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PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO DIRETORIA REGIONAL E ENSINO PIRITUBA/JARAGUÁ EMEF RAUL POMPÉIA PROJETO: TODOShttp://revistadehistoria.com.br/revista/edicao/115 , acesso em 11/11/2015. " id="pdf-obj-0-2" src="pdf-obj-0-2.jpg">

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO DIRETORIA REGIONAL E ENSINO PIRITUBA/JARAGUÁ EMEF RAUL POMPÉIA

PROJETO: TODOS À MESA

INTRODUÇÃO 1

Em nosso dia a dia, na sociedade estabelecida em que habitamos, não nos damos conta de atos simples do cotidiano que em tempos remotos redefiniram o modo de nos portarmos, pensarmos e de nos comportarmos em grupo.

A relação diária de convivência com um outro indivíduo que imaginamos que pensa, sonha faz e deseja coisas e vivências tão diferentes de nossos próprios sentimentos, esconde arraigado nos caminhos da história e nas transformações pensadas e idealizadas pelos nossos antepassados, torna-se tão comum que nos passa despercebida; ao que nos foi ensinado desde quando éramos crianças como normas, regras ou modos de nos comportarmos, que quando adultos não percebemos como fomos “treinados” a nos portar de uma determinada maneira, chamamos de “civilização”.

Podemos exemplificar ou tentar explicar o conceito de civilização de várias maneiras e de vários tipos. A comida ao longo do tempo sempre serviu como forma de sociabilização e de firmar acordos políticos, nos famosos jantares e banquetes, servidos para demonstrar a opulência ou ostentar riquezas de quem serve, principalmente nas classes mais ricas. Também é comum, vermos pessoas mais pobres organizando churrascos, feijoadas, e outros ritos culinários com diversos convidados em momentos especiais, que marcam uma data: aniversários, casamentos, bodas, batizados, etc.

Junto a tradição de comer, os modos a mesa são alterados conforme os costumes de cada classe social: o modo simples de se comer com as mãos é trocado pela sutileza de utilizar garfos, facas, colheres específicas que distinguem e diferenciam os costumes dos “brutos” aos “educados”.

1 Texto já apresentado no Projeto Interno da Escola “Master Chef Raul Pompéia”, de 2015, que contou com a produção e um livro de receitas com consulta exclusivamente na unidade educacional. Adaptado de vários textos de: Revista

Brasileira de História – Vários autores,

ed.:

115

abril

de

2015,

disponível

em:

As migrações e imigrações humanas são uma das maiores causas das novidades nas cozinhas, ao promoverem o intercâmbio de ingredientes e maneiras de comer. Os vários contatos com diferentes povos criam a culinária de cada região: novos cheiros, sabores, técnicas, vão influenciar e diferenciar o paladar e distinguir os povos, criando ao longo do tempo a chamada Cozinha Regional.

Os condimentos da cozinha africana e indígena, a influência da colonização europeia, os rituais à mesa e a cozinha – majoritariamente feminina por um bom tempo devido as tradições religiosas – vão formando o caldeirão cultural de cada região: a simplicidade do sabor mineiro, o axé (energia vital, associada ao estar bem) da cozinha baiana, o costumeiro churrasco gaúcho, disseminado pelo Brasil todo e a praticidade da cozinha paulista revelam mais do que adequações do paladar: é o resultado da escolha de alimentos adequados e da combinação entre eles, em cada região que carrega os costumes, as tradições, o modo de preparo e de que modo é servido à mesa. Alguns pratos ainda se tornam representativos, marcas de orgulho de pertencer àquele grupo, aquela região.

As receitas de família, mais do que simples sistematização de técnicas de preparo, são na verdade, palco de tradições e de experimentação de sabores, a partir das possibilidades financeiras e imaginativas de cada grupo.

JUSTIFICATIVA

Conforme exposto, as práticas civilizadas são uma invenção social e, por isso, variam no tempo e no espaço com transformações que as dinamizam e diversificam a ideia de cultura. Essas práticas se organizam em torno de valores simbólicos que criam determinados comportamentos e práticas como aceitáveis e outros inaceitáveis no cotidiano, especialmente aqueles relacionados ao que ingerimos. A qualidade e o conhecimento do que ingerimos deve tornar-se então, parte do conhecimento necessário do aprendizado escolar.

Uma

escola

deve ser aos

olhos da criança

que

a

adentra, um outro meio de

aprendizado de práticas cotidianas além das disciplinas regulares; essa interdisciplinariedade coloca necessariamente todos os adultos da escola no lugar de educadores, sem diferenciar a função que exercem na escola. Aos olhos do educando, já somos colocados como alguém a ser tomado como exemplo.

Com base nas ideias discutidas no documentário “Muito além do peso” 2 , podemos perceber o quão essencial se tornou a educação alimentar de nossos educandos:

Para se ter uma ideia, de acordo com o filme 33% das crianças brasileiras são obesas, número que atualmente aumentou em 0,5 %. Em adolescentes, o quantitativo é de 20,5%. Este dado é preocupante, visto que a expectativa de vida tende a diminuir com essa realidade. Algumas grandes empresas até agiram em relação ao assunto, mas a atratividade por um sanduíche é muito maior e mais estimulada do que um pacotinho com fatias de maçã. É preciso repensar toda uma

estrutura e todo um sistema. (

...

)Não

é que precise parar de consumir, só é preciso

fazê-lo conscientemente e aliado a outras práticas saudáveis de vida, principalmente os esportes. 3

De acordo com o Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola que valoriza não só o conhecimento formal mas também as práticas cotidianas das crianças, a importância da adequação aos espaços, a integração entre todos os segmentos escolares e a educação que ocorre também fora das paredes da sala de aula, o Projeto “Todos à mesa” da EMEF Raul Pompeia insere-se perfeitamente dentro dessas perspectivas.

