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KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO

TEOLOGIA SISTEMÁTICA
III

CRISTOLOGIA
PNEUMATOLOGIA
BIBLIOLOGIA
SOTERIOLOGIA

EMBAIXADA ROCHA VIVA 1


KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO

TEOLOGIA SISTEMÁTICA II

CRISTOLOGIA

Podemos resumir da seguinte maneira o ensino bíblico acerca da pessoa de Cristo: Jesus
Cristo foi plenamente Deus e plenamente homem em uma só pessoa e assim o será para
sempre.

A. A HUMANIDADE DE CRISTO

1. O nascimento virginal.

✓ Quando falamos na humanidade de Cristo, convém iniciar com uma consideração


do nascimento virginal de Cristo. As Escrituras afirmam claramente que Jesus foi
concebido no ventre de sua mãe, Maria, por obra miraculosa do Espírito Santo e
sem um pai humano.

2. Fraquezas e Limitações Humanas

a. Jesus possuía um corpo humano.

✓ O fato de que Jesus possuía um corpo humano exatamente como o nosso é visto
em muitas passagens das Escrituras. Ele nasceu assim como nascem todos os
bebês humanos (Lc 2.7). Ele passou da infância para a maturidade assim como
crescem todas as outras crianças: “Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se
de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele” (Lc 2.40).

b. Jesus possuía uma mente humana.

✓ O fato de Jesus ter crescido em sabedoria (Lc 2.52) significa que ele passou por um
processo de aprendizado assim como acontece com todas as outras crianças — ele
aprendeu a comer, a falar, a ler e a escrever, e a ser obediente a seus pais (veja Hb
5.8). Esse processo normal de aprendizado fazia parte da genuína humanidade de
Cristo.

c. Jesus possuía alma humana e emoções humanas.

✓ Vemos várias indicações de que Jesus possuía alma humana (ou espírito). Logo
antes de sua crucificação, ele disse: “Agora, está angustiada a minha alma” (Jo
12.27). João escreve um pouco depois: “Ditas estas coisas, angustiou-se Jesus em
espírito” (Jo 13.21). Em ambos os versículos a palavra angustiar representa o
termo grego tarassÜ, palavra muitas vezes empregada em referência a pessoas
ansiosas ou que de repente são surpreendidas por um perigo.

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d. As pessoas próximas de Jesus consideravam-no apenas humano.

✓ Mateus registra um incidente assombroso no meio do ministério de Jesus. Ainda


que Jesus tivesse ensinado por toda a Galiléia, “curando toda sorte de doenças e
enfermidades entre o povo”, de modo que “numerosas multidões o seguiam” (Mt
4.23-25), quando chegou à própria cidade de Nazaré, o povo que o conhecia havia
muitos anos não o recebeu (Mt 13.53-58).

3. Impecabilidade.

✓ Ainda que o Novo Testamento seja claro em afirmar que Jesus era plenamente
humano exatamente como nós, também afirma que Jesus era diferente em um
aspecto importante: ele era isento de pecado e jamais cometeu um pecado
durante sua vida. Alguns objetam que se Jesus não pecou, então não era
verdadeiramente humano, pois todos os humanos pecam. Mas os que fazem tal
objeção simplesmente não percebem que os seres humanos estão agora numa
situação anormal. Deus não nos criou pecaminosos, mas santos e justos. Adão e
Eva no jardim do Éden eram verdadeiramente humanos antes de pecar, e nós
agora, apesar de humanos, não nos conformamos ao padrão que Deus deseja que
preenchamos quando nossa humanidade plena, impecável, for restaurada.

4. Jesus poderia ter pecado?

Às vezes levanta-se esta questão: “Cristo podia ter pecado? ” Alguns defendem a
impecabilidade de Cristo, entendendo por impecável “não sujeito a pecar”. Outros
objetam que se Jesus não fosse capaz de pecar, suas tentações não teriam sido reais, pois
como uma tentação seria real, se a pessoa que estivesse sendo tentada não fosse mesmo
capaz de pecar? Para responder a essa pergunta, precisamos distinguir, por um lado, o
que as Escrituras afirmam claramente e, por outro lado, o que é mais uma inferência de
nossa parte.

(1) As Escrituras afirmam claramente que Cristo jamais pecou de fato (veja acima).
Não deve haver nenhuma dúvida a esse respeito em nossa mente.
(2) Elas também afirmam que Jesus foi tentado e que as tentações foram reais (Lc
4.2). Se cremos na Bíblia, precisamos insistir que Cristo foi “tentado em todas
as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb 4.15).
(3) Também precisamos afirmar com as Escrituras que “Deus não pode ser tentado
pelo mal” (Tg 1.13). Mas aqui a questão torna-se difícil: se Jesus era
plenamente Deus e também plenamente humano (e vamos argumentar
adiante que as Escrituras ensinam isso várias vezes e de maneira clara), então
não somos obrigados também a afirmar que (em algum sentido) Jesus também
“não pode ser tentado pelo mal”?

5. Por que era necessário que Jesus fosse plenamente humano?

✓ Quando João escreveu sua primeira epístola, circulava na igreja um ensino


herético, segundo o qual Jesus não era homem. Essa heresia tornou-se conhecida

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como docetismo. Essa negação da verdade acerca de Cristo era tão séria que João
podia dizer que se tratava de uma doutrina do anticristo: “Nisto reconheceis o
Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de
Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo
contrário, este é o espírito do anticristo” (1Jo 4.2-3).

a. Para possibilitar uma obediência representativa.

✓ Conforme observamos no capítulo acima sobre as alianças entre Deus e o


homem, Jesus era nosso representante e obedeceu em nosso lugar naquilo
que Adão falhou e desobedeceu. Vemos isso nos paralelos entre a tentação
de Jesus (Lc 4.1-13) e a ocasião da prova de Adão e Eva no jardim (Gn 2.15–
3.7). Também se reflete claramente na discussão de Paulo sobre os paralelos
entre Adão e Cristo, na desobediência de Adão e na obediência de Cristo (Rm
5.18-19).

b. Para ser um sacrifício substitutivo.

✓ Se Jesus não tivesse sido homem, não poderia ter morrido em nosso lugar e pago
a penalidade que nos cabia. O autor de Hebreus nos diz: “Pois ele, evidentemente,
não socorre anjos, mas socorre a descendência de Abraão. Por isso mesmo,
convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser
misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer
propiciação pelos pecados do povo” (Hb 2.16-17; cf. v. 14).

c. Para ser o único mediador entre Deus e os homens.

✓ Porque estávamos alienados de Deus por causa do pecado, necessitávamos de


alguém que se colocasse entre Deus e nós e nos levasse de volta a ele.
Precisávamos de um mediador que pudesse representar-nos diante de Deus e que
pudesse representar Deus para nós. Só há uma pessoa que preencheu esse
requisito: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens,
Cristo Jesus, homem” (1Tm 2.5). Para cumprir essa função de mediador, Jesus
tinha de ser plenamente homem e plenamente Deus.

d. Para cumprir o propósito original do homem de dominar a criação.

✓ Como vimos em nossa discussão sobre o propósito para o qual Deus criou o
homem, Deus colocou o ser humano sobre a terra para subjugá-la e dominá-la
como representante divino. Mas o homem não cumpriu esse propósito, pois caiu
em pecado. O autor de Hebreus percebe que Deus pretendia que tudo fosse
sujeitado ao homem, mas reconhece: “Agora, porém, ainda não vemos todas as
coisas a ele sujeitas” (Hb 2.8). Então, quando Jesus veio como homem, foi capaz
de obedecer a Deus e, assim, teve o direito de dominar a criação como homem,
cumprindo o propósito original de Deus ao colocar o homem sobre a terra.
Hebreus reconhece isso quando diz que agora “vemos [...] Jesus” em posição de

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autoridade sobre o universo, “coroado de glória e de honra” (Hb 2.9; cf. a mesma
frase no v. 7).

e. Para ser nosso exemplo e padrão na vida.

✓ João nos diz: “... aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar
assim como ele andou” (1Jo 2.6), e nos lembra que “quando ele se manifestar,
seremos semelhantes a ele” e que essa esperança de futura conformidade com o
caráter de Cristo confere mesmo agora pureza moral cada vez maior à nossa vida
(1Jo 3.2-3). Paulo nos diz que estamos continuamente sendo “transformados [...]
na sua própria imagem” (2Co 3.18), avançando, assim, para o alvo para o qual
Deus nos salvou: sermos “conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29). Pedro nos
diz que, especialmente no sofrimento, temos de considerar o exemplo de Cristo:
“pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para
seguirdes os seus passos” (1Pe 2.21).

f. Para ser o padrão de nosso corpo redimido.

✓ Paulo nos diz que quando Jesus ressuscitou dos mortos, ressuscitou num novo
corpo “na incorrupção [...] ressuscita em glória [...] ressuscita em poder [...]
ressuscita corpo espiritual” (1Co 15.42-44). Esse novo corpo ressurreto que Jesus
possuía quando ressurgiu dos mortos é o padrão do que será nosso corpo quando
formos ressuscitados dos mortos, porque Cristo é “as primícias” (1Co 15.23) —
uma metáfora agrícola que compara Cristo à primeira amostra da colheita, que
demonstra como será o outro fruto daquela colheita.

g. Para compadecer-se como sumo sacerdote.

✓ O autor de Hebreus lembra-nos de que “naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido
tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados” (Hb 2.18; cf. 4.15-16). Se
Jesus não tivesse existido na condição de homem, não teria sido capaz de
conhecer por experiência o que sofremos em nossas tentações e lutas nesta vida.
Mas porque viveu como homem, ele é capaz de compadecer-se mais plenamente
de nós em nossas experiências.

6. Jesus será um homem para sempre.

✓ Jesus não abandonou a natureza terrena após sua morte e ressurreição, pois
apareceu aos discípulos como homem após a ressurreição, até com as cicatrizes
dos cravos nas mãos (Jo 20.25-27). Ele possuía carne e ossos (Lc 24.39) e comia (Lc
24.41-42). Posteriormente, quando conversava com os discípulos, foi levado ao
céu, ainda em seu corpo humano ressurreto, e dois anjos prometeram que ele
voltaria do mesmo modo: “Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do
modo como o vistes subir” (At 1.11).

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B. A DIVINDADE DE CRISTO

✓ Para completar o ensino bíblico acerca de Jesus Cristo, precisamos declarar não só
que ele era plenamente humano, mas também plenamente divino. Embora a
palavra não ocorra de maneira explícita na Bíblia, a igreja tem empregado o termo
encarnação para referir-se ao fato de que Jesus era Deus em carne humana. A
encarnação foi o ato pelo qual Deus Filho assumiu a natureza humana. A
comprovação bíblica da divindade de Cristo é bem ampla no Novo Testamento.
Vamos examiná-la sob várias categorias.

1. Alegações bíblicas diretas.

Nesta seção, examinamos declarações diretas da Bíblia de que Jesus é Deus ou de que é
divino.

a. A palavra Deus (theos) atribuída a Cristo.

✓ Apesar de a palavra theos, “Deus”, ser em geral reservada no Novo Testamento


para Deus Pai, há algumas passagens em que é também empregada em referência
a Jesus Cristo. Em todos esses trechos, a palavra “Deus” é empregada com um
sentido denso em referência àquele que é Criador do céu e da terra, o governante
de tudo.

b. A palavra Senhor (kyrios) atribuída a Cristo.

✓ Às vezes a palavra Senhor (gr. kyrios) é empregada simplesmente como


tratamento respeitoso dispensado a um superior (veja Mt 13.27; 21.30; 27.63; Jo
4.11). Às vezes pode simplesmente significar “patrão” de um servo ou escravo (Mt
6.24; 21.40). Ainda assim, a mesma palavra é também empregada na Septuaginta
(a tradução grega do Antigo Testamento, de uso comum na época de Cristo) como
uma tradução do hebraico yhwh, “Javé”, ou (conforme traduzido com freqüência)
“o SENHOR” ou “Jeová”.

c. Outras fortes alegações de divindade.

✓ Além dos usos da palavra Deus e Senhor em referência a Cristo, temos outras
passagens que defendem com vigor a divindade de Cristo. Quando Jesus disse a
seus opositores judeus que Abraão vira seu dia (o dia de Cristo), eles o
contestaram: “Ainda não tens cinqüenta anos e viste Abraão? ” (Jo 8.57). Aqui
uma resposta suficiente para provar a eternidade de Jesus teria sido: “Antes que
Abraão fosse, eu era”. Mas não foi isso que Jesus disse. Antes, ele fez uma
declaração muito mais estarrecedora: “Em verdade, em verdade eu vos digo:
antes que Abraão existisse, EU SOU” (Jo 8.58).

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2. Sinais de que Jesus possuía atributos de divindade.

✓ Além das afirmações específicas da divindade de Jesus vistas nas muitas passagens
citadas acima, vemos muitos exemplos de atos na vida de Jesus que indicam seu
caráter divino.
✓ Jesus demonstrou sua onipotência quando acalmou a tempestade no mar com
uma palavra (Mt 8.26-27), multiplicou os pães e peixes (Mt 14.19) e transformou a
água em vinho (Jo 2.1-11). Alguns podem objetar, dizendo que esses milagres só
mostraram o poder do Espírito Santo agindo por intermédio dele, assim como o
Espírito Santo poderia agir por meio de qualquer outro ser humano e, assim, isso
não comprova a divindade de Jesus.

3. Teria Jesus desistido de algum atributo enquanto estava na terra (a teoria da


kenosis)?

Paulo escreve aos filipenses:

TTende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele,
subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a
si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de
homens; e, reconhecido em figura humana... (Fp 2.5-7).

Partindo desse texto, alguns teólogos da Alemanha (a partir de 1860-1880) e da Inglaterra


(a partir de 1890-1910) passaram a defender uma idéia de encarnação que jamais fora
defendida na história da igreja. Essa nova idéia foi chamada “teoria da kenosis”, e a
posição geral representada por ela foi chamada “teologia kenótica”.

4. Conclusão:

Cristo é plenamente divino.

✓ O Novo Testamento, em centenas de versículos explícitos que chamam Jesus de


“Deus” e “Senhor” e empregam alguns outros títulos de divindade em referência a
ele, e em muitas passagens que lhe atribuem ações ou palavras aplicáveis
somente ao próprio Deus, declara repetidas vezes a divindade plena e absoluta de
Jesus Cristo. “Aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude” (Cl 1.19) e
“nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl 2.9).

5. Seria a doutrina da encarnação “compreensível” hoje?

✓ Ao longo de toda a história levantam-se objeções ao ensino neotestamentário da


plena divindade de Cristo. Um ataque recente a essa doutrina merece menção
aqui por ter criado grande controvérsia, pois os que contribuíram para o texto
eram todos líderes eclesiásticos de renome na Inglaterra. O livro era chamado The
Mith of God Incarnate [o mito do Deus encarnado], editado por John Hick
(London: SCM, 1977). O título apresenta a tese do livro: a idéia de que Jesus era
“Deus encarnado” ou “Deus vindo em carne” é um “mito” — uma história que

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talvez se adequasse à fé das gerações anteriores, mas que não merece crédito
hoje.

6. Por que é necessária a divindade de Jesus?

Na seção anterior alistamos alguns motivos pelos quais era necessário que Jesus fosse
plenamente humano para obter nossa redenção. Aqui cabe reconhecer que é também
crucialmente importante insistir na plena divindade de Cristo, não só porque ela é
ensinada de maneira clara nas Escrituras, mas também porque

(1) Só alguém que fosse Deus infinito poderia arcar com toda a pena de todos os
pecados de todos os que cressem nele — qualquer criatura finita não seria
capaz de arcar com tal pena;
(2) A salvação vem do Senhor (Jn 2.9 ARC), e toda a mensagem das Escrituras é
moldada para mostrar que nenhum ser humano, nenhuma criatura, jamais
conseguiria salvar o homem — só Deus mesmo poderia; e
(3) Só alguém que fosse verdadeira e plenamente Deus poderia ser o mediador
entre Deus e homem (1Tm 2.5), tanto para nos levar de volta a Deus como
também para revelar Deus de maneira mais completa a nós (Jo 14.9).

Assim, se Jesus não é plenamente Deus, não temos salvação e, por fim, nenhum
cristianismo. Não é por acaso que ao longo da história os grupos que abandonaram a
crença na plena divindade de Cristo não têm permanecido muito tempo na fé cristã,
desviando-se logo para um tipo de religião representada pelo unitarismo nos Estados
Unidos e em outros lugares. “Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não
permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o
Filho” (2Jo 9).

C.A ENCARNAÇÃO: DIVINDADE E HUMANIDADE NA ÚNICA PESSOA DE CRISTO

✓ O ensino bíblico sobre a plena divindade e plena humanidade de Cristo é tão


amplo que se vem crendo em ambos desde os primeiros tempos da história da
igreja. Mas um entendimento preciso de como a plena divindade e a plena
humanidade poderiam ser combinadas em uma pessoa só foi formulado
gradualmente na igreja e não chegou à forma final antes da Definição de
Calcedônia em 451 d.C.

1. Três concepções inadequadas da pessoa de Cristo

a. O apolinarismo.

✓ Apolinário, que se tornou bispo em Laodicéia em cerca de 361 a.C., ensinava que a
pessoa única de Cristo possuía um corpo humano, mas não uma mente ou um
espírito humano, e que a mente e o espírito de Cristo provinham da natureza
divina do Filho de Deus.

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b. O Nestorianismo.

✓ O Nestorianismo é a doutrina de que havia duas pessoas distintas em Cristo, uma


pessoa humana e outra divina, ensino diferente da idéia bíblica que vê Jesus como
uma só pessoa.

c. O monofisismo (Eutiquianismo).

✓ Uma terceira concepção inadequada é chamada monofisismo, a idéia de que


Cristo possuía só uma natureza (gr. monos, “um”, e physis, “natureza”). O primeiro
defensor dessa idéia na igreja primitiva foi Êutico (c. 378-454 d.C.), líder de um
mosteiro em Constantinopla. Êutico ensinava o erro oposto do nestorianismo, pois
negava que as naturezas humana e divina em Cristo permanecessem plenamente
humana e plenamente divina.

2. A solução da controvérsia:

✓ A Definição de Calcedônia em 451 d.C. Para tentar resolver os problemas


levantados pelas controvérsias em torno da pessoa de Cristo, convocou-se um
amplo concílio eclesiástico na cidade de Calcedônia, perto de Constantinopla
(atual Istambul), realizado de 8 de outubro a 1.o de novembro de 451. A
declaração resultante, chamada Definição de Calcedônia, previne contra o
apolinarismo, o nestorianismo e o eutiquianismo. Ela tem sido tomada desde
então como a definição padrão, ortodoxa, do ensino bíblico sobre a pessoa de
Cristo igualmente pelos ramos católicos, protestantes e ortodoxos do cristianismo.

3. Agrupamento de textos bíblicos específicos sobre a divindade e a humanidade de


Cristo.

✓ Quando examinamos o Novo Testamento, conforme fizemos acima nas seções


sobre a humanidade e a divindade de Jesus, há algumas passagens que parecem
difíceis de encaixar. (Como Jesus podia ser onipotente e ainda assim fraco? Como
podia deixar o mundo e ainda estar presente em todos os lugares? Como podia
aprender coisas e ainda ser onisciente?)

a. Uma natureza faz algumas coisas que a outra não faz.

✓ Teólogos evangélicos de gerações anteriores não hesitaram em fazer distinção


entre coisas feitas pela natureza humana de Cristo, mas não pela natureza divina,
ou pela natureza divina, mas não pela humana. Parece que temos de fazer isso se
quisermos reafirmar a declaração de Calcedônia de que “é preservada a
propriedade de cada natureza”. Mas poucos teólogos recentes dispõem-se a fazer
tal distinção, talvez por causa de uma hesitação em afirmar algo que não
conseguimos compreender.

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b. Tudo o que uma das naturezas faz, a pessoa de Cristo faz.

✓ Na seção anterior mencionamos uma série de coisas feitas por uma natureza, mas
não pela outra na pessoa de Cristo. Agora precisamos afirmar que tudo o que diz
respeito à natureza humana ou divina de Cristo diz respeito à pessoa de Cristo.
Assim Jesus pode dizer: “antes que Abraão existisse, EU SOU” (Jo 8.58). Ele não diz:
“Antes que Abraão existisse, minha natureza humana existia”, porque ele é livre
para falar de qualquer coisa feita só por sua natureza divina ou só por sua
natureza humana como algo feito por ele.

c. Títulos que nos lembram de uma natureza podem ser empregados em referência à
pessoa, mesmo quando a ação é realizada pela outra natureza.

✓ Os autores do Novo Testamento às vezes empregam títulos que nos lembram ou


da natureza humana ou da natureza divina para falar da pessoa de Cristo, ainda
que a ação mencionada possa ter sido realizada apenas pela outra natureza e não
pela que pareça estar implicada no título. Por exemplo, Paulo diz que se os
governantes deste mundo tivessem compreendido a sabedoria de Deus, “jamais
teriam crucificado o Senhor da glória” (1Co 2.8).

d. Uma breve frase de resumo.

✓ Às vezes no estudo da teologia sistemática, a seguinte frase tem sido empregada


para resumir a encarnação: “Permanecendo o que era, tornou-se o que não era”.
Em outras palavras, enquanto Jesus “permanecia” o que era (ou seja, plenamente
divino), ele também se tornou o que não fora antes (ou seja, também plenamente
humano). Jesus não deixou nada de sua divindade quando se tornou homem, mas
assumiu a humanidade que antes não lhe pertencia.

e. A “comunicação” de atributos.

✓ Depois de decidirmos que Jesus era plenamente homem e plenamente Deus, e


que sua natureza humana permaneceu plenamente humana e sua natureza divina
permaneceu plenamente divina, podemos ainda perguntar se algumas qualidades
ou capacidades foram dadas (ou “comunicadas”) de uma natureza a outra. Parece
que a resposta é sim.

(1) Da natureza divina para a natureza humana

✓ Ainda que a natureza humana de Jesus não tenha mudado em seu caráter
essencial, porque ela foi unida à natureza divina na pessoa única de Cristo, a
natureza humana de Jesus obteve (a) dignidade para ser cultuada e (b)
incapacidade de pecar, elementos que não pertencem, de outra maneira, aos
seres humanos.

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(2) Da natureza humana para a natureza divina

✓ A natureza humana de Jesus lhe deu (a) a capacidade de experimentar o


sofrimento e a morte; (b) a capacidade de ser nosso sacrifício substitutivo, o que
Jesus, só como Deus, não poderia ter feito.

f. Conclusão.

✓ Ao final desta longa discussão, pode-nos ser fácil perder de vista o que de fato é
ensinado nas Escrituras. Trata-se, de longe, do milagre mais maravilhoso de toda a
Bíblia — muito mais maravilhoso que a ressurreição e até que a criação do
universo. O fato de o Filho de Deus, infinito, onipresente e eterno tornar-se
homem e unir-se para sempre a uma natureza humana, de modo que o Deus
infinito se tornasse uma só pessoa com o homem finito, permanecerá pela
eternidade como o mais profundo milagre e o mais profundo mistério em todo o
universo.

A EXPIAÇÃO

✓ Podemos definir a expiação como segue: expiação é a obra que Cristo realizou em
sua vida e morte para obter nossa salvação. Essa definição indica que usamos a
palavra expiação num sentido mais amplo em que às vezes é utilizada. Ela é
empregada de vez em quando para se referir apenas ao fato de Jesus morrer e
pagar nossos pecados na cruz.

A. A CAUSA DA EXPIAÇÃO

✓ Qual foi a causa última que levou Cristo a vir para este mundo e morrer pelos
nossos pecados? Para encontrá-la, devemos pesquisar o assunto em alguma coisa
no caráter do próprio Deus. E aqui as Escrituras apontam para duas coisas: o amor
e a justiça de Deus.
✓ O amor de Deus como uma das causas da expiação é descrito na passagem mais
conhecida da Bíblia: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu
Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida
eterna” (Jo 3.16). Mas a justiça de Deus também exigia que ele encontrasse um
meio pelo qual a pena pelos nossos pecados fosse paga (pois ele não podia
aceitar-nos em comunhão consigo mesmo a menos que a penalidade fosse paga).

B. A NECESSIDADE DE EXPIAÇÃO

✓ Havia alguma outra maneira de Deus salvar os seres humanos além de enviar seu
Filho para morrer em nosso lugar?
✓ Antes de responder a essa pergunta, é importante entender que Deus não tinha
nenhuma necessidade de salvar ninguém. Quando nos conscientizamos de que
“Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os
entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo” (2Pe 2.4), percebemos
que Deus poderia também ter escolhido com perfeita justiça deixar-nos em nossos

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pecados, esperando o julgamento; ele poderia ter escolhido não salvar ninguém,
assim como fez com os anjos pecaminosos. Assim, nesse sentido a expiação não
era absolutamente necessária.

C. A NATUREZA DA EXPIAÇÃO

✓ Nesta seção, considero dois aspectos da obra de Cristo: (1) a obediência de Cristo
por nós, pela qual obedeceu às exigências da lei em nosso lugar e foi
perfeitamente obediente à vontade de Deus Pai como nosso representante, e (2)
os sofrimentos de Cristo por nós, pelos quais recebeu o castigo pelos nossos
pecados e, em conseqüência, morreu pelos nossos pecados.

1. A obediência de Cristo por nós (às vezes chamada “obediência ativa”).

✓ Se Cristo tivesse conseguido só o perdão dos pecados por nós, não mereceríamos
o céu. Nossa culpa teria sido removida, mas estaríamos simplesmente na posição
de Adão e Eva antes de terem feito qualquer coisa boa ou má e antes de terem
passado um tempo de provação com sucesso. Para serem estabelecidos em justiça
para sempre e ter assegurada a sua eterna comunhão com Deus, Adão e Eva
tinham de obedecer a Deus de modo perfeito por um período de tempo. Então,
Deus teria olhado para sua obediência fiel com prazer e deleite, e eles teriam
vivido em comunhão com o Senhor para sempre.

2. Os sofrimentos de Cristo por nós (às vezes chamados “obediência passiva”).

✓ Além de obedecer à lei de modo perfeito por toda a sua vida em nosso favor,
Cristo tomou também sobre si mesmo os sofrimentos necessários para pagar a
penalidade pelos nossos pecados.

a. Sofrimento por toda a sua vida.

✓ Num sentido mais amplo a pena que Cristo suportou ao pagar nossos pecados foi
um sofrimento tanto em seu corpo como em sua alma ao longo da vida. Embora
os sofrimentos de Cristo tenham culminado em sua morte sobre a cruz (veja
abaixo), toda a sua vida num mundo caído envolveu sofrimento. Por exemplo,
Jesus suportou tremendo sofrimento durante a tentação no deserto (Mt 4.1-11),
quando foi submetido por quarenta dias aos ataques de Satanás.5

b. A dor da cruz.

✓ Os sofrimentos de Jesus se intensificaram à medida que ele se aproximava da cruz.


Ele compartilhou com os discípulos algo da agonia que estava vivendo quando
disse: “A minha alma está profundamente triste até à morte” (Mt 26.38). Foi
especialmente sobre a cruz que os sofrimentos de Jesus por nós atingiram seu
clímax, pois foi ali que ele suportou o castigo pelo nosso pecado e morreu em
nosso lugar. As Escrituras nos ensinam que havia quatro diferentes aspectos da
dor que Jesus experimentou:

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(1) Dor física e morte

✓ Não precisamos sustentar que Jesus sofreu mais dor física do que qualquer
ser humano jamais sofreu, pois em nenhuma passagem a Bíblia faz tal
alegação. Mas ainda não podemos esquecer que a morte por crucificação era
uma das formas mais horríveis de execução que o homem já inventou.

(2) A dor de carregar o pecado

✓ Mais horrível que a dor do sofrimento físico que Jesus suportou foi a dor
psicológica de carregar a culpa pelo nosso pecado. Em nossa própria experiência
como cristãos conhecemos um pouco da angústia que sentimos quando sabemos
que pecamos. O peso da culpa nos oprime o coração, e há um amargo sentimento
de separação de tudo que é correto no universo, uma consciência de algo que
num sentido bem profundo não devia existir. Na verdade, quanto mais crescemos
em santidade como filhos de Deus, sentimos de modo mais intenso essa
repugnância instintiva diante do mal.

(3) Abandono

✓ A dor física da crucificação e a dor de carregar sobre si mesmo o mal absoluto de


nossos pecados foram agravadas pelo fato de Jesus ter enfrentado essa dor
sozinha. No Getsêmani, quando Jesus levou consigo Pedro, Tiago e João,
confidenciou-lhes um pouco de sua agonia: “A minha alma está profundamente
triste até à morte; ficai aqui e vigiai” (Mc 14.34). Esse é o tipo de confidência que
se faz a um amigo íntimo e implica um pedido de apoio em sua hora da maior
provação. Porém, quando Jesus foi preso, “os discípulos todos, deixando-o,
fugiram” (Mt 26.56).

(4) A dor de suportar a ira de Deus

✓ Mais difícil ainda que esses três aspectos da dor de Jesus foi a dor de suportar
sobre si a ira de Deus. Como Jesus carregava sozinho a culpa de nossos pecados,
Deus Pai, o poderoso Criador, o Senhor do universo, derramou sobre ele a fúria de
sua ira: Jesus se tornou objeto do intenso ódio e da vingança contra o pecado que
Deus tinha guardado com paciência desde o início do mundo.

c. Outras reflexões sobre a morte de Cristo

(1) O castigo foi infligido por Deus Pai

✓ Se perguntarmos “Quem exigiu que Cristo pagasse a pena pelos nossos pecados?
”, a resposta dada pelas Escrituras é que o castigo foi aplicado por Deus Pai como
representante dos interesses da Trindade na redenção. Foi a justiça de Deus que
exigiu que o pecado fosse pago, e, entre os membros da Trindade, era Deus Pai
quem tinha o papel de exigir esse pagamento. Deus Filho voluntariamente
assumiu o papel de suportar o castigo pelo pecado.

EMBAIXADA ROCHA VIVA 13


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(2) Não um sofrimento eterno, mas um pagamento integral

Se tivéssemos de pagar a pena de nossos próprios pecados, teríamos de sofrer


eternamente separados de Deus. Porém, Jesus não sofreu eternamente. Existem duas
razões para essa diferença:

(a) Se sofrêssemos pelos nossos próprios pecados, nunca seríamos capazes de nos
colocar novamente em condição correta com Deus por nós mesmos. Não
haveria nenhuma esperança, pois não poderíamos viver de novo e conseguir
justiça perfeita diante de Deus, e não haveria nenhum modo de desfazer nossa
natureza pecaminosa e torná-la justa diante de Deus.
(b) Jesus era capaz de receber toda a ira de Deus contra nosso pecado e sofrê-la até
o fim. Nenhum homem comum poderia jamais fazer isso, mas em virtude da
união das naturezas divina e humana em sua pessoa, Jesus era capaz de receber
toda a ira de Deus contra o pecado e sofrê-la até o fim. Isaías predisse que Deus
“verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito” (Is 53.11).

(3) O significado do sangue de Cristo

✓ O Novo Testamento muitas vezes liga o sangue de Cristo com nossa redenção. Por
exemplo, Pedro diz: “... sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como
prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais
vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem
mácula, o sangue de Cristo” (1Pe 1.18-19).

(4) A morte de Cristo como “substituição penal”

✓ A concepção da morte de Cristo apresentada aqui tem sido chamada com


freqüência a teoria da “substituição penal”. A morte de Cristo foi “penal” pelo fato
de ter ele cumprido uma pena quando morreu. Sua morte foi também uma
“substituição” pelo fato de ter ele sido nosso substituto quando morreu.

d. Termos do Novo Testamento que descrevem diferentes aspectos da expiação. A obra


expiatória de Cristo é um evento complexo que tem vários efeitos sobre nós. O Novo
Testamento usa diferentes palavras para descrevê-los; vamos examinar quatro termos
mais importantes. Eles mostram como a morte de Cristo atendeu a quatro necessidades
que temos como pecadores:

(1) Sacrifício

✓ Para pagar a pena de morte que merecemos por causa de nossos pecados, Cristo
morreu como sacrifício por nós. Ele “se manifestou uma vez por todas, para
aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado” (Hb 9.26).

(2) Propiciação

✓ Para nos livrar da ira de Deus que merecemos, Cristo morreu como propiciação
pelos nossos pecados. “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a

EMBAIXADA ROCHA VIVA 14


KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO
Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos
nossos pecados” (1Jo 4.10).

(3) Reconciliação

✓ Para vencer a nossa separação de Deus, precisávamos de alguém que


proporcionasse reconciliação e dessa forma nos trouxesse de volta à comunhão
com Deus. Paulo diz que Deus “nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo
e nos deu o ministério da reconciliação” (2Co 5.18-19).

(4) Redenção

✓ Uma vez que como pecadores estamos escravizados ao pecado e a Satanás,


precisamos de alguém que nos proporcione redenção e, dessa forma, nos
“redima” de nossa servidão. Quando falamos em redenção, entra em foco a idéia
de “resgate”. Resgate é o preço pago para redimir alguém da escravidão ou
cativeiro. Jesus disse de si mesmo: “Pois o próprio Filho do Homem não veio para
ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10.45).

e. Outras concepções da expiação. Em contraste com a concepção da substituição penal


da expiação apresentada neste capítulo, vários outros pontos de vista têm sido
defendidos na história da igreja.

(1) A teoria do resgate pago a Satanás

✓ Essa visão foi sustentada por Orígenes (c. 185 – c. 254 d.C.), teólogo de Alexandria
e mais tarde de Cesaréia, e depois dele por alguns outros na história antiga da
igreja. De acordo com esse ponto de vista, o resgate que Cristo pagou para nos
redimir foi dado a Satanás, em cujo reino se encontravam todas as pessoas devido
ao pecado.

(2) A teoria da influência moral

✓ Defendida pela primeira vez por Pedro Abelardo (1079-1142), teólogo francês, a
teoria da influência moral da expiação sustenta que Deus não exige o pagamento
de um castigo pelo pecado, mas que a morte de Cristo era simplesmente um
modo pelo qual Deus mostrou o quanto amava os seres humanos ao identificar-
se, até a morte, com os sofrimentos deles. A morte de Cristo, portanto, torna-se
um grande exemplo didático que mostra o amor de Deus por nós, amor que nos
extrai uma resposta agradecida, de modo que somos perdoados ao amá-lo.

(3) A teoria do exemplo

✓ A teoria do exemplo da expiação foi ensinada pelos socinianos, seguidores de


Fausto Socino (1539-1604), teólogo italiano que se estabeleceu na Polônia em
1578 e atraiu grande número de adeptos. A teoria do exemplo, à semelhança da
teoria da influência moral, também nega que a justiça de Deus exija castigo pelo
pecado; diz que a morte de Cristo simplesmente nos provê de exemplo de como

EMBAIXADA ROCHA VIVA 15


KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO
devemos confiar em Deus e obedecer-lhe de modo perfeito, mesmo que essa
confiança e obediência nos levem a uma morte horrível.

(4) A teoria governamental

✓ A teoria governamental da expiação foi ensinada pela primeira vez por um teólogo
e jurista holandês, Hugo Grotius (1583-1645). Essa teoria sustenta que Deus não
tinha realmente de exigir castigo pelo pecado, mas, uma vez que ele era Deus
onipotente, poderia deixar de lado essa exigência e simplesmente perdoar os
pecados sem o pagamento de uma pena. Nesse caso, qual foi o propósito da
morte de Cristo? Foi a demonstração divina do fato de que suas leis foram
infringidas, que ele é o legislador moral e governador do universo e que alguma
espécie de pena seria exigida sempre que suas leis fossem infringidas. Dessa
forma, Cristo não paga a pena exatamente pelos pecados concretos de alguém,
mas apenas sofreu para mostrar que quando as leis de Deus são quebradas
alguma espécie de pena deve ser paga.

De novo, o problema com essa visão é que ela falha em explicar de modo adequado todas
as passagens bíblicas que falam em Cristo carregando nossos pecados sobre a cruz, em
Deus lançando sobre Cristo a iniqüidade de nós todos, em Cristo morrendo
especificamente pelos nossos pecados e em Cristo sendo a propiciação pelos nossos
pecados. Além disso, ela retira o caráter objetivo da expiação por tornar o seu propósito
não a satisfação da justiça de Deus, mas apenas a influência sobre nós a fim de nos fazer
perceber que Deus tem leis que devem ser guardadas. Essa concepção implica também
que não podemos confiar de modo correto na obra completa de Cristo quanto ao perdão
dos pecados, pois de fato não foram pagos por ele. Além do mais, ela faz com que a
conquista efetiva do perdão por nós seja algo que aconteceu na mente do próprio Deus à
parte da morte de Cristo sobre a cruz — ele já tinha decidido nos perdoar sem exigir de
nós nenhum castigo e então puniu Cristo apenas para demonstrar que ainda era o
governador moral do universo. Mas isso significa que Cristo (segundo esse ponto de vista)
não conquistou de fato o perdão por nós, e assim o valor de sua obra redentora é
reduzido de maneira drástica. Por fim, essa teoria não explica de maneira adequada a
imutabilidade de Deus e a infinita pureza de sua justiça. Dizer que Deus pode perdoar
pecados sem exigir nenhum castigo (a despeito do fato de que através das Escrituras o
pecado sempre requer o cumprimento de uma pena) é subestimar seriamente o caráter
absoluto da justiça de Deus.

f. Teria Cristo descido ao inferno?

✓ Argumenta-se às vezes que Cristo desceu ao inferno depois de morrer. A frase


“desceu ao inferno” não aparece na Bíblia. Mas o Credo Apostólico, amplamente
usado, diz: “foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao inferno; e ao terceiro dia
ressurgiu dos mortos”. Isso significa que Cristo suportou mais sofrimentos após
sua morte na cruz? Como veremos abaixo, um exame dos indícios bíblicos indica
que não. Mas antes de examinar os textos bíblicos relevantes, deve-se analisar a
frase “desceu ao inferno” do Credo Apostólico.

EMBAIXADA ROCHA VIVA 16


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(1) A origem da frase “desceu ao inferno”

✓ Antecedentes obscuros encontram-se por trás de grande parte da história da frase


em si. Suas origens, quando podem ser identificadas, estão bem longe de serem
louváveis. O grande historiador eclesiástico Philip Schaff resumiu o
desenvolvimento do Credo Apostólico num extenso diagrama, parte do qual
reproduzimos nas p. 486-488.

(2) Possível apoio bíblico para a descida ao inferno

O apoio para a idéia de que Cristo desceu ao inferno encontra-se principalmente em cinco
passagens: Atos 2.27; Romanos 10.6-7; Efésios 4.8-9; 1Pedro 3.18-20 e 1Pedro 4.6. (Tem-
se recorrido também a poucas outras passagens, mas de maneira menos convincente.).
Numa análise mais detida, será que alguma dessas passagens sustenta claramente esse
ensino?

✓ (A). Atos 2.27. Isso faz parte do sermão de Pedro no dia de Pentecostes, onde ele
cita Salmos 16.10. Na versão King James, o versículo diz: “porque não deixarás a
minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção”.
✓ (b.). Romanos 10.6-7. Esses versículos contêm duas perguntas retóricas, de novo
citações do Antigo Testamento (de Dt 30.13): “Quem subirá ao céu?, isto é, para
trazer do alto a Cristo; ou: Quem descerá ao abismo?, isto é, para levantar Cristo
dentre os mortos”.
✓ (c). Efésios 4.8-9. Aqui Paulo escreve: “... que quer dizer subiu, senão que também
havia descido às regiões inferiores da terra? ” Isso significa que Cristo “desceu” ao
inferno? À primeira vista não fica claro o que significa “às regiões inferiores da
terra”, mas outra tradução parece dar o melhor sentido: “Que quer dizer ‘ele
subiu’, senão que também desceu às regiões terrenas inferiores? ”
✓ (d).1Pedro 3.18-20. Para muitos, essa é a passagem mais intrigante em todo o
assunto. Pedro diz que Cristo foi “morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito,
no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais, noutro tempo,
foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de
Noé, enquanto se preparava a arca”.

Isso falaria de Cristo pregando no inferno?

✓ Alguns entendem que “foi e pregou aos espíritos em prisão” significa que Cristo foi
ao inferno e pregou aos espíritos que ali estavam — ou proclamando o evangelho
e oferecendo uma segunda oportunidade de arrependimento, ou só proclamando
que havia triunfado sobre eles e que estavam eternamente condenados.

Isso falaria de Cristo pregando a anjos decaídos?

✓ Para dar uma explicação melhor a essas dificuldades, alguns comentaristas


propõem que se entenda “espíritos em prisão” como espíritos demoníacos, os
espíritos dos anjos decaídos, dizendo que Cristo proclamou condenação a esses

EMBAIXADA ROCHA VIVA 17


KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO
demônios. Isso (alegam) consolaria os leitores de Pedro, mostrando-lhes que as
forças demoníacas que os oprimiam também seriam derrotadas por Cristo.

Isso falaria de Cristo proclamando libertação aos santos do Antigo Testamento?

Outra explicação é que Cristo, após sua morte, foi proclamar libertação aos crentes do
Antigo Testamento que não tinham conseguido entrar no céu antes que se completasse a
obra redentora de Cristo.

