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APOSTILA DE PROVAS
OPERATÓRIAS DE
A
V JEAN PIAGET
P

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Z B K
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J
A
B E

Rio de Janeiro, Brasil, 2015.


Viviane Almeida
Contatos: 55 (21) 98266-3429
vivialmeid@hotmail.com
www.facebook.com/psicopedagogavivianealmeida

Apostila de Provas de diagnóstico operatório de Piaget – Viviane Almeida


1
PROVAS DE DIAGNÓSTICO OPERATÓRIO DE PIAGET

As provas de diagnóstico operatório de Piaget foram criadas para avaliar o nível


cognitivo em que a criança se encontra. A partir de estudos e da elaboração dos estágios de
pensamento e construção da inteligência, Piaget, verificou que cada fase da vida da criança,
representa um nível cognitivo de construção de conhecimentos. E as provas de diagnóstico
operatório servem para avaliar se a criança encontra-se no nível esperado para sua idade
cronológica, ou se há algum déficit em relação à idade e o nível cognitivo.
Para Piaget, a criança só está pronta para aprender determinada coisa se o seu nível
cognitivo, ou seja, de compreensão esteja preparado para entender e se apropriar desse objeto
que no caso seria o conhecimento. Se sua estrutura mental e cognitiva ainda não se encontra
madura para reter e entender determinada informação, certamente haverá o que costumamos
chamar de problemas de aprendizagem.
Antes de falarmos das provas operatórias em si, como um dos instrumentos de avaliação
do nível cognitivo em que a criança se encontra. Devemos falar um pouco de Piaget e sua
pesquisa sobre os estágios de desenvolvimento infantil.
Piaget é o criador da teoria da Epistemologia Genética, aonde é estudado o
desenvolvimento da criança. Foi através vários estudos e de observações sobre seus próprios
filhos que Piaget chegou a esta teoria.
ADION, fala que Piaget, após desinteresse em outra pesquisa sobre crianças, “decidiu
começar um método de conversas abertas com crianças, tentando compreender como
ocorriam seus pensamentos”. Sua ideia não era apenas observar as crianças que respondiam
corretamente, mas observar as respostas e como estas crianças chegavam às mesmas. Foi
assim que surgiu o método clínico de Piaget. (Andion, 2010)
ANDION, afirma que:
“O método clínico de Piaget, é, portanto, um procedimento para investigar
como os sujeitos pensam, percebem, agem e sentem, que procura descobrir
o que não é evidente no que os sujeitos fazem ou dizem, investiga o que está
por trás da aparência de seu comportamento, seja em ações ou palavras.”
(ANDION, p.78, 2010).
Para Piaget, o desenvolvimento mental ocorre em um processo de sucessivas
equilibrações. Sendo um processo contínuo, por diversos estágios. Segundo Piaget, os
estágios evolutivos de construção da inteligência (cognição), são separados em: período
sensório-motor (do nascimento aos 2 anos), período pré-operatório (de dois a seis ou sete
anos), operatório concreto (de 7 a 11 ou 12 anos) e operatório formal (de 11 ou 12 anos em
diante).
Piaget acredita que cada estágio é constituído de novas estruturas mentais, cognitivas,
estruturais etc. Uma evolução contínua, aonde o indivíduo começa a se estruturar através de
relações afetivas, sociais e cognitivas, podendo assim, passar para o próximo estágio. Sendo
que a cada estágio evoluído são incorporadas as estruturas adquiridas no estágio anterior.
Estas trocas de estágio podem ser vistas como uma sucessiva forma de equilibrar-se e
desequilibrar-se quando falamos em processo de aprendizagem.
Quando uma criança apresenta dificuldades de aprendizagem, podem existir vários
fatores, sociais, psicológicos, familiares, estruturais, entre eles há também a possibilidade de
um atraso do nível cognitivo em relação à idade cronológica e nível operatório em que a
criança deveria estar. Pode-se dizer também, que ela não está conseguindo acompanhar a série
que deveria estar na escola.

