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Escola Estadual de

Educação Profissional - EEEP


Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

Curso Técnico em Aquicultura

Construções para
Aquicultura
Governador
Cid Ferreira Gomes

Vice Governador
Domingos Gomes de Aguiar Filho

Secretária da Educação
Maria Izolda Cela de Arruda Coelho

Secretário Adjunto
Maurício Holanda Maia

Secretário Executivo
Antônio Idilvan de Lima Alencar

Assessora Institucional do Gabinete da Seduc


Cristiane Carvalho Holanda

Coordenadora da Educação Profissional – SEDUC


Andréa Araújo Rocha
Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

ÍNDICE PÁGINA

CAPÍTULO I - CONSTRUÇÕES DE TANQUES E VIVEIROS PARA AQUICULTURA ..... 1


1. VIVEIROS DE BARRAGEM ............................................................................................. 7
2. VIVEIROS DE DERIVAÇÃO ............................................................................................. 8
3. AGUA PARA ABASTECIMENTO ..................................................................................... 9
3.1. QUANTIDADE DE ÁGUA .............................................................................................. 9
3.2. QUALIDADE DA ÁGUA ............................................................................................... 10
4. TERRENO PARA CONSTRUÇÃO DE VIVEIROS ......................................................... 12
4.1. SOLOS ........................................................................................................................... 12
4.1.3. Propriedades Físicas do Solo ................................................................................. 12
4.1.2. Textura do Solo .......................................................................................................... 12
4.1.3. Testes para a Determinação da Textura do Solo ................................................ 15
4.1.3.1. Teste da Bola Compacta .................................................................................... 15
4.1.3.2. Teste da Garrafa .................................................................................................. 18
5. TOPOGRAFIA DO TERRENO ....................................................................................... 21
6. CARACTERÍSTICAS DE VIVEIROS .............................................................................. 22
6.1. FORMAS DE VIVEIROS .............................................................................................. 22
6.2. ÁREAS DE VIVEIROS ................................................................................................ 24
6.3. PROFUNDIDADE DOS VIVEIROS .............................................................................. 25
7. ELABORAÇÃO DE PROJETOS PARA CONSTRUÇÃO DE VIVEIROS ..................... 26
7.1. DESMATAMENTOS E DESTOCAMENTOS DA ÁREA ............................................... 26
7.2. MARCAÇÃO DOS VIVEIROS ...................................................................................... 29
7.3. ESCAVAÇÃO DOS VIVEIROS ..................................................................................... 31
7.4. CONSTRUÇÃO DE DIQUES E TALUDES .................................................................. 32
7.5. PISO DOS VIVEIROS ................................................................................................... 34
7.6. SISTEMA DE ABASTECIMENTO ................................................................................ 34
7.7. CANAL DE ABASTECIMENTO ................................................................................... 37
7.8. CANAL DE DRENAGEM ............................................................................................. 39
7.9. COMPORTAS ............................................................................................................... 40

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CAPÍTULO II - CONSTRUÇÃO DE TANQUES REDES ...................................................... 44


8. MATERIAL UTILIZADO ................................................................................................. 47
8.1. ESTRUTURA DE ARMAÇÃO ...................................................................................... 47
8.2. TELAS PARA ARMAÇÃO ........................................................................................... 48
8.3. ESTRUTURA DE FIXAÇÃO DOS TANQUES REDE ................................................... 50
8.4. ESTRUTURAS PARA FLUTUAÇÃO ............................................................................ 52
8.5. ESTRUTURAS DE SINALIZAÇÃO ............................................................................... 54
8.6. TANQUES BERÇÁRIOS ............................................................................................... 55
8.7. ESTRUTURA DE COMEDOUROS ............................................................................... 55
8.8. ESTRUTURAS DE APOIO ............................................................................................ 58
9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ..................................................................................... 62

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CAPÍTULO I - CONSTRUÇÕES DE TANQUES E VIVEIROS PARA AQUICULTURA

Podemos definir viveiros para a aquicultura (Figura 01) como um reservatório artificial
construído em terreno natural e que é dotado de mecanismos de abastecimento e drenagem de
água, de preferência por gravidade, que permitam seu enchimento e secagem no menor
espaço de tempo possível.

Figura 01: Viveiros utilizados em aquicultura

Os viveiros para aquicultura podem ser construídos de forma elevada, acima do terreno
natural, de maneira total ou parcial pelo mo intermédio da elevação de seus diques (Figura 02)
ou barragens (Figura 03).

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Figuras 02: Diques de viveiros para aquicultura

Figuras 03: Barragem açude Castanhão – Ceará

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Em determinadas situações os taludes dos viveiros podem ser protegidos contra


infiltrações, erosões e desmoronamentos (Figura 04) através da implantação de proteções de
pedra e alvenaria de tijolos

Figura 04: Erosões em diques de viveiros para aquicultura

Os tanques utilizados em aquicultura apresentam semelhança com os viveiros, porém em


sua maioria são construídos e revestidos com alvenaria de tijolos, pedras, concreto (Figura 05)
ou lonas plásticas especiais (Figura 06).
Os viveiros e tanques podem apresentar várias formas que irão depender de sua
utilização dentro dos diversos sistemas de cultivo, como maturação para reprodução (Figura
07), larvicultura (Figura 08), alevinagem/póslarvas (Figura09) e engorda (Figura 10). Para cada
sistema relacionado, os sistemas de abastecimento e de drenagem irão se ajustar a estrutura
desses sistemas
Apesar da diversificação dos sistemas de cultivo, basicamente os viveiros para aquicultura
podem ser de barragem ou de derivação

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Figura 05: Tanques para aquicultura construído em alvenaria

Figura 06: Tanques revestidos com lonas plásticas de alta resistência

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1 2
Figura 07: Maturação para carcinicultura (1). Maturação para piscicultura (2)

2
1
Figura 08: Larvicultura para carcinicultura (1). Larvicultura para piscicultura (2)

1 2

Figura 09: Berçários para carcinicultura (1). Alevinagem para piscicultura (2)

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1 2
Figura 10: Engorda para carcinicultura (1). Engorda para piscicultura (2)

1. VIVEIROS DE BARRAGEM:
São viveiros geralmente construídos em fundos de vales (Figura 11) por onde passam
pequenos cursos de água, como riachos, igarapés, dentre outros.

Figura 11: Áreas propícias para a construção de viveiros de barragem

Para a construção geralmente se faz a elevação de um dique para a barragem da água.


Na figura 12, está representada a construção de um viveiro de barragem. Podemos observar
que para a construção desse viveiro, foram utilizados materiais que foram trazidos de fora da
região natural onde o viveiro está sendo construído.

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Figura 12: Dique de um viveiro de barragem. As setas indicam os materiais


que foram trazidos de outras regiões

O abastecimento dos viveiros de barragem é realizado geralmente por açudes, rios


perenizados1 ou pequenos córregos

2. VIVEIROS DE DERIVAÇÃO
Geralmente os viveiros de derivação são escavados, parcialmente escavados ou elevados
em terreno natural. Seu abastecimento de água na maioria dos casos é feita por derivação
aproveitando a força gravitacional. O abastecimento de água pode ser realizado através de
nascentes naturais, cursos de água, rios, reservatórios e do mar, com a utilização, ou não, de
bombeamento.
Para a condução da água até os viveiros são utilizados canais de abastecimento,
escavados em terreno natural.
A escolha do local para a construção de viveiros deve levar em consideração o terreno
para a água existente na região.
____________________________________
1. Fluxo de água contínuo

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3. AGUA PARA ABASTECIMENTO:


Deve ser levar em consideração os aspectos qualitativos e quantitativos da água
disponível na região onde serão construídos os viveiros para aquicultura.

