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D I S C I P L I N A Geometria Analítica e Números Complexos

Aprendendo a marcar pontos


na reta, no plano e no espaço

Autores

Cláudio Carlos Dias

Neuza Maria Dantas

aula

01
Governo Federal Revisoras de Língua Portuguesa
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Catalogação da publicação na Fonte. UFRN/Biblioteca Central “Zila Mamede”

Dias, Cláudio Carlos.


   Geometria analítica e números complexos / Cláudio Carlos Dias, Neuza Maria Dantas. – Natal, RN :
EDUFRN, 2006.

320 p.  : il

   1. Geometria analítica plana.  2. Geometria analítica espacial.  3. Números complexos.  I. Dantas,


Neuza Maria.  II. Título.

ISBN 978-85-7273-331-1 CDU 514.12


RN/UF/BCZM 2006/88 CDD 516.3

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida sem a autorização expressa da UFRN -
Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Apresentação

A
Geometria Analítica é um método que tem como base representar os pontos de
uma reta, de um plano e do espaço por, respectivamente, números, pares e ternos
ordenados de números reais. Esse método estabelece uma relação entre a Álgebra e
a Geometria, de modo que é possível resolver por meio de equações questões geométricas
e, de forma semelhante, tratar geometricamente situações algébricas. Tópicos abordados em
Geometria Plana e Espacial serão revisitados nas próximas aulas do ponto de vista analítico,
ou seja, por meio de suas equações.
Nesta primeira aula, aprenderemos a marcar pontos em uma, duas e três dimensões. Para
isso, serão apresentados os conceitos de coordenadas na reta, no plano e no espaço, como também
será mostrado como calcular a distância entre dois pontos. Para facilitar o desenvolvimento das
atividades, você deve ter à mão papel quadriculado, régua, lápis grafite e borracha.
A aula segue a mesma estrutura das disciplinas anteriores: a divisão por tópicos, com
apresentação do conteúdo, dos exemplos e das atividades propostas, que servem para
que você analise sua compreensão dos conceitos apresentados. Nessas atividades, estão
presentes aplicações à Geometria Plana e a outras Ciências.

Objetivos
Ao final desta aula, esperamos que você: localize
coordenadas na reta, no plano cartesiano e no espaço;
calcule a distância entre dois pontos; bem como
compreenda a importância desse método na resolução
dos problemas que permitam a introdução apropriada de
um sistema de coordenadas.

Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos 


Um pouco de História

E
René Descartes xiste controvérsia sobre quando e quem inventou a Geometria Analítica. A maioria
dos historiadores assume que a origem se deu no século XVII, com as contribuições
Nasceu em 1956 em La
Haye, província de Torayne, de dois matemáticos franceses, René Descartes e Pierre de Fermat. Várias obras
na França, e morreu em tratam da história da Matemática e apresentam de forma aprofundada as contribuições
1650 em Estocolmo, na
desses matemáticos. Duas delas estão indicadas nas referências desta aula: Boyer (1974)
Suécia. Estudou Lógica,
Ética, Metafísica, História, e Eves (1995). Entretanto, em que pese as contribuições dadas, há que se ressalvar que as
Ciências e Literatura no palavras “coordenadas”, “abscissa” e “ordenada”, com o sentido que se tem hoje, foram
colégio jesuíta de La Flèche,
atribuídas a Leibniz, em 1692.
continuando os estudos na
Universidade de Poitiers,
onde formou-se em Direito.
Em 1637, publicou o

Coordenadas cartesianas na reta


tratado intitulado Discours
de la Méthode pour Bien
Conduire sa Raison et
Chercher la Vérité dans
les Sciences (Discurso do

