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CONSTITUIÇÃO NA ESCOLA: há mesmo uma sociedade aberta de intérpretes da

Constituição?

Cândice Lisbôa Alves1


Égina Glauce Santos Pereira2
Ana Beatriz Cerqueira3

Resumo:
O presente artigo versa sobre os desdobramentos da teoria de Peter Häberle sobre uma
sociedade aberta de intérpretes da Constituição. O problema de pesquisa foi saber se nossa
sociedade é ou não aberta para intérpretes da Constituição. Lançou-se a hipótese de trabalho
de que não há no Brasil uma sociedade aberta de intérpretes, na medida em que a maior parte
da população está distanciada do Universo Jurídico, seja em função da hermeticidade do
linguajar ou mesmo dos costumes que fecham o ambiente do Direito aos “escolhidos”. Afora
o distanciamento da população do Direito, surge como dificultador do processo o fato de o
Estado se valer, em muitos casos, da constitucionalização simbólica, seja na acepção de
legislação dilatória ou álibi, pois ambas visam a não concretização dos direitos fundamentais
pelo próprio Estado. Como meio alternativo de fomentar a concretização dos direitos, então,
pugnou-se por atitudes da sociedade civil, entre elas se apresentou como possibilidade o
projeto Constituição na Escola, que visa a ensinar o conteúdo do Direito Constitucional à
crianças do ensino fundamental de escolas da rede pública do Município de Uberlândia. A
premissa do projeto é a de que primeiro é necessário integrar a pessoa ao Discurso Jurídico
para que, posteriormente, ela possa se comportar de acordo com o Direito ou, no caso de estar
sendo lesada, passar a exigir de quem de direito o respeito às normas jurídicas. Isso permitirá,
a longo prazo, empoderamento e ampla participação social também no processo interpretativo
constitucional, através do reconhecimento dos direitos e do diálogo entre os diversos grupos
sociais.

Palavras-chave: Discurso Jurídico; concretização de direitos fundamentais; sociedade aberta


de intérpretes da Constituição;

1. Introdução

Vivemos em um Estado Constitucional classificado como Democrático de Direitos.


Essa classificação, todavia, não parece sintonizada com a realidade social, onde milhares de
brasileiros, e/ou pessoas que aqui vivem, quedam-se distanciadas da realidade constitucional,
tanto em um sentido de desconhecimento do conteúdo das normas jurídicas quanto em uma

1
Bacharel em Direito e Mestre pela Universidade Federal de Viçosa. Doutora pela Pontifícia Universidade
Católica de Minas Gerais. Professora Adjunta I de Direito Constitucional na Universidade Federal de
Uberlândia. Professora do Mestrado em Direito na Universidade Federal de Uberlândia. Advogada.
2
Bacharel em Direito e em Letras. Mestre em Linguística e Doutoranda em Linguística pela Universidade
Federal de Minas Gerais. Professora Universitária. Advogada. Criminóloga.
3
Graduanda em Direito pela Universidade Federal de Uberlândia. Monitora do Projeto Constituição na Escola.
acepção de não gozar de direitos e não se verem obrigadas aos deveres impostos na
Constituição. O resultado disso é o afastamento das pessoas do universo jurídico, e a não
concretização dos direitos fundamentais.
Tecnicamente o Estado é o primeiro responsável pelo adimplemento dos direitos
fundamentais, todavia, não é o único na modernidade, devido à pluralidade existente no seio
social. Infelizmente, a população se vê tão afastada do conceito de Estado e do papel
importante que ocupa, já que todo poder devia dela emanar, que nem consegue, como
deveria, cobrar dos governantes seus direitos, por desconhecê-los. Nesse mesmo sentido, a
ideia de emancipação social por meio do Direito se vê cada vez mais distante da realidade de
grande parte da população.
Dentro dessa perspectiva, o presente artigo tem como objetivo analisar a relação
entre sociedade e Direito, em especial enfocando se há mesmo uma sociedade aberta de
intérpretes da Constituição. A hipótese de trabalho é a de que a interpretação constitucional e
o Direito, de forma ampla, é um segredo de poucos, levando-se em consideração a
hermeticidade da linguagem jurídica e das formalidades que ao Direito estão associadas, que
não estão disponíveis ao acesso da população. Assim, como maneira de reverter o panorama,
apresenta-se o projeto de pesquisa e extensão “Constituição na Escola”, da Faculdade de
Direito da Universidade Federal de Uberlândia, como um mecanismo de reverter o quadro
apresentado, na medida em que se dedica a levar o conteúdo das normas constitucionais a
crianças de escolas públicas do Município de Uberlândia, e assim levar o conhecimento do
Direito para quem está dele apartado. O projeto é aqui utilizado como alternativa de
democratizar o acesso ao Direito e à linguagem jurídica aumentado, ainda que de forma
ilhada, o conceito de intérpretes da Constituição. O direito à educação em Direitos Humanos
tem exatamente essa ambição: ampliar o discurso em prol da melhoria de vida de pessoas
que, de forma geral, não têm acesso ao discurso jurídico. Assim, não se amplia simplesmente
os participantes, mas se empodera aqueles que precisam participar das decisões políticas para
que a própria realidade seja modificada em benefícios dos pares, que igualmente estão em
uma situação de exclusão social.
A pesquisa foi bibliográfica e o artigo foi dividido em três partes principais, além da
introdução, conclusão e referências bibliográficas, que fazem parte de todo trabalho
acadêmico. A primeira trata do Direito Constitucional e sua concretização, analisa a
possibilidade da legislação simbólica ser utilizada como mecanismo de dilatar ou não
concretizar as normas constitucionais, contrapondo-se à necessidade da ‘realidade da
Constituição’ por meio da aplicação das normas. A segunda tratou da teoria da Sociedade
Aberta de Intérpretes da Constituição, de Peter Häberle, explicitando o que é a teoria e as
dificuldades de sua aplicação no nosso contexto social. A última parte trabalhou o projeto
Constituição na Escola como exemplo de possibilidade de realização dos Direitos
Constitucionais por parte da sociedade civil, estimulando-se o sentimento constitucional por
meio do conhecimento do conteúdo das normas constitucionais a partir do ensino do Direito
às crianças.

