Vous êtes sur la page 1sur 12

Classificação e Tipos de Pesquisas

Áureo Jaime Nhaca


Universidade Técnica de Moçambique – UDM

Agosto de 2017

1 CLASSIFICAÇÃO DAS PESQUISAS

Existem várias classificações para as pesquisas e esta classificação depende da


visão de diferentes autores. Elas podem ser classificadas quanto a finalidade, quanto ao
local onde são realizadas, quanto a abordagem e quanto a teoria filosófica que a
fundamenta. A classificação das pesquisas e os tipos de pesquisa podem variar
dependendo da visão de cada área do conhecimento.

1.1 Classificação das pesquisas quanto a finalidade:

- Pesquisa Básica ou Pura : tem a curiosidade intelectual como motivação. (Visa


desenvolver teorias). As principais características são:
- entender ou descobrir novos fenômenos;
- gerar conhecimentos básicos ou fundamentais;
- requer a divulgação dos conhecimentos obtidos;
- produzir artigos científicos.
De acordo com Gil(1999, p. 42) este tipo de pesquisa “procura desenvolver os
conhecimentos científicos sem a preocupação direta com suas aplicações e
conseqüências práticas.”
Ex.: Pesquisas que têm por objetivo o desenvolvimento de novas linguagens de
programação e sistemas operacionais.

- Pesquisa Aplicada: objetivo de resolver problemas concretos. Soluções mais


imediatas. Diferem pelos objetivos que pretendem atingir (aplicar as teorias às
necessidades humanas). Também chamada de tecnológica. Suas características são:
- objetiva a aplicação dos conhecimentos básicos;
- pode ou não ser reservada;
- produz produtos, processos e patentes;
- gera novas tecnologias e conhecimentos resultantes do processo de pesquisa.
Como seu objetivo principal é a produção de novos produtos e processos, os
seus resultados nem sempre são divulgados, pois podem gerar novas patentes
internacionais, então, neste caso, se diz que a pesquisa é reservada.
Além de gerar novos produtos e processos, produz conhecimentos que são
veiculados diretamente pelos pesquisadores em empresas, ou através de congressos,
feiras, seminários, consultorias para assistência técnica, publicação de boletins
industriais e manuais técnicos.
De acordo com Gil (1999, p. 43) “a pesquisa aplicada possui muitos pontos de
contato com a pesquisa pura, pois depende de suas descobertas e se enriquece com o seu
desenvolvimento.”
Ex.: Elaboração e produção (desenvolvimento) de softwares aplicados a
soluções de problemas operacionais e de melhoria da produtividade.

1.2 Classificação das pesquisas quanto ao local onde são realizadas:

Estudo Bibliográfico: trata-se de estudo para conhecer as contribuições científicas


sobre determinado assunto. Tem como objetivo recolher, selecionar, analisar e
interpretar as contribuições teóricas já existentes sobre determinado assunto. Portanto,
somente se atém a documentos, livros e materiais escritos.

Estudo de Laboratório: realiza-se geralmente em recinto fechado e apresenta pelo


menos três exigências: instrumentação, objetivos, manipulação dos instrumentos.

Estudo de campo: correspondente à coleta direta de informação no local em que


acontecem os fenômenos.

1.3 Classificação das pesquisas quanto a abordagem:

- Pesquisas Qualitativas( conforme características da aula anterior)


- Pesquisas Quantitativas (conforme características da aula anterior)

1.4 Classificação das pesquisas quanto a Fundamentação Filosófica:

Ainda, as pesquisas podem receber uma classificação pela Fundamentação


Filosófica que a embasa. Dessa forma, Santos Filho e Gamboa (2002) classificam as
pesquisas da seguinte maneira:

Empírico-analíticas: As pesquisas empírico-analíticas partem da realidade empírica


para sua análise e tem uma característica bastante quantitativa. Ex: a pesquisa
experimental, a pesquisa descritiva-quantitativa.

