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Pessoa Natural

(Pessoa e Personalidade)

O termo pessoa vem do latim persona, que era a máscara utilizada para empostar a voz humana
no teatro. Todavia, os conceitos de pessoa e ser humano, não se confundem. Desta feita, é
possível que haja pessoa que não é humana. É o caso das pessoas jurídicas. O conceito de ser
humano não é jurídico, é biológico e tampouco interessa ao Direito Civil. Este, porém, cuida da
distinção entre sujeito e objeto.

Nesta senda, nasce a ideia de sujeito de direito, como sendo aquele que participa da relação
jurídica e é titular de direitos e deveres. Esse conceito da doutrina parte do enunciado do artigo
1° do código civil, transcrito:

art. 1°. Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil.

A pessoa é, portanto, um estado de potência em face do direito, ou seja, a possibilidade de


titularizar direitos e deveres. Como bem salienta, Caio Mário da Silva Pereira, toda pessoa tem
personalidade. A personalidade está intimamente ligada à pessoa, pois exprime a aptidão para
adquirir direitos e contrair deveres.

Quanto ao início da personalidade, existem três teorias distintas, quais sejam: a teoria natalista,
a teoria concepcionista e a teoria da personalidade condicional. Vejamos:

A teoria natalista é aquela cuja maior parte da doutrina é adepta. Segundo ela, o início da
personalidade civil se dá do nascimento com vida. Para se aferir se o nascituro nasceu com vida,
faz-se o exame chamado de docimazia hidrostática de galeno. Com o resultado, é possível saber
se o nascituro teve respiração extrauterina e, portanto, nasceu com vida. Mesmo que tenha
vindo a falecer em seguida, adquiriu personalidade, embora que por pouco tempo. Por outro
lado, se o nascituro não foi capaz de empreender respiração sem a ajuda do cordão umbilical,
ou seja, teve apenas respiração intrauterina, é considerado natimorto e, por essa razão não
adquiriu personalidade. Em síntese, é o que ensina a dicção do art. 2° do código civil:

art. 2°. A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida, mas a lei põe a salvo,
desde a concepção, os direitos do nascituro.

Ou seja, o nascituro ainda não é pessoa, dependendo para adquirir tal nominação do nascimento
com vida. Trata-se de mera expectativa de direito, o nascituro é uma pessoa em potencial. Em
que pese, não seja pessoa, o código civil, como se vê, reconhece e protege os seus direitos desde
a concepção.

Contrariamente, a teoria concepcionista, que possui bem menos adeptos na doutrina, aduz que
a personalidade civil começa já da concepção. Desse modo, o nascituro seria, tão logo,
considerado pessoa, para todos os fins. Essa teoria tem aplicação em nosso ordenamento
jurídico a partir de alguns entendimentos jurisprudenciais. Por exemplo, caso o nascituro venha
a sofrer um acidente automobilístico, seria devida a indenização pelo seguro obrigatório,
DPVAT. Igualmente, seria devida indenização por danos morais quando da exposição do
nascituro à situações que possam macular a sua moral.

Já a teoria da personalidade condicionada, seria, a rigor, a conjugação das demais teorias


(natalista e concepcionista). Na medida em que, para ela, a personalidade se inicia da
concepção, entretanto, estaria condicionada ao nascimento com vida. Em que pese, esta teoria
pareça a mais adequada, é alvo de severas críticas entre os defensores das teorias natalista e
concepcionista. Tecnicamente falando, a teoria da personalidade condicional não encontra
escora adequada em nosso ordenamento jurídico, pelo que a doutrina majoritária e a
jurisprudência se divide entre as outras duas abordagens.

Capacidade

Neste seguimento, há a capacidade. É possível que haja pessoa com personalidade, sem plena
capacidade; ou, ao contrário, que exista pessoa com plena capacidade, mas sem a plena
personalidade. No primeiro caso, cite-se o menor de 16 anos, conforme o artigo 3° do código
civil. Enquanto que, no segundo caso, tem-se as pessoas jurídicas, que possuem plena
capacidade (de fato e de direito), mas não possuem a plena personalidade, sobretudo, quanto
aos direitos de personalidade inerentes à condição de pessoa natural, como, por exemplo, o
direito de dispor do próprio corpo, o direito à liberdade religiosa e entre outros.

