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Harvard Business School  9-799-143

segunda‐feira, 5 de abril de 1999 
 
 
O Sistema Previdenciário Francês: Prestes
a se aposentar? (Resumido)
Uma nação se define por sua noção de solidariedade: solidariedade entre gerações, 
entre  empregados  e  desempregados,  entre  saudáveis  e  adoecidos.  Qual  parte  da 
riqueza  uma  nação  está  disposta  a  contribuir  seu  esforço  para  solidariedade? 
Solidariedade  insuficiente  pode  levar  a  um  processo  de  exclusão  intensa  [dos 
pobres e idosos],  e pode ser  perigosa  para a economia.  Essa é a principal  ameaça 
que a economia americana sofre atualmente. Em contraste, solidariedade excessiva 
pode levar a uma sociedade fraca e a uma perda de dinamismo econômico. 
 
- Erik Israelewitz, Le Monde, 14 de novembro de 1995.
 
No dia 25 de agosto de 1995, Alain Madelin renunciou ao cargo de Ministro da Fazenda da 
França,  depois  de  apenas  três  meses  no  cargo.  Muitos  analistas  políticos  insistiram  que  o  Primeiro 
Ministro  Alain  Juppé  o  havia  demitido  em  decorrência  de  uma  disputa  sobre  a  política 
previdenciária.  Apenas  um dia antes,  Madelin enfureceu  líderes trabalhistas ao sugerir que  não  era 
ʺnormalʺ que trabalhadores do setor público recebessem aposentadoria integral após terem trabalho 
apenas  37,5  anos,  enquanto  que  trabalhadores  do  setor  privado  tinham  que  trabalhar  40  anos  para 
conseguir  o  mesmo  benefício.  Ao  comentar  sobre  a  renúncia,  Juppé  afirmou  que  a  declaração  de 
Madelin  ʺcontradisse  o  interesse  do  Governo  em  reformas  baseadas  em  políticas  de  justiça  fiscal  e 
social. Não é denunciando benefícios sociais que vamos conseguir mais solidariedade.ʺ1 
 
Apenas alguns meses depois, no entanto, o Primeiro Ministro Juppé voltou atrás e adotou a 
reforma pela qual havia condenado Madelin, em agosto. Ele agora era a favor de aumentar o número 
de anos que um trabalhador do setor público teria que trabalhar para conseguir uma aposentadoria 
integral. Esta mudança de política fez parte do pacote de reformas sociais radicais que o Governo de 
direita  de  Juppé  desenvolveu  no  final  de  outubro.  ʺA  França  precisa  mudar  se  não  quiser  se 
deteriorar,ʺ anunciou o Primeiro Ministro.2 
 
Apesar de uma lei de reforma previdenciária semelhante para trabalhadores do setor privado 
ter  encontrado  pouca  resistência  quando  decretada  em  1993,  a  proposta  de  Juppé,  em  1995,  em 
relação  à  aposentadoria  do  setor  público  desencadeou  uma  revolução.  Uma  onda  de  greves  tomou 
conta  da  França  no  começo  de  novembro.  Os  trabalhadores  do  setor  público  do  país  foram  bem 
organizados e representados por  sindicados. Muitos funcionários públicos  ‐ incluindo professores  e 
trabalhadores de ferrovias e metrôs ‐ se envolveram em uma greve geral, debilitando a infraestrutura 
do país e paralisando a nação por quase seis semanas. 
 
Embora  a  opinião  pública  variasse,  as  greves  tinham  suporte  de  40  a  60  por  cento  da 
população.  Sentindo‐se  encurralado,  o  Primeiro  Ministro  aliviou  aos  poucos  suas  propostas  de 
reforma até que, por volta de janeiro, ficou claro que os sindicatos haviam ganhado.3 Ainda assim, o 
problema subjacente 
 
Esta é uma versão resumida do Sistema Previdenciário Francês: Prestes a se aposentar?, caso número 798-032, escrito por Anne
Dias e Bertrand Stephann (MBAs 1997) e Professor David Moss. Isto foi elaborado como base para debates em sala de aula, em vez
de ilustrar uma forma de lidar efetiva ou não com uma situação administrativa.
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799-143  O Sistema Previdenciário Francês: Prestes a se aposentar? (Resumido)
continuava: O sistema social da França - e principalmente seu vasto sistema previdenciário governado
publicamente - estava se tornando cada vez mais difícil de ser financiado. Havia também uma preocupação
crescente de que o enorme programa público de aposentadoria não financiado da França estava distorcendo
e desencorajando o mercado de capitais do país.
 
Como na maioria dos países europeus, o sistema previdenciário francês era administrado
com base no princípio da repartição, o que significa que a população economicamente ativa atual
pagava os benefícios previdenciários da população aposentada atual. Em outras palavras, as
contribuições previdenciárias eram gastas imediatamente, em vez de guardadas para o futuro.
Ambos os trabalhadores estatais e do setor privado eram solicitados a participar. Estabelecido após a
Segunda Guerra Mundial II para fornecer uma renda mínima para cidadãos idosos, o sistema
previdenciário rapidamente se tornou a primeira fonte de renda para a maior parte dos aposentados
do país e foi amplamente visto na França como o alicerce da "solidariedade entre gerações".  Em 1995,
o aposentado típico recebia do sistema público mais de 80 por cento de seu lucro líquido anterior à
aposentadoria, o que custava à França um total de FF928 bilhões ($186 bilhões), ou 12 por cento do
PIB (ver Anexos 14, 12 e 8). 4
 
Infelizmente, muitos analistas previram que o sistema previdenciário da França não se
sustentaria no século 21 sem sofrer reformas significativas. Aumento da longevidade, aposentadoria
iminente da geração pós Segunda Guerra e a crescente pressão pública pela diminuição da idade de
aposentadoria estavam sobrecarregando o sistema existente. O problema só aumentava com a
redução do crescimento econômico, alta taxa de desemprego e as restrições sobre o déficit orçamental
impostas pelo acordo europeu de Maastricht. "O problema é tão grande", um economista sênior do
OCDE observou, "que terão que mudar completamente o sistema."5 ainda assim, o sistema público
existente continuou extremamente popular na França. Aqui estava, portanto, um grande desafio
enfrentado pelos líderes políticos do país às vésperas do século 21.
 
Uma Breve História da Previdência para Trabalhadores do Setor Privado na França
 
A previdência privada foi iniciada na França no começo do século 19 por empresas
industriais como uma ferramenta de gestão trabalhista. Frente à necessidade de recrutar, disciplinar e
manter empregados em mercados de trabalho cada vez mais voláteis, empregadores começaram a
incrementar os salários com benefícios adicionais. A função básica destes benefícios, que dependiam
de "bom comportamento", era encorajar lealdade à empresas e, assim, diminuir ausências e
rotatividade de pessoal. 6 Efetivamente, aposentadorias patrocinadas pelo empregador não possuíam
comprometimento legal, eram apenas compromissos voluntários assumidos pelo empregador para
fornecer alguma renda a seus trabalhadores de idade avançada. Esses planos de aposentadoria
envolviam benefícios mínimos, não eram financiados, e não pagavam nada a trabalhadores que
mudassem de emprego antes de se aposentar.
 
Tripartidarismo Na virada do século, sindicatos trabalhistas começaram a exigir que o Estado
formalizasse e dinamizasse os planos de aposentadoria. O primeiro plano de aposentadoria apoiado
pelo Estado para o setor privado foi estabelecido em 1894 para trabalhadores da indústria
mineradora. Este passo inaugurou um período marcado pelo tripartidarismo, a gestão conjunta de
planos de previdência social por empregadores, trabalhadores e o Estado. A Lei de Aposentadoria
para Trabalhadores e Camponeses de 1910 e a Lei de Previdência Social de 1930 institucionalizaram a
gestão tripartidária, que durou até o início da Segunda Guerra Mundial. Sob o esquema tripartidário,
trabalhadores faziam contribuições obrigatórias para o fundo de pensão, que eram ajustadas pelos
empregadores. Tais pensões eram planos de benefícios financiados e definidos. Isto é, trabalhadores
recebiam a promessa de um benefício específico ao se aposentar (seja uma certa quantia de francos
por mês ou uma porcentagem fixa de rendimentos anteriores), e os níveis de contribuição eram
determinados de acordo com diretrizes financeiras e atuariais para garantir que os benefícios
prometidos pudessem ser pagos a trabalhadores aposentados por toda a vida. Os planos, portanto,
envolviam amplos fundos de investimento, que eram administrados por associações regionais ou
profissionais sob a supervisão de representantes dos trabalhadores e empregadores. O Estado
também tinha influência sobre a gestão dos fundos, uma vez que indenizava qualquer déficit
financeiro decorrente de erros atuariais ou rendimentos inferiores ao esperado.7
 

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O Sistema Previdenciário Francês: Prestes a se aposentar? (Resumido)  799-143
Colapso e Renascimento O turbilhão econômico que deu origem à Segunda Guerra Mundial abalou o
sistema previdenciário emergente. Inflação e desvalorização da moeda acabaram com benefícios, que foram
determinados em termos nominais. Como resultado, a confiança pública em planos financiados (régimes
par capitalisation) simplesmente se desintegrou. "No imaginário coletivo dos Franceses," observou Patrice
Vial, antigo Chefe de Gabinete do Ministério da Fazenda, "aposentadorias totalmente financiadas passavam
a imagem de que tudo o que você consegue comprar com sua aposentadoria é uma barra de chocolate."8
 
Uma vez terminada a guerra, o Conselho Nacional de Resistência, que apresentava um grande
número de membros comunistas, assumiu a liderança na França. De orientação estatal, o novo governo
rapidamente decretou um regime abrangente de cobertura social, incluindo um sistema previdenciário
autofinanciado.9 Consagrou também seu amplo comprometimento com a previdência social na
Constituição.10
 
Princípio do Autofinanciamento O novo sistema previdenciário do pós-guerra, também conhecido como
regime geral (régime général), aplicou a todos os rendimentos abaixo um limite salarial específico. Assim
como o sistema pré-guerra, o novo sistema era obrigatório. Diferentemente do sistema pré-guerra, no
entanto, o novo era baseado no princípio do autofinanciamento. Esperava-se que contribuições anuais
pagassem os benefícios anuais, e, então, reservas financeiras não eram acumuladas para financiar
obrigações financeiras futuras. A lógica desta decisão se baseava primeiramente na situação econômica e
financeira da França nos anos do pós-guerra, bem como nos problemas financeiros anteriores à guerra. O
mercado de ações teve um desempenho fraco durante os cinquenta anos anteriores (vide Anexo 3); e entre
1945 e 1947, a inflação atingiu níveis nunca antes vistos (vide Anexo 2), dando origem a uma desconfiança
generalizada em relação a poupanças de longo-prazo e, principalmente, instrumentos de renda fixa.11 Com
a perspectiva da possibilidade bem real de uma inflação progressiva e a crescente incerteza sobre o
mercado de capitais do país, a escolha por um regime autofinanciado parecia óbvia na época.
 