São abordagens que apresentam em comum a utilização de técnicas de


coleta, tratamento e análise de dados marcadamente quantitativas.
Privilegiam estudos práticos. Suas propostas têm caráter técnico,
restaurador e incrementalista. Têm forte preocupação com a relação causal
entre variáveis. A validação da prova científica é buscada através de testes
dos instrumentos, graus de significância e sistematização das definições
operacionais.( MARTINS, 1994, p. 26)

Delimitam o objeto de estudo constituindo-o como um todo e caminhando


em direção das partes que o integram(método analítico); os contextos são
isolados ou controlados (variáveis intervenientes ou contexto). O
conhecimento produz-se identificando as partes(variáveis) e relacionando-
as entre si, segundo os princípios da causalidade que permitem explicar o
objeto. ( SANTOS FILHO; GAMBOA, 2002, p. 94/95)
- Fenomenológico-Hermenêuticas: Ao contrário da classificação anterior este tipo de
pesquisa se preocupa com o significado dos fenômenos, portanto em uma abordagem
qualitativa. Têm como pano de fundo a Teoria Filosófica da Fenomenologia(Edmund
Hurrsel) e a Hermenêutica ( interpretação do que há nas entrelinhas, análise de
discurso). A Hermenêutica possibilita a “busca do conhecimento através do círculo:
compreensão – interpretação – nova compreensão.”(MARTINS, 1994, p. 27)

São abordagens que utilizam técnicas não quantitativas. Privilegiam estudos


teóricos e análise de documentos e textos. Suas propostas são críticas e
geralmente têm marcado interesse de ‘conscientização’ dos indivíduos
envolvidos na pesquisa e manifestam interesse por práticas alternativas.
Buscam relação entre o fenômeno e a essência, o todo e as partes, o objeto e
o contexto. A validação da prova científica é buscada no processo lógico da
interpretação e na capacidade de reflexão do pesquisador sobre o fenômeno
objeto de seu estudo. .( MARTINS, 1994, p.26/ 27)

“O conhecimento acontece quando captamos o significado dos fenômenos e


desvendamos seu verdadeiro sentido, recuperando os contextos, as estruturas básicas e
as essências, com base nas manifestações empíricas.” ( SANTOS FILHO; GAMBOA,
2002, p. 95)
Ex.: pesquisa fenomenológica ( pesquisa fenomenológica sobre o significado da evasão
escolar para as famílias carentes do Bairro X).

- Crítico-Dialéticas:
Têm como referencial teórico o materialismo histórico, apoiando-se na concepção
dinâmica da realidade e das relações dialéticas entre sujeito e objeto, entre
conhecimento e ação, entre teoria e prática. Além das técnicas utilizadas pelas pesquisas
empírico-analíticas e fenomenológico-hermenêuticas, utilizam a ‘pesquisa-ação’ e a
‘pesquisa participante’.[...] Suas propostas são marcadamente críticas e pretendem
desvendar mais que o ‘conflito das interpretações”, o conflito dos interesses.
Manifestam interesses transformadores.Buscam inter-relação do todo com as partes e
vice-versa, da tese com a antítese [...] A validade da prova científica é fundamentada na
lógica interna do processo e nos métodos que explicitam a dinâmica e as contradições
internas dos fenômenos e explicam as relações entre homem-natureza, entre reflexão-
ação e entre teoria-prática. Ex.: pesquisa-ação; participante; etnográfica;
socioantropológica

2 TIPOS DE PESQUISA
Como vimos, então, a pesquisa recebe diferentes classificações de acordo com a
finalidade (básica/pura ou aplicada), o local onde é realizada (bibliográfica, de campo
de laboratório), a abordagem(qualitativa ou quantitativa) e com a tendência filosófica
que utiliza(empírico-analítica, fenomenológica, crítico-dialética). Entretanto, para
elaborarmos nosso projeto de pesquisa e podermos escolher a pesquisa que gostaríamos
de realizar é preciso conhecer alguns tipos de pesquisa. Cada pesquisa vai ter suas
características a partir da abordagem que adota e dos instrumentos e técnicas
metodológicas que se utiliza e, também da área de conhecimento em que se utiliza.
Quando você elabora um projeto de pesquisa, o que precisa ficar claro neste é o
tipo de pesquisa que utilizará, pois a abordagem e a tendência filosófica utilizadas
estarão implícitas em seu trabalho, em função dos métodos e técnicas utilizados para a
realização da pesquisa e dos autores escolhidos para dar fundamentação teórica à
pesquisa. Portanto, na metodologia do seu Projeto de Pesquisa de TCC ou monografia,
na graduação o que tem que ficar claro é o TIPO DE PESQUISA que utilizará para
realizar a coleta de dados.
Existem vários tipos de pesquisa. O que fizemos aqui é demonstrar os mais
utilizados na graduação.

