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O guia definitivo de como passar em concursos públicos

Atenção – este livro está em construção e


contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto
relativamente ao conteúdo.

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tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 1
Prefácio

Estamos provavelmente no início de uma nova era da


humanidade, marcada por incríveis avanços tecnológicos. A
informação, outrora escassa, passa a ser tão abundante que se
torna, ela própria, um problema. Conteúdos duvidosos, notícias
fakes, especialistas de ouvir dizer... As pessoas não precisam mais
ir atrás do conteúdo. Ao contrário, são disputadas por eles. Essa é a
geração em que o maior ativo que cada pessoa possui - se não o
único - é o seu tempo. Este, que jamais poderá ser comprado, será
vendido cada vez menos. E é exatamente por saber o quanto o seu
tempo é valioso, muito mais inclusive que seu próprio dinheiro, que
eu tive o cuidado de escrever um livro enxuto e direto – como eu
penso que deve ser todo material para concursos – que eu acredito,
sinceramente, valha a pena ser lido. Nele, falo daquilo que acredito
ter legitimidade, obtida através de meus erros e acertos, sucessos e
fracassos em 16 anos de concursos e 10 aprovações. Onde passei
de estudante de escola pública, desempregado e endividado, a
defensor público. Logo de início, já quero deixar meus sinceros
agradecimentos por este privilégio que é ser lido por você e dizer
que espero honrar o preciosíssimo tempo que irá investir nesta
leitura.

Fabiano Barros

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APRESENTAÇÃO

“Eis que o semeador saiu a semear. E, quando semeava, uma parte


da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na;
E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e
logo nasceu, porque não tinha terra funda; Mas, vindo o sol, queimou-
se, e secou-se, porque não tinha raiz. E outra caiu entre espinhos, e
os espinhos cresceram e sufocaram-na. E outra caiu em boa terra, e
deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta.”

Jesus Cristo.

Desde quando decidi escrever um livro para transmitir a vocês minha


experiência de dezesseis anos de concursos, eu sempre tive um referencial principal:
escrever o livro que eu gostaria de ter lido quando eu comecei. Quero que você aprenda
com minha vivência para não ter de pagar o alto preço que eu paguei. Eu penso que
aprender com os erros e acertos dos outros talvez seja o maior trunfo da humanidade. Não
fosse assim, aprendendo com quem já fez, cada pessoa teria de reinventar a roda ao
realizar qualquer atividade.

Mas, assim como na parábola do semeador, é provável que nem todos estejam
preparados para as palavras que eu aqui escrevo. Se houve quem rejeitasse os
ensinamentos do Mestre, quanto mais os meus. Mas também não tenho dúvidas que este
livro impactará a muitos, significando um renovo de esperanças e de forças em suas vidas.
Pessoas que, assim como eu, há alguns anos, podem não estar conseguindo enxergar
com clareza todas as suas potencialidades e também as oportunidades que os concursos
proporcionam. Concurseiros que não sabem que caminho seguir e o quê devem fazer para
alcançar a meta de uma vida melhor, para conquistar seus objetivos e realizar seus
sonhos. Pessoas que talvez estejam por um fio de deixar de acreditar que é possível.

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Ninguém vai encontrar aqui uma fórmula mágica. Mas acharão um caminho
seguro que ajudará conquistar o sucesso em concursos públicos e na vida. Não tenho
dúvidas de que ninguém sairá deste livro da mesma forma que entrou.

O que me credencia a afirmar isso não são as minhas 10 aprovações em


diferentes cargos, pois certamente existem por aí inúmeras pessoas com mais aprovações
que eu. O que me credencia e me dá a certeza de que tudo o que eu experimentei e
aprendi também serve para você é minha história de vida. Nasci em família pobre, já
passei por inúmeras dificuldades na vida, trabalhado desde adolescente, ora fazendo frete
na feira para levar uns trocados para casa, ora em outros subempregos como oficina de
pintura de carros. E, posteriormente, também estive na fila do desemprego.

Tais experiências, aliadas à maneira como eu fui criado, fizeram com que eu
viesse a ter um carinho especial pelos estudos e, mais especificamente, pelos concursos
públicos. Foi aqui que eu me encontrei profissionalmente, não apenas obtendo um
emprego decente, mas podendo literalmente escolher onde eu queria trabalhar e que tipo
de atividade eu gostaria de exercer.

Minha inquietude e curiosidade fizeram com que eu sempre procurasse


entender quais foram os mecanismos que me possibilitaram fazer essa transição, pois
entendo que, embora cada pessoa seja diferente, existem padrões replicáveis de
comportamento que podem ser encontrados nas pessoas de sucesso. Por isso, durante os
últimos 16 anos, observei cuidadosamente não apenas a mina própria trajetória, mas
também de outras pessoas vitoriosas em concursos com as quais tive o privilégio de
conviver, justamente para poder transmitir aos que precisam um modelo a ser seguido.

Muitos já me perguntaram o que se deve fazer para passar em concursos.


Sempre procurei ajudar o quanto possível, sendo que muitos conseguiram aprovação. Mas
são tantas as informações e orientações que o meu tempo me impedia de ajudar um
número maior de pessoas. Por isso que decidi colocar tudo nesse livro. Essa é a minha
maneira de responder a essa pergunta, que tantas vezes eu já ouvi, de forma completa e
detalhada.

Esse livro é desafiador, porque o que eu pretendo não é apenas te trazer


algumas informações úteis, mas sacudir a sua existência, te tirar da zona de conforto e te
instigar a iniciar uma transformação em sua vida, que começa na sua mente, passa pelos
seus comportamentos e, consequentemente, deságua nos seus resultados. Para isso,
navegaremos às vezes em águas turbulentas, pois a mudança às vezes é dolorosa. É
preciso encarar de frente as próprias desgraças e admiti-las para depois superá-las. Mas,
ao final, tenho certeza que a viagem terá valido a pena.

Nunca quis entregar aos meus ilustres leitores apenas mais um livro, que só
sirva de entretenimento ou que somente seja um texto a mais em suas vidas. Minha meta
é que esse livro não apenas sirva de ajuda ou de um empurrãozinho em matéria de

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concursos, mas que seja verdadeiramente revolucionário em suas vidas, capaz de
possibilitar verdadeira transformação de pensamento e de atitude rumo a um futuro melhor.

Procurei abarcar aquilo que eu entendo ser mais relevante para o sucesso em
concursos, bem como responder às principais dúvidas e medos dos concurseiros. Algumas
partes vão falar profundamente ao seu coração, outras nem tanto. Tudo dependerá da sua
necessidade e experiência de vida. Por isso, não se preocupe em seguir tudo ao pé da
letra, como se fosse uma regra sagrada, mas procure adaptar cada lição à sua realidade,
extraindo sempre o seu núcleo essencial de cada ensinamento e sua finalidade.

Meu objetivo é abrir as portas da grande oportunidade que a carreira pública


oferece para todos. Não quero guardar apenas para mim, ou para poucos que convivem
mais proximamente comigo, esses aprendizados que levei tantos anos para desenvolver.
Porque entendo que os concursos são a seara da igualdade e da cooperação. Eu me
lembro de um colega de faculdade, Hugo Fidelis, o qual depois virou amigo, que no início
do curso de Direito gostava de me fazer perguntas sobre concursos.

Na época, ele estava tentando passar no seu primeiro concurso para conseguir
um emprego e eu, que já havia passado em alguns concursos, era escriturário no Banco
do Brasil. Certa vez ele desabafou comigo que ora batia na trave, ora passava, e não era
chamado. E eu, que já conhecia o seu nível de conhecimentos e já havia percebido o seu
grau de seu comprometimento com os estudos, fiz uma pequena profecia sobre seu futuro
nos concursos. Eu disse a ele que, continuando com aquela determinação, logo ele seria
chamado em tantos cargos que teria dificuldades de fazer a escolha. Ele sorriu.

Alguns anos depois, fiquei sabendo que ele havia sido aprovado e teve de optar
entre os cargos de procurador, defensor e promotor de justiça, todos no Distrito Federal, e
pude, então, relembrar com ele aquela nossa conversa lá do início da faculdade. O meu
desejo não é apenas que você passe em um concurso público. Mas ajudá-lo a construir
uma mentalidade vencedora, assumindo as rédeas do seu sucesso profissional. E perceba
que tem o direito de ousar ser quem você quiser, quebrando paradigmas e rejeitando a
mentalidade muitas vezes medíocre da maioria. Ao fim, não tenho dúvidas de que estará
enxergando os concursos de forma completamente diferente. Daí, terá dois caminhos
possíveis. Se entender que essa carreira é para você, poderá ir atrás do seu objetivo com
muito mais clareza e determinação, sem medo de ser forçado a desistir lá na frente.

Se, porém, notar que sua vocação é outra, terá adquirido uma nova forma de
encarar os desafios que te ajudará em qualquer jornada. O que realmente importa é que
cada um de vocês encontre o caminho da sua felicidade e realização pessoal, seja no
serviço público ou não.

Durante a leitura, você perceberá que eu selecionei pequenas frases curtas que
sintetizam profundos saberes a respeito de concursos públicos. São mensagens diretas
que você inclusive deve buscar memorizar aquelas que mais te pareçam importantes, pois
podem te ajudar nos momentos mais difíceis e de incertezas. As frases do topo, de fundo

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laranja na parte de cima do livro, no início de cada capítulo ou título, selecionei dentre
aquelas ditas por pessoas que obtiveram reconhecido sucesso em suas áreas, em
diferentes épocas, e que entendo se aplicaram ao ramo dos concursos. Já na parte de
baixo, na cor verde, no final de cada título ou capítulo, trago frases de minha autoria, que
são resumos daquilo que eu aprendi com minha própria experiência de vida,
especialmente nos concursos públicos.

No decorrer do livro, faço também menção a vídeos curtos postados no meu


canal youtube.com/fabianobarros. Entre, veja os vídeos, e aproveite para fazer sua
inscrição no canal. Lá posto vídeos periódicos trazendo novidades, informações, dicas e
motivação para concurseiros. Quem quiser acompanhar o meu dia-dia e também receber
insights diários com conteúdos e dicas sobre concursos, convido a se inscrever também no
@fabianobarrosconcursos no Instagram.

Boa leitura!

1 – Do Fracasso ao Sucesso

"Se eu tivesse oito horas para derrubar uma árvore, passaria seis afiando meu
machado." Abraham Lincoln

O lenhador precisa gastar energia para derrubar uma árvore, mas é pouco
produtivo lançar nela um machado sem corte. Assim, o tempo investido na afiação do
machado não é tempo desperdiçado, mas, ao contrário, é capaz aumentar a velocidade do
resultado desejado. O grande presidente americano sabia que duas horas é mais que
suficiente para cortar uma árvore se você tem um bom machado, mas oito horas de serviço
podem ser pouco tempo se seu machado não está a contento e o profissional não se
atenta à necessidade de amolá-lo.

Com tanta matéria para estudar, porque eu iria ler um guia sobre concursos?

Este é um pensamento comum, e deriva da vontade ou mesmo necessidade


que a maioria das pessoas têm de fazer as coisas acontecerem rapidamente. Mas nem
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sempre a pressa leva à velocidade. Em concursos, assim como em praticamente tudo na
vida, é imprescindível não perder tempo. Mas o fato é hoje muitas pessoas interessadas
em concursos públicos possuem uma visão equivocada a respeito do tipo de pensamento
e atitude capaz de garantir o sucesso da empreitada. De modo que acabam investindo
bastante tempo e dinheiro de modo equivocado e, assim, acabam por permitir que a
afobação lhes faça perder grandes oportunidades.

Nos dias atuais, a aprovação depende tanto de estudar o conteúdo das


disciplinas quanto do domínio de táticas e estratégias específicas em concursos públicos.
Ter uma boa técnica é como ter um machado afiado. Mas a forma correta de estudar ou a
própria escolha do material ou mesmo, antes disso, a definição de que tipo de concurso
buscar já são fatores que servem como verdadeira seleção, muito antes que a maioria
imagina.

Como concurseiro há vários anos e já aprovado em muitos concursos, sei que o


tempo e não o dinheiro ou qualquer outro bem é o seu principal ativo na preparação para
um concurso. Durantes os últimos 16 anos, muitos foram os meus acertos e também os
meus erros. Este fato, especialmente nos tempos de hoje onde existe uma infindável
quantidade de material disponível, faz com que seja ainda mais relevante a preocupação
de não perder tempo com inutilidades no mundo dos concursos. Por tal motivo, todos os
materiais que produzo para meus seguidores possuem sempre três características
fundamentais: a essencialidade, a objetividade e a simplicidade.

Essencial é aquilo que é verdadeiramente útil, indispensável, que irá somar de


maneira significativa à vida da pessoa para ser objetivo, procuro ir direto aos pontos nodais
em cada questão, sem rodeios e delongas inúteis. Sendo simples, por fim, procuro falar de
maneira clara e inteligível, tanto aos que estão começando do zero quanto para aqueles
que já estão na estrada há vários anos. Por tais motivos eu te asseguro que ler este livro
com atenção é a coisa mais relevante que você pode fazer hoje em benefício da sua
carreira de concurseiro.

Somos a geração dos vídeos curtos e das mensagens instantâneas, onde a


maioria das pessoas tem preguiça de ler um texto mais longo ou um livro, pois estão
acostumadas com um pensamento acelerado, respostas curtas e diretas em tudo. Mas a
verdade é que aqueles que pretendem ter sucesso, seja nos concursos ou em qualquer
carreira, ainda precisam se dedicar à tradicional leitura. Quando se trata de concursos, tal
realidade é ainda mais gritante. Basta dizer que as provas são escritas. Eu costumo dizer
que quem só assiste novelas, não tem como se dar bem na provas escritas. De tal sorte
que, ao ler esse livro, além de estar adquirindo um conhecimento essencial para sua
aprovação, mudando sua maneira de enxergar e, consequentemente, de agir em matéria
de concursos, você estará exercitando sua leitura. Este será um tempo muito bem
investido no seu futuro, pode confiar.

Tal ocorre porque concursos, no Brasil, há muito tempo deixou de ser um mero
mecanismo de seleção daqueles que possuíssem mais conhecimento em determinada

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área. Hoje, o concurso mais se parece com um jogo. Não um jogo de azar – longe disso –,
mas um jogo para o qual as pessoas se preparam especificamente e profissionalmente.
Essa realidade não é exclusiva dos concursos públicos, mas de qualquer atividade
humana que desperte grande interesse. Veja o caso das Olimpíadas. Quando os jogos da
era moderna começaram a ser disputados, pelos idos de 1896, na Grécia, os atletas eram
pessoas comuns, que tinham diferentes ofícios no dia-dia, tais quais agricultores,
comerciantes e militares. Hoje, os vencedores são atletas profissionais em todas as
categorias, devido ao grande interesse social e aos patrocínios públicos e privados. De
igual modo, há alguns anos, era comum se ter notícias de alguém aprovado em um
concurso público utilizando-se unicamente dos conhecimentos que aprendeu em seus
estudos regulares, seja em nível básico, médio ou superior. Atualmente, tal é cada vez
mais difícil, especialmente em se tratando dos melhores cargos.

Hoje, os aprovados são pessoas que fazem uma preparação específica e


direcionada para concursos, utilizando-se de estratégias e táticas voltadas para um melhor
desempenho tanto no aprendizado quanto na realização das provas.

Quando fiz meu primeiro concurso público aos 19 anos, em 1999, eu não sabia
exatamente o que estafa fazendo. A internet era incipiente e eu não tinha acesso às
informações e estratégias sobre preparação para concursos. Ao analisar o edital, percebi
que havia matérias com pesos distintos. Notei também que determinados conteúdos eram
muito extensos e outros não. Foi fácil perceber que estudar muito não era suficiente, seria
preciso estudar certo. Isso, para mim, significava ter o melhor material, resumido e
direcionado o suficiente, e focar naquilo que me garantisse mais pontos pois, no final, era
apenas isso que importava. Nesse concurso do IBGE, para um trabalho temporário de sete
meses no Censo 2000, fiquei em 5º lugar dentre milhares de candidatos – estando muito
longe de estar entre os mais qualificados – com uma única estratégia simples.

Naquela época, eu havia recém concluído o segundo grau (hoje ensino médio)
em escola pública estadual de péssima qualidade. Exceto apenas o fato de que eu já
gostava de ler (o que me ajudou muito em toda minha carreira nos concursos) eu estava
mal em praticamente todas as áreas do conhecimento. Desempregado, analisei
minuciosamente o edital para definir a melhor estratégia que eu poderia adotar no intuito
de tentar vencer aqueles milhares de candidatos que eu tinha certeza serem melhor
preparados que eu.

Percebi que havia uma matéria no edital que cobrava conhecimentos


específicos sobre a realização de pesquisas para estatísticas sobre a população brasileira.
Eles inclusive entregavam, no ato da inscrição, uma pequena apostila, de cerca de 50
folhas, que tratava deste conteúdo, já que certamente não seria encontrado
satisfatoriamente em outro local.

Era previsto para a prova 70 questões, sendo 40 de conhecimentos básicos


(português, matemática, informática, história, geografia e atualidades) e 30 de
conhecimentos específicos. Mas o que mais me chamou a atenção foi que os tais

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conhecimentos específicos tinham peso 2, valendo portanto 60 pontos no total, ao passo
que as questões de conhecimento geral possuíam peso 1, totalizando 40 pontos. E bingo!
Ora, tudo o que eu tinha que fazer era dedicar a maior parte do meu tempo a estudar
aquela pequena apostila, pois isso compensaria minha provável deficiência nas outras
matérias. Embora fosse algo tão óbvio, o fato é que a esmagadora maioria das pessoas
não o fez.

Não errei uma única questão dentre as 30 específicas e, com disse, fiquei na 5ª
colocação no concurso. Nele, os 15 primeiros assumiriam a função de gerente de posto de
coleta, e os outros aprovados até 150º a de supervisor. Não foi surpresa para mim que, ao
assumir o meu posto, vários dos meus subordinados, e que haviam feito a mesma prova
que eu, tinham formação de nível superior.

Essa experiência me fez aprender uma coisa muito simples: não é o título que
você possui, nem o quanto você quer, e nem mesmo quanto você sabe, é a nota que você
tira na prova. Assim, em cada concurso que fazia, eu procurava ser o mais objetivo
possível, me dedicando em fazer aquilo que fosse me levar a atingir a maior nota possível,
dentro do tempo que eu tinha para estudar... De tal modo, acabei desenvolvendo,
testando, aplicando e aprimorando diversas táticas e estratégias para acertar mais
questões. Meu aprendizado foi um mosaico de experiências pessoais e conversas com
outros candidatos em todos esses anos, pois sempre procurei estar de ouvidos abertos
àquilo que eu poderia aprender também com a experiência dos outros.

De lá para cá foram ao todo sete aprovações em concursos federais: IBGE


(ACM), TRT (técnico), Correios (atendente comercial), Banco do Brasil (escriturário), PRF
(policial), MPU (analista), PFN (procurador) e três estaduais: Aganp/GO (fiscal), AGR/GO
(fiscal), Defensoria Pública/GO – (defensor).

O que eu pretendo com este livro é sistematizar de maneira didática e


simplificada toda essa experiência, para que você, candidato, possa trilhar um caminho
seguro até a tão sonhada aprovação. Como eu disse, meu intuito é entregar às pessoas
exatamente o livro que eu gostaria de ter lido em 1999, e que teria feito minha trajetória
nos concursos muito mais fácil.

O livro é dividido em 6 capítulos, compondo um curso completo sobre uma


maneira comprovadamente eficaz de enxergar e fazer concursos públicos. No primeiro eu
falo um pouco a respeito da minha trajetória nos concursos, sobre o mercado de concursos
atual e explico o porquê apenas estudar até morrer não é suficiente para a aprovação.
Acredito que é importante falar da minha trajetória para que você perceba que sou igual a
você, com fraquezas e defeitos. Em seguida, no capítulo II, eu falo sobre o poder da
mente. Como a nosso inconsciente controla a maior parte das nossas decisões, ações e,
consequentemente, é responsável pelos nossos resultados – e ensino como é possível
educar seu cérebro no sentido que você precisa, no caso, a aprovação em concursos.

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No capítulo III eu trago um passo a passo em detalhes para a preparação ideal
em concursos: escolha do cargo, análise do edital, escolha do material e o estudo
propriamente dito, com foco na maior eficácia. O capítulo IV é onde eu aponto os 10
principais erros cometidos por concurseiros, e o que fazer para se desviar de cada um
deles. Chegamos então ao capítulo V, em que eu apresento um resumo da preparação e
da experiência em cada um dos dez concursos em que fui aprovado, com destaque para o
principal aprendizado em cada um deles. Por fim, no capítulo VI, faço um convite ao
trabalho, a pôr as mãos na massa.

Não existem vagas para todos. Esta é uma dura realidade quando se trata de
concursos públicos, pois é inegável que sempre haverá mais candidatos que vagas, já que
estamos tratando de excelentes colocações profissionais, com salários e benefícios muito
acima do mercado privado, capazes de alçar uma pessoa da classe “C” ou “D” para a
classe média alta quase que instantaneamente. Nesse contexto de escassez de vagas, é
certo que deve prevalecer dois princípios inerentes aos concursos públicos: a isonomia e o
mérito. Mas, para que eles existam de fato, substancialmente e não apenas formalmente, é
preciso que as pessoas tenham acesso ao conhecimento. Para mim, esse acesso deve
abarcar não apenas o conteúdo do programa de estudos do edital, mas também o
conhecimento acerca das estratégias e táticas que alavancam os resultados em
concursos. Meu intuito com a distribuição desse material não é ajudar a este ou àquele
grupo específico de pessoas, mas ajudar a estabelecer a paridade de armas na hora da
luta. A oportunidade está lançada àqueles que realmente querem pagar o preço pelo
sucesso.

Para tais, há um alento. Muito embora, como eu disse acima, não existam e
nunca existirão vagas para todos, eu não tenho dúvidas em dizer que a decisão pela
carreira dos concursos é uma opção segura. Parece contraditório, mas não é. Na
realidade, não difere em muito do que acontece em outras áreas profissionais. Pense em
uma carreira qualquer que não envolva concursos. Pensou? Tenho certeza que nesse
mercado que você pensou existem desde aqueles profissionais que ganham apenas o
suficiente para ter uma vida simples até aqueles que moram em condomínios de luxo e
fazem compras em Nova York todos os anos. As diferenças entre uns e outros dependem
de uma combinação de inúmeros fatores, mas que podem ser explicadas de modo um
tanto simplista por uma equação que envolve duas grandezas: oportunidades e interesses.
Oportunidade é tudo aquilo que se tem acesso, disponibilizado pela família, governo,
mercado... Interesses dizem respeito à disposição que a pessoa tem de pagar determinado
preço de sacrifício para se chegar em algum lugar porque ela quer muito aquilo.

A verdade é que essa equação vale para qualquer carreira, inclusive concursos
públicos. A aparente diferença está no modo de acesso. Enquanto nas outras carreiras,
seja no campo empresarial, profissional liberal ou empregado, os mecanismos de acesso
aos melhores lugares são variados e difusos, na carreira pública é único – embora existam
algumas exceções, como os cargos comissionados, quinto constitucional... Para mim, que
não tinha acesso aos mecanismos sociais de facilitação de emprego, como pais, amigos e

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parentes donos de empresas ou políticos, o concurso foi um mecanismo facilitador, que me
abriu as portas das grandes oportunidades.

O grande problema é que o leigo – e você está lendo esse livro para deixar
definitivamente de ser leigo, passando a pensar e agir como um concurseiro profissional –
tende a ver o concurso mais como uma loteria que como uma seleção dos mais bem
preparados. No entanto, do ponto de vista estatístico, é mais fácil uma pessoa ganhar na
Mega-Sena dez vezes em dez semanas consecutivas jogando uma única cartela por vez
que acertar 70% de uma prova de múltipla escolha chutando aleatoriamente. Por outro
lado, para efeito de comparação, nos últimos dez concursos de nível superior que eu fiz,
Procurador de Goiás, Procurador da Assembleia de Goiás, Procurador da Fazenda
Nacional, Advogado da União, Defensor De Goiás duas vezes, Delegado do Distrito
Federal e Delegado de Polícia, eu obtive aprovação em todos eles na prova objetiva,
embora tenha desistido de alguns e reprovado em outros nas fases seguintes.

Falando assim, alguém pode pensar, mas não seria você um gênio? Será que
comigo também é assim? Bem, não tenho dúvidas de que somos absolutamente iguais.
Mas à frente, no capítulo X, falo da minha trajetória nos concursos. Lá você verá que antes
de obter aprovações, eu também colecionei derrotas.

A questão fundamental em qualquer carreira, portanto, é, uma vez tendo as


oportunidades nas mãos, a pessoa se perguntar até onde ela está disposta a ir, qual preço
que ela pretende pagar. Um médico, engenheiro ou advogado pode ser tanto aquele
profissional de bairro, quanto aquele convidado a dar palestras em Harvard. E, o mais
importante, a diferença entre eles não está apenas em uma decisão. Está em ter uma
mente construída e voltada para aquele intento, capaz de tomar dezenas ou até centenas
de decisões no seu dia-dia que o levarão até lá.

Àqueles que possuem dúvidas se irão ser aprovados em um concurso, que têm
medo de perder tempo na vida, eu tenho uma receita simples e muito eficiente. Faça o
concurso mais fácil que você tiver notícia, de nível fundamental de preferência, para
trabalhar na cozinha de alguma escola pública por exemplo, ainda que você não pretenda
assumir o cargo. Quando você for aprovado em um concurso desses, seu cérebro
receberá a seguinte mensagem poderosa e impactante, no nível do subconsciente e não
apenas da consciência: eu passei nesse concurso porque o meu nível de conhecimentos,
tanto em termos de conteúdo quanto de táticas de estudo e provas, foi suficiente. A partir
de então, toda vez que você for reprovado em um concurso, saberá exatamente o motivo.

Eu sempre aconselho às pessoas que me seguem utilizar-se da técnica da


escadinha. É a maneira mais segura e inteligente de se acessar os melhores cargos
públicos. Essa técnica consiste simplesmente na atitude de, em vez de visar e fazer
unicamente o concurso dos seus sonhos, ir fazendo concursos de níveis intermediários,
até chegar onde se quer. Um bom parâmetro para isso é partir do salário que você ganha
ou poderia ganhar hoje, seja no mercado público ou privado, e ir fazendo concursos
visando a dobrar esse salário cada vez, dispensando fazer concursos que estejam muito

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
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fora desse parâmetro. Para alguns, vai parecer um caminho demorado até chegar onde
quer, mas garanto que é um caminho bem realista. Claro que existem exceções, tanto de
pessoas que, por algum motivo, podem optar por outra estratégia, quanto de algumas
oportunidades excepcionais que não podem ser desperdiçadas.

Assim, se por um lado, é possível dizer que não há mais – se é que um dia
houve – espaço para aventureiros na seara dos concursos, por outro, não tenho dúvidas
de que, àqueles que querem pagar o preço, a oportunidade está à porta. Concurso público
não é espaço de privilegiados, mas exatamente o contrário. É lugar de igualdade de
condições e de jogo limpo. Conhecer o que está nesse livro é a certeza de saber não
apenas as regras do jogo mas, especialmente, saber daquilo que funciona e que não
funciona para se chegar à vitória.

Modéstia à parte, eu conheço o mercado brasileiro de concursos


suficientemente para te dizer, sem sombra de dúvidas, que você tem em suas mãos o mais
completo e objetivo guia para aprovação em concursos do país. Leia com atenção e
coloque as lições que aprender aqui em prática que eu te asseguro que terá condições
reais de conquistar o cargo público que quiser.

Como utilizar esse livro

Leia o livro todo. De capa à capa. Ele foi escrito para ser lido assim. Para quem
gosta de apenas pinçar aqueles pontos que entende ser “essenciais’ ou “mais
interessantes”, eu digo duas coisas: 1 – se você não vencer a preguiça de ler, esqueça os
concursos públicos e, de resto, se desiluda de ter sucesso em qualquer área profissional. 2
– se você realmente tivesse a capacidade de escolher os pontos principais desse livro,
antes mesmo de lê-lo por completo, você não precisaria de nada do que está escrito aqui.
A distância entre o que uma pessoa precisa e aquilo que ela pensa que precisa é a mesma
medida da incapacidade que ela possui de fazer essa análise. Por isso, para aprender de
verdade, é preciso ter humildade e confiar em quem ensina.

Este livro foi escrito para atender a pessoas que estão em três diferentes
momentos de sua trajetória nos concursos: quem está começando do zero, e precisa de
uma orientação inicial que lhe possibilite trilhar um caminho seguro; aqueles que já fazem
concursos, mas ainda não estão conseguindo passar, e que necessitam de fazer alguns
ajustes para alcançar este objetivo e, por fim, àqueles que já passaram em concursos, mas
que almejam cargos maiores, e, por isso, precisam aprender a jogar no nível de cima. Meu
projeto é que este livro se torne algo colaborativo. Para isso quero obter a opinião dos
leitores sobre os necessários aprimoramentos futuros. Todo ano pretendo trazer uma nova
edição corrigida e atualizada. Minha intenção é que, com a ajuda de vocês, este livro se
torne o mais relevante guia para concurseiros do Brasil.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 12
Por mais que possa, em princípio, parecer repetitivo, aconselho que você leia
esse livro pelo menos uma vez por ano, principalmente antes de iniciar um novo projeto de
preparação para algum concurso. Tal ocorre porque a repetição, nesse caso, embora
possa trazer certa monotonia, já que não haverá muitas novidades, é um mecanismo de
consolidação da sua nova mentalidade, no nível do subconsciente. A cada vez que você
ler, certamente você aprenderá mais. É como pintar uma parede. Por melhor que seja a
tinta, nunca uma demão sozinha é suficiente para que se cubra de maneira satisfatória. A
cada nova leitura, devido à experiência acumulada, você estará em novo patamar mental,
de modo que o aprendizado adquirido também mudará.

E em qual momento da minha trajetória de concurseiro eu não devo ler este


livro? Se seu concurso estiver com edital já lançado, faltando dias ou meses para as
provas, ler este livro pode ser uma forma disfarçada de fuga e procrastinação. Mas, logo
que o concurso se encerre, independentemente do resultado, volte-se ao livro e faça nova
leitura.

Ao fim das contas, passar no concurso dos seus sonhos é uma tarefa – e um
conquista – tão somente sua, resultado do seu desejo profundo e de seu trabalho. Mas eu
te asseguro – e qualquer um pode me cobrar isso – que este livro será capaz de ajuda-lo
de maneira substancial nesse projeto, seja qual for o cargo que queira, do menor ao maior
e mais concorrido do Brasil. Qualquer um pode passar em um concurso sem ler esse livro,
mas o escrevi com a intenção de fazer com que aqueles que o lerem tenham uma jornada
mais rápida, mais segura e mais feliz.

Haverá dificuldades pelo caminho. Faça um compromisso e vá até o final.


Conseguir ler esse livro até o final é o seu primeiro desafio nessa sua nova jornada de
concurseiro. Não se permita ser derrotado tão facilmente abandonando a leitura pelo meio.
Leia primeiro e deixe para julgar no final. Toda crítica será bem vinda. No decorrer do livro,
eu faço menção a alguns vídeos curtos, de aproximadamente 6 minutos, que estão no meu
canal do YouTube. Mesmo que você já os tenha visto, é muito importante que os assista
nessa sequência, pois eles complementam o raciocínio aqui trazido.

Estratégia

Todos podem ver as táticas de minhas conquistas, mas ninguém consegue


discernir a estratégia que gerou as vitórias. Sun Tzu

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 13
Há mais de 16 anos, quando fiz meu primeiro concurso, eu já havia percebido
que parte da estratégia de estudos era abrir mão de algumas coisas. Não apenas no
campo da vida pessoal, para ter tempo para estudar – vamos tratar melhor disso mais à
frente – mas também em termos de oportunidades e material de estudos, dentre outras
coisas. Em se tratando de material, o que existia de mais voltado para concursos na época
eram apostilas. Eu decidi que iria estudar com a melhor do mercado, independentemente
do preço, e abrir mão de todas as outras. E quando falo “todas as outras”, estou tratando
de outras duas ou três marcas existentes à época.

Hoje isso mudou muito. Em vez de duas ou três, existem dezenas ou até
centenas de opções de cursos e materiais voltados para concursos públicos.
Convencionou-se chamar de Big Data a grande quantidade de informações contidas na
internet, muitas delas sem organização inteligente. Eu creio que já estamos vivendo um big
data dos concursos, e que tende a piorar. Existe um sem número de especialistas,
coachings, professores, todos prontos a ensinar métodos “infalíveis” para a aprovação,
nem todos merecedores de credibilidade. No campo do conteúdo não é diferente. Uma
busca no Google é suficiente para se encontrar conteúdo para estudos de qualquer
matéria, livros, vídeos... No YouTube, são milhões de horas de vídeos apenas sobre
concursos públicos, sem falar nos blogs e sites especializados. Nem em um milhão de
anos seria possível assistir e ler tudo.

O fato é que a escassez não é mais de material ou de dicas, táticas... mas de


tempo. Na disputa do concurso – e sempre se tratará de uma disputa – leva vantagem não
aquele que possui acesso ao maior acervo de especialistas, vídeos e PDFs, mas quem
sabe fazer a melhor escolha. Está bem mais difícil selecionar o que ver ou estudar e
descartar todo o resto e, por isso, saber escolher e descartar corretamente passa a ser um
conhecimento decisivo para aprovação. O fato é que o concurseiro precisa tomar inúmeras
decisões durante sua trajetória, e, paralelamente, abrir mão de todas as outras opções,
ainda que temporariamente. Você pode receber orientações e dicas, mas ninguém pode
tomar estas decisões por você. Ao final, será você a decidir, em cada esquina, qual rumo
tomar – e será você quem sofrerá as consequências, boas ou ruins.

Inspirado na definição do chinês Sun Tzu, general, filósofo e escritor do clássico


milenar “A arte da Guerra”, eu chamo de estratégias as decisões e aplicações utilizadas
em concursos que possuem um escopo mais amplo, que abarcam os concursos públicos
como uma carreira profissional a ser seguida dentro de algumas diretrizes fundamentais.
Se fosse uma guerra, seria enxergar todo o tabuleiro, planejar a evolução das batalhas do
início ao fim. Ao passo que chamo de táticas as artimanhas utilizadas durante os estudos,
para potencializar o aprendizado e a memorização, e durante as mais diferentes fases e
provas, para garantir mais eficiência em cada uma delas particularmente. Aquilo que é
preciso fazer dentro de cada batalha para sobreviver e derrotar o inimigo.

A quem pretende construir uma casa, não é aconselhável que vá direto à loja de
materiais de construção e comece a amontoar tijolos e cimento com as próprias mãos.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 14
Antes, deve cuidar do projeto, da autorização da prefeitura, de contratar profissionais, fazer
o levantamento dos custos financeiros, do tempo que precisará dedicar à supervisão da
obra, dentre outras coisas. É imprescindível que se enxergue o projeto como um todo
antes de assentar o primeiro tijolo, ou certamente terá problemas. Com concursos não é
diferente.

Um projeto de preparação para um concurso público dá ao candidato a


segurança de saber o que fazer em cada momento, para que não fique perdido em
preocupações e divagações que só geram procrastinação. Por isso, é necessário, antes
mesmo que o edital do seu concurso seja publicado, que você tenha um plano que possa
ser seguido até a data da prova. Trata-se de ter um cronograma de estudos, saber quais
as principais matérias a serem estudadas em cada momento, como estudar questões,
fazer resumos, o momento de revisar, de estudar legislação... Enfim, tudo o que
certamente irá favorecer tanto o aprendizado quanto a recuperação, na hora da prova,
daquilo que foi estudado e está presente na sua memória. Essa visão do todo, o projeto, é
a estratégia. Cada uma dessas etapas que fazem parte da estratégia, são as táticas.
Vamos tratar de cada uma delas aqui.

O método enxuto

Para mim, existe uma clara diferença entre o concurseiro de esperança e o


concurseiro enxuto. Concurseiro de esperança é aquela pessoa que estuda muito um
material que naquele momento lhe pareça adequado e faz a prova, repetindo esse roteiro
na esperança de que um dia irá ser aprovado. E, em muitos casos, até consegue. Mas
muitos concurseiros de esperança tendem a desistir após algumas tentativas, pois se
sentem como quem caça no escuro. O pior não é errar o tiro, mas não saber sequer onde
o tiro acertou. Pois, quem não sabe onde atingiu, não terá sequer condições de corrigir o
próximo disparo.

Eu criei essa expressão concurseiro enxuto inspirado no livro de Eric Ries, cujo
título é “The Lean Sturtup”, traduzido no Brasil como “A Sturtup Enxuta”. Eric é um
empreendedor de grande sucesso do Vale do Silício, local pioneiro e de destaque mundial
em inovação tecnológica, localizado em São Francisco, Califórnia. O movimento “lean
sturtup”, criado por ele com base em suas experiências e de outros empreendedores que
ele observou, ensina empreendedores a alocar melhor os seus recursos de tempo e
dinheiro na construção de negócios.

De tão simples e revolucionárias, suas lições se tornaram verdadeiro mantra no


mundo do empreendedorismo, especialmente o digital. Ele ensina uma forma inusitada de
lidar com o erro e com a produção e oferta de produtos no mercado. Erro aqui não é
pecado ou derrota, mas parte do aprendizado. Para ele, todos os produtos e
funcionalidades devem ser testados repetidamente e infinitamente, pois é o contato entre o
Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 15
cliente e o produto que dirá se aquele produto tem mercado e quais as melhorias de que
ele precisa. Quando eu li este livro, fiquei impressionado com o quanto suas ideias,
embora voltadas para negócios, se encaixam perfeitamente com concursos públicos, feitas
apenas algumas adaptações necessárias.

Um empreendedor que vive de esperança, gasta uma fortuna para construir um


produto feito e acabado, contando apenas com as pré-compreensões que ele possui
daquilo que imagina que o mercado quer. Ao lançar o produto no mercado, utiliza-se
também de suas ideias pré-concebidas para atrair o consumidor, valendo-se de da forma e
meios de publicidade nos quais que ele imagina que trarão o melhor retorno. O resultado
normalmente é decepcionante.

De outro lado, o empresário enxuto, gasta pouco tempo e dinheiro construindo


apenas um produto mínimo viável, quase um protótipo, um início apenas do que ele
imagina ser o seu produto final. Apresenta então este PMV ao mercado e começa a obter o
feedback dos consumidores, aprimorando-o continuamente. Quanto às estratégias de
divulgação e marketing, testa cada uma delas, analisando seu custo e retorno em detalhes,
medindo e cuidando de cada centavo e cada minuto investido, e aprimorando
continuamente também esta parte do processo. Garante que este princípio seja utilizado
em absolutamente todas as áreas da empresa. Assim foram construídas as maiores e mais
formidáveis empresas que existem atualmente no mundo, muitas delas partindo do zero,
inclusive em termos de recursos financeiros, dentre as quais algumas que valem dezenas
de bilhões de dólares, como Google, Facebook, Uber e Airbnb.

Da mesma maneira podem e devem ser encarados os concursos públicos. Pois,


mutatis mutandis, tudo diz respeito essencialmente ao conhecimento e uso do cérebro
humano, essa nossa incrível ferramenta de trabalho, seja nos negócios seja em concursos.
O método enxuto em concursos diz respeito à necessidade de o concurseiro: 1 - conhecer
o seu nível atual; 2 – conhecer o nível do concurso que ele quer fazer; 3 – alocar de forma
inteligente seus recursos de tempo e dinheiro, utilizando-se das melhores estratégias
possíveis, para evoluir continuamente até atingir o nível necessário para passar; 4 –
acompanhar continuamente seu processo de melhoria, através de testes periódicos que
lhe dê o retorno e a segurança necessários para perceber sua evolução e saber que está
no caminho correto.

Enxuto diz respeito a algo leve, resumido, direcionado, objetivo, essencial. É


não desperdiçar tempo e dinheiro. É deter continuamente o controle dos processos,
sabendo onde se está pisando e onde se tem de melhorar. Tais princípios são
perfeitamente compatíveis com os concursos públicos. Mais que isso, são vitais pra quem
não quer depender da sorte no oceano de informações, conteúdos e métodos existentes
hoje em dia.

A ideia aqui, tal qual nos negócios, é fazer com que o concurseiro trilhe um
caminho seguro, calcado na realidade e na experiência, para que não tenha de caçar no
escuro, alimentando ilusões e projetos que, cedo ou tarde, podem se tornar uma grande

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 16
decepção. A minha longa experiência nesse mercado me permite dizer que é
perfeitamente possível fazer concursos de modo previsível e seguro. E é exatamente isso
que eu ensino neste livro, pois eu sei que quem assim age pode confiar na sua aprovação.

Três engrenagens do sucesso em concursos

Qualquer pessoa que queira ter sucesso em concursos – e quando falo


sucesso, sempre me refiro às melhores, mais prestigiadas e disputadas carreiras – precisa
necessariamente ser um concurseiro focado em três fundamentos, dos quais passo a falar
a seguir. Pilar é uma metáfora comumente utilizada para se referir às bases fundamentais
e estruturantes de alguma doutrina. Mas o pilar – que remete à engenharia civil, mais
precisamente às colunas que servem de sustentação para uma obra – não é a melhor
figura para representar o que eu pretendo aqui. Tal ocorre porque o pilar é estático, sendo
cada um presente em uma obra é relativamente independente dos outros, não existindo
comunicação perfeita ou retroalimentação recíproca entre eles. Por isso, percebi que a
melhor estrutura física apta a representar a função desses três fatores é uma engrenagem.

A importância de cada um os três eixos que formam a engrenagem é tamanha


que eu penso que a falta de qualquer um deles simplesmente inviabiliza o sucesso em
concursos, pois é precisamente a interconexão entre eles que eu chamo de ciclo virtuoso
do sucesso e, como sabemos, quando falta uma engrenagem em uma máquina, ela
simplesmente para, quando não explode.

A relação entre os eixos da engrenagem também revela outra faceta


perfeitamente aplicável ao mundo dos concursos, que é a dependência mútua também no
que se refere à velocidade. Pois, sempre que um dos eixos recebe uma carga que lhe
tenda a aumentar – ou diminuir – a velocidade, ele influencia necessariamente e
proporcionalmente os outros eixos a se comportar na mesma toada.

Assim, todo este livro se estrutura sobre este conceito de que existem três
fundamentos básicos para o sucesso em concursos: conhecer a ti mesmo, saber o que é
concurso público e trabalhar com profissionalismo.

(figura dos eixos interconectados - engrenagem)

Conhece- te a ti mesmo. (figura do escrito grego) A primeira referência que se


tem notícia a respeito este aforismo, revelador da imperiosa necessidade de conhecer a si
próprio para alcançar a sabedoria, está no Oráculo de Delfos, na Grécia antiga (nosce te
ipsum). No decorrer da história, muitos foram os filósofos que fizeram referência a tal dito,
a exemplo de Platão, Sócrates, Thomas Hobbes, Benjamim Franklin, Friedrich Nietzsche,
Sigmund Freud, dentre vários outros.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 17
O ser humano possui uma capacidade de realização de coisas que, se não é
ilimitada, ao menos certamente é incalculável. Contudo, paradoxalmente, nós também
possuímos inúmeras limitações. E é exatamente o conhecimento das capacidades e das
limitações humanas que possibilitam a realização de proezas pela humanidade. Por
exemplo. Nenhum homem na face da terra é capaz de levantar sozinho um peso de duas
toneladas. Mas, sabendo-se dessa limitação, foram criadas e aperfeiçoadas ao longo da
história ferramentas e tecnologias que possibilitam ao homem erguer até mesmo centenas
de milhares de toneladas de qualquer coisa.

Em termos de realização profissional e, mais precisamente, no que tange à


aprovação em concursos públicos não é diferente. Conhecer a si mesmo é estar presente,
de um lado, para as incalculáveis possibilidades de conquistas e realizações que você
pode experimentar e, de outro, saber das suas limitações, que são comuns a todo ser
humano, como as dúvidas, os medos, o sono, os relacionamentos, os obstáculos no
processo de aprendizagem... De igual sorte, quanto mais se conhece esses dois fatores,
maiores resultados podem ser alcançados.

O que é concurso público? (figura do corredor Adalberto Cardoso e breve


história). A resposta a esta pergunta pode parecer fácil à primeira vista. Pode-se dizer, sob
o ângulo do Direito, que concurso público é um procedimento administrativo que visa a
selecionar os mais capacitados, dentre os interessados, para exercer determinado cargo
público, dando-se oportunidades iguais para todos. Ainda, sob a ótica do candidato, pode-
se afirmar que concurso público é uma oportunidade de se conseguir, e se manter, um
bom emprego sem depender da opinião subjetiva de ninguém, contando apenas com suas
próprias habilidades e conhecimentos.

No entanto, conhecer apenas estas definições um tanto superficiais pouco


ajudam o candidato na difícil tarefa de garimpar sua vaga na desejada carreira. Concurso é
um jogo. E, tal qual um game, embora qualquer um possa competir apenas tendo uma
noção mínima do que está fazendo, para se tornar um vencedor, superando bons
oponentes, é necessário conhecer os detalhes estratégicos. E não apenas na teoria, é
preciso que, de tanto praticar os fundamentos, aquilo se torne massificado, automatizado,
de modo que você passe a reagir inconscientemente e rapidamente aos estímulos durante
a partida.

Assim como nas Olimpíadas, que, em algumas décadas deixaram de ser


competidas por atletas amadores e passaram a conter, em sua quase totalidade,
competidores profissionais, os concursos públicos evoluíram muito nos últimos anos.
Embora, por definição, qualquer um possa participar do certame, é cada vez mais raro que
alguém obtenha aprovação para cargos de alto nível sem uma preparação direcionada e
especializada para tal. Nesse sentido, é necessário conhecer o que funciona e o que não
funciona, saber como melhorar continuamente seus níveis de eficiência, produzindo mais
com menos esforço, se amoldando àquilo que buscam as bancas examinadoras. Trata-se
de uma expertise essencial para se juntar aos melhores.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 18
Trabalhar com profissionalismo. Eu uso a palavra trabalho aqui de maneira
proposital, pois estudar para concurso é trabalhar para si próprio. E não se trata de um
trabalho qualquer, mas do tipo que possui a mesma natureza do empreendedorismo, em
que os resultados dependem inexoravelmente da sua disposição e coragem.

(se você trabalha duro para os outros, porque não pode fazê-lo para você
mesmo?)

Fazer inscrição e prova de concurso, qualquer um faz. Ainda hoje não são
poucos os que se arriscam – na cabeça deles – a conquistar um cargo público, tal qual se
joga um bilhete da Mega-Sena. Contudo, aqueles que enxergam na carreira de concursos
públicos uma verdadeira oportunidade de se desenvolver, pessoal e profissionalmente,
para fazer por merecer o cargo almejado devem encarar a jornada como se estivessem
abrindo uma empresa. Sim, uma empresa chamada Você.

Tal qual um negócio próprio, você precisará de capital a ser investido, embora
não seja o mais importante – a exemplo das empresas – e de muita dedicação e
entusiasmo, mesmo trabalhando no vermelho. É como abrir as portas da sua loja todos os
dias, limpar o chão e tirar a poeira dos móveis e, ao fechar, não ter faturado um único
centavo. Alguém poderia dizer que também é semelhante a um empregado que trabalha
sem salário, mas não é. Não é porque o empregado tradicional só realiza suas tarefas
porque está sob o comando e a fiscalização de alguém. E nos concursos não pode ser
assim, porque a única pessoa que terá controle sobre suas atividades é você mesmo.

Assim, ter profissionalismo em matéria de concursos públicos é, antes de mais


nada, ter a exata noção da responsabilidade – e também do protagonismo – que você
mesmo possui na sua vida, seja em relação aos fracassos seja em face dos sucessos.
Partindo dessa premissa básica, é saber manter-se motivado, de modo a fazer com que
suas emoções e seu subconsciente trabalhem a seu favor. É também aprender a ter
disciplina, trabalhando com planos de ação, metas, prioridades, agenda... Ter
profissionalismo em concursos é, por fim, agir com persistência, pois muitas serão as
pedras no caminho, as quais você precisará não apenas retirar, mas ir juntando-as, uma a
uma, para construir mais à frente uma ponte.

Ciclo PDCA

O Ciclo PDCA é uma técnica de controle estatístico de qualidade criada pelo


físico e estatístico norte-americano Walter Andrew Shewhart há quase um século. De lá
para cá, embora com variações, esta metodologia se tornou bastante comum para o
controle de processos no mundo todo, seja em empresas ou órgãos públicos. P – Plan, D –

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 19
Do, C – Check, A – Action. Durante a primeira fase P, deve haver o planejamento
detalhado do projeto, visualizando do início ao fim o que será feito e como será feito. A
segunda fase é a da execução, onde se executa o quanto possível exatamente aquilo que
se planejou fazer. Na fase de checagem, a terceira, se analisa a empreitada, identificando
aquilo que foi bom e deve continuar e aquilo que não foi tão bom e precisa de mudanças,
detalhando tais alterações necessárias para um próximo projeto. Por fim, a quarta fase,
ação, significa o reinício do ciclo, com a realização de novo planejamento agora com as
alterações advindas da experiência anterior.

