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Grupo Ser Educacional

UNINASSAU
Curso de Bacharelado em Direito

José Jorge Ibrayn de Lima Pereia

A possibilidade de Indulto Humanitário nos crimes Hediondos e


Equiparados

Recife
2014
José Jorge Ibrayn de Lima Pereia

A possibilidade de Indulto Humanitário nos crimes Hediondos e


Equiparados

Projeto de Pesquisa apresentado à disciplina do curso


de Metodologia da Pesquisa da UNINASSAU,
disciplina ministrada pelo prof. Álvaro Augusto
Santos Caldas Gouveia, como pré-requisito para
conclusão do curso.

Possível orientador: Prof. MsC. Fernando Antônio


Carvalho Alves de Souza

Recife
2014
Sumário

1 A possibilidade de Indulto Humanitário nos crimes Hediondos e Equiparados . 3

2 Justificativa ............................................................................................................... 4

3 O Problema ............................................................................................................... 5

4 Objetivos .................................................................................................................... 6
4.1 Objetivo Geral ....................................................................................................... 6
4.2 Objetivos Específicos ............................................................................................. 6

5 Hipóteses .................................................................................................................... 7

6 Referencial Teórico................................................................................................... 8

7 Metodologia ............................................................................................................. 11

8 Cronograma ............................................................................................................ 12

9 Referências .............................................................................................................. 13
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1 A possibilidade de Indulto Humanitário nos crimes Hediondos e Equiparados

O instituto do Indulto está previsto nos nossos diplomas legais em dois tomos
diferentes, primeiramente no nosso Código Penal, em seu artigo 107, II que o trata como
uma causa extintiva da punibilidade, em seguida sendo visto na nossa Carta Magna de
1988, em seu artigo 84, XII que diz que é de competência exclusiva do Presidente da
República a concessão de indulto e comutação e penas, respeitando, se necessário o critério
de audiência dos órgãos instituídos em lei. Tal nos faz ver que o supra citado instituto é
uma modalidade de clemência concedida, de forma discricionária, pelo Presidente da
República a um dado individuo, ou a um grupo destes que preenchem certos pré-requisitos,
comumente dando-se sua ocorrência na data de 25 de dezembro de cada ano através de
decreto presidencial.
Porém, é conveniente lembrar que no nosso Diploma Legal Magno a previsão é de
que os crimes hediondos são, a priori, insuscetíveis de anistia e graça, como podemos
extrair da leitura do Art. 5º, XLIII da CF/88 que diz:

XLIII - A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia


a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e
os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os
executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;

Na mesma essência temos que a Lei de Crime Hediondos, de nº 8.072/90, em seu


artigo 2º, I, apresenta a não possibilidade de anistia, graça e indulto para os delitos que ali
se elencam, todavia nota-se uma extensão ao que se prevê no Artigo 5º, XLIII da CF/88,
que não contemplou em seu texto a questão do indulto, surgindo deste fato da lei ordinária
ir mais além do previsto na carta magna uma divergência doutrinaria, que para grande parte
trata o disposto no referido artigo 2º, I da lei 8.072/90 como inconstitucional.
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2 Justificativa

A necessidade de debruçar-se sobre o tema surgiu durante uma aula de


Execução Penal em que se era tratado o tema dos indultos, comutação penal e demais
benefícios concedidos ao cárcere. Porém o que realmente se destacou dos demais temas foi
a forma tímida, e ainda muito imprecisa, que o tema do indulto humanitário se reveste
quando em relação aos crimes hediondos e os a estes equiparados.
Verificou-se também estar diante de uma imensa divergência criada a partir do
instituto do indulto humanitário, no tocante a sua concessão aos casos dos crimes
hediondos e equiparados e que se faz imperioso proceder um esclarecimento acerca do que
realmente se dá em relação a este instituo, por tal razão que o presente projeto de pesquisa
se propõem a analisar a possibilidade de incidência do indulto humanitário aos crimes
hediondos e equiparados, bem como abordar questões que se aderem ao tema, vez que o
direito como matéria que se expande da filosofia e de outras fontes do conhecimento deve
sempre se guiar para a evolução continua de suas ideias e os decorrente efeitos destas.
Outrossim é importante notar que o tema tem levantado importantes discussões,
sendo até mesmo abordado como parte de conteúdo programático em diversas academias,
em especial quando se tratando da disciplina de Execuções Penais, o que demonstra de
forma sensível a necessidade de que seja produzido conhecimento que possa guiar a um
maduro entendimento e posicionamento por parte dos acadêmicos e da própria ciência do
direito.
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3 O Problema

