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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA NATUREZA


CAMPUS I - JOÃO PESSOA - PARAÍBA
LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

SALIMARA FELIPE DE MOURA E SOUZA

O ESTÁGIO SUPERVISIONADO E A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE


CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

João Pessoa - PB
2011
SALIMARA FELIPE DE MOURA E SOUZA

O ESTÁGIO SUPERVISIONADO E A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE


CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso


apresentado a Coordenação de Ciências Biológicas,
como requisito obrigatório para a obtenção do título de
Licenciado em Ciências Biológicas da Universidade
Federal da Paraíba. Orientador: Professor Doutor
Jorge Chaves Cordeiro.

João Pessoa - PB
2011
SALIMARA FELIPE DE MOURA E SOUZA

O ESTÁGIO SUPERVISIONADO E A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE


CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso apresentado a Coordenação de


Ciências Biológicas, como requisito obrigatório para a obtenção do título de
Licenciado em Ciências Biológicas da Universidade Federal da Paraíba.

Data de aprovação: 15 de dezembro de 2011.

BANCA EXAMINADORA

______________________________________________________
Prof. Dr. Jorge Chaves Cordeiro - DME/CE/UFPB
(Orientador)

______________________________________________________
Prof. Dr. Francisco José Pegado Abílio - DME/CE/UFPB
(Membro Examinador)

______________________________________________________
Profa. Dra. Maria de Fátima Camarotti - DME/CE/UFPB
(Membro Examinador)
A Deus,
que sempre esteve presente na minha vida.

A minha Família
que sempre me apoiou e me motivou.

Dedico.
AGRADECIMENTOS

A Deus, primeiramente, pelo dom da vida, por sempre caminhar ao meu lado
em todos os momentos. Protegendo-me de tudo e sempre me dando força e
coragem com seu amor imensurável e proporcionando tantas bênçãos em minha
vida.
À UFPB - Universidade Federal da Paraíba.
À CAPES e Prefeitura de João Pessoa por financiarem os projetos dos quais
foram muito importante na minha formação.
À coordenação do curso de Ciências Biológicas, incluindo juntamente com a
atual coordenadora Profa. Dra. Eliete Lima de Paula Zárate.
Aos Departamentos de Sistemática e Ecologia, Biologia Molecular e
Metodologia da Educação juntamente com todo corpo Docente e Funcionários pela
contribuição na minha formação.
À UEA - Universidade Estadual do Amazonas onde iniciei minha caminhada
acadêmica.
Ao meu marido JORGE LUIZ pela sua paciência e compreensão nos
momentos em que deixei de acompanhá-lo por ter que estudar para as avaliações
ou ter que concluir algum trabalho, pelas suas noites mal dormidas por eu estar
estudando na madrugada com a luz acesa. Por ter me proporcionado a oportunidade
de estudar quando eu deveria estar trabalhando para ajudá-lo.
À minha amada filha GABRIELA LETÍCIA, que muitas vezes foi companheira
das madrugadas em claro em que, para que eu estudasse, ficou várias tardes em
casa sozinha. “Saiba minha filha o quanto pedi a Deus para que a protegesse”.
Ao meu pai LOURIVAL minha querida mãe MARIA NACALETE que mesmo
doente, veio de Natal para que eu pudesse me dedicar à produção desta
monografia, a quem agradeço por todo amor e carinho a mim dedicados,
representados em forma de cuidados, ensinamentos, atenção e paciência.
A toda minha família que apesar da distância sempre me deram força, apoio e
motivação para que eu realizasse essa conquista, que sempre estão torcendo pela
minha felicidade e agora podem vibram por esse resultado que representa vitória
para minha vida.
Ao meu orientador Dr. Jorge Chaves Cordeiro, que esteve sempre me
motivando.
À Dra. Amélia Iaeca Kanagawa minha orientadora do Programa de Bolsas de
Iniciação a Docência com quem muito tenho aprendido nos últimos anos.
A todos meus professores da UFPB, dos quais quero citar a professora Dra.
Eliete Lima de Paula Zárate, Dra. Maria de Fátima Camarotti, Dr. Francisco José
Pegado Abílio, Dr. José Antônio Novaes, Dr. Rivete da Silva e Dra. Windyz Ferreira
e Maria Meiriane Vieira Rocha.
Às professoras e amigas, Sandra Thó e Thays Ribeiro que foram muito
importantes na minha formação.
A todos os meus amigos que iniciaram comigo nessa caminhada e que ainda
estamos juntos Bianka, Ana Débora, Ianna, Ageu, Leidjane, Germana, Elaine,
Gabriela Pires e Thiago, entre outros.
Em especial a minha amiga Bianka que além de estarmos desde o início, foi
quem me deu a alegria de poder ter o resumo da minha monografia traduzido e com
quem tenho aprendido muito. Uma pessoa muito especial, que tem muitas
diferenças e muito que ensinar, no seu nome ao invés de “C” tem um “K”, e em
períodos de avaliação ela escreve no caderno de trás pra frente.
À Natália, Angélica e Elma que acompanharam minha angústia durante o
processo de criação da minha monografia.
À minha grande amiga de infância e pedagoga Maria Ednar da Silva, minha
eterna amiga e poeta.
E a todos que mesmo sem estarem aqui mencionados, em diversos níveis,
tempo ou espaço, colaboraram para que eu chegasse até aqui e pudesse realizar
este trabalho.
Para que o ensino seja revertido em aprendizagem,
é necessário revolver a terra, penetrar nos saberes,
nos talentos, nas motivações, nos afetos, nas
dúvidas e nos medos daqueles que aprendem.
Aquele que semeia sem revolver a terra consegue,
no máximo, espalhar as sementes sobre a superfície
sem esperança de que algum dia criem raízes,
cresçam e dêem frutos.

(TORRES, 2001, p.36)


RESUMO

O curso de formação de professor de Ciências Biológicas possui em seu currículo


disciplinas para obtenção do conhecimento teórico e disciplina práticas destinadas a
aquisição de competências e habilidades para desenvolver didaticamente o
processo de ensino-aprendizagem. Dentre as práticas, o estágio é entendido como
sendo as atividades realizadas pelo licenciando na sala de aula do ensino básico.
Esta pesquisa teve como objetivo analisar se o desenvolvimento do estágio de
docência está sendo satisfatório na visão do estagiário, buscando identificar as
dificuldades enfrentadas pelos graduandos do Curso de Licenciatura em Ciências
Biológicas ao atuarem ministrando aula na disciplina de Ciências Naturais. Além de
uma análise da estrutura das escolas, do perfil do aluno e das dificuldades
apresentadas pelos estagiários para desenvolver o estágio, também foi apresentada
a importância que deve ser atribuída à educação e inclusão social desde a formação
docente inicial, procurando assim apresentar ao graduando, a importância de buscar
um melhor aproveitamento no desenvolvimento do seu estágio na escola, espaço
imprescindível para consolidar sua formação acadêmica. Para uma melhor análise,
sistematização e interpretação são apresentadas algumas fundamentações teóricas
essenciais para o processo de ensino-aprendizagem. Nos resultados qualitativos
desta pesquisa de caráter exploratório através de entrevistas, foi observado que
dentro da amostra de escolas públicas onde atuam os estagiários que foram
selecionados aleatoriamente, algumas possuem infra-estrutura, recursos didáticos e
audiovisuais com tecnologias da informação e comunicação acessíveis ao
licenciando, no entanto, também foi observado que eles precisam buscar um melhor
aproveitamento do uso. Os entrevistados afirmaram apresentar algumas dificuldades
no desenvolver de suas atividades, entre elas: ministrar aula de física e química no
nono ano e buscar palavras adequadas para ensinar na linguagem científica. Além
disso, foram surpreendidos pelo desestímulo em continuar na profissão por parte de
alguns professores que os acompanharam por causa do mau comportamento dos
alunos e dos baixos salários. Contudo, observou-se que só em contato com a
realidade escolar é que o licenciando poderá perceber o que é necessário para
adequar seus conhecimentos as necessidades do seu campo de atuação, onde
através da prática em sala de aula, observa-se que é necessário compreender que o
licenciando não deve apenas se restringir em desenvolver o que aprendeu, mas é
preciso aperfeiçoar sua competência docente através do estágio de docência, cuja
prática enriquece a teoria que lhe serviu de base.

Palavras chaves: Ciências. Formação de professor. Estágio de docência.


ABSTRACT

The graduation for formation of Biological Sciences' Teacher contents in its


curriculum courses for theoretical knowledge and practical courses for acquire skills
and abilities to develop the didactic teaching-learning process. Among the practices,
the student teaching is understood as the activities performed by the undergraduate
in the classroom of primary school. This research aimed to analyze if the
development of the student teaching is being satisfactory in view of the student
teacher in order to identify the difficulties faced by the undergraduate students for
formation of Biological Sciences' Teacher ministering the Natural Sciences Class.
Beyond an analysis of the structure of schools, the student's profile and the
difficulties presented by the student teachers, was also shown the importance to be
attached to education and social inclusion from initial teacher formation, attempting to
present to the undergraduates the importance of seeking a better use in the
development of their student teaching in school, essential space to consolidate their
academic formation. For a better analysis, systematization and interpretation are
some theoretical foundations essential to the process of teaching and learning. In the
qualitative results of this exploratory research through interviews, it was noted that
within the sample of public schools, selected randomly, where the student teachers
works, some have infrastructure, educational resources and audio-visual information
and communication technologies accessible to the student teacher, however, was
also observed that they must pursue a broader use. The interviewees affirmed have
some difficulties in developing their activities, including: teaching physics and
chemistry class in ninth grade and find adequate words to teach the scientific
language. In addition, they were surprised by the discouragement to continue in this
profession by some certified teachers who accompanied them, because of students'
misbehavior and low wages. However, it was observed that only in contact with the
school reality that the undergraduate can see what is required to adapt their
knowledge to the needs of your field of work, where though practice in the classroom,
there's the need to understand that the undergraduate shouldn't restrict himself only
to develop what he learned, but it's necessary to improve their skills through the
student teaching whose practices enrich the theory that it was based.

Keywords: Science. Teacher Formation. Student Teaching.


LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 01 – Uma visão geral da adaptação do estagiário no início do estágio 34

Gráfico 02 – Uma visão geral da estrutura da escola 39

Gráfico 03 – Visão geral do perfil do aluno das escolas onde se desenvolveram


os estágios 40

Gráfico 04 – Grau de satisfação dos estagiários com relação ao desenvolvimento


das aulas que ministraram no estágio 41

Gráfico 05 – Problemas sociais identificados nas escolas 42

Gráfico 06 – Presença de alunos com deficiência ou mobilidade reduzida


nas escolas 43
LISTA DE QUADROS

Quadro 01– Trechos da Resolução Nº1- Conselho Pleno do Conselho Nacional de


Educação de 18 de fevereiro de 2002 65

Quadro 02 – Fatores que, segundo os estagiários, proporcionam dificuldades


no desenvolvimento das atividades no ensino fundamental II 58

Quadro 03 – Dificuldades apresentadas pelos estagiários 58

Quadro 04 – Alternativas encontradas para suprir a falta de domínio dos conteúdos


de física e química 59

Quadro 05 – Sugestões dos estagiários para amenizar as dificuldades encontradas


para ministrar os conteúdos de Física e Química 59

Quadro 06 – Depoimento dos estagiários com relação a sua formação


acadêmica 60

Quadro 07 – Depoimento dos estagiários com relação suas atividades em cada


ano do Ensino Fundamental II 61

Quadro 08 – Relação entre docente da escola e o estagiário 62

Quadro 09 – Relação professor-aluno 62

Quadro 10 – Os estagiários de Ciências Biológicas atuando no ensino de


Ciências Naturais 63
LISTA DE TABELAS

Tabela I – Recursos didáticos utilizados pelos graduandos que os tem disponível na


escola onde desenvolveram o estágio de docência 36

Tabela II – Porcentagem de escolas que disponibilizam de ambientes para o


desenvolvimento de atividades, e número de estagiários que fazem uso desses
ambientes 38
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 13

2 OBJETIVOS 15

3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 16

3.1. Considerações sobre a legislação da educação 16


3.2. Educação, ensino, escola e a formação docente 19
3.3. A interdisciplinaridade 27
3.4. O Projeto “Apoio Pedagógico às Atividades de Leitura, Matemática e Escrita
Desenvolvidas por Alunos do Ensino Fundamental” 29

4 MATERIAL E MÉTODOS 31

4.1. Tipo de pesquisa 31


4.2. Sujeitos da pesquisa: universo e amostra 32
4.3. Instrumentos de coleta de dados 32

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 34

5.1. Análise do questionário 34


5.3. A entrevista transcrita 44

6 CONCLUSÃO 48

REFERÊNCIAS 50

APÊNDICES 54

ANEXOS 64
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
13

1 INTRODUÇÃO

A presente pesquisa foi idealizada a partir da observação dos depoimentos de


estagiários do Curso de Ciências Biológicas que participavam das reuniões
ordinárias do Projeto: “Apoio Pedagógico ás Atividades de Leitura, Matemática e
Escrita Desenvolvidas por Alunos de Ensino Fundamental” desenvolvido pela
prefeitura Municipal de João Pessoa e Universidade Federal da Paraíba.
Diante da experiência vivida e ao escutar cada relato, observou-se que havia
muitas situações em comum entre os estagiários e, diante desta realidade, surgiu a
idealização desta pesquisa que foi realizada com alunos do curso de Licenciatura
em Ciências Biológicas da Universidade Federal da Paraíba que estagiaram
ministrando aulas de Ciências Naturais, do sexto ao nono ano no Ensino
Fundamental II em escolas públicas de João Pessoa. Contribuíram tanto
universitários que cursaram a disciplinas Estágio Supervisionado II, quanto os que
não cursaram, mas participaram do Projeto.
De acordo com a “Lei do Estágio”, Lei 11.788, Brasil (2008), o estágio é ato
educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à
preparação produtiva de educandos que estejam frequentando o ensino regular em
instituições de educação superior. Ele faz parte do projeto pedagógico do curso, e
visa ao aprendizado de competências próprias da atividade profissional e à
contextualização curricular, objetivando o desenvolvimento do educando para a vida
cidadã e para o desenvolvimento de suas atividades profissionais.
O estágio nas escolas é um momento de extrema importância na construção
experimental da competência do futuro docente. Diante deste pressuposto é
apresentada a importância desta pesquisa, que busca conhecer o desenvolvimento
das atividades no estágio através de depoimentos dos estagiários, observando as
dificuldades enfrentadas.
A construção da identidade docente é moldada a partir da vivência nos
cursos da graduação, nas experiências acadêmicas do dia-a-dia e no
desenvolvimento do estágio na escola de ensino básico. No estágio o contato do
estagiário com a realidade cotidiana da escola proporciona uma visão crítica da
realidade escolar e a oportunidade de por em prática as competências adquiridas
nas disciplinas da graduação.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
14

Pimenta (2011), afirma que: “o estágio, ao promover a presença do aluno


(estagiário) no cotidiano da escola, abre espaço para a realidade e para a vida e o
trabalho do professor na sociedade”.
O processo de desenvolvimento das atividades no estágio é uma transição de
aluno, enquanto graduando, para professor na perspectiva de concluir a graduação.
Como afirma Pimenta (2011), muitas são as habilidades que devem ser
desenvolvidas no decorrer do estágio, entre elas: observar, registrar, planejar,
coordenar uma atividade, identificar dificuldades das crianças, adequar vocabulário a
faixas etárias diferentes, além de preparar e organizar material adequado a
atividade. A atividade deve ser avaliada e os resultados discutidos. Quando
necessário, em função de dados da realidade e análises parciais, as atividades
devem ser replanejadas. As atividades produzidas e que também forem ser
utilizadas por educandos com dificuldades de aprendizagem, ou mesmo com algum
tipo de deficiência ou mobilidade reduzida, devem ser adequadamente planejadas
de forma que estes alunos sejam auxiliados a resolver os problemas propostos.
É importante que seja analisado e identificado o grau de dificuldade dos
alunos em determinado conteúdo para que ele seja ministrado de forma em que
todos consigam entender, lembrando que o licenciado em Ciências Biológicas ao
ministrar aula de Ciências Naturais, deve adequar sua linguagem ao nível dos
educando, sem desviar da forma correta, e na ausência de termos ou palavras para
substituir uma nomenclatura de difícil compreensão esta deverá ser bem explicada.
Na universidade, o graduando aprende na teoria e na prática o que deve ser
aplicado na sala de aula aos seus futuros alunos. É necessário que durante este
processo de estágio ocorra discussões sobre os pontos positivos e negativos
resultando num “feedback” para a universidade. Não havendo uma discussão sobre
a vivência, corre-se o risco de que a dificuldade encontrada se avolume causando
no estagiário uma sensação de falta de competência para atuar profissionalmente.
Portanto, é de grande importância procurar informações sobre o
desenvolvimento do estágio para a formação docente e quais as dificuldades
encontradas tanto por parte dos estagiários, quanto dos professores universitários e
os do ensino básico, que são os grandes mentores no processo de formação do
futuro docente.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
15

2 OBJETIVOS

2.1. Objetivo geral


Conhecer a percepção dos Licenciandos em Ciências Biológicas no
desenvolvimento do Estágio Supervisionado de Ciências Naturais nas turmas de
sexto ao nono ano do Ensino Fundamental II.

