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31/03/2015 Deleuze: rizoma | Razão Inadequada

RAZÃO INADEQUADA

UMA POSTURA INADEQUADA É A NOSSA MANEIRA DE VIVER EM UMA CULTURA
DA ADEQUAÇÃO…

Deleuze: rizoma

21/09/2013 por Rafael Trindade
rizoma: ri.zo.ma, sm (rizo+oma) Bot. Caule subterrâneo no todo ou em parte e de crescimento
horizontal. (definição do dicionário Michaelis)

Mais uma vez, se vamos definir o que significa o conceito de rizoma para Deleuze e Guattari, é
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31/03/2015 Deleuze: rizoma | Razão Inadequada

Mais uma vez, se vamos definir o que significa o conceito de rizoma para Deleuze e Guattari, é
importante evidenciar a diferença entre o substantivo e o conceito. Rizoma é uma raiz, mas não
aquela  raiz  padrão  que  aprendemos  a  desenhar  na  escola,  trata‑se  de  uma  raiz  que  tem  um
crescimento diferenciado, polimorfo, ela cresce horizontalmente, não tem uma direção clara e
definida.

Deleuze  e  Guattari  “roubam”  esta  definição  da  botânica  para  aplicá‑la  à  filosofia.  Do  mesmo
modo que Descartes afirma que a filosofia seria uma árvore “a raiz a metafísica, o caule a física
e a copa e os frutos a ética”, Deleuze subverte esta ideia para transformá‑la em um rizoma. Não
devemos mais acreditar em árvores, nem em seus prometidos frutos. Queremos um pouco de
terra… já é tempo.

O rizoma é um modelo de resistência ético‑estético‑político, trata‑se de linhas e não de formas.
Por isso o rizoma pode fugir, se esconder, confundir, sabotar, cortar caminho. Não que existam
caminhos certos, talvez o correto seja o mais intensivo (e não o caminho do meio). As linhas de
fuga  são  aquelas  que  escapam  da  tentativa  totalizadora  e  fazem  contato  com  outras  raízes,
seguem  outras  direções.  Não  é  uma  forma  fechada,  não  há  ligação  definitiva.  São  linhas  de
intensidade, apenas linhas de intensidade.

“Uma agenciamento é precisamente este crescimento das dimensões numa multiplicidade
que  muda  necessariamente  de  natureza  à  medida  que  ela  aumenta  suas  conexões.  Não
existem  pontos  ou  posições  num  rizoma  como  se  encontra  numa  estrutura,  numa  árvore,
numa raiz. Existem somente linhas” (Deleuze & Gattari, Mil Platôs I).

As estruturas quebram o rizoma, o aprisionam. Veja o que acontece com todas as teorias: elas
cortam  as  multiplicidades,  elas  reduzem  seu  objeto.  “Toda  vez  que  uma  multiplicidade  se
encontra  presa  numa  estrutura,  seu  crescimento  é  compensado  por  uma  redução  das  leis  de
combinação” (Deleuze & Gattari, Mil Platôs I). O rizoma não se deixa conduzir ao Uno (n), ele
tem  pavor  da  unidade,  por  isso  podemos  defini‑lo  como  n‑1,  contra  um  fechamento,  contra
regras  pré‑estabelecidas,  o  pensamento  rizomático  se  move  e  se  abre,  explode  em  todas  as
direções.

“Deixarão  que  vocês  vivam  e  falem,  com  a  condição  de  impedir  qualquer  saída.  Quando
um  rizoma  é  fechado,  arborificado,  acabou,  do  desejo  nada  mais  passa;  porque  é  sempre
por rizoma que o desejo se move e produz” (Deleuze & Guattari, Mil Platôs I).

Pesadelo do pensamento linear, o rizoma não se fecha sobre si, é aberto para experimentações,
é sempre ultrapassado por outras linhas de intensidade que o atravessam. Como um mapa que
se espalha em todas as direções, se abre e se fecha, pulsa, constrói e desconstrói. Cresce onde
há  espaço,  floresce  onde  encontra  possibilidades,  cria  seu  ambiente.  Se  trata  de  ciência?  Isso
importa?  São  apenas  agenciamentos,  linhas  movendo‑se  em  várias  direções,  escapando  pelos
cantos,  o  desejo  segue  direções,  se  esparrama,  faz  e  desfaz  alianças.  Chame  do  que  quiser
então: “riacho sem início nem fim, que rói suas duas margens e adquire velocidade no meio”
(Deleuze & Guattari, Mil Platôs I).

Não  podemos  mais  apostar  em  compartimentos,  o  rizoma  se  espalha.  Não  há  motivos  para
seguir  uma  linha  reta,  um  método  cartesiano.  As  linhas  tortas  se  ligam,  se  confundem,  se
espalham, alastram. As conexões se multiplicam, logo, a intensidade também. Aí sim temos a

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chance de criar novos sentidos, micro‑conexões se difundindo, se diluindo, se confundindo, se
disseminando.  “A  questão  é  produzir  inconsciente  e,  com  ele,  novos  enunciados,  outros
desejos: o rizoma é esta produção de inconsciente mesmo” (Deleuze & Guattari, Mil Platôs I).

Este texto faz parte da série de “Esquizoanálise“

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Categoria : Filosofia
Tags : Deleuze, Desejo, Guattari, Rizoma

8 thoughts on “Deleuze: rizoma”

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Christiano em 18/03/2014 às 4:20 pm disse:

Quando mais leio mais me apaixono pela esquizoanalise. A leitura por si so nos movimenta3/5
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Quando mais leio mais me apaixono pela esquizoanalise. A leitura por si so nos movimenta
em varias direçoes de modo que sinto um vulçao em erupçao.

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Djeovani em 17/05/2014 às 7:55 pm disse:
Olá, gostaria de saber quem é o autor deste texto sobre Rizoma. São de vocês mesmo?
Pois utilizarei como referência em meu trabalho de pesquisa.
Se puder, por gentileza, me enviar por e‑mail agradeço.
Desde já agradeço.
Abraços.

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Ruthe Oliveira em 23/05/2014 às 1:00 am disse:
Olá, Djeovani, no próprio texto tem a referência bibliográfica. O livro que trata o
conceito de rizoma é dos filósofos Deleuze e Gattari, e o título é “Mil Platôs –
Capitalismo e Esquizofrenia”.

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Djeovani em 29/05/2014 às 12:39 am disse:
Olá Ruthe, Muito Obrigado.
Mas estava me referindo exatamente ao texto acima mesmo, publicado no blog, que
descreve sobre “rizoma” a partir da leitura de Deleuze e Guattari. Pois é dessa
releitura sobre o conceito que potencializou a minha interpretação sobre rizoma, por
isso pedi a referência. Mas já identifiquei que o texto é de autoria de Rafael Trindade.
De qualquer forma agradeço pela atenção.
Abraços.

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