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Processo de Comissionamento em Instalações Industriais

Professor: Alexandre Guimarães

Capítulo 1 - APRESENTAÇÃO

Você está iniciando o curso sobre Comissionamento em Instalações Industriais On e


Offshore oferecido pela FUNCEFET.
O termo “Comissionamento” pode despertar em você lembranças de longas
experiências de trabalho ou ser apenas um nome meio misterioso. Não se preocupe.
Se você é um veterano desta área, fique certo de que o curso trará conhecimentos
novos e poderá até mesmo surpreendê-lo; se está sendo apresentado ao
comissionamento agora, este nome estranho irá adquirir um significado e perder o
mistério. Mas para isso, sua participação é indispensável. Não deixe de perguntar e de
contribuir com sua vivência, pois a troca de conhecimentos entre os presentes é
importante para a consolidação dos conceitos que serão apresentados.
Ao final do curso teremos esclarecido o papel desta disciplina em um empreendimento
e apresentado uma metodologia para sua aplicação, desenvolvida por vários
especialistas da Petrobras e adotada como procedimento padronizado pela
Engenharia da empresa. A amplitude do tema e a limitação de tempo impedirão que os
tópicos abordados sejam todos discutidos no nível de detalhe que você provavelmente
gostaria, mas os demais módulos do programa existem para suprir essa demanda.

ORGANIZAÇÃO

Com o crescente volume de novos investimentos no segmento de Oil&Gas, a falta de


mão-de-obra qualificada têm sido uma das principais dificuldades na implantação e
desenvolvimento de novos projetos. Especialmente na área de Engenharia Industrial,
apresenta-se uma carência de engenheiros e técnicos qualificados que atendam ao
perfil multidisciplinar necessário para atuação neste segmento, tornando-se desta
forma indispensável à busca por uma especialização profissional.
Este curso sobre o Processo de Comissionamento tem como objetivo atender a esta
demanda por qualificação de novos profissionais, que pretende proporcionar ao
participante o conhecimento multidisciplinar necessário dos conceitos e técnicas
aplicadas ao Planejamento e Gerenciamento de Comissionamento e Partida de
Plantas Industriais, apresentando a metodologia do processo e as ferramentas
utilizadas para a execução das atividades de Comissionamento, considerando os
aspectos gerenciais, técnicos e de segurança de processo, de forma clara e objetiva
permitindo ao aluno o domínio do conhecimento teórico e das melhoras práticas
aplicadas a projetos industriais.
O método de condução das atividades em sala será conduzir um processo de
conscientização dos participantes sobre a importância do comissionamento para o
sucesso do empreendimento, apresentando os conceitos básicos do
comissionamento, necessários para o gerenciamento dessa área de conhecimento e
os elementos básicos para o planejamento, a coordenação e o controle do processo.
EMENTA
1. Introdução ao Comissionamento
a. Conceitos do Processo
b. Principais Definições

2. Metodologia de Comissionamento
c. Etapas do Processo
d. Condições de Operabilidade
e. Gestão de Pendências

3. Engenharia, Planejamento e Controle do Processo


f. Manual do Comissionamento
g. Divisão de Sistemas e Sub-Sistemas Operacionais
h. Rede de Precedência
i. EAP do Processo de Comissionamento
j. Cronogramas Master do Processo e de Atividades

4. Organização e Documentação do Processo


k. Estrutura Organizacional e Perfil Profissional
l. FVI – Folha de Verificação de Itens
m. FVM – Folha de Verificação de Malhas
n. Pastas de Trabalho
o. Pastas de Sistemas
5. Preservação de Equipamentos
p. Programação e Controle das Atividades
q. Medição dos Serviços de Preservação

6. Condicionamento
r. TAF – Teste de Aceitação de Fábrica
s. Inspeção de Recebimento
t. Inspeção de Completação Mecânica
u. Testes de Certificação
v. CCM – Certificação de Completação Mecânica de Sub-Sistemas

7. Pré-Operação & Partida


w. Testes de Funcionamento
x. TAP – Testes de Aceitação de Performance
y. Testes de Confiabilidade, Teste de Desempenho da Instalação.

8. Transferência de Sistemas Operacionais


z. TTAS – Termo de Transferência e Aceitação de Sistema – Provisório e Definitivo
{. Operação Assistida
|. TTI – Termo de Transferência de Instalação

9. Ferramentas de Gestão
.
CONTEXTO DO COMISSIONAMENTO

Em um fim de tarde qualquer do século XVII, três homens conversam à beira do cais
de um porto europeu. O comandante de um navio que deverá zarpar no dia seguinte
para uma viagem ao Oriente acerta os últimos detalhes com o armador e o mestre dos
carpinteiros navais. Ele passará vários meses no mar, e uma de suas poucas certezas
é que este será um tempo difícil em que terá de enfrentar situações imprevisíveis, que
exigirão o máximo dele, de sua tripulação e de seu equipamento. Em caso de
problemas provavelmente não terá como receber ajuda e deverá contar apenas com
seus próprios recursos. Por isso, o comandante se preocupa com todos os detalhes.
Quer saber se o mestre verificou o navio por completo – o cabrestante está
engraxado? As velas de reserva estão no paiol? Os cabos de controle do leme foram
testados? Cobra do armador os alimentos, os remédios, as vestimentas, e não se
esquece das cartas de navegação, manuais náuticos, etc. Seus dois interlocutores
são, em última análise, os fiadores do sucesso da viagem, pois uma bomba de porão
que não funcione durante a tempestade pode significar a diferença entre a vida e a
morte. Não por acaso, ambos são muito experientes e conceituados em seus ofícios, e
possuem grande conhecimento das realidades e necessidades desse tipo de
empreendimento. Não por acaso, também, a relação entre esses três homens é
marcada por uma grande confiança mútua. Só assim os enormes riscos de tal viagem
são trazidos a níveis menos insuportáveis e os banqueiros de Antuérpia e da Liga
Hanseática aceitam financiá-la.
Se tudo estiver a contento o comandante dirá, em seu jargão naval, que o navio está
“comissionado”, ou seja, preparado para cumprir sua missão.
Em um final de tarde qualquer do século XXI, três homens conversam à beira do cais
de um porto europeu. O diretor de uma usina termelétrica que deverá entrar em
operação comercial no mês seguinte para alimentar todo o complexo portuário discute
com um dos sócios da empresa e com o gerente da construtora responsável pela
implantação da usina. Ele aceitou assumir o cargo por pelo menos três anos, e uma de
suas poucas certezas é que este será um tempo difícil em que terá de enfrentar
situações imprevisíveis, que exigirão o máximo dele, de sua equipe e de seu
equipamento. Em caso de problemas, provavelmente não haverá tempo de esperar
por ajuda e terá de resolvê-los com seus próprios recursos. Por isso, o diretor está
profundamente preocupado. Quer saber se a construtora atendeu a todos os requisitos
técnicos, pois até agora não recebeu evidências de que isso seja verdade. Cobra do
sócio da empresa as licenças, contratos de apoio operacional e outros recursos
prometidos e ainda não materializados. Seus dois interlocutores são, em última
análise, os fiadores do sucesso da operação da usina, pois um simples sensor
defeituoso pode causar graves danos aos grupos geradores e até acidentes fatais.
Deveriam ser ambos muito experientes e conceituados em seus ofícios e deveriam
possuir grande conhecimento das realidades e necessidades deste tipo de
empreendimento. A relação entre os três homens deveria, também, ser marcada por
uma grande confiança mútua. Estas são condições básicas para que os riscos do
empreendimento sejam adequadamente administrados e os acionistas tenham uma
razoável certeza de que seu investimento dará o retorno previsto.
Mas não é o que acontece. Há controvérsias, desinformação, incerteza técnica,
desconfiança e acusações. A usina tem que partir, pois o cronograma já está atrasado,
mas as condições operacionais ainda são precárias. Por trás dos discursos, as
equipes de campo sabem que estão recebendo uma instalação industrial semi-
acabada, insegura, que ainda exigirá muito esforço e tempo para ser colocada em
ordem de marcha. A curva de subida em produção prevista não será respeitada, os
custos de operação & manutenção descolam do planejado, e é melhor nem pensar no
que vai acontecer com o fluxo de caixa e a taxa de retorno.

O que mudou? Por que o comandante do século XVII, apesar de todas as limitações
da época, estava comparativamente em melhores condições para iniciar sua missão
do que o diretor do século XXI com seu aparato tecnológico? A resposta é complexa e
transcende o escopo deste artigo, mas um de seus componentes pode ser identificado
nos cenários acima e será brevemente comentado aqui: o Comissionamento.

Bibliografia recomendada

BENDIKSEN, T. e YOUNG, G. – Commissioning of Offshore Oil and Gas Projects –


USA, AuthorHouse, 2005

CONSTRUCTION BUILDING INSTITUTE – Planning for Start-Up – USA, Texas


University, 1998

HORSLEY, D. – Process Plant Commissioning – UK, Institution of Chemical


Engineers, 1998

HARTER, K. – Power System Commissioning and Maintenance Practice – USA,


Institute of Electrical Engineers, 1998

PETROBRAS/ENGENHARIA/AG-PIE – Manual de Gestão da Engenharia (MAGES),


Volume II, Capítulo 15 (Comissionamento e Transferência de Instalações), Rio de
Janeiro, AG-COM, 2011

U.S.ARMY – TBM5-697 Commissioning of Mechanical Systems for C4ISR Facilities –


USA, Department of the Army, 2006

U.S. GENERAL SERVICES ADMINISTRATION / PUBLIC BUILDING SERVICE – The


Building Commissioning Guide – USA, GSA, 2005
WILKINSON, R.- Cx Then and Now – Apresentação feita no NE Chapter da Building
Commissioning Association, Nevada, USA, 2005
Capítulo 2 – INTRODUÇÃO AO PROCESSO DE COMISSIONAMENTO
PROCESSO DE COMISSIONAMENTO E TRANSFERÊNCIA DE
INSTALAÇÕES

O processo de comissionamento é um conjunto estruturado de conhecimentos,


práticas, procedimentos e habilidades aplicáveis a um produto de engenharia (ativo)
visando torná-lo operacional dentro dos requisitos de desempenho especificados
O objetivo central do processo de comissionamento é assegurar a transferência de um
ativo (instalação industrial, edificação, etc.) do responsável pela sua implantação para
o usuário final de forma rápida, ordenada e segura, certificando sua operabilidade em
termos de desempenho, confiabilidade e conformidade normativa.

ORIGEM DO TERMO
Em suas origens, o termo latino committere significava “confiar”, e por extensão
“atribuir cargo ou missão de confiança”. Passou para o idioma anglo-saxão como
“commissioning” e de longa data adquiriu a conotação, no meio marinheiro, de
“entregar um navio ao serviço ativo”, indicando claramente o componente de confiança
embutido neste ato. À medida que a tecnologia naval avançava, a entrega dos navios
foi ganhando características de uma atividade específica, conhecida como Provas de
Cais e Mar. Hoje, embarcações de alto conteúdo tecnológico como, por exemplo,
navios de combate exigem planejamento elaborado, tempo considerável e muitos
profissionais altamente qualificados para vencer essa etapa e para que seus
comandantes possam considerá-los “prontos para cumprir sua missão”.

Esta evolução por muito tempo não teve correspondente claro em terra firme. A
situação começou a mudar apenas a partir dos grandes programas de engenharia
posteriores à Segunda Guerra Mundial, que exigiram novos padrões de segurança e
de confiabilidade para equipamentos complexos que deveriam operar corretamente na
primeira vez em que fossem acionados. Essa necessidade levou, por um lado, ao
desenvolvimento dos conceitos da Garantia da Qualidade hoje indispensáveis; por
outro, induziu à adaptação das práticas do comissionamento naval para as
implantações de ativos industriais e a fabricação de equipamentos sofisticados como
aviões e satélites.
A transposição dessa metodologia não se fez, porém, de forma rápida ou inconteste. O
assunto manteve-se restrito a setores de ponta, e somente a partir do final da década
de 1980 surgem às primeiras iniciativas de normalização (ASHRAE Standard 1-1989R
e normas NORSOK). A literatura especializada aparece no final dos anos 1990
(mantendo-se até hoje bastante reduzida) e a partir do ano 2000 tem-se notícia da
primeira legislação contemplando o uso de técnicas de comissionamento (programa
GBC / LEED para a construção civil, nos Estados Unidos). Essa evolução, mesmo que
significativa, está longe, porém, de significar consolidação conceitual ou disseminação
ampla no mercado. Não existe ainda um padrão metodológico aceito pela maioria da
indústria, e a aplicação prática do comissionamento, na grande maioria dos casos,
deixa muito a desejar. Nesse sentido, e respeitadas às proporções, pode-se
estabelecer um paralelo entre o comissionamento, a Qualidade e a Gestão de
Projetos. Há cerca de trinta anos atrás, as duas últimas já tinham sua importância
reconhecida, havia normas ou boas práticas em uso, mas ainda não existiam padrões
que nivelassem o conhecimento e estabelecessem uma base comum para a sua
aplicação. A família de normas ISO 9000 e os guias metodológicos publicados por
entidades como o PMI, o IPMA e o OGC atingiram esse objetivo em ambas as áreas
de conhecimento. O comissionamento carece ainda de algo semelhante, embora
esforços estejam sendo feitos nesse sentido e existam inclusive estudos visando
torná-lo uma atividade passível de certificação por órgãos credenciados (Sociedades
Classificadoras, por exemplo).

ABORDAGEM
O comissionamento, como já exposto, pode ser definido como um conjunto
estruturado de conhecimentos, práticas, procedimentos e habilidades, aplicável a
produtos complexos de engenharia com o objetivo de assegurar sua operabilidade e
garantir sua transferência ordenada e segura do construtor para o operador (ou da
fase de construção e montagem para a fase de operação estável). O comissionamento
representa hoje, claramente, uma transição de velhas práticas de implantação de
ativos físicos em direção a novos conceitos que enfatizam a operação comercial bem
sucedida, e não apenas a obra encerrada, como o verdadeiro fator crítico de sucesso
de um empreendimento. O valor agregado pelo comissionamento a um
empreendimento já foi bem identificado por vários estudiosos do assunto, assim como
os ganhos econômicos proporcionados por sua aplicação correta, conforme pode ser
constatado pela leitura das referências sugeridas nesta apostila.
Porque, então, o comissionamento ainda é relativamente mal conhecido e mal
aplicado? Para entender isso, cabe traçar um perfil da situação típica da implantação
de um ativo físico, tal como ainda ocorre em boa parte dos empreendimentos. Verifica-
se nesses casos um fenômeno que se resume em um ditado bem conhecido no
mundo da engenharia: “Uma obra não se termina, abandona-se.” Essa percepção
cínica, porém verdadeira, expressa a realidade de um projeto mal planejado e mal
gerenciado onde, após vários prazos e orçamentos estourados, chega o momento em
que é mais barato “deixar como está” e passar o problema à frente para os futuros
operadores / usuários do que concluir o escopo do empreendimento.
Declarar um ativo pronto nessas condições é uma falsa solução, acarretando uma
transferência de responsabilidades e custos para o operador / usuário, mascarando
com isso os verdadeiros custos e prazos e comprometendo o sucesso do
empreendimento. A observação mostra que em projetos conduzidos dessa maneira, o
comissionamento é efetuado segundo um roteiro relativamente padrão:

* Início tardio e pouco planejado;


* Entendido apenas como um conjunto de testes pré-operacionais, o comissionamento
se torna um processo isolado do restante do empreendimento
* Subordinação às prioridades da Construção & Montagem (C&M);
* Uso frequente de conhecimento não-estruturado;
* Falta de integração com a operação subseqüente.

A equipe de comissionamento se vê, assim, diante de um contexto bastante


desfavorável no qual é cobrada pela solução de todos os problemas que aparecem
durante os testes (muito embora a grande maioria desses problemas não seja sua
responsabilidade e as soluções estejam fora de seu alcance), é pressionada para
atender a prazos irreais e descumprir procedimentos na tentativa de recuperar atrasos
que não provocou, e recebe toda a descarga de insatisfação do cliente e dos
operadores apenas porque é a última a permanecer no ativo.
Sua capacidade de alterar a situação do ativo nesse estágio é pequena, sua
participação nas etapas anteriores do projeto (onde esta influência poderia ter sido
mais produtiva) é reduzida quando não inexistente, o valor financeiro atribuído ao seu
trabalho não estimula maiores atenções por parte dos responsáveis do projeto, e o
comissionamento fica assim relegado a um papel secundário, muito diverso daquele
que tinha em suas origens.
Seria então o caso de afirmar que um bom comissionamento é a resposta para todos
os males que afligem os projetos industriais? Evidentemente, não! Porém há
evidências que indicam o comissionamento como uma das técnicas mais eficazes
para assegurar uma transição suave entre as fases de Construção & Montagem
(C&M) e de Operação de um ativo, mitigando riscos e proporcionando uma entrada em
serviço rápida e segura. De fato, o comissionamento tem sido interpretado por vários
especialistas como uma grande ação de garantia da qualidade.
Para entender essa capacidade do comissionamento, deve-se voltar ao início e
lembrar as bases desta atividade: competência, experiência e confiança. Esperava-se
que os responsáveis pela sua realização possuíssem:

* Conhecimento, habilidades e atitude de alto nível em suas áreas de atividade (em


outras palavras, deviam ser líderes por competência);

* Visão abrangente das necessidades e do funcionamento do empreendimento (visão


de negócio);

* Credibilidade advinda da competência, da experiência e do comportamento


(autoridade moral).