3.1. QUANTIDADE DE ÁGUA:


A capacidade de acumulação de água de um viveiro irá determinar diretamente a
quantidade necessária para abastecê-lo.
Para a determinação da quantidade de água deve ser utilizado um cálculo baseado na
área e a profundidade média do viveiro.
Exemplo:
Viveiro = 01 hectare (10.000 m2)
Profundidade média = 1,5 m
Volume de água = 10.000 m2 x 1,5 m = 15.000 m3

O prazo de tempo para o abastecimento de um reservatório irá depender diretamente do


manancial, da distância do ponto de captação até o canal de abastecimento, do tamanho dos
viveiros e da quantidade de viveiros construídos na unidade produtora. Geralmente ser
recomenda um tempo inferior a 72 horas. Esse tempo será necessário para se determinar a
vazão (m3/h)
Se levarmos em condição o tempo de 72 horas para abastecimento, temos:
Volume de água = 10.000 m3
Tempo de abastecimento = 72 horas
Vazão necessária em horas = 15.000 m3/72 horas = 208,33 m3/h
Vazão necessária em segundos = 15.000.000 Litros/259.200seg = 57,87 L/seg.
Novos abastecimentos durante o cultivo devem ser realizados apenas para a reposição de
perdas de água por evaporação e infiltração, ou ainda em casos que haja problemas com
quedas bruscas de oxigênio e aumentam dos níveis de metabólitos2 perigosos para o cultivo,
como por exemplo, a amônia. Logo a demanda por água para abastecimento irá depender de
fatores como o sistema de cultivo adotado, pois quanto maior a densidade maior a variação dos
parâmetros físico-químicos da água e consequentemente maior a necessidade de renovação
de água
____________________________________
2. Os metabólitos de compostos químicos são formadas como parte do processo bioquímico natural de degradação e
eliminação dos compostos

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3.2. QUALIDADE DA ÁGUA:


Para se determinar a qualidade da água para aquicultura devemos observar suas
características físicas e químicas.
Com relação as qualidades físicas as mais importantes são a temperatura, sua
transparência e cor.
A temperatura influencia diretamente na fisiologia dos organismos cultivados3 bem como
em sua reprodução e crescimento. Além disso, interfere diretamente na biota4 natural dos
viveiros que servirão de alimento para os animais cultivados ao longo de seu ciclo produtivo.
Quanto maior for a temperatura maior será o metabolismo dos organismos que compõem
a biota natural dos viveiros, desde que os valores estejam dentro da faixa de segurança para
sua sobrevivência, e consequentemente maior será disponibilidade de alimento natural para os
organismos cultivados.
No entanto em casos extremos de temperatura, sejam altas ou baixas, bem como suas
variações haverá uma influencia negativa no crescimento e reprodução dos organismos
cultivados.
As medições de temperatura devem ser realizadas com o auxílio de um aparelho de
medição manual onde se pode medir simultaneamente oxig6enio, temperatura e pH (Figura
13),
As medições devem ser realizadas diariamente, pelo menos 04 vezes ao dia. Os locais
para serem realizadas as medições na coluna d’água5 do viveiro, devem ser na superfície e
fundo. O técnico deverá introduzir a sonda de medição na água do viveiro (Figura 14) em
aproximadamente 10 cm abaixo da superfície, medir a temperatura e anotar em seguida deverá
descer lentamente a sonda até se aproximar do fundo, sem tocar o solo, medir e anotar a
temperatura. Esse processo deve ser realizado em pelo menos 04 pontos do viveiro.

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3. Peixes, camarões, ostras, etc.

4. Biota é o conjunto de seres vivos de um ecossistema, o que inclui a flora, a fauna, os fungos e outros grupos organismos.

5. Distância entre a superfície e o fundo de um corpo d’água. Pode esr medida em centímetros, metros ou quiilómetros

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Figura 13: Aparelho para medição de oxigênio, temperatura e pH

Figura 14: Procedimento para medição de temperatura

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4. TERRENO PARA CONSTRUÇÃO DE VIVEIROS:


Para a escolha de um terreno apto para a construção de viveiros é necessário que se leve
em consideração as características do solo com relação a composição química, bem como
suas características topográficas.

4.1. SOLOS:
Para que a construção de viveiros para a aquicultura possa proporcionar uma efici6encia
produtiva, basicamente, se faz necessário uma escolha adequada das áreas onde serão
implantados. Dentro das características importantes que devem ser levadas em consideração,
a constituição dos solos é fundamental para a eficiência operacional dos viveiros para
aquicultura
A priori a permeabilidade do solo irá influenciar de forma direta tanto na estabilidade dos
taludes6 quanto na infiltração de água no fundo do viveiro. A construção de viveiros em áreas
que apresentam solos argilosos são normalmente recomendados, enquanto em áreas onde
predominam solos arenosos geralmente não recomendados para esse fim, devido
apresentarem alta permeabilidade. Alternativas para a construção de viveiros em solos com
baixa estabilidade e permeabilidade podem ser aplicadas, no entanto haverá implicações
diretas nos custos finais do projeto
Para que se possa entender a influência do solo na construção de viveiros para a
aquicultura, devemos considerar alguns de seus princípios básicos e como eles interferem na
din6amica dos cultivos.

4.1.1. Propriedades Físicas do Solo:


Durante o estudo do solo visando a construção de viveiros pra a aquicultura, as
propriedades físicas mais importantes são a textura, a resistência e a permeabilidade do solo.

4.1.2. Textura do Solo:


A textura do solo pode ser definida pela proporção relativa de partículas de diversos
tamanhos existentes no solo analisado (Figura 15).
O conhecimento desses fatores influenciará diretamente na capacidade de
permeabilidade do solo, ou seja com a maior ou menor dificuldade de circulação de água em
seu interior. Outro fator importante da textura dos solos diz respeito a capacidade de reagir
química e fisicamente, pois o tamanho das partículas existentes irão determinar uma maior ou
menor solubilidade e consequentemente a necessidade ou não da realização de correções nos

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viveiros ao longo dos cultivos.

Figura 15: Diferentes partículas encontradas em solos

A textura do solo poderá ser determinada por uma análise granulométrica, através de
sucessivos peneiramentos. (Figura 16)
Segundo Oliveira (2000), a classificação granulométrica do solo é obtida através de
percentagens de areia, silte, e argila obtida em cada peneira ·e que podem ser classificadas
através da tabela abaixo.

____________________________________
6. Paredes dos viveiros

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Tabela 01: Granulometria de solos


Tipo de solo Diâmetro Médio das Partículas (mm)
Areia muito grossa 1,0 a 2,0
Areia grossa 1,0 a 1,5
Areia média 0,25 a 1,0
Areia fina 0,1 a 0,25
Areia muito fina 0,05 a 0,1
Silte 0,02 a 0,05
Argila < 0,02
Fonte: Oliveira (2000).

