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CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO - FAVENI

APOSTILA
PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM E
DO DESENVOLVIMENTO

ESPÍRITO SANTO
APRENDIZAGEM

http://www.douradosnews.com.br/ultimas-noticias/psicopedagoga-luciane-sperafico-explica-sobre-dificuldades-de-aprendizagem

Conceito
Aprendizagem é um processo inseparável do ser humano e ocorre quando há
uma modificação no comportamento, mediante a experiência ou a prática, que não
podem ser atribuídas à maturação, lesões ou alterações fisiológicas do organismo.
Do ponto de vista funcional é a modificação sistemática do comportamento em caso
de repetição da mesma situação estimulante ou na dependência da experiência
anterior com dada situação
De acordo com as proposições das teorias gestaltistas é um processo
perceptivo, em que se dá uma mudança na estrutura cognitiva. Para que haja a
aprendizagem são necessárias determinadas condições:

• Fatores Fisiológicos - maturação dos órgãos dos sentidos, do sistema nervoso


central, dos músculos, glândulas etc.;

• Fatores Psicológicos - motivação adequada, autoconceito positivo, confiança em


sua capacidade de aprender, ausência de conflitos emocionais perturbadores etc.;

• Experiências Anteriores - qualquer aprendizagem depende de informações,


habilidades e conceitos aprendidos anteriormente.

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Características do processo de aprendizagem

https://www.primecursos.com.br/nocoes-de-psicologia-da-aprendizagem/

• Processo dinâmico - A aprendizagem é um processo que depende de intensa


atividade do indivíduo em seus aspectos físico, emocional, intelectual e social. A
aprendizagem só acontece através da atividade, tanto externa física, como também,
de atividade interna do indivíduo envolve a sua participação global.

• Processo contínuo - Todas as ações do indivíduo, desde o início da infância, já


fazem parte do processo de aprendizagem. O sugar o seio materno é o primeiro
problema de aprendizagem: terá que coordenar movimentos de sucção, deglutição e
respiração. Os diferentes aspectos do processo primário de socialização na família,
impõem, desde cedo, a criança numerosas e complexas adaptações a diferentes
situações de aprendizagem. Na idade escolar, na adolescência, na idade adulta e
até em idade mais avançada, a aprendizagem está sempre presente.

• Processo global - Todo comportamento humano é global; inclui sempre aspectos


motores, emocionais e mentais, como produtos da aprendizagem. O envolvimento
para mudança de comportamento, terá que exigir a participação global do indivíduo

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para uma busca constante de equilibração nas situações problemáticas que lhe são
apresentadas.

• Processo pessoal - A aprendizagem é um processo que acontece de forma


singular e individualizada, portanto é pessoal e intransferível, quer dizer ela não
pode passar de um indivíduo para outro e ninguém pode aprender que não seja por
si mesmo.

• Processo gradativo - A aprendizagem sempre acontece através de situações


cada vez mais complexas. Em cada nova situação uns maiores números de
elementos serão envolvidos. Cada nova aprendizagem acresce novos elementos à
experiência anterior, sem idas e vindas, mas em uma série gradativa e ascendente.

• Processo cumulativo - A aprendizagem resulta sempre das experiências vividas


pelo indivíduo que servem como patamar para novas aprendizagens. Ninguém
aprende senão, por si e em si mesmo, pela auto modificação. Desta maneira, a
aprendizagem constitui um processo cumulativo, em que a experiência atual
aproveita-se das experiências anteriores.

http://www.bastosmaia.com.br/noticias/os-diferentes-estilos-de-aprendizagem/

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APRENDIZAGEM E MATURAÇÃO

http://tribunadoreconcavo.com/saiba-as-diferencas-entre-dificuldade-e-transtorno-de-aprendizagem/

A maturação é constituída no processo de desenvolvimento pelas mudanças


do organismo que ocorrem de dentro para fora do indivíduo. Mas apesar destas
mudanças acontecerem apenas quando existe uma predisposição natural no
organismo do indivíduo, elas dependem de estimulações no meio ambiente para se
desenvolverem plenamente.
As características essenciais da maturação são:
1 - Aparecimento súbito de novos padrões de crescimento ou comportamento;
2 - Aparecimento de habilidades específicas sem o benefício de práticas anteriores;
3 - A consistência desses padrões em diferentes indivíduos da mesma espécie;
4 - O curso gradual de crescimento físico e biológico em direção a ser
completamente desenvolvido.
A aprendizagem, diferente da maturação, envolve uma mudança duradoura
no indivíduo, que não está marcada por sua herança genética. A aprendizagem se
constitui no processo de socialização do indivíduo e desenvolve gostos, habilidades,
preferências, contribui para formação de preconceitos, vícios, medos e
desajustamentos patológicos.

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A APRENDIZAGEM É CONDICIONADA PELA MATURAÇÃO

http://dislexicosaibaseusdireitos.blogspot.com.br/2009/05/transtornos-de-aprendizagem-escolar.html

De maneira geral, concluindo-se pelas próprias definições acima, a influência


dos professores é restrita aos padrões de maturação dos alunos. Na aprendizagem
esta influência pode ser determinante, com consequências que podem ser tanto
positivas quanto negativas.
As características específicas do ser humano: a fala, a noção de tempo, a
cultura e a capacidade de abstração, confere uma qualidade única ao estudo do seu
comportamento.
Ainda mais significativo que tudo o que foi dito, o homem, em seu processo
de percepção, pode observar-se simultaneamente como sujeito e objeto, como o
conhecedor e como o que deve ser conhecido. Enquanto nos animais inferiores
muitos dos comportamentos são supostamente instintivos, a criança, molda os seus
múltiplos padrões de comportamento. O período relativamente de dependência da
criança, em relação ao adulto, que se segue à necessidade total de ajuda logo após
o nascimento, contribui para que ele adquira a cultura de seu grupo. Utilizando seu
potencial intelectual relativamente alto e sua capacidade de se comunicar através da

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linguagem falada e der outros símbolos, os membros de cada geração constroem
sobre as realizações das gerações anteriores. A cultura de uma sociedade é o
resultado de muitas gerações de aprendizagem cumulativa.
O homem compartilha com outros mamíferos alguns impulsos orgânicos
primários como a fome, a sede, o sexo, a necessidade de oxigênio, de calor
moderado e de repouso e, possivelmente, umas poucas aversões primárias tais
como medo, raiva. A primeira manifestação de tais impulsos e aversões é um
processo de maturação. No entanto, o ser humano parece transcender de alguma
forma tais impulsos e aversões hereditários.
Parece não haver grupo de seres humanos que não tenha desenvolvido,
através da aprendizagem, alguns instrumentos para enriquecer seus contatos com o
mundo que o cerca. Os animais parecem encontrar satisfação no uso de qualquer
das capacidades que possuem. Da mesma maneira, o homem encontra satisfação
no uso de suas capacidades e habilidades.

http://asesoriacomercialycoachcom.blogspot.com.br/2012/05/que-son-las-competencias-las.html

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APRENDIZAGEM E DESEMPENHO

É fundamental para se concluir como esta transcorrendo a aprendizagem a


observação do comportamento do indivíduo. O desempenho pode ser considerado
como o comportamento observável do indivíduo. Destarte, a aprendizagem não
pode ser observada diretamente; só pode ser inferida do comportamento ou do
desempenho de uma pessoa.
Para tanto devem ser observadas determinadas características do
desempenho que servirão como indicadores do desenvolvimento da aprendizagem
ou da aquisição de uma habilidade. A característica principal é quando o
desempenho da habilidade melhorou, durante um período de tempo no qual houve a
prática. A pessoa sendo assim mais capaz de desempenhar a habilidade do que era
anteriormente.
A melhoria do desempenho deve ser marcada por certas características:
1 - O desempenho deve ser, como resultado da prática, persistente, ou seja,
relativamente constante. Deve ser duradoura no tempo.
2 - As flutuações do desempenho devem ser cada vez menores, ocorrendo menos
variabilidade.

Aprendizagem é uma mudança no estado interno do indivíduo, que é inferida de uma


melhora relativamente permanente no desempenho como resultado da prática.

http://www.correiodeuberlandia.com.br/cidade-e-regiao/problemas-afetam-aprendizagem-escolar/

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Modelo de aprendizagem motora

Segundo Fitts e Posner, existem três estágios que caracterizam a


aprendizagem motora:

1 - Estágio Cognitivo - Se caracteriza por uma grande quantidade de atividade


mental e intelectual. O principiante costuma responder às técnicas ou estratégias,
apresentando grande número de erros grosseiros no desempenho;

2 - Estágio Associativo - A atividade cognitiva envolvida na produção de respostas


decai. Mecanismos básicos da habilidade foram aprendidos até certo ponto. O
aprendiz está concentrado em refinar a habilidade. Detecta alguns dos seus erros. A
variação de desempenho começa a decrescer;

3 - Estágio Autônomo - As habilidades são aprendidas a um tal grau que respostas


são geradas de maneira quase automática. Desenvolve capacidade para detectar
seus erros e que espécies de ajustes são necessários para corrigir os erros. A
variação do desempenho de dia a dia já se torna muito pequena.

http://unesdoc.unesco.org/images/0022/002249/224990POR.pdf

É importante entender esses estágios de aprendizagem para


determinação de estratégias instrucionais apropriadas a serem
utilizadas ao ensinar habilidades motoras.

