UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
SETOR DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ELETRICIDADE
CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA
Alunos:
César Luiz Canata Jr. 983692-6
Uilian Lucas de Souza 980305-1
PROJETO DE RÁDIO ENLACE
ENTRE UFPR E UEPG
Trabalho apresentado à disciplina
MICROONDAS E LINHAS DE
TRANSMISSÃO - TE481, ministrada pelo
professor Horácio Tertuliano Filho.
Curitiba 2003
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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 2
DEFINIÇÃO DE RÁDIO ENLACE....................................................................................................... 3
DEFINIÇÃO DO PROJETO................................................................................................................ 3
ESCOLHA DO CAMINHO DA TRANSMISSÃO .................................................................................. 3
CÁLCULO DA DISTÂNCIA ENTRE CURITIBA E PONTA GROSSA .................................................. 5
ESCOLHA DAS POSIÇÕES DAS TORRES ....................................................................................... 5
LIBERAÇÃO DAS ZONAS DE FRESNEL .......................................................................................... 6
ESCOLHA DOS CABOS E DAS ANTENAS ....................................................................................... 8
DETERMINAÇÃO DA ALTURA DAS TORRES .................................................................................. 9
ATENUAÇÃO ...................................................................................................................................10
Atenuação do espaço livre.............................................................................................................11
Atenuação de absorção atmosférica ..............................................................................................11
Atenuação do Enlace 1 (UFPR – R1).............................................................................................11
Atenuação do Enlace 2 (R1 – R2)..................................................................................................11
Atenuação do Enlace 3 (R2 – UEPG) ............................................................................................12
Atenuação total do Enlace .............................................................................................................12
CONCLUSÃO ...................................................................................................................................13
BIBLIOGRAFIA .................................................................................................................................13
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INTRODUÇÃO
O objetivo deste trabalho é descrever um projeto de Rádio Enlace entre o
campus da UFPR (Centro Politécnico) e o campus da UEPG (Uvaranas – Ponta
Grossa).
Além de alguns conceitos básicos, esse trabalho abordará o caminho
escolhido para a transmissão do sinal, a localização e altura das torres e o tipo de
antena a ser usada para a irradiação do sinal.
Os dados impostos para o projeto são os seguintes:
Faixa de freqüência do sinal em VHF (Very High Frequency): F= 300MHz
Trajetória de aproximadamente 100km: UFPR – UEPG
Mínimo de 3 torres: a propagação não pode ser direta.
No projeto, serão descritos a forma como foi escolhida a trajetória, a escolha
da localização e altura das torres transmissoras, retransmissoras e receptoras, a
escolha dos cabos e das antenas e o cálculo das atenuações do sinal durante toda a
propagação.
Os cálculos ainda irão garantir que o sinal saíra de Curitiba e chegará em
Ponta Grossa em perfeitas condições para a inteligibilidade, ou seja, não haverá
distorção nem ruído suficiente para comprometer a transmissão do sinal.
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DEFINIÇÃO DE RÁDIO ENLACE
Rádio Enlace é a difusão de sinais através de ondas eletromagnéticas. Para
que um projeto de enlace tenha sucesso, é necessário que o sinal seja transmitido
com potência e confiabilidade suficientes para que possa ser recuperado pela
antena receptora. A propagação deve ocorrer com a mínima distorção e ruído
possíveis.
No caso desse projeto, será feito um Rádio Enlace entre o Centro Politécnico
(Curitiba) e o campus da UEPG (Ponta Grossa). Este enlace tem por objetivo
estabelecer um canal de comunicação entre as duas universidades.
DEFINIÇÃO DO PROJETO
Todas as informações contidas nesse projeto foram baseadas junto a
bibliografias atuais e dados de empresas e softwares do ramo das
telecomunicações. Por usar dados reais, esse projeto pode ser perfeitamente
utilizado para a sua implementação. Porém, se tratando de um projeto acadêmico,
não se adequará totalmente às exigências de um projeto comercial que tende a ser
mais detalhado e melhor orçado.