Nos concursos públicos, é comum pessoas estudarem por meses ou até anos
sem saber exatamente o que estão fazendo. Por não perceberem claramente onde estão
seus erros e acertos, acabam vendo seu ânimo para os estudos ir se dissipando, até
desaparecer completamente. Não há nada mais natural e humano nisso. A pessoa se
cobra, pois sabe que precisa fazer alguma coisa para mudar aquela realidade, mas ao
mesmo tempo se sente impotente e desamparada por não saber o que fazer. Isso é
resultado do estudo por esperança. Todo mundo que já jogou na loteria pela primeira vez
tem uma nítida sensação de que tem grandes chances de ganhar. Além disso, não é
incomum que esta animação seja traduzida em lúdicos planos de como se gastará todo
aquele dinheiro. Por outro lado, pessoas que jogam há vários anos já perderam esta
inocência. Tragado pela dura realidade estatística, jogar torna-se quase que uma
obrigação, algo mecânico. Joga-se mais por medo – de perder caso não tenha jogado –
que por esperança de ganhar.

Existem muitos concurseiros de esperança nessa situação. Devidamente


incentivados pelos cursinhos, vão de concurso em concurso atirando no escuro. Neste livro
você irá aprender como realizar todo o ciclo PDCA nos seus estudos para concursos.

Planejamento – Aprenderá tudo o que precisa saber para fazer a escolha do seu
cargo, e de eventuais cargos intermediários para chegar até lá. Na sequência, ainda dentro
da fase de planejamento, irá aprender a criar Projeto Enxuto, definindo todos os detalhes
do processo, como horários e locais de estudos e até de lazer. Irá aprender também a
preparar um Edital Enxuto, estabelecendo as principais matérias a serem estudadas com
foco no seu cargo e descartando aquelas que não costumam ser cobradas. Ainda, irá fazer
um Cronograma Enxuto, com estudos, resumos, questões e revisões até a data da prova.
Por fim, aprenderá ainda a identificar e adquirir um Material Enxuto, de modo a aprender o
máximo possível no menor período de tempo.

Execução – Esta é a fase de cumprir o que outrora fora definido. Mudanças


devem ser evitadas, ainda que, na ocasião, lhe pareça tentador tentar um novo caminho.
Helmuth Von Moltke, um marechal prussiano, cunhou a famosa frase: “nenhum plano de
batalha sobrevive ao contato com o inimigo”. Essa é também uma realidade nos
concursos. Mas tal não significa que você não deve ter um plano e nem tampouco que não
deve tentar segui-lo o mais fielmente possível. Se alguma alteração for imprescindível
durante a batalha, que seja feita, mas o foco deve ser sempre realizar aquilo que foi

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 20
planejado, deixando as mudanças para o próximo ciclo do projeto, até porque aquilo que
lhe pareça uma boa segunda opção, pode dar lugar a uma terceira, quarta...

A execução deve começar tão logo o planejamento esteja pronto, pois potencial
sem execução é frustração. De nada adianta ler livros e fazer cursos sem colocar a mão na
massa. A melhor teoria é a que se aprende na prática.

Controle – Hora de avaliar. Se o final do Projeto Enxuto culminar com a prova do


concurso, após descansar alguns dias, você irá destrinchar sua prova, questão por
questão, identificando onde acertou e onde falhou, o quê poderia ter feito diferente tanto
durante os estudos quanto durante a prova para ter um melhor desempenho. Não há nada
mais valioso para o aprendizado em concursos que se debruçar sobre uma prova realizada
após uma temporada de estudos.

Ação – Nesta etapa você irá fazer as devidas correções no seu Projeto Enxuto,
e recomeçar um novo ciclo PDCA.

Durante todo o processo de estudos até a prova, e a cada novo ciclo PDCA,
você aprenderá a medir sua evolução e aprendizado, identificando claramente o caminho
percorrido rumo ao seu objetivo. Isto lhe trará a confiança necessária para continuar.

No próximo capítulo eu explico como eu aprendi a enxergar o mercado de


concursos. Ter uma visão racional e realista a respeito desse mercado é um ponto crucial
para se ter sucesso. Até porque, é exatamente por manter uma mentalidade amadora a
respeito dos concursos que muitos acabam ficando pelo caminho. Fazendo cotejo com
minha própria história, e com a realidade atual do país, vou mostrar a você que as
oportunidades representadas pelos concursos são um formidável caminho para mudança
de vida.

2 – Mercado dos concursos

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.

Cora Coralina

Jovem desempregado

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
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Minha história nos concursos começa em 1999, aos 19 anos, quando me
inscrevi para o concurso do Banco do Brasil. Na ocasião, estava há mais de ano tentando
ganhar dinheiro como distribuidor independente da de uma marca de produtos pra
emagrecer. Não ganhei dinheiro e, ainda, por má gestão minha do negócio, contraí uma
considerável dívida, algo em torno de vinte e cinco salários mínimos da época. Para piorar,
a maior parte da dívida era no cartão de crédito, utilizado para a compra dos produtos que
eu revendia, cujas taxas de juros não eram muito diferentes de hoje.

Como eu já estava percebendo que o meu negócio não ia tão bem das pernas,
passei a analisar a me preocupar em conseguir um emprego. Na época, era comum que
as bancas de revista afixassem os classificados de emprego do lado de fora. Muitos eram
os que, como eu, consultavam o jornal ali mesmo, sem precisar comprar um exemplar. Já
desanimado com as vendas dos produtos, consultar os classificados do jornal O Popular
se tornou um hábito sempre que eu estava pelo Centro de Goiânia. Aliás, quando estava
por ali, também não deixava de dar uma passada no escritório da minha supervisora e
também de almoçar no “come em pé” que era o apelido carinhoso para um restaurante
baixo-custo que existia ali perto da Av. Goiás, atrás do Bradesco. Ninguém comia em pé,
mas tinha tanta gente que, não raro, era preciso esperar alguém liberar uma cadeira para
almoçar.

Respondi a vários anúncios de emprego, mas não estava tendo maior sucesso
que nas vendas. Egresso de ensino médio em escola pública e tendo como registro na
carteira profissional apenas três anos de office-boy pelo Cesam – Centro Salesiano do
Menor –, instituição intermediadora de mão de obra adolescente, na Associação de
Combate ao Câncer em Goiás, conseguir emprego para ganhar um salário mínimo, que na
época era R$ 136,00, parecia algo distante pra mim, que, naquela ocasião, devia R$
3500,00.

A luz no fim do túnel

Além dos classificados de empregos tradicionais, percebi que afixavam também


ali outro tipo de jornal, colorido e com manchetes chamativas de cargos e empregos
públicos, a Folha Dirigida. Não tinha como não prestar atenção naqueles anúncios que, de
tão bons, pareciam mentira. Embora meu saudoso pai, que morreu quando eu tinha
apenas 14 anos, já havia me falado de concursos públicos – plantando uma sementinha,
pois ele tinha conhecidos concursados muito bem de vida – e apesar de já ter ouvido falar
vagamente a respeito por outras pessoas, aquele jornal colorido afixado do lado de fora
das bancas de revista foi meu primeiro contato mais direto com os concursos. Ali eu
percebi um mundo novo de oportunidades, que poderia abrir para mim uma porta até então

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 22
inimaginável, onde meu fraco currículo e meu nenhum networking profissional não eram
empecilhos.

“Banco do Brasil, 2500 vagas, salário 900 reais, escriturário, apenas nível
médio”, dizia a manchete. Aquilo fez brilhar meus olhos. Eu acreditei. Tudo o que eu
precisava fazer era estudar o suficiente e tirar uma boa nota. Eu não sabia exatamente
como iria fazer aquilo, mas, por algum motivo, eu tive a certeza de que aquele era o meu
caminho, e me apeguei nele como uma tábua de salvação.

Fiz um cursinho no Tese, em Goiânia, pagando com cheques pré-datados


emprestados. Me recordo que a experiência do curso sedimentou ainda mais em mim a
certeza de que eu estava no caminho certo. Embora nem todos, tive professores muito
bons ali, que conseguiam prever aquilo que iria ser cobrado na prova com incrível
precisão, além de me ensinarem mais sobre aquele mundo novo dos concursos públicos.

Ia pro cursinho de ônibus, porque não tinha condução própria, e, na ocasião,


como ainda não havia largado completamente as vendas dos produtos para emagrecer –
até porque eu precisava me livrar dos estoques adquiridos – algumas vezes eu chegava a
levar a pasta de vendas comigo. Não matava uma única aula e não chegava atrasado, pois
eu não queria perder nada. Também estudava muito em casa, a ponto de minha mãe
sempre me mandar parar um pouco para descansar a cabeça e comer alguma coisa.

Fiz a prova, mas não senti que havia me saído bem. Já naquela minha primeira
experiência com concursos, fiquei com a impressão de que muita coisa que eu havia
estudado e aprendido, não consegui desenvolver bem na prova. Eu simplesmente não me
lembrei de muita coisa, embora tenha aprendido no curso. Apesar das virtudes, e de me
ensinarem muito conteúdo, hoje sei que aqueles professores, por não saberem, não
haviam me passado um método, com cronograma, um modo de repetição, exercícios e
resumos que fizessem com que meu conhecimento fosse máximo no dia da prova. Mais à
frente tratarei disso em detalhes.

As vitórias

Mesmo assim, passei naquele concurso, ficando classificado na posição 395 em


Goiás, muito longe das 150 vagas previstas pro estado. Mas ver meu nome ali naquela
lista reforçou ainda mais a certeza de ter encontrado meu lugar no mundo. Em seguida,
passei no concurso temporário do IBGE, para trabalhar no censo 2000, e pude então pagar
toda a minha dívida. Na sequência, obtive aprovação em diversos outros concursos de
nível médio, mudando completamente minha condição social nos anos seguintes.

Pude comprar um carro, reformar a casa da minha mãe e, em pouco tempo,


passei a ter acesso a um estilo de vida que, até então, não passava de um sonho. Mas

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 23
logo percebi que, para ir além na carreira dos concursos, eu precisava de um diploma de
nível superior. Em 2002, entrei no curso de Engenharia Civil na Universidade Estadual de
Goiás, mas abandonei no primeiro semestre devido a algumas questões pessoais que
explicitarei mais à frente. No ano seguinte, entrei para Direito na Universidade Federal de
Goiás e, durante o curso, passei na Polícia Rodoviária Federal.

Após formado, passei para analista do MPU, Procurador da Fazenda Nacional e


Defensor Público de Goiás, onde trabalho hoje. Passei ao todo em todas as fases de 10
concursos, sendo sete federais e três estaduais, havendo sido convocado em todos, mas
alguns dispensei ou pedi final de fila. No capítulo 6, eu relato com maiores detalhes cada
uma das dez aprovações que eu tive em concursos públicos, dando especial relevo àquilo
que eu aprendi em cada uma daquelas experiências, e que eu sei que também pode te
ajudar.

As derrotas

Se eu falasse apenas dos sucessos, passaria uma mensagem falsa a respeito


da carreira nos concursos públicos, pois a grande verdade é que o fracasso não apenas
faz parte da aprendizado como ele é fundamental para a evolução do concurseiro. Eu tive
muitas reprovações, algumas dolorosas, mas, sem elas, eu não saberia hoje 10% daquilo
que sei sobre aprovação em concursos. Assim, como no empreendedorismo de Eric Ries,
hoje vejo que o concurseiro enxuto deve se expor ao fracasso o quanto antes e por
diversas vezes, pois é isso que lhe fará conhecer mais sobre si mesmo e sobre o jogo.

Minha primeira grande decepção nos concursos foi no certame para o cargo de
escrevente do Tribunal de Justiça de Goiás, de nível médio, cujo edital fora lançado
quando eu estava prestes a concluir o trabalho temporário no IBGE. Passei na primeira
fase, objetiva, e saí confiante da segunda etapa, com provas discursivas e redação, onde
eu teria de tirar cinco pontos em cada matéria e na redação, bem como atingir média geral
de no mínimo 6,0. Foi grande a minha surpresa quando minha redação obteve nota 4,95.

Assim, embora a minha média final tenha sido acima de 6,0, eu estava
eliminado. Eu fiquei inconformado. Fui até o tribunal e, no dia designado, tive vistas da
correção da minha redação, já que eu achava ser impossível aquela nota. Ali aprendi uma
nova e importante lição, pois embora a nota de largada da minha redação tenha sido bem
alta, o critério de correção previa o desconto de determinado número de pontos por cada
erro gramatical, sem limites. O examinador encontrou inúmeros erros, alguns certamente
por minha limitação no português mas, muitos outros, por falhas cometidas por pura
desatenção, como não cortar o “t’, pingar o ‘i’, ou separar corretamente as sílabas no final
da linha, sem falar na incompreensão de alguns trechos pelo examinador em virtude da
minha terrível letra. Fiz um recurso que restou improvido. Mais uma vez, meu parco
resultado me ensinou um pouco mais sobre a importância de ter a visão certa e a
estratégia correta na hora da prova.

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tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 24
Memória x raciocínio

O que é melhor, estudar às vésperas da prova ou descansar? Foi nesse


concurso que eu aprendi essa lição da pior maneira possível. No afã de ler todo o
conteúdo, eu estudei o dia inteiro na véspera da prova, parando por volta das 22h. É
interessante que, quando a motivação e o entusiasmo são grandes o suficiente, nosso
subconsciente consegue fazer-nos manter a concentração nos estudos durante longos
períodos. É como se o cansaço fosse encoberto por uma camada extra de energia, de
modo que sequer o percebemos. Mas, nesse momento, precisamos agir racionalmente e
nos impor limites, coisa que eu não havia feito.

Tomei um banho, jantei e, algum tempo depois, me deitei para dormir. Mas não
consegui cochilar um minuto sequer durante a noite. A mente acelerada ficava repassando
as matérias estudadas durante o dia, em um processo natural de memorização e
consolidação do conhecimento que deveria acontecer durante o sono, mas que, por ter
passado do ponto, eu estava assistindo em tempo real em vez de pegar no sono. Mas foi
uma tortura que durou pouco, pois logo decidi me levantar e tomar outro banho, pois já
estava quase na hora da prova.

Durante a prova, já acordado há mais de 24 horas, minha cabeça pesava meia


tonelada. Com dificuldade até pra manter os olhos abertos, tive de fazer um esforço
enorme para ler e interpretar cada texto e cada questão da prova. Não tenho dúvidas de
que, não fosse o fato de eu não ter dormido, teria sido aprovado no concurso.

Por um lado, quanto mais você estudar, e quanto mais próximo da prova fizer
isso, mais conteúdo fresco colocará na sua memória o que, em tese, aumenta suas
chances de acertar mais questões. Contudo, por outro lado, quando você estuda nas
últimas horas antes da prova, ainda que consiga dormir, estará cansando o seu cérebro,
esse motor que é responsável por fazer a análise de cada problema da prova e também de
recuperar na memória cada uma das respostas paras as questões. Assim, hoje entendo
que, por mais que ainda existam nas últimas horas conteúdos importantes a serem
estudados – e sempre haverá – é preferível resguardar a energia cerebral para a hora da
prova, pois são maiores as chances de você ser beneficiado por um raciocínio ágil que por
alguns conteúdos a mias na memória. Aconselho que, ao menos no último dia, você não
estude nada. Se teimar e for estudar, que seja pouco e pare bem mais cedo.

Após a reprovação no TJ, voltei para a fila do desemprego e fiquei literalmente


deprimido por mais de mês, evitando até sair de casa. Fiquei com aquela sensação,

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comum nas reprovações em concursos, de que acabara de perder uma grande e rara
oportunidade para os meus padrões na época, pois ia trabalhar em Goiânia, em um cargo
efetivo e com uma boa remuneração. Tive de recolher os cacos e voltar aos estudos, pois,
apesar da reprovação, estava cada vez mais certo de que não havia outro caminho para
mim que não fossem os concursos públicos.

Pouco tempo depois eu já estava aprovado em um cargo efetivo como agente


de fiscalização estadual de transporte, na Aganp-GO, onde sempre fazíamos operações
conjuntas com a Polícia Rodoviária Federal. Daí, passei a me interessar em ser policial,
coisa que até então jamais havia pensado, não apenas pelo salário, mas também pela
visão que passei a ter da cultura da instituição e estrutura de trabalho. Em 2002, houve
concurso para PRF com apenas 600 vagas no país realizado pelo Cespe/UNB. Embora,
na época, se exigisse apenas ensino médio, o nível da prova foi bastante elevado, com
textos muito longos e questões complexas para serem resolvidas em tempo relativamente
curto.

Saí da prova com a nítida sensação de que dessa vez não daria para mim mas,
para minha surpresa, fui classificado. Passar na PRF significava uma grande evolução na
minha carreira de concurseiro, especialmente em termo salariais, pois era cerca de três
vezes maior que o que meu salário de então. As fases seguintes foram uma verdadeira
maratona. Passei na prova física, exames médicos, investigação social, bem como
apresentei toda a documentação exigida. Já estava me sentido praticamente um policial
federal... mas reprovei no exame psicotécnico, por cometer um erro de principiante.

No meu vídeo no YouTube de número 060 eu conto melhor essa história e qual
a lição aprendida. Sofri menos que da outra reprovação, possivelmente por já estar
empregado e com a casca mais grossa, mas foi duro. Difícil ser reprovado e mais difícil
ainda explicar isso para as outras pessoas, já que muitos confundem exame psicotécnico
com exame de sanidade mental.

Dois anos depois abriu novo concurso para PRF, dessa vez com 2200 vagas,
também feito pelo Cespe/UNB. Mas, surpreendentemente, dessa vez optaram por trazer
uma prova bem mais simples. Passei em todas as fases – inclusive no psicotécnico – e fui
convocado na primeira turma para fazer o curso de formação. Trabalhei por diversos anos
na PRF.

Durante a faculdade, me interessei pelo cargo de Procurador do Estado de


Goiás, já que tinha professores que pertenciam a esta carreira. Além do bom salário e
status, esse cargo me chamava à atenção porque era um dos poucos que permitia a
advocacia privada concomitantemente ao seu exercício. Após formado e trabalhando como
policial, eu havia colocado cabeça que precisaria de um a dois anos para me preparar pra
procurador, já que eu não possuía experiência em concursos específicos da área jurídica,
em especial com questões discursivas e peças práticas.

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A experiência que tive nesse concurso porém, em 2014, me fez aprender uma
lição formidável que eu jamais esquecerei. Em resumo, aprendi que jamais eu devo me
limitar, imaginando que existe um tempo mínimo de preparação para aprovação para
qualquer que seja o cargo. Peço licença mais uma vez para pedir pra você assistir ao
relato que fiz dessa experiência no meu vídeo de número 087 no meu canal do YouTube.

Entre meio às minhas aprovações, tive diversas outras reprovações. Citei aqui
apenas aquelas as quais julgo terem sido as mais marcantes, inclusive para que você
perceba que a derrota é natural e até parte do caminho do sucesso. Se eu falasse aqui
apenas de minhas aprovações, poderia passara falsa ideia de que ser reprovado não faz
parte do jogo.

Acomodação

Quando eu comecei, tudo o que eu queria era um emprego para ganhar um


salário mínimo. Durante os diversos órgãos pelos quais passei, eu tive diversas
oportunidades de me acomodar em cargos relativamente bons. Mas, a cada passou que
eu dava, mais o horizonte se abria diante de mim com novas possibilidades, seja em
termos de salários ou privilégios que até então eu nem sequer sabia que existiam. Além
disso, embora eu soubesse que podia ser um bom servidor público e dar a minha
contribuição social em qualquer cargo, eu percebia que era possível acessar os melhores
cargos e, de lá, impactar maior número de pessoas com meu trabalho.

O grande problema que gera a acomodação no serviço público é que sempre é


possível olhar para um cargo ou carreira pelo lado bom ou ruim. Quando a pessoa quer se
acomodar, acaba se voltando apenas para as vantagens e fechando os olhos para o mar
de oportunidades que se está perdendo. Não pretendo aqui tecer nenhum tipo de crítica às
pessoas que decidem se manter em determinada carreira, mas apenas dar um incentivo
àquelas que querem mais e sabem que são capazes, desde que saiam da inércia e façam
a coisa acontecer.

O importante aqui é que a pessoa, primeiro, conheça, o quanto possível, as


oportunidades disponíveis no mercado de concursos, pois decidir sem conhecer não é
decisão, mas imposição. A decisão por este ou aquele cargo nem sempre é tão clara na
cabeça da pessoa. Muitas vezes, são fatores como a experiência e o convívio com outras
pessoas ligadas a determinados cargos que fazem com que a pessoa se interesse por esta
ou aquela carreira pública. O mais importante para quem quer um cargo dos de nível mais
elevado, que funciona como fator crítico e decisivo para qualquer concurseiro, é saber
exatamente o preço que se está disposto a pagar por aquilo que realmente quer, e se
manter firme nesse propósito por vários anos, pois raramente tal cargo será aquele em que
se obterá a sua primeira aprovação.

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Muitas coisas eu aprendi com outros concurseiros, em conversas e pedidos de
dicas que eu fazia quando precisava. Mas também muito aprendi com minhas próprias
experiências. Eu sei que muitas pessoas, por um motivo ou por outro, não tiveram a
oportunidade de trilhar o caminho que eu trilhei, e também sei que muitas outras obtiveram
conquistas muito superiores às minhas, e, por tais motivos, não me julgo melhor que
ninguém. A minha intenção com este livro é poder ajudar àqueles que precisam de uma
mão amiga que lhes mostre um caminho na escuridão, como eu pude enxergar no
momento que mais precisei. Não quero mostrar que é fácil – pois não é – mas que é
possível. E não apenas mostrar, mas indicar o caminho a ser seguido.

A grande vantagem de quem lê e saiba dar o devido valor nesse livro é poder
aprender em poucos dias ou horas aquilo que eu levei mais de uma década para aprender,
adquirindo em pouquíssimo tempo um conhecimento que o tire do patamar de amador ou
povão em concursos públicos para um nível que lhe permita, em termos de método, se
tornar um especialista e jogar no nível dos melhores concurseiros do Brasil.

Muito se fala em concursos atualmente, seja na TV, rádio, internet ou no bate


papo entre as pessoas. Tal acontece porque fazer concursos se tornou algo comum e
acessível a qualquer pessoa. Contudo, existem, na mesma intensidade, boatos e lendas
urbanas a esse respeito. Comentários e informações sem respaldo na realidade, mas que
acabam influindo no ânimo e prejudicando a preparação de muitos. Mas, para fazer
concursos em nível de excelência, fazer para passar e não para ver se passa, é preciso
conhecer esse mercado de trabalho de maneira mais ampla, pois quem sabe onde está
pisando, o faz com mais segurança e tende a ter melhores resultados. Afinal, tudo que
pode influir no estado psicológico de um concurseiro, pode influir no seu resultado. Este é
o tema do próximo capítulo.

Mercado dos concursos

No meio da dificuldade encontra-se a oportunidade. Albert Einstein

Servidor público, em sentido amplo, é qualquer pessoa que exerce uma função
em nome do Estado, seja a qual título for, com ou sem vínculo, remunerada ou não. O
Estado, por sua vez, é uma entidade cujo único sentido de existir é a busca pelo interesse
público, que é aquele que visa ao atendimento das necessidades da sociedade como um
todo.

Em relação aos modos de investidura nos cargo públicos remunerados, como


regra geral, podemos dividi-los em dois grandes grupos, que são os cargos públicos
eletivos e os cargos públicos acessíveis por concurso.

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No Brasil, via de regra, são acessíveis por eleição os cargos de natureza
política, que são aqueles onde se tomam as principais decisões na seara pública, a
exemplo da criação de leis e definição de políticas públicas. Os principais são os cargos de
vereador, deputado estadual, deputado federal, senador, prefeito, governador e Presidente
da República. Em tais cargos, existe elevado grau de carga decisória, de opções e
definições que podem variar muito a depender da linha de pensamento e visão de mundo
que se adota.

Como se pode notar, a própria definição de o quê deve ou não ser considerado
como interesse público pode variar muito. Como não se trata apenas de uma decisão
técnica ou burocrática, mas de verdadeira escolha discricionária, é preciso que as pessoas
a ocupar tais cargos recebam a legitimação direta da comunidade, que as escolhe através
do voto popular. De outro lado, como os interesses e prioridades da comunidade podem
variar com o tempo, é preciso também que os cargos eletivos tenham prazo de duração,
para que sejam renovados de tempos em tempos, de modo que seus ocupantes se
mantenham sempre com a mentalidade representativa da vontade popular.

Os cargos acessíveis por concurso, por sua vez, possuem natureza técnica,
com pouca carga decisória, cujas competências e finalidades já vêm previamente definidas
por lei. Para ocupá-los, exige-se determinado nível de conhecimento e especialização em
determinada área específica. Tal ocorre tanto em carreiras típicas do Estado, como fiscais,
policiais e juízes, quanto em que existem de maneira concomitante com as do mercado
privado, em órgãos públicos ou empresas controladas pelo poder público, a exemplo de
auxiliares administrativos, médicos, professores e engenheiros. Em tais casos, a maneira
que melhor atende ao interesse público para a escolha de quais pessoas irão ocupar os
cargos é a realização do concurso público.

Marco legal

Embora a Constituição de 1934 já previsse a realização de concursos públicos,


foi somente com a Carta de 1967 que sua realização se tornou obrigatória para a
nomeação em qualquer cargo público efetivo. Contudo, como é comum em regimes de
exceção, durante o regime militar esta regra foi bastante violada, havendo exercício em
inúmeros cargos públicos por pessoas que nunca fizeram concurso.

Com a redemocratização e a Constituição de 1988, manteve-se a


obrigatoriedade dos concursos para todos os cargos públicos efetivos, bem como
asseverou-se que tal obrigatoriedade alcança também os empregos públicos, quais sejam,
os existentes em empresas estatais.

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Como havia grande número de servidores já ocupando cargos efetivos sem que
tivessem feito concurso, optou-se por criar uma regra de transição, de modo a considerar
estáveis no serviço público todos os que, mesmo sem concurso, já estivessem exercendo
cargo público efetivo há pelo menos cinco anos na data da promulgação da Constituição.

A regra do concurso traz inúmeros benefícios para o país, pois garante, de um


lado, a impessoalidade e isonomia na seleção dos servidores, dando igualdade de
oportunidade a todos quantos se interessem em trabalhar no serviço público, e, de outro,
milita a favor da eficiência e qualidade na prestação dos serviços públicos, vez que, dentre
os candidatos, os escolhidos serão os mais bem preparados para exercer cada função.

Infelizmente, a regra do concurso ainda vem sendo bastante burlada através do


mau uso do cargo comissionado, o qual é previsto na Constituição como exclusivo para
cargos de chefia, direção e assessoramento. Em tese, a previsão de cargos sem concurso
encontra respaldo na necessidade de se permitir que o gestor eleito, ao tomar posse do
cargo e dar início à sua administração, possa se cercar, nas principais funções diretivas,
de pessoas qualificadas, confiáveis e alinhadas com sua visão política, de modo a não se
correr o risco de que servidores estáveis de visão política contrária possam,
eventualmente, criar resistência ao implemento do projeto legitimado pelo voto popular nas
eleições.

Contudo, o que se vê ainda em grande escala é o uso do cargo comissionado


como instrumento de financiamento indireto de campanhas eleitorais e moeda de troca,
utilizada pelo chefe do Executivo, por votos no Parlamento. De um lado, parlamentares
alinhados a votar no cabresto do governo ganham o direito a certo número de cargos, em
ministérios ou secretarias, para distribuírem a quem quiserem. De outro, tais cargos são
distribuídos em suas bases em troca de engajamento e votos nas eleições, bem como a
amigos e parentes, à míngua do interesse público. Sem falar que o próprio exercício do
cargo tende muitas vezes a se dar apenas para agradar aquele que nomeou, além de seu
uso para o interesse pessoal e de arrecadação de dinheiro para campanhas políticas
futuras, como demonstrado na Operação Lavajato.

É o que dá apoio ao chamado governo de coalização, que seria mais adequado


chamar de governo de cooptação, onde o governante oferece aos principais partidos e
lideranças de sua base de apoio ministérios ou secretarias (de porteira fechada ou não)
recheados de cargos comissionados para garantir apoio nas votações. Do mesmo modo
que existem locais no Brasil onde se fala que determinado traficante é o “dono” do morro,
não é incomum ouvir-se falar que tal deputado é o “dono” de determinado órgão público, se
referindo ao responsável pelas nomeações comissionadas.

Mercado gigantesco

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tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 30
O modo como você reúne, administra e usa a informação determina se vencerá
ou perderá.

Bill Gates

Dados do IBGE, de 2012, davam conta de que o quantitativo de recursos


humanos nas administrações direta e indireta totalizava 3.128.923 pessoas, o que
representa 1,6% da população estimada do Brasil para o mesmo período, cujo total era de
196.526.293 habitantes. Tais números mostram o quanto os serviços públicos representam
fatia significativa do mercado de trabalho.

Além disso, a remuneração do servidor público brasileiro, está, em regra, acima


da média de carreiras semelhantes no mercado privado. E, quando se compara com outros
países, em várias funções a remuneração por aqui é maior. Sem falar da estabilidade e de
outros benefícios inexistentes para quem trabalha em empresas particulares.

De tempos em tempos surgem boatos de que os concursos irão acabar. Isso é


uma grande mentira. Como explicitado acima, os concursos só vem se consolidando cada
vez mais no Brasil desde 1939, sendo cada vez mais obrigatórios e exigidos. Apesar de a
evolução ser lenta, a verdade é que não houve retrocessos nessa área. Basta observar a
própria jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que está há muito pacificada no
sentido de que a Constituição Federal não admite a ocupação de cargo ou emprego
público sem concurso, exceto apenas aqueles declarados em lei de livre provimento.

No que se refere a carreiras típicas de Estado, que são aquelas que inexistem
correspondente no mercado privado, existentes justamente para exercer funções que só
podem ser exercidas pelo Poder Público, o cargo comissionado é absolutamente
incompatível, de modo que seria um escândalo se falar de alguém ocupar uma carreira
dessas hoje em dia sem concurso. São exemplos as carreiras policiais, de fiscalização e
arrecadação tributária, juízes, ministério público, defensorias, procuradorias, dentre várias
outras.

O Brasil está em um momento crucial em sua história. Os inúmeros escândalos


revelados nos últimos anos demonstram a necessidade de profundas mudanças e pesados
investimentos em serviços públicos de qualidade e sem contaminação por interesses
particulares. Nesse sentido, os concursos públicos ocupam um papel central na
contratação e servidores de maneira isonômica e impessoal. Não tenho dúvidas de que os
próximos anos trarão muitos concursos.

Vários órgãos possuem um gigantesco déficit de pessoal, a exemplo das


defensorias públicas, órgãos policiais e de fiscalização em geral. No mesmo sentido, a
gravíssima situação de deterioração da segurança pública exige pesados investimentos

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tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 31
em pessoal em todas as esferas e áreas envolvidas, inclusive por parte da União, que
possui uma dívida de décadas de descaso nessa seara. O país que a sociedade quer, com
serviços públicos de qualidade, voltados para atender aos verdadeiros interesses da
população, de maneira honesta e competente passe necessariamente por mais concursos
públicos.

Por tudo isso, é cada vez mais pujante o mercado brasileiro dos concursos, cujo
interesse da população só aumenta a cada ano. De fato, ainda que o número de servidores
não seja aumentado, o sempre existirá uma forte demanda por novos concursos ao menos
no que tange às reposições de servidores exonerados, demitidos e aposentados. São
milhares de servidores saem todos os anos deixando os cargos vagos em absolutamente
todas as áreas. É bem verdade que, em momentos de crise, acaba-se retardando um
pouco as contratações para ter certo alívio no caixa dos entes públicos. Mas tão logo a
economia comece a crescer novamente – e vemos que isso já está ocorrendo – os
concursos irão voltar com grande força.

A fraude nos cargos comissionados

A vida de uma nação é sólida somente enquanto a nação é honesta, verdadeira


e virtuosa.

Frederick Douglass

Como explicitado acima, a previsão constitucional de existência de cargos


públicos cujos ocupantes não necessitam fazer concurso até se justifica, desde que em
número extremamente reduzido e para casos de fato excepcionais. Tais situações seriam
tão somente aquelas nas quais os cargos sejam imprescindíveis para possibilitar que o
projeto vencedor das eleições executivas seja de fato implementado, bem como a
permissão de que ocupantes de cargo de alto escalão tenham um ou dois assessores de
confiança cada.

No primeiro caso, imagine, por exemplo, que o presidente, governador ou


prefeito eleito seja do partido “A” e tenha vencido a eleição com a proposta de implementar
a política pública “X”. Contudo, ao tomar posse, percebe que os chefes dos principais
órgãos são simpatizantes do partido derrotado “B” e continuam no propósito de manter a
política pública “Y” anterior. Fácil perceber que tal governante encontrará muitas
dificuldades, restando até mesmo inviabilizado que o seu governo execute aquilo que o
povo o legitimou através do voto democrático.

No caso dos assessores diretos de altas autoridades, a excepcionalidade


também se justifica, pois não seria razoável se exigir que os assessores e secretários
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pessoais, os quais devem tratar de assuntos restritos e sigilosos com tais autoridades,
fossem pessoas desconhecidas, ainda que extremamente qualificadas. Nesses casos,
quando uma autoridade assume determinado cargo, para que esta o possa exercer com
máxima eficiência, é necessário que ela possa levar consigo uma equipe de pessoas que
já conhece e confia.

No entanto, é fácil perceber que a real necessidade de cargos comissionados


não precisa passar de algumas centenas em todo o pís. E assim o é nos países mais
civilizados do mundo. Segundo levantamento realizado em 2013 pela ONG Transparência
Brasil, em todos os Estados Unidos existem 4.000 cargos comissionados, de livre
nomeação e exoneração. Já no Brasil, de acordo com dados do IPEA de 2015, os cargos
comissionados apenas no governo federal saltaram de 16.644 em 1999 para 23.256 em
2014.

Dados do TCU publicados pelo jornal O Globo em 2016, também revelam


números alarmantes: 35% da folha de pagamentos do governo federal são gastos com
comissionados, num total de 3,47 bilhões de reais por ano. Além disso, em 65 dos 278
órgãos federais, mais de 50% supostamente exercem funções de chefia, direção ou
assessoramento, ou seja, tem mais cacique que índio.

E não é apenas isso. Quando se adentra às esferas estaduais e municipais a


situação é ainda mais grave. Segundo dados do IBGE de 2013, divulgados pelo jornal O
Popular, Goiás é o campeão nacional em cargos comissionados no poder executivo, com
7264 servidores. Segundo a mesma pesquisa, 50% de tais servidores possuem apenas
ensino fundamental. No Poder Legislativo a situação não é diferente. De acordo com
dados divulgados em 2015 pela Própria Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, dos
seus 3225 servidores, 2400 ocupam cargos comissionados. O mesmo excesso ocorre na
maioria dos municípios.

Assim, contrariando a versão oficial, as eleições brasileiras são tradicionalmente


financiadas em grande parte pela corrupção, seja através de esquemas de
superfaturamento ou desvios de supostas “doações” de empresas, como revelado na
Operação Lavajato, seja através do uso inconstitucional dos cargos comissionados. Ao
menos quanto à doação de empresas, ela está hoje proibida por decisão do Supremo
Tribunal Federal.

E o porquê essa farra de corrupção da finalidade dos cargos públicos


permanece até hoje? O grande problema é a falta de limitação objetiva na Constituição
para o número de cargos comissionados, ao dizer genericamente que a lei deveria
considerar como sendo de chefia, direção e assessoramento. Em 1998, houve uma
pequena alteração, também praticamente inócua, ao determinar-se que a lei também
deveria prever percentuais mínimos para que parte desses cargos fossem ocupados por
servidores de carreira. É preciso que se traga uma limitação numérica, seja em termos de
percentual ou outra relação que permita um controle mais rígido, tal qual já ocorre, por
exemplo, com o número e salário de vereadores.

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Os órgãos responsáveis pelo controle de tais desmandos, ainda tem agido de
maneira muito tímida e até constrangedora a esse respeito, sendo a evolução ainda
bastante lenta, infelizmente.

O fato é que essa desordem afeta a qualidade dos serviços públicos, e onera o
chamado custo Brasil... A evolução da sociedade rumo a um regime verdadeiramente
republicano, no qual o Estado existe pelo povo e para o povo não é algo que se consiga
apenas com a decretação e uma norma jurídica. Muitas são as interpretações e artimanhas
utilizadas para se burlar tais regras com uma visão patrimonialista. É uma evolução lenta,
na luta para fazer com que a Constituição seja de fato cumprida nessa seara, a qual, é
bom que se diga, também já se obteve muitas vitórias, como a proibição do nepotismo e a
exigência de concursos para cartórios.

Meu objetivo em abordar esses problemas nesse livro é porque acredito que é
exatamente a disseminação dessas informações e ideias que irão mudar essa realidade.
Mas, é importante que se diga, as irregularidades nos cargos comissionados não são
motivos para que ninguém desanime dos concursos, até porque eles representam apenas
um pequeno percentual em relação aos cargos gerais. Além disso, há vários anos não se
admite a presença de servidores comissionados nas carreiras típicas de Estado.

Minha experiência em órgãos onde existem esse tipo de servidor me fez


perceber o quanto eles mesmos também acabam se sentindo menosprezados e
discriminados. Se você pensa que um empregado de empresa privada é instável no
emprego, saiba que muito pior é a situação do comissionado. Por isso, meu conselho a
todos é que acreditem que você é capaz de conquistar um cargo efetivo, e não se
preocupem pois eles não irão faltar pra você. Ao contrário, a tendência é que cada vez
mais se abram concursos para cargos que outrora eram ocupados por servidores sem
concurso.

Me mostre alguém que quer passar em um concurso e está disposto a fazer o


que for preciso durante o tempo necessário, que eu lhe aponto uma pessoa que não tem
como dar errado.

No próximo capítulo, vou tratar um pouco de algo que foi fundamental na minha
carreira e tenho certeza que fará toda a diferença na sua, que é a mentalidade.
Diferentemente do que muitos pensam, passar em concursos não depende apenas de
fatores externos, sejam eles horas de estudos, bons materiais ou professores. Em grande
medida – e na minha opinião, na maior medida – o que faz toda a diferença é aquilo que
está dentro do subconsciente de cada um, e isso é perfeitamente passível de ser moldado.
Por isso, é indispensável nos debruçarmos sobre tal realidade antes de entrarmos mais
especificamente na parte mais técnica do livro. Pois o fato é que a consciência é apenas a
ponta do iceberg, sendo o subconsciente o responsável pela maioria das decisões e
impulsionamentos que te levarão à aprovação em um concurso. Negligenciar isso é o
caminho certeiro para o fracasso.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
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Mindset – a sua mentalidade define você e seus limites

Quer você acredite que consiga fazer uma coisa ou não, você está certo.

Henry Ford

"Toda realização em concursos precisa acontecer primeiro na mente do


concurseiro"

Tudo de criativo e de extraordinário no ser humano acontece primeiro no


cérebro. A mente precisa estar preparada e condicionada para que realize algo de
extraordinário, como passar em um concurso público, por exemplo.

Antes de se sentar em uma cadeira e pegar em um livro para estudar, é preciso


que o seu mindset esteja voltado para a importância dos estudos na aprovação em
concursos, pois sem este condicionamento mental qualquer tentativa irá tender fortemente
ao fracasso. O fato é que, ainda que se tenha tomado a decisão consciente e racional de
iniciar uma preparação para concursos, se a pessoa não tiver uma base mental que dê
suporte a tal decisão, a tendência natural é de abandono em poucos dias ou meses.

Tal base funciona como um sistema operacional que é quem irá gerenciar cada
um dos mecanismos envolvidos no processo, dando suporte à necessária energia e
disposição indispensáveis para se estudar para concursos. Muitos não sabem de onde
vem tanto sono, tanta preguiça e vontade de largar os estudos pra fazer qualquer outra
coisa, mas a resposta principal pra isso é a seguinte: o seu cérebro não acredita nisso que
você está pretendendo fazer. A criação ou o aperfeiçoamento desse sistema é o que
garantirá o resultado final desejado.

Antes que aconteça a aprovação em um concurso de alto nível, é preciso que


ela já exista na mente da pessoa, não apenas o desejo, mas o potencial, a fé e a
capacidade intelectual de dominar-se a si mesmo e orientar-se pelo caminho a ser trilhado.
Este potencial é o seu mindset.

Esaú foi apresentado no programa Domingão do Faustão, da Rede Globo, em


2009, como um jovem pobre do interior do Piauí que havia acabado de ser aprovado em
primeiro lugar para o curso de medicina em uma universidade federal. Naquele domingo,
eu estava assistindo ao programa e aquele quadro me chamou muito à atenção. Porém,
acredito que o motivo do meu interesse naquela programação foi diferente do da grande
maioria das pessoas que assistiam.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
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Creio eu que a produção do programa decidiu contar a história de Esaú porque
ela iria gerar grande surpresa e interesse nas pessoas e também porque era uma maneira
de homenagear o esforço daquele jovem que conseguiu tão grande feito. Esse tipo de
quadro costuma fazer muito sucesso porque inúmeras pessoas se reconhecem naquele
personagem, devido ao fato de que eles mesmos possuem muitas das mesmas angústias
e sofrimentos dele. A ideia geral é: se ele conseguiu, eu também consigo, basta me
esforçar. Mas, com a experiência que eu já possuía, me atentei para as entrelinhas da
reportagem, dando atenção e valor naquilo que penso que a esmagadora maioria dos
telespectadores sequer enxergou que existia. O esforço do jovem foi muito importante,
mas, antes dele – ou para que ele existisse – foi necessário que algo tivesse sido gestado
em sua mente.

É cada vez mais comum na TV brasileira a existência de reportagens de cunho


emotivo e solidário. Luciano Huck, Rodrigo Faro, Geraldo Luiz, apenas para citar alguns,
são mestres na arte de prender os telespectadores diante de histórias de pessoas comuns.
A fórmula não muda muito: escolhe-se alguém que, por seus sofrimentos e angústias da
vida, represente a grande massa, para que esta possa se colocar no seu lugar, vez que
compartilha das mesmas desgraças, desilusões e sonhos de redenção. Tal empatia ocorre
porque é presença comum no coração das pessoas pobres a certeza de que elas sofrem
de maneira injusta e que, algum dia, irá aparecer alguém que irá ajudá-las a sair dessa
situação. Eu chamo isso de síndrome da autocomiseração.

Trata-se de uma praga amplamente disseminada na sociedade brasileira e,


creio eu, possui raízes tanto culturais quanto naturais. Naturais porque todos nós, ao
nascer, dependemos das outras pessoas para tudo. Não apenas necessitamos, mas,
desde bebezinhos, aprendemos a exigir que tudo nos seja dado ao tempo certo. Ocorre
que, em certa idade, já deveríamos nos desgarrar dessa dependência e passarmos a nos
responsabilizar por nós mesmos, cientes da nossa emancipação. Mas aí entra o fator
cultural. Em alguns países, como nos Estados Unidos, não apenas o jovem é incentivado,
desde muito cedo, a assumir as suas responsabilidades, mas também os adultos são, de
regra, conscientes de que o sucesso ou fracasso em suas vidas dependerá, em grande
parte, de suas próprias atitudes.

No Brasil, devido a fatores histórico-culturais, é bastante grande a quantidade de


pessoas que não se sentem responsáveis pelos próprios fracassos. Ao contrário,
acreditam que são vítimas, ora dos pais, ora do sistema, ora do patrão, ora nem sabe de
quê, mas nunca delas mesmas. E aquele choro do bebezinho pelo leite ou pelo colo da
mãe continua a vida inteira, sendo apenas transferido de uma mantenedora natural para
outro pretenso. Tais pessoas sempre terão a expectativa de que a vida vai melhorar, mas
não por ação delas próprias, mas porque alguém ou o governo irá enfim perceber a grande
maldade que estão fazendo com ela e estender-lhe a mão ou um punhado de dinheiro. Até
que este dia chegue, só lhes resta reclamar, reclamar e reclamar.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 36
O fato é que a constante sensação, que muitas pessoas possuem, de estar
sendo vítima de injustiças e de que alguém irá vir ao seu socorro, torna-se um prato cheio
para as redes de TV que gostam de investir no ramo de negócios do sensacionalismo de
bondades. Sai feliz o escolhido para representar os milhões de telespectadores, que, por
vezes, ganha variados prêmios e benesses – com o providencial reforço emocional do
apresentador no intuito de arrancar algumas lágrimas: sua hora chegou! Você merece! Já
sofreu demais! Saem alegres também os telespectadores, se não na expectativa de um dia
também serem agraciados pelas bondades do programa, ao menos pela sensação de ver
no próximo, de algum modo, também sua redenção pessoal dessa vida de misérias e
injustiças. E sai satisfeita a emissora, que vende tanto os espaços para os “doadores”
mostrarem suas marcas quando a publicidade nos intervalos das programações.

Embora em seu formato aquele quadro do Faustão, com o jovem Esaú, fosse
um tanto diferente, pois o programa, em verdade, não estava lhe dando nada, seja
diretamente ou através de patrocinadores, não se pode negar que ele visava a mexer com
o imaginário das pessoas de maneira bem parecida. Embora raros na TV quadros que, de
algum modo, deem relevo à educação, a ideia ali presente também era a de prender a
atenção do telespectador para algo que lhe mostre que sim, ele também pode chegar lá!
Não é só o rico, não é só quem estuda em escola particular, não é só quem mora na
cidade grande!

Seria isto uma mentira? Não. É absolutamente verdadeiro que o sucesso na


educação e na vida está disponível para todos, e eu mesmo sou exemplo disso. E qual é
então o problema? O problema é que, mesmo uma verdade, quando dita embasada em
fundamentos falsos, ela se torna uma meia verdade. E a meia verdade é a mais perigosa
das mentiras. Não é verdade que basta uma simples decisão de estudar pra ter sucesso
na educação, pois nem toda mente está pronta pra suportar – e até mesmo se alegrar –
com a rotina de estudos.

Como eu disse, minha atenção naquele programa ficou mais voltada ao que foi
revelado nas entrelinhas que em todo o espetáculo emocional ali realizado em torno do
suposto inexplicável sucesso do garoto. É fato que Esaú é um ponto fora da curva na
educação brasileira. É exceção que uma pessoa pobre passa em um dos cursos mais
concorridos das universidades federais.

O grosso do investimento público na nossa educação é feito não no ensino


fundamental, como era de se esperar, mas na educação superior, pela União. Sendo este
o motivo maior da desigualdade brasileira, pois quem não tem recursos para pagar uma
escola básica de boa qualidade, de duas uma: ou nunca irá cursar uma faculdade ou terá
de pagar uma de má qualidade enquanto trabalha no futuro. Por outro lado, os
estacionamentos dos melhores cursos das universidades públicas federais estão cheios de
carros importados. Mas, apesar de tais falhas, é preciso reconhecer que existem sim, de
regra, boas oportunidades para quem realmente quer estudar no Brasil, desde que se

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 37
tenha uma mentalidade voltada pra isso – a é aqui que mora o gargalo, pois a maioria não
possui.

É por isso que Esaú, ao passar em primeiro lugar no curso mais concorrido da
Universidade Federal de Pernambuco, pode nos trazer uma lição preciosa se, em vez de
olharmos para ele com o sentimento da síndrome da autocomiseração, analisarmos o
fundamento principal de seu sucesso: o seu mindset. Antes de qualquer esforço ou mesmo
da oportunidade de estudar ou se matricular em um vestibular para medicina, o fator
fundamental da vitória de Esaú foi a mentalidade que ele possuía, a respeito da
importância da educação em sua vida. Mas não apenas uma convicção ou entendimento
racional, que muitos possuem e, mesmo assim, não é suficiente para que vençam a
inércia, mas a mais profunda e arraigada certeza no seu subconsciente de que estudar era
a coisa mais importante, urgente e necessária em sua vida. Aqui surge naturalmente
alguns questionamentos por parte dos leitores: Fabiano, como você notou isso no
programa, e de que forma ele adquiriu esta visão diferenciada?

Em uma passagem rápida no programa sua mãe revela que deixava até de
comprar comida para investir nos livros do garoto. Em vez de reclamar da sorte ou do
governo, e em vez de apenas falar para o menino estudar, como milhões de pais fazem,
por algum motivo, ela deu ao garoto um exemplo prático que transformaria sua vida. A
mensagem no seu subconsciente era: se até do alimento, que é escasso e necessário para
a manutenção da vida, minha mãe abre mão para que eu leia esse livro, o que mais eu vou
fazer?

É claro que houve um encadeamento de fatores que levaram Esaú a ter um


sucesso tão grande, tais quais o acesso à informação sobre materiais de estudo e
faculdades, mas eu não tenho dúvidas de que o motor principal, a possibilitar a abertura de
todas as outras portas, nasceu no seio de sua família que inculcou em sua mente que
estudar era algo vital.