Figura 16: Peneiras utilizadas para análise granulométrica de solos

Geralmente áreas onde os solos que apresentam teores de argila acima de 35%, são
mais indicados para a construção de viveiros para a aquicultura..
Por outro lado solos que apresentam teores de areia e pedras acima de 50% não são

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adequados para a construção de viveiros. Solos arenosos que apresentem uma proporção de
20% a 25% de argila podem ser utilizados, porém haverá a necessidade de uma compactação
com piçarra ou argila para evitar problemas de infiltração.
Outro fator importante da caracterização da textura do solo, diz respeito ao ângulo de
inclinação dos taludes dos viveiros. Na Tabela 02 são apresentadas as faixas de inclinação de
taludes de montante7 e jusante8, indicados para diferentes tipos de solos.
Para a determinação da inclinação dos taludes é necessário a determinação da largura
mínima da crista do dique, que pode ser calculada através da fórmula de Preece.

Fórmula de Preece:

C = 1,1√Pv + 0,9
Onde: C = largura mínima de coroamento do dique do viveiro em metros e Pv= profundidade
máxima do viveiro em metros.

Tabela 02: Declividades de taludes de viveiros que proporcionam estabilidade com coroamento mínimo
estipulado pela fórmula de Preece
Tipo de Solo Talude de Montante Talude de Jusante
Areno argiloso 2,5:1,0 a 3,0:1,0 1,5:1,0 a 2,0:1,0
Silto argiloso 2,0:1,0 a 2,5:1,0 1,0:1,0 a 1,5:1,0
Argiloso 1,0:1,0 a 2,0:1,0 1,0:1,0 a 1,0:1,0

4.1.3. Testes para a Determinação da Textura do Solo:

4.1.3.1. Teste da Bola Compacta:


O primeiro passo é fazer divisão por quadrantes imaginários da área que onde serão
construídos os viveiros (Figura 17). Esses quadrantes devem ter no máximo uma área de 1m 2 e
seus pontos de interseção devem ser marcados (Figura 18). Em seguida devem ser coletas
amostra nos pontos de interseção dos quadrantes (Figura 19)
____________________________________
7. É todo ponto referencial ou seção de rio que se situa antes do ponto referencial qualquer de um curso de água.
8. É todo ponto referencial ou seção de rio compreendido entre o observador e a foz de um curso d’água, ou seja, rio-abaixo
em relação a este observador

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1m
1m

Figura 17: Divisão da área do viveiro em quadrantes

Figura 18: Pontos de coletas da amostras

As amostras devem ser etiquetadas e numeradas (Figura 20). Cada amostra deve ser
umedecida e comprimida com as mãos até formar uma bola compacta. Se no momento em que
essa amostra for aberta ela se manter coesa, o solo será propicio para a construção de
viveiros. Por outro lado, se a bola formada se esfarelar provavelmente o solo será constituído
em sua maioria por areia e não será propício para a construção de viveiros. Nesse caso
sempre deverá ser feita uma avaliação para determinar as possibilidades, riscos e custo para
uma provável correção de solo para a construção.
Outra forma eficiente para se avaliar de maneira visual a textura do solo é após umedecer
a amostra, tentar moldar a letra C. Se a amostra mantiver esse formato, provavelmente será
constituída, em sua maioria, por argila e estará apta para a construção de viveiros.

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Figura 19: Amostragem para análise de solo

Figura 20: Acondicionamento das amostras de solo para análise.

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4.1.3.2. Teste da Garrafa.


Os procedimentos descritos no item anterior podem ser utilizados para o teste da garrafa.
O técnico pode retirar uma quantidade de solo, durante a amostragem, suficiente para realizar
os dois testes. Os mesmos pontos de coleta podem ser utilizados para otimizar o tempo entre
as amostragens e a obtenção dos resultados.
Após a amostragem deve-se colocar cerca de 300 ml de solo em um recipiente de 01 litro
de volume, se possível uma proveta graduada. Em seguida pressionar essa amostra para a
retirada completa do ar presente na amostra. Após esse procedimento adicionar 500 ml de
água no recipiente e misturar bem para homogeneizar toda a amostra e desagregar todas as
partículas presentes no solo analisado (Figura 21).

Figura 21: Teste da garrafa

Em seguida, tampar bem todos os recipientes e virar repetidamente de cabeça para baixo
até obter uma boa mistura e manter em repouso por aproximadamente por 25 segundos. Ao
final desse tempo observar a decantação do solo. Se 50% da amostra decantar durante esse
tempo, a solo provavelmente será constituído de textura mais grossa. Por outro lado se menos
de 50% do material decantar durante o tempo estipulado, provavelmente o solo será
constituído de partículas mais finas.

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No próximo passo as amostras deverão ser homogeneizadas novamente e permanecer


em repouso por um período de 24 horas para a determinação das proporções de cascalho,
areia, silte e argila presentes. Após esse período fazer a observação visual das amostras e com
o auxílio de uma régua determinar a quantidade de cada partícula para ao final ser calculado
seu percentual em cada amostra. Para efeito de ordenamento das camadas, deve-se
considerar o sentido crescente de posicionamento das partículas a partir do fundo do recipiente
(Figura 22)
Se ao observar visualmente as amostras o técnico identificar a formação de 04 camadas
distintas, provavelmente a primeira será constituída de cascalho. Se houver a formação de
apenas 03 camadas a primeira será constituída de areia.

Água + matéria orgânica

% de argila

% de silte

% de areia

Figura 22: Observação das diferentes camadas, para a determinação da proporção de partículas
presentes na amostra de solo..

Em geral a composição do solo ideal para a construção de viveiros para a aquicultura


deverá apresentar, no teste da garrafa, uma transição entre camadas de forma suave, com a
participação de areia em torno de 50%, a argila deverá participar com um percentual entre 15 e

Aquicultura – Construções para Aquicultura 20


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30% e o restante deverá ser formado por silte.

1.2. Permeabilidade de Solo.


Podemos definir permeabilidade como a propriedade de escoamento de água e ar apresentada
pelo solo. A permeabilidade pode ser expressa numericamente pelo Coeficiente de
Permeabilidade (K).
A percolação9 de água através de solos porosos pode ser determinada através da Lei de Darcy

Lei de Darcy:
Q=KxixS

Onde: i = coeficiente hidráulico, dado por i = h / l, (h = altura da carga de água; l = espessura do


meio poroso);
S = área da seção ocupada pelo elemento filtrante;
K = coeficiente de permeabilidade, que depende da porosidade do material.

As variações dos valores de K, podem ser observados na Tabela 03.

Tabela 03: Valores de K por textura de solos


VALORES DE K
SOLO K (m/seg.)
Cascalho 1,0
Areia grossa 1,0 a 10 -2
Areia média 10 -2 a 5 x 10 -2
Areia fina 5 x 10 -2 a 10 -3
Areia muito fina 2 x 10 – 3 a 10 -4
Silte 5 x 10 -4 a 10 -5
Argila 10 -6 a 10 -9
Fonte: Carvalho, 1989

____________________________________
9. Movimento subterrâneo da água através do solo, especialmente nos solos saturados ou próximos da
saturação.