S
Método para Bem Conduzir
e você for estudar a história da Matemática, irá se deparar com situações do tipo:
a Razão a Procurar a
Verdade nas Ciências). A a geometria axiomática de Euclides foi escrita por volta de 300 a.C.; Platão, filósofo
contribuição de Descartes grego, nasceu em 427 a.C.; René Descartes nasceu em 1596; Pierre de Fermat
à Geometria Analítica
apresentou seus estudos sobre geometria analítica em 1636. Essas são informações isoladas
encontra-se em um dos
apêndices desse trabalho, que podem ser organizadas em uma reta numérica chamada de linha do tempo. Nela, o marco
intitulado La Géométrie. zero é o nascimento de Jesus Cristo, marcando-se à esquerda os acontecimentos anteriores,
e, à direita, o que aconteceu depois do nascimento de Jesus. A linha a seguir possui alguns
Pierre de Fermat
dos dados apresentados nesse parágrafo. Localize os outros que faltam.
Nasceu, provavelmente,
em 1601 em Beaumont
de Lomagne, perto de
Toulouse na França, e
morreu em 1665 em
Custre ou Toulouse.
Iniciou seus estudos
em casa e estudou
Direito em Toulouse,
onde trabalhou como
d.C.
d.C.
d.C.
d.C.
d.C.
d.C.
d.C.
d.C.
d.C.
d.C.
d.C.
d.C.
d.C.
d.C.
d.C.
d.C.
d.C.
d.C.
a.C.
a.C.
a.C.
a.C.
a.C.
a.C.
a.C.

conselheiro do parlamento
local. Em 1629, começou
a fazer descobertas em
Matemática e, em 1636,
apresentou seus estudos Figura 1 – A linha do tempo
sobre a Geometria
Analítica. Fermat
também deu importantes Olhando agora a reta, fica fácil responder a perguntas do tipo: quantos anos se passaram
contribuições ao estudo entre o nascimento de Platão e o de René Descartes? Se um nasceu em 427 a.C. e o outro,
de probabilidades e ao
em 1596 depois de Cristo, o tempo entre um nascimento e outro é a soma 427 + 1596 = 2023
desenvolvimento da Teoria
dos Números. anos. Isso pode ser visto na reta.

 Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos


1596 d.C.
427 a.C. 0
427 1596

2023 anos

Figura 2 – Distâncias na linha do tempo

A linha do tempo é um exemplo particular de uma reta numérica. A reta numérica


é um eixo orientado em que fixado um ponto O sobre uma reta r e fazendo esse ponto
corresponder ao número zero, a cada ponto P à direita da origem corresponde um número
real positivo de distância OP . E a cada Q à esquerda da origem, um número negativo
de distância OQ. Em cada caso, o número real marcado é chamado de coordenada desse
ponto. Além disso, se P e Q são pontos sobre r de coordenadas x1 e x2 , então a distância
de P até Q é dada por: d(P, Q) = |x2 − x1 | (lê-se: distância do ponto P ao ponto Q é
igual ao valor absoluto da diferença entre x2 e x1 ).

Existem três possibilidades da localização de P e Q.

a
O P Q

0 x1 x2
d (P,Q )

b
P Q O

x1 x2 0
d (P,Q )

c
P O Q

x1 0 x2
d (P,Q )

Figura 3 – A distância entre dois pontos na reta

Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos 


Em qualquer caso, continua sendo válida a fórmula d(P, Q) = |x2 − x1 |.
Esse processo permite criar uma correspondência biunívoca entre os números reais
e os pontos de reta. Isso quer dizer que cada um dos pontos da reta representa um número
correspondência real e todo número real tem lugar nela. Essa correspondência é anunciada formalmente
biunívoca através do seguinte postulado:
Correspondência entre
os elementos de dois
conjuntos A e B, de modo
que a cada elemento
de A corresponde um
único elemento de B e Postulado - Existe uma correspondência biunívoca x ↔ Px entre os números
todo elemento de B é
reais x e os pontos Px da reta r, tal que:
a imagem de um único
elemento de A. (a) x < y se e somente se Px estiver à esquerda de Py ;
(b) a distância do ponto Px ao ponto Py é dado por |x − y |.

Atividade 1
Usando o postulado mencionado anteriormente, dê a coordenada dos pontos
P, Q, R e S e calcule as distâncias entre os ponto P e Q, P e R e R e S.

P Q R S

3
-5 -4 -3 -2 -1 -0,5 0 1 2 2,8 4 5

Figura 4 – Pontos na reta

4 Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos


Atividade 2
Considere a linha do tempo apresentada. Faça um recorte, considerando
1 apenas o século XX e XXI. Subdivida-os em décadas e anos. Pesquise
e marque nessa linha acontecimentos que você considera que foram
importantes para o desenvolvimento da sua cidade.

Faça uma linha do tempo para sua família. Você pode considerar o
2 marco zero como sendo o nascimento do seu pai.