Essas qualidades angariavam para esses profissionais o respeito das equipes e dos
principais interessados e, associadas às posições que ocupavam na hierarquia,
asseguravam-lhes autonomia para exercer suas funções sem interferências, além de
uma visão de conjunto que era indispensável para que pudessem ter sucesso em sua
atividade. Este quadro contrasta com a situação comumente encontrada nos dias de
hoje, e aponta um primeiro caminho para que o comissionamento possa aumentar sua
contribuição aos projetos atuais:

* Nível de qualificação dos profissionais responsáveis por essa atividade;


* Posicionamento adequado da atividade e de seus responsáveis na organização do
empreendimento.

O primeiro quesito pode ser atendido através da seleção de profissionais que possuam
as características citadas acima. Claro está que profissionais com este perfil são
seniores, não se encontram pelas esquinas, e custam relativamente caro. Por outro
lado, não é preciso um grande número deles; uma equipe de gestão de
comissionamento normalmente não terá mais do que cinco ou seis pessoas desse
nível. O que deve ser entendido pelos responsáveis do empreendimento é que o custo
/ benefício desta equipe é amplamente favorável, e não tê-la é sinônimo de problemas
na fase crítica de transferência do ativo para o cliente / operador.
A posição do comissionamento na organização do projeto não é ponto pacífico,
gerando polêmicas entre clientes, construtores e comissionadores. Essa polêmica é
alimentada por dois pontos mal compreendidos: o método de trabalho do
comissionamento e as relações que se formam no ambiente do projeto entre
construtores, comissionadores e cliente. Sem entrar em detalhes, cabe notar que o
método de trabalho do comissionamento difere conceitualmente do método da C&M, e
que a ação do comissionamento coloca-o amiúde em desacordo com o construtor e
alinhado com os interesses do cliente. Essas constatações sugerem que a
subordinação usual do comissionamento à C&M merece reavaliação, de modo a não
apenas eliminar as causas de conflito observadas como também devolver ao
comissionamento a capacidade de integração que representa uma das maiores
contribuições que esta disciplina pode oferecer a um empreendimento.
Ter responsáveis com qualificação sênior, dotados de prestígio e qualidades de
liderança, posicionados na organização de modo a poder atuar com autoridade e
autonomia, é, portanto o primeiro passo para que o comissionamento possa produzir
resultados significativos. Mas não basta. São precisos metodologia, procedimentos e
infraestrutura. Para avançar neste terreno, é conveniente retornar à questão do
método de trabalho apontada acima. Este método pode ser definido por três
elementos, a saber:

* Visão Operacional – o ativo existe para efetuar operações de forma estável e


confiável, dentro de requisitos de desempenho especificados;
* Abordagem por Sistemas Operacionais – o ativo é composto por sistemas
operacionais interligados de forma lógica e que desempenham etapas delimitadas de
um processo e/ ou função conhecido;
* Execução Progressiva Ascendente – as ações de campo são executadas seguindo
uma seqüência que se inicia nos componentes isoladamente até a instalação como
um todo, e cada passo desta seqüência só pode ser realizado se as ações
precedentes tiverem sido efetuadas com sucesso.

Este método pode ser desdobrado em metodologias diversas, ajustadas à natureza


variada dos empreendimentos. Todas, no entanto, devem partilhar algumas
características comuns, tais como:
* Ter como objetivo assegurar a operabilidade do ativo
* Ênfase em planejamento
* Início de aplicação pelo menos na fase de projeto executivo do empreendimento
* Emprego de técnicas de garantia da qualidade
* Integração (não subordinação) com a C&M
* Estímulo à participação do cliente / operador
* Transferência gradual do ativo do construtor para o operador

O primeiro tópico traz um conceito aparentemente novo, mas que se alinha com a
noção de que o ativo é um instrumento a serviço de um negócio, e que o fator de
sucesso é o negócio bem sucedido. Assegurar a operabilidade significa fazer com que
o ativo não apenas funcione no sentido “eletro-mecânico” do termo, mas que seja
transferido ao cliente com todas as condições necessárias à sua operação normal
atendidas. Treinamento, sobressalentes, contratos de apoio, licenças, etc. fazem parte
da operabilidade de um ativo.
O planejamento é a essência do comissionamento. Muitas das atividades de campo
típicas desta área podem ser executadas por equipes de C&M ou mesmo de
Operação & Manutenção (O&M), mas o planejamento da entrada em serviço de um
ativo é algo que deve ser feito por profissionais especializados. É um grande equívoco
achar que este planejamento cobre apenas a fase final da C&M, por um período curto
de tempo. Ao contrário, para que a fase de entrada em operação de um ativo seja bem
sucedida é necessário iniciar sua preparação muito antes, ainda na fase de Projeto
Executivo ou mesmo antes. É neste ponto que as informações de engenharia
começam a ser estruturadas de modo a atender não apenas às necessidades de
Suprimentos e C&M, mas também às de entrada em operação do ativo. O
planejamento deve ser consolidado em um Plano ou Manual, elaborado o mais cedo
possível, e que defina como o comissionamento será organizado, coordenado,
executado e controlado. A partir daí o planejamento evolui junto com o
empreendimento, chegando ao nível de programação (folha tarefa) no campo.
Em paralelo com o planejamento ocorre o desenvolvimento da documentação de
apoio, atividade chamada por alguns de “Engenharia de comissionamento”. Trata-se
da elaboração de um conjunto de documentos definidores do universo de aplicação do
comissionamento no empreendimento, da definição das lógicas de processo e de
partida do ativo, dos procedimentos de execução das atividades de campo, dos
registros dessas atividades e de certificação dos resultados. Em especial, destacam-
se pela sua importância a Lista de Sistemas Operacionais, a Rede de Precedência de
Partida, os Certificados de Completação Mecânica e os de Termos de Transferência e
Aceitação. A Lista define como um ativo terá seu processo dividido logicamente e
quais os elementos que irão compor a seqüência de partida do mesmo; a Rede
estabelece esta seqüência; os Certificados indicam que os sistemas ou subsistemas
operacionais encontram-se aptos a iniciar seus testes funcionais; os Termos,
finalmente, marcam o final desses testes e indicam que os sistemas estão prontos
para operação normal. Esses documentos podem ter diversos títulos, mas seu
conceito permanece o mesmo em qualquer metodologia de comissionamento.
A gestão do comissionamento deve ser feita segundo o princípio da garantia da
qualidade que estabelece a relação procedimento aprovado / ação executada /
resultado certificado / registro efetuado. Outro princípio a ser respeitado é o da
rastreabilidade das informações.
O histórico das ações efetuadas sobre cada item comissionável, subsistema e sistema
deve ser preservado e colocado à disposição do cliente / operador em formatos que
permitam a recuperação e uso das informações, especialmente pelas equipes de
manutenção. Nesse particular, deve ser ressaltado que as informações produzidas
pelas ações de comissionamento são entradas para os sistemas de gestão de
manutenção dos ativos e devem ser organizadas / formatadas com essa finalidade em
vista. Ainda sob o ângulo da qualidade, note-se que não se aplica ao comissionamento
o critério de amostragem. Se um determinado tipo de item comissionável (classe de
itens) deve ser submetido a um dado teste, então todos os itens daquela classe serão
testados. A aplicação destes conceitos com rigor é um dos elementos básicos para dar
ao comissionamento a componente de confiança que é a sua essência.
Outro elemento básico para estabelecer a relação de confiança essencial é a
participação do cliente / operador. As metodologias de comissionamento atuais
preconizam que o cliente / operador acompanhe o planejamento desde o início, com
oportunidade para opinar sobre aspectos que afetarão a rotina futura de O&M como,
por exemplo, a organização do ativo em sistemas e subsistemas operacionais.
Durante a fase de testes funcionais o acompanhamento transforma-se em participação
ativa, pois o ideal é que os operadores realizem os testes de desempenho (mantida a
responsabilidade dos trabalhos com o construtor). Esse procedimento atende a dois
objetivos: corresponde à parte prática do treinamento dos operadores e promove o
comprometimento destes com os resultados do trabalho. As observações mostram que
dessa forma os atritos entre construtor e cliente / operador diminuem drasticamente e
as condições de operabilidade são mais facilmente atingidas. No entanto, as
observações mostram também que esse resultado exige quase sempre um esforço de
comunicação e negociação por parte dos responsáveis do comissionamento, no
sentido de vencer resistências e pré-conceitos de ambos os lados.
A participação dos operadores também é indispensável para permitir a aplicação do
princípio da transferência gradual do ativo. Esse princípio estabelece que o cliente /
operador aceite e assuma a responsabilidade por cada sistema operacional à medida
que os respectivos testes de aceitação de desempenho / confiabilidade sejam
executados com sucesso e as demais condições de operabilidade correspondentes
estejam atendidas. Dessa forma a transferência se distribui ao longo de um intervalo
de tempo, tornando-se mais gerenciável para ambas as partes.
Finalmente, cabe esclarecer um ponto básico que foi propositalmente deixado paro o
final: a Operabilidade. Em termos sucintos, este conceito pode ser descrito como a
capacidade de um ativo de atender a seus requisitos de desempenho especificados
enquanto operando de forma estável e confiável.
A operabilidade de um ativo é comprovada através do atendimento às seguintes
condições:
1. Todos os sistemas operacionais do ativo estão transferidos para o operador, livres
de pendências;
2. O controle das energias utilizadas no ativo está inteiramente transferido para o
operador;
3. As equipes de operação e de manutenção receberam todo o treinamento
necessário para guarnecer o ativo;
4. A documentação necessária à operação & manutenção do ativo está atualizada e
disponível para os usuários;
5. As dotações previstas de sobressalentes, ferramentas e consumíveis de processo
estão aprovisionadas;
6. O ativo está conforme a todas as normas e regulamentos aplicáveis;
7. As interfaces externas do ativo, necessárias ao seu funcionamento, estão
operacionais;
8. O ativo dispõe de todas as licenças e contratos necessários ao seu funcionamento;
9. Os dispositivos e instalações temporárias de obra foram retirados, a área ocupada
está reconstituída e não há mais empreiteiras no perímetro do ativo;
10. O sistema de gestão de manutenção do ativo está operacional.
As responsabilidades pelo atendimento das condições de operabilidade listadas para
um empreendimento devem estar esclarecidas em contrato de forma clara antes do
início das atividades, detalhando-as quando necessário em sub-tarefas.
A certificação das condições de operabilidade atribuídas ao projeto corresponde ao fim
do escopo técnico do projeto, e conseqüentemente do processo de comissionamento,
e permite a transferência do ativo (conhecida como Transferência das Instalações) ao
operador.
O processo de comissionamento opera na interface entre a operação de um
empreendimento, responsável por sua implantação, e os agentes executores do
mesmo, conforme representado pelo esquema abaixo, possuindo um caráter
integrador e agregando a visão operacional à gestão do empreendimento.
Figura 1
Processo de Comissionamento de um Empreendimento com foco na Operabilidade da
Instalação
Os responsáveis pela gestão e execução do processo de Comissionamento e
Transferência de Instalações, devem estar definidos dentro dos limites contratuais
entre as partes, e o escopo dos serviços necessários à realização do processo deve
ser distribuído entre a equipe do projeto, as contratadas e o operador de acordo com a
estratégia de implantação definida para o empreendimento.
O comandante do navio do século XVII teria dificuldades para entender os termos
modernos da lista acima, mas certamente concordaria com seu significado. Ela define
os mesmos objetivos que ele perseguia quando se preparava para a longa viagem.
Hoje, como ontem, estes são os objetivos a atingir na implantação de um
empreendimento, pois são os que asseguram aos que recebem a missão de operá-los
que poderão fazê-lo em segurança e com eficácia. O gerente de projeto e o construtor
são os fiadores modernos do sucesso, e o comissionamento é um instrumento
poderoso de que podem dispor para oferecer ao cliente a operabilidade desejada. Sua
aplicação correta em um empreendimento não irá garantir o sucesso do negócio, mas
dará uma grande contribuição neste sentido.

INÍCIO DO PROCESSO

O Front End Loading ou simplesmente FEL é um processo muito utilizado em projetos


de mega empreendimentos, tecnicamente denominados de projetos de capital. Estes
projetos requerem grandes investimentos e os processos FEL são utilizados com o
objetivo de minimizar os riscos de investimentos em projetos não viáveis e sem
atratividade para a organização. Normalmente o FEL é utilizado no setor industrial
como, por exemplo, mineração, energia e petroquímica onde os projetos são de alta
complexidade e de altos custos.
FEL é um processo que visa esclarecer os objetivos empresariais e potencializar o
alinhamento estratégico entre as iniciativas (empreendimento, objeto ou trabalho a ser
desenvolvido) e estes objetivos, visando otimizar a produtividade através da
eliminação de investimentos em projetos não rentáveis e desalinhados com a
estratégia do negócio. O FEL ajuda a definir bem o escopo e gerar um planejamento
detalhado que garanta o mínimo de retrabalho e mudanças durante a fase de
execução dos componentes (projetos, programas e outros trabalhos) do portfólio ou
carteira de projetos da organização.

Figura 2
Ciclo de vida do empreendimento segundo a
Metodologia FEL – Front End Loading
O FEL é dividido em três fases com pontos de análise e aprovação, chamados de
gates, entre estas fases. Estas fases são:
* FEL I – corresponde à fase de análise do negócio, cujo objetivo é avaliar a
atratividade e oportunidade de investimento. Nesta fase os objetivos do projeto são
alinhados aos objetivos estratégicos da organização.
* FEL II – corresponde à fase de estudo de viabilidade técnica e econômica. Esta fase
é responsável em selecionar as alternativas (opções para desenvolver as iniciativas),
estratégia de contratação e seleção tecnológica.
* FEL III – corresponde à fase de engenharia básica (primeira fase da implantação de
um projeto onde são revistos os trabalhos de engenharia preliminar que consiste em
estudos de viabilidade, lista de equipamentos, fluxogramas e layouts) e visa o
desenvolvimento do projeto básico e do planejamento da execução do projeto. Nesta
fase, o escopo é fechado através do detalhamento do produto.
* FEL IV – implantação do projeto
* FEL V – operação
Segundo a metodologia FEL, o processo de comissionamento se inicia na Fase III
(projeto básico do empreendimento) e se estende até o final da Fase IV (implantação),
sendo o esforço principal realizado nesta última fase, conforme mostrado na figura a
seguir.

Figura 3
Posicionamento do comissionamento e transferência de instalações em um
empreendimento
Durante a Fase III o comissionamento atua de forma complementar, gerando pelo
menos os seguintes resultados:
* Identificação e definição preliminar dos sistemas operacionais;
* Definição preliminar da seqüência de partida do ativo;
* Análise do projeto básico com vistas à operabilidade do ativo;
* Definição da estratégia de contratação e execução do comissionamento na Fase IV
Na Fase IV o comissionamento exerce papel integrador no empreendimento, atuando
nas seguintes frentes:
* Apoio ao projeto executivo para assegurar a funcionalidade e a mantenabilidade do
ativo;
* Apoio aos suprimentos para assegurar que a aquisição de materiais e serviços
contemple os aspectos necessários de comissionamento;
* Apoio à gestão para assegurar que o planejamento incorpore todas as informações
relativas às atividades de comissionamento, em especial as de pré-operação e partida
do ativo;
* Apoio à construção & montagem para assegurar a integração entre as atividades
desta área e as do comissionamento;
* Apoio ao operador para assegurar que as condições de operabilidade sob
responsabilidade dele sejam atendidas, e que os subsídios necessários ao
comissionamento, em especial à pré-operação & partida, sejam colocados à
disposição conforme planejado;
* Apoio às empresas contratadas para assegurar que suas responsabilidades em
relação ao comissionamento sejam entendidas e cumpridas.
As principais atividades de comissionamento na Fase IV são:
* Contratação:
* Definição da estratégia de contratação do comissionamento
* Gerenciais:
* Planejamento e Gestão
* Documentação
* Campo:
* Preservação
* Condicionamento
* Pré-Operação & Partida
* Gestão de Pendências
* Operação Assistida
Estas atividades e seu encadeamento são mostrados na figura abaixo.

Figura 4
As atividades de comissionamento na Fase IV
Nota-se, de início, a duração preconizada para o processo de comissionamento. Ele
se inicia durante a fase de desenvolvimento do projeto de Engenharia (Executivo ou
Básico) e se estende até a completa entrega do ativo, bem após o encerramento da
C&M. É o processo mais longo do empreendimento, embora isso não signifique que
seja o mais caro ou o maior consumidor de recursos. Essa duração corresponde à
conveniência de inserir no empreendimento, o mais cedo possível, os conceitos, o
planejamento e as informações que servirão para atingir a meta da Operabilidade e,
no outro extremo, de assegurar essa mesma Operabilidade.
O Comissionamento verifica e registra o funcionamento e o desempenho de
componentes (itens), equipamentos e sistemas, identificando e solucionando as
pendências, não conformidades, defeitos e falhas, quando existirem, desde a fase de
projeto até a transferência das instalações ao operador.
A transferência de instalações do construtor para o operador deve ser ordenada e
segura, assegurando a confiabilidade operacional e a rastreabilidade das
informações.
O eixo principal do processo é composto pelas atividades de Condicionamento,
Preservação e de Pré-Operação & Partida, que conduzem à operação do ativo. Este
eixo é balizado por quatro documentos: Relatórios de Inspeção de Recebimento (RIR),
Certificados de Completação Mecânica (CCM), Teste de Aceitação de Performance
(TAP) e Termos de Transferência e Aceitação de Sistemas (TTAS), os quais marcam
os limites de início e fim de cada atividade.
A Transferência de Instalações se conclui com a emissão do Termo de Transferência
de Instalações (TTI).
Uma ação que precede o efetivo início do processo de comissionamento é a definição
do seu modo de execução. Dependendo da estratégia adotada para o
empreendimento, este processo poderá ser assumido, em todo ou em parte, pela
própria equipe do empreendimento ou contratado de diferentes formas e em diferentes
momentos. Como diretrizes, cabe ressaltar a conveniência de contratar a empresa
responsável pelo comissionamento o mais cedo possível, as prováveis dificuldades
advindas da subordinação do comissionador ao construtor / montador e a função de
assessoria que esta empresa pode assumir junto à equipe do empreendimento nos
aspectos relativos à qualidade do produto (ativo físico). Como apoio à contratação dos
serviços de comissionamento foi elaborado um conjunto de Diretrizes Contratuais,
alinhado com a metodologia aqui apresentada e aplicável aos diversos tipos de
empreendimentos da Petrobras mediante a configuração de uma matriz de
responsabilidades e de alguns dados de entrada.
Outro ponto relevante é a terminologia. A multiplicidade de práticas de
comissionamento traz consigo uma variedade de nomenclaturas, o que evidentemente
dificulta a transmissão do conhecimento e o debate. Nomes diferentes para os
mesmos conceitos e definições pouco rigorosas exigiram que a construção da nova
metodologia se iniciasse pela criação de um glossário preciso para as várias etapas e
atividades do comissionamento. Os termos utilizados na metodologia aqui
apresentada procuram respeitar o uso comum, evitam na medida do possível
expressões em inglês e buscam associações claras entre termos e significados. Este
glossário encontra-se no Capítulo 2 desta apostila.

