Vous êtes sur la page 1sur 54

Antonio Carlos Banzato A.

Santos
Rafael Lopes Sousa

Sociologia

Revisada por Rafael Lopes Sousa (setembro/2012)


APRESENTAÇÃO

É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Sociologia, parte in-
tegrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao aprendizado dinâmico e autônomo que a
educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é propiciar aos(às) alunos(as) uma apre-
sentação do conteúdo básico da disciplina.
A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidis-
ciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail.
Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br,
a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso,
bem como acesso a redes de informação e documentação.
Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suple-
mento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para
uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal.
A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar!

Unisa Digital
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO................................................................................................................................................ 5
1 INTRODUÇÃO À SOCIOLOGIA...................................................................................................... 7
1.1 O Nascimento da Sociologia........................................................................................................................................8
1.2 O Contexto do Pensamento Positivista....................................................................................................................8
1.3 Os Fundamentos do Positivismo................................................................................................................................9
1.4 Estratificação da Sociedade Positivista....................................................................................................................9
1.5 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................11
1.6 Atividades Propostas....................................................................................................................................................11

2 A SOCIOLOGIA DE DURKHEIM................................................................................................... 13
2.1 A Objetividade do Fato Social...................................................................................................................................14
2.2 A Consciência Coletiva................................................................................................................................................14
2.3 A Escola de Frankfurt....................................................................................................................................................15
2.4 A Indústria Cultural.......................................................................................................................................................15
2.5 Cultura de Massa............................................................................................................................................................16
2.6 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................18
2.7 Atividades Propostas....................................................................................................................................................18

3 ESCOLAS SOCIOLÓGICAS.............................................................................................................. 19
3.1 Escola Sociológica Europeia......................................................................................................................................19
3.2 Sociologia Alemã: a Contribuição de Max Weber.............................................................................................21
3.3 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................22
3.4 Atividades Propostas....................................................................................................................................................22

4 A SOCIEDADE SOB UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA................................................... 23


4.1 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................24
4.2 Atividades Propostas....................................................................................................................................................24

5 KARL MARX E A HISTÓRIA DA EXPLORAÇÃO DO HOMEM.................................... 25


5.1 O Método do Pensamento Marxista......................................................................................................................26
5.2 A Práxis..............................................................................................................................................................................26
5.3 A Mais-Valia......................................................................................................................................................................27
5.4 Modos de Produção.....................................................................................................................................................28
5.5 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................30
5.6 Atividades Propostas....................................................................................................................................................30

6 CONCEITOS DE SOCIOLOGIA....................................................................................................... 31
6.1 Estrutura Social...............................................................................................................................................................31
6.2 Status e Papéis................................................................................................................................................................32
6.3 Relações Sociais.............................................................................................................................................................32
6.4 Grupos...............................................................................................................................................................................33
6.5 Fenômenos Sociais.......................................................................................................................................................34
6.6 Relações Sociais.............................................................................................................................................................35
6.7 Fim ou Objetivos da Sociologia...............................................................................................................................35
6.8 Teoria Sociológica Geral..............................................................................................................................................36
6.9 Teorias Sociológicas Especiais..................................................................................................................................38
6.10 Pesquisas Sociológicas Concretas........................................................................................................................38
6.11 Leis Sociais.....................................................................................................................................................................39
6.12 Processo Social.............................................................................................................................................................40
6.13 Teoria do Indivíduo Social........................................................................................................................................41
6.14 Fato Social......................................................................................................................................................................41
6.15 Ideologia.........................................................................................................................................................................42
6.16 Alienação........................................................................................................................................................................43
6.17 Resumo do Capítulo..................................................................................................................................................45
6.18 Atividades Propostas.................................................................................................................................................45

7 GLOBALIZAÇÃO.................................................................................................................................... 47
7.1 Histórico............................................................................................................................................................................47
7.2 Globalização e/ou Mundialização...........................................................................................................................48
7.3 Meio Ambiente...............................................................................................................................................................50
7.4 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................52
7.5 Atividades Propostas....................................................................................................................................................52

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................................ 53
RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS...................................... 55
REFERÊNCIAS.............................................................................................................................................. 57
INTRODUÇÃO

Caro(a) aluno(a),
Bem-vindo(a) a esta nova modalidade de aprendizado.
A Sociologia possui uma quantidade enorme de pensadores. O objetivo geral de nosso estudo é
problematizar e confrontar as ideias, conceitos e teorias de alguns importantes pensadores que contri-
buíram para a afirmação da Ciência Sociológica. Esperamos, dessa maneira, fornecer a você um panora-
ma do pensamento sociológico desde o seu surgimento até os nossos dias.
Esta apostila e a disciplina, como um todo, buscam detalhar o contexto em que surgiu a disciplina
Sociologia e o legado que ela deixou para o mundo contemporâneo, repercutida na obra de seus prin-
cipais teóricos: Comte, Durkheim, Weber e Marx. Em seguida, analisaremos o desdobramento dos con-
ceitos das obras de cada um desses pensadores. A importância, a influência e que tipo de interferência
exerceu no modo de ser, pensar e agir do homem contemporâneo.
Nesse sentido, a apostila está organizada de forma a promover sempre um debate sobre, e com, os
autores, além de mostrar as transformações metodológicas e teóricas que as mesmas sofreram ao longo
do tempo. O assunto por ela abordado tem, assim, uma relevante importância para a compressão das re-
lações humanas em diferentes momentos históricos. Desde o século XIX, quando o projeto de sociedade
burguesa estava sendo engendrado, até o início do século XXI, quando esse projeto foi definitivamente
consolidado, nós temos o auxílio teórico dos mais diferentes segmentos da sociologia para pensar rela-
ções e o convívio do homem em sociedade. Nesse percurso, as contribuições de Augusto Comte, bus-
cando fundamentar a importância da técnica e da ciência nos primórdios do mundo urbano-industrial,
foram fundamentais. Em seguida, as análises críticas que Karl Marx faz desse mundo urbano-industrial
apontam para uma nova conformação social: a hegemonia burguesa. Max Weber é outro importante
autor que procura também estender o alcance das análises sobre o mundo burguês. Introduz, assim, no
campo sociológico uma análise inovadora que relaciona o desenvolvimento do capitalismo à religião
protestante. Émile Durkheim é outro importante autor que, com suas análises sobre os fenômenos dos
fatos sociais, lançou luz também para uma melhor compreensão das relações do homem em sociedade.
O estudo aprofundado desses autores subsidiará as nossas investigações sobre os temas mais ur-
gentes do mundo contemporâneo, como, por exemplo, o neoliberalismo e suas consequências humanas
e econômicas.
Será um prazer acompanhá-lo(a) ao longo deste percurso. Esperamos que, ao final dele, você seja
um cidadão mais pleno de seus direitos e mais consciente de seus deveres, só assim construiremos uma
sociedade mais plural e democrática onde a diversidade e as diferenças sociais, étnicas, culturais e reli-
giosas serão respeitadas.

Antonio Carlos Banzato A. Santos


Rafael Lopes de Sousa

5
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
1 INTRODUÇÃO À SOCIOLOGIA

Caro(a) aluno(a), cobertas pelo estudo e pela observação objetiva.


Neste capítulo abordaremos o tema do Entre outras contribuições, afirma: “o mundo so-
positivismo e a sua importância para as ciências cial é obra do homem”. Podemos entrever nessa
humanas. Esperamos que ao final dele você com- afirmação certo distanciamento das questões
preenda a importância desse sistema de pensa- mitológicas e o aprofundamento das reflexões
mento para a afirmação das ciências humanas e contra a interferência divina sobre a vida e o co-
a influência que exerceu sobre a organização das tidiano do homem. Tempos depois, Jean-Jacques
sociedades ocidentais. Vejamos então as suas Rousseau reconhece que a sociedade tem uma
principais contribuições. influência decisiva sobre a vida do indivíduo. Em
A Sociologia é uma ciência da observação. sua obra O Contrato Social afirma: “O homem nas-
Durante milhares de anos, os homens vêm refle- ce puro, a sociedade é que o corrompe”. Em ou-
tindo e tentando compreender o comportamen- tras palavras, Rousseau estabelece que o homem
to de seus semelhantes. As primeiras tentativas é um ser social.
de compreender a ação humana esbarraram-se, Conforme você pode perceber, as bases
todavia, em interpretações teológicas, mitoló- para a constituição do pensamento sociológico
gicas e muitas vezes fantasiosas. Assim, para os estavam, portanto, dadas. O fundamental agora
gregos, os fenômenos “sociais” tinham uma base era organizar para, em seguida, oferecer um sta-
de explicação mitológica, isto é, Zeus, senhor dos tus científico para essa nova maneira de pensar as
homens e dos deuses, era quem mantinha a or- relações humanas. Essa preocupação intensificar-
dem do mundo moral e físico. Na Idade Média, -se-ia no século XIX, quando autores, como Au-
os acontecimentos sociais estavam, por sua vez, gusto Comte, Émile Durkheim, Max Weber e Karl
relacionados a um princípio teológico que cingia Marx, estabelecem critérios mais objetivos para
a liberdade do indivíduo, visto que as explicações investigar os fenômenos sociais, emprestando a
para todas as mazelas sociais estavam fundamen- estes um caráter verdadeiramente científico. Es-
tadas no discurso da vontade “divina”. Obviamen- ses quatro pensadores são considerados os prin-
te, o homem sempre buscou escapar desses pen- cipais representantes da Sociologia Clássica. O
samentos totalizantes. Foi essa inquietação, aliás, objetivo deste curso é oferecer ao aluno elemen-
que fez o homem avançar no caminho da ciência. tos para a compreensão de alguns dos conceitos
De tal sorte que no século XVIII, aproveitando-se criados por esses autores. Em seguida, pretende-
do capital cultural das gerações anteriores, o ho- mos verificar os desdobramentos desses concei-
mem inaugura uma nova fase do pensamento crí- tos e a interferência que eles exercem na organi-
tico e estabelece novos parâmetros para explicar zação da sociedade contemporânea.
os fenômenos sociais.
Nessa nova conjuntura, merece destaque
Giambattista Vico, que escreve a obra: A Nova
Ciência. Nessa obra, Vico afirma que a sociedade
subordina-se a leis definidas, que podem ser des-

7
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

1.1 O Nascimento da Sociologia

Você verá, agora, como teve início a Socio- Politécnica, e testemunhou os turbulentos tem-
logia. Preparado(a)? Então, ao trabalho! pos da era napoleônica. Tornou-se discípulo de
Pode-se dizer que o positivismo foi nas Saint-Simon, de quem sofreu enorme influência.
ciências humanas a primeira tentativa verdadei- Devotou seus estudos à filosofia positivista, con-
ramente sistematizada de conhecer a realidade siderada por ele uma religião, da qual era o seu
social. Seus métodos pretendiam substituir as principal pregador. De acordo com sua filosofia
explicações metafísicas e as crenças do senso co- política, a história da humanidade era composta
mum por meio das quais o homem buscava, até por três estados: um teológico, outro metafísico
então, explicar a realidade social. e finalmente o positivo. Este último representa-
O principal representante do positivismo va o apogeu do progresso da humanidade. Para
foi Augusto Comte (1798-1857). Comte nasceu Comte, a sociologia era a ciência mais profunda e
na França, numa família católica e monarquista, a que mais contribuições poderia oferecer para a
talvez esteja aí uma das explicações para sua con- humanidade.
cepção de mundo. Estudou em Paris, na Escola

1.2 O Contexto do Pensamento Positivista

O século XVIII havia consagrado o poder da


Saiba mais
burguesia, que impôs o uso da ciência e da técni-
ca como metas para a nova sociedade, provocan- Para os idealistas, a filosofia é o estudo dos processos
do, assim, modificações sociais, políticas e eco- pelos qual a realidade deriva dos princípios constituti-
vos do espírito, sendo o mundo o produto de um mo-
nômicas jamais vistas. A consagração desse novo vimento do pensamento. Entre os principais idealistas
saber, isto é, da ciência e da técnica, leva para um podemos destacar: Schelling e Hegel.
novo entendimento das questões humanas, que
passam, agora, pela concepção do cientificismo,
ou seja, a ciência é o único conhecimento possí-
vel para a humanidade. Pode-se dizer que a filosofia de Comte de-
fende alguns princípios consagrados da socieda-
O idealismo, pensamento predominante
de, como a propriedade, a família, o trabalho e a
até a primeira metade do século XIX, passa a ser
religião. Com esses princípios rigidamente segui-
combatido e o positivismo é que primeiro leva
dos, a sociedade alcançaria, segundo Comte, o
esse combate adiante. O positivismo representa,
progresso e a ordem. A ideia de ordem está, nes-
então, uma reação contra o idealismo. Veja a di-
te caso, associada à ideia de hierarquia, que gera
ferença fundamental entre idealismo e positivis-
consequentemente uma disciplina para a socie-
mo: o primeiro procura uma interpretação, uma
dade. É importante dizer que, para Comte ou para
unificação da experiência mediante a razão; o se-
o positivismo, o entendimento da história se dá
gundo, ao contrário, quer limitar-se à experiência
por meio de documentos oficiais, isto é, a história
imediata. Além de ser uma reação contra o idea-
só se explica e se justifica com a visão predomi-
lismo, o positivismo é ainda tributário do grande
nante de sua época.
progresso das ciências naturais, particularmente
das biológicas e fisiológicas do século XIX.

8
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Sociologia

1.3 Os Fundamentos do Positivismo

Observe de que forma Comte estabelece no mente o estado positivo é o terceiro estágio e é
livro Curso de Filosofia Positiva os três princípios marcado pelo triunfo da ciência. A vida da huma-
básicos do estado positivista. De acordo com esse nidade passa agora a ser explicada pela razão em
princípio, a vida da humanidade compreende em contraponto às explicações mitológicas e religio-
três estágios, sendo o atual, isto é, aquele no qual sas das fases anteriores.
vivia Comte, o principal deles. O primeiro está-
gio está relacionado à maneira de a humanidade No estado positivo, o espírito humano, re-
explicar o mundo, uma explicação que sempre conhecendo a impossibilidade de obter
provinha dos mitos e das crenças religiosas. Esse noções absolutas, renuncia de procurar a
estágio é chamado de teológico e Comte assim o origem e o destino do universo, [...] para
preocupar-se unicamente em descobrir,
descreve: graças ao uso bem combinado do racio-
cínio e da observação, suas leis efetivas
No estágio teológico, o espírito humano que regem a vida humana”. O positivismo
dirige essencialmente suas investigações representa, então, o real frente ao quimé-
para a natureza intima dos seres, as causas rico, o útil frente ao inútil, a segurança
primeiras e finais de todos os efeitos que frente à insegurança, o preciso frente ao
o tocam, numa palavra para o conheci- vago, o relativo frente ao absoluto. (RIBEI-
mento absoluto; apresenta os fenômenos RO JR., 1987, p. 18).
como ação direta e contínua de agentes
sobrenaturais. (COMTE, 1973, p. 9).
Saiba que o positivismo combate também a
sociedade individualista e liberal, divulgando que
O segundo estágio, dito metafísico, uma o homem como individualidade não existe; aliás,
cresça em Deus, mas sem fundamentação cientí- para esse pensamento, o homem só pode existir
fica, é assim descrito: “No fundo nada mais é que como membro de outros grupos, desde o familiar,
a modificação geral do primeiro, os agentes so- que é núcleo fundador de toda sociedade, até ou-
brenaturais são substituídos por forças abstratas, tros grupos mais complexos, como, por exemplo,
concebidas como capazes de engendrar por elas o político.
próprias todos os fenômenos observados”. Final-

1.4 Estratificação da Sociedade Positivista

Perceba que para o positivismo, a humani-


dade é formada só de homens. Nessa ordem so-
cial, as mulheres estão condenadas à inferiorida-
Dicionário
de, é claro, pelas leis irrevogáveis da natureza.
Estratificação: é o processo social que leva à super- Na sociedade positivista, a classe dos sacer-
posição de camadas sociais, isto é, à formação de
um sistema social mais ou menos fixo e rígido, de
dotes é a mais importante. Ela está dividida em
estados, classes ou castas. três classes, a saber:

9
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

a) Os aspirantes: estes precisam ter ao lação da República, influenciando a ideologia da


menos 28 anos, pois só com essa idade nova sociedade? Suas primeiras manifestações
alcançam a cultura enciclopédica exigi- em território nacional acorreram em 1844 na aca-
da pelo estado positivista; demia, isto é, na Faculdade de Medicina da Bahia.
b) Os vigários: estes precisam ter ao me- Contudo, sua primeira manifestação social acon-
nos 35 anos e exercem a função supe- tece anos mais tarde. Inicialmente, o positivismo
rior de ensinar; brasileiro é composto por dois grupos: um defen-
c) Os sacerdotes: precisam ter uma idade dendo, como proposto por Comte, o positivismo
superior aos 42 anos; são os maiores sa- como religião da humanidade; havia, por outro
cerdotes da humanidade, uma espécie lado, um grupo que desprezava o movimento da
de conselheiros para arbitrar as causas religião da humanidade e defendia apenas a me-
do estado positivista. todologia científica de observação, experimenta-
ção e comparação proposta por Comte.
Esse segundo grupo constituirá a base do
O patriciado é a classe detentora do po- movimento republicano aglutinado em torno do
der temporal. Essa classe é composta pelos seg- jovem oficial Benjamin Constant. O positivismo
mentos que controlam os meios de produção: enfrenta, porém, a resistência de um grupo de
banqueiros, fabricantes, comerciantes; sempre republicanos que, diferentemente dos princípios
colocados em escala hierárquica. Os banquei- rígidos do positivismo, defendiam os preceitos
ros, portanto, nessa sociedade, são investidos de democráticos do liberalismo constitucional nor-
maior autoridade. te-americano. De qualquer forma, perpetuou suas
Ao se apresentar como a religião da huma- marcas na vida e no cotidiano do homem brasilei-
nidade, o positivismo defende a existência de ro, sendo que a principal dessas marcas está re-
nove sacramentos para os membros de sua socie- gistrada em nosso símbolo maior. Ou seja, a nossa
dade. Vejamos alguns deles: bandeira, com seu Ordem e Progresso, mostra de
maneira inquestionável o quanto a doutrina posi-
a) Apresentação, quando a família apre- tivista influenciou os nossos republicanos1.
senta o recém-nascido; Finalmente é preciso insistir que para o posi-
b) Iniciação, quando a criança, com cator- tivismo aquilo que não pode ser verificado como
ze anos, passa da educação materna à “algo dado” é metafísica estéril. Daí a importância
instrução sacerdotal; dada ao documento escrito, sobretudo aos docu-
c) Admissão, aos vinte e um anos, quan- mentos oficiais, como prova histórica de determi-
do está pronto para servir a humanida- nado fato. Assim, para os positivistas, apreender
de, retribuindo tudo que recebeu dela; o real seria conhecer os fatos e conhecer os fatos
significa acesso a documentos, que são, na pers-
d) Destinação, momento em que recebe
pectiva positivista, quase sempre, institucionais.
dos sacerdotes o seu ofício;
Reflita, agora, sobre o positivismo e posicio-
e) Casamento, sacramento obrigatório, já
ne-se em relação a essa filosofia.
que no estado positivista o celibato é
condenado.