2.1 Pesquisa Bibliográfica: a pesquisa irá ser realizada apenas em materiais escritos
como textos, livros(de leitura corrente ou de referência, tais como dicionários,
enciclopédias, anuários,etc.), publicações periódicas, como artigos de jornal, de revistas,
panfletos, manuscritos, fitas gravadas de áudio e de vídeo, páginas da web, relatórios de
seminários ou anais de congressos científicos, ou seja, o pesquisador não sai a campo
para fazer sua pesquisa, pois ela é feita em materiais que já foram pesquisados e
elaborados por outros autores. É considerada o primeiro passo de qualquer pesquisa
científica. Aparece nas demais pesquisas (de campo ou de laboratório) na parte em que
chamamos de Revisão de Literatura.
A pesquisa bibliográfica deve ser feita, segundo os seguintes procedimentos:
a) escolha de um tema de pesquisa, problematização e elaboração de seus objetivos;
b) elaboração de um plano de estudo;
c) identificação e localização das fontes de pesquisa;
d) leitura crítica desses materiais;
e) elaboração dos fichamentos de leitura;
f) redação do relatório de pesquisa ( elaboração de um texto próprio, organizado em
capítulos, priorizando os assuntos que foram levantados no plano de estudo e que agora
constituirão os capítulos de seu TCC ou Monografia).
O texto elaborado pelo autor é organizado a partir das leituras prévias, nas quais
“recortaram-se” as idéias principais e as transcreveram em fichas. Após o pesquisador
deverá triangular o que dizem diferentes autores sobre o assunto, juntamente com as
interpretações, análises e críticas pessoais ao comparar e refletir sobre o “exaustivo”
levantamento bibliográfico que fez sobre o assunto.
Exemplo: - Aprofundar o conhecimento teórico sobre o sistema operacional Linux.
- Analisar a vida e obra do arquiteto Oscar Niemayer.
- Investigar Teorias do Desenvolvimento Humano.
-Aprofundar o conhecimento teórico sobre Dislexia.
- Aprofundar o conhecimento teórico sobre Burocracia a partir de Max
Weber.

2.2 Pesquisa Experimental: Descreve e explica fenômenos que ocorrem em situações


controladas e pressupõe a interferência do pesquisador na realidade, por meio da
manipulação de variáveis, ou seja, são pesquisas em que se manipulam variáveis,
oferecendo um tratamento específico para verificar seus efeitos. Pode-se dizer que a
pesquisa experimental é uma relação de causa e efeito (causa = tratamento e efeito=
conseqüência). Trabalha-se tentando comprovar hipóteses. Pode apresentar um Grupo
Experimental (o grupo que recebe o tratamento) e um Grupo Controle ou Testemunha
(o grupo que serve para comparar os resultados). Normalmente se utiliza uma testagem
antes e uma depois da aplicação do tratamento, mas também pode ser feita a testagem
somente depois, quando se tem grupo controle para comparar. Apresentam variáveis
independentes(x) e variáveis dependentes(y) e, quando necessário, variáveis de
controle. São chamadas de pesquisas quase-experimentais quando a investigação ocorre
em condições que não possibilitam completo controle. Resumindo pode-se dizer que os
passos da pesquisa experimental são:
- determinar um objeto de estudo, formular o problema e construir as hipóteses;
- selecionar as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo;
- definir o desenho experimental e/ou plano experimental;
- determinação dos sujeitos ( Grupo controle, experimental);
- determinação do ambiente para a manipulação das variáveis, definindo as formas de
controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto.
- coleta de dados, através das observações e registro em formulários próprios do
comportamento dos grupos;
- análise e interpretação dos dados ( análise estatística);
- apresentação das conclusões através da confirmação ou rejeição de hipóteses.
Exemplo: Avaliar a melhor freqüência cardíaca máxima de treinamento (65%, 55% ou
50%) para mulheres sedentárias e donas de casa, de 50 a 60 anos, da cidade de Cruz
Alta.
Avaliar o desempenho de operários em situações diferentes de luminosidade.
Avaliar o desempenho de alunos em situações metodológicas diferentes de
aprendizagem.

