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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO”

FACULDADE DE ENGENHARIA – CAMPUS DE ILHA SOLTEIRA


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA

ANÁLISE DAS PROPRIEDADES REOLÓGICAS DE MATERIAIS


CIMENTÍCIOS ASSOCIANDO O CONCEITO DE EMPACOTAMENTO
DE PARTÍCULAS

Caroline Oliveira e Oliveira

Ilha Solteira – SP
Agosto/2013
Caroline Oliveira e Oliveira

ANÁLISE DAS PROPRIEDADES REOLÓGICAS DE MATERIAIS


CIMENTÍCIOS ASSOCIANDO O CONCEITO DE EMPACOTAMENTO
DE PARTÍCULAS

Dissertação apresentada à Faculdade de


Engenharia – UNESP – Campus de Ilha
Solteira, para obtenção do título de
Mestre em Engenharia Mecânica.

Área de concentração: Ciências Térmicas

Prof. Dr. Geraldo de Freitas Maciel


Orientador

Profa. Dra. Alessandra Lorenzetti de


Castro
Coorientadora

Ilha Solteira – SP
Agosto/2013
FICHA CATALOGRÁFICA

Elaborada pela Seção Técnica de Aquisição e Tratamento da Informação


Serviço Técnico de Biblioteca e Documentação da UNESP - Ilha Solteira.

Oliveira, Caroline Oliveira e.


O48a Análise das propriedades reológicas de materiais cimentícios associando o conceito de
empacotamento de partículas / Caroline Oliveira e Oliveira. -- Ilha Solteira : [s.n.], 2013
141 f. : il.

Dissertação (mestrado em Engenharia Mecânica) - Universidade Estadual Paulista.


Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira. Área de Conhecimento: Ciências Térmicas,
2013

Orientador: Geraldo de Freitas Maciel


Coorientadora: Alessandra Lorenzetti de Castro

1. Concreto de alto desempenho. 2. Concreto auto-adensável. 3. Dosagem. 4. Reologia.


5. Empacotamento de partículas.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013

Aos meus queridos pais, Anivaldo e Marlene, e às


minhas irmãs, Camila e Carina, pelo amor e
presença em toda minha vida.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013

AGRADECIMENTOS

A Deus por ter me concedido a graça de vencer mais uma etapa em minha vida
e por ter me dado, durante esta importante caminhada, força, apoio e sabedoria.
Aos meus pais, Anivaldo e Marlene, pelo amor incondicional, dedicação,
compreensão e incentivo em todos os momentos.
Às minhas irmãs, Camila e Carina, pela amizade, carinho e torcida. Um
agradecimento especial a Carininha por ter sido o meu apoio em Ilha Solteira,
dividindo alegrias, angústias e preocupações durante 5 anos.
Aos meus avós, em especial minha avó Helena, hoje presente em meu
coração, por ter me transmitido os seus nobres conhecimentos de vida.
Aos grandes mestres que me orientaram nesta dissertação, Prof. Dr. Geraldo
de Freitas Maciel, Profa. Dra. Mônica Pinto Barbosa e Profa. Dra. Alessandra
Lorenzetti de Castro, pela confiança, estímulo e dedicação, e por todos os
conhecimentos transmitidos.
Ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica / UNESP – Ilha
Solteira, pela oportunidade de cursar este mestrado.
Aos professores Dr. Ruís Camargo Tokimatsu e Dra. Ivone Regina de Oliveira,
por participarem da comissão examinadora deste trabalho.
Aos colegas do grupo de pesquisa RMVP, Adriana, Evandro, Fabiana e
Guilherme; e aos colegas de laboratório, Conrado, João, karine, Leandro e Renato,
pela troca de conhecimento e ajuda prática.
Aos grandes amigos e irmãos, Anelisa, Carol, Fernando e Lívia, pelo carinho e
torcida, e por estarem sempre ao meu lado. Agradeço também ao Alex pelo
companheirismo, preocupação e presença.
Aos técnicos do Laboratório de Engenharia Civil / UNESP – Ilha Solteira,
Gilson, Mário e Cavassano; e ao funcionário José Carlos, pela grande ajuda.
Ao engenheiro Flávio Moreira Salles e aos técnicos do Laboratório CESP de
Engenharia Civil, pela atenção, ajuda e esclarecimentos.
Às empresas Holcim Brasil S.A., Grace Construction Products, Elkem Materials
South America Ltda., Mineração Jundu Ltda., pela atenção e doação dos materiais;
e à Associação Brasileira de Cimento Portland, por realizar os ensaios de
granulometria a laser.
A todos, os meus mais sinceros agradecimentos!
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013

RESUMO

O concreto de alto desempenho (CAD) e o concreto auto adensável (CAA) são


materiais que apresentam características específicas, as quais superam as
deficiências do concreto convencional. Para que esses concretos atendam, da
melhor forma possível, suas características específicas, uma cuidadosa dosagem
dos seus componentes deve ser realizada, para tanto, pode-se empregar os
conceitos de reologia e de empacotamento de partículas. Assim, foi realizado nesta
pesquisa um estudo de dosagens dos concretos de alto desempenho e auto
adensável utilizando os conceitos de reologia e de empacotamento de partículas.
Com base nos conceitos de reologia foram determinados os teores ótimos de sílica
ativa e de aditivo superplastificante por meio do estudo reológico das pastas de
cimento e das argamassas, onde foram empregados os ensaios de fluidez com o
cone de Marsh e o reométrico clássico, sendo este último realizado com o reômetro
R/S do tipo cilindro coaxial. Por outro lado, com base nos conceitos de
empacotamento de partículas foi determinada a proporção ótima dos componentes
particulados por meio de um programa computacional fundamentado no modelo de
Alfred. Realizada a dosagem dos concretos, procurou-se analisar as propriedades
reológicas de suas pastas de cimento e argamassas, verificando a influência dos
conceitos de empacotamento, além de avaliar a resistência à compressão e o custo
das composições de concreto. Os concretos dosados em ambos os conceitos
apresentaram no estado fresco resultados satisfatórios, já no estado endurecido o
CAD dosados com base nos conceitos de empacotamento de partícula apresentou
resistência aos 28 dias superior, ao contrario do CAA, que não obteve melhora de
resistência. Na caracterização reológica das pastas e argamassas, o emprego do
empacotamento provocou um aumento da fluidez facilitando o escoamento.

Palavras-chave: CAD. CAA. Dosagem. Reologia. Empacotamento de partículas.


Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013

ABSTRACT

The high performance concrete (HPC) and self-compacting concrete (SCC) are
materials that have specific features, which outweigh the shortcomings of
conventional concrete. For these concretes meet, in the best way possible, their
specific characteristics, a careful dosage of its components must be held, for both,
one can employ the concepts of rheology and particle packing. Thus, this work was
realized a study of dosages of high performance concrete and self-compacting
concrete, using the concepts of rheology and particle packing. Based on the
concepts of rheology were determined optimum levels of silica fume and of
superplasticizer admixture by the rheologic study of the cement pastes and mortars,
where were employed the fluidity test with Marsh cone and the rheometric test, the
latter being carried out with the coaxial cylinder rheometer R/S. On the other hand,
based on the concepts of particle packing was determined the optimum proportion of
particulate components by means of a computer program based on the model of
Alfred. Held the dosage of the concretes, tried to analyze the rheological properties
of its cement pastes and mortars, checking the influence of packing concepts,
besides evaluate the compressive strength and the cost of concrete compositions.
The concretes dosed in both concepts presented, in a fresh state, satisfactory
results, on the other hand in the hardened state, HPC dosed based on the concepts
of particle packing showed strength to more than 28 days, unlike the SCC, which did
not improve strength. In rheological characterization of pastes and mortars, the use
of packing caused an increase fluidity facilitating the flow.

Keywords: HPC. SCC. Dosage. Rheology. Particle packing.


Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Classificação dos fluidos segundo seu comportamento 31


reológico
Figura 2 – Curvas de escoamento e de viscosidade para um fluido 32
newtoniano
Figura 3 – Curvas de escoamento e de viscosidade para um fluido 33
pseudoplástico
Figura 4 – Curvas de escoamento e de viscosidade para um fluido 34
dilatante
Figura 5 – Curvas de escoamento e de viscosidade para um fluido 34
binghamiano
Figura 6 – Equipamento completo e esquema detalhado do cone de 42
Marsh
Figura 7 – Determinação do teor ótimo de superplastificante 44
Figura 8 – Determinação do teor ótimo de adição mineral 44
Figura 9 – Esquema detalhado do funil V de seção transversal 45
retangular
Figura 10 – Esquema detalhado da caixa L 47
Figura 11 – Equipamento utilizado no ensaio de abatimento de tronco 49
de cone
Figura 12 – Medida do abatimento do concreto 50
Figura 13 – Equipamento utilizado no ensaio de espalhamento 51
Figura 14 – Medida do espalhamento do concreto 52
Figura 15 – Principais tipos de reômetros rotacionais 54
Figura 16 – Representação esquemática do sistema Vane 55
Figura 17 – Efeito da quantidade e do tamanho de partículas na 57
eficiência de empacotamento
Figura 18 – Distribuição granulométrica segundo o modelo de Furnas 61
Figura 19 – Distribuições granulométricas segundo o modelo de 62
Andreasen
Figura 20 – Distribuição granulométrica segundo o modelo de Alfred 63
Figura 21 – Esquema do procedimento experimental usado na presente 66
pesquisa
Figura 22 – Cimento Portland utilizado na pesquisa 67
Figura 23 – Agregados miúdos: (a) areia média e (b) AG 80-100 68
Figura 24 – Agregados graúdos: (a) brita 1, (b) pedrisco e (c) pó de 68
pedra
Figura 25 – Adições minerais: (a) sílica ativa e (b) SM 200 69
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013

Figura 26 – Cone de Marsh utilizado na pesquisa 72


Figura 27 – Reômetro R/S e os cilindros coaxiais 72
Figura 28 – Reômetro R/S e as palhetas do sistema Vane 74
Figura 29 – Curva “tempo de escoamento versus teor de sílica ativa” 81
Figura 30 – Curva “viscosidade versus teor de sílica ativa” 82
Figura 31 – Curva “tempo de escoamento versus teor de 84
superplastificante”
Figura 32 – Curva “viscosidade versus teor de superplastificante” 85
Figura 33 – Efeito adverso do aditivo superplastificante 86
Figura 34 – Distribuição granulométrica dos materiais utilizados nos 90
concretos dosados com base nos conceitos de reologia
Figura 35 – Distribuição granulométrica dos materiais utilizados nos 91
concretos dosados com base nos conceitos de
empacotamento de partículas
Figura 36 – Curva de distribuição granulométrica do concreto de alto 92
desempenho dosado com base nos conceitos de
empacotamento de partículas, para 0,29
Figura 37 – Curva de distribuição granulométrica do concreto auto 92
adensável dosado com base nos conceitos de
empacotamento de partículas, para 0,25
Figura 38 – Evolução do tempo de escoamento das pastas de cimento 98
provenientes dos concretos de alto desempenho ao longo
do tempo
Figura 39 – Evolução da viscosidade das pastas de cimento 98
provenientes dos concretos de alto desempenho ao longo
do tempo
Figura 40 – Evolução do tempo de escoamento das pastas de cimento 99
provenientes dos concretos auto adensáveis ao longo do
tempo
Figura 41 – Evolução da viscosidade das pastas de cimento 99
provenientes dos concretos auto adensáveis ao longo do
tempo
Figura 42 – Evolução do tempo de escoamento das argamassas 102
provenientes dos concretos de alto desempenho ao longo
do tempo
Figura 43 – Evolução da viscosidade das argamassas provenientes dos 103
concretos de alto desempenho ao longo do tempo
Figura 44 – Evolução da tensão de escoamento das argamassas 103
provenientes dos concretos de alto desempenho ao longo
do tempo
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013

Figura 45 – Evolução do tempo de escoamento das argamassas 104


provenientes dos concretos auto adensáveis ao longo do
tempo
Figura 46 – Evolução da viscosidade das argamassas provenientes dos 104
concretos auto adensáveis ao longo do tempo
Figura 47 – Evolução da tensão de escoamento das argamassas 105
provenientes dos concretos auto adensáveis ao longo do
tempo
Figura 48 – Evolução da resistência à compressão dos concretos de 106
alto desempenho ao longo do tempo
Figura 49 – Evolução da resistência à compressão dos concretos auto 106
adensáveis ao longo do tempo
Figura 50 – Custo total (R$/m3) dos concretos 108
Figura 51 – Custo relativo (R$/m3) dos concretos 108
Figura 52 – Custo para cada MPa (R$/m3) dos concretos 109
Figura 53 – Curva granulométrica do cimento CP II E 32 121
Figura 54 – Curva granulométrica da areia média 122
Figura 55 – Curva granulométrica da areia industrial (AG 80-100) 123
Figura 56 – Curva granulométrica da brita 1 124
Figura 57 – Curva granulométrica do pedrisco 125
Figura 58 – Curva granulométrica do pó de pedra 126
Figura 59 – Curva granulométrica da sílica ativa 127
Figura 60 – Curva granulométrica da sílica moída (SM 200) 128
Figura 61 – Curvas “tensão de cisalhamento versus taxa de 129
deformação”
Figura 62 – Curvas “tensão de cisalhamento versus taxa de 130
deformação”
Figura 63 – Curvas “tensão de cisalhamento versus taxa de 132
deformação”
Figura 64 – Curvas “tensão de cisalhamento versus taxa de 133
deformação”
Figura 65 – Curvas “tensão de cisalhamento versus taxa de 134
deformação”
Figura 66 – Curvas “tensão de cisalhamento versus taxa de 135
deformação”
Figura 67 – Curva “tempo de escoamento versus teor de sílica ativa” 137
Figura 68 – Curvas “tensão de cisalhamento versus taxa de 138
deformação”
Figura 69 – Curva “viscosidade versus teor de sílica ativa” 139
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013

Figura 70 – Curva “tempo de escoamento versus teor de 139


superplastificante”
Figura 71 – Curva “espalhamento versus teor de superplastificante” 140
Figura 72 – Curvas “tensão de cisalhamento versus taxa de 140
deformação”
Figura 73 – Curva “viscosidade versus teor de superplastificante” 141
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Classes de viscosidade plástica aparente pelo funil V 46


Tabela 2 – Classes de habilidade passante caixa L 48
Tabela 3 – Classes de espalhamento (slump flow) 53
Tabela 4 – Composição inicial do concreto de alto desempenho 70
Tabela 5 – Tempos de escoamento para cada composição de pasta de 81
cimento determinados pelo ensaio de cone de Marsh
Tabela 6 – Viscosidades para cada composição de pasta de cimento, 82
fornecidas pelo ensaio reométrico
Tabela 7 – Tempos de escoamento para cada composição de argamassa 83
determinados pelo ensaio de cone de Marsh
Tabela 8 – Viscosidades para cada composição de argamassa, fornecidas 84
pelo ensaio reométrico
Tabela 9 – Composição definitiva do concreto de alto desempenho 86
Tabela 10 – Resistência à compressão do concreto de alto desempenho 87
Tabela 11 – Composição definitiva do concreto auto adensável 88
Tabela 12 – Caracterização reológica do concreto auto adensável 89
Tabela 13 – Resistência à compressão do concreto auto adensável 89
Tabela 14 – Proporção entre os materiais particulados das misturas de 93
concretos dosados com base nos conceitos de
empacotamento de partículas
Tabela 15 – Composição definitiva do concreto de alto desempenho 94
Tabela 16 – Resistência à compressão do concreto de alto desempenho 94
Tabela 17 – Composição definitiva do concreto auto adensável 95
Tabela 18 – Caracterização reológica do concreto auto adensável 95
Tabela 19 – Resistência à compressão do concreto auto adensável 95
Tabela 20 – Tempos de escoamento das pastas de cimento provenientes 96
dos concretos dosados com base nos conceitos de reologia
Tabela 21 – Tempos de escoamento das pastas de cimento provenientes 96
dos concretos dosados com base nos conceitos de
empacotamento de partículas
Tabela 22 – Viscosidades das pastas de cimento provenientes dos 97
concretos dosados com base nos conceitos de reologia
Tabela 23 – Viscosidades das pastas de cimento provenientes dos 97
concretos dosados com base nos conceitos de
empacotamento de partículas
Tabela 24 – Tempos de escoamento das argamassas provenientes dos 100
concretos dosados com base nos conceitos de reologia
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013

Tabela 25 – Tempos de escoamento das argamassas provenientes dos 101


concretos dosados com base nos conceitos de
empacotamento de partículas
Tabela 26 – Viscosidades das argamassas provenientes dos concretos 101
dosados com base nos conceitos de reologia
Tabela 27 – Viscosidades das argamassas provenientes dos concretos 101
dosados com base nos conceitos de empacotamento de
partículas
Tabela 28 – Tensão de escoamento das argamassas provenientes dos 102
concretos dosados com base nos conceitos de reologia
Tabela 29 – Tensão de escoamento das argamassas provenientes dos 102
concretos dosados com base nos conceitos de
empacotamento de partículas
Tabela 30 – Custo (R$) dos componentes por m3 dos concretos dosados 107
com base nos conceitos de reologia e custo total
Tabela 31 – Custo (R$) dos componentes por m3 dos concretos dosados 108
com base nos conceitos de empacotamento de partículas e
custo total
Tabela 32 – Caracterização físico-química e mecânica do CP II E 32 120
Tabela 33 – Caracterização física da areia média 121
Tabela 34 – Caracterização física da areia industrial (AG 80-100) 122
Tabela 35 – Caracterização física da brita 1 123
Tabela 36 – Caracterização física do pedrisco 124
Tabela 37 – Caracterização física do pó de pedra 125
Tabela 38 – Caracterização físico-química da sílica ativa 126
Tabela 39 – Caracterização física da sílica moída (SM 200) 127
Tabela 40 – Caracterização do aditivo superplastificante 128
Tabela 41 – Custos dos materiais utilizados 136
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ........................................................................................... 18
1.1 IMPORTÂNCIA E JUSTIFICATIVA DO ESTUDO ...................................... 18
1.2 OBJETIVOS ............................................................................................... 20
1.3 APRESENTAÇÃO DO TRABALHO ........................................................... 20

2 CONCRETO DE ALTO DESEMPENHO E CONCRETO AUTO


ADENSÁVEL ............................................................................................. 21
2.1 CONCRETO DE ALTO DESEMPENHO .................................................... 21
2.1.1 Definição ................................................................................................... 21
2.1.2 Histórico .................................................................................................... 22
2.1.3 Aplicações................................................................................................. 23
2.2 CONCRETO DE AUTO ADENSÁVEL ........................................................ 25
2.2.1 Definição ................................................................................................... 25
2.2.2 Histórico .................................................................................................... 26
2.2.3 Aplicações................................................................................................. 27

3 REOLOGIA DOS MATERIAIS ................................................................... 29


3.1 DEFINIÇÃO DE REOLOGIA ...................................................................... 29
3.2 PRINCIPAIS CONCEITOS RELACIONADOS À REOLOGIA..................... 29
3.3 CLASSIFICAÇÃO DOS MODELOS REOLÓGICOS .................................. 31
3.3.1 Fluidos newtonianos ................................................................................ 32
3.3.2 Fluidos não-newtonianos ....................................................................... 32

4 REOLOGIA DOS MATERIAIS À BASE DE CIMENTO ............................. 36


4.1 REOLOGIA DA PASTA DE CIMENTO ....................................................... 37
4.2 REOLOGIA DA ARGAMASSA ................................................................... 38
4.3 REOLOGIA DO CONCRETO FRESCO ..................................................... 39
4.4 ENSAIOS DE CARACTERIZAÇÃO REOLÓGICA DOS MATERIAIS À
BASE DE CIMENTO .................................................................................. 41
4.4.1 Ensaios que medem apenas um parâmetro reológico .......................... 41
4.4.1.1 Ensaio do cone de Marsh ........................................................................ 41
4.4.1.2 Ensaio do funil V ...................................................................................... 45
4.4.1.3 Ensaio da caixa L ..................................................................................... 46
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013

4.4.1.4 Ensaio do cone de Abrams...................................................................... 48


4.4.1.4.1 Ensaio de abatimento de tronco de cone ................................................... 48
4.4.1.4.2 Ensaio de espalhamento ............................................................................ 51
4.4.2 Ensaios que medem os dois parâmetros reológicos ............................ 53
4.4.2.1 Reometria rotacional ................................................................................ 53

5 EMPACOTAMENTO DE PARTÍCULAS .................................................... 56


5.1 DEFINIÇÃO DE EMPACOTAMENTO DE PARTÍCULAS ........................... 56
5.2 FATORES QUE INFLUENCIAM O EMPACOTAMENTO DE
PARTÍCULAS ............................................................................................. 58
5.3 MODELOS DE EMPACOTAMENTO DE PARTÍCULAS ............................ 60
5.3.1 Modelo de Furnas ..................................................................................... 60
5.3.2 Modelo de Andreasen .............................................................................. 61
5.3.3 Modelo de Alfred ...................................................................................... 62
5.4 EMPACOTAMENTO DE PARTÍCULAS PARA A PRODUÇÃO DE
CONCRETO ............................................................................................... 63

6 PROGRAMA EXPERIMENTAL ................................................................. 66


6.1 SELEÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS ................................ 67
6.1.1 Cimento ..................................................................................................... 67
6.1.2 Agregado miúdo ....................................................................................... 67
6.1.3 Agregado graúdo ...................................................................................... 68
6.1.4 Adição mineral .......................................................................................... 68
6.1.5 Aditivo químico ......................................................................................... 69
6.1.6 Água de amassamento............................................................................. 69
6.2 DOSAGEM DOS CONCRETOS COM BASE NOS CONCEITO DE
REOLOGIA ................................................................................................. 70
6.2.1 Dosagem do concreto de alto desempenho .......................................... 70
6.2.1.1 Composição inicial do concreto de alto desempenho .......................... 70
6.2.1.2 Estudo reológico da pasta de cimento ................................................... 70
6.2.1.3 Estudo reológico da argamassa ............................................................. 73
6.2.1.4 Composição definitiva do concreto de alto desempenho .................... 74
6.2.2 Dosagem do concreto auto adensável ................................................... 75
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013

6.3 DOSAGEM DOS CONCRETOS COM BASE NOS CONCEITO DE


EMPACOTAMENTO DE PARTÍCULAS ..................................................... 76
6.3.1 Distribuição granulométrica .................................................................... 76
6.3.2 Empacotamento de partículas: programa computacional
fundamentado no modelo de Alfred ....................................................... 76
6.3.3 Composições definitivas dos concretos ................................................ 77
6.3.3.1 Composição definitiva do concreto de alto desempenho .................... 77
6.3.3.2 Composição definitiva do concreto auto adensável ............................. 78
6.4 CARACTERIZAÇÃO REOLÓGICA DAS PASTAS DE CIMENTO E DAS
ARGAMASSAS .......................................................................................... 79
6.5 AVALIAÇÃO DA RESISTÊNCIA MECÂNICA DOS CONCRETOS ............ 79
6.6 AVALIAÇÃO DA VIABILIDADE ECONÔMICA DOS CONCRETOS ........... 79

7 RESULTADOS E DISCUSSÕES ............................................................... 80


7.1 CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS...................................................... 80
7.2 DOSAGEM DOS CONCRETOS COM BASE NOS CONCEITO DE
REOLOGIA ................................................................................................. 80
7.2.1 Dosagem do concreto de alto desempenho .......................................... 80
7.2.1.1 Estudo reológico da pasta de cimento ................................................... 80
7.2.1.2 Estudo reológico da argamassa ............................................................. 83
7.2.1.3 Composição definitiva do concreto de alto desempenho .................... 86
7.2.2 Dosagem do concreto auto adensável ................................................... 87
7.2.2.1 Estudo reológico da pasta de cimento ................................................... 87
7.2.2.2 Estudo reológico da argamassa ............................................................. 88
7.2.2.3 Composição definitiva do concreto auto adensável ............................. 88
7.3 DOSAGEM DOS CONCRETOS COM BASE NOS CONCEITO DE
EMPACOTAMENTO DE PARTÍCULAS ..................................................... 89
7.3.1 Distribuição granulométrica .................................................................... 89
7.3.2 Empacotamento de partículas: programa computacional
fundamentado no modelo de Alfred ....................................................... 91
7.3.3 Composições definitivas dos concretos ................................................ 93
7.3.3.1 Composição definitiva do concreto de alto desempenho .................... 93
7.3.3.2 Composição definitiva do concreto auto adensável ............................. 94
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013