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Em contrapartida, utilizando o pensamento de Jorge Visca, Weiss diz que não é possível
ter apenas uma visão psicométrica ou quantitativa no uso das provas operatórias, utilizando
cada resultado como uma escala. É necessário e imperativo que as estruturas de pensamento
sejam analisadas em uma visão genética global, sendo o avaliado, visto não como apenas um
teste, feito com números ou coisas, mas um indivíduo geneticamente, psicologicamente,
socialmente e estruturalmente diferente de outro ser.
SAMPAIO, também cita VISCA: “A aplicação das provas operatórias tem como
objetivo determinar o nível de pensamento do sujeito realizando uma análise quantitativa, e
reconhecer as diferenças funcionais realizando um estudo predominantemente qualitativo”.
(VISCA, 1995, apud SAMPAIO, 2010).
As provas diagnósticas operatórias de Piaget trabalham com o raciocínio lógico, servem
para avaliar o nível cognitivo da criança, saber como estão as funções lógicas da criança, e
identificar alguma defasagem em relação à idade cronológica.
Porém, não se deve levar em consideração se a criança não conseguir efetuar algumas
das provas. Ela deve ser avaliada por um todo. Se a criança não apresenta o nível em que
deveria estar em todas as provas, podemos considerar algum tipo de atraso cognitivo.
Mas nem sempre estas provas são sinal de atraso cognitivo, precisamos observar
também o meio em que a criança vive, se é estimulada pela família e pela escola, se no dia da,
avaliação ocorreu algum evento que possa ter afetado a criança (morte de algum parente,
separação, algum tipo de perda etc). Durante todo o processo de avaliação, é possível
identificar algum tipo de atraso cognitivo, por isso a importância de vários testes, incluindo as
provas operatórias. Enfim, a prova operatória, é um instrumento de apoio ao diagnóstico
psicopedagógico, mas não deverá ser o único instrumento de avaliação, nem poderá ser feito o
diagnóstico somente em cima dessas provas.
Um ponto de extrema importância é que todo o comportamento, desenvolvimento, falas,
respostas e atitudes durantes as provas, sejam anotados para que haja fidelidade nos
resultados.
Outro fator a ser observado, segundo VISCA, citado por SAMPAIO é a importância do
psicopedagogo em saber como aplicar as provas para que esteja seguro em relação as
perguntas. Pois qualquer tipo de alteração na pergunta pode contaminar o resultado dos testes.
Por isso, SAMPAIO orienta aos psicopedagogos iniciantes a criarem um questionário padrão
para ser utilizado durante as provas, até que se sinta seguro na aplicação das mesmas.
SAMPAIO também fala que sejam evitadas a aplicação de várias provas de conservação
em apenas uma sessão. O melhor seria se fossem alternadas as provas de classificação,
seriação e conservação.
Esta apostila foi feita a partir da síntese dos livros: Psicopedagogia Clínica – Uma
Visão Diagnóstica dos Problemas de Aprendizagem Escolar. De Maria Lúcia Lemme Weiss
e Manual Prático do Diagnóstico Clínico. De Simaia Sampaio. Visa apenas demonstrar
como as provas devem ser feitas, sem se aprofundar no conhecimento do tema (diagnóstico
operatório). Recomendo para o mesmo, que sejam estudadas as obras de Jean Piaget, Jorge
Visca, Maria Lucia Lemme Weiss, Simaia Sampaio entre outros.
Abaixo apresentamos um quadro elaborado pela autora Simaia Sampaio para manter um
padrão durante as provas.

Apostila de Provas de diagnóstico operatório de Piaget – Viviane Almeida


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QUADRO DE RESUMO DAS PROVAS OPERATÓRIAS BASEADO EM UMA
PROPOSTA DE VISCA

Procedimentos e 1ª 2ª 3ª Nível Argumentos


resultados modif. modif. modif. utilizados /
Provas operação C NC C NC C NC 1, 2
Operatório concreto Observações
ou 3
Conservação de Peq. Conj.
Discreto
Conservação de matéria
Conservação de líquido
Conservação de
comprimento
Conservação de superfície
Conservação de peso
Conservação de volume
Demais provas operatório Descrever resultados:
concreto
Seriação
Dicotomia
Inclusão de Classes
Intersecção de classes
Unidimensional
Bidimensional
Provas de pensamento
formal:
Combinação de fichas
Permutação de fichas
Predição
Tridimensional