Você sabia que no Brasil, o positivismo teve


uma importância decisiva no Império e na insta-

1
Mais elementos sobre essa discussão ver Ribeiro Jr. (1987).

10
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Sociologia

1.5 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), neste capítulo observamos que a Sociologia é observação, reflexão a fim de com-
preender o comportamento de seus semelhantes. Giambattista Vico afirma que a sociedade subordina-
-se a leis definidas e que: “o mundo social é obra do homem.” Pode-se dizer que o positivismo foi nas
ciências humanas a primeira tentativa verdadeiramente sistematizada de conhecer a realidade social.
Seus métodos pretendiam substituir as explicações metafísicas e as crenças do senso comum, por meio
das quais o homem buscava, até então, explicar a realidade social. No Brasil, o positivismo teve uma im-
portância decisiva no Império e na instalação da República, influenciando a ideologia da nova sociedade.

1.6 Atividades Propostas

1. Quais as diferenças fundamentais entre o idealismo e o positivismo?

2. Cite e comente dois sacramentos do positivismo.

11
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
2 A SOCIOLOGIA DE DURKHEIM

Você entrará em contato com um autor que De acordo com suas análises, o fato social
contribuiu para que a sociologia se estabelecesse é experimentado pelo indivíduo como uma rea-
como ciência autônoma. lidade independente dele, que ele não criou e
David Émile Durkheim presenciou em sua não pode rejeitar, como as regras morais, as leis,
juventude uma série de acontecimentos que os costumes, os rituais e as práticas burocráticas,
marcou decisivamente a sua vida e sua obra. Na por exemplo.
década de 1880, a França aprovou a chamada Lei É importante você saber que para Dur-
Naquet, que instituiu o divórcio em seu território. kheim, os fatos sociais são atravessados por três
Nessa mesma época, o ensino público tornou- características fundamentais. A primeira delas é a
-se gratuito e obrigatório para todos dos 6 aos coerção social, ou seja, a força que os fatos exer-
13 anos; além disso, ficava proibido formalmen- cem sobre os indivíduos, levando-os a aceitar as
te o ensino da religião. O vazio correspondente à regras da sociedade em que vivem, independen-
ausência do ensino de religião na escola pública temente da sua vontade e escolha. Essa força ma-
tenta-se preencher com uma pregação patrióti-
nifesta-se, por exemplo, quando o indivíduo ado-
ca representada pela que ficou conhecida como
ta determinado idioma, ou quando se submete a
“Instrução Moral e Cívica”.
um código de leis.
Ao mesmo tempo que essas questões polí-
A segunda característica dos fatos sociais
ticas e sociais balizavam o seu tempo, as contradi-
é que eles existem e atuam sobre os indivíduos
ções do trabalho traziam também preocupações
independentemente de sua vontade ou de sua
continuadas para sua militância intelectual. Uma
adesão consciente, ou seja, são exteriores aos in-
repercussão decisiva dessas contradições ficou
conhecida como questão social, ou seja, as dispu- divíduos e existem antes da chegada do indivíduo
tas e conflitos decorrentes da oposição entre o na sociedade.
capital e o trabalho, vale dizer, entre patrão e em- A terceira característica apontada por Dur-
pregado, entre burguesia e proletariado, seriam kheim é a generalidade, isto é, aquilo que se repe-
doravante objetos de intervenção dos estudos te em todos os indivíduos, o ritual do banho, por
sociológicos. exemplo. Portanto, nem tudo que uma pessoa faz
No final do século XIX, Durkheim reuniu um é um fato social, para ser um fato social tem de
grupo de colaboradores que se esforçaram para atender a três características: generalidade, exte-
emancipar a sociologia das demais teorias sobre rioridade e coercitividade. Isto é, o que as pessoas
a sociedade e constituí-la como disciplina rigo- sentem, pensam ou fazem, independentemente
rosamente científica. Buscou sempre definir com de suas vontades individuais, é um comporta-
precisão o objeto, o método e as aplicações dessa mento estabelecido pela sociedade. Não é algo
nova ciência. Respondendo, assim, as preocupa- que seja imposto especificamente a alguém, é
ções da sociedade e da Sociologia de sua época, algo que já estava lá antes e que continua depois
elegeu os fatos sociais como o principal objeto da e que não dá margem a escolhas2.
sociologia.

2
Mais elementos sobre as características do fato social ver Costa (1997).

13
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

Assim, você pode observar que, com essa contatos pessoais são mais constantes, como a fa-
caracterização feita por Durkheim dos fatos so- mília e os vizinhos; o segundo grupo é chamado
ciais, encontramos elementos para compreender- de secundário e manifesta-se na igreja e no tra-
mos melhor os grupos sociais que estão distribuí- balho e é geralmente constituído por uma rede
dos na sociedade. Da infância até a maturidade, o de relações mais complexa em que os contatos
indivíduo participa de vários grupos sociais, pois são mais formais, sem a intimidade verificada no
em cada fase ou etapa de sua vida ele busca apoio primeiro; o terceiro grupo, também chamado de
de um determinado grupo. Temos assim, o grupo intermediário, combina elementos do primeiro e
familial (família); o grupo educativo (escola) e o do segundo grupo e cria outros rituais de perten-
grupo religioso (igreja). O primeiro pode ser defi- cimento para sua identidade social. Um exemplo
nido como grupo primário, pois é aquele onde os são as coletividades juvenis.

2.1 A Objetividade do Fato Social

Você verá, agora, como Durkheim definiu o por exemplo, apesar de ser resultado de razões
método de conhecimento da Sociologia. Segun- particulares, apresenta em todas as sociedades
do Durkheim, o sociólogo precisa deixar de lado características comuns e certa regularidade e, por
seus valores e sentimentos pessoais em relação isso, é um fato social.
ao acontecimento a ser estudado, pois só assim
alcançaria a objetividade de sua análise.
Saiba mais
Procurando garantir à Sociologia um mé-
todo tão eficiente quanto o desenvolvido pelas Chamamos senso comum ao conhecimento adquiri-
ciências naturais, Durkheim desenvolve métodos do por tradição, herdado dos antepassados e ao qual
acrescentamos os resultados da experiência vivida na
para fugir do “senso comum”, que analisava de coletividade a que pertencemos. Trata-se de um con-
maneira superficial a realidade social. Sentencia- junto de ideias que nos permite interpretar a realidade,
va, assim, que para compreender os fatos sociais bem como um corpo de valores que nos ajuda a ava-
liar, julgar e, portanto, agir.
o cientista precisa ter visão ampla e identificar os
acontecimentos que apresentavam característi-
cas exteriores comuns na sociedade. O suicídio,

2.2 A Consciência Coletiva

Observe como se pode entender a ideia de nalidade no jogo do teatro social. Por exemplo, ao
consciência coletiva. A consciência coletiva está tripudiar sobre um juiz no estádio de futebol, o
espalhada pela sociedade e, em certo sentido, re- indivíduo só o faz porque está protegido por uma
vela o “tipo psíquico da sociedade”, definindo, por consciência coletiva, que o impede de ser pron-
exemplo, o que numa sociedade é considerado tamente identificado, ou seja, responsabilizado.
“imoral”, “reprovável” ou “criminoso”. A consciência Quando sai do estádio e vai embora sozinho para
coletiva inibe e controla os impulsos do indivíduo sua casa sem a proteção do grupo, isto é, da cons-
na sociedade, padronizando o comportamento. ciência coletiva, ele adota uma outra postura, pois
Mas a consciência coletiva pode servir também agora ele responde sozinho por seus atos.
de máscara para o indivíduo esconder sua perso-

14
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Sociologia

Entre os muitos desdobramentos que as re- buições para se pensar os caminhos da sociedade
flexões de Durkheim abriram para os estudos so- contemporânea. É sobre essa escola que você re-
ciológicos, merecem destaque aqueles derivados fletirá a seguir.
da escola de Frankfurt, os quais trouxeram contri-

2.3 A Escola de Frankfurt

Denominada teoria crítica apresentou-se trutura ideológica e a cultura. Assim, não pense
como um contraponto às simplificações que de- que o tema dessa corrente seja apenas os meios
terminadas correntes sociológicas vinham fazen- de comunicação de massa, mas que, entre os vá-
do dos estudos da sociedade. Os principais inves- rios assuntos abordados por essa Escola, os mais
tigadores da Escola de Frankfurt – Adorno, Walter próximos a este tema seriam aqueles relativos à
Benjamim, Marcuse e Horkheimer, entre outros indústria cultural – marcados pelo enfoque da
– caracterizavam-se por serem mais acadêmicos, manipulação do agente social.
envolvidos com uma concepção teórica global da Você também não pode perder de vista
sociedade e nitidamente influenciados por Marx todo o contexto histórico no qual os estudos de
e Freud. Frankfurt se desenvolvem. A Alemanha vivendo a
A identidade da Teoria Crítica liga-se à uti- crise do pós-guerra, a Revolução Russa vitoriosa,
lização dos pressupostos marxistas e de alguns o movimento operário alemão rechaçado, e o na-
elementos da psicanálise, na análise das temáti- zismo, que começava a se firmar. Tudo isso incidia
cas novas que as dinâmicas sociais da época con- de forma decisiva nas ideias dos jovens judeus
figuravam – o totalitarismo, a indústria cultural, marxistas Adorno, Marcuse e Horkheimer.
entre outros – numa preocupação com a superes-

2.4 A Indústria Cultural

Conforme você pode observar, com o avan- a interferência do indivíduo – principalmente dos
ço tecnológico e industrial, mais o crescimento jovens – no meio circundante. Edgar Morin (1969)
econômico e urbanístico, sobretudo a partir das chama esse fenômeno de Terceira Cultura.
primeiras décadas do século XX, os meios de co-
municação reorganizaram sua produção artística
Saiba mais
e cultural, sob o ponto de vista mercadológico,
utilizando as novas linguagens do marketing. Em Para Morin, a Terceira Cultura é decorrência do boom
meio a esse processo, surge um grupo de teóricos tecnológico que o mundo viveu depois da Segunda
Guerra Mundial e que levou a uma popularização do
em Frankfurt na Alemanha. Preocupados com a cinema, da imprensa, do rádio, da televisão etc.
postura e interferência dos meios de comunica-
ção na sociedade, esses teóricos começaram a
analisar de forma crítica o que eles denominaram
de “Indústria Cultural”. Impulsionada pelo inces- Pode-se dizer, então, que o século XX trouxe
sante desenvolvimento da tecnologia e a inevi- novos meios de sociabilidade e integração social
tável popularização dos aparelhos eletroeletrôni- – o rádio, o cinema, a indústria fonográfica etc. –,
cos, a indústria cultural ampliou a participação e tornando decisivas suas influências sobre a vida

15
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

da juventude. Essas novas técnicas logo serão in- poder aquisitivo e pelo tempo livre, cria espaços
corporadas pelos jovens como forma mais coti- específicos para suas reuniões. As praças já não
diana de interferência em um mundo social para lhes são suficientes; agora eles querem o cinema,
eles amplificado. A juventude deixa, assim, de ser as lanchonetes, enfim, eles querem visibilidade
apenas receptora de cultura; suas manifestações e atenção. Morin, ao analisar os problemas com-
ganham notoriedade, e, de receptora, ela passa a portamentais dos jovens numa sociedade pauta-
criadora de uma nova maneira de ser e viver. da pela massificação cultural, alerta que:
Saiba que essa nova configuração cultural
da juventude ganha vulto, de maneira mais es- O desenvolvimento dessa cultura está
pecífica no pós-guerra devido ao aquecimento ligado a uma conquista da autonomia
dos adolescentes no seio da família e da
ocorrido no setor industrial; ele possibilitou um
sociedade. A aquisição de relativa auto-
aumento da demanda de empregos e, concomi- nomia monetária (dinheiro para o gasto
tantemente, levou mais recursos financeiros para diário dado pelos pais nas sociedades
um número cada vez maior de famílias, que pas- avançadas e, alhures, dinheiro para o
sam a investir seu tempo livre em diversão e lazer. diário conservado pelos adolescentes
que ganham a vida e entregam o que ga-
Edgar Morin, ao analisar essas novas carac- nham aos pais) e de relativa liberdade no
terísticas da sociedade moderna, pondera que a seio da família (o que nos conduz ao pro-
ampliação do tempo de lazer, combinada com a blema da liberalização aqui, da desestru-
popularização das novas técnicas de integração turação acolá, da família) permitem aos
adolescentes adquirir material que lhes
social, possibilitou o surgimento de uma cultura
insuflará sua cultura (transistor, toca-dis-
de massas na sociedade moderna. cos e mesmo violão), que lhes dá sua li-
Você pode perceber, portanto, que foi no berdade de fuga e de encontro (bicicleta,
compasso dessa terceira cultura que o fulcro do motocicleta, automóvel) e lhes permitirá
viver sua vida autônoma no lazer e pelo
que era uma subcultura juvenil cede espaço para lazer. Essa cultura, essa vida, aceleram em
o surgimento de uma ampla cultura juvenil, que contrapartida as reivindicações dos ado-
no decorrer dos anos 50 articula-se em torno de lescentes que não se satisfazem com a
novos referenciais (principalmente cinema e mú- semi-liberdade adquirida e fazem crescer
sua contestação a propósito de um mun-
sica rock’n roll) para granjear uma posição de des-
do adulto cada vez menos semelhante ao
taque na sociedade. deles. (MORIN, 1969, p. 140).
Temos aí uma nova problematização no ce-
nário juvenil, que, estimulado pelo aumento do

2.5 Cultura de Massa

Você sabe o que é cultura de massa? Certa- cação de massa. Os defensores da cultura de mas-
mente, já ouviu falar disso. Então, convido você a sa acreditam que esta surge espontaneamente
refletir um pouco e tentar estabelecer algumas das próprias massas em ressonância com a arte
hipóteses que a definam. popular, enquanto a indústria cultural diferencia-
O termo ‘Indústria Cultural’ foi utilizado pela -se totalmente, pois vem atribuída de vários ele-
primeira vez em 1947, por Theodor Adorno, para mentos, conceituando um novo estilo e qualida-
substituir a expressão “Cultura de Massa”, pois de. “A indústria cultural é a integração deliberada,
esta induz ao engodo de que são satisfeitos os in- a partir do alto, de seus consumidores” (ADORNO,
teresses dos detentores dos veículos de comuni- 1977, p. 287).

16
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Sociologia

A prioridade da Indústria Cultural é explorar mente de todo o mercado, pois abrange desde as
o gosto popular, e não os anseios do povo; por manifestações folclóricas até as manifestações de
isso, seu objetivo não está voltado para a educa- contexto urbano.
ção e a cultura em si, mas para a obtenção de lu- Certamente, você deve concordar com o
cro. fato de que os meios de comunicação de massa
Waldenyr Caldas, em seu livro, O que todo têm um forte poder a curto prazo para construir
cidadão precisa saber sobre cultura, conceitua a ou destruir a imagem de um ídolo popular, seja na
cultura de massa dessa forma: política, seja em qualquer outra atividade profis-
sional. Em se tratando da persuasão de consumo,
A cultura de massa consiste na produção presenciaram-se nos últimos anos, aqui no Brasil,
industrial de um universo muito grande vários fenômenos criados pela indústria cultural.
de produtos que abrangem setores como No campo da música foram reinventados: a lam-
moda, o lazer no sentido mais amplo, in- bada, o “axé music”, a música sertaneja, o samba
cluindo os esportes, o cinema, a impren-
sa escrita e falada, a música, a literatura, e o pagode, o funk carioca, o forró eletrônico, o
enfim... tudo o que envolve a vida do “calypso” paraense e, inclusive, músicas religiosas,
homem contemporâneo [...]. (CALDAS, como a “Aeróbica do Senhor”, bastante difundida
1986, p. 83). pelo padre Marcelo Rossi.
Diante disso, podemos destacar dois aspec-
A cultura de massa, portanto, não tem a ver tos importantes da cultura de massa:
com a cultura popular, pois a cultura de massa
tem por meta a fantasia e o consumo compulsivo. a) Saber a quem são dirigidos seus produ-
Ela apropria-se dos meios de comunicação – so- tos;
bretudo do rádio, por este ser um veículo de gran- b) Identificar quais as repercussões sociais
de influência e penetração na classe trabalhado- desse consumo e as informações ideo-
ra periférica. Além de destacar outros locais com lógicas e políticas da cultura de massa.
penetração restrita, como: casas noturnas, shows,
boates, circos, festivais, de música regional, que
A cultura de massa é conservadora, pois
são realizados nos bairros da periferia das gran-
jamais abre questões, apenas vulgariza
des cidades. ou repete conceitos estabelecidos nas ca-
A espetacularização dos produtos culturais madas superiores da sociedade, fazendo
não se encontra apenas nos conteúdos ou nos valer os conceitos e o poder da ideologia
dominante. (CALDAS, 1999, p. 56).
meios de comunicação, está presente também na
recepção. O consumidor da cultura de massa faz
a leitura, decodifica a mensagem de acordo com
seu interesse, sua vivência, sua expectativa. Não
há, portanto, uma dominação e um controle rígi-
do por parte dos meios de comunicação, pois as
produções culturais de massa, de elite ou popu-
lar, apesar de serem produtos culturais de nature-
za diferente, ocupam os mesmos espaços.
A cultura popular, então, é produzida a par-
tir das manifestações das classes populares, que
recebem influências das culturas de massa e de
elite, e pode até ser difundida nos espaços típicos
dos segmentos da cultura de massa. Em se tratan-
do da música popular, esta toma conta pratica-

17
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

2.6 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), notamos que, no final do século XIX, Durkheim procurou emancipar a sociologia
das demais teorias e constituí-la como disciplina científica; elegeu os fatos sociais como o principal objeto
da sociologia. Os fatos sociais são atravessados por três características fundamentais. A primeira delas é
a coerção social, ou seja, a força que os fatos exercem sobre os indivíduos. A segunda característica dos
fatos sociais é que eles existem e atuam sobre os indivíduos independentemente de sua vontade, ou
seja, são exteriores aos indivíduos e existem antes da chegada do indivíduo na sociedade. A terceira é a
generalidade, aquilo que se repete em todos os indivíduos, como tomar banho. Durkheim levantou a
ideia da consciência coletiva que busca revelar o “tipo psíquico da sociedade”, definindo, por exemplo, o
que numa sociedade é considerado “imoral”, “reprovável” ou “criminoso”. O mesmo trouxe contribuições
da escola de Frankfurt, no sentido de pensar os caminhos da sociedade contemporânea. Os teóricos em
Frankfurt, preocupados com a interferência dos meios de comunicação na sociedade, começaram a ana-
lisar de forma crítica o que eles denominaram de “Indústria Cultural”.

