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Filosofia 10

Adília Maia Gaspar • António Manzarra

10.º ano • Ensino Secundário

Livro do professor

PARTE 2

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A Filosofia e o texto Livro do professor

A comparação/contraste implica que se estabeleçam semelhanças e diferenças entre duas ou mais rea‑
lidades; pode fazer­‑se de duas maneiras: todo/todo e ponto por ponto. No primeiro caso apresentam­‑se as
características de um dos objetos da comparação na sua totalidade e, em seguida, aborda­‑se com a mesma
estratégia o segundo objeto. Fica a cargo do leitor tirar as respetivas conclusões. No segundo caso, vão­‑se
comparando e contrastando uma a uma todas as características. Esta estratégia, em princípio, parece prefe‑
rível porque se corre menos o risco de omitir aspetos importantes e de se ser demasiado vago e impreciso;
no final pode sempre estabelecer­‑se uma conclusão mais abrangente. A comparação/contraste é uma estru‑
tura dissociativa que permite estabelecer identidades e diferenças, categorias fundamentais do conhecimento
que descobrimos nos objetos ou situações.
Palavras típicas da comparação são, por exemplo: “por um lado”, “por outro lado”, “similarmente” “em
contraste”, “em contrapartida”.
O padrão pergunta/resposta, também designado por problema/solução, convida à reflexão e motiva para
o conhecimento, apresentando o tema sob a forma de questões para as quais vão ser dadas respostas.
“O que é?”, “Para quê” e outras formulações interrogativas são marcas textuais que encontramos neste
tipo de textos.
Num texto argumentativo, há sempre um ponto de vista que é defendido – tese –, e razões que são
apresentadas a favor da tese, podem ainda ser formuladas objeções à tese, que seguidamente se refutam. O
objetivo é persuadir o leitor e levá­‑lo a considerar que a conceção defendida acerca de determinado assunto
é a mais correta.
Estes textos possuem uma “armadura” racional consistente, visível em marcas textuais tais como: “logo”,
“por conseguinte”, “portanto”, “daqui decorre que...”, etc.

O ensino das estruturas dos textos expositivos/informativos

– Quando se deve ensinar?


– Porque se deve ensinar?
– Como se deve ensinar?

As estruturas informativas devem ser explicitamente ensinadas aos alunos quando se analisam textos
expositivos/informativos.
Nesse contexto concreto de aprendizagem, é oportuno mostrar que é importante conhecer e reconhecer
essas estruturas porque o reconhecimento da estrutura do texto cria melhores condições para a sua inteligi‑
bilidade, já que o autor segue um critério lógico para apresentar a informação e perceber esse critério ajuda
a perceber as ideias que nos quer transmitir; reconhecendo a estrutura do texto, apreende­‑se o seu fio con‑
dutor, o que é fundamental em termos de reorganização da informação nele contida e reorganizar informa‑
ção do texto é um passo muito importante para assimilar os conteúdos veiculados.
Por outro lado, uma vez identificada e caracterizada a estrutura adotada pelo autor, esta fica à disposição
de alunos/as que a podem utilizar posteriormente, quando, por exemplo, se propõem fazer um texto escrito.
Deve ensinar­‑se explicitamente a estrutura do texto modelando a estratégia que se adota para conseguir
identificá­‑la, o que implica pensar em voz alta, formular perguntas, expor dúvidas e procurar no texto as
respetivas respostas; se este trabalho for bem orientado, cedo se percebe que o autor tem um critério para
apresentar a informação e que é possível descobrir esse critério. Posteriormente, devem fornecer­‑se indicações
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para uma prática independente, propondo as tarefas necessárias à consolidação da aprendizagem.


Postas estas considerações prévias, vamos agora proceder à análise de textos de diferentes unidades do
manual que oferecem oportunidade para adquirir ou consolidar conhecimentos relevantes, pressupostos pelos
conteúdos programáticos da disciplina de Filosofia.

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Livro do professor A Filosofia e o texto

Em cada texto:

• Resume­‑se o conteúdo
• Realça­‑se o interesse de que se pode revestir
• Identifica­‑se a estrutura

De seguida, apresenta­‑se uma proposta de exploração, através do preenchimento de um quadro, que


“obriga” à leitura atenta do texto procurando a informação relevante. Esta proposta é complementada com
o preenchimento efetivo do quadro.
Uma vez recolhidos os elementos pertinentes do texto, propõe­‑se a alunos/as que redijam um pequeno
texto no qual poderão utilizar a informação obtida, citando, mas não decalcando, o texto de que partiram.
Deste modo, o trabalho sobre o texto configura o momento do que poderemos chamar de “oficina de escrita”.
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A Filosofia e o texto Livro do professor

quadro preenchido

É a filosofia necessária?
Tema A utilidade da Filosofia.

Tese (expressões que a formulam) “A Filosofia tem importância para a vida prática”;
“A Filosofia não é um luxo [é] mesmo uma necessidade”.

Argumento 1 A ética e a Filosofia política estabelecem conclusões que têm consequências práticas
imediatas.

Argumento 2 Escrutina crenças que se encontram na origem de outras crenças que, por sua vez,
influenciam diretamente o modo como as pessoas agem.

Argumento 3 Na ausência da reflexão filosófica impera o dogmatismo com as terríveis


consequências que o processo histórico tem revelado.

Oficina de escrita

Desenvolva o tema: A Filosofia não é um luxo, é mesmo uma necessidade.

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Livro do professor A Filosofia e o texto

I. 1.2 – Quais são as questões da Filosofia? – alguns exemplos

Texto da página 32 do Manual


Título: As questões da Filosofia
Autor e obra: Richard Double: Beginning Philosophy

Conteúdo

O texto aborda a natureza das questões filosóficas e a metodologia seguida para as abordar. Quanto à
natureza das questões filosóficas, refere que se caraterizam por serem questões abertas, não suscetíveis de
serem respondidas pela ciência, senso comum ou fé e ainda por serem questões perenes. Mostra em seguida
as razões por que são questões abertas e por que motivo ciência, senso comum e fé não lhe respondem.
Em seguida, refere a metodologia da Filosofia, também ela específica, que se suporta no pensamento
crítico operacionalizado através da análise dos conceitos e problemas, na identificação de abordagens possí‑
veis e na inventariação de argumentos a favor e de argumentos contra as respostas dadas, de modo a encon‑
trar a mais consistente, a que melhor resiste a uma contra­‑argumentação.

Interesse do texto

O texto é pertinente na abordagem do ponto 1.2. e pode ser utilizado ou para introduzir esse tema, ou
para rever e sintetizar o conteúdo enunciado.

Estrutura do texto

Descreve­‑se a natureza e metodologia da Filosofia, mas cada etapa dessa descrição é fundamentada
através de argumentos apropriados.

Proposta de exploração

Reorganização da informação através do preenchimento do quadro.

As questões da filosofia
Características das questões filosóficas 1.
2.
3.
Razões que explicam porque as questões filosóficas não são 1. A ciência –
suscetíveis de serem respondidas pela (1) ciência, pelo 2. O senso comum –
(2) senso comum ou pela (3) fé 3. A fé –
Metodologia das questões filosóficas (baseada no pensamento 1.
crítico) 2.
3.
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A Filosofia e o texto Livro do professor

quadro preenchido

filosofia e argumentação
O que é que se compara Compara­‑se a Filosofia com as ciências e também com a
matemática.

O que a Filosofia e as ciências têm em comum Ambas constroem hipóteses e procuram testá­‑las com o
objetivo de atingirem a verdade.

O que têm de diferente As ciências, através de processos laboratoriais, levam a cabo


experiências, de modo a verificar empiricamente as hipóteses
elaboradas. O filósofo trabalha com ideias e tem de limitar­‑se a
fazer “experiências pensadas” e a examinar, avaliar e debater
as questões que desde sempre têm preocupado os seres
humanos.
Aspeto em que os instrumentos utilizados pelo matemático e O matemático precisa de papel, lápis e cesto para papéis; o
pelo filósofo diferem; significado dessa diferença filósofo só precisa de papel e lápis. Isto significa que as
hipóteses matemáticas podem ser demonstradas e que as
tentativas falhadas são definitivamente afastadas.
A Filosofia, não tendo essa capacidade demonstrativa, não
afasta definitivamente as hipóteses admitidas.
A ligação inelutável entre a Filosofia e as ciências Na raiz da investigação científica encontram­‑se hipóteses que
antes de serem científicas são filosóficas, fruto da capacidade
especulativa do ser humano.

Oficina de escrita

Explique porque é que a Filosofia tem de repousar na argumentação.

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Livro do professor A Filosofia e o texto

II. 1.1 – A rede conceptual da ação

Texto da página 64 do Manual


Título: A vontade enquanto determinação da ação humana
Autor e obra: Paul Foulquié: A Vontade

Conteúdo

O texto compara a conduta animal e a conduta humana realçando o facto de a primeira estar “refém”
do presente e a segunda se poder perspetivar em função do futuro. Este aspeto tem consequências de monta
que se resumem ao facto de o ser humano poder perceber relações de causa e efeito e deduzir consequências
dos seus atos, o que o leva a agir movido por motivos racionais de que tem consciência, enquanto o animal
é vítima de forças cegas que o levam a comportar­‑se desta ou daquela maneira.

Interesse do texto

Este texto reveste­‑se de interesse porque, de forma clara e concisa, carateriza a ação humana revelando
aquilo que lhe é essencial. Ao mesmo tempo estabelece a ponte para o debate sobre o problema do livre
arbítrio já que aqui se esboça a tese de que a consciência e a possibilidade de prever o futuro dão ao ser
humano algum controlo sobre a realidade e consequentemente exigem­‑lhe responsabilidade pelos seus atos.

Estrutura do texto

Neste texto comparam­‑se o animal e o ser humano considerando a sua existência nas dimensões do
tempo; essa comparação, nesse particular aspeto, permite deduzir consequências importantes para que o
autor apresente a tese da ligação entre ação, consciência e vontade.

Proposta de exploração

Reorganização da informação através do preenchimento do quadro.

