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UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO

FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS DA RELIGIÃO


CURSO DE FILOSOFIA

WILLIAM DUBAL DA SILVA

RESENHA:
MEDITAÇÕES
RENÉ DESCARTES

SÃO BERNARDO DO CAMPO


2008
Meditação Primeira -
Das Coisas que se Podem Colocar em Dúvida

Todo conhecimento adquirido por Descartes, desde sua mais remota idade, geraram apenas
dúvidas e incertezas. Ao adquirir certa maturidade, Descartes resolve desfazer-se de todas suas
aparentes certezas adquiridas até o momento para, em seguida, estabelecer novos fundamentos mais
firmes para seus conhecimentos. Ele busca, ao menor motivo de dúvida, falsear suas antigas
opiniões, mas não vai procurar fazer isso em cada uma de suas antigas opiniões. Sua busca se dá
através do falseamento dos princípios sobre quais essas antigas opiniões estão fundadas, para tentar
encontrar alguma coisa certa e indubitável. Tudo o que Descartes havia aprendido até o momento
era oriundo dos sentidos, mas algumas experiências o fizeram perceber que esses sentidos haviam o
enganado, de modo que achou por bem não confiar inteiramente neles.
Embora tenha chegado ao juízo de que os sentidos nos enganem às vezes, Descartes julgou
que, em certos momentos, eles nos trazem, de forma razoável, algumas evidências indubitáveis. O
fato de estar sentado em uma sala, de observar que seu corpo lhe pertence são algumas dessas
evidências. Cogitou a possibilidade de estar louco, pois poderia estar com impressões de coisas que
não existem, mas acreditou não estar nessa condição, pois não estava guiando-se por essas
possibilidades.
Descartes questiona sobre estar sonhando ou em vigília. Como poderia ter certeza se não
estaria sonhando? Quer esteja acordado, quer esteja dormindo, coisas mais gerais estão sempre
presentes, como o fato de dois mais três formarem sempre cinco, por exemplo. Por esse fato ele
atribui a Aritmética, a Geometria e demais ciências da natureza um conteúdo de certeza, pois essas
ciências baseiam-se nessas coisas mais simples e gerais, ao contrário de ciências como a
Astronomia ou a medicina, que são baseadas em coisas menos gerais, ou compostas.
Descartes considera a possibilidade de que Deus pudesse ter criado nele a ilusão de que
exista um céu, uma terra, um corpo extenso ou alguma grandeza, e mesmo nas suas maiores
certezas, como os cálculos matemáticos, tenha feito com que estivesse enganado em relação a eles.
No entanto, considerando que Deus é soberanamente bom, Descartes não poderia admitir que Ele
permitisse esse engano uma única vez. Ele passa a considerar, a exemplo de alguns, Deus como
uma fábula, de modo que, sejam quais forem as origens que designem a ele, Descartes chega à
conclusão de que, quanto mais imperfeitas forem essas origens, maiores as chances de que ele
também seja imperfeito e, consequentemente, propenso ao engano. Em vista do fato de que não há
como não duvidar de todas as suas crenças anteriores, Descartes resolve suspender todos seus
juízos, não lhes atribuindo mais créditos, afim de encontrar algum conhecimento seguro.
Meditação Segunda -
Da Natureza do Espírito Humano; e de como Ele é Mais Fácil de Conhecer do que o Corpo