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http://unesdoc.unesco.org/images/0022/002249/224990POR.pdf

O desempenho inicial na aprendizagem nem sempre permite predizer com


precisão o desempenho posterior. O desempenho posterior deve ser considerado a
partir de:
a) determinação das capacidades relacionadas com a tarefa;
b) motivação para ter sucesso e para continuar a aprender a habilidade;
c) instrução inicial deve enfatizar os fundamentos importantes da habilidade a ser
aprendida;
d) quantidade de tempo de prática disponível do indivíduo é importante na
determinação do sucesso posterior.

Esses fatores além de serem valiosos na previsão do


desempenho futuro, são geradores de informações para
determinar o que deve ser incluído no plano de instrução,
para ajudar o estudante a desenvolver seu potencial.

http://www.funkids.com.br/a-escola/aprendizagem/

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APRENDIZAGEM E MOTIVAÇÃO

https://psicologosepsicologias.com/category/necessidades-educativas-especiais/page/9/

Dentre todos os fatores que influenciam no processo de aprendizagem, o


mais importante deles é, sem dúvida, a motivação. Sem motivação não há
aprendizagem. Podem existir os mais diversos recursos para a aprendizagem, mas
se não houver motivação ela não acontecerá.

Funções dos motivos

A motivação existe quando o indivíduo se propõe a emitir um comportamento


desejável para um determinado momento em particular. O indivíduo motivado é
aquele que se dispõe a iniciar ou continuar o processo de aprendizagem.
São três as funções mais importantes dos motivos:
• Os motivos têm a função de manter ativo o organismo para que a
necessidade que gerou o desequilíbrio seja satisfeita;
• Os motivos dão direção ao comportamento para que os objetivos sejam
alcançados, definindo quais os mais adequados para conduzir a ação;
• Os motivos fazem a seleção das respostas que satisfazem as necessidades
para que possam ser reproduzidas posteriormente, quando situações
semelhantes se apresentarem.

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TEORIAS DA MOTIVAÇÃO

http://pensamentosdosucesso.com/como-aumentar-motivacao/

A seguir serão apresentadas as quatro linhas teóricas que abordam a questão


da motivação dentro da Psicologia.

Teoria do condicionamento

Segundo esta teoria, para que o indivíduo seja motivado a emitir determinado
comportamento, é preciso que esse comportamento seja reforçado seguidamente. A
aprendizagem só acontece caso haja a associação de determinada resposta a um
reforço, até que o indivíduo fique condicionado.
Em outras palavras, uma necessidade (estímulo) leva a uma atividade
(resposta) que a satisfaz, e aquilo que satisfaz ou reduz a necessidade serve como
reforço da resposta. Isto é, o indivíduo age para alcançar um reforço que vai
satisfazer sua necessidade.
De acordo com a teoria do condicionamento, só há motivação para aprender
em sala de aula na medida em que as matérias oferecidas estiverem associadas a
reforços que satisfaçam certas necessidades dos alunos.

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Teoria cognitiva

A teoria cognitiva, ao contrário da teoria do condicionamento que considera a


aprendizagem como resultado de uma série de estímulos externos para reforço do
comportamento, dá maior importância a aspectos internos, racionais, como:
objetivos, intenções, expectativas e planos do indivíduo.
A teoria cognitiva considera que, como ser racional, o homem decide
conscientemente o que quer ou não quer fazer. Pode interessar-se pelo estudo da
matemática por compreender que esse estudo lhe será útil no trabalho, na
convivência social, ou apenas para satisfazer sua curiosidade ou porque se sente
bem quando estuda matemática.

http://psicopedagogia19.blogspot.com.br/2011/11/teoria-cognoscitiva.html

Teoria humanista

Para Maslow, um dos principais formuladores desta teoria, o comportamento


humano pode ser motivado pela satisfação de necessidades biológicas, mas que
toda motivação humana não poderia ser explicada em termos de privação,
necessidade e reforçamento.

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Para Maslow existe uma hierarquia de necessidades que vão se
manifestando a medida que as necessidades básicas, consideradas por ele de
ordem inferior, são satisfeitas e, que evoluem em direção a necessidades de ordem
superior. Quando não há alimento, o homem vive apenas pelo alimento. Mas o que
acontece quando o homem consegue satisfazer sua necessidade de alimento?
Imediatamente surgem outras necessidades, cuja satisfação provoca o
aparecimento de outras.
Esquematicamente, Maslow construiu uma pirâmide, que segundo ele,
localiza esta hierarquia de sete conjuntos de motivos-necessidades:

• Necessidades fisiológicas – um indivíduo com as necessidades fisiológicas –


oxigênio, líquido, alimento e descanso – insatisfeitas tende a comportar-se como um
animal em luta pela sobrevivência. É a satisfação dessas necessidades que permite
ao indivíduo dedicar-se a atividades que satisfaçam necessidades de ordem social;
• Necessidade de segurança – é o comportamento manifesto diante do perigo e de
situações estranhas e não familiares. É essa necessidade que orienta o organismo
na ação rápida em qualquer situação de emergência, como doenças, catástrofes
naturais, incêndios, etc.

• Necessidade de amor e participação – expressa-se no desejo de todas as


pessoas de se relacionarem afetivamente com os outros, de pertencerem a um
grupo.

• Necessidade de estima – leva-nos à procura de valorização e reconhecimento por


parte dos outros. Quando essa necessidade é satisfeita, sentimos confiança em
nossas realizações, sentimos que temos valor para os outros, sentimos que
podemos participar na comunidade e ser úteis.

• Necessidade de realização – expressa-se em nossa tendência a transformar em


realidade o que somos potencialmente, a realizar nossos planos e sonhos, a
alcançar nossos objetivos. A satisfação da necessidade de realização é sempre
parcial, na medida em que sempre temos projetos inacabados, sonhos a realizar,
objetivos a alcançar.

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• Necessidade de conhecimento e compreensão – é a curiosidade, a exploração
e o desejo de conhecer novas coisas, de adquirir mais conhecimento. Essa
necessidade é mais forte em uns do que em outros e sua satisfação se realiza
através de análises, sistematizações de informações, pesquisas, etc. Essa talvez
devesse ser a necessidade específica a ser atendida pela atividade escolar.

• Necessidade estética – manifesta-se através da busca constante da beleza. Essa


necessidade, segundo Maslow, parece ser universal em crianças sadias e a escola
pode contribuir muito para sua satisfação.

http://www.dicasdeescrita.com.br/ficcao/criacao-de-personagem-piramide-de-maslow/

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Teoria psicanalítica

Para a teoria psicanalítica, criada por Sigmund Freud, as primeiras


experiências infantis são os principais fatores a determinar todo o desenvolvimento
posterior do indivíduo. A maior parte dos motivos seriam, assim, inconscientes.
Quando criança, todo indivíduo tem uma série de impulsos e de desejos que procura
satisfazer. Entretanto, muito desses impulsos e desejos não podem ser satisfeitos,
em virtudes das sanções sociais. Assim, eles são reprimidos para o inconsciente e lá
se organizam a fim de se manifestarem de outra forma, de uma maneira que não
contrarie as normas sociais.
Na prática clínica, Freud, pesquisando sobre causas e funcionamento das
neuroses, descobriu que a grande maioria dos pensamentos e desejos reprimidos
eram de ordem sexual, localizados nos primeiros anos de vida do indivíduo. Na vida
infantil estavam as experiências traumáticas, reprimidas que originavam os sintomas
atuais. Essas ocorrências deixavam marcas profundas na estrutura da
personalidade. Freud, então, coloca a sexualidade no centro da vida psíquica e
postula a existência da sexualidade infantil.

http://pedro-sampaio.blogspot.com.br/2011/09/por-que-nao-sou-um-psicanalista-parte-1.html

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TEORIAS DA APRENDIZAGEM

http://www.superaprendizado.com/dificuldades-de-aprendizagem-voce-sabe-quais-sao/

As teorias da aprendizagem se caracterizam como uma área bem específica


dentro da psicologia teórica na tentativa de fundamentar como surge a natureza
essencial do processo de aprendizado. Serão apresentadas a seguir as principais
teorias que procuram compreender e explicar o processo de aprendizagem:

Watson e o behaviorismo

No início de nosso século, vários psicólogos preocupavam-se em fornecer à


Psicologia foros de ciência. Tal tentativa já havia sido feita pelos adeptos das ideias
de Wundt, criador da Psicologia Fisio1ógica; nos Estados Unidos, J.B. Watson
insistia em que o corpo voltasse a centralizar os estudos psicológicos e propunha
que a Psicologia mudasse seu foco da consciência para o comportamento. O
objetivo de Watson era que a ciência psicológica se interessasse por indícios
publicamente verificáveis, ou seja, dados abertos à observação de outros, estudados
por diversos pesquisadores, que poderiam chegar a conclusões uniformes.