7.4 CARACTERIZAÇÃO REOLÓGICA DAS PASTAS DE CIMENTO E DAS


ARGAMASSAS .......................................................................................... 96
7.4.1 Caracterização reológica das pastas de cimento .................................. 96
7.4.2 Caracterização reológica das argamassas .......................................... 100
7.5 AVALIAÇÃO DA RESISTÊNCIA MECÂNICA DOS CONCRETOS .......... 105
7.6 AVALIAÇÃO DA VIABILIDADE ECONÔMICA DOS CONCRETOS ......... 107

8 CONCLUSÕES ........................................................................................ 110


8.1 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS ........................................ 112

REFERÊNCIAS ........................................................................................ 114

APÊNDICE A - CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS ......................... 120


APÊNDICE B - DOSAGEM DO CONCRETO DE ALTO DESEMPENHO
COM BASE NOS CONCEITOS DE REOLOGIA .................................... 129
APÊNDICE C - CARACTERIZAÇÃO REOLÓGICA DAS PASTAS DE
CIMENTO E DAS ARGAMASSAS ......................................................... 132
APÊNDICE D - VIABILIDADE ECONÔMICA DOS CONCRETOS ......... 136

ANEXO A - DOSAGEM DO CONCRETO AUTO ADENSÁVEL COM BASE


NOS CONCEITOS DE REOLOGIA ........................................................ 137
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 18

Capítulo
1
INTRODUÇÃO

1.1 IMPORTÂNCIA E JUSTIFICATIVA DO ESTUDO

O concreto de alto desempenho (CAD) e o concreto auto adensável (CAA) são


considerados concretos de alta tecnologia e suas principais características são a alta
resistência à compressão e a elevada durabilidade, caso do CAD, e a alta fluidez e a
elevada resistência à segregação, caso do CAA. Essas características, entre outras,
tornam esses concretos mais duráveis, prolongando a vida útil das estruturas,
fazendo crescer, cada vez mais, suas utilizações em diversos países.
Para produzir o concreto de alto desempenho e o concreto auto adensável de
acordo com as especificações supracitadas, uma cuidadosa seleção e dosagem dos
seus componentes devem ser realizadas. A dosagem do concreto tem como objetivo
encontrar a combinação correta dos componentes selecionados, buscando o menor
custo possível (MEHTA; MONTEIRO, 2008). Dentre os diversos procedimentos e
métodos existentes de dosagens de concretos especiais, CAD e CAA, pode-se
destacar o uso da reologia e do empacotamento de partículas.
A reologia, ciência voltada ao estudo do escoamento e da deformação da
matéria, atravessa vários séculos e abrange diversos campos de conhecimento. A
aplicação dos conceitos da reologia pode englobar diferentes materiais, entre eles
os materiais à base de cimento. Esses materiais, como as pastas de cimento,
argamassas e concretos, quando no estado fresco apresentam um comportamento
intermediário entre o líquido ideal e o estado sólido, podendo conferir, em função de
suas características e composições, comportamento viscoso, viscoplástico e em
alguns casos até mesmo de dilatância. No concreto, as propriedades reológicas,
principalmente a trabalhabilidade, são dependentes das características da pasta de
cimento e da argamassa, pois são elas as responsáveis pela fluidez e coesão.
Assim, o estudo reológico da pasta e argamassa pode ser utilizado para selecionar e
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 19

otimizar aditivos químicos e adições minerais, fornecendo informações úteis para a


dosagem do concreto; entretanto, a reologia deve ser aplicada corretamente, caso
contrário o material poderá sofrer modificações que afetará o seu desempenho.
Além disso, o emprego da reologia é de grande importância para realizar o controle
de produção do concreto, que tem ligação direta com o seu desempenho tanto no
estado fresco quanto no estado endurecido.
Na mesma intensidade, o empacotamento de partículas, estabelecido no
século XIX, também é um estudo de grande importância, pois define a correta
seleção da proporção e do tamanho dos materiais particulados, com as partículas
menores preenchendo os vazios entre as partículas maiores e assim
sucessivamente. No concreto, os conceitos de empacotamento de partículas são
aplicados para a otimização de seus componentes granulares, proporcionando
melhorias em suas propriedades, como a trabalhabilidade e o desempenho
mecânico.
Exposto isso, ambos os conceitos, reologia e empacotamento de partículas,
seguem caminhos distintos, onde um procura otimizar componentes como os
aditivos químicos e adições minerais, por meio do estudo das propriedades
reológicas da pasta de cimento e da argamassa, e o outro visa otimizar os materiais
particulados que compõem a mistura de concreto. Porém, ambos os conceitos são
de grande importância e apresentam uma única finalidade: contribuir com a
dosagem dos concretos, procurando obter misturas que atendam, da melhor forma
possível, os requisitos relacionados ao tipo de concreto.
Mesmo com os benefícios associados a esses conceitos, muitos estudos ainda
devem ser realizados para consolidar a importância e a aplicação dos mesmos, pois,
segundo Isaia (2011), o uso da reologia no estudo de dosagem dos concretos ainda
não convenceu o meio técnico da sua efetiva utilidade; para Castro e Pandolfelli
(2009), os conceitos de empacotamento de partículas para a produção de concretos
são pouco conhecidos pela maioria dos engenheiros atuantes na construção civil.
Desta forma, a presente pesquisa busca contribuir com os estudos de dosagem
dos concretos de alto desempenho e auto adensável, utilizando os conceitos de
reologia e empacotamento de partículas, e aprofundar na análise das propriedades
reológicas das pastas de cimento e das argamassas presentes nos concretos
especiais dosados com base nesses conceitos.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 20

1.2 OBJETIVOS

O presente trabalho tem como objetivo geral empregar os conceitos de reologia


e de empacotamento de partículas na dosagem dos concretos de alto desempenho
e auto adensável, procurando caracterizar reologicamente essas misturas no estado
fresco e, no estado endurecido, avaliar sua resistência à compressão, além de
verificar a viabilidade econômica do emprego do empacotamento de partículas
nesses concretos.
Como objetivo específico, realizar a caracterização reológica das pastas de
cimento e das argamassas dos concretos dosados com base nas duas vertentes,
reologia e empacotamento, buscando analisar e verificar a influência do
empacotamento de partículas em suas propriedades reológicas.

1.3 APRESENTAÇÃO DO TRABALHO

Este trabalho está organizado em oito capítulos, estruturado conforme a


sequência abaixo:
No Capítulo 1, tem-se a introdução onde é apresentada a importância e a
justificativa do estudo, bem como os objetivos pretendidos.
O Capítulo 2 aborda a definição, o histórico e as aplicações do concreto de alto
desempenho e do concreto auto adensável.
Os conceitos de reologia dos materiais e a classificação dos modelos
reológicos são expostos no Capítulo 3. O Capítulo 4 traz os conceitos de reologia
para os materiais à base de cimento, bem como os ensaios de caracterização
reológica desses materiais.
Os conceitos de empacotamento de partículas e a sua aplicação na produção
de concretos são apresentados no Capítulo 5.
O Capítulo 6 apresenta o programa experimental desenvolvido no trabalho,
mostrando os materiais, equipamentos e procedimentos empregados para a
dosagem dos concretos com base nos dois conceitos e para a caracterização
reológica das pastas de cimento e argamassas.
No Capítulo 7, são apresentados os resultados obtidos e uma larga discussão
destes, no contexto da pesquisa.
O Capítulo 8 é dedicado às conclusões do estudo.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 21

Capítulo
2
CONCRETO DE ALTO DESEMPENHO E
CONCRETO AUTO ADENSÁVEL

O concreto, normalmente composto da mistura de cimento Portland com areia,


brita e água, é considerado como sendo o material de construção mais utilizado no
mundo (BRUNAUER; COPELAND, 1964 apud MEHTA; MONTEIRO, 2008).
Os concretos convencionais de cimento Portland sofrem de certas deficiências.
Para tentar suprir tais deficiências foram desenvolvidos tipos especiais de concreto
(MEHTA; MONTEIRO, 2008). Para Reis (2008), a elaboração de novos materiais e
de novas tecnologias possibilitou o surgimento desses novos tipos de concreto.
Como exemplo desses concretos especiais pode-se citar o concreto de alto
desempenho e o concreto auto adensável.

2.1 CONCRETO DE ALTO DESEMPENHO

2.1.1 Definição

A tecnologia do concreto de alto desempenho (CAD) veio ao encontro da


necessidade de superar as falhas do concreto convencional, relacionadas
principalmente à durabilidade e à resistência. O CAD surgiu principalmente pelo uso
de dois novos constituintes em sua composição: os aditivos redutores de água e a
sílica ativa (LIMA, 2006).
O CAD é uma evolução dos concretos convencionais, sendo composto por
agregados comuns de boa qualidade; cimento Portland composto, ou cimento de
alta resistência inicial quando for pertinente à situação; sílica ativa, na proporção de
5% a 15% em massa em relação ao material cimentício e sempre a presença de um
superplastificante (NEVILLE, 1997).
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 22

Para o CAD alcançar as propriedades mecânicas e reológicas desejadas os


materiais utilizados na sua composição não são apenas os quatros componentes
básicos do concreto convencional (cimento, água, agregado miúdo e agregado
graúdo), materiais como aditivos superplastificantes e adições minerais – sílica ativa
e fíler – também são empregados em sua composição (CHOPIN; DE LARRARD;
CAZACLIU, 2004).
Segundo Aïtcin (2000), o CAD é essencialmente um concreto que apresenta
uma relação água/aglomerante baixa. O valor da relação água/aglomerante sugerido
como fronteira entre concreto convencional e concreto de alto desempenho é de
0,40. Esse valor se aproxima do valor teórico proposto por Powers (1968).
Na expressão “relação água/aglomerante”, o termo aglomerante representa
qualquer material finamente moído – com finura menor ou igual a do cimento –
usado na mistura de concreto. A relação água/aglomerante não dispensa o cálculo
da relação água/cimento, ela apenas a substitui, uma vez que o CAD é produzido
com um cimento moderno que pode conter pequenas quantidades de adições
minerais (CASTRO, 2007).
O CAD é um concreto de alta tecnologia e suas principais características são a
alta resistência e a elevada durabilidade. Essas características, dentre outras,
tornam o CAD mais durável, prolongando a vida útil das estruturas e, assim, o seu
uso vem crescendo em muitos países.

2.1.2 Histórico

A origem do concreto de alto desempenho, segundo Aïtcin (2000), ocorreu no


início dos anos 1960, na cidade de Chicago (EUA), quando um grupo de indivíduos
dispostos a inovar começou a usar quantidades significativas desse concreto em
estruturas importantes. Inicialmente apenas alguns pilares da estrutura eram
executados com um concreto dito “experimental”, cuja resistência à compressão era
da ordem de 10 MPa a 15 MPa superior ao concreto que vinha sendo até então
utilizado. Devagar e progressivamente, ao longo de 10 anos, conseguiu-se triplicar a
resistência à compressão dos concretos usados nos edifícios da cidade de Chicago,
aumentando sua resistência à compressão de ordem de 15 MPa a 20 MPa para uma
resistência de 45 MPa a 60 MPa.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 23

No início da década de 1970, o valor máximo para a resistência à compressão


dos concretos de alto desempenho foi estabelecida em 60 MPa, sendo o fator
limitante os aditivos redutores de água existentes na época, que não eram capazes
de reduzir ainda mais a relação água/aglomerante. Essa barreira técnica encontrada
só poderia ser ultrapassada com a utilização de novos materiais, foi quando
surgiram os aditivos superplastificantes (CASTRO, 2007; LIMA, 2006).
Assim, com o aumento dos teores dos aditivos superplastificantes possibilitou-
se a prática de relações água/aglomerante ainda mais reduzidas, juntamente com a
garantia da manutenção da trabalhabilidade necessária. À medida que as relações
água/aglomerante foram sendo ainda mais reduzidas, observaram-se uma série de
outras melhorias além dos altos valores de resistência à compressão, aos poucos foi
se destacando a elevada durabilidade (MARTINS, 2005).
Outro importante advento ao aumento do desempenho dos concretos foi a
sílica ativa. Com o uso dessa adição mineral, foi possível obter concretos de alto
desempenho com resistência à compressão acima dos 100 MPa, e as inúmeras
vantagens de sua incorporação foram reconhecidas rapidamente. No início dos anos
1980 a sílica ativa começou a ser usada na América do Norte e foi também difundida
em todo o mundo, inclusive no Brasil (MARTINS, 2005).
Segundo Lima (2006), o surgimento do CAD no Brasil está relacionado com a
apresentação da sílica ativa, em 1984, por Epaminondas Melo do Amaral Filho a
algumas entidades. O primeiro CAD do país foi produzido para construção de
elementos estruturais (vigas e pilares) destinados à construção de casas populares
para a Companhia de Desenvolvimento Habitacional (CDH), atual Companhia de
Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), com resistência à compressão de
50 MPa para uma idade de 6 dias. Naquela época, no Brasil não se dispunha dos
mesmos aditivos que existiam nos Estados Unidos e na Europa, mesmo assim, os
resultados foram muito significativos para a época, pois se falava nessa resistência
apenas para idade de 28 dias.

2.1.3 Aplicações

Uma das principais aplicações do concreto de alto desempenho na construção


civil tem sido em edifícios altos. O CAD permite pilares de menores dimensões,
aumentando, assim, o espaço útil dos pavimentos. Além disso, permite aumentar a
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 24

velocidade de construção, reduzir a carga permanente da estrutura nas fundações e


aumentar a durabilidade do concreto (LIMA, 2006).
O aumento da aplicação do CAD se dá por ser um concreto mais durável que
prolonga a vida útil e, consequentemente, reduz o custo com manutenção da
estrutura. O CAD transforma o concreto convencional em um material com melhor
desempenho, permitindo o seu uso em estruturas cada vez mais esbeltas. A
finalidade de utilizar o CAD em edifícios altos é para projetar lajes menos espessas
e colunas esbeltas, além de ser esteticamente mais interessante. O gosto dos
empreiteiros pelo seu uso deve-se à desmoldagem mais rápida dos elementos
estruturais (CASTRO, 2007).
Aïtcin (2000) cita diversos projetos em que o CAD foi aplicado: o edifício Water
Tower Place (EUA – 1970), a plataforma submarina Gullfaks (Noruega – 1981), os
viadutos Sylans e Glacières (França – 1986), o edifício Scotia Plaza (Canadá –
1988), a ponte da Île de Ré (França – 1988), o edifício Two Union Square (EUA –
1988), a ponte Joigny (França – 1989), a ponte Montée St-Rémi (Canadá – 1993), a
ponte da Normandia (1993), a plataforma submarina Hibernia (Canadá – 1996) e a
ponte Confederação (Canadá – 1997).
O CAD vem sendo utilizado para a construção de muitas estruturas projetadas
para maior vida útil como, por exemplo, de 100 a 120 anos. Estruturas como
plataformas marítimas de prospecção de petróleo, pontes de vão longo e tabuleiros
de viadutos quando expostas a fluídos agressivos e condições de exposição
ambientais severas, é essencial que o concreto permaneça livre de fissuras e
impermeável por um longo período (MEHTA; MONTEIRO, 2008).
A aceitação e o uso do CAD estão crescendo em todos os continentes,
entretanto o CAD ainda é objetivo de estudos em diversos países, dentre os quais o
Brasil ocupa lugar de destaque.
Um marco da engenharia nacional é a conquista do recorde mundial de
concreto de alto desempenho colorido elaborado por Helene em 2002, na obra do e-
Tower com resistência média à compressão de 125 MPa. Hoje se pode falar em
concretos de ultra desempenho, referindo-se a um concreto elaborado por Liborio,
Helene, Silva F.G, Castro A.L. e Silva V.M o qual atingiu 145 MPa e 210 MPa em 1 e
3 dias de idade, respectivamente (LIMA, 2006).
Desde que foi desenvolvido, há muitas pesquisas na área do concreto de alto
desempenho, porém existem algumas áreas para as quais as respostas finais não
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 25

são ainda conhecidas e onde pesquisas e desenvolvimentos adicionais terão que


ser explorados. Um grande progresso tem que ser feito nos seguintes campos:
compatibilidade entre o cimento Portland e os superplastificantes, durabilidade,
redução do desenvolvimento de calor, redução da retração autógena, aumento da
dureza e resistência ao fogo (AÏTCIN, 2000).

2.2 CONCRETO AUTO ADENSÁVEL

2.2.1 Definição

O concreto auto adensável (CAA) é um concreto especial de grande fluidez,


capaz de preencher os espaços vazios das fôrmas, adensando-se apenas pela ação
do seu peso próprio, sem qualquer tipo vibração externa. Além da capacidade de
preenchimento, o CAA caracteriza-se pela resistência à segregação e pela
capacidade de passar através de obstáculos.
Segundo Skarendahl (2000 apud DINIZ, 2010), o CAA pode ser descrito como
o concreto que durante a moldagem não está sujeito à entrada de qualquer energia
externa de vibradores ou compactadores, sendo esta capacidade obtida por meio
das propriedades reológicas inerentes ao concreto.
O CAA utiliza em sua composição os aditivos químicos (superplastificantes ou
modificadores de viscosidade) e as adições minerais, além dos quatros
componentes básicos do concreto convencional (cimento, água, agregado miúdo e
agregado graúdo). Devido ao emprego destes dois novos materiais, o CAA passa a
possuir proporções de dosagens distintas como também diferir em algumas
propriedades, sobretudo no estado fresco (DINIZ, 2010).
Os requisitos funcionais do concreto auto adensável no estado fresco são
diferentes dos concretos convencionais. O CAA deve apresentar, basicamente, três
propriedades essenciais no estado fresco (KLEIN, 2008; RILEM, 2006):
 capacidade de preenchimento: preencher completamente as fôrmas onde é
aplicado e se autoadensar, sem vibração, mantendo-se homogêneo;
 capacidade de passagem: passar através de obstáculos, como as barras de
armaduras, sem apresentar bloqueio de partículas de agregados;
 resistência à segregação: manter-se homogêneo durante a mistura, o
transporte e a aplicação.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 26

As características básicas do concreto auto adensável são a alta fluidez e a


resistência à segregação, sendo necessária a existência de coesão e viscosidade. A
fluidez é responsável pelo preenchimento dos espaços das fôrmas. Já a viscosidade
e coesão são responsáveis pela interação entre os agregados graúdos e a
argamassa, fazendo com que estes não se separem (FENATO et al., 2007).
A elevada resistência à segregação aliada à alta fluidez apresentada pelo CAA
permite a minimização de defeitos, como bolhas de ar e falhas na concretagem, que
são responsáveis pelas perdas de desempenho mecânico do concreto e de
durabilidade da estrutura (GIROTTO, 2012).
O CAA exige um grande cuidado no critério de escolha dos materiais
empregados na sua produção e um alto controle de qualidade, pois é um concreto
muito sensível à variação de seus constituintes e dos procedimentos de produção
(SEDRAN; DE LARRARD, 1999 apud DINIZ, 2010).

2.2.2 Histórico

No início dos anos 1980, no Japão, problemas no processo de adensamento


do concreto, decorrentes principalmente da complexidade das estruturas executas e
da falta de mão de obra qualificada, começaram a afetar os requisitos de
durabilidade, provocando a redução da qualidade das construções. Surge, então, a
necessidade de se desenvolver um concreto capaz de se autoadensar, mantendo-se
homogêneo (OKAMURA, 1997 apud MELO, 2005).
Para a obtenção de um concreto capaz de se adensar sem a necessidade de
vibração, procurou-se produzir concretos mais fluidos, o que foi possível devido à
utilização dos aditivos superplastificantes. Entretanto, a elevada fluidez provocou a
redução da resistência à segregação e exsudação, fazendo com que sua aplicação
fosse limitada. Havia a necessidade de se produzir um concreto com alta fluidez, a
ponto de eliminar o processo de adensamento, mas com resistência à segregação e
exsudação adequada (MELO, 2005; NUNES, 2001).
Em 1986, após várias investigações em torno do concreto desejado, surge o
concreto auto adensável, desenvolvido no Japão pelo o Professor Okamura, da
Universidade de Tókio. No ano de 1988 o primeiro protótipo de CAA foi concluído,
utilizando materiais já existentes no mercado (MELO, 2005; NUNES, 2001).
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 27

Em 1989, na Universidade de Tóquio, foi feita uma demonstração do


funcionamento do CAA no estado fresco para centenas de pesquisadores da área
de concreto. A experiência consistiu em encher dois moldes de plástico
transparentes, com elevada densidade de armadura, um deles com concreto
convencional e o outro com CAA, de modo que todos pudessem observar a fluidez e
a capacidade do CAA de se espalhar pelo molde mantendo sua mistura homogênea,
apenas pela ação da gravidade. Depois do sucesso desta demonstração os
institutos de pesquisas de grandes companhias de construção japonesas e a
Universidade de Tóquio começaram a desenvolver pesquisas relacionadas ao CAA
(BARTOS; GRAUERS, 1999 apud NUNES, 2001).
Em maio de 1992, a apresentação de Ozawa no CANMET & ACI International
Conference, permitiu a divulgação do conceito do concreto auto adensável pelo
mundo inteiro (OKAMURA; OUCHI, 1999 apud NUNES, 2001).
No Brasil, o emprego do concreto auto adensável ainda não foi totalmente
incorporado ao mercado da construção civil; entre os vários motivos, segundo
Mendes (2007), pode-se citar o elevado custo dos aditivos superplastificantes de 3ª
geração e dos aditivos modificadores de viscosidade, o que aumenta
consideravelmente o custo do concreto, e a falta de estudos conclusivos a respeito
das propriedades do CAA, sejam elas no estado fresco ou endurecido.

2.2.3 Aplicações

A primeira aplicação do CAA em obra foi no Japão, em 1990; seguida pela


aplicação do CAA nas torres da ponte Shin-kiba Ohashi, em 1991. Após esse
período, o CAA passou a ser empregado em todo o mundo, em diversas situações:
pontes, edifícios, túneis, elementos estruturais pré-moldados, tanques e produtos de
concreto em geral (KLEIN, 2008).
Segundo Mehta e Monteiro (2008), na Europa e no Japão o CAA é utilizado
para concretagem submersa e para a construção de estruturas densamente
armadas. Na América do Norte o CAA vem sendo utilizado em fábricas de concreto
pré-moldado onde existe um alto controle de qualidade.
No Brasil, até 2005, poucas obras foram executadas com o CAA, acreditando-
se que a esse fato deva-se à falta de estudos e a adaptação da tecnologia à nossa
realidade. No entanto, essa situação vem mudando com o passar do tempo,
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 28

diversas instituições de ensino e pesquisa, assim como grandes empresas


construtoras em todo o país vêm buscando conhecimento a respeito do CAA, com o
objetivo de introduzir este tipo de concreto no mercado brasileiro. Atualmente, o CAA
é empregado na fabricação de estruturas pré-moldadas e execução de edifícios,
sendo utilizado amplamente na construção de casas com o sistema construtivo
parede de concreto (KLEIN, 2008; SANTOS, 2012; TUTIKIAN et al., 2005).
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 29

Capítulo
3
REOLOGIA DOS MATERIAIS

3.1 DEFINIÇÃO DE REOLOGIA

O termo reologia foi denominado pela primeira vez em 1929 por Bingham,
quando definiu a reologia como sendo o estudo da deformação e do fluxo dos
materiais. Porém, o estudo da reologia precede a designação do nome, sendo que
no século XVII, Hooke e Newton já tinham conhecimento da reologia (TANNER,
2000).
Segundo Watanabe et al. (1989 apud PILEGGI et al., 2006), reologia (rheos =
fluir e logos = estudo) é a ciência que estuda o escoamento e a deformação dos
materiais quando submetidos a uma tensão ou solicitação mecânica externa, sendo
frequentemente empregada na análise do comportamento de fluidos.
A Reologia estuda as correlações entre solicitações e respostas que a matéria
apresenta em seus estados sólido, líquido, gasoso e, ainda, em estados
intermediários. As solicitações podem ser chamadas de tensão e as respostas de
taxas de deformação ou vice-versa (BARBOSA et al., 2011).

3.2 PRINCIPAIS CONCEITOS RELACIONADOS À REOLOGIA

Alguns conceitos devem ser devidamente fundamentados para uma correta


compreensão de técnicas e metodologias reológicas.

