Vous êtes sur la page 1sur 11

Artigo de Revisão

MOBILIZAÇÃO DE PACIENTES CRÍTICOS EM UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA: UMA REVISÃO DE LITERATURA

MOBILIZATION OF CRITICAL PATIENTS IN INTENSIVE CARE UNITS: A REVIEW OF LITERATURE

Henrique Luís Fleury 1 Andrea Tufanin 2

RESUMO

Introdução: Pacientes no ambiente hospitalar são submetidos a regimes terapêuticos complexos, necessitando de suporte em unidade de tratamento intensivo com equipes multidisciplinares. Dentre as múltiplas estratégias para possibilitar a recuperação destes pacientes, a mobilização precoce, hoje realizada pelo profissional fisioterapeuta no âmbito hospitalar, tem a finalidade de retomada de funções fisiológicas corpóreas, destacando-se por aceleração do processo de recuperação, redução na incidência de complicações pulmonares e do tempo de permanência na ventilação mecânica. Objetivo: O objetivo deste estudo foi verificar na literatura a importância da mobilização precoce na manutenção da força muscular durante o processo de reabilitação em pacientes expostos a longos períodos em leitos de UTI’s. Métodos: A análise da literatura foi realizada por meio da s bases de dados SciELO e LILACS entre 2000 e 2013, (immobility syndrome, early mobilization e intensive care). Dos cinquenta e três artigos selecionados, apenas quatorze preencheram os critérios de inclusão. Foram selecionados estudos transversais, estudos randomizados, observacionais e revisões de literatura. Considerações finais: Os achados apontam que a mobilização precoce no contexto dos diversos sistemas apresenta-se como um importante recurso terapêutico na recuperação do paciente crítico resultando em benefícios físicos e psicológicos, evitando assim os riscos de uma hospitalização prolongada.

Descritores: síndrome do imobilismo; mobilização precoce; terapia intensiva.

ABSTRACT

Introduction: Patients in the hospital are subjected to complex treatment regimens, requiring support in the intensive care unit with multidisciplinary teams. Among the multiple strategies to enable the recovery of these patients, early mobilization, today performed by physiotherapist in hospitals, aims to resumption of tangible physiological functions, notably by accelerating the recovery process, reduction in the incidence of pulmonary complications and time spent on mechanical ventilation. Objective: The aim of this study was to verify the literature the importance of early mobilization in maintaining muscle strength during the rehabilitation process in patients exposed to long periods of ICU beds. Methods: A literature review was performed using the databases SciELO and LILACS databases between 2000 and 2013 (immobility syndrome, early mobilization and intensive care). Of the fifty-three articles selected, only fourteen met the inclusion criteria. Cross-sectional studies, randomized trials,

observational and literature reviews were selected. Final considerations: These findings indicate that early mobilization in the context of different systems is presents as an important therapeutic tool in the recovery of critically ill patients resulting in physical and psychological benefits, thus avoiding the risks of a prolonged hospitalization.

Keywords: stasis syndrome, early mobilization, intensive therapy.

1. Fisioterapeuta, Especialista em Fisioterapia Cardiopulmonar e Terapia Intensiva pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás/CEAFI Pós-graduação/GO. 2. Fisioterapeuta, Mestre em Ciências da Saúde pela UNIFESP, Coordenadora Técnica do Instituto Movimento de Reabilitação Especializada e Docente do CEAFI - Pós Graduação, Goiânia/GO Brasil.

INTRODUÇÃO

A permanência prolongada dos pacientes no leito colabora de forma negativa na qualidade de vida desses pacientes. Nestes casos, a fraqueza pode persistir por até um ano após o evento. 1,2 Entretanto, quando se trata de debilidade física dos pacientes acamados por longos períodos, as disfunções musculares mais comuns estão associadas à debilitação do estado funcional por inatividade prolongada, inflamação por uso de fármacos onde esta associada a alterações psiquiátricas tornam estes pacientes bastante instáveis até mesmo em procedimentos simples como mobilização, aspiração, cuidados básicos relacionados a enfermeiros e intervenções fisioterapêuticas. 2,3 Estudos mostram que devido ao seu alto desgaste muscular, o paciente passa a perder de 10 a 20% de seu nível inicial de força muscular nas primeiras 2 a 3 semanas, e até 50% nas primeiras 4 semanas de permanência na UTI, confirmando assim a mobilização precoce como uma alternativa viável em pacientes mecanicamente ventilados ou não, reduzindo assim o tempo de internação na UTI. Dessa forma, torna-se de extrema importância prevenir ou atenuar o não condicionamento de maneira precoce em tais pacientes acamados por longos períodos, retornando-os a funcionalidade e oferecendo-os maior independência, sendo este o principal objetivo do fisioterapeuta com a utilização desta técnica. 4,5 De acordo com Silveira et al a mobilização é um recurso utilizado para proteger as