2.3 Pesquisa Descritiva: É o método de pesquisa que observa, registra, analisa,


descreve e correlaciona fatos e fenômenos sem manipulá-los. Geralmente procura
descobrir a freqüência com que um fenômeno ocorre e sua relação com outros
fatores. Também se pode dizer que descreve as características de determinada
população ou fenômeno, ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Para
Martins (1994,p. 28) pesquisa descritiva “tem como objetivo a descrição das
características de determinada população ou fenômeno , bem como o
estabelecimento de relações entre variáveis e fatos.” Na área da Administração este
tipo de pesquisa é conhecido como survey e apresenta características de pesquisa
quantitativa. Neste caso são classificadas em survey exploratória, survey
explanatória, survey descritiva, survey longitudinal e survey de corte-transversal.
Exemplo: Analisar o perfil dos operários da construção civil de Cruz Alta.
-Analisar o perfil dos funcionários do setor de Recursos Humanos da empresa X.
- Pesquisa exploratória na área do marketing.

A pesquisa descritiva pode ser classificada como:


a) Descritiva exploratória: De acordo com Marconi e Lakatos(2003, p. 188) são
estudos que tem por objetivo descrever completamente determinado fenômeno, como,
por exemplo, o estudo de um caso para o qual são realizadas análises empíricas e
teóricas.Podem ser encontradas tanto descrições quantitativas e/ou qualitativas quanto
acumulação de informações detalhadas obtidas por intermédio de observação
participante.
Exemplo: - Pesquisa exploratória na área do marketing.

b) Descritiva Diagnóstica ou Levantamento: consiste num levantamento de dados e


informações. Caracteriza-se pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se
deseja conhecer. Trata-se de levantamento junto às fontes primárias, geralmente através
de aplicação de questionários para grande quantidade de pessoas. Utilizam-se
questionários, formulários ou entrevistam-se diretamente os sujeitos da pesquisa.
Exemplo:
-Diagnóstico do índice de analfabetos na construção civil da cidade de Cruz Alta;
- Levantamento de sintomas depressivos em crianças e adolescentes com hemofilia.

c) Descritiva Comparativa: procedimento científico controlado que examina os vários


casos, fenômenos ou coisas semelhantes, para descobrir o que é comum, isto é, as
regularidades, princípios, ou leis que são válidas e significativas.
Exemplo: Comparar o desenvolvimento cognitivo de duas turmas de alunos.
- Comparar processos de gestão pública em duas Prefeituras da região.

d) Descritiva de Opinião: investigação, geralmente através de questionário, das atitudes


coletivas. Procura saber as preferências das pessoas com relação a algum
produto/assunto.
Exemplo: Opinião sobre a violência nas ruas das grandes cidades; ou sobre eleições.

e) Descritiva Documental: tem por finalidade reunir, classificar e distribuir documentos


de todo gênero dos diferentes domínios da atividade humana. São chamados de
documentos fontes de informação que ainda não receberam organização e nem foram
publicados. Conforme Santos (2000,p. 29) são considerados fontes documentais
“tabelas estatísticas, relatórios de empresas, documentos informativos arquivados em
repartições públicas, associações, igrejas, hospitais, sindicatos, fotografias,
epitáfios,obras originais de qualquer natureza ou correspondência pessoal ou
comercial” . Também podem ser citadas como fontes: certidões, registros, plantas,
desenhos, estatísticas e leis.
Exemplo: Analisar e comparar os conteúdos da educação infantil da década de 1950,
registrados em planos de aula de professores e os conteúdos sugeridos pelos Parâmetros
Curriculares Nacionais.

f) Ex post facto: tipo de investigação empírica na qual o pesquisador não tem controle
direto sobre a(s) variável (eis) independe(s), porque suas manifestações já ocorreram, ou
porque ele(s) é(são), por sua natureza, não manipulável(eis).Diz-se que é a pesquisa
realizada após os fatos.
Exemplo: Possíveis causas de acidentes.

g) Estudos de Mercado: é o estudo dos problemas relativos à transferência e à venda de


bens e serviços do produtor ao consumidor, e compreende as conexões e relações, entre
a produção e o consumo, a fabricação de produtos, sua distribuição e venda, juntamente
com seus aspectos financeiros.
Exemplo: Pesquisas sobre consumo de eletrodomésticos.
Pesquisa sobre o cenário atual da pecuária bovina de corte orgânica.

