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FACULDADE NOBRE DE FEIRA DE SANTANA

BACHARELADO EM DIREITO

RICARDO CARNEIRO DE ALMEIDA NETO

AS IMPLICAÇÕES JURÍDICAS CIENTÍFICAS DO USO DA CANNABIS: UMA


ABORDAGEM NO USO MEDICINAL DOS PRINCIPIOS ATIVOS DA PLANTA

Feira de Santana

2014
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RICARDO CARNEIRO DE ALMEIDA NETO

AS IMPLICAÇÕES JURÍDICAS CIENTÍFICAS DO USO DA CANNABIS: UMA


ABORDAGEM NO USO MEDICINAL DOS PRINCIPIOS ATIVOS DA PLANTA

Trabalho apresentado como requisito parcial


para a avaliação da disciplina Trabalho de
Conclusão de Curso I (TCCI), 9º período, do
Curso de Bacharelado em Direito da
Faculdade Nobre de Feira de Santana/BA,
sob a orientação da Profa. Dra. Suani de
Almeida Vasconcelos.

Orientador: Prof.

Feira de Santana

2014
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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................04

2 TEMA......................................................................................................................07

3 PROBLEMA............................................................................................................07

4 HIPÓTESES............................................................................................................09

5 OBJETIVOS............................................................................................................10

5.1 OBJETIVO GERAL...............................................................................................10

5.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS................................................................................10

6 JUSTIFICATIVA......................................................................................................10

7 METODOLOGIA.....................................................................................................11

8 REVISÃO DE LITERATURA..................................................................................12

9 CRONOGRAMA......................................................................................................14

10 ORÇAMENTO.......................................................................................................15

11 REFERÊNCIAS.....................................................................................................15
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1 INTRODUÇÃO

A humanidade sempre utilizou drogas, pois o homem constatemente as


usou para as mais variadas finalidades. Basta citar que os chineses já usavam ópio
há milênios, assim como os árabes usavam haxixe. Os antigos egípcios já
conheciam o uso de bebidas alcoólicas, sendo provavelmente, os primeiros
produtores de cerveja.
Existem registros de que na Antiguidade, drogas originárias de plantas
eram usadas como medicação para as mais variadas doenças, como também eram
usadas em homenagem aos deuses, em rituais sagrados.
De acordo com Ferreira (1995) na Idade Média, houve repressão ao uso,
mas na Idade Moderna, sobretudo a partir do século XVI, o uso de drogas entrou em
nova fase: com a Era das Navegações, os europeus entraram em contato com
diferentes culturas (sobretudo quando colonizaram o continente americano),
entrando pela primeira vez em contato com a cocaína (usada pelos nativos do
Andes), com o tabaco (que já era usado pelas tribos indígenas da América do
Norte), com o haxixe (quando faziam comércio com os árabes) e com o ópio (no
Extremo Oriente).
Em todas as sociedades sempre existiram drogas, os homens sempre
tentaram modificar o humor, as percepções e sensações por meio de substâncias
psicoativas, com finalidades religiosas ou culturais, curativas, relaxantes ou
simplesmente prazerosas.
Antigamente, tais usos faziam parte de hábitos sociais e ajudavam a
integrar as pessoas na comunidade. Através de cerimônias, rituais e festividades.
Eles não eram perigosos, pois estavam sob o controle da coletividade.
De acordo com FERREIRA et al, (1995) hoje tais costumes são
esvaziados em conseqüências das grandes mudanças sócio-econômicas.
Características da modernidade, como a alta concentração urbana ou o poder dos
meios de comunicação, modificaram profundamente as interações sociais. Em
conseqüência do êxodo rural, da explosão de aglomerações urbanas e da
pauperização, os novos modos de convivência levaram muitas pessoas ou grupos
ao isolamento e à quase exclusão social.
Como se vive numa sociedade que prega o prazer a qualquer custo,
então é comum ocorrer o consumo de drogas, além de abuso do consumo de
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elementos como álcool, maconha e cocaína atuam no cérebro, levando ao reforço


