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CURSO ON-LINE - DIREITO PENAL PARA AFT

PROFESSOR PEDRO IVO

AULA 02 - DO CRIME - PARTE 01

Caros alunos,

A cada dia que passa a humanidade descobre novas necessidades e alcança


novos objetivos. Estas transformações ocorrem em todas as áreas do
conhecimento humano e, entre elas, na ciência jurídica.
O Direito é dinâmico. Acompanha a evolução da sociedade, adaptando-se
aos seus clamores.
Dentro dos ramos do Direito, encontramos no Direito Penal o exemplo fiel e
legítimo de adaptação social. De forma brilhante o Prof. MAGALHÃES
NORONHA presenteou o Direito Penal brasileiro com uma frase memorável
que merece ser relembrada:
"A história do direito penal é a história da humanidade. Ele surge com o
homem e o acompanha através dos tempos, isso porque o crime, qual
sombra sinistra, nunca dele se afastou."
Mas, o que vem a ser o "crime"?
Além de um fenômeno social, o crime é, na realidade, um episódio na vida
de um indivíduo, não podendo, portanto, ser dele destacado e isolado, nem
mesmo ser estudado em laboratório ou reproduzido.
Não se apresenta no mundo do dia-a-dia como apenas um conceito,
único, imutável, estático no tempo e no espaço. Ou seja, cada crime tem a
sua história, a sua individualidade. Não há dois que possam ser reputados
perfeitamente iguais.
Desta forma, começaremos agora a tratar, juridicamente, do crime, um dos
principais temas do Direito Penal e questão certa na sua prova.
Sendo assim, ative o cérebro e vamos dar mais um passo rumo à
aprovação.
Bons estudos!!!

2.1 CRIME: NOÇÕES INTRODUTÓRIAS

2.1.1 CONCEITO

O conceito de crime é o ponto inicial para a compreensão dos principais


institutos do Direito Penal. Embora aparentemente simples, a sua definição
completa apresenta questões complexas que acarretam várias
consequências ao estudo dos principais pontos para sua PROVA.

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O crime pode ser conceituado levando em conta três aspectos. Vamos


conhecê-los.

2.1.1.1 CRITÉRIO MATERIAL (SUBSTANCIAL)

Crime segundo o critério material é toda ação ou omissão humana que


lesa ou expõe a perigo bens jurídicos tutelados pelo direito. Segundo
este conceito, não basta a lei dispor sobre uma conduta ilícita, mas
também há que ser verificado a relevância do mal produzido pelo ato.
Quando Tício mata Mévio, há relevância quanto ao mal causado? Claro
que sim, logo, segundo o critério material é crime.
Em um primeiro momento, parece uma definição simples, mas agora
pergunto, caríssimo aluno: " Imaginemos uma lei criada que comina
penalização de 3 a 8 anos de reclusão aos indivíduos que rasparem a
cabeça no estilo Ronaldinho na copa de 2002." Segundo o critério
material, a simples lei bastará para caracterizar a ilicitude da conduta?
A resposta é negativa, pois segundo a análise do delito pelo critério
material não basta, e nem é necessária, uma lei para que qualquer
conduta seja considerada penalmente ilícita. É preciso, simplesmente,
que o ato criminalizado apresente relevância jurídico-penal, mediante a
provocação de dano ou ao menos exposição à situação de perigo em
relação a bens jurídicos penalmente relevantes.
Seus defeitos são definidos por Machado: "É evidente que, pela sua
amplitude conceitual, a definição material de crime tem sabor pré-
legislativo, de orientação e parâmetro à liberdade legislativa de criação
de delitos... Não presta à formulação dogmática pela sua volatilidade e
insegurança conceituais".

2.1.1.2 CRITÉRIO LEGAL

Segue exatamente a definição apresentada pelo legislador no art. 1° da


Lei de Introdução ao Código Penal. Observe:

Art. 1° Considera-se crime a infração penai que a lei comina


pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer
alternativa ou cumulativamente com a pena de multa;
contravenção, a infração penal a que a lei comina,
isoladamente, pena de prisão simples ou de multa, ou
ambas. alternativa ou cumulativamente.

Sendo assim, pelo critério legal, como você vai diferenciar, na sua prova,
se é crime ou não? BASTA LER A PENA!!! Se lá estiver escrito:
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RECLUSÃO OU DETENÇÃO... Pronto! É CRIME SEGUNDO O CRITÉRIO


LEGAL.
Mas e se viesse uma nova lei e inserisse na Lei de Contravenções Penais
uma conduta punível com Detenção... Seria Crime ou Contravenção?
CRIME!!! Como eu falei anteriormente, PARA SUA PROVA, considere:

SE NA PENALIZAÇÃO HOUVER A PALAVRA DETENÇÃO OU


RECLUSÃO É CRIME SEGUNDO O CRITÉRIO LEGAL

CONHECER PARA ENTENDER!!!


O LEGISLADOR ACHOU POR BEM CRIAR DOIS DISPOSITIVOS
DIFERENCIADOS PARA TRATAR DOS CRIMES E DAS CONTRAVENÇÕES.
OS CRIMES ESTÃO DEFINIDOS NO CÓDIGO PENAL, ENQUANTO AS
CONTRAVENÇÕES, NA LEI DE CONTRAVENÇÕES PENAIS. EM TERMOS
PRÁTICOS, A DIFERENÇA ENTRE CRIMES E CONTRAVENÇÕES É A
GRAVIDADE QUE O LEGISLADOR ATRIBUI À CONDUTA E,
CONSEQUENTEMENTE, À PENALIZAÇÃO.

O QUE VOCÊ ACHA QUE É MAIS GRAVE: COMEÇAR A GRITAR ÀS 23:00 E


ACORDAR OS VIZINHOS OU PASSEAR NÚ NA AVENIDA PAULISTA ÀS
17:00?

CREIO QUE VOCÊ RESPONDEU PASSEAR NÚ, CORRETO? EXATAMENTE


POR ISSO O LEGISLADOR CLASSIFICOU TAL CONDUTA COMO CRIME E
ENQUADROU A SEGUNDA COMO CONTRAVENÇÃO.

"MAS PROFESSOR...ENTÃO A ÚNICA DIFERENÇA É ESSA? AS


PENALIZAÇÕES?"

SIM, PARA A SUA PROVA, ESTA É A ÚNICA DIFERENÇA!!!

2.1.1.3 CRITÉRIO ANALÍTICO (TAMBÉM CHAMADO


FORMAL/DOGMÁTICO)

Esse critério de conceituação do crime tem o foco principal nos


elementos (caracteres) que vão compor a estrutura do delito e aqui
surge uma grande divergência doutrinária, talvez a maior da teoria geral
do crime.
De forma bem objetiva, o que acontece é o seguinte: Os autores
definiram alguns elementos que podem compor o conceito de crime
segundo o critério analítico e, a partir da combinação de dois ou mais
destes caracteres, criaram suas teorias.

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Os seguintes elementos compõem as teorias que em seguida veremos:


1. TIPICIDADE;
2. ILICITUDE (ANTIJURIDICIDADE);
3. CULPABILIDADE; E
4. PUNIBILIDADE
No decorrer do nosso curso trataremos minuciosamente de cada um
destes caracteres, mas, antes de seguir, pelo menos um conhecimento
básico do significado destas palavras você tem que ter. Sendo assim,
vamos abrir o dicionário de concurseiro:

DICIONÁRIO DO CONCURSEIRO

TIPICIDADE * ADEQUAÇÃO ENTRE O FATO E A CONDUTA DEFINIDA EM LEI.

EXEMPLO: QUANDO TÍCIO MATA MÉVIO ADEQUA-SE PERFEITAMENTE AO


FATO TIPIFICADO NO ART. 121 DO CP - MATAR ALGUÉM.

ILICITUDE * CONDUTA DEFINIDA EM LEI COMO ILÍCITA.

EXEMPLO: SE TÍCIO MATA CAIO, PODEMOS DIZER QUE A CONDUTA É


TÍPICA. MAS É ILÍCITA SEMPRE? A RESPOSTA É NEGATIVA, POIS SE ELE
MATOU EM LEGÍTIMA DEFESA, POR EXEMPLO, ELA PASSA A SER LÍCITA.

CULPABILIDADE * JUÍZO DE REPROVAÇÃO SOBRE DETERMINADA


CONDUTA QUE CONTRARIA A NORMA PENAL.

EXEMPLO: MÉVIO DIZ PARA CAIO: "OU VOCÊ BATE EM TÍCIO OU EU


ESTUPRO SUA MULHER". DIANTE DA SITUAÇÃO, CAIO GERA LESÕES
CORPORAIS EM TÍCIO. NESTE CASO, CAIO TEVE "CULPA"? CLARO QUE NÃO,
POIS ESTAVA MEDIANTE COAÇÃO. LOGO, A CONDUTA NÃO É CULPÁVEL.

PUNIBILIDADE * POSSIBILIDADE DO ESTADO PUNIR O INFRATOR.

EXEMPLO: CAIO MATA MÉVIO E DEPOIS SE MATA. PARA ESTA SITUAÇÃO,


HÁ COMO PUNIR CAIO? CLARO QUE NÃO, POIS ELE JÁ ESTÁ MORTO.

Agora que você já tem ao menos uma noção dos conceitos, vamos tratar
das teorias. Neste momento inicial, atenha-se em entender cada uma
delas, não se preocupando, efetivamente, com discussões doutrinárias e
jurisprudenciais.

1. TEORIA QUADRIPARTIDA ^ Considera que o crime é composto


pelo FATO TÍPICO + ILICITUDE + CULPABILIDADE +
PUNIBILIDADE. Sem entrar em explicações desnecessárias para
sua PROVA, esta teoria é adotada pela doutrina minoritária e, hoje,
não encontra aplicabilidade prática.

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TEORIA QUADRIPARTIDA

FATO TÍPICO + ILÍCITO + CULPÁVEL + PUNÍVEL

2. TEORIA CLÁSSICA DA AÇÃO Para esta teoria o crime é um


FATO TÍPICO + ILÍCITO E CULPÁVEL, não sendo necessário
que seja punível.
A lógica é clara. Imaginemos que Tício mata Mévio e depois se
mata. Podemos dizer que pela ausência da punibilidade não existe
crime? Claro que não!!!

TEORIA CLÁSSICA DA AÇÃO

FATO TÍPICO + ILÍCITO + CULPÁVEL

3. TEORIA BIPARTIDA OU FINALISTA DA AÇÃO * Considera-se


crime o FATO TÍPICO E ILÍCITO. Nesta teoria, para a
configuração do delito bastam o fato típico e a ilicitude, ao passo
que a presença ou não da culpabilidade importará somente na
possibilidade ou não da pena ser imposta.

TEORIA FINALISTA DA AÇÃO

FATO TÍPICO + ILÍCITO

Resumindo:

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2.1.2 SUJEITOS DO CRIME

Sujeitos do crime são as pessoas ou entes relacionados a pratica e aos


efeitos da empreitada criminosa. Dividem-se em sujeito ativo e sujeito
passivo. Vamos conhecê-los a partir de agora.

2.1.2.1 SUJEITO ATIVO

É quem pratica a figura típica descrita na norma penal incriminadora.


Somente o ser humano, isoladamente ou associado a outros, possui
capacidade para delinqüir (autoria ou co-autoria). Aqui temos que definir
importantes conceitos:

DICIONÁRIO DO CONCURSEIRO

AUTOR * TODA A PESSOA QUE PRATICA O NÚCLEO DO TIPO PENAL.

POR EXEMPLO: ART. 121, CP: "MATAR ALGUÉM...". TIPO OU TIPO PENAL
É UM MODELO ABSTRATO QUE DESCREVE UM COMPORTAMENTO
PROIBIDO NO MEIO SOCIAL. O NÚCLEO DO TIPO REVELA-SE POR UM OU
MAIS VERBOS, POR EXEMPLO: "MATAR" (121, CP), "SOLICITAR OU
RECEBER" (357, CP).

EM SUMA, QUEM PRATICA O VERBO DO TIPO, PRATICA O SEU NÚCLEO.

CO-AUTOR * PODE SER ENTENDIDO COMO AQUELE AGENTE QUE MAIS


SE APROXIMA DO NÚCLEO DO TIPO PENAL, JUNTAMENTE COM O AUTOR
PRINCIPAL, PODENDO SUA PARTICIPAÇÃO SER PARCIAL OU DIRETA.

EXEMPLO: "A" E "B" ESFAQUEIAM A VÍTIMA ATÉ A MORTE". (BARROS,


2003, PÁG. 406).

PARTÍCIPE * É AQUELE INDIVÍDUO QUE NÃO PARTICIPA DOS ATOS DE


EXECUÇÃO, MAS AUXILIA O AUTOR (OU CO-AUTOR) NA REALIZAÇÃO DO
FATO TÍPICO.

