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Práticas de Estrutura

e Classificação de
Materiais Poliméricos
PROFESSORA ALESSANDRA BERTON
DISCIPLINA Estrutura e Classificação de Materiais poliméricos

ALUNO:_____________________________________________TURMA:____________
1. INTRODUÇÃO SOBRE POLÍMEROS

1.1. Os polímeros (plásticos) em nossas vidas

Na correria do dia a dia, geralmente não nos damos conta dos objetos que nos cercam. Esses
objetos são produzidos a partir de diversos materiais como madeira, metais, rochas, cerâmica,
vidro, osso e etc. Dentre os materiais mais utilizados atualmente, os plásticos se destacam.
A cada dia o emprego de plásticos e borrachas vem alcançando um papel mais importante
e, por que não dizer, fundamental, em nossas vidas.
Os plásticos são usados em grande escala na produção de embalagens, principalmente de
produtos alimentícios, utensílios domésticos e eletrodomésticos, além de suas aplicações
científico-tecnológicas e em diversas áreas da indústria. A popularização dos plásticos se deve,
basicamente, ao seu baixo custo de produção, peso reduzido, elevada resistência e à
possibilidade de seu uso na fabricação de peças nas mais variadas formas, tamanhos e cores. É
comum observar que peças inicialmente produzidas com outros materiais, particularmente metal
ou madeira, têm sido substituídas por outras de plástico. Essas peças, quando devidamente
projetadas, cumprem seu papel apresentando, na maioria das vezes, um desempenho superior ao
do material antes utilizado.
Um exemplo de vantagem em substituição de material são os pára-choques dos automóveis. Até
bem pouco tempo, os carros possuíam pára-choques de ferro-cromado que, com o tempo,
enferrujavam (sofriam corrosão), além de se deformarem facilmente com pequenos impactos.
Hoje, quase todos os automóveis produzidos possuem pára-choques de plástico, que não
enferrujam, absorvem o impacto com mais eficiência, além de serem mais bonitos e mais baratos.
Muitas outras peças de um automóvel também são de plástico tais como: o painel e o volante, o
forro do teto interno, a forração e o estofamento dos bancos, partes dos cintos de segurança, o
carpete, as calotas, a fiação elétrica (fios metálicos encapados), a carcaça da bateria, as
mangueiras, os reservatórios de líquidos e as juntas, além de vedações e pneus de borracha.
Portanto, boa parte do carro que você utiliza todos os dias para ir ao trabalho é constituída por
peças de plástico ou borracha, que permitem que ele seja mais confortável e seguro. Outra
vantagem da crescente utilização dos plásticos nesta área é a redução do peso dos veículos, o
que acarreta a diminuição do consumo de combustível e consequentemente em uma maior
economia para o usuário.
Apesar dos plásticos propiciarem várias vantagens, alguns inconvenientes também surgiram. Os
plásticos, diferentemente de outros materiais, levam muito tempo para se degradarem e, portanto,
eles permanecem praticamente intactos por anos, o que causa problemas ambientais. Iniciativas
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para a solução deste problema têm surgido, entre elas, a reciclagem dos plásticos ou a sua
utilização como fonte alternativa de energia, através da combustão.
Em geral, as pessoas têm pouco ou nenhum conhecimento sobre o que é um plástico, como é
obtido, quais são os tipos de plásticos e suas aplicações, e quais são os seus processos de
transformação. Essas informações são importantes para quem trabalha na comercialização de
plásticos, em indústrias de produção ou transformação de plástico, para jovens universitários das
áreas de química e engenharia de materiais, ou simplesmente curiosos sobre o assunto. Portanto,
o objetivo principal deste curso é atender a essas pessoas, esclarecendo suas dúvidas e
introduzindo-as no mundo dos plásticos e borrachas.
Nas aulas que fazem parte deste curso, serão abordados os conceitos básicos sobre plásticos e
borrachas, suas fontes de matéria-prima, como eles são obtidos, os principais plásticos e
borrachas e os processos de transformação dos plásticos em artefatos com os quais convivemos
todos os dias.

1.2. O que é um plástico?

Aparentemente, uma peça de plástico é similar a qualquer outra, ou seja, todos os artefatos de
plástico parecem constituídos do mesmo material, variando apenas a cor e o formato do objeto.
Na realidade, existem vários tipos de plásticos e borrachas que possuem propriedades e
estruturas químicas diferentes. Por exemplo, um plástico utilizado na fabricação de um balde
não é o mesmo usado na produção de um CD.

Vejamos o que vem a ser um plástico.

O plástico é uma molécula sintética, ou seja, produzida pelo homem, chamada de polímero
(do grego: poli - muitas, mero - partes). Os polímeros são moléculas gigantes, geralmente
de origem orgânica, constituídas pela união de moléculas de baixa massa molecular,
denominadas monômeros, através de reações químicas (Figura 1) e que possuem unidades
de repetição chamadas meros. Um exemplo ilustrativo é a corrente cujos elos correspondem
aos meros, enquanto a corrente é o polímero. Portanto, os polímeros podem ser definidos
quimicamente como sendo moléculas relativamente grandes, de massas moleculares da ordem
de 1.000 a 1.000.000, em cuja estrutura se encontra unidades químicas simples repetidas
(meros). Polietileno, polipropileno, poliestireno, poliéster, nylon e teflon® são exemplos de
polímeros industriais.

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MONÔMERO POLÍMERO

Figura 1 - Relação monômero-polímero

Na Figura 1, o etileno é o monômero que, após reagir com várias outras moléculas iguais a ele,
forma o polímero polietileno, ou, simplesmente, PE. A reação química para obtenção do polímero
é denominada polimerização. Na estrutura da molécula de PE, a unidade -CH2-CH2- se repete
indefinidamente e depende do número de moléculas de etileno que reagiram entre si (n) para
formar o polímero. O índice n (ou DP) do polímero é conhecido como grau de polimerização e
representa o número de meros presentes na cadeia polimérica.
A característica dos polímeros em ter uma massa molecular alta afeta significativamente as
propriedades químicas e físicas dessas moléculas. Assim, quanto maior for o grau de
polimerização, mais elevada será a massa molecular do polímero. Polímeros com massa
molecular muito elevada são designados altos polímeros, enquanto os de baixa massa molecular
são chamados de oligômeros (do grego: poucas partes).
Além dos polímeros, existem outras moléculas de massas moleculares muito altas encontradas
na natureza, que podem ser de origem inorgânica, como o diamante, o grafite, o asbesto e a
sílica; ou de origem orgânica, como os polissacarídeos (celulose e amido), proteínas (colágeno,
hemoglobina, hormônios, albumina e etc) e ácidos nucleicos (DNA e RNA). Tanto os polímeros,
quanto estas moléculas são classificadas como macromoléculas. Ou seja, as macromoléculas
são compostos de origem natural ou sintética com elevada massa molecular e estrutura química
complexa. Logo, a lã, o couro, a madeira, o cabelo, o chifre, a seda natural, a unha e a borracha
de seringueira são exemplos de materiais cotidianos constituídos por macromoléculas naturais
orgânicas, que não apresentam unidades estruturais regularmente repetidas.