do uso, ou seja, o indivíduo quer repetir o seu uso. Também há fatores genéticos
envolvidos: sabe-se, por exemplo, que filhos de pais alcoólatras têm mais
possibilidade de desenvolver alcoolismo que filhos de pais não alcoólatras. Então há
genes, em determinados cromossomos, que podem determinar a dependência de
drogas. Os fatores citados acima são fatores biológicos.
Além dos fatores biológicos há os fatores psicológicos, que corresponde a
indivíduos com dependência de drogas têm mais dificuldades para tolerar problemas
do cotidiano, muitas vezes recorrendo às drogas quando se sentem frustrados, e
assim por diante.
Há também os fatores sociais como por exemplo, o desemprego que
pode ter efeito prejudicial sobre o indivíduo ao procurar nas drogas algum alívio para
sua situação. Outro fator social importante é o fácil acesso às drogas.
De acordo com Schuckit (1991,p.35) “então ao definir-se a droga,
percebe-se que Droga é toda e qualquer substância, natural ou sintética que,
introduzida no organismo modifica suas funções. “
Ainda segundo Schuckit (1991) as drogas naturais são obtidas através de
determinadas plantas, de animais e de alguns minerais. Exemplo a cafeína (do
café), a nicotina (presente no tabaco), o ópio (na papoula) e o THC
tetrahidrocanabiol (da cannabis).
Mas os fatores jurídicos são os mais importantes porque a utilização da
cannabis, criminaliza o usuário ou dependente, e isto faz com que seja considerado
como traficante ou usuário dependendo da quantidade.
Dois fatores cruciais perpassam pela questão da descriminalização do uso
de drogas: economia e saúde. Em que sentido, que vertente se daria a
descriminalização do uso de drogas considerando o problemas de saúde público tão
grave em que se transmuta a droga? Considerando que o sistema de saúde pública
nacional já é tão combalido e ineficiente para as demanda atuais, em que medida
estaria o Estado equipado para dar suporte médico às conseqüências danosas que
fatalmente se farão presentes nos usuários que agora farão o livre uso de
substâncias psicoativas? Não haverá o aumento do número de viciados e
consequentemente o aumento dos gastos públicos em despesas com saúde
pública? Como seria o processo de produção e distribuição até o consumidor final,
já que do ponto de vista econômico, e sabido que tal setor movimenta bilhões de
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dólares de forma criminosa? Caso haja descriminalização, haverá naturalmente ,


liberação da distribuição para o destinatário final, e aí eis a questão: Quem será o
responsável? Será o Próprio Estado a regular o mercado “lícito” da maconha e
outros psicoativos? Será a iniciativa privada? Como se dará a tributação sobre tal
“mercadoria” e qual a destinação de tais haveres tributários? Depreende-se, pois,
não ser problema de fácil equação, face a complexidade de fatores que entrelaçam-
se no trato da questão “descriminalização do uso de drogas”.
É público e notório que, na atualidade, a industria do tráfico, com sua
faceta violenta, faz muito mais vitimas que o próprio uso ilegal e abusivo das
substancias pscotrópicas. O aparelho policial brasileiro tem dado mostras
expressivas, dia após dia, que sua política repressiva estar equivocada e ineficiente.
As ações policias, muitas vezes, ao contrario de garantir a segurança do cidadão
das ações dos traficantes ilegais de drogas, promove mesmo é a insegurnaça , e até
mesmo a morte dos mesmo cidadãos, os quais, o Estado deveria proteger.
Não é preciso grande esforço mental para entender tal assertiva, observa-
se das inúmeras reportagens, muitas vezes transmitidas ao vivo, em cadeia
nacional de rádio e televisão, das guerras ente policiais e traficantes, homiziados
nas favelas incrustadas dos íngremes morros cariocas.
Será que tal ineficiência e falta de resultadas práticos se dá por conta da
má formação dos policiais resultado da falaciosa e inexistente política de segurança
pública ou por que o trabalho policial não é recompensado complementar e
avalizadora presença da justiça pátria, que com sua ineficiência, corrupção,
nepostismo, com seus magistrados a desfrutar de “ Congressos” patrocinados aos
“milhões” por poderosos grupos financeiros da iniciativa privadas, ou ligadas ao
tráfico para fazerem com que as leis sejam mais brandas.
Enquanto isso, o enfermo que precisa usar o canabidiol para sobreviver
tem seus pais tachados como traficantes, e tudo porque eles só querem lhe dar a
oportunidade de viver e conseguir crescer num país onde o certo e o errado
convivem num mesmo parâmetro.
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2 TEMA