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Com relação a permeabilidade, em geral, os limites apresentados na tabela abaixo podem ser
considerados.

Tabela 04: Classificação de permeabilidade de solos.

Coeficiente de permeabilidade (K em cm/seg.)


Permeabilidade Limite inferior Limite superior
Permeável 2 x 10 -5 2 x 10 -3
Semipermeável 5 x 10 -7 1 x 10 -5
Impermeável 2 x 10 -11 1 x 10 -7

Nos casos em que se faz necessário realizar uma impermeabilização do fundo dos viveiros,
deve-se utilizar materiais (solos) que apresentem coeficientes de permeabilidade inferiores a K
= 104 cm/s. Além disso, devemos seguir as indicações para inclinações de taludes descritas na
tabela 02.

5. TOPOGRAFIA DO TERRENO:
Para que se escolha uma área propícia para a construção de viveiros, a topografia do
terreno deverá ser considerada com muita atenção para que se possa determinar, dentre outros
pontos, quais os tipos de viveiros podem ser construídos, seu formato, profundidade,
quantidade.
Terrenos que apresentam uma declividade muito acentuada não são recomendados, pois
se os viveiros de barragem teriam que ser construídos com diques muito elevados e que ao
final acumulariam uma quantidade de água, em sua bacia de acumulação, inferior a
necessidade do projeto. No caso dos viveiros de derivação a possibilidade de sua construção
seria impossível nessas condições, pois esse tipo de viveiro a água necessita ser elevada a um
nível que permita aos viveiros serem abastecidos e drenados pela ação da gravidade.
No caso de terrenos que apresentem uma declividade muito baixa o ideal é que se
construam viveiros de barragem.
Para a construção de viveiros é recomendado que se faça um levantamento
planialtimétrico10
____________________________________
10. É um documento que descreve o terreno com exatidão e nele são anotadas as medidas planas, ângulos e diferenças de
nível (inclinação).
.

Aquicultura – Construções para Aquicultura 22


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Para isso é recomendado utilizar curvas de nível11 (Figura 23) de 0,5 em 0,5m ou de 1 em
1m e com escala de 1:500 ou de 1:1.000.
Ao realizar o plano altimétrico o técnico deve considerar todas as estruturas que
compõem o seu entorno, como imóveis, edificações, fontes de água (açudes, rios, lagos e
outros) com todas as cotas de coroamento12 (barragens, sangradouros, espelhos de água,
mananciais), estradas, redes elétricas, cercas.

Figura 23: Curvas de nível

Ao final do levantamento planialtimétrico o técnico será capaz de projetar os tipos de viveiros,


quantidade, dimensões, forma, profundidades e as cotas de tomada de água e de drenagem.

6. CARACTERÍSTICAS DE VIVEIROS:

6.1. FORMAS DE VIVEIROS:


Viveiros para aquicultura podem ser construídos de diversas formas, como circulares
(Figura 24), e quadrados ou retangulares (Figura 25). Em geral os viveiros devem ser
construídos levando em consideração a redução do perímetro dos viveiros para evitar custos
elevados com escavações e movimentações de terra.

____________________________________
11. Caracteriza-se como uma linha imaginária que une todos os pontos de igual altitude de uma região representada
12. Remate, ornato que termina o alto de uma edificação.

Aquicultura – Construções para Aquicultura 23


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Figura 24: Viveiros circulares para aquicultura

Figura 25: Viveiros retangulares para aquicultura

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6.2. ÁREAS DE VIVEIROS


Quando nos referimos a área de viveiros levamos em consideração seu espelho d´água13
(Figura 26). Dependendo do tipo de cultivo cada viveiro terá uma área diferente. Por exemplo,
viveiros utilizados para alevinagem ou no segundo estágio de cultivo em camarões geralmente
têm uma área 0,02 a 0,5 ha (Figura 27). Os viveiros de engorda geralmente possuem uma área
de 01 a 03 ha para piscicultura e de 01 a 20 ha para carcinicultura (Figura 28). Porém é
importante observar que essas dimensões irão depender de vários fatores: Como: capacidade
produtiva da unidade produtora; tipo de cultivo (reprodução, alevinagem e/ou engorda);
topografia do terreno, dentre outros.

Figura 26: Espelho d´água de um viveiro para aquicultura.

____________________________________
13. Área da superfície da água seja de um viveiro, açude, lago, e que são demarcados por suas respectivas margens

Aquicultura – Construções para Aquicultura 25


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1 2
Figura 27: Viveiros para alevinagem em piscicultura (1) e para segundo estágio em carcinicultura (2)

1 2
Figura 28: Viveiros para engorda em carcinicultura (1) e piscicultura (2)

6.3. PROFUNDIDADE DOS VIVEIROS:


A profundidade de um viveiro diz respeito a sua lâmina de água (Figura 29). A
profundidade média geralmente varia entre 1, 0 a 1,5 m de profundidade. Não é recomendada
a construção e/ou utilização de viveiros com profundidades acima de 3,0 m devido ao fato que
haverá uma menor penetração de luz solar que terá como consequencia uma menor produção
primária e a redução do alimento natural. Outro fator é a possibilidade da formação de uma
termoclina14 (Figura 30), que pode ocasionar a mortalidade dos organismos cultivados.
____________________________________
14. É a variação brusca de temperatura em uma determinada profundidade do mar ou em ambientes de água doce e salobras

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Lâmina de
água
Taludes (diques) Taludes (diques)

Figura 29: Corte transversal de um viveiro mostrando sua lâmina de água.

A determinação da profundidade média de um viveiro dependerá de fatores como: finalidade


(viveiros para alevinagem em piscicultura e segundo estágio em carcinicultura mais rasos e
viveiros para engorda mais profundos); condições climáticas da região (temperaturas muito
altas ou muito baixas requerem viveiros mais profundos) e topografia do terreno.

7. ELABORAÇÃO DE PROJETOS PARA CONSTRUÇÃO DE VIVEIROS:


Para a elaboração de um projeto para a construção de uma unidade produtora em
aquicultura se faz necessário: (1) levantamento planialtimétrico da área onde se pretende
implantar uma unidade produtora, uma planta baixa15 ou de situação16 (Figura 30) e onde
devem estar localizados os viveiros, edificações, área de entorno, estradas de circulação
interna, arborização, dentre outros; (2) detalhamento de cada viveiro e de outras instalações,
com seus respectivos cortes (Figura 31); (3) sistemas de abastecimento (Figura 32). e
drenagem (Figura 33)

7.1. DESMATAMENTOS E DESTOCAMENTOS DA ÁREA:


Devem ser realizados obedecendo as legislações federais, estaduais e/ou municipais
especificas para esse tipo de processo.
Nas áreas onde serão construídos os viveiros todas as raízes devem ser retiradas até
uma profundidade que permita sua total retirada para evitar problemas de infiltrações futuras.

____________________________________
15. É onde se especifica quase todo tipo de informação possível do projeto, informações estas de construção, como locação
da obra dentro do terreno, e todo tipo de cota possível que mostre distâncias de largura e comprimento do ambiente.
16. Mostra onde o terreno da construção está situado no quarteirão, bairro, rua, ou cidade até, sempre mostrando quando
possível um ou mais pontos de referência, como por exemplo, um supermercado, shopping, farmácia, etc.