A vontade enquanto determinação da ação humana


Existência animal, existência humana e as dimensões do tempo

Consequências dessa diferença de dimensão temporal

O ato animal e o ato humano – móveis e motivos


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A Filosofia e o texto Livro do professor

Quadro preenchido

Determinismo versus Livre­‑Arbítrio


Condições pressupostas pelo livre­‑arbítrio Expressões do texto que se lhes referem

1. Consciência 1. “Se … alguém construir um robô que cremos ser totalmente


inconsciente, nunca sentiríamos qualquer inclinação a dizer
que ele é livre.”
2. Consciência ativa 2. “Se a vida consistisse inteiramente na receção de perceções
passivas, […] nunca conseguiríamos formar a ideia de
liberdade humana.”
3. Capacidade de decisão racional 3. “A convicção da liberdade humana está essencialmente
ligada ao processo da decisão racional.”

4. Consciência capaz de vontade e intencionalidade 4. “A experiência característica que nos dá a convicção da
liberdade humana, […] é a experiência de nos empenharmos
em ações humanas voluntárias e intencionais.”

Oficina de escrita

Desenvolva o tema: Liberdade e consciência.

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Livro do professor A Filosofia e o texto

II. 3.2.2 – A criação artística e a obra de arte

Texto da página 205 do Manual


Título: Teoria da arte como expressão
Autor e obra: Noël Carroll: Philosophy of art

Conteúdo

No texto caracteriza­‑se a teoria da arte como expressão. No cerne desta teoria está o princípio de que o
objetivo da arte é exteriorizar, isto é, dar expressão a sentimentos e emoções. Expressão todavia significa duas
coisas: transmitir aos espectadores um estado emocional sentido pelo artista e, ao transmitir, transferi­‑lo para
o espectador.
Assim temos que: (1) o artista experimenta um estado emocional; (2) exterioriza esse estado expressando­‑o
através da obra de arte; (3) a audiência experimenta esse mesmo estado emocional ao contemplar a obra de arte.
Todavia não basta alguém experimentar um estado emocional e outra pessoa experimentar esse mesmo
estado, é necessário haver a intenção de o transmitir – um artista exprime intencionalmente os seus senti‑
mentos. Portanto, a intenção do artista também é elemento estruturante da obra de arte.

Interesse do texto

O texto permite compreender uma das teorias explicativas da natureza da arte; esta teoria ainda hoje é
amplamente aceite, embora possamos dizer que, em certo sentido, se transformou numa teoria do senso
comum, dado que não resiste ao escrutínio crítico, suportado em exemplos de obras de arte às quais ela não
se aplica.

Estrutura do texto

O texto tem uma estrutura descritiva: descreve­‑se, isto é, caracteriza­‑se a teoria da arte como expressão;
mas tem também, como é frequente em textos filosóficos, um forte travejamento argumentativo que visa
justificar o que é arte e o que não é arte, recorrendo especificamente ao argumento pelo exemplo, que permite
tornar óbvia a destrinça.

Proposta de exploração

Reorganização da informação através do preenchimento do quadro.

Teoria da arte como expressão


A arte é...

Para haver arte são necessárias três condições

Exemplo ilustrativo das condições necessárias da arte

Exemplo de que essas condições são necessárias,


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mas não são suficientes

Podemos dizer que uma coisa para ser arte...

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A Filosofia e o texto Livro do professor

quadro preenchido

Arte e compreensão da experiência


Tese que se defende O valor da arte não reside na compreensão ou conhecimento
que possa proporcionar.

Argumentos factuais (pelo exemplo) a que se recorre Ninguém quer substituir o teto da capela Sistina por uma
monografia teológica.
Ninguém considera que o conhecimento histórico sobre
Henrique V possa substituir o assistir­‑se à representação da
peça de Shakespeare sobre o mesmo personagem.
Expressões retóricas utilizadas para dar força à argumentação “resposta óbvia”; “ proposição absurda”.

Conclusão a que se chega sobre o valor da arte Primariamente, a obra de arte vale porque é bela ou porque nos
proporciona prazer.

Oficina de escrita

Desenvolva o tema: Arte e conhecimento.

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Livro do professor A Filosofia e o texto

II. 3.3.1 – A religião e o sentido da existência – a experiência da finitude e a abertura à transcendência

Texto da página 236 do Manual


Título: A manifestação do sagrado e a hierofania
Autor e obra: Mircea Eliade: O sagrado e o profano

Conteúdo

O texto aborda o tema do sagrado e da sua manifestação (hierofania), considerado central a todas as
religiões. Caracteriza o sagrado por oposição mas também por relação ao profano, como algo absolutamente
diferente, mas também como algo que se “serve” de objetos profanos para se tornar manifesto. O sagrado é
uma realidade transcendente, sobrenatural, mas manifesta­‑se em objetos imanentes e naturais, o que cons‑
titui um paradoxo que o homem religioso “compreende” e aceita; por isso ele é religioso.

Interesse do texto

O texto tem interesse na medida em que mostra a verdadeira essência do fenómeno religioso, despido
das circunstâncias contextuais e dos pormenores particulares que dividem e diferenciam as religiões.

Estrutura do texto

O texto possui uma estrutura descritiva que serve o objetivo de enunciar as características determinantes
do conceito de sagrado e da realidade a que ele corresponde.

Proposta de exploração do texto

Reorganização da informação através do preenchimento do quadro.

A manifestação do sagrado e a hierofania


Conceito central do texto

Expressões que ao longo do texto caracterizam o sagrado e a


sua manifestação (hierofania)

Relação entre o sagrado e o profano, exemplos dessa relação

Paradoxo do ato de manifestação do sagrado – hierofania

Essência da religião e do homem religioso


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A Filosofia e o texto Livro do professor

quadro preenchido

A dimensão pessoal versus a dimensão social da religião


Religião pessoal Religião social
Primado na origem “A religião da solidão apareceu mais
tarde.”

Primado no número de aderentes “Para a grande maioria dos homens e


das mulheres a religião ainda significa
(…) religião social formalizada.”
Fundadores das religiões “Têm sido todos, com exceção de
Confúcio, solitários.”

A religião como conjunto de rituais, “[Para a maioria das pessoas] a


práticas e emoções verdadeira essência da religião consiste
na observância de certas formalidades,
na repetição de certas frases, na reunião
em certos tempos e em certos lugares,
da realização por meios apropriados de
emoções comunais.”

Oficina de escrita

Partindo de uma religião com a qual esteja mais familiarizado, explore a dimensão social da religião.

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Livro do professor A Filosofia e o texto

II. 3.3.3 – Religião, razão e fé – tarefas e desafios da tolerância

Texto da página 241 do Manual


Título: A tolerância: essa fraqueza das religiões
Autor e obra: Fernando Savater: Os Dez Mandamentos no século xxi

Conteúdo

Segundo o autor, o processo histórico prova que a intolerância religiosa andou sempre a par com o
controlo do poder económico e político por parte das religiões; essa intolerância só perdeu força à medida
que foi retirado à religião esse suporte. Essa situação de separação de esferas de influência, ainda segundo o
autor, só poderá resultar em benefício para a humanidade.

Interesse do texto

O texto dá ocasião a que, partindo do conhecimento do processo histórico do Ocidente, que se tem
caracterizado por uma progressiva secularização, se refira a situação nos países islâmicos, nos quais a ligação
entre religião e poder político permanece forte. As conclusões serão óbvias, indo ao encontro das teses e
argumentos do autor sobre o tema da tolerância religiosa.

Estrutura do texto – argumentativa

O texto possui uma estrutura argumentativa: defende uma tese, apresenta argumentos que a corroboram
e extrai as conclusões que dela decorrem.

Proposta de exploração

Reorganização da informação através do preenchimento do quadro.

A tolerância: essa fraqueza das religiões


Aspetos negativos das religiões

Aspetos positivos das religiões

Circunstâncias que enquadram a intolerância religiosa

Circunstâncias que enquadram a tolerância religiosa

Consequências positivas da tolerância

Tese central defendida

Argumento que corrobora a tese

Consequência da admissão da tese


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A Filosofia e o texto Livro do professor

O amor romântico tem uma história


Perguntas formuladas

Pergunta a que se responde diretamente

Resposta dada

Características dos casamentos antes do amor romântico

Fatores económicos na origem do amor romântico

Fatores sociais na origem do amor romântico

Características psicológicas e valores reapreciados na nova


ordem

Função social do amor romântico

quadro preenchido

O amor romântico tem uma história


Perguntas formuladas 1. S erá o amor romântico eterno?
2. E stará condenado a desaparecer?
3. S e desaparecer, quais serão as consequências?

Pergunta a que se responde diretamente Será o amor romântico eterno?

Resposta dada Não; “o amor romântico tem um passado e existe num contexto
particular.”

Características dos casamentos antes do amor romântico • Casamentos de conveniência nos quais a atração erótica não
era considerada.
• A união era mantida pelas obrigações de grupo.

Fatores económicos na origem do amor romântico • Industrialização.


• Capitalismo nascente.

Fatores sociais na origem do amor romântico Desintegração da velha ordem social.

Características psicológicas e valores reapreciados na nova • Individualismo.


ordem • Valorização da intimidade e da escolha pessoal.

Função social do amor romântico Uma “ajuda funcional necessária à integração num mundo
moderno fragmentado”.