 A definição de plástico, como veremos em breve, está relacionada com o


comportamento mecânico do polímero. Assim, se deve ter cuidado, pois, nem todos os
materiais aos quais chamamos de plásticos ou matéria-plástica, podem ser classificados
como tais.

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GLOSSÁRIO

COMBUSTÃO
Reação química em que uma substância reage rapidamente com oxigênio produzindo calor, luz e
chama.

COMPOSTO
Substância formada pela combinação de elementos em proporções definidas.

CORROSÃO
Ataque químico ou eletroquímico sobre a superfície de um metal.

DEGRADAÇÃO
Tipo de reação orgânica, em estágios, em que um composto é convertido em um composto mais
simples.

MOLÉCULA
Unidade fundamental que forma um composto químico.

MASSA MOLECULAR (MM)


Razão entre a massa média por molécula de composição isotópica específica de uma substância
e 1/12 da massa do átomo de carbono-12.

REAÇÃO QUÍMICA
Uma mudança em que um ou mais elementos químicos ou compostos formam novos compostos.

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Questionário 1

1. A principal diferença entre os polímeros está:


a) Em suas estruturas químicas e propriedades
b) Na forma e tamanho dos objetos produzidos
c) No tipo de artefato fabricado
d) Não há diferença entre os plásticos

2. O problema ambiental provocado pelos plásticos pode ser solucionado através:


a) Da fabricação de plásticos indestrutíveis
b) Não há soluções para este problema
c) Da reciclagem
d) Reduzir o consumo de plásticos

3. Indique qual das afirmativas abaixo está correta.


a) Todos os polímeros são plásticos
b) Todas as macromoléculas são polímeros
c) Todos os monômeros são polímeros
d) Todos os plásticos são polímeros

4. Os monômeros são moléculas que:


a) Se formam a partir da degradação dos polímeros
b) Reagem para formar polímeros
c) São formadas durante a polimerização
d) São polímeros inorgânicos

5. A unidade química que se repete na estrutura química de um polímero é chamada de:


a) Oligômero
b) Multímetro
c) Mero
d) Dímero

6. A polimerização é uma reação química entre:


a) Um monômero e um polímero
b) Dois polímeros
c) Moléculas de baixa massa molecular - monômeros
d) Duas macromoléculas

7. Indique em qual dos itens abaixo relacionados os materiais são macromoléculas


orgânicas naturais.
a) Hormônios, sílica e nylon
b) Colágeno, celulose e DNA
c) Políéster, RNA e amido
d) Grafite, albumina e teflon

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2. CLASSIFICAÇÃO E PROCESSOS DE OBTENÇÃO DOS POLÍMEROS

2.1. Classificação dos Polímeros

Além dos polímeros clássicos produzidos e comercializados há alguns anos, a cada dia, novos
polímeros surgem oriundos das pesquisas científicas e tecnológicas desenvolvidas em todo o
mundo. Logo, devido à grande variedade de materiais poliméricos existentes, torna-se necessário
selecioná-los em grupos que possuam características comuns, que facilitem a compreensão e
estudo das propriedades desses materiais. Portanto, com este objetivo, os polímeros foram
classificados de acordo com suas estruturas químicas, características de fusibilidade,
comportamentos mecânicos, tipos de aplicações e escala de produção.

A seguir, veremos estas classificações, bem como os conceitos correlacionados a elas.

2.1.1. Classificação Quanto ao Tipo de Estrutura Química

Existe três classificações dos polímeros em função de sua estrutura química:

2.1.1.1. Em relação ao número de diferentes meros presentes no polímero

A composição de um polímero pode apresentar apenas um único tipo de mero (cadeia


homogênea) ou dois ou mais meros (cadeia heterogênea). Quando a cadeia é homogênea, diz-se
que o polímero é um homopolímero, caso a cadeia seja heterogênea, o polímero é designado
copolímero.

Logo, temos:

# Homopolímero - É o polímero constituído por apenas um tipo de unidade estrutural repetida.


Ex: Polietileno, poliestireno, poliacrilonitrila, poli (acetato de vinila).

Se considerarmos A como o mero presente em um homopolímero, sua estrutura será:

# Copolímero - É o polímero formado por dois ou mais tipos de meros. Ex: SAN, NBR, SBR.

Supondo que A e B sejam os meros de um copolímero, podemos subdividir os copolímeros em:

Copolímeros estatísticos (ou aleatórios) - Nestes copolímeros os meros estão dispostos de


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forma desordenada na cadeia do polímero.

Copolímeros alternados - Os meros estão ordenados de forma alternada na cadeia do


copolímero.

Copolímeros em bloco - O copolímero é formado por seqüências de meros iguais de


comprimentos variáveis.

Copolímeros grafitizados (ou enxertados) - A cadeia principal do copolímero é formada por um


tipo de unidade repetida, enquanto o outro mero forma a cadeia lateral (enxertada).

Geralmente, os copolímeros constituídos por três unidades químicas repetidas diferentes são
denominados terpolímeros. Um exemplo típico deste tipo de polímero é o ABS, ou melhor, o
terpolímero de acrilonitrila-butadieno-estireno. A reação de formação de um copolímero é
conhecida como copolimerização, e os monômeros envolvidos nesta reação são chamados de
comonômeros. Ao se variar os comonômeros e suas quantidades relativas em uma
copolimerização, os copolímeros obtidos adquirem propriedades químicas e físicas
diferentes.