Coordenadas cartesianas no plano

V
ocê leu na apresentação desta aula que na Geometria Analítica é possível representar
os pontos do plano por pares ordenados de números reais. Para que isso ocorra é Pares ordenados
necessário ter um sistema de representação formado por dois eixos OX e OY , do Dupla de números
mesmo plano, que se encontram num ponto O, chamado origem. Se P é um ponto qualquer dispostas numa certa
no plano, traçando por ele paralelas aos eixos, encontramos em OX e OY os pontos x e y. ordem.

O par ordenado de números reais (x, y) é a representação do ponto P no sistema. Sendo


assim, cada par ordenado está associado a um ponto no plano e cada ponto a uma dupla
ordenada de números reais. Os números x e y são chamados de coordenadas de P em
relação ao sistema de eixos OX e OY .

y P (x,y)

O x X

Figura 5 – Um ponto P no plano coordenado

Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos 


Quando os eixos escolhidos forem perpendiculares entre si, isto é, formarem um
ângulo de 90º, o sistema é chamado de sistema cartesiano retangular e as coordenadas são
denominadas de coordenadas cartesianas retangulares. Comumente, refere-se a x como
abscissa e a y como uma ordenada do ponto. Nesse sistema, os eixos dividem o plano em
quatro regiões, chamadas de quadrantes. A figura a seguir é um exemplo de um sistema
cartesiano retangular com alguns pontos marcados.

B(-3,2)
2

1 D(1,1)
0)
-2,
A(
O X
-3 -2 1 2 4
-0,7
-1 C (4,-0,7)

-1,5 E (0,-1,5)
-2
G (2,-2)

-3
F (-2,-3)

Figura 6 – Pontos no plano

A partir de agora, a não ser que seja dito explicitamente, consideramos sistema cartesiano
como sendo o sistema cartesiano retangular. É também nele que você irá construir e analisar
gráficos de funções na disciplina Pré-Cálculo.

Atividade 3

Para certificar-se de que entendeu bem o funcionamento do sistema cartesiano,


marque nele os pontos: A(1, 5); B(0, 3); C(3, 2,5); D(–5, 0); E(1, 0); F(2, 2);
G(0, 0) e H(2, –2). Para responder a essa atividade, utilize régua.

 Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos


Y

O X

Figura 7 – Coordenadas cartesianas

Na atividade 3, você percebeu que os pontos D e E estão sobre o eixo OX. Veja que eles
têm em comum a ordenada igual a zero, assim como (3,5; 0); (–2,0). De um modo geral, um
ponto está sobre o eixo OX quando tem abscissa igual a zero. Ele é, então, da forma (x, 0).

Agora, responda: como se representa um ponto que está no eixo OY?

Com base numa rede geográfica, é possível ter um sistema de representação Rede geográfica
que permita localizar um ponto no mapa. Ele é formado por latitude e longitude. Para Conjunto formado por
determinar a latitude, são considerados os paralelos, linhas que estão no sentido paralelas e meridianos,
ou seja, pelas linhas de
leste-oeste ou horizontal. Para a longitude, leva-se em consideração os meridianos,
referência que cobrem
que são as linhas colocadas no sentido norte-sul, ou seja, verticalmente. A referência o globo terrestre com a
para o cálculo de longitude é o meridiano de Greenwich que passa por Londres; e o finalidade de permitir a
localização precisa de
paralelo de referência para o cálculo da latitude é do equador. Se você quiser saber
qualquer ponto sobre
mais sobre o assunto, pode consultar Duarte (2002). sua superfície. (DUARTE,
2002, p.47).

Exemplo 1
Sendo A(–1, 3), encontre três outros pontos B, C e D, de modo que A, B, C e D
façam parte da mesma reta r paralela ao eixo OY.

Solução
Veja que esse problema pode ter infinitas soluções, pois, marcando o ponto A no
sistema cartesiano, tem-se a seguinte representação:

Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos 


r Y

A 3

-1 O X

Figura 8 – Reta paralela ao eixo OY passando por A(–1,3)

Sendo r a reta paralela a OY que possui A. Dessa forma, qualquer ponto que
possua abscissa -1 pertence a essa reta. Exemplos de B, C e D seriam B(–1, –1);
C (–1, 0) e D(–1, 5). Você pode ter escolhido outros. De modo geral, qualquer um do
tipo (–1, y) é a solução do problema.

Você saberia dizer,


agora, quais seriam as
coordenadas de um ponto P,
de modo que A e P fizessem
parte da mesma reta
paralela ao eixo OX?