Uma explicação mais satisfatória

A explicação mais satisfatória de 1Pedro 3.19-20 parece aquela proposta (mas não de fato
defendida) por Agostinho: a passagem refere-se não a algo que Cristo fez entre sua morte
e ressurreição, mas ao que fez “no âmbito espiritual da existência” (ou “pelo Espírito”)
nos dias de Noé. Quando Noé estava construindo a arca, Cristo “em espírito” estava
pregando por meio de Noé aos incrédulos hostis em torno dele.

(3) Oposições bíblicas a uma descida ao inferno

✓ Acrescentando-se ao fato de haver pouco ou nenhum apoio bíblico para a descida


de Cristo ao inferno, há alguns textos do Novo Testamento que argumentam
contra a possibilidade de Cristo ter ido ao inferno após sua morte.
✓ As palavras de Jesus ao ladrão na cruz: “hoje estarás comigo no paraíso” (Lc
23.43), implicam que depois de sua morte, a alma (ou espírito) de Jesus foi
imediatamente à presença do Pai no céu, ainda que seu corpo permanecesse
sobre a terra, sendo sepultado.

(4) Conclusão a respeito do Credo Apostólico e da questão da possível descida de Cristo


ao inferno

✓ Será que a frase “desceu ao inferno” merece ser mantida no Credo Apostólico,
junta-mente com as grandes doutrinas da fé com que todos concordamos? O
único argumento em seu favor parece o fato de estar ali há muito tempo. Mas um
erro antigo continua sendo um erro — e durante todo o tempo em que ali tem
estado, tem trazido confusão e desavenças quanto ao seu significado.

D. A AMPLITUDE DA EXPIAÇÃO

✓ Uma das diferenças entre teólogos reformados e outros teólogos católicos e


protestantes tem sido a questão da amplitude da expiação. A questão pode ser
colocada da seguinte maneira: quando Cristo morreu, pagou os pecados de toda a
raça humana ou só os pecados dos que, ele sabia, seriam por fim salvos?

1. Passagens bíblicas empregadas para sustentar a concepção reformada.

✓ Algumas passagens das Escrituras falam do fato de que Cristo morreu por seu
povo. “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (Jo 10.11).
“Dou a minha vida pelas ovelhas” (Jo 10.15). Paulo fala da “igreja de Deus, a qual

EMBAIXADA ROCHA VIVA 18


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ele comprou com o seu próprio sangue” (At 20.28). Ele também diz: “Aquele que
não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não
nos dará graciosamente com ele todas as coisas? ” (Rm 8.32).

2. Passagens bíblicas empregadas para sustentar a concepção não-reformada (redenção


geral ou expiação ilimitada).

✓ Algumas passagens das Escrituras indicam que em algum sentido Cristo morreu
por todo o mundo. João Batista disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado
do mundo” (Jo 1.29). E João 3.16 nos diz que “Deus amou ao mundo de tal
maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça,
mas tenha a vida eterna”. Jesus disse: “O pão que eu darei pela vida do mundo é a
minha carne” (Jo 6.51).

3. Alguns pontos pacíficos e algumas conclusões sobre textos polêmicos.

Seria bom primeiro alistar os pontos sobre os quais ambos os lados concordam:

1. Nem todos serão salvos.

2. É correto que se ofereça gratuitamente o evangelho a todas as pessoas. É


completamente verdadeiro que “quem desejar” pode chegar a Cristo e obter a salvação,
e ninguém que chegar a ele será lançado fora. Essa oferta gratuita do evangelho é
estendida em boa fé para todas as pessoas.

3. Todos concordam que a própria morte de Cristo, por ser ele o infinito Filho de Deus,
possui mérito infinito, sendo em si suficiente para pagar a penalidade dos pecados dos
muitos ou dos poucos que o Pai e o Filho decretaram. A questão não está nos méritos
intrínsecos dos sofrimentos e da morte de Cristo, mas no número de pessoas pelas quais
o Pai e o Filho entenderam, no momento da morte de Cristo, que sua morte seria
pagamento suficiente.

4. Pontos de esclarecimento e cautela a respeito dessa doutrina. É importante expor


alguns pontos de esclarecimento e também algumas áreas em que podemos objetar com
justiça contra a maneira pela qual alguns defensores da redenção particular expressam
seus argumentos. É também importante perguntar as implicações pastorais desse ensino.

RESSURREIÇÃO E ASCENSÃO

A. A RESSURREIÇÃO

1. Evidências do Novo Testamento.

✓ Os evangelhos contêm testemunho abundante da ressurreição de Cristo (veja Mt


28.1-20; Marcos 16.1-8; Lucas 24.1-53; João 20.1-21.25). Além dessas narrativas
detalhadas nos quatro evangelhos, o livro de Atos é um relato histórico da
proclamação que os apóstolos fizeram da ressurreição de Cristo, da contínua

EMBAIXADA ROCHA VIVA 19


KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO
oração a ele dirigida e da confiança nele como aquele que está vivo e reinando no
céu.

2. A natureza da ressurreição de Cristo.

✓ A ressurreição de Cristo não foi simplesmente um retorno da morte, à semelhança


daquela experimentada por outros antes dele, como Lázaro (João 11.1-44),
porque senão Jesus teria se submetido à fraqueza e ao envelhecimento, e por fim
teria morrido outra vez, exatamente como todos os outros seres humanos
morrem.

3. O Pai e o Filho participaram na ressurreição.

✓ Alguns textos afirmam especificamente que Deus Pai ressuscitou Cristo dentre os
mortos (Atos 2.24; Rm 6.4; 1Co 6.14; Gl 1.1; Ef 1.20), mas outros textos falam de
Jesus participando na sua própria ressurreição. Jesus diz: “Por isso é que meu Pai
me ama, porque eu dou a minha vida para retomá-la. Ninguém a tira de mim, mas
eu a dou por minha espontânea vontade. Tenho autoridade para dá-la e para
retomá-la.

4. O significado doutrinário da ressurreição

a. A ressurreição de Cristo assegura nossa regeneração.

✓ Pedro diz que Deus “nos regenerou para uma viva esperança, mediante a
ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” (1Pe 1.3). Aqui ele associa
explicitamente a ressurreição de Jesus com a nossa própria regeneração ou novo
nascimento.

b. A ressurreição de Cristo assegura nossa justificação.

✓ Em apenas uma passagem Paulo associa explicitamente a ressurreição de Cristo


com a nossa justificação (ou o nosso recebimento da declaração de que não
somos culpados, mas retos diante de Deus). Paulo diz que Jesus “foi entregue por
causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rm
4.25).

c. A ressurreição de Cristo assegura-nos de que iremos receber igualmente corpos


ressurretos perfeitos.

✓ O Novo Testamento associa várias vezes a ressurreição de Jesus com nossa


ressurreição corpórea final. “Deus ressuscitou o Senhor e também nos
ressuscitará a nós pelo seu poder” (1Co 6.14). Semelhantemente, “aquele que
ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará
convosco” (2Co 4.14). Mas a discussão mais completa da associação entre a
ressurreição de Cristo e a nossa própria acha-se em 1Coríntios 15.12-58. Ali Paulo
afirma que Cristo é “as primícias” dos que dormem (1Co 15.20).

EMBAIXADA ROCHA VIVA 20


KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO
5. O sentido ético da ressurreição.

✓ Paulo também observa que a ressurreição tem uma aplicação relacionada à


obediência a Deus nesta vida. Após uma longa discussão a respeito da
ressurreição, Paulo conclui encorajando seus leitores: “Portanto, meus amados
irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor,
sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1Co 15.58).

B. A ASCENSÃO

1. Cristo subiu para um lugar.

✓ Após a ressurreição de Cristo, ele esteve na terra por quarenta dias (Atos 1.3) e
depois conduziu os discípulos para Betânia, fora de Jerusalém, e “erguendo as
mãos, os abençoou. Aconteceu que, enquanto os abençoava, ia-se retirando
deles, sendo elevado para o céu” (Lc 24.50).

2. Cristo recebeu mais glória e honra como Deus-Homem.

✓ Quando Jesus subiu ao céu recebeu glória, honra e autoridade que não tinha
antes, enquanto era Deus e homem. Antes de sua morte, Jesus orou: “... glorifica-
me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que
houvesse mundo” (João 17.5). Em seu sermão em Pentecostes Pedro disse que
Jesus fora exaltado à destra de Deus (Atos 2.33). Paulo declarou que Deus o
exaltou grandemente (Fp 2.9), e que fora recebido em glória (1Tm 3.16; cf. Hb
1.4). Cristo está agora no céu, e coros angelicais cantam-lhe louvor com as
palavras: “Digno é o cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e
sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor” (Ap 5.12).

3. Cristo assentou-se à destra de Deus (a sessão de Cristo).

✓ Um aspecto específico de Cristo ter subido para o céu e recebido honra é o fato de
que ele se assentou à destra de Deus. Isso é às vezes chamado sua sessão à destra
de Deus.
✓ O Antigo Testamento predisse que o Messias sentar-se-ia à direita de Deus: “Disse
o SENHOR ao meu senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus
inimigos debaixo dos teus pés” (Sl 110.1). Quando Cristo ascendeu de volta ao céu
ele recebeu o cumprimento daquela promessa: “... depois de ter feito a
purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas” (Hb 1.3).

4. A ascensão de Cristo tem importância doutrinária para nossa vida.

✓ Assim como a ressurreição tem implicações profundas para a nossa vida, do


mesmo modo a ascensão de Cristo tem implicações significativas. Em primeiro
lugar, visto que estamos unidos a Cristo em cada aspecto da obra de redenção, a
ascensão de Cristo ao céu prefigura nossa ascensão futura com ele. “Nós, os vivos,
os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o

EMBAIXADA ROCHA VIVA 21


KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO
encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor”
(1Ts 4.17).

C. OS ESTADOS DE JESUS CRISTO

✓ Ao comentar sobre a vida, a morte e a ressurreição de Cristo, os teólogos muitas


vezes aludem aos “estados de Jesus Cristo”. Com isso eles se referem às diferentes
relações que Jesus mantinha com a lei de Deus para a humanidade, com a posse
de autoridade e com a honra que se lhe deve. De forma geral distinguem-se dois
estados (humilhação e exaltação). Assim, a doutrina do “estado duplo de Cristo” é
o ensino de que ele experimentou primeiramente o estado de humilhação para
depois passar ao estado de exaltação.

OS OFÍCIOS DE CRISTO

✓ Os três cargos mais importantes que poderiam existir para o povo de Israel no
Antigo Testamento eram: o profeta (como Natã, 2Sm 7.2), o sacerdote (como
Abiatar, 1Sm 30.7) e o rei (como Davi, 2Sm 5.3). Esses três ofícios eram distintos.
O profeta falava as palavras de Deus ao povo; o sacerdote oferecia sacrifícios,
orações e louvores a Deus em favor do povo; e o rei governava o povo como
representante de Deus. Esses três ofícios prefiguravam a própria obra de Cristo de
várias maneiras.

A. CRISTO COMO PROFETA

✓ Os profetas do Antigo Testamento transmitiam a palavra de Deus ao povo. Moisés


foi o primeiro grande profeta e escreveu os cinco primeiros livros da Bíblia, o
Pentateuco. Depois vieram outros que falaram e escreveram as palavras de Deus.
Mas Moisés predisse que um dia viria outro profeta como ele.

B. CRISTO COMO SACERDOTE

✓ No Antigo Testamento, os sacerdotes eram designados por Deus para oferecer


sacrifícios. Eles também ofereciam orações e louvores a Deus em favor do povo.
Ao agir assim “santificavam” as pessoas, ou tornavam-nas aceitáveis à presença de
Deus, se bem que de forma limitada durante o período do Antigo Testamento. No
Novo Testamento, Jesus tornou-se nosso grande sumo sacerdote. Esse tema é
bem desenvolvido na carta aos Hebreus, na qual vemos que Jesus atua como
sacerdote de duas maneiras.

1. Jesus ofereceu um sacrifício perfeito pelo pecado.

✓ O sacrifício que Jesus ofereceu pelos pecados não foi o sangue de animais como
touros ou bodes: “... porque é impossível que o sangue de touros e bodes remova
pecados” (Hb 10.4). Em vez disso, Jesus ofereceu a si mesmo como sacrifício
perfeito: “... ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para
aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado” (Hb 9.26).

EMBAIXADA ROCHA VIVA 22


KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO
2. Jesus nos aproxima continuamente de Deus.

✓ Os sacerdotes do Antigo Testamento não apenas apresentavam sacrifícios, mas


também compareciam de modo representativo na presença de Deus, de tempos
em tempos, em favor do povo. Mas Jesus faz muito mais do que isso. Como nosso
perfeito sumo sacerdote, ele continuamente nos conduz à presença de Deus, de
forma que não temos mais a necessidade de um templo em Jerusalém nem de um
sacerdócio especial que se coloque entre nós e Deus.

3. Como sacerdote, Jesus ora continuamente por nós.

✓ Outra função sacerdotal no Antigo Testamento era orar a favor das pessoas. O
autor de Hebreus nos diz que Jesus também cumpre essa função: “... também
pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para
interceder por eles” (Hb 7.25). Paulo afirma a mesma coisa quando diz que Cristo
Jesus é aquele que intercede por nós (Rm 8.34).

C. CRISTO COMO REI

✓ No Antigo Testamento o rei tinha autoridade para governar a nação de Israel. No


Novo Testamento, Jesus nasceu para ser o Rei dos judeus (Mt 2.2), mas recusou
todas as tentativas feitas pelo povo para fazê-lo um rei terreno com um poder
militar e político terreno (Jo 6.15). Ele disse a Pilatos: “O meu reino não é deste
mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam
por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não
é daqui” (Jo 18.36).

D. NOSSO PAPEL COMO PROFETAS, SACERDOTES E REIS

✓ Se olharmos para a situação de Adão antes da queda e para a nossa situação


futura com Cristo no céu por toda a eternidade, poderemos ver que esses papéis
de profeta, sacerdote e rei têm paralelo com a experiência que Deus
originariamente pretendia que o homem tivesse e serão cumpridos na nossa vida
no céu.

EMBAIXADA ROCHA VIVA 23


KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO

TEOLOGIA SISTEMÁTICA III


PNEUMATOLOGIA

EMBAIXADA ROCHA VIVA 24


KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO

CAPÍTULO I: A NATUREZA DO ESPÍRITO SANTO

✓ 1. Personalidade do Espírito Santo


✓ 2. Divindade do Espírito Santo
✓ 3. Nomes do espírito Santo
✓ 4. Símbolos do Espírito Santo

CAPITULO II: A OBRA E O MINISTÉRIO GERAL DO ESPÍRITO SANTO

1.NO ANTIGO TESTAMENTO

a) As referências ao espírito Santo no Antigo Testamento

b) O espírito criativo no Antigo Testamento

c) O Espírito Santo antes do dilúvio

d) O espírito dinâmico produzindo líderes no A.T.

✓ 1.Obreiros para Deus


✓ 2.Os juízes
✓ 3.Os primeiros reis de Israel
✓ 4.Os profetas

e) O espírito regenerador no Antigo Testamento

✓ 1.Operativo, mas sem ênfase

2.O seu derramamento geral como fonte de santidade, uma bênção futura.

3.Em conexão com a vinda do Messias

2.NO NOVO TESTAMENTO

a) A vida de Cristo

✓ 1.O nascimento virginal (Lc 12:6-45; Mt 1:20)


✓ 2.Apresentação no Templo (Lc 2:22-39)
✓ 3.O batismo de Jesus (Mt 3:11-17)
✓ 4.O ministério público de Jesus
✓ 5.A crucificação
✓ 6.A ressurreição

7.A Ascenção

b) A Igreja

✓ 1.O derramamento do espírito

EMBAIXADA ROCHA VIVA 25


KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO
✓ 2.Provisão do poder divino para a Igreja
✓ 3.A morada permanente do Espírito Santo na Igreja
✓ 4.A Ascenção do espírito e o Arrebatamento da Igreja

c) O Espírito Santo no futuro

✓ 1.A tribulação
✓ 2.A revelação de Cristo
✓ 3.O milênio

CAPITULO III: O ESPÍRITO SANTO NA EXPERIÊNCIA HUMANA

1. O ESPÍRITO SANTO E O PECADOR

a) Convence do pecado

✓ 1.Sente seu pecado


✓ 2.Convence da justiça de Cristo
✓ 3.Convence do juízo

b) Regenera

2. O ESPÍRITO SANTO E O CRENTE

a). Habita nele

✓ 1.Certificando a filiação divina


✓ 2.Comungando
✓ 3.Assistindo no louvor e na oração
✓ 4.Instruindo e lembrando
✓ 5.Guiando
✓ 6.Confortando

b)Santifica
c)Batiza
d)Cura
e)Arrebata e glorifica

3.PECADOS CONTRA 0 ESPÍRITO SANTO

a). Por parte do descrente

✓ 1. Resistindo ao espírito
✓ 2. Maneiras de resistir ao espírito

b) Por parte do crente

✓ 1.Mentir à pessoa do Espírito Santo

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✓ 2.Entristecer o espírito
✓ 3.Apagar o espírito

CAPITULO I

A NATUREZA DO ESPÍRITO SANTO

INTRODUÇÃO

✓ Desde o dia de Pentecostes, o Espírito Santo tem se manifestado de maneira


diferente, especialmente desde o início do século XX, quando surgiu o moderno
movimento pentecostal. Entendermos que este derramamento do Espírito
representa um dos sinais importantes do regresso de Jesus a este mundo. A
proeminência que o Espírito Santo em Sua obra ocupa nestes dias torna
imperativo que os crentes sejam bem informados acerca da Terceira Pessoa da
Trindade. Aquele que se aprofundar biblicamente neste assunto desfrutará ricas
experiências, pois é através do Espírito que Jesus se revela ao mundo. E pelo
espírito que Cristo opera com poder na Sua Igreja. Precisamos da Sua plenitude.

Os tempos que atravessamos são tempestuosos e Satanás sabendo que pouco templo lhe
resta, opera vigorosamente contra Deus e contra a Sua causa. Somente no poder do
Espírito Santo, seremos capazes de vencer estas forças malignas. Enquanto estudamos
este assunto, acerca da natureza e do ministério do Espírito Santo, não nos contentemos
apenas com um conhecimento superficial do assunto, mas peçamos ao Senhor, a
plenitude dessa bênção e do poder que o Espírito Santo veio ao mundo para suprir.

1.A PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO

✓ Muitas pessoas pensam que o Espírito Santo é uma mera força intocável, ou
apenas uma misteriosa influência que ninguém define. Essa opinião está bem
longe da verdade, pois o Espírito Santo é uma pessoa, sim, a Terceira Pessoa da
Trindade — Jo14:1,9,17; Mt 3:13-17.
Uma forma corpórea não se faz necessário para que haja personalidade.
Entretanto, encontramos os três seguintes atributos numa personalidade:

1.Intelecto — habilidade para pensar.

2.Sensibilidade — habilidade para sentir.

3.Volição — habilidade para escolher.

Encontramos esses três fatores no Espírito Santo:

✓ 1.Inte1ecto— Rm 8 27; I Co 2:10,11 13; 12:8


✓ 2.Sensibilidade - Is. 63.10, Rm 15.30; Ef. 4.30
✓ 3.Volição - At 16:6-11; I Co 12:11

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a) Promessas do Espírito Santo

✓ Jesus ensinou aos discípulos acerca do Espírito Santo no final do seu ministério,
usando os pronomes pessoais.
✓ Sempre usando o pronome masculino, não neutro — Jo 14:16-17; 15:26; 16:7-
8,13-14.

b) Ações do Espírito Santo

Encontramos outras provas da personalidade do Espírito Santo em Suas ações

Notamos que:

✓ Ele ensina — Jo 2:27; 14:26; Ne 9:20


✓ Ele ora - Rm 8:26
✓ Ele ordena — At 16-6-7
✓ Ele testifica — Jo 15:26
✓ Ele fala—At 13:2; 21:11
✓ Ele guia — At 16:6-7; Rm 8:14
✓ Ele faz comunhão - II Co 13:14 4
✓ Ele faz milagres — At 10:38
✓ Ele revela — Lc 2:26
✓ Ele faz seu prazer- At 15:28; I Co 12:11

c) Ações contra o Espírito Santo

O espírito pode ser tratado como Pessoa. Segundo Pedro, Ananias mentiu a Ele — At 5:3.

✓ Existe a possibilidade de entristecer o Espírito Santo — Ef4:30;


✓ Pode-se contristar — Is 63:10;
✓ Pode-se resistir ao Espírito Santo — At 7:51;
✓ Pode-se blasfemar o Espírito Santo — Mt 12:31-32;
✓ Pode-se extinguir o espírito — I Ts 5:19

Não seria possível fazer essas coisas contra o espírito se Ele fosse apenas uma influência.

d) Seu Nome

✓ Uma das razões porque se atribui personalidade ao Espírito Santo é o fato de que
a Bíblia lhe concede certos nomes. Um dos Seus grandes títulos é o CONSOLADOR
— Jo14:16,26; 16:7-13.
✓ Consolador significa “alguém chamado para estar ao lado”, indicando o ministério
confortador do espírito Santo A palavra grega “Paracleto” significa: para = ao lado,
e kaleo = chamar ou pedir.

O espírito Santo hoje é o nosso Paracleto ou (paráclito) e Consolador.

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2.A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO

✓ As Escrituras não apenas revelam o Espírito Santo como uma Pessoa, mas também
atesta a sua divindade, quando afirma que Ele é Deus.
✓ O incidente da tentativa do logro praticada por Ananias e Safira em Atos 5 serve
para ilustrar a divindade do Espírito Santo.
✓ Pedro acusou Ananias de ter mentido ao Espírito Santo (v. 3). No versículo
seguinte Pedro disse: “mentiste a Deus”.

a) Atributos de Deus no Espírito Santo

Outra prova da divindade do espírito encontra-se nas qualidades divinas atribuídas a Ele.

✓ Eternidade—Hb 9:14
✓ Onipresença (está em toda parte) — Sl.139:7-10
✓ Onipotência (todo o poder) - Lc 1:35; Rm 15:18-19
✓ Onisciência (todo conhecimento) — I Co 2:10; Jo 14:26, 16:13
✓ Amor—Rm 15:30
✓ Verdade—Jo 16:13
✓ Soberania—I Co 2:11

No Seu próprio nome “Espírito Santo”, vemos a santidade. Somente Deus possui estas
qualidades.

b) Atividades divinas no Espírito Santo

Notemos também o poder criativo do Espírito Santo. Na criação do mundo o Espírito


trouxe a vida — Gn 1:2; Jó 26:13; 33:4; Sl 104:30.

4 Observamos em João 16:8-11 a tríplice obra do espírito Santo no pecador:

✓ 1.Convencer do pecado — v. 8
✓ 2.Convencer da justiça — v. 10
✓ 3.Convencer do juízo — v. 11

Também notamos a obra do espírito Santo na ressurreição de Jesus Cristo, e o mesmo


poder operará em nós na ressurreição dos mortos —II Co 4:13-14.

c) Igualdade com Deus Pai e O Filho

✓ 1.Comissão apostólica — Mt 28:19


✓ 2.Bênção apostólica — II Co 13:13
✓ 3.Administração da Igreja —Ef. 4:4-6

3- OS NOMES DO ESPÍRITO SANTO

Os nomes e títulos do Espírito Santo são muito significativos, pois revelam sua natureza e
obra.

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a). Os nomes do Espírito Santo em relação com o Pai Isto significam que Ela tem
re1ação íntima com o Pai, no que se refere ao nosso bem-estar espiritual e segurança.

✓ 1.O Espírito de Deus -Gn 1:2; Mt3:16


✓ 2.O Espírito de nosso Deus — I Co 6:11
✓ 3.O Espírito do Senhor Jeová — Is 61:1
✓ 4.O Espírito do Seu Pai — Mt 10:20
✓ 5.O Espírito do Deus vivo —II Co 3:3
✓ 6.O Espírito do Senhor — Lc 4:18

b) Os nomes do Espírito Santo em re1ação com o Filho Estes nomes dados a Terceira
Pessoa da Trindade não significa que sejam dois espíritos distintos, como alguns
pensam, mas sim que o Espírito é dado em nome de Cristo, pois é enviado por Cristo.

O Seu trabalho especial é glorificar o Filho de Deus.

✓ 1.O espírito de Cristo — Rm 8:9; I Pe 1:22


✓ 2.O espírito de Jesus Cristo — Fp 1:19
✓ 3.O Espírito de Jesus—At 16:7

c) Os nomes do Espírito Santo que indicam atributos divinos

✓ 1.O espírito eterno —Hb 9:l4


✓ 2.O espírito da vida — Rm 8:2
✓ 3.O Espírito de santidade — Rm 8:2
✓ 4.O espírito de sabedoria — Ex 28:3; Is 11:2
✓ 5.O espírito da verdade — Jo 14:7
✓ 6.O Espírito da graça — Hb 10:29

d) Os nomes do Espírito Santo que indicam Sua obra

✓ 1.O Espírito de adoração — Rm 8:15


✓ 2.O espírito de fé—II Co 4:13
✓ 3.O espírito de Oração — Rm 8:26-27

4.OS SIMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO

Os símbolos do Espírito Santo são palavras empregadas nas Escrituras como i1ustração.
Você perceberá que eles representam a ação do espírito através dos vários ministérios
que exerce em favor do povo de Deus.

a) FOGO - LC 3:16

✓ 1.O Fogo queima — Hb 12:29; Is 4:4. A manifestação da ardente santidade de


Deus.
✓ 2.O fogo consome — consome o que é combustível: madeira, palha, feno — I Co
3:13-15

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✓ 3.O fogo limpa — O fogo pode tirar a escória de diferentes matérias. E o símbolo
do poder purificador — Is 6:6-7; Nm. 3:2-3. 4.O fogo amolece —O fogo do espírito
derrete os corações endurecidos — At 2:37.
✓ 5.O fogo endurece —O espírito Santo que torna o crente mais branco, também o
torna mais resistente, mais forte.
✓ 6.O fogo ilumina — Israel era guiado à noite por um clarão de fogo — Ex 13:2 1. O
espírito nos guia—Gl. 5:18.

b) VENTO - At. 2: 2

Jesus falou do vento como símbolo do Espírito Santo. O vento é invisível, mas é real. Não
podemos tocá-lo, nem o entender, mas podemos senti-lo — Jo 3:8.

✓ A mesma palavra “pneuma” que é usada em referência ao Espírito Santo, também


é traduzida por “vento”, “ar” ou “fôlego”. Deus soprou em Adão o fôlego da vida e
ele tornou-se alma vivente.

A ação do vento simboliza benefícios proporcionados a nós pelo Espírito Santo. Dentre
estes, destacam-se os seguintes:

✓ 1. Transmissão — Todo som é transmitido pelas ondas do ar. Através do Espírito


Santo nossas orações são transmitidas a Deus — Rm8:26. por intermédio do
Espírito Santo, a mensagem de Deus é transmitida aos pecadores Lc. 4:18.
✓ 2.Poder — Como um vento forte e impetuoso, o Espírito Santo manifestou-se no
cenáculo, onde os crentes primitivos estavam reunidos no dia de Pentecostes At
2:2; 37:41
✓ 3.Refrigério —O vento movimenta e refresca, amenizando o calor do sol Sl. 23:3.7

C) ÁGUA. RIO. CHUVA – Jo. 7:37-39

1.Origem:

✓ A. Cristo, a fonte — João 7:37-39


✓ b) Cristo a rocha fendida — Ex 17:6; I Co 10:4
✓ c) O rio procede do altar — Ez 47:1-2
✓ d) A chuva vem do céu - Is.55.10

2.Proporção:

a) A Água é abundante, nunca falta.

b) água de um poço — fica limitada — Jo 4:6:13

c) água a jorrar — ilimitada — J0 4:14

3.Utilidade:

✓ a) A água refresca e dessedenta — 51 42:2; 23:2

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✓ b) A água faz brotar as árvores e a erva — Jo 14:9; Is 44:4
✓ c) A água limpa— Hb. 10:22;Tt.3:5
✓ d) A água alimenta — Is 44:3

4.Valor:

✓ a. A água é gratuita—Is55:1
✓ b) A água é indispensável à vida, Pelo Espírito Santo.

D. ÓLEO - AZEITE - Zc 4:2-6

O óleo é considerado símbolo do Espírito Santo porque era utilizado nos cerimoniais de
unção e consagração de profetas, sacerdotes e reis no A.T. (Ex 30:30; Lv. 8:12; I Sm 10:1,
16:13). 1.Aplicação simbólica do óleo (azeite)

✓ a. Azeite na orelha, na mão e no pé — Lv. 14:17. Habilitação para ouvir a voz do


Deus, para trabalhar, para andar no caminho do Senhor.
✓ b) Azeite no rosto — Sl 104:15; Hb. 1:9 — para brilhar de alegria.
✓ c) Azeite nas feridas — Lc. 10:34 — para restauração

2.A unção com óleo representa a finalidade da Unção do Espírito

✓ Consagração do sacerdote para ministrar as coisas sagradas — Lv 8:10-12; Rm


15:16.
✓ b) Para servir eficientemente — Ap 3:18; Hb 1:9; II Co 4:18.
✓ c) Para enxergar perfeitamente — Ap 3:18
✓ d) Para comunicar conhecimento espiritual — I Jo 2:20; I Co 2:9-10.
✓ e) Para confirmar em Cristo — II Co l:21;Hb 3:14.

O óleo era usado para alimentar, iluminar, lubrificar, curar enfermidades, suavizar a pelo,
etc.

E. SELO —Ef 1: 13; II Tm2:19

1.Propriedade:

✓ Especialmente em épocas passadas, a impressão de um selo indicava a resolução


do proprietário do selo como sinal de que alguma coisa lhe pertencia.
✓ Os crentes são propriedade de Deus, e a habitação do Espírito Santo neles é a
prova desta possessão divina — Rm 8:9.

2.Legitimidade e Autoridade

✓ Os documentos eram reconhecidos e válidos mediante os selos da União, do


Estado, etc. Quando Jesus foi sepultado, os principais sacerdotes pretenderam
manter a Sua sepultura em segurança, selando-a e conservando-a sob guarda: Mt
27:66 Violar aquele selo implicava afrontar o governo romano. Assim, aquele que

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ataca um filho de Deus, selado com o Espírito Santo, ataca a autoridade do
Governo Celestial que nos tem autenticado como verdadeiros Filhos de Deus.

3.Segurança ou preservação — Ef 1:14

✓ Alguns produtos, como conserva de frutas e vegetais, são lacrados (selados) como
meio de evitar a penetração do ar, a fim de preservá-lo da deterioração durante
todo o tempo em que o selo foi conservado intacto. Assim também as nossas
vidas são seladas pelo espírito Santo e preservadas da má influência deste mundo
contaminado.

4.O selo é o Espírito Santo

✓ a) Jesus viveu pelo Espírito Santo — Lc 14:18


✓ b) Jesus se ofereceu e morreu pelo Espírito Santo — Hb 9:14
✓ c) Jesus ressuscitou pelo Espírito Santo — Rm 8:11
✓ d) Jesus vive em n6s pelo Espírito Santo — Cl 1:27
✓ e) Jesus produz vida em nos pelo Espírito Santo — I Jo 4:17; Gl 6:8

F. A POMBA - Mt.3:16-17

✓ O Espírito Santo desceu sobre os discípulos no cenáculo em forma de fogo; havia o


que queimar. Sobre Jesus veio em forma corpó6rea de uma pomba, símbolo da
pureza e inocência de Cristo.

1.A pomba saiu da arca, depois do juízo do sepultamento da terra nas Águas e sua
imersão — Gn. 8:8-12. O espírito Santo veio do céu sobre os discípulos depois do juízo
que caiu sobre Jesus por causa dos nossos pecados — At 2:1-4; Rm 6:3-5.

2.A pomba foi enviada três vezes e, na terceira vez ficou. O espírito foi enviado três
vezes:

✓ a. sobre os profetas;
✓ b) sobre Jesus e
✓ c) no Pentecostes — sobre a Igreja e veio para permanecer com ela (Mt 3:16; Jo
14:16-17; At2:1-4; I Pe 1:10-1l).

A natureza da Pomba: A pomba é uma ave limpa. Era usada para sacrifícios — Le 2:24.

Este símbolo fala de gentileza, ternura, amabilidade, inocência, bondade, brandura, paz,
pureza e paciência. Não há dúvida de que estas virtudes são próprias do Espírito Santo e
mostram a maneira como Ele age no crente para produzir estas qualidades.

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CAPÍTULO II

A OBRA E O MINISTÉRIO GERAL DO ESPÍRITO

1.NO ANTIGO TESTAMENTO

a) As referências ao espírito Santo no Antigo Testamento

✓ Consideremos agora o trabalho e a presença do espírito Santo no AT. Segundo T.


L. Holdcroft em seu livro “O espírito Santo”, Ele é mencionado oitenta e oito vezes
no AT. Isso significa a terça parte das vezes que Ele é mencionado no N. T. Vinte e
três, dos 39 livros do Antigo Testamento fazem referência ao Espírito Santo, e o
livro de Isaías menciona o Espírito Santo quatorze vezes mais que os outros.

b) O Espírito Criativo no Antigo Testamento

✓ Antes que fosse criado o homem, e mesmo antes que houvesse mundo, o espírito
Santo existia. Em Gn 1:2 a terra é descrita como uma massa sem forma e vazia, e
envolta em trevas. Um rio de esperança penetrava na escuridão: “O espírito de
Deus se movia sobre a face das águas”. Todos os três membros da Trindade
participaram da criação. O Pai exerceu a vontade e planejou a obra da criação; o
Filho realizou esse plano. O Espírito Santo também cumpriu a Sua parte, que é
especialmente a de transmitir vida.

O Espírito Santo em Sua obra:

1.Deu vida na criação e no sustento do universo— G. 1:2; Si 104:30.

✓ O Espírito Santo é o fornecedor e sustentador da natureza. O livro de Jó fala muito


a respeito desta obra. Em Jó 26:13 lemos: “Pelo Seu Espírito ornou os céus”. A
palavra “ornar” significa decorar ou adornar. Com que os céus estão adornados? A
noite resplandece com o brilho dos corpos celestes. Os astrônomos analisam as
mudanças de cor nas estrelas. Quem não aprecia a beleza do sol poente? O cristão
especialmente, sente grande prazer com essas maravilhas, porque conhece o
Artista que pintou cenas tão lindas. O salmista declarou no S1 33:6: “Pela palavra
do Senhor foram feitos os céus e todo o exército deles pelo Espírito de Sua boca. ”
“O Espírito de Sua boca”, é o Espírito Santo ajudando na criação dessas maravilhas
encontradas no universo — S1 29:1, 19.

2.Deu vida na criação e no sustento do homem — Gn 2:7; Jó 33:4; S1 33:6.

3.Comunica vida e produz o novo nascimento — Jo 3:5.

4.Ressuscitou a Cristo da morte — Rm 1:4; 8:11.

c) O Espírito Santo Antes do Dilúvio

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Gênesis 6:1-7 descreve a corrupção dos homens antidi1uvianos, dias em que seus
pensamentos e ações eram más continuamente. Em conseqüência disso Deus
entristeceu-se e decidiu destruir a raça humana, com exceção da família de Noé, através
da qual o mundo se propagaria. No meio de tão intenso juízo, Deus se lembrou da
misericórdia, dando a Noé um meio de escape através da arca que salvou a sua vida II Pe
2:5.

Durante 120 anos, enquanto construía a arca, o Espírito de Deus contendeu e persistiu
com os incrédulos. O ministério do Espírito é trabalhar com o pecador, avisando-o do
perigo que ameaça acontecer se ele recusar a Palavra de Deus. Gn 6:3 diz: Não
contenderá o meu Espírito para sempre. “Embora a paciência de Deus seja grande, ela é
limitada em certo sentido. O ímpio não deve presumir que de qualquer jeito e em
qualquer época Deus usará a misericórdia. Os antidiluvianos abusaram desta misericórdia
e foram destruídos. Podemos notar duas coisas aqui: a resistência do povo ao Espírito
Santo e a persistência do Espírito pelejando com o pecador.

d) O Espírito dinâmico produzindo líderes no Antigo Testamento

Muitos homens no AT, receberam poder especial do espírito Santo, outorgando-lhes


capacidade especial no exercício de seus ministérios. Foram homens de ação,
organizadores, executivos, etc.

1.OBREIROS PARA DEUS:

José — a nação do Egito enfrentou um tempo de crise sem precedentes em sua


hist6ria. Deus capacitou um jovem hebreu para reve1ação de mistérios, quando
interpretou os sonhos do rei, avisando a Faraó que sete anos de fartura seriam seguidos
por sete anos de fome. José sugeriu ao rei que escolhesse um administrador,
encarregando-o de guardar os cereais durante os anos de fartura. Disse o rei:
“Acharíamos um varão como este em que há o Espírito de Deus? ” — Gn 41 38-40 Então o
rei escolheu José, julgando que se ele pudera receber interpretação divina dos sonhos,
poderia então receber sabedoria administrativa para a emergência nacional. José recebeu
o cargo e pelo Espírito do Senhor administrou a vida econômica do Egito, salvando a vida
de muitos.

Bezaleel — quando Moisés precisava de um homem que seria ao mesmo tempo


arquiteto, desenhista, superintendente, mestre de obras, carpinteiro e artesão, Deus
capacitou a Bezaleel para realizar a construção do tabernáculo no deserto (Ex 31:1 -6); e
para ensinar outras pessoas - Ex 35:34). O Espírito Santo não apenas operou na “obra
espiritual”, mas também na “obra material”, e para elas necessitamos da mesma
operação do Espírito que ajudou Bezaleel.

Moisés — Isaías 63:11 diz que Moisés foi cheio do Espírito Santo. E o Espírito que
habitava em Moisés foi transmitido aos setenta anciãos, demonstrando assim que Moisés
era um homem cheio do Espírito Santo — Nm. 11:16-25. Ele recebeu capacidade,
autoridade e sabedoria para liderar o povo de Israel.

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Josué - em Nm. 27:18 e Dt. 34:9, diz que era um homem no qual residia o Espírito
Santo. Josué recebeu do Espírito Santo autoridade divina para comandar e liderar os
israelitas a conquistar a terra prometida — Js. 6-10.

2.OS JUÍZES:

A Bíblia fala que certos juízes experimentaram a descida do Espírito Santo em


suas vidas, concedendo-lhes habilidade administrativa para liderar o povo de Israel e
obter grandes vit6rias sobre os seus inimigos.

Sansão — as Escrituras falam que o espírito do Senhor era o segredo da força de


Sansão — Jz13:25. Não devemos pensar que Sansão foi um gigante e de proporções
físicas fora do comum, capazes de torná-lo um herói. Quando o espírito do Senhor vinha
sobre ele, então ele podia matar um leão com as mãos — Jz14:6,19; 15:14. Foi quando a
espírito do Senhor vejo sobre ele que recebeu forças para matar mil homens com uma
queixada de jumento — Jz15:15.

Otniel — foi a primeiro juiz. Ele adquiriu sabedoria para julgar Israel. Jz 3:9-10.
“Veio sobre ele a espírito do Senhor...”

Gideão — foi a sexto juiz. Apesar de seus inúmeros opressores, ele venceu os
midianitas com seus trezentos homens pelo poder do espírito Santo. “Então o Espírito do
Senhor revestiu Gideão...” — Jz6:34.

Jefté - foi a nono juiz. Ele venceu os filhos de Amom e libertou os israelitas,
conforme está escrito em Jz11:29— “Então o Espírito do Senhor veio sobre Jefté..”.
Podemos perceber que as grandes vitórias alcançadas por esses homens de Deus no A.T.,
era o resultado do poder do Espírito Santo operando sobre eles.

3.OS PRIMEIROS REIS DE ISRAEL:

✓ O Espírito Santo operou ativamente durante a primeira época dos reis de Israel. O
poder do espírito Santo transformou Saul em outro homem — I Sm 10:6. O
espírito ungiu esse rei para conduzir Seu povo contra o inimigo — I Sm 11:6,11. A
autoridade de Saul para reinar e as vitórias por ele alcançadas eram dadas pelo
poder do Espírito operando nele. A derrota de Saul foi a resultado de sua
obstinada desobediência às ordens de Deus — I Sm 13:8-18; 15:18-19,22. Quando
Samuel ungiu a Davi, o espírito veio e permaneceu sobre o futuro rei de Israel — I
Sm 16:13. Foi essa unção que deu vitória a Davi sobre o filisteu Golias e para
reinar tão bem sobre a nação, bem como lhe inspirar para escrever os
maravilhosos Salmos. Esse homem que era “segundo o coração de Deus”
compreendeu a tragédia que seria para ele se Deus lhe retirasse o Seu espírito - 51
51:11 Davi orou: “Não retires de mim o Teu Espírito”.

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4.OS PROFETAS:

✓ A obra do Espírito Santo no A.T. atingiu o ponto máximo através do ministério dos
profetas. Através desses homens de Deus Ele operou de três maneiras: a)Fizeram
maravilhas pelo seu poder.
✓ Por exemplo, Eliseu reconheceu o Espírito como o poder principal na vida de Elias,
pedindo como uma bênção final, que lhe fosse dada a porção dobrada da unção
que estava sobre Elias. Estes dois profetas serviram a Deus numa época de crise
espiritual nacional, e as vitórias por eles alcançadas nesta época e com os maus
reis, manifestaram ainda mais o poder do Espírito Santo operando em suas vidas.

b) Os profetas falaram e pregaram a mensagem de Deus sob a unção do Espírito para


sua geração e sua época.

c) A palavra escrita por eles foi produzida pela inspiração divina do espírito e
preservada para a posteridade. Pedro disse que “esses homens falaram inspirados pelo
Espírito Santo” — I Pe 1:10-12.

