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O escopo de nosso trabalho é salientar a problemática dos Direitos Políticos. Assim como os Direitos Individuais e Sociais, o s Direitos Políticos
tomam relevância por causa da recente e difundida discussão sobre os Direitos Humanos, devido à incomensurável importância destes no
exercício da democracia.

Trataremos dos Direitos Políticos enquanto direitos prescritos em normas basilares, porque é a Constituição, o cerne de onde emanam tais
direitos. A cada nova Constituição decretada, percebe -se a evolução dos Direitos Políticos em relação ao número de pessoas abarcadas pela
amplitude destes. À medida em que se ampliam as condições de interferência do cidadão no poder do Estado, está se alargando o gozo da
democracia.

Percebemos que as aspirações e conquistas do seio da sociedade, vão, paulatinamente, materializando -se nas Cartas Políticas, desde o Império
até nossa Constituição Vigente de 1988.

Vale ressaltar que o debate sobre Direitos Políticos esteve em voga, atualmente, com a questão da reeleição, moment o pelo qual muito se
pensou sobre a capacidade eleitoral passiva e suas condições, que sobre as quais dissertaremos.

Outrossim, a capacidade eleitoral ativa, ou seja, o direito de voto será trabalhado. Nota -se, com a evolução das Constituições, uma maior
valorização dos excluídos, como os analfabetos, mendigos, mulheres, que passam a ter seus Direitos Políticos assegurados nos textos
constitucionais. É a democracia participativa e a organização da sociedade civil que passam a exigir dos órgãos estatais pro cessos de mudança
social, política e econômica, dentro dos princípios dos direitos humanos, universalmente aceitos.

Compreenderemos a Constituição de 1988 como a mais democrática, sendo os Direitos Políticos extendidos, praticamente, a todos . Todavia,
há de se perquirir sobre a real participação popular no país. Inobstante ser ampla a participação de eleições, a interferência d a sociedade ainda
está aquém no que tange às discussões e aos debates sobre as condições político -sociais do povo brasileiro. O pov o ainda está aprendendo a
exercer seus direitos políticos, devido ao longo período de ditadura, e está internalizando a necessidade de reivindicações d e suas aspirações.
Com uma maior divulgação desses direitos - o que também é objetivo dessa monografia - poderemos passar, em breve, para uma democracia
mais participativa e mais humana, fazendo dos instrumentos políticos um meio para uma melhora do bem -estar social de toda a comunidade
brasileira.


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Os Direitos Fundamentais do ser humano, tendo como sinônimo a expressão Direitos Humanos, compõem -se dos Direitos Individuais
fundamentais (vida, liberdade, igualdade, propriedade, segurança); dos Direitos Sociais (trabalho, saúde, educação, lazer e o utros); dos
Direitos Econômicos (consumidor, pleno emprego, meio ambiente); e dos Direitos Políticos (formas de realização da soberania p opular).

Estes grupos se complementam e integralizam de tal forma, que sem a existência de todos eles, torna -se impossível a plenitude dos Direitos
Humanos.

Os Direitos Políticos são um dos grupos que constituem os Direitos Fundamentais. Como coloca -nos o professor JOSÉ LUIZ QUADROS DE
MAGALHÃES:

"São direitos de participação popular no Poder do Estado, que resguardam a vontade ma nifestada individualmente por cada eleitor sendo que
a sua diferença essencial para os Direitos Individuais é que, para estes últimos, não se exige nenhum tipo de qualificação em razão da idade e
nacionalidade para o seu exercício, enquanto que para os Dir eitos Políticos, determina a Constituição requisitos que o indivíduo deve
preencher".

(|  

    
 
. p.21)

Contribui-nos, outrossim, este autor (Ibidem, p.241), com uma brilhante passagem:

"Estes Direitos Políticos são (...) dependentes de outros direitos fundamentais da pessoa humana, sendo que, para a efetivação de um modelo
de democracia mais participativa e portanto mais representativa da vontade     da população, dependem estes Direitos Políticos do
direito social à educação, como forma de conscientização da população (...). Dependem, (...) de Direitos Econômicos, mais precisamente, de
normas do Estado que concretizem uma política econômica que busque a democracia econômica, sem a qual, (...), a democracia es tá em
cheque".

Ao trabalharmos a questão Direitos Fundamentais faz -se mister mencionar que esses direitos devem estar garantidos por uma lei, da mesma
forma que todo direito de uma pessoa. Todavia, essa lei que garante os Direitos Fundamentais do ser humano tem de ser uma lei matriz, que
fundamenta as outras. Destarte, os Direitos Fundamentais são garantidos pela Constituição, lei fundamental, que origina e val ida todas as
demais. Como bem assevera o Professor JOAQUIM CARLOS SALGADO: "Os Direitos Fundamentais são aquelas prerrogativas das pessoas,
necessárias nas Constituições". (SALGADO, Joaquim Carlos. Os direitos fundamentais. p.17)
Para JOSÉ AFONSO DA SILVA, têm se a seguinte conceituação:

"|  
 
   constituia expressão mais adequada (.. .) para designar,        , aquelas prerrogativas e
instituições que ele concretiza em garantias de uma convivência digna, livre e igual de todas as pessoas. No qualificativo 
 
 acha-se
a indição de que se trata de situações j urídicas sem as quais a pessoa humana não se realiza, não convive e, às vezes, nem mesmo sobrevive;
fundamentais   no sentido de que a todos, por igual, devem ser, não apenas formalmente reconhecidos, mas concreta e
materialmente efetivados".

(SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. p.176 -177)

Acrescenta ainda professor SALGADO:

"O conceito de direitos fundamentais apresenta, pois, dois aspectos: a) no aspecto formal, como direitos propriamente ditos, são garantidos
numa constituição como prerrogativas; b) no aspecto material, como valores, são pré -constitucionais, pois que produtos das culturas
civilizadas, e determinam o conteúdo desses direitos nas constituições".

(SALGADO, Joaquim Carlos. Os direitos fundamentais. p.17)

JOSÉ CARLOS VIEIRA DE ANDRADE (apud MAGALHÃES, José Luiz Quadros de.|  

    
 
. p.22.) examina os
Direitos Fundamentais sob três perspectivas.

Na primeira dessas perspectivas, ou seja, na perspectiva filosófica, na sua dime nsão natural, são como direitos inerentes aos seres humanos.
Intemporais e imutáveis. Assim afirma a Declaração dos Direitos do Homem de 1789 (França):

"O fim de toda associação política é a conservação dos  



    , resumindo-se estes na liberdade, segurança,
propriedade e resistência à opressão".

(Ibidem, p.22)

Em uma segunda perspectiva a se considerar os Direitos Fundamentais, tem -se a visão universalista ou internacionalista. Vistos desta maneira,
devem ser impostos a todos os estados, tentando-se garantir a todos os seres humanos, em todos os lugares do mundo. O professor JOSÉ LUIZ
QUADROS DE MAGALHÃES observa que os direitos universais são aqueles que podem ser aceitos por todos os povos, por todas as cu lturas, em
todos os Estados soberanos contemporâneos. Podem, às vezes, entrar em contradição com certas regras de culturas específicas, mas atr avés
do que existe de humano ou universal em cada comunidade, se supera os princípios locais. (Ibidem.     







   

  . p.199)

A perspectiva estatal ou constitucional, é a terceira delas, significando o estudo das declarações de direitos fundamentais n as diversas
Constituições.

Ademais, é importante ressaltar que a relevância dos Direitos Fundamentais do ser humano atingiu uma esfera global com a Decl aração
Universal dos Direitos do Homem, em Paris, em 10 de dezembro de 1948; afirmando como tais os direitos individuais, sociais e políticos.

Salienta-nos tal importância NORBERTO BOBBIO, quando coloca:

"A Declaração Universal representa a consciência histórica que a humanidade tem dos próprios valores fundamentais na segunda metade do
século XX. É uma síntese do passado e uma insp iração para o futuro: mas suas tábuas não foram gravadas de uma vez para sempre.

( BOBBIO, Norberto. 


   . p.34)


     c c c  c       cc c 

Consoante já foi dito, o conteúdo dos Di reitos Fundamentais sofreu alterações através dos tempos, ou seja, os Direitos Fundamentais foram
acrescidos de novos grupos de direitos. Podemos dizer que, inicialmente, eram como que sinônimos dos direitos individuais fun damentais.
Posteriormente, em dec orrência de fatos históricos, se determinará a garantia também dos Direitos Políticos, Sociais e Econômicos, por parte
do Estado.

Segundo NORBERTO BOBBIO, o desenvolvimento dos direitos do homem passou por três fases. Num primeiro momento, afirmam -se todos os
direitos que tendem a reservar para o indivíduo uma esfera de liberdade  


; num segundo momento, foram propugnados
os direitos políticos, os quais - concebendo a liberdade não apenas como não-impedimento, mas como autonomia - tiveram como
conseqüência a participação cada vez mais ampla, generalizada e freqüente dos membros de uma comunidade no poder político (ou liberdade
 Estado); e por fim, os Direitos Sociais, como os do bem -estar e da igualdade não apenas formal, que chamamos de liberdade

ou 
  do Estado (Op. cit. p.32 -33)
Faz-se mister neste momento, a conceituação do Estado Constitucional, para discorrermos sobre as fases evolutivas do Estado Moder no.
Como leciona o professor JOSÉ LUIZ QUADROS DE MAGALHÃES: "É aquele que limita os poderes no Estado, organiza sua estrutura, distribui
competências e declara e garante direitos fundamentais da pessoa humana" (     






   


  . p.31).

Segundo QUADROS DE MAGALHÃES, o Estado Constitucional ou Estado de Direito tem sua manifestação inicial com a Magna Carta, em 1215
(séc. XIII). O Rei João da da Inglaterra foi pressionado a reconhecer um texto declarando e garantindo certos direitos aos ba rões, e assim
limitando seu poder absoluto.

(Através de magníficas aulas, o professor José Luiz Quadros, em comunicação oral, discorreu sobre o assunto para o corpo disc ente do 2º
período da FDUMG no 1º semestre de 1997)

No entanto, o marco fundamental para a formação de tal Estado são as Revoluções Burguesas do século XVIII. Temos a primeira fase do Estado
Moderno, o aparecimento do Estado liberal e a materialização dos direitos fundamentais. Esses são reafirmados na França Revol ucionária pela
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. Mas na época consideram-se apenas os direitos individuais e políticos, sendo os
direitos políticos sinônimo de democracia política extremamente limitada e restrita, vinculada a privilégios econômicos. Não há a efetivação
plena dos direitos, com a restrição do direito de voto àqueles que têm poder econômico, privando -se muitos indivíduos deste direito. É o voto
censitário, característico do Estado liberal.