2.7 Atividades Propostas

1. Na perspectiva de Durkheim, como o fato social participa da vida do indivíduo?

2. Faça um breve comentário do contexto histórico em que foi criada a Escola de Frankfurt.

18
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
3 ESCOLAS SOCIOLÓGICAS

3.1 Escola Sociológica Europeia

Na década de 1960, surge na Itália e na aplicavam a análise estrutural em seus trabalhos.


França um grupo de pesquisadores que penetra- Todos divergiam tanto das posturas funcionalis-
ram nos estudos de comunicação de massa pelo tas quanto das frankfurtianas.
viés da mensagem, utilizando a técnica da análise Assim, você pode observar que essa visão
de conteúdo. Tratava-se de um grupo de estrutu- da comunicação e da cultura de massa era com-
ralistas, formado por Umberto Eco, Edgar Morin, partilhada por intelectuais franceses ou que de-
Roland Barthes, Jean Baudrillard, entre outros. senvolviam suas pesquisas na França, como Ro-
Seus estudos estavam centrados no entorno dos land Barthes, Edgar Morin, Jean Baudrillard, Julia
meios acadêmicos, artísticos, em peças publicitá- Kristeva, Chistian Metz, entre outros, e pelo italia-
rias, histórias em quadrinhos e “estrelas de cine- no Umberto Eco. “Seus trabalhos teóricos passa-
ma pela pop art” (SANTOS, 2003, p. 93). ram a ser publicados a partir de 1968 na revista
Os produtos culturais veiculados pelos Communnications e editados pelo Centro de estu-
meios de comunicação de massa passaram, no dos da comunicação de Massa (CECMAS), criado
início da década de 1960, a receber atenção da em 1960 no interior da Escola Prática de Altos Es-
intelectualidade, por meio de estudos feitos em tudos e dirigido Por Georges Friedman.” (SANTOS,
centros universitários ou por obras de artistas, 2003, p. 94).
como Andy Warhol, Roy Lichtennstein e Richard Em consequência disso, em Apocalípticos e
Hamilton (próceres do movimento da Pop Art, Integrados3, Umberto Eco faz críticas aos “integra-
que sacralizaram, em seus trabalhos artísticos, pe- dos” (funcionalistas) pela passividade com que se
ças publicitárias, histórias em quadrinhos e estre- colocavam “diante das questões relativas à cultu-
las de cinema). Suas obras exploraram o potencial ra de massa”. Quanto à teoria crítica de Frankfurt,
formal dos signos da cultura de massa, transfor- a crítica de Eco estava centrada no “pessimismo
mando-os em ícones da arte. diante da sociedade de massa por negar a cul-
Nesse contexto, diversos teóricos europeus tura de massa sem realmente analisá-la”. Dessa
lançaram-se a estudar e analisar o conteúdo das maneira, Eco apontava a utilização de “conceitos-
mensagens da cultura de massa. Esses intelectuais -fetiche (massa, indústria cultural)”, por parte das
tinham em comum uma postura crítica – mas não duas teorias, para fazer proposições de maneira
preconceituosa – em relação a esses produtos genérica sobre “um fenômeno complexo como a
culturais, utilizavam os princípios da semiologia e cultura de massa”.

3
Principal obra publicada por Umberto Eco. Faz crítica ao modelo funcionalista – Escola norte-americana e aos Frankfurtianos
– Escola Alemã.

19
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

Umberto Eco parte do pressuposto de que os indivíduos, com sua cultura e sua linguagem: o
a cultura de massa é a cultura do homem contem- indivíduo é produto e produtor ao mesmo tempo
porâneo e aponta o momento histórico de seu (WOLF, 1999).
aparecimento “no momento em que a presença Para Morin, a sociedade de consumo é um
das massas, na vida associada, se torna o fenôme- substrato da cultura de massa: é o novo público
no mais evidente de um contexto histórico” (ECO que consome. Assim, a cultura massificada pres-
apud SANTOS, 2003, p. 94). Assim, Eco manifesta supõe “o único terreno de troca e de comunicação
seu pensamento e afirma que nem mesmo os para a classe [...] a nova camada de assalariados”
frankfurtianos como críticos da cultura de massa (WOLF, 1999, p. 103), uma vez que esta vai adqui-
poderiam estar fora da abrangência dela. Ainda, rindo valores cada vez maiores da classe anterior.
nessa abordagem, Eco complementa que a cultu- Dessa maneira, para além da diversidade
ra de massa passa a ser “uma definição de ordem”. de “prestígio, hierarquia, conversações etc.”, é de-
marcada uma zona comum, uma “identidade dos
Os meios de comunicação de massa, na valores de consumo”. Nesse viés, esses valores da
visão de Umberto Eco, ajustam o gosto cultura de massa põem em comunicação os dife-
e a linguagem dos produtos culturais
que veiculam as capacidades receptivas rentes estratos sociais. Esse diálogo contém em
da média do público. Para ele, as carac- seu interior a ética do consumo; a lei fundamental
terísticas fundamentais dos produtos da da cultura de massa é do mercado e sua dinâmi-
cultura de massa são a efemeridade e a ca, produção e consumo. Sobre essa dinâmica ou
reprodutibilidade em série. Seu conteú-
continuidade dialógica entre o produtor e o con-
do é produzido para agradar o público,
constituindo-se em material de evasão, sumidor, Edgar Morin assim a define:
mas pode também informar e educar.
(SANTOS, 2003, p. 94). [...] um diálogo desigual. E, a priori, um
diálogo entre o prolixo e um mudo. A
produção (o jornal, o filme, a transmissão
Saiba que outro expoente dessa Escola é etc.) distribui relatos, histórias, exprime-
Edgar Morin, que identificou dois métodos de -se através de uma linguagem. O consu-
estudar a cultura na sociedade: o da “totalidade midor – o espectador – responde apenas
que encerra o fenômeno em suas interdepen- com reações pavlovianas, com um sim ou
com um não, que determinam o sucesso
dências e inclui o próprio pesquisador no sistema ou o insucesso. (MORIN, 1962, p. 39 apud
de relações” (SANTOS, 1992, p. 18); e o método WOLF, 1999, p. 103).
“autocrítico – em que o pesquisador despe-se de
preconceitos, acompanhando e apreciando seu
objeto de estudos”. A cultura, para ele, é um sis- Outra de suas contribuições é quanto ao
tema constituído de valores, símbolos, imagens e estudo dos paradigmas. Nesse viés moriniano,
mitos, que dizem respeito à vida prática e ao ima- paradigmas são estruturas de pensamento que
ginário coletivo, compondo uma dimensão sim- comandam nosso discurso de maneira incons-
bólica que permite aos indivíduos se localizarem ciente. O paradigma da separação, por exemplo,
no grupo. A sociedade não pode ser conhecida a reina, sobretudo, desde a Renascença, no mundo
partir de indivíduos e grupos isolados. É necessá- ocidental (mágica/lógica, arte/ciência etc.). Sepa-
rio juntar as partes ao todo e o todo às partes. rou-se o sujeito do conhecimento, do objeto do
conhecimento e ficou cada vez mais difícil de se
Desde então, Morin elaborou outras ideias
estabelecer ligações. Edgar Morin também desta-
desse modo: a ideia de circularidade, que expõe o
ca o valor da solidariedade para o equilíbrio e a
caráter retroativo do sistema; o efeito volta à cau-
sobrevivência de uma dada cultura:
sa e a causalidade circula em espiral, onde o efeito
é, ao mesmo tempo, causa; os indivíduos produ-
zem a sociedade, mas ela própria retroage sobre

20
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Sociologia

A única maneira de salvaguardar a liber- E você, caro(a) aluno(a), o que pensa sobre a
dade é que haja o sentimento vivido de indústria cultural? Reflita e posicione-se.
comunidade e solidariedade, no interior
de cada membro, e é isso que dá uma
realidade de existência a uma sociedade
complexa. A solidariedade é constituinte
dessa sociedade. (MORIN, 1983, p. 22).

3.2 Sociologia Alemã: a Contribuição de Max Weber

Weber é considerado, junto com Karl Marx Cada formação social adquiriu, para Weber, es-
e Émile Durkheim, um dos fundadores da Socio- pecificidade e importância próprias. Mas o ponto
logia e dos estudos comparados sobre cultura e de partida da sociologia de Weber não estava nas
religião, disciplinas às quais deu um impulso de- entidades coletivas, grupos ou instituições. Seu
cisivo. A sua abordagem diferia da de Marx (que objeto de investigação é a ação social, a conduta
utilizou o materialismo dialético como método humana dotada de sentido, isto é, de uma justi-
para explicar a evolução histórica das relações de ficativa subjetivamente elaborada. Assim, o ho-
produção e das forças produtivas). Contrastava mem passou a ter, enquanto indivíduo, na teoria
igualmente com as propostas de Durkheim (que weberiana, significado e especificidade. É ele que
considerava ser a religião a chave para entender dá sentido à sua ação social: estabelece a conexão
as relações entre o indivíduo e a sociedade). Para entre o motivo da ação, a ação propriamente dita
Weber, o núcleo da análise social consistia na in- e seus efeitos.
terdependência entre religião, economia e socie- Você se lembra de que para a sociologia
dade. positivista, a ordem social submete os indivíduos
Max Weber (1864-1920) participou da co- como força exterior a eles? Entretanto, para Weber
missão redatora da Constituição da República de não existe oposição entre indivíduo e sociedade:
Weimar. Sua maior influência nos ramos especia- as normas sociais só se tornam concretas quando
lizados da sociologia foi no estudo das religiões, se manifestam em cada indivíduo sob a forma de
estabelecendo relações entre formações políticas motivação. Assim, cada sujeito age levado por um
e crenças religiosas. Suas principais obras foram: motivo que é dado pela tradição.
Artigos Reunidos de Teoria da Ciência; Economia e Nos séculos XVII e XVIII, A França e a Ingla-
Sociedade (obra póstuma) e A ética Protestante e o terra contribuíram decisivamente para a conso-
Espírito do Capitalismo. lidação do pensamento burguês. A Inglaterra foi
a sede do desenvolvimento industrial; a França,
Saiba mais por sua vez, difundiu para o mundo uma outra
possibilidade de sistema político. Paralelamente a
A República de Weimar foi instaurada na Alemanha esses acontecimentos, o desenvolvimento da in-
logo após a Primeira Guerra Mundial, tendo como sis-
tema de governo o modelo parlamentarista democrá- dústria e a expansão marítima e comercial coloca-
tico. O Presidente da República nomeava um chance- ram esses países em contato com outras culturas
ler que seria responsável pelo Poder Executivo. e outras sociedades, obrigando seus pensadores
a um esforço interpretativo da diversidade social.
O sucesso alcançado pelas ciências físicas e bio-
Segundo Weber, cada indivíduo age levado lógicas, impulsionadas pela indústria e pelo de-
por motivos que resultam da influência da tradi- senvolvimento tecnológico, fizeram com que as
ção, dos interesses racionais e da emotividade. primeiras escolas sociológicas fossem fortemente

21
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

influenciadas pela adaptação dos princípios e da só vai ser concretizada na etapa do capitalismo
metodologia dessas ciências à realidade social. concorrencial, no século XIX. Por essa razão, as
Na Alemanha, em decorrência de sua des- preocupações dos alemães com a sociedade fun-
centralização política, o pensamento burguês damentam-se de modo diferente daquelas preo-
organiza-se tardiamente, prejudicando o desen- cupações encontradas nas sociedades francesa e
volvimento e a modernização da sociedade, que inglesa.

3.3 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), nesse período, Weber, Karl Marx e Émile Durkheim são considerados os fundado-
res da Sociologia e dos estudos comparados sobre cultura e religião. Marx utilizou o materialismo dialé-
tico como método para explicar a evolução histórica das relações de produção e das forças produtivas.
Durkheim considerava ser a religião a chave para entender as relações entre o indivíduo e a sociedade.
Para Weber, o núcleo da análise social consistia na interdependência entre religião, economia e socieda-
de. Surge nesse momento na Itália e na França estudos referentes à análise de conteúdo dos meios de
comunicação de massa, realizados por um grupo de estruturalistas, como Umberto Eco, Edgar Morin,
Roland Barthes, Jean Baudrillard, entre outros. Para Morin, a sociedade de consumo é um substrato da
cultura de massa: é o novo público que consome.

3.4 Atividades Propostas

1. Localize o campo de maior influência nos ramos especializados da sociologia de Max Weber.

2. Por qual motivo o pensamento burguês organizou-se na Alemanha tardiamente?

22
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
A SOCIEDADE SOB UMA PERSPECTIVA
4 HISTÓRICA

Conforme você estudou em capítulo ante- Para Weber, as investigações sociológicas


rior, para Weber, os indivíduos agem motivados só eram possíveis quando se utilizavam de uma
por uma tradição; o resultado dessa ação permite multiplicidade de casos individuais. Assim, sua
estabelecer parâmetros para descobrir os senti- concepção de sociologia era abrangente e partia
dos da ação humana. do conceito de conduta social, segundo o qual a
Em seu conhecido ensaio A Ética Protestante Ciência devia explicar o fenômeno social a partir
e o Espírito do Capitalismo (1904-1905), Weber ex- da investigação do comportamento subjetivo,
punha porque haviam surgido no âmbito ociden- que vincula o indivíduo a seus atos. Weber argu-
tal, e só aí, fenômenos culturais que iriam assumir menta que a sociedade pode ser compreendida
um significado e uma validade universais. Para a partir do conjunto das ações individuais. Estas
Weber, o protestantismo carregava uma proemi- são todo tipo de ação que o indivíduo pratica,
nente tendência ao racionalismo econômico. Essa orientando-se pela ação de outros. Portanto, só
tendência estava, por sua vez, ausente no catoli- existe ação social quando o indivíduo tenta esta-
cismo. De acordo com seu raciocínio, a natureza belecer algum tipo de comunicação, a partir de
ascética do catolicismo o distanciava do mundo, suas ações com os demais.
ao passo que o caráter obreiro do protestantismo A partir desses pressupostos, Weber estabe-
deixava-o cada vez mais ligado aos problemas leceu quatro tipos de ação social. Estes são con-
mundanos. Talvez por isso, nas famílias protestan- ceitos que explicam a realidade social, mas não
tes, os filhos eram criados para o ensino especiali- são a realidade social. Veja quais os quatro tipos
zado e para o trabalho fabril, optando sempre por de ação social:
atividades mais adequadas à obtenção do lucro.
Por isso o protestantismo, especialmente a sua a) Ação tradicional: aquela determinada
vertente calvinista, é constantemente associado por um costume ou um hábito arraiga-
ao sucesso econômico e à racionalização da so- do;
ciedade ocidental e do desenvolvimento do capi- b) Ação afetiva: aquela determinada por
talismo. afetos ou estados sentimentais;
c) Racional com relação a valores: de-
Saiba mais terminada pela crença consciente num
valor considerado importante, inde-
O racionalismo é a corrente filosófica que iniciou pendentemente do êxito desse valor na
com a definição do raciocínio, que é a operação men- realidade;
tal, discursiva e lógica. Este usa uma ou mais proposi-
ções para extrair conclusões se uma ou outra propo- d) Racional com relação a fins: determi-
sição é verdadeira, falsa ou provável. Essa era a ideia nada pelo cálculo racional que coloca
central comum ao conjunto de doutrinas conhecidas
fins e organiza os meios necessários.
tradicionalmente como racionalismo.

23
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

Nos conceitos de ação social e definição de evitando uma tomada de posição pessoal do pes-
seus diferentes tipos, Weber não analisa as regras quisador frente ao fato estudado. E você, o que
e normas sociais como exteriores aos indivíduos. pensa sobre essa questão? Será que o cientista
Para ele, as normas e regras sociais são o resulta- consegue mesmo a total neutralidade diante dos
do do conjunto de ações individuais. fatos que analisa?
Outra particularidade da sociologia de We- Na busca de uma melhor adequação para
ber é que ele rejeita a maioria das proposições as análises dos fatos sociais, Weber propôs um
positivistas. Weber argumenta que o cientista age instrumento de análise denominado por ele de
influenciado pelo seu tempo, sendo, portanto, tipo ideal. Partindo de pressupostos do estudo
impossível ao cientista agir com total imparciali- das mais distintas manifestações culturais, o cien-
dade dos fatos como propunha Durkheim. Os fa- tista constrói um modelo com os traços caracte-
tos sociais não são coisas, eles estão carregados rísticos dessa ou daquela manifestação e elege
de sentimentos e emoções, o que contagia as in- um tipo ideal para suas análises. Nesse sentido, o
tervenções do cientista. O estudo e a pesquisa de- capitalismo ocidental constitui um tipo ideal de
vem, de qualquer maneira, ser conduzidos com capitalismo por ser uma organização econômica
objetividade em suas análises, impondo, assim, racional voltada para o trabalho livre e para o lu-
limites para as crenças e ideias pessoais, ou seja, cro independentemente de sua localização.

