Vous êtes sur la page 1sur 165
a ee a | 2 MENTALIZACAO E SAUDE colecco LOGOTERAPIA Mets eR RES. S o A satide nfo se relaciona apenas com condigées fisicas. Depende em grande parte também das posturas e atitudes de cada um. Especialmente importantes so 08 contevidos com que uma pes- soa capaz de preencher sua vi- da, ou as respostas que ela dé as “‘perguntas” que a vida lhe faz. A logoterapia, fundada por Vik- tor E. Frankl, investigou essas relagées, chegando a conclusdes esclarecedoras sobre a arte de viver ¢ a arte de curar. E, afinal, a arte de curar, em seu melhor sentido, visa capacitar o paciente para a arte de viver. A Autora, Elisabeth Lukas, considerada a aluna mais préxima do psiquiatra vienense mundialmente conheci- do, expde no presente livro as- pectos préticos das relacées aci- ma mencionadas, mostrando no- vos caminhos para recuperar e manter a satide na famflia e na sociedade, Apés a leitura deste livro, que enriquece a arte de viver e de curar, muitas pessoas 4 procura de sentido, especialmente os jo- vens, estario dispostos a voltar- se para os momentos afirmativos da existéncia humana. Nosso mundo doente poderé sofrer um processo de cura através da mu- danca de mentalidade, quando o ser humano puder reencontrar a razio Ultima da vida, que consti- tui uma fonte permanente de sentido: Deus. Essa dimensio da transcendéncia de Deus a partir da qual se revela para o ser hu- mano o sentido de sua vida, e assim também o sentido da doenga, do sofrimento, da culpa e da morte. Elisabeth Lukas por EY MENTALIZACAO E SAUDE A arte de viver e Logoterapia TRADUGAO DE Helga Hinkenickel Reinhold y VOZES, Petropolis 1990 vraria Progresso “SEBO” nda s SUMARIO Prefacio de Max Josef Zilch, 9 DAR UM CONTEODO A VIDA Riqueza, juventude, feminilidade. . . € a busca de sentido, 15 A familia — centro gravitacional do amor, 27 A redescoberta e reinterpretacao de virtudes antigas, 34 A logoterapia e suas Possibilidades preventivas nas toxicomanias, 52 Objetivos da educacao do ponto de vista da logoterapia, 68 Vivéncia de falta de futuro: como enfrentar a neurose noogénica, 85 DAR UMA RESPOSTA A VIDA Como a familia pode lidar com pessoas psiquicamente doentes, 105 O significado da logoterapia para a psicologia clinica, 119 A arte de viver e a arte de curar, 126 Procedimentos praticos da logoterapia, 140 Cura da alma e salvacéo da alma — intencfo ou efeito?, 154 Como enfrentar a “triade tragica”: sofrimento, culpa e morte, 171 PREFACIO Numa época em que a negacéo da vida demonstra a perda de uma mentalidade sadia, aumentam os distirbios con- seqtientes & falta de relacionamentos interpessoais, que poderiam dar sentido & vida: neuroses, depresses, suicidios, toxicomanias, mentalidade dissidente. ‘Numa sociedade espiritualmente intoxicada, como pode tia o ser humano reagir de outra maneira, a nfo ser através de distirbios de comportamento, sofrimento, desespero e doencas as mais variadas? Sabendo que numa vida constitufda apenas ‘de fisica e quimica, ou matéria, energia e informacio, nao poderia existir a verdadeira arte de viver, capaz de preencher a vida com contetidos significativos e felicidade, reconhecemos que @ busca de sentido num mundo sem alma e caréter, onde o centro gravi- tacional do amor — a familia — perdeu sua forga, estd cada vez mais fadada ao insucesso, apesar da existéncia de riqueza, juven- tude e feminilidade. Todos os programas preventivos no campo dos servigos terapéuticos, especialmente no combate as drogas, pressupGem a redescoberta de todas as virtudes saudaveis, culminando na auto- transcendéncia do ser humano. Em nossa época de toxicomania e tecnicismo, a arte de viver presume a conscientizagio da forga de vontade do ser humano, que, por sua vez, depende do valor que se atribui aos objetivos desejados. A meta em diregfio & ativagio das resistén- cias do prdéprio organismo deve transparecer nos objetivos educa- cionais de todas as escolas, pois o pensamento impedido de perceber um sentido, que nio seja-estabelecido pelo préprio indi- viduo, est4 destinado ao fracasso, a uma total perda de sentido. Precisamos impedir a pratica clinica sem sentido, aparentemente sem possibilidade de oferecer solugdes, podendo levar a pessoa até a neurose noogénica. Nés, pensadores, que, a partir da certeza da existéncia de um sentido, ousamos manifestar-nos contra a proibigéo, socialmente sancionada, de pensar e colocar-nos a ser- vigo do homem atual em sua busca de sentido, precisamos pro- mover a formagdo de profissionais de ajuda na medicina, peda- gogia e psicoterapia. O presente livro da aluna mestra do Prof. Dr. Viktor Frankl nos aproxima dessa pastoral médica e psicoterapia natu- ralista