2.1.1 Objetivos específicos


Conhecer a experiência vivida pelos estagiários do Curso de Licenciatura em
Ciências Biológicas;
Identificar as dificuldades enfrentadas pelos graduandos na sala de aula do
Ensino Fundamental II;
Propor a realização de pesquisas que envolva a formação de professores,
buscando conhecer depoimentos de todas as partes envolvidas no processo de
ensino-aprendizagem: o professor universitário, o licenciando, a direção da escola, o
professor e os alunos.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
16

3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
3.1. Considerações sobre a legislação da educação
Entre outras determinações estabelecidas, de acordo com o parágrafo
primeiro do artigo segundo da Lei onze mil setecentos e oitenta e oito de vinte e
cinco de setembro de dois mil e oito, “estágio obrigatório é aquele definido como tal
no projeto do curso, cuja carga horária é requisito para aprovação e obtenção de
diploma” (BRASIL, 2008)
De acordo com a Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional aprovada
em 1996, compete ao Conselho Nacional de Educação definir Diretrizes Curriculares
Nacionais para todos os cursos de graduação no País. O artigo primeiro da
resolução nº 4, de 13 de julho de 2010, define como Diretrizes Curriculares
Nacionais:
Um conjunto de definições doutrinárias sobre princípios, fundamentos e
procedimentos da Educação Básica, [...], que orientarão as escolas
brasileiras dos sistemas de ensino, na organização, na articulação, no
desenvolvimento e na avaliação de suas propostas pedagógicas. (BRASIL,
2010)

São sete as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental


(BRASIL, 2010), definidas pelo Conselho Nacional de Educação como referência
para a organização do currículo escolar, de modo que a primeira diz que as escolas
deverão fundamentar suas ações pedagógicas baseadas nos princípios: éticos (da
autonomia, responsabilidade, solidariedade e respeito ao bem comum), políticos
(direitos e deveres da cidadania, do exercício da criticidade e do respeito à ordem
democrática) e estéticos (sensibilidade, criatividade, diversidade de manifestações
artísticas e culturais);
A segunda faz referência ao reconhecimento da identidade pessoal de alunos,
professores e demais profissionais da escola; a terceira considera o processo
educacional como uma relação indissociável entre conhecimento, linguagem e
afetos, como constituintes dos atos de ensinar e aprender (valoriza-se o diálogo e
adoção de metodologias diversificadas); a quarta diz respeito ao estabelecimento do
paradigma curricular brasileiro composto por uma Base Nacional Comum e uma
Parte Diversificada. Supõe um paradigma curricular que articule entre outros os
conteúdos da Vida Cidadã (saúde, sexualidade, vida familiar e social, meio
ambiente, trabalho, ciência e tecnologia, cultura e linguagens);
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
17

A quinta orienta as escolas a organizarem suas propostas pedagógicas de


forma a articular os conhecimentos e valores da Base Nacional Comum e da Parte
Diversificada ao contexto social no qual a escola está inserida; a sexta enfatiza a
autonomia da escola para organizar o seu currículo e orienta-as a utilizarem a Parte
Diversificada do currículo no desenvolvimento de atividades e projetos de seu
interesse específico; e por fim, a sétima afirma que as propostas pedagógicas das
escolas e as próprias instituições escolares devem zelar pela existência de um clima
escolar de cooperação e que proporcione as condições básicas para planejar as
atividades e o uso do tempo e dos espaços.
Em dois mil e dois o Conselho Nacional de Educação emitiu as Resoluções
que norteiam os cursos de formação de professores, em Licenciaturas. Estas
resoluções são MANDATÓRIAS, isto é, tem caráter de lei. Portanto, devem ser
seguidas por todos os cursos de Licenciatura. Dessa forma, na Resolução de
número um, encontramos bem delineadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para
a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de
licenciatura, de graduação plena, ou seja, os aspectos que deverão nortear os
currículos a serem desenvolvidos nos cursos de formação de professores em
licenciaturas (ANEXO A). Por sua vez, a Resolução de número dois, trata das
cargas horárias dos cursos de licenciatura (ANEXO B).
De acordo com a Resolução número um do Conselho Nacional de Educação
(BRASIL, 2002) os cursos de licenciatura plena oferecidos por toda e qualquer
instituição devem oferecer um conjunto de competências necessárias na formação
do professor para atuar na sua profissão, adotando essas competências como
norteadoras, tanto da proposta pedagógica, em especial do currículo e da avaliação,
quanto da organização institucional e da gestão da escola de formação. Além disso,
professor deverá está preparado para o ensino, visando à aprendizagem do aluno; o
acolhimento e o trato a diversidade; o exercício de atividades de enriquecimento
cultural; o aprimoramento em práticas investigativas; a elaboração e a execução de
projetos de desenvolvimento dos conteúdos curriculares; o uso de tecnologia da
informação e da comunicação e de metodologias, estratégias e materiais de apoio
inovadores; além do desenvolvimento de hábitos de colaboração e de trabalho em
equipe.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
18

O Ensino Fundamental, hoje ampliado para nove anos, com ingresso


obrigatório através de matrícula para crianças a partir de seis anos de idade, é uma
meta almejada para a Política Nacional de Educação há muitos anos, dessa forma,
está adotando as normas do Conselho Nacional de Educação em obediência ao
princípio da existência de um Sistema Nacional de Educação, em que os sistemas
de ensino deverão atuar em regime de colaboração.
As leis que regem o funcionamento do Ensino Fundamental e sua ampliação
para nove anos regem as seguintes regras: admite a matrícula no Ensino
Fundamental de nove anos a iniciar-se aos seis anos de idade (BRASIL, 1996);
Aprova o Plano Nacional de Educação e assim “O Ensino Fundamental de nove
anos se tornou meta progressiva da educação nacional” (BRASIL, 2001); torna
obrigatória a matrícula das crianças de seis anos de idade no Ensino Fundamental
(BRASIL, 2005); amplia o Ensino Fundamental para nove anos de duração, com a
matrícula de crianças de seis anos de idade e estabelece prazo de implantação,
pelos sistemas, até 2010 (BRASIL, 2006).
De acordo com a Secretaria de Educação Fundamental (BRASIL, 1997), os
Parâmetros Curriculares Nacionais apontam metas de qualidade a serem
desenvolvidas pelos educadores que ajudem o aluno a enfrentar o mundo atual
como cidadão participativo, reflexivo e autônomo, conhecedor de seus direitos e
deveres, de forma que dominem os conhecimentos de que necessitam para
crescerem como cidadãos plenamente reconhecidos e conscientes de seu papel em
nossa sociedade, tornando-se um cidadão conhecedor de seus direitos e deveres,
adquirindo e construindo conhecimentos.
Os objetivos gerais dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino de
Ciências Naturais no Ensino Fundamental são os seguintes:

Compreender a natureza como um todo dinâmico e o ser humano, em


sociedade, como agente de transformação do mundo em que vive em
relação essencial com os demais seres vivos e outros componentes do
ambiente.
Compreender a Ciência como um processo de produção de conhecimento e
uma atividade humana, histórica, associada a aspectos de ordem social,
econômico, política e cultural.
Identificar as relações entre conhecimento científico, produção de tecnologia
e condições de vida, no mundo de hoje e em sua evolução histórica, e
compreender a tecnologia como meio para suprir necessidades humanas,
sabendo elaborar juízo sobre riscos e benefícios das práticas científico-
tecnológicas.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
19

Compreender a saúde pessoal, social e ambiental como bens individuais e


coletivos que devem ser promovidos pela ação de diferentes agentes.
Formular questões, diagnosticar e propor soluções para problemas reais a
partir de elementos das Ciências Naturais, colocando em prática conceitos,
procedimentos e atitudes desenvolvidos no aprendizado escolar.
Saber utilizar conceitos científicos básicos, associados à energia, matéria,
transformação, espaço, tempo, sistema, equilíbrio e vida.
Saber combinar leituras, observações, experimentações e registros para
coleta, comparação entre explicações, organização, comunicação e
discussão de fatos e informações.
Valorizar o trabalho em grupo, sendo capaz de ação crítica e cooperativa
para a construção coletiva do conhecimento.
(BRASIL, 1988, p.33).

3.2. Educação, ensino, escola e a formação docente.

Segundo Haidt (1995), a educação, ao longo do tempo, tem sido utilizada em


dois caminhos, a educação social e individual. A palavra educação tem sua origem
no verbo latino educare, que significa alimentar, criar, indicando que a educação é
algo externo, concedido a alguém, no entanto, também significa fazer sair, conduzir
para fora, expressando neste caso a ideia de estimulação e liberação das forças
latentes referindo-se a educação individual, ao desenvolvimento de aptidões e
potencialidades de cada indivíduo, tendo em vista o aprimoramento de sua
personalidade de forma sistemática.
O ato de ensinar não pode ser uma ação extencionista, onde o professor
apenas repassa seus conhecimentos e suas técnicas, mas deverá ser uma ação
comunicadora que implica diálogo recíproco (SANT’ANNA e MENEGÓLIA, 2002).
A fixação da aprendizagem se dá quando o aluno incorpora no seu eu, na sua
personalidade, o que lhe foi ministrado, é a assimilação por parte do aluno do que foi
aprendido em sala de aula (ZÓBOLI, 2004), de forma que também possa relacionar
com o seu cotidiano contribuindo para a tomada de decisões.

O conhecimento é um caminho que podemos considerá-lo sob dois pontos


de vista: enquanto produto e enquanto processo e o que se espera é a
formação de indivíduos capazes de colocar problemas e de procurar
elementos para solucioná-los (VASCONCELOS, 2007).

Dessa forma, tornando-os cidadãos atuantes no processo de construção do


conhecimento, pessoas com competência para investigar e questionar, não apenas
aceitando o que lhe é transferido, investindo assim, na edificação de uma população
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
20

consciente e crítica diante das escolhas e decisões a serem tomadas (KRASILCHIK,


2004).
Segundo Dewey (1971) na educação tradicional, a escola é uma instituição
radicalmente diferente de qualquer outra forma de organização social, sua principal
tarefa é transmitir a nova geração o conhecimento de informações e habilidades
construídas no passado. O principal propósito ou objetivo é preparar o jovem para as
suas futuras responsabilidades e para o sucesso na vida, por meio da aquisição de
corpos organizados de informações e de formas existentes de habilitações, que
constituem o material de instrução.
Assim o sistema tradicional de educação impõe padrões, matérias de estudos
e métodos de adultos sobre os que estão ainda crescendo lentamente para a
maturidade, dessa forma, acaba ocorrendo uma distância entre os professores que
exercem e os alunos que sofrem a imposição, fazendo com que as matérias
exigidas, os métodos de aprender e de comportamento seja algo estranho para a
capacidade do jovem na sua idade gerando um abismo entre o saber em
amadurecimento e o saber acabado do adulto, no entanto, a experiência e a
capacidade do jovem é tão ampla, de forma que a própria situação criada impede
qualquer participação mais ativa dos alunos no desenvolvimento do que é ensinado.
Para Dewey (1971) a educação é vida e não preparação para a vida, a
educação é um processo de reconstrução de experiências, onde a experiência é um
processo de interação entre o organismo e o meio ambiente resultando numa
adaptação para melhor utilização deste meio. O exercício de todas as nossas
capacidades deve estar em constante desenvolvimento a fim de se atingir o máximo
de cada um, de modo que se assegure o máximo de todos e o máximo de todos só
é assegurado numa sociedade democrática.
O ensino deve ter como ponto de partida a realidade vivida pelos alunos. “Na
escola tradicional, os alunos prestavam atenção, estudavam, só para saber, ter
cultura, decorando tudo. Já na escola nova ou renovada a motivação é que passa a
ser o centro do processo de aprendizagem” (ZÓBOLI, 2004).
De acordo com Krasilchik (2004) os estágios são uma forma de introduzir o
licenciado na escola, com auxilio de guias experientes que possam orientá-los e
auxiliá-los na solução das dificuldades que venham a surgir, são dessas
experiências práticas nas salas de aula que derivam a análise da realidade que os
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
21

alunos deverão enfrentar em suas atividades profissionais e sobre as quais deverão


atuar como agentes de mudança.
Partindo do conhecimento de que os currículos de formação de professores
são divididos em saberes disciplinares constituindo um aglomerado de disciplinas
sem explicação de seus nexos com a realidade que lhes deu origem (PIMENTA,
2008). O estágio de docência propicia aos futuros professores a oportunidade de
participar da vida das escolas e para isso se faz necessário que o estagiário se sinta
parte dela numa intima interação entre a universidade, orientador, administração e
professor da escola, havendo essa coerente ligação, as atividades se desenvolverão
satisfatoriamente (KRASILCHIK, 2004).
No estágio, o graduando vivencia duas situações: inicialmente é aluno na sua
ligação com a universidade e ao mesmo tempo também se encontra na posição de
professor ao desenvolver o estágio de prática docente, estando, dessa forma,
aprendendo e ensinando. Nesta oportunidade de interpretar a realidade da escola de
ensino básico, e diante de suas observações, o graduando pode criar, melhorar e
aprimorar suas técnicas com o objetivo de reestruturar suas competências
adquiridas numa construção do conhecimento diante da realidade e ao mesmo
tempo desenvolvendo nos educando do ensino básico a possibilidade de também
participarem da construção do próprio conhecimento, como ressalta Haidt (1995, p.
61-62):
O aluno constrói seu próprio conhecimento, aplicando seus esquemas
cognitivos e assimiladores à realidade a ser aprendida e desenvolvendo o
seu raciocínio, devemos permitir que ele exercesse sua atividade mental
sobre os objetos quando opera mentalmente, isto é, quando observa
compara, classifica, ordena, seria, localiza no tempo e no espaço, analisa,
sintetiza, propõe e comprova hipóteses, deduz, avalia e julga. Esse tipo de
procedimento didático que parte do que o aluno já sabe, permitindo que ele
exponha seus conhecimentos e suas experiências passadas, para daí
formar novos conhecimentos cientificamente estruturados e sistematizados,
exige uma relação professor aluno biunívoca, dialógica. Nessa relação o
professor fala, mas também ouve, ou seja, dialoga com o aluno e permite
que ele aja e opere mentalmente sobre os objetos, aplicando á realidade
circundan6te seus esquemas cognitivos de natureza operativa.

Para Vasconcelos (2007, p.58), o poder do professor para a transformação


está na crença da possibilidade de mudança, no fortalecimento do poder docente e
na capacidade de criar condições para que modifique da realidade dada. O autor
relata que “O professor tem que ter a estranha mania de ter fé na vida”, e a questão
inicial a ser enfrentada é relativa a sua crença na possibilidade de modificações, até
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
22

por que, o homem pode atuar sobre a realidade em seu movimento, em seu “vir-a-
ser”.

Segundo Haidt (1995) ao dizer sim a licenciatura e adentrar no mundo da


educação é preciso observar que antes de ser professor, o docente é um educador,
pois enquanto professor, o objetivo é a transmissão do conhecimento em forma de
informações, conceitos e idéias, e enquanto educador o professor leva para a sala
de aula, além do conhecimento, toda a sua vivência, valores, princípios de vida, sua
personalidade, suas formas de agir, pensar e se expressar, suas escolhas,
ideologias, hábitos e costumes, ajudando a formar a personalidade do educando,
sendo muitas vezes copiados como exemplo do que é correto, que é conseqüência
da postura do professor enquanto pessoa detentora do saber, ou mesmo, pela
conquista da admiração de seus alunos.

A educação, seja ela escolar ou ‘do mundo’, é fenômeno que só ocorre em


razão de um processo básico de interação entre pessoas. [...] Que a
educação é o processo eminentemente social, julgamos desnecessário
insistir, tal a evidência com que isto se manifesta. Aliás, poderíamos ir mais
além, ao dizer que a educação existe exatamente por que o homem é um
ser agregário e que só se realiza como tal a partir do momento em que
entra em relação com seu semelhante. Enquanto processo de formação
humana, a educação é a única maneira pela qual é assegurada a
continuidade da espécie, que assim consegue dominar a natureza e
imprimir nela sua presença e sua maneira de ver o mundo. (GARCIA, 1977)

“No processo de ensino-aprendizagem, não basta apenas o contato com a


informação para que ela ganhe sentido, para isso, ela deve ser organizada, situada,
criticada e relacionada” (VASCONCELOS, 2007, p.58), o sujeito precisa ser ajudado
no conhecimento da realidade social contraditória em que vive, buscando
alternativas de superação que ocorre na relação com o outro.
O desenvolvimento de atividades em grupo como elemento formador é de
extrema importância para o desenvolvimento do educando, pois dentro do grupo ele
vai assimilar valores e desenvolver capacidades, competências, hábitos e atitudes
de convívio social, dentre eles a cooperação e o respeito humano. “O educando é
uma pessoa que se desenvolve, atualiza suas possibilidades, que se ajusta e se
reajusta, mediante processos dinâmicos, orientados por valores que lhe conferem
individualidade e prospectividade”. (HAIDT,1995, p.58).
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
23

Segundo Krasilchick (2004, p. 58) em aulas de biologia observa-se que, em


geral, nas suas aulas expositivas, o professor se limita em expor suas idéias na
maior parte do tempo fazendo com que seus alunos não exponham seus
pensamentos e desenvolvam suas idéias, fazendo-se necessário algumas
mudanças, como por exemplo: a substituição de aulas expositivas por outros tipos
que estimulem a discussão de idéias buscando uma maior participação dos alunos.
Segundo Haidt (1995), a relação educador-educando não é uma relação
unilateral, é uma relação recíproca, ambos adquirem conhecimentos, enquanto o
educando formula e reformula seu aprendizado modificando e ampliando suas
estruturas mentais, o educador reconstrói seu conhecimento à medida que aprende
como é que seu aluno compreende e percebe o mundo, ao descobrir os valores e
habilidades que eles trazem do ambiente familiar e de seu grupo social. Dessa
forma, o professor pode passar a conhecer novas formas de conceber o mundo,
diferentemente da sua, pode até rever seus conceitos, desfazer preconceitos, mudar
atitudes, alterar posturas.
Exercitar afetividade com seus alunos, nada mais é do que tentar conhecer a
realidade de mundo dele, e procurar compreender suas dificuldades e o que eles
consideram como limites apresentando possibilidades de ampliar os horizontes
através da busca pelo conhecimento, despertando o interesse do alunado pelo
aprendizado, e aprendendo junto com ele, construindo o conhecimento através do
diálogo e chegando a uma síntese do saber de cada um.