4.1 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), segundo Weber, os indivíduos agem motivados por uma tradição que nos permite
estabelecer parâmetros para descobrir os sentidos da ação humana. Para Weber, o protestantismo carre-
gava uma proeminente tendência ao racionalismo econômico. O autor argumenta ainda que a sociedade
pode ser compreendida a partir do conjunto das ações individuais. Outra particularidade da sociologia
de Weber é que ele rejeita a maioria das proposições positivistas. Weber argumenta que o cientista age
influenciado pelo seu tempo, sendo, portanto, impossível ao cientista agir com total imparcialidade dos
fatos, como propunha Durkheim.

4.2 Atividades Propostas

1. Quem escreveu e do que trata a obra A ética protestante e o espírito do capitalismo?

2. Weber estabeleceu quatro tipos de ação social. Indique e explique dois.

24
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
KARL MARX E A HISTÓRIA DA
5 EXPLORAÇÃO DO HOMEM

Você estudará agora um dos mais signifi- dade burguesa, mas reprovava o “utopismo” de
cativos nomes das ciências sociais: Karl Marx, de suas propostas de mudança social.
quem, possivelmente já ouviu falar. Pronto(a)? En-
tão, vamos lá! Saiba mais
Karl Marx (1818-1883) nasceu na cidade de
Treves, na Alemanha. Em 1842, mudou-se para ‘Utopia’ tem como significado mais comum a ideia
Paris, onde conheceu Friedrich Engels (1820- de civilização ideal. Pode referir-se a uma cidade ou a
um mundo, sendo possível tanto no futuro quanto no
1895), seu companheiro de ideias. Em 1845, foi presente. A palavra significa literalmente “não lugar” ou
expulso da França, deslocando-se para Bruxelas e “lugar que não existe”. Foi inventada por Thomas More,
lá participando da recém-fundada liga dos comu- servindo de título para uma de suas obras por volta de
1516. O utopismo é um modo absurdamente otimis-
nistas. Em 1848, escreveu com Engels O manifesto ta de ver as coisas do jeito que gostaríamos que elas
do Partido Comunista. Estabeleceu-se em Londres fossem.
a partir de 1848 e lá deu continuidade aos seus
estudos. Suas principais obras são: O Manifesto do
Partido Comunista, A ideologia Alemã e O capital. Para Marx, as três teorias desenvolvidas ti-
O marxismo surgiu com a sociedade moder- nham por traço comum o desejo de impor de uma
na, com a grande indústria e com o proletariado só vez uma transformação social total, implantan-
industrial. Aparece como a concepção de mundo do, assim, o império da razão e da justiça eterna.
que expressa esse mundo moderno, suas contra- Nos três sistemas elaborados, havia a eliminação
dições e seus problemas, para os quais aponta so- do individualismo, da competição e da influência
luções racionais em contraposição às alternativas da propriedade privada. Tratava-se, por isso, de
metafísicas. descobrir um sistema novo e perfeito de ordem
Com o objetivo de entender o capitalismo, social, vindo de fora, para implantá-lo na socie-
Marx produziu obras de filosofia, economia e so- dade, por meio da propaganda e, sendo possível,
ciologia. Não se limitou, porém, em interpretar o com o exemplo, mediante experiências que ser-
mundo, queria antes de tudo transformá-lo. Po- vissem de modelo. Com essa formulação, os três
demos apontar algumas influências básicas no desconsideravam a necessidade da luta política
desenvolvimento do pensamento de Marx. Em entre as classes sociais e o papel revolucionário
primeiro lugar, coloca-se a leitura crítica da filo- do proletariado na realização dessa transição. Fi-
sofia de Hegel, de quem Marx absorveu e aplicou nalmente, há toda a crítica da obra dos economis-
de modo peculiar, o método dialético. Também tas clássicos ingleses, em particular Adam Smith e
significativo foi seu contato com o pensamento David Ricardo. Esse trabalho tomou a atenção de
socialista francês e inglês do século XIX, sobretu- Marx até o final da vida e resultou na maior par-
do com Saint-Simon (1760-1825), Charles Fourier te de sua obra teórica. Essa trajetória é marcada
(1772-1837) e Robert Owen (1771-1858). Marx pelo desenvolvimento de conceitos importantes,
destacava o pioneirismo desses críticos da socie- como alienação, ideologia valor, mercadoria, tra-
balho, mais-valia, infraestrutura e práxis.

25
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

5.1 O Método do Pensamento Marxista

É um pensamento materialista, que parte do Assim, cada grande etapa do desenvolvi-


objetivo para o subjetivo. A realidade é o campo mento das forças produtivas corresponde a uma
de ação do homem. A realidade social é, porém, forma diferente de organização da sociedade. Por
obra dos próprios homens. A história é, pois, fei- exemplo, no século XVIII, os agentes daquela so-
ta pelos homens, não a partir das condições que ciedade fizeram uma mudança na técnica: com
desejariam, mas a partir da herança deixada pelas as mesmas matérias-primas e ferramentas que
gerações passadas. É um pensamento dialético, usavam os artesãos individualmente, agruparam
que busca nas intervenções humanas e em suas operários em grandes oficinas, onde cada grupo
contradições as explicações para a sociedade. fazia uma parte da produção total, que até então
Pode-se dizer, então, que é um pensamen- era feita separadamente por cada artesão. Essa
to que não se limita a interpretar o mundo, mas nova técnica ficou conhecida como manufatura e
busca também transformá-lo. Até o advento do substituiu a fase doméstica da produção.
marxismo, não havia nenhuma descrição nem ex- O segundo nível é chamado de superestru-
plicação científica da divisão social que acompa- tura e é constituído de uma base jurídico-política,
nhava a humanidade desde os primórdios. que é representada pelo estado que repercute as
Perceba que para Marx, a sociedade estru- ideias da classe dominante. É composto também
tura-se em níveis. O primeiro é a infraestrutura, por uma estrutura ideológica repercutida nas for-
que é constituída pela base econômica, aliás, esse mas de consciência social, entre as quais se des-
é, segundo Marx, o aspecto fundamental de toda tacam: a religião, a educação, a arte e as leis. Por
sociedade, isto é, transformar matérias-primas e esses mecanismos, a classe dominada acaba sen-
fontes de energia em riqueza. Assim, a infraestru- do sujeitada ideologicamente e seus valores de
tura engloba a relação do homem com a nature- vida passam a refletir as ideias e valores da classe
za, no esforço de produzir a própria existência. dominante.
Condiciona, assim, as relações dos homens entre Observe a força da ideologia na produção
si e o desenvolvimento das forças produtivas. dos discursos sociais. O que você pensa sobre
isso?

5.2 A Práxis

Para Marx não existe uma “natureza hu- Atenção


mana” idêntica em todo tempo e lugar. O existir
humano decorre do agir, pois o homem se au- O conceito de práxis é muito anterior à filosofia
marxista, com raízes no pensamento de Aristóte-
toproduz à medida que transforma a natureza les, mas foi por intermédio do pensador alemão
pelo trabalho. O trabalho é um projeto humano Karl Marx que tal conceito, progressivamente, se
e como tal depende da consciência que antecipa aprofundou, passando a ser o elemento central
do materialismo histórico. Marx concebe a prá-
a ação humana pelo pensamento. Marx chama xis como atividade humana prático-crítica, que
essa ação humana, de transformar a realidade, de nasce da relação entre o homem e a natureza.
práxis. A natureza só adquire sentido para o homem à
medida que é modificada por ele, para servir aos
fins associados à satisfação das necessidades do
gênero humano.

26
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Sociologia

5.3 A Mais-Valia

Você verá agora um conceito-chave do pen- no mercado seja de R$ 16,00. Diremos,


samento marxista: a questão da mais-valia. então, que cada hora de trabalho equiva-
le a R$ 2,00. Porém, quando vamos verifi-
Para Marx, tudo no sistema capitalista está car qual é o salário desses trabalhadores,
vinculado à produção de mercadoria. Mercado- descobrimos que não recebem R$ 16,00,
ria é tudo aquilo que é produzido não tendo em mas sim R$ 8,00. Há, portanto, 4 horas de
vista o valor de uso (por exemplo, o cachecol que trabalho que não foram pagas, apesar de
estarem incluídas no preço final da mer-
a vovó faz para o próprio uso), mas que tem por
cadoria. Essas 4 horas de trabalho não
objetivo o valor de troca, isto é, a comercialização pagas constituem a mais-valia, o lucro do
do produto. proprietário da fábrica de linho. Formam
Como o operário não detém os meios de seu capital. A origem do capital, portanto,
é o trabalho não pago. Graças à mais-va-
produção nem é dono das matérias-primas, pre- lia, a mercadoria não é um valor de uso e
cisa necessariamente vender seu trabalho para um valor de troca qualquer, mas um valor
sobreviver. O capitalista compra essa mercadoria, capitalista. (CHAUÍ, 1984, p. 50-51).
isto é, a força de trabalho do operário, que passa a
trabalhar para o capitalista num regime de traba-
Marx sistematizou essas reflexões em sua
lho aparentemente livre. Como vendeu sua força
obra máxima, O capital, onde analisa detalhada-
de trabalho ao capitalista, todo produto por ele
mente o funcionamento do sistema capitalista e
criado pertence ao capitalista, que o paga pelo
mostra como suas próprias contradições produzi-
trabalho realizado. Ocorre que o pagamento nun-
riam a sua crise estrutural.
ca corresponde ao tempo trabalhado, por exem-
plo, se o operário gastou quatro horas para fazer Através do conceito da mais-valia, Marx
uma cadeira, o capitalista lhe paga apenas duas, demonstrou que o capitalismo baseia-se na ex-
as outras duas horas ficam para o capitalista. Cha- ploração do trabalho. Como verificamos anterior-
ma-se mais-valia, portanto, aquilo que o operário mente e que agora exemplificaremos com outra
cria além do valor de sua força de trabalho, e que ordem de pensamento:
é apropriado pelo capitalista.
Analisando as consequências da mais-valia O sistema capitalista se ocupa da pro-
dução de artigos para a venda, isto é, de
para a vida do trabalhador, Chauí (1984) argu- mercadorias. O valor de uma mercadoria
menta: é determinado pelo tempo de trabalho
socialmente encerrado na sua produção.
O trabalhador não possui os meios de
O preço da mercadoria no comércio é
produção (terras, ferramentas, fábricas
uma aparência, pois a determinação
etc.), que pertencem ao capitalista. O va-
do valor dessa mercadoria depende do
lor de sua força de trabalho, como o de
tempo de trabalho de sua produção e
qualquer mercadoria, é o total necessário
esse tempo o dos demais trabalhadores
a sua reprodução – no caso, a soma ne-
que tornaram possível a fabricação dessa
cessária para mantê-lo vivo. Os salários
mercadoria. (...) o produtor da mercadoria
que lhe são pagos, portanto, serão iguais
recebe um salário, que é o preço de seu
apenas ao necessário a sua manutenção.
tempo trabalho, pois este é também uma
Mas esse total que recebe o trabalhador
mercadoria. Suponhamos, então, que,
pode produzir em parte de um dia de tra-
para fabricar um metro de linho e para
balho. Isso significa que apenas parte do
extrair um quilo de ferro, os trabalhado-
dia de trabalho o trabalhador estará tra-
res precisem de 8 horas de trabalho. Su-
balhando para si. O resto do dia ele está
ponhamos que o preço desses produtos

27
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

trabalhando para o patrão. A diferença fazer sua força de trabalho na forma devida, o que
entre o que o trabalhador recebe de salá- irá produzindo um esgotamento intensivo, logo,
rio e o valor da mercadoria que produz é a
uma baixa no rendimento, o que não interessa
mais-valia. A mais-valia fica com o empre-
gador - o dono dos meios de produção. É ao patrão; limites históricos – porque, à medida
a fonte do lucro, dos juros, das rendas - as que o capitalismo foi se desenvolvendo, a classe
rendas das classes que são proprietárias. operária também se desenvolveu, se organizou
A mais-valia é também a medida da ex- e começou a lutar contra a exploração capitalis-
ploração do trabalhador no sistema capi-
ta. Através de árduas lutas, a classe operária foi
talista. (HUBERMAN, 1972, p. 232-233).
conseguindo reduzir a jornada de trabalho, obri-
gando o capitalista a buscar outras medidas para
Ao patrão o que interessa é o aumento aumentar a mais-valia. Então, para isso, o patrão
constante da mais-valia, porque assim seus lucros teve de lançar mão de outras formas para fazer
também aumentam. Para fazer isso, o capitalista com que o operário produzisse mais, reduzindo o
usa algumas formas básicas: aumentando ao má- tempo de trabalho necessário (mais-valia relativa)
ximo a jornada de trabalho, mais-valia absoluta, sem reduzir a jornada de trabalho: introduzindo
de modo que depois de o operário ter produzido máquinas mais modernas, incentivando a produ-
o valor equivalente ao de sua força de trabalho, tividade etc.
possa continuar trabalhando muito tempo mais; Portanto, segundo Marx, a exploração do
essa forma de obter maior quantidade de mais- trabalhador não decorre do fato de o patrão ser
-valia é muito conveniente ao capitalista, porque bom ou mau, e sim da lógica do sistema: para o
ele não aumenta seus gastos nem em máquinas empresário vencer a concorrência entre os demais
nem em locais, e consegue um rendimento mui- produtores e obter lucros para novos investimen-
to maior da força de trabalho. Era o método mais tos, ele utiliza-se da mais-valia, que constitui a
utilizado no começo do capitalismo. Mas não se verdadeira essência do capitalismo. Sem ela, este
pode prolongar indefinidamente a jornada de não existe. Mas a exploração do trabalho acabaria
trabalho. Existem limites para isso: limites físicos por levar, por efeito da tendência decrescente da
– porque se o operário trabalha durante muito taxa de lucro, ao colapso do sistema capitalista.
tempo, não pode descansar o suficiente para re-

5.4 Modos de Produção

A mais-valia só existe no mundo do traba- a concepção de uma forma para o objeto que se
lho, sobretudo, do trabalho capitalista. Trabalho quer produzir. Há ainda o trabalho que é feito por
é toda atividade desenvolvida pelo homem, seja imitação, por exemplo, o trabalho de um feirante
ela física ou mental, da qual resultam bens de que vende frutas não exige aprendizagem ante-
consumo para a humanidade. Karl Marx afirmou rior: ele é capaz de executá-lo por meio da imita-
alhures que foi o trabalho o primeiro responsável ção.
pela educação do homem. Trabalho aqui com- Observe a esse respeito, a pergunta de Marx:
preendido como a atividade manual e intelectual o que diferencia o trabalho do mais brilhante ar-
que visa produzir bens de serviços para o uso diá- quiteto do trabalho da abelha? A diferença está,
rio do homem. Há que se considerar, porém, que segundo ele, no projeto, ou seja, o arquiteto ao
o peso de cada atividade é diferente. O trabalho executar qualquer projeto o concebe antes em
do operário da construção civil é mais manual, sua imaginação. A abelha, diferentemente, faz
apesar de exigir um mínimo de esforço mental. tudo pela intuição sem projeto concebido a priori.
O trabalho do arquiteto e do engenheiro oferece

28
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Sociologia

servis, isto é, senhores versus servos. Os servos


Dicionário estavam presos ao trabalho da terra. Eles culti-
vavam um pedaço de terra cedido pelo senhor
A priori, do latim, significa aquilo que vem antes. É
uma expressão filosófica que designa uma etapa e em troca pagavam impostos, cediam parte da
para se chegar ao conhecimento, que consiste no produção para o senhor e ainda eram obrigados
pensamento dedutivo. O conhecimento a priori se
a trabalhar e cuidar das terras do senhor. Apesar
complementa com o conhecimento a posteriori,
ou seja, o que vem depois como resultado da ex- disso, não eram escravos, pois o servo não era
periência. propriedade do senhor, portanto, não podia ser
negociado como uma mercadoria, como ocorria
A humanidade passou por diversas fases de com os escravos.
desenvolvimento de produção. Durante toda a O modo de produção capitalista institui o
sua história, o homem transformou e foi transfor- trabalho assalariado, suas relações de produção
mado pela natureza. A comunidade primitiva foi a estão ancoradas na propriedade privada e no do-
primeira forma de organização humana. O modo mínio dos meios de produção pela burguesia. A
de produção primitivo indica uma formação eco- burguesia possui as fábricas, os meios de trans-
nômica ainda pouco estruturada. Tinha como porte, os bancos, as terras, os meios de comuni-
característica a propriedade coletiva e não havia, cações e os dispositivos de controle social. Apesar
portanto, a oposição proprietários e não proprie- disso, seus empregados não são escravos, nem
tários, a terra era o principal meio de produção e servos. O trabalhador não é obrigado a ficar sem-
não existia Estado. pre no mesmo emprego; ele é livre para nego-
O modo de produção escravista predomi- ciar com o capitalista o trabalho de seu interesse.
nou na Antiguidade, mas esteve presente tam- Como os trabalhadores não são proprietários dos
bém no Brasil e nos EUA durante o período colo- meios de produção, eles são obrigados a vender a
nial. Nas sociedades escravistas, todos os meios força de trabalho para o capitalista, que paga pe-
de produção, incluindo aí os escravos, eram los serviços prestados4. Essas duas classes, isto é, a
propriedade do senhor. O escravo era considera- burguesia e o proletariado, são rivais. A burguesia
do uma coisa, por isso, podia ser vendido como luta para conservar os privilégios e o proletariado
uma ferramenta ou um animal. As relações de para tomar o poder da burguesia.
produção na sociedade escravista eram relações No modo de produção socialista, a finalida-
de domínio e de oposição senhor versus escravo. de da sociedade socialista é a satisfação completa
Nesse modo de produção, já temos a presença do das necessidades materiais e culturais da popu-
Estado, criado pelos senhores para defender seus lação. Nessa sociedade, não há separação entre
interesses. proprietários (os donos dos meios de produção) e
O modo de produção asiático predominou não proprietários (todos aqueles que têm apenas
no Egito antigo, na China e na Índia. Nesse modo a força de trabalho para tirar o sustento de suas
de produção, as terras pertenciam ao Estado, que vidas). O Estado é quem administra e distribui a
controlava a produção e a distribuía segundo produção, e não há divisão de classes, isto é, não
seus interesses e conveniências. O Estado egípcio, há separação entre ricos e pobres, proprietários e
dominado pelos Faraós, é um exemplo típico e não proprietário, intelectuais e não intelectuais.
mais conhecido desse modo de produção. Pode-se dizer, então, que um sentimento de
O modo de produção feudal predominou igualdade permeia as relações socioculturais da
na Europa Ocidental do século VI ao século XVI. sociedade socialista.
A sociedade feudal estava baseada nas relações

4
Obviamente que o capitalista se utiliza de todos os mecanismos para tornar o trabalhador cada vez mais dependente. Conferir
a esse respeito os conceitos de alienação, ideologia e mais-valia da presente apostila.