Vale lembrar que a abolição do voto de privilégio das ordens e a introdução do sufrágio univ ersal pela primeira vez, na Constituição Francesa
de 1793, como preconiza CONDORCET:

"... constitui o início de uma nova concepção democrática fundada no critério quantitativo do voto, sob o pressuposto básico de que todo
homem é livre e deve participar d os seus destinos na sociedade política".

(apud SALGADO, Joaquim Carlos.   


 
. p.34)

Na segunda e terceira fases da evolução dos Estados Constitucionais, nota -se um grande crescimento econômico, porém desordenado, sem a
interferência do Estado, gerando concentração econômica e conseqüentes desemprego e miséria; crise social. É neste momento, século XIX,
que se tem o fim do voto censitário e a ampliação do conceito de direitos políticos e de cidadão. Há a igualdade jurídica, ig ualdade perante a
lei.

Com a Primeira Guerra Mundial, em 1914, percebe -se a necessidade da intervenção do Estado e do fim do Estado liberal, que se vê substituído
pelo Estado Social ou pelo Socialista.

A Constituição de Weimar na Alemanha em 1919 e a Constituição Me xicana de 1917 são as primeiras constituições sociais. "Essas
constituições ampliaram o catálogo de direitos fundamentais, acrescentando ao núcleo desses direitos no Estado liberal (os di reitos individuais
e políticos) novos direitos sociais e econômicos". (MAGALHÃES.     






   

   . p.36)

A Revolução Bolchevique na Rússia, em 1917, instala o Estado Socialista. Rompe com o pensamento liberal e possui os quatro gr upos de
Direitos Fundamentais. Mas os Direitos Sociais e Econômicos aparecem como obrigações primordiais do Estado e os Individuais e Políticos
tinham limites estabelecidos pela Constituição.

Entre a quarta e a quinta fase, há o surgimento do Fascismo e o Nazismo, anti -democráticos, anti-socialistas e anti-liberais. Outrossim surge o
Stalinismo, exacerbação do Estado Socialista.

A Segunda Guerra eclode em 1939 e renasce o Estado Social ou Estado Social Liberal com proposta neoliberal e certas interferê ncias estatais.

Atesta-nos, então, JOSÉ CARLOS VIEIRA DE ANDRADE (Ibidem. p.101):

"Após a Segunda Guerra Muncial sente-se a necessidade de criar mecanismos eficazes que protejam os direitos fundamentais do homem nos
diversos Estados. (...) o Estado está definitivamente consagrado como administrador da sociedade e convém, então, aproveitar (...) os laços
internacionais criados no pós -guerra para que se estabeleça um núcleo fundamental de direitos internacionais do homem. É desta forma que
se fará a Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948 (... )" .

É na sexta fase que surge uma nova proposta para o Estado Constitucional Moderno: o Estado Democrático de Direito, baseado nu ma
democracia econômica, social e política".

QUADROS DE MAGALHÃES, na seguinte passagem, coloca-nos:

"Democracia não é somente votar, mas participar do processo de construção do Estado e da sociedade, através de canais amplos de
comunicação entre os cidadãos e as diversas instituições privadas ou estatais".

(    






   

   . p.36)
Entende-se a indivisibilidade dos direitos fundamentais e sua compreensão como direitos humanos. Nesse sentido, deixamos, as profunda s
ilações de QUADROS DE MAGALHÃES:

"Não há liberdade política sem democracia econômica e social. Esta é a propositura que faz o Estado Democrático e Social de Direito, e é este
o sentido da expressão ´garantiassocio-econômicas de direitos individuais políticos´".

(Ibidem. p.101)


 c c  c 

Os direitos políticos são essenciais para as liberdades individuais (expressão, informação e consciência) e para a efetivação dos Direitos Sociais
e Econômicos que são aspirações populares que se expressarão através dos instrumentos democráticos de partici pação. Como observa LUIZ
SANCHES AGESTA:

"Los derechos políticos significam una participacióndirecta o indirectaenlasdecisionesdel poder político y se les configurar como una ´libertad´,
encuantorepresentan una capacidad de elección sobre laorganizacionmi smadel poder, las personas que han de ejercerlo o
lasdecisionesmismas que este adopta".

(apud MAGALHÃES. Direitos humanos..., p.244.)

Segundo KELSEN (



   . p.165): "Os chamados Direitos ´Políticos´ (...) costumam ser definidos como a capa cidade ou o poder
de influir na formação da vontade do Estado, o que quer dizer: de participar (...) na produção da ordem jurídica - em que a ´vontade do Estado´
se exprime".

Alguns autores se referem à expressão Direito Político em sentido diverso da exp ressão direitos políticos. Aquela, por sua vez, é utilizada como
sinônimo de Direito Constitucional e outras vezes como Direito do Estado. Para PABLO LUCAS VERDU, Direito Político não se con funde com
Direito Constitucional, nem é o mesmo que Ciência Políti ca ou Teoria Geral do Estado. Não se trata de Teoria Geral do Estado, pois tal feito só
seria possível, com a existência de padrões constitucionais comuns aos diversos povos. Direito Político é uma disciplina que abarca um setor
jurídico (Direito Constituc ional) e outro científico -político (Ciência Política).

E assim, coloca -nos:

"Del Derecho político encuanto disciplina científica exige una labor crítica, no una demolición de todos losconocimientos adq uiridos, sino una
decantación de losmismos desde laac tualidad".

(VERDÚ, Pablo Lucas.   !


  . p.5-6)

Já CARLOS MOUCHET e RICARDO ZORRAQUIN BECU chegam a afirmar que:

"(...) El derecho político se ocupa: 1º) de lateoría acerca de laestructura y fines del Estado; y 2º) de la historia d e laorganizacióndel Estado y de
lasideas políticas".

(MOUCHET, Carlos.; BECU, Ricardo Zorroaquin.   ! 


 . p.318)

Considerando-se então, a dicotomia Direito Político e Direitos Políticos, temos KENSEN e sua definição:

"(...) Hayunderecho subjetivo de loselectores (...), elderechoelectoral; y underecho de los elegidos (...) a participar enel parlamento con voz e
voto. Estes hechos (...) sonlos que reciben essencialmente elnombredéderechos políticos. (...) Sonaquellos que conceden al ti tular una
participaciónenlaformación de lavoluntad estatal".

(apud MAYNEZ, Eduardo Garcia.   !


   . p.256)

GARCIA MAYNEZ traz à lume os ensinamentos de JELLINEK; em sua 


" 
 
:

"Derechos Políticos (...) sonlos que co nsistenenlafacultad de intervir enla vida pública como órganodel Estado. El derecho de voto, verbigracia,
es de índole política, porque es lapretensión de tomar parte enlaelección de ciertosórganos, función que tieneasimismo caráct er orgánico.
Estoquieredecir que el votante obra como órgano estatal, ya que desempeña una función pública".

(Ibidem. p.256)

Agora, GARCIA MAYNEZ deixa-nos a seguinte ilação:


"La diferencia fundamental entre lasteorías de JELLINEK Y KELSEN radica en que el primeiro considera eld erecho político como lapretensión de
ser admitido para eldesempeño de las funciones orgánicas, y el segundo como eldesempeño de tales funciones, cuando estas tien den, directa
o indirectamente a lacreación de normas jurídicas abstractas. Pensamos que eldere cho de voto y, en general, todos losotrosdelmismo grupo,
presentan, cuandosonejercitados, en doble aspecto; sonderechos políticos enejercicio y constituen, al propriotiempo, una func ióndel Estado".

(GARCIA MAYNEZ, Eduardo.   !


   . p.256)

Não podemos deixar de colocar que o estudo dos regimes políticos; definidos pelo Professor JOSÉ ALFREDO DE OLIVEIRA BARACHO c omo "o
conjunto de elementos que, de fato ou de direito, concorrem para a tomada das decisões coletivas essenciais, isto é, os elementos que
condicionam o exercício do poder" (apud MAGALHÃES. Direitos...,p.252) - e dos sistemas políticos - que buscam a real repercussão do modelo
constitucionalmente posto - é essencial para estabelecer a ligação dos Direitos Políticos e os outr os grupos de Direitos Humanos.



c c  

A luta da mulher por Direitos, incluindo os Políticos iniciou -se anos atrás. No Estado Liberal do século XVIII, os direitos políticos ainda eram
restritos. O voto censitário limitava participação pol ítica à parte da sociedade com determinada renda. No entanto, a discriminação por sexo
era tamanha que nem a mulher proprietária tinha o direito de votar.

O artigo 1º da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 diz: "Os homens nascem e perman ecem livres e iguais em direitos"
(Ibidem. p.37).

O período da Revolução Francesa é o marco do aparecimento da igualdade política. Esta exige que qualquer pessoa, desde que po ssa decidir
livremente, possa participar do poder do Estado pelo voto. CONDORCET foi defensor da participação das mulheres na vida pública, já que o
princípio da igualdade natural não poderia permitir a exclusão por sexo. É a igualdade entre os homens; seres humanos, e não como os
machos da espécie"

(apud SALGADO.   


 
, p.35.)

Data-se de 1948, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, que em seu art. 2º, condena toda discriminação fundada não só sobre a
religião, a língua, mas também sobre o sexo e a raça. Em 
 |  , NORBERTO BOBBIO, coloca-nos:

"No que se refere à discriminação fundada na diferença de sexo, a Declaração não vai e não pode ir além dessa enunciação gené rica, já que se
deve entender que, quando o texto fala de ´indivíduos´, refere -se indiferentemente a homens e mulheres. Mas, em 20 de dezembro de 1952, a
Assembléia Geral aprovou uma Convenção sobre os Direitos Políticos da Mulher, que (...) prevê a não -discriminação tanto em relação ao
direito de votar e de ser votado quanto à possibilidade de acesso a todos os cargos públicos".

(BOBBIO, Norberto. 


   . p.35)

Promulgada, em 5 de outubro de 1988, nossa Constituição vigente, assevera a igualdade de homens e mulheres, já contemplada em todas as
normas constitucionais que vedam discriminação de sexo. Destaca -se o inciso I do artigo 5º dizendo que     
 
  
#$   
%    . Os Direitos Políticos das mulheres também estão assegurados, porém fica a pergunta:
será que a real situação feminina atualmente em nossa sociedade é de igualdade com os homens? ou ela é considerada cidadão secundário no
contexto social?


 c c  c   c

Os |    nascem da ordem jurídica estatal, em virtude de regras que dizem respeito à estruturação política, como nos diz PONTES
DE MIRANDA (%  & '%    ()*+. p.562).