Havia também uma justificativa ideológica importante para a abordagem desse princípio de
autofinanciamento. Como indica o termo francês (répartition, ou compartilhamento), havia uma conotação
redistributiva no novo regime. Nas palavras do antigo Primeiro Ministro Michel Rocard, "répartition é um
contrato social entre as diversas gerações."12 Diferentemente de um plano financiado, que transfere fluxo
de rendas com o tempo, um sistema de autofinanciamento garante a transferência de renda entre diferentes
gerações - isto é, de trabalhadores ativos para aposentados. E era exatamente isso que a Constituição
prometia.
 
Paritarisme, Nem Público, nem Privado Como se vê, nem todos os cidadãos franceses ficaram satisfeitos
com o regime geral. Os cadres (média e alta gerência) se opuseram ao conceito de adesão forçada e lutaram
para manter um status separado de trabalhadores remunerados no sistema previdenciário. Em 1947, após
longas negociações, o governo decretou que os cadres teriam que participar do regime geral, mas que
também poderiam se inscrever em aposentadorias separadas e suplementares, administradas pelo AGIRC
(Associação Geral das Instituições de Pensões para Executivos). A AGIRC era uma federação de fundos de
pensão que cobriam exclusivamente executivos do setor privado. Esses fundos suplementares deviam ser
administrados com base no princípio de autofinanciamento e gerenciados em conjunto por empregadores e
empregados, sem interferência do Estado. Benefícios e níveis de contribuição não eram estabelecidos por
lei, e sim determinados com base em negociações entre associações empresariais e sindicatos dos
empresários. Assim surgiu a noção de paritarisme, a co-gestão de regimes sociais suplementares por
empresas e trabalhadores.13
 
O modelo dos cadres foi logo adotado por empregados não administrativos. Em 1961, um novo
regime suplementar foi estabelecido para trabalhadores assalariados sob a influência da ARRCO
(Associação de Regimes Sociais Suplementares). Onze anos depois, o parlamento aprovou uma lei
tornando os regimes suplementares obrigatórios para praticamente todos os empregados do setor privado,
estabelecendo, assim, a estrutura previdenciária bipartidária que permanece instituída até hoje. O conceito
de paritarisme guiou o desenvolvimento e a administração de diversas formas de previdência social na
França, incluindo não apenas a aposentadoria, mas também seguro desemprego e planos de saúde.
Embora o paritarisme permitisse que representantes de trabalhadores e empresários gerenciassem
programas sociais sem a interferência do Estado, tais programas eram, no entanto, obrigatórios para
empregadores e empregados e eram oficializados pela lei.
 
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O Sistema Previdenciário Francês Atual
 
Por volta de 1990, o sistema previdenciário público da França era um dos mais generosos do
mundo. Os franceses gastavam em torno de 12 por cento do PIB em pensões públicas, atrás somente
de três outros países da OCDE. A média de todos os países da OCDE era de aproximadamente 8 por
cento. 14 Como já era esperado, a taxa líquida de substituição da França (definida como a média
do benefício previdenciário deduzido dividido pela média do salário deduzido) também era uma das
mais altas do mundo, estimada em 80 por cento em 1995. (Ver Anexo 14.)
 
Embora a ambição original de políticos franceses no período pós-guerra tenha sido criar um
sistema previdenciário abrangente para todos os cidadãos, eles acabaram criando uma matriz de regimes
complexa ilustrada na Imagem A abaixo. Edouard Philippe, juiz do Conselho de Estado, caracterizou
adequadamente o sistema previdenciário francês como "uma rede complexa de obrigações recíprocas entre
gerações e profissões.15 A grande maioria dos trabalhadores do setor privado foi solicitada a participar do
regime geral regido pelo governo assim como um ou mais regimes suplementares, que eram gerenciados
em conjunto por sindicatos e empregadores. A maioria dos trabalhadores independentes (incluindo
proprietários de pequenas empresas e seus empregados) assim como trabalhadores do setor público foram
solicitados a aderir a um entre vários "regimes especiais", todos gerenciados e assegurados pelo Estado.
 
Figura A
 
A Estrutura do Sistema Previdenciário Francês
 
  Trabalhadores Setor Privado Funcionários do "Independentes"
 
  Assalariados do "Cadres" Setor Público Proprietários de
  (Gerentes Pequenas
  Setor Privado Empregados de
Profissionais) Empresas e
  Empresas
Empregados
  Estatais
Fazendeiros
 
Terceira Camada Planos Planos Fundos de pensão Fundos de pensão
  patrocinados por patrocinados por pública e para trabalhadores
  empresas e empresas e suplementar e independentes e
  poupança privada poupança privada poupança privada poupança privada
 
 
Segunda Camada   AGIRC    
  ARRCO    
    Regimes Outros
 
ARRCO Especiais Regimes
 
Estatais Especiais
 
Primeira Camada Regime Regime
 
Geral Geral
 
 
 
Cobertura Básica Através do Regime Geral
 
O regime geral do governo constituía a primeira camada da cobertura previdenciária para a
maioria dos trabalhadores do setor privado. Em 1995, distribuiu benefícios previdenciários que
totalizavam FF303,7 bilhões, representando quase um terço das despesas com pensão pública naquele
ano. No entanto, uma vez que as contribuições ao regime geral geraram apenas FF252,4 bilhões em 1995,
o Estado foi obrigado a financiar a diferença (FF51,3 bilhões) por meio de uma combinação de despesas
gerais e transferências de outros regimes previdenciários.16
 
Contribuições ao regime geral eram obrigatórias e se baseavam em uma porcentagem fixa de salários
sob um teto de rendimento específico, que foi determinado como aproximadamente o dobro do salário mínimo
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legal. 17 (Ver Anexo 11.) Uma vez que ambas as contribuições e benefícios estavam sujeitas a um teto de
rendimento, a proporção de rendimento anterior à aposentadoria substituída pelo regime geral diminuiu
progressivamente com rendimentos mais altos. Enquanto que um trabalhador homem com um salário de
FF6.000 esperaria receber uma pensão do regime geral equivalente a 80% do salário final líquido, um
trabalhador homem com um rendimento de FF20.000 por mês esperaria receber apenas 20% de seu salário
líquido final.18 Todo trabalhador que participava do regime geral, no entanto, também participava de um ou
mais regimes suplementares, o que incrementava consideravelmente o nível dos benefícios (ver Anexo 12).
 
 
Os Regimes Suplementares: ARRCO e AGIRC
 
A participação no regime suplementar conhecido como ARRCO era obrigatória para todos os
membros do regime geral. Trabalhadores assalariados pagavam proporcionalmente mais do que cadres, pois
estes eram solicitados a participar do outro regime suplementar, o AGIRC. (Para obter mais detalhes sobre
taxas de contribuições obrigatórias às ARRCO e AGIRC, ver Anexo 11). Os dois regimes suplementares
juntos substituíam por volta de 30 a 50 por cento da renda líquida pré-aposentadoria para trabalhadores com
rendimento entre FF6.000 e FF20.000 por mês (ver Anexo 12).
 
Em todos os seus anos de atuação, nenhum dos dois maiores regimes suplementares obteve ajuda de
entidades terceiras. Em 1994, por exemplo, a ARRCO distribuiu benefícios que totalizavam FF117 bilhões em
contribuições de FF119 bilhões, enquanto que a AGIRC pagou FF59 bilhões em receitas de FF58 bilhões
(compensando a pequena diferença ao aproveitar excedentes passados).20 Diferentemente do regime geral,
que raramente modificava a fórmula de seus benefícios, os regimes suplementares alterava as fórmulas de
seus benefícios regularmente (às vezes, mais de duas vezes por ano), de acordo com os recursos disponíveis.
Como resultado, um analista descreveu o regime geral como um plano de benefício definido e os regimes
suplementares, como planos de contribuições definidas.21 Obviamente, ambos os regimes geral e
suplementar eram obrigatórios para trabalhadores e funcionavam com base no princípio de
autofinanciamento; mas ocorriam déficits com frequência no regime geral, enquanto que isso não ocorria nos
regimes suplementares. De acordo com Jean Gandois, chefe da mais poderosa associação empresarial da
França, era muito improvável que a ARRCO e a AGIRC pedissem ajuda no futuro, apesar de que
provavelmente tivessem capacidade para fazê-lo. Pedir ajuda para financiar os regimes suplementares,
explicou, era visto por ambos os líderes de empregados e trabalhadores como "extremamente perigoso."22
 
 
Os Regimes Especiais: Cobertura para Trabalhadores Independentes e do Setor-Público
 
Cerca de 35 por cento da força de trabalho participava de uma variedade de "regimes especiais." 
Setores cobertos por estes regimes especiais incluíam o serviço público, o exército, s autoridades locais, as
ferrovias, e os monopólios estatais de gás e eletricidade. A cobertura também estendia a outros grupos,
incluindo fazendeiros autônomos e proprietários de pequenas empresas. Havia até mesmo um regime
especial para dançarinos empregados do Paris Opera empregados pelo Estado.23
 
Administrado pelo governo com base no princípio do autofinanciamento, a maioria desses regimes
especiais registravam déficits por volta do início dos anos de 1990. Em 1995, por exemplo, a pensão especial
para trabalhadores ferroviários pagava benefícios de FF27 bilhões em contribuições de apenas FF9 bilhões.24
Tais déficits eram financiados por despesas estatais e transferências de outros regimes previdenciários
públicos. Desequilíbrios demográficos constituíam o cerne do problema. A razão de dependência média (isto
é, a razão de trabalhadores aposentados para ativos participando de um dado plano) havia alcançado um
nível muito mais alto nos regimes especiais do que em ambos os regimes geral e suplementar que serviam
trabalhadores do setor privado. Como um número fixo de trabalhadores do setor público foi solicitado a
apoiar um número crescente de aposentados do setor público, déficits eram simplesmente inevitáveis a
menos que os níveis de benefícios fossem restringidos.
 