Capítulo 2 – TERMINOLOGIA DO PROCESSO DE COMISSIONAMENTO


ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE FORNECEDORES
Assistência prestada pelo fornecedor, estabelecida contratualmente no momento da
aquisição do componente, que deverá ser executada mediante programação de
atividades realizada pela Contratada para a instalação e entrada em operação.
ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE ENGENHARIA
É a assistência executada pela empresa ou área de engenharia por solicitação do
operador após a transferência das instalações, ou seja, na conclusão do processo de
comissionamento.
O escopo da Assistência Técnica não deverá ser contemplado no contrato de serviços,
uma vez que, conforme definição acima, os serviços de Assistência Técnica serão
executados após o encerramento do Empreendimento (Transferência das Instalações)
e, portanto, não estarão cobertos pelo contrato por conta do mesmo já ter sido
encerrado.
ATIVIDADES DE PRESERVAÇÃO DEFINIDAS
Conjunto de atividades efetuadas sobre os itens comissionáveis visando mantê-los em
boas condições de conservação desde o momento de sua aceitação no canteiro até o
momento de sua preparação para Partida (quando é substituída pela manutenção).
As atividades de preservação deverão ser exercidas de acordo com as
recomendações dos fabricantes sempre que estas existirem, ou conforme as melhores
práticas reconhecidas dessa atividade, sendo pré-requisito para que a garantia do
fabricante seja assegurada.
Havendo necessidade, as atividades de preservação podem iniciar durante a
preparação para o transporte entre o fornecedor e o canteiro de obras.
AUTORIZAÇÃO PARA TESTES DE FUNCIONAMENTO (ATF)
Documento emitido pela engenharia solicitando ao operador de uma unidade em
operação autorize o início da fase de Pré-Operação & Partida de um subsistema
operacional (SSOP), sempre que os testes deste SSOP interferirem com o
funcionamento ou a segurança daquela unidade.
BLANK TEST
Teste efetuado sobre todas as malhas elétricas de uma instalação (potência, controle,
comunicação e dados), na fase de Condicionamento, com o objetivo de confirmar sua
continuidade através da injeção de sinal de baixa potência.
CERTIFICAÇÃO DA OPERABILIDADE
Aplicação da Lista de Verificação de Operabilidade ao ativo de modo a atestar que o
mesmo se encontra em condições de ser transferido para a operação.
A certificação da operabilidade deve ser efetuada pela engenharia responsável ou,
opcionalmente, por uma terceira parte.
CERTIFICADO DE COMPLETAÇÃO MECÂNICA (CCM)
Documento emitido pelo executante do Condicionamento de uma instalação atestando
que um SSOP atende aos quesitos da Lista de Verificação de Completação Mecânica
e se encontra apto a iniciar seus testes de funcionamento, não possuindo pendências
impeditivas à completação mecânica.
A aceitação de um CCM pela engenharia assinala o final da fase de Condicionamento
para o SSOP correspondente e, por conseguinte, a aceitação de todos os CCM
previstos para a instalação (conforme a Lista de Sistemas Operacionais) marca o
encerramento da etapa de Condicionamento daquela instalação.
CERTIFICADOS DE TESTES E CALIBRAÇÕES
Documento que comprova a execução de um teste ou calibração dentro de
parâmetros previamente definidos.
CERTIFICADOS DE TESTES E CALIBRAÇÕES PREENCHIDOS
Registros da aplicação de procedimentos de teste a itens comissionáveis, preenchidos
conforme previsto no procedimento correspondente, contendo os resultados da
aplicação do procedimento e assinados pelo executante, pela área da Qualidade do
executante e pela fiscalização da engenharia contratada pelo operador.
CLASSE DE ITENS COMISSIONÁVEIS
Grupo de itens comissionáveis de um ativo que executam funções similares e que
possuem características técnicas semelhantes. Sinônimo de Família de Itens
Comissionáveis.
COMISSIONAMENTO
Conjunto estruturado de conhecimentos, práticas, procedimentos e habilidades
aplicáveis de forma integrada a uma instalação, visando torná-la operacional, dentro
dos requisitos de desempenho desejados, tendo como objetivo central assegurar a
transferência da instalação do construtor para o operador de forma rápida, ordenada e
segura, certificando sua operabilidade em termos de desempenho, confiabilidade e
rastreabilidade de informações.
COMPLETAÇÃO MECÂNICA
Evento que assinala o final da fase de Condicionamento de um SSOP, caracterizado
pela emissão do respectivo Certificado.
COMPROVAÇÃO DO ATENDIMENTO AS ESPECIFICAÇÕES DE PROJETO
Evidências obtidas através de testes que comprovam que os Sistemas Operacionais
(SOPs) operam de acordo com as especificações de projeto.
CONDICIONAMENTO
Conjunto de atividades realizadas em todos os itens comissionáveis e malhas da
instalação, com o objetivo de torná-los aptos a iniciar seus testes de funcionamento.
O Condicionamento inclui, tipicamente, testes de aceitação em fábrica, inspeções
estáticas (recebimento, conformidade física, etc.), atendimento a normas reguladoras,
aferições e calibrações, testes de pressão, preparação de tubulações para receber
fluidos, testes de componentes elétricos desenergizados, e similares.
CONTRATO E SEUS ANEXOS
Documento formal acordado entre as partes (contratada e contratante) que define os
requisitos, premissas e restrições para a execução do escopo, sendo a principal fonte
de informação para o gerenciamento do contrato. Inclui a documentação técnica e
correspondências circulares trocadas na fase licitatória.
CRITÉRIOS DE MEDIÇÃO DA PRESERVAÇÃO DEFINIDOS
Definição da sistemática para medição e pagamento das atividades de preservação no
campo.
CRONOGRAMA DO EMPREENDIMENTO
Documento que mostra os marcos principais e as atividades que serão realizadas em
escala de tempo, sendo representado normalmente através de um Diagrama de
Barras (também chamado Gráfico de Gantt) ou Diagrama de Rede. Também
conhecido como Cronograma Físico.
CRONOGRAMAS DO COMISSIONAMENTO
Documentos de planejamento e controle das atividades de comissionamento que
contém informações físicas e/ou financeiras relativas ao projeto, usado para
elaboração de projeções e análises que possam subsidiar a gerência do
empreendimento na tomada de decisões.
DADOS DE FABRICANTES DE ITENS COMISSIONÁVEIS
Dados sobre as características e o desempenho dos itens comissionáveis, fornecidos
por seus fabricantes e necessários para identificá-los, preservá-los, condicioná-los,
mantê-los, testá-los e colocá-los em operação.
DEFINIÇÃO DE REPRESENTANTES DA ENGENHARIA, OPERAÇÃO E
CONTRATADA(S)
Definição dos profissionais que representarão a Engenharia, o Operador a(s)
Contratada(s) para desenvolvimento do planejamento do comissionamento. Estas
dados devem estar inclusos no Plano de Comunicação do empreendimento.
DESMOBILIZAÇÃO DE PESSOAL
Encerramento das etapas do projeto e/ou das atividades com a devida desmobilização
das equipes
DOCUMENTAÇÃO DISPONÍVEL E CONFORME OS REQUISITOS
Conjunto de documentos técnicos em conformidade com os requisitos do cliente e
específicos da Engenharia.
DOCUMENTAÇÃO E REGISTROS ENVIADOS PARA A OPERAÇÃO
A partir do momento da transferência do último SOP pertencente à instalação, toda a
documentação de Engenharia deve estar atualizada (as-built, relatórios de não-
conformidade, documentação de Construção & Montagem, pastas de Sistemas, etc.).
EAP DO COMISSIONAMENTO
A Estrutura Analítica de Projeto (EAP) é o agrupamento de elementos do projeto
orientados ao resultado principal que organiza e define o escopo total do trabalho do
projeto. Cada nível descendente representa uma definição cada vez mais detalhada
do trabalho do projeto, até o nível que permita o gerenciamento e controle adequado
do trabalho pelo empreendimento.
Este documento é acompanhamento do avanço das atividades e de controle de
valores. Seu modelo pode variar em função das práticas do usuário, mas deverá
conter no mínimo a mesma subdivisão de valores existente no contrato, e a
distribuição das parcelas no tempo de acordo com o Cronograma do
Comissionamento.
EQUIPE DE COMISSIONAMENTO
São os técnicos e engenheiros da empresa de contratada para a execução das
atividades de comissionamento nos canteiros.
ESTRUTURAS TEMPORÁRIAS DESMONTADAS E/OU REMOVIDAS
Andaimes, tapumes, contêineres, todas as estruturas e/ou objetos que não sejam
necessários à operação da instalação devem ser desmontados e/ou removidos após a
conclusão da obra. A instalação deve ser entregue em condições adequadas de
limpeza, conforme acordado com o cliente. É um dos requisitos para a Certificação da
Operabilidade.

FERRAMENTAS E MATERIAIS PARA APLICAÇÃO DAS ROTINAS AOS ITENS


Coletânea de equipamentos, ferramentas coletivas e individuais, materiais de
aplicação e consumíveis necessários para executar as rotinas de preservação ou de
manutenção aos itens que devam recebê-las.
FERRAMENTA DE INTEGRAÇÃO E COMISSIONAMENTO (FIC)
Ferramenta de Integração & Comissionamento é um software da Petrobras que provê
suporte ao processo de planejamento e gestão do Comissionamento. Gerencia as
informações dos itens comissionáveis, contendo informações de identificação do item
e histórico das atividades de comissionamento a que foi submetido, inclusive a
Preservação. Cada item comissionável é identificado por um TAG e vinculado a um
subsistema e sistema aos quais pertence e é caracterizado por um conjunto
padronizado de dados técnicos, de acordo com sua natureza.
FICHAS DE VERIFICAÇÃO
Formulários espelho dos registros de itens comissionáveis e de malhas da ferramenta
de controle do comissionamento, onde são registradas as ações de comissionamento
e que servem como evidência objetiva de sua execução.
FOLHA DE VERIFICAÇÃO DE ITEM (FVI)
Formulário espelho dos registros de itens comissionáveis, onde são registradas as
ações de comissionamento efetuadas sobre cada item e que serve como evidência
objetiva de sua execução.
FOLHA DE VERIFICAÇÃO DE MALHA (FVM)
Formulário espelho dos registros de malhas da ferramenta de controle do
comissionamento, onde são registradas as ações de comissionamento efetuadas
sobre cada malha e que serve como evidência objetiva de sua execução.
GESTÃO DE ENERGIAS
Conjunto de ações efetuadas durante as fases de Condicionamento e Pré-Operação &
Partida com o objetivo de assegurar que todos os testes que envolvam o uso de
energias sejam executados dentro de condições adequadas de segurança.
GESTÃO DE PENDÊNCIAS
Conjunto de ações efetuadas durante a implantação física do ativo com o objetivo de
assegurar a identificação e o tratamento das pendências em tempo hábil, evitando
interferências sobre o andamento do trabalho.
ÍNDICE DE PERFORMANCE OPERACIONAL (IPO)
O indicador IPO mede o nível de operabilidade da instalação através da relação entre
a quantidade de produto entregue pela instalação e a capacidade de produção
nominal de projeto, decorridos um ano da entrega de cada instalação.
INSPEÇÃO DE COMPLETAÇÃO MECÂNICA
Aplicação da Lista de Verificação de Completação Mecânica a um SSOP de um ativo,
com o objetivo de atestar sua aptidão para início dos testes de funcionamento (Pré-
Operação & Partida).
INSPEÇÃO DE RECEBIMENTO
Verificação da conformidade quantitativa e das condições de entrega (por inspeção
visual) dos itens comissionáveis recebidos em seu local de aplicação.

INSPEÇÕES DE NORMAS REGULADORAS


Inspeções executadas em atendimento às Normas Reguladoras Brasileiras (NR) do
Ministério do Trabalho.
ITEM COMISSIONÁVEL
Qualquer componente físico associado a uma função ou suporte de processo. O
mesmo que item “tagueado” no fluxograma de processo.
ITENS DE CONHECIMENTO
Pontos de atenção, boas práticas, ou lições aprendidas, que necessitam ser
cadastradas de forma a agregar valor a serem absorvidos e aplicáveis em
empreendimentos futuros.
ITENS E EQUIPAMENTOS PRESERVADOS
Qualquer componente classificado como instrumento, equipamento, acessório,
tubulação, área ou loop de controle na função automação “tagueados”, que possa
alterar qualquer processo ou que esteja sujeito a Inspeção por entidade
governamental ou certificadora, em boas condições de conservação desde o momento
de sua aceitação no canteiro até o momento de sua preparação para Partida.
LIMPEZA DE TUBULAÇÕES
Ação realizada na fase de Condicionamento efetuada pela Construção & Montagem
sobre uma tubulação (ou trecho de tubulação) com o objetivo de retirar de seu interior
os resíduos de fabricação e montagem e eliminar a corrosão.
LISTA DE ITENS COMISSIONÁVEIS
Relação de todos os itens comissionáveis de um ativo, normalmente organizada por
classes de itens (itens tecnicamente similares).
LISTA DE PENDÊNCIAS
Relação de pendências e desvios decorrentes dos não atendimentos aos requisitos
contratuais, identificadas durante a execução de uma obra, contendo sua
classificação, ações corretivas, prazos de saneamento, responsáveis e status de
resolução.
São identificados por meio da observação das atividades rotineiras, aplicação de LVs,
verificação dos RDO auditorias, dentre outros.
São classificadas como não-impeditivas e impeditivas e necessitam de tratamento
para o atendimento da conformidade com os requisitos do contrato.
Deve estar consolidada em um único Sistema de Gestão de Pendências, acessível a
todos s envolvidos no processo.
LISTA DE SISTEMAS OPERACIONAIS
Relação estruturada de todos os sistemas e subsistemas operacionais que compõem
a instalação.
LISTAS DE ITENS COMISSIONÁVEIS, SOBRESSALENTES, CONSUMÍVEIS E
SIMILARES
Relações de materiais a ser submetidos aos procedimentos de comissionamento,
sobressalentes de partida e de operação, consumíveis necessários à PO&P, e outras
similares que se façam necessárias para planejar, organizar e controlar a transferência
do ativo.
LOOP TEST
Teste de funcionamento efetuado sobre uma malha elétrica, hidráulica ou pneumática.
MALHA
Conjunto interligado de itens comissionáveis que deva sofrer atividades de
comissionamento como uma unidade funcional.
MANUAL DE COMISSIONAMENTO
Coletânea de documentos que estabelece como o processo de comissionamento
deverá ser organizado, coordenado, executado e controlado em um empreendimento.
Trata-se de um documento contratual, elaborado pela contratada e aprovado pela
fiscalização da engenharia, cujo objetivo é estabelecer as condições de realização dos
serviços de comissionamento, em termos de organização, responsabilidades,
procedimentos gerenciais, gestão do tempo e dos recursos, entre outros.
MANUAL DE EQUIPAMENTO
Coletânea de documentos de especificação, operação e manutenção de um
equipamento ou componente, fornecida pelo seu fabricante.
MANUAL DE MANUTENÇÃO
Coletânea de documentos que estabelece como as atividades de manutenção de um
ativo devem ser planejadas, organizadas, executadas e controladas.
MANUAL DE OPERAÇÃO
Coletânea de documentos que estabelece como a operação de um ativo deve ser
planejada, organizada, executada e controlada.
MATRIZ DE RESPONSABILIDADES
Documento que relaciona os processos as atividades vinculados a cada integrante da
força de trabalho.
Nela deverá conter relação nominal de todos os membros da equipe e a distribuição
dos seus níveis de responsabilidade.
MEMORIAL DESCRITIVO (MD)
O memorial descritivo é o documento onde devem estar concentradas as informações
geradas por todas as disciplinas envolvidas no projeto. Este documento tem por
objetivo apresentar uma descrição geral do projeto e das instalações envolvidas.
NORMAS E REGULAMENTOS TÉCNICOS APLICÁVEIS
Conjunto de normas e regulamentos externos ou internos que se apliquem por força
de lei ou de contrato ao processo de comissionamento.
NORMAS TÉCNICAS
Documentos normativos estabelecidos por consenso e aprovado por um organismo
reconhecido, que fornece, para uso comum e repetitivo, regras, diretrizes ou
características para atividades ou seus resultados, visando à obtenção de um grau
ótimo de ordenação em um dado contexto.
OPERABILIDADE
É a medida da qualidade da operação de uma instalação industrial, através do
atendimento à seus requisitos de desempenho especificados enquanto funcionando de
forma estável e confiável