Viscosidade

A viscosidade é a resistência de um material à deformação contínua e pode ser


considerada a principal propriedade reológica de um fluido (LEITE, 2009).
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 30

Para Ferraris (1996), a viscosidade é definida como sendo o fator de


proporcionalidade entre a força de cisalhamento e o gradiente de velocidade do
fluido, e por Bretas e D’Àvila (2005) como sendo a propriedade que mede a
resistência do material ao escoamento ou fluxo. Assim, quanto maior a viscosidade
do material, maior será sua resistência ao escoamento.
Do ponto de vista físico, a viscosidade é uma medida de resistência ao
escoamento, podendo ser compreendida como o atrito interno do sistema (BETIOLI,
2007).
O termo viscosidade pode ser usado qualitativamente para se referir à
propriedade do material em resistir ao escoamento. Quando o termo é usado
quantitativamente, ele é definido como sendo a razão entre a tensão de
cisalhamento e a taxa de deformação, quando esta for constante. Desta forma, esse
termo é aplicado somente a fluidos newtonianos, onde curva de escoamento é
linear, o seu uso para outros materiais está incorreto (TATTERSALL, 1991 apud
CASTRO, 2007).

onde é viscosidade, é tensão de cisalhamento e é a taxa de deformação.


A viscosidade para os fluidos não-newtonianos, onde a curva de escoamento é
não linear, pode variar em muitas ordens de magnitude com a mudança da taxa de
deformação ou da tensão de cisalhamento para as diversas classes de fluidos
(CASTRO, 2007). Assim, para estes fluidos, a viscosidade deixa de ser uma
constante e passa a ser denominada de viscosidade aparente. A viscosidade
aparente é obtida a partir da inclinação de uma reta ligando um ponto particular da
curva de escoamento com a origem.
Para Bombled (1967 apud RAGO, 1999), a viscosidade é definida como sendo
a velocidade de deformação de um corpo. Nos concretos e argamassas, a
viscosidade está ligada à pasta de cimento e, consequentemente, ao teor de água, à
origem mineralógica, dimensão e forma dos agregados e ao efeito lubrificante das
partículas finas. A relação entre viscosidade e consistência é direta: quanto maior a
viscosidade, maior a consistência.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 31

Tensão de Escoamento

Alguns materiais quando submetidos a uma tensão de cisalhamento não


apresentam escoamento; para estes materiais começarem a fluir uma determinada
tensão deve ser atingida, sendo essa tensão chamada de tensão de escoamento ou
tensão crítica ( ).

3.3 CLASSIFICAÇÃO DOS MODELOS REOLÓGICOS

Reologicamente um material é caracterizado de acordo com a relação entre


tensão de cisalhamento e taxa de deformação (BRETAS; D’ÀVILA, 2005). Segundo
esse comportamento reológico, os fluidos são classificados em Newtonianos e Não-
Newtonianos (Figura 1).

Figura 1 – Classificação dos fluidos segundo seu comportamento reológico

Pseudoplásticos

Independentes
Dilatantes
do tempo

Newtonianos Binghamianos
ou Plásticos
Fluido

Tixotrópicos
Não-Newtonianos Dependentes
do tempo
Reopéticos

Viscoelásticos

Fonte: Elaboração da própria autora


Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 32

3.3.1 Fluidos newtonianos

Os fluidos newtonianos apresentam uma relação constante entre a tensão de


cisalhamento e taxa de deformação, isto é, a tensão de cisalhamento é diretamente
proporcional à taxa de deformação. A constante de proporcionalidade é a
viscosidade do fluido (µ) e de acordo com a Lei de Newton da viscosidade, ela é
matematicamente expressa por:

onde é a tensão de cisalhamento, a taxa de deformação e a viscosidade do


fluido.
Deste modo, a curva de escoamento de um fluido newtoniano é uma linha reta
que passa através da origem e tem uma inclinação cujo inverso é igual ao
coeficiente de viscosidade (Figura 2). Assim, para um fluido newtoniano, uma
determinação experimental simples, isto é, um ensaio que mede apenas um dos
parâmetros reológicos é suficiente para a caracterização do seu comportamento ao
escoamento (TATTERSALL; BANFILL, 1983 apud CASTRO, 2007).

Figura 2 – Curvas de escoamento e de viscosidade para um fluido newtoniano

Fonte: Elaboração da própria autora

3.3.2 Fluidos não-newtonianos

Os fluidos não-newtonianos apresentam uma relação não linear entre a tensão


de cisalhamento e a taxa de deformação, isto é, a viscosidade não é constante sob
uma dada temperatura e pressão.
Assim, a curva de escoamento de um fluido não-newtoniano não corresponde a
uma linha reta passando através da origem e suas propriedades do escoamento não
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 33

podem ser caracterizadas por uma única constante (TATTERSALL; BANFIL, 1983
apud CASTRO, 2007).
Os fluidos não-newtonianos são divididos em três grupos: fluidos
independentes do tempo, fluidos dependentes do tempo e fluidos viscoelásticos.

Fluidos independentes do tempo

São caracterizados por não apresentarem variações temporais de viscosidade


sob tensões ou taxas de cisalhamento constantes. Podem ser subdivididos em
fluidos pseudoplásticos, fluidos dilatantes e fluidos binghamianos ou plásticos.

Fluidos pseudoplásticos: a viscosidade aparente do fluido decresce com o


aumento da taxa de deformação. Os fluidos pseudoplásticos podem apresentar ou
não tensão de escoamento (Figura 3).

Figura 3 – Curvas de escoamento e de viscosidade para um fluido pseudoplástico

Fonte: Elaboração da própria autora

Fluidos dilatantes: apresentam comportamento inverso ao fenômeno da


pseudoplasticidade, ou seja, a viscosidade aparente do fluido aumenta com o
aumento da taxa de deformação (Figura 4).
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 34

Figura 4 – Curvas de escoamento e de viscosidade para um fluido dilatante

Fonte: Elaboração da própria autora

Fluidos binghamianos ou plásticos: os fluidos binghamianos comportam-se


como um sólido em condições estáticas ou de repouso e após aplicação de certa
tensão – tensão de escoamento – começam a fluir; em seguida, a relação entre a
tensão de cisalhamento e a taxa de deformação torna-se linear (Figura 5).

Figura 5 – Curvas de escoamento e de viscosidade para um fluido binghamiano

Fonte: Elaboração da própria autora

Muitas equações empíricas têm sido propostas para elaborar o modelo


matemático das relações observadas entre a tensão de cisalhamento e a taxa de
deformação para fluidos não-newtonianos independentes do tempo. Para muitas
aplicações da engenharia, elas podem ser corretamente representadas pelo modelo
exponencial (Power-law):

onde é a tensão de cisalhamento, a taxa de deformação, o índice de


escoamento e o índice de consistência.
Para , o fluido exibe um comportamento newtoniano ( ).
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 35

O modelo Herschel-Bulkley descreve o comportamento de um fluido


pseudoplástico com tensão de escoamento ( ).

Quando o expoente for menor ou maior a 1, o fluido exibe um comportamento


pseudoplástico ou dilatante, respectivamente. Esse modelo resulta no modelo de
Bingham quando for igual a 1, com representando a viscosidade plástica do
fluido (YAHIA; KHAYAT, 2003 apud CASTRO, 2007).

Fluidos dependentes do tempo

São caracterizados por apresentarem mudanças na viscosidade em função do


tempo sob tensões ou taxas de cisalhamento constantes. Podem ser subdivididos
em fluidos tixotrópicos e fluidos reopéticos.

Fluidos tixotrópicos: são aqueles caracterizados pela diminuição da


viscosidade aparente com o tempo enquanto são submetidos a uma taxa de
cisalhamento constante. Uma importante característica dos materiais tixotrópicos é a
sua sempre possível reversibilidade. A viscosidade aparente de um material diminui
quando submetido a uma taxa de cisalhamento constante, contudo, tal viscosidade é
recuperada se um tempo de relaxamento for oferecido ao material.
Fluidos reopéticos: são aqueles que apresentam um aumento da viscosidade
aparente com o tempo a uma taxa de cisalhamento constante. Apresentam
comportamento inverso dos fluidos tixotrópicos, sendo conhecidos também como
fluidos anti-tixotrópicos.

Fluidos viscoelásticos

Os materiais viscoelásticos caracterizam-se por apresentarem comportamento


de sólido elástico e líquido viscoso ao mesmo tempo.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 36

Capítulo
4
REOLOGIA DOS MATERIAIS À BASE DE CIMENTO

O concreto e a argamassa são materiais compostos, sendo seus principais


componentes o cimento, a água e os agregados. O concreto pode ser entendido
como uma concentração de partículas sólidas em suspensão (agregados) e um
líquido viscoso (pasta de cimento). A pasta de cimento, por sua vez, não é um
líquido homogêneo, sendo constituída basicamente por partículas (grãos de
cimento) e um líquido (água). Posto isso, o concreto fresco, em uma escala
macroscópica, flui como um líquido (FERRARIS, 1996).
Se o concreto fresco se comporta como um líquido, então nada mais adequado
do que buscar os conceitos da reologia para estudar o seu comportamento, pois
como já visto no item 3.1, a reologia é a ciência voltada ao estudo do escoamento e
da deformação da matéria.
O comportamento do concreto fresco depende da viscosidade da pasta de
cimento e da quantidade de agregados o que justifica a importância de se estudar a
reologia da pasta de cimento, da argamassa e do concreto fresco. São eles que
determinarão o comportamento do concreto como um todo (REIS, 2008).
Segundo Banfill (1991 apud CASTRO, 2007), a reologia dos materiais à base
de cimento é importante, pois ela pode fornecer informações úteis para a dosagem
dos concretos. Porém, a reologia de uma mistura deve estar correta para sua
aplicação; caso contrário, o material poderá ser alterado, prejudicando o seu
desempenho. Além disso, o controle da qualidade de produção desses materiais
pode ser realizado simultaneamente à sua utilização, ao invés de esperar por
resultados de ensaios realizados no estado endurecido.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 37

4.1 REOLOGIA DA PASTA DE CIMENTO

Para Agulló et al. (1999), o estudo da pasta de cimento é um passo importante


para a composição do concreto, pois ela proporciona fluidez e coesão, fazendo com
que a trabalhabilidade e outras propriedades reológicas do concreto se tornem
dependentes de suas características. Segundo Ghio (1993), as propriedades
reológicas da pasta de cimento podem mostrar informações valiosas sobre o
comportamento reológico do concreto.
A pasta de cimento, considerada o lubrificante entre os agregados de um
concreto, afeta bastante a fluidez do mesmo. Sabe-se que os fatores que compõem
a pasta de cimento, tais como a relação água/cimento e a presença de aditivos,
influenciam a trabalhabilidade do concreto e que uma mudança da fração
volumétrica de pasta na mistura pode mudar a sua fluidez, mesmo quando a
composição da pasta continua a mesma (FERRARIS; GAIDIS, 1992).
Muitos pesquisadores utilizam o estudo reológico da pasta de cimento com o
objetivo de melhor compreender o comportamento reológico do concreto no estado
fresco. Antes de se discutir sobre as características reológicas do concreto, Powers
(1968) considera vantajoso conhecer as características reológicas da pasta de
cimento, pois as características da pasta dependem de algumas reações químicas
do cimento com a água que ocorrem durante o período de mistura (CASTRO, 2007).
Segundo Claisse et al. (2001 apud CASTRO, 2007), as características
reológicas da pasta de cimento podem ser influenciadas por muitos fatores, tais
como: relação água/cimento, características do cimento (finura, área superficial,
composição e processo de hidratação), natureza das adições químicas e minerais
incorporadas à mistura, procedimento de mistura utilizado em sua produção e idade
da pasta. As condições de ensaio durante as determinações e a temperatura
também influenciam o comportamento do escoamento das pastas de cimento.
As adições afetam principalmente o comportamento do escoamento da pasta
de cimento, sem qualquer alteração da composição ou das características dos
agregados. Dessa maneira, parece razoável tentar selecionar aditivos químicos e
adições minerais somente ensaiando a pasta de cimento. Os resultados estarão
relacionados com a trabalhabilidade de concreto, mas, infelizmente, a relação entre
a reologia da pasta de cimento e a reologia do concreto nem sempre pode ser
completamente estabelecida, pois a reologia da pasta de cimento é normalmente
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 38

medida em condições não experimentadas pela mesma no concreto. Assim, os


parâmetros reológicos medidos para a pasta de cimento poderão ser diferentes dos
parâmetros estimados para o concreto. Entretanto, as propriedades de escoamento
da pasta de cimento, se medidas adequadamente, podem ser usadas para controlar
a utilização dos aditivos químicos e das adições minerais (FERRARIS; OBLA; HILL,
2001).
O estudo reológico da pasta de cimento é fundamental na proposta da
dosagem dos componentes do concreto, em especial os aditivos químicos e as
adições minerais, pois estes interagem diretamente com as características de
trabalhabilidade, sejam na fase pasta, na fase argamassa e/ou no concreto fresco
(ALTOE et al., 2011).
Vários modelos reológicos têm sido usados para descrever o comportamento
da pasta de cimento no estado fresco. Entre os mais utilizados estão os modelos de
Bingham e de Herschel-Bulkley. Se a tensão de escoamento estimada for muito
pequena, um modelo puramente viscoso pode ser suficiente para descrever
corretamente o comportamento da pasta de cimento (ROUSSEL; LE ROY, 2005).
Entretanto, as pastas de cimento podem apresentar outros comportamentos
reológicos, por se tratar de um sistema complexo. Esses comportamentos vão
depender de condições de ensaio, tais como a composição da pasta, o estado de
dispersão e o histórico de cisalhamento (CASTRO, 2007).
Ferraris, Obla e Hill (2001) afirmam que as propriedades de escoamento da
pasta de cimento são semelhantes às de um fluido newtoniano ou de um fluido
binghamiano, dependendo da composição da pasta. Uma pasta de cimento não
floculada pode apresentar tensão de escoamento próxima à zero, isto é, um fluido
newtoniano.

4.2 REOLOGIA DA ARGAMASSA

A argamassa pode ser considerada como uma dispersão de agregados em


uma matriz de partículas finas (pasta de aglomerante). Dessa forma, o seu
comportamento reológico está intimamente ligado ao agregado (dimensão, forma e
distribuição granulométrica), à pasta (características químicas, físicas e quantidades
dos materiais constituintes e teor de água) e a interação pasta-agregado (RAGO,
1999).
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 39

A presença de matriz entre os agregados lubrifica seu contato e o sistema


passa a ser governado predominantemente pelas forças de superfície. A sua
influência no comportamento da argamassa é em função da sua viscosidade, que
não pode ser excessivamente baixa que permita a segregação dos agregados, nem
tão elevada que impeça o sistema de fluir (ANTUNES, 2005 apud GIROTTO, 2012).
Quando se estuda a reologia da argamassa a principal propriedade relacionada
a ela é a trabalhabilidade (RAGO, 1999). A trabalhabilidade é uma das propriedades
mais importantes das argamassas no estado fresco, sendo ela composta de pelo
menos dois componentes principais: fluidez, que descreve a facilidade de
mobilidade; e a coesão, que descreve a resistência à exsudação e à segregação
(BARBOSA et al., 2011; MEHTA; MONTEIRO, 2008).
A utilização do aditivo superplastificante na argamassa influencia na fluidez da
mistura, aumentando a sua trabalhabilidade. Porém, o uso do aditivo deve ser
criterioso, sendo importante realizar um estudo reológico na fase pasta ou na fase
argamassa para a correta dosagem desse material.
As argamassas apresentam, na maioria das vezes, um comportamento de
fluido não-newtoniano com uma tensão de escoamento. De um modo geral,
dependendo da composição da argamassa, os modelos reológicos que descrevem o
seu comportamento são os modelos de Bingham e de Herschel-Bulkley.

4.3 REOLOGIA DO CONCRETO FRESCO

O controle das propriedades reológicas do concreto no estado fresco é


essencial para determinar a qualidade do material, pois seu desempenho, tanto no
estado fresco quanto no estado endurecido, é influenciado pelas características
apresentadas logo após a mistura dos componentes (SANTOS, 2012).
As propriedades reológicas do concreto são importantes principalmente no
período em que o material é lançado nas fôrmas e podem ser determinadas em
qualquer momento durante o período de hidratação do cimento (CHAPPUIS, 1991
apud CASTRO, 2007).
Segundo Wallevik (2006), termos como trabalhabilidade, consistência,
capacidade de escoamento, mobilidade e capacidade de bombeamento têm sido
usados para descrever o comportamento reológico do concreto no estado fresco. No
entanto, eles refletem mais pontos de vista pessoais do que precisão científica.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 40

A reologia do concreto fresco, nos últimos anos, tem sido estudada com
determinações que variam entre métodos de ensaio simples e práticos, como os
ensaios de abatimento de tronco de cone, espalhamento, funil V e caixa L, até
equipamentos mais sofisticados, como os reômetros.
Segundo Chidiac et al. (2000), apesar das muitas pesquisas que estão sendo
realizadas para definir as propriedades de escoamento do concreto fresco, os
métodos de ensaio existentes ainda não determinam propriedades reológicas
semelhantes para um mesmo concreto, pois existem diferenças nas técnicas
experimentais e nos equipamentos utilizados. Além disso, a maioria dos métodos de
ensaio é complicada, demanda habilidade e não são fáceis de realizar no campo.
Tanto os métodos de ensaio normalizados quanto os métodos empíricos
tentam caracterizar o concreto fresco por uma constante única, de modo que todos
eles consideram que o concreto se comporta da maneira mais simples possível,
como a água (fluido newtoniano). Porém, essa suposição não pode ser verídica já
que o concreto exige a imposição de uma tensão mínima para que ele inicie seu
escoamento (CASTRO, 2007).
A reologia do concreto no estado fresco é muito complexa devido à sua
composição e às mudanças das propriedades com tempo. Muitos pesquisadores já
descreveram o concreto fresco como um material não-newtoniano complexo que
possui uma tensão de escoamento e uma viscosidade dependente da taxa de
cisalhamento, sendo que ambos mudam com o tempo: a tensão de escoamento e a
viscosidade aumentam à medida que o concreto endurece (PETROU et al., 2000).
Segundo Castro (2007), devido a uma vasta evidência experimental das
propriedades reológicas do concreto fresco, pode-se concluir que o concreto se
comporta como um fluido binghamiano. Assim, o material deve ser avaliado em
termos de dois parâmetros: tensão de escoamento e viscosidade plástica. O
primeiro parâmetro reológico está relacionado com o abatimento ou espalhamento
do concreto, enquanto o segundo faz a diferença entre um concreto facilmente
trabalhável e um tendo um comportamento “pegajoso”, difícil de ser bombeado e
apresentando vazios na superfície quando a fôrma for retirada (DE LARRARD;
SEDRAN, 2002).
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 41

4.4 ENSAIOS DE CARACTERIZAÇÃO REOLÓGICA DOS MATERIAIS À BASE


DE CIMENTO

Existem vários ensaios para caracterizar reologicamente os materiais à base


de cimento no seu estado fresco. Esses ensaios são divididos em dois grupos, de
acordo com os resultados fornecidos: um ou dois parâmetros reológicos.
Os ensaios mais comuns medem apenas um parâmetro reológico, que pode
estar relacionado com a viscosidade ou com a tensão de escoamento. A relação
entre o parâmetro medido e o segundo não é simples. Na maioria das vezes, é
impossível calcular o parâmetro fundamental – tensão de escoamento ou
viscosidade – a partir do resultado obtido, podendo apenas garantir uma correlação
entre eles (CASTRO, 2007).
Hoje em dia existem ensaios capazes de fornecer os dois parâmetros
reológicos – tensão de escoamento e viscosidade – que caracterizam o
comportamento do material no seu estado fresco.
A seguir são apresentados os métodos de ensaio e equipamentos capazes de
medir os parâmetros reológicos dos materiais à base de cimento no estado fresco,
dando-se ênfase aos ensaios a serem utilizados na presente pesquisa.

4.4.1 Ensaios que medem apenas um parâmetro reológico

Os ensaios do cone de Marsh, funil V e caixa L estão associados à


viscosidade, pois medem a capacidade do material escoar depois que a tensão
ultrapassa a tensão de escoamento. Já o ensaio do cone de Abrams está
relacionado com a tensão de escoamento, pois mede a capacidade do material
iniciar o escoamento.

4.4.1.1 Ensaio do cone de Marsh

Segundo Castro (2007), o emprego do ensaio do cone de Marsh na tecnologia


do concreto começou nos anos 1990 com o aumento da utilização do concreto de
alto desempenho, onde o ensaio faz parte do processo de desenvolvimento da
mistura (determinação do traço). A alta trabalhabilidade desses concretos é
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 42

determinada pela composição das pastas e argamassas que o constitui; assim, a


utilização deste ensaio é muito importante no estudo da reologia dos concretos.
O ensaio do cone de Marsh é um ensaio muito simples que tem sido usado
para o estudo da fluidez (trabalhabilidade) de pastas de cimento e argamassas e
para a determinação do teor ótimo de superplastificante para as misturas. Este
ensaio também pode ser usado para a determinação da proporção ótima de adição
mineral incorporada à mistura.
O princípio do método, segundo Aïtcin (2000), consiste em medir o tempo que
certa quantidade de pasta de cimento ou argamassa leva para escoar através de um
funil com um dado diâmetro, ou seja, consiste em determinar o tempo de
escoamento do material, que por sua vez está ligado com a fluidez do material
ensaiado. Segundo Roussel e Le Roy (2005), quanto maior o tempo de escoamento,
menor é a fluidez do material, logo mais viscoso ele é.
Basicamente, o cone de Marsh (Figura 6) consiste em um cone plástico ou
metálico, aberto na parte superior e com uma pequena abertura variável na parte
inferior. O diâmetro da abertura inferior pode variar entre 5 mm e 12,5 mm e o
volume de pasta ou de argamassa inicial utilizado pode variar entre 800 ml e 2000
ml.

Figura 6 – Equipamento completo e esquema detalhado do cone de Marsh

Fonte: Martins (2011)


Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 43

No Brasil, este ensaio é regulamentado pela NBR 7681-2:2013 – Calda de


cimento para injeção - Parte 2: Determinação do índice de fluidez e da vida útil -
Método de ensaio (ABNT, 2013). Para a execução do ensaio, a norma prescreve os
seguintes passos:
1) umedecer o interior do cone antes de cada medida;
2) posicionar o cone corretamente em seu suporte, de maneira que ele
permaneça nivelado e livre de vibrações;
3) alinhar a proveta com o eixo do cone;
4) fechar a abertura inferior do cone com o dedo ou registro e lançar a amostra
para dentro do cone até atingir a marca estabelecida;
5) abrir a abertura inferior e, no momento em que a calda atingir o fundo da
proveta, acionar o cronômetro;
6) parar o cronômetro quando a proveta for preenchida com o volume de pasta
predeterminado.
O procedimento de ensaio, segundo Roncero (2000), consiste no
preenchimento do funil com 800 ml de pasta de cimento ou argamassa, medindo-se
o tempo de escoamento de 200 ml de material. Em geral este procedimento é
repetido em tempos pré-estabelecidos (dependendo da aplicação da pasta ou da
argamassa), sendo o objetivo desta metodologia verificar a ocorrência de perda de
fluidez e a possível alteração no teor de aditivo ou de adição mineral.
A determinação do teor ótimo de um aditivo utilizando o cone de Marsh é
normalmente feita de forma subjetiva, dependendo da forma da curva obtida e do
critério utilizado pelo pesquisador (GOMES, 2002). Dentre os vários métodos
existentes, destaca-se o método proposto por Aïtcin (2000).
Para Aïtcin (2000), o teor ótimo de superplastificante pode ser determinado
pela curva “tempo de escoamento versus teor de superplastificante”. Essa curva é
composta por duas linhas, uma com o tempo de medida em 5 minutos e a outra com
o tempo de medida em 60 minutos (Figura 7). O ponto de interseção dessas duas
linhas corresponde ao teor ótimo de superplastificante. Esse é o ponto em que, nas
condições experimentais usadas para medir o tempo de escoamento, qualquer
aumento na dosagem do superplastificante não produz nenhum efeito na reologia da
pasta de cimento ou da argamassa.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 44

Figura 7 – Determinação do teor ótimo de superplastificante

Fonte: Aïtcin (2000)

O teor ótimo de adição mineral pode ser encontrado pela curva “tempo de
escoamento versus teor de adição mineral”. Essa curva é composta por três linhas,
que correspondem aos tempos de medida em 5, 15 e 30 minutos (Figura 8). O teor
ótimo de adição mineral é determinado a partir da mudança de inclinação das linhas.
Esse teor ótimo de adição mineral encontrado garante a fluidez e a coesão
necessária para o material (VITA, 2011).