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Watson foi iniciador da escola behaviorista. Ele considerava a pesquisa
animal a única verdadeira, pela sua possibilidade de verificação empírica. Propunha
a abolição dos métodos introspectivos, devido à sua falta de objetividade. Rejeitava
o estudo da consciência e atacava veementemente a análise da motivação em
termos de instintos.
Na sua época, era frequente admitir que muitos comportamentos fossem
inatos e constituíssem instintos. Watson propôs a tese de que herdamos apenas
estrutura física e alguns reflexos. Três tipos de reação emocional são inatos: medo,
cólera e amor; todas as outras reações emocionais são aprendidas em associação
com eles, através de condicionamento.
A influência de Watson foi tão grande, que a maioria das teorias que se
seguiram foram behavioristas e, portanto, preocupadas com os fatores puramente
objetivos, baseando-se na pesquisa com animais e preferindo a análise do tipo
estímulo-resposta.

http://pt.slideshare.net/ThalesRocha666/behaviorismo-clssico-e-tericos

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Teoria do condicionamento clássico

O fisiologista russo Ivan P. Pavlov (1849-19360), estava interessado em


descobrir princípios do funcionamento das glândulas salivares e usava cães em
suas experiências. Em uma de suas experiências um fato em particular chamou sua
atenção. Pavlov verificou os animais salivavam, de maneira abundante, não apenas
a vista e cheiro do alimento, mas também na presença de outros estímulos
associados a ele, como o som de passos fora da sala, na hora da alimentação.
Desta forma ele chegou à conclusão de que o reflexo salivar, provocado
normalmente pela presença do alimento na boca, também podiam ser provocados
por outros estímulos associados aos alimentos.
Começou, então, a relacionar o alimento a outros estímulos, originalmente
neutros quanto à capacidade de provocar a salivação, como a luz de uma lâmpada
ou o som de uma campainha. Verificou que, se o alimento fosse muitas vezes
precedido destes estímulos, o cão passaria a salivar também na sua presença. A
esta reação Pavlov denominou: reflexo condicionado.
Posteriormente, os psicólogos passaram preferir a expressão – resposta
condicionada -, uma vez que este tipo de aprendizagem não se limita só aos
comportamentos reflexos.

http://www.dogpinda.com/pag.php?id=adestramento1

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Teoria do condicionamento operante

O psicólogo americano B. F. Skinner, nascido em 1904, fez uma distinção


entre dois tipos de comportamentos: as respostas provocadas por um estímulo
específico e aquelas que são emitidas sem a presença de um estímulo conhecido.
Ao primeiro tipo de respostas Skinner chamou – respondente-; e ao segundo –
operante.
O comportamento respondente é automaticamente provocado por
estímulos específicos como, por exemplo, a contração pupilar mediante uma luz
forte. O comportamento operante, no entanto, não é automático, inevitável e nem
determinado por estímulos específicos.

http://slideplayer.com.br/slide/7001676/

Assim, caminhar pela sala, abrir uma porta, cantar uma canção, são
comportamentos operantes, já que não se pode estipular quais os estímulos que os
causaram. O que caracteriza o condicionamento operante é que o reforço não
ocorre simultaneamente ou antes da resposta (como no condicionamento clássico)
mas sim aparece depois dela.
A resposta deve ser dada para que depois surja o reforço, que, por sua vez,
torna mais provável nova ocorrência do comportamento. A aprendizagem não se
constitui, como no condicionamento clássico, em uma substituição de estímulo, mas
sim em uma modificação da frequência da resposta.

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Teoria da aprendizagem por ensaio e erro

Este tipo de aprendizagem foi primeiramente estudada por Edward Lee


Thorndike (1874-1949), psicólogo americano. Seus experimentos foram feitos com
animais, preferencialmente gatos. Um gato faminto era colocado em uma gaiola com
o alimento à vista do lado de fora. O gato ao tentar sair da gaiola para conseguir o
alimento produzia uma série de ensaios ou tentativas. Ocasionalmente, ele tocava
na tranca que abria a gaiola e o alimento era alcançado. O experimento era repetido
durante alguns dias e o gato, ia, aos poucos, eliminando os ensaios infrutíferos para
sair da gaiola, coisa que conseguia em cada vez menos tempo, até que nenhum erro
mais era cometido e o gato saia da gaiola com apenas um movimento preciso: o de
abrir a tranca.
O ensaio e erro é um tipo de aprendizagem que se caracteriza por uma
eliminação gradual dos ensaios ou tentativas que levam ao erro e à manutenção
daqueles comportamentos que tiveram o efeito desejado. Thorndike formulou, a
partir de seus estudos, leis de aprendizagem, das quais se destacam a lei do efeito
e a lei do exercício.

http://pt.slideshare.net/otiagom/lei-do-efeito

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A lei do efeito, afirma que um ato é alterado pelas suas consequências.
Assim, se um comportamento tem efeitos favoráveis, é mantido; caso contrário,
eliminado. A lei do exercício propõe que a conexão entre estímulos e respostas é
fortalecida pela repetição. Em outras palavras, a prática, ou exercício, permite que
mais acertos e menos erros sejam cometidos como resultado de um comportamento
qualquer.
Pode-se notar a semelhança existente entre este tipo de aprendizagem e o
condicionamento operante. Alguns autores, porém, estabelecem uma diferença,
afirmando que o ensaio e erro é mais complexo, já que envolve a intenção do
indivíduo na aquisição de algum efeito específico.

Teoria da aprendizagem cognitiva

Para John Dewey a aprendizagem deve estar vinculada aos problemas


práticos aproximando-se o mais possível da vida cotidiana dos alunos. À escola
cabe preparar seus alunos para a vida democrática, para a participação social, deve
praticar a democracia dentro dela, dando preferência à aprendizagem por
descoberta.

Fonte: http://aprendizagemfm01.blogspot.com.br/

Para Dewey, seis são os passos que caracterizam o pensamento científico:

• Tornar-se ciente do problema – É necessário que o problema proposto tenha


significado para o indivíduo. O problema deve ser transformado em uma
necessidade individual que lhe proporcione estímulos suficientes;

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• Esclarecimento do problema – Consiste na coleta de dados e informações sobre
o problema proposto. É onde vai se selecionar a melhor forma de atacar o problema,
através dos recursos disponíveis;
• Aparecimento da hipótese – São as possibilidades que surgem para a provável
solução do problema. As hipóteses costumam surgir após um longo período de
reflexão sobre o problema e suas implicações, a partir dos dados coletados na etapa
anterior.
• Seleção da hipótese mais provável – É o confronto da hipótese com o que se
conhece do problema. Passando de uma hipótese a outra na medida que vão se
mostrando ineficazes para a resolução do problema uma hipótese verifica-se outra;
• Verificação de hipótese - É na prática que acontece a verdadeira prova da
hipótese que será comprovada na ação;
• Generalização – Em situações posteriores semelhantes, uma solução já
encontrada poderá contribuir para a formulação de hipótese mais realista. A
capacidade de generalizar consiste em saber transferir soluções de uma situação
para outra.

Teoria da aprendizagem fenomenológica

As significações produzidas pelos indivíduos são, para teoria fenomenológica,


assim como a teoria cognitiva, acima descritas, e a teoria da gestalt, que veremos
mais adiante, de grande relevância para compreensão do processo de
aprendizagem. A criança é vista como um ser que aprende naturalmente. A
aprendizagem só acontece a partir do material que se vincule a experiência do
indivíduo. Assim, existem alguns passos que devem para facilitar a aprendizagem do
indivíduo, a partir de sua própria experiência.

• Proporcionar aos alunos oportunidades de pensamento autônomo, criando um


clima de diálogo, que os encoraje a expressar suas opiniões e a participar das
atividades do grupo;

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• Os alunos devem desenvolver suas atividades em acordo com o ritmo pessoal. O
êxito e a aprovação sendo considerados a partir das realizações individuais;

https://kumon.com.br/ensino-fundamental-1/passo-1/

• Oferecer aos alunos a oportunidade de utilizar um impulso universal presente em


todos os seres humanos, no sentido de concretizar suas próprias potencialidades.
Sem podá-los em uma camisa de força, prendendo-os à competição artificial e ao
rígido sistema de notas.

Teoria da aprendizagem da Gestalt

Os psicólogos que preconizaram a teoria da Gestalt, como Köhler, Koffka,


defendiam que a experiência e a percepção são mais importantes que as respostas
específicas no processo de aprendizagem. Segundo eles a aprendizagem acontece
através de insight, que se constituem em uma compreensão súbita para solução de
problemas. Mas para que isso ocorra existe a necessidade de experiências
anteriores vinculadas ao problema e só acontece em consequência de uma
organização permanente da experiência, que permite a percepção global dos
elementos significativos.

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TRANSFERÊNCIA DA APRENDIZAGEM

http://videoaula.cefac.br/cursos.php?cat=36

Conceito e importância da transferência

A transferência de aprendizagem acontece quando o indivíduo é capaz de


transmitir o material retido em uma primeira experiência para as próximas
experiências. É a influência de um órgão ou capacidade, sobre outra capacidade ou
órgão, ainda não exercitado.
A experiência é aprendida em seu conjunto e transferida como tal para uma
situação nova, quando há identidade de estrutura ou função entre as situações. É o
problema de transportar e de aplicar em uma situação conhecimentos, habilidades,
ideais, valores, hábitos e atitudes, adquiridos em outros setores, ou situações de
vida.
Este problema afeta diretamente o conteúdo e método de ensino. Porque se
acreditamos que, a aprendizagem é uma função tão específica que só é aplicável à
matéria ou à habilidade diretamente envolvida, a orientação do ensino será diferente
de quando se venha acreditar que a aprendizagem é um processo geral, que
permite transferência a uma variedade ampla de áreas de atividades.