 
Poupança Reforma Privada
 
Complementando os regimes de repartição obrigatórios estava a então chamada "terceira camada"
da cobertura social que envolvia várias formas de poupança privada (voluntárias), como
 

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planos de pensão patrocinados por empresas e outros produtos de poupança pessoal. Embora a maioria das
empresas de grande porte administrasse planos de pensão para alguns ou todos os empregados, os benefícios
envolvidos tendiam a ser limitados. Até 1994, planos de benefícios definidos patrocinados por empresas não
eram requisitados por a lei a serem financiados, o que significava que ativos acumulados eram insuficientes
para cobrir os benefícios prometidos.25 (Ver Anexo 13).
 
Além de planos patrocinados por empresas, os trabalhadores franceses também tinham acesso a uma
ampla gama de produtos de poupança polivalente que podiam ser usados para se preparar para a
aposentadoria. De todas as muitas opções, economizar através de seguro de vida provou-se o mais atraente na
França. O rendimento de seguros de vida haviam sido favoráveis comparados com os do mercado de ações e
carregavam, naturalmente, muito menos riscos. Na maioria dos casos, um nível mínimo de rendimento era
garantido pela seguradora. Produtos de poupanças de seguro de vida envolviam vantagens fiscais
significantes, incluindo dedutibilidade completa de ganhos de capitais e juros sobre ativos mantidos por pelo
menos oito anos. De modo geral, os franceses haviam investido mais de FF3 trilhões em seguro de vida por
volta de 1997, e uma pesquisa de opinião conduzida pela Federação Francesa de Seguradoras mostrou que um
quarto dos detentores de seguros de vida investiram no produto por questões de aposentadoria.
 
 
Desempenho do sistema previdenciário francês
 
Embora o sistema previdenciário francês tenha sido sujeito a críticas crescentes em meados dos anos
1990, os que apoiavam o sistema se mantiveram firmes. Com o passar dos anos, o sistema previdenciário
público havia praticamente erradicado a pobreza entre a população idosa e melhorado substancialmente os
padrões de vida da população aposentada, com taxas de reposição de pensões públicas entre as mais altas do
mundo (ver Anexo 14). De fato, um estudo da Agência de Planejamento Nacional em 1995 revelou que os
padrões de vida da população aposentada e economicamente ativa eram praticamente iguais.26
 
A partir de um ponto de vista financeiro, o sistema previdenciário público gerou rendimentos
substanciais para os participantes, principalmente durante sua fase de crescimento quando a taxa de
pensionistas para contribuintes era pequena.27 Infelizmente, a futura transformação demográfica diminuiria
significativamente estes rendimentos. A grande questão era se uma nova abordagem - que se baseasse no
desempenho do mercado de capitais da França, em vez de nos poderes tributários do Estado francês -
ofereceria um rendimento maior nos anos subsequentes.
 
 
Os mercados de capitais franceses
 
Sob muitos aspectos, os mercados de capitais franceses permaneceram subdesenvolvidos em relação a
mercados de capitais de outros países industrializados. Talvez ainda importante, a capitalização total do
mercado de ações da França cresceu para apenas 36 por cento do PIB em 1996, comparado com 147 por cento
na Inglaterra e 102 por cento nos Estados Unidos (ver Anexo 4). Embora a fraqueza dos mercados de capitais
da França tenha sido um dos motivos pelo qual a abordagem do princípio do autofinanciamento tenha sido
adotada, em primeiro lugar, críticos argumentam que o sistema previdenciário autofinanciado do país foi, por
si só, um obstáculo enorme para o desenvolvimento do mercado de capitais da França.28
 
'Capitalismo sem Capital"
 
Pontos fracos nos mercados de capitais franceses estavam profundamente enraizados na história do
país. Entre 1900 e 1996, rendas reais totais em um índice de mercado de ações amplo na França aumentaram
em uma taxa composta de apenas 3,7 por cento por ano (ou fold change de 31), comparado com um aumento
de 6,3 por cento por ano (ou fold change de 365) nos Estados Unidos (ver Anexo 3). Embora as rendas sobre
patrimônio tenham aumentado visivelmente na França depois de 1975, correspondendo a rendas nos Estados
Unidos, o mercado de ações francês permaneceu duas vezes mais volátil anualmente do que seu equivalente
nos Estados Unidos. Este desempenho pobre pode ajudar a explicar o que um analista apelidou de "O estigma
cultural francês contra patrimônios."29 Ou, ao contrário, o "estima contra patrimônios" pode ajudar a explicar
o baixo desempenho
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do mercado. De qualquer maneira, o que está extremamente claro é que a França tem demonstrado aversão à
ações - uma característica compartilhada por muitos países vizinhos. "Como diria qualquer gestor de fundos, "
brincou o The Economist, "investidores europeus não são dos mais corajosos. Apesar das tentativas de atraí-los
para o mundo revigorante dos patrimônios, eles se agarram à suposta segurança de vínculos e dinheiro, os
investimentos monótonos que conhecem bem."30
 
A ampla influência do Estado na economia nacional tem sido altamente associada ao desempenho
pobre e a superficialidade dos mercados de capitais franceses. Entre 1905 e 1938, o governo emitiu mais de 60
por cento de todos os títulos franceses, baseando-se principalmente no déficit orçamental para financiar a
Primeira Guerra Mundial, assim como despesas de capital necessárias para a industrialização estatal. 31 Após
a Segunda Guerra Mundial, a reconstrução foi, mais uma vez, marcada pelo papel central do Estado. Sob o
ímpeto de Jean Monnet, o governo criou uma série de planos quinquenais com o objetivo de reindustrializar a
França. Dada da fraqueza dos mercados financeiros e a escassez da poupança privada, a industrialização foi
financiada basicamente pelo setor público. O Estado, portanto, exerceu grande influência em praticamente
toda indústria que requisitava grandes gastos com capital. Como explicou Christian Stoffaës, "foi um
capitalismo sem capital." 32
 
Quando François Mitterrand foi eleito presidente da República Francesa em 1981, seus assessores
socialistas acreditavam que uma futura nacionalização ajudaria a tirar a França de uma recessão permanente.
Ao todo, 39 bancos, 2 conglomerados e 5 grupos industriais foram nacionalizados a partir de 1982; e o Estado
ganhou controle de 90% dos depósitos bancários e 18,6% da mão-de-obra industrial (versus 6,1%, antes de
1981).33 O papel do Estado recuou um pouco a partir de 1986, quando o Conservadores lançaram um novo
programa de privatização. Não surpreende que a capitalização dos mercados de capitais da França tenha
crescido bruscamente a partir de 1986, de meros $38,3 bilhões em 1981 para $347 bilhões em 1991 e $565
bilhões em 1996.34 Ainda assim, muitos conversadores, incluindo o Senador Philippe Marini, preocupado que
a França continuasse a sofrer com uma "deficiência na qualidade e quantidade das poupanças".35 A taxa de
poupança familiar francesa estivera caindo há vários anos (ver Anexo 6), e tais poupanças que estavam
acumuladas continuaram a ser investidas basicamente no mercado imobiliário e em seguros de vida. 36
Seguradoras, por sua vez, investiram a maior parte de seus fundos em títulos do governo.
 
 
Financiamento Corporativo e Propriedade na França
 
A superficialidade dos mercados de ações teve implicações significantes para o setor financeiro e para
a essência da propriedade na economia francesa. Talvez ainda mais importante, bancos exerceram um papel
central no financiamento de investimentos no setor privado; e a propriedade de firmas era gerenciada
principalmente por meio de redes elaboradas de participação recíproca, em vez de um estilo de mercado
americano de controle corporativo.
 
Predominância do Financiamento Bancário Na história, as firmas francesas haviam se financiado
predominantemente por dívidas bancárias. Em 33 por cento, a proporção do patrimônio dos acionistas em
relação ao total de passivos de empresas francesa era baixo em comparação com a Alemanha (39%) e os
Estados Unidos (55%)37
 
Participação recíproca “A confiança limitada no capital social, na França, deu origem a algumas organizações
institucionais diferenciadas - capital substituto", nas palavras de Jean Peyrelevade, chefe executivo da Crédit
Lyonnais. "Na falta de verdadeiros acionistas, tivemos que confiar em subterfúgios duvidosos," explicou.38 O
"subterfúgio" mais proeminente envolvia participações recíprocas entre empresas e bancos, o que permitiu que
as principais empresas francesas se organizassem em redes que regulavam coletivamente fontes de
financiamento e forneciam proteção contra possíveis golpes.39
 
Muitas das redes de participação recíproca dos países começaram a se revelar em 1990, no entanto, em
resposta à privatização e reestruturação dos principais grupos financeiros que haviam sido, tradicionalmente,
grandes utilizadores da participação recíproca, incluindo UAP, AGF, Suez e Crédit Lyonnais.40 Com a saída
de diversos dos maiores e mais estáveis acionistas das redes, as empresas francesas se tornaram cada vez mais
vulneráveis a tentativas de golpe, e a preocupação com a contabilidade aumentou. Efetivamente, os fundos de
pensão privada do país eram escassos demais para preencher o vazio. Como afirmou um
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observador inglês, "A falta de poupanças privadas na França ajuda a explicar a cultura organizacional
estagnada do país. Sem investidores institucionais independentes e de peso, não surpreende que as
empresas nem serem conseguem ficar de pé."41
 
Poucas iniciativas bem-sucedidas De acordo com muitos analistas, outra implicação negativa dos
mercados de ações superficiais na França foi uma escassez relativa de atividade empreendedora.
Iniciativas empresariais pareciam menos atraentes do que nos Estados Unidos, pois os investidores não
conseguiam sair (e "guardar dinheiro") através de ofertas públicas iniciais. "Na falta de capital e fundos
de pensão," observou um repórter do Le Monde, "o capitalismo francês falhou em financiar a alta
tecnologia...."42 Para abordar o problema, diversas bolsas de ações européias contribuíram, em 1996,
para formar EASDAQ, um equivalente pan-europeu da NASDAQ (Associação Nacional de Corretores
de Títulos de Cotações Automáticas) focada no lançamento de pequenas iniciativas. Críticos sugeriram,
no entanto, que este era um passo precipitado. "Se não existem investidores institucionais internos, a
EASDAQ não chegará a lugar nenhum." observou um investidor. "Ainda levarei minhas empresas para
a NASDAQ."43
 
Pressão sobre o sistema previdenciário público
 
Por volta de 1990, um número crescente de acadêmicos conservadores acreditava que a
introdução e um sistema previdenciário privado totalmente financiado movimentaria a economia
nacional ao aprofundar os mercados de capitais. Nas palavras de um economista francês, "O mercado
de capitais é a solução."44 Outros não tinham tanta certeza, no entanto. "O objetivo social da
aposentadoria [reforma] é pagar pensões," explico o Senador Philippe Marini. "A reforma também pode
ter o efeito de reforçar os mercados de capitais. Mas os objetivos de ambos não devem ser confundidos.
Tal confusão criaria um monstro."45 Independentemente da visão que se tinha sobre a privatização,
todos concordavam que uma série de fatores demográficos e econômicos ameaçavam a integridade
financeira do sistema previdenciário existente. Sem uma reforma construtiva, a abordagem do princípio
de autofinanciamento da França poderia facilmente entrar em colapso no novo milênio.
 