ESTA PARTICIPAÇÃO PODE SER MORAL OU MATERIAL.

A PARTICIPAÇÃO MORAL PODE OCORRER QUANDO O PARTÍCIPE


INDUZIR O AUTOR A REALIZAR UM FATO ILÍCITO (OU ANTIJURÍDICO),
"ATÉ ENTÃO INEXISTENTE". O PARTÍCIPE PODE AINDA INSTIGAR O
AUTOR A REALIZAR A IDÉIA PRÉ-EXISTENTE NA SUA CABEÇA,
REFORÇANDO-A.

NA PARTICIPAÇÃO MATERIAL, COMO O PRÓPRIO NOME SUGERE, O


AGENTE PARTICIPA MATERIALMENTE COM A CONDUTA. EX: TÍCIO
FORNECE UMA ARMA PARA MÉVIO MATAR SEU DESAFETO, LOGO, É
PARTÍCIPE DO DELITO.
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O sujeito ativo do crime recebe, de acordo com a situação processual em


que se encontra, a terminologia de indiciado (no inquérito policial),
agente (sentido geral), acusado (após a denúncia do Ministério Público),
denunciado, réu, sentenciado, dentre outros.
Neste ponto, para sua PROVA, não há necessidade de você conhecer a
diferença jurídica de indiciado para réu ou mesmo de acusado para
agente. Basta apenas que você saiba que se aparecer uma das
supracitadas denominações, a banca estará se referindo ao SUJEITO
ATIVO.
Ainda dentro do tema, para que um indivíduo seja considerado sujeito
ativo, é necessário que ele detenha capacidade penal, que nada mais é
do que o conjunto de condições exigidas para que um sujeito possa se
tornar titular de direitos ou obrigações no campo do direito penal.
Exatamente por isso que os mortos ou os animais e entes inanimados
não podem ser SUJEITOS ATIVOS, podendo, entretanto, ser objetos ou
instrumentos do crime (ex: sujeito que treina cão para matar alguém. O
cão é instrumento do crime e não sujeito ativo).
Bom, caro aluno, até aqui falamos das pessoas FÍSICAS, mas e as
PESSOAS JURÍDICAS, podem se enquadrar como SUJEITO ATIVO de um
delito?
Há duas correntes em relação à pessoa jurídica poder ser sujeito ativo:

1 a ) TEORIA DA FICÇÃO^ A personalidade jurídica somente existe por


determinação da lei e dentro dos limites por ela fixados. Não tem a
pessoa jurídica consciência e vontade próprias. É uma ficção legal.
Para esta corrente, a pessoa jurídica não pode ser sujeito ativo do
crime, pois não tem capacidade penal. Quem atua por ela são seus
membros, seus diretores, que serão responsabilizados pelo delito
cometido em nome da pessoa jurídica. Assim, somente os responsáveis
concretos pelo delito (gerentes, diretores) são responsabilizados
penalmente.

2a) TEORIA DA REALIDADE (PREDOMINANTE) * Existe o


entendimento de que a pessoa jurídica é um ser natural e que tem
vontades próprias. Conforme Nucci, "porque elas fazem com que se
reconheça, modernamente, sua vontade, não no sentido próprio que se
atribui ao ser humano, resultante da própria existência natural, mas em
um plano pragmático-sociológico, reconhecível socialmente. Essa
perspectiva permite a criação de um conceito denominado 'ação
delituosa institucional', ao lado das ações humanas individuais".
Diante disso, entende-se que a pessoa jurídica possa delinqüir.
Tal entendimento é o adotado pelas bancas e também pelo Superior
Tribunal de Justiça nos seguintes termos:

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STJ - RECURSO ESPECIAL: REsp 889528 SC 2006/0200330-2

PROCESSUAL PENAL. RECURSO ESPECIAL. CRIMES CONTRA O


MEIO AMBIENTE. DENÚNCIA REJEITADA PELO E. TRIBUNAL A QUO.
SISTEMA OU TEORIA DA DUPLA IMPUTAÇÃO.

Admite-se a responsabilidade penal da pessoa jurídica em crimes


ambientais desde que haja a imputação simultânea do ente moral e
da pessoa física que atua em seu nome ou em seu benefício, uma
vez que "não se pode compreender a responsabilização do ente
moral dissociada da atuação de uma pessoa física, que age com
elemento subjetivo próprio" cf. Resp n° 564960/SC, 5a Turma, Rel.
Ministro Gilson Dipp, DJ de 13/06/2005 (Precedentes). Recurso
especial provido.

Assim, sendo propositalmente repetitivo:

ADMITE-SE A RESPONSABILIDADE
PENAL DA PESSOA JURÍDICA

A adoção deste entendimento tem por base diversos dispositivos que


deixam clara a opção do legislador em aplicar a Teoria da realidade em
nosso ordenamento jurídico.
A CF/88, nos artigos 173, §5° e 225, §3°, determinou que a legislação
ordinária estabelecesse a punição da pessoa jurídica nos atos cometidos
contra a economia popular, a ordem econômica e o meio ambiente. Veja:

Art. 173
[...]

§ 5° - A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos


dirigentes da pessoa jurídica, estabelecerá a responsabilidade
desta, sujeitando-a às punições compatíveis com sua natureza,
nos atos praticados contra a ordem econômica e financeira e
contra a economia popular.

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A Lei n.° 9.605/98, referente aos delitos cometidos em desfavor do meio


ambiente, fez com que essa teoria ganhasse força, uma vez que, em seu
artigo 3°, dispôs:

Art. 3° As pessoas jurídicas serão responsabilizadas


administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta
Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de
seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado,
no interesse ou benefício da sua entidade.
Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não
exclui a das pessoas físicas, autoras, co-autoras ou partícipes do
mesmo fato. (grifo nosso)

2.1.2.2 SUJEITO ATIVO QUALIFICADO

Conforme vimos, a maioria dos crimes podem ser cometidos por


qualquer pessoa, bastando apenas a capacidade penal geral.
Entretanto, há crimes que reclamam determinada capacidade especial
penal por parte do sujeito ativo, ou seja, certa posição jurídica (Ex: Ser
funcionário público para cometer o crime de peculato), ou posição de
fato (Ex: Ser gestante para cometer auto-aborto - infanticídio).
Nesses casos, os sujeitos ativos são chamados de "sujeitos ativos
qualificados", os quais praticam os crimes próprios.

CRIME PRÓPRIO QUANTO AO SUJEITO ATIVO É AQUELE QUE


EXIGE DO AGENTE CERTOS REQUISITOS NATURAIS OU SOCIAIS
QUE O TORNA CAPAZ DE FIGURAR COMO SUJEITO EXECUTOR
DAQUELE CRIME. EXEMPLIFICA-SE COM OS CRIMES QUE EXIGEM
A CONDIÇÃO DE "FUNCIONÁRIO PÚBLICO" PARA QUE POSSA O
INDIVÍDUO PERPETRAR A INFRAÇÃO.

2.1.2.3 SUJEITO PASSIVO

É o titular do bem jurídico lesado ou ameaçado. É o coitado que morre


no crime de homicídio, o marido que sofre lesões corporais graves de sua
mulher, ou mesmo o possuidor da coisa no furto.

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Nada impede que, em um determinado delito, dois ou mais sujeitos


passivos existam, desde que estes tenham sido lesados ou ameaçados
em seus bens jurídicos definidos no tipo penal.
Pode ser denominado de vítima ou de ofendido e divide-se em duas
espécies:

1 - SUJEITO PASSIVO FORMAL OU MEDIATO * É O ESTADO!!!


"Mas, como assim, professor, um indivíduo é vítima de roubo, por
exemplo, e o sujeito passivo é o Estado?".
Exatamente, o Estado é o sujeito passivo mediato, pois, por ser o titular
do mandamento proibitivo não observado pelo sujeito ativo, é sempre
lesado pela conduta do sujeito ativo.

2 - SUJEITO PASSIVO MATERIAL OU IMEDIATO ^ É o titular do


interesse penalmente protegido. É aquele que sofre a lesão do bem
jurídico de que é titular, como a vida, a integridade física, a honra.
Podem ser sujeito passivo material:

• AS PESSOAS FÍSICAS * Ex: Homicídio:


Art. 121. Matar alguém:
Pena - reclusão, de seis a vinte anos

• O ESTADO ^ Ex: Crimes contra a Administração Pública:


Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou
qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a
posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou
alheio

• A PESSOA JURÍDICA ^ Ex: A companhia de seguro, como


pessoa jurídica (art. 171, § 2°, V, CP - fraude para o recebimento
de indenização ou valor de seguro - Estelionato)

• A COLETIVIDADE *(art. 286, CP - incitação ao crime).


Art. 286 - Incitar, publicamente, a prática de crime:
Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa.

3 - SUJEITO PASSIVO - CASOS ESPECIAIS »Existem determinados


casos, comumente exigidos em PROVA que, embora não saiam da regra,
são importantes de serem citados para que você não precise nem pensar
para marcar a resposta correta:
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Incapaz ^ O incapaz pode ser sujeito passivo de delitos, pois é também


titular de direitos, como a vida e a liberdade (entre outros).
Há delitos em que somente podem figurar como sujeitos passivos os
incapazes. Ex: recém-nascido ser vítima de infanticídio (art. 123, CP);
menor de idade ser sujeito passivo de abandono intelectual (art. 246,
CP).

Morto ^ O ser humano morto não pode ser sujeito passivo de nenhum
delito, pois não é titular de direitos, podendo ser simplesmente o objeto
material do delito. Caso seja praticada alguma conduta atentando contra
eles, restará configurado um crime contra o respeito aos mortos (arts.
209 a 212, CP) e a vítima, neste caso, será sua família ou a coletividade,
e não o morto em si.

Nascituro ^ O nascituro pode ser sujeito passivo, pois o feto tem


direito à vida, sendo esta protegida pela punição do aborto.

Animais e coisas inanimadas ^ Os animais e as coisas não são


vítimas de crime, figurando apenas como
objeto material. Daí resulta que em caso
de lesão a coisas ou animais, os sujeitos
passivos são os seus proprietários ou a
coletividade.
Mas e nos crimes contra a fauna?
Como já disse, é a coletividade que
figura como vítima. De fato, ela é a
titular do interesse de ver preservado todo o patrimônio
ambiental.

Agora, caro aluno, um questionamento: Podemos afirmar que o


sujeito passivo do delito é o prejudicado pelo crime?

A reposta é negativa, pois, ainda que muitas vezes tais


características se reúnam na mesma pessoa, as situações são
diversas.

Sujeito passivo é o titular do bem lesado, enquanto o prejudicado é


qualquer pessoa a quem o crime traga danos, patrimoniais ou não.

Imagine que Tício, casado com Mévia, tem a sua aliança roubada.
Quem é o sujeito passivo? Tício, pois ele era o titular do bem jurídico
protegido. E a maior prejudicada? A esposa, é claro, pois Tício não
exibe mais o símbolo de seu enlace matrimonial... (ALUNAS, não
briguem com o professor...Aposto que na hora da prova vocês vão
lembrar deste exemplo!!!)

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2.1.3 OBJETO DO CRIME

É o bem ou objeto contra o qual se dirige a conduta criminosa. Pode ser:

• JURÍDICO ^ Objeto jurídico do crime é o interesse protegido pela lei


penal ou, como diz Nuvolone, "o bem ou interesse que o legislador
tutela, em linha abstrata de tipicidade (fato típico), mediante uma
incriminação penal".

• MATERIAL ^ Objeto material ou substancial do crime é a pessoa ou


coisa sobre a qual recai a conduta criminosa, ou seja, aquilo que a
ação delituosa atinge. Está ele direta ou indiretamente indicado na
figura penal. Assim, "alguém" (o ser humano) é objeto material do
crime de homicídio (art. 121), a "coisa alheia móvel" o é dos delitos
de furto (art. 155) e roubo (art. 157), etc.

Art. 121. Matar alguém [...]

Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia


móvel [...]

Agora, para finalizar, um questionamento que inclusive já foi objeto de


prova: Há crime sem objeto?
A resposta é... DEPENDE, pois:

NÃO HÁ CRIME SEM OBJETO JURÍDICO, POIS QUALQUER


CRIME VIOLA UMA LEI. ENTRETANTO É POSSÍVEL UM
DELITO SEM OBJETO MATERIAL. EXEMPLO: ATO
OBSCENO (ARTIGO 233 DO CÓDIGO PENAL).

2.2 CRIME: CLASSIFICAÇÕES

A partir de agora começaremos a tratar das diversas classificações aplicáveis


aos crimes, assunto esse que acompanhará você até a nossa última aula, ou
melhor... ATÉ A PROVA!!!

