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UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP

INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS – ICH

Fichamento

Orientação profissional com adolescentes: um exemplo de prática na


Assunto abordagem sócio-histórica
Psicologia sócio-histórica: uma perspectiva crítica em psicologia/Ana
Referência Mercês Bahia Bock, Maria da Graça Marchina Gonçalves, Odair Furtado,
(org.). - 6 ed. – São Paulo: Cortez, 2015.

Orientação profissional com adolescentes: um exemplo de prática na


abordagem sócio-histórica

Os autores propõe nesse texto um apanhado sobre a história e contexto da


visão que a psicologia tem tido sobre o adolescente/adolescência. Ressaltam que toda
prática – em qualquer ciência natural ou humana – se sustenta em pressupostos
teóricos, ou seja, que revelam compreensões de mundo e de homem.

Segundo Bock et al (2015), a compreensão da adolescência é marcada pela


influência psicanalítica, desde o início do século XX, quando começa a ocupar um
espaço enquanto objeto de estudo. Na psicologia, o reconhecimento social da
adolescência começa a acontecer a partir da última metade do século XX. A partir de
Stanley Hall é que se tem a identificação e caracterização da adolescência como uma
etapa do desenvolvimento humano marcada por tormentos e conturbações vinculadas
à emergência da sexualidade. Tal concepção é reafirmada com a influência da
psicanálise na formação do conhecimento psicológico - teoria do psiquismo e
triangulação edipiana.

Nesse sentido, Segundo Bock et al (2015), a adolescência como uma etapa do


desenvolvimento humano é marcada por desequilíbrios e instabilidades apresentados
como inerentes ao jovem, pressupondo uma crise pré-existente no adolescente. No
entanto, a concepção naturalista e universal do adolescente é produzida e reproduzida
pela cultura ocidental, assim, assimilada pelas pessoas comuns e pelos meios de
comunicação de massa e reafirmada pela Psicologia tradicional. Em contra partida,
para a psicologia sócio-histórica, a adolescência existe, mas não é uma fase natural
do desenvolvimento humano. É criada historicamente pelo homem, nas relações
sociais, enquanto um fato, e passa a fazer parte da cultura enquanto significado.

Corroborando com o pensamento acima, Bock et al (2015) complementa que a


adolescência não é um período natural do desenvolvimento. A autora afirma que a
adolescência é um momento construído e interpretado pelos homens. Mesmo as
mudanças corporais são significadas socialmente. Para exemplificar a ideia anterior, a
autora apresenta dois exemplos: Um exemplo nas meninas é o desenvolvimento dos
seios, que em algum tempo da cultura significou a possibilidade de amamentar seus
filhos no futuro, hoje, na nossa cultura significa sedução e sensualidade. Um exemplo
nos meninos é a força muscular, que já foi significado como possibilidade de guerrear
e caçar, hoje significa beleza, sensualidade e masculinidade.

Segundo Bock et al (2015), para a abordagem sócio-histórica, tal questão


sobre o que é a adolescência deve ser reformulada, no sentido de se pensar: como se
constitui historicamente esse período do desenvolvimento? Os autores defendem que
só é possível compreender qualquer fato a partir de sua inserção na totalidade em que
foi produzida, totalidade esta que o constitui e lhe dá sentido. Portanto, responder o
que é adolescência implicaria buscar compreender sua gênese histórica e seu
desenvolvimento.

A prática e orientação profissional - Uma possibilidade de promoção de saúde

Fichamento - Pontos fundamentais:

 Orientação profissional não pode ser somente um conjunto de estratégias e


atividades. É fundamental o “como fazer” a reflexão sobre os fundamentos e
pressupostos teóricos que orientam a prática, indicando a ética contida. (p.
212).
 A concepção de Orientação Profissional – O.P. - como uma prática promotora
de saúde, num sentido amplo de condições adequadas de vida e de relações
sociais saudáveis. (p. 212).
 Olhar para o indivíduo em seu contexto sociocultural, para planejar uma ação
capaz de contribuir para a promoção da saúde. (p. 212).
 Promover saúde significa trabalhar para ampliar a consciência que o indivíduo
possui sobre a realidade que o cerca, instrumentando-o para agir, no sentido
de transformar e resolver as dificuldades que essa realidade lhe apresenta. (p.
212).
 Na O.P. existe a possibilidade de se criar uma intervenção que, a partir de
informações e de reflexões sobre diversos aspectos, dê ao sujeito a
possibilidade de se apropriar de suas determinações, compreendendo-se como
um sujeito ao mesmo tempo único, singular/histórico e social. (p. 212).
 Bock (2001) conceitua a O.P. na abordagem sócio-histórica como “... um
conjunto de intervenções que visam à apropriação dos chamados
determinantes da escolha. Esses determinantes é que levam à compreensão
das decisões a serem tomadas e possibilitam a elaboração de projetos...”
(p:144) - (p. 213).
 A reflexão sobre questões como: que trabalho escolher? Que futuro quero para
mim? O que será uma boa escolha? O que eu gosto? , possibilita a explicitação
das condições concretas presentes na vida do indivíduo, favorecendo o
reconhecimento das determinações com as quais deve lidar. (p. 213).
 Neste movimento, há a possibilidade de re-significação (que é sempre um
processo cognitivo e afetivo) e da produção de novos sentidos subjetivos. (p.
213).
 Os indivíduos, com uma postura de indagação e estranhamento diante do
familiar, aliada a uma compreensão de mundo que ultrapasse a aparência,
podem desenvolver uma consciência de si, do processo de construção de si
mesmos e do mundo que possibilite a construção de projetos de vida baseados
numa concepção mais totalizadora. Busca-se assim a melhor escolha. (p. 215).
 “A melhor escolha profissional é aquela que consegue dar conta (reflexão) do
maior número de determinações para, a partir delas, construir esboços de
projetos de vida profissional e pessoal” (Bock,S. 2001:144) - (p. 215).