ESCOLHA DO CAMINHO DA TRANSMISSÃO
A escolha do caminho de transmissão do sinal é o primeiro passo e um
importante dado que o projetista precisa definir. Dependendo de sua escolha ele
pode economizar na altura e no número de torres usadas para retransmissão.
Poderíamos, nesse projeto, fazer um estudo topográfico detalhado, usando
softwares pesados que nos definiriam o melhor trajeto da transmissão. Mas, por falta
de recursos, optamos simplesmente pela escolha do caminho mais simples: uma
linha reta que sai de Curitiba, no Centro Politécnico e chega até Ponta Grossa, na
UEPG.
3
A figura abaixo mostra o caminho por onde será feita a transmissão do sinal.
Definindo o caminho, precisamos traçar o perfil topográfico. Levantamos o
perfil manualmente a fim de nos familiarizarmos com as cartas topográficas
fornecidas pelo professor. Depois comparamos o resultado obtido manualmente com
o perfil levantado pelo software Cell Planner. O resultado obtido foi satisfatório.
O perfil topográfico está mostrado na figura abaixo:
Perfil Topográfico de Ponta Grossa a Curitiba
1200
1000
800
cota [m]
600
400
200
0
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90
distância [km]
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CÁLCULO DA DISTÂNCIA ENTRE CURITIBA E PONTA GROSSA
Para calcular a distância em lina reta entre as cidades precisamos definir as
coordenadas dos dois pontos onde serão colocadas as torres de transmissão.
Torre Latitude S Longitude W
UFPR T1 25°27’02” (25,47) 49°14’15” (49,36)
UEPG T2 25°05’13” (25,19) 50°06’13” (50,23)
Cálculo de :
ar cossenLA1.senLA 2 cos LA1. cos LA2. cos LO1 LO 2
ar cossen (25,47 ).sen (25,19) cos( 25,47 ). cos( 25,19). cos( 49,36 50,23)
0,893819
Cálculo da distância D:
D 111,2. , onde 111,2 é a distância em km, considerando a curvatura da terra.
D 99,39km
Portanto, a distância em linha reta entre a UFPR e a UEPG é de
aproximadamente 99,39km.
ESCOLHA DAS POSIÇÕES DAS TORRES
Observando o levantamento topográfico feito anteriormente, fica claro que
seria impossível fazer uma transmissão direta do sinal. Observa-se que os pontos de
transmissão e recepção estão baixos e que há picos altos que bloqueariam o sinal.
Então será preciso colocar duas torres de retransmissão do sinal. Nesse caso,
optamos pela seguinte escolha mostrada na figura abaixo:
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Localização das Torres
1200
ENLACE 2
ENLACE 3 ENLACE 1
1000
R2
R1
UFPR
800
UEPG
cota [m]
600
400
200
0
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90
distância [km]
O quadro abaixo mostra geograficamente o posicionamento das torres:
Antenas (Torres) Distância da Origem Altitude (nível do mar)
UFPR T1 99,39 km 993 m
Repetidora R1 68,50 km 997 m
Repetidora R2 21,25 km 1.080 m
UEPG T2 0 (origem) 983 m
LIBERAÇÃO DAS ZONAS DE FRESNEL
Primeiramente liberar as zonas de Fresnel. O critério utilizado nesse projeto
será com base em K=4/3 e com 60% da liberação na 1ª zona de Fresnel, tendo em
vista que o enlace será projetado apenas para funcionar no período diurno. A
frqüência utilizada será de 300Mhz, como enuciado nas imposições do projeto.
Dess forma, o raio da elipsóide de Fresnel para um ponto entre as antenas
pode ser calculado pela seguinte fórmula:
1/ 2
n.d1.d 2
Rn .550
(d1 d 2). f
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Nesse primeiro enlace, que vai da torre T1 (Curitiba) até a torre R1, a 1ª zona
de Fresnel está totalmente liberada, visto que não há nenhuma obstrução para esse
trecho. O mesmo ocorre para o enlace 2.