Figura 8 – Determinação do teor ótimo de adição mineral

Fonte: Vita (2011)


Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 45

4.4.1.2 Ensaio do funil V

O ensaio do funil V foi desenvolvido para avaliar a capacidade do concreto auto


adensável de passar por seções estreitas, mediante seu peso próprio, e está
relacionado diretamente com a viscosidade da mistura. O ensaio consiste em medir
o tempo que uma amostra de aproximadamente 10 litros de concreto leva para
escoar totalmente pelo funil (GOMES; BARROS, 2009 apud SANTOS, 2012). Neste
ensaio também é possível avaliar a tendência à segregação e bloqueio por meio de
observação da variação da velocidade de fluxo.
O funil V pode apresentar geometria da seção transversal circular ou
retangular, sendo esta segunda a mais utilizada (Figura 9). O orifício inferior do funil
deve ter dimensão mínima de três vezes a dimensão máxima do agregado presente
na mistura.

Figura 9 – Esquema detalhado do funil V de seção transversal retangular

Fonte: Nunes (2001)


Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 46

No Brasil, este ensaio é regulamentado pela NBR 15823-5:2010 – Concreto


auto-adensável - Parte 5: Determinação da viscosidade - Método do funil V (ABNT,
2010). O procedimento de ensaio segue as seguintes etapas:
1) umedecer o interior do funil;
2) posicionar o funil verticalmente sobre uma superfície rígida, plana e
horizontal;
3) fechar a comporta, localizada na parte inferior do funil, e preencher do funil
totalmente com uma amostra de concreto, sem adensamento e sem
interrupção;
4) abrir a comporta em um tempo não superior a 30 segundos após o final do
preenchimento e, simultaneamente à sua abertura acionar o cronômetro;
5) parar o cronômetro quando todo o concreto tiver escoado.
A classificação do concreto auto adensável em função do tempo de
escoamento no funil V, conforme estabelecido na norma NBR 15823-1:2010 –
Concreto auto-adensável - Parte 1: Classificação, controle e aceitação no estado
fresco (ABNT, 2010), é apresentada a Tabela 1.

Tabela 1 – Classes de viscosidade plástica aparente


pelo funil V
Classe Tempo de escoamento - Funil V (s)

VF1 <9

VF2 9 a 25
Fonte: NBR 15823-1:2010 (ABNT, 2010)

4.4.1.3 Ensaio da caixa L

O ensaio da caixa L é usado para a aceitação do concreto auto adensável.


Este ensaio busca determinar a capacidade de passagem do concreto por barras de
armaduras, ou seja, mede a capacidade do concreto escoar dentro de um molde
retangular com barras de diâmetro pré-estabelecido devido apenas ao seu peso
próprio (CASTRO, 2007).
A caixa L (Figura 10) é constituída por um depósito vertical com uma abertura
para um canal horizontal, sendo esta abertura fechada por uma comporta, que se
abre para a passagem do concreto. Atrás dessa comporta são colocadas barras de
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 47

armaduras espaçadas umas das outras a uma distância mínima de três vezes o
tamanho máximo do agregado graúdo utilizado na mistura (GOMES, 2002).

Figura 10 – Esquema detalhado da caixa L

Fonte: Adaptado de Castro (2007)

No Brasil, este ensaio é regulamentado pela NBR 15823-4:2010 – Concreto


auto-adensável - Parte 4: Determinação da habilidade passante - Método da caixa L
(ABNT, 2010). O procedimento de ensaio segue as seguintes etapas:
1) umedecer o interior da caixa L;
2) posicionar a caixa L sobre uma superfície rígida, plana e horizontal;
3) fechar a comporta e preencher totalmente o depósito vertical da caixa L com
uma amostra de concreto, sem adensamento e de forma uniforme;
4) abrir a comporta de forma rápida, uniforme e sem interrupção, de modo que
o concreto flua pelo canal horizontal, passando através das barras metálicas;
5) cessado o escoamento, medir as alturas nos dois extremos do canal
horizontal, sendo H1 próxima à comporta e H2 ao final do canal, de modo
que a razão H2/H1 é definida como habilidade passante (HP).
A classificação do concreto auto adensável em função da habilidade passante,
conforme estabelecido na norma NBR 15823-1:2010 – Concreto auto-adensável -
Parte 1: Classificação, controle e aceitação no estado fresco (ABNT, 2010), é
apresentada a Tabela 2.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 48

Tabela 2 – Classes de habilidade passante caixa L


Classe Habilidade passante - Caixa L

PL1 ≥ 0,80, com duas barras de aço

PL2 ≥ 0,80, com três barras de aço


Fonte: NBR 15823-1:2010 (ABNT, 2010)

No ensaio com a caixa L é possível, também, medir o tempo que o concreto


leva para percorrer determinada distância como um parâmetro de caracterização da
capacidade de fluir do material. Considera-se que para se percorrer a distância de
20 cm (TL20), o tempo deve ser inferior a 1,5 s, e para se percorrer a distância de 40
cm (TL40), o tempo deve ser inferior a 2,5 s.
Para avaliação visual da segregação do concreto observa-se o acúmulo do
agregado graúdo atrás e/ou entre as barras da armadura, de modo que isso não
deve ocorrer para que o concreto apresente boa resistência à segregação, o
agregado graúdo deve estar uniformemente distribuído ao longo de todo o canal
horizontal (KLEIN, 2008).

4.4.1.4 Ensaio do cone de Abrams

4.4.1.4.1 Ensaio de abatimento de tronco de cone

O ensaio de abatimento de tronco de cone, também conhecido com slump test,


é muito usado no cotidiano devido à sua simplicidade de execução. Ele é usado para
determinar a consistência do concreto convencional, além de ser uma boa
ferramenta para o controle da qualidade do concreto, pois pode detectar pequenas
mudanças na composição da mistura, isto é, pode detectar variações no teor de
água a partir da especificação original (CASTRO, 2007).
Devido sua simplicidade e globalização, o método mais utilizado na
caracterização da consistência do concreto de alto desempenho também é o ensaio
de abatimento de tronco de cone (MARTINS, 2005). Aïtcin (2000) menciona certa
dificuldade na medição do abatimento do CAD, pois o abatimento do cone de
concreto é progressivo e algumas vezes é difícil de decidir quando medir a altura do
concreto que está se desfazendo, mas afirma que nenhum outro ensaio de
consistência possui uma metodologia tão simples que possa ser usado no campo.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 49

O equipamento utilizado consiste, basicamente, de um tronco de cone metálico


aberto em ambas as extremidades (cone de Abrams), uma placa metálica, onde o
molde é mantido apoiado e uma haste de socamento (Figura 11).

Figura 11 – Equipamento utilizado no ensaio de abatimento de tronco de cone

Fonte: NBR NM 67:1998 (ABNT, 1998)

No Brasil, este ensaio é regulamentado pela NBR NM 67:1998 – Concreto -


Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone (ABNT, 1998).
Para a execução do ensaio, a norma prescreve os seguintes passos:
1) colocar o molde sobre a placa metálica de base, após a correta limpeza e
umedecimento de ambos equipamentos. A placa base deve apoiar-se em
uma superfície rígida, plana e horizontal;
2) o molde é fixado através de suas aletas pelos pés do operador e preenchido
em três camadas de volume aproximadamente iguais, com o auxílio do
complemento tronco-cônico sendo que, na última camada, o concreto deve
preenchê-lo totalmente. Cada camada deve ser adensada com 25 golpes
uniformemente distribuídos aplicados com a haste de socamento e, durante
o adensamento das camadas restantes, a haste deve penetrar até que a
camada inferior subjacente seja atingida;
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 50

3) após o adensamento, retirar o complemento tronco-cônico e remover o


excesso de concreto com o auxílio da própria haste de socamento, que deve
respaldar a superfície do concreto, deslizando sobre as bordas do molde.
Imediatamente após, fazer a limpeza da placa metálica de base em torno do
molde;
4) retirar o molde do concreto, levantado-o cuidadosamente pelas alças na
posição vertical, com velocidade constante e uniforme, num tempo de 5 s a
10 s;
5) medir o abatimento do concreto, que corresponde à distância entre o plano
correspondente à base superior do molde e o centro da base superior da
amostra abatida, medida com régua metálica (Figura 12). Neste ensaio, a
tensão consiste no peso próprio do concreto por área. O concreto apenas se
move caso a tensão de escoamento seja excedida e, assim que a tensão
aplicada for menor que a tensão de escoamento do mesmo, ele estabiliza.

Figura 12 – Medida do abatimento do concreto

Fonte: NBR NM 67:1998 (ABNT, 1998)

Devido ao alto grau de coesão do CAD no estado fresco se fazem comuns


valores de abatimentos no tronco de cone de no mínimo 100 mm, chegando a até o
abatimento total, por volta dos 250 mm (MARTINS, 2005).
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 51

4.4.1.4.2 Ensaio de espalhamento

O ensaio de espalhamento, ou slump flow, busca avaliar a capacidade do


concreto auto adensável de fluir mediante a ação de seu peso próprio e, também,
realizar uma análise visual da ocorrência de segregação e exsudação no material.
Este ensaio é um dos mais utilizados para a caracterização do CAA, especialmente
devido à facilidade de execução. Porém, deve ser acompanhado de outros ensaios,
como o funil V e a caixa L, para descrever com precisão a qualidade do concreto
(MELO, 2005).
O ensaio de espalhamento é baseado no ensaio de abatimento de tronco de
cone, de modo que ambos os ensaios utilizam-se como equipamento o cone
Abrams. No ensaio de espalhamento, porém, devido à alta fluidez do concreto,
mede-se o espalhamento do concreto após a retirada do cone (KLEIN, 2008).
O equipamento utilizado consiste, basicamente, de um tronco de cone metálico
aberto em ambas as extremidades (cone de Abrams) e uma placa metálica
quadrada, onde o molde é mantido apoiado. Esta placa deve ser provida de duas
marcações circulares centradas com diâmetros de 200 mm e 500 mm (Figura 13).

Figura 13 – Equipamento utilizado no ensaio de espalhamento

Fonte: Klein (2008)

No Brasil, este ensaio é regulamentado pela NBR 15823-2:2010 – Concreto


auto-adensável - Parte 2: Determinação do espalhamento e do tempo de
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 52

escoamento - Método do cone de Abrams (ABNT, 2010). Para a execução do


ensaio, a norma prescreve os seguintes passos:
1) após a correta limpeza e umedecimento dos equipamentos, posicionar o
molde sobre a placa metálica de base, centrando-o na marcação circular de
diâmetro de 200 mm. A placa base deve apoiar-se em uma superfície rígida,
plana e horizontal;
2) o molde é fixado através de suas aletas pelos pés do operador e preenchido
totalmente sem adensamento, de forma contínua e uniforme;
3) após o preenchimento, retirar o complemento tronco-cônico e remover o
excesso de concreto da superfície com o auxílio da colher de pedreiro, que
deve respaldar a superfície do concreto, deslizando sobre a borda do molde.
Imediatamente após, fazer a limpeza da placa metálica de base em torno do
molde;
4) retirar o molde do concreto, levantado-o cuidadosamente pelas alças na
posição vertical, com velocidade constante e uniforme, num tempo não
superior a 5 s;
5) medir o espalhamento do concreto, que corresponde ao diâmetro final
alcançado pelo material, sendo este a média aritmética de dois diâmetros
perpendiculares (Figura 14).

Figura 14 – Medida do espalhamento do concreto

Fonte: Elaboração da própria autora

A classificação do concreto auto adensável em função do espalhamento,


conforme estabelecido na norma NBR 15823-1:2010 – Concreto auto-adensável -
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 53

Parte 1: Classificação, controle e aceitação no estado fresco (ABNT, 2010), é


apresentada a Tabela 3.

Tabela 3 – Classes de espalhamento (slump flow)


Classe Espalhamento (mm)

SF1 550 a 650

SF2 660 a 750

SF3 760 a 850


Fonte: NBR 15823-1:2010 (ABNT, 2010)

No ensaio de espalhamento é possível, também, medir o tempo que o concreto


leva para atingir o diâmetro de 500 mm (T500) marcado na placa metálica.
A avaliação visual de segregação é feita pela observação dos agregados
graúdos, que tendem a permanecer próximos ao centro quando a resistência à
segregação não é suficiente. Por fim, a exsudação é avaliada pela presença de uma
auréola de pasta ou argamassa em torno de todo o diâmetro do concreto (KLEIN,
2008).

4.4.2 Ensaios que medem os dois parâmetros reológicos

4.4.2.1 Reometria rotacional

A reometria rotacional é um ensaio realizado com a utilização de reômetros. Os


reômetros são equipamentos dedicados à avaliação de propriedades reológicas de
fluidos e suspensões. Eles permitem estudar o comportamento da viscosidade e da
tensão de escoamento dos materiais.
Os ensaios reométricos plotam as curvas de escoamento (tensão de
cisalhamento versus taxa de deformação) e de viscosidade (viscosidade versus taxa
de deformação), chamadas também de reogramas. A partir dos reogramas torna-se
possível a caracterização reológica dos materiais.
Os reômetros fornecem os dois parâmetros fundamentais para a descrição do
comportamento reológico, a viscosidade e a tensão de escoamento (BAUER, 2006).
São equipamentos que fornecem muito mais informações do que os ensaios
convencionais, as informações obtidas são mais objetivas, uma vez que o ensaio é
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 54

totalmente automatizado e controlado por computador (DE LARRARD et al., 1996


apud CASTRO, 2007).
Há uma grande variedade de reômetros rotacionais, sendo os mais comuns os
reômetros do tipo cilindros coaxiais, cone e placa e placas paralelas (Figura 15).
Reômetro tipo cilindros coaxiais: equipamento formado por um cilindro
interno (spindle) e outro externo (copo). O fluido preenche o espaço entre os dois
cilindros e é submetido a um cisalhamento por tempo determinado. A distância entre
os cilindros é constante, assim, os ensaios ficam limitados aos materiais que contêm
tamanho de partícula menor do que 1/3 do tamanho dessa distância (SCHRAMM,
2006).
Reômetro tipo cone e placa: equipamento constituído de uma placa plana
horizontal e um cone invertido, cujo vértice encontra-se muito próximo à placa. O
reômetro tipo cone e placa é recomendado para materiais com alta viscosidade e
sem partículas granulares (SCHRAMM, 2006).
Reômetro tipo placas paralelas: equipamento composto por duas placas
paralelas em forma de disco, com certa distância entre elas. O reômetro tipo placas
paralelas é indicado para materiais não homogêneos, com partículas grandes. A
altura entre as placas deve ser pelo menos três vezes maior que o tamanho da
maior partícula do material (SCHRAMM, 2006).

Figura 15 – Principais tipos de reômetros rotacionais

Fonte: Adaptado de Koehler e Fowler (2004)

Entre as técnicas de ensaio com reômetros para medir a tensão de


escoamento e a viscosidade de um fluido, também pode ser utilizado o sistema
Vane, que é um dispositivo vantajoso para ensaios com fluidos de partículas maiores
que as especificadas para ensaios no reômetro tipo cilindros coaxiais (VITA, 2011).
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 55

A palheta do Vane é caracterizada por possuir uma superfície plana de medição que
essencialmente se fixa no material amostrado e efetivamente o empurra conforme o
movimento de rotação ocorre. Na realização do ensaio deve-se inserir no material a
palheta respeitando-se as limitações dimensionais, conforme exposto na Figura 16
(HOPPE FILHO et al., 2006).

Figura 16 – Representação esquemática do sistema Vane

Fonte: Hoppe Filho et al. (2006)

Quando a dimensão máxima de uma partícula é pequena, como no caso das


pastas de cimento, o ensaio reométrico pode ser feito em um reômetro tipo cilindros
coaxiais. As argamassas, compostas por partículas maiores, podem ser ensaiadas
com o sistema Vane.
No caso dos concretos, a caracterização reológica encontra algumas
dificuldades devido às grandes partículas de agregado graúdo, que impedem o uso
de reômetros tradicionais. Porém, reômetros com dimensões suficientemente
grandes têm sido desenvolvidos, possibilitando a caracterização reológica desses
materiais (CASTRO; LIBORIO; PANDOLFELLI, 2009).
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 56

Capítulo
5
EMPACOTAMENTO DE PARTÍCULAS

5.1 DEFINIÇÃO DE EMPACOTAMENTO DE PARTÍCULAS

O empacotamento de partículas foi estudado pela primeira vez em 1611 por


Kepler e advém de diversos campos de conhecimento (RIVA, 2010). Ele desperta o
interesse nas diferentes áreas da engenharia, podendo ser explicado pelo fato de
que uma grande parte dos materiais naturais ou industriais são, ou contém,
partículas de diferentes formas e tamanhos. As “partículas” são consideradas como
os grãos de agregados, minerais, metais ou pós químicos, solos, moléculas ou
rochas (STROEVEN; STROEVEN, 1999).
McGeary (1961 apud OLIVEIRA et al., 2000), definiu o estudo de
empacotamento de partículas como “o problema da correta seleção da proporção e
do tamanho adequado dos materiais particulados, de forma que os vazios maiores
sejam preenchidos com partículas menores, cujos vazios serão novamente
preenchidos com partículas ainda menores e assim sucessivamente”.
O termo empacotamento pode ser representado quantitativamente pela
densidade de empacotamento, definida como o volume de sólido em uma unidade
de volume total (MEHTA; MONTEIRO, 2008).
Segundo Riva (2010), existem dois casos extremos de possíveis
empacotamentos, podendo-se referir a um sistema constituído de partículas de um
único tamanho, proporcionando um estado de densidade mínima, chamado de
monodisperso, e a um sistema possuindo uma distribuição gradual de tamanho de
partículas, onde as partículas menores preenchem os espaços vazios entre as
partículas maiores em uma sucessão ideal, que irá proporcionar um estado de
densidade máxima, chamando de polidisperso (Figura 17).
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 57

Figura 17 – Efeito da quantidade e do tamanho de partículas na eficiência de


empacotamento: (a) mínima densidade de empacotamento; (b) máxima densidade
de empacotamento; (c) deficiência de partículas pequenas; (d) deficiência de
partículas grandes; (e) distribuição inadequada de tamanhos de partículas.

Fonte: Roy, Scheetz e Silsbee (1993)

No estudo do empacotamento de partículas, Oliveira et al. (2000), baseado no


trabalho de Funk e Dinger (1992), cita alguns conceitos:
 Monodispersão: partículas de um único tamanho, tanto esféricas como não
esféricas. Dificilmente se produz uma monodispersão real;
 Tamanhos Discretos: todas as partículas que pertencem a uma pequena
faixa granulométrica ou que pertencem a uma classe única em um
analisador de partículas;
 Polidispersões: uma mistura de duas ou mais monodispersões ou tamanhos
discretos;
 Distribuição Granulométrica Descontínua: a faixa de distribuição de
tamanhos não apresenta determinados tamanhos de partículas, ou seja,
existem intervalos;
 Distribuição Granulométrica Contínua: a faixa de distribuição de tamanhos é
contínua em toda a sua extensão (ausência de intervalos);
 Eficiência de Empacotamento (Pe): volume realmente ocupado pelas
partículas em relação ao volume total do sistema (partículas mais
porosidade), em porcentagem (%);
 Fator de Empacotamento:
 Porosidade: volume de vazios entre as partículas:
 Volume Aparente:
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 58

 Densidade Relativa de Empacotamento: é a relação entre a massa do sólido


dividida pelo volume total do sistema (partículas + porosidade) e massa do
sólido dividida pelo volume realmente ocupado pelo sólido.

5.2 FATORES QUE INFLUENCIAM O EMPACOTAMENTO DE PARTÍCULAS

De uma forma geral, os empacotamentos aleatórios de monodispersões


esféricas sempre ocorrem com o mesmo fator de empacotamento (Pf = 0,60 - 0,64),
porém uma série de fatores pode alterar essa condição (OLIVEIRA et al., 2000).
Segundo Oliveira et al. (2000), o empacotamento de partículas pode ser
influenciado por diversos fatores, como:
 Distribuição granulométrica: o primeiro fator a ser considerado é a existência
de partículas com distribuições granulométricas diversas, alterando a
condição de monodispersão, podendo obter sistemas com fatores de
empacotamento bastante elevados, próximos de 1, até misturas onde esse
fator se aproxima do nível das monodispersões. Nas monodispersões, se os
vazios existentes entre as partículas forem preenchidos por partículas
menores que os mesmos ocorrerá uma diminuição da porosidade e um
aumento da densidade de empacotamento. Se forem, no entanto,
introduzidas partículas maiores que os vazios existentes, poderá ocorrer um
aumento da porosidade e uma diminuição da densidade de empacotamento.
Assim, a distribuição granulométrica do sistema determina o aumento ou não
da densidade de empacotamento, como observado na Figura 17;
 Morfologia (forma): quanto menos esférica for a partícula, menor será a
densidade de empacotamento de uma distribuição que a contenha, pois
ocorre o atrito entre as partículas a partir do contato das suas superfícies
irregulares. Quanto menor o tamanho das partículas irregulares, maior é a
área superficial específica, assim maior será esse efeito;
 Porosidade interna das partículas: as partículas podem ser totalmente
densas, com porosidade interna fechada ou com porosidade aberta. Para se
obter um empacotamento de máxima densidade, considerando uma
determinada distribuição granulométrica, é preciso utilizar partículas densas,
contudo essas partículas não são as mais usuais. As partículas que
apresentam porosidade interna fechada são semelhantes às densas, para
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 59

efeito de distribuição granulométrica, porém produzem misturas com


densidade de empacotamento menor. As partículas que apresentam
porosidade aberta, devido ao seu formato irregular, causam alteração no
empacotamento e resultam em misturas com menores densidades de
empacotamento;
 Densidade das partículas: se existir uma acentuada diferença de densidade
entre os componentes de uma mistura, o processo de compactação deve ser
muito cuidadoso para evitar segregações. Este fenômeno pode provocar
gradientes de densidade de empacotamento na mistura, prejudicando o seu
desempenho;
 Efeito de parede: o efeito de parede interfere no empacotamento quando a
relação entre os diâmetros das partículas seja tal que permita a uma
partícula pequena considerar a superfície de contato com a partícula maior
como praticamente plana (parede), fazendo com que a porosidade na região
próxima à superfície das partículas grandes seja maior que no restante do
volume. Este feito também pode ocorrer em regiões próximas à fôrma e à
armadura. O efeito de parede deixa de ser considerável quando a razão
entre os diâmetros for superior a dez;
 Técnica de compactação: para que o sistema consiga atingir seu máximo
empacotamento deve ser considerada a forma como as partículas são
colocadas em suas posições de equilíbrio. No empacotamento de camadas
sucessivas, as camadas monodispersas apresentam o mesmo fator de
empacotamento e a mistura de vários diâmetros não contribui para o
preenchimento dos vazios existentes entre as partículas, porém, quando as
partículas menores ocupam os vazios entre as partículas maiores, o
empacotamento é otimizado, diminuindo a porosidade da mistura. Assim,
para uma mesma distribuição granulométrica, empacotamentos diferentes
podem ser gerados dependendo da técnica de compactação empregada;
 Estado de dispersão das partículas: o estado de dispersão das partículas
deve ser considerado quando se busca um empacotamento máximo. A
dispersão inadequada de partículas pode modificar a curva de distribuição
granulométrica inicialmente prevista, pois as partículas mais finas podem
formar aglomerados, aumentando o diâmetro mínimo efetivo da composição,
reduzindo, assim, a densidade de empacotamento. Além disso, os
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 60

aglomerados formados apresentam grandes quantidades de vazios que


causam poros na microestrutura, prejudicando o desempenho mecânico do
material.

5.3 MODELOS DE EMPACOTAMENTO DE PARTÍCULAS

Os estudos teóricos e experimentais relacionados ao empacotamento de


partículas resultaram de duas abordagens básicas: uma discreta, que considera as
partículas individualmente; e outra contínua, que trata as partículas como
distribuições contínuas (OLIVEIRA et al., 2000).
Existem vários modelos de empacotamento de partículas, tanto discretos como
contínuos, entretanto, os modelos de Furnas (abordagem discreta) e Andreasen
(abordagem contínua) são considerados como os mais consistentes e fundamentais.
O modelo de Alfred é um aprimoramento dos modelos citados anteriormente, o qual
mostra que, na realidade os modelos de Furnas e Andreasen, podem ser
visualizados como duas formas distintas de se expressar a mesma coisa (OLIVEIRA
et al., 2000).
A seguir são apresentados os principais modelos de empacotamento de
partículas baseados na distribuição granulométrica, segundo Oliveira et al. (2000).