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Figura 30: Exemplo da planta de situação (ZPE – Ceará).

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Figura 31: Exemplo de layout de viveiros para aquicultura e de sua área de entorno

Figura 32; Sistemas de abastecimento para aquicultura.

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Figura 33: Sistema de drenagem de viveiros para aquicultura.

7.2. MARCAÇÃO DOS VIVEIROS


Após os levantamentos planialtimétricos e a confecção das plantas dos viveiros e de
todas as instalações, os técnicos vão até a área escolhida e passam a fazer as demarcações
dos pontos onde serão construídas todas as estruturas da unidade produtora. Recomenda-se
que um topógrafo profissional execute e coordene todo o trabalho de demarcação (Figura 34).
Basicamente o trabalho a ser realizado será os estaqueamentos dos pontos onde deverão
ser realizadas movimentações de terra, sejam para aterros (elevação) ou cortes (escavações).
Após a demarcação da área soa inseridos piquetes no solo indicando os locais onde será
feitos os aterros e os cortes (Figura 35)

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Figura 34: Trabalhos de topografia para demarcação para construção de viveiros para aquicultura.

Figura 35: Exemplo de estaqueamento indicando onde deverão ser realizados corte ou aterros

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7.3. ESCAVAÇÃO DOS VIVEIROS


Os processos para construção dos viveiros podem realizados tanto por elevação, quanto
por elevação parcial e ainda totalmente elevados em terreno natural.
A escavação pode ser realizada tanto manualmente quanto através de máquinas
específicas, como retroescavadeiras, tratores de esteiras, dragas, dentre outros. No início da
escavação é feita uma vala central e o solo retirado é depositado ao longo dessa vala para a
construção dos taludes (Figura 36).

Talude

Figura 36: Escavação de viveiros e construção de taludes.

O excedente de solo é retirado e utilizado para a construção de outros diques ou para


outras instalações na própria unidade produtora.
No caso de viveiros que necessitam de construção através do processo de elevação, o
solo utilizado geralmente deve ser retirado de locais próximos a região, para evitar custos
elevados na construção.
Em solos que apresentam elevada permeabilidade pode ser usada piçarra para compactar
o terreno e reduzir a infiltração de água (Figura 37).

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Figura 37: Compactação de terreno, com as indicações do material utilizado.

7.4. CONSTRUÇÃO DE DIQUES E TALUDES


Para a construção dos diques a recomendação é utilizar o próprio material retirado na
escavação para evitar a elevação dos custos com transporte de material oriundo de outros
locais. A compactação com piçarra ou outro material semelhante devem ser utilizado sempre
que o solo local não apresentar uma consistência apropriada, como por exemplo, excesso de
areia na sua composição.
Quando tratamos da inclinação dos diques podemos observar que no caso em que os
mesmos separem dois viveiros, essa inclinação pode ser de 2:1 a 3:1, ou seja, se o
coroamento tiver uma largura de 1m, a base do viveiro deverá ter 2 m (Figura 38).
Já nos casos dos diques externos essa inclinação poderá ser de 1:1 a 2:1 (Figura 39).
A largura do coroamento do dique pode variar de 1 a 5m. Isso irá depender da sua
utilização. Por exemplo, nos locais de tráfego de carros, caminhões e máquinas (Figura 40), os
coroamentos dos diques devem ter uma largura suficiente para o livre trânsito sem riscos de
acidentes e/ou comprometimentos das operações normais durante o cultivo. Os demais diques
devem ter coroamento de 1 a 2 m.

Aquicultura – Construções para Aquicultura 33


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Taludes (diques) internos


1m Taludes (diques) externos
1m

2:1 2:1

2m 2m

Figura 39: Corte transversal de 02 viveiros mostrando as inclinações indicadas para os diques.

Coroamento do
dique

Figura 40: Dique com largura de coroamento própria para tráfego de veículos

Aquicultura – Construções para Aquicultura 34


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7.5. PISO DOS VIVEIROS:


O fundo dos viveiros deve ser construído de tal forma que permitam uma boa
regularidade, sem depressões e/ou elevações e que possua uma declividade variando de 0,5 a
1,0% para viveiros com grandes e médias dimensões e de 1,0 a 2,0% para viveiros pequenos,
sempre no sentido da comporta de abastecimento para a de drenagem (Figura 41).

Abastecimento Drenagem

Inclinação do piso do viveiro

Figura 41: Corte longitudinal de um viveiro demonstrando a inclinação de seu piso.

7.6. SISTEMA DE ABASTECIMENTO:


Geralmente os sistemas de abastecimento distribuem a água, captada de uma fonte ou
manancial através de canais escavados em solo natural até os viveiros.
A principal estrutura para a captação de água é a que faz a transferência da água para os
canais de abastecimento. Essas estruturas também são chamadas de Casas de Bombas
(Figura 42), pois é onde geralmente estão instaladas as bombas responsáveis pela captação
de água, bem como toda a infraestrutura elétrica.
Geralmente a Casa de Bombas é instalada no local mais próximo do manancial de
captação e no início do canal de abastecimento principal da unidade produtora (Figura 43). Na
mesma unidade produtora podem existir sistemas de bombeamento auxiliares que alimentam
canais secundários como o intuito de aumentar o potencial de abastecimento do todo o sistema
(Figura 43).
As bombas para a captação de água podem ser axiais (Figura 44), bombas flutuantes
(Figura 45). A potência das bombas e a quantidade devem ser dimensionadas para atender a
demanda diária de água para abastecei mento completo dos viveiros, reposição de água por
perda e evaporação, abastecimentos de emergência

Aquicultura – Construções para Aquicultura 35


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Figura 42: Exemplos de Casa de Bombas

Manancial de
abastecimento

Bombas
flutuantes para
abastecimento

Canal de
abastecimento Casa de Bombas
secundário

Canal de abastecimento
principal

Figura 43: Visão aérea de um sistema de abastecimento como suas respectivas estruturas em destaque

Aquicultura – Construções para Aquicultura 36


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Canal de abastecimento
principal

Figura 44: Modelos de bombas para captação de água

Foto 45: Bomba flutuante

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7.7. CANAL DE ABASTECIMENTO:


A função principal do canal de abastecimento é conduzir a água captada pela casa de
bombas até os viveiros de cultivo. O mesmo deve ter uma altura suficiente que permita o
abastecimento desses viveiros pela ação da força gravitacional da Terra (Figura 46)

Figura 46: Canal principal sendo abastecido por bombeamento

Geralmente o canal de abastecimento é construído em terreno natural sendo necessária


uma pequena construção de alvenaria no início do canal para evitar o assoreamento devido a
força da água captada e que pode causar rompimento ao longo de sua vida útil (Figura 47)
Após sua construção o canal deve sofrer testes periódicos antes do início da
operacionalização da unidade produtora. O primeiro passo é ligar o sistema de bombeamento e
observar a região do início do canal de abastecimento para constatar que não haja infiltração
nos diques. Se for constatada infiltração o bombeamento deve ser interrompido de imediato e
os reparos necessários devem ser providenciados imediatamente. Caso não for observado
infiltrações, a próxima etapa será abastecer o canal até um nível de 10 cm, para isso deve ser
instalada uma régua de madeira graduada dentro do canal (Figura 48). Depois que esse nível
for alcançado deve-se observar se não há infiltrações. Caso seja constatada a infiltração toda
água deve ser drenada e os reparos providenciados.