estruturas danificadas de um determinado segmento auxiliando no acréscimo e manutenção de força muscular e função física incluindo atividades fisioterapêuticas progressivas como exercícios de modalidade no leito, deitado ou sentado a beira leito, ortosta se, transferência e deambulação. 6 Estes pacientes diante da falta de estimulação física com estas atividades funcionais, sofrem uma deficiência na remodelação dos tecidos, devido a imobilização rígida e a amplitude de movimento reduzida levarem a alterações teciduais adversas, que podem ocorrer

em qualquer ponto . Segundo Kress houve uma firmação do profissional dentro da UTI, considerada uma área muito restrita antes vista apenas pelo manejo ventilatório. Atualmente, apresenta como enfoque a mobilização precoce na qual se pode considerar que o principal objetivo é minimizar a perda de mobilidade, melhorar a independência funcional e facilitar o desmamedo paciente no leito da UTI para evitar a síndrome do imobilismo. 8

6,7

O objetivo deste estudo foi verificar na literatura a importância da mobilização precoce na manutenção da força muscular durante o processo de reabilitação em pacientes expostos a longos períodos em leitos de UTI’s.

MÉTODOS

Trata-se de uma revisão de literatura, em que foi realizada uma pesquisa bibliográfica nas bases de dados eletrônicos SciElo (Scientific Eletronic Library Online) e LILACS (Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) entre 2000 e 2013.

A pesquisa levou em consideração os seguintes critérios: a) ter como objetivo

principal a mobilização precoce em pacientes em UTI’s; e b) pacientes com perdas funcionais por longos períodos acamados. Foram excluídos da revisão estudos realizados estritamente

com pacientes portadores de doenças pulmonares; e estudos que abordavam problemas de pacientes expostos a curtos períodos as UTI’s.

O idioma das publicações foi limitado às línguas portuguesa e inglesa, onde foi

realizada uma análise de títulos e resumos, para obtenção de artigos relevantes para a revisão. Utilizaram-se os descritores síndrome do imobilismo; mobilização precoce; terapia intensiva.

Foram encontrados 53 artigos potencialmente relevantes para avaliação do texto completo, dos quais 14 foram selecionados para revisão sistemática, de acordo com os critérios estabelecidos para a realização deste trabalho. Os resultados da busca encontram-se dispostos na Figura 1. Foram encontrados 14 estudos que se fizeram relevantes a esta revisão. Estes estão presentes no Quadro 1.

53 artigos selecionados nas bases de dados SciELO (35) Lilacs (18)

selecionados nas bases de dados SciELO (35) Lilacs (18) 22 artigos excluídos pela duplicidade, título, tipo

22 artigos excluídos pela duplicidade, título, tipo de artigo e resumo/tema

31 artigos potencialmente relevantes para avaliação do texto completo

17 artigos excluídos por não preencherem os critérios de inclusão (restrição a diagnósticos pulmonares, curto períodos na UTI)

a diagnósticos pulmonares, curto períodos na UTI) 14 artigos relevantes incluídos na revisão sistemática

14 artigos relevantes incluídos na revisão sistemática citando mobilização precoce, UTI, inabilidade no leito.

Figura 1 - Resultados da estratégia de busca e seleção dos artigos.

Dentre os achados foi possível observar estudos apresentando os limites da mobilização precoce devido a alterações fisiológicas no paciente estático no leito, e outros que afirmam as vantagens da mobilização precoce em pacientes críticos bem como a importância do fisioterapeuta e sua intervenção nestes pacientes.

DISCUSSÃO

Quadro 1 Características dos estudos analisados, abordando a influência da mobilização precoce.