As implicações jurídicas científicas do uso da cannabis: Uma abordagem no uso


medicinal dos principios ativos da planta

3 PROBLEMA

Os uso medicinal da planta Cannabis Sativa é uma cultura antiga, tendo-


se comprovação do seu uso em 3750 a.C, a muito tempo vem sendo estudada,
tendo em vista que não é assunto novo, o conhecimento sobre o benefícios
presentes na planta, na popularmente conhecida como maconha, vem ganhando
uma conotação de importância no tocante aos diversos males, como tratamento de
dores crônicas, rigidez muscular e espasmos provocados pelo câncer, náuseas
provocadas por tratamentos quimioterápicos, perda de apetite provocada por Aids e
anorexia, esclerose múltipla, síndrome de Tourette, mal de Alzheimer, distrofia
muscular, fibromialgia, caquexia e esclerose lateral amiotrófica entre outros..
Recentemente a Justiça Federal, este que por sua vez, proferiu decisão
favorável ao processo de numero 24632-22.2014.4.01.3400, onde a autora do
processo, uma menina de 05 anos, portadora de uma doença rara e bastante grave,
proveniente de mutações no gene CDLKS ( Cyclen-dependent Kinase-like 5)
denominada de encefalopatia epiléptico infantil precoce, tipo 2. O caso em tela trata
de uma decisão judicial, no qual, da autorização para compra remédios a base de
cannabis, sem antes ter que solicitar a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA).
De acordo com a legislação Brasileira, qualquer remédio sem registro no
País, necessita da previa avaliação da ANVISA, órgão competente para autorizar a
importação. Este órgão proíbe a comercialização de substâncias derivadas da
maconha que está elencada no rol de drogas, tornando-se uma substancia proscrita.

O paragrafo único do artigo 1° da lei 11.343/2006 define “droga” como


sendo:

Parágrafo único. Para fins desta Lei, consideram-se como drogas as


substâncias ou os produtos capazes de causar dependência, assim
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especificados em lei ou relacionados em listas atualizadas periodicamente


pelo Poder Executivo da União (2006,p.14).

De forma que os medicamentos derivados da Cannabis são enquadrados


como droga, e estão na lista de substancias proscritas. É a ANVISA quem têm
autonomia pra fazer a regulação do que é considerado droga. Entretanto no seu
bojo, a própria Lei de Drogas n° 11.243/2006 no seu artigo 2° e paragrafo único do
respectivo paragrafo, contempla a necessidade da utilização dos derivados desta
erva:
Art. 2°. Ficam proibidas, em todo o território nacional, as drogas, bem como
o plantio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e substratos dos
quais possam ser extraídas ou produzidas drogas, ressalvada a hipótese de
autorização legal ou regulamentar, bem como o que estabelece a
Convenção de Viena, das Nações Unidas, sobre Substâncias Psicotrópicas,
de 1971, a respeito de plantas de uso estritamente ritualístico-religioso.
Parágrafo único. Pode a União autorizar o plantio, a cultura e a colheita dos
vegetais referidos no caput deste artigo, exclusivamente para fins
medicinais ou científicos, em local e prazo predeterminados, mediante
fiscalização, respeitadas as ressalvas supramencionadas.

O Conselho Regional de Medicina de São Paulo editou a Resolução nº


268/2014, autorizando a prescrição da substância canabidiol, apenas para pacientes
latentes e da infância que apresentem casos graves de epilepsias refratárias aos
tratamentos convencionais.
A Constituição Federal tem como base principal a defesa dos direitos do
cidadão. Esta que é fundada em diversos princípios, entre eles, o da Dignidade da
Pessoa Humana. Infere-se da Constituição que qualquer norma que venha a ferir a
dignidade do homem deve ser o mais breve possível extraída do mundo jurídico,
como o cunho de proteção aos princípios basilares do direito. Scarlet (2002, p. 44)
conceitua a dignidade da pessoa humana como:

[...] temos por dignidade da pessoa humana a qualidade intrínseca e


distintiva de cada ser humano que o faz merecedor do mesmo respeito e
consideração por parte do Estado e da comunidade, implicando, neste
sentido, um complexo de direitos e deveres fundamentais que
asseguram a pessoa tanto contra todo e qualquer ato de cunho
degradante e desumano, como venham a lhe garantir as condições
existenciais mínimas para uma vida saudável, além de propiciar e
promover sua participação ativa e co-responsável nos destinos da
própria existência e da vida em comunhão com os demais seres
humanos.

A Constituição Federal também garante no caput do artigo 196 o seguinte:


9

A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante


políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de
doença e de outros agravos e ao acesso universal igualitário às
ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação
(1988,p.1).