A capacidade é a medida da personalidade. Há a capacidade de direito e a capacidade de fato.


A capacidade de direito é inerente à pessoa, toda pessoa que tem personalidade jurídica, tem,
por consequência, capacidade de direito. Ao passo que, a capacidade de fato, é a possibilidade
de exercer esses direitos de per si, isto é, por si só. Considera-se, portanto, plenamente capaz a
pessoa que reunir ambos aspectos da capacidade.

Incapacidades

Todavia, como já mencionado, é possível que haja pessoa juridicamente capaz, mas faticamente
limitada. Caso em que, temos a incapacidade absoluta, pelo que nenhum ato jurídico poderá ser
praticado, sob pena de nulidade. Os dois elementos que inferem a incapacidade são a idade e
saúde.

Nesse sentido, vale informar importante modificação empreendida no código civil, pela Lei
Brasileira de Inclusão das Pessoas com Deficiência, ou Estatuto das Pessoas com Deficiência. Em
que pese, não se saiba, ao certo, quais os impactos dessas mudanças às relações jurídicas no
plano material.

Veja-se, antes do advento do referido estatuto, o art. 3° do código civil, elencava três diferentes
hipóteses de incapacidade absoluta. Quais sejam: os menores de 16 anos, os que por
enfermidade ou doença mental não tiverem o necessário discernimento para a prática dos atos
da vida civil e os que por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade.
Contudo, com as modificações do Estatuto, as hipóteses de incapacidade absoluta foram
limitadas aos menores de 16 anos de idade. Portanto, atualmente, vige no ordenamento jurídico
brasileiro que o absolutamente incapaz é apenas o menor de 16 anos completos.

Ademais, vale acrescentar que, em se tratando de incapacidade absoluta, há o instituto da


representação, isto é, o menor não poderá realizar atos jurídicos, senão representado pela
figura dos pais, tutor ou curador. O que não significa dizer que, o menor não poderá praticar
qualquer ato jurídico. Posto que, cuida a doutrina majoritária que os negócios cotidianos, de
pequena monta, como, por exemplo, tomar o transporte público ou realizar pequenas compras,
poderão ser empreendidos pelo menor, sem qualquer impedimento (menino tem direito).

Já a incapacidade relativa é parcial, ou mitigada, pois entende-se que o discernimento vem a ser
maior. O código civil traz as hipóteses de incapacidade relativa, igualmente alteradas pelo
Estatuto das Pessoas com deficiência. São elas: os maiores de 16 anos e menores de 18; os ébrios
habituais e os viciados em tóxico; os pródigos e; aqueles que por causa permanente ou
transitória não puderem exprimir sua vontade. Esta última, constituía hipótese de incapacidade
absoluta, mas foi realocada como incapacidade relativa, em virtude do Estatuto supracitado. Os
relativamente incapazes não são representados pelos pais, tutor ou curador, como o são os
absolutamente incapazes, mas sim, assistidos. O instituto da assistência pressupõe o
assentimento, isto é, a aprovação, do responsável assistente como condição para a prática de
determinados atos da vida civil. Por fim, determina a lei civil que a capacidade dos indígenas
deverá ser regulada em legislação específica.

Fim da incapacidade
(emancipação)

A menoridade cessa aos 18 anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos
os atos da vida civil. Contudo, a lei permite que o relativamente incapaz possa, em determinadas
situações, adquirir a plena capacidade. Cuida-se da emancipação. A emancipação pode ser
entendida como a aquisição da plena capacidade, antes do atingimento da idade legal.

A lei diz que, cessará para os menores a incapacidade pela concessão dos pais, ou de um deles
na falta de outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial;
ou, por sentença do juiz, ouvido o tutor, desde que o menor tenha 16 anos completos.
Igualmente, dá-se a emancipação pelo casamento; pelo exercício de emprego público efetivo;
pela colação de grau em instituição de ensino superior e, ainda, pelo estabelecimento civil ou
comercial ou pela relação de emprego, desde que, em função destes, o menor de 16 anos
completos, possua economia própria.