h) Estudos de tempo e movimento: são necessários para execução de determinada tarefa,


visando maior rendimento. Se relaciona com a observação e medida dos movimentos
corporais necessários para a realização de uma determinada tarefa. Os resultados
podem ser úteis no desenho de máquinas, equipamentos, móveis, etc. e reduzir, assim
movimentos inúteis e de fadiga. Observa e mede o movimento corporal para realizar
determinadas tarefas.
Exemplo: pesquisas relacionadas com ergonomia e trabalho

i) Desenvolvimentista: é a investigação que estuda formas e seqüências de crescimento


ou mudanças pelo tempo. Estudos longitudinais: estudo do mesmo grupo em seus vários
estágios de desenvolvimento ou pesquisa na qual os mesmos sujeitos são estudados ao
longo de vários anos. Estudos transversais – estudam diferentes grupos em estágios de
desenvolvimento também diferentes. Estabelece formas de mudanças do passado e
prediz condições ou formas futuras. Método de pesquisa na qual as amostras de sujeitos
de diferentes grupos etários, são selecionadas para avaliar os efeitos da maturação.
Exemplo:Uma pesquisa que focalize como unidade de análise o estudo de trajetórias
individuais de mulheres a partir de suas dimensões tanto longitudinais (ao longo de uma
história de vida) quanto transversais (em momentos dados da vida).

j) Estudo de Casos: dedica-se a estudos intensivos do passado, presente e de interações


ambientais de uma (ou algumas) unidade social: indivíduo, grupo, instituição,
comunidade. São validados pelo rigor do protocolo estabelecido e pelo aprofundamento,
como, por exemplo, analisar com profundidade um aspecto ou um ciclo de vida de um
indivíduo. Nessa pesquisa é possível distinguir quatro fases: delimitação da unidade –
caso; coleta de dados; análise e interpretação dos dados e relatório.
Os estudos de caso são o tipo de pesquisa que pode ser utilizado como
abordagem qualitativa ou quantitativa. Por exemplo, se eu estudar a mecânica dos
passos de uma pessoa ao realizar step trainning, estarei realizando uma pesquisa do tipo
estudo de caso com um método experimental e que tem uma abordagem quantitativa.
Quando se trata da área de ciências sociais voltadas aos cursos de administração
e ciências contábeis, por exemplo, o método estudo de caso, corresponde, conforme
Lima(2004) a uma das formas de realizar um pesquisa empírica de caráter qualitativo
sobre um fenômeno em curso em seu contexto real. “ Parte da premissa de que é
possível explicar um determinado fenômeno com a exploração intensa/exaustiva de uma
única unidade de estudo(estudo de caso holístico) ou de várias unidades de
estudo(estudo de casos múltiplos, segmentado ou comparative case method), para
possibilitar a elaboração de exercícios de análise comparativa.”(Lima, 2004, p. 31).
Pode-se dizer então conforme a autora acima que o estudo de caso nesta área “ viabiliza
uma imersão integral, profunda e minuciosa do pesquisador sobre a realidade social
investigada”(p. 31)
Exemplo: Estudar com profundidade uma criança que apresenta dislexia.
Estudar os processos de gestão do setor de recursos humanos de diferentes empresas
(casos múltiplos)

k) Pesquisa de Motivação: descobrir as razões que levam alguém a usar certos produtos.
Exemplo: Investigar junto aos consumidores a motivação pelo uso de determinado
produto.

l) Pesquisa de análise ocupacional: identifica características do mercado de trabalho a


fim de elaborar programas de capacitação e distribuição de tarefas
Exemplo: Pesquisa sobre mercado de trabalho.

m) Pesquisa de Tendência: pesquisa tendências de determinadas épocas a fim de


predizer fatos para o futuro.
Exemplo: Pesquisas sobre moda, sobre comportamentos.
Marconi e Lakatos (2003, p.187) citando Tripodi et al.(1975, p. 42-71)
evidenciam que as pesquisas descritivas são chamadas também de estudos
Quantitativo-Descritivos pois:

Consistem em investigações de pesquisa empírica cuja principal finalidade é o


delineamento ou análise das características de fatos ou fenômenos, a avaliação
de programas, ou o isolamento de variáveis principais ou chave. Qualquer um
desses estudos pode utilizar métodos formais, que se aproximam dos projetos
experimentais, caracterizados pela precisão e controle estatísticos, com a
finalidade de fornecer dados para a verificação de hipóteses. Todos eles
empregam artifícios quantitativos tendo por objetivo a coleta sistemática de
dados sobre populações, programas, ou amostras de populações e programas.
Utilizam várias técnicas como entrevistas, questionários, formulários, etc. e
empregam procedimentos de amostragem.

f) Estudos descritivos Interpretativos: Nas áreas de ciências humanas e sociais é comum


o uso da pesquisa em uma abordagem qualitativa, utilizando-se muitas vezes de
observação participante, embora não haja maior interação entre pesquisador e
pesquisado. Assim esta pesquisa é comumente chamada de pesquisa descritiva
interpretativa.

