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2.3.

5 – Estereoquímica

2.3.5.3 – Enantiômeros e moléculas quirais

Quiralidade e enantiômeros
Até aqui consideramos diastereômeros. A partir daqui passaremos a estudar os
enantiômeros, classe de estereoisômeros que tem como característica ser um isômero a imagem
especular do outro. Usamos no estudo de enantiômeros o conceito de quiralidade. A palavra
quiral vem do grego cheir, que significa “mão”. Assim como as mãos direita e esquerda não se
sobrepõe uma a outra, mas são imagens especulares, objetos que são imagens especulares, e
não se sobrepõe portanto, são quirais. O mesmo ocorre com moléculas. Lembrando da primeira
seção, moléculas também podem ser quirais, como o exemplo do 2-butanol, aqui repetido.

Figura 1 – Enantiômeros

Estes conceitos podem ser difíceis de compreender no começo e o uso de um modelo


tridimensional de química pode ajudar. Existem algumas formas de reconhecer a existência de
compostos quirais.
A primeira forma de reconhecer compostos que formam enantiômeros é verificar a
existência de um átomo tetraédrico com 4 grupos diferentes ligado a ele (antigamente se
chamavam tais átomos de átomos quirais, mas esta nomenclatura tem sido desaconselhada por
gerar confusão). Todo carbono que é tetraédrico e tem 4 grupos diferentes gera enantiômeros.
Veja a figura 2. Em a e b é mostrado como os compostos marcados como III e IV são imagens
especulares. Em c é demonstrado como os compostos não se sobrepõe. Diante disto vemos que
as moléculas representadas são enantiômeros.
Se trocarmos quaisquer dois grupos de III conseguiremos obter IV (basta imaginar ou
testar em um modelo), mas isto envolveria quebra de ligações, assim como no caso dos isômeros
cis-trans da seção anterior. Os carbonos que carregam grupos que trocados entre si geram
isômeros são chamados de estereocentros ou carbonos estereogênicos. Assim, o carbono
tetraédrico com 4 ligantes diferentes é um estereocentro tetraédrico (geralmente marcado com
um asterisco *) e os átomos de carbono das duplas dos isômeros cis-trans são um estereocentro
plano triangular.
Se um átomo tetraédrico tem dois ou mais grupos ligados a ele que são iguais, não se
formam enantiômeros, pois por simples rotação da molécula chegamos a outra forma. Veja a
Figura 3. Com dois grupos iguais é possível, como em B, sobrepor as estruturas.
Figura 2 – Demonstração de quiralidade em uma molécula genérica com um estereocentro
tetraédrico

Figura 3 – Exemplo de carbono tetraédrico que não é um estereocentro

Uma outra forma de verificar a quiralidade é montar modelos ou usar a imaginação e


determinar se os compostos se sobrepõe. Caso seja possível sobrepor duas estruturas então não
se trata de enantiômeros.
Outra forma ainda é verificar se a molécula apresenta um plano de simetria. Um plano de
simetria ou plano especular é um plano imaginário que corta algo deixando duas imagens
especulares. Se uma molécula apresentar um plano de simetria ela é aquiral. Veja a Figura 4.
Figura 4 – Planos de simetria e quiralidade

A molécula mostra em a tem um plano de simetria e é, desta forma, aquiral. Já a molécula


em b não apresenta plano de simetria.
Estas outras formas de análise são importantes, pois nem todos compostos quirais
apresentam átomo tetraédrico com 4 grupos diferentes. A Figura 5 dá exemplos de compostos que
são quirais, embora não tenham carbono tetraédrico com 4 grupos diversos.

Figura 5 – Molécula quiral sem átomo tetraédrico


Até agora restringimos os exemplos a compostos com Carbono. Entretanto há quiralidade
em centros com outros elementos também e até em algumas moléculas com par eletrônico não
compartilhado, como nos mostra a Figura 6

Figura 6 – Compostos com estereocentros diferentes do carbono

Poderia se pensar em aminas como sendo quirais, mas há interconversão no nitrogênio e


este não é o caso. Sulfóxidos, como o mostrado, porém, podem ser quirais.

A importância da quiralidade
A importância biológica da quiralidade é evidente quando pensamos em nosso corpo, que
é estruturalmente quiral (coração a esquerda, fígado a direita). Curiosamente a maioria das
pessoas é destra. Os aminoácidos, os açucares e o DNA também apresentam quiralidade.
Dependendo da forma quiral há diferente reação com sítios enzimáticos, como ilustrado pela
Figura 6.

Figura 6 – Apenas um dos aminoácidos enantioméricos pode reagir com o sítio especificado

Desta forma, a ação de substâncias, como aquelas usadas como medicamentos, por
exemplo, pode variar conforme os enantiômeros. O medicamento talidomida, usada durante muitos
anos, tinha um enantiômero que agia contra náuseas e outro que causa defeitos congênitos em
crianças cuja mãe tomava o medicamento. Por isto tudo o estudo da quiralidade tem sido cada vez
mais aprofundado. Nas seções seguintes veremos que é possível sintetizar em laboratório apenas
uma forma enantiomérica e muitas drogas quirais tem sido produzidas e pesquisadas.
Nomenclatura de enantiômeros
Para compreender a nomenclatura dos enantiômeros vamos usar novamente o exemplo do
2-butanol. Os dois enantiômeros do composto são dados abaixo.

