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ANÁLISE DO PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO O PODER SIMBÓLICO

Wagner Felippe1

INTRODUÇÃO

A realidade não pode ser definida, uma vez que não se pode delimita-la com
precisão, todavia, para longe da ficção, a realidade é pressuposição do existir. Se
existe algo ao invés do nada, existe realidade. Da discussão puramente linguística
ou pseudofilosófica podemos pular para o mundo político do século XXI, não sem
perdas, mas podemos.
O mundo social e politico se engendram num jogo de forças complexo, no
qual os interesses pessoais, grupais, étnicos, nacionais etc. lutam entre si, em uma
guerra quase que aleatória, de tão complexa. Nesse contexto, Bourdieu (1989)
surge com uma explicação perspicaz de como realidade é construída, imposta e
mantida muitas vezes sem se dar conta disso.
TEORIA DO PODER SIMBÓLICO
Podemos chamar de símbolo, aquilo que vai além de si. O símbolo não é um
fim em si mesmo, necessariamente ele é de natureza transitória apontando para
algo além de si. Aqui se centra, grosso modo, o dissertado por Bourdieu no primeiro
capitulo de sua obra. O sistema simbólico seja religião, arte, linguagem etc. Traz
uma realidade além de si, mais profunda, estabelecendo-se assim o poder simbólico
por meio dos sistemas simbólicos.
Bourdieu cria barreiras para o desenvolvimento de sua teoria do simbolismo,
delimitando assim o conceito, um exemplo se dá em Hegel. Hegel por meio da
dialética caminhava rumo a uma espécie de “espirito absoluto” ou “teoria de tudo”.
Para Bourdieu o simbolismo não se trata disso, logo podemos perceber que o poder
simbólico não corresponde à realidade completa, mas a uma parte dela.
O poder simbólico não é o tudo, mas uma parte significante ao ponto de
influenciar todo o restante. A essa altura o teor abstrato se faz necessário, uma vez
que o poder simbólico é muito abrangente e ao mesmo tempo muito imperceptível.
O poder simbólico, assim, trata-se de uma espécie de poder invisível, onde é aceito
de modo profundo, por mais que possa ser negado superficialmente. Por isso, figura
em todos os lugares, ao passo de que não figura em lugar nenhum, estabelecendo
assim um paradoxo.

Bourdieu entende que os sistemas simbólicos são estruturas estruturadas e


por sua vez estruturas estrutantes, o que no fim deságua em instrumentos de
dominação, em especial no caráter social. Bordieu na companhia com referencia de
Durkheim postula que as estruturas simbólicas estruturam porque são estruturadas.
Desse modo, a estrutura social tem seu análogo na estrutura lógica. Assim, o

1
Aluno do 1º ano do curso técnico de eletrotécnica.
sistema simbólico se impõe por meio das estruturas simbólicas para a modelação da
realidade social, que nesse caso é o fim de toda ação.

Grosso modo, a partir da produção simbólica do sistema simbólico, o poder


simbólico é legitimado o que constantemente leva a dominação de uma classe pela
outra. A partir daqui Marx se impõe com influencia tremenda, uma vez que ele
prioriza a função politica dos sistemas simbólicos por meio do antagonismo das
classes.

É invariavelmente mais fácil de perceber como todos esses conceitos se


portam diante dos contornos da ideologia. Não é difícil notar como a ideologia ao
longo história serviu para subalternizar uma classe de pessoas, convencendo-as
disso, por meio da comunicação, que ao passo que as rebaixava, unia elas de algum
modo, atingindo assim o consenso e esterilizando simbolicamente o antagonismo.

O PODER SIMBÓLICO NA ATUALIDADE

Um simples exemplo poderia demonstrar de como o poder simbólico é ainda


muito existente, ironicamente imperceptivelmente como se é por natureza. O
exemplo da escravidão no século XXI.

Naturalmente os sistemas simbólicos sustentam de algum modo e dá


legitimidade a escravidão ainda hoje. Essa escravidão só pode existir de maneira
eficaz se as pessoas acreditarem que ela já existiu, mas não existi mais. Ela só pode
existir se a liberdade for simbólica e existir um consenso de que socialmente ela é
mais real, ao passo de que a escravidão foi abolida nos séculos passados.

Um exemplo de sistema simbólico é a educação. Ao passo que se prega que


escravidão é o que existiu e foi abolido, pressupõe-se que não mais existe porque é
um fato histórico, não uma condição social. Assim é possível proclamar como
liberdade entre o empregado e o empregador a decisão do horário de almoço,
mesmo quando se sabe que o limite mínimo foi reduzido drasticamente deixando a
parte mais fraca em vulnerabilidade ao passo que grandes conglomerados
econômicos se apropriam da mão de obra do trabalhador, como um dono se
apropria do escravo. E tudo isso pode ser visto sustentado dentro dos moldes que
Bourdieu propôs, por meio do poder simbólico.

A ressalva que deve ser feita é que nos moldes da teoria do poder simbólico,
até quem expõe esta realidade não vista, pode está fazendo uso dela mesma para
outros interesses, o que pode ser visto no caso também de alguns “movimentos de
esquerda”, ironicamente.