O espírito regenerador no Antigo Testamento

1.Operativo, mas sem ênfase — Is 63:10-11; 51 51:11; 142:10; Ne 9:20. Em seu livro
“Conhecendo as doutrinas da Bíblia “, Myer Pearlman diz: “O nome Espírito Santo ocorre
somente três vezes no A. T.., mas oitenta e seis vezes no Novo, sugerindo que no A. T. a
ênfase está sobre operações dinâmicas do espírito, enquanto no N T. a ênfase está sobre
o Seu poder santificador “.

2.Seu derramamento Geral Como Fonte de Santidade, uma Bênção Futura. Quando os
israelitas experimentaram a descida do Espírito Santo em forma parcial ou particular,
vários de seus profetas profetizaram que chegaria o momento quando a descida do
espírito Santo seria universal, ou geral — Jl2:28-19. Esta declaração prediz o
derramamento do Espírito Santo sobre toda a carne, fazendo “toda a carne” participar de
um acontecimento, que na história do povo israelita, ocorreu apenas individualmente, em
ocasiões esporádicas. O derramamento do Espírito Santo seria de tal magnitude que viria
acompanhado da profecia.

3.Em conexão com a vinda do Messias Foi necessário a vinda de Jesus Cristo ao mundo,
para efetuar a salvação e depois conceder a efusão universal do espírito Santo — Mt
3:11. Myer Pearlman disse: “A grande bênção da nova época seria o derramamento do
Espírito e foi o mais elevado privilégio do Messias, o de conceder o espírito”. Então, o
prometido derramamento do espírito Santo, teria como ponto culminante a pessoa do
Messias Rei. Podemos notar que no AT., o Espírito Santo é revelado de três maneiras:

✓ 1. Como Espírito criativo, cujo poder o universo e todos os seres foram criados;
✓ 2.O Espírito dinâmico ou doador de poder;
✓ 3.Como Espírito regenerador, através do qual a natureza humana é transformada.

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2. O ESPÍRITO SANTO NO NOVO TESTAMENTO

✓ Observaremos que o ministério do Espírito Santo no N. T. é bem mais amplo do


que no A.T., quando consideramos a sua manifestação na vida e ministério de
Jesus Cristo; assim como na igreja estabelecida por Ele e também no milênio com
sua atividade e presença maravilhosa. O Espírito Santo ficou em silêncio, sem falar
com os homens, durante quatrocentos anos aproximadamente, antes do
nascimento de Jesus Cristo.
✓ Durante esse período, nenhuma mensagem de Deus foi profetizada ao Seu povo.
Então repentinamente, começa um período de intensa atividade espiritual fora do
comum. Somente no Livro de Lucas, nos primeiros dois capítulos, encontramos
oito referências ao Espírito Santo, ou seja, de pessoas falando e profetizando sob
o poder do Espírito — Lc. 1:15, 35, 41, 46-55, 67-69~ 2:25-27, 30-35, 36-38.

A.O ESPÍRITO SANTO E A VIDA DE CRISTO

1 O nascimento virginal — Lc1 :26-4J, Mt 1:20

✓ Um anjo apareceu em Nazaré, a uma virgem chamada Maria, anunciando-lhe que,


pelo poder do Espírito Santo, ela conceberia e daria à luz um filho, que seria o
Salvador do mundo — Is 7:14; Mt 1:22-23. O anjo apareceu a José, noivo de Maria,
garantindo-lhe que a gravidez dela era o resultado da ação poderosa do Espírito
Santo. O anjo disse a José e Maria que este filho nasceria sem pecado. A Bíblia diz
em Lc1:35 que “o santo” que dela ia nascer seria chamado o “filho de Deus”. E em
Mt 1:21 o seu nome seria Jesus e a obra dele seria “salvar o seu povo dos seus
pecados”. A passagem de Cristo pelo mundo representa a vitória sobre o pecado,
e o resultado de Sua vinda foi a restauração da raça humana.

2.A apresentação no Templo — Lc 2:22-39

✓ Após o nascimento de Jesus, durante a Sua apresentação no Templo, o Espírito


manifestou-se novamente de forma especial sobre Simeão e Ana — 2:30-38. O
Espírito revelou a Simeão a verdadeira identidade do menino, anunciando que era
Cristo, o Messias prometido — Lc2:25-27. Simeão, homem sobre quem o Espírito
estava, foi impulsionado pelo mesmo Espírito, no momento certo a ir ao Templo, e
por ele falou a respeito de Jesus, a quem tomou nos braços.

3.O batismo de Jesus—Mt 3:11-17

✓ Depois de um período de atividade, aparentemente menor na vida de Jesus, o


Espírito Santo tornou a manifestar-se de modo especial. Estando João a batizar no
rio Jordão, Jesus veio a estar com ele. Quando Jesus foi batizado, o Espírito Santo
desceu sobre ele, marcando o início do Seu minist6rio. Ao imergir Jesus, João
Batista viu um sinal que Deus lhe indicara: “Sobre aquele que vires descer o
Espírito e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo” — Jo1:33.
Este sinal era necessário para que João reconhecesse quem era Cristo, o Messias,
e assim poder apresentá-lo especificamente ao povo judeu — Lc3:21-22. Assim, ao

EMBAIXADA ROCHA VIVA 38


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abrirem-se os céus e o Espírito Santo descer sob a forma de pomba, João
percebeu que contemplava o próprio Cristo.

4.O ministério público de Jesus

✓ O Espírito Santo operou na vida do Filho de Deus, de uma maneira especial. Essa
atividade será mais bem compreendida, ao entendermos como Jesus despojou-se
da Sua glória. Esta experiência está relatada em Fp 2:7, onde diz que Cristo era co-
igual com Deus e era o próprio Deus fazendo parte da divindade. Mesmo
desfrutando dessa elevada posição, ele a renunciou voluntariamente, tornando-se
homem para sofrer a morte. Ele deixou a glória que tinha junto ao Pai, antes que o
mundo existisse — Jo 17:5.
✓ Ao vir ao mundo em forma humana, voluntariamente, ele assumiu a forma de
servo sobre Si. Através do ministério do Espírito, no qual confiou, Jesus tornou-se
dependente de Deus; limitando-se a operar através do Espírito Santo e Seu poder.
✓ Inicialmente, o Espírito conduziu Jesus ao deserto para ser provado pelo diabo (Mt
4:1-10). Ao descrever este episódio, Marcos salienta a ação do Espírito dessa
forma: “Impeliu-O”. Lembremos que Espírito não levou Jesus ao deserto para
deixá-lo à mercê dos ataques de Satanás. Na verdade, Jesus, cheio do Espírito
Santo (Lc 1:4), obteve vitória sobre toda tentação, usando a espada do Espírito, a
Palavra de Deus (Hb4:12).

Só depois da tentação foi que Jesus começou seu ministério propriamente dito —Mt
4:17, 23-25.

Os cristãos também, depois de receberem o batismo no Espírito Santo, são aprovados


para terem sua fé mais arraigada e então desempenharem melhor seu ministério.

✓ Depois disto, Jesus iniciou um ministério de três anos e meio, repleto do poder de
Deus, enfrentando e vencendo os inimigos da humanidade. O poder que estava
nEle fazia com que dominasse sobre: -A natureza, que não pode continuar em sua
fúria ao ouvir a voz de Jesus ordenando. “Aquietai-vos” (Mc 4:39; Mt 8:23-27), ou
quando o mar ofereceu firmeza aos pés de Jesus ao andar sobre ele (Mt 14:22:23).
-As circunstâncias, que foram transformadas mesmo quando pareciam
impossíveis, como acontecem quando ele alimentou milhares de pessoas, com
apenas alguns pães e peixes (Mt 14:17-21).

-As doenças. Onde quer que Ele passasse, os cegos viam, os coxos andavam, os leprosos
eram limpos, os surdos ouviam e toda classe de doentes era trazida para que ele curasse.
Esse ministério não tinha precedentes na hist6ria da humanidade (Mt 11:5; 8:1-4, 14-17).

-Os demônios, fazendo com que estes fugissem ante a sua presença, libertando dessa
forma a humanidade da aflição que eles causavam (Lc 11:20; Mt 12.28, Mc 5:7; At 10:38).
-A morte, que perdeu seu poder diante da poderosa palavra que Jesus lhe dirigiu ao
libertar algumas pessoas de suas garras, trazendo-as novamente A vida; como poderemos
observar nos exemplos seguintes: “Moço, a ti te digo: Levanta-te” (Lc7:14-17).

EMBAIXADA ROCHA VIVA 39


KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO
A Lázaro, disse em grande voz. “Vem para fora” (Jo11:43). Aqueles que o ouviram
disseram: “Nunca homem algum falou como este homem”. A pregação de Jesus era
diferente dos demais homens (Jo7:43). Não era somente a essência de sua mensagem,
mas também a maneira de expressá-la, que causava admiração. Seu falar demonstrava
força e autoridade, que transformava a vida dos seus ouvintes.

✓ Cristo exerceu Seu ministério não apenas como Deus, mas como homem perfeito,
ungido pelo Espírito Santo. Esse ministério maravilhoso que operava em Cristo era
o resultado do poder do Espírito que nEle estava. Da mesma forma, os cristãos
devem depender de Deus, para que assim, o Espírito que operava em Cristo tenha
lugar, realizando obras sobrenaturais no seu ministério; pois ainda hoje podemos
receber o mesmo poder que estava em Cristo.

5.A crucificação

✓ O mesmo Espírito que impeliu Jesus ao deserto, sustentando-O ali e operou em


Seu ministério, também Lhe concedeu força para consumar este ministério sobre
a cruz onde, “pelo Espírito eterno Se ofereceu a Si mesmo imaculado a Deus. ” (Hb
9:14). Ele foi à cruz com a unção ainda sobre Si.
✓ O Espírito manteve diante dEle as exigências inflexíveis de Deus e O encheu de
amor e zelo para com Deus, prosseguindo, apesar dos impedimentos da dor e
dificuldades, a efetuar a obra de redenção do mundo (Hb 12:2). Este mesmo
Espírito proporcionou o triunfo de Cristo sobre a morte para “levar-nos a Deus” (I
Pe 3:18).

6. A ressurreição

✓ O Espírito Santo foi o agente vivificador na ressurreição de Cristo e O será também


na nossa —Rm 1:4;8:I1,23.

7. Ascenção

A concessão do Espírito Santo na vida de Cristo foi em três fases:

✓ a. Na Sua concepção, quando o Espírito de Deus agiu nesse momento, procedendo


com poder vivificante e purificador no Espírito de Jesus, Ele foi ingressado em Sua
carreira como Filho do homem e pelo qual viveu até o fim.
✓ b) Com o passar dos anos, começou uma nova relação com o Espírito Santo. O
Espírito de Deus passou a ser o Espírito de Cristo no sentido de que repousava
sobre Ele para exercer seu ministério messiânico.
✓ c) Após Sua Ascenção, o Espírito de Deus veio a ser o Espírito de Cristo no sentido
Dele ser outorgado a outros (Jo 1:33). Após a ascensão, que aconteceu há séculos
atrás, o Espírito continua a cumprir o ministério de Jesus Cristo na terra. O cristão
certamente reconhece Cristo como o único objeto da sua fé, mas reconhece
também que o Espírito Santo é o único poder que ratifica e implementa essa fé.

EMBAIXADA ROCHA VIVA 40


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B.A IGREJA

1.O DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO SANTO

a) Enviado por Cristo

✓ O Espírito veio para permanecer sobre Cristo, não apenas para Suas próprias
necessidades, mas também para que ele derramasse sobre todos os cristãos:
Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o
Espírito Santo” (Jo 1:33).
✓ O derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecoste, confirmou a chegada de
Cristo à destra do Pai, um sinal de que a obra redentora havia sido consumada.
Então, após Sua Ascenção, o Senhor exerceu a grande prerrogativa messiânica que
Lhe foi outorgada — enviar o Espírito a outros. Portanto, Ele concede a bênção
que Ele mesmo recebeu e faz da Sua Igreja e Seus seguidores, coparticipantes com
Ele mesmo — “De sorte que, exaltado /a destra de Deus, e tendo recebido do pai
a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis.” (At
2:33).

b) O Cumprimento da Promessa

✓ Este derramamento que aconteceu no dia de Pentecoste (At 2), é o cumprimento


da promessa de Cristo em dar o Consolador (At 1:8). O Senhor havia dito que
dentro de poucos dias eles iriam receber esta experiência, o batismo no Espírito
Santo (At 1:5).

c) O Nascimento da Igreja

✓ A vinda do Espírito Santo era a promessa que os seguidores esperavam no


cenáculo. Esse evento poderoso, acompanhado de evidências visíveis — vento,
línguas de fogo, dominaram estes discípulos e eles falaram em línguas por eles
desconhecidas, mediante o poder sobrenatural (At 2:1-4). Os cento e vinte no
cenáculo eram os primogênitos dos milhares e milhares da Igreja, que desde
então têm sido estabelecidas durante os ú1timos vinte séculos. O derramamento
Pentecostal foi o princípio de uma nova dispensação.
✓ Deus enviou o Seu Filho e quando a missão do Filho foi cumprida, Ele enviou o
Espírito do Seu Filho para continuar a obra sob novas condições. A época entre a
Ascenção de Cristo e Sua segunda vinda, é essa dispensação do Espírito. O Espírito
veio ao mundo em um tempo determinado para uma missão específica e partirá
quando Sua missão tiver se cumprido. Ele não apenas veio ao mundo com um
propósito determinado, mas também por um tempo determinado. O nome
específico do Espírito durante essa dispensação será “O Espírito de Cristo”. O
ministério continuará até que Jesus venha, depois do qual se realizará outro
ministério dispensacional.

EMBAIXADA ROCHA VIVA 41


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2.PROVISÃO DO PODER DIVINO PARA A IGREJA

✓ No seu livro “The Holly Spirit”, L. T. Holdcroft diz: ‘... muitas das realizações e
características da Igreja, no livro de Atos, são atribuídas ao Espirilo Santo. Ele tem
sido chamado “0 Executor da Grande Comissão e o Administrador do
empreendimento missionário”. Foi por Sua habilidade que as conversões
aconteceram, que a unidade foi preservada na Igreja, que uma dinâmica liderança
neo-administrativa foi provida e os milagres foram realizados”. Dessa forma se
explica a divulgação tão rápida do Evangelho naquele tempo, dando início a um
movimento que perdura até nossos dias. Essa foi a obra sobrenatural nos
seguidores de Cristo.
✓ Tudo o que a Igreja primitiva, necessitava nos primeiros séculos para divulgar o
Evangelho no mundo, foi providenciado pelo poder do Espírito Santo. O Espírito
Santo tem desempenhado Seu papel como “Produtor da História da Igreja”.

3.A MORADA PERMANENTE DO ESPÍRITO SANTO NA IGREJA

✓ No dia de Pentecoste o Espírito Santo foi enviado para habitar na Igreja como Seu
templo, sendo sua presença localizada no Corpo coletivo e nos cristãos
individualmente. O Espírito assim, assumiu Seu ofício para administrar os assuntos
do reino de Cristo. O Espírito Santo é o representante de Cristo. A Ele está
entregue toda a administração da Igreja até a volta de Jesus. A obra e o propósito
final do Consolador, é a edificação e aperfeiçoamento do Corpo de Cristo.
✓ A confiança na direção do Espírito estava profundamente arraigada na igreja
primitiva. Não havia nenhum aspecto na vida dos cristãos, em que não se
reconhecesse Seu Dirigente ou que não se sentissem os efeitos da Sua direção. O
Espírito Santo é o Diretor divino que guia a Igreja e o crente fielmente. É
necessária sua direção nos seguintes aspectos:

a) No Trabalho Geral da Igreja.

✓ Capacitando a Igreja a testemunhar, ganhar almas para Cristo e cuidar do rebanho


através da pregação (I Pe 1:12; 1 Ts 1:6; I Co 2:4-5); oração (Jo 16:23; Ef 6:18; Jd
20; Rm 8:26-27); canto (Ef 5:18-19) e testemunho (At 8:4-5, 35; 11:19-20).

b) Na Administração e Organização da Igreja Esta é a prerrogativa e o ministério do


Espírito Santo através de homens escolhidos para cargos e ofícios nela (At 20:28; 6:3;
15:28).

✓ 1. A Liderança Administrativa. O Espírito Santo providenciou liderança


administrativa e operou milagres por ação direta, através de anjos ou visões. Por
exemplo, o Espírito Santo enviou Filipe a Gaza (At 8:26-29); deu direção a Ananias
para orar por Saulo (At 9:10-15) e orientou os líderes da Igreja em Antioquia para
escolher missionários (At 13:1-4).
✓ 2. A Chamada e a Ordenação de Obreiros. O Espírito Santo confirmou através da
Igreja, a chamada de Barnabé e Saulo e ordenou-os para a obra missionária. Os
líderes da Igreja preocuparam-se não com suas próprias convicções, mas com a

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escolha do Espírito Santo (At 13:2-4). Paulo também estava consciente de que
todo o seu ministério era inspirado pelo Espírito Santo—Rm15:18,19.
✓ 3.A Solução de Problemas e Discórdias. O Espírito Santo deu aos apóstolos
sabedoria divina e direção para resolverem o primeiro problema da Igreja,
estabelecendo assim, a organização na Igreja (At 6:1-6). Deu também sabedoria
aos líderes para solucionarem as diferenças entre judeus crentes e gentios novos
convertidos, guiando na rejeição das limitações do nacionalismo judeu excessivo e
tirando a barreira de preconceitos raciais e discriminação (At 15:28), evitando
assim, a fragmentação da Igreja e cumprindo os propósitos de Deus.

c. Na Orientação da Obra Missionária. Os grandes movimentos missionários da Igreja


primitiva, foram ordenados e aprovados pelo Espírito Santo — At 8:29; 10:19, 44: 13:2,4.
Ele, como Diretor divino de missões, impediu e não permitiu certas viagens, mudando os
planos de Paulo e dando uma nova direção a ele e A obra missionária.

4.A ASCENSÃO DO ESPÍRITO E O ARREBATAMENTO DA IGREJA

✓ A obra específica do Espírito Santo na dispensação atual, é preparar uma esposa (a


igreja mundial) para Cristo (At 15:14; I Co 3:16; 1 Jo 4:2). Quando isto for realizado
e houver “entrado a plenitude dos gentios” (Rm11:25), ocorrerá o arrebatamento
da igreja, e o Espírito passará Sua administração para o Filho. Depois que a Igreja
for levada, a missão dispensacional do Espírito Santo, como o “Espírito de Cristo”
será concluída, no entanto, Ele permanecerá no mundo com um ministério
diferente.

C.O ESPÍRITO SANTO NO FUTURO

✓ Na dispensação atual, o Espírito Santo tem sido o poder divino executor na Igreja.
Quando a Igreja lhe oferece seu devido lugar, ela experimenta estrondosos
avivamentos; quando a Igreja O ignora e negligencia, deixando-O à parte, sofre
derrotas em sua missão, no que diz respeito à salvação de almas e ao crescimento
espiritual dos seus membros. Com a ascensão da Igreja atual, terá início um novo
período que dará ocasião a operação do Espírito de uma forma diferente.

Este período terá pelo menos três pontos culminantes e distintos, como seguem:

I.A TRIBULAÇÃO

✓ O presente ministério do Espírito Santo em permanecer sobre a terra e restringir


as investidas de Satanás, será interrompido no período da Tribulação — “Porque
já o ministério da injustiça opera... há um que agora resiste até que do meio seja
tirado” (II Ts 2:7). Quando a Igreja for transladada o Espírito interromperá seu
ministério, ou seja, o de estar permanentemente sobre a terra, como Ele faz
agora, na época da Igreja.
✓ Os convertidos da Tribulação não terão o privilégio de ter o Espírito Santo
habitando neles, para torná-los novas criaturas em Cristo Jesus, como acontece
com os cristãos atuais. Os que se arrependerem e vierem a Deus durante a
Tribulação desfrutarão de uma posição semelhante a dos crentes do A.T. “Creu

EMBAIXADA ROCHA VIVA 43


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Abraão em Deus, e isto lhe foi imputado como justiça” (Rm 4:3). Como Abraão, os
santos da Tribulação, conhecerão a justificação de Deus, mas não a regeneração
feita pelo Espírito, nem Sua presença interna.
✓ Entretanto, o Espírito Santo certamente continuará seu ministério no campo da
humanidade, durante o período da Tribulação. Sob o símbolo dos “sete espíritos”,
os quais aparentemente denotam plenitude. O Espírito é simbolizado durante o
período da Tribulação como sendo “enviados a toda a terra” (Ap 5:6).
Aparentemente, o Espírito terá parte no desenvolvimento do julgamento das
forças do Anticristo. Como um outro ministério, o Espírito ungirá, capacitará e
sustentará os judeus e os gentios restantes, e deste modo, lançará o fundamento
para a conversão da nação judaica e a perseverança dos crentes, até o ponto de
martírio. Seria evidente afirmar que estes que selam seu testemunho com seu
próprio sangue serão vitalmente dependentes do Espírito Santo, no que se refere
às suas conquistas, espiritualmente. Mesmo que o Espírito não opere a
regeneração, ele providenciará o ímpeto espiritual necessário para levá-los a crer
em Deus, para que isso possa ser contado para eles por justiça. João enumerou os
santos da Tribulação em duas classes: “... vi debaixo do altar as almas dos que
foram mortos por amor da Palavra de Deus e por amor do testemunho que
deram... E foram dados a cada um compridas roupas brancas” (Ap 6:9-
11).~‘Depois destas coisas olhei; e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia
contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do
trono e perante o Cordeiro Trajando vestidos brancos e com palmas nas mãos”
(Ap 7:9).

2.A REVELAÇÃO DE CRISTO

✓ Na revelação de Jesus Cristo, O divino Filho de Davi, há muito rejeitado pelo Seu
povo, irá assumir sua posição como Rei dos Reis. O Espírito Santo
apropriadamente O ungirá e O capacitará para seu novo ministério. “Porque
brotará um rebento do trono de Jessé, ...e repousará sobre Ele o Espírito do
Senhor, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conhecimento e
de temor do Senhor” (Is 11:1-2). Assim pode ser dito, que o hábil governo do
Cristo divino será exercido no e pelo poder do Espírito Santo.
O fato de que Cristo revelar-se-á, e retornará como grande Conquistador para
derrotar o Anticristo e seus exércitos, é uma conseqüência do trabalho do Espírito.
Os judeus retornarão para Ele e O receberão como sendo deles mesmos, por
causa da efusão do Espírito sobre eles — “Porque derramarei água sobre o
sedento e rios sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a una
posteridade, e a minha bênção sobre os teus descendentes” (Is 44:3). “E porei em
vós o meu Espírito e vivereis, e vos porei na vossa terra...” (Ez37:14,). “E sobre a
casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém; derramarei o Espírito de graça e
de súplicas; e olhando para mim a quem traspassaram, e o prantearão... “(Zc
12:10).

A efusão do Espírito no desfecho da Tribulação, aponta para a revelação de Cristo, porque


a exposição do Espírito opera nos corações dos judeus que se arrependem e aceitam seu
Messias, que eles previamente haviam rejeitado.

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3.O MILÊNIO

✓ O Milênio, ou seja, o reino de mil anos que Cristo reinará sobre a terra, será o
tempo em que o Espírito exercerá a plenitude do seu ministério. Haverá um
derramamento tal qual nunca houve no mundo (Is32:15). As conseqüências deste
derramamento são descritas como sendo justiça, paz, repouso e segurança” (Is
32:16-17), de forma predominante O Espírito Santo será sentido de uma forma
comum a todos no milênio, em contraste com a infrequência disto em outras
épocas, e isto será manifestado na adoração e louvor ao Senhor, na pronta
obediência a Ele, assim como o poder e transformação interior. No milênio,
quando haverá um novo governo e um reino de justiça, o ministério do Espírito de
Deus trará renovação completa (Is.44:3).

CAPITULO II

O ESPÍRITO SANTO NA EXPERIÊNCIA HUMANA

1.O ESPÍRITO SANTO E O PECADOR

a. CONVENCE DO PECADO

✓ Por si mesmo, o homem jamais daria o primeiro passo em direção a Deus.


Portanto operação número um do Espírito Santo é fazer com que o homem
pecador sinta necessidade do Salvador (Jo 16:8-11). O Pai atrai os homens para Si
mesmo através do ministério do Espírito Santo. Jesus disse: “Ninguém pode vir a
mim, se o Pai que me enviou não o trouxer” (Jo6:44).

A metodologia do Espírito Santo é fazer com que a pessoa:

1.Sinta Seu Pecado

O Espírito Santo faz com que o pecador sinta seu pecado movendo o seu coração de
maneira que entenda que é um pecador; principalmente pelo fato dele não crer que Jesus
é a sublime expressão do amor de Deus. Os homens, muitas vezes, reconhecem que:

✓ A. nasceram no pecado;
✓ c) sua maneira de viver é vã, e que
✓ d) serão condenados eternamente.

Entretanto, ainda não são convencidos. Mas quando compreendem o amor de Cristo e o
quanto ele sofreu por eles, ai então, caem aos pés de Cristo, arrependendo-se dos seus
pecados. Isto acontece porque o pecado da incredulidade que comportava e produzia
novos pecados, desaparece. Certo erudito disse: “onde esse pecado permanece, todos os
demais pecados surgem e quando esse desaparece, todos os demais desaparecem”. A
resistência termina quando compreendem que o pecado é resistir ao supremo amor. 0
Espírito Santo não age com veementes acusa~~es contra o pecador como o faz o
promotor de justiça contra o réu. A convicção do Espírito Santo não é efetuada com

EMBAIXADA ROCHA VIVA 45


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dureza, mas sim com ternura. A voz do Espírito é meiga, apelando ao coração para que
aceite Aquele que derramou Seu sangue no Calvário.

2.Convença-se da Justiça de Cristo -. Jo 16:8-10

✓ Essa justiça é comprovada pela ressurreição do Senhor, testificando a pureza de


Cristo, ou seja, que nEle não havia pecado; Ele não era pecador, mas sim justo (Rm
1:4). Sua morte no Calvário bradou sua vitória sobre o pecado, libertando o
pecador de sua escravatura. O Espírito Santo usou Pedro para convencer aqueles
que O haviam crucificado, de que Jesus não era pecador, mas que eles tinham
crucificado o Senhor da justiça. (At. 2.36-37).
✓ O pecador sente através da operação do Espírito Santo que as suas iniquidades
não condizem com o sacrifício propiciador de Cristo, assim, a justiça de Cristo
reprova os atos do pecador, mas indica-lhes também a salvação, abolindo desta
forma qualquer desculpa que tente justificar o pecador (At 2:38).

3 Convença-se do Juízo —Jo 16:8,11

✓ O pecador é convencido pelo Espírito Santo de que, se ele continuar na prática do


pecado, não irá escapar do reto juízo de Deus (Rm 2:3); de que já o príncipe deste
mundo, Satanás, está julgado (Jo 16:11). Ele tem governado como um tirano a vida
dos seus servidores, mas a graça de Deus consumou no Calvário a vitória que Jesus
obteve sobre o diabo, libertando assim o pecador da sua escravidão. O poder que
Satanás tinha sobre os homens foi destruído pela verdade da cruz e assim, a sua
ruína foi decretada (Hb2:14-15; Cl 2:15; 1 Jo 3:8; Rm 16:20). Cristo venceu o diabo
libertando os homens, e cabe a este aceitar sua libertação. O Espírito convence os
homens que eles podem ser livres (Ez28:14; Jo 8:36; 1 Jo 3:8; Cl 2:13; Jo 12:23,31-
33); e de que devem crer na declaração de Jesus de que passaram da morte para a
vida (Jo 5:24).

D.REGENERA

Depois que o pecador é convencido pelo Espírito Santo do pecado, da justiça do juízo,
este precisa ser regenerado e vivificado, pois só assim poderá se tomar filho de Deus. Por
ter nascido no pecado e possuir uma natureza pecaminosa, é inútil tentar por si mesmo,
melhorar essa natureza decaída herdada do velho Adão. A única alternativa é receber de
Jesus Cristo, o segundo Adão, uma nova natureza (I Co15:45).

✓ a. A natureza da regeneração. O Espírito Santo proporciona o início de toda a vida


espiritual — “... quem não nascer da carne e do Espírito, não pode entrar no reino
de Deus” (Jo 3:5). A sua própria maneira, O Espírito Santo opera naqueles que
estão espiritualmente mortos, vivificando-os. Desta forma, o convertido é filiado
ao Espírito Santo — ‘Mas, se alguém não tem 0 Espírito de Cristo, esse tal, não é
dele” (Rm 8:9). Um dos chefes judeus chamado Nicodemos recebeu de Jesus a
explicação do significado do que venha a ser “nascer de novo”. Este nascimento
não acontece através da vontade da carne, mas ocorre pelo Espírito e pela água —
aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3:3).

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✓ b. A necessidade de regeneração. Nicodemos era um homem bom, de moral
elevada, religioso e muito bem-educado; mas mesmo assim Jesus insistiu que ele
precisava nascer de novo. A natureza humana é tão depravada, por causa do seu
estado de morte espiritual, que é necessário que o homem receba vida,
unicamente através de uma mudança radical — O novo nascimento. (Ef 2:1;
Lc18:18-29).
c.A efetuação e o processo de regeneração. Este processo é uma completa
recriação de uma mera fagulha em chamas da centelha divina; isto não significa
desenvolver uma natureza superior, mas criar uma nova natureza.

A expressão “nascer da carne e do espírito”, simplesmente significa que o


homem. Em conseqüência de sua imundícia, precisa nascer da água, ou seja,
precisa ser purificado. Essa água representa a poderosa e infalível Palavra de Deus
(Ef 5:26; I Pe 1:23). Esta verdade pode ser encontrada também em Ezequiel,
quando o Senhor disse: “... aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados...
porei dentro em vós o meu Espírito e vos farei andar nos meus estatutos...
(Ez36:25-27; Tt 3:4-5; Ef 2: 1)A expressão “nascer do Espírito” pareceu estranha a
Nicodemos,Jesus explicou-lhe que a ação do Espírito sobre o homem é
semelhante ao vento, cuja origem e destino, não se conhecem. Da maneira como
Deus soprou nas narinas de Adão dando-lhe vida, assim o Espírito de Deus vivifica
o espírito do homem, que se encontra morto em seus delitos e pecados,
tornando-o apto a viver para Deus em santidade.

No atual processo de regeneração, essa operação é exclusivamente do Espírito


Santo, e é uma obra divina e não humana

2.O ESPÍRITO SANTO E O CRENTE

A HABITA NELE

✓ A habitação do Espírito Santo é tão básica na experiência cristã, que o crente é


descrito como sendo o templo do Espírito — “ou não sabeis que o vosso corpo é o
templo do Espírito Santo, que habita em vós... “(I Co 6:19,). “Não sabeis vós que
sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós”? (I Co3:16). A
habitação do Espírito no crente, confirma a filiação do crente -“E, porque sois
filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de Seu Filho...” (Gl 4: 6). Jesus
assegurou aos seus discípulos que o seu relacionamento para com o Espírito
mudaria após o Calvário — “O Espírito da verdade, que o mundo não pode
receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conheceis, porque habita
convosco, e estará em vós” (Jo14:17). Ele ressaltou que isto seria um
relacionamento permanente — “... para que fique convosco para sempre...”(Jo
14:16). O Espírito Santo habita no verdadeiro cristão, pois é através do Espírito
que Cristo habita em seu coração pela fé. Esta união com Deus é a chamada
habitação interior, e na realidade é produzida pela presença da Trindade completa
nele. Habitando em nossos corações, a missão principal do Espírito Santo é
glorificar a Cristo — “Ele me glorificará porque há de receber o que é meu, e vo-lo
há de anunciar” (Jo16:14).

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O Espírito Santo não fala de Si, mas de Cristo a quem glorifica. Verdadeiramente, Ele está
sempre presente em toda parte, mas a habitação interior significa que Deus está presente
de uma maneira nova, mantendo uma relação pessoal com o indivíduo. A habitação do
Espírito começa no momento da conversão — “... e nisto conhecemos que Ele (Jesus) está
em nós, pelo Espírito que nos tem dado” (I Jo3:24). A habitação do Espírito Santo precede
todo e qualquer relacionamento que o cristão tiver com Ele. (Rm 8:9; II Tm1:14; Jo 2:27;
Cl 1:27; Ap 3:20). Quando o Espírito habita no crente, este recebe um cuidado todo
especial, porque o Espírito assume certas atitudes para com ele , tais como:

1.Certificando a Filiação Divina

✓ Paulo declara que: “O mesmo espírito testifica com o nosso espírito que somos
filhos de Deus” (Rm 8:16). Esta afirmação está de acordo com o que João disse: “...
e o Espírito é o que testifica porque o Espírito é a verdade” (I Jo 5:6). Desta forma
o Espírito providencia uma percepção espiritual que expande o senso natural.
Muitos novos convertidos guardam muitas incertezas, ou mesmo, dúvidas
declaradas, no que se refere à recém encontrada fé. Às vezes os efeitos do pecado
são tão profundos que a pessoa deixa de desfrutar da presença de Deus. Uma face
da obra do Espírito Santo é fazer-nos entender que somos verdadeiramente
“filhos de Deus e “co-herdeiros com Cristo”. Essa obra em nós dá uma confiança
que facilita a nossa entrada com “ousadia no trono da graça”. Resumindo
podemos concluir que:

✓ a. Através do novo nascimento recebemos a natureza de “filhos de Deus”;


✓ b. Através da adoção, o Espírito testifica com o nosso espírito, que realmente
possuímos os direitos de “filhos de Deus”. Esta 6 uma parte essencial e aceitável
do ministério do Espírito Santo, ou seja, o de assegurar ao cristão sua estabilidade
e segurança em Deus.

2.Comungando

✓ Desde que o Espírito Santo é uma pessoa divina, Ele tem trabalhado para estender
uma comunhão pessoal e um senso de relacionamento para com os crentes. A
palavra grega “koinonia” pode ser traduzida como “comunhão” — “Portanto, se
há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma
comunhão (koinonia) no Espírito...” (Fp 2:1). “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o
amor de Deus e a comunhão (koinonia.) do Espírito Santo seja com todos v6s” (II
Co13:13). O Espírito Santo e o crente regenerado, compartilham muitas coisas em
comum. Ele oferece amizade e comunhão ao povo de Deus. Ele compartilha com o
crente o mesmo amor que Ele tem para com o Pai e o Filho, Ele guia cada um,
sobre os quais Ele habita, num relacionamento crescente com Deus através da Sua
divina Pessoa. Jesus Cristo, além de nos conceder a bênção do Espírito Santo,
também nos concede a “comunhão” do Seu Santo Espírito. Esta bênção não
apenas nos leva a ter uma comunhão privilegiada com Jesus como também,
comunhão com os outros cristãos da Igreja.

EMBAIXADA ROCHA VIVA 48


KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO
3.Assistindo no Louvor e na Oração

✓ Paulo escreveu: “Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus
no Espírito...” (Fp 3:3). O cristão do N.T. tem o privilégio de participar do
ministério do Espírito Santo, que lhe concede direção e provisão eficiente no
louvor. Jesus prometeu, no que diz respeito ao Espírito: “Ele me glorificará...” (Jo
16:14).
✓ O Espírito Santo opera conduzindo o crente que louva A presença do Rei. As
instruções específicas no que é concernente A adoração dos crentes, são dadas
por Paulo — “... mas enchei-vos do Espírito; falando entre vós com salmos e hinos
e cânticos espirituais. Salmodiando ao Senhor no vosso coração... “(Ef 5:18-19).
✓ O ministério do Espírito, particularmente, assiste o crente na oração — “Orando
em todo tempo, com toda a oração e súplica no Espírito” (Ef 6:18). O Espírito
Santo é quem nos ajuda em nossa vida de oração, conforme nos mostra em
Rm8:26-27. Ele intercede por nós, porque nós não sabemos orar como devemos, e
quando não sabemos pedir o que devemos pedir, precisamos de alguém para nos
orientar, e esse alguém é o Espírito Santo.
✓ Devemos achar conforto num aspecto da intercessão do Espírito. Em Rm8:27está
escrito: “...É Ele que segundo Deus intercede pelos santos”. A nossa confiança
para com Deus deve ser muito grande, quando sabemos que oramos “segundo
Deus”. O Espírito produz exatamente essa confiança. Muitos crentes fazem pouco
caso dEle, e assim, deixam de usufruir as vantagens que Ele dispensa. Se todos
fossem cheios do Espírito Santo e humildemente confiantes na Sua Pessoa, não
haveria crentes fracos e frustrados.

4 Instruindo e Lembrando

✓ Jesus disse: “... o Espírito Santo... esse vos ensinará tantas coisas e vos fará
lembrar de tudo o que vos tenho dito” (Jo 14:26). A instrução do Espírito envolve
claramente, entre outras coisas providenciar soluções reais para problemas
práticos. O Espírito da verdade... Ele vos guiará a toda verdade...”(Jo 16:13). Desde
que ele deixa mestres na igreja, Ele ensina através de ambos; da impressão direta,
ou seja, da iluminação das Escrituras, e através dos recursos humanos. Um dos
resultados do ministério do Espírito ao instruir e recordar a mensagem de Jesus foi
a produção do Novo Testamento através dos apóstolos. O ensino do Espírito Santo
não se relaciona tanto, como a revelação de verdades novas e desconhecidas, mas
sim, com a iluminação das verdades já conhecidas e reveladas. Como já dissemos,
de uma forma muito especial, Ele abre nossas mentes e corações para
compreenderem a Palavra de Deus. Se o Espírito é o Autor deste livro,
consequentemente, é o seu melhor intérprete. O mesmo Espírito que inspirou
homens a escrever a Bíblia, poderá atualmente ungir os crentes para
compreenderem as verdades que a Bíblia reúne.
✓ No ensino e recordação, o Espírito não é limitado ao intelecto humano ou à
operação lógica convencional da mente no raciocínio e no recordar. Ele
simplesmente comunica a medida do entendimento divino, e isto é diferente do
que é convencionalmente humano.

EMBAIXADA ROCHA VIVA 49


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✓ “... e não tendes necessidade de que alguém Vos ensine, mas com a sua unção vos
ensina todas as coisas...”(1 Jo 2:27). Deste modo podemos ver como o Espírito é
um grande instrutor, pois que, mesmo que Seus ensinos sejam muito profundos,
Ele nos proporciona meios para entender a verdade, que de outro modo, a mente
humana limitada, seria incapaz de compreender. Em I Co 2:9-10 lemos: “As coisas
que o olho não viu e o ouvido não ouviu e não subiram ao coração do homem, são
as que Deus preparou para as que O amam. Mas Deus no-las revelou o Seu
Espírito, porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus”.

3.Guiando

O Espírito opera, dirigindo o crente na tomada de decisões e solucionando problemas,


particularmente aqueles relacionados ao serviço do Senhor.

✓ Ele cumpre a promessa de Deus —“Instruir-te-ei e ensinar-te-ei o caminho que


deves seguir; guiar-te-ei com os meus olhos” (Sl.32.8). Ele oferece liberdade das
distrações, inclusive da própria carne (Rm8:14; Jo 16:13). Para ser guiado pelo
Espírito, deve-se colocar de lado a autossuficiência e a sabedoria natural, mesmo
que a direção do Espírito não seja contrária a eles (GI 5:25). Ser sensível à direção
do Espírito é uma marca de maturidade crista. O ministério do Espírito ao guiar,
tem sido descrito quando opera no crente por uma “intuição do nosso
julgamento cristão”. Flaterry destacou que aquele que toma uma atitude orando,
sendo submisso e humilde, desejando a intervenção da vontade de Deus, este
pode confiar na Sua direção.
✓ Ocasionalmente, a direção do Espírito é negativa e preventiva (At 16:6-7) Edmund
Tedeschi comenta sobre este incidente dizendo: “O Espírito guia, e o resultado é
que Cristo é exposto a um indivíduo, a uma família, ou a uma região qualquer do
mundo. E o impedimento do Espírito, de fato oculta o Evangelho, talvez para
proteger Seus mensageiros, talvez no julgamento da região, talvez para que a
mensagem seja mais rápida para os povos mais bem preparados, ou talvez
porque Ele está guiando um outro apóstolo (enviado) para aquele lugar. O
Espírito guia iluminando as Escrituras, desvendando mistérios (Jo 14:26; 1 Co
2:12). O Espírito guia em casos pessoais de uma forma individual (Lc 2:27; 4:1; At
8:39), e também nos tempos de perseguição (Mt 10:19-20).
A direção do Espírito não deve ser confundida com os desejos e opiniões
humanas. Paulo foi a Jerusalém e foi preso pela vontade de Deus, a despeito dos
conselhos dos discípulos. Algumas direções não são conduzidas pelo Espírito, mas
são produtos do raciocínio e opinião humana. Uma das gloriosas experiências da
vida crista é sentirmos a direção direta do Espírito.