À emancipação por concessão dos pais, dá-se o nome de emancipação voluntária. Já à


emancipação por sentença judicial, é denominada emancipação judicial. De outro modo, as
demais hipóteses de emancipação são consideradas como especiais. Vale dizer que, na
emancipação voluntária, judicial e em razão da economia própria (seja por estabelecimento civil
ou comercial ou relação de emprego), a lei expressamente prevê a idade mínima de 16 anos.
Quanto as demais possibilidades, entende a doutrina que, embora não disposto em lei, também
há o limite mínimo de 16 anos de idade. Conquanto, firma-se o entendimento de que não se
pode emancipar os absolutamente incapazes, mas somente os relativamente incapazes.

Por fim, vale mencionar que, em muito diferem os institutos da menoridade e da emancipação.
Tendo em conta que o menor emancipado, em que pesa detenha plena capacidade civil,
continua menor. Tanto continua menor que não lhe é plena a sua capacidade penal,
preservando, portanto a inimputabilidade penal em razão da menoridade.

Direitos da Personalidade

Adquirida a personalidade, a pessoa passa a dispor de uma série de prerrogativas, que são
inerentes à sua condição de pessoa. À essas prerrogativas, dá-se o nome de Direitos da
Personalidade.

Ao Direitos de Personalidade consistem em direitos subjetivos, pelo que são plenamente


exigíveis por seus titulares. Com efeito, a tutela para esses direitos é deveras ampla, abrangendo
diversas esferas jurídicas, como, por exemplo, o Direito Penal, o Direito Internacional, o Direito
Constitucional e, logicamente, o Direito Civil.
A base dos Direitos de Personalidade é o princípio norteador da CRFB/88, qual seja, a dignidade
da pessoa humana. Por essa razão, o seu principal objetivo é a proteção e a preservação da
pessoa.

Nesse sentido, convém elencar as principais características dos Direitos da Personalidade,


segundo a doutrina e jurisprudência pátria. São elas a intransmissibilidade;o caráter absoluto; a
indisponibilidade, a irrenunciabilidade; a imprescritibilidade e; o seu caráter extrapatrimonial e
congênito. Vejamos:

Os Direitos da Personalidade são intransmissíveis, pelo que não podem ser passados a outrem.
São absolutos, posto que produzem efeitos erga omnes, ou seja, perante a toda sociedade. São
indisponíveis, pois que não são suscetíveis de alienação. Todavia, esta característica pode ser
relativizada, a depender da situação, como, por exemplo no tocante aos direitos de imagem ou
aos direitos ao próprio corpo. São irrenunciáveis, vez que deles não se pode abrir mão, exceto
quanto aos direitos de autoria, por exemplo. São, ainda, imprescritíveis, pelo que não perecem
com o decurso do tempo e não sofrem os efeitos da prescrição e da decadência, não se incluindo
aqui os efeitos patrimoniais dos Direitos de Personalidades, que esses sim, prescrevem, como é
o caso do dano moral. São, também, extrapatrimoniais, visto que não podem ser mensurados
em pecúnia, exceto, quando se tratar de indenização e reparação do dano por violação à direito.
Por fim, os Direitos da Personalidade são congênitos, ou seja, inatos. Nascem e morrem com a
pessoa. Em que pese, possa se falar em proteção aos direitos do nascituro e da honra e do nome
dos mortos.

Quanto à esta última característica, esclarece-se que, a legitimidade para perquirir a cessação
da ameaça ou lesão à memória de pessoa morta é do cônjuge, se houve, ou de qualquer parente
em linha reta ou colateral até o quarto grau.

O código civil reserva alguns artigos, no capítulo dos Direitos da Personalidade, para disciplinar
os atos de disposição do próprio corpo. Com dicção de tais dispositivos, tem-se que, esses atos
limitam-se, quando importar diminuição permanente da integridade física ou contrariar os bons
costumes, aos casos em que há exigência médica. Excetuando-se a doação de órgãos e a
disponibilização do próprio corpo, no todo, ou em parte, para depois da morte, com fins
científicos ou altruísticos. Assevera, ainda, que não se pode constranger qualquer pessoa à
submeter-se, com risco de vida, à tratamento médico ou intervenção cirúrgica.