através de uma linguagem bela, tocando-nos tao profunda- mente do ponto de vista animico e espiritual, que gostariamos de exigir a incluso desse tipo de logoterapia como disciplina no nosso curriculo da Universidade Reformada de Regensburg, a “Donau-Universitaet” da Baviera, para que os médicos possam entender que o objetivo da arte de curar, ou terapéutica, em Ultima andlise, equivale & capacitacio do paciente para a arte de viver, em todas as fases da vida. O terapeuta', para o qual a logoterapia tem significado central, precisa utilizar, consciente ou inconscientemente, 0 dom da “intuicho”, necessério para qualquer arte. Para o terapeuta, “filosofar” nfo significa apenas “pensar”, mas pensar e viver, nao apenas teoria pura, mas teorla e pratica. Se entendermos 0 ato de curar também como o caminho para o aperfeigoamento pessoal e para o dom{nio da “triade trdgica” — sofrimento, culpa e morte —, devemos considerar “cura da alma” e “salvagio da alma” como uma tarefa global de cura, que inclui como terapia a pro- cura de Deus e o amor por ele. A autora, Dra. Elisabeth Lukas, abordando a eficiéncia da psicologia clinica associada aos procedimentos priticos da logoterapia, traré uma nova evidéncia & medicina, pedagogia e psicoterapia, transcendendo sua fixacao rigida em conceitos cienti- ficos modernos, orientados para uma relagio causal-mecanicista; além disso, a partir dos conhecimentos cientfficos, fornece as pessoas uma orientacéo profunda e libertadora para viver. Ap6s a leitura deste livro, que enriquece a arte de viver e-de curar, muitas pessoas & procura de sentido, especialmente os jovens, estarao dispostos a voltar-se para os momentos afirma- tivos da existéncia humana. Nosso mundo doente poderd sofrer um processo de cura através da mudanga de mentalidade, quando o ser humano puder reencontrar a razio ultima da vida, que constitui uma fonte permanente de sentido: Deus. Essa dimensio da transcendéncia de Deus, a partir da qual se revela para o ser 1. N.T.: Hellkuenstler significa “aquele que pratica a arte de curar*, ou sofa, 10 hhumano o sentido de sua vida, e assim também o sentido da doenga, do sofrimento, da culpa e da morte. Para o médico verdadeiramente humano, a morte cons- titui o comego; para o médico orientado apenas cientificamente, representa o fim. Sem amor nada tem sentido, nem a medicina. O sentido do sofrimento é 0 amor no mistério divino da criag&o, onde nao haé amor sem sofrimento. O livro 6 um bdlsamo para a alma. Regensburg, agosto de 1986. Maz Josef Zilch Doutor em Medicina i DAR UM CONTEUDO A VIDA Riqueza, juventude, feminilidade... e a busca de sentido No campo espiritual, existe atualmente uma intensa ne- cessidade, a qual, por assim dizer, nao pode ser satisfeita através de bens materiais. Trata-se de uma busca universal de sentido para a vida e existéncia humanas. Aquele que nado obtiver uma resposta satisfatéria nessa luta espiritual e nfo alcangar uma filosofia de vida, capaz de lhe dar apoio para afirmar basica- mente o sentido da vida, logo acabard se entregando aquele desfnimo reinante que, de maneira assustadora, caracteriza o homem contemporaneo. Foi Viktor E. Frankl, o famoso psiquiatra e fundador de uma escola psicoterapéutica prdpria, a “logoterapia”, que, meio século atrés, jé reconheceu que o homem, no seu mais profundo Ser, néo almeja tanto bens materiais, felicidade, poder, sexo etc., como normalmente se presume, mas uma vida plena de sentido. Frankl valeu-se dessa constatagéo para elaborar planos de trata- mento para pessoas mentalmente doentes, assim como diretrizes para prevengao de crises mentais em todas as situagdes de vida, Mais tarde, suas teses foram confirmadas em muitas pes- quisas transversais e longitudinais, verificando-se que as pessoas, ao considerarem a propria vida como tendo sentido, séo mais capazes de enfrentar quaisquer situagdes problemdaticas e dolo- Tosas do que aquelas que duvidam do sentido de suas vidas. Simultaneamente, verificou-se que a duivida quanto ao sentido da vida leva o ser humano a uma insatisfacgio existencial perma- nente, a qual origina reagdes despropositadas de cardter neuréti- co, conflitos intrapsiquicos e atitudes depressivas, que, por sua vez, diminuem a capacidade de amar e trabalhar, prejudicando assim a vida familiar e profissional. ub Podemos avaliar como essa problemética se tornou aguda pela constatagio de que, no fundo de todas as patologias da atualidade, encontra-se uma variedade dessa suposta falta de sen- tido, tao nociva para a satide mental do ser humano, quer se trate de atos tefroristas, vivéncia de falta de futuro‘ ou cultos dissidentes das geragdes mais jovens; ou de crises