Oficina de escrita

Depois de preenchido o quadro, o aluno deve responder, justificando: Quais são as características do
casamento romântico?
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Livro do professor Textos complementares

II – Textos complementares
1. A Alegoria da Caverna

«Suponhamos uns homens numa habitação subterrânea em forma de caverna, com uma entrada aberta
para a luz, que se estende a todo o comprimento dessa gruta. Estão lá dentro desde a infância, algemados de
pernas e pescoços, de tal maneira que só lhes é dado permanecer no mesmo lugar e olhar em frente; são
incapazes de voltar a cabeça, por causa dos grilhões; serve-lhes de iluminação um fogo que se queima ao
longe, numa eminência, por detrás deles; entre a fogueira e os prisioneiros há um caminho ascendente, ao
longo do qual se construiu um pequeno muro, no género dos tapumes que os homens dos “robertos” colocam
diante do público, para mostrarem as suas habilidades por cima deles.
– Estou a ver – disse ele.
– Visiona também ao longo deste muro, homens que transportam toda a espécie de objetos, que o
ultrapassam: estatuetas de homens e de animais, de pedra e de madeira, de toda espécie de valor; como é
natural, os que os transportam, uns falam, outros seguem calados.
– Estranho quadro e estranhos prisioneiros são esses de que falas – observou ele.
– Semelhantes a nós – continuei. – Em primeiro lugar, pensas que, nestas condições, eles tenham
visto, de si mesmos e dos outros, algo mais que as sombras projetadas pelo fogo na parede oposta da
caverna?
– Como não – respondeu ele –, se são forçados a manter a cabeça imóvel toda a vida?
– E os objetos transportados? Não se passa o mesmo com eles?
– Sem dúvida.
– Então, se eles fossem capazes de conversar uns com os outros, não te parece que eles julgariam estar
nomear objetos reais, quando designavam o que viam?
– É forçoso.
– E se a prisão tivesse também um eco na parede do fundo? Quando algum dos transeuntes falasse, não
te parece que eles não julgariam outra coisa senão que era a voz da sombra que passava?
– Por Zeus, que sim!
– De qualquer modo – afirmei – pessoas nessas condições não pensariam que a realidade fosse senão a
sombra dos objetos.
– É absolutamente forçoso – disse ele.
– Considera pois – continuei – o que aconteceria se eles fossem soltos das cadeias e curados da sua
natureza. Logo que alguém soltasse um deles, e o forçasse a endireitar-se de repente, a voltar o pescoço, a
andar e a olhar para a luz, a fazer tudo isso, sentiria dor, e o deslumbramento impedi-lo-ia de fixar os obje‑
tos cujas sombras via outrora. Que julgas tu que ele só vira coisas vãs, ao passo que agora estava mais perto
da realidade e via de verdade, voltado para objetos mais reais? E se ainda, mostrando-lhe cada um desses
objetos que passavam, o forçassem com perguntas a dizer o que era? Não te parece que ele se veria em difi‑
culdades e suporia que os objetos vistos outrora eram mais reais do que os que agora lhe mostravam?
– Muito mais – afirmou.
– Portanto, se alguém o forçasse a olhar para a própria luz, doer-lhe-iam os olhos e voltar-se-ia para
junto dos objetos para os quais podia olhar, e julgaria ainda que estes eram na verdade mais nítidos do que
os que lhe mostravam?
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– Seria assim – disse ele.


– E se o arrancassem dali à força e o fizessem subir o caminho rude e íngreme, e não o deixassem fugir
antes de o arrastarem até à luz do Sol, não seria natural que ele se doesse e agastasse, por ser assim arrastado,

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Textos complementares Livro do professor

4. O problema da definição da arte

«A questão “O que é a arte?” é uma questão filosófica típica. É um convite à reflexão sobre vários aspe‑
tos da arte, experiências com ela relacionadas e seu papel na vida social e individual. Contudo o próprio
conceito de arte tem levantado dúvidas sérias na estética analítica contemporânea não apenas em relação a
definições específicas, mas, mais importante, sobre se o conceito é ou não de todo definível. Cada definição
proposta tem sido demolida, abandonada e negada a sua eficácia. Perspetivas tradicionais foram rejeitadas e
qualquer tentativa para reavivar o debate em torno da essência da arte fracassou. Parece que, embora as
batalhas tenham terminado sem se chegar a um consenso, o não essencialismo leva vantagem. O que nós
vemos hoje no rescaldo destas discussões inconclusivas são tentativas para reapreciar resultados, avaliar danos
e oferecer realinhamentos limitados. (…)
O meu principal argumento substancia a arte como uma criação intencional de beleza, como uma ten‑
tativa de interpretar vários materiais da experiência humana mostrando através da sua realização, os seus
potenciais escondidos. Isto é em certo aspeto uma espécie de funcionalismo, mas não encara o prazer como
o objetivo essencial da arte. O prazer é antes o produto lateral que acompanha qualquer experiência satisfa‑
tória e por isso não é uma característica particular da experiência estética. Esta posição não apenas assume
que a arte tem uma natureza definível, mas também que a definição deve servir como chave para compreen‑
der o papel da arte, a sua relação com outros aspetos da experiência humana e os problemas da sua avaliação.
(…)
[Por outro lado] a definição institucional de arte, diferentemente de outras teorias da arte não tem as
suas raízes na história da estética. A novidade da definição institucional comparada com outras definições
reside principalmente no facto de que é uma definição não essencialista. Todas as outras teorias tentam
caracterizar as propriedades essenciais da arte: imitação da natureza, criação de beleza, representação ou
expressão de emoções, uma fonte de prazer e por ai adiante. Não é uma coincidência que uma definição não
essencialista se tenha tornado o centro da atenção na estética contemporânea, principalmente na filosofia
anglo americana. Há uma conexão direta entre o estatuto da filosofia estética analítica e a ampla aceitação
de uma definição não essencialista.»
Ruth Lorand, Aesthetic order: a Philosophy of order, beauty and art, Londres, Routledge. 2000, pp. 250-251

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Índice Livro do professor

I – A Filosofia e o texto – introdução 3

Índice dos textos selecionados 6

Análise e exploração dos textos 7

II – Textos complementares 45

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Livro do professor A Filosofia e o texto

I – A Filosofia e o texto – introdução


Os textos, nomeadamente os textos expositivos/informativos, desempenham um lugar central nas
aprendizagens escolares pois constituem um recurso privilegiado enquanto veículo de conteúdos cognitivos
que os alunos devem adquirir – são textos que se leem para se ficar a conhecer uma determinada “matéria”.
Ler, compreender e tratar a informação neles contida é, por isso, uma tarefa a que devemos dar a maior
atenção, particularmente, na disciplina de Filosofia, em que grande parte do trabalho de aprendizagem
repousa na análise de textos que, frequentemente, se revestem de alguma complexidade.
A compreensão de um texto depende de vários fatores, alguns inerentes aos próprios alunos e à bagagem
cultural que carreiam, outros decorrentes da forma como o texto se apresenta e como se encontra estruturado.
Neste aspeto, investigações feitas na área indiciam que a compreensão do texto depende em boa parte da
capacidade de identificar o tipo de estrutura que utiliza; por sua vez, a estrutura depende da forma como os
elementos se encontram organizados, como a informação é apresentada.
Um texto bem estruturado é mais inteligível e a identificação da estrutura não só ajuda os/as alunos/as
a compreenderem melhor os textos como permite que produzam textos mais inteligíveis. Por estes motivos,
em contexto concreto de aprendizagem, devemos sensibilizar para a estrutura do texto, fornecendo elemen‑
tos que permitam a sua identificação ou orientando no sentido de a descobrirem, ensinando as perguntas
que devem formular para o conseguirem.
Perante um texto informativo, espera­‑se que sejam capazes de identificar a ideia central e as ideias
derivadas, a informação essencial e a informação secundária ou mesmo redundante, a ligação estabelecida
entre os diferentes tópicos, numa palavra, que consigam apreender o conteúdo.
A estrutura do texto corresponde ao conjunto de características organizacionais que servem como mol‑
dura para ajudar a identificar a informação importante e as conexões lógicas entre ideias; decorre do processo
que o autor, consciente ou inconscientemente, escolheu para organizar as ideias sobre um determinado
assunto. Um mesmo texto pode utilizar mais do que um tipo de estrutura, mas, normalmente, há uma que
é a dominante.
Em Filosofia predominam os (1) textos argumentativos, mas também encontramos textos (2) em que
se define um conceito, (3) em que se enunciam as características de um determinado “objeto” ou situação,
(4) em que se formulam questões e se providenciam as respetivas respostas, e ainda (5) textos em que se
comparam objetos ou situações.
A estrutura da definição está presente quando se organiza de forma lógica a informação essencial que
se quer transmitir acerca de determinado conceito; esta estrutura permite discriminar o essencial do acessó‑
rio já que para definir tem de se categorizar – dizer a que categoria mais geral pertence o conceito que se está
a definir, e caracterizar o conceito – e enunciar os seus atributos essenciais, distinguindo­‑o de todos os outros
de forma rigorosa e precisa; esta estrutura supõe ainda que, sempre que possível, se apresentem exemplos.
Nos textos com esta estrutura, algumas marcas textuais – palavras­‑sinal – são: “é”, “caracteriza­‑se”, “tem
como exemplos”, etc.
A estrutura descritiva distingue­‑se da estrutura da definição na medida em que pressupõe que se descreva/
caracterize uma dada situação ou objeto apresentando de uma forma minimamente detalhada os seus atri‑
butos específicos. Diz­‑se o que o objeto é, referindo não apenas as suas características essenciais mas também
outros aspetos considerados relevantes. É ainda frequente dar exemplos para tornar mais vívida a descrição.
Nestes textos, frequentemente as marcas textuais são ténues ou até inexistentes pelo que é preciso
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observá­‑los na sua totalidade e perguntar pelo tema e pelo modo como o tema é abordado, procurando
verificar se o texto, para além de apresentar características essenciais, também fornece detalhes sobre o
objeto ou situação.

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A Filosofia e o texto Livro do professor

Índice dos textos selecionados

• "É a Filosofia necessária?" de John Shand

• "As questões da Filosofia" de Richard Double

• "Filosofia e argumentação" de Louis P. Pojman

• "A vontade enquanto determinação da ação humana" de Paul Foulquié

• "Determinismo versus livre­‑arbítrio" de John Searle

• "A natureza relacional dos valores" de Hugh Mercer Curtler

• "Atitudes diferentes em relação aos valores – como lidar com o problema?" de Gianni
Vattimo

• "Porque é a reflexão ética necessária?" de Hugh LaFollette

• "Indivíduo e sociedade – complementaridade e antagonismo" de Edgar Morin

• "Uma ética centrada na intenção" de Roger J. Sullivan

• "O critério de moralidade do utilitarismo" de Stuart Mill

• "A escolha dos princípios de justiça sob um véu de ignorância" de John Rawls

• "Características da experiência estética" de George Hagman

• "Teoria da arte como expressão" de Noël Carroll

• "Arte e compreensão da experiência" de Gordon Graham

• "A manifestação do sagrado e a hierofania" de Mircea Eliade

• "A dimensão pessoal versus a dimensão social da religião" de Aldous Huxley

• "A tolerância: essa fraqueza das religiões" de Fernando Savater

• "O amor romântico tem uma história" de Charles Lindholm


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Livro do professor A Filosofia e o texto

Análise e exploração dos textos


I. 1.1 – O que é a filosofia?

Texto da página 22 do Manual


Título: É a Filosofia necessária?
Autor e obra: John Shand: Philosophy and philosophers: an introduction to western Philosophy

Conteúdo

O texto aborda o tema da utilidade da Filosofia e defende a tese de que “a Filosofia tem importância
para a vida prática”, por outras palavras, que “a Filosofia não é um luxo [é] mesmo uma necessidade”. Apre‑
senta vários argumentos para defender a tese, mostrando que:

• em domínios fundamentais da reflexão, como a ética e a filosofia política, a filosofia chega a conclusões
que têm consequências práticas imediatas;
• escrutina crenças que, por sua vez, se encontram diretamente ligadas a outras crenças que influenciam
o modo como as pessoas agem;
• na ausência da reflexão filosófica, tende a dominar o dogmatismo com as consequências terríveis de
que o processo histórico tem sido pródigo.