Segundo PIMENTA BUENO, "os direitos políticos (...) se classificam em   


 

e   


. Pelo   

 

, integra-se o indivíduo na comunidade nacional, desde que nascido no Brasil, ainda que de pais estrangeiros, não residindo estes
a serviço de seu país. Pelo   


, o indivíduo participa da vida pública do país, votando e sendo votado. (...) Exercita seus  
 , (...), faculdades ou poder de intervenção direta, ou só indireta, mais ou menos ampla, conforme a intensidade de gozo desse s
direitos. Tais direitos ( ...) são concedidos àqueles que reúnem um conjunto de condições expressas na Constituição e nas leis" (apud CRETELLA
JÚNIOR, José. %  & '%   ,
  
 ()--. p.1090-1091).

A Constituição de 1891 não distinguia capacidade política da na cionalidade, erro evitado pelas Constituições de 1934, 1937, 1946, 1967, 1969
(idem, Comentários..., p.1091).

Os|    são tratados na Constituição de 1988 no capítulo IV do título II referente aos direitos e garantias fundamentais. Distingue -
se do   
 

, que é tratado no capítulo III.
É de grande valia para nosso estudo, a conceituação de Soberania Popular tratada no início do art. 14 da Carta de 1988.

Quando o povo vota em seus constituintes, mediante voto direto e secre to, se pode falar em Soberania Popular, que se confunde com
Soberania do Estado, porque o povo outorgou a seus representantes a faculdade de dizer o direito em seu mais alto grau; como se refere JOSÉ
CRETELLA JÚNIOR. Soberania é a propriedade que tem um Es tado de ser uma ordem suprema que não deve a sua validade a nenhuma outra
ordem superior.

No entanto, deve-se ressaltar que "a manifestação livre da vontade do povo não é soberania, embora decorra desta" (Op. cit. p.1092)



 c

Uma das espécies dos direitos políticos é o |   & , que consiste no direito de escolher representantes por meio de voto. Pode -se
dividir em: sufrágio direto, que ocorre em um só grau, em que os votantes escolhem os nomes de seus candidatos ou sufrágio in direto, em
dois graus: no primeiro, os eleitores escolhem os colégios e no segundo, os colégios escolhem a pessoa ou pessoas, para deter minados cargos.

Como nos diz JOSÉ AFONSO DA SILVA: "Considera-se universal o sufrágio quando se outorga o direito de votar a to dos os nacionais de um país,
sem restrições derivadas de condições de nascimento, de fortuna ou de capacidade especial" (SILVA, José Afonso da. %   
   
  . p.336).

Segundo o caput do art. 14 de nossa vigente Carta política de 1988: "A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal (...)".

Outrossim, está assegurado o sufrágio universal no art. 148 da Carta de 1969, no art. 143 de 1967 e no art. 134 de 1946 (CAMP ANHOLE,
Adriano.; CAMPANHOLE, Hilton Lobo. %   # ,
 . 8ª. ed. 1985).

A Constituição brasileira de 1946 será um exemplo de uma Constituição social -liberal. A democracia representativa será ainda de caráter
restrito. Em 5 de novembro de 1965, é publicado no Diário Oficial da União o Ato Instituciona l nº 2 que, em seu art. 9º, decreta: "A eleição do
Presidente e Vice-Presidente da República será realizada pela maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional em sessão pública e
votação nominal".

As Constituições de 1967 e 1969 refletem o estabeleci mento de um regime político autoritário. Os direitos políticos eram constitucionalmente
limitados, inibindo a participação popular e o voto direto e secreto para a escolha dos cargos mais importantes.

Nota-se um lento processo de recuperação de direitos i ndividuais (liberdade de expressão) e do direito a voto para cargos de chefia do
Executivo. É o que nos diz o art. 1º do Ato Institucional nº 11 de 14 de agosto de 1969, que afirma a realização de eleições para Prefeitos e
Vice-Prefeitos e Vereadores para 30 de novembro de 1969.

As Cartas de 1891, 1934 e 1937 possuem o sufrágio censitário; que consoante já foi dito ao falarmos de Estado Liberal; conced e-se apenas ao
indivíduo que preencha determinada qualificação econômica. No art. 70, § 1º, item 1º da Con stituição de 1891, assim como, o art. 108,
parágrafo único, alínea c da Constituição de 1934; excluem os  do direito de sufrágio, o que revela aspecto censitário (SILVA, José
Afonso da.%      
  . p.336).

A Constituição de 1891 foi a primeira republicana e foi outorgada pelo Presidente. Possui disposições transitórias que em seu art. 1º, de creta
que o Presidente e o Vice dos Estados Unidos do Brasil serão eleitos pelo Congresso.

O Estado Social é introduzido no Brasil com a Constituição de 1934 que passa a prever direitos sociais e econômicos. É a partir desta
Constituição que se estende o direito de sufrágio também à mulher; ocorrendo a chamada   .
 /. (MIRANDA, Pontes de.
Comentários..., 1967, p. 552)

Em 1937, temos um modelo de Constituição autoritário, mantendo direitos sociais e econômicos dentro de uma perspectiva interv encionista,
inibindo instrumentos de manifestação coletiva.

Importante ressaltar que adere-se à Carta de 1937, a lei constit ucional nº 9 de 28 de fevereiro de 1945 com os seguintes dispositivos: "Art. 46.
A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos mediante sufrágio direto". "Art. 77. O Presidente da República será
eleito por sufrágio direto em todo o te rritório nacional".

Todavia, o sufrágio não é universal, havendo exclusões, como dos mendigos, exemplo já mencionado. Sobre a Carta de 1824, ensi na-nos RAUL
MACHADO HORTA:

"A Constituição Política do Império do Brasil, de 25 de março de 1824, não emanou de Assembléia Constituinte. Tendo D. Pedro I, (...)
dissolvido autoritariamente a Assembléia Geral Constituinte e Legislativa, (...) como Príncipe Regente, confiou a um Conselho de Estado
composto de dez membros a incumbência de preparar Projeto de Constit uição (...). O Projeto elaborado (...), acabou sendo outorgado pelo
Imperador como a Constituição Política do Império (...)".

(HORTA, Raul Machado. Estudos... , 1995, p.55)


Esta, outrossim, é omissa em relação ao 0
 .

Ë   
  
  
 

Alistamento é a inscrição, na forma da lei, condição obrigatória para votar nas eleições, exigência importante para que a aut oridade verifique,
no ato, o preenchimento dos requisitos. Inscrito, o alistando tem o poder -dever de votar nos pleitos para os quais estiver qualificado (SILVA,
José Afonso da.% |  %   
  . p.341). O voto é o ato fundamental, de função eleitoral, do exercício do direito de
sufrágio.

Segundo o § 1º do art. 14 da Constituição de 1988: "O alistamento eleitoral e o voto são: I - obrigatório para os maiores de dezoito anos; II -
facultativo para: a) os analfabetos; b) os maiores de setenta anos; c) os maiores de dezesseis anos e menores de dezoito anos ".

No § 2º, temos: "Não podem alistar como eleitore s os estrangeiros e, durante o período do serviço militar obrigatório, os conscritos".

No alistamento obrigatório, todos têm o poder -dever de alistar-se. A Constituição considera alistáveis os maiores de dezoito anos, de modo
que o menor de vinte e um anos não precisa de permissão ou autorização dos pais ou tutores para inscrever -se como eleitor. No caso dos
cidadãos isentos do alistamento é importante colocar que mesmo alistados, estão isentos de votar. A proibição de alistar -se e votar cabe aos
estrangeiros e aos conscritos (CRETELLA JÚNIOR, José. (1991), p.1097).

O "voto direto e secreto, com igual valor para todos e, nos termos da lei (...) "é consagrado no art. 14 de nossa Constituiçã o de 1988. O voto
direto é aquele no qual não há nenhum corpo, singu lar ou colegiado, entre o eleitor e o nome sufragado.   é aquele em que o
voto só é do conhecimento do votante, não sendo o eleitor identificado na cédula.

No sistema eleitoral brasileiro, o voto teve sempre, como agora, em 1988, valor ig ual para todos. Isso significa que, como nos diz PINTO
FERREIRA:

"(...) todos os homens têm o mesmo valor no processo eleitoral de votar. Cada cidadão tem o mesmo peso político, nenhum dispõ e de mais
votos do que o outro. (...) A antítese do sufrágio igua l é o sufrágio desigual, conferindo -se a todos a universalização do sufrágio, mas
admitindo-se a superioridade de determinados votantes, pessoas qualificadas a quem se confere maior número de votos. (...) O voto igual e
único reflete o princípio democrátic o, porém o voto reforçado espelha princípios elitistas, oligárquicos e aristocráticos, de prevalência de
classes e grupos sociais".

(MAGALHÃES. (1992). p.52-53)

A Carta Política do Império de 1824 em seu art. 91, coloca que têm voto os cidadãos brasileiro s, que estão no gozo de seus direitos políticos, e
os estrangeiros naturalizados. Exclui de votar nas assembléias paroquiais, menores de vinte e cinco anos, exceto os casados, os Oficiais
Militares maiores de vinte e um anos e os clérigos; os filhos -famílias, os criados de servir, os religiosos e os que não tiverem renda líquida anual
de cem mil réis. O art. 94 completa:

"Podem ser eleitores, e votar na eleição dos Deputados, Senadores, e Membros dos Conselhos de Província todos, os que podem v otar na
AssembléiaParochial. Exceptuam-se: I - os que não tiverem de renda líquida anual duzentos mil reis (...); II - os Libertos; III - os criminosos (...)".

(CAMPANHOLE. Adriano.; CAMPANHOLE, Hilton Lobo. (1985), p.641)

A Constituição de 1891 exigia a idade de 21 anos. Não limitava aos varões o direito de voto, porém a lei ordinária, fugindo à Constituição nunca
concedeu o voto às mulheres. É a partir da Carta de 1934, que passam a ser considerados alistáveis os maiores de dezoito anos . O alistamento
e o voto para os homens eram obrigatórios, salvas as exceções que a lei determinava. Quanto às mulheres, só eram obrigadas ao alistamento e
ao voto quando exerciam função pública remunerada, salvas as exceções que a lei, também a respeito delas, determinava (MIRAND A, Pontes
de. 1937, p.50).

Em ambas as Constituições, não tinham direito de voto, os que não sabiam ler e escrever nem os mendigos. A exclusão dos mendi gos era
fundada na falta de independência dos que pedem esmolas. Os surdos -mudos, que podem exprimir sua vontade por escrito, podiam ser
eleitores. Outrossim, os cegos (Ibidem. p.49).