de maturi- dade, de fé ou de identidade de uma’ geragio de meiaidade, vitima de uma ideologia de auto-realizacio; ou até do pessimismo e resignacfo da geracéo mais velha, a qual nfo consegue acompa- nhar 0 progresso e é precocemente impedida de levar uma vida Util. Apesar das diferengas entre as atuais geragdes, existe um denominador comum: a questéo, muitas vezes nfo resolvida, sobre o sentido da vida. J& que estamos abordando as varias geragdes, torna-se necéssério mencionar, logo de inicio, a existéncia de um grupo que, devido a varias circunstancias, deve ser considerado como excepcionalmente vulnerdvel: trata-se, paradoxalmente, do grupo de mulheres jovens e abastadas, grupo esse que deveria ser inve- jdvel sob muitos aspéctos, e que passamos a examinar mais detalhadamente. O que levaria justamente pessoas jovens e sauds- veis do sexo feminino, para as quais 0 mundo esté aberto, a fracassarem na busca de sentido para a vida, néo encontrando fealizagdo hem no relacionamento com o parceiro, nem na ma- terfiidade, nem na busca incessante de uma carreira? Para isso hd certamente varios motivos, dos quais gostaria de abordar pormenorizadamente os trés mais evidentes: o fato de serem jovens, do sexo feminino e abastadas. Comecemos com o fator de risco “juventude”. Sabemos atualmente que os jovens normalmente possuem uma capacidade menor de encontrar sentido interior do que as pessoas mais velhas. Com base em entrevistas realizadas com 1.000 pessoas, em um procedimento especial de testagem psicoldgica? desen- volvido a partir dos resultados dessas entrevistas, consegui esta- belecer, ji em 1971, uma curva de sentido em relagio & idade, que dé indicagfio sobre a quantidade de sentido experienciada subjetivamente nas vdrias faixas etérias, em média. 2. _ LURAS, Hitabeth — Logo-Tent, Test ‘mur pd jexistentioter, Frustration 5 rustragio erisiancial). Visna, Bd” Deutlene, 16 “realizagao inierior —> bom de sentido” ciente + defi- -20 20-30 30-40 40-50 50-60 60- Curva normativa de idade (significante a nivel de 1%) extraida do manual para o Logo-Test, Ed Deuticke. Viena. 1986. Os resultados das entrevistas estéio representados na figu- ra acima pela linha pontilhada; os resultados dos testes, repre- sentados pela linha cheia, estabelecem uma diferenciagao ainda mais acentuada. Observamos que, estando a busca do sentido ‘pessoal ainda em andamento, entre os 15 e 30 anos, nado podem ser alcancados valores elevados nessa faixa etdria, enquanto que entre os 40 e 60 anos atinge-se um nivel estdvel de realizagao de sentido, tendendo novamente a decrescer um pouco com 0 avanc¢o. da idade. Trata-se, naturalmente, de valores médios, que nao se aplicam necessariamente a cada individuo em particular, mas que demonstram claramente que 0 fato de ser jovem implica uma busca e luta por objetivos e contetidos vitais, em prol dos quais valha a pena engajar-se, tornando-se um anseio préprio. A grande aspiracao do jovem é justamente encontrar algo que The seja importante e significativo, uma causa ou um amor, que possa e queira assumir. Obvio que essa busca e luta podem levar a desvios e becos sem saida, que até possam se revelar como desprovidos de sentido. Aos jovens precisa ser concedido o direito de cometer erros e de efetuar modificagdes para corrigirem a direcao de suas vidas, mesmo que esses erros e modificagdes sejam por vezes dolorosos, como, por exemplo, mudancas repentinas na formacao académica e/ou profissional e troca do circulo de amigos. Nem sempre essa correcao na diregfio da vida tem o efeito desejado, podendo até afastar o jovem ainda mais do seu verdadeiro objeti- vo; mas também isso deve ser aceito como um tributo a ser pago ao processo de busca de sentido. Freaiientemente, as odisséias a da juventude tém um sentido mais profundo para a vida futura, podendo, através de experiéncias vividas, impedir a pessoa ma- dura de cometer erros fundamentais. No entanto, o processo de busca de sentido precisa pros- seguir. Os jovens que param no meio do caminho dessa busca, sem terem alcancado seu objetivo, permanecem no vago espaco intermedidrio entre a busca e o insucesso em ter encontrado o Objetivo dessa busca, onde estéo mentalmente em perigo. Torna-se entéo fdcil enveredar para o mundo ilusdrio da droga, para a tirania de uma seita, ou para a atitude obstinada de um eterno oposicionismo. Em outras palavras, a caréncia de sentido pleno do jovem é um estagio passageiro normal, mas que pode tornar-se uma armadilha para uma vida esperancgosa que nao soube se desenvolver. Passemos entéo para o préximo fator de risco das mulhe- Tes jovens: a sua “feminilidade”. Ser mulher tem seus atrativos, e a maioria das