Interesse do texto

O texto ilustra o conceito de filosofia como atitude crítica, reflexiva e fundamentadora – que opõe ao
dogmatismo – e mostra/demonstra a necessidade de se cultivar essa atitude.

Estrutura do texto

O texto tem uma estrutura argumentativa com a explicitação da tese no início e no último parágrafo do
texto e com a enunciação dos argumentos que corroboram a tese. Encontramos no texto dois tipos de argu‑
mentação: aquilo a que poderíamos chamar de argumentação pela positiva, mostrando para que serve a
filosofia; e a argumentação pela negativa, mostrando o que acontece na ausência da reflexão filosófica.

Proposta de exploração

Reorganização da informação através do preenchimento do quadro.

É a filosofia necessária?
Tema

Tese (expressões que a formulam)

Argumento 1

Argumento 2
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Argumento 3

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A Filosofia e o texto Livro do professor

Quadro preenchido

As questões da filosofia
Características das questões filosóficas 1. A
 s respostas dadas pela Filosofia a essas questões
permanecem em aberto, isto é, não são definitivas.
2. N
 em a ciência, nem a religião, nem o senso comum
respondem a estas questões.
3. O
 seu interesse é perene, isto é, não passam de moda, são
constantemente recolocadas e vistas à luz de novos
enquadramentos nos quais decorre a vida dos seres humanos.
Razões que explicam porque as questões filosóficas não são 1. A
 ciência – não responde às questões filosóficas
suscetíveis de serem respondidas pela (1) ciência, pelo precisamente porque estas não se deixam abordar pelos
(2) senso comum ou pela (3) fé métodos específicos do trabalho científico.
2. O
 senso comum – não responde às questões filosóficas
precisamente porque lhes dá respostas de senso comum, que
a filosofia pretende ultrapassar.
3. A
 fé – também não lhes responde, ou melhor, dá­‑lhes
respostas que não são filosóficas. A fé dá respostas
baseadas em princípios que a própria filosofia discute.

Metodologia das questões filosóficas (baseada no pensamento 1. E lucida rigorosamente os conceitos e equaciona o problema
crítico) com precisão.
2. I dentifica os diferentes tipos de abordagem que o problema
comporta.
3. I nventaria todas as razões a favor de uma dada resposta e
todas as razões contra: argumentos e contra­‑argumentos a
fim de poder optar pela que se apresenta com maior
consistência.

Oficina de escrita

Desenvolva o tema: A natureza das questões filosóficas.

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Livro do professor A Filosofia e o texto

I. 1.3 – A dimensão discursiva do trabalho filosófico

Texto da página 41 do Manual


Título: Filosofia e argumentação
Autor e obra: Louis P. Pojman: Philosophy: the quest for truth

Conteúdo

A Filosofia tem uma natureza argumentativa já que a sua principal tarefa é analisar e construir argu‑
mentos. O raciocínio filosófico não diverge em aspetos significativos do raciocínio científico pois em ambos
os casos o objetivo é testar as hipóteses no sentido de se aproximar da verdade. Mas, enquanto as ciências
(da natureza ou experimentais) podem recorrer a experiências laboratoriais, e conseguem desse modo veri‑
ficar ou não as hipóteses, e a matemática consegue ou não demonstrá­‑las, a Filosofia tem de se limitar a fazer
experiências pensadas, analisando cuidadosamente os conceitos, criticando e debatendo as conclusões a que
chega. De qualquer modo, a Filosofia, enquanto berço das próprias ciências, é insubstituível.

Interesse do texto

O texto permite compreender a natureza específica do trabalho filosófico, centrado na clarificação de


conceitos, na construção de argumentos e na tentativa de os testar, recorrendo a contraexemplos e a constante
debate, por contraste com o trabalho das ciências naturais ou experimentais e da matemática que possuem
instrumentos para decidir do valor das hipóteses de que partem. Permite ainda perceber porque a filosofia é
necessária, malgrado as suas inevitáveis limitações, enquanto matriz dos próprios saberes científicos.

Estrutura do texto

No texto compara­‑se Filosofia, ciências e matemática, no domínio dos instrumentos de trabalho de que
dispõem, isto é, dos procedimentos metodológicos a que podem recorrer; colocam­‑se em relevo aspetos que
aproximam estes domínios, mas também aspetos que os separam.

Proposta de exploração

Reorganização da informação através do preenchimento do quadro.

filosofia e argumentação
O que é que se compara

O que a Filosofia e as ciências têm em comum

O que têm de diferente

Aspeto em que os instrumentos utilizados pelo matemático e


pelo filósofo diferem; significado dessa diferença

A ligação inelutável entre a Filosofia e as ciências


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A Filosofia e o texto Livro do professor

quadro preenchido

A vontade enquanto determinação da ação humana


Existência animal, existência humana e as dimensões do tempo O animal vive no presente.
O ser humano antecipa o futuro.

Consequências dessa diferença de dimensão temporal O animal não apreende as relações de causa e efeito entre os
fenómenos; por isso, não deduz as consequências dos seus
atos.
O ser humano apercebe­‑se de que há relações de causa e
efeito e pode prever as consequências dos seus atos. Desse
modo pode deliberar – pesar pros e contras – e decidir acerca
dos seus atos, executando uns e desistindo de outros.
O ato animal e o ato humano – móveis e motivos O animal comporta­‑se em função de móveis – forças cegas –
que o levam a seguir uma determinada conduta.
O ser humano age em função de motivos – razões conscientes
– que o levam a optar por um determinado curso de ação.

Oficina de escrita

Desenvolva o tema: Consciência, vontade e ação humana.

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Livro do professor A Filosofia e o texto

II. 1.2 – Determinismo e liberdade na ação humana

Texto da página 80 do Manual


Título: Determinismo versus livre‑arbítrio
Autor e obra: John Searle: Mente, cérebro e ciência

Conteúdo

O autor estabelece a necessidade da consciência como pressuposto básico para se poder falar em liberdade
da vontade, mas considera que, embora condição necessária, a consciência não é condição suficiente, pois a
liberdade da vontade requer que essa consciência seja ativa, não meramente recetiva; que seja capaz de deci‑
sões livres e, acima de tudo, que se empenhe em ações voluntárias e intencionais; há assim como que uma
gradação da consciência, que vai assumindo patamares de complexidade crescente.

Interesse do texto

Searle toma posição face ao problema da liberdade da vontade e do determinismo e toma posição a favor
da liberdade, mas enraíza essa posição mais num sentimento do que numa argumentação, o que só prova
mais uma vez quão difícil a questão é; em certo sentido, é no plano da crença que a questão se situa: assim
como acreditamos no determinismo que rege o mundo físico, temos a crença de que, apesar de tudo, nos
resta alguma margem de liberdade quando agimos intencional e voluntariamente, quando não somos objeto
de coação.

Estrutura do texto

Este texto apresenta uma estrutura descritivo­‑sequencial já que o autor descreve numa sequência as
condições que são pressupostas para se poder falar em liberdade da vontade.

Proposta de exploração

Reorganização da informação através do preenchimento do quadro.

Determinismo versus Livre­‑Arbítrio


Condições pressupostas pelo livre­‑arbítrio Expressões do texto que se lhes referem

1. 1.

2. 2.

3. 3.

4. 4.
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A Filosofia e o texto Livro do professor

quadro preenchido

Teoria da arte como expressão


A arte é... uma forma de comunicação em que se transmitem e transferem
emoções.

Para haver arte são necessárias três condições 1. U


 m artista que experimente uma emoção;
2. A
 exteriorização dessa emoção através da obra de arte;
3. U
 ma audiência que partilha essa emoção através da contemplação da
obra.
Exemplo ilustrativo das condições necessárias da arte • A contemplação de uma paisagem provoca melancolia no artista;
• O artista exprime essa melancolia na pintura que faz dessa paisagem;
• A audiência experimenta o mesmo sentimento ao contemplar a
paisagem pintada.

Exemplo de que essas condições são necessárias, Uma pessoa perdeu o emprego e sente­‑se triste; exprime essa tristeza
mas não são suficientes chorando, e adotando uma postura corporal de extremo desânimo.
Uma pessoa que a observe experimenta o mesmo sentimento de
tristeza.

Podemos dizer que uma coisa para ser arte... tem não só de transmitir uma emoção sentida pelo artista a uma
audiência, mas essa transmissão tem de ser intencional.

Oficina de escrita

Partindo de um objeto estético que o tenha tocado mais particularmente, explicite a teoria da arte como
expressão.

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Livro do professor A Filosofia e o texto

II. 3.2.3 – A arte – produção e consumo, comunicação e conhecimento

Texto da página 218 do Manual


Título: Arte e compreensão da experiência
Autor e obra: Gordon Graham: Philosophy of the arts: an introduction to aesthetics

Conteúdo

Defende­‑se a tese de que o valor da arte não reside (não é redutível) na compreensão ou conhecimento
que nos possa proporcionar, o que não significa reconhecer que ela não possa contribuir para o nosso conhe‑
cimento e compreensão do mundo – são duas coisas diferentes e não se deve confundir uma com a outra
Para defender a tese apresentam­‑se argumentos factuais – argumentos pelo exemplo – mostrando o
óbvio: ninguém acha que se pode substituir o teto da capela Sistina por uma monografia teológica; ninguém
considera que depois de se conhecer a história de Henrique V não é preciso assistir à peça de Shakespeare
sobre a mesma personagem.
Conclui­‑se que as obras de arte não valem porque ajudam à nossa compreensão/conhecimento, embora
tal possa acontecer, mas porque são belas ou “pelo prazer que proporcionam”.