Autor/Ano

Influência da Mobilização Precoce

Delineamento

População/Amostra

 

Principais resultados

 

Montuclard L, Garrouste O, Timsit JF 1 Nottingham/UK (2000)

Na qualidade de vida em Idosos nas UTI’s

Estudo

Pacientes internados na UTI submetidos a mobilização precoce. N=75

Houve aumento da sobrevida hospitalar nestes pacientes com melhora da condição física.

Prospectivo

 

De coorte

 

Herridge MS, Cheung AM, Tansey CM 2 Toronto/ CAN (2003)

Após um ano em pacientes de SARA

Ensaio

Pacientes internados na UTI submetidos a mobilização precoce. N=109

Percebeu-se

a

continuidade

de

limitações

funcionais

longitudinal

respiratórias.

 

De Jonghe B, Lacherade JC, Durand MC 3 FRA (2002)

Pacientes com paresias Adquiridas em UTI’s

Estudo

Pacientes internados na UTI submetidos a mobilização precoce. N=95

A

parestesia evidenciou-se de forma importante durante a

prospectivo de

VM.

 
 

coorte

 

Needham DM, Truong AD, Fan E 7 Baltimore/EUA (2009)

Com tecnologia em pacientes criticamente enfermos

Revisão

 

A

mobilização pode desempenhar um papel importante na

Bibliográfica

prevenção e tratamento de cuidados intensivos quanto as

complicações neuromusculares adquiridas na UTI.

 

De Jonghe B, Sharshar T, Lefaucheur JP 9 Poissy/FRA (2007)

Doenças em Neuromusculares nas UTI’s

Revisão

 

Fraqueza respiratória e desmame prolongado além de imobilização muscular e falência de múltiplos órgãos.

Bibliográfica

Deem S 10 Washington/EUA (2006)

Pacientes em UTI’s

Revisão

 

Melhora dos resultados com a utilização da terapia insulínica intensiva.

Bibliográfica

Winkelman C 11 Cleveland/EUA (2007)

Pacientes inativos em leito

Revisão

 

A

terapia melhora a mobilidade, desequilíbrio inflamatório e

Bibliográfica

preserva músculos.

 

Storch EK, Kruszynski DM 12 Pensilvânia/EUA (2008)

Pacientes Criticamente doentes e feridos

Revisão

 

Um vigoroso programa de treinamento físico logo após a alta da fisioterapia é uma extensão lógica e econômica na continuidade da reabilitação.

Bilbliográfica

Thomas AJ 13 Londres/UK (2011)

Pacientes críticos em UTI

Revisão

 

A

Mobilização precoce em pacientes críticos possui grande

Bibliográfica

potencial na influência da retomada das atividades funcionais.

Gosselink R, Bott J, Johnson M 15 Leuven/BEL (2008)

Em pacientes adultos com Doenças Graves

Revisão

 

uma necessidadede padronizar os caminhos de tomadas de

Bibliográfica

decisão clínica para aumentar a conscientização sobre os benefícios da mobilização.

Partsch H 17 Viena/AUTR (2002)

Pacientes acamados com Trombose venosa

Estudo

 

A

mobilização neutraliza a estase venosa obtendo impacto

Comparativo

importante na evolução clínica.

 
 

Profunda

Revisado

   

Schweickert WD, Pohlman MC, Pohlman AS 19 Filadélfia/EUA (2009)

Pacientes críticos no início da Ventilação Mecânica

Estudo

Pacientes internados na UTI submetidos a mobilização precoce. N=104

Melhores resultados funcionais na alta hospitalar, período mais curto na ventilação mecânica e de delírio

controlado

Randomizado

 

Van der Schaaf M, Beelen A, de Vos R 21 Amsterdã/HOL (2004)

Pacientes críticos com polineuropatia

Estudo de

Pacientes internados na UTI submetidos a mobilização precoce. N=8

uma necessidade de padronizar os caminhos para a tomada

coorte

de

decisão clínica e educação para definir o perfil profissional

 

observacional

dos fisioterapeutas e aumentar a conscientização sobre os

 

prospectivo e

 

benefícios da prevenção e tratamento da imobilidade.

estudo

transversal

Borges, VM, Oliveira, LRC, Peixoto, Enzo, Carvalho, NAA 22 São Paulo-SP/BRA

(2009)

Pacientes Adultos em UTI

Revisão

 

Reduz o tempo de internação hospitalar por estimulação funcional.