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Sendo assim, forme uma base forte e entenda bem os conceitos, para
construir, até o final do curso, uma fortaleza abrangendo todo o Direito Penal.
Dito isto, vamos começar:
A classificação dos crimes se subdivide em legal e doutrinária:

• LEGAL ^ É a qualificação, ou seja, o nome atribuído ao delito pela lei


penal. Na Parte Especial do Código Penal, todo crime é acompanhado por
sua denominação legal (nomem iuris).
Sendo assim, diante desta definição, como sabermos o nome do crime
previsto no artigo 165 do Código Penal?

Art. 165 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada pela


autoridade competente em virtude de valor artístico, arqueológico
ou histórico.

A resposta é fácil. Basta abrir o código no artigo 165 e encontrar a


denominação: "Dano em coisa de valor artístico, arqueológico ou
histórico".

• DOUTRINÁRIA É o nome dado por estudiosos do direito a


determinadas espécies de crime. Vamos ater nossos estudos à
classificação doutrinária e, dentre as incontáveis existentes, somente
àquelas que importam para a SUA PROVA.

2.2.1 CRIMES COMUNS, CRIMES PRÓPRIOS E DE MÃO PRÓPRIA

• CRIMES COMUNS » São os delitos que podem ser praticados por


qualquer pessoa.
Exemplo: Homicídio, furto, etc.

• CRIMES PRÓPRIOS » São aqueles que exigem ser o agente portador


de capacidade especial.
Exemplo: Peculato (só pode ser praticado por funcionário público).

• CRIMES DE MÃO PRÓPRIA ^ São passíveis de serem cometidos por


qualquer pessoa, mas não podem ser praticados por intermédio de
outrem, ou seja, tais crimes não admitem co-autoria, mas apenas a
participação.
Exemplo: Falso testemunho.
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Para ficar ainda mais claro: Um advogado pode induzir ou instigar uma
testemunha a faltar com a verdade, mas jamais poderá, em juízo, mentir
em seu lugar ou juntamente com ela. Sendo assim, quem pode cometer
o delito de falso testemunho? Qualquer pessoa QUANDO for testemunha.

2.2.2 CRIMES INSTANTÂNEOS, PERMANENTES E INSTANTÂNEOS DE


EFEITOS PERMANENTES

• CRIME INSTANTÂNEO É aquele que, quando consumado, encerra-


se. A consumação ocorre em determinado momento e não mais se
prossegue.
Exemplo: Furto.

• CRIME PERMANENTE Existe quando a consumação se prolonga no


tempo, dependente da ação ou omissão do sujeito ativo. Não se admite a
tentativa.
Exemplo: Cárcere Privado

• DELITO INSTANTÂNEO DE EFEITOS PERMANENTES é aquele em


que a permanência do efeito não depende do prolongamento da ação do
sujeito ativo, ou seja, ocorre quando, consumada a infração em dado
momento, os efeitos permanecem, independentemente da vontade do
sujeito.
Exemplo: Crime de bigamia previsto no artigo 235 do CP.

Art. 235 - Contrair alguém, sendo casado, novo casamento:


Pena - reclusão, de dois a seis anos.

Se um indivíduo já é casado e casa novamente, no momento do segundo


matrimônio já é consumado o delito (instantâneo), mas,
independentemente da vontade dele, o efeito do crime permanecerá
enquanto estiver casado.

2.2.3 CRIMES COMISSIVOS, OMISSIVOS PRÓPRIOS E OMISSIVOS


IMPRÓPRIOS

• CRIMES COMISSIVOS ^ São os que exigem, segundo o tipo penal


objetivo (descrição abstrata de um comportamento), em princípio, uma
atividade positiva do agente, ou seja, uma ação.

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Exemplo: Roubo.

• CRIMES OMISSIVOS PRÓPRIOS OU PUROS São os que


objetivamente são descritos com uma conduta negativa, ou seja, de não
fazer o que a lei determina, consistindo a omissão na transgressão
da norma jurídica. É a omissão do autor quando deve agir. Exemplo
típico é a omissão de socorro prevista no artigo 135 do Código Penal.
Observe:

Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo


sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à
pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente
perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade
pública

OBSERVE QUE NOS CRIMES PRÓPRIOS EXISTE UMA


NORMA PENAL QUE TIPIFICA A OMISSÃO. SENDO
ASSIM, PARA SUA PROVA, SE ESTIVER PRESENTE NO
CÓDIGO PENAL UMA TIPIFICAÇÃO PARA UMA
OMISSÃO, AFIRME: É OMISSIVO PRÓPRIO.

• CRIMES OMISSIVOS IMPRÓPRIOS OU COMISSIVOS POR


OMISSÃO Existem quando a omissão consiste na transgressão do
dever jurídico de impedir o resultado, praticando-se o crime que,
abstratamente, é comissivo. Nestes casos, a lei descreve uma conduta
de fazer, mas o agente se nega a cumprir o dever de agir. A obrigação
jurídica de agir deve existir, necessariamente.
As hipóteses de dever jurídico de agir foram previstas no parágrafo 2° do
artigo 13 do Código Penal nos seguintes termos:

Art. 13.
[...]

§ 2° - A omissão é penalmente relevante quando o omitente


devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir
incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o
resultado;

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c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência


do resultado.

IMAGINE QUE TICIO ESTA NA PRAIA QUANDO MEVIA PERGUNTA A ELE SE


PODE OLHAR SEU FILHO ENQUANTO ELA ENTRA NA ÁGUA.
TÍCIO, IMPRESSIONADO COM OS ATRIBUTOS CORPORAIS DE MEVIA,
ACEITA A RESPONSABILIDADE E, ENQUANTO ACOMPANHAVA COM SEU
OLHAR O TRAJETO MEVIA-ÁGUA, A CRIANÇA VAI PARA O MAR E MORRE
AFOGADA.
NESTE CASO, EXISTE ALGUMA NORMA PENALIZADORA EM QUE TÍCIO IRÁ
SE ENQUADRAR PELA OMISSÃO?
A RESPOSTA E NEGATIVA. TÍCIO SERÁ ENQUADRADO EM HOMICÍDIO
CULPOSO.
LOGO, COM BASE NO ARTIGO 13, § 2°, "B" COMETEU UM CRIME OMISSIVO
IMPRÓPRIO.

2.2.4 CRIMES MATERIAIS, FORMAIS E DE MERA CONDUTA

• CRIME MATERIAL * É aquele em que o tipo penal guarda em seu


interior uma conduta e um resultado naturalístico, sendo a ocorrência
deste último necessária para a consumação.
Exemplo: É o caso do homicídio, cuja consumação é caracterizada pelo
falecimento da vítima.

CRIME FORMAL É aquele crime que se tem como consumado


independente do resultado naturalístico, não exigindo para sua
consumação o resultado pretendido pelo agente.
Ressalto que neste tipo de delito o resultado pode até ocorrer, mas,
para a consumação do crime, é indiferente.
Exemplos: No delito de ameaça, a consumação dá-se com a prática do
fato, não se exigindo que a vítima realmente fique intimidada. No de
injúria, é suficiente que ela exista, independentemente da reação
psicológica do indivíduo.

NO CRIME DE MERA CONDUTA * A lei não exige qualquer resultado


naturalístico, contentando-se com a ação ou omissão do agente. Em
outras palavras, o tipo não descreve o resultado, consumando-se a
infração com a simples conduta.
Exemplos: Violação de domicílio, ato obsceno, omissão de notificação de
doença e a maioria das contravenções.

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OS CRIMES MATERIAIS, FORMAIS E DE MERA


CONDUTA SÃO CLASSIFICADOS EM RELAÇÃO AO SEU
RESULTADO.

2.2.5 CRIMES SIMPLES, QUALIFICADOS E PRIVILEGIADOS

• CRIME SIMPLES » Ocorre quando o tipo legal é único. Neles, a lesão


jurídica é una e seu conteúdo não apresenta qualquer circunstância que
aumente ou diminua sua gravidade.
Exemplo: homicídio simples.

• CRIME QUALIFICADO ^ Quando o legislador, ao tipo básico ou


fundamental, agrega situação que eleva ou majora a pena, tal qual se dá
com o homicídio (art. 121 e par. 2°).
Art. 121 [...]
§ 2° Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo
torpe;
II - por motivo futil;
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro
meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro
recurso que dificulte ou torne impossivel a defesa do ofendido;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem
de outro crime:

Não surge a formação de um novo tipo penal, mas apenas uma forma
mais grave de ilícito.

• CRIME PRIVILEGIADO ^ É aquele em que, ao tipo básico e


fundamental, a lei agrega circunstâncias que o torna menos grave.
Exemplo: O homicídio praticado por relevante valor moral e o furto de
pequeno valor praticado por agente primário.

2.2.6 CRIMES COMPLEXOS

CRIMES COMPLEXOS » Quando encerra dois ou mais tipos em uma única


descrição legal (ex.: roubo = furto + ameaça) ou quando, em uma figura
típica, abrange um tipo simples acrescido de fatos ou circunstâncias que,
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em si, não são típicos (ex.: constrangimento ilegal = crime de ameaça +


outro fato, que é a vítima fazer o que não quer ou não fazer o que deseja).

Esquematizando:

CLASSIFICAÇÃO DESCRIÇÃO SUSCINTA EXEMPLO

COMUNS PRATICADOS POR QUALQUER PESSOA. FURTO

PRATICADOS POR PORTADORES DE


PRÓPRIOS PECULATO
CAPACIDADE ESPECIAL.

COMETIDOS POR QUALQUER PESSOA,


FALSO
MÃO PRÓPRIA MAS NÃO PODEM SER PRATICADOS
TESTEMUNHO
POR INTERMÉDIO DE OUTREM.

CRIMES INSTANTÂNEOS QUANDO CONSUMADO, ENCERRA-SE. FURTO

PROLONGA-SE NO TEMPO,
CÁRCERE
PERMANENTES DEPENDENTE DA AÇÃO OU OMISSÃO
PRIVADO
DO SUJEITO ATIVO.

CONSUMADA A INFRAÇÃO EM DADO


INSTANTÂNEOS DE MOMENTO, OS EFEITOS PERMANECEM,
BIGAMIA
EFEITOS PERMANENTES INDEPENDENTEMENTE DA VONTADE
DO SUJEITO.

ATIVIDADE POSITIVA DO AGENTE,


CRIMES COMISSIVOS ROUBO
UMA AÇÃO.

CRIME QUE, ABSTRATAMENTE, É


OMISSÃO DE
OMISSIVOS PRÓPRIOS OMISSIVO. É A OMISSÃO DO AUTOR
SOCORRO
QUANDO DEVE AGIR.

CRIME QUE, ABSTRATAMENTE, É


ART. 13 CP -
COMISSIVO. A LEI DESCREVE UMA
OMISSIVOS MÃE DEIXA DE
CONDUTA DE FAZER, MAS O AGENTE
IMPRÓPRIOS ALIMENTAR A
SE NEGA A CUMPRIR O DEVER DE
CRIANÇA
AGIR.

UMA CONDUTA E UM RESULTADO


NATURALÍSTICO, SENDO A HOMICÍDIO *
MATERIAIS
OCORRÊNCIA DESTE ÚLTIMO MORTE
NECESSÁRIA PARA A CONSUMAÇÃO.

CONSUMADO INDEPENDENTE DO
FORMAIS AMEAÇA
RESULTADO NATURALÍSTICO.

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NÃO EXIGE QUALQUER RESULTADO


MERA CONDUTA ATO OBSCENO
NATURALÍSTICO.

OCORRE QUANDO O TIPO LEGAL É HOMICÍDIO


SIMPLES
ÚNICO. SIMPLES

AO TIPO SIMPLES, AGREGA SITUAÇÃO


QUALIFICADOS ART. 121, § 2°
QUE ELEVA OU MAJORA A PENA.

HOMICÍDIO
CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME SÃO
PRATICADO POR
PRIVILEGIADOS MINORATIVAS, ISTO É, SE ATENUAM A
RELEVANTE
PENA.
VALOR MORAL

DOIS OU MAIS TIPOS EM UMA ÚNICA ROUBO = FURTO


COMPLEXO
DESCRIÇÃO LEGAL. + AMEAÇA

2.3 CRIME: FATO TÍPICO

Fato típico é o comportamento humano (positivo ou negativo) que se enquadra


perfeitamente nos elementos descritos na norma penal.
Exemplo: Tício esfaqueia Mévio, que vem a falecer devido às lesões ^
Enquadramento de Tício na conduta definida no artigo 121 do Código Penal:

Art. 121. Matar alguém[...]


Pena - reclusão, de seis a vinte anos.

