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São as gerações mais jovens, mais escolarizadas, oriundas de meios sociais

de nível sócio-económicos mais elevados, que têm desenvolvido valores pós


materialistas. Gerações criadas em ambiente de paz, extensas redes de
protecção social e relativa abundância de bens materiais, dão maior
importância a questões como a qualidade de vida, protecção do ambiente,
expressão e realização individuais e maior participação dos cidadãos na
tomada de decisões, no universo da sociedade e também nos sistemas
políticos.
Durante as ultimas décadas tem-se registado uma mudança de valores e
participação politica, por vários motivos: o aumento dos níveis de instrução,
informação politica, e normas sociais mais tolerantes incentivam a participação
na política e na luta pela melhoria dos direitos individuais e colectivos. Este tipo
de participação politica, segundo Ingleart, passa cada vez mais por acções
políticas convencionais, maior mobilização e discussão de assuntos políticos,
petições, abaixo assinados, greves e manifestações.

Gerações com uma forte mobilização cognitiva, que é um factor decisivo, têm
tendência para percepcionar a pluralidade de agentes e instituições politicas,
não apenas num espaço restrito, mas cada vez mais num espaço
transfronteiriço.

Cada vez mais, se assumem como sujeitos activos nos processos de tomada
de decisões políticas. Estes indivíduos são tendencialmente mais tolerantes
face ao próximo, assuntos de imigração, estrangeiros, não os vendo como um
em risco a sua própria segurança no emprego etc.

Atentos ao que se passa no mundo, são críticos e cépticos em relação a


algumas instituições democráticas, (desempenho dos tribunais e dos agentes
judiciais), questões centrais o segredo de justiça e a relação entre os tribunais
e a comunicação social. Convencidos que as elites sociais, politicas e
económicas continuam a fugir às teias da lei e continuam habituados à
impunidade.
Preocupados com a degradação do Estado de Providência, contra o
clientelismo dentro do estado. Uma visão negativa face à Igreja, que é vista
como uma instituição rígida nas suas convicções, hierarquizada. As formas
Armadas perderam o valor outrora alcançado.

Estudos de opinião efectuados em Portugal sugerem existir algum grau de


interesse pela política e uma postura mais critica em relação às instituições
democráticas. Os indivíduos interessados pelos assuntos políticos depositam
menor confiança nas instituições e são mais críticos em relação ao seu
desempenho.

As gerações mais novas têm os olhos postos na Europa. Os países Europeus


repartem, entre si, um mesmo passado cultural, económico e político. Têm sido
caracterizados durante séculos por padrões de desenvolvimento semelhante.

Hoje, o mundo está confrontado com uma crise do governo. Os Estados-Nação


soberanos são incapazes de resolver os grandes e grandes problemas que
derivam da sua interdependência crescente. A incapacidade dos estados deve-
se ao Estado-Nação ser um complexo centralizado e burocrático, servindo a
conservação do poder e afastando-se cada vez mais dos indivíduos.
A dimensão nacional tornou-se insuficiente para assegurar o crescimento
económico, a protecção ambiental, a justiça social, a tomada de decisões
democrática e o desenvolvimento sustentável. Dai que, mesmo que possuindo
uma forte identificação nacional, avaliam positivamente instituições /
organizações internacionais.
Indivíduos da faixa etária do 40 aos 50 anos, com instrução média, que
habitam, na sua esmagadora maioria nos centros urbanos e que viveram o 25
de Abril na sua juventude, que assistiram a mudanças radicais no quotidiano de
suas vidas – liberdade de expressão, introdução de salário mínimo nacional,
implementação, ainda que incipiente, do serviço nacional de saúde e
segurança social, etc.; que participaram com entusiasmo no desenvolvimento
económico do pais e que beneficiaram dele – aquisição de melhores casas,
carros novos, equipamentos vários e, sobretudo, da inovação tecnológica da
informação; são hoje uma mole humana desencantada e que, por vezes,
mostram alguma nostalgia dos valores do Estado Novo.
Dai a sua insatisfação com a classe politica, de que desconfiam, com o sistema
judicial, que consideram não responder às necessidades prementes de um
Estado democrático – corrupção, criminalidade, impunidade dos que possuem
riqueza etc.

Por outro lado, voltaram-se novamente para o futebol, tal como no período
anterior ao 25 de Abril, como lenitivo para as suas mágoas, frustrações e
decepções, perdendo a combatividade crítica e mobilização para questões
nacionais que lhe dizem directamente respeito – emprego, poder de compra,
segurança social, saúde e educação.

Assim, ao refugiarem-se no lenitivo futebolístico, alheiam-se dos problemas e,


pior ainda da participação democrática no país. Cada vez mais se abstêm nas
eleições nacionais e autárquicas, para não mencionar as eleições europeias.
Procuram sofregamente programas de entretenimento “cor-de-rosa” e
desinteressam-se dos culturais. As, outrora, respeitadas Forças Armadas são
agora consideradas um sorvedouro inútil de dinheiros públicos que deveriam
ser canalizados para os serviços básicos, que consideram estar decadentes.

Em relação à União Europeia, apenas se interessam pelos fundos


económicos, tão anunciados pelos políticos nacionais, e pela sentimento de
segurança que esta lhe inspira na prevenção de golpes de estado anti
democráticos e na possibilidade poderem recorrer ao Tribunal Europeu quando
se vêem ameaçados nos seus direitos nacionais. Quanto à perda de soberania
em sectores importantes como a moeda e decisões comunitárias políticas, não
reagem, mostrando um conformismo impressionante.

Por outro lado, indivíduos num escalão etário superior, iletrados ou com um
grau de instrução muito baixo, socializados em ambientes de relativa escassez
material, reduzidas redes de protecção social e insegurança física (guerras)
valorizam mais o bem estar material (crescimento económico) e a paz (forças
de segurança fortes) - valores materialistas.

Têm uma fraca ou nula mobilização cognitiva, são indivíduos com um maior
alheamento em relação a um comprometimento com a política, legitimador de
um modelo de participação dirigido por elites, indivíduos que estão satisfeitos
com o funcionamento da democracia e das respectivas instituições. Estão
acomodados, têm receio de mudança (do desconhecido). Possuem uma maior
desconfiança em relação aos políticos “são todos iguais”

Manipulados pelas elites politicas com promessas não realizáveis,


consubstanciam-se, apenas, na participação eleitoral, mostrando um grande
desinteresse por assuntos relativos à União Europeia e a outras Organizações /
Instituições internacionais.

Para estes indivíduos, a igreja continua a ser uma instituição credível e um


refúgio para as suas angústias e medos, procurando ai apoio espiritual e
também, não menos importante, convívio que lhes mate a solidão, ainda que
por curtos interregnos. São pessoas que por ambição têm apenas a satisfação
de necessidades básicos.

Dão grande importância às Forças Armadas, que vêm como sendo uma
instituição respeitável e íntegra, trabalhando em prol do bem da nação, com
algumas lembranças devido à guerra colonial e ao 25 de Abril de 1974.
O sistema de valores destes indivíduos tendem a gerar uma certa tendência
para a intolerância face aos estrangeiros e imigrantes, que são vistos como
(mais) uma ameaça à segurança material e à ordem social.