O diálogo é desencadeado por uma situação-problema ligada à prática. O


professor transmite o que sabe, partindo sempre dos conhecimentos
manifestados anteriormente pelo aluno sobre o assunto e das experiências
por ele vivenciadas. Assim, ambos podem chegar a uma síntese
esclarecedora da situação problema que suscitou a discussão. Nesse
momento de síntese, o conhecimento é organizado e sistematizado, sendo
novamente aplicado à prática, agora já de forma estruturada. (HAIDT, 1995)

Segundo Fazenda (2009, p.44), Nas relações interpessoais professor e aluno,


o respeito e a mutualidade são indicadores de existe reciprocidade, os confrontos
com o oposto precisam ser preservados. Se o objetivo hoje é recriar a reciprocidade,
é essencial que o professor, como um mestre, saiba aprender com os mais novos,
que são mais criativos e inovadores lembrando que, apesar destas qualidades não
possuem a sabedoria que os anos de vida outorgam ao professor.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
24

O professor precisa ser o condutor do processo, mas é necessário adquirir a


sabedoria da espera, o saber ver no aluno aquilo que nem o próprio aluno
havia lido nele mesmo, ou em suas produções. A alegria, o afeto, o
aconchego, a troca, próprios de uma relação primal, urobórica não podem
pedir demissão da escola; sua ausência poderia criar um mundo sem
colorido, sem brinquedo, sem lúdico, sem criança, sem felicidade.
(FAZENDA, 2009, p.45)

Segundo Zóboli (2004) a aprendizagem está baseada em condições


psicológicas que são apresentadas em duas leis da aprendizagem. Na primeira, a lei
da atividade, “a participação do aluno se faz presente quando ele faz coisas, discute,
dando a sua opinião”, caracterizando o aluno ativo. Na segunda, intitulada a lei do
interesse, diz que: “o aluno só aprende fazendo, participando, quando ele tem
interesse na atividade que executa”. Além disso, o autor apresenta fatores que
condicionam e interferem para uma boa ou má aprendizagem, eles podem ser
provenientes do meio ambiente, do professor e do próprio aluno.
Os fatores provenientes do meio ambiente englobam o prédio escolar, a sala
de aula, o material didático, o mobiliário; os fatores provenientes do professor estão
na sua personalidade, no seu método, nos recursos utilizados em suas aulas, a sua
voz, gestos e atitudes, “passamos a gostar mais da matéria cujo professor mais nos
agrada”. Por fim, nos fatores provenientes dos alunos, são aqueles que fazem com
que eles queiram aprender, ou com que tenha interesse pelo conteúdo, e isso
abrange situações que os deixem confortáveis através de boa alimentação, saúde e
equilíbrio emocional, para que se processe a fixação da aprendizagem dos
conhecimentos.
Dar condições para o exercício pleno da cidadania é um dos objetivos, entre
tantos, da educação, e para isso a formação básica em Ciências Naturais deve ser
desenvolvida de modo a fornecer instrumentos que possibilitem uma melhor
compreensão da sociedade em que vivemos (DELIZOICOV, 1994).
O ensino fundamental antes era visto apenas como um momento para ensinar
a ler, escrever e contar, diferente disso, atualmente é entendido como o período em
que a escola forma a personalidade do aluno (ZÓBOLI, 2004), estimulando
capacidades e desenvolvendo qualidades na transmissão de técnicas fundamentais
da cultura humana como a expressão verbal, escrita, artística, o cálculo entre outras;
desenvolvendo os valores espirituais, respeito aos preceitos divinos, a prática da
bondade, o caráter, despertando a honestidade, a verdade, responsabilidade,
cooperação; promovendo a socialização da criança mostrando a importância do
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
25

meio ambiente com respeito à natureza; criando no aluno o hábito de observar, se


questionar e incentivar a buscar as respostas fazendo com que ele tenha
participação ativa na construção de seu conhecimento realizando suas próprias
experiências através da descoberta.
É preciso fazer com que o aluno dos anos iniciais do ensino básico, conheça
os fenômenos mais comuns da área de Ciências e aprenda a entender como e por
que ocorrem, o professor precisa levar ao conhecimento deles os processos
químicos e físicos vivenciados no seu dia-a-dia para que sejam utilizados com
segurança e para que eles possam desenvolver o conhecimento científico prático na
sua vivência cotidiana de forma que o aluno venha melhor compreender a realidade
onde se insere, possibilitando-lhe uma atuação consciente sobre ela.
O professor precisa exemplificar aspectos da ciência e da tecnologia que
interferem nas relações humanas; discutir a necessidade de se obter conhecimento
e formação em ciências e apresentar as habilidades e competências adquiridas
através do processo de ensino para lidar com situações do cotidiano que são
inerentes à aprendizagem de ciências.
Recursos Didáticos são componentes do ambiente de aprendizagem que
estimulam o aluno. Tudo o que se encontra no ambiente onde ocorre o processo
ensino-aprendizagem pode se transformar em um ótimo recurso didático, desde que
utilizado de forma adequada e correta. Os Recursos Didáticos são métodos
pedagógicos empregados no ensino de algum conteúdo ou transmissão de
informações. Alguns exemplos de recurso didático são: o livro didático, jogos
educativos, modelos tridimensionais, entre outros.
Com o livro didático o professor pode nortear e organizar seu trabalho
pedagógico, mas é preciso ter muito cuidado para que ele não se torne o único
elemento utilizado na transmissão dos conteúdos, lembrando que este instrumento
trata-se de uma ferramenta de trabalho, um referencial, porém não pode ser a única
fonte das atividades trabalhadas em sala de aula.
O aluno deve aprender como utilizar o livro didático desde o índice, conhecer
todo seu conteúdo mesmo que não sejam trabalhados, para que mais tarde, se ele
precisar trabalhar determinado assunto, ele possa saber onde procurar lembrando
que o livro é valiosa fonte de informação e que através de sua utilização o professor
pode despertar no seu aluno o gosto pela leitura desenvolvendo o hábito de estudar
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
26

sozinho dessa forma procurando soluções para determinados problemas levando o


aluno a adquirir independência e responsabilidade (ZÓBOLI, 2004).
Quando utilizados de maneira adequada, os recursos didáticos colaboram
para: motivar e despertar o interesse dos participantes; favorecer o desenvolvimento
da capacidade de observação; aproximar o participante da realidade; visualizar ou
concretizar os conteúdos da aprendizagem; oferecer informações e dados; permitir a
fixação da aprendizagem; ilustrar noções mais abstratas; desenvolver a
experimentação concreta.
Para um adequado desenvolvimento da atividades, deve-se observar se o
local permite ou possibilita o uso do recurso escolhido; só escolher a técnica ou
recurso se tiver absoluto domínio de utilização; sempre levar em conta o tempo que
um determinado recurso vai exigir para ser aplicado; na confecção de cartazes,
transparências, não dispensar o uso do dicionário; no caso de dúvidas na expressão
de alguma idéia deve-se procurar substituição; o preparo do material com
antecedência possibilita um tempo para consultas; escolher as idéias que você quer
fixa, para que a elaboração do material esteja a serviço dos seus objetivos.
Podem ser utilizados métodos de ensino que utilizem simultaneamente
recursos orais e visuais. Além disso, é de grande importância que o docente tenha
domínio de conhecimento sobre os instrumentos de trabalho, analise, avalie e
questione para selecionar o que melhor se adequa a realidade de sua sala de aula,
de forma que sua escolha motive, cada vez mais, seus alunos a se interessarem
pela aula e pelo conteúdo.
Segundo Zóboli (2004), o professor precisa criar um ambiente que seja
propício à aprendizagem e o conjunto de atividades exercidas pelo professor se
constituem de três fases: o planejamento do ensino, a orientação ou execução da
aprendizagem e a avaliação.
O planejamento é o ato de desenvolver o plano que compreende a
organização geral do roteiro, tudo o que se pretende realizar e como deve ser feito
de maneira a atingir os objetivos inicialmente propostos. Na orientação o docente
executa o que foi planejado e exerce sua função de liderança utilizando no processo
de ensino o incentivo, motivando o aluno a querer aprender através da utilização de
recursos e técnicas adequadas facilitando a compreensão dos conteúdos.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
27

Os assuntos a serem estudados devem ser apresentados aos alunos numa


visão geral para que eles saibam o que vão estudar. As atividades devem ser
direcionadas e orientadas de forma a proporcionar aos alunos a oportunidade de
participar ativamente da construção do conhecimento apresentando-se
sistematizadas para que possa ser compreendida dentro de um contexto.
Contudo o professor deve desenvolver atividades, através das quais, o aluno
possa de alguma forma utilizar no cotidiano o que foi aprendido. A avaliação não
deve ser compreendida com um objetivo final, mas como um processo no
desenvolver das atividades, numa supervisão constante do processo de
aprendizagem para acompanhar se o aluno aprendeu o que o professor ensinou e
observar se os resultados foram alcançados.
Muitos recursos podem ser utilizados para avaliar o rendimento do aluno ao
longo do processo de ensino-aprendizagem. Dentro da diversidade dos conteúdos
de Ciências Biológicas, de maneira geral, sempre será possível adaptar um
instrumento de ensino de acordo com as reais possibilidades da unidade escolar,
bastando para isso que o professor utilize seu bom senso e sua criatividade, assim
como resultado terá sucesso em sua prática educativa (ZÓBOLI, 2004).

3.3. A interdisciplinaridade

Segundo Fazenda (2009), interdisciplinaridade é uma relação de


reciprocidade, de mutualidade, a substituição de uma concepção fragmentária para
unitária do ser humano, de forma a apresentar que todo conhecimento tem
importância igualitária e pode ser agrupado, onde a opinião crítica do outro
fundamenta a particular. Para exercer a interdisciplinaridade é imprescindível
determinar uma metodologia buscando a pedagogia da comunicação, mas essa
metodologia não pode ser utilizada apenas como um fim, uma vez que a
interdisciplinaridade não se ensina nem se aprende, ela apenas é exercida,
praticada e vivenciada.
O professor que busca a interdisciplinaridade tem um grande gosto pelo
conhecimento em múltiplas e infinitas direções, é um ser que busca e que pesquisa.
Uma grande característica desse profissional é o compromisso que ele tem para
com seus alunos, além do cuidado em tornar o ensino transformável de acordo com
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
28

a necessidade de seus discentes, buscando a aventura de ousar e as técnicas e


procedimentos de ensino convencionalmente pouco utilizados e no cuidado em
torná-los transformáveis, envolvido sempre na busca de outras possibilidades,
envolvido em cada ato, em sua totalidade
O fato de alguns professores não está aberto à utilização da
interdisciplinaridade no processo de ensino aprendizagem é bem conhecido por
Fazenda (2009, p.49), onde ela diz que apesar do empenho pessoal do professor e
do sucesso junto aos alunos, geralmente eles deparam com obstáculos de ordem
institucional, pois o professor comprometido, em geral trabalha muito, e seu trabalho
incomoda aqueles que querem se acomodar, principalmente se “acomodação” for a
filosofia da sua instituição.
Por outro lado, algumas instituições valorizam e respeitam o professor
inovador que busca a interdisciplinaridade na sala de aula. No entanto, para
Fazenda (2009), essas instituições precisam passar por uma profunda alteração no
processo de capacitação de seu pessoal docente para que um projeto
interdisciplinar não corra o risco de se apresentar como um empecilho para a troca e
a reciprocidade, se tornando apenas mais um projeto que levará a nada.
Fazenda (2009, p. 50) diz que: “um projeto de capacitação docente para a
consecução de uma interdisciplinaridade no ensino precisa levar em conta:

Como efetivar o processo de engajamento do educador num trabalho


interdisciplinar, mesmo que sua formação tenha sido fragmentada.

Como favorecer condições para que o educador compreenda como ocorre a


aprendizagem do aluno, mesmo que ele ainda não tenha tido tempo para
observar como ocorreu sua própria aprendizagem.

Como propiciar formas de instauração do diálogo, mesmo que o educador


não tenha sido preparado para isso.

Como iniciar a busca de uma transformação social, mesmo que o educador


apenas tenha iniciado seu processo de transformação pessoal.

Como propiciar condições para troca com outras disciplinas, mesmo que o
educador ainda não tenha adquirido o domínio da sua.

Numa sala de aula interdisciplinar a autoridade é conquistada, enquanto na


outra é simplesmente outorgada. A interdisciplinaridade decorre mais do encontro
entre indivíduos do que entre disciplinas, não é uma categoria de conhecimento, e
sim de ação. Fazer pesquisa numa perspectiva interdisciplinar é a possibilidade de
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
29

buscar a construção coletiva de um novo conhecimento, prático ou teórico, para os


problemas da educação (FAZENDA, 2009).
O estagiário no decorrer de sua formação precisa conhecer bem o conceito
de interdisciplinaridade para não confundi-lo com outros termos parecidos, de forma
que possa por em prática tudo o que é necessário para a construção do
conhecimento de seus alunos. Segundo Augusto (2004) uma pesquisa, realizada
com alguns docentes de Ciências Naturais, cujo objetivo foi investigar como os
professores da área de Ciências da Natureza (Física, Química e Biologia),
concebem a prática interdisciplinar em sala de aula. O tema sugerido foi “o Efeito
Estufa”, por ser considerado articulador entre os saberes das áreas em questão. O
resultado revelou que eles confundem os termos e não desenvolvem
adequadamente a interdisciplinaridade na sala de aula. De forma que os professores
entrevistados têm apenas concepções rudimentares de interdisciplinaridade e
confundem este conceito com o de multidisciplinaridade. Assim, afirmam que é
possível trabalhar o conceito de Efeito Estufa de maneira interdisciplinar, mas não
indicam metodologias adequadas para fazê-lo, devido à carência conceitual.

3.4. O Projeto “Apoio Pedagógico às Atividades de Leitura, Matemática e


Escrita Desenvolvidas por Alunos do Ensino Fundamental”.

Além do Estágio Supervisionado II, que é desenvolvido com turmas de sexto


ao nono ano, os alunos do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas têm a
oportunidade de participar como estagiário de um Projeto resultante de uma parceria
entre a Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura Municipal de João Pessoa e
a Universidade Federal da Paraíba.
O Projeto da Prefeitura é intitulado: “APOIO PEDAGÓGICO ÀS ATIVIDADES
DE LEITURA, MATEMÁTICA E ESCRITA DESENVOLVIDAS POR ALUNOS DO
ENSINO FUNDAMENTAL”, conforme súmula em anexo (ANEXO C). O estágio no
Projeto Apoio Pedagógico proporciona a oportunidade de acompanhar as turmas por
um período de tempo maior do que como ocorre na disciplina estágio supervisionado
II, e o aluno passa a conviver diariamente na sala de aula.
O Projeto de Apoio Pedagógico tem como objetivo proporcionar apoio no
processo de ensino-aprendizagem aos alunos das escolas públicas municipais de
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
30

João Pessoa e contribuir para a formação do Licenciando, desenvolvendo a


experiência de estágio em docência na sala de aula. Cada estagiário deve
disponibilizar 20 horas semanais, 16 horas para atuar na sala de aula e 4 horas para
participar das reuniões que ocorrem com o coordenador responsável. Observar e
participar do estágio são de grande importância para a formação do Licenciando.
Todas as experiências vivenciadas pelos graduandos no desenvolvimento das
atividades são registradas em relatórios e entregues após o termino do ano letivo.
Além de outras áreas da licenciatura, ele se estende à área de Ciências
Naturais atendendo turmas da educação básica do sexto ao nono ano em nove
pólos de ensino da Secretaria de Educação e Cultura do município de João Pessoa
sob a orientação e supervisão do Laboratório de Estágio Supervisionado do Centro
de Educação da Universidade Federal da Paraíba.
A experiência no estágio apresenta uma melhor visão do cotidiano da sala de
aula, o que possibilita delinear que tipo de professor cada um pretende ser, que
caminhos seguir e que tipo de literaturas consultar para moldar e melhorar as
dificuldades encontradas. É no contato com cada discente, que se pode definir que
tipos de procedimentos podem ser utilizados, pois tem alunos precisam de mais
atenção do professor do que outros. “Ser professor não é dádiva é sacerdócio”.
Nas reuniões que são desenvolvidas uma vez por semana com o
coordenador, são repassadas orientações para o desenvolvimento do projeto e são
apresentadas as atividades desenvolvidas por cada graduando, dessa forma todos
aproveitam o espaço pra compartilhar as experiências vividas.
Cada um apresenta as experiências e dificuldades vivenciadas, além das
atividades executadas evidenciando os pontos importantes, as situações que deram
certo e identificando as mais representativas. Diante de cada situação o
coordenador e professores participantes estão sempre apoiando o processo de
desenvolvimento das atividades de forma que todos os sejam escutados, orientados
e atendidos.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
31

4. MATERIAL E MÉTODOS
4.1. Tipo de pesquisa
A pesquisa realizada caracterizou-se por um estudo de caráter exploratório e
qualitativo através da aplicação de questionário e Análise de Conteúdo de
entrevistas transcritas.
Gil (2007, p. 43) classifica uma pesquisa como de caráter exploratório, “por ter
como principal finalidade proporcionar uma visão geral, de tipo aproximado, a cerca
de um determinado fato”, corroborado por Andrade (2003, p. 127) que define a
pesquisa de caráter exploratório como “aquela utilizada com o objetivo de conseguir
informações e/ou conhecimentos a cerca de um problema, para o qual se procura
uma resposta, ou uma hipótese que se queira comprovar [...]”, envolvendo
entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o objeto pesquisado
e Estudos de Caso, que (GIL, 1991) define “ser aquele que envolve o estudo
profundo e exaustivo de um ou poucos objetos de maneira que se permita o seu
amplo e detalhado conhecimento”. Buscando informações sobre o local onde ele se
desenvolve e as dificuldades encontradas durante o período de desenvolvimento, a
partir da análise de questionário e de conteúdo das entrevistas transcritas com
estagiários aleatoriamente selecionados.
A pesquisa foi desenvolvida através de revisão bibliográfica para
fundamentação a partir de referenciais teóricos que abordaram os elementos
essenciais para o melhor aproveitamento do estágio; aplicação de questionário;
estudo de caso através da Análise de Conteúdo (CAREGNATO, 2006) de Entrevista
qualitativa não padronizada com o objetivo de obter informações importantes e de
compreender as perspectivas e experiências das pessoas entrevistadas (MARCONI
e LAKATOS, 2004, P. 278), buscando analisar a contribuição do desenvolvimento do
estágio como instrumento para formação do professor de Ciências Biológicas que
está se preparando para atuar na área de Ciências Naturais. Segundo Caregnato
(2006, p. 683-4) a Análise de Conteúdo trabalha tradicionalmente com materiais
escritos, produzidos em pesquisa, através das transcrições de entrevista e textos
resultantes de observações ou outros já existentes. Na utilização da Análise de
Conteúdo o que é visado no texto é justamente uma série de significações que o
codificador detecta por meio dos indicadores que lhe estão ligados, de forma que
será trabalhado apenas com o conteúdo, sem fazer relações além deste, ou seja,
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
32

com a materialidade lingüística através das condições empíricas, estabelecendo


categorias para sua interpretação, compreendendo o pensamento do sujeito através
do conteúdo expresso, numa concepção transparente de linguagem.
Caregnato (2006, p. 682) afirma que “a Análise de Conteúdo quando numa
abordagem qualitativa se considera a presença ou a ausência de uma dada
característica de conteúdo ou conjunto de características num determinado
fragmento da mensagem, através da análise por categorias temáticas conforme os
temas que emergem do texto”.
Segundo Silva (2001, p.21):

Na pesquisa qualitativa há uma relação dinâmica entre o mundo real e o


sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a
subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A
interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no
processo de pesquisa qualitativa. Não requer o uso de métodos e técnicas
estatísticas. O ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e o
pesquisador é o instrumento-chave. É descritiva. Os pesquisadores tendem
a analisar seus dados indutivamente. O processo e seu significado são os
focos principais de abordagem.