Atividade 4

Marque vários pontos nos quatro quadrantes e observe o que acontece com
o sinal da abscissa e da ordenada. Você percebeu que cada quadrante possui
uma característica no que diz respeito ao sinal das coordenadas? No primeiro,
por exemplo, a abscissa e a ordenada são positivas. Em linguagem matemática,
isso é dito como x > 0 e y > 0. Conclua agora o que acontece com o sinal das
coordenadas do 2º, 3º e 4º quadrantes.

 Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos


Atividade 5
Marque os pontos A(1, 3); B(–2,2) e C(4,– 3). Ligue, agora, A a B, B a C e
C a A. Que figura você obteve? Marque também os pontos D(–1, 2); E(3, 6)
e F(2, 5). Una D a E; E a F e F a D. O que aconteceu?

Você deve ter percebido, na atividade 5, que quando uniu D a E já passou por F
e, portanto, já fez a ligação de E a F e de F a D. Isso ocorreu porque D, E e F estão
sobre uma mesma reta. Quando isso acontece, dizemos que eles estão alinhados ou que são
colineares. Existe uma forma de verificar se três pontos são ou não colineares. Para entender
essa forma, precisamos conhecer sobre semelhança de triângulos.
Considere três pontos A(xA , yA ), B(xB , yB ) e C(xC , yC ) que estão alinhados de modo
que A = B; A = C e B = C. Se A, B e C forem paralelos ao eixo OX as ordenadas são
iguais e os pontos são da forma A(xA , y), B(xB , y) e C(xC , y). Se forem paralelos ao eixo
OY , então xA = xB = xC = x e temos A(x, yA ), B(x, yB ) e C(x, yC ) como mostra a
Figura 9.

Y Y

yC C
A B C
y
yB B

xA O xB xC X O x X

yA A

Figura 9 – Pontos em retas paralelas aos eixos do sistema cartesiano

Não ocorrendo nenhuma das duas possibilidades citadas, tem-se uma situação como a
apresentada na figura a seguir. O ponto D(xB , yA ) foi obtido por meio da interseção da reta
traçada paralela ao eixo OX que passa pelo ponto A com a reta paralela ao eixo OY que
passa por B. De modo análogo, encontramos o ponto E(xC , yB ).

Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos 


Y

C
yC

B
yB E
A
yA D

O xA xB xC X

Figura 10 – Três pontos colineares

Como o sistema é perpendicular, os triângulos ABD e BCE são retângulos em D e E.


Qualquer que seja a ordem dos pontos A, B e C, eles são semelhantes (caso AAA). Sendo
assim, BC
AB
= BD
CE
= AD
BE
. Como AD = |xB − xA |, BE = |xC − xB |, BD = |yB − yA | e
|x − xA | |y − yA |
CE = |yC − yB |, tem-se: B = B .
|xC − xB | |yC − yB |
3 1
Voltando à atividade 5, A(1, 3), B(−2, 2) e C(4, −3) não são colineares, pois = .
6 5
4 4
Já D(−1, 2), E(3, 6) e F (2, 5) são, pois, = .
1 1

Exemplo 2
Quais as coordenadas do ponto B, se ele for o ponto médio do segmento AC?

Solução
Como B é o ponto médio de AC, AB = BC, e como A e B estão alinhados, tem-se:
AB BD AD x − xA y − yA
= = . Assim, B =1e B = 1. Resolvendo as proporções,
BC CE BE xC − xB yC − y B
x + xC y + yC
temos: xB = A e yB = A , que são as coordenadas do ponto médio de AC.
2 2

10 Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos


Distância entre dois pontos
Se A(xA , yB ) e B(xB , yB ) são dois pontos no plano, como se calcula a distância de
A até B? O desenvolvimento das atividades 6 e 7 responde a essa pergunta quando os
segmentos estão paralelos a um dos eixos.

Atividade 6
Marque dois pontos A e B de modo que o segmento AB seja
paralelo ao eixo OX e mostre que a distância de A até B é dada
por d(A, B) = |xB − xA |.

Como |x| = x2 , outra forma de escrever a distância é dizendo que

d(A, B) = |xB − xA | = (xB − xA )2 .

Atividade 7
Faça um procedimento semelhante ao anterior para concluir que se A
e B forem paralelos ao eixo OY , então

d(A, B) = |yB − yA | = (yB − yA )2 .