OPERAÇÃO ASSISTIDA
Atividade de apoio às equipes de operação e manutenção do operador após a
transferência de um SOP, com o objetivo de assegurar que o início da operação seja a
continuação segura da pré-operação & partida.
OPERADOR
Proprietário da instalação, ou cliente final do ativo em implantação. Não deve ser
confundido com a atividade funcional de operar uma instalação. Não deve ser
confundido com funcionário da operação.
FUNCIONÁRIOS DA OPERAÇÃO TREINADOS
Qualificação dos profissionais das equipes de operação e manutenção para executar
atividades de operação e manutenção nos Sistemas Operacionais testados.
ORIENTAÇÕES DE PRESERVAÇÃO DOS FORNECEDORES / FABRICANTES
Orientações passadas pelos fabricantes com as recomendações básicas para
preservação de equipamentos / itens. O atendimento a essas atividades é pré-
requisito para que a garantia do fabricante seja assegurada.
PARTIDA
Conjunto de testes de desempenho e de confiabilidade aplicados aos SSOP e SOP de
um ativo com o objetivo de comprovar sua plena funcionalidade e avaliar seu
desempenho em condições reais.
PASTA DE SISTEMA
Coletânea ordenada de todos os documentos de comissionamento relativos a um
dado sistema ou subsistema operacional.
PASTA DE TRABALHO
Conjunto de documentos e informações necessários para orientar e apoiar a
realização de uma ou mais tarefas de campo, e que deve ser portada pelo respectivo
executante.
PENDÊNCIA
Qualquer atividade pertencente ao escopo do projeto, não realizada conforme
planejado ou realizado de maneira não conforme.
PENDÊNCIAS SANADAS E ACEITAS
Pendências verificadas em conjunto com o operador devidamente resolvidas por parte
do executante.
PLANEJAMENTO DE CONSTRUÇÃO E MONTAGEM
Conjunto de documentos que definem como a C&M de um ativo deverá ser
organizada, coordenada, executada e controlada.
PLANEJAMENTO DE TREINAMENTO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA
Atividade elaborada pelo responsável pelo processo de comissionamento para
planejar, organizar e controlar as atividades de treinamento de operação &
manutenção, assistência técnica de fornecedores e outras atividades similares.
PLANEJAMENTO DO PROCESSO DE COMISSIONAMENTO
Atividade que define as diretrizes para organização, coordenação, execução e controle
das atividades de comissionamento e gerencia sua aplicação ao longo de todo o
processo.
PLANEJAMENTO E GESTÃO DE TREINAMENTOS
Atividade de identificar as necessidades, planejar, coordenar e controlar a aplicação
dos treinamentos operacionais e de manutenção necessários ao funcionamento do
ativo. O responsável pelo comissionamento aplica diretamente os treinamentos
relativos aos SSOP e SOP, cabendo normalmente aos fabricantes os treinamentos dos
itens comissionáveis.
PLANO DE DOCUMENTAÇÃO
Documento que descreve as atividades desenvolvidas nas etapas de execução e
controle do processo de gestão da documentação técnica de um empreendimento.
Tem como objetivo permitir maior agilidade na execução das atividades de
documentação técnica e garantir sua entrega ao operador, no padrão acordado.
PLANO DE GERENCIAMENTO DA INTEGRAÇÃO DO EMPREENDIMENTO
Documento formal que integra e coordena os demais planos do empreendimento
(escopo, prazo, custos, riscos, qualidade, etc.), em uma base sólida e coesa.
PLANO DE GESTÃO DO EMPREENDIMENTO
Documento que define como um empreendimento deverá ser planejado, organizado,
coordenado, executado e controlado de modo a atender ao respectivo documento
contratual.
PLANO DE TRANSFERÊNCIA DE INSTALAÇÕES
Documento formal que contém os requisitos para a transferência da instalação
negociados entre o operador e a engenharia contratada.
PRÉ-OPERAÇÃO & PARTIDA
Conjunto de atividades de campo executadas sobre itens, malhas, subsistemas e
sistemas com o objetivo de levá-los da Completação Mecânica até o estágio de
operação plena.
PRESERVAÇÃO
Conjunto de atividades efetuadas sobre o material do ativo visando mantê-lo em boas
condições de conservação desde o momento de sua aceitação no canteiro até o
momento de sua utilização.
PRESERVAÇÃO DE ITENS COMISSIONÁVEIS
Conjunto de atividades efetuadas sobre os itens comissionáveis do ativo com o
objetivo de mantê-los nas condições em que foram liberados nas instalações dos
fornecedores até o momento da preparação para partida (início dos testes de
funcionamento).
PROCEDIMENTOS DE CONSTRUÇÃO E MONTAGEM
Roteiros descritivos da forma de execução das atividades de C&M, elaborados pela
empresa responsável por esta atividade e liberados para uso pela engenharia.
PROCEDIMENTOS DE CONTROLE DE ENERGIAS
Documentos de caráter orientador voltado para o controle de atividades que envolvam
energias perigosas, visando à segurança dos executantes dos testes, da instalação
testada e do meio ambiente.
PROCEDIMENTOS DE EXECUÇÃO DE TESTES
Documento de caráter orientador voltado para execução de testes, que apresenta a
sistemática de execução e registro dos resultados dos testes nos itens, malhas,
subsistemas e sistemas.

PROCEDIMENTOS DE PRESERVAÇÃO DEFINIDOS


Documento de caráter orientativo voltado para o processo de comissionamento, que
apresenta a sistemática de execução das atividades de preservação.
Os Procedimentos de preservação devem ser detalhados de forma a permitir a
execução da atividade de preservação de itens detalhando as ações de curto, médio e
longo prazo, e orientando o executante quanto ao acesso à documentação dos
fabricantes.
PROCEDIMENTOS DE PRESERVAÇÃO LIBERADOS PARA USO
Roteiros descritivos da forma de execução das atividades de preservação, elaborados
pela empresa responsável por esta atividade e liberados para uso pela engenharia.
PROGRAMAÇÃO E CONTROLE DE ATIVIDADES DE CAMPO DE
COMISSIONAMENTO
Conjunto de atividades relativas ao detalhamento do planejamento de
comissionamento, com o objetivo de atingir um grau de detalhamento adequado à
realização das tarefas de campo de preservação, manutenção, condicionamento e
PO&P.
PROJETO DE ENGENHARIA (BÁSICO, FEED OU EXECUTIVO)
Conjunto de dados relativos ao projeto básico, ao FEED (Front End Engineering
Design) ou ao projeto executivo. Para o gerenciamento e fiscalização de contratos
verificam-se os requisitos necessários para definição do produto a ser contratado,
dependendo da natureza do contrato.
No processo de comissionamento são utilizadas as informações referentes ao projeto
em andamento, por exemplo, lista preliminar de sistemas operacionais, Rede de
Precedência preliminar e P&ID preliminares.
PRONTUÁRIOS DE NORMAS REGULADORAS
Compilação dos documentos e registros requeridos pelas Normas Reguladoras
Brasileiras (NR) ou outros regulamentos similares aplicáveis ao ativo, normalmente
organizados por equipamento ou por SOP de acordo com os requisitos das normas.
PT ASSINADAS PELA OPERAÇÃO
Permissões de Trabalho (PT) são autorizações, emitidas por escrito pelo operador,
para execução de trabalhos de manutenção, montagem, desmontagem, construção,
inspeção e reparo de instalações, equipamentos ou sistemas a serem realizados nos
Empreendimentos.
REDE DE PRECEDÊNCIA DE PARTIDA DE SOP / SSOP
Diagrama que apresenta a seqüência de entrada em operação dos sistemas /
subsistemas operacionais do empreendimento, levando-se em conta sua dependência
funcional e a seqüência lógica de partida.
REGISTROS DE EXECUÇÃO DAS ROTINAS
Conjunto de documentos contendo as evidências de aplicação das rotinas de
preservação ou de manutenção sobre os itens que devam recebê-las, assim como os
campos correspondentes da Ferramenta de Integração & Comissionamento
preenchidos.
SISTEMA DE PENDÊNCIAS
Sistema informatizado que provê suporte ao processo de identificação, classificação e
saneamento das pendências surgidas na implantação do ativo.
SISTEMA OPERACIONAL (SOP)
Conjunto integrado de itens comissionáveis e equipamentos, malhas capazes de
efetuar uma função produtiva ou de apoio ao processo, cujo funcionamento produz ou
mantém uma determinada situação, processo, utilidade, ou facilidade operacional em
condição segura.
SUBSISTEMA OPERACIONAL (SSOP)
Subconjunto de um SOP, capaz de efetuar a mesma etapa de processo com
capacidade, redundância ou funcionalidades reduzidas.
TERMO DE RESPONSABILIDADE OPERACIONAL (TRO)
Documento emitido pela engenharia executante que, uma vez assinado pela mesma e
pelo operador, transfere a responsabilidade pela operação de um Subsistema
Operacional, mantendo-se as demais responsabilidades com a engenharia.
TERMO DE TRANSFERÊNCIA DA INSTALAÇÃO – TTI
Documento emitido pela engenharia executante onde se oficializa a transferência da
instalação, atestando o atendimento às condições de operabilidade colocadas sob sua
responsabilidade contrato de serviços do empreendimento e que, uma vez aceito pela
operação, marca a transferência do ativo para o operador, representado pela
responsabilidade sobre o patrimônio e a gerência da instalação passa a ser da
operação, não eximindo terceiros de suas responsabilidades contratuais.
TERMO DE TRANSFERÊNCIA E ACEITAÇÃO DE SISTEMAS – TTAS
O Termo de Transferência e Aceitação de Sistemas é um documento emitido pela
engenharia executante para a operação, onde se oficializa a transferência de um
Sistema Operacional (bem como todos os documentos a ele correlacionados, inclusive
as pastas de sistemas).
Este documento atesta a operabilidade do SOP em conformidade com os requisitos de
performance estabelecidos no projeto. A partir da assinatura deste termo toda
responsabilidade pela operação e manutenção do SOP passa a ser do operador.
Para que a unidade possa ser definitivamente transferida, é pré-requisito que todos os
SOPs tenham sidos transferidos e todos os TTAS assinados.
TESTE DE ACEITAÇÃO DE PERFORMANCE – TAP
Testes que visam garantir que o desempenho de cada SSOP seja compatível com as
especificações e requisitos de projeto. Estes testes devem ser executados em
condições de operação as mais próximas possíveis das condições reais, utilizando
fluido de processo especificado, quando possível.
Nesta avaliação operacional de um SSOP, todas as suas funcionalidades são testadas
em conjunto e seu desempenho é medido e comparado com as referências
especificadas, de modo a comprovar sua capacidade em todas as condições previstas
de operação.
TESTE DE ACEITAÇÃO EM FÁBRICA – TAF
Avaliação de funcionamento de um equipamento efetuada nas dependências de seu
fabricante ou em instalações de teste especializadas, com o objetivo de demonstrar
sua conformidade com as especificações contratadas e permitir sua liberação para
entrega.
TESTE DE CERTIFICAÇÃO
Qualquer teste aplicado a um item comissionável ou malha durante a fase de
Condicionamento. Substitui o termo “Teste a Frio”.
TESTE DE CONFIABILIDADE
Teste efetuado sobre um SOP, durante a fase de Pré-Operação & Partida, com o
objetivo de verificar sua estabilidade de funcionamento em condições normais de
operação por um período de tempo prolongado, que quando requerido, é realizado
após o TAP.

TESTE DE FUNCIONAMENTO
Conjunto de testes realizados em um SSOP ou SOP durante a fase de Pré-Operação
e Partida, iniciando-se após a emissão do CCM e concluindo-se na aprovação dos
TAP aplicáveis. Substitui o termo “Teste a Quente”.
TESTES DE MALHA
Verificações efetuadas sobre as malhas elétricas, de instrumentação, de telecom e de
tubulação com o objetivo de atestar sua funcionalidade.
As verificações de continuidade das malhas, realizadas na fase de Condicionamento,
são conhecidas como “blank test”, e as verificações de funcionamento, realizadas na
fase de Pré-Operação & Partida, como “loop test”.
TESTES FUNCIONAIS
Teste realizado sobre itens comissionáveis ou malhas na fase de Pré-Operação &
Partida, precedendo os Testes de Aceitação de Performance (TAP) do SSOP ou SOP
e tendo como objetivo atestar o correto funcionamento em vazio daquele item ou
malha.
TRANSFERÊNCIA DE SISTEMA OPERACIONAL
Evento da entrega de um SOP à operação pela engenharia executante.
TRANSFERÊNCIA DE INSTALAÇÕES
A transferência da instalação é um processo que visa ao encerramento da
implementação de empreendimento e compreende a transferência pela engenharia
executante para o operador da instalação (ativo) e da responsabilidade integral e única
pela gestão da Instalação, sendo a assinatura do Termo de Transferência de
Instalações (TTI) o principal marco do processo.
TRATAMENTO DE PENDÊNCIAS
Execução das ações corretivas determinadas para cada pendência identificada.
TREINAMENTOS REGISTRADOS
Treinamentos devidamente registrados para Qualificação dos profissionais das
equipes de operação e manutenção.