A exclusão das praças de pré, como se achava nas Constituições de 1891 e 1934, constituía reminiscências das distinções de cl asse. Em 1891,
os religiosos e, em 1934, os que estiv essem, temporária ou definitivamente, privados dos direitos políticos, não podiam se alistar como
eleitores.

(Pré é presto. A praça de pré é a pessoa que está na praça, presta, pronta para servir à comunidade mediante pagamento de moe da).

Faz-se mister acrescentar que o art. 1º das Disposições transitórias da Constituição de 24 de fevereiro de 1891, consoante já dito, declara que
é feita pelo Congresso a eleição do Presidente.
Na Carta de 1937, o art. 117 diz que são eleitores os brasileiros de ambos os sexos, maiores de dezoito anos. Os analfabetos, os mendigos,
militares em serviço ativo e os que estivessem privados dos direitos políticos não tinham o direito de voto.

. (O sistema da Constituição de 1937, foi o de exigir às mulheres e homens os mesmos deveres e dar-lhes os mesmos direitos).

As Constituições de 1946 e 1967 são iguais quando se referem ao alistamento e ao voto. Ambos são obrigatórios para os brasile iros dos dois
sexos; maiores de dezoito anos. Na Constituição de 1967, como ocorreu na de 1946, exclui-se distinção de sexos. Resta a parte da população
que não tem direito de alistar-se: os que perderam os direitos políticos, analfabetos e os que não sabiam exprimir -se na língua nacional. A
exigência atende ao fato de existirem naturalizados b rasileiros natos que não aprenderam a língua nacional e se não podem exprimir -se em
língua portuguesa, dificilmente estarão interessados na vida política do país. A Constituição de 1946 riscou a exceção do ali stamento aos
mendigos. Esta e a de 1967, alarga ram a exceção ao que se estabelecera quanto às praças de pré. Em vez de só se pré -excluírem da
incapacidade os aspirantes a oficial", pré -excluíram-se os suboficiais, os sub-tenentes, os sargentos e os alunos das escolas militares de ensino
superior para a formação militar. A Constituição de 1934, pré -excluía os sargentos do Exército e da Armada e das forças auxiliares do Exército.
A Carta de 1891 só excetuava os alunos das escolas militares de ensino superior. (MIRANDA, Pontes de. (1967), p.551 -61).

Quanto à obrigatoriedade do alistamento e do voto, o Texto Constitucional de 1969 se eqüivale ao de 1967. Diz, outrossim, o mesmo quanto à
exceção ao que se estabelecera quanto às praças de pré. Mas, notamos certa alteração quanto aos que não podiam alistar -se como eleitores.
Os que não sabiam a língua nacional e os sem direitos políticos continuavam excluídos. No entanto, o § 4º do art. 147 da Cart a de 1969 nos diz:
"A lei disporá sobre a forma pela qual possam os analfabetos alistar -se eleitores e exercer o di reito de voto".

Ë   


Em 5 de outubro de 1988, a Constituição do Brasil prevê o instituto do plebiscito, como trabalho complementar ao do legislado r constituinte,
mediante sufrágio universal e pelo voto secreto, com igual valor para todos.    é a  

 para que este, mediante
pronunciamento, manifeste livremente sua opinião sobre o assunto de interesse relevante.

A Carta Política de 10 de novembro de 1937 prometeu que a Constituição seria submetida ao plebiscito nacional, na forma regulada em
decreto do Presidente da República (art. 187), mas a promessa, pública, e solene, não foi cumprida. Também resolução do Parla mento não foi
submetida pelo Presidente da República ao plebiscito das populações interessadas, nos casos de inc orporação, subdivisão, desmembramento
ou anexação de Estados (art. 5º, e seu parágrafo único). Assim, em 1937, o plebiscito ficou letra morta na Carta.

Como observa CRETELLA JÚNIOR:

"No plebiscito, o Estado como que partilha o exercício da soberania com o povo, ou com a população. Mas o exercício momentâneo do poder
termina com a votação. É como se o legislador constituinte permitisse que o povo, que o elegeu, se exercitasse na função legi slativa, em setor
que o constituinte não conseguiu preencher. Entretanto, o plebiscito é sempre regulamentado pela lei ordinária".

(CRETELLA JÚNIOR, José. (1991), p.1095)

Em 1993, o Brasil teve o seu primeiro e até agora único plebiscito na vigência da Constituição de 1988, quando se submeteu à vontade popular
a escolha sobre forma de governo, se monarquia ou república, e o sistema de governo, se parlamentarismo ou presidencialismo, com a vitó ria
dos dois últimos, mantendo-se, por isso, a forma e o sistema já preexistentes (MAGALHÃES, José Luiz Quadros de. (1997), p.131).

Ë   




Os institutos de referendo e de iniciativa popular ganharam força e regulamentação adequada com a Constituição Federal de 198 8.

ARAÚJO CASTRO expõe-nos:

"Em alguns países, o povo não se satisfaz em escolher os seus representantes: ¢
 
 

    & 1


  &1
 ! . É o processo de   ".

(apud CRETELLA JÚNIOR, José. (1991),p.1096)

É a medida
  , sendo o instituto de direito constitucional, pelo qual as coletividad es se pronunciam sobre decisão legislativa, de que o
pronunciamento reuna determinado número de assinaturas, fixado em lei. Desse modo, associa -se o povo ao processo legislativo,
complementando a tarefa do legislador.

A Constituição Brasileira de 1988 pre vê o referendo no art. 14, inciso II como meio de exercício da soberania popular.

O que diferencia o referendo do plebiscito é a maior complexidade do primeiro, onde é colocado à apreciação popular o texto d e uma lei, ou
Constituição, enquanto que no plebiscito temos uma questão polêmica de interesse nacional onde a complexidade da questão, submetida à
apreciação popular é menor.
Acrescenta-se ainda que no Plebiscito a consulta popular se realiza antes da elaboração da norma, enquanto que o referendo tem caráter
ratificador de uma lei ou Constituição já elaborada (MAGALHÃES, José Luiz Quadros de. Direitos..., p.57).

Ë  Ë   

A iniciativa popular é a atribuição de competência legislativa ao povo eleitor para início do processo de formação d a lei, quer no plano federal,
quer no plano estadual.

Será exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de Projeto de Lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional,
distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três d écimos por cento dos eleitores de cada um deles (CRETELLA JÚNIOR.
Comentários..., p.1096 -1097).

PINTO FERREIRA define a Iniciativa Popular como:

"Um processo eleitoral pelo qual determinados percentuais do eleitorado podem propor a iniciativa de mudanças constitucionais ou
legislativas, mediante a assinatura de petições formais que sejam autorizadas pelo poder legislativo ou por todo o eleitorado "

(apud MAGALHÃES, José Luiz Quadros de. Direitos humanos..., p.62)



 c   c  c

Capacidade eleitoral passiva se refere à capacidade de ser eleito, como a capacidade eleitoral ativa consiste no direito de alistamen to e voto.
Assim nos define AFONSO DA SILVA: "Consiste, pois,
  
    

  
 
 

 
2 
  /  " (SILVA, José Afonso da. (1997), p.350).

São condições de elegibilidade as exigidas para os elegíveis. Estas estão no § 3º do art. 14 de nossa Constituição vigente. S er "brasileiro" é a
primeira das condições. Ter
 


  
, mostrando o que é 
  


 .
3 O pleno "exercício dos direitos políticos
consiste em outra condição. Para ser elegível, é necessário, mas não suficiente, o preenchimento de condições necessárias par a ser eleitor. São
estas e mais algumas, entre elas a  

 &
. Para ser eleitor, são necessários a
 


  
, o
 
  
, o
   
 e a idade mínima de dezoito anos, requisitos igualmente enumerados como     
. Para se disputar a
vereança a idade mínima é dezoito anos, vari ando para outros cargos: vinte e um anos para Deputado Estadual, Federal ou Distrital, Prefeito,
Vice-Prefeito ou Juiz de Paz; trinta anos para Governador e Vice -governador Estadual e do Distrito Federal; trinta e cinco para Presidente, Vice -
Presidente da República e Senador (CRETELLA JÚNIOR, José. (1991), p.1100 -1104).

Para a Constituição de 25 de março de 1824, em seu art. 96: "Os cidadãos Brazileiros em qualquer parte, que existam, são eleg íveis em cada
Distrito Eleitoral para Deputados, ou Senadores, a inda quando ahi não sejam nascidos, residentes, ou domiciliados" (CAMPANHOLE, Adriano;
CAMPANHOLE, Hilton Lobo. (1985), p.642)

Conforme já foi visto, a regra é que a elegibilidade siga o direito de voto. Às vezes, primeiro se concede esse e mais tarde o de ser eleito. No
Brasil, havia mulheres obrigadas ao alistamento e ao voto e mulheres não -obrigadas; mas só as efetivamente alistadas podiam ser eleitas. A
Federação brasileira pelo progresso feminino deveu -se a vitória dos direitos da mulher na Constituiçã o de 1934. Foi, em parte, maior e, em
parte, menor o que se lhe reconheceu na Constituição de 1937. Nas Cartas de 1946 e 1967, nenhuma distinção se fez quanto ao s exo
(MIRANDA, Pontes de. (1967), p.562)

As Constituições Republicanas, no geral, não menciona m as condições de elegibilidade, inovação da Carta Política de 5 de outubro e 1988, mas
enumeram os casos de inelegibilidade e inalistabilidade.

Todavia, é importante considerar que a Lei Constitucional nº 9 de 28 de fevereiro de 1945, referente à Constit uição de 1937, traz
(CAMPANHOLE, Adriano.; CAMPANHOLE, Hilton Lobo. (1985), p.485; p.488):

"Art. 51. Só podem ser eleitos para o Conselho Federal os brasileiros natos, maiores de trinta e cinco anos".

Art. 78. São condições de elegibilidade à Presidência da República ser brasileiro nato e maior de trinta e cinco anos".

(Ao Conselho Federal cabe aprovar as nomeações de ministros do STF e os acordos concluídos entre os Estados).

Ë   




"Emenda Constitucional nº 16, de 1997. Dá nova redação ao § 5º do art. 14 (...) da Constituição Federal.

As mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição Federal, promulgam a segu inte
emenda ao texto constitucional:

Art. 1º. O § 5º do art. 14 (...) da Constituição Federal passa a vigorar com a seguinte redação:
§ 5º. O Presidente da República, os Governadores do Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido ou s ubstituído no
curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subseqüente".