Sistemática

   

Bailey P, Thomsen GE, Spuhler VJ 24 Salt Lake City/EUA

(2007)

Pacientes acamados com Insuficiência Respiratória

Prospectivo de

Pacientes internados na UTI submetidos a mobilização precoce. N=103

A Mobilização precoce é uma terapia candidato para prevenir

Coorte

ou

tratar complicações neuromusculares de doenças graves.

 

Stiller, K 25 Adelaide/AUS (2007)

Pacientes Criticamente enfermos

Revisão

 

Devem ser avaliados fatores intrínsecos e extrínsecos de cada paciente para segurança na mobilização precoce.

Bibligráfica

Sibinelli M, Maioral DC, Dragosavac D 26 Campinas-SP/BRA

Pacientes Adultos em VM nas UTI’s

Clínico

Pacientes internados na UTI submetidos a mobilização precoce. N=15

Melhora do Volume corrente, capacidade vital, pressão inspiratória máxima e aumento da Frequência cardíaca e pressão arterial média.

Prospectivo

 

intervencionista

(2012)

   

Martinez BP, Duarte A, Ferrari F 27 Salvador- BA/BRA (2013)

Pacientes com menos de 24hs na UTI

Prospectivo

Pacientes internados na UTI submetidos a mobilização precoce. N=54

O tempo de internação nas UTI’s, além de ser um fator de declínio, influenciam de forma negativa na independência funcional.

Observacional

Martin UJ, Hincapie L, Nimchuk M, Gaughan J, Criner GJ 28 Filadélfia/EUA (2005)

Pacientes que estão em Ventilação Mecânica Crônica

Análise

Pacientes internados na UTI submetidos a mobilização precoce. N=58

A

Reabilitação do corpo inteiro deve ser considerado um

Retrospectiva

componente importante de sua terapia.

Pinheiro C 30 Campo Grande-MS/BRA (2012)

Fisioterapia motora em pacientes críticos na UTI

Revisão

 

Redução de efeitos deletéricos de imobilização prolongada, a utilização de eletroestimulação, cicloergômetro e cinesioterapia apresentaram respostas positivas.

sistemática

Limitações da Mobilização em Pacientes Críticos

A Imobilidade sendo uma das consequências mais comuns nos pacientes críticos

apresenta de forma secundária comprometimento musculoesquelético, gastrointestinal, cardiorrespiratório, urinário e cutâneo o que acarreta alterações importantes como hipotrofias

e contraturas. Estudos demostraram que a permanência prolongada em leitos de UTI’s colaboram de forma negativa na qual o paciente admitido apresenta redução de força muscular de até 50% nas primeiras quatro semanas, tornando as complicações persistentes até um ano após o evento. Através dessas complicações o paciente desenvolve fraqueza muscular que correlacionada diretamente a debilidade das funções corpóreas, que quando associado à utilização de medicamentos e o imobilismo, acarreta alterações psíquicas ou mais precisamente confusão mental. 9,10,11 Vários fatores desencadeiam a fraqueza generalizada contribuindo para o prolongamento da internação do paciente crítico expondo este paciente a riscos como infecção hospitalar e outros agravos a saúde. Dentre as situações mais comuns das quais o paciente enfrenta em um âmbito de UTI, apresentam-se o medo da morte, preocupações pessoais, o ambiente desconhecido e os procedimentos invasivos colaboram para o aumento do estado de estresse, tensão e tempo de internação hospitalar. 12,13 Em decorrência da fragilidade e instabilidade apresentada por pacientes submetidos a longos períodos estáticos, um questionamento comum entre profissionais que lidam com UTI’s, é sobre a eficácia da mobilização precoce em pacientes críticos, isso devido alguns estudos apontarem alterações fisiológicas opostas as esperadas necessitando de intervenções medicamentosas nestes pacientes após as mobilizações. 8,14,15 Exercícios físicos normalmente promovem o aumento da frequência respiratória, cardíaca, onde ocorre o aumento da pressão arterial e consequentemente aumento da pressão intracraniana influenciando assim em alterações neurológicas favorecendo assim no aumento da resistência ao esforço físico apresentado por estes pacientes acamados a longos períodos.