C – Conserva NC – Não Conserva

• Tabela elaborada por Simaia Sampaio – Psicopedagoga

PROVAS DE DIAGNÓSTICO OPERATÓRIO DE PIAGET

Apostila de Provas de diagnóstico operatório de Piaget – Viviane Almeida


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Conservação de Pequenos Conjuntos Discretos de Elementos

Materiais:
Dez fichas da mesma forma e tamanho, azuis e dez fichas da mesma forma e tamanho,
vermelhas (pode ser qualquer outra cor, diferente das outras dez);

Desenvolvimento:
Pedir que a criança observe o material disposto na mesa e ver se ela consegue identificar o
material.
1° Passo: Colocar as fichas na mesa e pedir que a criança escolha uma cor. Dar as fichas da
cor escolhida para a criança e alinhar as fichas da outra cor na mesa.
Pedir para que a criança coloque as fichas que ela recebeu alinhadas e numericamente iguais
as suas.
Ex: “Coloque a mesma quantidade das suas fichas... o mesmo número... quantidade igual,
nem mais nem menos”.
Pergunte a criança se ela tem a mesma quantidade de fichas que você? Pergunte por que ela
acha isso.

2ª Passo: Espace ou aproxime as fichas de sua coleção sempre mantendo a outra carreira de
fichas que fica mais curta ou mais comprida:
Pergunta-se:
“Você acha que tem a mesma coisa... o mesmo número, de minhas e suas (de azuis e
vermelhas) ou não? Onde tem mais? Onde tem menos? Como você sabe?”

Contra-argumentação: Provoque uma reação de criança afirmando o contrário de sua resposta


inicial. Se conservar a resposta, diga: “Veja, esta linha está mais comprida, terá mais fichas?”.
Se não conservar: “Você se lembra, antes as duas fileiras tinham a mesma quantidade. O que
você acha agora?”.

Retorno empírico: retorne as fichas na posição inicial e pergunte o que ela acha que aconteceu
agora. Quem tem mais fichas? E por quê?
Pergunta de quantidade: “Conte as vermelhas que sobraram com você”, ao mesmo tempo em
que esconde as próprias na mão. “Quantas eu tenho na minha mão? Responda sem contar.
Como você sabe?”

3ª Passo: Depois de reunir todas as fichas, o examinador coloca seis fichas azuis em círculo,
procedendo daí em diante como nas situações anteriores e fazendo o mesmo tipo de pergunta.

Procedimentos avaliativos:
Nível 1- Não conservativo (até aproximadamente 4 ou 5 anos):
Responde bem ou não à pergunta de retorno empírico. Não responde corretamente à pergunta
de quantidade. Não conserva em nenhuma das modificações.
Nível 2 – Intermediário:

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Mantém igualdade inicial durante as modificações e contra-argumentação. Responde
corretamente ao retorno empírico. Pode apresentar dúvidas em alguns momentos, em relação
à conservação, pode conservar ou não.
Nível 3 - Conservativo (a partir de aproximadamente 5 anos):
A criança usa um ou mais argumentos (identidade, reversibilidade e compensação). Responde
corretamente à pergunta de quantidade. Conserva sempre (a partir de 5 anos)
* Identidade: “Tem a mesma coisa, você não tirou nem botou nada... você só apertou...
você só afastou”.
* Reversibilidade: “Se você botou as vermelhas do jeito do azul fica igual... se você
encolher ou esticar de novo os azuis vai ficar igual de novamente”.
* Compensação: “Você fez mais comprido, mas as fichas estão mais longes umas das
outras (ou estão mais perto)”.

Conservação de Quantidades de Líquido

Materiais:
Dois vidros iguais (A1 e A2);
Um vidro mais estreito e mais alto (vidro B);
Um vidro mais largo e mais baixo (vidro C);
Quatro vidrinhos iguais correspondentes a aproximadamente ¼ do volume de A (D1, D2, D3,
D4);
Uma garrafa com água colorida.

A1 A2 B C D1 D2 D3 D4

Desenvolvimento:
1° Passo: Coloque os copos sobre a mesa e pede-se para a criança que diga algo sobre o que
ela vê. Pergunta-se se A1, A2 são iguais. Despeje água em A1 e peça à criança que despeje a
mesma quantidade de água em A2: “A mesma coisa, nem mais, nem menos...”. A seguir:
“Caso eu beba o que está em A1 e você em A2, vamos beber a mesma quantidade?
Beberemos a mesma coisa?”