Vejamos agora o que acontece quando eles não são paralelos nem ao eixo OX nem
ao eixo OY . Nesse caso, traçando por A uma reta paralela a OX e por B uma reta
paralela a OY , elas se interceptam no ponto C, como mostra a Figura 11. Como AC

e BC são paralelos,
 respectivamente, a OX e OY , tem-se d(A, B) = (xB − xA )2 e
d(B, C) = (yB − yC )2 .
Sendo o triângulo ABC retângulo em C, podemos concluir, aplicando o teorema de
Pitágoras, que d(A, B) = (xB − xA )2 + (yB − yA )2 . Perceba que essa fórmula é válida
para quaisquer que sejam os pontos A e B.

Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos 11


Y

B
yB

A
yA C

O xA xB X

Figura 11 – A distância entre dois pontos no plano

Atividade 8
Marque os pontos A(1, 2), B(3, 1) e C(2, 4) e mostre que o
triângulo, cujos vértices são os pontos A, B e C, é isósceles e
retângulo.

Exemplo 3
Encontre os valores de x e y, de modo que os pontos A(1, −2); B(5, 6); C(xC , yC ) e
D(xD , yD ) formem, nesta ordem, um paralelogramo.

Solução

Marcando os pontos dados no sistema cartesiano, tem-se:

12 Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos


Y

B C
6

O 1 5 X
-2 D
A

Figura 12 – Um paralelogramo ABCD

Um quadrilátero é um paralelogramo se, e somente se, suas diagonais se cortam ao


meio. Sendo M a intersecção dessas diagonais, M é o ponto médio dos segmentos AC e
BD. Por ser ponto médio de AC e de BD, as coordenadas de M são
1 + xC y −2 5 + xD 6 + yD 1 + xC 5 + xD
xM = , yM = C , xM = e yM = . Assim, =
2 2 2 2 2 2
yC − 2 6 + yD
e = , de que se conclui que xD = xC − 4 e yD = yC − 8. Perceba que esse
2 2
problema não tem uma única solução, pois a escolha do ponto D depende da escolha de C.
Exemplos de C e D: C(2, 5) e D(−2, −3).

Exemplo 4
Encontre um ponto P que está no eixo OX a 5 unidades do ponto A (–2, –3).

Solução
Marque A e note que você tem duas possibilidades para P. Uma à direita e outra à
esquerda de A.

Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos 13


Y

P1 P2

-2
O X

5 5

-3
A

Figura 13 – Dois pontos P1 e P2 eqüidistantes de A

Como P está no eixo das abscissas, ele é do tipo P (x, 0). O exemplo diz que a distância
de P ao ponto A é igual a 5, isto é, d(P, A) = 5. Usando a fórmula para distância entre

dois pontos, encontra-se (x + 2)2 + (0 + 3)2 = 5. Elevando os dois lados ao quadrado,
fica-se com (x + 2)2 + 9 = 25; ou x2 + 4x − 12 = 0. Resolvendo a equação, tem-se x = 2
ou x = −6, e os pontos são P1 (−6, 0) e P2 (2, 0).

Atividade 9
Justifique por que existem duas possibilidades para o ponto P.

A representação cartesiana não é a única maneira de se representar um ponto. Existe


o sistema de coordenadas polares, em que um único eixo é usado e o par é dado por (R,θ),
onde R é o raio de uma circunferência de centro R e θ é o arco em radianos medido a partir do
ponto de interseção, como o semi-eixo positivo OX (LIMA, 1992, p. 9). Os detalhes sobre esse
sistema de representação serão dados na aula 8 (A forma polar de um número complexo).

14 Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos


Y

Figura 14 – As coordenadas polares R e θ de um ponto P

Exercícios

Localize os pontos A(–2,–2); B(0,0); C(1,1) e D(3,3) no


1 sistema cartesiano e estabeleça uma propriedade geométrica
comum a todos eles.

Desenhe um quadrilátero qualquer no sistema cartesiano e mostre que


2 os pontos médios de seus lados são os vértices de um paralelogramo.

Este item da atividade foi retirado parcialmente da prova do vestibular


3 da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – 2005. Um grande
vale é cortado por duas estradas retilíneas, E1 e E2, que se cruzam
perpendicularmente, dividindo-o em quatro quadrantes. Duas árvores
que estão num mesmo quadrante têm a seguinte localização: a primeira
dista 300m da estrada E1 e 100m da estrada E2, enquanto a segunda
se encontra a 600m de E1 e a 500m de E2. Construa a figura que
representa a localização das árvores e calcule a distância entre elas.