Vantagens da Mobilização Precoce em Pacientes Críticos

A mobilização precoce é considerada por alguns autores, uma intervenção segura e

viável na qual deve ser aplicada quando há estabilidade cardiorrespiratória e neurológica no paciente. Após a melhora, ambas associadas a um treino muscular induzem na melhora da

função cognitiva e respiratória. 16,17 Outros estudos comprovam que a imobilização precoce representa não apenas a segurança para o paciente, mas possibilita que o mesmo interaja com o ambiente e os profissionais durante a terapia. Isso reflete em uma estimulação sensório motora, evidenciando assim os benefícios de melhora e manutenção da resposta neuromuscular assim como da fisiologia cardiorrespiratória frente a esta intervenção. 18,19 Diante destes benefícios adquiridos, hoje a mobilização precoce aplicada pelo profissional fisioterapeuta no âmbito hospitalar, possui como objetivo a prevenção e tratamento de atelectasias e condições respiratórias relacionadas à remoção de secreção, e condições relacionadas à falta de condicionamento físico onde, em conjunto com uma equipe multidisciplinar, possuem a finalidade de estudarem o caso avaliando fatores adversos, estabelecendo assim condutas apropriadas para obtenção de visões específicas e resultados diários com respostas adversas a estas atividades terapêuticas. 20,21 Intervenção Fisioterapêutica na Mobilização Precoce

Para a utilização da mobilização precoce como tratamento reabilitativo, o fisioterapeuta deve realizar uma avaliação do paciente com a finalidade de saber se o mesmo encontra-se estável. Em seguida é estipulada a conduta necessária de acordo com suas limitações, mas com a finalidade de aumentar ou manter a força muscular e função física, com a inclusão de modalidades terapêuticas progressivas na estimulação da realização de força pelo paciente, com exercícios realizados associados à mobilidade no leito, sedestação no leito e em ortostase. 7,8,22 Para uma maior segurança para o paciente, é importante que seja realizada uma avaliação minuciosa pré e pós intervencionista não somente do fisioterapeuta, mas de uma equipe multiprofissional na qual é composta a UTI.

O posicionamento funcional no leito também pode ser utilizado com o objetivo

fisiológico de aperfeiçoar o transporte de oxigênio através do aumento da relação ventilação- perfusão (V/Q), aumento dos volumes pulmonares, redução do trabalho respiratório, minimização do trabalho cardíaco e aumento do clearance mucociliar. Este procedimento também desencadeia a melhora do estado de alerta e da estimulação vestibular, além de facilitar uma boa resposta a postura antigravitacional e reduzir os efeitos da imobilidade e do repouso. Os exercícios passivos, ativo-assistidos e resistidos visam manter a movimentação da articulação; o comprimento do tecido muscular, da força e da função muscular e reduz o risco de tromboembolismo. 23,24,25

Dentre as atividades realizadas pela fisioterapia motora em UTI estão mudanças de decúbito e posicionamento no leito; mobilizações passivas; exercícios ativo-assistidos e ativo livres; uso de cicloergômetro; eletroestimulação; treino funcional; sedestação; ortostatismo; marcha estática; transferência da cama para cadeira e deambulação. 26 Atualmente preconizam-se intervenções terapêuticas com atividades correlacionadas a atividades funcionais em que o paciente estaria mais próximo das realizadas normalmente em situações cotidianas, preparando-o para uma maior independência, o que desencadearia em um estímulo psicológico. 27