Assim, o mesmo fator que difere Esaú de milhões de brasileiro pobres, que
marcham em passos largos para a miséria, o iguala a outros milhões que caminham para o
sucesso: a mentalidade voltada para a importância dos estudos. Notem que a grande
diferença não está no governo ou no dinheiro... Mas simplesmente na mentalidade
subconsciente, profundamente arraigada e voltada para os estudos. Esses outros milhões
que caminham para o sucesso, grande parte advindos de famílias com recursos
financeiros, recebem de seus pais, amigos e familiares algo muito mais importante que o
dinheiro, que é o exemplo do sucesso através dos estudos. Isso, por si só,
independentemente de outros incentivos, já é fator suficiente para a formação do mindset
vencedor. Mas não basta falar, é preciso ver o exemplo. Palavras se vão como o vento,
mas os exemplos são capazes de transformar vidas.

Proponho a o seguinte exercício de análise hipotética. Imaginem que duas


crianças gêmeas idênticas sejam separadas na maternidade. Uma delas é criada em uma
família rica, e passa a conviver com pais, amigos e familiares detentores de grande

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 38
sucesso obtido através dos estudos; mas a ela, embora seja dada toda instrução e
exemplos da importância de se estudar, jamais é dado um único centavo, privilégio, ou
pago qualquer coisa relativa a seus estudos. A outra criança, diferentemente, é criada em
uma família pobre, cujos exemplos próximos não lhe permitem conviver com nenhuma
pessoa que obteve qualquer benefício com os estudos, mas, ainda assim, seus pais lhe
dão uma pensão mensal vitalícia de R$ 1.000,00 para gastar com o que quiser desde
muito cedo.

Qual dessas duas crianças tem a maior probabilidade de ter sucesso na vida
através dos estudos? A mim não restam dúvidas de que aquele para quem foi dada a
condição e desenvolver um mindset de sucesso nos estudos estará milhões de anos luz à
frente do outro, pois o dinheiro será algo, se não dispensável, irrisório para o seu sucesso.
Se estudar em escola pública, será o melhor aluno do colégio, se destacando e tendo
inúmeras portas abertas por isso, tais como bolsas e oportunidades. Jamais lhe faltará um
livro para ler, seja de onde vier. Quando mais velho, se preciso, poderá trabalhar para
pagar seus estudos, o que também não se tornará um obstáculo. Não tenho dúvidas de
que será absolutamente quem quiser ser através dos estudos, seja no Brasil ou no
exterior.

E quanto ao outro, que possui apenas o dinheiro? Este, ainda que o dinheiro
não lhe corrompa, pois sequer saberá dar valor a algo que lhe venha à mão facilmente,
acredito que não será com educação que ele irá gastá-lo, tornando-se um adulto
dependente da pensão que lhe acostumaram a pagar e provavelmente ficará revoltado,
sentindo-se injustiçado se um dia ela vier a lhe ser retirada.

Esaú não tinha em sua família o exemplo de sucesso nos estudos. Não tinha um
pai médico, dono de uma clínica, com um carrão importado... Mas houve de garimpar, no
exemplo de sua mãe, essa energia para estudar o quanto fosse necessário.

A maneira com que a pessoa encara os estudos fará toda a diferença na sua
história como estudante. Enquanto para alguns, estudar é um sacrifício inútil – inclusive por
falha nos processos pedagógicos por deixar aproximar o que se estuda da realidade
prática e da relação com o sucesso profissional – para outros, a educação é o seu maior
investimento, pois com ela ele está construindo o seu futuro. A compreensão, no nível do
subconsciente, advinda de exemplos e da crença de sua importância é o primeiro passo
para o sucesso na educação e também nos concursos públicos.

Do mesmo modo que na medicina, onde os filhos de médicos costumam seguir


igual caminho, nos concursos não é diferente. Grande parte dos aprovados nas carreiras
mais concorridas do serviço público também vem de famílias de servidores públicos. A
força do exemplo arrasta. Até pouco tempo, informações e mindset sobre concursos
públicos transitavam apenas em círculos mais restritos de pessoas. Mas hoje,
especialmente com o advento da internet, tal realidade mudou bastante.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 39
Este livro é voltado especialmente para aqueles que não tiveram tal benesse na
vida. Ao lê-lo, você estará se permitindo uma profunda transformação no seu mindset, de
forma a passar a ter uma visão superior em termos de estudos para concursos. Assim,
poderá, de fato, disputar uma vaga em qualquer concurso público do país, não apenas do
ponto de vista formal, mas com efetivas chances de passar. Não se preocupe se você não
teve o exemplo dos seus pais, amigos e familiares na educação e nos concursos públicos.
Esaú encontrou seu caminho no exemplo e na orientação de sua mãe. Espero que você
encontre o complemento de que eventualmente ainda precise nessas singelas palavras
aqui escritas. Pois o que importa não é de onde vem a transformação, mas que ela
aconteça.

A cultura de um país interfere muito no sucesso das pessoas. É claro que em


um país gigantesco como o Brasil, especialmente por ter sido colonizado por diferentes
povos, existem várias culturas que convivem ao mesmo tempo. Mas existe também uma
cultura de massa, do povão, do senso comum, a qual é disseminada em grande parte
pelos meios de comunicação, em especial a TV. Nesta, quando se busca dar destaque ao
sucesso de alguém, em qualquer área, costuma-se ressaltar algum motivo especial que
explique aquilo. Se se está falando de um cantor, talvez a explicação seja genética, seus
pais ou avós podem ter sido cantores também. Ou pode ser um dom ou um talento
especial revelado logo nos primeiros anos de vida.

Raramente se ouvirá falar de educação e trabalho duro como explicações para o


sucesso de quem quer que seja. Em muitos casos, trata-se mais de um recurso midiático
pra tentar trazer maior interesse para a matéria, mas o resultado é que, de tanto se bater
na mesma tecla, as pessoas acabam desenvolvendo uma mentalidade de que o sucesso
profissional não depende de coisas chatas como disciplina, determinação e trabalho diários
por longos anos. Isso não vende, não é tão interessante.

Além disso, embora exista em nosso país uma quantidade centenas de vezes
maior de profissionais de grande sucesso nas áreas com maior afinidade com educação,
tais quais os médicos, engenheiros, juízes, advogados e empresários, em comparação
àquelas mais ligadas aos espetáculos televisivos, são nesses últimos que a TV investe.
Todos os dias há espaço para algum esportista, cantor ou artista que tenha saído do nada
e atingido o auge.

Existem muitos empresários do nosso país que são dezenas de vezes mais
ricos e bem sucedidos que Eduardo Costa ou Neymar, muitos dos quais saíram até
mesmo de favelas e construíram fortunas do zero. Mas porque a Globo ou a Record nunca
tratam do assunto? O motivo é porque a televisão só tem interesse em divulgar o mundo
artístico e esportivo, pois é dali que eles tiram toda a sua programação e,
consequentemente, sua renda. Basta observar a grade de programação, programas de
auditório e esportivos são utilizados para retroalimentar o interesse dos espectadores em
outros programas como transmissões de futebol e novelas. São raros os programas de TV,
em especial da TV aberta, que não dependam de jogadores de futebol, cantores, modelos,

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 40
atores e demais celebridades. Eles precisam manter tais pessoas em destaque, mostrando
ao público o quanto são talentosas bem sucedidas para que o público mantenha o
interesse na programação.

A bem da verdade, ninguém deve mesmo esperar que emissoras de televisão


ensinem as pessoas sobre a importância de se estudar e trabalhar duro para vencer na
vida, pois a primeira coisa que alguém precisa fazer para tanto é: desligar a TV. Já ouvi o
testemunho de muitas pessoas de grande sucesso dizendo que simplesmente não
assistem televisão, porque sabem que a programação não lhes favorece. Quando a mídia
televisiva não está cuidando de dar destaque aos seus próprios programas e artistas, está
faturando com a exploração da violência quotidiana, espremendo cada gota de sangue dos
casos mais terríveis, pois sabem que tais, ao gerar medo e terror, também acabam por
prender as pessoas em frente à televisão, sem se importar se o fato de mostrarem tanta
violência não acaba por incentivá-la e disseminá-la ainda mais.

Voltando à questão da educação, o fato é que os programas de TV ajudam a


moldar a cultura do nosso povo há décadas, produzindo um grande mal ao
desenvolvimento do país. Porque existem milhões de crianças e adolescentes que não
possuem acesso direto aos exemplos de pessoas bem sucedidas através da educação,
como os próprios milhões servidores públicos concursados. Quando muito, o contato mais
próximo que os jovens de muitas comunidades brasileiras têm com servidores públicos são
quando têm acesso a serviços públicos de péssima qualidade, como assistência médica ou
a própria ação na segurança pública. Em muitos casos – e por falha do próprio Estado – os
policiais, por exemplo, são vistos de maneira preconceituosa, pois a má qualidade do
serviço prestado faz com que a comunidade tenha que só estão ali para lhes trazer ainda
mais problemas. Assim, não é de se esperar que o jovem morador desse tipo de local se
sinta atraído por fazer concursos públicos.

É bem verdade que, com a disseminação da internet, a TV já não possui mais o


monopólio de antes, mas, ainda assim, é forte a influência. Por tais motivos, é muito mais
comum em nosso país notarmos crianças e adolescentes pobres se interessando por
serem jogadores de futebol ou profissões artísticas que por trabalhos cuja base é o estudo.
Se não há o exemplo, não nasce o interesse genuíno. E é a falta de ações a despertar os
nossos jovens para a importância da educação, voltada para o empreendedorismo, serviço
público, e as diversas outras profissões que dependa de qualificação pelos estudos que
fazem de nós um dos países mais atrasados do mundo. A absoluta omissão do Poder
Público no sentido de incentivar e mostrar aos jovens a importância da educação está
criando um país de fracassados. Pois a TV só possui compromisso com seu próprio lucro.
Não estão preocupados com o futuro desses jovens que eles estão incentivando a tentar
virar o Neymar.

Mas Fabiano, não é verdade que o Neymar era pobre e se tornou um milionário
reconhecido internacionalmente, ou que outros conseguem sucesso no mundo artístico?
Sim. Mas não há espaço no mercado para muitos Neymares ou cantores sertanejos. Se

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 41
olharmos para o mercado do futebol brasileiro, por exemplo, ainda que incluamos os
jogadores transferidos para o futebol estrangeiro, é certo que não cheguem a mil pessoas
no total, as quais verdadeiramente conseguiram vencer na vida através do futebol. Todas
as outras dezenas de milhões de crianças, jovens e adolescentes que foram incentivados a
dedicar suas vidas na tentativa de se transformarem em um jogador de futebol terão de se
contentar em passar o resto da vida em algum tipo de subemprego. Isso é uma tragédia
social.

Países como A Coréia do Sul e Singapura saíram da extrema pobreza, em


poucas décadas, para se transformarem em potências econômicas mundiais através do
incentivo estatal à educação de qualidade desde à infância. Por aqui, infelizmente, em
termos de ações estatais, ainda estamos no século passado. Mas é possível a cada um se
livrar dessa maldição cultural, para dar valor aos estudos como um meio de transformação
de sua realidade de vida, e não ficar esperando por algum milagre que caia do céu, do
governo ou que alguma rede de TV bata à sua porta.

Eu não sei qual é a realidade do seu mindset em termos de educação. Imagino


que a maioria das pessoas que estão lendo esse livro já estejam bem melhores que a
média da população brasileira, pois, no mínimo, já revelam o interesse pelos concursos e a
coragem de buscar aprimorar sua eficiência através dessa leitura, o que já é bastante
coisa. Minha intenção é fazer com que você enxergue com a maior clareza possível que,
caso você não tenha tido até aqui grande sucesso, ou mesmo grandes pretensões em
relação aos estudos é provavelmente porque você não teve boas referências nesse
sentido. Mas, assim, como Esaú, você está tendo a oportunidade de trilhar um caminho
diferente, desenvolvendo aqui uma mentalidade verdadeiramente embasada no poder dos
estudos.

E não há lugar melhor que os concursos públicos para se investir em educação


para obter uma boa colocação no mercado de trabalho. Pois em nenhum outro local se
encontrará o nível de respeito e igualdade entre todas as pessoas que se observa nos
concursos. Aqui não há preconceito de qualquer natureza. Uma vez obtendo a nota
necessária, você pode ser de qualquer localidade, raça, religião, sexo, enfim, não importa
sua condição que sua vaga estará garantida.

Eu me lembro que quando comecei a estudar, uma das coisas que me fizeram
dar mais valor aos concursos foi a sensação que tive de ter descoberto uma área
profissional onde eu não precisasse passar pelas humilhações de pedir um emprego.
Pouco tempo antes de passar no meu primeiro concurso, eu cheguei a responder a
diversos anúncios, deixar currículos, e participar de entrevistas sem sucesso. Bater na
porta de uma empresa, então, e perguntar se estavam precisando de alguém pra trabalhar
era algo que estava totalmente fora de cogitação, devido à minha vergonha e timidez.
Onde mais se pode conseguir um trabalho de qualidade, sem depender dos outros e
ficando recluso no seu quarto?

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 42
Além disso, é bom dizer que a recepção e a adaptação dos novatos no serviço
público é, em regra, muito melhor que nas empresas privadas. Enquanto no mercado
privado o novo empregado precisa se adaptar a tudo e a todos, começando quase sempre
de baixo; quando se obtém um cargo público o status que a pessoa chega no órgão é bem
diferente, e depende primordialmente do cargo para o qual fora aprovado. Em primeiro
lugar, porque não há nada para provar a ninguém. E em segundo, porque o agente público
se vincula muito mais à lei e normas formais que a eventuais culturas ou políticas
empresariais. Assim, é possível exercer seu cargo tranquilamente independentemente de
se amoldar ou não à opinião e ao comportamento dos outros servidores, havendo um nível
de independência e autonomia bem superiores, embora não seja absoluto, pois sempre
haverá algum grau de hierarquia e sempre se estará convivendo com pessoas.

Querer é diferente de aceitar

É parte da cura o desejo de ser curado.

Sêneca

Tem muita gente que pensa que quer ser aprovado em um concurso e nomeado
para exercer determinado cargo público, de policial, fiscal, promotor... Mas não é bem isso
que acontece. Na verdade, grande parte dessas pessoas não quer de verdade o cargo –
pelo menos não com o sentido que eu dou aqui para a palavra querer –, mas apenas o
aceita em suas vidas, pois, de algum modo, sentem-se merecedoras dele. Para início de
conversa, eu penso que ninguém é merecedor de um cargo até que seja aprovado para
exercê-lo. Nem porque já sofreu demais na vida, nem porque já estudou muito, nem por ter
determinado interesse de ajudar o país ou tampouco porque já o visa e sonha com ele há
bastante tempo. Trata-se de uma atitude passiva. O querer é algo diferente, uma vontade,
um desejo ativo de alcançar algo, de chegar a algum lugar.

Há um ditado popular que querer é poder. Sim, muito poder. Tal ocorre porque o
querer age tanto no cérebro da pessoa que quer, turbinando seu inconsciente e fazendo
com que todas as suas ações e pensamentos se voltem para este objetivo, quanto age nos
cérebros das outras pessoas. O ser humano é essencialmente solidário com o próximo. E
a solidariedade humana é tão maior quanto mais se percebe que a outra pessoa quer
muito alguma coisa. Quem pede demais ajuda aos outros se torna chato e inconveniente,
mas quem demonstra de maneira natural, através de atitudes, fazendo o que pode, com o
que tem e onde está, desperta nos outros o desejo de ajudar.

Por isso, quem quer realmente muito algo, seja lá o que for, tem um poder que
age tanto sobre sua própria mente quanto sobre a mente das pessoas ao seu redor,
fazendo com que todas as portas, conhecidas e desconhecidas comecem a ser
descobertas e abertas. Quando você quer algo de maneira genuína e forte, nada no

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 43
mundo pode te parar. Tudo e todos passam a agir em conformidade com o seu querer,
consciente ou inconscientemente, e o mundo passa a se mover ao seu favor.

Isso não significa, contudo, que não haverá resistências também. Tais podem
surgir tanto na forma de sabotagem, por pessoas pequenas que acham que seu
crescimento significa o rebaixamento delas – mas na verdade é o contrário, pois qualquer
pessoa próxima de alguém que cresce faz com que ela também cresça um pouco mais –
quanto por pessoas que querem te proteger, acreditando que você irá sofrer com a
exposição e o fracasso na sua empreitada.

Santo de casa não faz milagre

Em se tratando de sonhos, o segredo é selecionar as pessoas com quem nós os


compartilhamos. A verdade é que a grande maioria das pessoas vão te incentivar, te
ajudar e ficar felizes com as suas conquistas. Mas existe um pequeno número de pessoas,
justamente dentre as mais próximas de você, que criarão resistências. Por algum motivo,
existem pessoas que sentem certo pavor quando alguém tenta romper o marasmo, o
coitadismo e a mesmice. De certo modo, você se torna uma ovelha negra para muitas
pessoas próximas quando tenta algo que elas nunca tiveram a coragem ou mesmo a
pretensão de conseguir. Não importa se querem te proteger ou te sabotar, você precisa se
cuidar para que as palavras e atitudes negativas não te contaminem.

As pessoas próximas são sempre a primeira barreira a se vencer quando se


quer fazer algo diferenciado na vida. Sentimos medo de passar vergonha, medo de
decepcionar alguém, medo do que vão falar... Essa barreira pode ser representada pelo
muro da sua própria casa. Após vencê-la, você ganha uma cidade, um país, um mundo
inteiro de pessoas que acreditam em você e que irão te ajudar a chegar onde você quer.

Quando Jesus começou a realizar seus milagres, por ocasião do início do seu
ministério, logo notou que, nas proximidades de sua casa, onde fora criado, era bem
menor tal ocorrência sobrenatural. Não que ele agisse diferentemente, mas a falta fé das
pessoas impediam as curas. Elas diziam: “mas não é este o filho de José, o carpinteiro”.
As pessoas que já o conheciam e estavam acostumadas a ver o garoto Jesus como uma
pessoa comum, não aceitavam aquela mudança. Não aceitavam que ele agora realizava
façanhas em nome de Deus. Diferentemente, quando ele ia para locais longínquos, onde
ninguém o conhecia, os milagres se multiplicavam.

Por isso, nunca espere e nunca meça o seu querer genuíno e a sua fé nos seus
próprios sonhos pelas pessoas que estão próximas de você, independentemente do
quanto elas te amam ou te odeiam. Para desenvolver e alimentar seu querer genuíno e
poderoso, descubra uma maneira de romper a barreira dos parentes, amigos e familiares
próximos. Especialmente em relação àqueles que não possuem o patamar que você

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 44
pretende alcançar. Você verá que, após a conquista, eles aceitarão bem seu novo status e
a maioria até se regozijará contigo. Mas, antes da conquista, é preciso tomar cuidado para
que não roubem o seu sonho.

É fato que nós somos seres fundamentalmente movidos pela fé, ainda que não
percebamos isso no nosso quotidiano. Sem fé de que o chão seja firme, você não daria
sequer o próximo passo. Se duvida, experimente andar sobre uma ponte de vidro. Ainda
que sua superfície seja mil vezes mais dura que o ferro, muitas pessoas não conseguirão
dar um único passo sobre ela por lhes faltar a fé. Sua falta de fé fará com que fiquem
congeladas de medo. O problema ao lidar com pessoas negativas é que verdadeiramente
a negatividade deles pode nos afetar, porque a fé se transmite e se alimenta também de
uma pessoa para outra. Se você está em dúvidas em relação a algo, você se sentirá muito
mais confiante se outra pessoa te disser que sim, mesmo que tal pessoa saiba menos do
assunto que você – e a recíproca também é verdadeira.

Benção e maldição

É interessante refletir um pouco sobre a origem das palavras benção e


maldição. Embora atualmente, em diversas culturas e religiões, tais palavras tenham
adquirido uma conotação espiritual ou sobrenatural, a verdade é que em sua origem
etimológica significavam tão somente bem dizer e mal dizer. Dar uma benção é confirmar
algo de bom na vida de alguém, concordar com o seu sucesso por exemplo. Ao passo que
jogar uma maldição é o contrário, negar algo de bom, discordar da possibilidade de que
alguém seja bem sucedido. E porque tais palavras acabaram, no decorrer da história,
adquirindo tanta importância? A resposta é muito simples. Como dito acima, as palavras de
uma pessoa possuem muito poder sobre a vida das outras, porque nós seres humanos nos
movemos essencialmente pela fé. Somos, sim, influenciáveis pelas opiniões alheias a
nosso respeito. E não estou tratando aqui de nenhuma conotação espiritual – o que
também não infirma tal possibilidade – mas falo de algo puramente natural, do
funcionamento do cérebro humano.

Desde sempre, quando se diz a alguém que ele pode ou não pode ser ou fazer
alguma coisa, se está não apenas dando uma inocente opinião, mas verdadeiramente
ajudando a moldar o cérebro de tal indivíduo. E, quanto mais autoridade aquele que fala
possui sobre aquele que ouve, mais relevante é a palavra lançada em sua vida. Por
exemplo, se um pai ou uma mãe diz a um filho ou filha que algum deles não serve para
nada na vida ou que certamente se envolverá com crimes ou prostituição, tais maldições,
embora não determinem, certamente terão o poder de influenciar em muito o futuro de tais
pessoas, o mesmo ocorrendo com as bênçãos, pois influirão na crença que a pessoa
possui sobre ela mesma.
Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 45
Além do mais, já existiram diversos experimentos no campo da psicologia que
demonstraram que a crença é fruto da ação do inconsciente. Assim, por mais que uma
pessoa saiba conscientemente que voar de avião é, estatisticamente, centenas de vezes
mais seguro que o transporte terrestre, é possível que ela venha a desenvolver um trauma
que lhe impeça de permanecer em um voo. Outro exemplo interessante diz respeito aos
efeitos dos medicamentos chamados de placebo em alguns tipos de fármacos. Tais são
remédios que, em vez de serem feitos com os princípios ativos, são produzidos com
farinha. De tal sorte, para se saber a verdadeira eficácia de determinado remédio é preciso
que sejam feitos testes, de modo que parte das pessoas, sem saber, tomem o
medicamento verdadeiro e outra parte tome o placebo.

Apenas se considera efetivo o medicamento quando a eficácia daquela amostra


que contém o princípio ativo é significativamente maior que da outra que não o contém,
pois se sabe que o simples fato de a pessoa ter tomado um remédio que prometa
determinado resultado – ainda que não contenha nenhuma substância capaz de produzi-lo
– já é suficiente para produzir seus efeitos em diversas pessoas. Os resultados são
assustadores, vindo a provar que inúmeros medicamentos não possuem qualquer efeito
químico sobre o corpo das pessoas, mas seus resultados são decorrência apenas da fé
que possuem. Por tais motivos, modernamente, tratamentos de doenças graves como o
câncer levam muito a sério a fé que a pessoa possui em ser curada, muitos entendendo
que este requisito é fundamental para eu haja chances de cura.

Tudo isso serve para mostrar o quão grande é o poder do nosso cérebro sobre
tudo o que acontece conosco. Talvez você possa ter tido experiências ruins a este
respeito, de pessoas que passaram a vida inteira lhe dizendo que você é uma pessoa
limitada em qualquer sentido. Primeiramente, saiba que eu só estou escrevendo este livro
porque acredito que você – que o está lendo neste momento, independentemente de onde
veio e quais experiências teve – é sim capaz de alcançar o cargo público que bem quiser,
e, mais que isso, de atingir qualquer outro tipo de objetivo que desejar e estiver disposto a
pagar o preço necessário. Eu acredito em você.

É perfeitamente possível virar a página do seu passado e romper em direção ao


seu sucesso profissional. Ter plena consciência de como funciona a sua mente e como
pessoas podem ter te influenciado a acreditar que você não pode ser alguém bem
sucedido possui um efeito libertador, pois você mesmo pode se orientar e buscar
influências que te levem a trilhar um caminho diferente. É como disse Jesus: E conhecereis
a verdade, e a verdade vos libertará.

Para reforçar cada vez mais a sua crença na sua capacidade de alcançar seus
objetivos, é muito importante que você se afaste das pessoas negativas e se aproxime
daquelas que você sabe que irão te servir de incentivo. Uma excelente maneira de fazer
isso é tendo contato com pessoas que já obtiveram sua aprovação em concursos e com
aquelas que estão na luta, estudando para tanto. Seja pessoalmente ou pela internet,

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 46
quanto mais você tiver contanto com esse tipo de pessoa, mais forte estará para romper os
obstáculos e alcançar sua vitória.

O subconsciente

Se você tem dúvidas se realmente quer passar em um concurso e acessar


determinado cargo público, isso é um sinal muito forte de que você não quer, mas apenas
aceita o cargo. Mas a boa notícia é que nós seres humanos possuímos a mais
extraordinária de todas as habilidades, que é de fato a única capacidade que nenhum outro
ser vivo possui: o poder de mudar o próprio querer. Aquilo que nós aprendemos quando
crianças, de que o homem se distingue dos animais por ser um ser racional é na verdade
uma grande bobagem. Todos os animais são seres racionais e possuem inteligências
variadas. A inteligência racional humana é maior, mas não possui uma qualidade diferente
da dos animais. A verdadeira habilidade única dos seres humanos é a capacidade de
influenciar o querer, de moldar o nosso subconsciente, criar a vontade de forma livre e
consciente, seja em nós ou nos outros.

A nossa capacidade cognitiva é por vezes comparada a um iceberg, uma


grande montanha de gelo cuja maior parte fica submersa, restando apenas uma peque
ponta do lado de fora da água. Nessa comparação, o subconsciente seria a parte
submersa e a consciência a pequena ponta à mostra. O fato é que, embora a consciência
possua características e finalidades específicas, pois sem ela não seria possível, por
exemplo, escrever um livro, é no nosso subconsciente que estão armazenadas a maioria
das nossas memórias, e a influência dessa parte do cérebro em nossas atitudes e
decisões é brutal.

A decisão final, em ralação a qualquer assunto, é tomada quase sempre no


nível da consciência, mas esse mecanismo por vezes é muito enganoso. Porque, embora
tenhamos a nítida impressão de que nossa decisão é livre, na verdade ela é rigorosamente
limitada pelas opções existentes em nosso subconsciente. Ou seja, o que pensamos ser
um livre arbítrio, de natureza absoluta, é na verdade um arbítrio relativo unicamente às
opções previamente existentes no subconsciente. É como se alguém te perguntasse: você
quer a maça vermelha ou verde? Daí você escolhe uma das duas, sem sequer saber que
existe a maça amarela.

E não apenas isso. Além de limitar a sua decisão, o seu subconsciente tem um
papel extraordinário de te lembrar, no momento exato, qual das opções é melhor, segundo
seu próprio histórico. Se a maça verde te lembra a sua vó, o gosto e o cheiro de passeios
de infância, será forte o incentivo para que você escolha essa. Além disso, se você for
realmente uma pessoa apaixonada por maçã verde, do tipo que não consegue viver sem,
seu subconsciente te fará o favor de fazer você se lembrar dela o dia inteiro, seja enquanto
trabalha, dirige, dorme...
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tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 47
Mudar dói - a construção do querer

Como eu disse, o mais fantástico de tudo isso é que nós mesmo podemos
direcionar nosso subconsciente para fazer as escolhas e nos lembrar todo o tempo daquilo
que entendemos ser realmente importante para nós, através de uma decisão consciente.

Considerando que uma pessoa saldável e livre de vícios tomasse a decisão


consciente, hoje, de iniciar o uso de cocaína ou crack o que possivelmente iria acontecer?
A depender, obviamente, de inúmeros outros fatores e variáveis, é possível dizer que após
algum tempo de uso, o subconsciente dessa pessoa estaria marcado com tal intensidade,
devido ao prazer gerado pela droga, que ela passaria a fazer inúmeras escolhas que
favorecessem o seu uso, seja do ponto de vista financeiro ou social.

Do mesmo modo, com o passar do tempo, o subconsciente dela iria passar a


lembrá-la sobre isso várias vezes por dia, podendo chegar, mais cedo ou mais tarde, ao
vício, que nada mais é que o momento em que a força do subconsciente é tamanha que,
não apenas limita, mas anula, em absoluto, a capacidade de decisão final a cargo da
consciência, momento em que a pessoa está dominada pela droga. É nesta fase que as
pessoas costumam perder o emprego, a família, praticar crimes...

Notem que eu criei este raciocínio hipotético, e que acontece todos os dias no
nosso país, a partir de uma decisão que eu chamei de consciente, informando ainda que a
pessoa era saudável e livre de vícios. Mas imagine agora uma situação distinta. Que esta
mesma pessoa estivesse em depressão por um motivo qualquer não relacionado com
drogas, ou ainda que tal personagem vivesse em um núcleo familiar e social onde o uso de
drogas fosse incentivado e tido por sinal de liberdade e força. Não é difícil notar que,
embora a decisão inicial de usar drogas ainda fosse uma decisão consciente, o nível de
liberdade nessa escolha estaria reduzido, quando observado por alguém de fora em
comparação com outrem que não passasse por tais circunstâncias. Ela mesma, contudo,
ao tomar a decisão ou não de iniciar o uso de drogas, tem a ilusão de que sua capacidade
de escolha é total.

Para melhor compreensão desse raciocínio, basta pensar do ponto de vista


estatístico, pois quando se pensa em apenas um indivíduo, corremos o risco de sermos
iludidos. Embora eu não disponha de dados reais, é intuitivo que se pegarmos uma
amostra com 1000 jovens filhos de pais que hipoteticamente eduquem seus filhos a não
usarem drogas ilícitas, ensinando sobre seus malefícios, e 1000 jovens filhos de pais,
digamos, alternativos, que, também hipoteticamente, costumem usar drogas ilícitas na
frente dos filhos e educá-los no sentido de que o uso de drogas é uma forma de protesto
contra o governo e as injustiças sociais, não é difícil concluir que a quantidade de jovens
que optarão pelo uso de drogas no segundo grupo será um tanto maior. O poder do

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subconsciente sobre a consciência e o arbítrio pode variar de um grau mínimo, uma
influência, até um grau máximo, o total controle.

O mesmo raciocínio vale para tudo na vida de uma pessoa. É muito comum que
filhos de médicos se tornem médicos. Tal não se trata, necessariamente, de uma
imposição dos pais, mas de uma mescla de facilidades materiais com incentivos vindos do
subconsciente. Tais circunstâncias fazem nascer no jovem o querer genuíno, a vontade
natural de seguir os passos dos pais, tendo o mesmo sucesso, conforto e facilidades na
vida que eles possuem. Quiçá ter uma clínica igual a deles e fazer as viagens anuais que
eles faze ao exterior...

Qualquer pessoa pode ser o que quiser. Sim, mas como esperar que um jovem
de periferia, que não possui nenhuma convivência com profissionais bem sucedidos,
desenvolva naturalmente um querer genuíno por alguma carreira de alto nível, capaz de
fazê-lo romper as barreiras e colocar o mundo para conspirar a seu favor, para chegar até
lá? O fato é que, muito além – e antes – de todas as dificuldades materiais, a maior
barreira está no próprio subconsciente.

Mas, como já me referi, e da mesma forma do exemplo da droga, é possível que


uma decisão consciente venha a direcionar e a moldar o subconsciente para que este
passe a trabalhar diuturnamente em favor de algo, gerando o querer e seu poder. Muitas
vezes, jovens de periferia têm a sorte de conviver com pessoas que os influenciam a
serem alguém bem sucedidos, seja através e um amigo, um parente, um patrão... Que não
apenas lhe diz certas coisas, mas, principalmente, lhe possibilita a formidável oportunidade
de conviver com o exemplo de sucesso. Eu digo sorte pois, em grande parte das vezes
que isso acontece, esta experiência e oportunidade não foi buscada conscientemente por
parte do beneficiário.

O querer genuíno tem uma relação muito próxima com a fé. Para querer, ainda
que não se tenha a explicação de como irá conseguir, é preciso que você acredite que é
possível. Quando a pessoa convive com outras iguais a ela que já alcançaram aquele
objetivo, essa fé se desenvolve naturalmente. É bastante improvável que o hipotético
jovem de periferia que nunca conviveu com médicos bem sucedidos adquira um querer
genuíno por esta profissão, pois falta-lhe tanto o interesse quanto a fé de que aquilo é algo
possível a ele. Nesse caso, ainda que alguém o ensine, quando criança, a dizer que será
médico quando crescer, o mais provável é que logo mais adiante já abandone este
discurso, que não possui raízes profundas no seu cérebro, atendo-se àquilo que seu
subconsciente o ensina diariamente que é sua realidade.

E é exatamente neste ponto que eu queria chegar. Pois, para se resolver um


problema, é preciso, antes, reconhecer a sua existência. Ainda que hoje você tenha
consciência de que não possua um querer genuíno, porque seu subconsciente não está
capacitado a movê-lo fortemente em direção ao seu objetivo, ainda assim você pode ter a
audácia de decidir ser aprovado em absolutamente qualquer cargo público que quiser.

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Como? Você não precisa esperar pelo acaso, pelas influências de ninguém, você mesmo
pode moldar seu subconsciente para que este direcione a sua mente ao seu objetivo.

A maneira tradicional de se fazer isso existe há séculos. Que é buscando a


convivência direta e pessoal, o quanto possível, com as pessoas que já estão onde você
quer chegar. Seja no trabalho, como funcionário, voluntário, estagiário... Ou em ambientes
externos, no futebol, festas... Qualquer palavra, qualquer gesto, qualquer exemplo funciona
como um combustível para seu próprio cérebro. Mas cuidado, ninguém precisa ser
inconveniente. É preciso saber respeitar o espaço de convivência que cada pessoa lhe
permite ter. Mas também é preciso ser ousado, pois sentado no sofá da sua casa ninguém
irá te oferecer ajuda.

Mas acalme-se, se te parece complicado demais ir atrás de uma convivência


real com pessoas que possuam o cargo que você quer, ainda há outra solução, esta mais
recente. Com o advento da internet, é possível ser seguidor em páginas de redes sociais
de pessoas em qualquer profissão, podendo inclusive se comunicar com elas. Esta é uma
maravilha da comunicação moderna pois permite que, mesmo distante, você possa ter
praticamente o mesmo nível de influência, a turbinar o seu subconsciente, que você teria
se estivesse próximo da pessoa. Portanto, mãos à obra. Se inscreva em canais do
YouTube, páginas do Facebook, vá a palestras, leia livros... Se alimente das pessoas que
você admira e que já alcançaram o nível de sucesso que você pretende ter.

Escolha do cargo

Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em
sua vida.

Confúcio

A escolha do cargo é uma decisão bastante delicada e importante em matéria


de concursos. Muitas pessoas – e eu mesmo durante muitos anos – acabam não dando a
devida atenção a este tema e, porisso, sendo levadas pelo vento, enquanto poderiam ser o
próprio capitão do navio. Existem inúmeros aspectos relativos a este tema que precisam
ser considerados, vou procurar tratar aqui dos principais. No capítulo meu canal do
YouTube, postei uma série de vídeos em uma playlist chamada “Carreiras TOP 10”, onde
eu falo das principais carreiras do serviço público brasileiro. Vale a pena dar uma boa
olhada.

Ainda que, no momento em que você lê estas palavras, você já acredite já saber
exatamente o cargo no qual pretende trabalhar pro resto da vida, eu aconselho que você
preste bastante atenção no que vou dizer a seguir, pois tanto pode acontecer de você
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reforçar sua convicção, e neste caso terá uma ideia mais bem acabada de tudo o que esta
decisão envolve, ou você pode mudar completamente de caminho, ao deparar com
aspectos que nunca havia considerado.

Minha escolha

Durante minha trajetória nos concursos, eu mudei muito minha visão sobre qual
cargo eu gostaria de ocupar, a respeito de qual seria a carreira mais adequada para mim.
E, no meu caso, isso não aconteceu por eu ser uma pessoa volúvel em termos
profissionais, mas simplesmente por não ter um conhecimento amplo das opções que eu
tinha. À medida que eu fui descobrindo as carreiras e suas respectivas funções no serviço
público, no decorrer dos anos em que eu já era servidor, eu fui descobrindo que, se eu
quisesse, poderia direcionar meus estudos para aquele cargo. Contudo, como eu sempre
pegava o bonde andando, qualquer mudança de rumo era sempre mais custosa em
diversos aspectos.

Quando eu entrei no serviço público, eu já tinha convicção de que não iria


permanecer nos cargos iniciais para os quais havia sido aprovado, e isso me dava a
certeza de que eu não iria me acomodar neles, por mais que eu notasse que, em cada um
daqueles locais, haviam inúmeras pessoas realizadas e que não pensavam em mudar para
nenhum outro cargo. Contudo, embora eu soubesse que queria sair, pois eu aspirava algo
melhor para mim, eu não tinha a menor noção de quando e nem para onde. Para vocês
terem uma ideia, eu já era servidor público quando, na fila da inscrição para o vestibular da
UFG – na época não se inscrevia pela internet –, eu tinha dúvidas se prestava para
licenciatura em Matemática ou Direito. Acabei optando pelo Direito, e isso depois de
abandonar o curso de Engenharia Civil.

O que me motiva a passar a vocês esta visão geral é a sensação de ter o


regozijo de dar aquilo que eu não recebi. Embora hoje eu me considere realizado na
carreira pública, pois tenho o privilégio de ser defensor público em Goiânia, minha cidade
natal, eu não posso negar que o caminho que eu teria trilhado se tivesse definido
anteriormente uma carreira a ser seguida, teria sido bem diferente. Certamente bem mais
curto e menos sofrido se eu soubesse, na época em que comecei nos concursos, o que sei
hoje em termos de visão de carreiras. Assim, quanto mais no início de sua carreira pública
você estiver, mais será beneficiado por esta leitura.

Meio e visão

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Um importante aspecto a ser considerado, na linha do desenvolvimento do seu
querer, tratado no capítulo X, é que é absolutamente impossível almejar pertencer a uma
carreira que não se sabe se existe. E não basta saber superficialmente, nós só temos a
possibilidade de nos interessar pelos cargos dos quais temos um mínimo de
conhecimento, como a respeito da função desempenhada e dos benefícios recebidos. De
tal sorte, se você hoje deseja profundamente apenas ser policial ou delegado de polícia, ou
qualquer outra carreira, a primeira coisa a fazer é uma autoanálise profunda e honesta
para identificar se você não escolheu esta carreira apenas porque não conhece
suficientemente outras.

Eu usei estes dois cargos de maneira proposital. Como todos sabem, o nosso
país passa por um gravíssimo problema na área da segurança pública. Os noticiários
televisivos retratam a tragédia diariamente porque o público é ávido por este tipo de
notícia, o que faz com que haja uma grande exposição midiática de policiais e delegados
de polícia.

O resultado disso é que, devido à grande exposição, é imenso o número de


concurseiros que passam a desejar ocupar tais cargos, seja para obter os benefícios seja
para contribuir com a sociedade. Ocorre que nem todas as carreiras possuem tamanha
exposição. Mas ao contrário, muitas das melhores carreiras em todos os aspectos que
serão aqui retratados, quase não se faz menção na televisão, que ainda é o veículo de
comunicação com as grandes massas. Apenas para citar alguns exemplos, a grande
maioria das pessoas comuns, no Brasil, não possuem a mínima noção de cargos que
pertencem ao mais alto nível na hierarquia do serviço público, como os de procurador do
trabalho, auditor fiscal, notário... Por isso, mais uma vez, recomendo fortemente que você
assista à série de vídeos que eu publiquei sobre carreiras no YouTube.

Com isso, não estou dizendo, evidentemente, que as pessoas não devem optar
pelas carreiras policiais, mas desejo que, os que fizerem isso, o façam por convicção e não
por não conhecer as outras. Quem possui um círculo de relacionamentos com pessoas
ocupantes de cargos públicos, seja no trabalho, faculdade, família ou amigos, acaba tendo
maior facilidade quanto a isso. Mas para pessoas, como eu, quando iniciei, que não tem
nada disso, é preciso dar seus pulos o quanto antes. Quanto mais informação se tem,
maior a chance de fazer a escolha correta e segura para o seu futuro.

Oportunidade e direito

Existem variadas oportunidades no serviço público brasileiro, de merendeiro em


escola pública a titular de cartório. Existem cargos que exigem apenas o ensino
fundamental, outros nos quais que se pede o nível médio e ainda aqueles que solicitam
nível superior, podendo, tal exigência, ser de dado curso específico, de um dentre um

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conjunto de cursos ou de qualquer formação superior, havendo ainda casos em que se
exige experiência.

Contudo, além de, obviamente, os melhores cargos exigirem nível superior, é


preciso ressaltar que, há vários anos, existe um movimento de mudança de cargos que,
antes, pediam apenas nível médio e agora passam a exigir o nível superior. De tal sorte,
quem enxerga os concursos como uma carreira, caso ainda não esteja na faculdade, já
deve se programar para entrar o quanto antes. Mas qual curso fazer?

Esta decisão, como já deve ter ficado claro, fará toda a diferença para o seu
futuro como concurseiro. Pois, a depender da formação, você já estará abrindo algumas
portas e fechando outras. É bem verdade que existem concursos para todos os cursos
superiores, mas, a depender do escolhido, as diferenças em termos de número de
concursos, de cargos e de remuneração podem ser gritantes. Antes de chegar à escolha
final, aconselho que você faça pesquisas na internet e, principalmente, converse com as
pessoas que já se formaram em tal área do conhecimento e com aquelas que já ocupam o
cargo que você deseja. As pessoas normalmente são bem receptivas a esse tipo de
curiosidade e costumam ser bem sinceras.

Já vi muitos casos de pessoas que fizeram um curso superior de menor


duração, em nível de tecnológico, para, apenas depois, descobrir que o cargo pretendido
exige formação em nível de bacharelado.

Na dúvida, faça o curso de Direito. O curso de Direito é, de longe, aquele que


oferece o maior número de oportunidades no serviço público. Várias das principais
carreiras, como delegado, juiz, promotor, procurador, defensor exigem exclusivamente o
curso de direito. Além disso, com exceção de cargos de formação específica, como
médicos, engenheiros, psicólogos... Para todos os outros, o direito irá servir. Direito é a
formação por excelência do concurseiro.

Renda, benefícios e dificuldade

A pergunta que eu mais escutei na minha trajetória de concursos, nos seis


cargos que ocupei, foi se é difícil passar e entrar. A dificuldade é uma preocupação
constante e legítima de quem almeja qualquer cargo público. É fato que existem cargos
bem mais concorridos que outros, assim, o mais importante é saber qual é o verdadeiro
fator diferenciador de tais níveis de dificuldade. E muita gente se engana aqui.

A prova foi difícil? Esta é outra pergunta clássica, mas bem menos inteligente.
Preocupação com o nível de dificuldade da prova é coisa de estudante do currículo normal
e não de concurseiro. Quando se está no ensino fundamental, médio ou faculdade, todos
se preocupam com o nível de dificuldade da prova, pois, quanto mais fácil, melhor. Se a

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prova for muito fácil, todos da sala passam de ano e fazem a festa. E com concursos não é
assim? Claro que não.

Existe um número limitado de vagas e um número naturalmente maior de


candidatos. Prova boa, portanto, não é a fácil, mas aquela capaz de selecionar os mais
bem preparados. Uma prova muito fácil ou muito difícil acaba prejudicando tal eficiência, o
que não é bom para se prepara. Assim, não adianta se iludir pensando que uma prova fácil
irá ajudar você a passar em um concurso, isso não existe. A prova genericamente mais
fácil, apenas aumentará o ponto de corte, mas, independentemente de prova fácil ou difícil,
apenas os melhores passarão.

A dificuldade que interessa aqui, essa sim relevante, é a do nível do cargo que
se pretende ocupar. Por exemplo, vamos supor, hipoteticamente, que um concurseiro
formado em direito e que possua três anos de atividade jurídica como advogado, se
inscreva em dois concursos simultaneamente, um para técnico judiciário, com salário inicial
de R$ 4.000,00 e outro para juiz federal, com subsídio inicial de R$ 27.000,00.
Suponhamos ainda que, para cada um dos dois concursos, o total de inscritos tenha sido o
mesmo, de cinco mil candidatos. Imaginemos ainda, por fim, que a banca o tipo de prova
sejam os mesmos e que o conteúdo programático, em ambos os editais, seja
rigorosamente idêntico.

Nesse caso, qual será o concurso mais difícil, que exigirá maior grau de
conhecimento para que nosso amigo concurseiro seja aprovado? É intuitivo que será bem
mais difícil ser aprovado para o concurso de juiz nesse caso. O motivo é muito simples, o
fator preponderante na determinação do nível de dificuldade de um concurso não é a
banca, nem o nível de dificuldade da prova, nem o tipo de prova, mas os benefícios do
cargo. Pois são estes que irão atrair os melhores candidatos. É bem possível que grande
parte dos candidatos ao citado cargo de juiz federal já sejam detentores de cargos de
técnico judiciário, analista judiciário ou outro semelhante. O jogo ali está em outro nível.
Barcelona x Real Madrid. Digo mais, ainda que a prova aplicada nesses dois exemplos
seja exatamente a mesma, o raciocínio não muda. Se, nesse caso, o ponto de corte para o
cargo de analista for 60%, o de juiz será de 80%, hipoteticamente.

Concorrência

“O segredo não é esmagar a concorrência. É torná-la irrelevante” Chan Kim

De início, te digo que você não deve se preocupar com a concorrência em


matéria de concursos. Pois nós só devemos nos preocupar com aquilo sobre o qual temos
controle. A concorrência sempre vai estar lá, sempre vai haver pessoas qualificadas
disputando as vagas e sempre vai haver pessoas não qualificadas o suficiente em número
bem maior. O que você precisa se preocupar é em estar no nível do seu concurso. Sempre

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que um concurseiro atinge o nível do concurso que ele deseja, ele passa. Nesse momento,
ele sai do mercado da concorrência, tornando-a irrelevante.

Tudo o que você precisa se preocupar é em se preparar o suficiente para atingir


o nível do concurso que você quer, pouco importando o número de inscritos ou qualquer
outro fator. Se você ainda não passou, é porque ainda falta um pouco. Simples assim.

A melhor atitude que eu conheço para trilhar um caminho seguro nos concursos
é usar a estratégia da escadinha. Nela, embora você deva definir, o quanto antes, qual
cargo pretende ocupar de maneira definitiva, e seguir carreira até se aposentar; você
estabelece um caminho até chegar nele, passando por outros cargos no meio do trajeto.
Não que você vá utilizar estes cargos como trampolim, como se eles em próprios não
fossem importantes, pois todos são. Mas o fato é que você precisa amadurecer seu
conhecimento e sua experiência até chegar onde você quer, mas sem perder o foco
daquele cargo que você realmente deseja, e sem permitir-se acomodar. Vários cargos,
inclusive, como é o caso de juiz, promotor e defensor, exigem três anos de atividade
jurídica para a posse. Ademais, via de regra, quem tenta logo de cara alcançar um objetivo
muito distante acaba desanimando.

Mudança, relacionamentos e idade

Um fator muito importante e que impacta significativamente a vida do


concurseiro é o local de lotação do cargo. Por exemplo, existem concursos federais cuja
lotação inicial pode se dar em qualquer lugar do país, a depender da existência de vagas e
da colocação do candidato. No caso dos estaduais, é comum que o início do exercício se
dê no interior, havendo sempre a possibilidade de remoção com o passar dos anos, a
depender da existência de vagas. Planejar isso é também fundamental para se evitar
grandes traumas e problemas no futuro, pois não é incomum acontecer que o candidato,
no afã de ser aprovado logo, faça concursos sem levar isso em conta, e, quando aprovado,
acaba percebendo que trilhou o caminho errado, já longe de todas as pessoas de seu
relacionamento. Outros, contudo, mais aventureiros e desbravadores, logo fixam morada e
constroem novas relações. Tudo depende do seu perfil.

Hoje penso que quanto mais jovem a pessoa inicie uma carreira de concursos, e
quanto mais cedo ela saiba exatamente o que quer, melhor. Não que ter um pouco mais de
idade atrapalhe a ser aprovado em concursos, mas quando se é mais novo a disposição
para se desbravar novas carreiras e assumir cargos em outros estados é maior. Vários
amigos com os quais já conversei, e que já possuem alguns anos no serviço público,
passaram a considerar que não vale a pena o sacrifício de assumir um novo cargo longo
de casa. Por outro lado, para quem já tem planos de mudança de cidade, e quer ir morar
no interior, por exemplo, – e especialmente se o cônjuge ou namorado (a) estiver disposto
a ir junto raciocínio pode ser o oposto.
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Realização pessoal, autonomia e horários

Não olhe apenas para o salário. A remuneração, sem sombra de dúvidas, é o


principal atrativo em qualquer carreira, pois a quantidade de dinheiro que se ganha, via de
regra, é diretamente proporcional à qualidade de vida que se poderá ter. Contudo, já vi
muita gente desistir de cargos muito bem remunerados por outros fatores, que com o
passar dos anos, acabam se tornando tão ou mais decisivos, tais quais a autonomia do
cargo, volume e horários de trabalho. Pois tais irão impactar decisivamente na qualidade
de vida da pessoa, muitas vezes mais que o dinheiro.