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Transferência positiva e negativa

Dizemos que houve uma transferência positiva quando uma aprendizagem


anterior favorece uma nova aprendizagem. Dizemos que houve uma transferência
negativa quando uma aprendizagem prejudica outra aprendizagem posterior.

http://renataminozzo.blogspot.com.br/2015/11/transferencia.html

Teorias da transferência

As teorias da transferência da aprendizagem tiveram sua origem nas críticas


à teoria da disciplina formal. A teoria da disciplina formal concebia a mente
composta de faculdades, tais como: memória, raciocínio, vontade, atenção. Assim,
bastava que estas “faculdades da mente” fossem, adequadamente, treinadas para
que funcionassem igualmente bem em todas as situações, mesmo que a
aprendizagem houvesse ocorrido em uma situação particular. O ensino de latim, por
exemplo, treinava a capacidade de raciocínio lógico para qualquer tipo de situação.
Na teoria da disciplina formal, a ênfase não se vinculava, de maneira
específica, na matéria. Era mais importante para a educação a forma da atividade do
que o conteúdo em si mesmo. A educação, seria então, em grande medida, uma
questão de exercitar ou disciplinar a mente, de acordo com rigorosos exercícios
mentais nos autores clássicos, em lógica, matemática, etc.
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Contudo, William James (1890), em um trabalho experimental conclui que a
melhora da memória consistia, não em qualquer melhora na retenção, mas no
aperfeiçoamento do método de memorizar. Este experimento foi o ponto de partida
para experiências posteriores, cujos resultados vieram contrariar a doutrina da
disciplina formal.

Teoria dos elementos idênticos

Tem como autor Thorndike. Afirma que há transferência de aprendizagem


quando se verifica identidade de CONTEÚDO (Exemplo: a análise lógica em uma
língua auxilia na aprendizagem de outra.); de MÉTODO ou PROCESSO (Exemplo: o
estudo de uma lição, lendo o conjunto e depois repetindo trechos difíceis é processo
que faculta o estudo de outra lição do mesmo tipo.); de ATITUDE (Exemplo: o hábito
de aprender teoremas depois de algum esforço leva o indivíduo a esperar dominar
com esforço novo teorema.); de GENERALIDADES de fatos compreendidos
(Exemplo: regras, princípios, leis, etc., induzidos e aplicados a seguir a casos
particulares diversos, habilitam o indivíduo a aprender outros casos particulares,
pelo pensamento dedutivo).
Nesta teoria a transferência é a repetição, em uma nova situação, de uma
reação já aprendida anteriormente.

http://www.livrosepessoas.com/tag/sala-de-aula/

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Teoria da generalização da experiência

Nesta teoria, que tem Judd como precursor, os fatores mais importantes são:
o Método de Ensino ou de Estudo e Grau de Auto Atividade despertada no aluno. A
matéria ou conteúdo a ser aprendido é de muito pouca importância.
Esta teoria preconiza que, a função da educação é treinar a inteligência,
internalizar o método científico, assistir os alunos a abstrair o geral e essencial dos
aspectos particulares e acidentais em suas experiências. Esta teoria enfatiza a
aplicabilidade de princípios e generalizações a situações variadas e diversas.
A repetição do experimento original de Judd, por outros estudiosos, conclui
que as crianças acostumadas com o princípio da refração da luz foram mais
capazes de atingir um alvo submerso na água do que crianças que não conheciam o
princípio.

http://tutores.com.br/blog/aprender-sempre/

Teoria dos ideais de proceder

O autor desta teoria, Bagley considera que a generalização não representa


tudo, mas que deve ser associada a um ideal e possuir um conteúdo emocional,
Para Bagley, a aprendizagem de hábitos de ordem, por exemplo, não se transfere
da aritmética para a ortografia, mas que, se a aprendizagem de tais hábitos for
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considerada um ideal, e enfatizada pelo professor, será transferida para outros
assuntos, sem que seja preciso referência especial sobre os mesmos.
Esta teoria acentua a transferência através da formulação de ideais e atitudes
generalizadas, constituindo outra versão da teoria da generalização da experiência.

Teoria da Gestalt

Esta teoria enfatiza outro aspecto do conceito de generalização. Para seus


partidários, quanto maior o significado de uma experiência, tanto mais rica sua
conceituação e mais profunda a sua compreensão, maiores serão suas
possibilidades de transferência.
Para os gestaltistas, o discernimento (Insight) das relações entre os
elementos da situação é o meio que garante a aprendizagem e é este conhecimento
das relações que se transfere na aprendizagem.
Os gestaltistas explicam a transferência através do que denominam
“transposição”. Por exemplo, determinada canção ouvida em certo tom pode ser
reconhecida em outro, ainda que todos os componentes da canção sejam diversos.
Identicamente, gatos treinados a comer no prato maior, quando encontram outros
dois pratos, onde o que era maior é agora o menor dos dois, comem no maior e não
naquele no qual aprenderam a comer. Os gatos reagem não às partes, os pratos,
mas à relação maior-menor, que continua existindo.
Esta teoria preconiza que, a função da educação é treinar a inteligência,
internalizar o método científico, assistir os alunos a abstrair o geral e essencial dos
aspectos particulares e acidentais em suas experiências. Esta teoria enfatiza a
aplicabilidade de princípios e generalizações a situações variadas e diversas.
A repetição do experimento original de Judd, por outros estudiosos, conclui
que as crianças acostumadas com o princípio da refração da luz foram mais
capazes de atingir um alvo submerso na água do que crianças que não conheciam o
princípio.

29
REFERENCIAIS

BARROS, Célia S.G. Pontos da Psicologia Geral. SP: Ática, 1995.

BOCK, Ana M.Bahia; FURTADO, O e TEIXEIRA, M.L. Psicologias - Uma Introdução


ao Estudo de Psicologia. SP: Saraiva, 1993.

BOWDITCH, James L. e BUONO, Anthony F. Elementos de Comportamento


Organizacional. São Paulo: Pioneira, 1997.

BRAGHIROLLI, Elaine Maria. Psicologia Geral. RJ: Vozes. 1995.


CÓRIA-SABINI, Maria Aparecida. Fundamentos de Psicologia Educacional. SP:
Ática, 1986.

DAVIDOFF, Linda L. Introdução à Psicologia. SP: McGraw-Hill do Brasil, 1991.

DAVIS, Cláudia e OLIVEIRA, Zilma Ramos de. Psicologia na educação. 2 ed.,


SP:Cortez, 1994.

GREENING, Thomas C. Psicologia Existencial-Humanista. RJ: Zahar, 1975.

MOULY, G. J. Psicologia Educacional. SP: Pioneira, 1966.

PENNA, A Introdução à História da Psicologia Contemporânea. Rio de Janeiro,


Zahar, 1980.

PILETTI, Nelson. Psicologia Educacional. 13 ed. SP: Ática, 1995.

TELES, Maria Luiza S. O que é Psicologia. SP: Brasiliense, 1993.

SCHULTZ, Duane P. e SCHULTZ, Sydney Ellen. História da Psicologia Moderna.


SP: Cultrix,1992.
30
Secretária Municipal de Educação RJ. MULTIEDUCAÇÃO: Núcleo Curricular Básico
Rio de Janeiro, 1996.

STATT, David A . Introdução à Psicologia. SP: Harbra, 1978.

31
ARTIGO PARA REFLEXÃO

Nome do autor: Jeniffer Satie Vaz Ogasawara


Disponível em: http://www.uneb.br/salvador/dedc/files/2011/05/Monografia-
Jenifer-Satie-Vaz-Ogasawara.pdf
Acesso: 17 de junho de 2016

O CONCEITO DE APRENDIZAGEM DE SKINNER E VYGOTSKY:


UM DIALÓGO POSSÍVEL

RESUMO

Muitas são as teorias de aprendizagem existentes, atualmente, no âmbito acadêmico. Isso se deve
ao fato de cada teórico escolher estudar os aspectos que acreditam ser essenciais para as questões
da educação. Contudo, sabe-se que nenhuma delas esgota e explica todos os questionamentos
dessa área de conhecimento. Esse estudo versa sobre duas dessas teorias com o objetivo geral de
discutir a relação entre as teorias de aprendizagem de Skinner e Vygotsky e suas contribuições para
o processo ensino-aprendizagem. Assim, fez-se necessário descrever o conceito de aprendizagem
de Skinner e Vygotsky, apontando as suas implicações pedagógicas, para em seguida comparar os
principais pressupostos de cada teoria. Para atender aos objetivos deste estudo comparativo utilizou-
se da pesquisa exploratória do tipo bibliográfica. Buscou-se, então, fazer um levantamento sobre as
principais obras dos autores escolhidos, para em seguida destacar os principais conceitos envolvidos
na questão da aprendizagem. Diferentemente da idéia difundida na comunidade acadêmica,
esclareceu-se que as abordagens possuem vários pontos de convergência, mas que também
divergem em alguns aspectos. Uma conclusão obtida com a realização deste trabalho se refere ao
conceito principal de cada autor para o entendimento do processo de ensino - aprendizagem. Espera-
se que este trabalho possa contribuir para um melhor entendimento da teoria de Skinner bem como,
explique alguns equívocos difundidos sobre sua abordagem, contribuindo também para ampliar a
compreensão geral sobre as diferentes abordagens para o conceito de aprendizagem facilitando a
prática pedagógica.

Palavras-chaves: Teoria de Aprendizagem; Skinner; Vygotsky; Prática pedagógica.