Sendo assim, caro aluno, fica fácil encontrar a definição de fato atípico, que
nada mais é do que aquele que NÃO se enquadra em nenhum dispositivo da lei
penal.
Para exemplificar: Mévio, pai de Tícia (22 anos), mantém relações sexuais com
a filha, que consente que tal ato aconteça. Neste caso, há crime? Claro que
não! A conduta pode até ser considerada imoral, mas, por haver
consentimento de ambas as partes, não se enquadra em nenhuma norma
penal e, consequentemente, é atípico.
O fato típico é composto dos seguintes elementos:

1. CONDUTA
2. RESULTADO NATURALÍSTICO
3. NEXO DE CAUSALIDADE
4. TIPICIDADE
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Só para ficar bem claro, no primeiro exemplo, há uma conduta, a de o sujeito


esfaquear a vítima. O resultado é a morte. O nexo entre a conduta e o
resultado é que a vítima faleceu em conseqüência das lesões produzidas pelas
facadas. E o acontecimento se enquadra no art.121 do CP.
Mas agora pergunto, e para responder pense na classificação dos crimes que
vimos nesta aula: Sempre os quatro elementos estarão simultaneamente
presentes para a caracterização de um fato típico???
A resposta é negativa, pois só estarão presentes, concomitantemente, nos
CRIMES MATERIAIS CONSUMADOS, pois estes, como já vimos, guardam em si
uma conduta e um resultado naturalístico, exigindo a produção deste para a
sua consumação.
Na tentativa e nos crimes de mera conduta, diferentemente, não há resultado
naturalístico e nem nexo causal, limitando-se o fato típico aos elementos
CONDUTA e TIPICIDADE.
E nos crimes formais?
Nos crimes formais, o resultado pode até acontecer, mas não é necessário
para a consumação. Sendo assim, podemos afirmar que será necessário para
caracterizar um fato típico proveniente de um delito formal, somente a
CONDUTA e a TIPICIDADE.

Esquematizando:

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2.3.1 CONDUTA

Um dos mais fascinantes temas do direito penal é o estudo da conduta ou


ação, não só pelas suas próprias características, mas mais pelas
divergências que cria em relação ao estudo do crime.
Realmente, qualquer espécie de crime, seja doloso ou culposo, somente
tem sua exteriorização no mundo natural através da realização de uma
conduta e há muito já se dizia que "nullum crimem sine actione", ou seja,
não há crime sem uma respectiva ação humana.
O estudo da conduta é feito com base em teorias que você verá logo após o
quadro abaixo:

DOLO E CULPA - QUAL A DIFERENÇA?

QUANDO ALGUÉM QUER COMETER UM DELITO OU ASSUME O RISCO DE


COMETÊ-LO, ELE ESTARÁ AGINDO DOLOSAMENTE. MAS SE ELE COMETEU O
CRIME APENAS POR NEGLIGÊNCIA, IMPRUDÊNCIA OU IMPERÍCIA, ELE ESTARÁ
AGINDO CULPOSAMENTE.

ASSIM, SE TÍCIO DÁ UM TIRO EM MÉVIO, ELE AGIU DOLOSAMENTE, POIS QUIS


MATÁ-LO.

MAS, E SE TÍCIO DEIXA SÓ UM PROJÉTIL E, BRINCANDO DE "ROLETA RUSSA",


COLOCA-O CONTRA A CABEÇA DE MÉVIO, APERTA O GATILHO E O MATA?

NESTE CASO, ELE PODE ATÉ NÃO TER QUERIDO MATÁ-LO, MAS ASSUMIU O
RISCO DE FAZÊ-LO E, POR ISSO, TERÁ AGIDO DOLOSAMENTE.

POR OUTRO LADO, SE CAIO DEIXA SEU REVÓLVER CAIR DA BOLSA SEM
QUERER E AO BATER NO CHÃO ELE DISPARA E MATA TÍCIA, SERÁ DOLOSO?

A RESPOSTA É NEGATIVA. SERÁ UM DELITO CULPOSO, POIS ELE NÃO DESEJOU


E NEM ASSUMIU O RISCO DE MATAR TÍCIA, MAS AGIU COM IMPRUDÊNCIA, POIS
NINGUÉM DEVERIA ANDAR COM UMA ARMA DESTRAVADA EM UMA BOLSA.

FINALIZANDO:

IMPERÍCIA É QUANDO ALGUÉM QUE DEVERIA DOMINAR UMA TÉCNICA NÃO A


DOMINA. É O CASO DO MÉDICO QUE ERRA NA HORA DE SUTURAR UM
PACIENTE. DEPOIS DE SEIS ANOS ESTUDANDO MEDICINA, ELE DEVERIA SABER
SUTURAR. SE NÃO SABE, É IMPERITO.

NEGLIGÊNCIA É QUANDO AQUELE QUE DEVERIA TOMAR CONTA PARA QUE UMA
SITUAÇÃO NÃO ACONTECESSE, NÃO PRESTA A DEVIDA ATENÇÃO E A DEIXA
ACONTECER. É O CASO DA MÃE QUE DEVERIA TOMAR CONTA DO NENÉM
QUANDO ESTÁ DANDO BANHO NELE, VAI ATENDER O TELEFONE E O NENÉM
ACABA SE AFOGANDO. ELA NÃO QUERIA E NEM ASSUMIU O RISCO DE MATÁ-LO,
MAS NÃO TOMOU CONTA O SUFICIENTE PARA EVITAR SUA MORTE.

IMPRUDÊNCIA É QUANDO A PESSOA NÃO TOMA OS CUIDADOS QUE UMA


PESSOA NORMAL TOMARIA. É AQUELA QUE, AO DAR MARCHA-RÉ COM O
CARRO, ESQUECE DE OLHAR PARA TRÁS E ACABA ATROPELANDO ALGUÉM.

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2.3.1.1 TEORIA CLÁSSICA, MECANICISTA, NATURALÍSTICA OU


CAUSAL

A ideologia dessa teoria nasceu com o intuito de abrandar a sensação


vivida na época do Império, quando a vontade do Rei prevalecia e era
ele quem ditava as regras de conduta. Em contraposição a essa fase,
surgiu a teoria clássica, para que a sociedade ficasse inteiramente
adstrita à vontade da lei e não mais à do monarca.
Para os defensores dessa teoria, ficar vinculado literalmente ao texto
legal era mais seguro. Interpretar a lei seria muito arriscado, não se
podia dar margens a interpretações, pois essas causariam a insegurança
de regredir para a época Imperial, quando prevalecia a arbitrariedade.
Portanto, a única interpretação possível do texto legal era a literal,
devia-se seguir à risca a junção do fato à norma.
Para a teoria causal da ação, pratica fato típico aquele que pura e
simplesmente dá causa ao resultado, independente de dolo ou culpa na
conduta do agente, elementos esses que, segundo essa teoria, serão
analisados apenas na fase de averiguação da culpabilidade, ou seja, não
pertencem à conduta.
Para saber se o agente praticou fato típico ou não, deve-se apenas
analisar se ele foi o causador do resultado, se praticou a conduta descrita
em lei como crime. Não se analisa o conteúdo da conduta, a intenção do
agente na ação, trabalha-se com o mero estudo de relação de causa e
efeito.
Crime, para essa teoria, é fato típico, antijurídico e culpável, pois o dolo
e a culpa, que são imprescindíveis para a existência do crime,
pertencem à culpabilidade, logo, esta (a culpabilidade) deve fazer
parte do conceito de crime para os seguidores dessa teoria.

Para esclarecer melhor a teoria causal, partimos de um exemplo: Imagine


uma pessoa que, ao sair de um restaurante, dirija-se ao depósito para
retirar seu guarda-chuva e, por engano, retira guarda-chuva alheio.
Para a teoria causal da ação, essa pessoa praticou fato típico (furto), visto
que subtraiu para si coisa alheia móvel. Mesmo que tal pessoa não tenha
agido com dolo, praticou fato típico, ou seja, a conduta descrita em lei
como crime.

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Outro exemplo seria o caso do "Sr. Certinho", que estava dirigindo a 40


Km/h em uma via cuja velocidade máxima preceituada era de 60 Km/h.
Em determinado momento, uma criança solta a mão de sua mãe, passa na
frente de um caminhão (que impedia a visão dos motoristas) e acaba
sendo morta pelo carro do Sr. Certinho que, naquele momento, dirigia
com a máxima atenção possível.

Neste caso, o Sr. Certinho praticou um FATO TÍPICO?


Para responder a pergunta, temos que pensar
segundo o nome da teoria, ou seja, de forma
MECÂNICA.
Qual foi a CAUSA da morte da criança? Foi a AÇÃO do
Sr. Certinho, LOGO...É fato típico!
O principal defeito desta teoria é separar a conduta praticada no mundo
exterior da relação psíquica do agente, deixando de analisar sua vontade.
Fica claro, portanto, que esta teoria não distingue a conduta dolosa da
conduta culposa, pois ambas são analisadas objetivamente, uma vez
que não se faz nenhuma indagação sobre a relação psíquica do agente
para com o resultado.
Bastante adotada em décadas passadas, essa teoria foi ao longo do tempo
cada vez mais abandonada, encontrando, hoje, poucos seguidores.

2.3.1.2 TEORIA FINAL OU FINALISTA

Hans Welzel foi o grande defensor dessa teoria que surgiu entre 1920 e
1930, diante das constatações neoclássicas, nas quais se observou
elementos finalísticos nos tipos penais. Pela corrente neoclássica,
também denominada neokantista, foi possível determinar elementos
subjetivos no próprio tipo penal, e não somente na culpabilidade.
Esta teoria tem como idéia inicial a concepção do homem como ser livre
e responsável pelos seus atos. Para esta teoria, conduta é o
comportamento humano voltado a um fim. Logo, há que ser analisada
a FINALIDADE do agente em sua conduta.
Para a teoria finalista da ação, que foi a adotada pelo nosso Código
Penal, será típico o fato praticado pelo agente se este atuou com dolo ou
culpa na sua conduta. Se ausente tais elementos, teremos a atipicidade.

CONCLUINDO, A VONTADE DO AGENTE NÃO PODERÁ MAIS


SER SEPARADA DA SUA CONDUTA, AMBAS ESTÃO LIGADAS
ENTRE SI, DEVENDO-SE FAZER UMA ANÁLISE DE IMEDIATO
NO "ANIMUS" DO AGENTE PARA FINS DE TIPICIDADE.
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Para a teoria finalista, crime é um fato típico e antijurídico, sendo a


culpabilidade mero pressuposto de aplicação da pena. Sendo assim,
analisa-se a conduta do agente se foi dolosa ou culposa, se tal conduta é
típica e, por final, como pressuposto de aplicação da pena, verifica-se a
culpabilidade do agente.

PRESSUPOSTO DE
APLICAÇÃO DA
PENA

A referida teoria adotada leva em conta o valor da ação, o motivo que


levou alguém a praticar o delito, ao contrário da teoria causal que se
contenta em apenas ver a relação de causa e efeito da conduta.
A teoria finalista se preocupa com o conteúdo da conduta e da norma,
pois muitos tipos penais no seu próprio corpo descrevem elementos que
exigem uma finalidade específica, portanto, não poderíamos ignorar essa
vontade da lei. Um exemplo de tipo penal que exige finalidade é o artigo
216-A do Código que descreve em seu preceito primário:

Art.216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem


ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente de sua
condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao
exercício de emprego, cargo ou função.

Ora, está claro que o tipo penal incriminador estabelece uma finalidade
especial do agente para que este se enquadre no mesmo, exigindo-se a
finalidade de "obter vantagem ou favorecimento sexual", concluindo que
não se pode separar a conduta do agente de sua vontade, deixando claro
que nosso Código Penal adotou a teoria finalista da ação.

Resumindo:
Para a teoria finalista, importa saber se o agente atuou com dolo ou
culpa. Não estando presente tais elementos, sua conduta será atípica.
Por outro lado, para a teoria causal, sua conduta seria típica, porém ele
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não seria culpável por ausência de dolo e culpa, elementos estes que,
para a teoria causal, fazem parte da culpabilidade.