2. Direito Constitucional e sua concretização: os desencontros do presente na ideia de


que o Estado é o único responsável

A liturgia do Direito torna o ambiente jurídico um local para poucos porque além de
contar com uma vestimenta diferenciada, há também uma linguagem própria e pouco
acessível ao senso comum. O recado dado pelo Direito é claro: “leigo, não se aproxime!”
Como se não bastasse o recrudescimento de uma postura social voltada ao
afastamento do outro provoca, para além da questão da intersubjetividade, esse mesmo
recado cria na comunidade a (falsa) ideia de que o Estado é o provedor dos direitos
fundamentais e tem fôlego para agir e de forma isolada, como um salvador. Todavia, a
realidade demonstra que nem o Estado consegue desempenhar essa missão, tampouco direitos
fundamentais básicos - como saúde e educação - vem sendo prestados de forma adequada à
população, quando o são.
Decorrência do fato anterior, e merecedora de destaque, é a constatação (singela) de
que de nada adianta uma carta constitucional com extenso rol de direitos se os mesmos não
são concretizados, sob pena de essa promessa ser só uma forma sutil de retirar da população a
oportunidade de ter direitos realmente garantidos. Diante dessa situação específica,
focaremos, nesse item do trabalho, duas perspectivas imbricadas: as consequências da
legislação simbólica e as dificuldades de pensar o Direito como concretização, única opção
possível, todavia com o equívoco corrente que atribui ao Estado a responsabilidade exclusiva
pela realização dos direitos fundamentais. Sob o prisma da constitucionalização simbólica,
serão ressaltadas as perspectivas de legislação-álibi e legislação como forma de compromisso
dilatório. A ideia inicial é a de que o Estado se vale da simbologia da legislação para fazer
crer na população que ela está incluída, que está sendo respeitada e considerada, quando,
perversamente, ele se utiliza de estratagemas para tornar inacessível promessas sociais,
muitas delas incluídas na Constituição. Quanto aos direitos fundamentais, essa percepção não
é muito difícil de se fazer sentir.
O primeiro enfoque interessante, e perverso, atine à utilização da legislação como
meio de o Direito não se efetivar. Essa situação corresponde a “dar com uma mão e retirar
com a outra”. Marcelo Neves (2012) trabalhou bem a questão ao desenvolver a concepção de
constitucionalização simbólica. Uma das maneiras de ludibriar a população, fomentando a
falsa impressão de que ela está sendo atendida, é por meio da legislação-álibi, que seria uma
tentativa de produzir confiança no sistema político e jurídico por meio da edição de normas
sem que exista a mínima condição de que elas possam se tornar efetivas (NEVES, 2012, p.
36). O problema, nesse método, é que além de não resolver efetivamente a questão, obstrui o
surgimento de uma solução por outra maneira (NEVES, 2012, p. 39). Cria-se a ‘foto’ de um
Estado ideal, que alia normatividade aos anseios sociais, todavia, a ‘foto’ não corresponde à
realidade, embora, não se possa negar, que a ‘foto em si’ seja bela.
Ainda sob a ótica da constitucionalização simbólica, outro instrumento é a legislação
como fórmula de compromisso dilatório. Significa que a legislação é confeccionada com a
finalidade precípua de não funcionar ou de ser ineficaz. Aparentemente, a população recebe a
resposta atinente às suas demandas, mas, por debaixo dos panos, há um acordo (político) que
catapulta para o futuro a análise efetiva da questão (NEVES, 2012, p. 41-42). No
Ordenamento Jurídico Brasileiro, essa argumentação foi bastante utilizada quando vigorava e