5.3.1 Modelo de Furnas

No modelo de Furnas a distribuição de partículas é tratada como distribuições


discretas e o empacotamento máximo ocorre quando os vazios existentes entre as
partículas maiores são totalmente preenchidos pelas partículas menores.
Furnas provou que as proporções dos vários tamanhos de partículas
envolvidas em uma distribuição de máxima densidade de empacotamento formam
uma progressão geométrica. Assim, generalizou sua teoria para qualquer mistura
com vários diâmetros discretos:

onde é a porcentagem acumulada de partículas menores que , é o


diâmetro da partícula, é o diâmetro da menor partícula, é o diâmetro da maior
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 61

partícula e é a razão entre o volume de partículas entre duas malhas de peneiras


consecutivas.
A Figura 18 apresenta graficamente o modelo de Furnas para o
empacotamento ideal de partículas.

Figura 18 – Distribuição granulométrica segundo o modelo de Furnas

Fonte: Watanabe, Ishikawa e Wakamatsu (1989 apud OLIVEIRA et al., 2000)

5.3.2 Modelo de Andreasen

No modelo de Andreasen a distribuição de partículas é tratada como


distribuições contínuas, pois em distribuições reais de partículas todos os diâmetros
podem estar presentes.
Andreasen descreveu que o empacotamento ideal de partículas possui
condições de similaridade em torno de duas partículas com tamanhos muito
diferentes. Essa condição de similaridade define a distribuição de tamanho de
partículas em termos de uma lei de potências:

onde é o módulo ou coeficiente de distribuição.


No modelo de Andreasen, o coeficiente 0,37 proporciona máximo
empacotamento teoricamente possível, porém isso só ocorre quando 0, o que,
na prática, não se verifica. Assim, em sistemas reais deve-se utilizar o menor
possível para maximizar o empacotamento.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 62

A Figura 19 apresenta graficamente o modelo de Andreasen para


empacotamentos com diferentes coeficientes de distribuição.

Figura 19 – Distribuições granulométricas segundo o modelo de Andreasen

Fonte: Oliveira et al. (2000)

5.3.3 Modelo de Alfred

Após uma extensa análise comparativa entre os modelos de Furnas e


Andreasen, algumas considerações foram feitas, ficando provado que os modelos
convergem matematicamente para uma mesma equação, conhecida como modelo
de Alfred:

Nessa equação, o conceito do tamanho mínimo de partículas ( ), que não era


considerado no modelo de Andreasen, é introduzido, além de realizar uma revisão
matemática do modelo de Furnas.
A Figura 20 apresenta graficamente o modelo de Alfred para o empacotamento
ideal de partículas.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 63

Figura 20 – Distribuição granulométrica segundo o modelo de Alfred

Fonte: Oliveira et al. (2000)

Existem diferenças consideráveis entre os modelos apresentados


anteriormente. Quando se compara as densidades obtidas experimentalmente a
partir desses modelos, a eficiência de empacotamento resultante das diversas
distribuições de máxima densidade é apresentada conforme a sequência: Alfred >
Andreasen > Furnas.

5.4 EMPACOTAMENTO DE PARTÍCULAS PARA A PRODUÇÃO DE CONCRETO

O empacotamento de partículas é de interesse na obtenção de concretos,


misturas asfálticas, cerâmicas estruturais, revestimentos isolantes térmicos, entre
outros exemplos. No concreto, o empacotamento de partículas foi investigado pela
primeira vez em 1892 por Féret. Desde então, alguns modelos de empacotamento,
como os modelos de Furnas, Andreasen e Alfred, têm sido propostos para otimizar
os componentes granulares do concreto (CASTRO; PANDOLFELLI, 2009).
Segundo Castro, Liborio e Pandolfelli (2009), os concretos dosados com base
nos conceitos de empacotamento de partículas, quando comparados com os
concretos dosados sem esses conceitos, apresentam propriedades superiores. No
estado fresco apresentam-se trabalháveis por um período de tempo maior, sem a
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 64

necessidade da incorporação de aditivos retardadores e no estado endurecido esses


concretos possuem uma melhor resistência mecânica na idade de 28 dias.
As vantagens obtidas pelo empacotamento de partículas, principalmente de
agregados graúdos, são melhorias na resistência, rigidez, fluência, retração por
secagem e permeabilidade (JOHANSEN; ANDERSEN, 1991 apud KOEHLER;
FOWLER, 2007). A utilização de maior densidade de empacotamento acompanhada
de granulometria contínua e menores diferenças de tamanho entre as partículas nas
diversas graduações resulta na redução da segregação (DE LARRARD, 1999 apud
KOEHLER; FOWLER, 2007).
É importante destacar que os conceitos de empacotamento de partículas não
são aplicáveis apenas aos agregados, mas pode ser estendidos a todas as
partículas (REBMANN, 2011). A consideração dos finos inclusive é recomendada,
pois a presença destes pode alterar o empacotamento dos agregados (DE
LARRARD, 1999 apud KOEHLER; FOWLER, 2007). No concreto a fase sólida tem
dois tipos de partículas: as aglomerantes, que aumentam o volume dos sólidos ao
incorporar água nas reações químicas de hidratação, e as teoricamente inertes ou
pouco reativas, que são os agregados e as adições minerais (PEREIRA, 2010).
Segundo Pereira (2010), a aplicação dos conceitos de empacotamento de
partículas no concreto é interessante, pois a distribuição granulométrica (distribuição
de tamanho de partículas) define a porosidade do sistema, com repercussão na
composição do concreto. Para Castro e Pandolfelli (2009), a fluidez do concreto
depende da distribuição granulométrica, do índice de forma e da textura superficial
das partículas. Assim, a distribuição de tamanho de partículas é de grande
importância para promover o empacotamento e, juntamente com o fluido, define as
propriedades reológicas do material no estado fresco.
Na prática uma das formas de se determinar o melhor empacotamento de
partículas é o estabelecimento de curvas granulométricas ideais por meio dos
modelos de empacotamento. Tendo-se uma curva destas, basta buscar uma
combinação entre as partículas disponíveis de forma a se aproximar o máximo
possível desta curva ideal, para isso, técnicas simples de otimização computacional
podem ser utilizadas (REBMANN, 2011).
Entre os modelos de empacotamento de partículas baseados na distribuição
granulométrica, o modelo de Alfred se destaca na dosagem de concretos por possuir
maior eficiência de empacotamento e ser mais condizente com sistemas
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 65

particulados reais. No caso da abordagem por curvas ideais, ajustes no coeficiente


de distribuição ( ) são recomendados.
No modelo de Alfred, por meio de simulações computacionais, foi concluído
que valores do coeficiente de distribuição ( ) menores ou iguais a 0,37 podem
favorecer o empacotamento máximo para distribuições infinitas, enquanto que para
valores acima de 0,37, sempre haverá uma porosidade residual. Para produzir uma
mistura com boa fluidez, o valor do coeficiente de distribuição deve ser menor que
0,30. Assim, valores de próximos a 0,30 produzem concretos adensados sob
vibração, enquanto que valores menores que 0,25 resultam em concretos auto
adensáveis. O efeito da redução do valor do coeficiente de distribuição se dá no
aumento da quantidade de finos, que influencia a interação entre as partículas
(VANDERLEI, 2004).
Os conceitos de empacotamento de partículas, apesar de serem utilizados em
aplicações especiais, são pouco conhecidos pela maioria dos engenheiros atuantes
na construção civil, principalmente no Brasil. Desta forma, os conhecimentos de
empacotamento aplicados aos concretos resultam em um novo processo de
dosagem baseado nos conceitos mais fundamentais, mostrando ser uma alternativa
muito eficiente em comparação aos métodos existentes (CASTRO; PANDOLFELLI,
2009).

.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 66

Capítulo
6
PROGRAMA EXPERIMENTAL

O Capítulo 6 apresenta o programa experimental desenvolvido na presente


pesquisa, que consiste na escolha e caracterização dos materiais utilizados na
elaboração dos concretos, dosagem dos concretos de alto desempenho e auto
adensável com base nos conceitos de reologia e de empacotamento de partículas,
caracterização reológica das pastas de cimento e das argamassas provenientes
desses concretos, avaliação da resistência mecânica e da viabilidade econômica
dos concretos.
O trabalho experimental foi desenvolvido no Laboratório de Engenharia Civil da
Universidade Estadual Paulista (UNESP) na cidade de Ilha Solteira/SP, junto ao
grupo de pesquisa RMVP (Reologia de Materiais Viscosos e Viscoplásticos).
A seguir, um esquema do procedimento experimental empregado é
apresentado (Figura 21).

Figura 21 – Esquema do procedimento experimental usado na presente pesquisa


Composição
Dosagem dos concretos com Estudo reológico da Otimização da do CAD
base nos conceitos de pasta de cimento e adição mineral e
reologia da argamassa do aditivo químico Composição do
CAA (VITA, 2011)

Composição
Dosagem dos concretos com Distribuições de Otimização dos do CAD
base nos conceitos de tamanho de componentes
empacotamento de partículas partículas particulados Composição
do CAA

Caracterização reológica das


pastas de cimento e
argamassas Parâmetros reológicos
Análise e comparação
verificando a influência do
Resistências à empacotamento de partículas
Avaliação da resistência
mecânica dos concretos compressão

Avaliação da viabilidade
econômica dos concretos
Fonte: Elaboração da própria autora
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 67

6.1 SELEÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS

6.1.1 Cimento

O cimento selecionado foi o cimento Portland composto com escória granulada


de alto forno e classe de resistência de 32 MPa aos 28 dias (CP II E 32) fabricado
pela empresa Holcim Brasil S.A. (Figura 22). A caracterização desse cimento se deu
por meio dos ensaios de análise química, granulometria a laser, massa unitária,
massa específica, área superficial específica Blaine, tempos de início e fim de pega
e resistência à compressão, todos prescritos por norma, conforme indicado no
apêndice A.1.

Figura 22 – Cimento Portland utilizado na pesquisa

Fonte: Elaboração da própria autora

6.1.2 Agregado miúdo

Foram selecionados dois agregados miúdos com granulometrias diferentes: a


areia média proveniente da região Noroeste Paulista e a areia industrial (AG 80-100)
disponível comercialmente pela Mineração Jundu Ltda. (Figura 23). A areia média foi
caracterizada por meio dos ensaios de granulometria, massa unitária, massa
específica, absorção e teor de materiais pulverulentos, prescritos por norma,
conforme indicado no apêndice A.2.1. A caracterização da areia industrial (AG 80-
100) se deu por meio dos ensaios de granulometria, massa unitária e massa
específica, prescritos por norma, conforme indicado no apêndice A.2.2.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 68

Figura 23 – Agregados miúdos: (a) areia média e (b) AG 80-100

Fonte: Elaboração da própria autora

6.1.3 Agregado graúdo

Foram selecionados três agregados graúdos com granulometrias diferentes: a


brita basáltica (graduada como brita 1) provenientes da região Noroeste Paulista,
pedrisco e pó de pedra (Figura 24). A caracterização da brita 1 foi realizada segundo
os ensaios de granulometria, massa unitária, massa específica, absorção e teor de
materiais pulverulentos, prescritos por norma, conforme indicado no apêndice A.3.1.
O pedrisco e pó de pedra foram caracterizados por meio dos ensaios de
granulometria, massa específica e absorção, prescritos por norma, conforme
indicado no apêndice A.3.2 e A.3.3, respectivamente.

Figura 24 – Agregados graúdos: (a) brita 1, (b) pedrisco e (c) pó de pedra

Fonte: Elaboração da própria autora

6.1.4 Adição mineral

Foram selecionadas duas adições minerais com granulometrias diferentes: a


sílica ativa não densificada obtida a partir da fabricação de silício metálico ou de
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 69

ligas de ferro-silício (MS 920U) da empresa Elkem Materials South America Ltda. e a
sílica moída obtida a partir de matérias-primas de qualidade superior (SM 200)
disponível comercialmente pela Mineração Jundu Ltda. (Figura 25). A sílica ativa foi
caracterizada a partir dos ensaios de granulometria a laser e massa específica,
prescritos por norma, e outras características relevantes fornecidas pelo fabricante,
conforme indicado no apêndice A.4.1. A caracterização da SM 200 se deu por meio
dos ensaios de granulometria a laser, massa unitária e massa específica, prescritos
por norma, conforme indicado no apêndice A.4.2.

Figura 25 – Adições minerais: (a) sílica ativa e (b) SM 200

Fonte: Elaboração da própria autora

6.1.5 Aditivo químico

O aditivo químico selecionado foi o superplastificante de terceira geração à


base de éter policarboxílico (ADVA™ 175) fabricado pela empresa Grace
Construction Products. As características do aditivo, como aparência, pH e
densidade, foram fornecidas pelo fabricante, conforme indicado no apêndice A.5.

6.1.6 Água de amassamento

Foi utilizada água proveniente da rede pública de abastecimento da cidade de


Ilha Solteira/SP. Esta água é considerada adequada para o uso em concretos e não
necessitando ser ensaiada, segundo a NBR 15900-1:2009 – Água para
amassamento do concreto - Parte 1: Requisitos (ABNT, 2009).
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 70

6.2 DOSAGEM DOS CONCRETOS COM BASE NOS CONCEITOS DE


REOLOGIA

6.2.1 Dosagem do concreto de alto desempenho

6.2.1.1 Composição inicial do concreto de alto desempenho

A composição inicial do concreto de alto desempenho adotada na presente


pesquisa (Tabela 4) foi baseada na composição utilizada por Reis (2008). A única
alteração feita inicialmente foi o tipo de cimento utilizado, Reis (2008) utilizou o CPV
ARI Plus e nesta pesquisa foi utilizado o CP II E 32.
Para a produção do CAD, os materiais utilizados foram: água, cimento, sílica
ativa (MS 920U), agregado graúdo (brita 1), agregado miúdo (areia média) e aditivo
superplastificante.

Tabela 4 – Composição inicial do concreto de alto desempenho


Adição Agregado Agregado
Relação mineral graúdo miúdo Aditivo
Água Cimento
água/aglomerante 3 3
Areia Superplastificante
(kg/m ) (kg/m ) Sílica ativa Brita 1 3
(kg/kg) média (kg/m )
3 3
(kg/m ) (kg/m ) 3
(kg/m )

0,31 160,1 466,7 51,8 1088,6 763,1 5,16

Fonte: Elaboração da própria autora

6.2.1.2 Estudo reológico da pasta de cimento

O estudo reológico da pasta de cimento teve como objetivo determinar o teor


ótimo de sílica ativa incorporada à mistura, sem que houvesse interferência deste
teor nas propriedades de fluidez e coesão da pasta.
Os ensaios realizados nesta etapa foram: ensaio de fluidez com cone de Marsh
e ensaio reométrico. A temperatura e a umidade relativa do ar durante os ensaios
foram mantidas por volta de (24 ± 1)°C e (40 ± 10)%, com o auxilio de um relógio
termo-higrômetro.
A composição da pasta de cimento foi extraída da composição inicial do
concreto de alto desempenho, porém para a realização dos ensaios reológicos
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 71

foram elaboradas sete composições, variando-se apenas a porcentagem de sílica


ativa em relação à massa de cimento. As porcentagens de sílica ativa usadas foram
de 8%, 9%, 10%, 11% (composição inicial), 12%, 13% e 14%.
O procedimento de mistura da pasta de cimento foi realizado conforme a
sequência a seguir:
1) umedecer a cuba da argamassadeira;
2) adicionar o cimento, a sílica ativa e a água, e misturar por 0,5 minuto na
velocidade 1 e 2,5 minutos na velocidade 2;
3) interromper o processo por 3 minutos para o repouso da pasta, e durante
este tempo realizar a limpeza dos materiais acumulados na pá e nas
paredes da cuba;
4) ligar a argamassadeira por 1 minuto na velocidade 1 e logo após incorporar
à mistura o aditivo superplastificante e misturar por mais 5 minutos na
velocidade 2.
Para cada uma das composições, após 5, 15 e 30 minutos do instante de
incorporação do aditivo superplastificante à mistura, realizou-se o ensaio de fluidez
com cone de Marsh (Figura 26) para determinar o tempo de escoamento da pasta,
conforme a NBR 7682:1983 – Calda de cimento para injeção - Determinação do
índice de fluidez (ABNT, 1983) (versão da norma vigente na época do ensaio),
usando o procedimento proposto por Roncero (2000). Em seguida, foi realizado o
ensaio reométrico para determinar os parâmetros reológicos fundamentais –
viscosidade e a tensão de escoamento – da pasta. O reômetro utilizado foi o
Reômetro R/S de cilindros coaxiais da empresa Brookfield Engineering (Figura 27).
O spindle escolhido para o ensaio da pasta foi o CC45.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 72

Figura 26 – Cone de Marsh utilizado na pesquisa

Fonte: Elaboração da própria autora

Figura 27 – Reômetro R/S e os cilindros coaxiais


(o primeiro cilindro coaxial corresponde ao utilizado no ensaio da pasta – CC45)

Fonte: Elaboração da própria autora


Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 73

6.2.1.3 Estudo reológico da argamassa

Finalizado o estudo da pasta de cimento, iniciou-se o estudo reológico da


argamassa, utilizando o teor ótimo de sílica ativa encontrado no estudo anterior.
Esta etapa teve como objetivo determinar o teor ótimo de aditivo superplastificante.
Os ensaios empregados foram os mesmos realizados no estudo da pasta, ou
seja, o ensaio de fluidez com cone de Marsh e o ensaio reométrico. A temperatura e
a umidade relativa do ar durante os ensaios também foram mantidas por volta de
(24 ± 1)°C e (40 ± 10)%, com o auxilio de um relógio termo-higrômetro.
A composição da argamassa também foi extraída da composição do concreto
de alto desempenho e o teor de sílica ativa foi ajustado conforme o resultado obtido
no estudo da pasta. Porém, para a realização dos ensaios foram elaboradas seis
composições, variando-se apenas a porcentagem de aditivo superplastificante em
relação à massa de cimento. As porcentagens de superplastificante usadas foram de
0,8%, 1%, 1,1% (composição inicial), 1,2%, 1,4% e 1,6%.
O procedimento de mistura da argamassa foi realizado conforme a sequência a
seguir:
1) umedecer a cuba da argamassadeira;
2) adicionar o agregado miúdo e a metade da água, e misturar por 0,5 minuto
na velocidade 1 e 0,5 minutos na velocidade 2;
3) adicionar o cimento, a sílica ativa e o restante da água, e misturar por 0,5
minuto na velocidade 1 e 2,5 minutos na velocidade 2;
4) interromper o processo por 3 minutos para o repouso da argamassa, e
durante este tempo realizar a limpeza dos materiais acumulados na pá e nas
paredes da cuba;
5) ligar a argamassadeira por 1 minuto na velocidade 1 e logo após incorporar
à mistura o aditivo superplastificante e misturar por mais 5 minutos na
velocidade 2.
Para cada uma das composições, após 5, 30 e 60 minutos do instante de
incorporação do aditivo superplastificante à mistura, realizou-se o ensaio de fluidez
com cone de Marsh e o ensaio reométrico, para determinar o tempo de escoamento
da argamassa e dos parâmetros reológicos fundamentais, respectivamente. O
reômetro empregado foi o mesmo utilizado no estudo da pasta, porém como a
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 74

argamassa é composta por partículas maiores foi utilizado o sistema Vane (Figura
28). A palheta escolhida para o ensaio da argamassa foi a 40/20.

Figura 28 – Reômetro R/S e as palhetas do sistema Vane


(a segunda palheta corresponde à utilizada no ensaio da argamassa – 40/20)

Fonte: Elaboração da própria autora

6.2.1.4 Composição definitiva do concreto de alto desempenho

A composição inicial do concreto foi ajustada após a determinação dos teores


ótimos de sílica ativa e de aditivo superplastificante por meio do estudo reológico da
pasta de cimento e da argamassa, respectivamente, o que permitiu determinar a
composição definitiva do concreto de alto desempenho.
O procedimento de mistura do concreto de alto desempenho foi realizado
conforme a sequência a seguir:
1) umedecer a betoneira;
2) adicionar o agregado graúdo, o agregado miúdo e a metade da água, e
misturar por 1 minuto;
3) adicionar o cimento, a sílica ativa e o restante da água, e misturar por 3
minutos;
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 75

4) interromper o processo por 3 minutos para o repouso do concreto, e durante


este tempo realizar a limpeza dos materiais acumulados nas pás e nas
paredes da betoneira;
5) ligar a betoneira e incorporar à mistura o aditivo superplastificante e misturar
por mais 5 minutos.
Após a produção do concreto foram realizados os ensaios de abatimento de
tronco de cone e de resistência à compressão para verificar se as propriedades
reológicas e mecânicas da composição definitiva estavam de acordo com as
especificadas para um concreto de alto desempenho.
O ensaio de abatimento de tronco de cone foi realizado conforme a NBR NM
67:1998 – Concreto - Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de
cone (ABNT, 1998), o valor do abatimento inicialmente proposto para o concreto de
alto desempenho foi 160 mm ± 20 mm. O ensaio de resistência à compressão foi
realizado conforme NBR 5739:2007 – Concreto – Ensaios de compressão de corpos
de prova cilíndricos (ABNT, 2007), a resistência à compressão do concreto de alto
desempenho foi avaliada nas idades 3, 7 e 28 dias.

6.2.2 Dosagem do concreto auto adensável

A dosagem do concreto auto adensável com base nos conceitos de reologia


usada nesta dissertação foi realizada por Vita (2011). O procedimento experimental
para a dosagem do CAA foi baseado no método Repette-Melo, de modo sucinto
foram realizadas as seguintes etapas: determinação da relação água/cimento em
função da resistência à compressão; estudo reológico da pasta de cimento utilizando
o ensaio de fluidez e o ensaio reométrico, com o objetivo de determinar o teor ótimo
de sílica ativa; estudo reológico da argamassa utilizando o ensaio de fluidez, ensaio
de espalhamento e o ensaio reométrico, com o objetivo de determinar os teores
ótimos de aditivo superplastificante e de agregado miúdo; e determinação da
composição definitiva do concreto auto adensável, quando foram realizados os
ensaios de espalhamento, funil V, caixa L e de resistência à compressão visando
verificar se as propriedades reológicas e mecânicas da composição definitiva
estavam de acordo com as especificadas para um concreto auto adensável.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 76

Para a produção do CAA, os materiais, os procedimentos de mistura e os


equipamentos empregados foram os mesmos utilizados na dosagem do concreto de
alto desempenho com base nos conceitos de reologia (item 6.2.1).
Outras informações sobre o procedimento de dosagem do CAA com base nos
conceitos de reologia são encontradas no trabalho de Vita (2011).

6.3 DOSAGEM DOS CONCRETOS COM BASE NOS CONCEITOS DE


EMPACOTAMENTO DE PARTÍCULAS

Para a produção dos concretos de alto desempenho e auto adensável com


base nos conceitos de empacotamento de partículas foram realizadas as etapas
apresentadas a seguir.

6.3.1 Distribuição granulométrica

Por meio dos ensaios de granulometria, apresentados no item 6.1, foi


determinada a distribuição granulométrica dos materiais (% retida versus diâmetro) e
com base nesta distribuição foi possível verificar a ausência de determinados
tamanhos de partículas, assim novos materiais foram selecionados – pedrisco, pó de
pedra, AG 80-100 e SM 200 – a fim de melhorar o empacotamento das partículas.

6.3.2 Empacotamento de partículas: programa computacional fundamentado


no modelo de Alfred

O empacotamento do sistema granular dos concretos foi realizado a partir de


um programa computacional fundamentado no modelo de Alfred, sendo
estabelecidos inicialmente os valores do coeficiente de distribuição, para o concreto
de alto desempenho 0,29 e para o concreto auto adensável 0,25.
Para dosar os concretos de alto desempenho e auto adensável com base nos
conceitos de empacotamento de partículas, foi inserida no programa computacional
a distribuição granulométrica de todos os materiais selecionados, e respeitando os
valores do coeficiente de distribuição estabelecidos inicialmente, foram geradas as
curvas de distribuição granulométrica dos concretos. Essas curvas foram ajustadas
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 77

à curva de distribuição teórica do modelo de Alfred, determinando, assim, a


quantidade de cada material particulado para os concretos.

6.3.3 Composições definitivas dos concretos

Após a determinação do sistema granular que compõe cada mistura de


concreto, por meio do empacotamento de partículas, foram determinadas as
composições definitivas dos concretos de alto desempenho e auto adensável.