Capítulo 3 – ETAPAS DO PROCESSO DE COMISSIONAMENTO


3.1 Documentação
Esta atividade inclui a obtenção de todas as informações necessárias à preparação
dos documentos de apoio às atividades de campo, a elaboração destes documentos, a
criação dos registros das tarefas de campo, a compilação dos documentos de apoio
fornecidos junto com os itens comissionáveis e a elaboração dos documentos de
entrega das instalações.
Configuram-se elementos de entrada para elaboração da documentação do processo
de comissionamento os seguintes pacotes mínimos de informações:
* Contrato e seus anexos
* Projeto de Engenharia (Básico ou FEED ou Executivo)
* Plano de Gestão do Empreendimento
* Procedimentos de Construção e Montagem
* Plano de documentação
* Dados de fabricantes de itens comissionáveis
Durante o processo de preparação da documentação, os produtos (documentos) de
saída, produzidos pela empresa contratada e pela engenharia serão obtidos após o
levantamento das normas e procedimentos aplicáveis ao empreendimento, e
compreende a elaboração, a distribuição, a atualização e o arquivamento dos
documentos necessários à realização e ao registro das atividades de campo do
comissionamento. Os tipos de documentos elaborados, tipicamente, são:
* Listas de itens comissionáveis, sobressalentes, consumíveis e similares
* Lista de Sistemas e Subsistemas Operacionais
* Rede de Precedência de Partida
* Manuais de Operação e de Manutenção
* Prontuários de normas reguladoras
* Pastas de trabalho (coletâneas de documentos necessários à realização de uma
atividade de campo)
* Pastas de sistemas (coletâneas dos registros e certificados emitidos para um dado
sistema operacional durante o processo de comissionamento).
* Planejamento de treinamento e assistência técnica
* Planos (de treinamento, de assistência técnica, etc);
* Procedimentos (de testes de certificação, de testes funcionais, de testes de
desempenho, etc);
* Registros (atestados de realização de testes);
A elaboração destes documentos depende de informações provenientes de duas
fontes: a empresa projetista de engenharia e os fornecedores de equipamentos. Sem
o projeto executivo das instalações e os manuais dos equipamentos (também
conhecidos como “data books”) não é possível preparar a maior parte dos documentos
do comissionamento, inviabilizando sua execução. A qualidade e a elaboração em
tempo hábil destes documentos depende, evidentemente, dos primeiros, e isto faz
com que também no processo de preparação da documentação seja necessário um
planejamento integrado entre, principalmente, as equipes de engenharia e de
comissionamento. O exercício descrito no item anterior para a integração dos
planejamentos de comissionamento e de C&M deve estender-se à empresa de
engenharia, e as necessidades de informações do comissionamento devem ser
claramente especificadas nos contratos de fornecimento de equipamentos. Como boa
prática neste sentido, cabe incluir no Manual de Comissionamento a lista de
documentos de engenharia necessários ao comissionamento e a partir daí iniciar a
integração dos planejamentos de emissão de documentos.
Outras atividades deste processo de preparação da documentação visam colaborar
com as áreas de engenharia e de suprimentos do empreendimento no sentido de
reduzir as chances de problemas no comissionamento do ativo, em uma típica ação de
garantia da qualidade. A colaboração com a engenharia se traduz pela participação em
estudos como HAZOP e no uso sistemático de maquetes eletrônicas para antecipar
dificuldades operacionais das futuras instalações. Sugestões para introdução de
pequenas modificações no projeto executivo de modo a facilitar os testes e a operação
/ manutenção das instalações também fazem parte desta colaboração. Em relação aos
suprimentos, a equipe de comissionamento deve ser incluída no circuito de análise
dos memoriais descritivos, convites, requisições de materiais, ou similares de modo a
sinalizar eventuais carências ou inconsistências em itens tais como documentação de
entrega, sobressalentes, serviços de assistência técnica, e outros pertinentes ao
campo do comissionamento.
Os registros dos testes são documentos de valor legal que comprovam a adequação
de um componente, equipamento ou sistema ao emprego a que se destinam.
Acidentes ou falhas graves podem ser investigados com base nesses registros, e
apenas isso seria suficiente para definir sua importância. Além disso, os registros são
dados de entrada para o sistema de gestão de manutenção do ativo, constituindo-se
nas primeiras informações sobre a vida útil de cada item. A rastreabilidade das
atividades executadas também depende da qualidade dos registros.
Boa parte dos documentos produzidos pelo comissionamento, como prontuários,
manuais e pastas de sistemas fazem parte do escopo do ativo, ou seja, devem ser
entregues ao cliente / operador no momento da transferência das instalações. Essa
entrega é uma das condições da Operabilidade.
3.2 planejamento do processo de comissionamento
O comissionamento tem início por esta etapa, que se divide em duas sub-etapas:
* Planejamento de Gestão;
* Planejamento Executivo.
A primeira corresponde ao início das atividades de comissionamento e tem como
produto o Manual de Comissionamento do empreendimento. Este documento define
as estratégias e procedimentos para planejar, organizar, coordenar, executar e
controlar o comissionamento, servindo como regra geral para a realização de todo o
processo. Requer validação pelas principais partes interessadas que estejam
envolvidas ou sejam diretamente afetadas por este processo.
O Manual do Comissionamento deve conter no mínimo os seguintes documentos
típicos:
* Matriz de Responsabilidades;
* Cronograma Geral de Comissionamento;
* EAP (Estrutura Analítica do Projeto) de Comissionamento;
* Lista de documentos de comissionamento;
* Lista de sistemas e subsistemas;
* Rede de Precedência;
* Plano de Treinamento;
* Plano de Assistência Técnica;
* Plano de Comunicação;
* Plano de Mobilização;
* Plano de QSMS de Comissionamento;
* Plano de Contingência de Comissionamento;
* Plano de Preservação de Itens Comissionáveis;
* Plano de Gestão e Controle de Energias.
O Manual de Comissionamento deverá abranger o escopo completo dos serviços, a
ser realizados pela contratada, fabricantes de equipamentos e/ou subcontratadas. A
inter-relação entre a contratada e esses intervenientes, no que concerne ao
comissionamento, também deverá ser claramente explicitada no plano.
Uma vez elaborado e aceito, o Manual será a regra principal para o comissionamento,
devendo ser mantido atualizado em relação às condições de realização desse
trabalho.
A fase executiva desta etapa consiste na aplicação do Manual de Comissionamento no
planejamento e gestão do empreendimento, com a elaboração / detalhamento /
atualização de todos os documentos necessários à gestão do comissionamento e o
gerenciamento de todo o processo.
Prever em contrato o prazo no qual a Contratada deverá apresentar no mínimo os
seguintes documentos típicos do Planejamento Executivo:
* Estrutura Analítica do Projeto atualizada;
* Lista final de itens comissionáveis;
* Ferramenta de Integração & Comissionamento carregada e atualizada;
* Registro do treinamento dos operadores e dos usuários na Ferramenta de Integração
& Comissionamento;
* Folha de Verificação de Itens e Malhas;
* Rede de Precedência detalhada e atualizada por sistema;
* Conjunto de Fluxogramas de Processo (P&ID) com identificação dos sistemas
operacionais;
* Conjunto de Fluxograma por Sistema Operacional;
* Cronograma de Comissionamento detalhado por atividades sistemas e subsistemas,
e incluindo a confirmação do planejamento de emissão de documentos de
comissionamento;
* Cronogramas com a programação de atividades por disciplina e por sistemas;
* Certificado de Testes Funcionais;
* Pedidos / ordens de compras revisados;
* Lista de Malhas;
* Lista NR-13 e Dossiês NR-13;
* Lista de Assistência Técnica;
* Tabelas de interface com a produção;
* Controle de emissão de documentos de comissionamento;
* Procedimentos de Comissionamento (Certificação e Funcionamento);
* Pastas de sistemas e/ou subsistemas;
* Listas de sobressalentes, de consumíveis e de ferramentas especiais;
* Manuais de Operação e de Manutenção;
* Disponibilizar dados para carregamento do Sistema de Gestão de Manutenção.
Um ponto central desta etapa (e de resto de todo o processo de comissionamento) é a
integração dos planejamentos de comissionamento e de C&M. Este último é
normalmente elaborado em uma seqüência direta, tendo como origem a data de
abertura de um canteiro de obras ou equivalente e prosseguindo até a conclusão do
trabalho; o primeiro segue uma seqüência inversa, começando na data desejada de
entrada em operação comercial do ativo e seguindo até a data de início do processo
de comissionamento.
Atividades típicas desta etapa são:
* programação e controle de atividades de campo,
* gestão de pendências,
* acompanhamento da implantação das interfaces externas ao ativo que afetam o
processo,
* gestão do treinamento operacional,
* gestão da assistência técnica de fornecedores e similares.
É freqüente que estes dois planejamentos não sejam inteiramente compatíveis em
suas versões iniciais, tornando-se necessário um esforço conjunto, via de regra
liderado pela equipe de comissionamento, para integrá-los. O resultado será um
planejamento único para o empreendimento onde as necessidades de partida do ativo
serão levadas em conta pela C&M, sem prejuízo das boas práticas desta disciplina.
Cabe enfatizar a importância desta integração para o sucesso do empreendimento.
Sem um planejamento integrado retorna-se à situação em que o comissionamento fica
refém da C&M, sem conseguir realizar sua missão, e a C&M avança em direção ao fim
da obra, mas não ao objetivo de negócio do operador.
3.3. PRESERVAÇÃO
Entende-se por preservação o conjunto de tarefas realizadas com o propósito de
manter os itens comissionáveis nas condições em que foram entregues por seus
fornecedores, garantindo-os em bom estado de conservação até a entrada em
operação do ativo, evitando gastos com reparos ou novas aquisições, permitindo uma
partida rápida, ordenada e segura.
A etapa tem início após a conclusão dos testes de fabricação, desde a saída destes
itens das instalações do fornecedor (preservação de transporte) e prossegue durante
os períodos de recebimento e armazenagem no canteiro de obras e de C&M, até o
começo dos testes funcionais, sendo concluída com o início das rotinas de
manutenção.
Envolve um conjunto de rotinas aplicáveis a cada tipo (classe) de item comissionável e
técnicas de preservação em campo. O término de aplicação da preservação a um item
corresponde ao início de aplicação das rotinas de manutenção previstas para o
mesmo, o que implica na preparação destas rotinas durante a fase de C&M. Também
o sistema de gestão de manutenção deve ser colocado em condições de uso a tempo
de permitir a programação e o registro das ações de manutenção do primeiro
subsistema a iniciar seus testes funcionais. Falhas na aplicação da preservação e da
manutenção podem implicar na perda da garantia contratual de um item.
Os procedimentos de preservação a serem empregados dependem do tipo do item
comissionável e das recomendações dos respectivos fornecedores e/ou fabricantes
sempre que estas existirem, ou conforme as melhores práticas já reconhecidas e
aplicadas dessa atividade.
Os procedimentos de preservação deverão explicitar cada caso, detalhando as ações
para curto, médio e longo prazo, além de especificar os materiais a serem utilizados
em cada tipo de rotina de preservação (gerar lista de material e insumos para
preservação).
As condições de preservação deverão ser mantidas durante a montagem do item, ou
refeitas imediatamente após o encerramento desta. Medidas adicionais de proteção
devem estar especificadas e as rotinas de preservação aos itens já montados definida
com o objetivo de identificar e reparar possíveis avarias.
Todas as atividades e rotinas da preservação deverão ser gerenciadas através de um
programa informatizado de controle e evidenciadas através de registros.
Faz-se necessário realizar auditorias no processo de preservação e nas reais
condições de preservação dos itens. Os resultados destas auditorias devem servir
como referencial para medição, avaliação de desempenho e eventuais ações
corretivas a serem aplicadas junto à contratada.
Quando detectada, a falta de preservação de um item deve ser informada à empresa
responsável, que deverá tomar as devidas ações corretivas.
Os procedimentos de Preservação devem prever a progressiva passagem das rotinas
de preservação para as rotinas de Manutenção, sendo que o carregamento dos dados
no sistema de Gestão de Manutenção da Operação já deverá estar executado nesta
fase.
A emissão do Certificado de Completação Mecânica (CCM) de um sistema não
interrompe a emissão e execução das rotinas de preservação.
Seguem alguns exemplos de itens sujeitos as rotinas de preservação:
* Mecânica
* Equipamentos Estáticos: Vaso, Torre, Permutador, Reator, Forno, Tanque, Filtro,
Esfera e outros.
* Equipamentos Dinâmicos: Máquinas, Bomba, Compressor, Turbina, Ventilador,
Exaustor, Misturador/Agitador, Guindaste, Ponte Rolante, e outros.
* Acessórios de Tubulação: Válvula Manual, Filtro de Y, junta de expansão, Válvula de
Retenção, Suporte de Mola, Purgador, e outros.
* Elétrica
* Equipamentos e Dispositivos Elétricos tais como: Painéis Elétricos, Motores (CC ou
CA), Transformadores (de corrente, potências ou de iluminação), Barramentos,
Reatores, Disjuntores, Baterias, Carregadores de Bateria, Instrumentos (indicadores,
medidores, registradores), Relés, Retificadores, Luminárias de emergência, Botoeiras
dentre outros;
* Instrumentação e Automação
* Instrumentos e Componentes tais como: Válvulas (On/Off e de controle, solenóides e
de segurança PSV), Chaves de Nível, Vazão, Temperatura, Pressão, Seletoras, Fim de
Curso; Transmissores de Nível, Vazão, Temperatura, Pressão, Disco de Ruptura,
Chave Seletora; Rotâmetros, Termômetros, Manômetros, Termopares, Analisadores,
Sensores, Sistemas de Controle e de Intertravamento, Cartões Lógicos, Shelter dentre
outros.
* Segurança
* Canhões monitores, Câmaras de monitoramento (CFTV), Detectores de gases,
Salvatagem, Extintores químicos, Sinalização náutica, dentre outros.
Definição dos procedimentos e atividades de preservação
As tarefas de preservação e sua freqüência de execução variam conforme os tipos
(classe) de equipamentos ou componentes envolvidos e devem observar
recomendações especiais de fabricantes e requisitos específicos do cliente.
Os itens preservados devem ser identificados no campo por uma etiqueta indicando as
datas de execução e da próxima preservação, além da identificação do executante.

Os procedimentos de preservação devem definir a periodicidade da intervenção de


preservação, a quantidade de recursos, serviços, ferramentas, materiais e insumos
necessários para cada atividade de preservação.
Rotinas de Preservação
As rotinas de preservação são aplicadas em diversas etapas da fase construtiva do
empreendimento, iniciando-se ainda no fabricante é concluindo-se na transferência
dos equipamentos juntos com os SOPs ao término do escopo técnico, sendo que as
atividades de preservação passam a ser realizadas pela operação, pela gestão de
manutenção dos equipamentos.
* Rotinas e transporte – Aplicadas no trajeto entre as instalações do fornecedor e o
canteiro de obra.
* Rotinas de almoxarifado – Aplicadas durante o período em que o item permanece no
canteiro em local abrigado, fora das atividades de construção & montagem.
* Rotinas de campo – Aplicadas a partir do momento em que o item é transferido do
local de armazenagem para o de montagem, sendo mantidas até o início dos testes de
funcionamento.
* Rotinas de operação – Aplicadas durante o período de pré-operação & partida.
* Rotinas de hibernação – Rotinas especiais aplicáveis a itens que devam ser
mantidos em espera por períodos longos e (possivelmente) em condições
desfavoráveis.
Procedimentos de preservação de transporte
* Elaborado pelo fabricante ou respeitando suas recomendações;
* Comentado pelo transportador ou pelo fabricante, conforme o caso;
* Levam em conta os planos de embarque e de manobra de pesos (“rigging”);
* Adequado às condições esperadas de transporte (modal, trajetos, clima, inspeções
em trânsito);
* Levam em conta eventuais necessidades de hibernação do material (local e prazo
previstos para esta condição).
Observação: A correta execução deste procedimento é pré-condição para a liberação
do transporte.
Procedimentos de preservação em canteiro
* Elaborado pelo comissionador ou pelo montador, respeitando as recomendações do
fabricante;
* Comentado pela empresa contratante ou pelo comissionador, conforme o caso;
* Identifica as rotinas de preservação aplicáveis a cada classe de itens comissionáveis,
e as respectivas freqüências de aplicação;
* Define os materiais de preservação a serem utilizados;
* Define a forma de identificação física dos itens preservados (etiquetas) e de registro
no campo da execução das rotinas.
Observação: A correta execução destes procedimentos é pré-condição para a emissão
do Certificado de Completação Mecânica (CCM) e para a transferência de um SOP.
Programação e controle de preservações
A programação das atividades de preservação consiste em organizar no tempo as
rotinas de preservação de acordo com as recomendações dos fabricantes e boas
práticas de engenharia.
A programação visa também nivelar os recursos e serviços necessários de forma a
otimizar o tempo e custo destas operações.
As responsabilidades pela preservação devem estar explicitadas na matriz de
responsabilidades, determinado quais envolvidos realizam cada atividade, sendo
estas:
* Fase de preparação para contratação de serviços
* Requerer que estejam incluídas as recomendações de preservação nas contratações
de equipamentos e materiais para as aquisições de responsabilidade da contratante,
assim como nas de responsabilidade das contratadas;
* Estabelecer claramente as informações a serem transferidas para a manutenção;
* Definir a metodologia de transferências das atividades de preservação para as
atividades de manutenção;
* Verificar se as recomendações de preservação constam de todas as minutas e
anexos dos contratos;
* Verificar, nas Requisições de Materiais (RM), se as recomendações de preservação
foram incluídas antes das contratações.
* Fabricação e entrega
* Cabe ao setor responsável pela liberação de fábrica garantir que os itens sejam
preservados para transporte conforme as recomendações aplicáveis;
* Implementar a preservação para transporte conforme as recomendações aplicáveis.
* Construção & Montagem
* Verificar e registrar as condições de recebimento dos itens;
* Implementar a preservação conforme as recomendações aplicáveis a partir da
Inspeção de Recebimento;
* Preservar os itens não aceitos na Inspeção de Recebimentos enquanto estiverem
sob sua guarda;
* Fiscalizar e auditar os procedimentos e a execução da preservação pela contratada.
* Pré-Operação & Partida
* Retirar o equipamento das condições de preservação e prepará-lo para os testes de
funcionamento;
* Transição para Manutenção
* Certificar a qualidade dos dados para carregamento no sistema de gestão de
manutenção do cliente;
* Colocar à disposição da Operação os dados certificados;
* Carregar os dados certificado no sistema de gestão de manutenção.

Critérios de medição dos serviços de preservação


Tipos de contrato | Formação do preço | Medição | Vantagens | Inconvenientes |
Preço unitário | Tarifas horárias ou por atividade | RDO endossado pelo fiscal |
Flexibilidade em quantidade e tempo | Dificuldade de medição e de controle da
qualidade |
Preço fechado | Valor fixo para um dado escopo | Parcelas mensais fixas |
Transferência do risco e facilidade de medição | Controle da qualidade e ajustes de
escopo |
Preço fechado | Valor fixo para um dado escopo | Parcelas mensais variáveis em
função de auditorias | Transferência do risco, facilidade de medição e controle da
qualidade | Ajustes de escopo |