aplicava-se a classificação das normas constitucionais programáticas. Normas programáticas
são aquelas que teriam sua eficácia vinculada à programas políticos específicos, sem os quais
as normas, embora existentes, não seriam concretizáveis, ou seja, essas normas eram tão
somente metas de governo, que ao longo do tempo seriam realizadas, na medida das
possibilidades financeiras do Estado (CARBONELL, 2005, p.43). Para nossa sorte, esse
pensamento foi superado, e até mesmo José Afonso da Silva, autor que consagrou a
classificação, modificou sua opinião adotando a postura de que mesmo as normas
programáticas eram marcadas por imperatividade e obrigatoriedade (SILVA, 2004, p. 154).
Em outras palavras, muito embora não reconhecesse a possibilidade de aplicação imediata
delas, entendeu Silva (2004, p.155) que elas determinavam deveres objetivos aos Poderes, em
especial deveres negativos quanto à proibição de comportamentos que pudessem anular ou
diminuir a amplitude dos direitos fundamentais já estabelecidos.
Relacionando a constitucionalização simbólica com o afastamento da população do
Direito, pode-se induzir que o linguajar jurídico, antes mesmo da análise do conteúdo da
norma, já é um mecanismo para tornar inacessíveis as promessas sociais que vêm (ou
deveriam vir) veiculadas pelas normativas jurídicas. Ou seja, na equação relacionada ao
destinatário final do Direito - a população - ele mesmo não se vê considerado ou inserido. No
mundo das pessoas comuns, as controvérsias não chegam, mesmo tomando por referência
que da perspectiva teórica estejam hipoteticamente incluídos e enumerados em um rol ou
catálogo sistemático de intérpretes.
Indo um pouco além da normatização em si, o outro elemento que merece ser
pensado é o atinente à concretização das normas de direitos fundamentais. Classicamente, em
período correspondente ao nascimento dos direitos fundamentais até meados do século XXI,
idealizou-se que direitos fundamentais deveriam ser prestados pelo Estado, exclusivamente.
Essa construção, todavia, perdeu sua força diante da constatação da impossibilidade de o
Estado ser o único responsável pela concretização de tais direitos. Nesse sentido, deve ser
reafirmado que a concepção quanto aos direitos fundamentais é a de que eles não podem ser
apenas uma “carta de boas intenções” do Poder Constituinte, seja o originário ou o derivado.
Isso implica que normas constitucionais devem ser realizadas, não apenas segundo uma
perspectiva hermenêutica distanciada da efetividade. Ao contrário, normas jurídicas devem
ser interpretadas e concretizadas (HESSE, 2002). Para tanto, imprescindível a dilação do rol
dos legitimados a interpretar o Direito (sociedade aberta de intérpretes da Constituição) para
que eles sejam atores sociais aptos a compreender seu conteúdo, para que possam,
posteriormente, e diante das necessidades práticas, exigir sua concretização no mundo dos
fatos. O projeto “Constituição na Escola”, que atualmente é um projeto de extensão e
pesquisa da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Uberlândia, é um meio de
estender o rol dos legitimados, na medida em que tem como objeto de trabalho a tradução do
conteúdo das normas constitucionais para crianças das escolas públicas do Município de
Uberlândia. Claro que o projeto não é capaz de resolver toda a problemática envolvida,
todavia pode ser vetor de mudança social, e, acaso se torne exitoso em sua missão, poderá ser
implantado em outros Municípios para multiplicar sua tarefa.

3. Uma sociedade aberta de intérpretes: serão todos participantes da criação e


interpretação do Direito?