2.1.1.2. Em relação à estrutura química dos meros que constituem o polímero

Esta classificação é baseada no grupo funcional a qual pertencem os meros presentes na cadeia
do polímero. Assim, temos como exemplos:

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# Poliolefinas - polipropileno, polibutadieno, poliestireno.

# Poliésteres - poli (tereftalato de etileno), policarbonato.

# Poliéteres – poli (óxido de etileno), poli (óxido de fenileno).

# Poliamidas - nylon, poliimida.

# Polímeros celulósicos - nitrato de celulose, acetato de celulose.

# Polímeros acrílicos - poli (metacrilato de metila), poliacrilonitrila.

# Polímeros vinílicos - poli (acetato de vinila), poli (álcool vinílico)

# Poliuretano

# Resinas formaldeídicas - resina fenol-formol, resina uréia-formol.

2.1.1.3. Em relação à forma da cadeia polimérica

A cadeia polimérica pode assumir as formas:

# Lineares - A cadeia do polímero não possui ramificações.

# Ramificadas - O polímero se apresenta ramificado, ou seja, com pequenas cadeias laterais.

# Reticuladas - Os polímeros possuem estrutura tridimensional, onde as cadeias estão unidas


por ligações químicas (ligações cruzadas).
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2.1.2. Classificação Quanto às Características de Fusibilidade

Dependendo do comportamento ao serem aquecidos, os polímeros podem ser designados:

# Termoplásticos - São polímeros que fundem ao serem aquecidos e que solidificam ao serem
resfriados. Ex: Polietileno, poli (tereftalato de etileno), poliacrilonitrila, nylon.

# Termorrígidos - São polímeros que formam ligações cruzadas ao serem aquecidos, tornando-
se infusíveis e insolúveis. Ex: Resina fenol-formol, resina melamina-formol, resina uréia-formol.

2.1.3. Classificação Quanto ao Comportamento Mecânico

# Plásticos (do grego: adequado à moldagem) - São materiais poliméricos estáveis nas
condições normais de uso, mas que, em algum estágio de sua fabricação, são fluídos,
podendo ser moldados por aquecimento, pressão ou ambos. Ex: Polietileno, polipropileno,
poliestireno.

# Elastômeros (ou borrachas) - São materiais poliméricos de origem natural ou sintética


que, após sofrerem deformação sob a ação de uma força, retornam a sua forma original
quando esta força é removida. Ex: Polibutadieno, borracha nitrílica, poli (estireno-co-
butadieno).

# Fibras - São corpos em que a razão entre o comprimento e as dimensões laterais é muito
elevada. Geralmente são formadas por macromoléculas lineares orientadas
longitudinalmente. Ex: Poliésteres, poliamidas e poliacrilonitrila.

2.1.4. Classificação Quanto à Escala de Fabricação

Os plásticos, quanto à escala de fabricação podem ser classificados como:

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# Plásticos de comodidade (commodieties) - Constituem a maioria dos plásticos fabricados no
Mundo. Ex: Polietileno, polipropileno, poliestireno, etc.

# Plásticos de especialidade (specialities) - Plásticos que possuem um conjunto incomum de


propriedades produzido em menor escala. Ex: Poli (óxido de metileno) e poli (cloreto de
vinilideno).

2.1.5. Classificação Quanto ao Tipo de Aplicação

Um plástico pode ter um uso geral ou ser um plástico de engenharia.

# Plásticos de uso geral - São polímeros utilizados nas mais variadas aplicações, como o
polietileno, o polipropileno, o poliestireno, o poli (metacrilato de metila), o poli (cloreto de vinila),
baquelite, etc.

# Plásticos de engenharia - São polímeros empregados em substituição de materiais clássicos


usados na engenharia, como, por exemplo, a madeira e os metais.
Ex: Poliacetal, policarbonato e poli (tetrafluoretileno).

Além das classificações descritas para os polímeros, o termo resina é muito empregado na
indústria de plásticos. As resinas naturais são compostos orgânicos amorfos secretados por
certas plantas ou insetos; geralmente insolúveis em água, mas solúveis em vários solventes
orgânicos. As resinas sintéticas são originalmente descritas como um grupo de substâncias
sintéticas cujas propriedades se assemelham às das resinas naturais. Geralmente, à
temperatura ambiente, as resinas apresentam um aspecto de líquido viscoso, que amolece
gradualmente ao ser aquecido.

GLOSSÁRIO
CADEIA
Uma linha de átomos de um mesmo tipo em uma molécula.

COMPOSTO AMORFO
Composto sólido não-cristalino, que possui uma forma indefinida.

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Questionário 2

1. Um polímero pode ter uma cadeia com forma:


a) Retilínea, cristalina e enxertada
b) Enovelada, linear e tridimensional
c) Reticulada, linear e ramificada
d) Linear, amorfa e reticulada

2. Indique qual das afirmativas está correta:


a) As resinas são compostos sólidos cristalinos de origem natural ou sintética
b) As resinas quando aquecidas tornam-se líquidos de baixa viscosidade
c) As resinas sintéticas diferem das naturais por serem solúveis em água
d) As resinas são formadas por oligômeros de elevada massa molecular

3. Os copolímeros estatísticos e em bloco se caracterizam por terem os meros dispostos,


respectivamente:
a) Desordenados e em seqüências
b) Alternados e ramificados
c) Desordenados e alternados
d) Ramificados e em seqüências

4. Os comonômeros são definidos como:


a) Monômeros difuncionais
b) Monômeros que originam heteropolímeros
c) Monômeros que originam homopolímeros
d) Monômeros que originam copolímeros

5. A baquelite pode ser classificada como um plástico:


a) Termorrígido de engenharia
b) Termorrígido de uso geral
c) Termoplástico de engenharia
d) Termoplástico de uso geral

6. Diz-se que um material possui elasticidade, ou seja, é um elastômero, quando:


a) O material sofre uma deformação irreversível
b) Após sofrer deformação, o material retorna a sua forma original
c) Se deforma facilmente ao ser aquecido
d) O material não sofre deformação

2.2. Processos de Obtenção de Polímeros

Como vimos anteriormente, os polímeros são classificados quanto às suas propriedades


químicas, físicas e estruturais. Entretanto, também podem ser agrupados em função do tipo de
reação utilizada em sua obtenção e quanto à técnica de polimerização empregada. Esses fatores
afetam significativamente as características dos polímeros produzidos.

