. "d' ' s6 pode ser to da tradl~a~, é também,
reconh~e eSPa~o da 1~~Ológko,~ \ a dorni:~~uraln~ llru II conte" d fáUco, d
crítica d 1" ~ste fato ln;uagern ord:lln:neUtic:()sOcial, de P de que °
do flltO ssível ver a
d de e acor o
da inverda e
d fática e a
te O as ldeolog' ' ortanto lnárla é i qUeSe da po lugar
Context las, qUe ,torna-se ncapazd J1.Ig~esJtlO tempo,e~~ vérsia lernbre-
mentos o da vida ~rOcura t necessár' e
• SOCial ornar tr la a :~oJenciacon~tan; a~álise desta contr~azeI1l a I1larca
ern t d ansp
A experie ' o os os aren_ Encerran o de lIabermas que 1970 eo con-
s~ ela nao a nela henneneutic seuslt}o- Jllosd¡Jasd. diálogo filosa'fICO: Ern
palavras '
d universalida de
hcarne eonteeesse n ,a s6 nao se ' verda elro retensao e A

nte perturb d o selO da }. na suspe' do, rtigo sobre a p . "Nas circunstan-


ternaticarnente a a, Mas corno tnguagernSiste~ta cl1.l1r seUa.. a bermas escreve, t r
da henneneuuca, a, 'mperativO, urgente, apO? a
na qual h perturbada é U a cornunica~ ,a.
, os omen' rn aspecto d o SIS- cías atuais, talv~z ,seJad~ falsa pretensáo de untver-
a 1lenaraO s VIvem na al' a SOCiedad antes para OS l,unttes. meu E, S,) do que para os
.,. nasee d d' lena~ao' e
mens, a Comunica a _ OI~llna~aode horne~seJá quea salidadeda eríuca_(gr~~ouniv:rsalidade da herrneneu-
em idéi ' fao llvre de domi _ sobreho- limitesda pretends~do que se trata de esclarecer
da a regulatIva da crítica d ~Clfaoconverte·se , Mas na me 1 a em ' .
~ma vez a eomunica~ao se as r e~logias,Atingi. ~:~ qua~stio juris, também necessita esta de c.ntl-
das ldeologias e hermenéutica m, d~drnIna~ao, crítica ca",41 Era a época da revolta estudantil e de mamfes-
~ comcr em ta~oesanarquistas que Habermas rejeitava,
este contexto do raciocinio de .
Em 1979, na laudatio a Gadamer, quando este re-
serve de ponto de partida fundamental~::a~as que
cebia o Premio Hegel, Habermas cita Gadamer do
carar a pretensao de universalidade da herme:es;:s, posfáciode Verdade e Método: "Na verdade, tradic;ao
e tra~ar seus limites.' Como ainda lembramosa crí~ que nao é a defesa do passado, mas o desenvolvi-
ca de Habermas a posi~ao de Gadamer diante da au· mento da figura da vida social como tal, reside na
toridade e do preconceito, podemos remeter a argu' conscientiza~aoque recebe com liberdade".49 E Haber-
menta~ao, que aquí chegou ao seu eixo fundamental,
127
126
a pr6pria
naO exp 1 rcitarnente,
. ainda que t tal., A' e dia-
mas continua: u Aliás, tradicóes recebemos sornen te en- vemos VIsa,. fía enquan O h rmeneutlca
tao em liberdade, quando podemos dizer a elas sim questao da filosO discussao sobr~ e os anoS 60 cons-
e nao. Penso que justamente nao se deve excluir o Certamente a 1 eu a partIr d 'm chamada
desenvo v , a aSS1 d
iluminismo, o século XVIII universalista, da tradicáo lética que se . de refazer, apos .0 de verdade a
humanista. Mas com este adendo nao quero ter a úl- titui num_ ensal~etafísica, a preten.sa ita a consider~-
tima palavra. Gadamer é o primeiro a acentuar a consumac;ao,dad as ciencias se lllnd ern filosofta
abertura do diálogo. Dele todos nós podemos apren- f Meto o n M rnéto o
filoso la. cedimentoS. as. d pensamento,
der a sabedoria hermenéutica fundamental de que é c;óes sobre pro para cammhos °d a finitu-
urna Ilusáo pensar que seja possível ter a última pa- aponta muito antes ó a descoberta e su ist '
lavra ".se E este pensamento, ap s . óes inelutavelmente hl~ o-
de e na certeza das condic rocura salvar o sentIdo
ricas em que se d~senvolv~d p ue estaria perdido se
14. Hermenéutica e dialética e a reabilitaciio da da reflexáo filosófIca. Sentí o qf de J'ustifica~áo do
. isse a tare as
filosofía a ñlosofía se .res~~ 'serh dúvida nenhuma, no
pensamento clentlflco. Ha, id d de descobrir a
Para evitarmos equívocos e situarmos a questáo ensamento filosófico a necessi a e .' d
do método, aqui desenvolvida através do confronto ~ontinuidade da pretensáo de verdade na historia a
entre hermenéutica e dialética, convém apresentarmos filosofia, mas, ao mesmo tempo, de situar as ~ovas
algumas reflexóes sobre a questáo do método na fi- condicóes em que se dá esta continuidade, Nao se
losofía e nas ciencias em geral, consideracóes que tam- trata de urna espécie de vontade de restauracáo filo-
bém servido como fecho do trabalho. Quando fala- sófica daquilo que já foi. O que importa é afirmar
mos em hermenéutica e dialética e situamos a rela- a Iegitimidade de um tipo de trabalho de pensamen-
~o entre ambas ao nível da questáo do método, nao to que precede e acompanha o pensamento objetivis-
é propriamente íntencáo nossa entrarmos. no d:bate ta e que ao mesmo tempo seja capaz de pensar os
metodológico das ciencias, enquanto tal discussáo s~ níveis nunca inteiramente recuperáveis da práxis co-
reduz a análise de procedimentos. Evidentemente a fí- tidiana. Praxis esta que guarda ern seu se'
losofia poderá tentar produzir transparencias a. nível mentos mais • •
Importantes da expe . A •d 10 os mo-
ñl fi nencta a arte da
epistemológico, e isso é urna tarefa que ela hOJ~ ~m lOSOla, das ciencias humanas e d hi 6' '
reabilita~ao do conteúdo . a 1St na.' Essa
dia realiza com urna competencia digna de profíssío- forma filosófica de tropnamente filosófico e da
nais do conhecimento. A funcáo de urna reflexáo filo- nao apenas OPOrtunoapan ar a realidade no diálogo
sófica sobre dialética e hermenéutica nao pode ser h ' mas necessário e
umanas, é o que se 1 d orn as ciencias
entendida como um simples trabalho epistemológico.
Quando falamos da pretensáo de universalidade des-
lisar a COntrovérsia en~;: hentro ?a,inten~ao de ana.
• A .~odemos dizer que tod ermene~hca e dialética.
ses dois métodos já nos situamos fora da tradicional
doutrina do método. A questáo que aqui desenvol-