Como alertado no item anterior, percebe-se que manter unicamente o Estado como
realizador dos direitos fundamentais não é algo que seja funcional na modernidade, ainda que
em algum momento histórico tal fato tivesse que ocorrer, o que deu início aos direitos
fundamentais de segunda dimensão, por exemplo. A dinâmica social, de alguma forma,
suplanta o que a norma consegue proteger, pois a pluralidade no tecido social torna
impossível o reconhecimento de todos os segmentos sociais existentes e a obrigatoriedade de
apenas um centro de poder fazer com que sejam todos eles reconhecidos e protegidos. Todo o
contexto ratifica a falha na dinâmica centralizadora do Estado.
É nesse sentido que ainda que as interpretações dos enunciados pelo Poder Judiciário
hoje sejam focadas em princípios e valores provenientes da nossa ordem jurídico-social
iniciada em 1988, na qual valores como igualdade, liberdade e progresso passaram a ser
vistos como direitos dos homens e não apenas como aspirações políticas, não é o suficiente
para promovê-las. Assim, o Discurso Jurídico assumiu papel importante, pois o discurso
social da modernidade está definido nele, quando consideramos o indivíduo como sujeito de
direitos e nos limites, que foram e são elaborados, ao exercício do poder político, a ser
desenvolvido pelos indivíduos de certa sociedade.
Nesse sentido, atendendo às modificações provenientes das teorias democráticas, no
Brasil, cada vez mais, reconhecemos princípios de uma democracia participativa, pelos
institutos que estão sendo utilizados tanto no processo político quanto jurídico de tomada de
decisão. O Estado tem repassado, de alguma maneira, a possibilidade para os cidadãos de
ampliar esse procedimento, em questão de vozes, tornando plúrimo o procedimento. Pode-se
exemplificar a expansão com o orçamento participativo, uma das maneiras utilizadas no
sentido de se definir o que a população sugere como necessidades primárias a serem
realizadas pelo poder público, normalmente, de cunho local. Nos processos judiciais, a
influência se dá pela audiência pública, a qual tem sido utilizada como meio deliberativo
tanto para propiciar aos sujeitos que serão afetados pela decisão a ser tomada pelo Estado a
apresentar suas perspectivas, como também para ouvirem as exposições estatais do porquê,
buscando-se o diálogo entre os vários atores sociais, que serão atingidos diretamente pela
decisão em questão. Deve-se ressaltar que na Administração Pública, normalmente, a
participação é ampla, mas junto ao Supremo Tribunal Federal, em que foi inserida
normativamente, restringe-se a alguns atores que se enquadram na determinação legal de
interessados sobre o assunto ou com conhecimento dele. Essa situação vem disciplinada pela
Lei 9.8684, de 10 de novembro de 1999, e também pela Lei 9.8825, de 03 de dezembro de
1999 que tratam do amicus curiae.
Nessa condição, considerando que a Constituição é a carta política que ordena a
sociedade, em que a vontade do povo deveria ser a mão-guia, a interpretação da Constituição

4
Dispõe sobre o processo e julgamento da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória de
constitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal.
5
Dispõe sobre o processo e julgamento da argüição de descumprimento de preceito fundamental, nos termos do
§ 1o do art. 102 da Constituição Federal
deveria ser realizada por seus pares - integrantes do povo de forma ampla - e não apenas ser
oportunizado a ele participar de alguns (poucos) processos decisórios.
Sabe-se que a democracia direta é impossível no Brasil, por questões, inclusive,
geográficas. Mesmo as decisões locais, fruto do poder municipal, limitam-se pelo espaço
local-temporal. É desejada a participação social, em uma democracia democrática, ainda que
não direta. Nesse sentido retoma-se a importância da teoria de Peter Härbele (1997, p.13) que
propugna a “sociedade aberta de intérpretes da Constituição” no sentido de maior
participação social e expansão do conteúdo significativo da Constituição estar - ou ser levado
a estar - disponível ao conhecimento da população. Häberle é, sem dúvidas, apontado como
influenciador do Supremo Tribunal Federal e das normas que inserem os institutos da
audiência pública e do amicus curiae na Jurisdição Constitucional. Ele prevê a ampliação dos
atores constitucionais, nos seguintes termos:

[...] no processo de interpretação constitucional estão potencialmente vinculados


todos os órgãos estatais, todas as potências públicas, todos os cidadãos e grupos, não
sendo possível estabelecer-se um elenco cerrado ou fixado com numerus clausus de
intérpretes da Constituição. Interpretação constitucional tem sido, até agora,
conscientemente, coisa de uma sociedade fechada. Dela tomam parte apenas os
intérpretes jurídicos "vinculados às corporações" ("Zünftamässige Interpreten") [sic]
e aqueles participantes formais do processo constitucional. A interpretação
constitucional é, em realidade, mais um elemento da sociedade aberta. Todas as
potências públicas, participantes materiais do processo social, estão nela envolvidas,
sendo ela, a um só tempo, elemento resultante da sociedade aberta e um elemento
formador ou constituinte dessa sociedade ("weil Verfassungsinterpretation diese
offene Gesellschaft immer von neuem mitkonstituiert und von ihr konstituiert
wird") [sic] (HÄBERLE, 1997, p.13) .