A preocupação, nesse momento, é o que se deve fazer com essa certeza da existência. A
partir da certeza que é, Descartes agora busca conhecer o que ele é, procurando não tomar nenhum
juízo equivocado acerca disso. Apenas o pensar não poderia ser separado de seu ser, pelo menos
durante o tempo em que ele pensar “eu sou, eu existo”, pois poderia acontecer que ele deixasse de
existir durante o tempo em que tivesse sem pensar nessa proposição. Descartes apenas admite o fato
de ser “uma coisa que pensa”, “um espírito, um entendimento ou uma razão”.
Mas se Descartes é uma coisa que pensa, como foi respondido, o que mais ele é, além disso?
Atenta-se para uma tendência a crer que as coisas duvidosas, a saber, as experiências empíricas,
sejam mais claras que aquelas que são mais verdadeiras e certas, ou seja, da própria natureza. Deve-
se atentar para essa tendência. Desse modo, ele começa a analisar as coisas conhecidas pela
experiência empírica. Nesse momento é tomado o exemplo de um pedaço de cera, que possui
muitas características sensíveis encontradas diretamente nele. Ao expor esse pedaço de cera ao
fogo, por exemplo, percebo que todas as características que antes ela possuía foram modificadas, de
modo que, como posso continuar concebendo esse objeto como um pedaço de cera? Ainda
mantenho a convicção sobre o fato de esse objeto ser um pedaço de cera, mas como isso acontece?
Nem mesmo minha imaginação pode conceber a infinidade de modificações que essa cera venha a
sofrer, ou seja, ela não dá conta de toda extensão, flexibilidade e mutabilidade do pedaço de cera.
Ora, essa extensão também não pode, em toda sua variedade de possibilidades, ser
concebida pela minha imaginação, de modo que apenas meu entendimento e espírito podem fazê-lo.
A percepção - ou sua ação - que tenho desse pedaço de cera não é uma experiência empírica, mas
apenas uma inspeção do meu espírito, que pode ser imperfeita e confusa, ou clara e distinta, de
acordo com minha atenção sobre sua composição.
Nesse momento, Descartes afirma que aquilo que julgo ser fruto de uma experiência sensual,
na verdade é um juízo estabelecido pela inspeção de meu espírito. O que me faz afirmar que o
pedaço de cera ainda é um pedaço de cera, mesmo quando suas características empíricas
encontram-se radicalmente modificadas, é o julgamento feito após essa inspeção. O que pode trazer
um conhecimento claro e distinto acerca daquilo que meus sentidos apreendem é o espírito, mas até
o momento, Descartes apenas afirmou de si mesmo que é um espírito. A minha existência é muito
mais evidente que a de um pedaço de cera, visto que eu existo pelo fato de vê-la, mas que ela pode
nem mesmo existir, sendo apenas uma ilusão. Mesmo que a cera não exista, seja em relação aos
meus sentidos ou à minha imaginação, eu continuarei sendo aquele que existe para adotar esta ou
aquela concepção. Isso se aplica a tudo o que é exterior a mim.
Dessa forma, a análise do pedaço de cera, através de suas causas menos evidentes aos
sentidos, revela de forma muito mais evidente a natureza de meu espírito, pois apenas concebemos
os corpos pela faculdade de conhecer que é do pensamento, de modo que a coisa mais fácil de
conhecer é meu espírito.

Meditação Terceira -
De Deus; que Ele existe

Nessa meditação, Descartes procura examinar se há um Deus realmente, e se ele é, de fato,