Neste tópico, veremos os tipos de reações e técnicas de polimerização existentes.

2.2.1. Reações de Polimerização

Em 1929, Carothers dividiu as polimerizações em dois grupos, de acordo com a composição ou


estrutura dos polímeros. Segundo esta classificação, as polimerizações podem ser por adição
(poliadição) ou por condensação (policondensação). Na poliadição, a cadeia polimérica é
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formada através de reações de adição dos monômeros (geralmente com uma dupla
ligação), enquanto, na policondensação, a reação se passa entre monômeros
polifuncionais, ou entre monômeros diferentes, usualmente ocorrendo a eliminação de
moléculas de baixa massa molecular, como a água e amônia (Figura 2).

Figura 2 - Poliadição e policondensação

Anos mais tarde, em 1953, Flory generalizou e aperfeiçoou esta classificação, utilizando como
critério o mecanismo da reação envolvido na polimerização, dividindo as reações em
polimerizações em cadeia e em etapas, que correspondem, respectivamente, às poliadições e
policondensações. As polimerizações em cadeia e em etapas possuem características diferentes,
como é mostrado na Tabela 1

Tabela 1 - Diferenças entre as polimerizações em cadeia e em etapas. Principais diferenças


entre poliadição e policondensação
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poliadição policondensação
Em cadeia Em etapas
Sem subprodutos Com subprodutos
Sem interferentes Pode haver interferentes
Ruptura homolítica e Ruptura
heterolítica heterolítica
Pelo menos dois processos Apenas um processo
cinéticos cinético
Velocidade rápida com Velocidade lenta sem
formação imediata de formação imediata de
polímero polímero
Concentração de Concentração de
monômeros diminui monômeros diminui
progressivamente rapidamente
Há necessidade de um Não há necessidade de um
iniciador iniciador
Durante toda a reação há Consome todo o monômero
presença de monômero e no início da polimerização
polímero

Já forma uma cadeia Forma uma cadeia com


carbônica com alta massa baixa massa molar que com
molar desde o início o tempo de reação aumenta
Forma geralmente cadeias Forma geralmente cadeias
homogêneas heterogêneas
Não tem ligações cruzadas Pode ter ligações cruzadas
Geralmente forma Geralmente forma
termoplásticos termorrígidos

Com esta nova classificação, polímeros que antes eram incorretamente considerados como
produtos de poliadição, como os poliuretanos (que não liberam moléculas de baixa massa
molecular, mas são caracteristicamente obtidos por uma reação de condensação), receberam
uma classificação mais precisa, sendo considerados provenientes de polimerizações em etapas.
As polimerizações em cadeia apresentam reações de iniciação, propagação e terminação
distintas e bem definidas. A iniciação de uma polimerização em cadeia pode ser induzida pelo
calor, por agentes químicos (iniciadores), por radiação (ULTRAVIOLETA e RAIOS gama) e
por CATALISADORES. A iniciação por calor ou radiação proporciona uma HOMÓLISE da ligação
dupla do monômero, levando a um mecanismo de reação via radical livres. Já a iniciação química,
que é a mais empregada na indústria, pode ser conduzida por iniciadores que provocam uma
homólise ou HETERÓLISE desta ligação. Logo, a polimerização pode ocorrer através de radicais
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livres, via catiônica via aniônica ou por compostos de coordenação. Caso a polimerização seja
iniciada por um iniciador radicalar é chamada de polimerização radicalar; caso o iniciador seja um
cátion denomina-se catiônica, se o iniciador for um ânion, a polimerização é dita aniônica (Figura
3). No caso da polimerização por coordenação, os catalisadores utilizados são complexos
constituídos por compostos de transição e organometálicos, como os catalisadores Ziegler-Natta.
Este tipo de catálise homogênea é aplicada somente a monômeros apolares, possuindo, como
vantagem, a obtenção de polímeros estereorregulares.

Figura 3 - Reações de iniciação de uma polimerização em cadeia

Durante a propagação, a espécie reativa gerada na iniciação (radical livre, cátion ou ânion)
incorpora sucessivamente moléculas do monômero, formando a cadeia polimérica (Figura 4). Esta
etapa da polimerização em cadeia é muito importante, pois, a velocidade da polimerização é
influenciada diretamente pela velocidade da propagação.

Figura 4 - Propagação de uma polimerização em cadeia catiônica

Na terminação, o centro reativo propagante reage de modo espontâneo ou pela adição de algum
reagente, interrompendo a propagação do polímero. Geralmente, a terminação da polimerização
radicalar ocorre por reações de combinação, desproporcionamento ou transferência de cadeia. Já
a polimerização catiônica é terminada pela adição de traços de umidade, enquanto a
polimerização aniônica termina quando se adicionam ao sistema substâncias doadoras
de prótons como, por exemplo, álcoois e ácidos.
As polimerizações em cadeia podem sofrer reações de inibição ou retardamento. Na inibição, a
polimerização sofre uma interrupção, impedindo a propagação da cadeia, que volta a polimerizar
após o total consumo do inibidor. Os inibidores são utilizados industrialmente para se evitar a

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polimerização de alguns monômeros durante sua armazenagem e transporte. Os inibidores mais
empregados são o nitrobenzeno, o m-dinitrobenzeno, a hidroquinona, o p-t-butil-catecol, a difenil-
picril-hidrazina (DPPH) e o oxigênio. No retardamento, a velocidade da polimerização diminui pela
ação de substâncias chamadas de retardadores.
As polimerizações em etapas ocorrem por um mecanismo catiônico ou aniônico, em que as
reações componentes (iniciação, propagação e terminação) não possuem diferenças, ou seja, se
processam com a mesma velocidade e com o mesmo tipo de reação.
A polimerização, neste caso, ocorre de forma similar às reações de algumas moléculas de baixa
massa molecular e, portanto, está sujeita à interferência de impurezas ou à ciclização da cadeia
propagante ou do monômero, que competem com a polimerização. Outra característica
importante das polimerizações em etapas é que, dependendo da funcionalidade do monômero
usado, o polímero pode ser linear, ramificado ou até mesmo possuir ligações cruzadas.
Além das polimerizações em cadeia e em etapas, os polímeros podem ser obtidos através de
reações de modificação química, ou seja, grupos presentes em um polímero podem reagir
originando outros polímeros. Um dos exemplos mais conhecidos da modificação química de um
polímero é a obtenção do poli(álcool vinílico). Este polímero é obtido através da hidrólise do poli
(acetato de vinila), já que o álcool vinílico não existe.