6.3.3.1 Composição definitiva do concreto de alto desempenho

Para a determinação da composição definitiva do CAD, a quantidade de água


foi mantida fixa e o teor de ótimo de aditivo superplastificante foi determinado
realizando sucessivas adições de aditivo até que o valor do abatimento do concreto
estivesse dentro do inicialmente proposto.
O procedimento de mistura e os equipamentos empregados para a produção
do CAD foram os mesmos utilizados na dosagem do concreto de alto desempenho
com base nos conceitos de reologia (item 6.2.1).
Após a produção do concreto foram realizados os ensaios de abatimento de
tronco de cone e de resistência à compressão para verificar se as propriedades
reológicas e mecânicas da composição definitiva estavam de acordo com as
especificadas para um concreto de alto desempenho. Foi também realizado o ensaio
de massa específica para determinar a composição do concreto em kg/m3.
O ensaio de abatimento de tronco de cone foi realizado conforme a NBR NM
67:1998 – Concreto - Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de
cone (ABNT, 1998), o valor do abatimento inicialmente proposto para o concreto de
alto desempenho foi 160 mm ± 20 mm. O ensaio de resistência à compressão foi
realizado conforme NBR 5739:2007 – Concreto - Ensaios de compressão de corpos
de prova cilíndricos (ABNT, 2007), a resistência à compressão do concreto de alto
desempenho foi avaliada nas idades 3, 7 e 28 dias. O ensaio de massa específica
foi realizado segundo a NBR 9833:2008 – Concreto fresco - Determinação da massa
específica, do rendimento e do teor de ar pelo método gravimétrico (ABNT, 2008).
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 78

6.3.3.2 Composição definitiva do concreto auto adensável

O procedimento para a determinação da composição definitiva do CAA foi


semelhante ao do CAD. A quantidade de água também foi mantida fixa e o teor
ótimo de aditivo superplastificante foi determinado realizando sucessivas adições de
aditivo até que o valor do espalhamento do concreto estivesse dentro do
especificado na classe SF2.
O procedimento de mistura e os equipamentos empregados para a produção
do CAA foram os mesmos utilizados na dosagem do concreto de alto desempenho
com base nos conceitos de reologia (item 6.2.1).
Após a produção do concreto foram realizados os ensaios de espalhamento,
funil V, caixa L e de resistência à compressão para verificar se as propriedades
reológicas e mecânicas da composição definitiva estavam de acordo com as
especificadas para um concreto auto adensável. Foi também realizado o ensaio de
massa específica para determinar a composição do concreto em kg/m3.
O ensaio de espalhamento foi realizado conforme a NBR 15823-2:2010 –
Concreto auto-adensável - Parte 2: Determinação do espalhamento e do tempo de
escoamento - Método do cone de Abrams (ABNT, 2010), a classe escolhida foi a
SF2 (660 mm a 750 mm). O ensaio do funil V foi realizado segundo a NBR 15823-
5:2010 – Concreto auto-adensável - Parte 5: Determinação da viscosidade - Método
do funil V (ABNT, 2010), a classe escolhida foi a VF2 (9 s a 25 s). O ensaio da caixa
L foi realizado conforme a NBR 15823-4:2010 – Concreto auto-adensável - Parte 4:
Determinação da habilidade passante - Método da caixa L (ABNT, 2010), a classe
escolhida foi a PL2 (≥ 0,80). O ensaio de resistência à compressão foi realizado
conforme NBR 5739:2007 – Concreto - Ensaios de compressão de corpos de prova
cilíndricos (ABNT, 2007), a resistência à compressão do concreto auto adensável foi
avaliada nas idades 7, 14 e 28 dias. O ensaio de massa específica foi realizado
segundo a NBR 9833:2008 – Concreto fresco - Determinação da massa específica,
do rendimento e do teor de ar pelo método gravimétrico (ABNT, 2008).
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 79

6.4 CARACTERIZAÇÃO REOLÓGICA DAS PASTAS DE CIMENTO E DAS


ARGAMASSAS

Dosados os concretos de alto desempenho e auto adensável com base nos


conceitos de reologia e com base nos conceitos de empacotamento de partículas, foi
realizada a caracterização reológica das pastas de cimento e das argamassas
presentes nesses concretos, com o objetivo de analisar e comparar os parâmetros
reológicos obtidos na caracterização, verificando a influência do empacotamento de
partículas.
Os ensaios realizados na caracterização reológica das pastas de cimento e das
argamassas foram: ensaio de fluidez com o cone de Marsh e ensaio reométrico. As
condições de ensaio, o procedimento de mistura e os equipamentos empregados
nesta etapa foram os mesmos utilizados no estudo reológico da pasta de cimento
(item 6.2.1.2) e no estudo reológico da argamassa (item 6.2.1.3).

6.5 AVALIAÇÃO DA RESISTÊNCIA MECÂNICA DOS CONCRETOS

Para cada composição definitiva dos concretos de alto desempenho e auto


adensável, foram determinadas as resistências à compressão ao longo do tempo: no
caso do CAD a resistência foi avaliada nas idades de 3, 7 e 28 dias, e no caso do
CAA nas idades de 7, 14 e 28 dias. Foram analisadas as evoluções do desempenho
mecânico das misturas, verificando a influência do empacotamento de partículas.

6.6 AVALIAÇÃO DA VIABILIDADE ECONÔMICA DOS CONCRETOS

Foi determinado o custo de cada composição de concreto para avaliar se o


emprego dos conceitos de empacotamento de partículas na dosagem de concretos
de alto desempenho e auto adensável é viável economicamente, quando comparado
aos conceitos de reologia. Esta avaliação se restringiu apenas ao custo de materiais.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 80

Capítulo
7
RESULTADOS E DISCUSSÕES

7.1 CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS

Os resultados de caracterização dos materiais selecionados – cimento,


agregado miúdo, agregado graúdo, adição mineral e aditivo químico – encontram-se
no apêndice A.

7.2 DOSAGEM DOS CONCRETOS COM BASE NOS CONCEITOS DE


REOLOGIA

7.2.1 Dosagem do concreto de alto desempenho

Como já exposto, a composição inicial do concreto de alto desempenho


adotada foi baseada na composição utilizada por Reis (2008). Essa composição foi o
ponto de partida para a realização do estudo reológico da pasta de cimento e da
argamassa.

7.2.1.1 Estudo reológico da pasta de cimento

No estudo reológico da pasta de cimento foram realizados os ensaios de


fluidez com o cone de Marsh e reométrico.
A determinação de teor ótimo de sílica ativa pelo ensaio de fluidez com o cone
de Marsh foi baseada no mesmo procedimento adotado por Vita (2011), conforme
descrito no item 4.4.1.1. Na Tabela 5 são apresentados os tempos de escoamento
determinados para cada composição de pasta de cimento nos tempos 5, 15 e 30
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 81

minutos e na Figura 29 observa-se a curva “tempo de escoamento versus teor de


sílica ativa”.

Tabela 5 – Tempos de escoamento para cada composição de pasta de cimento


determinados pelo ensaio do cone de Marsh
Teor de sílica ativa (%)
Tempo após a
incorporação do 8 9 10 11 12 13 14
superplastificante
Tempo de escoamento (s)

5 min 3,12 3,14 3,22 3,41 3,46 3,54 3,60

15 min 3,37 3,55 3,66 3,70 3,81 3,83 3,87

30 min 3,55 3,58 3,71 3,74 3,97 4,00 4,15


Fonte: Elaboração da própria autora

Figura 29 – Curva “tempo de escoamento versus teor de sílica ativa”


5,0
Tempo de escoamento (s)

4,5

4,0 5 min

3,5
15 min
3,0
30 min
2,5

2,0
7 8 9 10 11 12 13 14 15
Teor de sílica ativa (%)
Fonte: Elaboração da própria autora

Na Figura 29, observa-se que os tempos de escoamento foram baixos, isso


indica que as pastas eram muito fluidas, ou seja, apresentavam baixa viscosidade.
Nota-se também que não houve uma mudança significativa da inclinação das
curvas, porém após o teor de 11% ocorreu uma pequena inclinação da curva
correspondente ao tempo de medida de 30 minutos e um maior afastamento entre
as curvas de 15 e 30 minutos, indicando uma maior perda de fluidez com o tempo.
No ensaio reométrico, dentre os modelos reológicos para a caracterização da
pasta de cimento, o que mais se ajustou às curvas de escoamento obtidas no
reômetro (apêndice B.1) foi o modelo newtoniano. Esse modelo apresenta tensão de
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 82

escoamento próxima de zero, fornecendo assim um único parâmetro fundamental, a


viscosidade. Na Tabela 6 são apresentadas as viscosidades determinadas para
cada composição de pasta de cimento nos tempos 5, 15 e 30 minutos e na Figura 30
observa-se a curva “viscosidade versus teor de sílica ativa”.

Tabela 6 – Viscosidades para cada composição de pasta de cimento,


fornecidas pelo ensaio reométrico
Teor de sílica ativa (%)
Tempo após a
incorporação do 8 9 10 11 12 13 14
superplastificante
Viscosidade (Pa.s)
5 min 0,1313 0,1472 0,1482 0,1756 0,1943 0,1965 0,2106
15 min 0,1396 0,1434 0,1516 0,1888 0,2129 0,2132 0,2256
30 min 0,1542 0,1641 0,1770 0,1984 0,2223 0,2391 0,2388
Fonte: Elaboração da própria autora

Figura 30 – Curva “viscosidade versus teor de sílica ativa”


0,30

0,25
Viscosidade (Pa.s)

0,20 5 min

0,15
15 min
0,10
30 min
0,05

0,00
7 8 9 10 11 12 13 14 15
Teor de sílica ativa (%)
Fonte: Elaboração da própria autora

Os resultados obtidos confirmaram que as pastas apresentavam baixa


viscosidade. Nota-se na Figura 30 que o aumento do teor de sílica ativa provocou
um aumento da viscosidade. Isso ocorreu pelo fato das partículas de sílica serem
mais finas, portanto com maior área superficial, mantendo-se o mesmo teor de
aditivo superplastificante e demais materiais constituintes. Um maior afastamento
entre as curvas também foi observado após o teor de 11%, indicando uma maior
perda de fluidez com o tempo.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 83

Portanto, para os dois ensaios realizados, ensaio de fluidez com o cone Marsh
e ensaio reométrico, o teor de sílica ativa considerado como ótimo foi de 11% em
relação à massa de cimento, valor este correspondente ao teor da composição
inicial do concreto.

7.2.1.2 Estudo reológico da argamassa

No estudo reológico da argamassa também foram realizados os ensaios de


fluidez com o cone de Marsh e reométrico. O teor de sílica ativa utilizado foi o teor
ótimo encontrado no estudo anterior.
O método escolhido para a determinação de teor ótimo de aditivo
superplastificante pelo ensaio de fluidez com o cone de Marsh foi o método proposto
por Aïtcin (2000), conforme descrito no item 4.4.1.1. Na Tabela 7 são apresentados
os tempos de escoamento determinados para cada composição de argamassa nos
tempos 5, 30 e 60 minutos e na Figura 31 observa-se a curva “tempo de
escoamento versus teor de superplastificante”.

Tabela 7 – Tempos de escoamento para cada composição de argamassa


determinados pelo ensaio de cone de Marsh
Teor de superplastificante (%)
Tempo após a
incorporação do 0,8 1,0 1,1 1,2 1,4 1,6
superplastificante
Tempo de escoamento (s)
5 min 60,21 30,31 27,71 23,22 20,16 16,41
30 min 85,41 35,07 31,56 27,33 21,21 18,26
60 min 269,63 38,01 34,82 28,64 22,70 19,86
Fonte: Elaboração da própria autora
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 84

Figura 31 – Curva “tempo de escoamento versus teor de superplastificante”


280

240
Tempo de escoamento (s) 200
5 min
160

120 30 min

80 60 min
40

0
0,6 0,7 0,8 0,9 1 1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,7 1,8
Teor de superplastificante (%)
Fonte: Elaboração da própria autora

Observa-se na Figura 31 que o aumento do teor de superplastificante ocasiona


uma diminuição do tempo de escoamento. Porém, a partir do teor de 1%, o aumento
do teor de superplastificante não produziu nenhum efeito na fluidez da argamassa,
assim, esse teor foi considerado como o teor ótimo de aditivo superplastificante a
partir do ensaio de fluidez com o cone de Marsh.
No ensaio reométrico, dentre os modelos reológicos para a caracterização da
argamassa, o que mais se ajustou às curvas de escoamento obtidas no reômetro
(apêndice B.2) foi o modelo binghamiano. Esse modelo fornece os dois parâmetros
fundamentais, a viscosidade e a tensão de escoamento. Na Tabela 8 são
apresentadas as viscosidades determinadas para cada composição de argamassa
nos tempos 5, 30 e 60 minutos e na Figura 32 observa-se a curva “viscosidade
versus teor de superplastificante”.

Tabela 8 – Viscosidades para cada composição de argamassa, fornecidas


pelo ensaio reométrico
Teor de superplastificante (%)
Tempo após a
incorporação do 0,8 1,0 1,1 1,2 1,4 1,6
superplastificante
Viscosidade (Pa.s)
5 min 2,8063 2,4761 2,5447 2,5606 2,4668 2,4008
30 min 3,0084 2,6503 2,6556 2,6633 2,6744 2,5841
60 min 3,2499 2,7169 2,7451 2,7393 2,6946 2,6538
Fonte: Elaboração da própria autora
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 85

Figura 32 – Curva “viscosidade versus teor de superplastificante”


5,0
4,5
4,0
Viscosidade (Pa.s) 3,5
5 min
3,0
2,5
30 min
2,0
1,5 60 min
1,0
0,5
0,0
0,6 0,7 0,8 0,9 1 1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,7 1,8
Teor de superplastificante (%)
Fonte: Elaboração da própria autora

Nota-se na Figura 32 que o aumento do teor de superplastificante provocou um


pequeno efeito sobre a viscosidade, mas as curvas se aproximaram a partir do teor
de 1%, como observado para o ensaio de fluidez do cone de Marsh.
Portanto, para os dois ensaios realizados, ensaio de fluidez com o cone Marsh
e ensaio reométrico, o teor de aditivo superplastificante considerado como ótimo foi
de 1% em relação à massa de cimento.
Pela análise visual das amostras de argamassa, nota-se o efeito adverso do
aditivo superplastificante por superdosagem a partir do teor de 1,2% (Figura 33), a
argamassa apresenta bolhas e está mais escura. A superdosagem também torna a
argamassa muito fluida a ponto de não conseguir manter os agregados em
suspensão, ocorrendo assim a segregação. Este fato confirmou a escolha do teor
ótimo de superplastificante como sendo igual a 1%.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 86

Figura 33 – Efeito adverso do aditivo superplastificante:


(a) teor de 1%, (b) teor de 1,2%, (c) teor de 1,4% e (d) teor de 1,6%

Fonte: Elaboração da própria autora

7.2.1.3 Composição definitiva do concreto de alto desempenho

A composição inicial do concreto foi ajustada adotando-se os teores ótimos de


sílica ativa e de aditivo superplastificante encontrados no estudo reológico da pasta
de cimento e da argamassa, respectivamente, determinando assim a composição
definitiva do concreto de alto desempenho, apresentada na Tabela 9.

Tabela 9 – Composição definitiva do concreto de alto desempenho


Adição Agregado Agregado
Relação mineral graúdo miúdo Aditivo
Água Cimento
água/aglomerante 3 3 Superplastificante
(kg/m ) (kg/m ) Sílica ativa Brita 1 Areia média 3
(kg/kg) (kg/m )
3 3 3
(kg/m ) (kg/m ) (kg/m )

0,31 160,1 466,7 51,8 1088,6 763,1 4,67

Fonte: Elaboração da própria autora


Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 87

Para a composição definitiva do concreto de alto desempenho, foram


realizados os ensaios de abatimento de troco de cone e de resistência à
compressão. O valor do abatimento obtido foi de 169 mm, adequando-se ao
inicialmente proposto de 160 mm ± 20 mm. Os resultados obtidos para a resistência
à compressão nas idades 3, 7 e 28 dias, correspondendo à média dos resultados
obtidos a partir de três corpos de prova em cada idade, são apresentados na Tabela
10. A resistência à compressão na idade de 28 dias foi superior ao valor mínimo de
50 MPa especificado para caracterizar misturas de concreto como sendo de alto
desempenho.

Tabela 10 – Resistência à compressão do concreto de alto


desempenho
Idade Resistência à compressão Desvio-padrão
(dias) (MPa) (MPa)
3 49,1 1,4
7 59,5 1,3
28 64,0 3,0
Fonte: Elaboração da própria autora

7.2.2 Dosagem do concreto auto adensável

A dosagem do concreto auto adensável com base nos conceitos de reologia foi
realizada por Vita (2011). Por se tratar de um estudo bastante detalhado e minucioso
serão apresentados apenas os resultados obtidos em cada etapa – estudo reológico
da pasta de cimento, estudo reológico da argamassa e composição definitiva do
concreto auto adensável – e algumas informações adicionais no anexo A. Mais
detalhes sobre os resultados e discussões dessa dosagem são encontrados no
trabalho de Vita (2011).

7.2.2.1 Estudo reológico da pasta de cimento

No estudo reológico da pasta de cimento foram realizados os ensaios de


fluidez com o cone de Marsh e reométrico. Em ambos os ensaios, o teor de sílica
ativa considerado como ótimo foi de 6% em relação à massa de cimento. No anexo
A.1 encontram-se as curvas “tempo de escoamento versus teor de sílica ativa”,
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 88

“tensão de cisalhamento versus taxa de deformação” e “viscosidade versus teor de


sílica ativa”.

7.2.2.2 Estudo reológico da argamassa

No estudo reológico da argamassa foram realizados os ensaios de fluidez com


o funil V, espalhamento e reométrico. Os teores de aditivo superplastificante e de
agregado miúdo considerados como ótimos foram de 0,4% em relação à massa de
cimento e 42,5% em relação ao volume total de argamassa, respectivamente. No
anexo A.2 encontram-se as curvas “tempo de escoamento versus teor de
superplastificante”, “espalhamento versus teor de superplastificante”, “tensão de
cisalhamento versus taxa de deformação” e “viscosidade versus teor de
superplastificante”.

7.2.2.3 Composição definitiva do concreto auto adensável

Após o estudo reológico da pasta de cimento e da argamassa foi determinado


o volume de agregado graúdo. Vita (2011) verificou, por meio do espalhamento do
concreto, que os teores de aditivo superplastificante e de agregado miúdo
necessitavam ser corrigidos, pois a argamassa não possuía potencial suficiente para
manter o agregado graúdo estável e disperso, determinando assim a composição
definitiva do concreto auto adensável, apresentada na Tabela 11.

Tabela 11 – Composição definitiva do concreto auto adensável


Adição Agregado Agregado
Relação mineral graúdo miúdo Aditivo
Água Cimento
água/cimento 3 3 Areia Superplastificante
(kg/m ) (kg/m ) Sílica ativa Brita 1 3
(kg/kg) 3 3 média (kg/m )
(kg/m ) (kg/m ) 3
(kg/m )

0,45 220,6 486,6 29,2 814,72 844,18 2,26

Fonte: Vita (2011)

Para a composição definitiva do concreto auto adensável foram realizados os


ensaios de espalhamento, funil V, caixa L e de resistência à compressão. Os
resultados dos ensaios de caracterização reológica do concreto são apresentados
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 89

na Tabela 12, na qual pode-se observar que os valores obtidos encontram-se dentro
do intervalo especificado nas classes escolhidas (SF2, VF2 e PL2). Os resultados
obtidos para a resistência à compressão nas idades 7, 14 e 28 dias, correspondendo
à média dos resultados obtidos a partir de três corpos de prova em cada idade, são
apresentados na Tabela 13.

Tabela 12 – Caracterização reológica do concreto auto adensável


Determinações Valores obtidos Classes (SF2, VF2 e PL2)

Espalhamento (mm) 685 660 a 750

Tempo de escoamento (s) - Funil V 10,98 9 a 25

Habilidade passante - Caixa L 0,84 ≥ 0,80


Fonte: Vita (2011)

Tabela 13 – Resistência à compressão do


concreto auto adensável
Idade Resistência à compressão
(dias) (MPa)
7 36,5
14 47,5
28 51,2
Fonte: Vita (2011)

7.3 DOSAGEM DOS CONCRETOS COM BASE NOS CONCEITOS DE


EMPACOTAMENTO DE PARTÍCULAS

7.3.1 Distribuição granulométrica

A distribuição granulométrica dos materiais utilizados nos concretos dosados


com base nos conceitos de reologia é apresentada na Figura 34.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 90

Figura 34 – Distribuição granulométrica dos materiais utilizados nos concretos


dosados com base nos conceitos de reologia
50

45

40

35

30
Brita 1
% Retida

25 Areia média
20 Cimento

15 Sílica ativa

10

0
0,1 1 10 100 1000 10000 100000
Diâmetro (µm)

Fonte: Elaboração da própria autora

Observa-se na Figura 34 que a distribuição granulométrica é descontínua, pois


existem duas lacunas, uma entre o cimento e a areia média e outra entre a areia
média e a brita 1, indicando a ausência de determinados tamanhos de partículas.
Para preencher essas lacunas, a fim de melhorar o empacotamento das partículas,
foi necessário selecionar novos materiais, sendo eles: pedrisco, pó de pedra, AG 80-
100 e SM 200. A distribuição granulométrica dos materiais utilizados nos concretos
dosados com base nos conceitos de empacotamento de partículas é apresentada na
Figura 35.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 91

Figura 35 – Distribuição granulométrica dos materiais utilizados nos concretos


dosados com base nos conceitos de empacotamento de partículas
50

45

40

35 Brita 1
Pedrisco
30
Pó de pedra
% Retida

25 Areia média
20 AG 80-100
Cimento
15
Sílica ativa
10 SM 200
5

0
0,1 1 10 100 1000 10000 100000
Diâmetro (µm)

Fonte: Elaboração da própria autora

7.3.2 Empacotamento de partículas: programa computacional fundamentado


no modelo de Alfred

As Figuras 36 e 37 apresentam as curvas de distribuição granulométrica dos


concretos de alto desempenho e auto adensável dosados com base nos conceitos
de empacotamento de partículas, respectivamente, obtidas por meio do programa
computacional fundamentado no modelo de Alfred, que determina o sistema
granular do concreto.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 92

Figura 36 – Curva de distribuição granulométrica do concreto de alto desempenho


dosado com base nos conceitos de empacotamento de partículas, para 0,29

100

10
CPFT (%)

Alfred

CAD

0,1
0,1 1 10 100 1000 10000
Diâmetro (µm)
Fonte: Elaboração da própria autora

Figura 37 – Curva de distribuição granulométrica do concreto auto adensável dosado


com base nos conceitos de empacotamento de partículas, para 0,25

100

10
CPFT (%)

Alfred

CAA

0,1
0,1 1 10 100 1000 10000
Diâmetro (µm)
Fonte: Elaboração da própria autora
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 93

Observa-se nas Figuras 36 e 37 que as curvas de distribuição granulométrica


dos concretos foram ajustadas de forma a se aproximarem o máximo possível da
curva de distribuição teórica do modelo de Alfred, respeitando os valores do
coeficiente de distribuição estabelecidos inicialmente para cada tipo de concreto.
As quantidades de cada material particulado utilizado nos concretos,
apresentadas na Tabela 14, foram determinadas pelo programa computacional
conforme o ajuste das curvas de distribuição.