enganador. Esse exame é necessário para que Descartes possa saber estar certo de mais alguma
coisa.
Em relação a uma natureza que me faça crer que as minhas idéias possuam uma similaridade
com minhas idéias, Descartes a coloca como uma inclinação que me leva a tal, e não uma “luz
natural” que me leve a isso. Se uma luz natural me levasse a tal, não poderia colocar em dúvida essa
crença, pois não possuo uma faculdade que possa me dizer que o que essa luz me mostra seja falso.
No tocante a inclinações naturais, Descartes notou que elas não o levaram menos ao erro do que ao
acerto.
Quanto à outra razão, a saber, aquela que me leva a crer sem a minha vontade, também não
posso tomá-la como convincente, pois Descartes afirma que, diversas vezes, notou haver grande
diferença entre os objetos e as idéias. Como exemplo, ele coloca o fato de um sol que se apresenta
aos meus sentidos ser diferente de um sol que se apresenta a cálculos astronômicos no que se refere
ao seu tamanho. Sou inclinado a crer que aquele sol que se apresente diretamente aos meus sentidos
é mais semelhante, ou seja, a crença sobre a existência de coisas fora de mim não provém de um
julgamento certo, mas de um impulso cego.
A realidade existe tanto na causa quanto no seu efeito, pois o efeito só pode tirar a verdade
da sua causa, bem como a causa só pode fornecer essa verdade por contê-la nela mesma. Disso
podemos tirar que existem necessidades, como o fato de o nada não poder produzir coisa alguma,
ou seja, as idéias colocadas em mim não podem deixar de conter a mesma realidade que suas
causas.
As qualidades de extensão, figura, situação e movimento não estão formalmente em mim,
pois eu apenas as penso, mas ao mesmo tempo, se elas se apresentam enquanto modos de uma
substância, daí posso afirmar que esses modos estão contidos em mim. Dessa forma, sou levado a
crer que existe um Deus, pois ao conceber uma substância com atributos infinitos e perfeitos, penso
logo que eu, enquanto ser finito, jamais poderia conceber esses atributos enquanto idéias, pelo
mesmo motivo que apenas tenho a idéia de substância por ser uma substância, apenas posso admitir
a minha imperfeição se, anteriormente, conceber que existe um ser perfeito do qual eu possa chegar
ao juízo de que algo me falta. De modo que a idéia de Deus não surge apenas da negação da idéia
de imperfeição. A idéia de Deus não pode ser falsa, pois ela carrega em si mais realidade objetiva
que qualquer outra idéia. Uma idéia falsa jamais poderia carregar essa clareza, e mesmo que eu finja
que esse Deus não exista.
A partir de agora, Descartes procura saber se ele mesmo poderia existir sem que esse Deus
existisse, ou seja, de onde ele tiraria sua existência se não fosse desse Deus?
Seu fosse eu o autor de meu ser, não poderia duvidar de coisa alguma pois eu mesmo me
teria dado todas as idéias, sendo eu mesmo Deus. Não poderia me privar de nenhuma coisa, e nem
me pareceria de mais difícil aquisição nenhuma delas, pois dessa forma minhas forças seriam
finitas. A própria noção de minha conservação depende de um Deus, pois cada instante não traz
necessariamente essa conservação, a não ser que uma causa determine isso, e a conservação de uma
substância depende da mesma força que a causou, mas eu não possuo tal poder, pois caso o tivesse,
eu ao menos o pensaria, mas como não o penso, dependo de um ser diferente de mim.
Eu não poderia produzido por uma causa menos perfeita que Deus, pois ao conceber idéias
de perfeição, devo necessariamente conceber que está causa perfeita é dada em um ser pensante
como eu, que não é causada por nenhuma outra causa, pois, caso fosse, haveria um momento em
que chegaríamos a uma causa primeira. O progresso não poderia ser infinito, pois não haveria, nesse
caso, uma causa que me conservasse no presente, e da mesma forma não posso conceber que
existem muitas causas que me levem a ter as diferentes idéias perfeitas, pois a perfeição de Deus
está, justamente, na sua inseparabilidade, e a idéia sobre essa inseparabilidade surge porque a
compreendo de alguma maneira. Ela foi colocada em mim porque vem de uma causa que possui tal
atributo.
Resta dizer que a idéia de que fui criado por um Deus nasceu e foi produzida comigo. Essa
idéia surge como uma marca do operário impressa em sua obra. Por ser finito e imperfeito, busco
algo melhor e sou dependente desse algo. Não seria possível ter a idéia de Deus se Ele não existisse
verdadeiramente. Disso posso tirar a conclusão de que Deus não poderia ser um impostor, dado que
isso seria um sinal de imperfeição.