4.2. Sujeitos da pesquisa: universo e amostra

A pesquisa foi aplicada a trinta e um alunos de diversos períodos do Curso de


Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal da Paraíba.
Como não foi possível determinar uma amostra de alunos em função de um
período letivo específico, foi obtido um grupo aleatório de vários períodos, no
entanto, o pré-requisito para a composição desta amostra foi: ter cumprido o período
de estágio no ensino fundamental, ou na disciplina obrigatória, ou participando do
Projeto de Apoio Pedagógico da Prefeitura de João Pessoa.
Portanto, todos os alunos que participaram respondendo esta pesquisa já
atuaram no estágio de docência em Ciências Naturais abrangendo as turmas de
sexto ao nono ano da educação básica.

4.3. Instrumentos de coleta de dados

A pesquisa foi desenvolvida em três etapas. A primeira ocorreu através de


revisão bibliográfica para a apresentação da importância do estágio na formação do
professor apresentando a abordagem de diversos autores para o desenvolvimento
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
33

do estágio de docência; na segunda etapa, com a garantia do anonimato aos


entrevistados, foi aplicado um questionário (APÊNDICE B) para conhecer o
ambiente do estágio; na terceira etapa foi realizada uma entrevista gravada, também
com a garantia do anonimato, direcionada a quinze estagiários que responderam o
questionário.
O questionário aplicado possui vinte e duas perguntas, foi elaborado com
base na necessidade de identificar as dificuldades encontradas pelos graduandos ao
desenvolverem estágios em Ciências Naturais em escolas públicas municipais da
cidade de João Pessoa, juntamente com as perguntas elaboradas foram anexadas
outras preexistentes que fazem parte do Diagnóstico Estrutural da Escola que é
disponibilizado aos alunos da graduação no Estágio Supervisionado I.
As perguntas estão relacionadas ao desenvolvimento do estágio e
observações feitas na estrutura e funcionamento da escola, levando em
consideração a infra-estrutura para acomodar os alunos e funcionários, as
dificuldades enfrentadas pelos estagiários, os Recursos Didáticos disponíveis e que
são utilizados, as relações educador-educando, a utilização do livro didático, o perfil
do aluno, além de temas referentes ao acesso disponível para pessoas com
deficiência ou mobilidade reduzida resgatando a inclusão socio-educacional que é
um tema de suma importância dentro do universo da educação.
A escolha do estagiário para a entrevista (terceira etapa), entre os que
responderam o questionário da segunda etapa, foi aleatória e contava com apenas
uma pergunta: “Quais dificuldades você vivenciou ao ministrar aulas de
Ciências Naturais durante do estágio de docência?” (APÊNDICE C), de forma
que cada um apresentasse suas dificuldades vivenciadas na sala de aula.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Formação do Professor de Ciências Biológicas
34

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES
5.1. Análise do questionário
Os resultados quantitativos da pesquisa, obtidos a partir do questionário
aplicado a 31 estagiários, foram classificados percentualmente. No Gráfico 01,
encontram-se algumas observações com relação a visão geral da adaptação do
estagiário no início do estágio, abordando a recepção dos estagiários pela escola e
pelos alunos, os que não se sentem preparados para atuar no estágio ministrando
aulas e os que afirmam ter encontrado respostas para amenizar as dificuldades
encontradas no decorrer do estágio depois de procurar apoio na universidade na
pessoa de seu orientador.

Gráfico 01 - Uma visão geral da adaptação do estagiário no início do estágio

100%
90%
80%
70%
60%
50% 97%
84%
40%
61% 61%
30%
20%
10%
0%
1 2 3 4

1- Estagiários bem recebidos pelos alunos. 2- Estagiários bem recebidos na 1ª escola.


3- Estagiários que não se sentem preparados 4- Estagiários que afirmaram ter encontrado
para atuar no estágio ministrando aulas. respostas para amenizar as dificuldades ao
procurar apoio na universidade

Fonte: pesquisa de campo, 2011.

Dentre os graduandos entrevistados, 84% tiveram uma boa recepção na


primeira escola procurada, esta pergunta foi direcionada para observar dentro do
universo amostral a percentagem de escolas públicas de ensino fundamental que
não aceitam estagiários tanto do estágio supervisionado II, quanto do projeto Apoio
Pedagógico.
Essa problemática já foi apresentada por Krasilchik (2004), que apresentou a
extrema importância dos estágios nas escolas para a formação do licenciado, bem
como as dificuldades que surgem para executá-los, e uma dessas dificuldades
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
35

reside nas relações entre os dois grupos de instituições envolvidas, que precisam
ser cuidadosamente planejadas para que não assumam caráter de fiscalização ou
cobrança de uma ou de outra parte.
O estágio no ensino fundamental, além de essencial na formação profissional
através da relação entre o graduando, o aluno, a escola e o professor, é o canal de
comunicação entre a universidade e as escolas de ensino básico. Ao serem
questionados sobre a recepção nas escolas pelos alunos, 97% dos estagiários
afirmaram terem sido bem recebidos pelos alunos na escola onde desenvolveram o
estagio de docência.
Diante do questionamento sobre a segurança em ministrar conteúdos na
primeira semana de estágio depois do “período de observação”, 61% dos
graduandos responderam que não se sentiam preparados para assumir a sala de
aula ministrando conteúdos, no entanto, ao encontrarem dificuldades, afirmaram ter
encontrado respostas para amenizá-las ao procurar o orientador na universidade.
De acordo com a pesquisa realizada, 61% dos entrevistados afirmaram que a
sua formação acadêmica está de acordo com a citação de Vasconcelos (2007,
p.58), onde o mesmo afirma:
O conhecimento é um caminho. Precisamos considerar, no entanto, o
conhecimento sob dois pontos de vista: enquanto produto e enquanto
processo. No limite, o que se espera é que todo ser humano possa vir-a-ser,
um pesquisador sênior alguém capaz de se colocar problemas e de ir atrás
dos elementos necessários para solucioná-los.

Apesar de 100% dos graduandos disseram ter dificuldades em ministrar aulas


de física e química no programa de Ciências Naturais do nono ano, em geral
buscam solucionar as dificuldade encontradas para ministrara as aulas, em livros e
anotações realizadas quando desenvolveram o ensino médio ou através da busca
de orientações na universidade. No projeto intitulado “Apoio Pedagógico”, há o
desenvolvimento de oficinas onde alunos que dominam o conhecimento de física e
química ajudam auxiliam os demais resolvendo as dúvidas existentes.
Dentre os entrevistados, 54% afirmam incentivar os alunos a resolverem suas
atividades, de forma que, cada um busque solucionar os problemas propostos, para
que assim seja estimulado o processo de pesquisa.
Segundo Krasilchik (2004, p. 61) na interação professor-aluno, aulas através
da informação visual fazem diferença. A aprendizagem da biologia é obtida por
observação direta, ou por meio de figuras, modelos entre outros elementos.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
36

Nas escolas onde se desenvolveu os estágios, foram observados quais


Recursos Didáticos estavam disponíveis para serem utilizados no processo de
ensino-aprendizagem e os resultados podem ser observados na Tabela I e Tabela
II.
Os Recursos Didáticos são instrumentos que ajudam a transformar as ideias
em fatos e realidades. Os mais citados pelos alunos foram: o livro, álbum seriado,
jogos educativos, Kits Didáticos. Entre estes Recursos Didáticos, os Audiovisuais
mais citados, também conhecidos com Tecnologias da Informação e Comunicação,
foram: computador, internet, CD ROM e televisores que auxiliam na transferência de
situações, experiências, demonstrações, sons, imagens e fatos para o campo da
consciência, onde então eles se transmutam em idéias claras e inteligíveis.
Hoje a maioria das escolas da rede pública municipal de João Pessoa possui
sala de vídeo equipada com retroprojetor, computador, Data Show e TV, entre
outros equipamentos, e 67% dos estagiários utilizam a videoteca para realização de
atividades pedagógicas.

Tabela I - Recursos Didáticos utilizados pelos graduandos que os tem disponível na


escola onde desenvolveram o estágio de docência.

% de escolas que % de estagiários que utilizam para


Recursos Didáticos
disponibiliza desenvolver alguma atividade
Livro Didático 52% 100%
Jogos Educativos 29% 77%
Kits Didáticos 29% 55%
Álbum Seriado 16% 40%

Data Show 52% 100%


Internet 65% 80%
Computador 80% 68%
Televisores 80% 40%
Retroprojetor 35% 18%
CD ROM 26% 12%
Fonte: pesquisa de campo, 2011.

Das escolas que os estagiários frequentam 16% possuem álbuns seriados e


dentre essas, 40% dos estagiários utilizam este recurso para ministrar suas aulas;
26% das escolas possuem CD ROM que são utilizados por 12% dos estagiários; a
utilização de jogos educativos é uma das técnicas que pode ser utilizada para a
fixação da aprendizagem, 29% das escolas possuem jogos educativos, dentre elas,
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
37

77% dos licenciados que dispõe deste recurso didático, o utiliza na sala de aula;
52% das escolas frequentadas possuem Livro Didático que é utilizado por todos os
estagiários onde estão disponíveis.
Foi feito um questionamento sobre o livro didático, se ele dificulta no processo
de ensino-aprendizagem, 71% dos entrevistados responderam que sua utilização
não dificulta o processo de ensino-aprendizagem.
E como justificativa apresentaram as seguintes opiniões: “o livro didático não
dificulta o processo de ensino-aprendizagem desde que o professor não o utilize
como única ferramenta de ensino”, “os alunos precisam ter acesso para ler e buscar
mais conhecimentos, para estudar em casa, e muitas vezes, por ser distribuído de
forma gratuita, pode ser o único livro que o aluno tem em casa”; ao estagiários
apresentam o livro didático como: “um recurso único e completo para ministrar
aulas”, “apresenta-se como o básico da educação”, “de grande valia como apoio na
elaboração de jogos e aulas e para a visualização das imagens”, “uma ferramenta
de trabalho que completa o ensino”.
De modo que, o livro didático só será um problema se o professor ficar
limitado a ele. No entanto, os 29% dos estagiários que apresentaram o livro didático
como um obstáculo, afirmaram que: “alguns professores o utiliza como manual e
única ferramenta”, “aliena os conteúdos não dando margem para trabalhar outros
assuntos”, “é cômodo para o professor e aluno fazendo com que, erroneamente, não
busquem outras literaturas”, “o livro didático não necessariamente dificulta, e sim,
limita a busca pelo conhecimento”, “traz uma proposta nacional, não levando em
conta as características culturais e regionais, as quais são importantes no ensino de
ciências”.
Nas escolas 80% possuem salas de informática com computadores
disponíveis e são utilizadas por 68% dos estagiários que disponibilizam desses
instrumentos, 6% possuem gravadores e 58% possuem microsystem, que não são
utilizados, 65% possuem internet que são utilizados em 80%, 52% Data Show dos
quais todos são utilizados, 35% possuem retroprojetor que é utilizado por apenas
18% dos estagiários, 80% possuem TV, 23% vídeo cassete e 29% videoteca, cujas
porcentagens de utilizações freqüentes por parte dos estagiários são de 40%, 28% e
67%, respectivamente. Os recursos mais utilizados são: Data Show e internet, isso
se deve ao fato de que ao utilizar apresentações prontas o estagiário estará
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
38

aumentando o tempo para trabalhar melhor com os alunos em sala de aula, e a


internet é um recurso muito utilizado no auxilio de pesquisas e descobertas.
Com o avanço das tecnologias e as novas descobertas, o ensino de Ciências
Naturais em algumas situações, necessita de laboratórios de ciências e de
informática equipados para que sejam desenvolvidas as demonstrações e
experimentações que não tem como ocorrer na sala de aula.

Para um país onde uma fração considerável dos estudantes nunca teve a
oportunidade de entrar em um laboratório de ciências, pode parecer um
contra-senso questionar a validade de aulas práticas, especialmente porque
na maioria das escolas elas simplesmente não existem. De fato, há uma
corrente de opinião que defende a ideia de que muitos dos problemas do
ensino de ciências se devem à ausência de aulas de laboratório. Para os
que compartilham desta opinião, uma condição necessária para a melhoria
da qualidade de ensino consiste em equipar as escolas com laboratórios e
treinar os professores para utilizá-los. (BORGES, 2002, p.5)

Além de laboratório, também é necessário que tenha áreas abertas para


desenvolvimento de atividades interativas. Essas áreas podem ser uma extensão da
sala de aula, e podem ser utilizadas de forma que contribuam para o enriquecimento
do processo de ensino aprendizagem. Dentre os ambientes disponíveis nas escolas
pode-se observar na Tabela II algumas que estão disponíveis e o número de
estagiários que as utilizam.

Tabela II - Porcentagens de escolas que disponibilizam de ambiente para o


desenvolvimento de atividades e número de estagiários que faz uso
desses ambientes.

% de escolas que % de estagiários que utilizam para


Ambiente
disponibiliza desenvolver alguma atividade
Sala de Professores 94% 100%
Auditório 10% 100%
Sala de Vídeo 71% 86%
Laboratório de
74% 83%
Informática
Laboratório de
19% 67%
Ciências
Biblioteca 81% 20%
Ginásio Coberto 55% 18%
Fonte: pesquisa de campo, 2011.

Os ambientes, além da sala de aula, mais utilizados são a sala de


professores, o auditório, a sala de vídeo seguido do laboratório de informática e o
laboratório de ciências ficando por ultimo a biblioteca e o ginásio coberto.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Formação do Professor de Ciências Biológicas
39

No geral 26% das escolas possuem ambiente natural arborizado para uma
proposta de ensino fora da sala de aula no ambiente escolar. De acordo com as
condições de materiais e manutenção da escola, 87% das escolas freqüentadas
pelos entrevistados possuem cadeiras em condições de uso e suficientes; 84%
possuem mesa em todas as salas e armários individualizados para serem utilizadas
pelos professores; 77% das escolas possuem material de expediente disponível e
acessível aos funcionários e professores; 77% das salas de aula das escolas
freqüentadas recebem influência externa de barulho, além disso, 68% não possuem
condições de acústica de boa qualidade como pode ser observado no Gráfico 02.

Gráfico 02 - Uma visão geral da estrutura da escola.

90%
80%
70%
60%
50% 87% 84%
40% 77% 77%
68%
30%
20% 26%
10%
0%
1 2 3 4 5 6
1- Ambientes naturalmente arborizados.

2- Cadeiras em condições de uso e suficientes.

3- Mesa em todas as salas e armários individualizados para serem utilizados pelos professores.

Fonte: pesquisa de campo, 2011.