Uma bomba-relógio demográfica?
 
O pivô de qualquer sistema previdenciário autofinanciado é a chamada razão de dependência -
isto é, a razão entre trabalhadores aposentados e economicamente ativos. Embora a razão de
dependência na França fosse de 46 por cento em 1990, esperava-se que essa proporção atingisse 53 por
cento por volta de 2010 e 84 por cento por volta de 2040." Uma crescente razão de dependência
implicava que trabalhadores economicamente ativos teriam que contribuir com uma porção maior de
seus salários para financiar trabalhadores aposentados, ou que tais benefícios previdenciários teriam
que ser cortados, ou ambos os casos. Atuários estimavam que porções do pagamento como
contribuições teria que crescer de
18,9 por cento, em 1990, para 27 por cento em 2010, para que os níveis de benefícios per capita pudessem
ser mantidos. Por volta de 2020, as contribuições necessárias seriam de 36 por cento do pagamento, e em
2030, 44 por cento.46 Em contraste, se a taxa de pagamento de pensão fosse fixada no nível existente, os
benefícios per capita teriam que ser reduzidos drasticamente para manter o sistema equilibrado.47 Essas
previsões perturbadoras para a política foram resultado de, principalmente, três fatores demográficos:
aumento da longevidade, redução da fertilidade, a aposentadoria iminente da geração do "baby boom".
 
Assim como em muitos outros países industrializados, a expectativa de vida estava crescendo
muito na França. Entre 1960 e 1992, a expectativa de vida cresceu de 67 para 73 anos para homens e de
74 para 81 anos para as mulheres. Ao longo do mesmo período, a expectativa de vida aos 60 anos
também cresceu, de 16 para 19 anos para os homens e de 20 para 24 anos para as mulheres.48 Estimou-
se que a expectativa de vida ao nascer continuaria a crescer três meses a cada ano, no futuro.
 
* A razão de dependência mencionada equivale ao número de aposentados de 60 anos ou mais dividido pelo número de
trabalhadores economicamente ativos, excluindo os desempregados, entre 20 e 59 anos. Ver Raoul Briet, ed., Perspectives à  
Long Terme des Retraites (Paris: La Documentation Française, 1995). Sobre a evolução da razão de dependência segundo
diferentes definições, ver Anexos 10 e 14.

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Enquanto isso, as taxas de fertilidade na França haviam caído desde os anos de 1960. Quando
o sistema previdenciário foi estabelecido, no final dos anos de 1940, a taxa de fecundidade era de 2,1
filhos por mulher em idade fértil. Em 1995, a taxa de fecundidade havia caído para 1,65, o nível mais
baixo desde a Segunda Guerra Mundial.
 
Combinando-se aos problemas da crescente longevidade e da taxa de fecundidade reduzida
estava o inchaço demográfico conhecido como a geração do baby boom. A geração do baby boom da
França começaria a se aposentar em 2005. Naquele momento, o impacto que exerceriam na economia
seria grandioso: ao se aposentar, estariam ao mesmo tempo reduzindo o denominador (trabalhadores
economicamente ativos) e aumentando o numerador (trabalhadores aposentados).
 
Como resultado de todas essas forças, a população francesa acima de 60 anos havia
aumentado de 9,6 milhões em 1975, para 11,5 milhões em 1992, e esperava-se que chegasse a 15
milhões em 2020. Enquanto isso, esperava-se que a população em idade ativa, que já havia passado
por um declínio na taxa de crescimento, começasse a declinar definitivamente em 2005.49
 
 
Crescimento econômico desacelerado e Crescente desemprego
 
Além da pressão demográfica emergente, fundamentos macroeconômicos se deteriorando
também estavam pressionando o sistema previdenciário francês. Durante os Trinta Gloriosos, os
trinta anos "gloriosos" seguintes à Segunda Guerra Mundial, a França passou por uma taxa de
crescimento anual composta do PIB real de 6,9 por cento. Entre 1975 e 1995, no entanto, a taxa de
crescimento caiu para apenas 2,5 por cento. Um crescimento mais devagar do PIB implicava em um
crescimento mais devagar do salário de base pelos quais os benefícios previdenciários eram
financiados.
 
O crescente desemprego era um problema relacionado, que alcançou quase 13 por cento da
força de trabalho em 1996. Uma vez que trabalhadores desempregados não contribuíam para o
sistema previdenciário, uma taxa de desemprego alta comprometia significativamente a renda das
pensões. Taxas de desemprego altas também geravam uma pressão política considerável para que os
funcionários do governo utilizassem o sistema previdenciário como uma arma contra a falta de
emprego. Uma das opções era o governo encorajar firmas interessadas em reduzir seus negócios a
empurrar uma "pré-aposentadoria" para os trabalhadores mais velhos, em vez de despedir
funcionários em grande escala. Obviamente, em ambos os casos, o Estado teria que pagar (na forma
de benefícios previdenciários ou em auxílio-desemprego), mas esperava-se que o uso liberal da opção
pré-aposentadoria pudesse ajudar a reduzir a taxa oficial de desemprego. Um desenvolvimento
relacionado estava aumentando a crise política - principalmente de trabalhadores do trânsito - por
uma redução da aposentadoria oficial de 60 para 55 anos. Um crítico brincou: "Nos últimos dias, uma
solução popular para a crise econômica é que todos parem de trabalhar."50
 
Efetivamente, a participação da força de trabalho para trabalhadores de 55 a 64 anos começou
a cair bruscamente na França depois de 1980 e alcançou, desde então, um dos níveis mais baixos da
OCDE. Dentre os trabalhadores que haviam chegado aos 60 anos - a idade na qual um trabalhador
regular poderia começar a receber aposentadoria completa na França - apenas 44 por cento dos
homens e 33 por cento das mulheres ainda trabalhavam em tempo integral.51
 
 
Maastricht
 
Uma última pressão sobre o sistema previdenciário francês foi o acordo europeu de
Maastricht, que tinha o objetivo de abrir caminho para a União Econômica e Monetária Européia
(UEM) em 1999. Sob o acordo, uma série de critérios macroeconômicos foi estabelecida como
condições para se juntar à UEM. Dentre outros fatores, os membros da União Européia que tivessem
interesse em participar tinham que diminuir déficits orçamentais para um máximo de 3 por cento do
PIB e limitar a divida pública para um total e 60 por cento do PIB. A perspectiva de crescentes déficits
financeiros das pensões parecia particularmente problemática em fase de tais restrições.
 
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Primeiras tentativas de reforma
 
Pouco se discutia sobre uma reforma previdenciária na França durante os anos de 1980. O
desempenho macroeconômico fraco no começo dos anos de 1990, no entanto, levantou questões sobre a
capacidade permanente do sistema previdenciário de financiar os altos níveis de benefícios que haviam se
tornado comuns. Por volta da mesma época, muitas pessoas nascidas entre 1946 e 1964 começaram a refletir
sobre sua própria aposentadoria e se o sistema seria tão generoso com eles quanto haviam sido com seus pais.
Alguns também se preocupavam com o ônus financeiro que poderia ser imposto sobre seus filhos. Foi contra
esse cenário que a reforma previdenciária se tornou uma questão importante no palco político nacional.
 
 
O "Livro Branco" de Rocard (1991)
 
O Primeiro Ministro socialista Michel Rocard introduziu oficialmente o debate sobre a política
previdenciária da França em 1991 ao lançar o chamado "Livro Branco sobre Aposentadoria." Pela primeira vez,
uma publicação oficial do governo reconheceu que "não fazer nada poderia resultar em uma diminuição
drástica do pagamento de benefícios após 2010."  De acordo com o Livro Branco de Rocard, o objetivo geral da
reforma era "manter o [sistema] existente para o beneficio de gerações futuras e... modernizar o pacto de
solidariedade que ligava gerações."52
 
Rocard estabeleceu três princípios centrais para a reforma: em primeiro lugar, respeitar a equidade
entre gerações; em segundo lugar, respeitar a justiça entre gerações; e, finalmente, garantir a preservação do
sistema previdenciário existente através da manutenção de seu equilíbrio financeiro. O Livro Branco
convocava um reequilíbrio" significativo do sistema de repartição, envolvendo reduções de benefícios mas
nenhuma mudança nas taxas de contribuição existentes. A escassez da renda de aposentadoria, uma
consequência inevitável, poderia ser compensado, de acordo com a reportagem, por meio da "poupança
coletiva dos franceses" - isto é, por meio da poupança privada acima e além das contribuições previdenciárias
públicas. Efetivamente, a ideia de que poupanças de aposentadoria individuais totalmente financiadas
deveriam, em algum momento, substituir financiamentos coletivos autofinanciado foi completamente
rejeitada.
 
 
A Reforma de Veil (1993)
 
Muitas das mudanças sugeridas no Livro Branco foram consagradas dois anos depois, como parte da
Reforma de Veil de 1993. Ainda mais importante, a legislação da reforma de 1993 limitava de muitas formas os
benefícios previdenciários futuros sob o regime geral. Decretou um aumento gradual dos anos de trabalho
necessários para que o trabalhar fosse qualificado para uma aposentadoria completa para um quarto por ano,
o que aumentaria a exigência de 37 para 40 anos ao longo de uma década. Reduzia, também, os custos através
de diversas mudanças altamente técnicas na fórmula dos benefícios.53 Em conjunto, essas mudanças
representavam uma grande virada na política, uma vez que quase todos os ajustes anteriores haviam sido
realizados através de aumentos das taxas de pagamento, e vez de corte de benefícios. De igual importância, a
Reforma de Veil, apesar de impopular em muitos círculos, foi aceita pelos empregados do setor privado sem
resistência significante.
 