6.Confortando

✓ Jesus fez referência a um aspecto do ministério do Espírito Santo, quando o


chamou de “Consolador”, que pode ser traduzido também por “Advogado”. Entre
os antigos romanos, os advogados eram pessoas de uma certa posição social,
conhecidos por sua integridade de caráter, sabedoria e conhecimento, que
prestavam, principalmente por motivos de amor e afeição, conselhos e ânimo ao
réu. Estes o acompanhavam perante os tribunais, e quando fosse necessário,

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KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO
falavam em favor daquele que agora era seu amigo. Da mesma forma o Espírito
Santo ajuda o cristão como “Advogado”, encorajando-o, exortando-o,
aconselhando-o e ensinando-lhe exatamente aquilo que deve falar e fazer. O
termo grego “parácleto” empregado significa: “alguém chamado para estar ao
lado de”. Deste modo, o Espírito Santo é enviado para estar ao nosso lado,
sustentando-nos e ajudando-nos a não cair quando estivermos em tentação,
garantindo a vitória sobre o mundo, a carne e o diabo, pela Sua companhia.

A nossa atitude deve ser de total confiança no Seu poder, entregando a ele nossos
problemas e procurando dar ouvidos aos Seus conselhos, porque o Espírito será para
conosco o mesmo que Jesus foi para Seus discípulos. O Seu conforto nos ajuda em nossas
fraquezas e tribulações, sendo necessário apenas que o cristão dê a Ele a oportunidade
de operar.

B. SANTIFICA

✓ Quando a regeneração do homem acontece, o Espírito Santo efetua uma mudança


radical na alma, concedendo assim um novo princípio de vida, isto não significa
que os filhos de Deus se tornem perfeitos imediatamente. A debilidade adquirida
de Adão permanece, e falta ainda vencer o mundo, a carne e o diabo. O Espírito
não opera aleatoriamente, mas de uma maneira vital e progressiva, renovando a
alma a cada dia. A fé deve ser fortalecida através de muitas provas e o amor deve
ser amadurecido para sobreviver às dificuldades e tentações. O Espírito Santo
representa para o crente, a vida íntima de Cristo com toda a riqueza da Sua
santidade divino humana. O Seu desejo é que a alma seja esvaziada de
autojustificativa e que a velha natureza seja rejeitada — “... pois já despistes do
velho homem com os seus feitos” (Cl 3:9).

As seduções do pecado precisam ser vencidas e as tendências e maus hábitos devem ser
corrigidos. O ministério do Espírito Santo não anula a responsabilidade do crente, mas lhe
dá a oportunidade de crescer moral e espiritualmente.

✓ Muitos têm considerado o assunto apenas do lado negativo, ou seja, de afastar-se


do mal (Is 6:5). O lado positivo de consagrar-se para o bem, é de igual ou maior
importância. Somente afastar-se do mal cria um vácuo, portanto, devemos nos
consagrar a Deus. Mesmo participantes da natureza divina, verdade é que, ao
mesmo tempo, a velha natureza está presente e quer dominar a vida do cristão. A
velha natureza é para ser crucificada com Cristo (Rm.6:6). Ele desenvolve a nova
natureza assim que a vida da nova criatura em Cristo desabrocha (11 Co5:17). O
Espírito Santo trabalha ao nosso lado outorgando-nos o poder para sermos
vencedores. A do Espírito de Vida, em Cristo Jesus é mais poderosa do que a lei do
pecado e da morte (Rm 8:2). Embora a carne procure levantar a cabeça e vencer a
obra de Deus em nós, o Espírito também opera proporcionando poder para
sermos vencedores sobre a carne. A carne produz obras da carne, e o espírito o
fruto do Espírito, o seja. o caráter de Cristo. Dessa forma ele exerce um poder
criativo que é descrito nas Escrituras, na figura do fruto do Espírito.

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O fruto do Espírito é a colheita resultante de uma vida que é vivida permanentemente em
submissão ao Espírito. Assim, com esta atitude o Espírito produz o fruto, que se compõe
das seguintes partes.

1. CARIDADE — ou amor.

✓ A palavra ágape possui conotação divina, e de fato esta palavra é usada


unicamente no cristianismo. Desde que Deus é amor (I Jo 4:7-8; Jo3:16; 15:13),
este fruto engloba a máxima da essência e da natureza de Deus. Este amor divino
é suficiente para influenciar todos Os pontos de vista e conduta do cristão (Ef 5:
1..2). Amar é a motivação que encontra seu prazer principal na satisfação de
outrem (Mt. 22:37,39; J0 13:35; I Co 12:3 1; 13). Quando a amor, a fruto do
Espírito, funciona corretamente, ele habilita o crente a dominar as exigentes
circunstâncias da vida. O amor divinamente implantado permanece firme mesmo
em face de castigo e disciplina, e ele não se estende unicamente aos amigos, mas
também aos inimigos (Mt 5:44; 18:21-22). Este amor motiva o crente, como
testemunha cristã, a levar o Deus que ama a todos os homens, e levar todos os
homens ao Deus de amor. No discurso de Paulo sobre o amor em I Co 13, ele
enumera um total de quinze atributos do amor, sete positivos e oito negativos.
Nesta passagem, muitos outros frutos do Espírito (longanimidade, bondade, fé,
mansidão), são descritos como expressões de amor. Isto portanto, enfatiza que o
amor é a base das outras graças espirituais, e que é essencial na vida de todo ser
humano.

2. GOZO

✓ A dádiva espiritual do gozo é um regozijo interno ou senso de prazer. As Escrituras


dão bastante ênfase ao gozo. A palavra grega para gozo é “chara”. O gozo do
Espírito pode existir simultaneamente com a tristeza, em face das tragédias e
adversidades. Pode crescer até mesmo quando o crente sofre perseguições,
aprisionamento e a hostilidade de homens perversos. Quando este fruto espiritual
opera no crente torna-se um principio possível, relacionado à esperança,
confiança e otimismo. Isto não é um sentimento, mas uma atitude ou perspectiva;
é um modo de ver e entender. Esta dádiva espiritual do gozo é suficiente para
neutralizar as reações naturais humanas como o desencorajamento, depressão,
tristeza mórbida e auto-piedade. O ponto de vista da alegria é uma nota tônica no
N.T. (At 13:52; 15:3; Rm 15:13; I Jo 1:4; At 20:24; Jd 24). A proeza do crente no
gozo espiritual, une-se ao seu crescimento a semelhança de Cristo (Lc 10:21; Jo
15:11; Sl 40:8; Hb 12:2). Quando a Espírito Santo habita na pessoa, Ele
proporciona gozo(Its l:6; Rm l4:17; I Pe l:8; 1s 35:10).

3. PAZ — do grego “eirêne”.

✓ A dádiva espiritual paz denota um senso de calma, harmonia, uma completa falta
de hostilidade ou uma beneficente serenidade. Esta paz começa com um aspecto
da salvação, e a consciência de um relacionamento correto com Deus (Rm 5:1;
Ef5:15; Rm 15:33; Fp 4:7). A manifestação da paz como um fruto do Espírito está
arraigada nos atos do Espírito e não nos eventos da vida do crente. Paz espiritual

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pode existir no meio das dificuldades, conflitos e circunstancias hostis. O caminho
de Deus primeiramente envolve uma mudança na mente e no coração do crente
(Is 26:3; Rm14:17, 8:6).

Existe um relacionamento íntimo entre a paz apropriada como fruto do Espírito e


conhecer verdadeiramente a Jesus Cristo (Ef 2:l4; Jo 14:27; 16:33; Ap 1:4; II Jo 3; IPe 1:2).
O fruto da paz interior deve caracterizar a vida de cada cristão vitorioso.

4. LONGANIMIDADE.

✓ A palavra grega para longanimidade é “makrothumia”, que significa o oposto de


um temperamento rapidamente explosivo. O crente manifesta longanimidade
quando ele mantém o autocontrole diante de uma insistente provocação. O
crente prontamente suprime seus próprios desejos em favor dos desejos dos
outros. A palavra “paciência” é um sinônimo oportuno para este fruto do Espírito.
Na verdade, no sentido em que é empregada no NT., não possui um equivalente
exato em nossa língua. Ela não significa absolutamente ter uma atitude sempre
plácida e fleumática, coma muitas pessoas pensam.
✓ A paciência é a capacidade que tem o amor altruísta de sobreviver por muito
tempo num clima adverso. E a capacidade de ficar firme, sem esmorecer, diante
de pessoas difíceis e circunstâncias adversas. E uma disposição para compreender
as pessoas mais estranhas e os eventos mais problemáticos que o Pai permite em
nossa vida. E mais que isso, a paciência capacita o homem a permanecer firme
quando lhe sobrevém a dificuldade, não apenas de pé, mas seguindo adiante.
✓ As Escrituras repetidamente exortam à paciência e à longanimidade (Ef 4:2; I
Ts5:15; II Tm 4:2; Cl 1:11). Downer disse a respeito da longanimidade: “Ela evita
contendas, sana injúrias, promove perdão e bem querer. Ela dá a resposta branda
que lança fora a fúria”. A verdadeira longanimidade espiritual incorpora uma força
e um senso de vitória positiva. Quando este fruto é manifesto, o crente vai
resistindo no equilíbrio e serenidade, a despeito da tensão, miséria e provação.
Ele mantém uma despreocupada perseverança em fazer o bem; ele aceita as
ações dos outros com tolerância e abstém-se totalmente de tomar vingança
(Tg5:11). A manifestação do fruto longanimidade, não apenas demonstra como
suportar o sofrimento, mas se for necessário para glória de Deus, suportar aquele
sofrimento com alegria. Este fruto capacita o crente a reagir de maneira cristã
diante de um tratamento injusto por parte de outros. Quando o Espírito comunica
longanimidade como fruto espiritual, Ele comunica um dos atributos básicos de
Deus (Ex 34:6; II Pe 3:9). Considerando que a típica resposta humana à provocação
é uma reação hostil, este fruto assegura que o crente é submisso e capaz de
participar da paciência divina. Deus compartilha seus atributos porque Ele quer
que o crente participe de Seu trabalho.

5.BENIGNIDADE

✓ A palavra benignidade no grego é “chrestotes”, e é equivalente a amabilidade ou


benevolência, e neste caso do fruto espiritual significa bondade, generosidade ou
honestidade. Também exprime a idéia de bondade moral e integridade que se
expressa em ser gracioso e disposto a servir (Rm3:12; I Pe 2:3; Cl 3:120. Como um

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caráter característico, benignidade denota um espírito e vontade que são
exercidos para assumir a máxima consideração com os outros. O crente que
manifesta este fruto espiritual é verdadeiramente um cavalheiro ou uma dama.
Ele é naturalmente bom, honesto, de temperamento doce, ajudador e temo de
sentimentos. Ele sempre procura ver os outros na melhor das intenções. Ao
manifestar benignidade, o crente trata seus amigos da mesma maneira que Deus
o tem tratado (Ef 4:32).

O verdadeiro cristão gentil, intencionalmente ou não, jamais ferirá os outros (S1 18:35; I
Ts 2:7; II Tm 2:24; Cl 3:12). O meio do cristão se tornar benigno, é a apropriação específica
desta qualidade divina através da submissão ao ministério do gentil Espírito Santo.

6.BONDADE.

✓ A palavra grega para bondade é “agathosune”, e como fruto do Espírito inclui o


caráter de quem é virtuoso e de quem é bondoso. É uma maneira especial de viver
para os outros sem esperar recompensas. E constituído de um benefício prático e
de um zelo pelo que é bom. E um esforço deliberado em colocar o mundo certo. A
bondade é o amor em ação. Um sinônimo primário para bondade é
“generosidade”. Aquele que manifesta bondade, é generoso por si mesmo em
relação aos outros, e é generosamente submisso em sua vontade a Deus. Ele
dedica-se em servir aos seus amigos em obediência aos padrões morais de Deus.
A mais significativa função da bondade é no campo espiritual. As Escrituras
descrevem Barnabé como “um homem de bem, e cheio do Espírito Santo e de fé”
(At 11:24). A bondade de Barnabé qualificou-o como ministro no avivamento de
Antioquia (At 11:26), e para ser escolhido como companheiro de Paulo na
primeira viagem missionária (At 13:1-3).
✓ Jesus ensinou que a bondade é de origem divina — “... não há bom senão um só,
que é Deus...” (Mt 19:17). A bondade é o invencível poder de Deus derrotando o
mal. A bondade do Senhor é a grandeza do Seu amor, que dissipa nosso
desespero, e, de nossa morte ergue sua própria vida.

7.FÉ

✓ O original grego usa a mesma palavra para o fruto da fé e para o dom da fé. É
permitido neste contexto considerar que, a fé é uma questão de fruto expresso no
caráter. Implícitas estão qualidades como: o cumprimento do dever, fidelidade,
fidedignidade, confiança, lealdade, constância, firmeza, diligência, pontualidade,
veracidade. Aquele em quem o fruto da fé é ativo, goza implicitamente obediência
e eventual confiança em Deus. Uma das ênfases das Escrituras é que estes que são
classificados como servos de Deus, são guardados para manifestar o fruto da fé,
tanto quanto constituir a fidelidade no serviço (Mt 24:45-46; 25:21; I Co 4:2). A
constância de Paulo no seu ministério ilustra de maneira impressionante, o fruto
da fé no caráter humano (At 20:24; Ap 2: 10, Cl 2:7). O fruto da fé guia o crente
além de um mero emocionalismo sentimental, numa decisão firme de descansar
nas mãos do Senhor.

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8.MANSIDÃO.

✓ Mansidão é a graça interior que se estende em direção a Deus e aos seres


humanos. O termo original “prautes”, interpretado como mansidão é equivalente
a brandura ou bondade. A palavra de origem significa: acalmar, suavizar, amansar
ou tranquilizar. No padrão bíblico, mansidão pertence aquele que serve; era
chamado “a roupa de um servo”. O homem manso era voluntário a servir, não
porque possuísse poder, mas porque ele estava pronto para tornar-se um
instrumento de Deus em grandes realizações. Mansidão simplesmente significa
uma entrega à vontade de Deus. Deus deleita-se quando o crente permite que o
Espírito Santo expresse o fruto da mansidão em sua vida. Deveras, pois Deus
favorece as pessoas mansas (Sl 25:9; Mt 5:5; Rm 12:3; II Co 10:1; I Pe 3:4). Tiago
deixou um princípio do procedimento de Deus para com a humanidade —
“Humilhai-vos perante o Senhor, e Ele vos exaltará” (Tg4:10).

Mansidão pertence ao caráter do servo de Deus. Jesus Cristo, que com poder conquistou
a morte, o inferno e a sepultura, certamente disse a respeito de si mesmo: “Eu sou manso
e humilde de coração” (Mt. 11:29).

9.TEMPERANCA.

✓ A capacidade para um autogoverno pessoal em assegurar total controle dos


apetites e instintos, é o resultado do fruto espiritual temperança, ou domínio
próprio. A palavra original grega “egkrateia” denota: “aprisionando com uma mão
firme”.
✓ O crente em quem o Espírito alcança temperar, controlar e restringir todos os seus
impulsos e motivações, serão guardados em equilíbrio e nenhum destes impulsos
alcança um domínio destrutivo. Todo o nosso espírito, intuição consciência e
comunhão com Cristo podem ser colocados sob o controle do Espírito de Deus.
Toda a nossa personalidade — mente, emoções e vontade — pode ficar sob o
domínio de Cristo. Todo o nosso corpo, com seus apetites, impulsos, desejos e
instintos, pode ser governado por Deus. É bom salientar que o que chamamos de
“domínio próprio” não é o mesmo conceito do que o mundo chama de estoicismo.
A idéia aqui não é a amarga e rígida tese de cerrar os dentes, e suportar a vida
com frio cinismo, nem é aquela concepção de “aguentar firme”. O autocontrole
proposto ao filho de Deus não implica em uma disciplina severa para que ele
possa controlar sua conduta. Não é isso. O domínio próprio do cristão significa que
todo a seu ser, espírito, alma e “corpo, estão sob o controle de Cristo. Significa
que ele é uma pessoa totalmente governada por Deus. Cada aspecto de sua vida
— espiritual, moral ou físico, encontra-se sujeito à soberania do Espírito Santo.
Significa que ele é “um homem sob autoridade”. O controle de seus interesses,
atitudes, ações, constitui um direito que ele cedeu e entregou ao Espírito Santo.

Temperança é uma qualidade essencial para o serviço cristão, e para cada crente
amadurecido (Tt 1:8; 2:3; IIPe 1:8; 2:11; Pv16:32; 25:28). Hoje, a santificação relaciona-se,
principalmente, com a separação de pessoas para viverem e servirem a Deus. O segredo
da santificação é antes de tudo, permitir que o Espírito vença em nós as tentações da

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velha natureza e assuma o controle de todo a nosso ser; moldando em nós o caráter de
Cristo, que é perfeito e plenamente santo.

C. BATIZA

✓ Podemos notar em todo o N.T. que o Espírito Santo procede do Pai (Jo 15:26), e do
Filho (Jo 16:27). Dessa forma, o Espírito Santo é o elemento no qual o crente é
imerso na forma de batismo. Jesus é quem batiza ou imerge o crente no Espírito
Santo (Mt 3:11).
✓ O recebimento do Espírito Santo é ilustrado como batismo, uma imersão profunda
no Divino Espírito, o que revela a maneira gloriosa como o Espírito envolve e
enche a alma do crente. Todo o nosso ser fica saturado e dominado com a
presença restauradora de Deus, pelo Seu Espírito Santo.

D.CURA

✓ Ao cair em pecado, o homem ficou sujeito à deterioração do seu corpo que


termina em morte. Só na ressurreição, por ocasião da vinda de Jesus, é que a
redenção do corpo terá lugar, pois este flagelo será anulado. Enquanto
aguardamos o dia da redenção, devemos usufruir das primícias que esta vitória
concede através do ministério do Espírito Santo (Rm8:11).

F. ARREBATA E GLORIFICA

✓ Quando tiver chegado o momento do desfecho da presente dispensação, que terá


o seu início com a vinda de Cristo, acontecerá um grande movimento do Espírito
sobre a face da terra. O mesmo poder que ressuscitou Cristo dentre os mortos,
fará ressuscitar todos os mortos em Cristo, que jazem em seus túmulos e
transformará os vivos (crentes) num abrir e fechar de olhos. Serão como o Senhor,
revestidos de corpos celestiais e glorificados. Neste mesmo dia haverá terminado
todo a cansaço, toda dor e enfermidade para o povo Deus. A morte estará vencida
para sempre. Por isso, toda honra deve ser dada ao Espírito em gratidão por Seu
ministério. Muitos perguntam se o Espírito Santo estará com o crente no céu, e a
resposta é que mesmo após a morte, o Espírito Santo no crente é como uma fonte
de água viva que salta para a vida eterna (Jo4. 14). A habitação do Espírito
representa apenas o começo da vida eterna que terá a sua consumação na vida
futura. “A nossa salvação agora está mais perto de nós do que quando aceitamos
a fé “, foi o que escreveu Paulo falando do estado de salvação que iniciou agora e
que será consumado na vida futura.

O Espírito representa a primeira parte dessa salvação completa, que pode ser ilustrada
de três maneiras:

1. Comercial — a Espírito é descrito como penhor da nossa herança (Ef 1:14; II Co 5:5). O
Espírito Santo é a nossa garantia de que a nossa libertação será completa.

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2.Agrícola — o Espírito Santo representa os primeiros frutos da vida futura (Rm 8:23). A
oferta de uma parte representa o todo. O Espírito Santo nos crentes, representa as
primícias da gloriosa colheita vindoura, já que Ele nos conduzirá a Cristo.

3.Doméstica - Assim como as crianças recebem apenas uma porção de doce antes do
banquete, assim por enquanto, apenas “provará... as virtudes do século futuro” (Hb 6:5).
Assim como Cristo concedeu uma prova antecipada da porção reservada aos seus, assim
Ele doará o Espírito novamente aos Seus (Ap 7:17).

3. PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO

✓ Pecar contra o Espírito Santo é provavelmente a coisa mais horrenda que possa
existir. O Espírito Santo convence a mundo do pecado, ministra aos santos como
Consolador, ou seja, a Parácleto que está ao nosso lado. Apesar disso, muitos
crentes pecam contra o Espírito Santo. Encontramos na Bíblia cinco admoestações
concernentes às nossas relações para com o Espírito Santo. Destas duas,
resistência e blasfêmia, referem-se a atitudes de pecadores. As outras três,
mentir, entristecer e apagar, referem-se aos crentes.

A.POR PARTE DO DESCRENTE:

I.RESISTINDO AO ESPIRTO SANTO — At 7:37-60; Ex 32:9, Dt 9:6; II Cr 30:8; Pv 29:1; Gn


6:3. Estevão estava testificando a um grupo de judeus rebeldes a Deus, e acusou-os de
estarem resistindo ao Espírito Santo (At 7:5 1). Sua pregação foi tão poderosa e bem
argumentada que os seus oponentes não lhe puderam responder, e então o apedrejaram.
Existe um relacionamento intrínseco entre resistir ao Espírito e não crer em Deus. Resistir
ao Espírito inclui todas as atitudes humanas que aceitam um degrau de obediência que é
menos do que entrega completa a Deus. Isto significa que as pessoas que vivem em um
estado de deliberada resistência ao Espírito Santo, perdem sua própria felicidade e ajuste
pessoal. Resisti-lo é um convite á miséria humana.

O Espírito Santo é o divino Agente encarregado de efetuar a reconciliação do homem com


Deus. Resistir ao Espírito é como se alguém estivesse se afogando e recusasse um salva-
vidas que lhe atiram. Portanto, a pessoa que resiste ao Espírito Santo, está recusando a
ajuda do único Agente que pode salvar.

A conseqüência desta resistência é a morte eterna.

A. Maneiras de Resistir ao Espírito.

✓ 1.Desatenção — Não prestar atenção ao que o Espírito fala é desatenção e desta


maneira se resiste à voz do Espírito Santo. Mesmo. que seja um ato inconsciente,
fazer pouco caso ou não ter tempo para ouvir a voz do Espírito é um ato de
rebeldia que tem sua origem no espírito de rebelião de uma consciência
cauterizada — “O homem que muitas vezes é repreendido, endurece a cerviz, será
quebrantado de repente, sem que haja cura” (Pv. 29:1).
✓ 2.Procrastinação — A pessoa que adia constantemente sua decisão de aceitar a
Cristo, resiste à voz do Espírito Santo. Percebe então que a comoção do Espírito

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KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO
torna-se cada vez mais fraca, até que chegue a desaparecer em sua totalidade —
“Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação? ” (Hb
2:3; Gn 6:3).

2.A BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO

✓ Este é o pecado mais grave, coma Jesus falou em Mt 12:31-32. E como tal não será
perdoado. Jesus expulsou um demônio de um homem surdo-mudo, e isto causou
grande admiração no povo que já se preparava para recebê-lo como Messias. Os
fariseus afirmaram que Ele operava por estar ligado a Belzebu, uma divindade
pagã., que era a príncipe dos demônios. Em Mc 3:20-30 a acusação foi ligada
diretamente a Satanás, e no entanto, o poder que operava em Jesus era a poder
do Espírito Santo. Essas acusações, portanto, foram gravíssimas, constituindo a
pecado contra o Espírito e um desafio contra a Sua prerrogativa peculiar, ou seja,
a de chamar o pecador a Cristo. Algo muito importante a ser notado é que nem
todo pecado contra o Espírito Santo é blasfêmia, mas toda blasfêmia é pecado. A
palavra blasfêmia quer dizer: “proferir deliberada e maliciosamente palavras
abusivas contra Deus”.

Quando alguém insulta o Espírito deliberadamente, está anulando a influência que o


Espírito tem em nos atrair a Cristo. Quem comete tal pecado nunca obterá perdão, não
porque Deus não seja misericordioso, mas em razão da pessoa ter ido ao extremo no
caminho do mal. Em seu coração não há mais “tristeza segundo Deus que opera
arrependimento para salvação” (II Co7:10). Sem essa “tristeza”, o arrependimento é
impossível. O Pai espera arrependimento com tristeza da parte do filho faltoso, antes de
perdoa-lo. Sendo que, tristeza e arrependimento pelo pecado, são atitudes impossíveis
de serem praticadas por aqueles que blasfemam contra o Espírito, e como resultado, a
salvação destes torna-se impossível. A blasfêmia envolve o ofender claramente,
conhecendo bem, deliberada e premeditadamente, rejeitando a ação divina. Augsburger
escreveu: “O pecado da blasfêmia contra o Espírito... é o resultado final da persistente
rejeição de uma pessoa e um desrespeito à chamada do Espírito. A natureza deste pecado
é estar fechado à revelação e redenção de Cristo, sendo testificada pelo Espírito.
Blasfema contra o Espírito quando alguém repudia a chamada do Espírito à Cristo, como
único meio de salvação”.

✓ No entanto, embora seja possível cometer esse pecado em nossos dias, cremos
que, relativamente poucos o têm cometido. Muitas vezes a diabo induz uma
pessoa a pensar que cometeu o pecado imperdoável, quando realmente não o
fez. O fato de alguém ficar aflito, pensando ter cometido esse pecado, já é prova
de que ainda não o cometeu. o Espírito Santo ainda está atraindo essa pessoa a
Cristo, e se obedecer à doce voz do Espírito, será salvo.

B. POR PARTE DOS CRENTES:

✓ Os crentes podem vir a pecar contra o Espírito Santo também, embora esses
pecados sejam de outra natureza, 1 Mentir à Pessoa do Espírito Santo — At 5:3-4
Ananias foi culpado da sua ofensa. Pedro perguntou: “Por que encheu Satanás o
teu coração para que mentisses ao Espírito Santo? ” (At 5:3). Ananias estava

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procurando a recompensa dos homens em nome do amor fraternal. Ele professou
estar servindo a Deus fielmente, quando no momento, estava servindo a si
próprio. Mentir ao Espírito é frustrar Seu propósito sobre a terra e destruir
aquelas virtudes que Ele representa.

Não é de surpreender que Deus achou que tal decepção e falsidade fosse tão ofensiva, a
ponto de mandar destruir Ananias.

2.Entristecer o Espírito — Ef 4:30 (trata-se da habitação interna do Espírito Santo).


A linha de significado da palavra “entristecer” é “tornar infeliz” ou “causar tristeza”. e os
sinônimos possíveis são: ferir, ofender ou angustiar. Sandersescreve: “entristecer é uma
palavra de amor. Alguém pode enraivecer um inimigo, mas não o entristecer. Unicamente
alguém que ama pode ser entristecido”. Portanto, o entristecer do Espírito é
primeiramente, a ação de um crente, por isso é que o Espírito assume uma atitude de
ternura e afeição para com os crentes. De que maneira pode-se entristecer o Espírito? O
crente entristece o Espírito e impede a Sua operação quando é dirigido por motivos
carnais, manifestando as seguintes atitudes:

a) Desejos e palavras ímpias — Ef 4:29-31

✓ “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa, para
promover a edificação, para que dê graça aos que ouvem” (Ef 4:29) — É uma
advertência ao crente, para não pecar com as palavras que sai da boca. O Espírito
Santo é muito sensível, como é simbolizado através da pomba. A ocupação é com
a glória de Deus e com o bem-estar do crente. O Espírito Santo fica triste quando
vê uma pessoa fazendo e dizendo tais coisas, que também, irão prejudicar a vida
espiritual do crente. O Espírito não habita num coração de onde procedem
pensamentos e desejos ímpios, bem como palavras torpes, porque Ele é o Espírito
Santo. É muito triste quando um crente cai num fracasso destes.
Pecados do espírito humano são repulsivos ao Espírito Santo (Ef4:31) — “Toda
amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmias, e toda a malícia seja tirada de
entre vós”. Todas estas atitudes são provenientes da carne e fazem parte da velha
natureza. Devemos crucificar estas atitudes, afim de que o Espírito Santo tenha
prazer em nós.

b) Amar as coisas mundanas

✓ A Palavra de Deus diz em I Jo 2:15 — “Não ameis o mundo, nem o que no mundo
há. Se alguém ama o mundo o amor do Pai não reside nele”. O cristão deve viver
separado do mundo, dos seus prazeres e do mau espírito que domina e influencia
todas as práticas corruptas. O Espírito Santo deseja que dediquemos todo o nosso
amor a Jesus Cristo, nosso Salvador Ele zela pelo nosso bem-estar e tem ciúme
santo, quando o crente tem amor às coisas mundanas (Tg 4:5).

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KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO
c) Incredulidade

✓ O Espírito Santo sente-se muito ofendido quando alguém duvida da veracidade da


Palavra de Deus. Esta incredulidade pode afastar-nos completamente da Sua
companhia (Hb3:12).

d) Ingratidão

✓ A falta de reconhecimento para com Deus por Seus favores e benefícios, por Seu
amor e misericórdia, também entristecem muito o Espírito Santo.
✓ O salmista Davi cantou: “Bendize ó minha alma ao Senhor... e não te esqueças de
nenhum dos Seus benefícios” (Sl 103:1-2).

e) Falta de oração

✓ Não orar significa evitar o contato com o Espírito Santo e assim, o auxílio do
Senhor é desprezado. A oração é tão necessária quanto à alimentação material, e
esta é a razão de muitos crentes estarem deficientes em sua vida espiritual. O
Espírito se entristece quando rejeitamos Sua ajuda.

f) Rebelião

✓ A Bíblia diz: “Mas eles foram rebeldes, e entristeceram a Seu Espírito Santo”
(Is63:10). Portanto, a rebelião entristece a Espírito de Deus.

g) Desonestidade

✓ “Quanto ao mais irmão tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto... seja isto
que ocupe o vosso pensamento” (Fp4:8) “A ninguém torneis mal par mal, procurai
as coisas honestas perante todos os homens”(Rm 12.17) “Andemos
honestamente, como de dia.. Nem em desonestidade...” (Rm 13: 13).

h) Amargura

✓ “Toda amargura... seja tirada de entre vós” (Ef 4:31). “Tendo.cuidado que ninguém
se prive da graça de Deus, e que nenhuma raiz de amargura, brotando vos
perturbem...” (Hb 12:15).

i) Falta de atenção às advertências

✓ Jesus disse a respeito do Espírito Santo: “‘Ele vos guiará a toda verdade... e vos
anunciará as coisas que hão de vir” (Jo 16:13). A falta de atenção às advertências
do Espírito Santo pode causar danos espirituais e físicos (Ap 2 e 3; Hb 3:7-8; Jo
33:14-22; Pv 1:23-33).

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j) Desobediência às ordens divinas

✓ O homem, por melhor que seja, não está isento de desobedecer a Deus. Devido a
sua desobediência a Deus, Saul sofreu grandes perdas (I Sm 15 - 16:14).

k) Paixões carnais e atos pecaminosos

✓ Do ponto de vista espiritual, a força de qualquer homem depende do Espírito


Santo de Deus (Lc 4:6). Mesmo Sansão, que foi tão extraordinariamente usado por
Deus quando o Espírito Santo se apossava dele, impossibilitou a operação do
Espírito em sua vida, ao dar lugar às paixões carnais (Jz16:7,20,21).
Primeiramente, o entristecimento do Espírito Santo acontece com as motivações
interiores, e, Ele que sonda os corações e conhece as suas verdadeiras intenções,
sabe que logo depois. isto se transformará em ações. Paulo escrevendo aos
Efésios disse: “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual estais selados para o
dia da redenção” (Ef 4:30). Embora a Igreja em Éfeso tenha começado
notavelmente bem (At 19), uma geração depois, João escreveu: “Lembra-te, pois,
donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não,
brevemente virei a ti, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres”
(Ap 2:5). Uma igreja que é culpada de entristecer o Espírito, está claramente, em
declínio espiritual.
✓ A resposta do Espírito ao fato de que Ele está entristecido com o crente, é
produzir convicção. Em vez de relacionar-se em comunhão, Ele ministra a
convicção de pecado. O gozo, o poder e a comunhão que normalmente
caracterizam a vida do crente são quebrados quando o Espírito é entristecido. Isto
não significa que o Espírito acabe com a vida divina na pessoa, mas Ele interrompe
a comunhão divina, e portanto, o crente perde a utilidade para o serviço de Deus.
A ação responsiva para o crente que se encontra nesta situação é a de confessar e
deixar o pecado, e assim abandonar o que entristecia o Espírito.

3.APAGAR O ESPÍRITO

I Ts 5:19 (tem a ver com o derramamento para o serviço).

✓ O termo “apagar” ou os equivalentes “sufocar” ou “extinguir”, dão a idéia de


apagar o fogo ou a chama. Mais uma vez, essa ofensa contra o Espírito Santo, é
cometida pelos crentes. Paulo escreveu à igreja de Tessalônica: “Não apagueis o
Espírito” (I Ts5:19-21). Quando alguém apaga o Espírito, ele deliberadamente
impede a ação do Espírito, opondo-se à Sua vontade e recusa-se a obedecer oSeu
chamado. Sanders escreve: “Quando os métodos seculares substituem os
espirituais, quando o louvor do homem é preferido ao louvor de Deus, quando o
culto é dirigido pelo homem, ao invés de ser dirigido por Deus, o Espírito pode ser
apagado”.

Nem sempre é o caso, isto tem sugerido que o crente entristece o Espírito ao dizer “sim”
para Satanás e ao dizer “não” para Deus. Certamente o Espírito é apagado quando o
homem toma o controle de si mesmo e a carne governa a sua vida. Qualquer coisa que
nega o ministério do Espírito Santo apaga o Espírito. Ele é apagado quando a opinião

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KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO
humana prevalece, quando Seu dom é ignorado, Seu trabalho resistido ou quando o
compromisso com a obra de Deus é mera hipocrisia. Quando alguém, simbolicamente
falando, “joga água fria” sobre qualquer aspecto do ministério do Espírito, está apagando
o Espírito. O objetivo da chama livre do Espírito Santo é consumir a escória e produzir
uma vida santificada. Às vezes, a falta de providenciar combustível (nossa submissão),
pode ser um meio de apagar o fogo do Espírito.

CONCLUSÃO

✓ Vimos neste semestre, a operação do Espírito Santo convencendo do pecado,


regenerando, habitando, santificando e produzindo o Seu fruto, batizando,
curando, arrebatando e glorificando, agindo desta maneira em toda a experiência
humana. Estudamos também as várias formas de pecar e entristecer o Espírito
Santo, sendo que, a resistência e a blasfêmia contra o Espírito, são concernentes
ao pecador; e o mentir, entristecer e apagar, referem-se às ações de crentes que
impedem a operação do Espírito Santo em suas vidas. O Espírito Santo é a
realidade da presença de Deus.

Que possamos conservar entre nós e conosco a “glória de Deus”, o Espírito Santo,
comungando com Ele, buscando-o com diligência, reverenciando-o com uma vida de
santidade e fazendo o que é agradável diante dEle, através de uma vida de obediência,
submissão e gratidão.

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TEOLOGIA SISTEMÁTICA III

BIBLIOLOGIA

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"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." – João
1:1
A Bíblia é o livro sagrado do Cristianismo.
Ela é o livro mais famoso e mais produzido no mundo. Seus 66 livros foram
escritos por mais de 40 pessoas, das mais diferentes profissões, culturas e nacionalidades,
durante um período de cerca de 1.500 anos.
Nela se encontram os mais variados gêneros literários, como histórias,
biografias, leis, poesias, hinos, canções, provérbios, cartas, sermões, profecias e visões, que
mostram como Deus se relaciona com a humanidade. Sua incrível uniformidade faz da
Bíblia um livro singular, que só poderia ter sido escrito sob inspiração divina. De fato, ela
mesma reivindica uma inspiração especial de Deus: a expressão "e Deus disse", ou
equivalente, ocorre mais de 2.600 vezes.
Que é a Bíblia?
Um simples olhar lançado sobre o índice basta para ver que ela é uma
"biblioteca", uma coleção de livros muito diversos. Quando se consultam as introduções a
esses livros, a primeira impressão se confirma: distribuindo-se por mais de dez séculos, os
livros provêm de dezenas de autores diferentes; uns estão escritos em hebraico (com certas
passagens em aramaico), outros em grego; apresentam gêneros literários tão diversos
quanto a narrativa histórica, o código de leis, a pregação, a oração, a poesia, a carta, o
romance. "Nascida no Oriente e vestida de formas e imagens orientais, a Bíblia percorre as
estradas do mundo inteiro, familiarizada com os caminhos por aonde vai; penetra nos
países, um após outro, para em toda parte sentir-se bem, como em seu próprio ambiente.
Aprendeu a falar ao coração do homem em centenas de línguas. As crianças ouvem suas
histórias com admiração e prazer, e os sábios ponderam-nas como parábolas de vida. Os
maus e os soberbos estremecem com os seus avisos, mas aos ouvidos dos que sofrem e dos
penitentes sua voz tem timbre maternal. A Bíblia está entretecida nos nossos sonhos mais
queridos, de sorte que o amor, a amizade, a simpatia, o devotamento, a saudade, a
esperança, cingem-se com as belas vestimentas de sua linguagem preciosa. Tendo como
seu esse tesouro, ninguém é pobre nem desolado. Quando a paisagem escurece, e o
peregrino, trêmulo, chega ao vale da sombra, não teme nele entrar: empunha a vara e o
cajado da Escritura: diz ao amigo e companheiro - Adeus, até breve. Munido desse apoio,
avança pela passagem solitária como quem anda pelo meio de trevas em demanda da Luz".
Deus criou o homem para manter um relacionamento de profunda comunhão.
No desejo de se revelar ao homem, o Senhor Deus lhe comunica o Seu conhecimento
falando de três formas:
✓ Através da voz da natureza (S119.1-4; Rm 1.20),
✓ Por meio da Sua Palavra escrita (Mt 4.1-11; Ap 1.10,11), e, por fim,
✓ Deus fala por intermédio do Seu Filho Amado, JESUS, a Palavra Viva que se
fez carne e habitou entre nós (Hb 1.1,2).

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O nosso estudo procura abordar a Palavra Escrita. A Bíblia esta resumida em tema central:
a história do plano de Deus que visa a redenção do homem, prisioneiro do pecado, por
meio da morte expiatória e ressurreição de Jesus Cristo, o Filho eterno do Deus Vivo.
A primeira porção da Bíblia conta a história de muitos povos e em particular a
história do povo de Israel. Com frequência eles tiveram que enfrentar os mesmos
problemas que eu e você temos de enfrentar hoje em dia. E muitas vezes reagiram da
mesma maneira que nós! Ora confiaram em Deus, ora duvidaram dEle. Viram seus
poderosos milagres, mas precisaram da segurança da Sua presença. Era o Seu povo
escolhido, mas com frequência tiveram que enfrentar testes e dificuldades.
Todo aquele que teve um encontro real com o SENHOR JESUS deve procurar
conhecer também a Sua Palavra (Bíblia), A Bíblia, ao mesmo tempo em que é fonte para a
vida espiritual, é também uma ferramenta de suma importância para a edificação da Igreja.
Uma igreja onde os membros são bem alimentados (instruídos) na Palavra (Dt 8.3), passa a
conhecer melhor o seu Deus, a ter maior intimidade e, como consequência, torna-se um
povo forte e ativo (Dn 11.32). Por outro lado, o povo que não conhece a Palavra de Deus,
pode ser destruído pelo diabo (Os 4.6a,14b), erra constantemente (Mt 22.29), e facilmente
será levado de um lado para outro sob qualquer vento de doutrina (Ef 4.14). O reitor de
uma grande Universidade afirmou: "Estou convicto do valor de uma educação universitária
para homens e mulheres.
Mas creio EU, que o conhecimento da Bíblia sem um Curso Superior é mais valioso
do que um Curso Superior sem a Bíblia."
Devemos ter sede e fome pela Palavra de Deus a ponto de explodirmos em gozo e
exclamarmos como o Salmista no Salmo 119.97-100:
97-“Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!
98. Os teus mandamentos me fazem mais sábio que os meus inimigos; porque, aqueles, eu
os tenho sempre comigo. 99Compreendo mais do que todos os meus mestres, porque
medito nos teus testemunhos. 100Sou mais prudente que os idosos, porque guardo os teus
preceitos”.
✓ O estudante da Bíblia deve ter o cuidado de não ceder à tentação de estudar
assuntos isolados dos Livros Sagrados sem ter um conhecimento geral do todo. O
estudo esfacelado só traz prejuízos, pois, defrauda o estudante que não aproveitara
em nada as horas de estudo. Há muita gente preocupada em estudar Escatologia
(estudo das últimas coisas), quando ainda não conhece os livros da Bíblia e a
história da redenção. Todo estudo deve ser sistemático.
Conhecer a Bíblia sem conhecer o Espírito Santo que a inspirou, leva o homem ao
formalismo. Conhecer o Espírito Santo e não conhecer a Bíblia leva o homem ao
fanatismo. Em nossa mente deve estar sempre viva a exorta- ção do Senhor Jesus: "Errais,
não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus" (Mt 22.29). Ao estudar a Bíblia há o
grande privilégio de se ter o Autor ao lado para esclarecer dúvidas e orientar nas questões
obscuras (Jo 16.13). O brado de alerta do profeta Oséias continua ecoando nos quatro
cantos da terra: "Conheçamos/ e prossigamos em conhecer ao penhor" (Os 6.3a).