29
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

5.5 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), o marxismo surgiu como a concepção que expressa esse mundo moderno, surge
com a indústria e com o proletariado industrial. O pensamento materialista, que parte do objetivo para
o subjetivo, é um pensamento dialético, que busca nas intervenções humanas e em suas contradições as
explicações para a sociedade. Para Marx não existe uma “natureza humana”, pois o homem se autoproduz
à medida que transforma a natureza pelo trabalho. O trabalho é um projeto humano e como tal depende
da consciência que antecipa a ação humana pelo pensamento. Para Marx, tudo no sistema capitalista
está vinculado à produção de mercadoria; a mais-valia só existe no mundo do trabalho, sobretudo do tra-
balho capitalista. No modo de produção socialista, a finalidade é a satisfação completa das necessidades
materiais e culturais da população.

5.6 Atividades Propostas

1. Para Marx, a sociedade estrutura-se em níveis. Explique o nível da infraestrutura.

2. Caracterize o modo de produção feudal.

30
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
6 CONCEITOS DE SOCIOLOGIA

Você estudará os diferentes conceitos uti- volvimento, a estrutura e a função da sociedade.


lizados na Sociologia. Veja como alguns autores Conforme alerta-nos Martins (1987),
concebem esses objetos de estudo.
Para Lakatos e Marconi (1999, p. 38), é “o es- a Sociologia começa com a observação
tudo sistemático dos grupos e sociedades em que de que os humanos são criaturas imensa-
mente sociais, tudo o que fazemos, desde
vivem os indivíduos, como são criadas e mantidas
fazer amor até fazer uma guerra, o faze-
ou modificadas as estruturas sociais e as cultu- mos em companhia de outros e é impe-
ras e como estas afetam nosso comportamento.” rativo fazê-lo com os demais. Nunca um
Para Scuro (2004), é o estudo da realidade social, indivíduo solitário poderá realizar estas
quanto à sua constituição, suas estruturas e seu atividades. Estamos em constante cons-
trução e reconstrução de grupos, desde
funcionamento. Lemos Filho (2004) entendem
famílias e grupos em almoços ou em cor-
que a Sociologia é a Ciência que estuda o desen- porações multinacionais. (p. 9).

6.1 Estrutura Social

Numa escola trabalham o diretor, o coorde- de orientações diárias. O mesmo pode ser dito da
nador pedagógico, os professores, o secretário e estrutura de uma empresa ou de um clube de fu-
diversos funcionários, além dos alunos. Cada um tebol. Nessas organizações, o papel de cada um já
desses elementos ocupa uma posição social, um está dado previamente de modo que eles podem
status no grupo. Cada posição está relacionada compartilhar sem animosidade o mesmo espaço
com as demais, e todas elas, em conjunto, for- social.
mam a estrutura da escola. Esse mesmo raciocí- Estrutura social funciona também como
nio pode ser aplicado a outras estruturas, como, uma orientação teórica, um sistema de crenças
por exemplo, a um clube de futebol, que tem o e interesses que medeia as relações sociais. Os
presidente, o técnico, o massagista, os jogadores, membros de uma sociedade tendem geralmen-
enfim, tem um conjunto humano que forma uma te a compartilhar a crença na importância dos
estrutura social. valores definidos consensualmente. A religião, a
Observe, pois, que estrutura social é um liberdade política e a crença nas leis para mediar
conjunto ordenado de partes encadeadas que as relações humanas são, por exemplo, como va-
formam um todo. Dito de outro modo, a estrutura lores intrínsecos e universais que permeiam as es-
social integra os indivíduos dentro de uma ordem truturas sociais.
e aí define, por exemplo, o papel de cada um de
seus membros. Assim, o diretor de escola e o pro- A estrutura social inclui grandes grupos,
fessor sabem de suas funções sem a necessidade como as sociedades, comunidades, e pe-

31
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

quenos grupos, como as famílias e os ami- apreciem ou estimem, a estrutura não é


gos, mas o conceito de estrutura social estática, mas está em mudança constan-
inclui também os modelos ou padrões de te. (LAKATOS; MARCONI, 1999, p. 83).
interação social e relações sociais. Abar-
ca fenômenos que são tangíveis ou visí-
veis, como o de quem se relaciona e com Os elementos básicos da estrutura social
quem: idéias ou crenças e objetivos ou in- são status e papéis, relações sociais, grupos e or-
teresses; podem observar-se as relações
ganizações.
sociais, as idéias que os indivíduos sus-
tentam em comum e qualquer coisa que

6.2 Status e Papéis

Para Lakatos e Marconi (1999), status e pa- “primogênito” ou de “filho de operário”. Já o status
péis são elementos opostos e complementares, adquirido é obtido de acordo com as qualidades
um não poderia existir sem o outro. Um papel é a pessoais do indivíduo. Esse status confere ao in-
coleção de direitos culturalmente definidos, obri- divíduo uma posição de destaque entre os mem-
gações e expectativas que acompanham um sta- bros do grupo de pertencimento, pois seu status é
tus num sistema social. Numa empresa, por exem- fruto do reconhecimento de sua capacidade. Por
plo, o patrão possui direitos, deveres e privilégios exemplo, Pelé tem status adquirido pelas qualida-
diferentes dos empregados. Numa escola, diretor des de seu futebol. O status adquirido está, então,
e professor possuem direitos e deveres diferentes associado à capacidade profissional, intelectual e
dos alunos. Num clube de futebol, o técnico pos- de liderança do indivíduo na sociedade.
sui também direitos e deveres diferenciados dos Nas sociedades mais antigas, o status era
jogadores. O que estamos querendo demonstrar quase sempre atribuído. Assim foi na Idade Mé-
é que a posição ocupada pelo indivíduo no grupo dia, com a Igreja atribuindo status religiosos para
social denomina-se status social. O status social os indivíduos. Assim foi nas sociedades escravo-
indica, então, a posição do indivíduo no grupo cratas, quando o status era também atribuído e
social. assim permaneceu em algumas sociedades mo-
O status pode ser atribuído ou adquirido. dernas, com o rei atribuindo status para seus sú-
Status atribuído é aquele que não é escolhido vo- ditos. Na sociedade contemporânea, predomina
luntariamente pelo indivíduo e não depende de o status adquirido pelo destaque intelectual, lide-
suas ações e qualidades. Por exemplo, o status de rança e habilidades pessoais.

6.3 Relações Sociais

Para Scuro (2004), os status e os papéis se todos os dias. Para Lakatos e Marconi (1999),
dão as bases para as relações sociais, as relações cada interação social é uma situação em que o
tomam muitas formas diferentes. Para Martins comportamento de um participante influi no do
(1987), algumas são multifacetadas: duas pes- outro, os indivíduos definem, negociam suas re-
soas que vivem no mesmo bairro, trabalham para lações, algumas envolvem a relação direta cara a
a mesma companhia e têm os mesmos amigos. cara, outras são indiretas.
Outras são simples propósitos: o dono de um
cachorro com o qual alguém se encontra qua-

32
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Sociologia

6.4 Grupos

Grupo social é a reunião de duas ou mais veem-se frequentemente, o “trabalhar juntos”


pessoas, associadas por interesses comuns. Ao lhes dá um propósito e metas comuns e um senti-
longo da vida, o indivíduo participa de vários gru- do compartilhado de identidade. Além disso, suas
pos sociais, entre os quais, destacamos: interações são estruturadas por seus papéis e di-
ferentes posições hierárquicas.
ƒƒ Grupo Educativo – escola;
ƒƒ Grupo Religioso – igreja; Organizações Formais
ƒƒ Grupo Familial – família;
ƒƒ Grupo Profissional – empresa; Para Scuro (2004), organização formal é um
ƒƒ Grupo Político – partidos políticos; grupo planejado e criado para seguir suas metas
e manter-se unido por regras explícitas e regula-
ƒƒ Grupo Sindical – sindicatos.
mentos. Diferenciam-se os grupos pelo equilíbrio,
escala, estrutura e ênfase em fazer as coisas ou
nas orientações de suas metas. Como coloca Mar-
Atenção
tins (1987, p. 15):
Em sociologia, grupo é um sistema de relações
sociais, de interações recorrentes entre pessoas.
Também pode ser definido como uma coleção
Em sua acepção original a palavra estru-
de várias pessoas que compartilham certas ca- tura faz referência à construção de edi-
racterísticas, que interajam uns com os outros, fícios, mas no século XVI foi empregada
aceitem direitos e obrigações como sócios do para denotar as relações entre as partes
grupo e compartilhem uma identidade comum. de um todo. Era uma palavra utilizada
normalmente nos estudos anatômicos
que nesta época começavam a florescer.
Em cada fase da vida, um desses grupos es- O passo do termo da anatomia à Sociolo-
tará presente na vida do indivíduo. Para melhor gia, produziu-se vários séculos depois, foi
compreendê-los, podemos dividi-los em dois uma conseqüência lógica das analogias
orgânicas por parte dos pensadores po-
grupos: líticos.

1. Grupo Primário: predominam os conta-


tos pessoais, isto é, como a família e os Instituições Sociais
vizinhos. Os contatos são estabelecidos
mais diretamente, sem formalidade. Para Lakatos e Marconi (1999), o elemento
2. Grupo Secundário: são grupos mais estrutural mais importante dos elementos reuni-
complexos, como a Igreja e o Estado. dos são as instituições sociais, conjuntos estáveis
Os contatos aqui são mediados pela e perduráveis de normas e valores, status, papéis,
formalidade, respeitando-se a liturgia grupos e organizações com uma estrutura para a
do cargo e da ocasião. conduta social numa área particular da vida.
Todas as sociedades de grande escala têm
cinco Instituições Sociais principais, segundo Scu-
Para Lakatos e Marconi (1999), há outros
ro (2004):
níveis da estrutura social que podem comparti-
lhar certas características sociais. As pessoas que
trabalham num consultório são um grupo social,

33
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

1. A familiar, que é a responsável pelo 5. A econômica, que organiza a produção


crescimento e cuidado para com as e distribuição de bens e serviços.
crianças de modo a substituir os mem-
bros da sociedade que morreram ou se
A ciência, as artes, o cuidado com a saúde, o
foram;
sistema legal, o exercício e o tempo livre são ele-
2. A educacional, que assegura que as mentos que também foram institucionalizados
normas e valores culturais passem de nas sociedades modernas.
uma geração à seguinte e que as pes-
soas jovens tenham conhecimento e
habilidade para realizar papéis adultos;
3. A religiosa, que reforça os valores, dá
significado e propósito à vida;
4. A política, que mantém a ordem social
e protege os membros da sociedade
das invasões, controla os delitos e de-
sordens internas, resolve conflitos de
interesse;

6.5 Fenômenos Sociais

Para Lakatos e Marconi (1999), os grandes nou-se a forma de produção artesanal


acontecimentos históricos não se produzem sem e passou-se à produção em grandes
razão; determinadas causas sociais de caráter fábricas, ao mesmo tempo que os tra-
complexo precisam ocorrer e, muitas vezes, são balhadores deixaram de trabalhar em
previsíveis, para que esses acontecimentos ocor- suas casas para trabalhar sob as ordens
ram. O mesmo se pode dizer dos fenômenos que de um supervisor. Isso teve como con-
se suscitaram com o decorrer dos tempos. A se- sequência grandes mudanças na fa-
guir, alguns de grande importância para a Socio- mília, que deixou de consumir o que
logia, em Lakatos e Marconi (1999): ela mesma produzia, de forma que se
produziu uma dissociação: de um lado
1. A Revolução Francesa de 1789 e a Re- trabalhadores e de outro, consumido-
volução Industrial produziram um des- res, ao mesmo tempo que a família foi
moronamento das estruturas sociais de mudando seu sistema de valores;
tal maneira que passaram a ser motivo 4. O crescimento das cidades: os cam-
de preocupação coletiva; o que ocorre poneses abandonaram o campo,
na sociedade, o que provoca essas mu- trasladando-se à cidade em busca de
danças e como se podem solucionar trabalho, de tal forma que os núcleos
essas desigualdades e desequilíbrios industriais converteram-se em gran-
que se apresentam na sociedade; des cidades, surgiu a emigração, o
2. Os avanços científicos e tecnológicos; aglomerado da população, a pobreza,
3. Desenvolvimento de uma nova eco- o desemprego, a criminalidade, sen-
nomia industrial, já que ocorreu uma do esses problemas frequentes nessas
mudança na sociedade: deixou-se de grandes cidades, o que deixou antever
produzir a terra (cultivável), abando-

34
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Sociologia

o quanto esses são problemas de difícil víduo e um reconhecimento de seus


solução; direitos por sua condição de pessoa
5. Mudanças políticas: o direito divino humana.
dos reis foi abandonado, de forma que
a autoridade já não se legitimava por Esses cinco pontos formam o contexto que
um caráter divino, nem a sociedade era levou uma série de pensadores5 a propor a ques-
produto de um plano guiado por Deus, tão da sociedade e, consequentemente, da Socio-
e se começava a ver tanto a autoridade logia. De acordo com Scuro (2004), outros dos fe-
quanto a sociedade, um produto dos nômenos sociais que se apresentaram com maior
seres humanos, orientados a satisfazer frequência em nossa moderna sociedade são: o
suas necessidades e seus interesses; delito, a violência, as drogas, o divórcio e a acultu-
ressurgiu, então, o interesse pelo indi- ração dos imigrantes.

6.6 Relações Sociais

Saiba que o conceito da relação deve en- ralidade, no entanto, o conteúdo da relação pode
tender-se como uma conduta plural pelo sentido ser, segundo Martins (1987):
que encerra: apresenta-se como reciprocamente
referida ou orientando-se por essa reciprocidade. a) Relações Dissociativas:
Consiste na probabilidade de comportamento ƒƒ inimizade;
social numa forma indicada, sendo indiferente
ƒƒ conflito;
àquilo em que a probabilidade prediz. À relação
social temos que vincular o processo social (WE- ƒƒ concorrência.
BER, 1982).
b) Relações Associativas:
Segundo Scuro (2004, p. 107), “observando
uma conduta plural, ou seja, conduta de vários ƒƒ amor sexual;
atores que criam uma interação ao agir e, além ƒƒ amizade;
disto, orientam sua conduta pela idéia da recipro- ƒƒ associação comercial.
cidade.” Para que a interação ocorra, é preciso plu-

6.7 Fim ou Objetivos da Sociologia

Entenda que o objetivo da Sociologia é Segundo Rodrigues (2003, p. 127):


o estudo científico dos fatos sociais (LAKATOS;
MARCONI, 1999). Seu objetivo principal inicial era O objetivo da Sociologia na consciência
descrever e quantificar os fatos; pelo contrário, se coletiva, o da psicologia a consciência
queria dar à Sociologia um papel explicativo, e individual, e as diferenças entre ambas
as ciências é o que estuda a Sociologia,
houve um grande esforço em organizar um am-
é o fato social que tem caráter externo e
plo aparelho conceitual (SCURO, 2004).

5
Entre os quais se destacam: Saint-Simon, Comte, Karl Marx, Durkheim e Max Weber.

35
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

coercivo enquanto o fato psíquico é de 1. Abstrair o social ou inter-humano do


natureza interna e de significado mimé- resto pertencente à vida humana;
tico.
2. Constatar os efeitos do social e o modo
como se produzem;
A Sociologia consiste no estudo dos proces- 3. Restituir o social ao conjunto da vida
sos sociais ou inter-humanos e deve se dividir em humana para fazer compreensíveis
três grandes tarefas (LEMOS FILHO, 2004): suas relações com esta.

