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O ROMANTISMO

● O que é o Romantismo? Uma escola, uma tendência, uma forma, um fenômeno


histórico, um estado de espírito? Provavelmente tudo isto junto e cada item
separado. Ele pode apresentar-se como uma dentre uma série de denominações
como Classicismo, Barroco, Maneirismo, pelas quais designamos os vários
agrupamentos de formas e peculiaridades que são os estilos, os modos de formar, e
que traduzem qualidades e estruturas da obra de arte. Mas o Romantismo designa
também uma emergência histórica, um evento sócio-cultural. Ele não é apenas uma
configuração estilística ou, como querem alguns, uma das duas modalidades
polares e antitéticas – Classicismo e Romantismo – de todo o fazer artístico do
espírito humano. Mas é também uma escola historicamente definida, que surgiu
num dado momento, em condições concretas e com respostas características à
situação que se lhe apresentou. (GUINSBURG, 2005, p. 14).

→ Contexto histórico

● O período do Romantismo é fruto de dois grandes acontecimentos na história da


humanidade, ou seja, a Revolução Francesa e suas derivações, e a Revolução
Industrial. (FALBEL, 2005, p. 24).

●A Revolução Francesa principia como uma revolta dos corpos constituídos pela
oposição aristocrática e passa em seguida a ser substituída por uma revolta da
burguesia, que recebe o apoio maciço do campesinato. Este movimento no seu todo
resultará na queda do velho regime. (FALBEL, 2005, p. 33).

● A ênfase dada à liberdade, fundamentada na afirmação de que “os homens


nascem livres e devem viver livres”, é o que se destaca no documento. A liberdade
individual é incorporada ao individualismo da sociedade burguesa, que nascia
politicamente com a Revolução. A liberdade é formulada juridicamente como um
pressuposto básico na nova sociedade e se expressa sob a forma de liberdade de
opinião e liberdade de imprensa. Outro princípio que a Declaração enfatiza é a
igualdade, pois “os homens nascem iguais”. A Declaração esmiuçará em vários
itens e artigos outros aspectos ligados à nova organização político-social, que a
bem-sucedida revolução do Terceiro Estado chegou a elaborar. (FALBEL, 2005, p.
33).

●Napoleão: libertador e opressor.


Durante o seu poder, as vitórias e as derrotas, a guerra e a paz, contribuíram para
transformar o panorama político europeu e, mais ainda, ajudaram à emergência de
novos Estados Nacionais inspirados, de um lado, nas idéias revolucionárias e, de
outro, nas tradições culturais e populares despertadas em nacionalidades que
haviam recém-descoberto a sua consciência nacional e ambicionavam um lugar ao
sol entre as nações. [...] Cedo ou tarde, essas nacionalidades reivindicariam o
direito à autodeterminação, convictas de que eram donas de seu próprio destino,
não devendo obediência a nenhum poder, vendo na liberdade coletiva e na
igualdade da cidadania a realização dos ideais supremos da humanidade.
(FALBEL, 2005, p. 41).

● Despertar do espírito nacional: na América Latina nota-se a mesma ânsia de


independência estimulada com o exemplo dado pela América do Norte.

● O nacionalismo, assim como os movimentos sociais, incorporou e gerou o espírito


romântico:
Os entusiasmos e paixões, os vôos do pensamento e do idealismo, as teorias, as
aspirações e as ilusões, por contraditórias que apareçam, e, sem dúvida os
empreendimentos artísticos da época podem ser encarados como reflexos de uma
grande luz, a do Romantismo. Foi este impulso, a penetrar tudo, que elevou as
energias do homem e deu a forma a um estilo distinto, que diferencia nitidamente esta
época de todas as que precederam ou lhe seguiram. (TALMON, 138).

→Algumas considerações sobre o Romantismo

● Na verdade, o emocionalismo pré-romântico traz em seu bojo um novo modo de


entender o poder da criação artística e o seu criador. Não se trata mais da
habilidade e do produto do homem de in-geniu, isto é, do “engenhoso” capaz de
compor sabiamente uma obra de arte, como quer a visão classicista. Agora, a sua
criação [romântico] é fruto de pura espontaneidade. Não pode nem deve ser
retocada, torneada e acabada, por critérios artesanais de perfectibilidade. Assim, o
valor da obra passa a residir em algo que não está nela objetiva e formalmente, e
sim subjetivamente no seu autor. (GUINSBURG, 2005, p. 267).