Interesse do texto

O texto chama a nossa atenção para o facto de que a arte, embora ligada ao real e capaz de ajudar na
nossa compreensão, não vale por isso, a arte é do domínio do sensorial, não do intelectual – esse é o aspeto
dominante.

Estrutura do texto

Defende­‑se uma tese sobre o valor da arte e apresentam­‑se argumentos factuais em suporte da tese.

Proposta de exploração

Reorganização da informação através do preenchimento do quadro.

Arte e compreensão da experiência


Tese que se defende

Argumentos factuais (pelo exemplo) a que se recorre

Expressões retóricas utilizadas para dar força à argumentação

Conclusão a que se chega sobre o valor da arte


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A Filosofia e o texto Livro do professor

quadro preenchido

A manifestação do sagrado e a hierofania


Conceito central do texto O conceito de sagrado.

Expressões que ao longo do texto caracterizam o sagrado e a “qualquer coisa de absolutamente diferente do profano”; “ato
sua manifestação (hierofania) misterioso”, “a manifestação de algo de ordem diferente”; “uma
realidade que não pertence ao nosso mundo”; “realidade
sobrenatural”.
Relação entre o sagrado e o profano, exemplos dessa relação Embora sejam de ordem absolutamente diferente, o sagrado
manifesta­‑se em objetos profanos, por exemplo: uma pedra,
uma árvore; um ser humano, etc.
Paradoxo do ato de manifestação do sagrado – hierofania Através da hierofania um mesmo objeto é uma coisa e a sua
contrária: exemplo, uma pedra sagrada continua a ser uma
pedra.
Essência da religião e do homem religioso O homem religioso é aquele que é capaz de “receber” a
manifestação do sagrado.

Oficina de escrita

Elabore um depoimento pessoal sobre a sua experiência/vivência do sagrado.

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Livro do professor A Filosofia e o texto

II. 3.3.2 – As dimensões pessoal e social das religiões

Texto da página 246 do Manual


Título: A dimensão pessoal versus a dimensão social da religião
Autor e obra: Aldous Huxley: Sobre a democracia

Conteúdo

Ao comparar as vertentes social e pessoal das religiões, o autor refere que a religião social tem o primado
no tempo e no número de aderentes relativamente à religião da solidão, isto é, à religião na sua vertente
pessoal. Embora também considere que a religião da solidão possa ser superior, diz­‑nos que, para a maioria
das pessoas, a religião é o ritual, a prática estabelecida, a reunião em determinados espaços e tempos.

Interesse do texto

O texto esclarece a relação e distinção entre a dimensão pessoal e a dimensão social da religião.

Estrutura

Comparam­‑se duas dimensões/abordagens de religião, considerando diferentes aspetos.

Proposta de exploração

Reorganização da informação através do preenchimento do quadro.

A dimensão pessoal versus a dimensão social da religião


Religião pessoal Religião social
Primado na origem

Primado no número de aderentes

Fundadores das religiões

A religião como conjunto de rituais,


práticas e emoções
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A Filosofia e o texto Livro do professor

quadro preenchido

A tolerância: essa fraqueza das religiões


Aspetos negativos das religiões Constituíram­‑se em forças persecutórias, intolerantes,
envolvidas em guerras e em crimes.

Aspetos positivos das religiões Mostraram por vezes generosidade e valentia.

Circunstâncias que enquadram a intolerância religiosa Decorreu do controlo sobre o poder económico e político e do
apoio do braço secular.

Circunstâncias que enquadram a tolerância religiosa A perda de poder terreno criou condições para a tolerância.

Consequências positivas da tolerância Favoreceu um clima de paz e de eventual diálogo entre as


religiões uma vez que foram removidos os elementos de tensão
entre elas (poder económico e político).
Tese central defendida A tolerância religiosa anda a par com a perda de poder terreno.

Argumento que corrobora a tese Argumento factual: é um facto que enquanto detiveram poder
económico e político e enquanto tiveram o apoio do braço
secular foram intolerantes.
Consequência da admissão da tese Se valorizarmos a tolerância devemos separar religião e poder
terreno.

Oficina de escrita

Defenda, através de argumentos, o valor da tolerância.

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Livro do professor A Filosofia e o texto

II. 4.2 – A manipulação e os meios de comunicação de massas. Um caso de estudo – a romantização do amor

Texto da página 298 do Manual


Título: O amor romântico tem uma história
Autor e obra: Charles Lindholm: The future of love

Conteúdo

Neste texto, aborda-se o ideal romântico do amor e a sua emergência enquanto modelo predominante
das relações amorosas.
Defende-se que o amor romântico tem uma história, não é eterno e teve um começo no tempo; situa-se
esse começo na modernidade ocidental, mais especificamente nos inícios do século xix.
Liga-se a emergência do amor romântico a fatores tecnológicos e socioeconómicos – revolução industrial,
desenvolvimento do capitalismo e transformações sociais profundas com o desaparecimento das unidades
familiares alargadas e com a desintegração da sociedade tradicional. Considera-se que, nesse novo contexto,
o amor romântico passou a exercer a função que as obrigações de grupo exerceram no passado, com o obje‑
tivo de manter os casais unidos e garantir a estabilidade social.

Interesse do texto

Dado que, nos nossos dias, o amor romântico continua a ser o modelo dominante, reforçado e veiculado
pelos media, parece fazer sentido refletir não só sobre a sua natureza, mas também sobre a sua génese e,
mesmo, sobre o seu eventual futuro.

Estrutura do texto

No texto, adota-se a estrutura pergunta-resposta: coloca-se uma pergunta inicial, “Será o amor român‑
tico eterno ou estará condenado a desaparecer?”, e responde-se a essa pergunta, ou pelo menos à primeira
parte da pergunta, ficando a resposta à segunda parte a cabo da interpretação do leitor. Na resposta, usam-se
argumentos vários e recorre-se a autoridades na matéria para corroborar a posição defendida pelo autor do
texto.

Proposta de exploração

Uma vez lido o texto, identificada a sua estrutura e esclarecidas dúvidas, propõe-se aos alunos que tra‑
balhem o texto, procurando responder aos quesitos colocados à esquerda no quadro, o que equivale a reor‑
ganizar a informação para melhor compreender o texto.
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Textos complementares Livro do professor

e, depois de chegar à luz com os olhos deslumbrados, nem sequer pudesse ver nada daquilo que agora dize‑
mos serem os verdadeiros objetos?
– Não poderia, de facto, pelo menos de repente.
– Precisava de se habituar, julgo eu, se quisesse ver o mundo superior. Em primeiro lugar, olharia mais
facilmente para as sombras, depois disso, para as imagens dos homens e dos outros objetos, refletidas na
água, e, por último, para os próprios objetos. A partir de então, seria capaz de contemplar o que há no céu,
durante a noite, olhando para a luz das estrelas e da Lua, mais facilmente do que fosse o Sol e o seu brilho
de dia.
– Pois não!
– Finalmente, julgo eu, seria capaz de olhar para o Sol e de o contemplar, não já a sua imagem na água
ou em qualquer sítio, mas a ele mesmo, no seu lugar.
– Necessariamente.
– Depois já compreenderia, acerca do Sol que é ele que causa as estações e os anos e que tudo dirige no
mundo visível, e que é o responsável por tudo aquilo de que eles viam um arremedo.
– É evidente que depois chegaria a essas conclusões.
– E então? Quando ele se lembrasse da sua primitiva habitação, e do saber que lá possuía, dos seus
companheiros de prisão desse tempo, não crês que ele se regozijaria com a mudança e deploraria os outros?
– Com certeza.
– E as honras e os elogios, se alguns tinham então entre si, ou prémios para o que distinguisse com mais
agudeza os objetos que passavam, e se lembrasse melhor quais os que costumavam passar em primeiro lugar
e quais em último, ou os que seguiam juntos, e àquele que dentre eles fosse mais hábil em predizer o que ia
acontecer – parece-te que ele teria saudades ou inveja das honrarias e poder que havia entre eles, ou que
experimentaria os mesmos sentimentos que em Homero, e seria seu intenso desejo “servir junto de um
homem pobre, como servo da gleba”, e antes sofrer tudo do que regressar àquelas ilusões e viver daquele
modo?
– Suponho que seria assim – respondeu –, que ele sofreria tudo, de preferência a viver daquela maneira.
– Imagina ainda o seguinte – prossegui eu –: se um homem nessas condições descesse de novo para o
seu antigo posto, não teria os olhos cheios de trevas, ao regressar subitamente da luz do Sol?
– Com certeza.
– E se lhe fosse necessário julgar daquelas sombras em competição com os que tinham estado sempre
prisioneiros, no período em que ainda estava ofuscado, antes de adaptar a vista – e o tempo de se habituar
não seria pouco – acaso não causaria riso, e não diriam dele que, por ter subido ao mundo superior, estragara
a vista, e que não valia a pena tentar a ascensão? E a quem tentasse soltá-los e conduzi-los até cima, se
pudessem agarrá-lo e matá-lo, não matariam?
– Matariam, sem dúvida – confirmou ele.
– Meu caro Gláucon, este quadro – prossegui eu – deve agora aplicar-se a tudo quanto dissemos ante‑
riormente, comparando o mundo visível à força do Sol. Quanto à subida ao mundo superior e à visão do que
lá se encontra, se a tomares como a ascensão da alma ao mundo inteligível, não iludirás a minha expectativa,
já que é teu desejo conhecê-la. O deus sabe se ela é verdadeira. Pois, segundo entendo, no limite do cognos‑
cível é que se avista, a custo, a ideia de Bem; e, uma vez avistada, compreende-se que ela é para todos a causa
de quanto há de justo e belo; que, no mundo visível, foi ela que criou a luz, da qual é senhora; e que no mundo
inteligível, é ela que criou a luz, da qual é senhora; e que no mundo inteligível, é ela a senhora da verdade e
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da inteligência e que é preciso vê-la para se ser sensato na vida particular e pública.
– Concordo também, até onde sou capaz de seguir a tua imagem.»
Platão, A república, FCG, 514a-517c