É preciso estar atento com a disciplina, e corroborando com esta


preocupação, Zóboli (2004) diz que disciplina está relacionada à maneira com que o
educando age na cooperação no desenvolver dos trabalhos didáticos e no respeito
para com os colegas, é a garantia da ordem e a responsabilidade no desenvolver
das atividades coletivas. A disciplina escolar deve ser vista em termos de
coletividade, onde uns não possam perturbar o trabalho dos demais.
Segundo Haidt (1995), é possível estabelecer com os alunos padrões de
comportamento a serem seguidos, de forma que eles também possam opinar e
exteriorizar seus pensamentos através de opiniões. É importante que o professor
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Formação do Professor de Ciências Biológicas
40

procure não rotular o aluno, pois seu comportamento é influenciado pelo que
conceito que ele tem de si próprio e pela expectativa que o professor tem dele, o
aluno desinteressado, indisciplinado, rotulado como “aluno problema” tende a agir
reproduzindo o comportamento que é esperado dele.
O professor deve explicar o porquê da necessidade de regra de conduta, e
deixar o aluno esclarecido sobre o porquê de ele ter sido repreendido e por que seu
comportamento foi inadequado, lembrando que é necessário levar em conta a
história pessoal do aluno que recai na aproximação com cada indivíduo, no entanto
o professor deve procurar fazer com que o aluno participe ativamente da dinâmica
de organização do comportamento na sala de aula.
Alunos silenciosos não quer dizer necessariamente que eles sejam os mais
disciplinados. Muitas vezes os alunos silenciosos encontram-se muito longe
com sua imaginação. A disciplina não deve ser medida pelo barulho que
uma determinada sala de aula apresenta, mas pelos resultados dos
trabalhos realizados, pela aplicação, pelo interesse e pela integração.
(ZÓBOLI, 2004)

De acordo com o levantamento de dados sobre o perfil dos alunos das


escolas frequentadas pelos estagiários (Gráfico 03), 84% dos alunos não são
atenciosos, 87% não tem um comportamento educado, 65% não respeitam o
professor, 72% não respeitam os colegas nem as normas da escola; 90% não estão
motivados a aprender e nem interessados nos conteúdos de ciências, no entanto,
segundo os graduandos 52% dos alunos, em geral, fazem as atividades propostas.
Gráfico 03 - Visão geral do perfil do aluno das escolas onde se desenvolveram os
estágios

90%
80%
70%
60%
50% 87% 90%
84%
40% 72%
65%
30% 52%
20%
10%
0%
1 2 3 4 5 6
1- Desatenciosos 4- Não respeitam os colegas nem as normas da escola.

2- Apresentam comportamentos mal educados 5 - Sem motivação e sem interesse

Fonte: pesquisa de campo, 2011.


SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Formação do Professor de Ciências Biológicas
41

Dentre os graduandos entrevistados, 84% afirmaram que é possível exercitar


a afetividade com seus alunos em sala de aula.
Ao solicitar que o estagiário justificasse a pergunta se é possível exercitar
afetividade com seu aluno na sala de aula, foram obtidos os seguintes relatos: “A
maioria dos alunos são carentes de atenção e afetividade.”, “Procuro ser amigo de
todos.”, “O convívio é importante.”, “Mesmo com pouco tempo é possível o professor
estabelecer uma relação de afetividade.”, “Alguns alunos são carentes e parece não
ter atenção em casa, tanto que muitas vezes falam de seus assuntos pessoais.”, “Os
alunos tem respeito pelo professor e demonstram que são muito carentes.”, “Os
alunos procuram aproximação.”, “O afeto a profissão e aos alunos ajuda a manter
uma prática educativa eficiente.”, “É possível exercitar a afetividade através da
dinâmica de grupo.”, “Alguns alunos são economicamente e emocionalmente
carentes.”. Os 16% que afirmaram não ser possível exercer afetividade com seus
alunos na sala de aula, disseram que: “Hoje não há mais respeito e esta atitude
pode levar a uma interpretação errônea desta tentativa de aproximação e
afetividade.”, “É difícil individualizar a atenção, fazer isso geraria uma tumulto na
sala de aula.”, “Alguns alunos não são tão afetivos, e quando aprontam não querem
escutar sermão de ninguém.”, “O número de alunos nas turmas é muito grande para
exercer afetividade.”, “Os alunos não aceitam aproximação afetiva.”.
O estágio é de suma importância para o desenvolvimento da competência do
licenciando em biologia. No Gráfico 04 observa-se o grau de satisfação dos
estagiários com relação às aulas que ministraram no desenvolver do estágio nas
escolas, onde 61% dos entrevistados se declararam satisfeitos, no entanto, entre
todos 71% gostariam de mudar alguma coisa na sua forma de ensinar.

Gráfico 04 - Grau de satisfação dos estagiários com relação ao desenvolvimento


das aulas que ministraram no estágio

INSATISFEITOS
39%
SATISFEITOS
61%

Fonte: pesquisa de campo, 2011.

Muitos graduandos ao entrarem na realidade escolar percebem que muitas


situações são imprevisíveis. No Gráfico 05 é possível observar alguns problemas
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Formação do Professor de Ciências Biológicas
42

sociais identificados nas escolas freqüentadas pelos estagiários. Há casos de alunos


que se agridem, e em função de problemas sociais, outros se envolvem com drogas,
furto e/ou prostituição.
Dentre os entrevistados, 41% já se depararam com problemas sociais
envolvendo drogas, 9% álcool e prostituição, 26% furto e 58% agressão física.
Lembrando que são fatores que, em geral, pode influenciar no desenvolvimento do
aluno na sala de aula, situações para as quais eles precisam de ajuda e orientação.

Gráfico 05 - Problemas sociais identificados nas escolas

60%

50%

40%

30% 58%
41%
20%
26%
10%
9%
0%
1 2 3 4
1 – Drogas 2 - Álcool 3 - Furto 4 - Agressão física
Fonte: pesquisa de campo, 2011.

Com relação à presença de alunos com deficiência ou mobilidade reduzida, o


Gráfico 06 apresenta alguns dados onde dos estagiários afirmaram que na escola
em que estagiaram havia alunos com as seguintes deficiências ou mobilidade
reduzida: 23% intelectual, 13% visual, 6% motora e 3% auditiva, 42% afirmam que a
escola tem facilidade de acesso, através de vias adequadas para pessoas que
utilizam cadeira de rodas. Além disso, 16% afirmam que na escola há pessoas
preparadas para ensinar alunos com deficiência ou mobilidade reduzida, e 87% dos
entrevistados não se sentem preparados para ensinar esses alunos. No entanto,
90% têm interesse em aperfeiçoar-se em alguma área de inclusão socio-educacional
de forma que possam favorecer que esses alunos tenham um atendimento
apropriado e que possam interagir normalmente na sala de aula.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Formação do Professor de Ciências Biológicas
43

Gráfico 06 - Presença de alunos com deficiência ou mobilidade reduzida


nas escolas

25%

20%

15%
23%
10%
13%
5% 6%
3%
0%
1 2 3 4
1- Alunos com deficiência intelectual 3- Alunos com deficiência motora

2- Alunos com deficiência visual 4- Alunos com deficiência auditiva


Fonte: pesquisa de campo, 2011.

Mesmo sem uma formação específica para desenvolver atividades numa sala
de aula que promove a inclusão, pode-se citar que entre tantas atividades que pode
favorecer a interação entre os alunos, as oficinas pedagógicas são atividades de
grande importância e que podem ser desenvolvidas utilizando materiais simples e
sucatas para desenvolver Recursos Didáticos com o objetivo de facilitar o
aprendizado das aulas de Ciências Naturais. Ao desenvolver modelos
tridimensionais os alunos poderão complementar o aprendizado ao observar e
praticar a montagem, no entanto, para os alunos que possuírem deficiência visual, o
estagiário poderá utilizar o material tridimensional confeccionado para que eles
possam sentir as estruturas que conheceu na descrição das aulas expositivas e
dialogadas aprimorando seu conhecimento.
No processo de formação, os futuros docentes não podem se esquecer de
buscar conhecimentos sobre a inclusão sócio-educacional e a promoção da
acessibilidade. De acordo com Ferreira (2007, p. 21) educação inclusiva não diz
respeito somente às pessoas com deficiência, mas a qualquer estudante que
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
44

encontra barreiras para aprender ou ter acesso ao que a escola oferece em qualquer
momento da escolarização.

Inclusão significa combate a qualquer tipo de exclusão e discriminação, bem


como promoção da participação, tanto na escola como na família e na
comunidade. No contexto da educação, a inclusão engloba os seguintes
direitos:
*Acesso à educação por meio de matrícula em qualquer escola (da rede
pública ou privada);
*Acesso ao currículo por meio de estratégias de ensino que possibilitem a
igualdade na participação nas atividades em sala de aula e na vida social
escolar e comunitária;
*Acesso aos conteúdos trabalhados na escola, assim como aqueles
existentes na comunidade, por meio do processo de ensino-aprendizagem.
(FERREIRA, 2007, p.15)

5.2. A Entrevista Transcrita

Inicialmente trinta pessoas responderam um questionário (APÊNDICE B),


entre elas, quinze também foram entrevistadas. Durante a entrevista foi feita apenas
uma pergunta: “Quais foram as dificuldades encontradas ao ministrar aulas de
Ciências Naturais no Ensino Fundamental II?”. A entrevista foi transcrita e os
entrevistados identificados da seguinte forma: “ENTREVISTADO A”,
“ENTREVISTADO B”. Diante deste questionamento, observou-se que algumas
respostas apresentaram pontos que foram abordados por várias pessoas. Os textos
transcritos estão divididos e elencados num mesmo contexto no APÊNDICE D. Foi
trabalhado apenas a Análises do Conteúdo das respostas.
Com base na análise de conteúdo das entrevistas transcritas, os textos foram
agrupados em quadros de acordo com o tema. O Quadro 02 apresenta os fatores
que proporcionam dificuldades para que os Licenciandos em Ciências Biológicas
que possam desenvolver o estágio no Ensino Fundamental II ministrado aulas de
Ciências Naturais. Segundo os estagiários suas maiores dificuldades estão em
função dos seguintes fatores: 1. O estagiário tem dificuldade para ministrar o
conteúdo no nono ano (93%); 2. Os alunos são desinteressados (73%); 3.
Os Alunos não sabem interpretar textos nem operações básicas (53%); 4. Os
professores incentivam o estagiário a abandonar a profissão (53%); 5. Os
alunos querem apenas se divertir (47%); 6. Os professores estão
desestimulados (40%); 7. O estagiário sente dificuldade em motivar o aluno
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
45

(20%); 8. Estagiários com dificuldade em adequar a linguagem científica a realidade


do aluno (13%).
No Quadro 03 os estagiários apresentam as maiores dificuldades
encontradas no desenvolvimento das atividades. Observaram desmotivação, tanto
por parte do professor quanto do aluno; os estagiários sentem dificuldade em
adequar a linguagem a faixa etária dos alunos; alguns perceberam que seu
desempenho é desfavorável em função a grande densidade dos alunos na sala de
aula prejudicando o processo de ensino-aprendizagem; alguns estagiários afirmam
não apresentar domínio de conteúdo e não se sentem preparados para desenvolver
as aulas; muitos apresentaram dificuldades em ministrar aulas no nono ano em
função dos conteúdos de física e química.
No Quadro 04, os estagiários apresentam algumas alternativas que utilizam
para suprir a falta de domínio dos conteúdos de física e química, em geral utilizaram
seus aprendizados no ensino médio, e através de pesquisas à medida que
precisavam ministrar os assuntos.
No Quadro 05, os estagiários sugerem que as disciplinas de Física e
Química para Ciências Naturais sejam ministradas diferenciadamente para a
licenciatura e para o bacharelado, pois hoje essa disciplina atualmente é oferecida
para as duas habilitações simultaneamente, e o bacharelado não necessita aprender
a didática de como ministrar estas disciplinas, uma vez que, o foco de cada
habilitação é diferenciado.
No Quadro 06 os estagiários falam sobre sua formação acadêmica, o tema
mais comum é a necessidade de uma melhor abordagem nos assuntos de Física e
Química para ser ministrado no nono ano, onde eles apresentam a falta de domínio
de conteúdo e da didática com um grande problema. Além disso, relatam o fato do
curso requerer bastante tempo para o desenvolvimento e dedicação as disciplinas
além da sala de aula.
O Quadro 07 apresenta os depoimentos relacionados a experiência de
alguns estagiários em cada ano do Ensino Fundamental II. Em geral apresentam as
dificuldades encontradas para ministrarem aulas de física e química no nono ano e
relatam que no sexto ano os alunos chegam muito agitados e inicia um processo de
adaptação a nova realidade, onde têm um professor para cada disciplina, e, além
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
46

disso, há alunos que ainda não desenvolvem operações básicas da matemática nem
a leitura adequadamente.
Na relação entre os docentes das escolas e os estagiários, segundo os
depoimentos (Quadro 08), alguns professores estão tão desestimulados que até
orientam que o melhor é buscar outra profissão, diante de dificuldades que
enfrentam na escola como os baixos salários, desvalorização profissional e
desinteresse dos alunos em estudar, os professores também acabam
desestimulados. Apontam a importância do docente da escola acompanhar o
estagiário, não deixar que ele
Foram listadas pelos estagiários algumas sugestões para melhorar a relação
professor-aluno com objetivo de amenizar as dificuldades encontradas, entre elas,
no Quadro 09, os estagiários falam que é necessário ter boa relação com os
educandos, elogiando e não apenas deixar que suas atitudes errôneas estejam tão
evidentes que não seja possível também elogiar quando eles apresentam um bom
desempenho. Que é necessário que os professores também tenha conhecimento do
meio social em que o aluno está inserido, pois assim poderá ser que haja um melhor
desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem.
No Quadro 10 os estagiários apresentam a experiência vivenciada, onde
apresentam dificuldades para promover a motivação e desenvolver atividades que
necessitam, por parte dos alunos, de conhecimentos básicos de leitura e
matemática, os quais precisam ser melhor trabalhados nos anos iniciais e devem
está sempre sendo cobrado dos alunos para que melhorem a cada dia. Além disso,
apresentam suas dificuldades em ministrar e dominar os conteúdos de Física e
Química. Delizoicov (1994) afirmar que “o domínio em técnicas de ensino e
metodologias não é suficiente para usá-los criticamente no desenvolvimento de
conteúdos específicos de Ciências Naturais se não se dominam também
criticamente estes conteúdos”.
É de grande importância o desenvolvimento de pesquisas que envolva a
formação de professores, para que os problemas identificados sejam solucionados.
Soares (2008), em sua pesquisa intitulada “Perspectivas atuais da pesquisa em
ensino de biologia”, concluiu que dentre treze áreas temáticas selecionadas, numa
investigação sobre a frequência de pesquisas realizadas com temas em educação
das produções extraídas de artigos publicados em periódicos nacionais e de textos
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
47

referentes a comunicações orais e na forma de pôster presentes nas três últimas


atas do Encontro Nacional de Pesquisas em Ensino de Ciências (ENPEC), de 1580
trabalhos publicados, a maior parte das pesquisas em Ensino de Biologia está
voltada a Formação de Professores resultando em 28% do total de trabalhos, o que
ainda representa um número pequeno diante da importância do assunto.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
48

6. CONCLUSÃO

Hoje um grande desafio é formar professores competentes para enfrentar salas


de aulas cada vez mais numerosas, com problemas na infra-estrutura, alunos de
diferentes potencialidades para o aprendizado, diferentes estilos de vida, faixas
etárias, personalidades e problemas sociais. Mais do que uma dedicação a profissão
de professor é uma entrega, pois o indivíduo está se comprometendo a facilitar a
construção do conhecimento, formando o caráter, personalidade e delineando
princípios na estruturação da história de vida do indivíduo e muitas vezes podem
está formando aqueles que irão ocupar lugares importantes nas decisões do futuro
da nação.
É necessário que o graduando em licenciatura compreenda a essência da
importância do estágio de docência na sala de aula, de forma que não esteja lá com
o único objetivo, que muitos professores e gestores de algumas escolas acreditam
ser: apenas observar e criticar os erros e as deficiências. Diante da necessidade de
mudança é preciso levar ao conhecimento de quem pode modificar e melhorar. O
que não pode é ficar de braços cruzados vendo as deficiências e apenas procurar
alguém para culpar. Entre os relatos apresentados, é necessário que cada estagiário
tenha a consciência de enfatizar a importância resolvê-los, pois se o problema
persistir e nada for modificado, o maior prejudicado será o aluno na sala de aula.
Todo docente deve ter a consciência de buscar o que há de melhor para promover
uma educação de qualidade.
É importante que o estagiário tenha conhecimento do que dispõe a escola que
escolheu para estagiar, que conheça os recursos disponíveis para facilitar o
desenvolvimento de suas atividades, e procure aproveitar ao máximo tudo, para que
ele possa proporcionar uma aula que desperte a motivação de seus alunos, além
disso, deve estar sempre atento às novas aquisições no decorrer de sua
permanência, para assim poder experimentar e aprender a utilizar os mais variados
recursos disponíveis.
A universidade é mediadora no processo de ensino-aprendizagem, a formação
docente do indivíduo depende de cada um, de suas expectativas e de seu interesse
em ser professor. No estágio, o graduando vai se descobrir enquanto educador é o
momento de formação da personalidade docente; vai decidir se quer mudar a
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
49

realidade ou continuar no mesmo sistema encontrado, independente de sua


natureza correta ou errada.
É possível que, depois de anos de graduação nas disciplinas regulares da
licenciatura, ao chegar à sala de aula para o estágio, o graduando descubra que não
é aquela a formação desejada, que não é para aquele tipo de atividade que está seu
verdadeiro interesse. Por outro lado, pode adentrar no mundo docente para estagiar
e encontrar tudo que lhe desperta interesse em contribuir, moldando a realidade e
desenvolvendo trabalhos direcionados à educação, seja diante de uma realidade
organizada e com resultados positivos, seja diante de uma realidade assustadora
com discentes sem controle, desmotivados e sem interesse algum.
Hoje os alunos do Ensino Fundamental, em função da facilidade de acesso as
tecnologias de informação, já conhecem diferentes formas de se adquirir o
conhecimento, de maneira que, aprender num livro onde tudo está parado e em
poucas dimensões já não lhes desperta muito interesse. É um adolescente de uma
geração com tecnologias acessíveis, suas ideias se processam numa velocidade,
que para eles é calculada comparando ao carregamento de uma página na internet.
E assim, temos os avanços das Ciências junto aos das Tecnologias, que são
interligados de uma maneira tão coesa que hoje temos uma data especialmente pra
não seja esquecida esta coesão, que é a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia.
Por isso, o estagiário de Ciências Biológicas, além de sua formação no
conhecimento científico, deve estar completamente inteirado das novas tecnologias,
da interdisciplinaridade, das possibilidades de facilitação de acesso promovendo a
inclusão, para atuar na construção do conhecimento em Ciências Naturais.
Contudo, para desenvolver satisfatoriamente o processo de ensino-
aprendizagem é preciso estar permanentemente em busca do conhecimento,
manter-se informado, estar atento aos acontecimentos e as descobertas científicas,
procurando aprender e compreender cada vez mais os conteúdos curriculares e
avanços tecnológicos. Além disso, é preciso conhecer os trabalhos já desenvolvidos
e os resultados alcançados através do desenvolvimento de pesquisas que envolvam
a formação de professores.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
50

REFERÊNCIAS

ANDRADE, M. M. Introdução à Metodologia do Trabalho Científico. 6. ed. São


Paulo: Atlas, 2003.