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CAPÍTULO 02
A ESCRITA

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I. OS LIVROS ANTIGOS
A. A ESCRITA Cria-se que a escrita fora desconhecida nos primórdios da história, porém,
a pá dos arqueólogos vem-nos revelar que registros escritos de importantes acontecimentos
foram feitos desde a alvorada da história.
1. ESCRITOS ANTEDILUVIANOS Há uma tradição entre os árabes e judeus de que
Enoque foi o inventor da escrita. A arqueologia revelou que um antigo rei babilônico
gostava de ler os escritos da época do dilúvio. Assurbanipal, fundador da grande biblioteca
de Nínive, referiu-se a inscrições de antes do Dilúvio. O Dr. Langdon, encontrou em
QUIS, uma placa pictográfica com inscrições pré-diluviana. O Dr. Woolley, achou em UR,
sinetes de origem antediluviana com escritos primitivos, representando o nome de uma
pessoa e identificando uma propriedade, etc.
2. O DESENVOLVIMENTO DA ESCRITA
✓ A. ESCRITA PICTOGRÁFICA Eram marcas, sinais e figuras que foram usadas
para registrar ideias, palavras e combinações de palavras. Provavelmente, Deus
tenha sido o primeiro a usar a "escrita pictográfica", ao deixar um sinal em Caim
(Gn 4.15).
✓ b. ESCRITA CUNEIFORME Eram marcas ou sinais que representavam partes de
palavras ou sílabas. Havia mais de 500 marcas diferentes que formavam
aproximadamente 30.000 combinações.
✓ c. ESCRITA ALFABÉTICA Foi o grande avanço da escrita, onde as marcas
passaram a representar parte de sílabas ou letras, na qual, com 26 marcas diferentes
podia-se expressar todas as diferentes palavras do sistema cuneiforme. A escrita
alfabética começou antes de 1.500 a.C. O mais primitivo escrito alfabético foi
encontrado na regi- ão onde Moisés passou 40 anos. A inscrição data de alguns
anos antes de Moisés.
3. LIVROS PRÉ-ABRAAMICOS
Os centros de população mais antigos, após o dilúvio, ficavam na Babilônia, Quis, Ereque,
Lagás, Acade, Ur, Eridu, Nípur, Larsa e Fará. Nas ruínas destas cidades, as escavações
arqueológicas encontraram milhares de livros, escritos em pedras ou placas de barro antes
da época de Abraão. Os cinco mais famosos estão relacionados abaixo.
a. PLACA DE FUNDAÇÃO DE ANIPADA
✓ É uma placa de mármore contendo a seguinte inscrição: "Anipada, rei de Ur, filho
de Messanipada, construiu este (templo) para sua senhora Nin-Kharsag (deusa-
mãe)".
b. RETRATO DA FAMÍLIA UR-NINA
✓ É uma placa contendo a família do rei de Lagas com inscrições explicativas.

c. ESTELA DE EN-HEDU-ANA
✓ É uma placa com uma inscrição dizendo que a filha de Sargão era sacerdotisa da
deusa lua em Ur.

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d. ESTELA DOS ABUTRES DE EDNATUM
É uma placa onde se encontra registrada a vitória contra os elamitas e o método de
combate.
e. ESTELA DE UR-NAMUR
É uma laje de três metros de altura por um metro e sessenta e cinco centímetros de largura
(3 m x 1,65 m), que descreve a construção do Zigurate, no auge da glória de Ur.
B. MATERIAIS PARA A ESCRITA
Quase toda superfície lisa era empregada como material para escrever:
1. PEDRA
Inscrições eram entalhadas em superfície de pedras ou
rochas (Jó 19.23,24; Dt 27.2,3; Js 8.32). Deus mesmo
usou tábuas de pedra (heb. LUHOTH = tabletes), para
escrever os "Dez Mandamentos" (Êx 31.15,16). Os
tabletes tinham formas retangulares e mediam
aproximadamente 45 centímetros de comprimento por
30 centímetros de largura (45 cm x 30 cm). Na
Palestina já usavam desses tabletes desde o segundo
milênio a.C.
2. TABUINHAS DE ESCREVER
Provavelmente eram pranchetas feitas de madeira ou
marfim. Foram usadas por Isaías (Is 30.8) e Habacuque
(Hc 2.2). A mais antiga tabuinha até o momento
encontrada, em NIRUND, na Assíria, acha-se inscrita
com uma longa composição de 6.000 linhas e é datada
de cerca de 705 a.C. As tabuinhas foram as precursoras
dos quadros negros. Eram muito empregadas no mundo
greco-romano (Lc 1.63 - gr.: pinakidion - uma pequena
tabuinha de escrever).
3. TABLETES DE ARGILA
Eram placas ou tijolos (heb.: LEBHENÃ) de argila
semelhantes aos tabletes usados para planejamento ou
pesquisas na Babilônia, muito parecido com uma telha
plana. Foi empregado por Ezequiel (Ez 4.1).
4. OSTRACAS
Cacos de vasos ou ostracas era outro material de
escrita bastante comum. Cacos usados para registros
de negócios e memorando foram encontrados em
Samaria, pertencentes à época de Jeroboão II.

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5. PAPIRO
Era extraído de uma planta aquática do mesmo nome,
parecido com o junco. A entrecasca era retirada em
forma de tiras e colocadas na vertical (justapostas),
depois colocava-se outras tiras na horizontal, então,
batia-se com um martelo de madeira até formar uma
placa única que servia de escrita. Do papiro deriva o
termo "papel". Seu uso na escrita vem de 3.000 a.C. Há
várias menções desse material na Bíblia (Êx 2.3; Jó 8.11; Is 18.2; II Jo 12).
6. PERGAMINHO
É a pele de animais curtida e preparada para escrita. Um
pedaço de pergaminho, usualmente media 25 centímetros
de largura por 10 centímetros de comprimento (25 cm x
10 cm). É um material superior ao papiro, porém de uso
mais recente (cerca de 1288 a.C.). Foi pouco usado pelos
egípcios e babilônicos, mas de largo emprego entre os
hebreus. Paulo fez uso de pergaminhos (// Tm 4.13).
Obs.: Essas informações complementares são apenas para mostrar como, no início da
história humana, os homens registravam os eventos importantes.
Podemos deduzir que alguns eventos do livro do Gênesis foram registrados e, Moisés os
utilizou. Em Gênesis 5.1, Moisés cita o livro da genealogia de Adão, escritos que
provavelmente chegou até ele.

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CAPÍTULO 03
A BÍBLIA COMO LIVRO

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A. EM QUEM TEVE ORIGEM A BÍBLIA?

✓ Todos estes livros provêm de homens com uma convicção comum: Deus os
destinou a formar um povo que toma lugar na história com legislação própria e
normas de vida pessoal e coletiva. Foram todas testemunhas daquilo que Deus fez
por esse povo e com ele. Relatam os apelos de Deus e a reação dos homens
(indagações, queixas, louvor, ações de graça).

✓ Este povo posto a caminho por Deus foi primeiramente Israel, que apareceu na
história por volta de 1200 a.C., envolvido - como todos os povos vizinhos - nos
movimentos que agitaram o Oriente Próximo até os inícios da nossa era. No
entanto, sua religião o tornava um povo à parte. Israel conhecia um único Deus,
invisível e transcendente: o SENHOR.

Exprimia a relação que o unia ao seu Deus com um termo jurídico: a Aliança. Submetia
toda a existência à Aliança e à Lei que dela decorria, e seu modo de vida se tornava cada
vez mais contrastante com o das outras nações. Toda a parte hebraica da Bíblia se refere
à Aliança, tal como foi vivida e pensada por Israel até o século II a.C.
✓ O antigo povo judaico, cuja dispersão se acelerou com a destruição de seu centro
religioso, Jerusalém, em 70 e 135 d.C., prolonga-se na comunidade judaica, cuja
história movimentada e frequentemente trágica se desenvolve na maior parte do
tempo em terra de exílio. As diversas tendências que o animam, todas têm por
fundamento a Escritura e notadamente a Lei, venerada como a própria palavra do
Senhor.
Os judeus a leem e sobre ela fundamentam sua prática no quadro de tradições que,
lançando raízes na vida do antigo Israel, foram redigidas após a ruína da nação e inseridas
na literatura rabínica.
✓ Ao mesmo tempo em que viu o desaparecimento da nação judaica, o século I
assistiu ao nascimento da comunidade cristã, que se afastou progressivamente do
judaísmo.
Para os cristãos, a história do povo de Deus tinha encontrado cumprimento em Jesus de
Nazaré; foi por Ele que Deus reuniu as pessoas de todas as origens para formar um povo
regido por uma nova Aliança, um novo Testamento. Era uma aliança definitiva; em
contrapartida, fazia da Aliança que regia Israel uma etapa que, embora indispensável,
estava destinada a ser superada.
✓ Os cristãos denominaram-na de antiga Aliança e deram ao conjunto dos livros
bíblicos recebidos de Israel o nome de Antigo Testamento (2 Co 3.14), enquanto
os livros que falavam da pessoa e da mensagem de Jesus formavam o Novo
Testamento.
Os discípulos de Jesus e seus sucessores imediatamente que redigiram o Novo
Testamento viam em Jesus aquele que concretizaria a esperança de Israel e responderia à

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expectativa universal tal qual expressa no seio desse próprio povo. Com toda
naturalidade, utilizaram a linguagem dos livros sagrados de Israel com toda a sua
densidade histórica e experiência religiosa acumulada no decorrer dos séculos.
✓ Consequentemente, a comunidade cristã reconheceu no Antigo testamento a
palavra de Deus. As Escrituras judaicas vieram a ser, então, a primeira Bíblia dos
cristãos. Mas, iluminado pela fé em Jesus Cristo, o Antigo Testamento tomou um
sentido novo para eles, tornou-se como que um novo livro.
Assim, judeus e cristãos se vinculam à Bíblia, mas não a leem com os mesmos olhos. Não
obstante ela continua a convidar os homens e mulheres de todos os países e de todos os
tempos a ingressar no povo dos que buscam a Deus no seguimento dos patriarcas, dos
profetas, de Jesus e de seus discípulos. Livro do povo de Deus, a Bíblia é o livro de um
povo ainda a caminho.

Ler a Bíblia.
✓ Os livros da Bíblia são a obra de autores ou redatores reconhecidos como
portadores da palavra de Deus no meio de seu povo. Muitos dentre eles ficaram
no anonimato. De qualquer modo, não estavam isolados: eram conduzidos pelo
povo cujas vidas, preocupações, esperanças partilhavam, mesmo quando se
erguiam contra ele.
Boa parte de sua obra se inspira nas tradições da comunidade. Antes de receber forma
definitiva, estes livros circularam durante muito tempo entre o público e apresentam os
vestígios das reações suscitadas em seus leitores, sob a forma de retoques, anotações e
até de reformulações mais ou menos importantes. Os livros mais recentes são por vezes
reinterpretação e atualização de livros mais antigos (como, por exemplo, as Crônicas, com
relação a Samuel e Reis).
✓ A Bíblia está profundamente marcada pela cultura de Israel, povo que teve, como
todos os outros, um modo próprio de compreender a existência, o mundo que o
circundava, a condição humana. Exprime sua concepção do mundo, não numa
filosofia sistemática, mas em costumes e instituições, em reações espontâneas
dos indivíduos e do povo, através das características originais de sua língua. A
cultura hebraica evoluiu no decorrer dos séculos, conservando, porém,
determinadas constantes.
A civilização de Israel tem muitos pontos em comum com as civilizações dos outros povos
do antigo Oriente. Apesar disso, o antigo Oriente não explica tudo na Bíblia; a linguagem
dos livros foi modelada pela história própria de Israel, única em seu gênero. Muitas das
palavras da Bíblia - particularmente no Novo testamento - estão carregadas de uma
experiência religiosa milenar. Para detectar toda sua riqueza, é preciso levar em
consideração o contexto de toda a Bíblia e da vida das comunidades que prolongam a
existência do antigo Israel.
Isto explica por que, muitas vezes, é difícil para o homem de hoje compreender
plenamente a Bíblia. Entre ela e ele se interpõe uma distância considerável: o

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afastamento no tempo, a diferença de cultura e, mais profundamente, a distância que um
texto escrito sempre introduz entre a mensagem original e o leitor.
✓ Para reduzir a distância, recorre-se à exegese, isto é, a uma explicação do texto.
Cada época teve seus métodos. De dois ou três séculos para cá, o Ocidente viu
desenvolver-se uma exegese histórica, à qual a civilização técnica forneceu
instrumentos (especialmente a arqueologia científica). Sua intenção é estabelecer
com exatidão o texto bíblico, compreender exatamente o sentido das palavras,
situar o texto em seu ambiente original. É o resultado deste vasto trabalho que as
introduções e as notas de A Bíblia - Tradução Ecumênica resumem.
A Bíblia, Palavra de Deus.
✓ Quem lê a Bíblia constata que não constitui simplesmente um antigo tesouro
literário ou uma mina de documentação sobre a história das ideias morais e
religiosas de um povo. A Bíblia não é somente um livro no qual se fala de Deus; ela
se apresenta como um livro no qual Deus fala ao homem, como atestam os
autores bíblicos:
Não se trata de uma palavra sem importância para vós: é vossa vida (Dt 32.47). Estes
sinais foram escritos neste livro para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e
para que, crendo, tenhais a vida em seu nome (Jo 20.30-31).
✓ Nenhuma leitura poderá desconhecer essa função do texto bíblico, essa
interpelação constante, essa vontade de transmitir uma mensagem vital e de
atrair a adesão do leitor. O leitor é livre para resistir e pode apreciar a Bíblia
apenas como um literato ou um apreciador da história antiga. Mas se ele aceitar
entrar em diálogo com os autores que dão testemunho da própria fé e suscitam a
necessidade de uma decisão, a questão fundamental, o sentido da vida, não
deixará de ser enfrentada por ele. Pois a Bíblia e a fé - à qual ela convida de modo
tão premente -, embora estejam profundamente enraizadas numa história
particular e bastante longa, ultrapassam a história. Os autores bíblicos querem ser
os porta-vozes de uma Palavra que se dirige a todo homem, em todo tempo e
lugar.
Através dos séculos, as comunidades cristãs de todas as línguas e de todas as culturas
encontraram e encontram alimento neste livro, cuja mensagem meditam e atualizam.
Não é sem razão que nos cultos ou celebrações se leem ou se cantam os Salmos, o Antigo
Testamento, as Epístolas, com o Evangelho; sua unidade é a unidade da fé.
Fundamentada nesse testemunho da Bíblia, a fé não deixa de encontrar ali vida e força. O
leitor (mesmo não-crente) sabe que está fé existe hoje, que ela é – nas comunidades e
algumas vezes fora delas - um certo modo de o homem viver a relação com os outros
homens e de agir no meio deles, uma modalidade particular de existir que é fermento da
história humana.
✓ Assim, a Bíblia sempre remete o leitor à fé vivenciada, como também a vivência da
fé sempre remete à Bíblia, na qual a fé lança suas raízes.

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1. É assim que nesta Bíblia será traduzido o nome próprio do Deus de Israel (cf. Êx 3.14-
15).
2. Aliança e Testamento são duas traduções da mesma palavra hebraica (cf. Hb 9,15
notas).
3. Para evitar qualquer mal-entendido, seria melhor falar do primeiro e do Segundo
Testamento, sendo um imprescindível à compreensão do outro.
4. Ver, por exemplo, as introduções a Isaías e a Ezequiel.
✓ A prova concludente do amor divino encontra-se no fato de que o Senhor Deus se
revelou ao homem, e está revelação ficou registrada em um livro que nós
chamamos de Bíblia.
B. O VOCÁBULO BÍBLIA
O Vocábulo Bíblia não é encontrado nas páginas das Sagradas Escrituras, mas somente em
sua capa. Sua origem vem do vernáculo grego.
✓ 1. BIBLOS (grego) - Folha de papiro preparada para escrita.
✓ 2. BIBLION (grego) - Rolo pequeno de papiro ou pergaminho (livro).
✓ 3. BÍBLIA (grego) - Plural de biblion, ou seja, a coleção de pequenos rolos (livros).

C. TÍTULOS DA BÍBLIA
1. SAGRADAS ESCRITURAS - Rm 1.2; II Tm 3.15
2. ESCRITURAS - Lc 24.27,45 (Testemunho de Jesus sobre o VT)
3. ESCRITURA - Jo 10.25; II Tm 3.16
4. PALAVRA DE DEUS - Mc 7.13; Rm 10.17; Hb 4.12
5. PALAVRA DA VERDADE – II Tm 2.15
6. ESCRITURA DA VERDADE - Dn 10.21
7. O LIVRO DO SENHOR - Is 34.16
Obs.: Outros nomes e títulos são encontrados em toda a Bíblia.
D. FORMA PRIMITIVA DOS LIVROS DA BÍBLIA
1. ROLOS
Eram tiras de pergaminhos ou papiros enrolados. A tira
era presa a dois cabos de madeira para facilitar o
manuseio. Cada livro era um rolo em separado. Quando
um rolo ficava gasto pelo uso, um grupo de estudiosos,
chamados "massoretas", copiava os textos em novos
rolos, com extremo cuidado. Usualmente os rolos
antigos eram destruídos posteriormente.

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2. O CÓDICE
É um primitivo livro parecido com o formato atual, mas de grandes proporções.
Obs.: Hoje a Bíblia é o Livro mais lido em todo o mundo e, isso se tornou possível graças
à invenção do papel no século II da era Cristã, pelos chineses, e a criação dos prelos de
tipos móveis pelo alemão Gutenberg em 1450. Embora não tivesse sido o primeiro livro a
ser escrito, foi o primeiro a ser impresso (1450). Atualmente mais de 30.000.000 de
cópias são impressas a cada ano. A Bíblia (Velho e Novo Testamentos), já foi traduzida
para mais de 1.090 idiomas e dialetos diferentes.

CAPÍTULO 04
AS LÍNGUAS ORIGINAIS

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A. A ESCRITA E AS LÍNGUAS ORIGINAIS
Todos os Livros da Bíblia foram escritos originalmente à mão, sendo chamados, portanto,
de manuscritos.
ESCRITA
✓ a. UNCIAL - é o manuscrito que contém apenas maiúsculas.
✓ b. CURSIVO - é o manuscrito que contém apenas minúsculas.

2. AS LÍNGUAS ORIGINAIS
a. VELHO TESTAMENTO
HEBRAICO
É a língua pertencente ao grupo ocidental dos
idiomas semíticos (o termo semítico é oriundo do
nome de Sem o filho mais velho de Noé). Quase
a totalidade do Velho Testamento foi escrito em
hebraico.
ARAMAICO
É parecido com o hebraico, mas não é derivado
dele. A forma de escrita é a mesma, pois o
aramaico tem aproximadamente as mesmas
características fonológicas. A Bíblia nos mostra
(2 Rs 18.26), no tempo de Senaqueribe (705-681
a.C.), que o aramaico era um idioma diplomático.
Algumas porções do Velho Testamento foram
escritas em aramaico - Dn 2.4-7.28; Ed 4.8-
6.18;7.12-26; Jr 10.11 e duas palavras em Gn
31.47.
b. O NOVO TESTAMENTO
HEBRAICO
Alguns estudiosos acham que, originalmente, o Evangelho de Mateus tenha sido escrito em
hebraico no seu todo ou apenas as LOGIAS (ensinamentos -Sermão no Monte), de Jesus.
GREGO KOINÊ
É o grego popular, comum. Língua franca das
terras do Oriente Próximo e do Mediterrâneo nos
tempos dos romanos. Sendo uma língua flexível e
harmoniosa, era falada e compreendida por quase
todos. Os Livros do Novo Testamento foram
escritos em sua totalidade, no idioma grego, salvo
algumas palavras de influência hebraica e
aramaica.

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CAPÍTULO 05
OS ESCRITORES

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A. OS ESCRITORES DA BÍBLLA
✓ Desde os tempos mais antigos, Deus fez os homens guardarem um registro escrito
de suas palavras e revelações. Durante um período de aproximadamente 1400 a
1600 anos, por mais ou menos 40 homens. Inspirados por Deus, eles deixaram
registrado para as gerações vindouras a Palavra Eterna de IHAVÉH. Foram
homens dos mais variados segmentos da sociedade, tais como: Rei, camponês,
pescador, médico, teólogo, sacerdote, legislador, profeta, cobrador de impostos,
etc...
Os Livros foram escritos em épocas, ambientes e circunstâncias as mais diversas, no
entanto, formam apenas um único livro, com um único e grande tema. Deus foi o autor,
tais homens, os escritores. Miraculosamente, Deus permitiu que a natureza e
personalidade de cada escritor transparecessem através de cada escrito. Esses homens
não foram meros secretários, mas cooperadores de Deus.
B. A REVELAÇÃO & INSPIRAÇÃO da BÍBLIA
✓ O homem não teria o conhecimento de Deus se o próprio Deus não se revelasse
de forma clara e real. A Bíblia seria um, entre milhares de livros ultrapassados, se
não fosse inspirada pelo Espírito Santo de Deus. Portanto, o que conhecemos de
Deus, chegou até nós por revelação e inspiração.
REVELAÇÃO
Revelar significa "tirar o véu", ou "remover a coberta" que esconde um objeto
para o expor à vista. Deus é conhecido, segundo a Bíblia, não porque os homens, nos seus
esforços intelectuais o descobriu (/ Co 1.21), mas Deus mesmo se revelou. O Poder e a
Divindade de Deus foram revelados através da Sua criação (Rm 1.20). No entanto, as
maravilhas da criação não dão ao homem a capacidade de adquirir o conhecimento de
Deus que o seu coração pede. Deus é a fonte da Vida, e o conhecimento dEle introduz o
homem em uma vida cada vez mais perfeita (S119). Conhecer Deus através de palavras é
uma coisa, mas conhecer Deus porque Ele se revelou, é algo de causar impacto duradouro.
Jacó teve uma revelação especial de Deus (Gn 28.10-13) Moisés conhecia Deus por
tradição do seu povo, um dia, porém, o próprio Deus se revelou a ele, e aquela revelação
mudou radicalmente a sua vida (Êx 3.1-6). Quando o Senhor se revelou a Jó, ele não se
conteve e exclamou: "Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem.
Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza"(Jó 42.5,6). Extensa é a lista de
homens e mulheres que, nas páginas sagradas, tiveram uma revelação de Deus. "O Criador
opera, a Criatura contempla: o Senhor se apresenta, o homem percebe; o Senhor fala, o
homem ouve: o Senhor se revela e o homem entende algo da Sua Majestade, da Sua
Santidade, da Sua Justiça e da Sua Glória"(A.R.Crabtree - Teologia do Velho Testamento
- página 42).
INSPIRAÇÃO
É o termo inspiração que descreve, no sentido bíblico, a habilitação dos
escritores que produziram os livros da Bíblia. A inspiração significa a atuação do Espírito
Santo no espírito de homens idôneos, escolhidos, para receberem e transmitirem as

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mensagens da revelação divina (// Pé 1.19-21). Em outras palavras, inspiração é o sopro de
Deus (grego = Theopneustos), onde o Criador, sobrenaturalmente, dirige com perfeita
exatidão e de forma infalível o registro da Sua Palavra, sem, com isso, prejudicar a
inteligência, individualidade, estilo literário, ou sentimentos pessoais dos escritores
humanos (2Tm 3.16). "Por meio da inspiração divina, os escritores da Bíblia falaram com
autoridade do passado desconhecido, escreveram sob orientação divina as porções
históricas, revelaram a Lei, escreveram a literatura devocional... registraram a mensagem
profética contemporânea, e professavam o futuro" (C.I. Scofield).
C. A AUTORIDADE DA BÍBLIA
Embora os Oráculos de Deus tenham sido escritos por homens e tragam marcas
indeléveis de sua escrita humana, não obstante, sob influência do Espírito Santo a ponto de
serem também as palavras de Deus, a expressão adequada e infalível de Sua mente e
vontade conosco. Enquanto que a Bíblia está classificada entre os registros históricos,
pertence ela a uma categoria inteiramente distinta; e que, diferentemente de todos os
demais escritos, ela não é apenas digna de fé, mas não contém erros e é incapaz de erro; e
que assim é porque se distinguem absolutamente de todos os outros livros, visto que em si
mesma, em cada uma das suas palavras, é a própria Palavra de Deus. As provas
arqueológicas, históricas, a unidade de seus escritos, as evidências claras e visíveis no
contexto humano atestam a veracidade e a autoridade divina da Bíblia. Não cabe neste
momento fazer uma exposição teológica, histórica ou científica acerca de tal autoridade. A
Teologia Sistemática ao abordar este assunto o faz com mais detalhes e profundidade.

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CAPÍTULO 06
A ESTRUTURA DA BÍBLIA – O ANTIGO TESTAMENTO

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A. A ESTRUTURA DA BÍBLIA
A Bíblia contém 66 livros e é dividida em Velho e Novo Testamentos. O Velho
Testamento tem 39 Livros e levou um período de aproximadamente 1500 anos para ser
escrito e, o Novo Testamento tem 27 Livros que foram escritos num período de 100 anos.
A palavra Testamento quer dizer "aliança" ou "pacto".
✓ O Velho Testamento é a aliança que Deus fez com o homem quanto à sua
salvação, antes de Cristo vir.
✓ O Novo Testamento é o pacto que Deus fez com o homem, quanto à sua salvação,
depois de Cristo vir.
Obs.: Velho e Novo Testamento são definições cristãs, e não judaicas, pois os judeus só
aceitam como Escritura Sagrada apenas os livros do Vetero-testamentarios.
B. O ANTIGO TESTAMENTO
1. A FORMAÇÃO DO CÂNON DO VELHO TESTAMENTO
✓ Quais são os livros que pertencem ao Cânon do Velho Testamento? Por que só os
39? A Igreja Católica Romana, desde o Concílio de Trento, (1546), tem recebido
outros livros como canônicos. Estes são 14 apócrifos, que vem do adjetivo grego
"apokriphos" (ocultos). Estes livros são: 1° e 2° Esdras, Tobias, Judite, Adições a
Ester, Oração de Manassés, Epístola de Jeremias, Livro de Baru-que, Eclesiástico,
Sabedoria de Salomão, 1° e 2° Macabeus, Adições a Daniel, que inclui a Oração de
Azarias, o Cântico dos Três Hebreus e Bel e o Dragão. Vamos examinar o conteúdo
e origem destes livros duma maneira bem resumida, depois verificar porque não
foram aceitos pela Igreja.
2. OS LIVROS APÓCRIFOS
✓ Os Apócrifos: É esta a denominação que comumente se dá aos 14 livros contidos
em algumas Bíblias, entre os dois Testamentos. Originaram-se do terceiro ao
primeiro século AC. a maioria dos quais de autor incerto, e foram adicionados a
Septuaginta, tradução grega do Antigo Testamento, feita naquele período. Não
foram escritos no hebraico do Antigo Testamento. Foram produzidos depois de
haver cessado as profecias, oráculos e a revelação direta do Antigo Testamento,
Josefo rejeitou-os totalmente. Nunca foram reconhecidos pelos judeus como
parte das Escrituras hebraicas. Nunca foram citadas por Jesus, nem por ninguém
mais no Novo Testamento. Não foram reconhecidos pela Igreja Primitiva como de
autoridade canônica, nem de inspiração divina. Quando se traduziu a Bíblia para o
latim, no segundo século A.D. seu Antigo Testamento foi traduzido, não o Antigo
Testamento hebraico, mas da versão grega da Septuaginta do Antigo Testamento.
Da Septuaginta esses livros apócrifos foram levados para a tradução latina; e daí
para a Vulgata, que veio a ser a versão comumente usada na Europa Ocidental até
o tempo da Reforma.

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Os protestantes baseando seu movimento na autoridade divina da Palavra de Deus,
rejeitaram logo esses livros apócrifos como não fazendo parte dessa Palavra, assim como
a Igreja Primitiva e os hebreus antigos fizeram. A Igreja romana, entretanto, no Concílio
de Trento em 1546 A.D. realizado para deter o movimento protestante, declarou
canônicos tais livros, que ainda figuram na versão de Matos Soares, etc... (Bíblia Católica
Romana).
3. O VALOR DOS APÓCRIFOS
✓ Não podemos dizer que esses livros não têm nenhum valor, pois não seria verdade.
Tem valor, mas não como as Escrituras. São livros de grande Antiguidade e valor
real. Do mesmo modo que os manuscritos do Mar Morto são monumentos a
atividade literária dos judeus, estes também são. Em parte, preenchem a lacuna
histórica entre Malaquias e Mateus, e ilustram a situação religiosa do povo de Deus
naquela época.
4. POR QUE OS APÓCRIFOS NÃO FORAM ACEITOS NO CÂNON DO ANTIGO
TESTAMENTO?
1. Nenhum dos livros foi encontrado dentro do cânon hebraico.
✓ Um estudo da história do Cânon dos judeus da Palestina revela uma ausência
completa de referências aos livros apócrifos. Josefo, diz que os profetas
escreveram desde os dias de Moisés até Artaxerxes, também diz: ...é verdade que
a nossa história tem sido escrita desde Artaxerxes, não foi tão estimada como
autoritativa como a anterior dos nossos pais, porque não houve uma sucessão de
profetas desde aquela época. O Talmude, fala assim: "Depois dos últimos profetas,
Ageu, Zacarias e Malaquias, o Espírito Santo deixou Israel". Não constam no texto
dos massoretas (copistas judeus da maior fidelidade) entregar tudo o que
consideravam canônico nas Escrituras do Velho Testamento. Nem tão pouco
parece ter havido
"Targuns" (paráfrases ou comentários judaicos da antiguidade) ligado a eles. Para os
judeus, os livros considerados "inspirados" são os 39 que hoje conhecemos como Velho
Testamento. Eles os possuem numa ordem diferente da nossa por causa da forma pela
qual dividem os livros.
2) Todos estes livros foram escritos depois da época quando a profecia cessou em Israel,
e não declaram ser mensagem de Deus ao homem.
✓ Fora dois deles, Eclesiástico e Baruque, os livros são anônimos, e no caso de
Eclesiástico, o autor não se diz profeta, nem asseverou que escreveu sob a
inspiração de Deus. O livro de Baruque que se diz ser escrito pelo secretário de
Jeremias, não pode ser aceito como genuíno, pois contradiz o relato bíblico.
Os livros de Macabeus não tem nenhuma pretensão para autoria profética. Mas registra
detalhes sobre as guerras de independência em 165 A.C. quando os cinco irmãos
Macabeus lutaram contra os exércitos da Síria. I Macabeus é geralmente considerado
como de maior valor histórico do que o II.

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3) O nível moral de muitos destes livros é bastante baixo.
✓ São cheios de erros históricos e cronológicos, por exemplo, Baruque 1.1, diz que
ele está na Babilônia, enquanto Jeremias 43.6, diz que ele está no Egito. Baruque
diz que os utensílios do templo foram devolvidos da Babilônia, enquanto Esdras e
Neemias revelam o contrário. Baruque cita uma data errada para Beltesazar e diz
que o cativeiro era de sete gerações (Baruque 6.3), o que contradiz as profecias de
Jeremias e o cumprimento de Esdras. Tobias e Judite estão cheios de erros
geográficos, cronológicos e históricos. Tobias 1.4,5 contradiz 14.11. Mentiras,
assassinatos e decepções são apoiados. Judite é um exemplo. Temos suicídios
(4.10), encantamentos, magia e salvação pelas obras (Tobias 12.9; Judite 9.10,13).
4) Não foram incluídos no Cânon até o fim do 4° século.
✓ Como já observamos, os livros apócrifos, não foram incluídos no cânon hebraico.
Os livros apócrifos foram incluídos na Septuaginta, a versão grega do Velho
Testamento e que não é de origem hebraica, mas de Alexandria, que é uma
tradução do hebraico. Os Códices Vaticanos, Alexandrinos e Sinaíticos, têm
apócrifos entre os livros canônicos.
Porém temos de notar vários fatores aqui.
✓ A. Nem todos os livros apócrifos estão presentes nos Códices e não tem ordem
fixa dentro dos Códices.
✓ b) Por ser um livro de origem egípcia, pois vem de Alexandria, a Septuaginta não
tinha as mesmas salvaguardas contra erros e acréscimos, pois não tinham
massoretas orientando a obra com o mesmo cuidado que usaram no texto
hebraico.
✓ c) Manuscritos, naquele tempo, ficavam em rolos, não em livros e são facilmente
misturados, e seria fácil juntar outros que ficaram numa mesma caixa. No caso de
guerras ou desastres, estes manuscritos poderiam ser colocados em jarros de
barro e lacrados para serem posteriormente reutilizados. Alguns destes jarros
foram achados nas cavernas de Qumran com manuscritos que nos ajudaram a
confirmar o conteúdo de nossas Bíblias atualmente, além de revelarem uma série
de fatos muito interessantes sobre a vida daquela época.
✓ d) O preço de material para escrever pode influir também. Não era tão fácil
calcular o espaço necessário para fazer um livro. Que fariam se cortassem o couro
e descobrissem 30 ou 40 páginas de couro sobrando no livro? Naturalmente
encheria com conteúdo devocional. A tendência seria de misturar livros bons com
os canônicos até o ponto que os nãos canônicos fossem aceitos como canônicos.
✓ e) Os livros não canônicos não foram recebidos durante os primeiros quatro (4)
séculos. Melito, o bispo de Sardis em 170 D.C., visitou a Judéia para verificar o
número certo de livros do Velho Testamento. A lista que ele fornece, inclui os
livros canônicos do Velho Testamento, menos Ester (porque não reconheceu entre
os apócrifos) e não incluiu os apócrifos.

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ORÍGENES, o erudito do Egito, com uma grande biblioteca, incluiu os 39 livros do
Velho Testamento, mas seguindo a lista ele fala: "Fora destes temos os livros dos
Macabeus". Outros pais da Igreja, como Atanásio, Gregório de Nazianzus de
Capadócia, Rufinus da Itália e Jerônimo, nos deixaram com uma lista que
concorda com o cânon hebraico.
JERÔNIMO, que fez a Vulgata, não quis incluir os livros apócrifos por não os
considerar inspirados, porém, os fez por obrigação do bispo, não por convicção,
mesmo assim só traduziu Judite e Tobias, os outros apócrifos foram tirados
diretamente dos versos latinos anteriores. Parece que a única figura da
antiguidade a favor dos apócrifos era Agostinho, e dois Concílios que ele mesmo
dominou (393 e 397). Porém, outros escritos dele (A cidade de Deus) parecem
revelar uma distinção entre os livros canônicos e os apócrifos (17.24; 18.36,38,42-
45).
GREGÓRIO, O GRANDE, papa em 600 D.C., citando I Macabeus falou que não era um livro
canônico, e o cardeal Ximenes no seu poligloto afirma que os livros apócrifos dentro de
seu livro, não faziam parte do cânon. Os livros apócrifos não foram aceitos como
canônicos até 1546 quando o concílio de Trento decretou: "Este Sínodo recebe e venera
todos os livros do Velho e Novo Testamentos, desde que Deus ‚ o autor dos dois, também
as tradições e aquilo que pertence a fé e morais, como sendo ditados pela boca de Cristo,
ou pelo Espírito Santo". A lista dos livros que segue inclui os apócrifos e conclui dizendo:
"Se alguém não receber como Sagrados e canônicos estes livros em todas as partes, como
foram lidos na Igreja Católica, e como estão na Vulgata Latina, e que conscientemente e
propositadamente contrariar as tradições já mencionadas, que ele seja anátema".
✓ Para nós o fator decisivo é que Cristo e seus discípulos não os reconheceram como
canônicos, pois não foram citados por Cristo nem os outros escritores do Novo
Testamento!
Mais de três quartos da Bíblia correspondem ao Velho Testamento. O Velho Testamento
dedica-se ao trato de Deus com a nação escolhida. Temos no Velho Testamento a história
Sagrada, mediante a qual Deus se revela ao homem.
Apesar de Israel ser o povo escolhido, Deus não se revela apenas como o Deus dos
judeus, mas igualmente o governante supremo de todos os povos e de todos os lugares.
Deus elegeu o povo Hebreu com três finalidades:
Ser depositário da Sua Palavra;
Ser a testemunha do único Deus verdadeiro perante as nações, e;
Ser o meio pelo qual viesse o Redentor.

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Obs.: Tomando como base, os personagens, os lugares e os acontecimentos bíblicos,


podemos construir a história da Bíblia em sua Ordem Cronológica.

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CAPÍTULO 07
A ESTRUTURA DA BÍBLIA – O NOVO TESTAMENTO

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A. O NOVO TESTAMENTO
1. O CÂNON DO NOVO TESTAMENTO
✓ Pelo Cânon do Novo Testamento queremos falar a coleção de 27 livros do Novo
Testamento considerados como a norma ou regra de fé para a Igreja de Cristo.
Surgem logo perguntas a respeito do cânon do Novo Testamento. Como e quando
chegaram a ser reconhecidos como livros inspirados? Qual a base para a seleção
destes livros e por que rejeitaram outra literatura da igreja daquele tempo?
Vamos tentar responder estas perguntas, incluindo: Quando foram escritos estes
livros?
2. O CONTEÚDO DO CÂNON NEO-TESTAMENTÁRIO
✓ Como já notamos, o cânon do Novo Testamento tem 27 livros escritos em grego.
Os primeiros cinco são de caráter histórico, sendo quatro os Evangelhos que
contém ditos e feitos de Jesus Cristo, e um é o livro de Atos, escrito por Lucas, o
autor do terceiro Evangelho. Temos 21 cartas escritas por Paulo, Pedro, Tiago,
Judas e possivelmente mais um autor, se Hebreus não é paulino, é o livro de
Apocalipse, escrito por João, o mesmo autor de um dos Evangelhos e três cartas.
3. AS DATAS DESTES LIVROS
✓ Segundo a informação dada em Lucas 3.1, o ministério de João Batista que
precedeu o início do ministério de Jesus Cristo data do 15° ano de Tibério César.
Tibério tornou-se imperador em agosto de 14 A.D., assim o 15° ano começaria em
outubro, 27 D.C. Temos três páscoas mencionadas no evangelho de João, se sendo
que a terceira foi a Páscoa de 30 D.C., está sendo a data mais provável da morte
de Cristo na cruz. O Novo Testamento, como é conhecido hoje, estava completo
por volta do ano 1000 D.C. e a grande parte dos livros já existindo há mais de 40
anos. Pode-se dizer que quase todos os livros foram escritos antes de 70 D.C.
4. COMO FOI FORMADO?
✓ Evidência Interna: Isto é do próprio Novo Testamento. O fato é que a Igreja
primitiva recebeu dos judeus a ideia de uma regra de fé e conduta escrita. Esta
ideia foi confirmada pelo Senhor Jesus Cristo, e os escritores do Novo Testamento,
que sempre se referiam ao Velho Testamento como sendo a palavra de Deus
escrita. Sabemos que desde o princípio, a Igreja cristã tem aceitado as palavras de
Cristo com a mesma autoridade com que aceitaram as palavras do Velho
Testamento, e aceitaram não apenas isto, mas declararam os apóstolos que o seu
próprio ensino, oral e escrito possuía autoridade semelhante a do Velho
Testamento. Tal era a autoridade de seus escritos, que mandaram que fosse lido
publicamente nas Igrejas (I Ts 5.27; Cl 4.16; II Pe 3.1,2). Era, portanto, natural que
a literatura do Novo Testamento se acrescentasse ao Velho Testamento. No
próprio Novo Testamento, pode ser que vejamos o início deste processo (I Tm
5.18; II Pe 3.1,2 e 15,16). Além da evidência interna, temos a evidência histórica
da formação do Cânon do Novo Testamento.

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5. O CRITÉRIO CANÔNICO
O critério que a Igreja aplicou como teste de autenticidade era ditado pelas necessidades
de fazer face à controvérsia com hereges e descrentes. Como veremos a seguir, na
seleção do material que iria compor os primeiros escritos, as necessidades missionárias,
ao lado das apologéticas, são o critério para a seleção de testimonia, ditos, milagres e
parábolas de Jesus que, nos primórdios na nova época, iriam formá-los.
Eis alguns critérios de seleção:
A apostolicidade A obra em consideração pela Igreja deveria ter sido escrita por
um dos doze ou possuir o que se chamaria hoje de imprimatur apostólico. O
escrito deveria proceder da pena de um apóstolo ou de alguém que estivera em
contato chegado com apóstolo e, quando possível, produzido a seu pedido ou
haver sido especialmente comissionado para fazê-lo. Como consequência este
documento deveria pertencer a um período bem remoto. Quanto aos Evangelhos,
estes deveriam manter o padrão apostólico de doutrinas particularmente com
referência à encarnação e ser na realidade um evangelho e não porções de
evangelhos, como tantos que circulavam naquele tempo.
A circulação e uso do livro. É provável que certos livros houvessem sido aceitos e
circulado como autoridade antes mesmo que qualquer relação com apóstolo, quer
direta, quer indireta, fosse determinada. É deste modo que o escrito recebia o
imprimatur da própria comunidade cristã universal que o usava.
Ortodoxia. Este era importante item na escala de padrões de aferimento.
Percebe-se nos próprios escritos do Novo Testamento, que depois formaram seu
cânon, o repúdio à falsa doutrina e a luta pela preservação da ortodoxia, que em
Rm 6.17 chama de "padrão de doutrina", ou o que II Tm 1.13 denomina "padrão
das sãs palavras", ou ainda o "depósito de I Tm 6.20.
Autoridade diferenciadora. Bem cedo, antes mesmo que os Evangelhos fossem
mencionados juntos, já os cristãos distinguiam livros que eram citados e lidos
como tendo autoridade divina e outros que continuavam fora do Novo
Testamento.
A leitura em público. Nenhum livro seria admitido para a leitura pública na Igreja
se não possuísse características próprias. Muitos outros livros circulavam quando
Mateus começou a ser usado pelos cristãos. Poderiam ser bons e de leitura
agradável, mas só serviam para a leitura em particular. Havia alguns, e entre eles
os Evangelhos de modo restrito e Mateus de modo singular, que se prestavam à
leitura e ao comentário perante as congregações cristãs, como a Lei e os Profetas
nas Sinagogas. É o que I Tm 4.13 quer dizer quando Timóteo é exortado a aplicar-
se à leitura, isto é, à "leitura pública das Escrituras" como sabiamente indica um
rodapé da última revisão de Almeida.