Aquicultura – Construções para Aquicultura 38


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Figura 47: Construção de alvenaria no início do canal de abastecimento

Figura 48: Régua para controle de nível

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Porém se não for constada infiltração o canal deve ser abastecido com mais 10 cm e
observar novamente.
Todo esse processo deve ser realizado até completar o nível total do canal, lembrando
sempre que as pausas para a observação de possíveis infiltrações devem ser rigorosamente
obedecidas, bem como os reparos imediatos necessários.
Somente com a completa observação e comprovação da segurança estrutural do canal de
abastecimento é que a operação de abastecimento dos viveiros deve ser iniciada.

7.8. CANAL DE DRENAGEM:


O canal de drenagem (Figura 49) é construído nos mesmo moldes do canal de
abastecimento. Sendo que sua cota deve ser a menor de toda a unidade produtora, haja vista
que toda a água utilizada nos viveiros deve ser drenada completamente e no menor espaço de
tempo possível.

Figura 49: Canal de drenagem

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Os canais de drenagem devem permitir o completo escoamento da despesca dos viveiros


da fazenda. Suas dimensões e profundidade variam conforme o porte do empreendimento.
A água drenada não deve fluir para a área de coleta da água de abastecimento, pois se
isso acontecer, corre-se o risco de captar esta água que apresenta qualidade inadequada para
o cultivo;
A parte posterior do canal de drenagem deve permitir a instalação de uma rede para
coleta dos camarões durante a despesca

7.9. COMPORTAS:
As comportas são estruturas de alvenaria que são construídas no centro da parede na
largura do viveiro ou na junção entre as paredes do viveiro. (Figura 50).

Figura 50: Modelo de comporta

Um viveiro possui uma comporta de abastecimento e uma comporta de drenagem.


Geralmente as comportas são construídas antes da construção dos diques dos viveiros,
haja vista a necessidade de ser feita uma fundação bastante resistentes para evitar
desmoronamentos futuros (Figura 51).

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Figura 51: Comporta com estrutura comprometida

As comportas apresentam estrutura duas asas laterais (Figura 52) que apresentam
ranhuras (Figura 53) onde serão instaladas as tábuas de vedação e controle do nível de água,
bem como as telas de proteção e filtração e as redes de despesca
A altura da comporta deve ser a mesma da crista do dique e a das asas laterais deve ser
de acordo com o volume de água dos viveiros.
A espessura das paredes das comportas irá depender diretamente do material de que
foram construídas.
Se forem utilizados tijolos, geralmente sua espessura será de 0,15 m. No caso da
utilização de concreto armado, as paredes deverão ter uma espessura de 0,07 m a 0,10 m.

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Asas laterais das comportas


Asas laterais das comportas

Figura 52: Asas laterais de comportas

Ranhuras

Figura 53: Ranhuras laterais das comportas mostrando as tábuas de vedação e as telas de proteção e
filtragem.

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Os testes dos viveiros devem ser realizados da mesma forma dos que são utilizados para
o canal de abastecimento. Sendo que nesse caso os pontos principais a serem monitorados
são as comportas de abastecimento e drenagem e os diques. Antes dos testes devem-se vedar
bem ambas as comportas com as tábuas de madeira.
Após o canal de abastecimento estar com sua cota máxima de água o técnico deve retirar
as tábuas que se encontram no topo da comporta e observar o comportamento do fluxo da
água para dentro do viveiro. Deve observar principalmente a base das comportas e as laterais
para se certificar que não estejam havendo desmoronamentos dos diques e infiltrações na
base das comportas. Caso haja alguma anormalidade as tábuas devem ser recolocadas o
abastecimento do viveiro deverá ser suspenso para correções imediatas.
Se o técnico notar que não houve nenhuma anormalidade na estrutura das comportas e
dos diques do viveiro, o mesmo deverá retirar mais duas tábuas para aumentar o fluxo e a
pressão de água para dentro do viveiro. Novamente o técnico deve observar o comportamento
das estruturas.
Esse processo deve ser repetido até que o viveiro esteja com sua cota máxima de
abastecimento. Ao fim desse processo o viveiro deverá permanecer abastecido e os diques
externos e a comporta de abastecimento e drenagem monitorados pelo menos por 02 dias.
Ao final do segundo dia o viveiro deverá começar a ser drenado. O técnico deverá realizar
os mesmos descritos para o abastecimento do viveiro. Toda a estrutura da comporta de
drenagem e dos diques deve ser monitorada para evitar seu comprometimento. Qualquer
indício de falha estrutural deve ser acompanhado de suspensão da drenagem para sua
correção.
Caso não haja falhas os procedimentos devem continuar até a completa drenagem do
viveiro, que a partir desse momento poderá iniciar os ciclos de cultivo.

Aquicultura – Construções para Aquicultura 44


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CAPÍTULO II - CONSTRUÇÃO DE TANQUES REDES:


Podemos definir tanque rede como uma estrutura flutuante a qual é capaz de confinar
peixes de diferentes espécies, onde serão monitorados e alimentados ao longo de um ciclo de
cultivo.
Os tanques redes permitem o confinamento de uma quantidade de peixes maior do que
normalmente se cultiva em viveiros escavados
Os tanques redes podem ser construídos tanto para cultivos familiares, bem como em
larga escala
Basicamente os tanques redes podem ser quadrados, retangulares, cilíndricos,
hexagonais ou circulares (Figura 54).

Figura 54: Modelos de tanque rede: (1) circular, (2) quadrado, (3) retangular e (4) cilíndrico.

Aquicultura – Construções para Aquicultura 45


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A escolha do tipo de tanque rede a ser utilizado irá depender diretamente de fatores
econômicos, tamanho do reservatório, custo do tanque rede, espécies a ser cultivada, sendo
que os mais comerciais e utilizados são os tanques redes quadrados e retangulares.
As dimensões geralmente utilizadas são:
1. Tanque rede quadrado:
• Volume: 4,8 m3 (2,0 x 2,0 x 1,2) – malha de 17 ou 19 mm;
• Volume: 6,0 m3 (2,0 x 2,0 x 1,5) – malha de 13 ou 19 mm;
• Volume: 13,5 m3 (3,0 x 3,0 x 1,5) – malha de 19 mm;
• Volume: 18,0 m3 (3,0 x 3,0 x 2,0) – malha de 19 mm.

2. Tanque retangular:
• Volume: 36 m3 (3,0 x 6,0 x 2,0) – malha de 19 mm;
• Volume 48 m3 (3,0 x 8,0 x 2,0) – malha 19 mm;
• Volume 170 m3 (5,0 x 17,0 x 2,0) – malha 17 mm.