Art. 2º. Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação" (Brasília, 04.06.1997)

(Diário Oficial da União. 05.jun.1997. Seção 1)

A Emenda Constitucional invalidou o § 5º do art . 14, alterando-o. Eram inelegíveis para os mesmos cargos, no período subseqüente, o
Presidente, Governadores e Prefeitos e quem os houvessem sucedido ou substituído. A partir de 05 de junho deste ano, data em que a
Emenda foi publicada no Diário Oficial d a União, passam a ter condições de elegibilidade para novo mandato nos mesmos cargos, os chefes do
Executivo das várias esferas.

(Esta Emenda Constitucional é resultado de uma pressão política exercida por parte do atual Presidente, que deseja manter -se no poder por
mais um mandato. Para aprová -la, o Presidente fez acordos e concessões, sendo sua equipe política acusada da compra de votos. A Emenda
abarca a possibilidade de reeleição tanto para presidente, quanto para governadores e prefeitos).



c  c   c  c

Inelegibilidade revela impedimento à capacidade eleitoral passiva (direito de ser votado). Obsta, pois, à elegibilidade. Não se confunde com a
inalistabilidade, que é impedimento à capacidade eleitoral ativa (direito de ser eleito r) (SILVA, José Afonso da. Curso..., p.369)

O § 4º do art. 14: "são inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos", da Constituição de 1988, inicia as condições de ineleg ibilidade. O inalistável,
pessoa que não obstante a vontade de alistar-se é impedida por não preencher as condições exigidas, é inelegível. Diferentemente do
"inalistado" que, podendo alistar-se, deixou de fazê-lo por negligência ou vontade, este é elegível, desde que se aliste. O inalistável não tem
direitos políticos. Já o analfabeto pode , se quiser, facultativamente, votar; mas não pode ser votado (CRETELLA JÚNIOR, José. (1991), p.1106)

Na Carta Política de 1891, o § 2º do art. 70, nos diz que: "São inelegíveis os cidadãos não alistáveis". Condição esta também decretada no art.
112, 1, d, da Constituição de 1934 e no art. 121 de 1937. Este excetua da inelegibilidade, os oficiais em serviço ativo das Forças Arm adas que
embora inalicitáveissão elegíveis. A Constituição de 1967, outrossim, traz que os inalistáveis são inelegíveis; como a de 1946, que acrescenta as
praças de pré e a de 1969, que soma os analfabetos aos inalistáveis (CAMPANHOLE, Adriano; CAMPANHOLE, Hilton Lobo, 1985).

Na Constituição de 1988, temos que o militar alistável é elegível desde que tenha menos de dez anos de serviç o, caso em que deverá afastar-
se da atividade; se contar com mais de dez anos de serviço, será conduzido à inatividade, agregado pela autoridade superior.

(A agregação é o instituto de direito administrativo que assegura ao ocupante de certo cargo, quando afastado dele, depois de 10 anos de
exercício, o direito de perceber os vencimentos do mesmo cargo, até ser aproveitado em outro).

Se eleito, passa automaticamente à inatividade, no ato da diplomação (art. 14, § 8º, incisos I e II). Em 1934, considerou in elegíveis os chefes e
sub-chefes do Estado Maior e as autoridades policiais; os comandantes de forças do Exército e da Armada (art.112, 2).

O art. 145 (parágrafo único) de 1967 também impõe condições para a elegibilidade dos militares: o que tiver menos d e cinco anos de serviço
será excluído do serviço ativo; o militar em atividade, com cinco ou mais anos de serviço será afastado, temporariamente do s erviço ativo e o
militar não excluído, se eleito, será, no ato da diplomação, transferido para a reserva (. ..) nos termos da lei. Estas mesmas condições estão
postas no art. 150, § 1º da Carta de 1969.

Nesta, há, outrossim, o § 2º que nos diz que a filiação político -partidária não interfere na elegibilidade a que se refere as duas primeiras
condições impostas ao militar da ativa.

Conforme dito anteriormente, a Emenda Constitucional nº 16, revogou o § 5º do art. 14 de nosso Constituição de 1988. Mas vale lembrar os §
6º e 7º da mesma. O primeiro nos traz a condição de que para concorrem a outros cargos, o Presi dente, os governadores e os Prefeitos devem
renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito. O segundo, por sua vez, diz serem inelegíveis o cônjuge e os parentes
consangüíneos ou afins, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. Sobre esta mesma condição, fala -nos o art. 140 da
Constituição de 1946 e o art. 148 de 1967.

Em nossa Constituição vigente, o § 9º decreta que "lei complementar" estabelecerá outros casos de inelegibilidade, a fim de p roteger a
normalidade e a legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou abuso do exercício de função, cargo ou emprego, na
Administração direta ou indireta, nas várias esferas. "A lei deverá tornar inelegíveis todos aqueles que possam prevalecer -se da riqueza para
influir nos pleitos eleitorais, e não apenas excluir os que dela abusaram", nos diz FERREIRA FILHO (apud CRETELLA JÚNIOR, Jos é. (1991),
p.1109)

Segundo o art. 148 de 1967 e o art. 151 de 1969, lei complementar poderá estabelecer outros casos de inel egibilidade.

A Constituição de 1934 em seu art. 112 separou os inelegíveis: em todo o território da União, nos Estados, no Distrito Federa l e nos Territórios
e nos Municípios. A de 1967 assim o fez, em seu art. 146: para Presidente e Vice -Presidente, para Governador e Vice-Governador, para
Prefeito e Vice-Prefeito, para a Câmara dos Deputados e o Senado Federal e para as Assembléias Legislativas. O mesmo ocorreu com o art. 139
da Carta de 1946.

Retrocedendo à Carta Política do Império (1824), temos o art. 95: "Todos os que podem ser eleitores, são hábeis para serem nomeados
Deputados. Exceptuam-se: I - os que tiverem quatrocentos mil réis de renda líquida (...); II - os estrangeiros naturalizados; III - os que não
professarem a Religião do Estado" (CAMPANH OLE, Adriano.; CAMPANHOLE, Hilton Lobo. 1995, p.641-642).



c    

Tratada no art. 14, § 10; diz -nos que "o mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral, no prazo de quinze dias contados da
diplomação (...)".

Para tanto deve ser instruída a ação com provas de abuso de poder econômico, corrupção ou fraude.

Se no pleito eleitoral, qualquer dos candidatos empregar meio fraudulento a fim de obter ou de subtrair votos de seus concorr entes, a fraude,
comprovada, é suficiente motivo para a impugnação do eleito.

O § 11 do art. 14, completa: "A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se
temerária ou de manifesta má -fé".

Lide temerária ou de má -fé, em direito processual civil, é aquela em que o autor propõe ação sem fundamento, por mero capricho ou
emulação, infringindo, assim, a regra ou    


 (CRETELLA JÚNIOR, José. (1991), p.1113).



 c c c  c

O cidadão pode, excepcionalmente, ser privado,   


  

  dos direitos políticos, o que importará, com efeito
imediato, na perda da cidadania política.

A  
   
denomina-se perda dos direitos políticos; a  &
é sua suspensão. A Constituição de 1988 veda a cassação de
direitos políticos, e só admite a perda e a suspensão nos casos indicados no art. 15 (SILVA, José Afonso da. 1997, p.364).

Cassação de direitos políticos consiste na anulação desses, tornando -os sem efeito. É a medida que impede o indivíduo de alistar -se como
eleitor, bem como de concorrer às eleições, a qualquer cargo. É o impedimento ao direito de participar do governo do Estado ( CRETELLA
JÚNIOR, José. 1991, p.1117).

O primeiro caso indicado no art. 15 é "o c ancelamento da naturalização por sentença transitado em julgado". É o rompimento de vínculo entre
o estrangeiro naturalizado e o Estado que lhe outorgou o status. A eficácia do cancelamento irradia após trânsito em julgado da sentença
prolatada. Até o trânsito em julgado da sentença, o estrangeiro é brasileiro naturalizado. O cancelamento da naturalização acarreta a perda
dos direitos políticos do brasileiro naturalizado, agora com o status de estrangeiro (Op. cit. p.1120).

Temos, outrossim, casos de incap acidade civil absoluta e condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos.

São absolutamente incapazes de exercer, pessoalmente, os atos da vida civil: os menores de dezesseis anos, os loucos de todo o gênero, os
surdos-mudos, que não puderem exprimir sua vontade e os ausentes. (Código Civil, art. 5º, I a IV). O menor de dezesseis anos não perde os
direitos políticos, porque nunca os teve. Os "loucos de todo o gênero", podem ter intervalos de lucidez. Se a pessoa, ao atin gir dezoito anos, é
mentalmente sã e se alista, entra no pleno gozo dos direitos políticos. Advindo, porém, doença mental comprovada, ocorrerá a perda dos
direitos políticos. Quanto aos surdos -mudos, importa-se saber se é capaz de satisfatória manifestação de vontade , tal status demonstra que
possui inteligência normal. Em caso contrário é equiparado ao insano e, por este motivo é afetado pela incapacidade civil abs oluta. Quanto ao
ausente, isto é, a pessoa que desaparece do domicílio e fica em lugar incerto e não sab ido, perde os direitos políticos se declarado ausente por
ato do magistrado (CRETELLA JÚNIOR, José. (1991), p.1120 -1121).

A condenação criminal, transitada em julgado, enquanto perdurarem seus efeitos, acarreta a suspensão de direitos políticos. C essando a
eficácia da sentença penal, o ex -condenado readquire, automaticamente, os direitos políticos suspensos.

Finalmente, a perda ou suspensão dos direitos políticos se dará nos seguintes casos: recusa de cumprir obrigação a todos impo sta ou
prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII; improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º, da Carta Magna de 1988 (Ibidem.
p.1115-1122):

"Art. 5º, VIII: ´Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou políti ca, salvo se as invocar para
exprimir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar -se a cumprir obrigação alternativa, fixada em lei.´"

"Art. 37, § 4º: Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, perda da função pública, a
indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabí vel".
Se o maior de dezoito anos deixar de alistar -se, invocando motivo religioso, filosófico ou político, deixa de at ender ao que dispõe a regra
jurídica constitucional e, assim, perde os direitos políticos.

Em 1988, a perda ou suspensão de direitos políticos tem, como uma de suas causas determinantes, a improbidade administrativa. O atributo
da moralidade, da probidade administrativa, é como que indispensável para a elegibilidade (Ibidem. p.1123).

Vale citar também o art. 16 da Constituição de 1988: "A lei que altera o processo eleitoral só entrará em vigor um ano após s ua promulgação".