2.3.1.3 TEORIA SOCIAL

A teoria social da ação tem como fundamento a relevância da conduta


perante a sociedade.
Para essa teoria, não basta saber se a conduta foi dolosa ou culposa para
averiguação do fato típico, mas, também, fazer uma análise de tal
comportamento e classificá-lo como socialmente permitido ou não.
Se a conduta do agente for considerada social, ou seja, aceita pela
sociedade, será atípica.
Para os adeptos da teoria social não podemos taxar como crime uma
conduta que é perfeitamente aceitável perante a sociedade e que não
gera danos consideráveis.
A referida teoria alega ser inútil punir alguém por um fato que a própria
sociedade aceita, ou seja, deve-se observar um elemento social que
estaria contido implicitamente no tipo penal. Para essa teoria, só será
típico o fato que repercute negativamente na sociedade.
Em um primeiro momento, caro aluno, a Teoria Social pode até parecer
boa para a sociedade, mas devemos, antes de pensar na "idéia" da
teoria, responder à seguinte pergunta: "Quem vai decidir o que é aceito
ou não pela sociedade?" Resposta: Somente o Juiz, e aqui é que
começam os problemas.
Os críticos da teoria social alegam que esta implica num risco à
segurança jurídica, pois caberia ao magistrado decidir se tal conduta é
típica ou não de acordo com os costumes.
Assim, analisando o caso em concreto, se o juiz entender que a ação do
agente foi absolutamente sociável, classificará aquela como atípica,
ignorando, assim, o direito positivo.
Tal teoria não foi concebida pela nossa legislação, entretanto, não se
deixa de avaliar a sociabilidade da ação, podendo esta ser utilizada pelo
magistrado como critério de fixação da pena base, com fundamento no
artigo 59 do Código Penal.

Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à


conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às
circunstâncias e conseqüências do crime, bem como ao
comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja
necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime:

I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;


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II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos;


III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de
liberdade;
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por
outra espécie de pena, se cabível.

2.3.1.4 EXCLUSÃO DA CONDUTA

Não constituem conduta os atos em que não intervém a vontade. São


exemplos de hipóteses de ausência de conduta:

1. Caso fortuito e forca maior ^ São acontecimentos imprevisíveis e


inevitáveis que fogem do domínio da vontade do ser humano. Se não
há vontade, não há dolo ou culpa.
Exemplo: Tício estava em uma praça, ao lado de uma senhora. Após
uma forte rajada de vento, Tício é arremessado contra a mulher,
ferindo-a. Neste caso, houve VONTADE de Tício? É claro que não,
logo, não houve conduta.

2. Atos ou movimentos reflexos Consiste em reação automática


em consequência de uma excitação dos sentidos.
Exemplo: Você lembra daquele martelinho de
ortopedista?....Isso mesmo, aquele que bate no joelho e,
automaticamente, nossa perna se mexe. Então, imagine
que o médico bate com este martelinho em seu joelho e,
por impulso, a perna acaba atingindo o médico. Como não
há vontade de atingir o ortopedista, também não há
conduta.

3. Coacão física irresistível Imagine que Tício é amarrado


enquanto vê Mévio sofrer lesões corporais graves. Neste caso, será
enquadrado na hipótese de omissão de socorro prevista no artigo
135 do Código Penal? É claro que não, pois está sob coação física
irresistível.

Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo


sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à
pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente
perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade
pública

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4. Sonambulismo e hipnose ^ Também não há conduta por falta de


vontade nos comportamentos praticados em completo estado de
inconsciência.

2.3.2 RESULTADO

Resultado é a consequência provocada pela conduta do agente. Pode ser:

• JURÍDICO É, simplesmente, a violação da lei penal, mediante a


agressão do valor ou interesse por ela tutelado.
• NATURALÍSTICO OU MATERIAL ^ É a modificação do mundo
exterior provocada pela conduta do agente.

Agora, para finalizar, um questionamento. Há crime sem resultado?


A resposta é... DEPENDE, pois:

NÃO HÁ CRIME SEM RESULTADO JURÍDICO, POIS


QUALQUER CRIME VIOLA UMA LEI. ENTRETANTO É
POSSÍVEL UM DELITO SEM RESULTADO NATURALÍSTICO.

2.3.3 NEXO CAUSAL OU RELAÇÃO DE CAUSALIDADE

A relação de causalidade ou nexo causal ou nexo de causalidade é a forma


segundo a qual se verifica o vínculo entre a conduta do agente e o resultado
ilícito. Sobre o tema, estabelece o artigo 13 do Código Penal:

Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime,


somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa
a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.

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A doutrina considera que a palavra "resultado" prevista no início do artigo


13 refere-se somente ao resultado naturalístico. Sendo assim, para ser
determinado o autor de um crime, sempre teremos que verificar o NEXO
CAUSAL, correto? CLARO QUE NÃO!!!!
Para que se vai verificar o nexo causal em delitos formais ou de mera
conduta? Nesses tipos de crimes importa o resultado ou só a conduta? Só a
conduta! Sendo assim, o estudo da relação de causalidade tem pertinência
apenas nos crimes MATERIAIS.

2.3.3.1 TEORIAS

Podem-se destacar duas principais teorias na busca para definir a relação


de causalidade. São elas:

1 - DA EQUIVALÊNCIA DAS CONDIÇÕES OU EQUIVALÊNCIA DOS


ANTECEDENTES OU SINE QUA NON Segundo esta teoria, quaisquer
das condutas que compõem a totalidade dos antecedentes é causa do
resultado, como, por exemplo, a venda lícita da arma pelo comerciante
que não tinha idéia do propósito homicida do criminoso comprador.
Essa teoria costuma ser lembrada pela "profunda" frase:

A CAUSA DA CAUSA TAMBÉM É CAUSA DO QUE FOI CAUSADO.

Contudo, recebe críticas por permitir o regresso ao infinito, já que, em


última análise, até mesmo o inventor da arma seria causador do evento,
visto que, se a arma não existisse, tiros não haveria. Na verdade, a
responsabilidade de todo delito incidiria em "Adão e Eva".
Já pensou esta teoria aplicada na época em que o adultério era crime? Ia
para cadeia o vendedor da cama, o dono da indústria de
espuma....Enfim, é melhor passarmos para a próxima.

2 - DA CAUSALIDADE ADEQUADA » Esta teoria considera causa do


evento apenas a ação ou omissão do agente apta e idônea a gerar o
resultado.
Segundo o que dispõe essa corrente, a venda lícita da arma pelo
comerciante não é considerada causa do resultado morte que o
comprador produzir, pois vender licitamente a arma, por si só, não é
conduta suficiente para gerar a morte. Ainda é preciso que alguém
efetue os disparos que a causarão.

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Portanto, a causa adequada é aferida de acordo com o juízo do homem


médio e com a experiência comum. Não basta contribuir de qualquer
modo para o resultado: A CONTRIBUIÇÃO DEVE SER EFICAZ!

2.3.3.2 TEORIA ADOTADA PELO CÓDIGO PENAL

O Código Penal adotou a teoria da equivalência dos antecedentes,


conforme é possível perceber ao observar com atenção o artigo 13 do
Código Penal. Veja:

Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime,


somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se
causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria
ocorrido. (grifo nosso)

Sendo assim, para a PROVA, causa é todo o comportamento humano,


comissivo ou omissivo, que, de qualquer modo, concorreu para a
produção do resultado naturalístico, pouco importando o grau de
contribuição.
"Mas, professor, quer dizer que o vendedor de arma, segundo o sistema
Brasileiro, pode ser responsabilizado pelo homicídio?"
A resposta é: Depende!
Segundo a jurisprudência dominante, ao interpretar o artigo 13, para
que um acontecimento ingresse na relação de causalidade, não basta a
mera dependência física. Exige-se ainda a causalidade psíquica, ou seja,
reclama-se a presença do dolo ou da culpa por parte do agente em
relação ao resultado.
Como já vimos, a ausência de dolo ou culpa afasta a conduta, a qual, por
seu turno, afasta a configuração do nexo causal.
Logo, na pergunta acima, se o vendedor sabia da intenção do comprador
e, por não gostar do "futuro" ofendido, facilitou a venda da arma, sua
conduta será considerada causa do crime de homicídio, cometido
posteriormente. Se nada sabia, tal responsabilização ficará afastada.
Resumindo, pelo que vimos até agora o artigo 13 do Código Penal adotou
a teoria da equivalência dos antecedentes. Fácil, concorda? Fácil até
demais....E como vida de concurseiro não é nada fácil (E eu sei muito
bem...), excepcionalmente, a teoria da causalidade adequada também é
adotada no nosso sistema pátrio e isto nos remete à necessidade de
estudarmos as concausas.
Respire fundo e vamos começar!!!

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2.3.3.3 CONCAUSAS

Paralelamente à causa, existe o que se denomina, doutrinariamente,


concausa. Ou seja, são outras causas que concorrem juntamente no fato
então praticado e dão força, de uma forma ou de outra, ao resultado.
As concausas subdividem-se em:

• CAUSA DEPENDENTE É aquela que é dependente da conduta.


Só acontece por causa da conduta e, assim, não exclui a
relação de causalidade. Ocorre como uma verdadeira sucessão de
acontecimentos previsíveis.
Exemplo: A morte em um homicídio advém da hemorragia interna
que foi causada pelo impacto da bala que veio da explosão
provocada pela arma feita pela conduta da pessoa que pressionou
o gatilho.

CAUSA INDEPENDENTE ^ É aquela que acontece por motivos


diversos da conduta. Apresenta um resultado inesperado e não
usual.
É independente porque tem a capacidade de produzir, por si só, o
resultado. Pode ser de natureza absoluta ou relativa, dependendo
de sua origem.

Absolutamente independente ^ Quando não tem


nenhuma relação com a conduta. Por serem
independentes, produzem por si sós o resultado
naturalístico.

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• Relativamente independente ^ Originam-se da


própria conduta efetuada pelo agente. São relativas,
pois não existiriam sem a atuação do agente.
Entretanto, tais causas são independentes e, assim,
são capazes de produzir por si sós o resultado, já que
não se situam no normal trâmite do desenvolvimento
causal.

CAUSA DEPENDENTE * SÓ ACONTECE POR CAUSA DA CONDUTA.

CAUSA INDEPENDENTE * ACONTECE POR MOTIVOS DIVERSOS


DA CONDUTA.

Vamos começar tratando das causas absolutamente independentes,


que subdividem-se em:

A) PREEXISTENTES ^ São aquelas que já existiam antes da conduta e


o efeito dessa de nada interfere no resultado.
Exemplo: Tício verifica que Mévio está deitado na praia e atira dez vezes
em regiões vitais do desafeto. Posteriormente, o exame necroscópico
conclui que no momento dos disparos Mévio já estava morto, pois havia
se afogado.
A conduta (tiro) não produziu o resultado (morte), pois esta foi causada
pelo afogamento preexistente.

B) CONCOMITANTE ^ É aquela que ocorre no exato momento da


conduta.
Exemplo: Caio efetua disparos contra Mévio no exato momento em que o
teto da casa cai na cabeça deste último.

C) SUPERVENIENTES ^ É a que se concretiza posteriormente à


conduta praticada pelo agente, dando causa ao resultado.
Exemplo: Tício ministra uma alta dose de veneno para Caio, entretanto,
antes de o veneno começar a fazer efeito, aparece Mévio e efetua
.inúmeros disparos contra Caio, matando-o.

Conseqüência das causas absolutamente independentes: Perceba


que em todas as modalidades o resultado aconteceria
independentemente da conduta. Desta forma, há um afastamento do
nexo causal entre a conduta e o resultado desejado.

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"Mas, professor, isto quer dizer que o agente ficará impune?"


Não! Devem ser imputados ao agente os atos praticados e não o
resultado naturalístico, devido à ausência da relação de causalidade. Nos
exemplos mencionados, via de regra, responderá o agente por tentativa
de homicídio e não por homicídio consumado.

A partir de agora, voltaremos o estudo para as causas relativamente


independentes, que podem ser:

A) PREEXISTENTES A causa já existe antes da conduta do agente,


entretanto, por si só, não produziria o resultado. Assim, o agente
responderá integralmente pelo resultado naturalístico.
Exemplo: Tício atira em Mévio e o acerta de raspão. Entretanto Mévio,
por ser hemofílico, vem a falecer em virtude dos ferimentos. Perceba
que a hemofilia é preexistente ao fato, entretanto, o resultado só foi
possível devido à atuação de Tício.

B) CONCOMITANTES ^ Ocorrem concomitantemente à prática da


conduta e aqui valem os mesmos comentários quanto às causas
relativamente independentes preexistentes, ou seja, responde o agente
pelo resultado naturalístico.
Exemplo: Mévio, com ânimo de matar Tício, aponta uma arma para ele.
Tício, desesperado, tenta fugir e no momento em que é efetuado o
disparo, Tício é atropelado por um caminhão.

C) SUPERVENIENTES ^ Encontram previsão no artigo 13, parágrafo 1°


do Código Penal. Observe:

Art. 13
[...]

§ 1° - A superveniência de causa relativamente independente


exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado;
os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os
praticou.