6. O PRIMEIRO SÉCULO D.C.

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✓ Não se sabe quando as palavras do Senhor (At 20.35 e I Co 7.10) foram registradas
por escrito pela primeira vez. Porém, em mais ou menos 58 D.C., quando Lucas
escreveu seu Evangelho, muitos já haviam empreendido esta tarefa (Lc. 1.1). Pode
ser que a Epístola de Paulo aos Gálatas fosse escrita tão cedo como em 49 D.C. É
claro que a Epistola foi escrita antes de sua morte em 62 D.C. e as outras Epístolas
de Paulo e Pedro, antes da morte deles, na época de 68 D.C. A maior parte do
Novo Testamento já estava escrita antes da queda de Jerusalém em 70 D.C. O
Evangelho e as Epístolas de João, e o Apocalipse, certamente foram completadas
antes do fim do primeiro século.
7. O CÂNON DO NOVO TESTAMENTO E OS PAIS DA IGREJA
Escritores "evangélicos" no fim deste mesmo século mostram que conheciam os
evangelhos e epístolas. A atitude dos cristãos em face das normas da doutrina cristã que
encontramos no fim da época apostólica (isto é, mais ou menos em fins do século I d.C.)
pode ser encontrada no princípio da era pós-apostólica, principalmente na fase mais
antiga dos pais apostólicos.
✓ 1. CLEMENTE, Bispo de Roma - Cerca de 95, escreveu uma carta a Igreja de
Corinto, e nesta carta menciona, 1 Coríntios, Efésios, 1 Timóteo, Tito, Tiago, o
evangelho de João e Hebreus.
✓ (2) INÁCIO, Bispo de Antioquia - Antes de 117, deixou sete cartas e nelas
menciona passagens dos evangelhos, especialmente Mateus e João e as cartas
paulinas, colocando os escritos do Novo Testamento num plano de autoridade
superior aos do Velho Testamento, em virtude da clareza de seu testemunho.
✓ (3) POLICARPO, que conhecia João pessoalmente, escreveu uma carta em cerca de
105-108, que menciona cartas de Paulo como autoritativas, principalmente
filipenses, mas revela conhecimento de Mateus, Atos, Romanos, 1 e 2 Coríntios,
Gálatas, Efésios, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, 1 e 2 Pedro e I João. Estes
escritores distinguiram claramente entre seus próprios escritos e os escritos dos
apóstolos, atribuindo a estes últimos, inspiração e autoridade. Demonstram estes
escritores que, mesmo nesta data primitiva, os evangelhos e as epístolas do Novo
Testamento, já se achavam em circulação e eram honrados tanto nas igrejas do
ocidente como do oriente. 100-150 D.C. - As Escrituras do Novo Testamento lidas
nas Igrejas.
✓ (4) PAPIAS - Cerca de 140 D.C. testifica que "a voz viva dos presbíteros ia sendo
substituída pela autoridade da palavra escrita". Nos escritores deste período há
referências claras a todos os livros do Novo Testamento, com exceção a 6 ou 7 das
epístolas mais curtas; ele atesta a existência de Mateus e Marcos e o caráter
apostólico destas obras.
✓ (5) JUSTINO, o Mártir (148 D.C.) - fala das recordações dos apóstolos e os que
seguiam como sendo lidas nas igrejas. Tantos hereges, como cristãos ortodoxos,
testemunham a sua autoridade, muitas vezes citando o Novo Testamento e
acrescentando "como está escrito". 150-200 D.C. - Traduções e comentários do
Novo Testamento Neste período a Igreja de Cristo se expandiu e desenvolveu-se.

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Com a inclusão de homens de novas raças e grande capacidade, os eruditos
fizeram traduções das Escrituras em outras línguas. Remontam a este tempo a
velha versão latina para o povo da África do Norte e a versão Siríaca para o povo
do Oriente Médio. Começaram a aparecer comentários. Houve por exemplo, o
Comentário sobre os oráculos do Senhor, da autoria de Papias (140). Um
comentário sobre o Apocalipse, da autoria de Melito (165). Pouco depois, Tatião
escreveu o DIATESSERON, ou Harmonia dos quatro evangelhos, que se
reconheciam como possuidores de autoridade única. Ao fim do século, Clemente
de Alexandria escreveu seus Esboços, que é um comentário em 7 volumes sobre
os livros do Novo Testamento, mais a epístola de Barnabé e o Apocalipse de Pedro
(que foram excluídos do cânon). 200 - 300 - Colecionam-se e separam-se os livros
do Novo Testamento ORÍGENES, é um erudito da época, era tão trabalhador que
se diz que empregou 7 estenógrafos que revezavam no trabalho de registro do
que ditava, além de 7 copistas e outros que ajudavam na parte de secretaria.
Redigiu ele do texto do Novo Testamento, defendeu sua inspiração, escreveu
comentários ou discursos sobre a maioria dos livros.
✓ TERTULIANO (cerca de 200) foi o primeiro a chamar a coleção que temos de
"Novo Testamento", assim colocando-a ao mesmo nível de inspiração como os
livros do Velho Testamento. BIBLIOTECAS se formaram em Alexandria, Jerusalém,
Cesaréia, Antioquia, Roma e ainda outras cidades, das quais a parte mais
importante consistia em manuscritos e comentários das Escrituras. 300 - 400 - O
cânon bem, estabelecido tem vários fatores contribuíram para tornar importante
a distinção entre livros canônicos e outros livros não canônicos.
Alguns dos fatores eram:
✓ (a) A coleção num só livro dos livros inspirados.
✓ (b) Serem reconhecidos estes livros com a autoridade da fé cristã.
✓ (c) O aumento das heresias e falsa doutrina.
Antes do fim do quarto século, todas as Igrejas tinham reconhecido o cânon do Novo
Testamento, como o temos hoje. Eusébio, conta até que ponto o assunto do Cânon
chegara a seu tempo (316 d.C.).
✓ Aceitos universalmente - Os 4 evangelhos, Atos, Epístolas de Paulo (incluindo
Hebreus), I Pedro, I João e Apocalipse.
✓ Disputado por alguns - Embora admitidos pela maioria e pelo próprio Eusébio,
Tiago, II Pedro, II e III João, Hebreus e Judas.
✓ Não genuínos - Atos de Paulo, Didache (ensinos dos Apóstolos), o Evangelho dos
egípcios, o Evangelho de Tomé, o Evangelho das basilidas, o Evangelho de Matias
e o Pastor de Hermes.
No ano de 367, Atanásio pela primeira vez apresentou um cânone do Velho e Novo
Testamentos firmemente circunscritos, dentro do qual eram definidas as classes
individuais dos textos e de sua sequência. Ele designou vinte e sete livros como sendo os
únicos realmente canônicos do nosso Novo Testamento; ninguém pode acrescentar mais
nada a este número, bem como ninguém pode retirar coisa alguma.

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O 3° Concílio de Cartago (397) mandou que: "além das Escrituras canônicas, nada se lesse
na igreja sob o título de "Escrituras divinas". A discussão a respeito do cânon nos séculos
subsequentes se acalmou, porém, muitos eruditos têm se perguntado a si mesmo porque
haveria eles de concordar com a resolução já feita.
Agostinho disse que concordou por causa da natureza dos próprios livros e pela unidade
praticamente completa entre os cristãos neste assunto.
✓ Calvino baseava a sua crença na autoridade desses livros no testemunho do
Espírito Santo. Nós aceitamos por todas essas razões, mas principalmente porque
já provamos em nossas vidas a veracidade de tudo aquilo que está escrito.
Quando vivemos pelas Escrituras, descobrimos que elas são suficientes para todas
as nossas necessidades, completas em si mesmas. A única regra de fé e prática.
Novo Testamento forma a segunda parte da Bíblia. O Velho Testamento cobre um
período de milhares de anos de história, mas o Novo Testamento, menos de um século.
A fração do l Século d. C., coberta pelo N. T., foi o período crucial durante o qual, em
conformidade com as crenças cristãs, começaram a ter cumprimento as profecias
Messiânicas:
Foi realizado o divino plano da redenção dos homens, por intermédio do Filho de
Deus, Jesus Cristo;
O povo de Deus, a Igreja, se formou.

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Tudo estava estribado sobre o Novo Pacto, segundo o qual Deus se ofereceu para perdoar
os pecados daqueles que creem em Jesus Cristo, em virtude de Sua morte Vicária.
Escrito originalmente em grego, entre 45 – 95 (?) d.C., os Livros do N. T. é
tradicionalmente atribuído aos apóstolos Pedro, João, Mateus e Paulo, bem como outros
antigos escritores cristãos, João Marcos, Lucas, Tiago e Judas" - Panorama do N.T. Robert
H.Gundry, PH.D.

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CAPÍTULO 08
A BÍBLIA HEBRAICA E A VULGATA LATINA

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A. A BÍBLIA HEBRAICA
✓ Os judeus aceitam apenas os livros que os cristãos definem como Velho
Testamento. Os livros são os mesmos, mas colocados em ordem diferente.
Reduzindo-se cada par de livros de Samuel, Reis e Crônicas a um cada, Esdras e
Neemias a um, os doze profetas menores a um, em vez de 39 livros os judeus tem
24.

1. OS CINCO ROLOS
Os Cinco Rolos eram Livros lidos em ocasiões especiais:

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a. CANTARES - Lido na Páscoa.
b. RUTE
✓ Lido na Festa de Pentecostes, como celebração da colheita.
c. ESTER
✓ Lido na Festa do Purim, onde comemoram o Livramento de Israel das mãos de
Hamã.
d. ECLESIASTES
✓ Lido na Festa dos Tabernáculos.
e. LAMENTAÇÕES
Lido no dia nove do mês de "Abe" (julho/agosto), como tristeza pela destruição de
Jerusalém e do Templo.
Obs.: Jesus concordou com a divisão hebraica ao citá-la em Lc 24.44.
B. A BÍBLIA CATÓLICO-ROMANA (Vulgata Latina)
✓ A Vulgata Latina tem sete (7) livros a mais, perfazendo um total de setenta e três
(73) livros. Os Livros acrescidos são chamados "apócrifos", isto é, não canônicos,
não inspirados, espúrios. Os sete (7) livros estão inseridos no Velho Testamento e
foram aprovados pela Igreja Romana em 1546, no Concílio de Trento, em meio a
muita controvérsia. O Novo Testamento permanece com as mesmas
características e número de livros da versão protestante.

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CONCLUSÃO:
Cancelando os livros apócrifos e os acréscimos aos livros canônicos, as Bíblias nas versões
Católica e Protestante, são substancialmente idênticas.

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CAPÍTULO 09
CAPÍTULOS E VERSÍCULOS – PESOS E MEDIDAS

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A. CAPÍTULOS E VERSÍCULOS
✓ A divisão em Capítulos foi feita no ano de 1250 pelo Cardeal Hugo de Saint Clear,
abade dominicano.
1. O VELHO TESTAMENTO
✓ O Velho Testamento tem 929 Capítulos.
✓ O Velho Testamento foi dividido em versículos em 1445 pelo Rabi Natan.
✓ O Velho Testamento tem 23.214 versículos.
2. O NOVO TESTAMENTO
✓ O Novo Testamento tem 260 Capítulos.
✓ O Novo Testamento foi dividido em versículos em 1551, por Robert Stevens, um
impressor de Paris.
O Novo Testamento tem 7.959 versículos.
Obs.: Toda a Bíblia tem:
1.189 capítulos
31.173 versículos.
✓ A primeira versão editada em capítulos e versículos data de 1555, por Robert
Stevens, sendo esta a Vulgata Latina.
B. SISTEMA DE PESOS E MEDIDAS
✓ No antigo Oriente Próximo, os padrões variavam de conformidade com os distritos
e as cidades, e não há qualquer prova que Israel possuísse ou usasse um sistema
fixo de pesos e medidas. Davi (2 Sm 14.26) e Ezequiel (Ez 45.9-14) decretaram
certos padrões básicos de Pesos & Medidas.

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CAPÍTULO 10
A BÍBLIA EM PORTUGUÊS

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A. OS ANOS DE PREPARAÇÃO
1. O REI DE PORTUGAL
✓ D. Diniz (1279 - 1325) traduziu os vinte primeiros capítulos do Livro de Gênesis
usando a Vulgata Latina como base. Pode-se ver que o começo da tradução da
Bíblia em português ocorreu antes da tradução da Bíblia para o Inglês por John
Wycliff.
2. A TRADUÇÃO DOS EVANGELHOS

✓ O Rei D. João l (1385 - 1433) ordenou a tradução dos evangelhos, do livro de Atos
e das epístolas de Paulo. Essa obra foi realizada por "padres" católicos, que se
utilizaram da Vulgata Latina como base. Desses esforços resultou uma publicação
que incluía os livros mencionados e o livro de Salmos do Velho Testamento.
3. OS ANOS SEGUINTES
✓ Nos anos seguintes foram preparadas diversas traduções de porções bíblicas como
os evangelhos, traduzidos do francês pela infanta Dona Filipa, filha do infante D.
Pedro e neta do rei D. João l; o evangelho de Mateus e porções dos demais
evangelhos, pelo frei cisterciense Bernardo de Alcobaça, que se baseou na
Vulgata Latina. Este último trabalho foi publicado em Lisboa, no século XV.
Valentim Fernandes publicou uma harmonia dos evangelhos, em 1495. Nesse
mesmo ano foi publicada uma tradução das epístolas e dos evangelhos, feita pelo
jurista Gonçalo Garcia de Santa Maria. Por ordem da rainha Leonora, dez anos
mais tarde, eram traduzi-los e publicados o livro de Atos e as epístolas gerais.
B. TRADUÇÃO DA BÍBLIA EM PORTUGUÊS
1. JOÃO FERREIRA DE ALMEIDA
✓ João Ferreira de Almeida nasceu em Torre de Tavares, Portugal, em 1628. Ao
realizar sua obra de tradutor era Pastor Evangélico. Aprendeu o hebraico e o
grego, e assim usou os "mss" (manuscritos) dessas línguas como base de sua
tradução, ao contrário dos outros tradutores mencionados acima, que sempre se
utilizavam da Vulgata Latina como base.
2. O NOVO TESTAMENTO DE ALMEIDA

✓ João Ferreira de Almeida traduziu em primeiro lugar o Novo Testamento,


publicando-o em 1681, em Amsterdã, na Holanda. O seu título foi: "O Novo
Testamento, isto é o Novo Concerto de Nosso Fiel Senhor e Redemptor lesu Christo,
traduzido na Língua Portuguesa", o qual por si mesmo revela o tipo de português
arcaico que foi usado. As edições mais modernas têm obtido notáveis progressos
na melhoria do texto e da tradução em geral.

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3. A BÍBLIA DE ALMEIDA
A Bíblia completa, traduzida por João Ferreira de Almeida, só foi publicada nos
primórdios do Século XVIII.

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TEOLOGIA SISTEMÁTICA III


SOTERIOLOGIA

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A doutrina da Salvação
✓ O Senhor Jesus Cristo, pela sua morte expiatória, comprou a salvação para os
homens. Como Deus a aplica e como é ela recebida pelos homens para que se
torne uma realidade experimental? As verdades relacionadas com a aplicação da
salvação agrupam-se sob três títulos: Justificação, Regeneração e Santificação. As
verdades relacionadas com a aceitação da salvação, por parte dos homens,
agrupam-se sob os seguintes títulos: Arrependimento, Fé e Obediência.
I. A natureza da salvação
✓ O assunto desta secção será: Que é que constitui a salvação, ou "estado de
graça"?
1. Três aspectos da salvação.
Há três aspectos da salvação, e cada qual se caracteriza por uma palavra que define ou
ilustra cada aspecto:
✓ A. Justificação é um termo forense que nos faz lembrar um tribunal. O homem,
culpado e condenado, perante Deus, é absolvido e declarado justo — isto é,
justificado.
✓ B. Regeneração (a experiência subjetiva) e Adoção (o privilégio objetivo) sugerem
uma cena familiar. A alma, morta em transgressões e ofensas, precisa duma nova
vida, sendo esta concedida por um ato divino de regeneração. A pessoa, por
conseguinte, torna-se herdeira de Deus e membro de sua família.
✓ C. A palavra santificação sugere uma cena do templo, pois essa palavra relaciona-
se com o culto a Deus. Harmonizadas suas relações com a lei de Deus e tendo
recebido uma nova vida, a pessoa, dessa hora em diante, dedica-se ao serviço de
Deus. Comprado por elevado preço, já não é dono de si; não mais se afasta do
templo (figurativamente falando), mas serve a Deus de dia e de noite. (Lc. 2:37.)
Tal pessoa é santificada e por sua própria vontade entrega-se a Deus.
O homem salvo, portanto, é aquele cuja vida foi harmonizada com Deus, foi adotado na
família divina, e agora dedica-se a servi-lo. Em outras palavras, sua experiência da
salvação, ou seu estado de graça, consiste em justificação, regeneração (e adoção), e
santificação. Sendo justificado, ele pertence aos justos; sendo regenerado, ele é filho de
Deus; sendo santificado, ele é "santo" (literalmente uma pessoa santa).
✓ São essas bênçãos simultâneas ou consecutivas? Existe, de fato, uma ordem
lógica: o pecador harmoniza-se, primeiramente, perante a lei de Deus; sua vida é
desordenada; precisa ser transformada. Ele vivia para o pecado e para o mundo e,
portanto, precisa separar-se para uma nova vida, para servir a Deus. Ao mesmo
tempo as três experiências são simultâneas no sentido de que, na prática, não se
separam. Nós as separamos para poder estudá-las. As três constituem a plena
salvação. À mudança exterior, ou legal, chamada justificação, segue-se a mudança
subjetiva chamada regeneração, e está, por sua vez, é seguida por dedicação ao

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serviço de Deus. Não concordamos em que a pessoa verdadeiramente justificada
não seja regenerada; nem admitimos que a pessoa verdadeiramente regenerada
não seja santificada (embora seja possível, na prática, uma pessoa salva, às vezes,
violar a sua consagração). Não pode haver plena salvação \ sem essas três
experiências, como não pode haver um triângulo sem três lados. Representam
elas o tríplice fundamento sobre o qual se baseia subsequente vida cristã.
Começando com esses três princípios, progride a vida cristã em direção à
perfeição.
Essa tríplice distinção regula a linguagem do Novo Testamento em seus mínimos
detalhes. Ilustremos assim:
✓ A. Em relação à justificação: Deus é o Juiz, e Cristo é o Advogado; o pecado é a
transgressão da lei; a expiação é a satisfação dessa lei; o arrependimento é
convicção; aceitação traz perdão ou remissão dos pecados; o Espírito testifica do
perdão; a vida cristã é obediência e sua perfeição é o cumprimento da lei da
justiça.
✓ B. A salvação é também uma nova vida em Cristo. Em relação a essa nova vida,
Deus é o Pai (Aquele que gera), Cristo é o Irmão mais velho e a vida; o pecado é
obstinação, é a escolha da nossa própria vontade em lugar da vontade do Chefe
da família; expiação é reconciliação; aceitação é adoção; renovação de vida é
regeneração, é ser nascido de novo; a vida cristã significa a crucificação e
mortificação da velha natureza, a qual se opõe ao aparecimento da nova natureza,
e a perfeição dessa nova vida é o reflexo perfeito da imagem de Cristo, o unigênito
Filho de Deus.
✓ C. A vida cristã é a vida dedicada ao culto e ao serviço de Deus, isto é, a vida
santificada. Em relação a essa Vida santificada, Deus é o Santo; Cristo é o sumo
sacerdote; o pecado é a impureza; o arrependimento é a consciência dessa
impureza; a expiação é o sacrifício expiatório ou substitutivo; a vida cristã é a
dedicação sobre o altar (Rm. 12:1); e a perfeição desse aspecto é a inteira
separação do pecado; separação para Deus.
E essas três bênçãos da graça foram providas pela morte expiatória de Cristo, e as
virtudes dessa morte são concedidas ao homem pelo Espírito Santo. Quanto à satisfação
das reivindicações da lei, a expiação proveu o perdão e a justiça para o homem. Abolindo
a barreira existente entre Deus e o homem, ela possibilitou a nossa vida regenerada.
Como sacrifício pela purificação do pecado, seus benefícios são santificação e pureza.
✓ Notemos que essas três bênçãos fluem da nossa união com Cristo. O crente é um
com Cristo, em virtude de sua morte expiatória e em virtude do seu Espírito
vivificante. Tornamo-nos justiça de Deus nele, (2 Cor. 5:21); por ele temos perdão
dos pecados (Ef. 1:7); nele somos novas criaturas, nascidos de novo, com nova
vida (2 Cor. 5:17); nele somos santificados (1Cor. 1:2), e ele é feito para nós
santificação (1Cor. 1:30). Ele é "autor da salvação eterna".

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2. Salvação - externa e interna.
A Salvação é tanto objetiva (externa) como subjetiva (interna).
✓ A. A justiça, em primeiro lugar, é mudança de posição, mas é acompanhada por
mudança de condições. A justiça tanto é imputada com também conferida.
✓ B. A adoção refere-se a conferir o privilégio da divina filiação; a regeneração trata
da vida interna que corresponde à nossa chamada e que nos faz "participantes da
natureza divina".
✓ C. A santificação é tanto externa como interna. De modo externo é separação do
pecado e dedicação a Deus; de modo interno é purificação do pecado.
O aspecto externo da graça é provido pela obra expiatória de Cristo; o aspecto interno é a
operação do Espírito Santo.
3. Condições da salvação.
✓ Que significa a expressão condições da salvação? Significa o que Deus exige do
homem a quem ele aceita por causa de Cristo e a quem dispensa as bênçãos do
Evangelho da graça.
As Escrituras apresentam o arrependimento e a fé como condições da salvação; o batismo
nas águas é mencionado como símbolo exterior da fé interior do convertido. (Mt. 16:16;
Atos 22: 16; 16:31; 2:38; 3:19.)
✓ Abandonar o pecado e buscar a Deus são as condições e os preparativos para a
salvação. Estritamente falando, não há mérito nem no arrependimento nem na fé;
pois tudo quanto é necessário para a salvação já foi providenciado a favor do
penitente. Pelo arrependimento o penitente remove os obstáculos à recepção do
dom; pela fé ele aceita o dom. Mas, embora sejam obrigatórios o arrependimento
e a fé, sendo mandamentos, é implícita a influência ajudadora do Espírito Santo.
(Notem a expressão: "Deu Deus o arrependimento" Atos 11:18.) A blasfêmia
contra o Espírito Santo afasta o único que pode comover o coração e levá-lo à
contrição. Por conseguinte, para tal pecado não há perdão.
Qual é a diferença entre o arrependimento e a fé? A fé é o instrumento pelo qual
recebemos a salvação, fato que não se dá com o arrependimento. O arrependimento
ocupa-se com o pecado e o remorso, enquanto a fé ocupa-se com a misericórdia de Deus.
✓ Pode haver fé sem arrependimento? Não. Só o penitente sente a necessidade do
Salvador e deseja a salvação de sua alma.
Pode haver arrependimento verdadeiro sem fé? Ninguém poderá arrepender-se no
sentido bíblico sem fé na Palavra de Deus, sem acreditar em suas ameaças do juízo e em
suas promessas de salvação.

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São a fé e o arrependimento apenas medidas preparatórias à salvação? Ambos
acompanham o crente durante sua vida cristã; o arrependimento torna-se em zelo pela
purificação da alma; e a fé opera pelo amor e continua a receber as coisas de Deus.
(a) Arrependimento. Alguém definiu o arrependimento das seguintes maneiras: "A
verdadeira tristeza sobre o pecado, incluindo um esforço sincero para abandoná-lo";
"tristeza piedosa pelo pecado"; "convicção da culpa produzida pelo Espírito Santo ao
aplicar a lei divina ao coração"; ou, nas palavras de menino: "Sentir tristeza a ponto de
deixar o pecado."
Ha três elementos que constituem o arrependimento segundo as Escrituras:
Intelectual, emocional e prático. Podemos ilustrá-los da seguinte maneira:
✓ 1. O viajante que descobre estar viajando em trem errado. Esse conhecimento
corresponde ao elemento intelectual pelo qual a pessoa compreende, mediante a
pregação da Palavra, que não está em harmonia com Deus.
✓ 2. O viajante fica perturbado com a descoberta. Talvez alimente certos receios.
Isso ilustra o lado emocional do arrependimento, que é uma autoacusação e
tristeza sincera por ter ofendido a Deus. (2 Cor. 7:10)
✓ 3. Na primeira oportunidade o viajante deixa esse trem e embarca no trem
certo. Isso ilustra o lado prático do arrependimento, que significa em "meia-
volta... volver!" e marchar em direção a Deus. Há uma palavra grega traduzida
"arrependimento", que significa literalmente "mudar de idéia ou de propósito". O
pecador arrependido se propõe mudar de vida e voltar-se para Deus; o resultado
prático é que ele produz frutos dignos do arrependimento. (Mt. 3:8.)
O arrependimento honra a lei como a fé honra o evangelho. Como, pois, o
arrependimento honra a lei? Contristado, o homem lamenta ter-se afastado do santo
mandamento, como também lamenta sua impureza pessoal que, à luz dessa lei, ele
compreende. Confessando — ele admite a justiça da sentença divina. Na correção de sua
vida ele abandona o pecado e faz a reparação possível e necessária, de acordo com as
circunstâncias.
De que maneira o Espírito Santo ajuda a pessoa a arrepender-se? Ele a ajuda aplicando a
Palavra de Deus à consciência, comovendo o coração e fortalecendo o desejo de
abandonar o pecado.
(b) Fé. Fé, no sentido bíblico, significa crer e confiar. É o assentimento do intelecto com o
consentimento da vontade. Quanto ao intelecto, consiste na crença de certas verdades
reveladas concernentes a Deus e a Cristo; quanto à vontade, consiste na aceitação dessas
verdades como princípios diretrizes da vida. A fé intelectual não é o suficiente (Tg. 2:19;
Atos 8:13, 21) para adquirir a salvação. É possível dar seu assentimento intelectual ao
Evangelho sem, contudo, entregar-se a Cristo. A fé oriunda do coração é o essencial (Rm.
10:9). Fé intelectual significa reconhecer como verídicos os fatos do evangelho; fé
provinda do coração significa a pronta dedicação da própria vida as obrigações implícitas

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nesses fatos. Fé, no sentido de confiança, implica também o elemento emocional. Por
conseguinte, a fé que salva representa um ato da inteira personalidade, que envolve o
intelecto, as emoções e a vontade.
✓ O significado da fé determina-se pela maneira como se emprega a palavra no
original grego. Fé, às vezes, significa não somente crer em um corpo de doutrinas,
mas, sim, crer em tudo quanto é verdade, como, por exemplo nas seguintes
expressões: "Anuncia agora a fé que antes destruía (Gl. l:2d); apostatarão alguns
da fé" (1 Tm. 4:1); "a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos (Jd. 8). Essa
fé é denominada, às vezes, "fé objetiva" ou externa. O ato de crer nessas verdades
é conhecido como fé subjetiva.
Seguida por certas preposições gregas a palavra "crer" exprime a idéia de repousar ou
apoiar-se sobre um firme fundamento; é o sentido da palavra crer que se lê no Evangelho
de João 3:16. Seguida por outra preposição, a palavra significa a confiança que faz unir a
pessoa ao objeto de sua fé. Portanto, te e o elo de conexão entre a alma e Cristo.
A fé é atividade humana ou divina? O fato de que ao homem e ordenado crer implica
capacidade e obrigação de crer. Todos os homens têm a capacidade de depositar sua
confiança em alguém e em alguma coisa. Por exemplo: um deposita sua fé em riquezas,
outro no homem, outro em amigos, etc. Quando a crença e depositada na palavra de
Deus, e a confiança está em Deus e em Cristo, isso constitui fé que salva. Contudo,
reconhecemos a graça do Espírito Santo, que ajuda, em cooperação com a Palavra, na
produção dessa fé (Vide João 6:44; Rm. 10:17; Gl. 5:22; Hb. 12:2.)
✓ Que é então, a fé que salva? Eis algumas definições: "Fé em Cristo e graça
salvadora pela qual o recebemos e nele confiamos inteiramente para receber a
salvação conforme nos é oferecida no evangelho." E o "ato exclusivamente do
penitente, ajudado, de modo especial, pelo Espírito, e como descansando em
Cristo." "É ato ou hábito mental da parte do penitente, pelo qual, sob a influência
da graça divina, a pessoa põe sua confiança em Cristo como seu único e todo
suficiente Salvador." "É uma firme confiança em que Cristo morreu pelos
meus pecados, que ele me amou e deu-se a si mesmo por mim." "E crer e confiar
nos méritos de Cristo, e por cuja cousa Deus está disposto a mostrar-nos
misericórdia." "É a fuga do pecador penitente para a misericórdia de Deus em
cristo.
4. Conversão.
Conversão, segundo a definição mais simples, é abandonar o pecado e
aproximar-se de Deus. (Atos 3:19.) O termo é usado para exprimir tanto o período crítico
em que o pecador volta aos caminhos da justiça como também para expressar o
arrependimento de alguma transgressão por parte de quem ja se encontra nos caminhos
da justiça. (Mt. 18:3; Lc. 22:32; Tg. 5:20.)
A conversão está muito relacionada com o arrependimento e a te, e, ocasionalmente,
representa tanto um como outro ou ambos, no sentido de englobar todas as atividades

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pelas quais o homem abandona o pecado e se aproxima de Deus. (Atos 3:19; 11:21; 1
Ped. 2:25.) O Catecismo de Westminster, em resposta à sua própria pergunta, oferece a
seguinte e adequada definição de conversão:
Que é arrependimento para a vida?
✓ Arrependimento para a vida é graça salvadora, pela qual o pecador, sentindo
verdadeiramente o seu pecado, e lançando mão da misericórdia de Deus em
Cristo, e sentindo tristeza por causa do seu pecado e ódio contra ele, abandona-o
e aproxima-se de Deus, fazendo o firme propósito de, daí em diante, ser
obediente a Deus.
Note-se que, segundo essa definição, a conversão envolve a personalidade toda —
intelecto, emoções e vontade.
Como se distingue conversão de salvação? A conversão descreve o lado humano da
salvação. Por exemplo: observa-se que um pecador, bêbado notório, não bebe mais, nem
joga, nem frequenta lugares suspeitos; ele odeia as coisas que antes amava e ama as
coisas que outrora odiava. Seus amigos dizem: "Ele está convertido; mudou de vida."
Essas pessoas estão descrevendo o que aparece, isto é, o lado humano do fato. Mas, do
lado divino, diríamos que Deus perdoou o pecado do pecador e lhe deu um novo coração.
✓ Mas isso significa que a conversão seja inteiramente uma questão de esforço
humano? Como a fé e o arrependimento estão inclusos na conversão, a conversão
é uma atividade humana; mas ao mesmo tempo é um efeito sobrenatural sendo
ela a reação por parte do homem ante o poder atrativo da graça de Deus e da sua
Palavra. Portanto, a conversão é o resultado da cooperação das atividades divinas
e humanas. "Assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; porque
Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar segundo a sua boa
vontade" (Fil. 2:12,13). As seguintes passagens referem-se ao lado divino da
conversão: Jr. 31:18; Atos 3:26. E estas outras referem-se ao lado humano: Atos
3:19; 11:18; Ez. 33:11.
Qual se opera primeiro, a regeneração ou a conversão? As operações que envolvem a
conversão são profundas e de caráter misterioso; por conseguinte, não as analisaremos
com precisão matemática. O teólogo Dr. Strong conta o caso de um candidato à
ordenação a quem fizeram a pergunta acima. Ele respondeu: "Regeneração e conversão
são como a bala do canhão e o furo do cano do canhão — ambos atravessam o cano
juntos."

II. A Justificação
1. Natureza da justificação: absolvição divina.
✓ A palavra "justificar" é termo judicial que significa absolver, declarar justo, ou
pronunciar sentença de aceitação. A ilustração procede das relações legais. O réu
está perante Deus, o justo Juiz; mas, ao invés de receber sentença condenatória,
ele recebe a sentença de absolvição.

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O substantivo "justificação" ou "justiça", significa o estado de aceitação para o qual se
entra pela fé. Essa aceitação é dom gratuito da parte de Deus, posto à nossa disposição
pela fé em Cristo. (Rm. 1:17; 3:21,22.) É o estado de aceitação no qual o crente
permanece (Rm. 5:2). Apesar de seu passado pecaminoso e de imperfeições no presente,
o crente goza de completa e segura posição para com Deus. "Justificado" é o veredito
divino e ninguém o poderá contradizer. (Rom. 8:34.) Essa doutrina assim se define:
"Justificação é um ato da livre graça de Deus pelo qual ele perdoa todos os nossos
pecados e nos aceita como justos aos seus olhos somente por nós ser imputada a justiça
de Cristo, que se recebe pela fé."
✓ Justificação é primeiramente uma mudança de posição da parte do pecador, o
qual antes era um condenado; agora, porém, goza de absolvição. Antes estava sob
a condenação, mas agora participa da divina aprovação.
Justificação inclui mais do que perdão dos pecados e remoção da condenação, pois no ato
da justificação Deus coloca o ofensor na posição de justo. O presidente da República pode
perdoar o criminoso, mas não pode reintegrá-lo na posição daquele que nunca
desrespeitou as leis. Mas a Deus é possível efetuar ambas as coisas! Ele apaga o passado,
os pecados e ofensas, e, em seguida, trata o ofensor como se nunca tivesse cometido um
pecado sequer! O criminoso perdoado não é considerado ou descrito como bom ou justo;
mas Deus, ao perdoar o pecador, o declara justificado, isto é, justo aos olhos divinos. Juiz
algum poderia justificar o criminoso, isto é, declará-lo homem justo e bom. Se Deus
estivesse sujeito às mesmas limitações e justificasse somente gente boa, então não
haveria evangelho nenhum a ser anunciado aos pecadores. Paulo nos assegura que Deus
justifica o ímpio. "O milagre do Evangelho é que Deus se aproxima dos ímpios, com uma
misericórdia absolutamente justa e os capacita pela fé, a despeito do que são, a entrarem
em nova relação com ele, relação pela qual é possível que se tomem bons. O segredo do
Cristianismo do Novo Testamento, e de todos os avivamentos e reformas da igreja, é
justamente este maravilhoso paradoxo: "Deus justifica o ímpio!"
Assim vemos que justificação é primeiramente subtração — o cancelamento dos pecados;
segundo, adição — imputação de justiça.
2. Necessidade da Justificação: a condenação do homem.
✓ "Como se justificará o homem para com Deus?" Perguntou Jó (9:1). "Que é
necessário que eu faça para me salvar?" Interrogou o carcereiro de Filipos. Ambos
expressaram a maior de todas as perguntas: Como pode o homem acertar sua
vida perante Deus e ter certeza da aprovação divina?
A resposta a essa interrogação encontra-se no Novo Testamento, especialmente na
epístola aos Romanos, na qual se apresenta, em forma sistemática e detalhada, o plano
da salvação. O tema do livro encontra-se no capítulo 1:16,17, o qual se pode parafrasear
da seguinte maneira: O evangelho é o poder de Deus para a salvação dos homens, pois o
evangelho revela aos homens como se pode mudar de posição e de condição, de maneira
que eles sejam justos perante Deus.

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Uma das frases proeminentes da mesma epístola é: "A justiça de Deus." O inspirado
apóstolo descreve a qualidade de justiça que Deus aceita, de forma que o homem que a
possui tenha aceitação como justo perante ele. Essa justiça resulta da fé em Cristo. Paulo
demonstra que todos os homens necessitam dessa justiça de Deus, porque toda a raça
pecou. Os gentios estão sob condenação. Os passos de sua degradação foram claros:
outrora conheceram a Deus (1:19,20); falhando em o servirem e adorarem, seu coração
insensato se obscureceu (1:21,22); a cegueira espiritual os conduziu à idolatria (verso 23)
e a idolatria os conduziu à corrupção moral (vers. 24-31). São indesculpáveis porque
tinham a revelação de Deus na natureza, e a consciência que aprova ou desaprova seus
atos. (Rm. 1:19,20; 2:14,15.) O judeu também está sob condenação. É verdade que ele
pertence à nação escolhida, e conhece a lei de Moisés de há muitos séculos, mas
transgrediu essa lei em pensamentos, atos e palavras (cap. 2). Paulo, assim,
estrondosamente, encerra toda a raça humana sob a condenação: "Ora, nós sabemos que
tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja
fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Por isso nenhuma carne será
justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado"
(Rom. 3:19,20).
✓ Qual será essa "justiça" de que tanto necessita o homem? A própria palavra
significa "retidão", ou estado de reto, ou justo. A palavra às vezes descreve o
caráter de Deus, como sendo isento de toda imperfeição ou injustiça. Quando
aplicada ao homem, significa o estado de retidão diante de Deus. Retidão significa
"reto", aquilo que se conforma a um padrão ou norma. Por conseguinte, é o
homem que se conforma à lei divina. Mas que acontecerá se esse homem
descobrir que, em vez de ser "reto", ele é perverso (literalmente "torto") sem
poder se endireitar? É então que ele precisa da justificação — que é obra exclusiva
de Deus.
Paulo declarou que pelas obras da lei ninguém será justificado. Essa declaração não é
uma crítica contra a lei, a qual é santa e perfeita. Significa simplesmente que a lei não foi
dada com esse propósito de fazer justo o povo, e, sim, de suprir a necessidade duma
norma de justiça. A lei pode ser comparada a uma fita métrica que pode medir o
comprimento do pano, sem, contudo, aumentar o comprimento. Podemos compará-la à
balança que determina o nosso peso, sem, contudo, aumentar esse peso. "Pela lei vem o
conhecimento do pecado."
✓ "Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus" (Rm. 3:21). Notem a palavra
"agora". Alguém disse que Paulo dividiu todo o tempo em "agora" e "depois". Em
outras palavras, a vinda de Cristo operou uma grande mudança nas transações de
Deus com os homens. Introduziu uma nova dispensação. Durante séculos os
homens pecavam e aprendiam a impossibilidade de aniquilarem ou vencerem
seus pecados. Mas agora Deus, clara e abertamente, revelou-lhes um novo
caminho.
Muitos israelitas julgavam que devia haver um meio de serem justificados sem ser pela
guarda da lei; por duas razões:

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1) perceberam um grande abismo entre as exigências de Deus para com Israel e seu
verdadeiro estado espiritual. Israel era injusto, e a salvação não podia proceder dos
próprios méritos ou esforços. A salvação teria que proceder de Deus, por sua intervenção.
2) Muitos israelitas reconheceram por experiência própria sua incapacidade para
guardar perfeitamente a lei. Chegaram à conclusão de que devia haver uma justiça
alcançável independentemente de suas próprias obras e esforços.
Em outras palavras, -anelavam por redenção e graça. E Deus lhes assegurou que tal
justiça lhes seria revelada. Paulo (Rom. 3:21) fala da justiça de Deus sem a lei, "tendo o
testemunho da lei (Gn. 3:15; 12:3; Gl. 3:6-8) e dos profetas (Jr. 23:6; 31:31-34)". Essa
justiça incluía tanto o perdão dos pecados como a justiça íntima do coração.
✓ Na verdade, Paulo afirma que a justificação pela fé foi o plano original de Deus
para a salvação dos homens; a lei foi acrescentada para disciplinar os israelitas e
fazê-los sentir a necessidade de redenção. (Gl. 3:19-26.) Mas a lei em si não
possuía poder para salvar, como o termômetro não tem poder para baixar a febre
que ele registra. Seria o próprio Senhor, o Salvador do seu povo; e sua graça seria
a sua única esperança.
Infelizmente, os judeus exaltaram a lei, imaginando que ela fosse um agente justificador,
e elaboraram um plano de salvação baseado no mérito pela guarda dos seus preceitos e
das tradições que lhes foram acrescentadas. "Porquanto, não conhecendo a justiça de
Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus"
(Rm. 10:3). Não conheceram o propósito da lei. Confiaram nela como meio de salvação
espiritual, ignorando a pecabilidade dos seus próprios corações, e imaginavam que seriam
salvos pela guarda da letra da lei. Por essa razão, quando Cristo veio, oferecendo-lhes a
salvação dos seus pecados, pensavam que não precisavam dum Messias como ele. (vide
João 8:32-34.) O pensamento dos judeus era o de estabelecer rígidos requisitos pelos
quais conseguiriam a vida eterna. "Que faremos para executarmos as obras de Deus?"
Perguntaram. E não se prontificaram a obedecer à indicação de Jesus: "A obra de Deus é
esta: Que creiais naquele que ele enviou" (João 6:28,29). Tão ocupados estavam em
estabelecer seu próprio sistema de justiça, que perderam, por completo, a oportunidade
de serem participantes da justificação divinamente provida para os homens pecadores.
Na viagem, um trem representa o meio de conseguir um determinado alvo. Ninguém
pensa em fazer do trem sua morada; antes, preocupa-se tão somente em chegar ao
destino. Ao chegar a esse destino, deixa-se o trem. A lei foi dada a Israel com o propósito
de conduzi-lo a um destino, e esse destino é a fé na graça salvadora de Deus. Mas, ao
aparecer o Redentor, os judeus satisfeitos consigo mesmos, fizeram o papel do viajante
que, chegando ao destino, se recusa a deixar o trem, embora o condutor lhe diga:
"Estamos no fim da viagem"! Os judeus se recusaram a deixar as poltronas do "trem do
Antigo Pacto", muito embora o Novo Testamento lhes assegurasse: "O fim da lei é Cristo",
e que se cumpriu o Antigo Testamento. (Rm. 10:4.).