Com esses conceitos, não apenas o STF deve ser influenciado por sua teoria, mas os
critérios de interpretação constitucional hão de ser tanto mais abertos quanto mais pluralista
for a sociedade na medida em que a teia social é composta por diversidade, que são
integrantes materiais do processo social, portanto, esses segmentos não podem ficar externos
ao processo interpretativo da Constituição. Essa perspectiva intitulada de “Constituição
aberta” é a própria ideologia democrática, por isso demanda, na sociedade em que for
aplicada, alguns requisitos fundamentais, tais como: sólido consenso democrático,
instituições fortes, cultura política desenvolvida. Esses pressupostos normalmente não são
encontrados em sistemas sociais e políticos subdesenvolvidos ou em desenvolvimento.
A necessidade não apenas do conhecimento de forma ampla dos direitos, valores e
perspectivas da Constituição, mas também da concretização desses valores no seio social,
reconhecendo-os ou não como passíveis de atender aos grupos sociais, ainda que antagônicos,
somente se dará quando os grupos na sociedade forem capaz de envolver-se no processo
político, mais do que ir às urnas e comprometer-se com a defesa das convicções do grupo que
faz parte.
Para alcançar os requisitos fundamentais acima citados, é preciso uma ampla
divulgação da própria Constituição na sociedade, por exemplo, por meio do estudo do seu
conteúdo no âmbito escolar. Todavia, surge a indagação: esse estudo seria suficiente?
Segundo Bonavides (2006, p. 228):

A construção teórica de Häberle parece desdobrar-se através de três pontos


principais: o primeiro, o largamento do círculo de intérprete da Constituição; o
segundo, o conceito de interpretação como um processo aberto e público; e,
finalmente, o terceiro, ou seja, a referência desse conceito à Constituição
mesma, como realidade constituída e "publicização" ("verfassten Wirklichkeit
und Öffentlichkeit") [sic] (Grifamos)

Por isso questionamos se apenas o conhecimento seria o suficiente. Parece ser


necessário engajamento com os direitos fundamentais, com o respeito às diferenças e com a
busca de decisões motivadas pelos valores sociais, de onde provêm as regras de conduta a
serem determinadoras do Discurso Jurídico, e com a capacidade dos grupos se articularem e
ganharem voz para defesa dos interesses metaindividuais.
Os três pontos envolvem abertura do processo interpretativo à sociedade e a
consequência é a Constituição enquanto reconhecimento e participação da sociedade, isso
porque o Discurso Jurídico constitucional da atualidade incluiria diversas instâncias sociais,
cuja função seria resgatar as minorias ou individualidades que foram oprimidas ou silenciadas
por ideologias cingidas na técnica e na produção, mas não apenas isso, pois o consenso ou
dissenso implica na discursividade dos assuntos e na compreensão da sociedade dos fatores
que motivaram a decisão em certo sentido, ainda que não seja a perspectiva daquele cidadão.
Dessa forma, o discurso jurídico constitucional dá vazão a vozes, que estarão por
trás das interpretações hermenêuticas do texto constitucional, que, na verdade, deveriam
legitimar o discurso jurídico em decorrência da representatividade no procedimento eleitoral,
em defesa das necessidades sociais. O processo de deliberação pública em um Estado
democrático de direito engloba discussões que envolvem todos daquela sociedade, pois:

[...] não apenas o Estado em sentido estrito, mas também a própria esfera pública
(Öffentlichkeit), dispondo sobre a organização da própria sociedade e, diretamente,
sobre setores da vida privada, não pode tratar as forças sociais e privadas como
meros objetos. Ela deve integrá-las ativamente enquanto sujeitos. (HÄBERLE,
1997, p. 33).
Assim, é necessária uma mudança de concepção dos próprios indivíduos sociais
para que possa realmente se alcançar a ampliação dos intérpretes da Constituição, que deve
ser toda a sociedade e não apenas os juristas. Isso porque interpretar é reconhecer o sentido,
apurar o significado e identificar ou não o que está sendo interpretado com os valores e
princípios reguladores daquela sociedade, sem abrir mão do reconhecimento das diferenças
existentes naquela sociedade, pela própria sociedade, enquanto grupos internos, sem isso, o
processo interpretativo torna-se impossível. E o que pode ser feito para alterar a situação? O
projeto Constituição na Escola é, sem dúvida alguma, uma tentativa de ampliação dos
intérpretes da Constituição, oriundo da sociedade civil, e inspirado pela vontade de mudança
social que seja iniciada pela própria sociedade, proporcionando empoderamento aos grupos
sociais para lutarem efetivamente pelos seus direitos e para a efetivação desses.