jovens sabe tirar proveito disso. No entanto, Sabe-se que ocorreram inovagées revoluciondrias nas ultimas déca- das para a mulher e sua autocompreensiio. Nao somente os mo- vimentos de emancipagio e a luta da mulher pela igualdade de direitos, mas também a perda freqiiente da familia extensa e a desvalorizagio de seu papel de dona-de-casa, contribufram para uma grande inseguranga quanto 4 escolha de valores almejados. Essas circunstancias comprometem bastante o relaciona- mento homem-mulher. Enquanto que, para o homem, o trabalho Profissional constitui um valor elevado desde tempos imemoré- veis, a mulher renunciou aquilo que para ela constitui o valor equivalente também desde tempos imemoriais — sua presenca inquestiondvel para a familia —, sem, no entanto, receber em troca um valor da mesma categoria. Embora o exercicio pro- fissional andélogo ao homem the abra novos campos de atuaciio, coloca-a, no entanto, num conflito inevitdvel com seu desejo de ser me e cuidar de sua prole, especialmente nos seus anos de jovem adulta. Dessa forma, a carreira profissional representa para o homem a base para um infcio pleno de sentido da consti- tuigio de uma familia, enquanto que para a mulher a constituigao de uma familia pode implicar a interrupcao provisdria de sua carreira profissional, a nfo ser que haja uma solugdéo de com- promisso. Aparentemente, essa situaciio coloca-a em posigéo de desvantagem em relagdo ao homem e diminui, através de barrei- ras naturais, sua igualdade de direitos téo penosamente conquis- tada, Dessa maneira, a mulher inveja ao homem a liberdade de dedicar-se despreocupadamente ao trabalho, independentemente do numero de filhos, enquanto que ela, com o aumento do nime- 18 Yo de filhos, é obrigada a renunciar @ sua formagio, exercicio e aperfeigoamento profissionais, ou entao, a negligenciar suas obri- gacdes maternais. A tendéncia para a igualdade de direitos tem uma conse- qtiéncia adicional. Numa constelacdo familiar, onde haja algum tipo de chefe de familia, nao 6 necessério brigar para chegar a alguma decisao, antes que ela seja tomada: ao surgirem diferen- gas de opinido ou problemas graves, o chefe de familia assumird a responsabilidade de tomar a decisaio, 0 que pode representar riscos, se ele tiver tendéncias muito autoritdrias ou tiranicas. Por outro lado, também o estilo de decisfio compartilhada pelo casal, que atualmente tentamos desenvolver na sociedade ociden- tal, tem seus perigos. Pela igualdade de direitos, é preciso chegar a um acordo quanto aos minimos detalhes, 0 que torna o pro- cesso decisério extremamente dificil quando cada um persiste em sua opiniaéo. Nenhum dos dois quer se subordinar ao outro, quando cada um deveria se subordinar a entidade “familia”, para que essa possa manter-se intacta, 0 que parece cada vez mais ificil de conseguir. Muitas familias fracassam, assim, pela falta de disposigio de cada um, em ceder, e pela incapacidade de todos, em dedicar-se ao bem-estar da coletividade “familia”. Consegiientemente, os papéis inovadores da mulher nfo acarreta- ram apenas novos valores, mas também perda de antigos valores; nfio sé independéncia individual, mas também inseguranca cole- tiva. Além disso, 6 questionfvel se uma igualdade total entre homem e mulher seria satisfatdria; provavelmente, nao faria justi- ca & natureza especifica nem feminina, nem masculina. Ao lado da igualdade de direitos, ambos necessitariam ter a certeza de que suas areas de atuacio, por mais diferentes que sejam, repre- sentam igualdade de valores, scriam igualmente importantes e plenos de sentido; precisariam compreender que nao ha necessi- dade de entrar em concorréncia um com o outro, mas deveriam complementar-se da melhor maneira possivel. Certamente nfo 6 coincidéncia que a psicoterapia como ajuda especitica, comprovadamente utilizada por pacientes do sexo feminino numa proporgio de 70-80%, surgiu na mesma época em que as mulheres comegaram a conquistar os dominios masculinos e a trocar sua fungio de complementaciio pela concorréncia com os homens. Da mesma forma, nfo constitui coincidéncia que a produgao do primeiro comprimido sonifero ocorreu no mesmo ano da invencdo da luz elétrica. Qualquer modificag&io das con- digdes naturais tem o seu preco, e as mulheres da atualidade pagaram um preco muito elevado pela sua pretensa liberdade, ve 19 um preco que Ihes custou uma grande parcela de sua estabili- dade emocional. Apesar de tudo isso, 0 movimento de emancipa- cao teve naturalmente seus aspectos positivos, assim como hoje ninguém mais dispensaria a luz elétrica; contudo, precisamos aceitar a realidade de que as mulheres em nossa sociedade tém uma suscetibilidade