Além disso, é importante ter em conta o grau de realização pessoal que se tem
naquele cargo. O trabalho não deve e nem precisa ser um sacrifício. Ao contrário, pode ser
um local de alegria e aprendizado. Procure identificar o tipo de trabalho que mais te atrai,
onde você irá se sentir mais útil, capaz de dar sua contribuição mais significativa à
sociedade. Embora todos os cargos públicos busquem atingir esta finalidade, de um modo
ou de outro, sempre haverá aqueles que te inspiram mais a dar o melhor de si.

Família e amigos

Acredite em si próprio e chegará um dia em que os outros não terão outra


escolha senão acreditar com você.

Cynthia Kersey

Se você já tentou estudar para concursos perto de outras pessoas, já deve ter
tido a desagradável experiência de ficarem puxando conversa com você, como se
estivessem tentando te impedir de estudar.

Ainda que as pessoas próximas queiram o nosso bem – e geralmente querem –


o fato de não terem uma cultura de estudos e de leitura, e, consequentemente, não
possuírem a noção de todo o foco e concentração que é necessário para tal atividade, faz
com que se tornem verdadeiro obstáculo a ser vencido. Pessoas que vêm de família de
estudantes, principalmente concurseiros, acabam encontrando alguma trégua, mas, do
contrário, a decisão de começar a estudar para concursos inaugura uma batalha com seus
amigos e familiares.

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Tal ocorre porque na maioria das outras atividades profissionais, com as quais
as pessoas estão acostumadas, quando se quer arrumar um emprego, a pessoa
simplesmente elabora um currículo e se candidata à vaga. Quando muito, faz algum curso
de qualificação, o qual costuma ser mais voltado para o recebimento do certificado que
para qualificação em si. São formalidades com as quais todos estão aculturados.

Por mais que concursos públicos hoje seja uma atividade relativamente popular,
para muitas pessoas, que não são desse meio, mas apenas observadores, fazer concurso
ainda significa pagar por uma inscrição e sair de casa em um domingo para fazer uma
prova para ver se dá certo. Além disso, mesmo aquelas que concordam conscientemente
que para fazer concurso com seriedade é necessário estudar, tais não sabem exatamente
do quê estão falando, não tendo a real noção do que realmente isto significa no dia-dia de
uma pessoa.

Assim, como já referido no capítulo X, o primeiro obstáculo que se precisa


vencer para começar a fazer concursos de maneira profissional é aprender a lidar com as
pessoas mais próximas, para que você possa ter a paz e o apoio necessários nessa
jornada que, via de regra, é longa e desgastante.

As pessoas próximas são muito importantes para nós, seja suas presenças ou
suas opiniões, e disso não há como fugir, pois é inerente ao ser humano. Tentar resolver o
problema de forma estúpida e agressiva não é o melhor caminho. É preciso antes tentar
formas mais civilizadas e cordiais, que podem funcionar muito bem se você tiver um pouco
de paciência.

Que você vai precisar da ajuda das pessoas próximas na sua caminhada nos
concursos, isso é certo. O que pode variar é o tipo de apoio. Pode ser que tudo o que você
precise é de uma ajuda passiva como, por exemplo, de não ser perturbado nos seus
períodos de estudo, com barulhos ou conversas, ou que se abstenham de lhe pedir
intermináveis favores como se fosse o office-boy da família. Mas, para muitos, a depender
de sua situação pessoal, será também necessário um pouco mais, como ajuda financeira
ou na realização de alguma tarefa.

Além disso, não se pode ignorar, sob pena de isso também refletir
negativamente nos concursos, que todos nós precisamos de mementos de diversão,
compreensão, carinho e aconchego que só os amigos, namorados, cônjuges e familiares
podem nos dar. Embora para iniciar uma carreira de concursos seja necessárias algumas
mudanças de rotina, procure não perder os contatos completamente, marcando dias e
horários possíveis para colocar as coisas em dia. Àqueles que não compreenderem,
paciência. Ninguém pode agradar a dois senhores. Ou você segue seus objetivos ou os
deles.

Por tudo isso, essa é uma guerra que precisa ser vencida através da diplomacia
e não das bombas. Antes de iniciar a batalha, é preciso ter em mente que quem está
mudando os termos do contrato é você e não eles. Assim, antes de pedir que alguém

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desligue a TV ou o rádio para que não atrapalhem o seu estudo, é preciso admitir que é
mais sensato que você saia e procure outro ambiente para estudar, se isso for possível.
Sim, embora estudar possa ser considerado um propósito mais nobre que ouvir música,
por exemplo, tal não te dá o direito de exigir nada dos outros. Antes de exigir alguma coisa,
é preciso saber respeitar o espaço dos outros.

Assim, a primeira tentativa deve ser de fazer o seu trabalho sem exigir
mudanças nas rotinas alheias. Pode ser no fundo do quintal, em outro cômodo da casa ou
mesmo fora de casa, em uma biblioteca por exemplo. Mas nem sempre isso é possível.
Nesse caso, deve-se partir para a estratégia do falar e fazer.

Muitas vezes, nós dizemos que vamos mudar algum comportamento mas, por
um motivo ou por outro, não conseguimos. Pode ser uma dieta, exercícios físicos, discutir
menos com os outros... Às vezes até começamos, mas logo vamos nos esmorecendo e
acabamos por abandonar ou mesmo esquecer daquele propósito. Assim, não espere que,
ao simplesmente dizer às pessoas que você decidiu mudar sua rotina e virar um estudante
dedicado, elas sejam obrigadas a acreditar nisso. Na maioria dos casos, vão duvidar até
que você mostre isso a elas por um período de tempo razoável.

A estratégia do falar e fazer funciona da seguinte maneira: sem se preocupar se


vão acreditar ou não, e sem a pretensão de convencê-las de que seus propósitos estão
corretos, você deve procurar aquelas pessoas mais próximas e significativas na sua vida e
falar para elas, da maneira mais singela possível, que decidiu começar a estudar para
concursos e que vai precisar da compreensão e da ajuda delas. Em casos que envolvam
pedidos de ajuda positiva ou financeira é provável que você precise avançar um pouco
mais na argumentação, explicando mais detalhadamente seus motivos e objetivos e como
você, no futuro, poderá retribuir a ajuda.

Após falar, comece imediatamente a fazer, sob pena de cair no fosso do


descrédito e tornar a coisa um tanto mais complicada. Provavelmente, durante a execução
do seu plano e efetivo início dos estudos, logo irá perceber que seu pedido entrou por um
ouvido e saiu pelo outro, o que não é motivo de se desesperar. O importante nesse início é
você mostrar que sua decisão é para valer, que não era apenas fogo de palha.

Daí chegará o momento oportuno de falar novamente. Usando da mesma


serenidade da primeira vez, repita à pessoa que você está em uma nova fase de sua vida,
e que por isso precisa da ajuda e compreensão dela. E volte à etapa inicial de fazer, e
repita isso quantas vezes forem necessárias. A boa notícia é que, ainda que muitas
pessoas não exteriorizem isso, é certo que a cada rodada de fazer e falar, todos a sua
volta estarão te dando mais crédito.

Estar presente

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O maior segredo para fazer alguma coisa bem feita é estar presente enquanto
se faz. Isso vale tanto para os estudos quanto para os momentos de lazer e convívio com
as outras pessoas. Não se deve estar em um local e com a mente em outro, com uma
pessoa e pensando em outra, executando uma atividade mas com a cabeça em outra. Isso
reduz drasticamente a eficiência e te rouba a verdadeira utilidade e felicidade do momento.
A cada dia o seu próprio mal. A cada momento, seu prazer ou sua angústia deve ser vivida
com intensidade. Separe bem as coisas e verá como isto faz grande diferença. Quando for
ao cinema, curta o cinema. Se estiver conversando com um amigo, dê atenção a ele, e
deixe os outros amigos que, eventualmente estejam te solicitando pelas redes sociais e de
comunicação para outros momentos. Se desligue completamente dos estudos nos
momentos de lazer, pois somente assim você irá recarregar suas baterias. E se desligue
de todas as possíveis distrações nos momentos de estudos.

O concurso passa. Algumas pessoas ficam, outras vão e novas vêm. Essa é
uma realidade de nossa vida seja qual for o caminho que escolhemos. Por inúmeros
motivos, apenas algumas pessoas mais chegadas e afinadas continuarão conosco no
decorrer da vida. A estas, precisamos dar o devido valor. Às outras, que sigam seus
caminhos e sejam felizes. É preciso estar aberto a se desapegar de pessoas que se
tornem incompatíveis com nossos novos objetivos e também cientes de que, a cada nova
jornada, novos companheiros se apresentam. Em muitos casos, se o vocalista pretende ir
mais longe do que ele sabe que a banda pode chegar, terá que seguir carreira solo, ou
montar outra banda.

Por outro lado, quando estiver na glória, é preciso saber honrar as pessoas que
te apoiaram nos momentos de batalha. Seja namorada, marido, amigos ou familiares. Vale
um presente, um agradecimento particular ou público, ou a simplesmente a sua presença
em sua vida, agora com maior intensidade.

Dinheiro

O investimento em conhecimento sempre paga os melhores juros.

Benjamin Franklin

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 59
Quando eu passei na PRF, mesmo após alguns anos da aprovação, algumas
pessoas ainda me pediam emprestado os livros ou apostilas que eu havia utilizado para
estudar pro concurso. Eu custava acreditar naquilo que estava ouvindo, já que eu só
estudava em material atualizado. Daí eu explicava para a pessoa que ela precisava investir
em um material atualizado, já que aquele que serviu para eu passar, hoje não prestava
mais nem para segurar a porta. Hoje eu entendo que as pessoas me perguntavam isso
não era só por economia, mas principalmente porque imaginavam que a razão da minha
aprovação era o fato de eu ter encontrado o material certo, como um mapa do tesouro,
pois muitos possuem a cultura da varinha de condão e não do trabalho duro.

Outra coisa muito comum é a pessoa ficar com dó de gastar o dinheiro da


inscrição, ou por achá-la muito cara ou por pensar que, como suas chances são pequenas,
não vale a pena o risco. Este é um pensamento duplamente equivocado. Primeiro porque o
que se paga pela inscrição tem como única finalidade a cobertura dos custos do concurso,
de contratação de profissionais, serviços gráficos, etc. Nenhum órgão ou instituição pode
utilizar-se de concurso público para angariar recursos para outros fins. Se tal situação
ocorrer, trata-se de ilegalidade que merece ser denunciada e combatida nos termos da lei.
Mas essa possibilidade, ou mesmo eventual constatação, não é motivo para você
desanimar de fazer o concurso. Se fizer isso, o único prejudicado será você.

Uma lição básica que todo concurseiro precisa aprender é a confiar nas
instituições. Afinal, se você faz concursos, é porque pretende fazer parte delas. Ora,
pessoas que pensam que todo o serviço público é corrompido e sem moral deve procurar
outra coisa para fazer ou procurar urgentemente mudar de mentalidade. Caso contrário,
estará dando murro em ponta de faca. Pois o seu próprio subconsciente, que sempre irá
buscar te livrar de ambientes prejudiciais aos seus próprios desígnios, tratará de boicotar
sua tentativa de passar em um concurso, pois buscará a todo custo evitar que você passe
a fazer parte de ambiente tão desqualificado. Faça a sua parte e confie que as outras
pessoas farão as delas. Garanto que, apesar de todos os problemas que de fato temos no
serviço público brasileiro, você terá boas surpresas.

Independentemente do valor, e independentemente até de eu ter ou não o


dinheiro – e em muitos casos eu não tinha - eu sempre achei irrelevante o valor cobrado
pela inscrição. Nunca achei caro e jamais cogitei em deixar de fazer um concurso por esse
motivo. A diferença é a forma de olhar. A maioria das pessoas vê o valor gasto com a
inscrição como a compra de um bilhete de loteria, ou uma cartela da Tele Sena. Como
imaginam que são poucas as chances de passar, acham que não vale a pena a aposta.
Eu, ao contrário, como estudava com afinco, tanto sabia que tinha boas chances de
aprovação como entendia que, ainda que não passasse, a experiência de estar
participando daquele certame, certamente estaria me colocando mais próximo da vitória no
próximo. Minha análise era em termos da relação entre o custo e o benefício.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 60
Este mesmo raciocínio vale para o investimento em materiais de estudo. Ou
você acredita que o que está dispondo dos seus suados recursos é um investimento que
lhe possibilitará um retorno muitas vezes maior no futuro, quando enfim for aprovado e
passar a receber um salário, ou é melhor mudar de ramo.

É possível estudar para concursos sem gastar dinheiro? Há como estudar


apenas com materiais gratuitos? Depende. Mais uma vez aqui é importante pensar através
da relação de custo benefício. Na verdade, o dinheiro que você paga em um curso
preparatório serve para remunerar o trabalho de outra pessoa ou empresa que fez algo
para facilitar o seu trabalho como candidato, de maneira fazê-lo economizar principalmente
tempo. Por exemplo. Você pode ficar alguns anos separando e resumindo os principais
conteúdos e atualizando-os para, então, estudar para o seu concurso, através de
pesquisas em materiais gratuitos: doutrina, lei, jurisprudência...

Nesse caso, se você for uma pessoa bastante cuidadosa e atenta, também
conseguirá produzir para você um conteúdo de boa qualidade. Mas, será que se pode
dizer que isso foi gratuito? Na maioria das vezes não, pois você deve considerar também
que o seu próprio tempo poderia estar sendo investido em outra atividade, na qual,
possivelmente, você seria melhor remunerado. Além disso, é preciso admitir que nem
todos os concurseiros possuem a expertise necessária para reunir o melhor material.

Nada impede que um médico cirurgião produza sua própria roupa e sua comida,
ou mesmo que tente construir um carro. Mas a sociedade capitalista se desenvolveu com
uma mentalidade essencialmente oposta, a da especialização e valorização do trabalho
alheio.

O concurseiro profissional não tem medo ou receio de investir em si mesmo e


não busca fazer economia a qualquer custo, vez que isso pode significar prejuízo ao seu
aprendizado, pois sabe que precisa estar entre os melhores. Estudar com um material que
esteja desatualizado, não seja direcionado ao cargo ou que contenha erros é quase o
mesmo que não estudar.

Muitas vezes, é melhor ir direto aos estudos, após comprar o material de alguém
confiável que gastou seu tempo para prepara-lo, que gastar um precioso tempo tentando
formular seu próprio material. Assim, o dinheiro na verdade lhe trará uma economia de
tempo e trabalho, além de garantir a qualidade daquilo que você estuda. Ainda mais
considerando que concursos não possuem uma regularidade. Perder um concurso pode,
em muitos casos, significar ter que aguardar vários anos até o próximo no mesmo órgão. É
o famoso barato que sai caro.

E como gerenciar o seu dinheiro? Só existe uma maneira eficaz. Pague primeiro
a você mesmo. Priorize você, seu projeto de futuro. E, administre e viva da melhor maneira
possível com o restante. Defina um valor e retire-o em primeiro lugar. Guarde, e não mexa
nele. Ter uma reserva para emergências também ajuda. Fugir dos juros e viver o padrão

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 61
de vida compatível com a sua renda também são atitudes essenciais. Em seguida, pague o
que conseguir, coma o que puder, saia se der.

Para se acumular patrimônio é preciso guardar dinheiro por vários anos. Só os


pobres pensam que ricos têm o costume de torrar dinheiro. Pelo contrário, eles são muito
mais resistentes em fazer qualquer gasto que uma pessoa sem recursos. Mas, quem
ganha muito pouco não deve juntar dinheiro pensando no longo prazo, pois a relação
custo-benefício não é boa. O sacrifício é grande demais para um resultado pequeno.
Diferentemente, quem ganha pouco deve guardar dinheiro para investir na sua própria
qualificação profissional, para que venha a ganhar mais no médio prazo. Isto lhe trará um
custo-benefício bem maior e possibilitará que venha a ter condições de guardar dinheiro
pensando no longo prazo.

Eu sempre entendia que o crescimento que eu obtinha em participar do


concurso – incluindo inscrições e material de estudos – valia inúmeras vezes mais que o
valor investido. Era uma oportunidade ímpar e de valor incalculável. Mas, enquanto eu
queria e tinha fé na minha aprovação, eu sabia que muitos candidatos apenas aceitavam e
possibilidade de passar e tinham esperança que um dia isso iria ocorrer, em um lance de
sorte. Pra quem tem esse tipo de pensamento, realmente eu aconselho a economizar o
dinheiro da inscrição para algo mais útil.

Investir em você mesmo tem a ver com você plantar para colher. Plantar
principalmente tempo e dinheiro, que são dois bens extremamente relevantes e
extremamente escassos.

O fato é que quando você toma a decisão – e é preciso tomar essa decisão de
maneira firme, para sair da inércia – você está na verdade abrindo uma empresa. Mas não
uma empresa com CNPJ e prédio, mas uma empresa que é você mesmo. Assim como
toda empresa, é necessário aplicar capital, trabalhar duro, sabendo que o lucro só virá no
futuro. A sua mentalidade precisa ser empreendedora.

Investimento de Capital

Com exceção apenas das pessoas que vivem na linha da miséria, toda as
outras têm condição de possuir capital. Mesmo aquelas que trabalham, ainda que ganhem
um salário mínimo. Obviamente que a facilidade e a quantidade variará muito de uma
pessoa para outra. Umas tem facilidades, podem ser financiados pelos pais... Mas para
quem não tem isso, e só depende de se próprio, o mais o mais importante é a mentalidade.

De fato, para ter algum capital, a primeira coisa que a pessoa deve fazer é
gastar menos que ganha. Para isso, precisa viver de acordo com o padrão de sua
realidade, e não de sua vontade, ou vaidade...

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 62
Fato é que mais de 70% dos brasileiros não apenas gastam tudo o que ganham,
mas se endividam – gastando mais do que ganham – a juros que chegam a 500% ao ano,
os mais altos do mundo. Pega um real e paga seis. Há pessoas que se comportam como
se o crédito disponibilizado no cartão ou o cheque especial fosse um complemento de sua
renda, sem perceber que, na realidade, é o banco que leva todos os meses uma fatia
significativa do seu salário, através dos juros e taxas. Muitos enterram sua carreira nos
concursos pela falta de recursos. Matam a galinha dos ovos de ouro e passam a vida
reclamando.

Sem capital não tem como fazer concurso público. Conquistar seu sonho, mudar
de vida demanda um investimento que só você possui interesse em fazer. Infelizmente,
vejo muitas pessoas reclamando, o tempo e a vida passando enquanto esperam que
alguém venha lhe dar dinheiro ou lhe apresentar alguma oportunidade. É a síndrome do
coitadinho. Cada um tem seus problemas e prioridades. Não espere que alguém vá eleger
você como prioridade dele se nem você tem coragem de fazer isso por si próprio. Você
precisa ter a mente de um empreendedor e investir no seu negócio de concursos, sabendo
que se você não entender que vale a pena fazer isso, ninguém mais o fará.

O ideal é que quem decide fazer concursos com seriedade, junte dinheiro para
investir em um computador ou tablet, material atualizado, direcionado e de qualidade,
internet, dinheiro para inscrição e até para viagens. Poucos têm condições de comprar
tudo isso em um mês ou dois, mas qualquer um pode guardar 20% do seu salário, o que
em pouco tempo garantirá os recursos necessários.

Investimento de Tempo

O tempo é tão essencial quanto o dinheiro, só que ainda mais escasso. Você
pode decidir por gastá-lo ou investir para o futuro.

E como você gasta o tempo? Ócio, lazer, convívio familiar, entretenimento,


passeios... Gastar o tempo com essas coisas não é errado – assim como não é errado
gastar o dinheiro. Mas é preciso estar ciente que e tomar uma decisão. Pois, da mesma
maneira que se você gastar tudo o que ganha seu patrimônio não cresce, se você gastar
todo o seu tempo sua qualidade de vida nunca irá melhorar.

Imagine duas pessoas nas mesmas condições – João e Marcos. Ambos


trabalham 8 horas por dia e ganham R$ 2.000,00 reais mensais. João gasta seu todo seu
dinheiro com coisas que gosta: TV a cabo, celular da moda, barzinhos... Torra tabmém
todo o seu tempo livre vendo televisão, dormindo e saindo... Enquanto Marcos se sacrifica
para viver com R$ 1600,00, poupando 400 todo mês e investe parte do seu tempo livre
estudando. O que podemos concluir aqui? Que um é melhor ou mais inteligente que o
outro? Não. Ninguém tem o direito de julgar a atitude de nenhum deles. A única conclusão

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 63
sensata a que podemos chegar é que João já está satisfeito com o estilo de vida que tem.
Ele não se importa em passar o resto da vida ganhando o que ganha e fazendo o que faz.
Ao contrário, Marcos não está satisfeito, ele quer galgar novos patamares de salário e de
estilo de vida.

O que é absurdo – mas acontece frequentemente – é ocorrer de um cara como


o João reclamar de não subir na vida. E é por isso que no Brasil tanta gente joga na loteria,
reclama do governo, da sorte, da família... Porque, se depender dele, nada acontece.

E como gerenciar o seu tempo? Cada um tem uma realidade. Uns podem se dar
ao luxo até de se demitir para estudar para concursos. Outros podem, ao menos, trocar de
emprego, para um que te tome menos tempo e também menos energia, ainda que com
salário menor – que é importantíssimo. Outros precisarão estudar onde e quando der.

Mas, uma vez definindo qual é o tempo que você possui que não estará
trabalhando ou realizando alguma outra atividade prioritária, é preciso identificar em quê
está gastando o restante do tempo. Se atendendo a demandas suas ou de outras
pessoas? Corte bruscamente o tempo gasto com interesses alheios. Quanto às suas
demandas, veja o que é essencial e o que pode ser cortado. É certo que um pouco de
descanso e lazer é primordial. Mas, o mais importante aqui é definir horários, uma agenda.
Se não fizer isso, você acaba ficando o dia inteiro por conta de Whatsaap, internet,
videogame, novelas, notícias, filmes, séries... Passa o dia, a semana e o mês e você não
produziu nada de útil com seu tempo livre. A mídia diz: “Você não pode perder a nossa
programação”. Pode sim! Quem não quer te perder são eles! Defina horários, separa um
tempo para o estudo e se desligue de tudo durante esse período. Ainda que seja apenas
uma hora. O ideal é que seja de 3 a 5 horas. Organize-se.

Dando um basta nas visões limitantes

Quando se fala em projetos de vida, seja no empreendedorismo, concursos


públicos ou outro qualquer, o estabelecimento de metas é algo decisivo, eu diria até
mesmo vital. Porque quem trabalha como empregado, ainda que medíocre, sempre terá
um horário a cumprir e terá a noção de que precisa produzir o mínimo necessário para
justificar sua permanência no posto, sob pena de se tornar dispensável e ter de procurar
um novo emprego, pois aquele que paga o salário sempre estará vigiando pra não ser
passado pra trás.

Já quem pensa em construir algo dependendo apenas de si mesmo, caso não


tenha uma meta bastante certeira, corre o risco – e é o que mais acontece todos os dias
com milhões de pessoas – de ver a vida passar esperando algo acontecer, que a pessoa
nem mesmo sabe o que é, para mudar a sua vida. Como se alguém, um dia, após notar
toda sua história de vida dolorida e seus sonhos frustrados, pegue na sua mão e te diga:

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 64
“Nossa! Como você sofreu na vida! Você é alguém muito especial! Não merecia passar por
tudo isso, mas, ao contrário, merece tudo de bom que a vida tem a lhe dar! Venha cá, vou
lhe fazer o cheque!”.

A notícia dura é que isso nunca vai acontecer nem com você e nem com
ninguém. E o motivo é muito simples. Apesar de você ser sim uma pessoa muito, muito
especial e que de fato seja merecedora de desfrutar do bom e do melhor nessa vida, você
não é melhor que ninguém. Absolutamente todas as pessoas na face da terra são iguais a
você. E, provavelmente, existem pessoas em situação bem pior que a sua. Basta pensar o
seguinte: se você não anda por aí procurando pelos problemas de pessoas em situação
pior que a sua para que você possa ajudá-los, porque alguém faria isso por ti?

Essas palavras, em um primeiro momento, podem representar um choque: Você


pode pensar: “então você está me dizendo que eu não sou especial?”. Calma. Porque na
verdade ter uma noção exata de quem você é nesse mundo, ao contrário de te entristecer,
pode ser libertador e revolucionário em sua vida, te abrindo as portas para as conquistas e
façanhas mais extraordinárias. Você certamente é a pessoa mais especial na face da terra
para pelo menos uma pessoa, que é você mesmo. Assim, se você não cuidar de você, da
sua higiene, hidratação, saúde, alimentação, vestimentas, finanças, relacionamentos...
ninguém mais fará isso por você ou, caso façam – ainda que você esteja pagando por isso
– jamais o farão de uma forma que te satisfaça, ainda que você seja a Rainha de Sabá.

É como diz o ditado: se quer bem feito, faça! Mas nem tudo é individualismo.
Logo depois de cuidar de você mesmo, é provável que existam algumas pessoas na face
da terra – poucas – que têm você como alguém verdadeiramente especial. O mais comum
é que tais pessoas estejam no seu núcleo familiar, devido aos laços de sangue e da
convivência próxima por vários anos, tais como pais, filhos, irmãos, marido, namorada...
Outros, mais raros, podem estar entre os amigos, colegas de trabalho ou escola e
companheiros de alguma atividade em comum. E só. Para todas as outras sete bilhões de
pessoas do planeta, você é apenas um ser humano desconhecido, que não merece mais
que o respeito e a consideração geral que se deve dar a todas as outras pessoas.

Antes de falar mais especificamente de metas, vamos imaginar o seguinte. Você


mora em um bairro e descobre que um antigo colega de escola ou trabalho atual ou do
passado, o qual você tem o hábito apenas de cumprimentar, sem maiores intimidades,
tenha ficado rico, seja ganhando 10 milhões na Mega-Sena, recebendo uma herança ou
construindo uma empresa bem sucedida. Daí essa pessoa se muda para um local melhor
e você nuca mais a vê. Qual você acha que seria o seu sentimento pelo fato de essa
pessoa não ter te oferecido nenhum tipo de ajuda financeira? Se você acha algo
absolutamente normal, ótimo. Caso se sinta decepcionado, temos um problema sério aqui.
Você precisa se libertar da maldição de esperar ajuda de estranhos.

Agora imagine o seguinte. Quantas pessoas será que o seu antigo colega tinha
de relacionamentos semelhantes ao que mantinha com você. Trabalho, família, escola,
vizinhança, e outras tantas atividades na vida, pessoas que, por algum motivo, estejam

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 65
figurando em algum grupo de whatsaap, facebook, instagram... É bem possível que esse
número ultrapasse mil pessoas. Eu já ouvi de diversas pessoas o quanto é difícil fechar
uma lista de convidados para um evento restrito com apenas 200 ou 300 convidados,
mesmo quando pensamos apenas naquelas pessoas que não poderiam faltar na festa...
Pois bem, você acha razoável que esse seu antigo colega tentasse ajudar a todas essas
pessoas?

Alguma vez na vida você já deve ter ouvido a seguinte pergunta: “o que você
faria se ganhasse na loteria e ficasse rico da noite para o dia?”. A resposta para essa
pergunta evidentemente varia bastante, mas é possível notar algo em comum na resposta
para esta pergunta na maioria das pessoas, e que, possivelmente, pode povoar também o
seu pensamento: “ajudaria muitas pessoas.”. A verdade é que a quase totalidade das
pessoas, após ganharem, não ajudam a praticamente ninguém. E as pouquíssimas que
realmente decidem cumprir tal desiderato de ajudar quem quer que seja que esteja fora
daquele núcleo seletíssimo de pessoas muito próximas e queridas, acabam ficando sem
nada e se arrependendo. E a explicação é muito simples.

Bill Gattes é o homem mais rico dos Estados Unidos e o mais rico do mundo (86
bilhões de dólares - 2017 Forbes). Trata-se de uma fortuna imensa. Mas se ele resolvesse
dividir seu dinheiro com todas as pessoas do mundo (7,2 bilhões de pessoas – ONU 2017),
dava apenas 13 dólares para cada, algo em torno de 41 reais. Ainda que ele dividisse
apenas com os norte-americanos (325 milhões de pessoas – Country Meters 2017)
chegaria apenas 264 dólares em cada bolso. É por isso que pessoas como Gattes, em vez
de saírem por aí distribuindo dinheiro para ajudar pessoas desconhecidas, preferem
investir em uma causa significativa, pois, nesses casos, está doando muito mais que o
dinheiro, mas o seu tempo, seu nome e sua disposição de ajudar pessoas em situações
terríveis mundo afora, o que acaba chamando também a atenção de diversas outras
pessoas e autoridades, como tem feito a Fundação Bill e Melinda Gattes.

Então, o primeiro motivo pelo qual ninguém ajuda ninguém desconhecido, ou


ainda que conhecido, mas sem laços mais fortes, é porque não faz sentido algum. Pense
no governo, por exemplo. O orçamento público parece algo gigantesco em números
absolutos, mas quando se considera a quantidade de demandas, percebe-se que o
dinheiro na realidade é bem pouco quando esse dinheiro é gasto de maneira correta e
democrática. Ao contrário, se desviados para contas particulares, tratam-se de grandes
fortunas, o que não raro acontece.

Mesmo os programas de televisão que tentam passar essa ideia de que


escolhem pessoas aleatoriamente para ajudar, na verdade estão apenas fazendo
comércio. Escolhem não quem mais precisa ou quem tenha sofrido mais na vida, mas
quem calculam que irá render mais audiência, pois precisam dela para vender publicidade.
Simples assim.

Mas, apesar disso, não é essa a verdadeira explicação para que as pessoas
digam que, caso se tornem ricas, irão ajudar muitas pessoas. O verdadeiro motivo é

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 66
porque elas, lá no fundo, têm esperança ou pelo menos gostariam de ser ajudadas por
alguém rico. Trata-se de uma espécie de reciprocidade de papéis invertidos.

O mais interessante é que, mesmo quem pensa genuinamente dessa maneira,


caso eventualmente venha a ficar realmente rico, tende a não cumprir sua promessa. E
não fazem isso por maldade, mas simplesmente mudam quando sua perspectiva se altera.
Porque, indiscutivelmente, a visão que cada pessoa tem de cada situação depende
essencialmente de onde ela se encontra no momento. Com isso não estou dizendo que
uma pessoa pobre que tenha ficado rica terá a mesma visão de mundo de outra que já
tenha nascido rica, mas que essa mesma pessoa passará a ter rapidamente uma visão
bem diferente daquela que ela tinha antes.

Esse tipo de coisa, quando acontece, normalmente gera nos outros, que
continuam pobre, um sentimento de traição, de mesquinharia ou egoísmo, mas não se
trata bem disso. Para se libertar desse tipo de pensamento é preciso entender que o ser
humano é o que é. Na realidade, a mudança de atitude que a pessoa tem é relativa à sua
mudança de ambiente, de relações, de interesses, de possibilidades e não
necessariamente revela uma mudança interior, um mal caráter. Em outras palavras, não se
trata de a pessoa ter mudado por dentro. Seus sentimentos e convicções podem continuar
sendo exatamente os mesmos. O que mudou foi apenas a perspectiva, e isso é
absolutamente natural.

E, a bem da verdade, quem se revolta com tudo isso é que verdadeiramente


estará revelando seu próprio egoísmo. Ora, se nos exemplos dados aqui, ficou claro que
mesmo as pessoas mais ricas, ou mesmo o grande orçamento público não é capaz de
ajudar a todos, porque você deveria ser o eleito? É preciso se libertar desse sentimento
destrutivo para poder ter uma vida verdadeiramente plena e abundante, através daquilo
que você pode conquistar, sem esperar nada de mão beijada.

Você realmente deseja ser alguém bem sucedido na vida? Ter uma casa boa,
um carro bacana, dinheiro no banco e condições de fazer viagens? A resposta para essa
pergunta pode parecer óbvia, e de um ponto de vista superficial, eu concordo que sim,
todos parecem desejar isso. Mas a verdade é que nem todas as pessoas convivem bem
com a ideia da riqueza e da prosperidade. Eu diria até que algumas delas foram vacinadas
contra tais confortos e, caso não tomem o antídoto, estão condenadas à pobreza e miséria
para o resto da vida. Vou explicar melhor.

Nosso subconsciente busca sempre viver em equilíbrio. E é ele quem direciona


as nossas vidas e realizações. Desde pequenos aprendemos muitas coisas boas, seja em
casa, na escola, ou nas nossas experiências sociais. Tais aprendizados e experiências vão
formando nosso subconsciente, que irá nos orientar durante toda a vida sobre o que é
certo e o que é errado. De modo geral, após inúmeras experiências e lições na vida que
uma pessoa tem até chegar à fase adulta, é possível afirmar que praticamente todas as
pessoas trazem em seu subconsciente uma programação que faz com que seu cérebro as

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 67
orientem a fazer o que é certo, agradável e bonito. E, por outro lado, uma marcação que as
orientem a não fazer o que é errado, desagradável e feio.

E o que isso tem a ver com riqueza? Pois bem. Como eu falei, algumas
pessoas, sem perceber e sem querer, acabaram sendo vacinadas contra a prosperidade
no decorrer da sua vida. Tal ocorre porque deixaram que implantassem em sua mente a
ideia nociva de que os ricos são pessoas ruins, mesquinhas, corruptas e aproveitadoras ao
passo que os pobres são pessoas boas e honestas. Não existem mentiras maiores que
estas! Aqueles que possuem essa programação no subconsciente acabam por travar uma
guerra inglória quando tentam melhorar de vida, já que, como seu subconsciente não quer
permitir que a pessoa se transforme em alguém tão deplorável, não irá direcionar a sua
vida para o conforto e prosperidade, pois essas ideias vão de encontro a sentimentos
muito superiores e mais arraigados de bondade e honestidade, que garantem a sua paz
interior.

Para tomar o antídoto de maneira definitiva contra esse elemento patogênico é


preciso compreender melhor o porquê e de onde vem essas ideias, o que eu irei tratar
melhor no capítulo X, onde eu falo da educação no Brasil. Mas, por enquanto, basta saber
que não é a quantidade de dinheiro ou bens que fará com que uma pessoa seja boa ou
má. Em todo meio social, seja na sarjeta ou nos palácios existem tanto pessoas
formidáveis e humildes e pessoas abomináveis e arrogantes, pois a humildade ou
arrogância é uma relação entre pessoas e pessoas, que nada tem a ver com riqueza –
relação entre pessoas e bens.

A relação entre as pessoas, e em especial entre pobres e ricos no decorrer dos


séculos sempre foi algo complexo que envolveu diversos elementos, dentre eles poder,
crenças, raças... Houve muita guerra, muita exploração e até escravidão... Mas é preciso
reconhecer que os tempos são outros. O mundo atual, pelo menos em sua maioria – da
qual o Brasil faz parte – é um celeiro de incríveis e inimagináveis oportunidades para
absolutamente todas as pessoas, sejam elas de quaisquer origens, raças e crenças.

Embora com profundos problemas políticos e sociais, vivemos em um país livre


e igualitário em oportunidades. Ninguém jamais ouviu falar que alguém foi proibido de fazer
o que quer que seja no nosso país por ser de determinada raça ou por professar certa
religião, ou por ter nascido em dado estado... E isso é algo formidável, de grande valor e
que muitas vezes não nos damos conta. Não se trata de dizer, evidentemente, que existe
igualdade absoluta em oportunidades – não há. Em nem de afirmar que inexiste qualquer
tipo de preconceito ou favorecimento – existe sim. Mas tão somente de reconhecer que
esses defeitos são, em verdade, tão somente secundários, jamais tendo o condão de
impedir que absolutamente qualquer pessoa conquiste absolutamente qualquer coisa que
realmente quiser. Os limites para cada um são apenas aqueles que estão arraigados em
sua mente.

É preciso abrir os olhos, agradecer e valorizar as oportunidades que já existem


e não são pouca coisa, em vez de ficar se lamentando pelo que poderia existir. A vida é

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 68
curta e não há tempo para esperar por mudanças que tornem o estado de coisas ideais,
para, depois, se mover do lugar onde você está.

Se você tem saúde suficiente para respirar, andar e pensar. Se você tem onde
encontrar água para beber e pão para comer; em vez de reclamar, experimente agradecer
diariamente a Deus por cada um desses milagres absolutamente maravilhosos na sua
vida. Isso te levará a olhar as coisas de maneira muito mais positiva e te levará a perceber
que, apensar de não ser fácil, você pode sim conquistar qualquer coisa que queira nessa
vida, pois o mais importante já te foi dado. O resto são detalhes.

Existe uma crença arraigada em boa parte da sociedade brasileira de que as


pessoas ricas obtiveram a seu dinheiro através de ações desonestas. Na minha
experiência de vida, as pessoas mais ricas que eu conheci, são as que mais trabalham e
dotadas de um senso ético e de honestidade invejável. Se existisse uma estatística, eu não
tenho a menor sombra de dúvidas de que se verificaria que existem muito mais pessoas
adoráveis de se conviver entre os mais ricos que entre os mais pobres. Mas, esse tipo de
mentira odiosa acaba fazendo com que muitas pessoas jamais almejem verdadeiramente
ser alguém próspero, restando escravizadas, na sua própria mente, à pobreza.

Integridade

Não existe negócio bom com pessoa ruim. Warren Buffett

De toda minha experiência de vida, e de todos os livros que já li, treinamentos


de que participei e pessoas que conheci, eu não tenho a menor sombra de dúvidas de que
a principal característica – e que é absolutamente crítica – para que uma pessoa consiga
obter sucesso na vida em absolutamente qualquer área, seja como empregado, servidor
público ou empreendedor é a integridade.

A verdade é que você pode ser uma pessoa próspera, bem sucedida e até
famosa se quiser, e se manter sendo exatamente a mesma pessoa que você é. Mas, por
dever de honestidade, eu preciso refazer melhor essa última frase. A bem da verdade,
muito provavelmente, para chegar a ser uma pessoa próspera e bem sucedida, quiçá rica,
você precisará se tornar, durante o trajeto, uma pessoa muito melhor que você é hoje, em
termos de integridade, confiabilidade, honestidade, preocupação com o próximo,
sociabilidade, etc.

Isso ocorre porque a riqueza no mundo atual, em última análise, é obtida


através de uma relação entre pessoas. Quanto mais coisas verdadeiramente boas você
puder fornecer ao mundo, seja no ambiente micro de uma pequena empresa ou órgão
público, seja em um ambiente macro de um mega empresário como Bill Gates, mais rico
Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 69
você se tornará como retribuição, em dinheiro, direta ou indiretamente, que as pessoas lhe
entregarão.

Podemos considerar que existem basicamente quatro tipos de pessoas ricas no


mundo. Aquelas que já nasceram ricas, vindas de uma família de posses. As que, embora
tenham nascido pobres, ficaram ricas com o suor do seu trabalho. Aquelas que, em um
lance de sorte ou do acaso acabaram ricas e, por último, as que se tornaram ricas por se
locupletar de algum ato ilegal.

Em relação aos que ganharam na loteria ou algo assim, embora nós saibamos
que tais casos existem, eu costumo pensar que não vale a pena contar com a sorte por um
motivo muito simples. Segundo a Caixa, a probabilidade de uma pessoa acertar os 6
números da Mega-Sena jogando apenas uma cartela simples é de 1 em 50 milhões. De
outra parte, dados estatísticos do INPE revelam que a probabilidade de uma pessoa
qualquer ser atingida por um raio no Brasil é de aproximadamente 1 em 1 milhão. Assim,
ainda que você tenha o hábito de jogar, a chance é dezenas de vezes maior que você seja
atingido por um raio do que ganhe na loteria. Se é para contar com a sorte, é melhor gastar
as suas fichas no sentido de não ser atingido por raios.

Quanto a ganhar a vida na ilegalidade, acredito que exista infelizmente,


principalmente no Brasil, uma visão deturpada a respeito. Apesar de saber e acreditar que
esse tipo de coisa ainda existe, penso que se enganam os que imaginam que há um
grande número de espertalhões que, de algum modo, conseguiram e ainda conseguem
ficar ricos através de algum tipo de crime. Eu particularmente penso que não é bem assim.

Ao contrário, além de acreditar que, proporcionalmente, o número de pessoas


que ficaram ricos cometendo crimes é insignificante, quando comparados às outras
modalidades, penso que de todas as formas possíveis de se ficar rico, acho que essa é a
mais penosa, mais arriscada e menos vantajosa, por dois motivos. O primeiro é porque o
mundo do crime possui regras próprias. Por exemplo, para cada traficante que conseguiu
enriquecer vendendo drogas, dezenas ou até mesmo centenas de outros foram
assassinados na flor da idade, por seus rivais, para que tal candidato chegasse até lá.

O segundo motivo é porque, via de regra, um dia a casa cai. Há muitos casos de
criminosos que entesouraram dinheiro por anos a fio, seja políticos, traficantes,
empresários, assaltantes... E, de um dia pro outro, quando vem a fatura, perdem tudo,
inclusive a liberdade e até mesmo a vida. E porque eu estou falando sobre isso em um
livro sobre concursos? Bem, na verdade eu tenho absoluta certeza que se você está lendo
esse livro, não existe a menor chance de você sequer imaginar se envolver no mundo do
crime com a intenção de prosperar na vida. O motivo é outro.

É que, devido à gravíssima situação que se encontram, de um lado, a


segurança pública, onde os assaltos à mão armada se tornaram uma absurda rotina, tida
como algo “normal” e, de outro, a crescente decepção das pessoas com política nacional,
em virtude dos intermináveis escândalos envolvendo grande parte dos partidos e

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 70
personagens dessa cena, muitas pessoas acabam por se desiludir das virtudes e,
erroneamente, a proclamar as ilicitudes como se fossem algo bom, em uma verdadeira
inversão de valores.

Por um lado, em relação à segurança pública, é preciso reconhecer que


praticamente nada ainda começou a ser feito para se tentar uma mudança, para que
voltemos a patamares de países civilizados. Nesse aspecto, infelizmente, ainda estejamos
na estaca zero, ou pior, descendo ladeira abaixo sem saber onde é o fundo do poço. Por
outro lado, no que se refere à política, acredito que estamos vivendo tempos gloriosos,
como “nunca antes na história desse país”.

Apesar de os efeitos no curto prazo da chamada Operação Lavajato serem


ainda incertos. Bem como de todas as demais repercussões morais e sociais decorrentes
do clamoroso combate à impunidade que se tem feito. Não tenho dúvidas de que, no
médio e longo prazos, representam uma evolução e uma verdadeira guinada nacional
rumo a tempos melhores.

E é preciso reconhecer que tudo isso só foi possível porque, além do apoio
popular e do alto grau de independência e profissionalismo das instituições nacionais,
existe um exército de servidores públicos: policiais, delegados, juízes, promotores... que
honram seus cargos e os seus salários, fazendo um trabalho digno de orgulho a todos nós
brasileiros, cujo representante mais notório e verdadeiro ícone é o juiz Sérgio Moro.

O desastre é que, infelizmente, todas essas notícias de criminalidade e


impunidade fazem com que muitas pessoas se tornem inertes de tão desiludidas com seu
país. Muitos passam a acreditar que o crime compensa. Assim, ainda que ela própria não
ingresse no mundo do crime, acaba por ter dificuldades de reunir forças suficientes,
energia, disposição e entusiasmo para romper na própria vida, estudar, passar em um
concurso e ser feliz. Em outras palavras, permite que os ventos maus lhe roubem a benção
que está às portas. Por isso, é preciso compreender que para vencer na vida e atingir
novos patamares de conforto, felicidade e prosperidade, não existem atalhos, mas tão
somente o caminho do estudo e do trabalho.

O grande erro é se concentrar no lugar errado dessa engrenagem, pois é


preciso enxergar as coisas como elas são e não de maneira distorcida. Famílias ricas
sempre existiram e sempre vão existir por um motivo muito simples: dinheiro produz
dinheiro. Por diversos motivos, já se comprovou que o patrimônio das pessoas mais ricas
do mundo aumenta em uma proporção maior que o patrimônio das pessoas mais pobres,
havendo um distanciamento cada vez maior entre ricos e pobres. Isso sem dúvidas não é
bom, mas não é algo que provavelmente consigamos mudar nas próximas décadas. Ao
contrário, devemos voltar nossos olhos para outro número, o daqueles que estão
ascendendo socialmente através dos estudos e do trabalho duro, seja no Brasil ou no
exterior.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 71
É crescente o número de pessoas que se juntam a cada ano àqueles que fazem
parte dos grupos sociais mais favorecidos, as chamadas classes A e B, e até mesmo do
seleto grupo dos milionários – que anda cada vez menos seleto, devido ao grande número
de pessoas. Para se ter uma ideia, em 2016, o site da revista Veja publicou texto com o
seguinte título: “Em meio à crise, número de milionários cresce no Brasil”. Segundo a
revista, em apenas um ano o país ganhou incríveis 10.000 (dez mil) novos milionários, que
são pessoas cujo patrimônio é superior a um milhão de dólares (R$ 3,2 milhões). Nos
Estados Unidos, país de destaque mundial no que há de mais refinado no capitalismo
moderno, em termos de tecnologia, educação, inovação e empreendedorismo, a
quantidade de novos milionários que surgem é algo absolutamente espantoso. Segundo
publicação do site Uol de 2016, citando como fonte a revista Bloomberg, de 2010 a 2015,
surgiram 2,4 milhões de milionários naquele país. Segundo estimativas, outros 3,1 milhões
surgirão até 2020, a um ritmo de inacreditáveis 1.700 novos milionários americanos por
dia.

No contexto brasileiro, o acesso a cargos públicos através de concursos


públicos tem se destacado como o caminho mais curto, seguro e barato para a ascensão
social e melhoria na qualidade de vida. Para se ter uma ideia, o estado da federação com a
maior renda per capta do Brasil é justamente o Distrito Federal, precisamente por conter,
proporcionalmente, o maior número de servidores públicos, já que contém a Capital
Federal, onde se concentra grande parta da administração federal do país. Segundo dados
oficiais do IBGE, de 2016, além de ter a maior renda per capta do Brasil, o Distrito Federal
possui renda média equivalente ao dobro da renda nacional. E tal fenômeno não acontece
apenas no Distrito Federal, já que os serviços públicos encontram-se capilarizados por
todo o país.

Segundo reportagem da Folha de São Paulo, de 2017, os servidores públicos


brasileiros ganharam, em média, 63,8% a mais que os trabalhadores da iniciativa privada.
E é importante salientar que tais dados levam em conta todos os tipos de trabalhos no
setor público, inclusive os de menor renda, em especial em pequenos municípios. Segundo
o jornal, considerando apenas servidores do governo federal – que já somam mais de 2
milhões de servidores públicos ativos – a maior parcela (24,8%) ganha entre R$ 4.501,00 e
R$ 6.500,00, sendo que 17,5% tem salário superior a 13 mil reais, segundo dados do
Ministério do Planejamento.

Quando se olha apenas para os cargos do mais alto escalão, em especial


aqueles pertencentes às carreiras jurídicas, o impacto é ainda maior. De acordo com
reportagem da revista Época, de 2015, o Salário médio de juízes e promotores brasileiros
está acima dos incríveis 40 mil reais mensais, sendo que em vários estados essa média
está acima dos 50 mil, como Goiás, Santa Catarina, Bahia, Espirito Santo, Rio de Janeiro,
Amazonas e Mato Grosso. Atinge níveis acima, inclusive, até mesmo do teto
constitucional, que é o subsídio dos ministros do STF, o que acontece devido ao fato de
que parte desses vencimentos é considerado como indenização, ficando, assim, fora do
limite máximo.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 72
E mesmo em se tratando apenas de juízes e promotores, estamos falando de
um exército de quase 30 mil servidores públicos em todo o país. Além disso, existem
outras várias carreiras que possuem graus de salários e prerrogativas, se não similar,
muito próximos, como procuradores, defensores, auditores, diplomatas, consultores,
delegados, dentre vários outros.

Assim, fácil notar que o acesso a cargos públicos através de concursos, no


Brasil, é uma excelente oportunidade de ascensão social e profissional. Na verdade, não
existe nenhuma outra atividade profissional em que a pessoa possa migrar, em um único
dia – o dia da posse – literalmente de qualquer classe de renda diretamente para a classe
A e, o que é mais importante, de modo duradouro.

Se tivesse 18 anos, viveria com apenas 50% do que eu ganhasse para ampliar
meu capital de giro. Flávio Augusto da Silva – bilionário brasileiro.

Outra visão limitante e absolutamente errada que as pessoas pobre têm de


gente bem-sucedida diz respeito à forma com que estas últimas lidam com o dinheiro. Tal
ocorre porque, como existem algumas pessoas ricas, na verdade uma minoria, que gosta
de aparecer, ostentando gastos extravagantes, e como existe ainda um grande número de
pessoas que, na tentativa de se passar por ricos, também fazem inúmeros gastos fora do
seu padrão, tudo com o devido estardalhado da mídia especializada em fofocas, acaba-se
formando um pensamento geral na sociedade de que rico rasga dinheiro. E é exatamente
o contrário.