6.8 Teoria Sociológica Geral

Você tem ideia do que seja a Teoria Socio- empíricas. Constantemente é enfocado o que se
lógica Geral? É sobre isso que falaremos a seguir. denomina de “teorias de alcance intermediário”.
Trata-se de uma teoria que pretende atri- Nos dizeres de Scuro (2004):
buir um valor explicativo à doutrina estrutural
funcional, e que tem uma intenção consistente, [...] teorias intermediárias entre essas
não exatamente de destruir, negando veemente- hipóteses de trabalhos menores, mas
necessários, que se produzem abundan-
mente a verdade das teorias sociológicas do pas-
temente durante as rotinas diárias da
sado, mas assinalando suas insuficiências, a partir pesquisa e dos esforços sistemáticos to-
dos pontos de vista teóricos e prático (LAKATOS; talizadores para desenvolver uma teoria
MARCONI, 1999). unificada, que explique todas as unifor-
midades observadas na conduta, na or-
Segundo Martins (1987), essa corrente so-
ganização e nas mudanças sociais. (p. 73).
ciológica estimava que a Sociologia devesse abar-
car todo o campo das ciências, de tal modo que a
Sociologia seria uma espécie de enciclopédia do A teoria intermediária é utilizada na Socio-
saber, de tal sorte que de alguma forma a Sociolo- logia principalmente para guiar a pesquisa empí-
gia estudaria o objeto das matemáticas, astrono- rica. É uma teoria intermediária às teorias gerais
mia, física, química e, ao fazer isso, a Sociologia se dos sistemas sociais, que estão demasiado dis-
converteria numa ciência de importância primor- tantes dos tipos particulares de conduta, de or-
dial. Martins (1987, p. 14) afirma ainda que, ganização e de mudança sociais para levá-las em
conta no que se observa e nas descrições orde-
como muitas palavras excessivamente nadamente detalhadas de particularidades que
usadas, o termo ‘teoria sociológica’ amea- não estão ainda generalizadas. A teoria de alcan-
ça ficar vazio de sentido. A mesma diver- ce intermediário inclui abstrações, por óbvio, mas
sidade de coisas a que se aplica, a par- estão próximas o bastante dos dados observados
tir de pequenas hipóteses de trabalho,
passando por especulações gerais mais
para incorporá-las em proposições que permitam
vagas e desordenadas, até os sistemas a prova empírica (LAKATOS; MARCONI, 1999).
axiomáticos do pensamento, o emprego Martins (1987) explica que as teorias de
da palavra com freqüência atrapalha o
alcance intermediário tratam dos aspectos deli-
entendimento em vez de aclará-lo.
mitados dos fenômenos sociais, como o indicam
seus próprios procedimentos. Fala-se de uma teo-
O termo ‘teoria sociológica’ refere-se a gru- ria dos grupos de referência, da mobilidade social
pos de proposições logicamente interconecta- ou de conflito de papéis e da formação de normas
das, dos quais podem se derivar uniformidades sociais, da mesma forma que se fala de uma teoria

36
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Sociologia

dos preços, de uma teoria dos germes ou de uma multiplicidade de sistemas, cada um deles com
doença, ou de uma teoria cinética dos gases. pretensões de ser genuína Sociologia, levou,
muito naturalmente, à formação de escolas, cada
A busca de teorias de alcance intermediá- uma delas com seu grupo de mestres e discípu-
rio exige do sociólogo um compromisso los. A sociologia não só se diferenciou de outras
diferente que a busca de uma teoria tota- disciplinas, mas se diferenciou internamente. Essa
lizadora. As observações de cada aspec- diferenciação não era, no entanto, questão de es-
to da conduta, organização e mudanças
sociais, encontram-se prefixadas, impli- pecialização, como nas ciências; era mais, como
cando no mesmo desafio e na mesma em filosofia, questão de sistemas completos, tipi-
pequena promessa dos grandes sistemas camente sustentados como mutuamente exclu-
filosóficos totalizadores que caíram em dentes e díspares.
merecido desuso. (LEMOS FILHO, 2004, p.
143). Como observou Bertrand Russell (apud LE-
MOS FILHO, 2004) a respeito da Filosofia, esta So-
ciologia total não captou a vantagem, comparada
Nesse caso, segundo Martins (1987), a for- com as sociologias dos construtores de sistemas,
mulação de uma teoria sociológica geral, ampla de ser capaz de resolver problemas, um de cada
o bastante para abarcar grandes quantidades de vez e ao mesmo tempo, em lugar de ter que in-
detalhes minuciosamente observados da con- ventar de uma só vez um bloco teórico de todo o
duta e organização sociais, não seria frutífera o universo sociológico. Nos dizeres de Lemos Filho
bastante para chamar a atenção de milhares de (2004):
pesquisadores para os problemas da pesquisa
empírica.
os sociólogos intelectuais de sua discipli-
Para Martins (1987), um sentido histórico na tomaram seu protótipo de sistemas
dos contextos intelectuais mutáveis da Sociologia da teoria científica em lugar de sistemas
deve ser humilde o bastante para liberar aqueles filosóficos. Esta via também levou às ve-
zes à tentativa de criar sistemas totais de
otimistas desta esperança extravagante. Sociologia, meta que freqüentemente se
Por um lado, alguns aspectos de nosso pas- baseia numa ou mais de três concepções
sado histórico ainda permanecem em grande básicas errôneas sobre seguiram outro
caminho em seu desejo de estabelecer a
parte conosco. Devemos recordar que primeira-
legitimidade às ciências. (p. 147).
mente a Sociologia desenvolveu-se numa atmos-
fera intelectual na qual se introduziam por todos
os lados sistemas filosóficos gerais. Qualquer filó- Para Martins (1987), a primeira concepção
sofo do século XVIII e do início do século XIX que errônea supõe que os sistemas de pensamento
se prezasse tinha que desenvolver seu próprio sis- podem desenvolver-se efetivamente ante uma
tema filosófico, sendo os mais conhecidos excep- grande massa de observações básicas que se acu-
cionalmente: Kant, Fichte, Schelling e Hegel. Cada mularam. De acordo com essa opinião, Einstein
sistema era uma aposta pessoal pela concepção poderia ter seguido de imediato Kepler, sem ne-
definitiva do universo, do material, da natureza e cessidade dos séculos de pesquisa e pensamento
do homem. Essas tentativas dos filósofos em criar sistemático a respeito dos resultados da pesquisa
sistemas totais serviram de modelo aos primeiros que foram necessários para preparar o terreno.
sociólogos, e assim o século XIX foi um século de
sistemas sociológicos. Tendo como pais fundado- Os sistemas de Sociologia que partem
res Comte e Spencer (BENOIT, 1999). desta pressuposição tácita são muito pa-
recidos aos introduzidos pelos criadores
Nesse contexto, Benoit (1999) afirma que
de sistemas em medicina num lapso de
quase todos os pioneiros da Sociologia trataram 150 anos: os sistemas de Stahl, Boissier
de criar um modelo de seu próprio sistema. A de Sauvages, Broussais, John Brown e

37
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

Benjamin Rush. Até meados do século Esses caminhos já se fecharam na Medicina,


XIX, personagens eminentes da medicina mas esse tipo de esforço ainda ressurge na Socio-
pensaram que era necessário desenvol-
logia.
ver um sistema teórico da doença muito
antes que a anterior pesquisa empírica se
tivesse desenvolvido adequadamente.
(MARTINS, 1987, p. 22).

6.9 Teorias Sociológicas Especiais

Caro(a) aluno(a), você verá agora as teorias ƒƒ A teoria da relatividade linguística;


sociológicas denominadas especiais. ƒƒ A teoria do etnocentrismo;
Para Martins (1987), essas teorias entendem ƒƒ A teoria da socialização;
que ideias, conceitos ou julgamentos provisórios ƒƒ A teoria do eu que se vê num espelho;
a respeito da natureza da realidade ou a respeito
ƒƒ A teoria da conduta conformista.
do modo de se resolver um problema podem ser
simples hipóteses, conceitos ou juízos aplicados a
algum fenômeno específico e são as que a seguir Tendem a agrupar-se em várias correntes
se relacionam: teóricas principais ou perspectivas que vinculam
uma ampla quantidade de conceitos hipóteses e
ƒƒ A teoria da Gemeinschaft; teorias (LAKATOS; MARCONI, 1999).
ƒƒ A Gesellschaft;

6.10 Pesquisas Sociológicas Concretas

São orientações teóricas que dão ênfase à a) Etnometodologia;


oposição ente os indivíduos, os grupos ou as es- b) Teoria da mudança;
truturas sociais. Essa oposição é a existência da c) Teoria do intercâmbio;
escassez ou limitações nos recursos para conse-
d) Interacionismo simbólico;
guir objetivos ou realizar os valores. Os recursos
referem-se tanto aos fatores não materiais, como e) Teoria do conflito.
poder e prestígio, quanto a fatores utilizados para
conseguir objetivos. A Sociologia considera a es-
cassez como algo que é parcialmente um senso
comum por parte da sociedade (WEBER, 2003).
O Funcionalismo Estrutural é uma orienta-
ção teórica que acentua as funções ou contribui-
ções feitas à sociedade pelas estruturas sociais
existentes (SCURO, 2004):

38
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Sociologia

6.11 Leis Sociais

Você sabe o que são leis sociais? Assim, atente para a definição de lei: a Lei
Segundo Lemos Filho (2004), são os regu- é o conjunto de normas jurídicas de observância
lamentos que regem a conduta do indivíduo na geral por parte da população de um Estado num
sociedade, conforme o Direito. regime de direito e que é sua principal fonte. A Ju-
risprudência é realizada pelos grandes Juriscon-
a) A LEI é uma norma de direito ditada, pro- sultos da Suprema Corte de Justiça da nação, que
mulgada e sancionada pela autoridade têm a faculdade de interpretação das normas ju-
pública, ainda sem o consentimento rídicas de um Estado, através de suas resoluções,
dos indivíduos, e que têm como fim re- que interpretam e uniformizam direito ao cobrir
gular a conduta externa dos homens. as lacunas da lei. O Costume, por sua vez, são
normas de conduta criadas por uma comunida-
b) O COSTUME é a observância uniforme
de e que vão sendo aceitas de forma obrigatória;
e constante de regras de conduta obri-
surgem pela uniformidade do comportamento:
gatórias elaboradas por uma comuni-
“o costume se faz lei”. Por outro lado, a doutrina
dade, é um uso implantado numa co-
é constituída pelos estudos que realizam os pes-
letividade e considerado por esta como
quisadores do direito, sobre variados aspectos e,
juridicamente obrigatória, é o direito
por último, os Princípios Gerais do Direito são os
costumário.
axiomas ditados pela razão, a sabedoria que ser-
c) A JURISPRUDÊNCIA é a correta interpre- ve de inspiração e fundamento ao direito positivo
tação da lei feita pelos Ministros da Su- como frases doutrinárias com as quais se formam
prema Corte de Justiça Plena ou pelos máximas de caráter axiomático como as que se
Magistrados dos Tribunais Colegiados. seguem:
Havendo vários casos concretos, sem
objeções, acaba por se converter em
1. Ninguém deve ser condenado somen-
obrigatória, já que cobre as lacunas da
te por suspeitas;
lei.
2. É preferível absolver um culpado a con-
d) A DOUTRINA é o conjunto de estudos
denar um inocente;
e opiniões que os tratadistas de direi-
to emitem em suas obras. Estudos de 3. A boa-fé se presume, a má-fé se prova;
caráter científico que os juristas fazem 4. Onde a lei não distingue, não é lícito
sobre temas de direito, munidos de pro- distinguir.
pósitos teóricos sistematizados de seus
preceitos, com a finalidade de interpre- Sobre essas questões, Lemos Filho (2004)
tar suas normas e assinalar as regras de assinala:
aplicação.
e) OS PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO são As fontes do direito são os procedimen-
os que determinam uma controvérsia tos por meio dos quais se concretiza a
judicial, como a equidade, a justiça, o norma jurídica e se assinala sua força
bem comum. obrigatória, já que a lei é a norma jurídica
emanada do poder público. O Costume
f) A EQUIDADE é considerada por alguns é o conjunto de hábitos que levam o ho-
autores também como fonte formal do mem a agir de maneira determinada ao
Direito. qual a sociedade dá caráter obrigatório.

39
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

A Jurisprudência por sua vez, sustenta- e a tradição a reconhece como um meio


da em sentenças ou decisões, dadas pela de criação do direito (direito costumário).
autoridade judicial federal, aplica o direi- A Jurisprudência, como resoluções da
to corretamente, cobre suas falhas e a faz suprema Corte de Justiça e os Tribunais
obrigatória [...] a Doutrina é o conjunto de Colegiados, tem como fim determinar o
princípios que dão os juristas com o fim verdadeiro sentido e alcance das disposi-
de interpretar e comentar o direito, mas ções existentes da lei, e a doutrina, como
suas conclusões não podem ser juridica- opiniões dos juristas, leva em conta a re-
mente obrigatórias, por provir de particu- gulação normativa que fazem de diversos
lares [...] e os Princípios Gerais do Direito temas jurídicos, bem como os princípios
determinam uma controvérsia judicial, já gerais do direito que derivam do conteú-
que se decide a favor do que trate de evi- do das próprias normas como verdades
tar prejuízo, não do que pretenda obter fundamentais. Além disso, é preciso le-
um lucro, de conformidade com o Código var em consideração como outra fonte
Civil, já que, na falta da legislação escrita, normal, os Tratados Internacionais, que
se resolverá conforme estes princípios. (p. de conformidade com a Constituição Fe-
133). deral, têm força de lei federal ordinária e
fazem parte do Direito Positivo Brasileiro.
(p. 135).
Sobre isso, Benoit (1999) hierarquiza as fon-
tes formais do direito: em primeiro lugar a lei, em
segundo lugar a jurisprudência, seguido pelos O Costume é a mais antiga das fontes for-
princípios gerais do direito, o costume e a equi- mais do direito, desde a época dos sistemas pri-
dade, pois nos indica que a lei, como norma de mitivos jurídicos. Na atualidade, perdeu seu papel
direito escrita, busca o bem comum da atividade transcendental, pois é considerado uma fonte
social, enquanto a jurisprudência só interpreta secundária subordinada à legislação (MARTINS,
a lei quando tem falhas e se faz obrigatória de- 1987). Lakatos e Marconi (1999, p. 109) explicam
pois de alguns casos concretos. A doutrina, como que: “Costume é direito ou foro que não é escrito,
conjunto de estudos e opiniões que os tratadistas que foram usados pelos homens por um longo
do direito fazem, só pode tomar-se um ponto de tempo, ajudando nas coisas ou nas razões sobre
referência, assim como os costumes pelos quais as quais usaram” e, por sua vez, Scuro (2004, p. 53)
os princípios são obrigatórios, mais do que essas o definia como: “Uso existente num grupo social,
duas fontes. que expressa um sentimento jurídico dos indiví-
duos que compõem este grupo.”
Segundo as análises de Lemos Filho (2004),

o Costume, como repetição constante


de uma conduta, conduz a um momento
em que a sociedade a torna obrigatória

6.12 Processo Social

Entende-se por processo social um avanço, Martins (1987) explica que quando se quer
um caminhar adiante, um aproximar-se de uma determinar em que momento existe o processo
meta considerada como socialmente valiosa. social é preciso avaliar quais são os valores que
Também é considerado mudança ou movimento se assentaram numa determinada sociedade, o
social na direção de um objeto reconhecido ou progresso social consiste na realização de um de-
aprovado (SCURO, 2004). terminado sistema de valores. O processo social
do cristianismo, por exemplo, consistirá na rea-

40
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Sociologia

lização dos valores postulados pela moral cristã, Nem toda mudança social implica progres-
cujo principal pilar é o “valor supremo do amor”. so, já que poderia dar-se uma mudança regres-
O processo material será a realização de valores siva, um retrocesso. Para Scuro (2004), processo
materiais, encarnados nos equipamentos como a social é equivalente à interação.
indústria e o maquinário em geral, objetos repre-
sentativos da civilização.

6.13 Teoria do Indivíduo Social

Você já pensou que o homem utiliza sua dessa forma, ao procriar, conserva a espécie hu-
inteligência para suas necessidades e o animal o mana. Tanto na procriação quanto na produção
faz intuitivamente? Em outras palavras, o homem de bens para satisfazer suas necessidades, há
produz seus próprios bens materiais e para isso é uma dupla relação: uma natural e outra social
necessário associar-se a outros homens para con- (MARTINS,1987).
seguir sua subsistência. Mas não apenas produz
bens materiais, como também seus modos de A existência social implica uma coope-
vida, que são um reflexo da produção dos bens ração, onde os meios de produção con-
materiais. O modo de vida dos povos coincide formam a força produtiva, e a soma de
com sua produção, tanto com o que produzem relações das forças produtivas determina
o modo de vida da sociedade. (WEBER,
quanto com o modo de produzir, o que também 2003, p. 36).
condiciona as relações entre uma comunidade e
outra (WEBER, 1982).
Marx e Engels (apud SCURO, 2004) assina- A partir do momento em que o homem
lam que toda subsistência humana pressupõe existiu como tal, recorreu a outros para tentar
condições para poder viver e, para sobreviver, é seu alimento, suas vestes, sua moradia e também
necessário haver comida e bebida, moradia, rou- para reproduzir-se. Para produzir, além de relacio-
pa etc. Por isso, como coloca Martins (1987), o pri- nar-se com outros homens, cria instrumentos de
meiro fato histórico, a produção dos meios para trabalho que lhe permitem obter e elaborar com
satisfazer essas necessidades, ocorreu há milhares maior facilidade suas fontes de satisfação. O ho-
de anos e, ainda na atualidade, precisa se cumprir mem em sociedade vai incorporando cada vez
todos os dias como condição indispensável para mais conhecimentos, inventos e descobertas a
a existência do ser humano. seu trabalho, fazendo com que a sociedade avan-
ce constantemente.
Dessa maneira, perceba que o homem, ao
mesmo tempo que produz, também se reproduz;

6.14 Fato Social

São fatos realizados pelo homem na socie- tros, complexos, grupos ou formações (LAKATOS;
dade da qual faz parte. Incluem relações inter-hu- MARCONI, 1999).
manas, situações de relação e influência recíproca Martins (1987, p. 31) salienta que
entre os homens, processos sociais ou movimen-
tos entre os homens, uns com relação aos ou-

41
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

os fatos sociais demandam o entendi- ou explicativa, de maneira que seja possível des-
mento do sentido que estes têm: o enten- cobrir as regularidades ou uniformidades da con-
dimento destes é um elemento essencial
duta humana (SCURO, 2004).
e indispensável de seu estudo, também é
a explicação pela qual os fatos humanos Como define Durkheim (2000, p. 41): “Os Fa-
ainda que não façam sentido, não são pu- tos sociais consistem uma maneira de pensar, de
ramente abstratos, mas realidades con- fazer e de sentir, externas ao indivíduo e dotadas
cretas no espaço e no tempo.
de um poder coercivo em cuja virtude se impõe.”
O fato social o leva a distinguir entre cons-
Através das pesquisas em Sociologia, vai se ciência coletiva e consciência individual, que
definindo o fato social, bem como as reflexões precisamente vai delimitar os campos da Socio-
que hão de ser conduzidas para realizar um trata- logia e da Psicologia; assim, a consciência coleti-
mento científico para o que será feito (LAKATOS; va refere-se a modos de pensar, sentir e fazer que
MARCONI, 1999). constituem a herança comum de uma sociedade
(DURKHEIM, 2000).
ƒƒ Como observar os fatos sociais; Para Martins (1987, p. 29), isso será “[...] a
ƒƒ Como distinguir os fatos normais da- cultura que atribui a cada sociedade seus traços
queles outros que podem ter uma na- distintivos, frente a esta consciência coletiva, si-
tureza patológica; tua-se a consciência individual, definida como o
ƒƒ Como construir os tipos sociais; universo privado de cada um.”
ƒƒ Como explicar os fatos sociais; As sociedades vão variar em função do di-
ferente grau de coerção que as consciências co-
ƒƒ Como estudar as provas.
letivas exercem sobre as consciências individuais,
o que se traduz na possibilidade de que exista
Tudo isso para conseguir a distinção entre a maior número de condutas desviadas (DUR-
especulação filosófica e a especulação científica KHEIM, 2000).