Como ciência, o direito sempre se apresenta como decorrente das relações de


observação e interação entre os indivíduos e seu bem estar individual e coletivo, com
objetivo claro de promover uma sociedade justa e solidaria. Porém como se pode proceder
a afirmação de tal premissa quando diante de normas que em sua essência preveem uma
nítida exclusão de dados indivíduos de obterem do Estado direitos que seriam comuns a
todos os outros? Temos que nossa constituição Federal nos põem em pé de igualdade diante
de todos os demais, porem como pode-se preceituar tal afirmação diante do Art. 2º, I da Lei
8.072/90, que além de mostrar-se inconstitucional por exorbitar o previsto na nossa Carta
Maior, segrega os indivíduos de um direito que, ao mesmo tempo que mostra-se prova da
piedade dos povos e da crença na reabilitação do cárcere, deve a todos ser possível de
concessão? Como, então, podemos enxergar a luz do direito a questão do indulto
humanitário nos crimes hediondos e equiparados? Como podemos entender a natureza do
indulto humanitário e seu elo nítido com o senso de piedade? O que diferencia tal
modalidade de indulto das demais?
Deveras diante de tantas indagações devemos direcionar nosso instinto
inquisitivo para um ponto mais central, senão mais conveniente, que converge a uma única
pergunta: DEVEMOS ENCARAR O INDULTO HUMANITÁRIO NOS CASOS DE
CRIMES HEDIONDOS E A ELES EQUIPARADOS?
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4 Objetivos
4.1 Objetivo Geral

Determinar a real possibilidade de concessão do indulto humanitário aos que


respondem por crimes hediondos e a eles equiparados e avaliar as implicações do artigo 2º,
I da Lei 8.072/90;

4.2 Objetivos Específicos

Demonstrar os aspectos legais relacionados ao instituto do Indulto Humanitário;


Verificar a validade do Artigo 2º, I da Lei 8.072/90 frente a sua exorbitância em
relação a Constituição de 88;
Analisar as divergências doutrinarias e jurisprudências relacionadas ao Indulto
Humanitário nos casos de crimes hediondos e a eles equiparados;
Abordar de forma concisa e valida a questão em pauta demonstrando sua
importância no estudo e formação do estudante de direito.
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5 Hipóteses

É quase inexorável que o instituto do indulto humanitário é uma benesse que


pode ser concedida aqueles que praticaram crimes hediondos ou a estes equiparados, vez
que a doutrina de forma esmagadora o aponta, e que mediante o conhecimento básico do
nosso sistema jurídico é sabido que a norma que veda tal possibilidade exorbita seus limites
ao ir além do mandamento constitucional, sendo portanto imperioso dizer que o indulto
humanitário pode, bem como já o foi, ser concedido aqueles supra citados.
Tal afirmação também se dá vez que a norma contida no artigo 2º, I da lei
8.072/90 deve ser considerado inconstitucional por exorbitar o que é previsto na nossa
Carta política Máxima, não podendo ela querer suplantar e dar novo entendimento ao que
se previu.
Tão logo devemos encarar que o indulto humanitário é tão cabível quanto
valido mesmo que diante daqueles crimes são os crimes hediondos e os a eles equiparados,
lembrando de pronto que tal instituto é uma faculdade que cabe ao chefe supremo do
executivo no exercício de suas liberalidades discricionárias e que a vedação imposta no
artigo 2º, I da lei nº 8.072/90 deve ser prontamente rejeitada por representar forte ofensa ao
direito constitucional e a noção do que chamamos de sociedade justa e humanizada.
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6 Referencial Teórico

Ao nos debruçarmos diante da nossa Carta Magna, vemos que em seu artigo 5º,
inciso XLIII existe uma expressa vedação a concessão de anistia ou graça aos que
praticaram crimes hediondos ou os a estes equiparados, é o que nos mostra Leal:

A CF, em seu art. 5º, inc. XLIII, estatui que os crimes hediondos são insuscetíveis
de anistia e de graça stricto sensu. Este dispositivo representa uma grave
impropriedade em relação à matéria disciplinada no próprio Capítulo V, que trata
dos direitos e garantias individuais. Em consequência, não se pode criticar o
legislador ordinário por ter reproduzido tal restrição no texto do art. 2º, inc. I, da
Lei n.º 8.072/90. A crítica, a nosso ver, é pertinente diante da inclusão, também,
do indulto, que não está previsto na norma constitucional, no âmbito da norma
proibitiva ordinária. (2004)

Vemos então que quando em se tratando dos crimes hediondos até mesmo a
CF/88 tem severidade no seu tratamento. Porém é mais notório ainda a existência de uma
imensa dicotomia entre o diploma legal máximo e aquilo que está previsto na lei 8.072/90
em seu artigo 2º, inciso primeiro estende o previsto na carta maior e de forma exorbitante
prevê a vedação até mesmo a concessão do indulto nos casos de crimes hediondos e
equiparados. Justamente diante dessa problemática por bastante tempo o que se verificou é
que aqueles indivíduos que estavam enquadrados na pratica de crimes hediondos e
equiparados não eram beneficiados pelo instituo do indulto humanitário, sendo tal
justificado por uma imensa cautela na concessão do mesmo.
Porém, partindo da premissa logica de que uma norma não é válida quando em
confronto com a constituição federal, extraímos que no mesmo rumo se direciona a que
exorbita o que aquela, e tão logo é eivada de inconstitucionalidade. Conforme podemos
extrair de valoroso artigo de Azevêdo, que nos demonstra:

A Constituição é o documento normativo mais importante de uma Nação, pois se


trata da expressão maior da vontade soberana do povo, além de organizar a forma
e o campo de atuação do Estado. Seus preceitos possuem, inclusive, supremacia
em relação às demais regras existentes no ordenamento jurídico. Tal predomínio
ocorre em decorrência do sistema de respeito vertical no subsistema normativo,
ou pirâmide hierárquica das leis.
Destarte, a análise acerca da possibilidade de antinomia entre normas
constitucionais oriundas do Poder Constituinte Originário é questão de
indubitável relevância, mormente no sentido de se harmonizar os mandamentos
da Carta Política e as demais emanações legiferantes. Ademais, a aceitação de
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que tais choques são plausíveis traria diversas consequências práticas, tendo em
vista que todo o sistema haveria de se adaptar, em face do conflito. ( 2004)

Posto isto vemos que o prescrito no artigo 2º, inciso I da lei nº 8.072/90 deve
ser desconsiderado, e que o instituto do indulto humanitário pode, assim como já o foi, ser
concedido em relação aos crimes hediondos e a estes equiparados.
O que fundamenta o indulto humanitário é sua característica de promover um
último alento aqueles que, além de não serem mais capazes de oferecer risco a sociedade,
estão em tal estado de sofrimento que o perdão é um ato máximo da bondade e
solidariedade humana. É o que nos demonstra o indulto humanitário concedido através do
decreto presidencial nº 5.295 de 2 de dezembro de 2004, que em seu artigo 8º, parágrafo
único fala “As restrições deste artigo e do inciso I do art. 1o não se aplicam às hipóteses
previstas no inciso VI desse mesmo artigo.”, nos remetendo ao dito inciso VI que diz:

Ao condenado:
a) paraplégico, tetraplégico ou portador de cegueira total, desde que tais
condições não sejam anteriores à prática do ato e comprovadas por laudo médico
oficial ou, na falta deste, por dois médicos, designados pelo Juízo da Execução;
ou
b) acometido, cumulativamente, de doença grave, permanente, apresentando
incapacidade severa, com grave limitação de atividade e restrição de participação,
exigindo cuidados contínuos, comprovada por laudo médico oficial ou, na falta
deste, por dois médicos designados pelo Juízo da Execução, constando o histórico
da doença, desde que não haja oposição do beneficiado, mantido o direito de
assistência nos termos do art. 196 da Constituição.

