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FRAGMENTAÇÃO E OS SEUS

IMPACTOS
Globalização

13 DE DEZEMBRO DE 2017
MAFALDA MARTINS
Subturma 4
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Índice
Introdução ..........................................................................................................................2
Cadeias Globais de Valor e Teoria das vantagens comparativas……………….…….....3

“Work forces”………………………………………………………………...………….5

Questão do dumping…………………………………………………………………….6

Terminologia dos fenómenos…………… ..........................................................……….6

Investimento estrangeiro e exportações…………………….…………...………………7

O diamante de Porter………………………………………………..…………………..9

Questão da industria da moda …………………………….…………………………….9

Serviços………………….……………..........................................................................10

Custos………………………………………………………….……………………….11

Conclusão………………………………………………………………………………12

Anexos………………………………………………………………………………….13

Bibliografia…………………………………………………………………………..…15
Página 2 de 15

Introdução
Este trabalho irá ser realizado no âmbito da cadeira de Economia Internacional,
optativa do 1ºsemestre do 3º ano da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. O
tema escolhido teve em consideração, os temas que se encontravam incluídos no
programa apresentado pelo professor regente Pedro Infante. A minha decisão em escolher
este tema, deve-se ao facto de ser um tema abrangente que, para além de conseguirmos
analisar aquilo que nos rodeia, e ao qual estamos sujeitos, também nos dá a liberdade para
discutir os impactos negativos que esta fragmentação tem tendo em conta princípios de
humanidade e dignidade da pessoa humana.
Ocorreu uma redução dos custos envolvidos no comércio, principalmente a partir
da segunda metade do século XX, em que se tornou possível levar os produtos das etapas
intermediárias de um lugar a outro do globo, de maneira rápida e barata. Não se trata
apenas aqui de uma redução vertiginosa dos custos de transporte, mas também
relativamente a todos os obstáculos ao fluxo de mercadorias e serviços, como por
exemplo, tarifas de importação, barreiras não tarifárias e regulamentos alfandegários.
Para isto, contribuíram também os avanços na tecnologia de informação e comunicação,
principalmente a partir da década de 80, onde se possibilitou coordenar à distância as
diferentes etapas interdependentes. A fragmentação do processo internacional de
produção consiste numa especificidade da segunda onda de globalização. O primeiro fator
para a segunda onda de globalização, foio GATT, que veio trazer a não discriminação e
transparência do comércio internacional, através da cláusula da nação mais favorecida
por exemplo. Também a ter em conta neste âmbito, a União Europeia. Atualmente
existem mais de 400 acordos preferenciais. Alguns autores afirmam que dos quatro
critérios apresentados por Paul Krugman, para caraterizar o comércio internacional na
atualidade, este é o único que é verdadeiramente original.
A globalização tem estado associada ao desenvolvimento de um novo paradigma
de organização da produção a nível internacional. Este novo paradigma tem sido objeto
de estudo na literatura sob diversas denominações: “desintegração da produção”,
“deslocalização”, “especialização vertical”, “fragmentação”, “outsourcing” entre outras.
A fragmentação internacional de produção, pode também ser designada por
deslocalização, ou seja, a transferência de parte de produção de certos bens e serviços
para outros países, gerando uma relação entre os processos de produção nos vários países,
em que cada um se especializa numa etapa especifica da produção, e comercializam entre
si o bem em causa. O fundo monetário internacional defende que a fragmentação da
produção remonta aos anos 60, quando componentes eletrónicos começam a ser montados
em Hong Kong, Tailândia, Malásia e Singapura.
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Cadeias Globais de Valor e a Teoria das Vantagens comparativas