INTRODUÇÃO
32
Inúmeros são os teóricos que discutem a teoria da aprendizagem. Cada um
destes define e aponta os principais focos que devem ser analisados para o
entendimento do assunto. Bock, Furtado e Teixeira (2000) colocam como principais
pontos abordados pelos estudiosos que se propõem a estudar esse processo a
natureza e os limites da aprendizagem, como também a participação dos aprendizes
e a motivação durante o processo. Outro ponto bastante discutido é a importância do
outro na aquisição de novos conhecimentos.
Na tentativa de explicar a existência de diversos resultados para pesquisas
que se referem ao campo da Psicologia, Cunha (1998) expõe que nessa ciência os
paradigmas são vistos como revolucionários e inéditos, pois são muito diferentes
entre si. Isto ocorre pois cada teórico acaba por encaminhar suas pesquisas de
acordo com o que acredita ser essencial.
Dentre os autores que estudaram a aprendizagem, aparecem Vygotsky e
Skinner, os escolhidos para o desenvolvimento deste trabalho. Esses autores são
considerados opostos no que se refere às ideias que desenvolveram sobre o tema
da aprendizagem, principalmente, pelo fato dos teóricos pertencerem a abordagens
diferentes da psicologia. O primeiro ficou mais conhecido por sua ênfase nas
questões cognitivas e do desenvolvimento humano, já o segundo focou seu trabalho
para o estudo do comportamento.
Contudo, ao analisar mais detalhadamente os escritos de cada um sobre o
tema, é possível perceber inúmeras semelhanças das suas formas de pensamento.
Desse modo, o objetivo geral desse estudo é discutir a relação entre as teorias de
aprendizagem de Skinner e Vygotsky e suas contribuições para o processo ensino
aprendizagem. Para isso, faz-se necessário descrever o conceito de aprendizagem
de Skinner e Vygotsky, apontando as suas implicações pedagógicas e em seguida,
faz-se uma comparação dos principais conceitos propostos por ambos. Para atender
aos objetivos, este trabalho teve como delineamento de estudo a pesquisa
exploratória do tipo bibliográfica.
A necessidade da elaboração desse estudo teórico-comparativo foi sentida ao
se perceber a existência de equívocos difundidos na Faculdade de Educação sobre
os estudos de Skinner que, muitas vezes, são infundados ou repletos de
desconhecimento sobre o autor. Confunde-se o que foi desenvolvido por ele com os

33
escritos de seus antecedentes dentro da filosofia behaviorista na prática docente
sobre o estudo do conceito de aprendizagem, para os alunos do curso de pedagogia
da Universidade do Estado da Bahia – UNEB.
A formação no curso de Psicologia permitiu que a autora do presente trabalho
possuísse um conhecimento mais aprofundado da teoria behaviorista, sentindo-se
responsável por contribuir para uma melhor compreensão da análise do
comportamento e da sua filosofia, o behaviorismo radical. Para tanto, buscou-se
desmitificar alguns conceitos ao compará-los à obra de Vygotsky, já que esta possui
uma grande aceitação na área de Educação. Tentou-se, assim, mostrar que a teoria
de Skinner não ocupa um lugar de oposição em relação a alguns pensamentos
elaborados por Vygotsky.
Gioia (2004) afirma que a propagação de ideias imprecisas ou insuficientes do
behaviorismo radical conduz a um desconhecimento das contribuições que a análise
do comportamento poderia oferecer sobre a relação do indivíduo com o ambiente. A
autora destaca ainda que, dentre os contextos de interação, o ambiente escolar é o
que poderia receber maiores benefícios em função do papel da educação na
sociedade e da importância dada por Skinner a esse aspecto.
Assim, as informações imprecisas sobre o behaviorismo impedem que os
futuros professores se apropriem das ideias dessa abordagem, o que dificulta a sua
utilização em contextos adequados. Apesar disso, Gioia (2004) afirma que esses
dados errôneos trazem consequências ainda piores quando formam opiniões
preconceituosas, pois são propagadas sempre da mesma forma no ambiente
acadêmico e escolar.
Reafirmando essa idéia, Cunha (1998) expõe que “o que se observa no dia-a-
dia das salas de aula é que os professores possuem uma capacidade insuperável
para transformar os pressupostos de qualquer ciência da educação e adequá-los às
suas características e possibilidades pessoais”.
A grande aceitação da teoria de Vygotsky se deve ao fato dessa ser
considerada a mais adequada para os moldes de educação que se pensa nos dias
atuais. Utilizando-se da boa aceitação da teoria vygotskyana no ambiente dos
cursos de educação, procurou-se estabelecer a relação desta com a teoria de
Skinner, tentando, assim, aproximar os educadores da leitura da obra deste último.

34
Outra relevância de relacionar as teorias consiste no fato de que, para a
educação, não existe uma única teoria que responderá a todas as dúvidas e
questões vividas no contexto de sala de aula. Coll (1997) aponta uma saída para
essa situação ao expor que se deve fugir de uma junção impensada das teorias, ao
mesmo tempo, não se apegar unicamente a contribuições de apenas uma
abordagem. Deve-se perceber no contexto educacional qual a teoria traria melhores
resultados e utilizar as contribuições pertinentes a essa prática educativa.
Percebe-se, com isso, que o conhecimento sobre as múltiplas teorias da
aprendizagem pode auxiliar o trabalho do professor, uma vez que, tendo
propriedade sobre as contribuições que cada uma destas teorias pode oferecer é
possível trabalhar com a integração das mesmas. Vale ressaltar que, para trabalhar
com inúmeras abordagens, é necessário que o professor tenha um processo
reflexivo sobre a sua prática. Integrar as teorias significa relacioná-las e não
simplesmente juntar as suas ideias.
O presente estudo é composto por três capítulos. O primeiro aborda o
trabalho desenvolvido por Skinner, seus antecedentes históricos e teóricos, o
conceito de aprendizagem e a importância do professor no processo. Buscou-se
desenvolver as mesmas ideias no segundo capítulo sobre o pensamento de
Vygotsky. Por fim, o terceiro capítulo faz a interrelação dos principais pontos
discutidos sobre os dois autores.

APRENDIZAGEM SEGUNDO SKINNER

Burrhus Frederic Skinner nasceu em 1904 na cidade de Susquehanna, no


Estado da Pennsylvania, Estados Unidos. Concluiu o segundo grau em 1922, no
mesmo ano entrou na universidade Hamilton College. Graduou-se em literatura
inglesa e línguas românicas, em 1926, e, com essa formação, Skinner decidiu ser
escritor. Essa idéia foi abandonada em 1928 quando resolveu fazer o curso de pós-
graduação em Psicologia, se inscrevendo no programa de Psicologia Experimental,
em Harvard University. Obteve os títulos de Mestrado e Doutorado, em 1930 e 1931,
respectivamente. Após o doutoramento, permaneceu em Harvard, até 1936, com um
apoio financeiro para fazer pesquisas. Após isso, mudou para Minneapolis para
assumir as atividades de professor e de pesquisador na University of Minnesota. Foi

35
lá que Skinner encontrou espaço livre para ensinar e pesquisar o behaviorismo.
Tornou-se chefe de departamento de Psicologia da Indiana University, em 1945.
Neste local, começou a escrever Verbal Behavior e Walden II, publicados em 1957 e
1948, respectivamente. Em 1948, ele retornou a Harvard como convidado para
pesquisar e ensinar naquela Universidade, na qual permaneceu até a sua
aposentadoria, em 1974 (CUNHA; VERNEQUE, 2004).
Skinner desenvolveu inúmeros estudos científicos sobre o comportamento, a
maioria deles utilizando organismos infra-humanos como base comparativa do
humano. Assim, desenvolveu instrumentos básicos e construiu uma sistematização
para o estudo das relações comportamentais do organismo com seu meio ambiente.
Nesse sentido, criou uma metodologia que denominou de Análise Experimental do
Comportamento. Após essa organização, Skinner sentiu a necessidade de firmar a
sua base filosófica, escrevendo Sobre o behaviorismo. Neste livro buscou elucidar
as bases epistemológicas e filosóficas da sua ciência (CUNHA; VERNEQUE, 2004).
Dentre as teorias que influenciaram o pensamento de Skinner, destacam-se
principalmente dois autores: Ivan Petrovich Pavlov e Jonh B. Watson. Assim, para
entender o pensamento skinneriano, faz-se necessário um retorno aos seus
principais precedentes e influenciadores.
O condicionamento operante é um processo no qual se pretende condicionar
uma resposta de um indivíduo, seja para aumentar a sua probabilidade de
ocorrência ou para extingui-la. No primeiro caso, são apresentados reforços toda vez
que o sujeito apresenta a resposta adequada. Vale ressaltar que o conceito de
reforço está diretamente ligado a ocorrência da resposta, um estímulo só pode ser
considerado reforçador se aumentar a probabilidade do comportamento ocorrer. O
reforço pode ser positivo quando é apresentado algo ao indivíduo ou negativo
quando se retira algo do ambiente. Percebe-se, com isso, que, diferentemente do
que se diz, reforço não é sinônimo de recompensa.