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3. A fonte da justificação: a graça.
✓ Graça significa, primeiramente, favor, ou a disposição bondosa da parte de Deus.
Alguém a definiu como a "bondade genuína e favor não recompensados", ou
"favor não merecido". Dessa forma a graça nunca incorre em dívida. O que Deus
concede, concede-o como favor; nunca podemos recompensá-lo ou pagar-lhe. A
salvação é sempre apresentada como dom, um favor não merecido, impossível de
ser recompensado; é um benefício legítimo de Deus. (Rm. 6:23) O serviço cristão,
portanto, não é pagamento pela graça de Deus; serviço cristão é um meio que o
crente aproveita para expressar sua devoção e amor a Deus. "Nós o amamos
porque ele primeiramente nos amou."
A graça é transação de Deus com o homem, absolutamente independente da questão de
merecer ou não merecer. "Graça não é tratar a pessoa como merece, nem tratá-
la melhor do que merece", escreveu L. S. Chafer. "E tratá-la graciosamente sem a mínima
referência aos seus méritos. Graça é amor infinito expressando-se em bondade infinita."
✓ Devemos evitar certo mal-entendido. Graça não significa que Deus é de coração
tão magnânimo que abranda a penalidade ou desiste dum justo juízo.
Sendo Deus o Soberano perfeito do universo, ele não pode tratar indulgentemente o
assunto do pecado pois isso depreciaria sua perfeita santidade e justiça. A graça de Deus
aos pecadores revela-se no fato de que ele mesmo pela expiação de Cristo, pagou toda a
pena do pecado. Por conseguinte, ele pode justamente perdoar o pecado sem levar em
conta os merecimentos ou não merecimentos. Os pecadores são perdoados, não porque
Deus seja benigno para desculpar os pecados deles, mas porque existe redenção
mediante o sangue de Cristo. (Rm. 3:24; Ef. 1:6.) Os pregadores modernistas erram nesse
ponto; pensam que Deus por sua benignidade perdoa os pecados; entretanto, seu perdão
baseia-se na mais rigorosa justiça. Ao perdoar o pecado, "Ele é fiel e justo" (1 João 1:9). A
graça de Deus revela-se no fato de haver ele provido uma expiação pela qual pode ser
justo e justificador e, ao mesmo tempo, manter sua santa e imutável lei. A graça
manifesta-se independente das obras ou atividades dos homens. Quando a pessoa está
sob a lei, não pode estar sob a graça; e quando está sob a graça, não pode estar sob a lei.
Está "sob a lei" quando tenta assegurar a sua salvação ou santificação como recompensa,
por fazer boas obras ou observar certas cerimônias. Essa pessoa está "sob a graça"
quando assegura para si a salvação por confiar na obra que Deus fez por ela, e não na
obra que ela faz para Deus. As duas esferas são mutuamente exclusivas. (Gl. 5:4.) A lei diz:
"paga tudo"; mas a graça diz: "Tudo está pago." A lei representa uma obra a fazer; a graça
é uma obra consumada. A lei restringe as ações; a graça transforma a natureza. A lei
condena; a graça justifica. Sob a lei a pessoa é servo assalariado; sob a graça é filho em
gozo de herança ilimitada.
✓ Enraizada no coração humano está a idéia de que o homem deve algo para tornar-
se merecedor da salvação. Na igreja primitiva certos instrutores judaico-cristãos
insistiam em que os convertidos fossem salvos pela fé e a observância da Lei de
Moisés. Entre os pagãos, e em alguns setores da igreja cristã, esse erro tem

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tomado a forma de auto castigo, observância de ritos, peregrinações e esmolas. A
idéia substancial de todos esses esforços é a seguinte: Deus não é bondoso; o
homem não é justo; por conseguinte, o homem precisa fazer-se justo a fim de
tornar Deus benigno. Esse foi o erro de Lutero, quando, mediante auto
mortificações, envidava esforços para efetuar a sua própria salvação. "Oh quando
será que você se tornará piedoso a ponto de ter um Deus benigno?" Exclamou
certa vez, referindo-se a si próprio. Finalmente Lutero descobriu a grande verdade
básica do evangelho: Deus é bondoso; portanto deseja fazer justo o homem. A
graça do Amoroso Pai, revelada na morte expiatória de Cristo é um dos elementos
que distinguem o Cristianismo das demais religiões.
Salvação é a justiça de Deus imputada ao pecador; não é a justiça imperfeita do homem.
Salvação é divina reconciliação; não é regulamento humano. Salvação é o cancelamento
de todos os pecados; não é eliminar alguns pecados. Salvação é ser libertado da lei e estar
morto para a lei; não é ter prazer na lei ou obedecer á lei. Salvação é regeneração divina;
não é reforma humana. Salvação é ser aceitável a Deus; não é tornar-se
excepcionalmente bom. Salvação é perfeição em Cristo; não é competência de caráter. A
salvação, sempre e somente, procede de Deus; nunca procede do homem. — Lewis
Sperry Chofer. Usa-se, às vezes, a palavra "graça", no sentido íntimo, para indicar a
operação da influência divina (Ef. 4:7) e seus efeitos (Atos 4:33; 11:23; Tg. 4:6; 2 Cor.
12:9). As operações desse aspecto da graça têm sido classificadas da seguinte maneira:
Graça proveniente (literalmente, "que vem antes") é a influência divina que precede a
conversão da pessoa, influências que produzem o desejo de voltar para Deus. É o efeito
do favor divino em atrair os homens (João 6:44) e convencer os desobedientes. (Atos
7:51.) Essa graça, às vezes, é denominada eficiente, tornando-se eficaz em produzir a
conversão, quando não encontra resistência. (João 5:40; Atos 7:51; 13:46.) A
graça efetiva capacita os homens a viverem justamente, a resistirem à tentação, e a
cumprirem o seu dever. Por isso pedimos graça ao Senhor para cumprir uma determinada
tarefa. A graça habitual é o efeito da morada do Espírito Santo que resulta em uma vida
plena do fruto do Espírito (Gl. 5:22,23).
4. Fundamento da justificação: a justiça de Cristo.
✓ Como pode Deus tratar o pecador como pessoa justa? Resposta: Deus lhe provê a
justiça. Mas será que isso é apenas conceder o título de "bom" e "justo" a quem
não o merece? Resposta: O Senhor Jesus Cristo ganhou o título a favor do
pecador, o qual é declarado justo "mediante a redenção que há em Cristo Jesus".
Redenção significa completa libertação por preço pago.
Cristo ganhou essa justiça por nós, por sua morte expiatória, como está escrito: "Ao qual
Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue." Propiciação é aquilo que assegura o
favor de Deus para com os que não o merecem. Cristo morreu por nós para nos salvar da
justa ira de Deus e nos assegurar o seu favor. A morte e a ressurreição de Cristo
representam a provisão externa para a salvação do homem, referindo-se o termo
justificação à maneira pela qual os benefícios salvadores da morte de Cristo são postos à
disposição do pecador. Fé é o meio pelo qual o pecador lança mão desses benefícios.

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Consideremos a necessidade de justiça. Como o corpo necessita de roupa, assim a alma
necessita de caráter. Assim como é necessário apresentar-se em público decentemente
vestido, assim é necessário que o homem se vista da roupa dum caráter perfeitamente
justo para apresentar-se diante de Deus. (Vide Ap. 19:8; 3:4; 7:13,14.) As vestes do
pecado estão sujas e rasgadas (Zc. 3:1-4); se o pecador se vestisse de sua própria
bondade e seus próprios méritos, alegando serem boas as suas obras, elas seriam
consideradas como "trapos de imundícia". (Is. 64:6.) A única esperança do homem é
adquirir a justiça que Deus aceita — a "justiça de Deus". Visto que o homem por natureza
está destituído dessa justiça, terá que ser provida para ele essa justiça; terá que ser uma
justiça que lhe seja imputada, não merecida.
✓ Essa justiça foi comprada pela morte expiatória de Cristo. (Isa. 53:5,11; 2 Cor.
5:21; Rom. 4:6; 5:18,19.) Sua morte foi um ato perfeito de justiça, porque satisfez
a lei de Deus. Foi também um ato perfeito de obediência. Tudo isso foi feito por
nós e posto a nosso crédito. "Deus nos aceita como justos aos seus olhos somente
por nos ter sido imputada a justiça de Cristo", afirma determinada declaração
doutrinária.
O ato pelo qual Deus credita essa justiça à nossa conta chama-se imputação. Imputação é
levar à conta de alguém as conseqüências do ato de outrem. As conseqüências do pecado
do homem foram levadas à conta de Cristo, e as conseqüências da obediência de Cristo
foram levadas à conta do crente. Ele vestiu-se das vestes do pecado para que nós
pudéssemos nos vestir do seu "manto de justiça". "Cristo... para nós foi feito por Deus...
justiça" (1Cor. 1:30). Ele torna-se "O Senhor Justiça Nossa" (Jr. 23:6).
✓ Cristo expiou nossa culpa, satisfez a lei, tanto por obediência como por
sofrimento, e tornou-se nosso substituto, de maneira que, estando unidos com ele
pela fé, sua morte toma-se nossa morte, e sua obediência toma-se nossa
obediência. Deus então nos aceita, não por qualquer bondade própria que nós
tenhamos, nem pelas coisas imperfeitas que são as nossas "obras" (Rom. 3:28; Gl.
2:16), nem por nossos méritos, mas porque nos foi creditada a perfeita e toda-
suficiente justiça de Cristo. Por causa de Cristo, Deus trata o homem culpado,
quando este se arrepende e crê, como se fosse justo. Os méritos de Cristo são
creditados a ele.
Também surgem as seguintes perguntas na mente da pessoa que investiga: sim, a
justificação que salva é algo externo e concernente à posição legal do pecador; mas não
haverá mudança alguma na condição moral? Afeta a sua situação, mas não afetará sua
conduta? A justiça é imputada somente e não concedida de modo prático? Na justificação
Cristo somente será por nós, ou agirá também em nós? Em outras palavras, parece que a
imputação da justiça desonraria a lei se não incluísse a certeza de justiça futura.
✓ A resposta é que a fé que justifica é o ato inicial da vida cristã e esse ato inicial,
quando a fé for viva, é seguido por uma transformação interna conhecida como
regeneração. A fé une o crente com o Cristo vivo; essa união com o Autor da vida
resulta em transformação do coração. "Se alguém está em Cristo, nova criatura é:

EMBAIXADA ROCHA VIVA 122


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as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Cor. 5:17). A justiça é
imputada no ato da justificação e é comunicada na regeneração. O Cristo que é
por nós torna-se o Cristo em nós.
A fé pela qual a pessoa é realmente justificada, necessariamente tem que ser uma fé viva.
Uma fé viva produzirá uma vida reta; será uma fé que "opera pelo amor" (Gl. 5:6).
Outrossim, vestindo a justiça de Cristo, o crente é exortado a viver uma vida em
conformidade com o caráter de Cristo. "Porque o linho fino são as justiças dos santos"
(literalmente os atos de justiça) (Ap. 19:8). A verdadeira salvação requer uma vida de
santidade prática. Que julgamento faríamos da pessoa que sempre se vestisse de roupa
imaculada mas nunca lavasse o corpo? Incoerente, diríamos! Mas não menos incoerente
é a pessoa que alega estar vestida da justiça de Cristo, e, ao mesmo tempo, vive de modo
indigno do evangelho. Aqueles que se vestem da justiça de Cristo terão cuidado de
purificar-se do mesmo modo como ele é puro. (1 João 3:3.)
5. Os meios da justificação: a fé.
✓ Visto que a lei não pode justificá-lo, a única esperança do homem é receber
"justiça sem lei" (isto, entretanto, não significa injustiça ilegal, nem tampouco
religião que permita o pecado; significa sim, uma mudança de posição e condição).
Essa é a "justiça de Deus", isto é, a justiça que Deus concede, sendo também um
dom, pois o homem é incapaz de operar a justiça. (Ef. 2:8-10.)
Mas um dom tem que ser aceito. Como, então, será aceito o dom da justiça? Ou, usando
a linguagem teológica: qual é o instrumento que se apropria da justiça de Cristo? A
resposta é: "pela fé em Jesus Cristo." A fé é a mão, por assim dizer, que recebe o que
Deus oferece. Que essa fé é a causa instrumental da justificação prova-se pelas seguintes
referências: Rm. 3:22; 4: 11; 9:30; Hb. 11:7; Fp. 3:9.
✓ Os méritos de Cristo são comunicados e seu interesse salvador é assegurado por
certos meios. Esses meios necessariamente são estabelecidos por Deus e somente
ele os distribui. Esses meios são a fé — o princípio único que a graça de Deus usa
para restaurar-nos à sua imagem e ao seu favor. Nascida, como é, no pecado,
herdeira da miséria, a alma carece duma transformação radical, tanto por dentro
como por fora; tanto diante de Deus como diante de si própria. A transformação
diante de Deus denomina-se justificação; a transformação interna espiritual que
se segue, chama-se regeneração pelo Espírito Santo. Esta fé é despertada no
homem pela influência do Espírito Santo, geralmente em conexão com a Palavra.
A fé lança mão da promessa divina e apropria-se da salvação. Ela conduz a alma ao
descanso em Cristo como Salvador e Sacrifício pelos pecados; concede paz à
consciência e dá esperança consoladora do céu. Sendo essa fé viva e de natureza
espiritual, e cheia de gratidão para com Cristo, ela é rica em boas obras de toda
espécie.
"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não
vem das obras, para que ninguém se glorie" (Ef. 2:8,9). O homem nenhuma coisa possuía
com que comprar sua justificação. Deus não podia condescender em aceitar o que o

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homem oferecia; o homem também não tinha capacidade para cumprir a exigência
divina. Então Deus graciosamente salvou o homem, sem pagar esta coisa alguma —
"gratuitamente pela sua graça" (Rm. 3:24). Essa graça gratuita é recebida pela fé. Não
existe mérito nessa fé, como não cabem elogios ao mendigo que estende a mão para
receber uma esmola. Esse método fere a dignidade do homem, mas perante Deus, o
homem decaído não tem mais dignidade; o homem não tem possibilidades de acumular
bondade suficiente para adquirir a sua salvação. "Nenhuma carne será justificada diante
dele pelas obras da lei" (Rm. 3:20).
A doutrina da justificação pela graça de Deus, mediante a fé do homem, remove dois
perigos:
Primeiro, o orgulho de autojustiça e de auto esforço;
Segundo, o medo de que a pessoa seja fraca demais para conseguir a salvação.
✓ Se a fé em si não é meritória, representando apenas a mão que se estende para
receber a livre graça de Deus, que é então que lhe dá poder, e que garantia
oferece ela à pessoa que recebeu esse dom gratuito, de que viverá uma vida de
justiça? Importante e poderosa é a fé porque ela une a alma a Cristo, e é
justamente nessa união que se descobre o motivo e o poder para a vida de justiça.
"Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo"(Gl.
3:27). "E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e
concupiscências" (Gl. 5:24).
A fé não só recebe passivamente, mas também usa de modo ativo aquilo que Deus
concede. É assunto próprio do coração (Rm. 10:9,10; vide Mt. 15:19; Pv. 4:23), e quem
crê com o coração, crê também com suas emoções, afeições e seus desejos, ao aceitar a
oferta divina da salvação. Pela fé, Cristo mora no coração (Ef. 3:17). A fé opera pelo amor
(a "obra da fé"... 1Ts. 1:3), isto é, representa um princípio enérgico, bem como uma
atitude receptiva. A fé, por conseguinte, é poderoso motivo para a obediência e para
todas as boas obras. A fé envolve a vontade e está ligada a todas as boas escolhas e
ações, pois "tudo que não é de fé é pecado" (Rom. 14:23). Ela inclui a escolha e a busca
da verdade (2 Ts. 2:12) e implica sujeição à justiça de Deus (Rm. 10:3).
✓ O que se segue representa o ensino bíblico concernente à relação entre fé e obras.
A fé se opõe às obras quando por obras entendemos boas obras que a pessoa faz
com o intuito de merecer a salvação. (Gl. 3:11.) Entretanto, uma fé viva produzirá
obras (Tia. 2:26), tal qual uma árvore viva produzirá frutos. A fé é justificada e
aprovada pelas obras (Tia. 2:18), assim como o estado de saúde das raízes duma
boa árvore é indicado pelos frutos. A fé se aperfeiçoa pelas obras (Tia. 2:22), assim
como a flor se completa ao desabrochar. Em breves palavras, as obras são o
resultado da fé, a prova da fé, e a consumação da fé.
Imagina-se que haja contradição entre os ensinos de Paulo e de Tiago.
✓ O primeiro, aparentemente, teria ensinado que a pessoa é justificada pela fé,

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✓ O último que ela é justificada pelas obras. (Vide Rm. 3:20 e Ti. 2:14-16.)
Contudo, uma compreensão do sentido em que eles empregaram os termos,
rapidamente fará desvanecer a suposta dificuldade.

Paulo está recomendando uma fé viva que confia somente no Senhor;


Tiago está denunciado uma fé morta e formal que representa, apenas, um
consentimento mental.

Paulo está rejeitando as obras mortas da lei, ou obras sem fé;


Tiago está louvando as obras vivas que demonstram a vitalidade da fé.
A justificação mencionada por Paulo refere-se ao início da vida cristã;
Tiago usa a palavra com o significado de vida de obediência e santidade como
evidência exterior da salvação.

Paulo está combatendo o legalismo, ou a confiança nas obras como meio de


salvação;

Tiago está combatendo antinomianismo, ou seja, o ensino de que não importa


qual seja a conduta da pessoa, uma vez que creia.
Paulo e Tiago não são soldados lutando entre si; são soldados da mesma linha de
combate, cada qual enfrentando inimigos que os atacam de direções opostas.

III. A Regeneração
1. Natureza da regeneração.
A regeneração é o ato divino que concede ao penitente que crê uma vida nova e mais
elevada mediante união pessoal com Cristo.
O Novo Testamento assim descreve a regeneração:
✓ 1. Nascimento. Deus o pai é quem "gerou", e o crente é "nascido" de Deus (1 João
5:1), "nascido do Espírito" (João 3:8), "nascido do alto" (tradução literal de João
3:3,7). Esses termos referem-se ao ato da graça criadora que faz do crente um
filho de Deus.
✓ 2. Purificação. Deus nos salvou pela "lavagem" (literalmente, lavatório ou banho)
da regeneração". (Tito 3:5.) A alma foi lavada completamente das imundícias da
vida de outrora, recebendo novidade de vida, experiência simbolicamente
expressa no ato de batismo. (Atos
✓ 3. Vivificação. Somos salvos não somente pela "lavagem da regeneração", nas
também pela "renovação do Espírito Santo" (Tito 3:5. Vide também Col. 3:10;
Rom. 12:2; Ef. 4:23; Sal. 51:10). A essência da regeneração é uma nova vida
concedida por Deus Pai, mediante Jesus Cristo e pela operação do Espírito Santo.

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✓ 4.Criação. Aquele que criou o homem no princípio e soprou em suas narinas o
fôlego de vida, o recria pela operação do seu Espírito Santo. (2 Cor. 5:17; Ef. 2:10;
Gl. 6:15; Ef. 4:24; vide Gên. 2:7.) O resultado prático é uma transformação radical
da pessoa em sua natureza, seu caráter, desejos e propósitos.
✓ 5. Ressurreição. (Rom. 6:4,5; Col. 2:13; 3:1; Ef. 2:5, 6.) Como Deus vivificou o barro
inanimado e o fez vivo para com o mundo físico, assim ele vivifica a alma em seus
pecados e a faz viva para as realidades do mundo espiritual. Esse ato de
ressurreição espiritual é simbolizado pelo batismo nas águas. A regeneração é "a
grande mudança que Deus opera na alma quando a vivifica; quando ele a levanta
da morte do pecado para a vida de justiça" (João Wesley).
Notar-se-á que os termos acima citados são apenas variantes de um grande pensamento
básico da regeneração, isto é, uma divina comunicação duma nova vida à alma do
homem. Três fatos científicos relativos à vida natural também se aplicam à vida espiritual;
isto é, ela surge repentinamente; aparece misteriosamente, e desenvolve-se
gradativamente.
✓ Regeneração é o aspecto singular da religião do Novo Testamento. Nas religiões
pagãs, reconhece-se universalmente a permanência do caráter. Embora essas
religiões recomendem penitências e ritos, pelos quais a pessoa espera expiar os
seus pecados, não há promessa de vida e de graça para transformar a sua
natureza.
A religião de Jesus Cristo é "a única religião no mundo que declara tomar a natureza decaída
do homem e regenerá-la, colocando-a em contato com a vida de Deus".
Assim declara fazer, porque o Fundador do Cristianismo é Pessoa Viva e Divina, que vive
para salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus. (Hb. 7:25.) Não existe
nenhuma analogia entre a religião cristã, e, digamos, o Budismo ou a religião
maometana. De maneira nenhuma se pode dizer: "quem tem Buda tem a vida". (Vide
1João 5:12.) Buda pode ter algo em relação à moralidade. Pode estimular, causar
impressão, ensinar, e guiar, mas nenhum elemento novo foi acrescido às almas que
professam o Budismo. Tais religiões podem ser produtos do homem natural e moral. Mas
o Cristianismo declara-se ser muito mais. Além das coisas de ordem natural e moral, o
homem desfruta algo mais na Pessoa de Alguém mais, Jesus Cristo.
2. Necessidade da regeneração.
✓ A entrevista de nosso Senhor com Nicodemos (João 3) proporciona um excelente
fundo histórico para o estudo deste tópico. As primeiras palavras de Nicodemos
revelam uma série de emoções provenientes do seu coração. A declaração
abrupta de Jesus no verso 3, que parece ser uma repentina mudança do assunto,
explica-se pelo fato de Jesus estar respondendo ao coração de Nicodemos e não
às palavras de sua interrogação. As primeiras palavras de Nicodemos revelam. 1)
Fome espiritual. Se esse chefe judaico tivesse expressado o desejo de sua alma,
talvez teria dito: "Estou cansado do ritualismo morto da sinagoga vou lá mas volto

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para casa com a mesma fome com que saí. Infelizmente, a glória divina afastou-se
de Israel; não há visão e o povo perece. Mestre, a minh'alma suspira pela
realidade! Pouco conheço de tua pessoa, mas tuas palavras tocaram-me o
coração. Teus milagres convenceram-me de que és Mestre vindo de Deus.
Gostaria de te acompanhar. 2) Faltou a Nicodemos profunda convicção. Sentiu a
sua necessidade, mas necessidade dum instrutor e não dum Salvador. Tal qual a
mulher samaritana, ele queria a água da vida (João 4:15), mas, como aquela,
Nicodemos teve de compreender que era pecador, que precisava de purificação e
transformação. (João 4:16-18.) 3) Nota-se nas suas palavras um rasto de auto
complacência, coisa muito natural num homem de sua idade e posição. Ele diria a
Jesus: "Creio que foste enviado a restaurar o reino de Israel, e vim dar-te alguns
conselhos quanto aos planos para conseguir esse objetivo." Provavelmente ele
supôs que sendo israelita e filho de Abraão, essas qualificações seriam suficientes
para o tornarem membro do reino de Deus.
"Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer
de novo, não pode ver o reino de Deus." Parafraseando essa passagem, Jesus diria:
"Nicodemos, tu não podes unir-te à minha companhia como se te unisses a uma
organização. O pertencer à minha companhia não depende da qualidade de tua vida;
minha causa não é outra senão aquela do reino de Deus, e tu não podes entrar nesse
reino sem experimentar uma transformação espiritual. O reino de Deus é muito diferente
do que estás pensando, e o modo de estabelecê-lo e de juntar seus súditos é muito
diferente do meio de que estás cogitando."
✓ Jesus apontou a necessidade mais profunda e universal de todos os homens —
uma mudança radical e completa da natureza e caráter do homem em sua
totalidade. Toda a natureza do homem ficou deformada pelo pecado, a herança
da queda; essa deformação moral reflete-se em sua conduta e em todas as suas
relações. Antes que o homem possa ter uma vida que agrade a Deus, seja no
presente ou na eternidade, sua natureza precisa passar por uma transformação
tão radical, que seja realmente um segundo nascimento. O homem não pode
transformar-se a si mesmo; essa transformação terá que vir de cima.
Jesus não tentou explicar o como do novo nascimento, mas explicou opor quê do assunto.
"O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido de Espírito é espírito." Carne e
espírito pertencem a reinos diferentes, e um não pode produzir o outro. A natureza
humana pode gerar a natureza humana, mas somente o Espírito Santo pode gerar a
natureza espiritual. A natureza humana somente pode produzir a natureza humana; e
nenhuma criatura poderá elevar-se acima de sua própria natureza. A vida espiritual não
passa do pai ao filho pela geração natural; ela procede de Deus para o homem por meio
da geração espiritual.
A natureza humana não pode elevar-se acima de si própria. Escreveu Marcus Dods:
Todas as criaturas possuem certa natureza segundo a sua espécie, determinada pela sua
ascendência. Essa natureza que o animal recebe dos seus pais determina, desde o

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princípio, a sua capacidade e a esfera desse animal. A toupeira não pode subir aos ares
como o faz a águia; nem tampouco pode o filhote da águia cavar um buraco como afaz
toupeira. Nenhum treino jamais fará a tartaruga correr como o antílope, nem fará o
antílope tão forte como o leão... Além de sua natureza, nenhum animal poderá agir.
O mesmo princípio podemos aplicar ao homem. O destino mais elevado do homem é
viver com Deus para sempre; mas a natureza humana, em seu estado presente, não
possui a capacidade para viver no reino celestial. Portanto, será necessário que a vida
celestial desça de cima para transformar a natureza humana, preparando-a para ser
membro desse reino.
3. Os meios de regeneração.
✓ 1. Agência divina. O Espírito Santo é o agente especial na obra de regeneração.
Ele opera a transformação na pessoa. (João 3:6; Tito 3:5.) Contudo, todas as
Pessoas da Trindade operam nessa obra. Realmente as três Pessoas operam em
todas as divinas operações, embora cada Pessoa exerça certos ofícios que lhe são
peculiares. Dessa forma o Pai é preeminentemente o Criador; contudo, tanto o
Filho como o Espírito Santo são mencionados como agentes na criação.
O Pai gera (Tia. 1:18) e no Evangelho de João, o Filho é apresentado como o Doador da
vida. (Vide caps. 5 e 6.)
✓ Notem especialmente a relação de Cristo com a regeneração do homem. É ele o
Doador da vida. De que maneira ele vivifica os homens? Vivifica-os por morrer por
eles, de forma que, ao comerem sua carne e beberem seu sangue (que significa
crer em sua morte expiatória), eles recebem a vida eterna.
Qual é o processo de conceder a vida aos homens? Uma parte da recompensa de Cristo
era a prerrogativa de conceder o Espírito Santo (Vide João 3:3,13; Gál.3:13,14), e ele
ascendeu para que pudesse tomar-se a Fonte da vida e energia espiritual (João 6:62; Atos
2:33). O Pai tem vida em si (João 5:26); portanto, ele concede ao Filho ter vida em si; o Pai
é a Fonte do Espírito Santo, mas ele concede ao Filho o poder de conceder o Espírito;
desta forma o Filho é um "Espírito vivificante" (1 Cor. 15:45), tendo poder, não somente
para ressuscitar os mortos, fisicamente, (João 5:25,26) mas também vivificar as almas
mortas dos homens. (Vide Gn 2:7; João 20:22; 1 Cor. 15:45.)
✓ 2. A preparação humana. Estritamente falando, o homem não pode cooperar no
ato de regeneração, que é um ato soberano de Deus; mas o homem pode tomar
parte na preparação para o novo nascimento. Qual é essa preparação? Resposta:
Arrependimento e fé.
4. Efeitos da regeneração.
Podemos agrupá-los sob três tópicos:
✓ Posicionais (adoção);
✓ Espirituais (união com Deus);

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✓ Práticos (a vida de justiça).
1. Posicionais. Quando a pessoa passa pela transformação espiritual conhecida como
regeneração, torna-se filho de Deus e beneficiário de todos os privilégios dessa
filiação. Assim escreve o Dr. William Evans: "Pela adoção, o crente, que já é filho
de Deus, recebe o lugar de filho adulto; dessa forma o menino torna-se filho, o
filho menor torna-se adulto." (Gl. 4:1-7.) A palavra "adoção" significa literalmente:
"dar a posição de filhos" e refere-se, no uso comum, ao homem que toma para
seu lar crianças que não são as suas pelo nascimento.
Quanto à doutrina, devemos distinguir entre adoção e regeneração: o primeiro é um
termo legal que indica conceder o privilégio de filiação a um que não é membro da
família; o segundo significa a transformação espiritual que toma a pessoa filho de Deus e
participante da natureza divina. Contudo, na própria experiência, é difícil separar os dois,
visto que a regeneração e a adoção representam a dupla experiência da filiação.
✓ No Novo Testamento a filiação comum é, às vezes, definida pelo termo "filhos"
("uioi"— no grego), termo que originou a palavra "adoção"; outras vezes é
definida pela palavra "tekna", no grego, também traduzida por "filhos", que
significa literalmente "os gerados", significando a regeneração. As duas ideias são
distintas e ao mesmo tempo combinadas nas seguintes passagens: "Mas, a todos
quantos o receberam, deu-lhes o poder (implicando adoção) de serem feitos filhos
de Deus... os quais... nasceram... de Deus" (João 1:12,13). "Vede quão grande
caridade nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados (implicando adoção)
filhos de Deus (a palavra que significa "gerados" de Deus)" (1 João 3:1). Em Rm. 8:
15,16 as duas idéias se entrelaçam: "Porque não recebestes o espírito de
escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o espírito de
adoção de filhos, pelo qual clamamos Abba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o
nosso espírito que somos filhos de Deus."
2. Espirituais. Devido à sua natureza, a regeneração envolve união espiritual com
Deus e com Cristo mediante o Espírito Santo; e essa união espiritual envolve habitação
divina (2 Cor. 6:16-18; Gl. 2:20; 4:5,6; 1 João 3:24; 4:13.) Essa união resulta em um novo
tipo de vida e de caráter, descrito de várias maneiras; novidade de vida (Rom. 6:4); um
novo coração (Ez. 36:26); um novo espírito (Ez. 11:19); um novo homem (Ef. 4:24);
participantes da natureza divina (2 Ped. 1:4). O dever do crente é manter seu contato
com Deus mediante os vários meios de graça e dessa forma preservar e nutrir a sua vida
espiritual.
3. Práticos. A pessoa nascida de Deus demonstrará esse fato pelo ódio que tem ao
pecado (1 João 3:9; 5:18), por obras de justiça (1 João 2:29), pelo amor fraternal (1 João
4:7) e pela vitória que alcança sobre o mundo (1 João 5:4).
✓ Devemos evitar estes dois extremos: primeiro, estabelecer um padrão tão baixo
que a regeneração se torne questão de reforma natural; segundo, estabelecer um
padrão elevado demais que não leve em conta as fraquezas dos crentes. Crentes
novos que estão aprendendo a andar com Jesus estão sujeitos a tropeçar, como o

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bebê que aprende a andar. Mesmo os crentes mais velhos podem ser
surpreendidos em alguma falta. João declara que é absolutamente inconsistente
que a pessoa nascida de Deus, portadora da natureza divina, continue a viver
habitualmente no pecado (1 João 3.9), mas ao mesmo tempo ele tem cuidado em
escrever: "Se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o
justo" (1 João 2:1).

IV. A Santificação
1. Natureza da santificação
Em estudo anterior afirmamos que a chave do significado da doutrina da expiação,
encontrada no Novo Testamento, acha-se no rito sacrificial do Antigo Testamento. Da
mesma forma chegaremos ao sentido da doutrina do Novo Testamento sobre a
santificação, pelo estudo do uso no Antigo Testamento da palavra "santo".
Primeiramente, observa-se que "santificação", "santidade", e "consagração" são
sinônimos, como o são: "santificados" e "santos". Santificar é a mesma coisa que fazer
santo ou consagrar. A palavra "santo" tem os seguintes sentidos:
✓ 1. Separação. "Santo" é uma palavra descritiva da natureza divina. Seu significado
primordial é "separação "; portanto, a santidade representa aquilo que está em
Deus que o toma separado de tudo quanto seja terreno e humano — isto é, sua
perfeição moral absoluta e sua divina majestade.
Quando o Santo deseja usar uma pessoa ou um objeto para seu serviço, ele separa essa
pessoa ou aquele objeto do seu uso comum, e, em virtude dessa separação, a pessoa ou
o objeto toma-se "santo".
✓ 2. Dedicação. Santificação inclui tanto a separação de, como dedicação alguma
coisa; essa é "a condição dos crentes ao serem separados do pecado e do mundo
e feitos participantes da natureza divina, e consagrados à comunhão e ao serviço
de Deus por meio do Mediador".
A palavra "santo" é mais usada em conexão com o culto. Quando referente aos homens
ou objetos, ela expressa o pensamento de que esses são usados no serviço divino e
dedicados a Deus, no sentido especial de serem sua propriedade. Israel é uma nação
santa, por ser dedicada ao serviço de Jeová; os levitas são santos por serem
especialmente dedicados aos serviços do tabernáculo; o sábado e os dias de festa são
santos porque representam a dedicação ou consagração do tempo a Deus.
✓ 3. Purificação. Embora o sentimento primordial de "santo" seja separação para
serviço, inclui também a idéia de purificação. O caráter de Jeová age sobre tudo
que lhe é consagrado. Portanto, os homens consagrados a ele participam de sua
natureza. As coisas que lhe são dedicadas devem ser limpas. Limpeza é uma
condição de santidade, mas não a própria santidade, que é, primeiramente,
separação e dedicação.

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KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO
Quando Jeová escolhe e separa uma pessoa ou um objeto para o seu serviço, ele opera
ou faz com que aquele objeto ou essa pessoa se torne santo. Objetos inanimados foram
consagrados pela unção do azeite (Êx. 40:9-11). A nação israelita foi santificada pelo
sangue do sacrifício da aliança. (Êx. 24:8. Vide Hb. 10:29). Os sacerdotes foram
consagrados pelo representante de Jeová, Moisés, que os lavou com água, ungiu-os com
azeite e aspergiu-os com o sangue de consagração. (Vide Lv., cap. 8.)
✓ Como os sacrifícios do Velho Testamento eram tipos do sacrifício único de Cristo,
assim as várias abluções e unções do sistema mosaico são tipos da verdadeira
santificação que alcançamos pela obra de Cristo. Assim como Israel foi santificado
pelo sangue da aliança, assim "também Jesus, para santificar o povo pelo seu
próprio sangue, padeceu fora da porta" (Heb. 13:12).
Jeová santificou os filhos de Arão para o sacerdócio pela mediação de Moisés e o
emprego de água, azeite e sangue. Deus o Pai (1 Tess. 5:23) santifica os crentes para um
sacerdócio espiritual (1 Ped. 2:5) pela mediação do Filho (I Cor. 1:2,30; Ef 5:26; Heb 2:11),
por meio da Palavra (João 17:17; 15:3), do sangue (Heb. 10:29; 13:12) e do Espírito (Rom.
15:16; 1 Cor. 6:11; 1 Ped. 1:2).
✓ 4. Consagração, no sentido de viver uma vida santa e justa. Qual a diferença entre
justiça e santidade? A justiça representa a vida regenerada em conformidade
com a lei divina; os filhos de Deus andam retamente (1 João 3:6-10).
Santidade é a vida regenerada em conformidade com a natureza divina e dedicada
ao serviço divino; isto pede a remoção de qualquer impureza que estorve esse
serviço. "Mas como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em
toda a vossa maneira de viver" (1 Pe. 1:15). Assim a santificação inclui a remoção
de qualquer mancha ou sujeira que seja contrária à santidade da natureza divina.
Em seguida à consagração de Israel surge, naturalmente, a pergunta: "Como deve viver
um povo santo?" A fim de responder a essa pergunta, Deus deu-lhes o código de leis de
santidade que se acham no livro de Levítico. Portanto, em conseqüência da sua
consagração, seguiu-se a obrigação de viver uma vida santa. O mesmo se dá com o
cristão. Aqueles que são declarados santos (Heb. 10:10) são exortados a seguir a
santidade (Heb. 12:14); aqueles que foram purificados (1 Cor. 6:11) são exortados a
purificar-se a si mesmos (2 Cor. 7:1).
✓ 5. Serviço. A aliança é um estado de relação entre Deus e os homens no qual ele é
o Deus deles e eles o seu povo, o que significa um povo adorador. A palavra
"santo" expressa essa relação contratual. Servir a Deus, nessa relação, significa ser
sacerdote; por conseguinte, Israel é descrito como nação santa e reino de
sacerdotes (Êx. 19:6). Qualquer impureza que venha a desfigurar essa relação
precisa ser lavada com água ou com o sangue da purificação.
Da mesma maneira os crentes do Novo Testamento são "santos", isto é, um povo santo
consagrado. Pelo sangue da aliança tornaram-se "sacerdócio real, a nação santa...
sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo"

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KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO
(1 Ped. 2:9,5); oferecem o sacrifício de louvor (Heb. 13:15) e dedicam-se como sacrifícios
vivos sobre o altar de Deus (Rom. 12:1).
Assim vemos que o serviço é elemento essencial da santificação ou santidade, pois é esse
o único sentido em que os homens podem pertencer a Deus, isto é, como seus
adoradores que lhe prestam serviço. Paulo expressou perfeitamente esse aspecto da
santidade quando disse acerca de Deus: "De quem eu sou, e a quem sirvo" (Atos 27:23).
Santificação envolve ser possuído por Deus e servir a ele.
2. O tempo da santificação.
A santificação reúne:
1) idéia de posição perante Deus e instantaneidade;
2) prática e progressiva.
✓ 1. Posicional e instantânea. A seguinte declaração representa o ensino dos que
aderem à teoria de santificação da "segunda obra definida", feita por alguém que
ensinou essa doutrina durante muitos anos:
Supõe-se que a justificação é obra da graça pela qual os pecadores, ao se entregarem a
Cristo, são feitos justos e libertados dos hábitos pecaminosos. Mas no homem
meramente justificado permanece um princípio de corrupção, uma árvore má, "uma raiz
de amargura", que continuamente o provoca a pecar. Se o crente obedece a esse impulso
e deliberadamente peca, ele perde sua justificação; segue-se, portanto, a vantagem de
ser removido esse impulso mau, para que diminua a possibilidade de se desviar. A
extirpação dessa raiz pecaminosa é santificação. Portanto, é a purificação da natureza de
todo pecado congênito pelo sangue de Cristo (aplicado pela fé ao realizar-se a plena
consagração), e o fogo purificador do Espírito Santo, o qual queima toda a escória,
quando tudo é depositado sobre o altar do sacrifício. Isso, e somente isso, é verdadeira
santificação — a segunda obra definida da graça, subsequente à justificação, e sem a qual
essa justificação provavelmente se perderá.
✓ A definição supracitada ensina que a pessoa pode ser salva ou justificada sem ser
santificada. Essa teoria, porém, é contrária ao ensino do Novo Testamento.
O apóstolo Paulo escreve a todos os crentes como a "santos" (literalmente, "os
santificados") e como já santificados (1 Cor. 1:2; 6:11). Mas essa carta foi escrita para
corrigir esses cristãos por causa de sua carnalidade e pecados grosseiros. (1 Cor. 3:1;
5:1,2,7,8.) Eram "santos" e "santificados em Cristo", mas alguns desses estavam muito
longe de ser exemplos de cristãos na conduta. Foram chamados a ser santos, mas não se
portavam dignos dessa vocação santa.
Segundo o Novo Testamento existe, pois, um sentido em que a santificação é simultânea
com a justificação.
✓ 2. Prática e progressiva. Mas será que essa santificação consiste somente em ser
conferida a posição de santos? Não, essa separação inicial é apenas o