● gênio – não se deixa guiar por nenhum modelo; ele cria livre e espontaneamente;
ele não se atém a norma nenhuma, porque nem sequer conhece as normas.
[Libertação]

● [...] é possível assinalar, em oposição ao estilo clássico, alguns componentes


fundamentais da criação romântica. Se num prevalecia a serenidade, a ordem, o
equilíbrio, a harmonia, a objetividade, a ponderação, a disciplina, agora
predomina, segundo Croce, a efusão violenta de efeitos e paixões, as dissonâncias, a
desarmonia em vez da harmonia. O subjetivismo radical derrama-se incontido. O
ímpeto irracional, o gênio original e a exaltação dionisíaca sobrepõem-se à
contenção, à disciplina apolínea da época anterior. Prepondera o elemento noturno,
algo de selvagem e também de patológico, uma inclinação profunda para o
mórbido, a ponto de Goethe ter defendido o Classicismo como aquilo que é sadio e
ter visto no Romantismo a encarnação do doentio. (GUINSBURG, 2005, p. 268).
É possível identificar um denominador comum?

● De fato, enquanto no Neoclassicismo o controle da razão se exercia de fora para


dentro, com a imposição de modelos ou “formas” preexistentes, no Romantismo a
razão devia brotar do sentimento, do grande impulso inicial que propiciaria a
estruturação, de dentro para fora. (VIZZIOLI, 2005, p. 139)
● individualismo e relativismo X geral e o absoluto (tendência racionalista)

● Schlegel: “o ideário antigo era a concórdia e o equilíbrio perfeito de todas as


forças; a harmonia natural; os novos, porém, nós, os românticos – adquirimos a
consciência da fragmentação interna, que torna impossível esse ideal. Por isso a
poesia espera reconciliar esse dois mundos em que nos sentimos divididos – o
espiritual e o sensível – e com todas as pluralidades que isto implica.”
(GUINSBURG, 2005, p. 273).

● Se a expressão da dissociação universal que caracteriza o ser humano,


particularmente em nossa civilização, há de ser o signo da arte verdadeiramente
inspirada, compreende-se que a simbologia romântica esteja povoada de figuras
desse esfacelamento e fragmentação: sósias, duplos, homens-espelhos, homens-
máscaras, personagens duplicadas em contrafações e alienadas em sua
humanidade. Na verdade, o romântico, enquanto batia o espaço e o tempo empós a
unidade e a inocência, era perseguido por sua própria sombra desdobrada, pela
consciência de ser um homem dividido, estranhado, social e culturalmente.
Reencontrar a inteireza é a meta da sua dialética de sua fuga. (GUINSBURG, 2005,
p. 274).

→ A visão romântica (Benedito Nunes)

● Distinção de duas categorias implícitas no conceito de Romantismo: a psicológica,


que diz respeito a um modo de sensibilidade, e a histórica, referente a um
movimento artístico datado.

● Psicológica: sentimento como objeto da ação interior do sujeito: a intimidade, a


espiritualidade e a aspiração do infinito. Sentimento do sentimento, ou desejo do
desejo, a sensibilidade romântica, dirigida pelo “amor da irresolução e da
ambivalência”, que separa e une estados opostos – do entusiasmo à melancolia, da
nostalgia ao fervor, da exaltação confiante ao desespero – contém a inquietude e a
insatisfação permanente de toda experiência conflitiva aguda, que tende a
reproduzir-se indefinidamente à custa dos antagonismos insolúveis que a
produziram.

●Histórica: a visão romântica do mundo que se desenvolveu nos pódromos das


mudanças estruturais da sociedade européia, concomitante ao surgimento do
capitalismo, é por certo uma visão de época, condicionada que foi a um contexto
sócio-histórico e cultural determinado, que possibilitou a ascendência da forma
conflitiva de sensibilidade. Se a visão romântica pode ser considerada como visão
de época, não é no sentido de uma Weltanschauung, configurada através de uma
forma artística, de um estilo histórico determinado, e sim no de uma concepção do
mundo relativa a um período de transição que se situa entre o Antigo Regime e o
liberalismo, entre o modo de vida da sociedade pré-indistrial e a nascente
civilização urbana, entre o momento das aspirações libertárias, às vésperas da
Revolução Francesa, e o momento da conversão do ideal de liberdade, firmadas
com o Império Napoleônico e após a Restauração.

●Concepção de mundo: idealista, próprio da sensibilidade conflitiva, e polarizada


por sentimentos extremos e atitudes antagônicas.

●Romantismo: o circuito de comunicação entre o exterior e o interior depende


agora do sujeito, que transcende, assim avultado, a Natureza física.
● precursor da hegemonia da subjetividade no Romantismo – da dominância da
experiência individual subjetiva – esse avultamento do sujeito, em que a direção
epistemológica do pensamento da época clássica se inverte, demitiu o
individualismo racionalista da Ilustração, substituindo-o por uma individualismo
egocêntrico, que vinculou o lastro idealista e metafísico da visão romântica à
capacidade expansiva e à força irradiante do EU.