Ao que se refere à privação de D ireitos Políticos, temos o art. 8º da Constituição de 1824, suspendendo o exercício dos Direitos Políticos por
incapacidade física ou moral e por sentença condenatória a prisão, (...) enquanto durarem os seus efeitos. O mesmo é visto no § 1º do art. 71
da Constituição de 1891, no art. 110 da de 1934, no art. 118 da Constituição de 1937. No § 1º do art. 135 da de 1946 e no inciso I do art. 144
da Constituição de 1967 e nas alíneas b e c do § 2º do art. 149, temos também a privação por motivos de condenação c riminal, mas por
incapacidade civil absoluta (CAMPANHOLE, Adriano.; CAMPANHOLE, Hilton Lobo, 1985).

O instituto de cancelamento de naturalização criado em 1934, manteve -se em 1937, em 1946, em 1967, em 1969 e 1988.

Em 1891, perdia-se os direitos político s pela naturalização em país estrangeiro e pela aceitação de emprego ou pensão de governo estrangeiro,
sem licença do Poder Executivo Federal.

A perda também se dava pela recusa, motivada por convicção religiosa, filosófica ou política, de encargo, serviç o ou obrigação imposta por lei
aos brasileiros e pela aceitação do título nobiliárquico ou condecoração estrangeira, quando esta importe restrição de direit os assegurados
nesta Constituição ou incompatibilidade com deveres impostos por lei nas Constituiçõe s de 1937, 1934, 1946, 1967 e 1969.

Uma lei federal determinará as condições de reaquisição dos direitos políticos, segundo as Cartas Políticas de 1891, 1937, 19 34 e 1946.

A perda dos direitos políticos acarreta simultaneamente a do cargo pelo indivíduo ocupado, conforme a Constituição de 1934, 1946 e 1967.
Esta última acrescenta que a suspensão ou perda dos direitos políticos será decretada pelo presidente ou por decisão judicial e a Carta de 1969
passa à lei complementar a competência da especialização dos direitos políticos, seu gozo, perda e casos de reaquisição.

Temos referente à Constituição de 1946, o Ato Institucional nº 2 que em seu art. 16 diz que a suspensão dos direitos político s importa
simultaneamente em: cessação de privilégios de fôro por prerrogativa de função, suspensão do direito de votar e ser votado nas eleições
sindicais, proibição de atividade ou manifestação sobre assunto de natureza política e aplicação das seguintes medidas de seg urança:
liberdade vigiada, domicílio determinado e proibição de freqüentar determinados lugares.

O mesmo foi resolvido pelo Ato Institucional nº 5 de 1968, referente à Carta de 1967. Ademais, a suspensão dos direitos polít icos ou a
cassação dos mandatos eletivos federais, estaduais ou municipais podia aca rretar na proibição dos exercícios de atividades em empresas,
fundações, serviços públicos e organizações. Foi o que instituiu o Ato Institucional nº 10 de 1969.

(Faz-se mister colocar que a obra %   # ,


 é consultada a todo momento pelo fat o de conter os textos constitucionais originais).


  c  c

FERREIRA FILHO elenca as primordiais funções dos partidos políticos:

"São os partidos políticos incumbidos de mostrar ao eleitorado quais são as opções políticas possíveis, indica ndo ao mesmo tempo pessoas
que afiançam serem capazes de realizá -las. Sua função constitucional, porém, nem sempre é bem cumprida, não passando eles, em muitos
países, de máquinas para a conquista do poder. Na verdade, só podem eles cumprir essa função qua ndo não são dominados por oligarquias,
quando têm disciplina interna, quando não são passíveis de suborno por interesses escusos".

( FERREIRA FILHO, Manuel Gonçalves. %      


. p.104-105)

Até 1946, nenhuma das Constituições brasilei ras se preocupou com os partidos.

Em 1946, temos o art. 141, § 13 que diz:

"É vedada a organização, o regime e o funcionamento de qualquer partido político ou associação, cujo programa ou ação contrar ie o regime
democrático, baseado na pluralidade dos pa rtidos e na garantia dos direitos fundamentais do homem".

(CRETELLA JÚNIOR, (1991), p.1124)

Mas o Ato Institucional nº 2 em seu art. 18, extingue os partidos políticos vigentes e cancela os respectivos registros, decr etando que para a
organização de novos partidos é necessário seguir exigências postas na Lei nº 4.740 de 15 de julho de 1965.
Os partidos políticos têm capítulo distinto nas Cartas Magnas de 1967, 1969 e 1988.

Em 1967, o art. 149 decreta que serão regulados pela lei federal a organização, o funcionamento e a extinção dos partidos pol íticos,
observados certos princípios como regime r epresentativo e democrático, personalidade jurídica, disciplina partidária, âmbito nacional,
proibição de coligações.

Em 1969, o art. 152 diz livre a criação de Partidos Políticos. É assegurado ao cidadão o direito de associar -se livremente, é vedada a utilização
pelos Partidos Políticos de organização para -militar, é proibida a subordinação dos partidos a entidade ou Governo estrangeiros.

Nossa Constituição vigente de 1988, traz o art. 17 referente aos Partidos Políticos:

"É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o
pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos:

I - caráter nacional,

II - proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiro ou de subordinação a estes;

III - prestação de contas à justiça,

IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei".

§ 1º: "É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutur a interna, organização e funcionamento, devendo seus estatutos
estabelecer normas de fidelidade e disciplina partidárias".

§ 2º: "Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus estatutos no Tr ibunal Superior
Eleitoral".

§ 3º: "Os partidos políticos têm direito à recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei".

§ 4º: "É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização para -militar".

  

Ao estudarmos a questão |   , percebemos uma maior conscientização da sociedade contemporânea em relação à real
democracia.

Os direitos humanos têm como ponto fundamental a idéia de uma democracia política participativa, onde todos tenham voz e " vez".

A indivisibilidade dos direitos fundamentais é essencial à existência e continuidade do processo democrático nas complexas so ciedades atuais.

Sabiamente, coloca-nos o Professor QUADROS DE MAGALHÃES:

"É atual e necessária a discussão dos Direitos P olíticos e da democracia que deve ser constantemente aperfeiçoada, sendo levada a formas de
participação mais efetivas da sociedade civil na gestão dos interesses públicos (...). A democracia participativa, amparada n o Direito Social à
educação como forma de exercício real da liberdade de consciência, da democracia econômica, e como conseqüência, na democracia dos
meios de comunicação social, é a única resposta às aspirações populares".

(1992, pp. 241-2).

Utilizando-se de seus Direitos Políticos de cidadão , o próprio povo consciente, encaminhará a democracia real.

Caso recente em que tivemos a oportunidade de vivenciar mais intensamente o debate acerca dos Direitos Políticos foi a impugn ação do
mandato do ex-presidente Fernando Collor de Mello em decorrênc ia do processo de 
   e posterior suspensão, pelo STF, de seus
Direitos Políticos por oito anos. Por fim, devemos ressaltar que a efetivação dos Direitos Políticos, como dos demais, é uma conquista diária de
cada indivíduo e principalmente, de toda a sociedade.


  ! "#"$%&'%()$*%&

Foi lenta a evolução das técnicas destinadas a efetivar a designação dos representantes do povo nos órgãos governamentais. A princípio, elas
aplicavam-se nas épocas em que o povo deveria proceder à escolha dos seus representantes. Aos poucos, certos modos de proceder
transformaram-se em regras ou normas de agir, denominadas de   .

A Constituição traz um     


¢







 (arts. 14 a 16), desdobramento do princípio de que
"opoder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente" (art. 1º, parágrafo único).

A expressão ͚direitos políticos͛ estabelece normas para os problemas eleitorais. Elas são
 
    & 
/ 




.

A Constituição do Império (art. 90) falava em 



 , para diferençá-lo do cidadão em geral, que se confundia com o nacional (arts. 6º e
7º). Cidadão ativo era o titular dos direitos políticos (art. 91). As constituições posteriores misturaram ainda mais os c onceitos. A de 1937
começou a distinção que as de 1967/1969 completaram, abrindo capítulos separados para a
 

 (arts. 140 e 141) e para os  
  (arts. 142 a 148), deixando de fora os 
   (art. 149).

Hoje é desnecessária a terminologia dos publicistas do período da nossa monarquia, pois não mais se confundem nacionalidade e cidadania.
4
 

 é vínculo ao território estatal por nascimento ou naturalização; 


é um 
 ligado ao regime político. Cidadani a é
atributo político decorrente do direito de participar no governo e direito de ser ouvido pela representação política. %
, hoje, é o
indivíduo titular dos direitos políticos de votar e ser votado. 4
 

 é pressuposto da cidadania, pois só o titular da nacionalidade
brasileira pode ser cidadão.

O direito eleitoral de votar e ser votado é o cerne fundamental dos direitos políticos. %


 

 
é a consubstanciada nas
condições do direito de votar. %


 

 
é a que se baseia na elegibilidade, característica de quem preenche as condições do
direito de ser votado. O direito eleitoral ativo cuida do eleitor e de sua atividade; o direito eleitoral passivo refere -se aos elegíveis e aos eleitos.

Os direitos de cidadania adquirem-se mediante


 
  
. Alistamento é a qualificação e inscrição da pessoa como eleitor perante a
Justiça Eleitoral. É  
!  para brasileiros de ambos os sexos, maiores de dezoito anos de idade, e 

  para os analfabetos, os
maiores de setenta anos e os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos (art. 14, § 1º, I e II). Não são alistáveis como eleitores os
estrangeiros e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (art. 14, § 2º). %   são os convocados para o serviço militar obrigatório;
deixam de sê-lo se se engajarem no serviço militar permanente. É assim que os soldados engajados, cabos, sargentos, suboficiais e oficiais das
forças armadas e das polícias militares são obrigados a se alistarem como eleitores.

O alistamento eleitoral depende de iniciativa da pessoa, mediante requerimento que obedeça ao modelo aprovado pelo Tribunal S uperior
Eleitoral, que apresentará instruído com comprovante de sua qualificação e de idade.

A cidadania adquire-se com a obtenção da qualidade de eleitor, que se manifesta na posse do título de eleitor válido.

O   é cidadão, é titular de cidadania, embora nem sempre possa exercer todos os direitos políticos. O seu gozo integral depende d o
preenchimento de condições que só gradativamente se incorporam ao cidadão.