APRENDIZAGEM SEGUNDO VYGOTSKY

Lev Smenovitch Vygotsky nasceu em 1896 na antiga União Soviética,


proveniente de uma família com boas condições financeiras e com um bom nível

36
intelectual, sendo sempre estimulado a ler e pesquisar sobre as coisas de seu
interesse. Sua formação intelectual foi feita basicamente em seu ambiente familiar,
só indo para a escola aos 15 anos. Estudou em um colégio particular por dois anos,
tempo para concluir os estudos secundários. Após a saída do colégio, ingressou na
Universidade de Moscou no curso de Direito, que, diferentemente dos padrões que
possuímos hoje, era um curso no qual se estudava e discutia questões pertinentes
às Ciências Humanas. Frequentou também a Universidade Popular de Shanyavskii,
onde aprofundou os seus estudos em Psicologia, Filosofia e Literatura e, apesar
disso, não recebeu nenhum título por essa universidade (OLIVEIRA, 1993).
Devido à diversidade de assuntos estudados por Vygotsky, inúmeras foram
também as áreas da sua atividade profissional, sendo professor e pesquisador das
áreas de Psicologia, Filosofia, Pedagogia e Psiquiatria. Apesar de ter vivido apenas
até os 37 anos, é grande o número de trabalhos acadêmicos desenvolvidos por este
autor. Atualmente as áreas de Psicologia e Pedagogia são as que mais trabalham
com as obras deste autor e seus trabalhos mais conhecidos são os que se referem
ao desenvolvimento humano (OLIVEIRA, 1993).
Faz-se necessário também entender o contexto social vivido por Vygotsky
durante a sua elaboração intelectual. É importante salientar que a psicologia na
Rússia, assim como em todo o mundo, passava por uma confrontação de correntes
contrárias às explicações dos fenômenos psicológicos. A primeira, derivada dos
pensamentos de Wundt, descrevia o conteúdo da consciência humana e sua relação
com o ambiente externo, acabou sendo modificada pelos primeiro behavioristas, que
substituíram o estudo da consciência pelo do comportamento, mas ainda buscando
identificar a unidade básica e suas relações na formação de fenômenos mais
complexos. A segunda era a psicologia da Gestalt, que se colocava como
antagônica à primeira, não acreditando ser possível a explicação dos processos
psicológicos por suas unidades básicas. (COLE; SCRIBNER, 2001).
Para a teoria de Vygotsky, esse contexto social criou um problema
epistemológico que foi apontado por Luria e Leontiev (apud Bruner, 1998), seus
principais colaboradores. Esse problema consistia em livrar-se da “batalha pela
conscientização” existente no contexto acadêmico. Era necessário “liberar-se, por
um lado, do behaviorismo corrente e, por outro, da abordagem subjetiva dos
fenômenos mentais enquanto condições subjetivas exclusivamente internas, cuja

37
investigação só pode ser realizada por introspecção” (LURIA; LEONTIEV apud
Bruner, 1998, p. 8).

APRENDIZAGEM

Para o entendimento da aprendizagem segundo os estudos de Vygotsky, será


utilizada a definição dada por Oliveira (1993, p. 57), sendo esta “o processo pelo
qual o sujeito adquire informações, habilidades, atitudes, valores e etc. a partir do
seu contato com a realidade, o meio ambiente e as outras pessoas”. Outro
importante ponto a ser citado, logo inicialmente foi também ressaltado, refere-se aos
problemas de tradução da obra deste autor.

Em Vygotsky, justamente por sua ênfase nos processos sóciohistóricos, a


idéia de aprendizado inclui a interdependência dos indivíduos envolvidos no
processo. O termo que ele utiliza em russo (obuchenie) significa algo como
processo de ensino aprendizagem, incluindo sempre aquele que aprende,
aquele que ensina, e a relação entre as duas pessoas. Pela falta de um
termo equivalente em inglês, a palavra obuchenie tem sido traduzida ora
como ensino, ora como aprendizagem e assim re-traduzida em português
(OLIVEIRA, 1993, p. 57).

Vygotsky foi um dos primeiros autores a diferenciar o processo de


aprendizagem da criança e a formalização escolar. Para este autor, a aprendizagem
começa no ingresso à escola. Nessa afirmação, fica claro que, para este teórico, o
processo de formalização do conhecimento proposto pela escola não é a única fonte
que o sujeito possui para aprender, isso está inato às capacidades humanas,
conseguindo assim, aprender com qualquer situação vivida (VYGOTSKY, 2001).
Por a aprendizagem ser algo tão implícito à capacidade humana, acredita-se
que exista uma associação desta com o processo de desenvolvimento dessa
espécie. Como se sabe, o desenvolvimento ocorre desde a geração do feto,
perpassando por toda a vida do homem, sendo finalizado na sua morte. Acredita-se
que a aprendizagem também seja um dos processos pelo quais se está sujeito em
todos os momentos da vida.

38
O PAPEL DO PROFESSOR

Vygotsky afirma que o bom ensino é aquele baseia as suas intervenções


pensando no que o sujeito está em fase de maturação, isto é, o que está na zona de
desenvolvimento proximal. “O aprendizado deve ser orientado para o futuro, e não
para o passado.” (VYGOSTKY, 1998, p. 130).
Com a afirmação de Vygotsky, pode-se perceber a necessidade que o
professor tem de estar atento àquilo que a criança ainda está em fase de apreensão.
As boas atividades de aprendizagem são sempre as que trabalham com os
aprendizados ainda não totalmente conquistados pelos alunos.
Vygotsky também coloca como um fator crucial para um bom trabalho do
professor que este entenda, de forma clara, a formação dos conceitos pelas
crianças. Assim, divide conceito em duas categorias: a primeira, os conceitos
espontâneos, que são aqueles construídos aleatoriamente ao longo da vida, e os
conceitos científicos, os que necessitam de um processo especial para a sua
assimilação.
Fazendo uma crítica ao ensino tradicional, Vygotsky diz que o ensino que
tenha como foco uma transmissão direta de conceitos é ineficiente. Para ele, o
professor que baseie seu trabalho nessa passagem direta não conseguirá obter
bons resultados, o máximo que irá conseguir são alunos que repetem o que foi
aprendido sem que haja uma internalização do conceito utilizado, o que acaba por
ser um aprendizado totalmente vazio e sem significado para a vida do sujeito
(VYGOTSKY, 1998).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Essa pesquisa buscou discutir a relação entre as teorias de aprendizagem


desenvolvidas por Skinner e Vygotsky. Assim, fez-se necessário descrever os
principais conceitos elaborados e defendidos por estes autores nas questões sobre
a temática escolhida. Durante a descrição, foi-se percebendo a existência de
inúmeras concordâncias e discrepâncias das duas teorias. Apesar disso, buscou-se
deixar ainda mais clara esta relação, fazendo-se um capítulo apenas para discutir
essa questão.

39
Durante a análise da relação das teorias, foi percebido que os autores
convergem no que se refere à necessidade de um desenvolvimento prévio para a
programação de atividades que promovam a aprendizagem; à importância dada ao
meio social na aquisição de novos conceitos; à aprendizagem e ao papel do
professor no processo de ensino-aprendizagem.
Percebeu-se, assim, que diferentemente do que são trazidos em alguns livros
didáticos que abordam as duas teorias, estas não são opostas, porém, possuem
diferenças básicas, como ocorre com qualquer estudo elaborado por pessoas
distintas, sendo possível também visualizar semelhanças. Faz-se necessário então
propor a utilização de materiais mais condizentes com a realidade teórica e a
necessidade de mais trabalhos que se proponham a dialogar com perspectivas tidas
como diferentes.
No que se refere ao pensamento de Skinner, esse trabalho buscou
desmistificar alguns equívocos sobre este autor. Pretende-se que as pessoas, ao
terem acesso a este trabalho, se permitam conhecer mais sobre os estudos deste
autor, tentando modificar os conhecimentos errôneos que lhes foram transmitidos ao
longo do tempo por inúmeras fontes.
É importante salientar que, para o curso de Pedagogia, pesquisas deste tipo
melhoram o entendimento do processo de aprendizagem, pois permitem a análise
43 mais completa sobre o fenômeno, de forma a poder integrar diferentes
abordagens de trabalho. Sabe-se que nenhum trabalho desenvolvido irá esgotar as
possibilidades de análise nem fornecerá um entendimento do total.
Outro ponto que merece destaque é a necessidade de leituras mais
fidedignas sobre o estudo de um autor. Percebe-se que a leitura do autor em seus
próprios escritos é sempre mais profunda do que a análise feita por outros autores.
Apesar disso, nos cursos de graduação, os alunos costumam apenas trabalhar com
os teóricos a partir de seus comentadores.
Espera-se que este trabalho contribua para a formação de professores ao
propor a integração de diferentes abordagens teóricas, através da compreensão dos
conceitos presentes nas duas teorias. O contexto da educação permite que os
educadores façam ajustes nas teorias, aplicando-as da forma mais adequada com
os alunos. Acredita-se que, se os professores de forma reflexiva e consciente, se

40
valerão dos ganhos teóricos de ambos os autores, muito se tem a ganhar nas
práticas educativas.

Fonte: http://www.ciclosdavida.net/?page_id=294

41
REFERÊNCIAS

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uma introdução ao estudo de psicologia. 13ed. São Paulo: Saraiva, 2002.

BRUNER, Jerome. S. Introdução. In: VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem.


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COLE, Michael.; SCRIBNER, Sylvia. Introdução. In: VYGOTSKY, L. S., Formação


social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 7 ed.
São Paulo: Martins Fontes, 2007.

COLL, César. Psicologia e currículo: uma aproximação psicopedagógica à


elaboração do currículo escolar. 2. ed. São Paulo: Ática, 1997.