Através da análise atenta do supracitado dispositivo, percebe-se que o


legislador optou por criar duas espécies do gênero causas relativamente
independentes supervenientes. São elas:

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1. CAUSAS SUPERVENIENTES RELATIVAMENTE INDEPENDEN-


TES QUE NÃO PRODUZEM POR SI SÓS O RESULTADO *
Imagine que Tício, querendo matar Mévio, por possuir uma
péssima mira, erra o coração e acerta em seu braço. Mévio é
levado ao hospital e, por imperícia médica, vem a falecer.
Pergunto: Tício responderá pela morte de Mévio? Para responder a
esta pergunta, caro aluno, você deve se perguntar: "Se ele não
tivesse levado o tiro teria morrido?" É claro que não, pois nem para
o hospital teria ido.
Sendo assim, nas CAUSAS SUPERVENIENTES RELATIVAMENTE
INDEPENDENTES QUE NÃO PRODUZEM POR SI SÓS O
RESULTADO, o agente RESPONDE pelo resultado naturalístico.
Neste sentido já se pronunciou o STJ:

STJ - HABEAS CORPUS: HC 42559 PE 2005/0042920-6

Processual penal. Habeas corpus. Homicídio qualificado. Novo


interrogatório. Faculdade do julgador. Prova emprestada.
Inexistência de constrangimento ilegal quando existem outros
elementos que sustentam a condenação. Causa superveniente
relativamente independente. Inexistência. Teoria da
equivalência dos antecedentes causais. Legítima defesa.
Impossibilidade de reconhecimento pela via estreita do writ por
exigir exame do conjunto fático-probatório. Ordem parcialmente
conhecida e, nessa parte, denegada.
[...]

4. O fato de a vítima ter falecido no hospital em decorrência


das lesões sofridas, ainda que se alegue eventual omissão
no atendimento médico, encontra-se inserido no
desdobramento físico do ato de atentar contra a vida da
vítima, não caracterizando constrangimento ilegal a
responsabilização criminal por homicídio consumado, em
respeito à teoria da equivalência dos antecedentes causais
adotada no Código Penal e diante da comprovação do
animus necandi do agente.
[...]

2. CAUSAS SUPERVENIENTES RELATIVAMENTE


INDEPENDENTES QUE PRODUZEM POR SI SÓS O
RESULTADO ^É exatamente a situação trazida no parágrafo 1°
do artigo 13.
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Segundo o texto legal, a superveniência de causa relativamente


independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o
resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os
praticou.
Perceba que aqui temos a clara aplicação da teoria da causalidade
adequada, não mais sendo considerada causa qualquer evento que
tenha concorrido para o resultado. A partir deste dispositivo, não
cabe para ser responsabilizado apenas uma contribuição, mas sim
uma contribuição ADEQUADA ao resultado naturalístico.

Conforme já vimos, segundo a teoria da causa adequada, a


causa é aferida de acordo com o juízo do homem médio e
com a experiência comum. Não basta contribuir de qualquer
modo para o resultado: A CONTRIBUIÇÃO DEVE SER EFICAZ!

Vamos exemplificar para facilitar o entendimento: Tício efetua um


disparo e acerta no braço de Mévio. Mévio é levado de ambulância
para o hospital. Entretanto, durante o trajeto ocorre um acidente,
a ambulância bate e Mévio morre em razão da batida.
Neste caso, estamos diante de uma causa superveniente
relativamente independente que por si só produziu o resultado e,
consequentemente, o agente não será responsabilizado pela morte
e, somente, pelos atos anteriores.
"Mas, professor...Agora minha cabeça ficou uma bagunça....Aqui
não é a mesma situação anteriormente apresentada em que ele
morria no hospital? Não posso pensar que ele só estava na
ambulância devido aos disparos efetuados?"
Perceba, concurseiro(a), que há uma grande diferença. No caso
em que ele vai para o hospital e morre por imperícia médica, ele
morre devido ao agravamento dos ferimentos provenientes do
disparo. Diferentemente, a causa da morte no caso da ambulância
não há qualquer relação DIRETA com os ferimentos.

VAMOS AGORA ESQUEMATIZAR TUDO O QUE VIMOS COM


RELAÇÃO ÀS CONCAUSAS, A FIM DE ORGANIZAR AS IDÉIAS:

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PREEXISTENTES

ROMPEM O NEXO
CAUSAL E RESPONDE
ABSOLUTAMENTE O AGENTE PELOS
CONCOMITANTES
INDEPENDENTES ATOS PRATICADOS
ATÉ ENTÃO

SUPERVENIENTES

CAUSAS DEPENDENTES

NÃO ROMPEM O NEXO


PREEXISTENTES
CAUSAL E RESPONDE
O AGENTE PELO
RESULTADO
CONCOMITANTES NATURALÍSTICO

SUPERVENIENTES

QUE NÃO
PRODUZIRAM POR
SI SÓS O
RESULTADO

QUE PRODUZIRAM
ROMPEM O
POR SI SÓS O
NEXO CAUSAL
RESULTADO

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2.3.3.4 RELEVÂNCIA DA OMISSÃO

Omissão relevante para o Direito Penal é o não cumprimento de um


dever jurídico de agir em circunstâncias tais que o omitente tinha a
possibilidade física ou material de realizar a atividade devida.
Conseqüentemente, a omissão passa a ter existência jurídica desde que
preencha os seguintes pressupostos:

1 - Dever jurídico que impõe uma obrigação de agir ou uma obrigação de


evitar um resultado proibido;
2 - Possibilidade física, ou material, de agir.

A OMISSÃO É PENALMENTE RELEVANTE QUANDO O


OMITENTE PODIA E DEVIA AGIR PARA EVITAR O
RESULTADO.

Sobre o tema, dispõe o Código Penal:

Art. 13
[...]

§ 2° - A omissão é penalmente relevante quando o omitente


devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir
incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o
resultado;
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência
do resultado.

O supra dispositivo só é aplicado aos crimes omissivos impróprios


(comissivos por omissão), isto é, aqueles em que a lei penal não cria um
tipo penal para a omissão, mas diz que se deixar de agir para impedir
um resultado tutelado penalmente, estará cometendo o delito.
Esta dedução sobre a aplicabilidade do parágrafo 2° é obvia, pois, se
para os crimes omissivos próprios temos uma norma que tipifica a
omissão, é claro que eles não irão se enquadrar no supracitado
dispositivo e serão sempre penalmente relevantes.
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Sei que já tratamos da classificação dos crimes, mas só para ter certeza
que você entendeu, pergunto: É possível um homicídio por omissão?
A resposta é positiva, pois se o indivíduo tinha o dever de impedir o
resultado e não o fez, será responsabilizado pela morte.
E o crime é omissivo próprio ou impróprio se o indivíduo tinha o poder e
o dever de agir? Resposta: Omissivo impróprio.
Segundo o Código Penal, o dever de agir incumbe a quem:

a) Tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância.


Exemplo: Pai que intencionalmente deixa de alimentar seu filho recém-
nascido, causando sua morte, responde por "homicídio doloso";

b) De outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o


resultado *
Pode resultar de relação contratual, profissão ou quando, por qualquer
outra forma, assumiu a pessoa a posição de garantidora de que o
resultado não ocorreria; o dever jurídico não decorre da lei, mas de uma
situação fática.
Exemplo: Salva-vidas que zela pela segurança dos banhistas de um
clube;

c) Com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência


do resultado.
Exemplo: Aquele que, por brincadeira, joga uma pessoa na piscina e,
posteriormente, percebe que esta não sabe nadar, tem o dever de salvá-
la; se não o fizer, responde pelo crime.

2.3.4 TIPICIDADE

Como último elemento do fato típico tem-se a TIPICIDADE, que é a


correspondência exata, a adequação perfeita entre o fato natural, concreto
e a descrição contida na lei.

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Companheiros de estudo,

Chegamos ao final de mais uma aula. Sei que o assunto tratado é bem teórico
e o volume de informações, bem grande. Entretanto, tenha em mente que esta
aula será essencial para o perfeito entendimento das demais. Como costumo
dizer em sala de aula, só uma base forte permite uma perfeita construção.
Muitas vezes, vejo alunos que já estudaram bastante o Direito Penal, mas não
sabem a exata diferenciação de um crime formal para um material ou mesmo
de um crime próprio para um comum.
Isto acaba prejudicando o correto entendimento de diversos temas que são,
regra geral, de fácil compreensão.
Sendo assim, dedique-se a esta aula, releia os conceitos e pratique com os
exercícios a seguir.
Relembro que, ao final dos exercícios comentados, coloco a lista das questões
apresentadas, sem qualquer gabarito ou comentário. Esta lista tem a finalidade
de proporcionar a resolução, sem a prévia consulta da resposta.
Desta forma, sugiro que sejam feitos, primeiramente, os exercícios sem o
gabarito, a fim de realmente testar o aprendizado.
Bom, agora vamos deixar de conversa que você tem muito que fazer. Prossiga
com força em busca do seu sonho, não desanime e lembre sempre que só
depende de você.

Abraços e bons estudos,

Pedro Ivo
"O mundo está nas mãos daqueles que têm a coragem de sonhar
e de correr o risco de viver seus sonhos."
Paulo Coelho

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PRINCIPAIS ARTIGOS TRATADOS NA AULA

DO CRIME

Relação de causalidade

Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é


imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a
qual o resultado não teria ocorrido.

Superveniência de causa independente

§ 1° - A superveniência de causa relativamente independente exclui a


imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores,
entretanto, imputam-se a quem os praticou.

Relevância da omissão

§ 2° - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e


podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem:

a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;

b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;

c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do


resultado.

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EXERCÍCIOS

1. (ESAF / Auditor Fiscal - RFB / 2009) Com relação à aplicação da lei


penal, analise o caso abaixo e o enquadre na teoria do crime prevista
no Código Penal Brasileiro, assinalando a assertiva correta.

Carlos atira em João com a intenção de matá-lo. Entretanto, a bala


passa de raspão no braço de João. Este é socorrido e levado para o
hospital. Tragicamente, o hospital é incendiado por Abelardo que
deseja matar todos os pacientes do hospital e João morre carbonizado.

a) Carlos deverá ser denunciado por tentativa de homicídio.

b) Abelardo não pode ser denunciado pelo homicídio de João.

c) Abelardo não cometeu crime algum em relação a João.

d) Carlos deverá ser denunciado por homicídio.

e) Carlos e Abelardo deverão ser denunciados em concurso de agentes como


co-autores do homicídio de João.

GABARITO: A

COMENTÁRIOS: Nesta questão, estamos diante de uma causa superveniente

relativamente independente que por si só produziu o resultado. Com relação a

este tema dispõe o código penal em seu artigo 13, parágrafo 1°:

§ 1° - A superveniência de causa relativamente independente


exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os
fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.

Consequentemente, o agente não será responsabilizado pela morte e,


somente, pelos atos anteriores, ou seja, a TENTATIVA DE HOMICÍDIO.

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2. (FCC / Juiz - TJ-PE / 2011) Nos chamados crimes de mão própria, é

a) incabível o concurso de pessoas.

b) admissível apenas a participação.

c) admissível a coautoria e a participação material.

d) incabível a participação.

e) admissível apenas a coautoria.

GABARITO: B

COMENTÁRIOS: Como vimos, nos crimes de mão própria é admissível a


participação, mas não a co-autoria.

3. (FCC / Promotor de Justiça - Ceará / 2008) A tentativa é


incompatível com o crime:

A) permanente

B) instantâneo

C) de dano

D) de perigo

E) complexo

GABARITO: A

COMENTÁRIOS: O crime permanente não admite tentativa. É só pensar:


existe maneira de uma tentativa de seqüestro se prolongar no tempo? Claro
que não.

4. (ESAF / Fiscal do Trabalho / 2003) "Abandonar pessoa que está sob


seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade e, por qualquer motivo,
incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono" (CP. art.
133), quanto ao sujeito ativo, é crime:

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A) coletivo

B) impróprio

C) de concurso necessário

D) impossível a co-autoria

E) próprio

GABARITO: E

COMENTÁRIOS: Como vimos, crime próprio é aquele que exige uma


característica especial do sujeito ativo. No caso apresentado, o artigo 133
exige para a tipificação que a pessoa tenha alguém sob sua guarda, logo exige
uma característica particular.

5. (FCC / TCE - MG / 2005) A coação física irresistível exclui a:

A) conduta.

B) culpabilidade.

C) tipicidade.

D) ilicitude.

E) antijuridicidade.

GABARITO: A

COMENTÁRIOS: Como vimos em nossa aula, a coação física irresistível exclui


a conduta por ausência de vontade.

6. (FCC / TCE-PI / 2008) Segundo a teoria finalista, em sua versão


hoje dominante, a classificação técnica e analítica mais rigorosa dos
elementos subjetivos do crime dispõe que o :

(A) dolo integra o tipo a culpa integra a culpabilidade

(B) dolo e culpa integram o tipo


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(C) dolo e a culpa integram a culpabilidade

(D) dolo integra a antijuridicidade e dolo integra a culpa integra o tipo.