2.4 Pesquisa Exploratória: trata-se de abordagem adotada para familiarizar-se com o


fenômeno, obter uma nova percepção a seu respeito, ou a busca de maiores informações
sobre este. Possui um planejamento flexível, e é indicada quando se tem pouco
conhecimento do assunto. Tem a finalidade de formular problemas e hipóteses para
estudos posteriores. Vem preencher lacunas existentes na área do conhecimento que é
objeto de pesquisa. Pode ser utilizada combinada com a pesquisa descritiva,
experimental ou em pesquisas qualitativas como a participante e a ação ( aí este tipo de
pesquisa é realizado anteriormente ao tipo de pesquisa propriamente dito, visando obter
informações exploratórias iniciais importantes para planejar a pesquisa).
Pesquisa para investigar a trajetória de crianças de diferentes etnias no ensino básico.

2.4 Pesquisa Participante (PP): trata-se de um enfoque de investigação social por


meio do qual se busca a plena participação da comunidade na análise de sua própria
realidade, com o objetivo de promover a participação social para o benefício dos
participantes da investigação. Trata-se, portanto, de uma atividade educativa, de
investigação e ação social. O principal instrumento de pesquisa é a observação
participante. É útil para estudar-se a organização social em situações de pequenos
grupos até grandes instituições. Um pesquisador pode usar a observação participante
para estudar um grupo de uma vila ou a burocracia de uma cidade. É útil para aprender
como os grupos se formam e funcionam e como as pessoas aprendem a desempenhar
papéis. A palavra-chave nesta pesquisa é PARTICIPAÇÃO. Esta pesquisa envolve os
seguintes procedimentos: a montagem institucional e metodológica da proposta de
pesquisa; estudo preliminar da região e da população a ser pesquisada; análise crítica
dos problemas e elaboração de um plano de ação.
Exemplo: Análise participante dos principais problemas enfrentados pelos moradores
do Bairro Tamoio, da cidade de Cruz Alta - RS

2.5 Pesquisa-Ação(PA): trata-se de um tipo de pesquisa social com base empírica que é
concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um
problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes da situação ou do
problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. A pesquisa-ação
apresenta duas correntes: uma defendida por Thiollent e outra por Carr e Kemis, cuja
visão é considerada emancipatória, pois trabalha com a idéia de uma espiral auto-
reflexiva, assim como define Lewin (1946, p. 22)."A administração social racional
avança, portanto, numa espiral de fases, cada uma das quais compõem um ciclo de
planejamento, ação e averiguação de fatos referentes ao resultado da ação" .Assim
planejada e praticada, a investigação-ação, como concepção de investigação, pode
auxiliar os seres humanos a interpretar a realidade a partir de suas próprias práticas,
concepções e valores. Aí está um potencial transformador bastante grande.
A palavra-chave na pesquisa –ação é INTERVENÇÃO/AÇÃO, ou seja, envolve
a ação dos pesquisadores e dos grupos interessados, o que ocorre nos mais diversos
momentos da pesquisa.
De acordo com Lima (2004, p. 33) a pesquisa ação tem “o propósito de explicar
alguns aspectos da realidade para, assim, ser possível agir/intervir sobre ela,
identificando problemas, formulando, experimentando, avaliando e aperfeiçoando
alternativas de solução, em situação real, com a intenção de contribuir para o
aperfeiçoamento contínuo dessa realidade, objeto de investigação.”
Sobre esta pesquisa pode-se afirmar que quando adotada no estudo das
organizações, é possível reconhecer como singularidade deste método o fato de
contribuir para a aprendizagem organizacional para o crescimento dos colaboradores já
que este método pressupõe a participação ativa deles no processo investigatório.Além
de figurar como valioso instrumento de apoio no processo
decisório.(THIOLLENT,1997).