Em relação ao nome, o código civil é claro, no sentido de estender a proteção comumente


conferida ao nome, também ao prenome e ao sobrenome. Dispensa, ainda, a sua tutela
protetiva, aos apelidos e pseudônimos socialmente reconhecidos, desde que lícitos. Por essa
razão, o nome da pessoa não pode ser empregado em publicações ou representações que a
exponham ao desprezo público, ainda que não haja interesse difamatório. Do mesmo modo,
não se pode utilizar o nome da pessoa, sem autorização, em propaganda comercial.

Por fim, disciplina os casos relativos à divulgação da pessoa, sejam os seus escritos ou a sua
imagem, penalizando-os, quando não houver autorização ou quando importarem lesão à honra,
à imagem ou à respeitabilidade da pessoa. Ressalte-se que, em se tratando de pessoa falecida,
ou ausente, são legítimos para recorrer à tutela aqui mencionada o cônjuge, os ascendentes ou
os descendentes.
Fim da personalidade

A existência da pessoa natural termina com a morte. Esta, que deve ser sempre atestada,
mediante instrumento público. Entretanto, há situações em que não é possível atestar a morte
de alguém, posto que, não se tem absoluta certeza quanto à ocorrência desta. Caso em que,
cogitam-se as possibilidades de ausência ou de morte presumida.

Ocorre a ausência quando, a pessoa desaparece de seu domicílio, sem deixar representantes,
gerando incertezas quanto ao seu paradeiro, ou existência. Logo, inicia-se um processo, que é
regulado tanto pelo código civil, quanto pelo código de processo civil, para que o juiz possa
decretar a sua ausência.

A princípio, o juiz mandará arrecadar os bens do ausente e nomear um curador. Este, que será,
prioritariamente, na forma da lei, o cônjuge, desde que não separado judicialmente, ou de fato,
há mais de dois anos da data de sua ausência. Se, porventura, não houver cônjuge, os
legitimados são os ascendentes e os descendentes, nesta ordem. Tendo que, quanto aso
descendentes, os mais próximos precedem os mais remotos. Não havendo, porém, nenhum dos
habilitados mencionados acima, caberá ao juiz a escolha do curador.

Depois disso, proceder-se-á a arrecadação dos bens do ausente, que nada mais é que a indicação
dos bens que compunham o seu patrimônio. Terminada a arrecadação, o juiz publicará editais,
pelo período de um ano, de dois em dois meses, informando da arrecadação e chamando o
ausente a tomar posse de seus bens. Ressalte-se, contudo, que o código civil estabelece exceção
a esse prazo ânuo, qual seja: se o ausente houver deixado procurador, este prazo passará a ser
de três anos, não mais de um.

Findo o prazo do edital, não tendo retornado o ausente, podem os habilitados requererem ao
juiz a abertura da sucessão provisória. Segundo a legislação civil, consideram-se interessados
somente o cônjuge, desde que não separado judicialmente; os herdeiros legítimos, presumidos
ou testamentários; os que tenham sob os bens do ausente direitos pendentes de sua morte e;
os credores de obrigações vencidas e não pagas.

Se, porventura, nenhum dos habilitados aparecerem, poderá o Ministério Público requerer a
abertura da sucessão provisória. Todavia, salienta-se que, a sentença que determinar a abertura
da sucessão provisória só produzirá efeitos cento e oitenta dias após do trânsito em julgado da
decisão. Tão logo, poderá proceder-se a abertura do testamento, se houver, e do inventário e
partilha dos bens, como se o ausente falecido fosse.

Novamente, se aberta a sucessão provisória pelo Ministério Público e, mesmo assim, nenhum
habilitado aparecer, em até trinta dias da sentença que determinou a abertura da sucessão. A
arrecadação dos bens do ausente será feita na forma de herança jacente, caso continue jacente,
será declarada sua vacância, passando ao domínio do Estado.

Por outro lado, se empossados dos bens, os sucessores provisórios, representarão o ausente,
ativa e passivamente. Conquanto, contra eles correrão todas as ações, ativas ou passivas. Se,
porventura, o ausente reaparecer, ou alguém provar que ele está vivo, mesmo após a posse
provisória, cessam, de imediato, os benefícios dos que nela se imitiram. Devendo, estes,
promover os cuidados assecuratórios necessários à conservação dos bens, para posterior
restituição ao dono.