Pelas regras normais da IUPAC o nome dos dois compostos é 2-butanol, o que causaria
uma confusão. Para vencer esta dificuldade foi criado o sistema (R-S) de nomenclatura, baseado
nas idéias dos químicos Cahn, Ingold e Prelog.
No sistema (R-S) a primeira etapa é atribuir uma prioridade (lembrando da seção anterior –
quanto maior o número atômico maior a prioridade) a cada grupo ligado ao centro estereogênico.
Ilustrando para o composto I:

Temos um empate nos carbonos, então prosseguimos para os substituintes para


determinar as prioridades (no caso de cadeias ramificadas devemos seguir a cadeia pelos átomos
com maior prioridade).

Como o C tem maior prioridade que o H há o desempate e a prioridade dos grupos está
determinada. Determinada as prioridades, o próximo passo é girar a fórmula (ou o modelo real ou
imaginário) de forma que o grupo com menor prioridade fique afastado do observador:
Agora a etapa final. Traçamos um caminho do grupo de maior prioridade,1, até o de menor
prioridade entre os restantes, 3:

Aqui está a regra – quando o sentido seguido neste percurso for horário - como no caso
acima – o composto é designado como (R), que vem do latim rectus- correto, horário, normal. Caso
o sentido seguido seja anti-horário é designado o prefixo (S), do latim sinister – sinistro, estranho,
anti-horário, anormal. A seguir são dados mais alguns exemplos e nos exercícios propostos
resolveremos mais alguns casos, que ajudarão a esclarecer este assunto.
2.3.5.3 – Exercícios Resolvidos

Outros exercícios

Prova Perito Área 6 – 1997


Prova Perito Área 6 – 2001
Prova Perito Área 6 – 2004 - Nacional
Exercícios de outros concursos
CESPE – INMETRO – Pesquisador Químico
Outros exercícios
Nas próximas questões são dadas duas estruturas e a relação entre elas. Julgue se as relações
sugeridas estão corretas ou erradas.

CH3 CH3

Br F
H H
1- F e Br Enantiômeros

Correto
Trata-se um estereocentro tetraédrico com 4 grupos diferentes ligados.

CH3 Br
H
F

F
H CH3
2- Br e Enantiômeros

Errado
Trata-se do mesmo composto, apenas em posição diferente.

CH3 CH3

H Br F H
C C

3- F e Br Enantiômeros

Errado
Trata-se do mesmo composto. Imagine na primeira estrutura que o grupo CH 3 fique fixo e se rode o
carbono de forma que o Br vá para o lugar do F. O que se obtém é justamente a segunda
estrutura.

H 3C H 3C
F F
H H

CH3 F
H H
F CH3
4- e Diastereômeros

Errado
Trata-se de enantiômeros. Compostos como estes tem algumas particularidades em sua atividade
ótica que serão discutidas posteriormente.
H 3C F
F H
H3C
H

H
CH3
H F
F CH3
5- e Mesmo composto

Correto
Se giramos a primeira estrutura 90 graus horizontalmente e depois 90 graus verticalmente obtemos
a segunda estrutura.

CH3

NO2
NO2
H 3C

6- e Enantiômeros

Errado
As duas estruturas não são enantiômeros de um mesmo composto e sim isômeros cis-trans entre
si.

Cl Cl

7- Cl e Cl Diastereômeros

Errado
É o mesmo composto apenas em perspectivas diferentes.

8- e Diastereômeros

Correto
São isômeros cis-trans do octeno.

OH OH

9- H3C e H3C Diastereômeros

Correto
Típico caso de isomerismo cis-trans em ciclanos.
H Cl Cl H

C C C C C C

10 - Cl H e H Cl Diastereômeros

Errado
Trata-se do mesmo composto. Basta girar horizontalmente a primeira estrutura para obter a
segunda.

Nas questões seguintes julgue como correta ou errada a atribuição dada aos compostos.

Br

Cl
H
11 - CH 3 Enantiômero R

Correto
As prioridades, o arranjo da molécula e a rotação para designar o nome estão dados a seguir:

1
Br

H 2
4 Cl
CH3
3

CH 3

HO
H
12 - O 2N Enantiômero S

Correto
Novamente, o arranjo para a nomenclatura é dado abaixo, com prioridades e sentido da rotação.

2
NO 2
1
4 OH
H

3 CH3

CH 3

H
13 - C2 H5 Enantiômero R

Errado
A primeira prioridade é do H. Em seguida há um empate entre os 3 C. Precisamos ver os
substituintes. No caso da dupla o substituinte ligado conta duas vezes, portanto na dupla os
substituintes são C,C,H. Para o grupo etil os substituintes são C,H,H e para o metil H,H,H. Portanto
configura-se conforme a figura abaixo.

2
C 2 H5 1
4
H
3
CH3
NO 2
H
H

14 - CH3 Enantiômero S

Errado
Nem de um composto enantiomérico se trata. Há dois H ligados ao carbono tetraédrico.

NO 2
H
H
C

HC

15 - Enantiômero S

Correto
A maior prioridade é do N e a menor é do H. Os dois carbonos estão empatados e precisamos ir
para os substituintes. Para ambos, porém, os substituintes são C,C,H. Precisamos seguir pelo
átomo de maior prioridade. Para o grupo com a dupla o C tem substituintes C,H,H e no ramificado
para qualquer carbono que se for os substituintes serão H,H,H. Portanto as prioridades estão
definidas e a designação marcada, conforme a figura abaixo:

3
CH

4
H 2
C
O2 N 1 H

Cl
16 - H Enantiomêro R

Errado
Não se trata de um composto enantiomérico. Como o ciclo é igual por qualquer carbono que se
siga, na verdade são dois substituintes iguais, o que descaracteriza o composto como
enantiomérico.

Cl
17 - H Enantiômero R

Correto
O desempate das prioridades se faz no metil que é diferente entre os dois lados do ciclo. Portanto:

4
H
2
Cl
1