2°Passo: Primeira mudança. Despeje o líquido de A1 no vidro B. “E agora? Vamos beber a


mesma quantidade? Um tem mais do que o outro? Um tem menos do que o outro? Peça uma
explicação: Como é que você sabe? Como descobriu? Pode me mostrar?”

Contra-argumentação – Provoque a criança afirmando o contrário da sua resposta. Se houver


a conservação, chamar atenção para o nível do líquido nos dois vidros: “Aqui B é mais alto...
não fica mais para beber? Uma criança disse que tinha mais no B porque é mais alto, o que
você acha?” Se não houver a conservação, relembre a igualdade inicial dos níveis: “Você
lembra que antes A1 e A2 estavam iguais?

Retorno Empírico – “Se eu puser o que está em B, de volta no A1, Vamos ter a mesma coisa
para beber?” Se a criança não acertar, faça o retorno empírico, igualando A1 e A2.

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3° Passo: Segunda mudança – Despeje a água de A1 em C e proceda como no primeiro
transvasamento em relação à contra-argumentação e ao retorno empírico.

4°Passo: Terceira mudança – Despeje o líquido de A1 nos quatro vidrinhos D1, D2, D3 e D4,
proceda como nos transvasamentos anteriores em relação à contra-argumentação e ao retorno
empírico.

Procedimentos avaliativos:
Nível 1 - Não conservativo (até aproximadamente 5 ou 6 anos):
Consegue estabelecer a igualdade inicial. Não conserva em nenhuma das modificações. A
partir da contra-argumentação, mantém a resposta ou troca para outro vidro. O retorno
empírico pode ser resolvido corretamente ou não.
Nível 2 – Intermediário: oscilação entre conservação e não conservação:
Consegue estabelecer a igualdade inicial. Ora conserva, ora não conserva: “Tem mais para
beber nesse..., não, no outro..., não, é a mesma coisa”. O retorno empírico é resolvido
corretamente.
Nível 3 – Conservativo (a partir de aproximadamente 7 anos):
As quantidades de líquidos são sempre consideradas iguais. É capaz de dar uma ou mais
justificativas (identidade, reversibilidade e compensação): “E é mais alto, porém é mais fino”.
A conservação é mantida apesar das contra-argumentações.

Conservação de Quantidade de Matéria

Material:
Duas bolas de massa plástica de cores diferentes (aproximadamente 4 cm de diâmetro).

Desenvolvimento:
Peça a criança para fazer duas bolas que tenham a mesma quantidade. Como dois docinhos de
festa.

1ª Transformação – Transforma-se uma das bolas em uma salsicha. “Será que agora tem a
mesma quantidade de massa no docinho e na salsicha ou tem mais no docinho ou mais na
salsicha? Como você sabe? Você pode me explicar? Você pode me mostrar isso?”.

Contra-argumentação – Provoque a reação da criança, afirmando sempre o contrário do que


ela respondeu. Caso conserve, diga: “Veja a salsicha é mais comprida que a bola, será que não
tem mais massa?”
Caso não conserve, diga: “Você se lembra, antes as duas bolas tinham a mesma quantidade. O
que você acha agora?”

Retorno Empírico – Perguntar a criança “Se dessa salsicha eu refaço o docinho, será que vai
ter a mesma quantidade, ou não?”. Se a criança não resolver esse problema de “retorno
empírico”, igualam-se novamente as bolas até que ela as julgue com quantidades iguais.

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2ª Transformação – Transforma-se a mesma bola em uma pizza e procede-se como na
primeira transformação quanto à contra-argumentação, terminando sempre pela questão de
retorno empírico.

3ª Transformação – Dividir a bola inicial em quatro bolinhas menores, procedendo como nas
outras transformações.