Não reaparecendo o ausente, dá-se início ao processo de sucessão definitiva. Ocorre, este,
passados dez anos do trânsito em julgado da sentença que determinou a abertura da sucessão
provisória; ou, se for o caso, cinco anos contados das últimas notícias do ausente, desde que, na
data do seu desaparecimento, já tivesse mais de 80 anos de idade.

Se, ainda, durante dez anos da abertura da sucessão definitiva, reaparecerem o ausente ou os
seus herdeiros, poderão reclamar ao juiz os bens no estado em que se acharem. De outro modo,
se reaparecerem após dez anos da abertura da sucessão definitiva, não poderão reclamar bem
algum, vez que se tornou definitiva a sucessão.

Passados dez anos, não tendo retornado o ausente, presume-se a sua morte. Todavia, convém
mencionar que, é possível que haja presunção de morte, sem que, para isso, seja necessário a
decretação de ausência. Cuida-se dos casos elencados no código civil, em que a morte do
ausente é extremamente provável. Ocorre quando o ausente corria risco de vida, ou
desaparecido em campanha ou feito prisioneiro não retornar até dois anos depois do término
da guerra. Entretanto, em qualquer caso, só poderá ser decretada morte presumida sem a
declaração de ausência, quando do término de todas as buscas e esgotadas as hipóteses de
resgate. Devendo, a sentença que decretar a morte presumida, firmar a possível data do
desaparecimento.

Nesse seguimento, convém fazer alusão ao fenômeno da comoriência, previsto no diploma civil.
Segundo o qual, ensina que ocorre a comoriência quando há presunção de morte simultânea de
duas ou mais pessoas reciprocamente herdeiras.

Pessoa Jurídica

As pessoas jurídicas são entidades, que conglobam pessoas, bens ou ambos, pessoas e bens.
Elas são aptas a titularizar relações jurídicas, uma vez que detentoras de personalidade jurídica.
Assim como as pessoas físicas ou naturais. Dentre as principais características das pessoas
jurídicas, cite-se a capacidade fática e jurídica; a estrutura organizativa; os interesses comuns de
seus membros e; o patrimônio próprio e independente.

Segundo a Teoria da Realidade técnica, adotada pelo código civil de 2002, a pessoa jurídica
resulta de um procedimento técnico, denominado personificação. Esse procedimento depende
de lei e está regulado no art. 45/CC, vejamos:

Art. 45°. A existência legal das pessoas jurídicas de direito privado começa com inscrição do seu
ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário da autorização ou
aprovação do Poder Executivo, averbando-se em registro todas as alterações por que passar o
ato constitutivo.

Ou seja, cumpridas as exigências prescritas em lei, a pessoa jurídica passa a existir como sujeito
de direito, dotada de personalidade jurídica. A esse processo, dá-se o nome de personificação,
através do qual a pessoa jurídica é constituída.

Diferentemente do que ocorre com as pessoas físicas/naturais, é possível cancelar o


“nascimento” de uma pessoa jurídica. Isso, se descumpridas as exigências legais para a sua
constituição e, desde que, respeitado o prazo decadencial de três anos, na forma do parágrafo
único do artigo supracitado.

Há dois grandes grupos de pessoas jurídicas, sobre as quais dispõe o código civil de 2002. São
eles as pessoas jurídicas de direito público e as pessoas jurídicas de direito privado. As pessoas
jurídicas de direito público, são regidas pelo regime jurídico de direito público, típico do Direito
Administrativo. Ao passo que, as pessoas jurídicas de direito privado, regem-se pelo regime
jurídico de direito privado, específico do Direito Empresarial e do Direito Civil.

Nesta senda, classificam-se as pessoas jurídicas de direito público em pessoas jurídicas de direito
público interno, cuja abrangência abarca a União; os Estados; o Distrito Federal; os Municípios;
as Autarquias, inclusive as Associações Públicas e demais entidades de caráter público, criadas
por lei. E em pessoas jurídicas de direito público externo, das quais fazem parte os Estados
estrangeiros e demais pessoas regidas pelo direito internacional público.

Por outro lado, classificam-se as pessoas jurídicas de direito privado em Associações;


Sociedades; Fundações; Organizações religiosas; Partidos Políticos e; Empresas individuais de
responsabilidade limitada.