Mesmo que de forma tímida, e ainda que marcado de limitações, vemos que neste
caso houve a concessão do indulto àqueles que condenados pela prática de crimes
hediondos e equiparados, justificando tal ato no imenso sofrimento suportado por aqueles
que se encontravam no cárcere e que cumulativamente já eram molestados pelas
intempéries da vida e de suas moléstias. Indo mais adiante temos de tomar uma outra
reflexão, que seja a natureza do cárcere, sendo notório que o mesmo, nas condições
lastimáveis que se encontra nosso sistema carcerário brasileiro, não pode ser considerado
ressocializante e humanizador e é justamente o que Leal nos fala ao dizer que:

Algumas razões justificam a adoção desta benéfica e humanizadora causa


extintiva da punibilidade. É sabido que a prisão não recupera ou, dificilmente,
recupera. Nossos presídios encontram-se superlotados. Na maioria deles,
inexistem condições de se cumprir sequer o mínimo estabelecido nas normas de
execução penal previstas na própria LEP. Inexiste trabalho para mais da metade
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da população carcerária. Este quadro sombrio já seria suficiente para justificar o


indulto. ( 2004)

Juntando-se todas as peças anteriores nós tomamos pôr fim uma última
reflexão, que seja o porquê dessa timidez e de como encarar afinal e de forma mais
conclusiva a questão do indulto humanitário em relação aos crimes hediondos e
equiparados. O que vemos é que este instituto foge à regra absoluta imposta pelo previsto
na lei 8.072/90 em seu artigo 2º, inciso I , porém quando diante do decreto presidencial nº
5.295/04 vê-se que sua aplicabilidade é plausível ainda que não uníssona, conforme
pudemos verificar recentemente na apreciação feita pelo STF no julgamento do Habeas
Corpus 118213 em que se era pleiteada a concessão do indulto humanitário a uma
condenada por tráfico de drogas acometida de cegueira total enquanto submetida ao
cárcere.
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7 Metodologia

A metodologia a ser utilizada é baseada em fichamentos a serem produzidos a


partir de revisões de literatura, especialmente direcionadas ao entendimento dos institutos
conflitantes que suscitaram o problema. Pretende-se ainda fazer a coleta de dados gerais
sobre o tema, direcionando então o estudo a partir destes para que seja possível criar uma
linha evolutiva do instituo do indulto humanitário, traçando suas origens e relações,
utilizando ainda questionários com alunos do Bacharelado em Direito para que se verifique
os posicionamentos dos futuros operadores das ciências jurídicas. Por fim, diante dos dados
colhidos dos fichamentos e demais métodos de coleta pretende-se condensar o assunto de
forma concisa e organizada em um tomo de monografia.
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8 Cronograma

2015 Jan Fev Mar Abr Mai Jun


Levantamento, análise Bibliográfica e
X X X
produção de fichamentos
Coleta de Dados X X
Análise dos Dados X X
Redação do Texto X X X
Correção do Texto X X X
Apresentação do Texto X
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9 Referências

AZEVÊDO, Pedro Pontes de. Normas Constitucionais Inconstitucionais Oriundas Do


Poder Constituinte Originário. JUS NAVIGANDI, Julho de 2003. Disponível em:
<http://jus.com.br/artigos/4724/normas-constitucionais-inconstitucionais-oriundas-do-
poder-constituinte-originario>. Acesso em: 16 de nov. de 2014

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada


em 5 de outubro de 1988. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm>. Acesso
em: 16 de nov. de 2014

BRASIL. Decreto Lei Nº 5.295 De 2 De Dezembro De 2004. Disponível em:


<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/D5295.htm> Acesso
em: 16 de nov. de 2014

BRASIL. Lei Federal nº 8.072 de 25 de julho de 1990. Dispõe sobre os crimes hediondos,
nos termos do art. 5º, inciso XLIII, da Constituição Federal, e determina outras
providências. Lex: Lei Federal. 8.072. Brasília, DF. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8072.htm>. Acesso em: 16 de nov. de 2014

LEAL, João José. Indulto humanitário para condenado por crime hediondo e a
inconstitucionalidade do Art. 2º, inciso I, da Lei 8.072/90 – LCH. Âmbito Jurídico.
2004?. Disponível em: <http://www.ambito-
juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=855>. Acesso em:
16 de nov. de 2014

LFG. O Que É Indulto Humanitário? 20 de junho de 2007. Disponível em:


<http://ww3.lfg.com.br/public_html/article.php?story=20070620122528841&mode=print>.
Acesso em: 16 de nov. de 2014

SÃO PAULO(Estado). Procuradoria Geral do Estado de São Paulo. CARVALHO,


Pedro A. Egydio de. Indulto Humanitário E Crime Hediondo. São Paulo, 20-. Disponível
em:<http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/revistaspge/revista2/artigo10.htm>. Acesso
em: 16 de nov. de 2014