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Livro do professor Textos complementares

2. Responsabilidade e livre-arbítrio

«A precondição para considerar uma pessoa responsável pelas suas próprias ações é a de que a pessoa
tivesse tido a opção de agir de outra maneira. Se ela não tivesse podido agir de outra maneira, por motivo
de alguma compulsão externa ou interna, não faria sentido exigir que o devesse ter feito. Por exemplo não
condenaremos uma pessoa por um crime cometido em face de ameaça à sua vida, nem a consideraremos
responsável por um ato cometido num estado de insanidade. De um ponto de vista moral bem como de um
ponto de vista judicial, a precondição para considerar uma pessoa responsável pelas suas próprias ações é que
a pessoa em questão tenha tanto a liberdade como a vontade – livre-arbítrio – para ser capaz de agir de
maneira diferente, desde que o quisesse ter feito. Similarmente não faz sentido exigir numa entrevista tera‑
pêutica que o cliente assuma responsabilidade pela sua própria vida se, fundamentalmente, a pessoa em
questão não tem livre vontade para o fazer.
Pareceria que em ordem a pensarmos, sentirmos, julgarmos e agirmos livremente, teríamos de estar
livres de compulsões externas. Contudo, é mais complicado do que isso. (…) De facto a existência de alguma
compulsão externa não priva o agente de livre-arbítrio, desde que alguma compulsão interna – tal como
insanidade ou incapacidade, (por exemplo lesão cerebrais) – não o prive da sua capacidade racional.
Mas se a nossa natureza – na verdade a natureza da nossa realidade – for tal que o livre-arbítrio não
possa de todo existir? Talvez o livre-arbítrio seja apenas uma ilusão?. E não será esta ilusão apenas a expres‑
são consciente de um programa do cérebro puramente funcional desenhado para assegurar a nossa máxima
eficiência enquanto agentes? A questão, então, é se somos capazes de possuir vontade livre, e se o formos,
qual será a natureza desse livre-arbítrio.»
Preben Bertelsen, Free will, consciousness, and self, Nova Iorque, Berghahn Books, 2003, pp. 19-21

3. Teoria da arte como imitação

«Segundo Platão e Aristóteles, para algo ser uma obra de arte requer-se que o trabalho em questão seja
uma imitação. Hoje, depois de quase um século de pintura abstrata, esta teoria parece obviamente falsa.
Certas pinturas bem conhecidas de Mark Rothko e Yves Klein não imitam nada – são puros campos de cor
– e no entanto são consideradas obras maiores da arte do século XX. Assim, a teoria de que a arte é imitação
aparece-nos como falhando enquanto teoria geral sobre a arte, já que não é completamente compreensiva.
Demasiado do que nós conhecemos como sendo arte não satisfaz os requisitos necessários de que o que quer
que seja arte tem de ser imitativo.
A história da arte tem-nos mostrado que a teoria da arte associada a Platão e Aristóteles é demasiado
excludente; confronta-se com demasiadas exceções; falha em incluir como arte tudo o que nós olhamos como
pertencendo à categoria de arte. Em quase todos os museus de arte dos nossos dias, que visitemos, encon‑
tramos alguns contraexemplos desta teoria. Todavia, em deferência a Platão e a Aristóteles, devemos também
acrescentar que a sua teoria não era então tão obviamente falsa para eles como é hoje para nós, já que os mais
importantes exemplos de arte na sua época eram imitativos. Quando iam ao teatro ou quando iam à apre‑
sentação de uma nova escultura o que eles viam eram imitações de heróis e de deuses e de pessoas e de ações.
Blocos de pedra que pareciam homens, dançarinos que mimavam a ação humana e peças que reavivavam
eventos mitológicos importantes – como a destruição da casa de Atreus. Assim, por virtude dos dados que
a história lhes fornecia, a teoria da arte que Platão e Aristóteles apresentavam estava devidamente motivada
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por tudo aquilo que se encontrava à sua disposição. É só através desta perspetiva que podemos perceber quão
longe eles conseguiram chegar.»
Noël Carroll, Philosophy of art: a contemporary introduction, Londres, Routledge, 1999, pp. 21-22

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Livro do professor A Filosofia e o texto

II. 2.1 – Valores e valoração – a questão dos critérios valorativos

Texto da página 103 do Manual


Título: A natureza relacional dos valores
Autor e obra: Hugh Mercer Curtler: Rediscovering values

Conteúdo

O texto explicita a conceção relacional dos valores; nele é recorrente a afirmação de que os valores são
qualidades de objetos ou eventos, mas estas qualidades requerem a existência de um sujeito que as aprecie,
dependem do sujeito avaliador; a capacidade do sujeito não é criar valor, é descobrir valor, isto é, atribui valor
ao objeto ou evento que lhe suscita uma resposta positiva. Vários exemplos permitem ver esta dialética sujeito/
objeto na atribuição de valor.

Interesse do texto

O texto permite não só compreender a conceção relacional dos valores, como também, por contraponto,
permite debater a teoria subjetiva e também a teoria objetiva sobre a natureza dos valores; representa assim
uma enorme economia de tempo na abordagem deste conteúdo.

Estrutura do texto

O texto apresenta uma estrutura descritiva/argumentativa; não só se carateriza a teoria como se defen‑
dem, com argumentos, os princípios que ela implica.

Proposta de exploração

Reorganização da informação através do preenchimento do quadro.

A natureza relacional dos valores


Expressões do texto que definem os valores e a sua natureza
relacional

Exemplos da natureza relacional dos valores 1.


2.

Uma explicação para o subjetivismo axiológico


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A Filosofia e o texto Livro do professor

quadro preenchido

A natureza relacional dos valores


Expressões do texto que definem os valores e a sua natureza “Caraterísticas ou qualidades do nosso mundo quotidiano que
relacional provocam respostas positivas no sujeito.”
“Os valores são propriedades dos objetos e eventos do mundo
real, mas a sua presença só é discernida se assumirmos o
ponto de vista ou a atitude apropriada”
Exemplos da natureza relacional dos valores 1. “ Os tons da melodia que têm de ser ouvidos para se
transformarem em harmonia.”
2. “ As cores na tela que precisam de ser vistas, para serem
complementares.”
Uma explicação para o subjetivismo axiológico “Por causa do envolvimento necessário de um sujeito na
presença de valor e da percebida qualidade da experiência de
valor, muitos tenderam a ignorar aquelas qualidades dos
objetos e eventos ‘lá fora’ que despoletaram as nossas
respostas.”

Oficina de escrita

Desenvolva o tema: A natureza relacional dos valores.

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Livro do professor A Filosofia e o texto

II. 2.2 – Valores e cultura – a diversidade e o diálogo de culturas

Texto da página 116 do Manual


Título: Atitudes diferentes em relação aos valores – como lidar com o problema?
Autor: Gianni Vattimo: Caminharemos para um crepúsculo de valores?

Conteúdo

No texto estabelece­‑se um confronto entre dois blocos culturais/civilizacionais na sua atitude em relação
aos valores. Enquanto no Ocidente predomina uma espécie de relativismo que envolve um certo ceticismo em
relação a valores absolutos – que o autor designa de atitude crepuscular –, nos países do Terceiro Mundo pre‑
domina a atitude fundamentalista que tende a considerar os próprios valores como absolutos e inegociáveis.
Face a este confronto, a opinião de alguns setores é que o Ocidente deve responder com fundamentalismo
ao fundamentalismo do Terceiro Mundo; mas, segundo Vattimo, tal resposta só traria consigo ódio, violên‑
cia e insegurança.
Sugere então que a nossa resposta enquanto bloco cultural e civilizacional deve ser a de manter a dita
atitude crepuscular em relação aos valores e, em simultâneo, promover uma pedagogia que prepare as popu‑
lações do Ocidente para conviverem com um desenvolvimento menos agressivo e com aquilo a que chama
cultura da redução que tem implícita uma distribuição mais equitativa dos recursos e bens do planeta. Reco‑
nhece que este caminho é difícil, mas é provavelmente a nossa última oportunidade.

Interesse do texto

Estamos perante um texto que é ilustrativo de que afinal a filosofia serve, de facto, para alguma coisa;
no caso serve para, de uma forma inteligente, diria mesmo brilhante, nos indicar caminhos, caminhos que
passam por abandonar a arrogância intelectual das certezas e dos absolutos e por nos mostrar que afinal o
problema é bem mais comezinho – o que não significa que seja mais fácil – e tem a ver com uma coisa em
que não tínhamos à partida pensado: a justiça na distribuição de recursos e de bens talvez possa partir os
dentes aos fundamentalismos. Face ao momento em que vivemos, particularmente na Europa, o texto reveste­
‑se de enorme atualidade.

Estrutura do texto

Este texto combina a estrutura comparação­‑contraste com a estrutura argumentativa:

• Começa por se proceder a uma comparação entre a cultura Ocidental e a cultura dos países do Terceiro
Mundo: uma atitude crepuscular versus uma atitude fundamentalista em relação aos valores;
• Defende­‑se a tese de que a atitude crepuscular em relação aos valores, dominante no Ocidente, não
só não deve ser abandonada como deve ser consolidada.
• Para corroborar a tese apresenta­‑se um argumento: a alternativa é violência e destruição; uma expres‑
são retórica condensa o argumento: “devemos elaborar uma civilização do declínio, a única que poderá
evitar que se preparem as condições para o declínio em massa”.
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A Filosofia e o texto Livro do professor

Proposta de exploração

Reorganização da informação através do preenchimento do quadro.

atitudes diferentes em relação aos valores – como lidar com o problema?


Blocos culturais em confronto

Atitude destes dois blocos em relação aos valores

Tentação que o Oidente deve evitar

Razão por que deve evitar essa tentação

Alternativa que o Ocidente deve adotar

Porque é difícil adotar essa alternativa

Em nome de que se deve adotar essa alternativa

Proposta de preenchimento do quadro

atitudes diferentes em relação aos valores – como lidar com o problema?


Blocos culturais em confronto O Ocidente e os países do Terceiro Mundo.