%


 
é atributo jurídico-político que o nacional obtém desde o momento em que se torna eleitor. Mas alguns direitos políticos só
se adquirem em etapas sucessivas: a) aos 16 anos de idade, o naci onal já se pode alistar, tornando -se titular do direito de votar; b) aos 18
anos, é obrigado a alistar-se, tornando-se titular do direito de votar, se não o fizera aos 16, e do direito de ser eleito para vereador; c) aos 21
anos, o cidadão (nacional eleito r) incorpora o direito de ser votado para deputado federal, estadual ou distrital, vice -prefeito e juiz de paz; d)
aos 30 anos, consegue a possibilidade de ser eleito para governador e vice -governador do Estado e do Distrito Federal; e) finalmente, aos 35
anos, o cidadão chega ao ponto mais elevado da cidadania formal, com o direito de ser votado para presidente e vice -presidente da República
e para senador federal (art. 14, § 3º).

Nossos constituintes de 1988 não poderiam ter dificultado isso um pouco mais , exigindo dos candidatos alguma qualificação universitária,
demonstração de probidade moral e administrativa?

&#"$%&'%()$*%&'%&$+%& 

Existem normas que asseguram o direito subjetivo de participar no processo político e nos órgãos governamentais; elas garantem a
participação do povo no poder de dominação política. São o direito de voto nas eleições, o direito de elegibilidade (direito de ser votado), o
direito de voto nos plebiscitos e referendos, o direito de iniciativa popular, o direito de prop or ação popular e o direito de organizar os
partidos políticos e deles participar.

O leigo usa as palavras &  e  como sinônimos. A Constituição, no entanto, no art. 14, diz que o &  
 e o  
 e tem valor 
.
A palavra  é empregada em outros dispositivos, exprimindo a vontade num processo decisório.   é outro termo em que se
confundem as palavras &  e . É que os três se inserem no processo de participação do povo no governo, expressando o direito
(& ), o seu exercício ( ) e o modo de exercício (  ).

Nossos constituintes de 1988 não foram muito técnicos no uso das palavras, ao empregar , referente à eleição de alguém ou a
deliberações sobre projetos ou composição de colegiados ou de julgamentos. No art. 60, § 4º, II, equivocadamente, falam em  
.
Igualmente, no art. 98, II, a mesma impropriedade:  
5 não existe voto universal; o voto é pessoal.

0&  (do latim 


  = aprovação, apoio) é um direito que decorre diretamente do princípio de que todo o poder emana do povo, que
o exerce por meio de representantes   ou diretamente. Instituição fundamental da democracia representativa. No sufrágio
consubstancia-se o consentimento do povo que legitima o exercício do poder. Aqui está a   primordial do sufrágio, de que decorrem as
 # e  
 das pessoas que hão de exercer as atividades governamentais.

As 
 &  são condicionadas pelo regime político. Se este for democrático, o sufrágio será  
; se elitista, autocrático ou
oligárquico, o sufrágio será  .

A universalidade do direito de sufrágio, princípio basilar da democracia política, apóia -se na identidade entre governantes e governados e é
acolhida no art. 14 da Constituição. Direito de votar, sem restrições de quaisquer espécies discriminatórias.

6  é o sufrágio conferido a indivíduos qualificados por condições econômicas, de fortuna e capacidade especial.

%  &  é o sufrágio concedido apenas ao indivíduo que preencha determinada qualificação econômica. Nas eleições dos deputados e
senadores do Império estavam excluídos de votar os que não tivessem renda líquida anual de duzentos mil réis por bens de raiz , indústria e
comércio ou empresa. As Constituições de 1891 (art. 70, § 1º, item 1º) e de 1934 (art. 108 e parágrafo único, c) excluíam os   do
direito de sufrágio, o que revela seu aspecto censitário.

%

 &  é o sufrágio que se baseia em capacitações especiais, notadamente de natureza intelectual. A Constituição de 1988 concedeu
direito de sufrágio aos analfabetos, não havendo nele qualquer discriminação antidemocrática.


 é outra exigência democrática do sufrágio: cada eleitor deve dispor de númer o igual de votos dos demais. É a igualdade de todos perante
a lei. É a igualdade de reconhecer a cada homem, a cada eleitor, um 7  ( 
$ ). Lamentavelmente, nossos constituintes
contrariaram sua própria redação, permitindo que um voto no Acre valha cerca de vinte vezes mais do que um voto em São Paulo. Um
deputado federal é eleito lá com cerca de dezesseis mil votos, enquanto em São Paulo são necessários aproximadamente trezento s mil votos.

Quanto à 

    
 , no nosso direito constitucional, os eleitores analfabetos e menores de dezoito anos não são
elegíveis para nada (art. 14, §§ 3º, d, e 4º).

Determinados eleitores, por circunstância especial, têm o direito de votar mais de uma vez ou de dispor de mais de um vo to para prover um
mesmo cargo. É o &   
.

Na Inglaterra, o eleitor podia votar mais de uma vez: na circunscrição do seu domicílio, na da universidade e na de sua empre sa ou negócio ʹ
era o  7 . Os trabalhistas, em 1948, suprimiram ess a forma de voto contrário à igualdade de sufrágio.

Pelo   


, o eleitor pai de família dispõe de um ou mais votos em função dos membros do núcleo familiar. Além de desigual
em função de circunstância especial, é também contrário ao voto feminino.

Todas essas formas de &   


 constituem  

  & 
, destinadas a propiciar    
, afirmando que o povo
não está preparado para a democracia, que o homem mais instruído ou dono de fortuna tem mais capacidade, qualidade e discernimento para
escolher os governantes e para participar do governo.

#"$%"+%$ #

O sufrágio é apenas um direito, enquanto o voto (CF, art. 14, § 1º) é um dos atos de exercício desse direito. O direito de vo tar caracteriza o
 . Mas o direito de ser votado distingue o , o titular do direito de ser votado, de vir a ser eleito. O primeiro é pressuposto do
segundo, pois ninguém tem o direito de ser votado se não for titular do direito de votar, isto é, se não for eleitor.

Assim,    . Nossos constituintes de 1988 não foram muito felizes na norma do art. 14, § 4º (são inelegíveis os
inalistáveis), uma vez que também são inelegíveis os não eleitores, ainda que alistáveis. Inelegíveis são portan to os não alistados, os
analfabetos e os eleitores entre dezesseis e dezoito anos.

Nos termos constitucionais do art. 14, para que alguém se torne eleitor, é necessário ter as condições de
 


  
$


  . 
$   
       
 
!  .
Repetindo: o sufrágio é o direito político fundamental nas democracias políticas; o voto é a sua manifestação no plano prátic o. Dessa maneira,
os votos emitidos nas assembléias legislati vas, no exercício do mandato político, são formas de exercício do sufrágio, porque os representantes
do povo deliberam, aprovando leis e outros atos legislativos no cumprimento da representação decorrente do exercício do sufrá gio.

O voto é o
  que materializa na prática o direito subjetivo do sufrágio. É também
  , pois a ação de emiti-lo é também um
direito e direito subjetivo. É igualmente 
  


, pois traduz o instrumento de sua atuação.

Direito público subj etivo, função de soberania popular na democracia representativa, o voto é também um dever, pois o indivíduo tem o dever
de manifestar sua vontade pelo voto.

Se o alistamento e o voto são obrigatórios para os maiores de dezoito anos (art. 14, § 1º, I), com o conciliar essa exigência com a concepção da
liberdade do voto? Essa obrigatoriedade significa apenas que ele deve comparecer à sua seção eleitoral e depositar sua cédula na urna,
assinando a folha individual de votação. O chamado voto em branco não é vot o, mas com ele o eleitor cumpre seu dever jurídico. Só não
cumpre é o seu dever social e político, porque não desempenha a função instrumental da soberania popular, que lhe incumbia na quele ato.

A 

  é indispensável para a realização dos atributos da sinceridade e autenticidade, não se admitindo os votos por
correspondência ou por procuração.

A  
  manifesta-se pela faculdade até mesmo de depositar na urna uma cédula em branco ou de anular o voto. A
obrigatoriedade constitucional de votar é formal, pois não atinge o conteúdo da manifestação da vontade do eleitor.

A garantia dessa liberdade exige que o seu voto seja , conforme está no art. 14. O eleitor é dono do seu segredo, após a emissão do
voto e a retirada do recinto de votação. O segredo do voto é uma garantia constitucional de eleições livres e honestas: evita a intimidação e o
suborno, suprimindo, na raiz, a possibilidade de corrupção eleitoral ou, como diz Marcel Prélot (      ¢      ,
2002, p. 642), reduzindo-a consideravelmente.

Exigência de sinceridade, autenticidade e eficácia do voto é o  , como princípio (art. 14), com uma única exceção: a da eleição do
presidente e vice-presidente da República pelo Congresso Nacional, no caso de vacância de ambos os cargos nos últimos dois anos do
mandato presidencial (art. 81, § 1º).

O exemplo dos Estados Unidos da América, cujo presidente é eleito por sufrágio indireto, não sustenta o caráter democrático d as eleições
indiretas. Na realidade, lá a eleição do presidente só é indireta formalmente, como asseguram F. A. Ogg e P. O. Fay ( 2"    8
1
9  :  ¢, p. 180). De fato, ele é escolhido por Eleitores Presidenciais (ou Grandes Eleitores,  
;), eleitos pela massa
eleitoral exclusivamente para tal fim. No final da campanha, os eleitores comparecem à urna e escolhem os eleitores presidenc iais que
também se apresentaram em campanha vinculados aos partidos e aos candidatos à presidência. Na prática, o poder dos eleitores nesse
particular é tão destituído de sentido quanto muitas das prerrogativas que, em teoria, a Coroa britânica ainda possui. Assim, após a sua
escolha, nada mais resta aos eleitores a não ser consignar os votos que já foram comprometi dos.

Se juridicamente essa eleição é indireta, em realidade, politicamente ela é direta, porque os eleitores do segundo grau se su bmetem a um
mandato imperativo. Vale dizer que sua escolha não cumpre a vontade dos eleitores populares, o que importa em níti da deformação do
princípio de soberania popular, como aconteceu no Brasil nas eleições indiretas implantadas de 1964 a 1985.

(",-"&""("$%#"& 

 
 é o conjunto de todos os que detêm o direito de sufrágio. Organiza -se segundo
   #,.
e# 
.

É significativa a participação do povo no poder em todas as suas manifestações, pois o papel dos eleitores é participar nas o perações do corpo
eleitoral, em virtude de um direito individual próprio, que é uma expressão da sua sobe rania individual.

O
 
  diz respeito à capacidade eleitoral ativa de ser eleitor, e a   
 refere-se à capacidade eleitoral passiva de ser eleito.