4. O projeto Constituição na Escola: a sociedade civil buscando alternativas de inclusão


e aplicação do direito em prol de transformação social

Mesmo estando positivado na Constituição brasileira de 1988 extenso rol de direitos e


garantias fundamentais, sendo inclusive a mesma apelidada de “Constituição cidadã”, dado
seu forte caráter garantista de direitos, o Estado brasileiro figura como violador permanente
de inúmeros direitos humanos. Esse quadro se agrava principalmente no que diz respeito às
minorias e às populações pobres, denotando um caráter seletivo nas referidas violações,
configurando um cenário que muito faz lembrar o “Estado de exceção” de Giorgio Agamben,
aquele que se caracteriza quando há “uma zona de indiferença entre o caos e o estado da
normalidade, uma zona de indiferença capturada pela norma, de modo que não é a exceção
que se subtrai à norma, mas ela que, suspendendo-se, dá lugar à exceção” (PONTEL, 2012,
p.101).
Observa-se no Estado de exceção o papel central que ocupa a norma e sua anomia. É
quando se está fora do Estado determinado pelas normas que surge o Estado de exceção,
sendo característica essencial deste a antijuridicidade: o ser exterior às definições legais e, no
Estado Democrático de Direito, às normas constitucionais. Aqui, interessa muito observar o
papel de compreensão da norma como central na caracterização do Estado de exceção: é,
pois, somente tendo conhecimento das normas que se pode compreender o que está ou não
fora delas, o que é ou não exceção. A caracterização do que é o desvio anômico exige a
predefinição do que é o Estado legal, a compreensão prévia do que engloba o jurídico e o
democrático.
A ideia da compreensão do jurídico pelo ser que compõe a sociedade não é inédita.
Ela é, inclusive, dada pelo princípio da inescusabilidade do conhecimento da lei, que é
positivado na Lei de Introdução ao Código Civil, outrora chamada Lei de Introdução ao
Direito Brasileiro: “ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece”
(BRASIL. Lei 12.376, 2010, art. 3º).
A compreensão do jurídico, porém, não se finda aí. O que se propõe vai além: o dever
de conhecimento da norma gera, em contrapartida, o direito à compreensão desta, ou deveria
gerar tal obrigação. A proposição jurídica que incumbe ao cidadão a inescusabilidade do
conhecimento das normas gera uma reação inversa que encarrega ao Estado o dever de fazer
essa norma compreensível, acessível à população. O Estado não pode escusar-se do dever de
educar sua população para a compreensão do Direito enquanto direitos e garantias e, mais
além, enquanto sistema. É injustificável a não existência de uma educação jurídica popular,
destinada às grandes massas, que não seja, - como hoje o é - privativa dos restritos círculos
dos operadores do Direito. Não se justifica negar ao povo, àqueles que têm sua existência
social regulada pelo ordenamento jurídico à mínima compreensão deste sistema ao qual está
invariavelmente sujeito.
A instituição do Estado Democrático previsto no preâmbulo da Constituição de 1988
perpassa pelo que Paulo Freire (1959, p.12) adverte em relação à democracia e que
estendemos para a instituição do Estado Constitucional: para torná-lo real é preciso esvaziá-lo
de verbalismos, tornando o cidadão participante do processo e não apenas espectador dele,
deixando de impor mutismo e passividade ao integrante desse Estado, colocando ao seu
alcance uma compreensão crítica diante de seus problemas e dos problemas de sua
comunidade. Djacir Menezes já advertia sobre a estranheza da democracia que existe sem um
povo que a atrapalhe e a perturbe (MENEZES, 1956, p. 126).
A instituição de um Estado Constitucional enquanto objetivo básico do Estado
brasileiro deve prezar pela edificação de uma cultura voltada para a satisfação dos ideais
expressos pela Lei Maior e para consagração da figura do “sentimento constitucional”, que
está relacionado à efetividade da Constituição e à cristalização de um sentimento de
pertencimento constitucional, resultado último do entranhamento da Lei Maior na vivência
diária dos cidadãos (BARROSO, 1993, p. 41). O nascimento desse sentimento está
intimamente atrelado ao conhecimento das normas constitucionais, pois é só através do pré-
conhecimento destas que se pode saber se há ou não o entrelaçar do que está disposto com o
que se vive. O estabelecimento do ideal constitucional enquanto valor a ser perseguido pelo
Estado envolve também um planejamento educacional. Neste ponto, Freire sintetiza:
Todo planejamento educacional, para qualquer sociedade, tem de responder às
marcas e aos valores dessa sociedade. Só assim é que pode funcionar o processo
educativo, ora como força estabilizadora, ora como fator de mudança. Às vezes,
preservando determinadas formas de cultura. Outras, interferindo no processo
histórico, instrumentalmente. (FREIRE, 1959, p. 8)