Meditação Quarta -
Do Verdadeiro e do Falso

Deus não pode me enganar, pois isso decorre de uma imperfeição. Quando penso em Deus,
não me ocorre nenhuma causa de erro ou falsidade, mas quando volto o pensamento para mim, vejo
o oposto. Desse modo, posso dizer que sou um meio termo entre Deus e o nada, pois também sou
levado a pensar que exista um nada, ou algo infinitamente distante de toda perfeição, ou seja, não
devo me espantar diante do engano, pois de alguma maneira, sou participante desse nada. Por isso
não dependo de um poder, dado por Deus, que me conduza ao erro. O erro é uma privação de algum
conhecimento. Não é possível que Deus tenha me dado uma faculdade da discernir o certo do
errado que seja imperfeita.
Descartes analisa o fato de minha natureza ser fraca e limitada e que não parece estranho que
há uma infinidade de coisas que fogem ao espírito. Não devemos considerar as criaturas
separadamente, mas de uma maneira geral, pois a perfeição se apresenta muito mais quando
analisamos a natureza das coisas. E se considero o poder infinito de Deus, poderia considerar que
Deus criou uma infinidade de coisas, e isso encerraria minha dúvida sobre a existência delas.
Não posso conceber que meu entendimento seja privado de alguns dos conhecimentos
simplesmente por não possuí-los, pois posso pensar que ele somente não os obteve, do mesmo
modo que não posso afirmar que meu livre arbítrio é imperfeito, pois eu o experimento de forma
vaga. Tudo o que percebo em mim pode ser maior e mais perfeito, e sempre que concebo uma idéia
mais ampla que a que possuo, chego à conclusão de que posso representar essa idéia e que ela
pertence à natureza de Deus. A indiferença diante de uma escolha não remete a uma liberdade, mas
somente a uma falta de conhecimento, pois se eu conhecesse acerca do que é bom, poderia com
muito mais liberdade deliberar sobre minhas escolhas, ou seja, nem o poder de conhecer, nem o
livre arbítrio são responsáveis pelos meus erros. Descartes afirma que a vontade, muito mais ampla
e extensa que meu entendimento, me leva às coisas que não entendo. Isso que me leva ao erro.
Ao conceber coisas claras e distintas, não sou forçado a tal, mas o simples fato desta coisa
ser clara e evidente me faz acreditar, com liberdade, pois caso fosse indiferente, não poderia dizer
que as coisas falsas são mais verdadeiras que as próprias coisas verdadeiras. Essa indiferença não
parte somente da falta de conhecimento, mas também das coisas que o espírito não descobre com
perfeita clareza no momento em que decide sobre elas.
Descartes afirma que o fato de conhecer deve pressupor toda vontade, de modo que quando
guio meu livre arbítrio sem possuir conhecimento, estou usando-o de forma equivocada, portanto a
imperfeição não está em Deus, mas em mim, pois sou em quem utiliza de forma equivocada a
minha liberdade de atribuir juízos.
Eu poderia afirmar que Deus poderia ter feito com que eu nunca me enganasse, mesmo que
possuindo um conhecimento limitado, mas ao mesmo tempo, devo considerar que ele deixou em
meu poder jamais formular um juízo a respeito daquilo não tenho clareza, podendo descobrir a
causa dos erros e falsidades, e seguindo esse poder, eu nunca me enganarei, pois toda clareza e
distinção partem de Deus. Se Ele não pode ser causa de erro algum, de modo que toda clareza me
leva ao que é verdadeiro. A partir dessas coisas, posso evitar o erro, e também chegar ao
conhecimento da verdade.

Meditação Quinta -
Da Essência das Coisas Materiais; e, novamente, de Deus, que Ele Existe