O crescimento do mercado mundial tornou-se uma fragmentação do processo de
produção, em que tudo gira em volta de cadeias globais de valor. Isto tornou-se possível
devido a uma redução nos meios de transporte e comunicação, à abertura das politicas e
à revolução tecnológica e de informação.
A cadeia global de valor designa o processo pelo qual os bens e serviços finais são
produzidos com recursos e fatores de produção originários de diversos países e não apenas
da economia nacional. Em principio, um país deve exportar para outro que já detenha um
grande mercado interno (the market effect), visto que nesse caso, a oportunidade de
explorar economias de escala e conseguir custos médios de produção mais reduzidos é
mais significativa. 1 A ideia de que a divisão do trabalho aumenta a eficiência e reduz os
custos é de facto muito antiga, como percebemos pelo exemplo dado por Adam Smith,
relativamente à fábrica de alfinetes. No entanto, este exemplo de Adam Smith baseia-se
numa única fábrica. Numa cadeia global de valor a questão difere, já que as etapas de
produção de um bem não ocorrem todas no mesmo lugar. O setor eletrónico é aquele onde
provavelmente esta mais presente o conceito de cadeia global de valor. Por exemplo, nos
casos da Nokia, iPad, iPhone e todos os produtos da apple, sendo que o preço dos iphones
aumentaria entre 10% a 100% se fossem elaborados apenas com recursos americanos.
Cada país especializa-se nas partes que se encarrega, como por exemplo, no caso
da China, que é responsável pelas peças dos iphones. O comércio na atualidade não é uma
guerra, como os mercantilistas o percecionavam, trata-se antes de tentar anular os
obstáculos ao comércio internacional e facilitação das trocas comerciais. Este fenómeno
denomina-se de teoria das vantagens comparativas, formulada por David Ricardo. O que
é relevante nesta teoria não é o custo absoluto da produção, mas a razão de produtividade
que cada país possui, sendo este conceito muito importante para a teoria do comércio
internacional. A cadeia global de valor vê o comércio como uma corporação e não como
uma competição em que se ganha ou perde. Esta questão encontra-se no anexo 1A do
Acordo da Organização Mundial de comércio. fragmentação os bens são importados,
consequentemente exportados, dando-lhes valor.
Parece haver uma correlação positiva entre a participação nas cadeias globais de
valor e o aumento do PIB per capita. Os dados relativos ao comércio internacional são
expressos em termos de produção bruta, enquanto que o PIB é o valor acrescentado
internacionalmente da produção de um determinado bem. É muito fácil os países terem
exportações superiores em relação ao PIB, já que, o PIB só tem em conta o valor
acrescentado. É possível definir o país globalmente em termos nacionais com o PIB.

1
Guapo Costa, Carla; “Temas de relações económicas internacionais”; novembro de 2010
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Segundo a “Curva do Sorriso”, as fases pré e pós-produção têm mais valor. A


conceção e o marketing acrescentam mais valor ao produto do que a manufaturação que
se encontra no meio desta curva do sorriso. O peso dos componentes intermédios é
relativamente elevado perante o produto final. Por exemplo o chip de um telemóvel. Este
conceito de “curva do sorriso” foi inserido pelo fundador da Acer Stan Shih.2
A especialização vertical corresponde ao peso das importações nas exportações.
Uma elevada especialização vertical corresponde a um elevado grau de envolvimento do
país nas cadeias globais de produção. Consequentemente, a especialização internacional
tornou-se bidimensional, com os países a especializarem-se verticalmente em certas fases
do processo de produção de algumas categorias de produtos finais. A fragmentação
revolucionou as opções de desenvolvimento dos países mais pobres. Por força desta
fragmentação, é mais fácil para os países em desenvolvimento estarem presentes na
economia internacional.

Figura 2– Através desta tabela


conseguimos analisar que o
comércio Norte-Norte diminuiu
bastante, ao contrário do comércio
com o Sul que aumentou num
período de 20 anos.
Fonte: World Trade Center, 2013

É necessário que os países em desenvolvimento tenham uma especialização, ou


seja, uma produção fordista. O principio das vantagens comparativas deve ser
interpretado em termos de tarefas, etapas ou industrias. A existência de cadeias globais
de valor reduz os incentivos por parte das grandes empresas.
Um grande exemplo do impacto das economias de escala a nível internacional, foi
o que ocorreu entre os Estados Unidos e o Canadá nos anos 60 a nível das trocas de
automóveis. A Indústria Canadiana era controlada pela mesma firma que os Estados
Unidos. A firma estava convencida de que a produção separada seria mais barata, mas
acabou por perceber que esta escala menos seria uma desvantagem. A produção
americana era responsável por produzir unicamente um componente, ao contrário da
canadiana que não era tão especializada, e tinha uma produtividade mais reduzida,
comparando com a dos Estados Unidos. Para resolver esta problemática reorganizaram a
sua produção através do estabelecimento de uma área de trocas livres de automóveis.
Tanto as importações como as exportações aumentaram exponencialmente. 3
O crescimento do mercado mundial tornou-se uma fragmentação do processo de
produção. Os consumidores de vários países pretendem consumir uma variedade de
produtos. Assim sendo, o comércio internacional torna possível tirar vantagens das
economias de escala, sem sacrificar a variedade no consumo. O aumento da concorrência
exige cada vez mais uma variedade de produtos, portanto o aparecimento de um novo
produto leva à quebra da procura dirigida a todos os outros. A gama de produtos e setores
é cada vez mais extensa, logo, a produção fragmentada torna-se cada vez menos uma