Nessa linha de intelecção, não há dúvidas de que todos têm direito a


buscar melhores condições de vida, e, para tal, deve valer-se de todos os meios
lícitos para a obtenção do melhor tratamento terapêutico. A Constituição zela pela
vida.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou o Projeto
de Lei Complementar (PLC) 37/2013 que muda a Lei Antidrogas de forma a permitir
a importação de derivados da maconha para o uso medicinal. A autorização será
dada a pacientes em tratamento de doenças graves, sujeita a prescrição médica e
autorização da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária. A proposta, que já foi
aprovada na Câmara dos Deputados, passará ainda pelas comissões de Educação,
Cultura e Esporte; Assuntos Econômicos; Assuntos Sociais e Direitos Humanos.
Trata-se de assunto que enseja diversas pesquisas voltadas para a
saúde, entretanto existem comprovações contundentes de eficácia no tratamento
terapêutico, entretanto medicamentos derivados da Cannabis são proscritos, não
seria viável a normatização dos mesmos, visto que o Estado é um garantidor da
saúde pública.
Portanto questiona-se qual a criminilização do uso da cannabis para fins
medicinais? Considera-se a pessoa em tratamento médico com a autilização dos
princpios farmacológicos desta planta uma criminosa?

4 HIPÓTESE

4.1 Seria viável a utilização da cannabis e substâncias derivativas para o tratamento


médico de enfermidades e cujos principios da erva seria indicados.
4.2Não seria viável a utilização da cannabis em virtude de existir uma lei que proíbe
a utilização para qualquer finalidade desta planta.
4.3 A Carta Magna do Brasil tutela em prol de uma vida mais digna e justa, trás no
seu capt e art 196 as devidas referências aos bens tidos como mais valiosos, a vida
é o bem maior, e por existir patologias que só respondem significativamente ao
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tratamento com derivados de Cannabis, a proibição se torna uma total antinomia do


Direito, foge aos princípios basilares da Constituição, sendo assim, a normatização
pra o uso terapêutico, é imprecidivel para propiciar ao paciente um tramento mais
justo e igualitario.
4.4 Com advento da lei nº 11.313/2006, ampliou o conceito de crimes de menor
potencial ofensivo incluindo nesta seara o porte de substancia pscotrópica para fins
de uso. O usuário e/ou dependente passa agora a ter um tratamento diferenciado do
ponto de vista da não penalização de sua conduta. O Direito Penal não mais incidirá
sobre tais circunstancias com o mero propósito punitivo . A posse da droga para uso
pessoal deixa de ser crime, o que não quer dizer que a conduta deixe de ser crime,
apenas não será apenada. Portanto não houve a legalização como muitos estão a
pensar de forma errônea. Descriminalizar , portanto, significa, retirar de algumas
condutas a condição de criminosas, reduzindo então a esfera de atuação do Direito
Penal.

5 OBJETIVOS

5.1 OBJETIVO GERAL


apresentar um estudo de revisão bibliográfica acerca das implicações jurídicas
científicas do uso da cannabis: uma abordagem no uso medicinal dos principios
ativos da planta
5.2 OBJETIVOS ESPECIFICOS
a) Analisar os princípios jurídicos que são usados para justificar a
utilização da cannabis para fins medicinais.
b) Discutir os dogmas jurídicos sobre a utilização da cannabis para fins
médicos.
c) Analisar os aspectos criminais da utilização da cannabis.

6 JUSTIFICATIVA

A relevância pessoal, é de que o interesse pelo tema deve-se em parte a


mídia apresentar o caso da menina que apresentava uma média de 500 ou mais
convulsões por dias e quando foi tratada com os principios ativos da cannabis
melhorou sensivelmente, então quis ver como funciona na prática e na definição
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jurídica a utilização desta planta para fins científicos e medicinais, deste modo este
estudo fará uma análise da jurisprudência existente para contextualizar este tema
tão importante para a sociedade e para as pessoas que precisarem usar recursos
jurídicos para preservarem a vida
A relevância social é o de mostrar que a Medicina tem avançado muito
nestes anos, e que a cannabis poderá daqui a algum tempo ser usada sem restrição
e sem aumentar a indústria do tráfico de drogas e entorpecentes e não virar um caso
de polícia, pois própria Constituição Federal que é a base de todos os direitos
asssegurados as pessoas discutem que a preservação e manutenção da vuida deve
ser mantida, então enseja-se que a Constituição também assegure a autilização da
cannabis para preservação destas vidas.
A relevância jurídica deste estudo é o de demonstrar que mesmo a lei
brasileira estando contra a utilização dos princpios da cannabis para tratamento
médico, existe outros aspectos mais relevantes do que a criminalização de quem
faz uso ou importa o produto, porque o mais importante é preservar a vida humana,
sob auspícios de qualquer produto. Neste caso, serão usados os princpios
constitucionais que assegura a pessoa humano o direito a vida e a saúde, discutindo
nesta temática a utilização dos princpios ativos do canabidiol para fins mediciniais.