Procedimentos avaliativos:
Nível 1 - Não conservativo (até aproximadamente 5-6 anos):
Não conserva nenhuma das modificações. Ante as contra-argumentações a criança não
mantém a opinião, ora conserva, ora não conserva. O retorno empírico pode ser respondido
corretamente ou não.
Nível 2 – Intermediário:
Estabelece igualdade inicial. Respondendo corretamente ao retorno empírico. Os julgamentos
oscilam entre conservação e não conservação.
Nível 3 – Conservativo (aproximadamente a partir de 7 anos)
Conserva em todas as transformações. A criança é capaz de dar um ou mais argumentos – de
identidade: “É a mesma coisa”; Compensação: “Aqui a pizza é maior, mas é mais fina que o
docinho, então, é a mesma coisa”. A criança mantém o julgamento de conservação, apesar da
contra-argumentação do examinador.

Conservação do comprimento

Material:
Uma corrente ou barbante com aproximadamente 15 cm de comprimento (A).
Uma corrente o barbante com aproximadamente 10 cm de comprimento (B).
Dois carrinhos pequenos.

Desenvolvimento:
Pedir para a criança que diga se A é maior que B. Aguardar a confirmação.
Brincar com a criança dizendo que seriam como duas estradas, assim: “Nesta estrada (A) a
gente tem que andar a mesma coisa que nesta (B) ou tem que andar mais? Este caminho (A) é
do mesmo comprimento do que este (B), mais comprido ou menos comprido que (B)?”.

1ª Transformação – Deforma-se o fio maior (A) fazendo que fique do tamanho do fio B.
“Estes carrinhos, um em cada estrada, será que os dois vão andar a mesma coisa, o
comprimento da estrada será o mesmo?”.

Proceder como nas provas anteriores quanto à contra-argumentação e ao retorno empírico.

2ª Transformação – Faça curvas no fio A, de modo que fique uma diferença entre uma das
extremidades dos dois fios (B). Faz-se como na 1ª transformação uma comparação dos

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comprimentos A e B. Proceder como na transformação anterior, a contra-argumentação e o
retorno empírico.

Procedimentos Avaliativos:
Nível 1 - Não conservativo (até aproximadamente 6-7 anos):
Estabelece igualdade inicial. Responde bem ou não ao retorno empírico. Não conserva nas
transformações.
Nível 2 – Intermediário:
Estabelece igualdade inicial. Responde bem ao retorno empírico. Ora conserva, ora não
conserva nas transformações.
Nível 3 – Conservativo (aproximadamente a partir de 7 anos):
É capaz de dar um ou vários argumentos (identidade, reversibilidade e compensação),
mantendo o seu julgamento apesar da contra-argumentação. Conserva em todas as
transformações.

Conservação de peso

Material:
Duas bolas de massinha, uma de cada cor;
Uma balança com dois pratos.

Desenvolvimento:
Verifique se a criança conhece as relações de peso indicadas pela balança, usando objetos
diversos (pedra, apontador, bolas de massa, etc.). Peça que a criança faça duas bolas que
tenham o mesmo peso, para isso usando a balança.

1ª Transformação – Transforme uma das bolas em salsicha e finja que irá pesa-las, falando:
“Você acha que a salsicha pesa a mesma coisa que a bola ou será que uma pesa mais que a
outra? Como é que você sabe?”.
Retorno Empírico – Volte as duas bolas ao mesmo formato e pergunte à criança se continua
a mesma quantidade ou não.

2ª Transformação - Transforme a mesma bola em uma mini pizza e faça como na primeira
transformação, quanto à contra-argumentação e ao retorno empírico.
3ª Transformação – Divida a mesma bola em oito a dez pedaços e faça como nas outras
transformações, em relação a contra-argumentação e o retorno empírico.

Procedimentos avaliativos:
Nível 1 - Não conservativo (até aproximadamente 6-7 anos):
Consegue estabelecer igualdade inicial, porém, pode ou não responder corretamente ao
retorno empírico e nas contra-argumentações. Não conserva.
Nível 2 – Intermediário:
Às vezes conserva, às vezes não. Estabelece igualdade inicial. Consegue responder
corretamente ao retorno empírico.
Nível 3 – Conservativo (aproximadamente a partir de 7 anos):
Conserva em todas as modificações. É capaz de dar um ou vários argumentos (identidade,
reversibilidade e compensação).

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Conservação do volume

Material: Dois vidrinhos iguais com água no mesmo nível, cerca de 2/4.
Duas bolas de massinha de modelar com mesmo tamanho e peso.