maior quanto a crises relativas ao sentido da vida. Antes de considerarmos como enfrentar essas situagGes, examinemos rapidamente o terceiro fator de risco com referéncia a crises de falta de sentido, a “riqueza”, ou “fartura”. Em todos os tempos existiram pessoas ricas, especialmente entre as classes dirigentes de um povo, mas geralmente tratava-se de uma camada muito fina sobre um grande volume de pobreza. Somente com o milagre econémico do mundo industrial apds a Segunda Guerra Mundial, a camada de pessoas abastadas tornou-se mais espessa, transformando-se num estado geral de fartura. Em conseqiiéncia, faz relativamente pouco tempo que dispomos de resultados de andlises cientificas que nos dao indicagaéo de como o ambiente de uma sociedade de consumo exagerado influi sobre a psico- higiene de um povo. No entanto, ji sio alarmantes as conclusdes decorrentes dessas andlises, pois, aparentemente, o excesso de fartura representa uma fonte de perigo para a satide mental do homem, da mesma mancira que a falta de condigdes materiais implica uma fonte de perigo para a satide fisica. Sade Riqueza MISERIA — MEIO-TERMO —- FARTURA ’ possibilidades necessidades pre- satisfatorias mentes, mas poucas enecessidades muitas possibilidades, possibilidades, suficientes mas poucas necessidades. para a concretizacéo de um estilo de vida plena de sentido 20 Esses fatos ocorrem porque em tempos de fartura nio existe a necessidade de concretizar um estilo de vida plena de sentido, assim como em épocas de miséria faltam as respectivas possibilidades para tal. Parece evidente que alguém nao consiga trabalhar quando nfo ha possibilidades — como, por exemplo, em épocas de depressio econémica — mas o fato de alguém nao estar disposto a trabalhar, ou querer trabalhar pouco, quando nao tem necessidade, é uma constatacio recente. Essas conclusdes referentes ao trabalho também sao vdlidas para a maijoria das outras caracteristicas de um estilo de vida positivo: nfo ha par- ciménia e valorizagéio de bens existentes, por exemplo, quando hd caréncia desses bens, ou entéo, quando est&io presentes.em abundancia. O homem nao necessita apenas da respectiva possibili- dade para agir com sentido, mas precisa também da respectiva necessidade; caso contraério, por mais triste que seja a constata- gio, tem a tendéncia a agir sem sentido. Levando até as ultimas conseqiiéncias essa conclusio, Viktor E. Frankl interpretou até a finitude do ser humano a partir dessa perspectiva: no caso de uma vida ilimitada, nfo haveria a minima necessidade para que fizéssemos qualquer coisa, pois toda agao poderia ser adiada para © infinito, o que iria bloquear completamente as nossas realiza- cées na vida. Assim, paradoxalmente, a morte € o motor da nossa vida, pois coloca-nos diante da necessidade de realizarmos, aqui € agora, O que queremos alcancar em nossa vida; caso contrario, podera ser tarde demais. Transpondo esse conhecimento para a situag&io de pessoas abastadas, torna-se claro que, apesar de elas terem muitas possi- bilidades, tem somente uma fraca necessidade de organizar uma vida provida de sentido, o que pode facilmente levd-los 4 tentag&io de desperdicar sua vida numa busca desnorteada de prazer. Esse fato ocasionaria justamente aquela insatisfagaio existencial, que no inicio considerei como foco para crises mentais de toda espécie, principalmente para desarmonias familiares e profissionais. Nao € gratuitamente que os mais altos indices de suicidio foram cons- tatados geralmente nas classes mais prosperas €.em épocas de relativa despreocupacao, um fenOmeno que nao esta em concor- dancia com as teorias de estresse vigentes, Ao considerarmos 0 aspecto do sentido da vida, a compreensfo dessa situac&o torna-se mais facil, pois um simples “ter” nao garante um estado de “ser” pleno de sentido. Ao contrario, pode. até“tornar-se. um bloqueio, impedindo o aparecimento de-uma quantidade de estresse dese- javel e bem dosada, para que o ser humano se empenhe -pessoal- mente numa tarefa que ele mesmo se propés, facilmenté levando-o a disposicOes de Animo negativas, tais como tédio permanente, embotamento interno e indiferenca passiva. QL Resumindo, podemos dizer: os jovens geralmente nao possuem uma orientaciio definida quanto ao sentido da vida, pois ainda se encontram numa fase de busca e luta por esse sentido; @s pessoas do sexo feminino sio mais suscetiveis de entrarem em crises de falta de sentido do que as do sexo masculino, pois, em sua luta pela igualdade de direitos, deixaram de reconhecer que seu campo de aciio especificamente feminino — a familia, principalmente — representa uma igualdade de valores em rela- co aos novos campos que