Tabela 14 – Proporção entre os materiais particulados das


misturas de concretos dosados com base nos
conceitos de empacotamento de partículas
% peso
Materiais particulados CAD CAA
0,29 0,25

Brita 1 30,0 25,0


Pedrisco 10,0 10,0

Pó de pedra 15,0 15,0

Areia média 15,0 15,0


AG 80-100 10,0 10,0

Cimento 15,0 19,5

Sílica ativa 5,0 3,0


SM 200 0,0 2,5
Fonte: Elaboração da própria autora

7.3.3 Composições definitivas dos concretos

7.3.3.1 Composição definitiva do concreto de alto desempenho

Definido o sistema granular que compõe o concreto de alto desempenho, foi


determinado o teor ótimo de aditivo superplastificante, mantendo-se fixa a
quantidade de água em 6,75% em relação à massa dos materiais particulados. O
teor de aditivo superplastificante considerado como ótimo foi de 1,6% em relação à
massa de cimento, esse teor de superplastificante proporcionou um abatimento
dentro do proposto inicialmente, determinando assim a composição definitiva do
concreto de alto desempenho, apresentada na Tabela 15.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 94

Tabela 15 – Composição definitiva do concreto de alto desempenho


Adição
Agregado graúdo Agregado miúdo
Relação mineral Aditivo
Água Cimento
a/agl 3 3 SP
(kg/m ) (kg/m ) Sílica Pó de Areia AG 3
(kg/kg) Brita 1 Pedrisco (kg/m )
ativa 3 3 pedra média 80-100
3 (kg/m ) (kg/m ) 3 3 3
(kg/m ) (kg/m ) (kg/m ) (kg/m )

0,34 163,0 362,3 120,8 724,5 241,5 362,3 362,3 241,5 5,80

Fonte: Elaboração da própria autora

Para a composição definitiva do concreto de alto desempenho, foram


realizados os ensaios de abatimento de tronco de cone e de resistência à
compressão. O valor do abatimento obtido foi de 146 mm, adequando-se ao
inicialmente proposto de 160 mm ± 20 mm. Os resultados obtidos para a resistência
à compressão nas idades de 3, 7 e 28 dias, correspondendo à média dos resultados
obtidos a partir de três corpos de prova em cada idade, são apresentados na Tabela
16. A resistência à compressão na idade de 28 dias foi superior ao valor mínimo de
50 MPa especificado para caracterizar misturas de concreto como sendo de alto
desempenho.

Tabela 16 – Resistência à compressão do concreto de alto


desempenho
Idade Resistência à compressão Desvio-padrão
(dias) (MPa) (MPa)

3 33,0 1,7
7 54,7 1,5
28 73,4 1,2
Fonte: Elaboração da própria autora

7.3.3.2 Composição definitiva do concreto auto adensável

Definido o sistema granular que compõe o concreto auto adensável, foi


determinado o teor ótimo de aditivo superplastificante, mantendo-se fixa a
quantidade de água em 10,14% em relação à massa dos materiais particulados. O
teor de aditivo superplastificante considerado como ótimo foi de 1% em relação à
massa de cimento. Esse teor de superplastificante proporcionou um espalhamento
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 95

dentro do especificado na classe SF2, determinando, assim, a composição definitiva


do concreto auto adensável, apresentada na Tabela 17.

Tabela 17 – Composição definitiva do concreto auto adensável


Agregado
Adição mineral Agregado graúdo
Relação miúdo Aditivo
Água Cimento
a/c 3 3 SP
(kg/m ) (kg/m ) Sílica SM Pó de Areia AG 3
(kg/kg) Brita 1 Pedrisco (kg/m )
ativa 200 3 3 pedra média 80-100
3 3 (kg/m ) (kg/m ) 3 3 3
(kg/m ) (kg/m ) (kg/m ) (kg/m ) (kg/m )

0,52 243,5 468,2 72,0 60,0 600,3 240,1 360,2 360,2 240,1 4,68

Fonte: Elaboração da própria autora

Para a composição definitiva do concreto auto adensável foram realizados os


ensaios de espalhamento, funil V, caixa L e de resistência à compressão. Os
resultados dos ensaios de caracterização reológica do concreto são apresentados
na Tabela 18, na qual pode-se observar que os valores obtidos encontram-se dentro
do intervalo especificado nas classes escolhidas (SF2, VF2 e PL2). Os resultados
obtidos para a resistência à compressão nas idades 7, 14 e 28 dias, correspondendo
à média dos resultados obtidos a partir de três corpos de prova em cada idade, são
apresentados na Tabela 19.

Tabela 18 – Caracterização reológica do concreto auto adensável


Determinações Valores obtidos Classes (SF2, VF2 e PL2)

Espalhamento (mm) 700 660 a 750


Tempo de escoamento (s) - Funil V 13,65 9 a 25

Habilidade passante - Caixa L 0,82 ≥ 0,80


Fonte: Elaboração da própria autora

Tabela 19 – Resistência à compressão do concreto auto adensável


Idade Resistência à compressão Desvio-padrão
(dias) (MPa) (MPa)
7 38,4 1,3
14 48,6 0,9
28 50,1 1,3
Fonte: Elaboração da própria autora
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 96

7.4 CARACTERIZAÇÃO REOLÓGICA DAS PASTAS DE CIMENTO E DAS


ARGAMASSAS

7.4.1 Caracterização reológica das pastas de cimento

A caracterização reológica das pastas de cimento provenientes dos concretos


de alto desempenho e auto adensável dosados com base nos conceitos de reologia
e de empacotamento de partículas se deu por meio dos ensaios de fluidez com o
cone de Marsh e reométrico.
Nas Tabelas 20 e 21 são apresentados os tempos de escoamento obtidos no
ensaio de fluidez do cone de Marsh para as pastas de cimento provenientes dos
concretos dosados com base nos conceitos de reologia e com base nos conceitos
de empacotamento de partículas, respectivamente, nos tempos de 5, 15 e 30
minutos.

Tabela 20 – Tempos de escoamento das pastas de cimento provenientes dos


concretos dosados com base nos conceitos de reologia
Tempo de escoamento (s) – Cone Marsh
Tempo após a incorporação do
superplastificante Pasta de cimento CAD Pasta de cimento CAA

5 min 3,23 2,60

15 min 3,41 2,63


30 min 3,54 2,87
Fonte: Elaboração da própria autora

Tabela 21 – Tempos de escoamento das pastas de cimento provenientes dos


concretos dosados com base nos conceitos de empacotamento de
partículas
Tempo de escoamento (s) – Cone Marsh
Tempo após a incorporação do
superplastificante Pasta de cimento CAD Pasta de cimento CAA

5 min 2,63 2,10

15 min 2,72 2,12

30 min 2,89 2,24


Fonte: Elaboração da própria autora
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 97

No ensaio reométrico, dentre os modelos reológicos para a caracterização das


pastas de cimento, o que mais se ajustou às curvas de escoamento obtidas no
reômetro (apêndice C.1) foi o modelo newtoniano. Nas Tabelas 22 e 23 são
apresentadas as viscosidades determinadas para as pastas de cimento provenientes
dos concretos dosados com base nos conceitos de reologia e com base nos
conceitos de empacotamento de partículas, respectivamente, nos tempos de 5, 15 e
30 minutos.

Tabela 22 – Viscosidades das pastas de cimento provenientes dos concretos


dosados com base nos conceitos de reologia
Viscosidade (Pa.s) – Reômetro
Tempo após a incorporação do
superplastificante Pasta de cimento CAD Pasta de cimento CAA

5 min 0,1605 0,1046

15 min 0,1722 0,1090

30 min 0,1870 0,1339


Fonte: Elaboração da própria autora

Tabela 23 – Viscosidades das pastas de cimento provenientes dos concretos


dosados com base nos conceitos de empacotamento de partículas
Viscosidade (Pa.s) – Reômetro
Tempo após a incorporação do
superplastificante Pasta de cimento CAD Pasta de cimento CAA

5 min 0,1436 0,0596

15 min 0,1459 0,0599

30 min 0,1502 0,0608


Fonte: Elaboração da própria autora

As evoluções do tempo de escoamento e da viscosidade ao longo do tempo


são apresentadas nas Figuras 38 e 39, para as pastas de cimento provenientes dos
concretos de alto desempenho, e nas Figuras 40 e 41, para as pastas de cimento
provenientes dos concretos auto adensáveis.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 98

Figura 38 – Evolução do tempo de escoamento das pastas de cimento provenientes


dos concretos de alto desempenho ao longo do tempo

Tempo de escomento (s)


3

0
0 15 30
Tempo (min)

Pasta CAD - Conceitos de reologia Pasta CAD - Conceitos de empacotamento

Fonte: Elaboração da própria autora

Figura 39 – Evolução da viscosidade das pastas de cimento provenientes dos


concretos de alto desempenho ao longo do tempo

0,20
Viscosidade (Pa.s)

0,15

0,10

0,05

0,00
0 15 30
Tempo (min)

Pasta CAD - Conceitos de reologia Pasta CAD - Conceitos de empacotamento


Fonte: Elaboração da própria autora
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 99

Figura 40 – Evolução do tempo de escoamento das pastas de cimento provenientes


dos concretos auto adensáveis ao longo do tempo

Tempo de escomento (s)


2

0
0 15 30
Tempo (min)

Pasta CAA - Conceitos de reologia Pasta CAA - Conceitos de empacotamento

Fonte: Elaboração da própria autora

Figura 41 – Evolução da viscosidade das pastas de cimento provenientes dos


concretos auto adensáveis ao longo do tempo

0,20
Viscosidade (Pa.s)

0,15

0,10

0,05

0,00
0 15 30
Tempo (min)

Pasta CAA - Conceitos de reologia Pasta CAA - Conceitos de empacotamento


Fonte: Elaboração da própria autora

Nas Figuras 38, 39, 40 e 41, observa-se que as pastas de cimento


provenientes dos concretos dosados com base nos conceitos de empacotamento de
partículas apresentaram, ao longo do tempo, tempos de escoamento e viscosidades
menores, indicando maior fluidez. Isto pode ser associado, tanto para a pasta do
CAD como para a pasta do CAA, ao significativo aumento do teor de aditivo
superplastificante, pois a relação entre a água e os materiais particulados que
compõem as pastas (cimento + adição mineral) sofreu um pequeno aumento,
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 100

quando comparada às pastas provenientes dos concretos dosados com base nos
conceitos de reologia. O aditivo superplastificante contribui com a dispersão das
partículas de cimento, o que facilita o escoamento e, consequentemente, reduz a
viscosidade da mistura. Outro fator que pode ter aumentado a fluidez dessas pastas
foi a redução da quantidade de cimento e o aumento do teor de sílica ativa, sendo
que as partículas de sílica ativa, quando bem dispersas, podem liberar a água presa
entre as partículas de cimento aglomeradas e, assim, contribuir na fluidificação da
mistura.

7.4.2 Caracterização reológica das argamassas

A caracterização reológica das argamassas provenientes dos concretos de alto


desempenho e auto adensável dosados com base nos conceitos de reologia e de
empacotamento de partículas também se deu por meio dos ensaios de fluidez com o
cone de Marsh e reométrico.
Nas Tabelas 24 e 25 são apresentados os tempos de escoamento obtidos no
ensaio de fluidez do cone de Marsh para as argamassas provenientes dos concretos
dosados com base nos conceitos de reologia e com base nos conceitos de
empacotamento de partículas, respectivamente, nos tempos de 5, 30 e 60 minutos.

Tabela 24 – Tempos de escoamento das argamassas provenientes dos concretos


dosados com base nos conceitos de reologia
Tempo de escoamento (s) – Cone Marsh
Tempo após a incorporação do
superplastificante Argamassa CAD Argamassa CAA

5 min 30,31 9,37

30 min 35,07 12,60

60 min 38,01 17,65


Fonte: Elaboração da própria autora
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 101

Tabela 25 – Tempos de escoamento das argamassas provenientes dos concretos


dosados com base nos conceitos de empacotamento de partículas
Tempo de escoamento (s) – Cone Marsh
Tempo após a incorporação do
superplastificante Argamassa CAD Argamassa CAA

5 min 15,12 4,20


30 min 17,04 5,36
60 min 18,65 6,13
Fonte: Elaboração da própria autora

No ensaio reométrico, dentre os modelos reológicos para a caracterização das


argamassas, o que mais se ajustou às curvas de escoamento obtidas no reômetro
(apêndice C.2) foi o modelo binghamiano. Esse modelo fornece os dois parâmetros
fundamentais, a viscosidade e a tensão de escoamento. Nas Tabelas 26 e 27 são
apresentadas as viscosidades e nas Tabelas 28 e 29 são apresentadas as tensões
de escoamento determinadas para as argamassas provenientes dos concretos
dosados com base nos conceitos de reologia e com base nos conceitos de
empacotamento de partículas, respectivamente, nos tempos de 5, 30 e 60 minutos.

Tabela 26 – Viscosidades das argamassas provenientes dos concretos dosados


com base nos conceitos de reologia
Viscosidade (Pa.s) – Reômetro
Tempo após a incorporação do
superplastificante Argamassa CAD Argamassa CAA

5 min 2,4761 1,2031


30 min 2,6503 1,2702
60 min 2,7169 1,4004
Fonte: Elaboração da própria autora

Tabela 27 – Viscosidades das argamassas provenientes dos concretos dosados


com base nos conceitos de empacotamento de partículas
Viscosidade (Pa.s) – Reômetro
Tempo após a incorporação do
superplastificante Argamassa CAD Argamassa CAA

5 min 1,5166 0,6556


30 min 1,7590 0,7280
60 min 1,8659 0,7485
Fonte: Elaboração da própria autora
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 102

Tabela 28 – Tensão de escoamento das argamassas provenientes dos concretos


dosados com base nos conceitos de reologia
Tensão de escoamento (Pa) – Reômetro
Tempo após a incorporação do
superplastificante Argamassa CAD Argamassa CAA

5 min 42,6221 24,2534


30 min 46,6221 29,0674
60 min 50,5854 39,2159
Fonte: Elaboração da própria autora

Tabela 29 – Tensão de escoamento das argamassas provenientes dos concretos


dosados com base nos conceitos de empacotamento de partículas
Tensão de escoamento (Pa) – Reômetro
Tempo após a incorporação do
superplastificante Argamassa CAD Argamassa CAA

5 min 35,6168 9,6299


30 min 38,2293 10,0640
60 min 38,4255 10,1379
Fonte: Elaboração da própria autora

As evoluções do tempo de escoamento, da viscosidade e da tensão de


escoamento ao longo do tempo são apresentadas nas Figuras 42, 43 e 44, para as
argamassas provenientes dos concretos de alto desempenho, e nas Figuras 45, 46
e 47, para as argamassas provenientes dos concretos auto adensáveis.

Figura 42 – Evolução do tempo de escoamento das argamassas provenientes dos


concretos de alto desempenho ao longo do tempo

40
Tempo de escomento (s)

30

20

10

0
0 30 60
Tempo (min)

Arg CAD - Conceitos de reologia Arg CAD - Conceitos de empacotamento


Fonte: Elaboração da própria autora
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 103

Figura 43 – Evolução da viscosidade das argamassas provenientes dos concretos


de alto desempenho ao longo do tempo

3,0

Viscosidade (Pa.s) 2,0

1,0

0,0
0 30 60
Tempo (min)

Arg CAD - Conceitos de reologia Arg CAD - Conceitos de empacotamento


Fonte: Elaboração da própria autora

Figura 44 – Evolução da tensão de escoamento das argamassas provenientes dos


concretos de alto desempenho ao longo do tempo

60
Tensão de escoamento (Pa)

40

20

0
0 30 60
Tempo (min)

Arg CAD - Conceitos de reologia Arg CAD - Conceitos de empacotamento


Fonte: Elaboração da própria autora
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 104

Figura 45 – Evolução do tempo de escoamento das argamassas provenientes dos


concretos auto adensáveis ao longo do tempo

20

Tempo de escomento (s)


15

10

0
0 30 60
Tempo (min)

Arg CAA - Conceitos de reologia Arg CAA - Conceitos de empacotamento


Fonte: Elaboração da própria autora

Figura 46 – Evolução da viscosidade das argamassas provenientes dos concretos


auto adensáveis ao longo do tempo

2,0
Viscosidade (Pa.s)

1,5

1,0

0,5

0,0
0 30 60
Tempo (min)

Arg CAA - Conceitos de reologia Arg CAA - Conceitos de empacotamento


Fonte: Elaboração da própria autora
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 105

Figura 47 – Evolução da tensão de escoamento das argamassas provenientes dos


concretos auto adensáveis ao longo do tempo

40

Tensão de escoamento (Pa)


30

20

10

0
0 30 60
Tempo (min)

Arg CAA - Conceitos de reologia Arg CAA - Conceitos de empacotamento


Fonte: Elaboração da própria autora

Nas Figuras 42, 43, 45 e 46, observa-se que as argamassas provenientes dos
concretos dosados com base nos conceitos de empacotamento de partículas
também apresentaram, ao longo do tempo, tempos de escoamento e viscosidades
menores, indicando maior fluidez e nas Figuras 44 e 47, nota-se que as tensões de
escoamento dessas argamassas foram menores e praticamente constantes ao longo
do tempo. Essas características podem ser associadas, tanto para a argamassa do
CAD como para a argamassa do CAA, ao aumento do teor de aditivo
superplastificante, à diminuição da quantidade de cimento e ao aumento do teor de
sílica ativa, sabendo que houve diminuição do teor de agregado miúdo e que a
relação entre a água e os materiais finos (cimento + adição mineral) sofreu um
pequeno aumento quando comparada às argamassas provenientes dos concretos
dosados com base nos conceitos de reologia. Como já exposto, esses fatores
facilitam o escoamento e contribuem com o aumento da fluidez da mistura.

7.5 AVALIAÇÃO DA RESISTÊNCIA MECÂNICA DOS CONCRETOS

As evoluções das resistências à compressão ao longo do tempo são


apresentadas na Figura 48, para os concretos de alto desempenho, e na Figura 49,
para os concretos auto adensáveis.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 106

Figura 48 – Evolução da resistência à compressão dos concretos de alto


desempenho ao longo do tempo
80

Resistência à Compressão
60

(MPa) 40

20

0
0 7 14 21 28
Idade (dias)

CAD - Conceitos de reologia CAD - Conceitos de empacotamento


Fonte: Elaboração da própria autora

Figura 49 – Evolução da resistência à compressão dos concretos auto adensáveis


ao longo do tempo
60
Resistência à Compressão

40
(MPa)

20

0
0 7 14 21 28
Idade (dias)

CAA - Conceitos de reologia CAA - Conceitos de empacotamento


Fonte: Elaboração da própria autora

Observa-se na Figura 48 que o concreto de alto desempenho dosado com


base nos conceitos de reologia apresentou nas primeiras idades maiores
resistências à compressão, porém, ao longo do tempo, o concreto de alto
desempenho dosado com base nos conceitos de empacotamento de partículas
apresentou resistência à compressão superior. Nas primeiras idades, a resistência à
compressão do concreto de alto desempenho dosado com base nos conceitos de
empacotamento de partículas foi menor porque a quantidade de agregado graúdo
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 107

(brita 1) foi menor: esse material favorece o desempenho mecânico nas primeiras
idades, enquanto que nas idades mais avançadas há contribuição da matriz de
partículas finas (pasta de cimento). A maior resistência desse concreto aos 28 dias
pode ser associada à presença de uma melhor distribuição de tamanho de
partículas, que diminui a porosidade do sistema granular, melhorando o
desempenho mecânico do concreto ao longo do tempo.
Já na Figura 49, observa-se que o concreto auto adensável dosado com base
nos conceitos de reologia e o concreto auto adensável dosado com base nos
conceitos de empacotamento de partículas apresentaram, ao longo do tempo,
resistências à compressão praticamente iguais. O fato da resistência não ter sido
superior aos 28 dias pode estar associado à dificuldade encontrada na otimização
das partículas, principalmente na fração mais fina que ajuda na fluidez e coesão do
concreto auto adensável.

7.6 AVALIAÇÃO DA VIABILIDADE ECONÔMICA DOS CONCRETOS

Nas Tabelas 30 e 31 são apresentados os custos dos concretos dosados com


base nos conceitos de reologia e com base nos conceitos de empacotamento de
partículas, respectivamente. Os custos dos materiais utilizados nos concretos
encontram-se no apêndice D.1.
Para facilitar a análise são apresentados nas Figuras 50, 51 e 52 o custo total,
relativo e para cada MPa dos concretos, respectivamente.

Tabela 30 – Custo (R$) dos componentes por m3 dos concretos dosados com base
nos conceitos de reologia e custo total
Adição Agregado Agregado
mineral graúdo miúdo Aditivo Custo
Cimento
Concreto 3 SP total
(R$/m ) Sílica ativa Brita 1 Areia média 3 3
3 3 3
(R$/m ) (R$/m )
(R$/m ) (R$/m ) (R$/m )
CAD 186 61 25 19 25 315

CAA 194 34 18 21 12 279


Fonte: Elaboração da própria autora
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 108

Tabela 31 – Custo (R$) dos componentes por m3 dos concretos dosados com base nos
conceitos de empacotamento de partículas e custo total
Adição mineral Agregado graúdo Agregado miúdo
Aditivo Custo
Cimento
Concreto 3 Sílica SM Pó de Areia AG SP total
(R$/m ) Brita 1 Pedrisco 3 3
ativa 200 pedra média 80-100 (R$/m ) (R$/m )
3 3
3 3 (R$/m ) (R$/m ) 3 3 3
(R$/m ) (R$/m ) (R$/m ) (R$/m ) (R$/m )

CAD 144 141 0 16 6 7 9 60 31 415


CAA 186 84 90 14 6 7 9 60 25 480
Fonte: Elaboração da própria autora

Figura 50 – Custo total (R$/m3) dos concretos


600

500
Custo total (R$/m3)

480
400
415
300
315
279
200

100

0
CAD CAA

CAD - Conceitos de reologia CAD - Conceitos de empacotamento


CAA - Conceitos de reologia CAA - Conceitos de empacotamento

Fonte: Elaboração da própria autora

Figura 51 – Custo relativo (R$/m3) dos concretos


2,00
Custo relativo (R$/m3)

1,60 1,72

1,20 1,32

0,80 1 1

0,40

0,00
CAD CAA

CAD - Conceitos de reologia CAD - Conceitos de empacotamento


CAA - Conceitos de reologia CAA - Conceitos de empacotamento

Fonte: Elaboração da própria autora


Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 109

Figura 52 – Custo para cada MPa (R$/m3) dos concretos


12,0

Custo para cada MPa (R$/m 3)


10,0
9,6
8,0

6,0
5,6 5,5
4,0 4,8

2,0

0,0
CAD CAA

CAD - Conceitos de reologia CAD - Conceitos de empacotamento


CAA - Conceitos de reologia CAA - Conceitos de empacotamento

Fonte: Elaboração da própria autora

Observa-se nas Figuras 50, 51 e 52 que o custo dos concretos dosados com
base nos conceito de empacotamento, levando em consideração apenas o custo de
materiais, é maior em comparação aos concretos dosados com base nos conceito
de reologia. Apesar do consumo de cimento ser menor, o empacotamento de
partículas provocou um aumento da adição mineral e do aditivo superplastificante,
que são materiais caros, além de ser introduzido às composições materiais para
suprir falhas granulométricas com valores elevados, como a areia industrial AG 80-
100 e a sílica moída SM 200 (apenas no caso do CAA).
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 110

Capítulo
8
CONCLUSÕES

Dosagem dos concretos

Com base nos conceitos de reologia:

Para o CAD dosado com base nos conceitos de reologia, os teores ótimos de
sílica ativa e de aditivo superplastificante determinados no estudo reológico da pasta
e da argamassa, respectivamente, apresentaram-se bastante satisfatórios, não
sendo necessário realizar ajustes para a obtenção do abatimento dentro do limite
inicialmente proposto (160 mm ± 20 mm). Esse concreto também apresentou uma
elevada resistência à compressão aos 28 dias, podendo ser caracterizado como
uma mistura de alto desempenho. Já no caso do CAA dosado com base nos
conceito de reologia, os teores de aditivo superplastificante e de agregado miúdo,
determinados como ótimos no estudo reológico da argamassa, necessitaram ser
corrigidos, pois houve segregação da mistura, conforme verificado por Vita (2011).
As características reológicas desse concreto, após a correção dos teores de aditivo
superplastificante e de agregado miúdo, apresentaram-se dentro do intervalo
especificado nas classes SF2, VF2 e PL2.

Com base nos conceitos de empacotamento de partículas:

Para a produção dos concretos dosados com base nos conceito de


empacotamento de partículas foi necessário o emprego de novos materiais para
preencher a ausência de determinados tamanhos de partículas existentes nos
concretos dosados com base nos conceitos de reologia. O CAD produzido com base
nos conceitos de empacotamento de partículas apresentou abatimento dentro do
limite inicialmente proposto e elevada resistência à compressão aos 28 dias,
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 111

podendo ser caracterizado como uma mistura de alto desempenho. O CAA também
obteve bons resultados nos ensaios de caracterização reológica, todos se
mantiveram dentro do intervalo especificado nas classes SF2, VF2 e PL2.