Infelizmente, as estimativas do governo sugeriam que a reforma não seria suficiente para equilibrar o
sistema depois de 2005. Além disso, as reformas eram tão complexas tecnicamente que os futuros pensionistas
não conseguiriam estimar o quanto deveriam economizar para compensar a diferença. Um assessor disse para
o Ministro dos Assuntos Sociais, "Nós realmente devemos avisá-los para que possam se ajustar."54
 
 
Reforma sob o Paritarismo
 
Embora a lei de Veil de 1993 tenha sido relatada na mídia popular como fornecedora de uma reforma
previdenciária ampla, ela se aplicava apenas ao regime geral. Tanto os regimes especiais para trabalhadores do
setor público quanto os regimes suplementares da ARRCO e AGIRC não foram afetados. Muitos dos regimes
especiais pareciam quase imunes à reforma, dado o enorme poder político dos empregados do setor público.
Em contraste, os representantes de empresas e trabalhadores que gerenciavam os regimes
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suplementares haviam há muito reconhecido a necessidade de manter contribuições e benefícios em
equilíbrio. Em 1983, por exemplo, quando o governo de Mitterrand decretou uma redução da idade
normal de aposentadoria do regime geral de 65 para 60, os gerentes da ARRCO e AGIRC se recusaram a
seguir pelo mesmo caminho. Fazê-lo significaria desequilibrar seus fundos Apenas quando funcionários
do Estado autorizaram um acordo de financiamento especial (não baseado nas contribuições da ARRCO e
da AGIRC), os regimes suplementares finalmente concordaram em se alinhar com o regime geral através
da redução da idade de aposentadoria para 60 anos.55
 
Desde o final dos anos de 1970, além disso, a pressão para manter o orçamento forçara os gerentes
dos regimes suplementares a reduzir os rendimentos gradualmente. Isso foi feito através do aumento das
taxas de contribuição e do ajuste do valor dos chamados pontos para aposentadoria que ocupava o centro
do sistema suplementar. As contribuições obrigatórias dos trabalhadores para os regimes suplementares
lhe concederam pontos para aposentaria que seriam usados mais tarde para calcular seus benefícios
previdenciários. Devido ao aumento da pressão financeira sobre os regimes suplementares,
representantes de empresas e trabalhadores negociaram acordos permanentes que alteravam não apenas
a taxa de contribuição (isto é, o pagamento), mas também os custos e valores dos pontos para
aposentadoria. Trabalhadores economicamente ativos descobriram que o preço de aquisição dos pontos
estava aumentando mais rápido do que seus rendimentos, enquanto que trabalhadores aposentados
descobriram que o valor dos pontos que haviam acumulado ao longo dos anos não estava mais
aumentando tão rápido quanto antes.56
 
Em 1996, ARRCO e AGIRC aumentaram efetivamente o preço de aquisição dos pontos para
aposentadoria sem aumentar a taxa de contribuição geral. Isso representou um passo em direção à
diminuição de benefícios futuros. Descrevendo a reforma como "revolucionária", o especialista em
aposentadoria Tim Reay comentou, "Finalmente, os problemas de longo prazo estavam sendo
abordados.... [O]s empregados mais jovens estavam sendo avisados que, embora as mesmas contribuições
seriam pagas para seus acordos de aposentadoria, eles teriam que ultrapassá-las com provisões [privadas
adicionais] para ter a garantia de uma renda de aposentadoria razoável."57
 
 
Incentivos para fundos de pensão privada (1997)
 
Conforme ficava claro dos anos de 1990 que taxas de reposição sob o sistema previdenciário
público existente provavelmente teria que ser descartada no futuro, um número crescente de políticos
começou a pensar seriamente em encorajar um maior uso de fundos de pensão privada na França. A
perspectiva de tal reforma de fato se tornar uma lei foi fortalecida consideravelmente quando
conservadores tomaram o controle da Assembléia Nacional em 1993, e novamente dois anos depois
quando Jacques Chirac divulgou a importância dos fundos de pensão privada em sua candidatura à
presidência bem-sucedida. Após debate considerável, o Parlamento francês finalmente aprovou uma lei
que estabelecia novos "Fonds d' Epargne Retraite" (fundos de pensão privada) em janeiro de 1997.
 
Projetada pelo Deputado Jean-Pierre Thomas e o Senador Philippe Marini, a nova lei alargaria a
chamada "terceira camada" do sistema previdenciário francês para aqueles que desejassem acumular uma
poupança de aposentadoria privada. Empregadores e empregados que contribuíssem com os novos
planos privados aproveitariam vantagens fiscais modestas. Os planos seriam totalmente financiados, só
poderiam ser gerenciados por seguradoras ou bancos, e estavam sujeitos a uma série de restrições de
ativos, tais como um limite máximo de 65 por cento de investimento em capital próprio ou títulos.
 
Um grande número de seguradoras e bancos com filiais de seguro anunciaram a criação de
novos fundos de pensão quase imediatamente após a aprovação da lei. Muitos no mundo dos negócios
tinham esperança de que esses novos fundos ajudariam no desenvolvimento da "cultura patrimonial",
aparentemente em falta na França.58 Oponentes argumentaram, no entanto, que a lei não passava de um
passe livre para seguradoras poderosas, e até mesmo alguns dos que apoiavam o conceito da
aposentadoria privada refletiram por que tantos agentes financeiros - incluindo empresas de fundo
mútuo - foram desencorajados pela lei a gerenciar os novos fundos de pensão. O principal patrocinador
da lei no Parlamento sugeriu que a exclusão dos fundos mútuos era "solução para o risco de colonização
pelos norte-americanos."59 necessária.
 

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No final, quase ninguém acreditava que os novos fundos estabelecidos pela lei de 1997 conseguiria
grandes feitos. "Dada toda a confusão em cima da aposentadoria [privada]," brincou um analista, "em breve
haverá mais gerentes de fundo do que proprietários de contas."60 Ainda assim, devotos do conceito de
aposentadoria privada ficaram satisfeitos com o fato de que "a ideia da capitalização havia entrado na
consciência política do país."61 Um assessor legislativo disse, "Essa lei é apenas uma semente, ela ainda
pode crescer bastante no futuro. A França está, de fato, passando por um momento histórico.62
 
Grupos Interessados e Opções
 
Com cada vez mais pessoas tomando conhecimento de que o sistema previdenciário francês é
insustentável, a pergunta crítica a partir do ponto de vista de um parte interessada individual era sobre
quem ganharia e quem perderia em decorrência de possíveis reformas no futuro. Segundo Patrice Vial, "A
questão central é quem arcará com os custos do sistema não-financiado. Muitas pessoas não entendem essa
questão. Mas muito entendem. Naturalmente, cada grupo quer se proteger destes custos. Todos os [grupos]
querem ter certeza de que [seus membros] não terão que pagar."63
 
Os Sindicatos
 
A visão prevalecente entre os sindicatos trabalhistas da França era a de que o sistema público
autofinanciado deveria ser preservado. Afinal, ele tem obtido sucesso na redução da pobreza entre os
idosos. Os sindicatos também acreditavam profundamente no conceito de paritarisme, o que os
proporcionou um controle considerável sobre os regimes suplementares, ARRCO e AGIRC. O sistema
previdenciário público - e principalmente os regimes suplementares, que empregou 30.000 pessoas em 1995
- serviu como uma grande fonte de emprego para membros dos sindicatos.
 
Líderes dos sindicatos insistiam que as crescentes pressões demográficas deveriam ser abordadas
por meio do aumento de contribuições de pagamento. Durante negociações com empregadores com a
ARRCO, em 1993, e com a AGIRC, em 1994, representantes dos trabalhadores obtiveram aumentos de taxas
sobre o pagamento significativas a serem implementadas por volta dos anos 2000. Em relação aos fundos
de pensão privada, os sindicatos defendiam opiniões opostas. Os sindicatos mais de esquerda, CGT e FO,
se opuseram veementemente ao desenvolvimento de fundos privados, enquanto que os sindicatos mais
centristas CFTC e CFDT reconheciam que talvez fosse necessário um novo mecanismo para compensar
reduções antecipadas dos benefícios públicos no futuro. Como afirmou Roger-Pol Cottereau, Secretário-
Geral da CFTC encarregado das pensões, "[Estamos] cientes da necessidade de um terceiro pilar de
aposentadoria, que deve suplementar as outras duas sem alterá-las."64 No entanto, até mesmo Cottereau
se preocupava com os riscos de investir em poupança de aposentadoria individual em um mercado de
captais privado extremamente volátil. "Será que as poupanças de trabalhadores para a idade avançada
serão levadas para onde os banqueiros não se aventurem? perguntou.65
 
 
Federação Patronal
 
A Federação Patronal Nacional (Confédération Nationale du Patronat Français, ou CNPF) aprovou
uma política de declínio progressivo dos benefícios previdenciários per capita, e ao mesmo tempo,
congelamento das taxas de impostos sobre o pagamento no nível em que já estão. Líderes da CNPF
acreditavam que contribuições previdenciárias obrigatórias - principalmente aquelas impostas sobre
empregadores - simplesmente não poderiam mais ser aumentadas. De acordo com o presidente da
federação, Jean Gandois, "Estamos pagando 20 por cento do salário de cada um para a aposentadoria de
outros. Em outras palavras, estamos trabalhando todas as segundas-feiras pelos aposentados. Então, se
lembramos que também estamos trabalho três quartos de terça-feira pelos adoecidos, e metade da quarta
pelos desempregados, é razoável pagar mais?"66 (sobre o ônus agregado das despesas com previdência
social e ônus fiscal geral na França, ver Anexos 7 e 8.)
 
Os líderes da CNPF apoiavam o desenvolvimento de fundos de pensão privada como
complemento para o sistema previdenciário público. Semelhante aos sindicatos, no entanto, a CNPF
exerceu um papel central no gerenciamento da ARRCO e da AGIRC, e, assim, seus líderes resistiram
vigorosamente à ideia de privatizar o sistema existente de forma geral.
 
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A Oposição Socialista
 
Embora estivesse fora do poder no começo de 1997, o Partido Socialista exerceu um papel muito
importante no sistema político da França, e seus líderes estavam cada vez mais perto de controlar o governo.
Enquanto o Partido Socialista compreendia uma gama de visões sobre os problemas previdenciários, muitos
dos Socialistas mais proeminentes argumentavam que o problema das pensões e o desemprego eram
inseparáveis. François Hollande, porta-voz do partido, defendeu uma carga de trabalho semanal menor como
meio de reduzir o desemprego e, assim, reforçando as contribuições previdenciárias públicas.67
 
Em relação aos fundos de pensão privada, o Partido Socialista rejeitou oficialmente o conceito,
insistindo que uma mudança nos métodos financeiros não causaria nenhum efeito sobre o principal problema
demográfico - a saber, razões de dependência crescentes. Acreditavam também que fundos de pensão privada
eram individualistas demais e que abalariam o princípio da solidariedade dentro de e entre gerações. Assim
como os sindicatos, além disso, muitos Socialistas temiam que os fundos de pensão privada acabariam
competindo com o sistema autofinanciado e corroendo sua base de recursos.
 