2
Infante Mota, Pedro; “A fragmentação Internacional da Produção”; 2016
3
Krugman, Paul; “Internacional Ecomics, Theory & policy”; 9º edição; 2012
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opção, e mais necessidade. A fragmentação não implica necessariamente um aumento


correlativo da produção. É cada vez mais trabalhoso averiguar a origem do produto, e se
o mesmo está sujeito a direitos aduaneiros, havendo uma maior dificuldade no que diz
respeito à fiscalização.

“Work forces”
O rápido crescimento das exportações dos produtos manufaturados, por parte dos
países que produzem preços baixos, como por exemplo no caso da China. Apesar de tudo,
a China mantém-se um país pobre pelo rendimento per capita de 20%, em relação aos
países desenvolvidos. Os salários são mais reduzidos, assim como reduzido é o regime de
proteção laboral, o que consiste num ponto de debate relativamente à globalização, até
em termos da redistribuição da riqueza. Os salários revelam diferenças na produtividade,
já que, um salario menor causa uma produtividade reduzida, sendo que, 80 a 90% das
diferenças deve-se a este fator, segundo Dani Rodrick.
A Acão dos governantes é fundamental para haver uma convergência
regulamentar. Assim como, as empresas privadas com os países em comercializam para
cumprir determinadas regras de trabalho, como códigos de conduta que podem ser
vinculativos. O aumento do comércio associado a esta fragmentação não tem como
proporcional um aumento da produção. Potencia a competitividade das empresas
manufatureiras dos países desenvolvidos. São muitos os incentivos à redução dos
obstáculos do comércio internacional, o que vai incidir sobre o valor bruto das
importações e não sobre o valor acrescentado. O trabalhador chinês tem menos tecnologia
e menos instrução e menos experiência. Com o tempo, os salários aumentam å medida do
aumento da produtividade. No entanto, existem forças que podem dificultar a
concentração das empresas. Por exemplo, a expansão da produção de manufaturas
implica uma maior força de trabalho, o que eventualmente, significa o aumento do custo
dessa força de trabalho, o que representará um desincentivo para a persistência do
momento de concentração. Os salários na China aumentam 10% por ano. A classe média
na China e na India estima-se que vai triplicar. 4Assim sendo, muitas das empresas estão
a optar por outros países, ou a voltar ao Ocidente, causando um fenómeno denominado
flying. Tal ocorria por exemplo no programa “Make it in America”, onde se oferecia 40
milhões de dólares norte-americanos para projetos que promovessem o desenvolvimento
económico regional e formação especializada. O objeto central deste programa era
apressar o processo de relocalização. 5
A fragmentação levou a um consenso internacional sobre os direitos do trabalho,
na “Declaração relativa aos princípios e conceitos fundamentais do trabalhador”. Ou seja,
aa proibição do trabalho escravo, a liberdade de associação sindical, eliminação das piores
formas de trabalho infantil e a proibição da discriminação de homens e mulheres. Por
exemplo, em relação às coreias, coreia do Norte tinha uma maior evolução, hoje é
completamente a contrario. A coreia do Sul até cresceu mais que a China. Isto devido à
autarcia por parte da Coreia do Norte e o seu fechamento relativamente ao comércio
internacional. O comércio internacional é assim uma conditio sine quo none para a
evolução, causando uma maior inovação, taxa de inflação menor, preços mais baixos e
realização de economias de escala. 6

4
Rodrik, Dani; “The Globalization Paradox”;2010
5
Infante Mota, Pedro; “A fragmentação Internacional da Produção”; 2016
6
Krugman, Paul; “Internacional Ecomics, Theory & policy”; 9º edição; 2012
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Questão do dumping
É ainda importante referir a problemática do dumping, que consiste numa prática
comercial, em que uma ou mais empresas venderem os seus produtos, mercadorias e
serviços por preços excessivamente baixos, abaixo do valor justo de outro país. 7 Neste
sentido houve a necessidade de criar medidas anti-duming. Nos Estados Unidos e noutros
países, dumping é considerado uma prática competitiva injusta. Empresas dos E.U.A
afirmaram que foram prejudicadas por empresas estrangeiras que realizaram esta prática.
No entanto, a consideração de que houve um prejuízo, deve ser analisada pela comissão
de comércio internacional, que rejeita cerca de metade dos casos. Contundo, este preço
justo pode intervir com práticas normais de negócios. Os economistas têm-se vindo a
pronunciar pela negativa no que diz respeito a esta consideração do dumping, já que,
diferentes preços para diferentes clientes é algo perfeitamente legitimo, como ocorre no
caso de viagens para estudantes. Um estudo do Swedish National Board of Trade sobre a
indústria do calçado europeia destaca que os sapatos fabricados na Ásia incorporam entre
50 % a 80% do valor acrescentado europeu. Assim sendo, as medidas antidumping
aplicadas pela Comissão Europeia, em 2006, aos sapatos importados da China e Vietname
incidiram, igualmente, sobre o valor acrescentado na Europa.8