Desenvolvimento:
Leve a criança a constatar a igualdade no nível da água nos dois vidrinhos. Peça que o sujeito
faça duas bolas iguais. “Com a mesma quantidade...”; “Como você pode fazer que fiquem
com a mesma quantidade?”.
Perguntar: “Se eu puser esta bola dentro do vidrinho, o que acontecerá com a água que está aí
dentro?”. “Porque você acha isso?”.
“E se eu puser esta outra bolinha no outro vidrinho será que a água vai subir o mesmo que
neste? Subirá mais ou menos?”.
Faça a comprovação empírica, apenas quando for absolutamente necessário para que a criança
compreenda.
1ª Transformação – Transforme a segunda bola em salsicha e Pergunte: “Se eu colocar neste
copo, a água subirá a mesma coisa? Subirá mais ou menos que no copo que está a bola?”.

Contra-argumentação – Provoque uma reação afirmando sempre o contrário da resposta do


sujeito.

Retorno Empírico – Proceda como nas provas anteriores.

2ª Transformação – Transforme a bola numa mini-pizza e aja do mesmo modo que na


primeira transformação, até o retorno empírico.
3ª Transformação – Corte a pizza em oito ou dez pedacinhos e finja que irá colocar todos no
segundo copinho, faça como nas outras transformações, até o retorno empírico.

Procedimentos avaliativos:
Nível 1 - Não conservativo (até aproximadamente 8-9 anos):
Estabelece igualdade inicial, porém, não conserva em nenhuma modificação. Pode ou não
acertar o retorno empírico.
Nível 2 – Intermediário:
Estabelece igualdade inicial, porém varia entre a conservação e a não conservação nas
modificações e contra-argumentações. Acerta a pergunta de retorno empírico.
Nível 3 – Conservativo (aproximadamente a partir de 11-12 anos):
Conserva em todas as transformações e contra-argumentações. Utiliza mais de um argumento
(identidade, reversibilidade e compensação).

Mudança de Critério (Dicotomia)

Material:
Cinco círculos de 25mm de diâmetro (pequenos) vermelhos e cinco azuis;
Cinco círculos de 50mm de diâmetro (grandes) vermelhos e cinco azuis;
Cinco quadrados de 25mm de lado (grandes) vermelhos e cinco azuis;
Um papelão (tampa de caixa) dividido em duas partes ou duas caixas baixas iguais.

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Desenvolvimento:
Coloque as fichas em desordem sobre a mesa e peça a criança descreva o material.
Classificação espontânea: “Você pode juntar todas as fichas que combinam”, “Ponha junte as
que são iguais...”, “Junte as que têm alguma coisa igual...”, “Junte as que têm alguma coisa
igual... as que se parecem muito”. Após a criança terminar: “Você pode me explicar por que
colocou assim?”.
Dicotomia: “Agora gostaria que você fizesse apenas dois grupos, em montinhos e os
colocasse nessas duas caixas”. Após o término: “Por que você colocou todas essas fichas
juntas? E aquelas? Como a gente poderia chamar esse monte aqui? E aquele outro?”.

1ª Mudança de critério: “Você pode arrumar de uma forma diferente da anterior, dois grupos
(montes), as fichas que se parecem?”. Se a criança repetir o primeiro critério: “Você já
separou desse modo. Você pode descobrir uma outra forma (critério) de separar em dois
grupos?”. Se for preciso, inicie uma nova classificação e peça à criança para continuar. Faça
as mesmas perguntas após o término: “Por que você colocou todas essas fichas juntas? E
aquelas? Como a gente poderia chamar esse monte aqui? E aquele outro?”.

2ª Segunda mudança de critério: “Será que você ainda poderia separar de outra maneira
diferente fazendo dois grupos novos?”. Faça como nas últimas mudanças

Procedimentos avaliativos:
Nível 1 - Coleções figurais (desde 4-5 anos):
A criança arruma as fichas, estruturando figuras de trens, casas, bonecos etc. Podem também
arrumar as fichas que tenham alguma semelhança, Pode conseguir classificar por critério de
coleções não figurais.
Nível 2 - Início de classificação (aproximadamente 5-6 anos):
A criança consegue fazer pequenos grupos não-figurais, seguindo diferentes critérios, mas são
coleções justapostas, sem ligação entre si: “É o monte das bolas vermelhas grandes, das bolas
pequenas vermelhas, dos quadrinhos vermelhos” etc. Em um nível maior a criança pode
conseguir um começo de reagrupamento dos subgrupos em classes gerais, sem conseguir uma
antecipação de critérios.
Nível 3 - Dicotomia segundo os 3 critérios:
A criança inicia a tarefa já antecipando as possibilidades, consegue fazer e recapitular
corretamente duas dicotomias sucessivas, seguindo dois critérios, o terceiro critério, sendo
apenas descoberto como incitação do examinador. Num desenvolvimento maior, os três
critérios são antecipados e utilizados espontaneamente.