Apesar de sua resistência aos fundos de pensão privada, os Socialistas aprovaram a noção de "fundos
de pensão coletiva" - isto é, um sistema previdenciário público financiado para ser gerenciado junto aos planos
autofinanciados. Sua criação seria coerente com o comprometimento Socialista com a solidariedade, uma vez
que os fundos de pensão coletiva se aplicariam obrigatoriamente a todos os empregados.
 
 
Defensores da Privatização
 
Reformistas de extrema-direita eram a favor de interromper completamente o sistema autofinanciado
e adotar, no lugar, um tipo de sistema chileno de poupança de aposentadoria obrigatória através de contas de
investimento individuais. Todos os cidadãos seriam solicitados a economizar pelo menos uma certa fração de
seus rendimentos e poderiam escolher entre uma ampla gama de veículos de investimento privado, tais como
fundos de ações, fundos de obrigações, e assim por diante. Defensores desta abordagem argumentavam que o
impacto positivo na economia real seria imenso. Não apenas a renda de regimes privados seria superior a de
sistemas públicos, afirmava, como também a criação de um sistema privado guiaria novas poupanças para os
mercados de ações, e assim, estimulando novos investimentos, e por sua vez, um crescimento do PIB.68
 
Até mesmo alguns dos que apoiavam a abordagem privada, no entanto, resistiram à ideia de
abandonar completamente o sistema público. Outros refletiram se novas poupanças privadas se
concretizariam em face do nível de taxas de impostos sobre pagamento já existentes. Alguns analistas também
questionaram se poupanças investidas privativamente realmente trariam melhores rendas do que no sistema
público autofinanciado. Um funcionário do Ministério do Trabalho disse, "Algumas pessoas se sentem
seguras com um sistema capitalizado [completamente financiado] - pois elas possuem ações. Mas, obviamente,
isso não faz sentido de um ponto de vista macroeconômico. O que importa... é se tais ações valem alguma
coisa na aposentadoria."69
 
Não havia dúvida de que a mudança de um sistema autofinanciado para um sistema privado
totalmente financiado poderia ser um processo caro, uma vez que os trabalhadores economicamente ativos
teriam que começar a financiar suas próprias poupanças privadas e ao mesmo tempo prestar contribuições aos
aposentados através do sistema autofinanciado. De acordo com o professor Jacques Garello, defensor convicto
da privatização, os custos dessa transição chegariam a cerca de FF700 bilhões por ano em um período de trinta
anos, ou F14 trilhões. Grande parte da transição teria que ser autofinanciada através do efeito colateral em
nível de oferta na economia, uma vez que o governo francês encontraria limites para financiar tais quantias,
devido à inflação ou dívidas decorrentes das exigências do Acordo Europeu de Maastricht; Com base no
exemplo chileno, Garello acreditava que isso seria possível. "Sou a favor da maior liberdade de investimento,"
declarou.70
Conclusão
 
Em meados dos anos de 1990, o sistema previdenciário francês havia chegado a uma encruzilhada.71
Uma combinação dos fatores demográfico e econômico ameaçava a integridade financeira do sistema, e os
 
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líderes do país haviam apenas começado a reagir. Durante um curto período de tempo, legisladores
começaram a reformar o regime geral (1993), líderes de empresas e de trabalhadores concordaram
com medidas para controlar os níveis de benefícios futuros dos regimes suplementares (1996), e o
governo criou novos incentivos para o estabelecimento de fundos de pensão privada, patrocinado
por seguradores e bancos (1997). Enquanto isso, trabalhadores do setor público haviam enfraquecido
com sucesso as tentativas do governo de exigir um aumento no tempo de serviço de 37,5 para 40 anos
(1995); e trabalhadores do trânsito haviam protestado para reduzir a idade de aposentadoria de 60
para 55 anos (1997). Efetivamente, pesquisas de opinião pública conduzidas na França em 1997
sugeriam que de 45 a 60 por cento da população concordava que a idade de aposentadoria nacional
deveria ser reduzida para 55 anos.72
 
Neste cenário, previsões de uma futura reforma variavam de otimistas ("o sistema já está em
processo de mudança") para cínicas ("todos reconhecem o problema, mas político nenhum quer se
responsabilizar") e catastróficas ("o sistema terá que quebrar para que uma reforma real seja
alcançada"). Capturando a visão catastrófica, Jacques Garello declarou,
 
Agora, em 1997 ou 1998, não acho que [uma privatização da previdência] seja politicamente
viável na França. Mas acredito que a taxa de desemprego continuará crescendo e gerará
rupturas e transtornos sociais enormes. Só então poderemos conseguir um coletivismo. E
depois de uma pane geral, poderemos ter uma reforma construtiva. A França nunca passa por
reformas graduais. Apenas através de grandes rompimentos.73
 
Seja esperançoso, cínico ou catastrófico, quase todos concordavam que havia muito em jogo e
que a política previdenciária permaneceria um grande tópico na pauta política nacional durante o
século 21.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Anexo 1 Macro-Dados Franceses, 1965-1996  

  1965 1970 1980 1990 1995 1996

PIB nominal (em mm FF) 483,5 793,5 2.808,3 6.509,5 7.662,0 7861,0
Crescimento do PIB Real (Taxa de Crescimento n.a. 5,4 3,3 2,4 1,2 1,5
Anual Composta do ano anterior listado, %)
 

  Crescimento do PIB Real nos Estados Unidos    


(Taxa de Crescimento Anual Composta do ano n.a. 3,3 3,1 2,9 1,9 2,3
 
Consumo Privado/PIB (%) 61 59 59 59 60 61
Investimento/PIB (%) 25 26 24 22 18 17
Consumo Público/PIB (%) 13 14 18 18 20 20

     
Taxa de Desemprego (%) 1,6 2,4 6,4 9,1 11,7 12,3
IPC (% de mudança no ano listado) 2,7 5,9 13,3 3,4 1,8 2,0
Rendimento das Obrigações de Dívida Pública 5,27 8,06 13,03 10,00 7,59 6,51
de Longo Prazo (%)
Taxa Monetária Interbancária (%) n.a 8,93 12,20 10,18 6,58 3,64

Déficit Orçamental/PIB(%) n.a -0,88 0,02 1,60 4,80 4,20


Excedente da Balança Corrente (em bilhões de n.a -0,2 -4,2 -15,2 16,4 20,5
US$)
Taxa de câmbio (FF/$) 4,90 5,53 4,23 5,45 4,99 5,12

Fontes: Adaptado de David A. Moss, Unemployment in France: Priority Number One, Harvard Business School Case #9-795-064
(Boston: Harvard Business School Press, 1995), p. 15; International Monetary Fund, International Financial Statistics Yearbook, 1996;
Economic Report of the President, 1997; OECD, Economic Outlook, No. 60 (12 de dezembro de 1996); Economist Intelligence Unit,
France (Terceiro Trimestre de 1997).
 

Anexo 2 Inflação Francesa (% anual de mudança no IPC), 1871-1995


 
70,0%
 
60,0%
 
50,0%
 
40,0%
 
30,0%
 
20,0%
 
10,0%
 
0,0%
 
-10,0%
 
-20,0%
 
 
 
 
Fontes: Adaptado de Angus Maddison, Dynamic Forces in Capitalist Development: A Long-Run Comparative View (Oxford
University Press, 1991), tables E2-E4; Economic Report of the President, 1997, tabela B-104.
 
 
 
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Anexo 3 Total do Rendimento Real nos Mercados de Ações Franceses e


Norte-Americanos, 1990-19961 (Escala Logarítmica)
100000
 
 
  36.467 (EUA)
EUA. Taxa de Crescimento Anual Composta, 1900-96 = 6,34%
 
 
10000
 
 
3.148 (França)
 
1000
 
 
 
 
100
 
 
Taxa de Crescimento Anual Composta Francesa, 1900-96 = 3.66%
 
10
 
1900

1905

1915

1920

1930

1940

1945

1955

1960

1975

1990

1995
1910

1925

1935

1950

1965

1970

1980

1985
 
1
IPC Total - rendimentos ajustados (incluindo dividendos reinvestidos) em um investimento de 100 (moeda local) em um índice de mercado
de ações amplo, a partir do ano de 1900.
 
 
Fonte: Adaptado de Bryan Taylor, global financial data set.
 
 
 
 
 
Anexo 4 Capitalizações de Mercados de Ações Comparativas (como porcentagem do PIB), 1996
 

250,0 %
 
203,9%

 
200,0 %
 
150,9%

147,4%

 
150,0 %
 
102,3%
102,1%

 
91,1%

79,7%

78,7%

100,0%
67,4%
62,9%

 
 
42,5%
35,9%

35,2%

30,1%
26,3%

50,0%
22,8%

 
7,5%

 
0,0%
 
Itália

Holanda

Reino Unido

Canadá
China
Suécia

Índia
Hong Kong
Alemanh

Japão

México
Norueg

EUA
Taiwan
França

Suíça
Espa

 
 
 
Observação: Capitalizações de mercado não estão ajustadas à flutuação. Além disso, uma fração significativa da capitalização
de mercado representa ações de empresas de capital fechado, ações estatais e participações recíprocas. Assim, a porcentagem
de capitalização de ações do PIB pode ser calculada incorretamente em certos países da Europa e da Ásia.

Fonte: Adaptado de Laurence B. Siegel. "Global Stock and Bond Capitalizations and Returns," in Peter Carman, Quantitative
Investing for the Global Markets (Chicago: Glenlake Publishing Co, 1997).
 
 
 
 
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Anexo 5 Propriedade de Participações Societárias na França e nos Estados Unidos por Categoria de
Investidor, 1993.