BORGES, A. T. Novos rumos para o laboratório escolar de ciências. Cad. Brás.


Ens. Fís., v. 19, n.3: p.291-313, dez. 2002.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC/Secretaria de Educação


Fundamental, 1988.

_______. Lei N. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e


bases da educação nacional. Diário Oficial da República Federativa do Brasil,
Brasília, DF. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/leg.asp>. Acesso em: 14
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_______. Lei N. 11.114. Altera os artigos. 6º, 30, 32 e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de


dezembro de 1996, com o objetivo de tornar obrigatório o início do ensino
fundamental aos seis anos de idade. Brasília, DF: Casa Civil, 2005.

_______. Lei 11.274. Altera a redação dos Artigos 29, 30, 32 e 87 da Lei 9.394, de
20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação
nacional, dispondo sobre a duração de nove anos para o ensino fundamental, com
matrícula obrigatória a partir dos seis anos de idade. Brasília, DF, 2006.

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SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
51

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Educação Básica.Resolução CNE/CP 1 de 18 de fevereiro de 2002 – Institui a
duração e a carga horária dos cursos de licenciatura, de graduação plena, de
formação de professores da Educação Básica em nível superior. Disponível em
<http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos /pdf/rcp01_02.pdf> Acesso em: 14 nov. 2011.

_______. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação Câmara de


Educação Básica.Resolução CNE/CP 2 de 19 de fevereiro de 2002 – Institui
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação
Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br /cne/arquivos/pdf/CP022002.pdf> Acesso em: 14 nov.
2011.

_______. LEI Nº 11.788 de 25 de setembro de 2008. Ministério da Educação. Diário


Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, Edição n° 20/09, de
26/09/2008. Disponível em: http://www2.camara.gov.br/legin/fed/lei/2008/lei-11788-
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SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
54

APÊNDICES
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
55

APÊNDICE A – ROTEIRO DO QUESTIONÁRIO APLICADO AOS GRADUANDOS


DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

UNIVERSIDADE FEDRAL DA PARAÍBA


CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA NATUREZA
DEPARTAMENTO DE SISTEMÁTICA E ECOLOGIA
CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

Prezado(a) colega, solicito sua contribuição no sentido de responder a esse


questionário que servirá para construção da minha monografia de Conclusão do
Curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal da Paraíba, cujo tema é “O
ESTÁGIO NA FORMAÇÃO DO LICENCIANDO EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS
COMO INSTRUMENTO NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM EM
CIÊNCIAS NATURAIS”, sob a orientação do Prof. Dr. JORGE CHAVES
CORDEIRO.
O objetivo é obter informações que contribuam para o diagnóstico do
desenvolvimento do estágio dos licenciandos em Ciências Biológicas no Ensino
Fundamental II, ministrando a disciplina de Ciências Naturais nas turmas do sexto
ao nono ano.
Por oportuno, informamos que os dados coletados serão utilizados
exclusivamente, para fins acadêmicos, sendo preservado o direito ao anonimato dos
respondentes.

Agradeço,

Salimara Felipe de Moura e Souza


Estudante de licenciatura em Ciências Biológicas
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
56

APÊNDICE B - ROTEIRO *“Para responder este questionário você não precisa se identificar.”
PESQUISA PARA FINS MONOGRÁFICO
AS DIFICULDADES ENCONTRADAS NA ATUAÇÃO COMO ESTAGIÁRIO
O ESTÁGIO
1. Você foi bem recebido pela primeira escola procurada para estagiar? ( ) sim ( ) não
2. Você foi bem recebido pelos alunos? ( ) sim ( ) não
3. O estágio é o canal de comunicação ligando as escolas de ensino superior às escola de ensino fundamental.
Na primeira semana de estágio, depois do “período de observação”, você se sentiu preparado para assumir a
sala ministrando conteúdos? ( ) sim ( ) não
4. Ao encontrar dificuldades no estágio e trazer ao conhecimento da universidade, vocês encontraram respostas
para amenizar as dificuldades? ( ) sim ( ) não
5. Atribua valores de 1 a 4 nos anos avaliando seu grau de dificuldade para ministrar os conteúdos. Atribuindo “1”
para o que você tem mais facilidade e “4” para o que você tem mais dificuldade
( ) 6º ano – Biodiversidade ( ) 7º ano – Seres Vivos
( ) 8º ano – O Corpo Humano ( ) 9º ano – Física, Química e Genética.
A ESCOLA
6. A escola dispõe de estrutura em boas condições de uso para desenvolver atividades de ciências?
( ) Sala de Vídeo ( ) Sala para Professores ( ) Ginásio Coberto
( ) Laboratório de Ciências ( ) Laboratório de Informática
( ) Auditório ( ) Biblioteca
7. Qual das estruturas abaixo você já utilizou para desenvolver alguma atividade?
( ) Sala de Vídeo ( ) Sala para Professores ( ) Ginásio Coberto
( ) Laboratório de Ciências ( ) Laboratório de Informática
( ) Auditório ( ) Biblioteca
8. A escola dispõe de recursos didáticos e áudios visuais para desenvolver as aulas?
( ) Retroprojetor ( ) Computador ( ) Internet ( ) Data Show
( ) Videoteca ( ) Vídeo Cassete ( ) Gravador
( ) TV ( ) Microsystem (Som) ( ) Jogos Educativos ( ) Kits Didáticos
( ) Álbum Seriado ( ) CD Rom ( ) Livro didático
9. Qual destes recursos você mais utiliza?
( ) Retroprojetor ( ) Computador ( ) Internet ( ) Data Show
( ) Videoteca ( ) Vídeo Cassete ( ) Gravador
( ) TV ( ) Microsystem (Som) ( ) Jogos Educativos ( ) Kits Didáticos
( ) Álbum Seriado ( ) CD Rom ( ) Livro didático
10. A escola disponibiliza um ambiente natural arborizado para uma proposta fora da sala de aula?
( ) sim ( ) não
11.É possível exercitar a afetividade com seus alunos em sala de aula? ( ) sim ( ) não. Por quê?
12.Você está satisfeito (a) com desenvolvimento das aulas que você está ministrando no estágio?
( ) sim ( ) não Gostaria de mudar alguma coisa nelas? ( ) sim ( ) não
13.O conhecimento é um caminho. Precisamos considerar, no entanto, o conhecimento sob dois pontos de vista:
enquanto produto e enquanto processo. No limite, o que se espera é que todo ser humano possa vir-a-ser,
digamos assim, um pesquisador sênior, alguém capaz de se colocar problemas e de ir atrás dos elementos
necessários para solucioná-los. Com base em Vasconcelos, 2007, e levando em seu processo de aprendizagem,
você acredita que sua formação está de acordo com o que relata o autor? ( ) sim ( ) não Justifique____
14.Você se sente até agora, preparado para atuar na sala de aula junto aos seus educando com o propósito do
autor, fazendo com que cada um dos seus alunos seja “alguém capaz de se colocar problemas e de ir atrás dos
elementos necessários para solucioná-los“ incentivando aos seus alunos a serem pesquisadores? ( ) sim ( ) não
15.A utilização do livro didático, na sua opinião dificulta o processo de ensino-aprendizagem? ( ) sim ( ) não
16.Na sua opinião, qual o perfil do aluno da escola onde você está estagiando? Considerando que, o que você
não marcar é por que eles fazem o oposto.
( ) atencioso ( ) interessado ( ) em geral fazem as atividades propostas
( ) educado ( ) respeita o professor ( ) respeitam os colegas
( ) respeita as normas da escola ( ) estão motivados a prender
17. Você já se deparou com problemas sociais na sua escola envolvendo:
Drogas ( ) Álcool ( ) Prostituição ( ) Furto( ) Agressão física ( )
18. Na escola onde você atua tem alunos com deficiência ou mobilidade reduzida? Quais tipos de deficiências
são encontradas:
Auditiva ( ) Visual ( ) Motora ( ) Intelectual ( )
19. Na escola onde você atua é possível identificar facilidade de acessibilidade para cadeiras de rodas?
( ) sim ( ) não
20. Você sabe se há profissionais preparadas para ensinar alunos com deficiência ou mobilidade reduzida? ( )
sim ( ) não
21. Você se sente preparado para ensinar alunos com deficiência? ( ) sim ( ) não
22. Em caso de resposta negativa. Você tem interesse em se aperfeiçoar na área de inclusão sócio-educacional
para estes alunos que precisam de um tratamento diferenciado de forma que eles possam freqüentar
normalmente uma sala de aula comum juntos com os demais alunos? ( ) sim ( ) não Por que?___
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
57

APÊNDICE C – APRESENTAÇÃO DA PERGUNTA ELABORADA PARA


DESENVOLVER A ENTREVISTA GRAVADA DIRIGIDA AOS GRADUANDOS DE
CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

UNIVERSIDADE FEDRAL DA PARAÍBA


CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA NATUREZA
DEPARTAMENTO DE SISTEMÁTICA E ECOLOGIA
CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

Solicito sua colaboração no sentido de responder ao questionamento dessa


entrevista, como instrumento de coleta de dados para o trabalho de Conclusão de
Curso, cujo tema é “O ESTÁGIO NA FORMAÇÃO DO LICENCIANDO EM
CIÊNCIAS BIOLÓGICAS COMO INSTRUMENTO NO PROCESSO DE ENSINO-
APRENDIZAGEM EM CIÊNCIAS NATURAIS”, sob a orientação do Prof. Dr.
JORGE CHAVES CORDEIRO, que será apresentado ao curso de Licenciatura em
Ciências Biológicas da Universidade Federal da Paraíba.
O objetivo é obter informações que contribuam para o diagnóstico do
desenvolvimento do estágio dos licenciandos em Ciências Biológicas no Ensino
Fundamental II, ministrando a disciplina de Ciências Naturais nas turmas do sexto
ao nono ano.
Por oportuno, informamos que os dados coletados serão utilizados
exclusivamente, para fins acadêmicos, sendo preservado o direito ao anonimato dos
respondentes.

Agradeço,

Salimara Felipe de Moura e Souza


Estudante de licenciatura em Ciências Biológicas

PERGUNTA DA ENTREVISTA

Quais foram as dificuldades encontradas ao ministrar aulas de Ciências


Naturais no Ensino Fundamental II?
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
58

APÊNDICE D – ENTREVISTAS TRANSCRITAS


Quadro 02 - FATORES QUE, SEGUNDO OS ESTAGIÁRIOS, PROPORCIONAM DIFICULDADES
NO DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES DO ENSINO FUNDAMENTAL II
1. O estagiário tem dificuldade para ministrar o conteúdo no nono ano 93%
2. Os alunos são desinteressados 73%
3. Alunos não sabem interpretar textos nem operações básicas 53%
4. Os professores incentivam o estagiário a abandonar a profissão 53%
5. Os alunos querem apenas se divertir 47%
6. Os professores estão desestimulados 40%
7. O estagiário sente dificuldade em motivar o aluno 20%
8. Estagiários com dificuldade em adequar a linguagem científica a realidade do aluno 13%
Fonte: Pesquisa de Campo, 2011.

Quadro 03 - DIFICULDADES APRESENTADAS PELOS ESTAGIÁRIOS


“A principal dificuldade que observei foi que os alunos estão habituados e condicionados pelos
Entrevistado professores a não dá atenção as aulas, devido o desestímulo dos professores em função da
A recorrente falta de atenção dos alunos. Dessa forma, os professores já cansados do descaso não
buscam mais a atenção dos alunos”.
“A maior dificuldade que tive foi ministrar aulas para as turmas de nono ano, não pelos conteúdos
Entrevistado em si, mas pela falta de ideias para realizar aulas dinâmicas, com modelos didáticos ou jogos,
B mesmo assim pude desenvolver uma aula muito boa sobre tabela periódica, utilizando um jogo
que aprendi na disciplina de instrumentação para o ensino de ciências na universidade”.
Entrevistado “Senti resistência por parte do professor e alunos, e dificuldade na questão de adequar a
E linguagem a idade e realidade dos alunos”.
“Há uma grande densidade de alunos na sala de aula, deixando eles agitados e gerando
deficiência na apreensão do conteúdo. Tenho um grande número de alunos, no sexto ano tenho
45 e no sétimo 40, essa condensação os deixa muito agitados e quando são apresentadas
algumas práticas eles dispersam a atenção muito fácil”. “Quero fazer uma aula diferente, mais
Entrevistado
dinâmica, de forma que o acesso ao conhecimento possa fluir com mais naturalidade, no entanto,
F
eles acabam interpretando como se fosse apenas momento de lazer, como se fosse apenas
brincadeira, então se faz necessário ficar chamando atenção, é preciso muitas vezes falar grosso
por que eles ainda estão muito imaturos achando que tudo é diversão e brincadeira gerando
inquietação na sala de aula”.
“Durante o estágio no ensino de Ciências Naturais vivenciei algumas dificuldades na aplicação
Entrevistado das aulas tanto por parte da falta de segurança ao lecionar um conteúdo que muitas vezes não
G estava preparada para dar, quanto por parte da professora que não dava abertura na sala de
aula para apresentar aulas lúdicas para o alunado”.
“Tenho dificuldade em ministrar aula no Nono ano. No sexto ano a maior dificuldade encontrada
Entrevistado
é a idade dos alunos que estão ingressando do fundamental I pra uma realidade diferente, maior
H
número de professores e de aulas”.
Entrevistado “A dificuldade está em adequar a linguagem científica a idade dos alunos”.
I
“Tive mais dificuldade com o desenvolvimento de aulas no nono ano de Física e Química”.
“A dificuldade das demais séries está na questão de motivar o aluno, em buscar qual linguagem
Entrevistado
e meios podem ser utilizados para despertar o interesse em querer aprender e prender a atenção
J
do aluno, no entanto, a estagiária afirma que no seu ponto de vista, este é um problema que tem
como base a realidade social do aluno”.
Entrevistado “Minha maior dificuldade foi ser mais que uma boa professora, foi de ser uma boa amiga”.
L
“Quando fui iniciar o estágio tive muita dificuldade em função da realidade que não condiz com o
que aprendi na universidade. Encontrei alunos de diferentes níveis culturais, sociais, problemas
Entrevistado familiares. Senti-me despreparada e não recebi apoio dos professores da escola”.
M “A dificuldade na sala de aula vem tanto da formação, por que não somos bem preparados para
aplicarmos a teoria estudada na universidade, quanto na falta de interesse do aluno”.
“A maior dificuldade é adequar as atividades ao nível intelectual de cada turma”.
Entrevistado
“No inicio de estágio o difícil foi interpretar qual a necessidade que cada aluno requer; qual a
O
necessidade de cada um para que se sintam motivados a aprender”.
“Acho que o curso de licenciatura deveria ter uma base maior nas áreas de Física e Química.
Entrevistado
Falta um pouco mais de atenção dos alunos que mesmo em aulas participativas e com Recursos
P
Didáticos se mostram dispersos e sem interesse”.
Fonte: Pesquisa de campo, 2011.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
59

Quadro 04 - ALTERNATIVAS ENCONTRADAS PELOS ESTAGIÁRIOS PARA SUPRIR A FALTA DE


DOMÍNIO DOS CONTEÚDOS DE FÍSICA E QUÍMICA
Entrevistado “Os conteúdos de Química e Física eu estudei por conta própria, apenas revisando
B assuntos vistos no meu ensino médio”.
“É necessário que ocorra mudança no currículo ou na atuação do professor
Entrevistado
procurando atribuir com maior ênfase em Física e Química buscando melhorar a
C
formação do professor de Ciências Biológicas para atuar em Ciências Naturais”.
“Para preparar minhas aulas de Física e Química para o nono ano eu tenho que
Entrevistado
aprender sozinha, pesquisar, buscar na internet, ou buscar meus cadernos do ensino
I
médio para poder desenvolver as aulas”.
Entrevistado “Para desenvolver as aulas no nono ano de Física e Química dependi do que havia
J aprendido no ensino médio”.
Entrevistado “Tudo que ministrei no nono ano foi com base no pouco que aprendeu no ensino
O médio e através de estudos sozinho para desenvolver as atividades”.
Fonte: Pesquisa de campo 2011.