Perfil da equipe de preservação de canteiro


* Coordenador – técnico sênior com experiência mínima de cinco anos em
Preservação e formação de base em Mecânica, Eletricidade ou Instrumentação, tendo
também experiência em planejamento & controle.
* Supervisores – técnicos plenos com pelo menos três anos de experiência na
atividade de Preservação, com formação de base em Mecânica, Eletricidade ou
Instrumentação, tendo a capacitação para organizar a equipe com um de cada
especialidade.
* Técnicos – formação em Mecânica, Eletricidade e Instrumentação.
* Ajudantes – carpinteiros, lubrificadores e auxiliares de serviços gerais
3.4. Condicionamento
Conjunto de tarefas, conhecidas coletivamente como Testes de Certificação,
realizadas em todos os itens comissionáveis e malhas da instalação, com o objetivo de
certificar que os itens comissionáveis e os subsistemas operacionais encontram-se
aptos a iniciar seus testes funcionais, na fase de Pré-operação & Partida, visando
anteriormente a Certificação de Completação Mecânica.
Esta fase desenvolve-se durante a C&M, e engloba também os Testes de Aceitação
em Fábrica dos equipamentos e sistemas principais, sendo a conclusão das tarefas de
condicionamento organizada por subsistemas operacionais (SSOP), e quando todos
os itens e malhas de um dado SSOP foram submetidos satisfatoriamente a todas as
tarefas previstas de condicionamento a primeira condição para a emissão do
Certificado de Completação Mecânica deste SSOP é atendida. A emissão do CCM é
condição necessária para declarar encerrada a atividade de Condicionamento sobre
um SSOP.
As demais condições para a declaração da Completação Mecânica de um SSOP são:
* encerramento das atividades de montagem;
* disponibilidade da documentação;
* meios físicos e dos recursos humanos necessários para a execução da Pré-
operação & Partida;
* inexistência de pendências impeditivas ao início dos testes de funcionamento
previstos.
Esta fase engloba tipicamente as atividades:
* teste de aceitação de fábrica (TAF);
* inspeção de recebimento calibrações de válvulas e instrumentos;
* inspeção física;
* testes de malhas com injeção de sinais (“blank tests”);
* limpeza e recomposição;
* atendimento as normas regulatórias tais como NR-10 e NR-13, portarias do
INMETRO, entre outras;
* aferição e calibração de instrumentos e de componentes elétricos;
* testes estáticos de tubulações, componentes mecânicos e cabos elétricos, entre
outros.
* testes hidrostáticos e de estanqueidade de tubulações;
* testes de continuidade e de isolamento de cabos elétricos;
* testes de válvulas;
* testes de bancada, calibração e parametrização de componentes elétricos.
O Condicionamento se completa com tarefas documentais, particularmente ligadas à
montagem de prontuários e à compilação de documentos de fornecedores com vistas
à fase de testes.
A completação mecânica, por sua vez, consiste em uma ação de verificação de
conformidade que atesta o final de todas as tarefas de montagem, de todos os testes
de certificação e de todos os requisitos documentais e organizacionais necessários
para que um subsistema seja declarado apto a iniciar seus testes funcionais.
Os dados necessários para a realização da fase de condicionamento, entre outros,
são obtidos em:
* Procedimentos de execução de testes
* Lista de Sistemas Operacionais
* Cronograma do empreendimento
* Listas de itens comissionáveis, sobressalentes, consumíveis e similares
* EAP detalhada
E os registros do condicionamento são encontrados em:
* Certificados de completação mecânica assinados
* Certificados de Testes e Calibrações preenchidos
* Pendências sanadas e aceitas
* Informações atualizadas na FIC
* Fichas de Verificação de Item e de Malha
Perfil da equipe de Condicionamento
* Coordenador – Engenheiro com experiência mínima de cinco anos em
Comissionamento, com formação de base em Mecânica, Tubulações, Eletricidade ou
Instrumentação, além de experiência em planejamento & controle;
* Supervisores – engenheiros ou técnicos com pelo menos três anos de experiência
em Preservação, com formação de base em Mecânica, Tubulações, Eletricidade ou
Instrumentação, tendo a capacitação para organizar a equipe com um de cada
especialidade.
* Técnicos – formação em Mecânica, Tubulações, Eletricidade e Instrumentação.
* Ajudantes – mecânicos, eletricistas e auxiliares de serviços gerais
Procedimentos de Condicionamento
São elaborados pelo comissionador ou pelo montador, respeitando as recomendações
do fabricante, devendo ser comentados pela empresa contratante dos serviços ou pelo
comissionador, especificando os testes de certificação aplicáveis a cada família de
itens comissionáveis, e as respectivas condições de aplicação.
A correta execução destes procedimentos é pré-condição para a emissão do
Certificado de Completação Mecânica.
O conteúdo típico dos procedimentos de condicionamento pode ser listado como
abaixo:
* Normas e regulamentos de referência (obrigatórios e eletivos), com transcrição dos
itens diretamente utilizados;
* Lista de equipamentos, ferramentas e materiais necessários ao teste, juntamente
com as respectivas especificações;
* Lista de documentos de apoio necessários ao teste;
* Equipe necessária, incluindo suas qualificações;
* Condições ambientais e de segurança necessárias ao teste;
* Atividades predecessoras e interfaces necessárias ao teste;
* Passo a passo de realização do teste, incluindo a forma de registrar seus resultados.
Procedimentos de TAF – Teste de Aceitação em Fábrica
Os Testes de Aceitação em Fábrica englobam as verificações finais de componentes /
equipamentos nas instalações dos fornecedores, tendo como objetivo atestar a sua
funcionalidade antes da liberação para embarque dos mesmos para o
empreendimento.
Os critérios para a identificação e requisitos que determinam quais os itens a serem
submetidos à TAF é de responsabilidade do planejamento do Comissionamento e o
procedimento de teste é normalmente elaborado pelo fabricante, mas deve ser
comentado pelo comissionador.
Normalmente, os critérios que determinam a quais os item passarão por TAF são
semelhantes aos que determinam se um item comissionável é crítico, sendo alguns
destes motivos:
* Alta complexidade;
* Importância crucial para o processo da instalação;
* Exclusivo ou nova tecnologia;
* Longo prazo de entrega;
* Alto custo;
* Logística complexa para entrega
O registro de um TAF faz parte do histórico do item e deve ser arquivado na Pasta de
Sistema respectiva.
Inspeções de Recebimento
É a verificação quantitativa e qualitativa, realizada por ocasião do recebimento dos
itens comissionáveis e módulos, quando de sua chegada ao local de aplicação e antes
de sua admissão nas áreas de armazenagem, tendo como finalidade atestar sua
conformidade com a documentação contratual e de projeto, bem como a ausência de
avarias e as condições especificadas de preservação.
Tipicamente verifica a conformidade com a respectiva Ordem de Compra, a condição
física do material e dos documentos, não tendo como atribuição verificar
funcionamento nem desempenho.
* Inspeção quantitativa:
* Verificação da documentação técnica que acompanha o item, conforme definido na
Requisição de Material (RM);
* Verificação da entrega de todos os itens que constam no romaneio;
* Conferência dos sobressalentes e de ferramentas especiais conforme Lista de
Documentos (LD) de contrato.
* Inspeção qualitativa:
* Verificação das condições de embalagem e de preservação;
* Verificação visual das condições do equipamento e verificação da existência de
avarias.
A Inspeção de Recebimento é registrada nas Folhas de Verificação de Itens (FVI)
incluídos no fornecimento, e as rotinas de preservação devem ser iniciadas a partir
deste registro.
As pendências de recebimento devem ser registradas no Controle de Pendências para
as ações corretivas cabíveis, e os itens com pendências devem ser mantidos em local
segregado até que as mesmas tenham sido sanadas.
Atendimento a normas e regulamentos
Os procedimentos de condicionamento devem estar em conformidade com todas às
Normas Reguladoras (NR) do Ministério do Trabalho aplicáveis ao empreendimento,
mas, particularmente, devem atender obrigatoriamente em registros específicos as
normas:
* NR 10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade
* NR 13 – Caldeiras e Vasos de Pressão
* NR 26 – Sinalização de Segurança
Além das normas NR, os procedimentos devem estar em conformidade com normas e
regulamentos de outras entidades que sejam adotadas no empreendimento
(Sociedades Classificadoras, ASME, ·ASHRAE, etc), e explicitadas em contrato.
Procedimentos de certificação de tubulações e equipamentos
Os testes de pressão de tubulações e equipamentos deverão ser definidos
em procedimentos pela empresa contratada a serem comentados e
aprovados pela fiscalização da empresa contratante, sendo que a
fiscalização acompanhará e teste
hará a execução de todos os testes de pressão (hidrostáticos ou
pneumáticos).
Estes testes têm como objetivo garantir a integridade estrutural das tubulações e
equipamentos quando submetidas às respectivas pressões de teste.
Os certificados dos testes deverão ser assinados por todas as partes envolvidas.
* Testes hidrostáticos – realizados sobre trechos isobáricos de tubulações
(linhas) com o objetivo de atestar a resistência mecânica do conjunto
montado;
* Testes pneumáticos – utilizados em situações especiais onde um teste hidrostático
não possa ser realizado, e sob condições controladas;
* Testes de estanqueidade – realizados após o final da montagem de uma linha, para a
verificação das condições de vedação da mesma. Podem ser aplicados em acessórios
de fechamento como portas de visita e similares;
* Limpeza (“flushing”) – procedimentos que buscam assegurar a ausência de detritos,
contaminantes e corrosão no interior das tubulações montadas. A sopragem de
circuitos de vapor é um tipo específico de limpeza de tubulações;
Procedimentos para limpeza interna tubulações e equipamentos
Os métodos de limpeza interna de tubulações e equipamentos deverão ser definidos
em procedimentos pela empresa contratada a serem comentados e aprovados pela
fiscalização da empresa contratante, sendo que a limpeza deverá ser certificada
através de atestado específico.
Para casos específicos e previamente definidos em contrato pela fiscalização, as
evidências deverão ser certificadas por meio de registros com a utilização de Sistema
de Circuito de Controle de TV (CCTV), ou videoboroscopia.
Procedimentos de certificação para calibração de válvulas e instrumentos
Válvulas de segurança e alívio deverão ter sua calibração verificada antes da
montagem independentemente da existência de certificados de calibração emitidos
pelo fabricante, em conformidade com a NR-13. As válvulas reprovadas na verificação
de campo devem ser reparadas ou substituídas conforme Procedimento Específico
previamente aprovado pela fiscalização.
Todos os instrumentos a serem instalados deverão ser aferidos antes da montagem,
de acordo com as normas aplicáveis. Cabe à fiscalização definir eventuais exceções a
este critério, assim como o tratamento a ser dado aos instrumentos integrantes de
equipamentos ou conjuntos montados (skids) que sejam entregues certificados pelos
fabricantes.
Caso estes instrumentos tenham sido removidos ou sujeitos a ações que possam
comprometer sua calibração os mesmos deverão ser necessariamente aferidos.
* Testes de válvulas – realizados sobre válvulas de segurança, de alívio de pressão,
de estanqueidade total e similares com o objetivo de atestar suas condições de
operação;
* Aferição – efetuada sobre os instrumentos de medição de temperatura, pressão,
vazão e nível com o objetivo de certificar sua calibração. Instrumentos não aprovados
devem ser calibrados.
Procedimentos de certificação de equipamentos mecânicos
* Verificações de conformidade – realizadas sobre equipamentos como bombas,
compressores, dosadores e similares para atestar a conformidade de aspectos como:
* Nivelamento e alinhamento
* Suportação e fixação
* Acessibilidade
* Elementos filtrantes, vedantes e isolantes
* Conexões
* Acessórios
* Limpeza
Procedimentos de certificação de componentes elétricos
* Testes de cabeamento
* Testes de Isolamento – verificação da resistência de isolamento de cabos, motores e
outros componentes elétricos, tais como: todos os condutores e cabos de potência,
controle, intertravamento e comunicações, que deverão ter sua condição de
isolamento atestada após o seu lançamento no leito conforme projeto.
* Testes de continuidade – confirmação de que os condutores elétricos estão íntegros
e conectados nos terminais corretos em ambas as extremidades, tais como os
condutores e cabos de potência, controle, intertravamento, comunicações e
aterramento, que deverão ter sua condição de continuidade elétrica atestada. Os
testes de continuidade deverão ser executados após a realização dos testes de
isolamento.
* Testes de aterramento – verificação das condições de aterramento de todos os
equipamentos elétricos, que deverão estar conectados à terra conforme especificado,
tais como: equipamentos, tubulações e estruturas metálicas.
* Sentido de rotação – verificação da correta conexão dos terminais dos motores
elétricos (sem operação dos mesmos);
* Calibração / parametrização – ajuste dos parâmetros de operação de componentes
como relés e disjuntores
* Transformadores – conferência da conformidade entre a polaridade de placa e da
polaridade real dos enrolamentos, existência de curto circuitos ou circuitos abertos;
* Carga de baterias – verificação das condições de baterias recarregáveis;
* Condições mecânicas – verificação do estado dos elementos mecânicos e do
funcionamento correto das partes móveis dos componentes.
Procedimento de testes de certificação em malhas de controle e comunicação
Simulação operacional – aplicada a malhas de potência e de controle através da
simulação de sinais, para verificação de seu funcionamento conforme especificado.
* Testes com injeção de sinal (Blank tests)
* Na fase de Condicionamento, após a montagem e interligação de equipamentos
elétricos, todas as malhas de potência, aterramento, controle, intertravamento e
comunicações deverão ser testadas através da injeção de sinal ou outra forma que
garanta sua continuidade. O conjunto destas atividades é denominado como blank
test.
* Estes testes são aplicados conforme planejamento antecipado e após a conclusão
das malhas respectivas do sistema a ser testado.
* Testes de simulação (Loop Tests)
* Após a completação mecânica, ou seja, somente na fase de Pré-Operação & Partida,
todas as malhas de potência, controle, intertravamento e comunicações deverão ter
seu funcionamento simulado, desde as conexões ao processo dos instrumentos e
válvulas, incluindo os sistemas de controle e intertravamento, passando pelo sistema
supervisório.
* Esta simulação pode ser executada de diversas formas, tais como: simulação de
processo, simulação de variáveis, atuação nas válvulas e motores, e simulação
dinâmica através de uso de softwares para este fim.
Certificado de Completação Mecânica – CCM
A Completação Mecânica representa a transição entre as fases de Condicionamento e
Pré-Operação & Partida, sendo caracterizada ao nível de sistema ou subsistema
operacional.
Um sistema ou subsistema operacional receberá um Certificado de Completação
Mecânica (CCM) quando atendidas no mínimo as seguintes condições:
* Todas as ações de Construção e Montagem previstas, incluindo a identificação dos
itens comissionáveis (tubulações, equipamentos, instrumentos, etc.) para este sistema
ou subsistema operacional terem sido concluídas e certificadas, sem pendências
impeditivas ao início da Pré-Operação & Partida;
* Todas as ações de condicionamento previstas para os itens comissionáveis deste
sistema ou subsistema terem sido executadas, certificadas e registradas na
Ferramenta de Integração & Comissionamento;
* Os Registros e Certificados correspondentes às ações acima estarem assinados e
arquivados na Pasta de Sistema correspondente;
* Os comprovantes de atendimento a requisitos legais estarem disponíveis e
arquivados na Pasta de Sistema;
* Prontuários referentes a Normas Regulamentadoras aplicáveis estarem concluídos,
tais como NR-10 e NR-13, inclusive para materiais e equipamentos importados;
* Documentação de projeto dos itens comissionáveis proveniente dos fabricantes
deste sistema ou subsistema.
A partir da emissão deste Certificado, ações de Construção & Montagem neste
sistema ou subsistema só poderão ser executadas mediante prévia autorização da
fiscalização incluindo saneamento de pendências não-impeditivas.
Os componentes sujeitos a testes de certificação devem ser identificados por
etiquetas, com data e responsável pela execução dos serviços.
Caso ocorram novas ações de Construção & Montagem que afetem as atividades de
Condicionamento já efetuadas, um novo Certificado de Completação Mecânica deverá
ser emitido.
Certificados cancelados ou substituídos deverão ser mantidos na Pasta do Sistema,
para fins de rastreabilidade.
Os Certificados de Completação Mecânica deverão ser emitidos pela empresa
contratada após aplicação de Lista de Verificação (LV) pela fiscalização, sendo que o
CCM não poderá ser emitido caso existam pendências impeditivas ao prosseguimento
do Processo de Comissionamento.

3.5 Pré-Operação & Partida


A Pré-operação & Partida é o conjunto de atividades efetuadas sobre itens
comissionáveis, malhas, SSOP e SOP com o objetivo de avaliar suas condições de
funcionamento e de desempenho e permitir a transferência dos SSOP / SOP para a
operação.
A PO&P é organizada em torno dos SSOP / SOP e da Rede de Precedência de
Partida e se inicia, para cada SSOP, a partir do encerramento formal do
condicionamento do mesmo, ou seja, após a emissão do Certificado de Completação
Mecânica – CCM.
Quando necessário, o início da Pré-operação & Partida requer também a emissão da
Autorização de Testes Funcionais (ATF), o qual tem como pré-requisito a existência do
CCM do SSOP correspondente assinado. A emissão do ATF consiste em uma
autorização para entrada em pré-operação dos SSOPs em testes que apresentem
interfaces críticas com outros SOPs / SSOPs em operação contínua.
As atividades típicas de PO&P incluem:
* testes de funcionamento em vazio de equipamentos dinâmicos;
* testes de equipamentos elétricos com uso de energia;
* testes de funcionamento de malhas;
* testes de intertravamento lógico;
* testes de desempenho
Os testes de desempenho avaliam as condições operacionais e o atendimento aos
parâmetros especificados de desempenho de SSOP e SOP nas condições mais
próximas possíveis das normais de operação, sendo consolidados nos Testes de
Aceitação de Performance (TAP).
A realização satisfatória dos TAPs de todos os SSOP que compõem um SOP é a
primeira condição para que o respectivo Termo de Transferência e Aceitação de
Sistemas (TTAS) seja emitido e assinado, caracterizando o final da atividade de PO&P
naquele SOP e sua transferência para a operação.
Para permitir a partida mais rápida do ativo o TTAS é dividido em Provisório (TTAS 1)
e Definitivo (TTAS 2), sendo a diferença entre ambos a existência ou não de
pendências impeditivas à transferência final do ativo para a operação (pendências
impeditivas à operação normal do SOP, constatadas nos TAP, impedem a emissão do
TTAS 1).
O conjunto de documentos e informações necessários à execução da fase de Pré-
Operação & Partida, são entre outras:
* Certificados de completação mecânica assinados
* Autorizações para Teste de Funcionamento (ATF) quando aplicável
* Lista de Sistemas Operacionais
* Rede de Precedência de Partida
* Manuais de Operação e de Manutenção
* Cronograma do empreendimento
* EAP detalhada
* Procedimentos de execução de testes
* Manuais de equipamentos
Sendo o conjunto de resultados desta etapa listada abaixo:
* Operadores treinados
* Teste de Aceitação de Performance (TAP)
* Termo de Transferência e Aceitação de Sistemas (TTAS)
* Itens de conhecimento para registros de lições aprendidas
Como mencionado anteriormente, as atividades de Pré-Operação & Partida são
executadas sobre itens, malhas, sistemas e subsistemas operacionais (SOP e
SSOP).
A PO&P é composta pelo conjunto de atividades executadas com o objetivo de realizar
verificações e testes nas condições de funcionamento do SOP, sendo a Partida dos
SSOPs caracterizada pela realização dos testes finais de performance (TAP),
estendendo-se até a comprovação do atendimento às especificações de projeto.
A transição para o início e término da etapa de Partida deve ser negociada entre a
empresa contratada e a operação, com as condições definidas anteriormente em
contrato.
Em função das relações de dependência entre sistemas, as atividades desta fase
devem seguir a seqüência definida no cronograma de comissionamento, que tem
como referência básica a rede de precedência de subsistemas e sistemas
operacionais.
A seguir são descritas atividades típicas a serem desenvolvidas durante esta fase:
Preparação de Equipamentos
Após a emissão e assinatura do CCM para um determinado SSOP, são iniciadas as
rotinas e procedimentos necessários para colocar os equipamentos que pertencem ao
respectivo SSOP em condição de Testes de Funcionamento.
Quando a preparação implicar na interrupção das atividades de preservação, as
atividades e os registros de manutenção deverão ser iniciados.
A preparação compreende, no mínimo, as seguintes atividades:
* Retirada da preservação;
* Aplicação do plano de raqueteamento;
* Instalação / remoção de itens ou acessórios temporários;
* Carregamento de consumíveis;
* Atendimento ao plano de Controle de Energias.
Uma vez preparados os equipamentos para a execução dos Testes de
Funcionamento, deve ser emitido o documento ATF (Autorização Para Testes de
Funcionamento), que comunica as partes envolvidas e autoriza o início das atividades
em um SSOP e malhas Devido a particularidades do projeto este documento pode ser
não aplicável, entretanto a dispensa do mesmo deve estar prevista em cláusula
contratual.