Terminologia dos fenómenos

A fragmentação leva ao surgimento de três fenómenos:


 Offshoring – Uma empresa transfere parte das suas tarefas para
uma empresa localizada noutro pais, mas continua proprietária dessas operações.
Por exemplo a Intel produz microprocessadores na Costa Rica e na China, sendo
proprietária. Este fenómeno tem crescido de forma dramática na última década,
sendo uma das maiores razões pela difusão dos serviços a nível internacional.
 Outsourcing – Uma empresa deixa de levar a cabo certas
atividades, sendo feitas noutra empresa. Esta pode ocorrer a nível interno, ou seja,
no mesmo pais ou a nível externo, noutro pais. A Mattel produz a barbie, contrata
empresas noutro pais, mas não é proprietária. No caso da boneca barbie, ela e
desenhada na sede da Mattel na Califórnia, o petróleo é refinado e transformado
em plástico para produzir o corpo da boneca, o cabelo é nylon, produzido no
Japão, a roupa de algodão tem origem chinesa e a montagem tem lugar na
Indonésia e na Malásia. 9Assim como, a gillette, onde primeiramente se limitou a
áreas de pouco valor acrescentado para o cliente e mais tarde foi-se orientado para
a obtenção, o exterior, de competências que não possuía no seu interior.
Caso os preços do petróleo aumentem num nível bastante elevado, as cadeias de
abastecimento vão ser afetadas e ocorre um incremento do near-shoring. Ou seja, tem se
vindo a estipular o retorno ao país de origem, por exemplo para que o fabrico volte para
os Estados Unidos. Uma catástrofe que ocorreu no Japão, fez com que, os Estados Unidos
não pudessem fornecer as peças para os carros. Uma empresa dos E.U.A é considerada
controlada não de forma nacional, se 10% ou mais do seu stock é levado a cabo por

7
Ter em conta anexo 1
8
Infante Mota, Pedro; “A fragmentação Internacional da Produção”; 2016
9
PowerPoint fornecido pelo professor regente
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empresa estrangeira. A ideia que aqui está subjacente é que 10% é suficiente para se
considerar um controlo efetivo. 10
Logo que Donald Trump foi eleito presidente dos E.U.A, uma das suas principais
preocupações era que as empresas americanas voltassem ao seu país de origem. Assim
sendo, uma noticia de 2016/12/4 demonstra incentivos para que estas empresas voltem
para os E.U.A. 11O presidente pretendia reduzir substancialmente os impostos e as
regulações das empresas, com uma ressalva: aquelas que decidem sair do país vão ter de
lidar com as consequências disso mesmo, ou seja, uma subida de impostos para 35% nos
produtos que venderem no mercado norte-americano. Desta forma, sair do país torna-se
verdadeiramente difícil e pouco apelativo.
 Neorshoring – Uma empresa posiciona parte, ou na totalidade as atividades
relevantes com valor acrescentado num país geográfico, económico e cultural
próximo do seu país de origem. Estes países nos quais é transferida a produção
são países próximos com salários mais baixos, denominadas as factory economics,
que criaram cadeias de fornecimento regionais (factory Asia, Factory North
America e Factory Europe).12 Por exemplo a existência de call-centers na Jamaica
que presta serviços aos Estados Unidos, porque a mão de obra é mais barata,
acarretando menores custos.