É possível transformar o Estado de exceção pela educação em direitos. Ou, ao menos,


torná-lo mais escancarado, compreensível àquele(s) que o vivencia(m). O Universo Jurídico,
enquanto uma evolução daquilo que ficou conhecido como autotutela colocou-se enquanto
principal alternativa à resolução dos imbróglios daqueles que (con)vivem em sociedade, mas
sua posição privilegiada também precisa estar sujeita a evoluções e adequações. O Direito,
muitas vezes, apresenta-se como uma instância apartada de seu ideal emancipatório e, assim,
coloca-se enquanto maior obstáculo, tendo em vista a obtenção da Justiça. Esse cenário de
exclusão é ainda mais gravoso nos povos de formação colonial, como o Brasil, onde as
práticas e institutos jurídicos foram “importados” como verdadeiros moldes a serem
anexados, muitas vezes, a realidades inteiramente distintas do local onde se desenvolveram
enquanto frutos de milênios de amadurecimento histórico e social.
Por muitos motivos, é preciso retirar o Direito de seu pedestal, que o coloca tantas
vezes como uma instância distante e, tantas vezes, incompreensível, dotado de uma
linguagem hermética, com um léxico arcaico, erudito e formalista, produções textuais
truncadas, extensas, repletas de neologismos e expressões em latim. É preciso alçar o Direito
enquanto instância emancipatória de forma que torne o cidadão agente (ou, ao menos, co-
participe) da resolução de seus impasses, ensinando-o a usar o jurídico enquanto ferramenta
para a promoção da sociedade que idealiza.
Para democratizar o Direito e torná-lo uma instância acessível, é preciso que se
recorra à educação. Nesse ponto, reporta-se a questão interposta por Michael Young: “Para
que servem as escolas”? (YOUNG, 2007, p. 1288). O próprio Young responde à questão
afirmando ser a escola a instituição cujo propósito específico é promover a aquisição de
conhecimento (YOUNG, 2007, p. 1298). Em artigo intitulado “A Família e a Escola como
contextos de desenvolvimento humano”, as autoras Maria Dessen e Ana Polónia, além de
traçarem o papel da escola e da família como contextos de desenvolvimento fundamentais
para a trajetória de vida das pessoas, definem o papel específico da escola como lugar de
desenvolvimento de atividades sistemáticas e a articulação dos conhecimentos culturalmente
organizados, de forma que se possibilite a apropriação da experiência acumulada e as formas
de pensar, agir e interagir no mundo, oriundas dessas experiências (DESSEN; POLÓNIA,
2007, p.23).
Ademais dessa ideia formalista de escola, Freire aprofunda a questão acerca da
formação escolar olhando para o produto que essa educação visa obter. Contrapõe ainda a
concepção da educação popular à da escola enquanto formadora do capital humano, esta
última se comportando como agência de entrega de um produto pré-estimado, tendo seu foco
não nos conteúdos ensinados, mas nos resultados que obtém em face de metas, tarefas e
provas de desempenho. A educação popular vem no sentido contrário, e visa a atender às
necessidades da população excluída dos direitos básicos da existência humana e dos
princípios da formação de sujeitos críticos – conscientes e construtores de sua história
(MACIEL, 2011, p. 328).
Através da concepção da educação popular freiriana, podemos observar uma abertura
à possibilidade de transformação da condição humana através da educação, que pode dar-se
dentro ou fora do ambiente escolar. Segundo Freire (2001, p. 99):

a educação para os direitos humanos, na perspectiva da justiça, é exatamente aquela


educação que desperta os dominados para a necessidade da ‘briga’, da organização,
da mobilização crítica, justa, democrática, séria, rigorosa, disciplinada, sem
manipulações, com vistas à reinvenção do mundo, à reinvenção do poder.

Nesse contexto, surge o Constituição na Escola, projeto de pesquisa e extensão do