7 METODOLOGIA

A metodologia escolhida para essa pesquisa, segundo as bases lógicas


de investigação, é hipotético-dedutiva, através de um procedimento intelectivo,
partindo de uma análise geral para o particular,uma vez que foi estabelecida
hipóteses sobre o tema pesquisado. Sendo imperativo assim, uma verificação mais
penetrante sobre o caso em questão, para ao término da pesquisa confirmar ou não
as hipóteses, bem como categorizar e decorrer aos esclarecimentos e elucidações
relacionados ao objeto de estudo pesquisado.
Quanto a natureza do problema, dar-se-á na vertente qualitativa, pois
apresenta a complexidade do assunto versado, a política da utilização da cannabis
para fins medicinais, permitindo a compreensão e características do tema abordado,
possibilitando em maior nível de profundidade, o entendimento das particularidades
do comportamento dos indivíduos locais. Tal estudo apresentar-se-á em forma
12

descritiva, com enfoque na compreensão e na interpretação à luz de referências


afins da literatura.
No tocante ao objetivo geral deste trabalho, o tipo de pesquisa
acompanhará as bases exploratórias, tendo como finalidade apresentar uma maior
proximidade com o tema, que se caracterizará por um procedimento de estudo do
caso da menina que usa a cannabis para evitar crises convulsivas e seus
desdobramentos, envolvendo auxílio teórico, a partir do procedimento técnico estudo
de caso, tendo como principal fonte a jurisprudência existente, de maneira que
permita seu amplo e detalhado conhecimento e compreensão acerca do tema em
questão.

8 REVISÃO DE LITERATURA

Para a composição do presente projeto de monografia, será empregada


como apoio principal as normas principiológicas, que servem como fonte para a
constituição e regulação de todo ordenamento legal. Tal projeto propõe a realização
de um estudo do caso da menina que usa cannabis para controlar suas crises
convulsivas, fazendo-se necessária a execução de uma abordagem acerca da
jurisprudência e da criminalização que a sua família é tratada, pois a mesma é uma
criança, menor idade e portanto não pode responder juridicamente sobre estes fatos.
Destarte, será fundamental a apreciação e análise de distintas doutrinas que
compreendem o problema sugerido no atual trabalho de pesquisa.
Os preceitos basilares acerca do tema são apresentados inicialmente pela
doutrina constitucionalista, pois o tema em estudo trata também da dignidade da
pessoa humana que é um dos princípios fundamentais da Constituição da
República Federativa do Brasil (1988), que enfoca os princípios para assegurar a
vida humana.
Para fundamentar este estudo, Luiz Flávio Gomes em seu livro Lei de
drogas comentada artigo por artigo: Lei 11.343 de 23.08.2006 (2008), enfoca que
o art. 28 da Lei 11.343/06 causou ao revogar o art. 16 da Lei 6368/76, foi a
descriminalização formal, porém, sem a legalização” do porte de droga para
consumo pessoal. Ou seja, apesar de não mais prever a pena de reclusão para
aquele que possui a droga com o intuito de consumi-la, o legislador objetivou manter
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tal conduta como crime, não a tornando legal. Contudo, essa visão criminalizadora
de uma conduta insignificante e inofensiva mostra a visão equivocada do Estado
brasileiro com relação à política de drogas. Ao invés de trabalhar políticas públicas
no âmbito da educação e da saúde voltadas para a conscientização e
desintoxicação do usuário, se preferiu manter a previsão do consumo de drogas
como sendo crime.
Opinião compartilhada por Salo de carvlaho, em seu livro, A política
criminal de drogas no Brasil: estudo criminológico e dogmático (2010), sobre o
tratamento dado pelo Estado brasileiro à questão das drogas é extremamente
equivocado em diversos pontos, é na diferenciação social entre o usuário e o
traficante que reside o maior erro da política brasileira de combate às drogas.
Neste caso, Luiz Flávio Gomes; Alice Bianchini;Rogério Sanches Cunha;
William Terra de Oliveira no livro Nova Lei de drogas comentada artigo por artigo
(2006) disserta que a posse de drogas para consumo próprio está classificada
dentro dos chamados delitos de posse (delitos de posesión) categoria muito peculiar
do Direito Penal. Assim, as condutas desta natureza demandam, para fins de
consumação do delito, a constatação da idoneidade ofensiva (periculosidade) do
próprio objeto material da conduta. Noutras palavras, se a droga apreendida não
reúne capacidade ofensiva alguma, em razão da ínfima quantidade apresentada,
não há que se falar em infração.
Embora Rodrigo Silveira da Rosa em seu artigo: O novo entendimento
dado aos usuários de drogas ilícitas: doente ou delinquente? aborde que o
crime de tráfico ilícito de drogas não deixa de ser, na essência, um delito hediondo,
pois o legislador constituinte, ao redigir o art. 5º, XLIII, da Carta Magna, atribuiu
tratamento mais rigoroso a determinadas infrações penais, consideradas muito
graves, dentre estas, o tráfico de drogas. No tocante ao tráfico de drogas (artigo
33), a nova lei conferiu tratamento mais rigoroso ao traficante, ocorrendo uma
novatio legis in pejus, de maneira que a lei incide apenas nas situações novas.
Opinião de Luís Roberto Barroso, no livro: A Constituição de 1988 e a
reconstrução democrática do Brasil. VIII Simpósio Nacional de Direito
Constitucional (2008), que devido a impossibilidade de decisões judiciais que
defiram a litigantes individuais a concessão de medicamentos não constantes das
listas não impede que as próprias listas sejam discutidas judicialmente. O Judiciário
poderá vir a rever a lista elaborada por determinado ente federativo para, verificando
14