Investimento estrangeiro e exportações


A informação e o conhecimento são referidos como fatores críticos para a
expansão das empresas nos mercados exteriores. Assim, a preceder a internacionalização
de mercados, é necessário um processo de recolha e análise de informação. Na Europa o
comércio livre é especialmente importante porque a população encontra-se muito
envelhecida, enquanto que na Ásia a população cresce. Só na India aumentou 8% e na
China aumentou 6%. Os efeitos da exposição do comércio livre não são vistos da mesma
forma no interior que pode vir a ser prejudicado. Com a abertura do setor têxtil ao
comércio internacional em Portugal, algumas empresas faliram. Porém o número de
beneficiados é maior do que os prejudicados, segundo o
critério de Kaldor Hicks. Figura 3 – Este gráfico
representa o investimento
que é feito para o
estrangeiro, desde 2007-
2009 e os países que
efetuam esse investimento.
Mais recentemente
empresas de grandes países
em desenvolvimento, como
a China e a India, têm
realizado significantemente
mais investimento a nível
estrangeiro do que outrora.
Fonte: Paul Krugman;
“Internacional Economics”

10
Infante Mota, Pedro; “A fragmentação Internacional da Produção”; 2016
11
http://observador.pt/2016/12/04/trump-empresas-que-saiam-dos-eua-terao-produtos-taxados-a-35/
12
Infante Mota, Pedro; “A fragmentação Internacional da Produção”; 2016
Página 8 de 15

Um input geralmente é uma matéria-prima, que será transformada, como por


exemplo na transformação de um automóvel, onde podem ser chamados de inputs as
partes metálicas, borracha, plástico e tecido que são essenciais para a fabricação do
automóvel. Alguns inputs são fornecidos a nível local, como é o caso da embalagem de
leite desnatado, mas outros são a nível global, como é o caso das avelãs que provem
principalmente da Turquia. 13 A relação input-output retrata as relações intersectoriais de
uma economia. Demonstra como o output de um setor é o input de outro setor. A
contribuição mais interessante das matrizes input-output diz respeito à possibilidade de
analisar impactos sobre a distribuição sectorial e comércio. O conhecimento do impacto
da procura sectorial poderá ser importante, particularmente se consideramos a
necessidade de dinamizar o crescimento de alguns sectores de atividade.14
Os mercados de maior dimensão como a França, a Itália e até mesmo a China
possuem uma participação menos relevante do que a dos países de menor dimensão. No
que diz respeito às cadeias globais de valor, os países em desenvolvimento são
essencialmente focados na realização de atividades intensivas em trabalho Segundo
Richard Nelson, economista da Colômbia, “O TRIPS permite que os países em
desenvolvimento usem as elevadas tecnologias que os países desenvolvidos usam, sendo
este um passo muito importante.”.15 No entanto, os países menos desenvolvidos podem
ser prejudicados pelo mesmo, tendo em conta os artigos 7º e 8º do Acordo.16 Alguns
economistas defendem que as cadeias globais de valor aumentaram a volatilidade do
comércio. No entanto, há uma menor vulnerabilidade a choques internos pela sujeição à
oferta e à procura estrangeiras. A organização mundial do comércio estima que as
fronteiras ao comércio custam cerca de 2 biliões de dólares americanos. 17
Na questão dos bens que são importados de um país para o outro, sendo estes bens
completos ou componentes, podem trazer problemas para o país que importa. Os
brinquedos chineses por exemplo podem ser um perigo para a saúde das crianças
americanas. Assim como, alguns bens que são exportados da Indonésia para os Estados
Unidos e para a Europa são manufaturados usando trabalho infantil. Estes são desafios
atuais que a globalização e a fragmentação nos impõem. Há aqui uma necessidade de
existirem regras? E se sim, estas devem ser nacionais ou globais? Os países que importam
têm critérios menos rigorosos nestas questões, por isso possuem uma vantagem
competitiva nos países que essencialmente importam. O consumidor dos bens não
consegue distinguir se aquele brinquedo pode ser prejudicial para a saúde ou se foi
manufaturado com recurso ao trabalho infantil.18
O Leste e Sul da Ásia são as regiões com uma elevada participação nas cadeias
globais de valor, para além das exportações do produto final, também exportam produtos
intermediários que são utilizados nas exportações de outros países, considerando-se
essencialmente que estes estão no meio das cadeias globais de valor. Aqueles países que
possuem um maior grau de autossuficiência na exportação de produtos têm taxas de
participação mais baixas.19 No caso português há uma grande importância das cadeias
globais de valor no que diz respeito ao setor da borracha e dos plásticos. O comércio