Avaliação da resistência mecânica dos concretos

Na avaliação da resistência mecânica, o CAD dosado com base nos conceitos


de empacotamento de partículas, quando comparado ao CAD dosado com base nos
conceitos de reologia, apresentou resistência à compressão superior na idade de 28
dias, podendo ser associada à presença de uma melhor distribuição granulométrica
que reduz a porosidade do concreto, aumentando, assim, seu desempenho
mecânico. Já no CAA dosado com base nos conceitos de empacotamento de
partículas, houve uma dificuldade na otimização das partículas, principalmente na
fração mais fina, resultando em uma resistência aos 28 dias bem próxima a do CAA
dosado com base nos conceitos de reologia. Essa dificuldade pode também ter
impedido que o aumento da resistência do CAD fosse maior aos 28 dias, estando
ela relacionada com a falta de materiais com granulometrias desejadas a um custo
acessível para a produção de concreto. Além disso, não foi alterado o valor
coeficiente de distribuição ( ), que poderia ser ajustado em função dos materiais
disponíveis.

Avaliação da viabilidade econômica dos concretos

Com relação à viabilidade econômica, os concretos dosados com base nos


conceitos de empacotamento de partículas demonstraram ser mais caros em
comparação aos concretos dosados com base nos conceitos de reologia, por
requerer uma quantidade maior de adição mineral e de aditivo superplastificante,
que são materiais caros e por necessitar do emprego de mais materiais com
granulometrias variadas, sendo dois destes (AG 80-100 e SM 200) bastante
dispendiosos. Acredita-se que possa ser possível reduzir o custo total dos concretos
dosados com base nos conceito de empacotamento de partículas, utilizando
materiais comuns usados comercialmente na construção civil, que provavelmente
possuem preços menores, e realizando um estudo de otimização de consumo do
aditivo superplastificante.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 112

Caracterização reológica das pastas de cimento e das argamassas:

Tanto as pastas de cimento, quanto as argamassas provenientes dos


concretos de alto desempenho e auto adensável dosados com base nos conceito de
empacotamento de partículas apresentaram-se mais fluidas, seus parâmetros
reológicos, como o tempo de escoamento e a viscosidade, foram menores quando
comparados aos parâmetros das pastas e argamassas provenientes dos concretos
dosados com base nos conceitos de reologia. O aumento da fluidez pode ter
ocorrido pelo aumento do teor de aditivo superplastificante. Este aumento foi
necessário para manter a trabalhabilidade adequada dos concretos, uma vez que
aumentou significativamente, nas misturas de concreto, a quantidade de materiais
com granulometrias variadas para uma quantidade fixa de água. A redução da
quantidade de cimento e o aumento do teor de sílica ativa, também podem ter
provocado o aumento da fluidez das pastas e argamassas, sabendo que as
partículas de sílica ativa podem contribuir na fluidificação da mistura, liberando a
água presa entre as partículas de cimento aglomeradas. A elevada fluidez das
pastas e argamassas não prejudicou a estabilidade das misturas de concreto.
As pastas foram caracterizadas como fluido newtoniano, onde apresenta
apenas um único parâmetro, a viscosidade. Já as argamassas foram caracterizadas
como fluido binghamiano, apresentando os dois parâmetros fundamentais, a
viscosidade e a tensão de escoamento. Com relação à tensão de escoamento, as
argamassas provenientes dos concretos dosados com base nos conceito de
empacotamento de partículas apresentaram tensões de escoamento menores, fato
também ocorrido principalmente pelo aumento do aditivo superplastificante que
ajuda na dispersão, facilitando o escoamento.

8.2 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

 Empregar os conceitos de empacotamento de partículas nos concretos


especiais (CAD e CAA) realizando um cuidadoso estudo de otimização do
aditivo superplastificante por meio da reologia.
 Empregar os conceitos de empacotamento de partículas em concretos
especiais utilizando materiais comuns comercialmente na construção civil,
com a finalidade de avaliar o desempenho mecânico e a redução do custo.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 113

 Selecionar um ou mais materiais finos que atendam os vazios


granulométricos existente nos concretos estudados (diâmetros entre 0,1 a 10
µm) e empregar os conceitos de empacotamento de partículas, verificando a
influência desses no ganho de resistência à compressão aos 28 dias.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 114

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APÊNDICE A – CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS

A.1 CIMENTO

Os ensaios de caracterização realizados para o cimento CP II E 32 forneceram


os dados e a curva granulométrica apresentados na Tabela 32 e Figura 53,
respectivamente.

Tabela 32 – Caracterização físico-química e mecânica do CP II E 32


Análise Química (%) Propriedades físico-mecânicas

2
Perda ao fogo 4,33 Superfície Específica Blaine (cm /g) 4.031

3
Insolúveis 1,63 Massa unitária (g/cm ) 1,09

3
SiO2 20,75 Massa específica (g/cm ) 3,05

Fe2O3 2,29 Início de pega (h:min) 02:43

Al2O3 8,05 Fim de pega (h:min) 04:06

CaO 57,45
Tensão (MPa)
19,4
3 dias
MgO 1,89

SO3 2,44
Tensão (MPa)
24,4
7 dias
Na2O 0,26

K2O 0,58
Tensão (MPa)
32,1
28 dias
Equiv. Alcalino Na2O 0,64

Cal livre em CaO 1,69 a/c 0,48

Fonte: Elaboração da própria autora com dados da pesquisa analisados no Laboratório CESP
de Engenharia Civil
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 121

Figura 53 – Curva granulométrica do cimento CP II E 32


100

90

80

% retida acumulada
70

60

50

40

30

Cimento 20

10

0
0,01 0,1 1 10 100 1000
abertura (mm)
Fonte: Elaboração da própria autora com dados da pesquisa analisados no laboratório da Associação
Brasileira de Cimentos Portland

A.2 AGREGADO MIÚDO

A.2.1 Areia média

A caracterização física da areia média e a sua curva granulométrica são


apresentadas na Tabela 33 e na Figura 54, respectivamente.

Tabela 33 – Caracterização física da areia média


Valores
Determinações
obtidos
Diâmetro máximo (mm) 4,75

Módulo de finura 2,02


3
Solta (g/cm ) 1,58
Massa unitária 3
Solta 4% umidade (g/cm ) 1,15
3
S.S.S. (g/cm ) 2,615
3
Massa específica Seca (g/cm ) 2,624
3
Aparente (g/cm ) 2,61

Absorção (%) 0,2

Teor de materiais pulverulentos (%) 0,21


Fonte: Elaboração da própria autora com dados da pesquisa
analisados no Laboratório CESP de Engenharia Civil
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 122

Figura 54 – Curva granulométrica da areia média


100

90

80

70

% retida acumulada
60

50

40

30

Areia média 20

10

0
1 10 100 1000 10000 100000
abertura (mm)
Fonte: Elaboração da própria autora com dados da pesquisa analisados no Laboratório CESP de
Engenharia Civil

A.2.2 Areia industrial (AG 80-100)

A caracterização física da areia industrial (AG 80-100) e a sua curva


granulométrica são apresentadas na Tabela 34 e na Figura 55, respectivamente.

Tabela 34 – Caracterização física da areia industrial


(AG 80-100)
Determinações Valores obtidos

3
Massa unitária (g/cm ) 1,43

3
Massa específica (g/cm ) 2,64

Fonte: Castro, Liborio, Pandolfelli (2009)


Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 123

Figura 55 – Curva granulométrica da areia industrial (AG 80-100)


100

90

80

% retida acumulada
70

60

50

40

30

AG 80-100 20

10

0
1 10 100 1000
abertura (mm)
Fonte: Castro, Liborio, Pandolfelli (2009)

A.3 AGREGADO GRAÚDO

A.3.1 Brita 1

A caracterização física da brita 1 e a sua curva granulométrica são


apresentadas na Tabela 35 e na Figura 56, respectivamente.

Tabela 35 – Caracterização física da brita 1


Valores
Determinações
obtidos
Diâmetro máximo (mm) 19

Módulo de finura 6,60


3
Massa unitária Solta (g/cm ) 1,567
3
S.S.S. (g/cm ) 2,900
3
Massa específica Seca (g/cm ) 2,872
3
Aparente (g/cm ) 2,902

Absorção (%) 0,95

Teor de materiais pulverulentos (%) 0,99


Fonte: Elaboração da própria autora com dados da pesquisa
analisados no Laboratório CESP de Engenharia Civil
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 124

Figura 56 – Curva granulométrica da brita 1


100

90

80

% retida acumulada
70

60

50

40

30

Brita 1 20

10

0
1 10 100 1000 10000 100000
abertura (mm)
Fonte: Elaboração da própria autora com dados da pesquisa analisados no Laboratório CESP de
Engenharia Civil

A.3.2 Pedrisco

A caracterização física do pedrisco e a sua curva granulométrica são


apresentadas na Tabela 36 e na Figura 57, respectivamente.

Tabela 36 – Caracterização física do pedrisco


Valores
Determinações
obtidos
3
S.S.S. (g/cm ) 2,879

3
Massa específica Seca (g/cm ) 2,811

3
Aparente (g/cm ) 3,016

Absorção (%) 2,42

Fonte: Elaboração da própria autora com dados da pesquisa


analisados no Laboratório CESP de Engenharia Civil
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 125

Figura 57 – Curva granulométrica do pedrisco


100

90

80

% retida acumulada
70

60

50

40

30

Pedrisco 20

10

0
1 10 100 1000 10000 100000
abertura (mm)
Fonte: Elaboração da própria autora com dados da pesquisa analisados no Laboratório CESP de
Engenharia Civil

A.3.3 Pó de pedra

A caracterização física do pó de pedra e a sua curva granulométrica são


apresentadas na Tabela 37 e na Figura 58, respectivamente.

Tabela 37 – Caracterização física do pó de pedra


Valores
Determinações
obtidos
3
S.S.S. (g/cm ) 2,919

3
Massa específica Seca (g/cm ) 2,866

3
Aparente (g/cm ) 3,026

Absorção (%) 1,85

Fonte: Elaboração da própria autora com dados da pesquisa


analisados no Laboratório CESP de Engenharia Civil
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 126

Figura 58 – Curva granulométrica do pó de pedra


100

90

80

% retida acumulada
70

60

50

40

30

Pó de pedra 20

10

0
1 10 100 1000 10000 100000
abertura (mm)
Fonte: Elaboração da própria autora com dados da pesquisa analisados no Laboratório CESP de
Engenharia Civil

A.4 ADIÇÃO MINERAL

A.4.1 Sílica ativa

As características físicas e químicas da sílica ativa e a sua curva


granulométrica são apresentadas na Tabela 38 e Figura 59, respectivamente.

Tabela 38 – Caracterização físico-química da sílica ativa


Determinações Valores obtidos

3
Massa específica (g/cm ) 2,40

2
Superfície específica mín. (cm /g) 150.000

Diâmetro médio (µm) 0,15

Teor de SiO2 mín. (%) 85,0

Umidade máx. (%) 3,0

Equivalente alcalino em Na2O máx. (%) 1,5

Fonte: Elaboração da própria autora com dados fornecidos pelo fabricante


Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 127

Figura 59 – Curva granulométrica da sílica ativa


100

90

80

% retida acumulada
70

60

50

40

30

Sílica ativa 20

10

0
0,01 0,1 1 10 100 1000
abertura (mm)
Fonte: Elaboração da própria autora com dados da pesquisa analisados no laboratório da Associação
Brasileira de Cimentos Portland

A.4.2 Sílica moída (SM 200)

A caracterização física da sílica moída (SM 200) e a sua curva granulométrica


são apresentadas na Tabela 39 e na Figura 60, respectivamente.

Tabela 39 – Caracterização física da sílica moída (SM 200)


Determinações Valores obtidos

3
Massa específica (g/cm ) 2,72

2
Superfície específica (cm /g) 7.580

Fonte: Castro, Liborio, Pandolfelli (2009)


Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 128

Figura 60 – Curva granulométrica da sílica moída (SM 200)


100

90

80

% retida acumulada
70

60

50

40

30

SM 200 20

10

0
0,01 0,1 1 10 100 1000
abertura (mm)
Fonte: Castro, Liborio, Pandolfelli (2009)

A.5 ADITIVO QUÍMICO

As características do aditivo superplastificante são apresentadas na Tabela 40.

Tabela 40 – Caracterização do aditivo superplastificante


Aparência pH Massa específica
Determinações 3
(Visual) (20ºC) (g/cm )

Especificações Líquido âmbar 4,40 – 4,90 1,07 – 1,09

Valor obtido ok 4,42 1,08


Fonte: Elaboração da própria autora com dados fornecidos pelo fabricante
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 129

APÊNDICE B – DOSAGEM DO CONCRETO DE ALTO DESEMPENHO COM


BASE NOS CONCEITOS DE REOLOGIA

B.1 ESTUDO REOLÓGICO DA PASTA DE CIMENTO

As curvas de escoamento das pastas de cimento, obtidas no reômetro, são


apresentadas na Figura 61.

Figura 61 – Curvas “tensão de cisalhamento versus taxa de deformação”


(a) pastas de cimento no tempo de 5 min, (b) pasta de cimento no tempo de 15 min
e (c) pasta de cimento no tempo de 30 min
(continua)

Pasta de Cimento - 5 min


35 Adição 8%
30
Adição 9%
25
Tau[Pa]

Adição 10%
20
Adição 11%
15
10 Adição 12%

5 Adição 13%
0 Adição 14%
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180
D[1/s]

(a)

Pasta de Cimento - 15 min


40
35 Adição 8%
30 Adição 9%
25 Adição 10%
Tau[Pa]

20 Adição 11%
15
Adição 12%
10
Adição 13%
5
0 Adição 14%
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180
D[1/s]

(b)
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 130

Figura 61 – Curvas “tensão de cisalhamento versus taxa de deformação”


(a) pastas de cimento no tempo de 5 min, (b) pasta de cimento no tempo de 15 min
e (c) pasta de cimento no tempo de 30 min
(conclusão)

Pasta de Cimento - 30 min


45
40 Adição 8%
35 Adição 9%
30
Tau[Pa]

Adição 10%
25
20 Adição 11%
15 Adição 12%
10 Adição 13%
5
0 Adição 14%
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180
D[1/s]

(c)
Fonte: Elaboração da própria autora

B.2 ESTUDO REOLÓGICO DA ARGAMASSA

As curvas de escoamento das argamassas, obtidas no reômetro, são


apresentadas na Figura 62.

Figura 62 – Curvas “tensão de cisalhamento versus taxa de deformação”


(a) argamassa no tempo de 5 min, (b) argamassa no tempo de 30 min e (c)
argamassa no tempo de 60 min
(continua)
Argamassa - 5 min
600
Aditivo 0,8%
500
Aditivo 1,0%
400
Tau[Pa]

Aditivo 1,1%
300
Aditivo 1,2%
200
Aditivo 1,4%
100
Aditivo 1,6%
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160
D[1/s]
(a)
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 131

Figura 62 – Curvas “tensão de cisalhamento versus taxa de deformação”


(a) argamassa no tempo de 5 min, (b) argamassa no tempo de 30 min e (c)
argamassa no tempo de 60 min
(conclusão)
Argamassa - 30 min
600
Aditivo 0,8%
500
Aditivo 1,0%
400
Tau[Pa]

Aditivo 1,1%
300
Aditivo 1,2%
200
Aditivo 1,4%
100
Aditivo 1,6%
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160

D[1/s]

(b)

Argamassa - 60 min
600
Aditivo 0,8%
500
Aditivo 1,0%
400
Tau[Pa]

Aditivo 1,1%
300
Aditivo 1,2%
200
Aditivo 1,4%
100
Aditivo 1,6%
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160
D[1/s]
(c)
Fonte: Elaboração da própria autora
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 132

APÊNDICE C – CARACTERIZAÇÃO REOLÓGICA DAS PASTAS DE CIMENTO E


DAS ARGAMASSAS

C.1 CARACTERIZAÇÃO REOLÓGICA DAS PASTAS DE CIMENTO

As curvas de escoamento das pastas de cimento provenientes dos concretos


dosados com base nos conceitos de reologia e com base nos conceitos de
empacotamento de partículas, obtidas no reômetro, são apresentadas nas Figuras
63 e 64, respectivamente.

Figura 63 – Curvas “tensão de cisalhamento versus taxa de deformação” das pastas


de cimento provenientes dos concretos dosados com base nos conceitos de
reologia: (a) pasta de cimento CAD e (b) pasta de cimento CAA
Pasta de Cimento CAD - Conceitos de reologia
35
30
25 5 min
Tau[Pa]

20 15 min
15 30 min
10
5
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180
D[1/s]
(a)

Pasta de Cimento CAA - Conceitos de reologia


25

20
5 min
Tau[Pa]

15
15 min
10 30 min

0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180
D[1/s]
(b)
Fonte: Elaboração da própria autora
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 133

Figura 64 – Curvas “tensão de cisalhamento versus taxa de deformação” das pastas


de cimento provenientes dos concretos dosados com base nos conceitos de
empacotamento: (a) pasta de cimento CAD e (b) pasta de cimento CAA
Pasta de Cimento CAD - Conceitos de empacotamento
25

20
Tau[Pa]

5 min
15
15 min
10 30 min
5

0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180
D[1/s]
(a)

Pasta de Cimento CAA - Conceitos de empacotamento


10

8
5 min
Tau[Pa]

6
15 min
4 30 min

0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180
D[1/s]
(b)
Fonte: Elaboração da própria autora

C.2 CARACTERIZAÇÃO REOLÓGICA DAS ARGAMASSAS

As curvas de escoamento das argamassas provenientes dos concretos


dosados com base nos conceitos de reologia e com base nos conceitos de
empacotamento de partículas, obtidas no reômetro, são apresentadas nas Figuras
65 e 66, respectivamente.
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 134

Figura 65 – Curvas “tensão de cisalhamento versus taxa de deformação” das


argamassas provenientes dos concretos dosados com base nos conceitos de
reologia: (a) argamassa CAD e (b) argamassa CAA
Argamassa CAD - Conceitos de reologia
500

400
Tau [Pa]

5 min
300
30 min
200 60 min
100

0
0 20 40 60 80 100 120 140 160

D[1/s]
(a)

Argamassa CAA - Conceitos de reologia


250

200
5 min
Tau[Pa]

150
30 min
100 60 min

50

0
0 20 40 60 80 100 120 140 160

D[1/s]
(b)

Fonte: Elaboração da própria autora


Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 135

Figura 66 – Curvas “tensão de cisalhamento versus taxa de deformação” das


argamassas provenientes dos concretos dosados com base nos conceitos de
empacotamento: (a) argamassa CAD e (b) argamassa CAA
Argamassa CAD - Conceitos de empacotamento
350
300
250 5 min
Tau [Pa]

200 30 min
150 60 min
100
50
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160
D[1/s]
(a)

Argamassa CAA - Conceitos de empacotamento


120
100
80 5 min
Tau[Pa]

60 30 min

40 60 min

20
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160
D[1/s]
(b)

Fonte: Elaboração da própria autora


Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 136

APÊNDICE D – VIABILIDADE ECONÔMICA DOS CONCRETOS

D.1 CUSTOS DOA MATERIAIS

Os custos dos materiais (R$/kg) empregados nos concretos são apresentados


na Tabela 41. Esses custos são valores aproximadamente aplicados no ano de
2013.

Tabela 41 – Custos dos materiais utilizados


Materiais Custo (R$/kg)

Cimento CP II E 32 0,398

Sílica ativa 1,170

SM 200 1,500

Brita 1 0,023

Pedrisco 0,023

Pó de pedra 0,019

Areia média 0,025

AG 80-100 0,250

Aditivo superplastificante 5,310


Fonte: Elaboração da própria autora
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 137

ANEXO A – DOSAGEM DO CONCRETO AUTO ADENSÁVEL COM BASE NOS


CONCEITOS DE REOLOGIA

Todos os dados apresentados no Anexo A foram determinados por Vita (2011).

A.1 ESTUDO REOLÓGICO DA PASTA DE CIMENTO

As curvas “tempo de escoamento versus teor de sílica ativa”, “tensão de


cisalhamento versus taxa de deformação” e “viscosidade versus teor de sílica ativa”,
obtidas por Vita (2011) são apresentadas nas Figuras 67, 68 e 69, respectivamente.
Vale ressaltar que o modelo reológico utilizado para caracterizar as pastas foi o
modelo binghamiano.

Figura 67 – Curva “tempo de escoamento versus teor de sílica ativa”


280
Tempo de escoamento (s)

240
200 5 min

160
15 min
120
80
30 min
40
0
0 2 4 6 8 10 12
Teor de sílica ativa (%)
Fonte: Vita (2011)
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 138

Figura 68 – Curvas “tensão de cisalhamento versus taxa de deformação”


(a) pastas de cimento no tempo de 5 min, (b) pasta de cimento no tempo de 15 min
e (c) pasta de cimento no tempo de 30 min
Pasta de Cimento - 5 min
180
160
140 Adição 2%
120
Tau [Pa]

Adição 4%
100
80 Adição 6%
60 Adição 8%
40
20 Adição 10%
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180
D [1/s]
(a)

Pasta de Cimento - 15 min


180
160
140 Adição 2%
120 Adição 4%
Tau[Pa]

100
80 Adição 6%
60 Adição 8%
40
20 Adição 10%
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180
D [1/s]
(b)

Pasta de Cimento - 30 min


180
160
140 Adição 2%
120
Adição 4%
Tau[Pa]

100
80 Adição 6%
60
Adição 8%
40
20 Adição 10%
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180
D [1/s]
(c)
Fonte: Vita (2011)
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 139

Figura 69 – Curva “viscosidade versus teor de sílica ativa”


1,6
1,4
Viscosidade (Pa.s) 1,2
1,0 5 min
0,8 15 min
0,6
30 min
0,4
0,2
0,0
0 2 4 6 8 10 12
Teor de síca ativa (%)
Fonte: Vita (2011)

A.2 ESTUDO REOLÓGICO DA ARGAMASSA

As curvas “tempo de escoamento versus teor de superplastificante”,


“espalhamento versus teor de superplastificante”, “tensão de cisalhamento versus
taxa de deformação” e “viscosidade versus teor de superplastificante”, obtidas por
Vita (2011) são apresentadas nas Figuras 70, 71, 72 e 73, respectivamente. Vale
ressaltar que o modelo reológico utilizado para caracterizar as argamassas foi o
modelo binghamiano.

Figura 70 – Curva “tempo de escoamento versus teor de superplastificante”


13,00
Tempo de escoamento (s)

11,00

9,00 45% de Areia

7,00
42,5% de Areia
5,00
40% de Areia
3,00

1,00
0,25 0,30 0,35 0,40 0,45 0,50 0,55
Teor de superplastificante (%)
Fonte: Vita (2011)
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 140

Figura 71 – Curva “espalhamento versus teor de superplastificante”


400

350
Espalhamento (mm)
300 45% de Areia

250
42,5% de Areia
200
40% de Areia
150

100
0,25 0,30 0,35 0,40 0,45 0,50 0,55
Teor de superplastificante (%)

Fonte: Vita (2011)

Figura 72 – Curvas “tensão de cisalhamento versus taxa de deformação”


(a) argamassa com 40% de areia, (b) argamassa com 42,5% de areia e (c)
argamassa com 45% de areia
(continua)

Argamassa - 40% de areia


700
600 Aditivo 0,30%
500 Aditivo 0,35%
Tau[Pa]

400
Aditivo 0,40%
300
Aditivo 0,45%
200
Aditivo 0,50%
100
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160
D [1/s]
(a)

Argamassa - 42,5% de areia


700
600 Aditivo 0,30%
500 Aditivo 0,35%
Tau [Pa]

400
Aditivo 0,40%
300
Aditivo 0,45%
200
100 Aditivo 0,50%
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160
D [1/s]
(b)
Caroline Oliveira - Dissertação de Mestrado - PPGEM/UNESP, 2013 141

Figura 72 – Curvas “tensão de cisalhamento versus taxa de deformação”


(a) argamassa com 40% de areia, (b) argamassa com 42,5% de areia e (c)
argamassa com 45% de areia
(conclusão)

Argamassa - 45% de areia


700
600 Aditivo 0,30%
500
Aditivo 0,35%
Tau[Pa]

400
Aditivo 0,40%
300
200 Aditivo 0,45%

100 Aditivo 0,50%


0
0 20 40 60 80 100 120 140 160
D [1/s]
(c)
Fonte: Vita (2011)

Figura 73 – Curva “viscosidade versus teor de superplastificante”


4,0
Viscosidade (Pa.s)

3,0
45% de Areia

2,0 42,5% de Areia

40% de areia
1,0

0,0
0,25 0,30 0,35 0,40 0,45 0,50 0,55
Teor de Superplastificante (%)

Fonte: Vita (2011)