CUNHA, Marcus Vinicius da. A psicologia na educação: dos paradigmas científicos


às finalidades educacionais. Rev. Fac. Educ., São Paulo, v. 24, n. 2, jul. 1998 .
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CUNHA, R. N. da; VERNEQUE, L. P. S. Notícia: Centenário de B. F. Skinner (1904-


1990): uma ciência do comportamento humano para o futuro do mundo e da
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42
GIOIA, Paula. A exclusão da Análise do Comportamento da escola: o que o livro
didático tem a ver com isso? IN: HÜBNER, M. M. C.; MARINOTTI, M. Análise do
Comportamento para a educação. Santo André: ESETec, 2004.

LAMPREIA, Carolina. As propostas anti-mentalistas no desenvolvimento cognitivo:


uma discussão de seus limites. 1992. 377p. Tese (Doutorado em Psicologia Clínica)
– PUC-RJ, Departamento de Psicologia. Rio de Janeiro.

MATOS, Maria Amélia. Behaviorismo metodológico e behaviorismo radical. In:


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MEDEIROS, João Bosco. Redação Científica: a prática de fichamentos, resumos,


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MILHOLLAN, Frank; FORISHA, Bill E. Skinner e Rogers: maneiras contrastantes de


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OLIVEIRA, Martha Khol de. Vygotsky. São Paulo: Scipione, 1993.


OLIVEIRA, Maria Marly de. Como fazer pesquisa qualitativa. Petrópolis: Vozes,
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REGO, Teresa Cristina.Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da educação.


Petrópolis: Vozes, 1995.

SKINNER, Burrrhus Frederic. (1972). Tecnologia do ensino. (Rodolpho Azzi, Trad.).


São Paulo: Herder, Ed. da universidade São Paulo, 1972.

______. Sobre o behaviorismo. (M. P. Villalobos, Trad.). São Paulo: Cultrix, 2006.
(Trabalho original publicado em 1974).

______. Ciência e Comportamento Humano. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

43
______. Teorias de aprendizagem são necessárias? Rev. Brasileira de Análise do
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VYGOTSKY, Lev Semyonovitch. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins


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VYGOTSKY, Lev Semyonovitch.; LURIA, Alexander Romanovitch.; LEONTIEV,
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______. Formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos
superiores. 7 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

44
LEITURA COMPLEMENTAR

AUTORES: Maria Sebastiana Gomes Mota e


Francisca Elisa de Lima Pereira
DISPONÍVEL EM:
http://portal.mec.gov.br/setec/arquivos/pdf3/tcc_desenvolvi
mento.pdf
ACESSO: 31 de agosto de 2016

DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM

PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO E DESENVOLVIMENTO


MENTAL DO INDIVIDUO

Maria Sebastiana Gomes Mota

Pós-graduanda em Educação Profissional Técnica de Nível Médio Integrado ao


Ensino Médio na Modalidade EJA

Francisca Elisa de Lima Pereira


Professora Drª do Curso de Especialização em Educação Profissional Técnica de Nível
Médio Integrada ao Ensino Médio na Modalidade EJA

Resumo: Este artigo tem como objetivo apresentar as teorias de Bruner e Piaget
onde a aprendizagem está diretamente relacionada com o desenvolvimento cognitivo e
que as passagens da vida são marcadas por constante aprendizagem, assim o
indivíduo será resultado de suas potencialidades genéticas. Apresentamos aqui
também, um esboço das idéias básicas de Jean Piaget sobre o desenvolvimento mental
e sobre o processo de construção do conhecimento (Adaptação, assimilação e
acomodação). Conclui-se que o ato de ensinar envolve sempre uma compreensão bem

45
mais abrangente do que o espaço restrito do professor na sala de aula ou as atividades
desenvolvidas pelos alunos. Todo trabalho deve ser planejado para evitar a
improvisação. O professor que planeja com competência, engaja o compromisso com
as transformações sociais.

Palavras-chave: Aprendizagem; Desenvolvimento Cognitivo;


Planejamento; Assimilação; Adaptação; Acomodação.

INTRODUÇÃO

O indivíduo sofre, durante toda a sua vida, a influência dos agentes externos
de natureza física e social. Esses agentes atuam sobre o seu organismo e sobre o
seu espírito, estimulando suas capacidades e aptidões e promovendo o seu
desenvolvimento físico e mental.

O processo para uma aprendizagem eficaz depende de inúmeros fatores,


dentre os quais, os mais prementes são: o talento do professor, o tipo intelectual do
aluno, as oportunidades oferecidas pelo ambiente imediato da escola, perspectivas
futuras de vida do aluno.
A escola não pode mais ser considerada como uma simples máquina de
alfabetização. Sua função não se restringe mais, como antigamente, à modesta
tarefa de ensinar, sua tarefa é mais ampla e profunda, ou seja, deve levar o nosso
aluno a ser mais critico, mais compromissado e mais otimista em relação à
aprendizagem.

Suas responsabilidades atuais são bem maiores. Além de instrumento de


formação física, intelectual e moral, cabe-lhe a missão de promover a integração
harmoniosa do educando no seio da comunidade, fornecendo-lhe todos os
elementos para que se possa tornar um fator de progresso individual e social.

Assim, a aprendizagem é um processo de assimilação de determinados


conhecimentos e modos de ação física e mental, organizados e orientados no
processo ensino aprendizagem.

46
Processo de Construção do Conhecimento e Desenvolvimento Mental do
Indivíduo

A aprendizagem é um processo contínuo que ocorre durante toda a vida do


indivíduo, desde a mais tenra infância até a mais avançada velhice. Normalmente
uma criança deve aprender a andar e a falar; depois a ler e escrever, aprendizagens
básicas para atingir a cidadania e a participação ativa na sociedade. Já os adultos
precisam aprender habilidades ligadas a algum tipo de trabalho que lhes forneça a
satisfação das suas necessidades básicas, algo que lhes garanta o sustento. As
pessoas idosas embora nossa sociedade seja reticente quanto às suas capacidades
de aprendizagem podem continuar aprendendo coisas complexas como um novo
idioma ou ainda cursar uma faculdade e virem a exercer uma nova profissão.

O desenvolvimento geral do individuo será resultado de suas potencialidades


genéticas e, sobretudo, das habilidades aprendidas durante as várias fases da vida.
A aprendizagem está diretamente relacionada com o desenvolvimento cognitivo.

As passagens pelos estágios da vida são marcadas por constante


aprendizagem. “Vivendo e aprendendo”, diz a sabedoria popular. Assim, os
indivíduos tendem a melhorar suas realizações nas tarefas que a vida lhes impõe. A
aprendizagem permite ao sujeito compreender melhor as coisas que estão à sua
volta, seus companheiros, a natureza e a si mesmo, capacitando-o a ajustar-se ao
seu ambiente físico e social.

A teoria da instrução de Jerome Bruner (1991), um autêntico representante da


adordagem cognitiva, traz contribuições significativas ao processo ensino-
aprendizagem, principalmente à aprendizagem desenvolvida nas escolas. Sendo
uma teoria cognitiva, apresenta a preocupação com os processos centrais do
pensamento, como organização do conhecimento, processamento de informação,
raciocínio e tomada de decisão. Considera a aprendizagem como um processo
interno, mediado cognitivamente, mais do que como um produto direto do ambiente,
de fatores externos ao aprendiz. Apresenta-se como o principal defensor do método
de aprendizagem por descoberta (insight).

47
A teoria de Bruner apresenta muitos pontos semelhantes às teorias de Gestalt
e de Piaget. Bruner considera a existência de estágios durante o desenvolvimento
cognitivo e propõe explicações similares às de Piaget, quanto ao processo de
aprendizagem. Atribui importância ao modo como o material a ser aprendido é
disposto, assim como Gestalt, valorizando o conceito de estrutura e arranjos de
idéias. “Aproveitar o potencial que o indivíduo traz e valorizar a curiosidade natural
da criança são princípios que devem ser observados pelo educador” (BRUNER,
1991, p. 122).

A escola não deve perder de vista que a aprendizagem de um novo conceito


envolve a interação com o já aprendido. Portanto, as experiências e vivências que o
aluno traz consigo favorecem novas aprendizagens. Bruner chama a atenção para o
fato de que as matérias ou disciplinas tais como estão organizadas nos currículos,
constituem-se muitas vezes divisões artificiais do saber. Por isso, várias disciplinas
possuem princípios comuns sem que os alunos – e algumas vezes os próprios
professores – analisem tal fato, tornando o ensino uma repetição sem sentido, em
que apenas respondem a comandos arbitrários, Bruner propõe o ensino pela
descoberta. O método da descoberta não só ensina a criança a resolver problemas
da vida prática, como também garante a ela uma compreensão da estrutura
fundamental do conhecimento, possibilitando assim economia no uso da memória, e
a transferência da aprendizagem no sentido mais amplo e total.

Segundo Bock (2001), a preocupação de Bruner é que a criança aprenda a


aprender corretamente, ainda que “corretamente” assuma, na prática, sentidos
diferentes para as diferentes faixas etárias. Para que se garanta uma aprendizagem
correta, o ensino deverá assegurar a aquisição e permanência do aprendido
(memorização), de forma a facilitar a aprendizagem subseqüente (transferência).
Este é um método não estruturado, portanto o professor deve estar preparado para
lidar com perguntas e situações diversas. O professor deve conhecer a fundo os
conteúdos a serem tratados. Deve estar apto a conhecer respostas corretas e
reconhecer quando e porque as respostas alternativas estão erradas. Também
necessita saber esperar que os alunos cheguem à descoberta, sem apressa-los,
mas garantindo a execução de um programa mínimo. Deve também ter cuidado para

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não promover um clima competitivo que gere, ansiedade e impeça alguns alunos de
aprender.