Investidores   Parte da Capitalização Total Parte da Capitalização Total dos Estados


da França Unidos
Investidores Institucionais Nacionais  24,3%  42,2%
- Bancos e Poupanças e Empréstimos 4,9% 3,2%
- Seguradoras  7,7% 5,3%
- Fundos de Investimento  10,4%  10,5%
- Fundos de Pensão  1,3%  23,2%
 
Investidores "Não financeiros" Nacionais 53,6%  51,8%
- Domicílios 32,1% 51,7%
- Empresas 16,4% *
- Administração Estatal e Pública 5,1% 0,1%
 
Investidores Estrangeiros  22,1%  5,9%
 
Total  100%  100%
Capitalização de Mercado Total FF 2720 bilhões  US$6280 bilhões
(em moeda local) 
 
* A Reserva Federal dos Estados Unidos não inclui bens intra-societários de sociedades não financeiras em seus dados do fluxo de
fundos. Por outro lado, foi estimado que empresas não financiadas nos Estados Unidos possuem entre 3 e 7 por cento da capitalização
total.
 
Fontes: Adaptado de Banque de France, "Bulletin de la Banque de France", 1st Quarter 1997; Ministère de l'Ecnomie et des Finances and
Banque de France, Tableau des Opérations Finacières, 1995; U.S. Federal Reserve Flow of Funds, 14 de março de 1997, Table L.213
(Corporate Equities).
 
 
 
 
 
 
 
Anexo 6 Taxas de Poupanças Domésticas em Países da OCDE (em porcentagem)
 
  Estados Canadá França Alemanhaa Itália Japão Reino
Unidos Unido
1965 8,0 6,3 18,2 12,2 32,8 15,8 2,8
1970 8,7 6,5 18,7 13,8 31,8 17,7 2,5
1975 9,5 12,9 20,2 15,1 29,3 22,8 4,8
1980 8,8 14,6 17,6 12,8 23,4 17,9 6,9
1985 7,1 14,2 14,0 11,4 19,4 15,6 4,3
1990 5,3 11,5 12,5 13,8 17,0 12,1 7,7
1995 3,8 8,0 14,5 11,4 14,5 13,7 10,5
1996 3,1 5,9 13,3 11,5 13,8 13,8 9,7
(a) Para 1965-90 apenas área ocidental; para 1995 e 1996, Alemanha unificada

Fonte: Base de Dados da Perspectiva Econômica da OCDE.

 
 
 
 
 
 
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Anexo 7 Carga Tributária Comparativa a em países selecionados da OCDE, 1995 (como porcentagem do PIB)
 
 
    Previdência Social
 
    Impostos Indiretos

45,3  
50 Impostos Diretos
 
45 42,1 41,3  
40 39,1
16,4 33,8
35
   
30 28,7  30,3
  19,6  16,1  13,3 
6,3
25  7,6  9,5    
12,3
20
13  11,1  14,5
15  8,4  8 13,6
10
  12,8  16,6   12,2  14,7  13
5 12,7 8,9
0
EUA  Japão  Bélgica França Alemanhab Itália  Reino Unido
 
 
 
a
Inclui impostos em níveis de governo central e local.
b
Apenas área ocidental.
Fonte: Adaptado de Handbook of International Economic Statistics, 1995 (Site da CIA).
 
 
 
 
 
 
Anexo 8 Despesas com Seguro Social na França, 1995
 
  Total Como Como % de
(FF, bilhões) % do Remunerações e
PIB Salários
Seguro para Idosos e Sobreviventes (Pensões) 928 12,1% 23,3%
Seguro de Saúde 416 5,4 10,4
Abonos de Maternidade e de Família 163 2,1 4,1
Seguro Desemprego 98 1,3 2,5
Outras Despesas 346 4,5 8,7
Total 1.951 25,4% 49,0%
 
Fonte: Adaptado de Comptes de la Protection Sociale, 1990-1995 (Ministè du Travail Et Des Affaires Sociales, 1996); data courtesy
Ministè du Travail Et Des Affaires Sociales.
 
 
 
 
 
 
 
 
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Anexo 9 Despesas com Aposentadoria Francesa como Porcentagem do PIB, pelo Regime Previdenciário,
1970-1994.

14%
12,34% (Total de Despesas com Aposentadoria)

12%

3,88% (Planos Especiais)


10%

8%

3,72% (Planos Suplementares)


6%

4%

4,74% (Plano Geral)


2%

0%
1970

1972

1974

1976

1978

1980

1982

1984

1986

1988

1990

1992

1994
Fonte: Adaptado de Rapport d’Activité National (Paris: Caisse Nationale d’Assurance Vieillesse, 1995), p. 11.

Anexo 10 Evolução Histórica e Projetada da Razão de Dependência da França, 1930-2040


 
   
80,0%  
Taxa de Fertilidade
70,0% = 1,5
 
60,0%  
 
37,7%
36,9%

36,0%

50,0%
32,6%
32,5%

Taxa de Fertilidade
30,3%
27,7%

= 2,1
25,5%

40,0%
 
 

30,0%  
 
20,0% Taxa de Fertilidade
= 1,8
10,0%
0,0%
1930

1940

1950

1960

1970

1980

1990

2000

2010

2020

2030

2040

 
 
 
 

Observação: A razão de dependência utilizada representa o número de pessoas acima de 60 anos dividido pelo número de pessoas de 20 a
59 anos.
 
Fonte: Adaptado de Institut National d’Etudes Demographiques, cited in François Charpentier, Retraites et Fonds de Pension (Paris:
Economica, 1996).
 
 
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Anexo 11 Taxas de Impostos sobre Pagamento em Rendimentos Mensais, Regimes Geral e Suplementar, 1994.
       
  Regime Geral: Previdência Regime Suplementar: Regime Suplementar:
  Social Básica Não Gerentes Gerentes
Parte do Empregado
Regime Geral 6,55% de FF0 a FF12.680
ARRCO  2% de FF0 a FF38.040 2% de FF0 a FF12.680
 
 
AGIRC  4,68% de FF12.680 a FF50.720
2,34% de FF50.720 a FF101.440
Parte do Empregador
Regime Geral  8,20% de FF0 a FF12.680 (+
1,60% dos rendimentos
totais)
ARRCO  3% de FF0 a FF38.040 3,0% de FF0 a FF12.680
 
 
AGIRC  9,36% de FF12.680 a FF50.720
7,02% de FF50.720 a FF101.440
 
Observação: A taxa de câmbio em 1994 foi de FF5,55 por dólar americano.
Fonte: Adaptado de David Stanton and Michel Villac, France, United Kingdom Pension Provision: A Comparative Analysis (Paris: La
Documentation Française, 1995).
 
 
Anexo 12 Taxas de Reposição Líquidas na França por Regime e por Nível de Rendimento, 1988
 
Rendimento Regime Planos
Líquido Mensal Geral Suplementares Total
Final
Menos de 5.000F 76% 26% 102%
5.000F - 5.999F 69 24 94
6.000F - 7.999F 60 27 88
8.000F - 9.999F 50 30 80
10.000F - 11.999F 42 38 80
12.000F - 15.999F 34 41 75
16,000F e acima 20 46 66
 

a
Benefícios previdenciários públicos como porcentagem do rendimento líquido de carreira completa, trabalhadores do setor privado.

Fonte: Adaptado de Emmanuel Renaud, "France: A National and Contractual Second Tier," (Capítulo de livro não
publicado, 1996), p. 19, tabela 3.5.
 
 
Anexo 13 Ativos Totais dos Planos de Previdência Privada em Países
Selecionados, 1970-1996 (bilhões de dólares americanos)
Ano França Canadá Alemanha Japão Holanda Reino Estados
(Ocidental) Unido Unidos
1970 1,2 n.a. n.a. n.a. 5,0 10,7 149,5
1975 3,8 n.a. 14,7 6,7 18,1 21,4 289,6
1980 8,9 42,0 31,5 28,6 44,7 78,0 621,8
1987 14,0 89,7 55,6 159,2 89,2 218,6 1436,0
1996 74,0 153,0 116,0 500,0 225,0 900,0 2800,0

Observações: Alguns dados referentes à Alemanha, Japão e Holanda nos anos de 1970 e 1975 foram calculados pela Turner e
Watanabe com base em dados incompletos. Ativos para Holanda e para o Reino Unido incluem apenas planos de
previdência privada não segurados. Ativos para Alemanha incluem fundos de apoio, pensionskassen e seguro direto.
Reservas contábeis não estão incluídas para Alemanha e Japão.
Fontes: Dados de 1970-87, adaptado de John A. Turner and Noriyasu Watanabe, Private Pension Policies in Industrialized
Countries: A Comparative Analysis (Kalamazoo, Michigan: W.E. Upjohn Institute, 1995), p. 102 , tabela 6.3; dados de 1996
cortesia da Intersec Research Corporation.
 
20

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Este documento é autorizado para uso com fins educacionais somente por Roberto Filho, Universidade Estácio de Sá até junho de 2015. A cópia ou publicação

Anexo 14 Aposentadoria Comparativa e Dados Demográficos


 
  Taxa de Reposição Taxas de Reposição           Benefícios
  Idade de Idade de Razão de Razão de Benefícios Previdenciários
Líquida para Líquida para
Taxa de Aposentadoria, Aposentadoria, dependência de dependência de Previdenciários Obrigatórios/PIB.
Pensionistas Pensionistas
Reposição Homens Mulheres (Anos) Idosos, Idosos, Obrigatórios/PIB, Proj. 2030 (%)
Solteiros, 1990 Casados,
Bruta, 1995 (Anos) 1990 (%) Proj. 2030 (%) 1995
(%) 1990 (%)
(%) (%)

França 60,1 88% 83% 60 60 20,8 39,1 10,6 14,3


Alemanha 52 77% 69% 65 65 21,7 49,2 11,1 16,5

Itália 53,9 91% 91% 60 55 21,6 48,3 13,3 20,3

Japão 19,6 n.a. 50% 60 58 17,1 44,5 6,6 13,4

Reino Unido 17,5 44% 59% 65 60 24,0 38,7 4,5 5,5


constitui violação de direitos autorais.

EUA 38,5 42% 63% 65 65 19,1 36,8 4,1 6,6


 
 
 
 
 
Fontes: Adaptado de Aging Populations and Public Pension Schemes (Fundo Monetário Internacional , dezembro de 1996), p.12 (average gross replacement rates); Old Age Replacement Rates:
Relation Between Pensions and Income from Employment at the Moment of Retirement (Brussels: Eurostat, 1993), Part IV (net replacement ratios); Robert C. Clark, Social Security Systems in Japan
(outubro de 1990), p. 238 [http://www.gwjapan.org/ftplpublpolicy/jec/jec4-2.txt] (net replacement rates in Japan and US); Aging in OECD Countries: A Critical Policy Challenge, Social Policy Studies
No. 20 (Paris: OECD, 1996), tabelas 2.1, A3, e 2.3 (retirement age, dependency ratios, and pension expenditures as a proportion of GDP).