6.15 Ideologia

A palavra ‘ideologia’ carrega vários significa- das situações aparentemente naturais, mas que
dos e é usada para diferentes finalidades. “A ideo- na verdade são produtos da intervenção humana.
logia é – de qualquer maneira – o processo pelo Um exemplo disso é a ideia que está na divisão de
qual as ideias da classe dominante tornam-se classes da sociedade capitalista, isto é, de que o
ideias de todas as classes sociais, tornam-se ideias rico já nasceu rico e o pobre já nasceu pobre; ou a
dominantes.” (CHAUÍ, 1984, p. 92). ideia criminalizante de que o pobre é inclinado à
A ideologia tem, então, influência marcante marginalidade.
na conformação social da sociedade capitalista, Segundo Chauí (1984), isso significa que:
pois ajuda a ocultar suas contradições. Ela tem,
pois, a função de apagar as diferenças, como as ƒƒ as ideias da classe dominante, na socie-
de classe, oferecendo referenciais universais para dade capitalista, prevalecem sempre
a unificação da sociedade. Nesse sentido, é inte- sobre as ideias das classes subalternas;
ressante notar que a ideologia trabalha para a na- ƒƒ para tanto, os membros da sociedade
turalização das contradições sociais, justificando e não se percebem como categorias di-
criando condições para a aceitação de determina- ferentes, ou seja, como classes sociais
distintas;

42
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Sociologia

ƒƒ o mecanismo para unificação passa ƒƒ essas ideias não exprimem a realidade


pelo discurso que a classe dominante real, contrariamente a isso, elas apenas
cria e depois distribui para as classes representam a aparência social, ocul-
subalternas por meio da educação, da tando dos indivíduos as contradições
arte e dos meios de comunicações; do mundo real.

6.16 Alienação

fetichismo leva a crer que a mercadoria tem vida


Dicionário própria, isto é, como se não houvesse nela a inter-
venção humana.
Alienação: processo em que o ser humano se afas-
Nos dizeres de Chauí (1984, p. 57),
ta de sua real natureza, tornando-se estranho a si
mesmo na medida em que já não controla sua ati-
vidade essencial (o trabalho), pois os objetos que as coisas-mercadorias começam, pois, a
produz, as mercadorias, passam a adquirir existên-
se relacionar umas com as outras como
cia independente do seu poder e antagônica aos
seus interesses.
se fossem sujeitos sociais dotados de vida
própria (um apartamento estilo ‘mediter-
râneo’ vale um ‘modo de viver’, um cigar-
Depois de conceituar mais-valia, Marx com- ro vale ‘um estilo de vida’, um automóvel
preende que o trabalhador não poderia perceber zero Km. vale ‘um jeito de viver’ uma bebi-
a exploração da qual era vítima, pois se encon- da vale ‘a alegria de viver’, uma calça vale
‘uma vida jovem’). E os homens-mercado-
trava alienado. Alienado é o que está fora, o que
rias aparecem como coisas (um nordes-
não lhe pertence e a mercadoria que é produzida tino vale R$ 20,00 à hora na construção
pelo operário no mundo capitalista não pertence civil, um médico vale R$ 2.000,00 à hora
a ele. Costuma-se afirmar que o poder do povo é no seu consultório). A mercadoria passa
inalienável, se ele é inalienável é porque ele não a ter vida própria indo da fábrica à loja,
da loja à casa, como se caminhasse sobre
pode ser vendido. Por outro lado, costumam-se
seus próprios pé.
encontrar nas ruas da cidade placas com os se-
guintes dizeres: “Compro seu carro, mesmo alie-
nado”. O que isso quer dizer? Simplesmente que E continua sua argumentação.
o carro não pertence ao seu condutor e sim a al-
guma financiadora de que o indivíduo comprou O primeiro momento do fetichismo é
o carro em 24, 36, ou em 48 prestações. Portanto, este: a mercadoria é um fetiche (no sen-
enquanto ele não acabar de pagar o carro, o carro tido religioso da palavra), uma coisa que
existe em si e por si. O segundo momen-
estará alienado à financiadora.
to do fetichismo, mais importante é o
A alienação manifesta-se, então, na vida real seguinte: assim como o fetiche religioso
do homem, sobretudo a partir da divisão do tra- (deuses, objetos, símbolos, gestos) tem
balho, pois quando isso acontece o produto de poder sobre seus crentes ou adoradores,
os domina como uma força estranha, as-
seu trabalho deixa de lhe pertencer. Na medida sim também a mercadoria. O mundo se
em que ele não tem mais domínio sobre aquilo transforma numa imensa fantasmagoria.
que faz, ele está resolutamente alienado: não es- (CHAUÍ, 1984, p. 56-57).
colhe o salário, não escolhe o horário nem o rit-
mo do trabalho, sendo, portando, comandado de
A mercadoria adquire, portanto, na socie-
fora por forças exteriores a ele. Ocorre, então, o
dade capitalista valor superior ao homem, pois
que Marx chama de fetichismo da mercadoria. O

43
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

se privilegiam as relações entre coisas e são essas Entre 1989 e 1991, desfazia-se o bloco so-
coisas que vão intermediar as relações entre as viético após uma crise interna e externa bastante
pessoas. intensa – dificuldade em conciliar as diferenças
Com o advento da Revolução Bochevique, regionais e étnicas, falta de recursos para manter
a aceitação dos ideais marxistas ganhou impulso um estado de permanente beligerância, atraso
renovado; no século XX, difundiam-se pelos qua- tecnológico, excesso de burocracia, baixa produ-
tro continentes. Os ideais marxistas serviram de tividade, escassez de produtos, inflação e corrup-
estímulo na luta pela independência que surgia ção, entre outros fatores. O fim da União Soviética
nas colônias europeias da África e da Ásia, após provocou um abalo nos partidos de esquerda do
a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, assim mundo todo e o redimensionamento das forças
como a luta por soberania e autonomia, existente internacionais.
nos países latino-americanos. Toda essa explicação a respeito do mar-
Em 1919, surgiram partidos comunistas xismo faz-se necessária por diversas razões. Em
na América do Norte, na China e no México. Em primeiro lugar, porque a sociologia confundiu-se
1920, no Uruguai; em 1922, no Brasil e no Chile; com socialismo em muitos países, em especial
e, em 1925, em Cuba. O movimento revolucioná- nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvi-
rio tornava-se mais forte à medida que os Esta- mento – como são hoje chamados os países de-
dos Unidos e a URSS emergiam como potências pendentes da América Latina e da Ásia, surgidos
mundiais e passavam a disputar sua influência das antigas colônias europeias. Nesses países, in-
no mundo. Várias revoluções, como a chinesa, a telectuais e líderes políticos associaram de manei-
cubana, a vietnamita e a coreana, instauraram ra categórica o desenvolvimento da sociologia ao
regimes operários, que, apesar das suas diferen- desenvolvimento da luta política e dos partidos
ças, organizavam um sistema político com algu- marxistas.
mas características comuns – forte centralização, A repercussão do pensamento sociológico
economia altamente planejada, coletivização dos desses três autores influenciou decisivamente os
meios de produção, fiscalismo e uso intenso de rumos da sociedade contemporânea. Pode-se di-
propaganda ideológica e do culto ao dirigente. zer mesmo que há para a organização social um
Intensificava-se, nos anos 50 e 60, a oposi- antes e um depois, estabelecido a partir das refle-
ção entre os dois blocos mundiais – o capitalista, xões desses autores.
liderado pelos Estados Unidos, e o socialista, lide-
rado pela URSS. A polarização política e ideológi-
ca é transferida para o conjunto do método e da
teoria marxista, que passam a ser usados sob o
peso da direção do stalinismo na URSS e dos par-
tidos comunistas a ele filiados, como um corpo
doutrinário fechado para legitimar a tese do “so-
cialismo em um só país”, preconizada pela lideran-
ça soviética e da gestão burocrática dos estados
socialistas. O marxismo deixou de ser um método
de análise da realidade social para transformar-
-se em ideologia, perdendo, assim, parte de sua
capacidade de elucidar os homens em relação ao
seu momento histórico e mobilizá-los para uma
tomada consciente de posição.

44
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Sociologia

6.17 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), a estrutura social é um conjunto ordenado que forma um todo e integra os indiví-
duos dentro de uma ordem que define o papel de cada um de seus membros, e funciona também como
um sistema de crenças e interesses que media as relações sociais. Numa estrutura social, temos status e
papéis que são elementos opostos e complementares, um não poderia existir sem o outro. Um papel é a
coleção de direitos culturalmente definidos, obrigações e expectativas que acompanham um status num
sistema social. O Status atribuído é aquele que não é escolhido voluntariamente pelo indivíduo e não de-
pende de suas ações e qualidades. Por exemplo, o status de “primogênito”. O Status adquirido está, então,
associado à capacidade profissional, intelectual e de liderança do indivíduo na sociedade, é fruto do reco-
nhecimento de sua capacidade; por exemplo, Pelé tem status adquirido pelas qualidades de seu futebol.

6.18 Atividades Propostas

1. Caracterize o status atribuído e adquirido.

2. Todas as sociedades de grande escala têm cinco Instituições Sociais principais. Indique e ca-
racterize duas.

45
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
7 GLOBALIZAÇÃO

A parte final desta apostila analisa as mu-


danças ocor­ridas nas últimas décadas do século Saiba mais
XX, que alteraram subs­tancialmente o panorama Globalização é um dos processos de aprofundamento
político, econômico e ideológico mundial. Essas da integração econômica, social, cultural e política que
mudanças ficaram conhecidas como globaliza- teria sido impulsionado pelo barateamento dos meios
de transporte e comunicação dos países do mundo
ção econômica, estendendo-se posteriormente no final do século XX e início do século XXI.
para outras áreas de influência à cultura principal-
mente.

7.1 Histórico

Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo ƒƒ A Europa deixou de ser o centro das de-
viveu um período conhecido como Guerra Fria. cisões internacionais, condição de que
Os protagonistas dessa guerra foram EUA e URSS. desfrutava desde o início dos tempos
Visando aumentar a influência e a participação modernos. Esse status de centro opera-
nas decisões globais, essas potências formaram dor das decisões internacionais foi as-
alianças com outros países e dividiram o mundo sumido pelos EUA.
em dois blocos ideologicamente distintos. De um ƒƒ A Europa foi dividida em duas áreas de
lado, estavam os países partidários da economia influência, a parte ocidental do conti-
de mercado e da democracia política. Do outro, nente aliou-se aos EUA e a parte orien-
encontravam-se os países alinhados com a eco- tal aliou-se à União Soviética.
nomia planificada e com a hegemonia de um par- ƒƒ A Alemanha foi dividida em duas na-
tido único. ções. De um lado, ficou a República
Essa divisão do mundo em dois blocos ficou Federal da Alemanha (Alemanha Oci-
conhecida como período do Sistema Bipolar, isto dental), com capital em Bonn, sob in-
é, Sistema de Estados, cujo núcleo é constituído fluência dos EUA; do outro ficou a Re-
por duas superpotências que coexistem em rela- pública Democrática Alemã (Alemanha
tivo equilíbrio de poder, sobretudo militar. O sis- Oriental), com capital em Berlim, sob a
tema da Guerra Fria, que durou de 1947 a 1989, é influência da União Soviética.
o exemplo clássico do equilíbrio bipolar. ƒƒ Criação, em 1949, da Organização do
Vejamos algumas das principais conse- Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A
quências da Guerra Fria: OTAN foi uma aliança militar que os EUA
fizeram com a Europa Ocidental. Em
resposta a essa aliança, a União Sovié-

47
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

tica criou, em 1955, o Pacto de Varsóvia. A Guerra Fria manifestou-se também na riva-
Aliança militar com os países da Europa lidade técnico-científica entre EUA e União Sovié-
Oriental. tica. A corrida espacial foi, possivelmente, o lance
mais espetacular dessa disputa. A União Soviéti-
Saiba mais ca saiu na frente, quando, em 1957, Yuri Gagarin
tornou-se o primeiro astronauta a fazer o voo em
Guerra Fria é a designação atribuída ao período histó- torno da Terra, anunciando do espaço sideral: “A
rico de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre Terra é azul”. Em 1969, os EUA responderam a essa
os Estados Unidos e a União Soviética, compreenden- investida e criaram a missão Apollo 11. Nela, Neil
do o período entre o final da Segunda Guerra Mun-
dial (1945) e a extinção da União Soviética (1991). Em Armstrong tornou-se o primeiro homem a pisar
resumo, foi um conflito de ordem política, militar, tec- no solo lunar. Essa disputa foi vivenciada também
nológica, econômica, social e ideológica entre as duas em outros campos; nos esporte principalmente,
nações e suas zonas de influência.
nas Olimpíadas, quando os representantes desses
dois blocos travavam uma ferrenha disputa para
conquistar a hegemonia do quadro de medalhas.

7.2 Globalização e/ou Mundialização

A década de 1980 foi caracterizada por uma ções operadas pelo fenômeno da globalização
série de transformações na União Soviética. As foi a exportação dos hábitos de consumo e do
transformações vivenciadas naquele território modo de vida dos países desenvolvidos para os
atingiram como um vendaval os países socialis- países subdesenvolvidos. Marcas mundialmente
tas. Nessa década, Mikhail Gorbatchev implan- conhecidas, redes de fast food e grandes redes
tou a Perestroika (reforma) e, logo em seguida, a de supermercados passaram a fazer parte da vida
Glasnost (transparência). Essas medidas visavam cotidiana de todos.
a promover uma reforma política e uma abertura Se, por um lado, essa nova realidade trouxe
econômica para a União Soviética. Os países ali- acessibilidade a um número considerável de pro-
nhados com a União Soviética sentiram os efei- dutos e bens de consumo para o indivíduo, não
tos desses acontecimentos. A queda do Muro de podemos desconsiderar que, por outro, contri-
Berlim, em 1989, e a consequente unificação das buiu para descaracterizar as culturas locais, como
duas Alemanhas simbolizam a importância que nos alerta Silva (2004).
essas transformações tiveram para os países so-
cialistas, além de marcar o fim da Guerra Fria. [...] é no decorrer do século XX que o
A globalização surge, ou melhor, intensifica- movimento da mundialização forma-se
-se, na esteira desses acontecimentos. Assim, da completamente. No campo da cultura, tal
competição militar passou-se para a competição movimento engendra ‘diásporas cultu-
rais’. Há uma produção de gostos, crenças
econômica e cultural. A globalização caracteriza- e hábitos que transcendem as fronteiras
-se por um conjunto de mudanças no processo nacionais. As feições culturais diaspóricas
de produção de riquezas, nas relações de traba- apresentam aspectos estandardizados,
lho, no papel do Estado e nas formas de domina- que são em larga medida fortalecidos
pela manifestação midiática. Um exem-
ção sociocultural. A partir da década de 1970, o
plo emblemático é o que estudiosos co-
capital começou a circular mais livremente e as meçam a definir como internacionaliza-
empresas buscaram uma maior participação no ção dos comportamentos alimentares.
mercado mundial. Uma das maiores transforma- Esse processo traduz-se em dois pontos:
primeiro, a pluralização dos produtos, ou

48
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Sociologia

seja, uma área não se caracteriza mais por passa a existir uma ativação das relações sociais
uma quantidade restrita de alimentos num circuito aberto, no qual as diferentes locali-
cultivados localmente; segundo, a trans-
dades aproximam-se e assemelham-se, moldadas
formação da cozinha tradicional (pratos
típicos) para uma outra, industrializada, por transformações sociais que ultrapassam as
cujos alicerces estão na produção em alta fronteiras de convivência regional.
escala. Isso não significa que pratos re- Conforme você pode observar, um exem-
conhecidos tradicionalmente deixem de
plo emblemático dessa situação é a presença
existir; porém, assumem uma nova cono-
tação. A sofisticação que requer uma ver- das multinacionais no mundo. Na visão do norte-
dadeira pizza italiana torna-se inadequa- -americano Behrman7 (1984), as multinacionais
da à valorização do tempo pelos vorazes são divididas em três tipos: as que buscam recur-
consumidores que freqüentam Shopping sos em outros países, ou seja, companhias que
Center. Na verdade, os alimentos perdem
sua territorialidade e são deslocalizados buscam recursos naturais ou humanos em paí-
em proporções globais. A esse respeito, é ses hospedeiros; as que buscam mercados, isto é,
sugestivo a caso da empresa McDonald’s. companhias que investem no exterior, para servir
(SILVIA, 2004, p. 594). ao mercado do país hospedeiro; e as que buscam
eficiência, ou seja, dirigem investimentos exter-
A globalização pode, então, ser vista como nos a fim de criar a rede de produção mais eficien-
o esvaziamento de culturas locais em benefício te para servir a múltiplos mercados padronizados
de culturas globais. Em outras palavras, comuni- mundialmente.
dades locais, até então fechadas em suas próprias Todos esses aspectos, além da presença das
idiossincrasias, passam a receber influências de multinacionais nos países subdesenvolvidos, con-
outras culturas, que vão dos hábitos alimentares, tribuíram para reordenar o modo de ser e viver do
passando pelo uso da língua, para, finalmente, indivíduo nessas localidades. Portanto, no centro
atingir e modificar as tradições e costumes das da vida cotidiana, que exige dos indivíduos novas
comunidades com menos poder de influência e e constantes identidades sociais, o encontro com
comunicação. Nesse cenário, tornar-se “igual” ou a uniformização cultural é uma saída cômoda, já
“semelhante” à cultura hegemônica é uma meta a que permite ao indivíduo despir-se de sua cultu-
ser alcançada pelas culturas regionais. ra (considerada inferior) para associar-se a uma
A cultura regional vai, assim, neste mundo cultura (considerada superior), a de “todos”. O cul-
globalizado, paulatinamente diminuindo a in- tivo da língua inglesa em escala planetária é um
fluência e a participação na vida dos indivíduos. exemplo que salta aos olhos, pois essa língua, e
Em outras palavras, as culturas com menos poder somente ela, é capaz de lhe conectar aos símbolos
de participação e influência na vida das pessoas globalizados. A emergência da indústria cultural
e no mercado mundial se descaracterizando e nos países do capitalismo central e popularização
cedendo espaço para uma cultura cada vez mais dos novos meios de comunicação e informação
estranha à realidade local, mas, apesar disso, ven- contribuíram decisivamente para a consolidação
dável e lucrativa. É, por isso, exatamente por isso, desse fenômeno, como defende Silva (2004).
que a história ou o mito do saci pererê, da mula
sem cabeça e do currupira tem menos impacto O modo de produção industrial retra-
na vida dos jovens do que o pastiche do hallo- balhado no campo da cultura tem a ca-
pacidade de desenvolvê-la em escala
ween. Assim, em meio à mundialização6 cultural,

6
Mundialização é outra maneira que os franceses encontraram para definir a integração dos mercados econômicos. Assim, o
que os ingleses chamam de globalização os franceses chamam de mundialização.
7
Behrman – Professor Emérito da Cátedra Luther Hodges, da Escola de Pós-Graduação de Administração de Empresas da
Universidade da Carolina do Norte, Estados Unidos.