Descartes busca, nesse momento, se livrar de todas as dúvidas encontradas nas meditações
anteriores, procurando a possibilidade de conhecer através das coisas materiais. Ele afirma que
antes de examinar as coisas fora de mim, devo examinar suas idéias, e saber quais são distintas e
quais são confusas.
Descartes pensa nas qualidades de extensão que todos os objetos e seus movimentos, e no
como podemos mensurar cada uma de suas partes. No que se refere aos números, as qualidades que
encontro nas coisas não são concebidas apenas no geral, mas também em suas particularidades, de
modo que ao entrar em contato com essas referências numéricas, sinto como se não aprendesse nada
de novo, mas como se recordasse que já havia em meu espírito.
Nesse momento, Descartes afirma que as idéias matemáticas que estão em mim, são
verdadeiras e imutáveis, e não remetem ao nada, pois mesmo estando fora do mundo não podem ser
consideradas um puro nada. Desse modo, as idéias referentes à Aritmética e à Geometria são
verdades concebidas clara e distintamente.
Posso conceber que toda demonstração referente a qualquer figura ou número possui, devido
à sua imutabilidade, a natureza desses, e, como efeito, a natureza de Deus evidenciada. Essa
essência não pode ser separada nem de Deus, nem dos números e nem das figuras, ou seja, a
existência não pode se separar das essências. Mas eu não poderia, assim como ao pensar na
existência de um cavalo alado que de fato não existe, pensar na existência de Deus sem que ele
exista, pois ao conceber Deus, não posso fazê-lo sem conceber também a existência. A existência,
como foi dito, é inseparável da essência. Os atributos de Deus são necessariamente ligados a Ele, e
mesmo que eu não pense em Deus, mas pense apenas em seus atributos, sou levado a pensar,
necessariamente em um ser soberanamente superior. De mesma forma, quando penso em uma
figura retilínea de três ângulos, sou levado ao pensamento de um triângulo. Dessa forma, essas
idéias em mim não são fingidas ou inventadas, mas representam uma natureza imutável. Somente
Deus pode ser concebido por mim como uma essência e existência necessárias, assim como uma
série de outras coisas em Deus que não poderiam ser diminuídas ou modificadas.
Assim sendo, ao necessitar de alguma prova ou argumento, devo retornar ao ponto onde
concebo que somente aquilo que se apresenta de forma clara e distinta têm poder de me persuadir
completamente. Sem essa clareza não é possível conhecer algo perfeitamente, e dessa clareza é
possível que exista uma ciência verdadeira.
Se conceber um Deus que não pode me enganar, deixo de ter dúvidas sobre tudo o que é
claro e distinto. Desse modo, mesmo que não pense mais nas razões que me levaram a tal
compreensão, não deixarei de acreditar nelas.

Meditação Sexta -
Da Existência das Coisas Materiais e da Distinção Real entre a Alma e o Corpo do Homem

Só resta agora examinar sobre a existência das coisas materiais. Deus tem o poder de
produzir todas as coisas materiais, mas ao mesmo tempo, minha faculdade de imaginar pode me
enganar sobre a existência delas. Existe uma diferença entre imaginação e puro intelecto. Minha
imaginação é limitada em relação ao intelecto como demonstra o exemplo de Descartes que afirma
não ser possível imaginar uma figura de mil lados, mas que posso concebê-la intelectualmente pelas
suas características numéricas. Logo, a contenção de espírito que devo estabelecer para imaginar
não é a mesma que devo estabelecer para conceber. Eis a diferença entre imaginação e pura
intelecção.
Após todo caminho percorrido, não poderia admitir como verdadeiras todas as coisas que os
sentidos traziam. Descartes indaga sobre as coisas materiais não serem, inteiramente, como os
sentidos as apresentam, devido à sua obscuridade. Ele afirma que as coisas que antes ele
considerava verdadeiras como as coisas corpóreas, além de sentimentos de prazer ou dor. Essas
sensações eram tidas como muito mais vivas que aquelas que aquelas surgidas através da
imaginação, ou seja, antes ele servia-se muito mais aos sentidos do que à razão. Tudo o que
Descartes sentia, acreditava ser decorrente de sua natureza corpórea, havendo uma desconexão com,
por exemplo, a causa de uma dor e o sentimento de tristeza que decorria dela.
Mas os sentimentos de dor ou fome, por exemplo, afirmam que o espírito está alojado em
um corpo, pois se isso fosse falso, quando ocorresse um ferimento eu não sentiria dor alguma, assim
como eu não sentiria fome ou sede. Além disso, os estímulos de cores que meus sentidos recebem,
me levam a crer que existem corpos a minha volta que estimulem meus sentidos, afirma Descartes.
Sobre a distinção entre alma e corpo, se não posso admitir como verdadeiras todas as coisas
dadas pelos sentidos, apenas tendo certeza em admiti-las após concebê-las clara e distintamente,
decorre que posso separar essas coisas de minha. Separo essas coisas de meu ser pensante, a
exemplo de que tenho uma idéia de mim como ser pensante de um lado, e de que tenho um corpo
que possui extensão, mas não pensa. Dessa forma, minha alma é distinta de meu corpo e pode
existir sem ele.
DESCARTES, René. Meditações. Coleção Pensadores. Trad. J. Guinsburg e Bento Prado Júnior.
SP: Abril Cultural, 1983.