Curso de Direito da Universidade Federal de Uberlândia, que tem como objetivo levar a
estudantes de escolas públicas em situação de vulnerabilidade a compreensão do que é a
Constituição, seus institutos e a teoria que lhe sustenta, e lhes são atinentes. Através disso,
busca-se estimular nas crianças o sentimento de cidadania e de pertencimento à ordem
constitucional para que elas possam estar inseridas e comportem-se de acordo com o Direito.
O ensino da Constituição na escola justifica-se enquanto forma de empoderamento do
saber/poder jurídico, de entrada no que Foucault chama de “a ordem do discurso”. O autor
alega que "ninguém entrará na ordem do discurso se não satisfizer a certas exigências ou se
não for, de início, qualificado para fazê-lo", pois há regiões do discurso que são conformadas
para não serem acessíveis a todos, para não serem penetráveis e, até mesmo, proibidas
(FOUCAULT, 1996, p.37).
Adentrar na ordem do discurso jurídico é ter acesso à dimensão em que se torna
possível a capacidade emancipatória do sujeito pelo Direito, obtendo-se uma resposta positiva
ante os conflitos sociais (SANTOS, 2003). Trazer aos cidadãos a compreensão dos meandros
do Direito e do Estado e a assimilação dos sentidos interpostos pela Constituição é posicioná-
los como autores do discurso jurídico, transferindo a eles as habilidades necessárias para
interpretação e, portanto, instrumentalizando-os para que possam realizar mudanças a seu
favor. Ensinar Direito, sobretudo àqueles para os quais o Direito é negado, é trazer esperança
de Justiça. É fomentar inclusão social e jurídica, permitindo que eles se tornem sujeitos do
seu próprio destino.
Nesse sentido, é também importante frisar a importância da existência de projetos de
extensão no âmbito da graduação em Direito, que busquem a realização de pontes entre a
escola e o saber universitário, como o “Constituição na Escola”. Primeiramente, porque
coloca o jurista em formação no papel de um “educador em formação”, e colaborador com o
desabrochar do conhecimento social seu e de terceiro, estimulando o empoderamento para
que, futuramente, esses terceiros possam se colocar como facilitadores da compreensão do
discurso jurídico também. Em segundo lugar, porque possibilita que a escola se torne um
espaço para a promoção e debate de direitos humanos e fundamentais, proporcionando o
conhecimento dialético.
Levar o Direito, seja por meio de cartilhas, peças teatrais e outros instrumentos
artísticos ou como atividades a serem exercidas e construídas juntos à comunidade escolar é
de extrema importância para a consolidação de um projeto jurídico emancipatório. Promover
a inclusão do discurso jurídico adaptado ao público das escolas (e à infância, de maneira
geral), especialmente à infância pobre, rural ou carente, tem também sua função simbólica e
ideológica: retira o saber do seu antro oculto e sagrado e o conduz aquele que está realmente
sujeito ao Direito e seu artefato punitivista, ao mais vulnerável.

5. Conclusões

Embora se viva em um Estado Democrático de Direito, sentir-se incluído nesse


mesmo Estado requer, antes de mais nada, compreender o conteúdo do Estado, o que
perpassa pelo conhecimento das normas que o regem, ou seja, pela interpretação da
Constituição e do Direito, de modo geral.
Nesse sentido, o problema do artigo foi decifrar o que significa uma “sociedade
aberta de intérpretes da Constituição”, teoria capitaneada por Peter Häberle, que inspira o
Supremo Tribunal Federal, ainda que pareça distanciada da realidade constitucional da
maioria da população regida pela Constituição do Brasil.
Uma sociedade aberta deveria ser uma sociedade que conhece a normativa maior,
interage com ela, e assim sente a importância da Constituição, pois está embebida pelo
“sentimento constitucional. Sociedade empoderada, capaz de reconhecer, exigir e discutir
seus direitos, deveres e obrigações. Infelizmente, nossa realidade caminha em sentido
contrário: a hermeticidade da linguagem junto ao formalismo do Direito deixam de lado a
maior parte da população.
Um meio pensado para driblar tamanho abismo é através do ensino do conteúdo da
Constituição para alunos de escolas públicas, visando a que eles possam sentir-se integrados
ao Estado e serem agentes de mudança e transformação social, rumo à emancipação
mencionada por Boaventura.
Para aquelas pessoas que não tem os ventos da vida soprando a seu favor, a educação
surge como esperança (talvez a única) de melhoria de suas condições de vida. Acreditar na
educação é o mesmo que apostar em uma vida mais digna, onde pessoas que tem
conhecimento sobre “as regras do jogo” possam manejar de maneira mais tranquila as
vicissitudes nas quais estão inseridas. Em alguns momentos, estas mesmas regras podem ser
utilizadas a seu favor, burlando estratagemas estatais para o não adimplemento de direitos
fundamentais, como acontece quando o Estado se vale da constitucionalização simbólica para
emperrar o sistema de concretização de direitos.
O projeto Constituição na Escola, neste ínterim, pode ser pensado como uma
tentativa de romper com o contexto de exclusão. Ele surgiu com o objetivo de ser vetor de
inclusão jurídica e social. Seu trabalho está apenas no início, todavia suas premissas estão em
sintonia com os ensinamentos de Freire e Boaventura, visando a inserção social por meio do
Direito, para, quem sabe, se aproximar do ideário da emancipação social. É cedo para
prognósticos ou diagnósticos precisos sobre a avaliação do projeto em um contexto social tão
desfavorável. Em lado oposto, todavia, não é cedo para sonhar com mudanças positivas.
Então, partindo do pressuposto de que o Estado não tem meios de fazer tudo sozinho, é
imprescindível que esse projeto, ao lado de outros, possam melhorar a situação de vidas
daquelas pessoas que se sentem afastadas do Direito. Afinal, é a fé o que move os verdadeiros
e mais distantes sonhos. Tenhamos fé!

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