13
Infante Mota, Pedro; “A fragmentação Internacional da Produção”; 2016
14
www.observatorio.pt/download.php?id=211
15
Rodrik, Dani; “The Globalization Paradox”;2010
16
Ter em conta anexo 2
17
Infante Mota, Pedro; “A fragmentação Internacional da Produção”; 2016
18
Mr. Sumerajah; “The intenacional law of foreign investment”; 1994; Cambridge University Press
19
Krugman, Paul; “Internacional Ecomics, Theory & policy”; 9º edição; 2012
Página 9 de 15

internacional assume uma importância significativa para o setor da borracha e dos


plásticos. Em 2011, o setor exportava cerca de 50% da sua produção. Contundo, existem
poucos estudos sobre esta temática, ao contrário do setor do calçado, agroalimentar, têxtil,
agroalimentar e calçado.20
A Teoria de Heckscher-Ohlin previa que os Estados Unidos vão exportar para a
China bens, tendo em conta trabalho qualificado em larga medida. A china irá exportar
para os E.U.A bens pela qual o trabalho não qualificado é usado. Em 1990, investigadores
dividiram exemplos até 131 indústrias nu grupo de dez, tendo em conta as competências,
os investigadores concluíram que as trocas comerciais entre os dois países correspondem
a eta previsão.21

O diamante de Porter
Para Porter, as politicas governamentais não seriam o principal argumento para a
grande competitividade das nações, não considerando igualmente que a abundância de
determinado fator de produção num país possa ser a explicação factual da sua
competitividade internacional, embora não ignore a sua importância relativa. 22A politica
de um país é considerada relevante para a competitividade, mas não como fatores
determinantes e prioritários. A competitividade estrutura-se em três vetores: o vetor
empresarial, o estrutural e sistemático. Porter desenvolve os seus argumentos sobre a
vantagem competitiva dos países a partir do diamante.
O diamante incorpora as vantagens competitivas das nações a partir da
disponibilidade de fatores de produção, as caraterísticas da procura doméstica, indústrias
ligadas ao suporte e as estratégias e rivalidade das empresas. Relativamente ao papel do
Estado, Potter considera que o mesmo deve procurar a mudança, influenciando, através
das medidas adotadas, os determinantes das vantagens comparativas. Potter conclui que,
são os países desenvolvidos a deterem as melhores condições para a construção da
vantagem competitiva, tendo em conta que, as economias em desenvolvimento
apresentam fragilidades estruturais nas várias fases de produção.23

Questão da indústria da moda


A china é conhecida pela mão de obra barata, contundo os salários estão a
aumentar e esta situação está a alterar-se. Algumas marcas investiram na India, sendo
algumas delas originarias de Espanha, como é o caso da Zara e da Mango. A India é a
segunda economia que mais cresce hoje no mundo, com uma produção têxtil de larga
escala, especialmente no que diz respeito ao algodão e seda. A fragmentação permitiu
uma maior regulação por parte das grandes marcas, a nível laboral e ambiental.
A nível laboral pode ter consequências muito graves, o chamado “efeito CNN”,
como ocorreu com a Zara. Para as empresas, Nike, Gap e Adidas, o cumprimento dos
respetivos códigos de conduta é condição “for doing business” e, caso o fornecedor viole
o código, os contratos existentes podem ser denunciados. A empresa norte-americana

20
Santos, Ana Sofia dos Neves, “A inserção da economia portuguesa nas cadeias globais de valor: O caso
do setor da borracha e dos plásticos”; 2014
21
Carbaugh, Robert; “Internacional Economics”; 2002; 8ºedição
22
Guapo Costa, Carla; “Temas de relações económicas internacionais”; novembro de 2010
23
Guapo Costa, Carla; “Temas de relações económicas internacionais”; novembro de 2010
Página 10 de 15

Nike, por força da má publicidade associada a condições de trabalho não satisfatórias,