EMBAIXADA ROCHA VIVA 132


KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO
começo duma vida progressiva de santificação. Todos os cristãos são separados
para Deus em Jesus Cristo; e dessa separação surge a nossa responsabilidade de
viver para ele. Essa separação deve continuar diariamente: o crente deve esforçar-
se sempre para estar conforme à imagem de Cristo. "A santificação é a obra da
livre graça de Deus, pela qual o homem todo é renovado segundo a imagem de
Deus, capacitando-nos a morrer para o pecado e viver para a justiça." Isso não
quer dizer que vamos progredir até alcançar a santificação e, sim, que
progredimos na santificação da qual já participamos.
A santificação é posicionai e prática — posicional em que é primeiramente uma mudança
de posição pela qual o imundo pecador se transforma em santo adorador; prática porque
exige uma maneira santa de viver. A santificação adquirida em virtude de nova posição,
indica-se pelo fato de que todos os coríntios foram chamados "santificados em Cristo
Jesus, chamados santos" (1 Cor. 1:2). A santificação progressiva está implícita no fato de
alguns serem descritos como "carnais" (1 Cor. 3:3), o que significa que sua presente
condição não estava à altura de sua posição concedida por Deus. Em razão disso, foram
exortados a purificar-se e assim melhorar sua consagração até alcançarem a perfeição.
Esses dois aspectos da santificação estão implícitos no fato de que aqueles que foram
tratados como santificados e santos (1 Ped. 1:2; 2:5), são exortados a serem santos (1
Ped. 1:15). Aqueles que estavam mortos para o pecado (Cl 3:3) são exortados a mortificar
(fazer morto) seus membros pecaminosos (Cl 3:5). Aqueles que se despiram do homem
velho (Col. 3:9) são exortados a vestirem-se ou revestirem-se do homem novo. (Ef. 4:22;
Col. 3:8.)
3. Meios divinos de santificação.
São meios divinamente estabelecidos de santificação:
O sangue de Cristo,
O Espírito Santo e
A Palavra de Deus.
O primeiro proporciona, primeiramente', a santificação absoluta, quanto à posição
perante Deus. É uma obra consumada que concede ao pecador penitente uma posição
perfeita em relação a Deus.
O segundo meio é interno, efetuando a transformação da natureza do crente.
O terceiro meio é externo e prático, e diz respeito ao comportamento do crente. Dessa
forma, Deus fez provisão tanto para a santificação interna como externa.
✓ 1.O sangue de Cristo, (Eterno, absoluto e posicionai.) (Hb. 13:12; 10:10,14; 1João
1:7.) Em que sentido seria a pessoa santificada pelo sangue de Cristo? Em
resultado da obra consumada de Cristo, o pecador penitente é transformado de
pecador impuro em adorador santo. A santificação é o resultado dessa
"maravilhosa obra redentora do Filho de Deus, ao oferecer-se no Calvário para
aniquilar o pecado pelo seu sacrifício. Em virtude desse sacrifício, o crente é

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eternamente separado para Deus; sua consciência é purificada, e ele próprio é
transformado de pecador impuro, em santo adorador, unido em comunhão com o
Senhor Jesus Cristo; pois, "assim o que santifica, como os que são santificados, são
todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos" (Heb.
2:11).
Que haja um aspecto contínuo na santificação pelo sangue, infere-se de 1 João 1:7: "O
sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado." Se houver comunhão
entre o santo Deus e o homem, necessariamente terá que haver uma provisão para
remover a barreira de pecado, que impede essa comunhão, uma vez que os melhores
homens ainda assim são imperfeitos. Ao receber Isaías a visão da santidade de Deus, ele
ficou abatido ao perceber a sua falta de santidade; e não estava em condições de ouvir a
mensagem divina enquanto a brasa do altar não purificasse seus lábios. A consciência do
pecado ofusca a comunhão com Deus; confissão e fé no eterno sacrifício de Cristo
removem essa barreira. (1 João 1:9.)
✓ 2. O Espírito Santo. (Santificação Interna.) (1 Cor. 6:11; 2 Tess. 2:12; 1 Ped. 1:1,2;
Rom. 15:16.) Nessas passagens a santificação pelo Espírito Santo é apresentada
como o início da obra de Deus nos corações dos homens, conduzindo-os ao inteiro
conhecimento da justificação pela fé no sangue aspergido de Cristo. Tal qual o
Espírito pairava por cima do caos original (Gên. 1:2), seguindo-se o
estabelecimento da ordem pelo Verbo de Deus, assim o Espírito paira sobre a
alma humana, fazendo-a abrir-se para receber a luz e a vida de Deus. (2 Cor. 4:6.)
O capítulo 10 de Atos proporciona uma ilustração concreta da santificação pelo Espírito
Santo. Durante os primeiros anos da igreja, a evangelização dos gentios retardou-se visto
que muitos cristãos-judeus consideravam os gentios como "imundos", e não-santificados
por causa de sua não conformidade com as leis alimentares e outros regulamentos
mosaicos. Exigia-se uma visão para convencer a Pedro que aquilo que o Senhor purificara
ele não devia tratar de comum ou impuro. Isso importava em dizer que Deus fizera
provisão para a santificação dos gentios para serem o seu povo. E quando o Espírito de
Deus desceu sobre os gentios, reunidos na casa de Cornélio, já não havia mais dúvida a
respeito. Eram santificados pelo Espírito Santo, não importando se obedeciam ou não às
ordenanças mosaicas (Rom. 15:16), e Pedro reptou os judeus que estavam com ele a
negarem o símbolo exterior (batismo nas águas) de sua purificação espiritual. (Atos 10:47;
15:8.)
✓ 3. A Palavra de Deus. (Santificação externa e prática.) (João 17:17, Ef. 5:26; João
15:3; Sal. 119:9; Tia. 1:23-25.) Os cristãos são descritos como sendo "gerados pela
Palavra de Deus"(l Ped. 1:23). A Palavra de Deus desperta os homens a
compreenderem a insensatez e impiedade de suas vidas. Quando dão importância
à Palavra arrependendo-se e crendo em Cristo, são purificados pela Palavra que
lhes fora falada. Esse é o início da purificação que deve continuar através da vida
do crente. No ato de sua consagração ao ministério, o sacerdote israelita recebia
um banho sacerdotal completo, banho que nunca se repetia; era uma obra feita
uma vez para sempre. Todos os dias, porém, era obrigado a lavar as mãos e os

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pés. Da mesma maneira, o regenerado foi lavado (Tito 3:5); mas precisa uma
separação diária das impurezas e imperfeições conforme lhe forem reveladas pela
Palavra de Deus, que serve como espelho para a alma. (Tia. 1:22-25.) Deve lavar as
mãos, isto é, seus atos devem ser retos; deve lavar os pés, isto é, "guardar-se da
imundície que tão facilmente se apega aos pés do peregrino, que anda pelas
estradas deste mundo".
4. Ideias errôneas sobre a santificação.
Muitos cristãos descobrem o fato de que seu maior impedimento em chegar à santidade
é a "carne", a qual frustra sua marcha para a perfeição. Como se conseguirá libertação da
carne?
Três opiniões erradas têm sido expostas:
✓ 1."Erradicação" do pecado inato é uma dessas idéias. Assim escreve Lewis Sperry
Chafer: "se a erradicação da natureza pecaminosa se consumasse, não haveria a
morte física, pois esta é o resultado dessa natureza. (Rom. 5:12-21.) Pais que
houvessem experimentado essa "extirpação", necessariamente gerariam filhos
sem a natureza pecaminosa. Mas, mesmo que fosse realidade essa "extirpação",
ainda haveria o conflito com o mundo, a carne (à parte da natureza pecaminosa) e
o diabo; pois a "extirpação" desses males é obviamente antibíblica e não está
incluída na própria teoria.
A erradicação é também contrária à experiência.
✓ 2. Legalismo, ou a observância de regras e regulamentos. Paulo ensina que a lei
não pode santificar (Rm. cap. 6), assim como também não pode justificar (Rm. 3).
Essa verdade é exposta e desenvolvida na carta aos Gálatas. Paulo não está de
nenhuma maneira depreciando a lei. Ele a está defendendo contra conceitos
errôneos quanto a seu propósito. Se um homem for salvo do pecado, terá que ser
por um poder à parte de si mesmo. Vamos empregar a ilustração dum
termômetro. O tubo e o mercúrio representam o indivíduo. O registro dos graus
representará a lei. Imaginem o termômetro dizendo: "Hoje não estou funcionando
exatamente; devo chegar no máximo a 30 graus." Será que o termômetro poderia
elevar-se à temperatura exigida? Não, deveria depender duma condição/ora dele
mesmo. Da mesma maneira o homem que percebe não estar à altura do ideal
divino não pode elevar-se em um esforço por alcançá-lo. Sobre ele deve operar
uma força à parte dele mesmo; essa força é o poder do Espírito Santo.
✓ 3. Ascetismo. É a tentativa de subjugar a carne e alcançar a santidade por meio de
privações e sofrimentos — o método que seguem os católicos romanos e os
hindus ascéticos.
Esse método parece estar baseado na antiga crença pagã de que toda matéria, incluindo
o corpo, é má. O corpo, por conseguinte, é uma trava ao espírito, e quanto mais for
castigado e subjugado, mais depressa se libertará o espírito. Isso é contrário às Escrituras,
que ensinam que Deus criou tudo muito bom. É a alma e não o corpo que peca; portanto,

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são os impulsos pecaminosos que devem ser subjugados, e não a carne material.
Ascetismo é uma tentativa de matar o "eu", mas o "eu" não pode vencer o "eu". Essa é a
obra do Espírito.
5. O verdadeiro método da santificação.
O método bíblico de tratar com a carne, deve basear-se obviamente, na provisão objetiva
para a salvação, o sangue de Cristo; e na provisão subjetiva, o Espírito Santo. A libertação
do poder da carne, portanto, deve vir por meio da fé na expiação e por entregar-se à ação
do Espírito. O primeiro é tratado no sexto capítulo de Romanos, e o segundo na primeira
parte do capítulo oitavo.
✓ 1. Fé na expiação. Imaginemos que houvesse judeus presentes (o que sucedia
com frequência) enquanto Paulo expunha a doutrina da purificação pela fé. Nós os
imaginamos dizendo em protesto: "Isso é uma heresia do tipo mais perigoso!"
Dizer ao povo que precisam crer unicamente em Jesus, e que nada podem fazer
quanto à sua salvação porque ela é pela graça de Deus, tudo isso resultará em que
descuidarão de sua maneira de viver. Eles julgarão que pouco importa o que
façam, uma vez que creiam. Sua doutrina de fé fomenta o pecado. Se a
justificação é pela graça e nada mais, sem obras, por que então romper com o
pecado? Por que não continuar no pecado para que abunde ainda mais a graça?
Os inimigos de Paulo efetivamente o acusaram de pregar tal doutrina. (Rom. 3:8;
6:1.) Com indignação Paulo repudiou tal perversão. "De modo nenhum. Nós, que
estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?" (Rom. 6:2). A
continuação no pecado é impossível a um homem verdadeiramente justificado,
em razão de sua união com Cristo na morte e na vida. (Vide Mt. 6:24.) Em virtude
de sua fé em Cristo, o homem salvo passou por uma experiência que inclui um
rompimento tão completo com o pecado, que se descreve como morte para o
pecado, e uma transformação tão radical que se descreve como ressurreição. Essa
experiência é figurada no batismo nas águas. A imersão do convertido testifica do
fato que em razão de sua união com o Cristo crucificado ele morreu para o
pecado; ser levantado da água testifica que seu contato com o Cristo ressuscitado
significa que "como Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, assim
andemos nós também em novidade de vida" (Rm. 6:4). Cristo morreu pelo pecado
a fim de que nós morrêssemos para o pecado.
"Aquele que está morto está justificado do pecado" (Rm. 6:7). A morte cancela todas as
obrigações e rompe todos os laços. Por meio da união com Cristo, o cristão morreu para a
vida antiga, e os grilhões do pecado foram quebrados. Como a morte dava fim à servidão
do escravo, assim a morte do crente, que morreu para o mundo, o libertou da servidão ao
pecado. Continuando a ilustração: A lei nenhuma jurisdição tem sobre um homem morto.
Não importa qual seja o crime que haja cometido, uma vez morto, já está fora do poder
da justiça humana. Da mesma maneira, a lei de Moisés, muitas vezes violada pelo
convertido, não o pode "prender", pois, em virtude de sua experiência com Cristo, ele
está "morto". (Rm. 7:1-4; 2 Cor. 5:14.)

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"Sabendo que, havendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais
terá domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado,
mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós vos considerai como mortos para
o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm. 6:9-11). A morte de
Cristo pôs fim a esse estado terrenal no qual ele teve contato como o pecado; sua vida
agora é uma constante comunhão com Deus. Os cristãos, ainda que estejam no mundo,
podem participar de sua experiência, porque estão unidos a ele. Como podem participar?
"Considerai-vos como mortos para o pecado, nas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso
Senhor." Que significa isso? Deus já disse que por meio da nossa fé em
Cristo, estamos mortos para o pecado e vivos para a justiça. Resta uma coisa a fazer; crer
em Deus e considerar ou concluir que estamos mortos para o pecado. Deus declarou que
quando Cristo morreu, nós morremos para o pecado; quando ele ressuscitou, nós
ressuscitamos para viver uma nova vida. Devemos continuar considerando esses fatos
como absolutamente certos; e, ao considerá-los assim, tornar-se-ão poderosos em nossa
vida, pois, seremos o que reconhecemos que somos. Uma distinção importante tem sido
assinalada, a saber, a distinção entre as promessas e os fatos da Bíblia. Jesus disse: "Se
vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que
quiserdes, e vos será feito" (João 15:7). Essa é uma promessa, porque está no futuro; é
algo para ser feito.
Mas quando Paulo disse que "Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras",
ele está declarando um fato, algo que foi feito. Vide a expressão de Pedro: "Pelas suas
feridas fostes sarados" (1 Ped. 2:24). E quando Paulo declara "que o nosso homem velho
foi com ele crucificado", ele está declarando um fato, algo que aconteceu. A questão
agora é: estamos dispostos ou não a crer no que Deus declara que são fatos acerca de
nós? Porque a fé é a mão que aceita o que Deus gratuitamente oferece.
Será que o ato de descobrir a relação com Cristo não constitui a experiência que alguns
têm descrito como "a segunda obra da graça"?
✓ 2. Cooperação com o Espírito. Os capítulos 7 e 8 de Romanos continuam o assunto
da santificação; tratam da libertação do crente do poder do pecado, e do
crescimento em santidade. No cap. 6 vimos que a vitória sobre o poder do pecado
foi obtida pela Fé. O capítulo 8 apresenta outro aliado na batalha contra o pecado
— o Espírito Santo.
Como fundo para o capítulo 8 estuda-se a linha de pensamento no cap. 7, o qual descreve
um homem voltando-se para a lei a fim de alcançar santificação. Paulo demonstra aqui a
impotência da lei para salvar e santificar, não porque a lei não seja boa, mas por causa da
inclinação pecaminosa da natureza humana, conhecida como a "carne". Ele indica que a
lei revela o fato (v. 7), a ocasião (v.8), o poder (v.9), a falsidade (v. 11), o efeito (vs. 10,11),
e a vileza do pecado (vs. 12,13).
Paulo, que parece estar descrevendo sua própria experiência passada, diz-nos que a
própria lei, que ele tão ardentemente desejava observar, suscitava impulsos pecaminosos
dentro dele. O resultado foi "guerra civil" na sua alma. Ele é impedido de fazer o bem que

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deseja fazer, e impelido a fazer o que odeia. "Acho então esta lei em mim; que, quando
quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer
na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu
entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros" (vs.
21-23).
✓ A última parte do capítulo 7, evidentemente, apresenta o quadro do homem
debaixo da lei, que descobriu a perscrutadora espiritualidade da lei, mas em cada
intento de observá-la se vê impedido pelo pecado que habita nele. Por que
descreve Paulo esse conflito? Para demonstrar que a lei é tão impotente para
santificar como o é para justificar.
"Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" (v. 24 Vide 6:6).
E Paulo, que descrevia a experiência debaixo da lei, assim testifica alegremente de sua
experiência debaixo da graça: "Dou graças a Deus (que a vitória vem) por Jesus Cristo
nosso Senhor" (v. 25). Com essa exclamação de triunfo entramos no maravilhoso capítulo
oitavo, que tem por tema dominante a libertação da natureza pecaminosa pelo poder do
Espírito Santo.
Há três mortes das quais o crente deve participar:
1) A morte no pecado, isto é, nossa condenação. (Ef. 2:1; Cl. 2:13.) O pecado havia
conduzido a alma a essa condição, cujo castigo é a morte espiritual ou separação de Deus.
2) A morte pelo pecado, isto é, nossa justificação. Cristo sofreu sobre a cruz a sentença
duma lei infligida, e nós, por conseguinte, somos considerados como a havendo sofrido
nele. O que ele fez por nós é considerado como se fosse feito por nós mesmos. (2 Cor.
5:14; Gl. 2:20.) Somos considerados legal ou judicialmente livres da pena duma lei
violada, uma vez que pela fé pessoal consentimos na transação.
3) A morte para o pecado, isto é, nossa santificação. (Rm. 6:11.) O que é certo para nós
deve ser feito real em nós; o que é judicial deve se tornar prático; a morte para a pena do
pecado deve ser seguida pela morte para o poder do pecado. E essa é a obra do Espírito
Santo. (Rm. 8:13.) Assim como a seiva que ascende na árvore elimina as folhas mortas
que ficaram presas aos ramos, apesar da neve e das tempestades, assim o Espírito Santo,
que habita em nós, elimina as imperfeições e os hábitos da vida antiga.
6. Santificação completa.
Muitas vezes está verdade é discutida sob o tema: "Perfeição cristã."
(a) Significado de perfeição. Há dois tipos de perfeição: absoluta e relativa. É
absolutamente perfeito aquilo que não pode ser melhorado; isso pertence unicamente a
Deus. E relativamente perfeito aquilo que cumpre o fim para o qual foi designado; essa
perfeição é possível ao homem.
A palavra "perfeição", no Antigo Testamento, significa ser "sincero e reto" (Gn. 6:9; Jó
1:1). Ao evitar os pecados das nações circunvizinhas, Israel podia ser uma nação
"perfeita" (Dt. 18:13). No Antigo Testamento a essência da perfeição é o desejo e a

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determinação de fazer a vontade de Deus. Apesar dos pecados que mancharam sua
carreira, Davi pode ser chamado um homem perfeito e "um homem segundo o coração
de Deus", porque o motivo supremo de sua vida era fazer a vontade de Deus.
No Novo Testamento a palavra "perfeito" e seus derivados têm uma variedade de
aplicações, e, portanto, deve ser interpretada segundo o sentido em que os termos são
usados. Várias palavras gregas são usadas para expressar a idéia de perfeição: 1) Uma
dessas palavras significa ser completo no sentido de ser apto ou capaz para certa tarefa
ou fim. (2 Tim. 3:17.) 2) Outra denota certo fim alcançado por meio do crescimento
mental e moral. (Mat. 5:48; 19:21; Cl. 1:28; 4:12 ; Hb. 11:40.) 3) A palavra usada em 2 Cor.
13:9; Ef. 4:12; e Heb. 13:21 significa um equipamento cabal. 4) A palavra usada em 2 Cor.
7:1 significa terminar, ou trazer a uma terminação. A palavra usada em Ap. 3:2 significa
fazer repleto, cumprir, encher (como uma rede), nivelar (um buraco).
A palavra "perfeito" descreve os seguintes aspectos da vida cristã: 1) Perfeição de posição
em Cristo (Hb. 10:14) — o resultado da obra de Cristo por nós. 2) Madureza e
entendimento espiritual, em contraste com a infância espiritual. (1 Cor. 2:6; 14:20;2Cor.
13:11; Fil. 3:15;2Tim. 3:17) 3) Perfeição progressiva. (Gl. 3:3.) 4) Perfeição em certos
particulares: a vontade de Deus, o amor ao homem, e serviço. (Col. 4:12; Ma. 5:48; Hb.
13:21.) 5) A perfeição final do indivíduo no céu. (Col. 1:28,22; Fil. 3:12; 1Ped. 5:10.) 6) A
perfeição final da igreja, ou o corpo de Cristo, isto é, o conjunto de crentes. (Ef. 4:13; João
17:23.)
(b) Possibilidades de perfeição. O Novo Testamento apresenta dois aspectos gerais da
perfeição: 1) A perfeição como um dom da graça, o qual é a perfeita posição ou estado
concedido ao arrependido em resposta à sua fé em Cristo. Ele é considerado perfeito
porque tem um Salvador perfeito e uma justiça perfeita. 2) A perfeição como realmente
efetuada no caráter do crente. É possível acentuar em demasia o primeiro aspecto e
descuidar do Cristianismo prático. Tal aconteceu a certo indivíduo que, depois de ouvir
uma palestra sobre a Vida Vitoriosa, disse ao pregador: "Tudo isso tenho em Cristo." "Mas
o senhor tem isso consigo, agora, aqui em Glasgow?" Foi a serena interrogação. Por outra
parte, acentuando demais o segundo aspecto, alguns praticamente têm negado qualquer
perfeição à parte do que eles encontram em sua própria experiência.
✓ João Wesley (o fundador do Metodismo) parece haver tomado uma posição
intermediária entre os dois extremos. Ele reconhecia que a pessoa era santificada
na conversão, mas afirmava a necessidade da inteira santificação como outra obra
da graça. O que fazia essa experiência parecer necessária era o poder do pecado,
que era a causa de o cristão ser derrotado. Essa bênção vem a quem buscar com
fidelidade; o amor puro enche o coração e governa toda a obra e ação, resultando
na destruição do poder do pecado.
Essa perfeição no amor não é considerada como perfeição absoluta, nem tampouco
isenta o crente de vigilância e cuidados constantes. Wesley escreveu: "Creio que a pessoa
cheia do amor de Deus ainda está propensa a transgressões involuntárias. Tais

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transgressões vocês poderão chamá-las de pecados, se quiserem; mais eu não." Quanto
ao tempo da inteira santificação, Wesley escreveu:
"É esta morte para o pecado e renovação no amor, gradual ou instantânea? Um homem
poderá estar à morte por algum tempo; no entanto, propriamente falando, não morre
enquanto não chegar o instante em que a alma se separa do corpo; e nesse momento ele
vive a vida da eternidade. Da mesma maneira a pessoa poderá estar morrendo para o
pecado por algum tempo; entretanto, não está morto para o pecado enquanto o pecado
não for separado de sua alma; é nesse momento que vive a plena vida de amor. E da
mesma maneira que a mudança sofrida quando o corpo morre é duma qualidade
diferente e infinitamente maior que qualquer outra que tenhamos conhecido antes, tão
diferente que até então era impossível conceber, assim a mudança efetuada quando a
alma morre para o pecado é duma classe diferente e infinitamente maior que qualquer
outra experimentada antes, e que ninguém pode conceber até que a experimente. No
entanto, essa pessoa continuará a crescer na graça, no conhecimento de Cristo, no amor
e na imagem de Deus; e assim continuará, não somente até a morte, mas por toda a
eternidade. Como esperaremos essa mudança? Não em um descuidado indiferentismo,
ou indolente inatividade; mas em obediência vigorosa e universal, no cumprimento fiel
dos mandamentos, em vigilância e trabalho, em negarmo-nos a nós mesmos, tomando
diariamente a nossa cruz; como também em oração fervorosa e jejum, e atendendo bem
às ordenanças de Deus. E se alguém pensa em obtê-la de alguma outra maneira (e
conservá-la quando a haja obtido, mesmo quando a haja recebido na maior medida) esse
alguém engana sua própria alma."
✓ João Calvino, que acentuara a perfeição do crente pela consumada obra de Cristo,
e que não era menos zeloso da santidade de que Wesley, dá o seguinte relato da
perfeição cristã:
"Quando Deus nos reconcilia consigo mesmo, por meio da justiça de Cristo, e nos
considera como justos por meio da livre remissão de nossos pecados, ele também habita
em nós, pelo seu Espírito, e santifica-nos pelo seu poder, mortificando as concupiscências
da nossa carne e formando o nosso coração em obediência à sua Palavra. Desse modo,
nosso desejo principal vem a ser obedecer à sua vontade e promover a sua glória. Porém,
ainda depois disso, permanece em nós bastante imperfeição para repelir o orgulho e
constranger-nos à humildade." ( Ec. 7:20; 1Reis 8:46.)
✓ Ambas as opiniões, a perfeição como dom em Cristo e a perfeição como obra real
efetuada em nós, são ensinadas nas Escrituras; o que Cristo fez por nós deve ser
efetuado em nós. O Novo Testamento sustenta um ideal elevado de santidade e
afirma a possibilidade de libertação do poder do pecado. Portanto, é dever do
cristão esforçar-se para conseguir essa perfeição. (Fil. 3:12; Hb.6:l.)
Em relação a isto devemos reconhecer que o progresso na santificação muitas vezes
implica uma crise na experiência, quase tão definida como a da conversão. Por um meio
ou outro, o crente recebe uma revelação da santidade de Deus e da possibilidade de
andar mais perto dele, e essa experiência é seguida por um conhecimento interior de ter

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ainda alguma contaminação. (Vide Isa. 6.) Ele chegou a uma encruzilhada na sua
experiência cristã, na qual deverá decidir se há de retroceder ou seguir avante, com Deus.
Confessando seus fracassos passados, ele faz uma reconsagração, e, como resultado,
recebe um novo aumento de paz, gozo e vitória, e também o testemunho de que Deus
aceitou sua consagração. Alguns têm chamado a essa experiência uma segunda obra da
graça.
✓ Ainda haverá tentação de fora e de dentro, e daí a necessidade de vigilância (Gl.
6:1; I Co. 10:12); a carne é fraca e o cristão está livre para ceder, pois está em
estado de prova (Gl. 5:17; Rm. 7:18, Fp. 3:8); seu conhecimento é parcial e falho;
portanto, pode estar sujeito a pecados de ignorância. Porém ele pode seguir
avante, certo de que pode resistir e vencer toda a tentação que reconheça (Tg.
4:7; 1 Cor. 10:13; Rm. 6:14; Ef. 6:13,14); pode estar sempre glorificando a Deus
cheio dos frutos de justiça (1 Cor. 10:31; Cl. 1:10); pode possuir a graça e o poder
do Espírito e andar em plena comunhão com Deus (Gl. 5:22, 23; Ef. 5:18; Col.
1:10,11; 1 João 1:7); pode ter a purificação constante do sangue de Cristo e assim
estar sem culpa perante Deus. (1 João 1:7; Fp. 2:15; 1Ts. 5:23).

V. A Segurança da Salvação
Temos estudado as preparações para a salvação e considerado a natureza desta. Nesta
seção consideramos: É a Salvação final dos cristãos incondicional, ou poderá perder-se
por causa do pecado?
✓ A experiência prova a possibilidade duma queda temporária da graça, conhecida
por "desviar-se". O termo não se encontra no Novo Testamento, senão no Antigo
Testamento. Uma palavra hebraica significa "voltar atrás" ou "virar-se"; outra
palavra significa "volver-se" ou ser "rebelde". Israel é comparado a um bezerro
teimoso que volta para trás e se recusa a ser conduzido, e torna-se insubmisso ao
jugo. Israel afastou-se de Jeová e obstinadamente se recusou a tomar sobre si o
jugo de seus mandamentos.
O Novo Testamento nos admoesta contra tal atitude, porém usa outros termos. O
desviado é a pessoa que outrora tinha o zelo de Deus, mas agora se tomou fria (Mt.
24:12); outrora obedecia à Palavra, mas o mundanismo e o pecado impediram seu
crescimento e frutificação (Mt. 13:22); outrora pôs a mão ao arado, mas olhou para trás
(Lc. 9:62); como a esposa de Ló, que havia sido resgatada da cidade da destruição, mas
seu coração voltou para ali (Lc. 17:32); outrora estava em contato vital com Cristo, mas
agora está fora de contato, e está seco, estéril e inútil espiritualmente (João 15:6);
outrora obedecia à voz da consciência, mas agora jogou para longe de si essa bússola que
o guiava, e, como resultado, sua embarcação de fé destroçou-se nas rochas do pecado e
do mundanismo (1 Tm. 1:19); outrora alegrava-se em chamar-se cristão, mas agora se
envergonha de confessar a seu Senhor (2 Tm. 1:8 ;2:12); outrora estava liberto da
contaminação do mundo, mas agora voltou como a "porca lavada ao espoja-douro de
lama" (2 Pe. 2:22; vide Lc. 11:21-26).

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É possível decair da graça; mas a questão é saber se a pessoa que era salva e teve esse
lapso, pode finalmente perder-se. Aqueles que seguem o sistema de doutrina calvinista
respondem negativamente; aqueles que seguem o sistema arminiano (chamado assim em
razão de Armínio, teólogo holandês, que trouxe a questão a debate) respondem
afirmativamente.
1. Calvinismo.
✓ A doutrina de João Calvino não foi criada por ele; foi ensinada por santo
Agostinho, o grande teólogo do quarto século. Nem tampouco foi criada por
Agostinho, que afirmava estar interpretando a doutrina de Paulo sobre a livre
graça.
A doutrina de Calvino é como segue: A salvação é inteiramente de Deus; o homem
absolutamente nada tem a ver com sua salvação. Se ele, o homem, se arrepender, crer e
for a Cristo, é inteiramente por causa do poder atrativo do Espírito de Deus. Isso se deve
ao fato de que a vontade do homem se corrompeu tanto desde a queda, que, sem a
ajuda de Deus, não pode nem se arrepender, nem crer, nem escolher corretamente. Esse
foi o ponto de partida de Calvino — a completa servidão da vontade do homem ao mal. A
salvação, por conseguinte, não pode ser outra coisa senão a execução dum decreto divino
que fixa sua extensão e suas condições.
Naturalmente surge esta pergunta: Se a salvação é inteiramente obra de Deus, e o
homem não tem nada a ver com ela, e está desamparado, amenos que o Espírito de Deus
opere nele, então, por que Deus não salva a todos os homens, posto que todos estão
perdidos e desamparados? A resposta de Calvino era: Deus predestinou alguns para
serem salvos e outros para serem perdidos. "A predestinação é o eterno decreto de Deus,
pelo qual ele decidiu o que será de cada um e de todos os indivíduos. Pois nem todos são
criados na mesma condição; mas a vida eterna está preordenada para alguns, e a
condenação eterna para outros." Ao agir dessa maneira Deus não é injusto, pois ele não é
obrigado a salvar a ninguém; a responsabilidade do homem permanece, pois, a queda de
Adão foi sua própria falta, e o homem sempre é responsável por seus pecados.
✓ Posto que Deus predestinou certos indivíduos para a salvação, Cristo morreu
unicamente pelos "eleitos"; a expiação fracassaria se alguns pelos quais Cristo
morreu se perdessem.
Dessa doutrina da predestinação segue-se o ensino de "uma vez salvo sempre salvo";
porque se Deus predestinou um homem para a salvação, e unicamente pode ser salvo e
guardado pela graça de Deus, que é irresistível, então, nunca pode perder-se.
Os defensores da doutrina da "segurança eterna" apresentam as seguintes referências
para sustentar sua posição: João 10:28,29: Rm. 11:29; Fp. 1:6; 1 Pe. 1:5; Rm. 8:35; João
17:6.

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2. Arminianismo.
O ensino arminiano é como segue: A vontade de Deus é que todos os homens sejam
salvos, porque Cristo morreu por todos. (1 Tm. 2:4-6; Hb. 2:9; 2 Cor. 5:14; Tito 2:11,12.)
Com essa finalidade ele oferece sua graça a todos. Embora a salvação seja obra de Deus,
absolutamente livre e independente de nossas boas obras ou méritos, o homem tem
certas condições a cumprir. Ele pode escolher aceitar a graça de Deus, ou pode resistir-lhe
e rejeitá-la. Seu direito de livre arbítrio sempre permanece.
✓ As Escrituras certamente ensinam uma predestinação, mas não que Deus
predestina alguns para a vida eterna e outros para o sofrimento eterno. Ele
predestina " a todos os que querem" a serem salvos — e esse plano é bastante
amplo para incluir a todos que realmente desejam ser salvos. Essa verdade tem
sido explicada da seguinte maneira: na parte de fora da porta da salvação lemos
as palavras: "quem quiser pode vir"; quando entramos por essa porta e somos
salvos, lemos as palavras no outro lado da porta: "eleitos segundo a presciência
de Deus". Deus, em razão de seu conhecimento, previu que essas pessoas
aceitariam o evangelho e permaneceriam salvos, e predestinou para essas pessoas
uma herança celestial. Ele previu o destino delas, mas não o fixou.
A doutrina da predestinação é mencionada, não com propósito especulativo, e, sim, com
propósito prático. Quando Deus chamou Jeremias ao ministério, ele sabia que o profeta
teria uma tarefa muito difícil e poderia ser tentado a deixá-la. Para encorajá-lo, o Senhor
assegurou ao profeta que o havia conhecido e o havia chamado antes de nascer (Jr. 1:5).
Com efeito, o Senhor disse: "Já sei o que está adiante de ti, mas também sei que posso te
dar graça suficiente para enfrentares todas as provas futuras e conduzir-te à vitória."
Quando o Novo Testamento descreve os cristãos como objetos da presciência de Deus,
seu propósito é dar-nos certeza do fato de que Deus previu todas as dificuldades que
surgirão à nossa frente, e que ele pode nos guardar e nos guardará de cair.
3. Uma comparação.
A salvação é condicional ou incondicional?
Uma vez salva, a pessoa é salva eternamente?
A resposta dependerá da maneira em que podemos responder às seguintes perguntas-
chave:
De quem depende a salvação? É irresistível a graça?
1) De quem depende, em última análise, a salvação: de Deus ou do homem?
Certamente deve depender de Deus, porque, quem poderia ser salvo se a salvação
dependesse da força da própria pessoa? Podemos estar seguros disto: Deus nos
conduzirá à vitória, não importa quão débeis ou desatinados sejamos, uma vez que
sinceramente desejamos fazer a sua vontade. Sua graça está sempre presente para nos
admoestar, reprimir, animar e sustentar.

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Contudo, não haverá um sentido em que a salvação dependa do homem? As Escrituras
ensinam constantemente que o homem tem o poder de escolher livremente entre a vida
e a morte, e Deus nunca violará esse poder.
2) Pode-se resistir à graça de Deus? Um dos princípios fundamentais do Calvinismo é
que a graça de Deus e irresistível.
✓ Quando Deus decreta a salvação de uma pessoa, seu Espírito atrai, e essa atração
não pode ser resistida. Portanto, um verdadeiro filho de Deus certamente
perseverará até ao fim e será salvo; ainda que caia em pecado, Deus o castigará e
pelejará com ele. Ilustrando a teoria calvinista diríamos: é como se alguém
estivesse a bordo dum navio, e levasse um tombo; contudo está a bordo ainda;
não caiu ao mar.
Mas o Novo Testamento ensina, sim, que é possível resistir à graça divina e resistir para a
perdição eterna (João 6:40; Hb. 6:46; 10:26-30; 2 Pe. 2:21; Hb. 2:3; 2 Pe. 1:10), e que a
perseverança é condicional dependendo de manter-se em contato com Deus.
✓ Note-se especialmente Hb. 6:4-6 e 10:26-29. Essas palavras foram dirigidas a
cristãos; as epístolas de Paulo não foram dirigidas aos não-regenerados. Aqueles
aos quais foram dirigidas são descritos como havendo sido uma vez iluminados,
havendo provado o dom celestial, participantes do Espírito Santo, havendo
provado a boa Palavra de Deus e as virtudes do século futuro. Essas palavras
certamente descrevem pessoas regeneradas.
Aqueles aos quais foram dirigidas essas palavras eram cristãos hebreus, que,
desanimados e perseguidos (10:32-39), estavam tentados a voltar ao Judaísmo. Antes de
serem novamente recebidos na sinagoga, requeria-se deles que, publicamente, fizessem
as seguintes declarações (10:29): que Jesus não era o Filho de Deus; que seu sangue havia
sido derramado justamente como o dum malfeitor comum; e que seus milagres foram
operados pelo poder do maligno. Tudo isso está implícito em Heb. 10:29. (Que tal repúdio
da fé podia haver sido exigido, é ilustrado pelo caso dum cristão hebreu na Alemanha,
que desejava voltar à sinagoga, mas foi recusado porque desejava conservar algumas
verdades do Novo Testamento.) Antes de sua conversão havia pertencido à nação que
crucificou a Cristo; voltar à sinagoga seria de novo crucificar o Filho de Deus e expô-lo ao
vitupério; seria o terrível pecado da apostasia (Heb. 6:6); seria como o pecado
imperdoável para o qual não há remissão, porque a pessoa que está endurecida a ponto
de cometê-lo não pode ser "renovada para arrependimento"; seria digna dum castigo
mais terrível do que a morte (10:28); e significaria incorrer na vingança do Deus vivo
(10:30, 31).
Não se declara que alguém houvesse ido até esse ponto; de fato, o autor está persuadido
de "coisas melhores" (6:9). Contudo, se o terrível pecado da apostasia da parte de
pessoas salvas não fosse ao menos remotamente possível, todas essas admoestações
careceriam de qualquer fundamento.

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Leia-se 1 Co. 10:1-12. Os coríntios se haviam jactado de sua liberdade cristã e da
possessão dos dons espirituais. Entretanto, muitos estavam vivendo num nível muito
pobre de espiritualidade. Evidentemente eles estavam confiando em sua "posição" e
privilégios no Evangelho. Mas Paulo os adverte de que os privilégios podem perder-se
pelo pecado, e cita os exemplos dos israelitas. Estes foram libertados duma maneira
sobrenatural da terra do Egito, por intermédio de Moisés, e, como resultado, o aceitaram
como seu chefe durante a jornada para a Terra da Promissão. A passagem pelo Mar
Vermelho foi um sinal de sua dedicação à direção de Moisés. Cobrindo-os estava a
nuvem, o símbolo sobrenatural da presença de Deus que os guiava. Depois de salvá-los
do Egito, Deus os sustentou, dando-lhes, de maneira sobrenatural, o que comer e beber.
Tudo isso significava que os israelitas estavam em graça, isto é: no favor e na comunhão
com Deus.
✓ Mas "uma vez em graça sempre em graça" não foi verdade no caso dos israelitas,
pois a rota de sua jornada ficou assinalada com as sepulturas dos que foram
destruídos em conseqüência de suas murmurações, rebelião e idolatria. O pecado
interrompeu sua comunhão com Deus, e, como resultado, caíram da graça. Paulo
declara que esses eventos foram registrados na Bíblia para advertir os cristãos
quanto à possibilidade de perder os mais sublimes privilégios por meio do pecado
deliberado.
4. Equilíbrio escriturístico.
As respectivas posições fundamentais, tanto do Calvinismo como do Arminianismo, são
ensinadas nas Escrituras.
O Calvinismo exalta a graça de Deus como a única fonte de salvação — e assim o faz a
Bíblia;
O Arminianismo acentua a livre vontade e responsabilidade do homem — e assim o faz
a Bíblia.
A solução prática consiste em evitar os extremos antibíblica de um e de outro ponto de
vista, e em evitar colocar uma idéia em aberto antagonismo com a outra. Quando duas
doutrinas bíblicas são colocadas em posição antagônica, uma contra a outra, o resultado
é uma reação que conduz ao erro.
✓ Por exemplo: a ênfase demasiada à soberania e à graça de Deus na salvação pode
conduzir a uma vida descuidada, porque se a pessoa é ensinada a crer que
conduta e atitude nada têm a ver com sua salvação, pode tornar-se negligente.
✓ Por outro lado, ênfase demasiada sobre a livre vontade e responsabilidade do
homem, como reação contra o Calvinismo, pode trazer as pessoas sob o jugo do
legalismo e despojá-las de toda a confiança de sua salvação.
✓ Os dois extremos que devem ser evitados são: a ilegalidade e o legalismo.
Quando Carlos Finney ministrava em uma comunidade onde a graça de Deus havia
recebido excessiva ênfase, ele acentuava muito a responsabilidade do homem. Quando

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dirigia trabalhos em localidades onde a responsabilidade humana e as obras haviam sido
fortemente defendidas, ele acentuava a graça de Deus. Quando deixamos os mistérios da
predestinação e nos damos à obra prática de salvar as almas, não temos dificuldades com
o assunto.
João Wesley era arminiano e George Whitefield calvinista. Entretanto, ambos
conduziram milhares de almas a Cristo.
✓ Pregadores piedosos calvinistas, do tipo de Carlos Spurgeon e Carlos Finney, têm
pregado a perseverança dos santos de tal modo a evitar a negligência. Eles
tiveram muito cuidado de ensinar que o verdadeiro filho de Deus certamente
perseveraria até ao fim, mas acentuaram que se não perseverassem, poriam em
dúvida o fato do seu novo nascimento. Se a pessoa não procurasse andar na
santidade, dizia Calvino, bem faria em duvidar de sua eleição.
É inevitável defrontarmo-nos com mistérios quando nos propomos tratar as poderosas
verdades da presciência de Deus e a livre vontade do homem; mas se guardamos as
exortações práticas das Escrituras, e nos dedicamos a cumprir os deveres específicos que
se nos ordenam, não erraremos. "As coisas encobertas são para o Senhor Deus, porém as
reveladas são para nós" (Dt. 29:29).
✓ Para concluir, podemos sugerir que não é prudente insistir falando indevidamente
dos perigos da vida cristã.
Maior ênfase deve ser dada aos meios de segurança — o poder de Cristo como Salvador;
a fidelidade do Espírito Santo que habita em nós, a certeza das divinas promessas, e a
eficácia infalível da oração.
O Novo Testamento ensina uma verdadeira "segurança eterna", assegurando-nos que, a
despeito da debilidade, das imperfeições, obstáculos ou dificuldades exteriores, o cristão
pode estar seguro e ser vencedor em Cristo. Ele pode dizer como apóstolo Paulo: "Quem
nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição ou a fome,
ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues
à morte todo o dia; fomos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas
estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou
certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as
potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem
alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus
nosso Senhor" (Rm. 8:35-39).
BIBLIOGRAFIA:

Grudem weyne – Teologia Sistemática Atual e Exaustiva – Ed. Vida Nova

Geisler, Norman – Teologia Sistemática Introdução á Teologia – CPAD

Finney, Charles – Teologia Sistemática – CPAD

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KADIMA – SEMINÁRIO TEOLÓGICO
Berkof, Louis – Teologia Sistemática.

Compilação: Nogueira, Sued – Pastor Evangélico – Bacharel em Teologia – Graduada em


Liderança Avançada, e Gestão de mudanças e realinhamento de Equipes pelo Institute
Haggay do Brasil.

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