Pessoas bem sucedidas são extremamente econômicas, muitos contam até


mesmo os centavos, pois é exatamente por isso que são ricas. Imagine que você, a partir
dos 18 anos, como ensina Flávio Augusto, começasse a guardar 50% por cento do seu
salário. Imaginemos ainda que sua média salarial em 25 anos de trabalho tenha sido de R$
4.000,00. Com isso, com apenas 43 anos, considerando os 300 depósitos que você teria
efetivado e uma taxa de juros média mensal de 0,8% você teria hoje uma pequena fortuna
de aproximadamente R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Claro que, a
depender da taxa de juros e de outros fatores, o valor final pode variar para mais ou para
menos.

O fato é que, de regra, pessoas bem sucedidas não desperdiçam dinheiro, mas
ao contrário, quanto mais comprometida uma pessoa está em ser realmente bem sucedida
na vida, menos dinheiro ela irá jogar fora, e mais ela controlará seus gastos.

Com relação à criação de filhos, também existe um abismo entre o senso


comum e a maneira com que as pessoas prósperas criam seus filhos. A primeira coisa a
se constatar, é que quem tem dinheiro sabe que o menor e mais volúvel bem que ela
poderá deixar para os seus filhos são justamente os que advêm do dinheiro. Trata-se de

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tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 73
premissa básica, inerente à absoluta totalidade das pessoas bem sucedidas com as quais
eu já tive qualquer tipo de convívio ou mesmo através de leituras. Todos eles procuram
deixar como principais heranças para seus filhos a sabedoria, as relações familiares, a
formação acadêmica, cultural, social, moral, religiosa, bem como um círculo de amizades e
relacionamentos. Tudo isso vale imensamente mais que qualquer conta bancária
recheada. Em verdade, quem deixa de herança para os filhos tão somente um grande
saldo bancário, os deixa pobres e miseráveis.

Nesse sentido, além de dar um alto valor nos estudos formais, é praxe dentre as
famílias abastadas fazer com que seus jovens filhos aprendam desde cedo o valor do
dinheiro e a importância das responsabilidades, através de rigorosos limites de gastos e
também colocando-os para trabalhar desde cedo, ainda que seja em suas próprias
empresas. Assim, ainda que o pai viesse a perder tudo, a falir completamente nas
finanças, ele tem a segurança de que, assentado na formação integral que ele lhe
proporcionou, seu filho terá uma vida próspera, abundante e independente dele.

E porque é importante você conhecer e se alimentar dessa cultura? Tudo na


vida acontece antes na mente e no querer e somente depois no mundo dos fatos. Quem
não é capaz de administrar 1000 reais de salário, tampouco será capaz de fazê-lo com 10
mil, porque no fundo o que importa não é o valor mas a mentalidade. É a visão que gera o
resultado e não o contrário. Ao deparar com falhas, seja em sua própria vida ou na
eventual criação de seus filhos, você pode e deve começar as mudanças desde já,
independentemente do valor de sua renda. Isso terá o condão de criar um alicerce capaz
de assegurar uma vida de prosperidade no futuro.

E é preciso admitir que o contrário também acontece. Há inúmeros casos de


pessoas que, por não terem uma cultura financeira, apesar de terem uma excelente renda
durante vários anos, jamais conseguem ter uma vida estabilizada ou próspera. Uma
verdade avassaladora é que não é o quanto você ganha que fará com que você se torne
rico, mas o quanto você guarda. Tais pessoas, em vez de guardarem parte de sua renda,
acabam tentando viver agora uma condição que ainda não possuem, torrando tudo o que
ganham com gastos supérfluos e até danosos, muitos deles enterrados em dívidas e juros
altos. Assim, ao final de 25 anos de trabalho no setor público – onde não há FGTS – não é
incomum encontrar pessoas que, apesar do bom salário, ainda pagam aluguel e tudo o
que conseguiram acumular foram dívidas. Em termos financeiros, a única saída segura é
buscar a mentalidade correta, que levará a ter um comportamento adequado para que no
longo prazo você tenha uma vida próspera e abundante.

Metas

"Pessoas com metas triunfam porque sabem para onde vão. É tão simples como
isso."
Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 74
Earl Nightingale

Nas últimas décadas, no meio empresarial e de empreendedorismo, houve uma


revolução na forma de se buscar resultados. Por algum motivo, e eu confesso que não
sem bem de quem ou de onde partiu isso, chegou-se à constatação generalizada de que
em qualquer atividade ou profissão a produtividade e os resultados serão potencialmente
maiores e mais rápidos se as pessoas definem e perseguem metas. Hoje no Brasil, seja
nas pequenas empresas ou nas grandes multinacionais, seja no setor privado ou mesmo
no público, para tudo o que se pretende alcançar se coloca uma meta.

Quando se trata de concursos públicos, também é possível notar que o


estabelecimento de metas tem se tornado uma constante por parte daqueles candidatos
mais comprometidos com seus resultados, o que, aliado a outros fatores, tem levado o
segmento dos concursos públicos a uma especialização e profissionalização jamais vistas.
Nesse sentido, o estabelecimento de metas é, sem sombra de dúvidas, um ponto central.

Há quem diga que quando a pessoa quer muito uma coisa, a ponto de identificar
exatamente o que quer, como quer e quando quer, o universo conspira em seu favor. Essa
afirmação tem um fundo de verdade, mas é uma maneira romântica de encarar as coisas,
com a qual sempre tive uma certa resistência. Sou do tipo mais racional e realista, e
procuro sempre entender as coisas como realmente funcionam, em especial como tais
situações são processadas no nosso cérebro.

É inegável que, quando se tem uma meta clara e precisa, as coisas mudam
completamente em sua vida de maneira até surpreendente. Isso já aconteceu comigo e
tenho certeza que também com você, basta prestar atenção. Aparentemente do nada,
começam a aparecer pessoas que podem de algum modo te ajudar no caminho para sua
meta. Você de repente vê na televisão, no rádio, ou na internet pessoas falando
justamente sobre aquilo, aparecem oportunidades para ganhar o dinheiro necessário, para
sobrar o tempo necessário... Tudo começa a conspirar para que você cumpra o seu
propósito de vida... Parece algo mágico.

Eu penso que a meta, quando é séria e bem específica, funciona no nosso


cérebro como uma forma de orientar o subconsciente a direcionar as atenções, forças,
recursos e energias de maneira especial para uma direção – em direção à meta. Tal
acontece porque, assim como na economia, os recursos são sempre limitados também em
termos cerebrais. Nosso subconsciente até consegue prestar atenção em dezenas,
centenas ou milhares de coisas ao mesmo tempo, pois ele é um supercomputador
poderosíssimo, mas, quando ele faz isso, ele dissipa de forma pulverizada a sua força e
potencial de realização. Assim, mesmo que você queira algo na vida – um cargo público
por exemplo – mas se isso ficar apenas no plano racional, esse desejo é tratado pelo seu
cérebro com a mesma importância que quando você quer comer um pão de queijo ou

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 75
encontrar um gato na rua. Em outras palavras, a linguagem do subconsciente é diferente
da linguagem racional, da consciência.

Enquanto na consciência você pode estabelecer diferenças claras entre as


coisas simplesmente tomando decisões e adotando linhas específicas de raciocínio, no
subconsciente a coisa funciona de modo bem diverso. Não é a decisão consciente, a
escolha pura e simples que vale como peso para definir a importância que seu
subconsciente irá da a alguma coisa, nem mesmo o potencial de resultado presente ou
futuro, a única moeda que seu subconsciente entende é a da marcação, da repetição, ou,
em outras palavras, do trauma.

Um medo, um desejo, uma vontade, tudo o que é forte e impactante na sua


mente tem como origem um ou vários momentos marcantes. Pare para pensar quais são
os acontecimentos de que você se lembra de sua infância. Certamente serão tão somente
alguns momentos que, por algum motivo, bom ou ruim, foram marcantes para você. Tal
ocorre porque quando temos uma experiência traumática, ela fica gravada fortemente no
subconsciente, para que, caso se repita, você tenha uma reação imediata, para o bem ou
para o mal. É um mecanismo de reação rápida, que supera em milhões de vezes nossa
capacidade de raciocinar e tomar qualquer decisão.

É por conta desse mecanismo de reação rápida e violenta do subconsciente que


existem pessoas que, por intercorrências da vida, acabam desenvolvendo fobias de coisas
que, para a grande maioria, são banais. A depender da experiência que a pessoa tem com
determinado objeto, situação, bicho... Ela pode gerar um trauma, uma marcação tão forte
no seu subconsciente que leve seu cérebro a ter reações desproporcionais toda vez que
se deparar com aquela experiência no futuro. Na verdade, o subconsciente passa a
funcionar como um radar, procurando incessantemente onde pode estar aquela possível
ameaça. Em casos assim, muitas vezes a pessoa precisará de tratamento psicológico para
se ver livre desse incômodo, que pode chegar a representar até mesmo uma doença.

Quando estabelecemos metas, colocamos para funcionar esse mesmo


mecanismo do nosso cérebro, o poderoso subconsciente. Nesse caso, a marcação da
importância da meta é indicada ao cérebro, não através de um trauma, mas através do
processo de repetição. O subconsciente pode ser comparado a uma parede branca e vazia
onde as experiências de vida e as metas vão sendo colocadas. Quando a parede está
vazia, o cérebro vagueia por ela e, como não há nada de relevante, não orienta a atenção
e reação do corpo para nada. Um trauma é como uma marretada nessa parede. Quanto
maior o trauma, maior o buraco. E, quanto maior o buraco, mais ele irá chamar a atenção
do cérebro, orientando as reações que aquele buraco estabeleceu.

Quando se cria uma meta, não se usa uma grande marreta, mas uma marreta
de tamanho médio apenas. Porque diferentemente de um trauma, quando uma pessoa cai
em um ninho de cobras por exemplo, a meta não tem capacidade de fazer um buraco tão
grande assim na parede do seu subconsciente. Mas, experimente bater, mesmo com uma
pequena marreta, todos os dias no mesmo lugar. O resultado será que o buraco, que

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
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começou bem pequeno, vai crescendo a cada dia, vai se consolidando, se tornando mais
importante e, consequentemente, fazendo com que sua atenção, energias e seu radar
passe a dar cada vez mais importância nele. E é exatamente por isso que a meta precisa
ser alimentada diariamente. Até porque, diferentemente de uma parede convencional, a
parede do subconsciente se cura sozinha, se regenera com o passar dos dias, ainda que
de modo bastante lento. Certamente você já teve inúmeras experiências, de raiva, de
paixão, de medo... que, naquele momento, parecia que iria durar para sempre, porque a
parede do seu subconsciente estava com um buraco bem grande. Mas, com o passar do
tempo, sem alimentar aquele sentimento, ele foi se esvaindo até que tenha se tornado
irrelevante.

Quando eu era criança, pré-adolescente, não tinha muitos brinquedos do tipo


que se compara em lojas ou que se ganha no natal. Mas a vida era um barato, porque eu e
meus amigos inventávamos nossas próprias brincadeiras, jogos e toda sorte de
divertimentos. Parecia que cada coisa tinha sua temporada, de pipas, carrinho de rolimã,
arminha de elástico, bilocas, figurinhas... era uma festa! E fazíamos de tudo com quase
nenhum dinheiro. Uma dessas brincadeiras consistia em negociar o que chamávamos de
“dinheirinho”. O papel moeda, nesse caso, era na verdade rótulos de pacotes de cigarro,
quanto mais raro o cigarro, mais valioso era o dinheirinho no mercado. Claro que nenhum
de nós fumávamos, então era preciso encontrar na rua, em tudo quanto é lugar, e até
mesmo nos lixos dos vizinhos, pacotes de cigarros para que fizéssemos o dinheiro. Era
uma brincadeira que envolvia toda a galera e, portanto, dotada de muita importância. Ter
muito dinheirinho significava um status na brincadeira que vocês não estão entendendo!

A brincadeira em si só acontecia em horários pré-determinados, especialmente


nos finais de semana, quando todos tinham tempo, já que todo mundo estudava. Mas o
interessante, e é nesse ponto que eu queria chegar, é que meu radar ficava ligado 24h por
dia para encontrar dinheirinho. Independentemente do que eu estivesse fazendo ou
pensando, eu enxergava um pacote de cigarros a dezenas de metros de distância, em
qualquer lugar que eu estivesse. Nada passava desapercebido aos meus olhos. Era algo
tão automático que a melhor comparação é realmente com um radar. Até porque, se eu
estivesse no momento da captura, junto com outros amigos que também faziam parte da
brincadeira, era preciso ser mais rápido que eles. Nem preciso dizer que se meus pais
soubessem disso na época, da minha paixão por pacotes vazios de cigarros, eu teria
sérios problemas.

O mais interessante de tudo é que, antes de começarmos com a brincadeira, ver


um pacote de cigarros na rua não tinha a menor importância para mim, assim como
certamente não tem para você. Além disso, é fácil perceber que minha atenção pelas
embalagens de tabaco não foi algo que eu trouxe comigo geneticamente, mas um
processo que eu mesmo construí através das minhas experiências sociais. O fato é que a
meta mais importante que eu tinha no período daquela brincadeira era encontrar pacotes
raros e belos de cigarros e meu subconsciente tratou de fazer com que eu realizasse um
excelente trabalho. Se você parar para pensar, irá notar que, em alguma medida, você

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certamente já teve uma experiência parecida, onde de um momento para outro, algo que
até então passava despercebido, passa a ser o centro do seu radar, orientando sua
atenção e sua ação. O que eu aprendi com essa experiência a respeito do funcionamento
do subconsciente é que, para ele, não existe diferença entre encontrar pacotes de cigarro
vazios na rua e passar em um concurso. Tudo depende de qual dessas duas coisas é a
sua meta.

Além disso, é importante compreender que, para o subconsciente, não existe


bom ou ruim, sinal positivo ou negativo, só existe marcação forte ou fraca. Tanto os
sentimentos nocivos vão se esvaindo da mente com o passar do tempo quanto seu planos
mais formidáveis de vida. Pro subconsciente, é tudo farinha do mesmo saco. A única forma
inteligente de lidar com isso é alimentar os bons e se esquecer dos ruins. Quanto ao
esquecimento, a maneira mais eficaz de fazer isso é através do perdão. Quando você
libera perdão a quem quer que seja que você acha que tenha algum débito contigo, ainda
que seja com você mesmo, com Deus ou com a vida, você para de marretar a parede do
subconsciente em cima daquele trauma, deixando que ela se restabeleça com o passar do
tempo. Se tem alguma dúvida a respeito de tudo isso que eu estou falando, basta
experimentar. Faça o teste. Os resultados irão te surpreender de tão reais e impactantes.

Por tais motivos, não basta que você fixe uma meta e depois se esqueça dela.
Se fizer isso, a meta de passar em um concurso para promotor será tida por seu
subconsciente como tão importante quanto a meta de tomar um sorvete no domingo à
tarde, ou menos, a depender do quanto você goste de sorvete. Metas precisam ser
alimentadas diariamente. Existem diversas maneiras de se fazer isso e você pode
encontrar aquela que melhor se adeque ao seu estilo. Uma maneira simples e eficaz é
reescrever a meta, em uma folha simples de um caderno, todos os dias, logo após acordar
e antes de dormir. Esse processo de repetição faz com que sua meta seja tida pelo seu
subconsciente como mais importante a cada dia. Isso fará com que seu corpo e sua mente
não apenas esteja atenta a todas as oportunidades que você sequer pode imaginar que
existem para te levar ao seu objetivo como produzirá uma quantidade de energia vital
direcionada a esse objetivo incalculável.

Assim, quando não estabelecemos metas organizadas, daquilo que realmente


queremos realizar na vida, e não atentamos a elas diariamente, nossa mente acaba por
tratar praticamente tudo o que vemos como tendo a mesma importância. Diferentemente,
quando nós mesmos estabelecemos metas, e repetimos para nós mesmos essas metas
diariamente, dizendo ao nosso subconsciente exatamente aquilo que é verdadeiramente
importante para nós, aquilo que não podemos deixar de conquistar de jeito nenhum, ele
passa a dedicar-se de maneira especial àquilo, deixando praticamente todo o resto em
segundo plano. Na prática, ele reserva significativa parte do processamento cerebral, 24h
por dia, para encontrar caminhos, soluções e oportunidades para alcançar aquela meta.

Submetas ou metas parciais

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Eu sempre aconselho às pessoas a determinarem metas substancialmente altas
para si próprios, pois só o indivíduo pode limitar a si mesmo. Uma meta pequena, assim,
pode acabar representando uma um resultado muito aquém do seu potencial e do seu
sonho. É preciso se lançar na vida, correr os riscos que estão aí para serem
experimentados, se expor se preciso, enfrentar os fantasmas e ser feliz por completo pois
a vida é uma só. Ao chegar no final da vida, acredito que o pior sentimento a respeito de si
próprio é de que deveria ter tido a coragem e a disposição de ter ido mais longe.

Contudo, metas muito grandes precisam ser trabalhadas por etapas, onde cada
fase represente um degrau na escada do sucesso. Pois é bem mais difícil, senão
impossível, saltar vários degraus de uma só vez em uma escada.

Se você almeja um cargo público de alto nível – e eu te aconselho fortemente


que você almeje isso! – a depender do estágio em que você estiver nos concursos, é
possível identificar diversas submetas passíveis de serem traçadas até que você chegue
no seu objetivo final. O essencial aqui é que você identifique claramente o que é a meta
principal e o que são as submetas, para que não fique no meio do caminho.

As submetas podem representar, por exemplo, a conclusão do ensino médio, a


formação em um curso superior, a aprovação em um ou dois cargos de nível
intermediário... Tudo o que é verdadeiramente bom só acontece com trabalho e
planejamento de longo prazos. Sonhar e traçar metas por um momento, todo mundo sonha
– e nada acontece. Perseguir um objetivo por um momento, todo mundo faz – e nada
acontece. Só obtém o sucesso quem sonha, alimenta diariamente duas metas, e trabalha
continuamente no seu objetivo todos os dias, todas as semanas, todos os meses e todos
os anos até chegar onde quer. A boa notícia é que o caminho, que no início pode parecer
árduo, acaba se tornando um estilo de vida prazeroso. A caminhada pode se tornar tão
satisfatória quanto a chegada. E é sobre isso que vamos falar no próximo capítulo.

Estilo de vida.

Já parou para pensar o porquê artistas, esportistas e empresários


multimilionários continuam a trabalhar em ritmo acelerado muitos anos após atingirem o
auge do sucesso e conquistarem verdadeiras fortunas? Na verdade, pessoas como Zezé
de Camargo, Abilio Diniz, Ronaldo, Ivete Sangalo, e inúmeros outros possuem fortunas,
amealhadas, diga-se, com base em muito trabalho, suficientes para sustentar, além de si
próprios, várias gerações de filhos, netos e bisnetos, com uma vida bastante confortável. É
dizer, poderiam ter parado de trabalhar há anos ou décadas mas, em vez disso, trabalham
muito, não raro iniciando novos projetos e com planos para o futuro de mais trabalho e
sucesso.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
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Esse tipo de comportamento parece estranho se você olhar apenas para o
dinheiro, os bens materiais que o sucesso proporciona, pois, evidentemente, para quem já
tem dinheiro em quantidade que jamais conseguirá gastar em vida, mesmo com a ajuda de
filhos e netos, não faz muito sentido juntar mais. É, como diz o ditado, chover no molhado.
Mas o motivo pelo qual estas pessoas mantém toda sua energia, entusiasmo e vigor em
suas carreiras e não queiram nem ouvir falar em aposentadoria se explica pelo fato de que,
para eles, não se trata essencialmente de trabalho, no sentido que a maioria das pessoas
está acostumada, mas de um estilo de vida, onde se faz o que ama. Difícil, na verdade, é
largar aquele modo de viver, que lhes proporciona tanto prazer e realização pessoal e faz
com que o dinheiro se torne secundário e até irrelevante.

A boa notícia é que é possível atingir esse life style – onde se faz não por
obrigação mas por prazer, onde o sacrifício não é praticar a atividade mas deixar de fazê-la
– em absolutamente qualquer atividade humana, seja ela profissional ou referente a
qualquer outro aspecto da vida. Enquanto comida saldável para alguns é sofrimento, para
outros é life style. Exercícios físicos podem representar uma tortura para alguns, mas para
outros é life style.

É bom que se diga, para não parecer hipocrisia, que não se trata de afirmar que
necessariamente a pessoa prefira uma salada de alfaces a um churrasco de picanha, ou
que tenha mais prazer em correr 8 km a assistir um bom filme esparramado no sofá
comendo alguma besteira – embora muitos prefiram de fato tais opções –, mas entender
que a pessoa reconhece que, em bloco, sopesando-se, privações e benefícios, vale muito
a pena a decisão tomada de ter um estilo de vida mais saldável ou atlético.

Há alguns anos, eu reduzi drasticamente o meu consumo de açúcar, pois estou


convencido de que milhões de pessoas estão tendo e ainda vão ter diabetes devido aos
nocivos hábitos que as pessoas cultivam de comer açúcar demais sem sequer perceber.
No começo é um pouco mais difícil, mas hoje dispenso uma torta de chocolate sem fazer
muito esforço. Sucos, a maioria os bebo sem nenhum açúcar e sem adoçante. Já no café,
tomo com pouco açúcar – na maioria das vezes – e, em alguns casos, com adoçante à
base de sucralose, que é mais saldável. Inúmeras vezes as pessoas me perguntaram se
eu tenho diabetes. O fato é que a maioria das pessoas só conseguem fazer alguma
restrição de praazer em suas vidas, ou mudar algum estilo de vida que demande algum
esforço após ter acontecido alguma tragédia. Não estão acostumadas a agir, mas apenas
a reagir, remediando os acontecimentos, quando isso é possível. Quando me perguntam
isso, eu respondo que não tenho diabetes, apenas estou tentando evitá-la.

O mesmo acontece com o hábito de estudar, máxime nos estudos para


concursos públicos. Muitas pessoas, devido a experiências ruins ou à falta do
desenvolvimento de uma cultura estudantil mais adequada nos primeiros anos de vida,
acabam tomando o hábito de ler e de estudar como um sacrifício inglório. A boa notícia é
que, pelo simples fato de você ter chegado até aqui na leitura desse livro, você ainda tem
salvação. Brincadeira rsrsrs. Isso demonstra que você possui um perfil diferenciado, pois

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 80
está investindo longas horas de leitura com vistas a melhorar de vida através dos estudos,
o que já te coloca à frente de uma infinidade de pessoas que, apesar de quererem
bastante uma vida melhor, são incapazes de realizar qualquer ação efetiva nesse sentido.

A maioria dos brasileiros são, desde crianças, orientados a seguir um sistema


no qual, supostamente, bastaria concluir o ensino médio ou, no máximo, uma faculdade
para obter um emprego razoável, o que seria uma meta de vida normal. Do mesmo modo,
poucos são os que absorvem a importância do hábito da leitura durante toda a vida e,
especialmente, poucos foram os que tiveram o privilégio de desfrutar dos prazeres que
uma boa leitura são capazes de proporcionar, seja ela jornalística, filosófica, romance,
auto-ajuda, técnica... De modo que, não tenho nenhum receio em afirmar, serem apenas
uma minoria aqueles que desenvolveram o estudo e a leitura como um estilo de vida. Do
mesmo modo, não tenho nenhum medo de errar quando digo que estas pessoas são as
mais bem sucedidas do país em absolutamente quaisquer áreas em que atuem.

Tal ocorre por dois motivos. O primeiro deles é porque vivemos a era da
informação. Nunca uma informação precisa e oportuna valeu tanto e nunca um diploma ou
anos de experiência em alguma atividade valeram tão pouco. Há apenas algumas
décadas, um médico, por exemplo, que obtivesse um título de especialista em dada área,
tal qual a cardiologia, oftalmologia ou neurologia não teria maiores problemas em nunca
mais pegar em um livro ou sentar em um banco para se atualizar. Seus diplomas, somados
à sua experiência em consultório, já seriam suficientes para que ele se sustentasse como
um médico de renome. Hoje não. Atualmente, a velocidade das mudanças, novas
tecnologias, métodos de tratamento e diagnóstico são tão intensas, que um único ano sem
se atualizar já é suficiente para que um médico se torne obsoleto. Não que ele tenha de
parar de exercer a medicina, obviamente, mas não terá mais espaço entre os melhores. A
verdade é que não existe uma única profissão atualmente em que se possa afirmar que
seja possível parar de estudar e manter um alto padrão de desempenho e competitividade
no mercado. As atualizações chegam a ser diárias em determinadas áreas, como o direito.

O segundo motivo pelo qual as pessoas que não param de estudar nunca e que
sentem prazer na leitura e no aprendizado são muito mais bem sucedidas é porque
passam a ter Prazer em aprender, se atualizar e até em ensinar, repassando aos outros o
que aprendem. O fato é que, em absolutamente qualquer atividade humana, quando se faz
com Prazer se obtém resultados muito melhores.

Assim, a maneira mais sábia e eficiente de se estudar para concursos é fazendo


com que a carreira de concurseiro seja para você um estilo de vida, agradável e
permanente. Quem só consegue olhar para os meses ou até anos de estudos que estão
por vir – até que se consiga efetivamente obter o sucesso nos concursos – como um
sacrifício doloroso, do qual se quer livrar o quanto antes, tem tudo para ficar pelo meio do
caminho. No próximo tópico vou ensinar um passo a passo para que você que, em pouco
tempo, você saia do estágio do sacrifício para o status do life style em concursos públicos.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
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Hábitos

É muito bom estar inspirado para fazer alguma coisa, o corpo reage melhor, a
mente fica mais atenta e o entusiasmo faz com que os minutos e as horas passem num
piscar de olhos. Assim, antes de começar a fazer qualquer coisa é preciso esperar que a
inspiração apareça, te arrebate e faça a coisa acontecer. Certo? Quanto a esta última
afirmação, nada mais enganoso e destruidor de futuros.

É possível sim estudar para concursos com entusiasmo – e nesse exato


momento existem milhares, senão milhões de pessoas estudando dessa maneira – mas
quase nunca se atinge esse estágio, do life style em concursos no início do processo.
Poderia ser comparado ao lançamento de um foguete com um satélite artificial. No primeiro
estágio, são gastos milhões de litros de combustível apenas para vencer a inércia, de
modo que há um esforço enorme para que o foguete seja retirado do chão. À medida que
ele vai acelerando rumo ao espaço sideral, cada vez menos combustível é necessário, até
que ele chegue a atingir a órbita da terra, passando a circular em volta da terra, também
através da inércia, mas agora uma inércia em movimento, onde o combustível será
necessário não para fazê-lo seguir a rota, mas para fazê-lo parar ou mudar de rota. No
caso da vida humana, tal realidade se dá através da criação e transformação de hábitos.

O grande problema é que concurseiro não possui patrão, pelo menos não o tem
em relação aos concursos. Daí, de regra, não haverá ninguém te cobrando para que você
faça o seu trabalho, tudo irá depender essencialmente de você mesmo, da sua atitude e
responsabilidade com seu próprio futuro.

Para fazer concursos de maneira profissional, é preciso seguir alguns passos


claramente definidos e conhecidos, consistentes em analisar o edital, separar o material,
desenvolver um plano de estudos, estudar efetivamente, fazer a prova e corrigi-la. Mais à
frente iremos tratar em detalhes sobre cada uma dessas etapas. O concurseiro precisa,
portanto, ser organizado, metódico e, principalmente, disciplinado a realizar o trabalho que
é necessário à sua aprovação.

O grande barato de tudo isso é que, da mesma forma que, pós muito esforço, o
satélite alcança a órbita e passa a trabalhar com um gasto mínimo de energia – o mesmo
acontece na vida do concurseiro. E o responsável mais uma vez por essa maravilha –
calma, não é a terceira lei de Newton – mas o nosso querido e adorável subconsciente,
através dos hábitos.

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Em um estado natural, onde hipoteticamente a pessoa não possua nenhum
hábito, nosso subconsciente só leva o corpo a realizar as tarefas previamente
programadas no nosso DNA, tais como o batimento cardíaco, o movimento dos pulmões...
Essas funções não podem ser alteradas no nosso corpo, já que formam uma memória
permanente, a exemplo da memória Rom dos sistemas operacionais dos computadores.
Em relação ao funcionamento dessa memória, nosso corpo é levado basicamente a se
alimentar e economizar energia o quanto possível, pois isso é algo vital. Assim, em relação
a ela, qualquer esforço, não sendo estritamente necessário, é considerado dispensável e
logo combatido pelo subconsciente. A concentração e os estudos gastam muita energia e
é por isso que, quando você começa a estudar, seu subconsciente logo se encarrega de te
mostrar que há algo mais importante para você fazer, como tirar um cochilo, atacar a
geladeira ou pegar o celular. Lembre-se: nossa memória Rom só se interessa em adquirir
e economizar energia, e nada mais. Trata-se de uma relação de proteção intrínseca da
vida e do corpo somente. E é isso que o nosso subconsciente te incentiva a fazer o tempo
todo no estado puramente natural. Mas, você já deve ter percebido que nesse tal de
estado natural você não vai muito longe na vida social, não é mesmo?

Por isso, existe também uma memória Ram, esta sim voltada justamente para
as relações ambientais, externas ao corpo, aí incluídas as suas relações sociais e
profissionais, a qual trabalha basicamente através da criação de hábitos. Assim, um hábito
é como um aplicativo que você pode baixar na memória Ram do seu smartphone ou
computador e excluir quando não mais se interessar por ele. A diferença é que o processo
de construção e desconstrução de hábitos, evidentemente, não atende a um simples
comando seu, mas, diferentemente, é moldado, como tudo no subconsciente, através da
marcação e da repetição – a mesma historinha da parede branca e da marreta.

Um hábito, assim, é um estágio em que, de tanto fazer repetidamente alguma


coisa, nosso subconsciente começa a aceitar aquilo como normal e adequado, deixando
assim de opor resistência àquela atividade e, mais que isso, passando, a partir de um certo
momento, a incentivar e cobrar de você que realize tal atividade.

Voltando a tratar especificamente do ramo da preparação para concursos


públicos, o que acontece é que, no início, quanto menos hábito de ler e estudar você já
tiver na vida, será maior o sacrifício necessário até que o foguete possa atingir o estágio da
inércia em movimento, ou, em outras palavras, até que o hábito de estudar para concursos
já esteja efetivamente arraigado no seu subconsciente. Com o passar do tempo, você
perceberá que o esforço será um tanto menor, pois tal atividade já será reconhecida no
seu cérebro como natural e até necessária, momento em que o concurseiro atinge o
estágio do life style, quando estudar passa a ser uma atividade normal na vida e até
prazerosa, passível de ser administrada de maneira equilibrada com as demais atividades
do dia-dia, mas, evidentemente, com a devida prioridade.

Quando o concurseiro já possui o hábito de estudar desenvolvido, ele precisa


passar então a controlar até mesmo a quantidade de horas de estudo, para que não

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chegue a forçar a mente mais que o adequado, intercalando momentos de descanso para
que o cérebro recarregue as energias. Tal ocorre porque, aqui, o comprometimento do seu
subconsciente pode atingir níveis tão elevados, que, em muitos casos, o cansaço sequer é
facilmente percebido, de modo que o estudante passe até dez horas ou mais lendo, vendo
vídeos e fazendo resumos sem que se dê conta de que já está na hora de parar por hoje.
Eu sempre ensino que a quantidade ideal de estudos é aquela em que, após uma noite de
sono, você esteja pronto para repeti-la. Se, ao contrário, isso não ocorrer, é porque você
está estudando demais e acumulando cansaço, o que certamente redundará em algum
tipo de efeito colateral futuro, como por exemplo uma estafa mental.

Acontece, inclusive, que alguns concurseiros alcancem um nível de aceleração


e reforço do hábito de estudar tão grande que passam do ponto de equilíbrio e acabam
tendo até mesmo problemas com isso – o que não é bom, pois deve-se sempre buscar o
equilíbrio. Em tais situações, os estudos passam a ser algo tão natural e corriqueiro que a
pessoa acaba por negligenciar outras coisas importantes como a alimentação, saúde,
descanso e se afastando de outras atividades como o convívio familiar e com os amigos,
ou, noutros casos, após a aprovação e até mesmo após a posse, continuam a estudar no
mesmo ritmo de antes, o que evidentemente não é mais necessário.

Disciplina – horário e local de estudos

Disciplina é a ponte entre metas e realizações.

Jim Rohn

O caminho para se atingir o estágio de estilo de vida nos estudos e criar o hábito
de estudar é através da disciplina. A disciplina funciona ao mesmo tempo como um
instrumento criador e regulador do hábito. Quanto mais fraco for seu hábito, mais disciplina
você irá precisar para executar determinada atividade, e vice versa. Por exemplo, quem
tem o hábito de acordar todos os dias às 06 da manhã há vários anos, sabe que não
precisa de um despertador pois, quando der esse horário, irá pular da cama como se nela
tivessem espinhos. Mas, quem não tem esse hábito, sabe que sem o despertador irá
facilmente perder o horário.

A essa altura já deve ter ficado claro que se você não tem o hábito de estudar
todos os dias, lendo ou assistindo a vídeos por exemplo, por várias horas a única forma
para que você alcance esse estágio é através da disciplina, se forçando a fazê-lo, por mais
desgastante que isso seja no início. Caso contrário, se ficar esperando que a inspiração e
o entusiasmo pelos estudos se aposse do seu corpo como um espirito de luz vindo dos
céus, é melhor começar a entregar currículos por aí e esquecer os concursos públicos.

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Mas existe uma forma de fazer isso, de maneira gradual, sem precisar sofrer
demais. Ainda que você planeje estudar 6 ou 8 horas por dia, se está começando agora
nessa caminhada, pode e deve começar com períodos menores, de modo que seu cérebro
possa ir se acostumando gradualmente com sua nova atividade. Caso você não tenha
nenhum hábito de leitura e estudos, eu recomendo que você comece com 1 hora ou 2 por
dia apenas, e mantenha por um período, até que você esteja habituado com esta nova
atividade em sua vida, o que pode levar cerca de um mês, mais ou menos. Logo depois, vá
aumentando a dose de estudos, até que atinja seu nível máximo. Em um primeiro olhar,
essa técnica pode até parecer um desperdício de tempo, mas eu tenho certeza que é a
maneira mais rápida de se desenvolver esse hábito com segurança e sem retrocessos. É
como diz o nosso ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a respeito da queda nos juros e
na inflação: “de vagar, porque eu tenho pressa.”.

Rede social – convívio com outras pessoas do meio dos concursos.

Existe uma tática que auxilia e potencializa em muito a criação de hábitos e de


um estilo de vida comprometido com o sucesso em concursos que é fazer parte de um
grupo maior, estar de algum modo envolvido com pessoas que detém o mesmo propósito.
Contudo, é preciso ter muito cuidado com esse tema para que ele não seja mal
interpretado, pois nem todo grupo favorece o aprendizado – em alguns casos atrapalha
bastante.

Antes de falar do lado bom de se fazer parte de um grupo, vou falar do aspecto
ruim. Estudar para concursos é uma atividade solitária por definição. E não há nenhum
problema nisso, pois trata-se de uma solidão momentânea e controlada, pois é necessária
à maior eficácia do aprendizado. Muitas pessoas estão tão acostumadas a fazer tudo
acompanhados que têm receio e fogem de qualquer atividade que precise fazer sozinho.
Tal, pode se tornar verdadeiro obstáculo que prejudica sua vida plena quando ela não
consegue com facilidade as companhias que deseja para tais atividades, como uma
viagem por exemplo. Em se tratando de estudar para concursos a situação é um pouco
pior para esse tipo de gente pois não se trata tão somente de encontrar ou não algum
amigo ou conhecido que esteja disposto a seguir essa jornada com ela, mas do fato de que
a companhia nesse caso – embora possa ser um alívio psicológico – será um estorvo ao
seu crescimento na carreira dos concursos.

Para passar, não basta gastar tempo envolvido com estudos para concursos e,
mais que isso, não é suficiente apenas estudar. É preciso, acima de tudo, estudar com
eficiência, aproveitando bem o pouco tempo que se tem para aprender o máximo possível.
Por isso, na hora de estudar, quanto mais isolado e concentrado você estiver, melhor será

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o seu aproveitamento e mais você estará evoluindo o seu nível de aprendizado até chegar
no patamar que você precisa para aprovação. Em apenas uma palavra: produtividade.

Quem nunca teve uma experiência de estudar em grupo. Salvo raras exceções,
na esmagadora maioria dos casos, faz-se qualquer coisa menos estudar. Trabalhos em
grupo então, um único aluno do grupo faz e os outros apenas colocam o nome. No caso
dos concursos, seria talvez um exagero afirmar que você não aprenderá nada caso tente
estudar em grupo ou seguir grudado em outra ou outras pessoas, mas não tenho sombra
de dúvidas em afirmar que a qualidade e a quantidade de aprendizado ficará em muito
prejudicada e, por isso mesmo, tal intento deve ser rigorosamente evitado. É como nadar
abraçado com alguém. Não chega a ser impossível, mas complica bastante.

Mas como eu disse, existe um lado muito proveitoso e eu diria até mesmo
formidável de estar conectado a outras pessoas que seguem a mesma trilha dos
concursos. Através desse contato, se troca informações relevantes sobre possíveis
concursos, dicas de material, estratégias de estudo e, principalmente, dá a você
concurseiro uma energia, um gás, uma chama especial de saber que não está sozinho,
que faz parte de um grupo maior de pessoas que pensam como você, acreditam nas
mesmas coisas que você e estão pagando o preço para ter um futuro melhor. Essa
convivência desperta no subconsciente uma crença de que você está no caminho correto e
uma energia tão poderosa para estudar e correr atrás dos seus sonhos que não encontra
paralelo algum.

Esses encontros podem se dar com uma única pessoa, que esteja tão
comprometida quanto você, ou com várias pessoas, seja pessoalmente ou virtualmente,
tanto em dias e horários pré-agendados com o grupo ou esporadicamente. O importante é
manter esse contato, um verdadeiro ganha-ganha onde um concurseiro ajuda o outro,
compartilhando suas vivências, expectativas e experiências. O que mais importa aqui é
que não se permita – em nenhuma hipótese – que o convívio acabe por prejudicar os
estudos. A questão aqui, como já deve ter ficado claro, é saber diferenciar as coisas, o
momento. Você pode morar em uma casa com 10 pessoas, mas na hora de ir ao banheiro,
convém que você esteja sozinho.

Além disso, o menos aqui é mais. É mais salutar participar de poucos grupos
com poucas pessoas. Tal acaba por criar uma maior proximidade e confiança entre os
participantes, possibilitando maiores aprofundamentos nos assuntos, o que raramente se
verifica em grupos grandes. Além disso, em grupos menores e mais adensados é sempre
mais fácil identificar e extirpar – aquilo que, embora raro, existe – pessoas que agem
deliberadamente para prejudicar os outros candidatos, plantando informações falsas e
tentando desestimular candidatos. Caso participe de um grupo de whatsaap, facebook, ou
qualquer outra forma de encontro virtual, defina horários específicos para a interação, o
que irá assegurar que você não esteja sabotando os próprios estudos.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 86
TV, celular...

“Loucura é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados


diferentes. Einsten.

Nos dias atuais o tempo é sempre curto. Há pessoas que chegam a dizer,
sinceramente, que precisariam de um dia com mais de 24 horas para poder realizar todas
as suas atividades. Quando consideramos então a quantidade de atrativos de mídia
existentes tentando chamar a nossa atenção para consumir algo, seja pago ou gratuito,
podemos fazer uma clara diferenciação entre duas formas de se utilizar o tempo:
produzindo ou desfrutando.

Eu chamo de produzir todo o tempo que a pessoa gasta fazendo alguma coisa
que lhe renderá algum benefício extra, que vá além do simples deleite, que é aquele que o
indivíduo se utiliza para algum tipo de lazer, ou descanso. É a mesma diferença que se
pode estabelecer entre o dinheiro gasto consumindo bens não duráveis e dinheiro
investido em bens duráveis ou mesmo em algum tipo de aplicação financeira.

O fato é que a imensa maioria das pessoas gasta todo o seu tempo disponível
com o melhor tipo de deleite que estiver a seu alcance. E isso é algo terrível. Para estes,
só não estarão gastando todo o seu tempo com o gozo em uma única hipótese: quando
são obrigados, como quando alguém está lhe vigiando no trabalho. Em todos os outros
casos, estará sempre procurando a forma mais Prazerosa possível de gastar o seu tempo,
dentro de suas possibilidades financeiras.

Existe alguma coisa de errado com esse tipo de atitude? Depende. Para quem
já está satisfeito com seu estilo de vida atual, sua profissão, sua renda, seu físico, sua
saúde, seus relacionamentos... não há problema algum, exceto o fato de que mesmo o que
ela já tem pode ser piorado, caso não se esforce o suficiente ao menos para manter. Já
para aqueles que sonham com um futuro melhor, não apenas existe algo muito errado,
como não faz o menor sentido lógico um sujeito agir dessa maneira e imaginar que, de
algum lugar, seja através do governo, do patrão, dos amigos, da sorte, algum dia sua
condição atual irá melhorar. Não vai.

O seu tempo, assim, é um capital que você possui, e que na verdade pode ser
mais limitado que o próprio dinheiro, já que não há como conseguir mais, os dias de todas
as pessoas possuem 24 horas. Tem em conta essa diferenciação – entre a parte do seu
tempo que você consome se deleitando da vida e a parte que você produz algo, investindo
em melhorias – é essencial para entender que o tempo e a atenção das pessoas é
disputado por inúmeras fontes de conteúdo, pois, quanto enquanto uns estão produzindo
outros estão consumindo. Trata-se de uma disputa de mercado por esse ativo – o tempo
das pessoas – que é invisível aos olhos de muitos, mas que representa cada dia mais a

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 87
realidade moderna. Quando você está assistindo à televisão, ouvindo o rádio, usando o
computador, vídeo game ou celular, está não apenas se deleitando do seu tempo, mas
também dispondo dele para alguém que o disputa no mercado.

Alguns podem me perguntar, mas o quê alguém pode estar ganhando pelo
simples fato de que eu disponha do meu tempo para assistir a um programa de TV ou
utilizar algum aplicativo de celular? O tempo, em si mesmo, não pode evidentemente ser
monetizado, mas o mercado atual da tecnologia, nas suas mais variadas formas, já
descobriu que o tempo gasto pelas pessoas acessando e utilizando-se dos seus
conteúdos, ainda que gratuitos, estará diretamente e necessariamente ligado ao seu
faturamento em dinheiro. em outras palavras, quanto mais as pessoas utilizarem
determinado programa de computador, assistirem a algum programa de TV ou entrarem
em dado site na internet, isso de algum modo será canalizado futuramente em termos de
faturamento, pois tudo isso está agregando valor, dando-lhes audiência e possibilitando
inúmeras formas de ganhos financeiros, tais quais a publicidade e a venda de diversos
produtos.

Assim, é importante que você entenda que, por mais interessantes e até
“imperdíveis” que pareçam os atrativos que te chamam o tempo todo a consumi-los,
quando você o faz, ainda que esteja pensando tão somente em você, no seu deleite, na
verdade você está correspondendo a uma estratégia de marketing de alguém que está
produzindo algo. Evidentemente que, de modo geral, não há nada de errado nisso, trata-se
de uma realidade do mercado. O que importa aqui é apenas que você faça o que tiver de
fazer com consciência, dividindo racionalmente o seu tempo entre deleite e produção.

A toda produção deve sempre corresponder alguma forma de recompensa, de


remuneração. Mas, da mesma forma que os conteúdos produzidos pelas empresas de
mídia, tal retribuição nem sempre virá de maneira imediata. Há diversas formas de trabalho
que precisam primeiro ser realizadas por um período relativamente longo de tempo para
depois passarem a permitir a colheita de frutos. Há empresas, por exemplo, que, apesar do
grande volume de investimentos de seus sócios, funcionam por diversos anos sem gerar
um único centavo de lucro, pois primeiro precisam gerar valor antes de gerar receita.

Nesse sentido, o estudo para concursos é um tempo em que você estará


produzindo, gerando valor para você mesmo, ainda que isso não seja tão claro de
perceber, principalmente para as outras pessoas.

Motivação

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 88
O entusiasmo é a maior força da alma. Conserva-o e nunca te faltará poder para
conseguires o que desejas.

Napoleon Hill

Eu costumo dizer que é vital que as pessoas diferenciem muito bem o que são
seus motivos e sua motivação. Os motivos que cada pessoa tem para passar em um
concurso variam bastante, podendo estar relacionados à carreira, como a estabilidade, a
realização profissional, a possibilidade de contribuir com a sociedade, status,
relacionamentos no ambiente de trabalho, ou mais diretamente ligados aos benefícios que
o salário podem oferecer, como comprar uma casa boa, um carro novo, fazer viagens,
cuidar melhor dos filhos... A pergunta que fica é: se todas as pessoas têm esse tipo de
sonho, porque apenas umas poucas correm atrás com afinco? A resposta é a motivação.

Motivação é o motivo em ação. O vínculo que liga o seu motivo à real


possibilidade de sua realização. É o motivo presente o tempo todo na sua mente, fazendo
com que você não consiga ficar parado. Tal ocorre porque seus motivos, por mais
relevantes que sejam para você, tendem a ficar adormecidos em sua mente e, portanto, a
não te colocar em ação, a menos que você os desperte para isso.

Nosso cérebro possui centenas de milhares de informações relevantes e o seu


subconsciente dá maior atenção àquilo que é mais premente, que está na ordem do dia, e
não necessariamente àquilo que é mais importante no médio e longo prazos. Por
exemplo, mesmo que o grande sonho da sua vida seja sempre tenha sido ocupar
determinado cargo público, essa informação pode ficar guardada por anos ou décadas nos
porões do seu subconsciente, sem que leve você a mover uma palha. Isso acontece
porque, embora seu motivo seja relevante, ele está encubado, necessitando da sua atitude
para que possa influenciar sua vida no caminho da sua realização.

Nesse estágio, seus motivos só são recobrados por você de tempos em tempos
e logo esquecidos novamente. Muitas vezes essas lembranças vêm com grande pesar, um
remorso pela falta de atitude em coloca-los em prática, pelas oportunidades que estão
sendo perdidas. E, logo depois, esquecidos novamente. Às vezes passam meses e até
anos sem que a pessoa pare para pensar seriamente na realização daquele desejo, mas
ela sabe que ele continua lá, aguardando uma suposta oportunidade da vida. A atitude
necessária é justamente abrir a gaveta da memória onde ele está, retirar a poeira e trazer
o seu sonho para a luz, diariamente.

A notícia ruim é que essa oportunidade, aguardada por muitos, geralmente


nunca aparece durante toda a vida. Ou melhor, ela na verdade sempre esteve presente,
mas jamais é reconhecida como tal. O problema é que a maneira como a pessoa imagina
que virá travestida a oportunidade – um príncipe montado em um cavalo branco, com uma
espada nas mãos – não existe. A oportunidade normalmente está mais para um
cachorrinho doente e faminto que fica parado todos os dias na porta da sua casa. Ele está
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lá, você o vê mas não enxerga, não dá valor. É preciso pegar o cachorro, dar banho,
alimentar, tratar da doença dele, com todo o trabalho e gasto que isso demande, para
então ser agraciado com todo o carinho e amizade que só os cães conseguem dar.

Uma vez havendo caído o cisco dos seus olhos e reconhecendo que a
oportunidade já está à sua porta, é preciso então trazer todos os seus motivos à tona,
pensar neles diariamente, para que eles te motivem a realizar o trabalho duro que é
preciso para a aprovação em um concurso público. Para fazer isso, existem várias
maneiras. Você pode fazer colagens na parede, pode gravar um áudio ou um vídeo e ouvi-
lo diariamente, pode escrever e reescrever seus motivos em um papel diariamente... O que
importa é que você descubra uma maneira de manter seus motivos sempre à tona no seu
subconsciente, lembrando-se deles todos os dias. Isso te dará uma energia mental
formidável para realizar grandes coisas.

Acreditar

Como eu disse, é imprescindível que você pense todos os dias nos seus
motivos. Porém, é preciso dizer que o elixir que verdadeiramente transforma um motivo em
uma motivação para agir é a fé. É preciso acreditar que é possível e que você é capaz.
Para falar da crença em passar em concursos, mais uma vez vamos fazer menção ao
nosso super-herói – o subconsciente.

Qual a natureza da fé? Do acreditar? Digo do ponto de vista biológico,


independentemente se estamos a falar de fé espiritual ou natural. Serial algo inato, que
cada um já nasce possuindo e não tem nenhuma ingerência? Seria um elemento
totalmente controlável e decidível, em relação ao qual qualquer pessoa pode livremente
decidir no que acredita ou não? Eu penso que não é nenhuma dessas duas opções, mas
uma mescla delas que funciona com uma lógica própria, a lógica do subconsciente.
Lembra-se da parede branca onde damos marretadas? Pois é.

Basta você olhar para sua própria vida para notar que aquilo em que você
acredita o não está muito ligado às suas experiências pessoais, principalmente em relação
à sua convivência com outras pessoas. Evidentemente que isso não se trata de algo
matemático, até porque a complexidade humana, e em especial no que tange ao
funcionamento do cérebro, possui nuances das quais nem mesmo os maiores
especialistas do mundo têm a menor noção.