O estímulo psicológico desenvolvido com exercícios correlacionados a atividades

funcionais, possibilitam a percepção do paciente na retomada de sua capacidade ao realizar novamente tais movimentos influenciando no empenho de atividades físicas progressivas. A realização de fisioterapia motora em pacientes críticos é uma intervenção segura, viável e bem tolerada. As reações adversas são incomuns; a necessidade de interromper a terapia é mínima e, quando ocorre, é comumente associada à assincronia entre o paciente e o ventilador mecânico. Vale ressaltar que a viabilidade da mobilização precoce deve ser avaliada em indivíduos propensos a sofrer intercorrências como instabilidade hemodinâmica e respiratória. Tal fato deve levar em consideração, de um lado, os riscos provenientes da mobilização e de outro, os vastos efeitos deletérios ocasionados pela restrição ao leito. 28,29 Morris et al. em um estudo de coorte prospectivo no qual utilizaram um protocolo de mobilização precoce, tiveram como objetivo comparar a eficácia da mobilização em pacientes acometidos de insuficiência respiratória. O protocolo foi dividido em quatro níveis, onde não observou-se nenhuma intercorrência durante a sua execução, sendo ele descrito como seguro e eficaz. O grupo de pacientes que utilizou o protocolo de mobilização quando comparado aos pacientes do grupo controle apresentou uma redução do tempo de internação na UTI e nos custos hospitalares. 5 No estudo realizado por Martin et al. 49 pacientes em ventilação mecânica, que estavam completamente acamados e tinham grave fraqueza muscular nas extremidades superiores e inferiores. Esses pacientes quando submetidos a um treinamento físico,

apresentaram respostas positivas ao aumento na resistência muscular periférica e no estado funcional geral, e em consequência reduzindo o tempo expostos a VM. 28 A mobilização dos pacientes críticos restritos ao leito, associada a um posicionamento preventivo de contraturas articulares na UTI, pode ser considerada como um mecanismo de reabilitação precoce com importantes efeitos acerca das várias etapas do transporte de oxigênio, procurando manter a força muscular e a mobilidade articular, e melhorando a função pulmonar e o desempenho do sistema respiratório. Assim como mostram alguns autores, seis semanas de treinamento físico podem aumentar a força muscular periférica melhorando então a capacidade funcional e qualidade de vida após a alta da UTI. 30

CONCLUSÃO

Foi possível concluir com esta revisão que a mobilização precoce como conduta fisioterapêutica em pacientes críticos, representa uma ação segura e eficaz. Destaca-se os bons resultados encontrados na literatura que apontam essa intervenção associada à prevenção de limitações funcionais decorrentes do imobilismo, menor tempo de hospitalização, retirada precoce do leito, benefícios físicos e psicológicos. Constatou-se ainda que a mobilização precoce tenha maior efetividade quando avaliada por equipe multiprofissional, especialmente do profissional fisioterapeuta, para determinar o plano terapêutico precoce de mobilização, mas e principalmente, para a garantia da segurança do paciente acamado por longos períodos. Recomenda-se a realização de estudos clínicos acerca do tema abordado nos outros sistemas bem como estudos que contemplem a experiência de outros profissionais podem acrescentar elementos a esta discussão.

REFERÊNCIAS

1-Montuclard L, Garrouste O, Timsit JF. Outcome, functional autonomy, and quality of life of elderly patients with a long-term intensive care unit stay. Crit Care Med. 2000; 28:3389

3395.

2- Herridge MS, Cheung AM, Tansey CM. One-year outcomes in survivors of the acute respiratory distress syndrome. N EnglJ Med. 2003; 348:683693.

3-De Jonghe B, Lacherade JC, Durand MC. Critical illness neuromuscular syndromes. Crit Care Clin. 2007; 23:5569.

4- Vojvodic, C. Síndrome do Imobilismo. 2004. Monografia (Especialização de Fisioterapia Respiratória em ventilação mecânica com ênfase em traumato-cirúrgico). Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.

5- Morris PE, Goad A, Thompson C. Early intensive care unit mobility therapy in the treatment of acute respiratory failure. Crit Care Med. 2008; 36:22382243.

6- Silveira SWD, Reis BC, Ângelo MF, Silva LG, Castro PC. Fernandes RG, et al. Estudo dos Recursos Mecanoterapêuticos utilizados na manutenção da mobilidade Rev. Saúde. Com. 2007; 3(1):75-84.

7- Needham DM, Truong AD, Fan E. Technology to enhance physical rehabilitation of critically ill patients. Critical Care Medicine. 2009; 37(10):436-441.

8- Kress JP. Clinical Trial of early mobilization of critically ill patients. Crit Care Med. 2009;

37[Suppl.]:s442-s447.

9- De Jonghe B, Sharshar T, Lefaucheur JP. Paresis acquired in the intensive care unit:

Aprospective multicenter study. JAMA. 2002; 288:2859-2867.

10- Deem S. Intensive-care-unit-acquired muscle weakness. Respir Care. 2006; 51:1042

1052.