(E) dolo e a culpa integram a antijuridicidade.

GABARITO: B

COMENTÁRIOS: Segundo a teoria finalista, o crime classifica-se em fato típico


e ilícito, sendo a culpabilidade presuposto de aplicação da pena. Conforme
vimos, os elementos subjetivos culpa e dolo inserem-se no tipo penal,
especificamente quanto à conduta.

7. (ESAF / Auditor / 2004) Diz-se que o crime é:

A) formal, quando depende do resultado para se consumar;

B) material, quando o resultado, se ocorrer, é mero exaurimento;

C) de mera conduta, aquele que pode ou não ter resultado;

D) omissivo próprio, aquele que depende de resultado para se consumar;

E) comissivo por omissão, aquele que não dispensa o resultado para se


consumar.

GABARITO: E

COMENTÁRIOS:

Alternativa "A" ^ Incorreta ^ O crime formal pode até ter um resultado, mas
não depende dele para a consumação.

Alternativa "B" ^ Incorreta ^O crime material DEPENDE da ocorrência do


resultado naturalístico.

Alternativa "C" ^ Incorreta ^ O crime de mera conduta não tem resultado.

Alternativa "D" ^ Incorreta ^ No crime omissivo próprio, a conduta omissiva


já está prevista em lei e, portanto, a simples omissão, independentemente de
qualquer resultado, já é capaz de ser considerada crime.

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Alternativa "E" ^ Correta ^ No omissivo impróprio ou comissivo por omissão,


por não haver tipificação expressa, o "não agir" só será punido se dele provier
um resultado negativo.

8. (FCC / Auditor-Fiscal / 2007) Adotada a teoria finalista da ação, o


dolo e a culpa integram a:

A) punibilidade.

B) tipicidade.

C) culpabilidade.

D) imputabilidade.

E) antijuridicidade.

GABARITO: B

COMENTÁRIOS: Mais uma, só para que você perceba a importância do tema


e NÃO ESQUEÇA MAIS!!! O dolo e a culpa integram o tipo.

9. (ESAF/ Auditor-Fiscal / 2008) A relação de causalidade:

A) não é excluída por concausa superveniente absolutamente independente.

B) não é normativa, mas fática, nos crimes omissivos impróprios ou comissivos


por omissão.

C) é imprescindível nos crimes de mera conduta.

D) é excluída pela superveniência de causa relativamente independente que,


por si só, produz o resultado, não se imputando também ao agente os fatos
anteriores, ainda que típicos.

E) é regulada, em nosso sistema, pela teoria da conditio sine qua non.

GABARITO: E

COMENTÁRIOS:

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Alternativa "A" ^ Incorreta ^ Contraria a característica primordial das causas


supervenientes absolutamente independentes, ou seja, estas causas rompem o
nexo causal.

Alternativa "B" ^ Incorreta ^ A relação de causalidade nos crimes omissivos


impróprios é normativa e encontra-se prevista no parágrafo 2° do artigo 13 do
Código Penal.

Alternativa "C" ^ Incorreta ^ Se os crimes de mera conduta não possuem


resultado, não há que se falar em nexo causal.

Alternativa "D" ^ Incorreta ^ Imputa-se ao agente os fatos anteriores.

Alternativa "E" ^ Correta ^ A teoria da conditio nine qua non nada mais é,
conforme vimos, que a teoria da equivalência dos antecedentes.

10. (FCC / TJ - PE / 2007) Em tema de relação de causalidade, é


INCORRETO afirmar que:

A) concausa superveniente absolutamente independente é aquela que


nenhuma ligação tem com o procedimento inicial do agente.

B) a omissão é penalmente irrelevante quando o omitente devia e podia agir


para evitar o resultado, tornando-se uma "não causa" a isentar o agente de
responsabilidade.

C) concausa superveniente relativamente independente que, por si só,


produziu o resultado, é a que forma novo processo casual, que se substitui ao
primeiro, não estando em posição de homogeneidade com o comportamento
do agente.

D) caso fortuito equivale a uma "não causa", pois impede a tipificação de


qualquer fato humano a que o resultado lesivo poderia prender-se, por ser
causa independente.

E) o Código Penal adotou a teoria da equivalência dos antecedentes causais,


pelo qual tudo quanto concorre para o evento é causa.

GABARITO: B

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COMENTÁRIOS: A omissão, diferentemente do exposto no item "B", é


penalmente RELEVANTE quando o omitente podia e devia agir para evitar o
resultado.

11. (FCC / TJ-PA / 2009) O artigo 13, do Código Penal Brasileiro, que

trata do resultado, ou seja, do efeito material da conduta humana, não

se aplica aos crimes:

A) habituais, comissivos e de mera conduta.

B) permanentes, formais e comissivos.

C) formais, omissivos próprios e de mera conduta.

D) comissivos, culposos e formais.

E) omissivos próprios, habituais e culposos.

GABARITO: C

COMENTÁRIOS: Os crimes formais, omissivos próprios e de mera conduta


têm como característica não dependerem do resultado.

GUARDE BEM ISSO PARA SUA PROVA!!!

Vamos analisar:

Alternativa "A" - Há crimes habituais (Ex: curandeirismo) e comissivos (Ex:


homicídio) que dependem de resultado. Os crimes de mera conduta
independem.
OBS: A doutrina majoritária considera que os crimes habituais são formais.

Alternativa "B" - Novamente cita o crime comissivo que assim como os


permanentes podem ou não depender de um resultado. Diferentemente, como
vimos na aula, os crimes formais independem.

Alternativa "C" - É a alternativa correta, pois todas as espécies de crimes


apresentadas INDEPENDEM do resultado. Tirando como exemplo o caso do
crime omissivo próprio, basta a simples inércia da prestação do socorro para
que se consume o delito, independentemente do que aconteceu com a vítima.

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No que diz respeito ao crime formal e de mera conduta se diferem do material,


justamente pela desnecessidade de um resultado para sua consumação:
Exemplo: Ato obsceno.

Alternativa "D" - Já falamos dos comissivos e dos formais. Com relação aos
crimes culposos sabemos que dependem de um resultado naturalístico para
sua consumação.

Alternativa "E" - Já tratamos de todas as espécies aqui apresentadas.

12. (FCC / MPE-SE / 2009) Considere:

I. O agente fere a vítima, diabética, que, levada ao hospital vem a


falecer em decorrência de diabete agravada pelo ferimento.

II. O agente fere a vítima num morro coberto de gelo, a qual,


impossibilitada de locomover-se pela hemorragia, vem a falecer em
decorrência de congelamento.

III. O agente fere a vítima com um disparo de arma de fogo e esta,


levada ao hospital, vem a falecer em decorrência de veneno que havia
ingerido antes da lesão.

IV. O agente fere a vítima com disparo de arma de fogo. A vítima,


levada ao hospital, vem a falecer em decorrência de incêndio.

Tendo em conta a relação de causalidade física, o agente responderá


por homicídio consumado na situação indicada SOMENTE em

A) IV.

B) I e II.

C) I e III.

D) III.

E) III e IV.

GABARITO: B

COMENTÁRIOS:
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Item I ^ Causa relativamente independente preexistente. Responde o agente


por homicídio consumado.

Item II ^ Causa superveniente relativamente independente que não produz


por si só o resultado. Responde o agente por homicídio consumado.

Item III ^ Causa absolutamente independente preexistente. Responde o


agente pelos atos anteriormente praticados.

Item IV ^ Causa superveniente relativamente independente que produz por si


só o resultado. Responde o agente pelos atos anteriormente praticados.

13. (FCC / MPE-SE / 2009) Fato típico é

A) a modificação do mundo exterior descrita em norma legal vigente.

B) a descrição constante da norma sobre o dever jurídico de agir.

C) a ação esperada do ser humano em face de uma situação de perigo.

D) o comportamento humano descrito em lei como crime ou contravenção.

E) a possibilidade prevista em lei do exercício de uma conduta ilícita.

GABARITO: D

COMENTÁRIOS: Questão que exige do candidato o conceito de FATO TÍPICO


que nada mais é que o comportamento humano descrito em lei como crime ou
contravenção.

14. (FCC / MPE-SE / 2009) A respeito da conduta, como elemento do


fato típico, é correto afirmar que são relevantes para o Direito Penal

A) as omissões humanas voluntárias.

B) os atos de seres irracionais.

C) o pensamento e a cogitação intelectual do delito.

D) os atos realizados em estado de inconsciência.

E) os atos produzidos pelas forças da natureza.

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GABARITO: A

COMENTÁRIOS: As alternativas "B", "C", "D","E" trazem situações em que


fica clara a ausência de vontade que, conforme vimos, é essencial para a
conduta.

Na alternativa "A" temos o caso da omissão relevante.

15. (FCC / MPE-SE / 2009) Denomina-se crime complexo

A) o que exige que os agentes atuem uns contra os outros.

B) se enquadra num único tipo legal.

C) é formado pela fusão de dois ou mais tipos legais de crime.

D) exige a atuação de dois ou mais agentes.

E) atinge mais de um bem jurídico.

GABARITO: C

COMENTÁRIOS: Como vimos, dizemos ser crime complexo quando este


encerra dois ou mais tipos em uma única descrição legal (ex.: roubo = furto +
ameaça) ou quando, em uma figura típica, abrange um tipo simples acrescido
de fatos ou circunstâncias que, em si, não são típicos (ex.: constrangimento
ilegal = crime de ameaça + outro fato, que é a vítima fazer o que não quer ou
não fazer o que deseja)

16. (FCC / TJ-PA / 2009) Adotada a teoria finalista da ação,

A) o dolo e a culpa integram a culpabilidade.

B) a culpa integra a tipicidade e o dolo a culpabilidade.

C) o dolo integra a punibilidade e a culpa a culpabilidade.

D) a culpa e o dolo integram a tipicidade.

E) o dolo integra a tipicidade e a culpa a culpabilidade.

GABARITO: D

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COMENTÁRIOS: A questão exige a característica fundamental da teoria


finalista da ação: A CULPA E O DOLO INTEGRAM A TIPICIDADE.

17. (ESAF / Procurador / 2006) O resultado é prescindível para a


consumação nos crimes

A) materiais e de mera conduta.

B) formais e materiais.

C) formais e omissivos impróprios.

D) omissivos próprios e materiais.

E) de mera conduta e formais.

GABARITO: E

COMENTÁRIOS: A questão pergunta quais são os delitos em que o resutado é


prescindível, ou seja, não é necessário. Como já tratamos em outras questões,
os delitos formais e de mera conduta não dependem de resultado.

18. (ESAF / Analista Ministerial / 2006) A respeito dos elementos do


fato típico, é correto afirmar:

A) É possível a ocorrência de fato típico quando o resultado lesivo é decorrente


de coação física irresistível.

B) É possível a ocorrência de fato típico quando o resultado lesivo é decorrente


de caso fortuito.

C) É possível a ocorrência de fato típico quando o resultado lesivo é decorrente


de força maior.

D) A superveniência de causa relativamente independente sempre exclui a


imputação.

E) A omissão é penalmente relevante quando o agente, com seu


comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.

GABARITO: E
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COMENTÁRIOS:

Alternativa "A" ^ Incorreta ^ Na coação física irresistível não há vontade,


logo, não há conduta.

Alternativa "B" ^ Incorreta ^ No caso fortuito não há vontade, logo, não há


conduta.

Alternativa "C" ^ Incorreta ^ No força maior não há vontade, logo, não há


conduta.

Alternativa "D" ^ Incorreta ^ As causas supervenientes relativamente


independentes que não produzem por si sós o resultado não excluem a
imputação do ato consumado.

Alternativa "E" ^ Correta ^Exige o conhecimento do parágrafo 2° do artigo


13. Observe:

§ 2° - A omissão é penalmente relevante quando o


omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O
dever de agir incumbe a quem:

a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;

b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o


resultado;

c) com seu comportamento anterior, criou o risco da


ocorrência do resultado. (grifo nosso)

19. (ESAF / Técnico Ministerial / 2006) Quem instiga outrem, fazendo


nascer neste a idéia de praticar um crime, é considerado.

A) autor principal.

B) partícipe.

C) co-autor.

D) autor mediato.
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E) autor imediato.

GABARITO: B

COMENTÁRIOS: Ainda não aprofundamos o tema, mas essa você já sabe


responder. Quem instiga outrem é partícipe.

20. (FCC / Promotor / 2007) A respeito da relação de causalidade, é


certo que

A) nem todos os fatos que concorrem para a eclosão do evento devem ser
considerados como causa deste.

B) a causa superveniente relativamente independente só exclui a imputação


quando, por si só, produziu o resultado.