● “O que está fora de mim está justamente em mim, é meu” (NOVALIS)

●Nas condições de sua sensibilidade conflitiva, o dinamismo da interiorização


permanentemente reconduz à direção centrípeta – para dentro e para o Eu – a
direção centrífuga da consciência – para fora e para as coisas.

● ao cosmopolitismo abstrato do século XVIII, supressor das diferenças nacionais,


o Romantismo opôs um nacionalismo concreto.

● o aspecto de uma formação espontânea se sobrepõe aos artifícios da arte.

●expressivismo: dirigido por uma intencionalidade de expressão direta, imediata,


espontânea.
●os objetos que já condensam a percepção sentimental e emotiva do sujeito neles
projetado, são, como abreviaturas dos estados de ânimo e das coisas, do interior e
do exterior, do subjetivo e do objetivo, núcleos de correlações cambiantes,
ordenadas pelas afinidades e pelos contrastes da imaginação. E sendo dialogante a
atitude do poeta, para quem os objetos passam à categoria de segunda pessoa – o tu
diante do Eu.

●No instante em que o poeta lhe fala, o rochedo não se torna um “tu” dotado de
personalidade? (NOVALIS).

● Nem sempre o eu romântico e Natureza se encontram de sorte que um remeta ao


outro, sem sobras, como em um jogo de espelhos. Nem sempre o céu é testemunha,
confidente ou reflexo da alma. Friedrich Schiller viu logo, e bem, o fenômeno: a
poesia romântica teria perdido a ingenuidade, aquele nexo imediato com a origem
das sensações que fizera das literaturas antigas modelos de clareza e vigor;
tornando-se sentimental, dobrou-se sobre si mesma e alargou o hiato entre a
consciência e o mundo. Subjetivismo e ironia preencheram esse intervalo. (BOSI,
2005, p. 245).

→ A Ascensão do Romance (IAN WATT)

● o gênero romance surgiu na era moderna, cuja orientação intelectual geral se


refere à substituição da tradição coletiva pela experiência individual como árbitro
decisivo da realidade, e essa transição constitui uma parte importante do panorama
cultural em que surgiu o romance (WATT, 1990).
● O romance é a forma literária que reflete mais plenamente a reorientação
individualista e inovadora. As formas literárias anteriores refletiam a tendência
geral de suas culturas a conformarem-se à prática tradicional do principal teste da
verdade: os enredos da epopéia clássica e renascentista, por exemplo, baseavam-se
na História ou na fábula e avaliavam-se os méritos do tratamento dado pelo autor
segundo uma concepção de decoro derivada dos modelos aceitos no gênero. O
primeiro grande desafio a esse tradicionalismo partiu do romance, cujo critério
fundamental era a fidelidade à experiência individual – a qual é sempre única e,
portanto, nova. Assim, o romance é o veículo literário lógico de uma cultura que,
nos últimos séculos, conferiu um valor sem precedentes à originalidade, à novidade.
(WATT, 1990, p.14).
● No início do século XVIII ainda determinava a tradição crítica a forte
preferência clássica pelo geral e universal X experiência individual (WATT, 1990)
● O método narrativo pelo qual o romance incorpora a visão circunstancial da vida
pode ser chamado seu realismo formal; formal porque aqui o termo “realismo” não
se refere a nenhuma doutrina ou propósito específico, mas apenas a uma conjunto
de procedimentos narrativos que se encontram tão comumente no romance e tão
raramente em outros gêneros literários que podem ser considerados típicos dessa
forma. Na verdade, o realismo formal é a expressão narrativa de uma premissa que
Defoe e Richardson aceitaram ao pé da letra, mas que está implícita no gênero de
modo geral: a premissa, ou convenção básica, de que o romance constitui um relato
completo e autêntico da experiência humana e, portanto, tem a obrigação de fornecer
ao leitor detalhes da história como a individualidade dos agentes envolvidos, os
particulares das épocas e locais de suas ações – detalhes que são apresentados através
de um emprego da linguagem muito mais referencial do que é comum em outras
formas literárias. (WATT, 1990, p. 31).

● A poesia vai-se despojando de muito do que é comemoração, doutrina, debate,


diálogo, para concentrar-se em torno da pesquisa lírica. Lírica no sentido mais
restrito, de manifestação puramente pessoal, de estado d´alma, sob a égide do
sentimento mais que da inteligência ou do engenho. (CANDIDO, 1969, p. 24).

CONSOLAÇÃO DAS LÁGRIMAS


(GONÇALVES DIAS)

● OCTAVIO PAZ: “A poesia verdadeira, a poesia completa está na harmonia dos


contrários”
● O soluço em que rebenta um sentimento pessoal seria o objetivo da poesia; e o
verso aparece como interposição quase incômoda entre o leitor, e a sequiosa
individualidade que luta para mostrar-se (CANDIDO, 1969, p. 23).