grave desvio na avaliação dos Poderes Públicos, determinar a inclusão de


determinado medicamento. O que se propõe, entretanto, é que essa revisão seja
feita apenas no âmbito de ações coletivas (para defesa de direitos difusos ou
coletivos e cuja decisão produz efeitos erga omnes no limite territorial da jurisdição
de seu prolator) ou mesmo por meio de ações abstratas de controle de
constitucionalidade, nas quais se venha a discutir a validade de alocações
orçamentárias.
9 CRONOGRAMA

AGOSTO SETEMBRO OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO


MESES /
ATIVIDADE 1ª 2ª 1ª 2ª 1ª 2ª 1ª 2ª 1ª 2ª

Leitura do
Material x
Bibliográfico

Fichamento do
x
Material Teórico

Escrita
Monográfica:
X X x
Fundamentação
Teórica

Escrita
Monográfica:
X x
Análise dos
Conteúdos

Revisão do Texto x

Entrega da
x
Monografia

Defesa da
x
Monografia
15

10 ORÇAMENTO

PRODUTO QUATIDADE VLR. UNIT. VLR. TOTAL

Livro

Livro

Cartucho

Papel A4

Xerox

TOTAL GASTO

11 REFERÊNCIAS

BRASIL. Constituição Federal de 1988. 2. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado,


2002.

BARROSO, Luís Roberto. A Constituição de 1988 e a reconstrução democrática


do Brasil. VIII Simpósio Nacional de Direito Constitucional. Academia Brasileira
de Direito Constitucional. Curitiba, 2008.

_______. O controle de constitucionalidade no direito brasileiro. 4ª ed. São


Paulo: Saraiva, 2009.

CAMPOS, Lorena Souza. Garantismo penal aplicado à lei de drogas: A


materialização dos princípios da insignificância e lesividade no Estado
Constitucional. Disponível em: Acesso em: 12 nov.2014.
CARVALHO, Salo de. A política criminal de drogas no Brasil: estudo
criminológico e dogmático. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010.

CIARLINI, Álvaro Luís de Araújo S. Fundamentos de Teoria da Constituição e


Praxis Jurisdicional. Brasília : IDP, 2013.

FERREIRA, M.P.; LEITE, M.C.; HOCHGRAF, P.B.; ZILBERMAN, M.L.


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GOMES, Luiz Flávio. Drogas, Descriminalização e Princípio da Insignificância.


Disponível em . Acesso em: 12 nov.2014.
16

GOMES, Luiz Flávio. Lei de drogas comentada artigo por artigo: Lei 11.343 de
23.08.2006. 3 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008.

GOMES, Luiz Flávio; BIANCHINI, Alice; CUNHA, Rogério Sanches; OLIVEIRA,


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Revista dos Tribunais, 2006.

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na Constituição Federal de 1988. 5. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2007.

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