Quadro 05 - SUGESTÕES DOS ESTAGIÁRIOS PARA AMENIZAR AS DIFICULDADES


ENCONTRADAS PARA MINISTRAR OS CONTEÚDOS DE FÍSICA E QUÍMICA.
“Na universidade está faltando uma disciplina de Química e de Física apenas para os
Entrevistado alunos da licenciatura em Ciências Biológicas, dessa forma, poderíamos estudar os
B conteúdos do nono ano além de aprender práticas, jogos e modelos didáticos para
ministrar estas aulas”.
“Tudo o que eu ministrei de Física e Química no estágio, foi baseado no meu ensino
médio. Gostaria que, as disciplinas ‘Física e Química para o Ensino de Ciências’,
fossem oferecidas o mais próximo possível dos Estágios para que possa interagir com
Entrevistado o primeiro Estágio Supervisionado e as disciplinas de Instrumentação de ensino, para
E que o estagiário possa aprender, adquirindo competência para repassar ao aluno e
não aprender apenas por aprender, pois o professor, além das metodologias de
ensino, também precisa saber o conteúdo para poder nos ajudar corrigindo nossos
erros de conteúdos”.
Entrevistado “É preciso haver mais prática de Física e Química na graduação para melhor preparar
J o professor para atuar no nono ano do ensino fundamental”.
“As disciplinas Física e Química para Ciências Biológicas são oferecidas as turmas
tanto de licenciatura como de bacharelado. É normal que as duas modalidades
cursem juntas resultando numa aprendizagem abstrata, uma reação mecânica de
Entrevistado
resolução de cálculos fazendo com que o graduando conclua a disciplina sem ter
O
aprendido como aplicar esse conhecimento aos alunos no ensino de Ciências
Naturais. Muitas vezes os professores destas disciplinas nos apresentam conteúdos
que nem serão abordados no ensino fundamental”.
Fonte: pesquisa de campo, 2011.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
60

Quadro 06 - DEPOIMENTO DOS ESTAGIÁRIOS COM RELAÇÃO A SUA FORMAÇÃO ACADÊMICA


“Na minha formação senti falta de base para ensinar Ciências Naturais. O que me
Entrevistado ajudou foi ter participado de um Projeto de Iniciação a Docência que me auxiliou a
A desenvolver habilidades para atuar no ensino através da produção de modelos
tridimensionais facilitando o processo de ensino”.
“Minha formação foi satisfatória. Pude conhecer a realidade e ver como é difícil ser
Entrevistado
professor. Eu diria que faltou mais tempo pra que eu me dedicasse mais a escola, o
B
curso de Biologia é muito exigente. Conciliar as duas coisas de forma efetiva é difícil”.
“Química e Física são assuntos pouco trabalhados na nossa formação, no entanto, o
estágio foi importante para minha formação, pois foi através dele que eu tive a
Entrevistado
oportunidade de ter o contato pela primeira vez com a realidade escolar, além de usar
C
esse espaço formal para poder colocar em prática o que aprendi na minha formação
fazendo a ligação entre teoria e prática”.
“Era bom que na universidade tivéssemos fundamentação para as metodologias de
Entrevistado
ensino de Química e Física, no entanto, acredito que um profissional formado em
F
Ciências Naturais terá melhor competência para atuar nesta área”.
“As maiores dificuldades foram com relação aos conteúdos, uma vez que, o curso de
Entrevistado
licenciatura em Ciências Biológicas nos prepara com um currículo diferente do que é
G
necessário numa preparação docente para ministrar aulas de Ciências Naturais”.
“A universidade deveria colocar disciplinas direcionadas para atender a necessidade
Entrevistado do graduando, de forma que na Física e Química se possa, além de adquirir o
H conteúdo, também seja adquirida concomitantemente, a metodologias de ensino de
como ministrar este conteúdo na sala de aula de Ciências Naturais”.
“No curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, o embasamento em Ciências
Naturais é muito pouco, principalmente quando nos detemos na Física e na Química,
neste ultimo as aulas que temos na universidade são muito falhas com poucos
detalhes, a bioquímica não tem como ser aplicada, pois é muito técnica e inadequada
Entrevistado
para ser utilizada na faixa etária do nono ano. Em Física, ainda é pior que Química,
I
pois não tivemos a aulas necessárias quando matriculados na disciplina, Não temos
disciplinas para uma formação em matemática, pois, enquanto utilizamos problemas
fáceis, apresentados nos livros, é possível entender, mas no momento da aplicação na
realidade tudo muda de figura e a dificuldade aumenta”.
“Ao adentrar na realidade da escola pública de ensino fundamental tive um choque
com a realidade que me foi apresentada. Um ambiente totalmente diferente do
esperado, completamente diferente do que havia imaginado na universidade, e me
Entrevistado encontrei diante do desafio de desenvolver a aprendizagem adquirida na universidade.
J Diante de tal realidade observei que é necessário haver uma melhor preparação do
licenciado em Biologia para ensinar Ciências Naturais. É preciso incentivar pesquisas
sobre o processo de ensino que está sendo desenvolvido em Ciências Naturais para
que o aluno do ensino fundamental seja melhor atendido”.
“Minha formação foi muito falha, cadeiras da educação estavam cada vez mais
repetitivas e isso me cansou e fez com que a desmotivação em assistir essas aulas
Entrevistado crescesse cada vez mais. È necessário que a maioria dos professores que ministram
L essas disciplinas saia dos seus mundinhos burgueses e caiam na realidade das salas
de aula de uma rede pública. É fato que a universidade não nos prepara para ministrar
aula de Ciências Naturais”.
“As disciplinas teóricas oferecidas no currículo de graduação não preparam o futuro
Entrevistado licenciando para encarar uma sala de aula. Apenas as disciplinas de estágio
N supervisionado são as que possibilitam a maior visão da realidade, em função do
convívio escolar”.
Entrevistado “Os conteúdos das disciplinas básicas de Química e Física no curso de licenciatura
O em Biologia poderiam ser mais direcionados ao ensino, com um foco mais didático”.
Entrevistado “Minha formação está sendo satisfatória, porém acho que faltaram mais disciplinas
P relacionadas ao ensino de Química e Física para o ensino fundamental”.
Fonte: Pesquisa de campo, 2011.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
61

Quadro 07 - DEPOIMENTOS DOS ESTAGIÁRIOS COM RELAÇÃO AS SUAS ATIVIDADES EM


CADA ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL II
“No nono ano acredito que os alunos têm dificuldade em aprender por ser o primeiro
contato com o assunto, que, aliado a dispersão e falta de interesse, piora a situação
do processo de ensino aprendizagem de Física e Química”.
Entrevistado
A “A série que apresentou mais dificuldade foi o nono ano, pois, nessa série são
trabalhando os assuntos de Química e Física que são assuntos pouco trabalhados na
nossa formação, eu até compreendo o conteúdo, mas não sei como repassar”.
Entrevistado “O nono ano foi o que apresentou mais dificuldade, pois é neste momento que são
B trabalhados os assuntos de Química e Física”.
“Tive dificuldade no nono ano ao abordar os conteúdos de Física e Química, pois não
Entrevistado
me senti preparada para ministrar o assunto, não sei como abordar e apresentar o
D
assunto de forma mais didática”.
“No nono ano para ministrar Física e Química foi um problema, pois na universidade o
Entrevistado
professor não dá um enfoque direcionado para ser transmitido aos nossos futuros
E
alunos, ele apresenta a disciplina como uma revisão do ensino médio”.
“Senti-me bastante frustrado ao perceber que meus alunos do sexto e sétimo ano não
conseguiam entender o contexto de uma história, eu levei um livro infantil, cujo
assunto era sobre a vida dos insetos para trabalhar ecologia e cadeia alimentar
através da leitura e interpretação com base na história. No entanto, os alunos liam,
mas desenvolviam uma leitura muito deficiente, pausada dificultando o entendimento e
a interpretação, pois não conseguiam juntar as idéias no contexto”.
“Os alunos são agitados, chegam no sexto ano achando que tudo é diversão e
Entrevistado brincadeira, unindo essa visão ao número de alunos no mesmo ambiente, gera
F inquietação na sala fazendo com que percam o foco”.
“Nos anos finais do “Ensino Fundamental II”, oitavo e nono ano, os estudantes são
mais quietos e maduros, juntando estes fatores ao menor número de aluno nas salas,
torna-se muito mais viável aplicar aulas mais dinâmicas”.
“A graduação em Ciências Naturais dá uma base bem melhor na formação do
profissional para ensinar Química e Física no nono ano, pois além da preparação da
parte do conhecimento em biologia como também é vista na licenciatura em Ciências
Biológicas, também tem uma melhor formação para desenvolver o ensino de
matemática, Química e Física de forma mais minuciosa e melhor fundamentada”.
“Não me sinto preparada para que as aulas de Física e Química sejam
Entrevistado
adequadamente ministradas aos alunos, além disso, eles têm dificuldades com a
H
matemática que é indispensável para desenvolver o ensino de Física”.
“Não senti dificuldade, como muita gente relata, de trabalhar os conteúdos ministrados
Entrevistado
no nono ano. A Química e a Física pra mim foi fácil porque tenho uma base muito boa
L
delas”.
Entrevistado “Nunca dei aula no nono ano, me sinto insegura, pois não tenho formação e
M preparação para desenvolver os conteúdos de Física e Química”.
“Embora a grade curricular da universidade ofereça as disciplinas de Física e Química
básicas, não me sentia confiante para ministrar aulas nas turmas de nono ano do
Entrevistado
ensino fundamental, pois essas disciplinas não receberam a atenção necessária,
N
principalmente pelo desinteresse dos professores destas disciplinas ignorando a
necessidade dos alunos de licenciatura em dominar os conteúdos vinculados a elas”.
“O nono ano foi a turma mais difícil de administrar, o ano que teve menos atividade
prática devido a dificuldade em ministrar a temática Física e Química. Depois de
Entrevistado
observar e descobrir o conhecimento prévio deles acerca daquele tema que estava
O
sendo ministrado pelo professor, e de perceber o que os alunos gostam, o que eles
entendiam sobre o assunto, ficou mais fácil de direcionar as práticas”.
“Minha maior dificuldade foi no sexto ano devido a imaturidade dos alunos e
Entrevistado
dispersão. Também tive um pouco de dificuldade em Física no nono ano devido a falta
P
de base do curso nesta área”.
Fonte: Pesquisa de campo, 2011.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
62

Quadro 08 – RELAÇÃO ENTRE DOCENTE DA ESCOLA E O ESTAGIÁRIO


“A professora não queria que desenvolvesse atividades diferentes, pois a “escola”
Entrevistado ficava falando das atividades de forma que a incomodava, e ela não queria ser
A diferente, até por que estava ali a pouco tempo e não queria se sentir excluída dos
demais professores”.
Entrevistado “Um professor de inglês me aconselhou a desistir de ensinar para o fundamental,
B dizendo que ainda sou muito novo e poderia buscar algo melhor”.
“Os professores da escola apontam as dificuldades que enfrentam na escola: os
Entrevistado baixos salários, desvalorização profissional e desinteresse dos alunos em estudar, de
C forma que a professora de Ciências Naturais da escola que atuo me incentiva a
procurar uma pós-graduação e não seguir no ensino básico”.
Entrevistado “Senti-me prejudicada na minha avaliação do estágio, pois a professora não
D acompanhou meu estágio, me deixou sozinha na sala de aula com os alunos”.
Entrevistado “A professora que não dava abertura na sala de aula para apresentar aulas lúdicas
G para o alunado”.
“Os professores da rede municipal se sentem desmotivados em sala de aula e eles
Entrevistado jogam tudo para cima do estagiário e nós chegamos e recebemos esta
J responsabilidade apesar de não estarmos ainda nos sentindo preparados, pois somos
preparados para o ensino de Biologia e não para Ciências Naturais”.
“Os professores da rede pública estão cada vez mais desmotivados, nenhum me
Entrevistado incentivou, muito pelo contrário, me aconselhavam a mudar de profissão o mais rápido
L possível. Trabalhar com gente que não quer trabalhar é sem dúvidas a maior
dificuldade encontrada”.
Ao chegar na escola não encontrei o apoio que se esperava dos professores.
“Os professores não dão apoio, deveriam contribuir, mas fazem terrorismo dizendo
que educação não é futuro dizendo que devemos sair o mais rápido possível,
Entrevistado desestimulado e relatando que não há apoio da gestão nem do governo. E assim,
M acabam nos desestimulando”.
“Eu tive resistência por parte da professora para ser recebida na primeira escola, ela
alegou que talvez não fosse bom para a turma dela, porém não deu muita explicação,
procurei outra escola.
“O professor que acompanhei não parecia se sentir confortável com a presença de um
Entrevistado
estagiário observando seu trabalho. Também não incentivou a prática da docência,
N
baseado nas difíceis condições de trabalho e baixa remuneração”.
Entrevistado “Os professores se mostraram pouco incentivados a lecionar, mostraram sua
P insatisfação quanto a profissão e os problemas relacionados”.
Fonte: pesquisa de campo, 2011.

Quadro 09 - RELAÇÃO PROFESSOR–ALUNO


“Para que se tenha a atenção dos alunos no processo de aprendizagem, é preciso ter
uma melhor relação com eles. Ao observar um desempenho favorável, elogiar, dizer
Entrevistado que estão fazendo a coisa certa, e não dá atenção apenas aos seus erros proferindo
A palavras que os oprimi, dizendo que estão errados. Nosso trabalho na educação terá
um melhor desempenho quando procuramos uma relação humana melhor entre o
educador-educando”.
“A dificuldade do sexto ao sétimo ano está em de motivar o aluno, buscar qual
linguagem e meios podem ser utilizados para despertar o interesse de querer
Entrevistado
aprender, no entanto, este é um problema que tem como base a realidade social do
J
aluno, o professor precisa também está atento as questões sociais que seus alunos
estão inseridos”.
“Não senti muita dificuldade com os alunos, até que consegui agradar a maioria, pelo
menos não tive nenhum desentendimento ou agressão da parte deles. Mas é claro
Entrevistado
que muita coisa ainda tem que mudar na relação de aluno e professor. O aluno está
L
muito acostumado a ser tratado apenas como aluno, ou seja, há pouca preocupação
voltada pra ele em relação a sua vida social”.
Fonte: Pesquisa de Campo, 2011.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
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Quadro 10 - OS ESTAGIÁRIOS DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS ATUANDO NO ENSINO DE


CIÊNCIAS NATURAIS

“Minhas dificuldades partem das dificuldades do aluno, de forma que observo que o
problema deriva de sua formação inicial. Muitos têm dificuldades em desenvolver as
operações básicas de matemática e grande deficiência na interpretação de texto, o
que gera dificuldade em encontrar uma metodologia de ensino adequada. Entretanto,
eles se mostram bastante empolgados em descobrir novos conhecimentos, a
dificuldade está em trazer assuntos que chamam atenção, pois as metodologias
Entrevistado precisam ser desenvolvidas de acordo com a faixa etária, caso contrário, não chamem
A a atenção dos alunos”.
“Hoje se busca aplicar na escola as novas metodologias de ensino aprendidas na
universidade, diferente do que os alunos estão habituados, mas acontece que eles
estão tão acostumados ao descaso, com relação a presença do professor na sala de
aula que também está desestimulado, assim, mesmo com as novas metodologias,
dificilmente conseguimos prender a atenção do aluno despertando a motivação para
aprender”.
“Preciso melhorar no aspecto da motivação, pois na realidade vejo que a geração
atual de alunos, diante do explosivo avanço tecnológico, precisa ser estimulada de
forma diferente de tempos passados”.
Entrevistado
“Qual seria a melhor metodologia? eu ainda não sei. Jogos didáticos e atividades com
B
brindes, por exemplo, atrai bastante a atenção do aluno, além de fazer com que o
mesmo participe de forma ativa da aula, mas é preciso fazer estas atividades de forma
que os alunos realmente aprendam ou se interessem pelo assunto em questão”.
“Devido a falta de Recursos Didáticos na escola e laboratório de ciências, foi
Entrevistado
necessário preparar aulas práticas que pudessem ser ministradas na sala de aula, e
D
desenvolver a maioria das aulas apenas dialógica e expositivas”.
“Com relação ao sexto, sétimo, oitavo anos os conteúdos são basicamente os que são
vistos na universidade, são mais tranqüilos”.
“Os alunos entendem melhor o conteúdo ao relacionar os assuntos ao seu cotidiano
Entrevistado
fazendo com que a aula se desenvolva mais facilmente”.
I
“Para ministrar aula desenvolvendo algum experimento, fugindo da teoria, primeiro
faço um teste com pessoas que tenham acabado de concluir o Ensino Fundamental
para observar se eles entendem o objetivo que desejo alcançar”.
“Acredito que o plano das disciplinas de Química e Física, deveriam ser mais
direcionados para a formação do licenciando, com um foco mais didático para ser
transmitido no ensino de Ciências Naturais, com metodologias para nos ensinar a
facilitar a compreensão de nossos futuros alunos, como poderíamos explicar um
determinado tema com mais facilidade. Até por que, há outro problema que não deriva
apenas da nossa formação na graduação, mas da formação fornecida aos alunos do
ensino fundamental e que é necessária como base para que eles adquiram o
Entrevistado
conhecimento de Química e Física, e que é um grande desafio que é a falta de
O
entendimento deles em desenvolver as operações matemáticas básicas, que
atrapalha no desenvolvimento do ensino de uma simples fórmula de Química”.
“Somando-se a falta de conhecimento de matemática, o fato dos alunos não saberem
fazer interpretação de textos, faz com que seja necessária uma ação em conjunto, de
forma que também venhamos aprender metodologias de ensino nas disciplinas que
fornecem conteúdos e não apenas nas disciplinas teóricas de metodologia para
Instrumentação e estágio supervisionado”.
Fonte: Pesquisa de Campo, 2011.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
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ANEXOS
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
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ANEXO A - LEGISLAÇÃO

Quadro 1 - Trechos da Resolução Nº1- Conselho Pleno do Conselho Nacional de


Educação de 18 de fevereiro de 2002

1) Aos objetivos e conteúdos a serem desenvolvidos na formação inicial docente:

Art. 2º A organização curricular de cada instituição observará, além do disposto nos artigos 12 e 13
da Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, outras formas de orientação inerentes à formação para a
atividade docente, entre as quais o preparo para:
I - o ensino visando à aprendizagem do aluno;
II - o acolhimento e o trato da diversidade;
III - o exercício de atividades de enriquecimento cultural;
IV - o aprimoramento em práticas investigativas;
V - a elaboração e a execução de projetos de desenvolvimento dos conteúdos curriculares;
VI - o uso de tecnologias da informação e da comunicação e de metodologias, estratégias e
materiais de apoio inovadores;
VII - o desenvolvimento de hábitos de colaboração e de trabalho em equipe.