Inclusão de Classes

Material:
Dez margaridas;
Três rosas.
O material pode variar: Flores, frutas, animais, carrinhos etc.

Desenvolvimento:
Veja se a criança conhece o nome das flores e se conhece o termo genérico “flores”; “Você
conhece o nome de outras flores? Quais?”.

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Perguntas:
1ª Pergunta: “Neste ramo, tem mais margaridas ou mais flores?”.
Após a resposta: “Como você sabe? Você pode me mostrar?”.
2ª Pergunta: “Conheço duas meninas que querem fazer raminhos. Uma faz um ramo com as
margaridas. Depois ela desmancha e me devolve as margaridas. A outra, faz seu ramo com as
flores. Qual foi o ramo maior?”.
3ª Pergunta: “Se eu dou para você as margaridas, o que fica no ramo?”.
Após a resposta: “Se eu dou para você as flores, o que sobra no ramo?”.
4ª Pergunta: “Eu vou fazer um ramo com todas as margaridas, e você vai fazer um ramo com
todas as flores. Quem vai fazer o ramo maior? Como é que você sabe?”.

Procedimentos avaliativos:
Nível 1 - Ausência de quantificação inclusa (até aproximadamente 5-6 anos):
A criança responde que há mais margaridas do que flores. Erra na subtração de subclasses.
Nível 2 - Condutas intermediárias:
Acerta algumas perguntas e outras não. Às vezes responde: “É a mesma coisa”. Podendo
responder bem às questões de subtração de subclasses que não necessitem reversibilidade.
Nível 3 - Presença da quantificação inclusiva (aproximadamente a partir de 7-8 anos):
A criança responde corretamente a todas as perguntas.

Intersecção de Classes

Material:
Cinco círculos vermelhos;
Cinco círculos amarelos;
Cinco quadradas amarelas;
Uma folha de papelão com 2 círculos desenhados, 1 preto e outro amarelo que se entrecruzam
delimitando 3 partes, das quais uma é comum aos 2 círculos.

Desenvolvimento:
Disponha as fichas nos círculos em intersecção, sendo as redondas vermelhas e as quadradas
amarelas, nas partes exteriores e as redondas amarelas nas partes comuns. Pede que a criança
observe a disposição, descrevas as fichas e pergunta: “Por que você acha que eu pus as
redondas amarelas no meio?”.
Perguntar: “Há mais fichas vermelhas ou mais fichas amarelas?” “Há mais ficas quadradas ou
mais fichas redondas?” “Há a mesma coisa, mais ou menos fichas redondas do que fichas
amarelas?”. Pergunta de intersecção: “Há a mesma coisa, mais ou menos fichas redondas do
que amarelas?”. Pergunta de inclusão: “Há a mesma quantidade, mais ou mesmo fichas
quadradas que amarelas?”
Pergunte: “Como você sabe? Você pode me mostrar?”.

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Caso a criança não responda às perguntas principais, faça perguntas suplementares: “O que é
que tem no círculo preto? Mostre. E no azul?” etc.
Procedimentos avaliativos (aproximadamente desde 4-5 anos):
Nível 1 – Ausência da intersecção:
As perguntas feitas sobre classes separadas são correspondidas com acerto. As de inclusão e
intersecção não são compreendidas nessa faixa de idade. As perguntas suplementares também
revelam erros.
Nível 2 – Intermediário:
A partir de 6 anos a criança faz acertos nas perguntas suplementares, mas hesita nas respostas
de inclusão e intersecção, faz repetições e pode dar algumas respostas corretas.
Nível 3 – Êxito:
Crianças a partir de 7-8 anos dão repostas corretas desde a primeira vez.