Algumas características de diferentes tanques redes podem ser observadas na tabela

Tabela 05: Características de tanques redes de pequeno volume/alta densidade (PVAD) e de tanques
redes de grandes volumes/baixa densidade (GVBD)
Características Tanque rede de PVAD Tanque rede de GVBD
Volume útil (m#) Até 06 Acima de 18
Capacidade de renovação de água Maior Menor
Biomassa17 econômica (kg/m3) 100 a 250 20 a 80
Custo de implantação pro m3 Maior Menor
Porte do empreendimento onde são mais usados Pequeno Grande
Tempo de retorno do capital investido Menor Maior
3
Custo de mão de obra/m de volume útil Maior Menor
Custo de mão de obra/Kg de peixe produzido Menor Maior
Fonte: Omo & Kubitza,, 2033.

____________________________________
17. É a quantidade total de matéria viva existente num ecossistema ou numa população animal ou vegetal

Aquicultura – Construções para Aquicultura 46


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8. MATERIAL UTILIZADO:

8.1. ESTRUTURA DE ARMAÇÃO:


A estrutura de armação dos tanques redes pode ser construída com diferentes materiais
como: canos de PVC, vergalhões de aço galvanizado, tubos e cantoneiras de alumínio, dentre
outros (Figura 54). Nessa estruturas deverão ser fixadas as malhas, cabos de fixação,
flutuadores, comedouros e tampas. Esse conjunto é que irá formar o tanque rede propriamente
dito.

1 2
Figura 54: Armações para tanques rede construídas em PVC (1) e metal (2)

No caso de tanque rede construído em PVC a estrutura é confeccionada com tubos para
água com ¾ de diâmetro ligados através de conexões de PVC com o mesmo diâmetro dos
canos soldados com cola apropriada (Figura 55).

“Cotovelo” em
PVC T de PVC

Figura 55: “Cotovelos”e T’s de PVC utilizado para conectar os tubos do tanque rede.

Aquicultura – Construções para Aquicultura 47


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8.2. TELAS PARA ARMAÇÃO:


Envolvendo esta armação serão colocadas telas de polietileno semi-rígida com distância
entre nós, de 13 a 19 mm (Figura 56), fixadas nesta estrutura por fios de seda ou soldadas
(Figura 57).

Figura 56: Tela utilizada em tanque rede

Figura 57: Detalhe da fixação da tela na estrutura do tanque rede

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O tipo de material que compõem as telas utilizadas nos tanques redes irá depender de
condições ambientais do reservatório ou corpo de água que onde serão instalados os tanques
redes. A partir do momento que um tanque rede é instalado o mesmo irá atrair outras espécies
de peixes que habitam o reservatório ou corpo de água escolhido e que algumas dessas
espécies são carnívoras. Logo, nesses casos, o material que compõem as telas deve ser
resistente o suficiente para evitar ataques de peixes carnívoros.
Outros fatores a serem observados com relação à malha utilizada é sua capacidade de
permitir a renovação de água, não causar ferimentos aos animais cultivados e que não seja
oxidável.
As malhas utilizadas para a confecção das tampas dos tanques redes (Figura 58) podem
ser construídas com a mesma malha do tanque rede ou com uma malha com maior abertura
maior.
Normalmente a abertura das malhas que compõem a tampa dos tanques redes é de 25
mm.
Para evitar a incidência direta dos raios solares que podem influenciar diretamente na
pigmentação dos animais cultivado, proporcionando um tom escurecido a pele dos animais,
recomenda-se a utilização de sombrites na parte superior do tanque rede (Figura 59)

Figura 58: Detalhe da tampa de um tanque rede

Aquicultura – Construções para Aquicultura 49


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Figura 59: Modelo de sombrite utilizado em tanques rede.

Quando a altura do tanque for superior a 1,5 m, as telas deverão ser emendadas por fio
de cobre, com diâmetro de 1,5 mm encapado.
A tampa dos tanques, que evitam a fuga dos peixes e a entrada de predadores é
construída com o mesmo material, com mobilidade suficiente, através de dobradiças
localizadas na metade da tampa, o que facilita o manejo.
Lateralmente, na metade inferior do tanque, coloca-se uma janela de 60 X 60 cm, por onde é
feita a despesca total ou parcial dos peixes.

8.3. ESTRUTURA DE FIXAÇÃO DOS TANQUES REDE:


A fixação dos tanques redes pode ser feita através cabos de nylon com espessura
variando entre 14 e 20 mm ou ainda com cabos de aço de forma perpendicular a ao longo do
sentido da corrente superficial (Figura 59). As extremidades dos cabos serão fixadas em poitas
(âncoras) de concreto ou ferro que serão fixadas no fundo do reservatório ou do corpo de água
(Figura 60)

Aquicultura – Construções para Aquicultura 50


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Figura 59: Detalhe dos cabos de fixação dos tanques redes

1 2
Figura 60: Poitas para ancoragem de tanques redes: (1) concreto. (2) aço.

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8.4. ESTRUTURAS PARA FLUTUAÇÃO:


As estruturas para a flutuação dos tanques redes, geralmente utilizadas são bombonas
plásticas (Figura 61) que são fixadas nas laterais da estrutura superior do tanque rede.
No caso de tanques redes utilizados para produção em larga escala, os materiais
utilizados são tambores de 200 L em material plástico (Figura 62) ou tubos de PVC de 200 mm
com tampões nas duas extremidades (Figura 63)
Os tubos de PVC geralmente são recomendados para apenas 01 tanque rede (Figura 64).

Bombona plástica para flutuação

Figura 61: Bombona utilizada para flutuação de tanques redes

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Figura 62: Tambor plástico de 200 L

Figura 63: Cano de PVC de 200 mm e tampa para vedação

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Figura 64: Detalhe do cano de PVC no tanque rede

8.5. ESTRUTURAS DE SINALIZAÇÃO:


Após a fixação dos tanques redes nos reservatório ou corpo de água deve-se providenciar
a sinalização no entorno dos tanques redes para evitar acidentes com embarcações (Figura
65).
Em Águas da União essa sinalização deverá ser realizada por bóias luminosas (Figura
66).

Figura 65: Bóia utilizada para sinalização de tanques redes

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Figura 66: Exemplo de bóias luminosas

8.6. TANQUES BERÇARIOS:


Podemos definir tanques berçários como tanques redes destinados ao cultivo de
alevinos18. Esses tanques berçários (Figura 67) são construídos com os mesmos materiais
descritos anteriormente, sendo que as dimensões geralmente são menores.
As malhas utilizadas variam entre 5 e 8 mm e necessitam de constante limpeza devido ao
acúmulo de sedimentos entre as malhas o que irá interferir diretamente na circulação de água.