GLOSSÁRIO

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ÁLCOOL
Composto orgânico que contém um grupo hidroxíla (OH) ligado a um átomo de carbono saturado.

AMÔNIA
Gás incolor, NH3, com um forte odor picante.

ÂNION
Íon com carga negativa.

CATALISADOR
Substância que altera a velocidade em que uma reação química ocorre, sem entretanto sofrer
modificação ao final da reação.

CÁTION
Íon com carga positiva.

CICLIZAÇÃO
Conversão de uma molécula de cadeia aberta em um composto cíclico.

COMPOSTO DE COORDENAÇÃO
Composto que contêm um átomo central rodeado por átomos ou grupos de átomos unidos a este
átomo central por ligações coordenadas.

COMPOSTO DE TRANSIÇÃO
Composto formado por elementos de transição da tabela periódica.

COMPOSTO ORGANOMETÁLICO
Composto orgânico em que um átomo de carbono da molécula está diretamente ligado a um
átomo de metal.

HETERÓLISE
Quebra de uma ligação química de um composto onde se formam íons de cargas opostas.

HIDRÓLISE
Reação de decomposição química de uma substância pela ação da água.

HOMÓLISE
Quebra de uma ligação química de um composto com a formação de radicais livres.

MECANISMO DE REAÇÃO
Meio pelo qual se descreve as etapas envolvidas em uma reação química particular.

PROCESSO CINÉTICO
Processo que envolve a velocidade de uma reação química.

PRÓTON
1. Partícula elementar estável, localizada no núcleo do átomo e que possui uma carga positiva. 2.
Denominação utilizada para o íon H+.

RADICAL LIVRE
Átomo ou grupo de átomos que possui um elétron desemparelhado.

RAIOS gama
Radiação eletromagnética com natureza semelhante, mas de menor comprimento de onda que os
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raios-X.

ULTRAVIOLETA
Radiação eletromagnética que possui comprimento de onda entre a luz visível e os raios-X.

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Questionário 3

1.A estrutura linear, ramificada ou reticulada de um polímero obtido por uma


polimerização em etapa depende:
a) Da temperatura reacional
b) Da funcionalidade dos monômeros
c) Do tempo reacional
d) Do tipo de mecanismo de reação

2. Indique qual das afirmativas abaixo está correta:


a) A velocidade da polimerização em cadeia depende da velocidade da reação de
propagação
b) A velocidade da polimerização em cadeia depende da velocidade da reação de iniciação
c) A velocidade da polimerização em cadeia depende da velocidade da reação de
terminação
d) A velocidade da polimerização em cadeia independe da velocidade de qualquer reação
intermediária

3. Quais são os inconvenientes das polimerizações em etapas?


a) A interferência de impurezas e reações paralelas de ciclização
b) A alta reatividade dos monômeros e reações paralelas de ciclização
c) A necessidade de condições reacionais enérgicas e um longo tempo reacional
d) A interferência de impurezas e um longo tempo reacional

4. A eliminação de moléculas de baixa massa molecular é característica das: ( duas


respostas certas )
a) Policondensações ou Polimerizações em etapas
b) Poliadições ou Polimerizações em cadeia

5. Nas reações de modificação química de polímeros:


a) Os polímeros reagem com outras moléculas de monômero
b) Os polímeros sofrem reações formando outros polímeros
c) Os polímeros se decompõem em seu monômero original
d) Os polímeros reagem com iniciadores ou catalisadores

6. A iniciação de uma polimerização em cadeia é induzida por:


a) Iniciadores e catalisadores
b) Ocorre espontaneamente
c) Calor ou radiação
d) Iniciador, catalisador, calor e radiação

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2.2.2. Técnicas de Polimerização

Existem quatro técnicas industriais empregadas na polimerização de um monômero: a


polimerização em massa, em solução, em suspensão e em emulsão. Cada uma destas técnicas
possui condições específicas, originando polímeros com características diferentes.

2.2.2.1. Polimerização em Massa

A polimerização em massa é uma técnica simples, homogênea, onde só o monômero e o iniciador


estão presentes no sistema. Caso a polimerização seja iniciada termicamente ou por radiação, só
haverá monômero no meio reacional. Logo, esta técnica é econômica, além de produzir polímeros
com um alto grau de pureza. Esta polimerização é altamente exotérmica, ocorrendo dificuldades
no controle da temperatura e da agitação do meio reacional, que rapidamente se torna viscoso
desde o início da polimerização. A agitação durante a polimerização deve ser vigorosa para que
haja a dispersão do calor de formação do polímero, evitando-se pontos superaquecidos, que dão
uma cor amarelada ao produto. Este inconveniente pode ser evitado ao se usar inicialmente um
pré-polímero (mistura de polímero e monômero), que é produzido a uma temperatura mais baixa,
com uma baixa conversão e condições controladas. A caminho do molde, o pré-polímero é
aquecido completando-se a polimerização. A polimerização em massa é muito usada na
fabricação de lentes plásticas amorfas, devido às excelentes qualidades ópticas obtidas pelas
peças moldadas, sem pressão, como no caso do poli(metacrilato de metila).

2.2.2.2. Polimerização em Solução

Na polimerização em solução, além do monômero e do iniciador, emprega-se um solvente, que


deve solubilizá-los, formando um sistema homogêneo. O solvente ideal deve ser barato, de baixo
ponto de ebulição e de fácil remoção do polímero. Ao final desta polimerização, o polímero
formado pode ser solúvel ou insolúvel no solvente usado. Caso o polímero seja insolúvel no
solvente, é obtido em lama, sendo facilmente separado do meio reacional por filtração. Se o
polímero for solúvel, utiliza-se um não-solvente para precipitá-lo sob a forma de fibras ou pó.
A polimerização em solução possui como vantagem a homogeneização da temperatura reacional,
devido à fácil agitação do sistema, que evita o problema do superaquecimento. Entretanto, o
custo do solvente e o retardamento da reação são inconvenientes desta técnica.
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A polimerização em solução é utilizada principalmente quando se deseja usar a própria solução
polimérica, sendo muito empregada em policondensações.