Exemplo: Investigar a prática dos professores de Cursos de Graduação, a partir de sua


ação (re)significando metodologias de trabalho.

2.6 Pesquisa Etnográfica: estudo do cotidiano, como por exemplo a descrição dos
povos, sua língua, raça, religião,ou a descrição do cotidiano de uma escola e as
manifestações de suas atividades. Também se pode dizer que a pesquisa etnográfica é a
descrição de um sistema de significados culturais de um determinado grupo. A
pesquisa etnográfica é utilizada na educação, na psicologia social e na administração de
empresas. O trabalho de campo é o “coração” da pesquisa etnográfica. Também se
utiliza da observação participante e seu principal instrumento de coleta de dados é o
diário de campo. Baseia suas conclusões nas descrições do real (cotidiano) que lhe
interessa, para tirar delas os significados que têm para as pessoas que pertencem a essa
realidade.
Exemplo: Estudo do cotidiano de uma creche; estudo do cotidiano de um asilo; Estudo
do cotidiano do setor de recursos humanos da empresa X.

2.7 Pesquisa Socioantropológica: Pode-se dizer que a pesquisa socioantropológica


reúne as características das pesquisas participante, ação e etnográfica, pois os
pesquisadores precisam estar em estreita associação com os investigados, descobrir os
problemas na realidade cotidiana dos investigados e propor ações que possam modificar
essa realidade. Por isso se diz que se trata de uma proposta pedagógica interdisciplinar,
onde estabelece uma associação entre conhecimento escolar e cidadania, diálogo entre
saberes popular e científico e a apreensão do conhecimento científico é construída
coletivamente (construção partilhada do conhecimento). A pesquisa socioantropológica
pode trabalhar as seguintes áreas: educação, saúde, transporte, religião, ecologia,
trabalho, cultura, relações sociais, visões de vida e cidadania, crianças, adolescentes,
jovens, idosos. É utilizada para estudar a realidade de vida social da comunidade de
acolhida da escola e seus entornos socioculturais.
Sua origem está nas investigações de realidade social e de levantamento de
palavras, temas e problemas geradores das experiências de educação popular dos anos
sessenta. Serve a um esforço de elaboração partilhada de um planejamento de
atividades, como um currículo participativo e crítico, conteúdos didáticos, práticas
pedagógicas ( é um partir da realidade) e, vem da idéia de planejamento participativo.
Segundo Brandão(2003) a pesquisa socioantropológica está baseada em quatro
princípios:
- Ético: a razão de ser do aprender não é saber coisas úteis, mas compreender gestos de
valor humano;
- Ecológico: aprender algo é integrar sentimentos e saberes orientados aos cuidados
com os diferentes espaços onde compartimos a vida e a espécie humana;
- Político: no sentido mais original do termo, de participação cidadã, reconhecendo-se
como sujeito de direitos na e através da comunidade de vida que se comparte;
- Pedagógico: a vivência pedagógica principal é o diálogo – dialogicidade. Tem a ver
com a idéia de que toda atividade por meio do qual professores e alunos se lançam a
fazer perguntas e buscam, juntos, as respostas, saindo da transferência de
conhecimentos conhecidos para uma procura ativa e recíproca de conhecimentos a
conhecer, representa uma vivência de criação .
Exemplo: Realizar uma pesquisa socioantropológica na comunidade X para a partir
desta se organizar uma proposta de trabalho curricular para o ano letivo da escola, de
onde saem os temas geradores dessa pesquisa.

2.8 Pesquisa Histórica: investigação crítica de fatos, desenvolvimento e experiências


do passado, com cuidadosa consideração sobre as validades interna e externa das fontes
de informação, e interpretação das evidências obtidas.
Exemplo: Pesquisa sobre a história da dança no município de Cruz Alta.
Pesquisa sobre a evolução histórica de uma empresa de grande porte da região X.