conquistaram; e as pessoas abastadas s&o vulnerdveis quanto & sua sade mental, pois para elas nao ha uma necessidade evidente de buscar sentido em e para sua vida, Assim, as mulheres jovens das classes abastadas muitas vezes tomam decisées desastradas na vida, o que nos leva a con- siderar maneiras de como isso poderia ser prevenido. O que significa, entao, essa prevencio? Qualquer forma efetiva de prevengéo implica a habilidade em transformar uma afligfo numa virtude, direcionando justamente os fatores de risco de uma vida para maneiras produtivas de viver. Consideremos, pois, se essa habilidade poderia ter resultado se aplicada igual- mente as dificuldades acima mencionadas quanto & busca de sen- tido. Comecemos com a juventude, que constitui um exemplo incisivo para demonstrar o grande numero de oportunidades que podem surgir a partir dos fatores de risco. Em nenhuma época da vida temos uma variedade tio grande de oportunidades como na juventude. Nunca mais se oferecerd a nds um leque téo amplo de opcdes, com um objeto de escolha téo importante: a opcao quanto & personalidade que queremos ser. Porém, para utilizar-se da oportunidade certa no momento correto, hé necessidade de duas qualidades: coragem e paciéncia. A paciéncia significa esperar até que surja uma possi- bilidade de sentido que valha a pena ser selecionada, entre tantas outras, e concretizada, levando nesse processo 4 descoberta de si préprio, Esse reconhecimento de uma possibilidade de sentido nio ocorre diariamente: hd necessidade de tempo e paciéncia para esperar por essa ocasifio e ter confianga que um dia ela apareceré, Porém, nao é suficiente compreender que eventual- mente possa surgir uma oportunidade que valha a pena ser reali- zada, 6 preciso ainda a coragem de aproveitar essa oportunidade, ® coragem de um idealismo e otimismo saudéveis, préprios dos jovens, para empreender o novo e desconhecido, mas pleno de sentido, e prosseguir o desenvolvimento. Se a paciéncia se unir & coragem, a capacidade de aguardar o inesperado & capacidade de ousar o que até entio nfo foi ousado, a juventude se trans- formaré numa grandiosa aventura, e 0 processo de busca de sen- tido num ato de criagéo, que dard origem a uma nova existéncia humana na sua propria esséncia. 22 Portanto, se quisermos ajudar os jovens a utilizarem as oportunidades préprias de sua juventude, precisamos recomen- dar-Ihes paciéncia e desafiar sua coragem. Provavelmente, a gera- g&o dos avés, pela sua longa experiéncia de vida, seria a mais indicada pare transmitir aos jovens a necessidade de paciéncia, mostrando-lhes, através de exemplos, que muito daquilo que anteriormente néo péde ser alcangado & forcga, acabou sendo conseguido com o passar do tempo, e que 6 justificdvel a con- fianga de que a vida nos oferece sempre novas possibilidades de sentido. Por outro lado, parece mais adequado & geracao dos pais, a todo momento enfrentando ativamente os desafios da vida, mostrar aos seus filhos a coragem necessdria para transformarem em realidade o objetivo que reconheceram ter sentido, trazendo-o do mundo dos sonhos para o mundo do planejamento concreto, Sem diivida, houve uma acentuada mudanga nas tradi- ges: os jovens de hoje deixaram de ver seus pais e avés como modelos que quiseram seguir incondicionalmente. Porém, toda geracdo passou pelo seu processo de busca de sentido e cada geragao necessitou para isso de certas capacidades espirituais, que ainda hoje, de maneira adaptada, podem e devem ser transmi- tidas & juventude e que, certamente, auxiliario os jovens a busca- Tem suas proprias missées e objetivos na vida. Um outro aspecto da prevencio refere-se ao papel da mulher, ou melhor, a0 campo de acao da mulher, pois “papel” tem uma conotagao de algo estranho a ela, que lhe foi atribufdo por circunstancias externas. O campo de agio, porém, é proprio da natureza humana e, sendo a mulher mais orientada para pessoas do que para objetos, seu campo de acio, para ter sen- tido, deveria estar relacionado a outras pessoas. Esta 6 a grande Oportunidade na vida de uma mulher: estar presente para alguém que dela precise, e ao qual possa se dedicar com amor. Com isso, nao estamos, de maneira alguma, nos referindo apenas ao amor dirigido a um homem ou aos préprios filhos, mas, de maneira geral, ao amor em relacao a tudo que é vivo, a tudo que necessita dela, a tudo que deve crescer e desenvolver-se para a existéncia no mundo, a qual deve ser preservada e fomentada. Ninguém negaré que a mulher também possa revelar inte- Tesses Objetivos, cientificos e artisticos; porém, esses interesses 86 poderfio se desenvolver plenamente, se o elemento feminino com sua énfase principal