2.2.2.3. Polimerização em Emulsão

A polimerização em emulsão é uma polimerização heterogênea em meio aquoso, que requer uma
série de aditivos com funções específicas como: emulsificante (geralmente um sabão),
tamponadores de pH, colóides protetores, reguladores de tensão superficial, reguladores de
polimerização (modificadores) e ativadores (agentes de redução).
Nesta polimerização, o iniciador é solúvel em água, enquanto o monômero é parcialmente solúvel.
O emulsificante tem como objetivo formar micelas, de tamanho entre 1 nm e 1 mm, onde o
monômero fica contido. Algumas micelas são ativas, ou seja, a reação de polimerização se
processa dentro delas, enquanto outras são inativas (gotas de monômeros), constituindo apenas
uma fonte de monômero. À medida que a reação ocorre, as micelas inativas suprem as ativas
com monômero, que crescem até formarem gotas de polímeros, originando posteriormente os
polímeros. A Figura 5 representa o esquema de um sistema de polimerização em emulsão.

Figura 5 - Representação esquemática de um sistema de polimerização em emulsão

A polimerização em emulsão tem uma alta velocidade de reação e conversão, sendo de fácil
controle de agitação e temperatura. Os polímeros obtidos por esta técnica possuem altos pesos
moleculares, mas são de difícil purificação devido aos aditivos adicionados. Esta técnica é muito
empregada em poliadições.
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2.2.2.4. Polimerização em Suspensão

A polimerização em suspensão, também conhecida como polimerização por pérolas ou contas,


pela forma como os polímeros são obtidos, é uma polimerização heterogênea, onde o monômero
e o iniciador são insolúveis no meio dispersante, em geral, a água.
A polimerização se passa em partículas em suspensão no solvente, com um tamanho médio entre
1 a 10 mm, onde se encontram o monômero e o iniciador. A agitação do sistema é um fator muito
importante nesta técnica, pois, dependendo da velocidade de agitação empregada, o tamanho da
partícula varia.
Além do monômero, iniciador e solvente, também são adicionados ao meio reacional surfactantes,
substâncias químicas que auxiliam na suspensão do polímero formado, evitando a coalizão das
partículas e, conseqüentemente, a precipitação do polímero, sem a formação das pérolas. A
precipitação do polímero também pode ser evitada pela adição ao meio reacional de um polímero
hidrossolúvel de elevado peso molecular, que aumente a viscosidade do meio. A incorporação
destes aditivos ao sistema dificulta a purificação do polímero obtido.
Na Tabela 2 tem-se a comparação dos sistemas de polimerização.

Tabela 2 - compara as características das polimerizações em massa, solução, suspensão e


emulsão.
TIPO VANTAGENS DESVANTAGENS
# Alto grau de pureza # Difícil controle de temperatura
Massa
# Requer equipamentos simples # Distribuição de peso molecular larga
# Fácil controle da temperatura # O solvente reduz o peso molecular e a
Solução # A solução polimérica formada pode velocidade da reação
ser diretamente utilizada # Dificuldades na remoção dos solventes
# Polimerização rápida
# Obtenção de polímeros com alto # Contaminação do polímero com
Emulsão
peso molecular agentes emulsificantes e água
# Fácil controle da temperatura
# Fácil controle da temperatura # Contaminação do polímero com
Suspensão # Obtenção do polímero na forma de agentes estabilizantes e água
pérolas # Requer agitação contínua

Além destas técnicas de polimerização, alguns polímeros podem ser produzidos pela
polimerização interfacial. Nesta técnica, a polimerização ocorre na interface entre dois solventes
imiscíveis, em que cada um dos monômeros está em uma das fases. O polímero é formado nesta
interface, sendo logo removido a fim de facilitar a polimerização. Este método é restrito a um
pequeno número de polimerizações em etapas, devido às condições reacionais necessárias.

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Questionário 4

1. Quais das polimerizações abaixo são realizadas em um sistema homogêneo?


a) Emulsão e suspensão
b) Massa e suspensão
c) Massa e solução
d) Emulsão e solução

2. Em qual das técnicas de polimerização o polímero é obtido com elevado grau de pureza?

a) Suspensão
b) Solução
c) Emulsão
d) Massa

3. Como pode ser evitado o superaquecimento na polimerização em massa?


a) Aumentando-se a concentração do monômero no sistema
b) Produzindo-se inicialmente um pré-polímero
c) Aumentando-se a concentração do iniciador no sistema
d) Diminuindo-se o tempo reacional

4. Qual é a função dos surfactantes usados nas polimerizações em suspensão?


a) Provocar a precipitação do polímero na solução
b) Ajustar o pH da solução
c) Evitar a precipitação do polímero na solução
d) Controlar o crescimento da cadeia polimérica

5. Quais são as características necessárias para que um solvente seja usado na


polimerização em solução?
a) Solubilizar o monômero e o iniciador, ter baixo custo, ter baixo ponto de ebulição e ser
facilmente removido do meio
b) Solubilizar o monômero e o polímero formado, ter baixo custo e ser facilmente removido do
meio
c) Solubilizar o polímero formado e o iniciador, ter baixo custo e ser facilmente removido do meio
d) Solubilizar o monômero e o iniciador, ter baixo ponto de fusão e baixo custo

6. Qual das técnicas de polimerização é utilizada na fabricação de lentes de aumento?


a) Suspensão
b) Solução
c) Emulsão
d) Massa

7. As polimerizações em lama e em pérola são, respectivamente:


a) Polimerização em solução em que o polímero é insolúvel no solvente e polimerização em
suspensão
b) Polimerização em emulsão em que o polímero é insolúvel no solvente e polimerização em
suspensão
c) Polimerização em suspensão em que o polímero é insolúvel no solvente e polimerização em
solução
d) Polimerização em solução em que o polímero é solúvel no solvente e polimerização em
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suspensão

8. Indique qual das afirmativas abaixo está correta:


a) Na polimerização em emulsão, o monômero e o iniciador são insolúveis no solvente
b) A polimerização em solução é muito empregada quando se deseja o polímero em lama
c) A polimerização em massa não requer agitação controlada
d) A polimerização em suspensão produz polímeros com uma forma definida

9. As micelas presentes na polimerização em emulsão são:


a) Gotas formadas pelo emulsificante, onde o monômero fica retido
b) Gotas de solvente
c) Gotas de óleo presentes no solvente
d) Gotas formadas pelo emulsificante, onde o colóide e os tamponadores de pH ficam retidos

10. Qual das sequências abaixo é constituída apenas por técnicas de polimerização
industriais?
a) Suspensão, solução e emulsão
b) Solução, suspensão e interfacial
c) Emulsão, interfacial e suspensão
d) Interfacial, massa e solução

GLOSSÁRIO

SUSPENSÂO Consiste em uma mistura heterogênea.Uma parte da mistura fica na superfície da


solução.