49
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

mundial. As manifestações culturais, que A indústria cultural teve, então, entre outros,
antes se limitavam à esfera local, agora o mérito de difundir para o mundo as inovações
se espraiam globalmente. Um exemplo
tecnológicas. Essas novas técnicas – o rádio, o ci-
significativo desse movimento é o da in-
dústria fonográfica. A característica cen- nema, a indústria fonográfica e a televisão – fo-
tral dessas empresas é a adoção de uma ram incorporadas pelos jovens como forma mais
estratégia de ação mundial. [...] A indús- cotidiana de interferência em um mundo social
tria de publicidade também integra o para eles agora, cada vez mais, amplificado. Em
processo de mundialização. Não é lícito
outras palavras, dentro dessa indústria cultural, a
asseverar que as indústrias fonográfica
e publicitária já estejam, no alvorecer do publicidade fez emergir e proliferar um novo esti-
século XX, definitivamente estruturadas. lo de vida. Esse novo estilo de vida foi impulsiona-
No entanto, elas constituem um esteio do pela música, pelos filmes e pela publicidade,
fundamental que possibilita intercâm- sobretudo de língua inglesa. Há, em tudo isso,
bios culturais de proporções mundiais.
Tais trocas seriam fortalecidas ainda mais uma face legitimadora da cultura hegemônica,
com a difusão do rádio e da televisão. que consegue impor para os países periféricos a
Se inicialmente esses aparelhos ganham sua visão de mundo. Tendo uma infraestrutura de
força entre as nações ricas, num segundo dependência, os países periféricos passam tam-
momento pode-se notar sua presença
bém a ter uma cultura dependente. Assim, pode
nos países terceiro-mundistas. [...] É notó-
ria a influência do avanço tecnológico na ocorrer que, “através da propaganda de massa, o
globalização da cultura. Há toda uma es- desprotegido homem do Terceiro Mundo caia na
trutura material – computador, fax, saté- armadilha do consumismo e mude seu compor-
lites – que torna possível a comunicação tamento para adaptar-se aos propósitos e objeti-
à distância, entre partes afastadas. [...] O
vos da indústria estrangeira.” (GUARESCHI, 1983,
mundo tornou-se uma cadeia comunica-
cional em que os espaços estão interco- p. 65).
nectados. (SILVIA, 2004, p. 595).

7.3 Meio Ambiente

Os problemas ambientais são antigos, mas Em 1972, em Estocolmo, na Suécia, repre-


foi somente nas últimas décadas do século XX sentantes de 113 países reuniram-se para debater
que essa questão ganhou relevo. As atividades os problemas do meio ambiente. Nesse encon-
humanas começaram a causar maior impacto na tro, duas posições eram defendidas. A primeira,
natureza com o advento da Revolução Industrial, da qual o Brasil era signatário, defendia o cres-
que iniciou a produção em massa e a substituição cimento a qualquer custo, isto é, não importava
das fontes de energia limpas pelo carvão e pelo se a indústria poluía, o que importava eram os
petróleo. “benefícios” que ela possivelmente traria para o
A concentração da população nas áreas ur- Brasil. A segunda posição alertava que o planeta
banas colaborou também para essa situação. A poderia exaurir suas fontes de energia em apenas
cidade é a expressão mais acabada da alteração um século se mantivesse a tendência de aumento
do espaço natural. Rios canalizados, quando não da produção, consumo e poluição. Essa proposta
desviados de seu curso natural, e impermeabiliza- foi, ironicamente, batizada como política do cres-
ção dos solos, com o asfalto entre outras interfe- cimento zero, sendo amplamente rejeitada pela
rências humanas, colaboraram para o quadro de maioria dos países.
calamidade ambiental que estamos vivendo. A Conferência de Estocolmo foi de qualquer
forma um marco na tomada de posição e cons-

50
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Sociologia

ciência para o homem contemporâneo sobre as o Protocolo de Kyoto, alegando que a ratificação
questões ambientais. Um ano depois da Confe- desse documento travaria o desenvolvimento da-
rência de Estocolmo foi lançada a ideia de De- quela sociedade.
senvolvimento Sustentável. A ideia básica desse
conceito é que o atendimento às necessidades
básicas das populações, no presente, não deve Saiba mais
comprometer a vida das gerações futuras. Daí a
Concluído em 1997 em Kyoto, no Japão, o protocolo
consciência e necessidade de que os produtos de Kyoto impõe a redução de seis gases causadores
podem e devem ser reaproveitados por meio da de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento do
planeta. Entre esses gases, está o CO2 (dióxido de car-
reciclagem.
bono ou gás carbônico) e o CH4 (metano).
Em 1992, o Rio de Janeiro abrigou a Confe-
rência das Nações Unidas sobre o Ambiente e o
Desenvolvimento, também chamada de Eco-92.
A novidade desse encontro foi a grande presença O fato é que o dióxido de carbono e o gás
de Organizações não Governamentais (ONGs). En- metano emitidos pelas fábricas e pelos veículos
tre outros benefícios, essa conferência elaborou são os principais responsáveis pelo efeito estufa.
a Agenda 21, que se responsabilizou a fornecer Os EUA são os maiores produtores e têm a maior
recomendações de como alcançar o desenvolvi- frota de veículos do mundo; ainda assim recusa-
mento sustentável no século XXI. Um dos pon- ram-se a assinar o Protocolo de Kyoto e tentaram,
tos centrais desse documento está no princípio com isso, transferir responsabilidade pelo efeito
de que a conservação ambiental do planeta não estufa para os países subdesenvolvidos, alegan-
pode ser alcançada sem a erradicação da pobreza do, entre outras coisas, que as queimadas das
e das desigualdades sociais. Essa conferência es- florestas tropicais emitem mais gás carbônico do
tabeleceu ainda a Convenção do Clima, que ela- que as fábricas e veículos.
borou metas e estratégias de combate ao efeito Frente a esse impasse, todos nós pagamos,
estufa. Criou também a Declaração de Princípios pois somos obrigados a respirar um ar de baixa
sobre a Floresta, que garantiu aos Estados o direi- qualidade, beber água em condições duvidosas e
to soberano de aproveitar as florestas de acordo ainda sofrer as consequências de um clima des-
com suas necessidades de desenvolvimento, des- controlado. Por isso, impõe-se a todos nós a ur-
de que isso ocorra de modo sustentável. gente necessidade de empunhar a bandeira do
Em 2002, ocorreu a Cúpula Mundial sobre meio ambiente sob pena de legarmos aos nossos
Desenvolvimento Sustentável em Joanesburgo, descendentes um planeta sem condições de ser
capital da África do Sul, conhecida também como habitado.
Rio +10. Uma das principais discussões dessa cú-
pula girou em torno da mudança da matriz ener-
gética do mundo (petróleo) por fontes de energia
renováveis. Os EUA e a OPEP (Organização dos
Países Exportadores de Petróleo) recusaram-se a
assinar esse compromisso.
Como se vê, a questão do meio ambiente
está cercada de interesses comerciais, industriais
e também regionais. Nesse clima de disputa,
quem perde são os países subdesenvolvidos, que
são constrangidos a acatar determinações que
não são seguidas pelos países desenvolvidos. Um
exemplo notório foi a recusa dos EUA em assinar

51
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

7.4 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), neste capítulo final, foi possível observar as mudanças ocor­ridas nas últimas
décadas do século XX, que ficaram conhecidas como globalização econômica. Após a Segunda Guer-
ra Mundial, o mundo viveu um período conhecido como Guerra Fria. Durante essa guerra a rivalidade
técnico-científica entre EUA e União Soviética ficou marcada pela corrida espacial. Já a década de 1980
foi caracterizada por uma série de transformações na União Soviética, Mikhail Gorbatchev implantou a
Perestroika (reforma) e, logo em seguida, a Glasnost (transparência). Essas medidas visavam a promover
uma reforma política e uma abertura econômica para a União Soviética. A queda do Muro de Berlim, em
1989, e a consequente unificação das duas Alemanhas simbolizam a importância que essas transforma-
ções tiveram para os países socialistas, além de marcar o fim da Guerra Fria.

7.5 Atividades Propostas

1. Explique o que é sistema bipolar.

2. A Conferência de Estocolmo ocorrida em 1972, na Suécia, reuniu representantes de 113 países


para debater os problemas do meio ambiente. Quais propostas resultaram desse encontro?

52
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando o que você estudou nesta apostila, você pode perceber que as primeiras tentativas
de compreender a ação humana esbarraram em interpretações teológicas, mitológicas e muitas vezes
fantasiosas. Assim, para os gregos, os fenômenos “sociais” tinham uma base de explicação mitológica,
isto é, Zeus, senhor dos homens e dos deuses, era quem mantinha a ordem do mundo moral e físico. Na
Idade Média, os acontecimentos sociais estavam, por sua vez, relacionados a um princípio teológico que
cingia a liberdade do indivíduo, visto que as explicações para todas as mazelas sociais estavam funda-
mentadas no discurso da vontade “divina”. Com toda essa transformação social que ocorreu no mundo,
os problemas ambientais surgiram com intensidade e somente nas últimas décadas do século XX que
essa questão ganhou relevo. A cidade é a expressão mais acabada da alteração do espaço natural. Rios
canalizados, impermeabilização dos solos, com o asfalto, entre outras interferências humanas colabo-
raram para o quadro de calamidade ambiental que estamos vivendo. Para amenizar esses problemas, a
Conferência de Estocolmo foi um marco na tomada de posição e consciência do homem contemporâ-
neo sobre as questões ambientais.

53
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
RESPOSTAS COMENTADAS DAS
ATIVIDADES PROPOSTAS

Capítulo 1
1. Conforme estudamos, o primeiro procura uma interpretação e o consequente entendimento
dos fatos e dos fenômenos por meio da experiência e comprovação da razão; o segundo, ao
contrário, limita-se à experiência imediata sem preocupações e comprovações empíricas.

2. Espera-se que você tenha respondido algo semelhante ao que segue:


a) Iniciação – quando a criança, com catorze anos, passa da educação materna à instrução
sacerdotal.
b) Admissão – quando o indivíduo aos vinte e um anos está preparado para servir à humani-
dade, retribuindo tudo que recebeu da sociedade.

Capítulo 2
1. Você deve ter respondido que ele é, segundo Durkheim, experimentado pelo indivíduo como
uma realidade independente dele, que ele não criou e não pode rejeitar como as regras mo-
rais, as leis, os costumes, os rituais e as práticas burocráticas, por exemplo.

2. Esperamos que você tenha percebido que foi logo após a Primeira Guerra Mundial, momento
em que a Alemanha vivia uma grande crise econômica e convivia ainda com as retaliações do
Tratado de Versalhes; em decorrência disso, o nazismo firmava-se como realidade. Concomi-
tantemente a esses acontecimentos, a Revolução Russa acabara de triunfar e sinalizava para
o mundo uma nova possibilidade de sociedade. Tudo isso incidia de forma decisiva nas ideias
dos jovens judeus marxistas Adorno, Marcuse e Horkheimer.

Capítulo 3
1. Você deve ter respondido que foi no estudo das religiões, estabelecendo relações entre forma-
ções políticas e crenças religiosas.

2. Conforme você estudou, isso aconteceu em decorrência de sua descentralização política.

Capítulo 4
1. Espera-se que você tenha respondido que foi escrita por Max Weber e sua temática versa sobre
as contribuições da religião protestante para o desenvolvimento do capitalismo.

2. Você deve ter identificado que a Ação afetiva é aquela determinada por afetos ou estados sen-
timentais; e Ação tradicional é aquela determinada por um costume ou um hábito arraigado.

55
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

Capítulo 5
1. Conforme você estudou, o nível da infraestrutura é constituído pela base econômica, que é,
segundo Marx, o aspecto fundamental de toda sociedade, isto é, transformar matérias-primas
e fontes de energia em riqueza.

2. Espera-se que sua resposta aponte que o modo de produção feudal predominou na Europa
Ocidental do século VI ao século XVI. A sociedade feudal estava baseada nas relações servis,
isto é, senhores versus servos. Os servos estavam presos ao trabalho da terra. Eles cultivavam
um pedaço de terra cedido pelo senhor e em troca pagavam impostos, cedia parte da produ-
ção para o senhor e ainda eram obrigados a trabalhar e cuidar das terras do senhor. Apesar
disso, não eram escravos, pois o servo não era propriedade do senhor, portanto não podia ser
negociado como uma mercadoria, como ocorria com os escravos.

Capítulo 6
1. Você deve ter distinguido as duas formas de status, como segue: status atribuído é aquele que
não é escolhido voluntariamente pelo indivíduo e não depende de suas ações e qualidades.
Por exemplo, o status de “primogênito” ou de “filho de operário”. Já o status adquirido é obtido
de acordo com as qualidades pessoais do indivíduo. Esse status confere ao indivíduo uma
posição de destaque entre os membros do grupo de pertencimento, pois seu status é fruto do
reconhecimento de sua capacidade.

2. Espera-se que você aponte as diferenças que seguem:


a) Religiosa – que reforça os valores; dá significado e propósito à vida;
b) Econômica – que organiza a produção e distribuição de bens e serviços.

Capítulo 7
1. Segundo o que você estudou, esperamos que tenha pontuado em sua resposta que é um
Sistema de Estados, cujo núcleo é constituído por duas superpotências que coexistem em
relativo equilíbrio de poder, sobretudo militar.

2. Você deve ter respondido que surgiram duas propostas, a primeira foi defendida pelo Brasil e
defendia o crescimento a qualquer custo, isto é, não importava se a indústria poluía. A segun-
da posição, defendida por alguns ambientalistas, alertava que o planeta poderia exaurir suas
fontes de energia em apenas um século se mantivesse a tendência de aumento da produção,
consumo e poluição.

56
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
REFERÊNCIAS

ADORNO, T. Indústria cultural. In: COHN, G. (Org.). Comunicação e indústria cultural. São Paulo:
Nacional, 1977.

BENOIT, L. O. Sociologia comteana. São Paulo: Discurso Editorial, 1999.

CALDAS, W. O que todo cidadão precisa saber sobre cultura de massa. São Paulo: Global, 1999.

CHAUÍ, M. O que é ideologia. 14. ed. São Paulo: Brasiliense, 1984.

COMTE, A. Discurso sobre o espírito positivo. São Paulo: Martins Fontes, 1990.

COSTA, C. Sociologia – Introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 1997.

DURKHEIM, E. Lições de sociologia: a moral, o direito e o Estado. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

______. As regras do método sociológico. São Paulo: Martin Claret, 2004.

GUARESCHI, P. A. Comunicação e poder: a presença e o papel dos meios de comunicação de massa


estrangeiros na América Latina. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 1983.

HUBERMAN, L. História da riqueza do homem. Rio de Janeiro: Zahar, 1972.

LAKATOS, E. M; MARCONI, M. de A. Sociologia geral. São Paulo: Atlas, 1999.

LEMOS FILHO, A. (Coord.). Sociologia geral e do direito. São Paulo: Alínea, 2004. 

MARTINS, C. B. O que é sociologia? São Paulo: Brasiliense, 1987.

MORIN, E. Cultura de massa no século XX: neurose. Rio de Janeiro: Universitária, 1997.

NETTO, J. P. O que é marxismo. 4. ed. São Paulo: Brasiliense, 1987.

RIBEIRO JR., J. O que é positivismo. 6. ed. São Paulo: Brasiliense, 1987.

RODRIGUES, J. A. Durkheim. São Paulo: Ática, 2003.

SANTOS, R. As teorias da comunicação: da fala à internet. São Paulo: Global, 2003.

SCURO, P. Sociologia: ativa e didática. São Paulo: Saraiva, 2004.

SILVA, J. M. da. A autonomia da escola pública: a re-humanização da escola. Campinas: Papirus, 2004.

WEBER, M. Ensaios de sociologia. Rio de Janeiro: Guanabara, 1982.

57
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa

______. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Martin Claret, 2003.

WOLF, M. Teorias da comunicação. Lisboa: Presença, 1987.

58
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br