nas relagdes interpessoais puder ser preservado e até estimulado e enriquecido. Isto significa que, ao invés de invejar a objetividade e a identificagdo profissional do homem e tentar apoderar-se deles com veeméncia, a mulher esta- ria agindo mais de acordo com sua psique feminina, usando suas préprias capacidades de empatia, adaptacao, habilidade pedagd- gica e compreensio social para atuar criativamente no ambiente 33 pessoal e, desse modo, complementar idealmente as qualidades masculinas. Conseqiientemente, se quisermos ajudar as mulheres jo- vens na busca das oportunidades positivas de sua feminilidade, precisamos mostrar a elas o valor, mas sobretudo a igualdade de valor, de qualquer “servico de amor” no sentido amplo da palavra: que ha valor em se dedicar a todo ser vivo, e que ha igualdade de valores em relacéo ao trabalho em condigées mais objetivas e materiais, mais comumente executado pelo homem. Apela-se as avds, maes e tias para que conscientizem as mulheres jovens em desenvolvimento da possibilidade desse engajamento social, fornecendo-Ihes um exemplo a seguir. Esse engajamen- to nao se restringe absolutamente A familia, mas estende-se a0 trabalho em escolas, hospitais, orfanatos, casas de convalescenca, casas protetoras para animais etc., ou a um tipo completamente diferente de trabalho, o de lazer, como, por exemplo, ajuda a vizinhos, amizade ou hospitalidade. Inerente & mulher ha o que em inglés se chama “the need to be needed”3, uma Ansia basica de que alguém precise dela; ajudando & mulher a satisfazer essa ansia, estaremos nio apenas prevenindo-a de crises ameagadoras de falta de sentido, mas ainda ajudando aquelas pessoas no mundo que justamente precisam de alguém e dependem de seu amor. O Ultimo aspecto da prevencio esta centrado na riqueza e suas conseqiiéncias. Ja foi discutido que se trata de um fator de risco para a satide mental; mas quais as oportunidades que surgem a partir da riqueza? Embora a posse de bens materiais diminua a necessidade de um estilo de vida com sentido, possi- pilita a liberdade de dispor desses bens materiais, de maneira positiva ou negativa. Finalmente, a posse de bens materiais nao precisa servir apenas para custear uma necessidade egoista e supérflua, mas pode ser utilizada igualmente em prol de uma missio util e importante, ou seja, a realizagiio de projetos que néio poderiam ser concretizados sem a respectiva subvengio ma- terial. A liberdade, no entanto, requer responsabilidade; o ser humano, dispondo de simbolos de poder, tais como dinheiro, influéncia e prestigio, tem o dever de utilizar esses emprésti- mos mundanos para ajudar a dirigir positivamente o destino do mundo, o que significa nao apenas dar atencfio a muitos pedidos de socorro nao atendidos, mas, de maneira bem mais geral, per- mitir ao espirito humano dar testemunho de sua existéncia. Wagner nao poderia ter criddo Sua obra monumental de dperas, se nao tivesse existido alguém que lhe colocasse & disposigao um. 3. NT, necessidade de ser necessitado por alguém", 24 salério, um palco e uma orquestra, e Colombo nio poderia. ter descoberto um novo continente, se ‘eleven no o tivesse eaqutpade com navios e provisées. A fim de perceberem quals as missoes ‘artisticas, cultu- vais, pedagdgicas, médicas ou técnicas que atualmente se apre- sentam ao nosso espirito, aguardando um apoio dos meios abasta- dos, por dependerem desse apoio e por sérem dignos de merecé-lo, Os responsdveis precisam ampliar seu prdéprio horizonte, desen- volver-se, aperfeigoar-se. Uma observacio. mais acurada revela que para pessoas abastadas existe, de fato, uma necessidade de traba- lhar, nfo para garantir sua subsisténcia, mas para assegurar sua “existéncia concreta para algo que tenha sentido”, capacitando-os a avaliar o sentido de projetos e tarefas a serem subvencionados. Verificamos que a consciéncia de ser responsdvel pelo melhor uso possivel dos meios de que se dispée transforma a falta de objetivos em ago dirigida. A luz dessa consciéncia, a pessoa nfio empreenderé formagio profissional ou estudo supérfluos, apenas para manter-se ocupado; todo aumento do préprio saber e habili- dade estard ligado & responsabilidade de multiplicar o bem e o nobre no mundo e, para isso, usar os meios de poder re¢ebidos. Quando se trata da questéo de saber como direcionar filhos de familias abastadas para uma vida plena de sentido, é preciso que especialmente avés, pais e tios nfo somente coloquem mas méos dos jovens o legado de seu proprio trabalho, mas também transmitam a compreensio de que esse legado deve servir a algo além do préprio detentor do legado: para o inicio de uma obra positiva, para patrocinar um importante setor de pesquisa, em resumo, para a escalada de mais um degrau na longa e sinuosa escada do desenvolvimento da humanidade. Se essa compreensio puder ser despertada, 0 excesso. torna-se uma dadiva e a riqueza uma bénciio. 