O modelo de ensino e aprendizagem de David P. Ausubel (1980) caracteriza-


se como um modelo cognitivo que apresenta peculiaridades bastante interessantes
para os professores, pois centraliza-se, primordialmente, no processo de
aprendizagem tal como ocorre em sala de aula. Para Ausubel, aprendizagem
significa organização e integração do material aprendido na estrutura cognitiva,
estrutura esta na qual essa organização e integração se processam.

Psicólogos e educadores têm demonstrado uma crescente preocupação com


o modo como o indivíduo aprende e, desde Piaget, questões do tipo: “Como surge o
conhecer no ser humano? Como o ser humano aprende? O conhecimento na escola
é diferente do conhecimento da vida diária? O que é mais fácil esquecer?”
atravessaram as investigações científicas. Assim, deve interessar à escola saber
como criança, adolescentes e adultos elaboram seu conhecer, haja vista que a
aquisição do conhecimento é a questão fundamental da educação formal.

A psicologia cognitiva preocupa responder estas questões estudando o


dinamismo da consciência. A aprendizagem é, portanto, a mudança que se
preocupa com o eu interior ao passar de um estado inicial a um estado final. Implica
normalmente uma interação do individuo com o meio, captando e processando os
estímulos selecionados.

O ato de ensinar envolve sempre uma compreensão bem mais abrangente do


que o espaço restrito do professor na sala de aula ou às atividades desenvolvidas
pelos alunos. Tanto o professor quanto o aluno e a escola encontram-se em
contextos mais globais que interferem no processo educativo e precisam ser levados
em consideração na elaboração e execução do ensino.

Ensinar algo a alguém requer, sempre, duas coisas: uma visão de mundo
(incluídos aqui os conteúdos da aprendizagem) e planejamento das ações
(entendido como um processo de racionalização do ensino). A prática de
planejamento do ensino tem sido questionada quanto a sua validade como
instrumento de melhoria qualitativa no processo de ensino como o trabalho do
professor:
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[...] a vivência do cotidiano escolar nos tem
evidenciado situações bastante questionáveis neste
sentido. Percebese, de início, que os objetivos
educacionais propostos nos currículos dos cursos
apresentam confusos e desvinculados da realidade
social. Os conteúdos a serem trabalhados, por sua vez,
são definidos de forma autoritária, pois os professores,
via re regra, não participam dessa tarefa. Nessas
condições, tendem a mostrar-se sem elos significativos
com as experiências de vida dos alunos, seus
interesses e necessidades (Lopes, 2000, p. 41).

De modo geral, no meio escolar, quando se faz referência a planejamento do


ensino – aprendizagem, este se reduz ao processo através do qual são definidos os
objetivos, o conteúdo programático, os procedimentos de ensino, os recursos
didáticos, a sistemática de avaliação da aprendizagem, bem como a bibliografia
básica a ser consultada no decorrer de um curso, série ou disciplina de estudo. Com
efeito, este é o padrão de planejamento adotado pela maioria dos professores e que
passou a ser valorizado apenas em sua dimensão técnica.

Em nosso entendimento a escola faz parte de um contexto que engloba a


sociedade, sua organização, sua estrutura, sua cultura e sua história. Desse modo,
qualquer projeto de ensino – aprendizagem está ligado a este contexto e ao modo
de cultura que orienta um modelo de homem e de mulher que pretendemos formar,
para responder aos desafios desta sociedade. Por esta razão, pensamos que é de
fundamental importância que os professores saibam que tipo de ser humano
pretendem formar para esta sociedade, pois disto depende, em grande parte, as
escolhas que fazemos pelos conteúdos que ensinamos, pela metodologia que
optamos e pelas atitudes que assumimos diante dos alunos. De certo modo esta
visão limitada ou potencializada o processo ensino-aprendizagem não depende das
políticas públicas em curso, mas do projeto de formação cultural que possui o corpo
docente e seu compromisso com objeto de estudo.

Como o ato pedagógico de ensino-aprendizagem constitui-se, ao longo prazo,


num projeto de formação humana, propomos que esta formação seja orientada por
50
um processo de autonomia que ocorra pela produção autônoma do conhecimento,
como forma de promover a democratização dos saberes e como modo de elaborar a
crítica da realidade existente.

Isto quer dizer que só há crítica se houver produção autônoma do


conhecimento elaborado através de uma prática efetiva da pesquisa. Entendemos
que é pela prática da pesquisa que exercitamos a reflexão sobre a realidade como
forma de sistematizar metodologicamente nosso olhar sobre o mundo para
podermos agir sobre os problemas. Isto quer dizer que não pesquisamos por
pesquisar e nem refletimos por refletir. Tanto a reflexão quanto à pesquisa são
meios pelos quais podemos agir como sujeitos transformadores da realidade social.
Isto indica que nosso trabalho, como professores, é o de ensinar a aprender para
que o conhecimento construído pela aprendizagem seja um poderoso instrumento
de combate às formas de injustiças que se reproduzem no interior da sociedade.

Piaget (1969), foi quem mais contribuiu para compreendermos melhor o


processo em que se vivencia a construção do conhecimento no indivíduo.

Apresentamos as ideias básicas de Piaget (l969, p.14) sobre o


desenvolvimento mental e sobre o processo de construção do conhecimento, que
são adaptação, assimilação e acomodação.

Piaget diz que o individuo está constantemente interagindo com o meio


ambiente. Dessa interação resulta uma mudança contínua, que chamamos de
adaptação. Com sentido análogo ao da Biologia, emprega a palavra adaptação para
designar o processo que ocasiona uma mudança contínua no indivíduo, decorrente
de sua constante interação com o meio.

Esse ciclo adaptativo é constituído por dois subprocessos: assimilação e


acomodação. A assimilação está relacionada à apropriação de conhecimentos e
habilidade. O processo de assimilação é um dos conceitos fundamentais da teoria
da instrução e do ensino. Permite-nos entender que o ato de aprender é um ato de
conhecimento pelo qual assimilamos mentalmente os fatos, fenômenos e relações
do mundo, da natureza e da sociedade, através do estudo das matérias de ensino.
Nesse sentido, podemos dizer que a aprendizagem é uma relação cognitiva entre o
sujeito e os objetos de conhecimento.
51
A acomodação é que ajuda na reorganização e na modificação dos esquemas
assimilatórios anteriores do indivíduo para ajustá-los a cada nova experiência,
acomodando-as às estruturas mentais já existentes. Portanto, a adaptação é o
equilíbrio entre assimilação e acomodação, e acarreta uma mudança no indivíduo.
A inteligência desempenha uma função adaptativa, pois é através dela que o
indivíduo coleta as informações do meio e as reorganiza, de forma a compreender
melhor a realidade em que vive, nela agi, transformando. Para Piaget (1969, p.38), a
inteligência é adaptação na sua forma mais elevada, isto é, o desenvolvimento
mental, em sua organização progressiva, é uma forma de adaptação sempre mais
precisa à realidade. É preciso ter sempre em mente que Piaget usa a palavra
adaptação no sentido em que é usado pela Biologia, ou seja, uma modificação que
ocorre no indivíduo em decorrência de sua interação com o meio.

Portanto, é no processo de construção do conhecimento e na aquisição de


saberes que devemos fazer com que o aluno da EJA seja motivado a desenvolver
sua aprendizagem e ao mesmo tempo superar as dificuldades que sentem em
assimilar o conhecimento adquirido.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Concluímos dizendo que a relação entre ensino e aprendizagem não é


mecânica, não é uma simples transmissão do professor que ensina para o aluno que
aprende. Ao contrário, é uma relação recíproca na qual se destacam o papel
dirigente do professor e a atividade dos alunos.

O ensino visa estimular, dirigir, incentivar, impulsionar o processo de


aprendizagem dos alunos, pois tem um caráter eminentemente pedagógico, ou seja,
o de dar um rumo definido para o processo educacional que se realiza no ambiente
escolar.
A aprendizagem é a assimilação ativa de conhecimentos e de operações
mentais, para compreendê-los e aplicá-los consciente e autonomamente, é a criação
de uma forma de conhecimento humano – relação cognitiva entre aluno e matéria de

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estudo – desenvolvendo-se sob as condições específicas do processo de ensino. O
ensino não existe por si mesmo, mas na relação com a aprendizagem.
Assim sendo, a aprendizagem tem um vínculo direto com o meio social que
circunscreve não só as condições de vida do individuo mas também a sua relação
com o ambiente escolar e o estudo, sua percepção e compreensão das matérias. A
consolidação dos conhecimentos depende dos significados que eles carregam em
relação à experiência social do jovem e dos adultos na família, no meio social, no
trabalho.

Referências Bibliográficas

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Interamericana, 1980.

BOCK, A.; al. Psicologias: uma introdução ao estudo da Psicologia. 7ª ed. São
Paulo: Saraiva, 2001.

BRAGHIROLLI, E. et al. Psicologia Geral. 16ª ed. Petrópolis: Vozes, 1998.

BRUNER, J. O Processo da educação Geral. 2ª ed. São Paulo: Nacional, 1991.

LOPES, Antonia Osima. Planejamento do ensino numa perspectiva de


educação. In: VEIGA, Ilma Passos Alencastro. Repensando a didática, 16ª. Ed.
Campinas: Papirus, 2000. P.158

PIAGET, J. O nascimento do raciocínio na criança. 5ª. Ed. São Paulo: El Ateneo,


1993.

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