EMULSÂO São sistemas dispersos constituídos de duas fases líquidas imiscíveis (oleosa e
aquosa), onde a fase dispersa ou interna é finamente dividida e distribuída em outra fase contínua
ou externa. Temos emulsões do tipo óleo em água (O/A: fase externa aquosa) e água em óleo
(A/O: fase externa oleosa). A estabilidade da emulsão é garantida com o uso de agentes
emulsificantes, geralmente substâncias tensoativas.

TENSOATIVOS Os compostos tensoativos ou simplesmente tensoativos são substâncias que


possuem em sua estrutura molecular grupos com características antagônicas. Em todas as
moléculas tensoativas há um grupamento polar que possui afinidade por água (e, também por
outros compostos polares), denominado grupo hidrofílico. Na mesma molécula há também o
chamado grupo hidrofóbico, que por sua natureza apolar, não possui afinidade por água.

SOLUÇÂO Uma solução é uma mistura homogênea de um soluto (substância a ser dissolvida)
distribuída através de um solvente substância que efetua a dissolução). Existem soluções nos três
estados físicos: gás, líquido ou sólido. As soluções mais familiares são aquelas no estado líquido,
especialmente as que usam água como solvente.

MICELA Micelas são agregados moleculares, possuindo ambas as regiões estruturais hidrofílica e
hidrofóbica, que dinamicamente se associam espontaneamente em solução.

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Considerações Sobre a Reciclagem
de Embalagens Plásticas
Flávio J. Forlin, José de Assis F. Faria
Departamento de Tecnologia de Alimentos, FEA, UNICAMP

“A reciclagem de embalagens plásticas preocupa a sociedade, mundialmente, face ao crescente


volume de utilização e as implicações ambientais inerentes ao seu descarte não racional pós-
consumo, como no setor de alimentos.
Os hábitos de consumo da sociedade moderna, a definição de regulamentações específicas, a
implementação de centros de pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias adequadas,
constituem pauta de ações específicas de setores governamentais e empresariais na reciclagem
de embalagens.
A rentabilidade do mercado de reciclagem de embalagens plásticas no Brasil, como em outros
países desenvolvidos, mostra aspectos atraentes para iniciativas empresariais do setor, com
reflexos sócio-econômicos diretos relacionados com a melhoria da qualidade de vida da
população, geração de renda, economia de recursos naturais e atenuação de problemas
ambientais.
A consolidação e o incremento do volume dos materiais plásticos utilizados em embalagens na
vida moderna representa um desafio sob o ponto de vista da sua reciclagem racional, exigindo
uma abordagem integrada entre os processos de transformação da matérias-primas, fabricação
das embalagens e sua funcionalidade na conservação do produto.

Panorama brasileiro e mundial da utilização de Embalagens

O mercado de embalagens no mundo em 2000 alcançou a cifra de US$ 431 bilhões, da qual 22%
referem-se à América do Norte; 27% à Europa Ocidental; 15% ao Japão; 5% à América Latina; e,
31% ao resto do mundo. A participação do Brasil é de 1,65% do mercado mundial. A produção
brasileira de embalagens foi estimada em 5,5 milhões de toneladas, ou US$ 10 bilhões, em 1998,
correspondendo a 1,3 % do PIB, dos quais 61% referem-se a alimentos. O setor deve crescer em
torno de 35% em volume até o ano 2005, alcançando 7,4 milhões de toneladas ou US$ 8,7
bilhões, aos preços de 1999. Estas projeções estão baseadas no panorama atual, não
considerando substituições, exceto
a tendência da mudança das latas de alumínio por embalagem de poliéster (PET), no setor de
bebidas.

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Fontes recicláveis de materiais plásticos

Distingue-se, essencialmente, duas fontes recicláveis de materiais plásticos utilizados no


segmento de embalagens: a industrial e o descarte pós-consumo. Os resíduos provenientes do
processo de produção industrial caracterizam-se por uma maior uniformidade de materiais, ou das
frações descartadas, consequência da aplicação de procedimentos implementados na linha de
produção, laminação / conversão. Resinas, aparas de acabamento, materiais descartados por não
atenderem as especificações de projeto, de qualidade, aditivos, tintas, vernizes, entre outros,
constituem esta fração. A não contaminação por resíduos do alimento, a natureza homogênea das
frações, o volume concentrado a nível industrial, tornam estes resíduos com maior valor agregado
de reciclagem, sob o ponto de vista empresarial, em relação aos plásticos componentes de
embalagens de alimentos descartadas pós-consumo. As indústrias de produção ou conversão de
embalagens visando atender os requisitos de qualificação inseridos na ISO 14000 e reduzir os
custos de produção, minimizam os volumes descartáveis, através do reaproveitamento na própria
linha de produção, ou otimizando o projeto da embalagem. A venda diretamente às empresas
recicladoras, além de reduzir consideravelmente o impacto ambiental, representa retorno
financeiro para as empresas produtoras / convertedoras de materiais plásticos. A reciclagem de
embalagens pós-consumo caracteriza-se por um elevado nível de contaminação (orgânica e
inorgânica), heterogeneidade de materiais, baixo valor relativo de reciclabilidade e alto impacto
sanitário-ambiental.
"A reutilização de resinas ou materiais plásticos na própria planta de produção nas indústrias
nacionais está prevista na Resolução n. 105, de 19.05.99, da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária.”
Existem quatro tipos de Reciclagem de polímeros. A primária, secundária, terciária e quaternária.
As reciclagens primárias e secundárias são conhecidas como mecânicas. Nesta há uma
reciclagem no contexto real da palavra, repetir o ciclo, O material é descartado, moído, lavado,
seco e transformado em um novo produto.
A terciária é a reciclagem química ou despolimerização, que ocorre através de reações químicas
específicas, por exemplos hidrogenação, alcoólise, hidrólise, amonólise, entre outras, que
promovem a despolimerização, isto é, retorno ao reagente inicial dos polímeros (monômeros), ou
ainda a oligômeros (polímeros de baixa massa molar). Está é utilizada quando a matéria-prima
possui um custo elevado. Mas é dever das recicladoras tomar certos cuidados com gases tóxicos
gerados.
A quaternária é a energética onde o polímero é incinerado gerando energia. Os polímeros
possuem alto valor combustível. As recicladoras que produzem energia devem ter aparelhagens
adequadas para que os gases tóxicos gerados não poluam a atmosfera.