Testes de intertravamento lógico


Os testes de intertravamento lógico são executados para cada SSOP, de modo a
assegurar que todos os recursos e dispositivos de intertravamento e segurança
estejam em funcionamento adequado, antes da liberação das instalações para a
execução dos Testes Funcionais.
Testes funcionais
Testes funcionais consistem nos acionamentos de equipamentos e instalações,
alimentados pelas energias definitivas.
Os testes funcionais devem atestar a correta operação das funcionalidades dos itens,
conjunto de itens, malhas, sistemas e subsistemas operacionais. Devem fazer parte
dos testes funcionais pelo menos:
* Atuação dos dispositivos de segurança e controle;
* Movimentação em vazio de todos os atuadores mecânicos, hidráulicos e
pneumáticos;
* Rotação em vazio de motores e demais equipamentos dinâmicos;
* Atuação de disjuntores, relés e contatores;
Os testes funcionais devem ser realizados no sistema supervisório, a partir da sala de
controle, e somente serão considerados satisfatórios quando todas as funções desse
sistema tiverem sido avaliadas com sucesso.
Teste de Aceitação de Performance (TAP)
Os Testes de Aceitação de Performance (TAP) têm como objetivo garantir que o
desempenho de cada SSOP seja compatível com as especificações e requisitos de
projeto.
A liberação para execução dos Testes de Aceitação de Performance (TAP) requer, ao
menos, os seguintes itens:
* Registros dos testes funcionais dos componentes do SSOP;
* Registro dos testes de intertravamento lógico;
* Inexistência de pendências impeditivas.
Estes testes devem ser executados em condições de operação o mais próximo
possível das condições reais, utilizando fluido de processo especificado, quando
possível.
Os resultados dos TAP devem ser registrados e comparados aos parâmetros de
projeto, os quais poderão ser analisados conjuntamente pela fiscalização, pela
operação e, quando aplicável, por entidade classificadora / reguladora.
Uma vez concluídos satisfatoriamente os TAP1 (por exemplo, quando da conclusão e
aceitação dos testes com fluido seguro) para um determinado SSOP, o usuário final da
instalação pode optar por assumir a operação do mesmo para a execução dos TAP
subseqüentes (com fluido de processo, por exemplo). Para estes casos, recomenda-
se a utilização do documento Termo de Responsabilidade Operacional (TRO), que
transfere a responsabilidade operacional do SSOP, mantendo a responsabilidade
técnica com a empresa contratada. A assinatura deste termo, entretanto, não exime a
necessidade de assinatura dos Termos de Transferência e Aceitação de Sistemas
(TTAS) após a conclusão de todos os testes aplicáveis ao respectivo SSOPs / SOP.
Teste de Longa Duração (TLD)
O teste de longa duração de um determinado SOP consiste no acompanhamento do
funcionamento em operação normal durante um período pré-definido contratualmente.
Nestes testes é avaliada a ocorrência de falhas relevantes pré-definidas em
documentos contratuais. No caso de ocorrência de falhas relevantes, após a correção
das mesmas, o período de duração do teste deve ser reiniciado.
Treinamento de operadores
Os treinamentos para qualificação dos profissionais das equipes de operação e
manutenção deverão ser previamente definidos no Plano de Treinamento. Os
treinamento teóricos deverão ser realizados previamente aos Testes Funcionais e
complementados com treinamento prático durante os Testes de Aceitação de
Performance.
Para a realização dos treinamentos, a empresa contratada deverá informar o operador
previamente, com a antecipação definida em contrato, a programação de testes de
forma a permitir ao usuário da instalação contratar ou prover operadores para o
evento, bem como serão necessários que os Manuais de Operação & Manutenção dos
SOPs / SSOPs em questão estejam prontos e aprovados pela Operação.
3.6. transferência de sistemas operacionais
Premissas
Durante FEL III do empreendimento, na elaboração dos documentos contratuais para
a contração de serviços em FEL IV, a empresa contratante deve determinar uma
relação de critérios para transferência e aceitação dos SOPs.
Estes critérios devem levar em consideração alguns dos seguintes aspectos:
* Lista preliminar de SOPs, se possível com SSOP;
* Rede de Precedência preliminar dos SOPs;
* Definição dos critérios para a divisão dos SOPs em SSOPs;
* Elaboração de Rede de Precedência preliminar de SSOPs, quando possível;
* Definição prévia dos SSOPs que deverão ser previamente operados de modo a
permitir a continuidade dos testes, antes mesmo do SOP estar pronto para partida, e
conseqüentemente para a operação estável e segura;
Quando ocorrer em um empreendimento já em andamento, sem que as premissas
acima tenham sido efetivadas em FEL III do projeto, pode-se restabelecer o
planejamento e execução das atividades e as condições necessárias que possibilitem
realinhar o escopo do projeto, e promover a correção do Processo de
Comissionamento, visando atender às necessidades de início de operação estável e
segura pela operação, e às características construtivas e de testes.
Planejamento
Considerando que um SOP deve ser transferido quando o mesmo estiver operando de
forma estável e segura, após ter atingido a performance em todos os testes realizados,
deve-se o planejamento de Pré-Operação & Partida dos SOPs a partir da rede de
precedência preliminar previamente estabelecida.
A importância do planejamento de Pré-operação & Partida dos SOPs é grande na
medida em que este permite à elaboração dos demais planos necessários tais como:
* Plano de Mobilização de Operadores;
* Plano de Treinamento dos Operadores;
* Plano de Entrega de Manuais de O&M dos SOPs;
* Plano de Testes de Aceitação de Performance (TAP).
Estes documentos deverão estar incluídos no Manual do Comissionamento
Fluxo de transferência de sistemas recomendável
A transferência de um SOP consiste na troca de responsabilidades entre a empresa
contradata e a contratante (usuário final responsável pela Operação do ativo), a partir
da data de assinatura do documento de transferência, as atividades de operação e
manutenção passam a ser de total responsabilidade da operação, assim como a
guarda dos equipamentos, ferramentas especiais, sobressalentes e documentação
técnica.
Todavia, a transferência não exime a empresa contratada, seus fornecedores,
subcontratados e terceiros das responsabilidades contratuais e/ou civis.

Figura 5
Sistemática Recomendável para Transferência de SOP
Onde:
* CCM = Certificado de Completação Mecânica
* ATF = Autorização para Testes de Funcionamento
* TAP = Testes de Aceitação de Performance
* TTAS = Termo de Transferência e Aceitação de Sistemas
* TLD = Teste de Longa Duração
A assinatura do Termo de Transferência e Aceitação de Sistemas Definitivo de um
dado SOP poderá ser efetuada a partir do momento em que este SOP tiver atendido
aos seguintes requisitos:
* Testes de Aceitação de Performance, de todos os SSOP pertencentes ao SOP,
tenham sidos realizados e aceitos;
* Não existam pendências de qualquer natureza atribuídas ao SOP;
* Toda a documentação pertinente tenha sido fornecida e atualizada (as-built);
* Todos os sobressalentes contratuais e ferramentas especiais tenham sido
transferidos para a operação;
* Todos os treinamentos acordados e contratados tenham sido fornecidos.
O Termo de Transferência e Aceitação de Sistemas (TTAS) é o documento que
formaliza a transferência da responsabilidade sobre um Sistema Operacional e pode
ser dividido em duas etapas:
* Quando os Testes de Aceitação de Performance (TAP) dos SSOPs de um SOP
tiverem sido executados satisfatoriamente, porém existirem pendências não-
impeditivas de qualquer natureza e/ou for previsto um teste de longa duração (TLD),
será emitido um Termo de Transferência e Aceitação de Sistema Provisório (TTAS-1).
O TTAS-1 deverá conter obrigatoriamente a lista de pendências não-impeditivas
correspondente.
A emissão do TTAS-1 caracteriza a transmissão da responsabilidade de operação e
manutenção para a Operação, mantendo-se, porém a responsabilidade de solução
das pendências com a empresa contratante. A partir da emissão do TTAS-1, inicia-se a
etapa de Operação Assistida deste SOP.
* O Termo de Transferência e Aceitação de Sistema Definitivo (TTAS-2) será emitido
após a solução de todas as pendências e, quando aplicável, a finalização do teste de
longa duração (TLD). O TTAS-2 não encerra a as atividades de Operação Assistida do
SOP.
Recomenda-se que a transferência de Sistemas Operacionais siga o fluxo conforme
descrito na Figura 4 anterior. Porém, existirão casos em que ocorrerá a necessidade
de adequação deste processo devido às especificidades de cada empreendimento.
Para estes casos, é sugerida a utilização de fluxos de transferência alternativos,
conforme item a seguir.
Fluxos de transferência de sistemas alternativos
O objetivo deste item é apresentar alternativas para possibilitar o atendimento às
necessidades específicas de cada projeto.
Estes fluxos alternativos são resultado de características técnicas específicas dos
projetos, e, portanto conhecidas deste a elaboração do projeto executivo, podendo ser
previsto com a antecedência necessária durante a etapa de planejamento, além de ter
feito parte da Matriz de Responsabilidades presente no Plano de Transferência da
Instalação contido nos documentos contratuais.
A seguir serão apresentadas as possibilidades que podem ser aplicadas, conforme as
especificidades de cada empreendimento:
Especificidade 1
Caso o documento ATF não for aplicável ao processo, desde que acordado entre as
partes em documento contratual, e com as responsabilidades pela execução dos
Testes de Funcionamento esclarecidas na Matriz de Responsabilidades, o fluxo deve
ser alterado conforme Figura 5 abaixo.

Figura 6
Caso seja negociado entre as partes que o ATF não será aplicável
Especificidade 2
Quando houver a necessidade de que os SSOP sejam operados pelo usuário final
(Operação) antes da transferência e aceitação completa do SOP através de TTAS,
deve ser utilizado o documento Termo de Responsabilidade Operacional (TRO) para o
mesmo, de forma a permitir a continuidade dos Testes de Aceitação de Performance
dos SSOPs do mesmo ou de outros SOPs.
Este documento transfere a responsabilidade operacional do SSOP, mantendo a
responsabilidade técnica e manutenção do SSOP com a empresa contratada.
Recomenda-se a utilização deste documento quando a operação optar por executar
TAP2 e/ou TLD com o acompanhamento da empresa contratada. Assim sendo, o fluxo
deve ser alterado conforme Figura 7 abaixo.

Figura 7
Caso o TRO seja necessário
Especificidade 3
Caso a Operação opte por assumir a operação & manutenção integral dos SOPs a
partir da conclusão satisfatória dos TAP1 (exemplo, após a conclusão dos testes com
fluido seguro em todos os SSOPs) e, desde que esta decisão esteja firmada em
cláusula do contrato, o fluxo deve ser alterado da seguinte forma:

Figura 8
Caso a Operação opte por assumir integralmente a responsabilidade pelo SOP após
TAP-1
Neste caso específico, caberá à empresa contratada iniciar a Operação Assistida do
SOP mantendo as responsabilidades técnicas e pelo saneamento das pendências
não-impeditivas.
As pendências impeditivas, que porventura surgirem durante a execução do TAP-2,
deverão ser solucionadas conforme as responsabilidades acordadas em contrato. O
Termo de Transferência e Aceitação Definitivo (TTAS-2) só poderá ser assinado
quando os requisitos estabelecidos para TAP2 e/ou TLD forem comprovados.
IMPORTANTE: É permitido a empresa contratada adotar combinações entre as três
especificidades
Responsabilidades e composição mínima dos documentos de transferência de SOPs
O Termo de Transferência e Aceitação de Sistema Provisório (TTAS-1) é de
responsabilidade da empresa contratada, devendo ser assinado após a comprovação
dos requisitos de transferência de um SOP estabelecidos no contrato.
O TTAS-1 deve conter minimamente os seguintes anexos, previamente acordados em
contrato:
* Lista de Equipamentos – Lista contendo relação dos equipamentos pertencentes ao
SOP;
* Lista de documentos – Lista contendo relação de:
* Documentos comprobatórios de treinamentos dos operadores;
* Procedimentos e Manuais de O&M do respectivo SOP;
* Relação de consumíveis, sobressalentes e ferramentas especiais pertencentes ao
SOP e igualmente transferidos.
* Lista de pendências não impeditivas – Lista contendo relação de pendências não-
impeditivas sob responsabilidade da empresa contratada;
* Lista de TAPs aprovados – Lista contendo a relação dos TAPs de todos os SSOPs
que compõem os SOP aprovados.
O documento deve conter a informação sobre a responsabilidade da empresa
contratada no tratamento de todas as pendências contidas na lista anexada ao TTAS-
1, sendo que esta não deverá ser alterada ou sofrer inclusões de novas pendências,
exceto nos casos de realização de testes previstos após a emissão do TTAS- 1,
visando à emissão do TTAS-2.
Na emissão do Termo de Transferência e Aceitação de Sistema Definitivo (TTAS-2), o
mesmo será assinado após a solução de todas as pendências de responsabilidade da
empresa contratada, listadas no TTAS-1, e atendido aos demais itens mínimos
estabelecidos em prévio e comum acordo no contrato.
A assinatura destes documentos não exime a empresa contratada, seus fornecedores,
subcontratados e terceiros de responsabilidades contratuais e/ou civis quanto à
garantia funcional e técnica do projeto e sua execução.
Após a realização dos TAPs dos SSOPs que compõem o SOP, e a eventual
inexistência de pendências de qualquer natureza e atendimento integral aos demais
itens mínimos definidos em contrato, a transferência definitiva do SOP poderá ser feita
diretamente através da assinatura dos campos do TTAS-1 e TTAS-2 simultaneamente.
Apesar de não ocorrer a transferência provisória, todos os demais anexos,
excetuando-se a lista Ed pendências inexistente, deverão estar anexos ao formulário e
apresentados.
3.7 Operação Assistida
A operação assistida é a atividade de apoio da empresa contratada às equipes de
operação e manutenção, por especialistas das diversas competências necessárias ao
funcionamento por sistemas operacionais e pela instalação, após a transferência,
mesmo que provisória (TTAS-1) de um SOP, com o objetivo de assegurar que o início
da operação seja a continuação segura da Pré-Operação & Partida. O encerramento
da Operação Assistida de cada SOP ocorre ao término do prazo estabelecido em
contrato.
Os dados necessários e documento de entrada nesta etapa são:
* Termo de Transferência e Aceitação de Sistemas (TTAS)
* Rede de Precedência de Partida
* Cronograma do empreendimento
* EAP detalhada
E o resultado esperado ao término do prazo das atividades de Operação Assistida de
cada SOP consiste em um SOP em operação normal.
As qualificações e as condições de nível de serviço devem ser definidas por meio de
instrumentos contratuais, de forma a garantir a continuidade operacional do sistema.
Deve-se registrar que a Operação Assistida inicia-se após a emissão do TTAS-1, e
portanto, até a emissão do TTAS-2 a empresa contratada deverá manter distintas as
equipes de Operação Assistida, que deve estar à disposição da Operação, e a equipe
de solução de pendências.
A conclusão da Operação Assistida marca a conclusão do escopo do
Comissionamento.
Orientações adicionais
A empresa contratada deve prestar os serviços de Operação Assistida durante os
horários de funcionamento do Sistema Operacional, em três níveis:
* Através de atendimento remoto, com a colocação à disposição dos operadores de
correio eletrônico e número de telefone específicos para essa finalidade.
* Através de atendimento local emergencial, através do comparecimento do
especialista à presença dos operadores quando solicitado.
* Através de atendimento local programado através da presença do especialista
durante a realização de atividades ou operações específicas onde a necessidade de
sua participação seja previsível (desde que esta programação seja feita com
antecedência de, no mínimo, quarenta e oito horas).