As Associações são pessoas jurídicas de direito privado, de fins não lucrativos. Não há, contudo,
entre os seus associados, direitos e obrigações recíprocos. Ressalte-se que, as associações
poderão sim obter lucro. No entanto, não pode haver distribuição social desse lucro, caso em
que estaríamos diante de uma sociedade e não de uma associação.

Os requisitos para a criação das associações estão dispostos no código civil e devem constar de
seus estatutos, sob pena de nulidade. O estatuto social da associação, poderá criar categorias
especiais de associados, mas estes devem possuir direitos iguais. Ressalte-se que, nenhum
associado poderá ser privado do exercício de um direito ou função, exceto se do contrário dispor
a lei, ou o estatuto. Além disso, o estatuto deve ainda disciplinar os critérios de admissão e
demissão de associados. Contudo, tem-se que nenhum associado será excluído, senão por justa
causa e sem que lhe seja oportunizado o direito de defesa. Por fim, vale destacar que a qualidade
de associado é, via de regra intransmissível.

Já as Fundações são pessoas jurídicas de direito privado, formando um complexo de bens, sem
quaisquer pessoas físicas/naturais em sua composição. O objetivo das fundações, embora
possuam natureza jurídica de direto privado, é sempre público. Cite-se, por exemplo, a saúde; a
educação; a assistência social; a cultura, entre outros.

Na instituição da fundação, o instituidor deverá indicar o patrimônio que a comporá. Sendo,


porém, este patrimônio, insuficiente para a criação da fundação, se de outro modo não dispor
o instituidor, esse patrimônio será incorporado à fundação preexistente, de fins idênticos ou
semelhantes.

Caso a fundação seja criada por ato inter vivus, o instituidor é obrigado a despojar-se dos bens
que indicou para a sua formação. Em se recusando, estes serão registrados no nome da
fundação por mandado judicial.

Instituída a fundação, o instituidor deverá nomear pessoa para geri-la. Esta, ficará incumbida de
elaborar o estatuto da fundação e submetê-lo à aprovação pela autoridade competente, com
recurso para o juiz. Cuida-se de que, se não elaborado o estatuto no prazo estipulado pelo
instituidor, caberá, em 180 dias, a sua elaboração por parte do Ministério Público. Por fim,
ressalte-se a importância do parquet para as fundações. Tendo em conta que, fora investido,
por força de lei, na função de velar pelas fundações.

Ademais, relevante dispor acerca da existência de grupos despersonificados. Estes,


correspondem a conjugados de bens e/ou pessoas que, embora careçam de personalidade
jurídica, atuam como se pessoas jurídicas fossem. A sua importância está, sobretudo, no Direito
Processual Civil, tendo em vista que, em que pese não detenham capacidade jurídica, possuem
capacidade processual, podendo figurar em relações jurídicas quando representados
processualmente. São exemplos de entes despersonificados a massa falida, o espólio, a herança
jacente ou vacante, o condomínio, entre outros.

Por fim, anote-se que, o código civil estendeu, no que couber, a proteção aos direitos de
personalidade, comumente associados às pessoas físicas/naturais, também às pessoas jurídicas.
Portanto, as pessoas jurídicas gozam da proteção ao nome, à imagem, à respeitabilidade, à
honra e demais direitos da personalidade compatíveis com a sua natureza.

Domicílio

O domicílio corresponde à localização espacial da pessoa. É o lugar em que, esta, desempenha


as suas atividades com ânimo definitivo. Sendo um atributo da personalidade, o domicílio
corresponde à sede jurídica da pessoa, local em que ela se presume presente e pratica atos e
negócios jurídicos, seja ela física/natural ou jurídica.

Altera-se o domicílio quando se transfere a sua residência, com intenção manifesta de mudar. A
prova do ânimo resulta da declaração que a pessoa fizer às municipalidades dos lugares que
deixa e para onde vai. Se não fizer declaração alguma, decorre da própria mudança, com as
circunstâncias que a acompanhar.

Cuida-se, assim, que os requisitos para a constituição de domicílio são dois, o requisito objetivo,
qual seja, a fixação em um determinado lugar e o requisito subjetivo, a saber: o ânimo definitivo
de residir em um dado local.