11-Winkelman C. Inactivity and inflammation in the critically ill patient. Crit Care Clin. 2007; 23:2134.

12- Storch EK, Kruszynski DM. From rehabilitation to optimal function: role of clinical exercise therapy. Curr Opin Crit Care. 2008; 14(4):451-5.

13- Thomas AJ. Physiotherapy led early rehabilitation of the patient with critical illness. Phys Ther. 2011; 16:4657.

14- Chiang LL, Wang LY, Wu CP, Wu HD, Wu YT. Effects of Physical Training on

Phys Ther. 2006;

86(9):1271-81.

Functional Status inPatients With Prolonged Mechanical Ventilation.

15-Gosselink R, Bott J, Johnson M. Physiotherapy for adult patients with critical illness:

Recommendations of the European Respiratory Society and European Society of Intensive Care Medicine Task Force on Physiotherapy for Critically Ill Patients. Intensive Care Medicine. 2008; 34:11881199.

16- Thomsen GE, Snow GL, Rodriguez L, Hopkins RO. Patients with respiratory failure increase ambulation after transfer to an intensive care unit where early activity is a priority. Crit Care Med. 2008; 36:11191124.

17- Partsch H. Bed rest versus ambulation in the initial treatment of patients with proximal deep vein thrombosis. Curr Opin Pulm Med. 2002; 8:389393.

18- Maramatitom BV, Wijdicks, EF. Acute neuromuscular weakness in the intensive care unit. Crit Care Med. 2006; 34(11):2835-41.

19- Schweickert WD, Pohlman MC, Pohlman AS. Early physical and occupational therapy in mechanically ventilated, critically ill patients: a randomized controlled. Lancet.

2009;373:1874-1882.

20- Korupolu R; Gifford JM, Needham D. Early Mobilization of Critically Ill Patients:

Reducing Neuromuscular Complications After Intensive Care. Contemporary Critical Care. 2009; 6(9):113-7.

21- Van der Schaaf M, Beelen A, de Vos R. Functional outcome in patients with critical illness polyneuropathy. Disabil Rehabil. 2004; 26(20):1189-97.

22- Borges, VM, Oliveira, LRC, Peixoto, Enzo, Carvalho, NAA. Fisioterapia motora em pacientes adultos em terapia intensiva. Revista Brasileira de Terapia Intensiva. 2009; 21

(4):446-452.

23- França ET, Aquim EE, Fernandes P. Fisioterapia em pacientes críticos adultos:

recomendações do Departamento de Fisioterapia da Associação de Medicina Intensiva Brasileira. Revista Brasileira de Terapia Intensiva. 2012; 24(1):6-22.

24-Bailey P, Thomsen GE, Spuhler VJ. Early activity is feasible and safe in respiratory failure patients. Crit Care Med. 2007; 35:139145.

25- Stiller, K. Safety issues that should be considered when mobilizing critically ill patients. Critical Care Clinics. 2007; 23:35-53.

26- Sibinelli M, Maioral DC, Dragosavac D. Efeito imediato do ortostatismo em pacientes internados na unidade de terapia intensiva de adultos. Revista Brasileira de Terapia Intensiva. 2012; 24(1):64-70.

27- Martinez BP, Duarte A, Ferrari F. Declínio funcional em uma unidade de terapia Intensiva (UTI). Revista Inspirar movimento & saúde. 2013; 6(2):1-5.

28- Martin UJ, Hincapie L, Nimchuk M, Gaughan J, Criner GJ. Impact of whole-body rehabilitation in patients receiving chronic mechanical ventilation. Crit Care Med. 2005;

33(10):2259-65.

29- Perme CS, Southard RE, Joyce DL, Noon GP, Loebe M. Early mobilization of LVAD recipients who require prolonged mechanical ventilation. Tex Heart Inst J. 2006; 33(2):130-3.

30- Pinheiro C. Fisioterapia motora em pacientes internados na unidade de terapia intensiva:

uma revisão sistemática. Revista Brasileira de Terapia Intensiva. 2012; 24(2):188-196.

31- Bourdin G, Barbier J, Burle JF, Durante G, Passant S, Vincent B, et al. The feasibility of early physical activity in intensive care unit patients: a prospective observational one-center study. Respir Care. 2010; 55(4):400-7