2) Princípios norteadores:

Art. 3º A formação de professores que atuarão nas diferentes etapas e modalidades da educação
básica observará princípios norteadores desse preparo para o exercício profissional específico, que
considerem:
I - a competência como concepção nuclear na orientação do curso;
II - a coerência entre a formação oferecida e a prática esperada do futuro professor, tendo em vista:
a) a simetria invertida, onde o preparo do professor, por ocorrer em lugar similar àquele em que vai
atuar, demanda consistência entre o que faz na formação e o que dele se espera;
b) a aprendizagem como processo de construção de conhecimentos, habilidades e valores em
interação com a realidade e com os demais indivíduos, no qual são colocados em uso capacidades
pessoais;
c) os conteúdos, como meio e suporte para a constituição das competências;
d) a avaliação como parte integrante do processo de formação, que possibilita o diagnóstico de
lacunas e a aferição dos resultados alcançados, consideradas as competências a serem
constituídas e a identificação das mudanças de percurso eventualmente necessárias.
III - a pesquisa, com foco no processo de ensino e de aprendizagem, uma vez que ensinar requer,
tanto dispor de conhecimentos e mobilizá-los para a ação, como compreender o processo de
construção do conhecimento.

3) Competências dos licenciandos

Art. 4º Na concepção, no desenvolvimento e na abrangência dos cursos de formação é


fundamental que se busque:
I - considerar o conjunto das competências necessárias à atuação profissional;
II - adotar essas competências como norteadoras, tanto da proposta pedagógica, em especial do
currículo e da avaliação, quanto da organização institucional e da gestão da escola de formação.
Art. 5º O projeto pedagógico de cada curso, considerado o artigo anterior, levará em conta que:
I - a formação deverá garantir a constituição das competências objetivadas na educação básica;
II - o desenvolvimento das competências exige que a formação contemple diferentes âmbitos do
conhecimento profissional do professor;
III - a seleção dos conteúdos das áreas de ensino da educação básica deve orientar-se por ir além
daquilo que os professores irão ensinar nas diferentes etapas da escolaridade;
IV - os conteúdos a serem ensinados na escolaridade básica devem ser tratados de modo
articulado com suas didáticas específicas;
V - a avaliação deve ter como finalidade a orientação do trabalho dos formadores, a autonomia dos
futuros professores em relação ao seu processo de aprendizagem e a qualificação dos profissionais
com condições de iniciar a carreira.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
66

Parágrafo único. A aprendizagem deverá ser orientada pelo princípio metodológico geral, que pode
ser traduzido pela ação-reflexão-ação e que aponta a resolução de situações-problema como uma
das estratégias didáticas privilegiadas.
Art. 6º Na construção do projeto pedagógico dos cursos de formação dos docentes, serão
consideradas:
I - as competências referentes ao comprometimento com os valores inspiradores da sociedade
democrática;
II - as competências referentes à compreensão do papel social da escola;
III - as competências referentes ao domínio dos conteúdos a serem socializados, aos seus
significados em diferentes contextos e sua articulação interdisciplinar;
IV - as competências referentes ao domínio do conhecimento pedagógico;
V - as competências referentes ao conhecimento de processos de investigação que possibilitem o
aperfeiçoamento da prática pedagógica;
VI - as competências referentes ao gerenciamento do próprio desenvolvimento profissional.
§ 1º O conjunto das competências enumeradas neste artigo não esgota tudo que uma escola de
formação possa oferecer aos seus alunos, mas pontua demandas importantes oriundas da análise
da atuação profissional e assenta-se na legislação vigente e nas diretrizes curriculares nacionais
para a educação básica.
§ 2º As referidas competências deverão ser contextualizadas e complementadas pelas
competências específicas próprias de cada etapa e modalidade da educação básica e de cada área
do conhecimento a ser contemplada na formação.
§ 3º A definição dos conhecimentos exigidos para a constituição de competências deverá, além da
formação específica relacionada às diferentes etapas da educação básica, propiciar a inserção no
debate contemporâneo mais amplo, envolvendo questões culturais, sociais, econômicas e o
conhecimento sobre o desenvolvimento humano e a própria docência, contemplando:
I - cultura geral e profissional;
II - conhecimentos sobre crianças, adolescentes, jovens e adultos, aí incluídas as especificidades
dos alunos com necessidades educacionais especiais e as das comunidades indígenas;
III - conhecimento sobre dimensão cultural, social, política e econômica da educação;
IV - conteúdos das áreas de conhecimento que serão objeto de ensino;
V - conhecimento pedagógico;
VI - conhecimento advindo da experiência.

4) Organização Institucional:

Art. 7º A organização institucional da formação dos professores, a serviço do desenvolvimento de


competências, levará em conta que:
I - a formação deverá ser realizada em processo autônomo, em curso de licenciatura plena, numa
estrutura com identidade própria;
II - será mantida, quando couber, estreita articulação com institutos, departamentos e cursos de
áreas específicas;
III - as instituições constituirão direção e colegiados próprios, que formulem seus próprios projetos
pedagógicos, articulem as unidades acadêmicas envolvidas e, a partir do projeto, tomem as
decisões sobre organização institucional e sobre as questões administrativas no âmbito de suas
competências;
IV - as instituições de formação trabalharão em interação sistemática com as escolas de educação
básica, desenvolvendo projetos de formação compartilhados;
V - a organização institucional preverá a formação dos formadores, incluindo na sua jornada de
trabalho tempo e espaço para as atividades coletivas dos docentes do curso, estudos e
investigações sobre as questões referentes ao aprendizado dos professores em formação;
VI - as escolas de formação garantirão, com qualidade e quantidade, recursos pedagógicos como
biblioteca, laboratórios, videoteca, entre outros, além de recursos de tecnologias da informação e
da comunicação;
VII - serão adotadas iniciativas que garantam parcerias para a promoção de atividades culturais
destinadas aos formadores e futuros professores;
VIII - nas instituições de ensino superior não detentoras de autonomia universitária serão criados
Institutos Superiores de Educação, para congregar os cursos de formação de professores que
ofereçam licenciaturas em curso Normal Superior para docência multidisciplinar na educação
infantil e anos iniciais do ensino fundamental ou licenciaturas para docência nas etapas
subseqüentes da educação básica.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
67

5) Construção dos Currículos de Licenciatura:

Art. 10. A seleção e o ordenamento dos conteúdos dos diferentes âmbitos de conhecimento que
comporão a matriz curricular para a formação de professores, de que trata esta Resolução, serão
de competência da instituição de ensino, sendo o seu planejamento o primeiro passo para a
transposição didática, que visa a transformar os conteúdos selecionados em objeto de ensino dos
futuros professores.
Art. 11. Os critérios de organização da matriz curricular, bem como a alocação de tempos e
espaços curriculares se expressam em eixos em torno dos quais se articulam dimensões a serem
contempladas, na forma a seguir indicada:
I - eixo articulador dos diferentes âmbitos de conhecimento profissional;
II - eixo articulador da interação e da comunicação, bem como do desenvolvimento da autonomia
intelectual e profissional;
III - eixo articulador entre disciplinaridade e interdisciplinaridade;
IV - eixo articulador da formação comum com a formação específica;
V - eixo articulador dos conhecimentos a serem ensinados e dos conhecimentos filosóficos,
educacionais e pedagógicos que fundamentam a ação educativa;
VI - eixo articulador das dimensões teóricas e práticas.
Parágrafo único. Nas licenciaturas em educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
deverão preponderar os tempos dedicados à constituição de conhecimento sobre os objetos de
ensino e nas demais licenciaturas o tempo dedicado às dimensões pedagógicas não será inferior à
quinta parte da carga horária total.

6) Prática pedagógica:

Art. 13. Em tempo e espaço curricular específico, a coordenação da dimensão prática transcenderá
o estágio e terá como finalidade promover a articulação das diferentes práticas, numa perspectiva
interdisciplinar.
§ 1º A prática será desenvolvida com ênfase nos procedimentos de observação e reflexão, visando
à atuação em situações contextualizadas, com o registro dessas observações realizadas e a
resolução de situações-problema.
§ 2º A presença da prática profissional na formação do professor, que não prescinde da observação
e ação direta, poderá ser enriquecida com tecnologias da informação, incluídos o computador e o
vídeo, narrativas orais e escritas de professores, produções de alunos, situações simuladoras e
estudo de casos.

7) O Estágio obrigatório (Art. 13)

§ 3º O estágio obrigatório, a ser realizado em escola de educação básica, e respeitado o regime de


colaboração entre os sistemas de ensino, deve ter início desde o primeiro ano e ser avaliado
conjuntamente pela escola formadora e a escola campo de estágio.
Fonte: portal.mec.gov.br
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
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ANEXO B – Resolução n. CNE/CP 2/2002

CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO

CONSELHO PLENO

RESOLUÇÃO CNE/CP 2, DE 19 DE FEVEREIRO DE 2002.(*)

Institui a duração e a carga horária dos cursos


de licenciatura, de graduação plena, de
formação de professores da Educação Básica
em nível superior.

O Presidente do Conselho Nacional de Educação, de conformidade com o


disposto no Art. 7º § 1o, alínea “f”, da Lei 9.131, de 25 de novembro de 1995, com
fundamento no Art. 12 da Resolução CNE/CP 1/2002, e no Parecer CNE/CP
28/2001, homologado pelo Senhor Ministro de Estado da Educação em 17 de janeiro
de 2002, resolve:
Art. 1º A carga horária dos cursos de Formação de Professores da Educação
Básica, em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, será
efetivada mediante a integralização de, no mínimo, 2800 (duas mil e oitocentas)
horas, nas quais a articulação teoria-prática garanta, nos termos dos seus projetos
pedagógicos, as seguintes dimensões dos componentes comuns:
I - 400 (quatrocentas) horas de prática como componente curricular, vivenciadas ao
longo do curso;
II - 400 (quatrocentas) horas de estágio curricular supervisionado a partir do início da
segunda metade do curso;
III - 1800 (mil e oitocentas) horas de aulas para os conteúdos curriculares de natureza
científico-cultural;
IV - 200 (duzentas) horas para outras formas de atividades acadêmico-científico-
culturais.
Parágrafo único. Os alunos que exerçam atividade docente regular na educação
básica poderão ter redução da carga horária do estágio curricular supervisionado até o
máximo de 200 (duzentas) horas.
Art. 2° A duração da carga horária prevista no Art. 1º desta Resolução, obedecidos os
200 (duzentos) dias letivos/ano dispostos na LDB, será integralizada em, no mínimo, 3 (três)
anos letivos.
Art. 3° Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4° Revogam-se o § 2º e o § 5º do Art. 6º, o § 2° do Art. 7° e o §2º do Art. 9º da
Resolução CNE/CP 1/99.

ULYSSES DE OLIVEIRA PANISSET


Presidente do Conselho Nacional de Educação
(*)
CNE. Resolução CNE/CP 2/2002. Diário Oficial da União, Brasília, 4 de março de 2002. Seção 1, p. 9.
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
69

ANEXO C – SÚMULA DO PROJETO APOIO PEDAGÓGICO – SEDEC/UFPB

ESTADO DA PARAÍBA
PREFEITURA MUNICIPAL DE JOÃO PESSOA
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURA
DIVISÃO DE CONVÊNIOS

PROJETO DE TRABALHO

SÚMULA DO PROJETO

Título do Projeto: Período de Execução


ACOMPANHAMENTO DO PROJETO DE APOIO Início: Término:
PEDAGÓGICO – SEDEC/UFPB Janeiro/2011 Dezembro/2012
IDENTIFICAÇÃO DO OBJETO:
As orientações propostas nos Parâmetros Curriculares Nacionais-PCNs, nos PCNs em Ação, no
Programa de Formação de Professores Alfabetizadores – PROFA e no Pró-Letramento,
principalmente para o ensino de Língua Portuguesa, de Matemática, de Inglês, de Ciências, de
Educação Infantil, de Educação de Jovens e Adultos/ EJA, vêm sendo objeto de reflexão
pedagógica e, consequentemente, de pesquisa em diversos laboratórios de ensino, pesquisa e
extensão da Universidade Federal da Paraíba. Destacam-se, neste processo, o Programa de
Apoio ao Ensino de Língua Portuguesa do CCHLA — PAELP, o Laboratório de Estágio
Supervisionado do CE – LAES/UFPB e o Laboratório de Matemática – CCEN/UFPB. Tais
laboratórios vêm desenvolvendo projetos de extensão universitária, voltados para uma
melhoria do processo de ensino e de aprendizagem no Ensino Fundamental, valorizando uma
atitude didático–pedagógica reflexiva, coerente com a realidade que cada professor vivencia em
sua própria sala de aula.
Essas ações, registradas em diversos projetos dos professores da UFPB, têm, como base
comum, a premissa de que pode possibilitar ao professor do Ensino Fundamental fazer opção
por práticas pedagógicas mais voltadas para a minimização das dificuldades que os(as)
alunos(as) enfrentam, e, principalmente, pelo abandono de uma metodologia espontaneísta, em
prol da adoção de uma metodologia mais centrada em um constante processo de construção de
conhecimento.
Nos últimos quatro anos, em um trabalho desenvolvido em parceria com a SEDEC/UFPB,
estagiários dos Cursos de Letras, de Pedagogia e de Matemática da Universidade Federal da
Paraíba vivenciaram, em nove polos de ensino da Secretaria de Educação e Cultura do
município de João Pessoa, sob a orientação e supervisão do LAES e do PAELP, atividades de
leitura, de escrita e de Matemática em turmas do 1º, 2º, 5º e 9º anos do Ensino Fundamental,
colocando em prática conteúdos teórico-metodológicos propostos para esses anos bem como
para a “Provinha Brasil” e a “Prova Brasil”. Com essa experiência, constatamos a necessidade
de um acompanhamento mais sistemático dos estagiários nas várias áreas de conhecimento.
Para tanto, apresentamos à Secretária de Educação do município de João Pessoa,
considerando o convênio SEDEC/UFPB, número ............., o projeto ”Acompanhamento do
projeto “Apoio Pedagógico para alunos do Ensino Fundamental”, para execução nos nove polos
da rede municipal de ensino, a partir de janeiro de 2011 a dezembro de 2012.
JUSTIFICATIVA DA PROPOSIÇÃO:

Todas as ações para o desenvolvimento desse projeto partem da constatação de que, apesar
de todos os processos de formação continuada já vivenciados pelos professores(as), a
dificuldade para planejar atividades pedagógicas significativas é uma realidade nas escolas
públicas de uma maneira geral, principalmente quando essas atividades passam a ser o carro-
chefe dos conteúdos a serem trabalhados. Muitas outras dificuldades vivenciadas pelos(as)
professores(as), constatadas em cursos de extensão ministrados por professores da UFPB,
podem ser listadas, no entanto, as que mais chamam a atenção são, em primeiro lugar, as que
estão relacionadas com uma melhor distribuição de conteúdos, o diagnóstico do nível de
SOUZA, S. F. M. O Estágio Supervisionado e a Form ação do Professor de Ciências Biológicas
70

conhecimento dos alunos, o registro reflexivo, para uma consequente formação de


agrupamentos produtivos, visando a uma intervenção pedagógica mais adequada.

Estas são, portanto, algumas das justificativas para a execução desse projeto, às quais faz-se
necessário atrelar a principal de todas: a melhoria do processo de ensino-aprendizagem dos
alunos da rede municipal de ensino.
Com esses propósitos, o projeto tem, como foco, alcançar os seguintes objetivos:
 Dar apoio aos alunos do Ensino Fundamental, no que diz respeito ao acompanhamento
das atividades desenvolvidas por universitários estagiários, em sala de aula das
unidades de ensino da rede municipal.
 Planejar atividades a serem desenvolvidas pelos estagiários da UFPB junto com os
professores do Ensino Fundamental.
 Acompanhar as atividades e o desempenho dos estagiários, no que diz respeito ao
planejamento e aos conteúdos selecionados para serem vivenciados no Ensino
Fundamental.
 Avaliar as atividades realizadas.

AÇÕES/ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS:


O projeto realizar-se-á por meio de 06 ações, conforme detalhamento a seguir:
 planejamento/organização das ações do projeto (identificação do número de turmas em
cada escola e em cada turno; do número de alunos a serem assistidos pelo projeto
etc.);
 inscrição, seleção, divulgação dos resultados e distribuição dos alunos estagiários;
 processo de interação entre professor(a)/estagiário(a)/aluno(a);
 diagnóstico das dificuldades enfrentadas pelos alunos em leitura, escrita (Aplicação da
Provinha Brasil) e linguagem matemática;
 planejamento e vivência de atividades (elaboração de estratégias de intervenção;
 acompanhamento do projeto “Apoio Pedagógico” de modo contínuo, através de
recursos e indicadores quantitativos e qualitativos de avaliação, tais como: número de
alunos; adequação das atividades planejadas às necessidades dos(as) alunos(as)
envolvidos no processo e resultados alcançados.

METAS A SEREM ATINGIDAS:


1º Planejamento 22 atividades, a serem realizadas pelos estagiários.
2º Inscrição e seleção de 500 estagiários.
3º 22 encontros sistemáticos com os estagiários (quinzenalmente) para discussão das questões
teórico-práticas vivenciadas nas escolas.
4º Participação no planejamento das atividades desenvolvidas para o público-alvo assistido
pelo projeto.
5º Elaboração de atividades, a partir da análise dos relatos de experiência e dos resultados
alcançados.
6º Elaboração de provas simuladas, com o objetivo de preparar os alunos para a Prova Brasil.
7º Aplicação de estratégias metodológicas que favoreçam o desenvolvimento das competências
dos alunos da rede municipal de ensino.
8º Verificação e análise das possíveis mudanças ocorridas no processo de ensino e de
aprendizagem dos alunos do Ensino Fundamental.
9º Orientação do relatório final do estagiário.
10º Elaboração de relatório final.