sofreu uma queda cumulativa de 19% no preço das suas ações entre 1996 e 2000.24
Walmart, uma multinacional estadunidense de lojas de departamento, foi alvo de vários
processos e problemas devido aos seus trabalhadores. Estes problemas envolvem baixos
salários, condições deficientes de trabalho, cuidados de saúde inadequados, assim como,
as politicas fortes do Walmart de anti-associações de trabalhadores.25 Outro exemplo dos
muitos de irresponsabilidade e de promessas vazias é a Gap, com sede em São Francisco,
Califórnia, E.U.A.
O México e as Caraíbas têm diferentes razões para serem consideradas industrias
manufatureiras de moda. O custo do trabalho nestes países é geralmente mais
dispendioso, mas as empresas americanas produzem nesses países por razões geográficas.
26
A indústria da moda começa na agricultura e termina nas lojas, significando que uns
grandes números de pessoas estão envolvidas neste processo. Este tipo de negócio
envolve quintas, fábricas, associações de trabalhadores, os chamados trabalhadores de
colarinho branco, designers, artistas criativos, profissionais de marketing entre outros.27
Os autores salientam ainda que as atividades mais importantes neste setor do vestuário é
o design, no desenvolvimento da marca e respetivo marketing dos produtos. Estas
atividades são normalmente efetuadas por empresas de países desenvolvidos.
Nas últimas décadas o vestuário tem diminuído bastante o seu valor, tendo em
conta, uma mentalidade de roupa feita em grandes quantidades e rapidamente, ao
contrário das modistas que as nossas avós se lembram. Portanto, as roupas da moda são
mais baratas que nunca, o que é ótimo para quem as compra, mas não para quem as
fabrica. O filme “Operárias do mundo” de 2000 aborda esta questão da fragmentação na
indústria da moda. No outono de 1998, a marca Levi’s anuncia a intenção de reestruturar
as suas atividades na Europa, transferindo para o estrangeiro a produção. Na Bélgica e
França, operárias vivem os seus últimos meses de trabalho na fábrica, enquanto que na
Turquia, nas Filipinas e na Indonésia outras operárias, lhe fazem, sem intenção, uma
concorrência fatal, sem obter os restivos frutos desse trabalho.28 Um sentimento de
impotência enorme persiste, face à globalização económica implacável, ao mesmo tempo
que as negociações acontecem. Este documentário aborda a questão da dignidade e a
humanidade dessas mulheres que lutam pelos seus direitos.

Serviços
Os serviços desempenham um fator importante, maior do que aquele que é
apresentado elas estatísticas. Os serviços representam 40% do comércio mundial além-
fronteiras em termos de valor acrescentado e 20% dos fluxos de comércio em termos
brutos. Esta enorme diferença deve-se ao valor dos serviços incorporados em bens
manufaturados e que são uma questão em branco, no que diz respeito às estatísticas

24
Infante Mota, Pedro; “A fragmentação Internacional da Produção”; 2016
25
https://www.reuters.com/article/walmart-safety/corrected-wal-mart-finds-safety-issues-at-bangladesh-
factories-idUSL2N0J304S20131118
26
Rodrik, Dani; “The Globalization Paradox”;2010
27
Regina Benatti, Maísa; “Os efeitos da globalização na indústria da moda” Lisboa, FAUL, outubro,
2016
28
http://www.cinefrance.com.br/acervo/operarias-do-mundo-2000
Página 11 de 15

tradicionais. 29O impacto dos serviços nos produtos manufaturados é maior do nos países
desenvolvidos do que nos países em desenvolvimento. A fragmentação depende cada vez
mais do acesso a serviços baratos e fiáveis, para que seja competitiva. Os países com
maior peso dos serviços na economia são aqueles que produzem os bens mais complexos
na cadeia de produção. Neste sentido, há quem fale no fenómeno de servicification.

Custos
A globalização para além dos efeitos positivos que foram mencionados ao logo
do trabalho, como a fragmentação ter reduzido em 20% o trabalho infantil, esta também
tem graves efeitos negativos. Alguns autores fazem foque para o facto de a globalização
dar uma máxima importância às questões económicas, em detrimento das questões
sociais. A questão que se coloca, é se a globalização tem contribuído para erradicar a
pobreza, ou se tem contribuído para aumentar essas disparidades.
Os custos desta globalização são o facto de estarem sujeitos custos aduaneiros,
supervisão e coordenação, a língua e as leis de outro país. Quanto maior for a cadeia,
maiores são os custos. Uma vez que os fluxos comerciais internacionais e os ritmos de
crescimento económico se tornam mais sincronizados entre países, tende a haver uma
maior propagação global das recessões económicas ou catástrofes aturais, pois se tiverem
um impacto sobre determinada industria, afetam a sua cadeia de produção. Por exemplo,
o fornecimento de certos pigmentos de tinta por uma empresa japonesa afetada por um
tsunami em 2011, limitou a disponibilidade de algumas cores de construtores norte-
americanos de automóveis como a Ford.30
Como já foi dito anteriormente, há na atualidade um maior perigo ocorrerem
recessões económicas e de maior amplitude. No entanto, ao contrário do que ocorreu com
a Grande depressão, a contração económica global de 2008-2009 não criou nenhum
surgimento de normas protecionistas. Visto que, há um interesse comum entre os países
em evitar a difusão do protecionismo, pois as barreiras ao comércio poriam em causa as
oportunidades de comércio. Para além disso, esse interesse ainda é mais notável, visto
que, poderia ter havido um aumento dos direitos aduaneiros sem que houvesse uma
violação do art.III, nº1 do Gatt de 1994. 31 O crescimento das cadeias globais de
abastecimento torna mais difícil a adoção de medidas protecionistas por parte dos
governos nacionais, uma vez que essas medidas aumentarão os custos de produção das
empresas nacionais, e reduz significativamente os incentivos à apresentação de pedidos
de proteção por parte das empresas. Com a crise que ocorreu nos anos 2008-2009 deu-se
alguma fragmentação do processo internacional, acordos múltiplos internacionais forma
feitos e foram tomadas algumas medidas protecionistas, mas não em grande escala. Um
indicador do aumento da fragmentação internacional da produção ao nível da industria
transformadora é dado, de facto, pela parcela crescente de peças e componentes nos fluxos
de comércio mundial. Atualmente o comércio de produtos intermédios representa cerca
de 56 % do comércio mundial no caso das mercadorias e 70% no caso dos serviços.

