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UFBA / UEFS

PPGEFHC
DISCIPLINA: Referenciais Teóricos e Metodologia da Pesquisa em Educação
DOCENTE: Jonei Barbosa
DISCENTE: Edmundo Itamar.

ENSAIO I

O DEBATE REALISMO X ANTIRREALISMO NO CONTEXTO DA MEDIAÇÃO DIDÁTICA EM


QUÍMICA NO ENSINO MÉDIO: O CASO DO ESTUDO DAS LIGAÇÕES QUÍMICAS NOS
LIVROS DIDÁTICOS APROVADOS NO PNLEM 2012.

Enquanto professor de Química, acreditava estar ensinando uma verdade quando


trabalhava com os diversos conteúdos da disciplina no Ensino Médio. Ao participar das Oficinas
Experimentais em Ciências da Natureza e Matemática, organizadas pelos professores Adelaide
Maria Vieira Viveiros e José Petronílio Lopes Cedraz, percebi que aquilo que eu trabalhava podia
(e devia) ser questionado e, em muitos casos, adaptado ou atualizado.
O Mestrado em Ensino, Filosofia e História das Ciências, na UFBA, apresentou-me um
quadro até então desconhecido: um consenso entre os pesquisadores do Ensino de Ciências, de
um modo geral, e de Química, em particular, acerca da má qualidade da educação científica em
nosso País, nos vários níveis de ensino.
Em minha pesquisa de Mestrado procurei investigar os Saberes Docentes dos
professores de Química em seus processos de Mediação Didática, buscando respostas para as
duas questões principais da pesquisa: (1) que saberes os professores de Química reconheciam
como fundamentais para a sua prática docente e (2) como aqueles saberes estavam sendo
mobilizados em suas aulas.
A pesquisa me levou a alguns caminhos extremamente interessantes. Um deles – e o
que eu quero enfatizar nesta nova etapa – foi a aproximação com alguma discussão no âmbito
da Filosofia da Química e a importância das discussões deste campo específico da Filosofia das
Ciências. Concordo com Ribeiro (2008), quando afirma que a elucidação de problemas inerentes
ao ensino de Química (obstáculos conceituais e epistemológicos, principalmente) “passa pela
discussão de aspectos ontológicos e epistemológicos internos à Química, que tornarão mais
claros os níveis de descrição, análise e de explicação próprio do discurso da Química”. E,
justamente, tal discussão é parte do objeto de estudo da Filosofia da Química.
Um dos temas de destaque na Filosofia da Química tem a ver com as discussões acerca
da realidade dos entes químicos, que atravessa o debate maior realismo x antirrealismo, travado
no seio da própria Filosofia da Ciência. Acerca deste debate, afirma Matthews (1994, p. 177):

Em primeiro lugar, tem historicamente dominado a reflexão filosófica


sobre a natureza da ciência e deveria ser usado como recurso em
discussões escolares. Em segundo lugar, os manuais escolares muitas
vezes endossam um ou outro ponto de vista, mas com pouquíssima
compreensão das questões históricas ou filosóficas envolvidas.

Baseado nesta afirmação de Matthews e na baixa quantidade de materiais produzidos


sobre o assunto, proponho uma pesquisa aprofundada, a nível de doutorado, sobre o debate
realismo x antirrealismo no contexto da mediação didática em Química no ensino médio:
o caso do estudo das Ligações Químicas nos livros didáticos aprovados no PNLEM 2012,
respondendo duas questões fundamentais: (1) Qual a posição predominante dos manuais para
professores que acompanham os livros didáticos, quanto ao estudo das Ligações Químicas, em
relação ao debate realismo x antirrealismo? (2) Como se dá a relação entre o que diz o manual e
a maneira como o assunto é abordado pelo livro didático?
A compreensão dos modelos envolvidos no estudo das Ligações Químicas é fundamental
para que o estudante consiga acompanhar bem o desenvolvimento desta disciplina nos
conteúdos seguintes, como os fenômenos químicos e a estrutura dos materiais. Além disso, a
literatura de pesquisa no ensino de Química possui farto material discutindo o ensino e a
aprendizagem deste assunto.
Neste sentido surgem algumas indagações: como os livros didáticos do Ensino Médio
têm apresentado as Ligações Químicas? São as ligações reais ou conceituais? Que orientações
filosóficas aparecem com predominância? A Filosofia da Química pode auxiliar nessa
discussão?
A discussão acerca dos níveis de realidade remete a outra discussão subjacente: o papel
das teorias científicas. Para os realistas, as teorias têm valor de verdade e os enunciados
teóricos referem-se a entidades externas à própria teoria, considerando que tais entidades, de
fato, existem. Os antirrealistas, de um modo geral, entendem a teoria como uma construção
mental com capacidade explicativa, mas sem compromisso ontológico com as entidades. Um
exemplo dessa controvérsia é apresentado por Silva (1998, p. 8):
Um dos adversários mais brilhantes de Newton, George Berkeley,
recusou-se a aceitar as consequências realistas de sua mecânica, uma
vez que estas não poderiam ser observadas diretamente por intermédio
dos sentidos. Ao invés disso, Berkeley as entendia como criações
teóricas, sem nenhuma referência externa: força, inércia e gravidade são
categorias explicativas, e não possuem autonomia ontológica. (...) A
gravidade seria apenas uma forma de expressar um tipo de relação entre
os corpos - em suma, a gravidade é uma entidade teórica, concebida e,
além disso, extremamente bem-sucedida para dar conta de uma
explicação (cf. Matthews 1994:169). Ao contrário, para Newton, ela
subsiste nos corpos, e coube à ciência descobri-la.

Tal discussão, como a apresentada entre a visão de Newton e de Berkeley, que ocorre
no âmbito dos centros produtores de conhecimento científico, acerca da realidade ou não dos
entes aos quais as teorias se referem, também precisa ocorrer no âmbito da sala de aula. Neste
sentido, aquilo que se coloca como teoria científica, os modelos explicativos e as relações
matemáticas subjacentes deveriam ser problematizados no processo de mediação.
Uma vez que tal debate não aparece explicitamente nos manuais, a tarefa consistirá em
analisar justamente aquilo que não está dito a fim de fazer emergir como a abordagem adotada
pelos diversos autores refletem elementos do realismo e do antirrealismo. Assim, entendo que a
pesquisa será qualitativa, dentro da perspectiva pós-modernista, tendo a análise de discurso
como metodologia fundamental.