Já no terceiro enlace que vai da repetidora R2 até o campus da UEPG, há
uma obstrução física do caminho a 13km de Ponta Grossa, o que nos obriga a fazer
o cálculo da liberação da zona de Fresnel. Aplicando a fórmula, obtemos a abertura
da zona de Fresnel neste ponto crítico do enlace:
1.13.8,25
Rn 550 . = 71,34m
(8,25 13).300
Portanto, o raio da abertura da elipsóide de Fresnel será de 71,34m. Agora
podemos calcular o máximo de bloqueio que poderá ocorrer na 1ª zona de Fresnel
para que o enlace continue funcionando. Sabendo que a torre R2 fica a 1.080m de
altitude e que a torre de Ponta Grossa fica a 983 m e que a altura do obstáculo é de
1.040m, podemos fazer o seguinte cálculo:
Máximo bloqueio = 40% da abertura = 0,4.2.71,34 = 57,07m
Esse número diz respeito a altitude máxima que um obejto pode se encontrar
dentro da elipsóide do enlace 3, e a comunicação ainda seria perfeitamente
possível.
O próximo passo será calcular a altitude dos pontos que une as duas antenas:
Y a.X b
1080 a.0 b b 1080
a.21250 983 b a 4,56.10 3
Y 4,56.10 3. X 1080
Para X=8250 m (distância entre R2 e o obstáculo)
Y 1042 m
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Como o raio da elipsóide é de 71,34m, o elipsóide ficará entre 1042 71,34 m
( Y max 1113 m e Y min 970 m), portanto o enlace está obstruído.
Como o obstáculo se encontra a 1.040m de atitude, podemos calcular a
obstrução do enlace:
Obstrução 1040 970 70 m > 57,07m (máximo bloqueio)
Visto que a obstrução está acima do ponto de máximo bloqueio do enlace,
temos que aumentar a altura das antenas. Para garantir a vista direta entre as
antenas deste enlace, precisamos elevá-las aproximadamente 65m do solo.
O restante do enlace não precisa de torres muito altas, pois não há nada
obstruindo a vista direta entre as antenas.
ESCOLHA DOS CABOS E DAS ANTENAS
O cabo que melhor se adapta ao nosso projeto é o HJ5-50 da Andrew
Indústria e comércio Ltda. Esse cabo garante uma atenuação em torno de
1,5dB/100m. Esse cabo necessita de pressurização que pode ser conseguida
através de uma sílica passiva, dispensando o uso de compressor.
A antena que mais se adapta às necessidades do projeto pode ser
encontrada no catálogo da Decibel Products. A antena em questão é a Yagi DB230,
com 15,15dBi de ganho em um arranjo de quatro antenas. Essa antena será usada
tanto nas Estações Rádio Base (ERB’s) quanto nas repetidoras.
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A figura abaixo mostra o diagrama de irradiação da antena Yagi DB230.
DETERMINAÇÃO DA ALTURA DAS TORRES
A altura da torres será determinada de modo a não prejudicar a comunicação
do enlace e de forma a economizar gastos excessivos com torres muito altas,
encarecendo o projeto. Onde há obstáculos, será necessário a colocação de torres
mais elevadas.
Para definirmos a altura das torres, precisamos pesquisar a legislação vigente
dos serviços de telecomunicações. A prática da Telebrás recomenda que as torres
não possuam menos de 15m de altura, porém não pode exceder os 130m. Essas
instalações precisam ser regulamentadas junto ao COMAR.
Com base nessas recomendações podemos definir a altura de acordo com o
quadro abaixo:
Torre Altura Tipo de Torre
T1 (UFPR) 30 m Estaiada
R1 30 m Estaiada
R2 65 m Autoportante
T2 (UEPG) 65 m Autoportante
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ATENUAÇÃO
Definido todos esses parâmetros, será preciso fazer o cálculo da atenuação
do sinal que é dado pela seguinte fórmula:
At Ael Aab Armf Aca Acb AatTX AatRX Aob (GT GR) [dB]
Onde:
At Atenuação total
Ael Atenuação do espaço livre
Aab Atenuação de absorção atmosférica
Armf=0 Atenuação total do circuito de ramificação
Aca Atenuação no guia de onda ou cabo RF da estação A
Acb Atenuação no guia de onda ou cabo RF da estação B
AatTX=0 Atenuação do lado TX
AatRX=0 Atenuação do lado RX
Aob Atenuação por absorção
GT Ganho da antena transmissora
GR Ganho da antena receptora
A unidade de atenuação é dada em dB enquanto que a unidade de ganho é
dada em dBi.