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Infante Mota, Pedro; “A fragmentação Internacional da Produção”; 2016
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Conclusão
Com este trabalho conclui que embora o comércio internacional tenha as mais
variadas vantagens, este também tem as mais variadas vantagens. Nós, seres humanos
evoluímos bastante ao logo dos séculos e que era antes impensável, hoje é uma realidade,
o que era feito com uma enorme dificuldade, hoje é mais fácil fazê-lo. No entanto, há que
questionar: “A que custo?” Somos uma sociedade materialista, que se deixou corromper
pelo materialismo, que deixou de ter em atenção aquilo que é mais importante e que se
deixou levar sem ter em conta as consequências dos seus atos. 32
Neste processo fragmentado podemos concluir que há vencedores e há
perdedores, e importa muito pouco os perdedores, que as suas perdas poderão ser apenas
temporárias, ou que os vencedores ganham mais do que aquilo que os perdedores perdem,
havendo assim uma compensação. Há uma certa crença no facto de a marginalização de
alguns países ser intrínseco ao próprio processo. Este fenómeno pode também consistir
num ataque à diversidade dos valores sociais, em relação às diferentes nações. O receio
de impor uma uniformidade também tem relevância na diversidade cultural. Uma grande
preocupação é o facto de as forças trabalhadoras obrigarem os países a adotar requisitos
mais baixos para haver competição, estado aqui subjacente um “race to the bottom” para
onde caminhamos. 33
As mudanças que ocorreram no mundo nas últimas décadas, contribuíram para
que os modelos tradicionais, fossem completamente obsoletos. As novas contribuições
marcam posicionamentos menos abstratos, no que diz respeito, às politicas comerciais
dos países e sobre os padrões de trocas e competitividade internacionais.

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Carbaugh, Robert; “Internacional Economics”; 2002; 8ºedição
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Carbaugh, Robert; “Internacional Economics”; 2002; 8ºedição
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Anexo 1 – Medidas anti-dumping no Gatt


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Anexo 2 – Artigos 7º e 8º do Acordo Tripps


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Bibliografia
 Krugman, Paul; “Internacional Ecomics, Theory & policy”; 9º edição; 2012
 Infante Mota, Pedro; “A fragmentação Internacional da Produção”; 2016
 Rodrik, Dani; “The Globalization Paradox”;2010
 Regina Benatti, Maísa; “Os efeitos da globalização na indústria da moda” Lisboa,
FAUL, outubro, 2016
 Ribeiro Kailezer, Ana Catarina; “OS países em vias de desenvolvimento e a
globalização”; outubro, 2006
 Santos, Ana Sofia dos Neves, “A inserção da economia portuguesa nas cadeias
globais de valor: O caso do setor da borracha e dos plásticos”; 2014
 Carbaugh, Robert; “Internacional Economics”; 2002; 8ºedição
 Mr. Sumerajah; “The intenacional law of foreign investment”; 1994; Cambridge
University Press
 Guapo Costa, Carla; “Temas de relações económicas internacionais”; novembro
de 2010
 Apontamentos tirados das aulas teóricas do professor Pedro Mota Infante
 Infante Mota, Pedro; “Direito, politica e economia: História, conceptualização e
dimensão da globalização”; janeiro-março de 2013
 PowerPoint fornecido pelo professor regente