Atitude destes dois blocos em relação aos valores Atitude crepuscular e atitude fundamentalista.

Tentação que o Ocidente deve evitar A tentação de também se tornar fundamentalista.

Razão por que deve evitar essa tentação Conduz inevitavelmente à violência e destruição.

Alternativa que o Ocidente deve adotar Dar ao seu desenvolvimento uma dimensão menos agressiva
e optar por uma cultura de redução.

Porque é difícil adotar essa alternativa Porque ninguém gosta de ter menos quando se habituou a ter
mais.

Em nome de que se deve adotar essa alternativa Em nome do pragmatismo: fazer da necessidade virtude,
é preciso; temos de nos deixar de devaneios.

Oficina de escrita

Esclareça a questão: Como deverá o Ocidente lidar com os fundamentalismos?


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Livro do professor A Filosofia e o texto

II. 3.1.1 – Intenção ética e norma moral

Texto da página 129 do Manual


Título: Porque é a reflexão ética necessária?
Autor e obra: Hugh LaFollette,: Ethics in practice

Conteúdo

Começa por se referir que a maior parte das pessoas se limita a seguir as normas socialmente estabelecidas
(moral) que incorporam aquilo que o senso comum pensa. Em seguida, recorrendo­‑se a exemplos históricos,
mostra­‑se que é insuficiente seguir o senso comum em termos de moralidade porque, precisamente por tal ter
acontecido, ao longo do processo histórico cometeram­‑se as maiores injustiças e barbaridade: justificou­‑se a
escravatura, os genocídios, a condenação à morte das “bruxas” e a negação de direitos fundamentais às mulhe‑
res. Todos esses atropelos aos direitos mais fundamentais dos seres humanos ocorreram com a conivência da
generalidade daqueles que direta ou indiretamente deles beneficiaram; se tivessem parado para pensar, prova‑
velmente não lhes teriam dado tão facilmente a sua anuência. Logo, impõe­‑se que reflitamos eticamente.

Interesse do texto

Este texto mostra como é fácil, natural e até trivial pactuar com a injustiça desde que nos demitamos de
pensar. Isto é, a maioria das pessoas, que não é muito amiga de se autoexaminar, até pode “encher a boca”
com a retórica da moralidade e do dever, mas, quando a oportunidade surge, pactua com a injustiça como
se fosse a coisa mais natural do mundo.
A partir do texto e dos exemplos citados podemos ainda lembrar que nem os próprios filósofos estão
imunes a esta crítica, recordemos Aristóteles e a sua defesa de que a mulher era um homem falhado e por
isso um ser inferior, ou a defesa da escravatura que também fez. Ou ainda os genocídios que foram (e con‑
tinuam a ser) cometidos e justificados em nome da necessidade de se propagar determinadas crenças religio‑
sas e determinados valores.

Estrutura do texto

Neste texto, embora de forma não canónica, defende­‑se uma tese – a de que cada um de nós deve
empreender a reflexão ética, questionando a justeza dos princípios que a sociedade lhe apresenta. Esta tese
é defendida com base no argumento pelo exemplo – invocam­‑se testemunhos históricos que comprovam a
necessidade de refletir eticamente.

Proposta de exploração

Reorganização da informação através do preenchimento do quadro.

Porque é a reflexão ética necessária?


Tese defendida (escolher expressões do texto para a referir)
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Argumento a favor da tese

Condições para o exercício da autocrítica

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A Filosofia e o texto Livro do professor

Quadro preenchido

Porque é a reflexão ética necessária?


Tese defendida (escolher expressões do texto para a referir) “Devemos escrutinar as nossas crenças, as nossas escolhas
e as nossas ações” – a reflexão ética é uma obrigação.

Argumento a favor da tese A história mostra que “por não serem suficientemente
autocríticos” – não terem escrutinado as suas crenças,
escolhas e ações – os nossos antepassados cometeram as
maiores atrocidades.
Condições para o exercício da autocrítica Informação; ultrapassagem do egoísmo; assunção de um
pensamento autónomo.

Oficina de escrita

Responda à questão: Porque é a reflexão ética necessária?

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Livro do professor A Filosofia e o texto

II. 3.1.2 – A dimensão pessoal e social da ética – o si mesmo, o outro e as instituições

Texto da página 137 do Manual


Título: Indivíduo e sociedade – complementaridade e antagonismo
Autor e obra: Edgar Morin: O paradigma perdido

Conteúdo

Este texto aborda a relação entre o eu – individualidade – e os outros – sociedade. Caracteriza essa relação
como sendo simultaneamente complementar e antagónica. Complementar porque o indivíduo, para sobreviver
e desenvolver­‑se, precisa da sociedade que lhe oferece as indispensáveis estruturas. Por sua vez, a sociedade é
impensável sem o indivíduo e enriquece­‑se com o seu contributo e com a variedade individual.
Todavia, a relação individualidade/sociedade comporta antagonismo, porque, por um lado, a sociedade
limita o indivíduo, exigindo­‑lhe conformidade em relação ao grupo social e aos seus valores; por outro, há
sempre resistência do indivíduo à integração social e aos moldes em que ela é percebida.
De qualquer modo, individualidade e sociedade são inseparáveis, porque não há sociedade sem indivíduos
e relações interindividuais e não há indivíduo sem sociedade.

Interesse do texto

Este texto, claro e acessível, se bem explorado, permite, por si só, abordar a temática: o si mesmo, o
outro e as instituições. Contempla todas estas vertentes; o si mesmo é o eu – a individualidade –, o outro é
a sociedade, que interfere no processo de socialização do indivíduo através das instituições que a compõem.

Estrutura do texto – comparação/contraste e argumentativa

Este texto apresenta cumulativamente uma estrutura comparação/contraste e uma estrutura argumen‑
tativa. Comparam­‑se os interesses dos indivíduos e os interesses da sociedade e mostram­‑se aspetos com‑
plementares e aspetos antagónicos para se concluir, defendendo a tese de que o “eu” é inseparável do “outro”.

Proposta de exploração

Reorganização da informação através do preenchimento do quadro.


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A Filosofia e o texto Livro do professor

Indivíduo e sociedade – complementaridade e antagonismo


Realidades que se comparam

Aspeto em que se comparam

Tipo de relação positiva que se estabelece

Aspetos que evidenciam essa relação positiva

Tipo de relação negativa que se estabelece

Aspetos que evidenciam essa relação negativa

Tese central defendida no texto

Argumento a favor da tese central

Tese complementar defendida no texto

Argumento a favor da tese complementar

Quadro preenchido

Indivíduo e sociedade – complementaridade e antagonismo


Realidades que se comparam Realidade individual e realidade social.

Aspeto em que se comparam Papel que desempenham na relação que entre si estabelecem.

Tipo de relação positiva que se estabelece Complementaridade.

Aspetos que evidenciam essa relação positiva A sociedade fornece estruturas para que o indivíduo se
desenvolva; o indivíduo enriquece a sociedade com o seu
contributo.
Tipo de relação negativa que se estabelece Antagonismo.

Aspetos que evidenciam essa relação negativa A sociedade limita o indivíduo e obriga­‑o a conformar­‑se com
as normas; o indivíduo reage a essa limitação.

Tese central defendida no texto Individualidade e sociedade são realidades complementares e


antagónicas.

Argumento a favor da tese central Indivíduo e sociedade tiram proveito da relação, mas a
sociedade limita o indivíduo e o indivíduo reage a essa
limitação.
Tese complementar defendida no texto Individualidade e sociedade não são realidades separadas.

Argumento a favor da tese complementar A sociedade, para existir, exige relações interindividuais; o
indivíduo, para existir, exige a sociedade.

Oficina de escrita

Partindo de situações vividas, explique porque é a relação entre o “eu” e as instituições ambivalente.
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Livro do professor A Filosofia e o texto

II. 3.1.3 – A necessidade de fundamentação da moral – A ética kantiana

Texto da página 152 do Manual


Título: Uma ética centrada na intenção
Autor e obra: Roger J. Sullivan: An introduction to Kant’s ethics

Conteúdo

Neste texto, Roger Sullivan, um especialista em Kant, expõe a natureza deontológica da ética kantiana –
uma ética centrada no dever e na intenção subjacente à ação.
A pessoa dotada de um caráter moralmente bom é aquela que se preocupa acima de tudo com a intenção
que a leva a agir e não com as consequências da sua ação. Todavia, não é uma qualquer intenção que é moral‑
mente boa, por exemplo, a intenção de ser feliz, por mais respeitável que seja, em si mesma, não é eticamente
valiosa, apenas o é a intenção de querer cumprir o dever.
Há ainda uma terceira condição implícita na intenção moralmente boa, essa condição implica que se queira
cumprir o dever por respeito ao próprio dever com completa independência de quaisquer benefícios ou inte‑
resses pessoais.

Interesse do texto

Este texto pode ser utilizado não só para caracterizar a ética kantiana como ainda para introduzir o
utilitarismo, dado que aflora as duas perspetivas éticas: a deontológica e a consequencialista; presta­‑se ainda
a uma avaliação crítica das duas teorias morais.

Estrutura

A estrutura é descritiva­‑sequencial, recorrendo ainda a argumentos para fundamentar cada etapa dessa
caracterização sequencial.

Proposta de exploração

Reorganização da informação através do preenchimento do quadro.

Uma ética centrada na intenção


Perguntas formuladas por Kant Respostas que lhes dá Fundamentação das respostas
(argumentos)

1.

2.

3.
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A Filosofia e o texto Livro do professor

Quadro preenchido

Uma ética centrada na intenção


Perguntas formuladas por Kant Respostas que lhes dá Fundamentação das respostas
(argumentos)

1. O que é que faz com que uma pessoa – A bondade moral da pessoa depende – E m moralidade o que importa é a
seja moralmente boa? totalmente da intenção que está por intenção porque é aquilo que se
detrás das suas ações. encontra sob controlo da pessoa; as
consequências da ação em
contrapartida fogem ao seu controlo.
2. Que tipo de intenção faz com que uma – A intenção boa é querer agir por motivo –A
 intenção boa não pode ser querer ser
pessoa seja moralmente boa? do dever. feliz, toda a gente o percebe, logo só
pode ser querer cumprir o dever.
3. O que é ter a intenção de agir por – É fazer aquilo a que a lei moral – –S
 ó o sentido do dever nos leva ao
dever? imperativo categórico – obriga, por respeito pela lei, independentemente
respeito à própria lei. de quaisquer benefícios ou interesses
pessoais.