Mas, de modo geral, é fácil perceber que a grande maioria das pessoas possui
crenças que são obtidas nos seus relacionamentos mais próximo, através do contato com
os pais, amigos e familiares. Assim, por exemplo, se você vem de uma família que não tem
tradição em concursos, a tendência natural é que você não possua no seu subconsciente
uma marcação suficientemente forte que te indique que esse caminho é para você.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
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Paralelamente, quem vem de um meio familiar onde suas pessoas mais próximas são
servidores públicos, esse gatilho estará presente de maneira intensa no seu
subconsciente.

Eu realmente acredito que todas as pessoas são iguais em capacidade de


conquistar um cargo público. Mas é preciso que se entenda essa igualdade como uma
igualdade tão somente potencial, e isso se dá não apenas em termos de conhecimentos
técnicos mas – principalmente – em relação ao subconsciente, àquilo que leva a pessoa a
acreditar que ela tem plenas possibilidades de conquistar aquele cargo. Porque eu
realmente entendo que sem acreditar ninguém chega a lugar algum. Você só é capaz de
caminhar – atravessar uma rua por exemplo – porque o seu subconsciente foi levado a
acreditar, com sua experiência, após alguns tombos na infância, que quando você tirar um
pé do chão e lança-lo à frente você não vai cair. Se fosse possível retirar do seu
subconsciente tão somente essa crença, você não seria capaz de sair do lugar sem uma
cadeira de rodas, mesmo estando em plena saúde. Com os estudos ocorre exatamente o
mesmo. Você só é capaz de gastar horas estudando se acreditar que aquilo possui alguma
utilidade real na sua vida. Caso contrário, é um esforço inútil, sua mente não se concentra,
você não aprende, tudo não passa de uma grande perda de tempo.

A notícia boa é que, como no exemplo anterior, também aqui é perfeitamente


possível moldar o seu subconsciente para que ele leve você a estudar com afinco, de
modo que você passe a ter a fé necessária para o estudo e aprovação. Assim, a igualdade
que, em princípio, é apenas potencial, pode ser transformada em uma igualdade real, de
modo que uma pessoa possa seguir absolutamente qualquer caminho na vida, ainda que
totalmente fora do seu contexto social e familiar anterior.

Existem basicamente duas maneiras de desenvolver esse aspecto em seu


cérebro. A primeira é dialogando, compartilhando experiências, interagindo com pessoas
que trilharam o mesmo caminho que você quer trilhar. Eu sempre deixo claro em todos os
conteúdos que produzo voltados para concursos que eu venho de família pobre e estudei
em escola pública. Eu não tive o privilégio de conviver com pessoas próximas a mim
ocupantes de bons cargos públicos. E, apesar disso, eu consegui vencer nessa área. O
motivo pelo qual eu gosto sempre de deixar isso muito bem claro é justamente para que eu
mesmo já sirva de exemplo e inspiração para outras pessoas. Se eu consegui, você
também consegue.

Mas existem ainda várias outras formas de manter um convívio diário com
pessoas e experiências que reforcem a sua fé. Quanto mais contato você tiver com
pessoas que estão hoje onde você quer estar, mais rápido será essa evolução. Mas é
preciso que seja um contato de qualidade. O office-boy da empresa tende a nunca
despertar o interesse e a crença de que ele pode vir a ser um executivo ou mesmo um
empresário se a ele não for dada convivência qualificada com essas pessoas na empresa,
quando ele passar o dia inteiro tirando xerox e indo a bancos, por exemplo. Do contrário,
caso seja a ele dada a oportunidade de vivenciar experiências reais dentro daquilo que é o

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núcleo da atividade da empresa, logo ele perceberá que ele também pode estar ali
realizando aquelas tarefas, pois tais reações são inerentes à natureza humana.

Assim, trabalhar em um órgão público, a depender das oportunidades que se


têm lá, em termos de ter contato com servidores e atividades relevantes, representa
também uma excelente maneira de despertar o interesse por uma atividade e, ao mesmo
tempo, a crença de que você é capaz de conseguir aquilo. Seja como terceirizado,
voluntário, estagiário ou mesmo em um cargo efetivo de nível inferior, a experiência direta
no local de trabalho dos seus sonho pode funcionar como um foguete no seu
subconsciente.

A outra maneira de aumentar a sua fé é através de pequenos ganhos, pequenas


vitórias, as quais você conquista ao voltar os olhos para si mesmo e perceber que está
evoluindo. Assim como quando você aprendeu a crer que poderia andar, a falar ou a
comer, acreditar que você pode passar em um concurso de alto nível também é algo que
você precisa construir passo a passo e não através de grandes saltos. Pode parecer um
paradoxo, mas o acontecimento mais poderoso a impactar uma pessoa revelando a ela
mesma que ela pode passar em um concurso é: quando ela passa em um concurso. A
aprovação acende no subconsciente da pessoa uma fé superior, poderosa e realizadora.
Por isso, eu sempre aconselho às pessoas a iniciarem as suas carreiras nos concursos
públicos por cargos menores, mais fáceis, pois essa atitude é capaz de trazer diversos
benefícios, pois, além de já garantir uma renda lhe fomenta a fé em aprovações futuras.

Contudo, mesmo antes da primeira aprovação é possível fazer crescer a sua fé,
através da observação de pequenos saltos no seu aprendizado, seja quando você evolui
na compreensão dos temas, na melhora nos índices de acerto em questões. Toda e
qualquer evolução deve ser valorizada e comemorada, pois ela indica e pavimenta o
caminho que te leva ao seu sonho maior.

Ansiedade

Toda a preocupação do mundo não te dará um dia a mais de vida. Jesus Cristo

Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente


você estará fazendo o impossível.

São Francisco de Assis

Se tem uma coisa que eu aprendi na vida, seja através da minha experiência
nos concursos públicos ou mesmo em outras áreas, é que as coisas boas, relevantes e
verdadeiramente valiosas na vida são, todas elas resultado de uma construção no longo

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Prazo. Tal ocorre nos relacionamentos, empreendimentos empresariais, trabalho, estudo,
etc. Nesse aspecto, a carreira pública não difere em nada da área privada. E aqui reside
uma grande dificuldade quando pensamos no mundo atual, que é o fato de que essa
geração está acostumada a querer tudo muito rápido em suas mãos. No mercado privado,
por exemplo, é comum ouvirmos dos especialistas que os jovens de hoje querem assumir
cargos que lhes permitam um crescimento excepcionalmente rápido nas empresas, o que
nem sempre é possível, o que acaba gerando frustração.

A vontade de crescer, assumir maiores responsabilidades e mostrar resultado é


sim valorizado em qualquer ambiente profissional, mas para tudo existe um Prazo de
maturação, no qual a pessoa possa adquirir os conhecimentos e as experiências
indispensáveis para a tão desejada mudança de patamar.

Embora a metodologia utilizada para a assunção dos cargos – o concurso – seja


distinto daquele existente no meio empresarial, esse tipo de comportamento também se
revela por aqui em diversas situações, as quais, se não devidamente equacionadas,
podem levar até mesmo ao abortamento de carreiras potencialmente brilhantes.

Se por um lado, é desejável que o concurseiro guarde sempre acesa a chama


da evolução na carreira, a vontade de crescer, para que ele não venha a estagnar na
carreira pública, deixando de explorar todo seu potencial e de alcançar o cargo que seja
realmente seu sonho e sua vocação, por outro, é preciso que se tenha a compreensão
exata de que o tempo é um elemento inafastável dessa conquista.

Em termos de concursos públicos, compreender e aceitar que algumas coisas


precisam de certo lapso temporal para acontecer é, mais que contra-intuitivo, até mesmo
paradoxal para algumas pessoas. A ideia, até certo ponto simplista, de que para assumir
um cargo público “basta” a aprovação nas provas do concurso, acaba passando a falsa
impressão de que em termos de concursos as coisas podem acontecer da noite para o dia,
como um passe de mágica ou em um lance de sorte tal qual a Mega-Sena. Nada mais
falso e enganoso.

Quando um órgão público, através de uma banca de seleção, decide contratar


pessoas, o que eles querem e efetivamente fazem é contratar os melhores profissionais
possíveis naquelas áreas, exatamente o mesmo que quer e efetivamente faz um
empresário quando quer contratar empregados para trabalhar em suas empresas. A única
diferença marcante é que, por conta da necessidade de obediência a princípios regentes
da administração pública, a seleção pública precisa sempre estar informada por princípios
como a impessoalidade, objetividade, isonomia, dentre outros. Mas que ninguém se
engane, essas exigências, não têm o condão de retirar dos examinadores a possibilidade
de, utilizando-se de inúmeros instrumentos e tecnologias, escolher os melhores.

É fato que, tais características específicas de seleção, fazem com que, em certa
medida, alguns conteúdos específicos de qualificação possam receber uma carga maior ou
menor de valor, possibilitando também o direcionamento do preparo do candidato à vaga

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tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 93
para se amoldar a determinado perfil, mas, em hipótese alguma isso chega a
descaracterizar o processo seletivo como que ele realmente é – a seleção dos mais
qualificados. A título de exemplo, não restam dúvidas de que o caminho da preparação a
ser seguido por um médico que queira ser contratado por um grande hospital particular é
possui algumas diferenças daquele que deve seguir o médico que deseja passar em um
concurso público. Enquanto aquele cuidará mais de ter experiências, cursos e títulos para
mostrar, este ficará mais atento aos detalhes do conhecimento teórico. Mas,
evidentemente, como eu mencionei, tanto o hospital particular quanto o examinador do
concurso possui mecanismos de aferição de uns e de outros conhecimentos o que faz com
que, ao fim e ao cabo, em ambos os casos, os profissionais contratados tendam sempre a
ser os melhores disponíveis no mercado que se interessem pela vaga.

Ter isso em mente é importante para que o concurseiro esteja sempre presente
para o fato de que o concurso público não é um atalho para que pessoas sem qualificação
profissional alcancem cargos públicos de altos salários. Não é. Afastar esse tipo de mítica
é fundamental para que você compreenda que, quanto maior o cargo o nível do cargo que
você pleiteie, quanto maiores os salários e benefícios, mais você terá de se qualificar
genuinamente para poder obtê-lo. A carreira dos concursos, assim, deve ser uma carreira
de crescimento pessoal e profissional verdadeira, embora tenha, como dito, um foco um
pouco distinto da carreira privada.

Assim, embora existam técnicas e estratégias para se potencializar os


resultados em provas, alcançando maior eficácia nos seus concursos, por dever de
honestidade eu preciso alertar que as provas do concurso são apenas o instrumento, o
elemento visível e perceptível da seleção de candidatos que, embora possibilite
significativo grau de variação de pontuação entre aqueles detentores ou não de mais
expertise em concursos – e ensiná-las esse é um dos objetivos desse livro – não chegam
jamais a possibilitar a aprovação de pessoas sem a adequada qualificação. Em outras
palavras, se você possui um nível de qualificação profissional compatível com o cargo que
você quer, eu posso te ensinar a como ser aprovado rapidamente no seu concurso público,
de modo a que você economize alguns anos de preparação e estudos, mas se você ainda
não possui tal nível, ainda que detenha os títulos exigidos, é preciso que, primeiro – ou
melhor – durante o processo de estudos, você o adquira. Não existe mágica aqui.

Eu sempre digo que qualquer pessoa pode ter o cargo que quiser,
independentemente de onde ela esteja nesse exato momento em termos de qualificação.
Mas é necessário que ela esteja disposta a pagar o preço e maneira contínua pelo tempo
necessário. Tal preço, diga-se irá variar de pessoa para pessoa, a depender da distância
que ela se encontrar do seu objetivo. Enquanto para uma pessoa, alcançar determinado
cargo pode significar 3 meses de preparação, para outra, podem ser 3 anos. Mas, apesar
do número, o que vai determinar ou não o sucesso é a garra e perseverança de cada um,
pois, a depender disso, 3 anos podem ser como um piscar de olhos e 3 meses uma
eternidade.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
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E como saber em qual nível se está? É preciso conhecer a si próprio, e para
isso tem de jogar o jogo. Pois, quem apenas fica olhando de fora, tanto você corre o risco
de estar se subestimando quanto de estar se superestimando. O simples fato de ter muitos
ou poucos anos que parou de estudar, por exemplo, não é um dado seguro para essa
análise. Muitos pensam de maneira equivocada que, por terem parado de estudar há
vários anos, possuem poucas chances de aprovação em dado concurso. Essa visão
decorre da ideia errada a respeito do funcionamento da memoria e dos processos de
aprendizagem. Por exemplo, uma pessoa que, em determinada época, domine certo
conteúdo, sendo capaz de raciocinar, interpretar e aplicar tal conhecimento no mundo real
e, somado a isso, mantenha um excelente hábito de leitura, mesmo após 20 anos
precisaria de apenas alguns meses para se preparar para um concurso em que tal
conteúdo fosse cobrado. Falo isso baseado em estudos de neurociência e processos
educacionais, além de minha própria experiência e daquela que já verifiquei em pessoas
próximas.

Para entrar em campo e se conhecer é preciso escolher o cargo, se preparar


adequadamente e fazer o concurso. É como correr uma maratona de 42 quilômetros.
Ninguém sabe se será capaz de chegar e em quanto tempo até que efetivamente tente.
para quem tem dúvidas se deve tentar direto o cargo almejado ou começar por um menor,
e ir subindo em um processo de escadinha, eu aconselho que faça o teste diretamente no
cargo maior, com uma preparação de três meses no mais alto nível. Eu tive uma
experiência dessas quando fui entrar na faculdade. Na ocasião, em 2003, aos 23 anos, já
havia seis anos que eu concluíra ensino médio em escola pública de baixa qualidade, mas
já estava no ramo dos concursos, tendo obtido algumas aprovações em concursos de nível
médio e já sendo servidor público concursado, como fiscal estadual de transporte de
passageiros. Meu principal objetivo na época era obter o título para poder fazer concursos
de nível superior, especialmente por conta dos salários.

Dentre as opções possíveis, eu poderia pagar uma faculdade particular ou tentar


a aprovação na pública, que no caso era a Universidade Federal de Goiás. Nesta, poderia
escolher um curso mais fácil, para ter mais segurança quanto à aprovação rápida, ou
tentar o curso de direito, que, embora eu soubesse que me traria maiores possibilidades
em termos de concursos, tendia a ser bem mais perigoso que eu fosse reprovado, pois há
vários anos não estudava grande parte das matérias a serem cobradas. Nessa época
jurássica, a inscrição não era feita pela internet, mas pessoalmente através do
preenchimento de um formulário. E eu levei a dúvida até o último minuto, fazendo a minha
escolha, na fila da inscrição, pelo curso de direito. Desse dia até a prova objetiva eu tinha
cerca de três meses e, caso aprovado, mais dois até as questões discursivas e redação.
Assim, eu tracei uma estratégia de estudos, conciliando com o trabalho, e acabei sendo
aprovado.

Embora não tivesse como eu saber se seria ou não aprovado, eu sabia que a
única chance que eu tinha era se, desde o primeiro dia de estudos, eu me preparasse
acreditando na aprovação, inclusive na segunda fase. Na época, não existia nenhum tipo

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de quota e era bem raro haver estudantes egressos de escolas públicas nos cursos mais
concorridos, como era e ainda é o curso de direito. Fosse eu deixar me levar pelo senso
comum, não teria nem tentado. Essa experiência, bem como outras de concursos, me
levou a entender que só conhecemos verdadeiramente nosso próprio potencial quando o
colocamos à prova.

Assim, em primeiro lugar, penso que cada um deve ser ousado, visando e
tentando logo o cargo que almeja, desde que, evidentemente, tenha ao menos a
qualificação formal exigida. Após o resultado, caso perceba que a distância para a
aprovação está ainda muito grande, convém voltar um ou alguns níveis e obter primeiro
aprovação em um cargo mais fácil, sem, contudo, perder de vista seu objetivo maior.

Além da questão da formação exigida e da qualificação necessária à aprovação,


outros casos há em que o concurseiro precisará domar a ansiedade para ter bom êxito
nessa carreira. Por diferentes fatores, há épocas em que os concursos não saem como
desejado e há casos em que, mesmo após a aprovação, existe uma demora excessiva
para a efetiva contratação. Mas, após mais de 15 anos fazendo concursos, 10 aprovações,
e havendo ocupado seis cargos distintos nos mais variados órgãos, eu posso assegurar
que é seguro e recompensador se entregar sem reservas, sem medos e sem preconceitos
na preparação para ser aprovado em um concurso público.

Mercado dos concursos, a evolução, os anúncios...

Nada é permanente, exceto a mudança.

Heráclito

Uma pergunta que perpassa a mente de praticamente todo concurseiro enxuto –


e que visa portanto concursos no médio e longo Prazos e não apenas de maneira
imediatista após o edital ser lançado – é: como estará o mercado dos concursos no
futuro?, pois é natural que se preocupem se vão sair editais, se haverá razoável
quantidade de vagas, se os aprovados serão convocados... Antes de mais nada, é preciso
que se diga que esse tipo de questionamento é absolutamente natural, afinal você está
investindo dinheiro e, mais que isso, investindo seu tempo, o chamado custo de
oportunidade, vez que quando se decide pela carreira dos concursos, naturalmente abre
mão de outras possibilidades profissionais na vida. A resposta a esta pergunta é: sempre
haverão editais de concursos! Existem momentos de alta e de baixa, mas, não faltam
oportunidades para quem está preparado e focado.

A coisa mais comum nesse meio, e que inclusive já aconteceu comigo, é o


concurseiro ficar contrariado porque o concurso de seu interesse está demorando para
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sair, mas, quando o edital é lançado, perceber que desperdiçou seu tempo e, durante esse
vácuo, não se preparou da maneira que deveria. Mais cedo ou mais tarde o concurso
sempre sai, a questão é se você vai ou não estar preparado para ele.

Meu primeiro edital foi lançado em 1999, portanto há 18 anos. De lá para cá


sempre acompanhei muito de perto a dinâmica dos concursos no Brasil, percebendo
momentos de retração e também de euforia nesse mercado, passando por diversos
governos e diferentes momentos da economia. A cada nova política econômica ou mesmo
tentativa de reforma na gestão administrativa era, e ainda é, comum se espalhar boatos
com toda sorte de maldições e previsões catastróficas sobre o futuro dos concursos, não
sendo incomum se ouvir que “os concursos irão acabar”, trazendo insegurança aos mais
ansiosos e menos informados. Para que você tenha tranquilidade e segurança para investir
pesado na sua carreira no setor público, vou explicar em detalhes o porquê, apesar das
crises passadas e também da presente, se preparar para concursos públicos no Brasil algo
que se pode fazer com tranquilidade e confiança.

O objetivo é que você perceba e internalize que, independentemente de crises e


visões de governo, o mercado de concursos no Brasil só cresce há mais de um século,
pois é uma política de Estado enraizada na Constituição Federal. Eu penso que quem quer
ser servidor público deve, desde logo, saber o que é ser servidor público. Ter esse
conhecimento tem o potencial de criar na mente da pessoa um alicerce, uma base sólida
que facilitará tanto o desenvolvimento de sua força mental para os estudos quanto
favorecerá o próprio aprendizado durante eles. Por isso, nas próximas linhas vou explicar
de maneira resumida o que é ser servidor público.

Estado

O Estado é um ente que já foi objeto de inúmeras teorias para tentar justificar e
explicar sua origem e finalidade. A mais conhecida é a formulação de Thomas Hobbes,
para o qual o Estado nada mais é que um contrato realizado entre todas as pessoas de
dada sociedade, as quais abrem mão de parte de seus direitos e liberdades individuais em
favor de um ente central, que representando o grupo, agiria no interesse de todos,
reduzindo e evitando conflitos individuais de modo a trazer mais segurança às pessoas e
possibilitando maior qualidade de vida a todos. Embora saibamos que esse suposto
contrato social teorizado por Hobbes não seja literal, pois nenhum de nós assinou contrato
algum e, na maioria dos países, nem mesmo os antepassados o fizeram, esta visão traz
uma verdade incontestável, de que, onde existe um grupo humano, deve haver regras que
limitem a ação individual em favor do interesse geral. E, quanto mais tais regras são
inteligentes, justas e efetivas, maior desenvolvimento e qualidade de vida possibilitará para
aquela comunidade.

Essa verdade pode ser extraída da simples observação do desenvolvimento das


nações ao redor do mundo. Embora naturalmente existam diversas variáveis em tal

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análise, tais quais fatores históricos, geográficos e de recursos naturais, é possível notar
que os países que possuem regras mais justas e efetivas para o relacionamento entre
seus cidadãos e também entre estes e a comunidade internacional, são os mais prósperos
e seguros. Tal ocorre porque, na linha da teoria de Hobbes, onde não há segurança e
igualdade, as pessoas tendem a se retrair, se proteger, o que impede o desenvolvimento
tecnológico, social, cultural e econômico. E, ao contrário, nas sociedades onde tais
fundamentos existem de fato, as pessoas tendem a se lançar, ousar, criar, gerando
riquezas e prosperidade.

Assim, podemos dizer que a finalidade única que justifica a existência do Estado
é propiciar a melhor condição possível para que todos os seus cidadãos tenham uma vida
o mais plena possível e desejável. Mas sendo um ser invisível, o Estado só pode existir e
agir através de pessoas que ocupem as funções necessárias a consecução de suas
finalidades. A essas pessoas, então, são distribuídos deveres e correspondentes poderes
para que cumpram o seu mister. E são justamente esses deveres e poderes que
chamamos de cargos públicos.

Diferença entre Estado e Governo

Estado é um ente permanente, estável, e, como tal, devem possuir regras com
certo grau de estabilidade, pois sem isso não há como haver a segurança almejada. Mas
todos nós sabemos que os interesses, visões e prioridades em uma sociedade podem
mudar com o passar dos anos. Por isso, nos países democráticos, como o Brasil,
desenvolveu-se uma dinâmica em que se distingue Estado de Governo. Entender isso é
muito importante para quem quer ser servidor público, pois o servidor público concursado é
uma pessoa que faz parte do Estado e não do governo.

Diferentemente do Estado, que possui caráter de permanência, estabilidade, e


certo grau de imutabilidade, o Governo tem um perfil essencialmente distinto, sendo uma
das suas principais características a mutabilidade, exatamente para possibilitar que as
mudanças desejadas na sociedade sejam absorvidas pelo Estado. Assim, embora exista
certa simbiose entre Estado e Governo, até porque ambos possuem em comum a mesma
finalidade única de realizar o interesse público, há também uma clara distinção entre eles,
sendo o Estado permanente e relativamente independente do Governo que é a visão
politica que está momentaneamente no poder. É por isso que existem os partidos políticos
e as eleições periódicas. Quando se fala de Governo, normalmente está-se a referir ao
Poder Executivo, mas, dentro dessa visão mais ampla aqui tratada, podemos considerar
governo também os representantes do Poder Legislativo e, em menor medida, até mesmo
a cúpula do Judiciário, pois também estão sujeitos, devido aos mecanismos de escolha de
seus membros, e dentro da visão dos freios e contrapesos, a algum grau de influência das
ideias políticas alçadas ao poder.

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tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 98
É através do voto que a sociedade demonstra quais são as suas prioridades,
tendências e visões em dado momento histórico, elegendo pessoas e partidos
comprometidos com elas.

Cargos efetivos comissionados

Os servidores públicos podem ser divididos basicamente em duas categorias, os


servidores estáveis – que entram por concurso e são vinculados ao Estado,
independentemente da visão política que esteja momentaneamente no poder, e os
servidores não estáveis, que são os políticos eleitos pelo voto popular, com mandato fixo,
ou os servidores escolhidos por estes para ocupar transitoriamente cargos comissionados
que os ajudem a bem cumprir aquilo que prometeu em sua campanha. Assim, enquanto os
servidores estáveis se vinculam ao Estado, os eleitos e servidores comissionados se
vinculam ao Governo. É bom que se diga que todas essas regras não nasceram apenas de
teorias mas, principalmente, de experiências práticas, muitas vezes traumáticas, tanto no
Brasil quanto no exterior.

De um lado, o concurso público garante a contratação de servidores estáveis, e,


portanto vinculados ao Estado, de maneira isonômica, e, ao mesmo tempo, a seleção das
pessoas mais qualificadas para o exercício das funções, independentemente da visão
política de cada servidor. Tais servidores, após confirmação no estágio probatório,
passam a gozar de estabilidade no cargo, que é fundamental para que a transitoriedade
dos governos também não signifiquem a transitoriedade do próprio Estado. Ora, se um
governante eleito pudesse demitir todos os servidores públicos para colocar pessoas
pertencente a determinado grupo ou visão política nos seus lugares, tal significaria a
desorganização, falta de profissionalismo e eficiência do próprio Estado, o qual, estando
sujeito a mudanças abruptas em cada eleição, não produziria a estabilidade e segurança
desejados e motivo da sua existência.

Por outro lado, quando um representante da visão política vencedora das


eleições, um prefeito, governador ou presidente da república, por exemplo, toma posse e
inicia o seu trabalho, legitimado pelo voto popular, é natural e desejável que ele coloque
então em prática as políticas públicas prometidas que o levaram à vitória. Daí, é fácil notar
que se ele tivesse tão somente que cumprir regras rígidas já elaboradas – potencialmente
com outra visão – e também se os únicos auxiliares que pudesse ter fossem os servidores
efetivos que já trabalham no órgão executando suas funções de praxe – também
potencialmente com outra visão –, ele restaria engessado de tal maneira que o intento
seria de todo frustrado, não sendo atendido o interesse público.

Por isso, as normas públicas em geral possuem certa abertura, variabilidade,


para que, dentro de alguns limites e cumpridas certas formalidades, possam se conformar
a essa nova visão política que está no poder, pois, embora transitória, é a que está a
expressar a vontade popular naquele momento. Dentre tais prerrogativas, estão a

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colocação de pessoas chave nos postos de mais alto escalão, em cargos de chefia,
direção e assessoramento, para que possam ajudar na condução do novo governo. Assim,
são distribuídas funções gratificadas a servidores estáveis e já pertencentes ao Estado,
que, segundo a livre apreciação do novo gestor, posam melhor ajuda-lo a realizar seus
intentos, e também contratados alguns servidores novos, sem a necessidade de concurso,
para que o novo administrador possa colocar pessoas de sua estrita confiança também em
funções fundamentais do alto escalão do serviço publico, como chefes, diretores e
assessores.

O problema é quando tais cargos são utilizados com outros propósitos que não
o atendimento do interesse público. Bases de parlamentares. Partidos. Familiares e
amigos. Comparação com outros países. Inchaço pouca qualificação e muita obediência.
Retira recursos de um lado e prejudica o serviço de outro.

Patrimonialismo

Os servidores públicos, tanto os que exercem cargos efetivos, eletivos ou


comissionados, devem buscar durante a sua execução unicamente a realização do
interesse público, pois são a personificação do Próprio Estado, que não tem outra razão de
existir. Assim se um cargo qualquer é exercido visando qualquer outra finalidade, a
exemplo do interesse pessoal do seu ocupante ou de seu grupo, de seus amigos ou
parentes, trata-se de corrupção da finalidade única para o qual o cargo existe, em
detrimento da própria sociedade. Ainda que o caso não se enquadre como a corrupção
penal, que possui caracteres específicos, trata-se de corrupção moral que fomenta o
atraso do país, quando o, servidor – ou mesmo um órgão ou instituição – se desvia da
finalidade para a qual o poder lhe foi dado e usa-o visando a beneficiar a seu grupo, a si
próprio ou a algum particular específico que com ele tenha alguma relação. Ainda, destaco
que esse tipo de corrupção independe de existir ou não autorização legal para o ato, pois
fere o alicerce, o princípio fundamental relativo à existência do próprio Estado, sendo
superior a qualquer outra norma jurídica.

Nós brasileiros herdamos muitas coisas boas dos colonizadores portugueses,


dentre elas nossa língua, mas, em termos de serviços públicos, a herança não foi das
melhores. Quando a família real desembarcou no Brasil, em 1808, trouxe consigo a
chamada nobreza, que eram pessoas que deviam ser sustentadas pelo erário – e,
portanto, pelo povo. Assim, segundo a cultura da época, o Estado não existia para servir
ao povo, mas o contrário. Eram as pessoas comuns, trabalhadores, que tinham a
obrigação de sustentar um bando de come-dorme. Essa cultura, onde o estado é utilizado
com fins particulares, para atender a uns poucos privilegiados que estão mais próximos do
poder passou a ser conhecida como patrimonialismo.

De lá para cá, muito já evoluímos em favor de uma visão republicana de Estado,


onde este é feito pelo povo e para o povo, mas ainda há muito o que se avançar. Devido

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àquela herança histórica e cultural, o patrimonialismo permeou toda a nossa história e,
ainda hoje, é comum haver pessoas, servidores públicos ou não, que tratam o poder
conferido através do cargo público como se fosse algo pessoal, um patrimônio que ele
pudesse usar como bem entender. Na verdade, juridicamente, já não é faz tempo. A nossa
constituição e inúmeras leis, são extremamente rigorosos com esse tipo de
comportamento, embora se deva reconhecer que entre a previsão abstrata e a realidade
prática ainda haja uma considerável distância. E a efetivação de uma sociedade mais
republicana depende da atitude de cada cidadão e, muito especialmente, de cada servidor
público.

Eu tenho como missão de vida ajudar pessoas a vencer na vida através dos
concursos, se preparando e conquistando sua vaga no serviço público. E tenho certeza de
que milhares dos que estão lendo esse livro em pouco tempo estarão ocupando diversos
cargos e funções no Estado. Por isso, desde já, quero que entrem com a mentalidade
correta, sadia, para que possamos construir um país cada vez melhor. Apesar de saber
que ainda temos sérios problemas nessa área, a minha experiência, nos diversos órgãos
em que passei, e também a minha observação dos noticiários, me mostraram que
caminhamos a passos largos para um país mais sério, honesto e eficiente, onde desvios
de poder tendem a ser cada vez mais uma exceção.

Infelizmente, não são poucos os que ainda adentram às fileiras do serviço


público com uma visão arcaica de servidor e do Estado, vindo muitos deles a sair pela
porta dos fundos, sendo demitidos a bem do serviço público e muitas vezes até presos. Na
Polícia Rodoviária Federal, já tive o desprazer de ver dois colegas da mesma delegacia,
com os quais eu trabalhara várias vezes, serem presos e demitidos por envolvimento com
propina.

Política e serviço público

Na Operação Lavajato, está sendo revelada e combatida a corrupção nos mais


altos escalões do poder. De um lado ela mostra para a população a podridão de um
sistema político absolutamente falido e, de outro, traz à tona um sentimento de justiça e
esperança de dias melhores. Contudo, embora existam pontos de intersecção, não se
deve confundir a corrupção oriunda de um sistema político-eleitoral ultrapassado com
desvios individuais de servidores efetivos.

A corrupção revelada pela Lavajato raramente envolve servidores públicos


efetivos. Na verdade, ela tem origem principalmente no financiamento das campanhas.
Todo partido político visa, de algum modo chegar ao poder. E, para tanto, precisam de
dinheiro para financiar as campanhas dos seus candidatos. Para evitar a captura da
política pelo capital, a lei prevê limites e restrições para doações de dinheiro a campanhas.
Trata-se de um jogo onde prevalece a hipocrisia, pois os mesmos políticos que criam as
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tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 101
normas agem nos bastidores para burlá-las. De outra parte, grandes empresas aproveitam
dessa demanda dos partidos e dos políticos por dinheiro para as campanhas e investem
grandes somas de, de forma escamoteada, visando obter benefícios futuros às suas
corporações, como licitações direcionadas ou mesmo a criação de normas que atendam a
seus interesses particulares.

E não apenas isso. Uma vez no poder, os políticos precisam garantir que haja
retorno para os investidores nas campanhas, para que as torneiras não fechem no futuro.
Para tanto, tratam de se apoderar de postos estratégicos no governo. Assim, disputam
entre si o comando dos ministérios e secretarias para, colocando as pessoas certas na
direção de cada pasta e nos cargos comissionados, possam garantir que o interesse dos
empresários investidores sejam atendidos.

Além disso, em muitos casos, o dinheiro sequer sai das empresas, que apenas
se comprometem a devolver certo percentual de comissão em cima de cada contrato pago
pelo governo através do superfaturamento de obras e serviços públicos.

Além disso, cada um desses políticos e servidores públicos comissionados


envolvidos no esquema acabam aproveitando a oportunidade e o grande volume de
recursos envolvidos para amealhar fortuna pessoal, adquirindo bens luxuosos e enviando
dinheiro público para contas no exterior.

O resultado desse sistema perverso é que o poder é ocupado e exercido


visando a interesses particulares e o Estado – que é sustentado pelo povo – se torna cada
vez mais caro pois, ao fim e ao cabo, toda essa baderna é paga por tributos que saem do
bolso de quem produz e trabalha. Não é por outro motivo que no Brasil tudo costuma ser
mais caro que em qualquer país do mundo. Temos uma altíssima carga de tributos, que
trava a economia, prejudica empregos e, de resto, muito pouco do que é arrecadado
retorna em serviços para a população.

A corrupção na política é sistêmica, e não um desvio moral de dadas pessoas


ou partidos. Como resultado das revelações da Operação Lavajado, muitas mudanças já
começaram e outras estão por vir. O Supremo Tribunal Federal já proibiu a doação de
empresas para campanhas políticas e nesse momento está em debate no Congresso uma
reforma no sistema político.

O grande problema é que muita gente – inclusive concurseiros – acabam


confundindo o meio político com o serviço público efetivo, o que é um grande erro. Quanto
a isso, minha experiência pessoal me mostrou que, quando se trata de serviço público
efetivo, os deslizes éticos e funcionais são sempre exceção. A cultura organizacional
presente no serviço público é bastante distinta daquela que vemos na política não sendo
tolerados desvios seja em procedimentos administrativos ou judiciais. Em cada órgão,
existem comissões de ética, corregedorias, integrados também por servidores efetivos, que
atuam sempre com o intuito de não permitir que uma maçã podre contamine todo o sexto.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
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Segundo dados da Controladoria Geral da União, apenas em termos de
servidores federais efetivos – que não incluem as empresas públicas e sociedades de
economia mista – de 2003 a 2016 foram demitidos 5043 servidores e outros 467 tiveram
suas aposentadorias cassadas. Uma vez demitido, a depender do motivo, o servidor pode
ficar até 10 anos proibido de acessar qualquer cargo público. Daí, o que era um orgulho
pessoal e para a família, acaba se tornando um pesadelo.

A previsão de concursos no Brasil

Como se viu, alicerce do sistema republicano brasileiro, é sustentado em dois


pilares: o regime democrático, pelo qual, através do voto, os cidadãos escolhem os
ocupantes temporários do Governo, e com estes, e as políticas públicas consideradas
prioritárias, e o concurso público, sistema de escolha de servidores permanentes do
Estado, cujos cargos não estão sujeitos aos choques advindos da alternância de poder.
Em países sem uma democracia consolidada, também chamados pejorativamente de
repúblicas de bananas, por não haver um Estado ocupado por servidores efetivos
concursados, reina a instabilidade na administração pública, o que redunda em
compromisso permanente com o atraso social, político e econômico.

Apesar de todos os problemas que temos no Brasil, é preciso reconhecer que


nossas instituições já são bastante consolidadas. Como exemplos notórios amplamente
conhecidos pela sociedade, podemos citar o Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal
que estão sempre envolvidos em operações contra crimes do colarinho branco,
especialmente envolvendo políticos e empresários poderosos. Tal só é possível justamente
porque esses servidores – promotores, juízes e delegados – têm respaldo para agir,
firmados em suas prerrogativas e garantias do cargo obtido mediante concurso público.
Como seria se os políticos pudessem demitir e escolher livremente novos juízes,
promotores e delegados? O mesmo ocorre em todas as outras carreiras efetivas, pois o
servidor, após entrar por concurso, sabe que, acima de tudo, deve obediência estrita às
leis e não a eventuais políticos transitórios que estejam no poder.

O pilar do concurso público existe nas constituições brasileiras desde 1934, a


partir de quando nunca mais saiu. Assim, em poucos anos, a regra do concurso público já
completou 84 anos de forma ininterrupta no Brasil. A previsão de uma norma na
constituição de um país significa que ela possui o grau máximo de importância, pois a
constituição é a norma superior do ordenamento jurídico, à qual devem obediência todas
as leis e atos do poder público. Além disso, houve grande evolução na abrangência do
concurso com o passar dos anos, sempre no sentido de se exigir cada vez mais o
concurso. De fato, na Carta de 1934 a exigência de concurso era expressa para o
magistério oficial, magistratura e Ministério Público, bem como para “a primeira investidura
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nos postos de carreira das repartições administrativas, e nos demais que a lei determinar”
(Art. 170, § 2º da Constituição de 34).

Tais regras foram mantidas nas constituições de 1937, 1946. Já na Constituição


de 1967 houve uma significativa mudança, pois em seu artigo 95 § 1º trazia a exigência de
concurso público para todo cargo público efetivo, uma vez que ressalvou tão somente os
cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração.

Porém, esta última exceção – que permite sejam definidos em lei quais são os
cargos de livre nomeação e exoneração – acabou sendo utilizada como uma grande
brecha para a criação de inúmeros cargos comissionados sem concurso, nas mais
variadas carreiras, especialmente em momentos nos quais vigorou por aqui regimes de
exceção.

Na constituição de 1988, tentou-se corrigir o problema, ao definir que só podiam


ser considerados cargos comissionados ou funções de confiança, e, portanto, fora da
exigência de concursos públicos, os “de direção, chefia e assessoramento”. Tal regra
ajudou a moralizar um pouco o cargo comissionado, mas ainda é grande a resistência de
setores patrimonialistas da política em usar o cargo comissionado para interesses
pessoais. Não é raro haver ações diretas de inconstitucionalidade e ações civis públicas
promovidas pelo Ministério Público, OAB, e outras organizações legitimadas contra leis ou
atos administrativos municipais, estaduais e federais que criam novos cargos
comissionados ou nomeiam servidores sem concurso. Para aqueles que hoje são
servidores comissionados, fica o alerta para a necessidade de estudar e conquistar o seu
caro, não se acomode pois cada vez mais a tendência é serem regularizadas as
contratações nos órgãos.

A superação do uso indevido dos cargos comissionados representa uma etapa


na vida republicana brasileira que ainda precisa ser completamente vencida e que possui
uma relação íntima com a mudança no sistema de financiamento das campanhas políticas.
A melhor saída para isso, na minha visão, é estabelecer, na Constituição, limites redigidos
para o número de cargos comissionados e funções de confiança em cada uma das esferas
de governo, em todos os poderes, como já ocorre, por exemplo, com os limites de gastos
públicos com servidores. No entanto, apesar disso, é preciso reconhecer que muito já
avançamos nessas quase nove décadas, período no qual a regra do concurso público
seguiu sempre a mesma trajetória, sendo cada vez mais indispensável.

O concurso, assim, é verdadeiro instrumento de concretização dos princípios


da administração pública, em especial isonomia, eficiência e impessoalidade, de modo que
o cargo público seja instrumento a serviço da sociedade e não meio de distribuição de
benesses aos amigos do rei. É importante que os concurseiros estejam a par desta
realidade histórica tanto para que também sejam instrumento de transformação, quanto
para que não se deixem desanimar por boatos a respeito do “fim dos concursos” que
sempre são espalhados por aí. A desinformação e a falta de conhecimento sobre a

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realidade por detrás dos concursos públicos acaba fazendo com que muita gente com
bastante potencial acabe se desanimando dos estudos.

A crise e os concursos

Não é segredo para ninguém que o Brasil atravessa uma severa crise
econômica em grande parte alimentada por uma crise política de igual proporção. Durante
o governo Dilma, saímos de um superávit nas contas públicas – quando o Estado gasta
menos que arrecada em impostos – para um déficit que cresce ano a ano. Do ponto de
vista econômico, a crise doméstica foi gerada por uma tentativa do governo Dilma de se
acelerar o crescimento econômico e fugir da crise internacional que se avizinhava através
do aumento de gastos públicos. A ideia, basicamente, era de que os cofres públicos, uma
vez sendo escancarados para obras e financiamentos de toda sorte, principalmente de
grandes empresas, a economia se manteria aquecida e pujante pelo tempo suficiente até
que a crise internacional passasse e a economia nacional pudesse novamente andar com
as próprias pernas. Deu muito errado. O excesso de gastos públicos levou o país ao maior
nível de endividamento da história, tendo como resultados o aumento da inflação, dos juros
e do desemprego, além da queda da confiança nacional e internacional em relação ao
país. A crise internacional há muito foi embora e o Brasil é hoje o país com a maior
recessão de todo o planeta.

Como era de se esperar, junto com a crise econômica veio a política. A


presidente, que já não tinha uma boa relação com o Congresso, perdeu de vez sua base
de sustentação, vindo a ser deposta, em meio do furacão econômico, sob a acusação de
crime de responsabilidade. Presidente novo, crise velha. A posse do presidente Temer se
deu em meio à desconfiança geral da população com o setor político, em especial por
conta das revelações da Operação Lavajato, a qual explicitou que a contaminação na
política era estrutural e não apenas deste ou daquele. Este entrou disposto a realizar
principalmente as reformas necessárias para que o país voltasse a possuir o controle
necessário das contas públicas que lhe permitisse voltar a ter índices aceitáveis de
inflação, juros, crescimento e emprego. Porém, reformas que já se mostravam difíceis pelo
pouco apoio popular, se tornaram uma incógnita após denúncias de envolvimento pessoal
de Temer em casos de corrupção. Ainda assim, conseguiu aprovar o limite para os gastos
públicos e a reforma trabalhista – previdência e política.

Com a economia andando para trás, a arrecadação tributária de todos os entes


governamentais caiu. E, como estavam todos acostumados aos aumentos sucessivos de
arrecadação dos últimos anos e também gastar sempre no limite, o choque trouxe um
colapso em alguns locais, gerando paralização de obras, programas e até atrasos nos
salários de servidores públicos.

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Até que ponto este cenário compromete os servidores públicos e novos
concursos? Com menos recursos, o Estado tende a reduzir as contratações de novos
servidores com vistas a reequilibrar suas contas, já que o gasto com pessoal representa
parte significativa do seu orçamento. Assim, até que se retome o crescimento econômico,
e com isso os entes públicos voltem a arrecadar mais com tributos, devemos continuar
observando uma significativa queda no número de novos certames. Mas isso tem alguns
limites. Tal ocorre porque os atuais servidores também não param de vagar os cargos, seja
por aposentadorias ou outros motivos, de modo que alguns setores cuja falta de servidores
já é dramática poderia entrar em colapso sem concursos.

Além disso, existe um imenso desequilíbrio entre as carreiras públicas, que


acabaram sendo moldadas nos últimos por critérios muito mais relacionados ao poder
político de cada uma delas que pelo seu retorno à sociedade. Assim, grande parte dos
gastos públicos atuais com servidores dizem respeito a poucas carreiras e,
proporcionalmente, a poucos servidores que, devido a espertezas legais e jurídicas,
recebem salários fora da curva, bem como inúmeros penduricalhos que elevam os
vencimentos desses privilegiados a bem acima do teto constitucional, hoje em R$
33.700.parase ter uma ideia, recentemente, em outubro de 2017, o portal G1 publicou
notícia de que o juiz Mirko Vincenzo Giannotte, do Mato Grosso, havia recebido, em um
único mês, mais de 500 mil reais em vencimentos, devido gratificações pendentes a que
tinha direito. De tal sorte, além das reformas estruturantes da economia e da política, urge
também uma reforma administrativa. Nesta, além de se corrigir os escândalos
proporcionados pelas verbas espertamente consideradas indenizatórias – as quais, além
de hoje poder superar o teto constitucional, não sofrem a incidência d tributos – seria a
hora de se estabelecer uma proporção mínima entre o menor vencimento pago em dada
esfera de governo e o maior, para se evitar que alguns ganhem muito mal e outros vivam
como marajás.

A boa notícia é que a economia já dá os primeiros sinais de reação. Além disso,


espera-se que com a eleição que se aproxima em 2018, seja virada a página da crise
política, com a eleição de um novo ou uma nova Presidente da República.

De tal sorte, não tenho dúvidas de que o baixo número de concursos é


passageiro. A melhoria do país como nação em todas as áreas passa, sem qualquer
sombra de dúvidas, pela necessidade premente de servidores preparados e
comprometidos com a função pública. E Para tanto, é imprescindível a necessidade, cada
vez maior, da contratação de servidores através de concursos públicos. Esse é um
processo sem volta, que tende a se intensificar nos próximos anos após a crise ser
finalmente debelada, o que resultará em inúmeras oportunidades abertas para novos
servidores, muitas delas hoje represadas. Nesse momento, quem estiver verdadeiramente
preparado irá nadar de braçada nas muitas oportunidades que aparecerão.

Como exemplo da imensa necessidade de novos servidores, cito o meu último


cargo, de Policial Rodoviário Federal, e o atual, Defensor Público. Em relação à PRF, a

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situação atual do efetivo é de verdadeira calamidade pública. Apesar de sua reconhecida
importância, muitos postos, responsáveis por centenas de quilômetros de rodovias
federais, possuem apenas três ou quatro policiais. Outras centenas de barreiras foram
fechadas nos últimos anos por falta de efetivo que desse segurança mínima para o
trabalho, mesmo diante do crescente número de acidentes e da precária situação da
segurança pública. Em 2006, levantamento do Tribunal de Contas da União afirmou que
seriam necessários pelo menos 20.000 policiais para cobrir todo o território nacional. De lá
para cá, o efetivo, que era de cerca de 9.000 policiais, só caiu, ao contrário do número de
veículos, acidentes e criminalidade, havendo atualmente um total de policiais na pista
inferior ao que havia em 1970, quando o fusca era a sensação dos automóveis, de cerca
de 7.000 homens e mulheres no serviço operacional, além dos administrativos.

Na Defensoria Pública a situação não é muito diferente. A instituição é


responsável pelo atendimento jurídico gratuito das pessoas que não têm condições e
pagar por um advogado. Segundo dados oficiais do Ipea, de 2013, o déficit de defensores
públicos no país é de 10.578 profissionais. Apesar de a Emenda Constitucional nº 80/2014
ter acrescentado o artigo 98 ao ADCT, o qual determina que, em 8 anos, todas as
unidades jurisdicionais do país devem contar com defensores públicos, a realidade ainda é
bem distante. Em Goiás, onde trabalho, há apenas 80 defensores (déficit de 430) que
atuam somente na região metropolitana de Goiânia, sendo que mais de 95% das comarcas
(cerca de 70% da população) ainda não possuem atendimento.

Esta é a realidade de vários outros órgãos, havendo uma necessidade latente


de novos concursos que certamente irão aparecer no decorrer dos próximos anos.

Competição – sim, ela existe, mas não é como a maioria pensa

Já ouvi de muita gente que simplesmente não existe concorrência em matéria


de concursos, sendo que cada um concorre apenas consigo mesmo. Bem, concorrer
consigo mesmo é uma realidade, pois quando o candidato atinge o nível necessário para
aprovação em dado tipo de concurso, ele passa (ver capítulo tal). Pode não passar em um
concurso específico, já que são inúmeras as variáveis que podem eventualmente tirá-lo do
pódio naquele dia, mas certamente passará em outro do mesmo nível, ainda que em outra
carreira ou noutra cidade ou estado.

Contudo, dizer apenas isso é falar apenas meia verdade. E eu não gosto de
meias verdades, pois acredito que quanto mais o candidato sabe da realidade, quanto
mais profundamente ele percebe onde está pisando, maiores são as condições de que ele
faça uma preparação adequada e seja aprovado o quanto antes no cargo que pretende. A
verdade é libertadora e um estímulo ao sucesso em concursos.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
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Por isso, a concorrência, embora exista de fato, precisa ser reconhecida de
maneira adequada pois, uma visão superficial ou deturpada do que ela realmente
representa – ou de quem é seu concorrente – pode em muito prejudicar a carreira de um
estudante. É preciso encarar a questão do concorrente, da competição existente nos
concursos de maneira objetiva e matemática, ou seja, entender o grau de relevância que
determinadas situações ou pontos de vista podem ou não influenciar na sua aprovação.

Assim, antes de identificar quem é o seu concorrente é preciso dizer quem não
é seu concorrente: todas as pessoas que você tiver contato, seja fisicamente ou
remotamente não são seus concorrentes. Tal ocorre por uma questão puramente
estatística. Tendo em conta a quantidade de candidatos e de vagas de dado concurso, a
probabilidade de que alguém que você tenha tido contato lhe cause algum prejuízo em
relação à aprovação ou colocação no concurso é desprezível. Mas a recíproca não é
verdadeira. Pois, por outro lado, a probabilidade de que alguma pessoa que você tenha
contato lhe beneficie no concurso, dando alguma dica que efetivamente venha a te ajudar
na prova é bastante grande.

É muito simples entender o porquê isso ocorre. Uma dica que um conhecido que
está fazendo o concurso – ou de um grupo de que você participe – que lhe renda uma
questão a mais na prova pode ser a diferença entre passar ou não passar para você, ou
seja a chance de uma única questão te beneficiar é grande. O mesmo, evidentemente
ocorre com a chance de uma dica sua beneficiá-lo, vez que é bem grande o número de
candidatos que ficam no limiar da aprovação, batem na trave. Já aconteceu comigo mais
de uma vez. Mas esse hipotético ponto que você concedeu ao seu colega – ou que ele
concedeu a você – não tem o condão de prejudicar quem faz a boa ação. A única chance
de isso acontecer seria se em dado concurso, a pessoa que você ajudou, por exemplo,
ficar ao mesmo tempo na última posição dentro das vagas nomeáveis e você ficar na
posição seguinte. Matematicamente isso é extremamente improvável. Em todas as outras
hipóteses, não fará a mínima diferença.