Observações
TAXAS DE REPOSIÇÃO: As taxas de reposição apresentadas pertencem apenas a coberturas previdenciárias obrigatórias. A taxa de reposição bruta média equivale ao benefício previdenciário
público (obrigatório) médio como porcentagem da remuneração bruta média em 1995. As taxas de reposição líquidas, que representam benefícios previdenciários deduzidos como porcentagem do
rendimento deduzido, são para trabalhadores que receberam a remuneração média antes da aposentadoria no começo dos anos de 1990 e que trabalharam anos suficientes para receber aposentadoria
completa sob um plano obrigatório. O número de anos de trabalho exigidos para receber a aposentadoria completa varia de acordo com o país.
RAZÕES DE DEPENDÊNCIA: As razões de dependência utilizadas refletem uma população de 65 anos ou mais como porcentagem da população em idade ativa. Essa definição difere da utilizada no
Anexo 10, que exibe o número de pessoas de 60 ou mais dividido pelo número de pessoas de 20 a 59 anos.
PREVISÕES: As previsões para o ano de 2030 são baseadas nas estimativas da OCDE sob cenários de referência que presumem taxas históricas de crescimento na produtividade da mão-de-obra (1,5% por ano).
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
21
799-143  O Sistema Previdenciário Francês: Prestes a se aposentar? (Resumido)
Notas Finais:
 
1
“French Economy Minister Sacked Over Controversial Remarks,” Agence France Presse, 25 de
agosto de 1995; “Two French Ministers Resign,” Associated Press, 25 de agosto de 1995; Nathaniel
C. Nash, “With Finance Chief’s Ouster, Chirac Opts for a Social Agenda,” New York Times, 31 de
2
agosto de 1995, p. D3. Bruce Wallace, “The Welfare War; Protests Over Deep Spending Paralyze
France,” Maclean’s, 18 de dezembro de 1995, p. 26.
3
Wallace, “Welfare War,” p. 26; “France,” Hilfe Country Report,” março de 1997.
4
Statistical Summary, ARRCO, 1995; Emmanuel Reynaud, “France: A National and Contractural
Second Tier,” (Capítulo de livro não publicado, 1996), pp. 3 e 16.
5
Quoted in Craig R. Whitney, “French Voters Confront Shrinking Pie,” New York Times, 27 de abril de 1997,
p. 8.
6
Henri Hatzfeld, Du Paupérisme à la Sécurité Sociale, 1850-1940 (Paris: Armand Colin, 1971), p. 109-110.
7
Pollet and Renard, “Genèses et Usages de l’Idée Paritaire Dans le Système de Protection Sociale
Français,” pp. 43-51.
8
Patrice Vial, Entrevista com os autores, 8 de janeiro de 1997.
9
Gilles Pollet, “Les Leçons de l’Histoire,” Revue des Deux Mondes, março de 1993, pp.100-
10
102. Patrick Harismendy, “1850-1896: L’Histoire par des Petites Phrases,” Epargne-Retraite:
La Confusion Française (Paris: Les Cahiers des Générations, 1996), p.18.
11
Denis Kessler, Assurer l’Avenir des Retraites (Paris: Risques/FFSA, 1991), p.21.
12
Livre Blanc sur les Retraites (Paris: La Documentation Francaise, 1991), p. 16.
13
Pollet and Renard, p. 47.
14
New Orientations for Social Policy, Social Policy Studies No. 12 (Paris: OECD, 1994), pp. 59-61 (tabela 1c).
15
Edouard Philippe, Entrevista com os autores, 14 de março de 1997.
16
CNAV, Annual Report 1995, p. 56.
17
Reynaud, “France: A National and Contractural Second Tier,” p. 3.
18
1993 Survey on pensions for the 1926 generation, SESI, Ministry of Labor and Social Affairs.
19
Briet, Perspectives, p. 100.
20
Briet, Perspectives, p. 100.
21
Emmanuel Reynaud, “Limitations of Pay-As-You-Go Pension Schemes: The French Model,” Report
Presented to the Franco-British Council Seminar (“The Future of Retirement Schemes in Great Britain
and France”), Londres, 4 de dezembro de 1996.
22
Jean Gandois, Entrevista com os autores, 10 de janeiro de 1997.
23
Emmanuel Reynaud, Les Retraites en France: Rôle des Régimes Complémentaires (Paris:
Documentation Française, 1994), p.13.
24
Briet, Perspectives, p. 100.
25
Fonte anônima, 1997.
26
Economie et Statistique, INSEE, junho de 1989, cited in Briet, Perspectives, p. 70..
27
Reynaud, “Limitations of Pay-As-You-Go Pension Schemes,” p. 6.
28
Roger Chinaud, cited in François Charpentier, Retraites et Fonds de Pension: L’Etat de la Question
en France et à l’Etranger (Paris: Economica, 1996), p.287; Henri LePage and Jacques Garello,
Interviews with the authors, 8 de janeiro de 1997.
29
François Charpentier, Entrevista com os autores, 7 de janeiro de 1997.
30
“Europe’s Fund Phobia,” The Economist, 29 de março de 1997, pp. 75-76.
31
Michel Lescure, “Le Manque de Ressources: Les Années 1880-1935,” in Maurice Lévy-Leboyer and
Jean-Claude Casanova, eds, Entre l’Economie et le Marché: L’Economie Française des Années 1800 à
Nos Jours (Paris: Gallimard, 1991), p.265.
32
Christian Stoffaes, “La Reconstruction Industrielle, 1945-1990,” in Lévy-Leboyer and Casanova,
Entre l’Economie et le Marché, p. 450.
33 34
Hubert Bonin, Histoire Economique de la France depuis 1880 (Paris: Masson, 1988), pp. 287-288.
Laurence B. Siegel, “The $40 Trillion Market: Global Stock and Bond Capitalizations and Returns,” in
Peter Carman, ed., Quantitative Investing for the Global Markets (Chicago: Glenlake Publishing,
forthcoming 1997), tabela 2.
 
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O Sistema Previdenciário Francês: Prestes a se aposentar? (Resumido)  799-143
 
 
35
Philippe Marini, Entrevista com os autores, 8 de janeiro de 1997.
36
Ver, por exemplo, Sofres poll for Banque de France, Commission des Opérations de Bourse and
Société des Bourses de France, abril de 1995.
37
Charpentier, Retraites et Fonds de Pension, p. 287.
38
Jean Peyrelevade, Pour un Capitalisme Intelligent (Paris: Bernard Grasset, 1993), p.68.
39
François Morin, “Le Capitalisme Français Reserre les Rangs Autour de Deux grands Poles,” Le
Monde, 7 de novembro de 1995.
40
Andrew Jack, “Saint-Gobain Set to Unravel Shareholdings,” Financial Times, 3 de abril de 1997, p. 3.
41
“French Pensions,” Financial Times, 19 de novembro de 1996, p. 29.
42
Arnaud Leparmentier, “Le Capitalisme Français a le Vent en Poupe,” Le Monde, 19 de outubro de
43
1996. A. Michael Hoffman, Managing Director, E.M Warburg Pincus, London, Panel discussion at
the Venture Capital and Principal Investing Conference, Harvard Business School, fevereiro de 1997.
44
Henri Lepage, Entrevista com os autores, 8 de janeiro de
45
1997. Philippe Marini, Entrevista com os autores, 8 de
46
janeiro de 1997. Briet, Perspectives, p.75.
47
Charpentier, Retraites et Fonds de Pension, p.25.
48
Charpentier, Retraites et Fonds de Pension, p.24.
49
Charles Millon and Jean-Pierre Thomas, “Proposition de Loi Visant à Créer un Plan d’Entrprise
Epargne,” Assemblée Nationale, 18 de novembro de 1993, p.1; ”What Level of Retirement Savings
Does France Need?” Banque Paribas Conjoncture, janeiro de 1996; Aging in OECD Countries: A
Critical Policy Challenge, Social Policy Studies No. 20 (Paris: OECD, 1996), esp. tables A1-A3.
50
Adam Gopnick, “The Chill,” New Yorker, 17 de março de 1997, p. 6.
51
Aging in OECD Countries, Chart 4.1; Briet, Perspectives, p. 70.
52
Livre Blanc sur les Retraites, Préface de Michel Rocard, 1991, p. 9.
53
Livre Blanc sur les Retraites, Préface de Michel Rocard, 1991.
54
Anônimo, Ministro de Assuntos Sociais, Entrevista com os autores, janeiro de 1997.
55
Emmanuel Reynaud, “France: A National and Contractural Second Tier,” (Capítulo de livro não
publicado, 1996), pp. 24-26.
56
Reynaud, “France: A National and Contractural Second Tier,” pp. 26-27.
57
Tim Reay, “France: The New Retirement Savings Plan Law,” Benefits & Compensation
International, Vol. 26, No. 7 (março de 1997), pp. 2-8.
58
Reay, “France: The New Retirement Savings Plan Law.”
59
Jean-Pierre Thomas, citado no Le Monde, 17 de fevereiro de 1997.
60
François Charpentier, Entrevista com os autores, 7 de janeiro de 1997.
61
Jacques Garello, Entrevista com os autores, 8 de janeiro de 1997.
62
Assistente legislativo do Senador Phillipe Marini, Entrevista com os autores, 8 de janeiro de 1997.
63
Patrice Vial, Entrevista com os autores, 8 de janeiro de 1997.
64
Roger-Pol Cottereau, Secretário Geral da UGICA-CFTC, CFTC News, outubro de
65
1996. Roger-Pol Cottereau, Secretário Geral da UGICA-CFTC, CFTC News, outubro
66
de 1996. Jean Gandois, Entrevista com os autores, 10 de janeiro de 1997.
67
François Hollande, Entrevista com os autores, janeiro de 1997.
68
Jacques Garello, Entrevista com os autores, 8 de janeiro de 1997.
69
Philippe Desfossés, Entrevista com os autores, 9 de janeiro de 1997.
70
Jacques Garello, Entrevista com os autores, 8 de janeiro de 1997.
71
See esp. Reynaud, “France: A National Contractual Second Tier,” p. 33.
72
Anne Swardson, “French Transit Workers Press Retirement at 55,” Washington Post, 25 de
janeiro de 1997, p. A13.
73
Jacques Garello, Entrevista com os autores, 8 de janeiro de 1997.
 
 
 
 
 
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