128
CienCIashumanas se
mo lempO, a filosoC:, :o~o::~
~
f' a questao do métod

In
cega; Inas, aoo::e:~
os de métodos que
129
d dialétlCa fundo lne
"u.ica .e desta
....,.,ene~ a s aquel e s d''''ersas
1
. Pr6prios. toma~se \luia se . - da bep•• selO que a
y
"\.lU-

0CUp di~la com as ci _ m o diálogo e a a questao salvar no flosóficO IleJ1llene


POrtanto. de Io.:.~r "~r ao IcnelaS ~umanas. Trata-se, huJ1lanas queruniversal e ~ JIl a negar. s progres-
e de dar co'u~údo ao s _proccdlmcntos científicos vitavelInenteodolÓgicaSten e portanto, o as cien-
bi
Nlo se t cammhos da renexao filosófi-
n\ t4 tan to das razóes que pod ..
.
técnicas II1et
" . _ do obiJe to que... rn coos-
náo d'lSPensatJl,
quer pda d¡aléti~ quer pela henn:n: ts:er exi- ca e dialetlca -o e IIledl~ao elas OS repoe. ro-
f ~ r de lUa universalidad O u lea ero o sos de exploraJ:senvolvern. Mas 'versalidade que p
unh - J d d."- ,e. modo de dar-se desta das humanas o fundo de unt
.. I e ~ que Irá T o

• di 1" . rama icar-se nas denomina- tanteroente sobre eus objetos..... . náo noS tor-
rné . la e ~rmeneutica. O que aproxima esses priamente legiti~~t~ca e com dialét~c: afirmamoS o
Id' ¡ filo neos ~ multo maior do que aquilo que Coro hermene d s mas com e e ·dade do
&,sI ngue. o