2.9 Pesquisa de desenvolvimento ou tecnológica :objetivo de resolver problemas


concretos. Soluções mais imediatas. Aplicação das teorias às necessidades humanas.
Também chamada de tecnológica. Produz produtos, processos e patentes, gera novas
tecnologias e conhecimentos resultantes do processo de pesquisa. É utilizada pelos
Cursos de Engenharia da Produção e Ciência da Computação.
Como seu objetivo principal é a produção de novos produtos e processos, os
seus resultados nem sempre são divulgados, pois podem gerar novas patentes
internacionais, então, neste caso, se diz que a pesquisa é reservada.
Além de gerar novos produtos e processos, produz conhecimentos que são
veiculados diretamente pelos pesquisadores em empresas, ou através de congressos,
feiras, seminários, consultorias para assistência técnica, publicação de boletins
industriais e manuais técnicos. A pesquisa de desenvolvimento pode utilizar métodos de
estudos descritivos ou experimentais..
Exemplo: Elaboração e produção (desenvolvimento) de softwares aplicados a soluções
de problemas operacionais e de melhoria da produtividade.(Desenvolver ferramenta
para informatização do processo de licitação (pregão eletrônico)).
Atenção: A bibliografia sobre metodologia científica apresenta grande número
de estudos ou pesquisas. Em determinadas situações um tipo de pesquisa pode ser o
método utilizado. Por exemplo, tenho a pesquisa do tipo experimental, porém quando
faço um estudo de caso experimental, o experimento passa a ser o meu método de
pesquisa e não o tipo de pesquisa. Outro exemplo: posso fazer pesquisa documental,
mas em uma pesquisa Histórica, por exemplo, análise documental passa a ser um
método utilizado e não o tipo de pesquisa.
Algumas áreas do conhecimento realizam pesquisas específicas, tais como a área
da saúde que realiza pesquisas Epidemiológicas, estudos clínicos e a área da
Administração que realiza pesquisas de Marketing, estudos de caso em empresas,
survey.

Referências

BARROS, Aidil J.da S. ; LEHFELD, Neide Aparecida de S. Fundamentos de


Metodologia Científica: um guia para a iniciação científica. 2.ed. ampl. São Paulo:
Makron Books, 2000.

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. A pergunta a várias mãos: a experiência da pesquisa


no trabalho do educador. São Paulo: Cortez, 2003.

CARR, W ; KEMMIS, S. Becoming Critical: Education, knowledge and action


research. Brighton, UK: Falmer Press, 1986.

GIL, Antonio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 5.ed. São Paulo:
Atlas,1999.

GOLDENBERG, M. A arte de pesquisar.: como fazer pesquisa qualitativa em


Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Record, 1997.

JUNG, C. F. Metodologia para pesquisa & desenvolvimento: aplicada a novas


tecnologias, produtos e processos. Rio de Janeiro:Axcel Books, 2004.

LAKATOS, E.m.; MARCONI, M. de A. . Metodologia do Trabalho Científico. 4.ed.


São Paulo: Atlas, 2001.

LAVILLE, Christian; DIONNE, Jean. A Construção do Saber: Manual de


Metodologia da Pesquisa em Ciências Humanas. Revisão técnica e adaptação da obra
Lana Mara Siman. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.

LIMA, Manoelita Correia. Monografia: a engenharia da produção acadêmica. São


Paulo: Saraiva, 2004.

MARTINS, Gilberto de Andrade. Manual para elaboração de monografias e


dissertações. 3 ed. São Paulo:Atlas, 1994.

MATTOS, Mauro Gomes de; ROSSETO JUNIOR, Adriano José; BLECHER, Shelly.
Teoria e prática da Metodologia da Pesquisa em Educação Física: construindo sua
monografia, artigo e projeto de ação. São Paulo: Phorte, 2004.
MAZZOTTI, A. J. A.; GEWANDSZNAJDER, F. O método nas ciências naturais e
sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. 2.ed. São Paulo: Pioneira, 1999.

RUDIO, Franz Victor. Introdução ao projeto de pesquisa científica. 29.ed.


Petrópolis-RJ: Vozes, 2001. Capítulo V – Pesquisa descritiva e pesquisa experimental.

SANTOS FILHO, José Camilos dos; GAMBOA, Silvio Sanchez. Pesquisa


Educacional: quantidade-qualidade. 5.ed. São Paulo: Cortez, 2002.

SANTOS, Antonio Raimundo dos. Metodologia Científica: a construção do


conhecimento. 3.ed. Rio de Janeiro: DP&A editora, 2000.

THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo: Cortez, 1986.

______. Notas para o Debate sobre pesquisa-ação. In: BRANDÃO, C. R. (Org.).


Repensando a Pesquisa Participante. São Paulo: Brasiliense, 1984.

______. Pesquisa-ação nas organizações. São Paulo: Atlas, 1997.