Neste projeto não há cálculo de interferência entre enlaces, portanto AalTX e
AalRX=0. Assim como Armf=0 por não haver necessidades de ramificação.
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Atenuação do espaço livre
Ael 32,4 20 log( f ) 20 log( d ) , onde f é a freqüência utilizada e d é a
distância envolvida no enlace.
Atenuação de absorção atmosférica
Considerando apenas o clima atmosférico (ar seco), fica definido para o
projeto uma atenuação atmosférica de 0,004dB/km.
Atenuação do Enlace 1 (UFPR – R1)
Ael 32,4 20 log(300) 20 log(30,89) 111,7387 dB
1,5
Aca Acb .40 0,60 dB , considerando 40m de cabo em T1 e R1
100
Aab 0,004.30,89 0,1235dB
Ae1 111,7387 0,60 0,60 0,1235 (15,15 15,15)
Ae1 82,7622 dB
Atenuação do Enlace 2 (R1 – R2)
Ael 32,4 20 log(300) 20 log( 47,25) 115,4304 dB
1,5
Aca .40 0,60dB , considerando 40m de cabo em R1
100
1,5
Acb .75 1,125 dB , considerando 75m de cabo em R2
100
Aab 0,004.47,25 0,189 dB
Ae2 115,4304 0,60 1,125 0,189 (15,15 15,15)
Ae2 87,0444 dB
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Atenuação do Enlace 3 (R2 – UEPG)
Ael 32,4 20 log(300) 20 log( 21,25) 108,4896 dB
1,5
Aca Acb .75 1,125 dB , considerando 75m de cabo em R2 e T2
100
Aab 0,004.21,25 0,085dB
Ae3 108,4896 1,125 1,125 0,085 (15,15 15,15)
Ae3 80,5246 dB
Atenuação total do Enlace
A atenuação total do enlace fica definida pela soma das atenuações dos três
enlaces:
At 82,7622 87,0444 80,5246 250,3312 dB
Como a atenuação envolvida é muito alta, esse projeto precisa de estágios de
amplificação entre os enlaces. Escolhemos colocar um amplificador de 50dB para
cada enlace, diminuindo a atenuação total em 150dB. Portanto a atenuação total
agora vale:
At 100,33dB
Como a potência máxima de transmissão para VHF está regulamentada para
o máximo de 100W, o sinal será recebido na ordem de pico Watts.
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CONCLUSÃO
Por ser uma atividade especializada, as empresas do ramo de projetos de
rádio enlace não fornecem material referente aos projetos, ficando muito difícil para
um pesquisador obter alguns dados. A escassa bibliografia é também uma
dificuldade que um projetista irá enfrentar.
Com base no nosso estudo, podemos concluir que o rádio enlace pode ser
utilizado em muitos sistemas de telecomunicações que envolvem grandes
distâncias. Hoje em dia, com o auxílio de softwares caríssimos podemos obter com
muita rapidez ótimos resultados de projeto, ficando quase inevitável dispensá-lo.
Tendo em vista a faixa de freqüência utilizada neste projeto, podemos concluir
também que esta não é a melhor faixa para transmissão a grandes distâncias, pois
as antenas usadas não possuem ganho muito alto. Seria mais adequado utilizarmos
freqüências mais elevadas, na faixa de microondas, assim poderíamos utilizar
antenas parabólicas com ganho que chega na casa dos 40dB, melhorando o nível
de recepção.
BIBLIOGRAFIA
[1] MIYOSHI, Edson e SANCHES, Carlos. Projetos de Sistemas Rádio – Ed.
Érica – São Paulo, 2002
[2] FIGUEIREDO, Cláudio – Projeto Padrão para Circuitos em HF e VHF / UHF –
Telavo Comunicações – Publicação Técnica Nº13 – DENTEL.
[3] Decibel Products – Product Catalog
[4] Gilberto Silva e O. Barradas, “Sistemas Radiovisibilidade”, vol. 1, 3a edição,
EMBRATEL.
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