A escola como uma instituição de grande influência na vida das crianças e adolescentes é o lugar ideal para o desenvolvimento de ações que promovam a saúde e o hábito de uma alimentação saudável. Partimos então do pressuposto que uma ação como essa não pode ser desenvolvida plenamente tendo como alvo somente os estudantes. O projeto em si deve envolver toda a comunidade escolar (educandos, professores especialistas, educadores em geral, quadro de apoio da escola e direção), com o objetivo de construir o conhecimento crítico que estimule a busca de condições de viver mais saudável, a partir da alimentação.

Após observamos o cotidiano na unidade escolar em que há recusa dos alunos em realizar as refeições por não ser do agrado destes, pretendemos conscientizar o educando a reconhecer que as refeições são preparadas com um cardápio especial, tanto para agradar, quanto para contribuir com sua saúde alimentar. E, para isso, entendemos que é necessário uma ação coletiva, de modo a estimular a prática das refeições diárias e inibir o desperdício de comida.

OBJETIVO GERAL

Fomentar no ambiente escolar, discussões fundamentadas e contextualizadas que estimulem a reflexão e a adoção de práticas alimentares e uma convivência saudável através de ações educativas sobre alimentação, com vistas a segurança alimentar e nutricional, assim como proporcionar fundamentação teórica básica sobre alimentação, educação alimentar e nutricional a todos os funcionários da escola, valorizando os aspectos culturais, sociais e históricos, para estimular uma maior proximidade entre educandos (do Ensino Fundamental ao EJA) e educadores (professores, agentes de apoio, merendeiras, funcionários da limpeza e direção).

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Espera-se que todos os envolvidos no processo possam contribuir para:

  • Envolver

todos

os

profissionais

da

Unidade

Escolar

na

construção do

conhecimento crítico, que fortaleça a busca de condições para desenvolver hábitos alimentares e saudáveis na vida.

  • Propiciar um ambiente acolhedor no espaço onde serão desenvolvidas as refeições

e as demais atividades relacionadas ao projeto.

  • Instruir as pessoas envolvidas direta ou indiretamente com a alimentação escolar

como multiplicadores do tema.

  • Possibilitar

a

educadores

e

educandos

compartilharem

do

momento

da

alimentação, utilizando o mesmo espaço e sistema de distribuição de alimentos e utensílios.

  • Articular as experiências das refeições com os conteúdos curriculares trabalhados.

  • Atender os horários das refeições segundo as necessidades específicas dos

educandos.

  • Garantir o fornecimento e o reconhecimento de alimentos mais saudáveis.

Aos professores, agentes de apoio educandos:

  • Reconhecer a importância de uma boa alimentação, identificando os alimentos que

fazem bem a saúde.

  • Refletir sobre quais hábitos e atitudes são necessários para uma alimentação mais

nutritiva.

  • Identificar diferentes tipos de vitaminas e suas funções.

  • Identificar cores, textura e as diferentes formas dos alimentos.

  • Distinguir sabores e cheiros.

  • Utilizar com destreza os utensílios destinados a alimentação.

  • Estimular a conservação e limpeza do refeitório.

  • Diminuir o desperdício de alimentos.

  • Estimular a coleta seletiva do lixo.

  • Estimular a autonomia dos educandos quanto as práticas a mesa.

  • Estabelecer uma rotina

comum a todos

que

fazem uso

do

refeitório e suas

dependências.

Merendeiras:

  • Preparar os alimentos dentro dos padrões de higiene e sanitários adequados.

  • Estimular a experimentação de novos alimentos e combinações.

  • Valorizar as tradições locais e seus hábitos alimentares.

  • Apresentar a refeição de forma atrativa

  • Criar combinações e formas de apresentação dos pratos.

  • Diminuir o desperdício de alimentos.

ESTRATÉGIAS

  • Inscrição no concurso “Melhores receitas da alimentação escolar” 4 Atividades

recreativas monitoradas nos horários de intervalo (brinquedoteca, exibição de vídeos

documentários e filmes, animações, músicas e anedotas.

  • Exposição do cardápio semanal dos corredores.

  • Rodas de conversas em

sala e outros ambientes da escola sobre assuntos

relacionados ao tema.

  • Acompanhamento das refeições pelos professores e demais funcionários da

Unidade Escolar.

  • Identificação dos alimentos, valor nutricional e comparação com alimentos mais

calóricos, como salgadinhos, bolachas, lanches e sucos industrializados.

RECURSOS MATERIAIS

  • Sistema de projeção de Áudio e vídeo

  • Refeitório e os utensílios necessários para a alimentação.

  • Datashow, sala de informática para pesquisa.

CONCLUSÃO

Diante do exposto, salientamos ainda as atuais conjunturas familiares que se estruturam em torno da necessidade do trabalho para a renda familiar, o que em muitos aspectos, afasta a criança do hábito de ter refeições regulares – não por negligência, mas sim por falta de tempo devido a horas extras, flexibilizações do trabalho, entre outros – com os pais, o que pode interferir em seu crescimento físico e no desempenho de suas atividades diárias. Os novos costumes em muito distanciam a presença do sujeito adulto, muitas vezes tomado como exemplo para as crianças, do dia a dia.

Parece-nos compreensível então que a escola como um ambiente educacional precisa agir com a responsabilidade de cuidar e estimular a prática de refeições das crianças com o público adulto, criando ações que proporcionem momentos confortáveis e de conscientização dos hábitos alimentares saudáveis nos horarios das refeições, junto a todos os colaboradores dessa instituição.