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O conhecimento das estruturas químicas dos polímeros é útil para saber qual a reciclagem mais
adequada, por exemplo, o PVC (poli - cloreto de vinila) não deve se incinerado, pois gera gás de
ácido clorídrico.
Outro fator importante é saber que somente materiais termoplásticos, isto é, que podem ser
fundidos é que podem ser reciclados facilmente e totalmente. Contudo, todo tipo de reuso hoje em
dia é considerado reciclagem, então Os pneus (borrachas) podem ser moídos e são reutilizados
no asfalto e em calçamentos de concreto, até mesmo as poliuretanas, isto é, espumas de
colchões, já tem encontrado uma finalidade pós-consumo em algumas pesquisas científicas m,
mas com aplicabilidade que um dia pode ser rentável.

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Prática de obtenção de Resina fenol-formol

Objetivo: Fabricar em escala laboratorial uma resina termorrígida com aplicação na


indústria moveleira através de policondensção

Materiais:
- tudo de ensaio
- Becker de 250mL
- pipetas graduadas de 5 mL
- Banho- Maria
- Bico de bunsen
- pinça de madeira
- fenol
- formol
- hidróxido de amônio
- ácido acético

Métodos:
Em um tubo de ensaio colocar 4 gramas de fenol, fundi-lo em banho-maria, acrescentar 12 mL de
formol e 3,2 mL de hidróxido de amônio concentrado. Aquecer sob o bico de bunsen por 10
minutos. Cuidados: não concentrar o aquecimento num único ponto (reagentes podem sofre
refluxo).
Deixar a solução em repouso por alguns minutos e após adicionar 8 gotas de ácido acético
glacial. Aquecer em banho – Maria por 20 minutos a 80 0 C e depois colocar em moldes de papel
alumínio. Colocar na estufa por 2 horas a 100 0 C e por duas horas ou mais a 135 0 C. Deixar
resfriar

Perguntas:

1- Pesquise as aplicações da resina fenol-formol.

2- Qual a finalidade do ácido acético glacial na reação acima?

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Prática de obtenção de um polímero gelatinoso (GELÉKA)

Objetivo: Formar em laboratório um polímero através de uma reação simples de


polimerização por modificação química.

Materiais e reagentes:
- Balão volumétrico de 100 mL
- becker de 250 mL
- bastão de vidro
- Resina PVA (poli (acetato de vinila)
- Borato de sódio
- corante
-água destilada

Método:

Preparar antecipadamente uma solução saturada de borato de sódio (Bórax) em um balão


volumétrico de 100 mL.
Em um bécker de 250 mL despejar 30 mL de resina PVA, adicionar aos poucos mexendo com o
bastão de vidro a solução de Bórax sobre a resina. Observar a obtenção de consistência.

Perguntas:

1 - Qual a função da solução saturada borato de sódio?

2- O que é uma solução saturada?

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Prática de Obtenção do Rayon

Objetivo: Obter em escala laboratorial uma fibra sintética

Materiais e reagentes:

- bécker de 250 mL
- tudo de ensaio
- Bastão de vidro
- Proveta de 50 mL
- água destilada
- acetona
- acetato de celulose ou similar

Método:

Colocar em um becker 50 mL de água destilada e reservar.


Colocar em um tubo de ensaio 3 mL de acetona e 1 grama (g) de acetato de celulose agitar por
10 a 15 minutos até dissolução completa.
Despejar, devagar, a solução sobre água destilado do becker. Observar. Com a ajuda do bastão
de vidro agite a solução suavemente e observe o fio se formando.

Perguntas:

1- Pesquise sobre algumas aplicações do rayon.

2- Pesquise outras fibras sintéticas.

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Prática de Espumas

Objetivo: Obter dois tipos de espumas de


poliuretana (PU)

Materiais e reagentes:

2 vasilhas plásticas
1 bastão de vidro
80,0 mL de espuma de poliuretana líquida (A)
80,0 mL de catalisador específico (B)

Métodos:

Procedimento 1

Colocar 40, 0 mL de espuma de poliuretana líquida na vasilha de plástico e adicionar também


40,0 mL de catalisador deixar homogeneizar naturalmente. Observar.

Procedimento 2

Repetir o Procedimento 1, entretanto agitar os reagentes com um bastão de vidro. Observar.

Perguntas:

1) Como a espuma 1 ficou quanto às células?

2) Como a espuma 2 ficou quanto às células?

3) Qual das espumas obtidas tem melhor qualidade?

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Pratica de obtenção de tinta de resina acrílica

Objetivo: Fabricar em pequena escala uma tinta aquosa de resina acrílica

Materiais e reagentes:

-bécker de 500 mL
- bastão de vidro
- água destilada
-Carbóxi - metil - celulose (CMC)
- Licvol e polysol (estabilizantes)
- pigmento branco
- dolomita
- resina acrílica
- butil glicol
- álcool etílico
- corante

Métodos:

Em um bécker adicionar 30 mL de água destilada, 0,5 g de CMC, 0,5 g de licvol 0,4 g de de


polisol, 10 g de pigmento branco e 21 g de dolomita.
Agitar a mistura com bastão de vidro por 10 minutos ou até notar que os componentes estão bem
dispersados. Após acrescentar 30 g de resina acrílica, 1 grama de butil glicol, 6,6 g de álcoole um
peque na porção de corante o suficiente para dar cor, mas sem mudar o equilíbrio da reação.
Pintar um substrato de madeira e medir a espessura úmida com micrômetro anotar e o valor e
discutir se a espessura está adequada.

Perguntas:
1- Quais as finalidades das tintas?

2- Que tipos de problemas podem ocorrer quando a tinta não possui espessura de cobertura
adequada?

3- Qual a finalidade do Carbóxi metil celulose?

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