8.7. ESTRUTURA DE COMEDOUROS:


Os comedouros são estruturas confeccionadas em fio de poliéster revestido de PVC,
nylon ou plástico e com malha de 01 mm tipo “mosquiteiro”(Figura 68).
Essas estruturas são fixadas dentro dos tanques rede na superfície da água, onde 15 a 25
cm ficam fora da água e em torno de 40 a 50 cm abaixo da linha d’água.
Os comedouros podem ser confeccionados em diferentes formados, como:
8.7.1. Quadrado: ë o mais utilizado, pois proporciona um melhor aproveitamento da área útil
do tanque rede para a alimentação dos peixes (Figura 69)
____________________________________
18. Estágio da vida de peixes entre a eclosão de ovos e até aproximadamente 60 dias

Aquicultura – Construções para Aquicultura 55


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8.7.2. Comedouro de faixa: Apresenta uma grande área disponível para a alimentação dos
peixes (Figura 70).
8.7.3. Circulares: Dificulta a perda excessiva de ração (Figura 71)

Figura 67: Tanques berçários protegidos por estufa

Figura 68: Tela tipo mosquiteiro para confecção de comedouros

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Figura 69: Detalhe de um comedouro quadrado

Figura 70: Detalhe de um comedouro de faixa

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Figura 71: Detalhe de um comedouro circular

8.8. ESTRUTURAS DE APOIO:


Ë recomendável que seja construído um galpão (Figura 72) para a armazenagem de
ração, insumos, materiais, dentre outros.
O armazenamento da ração (Figura 73) deverá ser realizado em locais protegidos de
roedores e outros animais bem como da baixa umidade e ventilação de modo a prevenir a ação
de fungos e outras contaminações.
O galpão deve possuir boa ventilação e iluminação, além de proteção contra a incidência
direta de raios solares (Figura 74)
Cuidados devem ser tomados, como:
• Deverão ser adotadas práticas de limpeza e manutenção, assim como um programa de
controle integrado de pragas (CIP).
• O estoque de ração deverá ser protegido do contato direto com o solo através do uso de
estrados.
• As pilhas estocadas deverão manter uma altura máxima de 10 sacos para evitar danos a
integridade física das embalagens e do produto, e um distanciamento de 45cm entre os
lotes e as paredes laterais do depósito. Estes distanciamentos facilitarão a circulação de

Aquicultura – Construções para Aquicultura 58


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ar e dos operadores.
• Os produtos retidos para descarte ou devolução deverão ser armazenados em locais
designados e registrados em planilhas específicas.
• A estocagem deve ser programada com identificadores para controlar os lotes,
fabricantes, data da entrada e tipos de ração com relação ao teor de proteínas, etc.
• O alimento deverá ser adquirido recém fabricado e mantido em período não superior ao
seu prazo de validade.
• Adotar método de controle de estoque – Primeiro que entra é o Primeiro que sai (PEPS)
ou PVPS (Primeiro que Vence é o Primeiro que Sai).
• A ração que será utilizada diariamente nos viveiros de produção deverá ser estocada em
silos estrategicamente localizados na Fazenda, os quais deverão ter proteções contra a
exposição aos raios solares (ex: tinta branca), calor, chuvas e umidade do solo

Figura 72: Galpão de apoio

Aquicultura – Construções para Aquicultura 59


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Figura 73: Armazenamento de ração

Figura 74: Layout para galpão de apoio

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8.9. ESTRUTURA DE BALSA:


A balsa (Figura 75) tem a função de auxiliar de garantir a flutuabilidade dos tanques redes,
pode ser construídas plataformas de madeira juntamente com uma passarela para facilitar o
manejo diário do cultivo, bem como para as operações de biometria e despesca dos peixes
cultivados
Geralmente são construídas em forma de “U”, ou quadrada podendo ser dotada de
guinchos para auxiliar a retirada das gaiolas da água. Podem ser utilizadas também para
armazenar a ração que será utilizada durante o dia
A balsa pode ser fixa ou móvel, sendo que no segundo caso será necessário o auxiliar de
um motor para seu deslocamento.

Figura 68: Detalhe das plataformas de madeira para flutuação dos tanques redes

Aquicultura – Construções para Aquicultura 61


Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

CAPÍTULO I:

CARVALHO, L. H. Curso de Barragem de Terra – DNOCS, v, 1, 173 p, Fortaleza, 1989

OLIVEIRA, M. A. Engenharia para Aquicultura. Vol. 1, 1a Ed. D & F Gráfica e Editora, 241 p,
Fortaleza, 2005.

OLIVEIRA, P. N. Engenharia para Aquicultura. Univ. Fed. Rural de Pernambuco, 294 p,


Recife, 2000.

CAPÍTULO II:

CODEVASF, Manual de Criação de Peixes em Tanques Redes, 64 p, 2008

ONO, E. A.; KUBITZA, F. Cultivo de Peixes em Tanque Rede, 3a Ed. Jundiaí, São Paulo 112
p, 2003.

PISICULTURA EM TANQUES REDES,


http://www.emater.mg.gov.br/site_emater/Serv_Prod/Livraria/Agridata.

Aquicultura – Construções para Aquicultura 62


Hino Nacional Hino do Estado do Ceará

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas Poesia de Thomaz Lopes


De um povo heróico o brado retumbante, Música de Alberto Nepomuceno
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos, Terra do sol, do amor, terra da luz!
Brilhou no céu da pátria nesse instante. Soa o clarim que tua glória conta!
Terra, o teu nome a fama aos céus remonta
Se o penhor dessa igualdade Em clarão que seduz!
Conseguimos conquistar com braço forte, Nome que brilha esplêndido luzeiro
Em teu seio, ó liberdade, Nos fulvos braços de ouro do cruzeiro!
Desafia o nosso peito a própria morte!
Mudem-se em flor as pedras dos caminhos!
Ó Pátria amada, Chuvas de prata rolem das estrelas...
Idolatrada, E despertando, deslumbrada, ao vê-las
Salve! Salve! Ressoa a voz dos ninhos...
Há de florar nas rosas e nos cravos
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido Rubros o sangue ardente dos escravos.
De amor e de esperança à terra desce, Seja teu verbo a voz do coração,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido, Verbo de paz e amor do Sul ao Norte!
A imagem do Cruzeiro resplandece. Ruja teu peito em luta contra a morte,
Acordando a amplidão.
Gigante pela própria natureza, Peito que deu alívio a quem sofria
És belo, és forte, impávido colosso, E foi o sol iluminando o dia!
E o teu futuro espelha essa grandeza.
Tua jangada afoita enfune o pano!
Terra adorada, Vento feliz conduza a vela ousada!
Entre outras mil, Que importa que no seu barco seja um nada
És tu, Brasil, Na vastidão do oceano,
Ó Pátria amada! Se à proa vão heróis e marinheiros
Dos filhos deste solo és mãe gentil, E vão no peito corações guerreiros?
Pátria amada,Brasil!
Se, nós te amamos, em aventuras e mágoas!
Porque esse chão que embebe a água dos rios
Deitado eternamente em berço esplêndido, Há de florar em meses, nos estios
Ao som do mar e à luz do céu profundo, E bosques, pelas águas!
Fulguras, ó Brasil, florão da América, Selvas e rios, serras e florestas
Iluminado ao sol do Novo Mundo! Brotem no solo em rumorosas festas!
Abra-se ao vento o teu pendão natal
Do que a terra, mais garrida, Sobre as revoltas águas dos teus mares!
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores; E desfraldado diga aos céus e aos mares
"Nossos bosques têm mais vida", A vitória imortal!
"Nossa vida" no teu seio "mais amores." Que foi de sangue, em guerras leais e francas,
E foi na paz da cor das hóstias brancas!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo


O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
- "Paz no futuro e glória no passado."

Mas, se ergues da justiça a clava forte,


Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!