Seriação de Bastonetes

Material:
Uma série de 10 bastonetes graduados de 10 a 16 cm com a diferença de um para o outro de
0,6;
Um anteparo de papelão.

Desenvolvimento:
1º Passo - Dê à criança os 10 bastonetes em desordem para que tome conhecimento do
material.

2ª Passo - Seriação a descoberto: “Faça uma escadinha com todos esses pauzinhos,
colocando-os em ordem do menor para o maior”. Se a criança não conseguir, o examinador
pode, eventualmente, iniciar demonstrando com três pauzinhos. É importante registrar a
ordem em que a criança escolhe cada pauzinho e como faz cada escolha e a configuração
final; anotar o processo de realização.

3º Passo -. Verificação da exclusão: Se o sujeito acertar a seriação a descoberto, Peça que


feche os olhos. Retire um bastonete, Peça que a criança abra os olhos e descubra o local, a
posição, em que estava o bastonete retirado da “escadinha” feita pelo sujeito.

4º Passo - Seriação oculta atrás do anteparo: Se a criança acertou a seriação, pode-se fazer
também de outra forma: “Agora sou eu que vou fazer escadinha atrás desse papelão (tampa da
caixa); você vai me dando os pauzinhos um a um, e eu vou colocando aqui, na ordem
‘fazendo a escada’”. Registra-se a maneira de escolher e a ordem que ele deu ao examinador.

Procedimentos avaliativos:
Nível 1 - Ausência:
Fracassa nas suas tentativas de ordenar; ausência de seriação (3-4anos) a criança não entende
a proposta e coloca os bastões em qualquer ordem, justapondo-os;
Esboço de séries (4-5anos): a criança faz tentativas diversas; pares (grades e pequeno), séries
de três ou quatro bastões, mas não coordena as diferentes series entre si, ou não consegue
intercalar os outros;

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Faz uma escada sem considerar o tamanho dos bastões, mas só a arrumação da parte superior,
imitando uma escadinha.
Nível 2 – Intermediário (aproximadamente 5-6 anos):
Seriação por ensaio e erro, compondo a série; compara cada bastão com todos os demais até
achar o que serve. É uma seriação intuitiva, comparando até achar o que serve.
Nível 3 - Êxito (aproximadamente 6-7 anos):
Realiza a seriação. Antecipando com facilidade a escada, fazendo metodicamente a sua
construção, colocando do menor para o maior. Faz a descoberta, atrás do anteparo, exclui ou
inclui bastões e constrói espontaneamente a linha de base.

Combinação de Fichas Duplas para Pensamento Formal

Material:
Seis fichas coloridas, uma de cada cor.

Desenvolvimento:
Peça a criança para fazer a maior quantidade possível de pares com as seis fichas. O total a ser
formado são 30 pares. Observar se a criança compreendeu, podendo até fazer uma
combinação para que a criança entenda.

Procedimentos avaliativos:
Nível 1 – Ausência da capacidade combinatória:
Não é capaz de conseguir descobrir as diversas combinações. Não tem critério, faz tentativas
aleatórias com um número reduzido de pares.
Nível 2 – Intermediário:
Faz combinações incompletas, consegue fazer os pares sem ordem estabelecida, não consegue
chegar à quantidade total de pares.
Nível 3 – Condutas operatórias com capacidade combinatória:
Antecipa a capacidade combinatória, completamente e metodicamente. Conseguindo
descobrir as 30 duplas. Deixando evidente o critério estabelecido.

Apostila de Provas de diagnóstico operatório de Piaget – Viviane Almeida


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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Informações Retiradas em Parte ou na Íntegra dos livros

ANDION, Teresa Messeder. Jogo de Areia. Intervenção psicopedagógica à luz da teoria


piagetiana na caixa de areia.

SAMPAIO, Simaia. Manual Prático do Diagnóstico Clínico. 2ª Ed. WAK Editora. Rio de
Janeiro. 2010.

WEISS, Maria Lúcia Lemme. Psicopedagogia Clínica – Uma Visão Diagnóstica dos
Problemas de Aprendizagem Escolar. 13ª Ed. Lamparina. R.J. 2008.

Apostila de Provas de diagnóstico operatório de Piaget – Viviane Almeida


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