3.8 Transferência de Instalaçãoes


A Transferência da Instalação é o processo que visa ao encerramento da
implementação de empreendimento e compreende a transferência da instalação para
o usuário final e da responsabilidade integral e única pela gestão da Instalação, sendo
a assinatura do Termo de Transferência de Instalações (TTI) o principal marco do
processo.
O processo se inicia após a transferência definitiva do último SOP e a conclusão do
prazo de Operação Assistida do mesmo, incluso também o início da desmobilização
das equipes envolvidas no projeto, remoção de Infra-estruturas da instalação, entrega
dos documentos contratuais e demais documentação técnica para entrega ao
Operador.
Planejamento da Transferência das Instalações
Compreende a etapa de definição dos requisitos, atribuições e responsabilidades para
a transferência da instalação, que devem ser estabelecidos em contrato.
Este planejamento deve abordar, no mínimo, os seguintes assuntos:
* Rede de Precedência Preliminar de Sistemas Operacionais (SOP);
* Critérios para aceitação de TAF (Testes de Aceitação no Fornecedor);
* Treinamento das Equipes de Operação e Manutenção;
* Critérios de aceitação de Testes de Performance a serem adotados;
* Requisitos e prazos com relação à etapa de Operação Assistida pela empresa
contratada;
* Transferência de sobressalentes e ferramentas especiais e utilização de consumíveis
de processo;
* Definição das responsabilidades para transferência de dados para o Sistema de
Gestão de Manutenção da Operação;
* Requisitos para transferência da documentação técnica e legal;
* Requisitos para assistência técnica e manutenção da unidade após a Transferência
das Instalações.
Preparação para Transferência das Instalações
Quando todos os Sistemas Operacionais tiverem sido transferidos, ou seja, todos os
TTAS-2 assinados, e a Operação Assistida estiver concluída, a empresa contratada
deve se preparar para a conclusão do processo de transferência das instalações
executando atividades como, por exemplo:
* Desmontagem e remoção de estruturas temporárias da obra como andaimes,
tapumes, contêineres, embalagens, alojamentos, etc., ou o gerenciamento destas
atividades quando a execução for de responsabilidade da empresa contratada. As
instalações também devem estar limpas, organizadas e prontas para o trabalho normal
da Operação;
* Identificação e tratamento dos passivos ambientais;
* Substituição da sistemática utilizada para o Controle de Energias;
* Formatação da documentação técnica e legal para a entrega, atendendo aos
requisitos estabelecidos no Plano de Documentação;
* Preparação para desmobilização das equipes envolvidas no projeto;
* Verificar se os dados sobre itens comissionáveis foram transferidos para o Sistema
de Gestão de Manutenção da Operação durante a transferência dos SOPs.
Conclusão da Transferência das Instalações
A conclusão da Transferência das Instalações é a etapa que se caracteriza pela
formalização da aceitação das instalações pela empresa contratante, formalizado pela
aceitação formal da instalação através do Termo de Transferência da Instalação (TTI),
que deverá ser assinado pelas partes envolvidas.
Processo de Transferência da Documentação Técnica e Legal
Quando aplicável, os requisitos para transferência da documentação devem estar
contidos no Plano de Documentação do empreendimento.
Nos eventos de Transferência dos Sistemas Operacionais, devem ser transferidos os
documentos de projeto como, por exemplo, “as-built”, “data-books”, registros de Não-
Conformidades, etc.
Os Manuais de Operação e Manutenção dos Sistemas deve estar entregues ao
operador desde antes do início da etapa da Pré-Operação & Partida dos mesmos.
Documentos não transferidos
Recomenda-se às empresas contratadas, responsáveis pela Construção e Montagem
de um ativo / instalação, manter, por um período de 5 (cinco) anos a partir da data de
emissão do Termo de Transferência da Instalação, todos os registros da qualidade
gerados durante a Obra e não transferidos.

3.9 Gestão do Controle de Energias


Definição
Gestão do Controle de Energias deve ser adotada nos empreendimentos e visa
garantir a segurança entre a instalação existente em operação e os novos sistemas e
subsistemas operacionais que serão interligados a esta ao longo dos trabalhos de
construção e montagem, através do travamento mecânicos e/ou elétricos.
Este travamento deverá ser efetuado por meio de dispositivo mecânico apropriado
para garantir o isolamento das energias (correntes, multibloqueios, cadeados,
raquetes, flanges cegos, figura 8, trava disjuntor, etc.). As chaves dos cadeados e/ou
travas utilizados neste bloqueio, deverão ser guardados em local adequado que será
trancado por um cadeado sob a responsabilidade da empresa contratante definida em
contrato de serviços. Além do dispositivo de travamento, uma etiqueta padronizada
deverá ser utilizada para fornecer dados sobre o travamento.
A empresa contratada deverá elaborar matrizes de travamento e de Gestão do
Controle de Energias de acordo com padrão estabelecido em contrato e prover de um
banco de dados específico para o Controle de Energias.
Todo o processo deve estar bem detalhado em uma Análise Preliminar de Riscos –
APR, que deve ser elaborada antes do início das atividades e de preferência em
conjunto com as matrizes de travamento e de gestão de controle de energias.
Este controle deverá ser aplicado em todos os pontos onde ocorrerão novas
interligações mecânicas ou elétricas, aos sistemas já em operação ou que poderão
antecipadamente serem acionados e só poderá ser removido quando a gestão do
controle de energia da instalação, for transferido para o usuário final, responsável pela
operação.
Os colaboradores envolvidos diretamente na execução de novas interligações nos
empreendimentos deverão utilizar seu cadeado individual de travamento, como
dispositivo mecânico de isolamento de energia pessoal.
Todo o material necessário para efetuar a Gestão de Energias deverá ser fornecido
pela empresa contratada, por tanto deverá constar como item contratual.
Plano de Gestão do Controle de Energias
O plano deverá ser elaborado pela empresa contratada especificando os objetivos e
os resultados esperados, além do nível de autoridade, responsáveis, métodos e meios
necessários para o isolamento e controle das fontes de energia, etc. Este plano deve
ser aprovado pela empresa contratante e deverá conter no mínimo o seguinte:
* Todas as etapas necessárias para a parada ou intervenção, isolamento e bloqueio de
um equipamento ou sistema com fins de assegurar o controle das fontes de energia;
* Todas as etapas necessárias para a colocação, e remoção de dispositivos de
travamento (cadeados, raquetes, figura 8, travas, correntes, etc.);
* Exigências específicas para testes de verificação da eficácia dos dispositivos de
bloqueio, identificação, aviso e de outras medidas de controle de energia;
* A indicação de um local específico para guarda das etiquetas, cadeados, correntes,
pinos, cintas e outros dispositivos capazes de bloquear máquinas e equipamentos de
fontes de energia, com a finalidade de mantê-los disponíveis e em condições
adequadas de uso;
* Todas as intervenções e isolamentos deverão ser planejadas e analisadas através da
APR, com a participação da das partes envolvidas no contrato e as áreas de QSMS,
utilizando-se projetos, esquemas e diagramas atualizados e outros documentos que se
façam necessário. Na APR além das medidas mitigadoras dos riscos, devem estar
bem definidos e detalhados todos os equipamentos de proteção individual – EPI,
necessários para a realização segura das atividades;
* Deverão ser identificados todos os pontos que serão bloqueados e quais os tipos de
bloqueio que serão utilizados.
Processo para a Gestão de Controle Energias
Treinamento e Comunicação
* Deve existir um processo de comunicação e treinamento que garanta que os
objetivos e propósitos do Controle de Fontes de Energias sejam entendidos pelos
empregados que atuarão direta ou indiretamente aos trabalhos e que eles tenham os
conhecimentos necessários para aplicação dos procedimentos.
* Todo responsável pelo isolamento deve receber treinamento no reconhecimento das
fontes de energias, o tipo e magnitude das fontes de energias existentes em seu local
de trabalho, os métodos e meios necessários para o isolamento e controle das fontes
de energias.
* Todo empregado executante deve receber treinamento a respeito do Controle de
Fontes de Energias.
* Todos os demais empregados cujo trabalho seja realizado na área onde os
procedimentos estabelecidos pelo Programa de Controle de Fontes de Energias são
empregados devem receber informação a respeito do Controle de Fontes de Energias
e a respeito da proibição de energizar máquinas ou equipamentos que estejam
isolados ou etiquetados.
Matrizes de Isolamento
A elaboração das Matrizes de Isolamento e Bloqueio é de responsabilidade da
gerência de C&M a que pertence o equipamento ou sistema. As matrizes devem ser
previamente elaboradas por empregados treinados. A matriz de isolamento é utilizada
para orientar o isolamento, bloqueio e aviso dos equipamentos ou sistemas nos quais
é necessário realizar intervenções.
Uma Matriz de Isolamento deve ser específica para o objetivo (serviço) nela descrito, e
restrita a um único equipamento ou sistema, perfeitamente identificado e delimitado.
Antes de ser utilizada, a matriz de isolamento deve ser analisada quanto a sua
atualização e existência de modificações (mudanças) realizadas no equipamento ou
sistema.
Deve verificar a eficiência com que a energia foi isolada depois de concluído o
isolamento e bloqueio das fontes de energias pelo empregado autorizador
responsável.
Dispositivos de isolamento de energia
Os dispositivos mecânicos de isolamento de energia e dispositivos de manobras são
utilizados para isolar as energias dos equipamentos ou sistemas.
Cada dispositivo de isolamento deve receber um dispositivo de bloqueio. O uso
desses dispositivos garante que os dispositivos mecânicos de isolamento de energia e
de manobra não sejam movimentados acidentalmente. Tais dispositivos devem ser
instalados juntamente com suas respectivas etiquetas.
Alguns dispositivos de isolamento não possuem recursos para instalação de
dispositivos de bloqueio. Nestes casos, podem ser instalados lacres metálicos,
juntamente com sua respectiva etiqueta.
Nota 1: Quando se utilizar raquetes, figura 8 e flange cego, não é necessária a
instalação de cadeado e corrente.
Nota 2: As exceções serão definidas após Análise de Riscos com equipe
multidisciplinar e com a aprovação do gestor da atividade onde devem ficar definidas
ações que ofereçam o mesmo grau de segurança que os dispositivos de isolamentos.
Etiqueta de Advertência
Etiquetas de advertência devem ser instaladas em todos os pontos de bloqueio e/ou
isolamento, sendo o modelo da etiqueta ser definido em procedimento específico.
Remoção de Bloqueios e Isolamentos
Antes da remoção dos dispositivos de bloqueio, a área de trabalho deve ser
inspecionada por responsável pelo isolamento e todos envolvidos diretamente ao
bloqueio devem ser informados.
A remoção dos dispositivos de bloqueio, aviso e isolamento, deve ser realizada
apenas pelo empregado responsável ou autorizado e os dispositivos mecânicos de
isolamento serão removidos pelo empregado executante.
Violação (remoção)
A violação do cadeado só poderá ser realizada após autorização do gestor do
empreendimento ou responsável designado. Fora do horário administrativo o
coordenador responsável pelo turno poderá autorizar a violação, mediante
acompanhamento desta, comunicando formalmente ao gestor ou responsável
designado.
Responsabilidades
Ocorre a transferência de responsabilidade para o caso de bloqueios temporários, o
nde o responsável pelo isolamento ao concluir sua jornada, transfere a
responsabilidade pelas chaves, bem como todas as atividades pertinentes ao controle
de energias em uso, ao seu substituto correspondente, documentando este ato
através de relatório.
São de responsabilidade dos gerentes de C&M as seguintes ações:
* Designar os empregados revisores de sua gerência
* Autorizar a remoção de cadeado de bloqueio em caso de perda ou extravio da
chave.
Recomendações
Recomendações de bloqueio
* Notificar pessoal afetado;
* Bloqueio (desligamento) apropriado do equipamento;
* Isolar todas as fontes de energia;
* Aplicar os dispositivos de bloqueio e etiquetas de bloqueio;
* Checar novamente todos os bloqueios das fontes de energia
Recomendações para remoção de bloqueios das fontes de energia
* Assegurar que todas as ferramentas e itens tenham sido removidos;
* Confirmar que todos os empregados estejam em local seguro;
* Verificar se os controles estão neutros;
* Remover os dispositivos de bloqueio/isolamento e reenergizar o equipamento;
* Notificar todos os empregados afetados que os serviços foram completados.
Importância da Gestão e Controle de Energias para o Processo de Comissionamento
Considerando que o Processo de Comissionamento visa a transferência de uma
instalação de forma ordenada e segura da empresa construtora para a operação,
atendendo aos requisitos de desempenho, confiabilidade e rastreabilidade de
informações, dentro do prazo contratual e sem pendências, a Gestão e Controle de
Energias tem papel fundamental, pois a prevenção de ocorrências, acidentes e falhas
poderão impactar significativamente os objetivos do processo e interferir na
operabilidade da instalação.
3.10 Principais conclusões do capítulo
* Contribuir para que a documentação contratual contenha definições claras de
responsabilidade sobre as condições de operabilidade do ativo e sobre a transferência
das instalações;
* Contribuir para que o projeto básico do ativo inclua a visão operacional e de partida
das instalações;
* Contribuir para que o planejamento de implantação do empreendimento incorpore
uma estratégia bem definida de partida e de transferência do ativo;
* Contribuir para que as subcontratações realizadas incorporem requisitos
consistentes com a estratégia definida no planejamento e com as diretrizes
estabelecidas;
* Utilizar as diretrizes contidas no anexo contratual de comissionamento;
* Contribuir para que o projeto executivo do ativo aprofunde e dê continuidade aos
aspectos de comissionamento presentes no projeto básico, e produza as informações
necessárias ao processo em tempo hábil e na qualidade desejada;
* Assegurar que as empresas contratadas e que tenham envolvimento com o processo
de comissionamento sejam capacitadas para tal, dentro das diretrizes estabelecidas;
* Assegurar a capacitação do pessoal-chave envolvido no comissionamento do ativo;
* Assegurar que a organização de trabalho seja adequada à realização do processo de
comissionamento;
* Elaborar, durante o planejamento, os procedimentos de atividades de campo de
comissionamento para que sejam executados e registrados nas demais etapas do
processo;
* Contribuir e incentivar a participação do usuário final (responsável pela operação) em
todas as fases do processo de comissionamento, particularmente na Pré-Operação &
Partida;
* Contribuir para que as interfaces externas ao ativo e que sejam necessárias ao seu
funcionamento estejam disponíveis em tempo hábil;
* Transferir o ativo ao operador conforme contratado e respeitando as diretrizes
contratuais estabelecidas;
* Assegurar a rastreabilidade dos documentos do processo de comissionamento;
* Respeitar a rede de precedência de SOP e SSOP;
* Atuar como processo integrador da implementação de empreendimentos,
colaborando com a consistência entre os planejamentos dos demais processos;
* Coordenar o controle de energias perigosas em conjunto com o operador;
* Utilizar as ferramentas AST – Análise de Segurança da Tarefa e/ou APR – Análise
Preliminar de Riscos para execução de tarefas no campo;
* Atuar na gestão de pendências;
* Apoiar a operação, visando à estabilidade e a segurança da subida em produção da
instalação.
Capítulo 4 – FERRAMENTAS OU SISTEMAS DE GESTÃO DO PROCESSO
O objetivo de uma ferramenta ou sistema de gestão do processo de comissionamento
é acompanhar e registrar as atividades, fornecendo meios para monitorar e extrair
informações para decisões gerenciais, atendendo os requisitos técnicos exigidos pelas
boas práticas de mercado e procedimentos estabelecidos em contratos para execução
das atividades de comissionamento de uma instalação.
Resumidamente:
“O objetivo central de qualquer ferramenta ou sistema de gestão do processo de
comissionamento é falar a mesma língua, trabalhando da mesma forma, garantindo a
qualidade dos empreendimentos e agindo de forma proativa.”
* Falando a mesma língua tudo fica mais fácil e transparente para as partes envolvidas
no processo, minimizando as possíveis irregularidades, através da transparência no
processo de Comissionamento e da facilidade de utilização da ferramenta em todos os
projetos.
* Ao trabalhar da mesma forma as informações tornam-se padronizadas, fazendo com
que todos consigam analisar os dados da mesma forma, entendendo o projeto da
mesma maneira.
* O ganho é comum para a todos, já que dessa forma será possível executar os
projetos de forma similar e com o mesmo tipo de documentação, gerando maior
agilidade no controle das obras.
* Aplicando uma ferramenta ou sistema integrado de gestão para a condução do
Processo de Comissionamento, assegura-se que a rastreabilidade com uma maior
qualidade na entrega dos empreendimentos.
* Trata-se da execução do processo de forma diferente, buscando gerir pela qualidade,
com melhoria contínua na compilação das lições aprendidas.
* Ao seguir o processo e utilizar de forma adequada qualquer ferramenta, as ações de
trabalhar ficam mais proativas, podendo agir com base nas informações recebidas.
As principais características exigidas em um sistema de gestão para o processo de
comissionamento são:
* Ser amigável e acessível à todos os usuários envolvidos nas atividades de C&M e
Comissionamento das instalações;
* Atuar em ambiente web, com acesso via internet, permitindo aplicação durante testes
em fornecedores e sites de construções diferentes;
* Permitir o controle de acesso, por usuário, projeto e contratos;
* Perfis de acesso diferenciados dependendo das atribuições e funções de cada
usuário dentro do processo de comissionamento;
* Ser “multi-projetos”, ou seja, permitir aos gestores acesso simultâneo nos projetos
que o mesmo tiver acesso
* Possibilitar a carga de dados, independente das ferramentas fonte, de forma direta e
sem interfaces intermediárias;
* Permitir ampla rastreabilidade das informações e auditorias de processos;
* Ser acessível e permitir diversas interfaces;
* Permitir o controle de todas as fases do processo de comissionamento.
* Permitir o cadastro e o planejamento de todas as atividades de comissionamento,
organizadas por item, disciplina e sistema;
* Permitir o registro e a certificação dos resultados de todas as atividades;
* Emitir relatórios de acompanhamento organizados por item, disciplina, sistema, etc.;
* Ser compatível com sistemas de gestão de manutenção, de modo a permitir a
transferência simples de dados;
* Permitir a operação remota no campo, através de equipamentos tipo PDA.
Atualmente são muitas as opções de sistemas e ferramentas de controle do processo
de comissionamento disponíveis. Estas opções variam conforme o entendimento de
cada fabricante de software e/ou da empresa desenvolvedora a respeito do processo,
sendo as opções de mercado conhecidas, entre outras:
* SGCweb – PETROBRAS
* FIC – Ferramenta de Integração & Comissionamento – PETROBRAS
* HMS – Handover Management System – Forship Engenharia
* SIGCOM – Sistema de Gestão do Comissionamento – Technotag
* WinPCS – Windows Project Completion, Certification Tracking System