. . forma o , a a unl
Tanto hermenéutica como díalética trazem ero seu namos malS 10 .t'midade que recuper ó ríos dos
bastidor de le~l 1 d por problemas pr p táo
~.Irc • i.déia fecunda e inalienável das condicóes bis- modo descont~~uo e deriarnos dizer que a q~e~
I do trabalho do pensamento, Mas afirmam ao métodos cientlÍlcos. Po tir da controversla e
~ lempo, e por j so mesrno, a ímposslbilidade do método que exp~sem~~dad~a~: dois métodos COOS-
de um ponto arquimédico para fundar a reflexáo, da pretensáo de UDlversa1 a _ apenas o objeto das
u.m.a esr ie de belvedere do espectador imparcial, ou titui um esforco de protege~ n~o procedímentos cien-
1M) RK"1lO de um observador privilegiado. Após a con- ciencias humanas, mas os pr pnos . - dos
SW1\A lo da metan ica e • afirma~50 da finitude, ex- tífícos. contra a ameaca da selvagem atomlzac;~o
Iu.h idade e unlversalidade da razáo humana. nao processos tecnocráticos no conhecimento. :e. assim que
hA ponto de vi~ta de fora sobre ela mesma. E disto hermenéutica e dialética nao podem ser encurtadas
q~ bcm. hermcnéurica e a díalética. E ~ a esta
expnil'ncia que elas se agarrarn como o mais ferre-
I através de sua reducáo a simples teoría das ciencias.
Hermenéutica e dialétíca representam, de mane ira úni-
nbo posttivista • experiéncla empírica. ca e privilegiada, o travejamento de um tipo de for-
E por ísto que hermenéutica e díalétíca nao sao ma de vida do pensamento que nao descola do mun-
símpl ferrarnentas de pensamento. mas modos ~
los quais ele sabe da inelutável condi~ao de paruci-
da razAo cm tudo aquilo que ela conhece. A.
~a te
do e da ~ráxis vivida e, por isso, representa urna for-
vida que ~od~ríamos caracterizar
en o a toda ciencia e trabalh .
como prece-
'f'
dú~ entre os métodos das ciéncias que chama- que estes métodos d . o cienn ICO. l! claro
. . eixaram su as
mos proeedimentos e os métodos da filosona ~ que epIstemológico, sobret d marcas no debate
os p~¡ros situarn-se sernpre, sem excecáo. como ex- u o no campo d .".
manas: mas seu alcance ultr as CIenCias hu-
teriores ao próprio operar do trabalho da ~o, e~ montes da questao e . ap~s.sa os acanhados ho-
quanlO estes se reconhecem imersos nurna orculan- Diale't'ica e herme"PIstemologlCa
. .
dade que nada mais é do que a confissáo de que a ma do signific d neuhca sao a afí -
sua justif~Ao já 05 implica operando..:,. sentido m' fa o prático da razá h rmac;ao extre-
N~o bá dúvida que a presen~ do filósofo com alS orte N- ao uma
dois métodos t" . ao simplesment na, no seu
em a práxis como b. e porque esses
130 o Jeto ........,.
, Al.1aSporque
131