C) a causa superveniente totalmente independente exclui a imputação e o


agente não responde sequer pelos fatos anteriores.

D) o resultado, de que depende a existência do crime, pode ser imputado a


quem não lhe deu causa.

E) a causa superveniente totalmente independente não exclui a imputação e o


agente responde pelo resultado.

GABARITO: B

COMENTÁRIOS:

Alternativa "A" ^ Incorreta ^ Como vimos, o Código Penal adota a teroria da


Equivalência dos Antecedentes. Para esta teoria, causa é TODO fato humano
sem o qual o resultado não teria ocorrido, ou seja, causa são todos os fatos
que concorrem para a eclosão do evento.

Alternativa "B" ^ Correta ^ Traz regra prevista no parágrafo 1° do artigo 13.

§ 1° - A superveniência de causa relativamente independente


exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os
fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.

Alternativa "C" ^ Incorreta ^ O agente responde pelos fatos anteriores.

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Alternativa "D" ^Incorreta ^ Contraria o artigo 13 do Código Penal que


dispõe:

Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do


crime, somente é imputável a quem lhe deu causa.
Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado
não teria ocorrido. (grifo nosso)

Alternativa "E" ^ O agente não responde pelo resultado, mas sim pelos fatos
já praticados.

21. (ESAF / Técnico Administrativo - MPU / 2004) No tocante à relação


de causalidade, prevista no art. 13 do Código Penal, pode-se afirmar
que

a) a superveniência de causa relativamente dependente exclui a imputação


quando, por si só, produziu o resultado.

b) a omissão é penalmente relevante quando o omitente não podia e não devia


agir para evitar o resultado.

c) a superveniência de causa relativamente independente não exclui a


imputação quando, por si só, produziu o resultado.

d) o resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a


quem lhe deu causa.

e) se considera causa somente a ação sem a qual o resultado teria ocorrido.

GABARITO: D
COMENTÁRIOS: Analisando as alternativas:

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Alternativa "A" - Incorreta - A superveniência de causa relativamente


independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os
fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.

Alternativa "B" - Incorreta - A omissão é penalmente relevante quando o


omitente devia e podia agir para evitar o resultado.

Alternativa "C" - Incorreta - A superveniência de causa relativamente


independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os
fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.

Alternativa "D" - Correta - Está em consonância com o disposto no art. 13 do


Código Penal.

Alternativa "E" - Incorreta - Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual


o resultado não teria ocorrido.

22. (ESAF / Auditor Fiscal - RFB) Na legislação brasileira, o conceito de


contravenção penal é fixado pela(o)

A) gravidade da conduta

B) resultado

C) pena cominada

D) conduta

E) pena aplicada

GABARITO: C

COMENTÁRIOS: Conforme já analisamos, a diferenciação entre crime e


contravenção baseia-se na PENA COMINADA (PRISÃO SIMPLES / RECLUSÃO +
DETENÇÃO).

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LISTA DAS QUESTÕES APRESENTADAS

1. (ESAF / Auditor Fiscal - RFB / 2009) Com relação à aplicação da lei


penal, analise o caso abaixo e o enquadre na teoria do crime prevista
no Código Penal Brasileiro, assinalando a assertiva correta.

Carlos atira em João com a intenção de matá-lo. Entretanto, a bala


passa de raspão no braço de João. Este é socorrido e levado para o
hospital. Tragicamente, o hospital é incendiado por Abelardo que
deseja matar todos os pacientes do hospital e João morre carbonizado.

a) Carlos deverá ser denunciado por tentativa de homicídio.

b) Abelardo não pode ser denunciado pelo homicídio de João.

c) Abelardo não cometeu crime algum em relação a João.

d) Carlos deverá ser denunciado por homicídio.

e) Carlos e Abelardo deverão ser denunciados em concurso de agentes como


co-autores do homicídio de João.

2. (FCC / Juiz - TJ-PE / 2011) Nos chamados crimes de mão própria, é

a) incabível o concurso de pessoas.

b) admissível apenas a participação.

c) admissível a coautoria e a participação material.

d) incabível a participação.

e) admissível apenas a coautoria.

3. (FCC / Promotor de Justiça - Ceará / 2008) A tentativa é


incompatível com o crime:

A) permanente

B) instantâneo

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C) de dano

D) de perigo

E) complexo

4. (ESAF / Fiscal do Trabalho / 2003) "Abandonar pessoa que está sob


seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade e, por qualquer motivo,
incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono" (CP. art.
133), quanto ao sujeito ativo, é crime:

A) coletivo

B) impróprio

C) de concurso necessário

D) impossível a co-autoria

E) próprio

5. (FCC / TCE - MG / 2005) A coação física irresistível exclui a:

A) conduta.

B) culpabilidade.

C) tipicidade.

D) ilicitude.

E) antijuridicidade.

6. (FCC / TCE-PI / 2008) Segundo a teoria finalista, em sua versão


hoje dominante, a classificação técnica e analítica mais rigorosa dos
elementos subjetivos do crime dispõe que o:

(A) dolo integra o tipo a culpa integra a culpabilidade

(B) dolo e culpa integram o tipo

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(C) dolo e a culpa integram a culpabilidade

(D) dolo integra a antijuridicidade e dolo integra a culpa integra o tipo.

(E) dolo e a culpa integram a antijuridicidade.

7. (ESAF / Auditor / 2004) Diz-se que o crime é:

A) formal, quando depende do resultado para se consumar;

B) material, quando o resultado, se ocorrer, é mero exaurimento;

C) de mera conduta, aquele que pode ou não ter resultado;

D) omissivo próprio, aquele que depende de resultado para se consumar;

E) comissivo por omissão, aquele que não dispensa o resultado para se


consumar.

8. (FCC / Auditor-Fiscal / 2007) Adotada a teoria finalista da ação, o


dolo e a culpa integram a:

A) punibilidade.

B) tipicidade.

C) culpabilidade.

D) imputabilidade.

E) antijuridicidade.

9. (ESAF/ Auditor-Fiscal / 2008) A relação de causalidade:

A) não é excluída por concausa superveniente absolutamente independente.

B) não é normativa, mas fática, nos crimes omissivos impróprios ou comissivos


por omissão.

C) é imprescindível nos crimes de mera conduta.

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D) é excluída pela superveniência de causa relativamente independente que,


por si só, produz o resultado, não se imputando também ao agente os fatos
anteriores, ainda que típicos.

E) é regulada, em nosso sistema, pela teoria da conditio sine qua non.

10. (FCC / TJ - PE / 2007) Em tema de relação de causalidade, é


INCORRETO afirmar que:

A) concausa superveniente absolutamente independente é aquela que


nenhuma ligação tem com o procedimento inicial do agente.

B) a omissão é penalmente irrelevante quando o omitente devia e podia agir


para evitar o resultado, tornando-se uma "não causa" a isentar o agente de
responsabilidade.

C) concausa superveniente relativamente independente que, por si só,


produziu o resultado, é a que forma novo processo casual, que se substitui ao
primeiro, não estando em posição de homogeneidade com o comportamento
do agente.

D) caso fortuito equivale a uma "não causa", pois impede a tipificação de


qualquer fato humano a que o resultado lesivo poderia prender-se, por ser
causa independente.

E) o Código Penal adotou a teoria da equivalência dos antecedentes causais,


pelo qual tudo quanto concorre para o evento é causa.

11. (FCC / TJ-PA / 2009) O artigo 13, do Código Penal Brasileiro, que
trata do resultado, ou seja, do efeito material da conduta humana, não
se aplica aos crimes:

A) habituais, comissivos e de mera conduta.

B) permanentes, formais e comissivos.

C) formais, omissivos próprios e de mera conduta.

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D) comissivos, culposos e formais.

E) omissivos próprios, habituais e culposos.

12. (FCC / MPE-SE / 2009) Considere:

I. O agente fere a vítima, diabética, que, levada ao hospital vem a


falecer em decorrência de diabete agravada pelo ferimento.

II. O agente fere a vítima num morro coberto de gelo, a qual,


impossibilitada de locomover-se pela hemorragia, vem a falecer em
decorrência de congelamento.

III. O agente fere a vítima com um disparo de arma de fogo e esta,


levada ao hospital, vem a falecer em decorrência de veneno que havia
ingerido antes da lesão.

IV. O agente fere a vítima com disparo de arma de fogo. A vítima,


levada ao hospital, vem a falecer em decorrência de incêndio.

Tendo em conta a relação de causalidade física, o agente responderá


por homicídio consumado na situação indicada SOMENTE em

A) IV.

B) I e II.

C) I e III.

D) III.

E) III e IV.

13. (FCC / MPE-SE / 2009) Fato típico é

A) a modificação do mundo exterior descrita em norma legal vigente.

B) a descrição constante da norma sobre o dever jurídico de agir.

C) a ação esperada do ser humano em face de uma situação de perigo.

D) o comportamento humano descrito em lei como crime ou contravenção.

E) a possibilidade prevista em lei do exercício de uma conduta ilícita.

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14. (FCC / MPE-SE / 2009) A respeito da conduta, como elemento do


fato típico, é correto afirmar que são relevantes para o Direito Penal

A) as omissões humanas voluntárias.

B) os atos de seres irracionais.

C) o pensamento e a cogitação intelectual do delito.

D) os atos realizados em estado de inconsciência.

E) os atos produzidos pelas forças da natureza.

15. (FCC / MPE-SE / 2009) Denomina-se crime complexo

A) o que exige que os agentes atuem uns contra os outros.

B) se enquadra num único tipo legal.

C) é formado pela fusão de dois ou mais tipos legais de crime.

D) exige a atuação de dois ou mais agentes.

E) atinge mais de um bem jurídico.

16. (FCC / TJ-PA / 2009) Adotada a teoria finalista da ação,

A) o dolo e a culpa integram a culpabilidade.

B) a culpa integra a tipicidade e o dolo a culpabilidade.

C) o dolo integra a punibilidade e a culpa a culpabilidade.

D) a culpa e o dolo integram a tipicidade.

E) o dolo integra a tipicidade e a culpa a culpabilidade.

17. (ESAF / Procurador / 2006) O resultado é prescindível para a


consumação nos crimes

A) materiais e de mera conduta.

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B) formais e materiais.

C) formais e omissivos impróprios.

D) omissivos próprios e materiais.

E) de mera conduta e formais.

18. (ESAF / Analista Ministerial / 2006) A respeito dos elementos do


fato típico, é correto afirmar:

A) É possível a ocorrência de fato típico quando o resultado lesivo é decorrente


de coação física irresistível.

B) É possível a ocorrência de fato típico quando o resultado lesivo é decorrente


de caso fortuito.

C) É possível a ocorrência de fato típico quando o resultado lesivo é decorrente


de força maior.

D) A superveniência de causa relativamente independente sempre exclui a


imputação.

E) A omissão é penalmente relevante quando o agente, com seu


comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.

19. (ESAF / Técnico Ministerial / 2006) Quem instiga outrem, fazendo


nascer neste a idéia de praticar um crime, é considerado.

A) autor principal.

B) partícipe.

C) co-autor.

D) autor mediato.

E) autor imediato.

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20. (FCC / Promotor / 2007) A respeito da relação de causalidade, é


certo que

A) nem todos os fatos que concorrem para a eclosão do evento devem ser
considerados como causa deste.

B) a causa superveniente relativamente independente só exclui a imputação


quando, por si só, produziu o resultado.

C) a causa superveniente totalmente independente exclui a imputação e o


agente não responde sequer pelos fatos anteriores.

D) o resultado, de que depende a existência do crime, pode ser imputado a


quem não lhe deu causa.

E) a causa superveniente totalmente independente não exclui a imputação e o


agente responde pelo resultado.

21. (ESAF / Técnico Administrativo - MPU / 2004) No tocante à relação


de causalidade, prevista no art. 13 do Código Penal, pode-se afirmar
que

a) a superveniência de causa relativamente dependente exclui a imputação


quando, por si só, produziu o resultado.

b) a omissão é penalmente relevante quando o omitente não podia e não devia


agir para evitar o resultado.

c) a superveniência de causa relativamente independente não exclui a


imputação quando, por si só, produziu o resultado.

d) o resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a


quem lhe deu causa.

e) se considera causa somente a ação sem a qual o resultado teria ocorrido.

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22. (ESAF / Auditor Fiscal - RFB) Na legislação brasileira, o conceito de


contravenção penal é fixado pela(o)

A) gravidade da conduta

B) resultado

C) pena cominada

D) conduta

E) pena aplicada

GABARITO

1-A 2-B 3-A 4-E 5-A

6-B 7-E 8-B 9-E 10-B

11-C 12-B 13-D 14-A 15-C

16-D 17-E 18-E 19-B 20-B

21-D 22-C ******* ******* *******

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