Diferentemente de outros sistemas jurídicos, o direito brasileiro não admite a ausência de


domicílio. Por essa razão, todos têm domicílio, vez que este é obrigatório. Com efeito, até
mesmo os errantes ou sem-teto que, em muito se deslocam, são domiciliados. Entendido, o seu
domicílio, como sendo aquele em que forem encontrados. Aqui, há nítida aplicação da teoria da
aparência, pelo que o local em que se encontram não é, em verdade, o seu domicílio, mas
aparenta ser, portanto, o é.

Destaca-se que, o domicílio é, via de regra fixo, muito embora se permita a sua mutabilidade.
Nesse sentido, é possível que uma pessoa possua residência e domicílio distintos. É o caso, por
exemplo, da situação hipotética do aluno da Universidade Federal do Ceará que, sendo
aprovado em concurso público, deve submeter-se à realização de curso de formação em Brasília.
Desta feita, in casu, o aluno manterá residência onde e pelo tempo que durar a realização do
curso, contudo, o seu domicílio permanecerá inócuo, no Ceará. Vez que, a mudança carece do
requisito subjetivo essencial à caracterização do domicílio, supracitado, qual seja: o ânimo
definitivo.

Ressalte-se que, as relações profissionais também são causa de desmonte da fixidez do


domicílio. Visto que, segundo a legislação civil, também considera-se domicílio, o local em que
a pessoa desempenhe as suas atividades profissionais. Desse modo, digamos, se a pessoa reside
em região metropolitana de Fortaleza com ânimo definitivo, tem-se, por este, o seu domicílio.
Todavia, se, porventura, vier a trabalhar em Fortaleza, esta, também será considerada seu
domicílio, simultaneamente, sem qualquer impedimento.

O código civil de 2002 estabelece dois diferentes tipos de domicílio. São eles o domicílio
voluntário e o domicílio necessário, ou legal. Vejamos, o domicílio voluntário é a regra no
ordenamento jurídico. Segundo o próprio nome já diz, a escolha e o estabelecimento do
domicílio se dá por contrato escrito, segundo a vontade dos contratantes.
Por outro lado, o domicílio necessário, ou legal, é aquele que é determinado pela lei. Nesse
sentido, não há que se falar em qualquer margem de discricionariedade, pelo que a lei é
imperativa e deve ser cumprida. Nesta senda, tem-se as seguintes disposições:

O domicílio dos itinerantes, entendido, estes, como sendo aqueles que não possuem residência
habitual, é o local em que se encontrarem. Por sua vez, o domicílio dos incapazes corresponde
ao mesmo domicílio de seus pais, tutor ou curador. Em relação aos servidores públicos, tem-se,
por domicílio, o local em que exercerem permanentemente as suas funções. Quanto aos
militares do exército, domicílio é o local em que tiverem que servir. De outro modo, o domicílio
dos militares da marinha e aeronáutica corresponde à sede do comando a que estiverem
diretamente subordinados. Já, quanto aos marítimos (marinha mercante), o domicílio situa-se
onde acharem matriculados os navios. A lei civil também cuida do domicílio dos presos, como
sendo o local a que tiverem que cumprir a sentença. Aqui, vale mencionar o entendimento de
Pontes de Miranda, que leciona que o domicílio do preso somente mudará quando do trânsito
em julgado da sentença penal condenatória. Assim, até lá, conserva-se o domicílio comum da
pessoa apenada.

Com relação às pessoas jurídicas, determina a lei civil que o domicílio da União será o Distrito
Federal; o domicílio dos Estados e Territórios, serão as suas respectivas capitais; o domicílio dos
municípios serão os lugares em que funcionarem as suas respectivas administrações; e o
domicílio das demais pessoas jurídicas serão os locais em que funcionarem as suas diretorias ou
administrações, ou, ainda, o domicílio especial, determinado em seus atos constitutivos ou
estatutos.

Por fim, se a pessoa jurídica detiver diversos estabelecimentos funcionando em lugares


diferentes, cada um deles poderá ser considerado domicílio. De outro modo, se a sede da
diretoria ou da administração situar-se no exterior, determina a lei civil que, o domicílio será a
sede no Brasil a que guardam correspondência.