Encontre o valor de y de modo que os pontos A(-1,3); B(4,y) e


4 C(6,-4) sejam colineares.

Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos 15


Mostre que o triângulo que tem vértices A (–1,2); B (2,3) e C (0,–1)
5 é escaleno.

Mostre que os pontos médios dos lados de um retângulo são os


6 vértices de um losango.

Coordenadas cartesianas
no espaço
Já foram vistas as coordenadas na reta e no plano. Veja agora como se trabalha com
coordenadas no espaço.
O espaço é formado por um sistema de três eixos OX, OY e OZ de modo que qualquer
um é perpendicular aos outros dois. A interseção entre eles é um ponto chamado origem. O
plano que contém os eixos OX e OY é denominado XY, o que tem os eixos OX e OZ, XZ e
YZ é o plano que possui os eixos OY e OZ. Você pode ter uma idéia desses eixos observando
o “canto” inferior de uma sala retangular e percebendo que a interseção das paredes funcionaria
como o eixo OZ. Os outros dois seriam as interseções das paredes com o chão.

Parede
Parede

Canto inferior

Y
Chão

Figura 15 – Coordenadas cartesianas no espaço

16 Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos


Se um objeto da sala for considerado como um ponto P, é possível determinar sua
localização a partir das suas coordenadas (x,y,z) da seguinte maneira: trace por P um plano
paralelo a YZ . Ele interceptará o eixo OX num ponto de coordenada x. Do mesmo modo, um
plano paralelo a XZ, passando por P, encontrará OY no ponto de coordenada y. A coordenada
z é obtida de modo semelhante, passando por P um plano paralelo a XY. Isso faz com que
cada terno ordenado de números reais possa ser associado a um ponto no espaço, e cada
ponto no espaço possa ser associado a um terno ordenado de números reais.

Exemplo 5
A Figura 16 mostra os pontos A(2,3,4); B(0,3,4); C(2,-3,0); D(2,0,4); E(0,0,-4) e
F(3,0,0), marcados no espaço.

Z
4 B

D
A

-3 O 3 Y

C 2
3
F

X
-4 E

Figura 16 – Pontos no espaço

Atividade 10
Para certificar-se de que entendeu bem o funcionamento do sistema de
coordenadas retangulares no espaço, marque nele os pontos: A(–1,3,4);
B(2,–1,3); C(2,1,0); D(0,–1,3); E(0,0,4); F(–2,0,1); G(3,0,0);
H(0,–2,0); I(1,–3,0).

Na atividade 10, você percebeu que alguns pontos estão sobre os eixos coordenados,
outros estão sobre os planos XY; XZ ou YZ. Note que, quando o ponto está sobre um eixo,
as outras coordenadas são iguais a zero. De modo geral, se P(x,0,0), ele está no eixo OX.

Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos 17


Atividade 11
Qual a representação de um ponto que está no eixo OY e no eixo OZ?
Seguindo essa linha de raciocínio, como é representado um ponto no plano
XY? Em que plano se encontra P, cujas coordenadas são P(0,y,z)?

Atividade 12

Marque os pontos A(1, 0, 0); B(5, 0, 0); C(0, 2, 0); D(0, 4, 0);
E(0, 0, 2) e F (0, 0, 8). Como são as coordenadas dos pontos
médios dos segmentos AB; CD e EF ? Marque agora
R(3, 3, 5); Q(1, 2, 2) e S(5, 4, 8). Trace o segmento QS e note que
R é o seu ponto médio.

x + xS y + yS z + zS
Observe que 3 = Q ; 3 = Q e5 = Q . Esse
2 2 2
resultado leva a pensar que, no espaço, a obtenção das coordenadas
do ponto médio de um segmento segue a mesma lógica utilizada no
plano. O exemplo 4 mostra que isso é verdade.