Por esse raciocínio, é possível notar o porquê que a generosidade e o


compartilhamento de informações e de conhecimentos, a ajuda mútua, prevalece na seara
dos concurseiros. São fóruns, grupos de whatsaap, grupos de facebook, amigos,
reuniões... enfim, são inúmeras as maneiras que as pessoas encontram de se ajudar
mutuamente, em um jogo de ganha-ganha, cujos efeitos positivos são reais e imediatos e
os hipotéticos riscos negativos são Praticamente zero, como demonstrado no raciocínio
acima. O cuidado que se deve ter nesses meios, é bom que se diga, especialmente na
internet, é com informações falsas, o que infelizmente também existe, embora raro. São
pessoas mal intencionadas que, por terem uma mentalidade deturpada da concorrência,
pensam que irão se ajudar ao prejudicar os demais, exatamente o oposto do que eu estou
ensinando aqui.

Pois bem. Se a pessoa próxima não é seu concorrente, mas, ao contrário, é seu
aliado, quem então é o adversário, além de você mesmo, é claro? O adversário não é essa

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ou aquela pessoa em especial, não é o número de pessoas que fazem o concurso e
tampouco a relação candidato-vaga. Esses dados servem apenas como um parâmetro
geral e devem ser analisados em um contexto muito mais amplo.

Quem olha apenas para o número de candidatos em um concurso, ou para a


relação candidato vaga, normalmente desanima. O desânimo se dá porque nosso cérebro
tem a tendência natural de considerar todas as pessoas iguais. Mas o fato é que não são.
Imagine que você seja um empresário e pretenda contratar cinco diretores para sua
empresa. Daí você recebesse 500 currículos de pessoas interessadas, desde pessoas
sem nenhuma experiência e com formação pífia até candidatos experimentados, com
experiências na mesma função em empresas de renome e com mestrado, doutorado,
MBA, línguas... Nesse caso, como você faria a seleção? A tendência é que, antes mesmo
de marcar entrevistas com alguns, você já descartasse a grande maioria. Você certamente
iria busca identificar naquelas fichas, quais pessoas são potencialmente mais qualificadas
para desempenhar a tarefa. Jamais você iria, por exemplo, contratar alguém apens porque
ele está precisando de emprego ou mesmo fazer um sorteio entre todos os candidatos e
contratar o que tiver mais sorte.

Em termos de concursos ocorre exatamente o mesmo. A única diferença é que


os critérios de seleção precisam ter maior grau de objetividade, em vista dos princípios da
isonomia e impessoalidade inerentes à administração pública. Mas existem inúmeras
estratégias e tecnologias passíveis de serem utilizadas pelas bancas examinadoras para
que os melhores candidatos sejam efetivamente os contratados, tal qual nas empresas
privadas. Assim, o que importa não é a quantidade de candidatos ou a relação candidato
vaga, mas a relação existente entre o nível que você está e o nível do cargo.

Podemos distribuir todos os candidatos inscritos em um concurso público em


uma pirâmide. Na parte larga e inferior da pirâmide, estão os candidatos que ainda não
atingiram o nível exigível para o cargo, em termos de conhecimento técnico e raciocínio
lógico-linguístico. Quanto a esses, ainda que realizem a sua prova perfeita – ou seja, ainda
que extraiam na prova o máximo do conhecimento que possuem – e ainda que tenham um
grau máximo de sorte, não possuem nenhuma chance de aprovação. Zero. Por exemplo.
Suponhamos que, de um concurso para analista judiciário com 10 mil inscritos, 5 mil
pessoas tenham acertado menos de 50% da prova, embora tenham se respondido a prova
inteira regularmente. Daí, imaginemos que essas mesmas pessoas que não atingiram nem
mesmo a metade da pontuação para analista, também estejam inscritos para um concurso
de juiz federal a ser realizado apenas uma semana depois, com 50 vagas. Nesse caso, eu
não tenho nenhuma dificuldade em afirmar que dentre os aprovados não estará nenhum
daqueles reprovados no concurso de analista. Tal ocorre porque, quando se considera o
concurso de juiz federal, tais pessoas estão na base da pirâmide. A maioria não sabe, não
acredita ou não quer acreditar, mas essa é a realidade delas.

Na parte de cima da pirâmide temos as pessoas que já atingiram o nível


necessário para aprovação naquele cargo. Notem que existe sempre um número maior de

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potenciais aprovados que a quantidade de vagas no concurso. Tal ocorre porque a nota
final do concurso não depende unicamente do nível do candidato, mas também de
algumas variáveis que acontecem na hora da prova e que são inerentes ao ser humano,
como a concentração, tranquilidade, rapidez e estratégia de prova – trataremos de cada
um desses temas adiante.

Em outra palavras, devido a tais fatores, quaisquer pessoas que estejam no


grupo de potenciais candidatos podem eventualmente ser ou não aprovados no concurso a
depender unicamente de fazerem ou não uma boa prova, já que possuem capacidade
suficiente para isso. Na prática, o que acontece é que tais pessoas, ao fazerem mais de
um concurso do mesmo tipo, acabam sendo aprovados em uns e reprovados em outros
por conta de fatores imponderáveis. Nesse caso, não se pode dizer que o concurso que
determinado candidato passou era mais fácil ou que aquele no qual tal pessoa foi
reprovada era mais difícil, ou mesmo que outrem é mais ou menos preparado que ele. Em
verdade, enquanto seres humanos, tais situações são absolutamente normais.

E a concorrência? A concorrência é esse nível que precisa ser alcançado, o qual


podemos chamar de ponto de chance. Ele será tão maior quanto maiores forem os
benefícios do cargo, vez que tende a atrair maior número de pessoas qualificadas. Em
situações com menor oferta de vagas, esse ponto tende a subir um pouco e vice versa. Da
mesma maneira, a especialização dos estudos para concursos também tende a fazer esse
ponto subir um pouco. Assim, você não concorre apenas contigo mesmo, pois se tal fosse
verdade o mundo exterior não teria qualquer influência na sua chance, e tem. Mas também
você não concorre com o seu próximo, com as pessoas que você convive, seja em um
grupo de internet ou em um cursinho presencial. Em termos de concorrência o que importa
é:

1 – atingir o ponto de chance do concurso que você pretende passar;

2 – fazer a melhor prova possível.

Para saber se você já atingiu tal nível de chance, basta responder provas
anteriores, comparando o seu desempenho com o ponto de corte necessário para a
aprovação no concurso paradigma. Se, na média, você estiver acertando ao menos
próximo do ponto de corte, isso significa que você já tem chance de passar naquele tipo de
concurso. Lembrando que quanto maior a amostra de provas, mais confiável é o resultado.

Desistir – sem jargões, o que fazer quando bate o cansaço?

O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo.

Winston Churchill

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“Não se faz concurso para passar, mas até passar”. Esse é um jargão
conhecido e repetido na seara da preparação para concursos. Ele até passa uma
mensagem verdadeira, mas contém em si um simplismo perigoso que pode até mesmo se
tornar uma armadilha e uma prisão para muita gente. A mensagem é verdadeira porque
traz a ideia da persistência e da necessária evolução do concurseiro rumo à sua meta a
cada concurso que ele faz, ainda que seja reprovado.

Mas é também simplista porque exigir que alguém tenha disposição e energia
para continuar tentando a mesma coisa indefinidamente é ignorar a condição humana, pois
mesmo a pessoa persistente possui limites psicológicos, familiares, financeiros... Por isso
eu prefiro tratar do assunto de maneira mais transparente, pois entendo que esse modo de
enxergar as coisas proporciona muito mais forças e ferramentas ao concurseiro para
atingir o seu sucesso que simplesmente dizer a ele que ele não pode desistir nunca, como
se fosse uma máquina.

Esse modo de enxergar a carreira me foi dado, de início, pela minha própria
experiência nos concursos e posteriormente analisando também a carreira de outras
pessoas no serviço público. Quando comecei, eu não tinha grandes pretensões, não por
falta de ousadia, mas por absoluta ausência de referências. Como já mencionei, eu estava
procurando um emprego para ganhar um salário mínimo quando deparei com as
oportunidades advindas dos concursos. Assim, minhas primeiras aprovações se deram em
concursos menos disputados e, como eu continuei estudando e visando outras carreiras,
ainda que com alguns intervalos sem estudar, à medida que eu ia enxergando novas
oportunidades e possibilidades, eu também ia amadurecendo e me aprimorando
tecnicamente. Fui galgando novos postos de nível médio, cada vez melhores, até que
entrei na faculdade. Após formado, pude então fazer concursos de nível superior.

O tipo de experiência que eu tive pode ser comparado a um empreendedor que


abre sozinho e informalmente um pequeno negócio. Depois, à medida que as vendas
melhoram, ele contrata um funcionário, formaliza a empresa, abre um conta no banco... E
continua a expansão até se tornar grande. Quando chega lá, já aprendeu a lidar com cada
uma das questões sensíveis do negócio, como empregados, fornecedores, fluxo de caixa,
impostos, etc.

Contudo, hoje a realidade dos concursos é bem distinta da época que comecei.
A quantidade de informações disponíveis fez com que se popularizasse esse meio de
empregabilidade, de modo que Praticamente todo mundo se interessa ou já ouviu falar em
concursos. São muitos os que entram na faculdade já pensando em entrar no serviço
público e se formam com este propósito, vindo, apenas depois, a fazer as primeiras
provas. Além disso, diferentemente do que aconteceu comigo, muitos candidatos já iniciam
sua carreira de concurseiro já sabendo exatamente o cargo que querem, seja por ter
alguém que lhe tenha servido de referência seja apenas por ter reunido informações que
lhe fizessem tomar esta decisão.

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Esse tipo de concurseiro pode ser comparado a um jovem que é filho de um
grande empresário e faz toda a sua faculdade sem se preocupar em se inteirar das rotinas
na empresa familiar. E, após pegar o canudo de bacharel em administração de empresas,
postula junto ao pai se tornar o presidente da companhia. Em um caso como este, caso o
pai lhe passe o bastão, não é difícil entender o porquê a chance de que este jovem afunde
a empresa é muito grande. Pois a falta de experiência prática e de maturidade lhe
acarretarão dificuldades em um nível tão alto, que são grandes as chances de que, antes
que possa realmente saber o que está fazendo, o negócio já tenha ido para o buraco.

Eu nunca pensei em desistir de fazer concursos. Mas nem por isso eu não
entendo aqueles que desanimam. No meu caso, hoje eu compreendo que desistir nunca
passou pela minha cabeça basicamente por dois motivos. O primeiro deles é que eu não
tinha nada, nenhuma oportunidade ou perspectiva de trabalho. Quando comecei, para o
mercado privado de trabalho eu era um desempregado de 19 anos com ensino médio feito
em escola pública e cujas experiências profissionais eram de badeco de oficina e office-
boy. Assim, eu agarrei aquela oportunidade que se abriu para mim como um faminto
agarra um pedaço de pão. O segundo motivo é porque eu passei.

A aprovação é a vacina contra o desânimo. Vacinas revelam ao mesmo tempo a


engenhosidade e a insignificância do ser humano diante da natureza. Diante de doenças
terríveis que dizimavam a população, para as quais não se tinha a menor noção de como
trata-las, cientistas perceberam que o próprio corpo humano poderia criar com facilidade
os anticorpos para tais doenças de maneira antecipada à infecção. Para tanto, bastava que
fosse introduzido no corpo da pessoa o agente causador do mal, só que morto. Pois uma
pessoa não vacinada, ao ter contato com o agente patógeno vivo, embora o organismo
comece a produzir anticorpos, nosso corpo acaba perdendo a guerra, pois fora
surpreendido. Diferentemente, ao ter contato prévio com o organismo causador da doença
inofensivo, nosso sistema imunológico tem o tempo necessário para se preparar.

Quando uma pessoa é aprovada em um concurso público, por menor que seja,
seu subconsciente produz o anticorpo contra o medo de nunca não ser aprovado, que é o
principal agente patógeno responsável pelas desistências. A fé é o principal fator na
carreira de um concurseiro e ela é aumentada e solidificada a cada aprovação.
Evidentemente que eu sei que existem casos de pessoas que, logo de primeira, passam
para o cargo que almejam, mas isso está longe de ser uma regra. A grande maioria das
pessoas que hoje ocupam os principais cargos públicos, especialmente de uns anos para
cá, são servidores que fizeram uma escadinha, galgando postos cada vez melhores até
chegar onde realmente querem, como também ocorre nas empresas privadas.

Porque, embora no serviço público, pela natureza objetiva da seleção, não se


exija, de regra, que o candidato tenha passado por cargos anteriores de menor estatura, tal
experiência também reflete em muito nos resultados das provas, pois o aprendizado na
prática e o amadurecimento pessoal traz um tipo de aprendizado mui difícil de ser
adquirido apenas através do estudo teórico. Ou seja, a experiência de ter estudado, ter

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sido aprovado e exercido outros cargos públicos antes de fazer aquele cargo dos seus
sonhos, de maior nível, tem o condão de, a um só tempo, te empoderar psicologicamente e
te trazer conhecimento técnico que será cobrado nas provas.

Assim, a melhor estratégia para não pensar em desistir – ou para não falir a
empresa da família – é começar por baixo. Para isso é preciso planejamento de vida e,
principalmente, pulso firme e humildade diante das outras pessoas. Não é porque você é
filho do dono da empresa que não pode começar como um mero auxiliar em algum
departamento da empresa. Do mesmo modo, não é demérito para ninguém, ainda que já
formado, fazer concursos de nível médio, por exemplo, ou postular cargos aquém daqueles
que seus pais, colegas de faculdade ou amigos já conseguiram.

Mas tudo depende do nível em que você já está, da efetiva distância entre quem
você já é hoje nos concursos e o grau exigido pelo cargo que você quer. Pois, caso você já
esteja bem próximo, é possível que valha mais a pena continuar na mesma estratégia de
antes. Contudo, caso ainda esteja muito aquém, é extremamente recomendável que desça
um nível ou dois, dando um passo atrás para pegar impulso na sua jornada.

Com isso não estou dizendo que você não tem o direito de desistir
completamente da carreira de concursos. Claro que tem. O serviço público é apenas uma
das muitas oportunidades que a vida nos traz para trabalharmos, sermos felizes e
ganharmos dinheiro. O que eu quero evitar é que você desista por um erro de
interpretação da realidade, pensando erroneamente que não é talhado para concursos,
que não é capaz de passar. Sim, você é capaz de galgar absolutamente qualquer cargo
efetivo que quiser, sem exceção. Mas, para isso, precisa lidar de maneira inteligente, pois
quem tenta subir vários degraus de uma escada de uma vez só tem muito mais chances
de se esborrachar no chão que de atingir sua meta.

Para isso é preciso ter a humildade de reconhecer seu estágio atual de


desenvolvimento nessa carreira. A começar pelo seu nível de português e interpretação de
texto, seu grau de conhecimento técnico das principais matérias cobradas no concurso,
sua expertise na resolução das provas... Ter a humildade de reconhecer que tem muito a
melhorar não é aceitar a derrota, muito pelo contrário, é demonstração de força e de
sabedoria no caminho da vitória.

Passo a passo - comece

Intenção sem ação é ilusão. Ouse fazer, e o poder lhe será dado.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 113
Lair Ribeiro

Atribui-se à escritora Karen Lamb a seguinte frase muito verdadeira: “Daqui a


um ano, você vai desejar ter começado hoje”. De fato, o tempo passa para todos e o tempo
sozinho não constrói absolutamente nada. Quando olhamos para trás e nos confrontamos
com o que poderíamos ter feito e diversas áreas da nossa vida, é comum bater um
sentimento de decepção com nós mesmos. Onde eu estive esse tempo todo que não fiz o
que tinha de fazer?

No entanto, o raciocínio pretérito é muitas vezes enganoso, por dois motivos. O


primeiro é que você não fez provavelmente porque não tinha as condições de fazer, tanto
materiais mas principalmente mentais. Quando tomamos determinadas decisões na vida, o
mais provável é que naquele momento era aquela a decisão possível de ser tomada, ainda
que não fosse a correta. Posteriormente, quando dotados de outras informações que não
detínhamos lá atrás, parece que cometemos alguma estupidez. Mas não, muitas vezes
fizemos o que era possível ser feito.

O segundo motivo pelo qual o raciocínio de olhar para trás pode ser traiçoeiro é
porque, depois que passa, ele se torna puramente abstrato e matemático, vindo a parecer
ter uma facilidade que na verdade não possui. Se você tivesse poupado 20% dos seus
ganhos nos últimos anos, teria possivelmente teria hoje uma boa grana. Parece fácil
olhando dessa maneira. Mas, no momento que a vida acontece, não é tão fácil deixar de
comprar aquela roupa, cancelar a TV a cabo, dispensar aquele barzinho com os amigos no
final de semana. O grau do sacrifício só pode ser verdadeiramente concebido no momento
em que a coisa acontece, e essa batalha quase nunca é fácil de ser vencida.

É claro que existem algumas coisas que nos puxam pela inércia do movimento.
Por exemplo, o simples fato de tomar uma atitude de entrar em uma faculdade de direito –
e desde que você não se deixe levar pelo canto da sereia de trancar algum semestre na
primeira dificuldade – provavelmente te levará à colação de grau como bacharel cinco anos
depois, vez que essa é a regra. Outras atividades, porém, possuem natureza bem distinta.
O simples fato de eu ter começado a escrever esse livro não faz com que ele se conclua
nem em meses nem em anos, porque não existe um mecanismo social organizado e
tendente a um desfecho que me leve, pela inércia, à sua conclusão. Para ter um livro
pronto, é preciso sim tomar a decisão de começar, mas também é necessário sentar na
cadeira e ligar o computador incontáveis vezes, pensar em cada um dos temas, escrever,
reescrever e corrigir dia após dia.

Tal é bem parecido com estudar para concursos. Não basta começar. Aliás,
acredito que muitos dos que estão lendo estas páginas já começaram a estudar em outras
oportunidades e vieram a parar por algum motivo. Por isso, antes de falar da importância
de começar, eu preciso deixar claro que isso não é tudo. Embora uma grande jornada

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 114
comece com o primeiro passo, é preciso dar cada um dos outros passos com firmeza e
obstinação até chegar ao final.

Por outro lado, é também verdade que a maioria das pessoas não chegam
sequer a começar. Analisando do ponto de vista da matemática, é bem possível que o
simples fato de você tomar a decisão e efetivamente iniciar os seus estudos para
concursos já multiplica em várias vezes suas chances de vir a ocupar o cargo que deseja,
pois você terá saído do grande grupo dos que só falam em estudar para concursos mas
nunca têm coragem de agir.

Por isso, se você chegou até aqui na leitura desse livro – e eu não tenho
dúvidas de que, infelizmente, muitos que iniciaram a leitura já terão ficado pelo caminho,
pois esta é a lei da vida, e o início da seleção dos melhores – é porque sua hora de
começar ou recomeçar a estudar é agora. O dia D é hoje.

Chegamos a um ponto que é um divisor de águas no livro. Até aqui procurei te


mostrar o quanto a mentalidade influencia nos rumos da nossa vida. A forma com que
nossos pensamentos e crenças moldam nossas atitudes e como nossas atitudes são
responsáveis pelos nossos resultados. Meu objetivo é que você tenha feito uma profunda
reflexão e identificado diversos pontos em comum com a sua vida, que você tenha
entendido que seus fracassos até aqui não são obra do acaso ou da sorte, mas resultado
de suas próprias ações.

Acredito que você já compreendeu que o mais importante não é eleger um


culpado para os desacertos da vida, pois o que você – ou seus pais – fizeram ou deixaram
de fazer pela sua carreira foi resultado daquilo que estava nas suas mentes, de crenças
erradas que geravam visões distorcidas e limitantes da realidade. De nada adianta olhar
para o passado procurando um culpado, nem em si próprio, nem na família, nem nas
crises ou nos governos.

As águas passadas não movem moinhos. O importante é não perder nem mais
um minuto. Desse ponto em diante do livro, mudaremos um pouco a abordagem. A partir
de agora, passo a ensinar em detalhes as técnicas, estratégias e táticas que eu aprendi ao
longo desses últimos 15 anos e que me levaram a 10 (dez) aprovações em concursos
públicos, incluindo alguns dos cargos mais concorridos do Brasil. Mas esse não é o tipo de
conhecimento que você deve guardar somente. Chegou a hora de você colocar a mão na
massa e iniciar – ou retomar – seus estudos com afinco, tomando as rédeas da sua vida e
construindo o seu futuro.

Conforme fiz menção lá atrás (confirmar e citar) não se preocupe se você não é
o tipo de pessoa que tinha experiência em estudar. Na verdade a maioria não tem. Nosso
sistema de estudo é campeão em formar uma cultura de desleixo com a educação, leitura
e dedicação ao aprendizado, no qual tudo o que se visa é obter notas, aprovações e
títulos, desconectados da realidade do mercado de trabalho. Agora que você já sabe disso,
tudo o que você precisa para trilhar um novo caminho é agir. Comece. Os obstáculos

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 115
internos e externos vão sim aparecer, mas, ao se manter firme, vai ficando cada vez
menos difícil estudar e aprender, e depois fica fácil, até chegar um ponto em que estudar,
aprender e fazer provas de concursos se torna um Prazer na sua vida. Pode acreditar.

Você não deve perder mais nem um dia. À medida que for lendo as páginas
seguintes, comece a anotar os insights que você tiver de como você irá colocar em prática
cada um dos ensinamentos, adaptando-os à sua realidade. Para isso, vamos falar sobre
cada um dos aspectos mais relevantes da caminhada do concurseiro, do início ao fim,
iniciando pela escolha do cargo, passando pela seleção do material de estudos,
cronograma de estudos, resumos, estudo com questões, a reta final de preparação até
chegar à prova, onde eu falo das técnicas para ter mais eficiência e aumentar o número de
acertos. Agora é hora de trabalhar. Pegue uma caneta e papel, e inicie desde já!

Para qual concurso estudar – ou o quê estudar?

No capítulo “X” falamos sobre a escolha do cargo dos seus sonhos. De como
você pode ser ousado e escolher absolutamente qualquer cargo público para ser aprovado
em um concurso. Do mesmo modo, tratamos no capítulo “X” da importância de você não
deixar que o seu passado, família ou seu meio atual condicionem sua mente de modo a
limitar seu futuro. A verdade límpida e pura é que – se estiver disposto a pagar o preço –
você pode ser o que quiser!

A partir de agora, no entanto, iremos partir para uma abordagem diferente,


pragmática, de como traçar uma estratégia de aprovação na qual você aproveite o máximo
possível o seu tempo e o seu aprendizado rumo à sua primeira (ou segunda...) aprovação.
Para que, posteriormente, utilizando-se da estratégia da escadinha, continue sua carreira
até chegar onde realmente quer.

Antes de dizer o que um concurseiro enxuto faz, vou falar o que não se deve
fazer – que é o que a grande maioria das pessoas interessadas em concursos pratica.
Como dizia Raul Seixas, a pessoa está ali, na dela, com a boca escancarada cheia de
dentes esperando a morte chegar, quando recebe por Whatsaap uma mensagem dizendo
que estão abertas as inscrições para determinado concurso. O sujeito então faz uma
pesquisa na internet encontra o edital, olha o salário, as matérias... E começa a pensar
onde conseguir o material de estudos... Esse é o tipo de concurseiro que não sabe onde
está pisando. Se fosse uma guerra, seria aquele soldado que caiu de paraquedas no meio
do terreno do inimigo. São poucas as chances de sobrevivência.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 116
Na verdade, este tipo de concurseiro não escolhe cargo algum, mas apenas
tenta passar de maneira amadora naqueles concursos que caem na sua cabeça. O
concurseiro enxuto se antecipa ao edital, escolhe o cargo que quer fazer e começa a
estudar muito antes e é capaz inclusive de abrir mão de tentar determinados concursos
que não estão na sua linha de estratégia.

De início, é preciso fazer um recorte delimitando um grupo de cargos que você


se interessa, levando em conta principalmente o conteúdo programático exigido em tais
certames. Se de um lado, não é recomendável intentar fazer todo e qualquer concurso, vez
que isso abre de mais o leque de matérias que você precisará dominar, por outro, não é
bom focar em um único cargo, pois ele pode demorar muito para sair. Infelizmente, a
maioria dos órgãos públicos não costuma fazer concursos de maneira regular, de modo
que seja possível prever com exatidão quando sairá o edital para o cargo almejado. Por
isso, toda previsão de abertura de concurso possuirá maior ou menor grau de
variabilidade.

Eu costumo diferenciar a preparação pré-edital, que é aquela que se faz de


maneira antecipada, da preparação pós-edital. É preciso utilizar estratégias distintas em
cada um desses momentos, conforme melhor explicitarei adiante.

Antes de inicia uma preparação pré-edital para concursos, é preciso pesquisar


os concursos previstos e analisar – de preferência através de uma minuciosa pesquisa em
editais anteriores – de modo a identificar alguns cargos que se enquadrem no seu perfil e
que tenham razoável probabilidade de abertura de concurso a médio Prazo. A ideia aqui é
que, ao final dos quatro passos seguintes, você tenha selecionado alguns cargos públicos
que sejam de seu interesse para iniciar uma preparação de maneira mais econômica e
eficaz. Você verá que, em vez de estudar para um único concurso, mesmo antes de sair o
seu edital, em muitos casos é possível aproveitar tal preparação visando mais de um cargo
ao mesmo tempo, estudando as matérias comuns a eles.

Passo 01 – Previsão.

Alguns concursos se repetem com uma frequência mais ou menos previsível, de


ano em ano, dois em dois anos, quatro em quatro anos, enquanto outros podem passar
muitos anos sem aparecer.

Existem inúmeros sites na internet que procuram informar os candidatos com


antecedência da possibilidade de abertura dos principais concursos públicos. Como regra,
para se saber se existe grande chance de um edital ser liberado, é preciso que se verifique
de maneira concomitante se existem cargos vagos criados por lei, se houve previsão
orçamentária e se há intenção do administrador responsável no sentido de se realizar o
concurso e até mesmo, quando o concurso já está iminente, a sua autorização pelo gestor
responsável e o a licitação (ou procedimento para sua dispensa) para a contratação da

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 117
banca examinadora. Com relação às informações prestadas por tais serviços na internet,
existem dois detalhes importantes.

O primeiro é que o candidato deve estar atento sobre qual é o fundamento


utilizado para se informar que o concurso está prestes a sair. Muitas vezes, empresas
interessadas em aumentar o número de matrículas nos seus cursos preparatórios,
disseminam meias verdades sobre a real previsão de concursos. O segundo é que
costuma-se dar maior destaque apenas no que se refere aos cargos mais visados, aqueles
mais conhecidos do grande público. Com relação a cargos menos visados e com menor
número de vagas, como de empresas estatais, de municípios pequenos, carreiras que
exigem formação específica, etc., deve-se buscar fontes especializadas para tais
informações, o que inclui o contato direto com o próprio órgão em questão.

Passo 02 – requisitos.

Curso superior – Logo após a confirmação de quais são os concursos previstos,


antes de partir para os estudos é preciso verificar com cuidado se você se enquadra em
todos os requisitos formalmente exigidos para o cargo. A maioria dele deve ser
comprovada apenas no momento da posse. Contudo, existem casos em que tal
comprovação deve se dar ainda no ato da inscrição no certame. Nesse momento, é
preciso saber diferenciar, por exemplo, curso superior em qualquer área (o que inclui o
curso superior sequencial), curso superior em nível de graduação (que inclui os
tecnológicos de menor duração), bacharelado, licenciatura, até cursos superiores
específicos eventualmente exigidos, sempre reconhecidos pelo MEC. Um erro nesta
avaliação pode significar grande frustração futura.

Prática jurídica – Prática jurídica é a experiência comprovada por três anos,


após a conclusão do curso superior em direito, em cargo privativo de bacharel em direito
ou cuja atividade seja essencialmente jurídica, conforme declaração do órgão, na
advocacia, como conciliador voluntário ou em algumas outras atividades especificadas nos
regulamentos dos órgãos. Para a magistratura, a regulamentação está no artigo 59 da
Resolução nº 75 do CNJ. Para o Ministério Público, a regra está na Resolução nº 40 do
CNMP, com destaque para a aceitação de pós-graduação como prática forense. No caso
das defensorias públicas, após a Emenda Constitucional nº 80, que incluiu o § 4º ao artigo
134, todas as defensorias passaram a exigir a prática jurídica. Porém, em recente decisão,
o STJ entendeu que tal exigência depende de previsão anterior em lei complementar.
Historicamente, não se exigia prática jurídica para o cargo de delegado de polícia.
Contudo, atendendo a uma reivindicação da classe dos delegados, a lei federal
13.047/2015 passou a exigir experiência em atividade jurídica ou policial também para o
cargo de delegado federal e delegado do distrito federal. A partir de então, vários estados
têm regulamentado a mesma exigência.

É possível que o concurseiro esteja exercendo cargo público cuja atividade,


embora não seja considerada jurídica, impeça o servidor de exercer, por exemplo, a
advocacia, dificultando a obtenção do requisito. Nesse caso, apesar de um pouco mais

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tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 118
trabalhoso, sempre haverá alguma possibilidade de obtenção da prática, não havendo
motivos para ficar parado. Dentre as principais, está o trabalho voluntário como conciliador,
por 16 horas mensais; o magistério superior; a transferência, dentro do seu órgão, para
setor que exerça atividade essencialmente jurídica, como corregedoria ou licitações – para
a obtenção de futura declaração do órgão nesse sentido –, bem como, para o Ministério
Público, a obtenção de título de pós-graduação, conforme regulamentado na citada
resolução.

Prática forense – É a prática no exercício da advocacia, admitindo-se inclusive o


período de estágio anterior à conclusão do curso superior em direito, desde que
devidamente comprovado. Como regra, exige-se dois anos de prática. O estágio pode ser
realizado em escritórios conveniados com a faculdade ou mesmo em um núcleo de prática
dentro da própria instituição. Costuma ser exigida pelas procuradorias dos estados, dos
municípios e da União, embora nem todas exijam.

Experiência – Embora não seja comum, há ainda outros casos de concursos em


que se exige também a comprovação de experiência prévia na função, normalmente
comprovada através da carteira de trabalho.

Outros requisitos específicos – Existem ainda outros requisitos específicos que


costumam ser exigidos em edital para o desempenho de algumas funções, a exemplo da
exigência de CNH categoria “B” ou superior para Policial Rodoviário Federal, cursos
técnicos específicos na área da saúde, pós-graduação para o cargo de professor
universitário, etc.

Títulos – Título não é requisito para a participação em concurso. A prova de


títulos é apenas classificatória, não podendo, em nenhuma hipótese, ser eliminatória. Na
grande maioria dos concursos, a pontuação de títulos não chega a ter peso significativo na
nota final, de modo que, aqueles que não os possuem, não chegam a ter sua aprovação
ameaçada, a priori, por não ter títulos. Nesses casos, quando muito, os candidatos
aprovados que não possuam títulos ou que os possuam em pequena quantidade acabam
apenas perdendo algumas colocações na classificação final do concurso, nada que deva
causar grande preocupação.

No entanto, é preciso estar atento, pois há casos de concursos em que a nota


da prova de títulos é bastante significativa, de modo a comprometer inclusive as chances
de aprovação de quem não os possui. É o caso, por exemplo, dos concursos de cartório,
cuja regulamentação do CNJ na resolução nº 81 prevê que os títulos valem 20% da nota
final do concurso público. Ademais, em concursos para oficial de cartório, a classificação
tende a significar grande diferença de remuneração, já que a escolha do cartório é feita na
sequência da classificação, e costuma existir grande diferença entre um e outro ofício. Em
tais casos, é essencial que o candidato tenha uma visão estratégica de longo Prazo, de
modo a, concomitantemente com o aprendizado técnico, obter os títulos para
complementar sua pontuação.

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tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 119
Passo 03 – Local de prova e de nomeação.

O terceiro passo para definir quais são os concursos de seu interesse no


momento, é fazer uma analise sincera a respeito da sua disposição de viajar para fazer
provas e também, em caso de aprovação, de se mudar. Não é pequeno o número de
pessoas que se inscrevem em concursos fora da sua cidade ou estado, em um momento
de empolgação, mas que acaba nem indo fazer a prova. É bom ter nesse contexto todos
os custos da viagem, tais como hotel e avião, bem como, para quem trabalha, a
disponibilidade dos dias para fazer a viagem em cada uma das fases do certame.

Do mesmo modo, é importante já ter em questão desde o início o local provável


de nomeação em caso de aprovação. A depender da regulamentação do órgão e previsão
no edital – o que pode variar de um concurso para o outro – e de qual ente público está
realizando o concurso, isso pode variar muito. No caso dos concursos municipais, não há
muito segredo, pois a distribuição dos aprovados estará limitada pela geografia deste ente
político. Em relação aos concursos estaduais e federais, há casos em que o concurso é
regionalizado e outros nos quais os aprovados podem ser enviados para qualquer
localidade dentro do ente político respectivo, a depender da existência de vagas, e sempre
com as escolhas pela ordem de classificação no concurso.

Como regra, as capitais dos estados são sempre onde há o maior número de
servidores, mas o tempo necessário para se chegar a uma capital, através de remoções,
varia bastante a depender do cargo e do órgão. Como exemplo, o Ministério Público
Federal possui concurso unificado nacionalmente para procuradores da república e
regionalizado por estado para analistas e técnicos. Assim, a pessoa nomeada para o cargo
de procurador da república, deverá escolher sua lotação dentre as opções possíveis em
todo o país. Como é de se imaginar, as vagas disponíveis, de regra, acabam surgindo nas
localidades mais isoladas atendidas pelo órgão. Por outro lado, existem também órgão
cujos cargos são todos em capitais, a exemplo das assembleias legislativas e tribunais de
contas.

A questão da mudança de cidade é muito pessoal. Existem pessoas que, por


um motivo ou por outro, querem retornar o mais rapidamente possível à sua cidade de
origem, ou para uma localidade mais próxima. Nesse caso, a melhor maneira de se ter
uma noção de quanto tempo aproximadamente deverá levar para se chegar, via remoção,
até determinada localidade é perguntando diretamente aos servidores ocupantes do cargo
em questão. Já fiz esse tipo de pergunta várias vezes e sempre foram muito receptivos e
compreensivos comigo. Até mesmo uma ligação telefônica no setor de recursos humanos
do órgão já pode ser bastante esclarecedor.

Mas a melhor maneira de se fazer concursos é com espirito aberto a conhecer


gente nova e lugares novos sem pressa de voltar ou até mesmo sem saber se um dia
regressará para morar. Nosso país é imenso e cheio de belezas e culturas as mais
variadas prontas para serem descobertas e vividas. Quando se é solteiro e mais jovem –
ou quando o companheiro e filhos estão dispostos a acompanhá-lo – os concursos

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 120
públicos podem ser inclusive uma agradável maneira de se descobrir o Brasil. Além do
mais, é sempre possível fazer ao menos uma viagem de volta de vez em quando, nas
férias ou feriados, para visitar os amigos e parentes que ficam.

Passo 04 - Matérias em comum. Neste ponto nós faremos a última peneira para
enfim decidir qual conteúdo estudar pré-edital. Após ter selecionado alguns cargos do seu
interesse, é preciso fazer um último arranjo para selecionar apenas aqueles que possuem
razoável número de matérias em comum. Obviamente, quanto maior identidade houver
entre as matérias, mais rapidamente você atingirá o nível de aprendizado necessário para
aprovação. Para quem está iniciando nos concursos, aconselho que faça apenas
concursos cuja identidade de matérias seja de pelo menos 60%, considerando-se a
pontuação atinente às matérias em questão. Isso evitará que se abra demais o leque de
estudos, para que o candidato não esteja sempre a enfrentar matérias novas, com as quais
ele não possui familiaridade, o que dificulta sobremaneira atingir o grau de conhecimentos
necessários para aprovação.

Nesse ponto, a questão relativa à disponibilidade para mudança de cidade e


estado fará bastante diferença. Tal ocorre porque os mesmos cargos estaduais e
municipais são recorrentes no país inteiro, havendo a possibilidade de identidade de
matérias de mais de 90%, variando apenas em termos de normas locais.

Em todo caso, o importante é selecionar um núcleo de matérias que valerá para


mais de um concurso de seu interesse, para evitar que você fique preso em apenas um
processo seletivo que pode demorar ou acabar nem saindo. A título de exemplo, nos
concursos para órgãos da seara jurídica, costuma-se sempre cobrar o conteúdo de direito
constitucional e administrativo. Quando de nível médio, alguns costumam incluir
informática, português, matemática ou raciocínio lógico. Assim, vamos supor que você
tenha verificado que o conteúdo programático de direito constitucional, direito
administrativo, português e informática sejam matérias comuns dos concursos de seu
interesse, em tribunais judiciais por exemplo. Nesse caso, você deve iniciar imediatamente
o estudo dessas matérias para que, quando sair o edital, você possa direcionar grande
parte dos seus estudos apenas para matérias específicas, a exemplo do direito do trabalho
e o regimento interno para o TRT, direito eleitoral e o regimento interno para o TRE, etc.

Por fim, uma constatação. Na minha experiência de concursos e também


analisando a experiência de amigos próximos, eu percebi que, após muitos anos de
preparação, algumas pessoas atingem uma expertise tão grande em provas e concursos e
um conhecimento tão consolidado nas principais matérias que conseguem aprovação em
concursos cujas matérias são bastante distintas, às vezes até fazendo mais de um
concurso de uma só vez, como eu mesmo já fiz e fui aprovado. Contudo isso está longe de
ser aconselhável para quem está começando nos concursos, principalmente para quem
quer chegar mais rápido na sua primeira aprovação. Quanto mais você restringir o leque
de conteúdos, mais especialista irá ficar e maiores serão suas chances de aprovação.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 121
Além disso, outro fator relevante é que quanto mais especializado e concorrido
for o cargo, mas ele tenderá a exigir uma especialização específica para aprovação mais
rápida. Nesses casos, para aqueles que não pretendem viajar o país inteiro atrás de um
único cargo, mas preferem buscar concursos apenas mais próximos de suas região,
recomenda-se o foco pelo menos em carreiras que, embora concorridas, possuam
bastante coisa em comum, a exemplo das carreiras de juiz, promotor e defensor estadual;
ou de juiz do trabalho e procurador do trabalho; ou para juiz federal e procurador da
república; ou delegado estadual e federal; ou, por fim, para as procuradorias estaduais,
municipais e federais.

Quem se utiliza desses dos critérios trazidos nesse capítulo na hora de escolher
para qual concurso estudar e quais matérias estudar, perceberá de maneira muito clara e
rápida sua evolução, de um concurso para o outro, até a aprovação.

Estar decidido, acima de qualquer coisa, é o segredo do êxito.

Henry Ford

Fazendo um plano de estudos e estabelecendo um cronograma – tática do funil

Fazer um plano de estudos é fazer com que os estudos passem a fazer parte da
sua rotina diária. Mais do que apenas inserir períodos de estudos em seus horários
atualmente vagos, é preciso adaptar sua atual rotina de modo que os estudos para
concurso passem a representar uma prioridade em sua vida. Quem não trata os estudos
para concurso como prioridade tem poucas chances de êxito.

Com isso não estou dizendo que você precisa abandonar sua família, amigos ou
o emprego. No caso da família e amigos, conforme já tratado no capítulo X, será preciso
todo um jogo de cintura para que a coisa aconteça sem maiores traumas. Você não deve
simplesmente desejar que, como em um passe de mágica, as pessoas mais próximas
passem a ser compreensivos com sua nova vida de estudos, pois isso não vai acontecer.
Ao contrário, como a maioria das pessoas no nosso país não possuem uma cultura de
estudos, a tendência é que pensem que você enlouqueceu ou, na melhor das hipóteses,
que está inventando alguma moda passageira.

Evite brigas e discussões, afinal, é você quem agora resolveu nadar contra a
maré e não eles. Evite também tentar doutriná-los, pois ninguém será convencido por você
que estudar para concursos é uma boa coisa até que você passe em um. A melhor atitude
aqui é fazer mais que falar e dar tempo ao tempo. Seja resiliente e vença todos pelo
cansaço.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 122
Com relação ao trabalho, é certo que a maioria das pessoas não podem se dar
ao luxo de abandonar o emprego para estudar. Nesse quesito, remeto vocês a assistirem
os vídeos x e y do YouTube.

Mas em se tratando de plano de estudos, o que importa é fazer com que os


estudos para concursos passem a ser a sua prioridade número 01 em relação àquilo que
você tem controle. O importante é que você não use como desculpa justamente os
compromissos ou limitações em relação aos quais você não tem controle para deixar de
agir em relação àquelas que estão ao seu dispor.

Defina de maneira bastante séria e honesta contigo mesmo os horários e locais


nos quais você se dispõe a estudar. Mas, nessa tarefa, antecipe-se e procure administrar
da melhor maneira possível suas limitações físicas e possíveis empecilhos que possam te
atrapalhar. Por exemplo, o cansaço e o sono após o trabalho pode ser evitado com o
estudo pela manhã, pessoas conversando ou fazendo barulho podem ser evitados com o
estudo em uma biblioteca, etc.

Não seja otimista demais com o seu tempo, pois isso pode ser um tanto
frustrante. É melhor estabelecer um plano mais acanhado que você consiga cumprir, e
tenha uma sensação de dever cumprido e de realização pessoal, passando para o seu
subconsciente uma mensagem de que está no caminho certo, que criar um plano
mirabolante que nunca sairá do papel. Mas, à medida que estiver conseguindo cumprir
com certo grau de tranquilidade o seu plano, isso indica que já é hora de aumentar um
pouco mais a carga de trabalho.

Não se esqueça de manter algum horário para lazer e para a família, mas
lembre-se de que os finais de semana de um concurseiro não são iguais aos finais de
semana e feriados de uma pessoa normal. E eu usei aqui a palavra normal de propósito,
porque o normal é ter uma vida comum, trivial. E se você quer ter algo diferente, trate de
fazer coisas diferentes também.

Criando um cronograma de estudos – a tática do funil

Após estabelecer quais são exatamente seus horários livres e onde são os
locais onde irá estudar, é hora de contabilizar a quantidade de horas disponíveis que você
possui para distribuí-las em um cronograma de estudos. Nele, você irá definir quais
matérias irá estudar em cada dia e horário. Logo após criar o cronograma, será a hora de
escolher o material de estudos. Contudo, essa ordem não é absoluta.

É possível também que primeiro você escolha qual material irá estudar para
apenas depois organizar o seu cronograma. Contudo, preferível sempre definir primeiro a
quantidade de horas que estará disponível para cada matéria para, só depois, escolher o

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
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material de estudos. Tal acontece porque, quando o concurseiro escolhe primeiro o
material, é muito comum que não encontre tempo suficiente para estudá-lo, se perdendo
no eu planejamento de estudos.

É muito importante que o candidato estabeleça um critério estratégico na hora


de separar a quantidade de horas que estudará para cada matéria, pois isso influirá
decisivamente no seu resultado final. A falta dessa visão leva frequentemente o candidato
a, não apenas não conseguir estudar sequer 50% do que gostaria até a prova, mas ainda a
não ter focado naquilo que poderia lhe render mais pontos.

Fazer concursos é igual jogar poker

Nesse aspecto, o concurso público possui a mesma natureza de um jogo de


poker. Embora o poker seja um jogo de cartas, ele não é considerado um jogo de azar.
Jogos de azar são aqueles nos quais o fator preponderante para a vitória é a sorte
aleatória, pouco importando a técnica ou estratégias utilizadas. O jogo do bicho e a Mega-
Sena são jogos de azar.

No poker, primeiro se distribui duas caras a cada jogador. Na sequência, fazem-


se as apostas. A depender das cartas que cada jogador saiu, é possível se calcular a
probabilidade matemática de ele vencer o jogo caso vá até o final, fazendo a combinação
de cartas mais forte conforme as regras do jogo. Mas essa probabilidade muda a cada
nova carta descida na mesa. De início, espera-se que cada jogador aposte de acordo com
suas cartas, apostando mais se tiver saído com boas cartas e apostando menos, ou
mesmo desistindo se suas cartas não forem tão boas. A aposta de um significa um desafio
para os outros, que podem cobrir a aposta ou desistir, perdendo apenas o que já apostou
anteriormente. Contudo – e aí começa a graça – é possível blefar, fingindo que se tem
cartas boas sem se ter. E, caso os outros fujam logo no início, o apostador leva aquela
mão mesmo com as piores cartas.

Na sequência, desde que reste ao menos dois jogadores na mão, são descidas
novas cartas, primeiro o flop (três cartas que são abertas de uma vez), depois o flop (uma
carta) e por último o river (uma carta). Caso os apostadores decidam se enfrentar, abre-se
as cartas para que se verifique ao final quem teve a mão vencedora. Assim, nesse tipo de
jogo existe uma mescla entre sorte e estratégia. Mas os especialistas são unanimes em
afirmar que a estratégia é o aspecto que realmente importa. E tal é difícil de entender o
motivo. Como cada rodada é decidida essencialmente em função da atitude de cada
jogador, e não necessariamente de suas cartas, para se dar bem no poker, além de
conhecer as regras do jogo e saber calcular minimamente as probabilidades de vitória de
cada mão, é necessário ter bastante força psicológica, seja para blefar no momentos
certos, seja para fazer a leitura dos outros jogadores.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 124
Como a distribuição de cartas é aleatória, e como são inúmeras rodadas de
distribuição – podendo chegar às centenas – tal acaba por quase anular o fator sorte
quando se analisa um jogo inteiro. Este é um efeito natural da probabilidade. Se você jogar
um dado uma única vez, não há como dizer que número irá cair, sendo o fator sorte
bastante presente. Mas se você jogar um dado 1000 vezes, é possível afirmar que a
quantidade de vezes que a face 6 (seis), ou qualquer outra, cairá para cima será algo bem
próximo de 166 (1/6 de 1000). Por isso, quem acompanha os campeonatos de poker pode
notar que os grandes campeões estão sempre entre os melhores, nas mesas finais, como
ocorre no campeonato mundial WSOP, transmitido pelas TVs a cabo, sendo comum que
um mesmo especialista de conquiste vários campeonatos, comprovando que não tem nada
a ver com sorte.

E essa é exatamente a mesma natureza dos concursos. Em uma primeira vista,


é possível imaginar que o fator sorte tenha alguma relevância nas provas objetivas dos
concursos. Mas, embora eu não se possa dizer que a sorte seja um aspecto nulo, posso
afirmar sem sombra de dúvidas que é insignificante. No poker, quando se considera cada
carta distribuída isoladamente, pode se afirmar que este ou aquele jogador teve mais ou
menos sorte. No concurso público, quando se considera cada questão isoladamente, seja
sua presença na prova ou um chute dado pelo candidato, de igual sorte pode-se afirmar
que este ou aquele candidato teve mais ou menos sorte. Mas – e é isso o que importa –
tanto no poker quanto nos concursos, o grande número de rodadas (ou questões) causa
uma diluição tão grande, com uma possibilidade de combinações tão imensas que o fator
sorte se torna insignificante.

Para se ter uma ideia, considerando que é de 1/6 a probabilidade de um


candidato acertar uma questão objetiva com seis alternativas, a probabilidade de que ele
acerte todas as 10 questões de direito constitucional de um aprova é de 1/6 elevado ao
peso 10 (1/6 x 1/6 x 1/6 x 1/6 x 1/6 x 1/6 x 1/6 x 1/6 x 1/6 x 1/6), que é igual a um em
60.466.176. Ou seja, se houvessem sessenta milhões de candidatos em um concurso e
todos eles chutassem todas as 10 questões de direito constitucional sem nem mesmo lê-
las, a probabilidade matemática é de que apenas um único candidato acertaria a todas.
Essa chance é menor que a probabilidade de se acertar os seis números da Mega-Sena
com uma única cartela de 6 números (1 em 50.000.000).

Do mesmo modo, imaginemos que vários candidatos chutem todas as 100


questões de um concurso de seis alternativas sem nem mesmo lê-las, direto no gabarito. A
probabilidade normal de acertos é de 20% (1/6). Na prática, os acertos dos candidatos
iriam variar um pouco para mais ou para menos. Em um gráfico, perceberíamos quanto
mais próximos dos 20% de acertos, estariam o maior número de candidatos. À medida que
se afaste desse percentual, tanto para menos 19%, 18%, 17% ou para mais 21%, 22%,
23%, menos candidatos tenderiam a alcançar tal posição, até que se chegue em um
percentual que nenhum candidato tenha alcançado, provavelmente algo em torno de 25 a
35%, a depender do tamanho da amostra. Em tais circunstâncias, embora
matematicamente não se possa dizer que seja impossível, a probabilidade de alguém

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 125
acertar 50% ou 60% da prova e ser aprovado no concurso é menor que a probabilidade de
se ganhar várias vezes seguidas na Mega-Sena jogando-se apenas uma cartela em cada.