Oficina de escrita

Desenvolva o tema: Intenção e moralidade da ação.

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Livro do professor A Filosofia e o texto

II. 3.1.4 – A necessidade de fundamentação da moral –A ética utilitarista

Texto da página 153 do Manual


Título: O critério de moralidade do utilitarismo
Autor e obra: Stuart Mill: Utilitarianism

Conteúdo

Neste texto, Stuart Mill defende a tese de que só a felicidade é intrinsecamente boa e de que só a felicidade
é autêntico critério de moralidade – é aquilo que se deve procurar – devemos procurar ser felizes, temos a obri‑
gação moral de procurar ser felizes. A prova para esta tese é de natureza empírica: aquilo que todas as pessoas
querem é ser felizes e, consequentemente, permite estabelecer que a felicidade é critério de moralidade.
Todavia, para além de mostrar que a felicidade é critério de moralidade, Mill vai ainda mostrar que a
felicidade é o único critério de moralidade; para o conseguir antecipa uma objeção a esta tese e refuta a
objeção. Assim, começa por admitir a posição daqueles que defendem que não é a felicidade mas a virtude
o critério de moralidade; defendem que devemos ser virtuosos e que uma pessoa moralmente boa é a que
procura ser virtuosa.
Para refutar esta objeção Mill utiliza uma hábil analogia entre o dinheiro e a virtude; e mostra que assim
como o dinheiro é um meio para se ser feliz, que por vezes alguns transformam em fim em si mesmo, também
a virtude é desejável enquanto meio imprescindível para sermos felizes e contribuirmos para a felicidade das
outras pessoas, e é um meio tão poderoso que alguns a veem, erroneamente, como um fim em si mesma.

Interesse do texto

Este texto revela uma mente descomplexada que consegue, numa época de puritanismo algo hipócrita,
defender uma visão otimista da felicidade compatibilizando­‑a com a virtude, apresentada como meio para
a felicidade.

Estrutura do texto

Texto com uma interessante estrutura argumentativa ao longo do qual as ideias se vão desenvolvendo,
por meio de ligações subtis, mas consistentes. A partir da tese, corroborada por um argumento experiencial,
imagina­‑se uma objeção à tese, refutada através de um argumento por analogia.

Proposta de exploração

Reorganização da informação através do preenchimento do quadro.


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A Filosofia e o texto Livro do professor

O critério de moralidade do utilitarismo


Tese defendida por Stuart Mill

Argumento em apoio da tese

Objeção à tese

Concessão à objeção

Refutação da objeção

Fundamento da refutação

Quadro preenchido

O critério de moralidade do utilitarismo


Tese defendida por Stuart Mill A felicidade é critério de moralidade: o nosso dever é procurar
ser felizes.

Argumento em apoio da tese Argumento deduzido de uma experiência de tipo universal:


todas as pessoas querem ser felizes, por isso ser feliz é bom;
é a única coisa intrinsecamente boa.
Objeção à tese As pessoas consideram que o seu dever é serem virtuosas.

Concessão à objeção De facto, a virtude é um bem.

Refutação da objeção Mas a virtude é como o dinheiro – é um meio para ser feliz não
um fim em si mesma.

Fundamento da refutação Assim como o dinheiro é um valor instrumental, por vezes


percebido como valor intrínseco, o mesmo acontece com a
virtude, ainda com mais força porque de facto ela é
imprescindível para a felicidade do próprio e dos outros.

Oficina de escrita

Responda à questão: O que é que prazer e felicidade podem ter a ver com dever moral?
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Livro do professor A Filosofia e o texto

II. 3.1.5 – Ética, direito e política

Texto da página 171 do Manual


Título: A escolha dos princípios de justiça sob um véu de ignorância
Autor e obra: John Rawls: Uma teoria da justiça

Conteúdo

John Rawls entende que o Estado tem por função organizar a vida social, atribuindo direitos e deveres
aos cidadãos e dividindo os benefícios resultantes da vida em sociedade. Para exercer essa função tem de
estabelecer princípios gerais que devem presidir a essa atribuição e distribuição.
Partindo do pressuposto de que os seres humanos são “entidades morais” – seres racionais com finalidade
própria – capazes de serem justos se a situação for equitativa, isto é, se se encontrarem numa situação de
igualdade, Rawls defende que os princípios devem ser escolhidos como se aqueles que os escolhem se encon‑
trassem sob um véu de ignorância, a fim de serem imparciais e de se deixarem guiar exclusivamente pela
razão. Nessas circunstâncias tenderão a escolher princípios justos para a organização do Estado pois não
poderão escolher em função de interesses pessoais, já que não sabem quais estes sejam.

Interesse do texto

O texto permite rever a teoria do contrato social que a teoria de Rawls reformula – os princípios de
organização da vida social são estabelecidos por acordo entre os indivíduos – iguais e livres – que vão integrar
a sociedade politicamente organizada. Permite ainda perceber como a teoria de Rawls retoma princípios da
ética kantiana, aplicados à vida política: os seres que escolhem são seres racionais, capazes de serem justos e
imparciais, colocando de lado interesses e vantagens pessoais – é na razão que vai radicar a justiça.

Estrutura do texto

O texto tem uma estrutura descritiva­‑argumentativa. Descreve­‑se o método a adotar para escolher os
princípios que vão reger a sociedade politicamente organizada e justifica­‑se a utilização desse método.

Proposta de exploração

Reorganização da informação através do preenchimento do quadro.

A escolha dos princípios de justiça sob um véu de ignorância


Função do Estado, segundo Rawls

Método que idealmente o Estado deveria seguir para exercer a


sua função e escolher os princípios de organização social

Pressupostos da situação hipotética indispensáveis para se


garantir uma escolha justa de princípios.
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Porquê escolher os princípios sob um véu de ignorância?

Conceção de ser humano de que Rawls parte

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A Filosofia e o texto Livro do professor

Quadro preenchido

A escolha dos princípios de justiça sob um véu de ignorância


Função do Estado, segundo Rawls Atribuir direitos e deveres e dividir os benefícios da vida em
sociedade.

Método que idealmente o Estado deveria seguir para exercer a Procedimento racional feito a partir de uma situação hipotética
sua função e escolher os princípios de organização social que permite que a situação das pessoas que escolhem seja de
igualdade.
Pressupostos da situação hipotética indispensáveis para se Ninguém conhece:
garantir uma escolha justa de princípios. 1. a sua efetiva situação e estatuto social;
2. a parte que lhe coube na distribuição de atributos e talentos
naturais;
3. as ideias que tem acerca do bem ou mesmo as suas
tendências psicológicas.
Porquê escolher os princípios sob um véu de ignorância? Quem escolhe tende a ser justo porque tem de ser imparcial,
tem de ignorar interesses ou vantagens pessoais, pois, por
hipótese, nem sequer os conhece e se escolher “mal” pode vir
a sofrer as consequências.
Conceção de ser humano de que Rawls parte Os indivíduos humanos são entidades morais – seres racionais
com finalidade própria – capazes de sentido de justiça numa
situação equitativa.

Oficina de escrita

Avalie criticamente a proposta de Rawls para a escolha dos princípios de uma sociedade justa.

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Livro do professor A Filosofia e o texto

II. 3.2.1 – A experiência e o juízo estéticos

Texto da página 189 do Manual


Título: Características da experiência estética
Autor e obra: George Hagman: Aesthetic experience

Conteúdo

No texto descreve­‑se a experiência estética; começa por se apontar a sua característica dominante e
identificam­‑se, em seguida, outras características.
A característica dominante da experiência estética reside no facto de se tratar de uma experiência sub‑
jetiva, embora dependente de qualidades do objeto que, por sua vez, são objetivas.
É uma experiência que se manifesta através de sentimentos como, por exemplo, alegria, tristeza, des‑
lumbramento e também através de uma tonalidade afetiva positiva que o indivíduo experiencia.
A sua intensidade é variável; assim, pode revestir extrema intensidade, como quando nos emocionamos
profundamente com um espetáculo teatral, por exemplo, ou pode revestir um nível mais ligeiro e comezinho
como quando fruímos um simples fenómeno do quotidiano.
Sendo subjetiva, envolve, todavia, dois níveis diferentes de subjetividade, um nível mais recuado e
implícito – fonte do nosso sentimento de que o mundo tem valor e beleza – que nos reconcilia com os pro‑
blemas que a vida coloca; e um nível mais visível, em que a experiência estética é mais explícita e direta –
através dela tomámos consciência de que estamos perante grandes verdades e vivemos mais intensamente a
realidade.

Interesse do texto

Basicamente este texto permite chamar a atenção para a importância da experiência estética enquanto
fonte de valor e de sentido; é ela que confere valor ao mundo e nos reconcilia com a vida.

Estrutura do texto – descritiva

O texto descreve o fenómeno da experiência estética apontando as suas características mais importantes.

Proposta de exploração

Reorganização da informação através do preenchimento do quadro.

características da Experiência estética


Característica dominante

Modo de manifestação

Grau de intensidade

Níveis de subjetividade envolvidos


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Funções da experiência estética

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A Filosofia e o texto Livro do professor

quadro preenchido

características da Experiência estética


Característica dominante É subjetiva, embora dependente de qualidades objetivas.

Modo de manifestação Manifesta­‑se através de sentimentos de alegria, tristeza,


admiração, deslumbramento, bem como de um estado geral
com uma tonalidade afetiva positiva.
Grau de intensidade Muito variável: uma representação teatral de alta qualidade
provoca uma experiência muito diferente da provocada por um
espetáculo natural do nosso quotidiano.
Níveis de subjetividade envolvidos Um nível recuado de subjetividade e um nível mais visível.

Funções da experiência estética O primeiro nível de subjetividade permite­‑nos sentir difusamente


que o mundo tem valor e beleza.
No segundo, somos confrontados diretamente com esse valor e
essa beleza, através de uma particular experiência estética.

Oficina de escrita

Descreva uma experiência estética que tenha vivenciado.

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