Exemplo 6
Se P (x1 , y1 , z1 ) e Q(x2 , y2 , z2 ) são dois pontos do espaço, e M (xM , yM , zM ) é o
x + x2 y + y2 z + z2
ponto médio do segmento P Q, então xM = 1 ; yM = 1 e zM = 1 .
2 2 2

Solução
Usando o fato de que P  (XP , 0, 0), M  (XM , 0, 0) e Q (XQ , 0, 0) são as projeções
de P , M e Q sobre o eixo OX e que P1 Q1 é projeção do segmento de P Q no eixo XY xy
x1 + x2 y1 + y2
(veja a Figura 17), então xM = . De modo semelhante, tem-se yM = e
 2  2
z + z2 x1 + x2 y1 + y2 z1 + z2
zM = 1 . Assim, , , são as coordenadas de M .
2 2 2 2

18 Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos


Z

P
M
Q

yP yM yQ
xP O Y
xM P1
xQ M1
Q1
X

Figura 17 - ponto médio do segmento PQ.

Atividade 13
Mostre que A(0,0,0), B(–1,3,4), C(2,1,–3) e D(1,4,1) são vértices de
um paralelogramo.

Lembre-se de que um quadrilátero é um paralelogramo se, e somente se, as


diagonais se cruzam no ponto médio.

Distância entre
dois pontos no espaço
Se A(x1, y1, z1) e B(x2, y2, z2) são pontos no espaço, como se calcula a distância entre
A e B? Para facilitar o entendimento, vejamos alguns casos particulares.

1º) Se os pontos estão sobre um dos eixos, a distância é dada pelo módulo |x2–x1|;
|y2–y1|; |z2–z1| para A e B nos eixos OX; OY e OZ, respectivamente.

Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos 19


Z

(z2,0,0) F

| z2 - z1 |
(z1,0,0) E
C
- x 1| A O Y
|x 2 (y1,0,0) (y2,0,0)
(x1,0,0)

B | y2 - y1 |
(x2,0,0)
X

Figura 18 – A distância entre dois pontos nos eixos coordenados

2º) Se um é a origem e o outro é um ponto P qualquer.

A origem tem coordenadas (0,0,0) e o ponto P(x, y, z).

Z
z

y
O R Y
x
Q

Figura 19 – Distância da origem a um ponto P no espaço

Observe que os triângulos OQR e P OQ são, respectivamente, retângulos em R e


Q. Aplicando o teorema de Pitágoras, temos: d(O, Q)2 = d(Q, R)2 + d(O, R)2 , ou
seja, d(O, Q)2 = x2 + y 2 para OQR e d(O, P )2 = d(O, Q)2 + d(P, Q)2 para o
triângulo P OQ. Como d(O, Q)2 = x2 + y 2 e d(P, Q)2 = z 2 , ficamos com

d(O, P ) = x2 + y 2 + z 2 .

3º) Para encontrar a distância de P(x1, y1, z1) e Q(x2, y2, z2), em que P e Q são pontos
quaisquer, construa um paralelepípedo com faces paralelas aos planos, de modo que PQ
seja sua diagonal.

20 Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos


Z

S
P R

O Y

Figura 20 – A distância entre dois pontos no espaço

Como RS é paralelo ao eixo OX, P R, ao eixo OY , e QS, ao eixo OZ, temos que
d(R, S) = |x2 − x1 |; d(P, R) = |y2 − y1 | e d(Q, S) = |z2 − z1 |. Além disso, o triângulo
P RS é retângulo em R e P QS é retângulo em S. Aplicando em cada triângulo o teorema
de Pitágoras, ficamos com:

d(P, S)2 = d(P, R)2 + d(R, S)2 e d(P, Q)2 = d(P, S)2 + d(S, Q)2 .

Substituindo d(P, S)2 na segunda equação, temos:

d(P, Q)2 = d(R, S)2 + d(R, Q)2 + d(S, Q)2 .

Substituindo d(R, S) por |x2 −x1 |; d(P, R) por |y2 −y1 | e d(Q, S) por |z2 −z1 |, encontramos

a expressão: d(P, Q) = (x2 − x1 )2 + (y2 − y1 )2 + (z2 − z1 )2 , que é a fórmula
da distância entre dois pontos no espaço. Veja que todas as anteriores são casos
particulares dessa fórmula.

Atividade 14
Encontre um ponto que esteja a uma mesma distância dos pontos A(1, 0, –1)
e B(2, –1, 3). É possível encontrar outros?
Chame de P(x, y, z) o ponto procurado. Com a fórmula da distância entre
pontos e o fato que d(A,P) = d (P,B), encontre a equação x– y+4z = 6.
Use-a para encontrar as coordenadas do ponto procurado.

Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos 21


Continuando os exercícios

Encontre os outros pontos que representam os vértices de um cubo


 que tem (0
(0,, 0, 0) e (3
(3,, 0, 0) como dois de seus vértices. Existe mais
de um cubo com esses vértices?

Marque os pontos A(2 3);; B (2


(2,, −1, 3) 4);; C (2
(2,, −1, 4) (2,, 3, −1) e D(2
(2,, 2, 1)
 e indique uma propriedade comum a eles.

Faça o mesmo que no exercício 8 com os pontos A(1 3);;


(1,, −1, 3)
 (1,, −1, 4) e C (1
B (1 3)..
(1,, −1, −3)

Use um sistema de eixo conveniente para mostrar que a diagonal


10 de um paralelepípedo com arestas medindo a, b e c é dada por
D = a2 + b2 + c2 .

Ache um ponto no plano Y Z que esteja a uma mesma distância dos

11 pontos A(1
(1,, −2, 3) e B (2
resultado?
1).. É possível encontrar mais de um
(2,, 1, −1)

Encontre os valores de m, n de modo que C (1(1,, 2, −4) seja o ponto


1 médio do segmento AB onde A(3 m) e B (n, 6, 4)
(3,, −2, m) 4)..

Resumo
Nesta aula, você percebeu que existe uma relação entre Álgebra e Geometria
inicialmente formulada por Descartes e Fermart no século XVII. Aprendeu que
com esse método é possível associar números reais com pontos na reta, pares
ordenados de números reais com pontos no plano e ternos ordenados de
números reais com pontos no espaço. Deduziu que essa forma de representação
possibilita encontrar expressões para calcular ponto médio e distância entre dois
pontos, quer seja em uma, duas ou três dimensões e utilizou esses conceitos
na resolução de problemas geométricos.

 Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos


Auto-avaliação
Crie pelo menos três problemas com o conteúdo apresentado que envolva tópicos
1 de Geometria Plana, sob a ótica da Geometria Analítica.

Dê uma forma de classificar os triângulos quanto aos lados, tendo por base a
2 distância entre pontos.

Cite duas propriedades dos paralelogramos apresentadas em Geometria Plana e


3 reescreva-as do ponto de vista da Geometria Analítica.

Sugestões para a resolução dos exercícios

1.  Observe que os pontos são do tipo (x,x).


2.  Veja a solução do exemplo 2.
3.  Utilize o sistema cartesiano para construir a figura.
4.  Pontos são colineares quando estão em uma mesma reta.
5.  Um triângulo é escaleno quando os lados são todos de medidas diferentes.
6.  Em um losango, todos os lados têm a mesma medida.
7.  Um cubo possui todas as arestas de mesmo comprimento.
8.  Observe que os pontos possuem uma coordenada em comum.
9.  Observe que os pontos possuem uma coordenada em comum.
10.  Faça um vértice coincidir com a origem e use a fórmula da distância entre dois pontos.
11.  Se P é o ponto procurado, a distância de P a A é a mesma de P a B.
12. As coordenadas do ponto médio são dadas pela média aritmética das coordenadas dos
dois pontos.

Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos 23


Referências
BOYER, C. B. História da matemática. Tradução de Elza F. Gomide. São Paulo: Edgard
Blücher, 1974.

DUARTE, P. A. Fundamentos de cartografia. 2. ed. Florianópolis: Editora de UFSC, 2002.

EVES, H. Introdução à história da matemática. Tradução de Hygino H. Domingues. Campinas:


Editora da UNICAMP, 1995.

LIMA, E. L. Coordenadas no espaço. Rio de Janeiro: Coleção do Professor de Matemática, 1993.

______. Coordenadas no plano. Rio de Janeiro: Coleção do Professor de Matemática, 1992.

RUBINSTEIN, Cléa et al. Telecurso 2000: ensino médio (2º grau). Rio de Janeiro: Fundação
Roberto Marinho, 2005. Disponível em <http://bibvirt.futuro.usp.br/textos/exatas/matematica/
tc2000/2mat8-b.pdf>. Acesso em: 05 mar. 2005.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE. Comissão permanente do


vestibular – COMPERVE. Processo seletivo 2005. Prova biologia/matemática. Natal:
Comperve, 2005. p. 6.

24 Aula 01 Geometria Analítica e Números Complexos