7 Partimos do prinefpio de que. “mulheres jovens e abasta- das constituem um grupo de risco na populagdo quanto & busca de sentido. Num quadro sindtico, resumi novamente os trés riscos desse grupo, a saber: que os jovens no processo de busca de sentido possam, num dado momento, néo saber ir adiante; que as mulheres possam experienciar uma acentuada desvalorizacéo de seus campos de agio especfficos, devido ao seu empenho em prol da sua igualdade de direitos; e que as pessoas abastadas possam nfo dispor de uma necessidade externa para buscarem um estilo de vida que tenha sentido. Em seguida, indagamos se esses riscos nio poderiam também ser considerados como oportunidades, e encontramos respostas afirmativas nessa dire- go. Os jovens tém & disposiciio uma grande variedade de Possi- bilidades de sentido, as mulheres podem ser levadas ao engaja- 95 mento social em fungio de sua capacidade inata de relacio- namento pessoal, e as pessoas abastadas possuem nfo apenas bens materiais, mas também a liberdade de empregé-los de ma- neira que faga algum sentido. Porém, quem estaria em condigdes de revelar essas oportunidades ocultas? Aqui termina a missfo do cientista e inicia-se o trabalho minucioso e inestimével do embrifio de toda vida humana, a familia, Avés e pais, tias e tios devem transmitir a heranca antiqiifssima das geragées, que nunca poderd envelhecer, por se tratar de uma sabedoria independente de tradicdes: que hd neces- sidade de paciéncia e coragem por parte da juventude para alcan- gar objetivos que tenham sentido; que hé necessidade de uma “existéncia concreta para alguém” para receber e dar felicidade As pessoas do nosso ambiente social; e que ha necessidade de uma “existéncia concreta para algo” para fazer jus & responsabi- lidade inerente a cada um de nds, responsabilidade essa que pesa mais, quanto mais abastado for seu bergo. O importante na vida nao sfio as condicées que encontramos, mas a obra da nossa vida que construfmos a partir delas! RISCOS OPORTUNIDADES Ajuda familiar em relagdo & busca de sentido Perigo de estacio- FPossibilidades va- Avds: demonstrar a JUVENTUDE nar na fase de —riadas de sentido, paciéncia necesséria busca de sen- & escolha do jo- Pais: demonstrar a tido ver coragem necessiria dos campos de Capacidade de re- Avds, mies (tias): FEMINILI- ago femininos, _lacionamentos pes- demonstrar o valor da DADE decorrentes da soais para um en- “existéncia concreta busca de igualda- gajamento social para alguém” de de direitos Auséncia de neces- Liberdade para Avés, pais (tios): sidade de um esti- utilizar, com sen- demonstrar a respon- RIQUEZA lo de vida com tido, os bens ma- sabilidade da “exis- sentido terials téncia concreta para algo” A familia — centro gravitacional do amor Denominamos a familia de embrido de toda vida humana, mas, sobretudo, ela constitui simplesmente o centro da vida. Em nenhuma época, nenhum século anterior, pudemos ter tanta certeza disso como hoje, quando verificamos as conseqiléncias criticas da “descentralizacio” da familia. Os idosos sio confina- dos em asilos, os parentes afastam-se uns dos outros, pais e miies Pensam em divorcio, os filhos adolescentes saem prematuramente do lar, as criangas séo educadas pela TV, e, quanto aos fetos, questiona-se se teriam o direito de nascer... Concordamos que se trata de uma descricgfo exagerada, mas nfo irreal, do processo de descentralizagio e fragmentacio, que atualmente ameaca a familia, Uma ameaga que, se assim Posso dizer, supera bastante a de misseis inimigos, pois, raramen- te na histéria, uma cultura pereceu devido a seus inimigos exter- nos: quase sempre a decadéncia comecou internamente. Aqui, porém, nfo queremos evocar Prognésticos sombrios para o futuro. Também nfo seria de utilidade para ninguém se formos analisar teoricamente a atual fragmentacio da familia, Pelo contréario, trata-se de sintetizar, na prdtica, os fragmentos isolados, 0 que significa: reunir o que deve estar unido, manter unido 0 que estd relacionado e salvar o que parece estar perdido. Quando, nos anos 40 e 50, tentou-se neste pais‘ reunir os familiares separados geograficamente pelos disturbios da guerra, nfo se podia imaginar que, nos anos 80 e 90, precisariamos de uma outra espécie de “re-unifio de familia”: nao geografica ou espacial, mas espiritual. Uma reunifio que ajudaria as pessoas, inseguras quanto as suas convicgGes bdsicas, a se encontrarem 4..NVT.: Neste pats: na Alemanha. 27