  
    

  
 
 

  2 
  / . Para que alguém,
entre nós, possa concorrer a uma função eletiva, é necessário preencher as  #   
 que a Constituição arrola no art. 14, §
3º, ou seja, nacionalidade brasileira, pleno exercício dos dir eitos políticos, alistamento eleitoral, domicílio eleitoral, filiação partidária, idade
mínima para os vários cargos e não incorrer em nenhuma inelegibilidade específica (art. 14, §§ 4º a 7º e 9º).

Eleito é o candidato que tenha recebido votação suficiente para lhe conferir o mandato. Uma vez eleito, o candidato não incompatibilizado
prestará compromisso e tomará posse do mandato.

A   é um concurso de vontades, visando a designação de um titular de mandato eletivo. É o modo pelo qual o povo, nas democ racias
representativas, participa na formação da vontade do governo.
Assim, o  
 
 é o conjunto de procedimentos que se empregam na realização das eleições, destinadas a organizar a representação
do povo no território nacional. Isso envolve té cnicas como a divisão do território em distritos ou circunscrições eleitorais, o método de
emissão de votos e os procedimentos de apresentação de candidatos e de designação dos eleitos de acordo com os votos emitidos .

Desde 1997, a Constituição reconheceu ao titular a possibilidade da  , isto é, pleitear a sua própria eleição para um mandato sucessivo
ao que está desempenhando (art. 14, § 5º). Isso já era permitido aos titulares de mandatos parlamentares.

O direito constitucional brasileiro vigente consagra o  



 & : a) 



, para a eleição do presidente e vice -
presidente da República (art. 77), do governador e vice -governador de Estado (art. 28) e do prefeito e vice -prefeito municipal (art. 29, II); b)



 
, para a eleição de senadores federais.

O  
 
 é acolhido constitucionalmente para a eleição de deputados federais (art. 45), o que significa a adoção de um princípio
que se estende às eleições para as Assembléias Legislativas e para as Câmaras Municipais, considerando o número de votos válidos, o
quociente eleitoral, o quociente partidário, a técnica de distribuição dos restos ou sobras, a determinação dos eleitos e a s olução dos casos em
que há falta de quociente.

No Brasil houve várias tentativas de implantar um  


 
 &  
   . Elas no entanto fracassaram, mas a
tendência a isso amplia -se cada vez mais, à vista dos notórios defeitos do sistema de representação proporcional pur o que vigora atualmente.

O procedimento eleitoral visa selecionar e designar as autoridades governamentais. Começa com a apresentação das candidaturas ao
eleitorado, sua designação em cada partido, o seu registro no órgão da Justiça Eleitoral competente, a propaganda eleitoral destinada a tornar
conhecidos o pensamento, o programa e os objetivos dos candidatos.

Pena é que, depois de elegê-los, nós, eleitores, esquecemos os seus nomes, os seus programas, os seus objetivos, e ficamos a lamentar nossa
falta de consciência política.

&#"$%&'%()$*%&!". $+%& 

"Toda a pessoa tem direito de participar no governo de seu país, diretamente ou por meio de representantes livremente escolhi dos."

Trata-se de princípio universal quejáfigurava no art. 6º da Declaraç ão de Direitos de Virgínia (1776): ; 5
    

 
  
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Igualmente constava no art. 6º da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789):  *52
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Faz parte especialmente do art. 21.1 da Declaração Universal dos DireitosHumanos (1948):  B(3C(D< 
 
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 D .

Entretanto algumas determinações constit ucionais  


o cidadão do direito de participação no processo político e nos órgãos
governamentais. São 
  esses direitos, porque 
ao cidadão o direito de eleger, de ser eleito, de exercer atividade político -
partidária e de exercer função pública.

A Constituição 
a cassação de direitos políticos. Só a admite nos casos do art. 15, ou seja, em virtude de: a) cancelamento da naturalização
por sentença transitada em julgado; b) incapacidade absoluta; c) condenação criminal transitada em julg ado, enquanto durarem seus efeitos;
d) recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa nos termos do art. 5º, VIII; e) improbidade administr ativa, nos termos
do art. 37, § 4º.

Nossos constituintes de 1988 não incluíram





 

 entre os motivos de perda ou de suspensão dos direitos políticos. Mas o
simples fato da aquisição de outra nacionalidade implica a sua perda, uma vez que transforma o brasileiro em estrangeiro. Com o o estrangeiro
não se pode alistar como eleitor e se a nacionalidade brasileira é pressuposto da posse dos direitos políticos, perde -os quem a perde com a
aquisição de outra (art. 12, § 4º, II), ainda que não conste no art. 15.

A 
   @ 
é a decorrente da liberdade de crença religiosa ou de convicções filosóficas ou políticas (art. 5º, VIII). Fato impunível
que não importaria em perda de direito algum.
Nossos constituintes de 1988 não foram felizes, gerando incoerência no texto e até um     (   ), porque não é lógico que o art.
5º, VIII mande o escusador cumprir uma prestação alternativa pela escusa de consciência, que também possa ser motivo de perda dos direitos
políticos, e assim mesmo ficar sujeito à prestação alternativa.

A suspensão dos direitos políticos consiste na  


 &
dos direitos políticos. A Constituição de 1946 (art. 135, § 1º) previa como
caso de suspensão a incapacidade absoluta e a condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos. A dou trina
constitucionalista e a jurisprudênci a encontravam base na lei civil e penal para a aplicação correta dessa medida. Assim é que concluíram que
bastaria a verificação judicial da 


  

, mediante decretação da    

., para que decorresse a privação
provisória da cidadania do interdito.

Na  

 o paciente continuará com seus direitos políticos suspensos, ainda que se beneficie de  . É que a suspensão dos
direitos políticos constitui uma das penas de interdição temporária de direitos, às quais não se estende a suspensão condicional da pena (CP,
art. 47, I e 80). Assim, o benefício da suspensão condicional da pena não interfere na suspensão dos direitos políticos decor rentes de
condenação criminal.

Nossos constituintes de 1988 redigiram mal o te xto do art. 37, § 4º: "Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos
direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento do erário, na forma e gradação previstas em lei,
sem prejuízo da ação penal cabível."

O texto ruim dá a entender que a 




 
não é propriamente sinônimo de 



 
. Esta teria sentido
mais amplo, de sorte que nem toda a imoralidade administrativa conduziria, necessariamente, à suspensão do s direitos políticos, salvo como
pena acessória em condenação criminal.

A improbidade diz respeito à prática de ato que gere prejuízo ao erário público em proveito do agente. Cuida -se de uma imoralidade
administrativa qualificada pelo dano ao erário e corr espondente vantagem ao ímprobo. O desonesto administrativo é o devasso da
Administração Pública.

c!"("./( "&""&!*%0' $/(1 ,2% 

O impedimento à capacidade eleitoral passiva (direito de ser votado) revela inelegibilidade; o obstáculo à capacidade eleitoral ativa (direito de
ser eleitor) é a não alistabilidade. Assim, a incompatibilidade é o estorvo ao exercício do mandato depois de eleito.

As inelegibilidades visam "proteger a probidade administrativa, a moralidade para o exercício do mandato, con siderada a vida pregressa do
candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de funç ão, cargo ou
emprego na administração direta ou indireta" (art. 14, § 9º).

É bom lembrar que a cláusul a "contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função..." só se refere à normalidade e à
legitimidade das eleições. Isso quer dizer que a "probidade administrativa" e a "moralidade para o exercício do mandato" são valores
autônomos em relação àquela cláusula. Elas não são protegidas contra a influência do poder econômico ou o abuso de função etc., mas como
valores em si mesmos dignos de proteção, porque a improbidade e a imoralidade conspurcam por si sós a lisura do processo elei toral.

As inelegibilidades possuem assim um fundamento ético evidente, correlacionando -se com a democracia, não podendo ser entendidas como
um moralismo desgarrado da base democrática do regime que se instaure.

A Constituição estabelece vários casos de inelegibi lidades no art. 14, §§ 4º a 7º; normas de eficácia plena e aplicabilidade imediata, ou seja,
que independem da lei complementar referida no § 9º desse artigo. Por serem restritivas de direitos fundamentais (direito à e legibilidade), a
técnica sempre recomendou que fossem disciplinadas inteiramente em dispositivos constitucionais.

Absolutas são as inelegibilidades que implicam impedição eleitoral para qualquer cargo eletivo: o cidadão não pode concorrer a eleição
alguma, não pode pleitear eleição para qualqu er mandato eletivo e não tem prazo para desincompatibilização que lhe permita sair do
impedimento a tempo de concorrer a determinado pleito. A inelegibilidade absoluta é excepcional, e só é legítima quando estab elecida na
própria Constituição ʹ é o caso do art. 14, § 4º, que declara inelegíveis os não alistáveis e os analfabetos.

Relativas são as inelegibilidades que constituem restrições à elegibilidade para determinados mandatos, em razão de situações especiais em
que, no momento da eleição, se encontre o cidadão. A inelegibilidade relativa não pode ser exercida em relação a algum cargo ou função
eletiva, mas o poderia relativamente a outros, exatamente por estar o cidadão sujeito a um vínculo funcional ou de parentesco ou de domicílio
que inviabiliza sua candidatura na situação.

São absolutamente inelegíveis por motivos funcionais, para os mesmos cargos, num terceiro período subseqüente: o presidente d a República,
os governadores de Estado e do Distrito Federal, os prefeitos e quem os houver sucedido nos seis meses anteriores ao pleito ʹ é a proibição de
uma segunda reeleição. Igualmente, para concorrerem a outros cargos, eles são inelegíveis, salvo desincompatibilização median te renúncia
aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito.
Por motivo de parentesco no território de circunscrição do titular (o art. 14, § 7º, erroneamente fala no território da    do titular), são
inelegíveis o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção ʹ situação especial com possibilidade de
desaparecer pela vontade das pessoas envolvidas e com prazo certo para terminar.

Também por motivo de domicílio pode o cidadão ser inelegível, pois o domicílio eleitoral é uma das condições de elegibilidade (art. 14, § 3º,
IV). Assim, ele é inelegível para mandato ou cargo eletivo em circunscrição em que não seja domiciliado pelo tempo exigido em lei.

Desincompatibilização é o ato pelo qual o candidato se desvencilha da inelegibilidade a tempo de concorrer à eleição cogitada . Esse termo
tanto serve para designar o ato mediante o qual o eleito sai de uma situação de incompatibilidade para o exercício do mandato como para o
candidato desembaraçar-se da inelegibilidade.

Posição incômoda é a do cônjuge e do parente inelegível: nada pode m fazer por si, a não ser pressionar o cônjuge ou parente titular do cargo
para que renuncie, a fim de desvencilhá -los do embaraço.