---------------------------------------------
nao há Práxi
XlS no seu sent'd
ponha os horizontes do I o pleno Sern
meneutico,
di I '
Filtra-se
'
portpensamento
anto
dialéq~ePr~o
t1C o!i\l.
na Contro"érsio e h..
\
,la ética e hermeneutl'ca e na' dí y er,
tíca e hermeneu tica a añ _ lSCussao s b a entt-..
'
li neo d ' lrma~ao d o re d .~
,
o pensamento, E , sern dúuVld
, o sentido étlC
. ialé.
neo, com sua forca expres ' a, esse sent'd ~J>().
srva ma' 1 o
cupera, através de urna IS radical Prá.
. Controvérsia' qUe
ver d a d erra grandeza e di 'd d rnetodoló' re.
grn a e da rn losof la.glca ' a
NOTAS
1. Para explícitacáo da estrutura 1
do texto de Bubner, "Philosophie rst a~hda r~f1exaosirv().llI
erfasst" (Filosofía l! seu Ternpo A 1 re .Zelt, in Gedanlt e
, H preendldo e P en
tos ) ,In ermeneutik und Dialektik 11m ensalllen.
, voi. ,Pp. 31742.
2. Idem, p. 326,
3. Idern, p. 324,
4. Idern, p. 329,
S, Gadamer, Wahrheit und Methode, p. 285.
6. ·0 marxismo sabe dcstas realidades. Mas ele també
gere outras tarefas: 'Os filósofos apenas interpretaram : :
versos modos o mundo; o que importa é transformá·lo'. Pa.
ra exame desta tese: existe urna real oposícáo entre ínter,
pretaciio e transjormaciio do mundo? Nao é cada interpreta. p. 283.
Logik der Sotialwissenschaften.
~áo já transformacáo do mundo - pressuposto que esta in. 24. Habermas, Zur .
terpretacáo seja a obra de um pensamento autentico? E nao 25, ldem, p. 283; ver W, Lóser, op. CIt.
pressupóe por acaso, de outro lado, cada transformacáo do
mundo urna antecipacáo teórica como instrumento?" Heideg- 26. ldem, p. 285.
ger, Vier Seminare, p 90,
Methode, pp, 449 a 465. Ver W,
27. Gadamer, Wahrheit und
7, Gadamer, Wahrheit und Me/hode, p. XVI. Lóser, op. cito, pp. 52-4.
8. Idem, p, 274. 28. ldem, p. 450.
9, Habermas, Zur Logik der Sozialwissenschaiten (Sobre a 29, Idem.
Lógica das Ciencias Sociais), pp. 281-90. 30. ldem.
10. Gadamer, "Die Universalitat des hermeneutischen Pro- 'versalit'a't des hermeneutischen Pro-
31. Gadamer, "Die Unl
blems" (A Universalidade do Problema Hermeneutico), in
blems", p. 107,
Kleine Schrijten 1,
133
132
.. , ti - •
JJ ,
.. • I<.lum. p. 118.
34, Jdcm. p. 129.
35. Idem, p.. 130.
,'~, H;storisch~ Worterbuch du Philosophie (Dicioojrio H~
tórico da Filosofia), Ed. J. Ritter. vol. 3, ColUDa l.on.
37, Habernlas, Zur Logik der Sozialwissenschetten, p. 161.Ver
W. Loser, op. cit.• pp. 54-7.

39. Idem, p. 79.


40. Idem, p. 83.
4.1. Idem, p. 81.
42. Idem, pp. 83 ss.
43. Habermas, Zur Logik der Sozialwissenschajten, p. 237.
44. Idem, p. 287.
45. Idem, p. 284.
46. Idem, p. 289.
47, Wellmer, Kritische Gesellschaftstheorie und PosiliVÍ$rruu
(Teoría Crítica da Sociedade e Positivismo), p. 48.
48. Habermas, •Der Universalitatsanspruch der Hermeneutik-

p. 103.
49. Gadamer, Wahrh¿t und Methode. p. 533.
50. Gactn71"rt\.H:-~rmas. Das Erbe Hegels, p. 31.
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11

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135
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schaft, 1971 a 1980, vols. 1-5.
LOSER, Werner. "Herrneneutik oder Kritik? Die Kon-
troverse zwischen H. G. Gadamer und J. Haber-
mas" (Hermenéutica ou Crítica? A Controvérsia en-
tre Gadamer e Habermas), in Scholastik, n,? 2, 1969,
Munique, pp. 50-9.,
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A dialética e a hermeneutica soo


a afirm~llo t..~rema
do significado prético da rezso humana,de modo que d
controvérsia mantida entre estes dois pontos de vista do
anos 60 aos 80, envolvendo dois pensadores da estatura
de Jürgen Habermas e Hans Georg Gadamer, filtra-se
besícamente a eñrrnecao do sentido ético-político da
racionalidade humana. · \
Da imensa producéo deccrrente desse diálogo, este
livro' reproduz quatro artigos de Habermas inéditos no ' ,.
Brasil e um balance da controvérsia, realizado 'pelo
professor Ernildo Stein. I I

" :"Jraduzindo a parte de Habermas nesse debate, até


certo ponto segue-se o esplrlto-de Gad?}TI7r) _
caracterizado pelo lencer pbntes: de.:-aproxlm~ ~tr~
.terntórios iniciale apar~n!e_Ill~;9iStantes: G
as teses de um e outro, tem asStfl\ scesso a ur
que p-articipam indiretamente ... -f0rmas mais ' ,
do pensamento atual, cornoes- '" ,:Wittgenstel
Mead, Piaget e Freud, entre muito 'cutres.
), . í * *

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