Dessa forma, eu espero ter te convencido de que para passar em um concurso


público será necessário que você domine razoavelmente o conteúdo que será cobrado na
prova, analisando e respondendo cuidadosamente a cada questão, jamais confiando na
sorte.

Além disso, o mesmo raciocínio podemos fazer para a escolha de o quê estudar
para prova. Fossem as questões escolhidas pela banca de maneira aleatória, entre as
dezenas de milhares de leis, doutrinas e decisões jurisprudenciais existentes no Brasil,
pouco importaria o quê você estivesse lendo ou quais vídeos estivesse assistindo. Nesse
caso hipotético, bastaria que você pegasse qualquer material de estudo e estudasse pelo
maior tempo possível, pois a probabilidade de se estar estudando o conteúdo que seria
cobrado na prova seria a mesma. Mas não é.

Por isso que a estratégia para aprovação em um concurso público começa


muito antes da prova, na formatação do plano de estudos, cronograma de estudos e
seleção do material de estudos. Porque quando você tem a visão correta em cada uma
dessas etapas, pode aumentar imensamente a probabilidade de aprovação no concurso,
ainda que estude tempo igual ou até menor que a média dos candidatos. Trata-se de uma
questão de eficiência.

Definindo a carga horária de cada matéria

São dois os principais fatores que devem ser levados em conta na hora de
estabelecer a carga horária menor ou maior, dentro do tempo total disponível que você
possui, para cada matéria:

1 – pontuação da matéria. Quanto mais pontos valem uma matéria na nota total,
incluindo eventuais pesos, mais tempo você precisará dedicar a ela.

2 – seu conhecimento atual na matéria. Quanto menos você sabe de uma


matéria, mais tempo terá de se dedicar a ela.

Quem não se atenta para esses dois parâmetros de maneira objetiva acaba
gastando mais tempo com as matérias mais extensas e com aquelas que se possui mais
familiaridade, e que portanto sabe mais.

Para se chegar mais facilmente a um número objetivo, eu criei um sistema para


se analisar o quanto estudar de cada matéria. Basta seguir os passos seguintes em uma
tabela simples. Ao utilizar um sistema objetivo, você evita que quaisquer fatores
secundários te façam perder eficiência.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 126
1 – Na primeira coluna, coloque as matérias. Na segunda, os pontos totais; na
terceira coluna, coloque 4 para aquelas matérias que você não sabe quase nada, 3 se
você sabe apenas o básico, 2 se você sabe razoavelmente e 1 se você tem bom domínio
da matéria. Não há problemas em repetir os mesmos números para mais de uma matéria.
Na quarta coluna você irá colocar o Produto da multiplicação entre a segunda e a terceira
coluna. A quinta coluna ficará reservada para a colocação do Fator, que será a divisão
entre o total de horas disponíveis e a soma dos Produtos. Na Sexta coluna ficará o
resultado final, ou seja, a quantidade de horas que você irá estudar cada matéria.

2 – Multiplique a segunda coluna pela terceira (pontos x conhecimento) e


coloque o resultado na quarta (produto);

3 – Para se chegar ao total de horas que você deverá estudar para cada
matéria, basta dividir o total de horas que você possui pela soma da coluna produto (360) e
multiplicar por cada um dos produtos relacionados às matérias.

4 – Exemplo. Após fazer um plano de estudos (capítulo X) determinado


candidato calculou que terá 600 horas para estudar até a prova (média de 4 horas diárias
por 3 meses). Ao analisar o edital, notou que a matéria X vale 25 pontos totais, ao passo
que Y vale 20, Z 30 e H 40. Fazendo uma autoanálise, reconheceu que não sabe quase
nada da matéria X, o básico de Y, tem conhecimento razoável de Z e também sabe o
básico de H. Dividindo-se a quantidade de horas totais que ele possui (360) pela soma dos
produtos da multiplicação entre pontos e conhecimento (680) obtém-se um resultado de
0,5 (fator). Agora, basta multiplicar a o produto pelo fator que se terá a quantidade de
horas ideal para se estudar cada matéira. Ex. Matéria X = 200 x 0,5 = 100 horas.

Coluna 01 Coluna 02 Coluna 03 Coluna 04 Coluna 05 Coluna 06

Matérias Pontos Conhecimento Produto Fator Horas

X 50 4 (quase nada) 200 0,5 100

Y 40 3 (básico) 120 60

Z 60 2 (razoável) 120 60

H 80 3 (básico) 240 120

Total 680 360

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 127
Quantas matérias estudar no mesmo dia?

Muitas pessoas tem essa dúvida. Seria mais produtivo estudar uma única
matéria em um dia ou mais de uma. Depende. Se você não tem dificuldade para estudar
nenhuma matéria, é preferível que estude uma única matéria em um dia. Contudo, caso
exista alguma matéria que você sofre mais para aprender, convém não estudar ela sozinha
o dia inteiro, pois se sentirá mais cansado e desestimulado. Nesse caso, agregue ao
mesmo dia de estudos duas matérias.

Tanto o plano quanto o cronograma devem estar abertos para adaptação. Afinal,
como já dizia Moltke, nenhum plano sobrevive ao campo de batalha. Assim, ao perceber
que não está conseguindo cumprir o planejado, nada de começar a se lamentar ou pensar
em desistir. Trate apenas de agir rápido na sua reformulação, adaptando-o da melhor
maneira possível à sua nova realidade – e volte ao trabalho.

Um bom começo é a metade.

Aristóteles

Escolhendo o material - Edital simplificado

Após estabelecer a quantidade de horas para o estudo de cada matéria, é hora


de selecionar o material de estudos. Nesse quesito, aconselho que o candidato mescle
material escrito – lei, doutrina, jurisprudência – vídeo-aulas e resolução de questões, pois a
diversidade aqui faz com que lacunas sejam fechadas, de modo que uma plataforma de
estudos complementa a outra.

Agora que sabe o tempo que tem para estudar cada matéria é natural que você
tome um susto. Pois perceberá que o tempo é quase sempre muito pequeno diante da
quantidade de material que se pretende estudar. Daí, podemos chegar facilmente a três
conclusões:

1 – não vai dar para ler tudo. Os editais de concurso público costumam trazer
como regra um conteúdo programático bastante extenso, de modo que na maioria dos
casos não é possível estudar tudo.
Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 128
2 – material resumido. Para não deixar muita coisa de fora, é preciso ter acesso
a material resumido, principalmente naquelas matérias de que se dispõe de menos tempo;

3 – evitar furo no cronograma. Evite furar seu cronograma de estudos, pois isso
complicará ainda mais a situação futura, exigindo que você refaça-o de maneira ainda mais
apertada a cada nova adaptação.

Apostilas e materiais de cursinhos

Infelizmente, nem sempre os materiais preparados para determinado concurso


obedecem aos requisitos listados acima. Ao contrário, na maioria dos casos, as matérias
são distribuídas em uma quantidade nitidamente desproporcional à importância da matéria
e ao tempo que se tem para estudar. Muitas vezes, os próprios cursinhos preparatórios
trazem aos alunos uma quantidade de material claramente inviável para o estudo, como se
quantidade por si só fosse qualidade. Sem falar que tais conteúdos não são
individualizados frente às diferentes realidades de tempo e conhecimento existentes. Por
tais motivos, mesmo quem estuda por apostilas ou por cursinhos preparatórios precisa ter
o cuidado de observar se a distribuição das matérias e o tempo necessário para se estudar
cada uma é viável para você. Caso não seja, substitua as matérias inviáveis por outros
conteúdos possíveis de se estudar.

Seja o perfil que as bancas procuram – critérios para se definir o material de


estudo

Toda a preparação para concursos deve visar uma única coisa – acertar a maior
pontuação possível na prova. Assim, embora possa parecer estranho à primeira vista, você
não deve estudar para concurso visando crescer como pessoa ou ser um profissional
melhor na sua área. Também não deve estudar com intuito de conhecer as melhores
doutrinas, os melhores especialistas... Tudo isso vai acabar acontecendo por via reflexa,
mas ter tais objetivos como foco é uma grande perda de tempo que te afasta do seu
objetivo. O motivo é muito simples, nem sempre aquele tipo de conteúdo estará ou fará a
diferença na prova. De nada adianta conhecer a doutrina do mais renomado
constitucionalista da face da terra se na sua prova de direito constitucional ele não estará
presente, de que sua preparação te leve a acertar poucas questões.

Para estudar corretamente, é importante entender a lógica das bancas


examinadoras na hora de elaborar provas para concursos. Bancas modernas e
competentes alcançam os dois objetivos centrais da existência de concursos públicos: um
processo seletivo isonômico e a seleção dos melhores candidatos para cada vaga. E quem
Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 129
são os melhores candidatos. Evidentemente que vários fatores passíveis de serem
analisados em uma seleção no mercado privado passarão ao largo na maioria dos
concursos, tais quais relacionamento interpessoal, liderança, inteligência emocional, dentre
outros. Assim, quando falamos da contratação dos melhores profissionais em concursos
estamos a tratar basicamente da identificação daqueles candidatos que possuem
basicamente três requisitos:

1 – o conhecimento teórico relacionado à função;

Dentre os inúmeros tipos de conhecimento passíveis de serem cobrados pelas


bancas, elas exigem que o candidato conheça essencialmente aquele que estará mais
voltado para o dia-dia da prática da função. O motivo é muito simples. De nada adiantaria o
foco na cobrança de conteúdos estritamente acadêmicos, por mais nobres que sejam, ou
conteúdos de leis sem relação direta com o cargo, pois, no fim das contas, a pessoa não
seria a mais talhada para a função. As bancas examinadoras sabem que nenhum
candidato conhece todas as leis, jurisprudências ou todas as teses doutrinárias. Acaso
fizessem uma escolha aleatória do que cobrar, os concursos acabariam se tornando, por
via reflexa, uma loteria, pois se poderia contratar uma pessoa que não entende
Praticamente nada do objeto do seu trabalho. Diante disso, se ocupam em identificar,
através das provas, quais os candidatos cujo conhecimento é mais especializado no cargo,
para que seu objetivo maior seja cumprido: seu bom exercício. Assim, não se pode jamais
dizer que os candidatos mais bem colocados são os mais inteligentes ou mesmo aqueles
que possuem mais conhecimentos genericamente falando. Tudo o que se pode afirmar é
que são os mais aptos especificamente para aquela função.

2 – capacidade de análise e raciocínio para aplicação da teoria ao caso


concreto;

Embora as bancas desejem contratar pessoas que tenham conhecimento


teórico, isso não é tudo. Afinal, se fosse para contratar um grande banco de dados,
bastaria contratar o Google. É bem verdade que grande parte das questões ainda cobram
apenas que o candidato conheça a teoria. Mas, o que os órgãos públicos precisam é de
competências que vão muito além da simples memorização de informações. Por isso, as
bancas mais competentes, a exemplo do Cespe/Cebraspe/UNB avançam nesse quesito
exigindo que os candidatos demonstrem não apenas ter decorado o conteúdo teórico, mas
entendam como se dá sua aplicação na prática, através de casos concretos. Para tanto,
trazem questões com casos práticos, com situações que exigem que o candidato faça uma
análise entre mais de um conteúdo teórico, etc.

3 – rapidez.

O terceiro requisito que as bancas exigem dos candidatos é a rapidez.


Suponhamos que dois candidatos, hipoteticamente, acertem 60% de uma mesma prova.
Suponhamos ainda que o candidato A tenha feito a prova em três horas e o candidato B
em quatro horas. Nesse caso, podemos dizer, em tese, que, embora tenham acertado a

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 130
mesma quantidade de questões, o candidato A foi 25% mais eficiente na realização da
prova que o candidato B. Nesse caso hipotético, também podemos dizer, em uma visão
probabilística, que se o candidato A tivesse gastado esta uma hora de diferença para
analisar um pouco mais sua prova, esmerando-se mais nas respostas, teria acertado mais
algumas questões, passando à frente do candidato B.

Tal ocorre porque o tempo necessário para se fazer uma questão revela muito
mais sobre um candidato que se imagina. Tende a responder mais rápido, como regra
quem: tem mais certeza da resposta; quem decide mais rápido; quem tem melhor nível de
leitura e de raciocínio linguístico; quem é mais organizado; quem é mais objetivo, etc. Por
outro lado, o candidato que aproveita bem todo o seu tempo de prova, sem ir embora antes
do tempo, também demonstra vontade e resiliência. Ou seja, são inúmeras as habilidades
e até mesmo critérios da personalidade que as bancas podem favorecer apenas no que
concerne ao tempo de prova. Por tudo isso, as bancas sabem que o tempo total que o
candidato terá para fazer a prova é um dos critérios mais relevantes a serem definidos.

Assim, em vez de ficar reclamando que a banca deu um tempo insuficiente para
a realização da prova, compreenda que ela fez isso de propósito. É você quem precisa dar
um jeito de fazer a prova mais rápido.

A eficiência Os critérios listados a seguir devem ser obedecidos de maneira


concomitante para se chegar ao material ideal de estudos, sempre que possível.

1 – material direcionado

O seu material de estudos deve ser direcionado em dois aspectos, o da


identificação do material e o do ponto de vista assumido pelo agente público no âmbito da
sua função. Com relação à identificação, é preciso que o material de estudos contenha a
matéria prevista no conteúdo programático do edital, em termos de leis, doutrina e
jurisprudência.

Contudo, como ressaltando no Capítulo X, normalmente não haverá tempo de


ler tudo. Por isso, em caso de ter de eliminar algumas matérias, é importante que você
identifique quais são as mais relevantes, normalmente mais cobradas. Como regra, cobra-
se mais aquilo que diz respeito aos fundamentos de cada matéria e da atuação do órgão,
bem como o que concerne mais diretamente ao dia-dia da função. Uma maneira prática de
obter esta expertise é através da resolução de provas anteriores para o mesmo cargo.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 131
Além disso, ainda que, eventualmente, dê tempo de ler tudo o que está previsto
no conteúdo programático, é preciso tem presente aquilo que é mais importante para dar
uma tenção especial, estudando mais de uma vez e, como se verá adiante, fazendo
resumo e relendo às vésperas da prova.

2 – material atualizado

Qualquer área do conhecimento passa por constantes evoluções e mudanças.


Por isso, não basta ter um diploma na mão, para se manterem relevantes no mercado de
trabalho, os profissionais mais qualificados, seja no setor público ou privado, se preocupam
em se atualizar constantemente, acompanhando as principais mudanças. No direito, por
exemplo, em um ano muitas coisas relevantes mudam. Há acontecimentos relevantes no
campo da política e economia que afetam o dia-dia da sociedade, alterações em leis e na
Constituição, definições e mudanças de jurisprudência dos tribunais superiores,
consolidação de importantes teses doutrinárias, etc. Assim, para a contratação de
profissionais qualificados para o setor público, as bancas examinadoras dedicam
significativa parte das provas com questões que possam avaliar especialmente se o
candidato está atualizado.

Por isso, evidentemente, um concurseiro enxuto deve estudar tão somente


através de material atualizado. Tal atualização deve se dar, como regra, até a data da
abertura do edital. Digo como regra porque a tendência geral é de que as bancas utilizem a
data da abertura do edital como um margo temporal no que tange à atualização, inclusive
para dar mais segurança jurídica ao certame. Contudo, tal regra não é absoluta. Já houve
casos, embora raros, em que se exigiu atualização posterior, mesmo sem que haja
retificação do edital, o que foi admitido pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.
Tal ocorre porque, quando se trata de conteúdo essencial, é mais aceitável exigir algo
alterado após o edital que se cobrar matéria superada.

3 – material resumido

O principal motivo pelo qual recomendo que primeiro se defina a quantidade de


tempo que o candidato terá para estudar cada matéria para, somente depois escolher o
seu material de estudos é em função do tamanho do conteúdo que se poderá estudar.
Existem excelentes livros e cursos em vídeo no mercado para preparação para concursos
que, no entanto, não servem quando se possui pouco tempo, em regra após a publicação
do edital. De nada adianta se iludir que irá estudar algo incompatível com sua realidade.
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tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 132
Trata-se de uma questão essencialmente matemática. Se você lê, em média, 5
páginas por hora e possui 100 horas para estudar até a prova, isso significa que você
conseguirá ler tão somente 500 páginas até o dia da prova. Assim, de nada adianta
comprar cinco doutrinas com 1000 páginas cada, por mais especiais que sejam. O mesmo
raciocínio serve para vídeo-aulas, leitura de legislações e resolução de questões.

É preciso ser realista. Prevendo inclusive tempo suficiente para se fazer


resumos e releituras das principais matérias. Um mal planejamento na seleção do material
garante a um só tempo muita frustração e pouca nota na prova.

Evidentemente que todo material resumido traz perdas. Mas é melhor deixar de
estudar certos conteúdos de maneira consciente e calculada que perder por falta de
planejamento. Quando se tem pouquíssimo tempo para estudar determinada matéria,
aconselho que se priorize na seguinte ordem:

1 – estudar os princípios norteadores da disciplina e sua base constitucional;

2 – estudar as últimas alterações normativas;

3 – estudar as últimas súmulas, e jurisprudências importantes para o órgão e


cargo;

4 – resumo doutrinário - sinopses;

5 – temas recorrentes na mídia nacional;

De maneira concomitante às leituras ou estudos através de vídeo-aulas, é


imprescindível que o candidato esteja respondendo a questões anteriores, quanto mais
recentes e específicas do cargo melhor.

Os seis elementos da eficiência no aprendizado

Antes de falar da tática, importante fazer menção aos quatro elementos que
diferenciam a eficiência no aprendizado entre absolutamente quaisquer concurseiros em
absolutamente quaisquer concursos. São eles, a base de conhecimento prévia; o material
de estudos; a quantidade de horas de estudos; o nível de concentração nos estudos e a
ordem dos estudos. É a combinação desses elementos que informará o quanto um
candidato aprendeu, dando-lhe o seu nível de potencial de acertos na prova. Porém, é bom
que se diga, além da eficiência do aprendizado, é preciso também ter eficiência na
realização da prova, pois, como diz o ditado, treino é treino e jogo é jogo. De nada adianta

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 133
um atleta olímpico de ginástica artística treinar muito bem por quatro anos se, na final da
sua prova, ele levar um tombo no tablado. Sobre eficiência em provas, falo no capítulo X.

1 – Base de conhecimentos prévia – Nenhuma pessoa é igual a outra. E


nenhuma pessoa possui exatamente a mesma base de conhecimentos da outra quando se
vai iniciar a preparação para um concurso, ainda que sejam gêmeas idênticas e que
tenham tido os mesmos livros e professores. Por outro lado, o aprendizado de um
candidato será diferente do aprendizado de outro que estude o mesmo material na exata
medida do conhecimento que cada um deles possuíam antes de começarem os estudos.
Tal ocorre porque o cérebro de cada um irá interpretar tudo o que se estuda com base
naquilo que já está armazenado na memória. Quanto mais já se saiba sobre o assunto a
ser estudado, quanto mais apurado for o português, o raciocínio linguístico, quanto maior a
experiência de vida... mais facilmente o candidato absorverá o que está sendo estudado, e
vice versa. Por tal motivo, como regra, quem já possui grande experiência em preparação
para concursos, absorve o conhecimento estudado em grau mais próximo da integralidade
e em uma velocidade muito mais rápida que um concurseiro iniciante.

2 – Material de estudos – Nesse contexto, material de estudos, do qual já


tratamos em detalhes no capítulo X, inclui materiais escritos, áudios, vídeos e também
questões. Ou seja, é tudo aquilo que se utiliza para estudar. Quanto mais adequado ao
tempo que você possui, direcionado ao cargo e atualizado, mais potencial de aprendizado
ele te proporcionará.

3 – Quantidade de horas de estudo – Trata-se de uma obviedade que quanto


mais horas se estuda, mais se aprende. Quanto a este elemento, por ser puramente
matemático, não cabem maiores considerações.

4 – Nível de atenção – Diz respeito á efetiva concentração que se tem durante


os estudos. Logicamente, quanto mais atenção se tem, mais se aprende durante certo
período de estudos. Aqui não existe um patrão que você possa ludibriar que está
trabalhando, ao ficar enrolando em frente a um livro ou um computador. É preciso produzir
de verdade pois seu único patrão é você mesmo. Quatro fatores influenciam o nível de
atenção do candidato. a) – o hábito de estudos. Quando não se tem o hábito de estudar, o
cérebro busca naturalmente tirar você desta tarefa para economizar energia. À medida que
se adquire o hábito, tudo fica mais fácil (ver capítulo X). b) – Cansaço. Quanto mais o
cérebro estiver descansado, melhores serão os resultados. Os principais fatores que
atuam em tal condicionamento são a qualidade do sono e o cansaço físico, de quem
estuda, por exemplo, após o trabalho ou após outra jornada de estudos da qual ainda não
se recuperou totalmente. Além desses, outros como a alimentação, atividades físicas ou
mesmo a idade também podem influenciar, embora em menor medida. C) – Entusiasmo.
Tal fator diz respeito à fome que se tem na hora de comer. É a vontade ou mesmo a
necessidade de passar em um concurso público aliada à fé de que se tem chances de
obter a aprovação. d) – Distrações. É tudo aquilo que pode desviar sua mente dos estudos.
O ambiente de estudos deve ser, o quanto possível, iluminado e silencioso. Deve-se evitar

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 134
também estudar perto de pessoas que podem importuná-lo. Além disso, é necessário ter
uma estratégia eficiente com relação ao telefone celular e outros objetos de interesse que
você perceba que estão roubando a sua atenção. Além disso, quanto mais desligada
estiver a mente de outros problemas e afazeres mais renderá os estudos. É preciso estar
presente de corpo e alma, deixando as outras coisas, por importantes que sejam,paraoutro
momento. Para isso, uma agenda bem organizada e planejada pode ajudar bastante. Por
fim, é bom que se evite, o quanto possível, brigas, discussões e outros assuntos que
possam roubar a sua tranquilidade nos dias de estudos.

5 – Repetição. Nossa memória é seletiva, guardando aquilo que possui maior


importância. A definição feita pelo cérebro, contudo, de aquilo que é ou não o mais
importante nem sempre se adequa a nossos interesses conscientes. Às vezes lembramos
de coisas que não possuem nenhuma necessidade ou, pior ainda, no causam dor e
sofrimento, e nos esquecemos de coisas extremamente relevantes. Nesse aspecto, é
importante entender os mecanismos utilizados pela memória para o armazenamento do
conhecimento. Basicamente, podemos afirmar que nosso cérebro guarda aquilo que
marca. Esse processo de marcação pode se dar, por exemplo, por um evento traumático;
pelo grau de importância que nosso subconsciente dá para o evento – com base em outras
experiências cognitivas da pessoa – ou pela repetição. Assim, a maneira mais instrumental
de informar ao nosso subconsciente aquilo que queremos que ele guarde na memória de
maneira prioritária é através da repetição. Ademais, a repetição é útil não apenas no
processo de memorização propriamente dito, mas também no próprio processo de
aprendizagem, pois é comum que o estudante não compreenda todo o conteúdo da
primeira vez. Ao repetir, a compreensão tende a ser maior.

A repetição pode ser integral – quando se lê, ouve ou assiste novamente todo o
conteúdo já estudado – ou por resumos, quando se estuda material de menor tamanho
especialmente preparado para servir de link para o conteúdo previamente estudado,
reavivando na memória os principais pontos da matéria.

5 – A ordem dos estudos. O sexto e último elemento decisivo para a eficiência


do aprendizado é a ordem ou o momento em que se estuda cada matéria durante o
período de preparação e quais matérias se define como prioritárias. Com relação a este
elemento, eu chamo de tática do funil a organização do cronograma de estudos em função
do dia da prova. Ou seja, é estabelecer um cronograma – quando estudar – que possibilite
que se chegue no dia da prova com a máxima eficiência possível de aprendizado tendo em
vista um único objetivo: acertar mais questões. Essa tática leva em conta
fundamentalmente uma realidade: 1 – todo dia nós esquecemos um pouco do que
estudamos, de modo que precisamos ter uma estratégia de estudos que possibilite
chegarmos ao dia da prova sabendo o máximo possível.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 135
A tática do funil

À primeira vista, parece o óbvio que todo estudo seja direcionado a acertar o
maior número de questões no dia da prova. Mas não é bem assim. Além dos outros quatro
elementos acima descritos, a ordem mais adequada de se estudar cada matéria aumenta
em muito a eficiência na prova. Para entender bem como funciona esta tática, vamos
imaginar situações hipotéticas. Tomemos que dois estudantes, clones idênticos, cujo
conhecimento prévio seja exatamente igual, estudam exatamente o mesmo número de
horas, com a mesma atenção, o mesmo material e as mesmas repetições. Como tais
hipotéticos concurseiros possuem os mesmos elementos de eficiência no aprendizado, era
de se esperar que alcançassem exatamente o mesmo resultado em termos de grau de
conhecimentos no dia da prova. Porém, tal também não ocorrerá caso a ordem dos
estudos a repetição seja diferente.

Costuma-se denominar de curva do esquecimento a relação entre o que se


aprende e o que se esquece. Pois sempre esquecemos parte do que estudamos. Mas, é
possível organizar os estudos de modo que se chegue ao dia da prova na melhor condição
de memória possível. É o mesmo que ocorre, por exemplo, em uma maratona olímpica. A
quantidade de energia que cada atleta possui é limitada. Enquanto o maratonista corre e
desgasta seus músculos e a capacidade respiratória dos pulmões, o corpo vai se
recuperando através de reações físico-químicas que envolvem, principalmente, a ingestão
de oxigênio. Se um atleta der um pique, acelerando sua velocidade no começo da prova,
pode ocorrer de atingir um nível de desgaste que seu corpo não conseguirá se recuperar
durante a prova, de modo que, ainda que se distancie dos demais competidores por um
tempo, logo será alcançado e ultrapassado por aqueles que mantiveram em melhor estado
sua condição física durante a corrida. Por outro lado, quando a prova se aproxima do fim, é
estratégico definir o momento de acelerar, pois o desgaste neste momento não será mais
problema, pois se estará no fim da prova. Assim, o que importará no resultado do atleta,
dentre outros elementos, não é apenas a quantidade de força que ele faz mas também o
momento que ele exerce tal força.

Na preparação para concursos ocorre o mesmo, embora em sentido contrário.


Na maratona, com o passar do tempo, o corpo vai se recuperando do desgaste. Nos
concursos, o decurso de tempo faz com que esqueçamos parte do que estudamos, em um
processo natural da memória, conforme capítulo X. Assim, aqui também, importará
também o momento em que se estuda.

É possível seguir alguns critérios objetivos para se determinar o momento de se


estudar cada conteúdo. Primeiramente, deve-se aprender de preferência aquelas matérias
que dão base para outras, que, de algum modo podem ser consideradas pré-requisitos.
Quando se estuda os fundamentos, as bases, os princípios de dada disciplina logo no
início da preparação, tais domínios possibilitam que o candidato aprenda mais facilmente
os conteúdos futuros.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 136
Também no início da preparação é preferível que se estude os conteúdos mais
densos, que demandam maior nível de raciocínio e análise. É o tipo de conteúdo que se
precisa aprender realmente e não apenas decorar, entendendo suas origens e aplicações
práticas.

Por fim, nos últimos dias, é necessário dar atenção principalmente àqueles
conteúdos com maior grau de decoreba, como certas normas jurídicas, bem como à
revisão dos principais pontos estudados, de modo a reavivar na memória aquilo que já se
aprendeu lá atrás.

O QUE AINDA FALTA ESCREVER NA SEQUÊNCIA

Minha experiência em cada concurso

Nos meus 16 anos de carreira – 2000 a 2016 – eu passei em muitos concursos


mas também reprovei em vários. Em um vídeo curto que postei no YouTube, de apenas x
minutos, eu conto um pouco das minhas derrotas. É importante para que você possa
perceber que o fracasso também é parte do caminho de sucesso, eu diria até
indispensável na grande maioria dos casos. Obtive experiências de reprovações desde o
início da minha trajetória e até os últimos anos de provas, em diferentes. Reprovei em
prova objetiva, discursiva, redação, oral e psicotécnico.

O aprendizado em cada uma dessas experiências foi enorme, provavelmente


muito maior que aquilo que aprendi nas aprovações. Além das reprovações, houve
também vários outros concursos que, por motivos pessoais ou de choque de datas, acabei
desistindo após a primeira ou segunda fase, e, como não concluí, não os conto entre
minhas aprovações. Como exemplo, cito cartórios de Minas Gerais, delegado do Distrito
Federal, e defensor público do Paraná, dentre outros. Nas próximas linhas, contudo, vou
fazer um breve resumo de como foi minha experiência apenas em cada um dos 10
concursos em que fui aprovado em todas as fases, desde a preparação e prova até
eventual posse, extraindo aquilo que eu entendo que foi a minha principal lição em cada
uma dessas experiências.

Banco do Brasil – escriturário

Como já contei em detalhes no capítulo X, esta foi a minha primeira experiência


no mundo dos concursos, aos 19 anos. Embora eu tenha sido aprovado neste meu

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 137
primeiro concurso público, naquele momento a aprovação soou para mim como uma
reprovação, porque, na realidade, eu fiquei bastante frustrado com minha colocação na
classificação final do concurso, fora das vagas inicialmente previstas para convocação
imediata. E, como eu não sabia se seria ou não chamado, logo comecei a estudar para o
próximo concurso. Posteriormente acabei sendo convocado, tendo trabalhado por um ano
e meio no banco.

Embora egresso de escola pública e ciente de que minha base educacional não
era das melhores, desde o meu primeiro concurso eu fiz acreditando que tinha chances
reais de passar e estudei de fato para passar. Nunca fiz concurso apenas para ver no que
vai dar ou para servir de experiência, como alguns dizem. Até porque eu entendo que só
serve realmente de experiência o concurso que se faz com seriedade. Também já tinha em
mente naquela época que, para ser aprovado, eu precisaria ter acesso a material e
professores do mais alto nível. Pois, pensava eu e penso até hoje, “como serão
selecionados apenas os melhores, se meu material e professores não estiverem entre os
melhores eu já saio perdendo”.

Procurei então o que existia de melhor na época em Goiânia, que eram os


cursinhos presenciais, mesmo sem dinheiro para pagar, realizando a minha inscrição com
três folhas de cheques pré-datadas. A decisão de procurar um bom cursinho se mostrou
muito acertada, pois ter acesso a professores de ponta logo no início da minha carreira me
fez ter uma visão profissional dos concursos desde o início. Eu trabalhava durante o dia,
como distribuidor independente Herbalife, e ia para o cursinho à noite de ônibus. Sequer
existia internet naquela época como a conhecemos hoje. Bem diferente dos dias atuais,
quando basta ter uma boa internet em casa, para ter acesso aos melhores cursos
preparatórios do Brasil sem precisar se locomover.

O maior aprendizado que tive com esse concurso foi a respeito da necessidade
de se fazer uma boa revisão nos dias mais próximos da prova. Me recordo que, em relação
a muita coisa que caiu na minha prova, embora eu tivesse estudado e aprendido
satisfatoriamente, não me recordava o suficiente para acertar as questões. E isso me
custou muitos preciosos pontos.

IBGE – agente censitário municipal (temporário)

Logo após o concurso do Banco do Brasil, o IBGE começou a fazer os


concursos para contratação de pessoas para o trabalho temporário do Censo 2000. Tais
seleções foram feitas por etapas, sendo a primeira delas para os cargos de agente
censitário municipal (ACM) e supervisor. Segundo as regras do edital, haviam o total de
150 vagas, sendo que os 15 primeiros colocados seriam ACMs e os restantes
supervisores, havendo posteriormente seleções específicas para recenseadores e demais
profissionais da apuração dos dados.
Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 138
A contratação era por apenas sete meses. Como o salário do ACM era maior,
meu objetivo era ficar entre os 15 primeiros colocados para conseguir dinheiro para saldar
as dívidas que eu havia contraído no negócio de venda de produtos da Herbalife. Cheguei
a ficar devendo na época, com apenas 20 anos, o equivalente a quase 27 salários
mínimos, tudo em cartões de crédito. Acabei ficando em 5º lugar no concurso, parcelando
a dívida para fugir dos juros exorbitantes e utilizando Praticamente tudo o que ganhei para
saldá-la.

O maior aprendizado que tive com essa experiência – além da necessidade de


não fazer dívidas – foi em relação à estratégia de estudos para a prova, o quanto uma
estratégia superior é capaz de te diferenciar dos demais. Assim como mencionei no
capítulo X, embora, nem de longe, eu estivesse entre os mais preparados, acabei ficando
nas primeiras colocações e me tornando chefe durante o censo de pessoas bastante
qualificadas. Com 20 anos e concluído apenas o ensino médio em escola pública, dava
ordens em engenheiro, professora, contador, dentre outros.

Analisando o edital, montei uma estratégia de estudos voltada objetivamente


para acertar o maior número possível de questões, estudando aquilo que valia mais pontos
e o que eu menos sabia, deixando inclusive algumas matérias maiores e que valiam
menos pontos de lado.

Correios – atendente comercial

Logo após o fim do censo, me vi novamente desempregado. Nessa fase, após


duas aprovações, embora em concursos não tão difíceis, minha confiança já estava
grande. Eu acreditava que, com uma preparação adequada, eu poderia passar para um
bom cargo, com um bom salário. Mas como estava precisando de ganhar algum dinheiro
com urgência, não me preocupei em escolher muito. Liguei meu radar e, loque que saiu o
edital, me inscrevi para os correios, apesar de não ser o que eu queria e de eu já acreditar
que era capaz de conseguir coisa melhor.

Fui aprovado dentro das vagas, mas a empresa pública acabou demorando
muito para chamar. Quando convocou os aprovados para tomar posse, eu já havia
passado em outro e já estava trabalhando como fiscal temporário, motivo pelo qual preferi
dispensar, vez que já estava com trabalho garantido pelo menos por dois anos.

O meu principal aprendizado durante a preparação para esse concurso foi em


relação a estudar por questões. Eu me lembro que fazia muitas questões todos os dias, de
todas as matérias previstas no conteúdo programático, e comecei a notar que os
conteúdos cobrados nas questões se repetiam com uma frequência muito grande. Assim,
notei que se eu resolvesse uma quantidade suficiente de questões de provas anteriores,
era grande a probabilidade de que se muitas delas se repetissem na minha prova. E isso

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 139
de fato ocorreu e ocorre até hoje. Além disso, ao me especializar nas questões, acabei me
familiarizando com a maneira das bancas de cobrar o conteúdo, que nem sempre se
alinhava ao meu ponto de vista durante os estudos. Assim, eu pude calibrar o meu estudo
para encarar o conteúdo estudado de modo a já me preparar para o tipo de questão que
eu haveria de encontrar. E nunca mais parei de fazer isso.

Agência Goiana de Regulação – fiscal de transportes (temporário).

A cada concurso que eu fazia, sentia mais confiança e percebia que havia
achado o caminho das pedras. Saí da condição de desempregado e sem perspectiva e já
estava obtendo aprovações em concursos e seleções. Apesar de saber que o nível
daqueles concursos para os quais eu estava sendo aprovado era relativamente baixo, eu
notei que fazer concursos era algo seguro, que eu podia confiar. Não tinha essa história de
passar e não ser chamado, como muitos falam e nem tinha nada a ver com sorte, fraudes
ou indicações políticas como muitos preferem até hoje acreditar.

Eu me sentia tão confiante que já estava me lamentando de não ter entrado logo
em uma faculdade para fazer concursos para os melhores cargos, de nível superior, pois
naquele momento, através daquela pequena experiência que eu já tivera, eu acreditava
sinceramente que poderia passar em qualquer concurso que fizesse.

Eu tinha pressa e pensava grande, mas era um período de poucos concursos e


eu precisava ganhar dinheiro, então, assim que ouvi no rádio, dentro do ônibus, que havia
um concurso na praça para fiscal temporário, me apressei em me escrever. Acabei
passando na prova objetiva, no exame psicotécnico e logo começando a trabalhar.
Daquele dia em diante, nunca mais ficaria um dia sequer sem emprego até hoje. Uma das
grandes vantagens dos concursos é que o desemprego deixa de ser uma preocupação. Eu
só me preocupava em conseguir algo cada vez melhor.

A grande lição que eu aprendi nesse concurso foi a respeito da importância do


Direito para os concursos públicos. Até então, os concursos que eu havia feito
Praticamente não exigiam conhecimento jurídico, mas, neste, o conteúdo jurídico cobrado
era bastante extenso. Notei então que estava entrando, apesar de incipiente, em outro
mundo dos concursos, aqueles nos quais o conhecimento jurídico faz toda a diferença. E
que eram na verdade os melhores cargos, com os maiores números de vagas e os mais
altos salários. Minha visão sobre concursos dava então um giro de 180º. Eu precisava não
apenas de entrar em uma faculdade com urgência, mas em uma faculdade de direito.

Agência Goiana de Administração e Negócios Públicos – agente fiscalizador

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 140
Enquanto eu ainda estava exercendo o cargo de fiscal temporário, foi aberto o
concurso para o mesmo cargo, só que efetivo, embora realizado por outra agência estatal
de Goiás. Assim, ao ser aprovado, pude continuar trabalhando no mesmo local, só que
agora em caráter efetivo.

Me recordo que foram abertas 30 vagas para nível médio, no cargo de fiscal, e
500 vagas para nível superior naquele concurso, para os cargos de gestores em diversas
áreas. E o pior, houve Praticamente o mesmo número de candidatos disputando as trinta
vagas e as quinhentas vagas, de modo que a relação candidato/vaga do meu concurso foi
assustadoramente grande, mais precisamente 530 candidatos por vaga, enquanto para os
cargos de nível superior foi, em média, 30 candidatos por vaga.

A essa altura, minha convicção de que eu precisava de um canudo de curso


superior já havia se tornado desespero. Pois, caso eu tivesse, na ocasião, qualquer curso
superior, além de fazer um concurso bem menos concorrido, eu iria ganhar três vezes
mais, que era a diferença dos salários de nível médio e superior.

Após passar no concurso, e assumir o cargo efetivo, passei a me dedicar em


todas as minhas horas vagas em entrar na faculdade. Nessa altura, embora eu já tivesse
condições de pagar meus estudos na rede privada, achei melhor enfrentar o vestibular da
Universidade Estadual de Goiás (UEG), em Anápolis, que fica a 70 Km de Goiânia, por ser
gratuita, devido aos meus planos de comprar um carro. Como na UEG não tinha o curso
de Direito, decidi tentar Engenharia Civil. Após estudar matemática por vários meses,
consegui passar naquele vestibular, e comecei o curso. Trabalhava e estudava em
Anápolis mas ainda morava em Goiânia, em uma rotina muito desgastante.

No entanto, com apenas três meses de estudos de engenharia, fui chamado –


só agora – no Banco do Brasil, e decidi abandonar de uma vez só o curso de engenharia e
o emprego efetivo no estado para voltar a trabalhar em Goiânia, apesar de saber que eu
não queria ficar por muito tempo no banco e também que eu precisaria entrar em outro
curso superior. Naqueles dias havia sido lançado o edital do vestibular, então anual, da
Universidade Federal de Goiás, e acabei passando para direito, um dos cursos mais
concorridos, estudando apenas três meses, utilizando as mesmas estratégias de
preparação que eu já utilizava nos concursos públicos.

Sem dúvida nenhuma, o principal aprendizado desse concurso foi sobre a


importância de se ter um curso superior, de preferência em Direito, para poder ter acesso
aos melhores cargos e salários do serviço público brasileiro. Mas também outra importante
lição eu aprendi naqueles dias, a respeito da importância de acreditar em mim mesmo,
ainda que tendo arriscar abrir mão de coisas que eu já havia conquistado a duras penas.
Aos olhos de muita gente, um garoto de periferia abandonar um curso superior em
engenharia em uma universidade pública e um cargo efetivo estatutário de fiscal para
trabalhar em um banco, sob regime celetista, e voltar à fila do vestibular, era loucura. Para
mim, foi a decisão profissional mais acertada, já que eu visava muito além nos concursos
públicos.

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tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 141
TRT/GO – técnico judiciário - área judiciária

PRF – policial rodoviário federal

Os editais desses dois concursos saíram na mesma época, motivo pelo qual
decidi fazer os dois ao mesmo tempo. Na época, exigia-se apenas nível médio também
para PRF. Para isso, tive de organizar meu cronograma de estudos em função dos dois
concursos, além de também estar trabalhando e cursando faculdade. Me lembro que a
diferença entre as provas era, salvo engano, de pouco menos de um mês, o que me
possibilitou fazer uma boa revisão antes de cada prova.

Passei nos dois concursos, ambos dentro das vagas imediatas, e fui convocado
primeiro para curso de formação e em seguida nomeado na PRF, em Brasília. Com poucos
dias de exercício na polícia, fui nomeado no TRT, e acabei dispensando o tribunal e
preferindo permanecer como policial rodoviário federal. Confesso que estava deslumbrado
com a carreira de policial federal, além de o salário ser bem maior, na ocasião, que o de
técnico judiciário. Mas, profissionalmente, hoje vejo que não foi a melhor decisão.

Pensando no longo Prazo, decisão mais sensata teria sido a de ir trabalhar no


TRT em Goiânia e abandonado a PRF, pois eu teria tranquilidade para concluir, com muito
mais qualidade, meu curso superior em direito e visar cargo muito melhores, inclusive por
conta da influência de estar trabalhando na Justiça.

Como eu tive a sorte de logo conseguir uma transferência para trabalhar no


posto PRF de Anápolis-GO, acabei podendo concluir meu curso de Direito, embora tendo
de matar muitas aulas por conta dos plantões no meio de semana. Além disso, mesmo
após formado, acabei demorando muito a retomar mais seriamente os estudos, o que é
comum quando se está há muitos anos em um órgão, já acostumado e até mesmo viciado
naquele estilo de vida, trabalhando em escala 24 x 72.

O fato de não ter me dedicado da forma que deveria durante o curso, acabou
também me afastando por um tempo de retomar minha carreira de concursos, pois eu
tinha em mente que precisaria de estudar pelo menos uns dois anos seguidos antes de
passar em um concurso das carreiras mais visadas, a exemplo de juiz, promotor,
procurador ou defensor. No vídeo de número X do meu canal do Youtube eu falo sobre
como eu me livrei desse mito.

O principal aprendizado que tive ao fazer esses dois concursos ao mesmo


tempo foi a respeito da estratégia de análise do edital e da definição de conteúdos para a
reta final de preparação de cada um dos concursos. Em princípio, eu estava na dúvida de
qual dos dois concursos eu iria fazer, pois era ciente de que, embora fazer os dois era algo
possível, se eu tomasse essa decisão, precisaria dividir o meu tempo de estudos, o que

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 142
fatalmente prejudicaria as minhas chances em ambos. Trata-se da aplicação óbvia do
princípio da divisão ou concentração de forças.

De fato, acredito que se tivesse feito apenas um dos dois concursos, minha
pontuação e consequente colocação certamente seria ainda maior. Mas o que me
possibilitou obter êxito nos dois ao mesmo tempo, embora tendo de me dividir, foi a
estratégia. Em vez de estudar todo o material de cada um dos concursos, escolhi apenas
as matérias mais importantes de cada, com maior potencial de cair e que valiam mais
pontos. Ao mesmo tempo, deixei para estudar nos dias finais, em cada um dos concursos,
o conteúdo que mais necessitava de ser decorado, além de questões e resumos que eu
havia preparado.

MPU – analista judiciário

Quando entrei na faculdade de direito, visava especialmente ao cargo de


procurador do estado de Goiás, ou eventualmente outro cargo da carreira jurídica. Mas,
como relatei acima, acabei não estudando como deveria durante o curso. O exercício do
cargo de policial rodoviário federal me elevou a um patamar de reconhecimento social e
financeiro que eu nunca havia experimentado. Apesar de vivermos em um país onde a
segurança pública e mesmo o trânsito estão na UTI, a PRF é um órgão muito respeitado.

Dois anos após eu entrar, em 2006, antes da implantação do subsídio, o salário


do policial rodoviário federal atingiu seu auge, em virtude de, à época, estar, na prática,
atrelado aos aumentos do salário mínimo, pois, como o salário base era inferior ao salário
mínimo, a remuneração total se dava em função de inúmeras gratificações que – pelo
entendimento da época, hoje rechaçado pela súmula vinculante nº 15, do STF – deveriam
incidir, não sobre o salário base, mas também sobre o abono utilizado para se atingir o
salário mínimo. Assim, meu salário se beneficiava da política governamental, à época, de
forte valorização salário mínimo. Naquela época, eu ganhava exatos 17,7 salários
mínimos, o que equivaleria hoje a R$ 16.500,00. Isso trabalhando por escala 24 x 72, o
que me dava muitos dias de folga, inclusive para viajar. Bastava uma única troca de
serviço com um colega, coisa rotineira no órgão, para ter uma semana inteiramente livre.

Junte-se a isso o fato de eu estar longe das influências da seara jurídica e de


concursos públicos, pois eu não dava aulas, e os colegas de trabalho, como regra, também
não estavam focados em passar para o próximo nível. Mas dois fatores somados me
fizeram acender a luz de emergência e iniciar, ainda que lentamente, um processo de
saída da zona de conforto e rompimento da minha acomodação e estagnação profissional.
A primeira delas foi a queda do poder aquisitivo. Após a implantação do subsídio,
Praticamente não houve mais aumentos salariais, de modo que o impacto da inflação era
Praticamente integral. Para se ter uma ideia do tamanho do desastre, dez anos depois, em
2016, o subsídio inicial do PRF era Praticamente idêntico, embora quem estivesse há mais
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tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 143
tempo ganhasse um pouco mais em virtude da evolução na carreira. Em 2017, houve um
aumento considerável, elevando o piso da carreira para pouco mais de R$ 9.000,00.

O segundo motivo foi o sucateamento do órgão. Não do ponto de vista de


equipamentos e recursos materiais, mas em relação ao material humano. O efetivo foi
sendo dizimado pela falta de concursos e aposentadorias e está hoje menor que há trinta
anos, enquanto o número de veículos e a criminalidade dispararam. Estudos realizados
pelo TCU apontam que haveria a necessidade de dobrar o efetivo atual para se fazer o
mínimo. Tal situação eleva a carga de trabalho e o risco do policial.

Embora eu já estivesse bastante insatisfeito, o processo de vencer a inércia e


voltar aos estudos, retomando meu projeto de obtenção de um cargo do topo da carreira
jurídica não foi fácil. Foi nesse contexto que em 2010 eu fiz o concurso para analista do
Ministério Público da União. Na época, embora sem estudar regularmente, eu sabia que
nãos seria difícil passar nesse tipo de concurso, devido à minha base jurídica e
principalmente a experiência que eu detinha em estratégia de preparação e realização de
provas objetivas. Estudei somente 10 dias, preparando uma estratégia de estudos que
tinha como núcleo a leitura da Constituição Federal seca, especialmente naquilo que tinha
ligação com o trabalho, li a lei orgânica do Ministério Público e a resolução de questões
recentes. Acabei ficando em 3º lugar em Goiás e fui nomeado para assumir o cargo em Rio
Verde, a 220 Km de Goiânia.

O salário no Ministério Público Federal era Praticamente o mesmo que eu


ganhava. Mas resolvi pedir vacância do cargo de PRF devido à minha vontade de evoluir
na carreira pública. Minha meta era obter a prática jurídica, aprender com o trabalho na
prática e estudar nas horas vagas. Mas não foi bem isso que aconteceu. Eu não havia
queimado a ponte que me ligava à PRF, já que podia optar pela recondução ao cargo
anterior a qualquer tempo, no período de três anos, enquanto durasse meu estágio
probatório no MP. Assim, como eu tinha muitas questões pessoais que me ligavam a
Goiânia, some-se a isso as dificuldades de estar sozinho em uma cidade desconhecida,
decidi voltar à velha casa, que me recebeu de braços abertos, apenas dois meses após a
saída.

O principal aprendizado durante a curta preparação para esse concurso foi algo
inusitado. Minha nota na prova objetiva foi bastante alta, mas havia também uma redação.
Nela, eu tirei uma nota muito próxima da pontuação mínima exigida. Ou seja, quase fui
reprovado. Embora eu sempre tenha tido hábito de ler e, por isso, ter um bom nível de
leitura e escrita, fiz a prova com certo desleixo. Com o susto da minha nota, percebi que
precisava evoluir em questões técnicas exigidas em questões de concursos para obter
melhores notas em provas discursivas, já que, para os concursos que eu almejava, tinham
fases com questões escritas e peças práticas.

DP/GO – defensor público

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 144
Após retornar à PRF, em vez de voltar direto aos estudos, acabei embarcando
na ideia de investir em um negócio próprio. Perdi bastante tempo e dinheiro, pois eu não
podia me dedicar suficientemente ao negócio, seja por questões legais ou de falta de
tempo. Apenas em 2014, resolvi retornar com força máxima à minha carreira de
concurseiro, após o lançamento do edital do concurso para procurador do estado de Goiás,
mas caí na prova oral, em direito do trabalho, por apenas 0,25 pontos.

Enquanto eu ainda fazia esse concurso, saiu o edital pro cargo de defensor
público do estado de Goiás. Após a notícia da reprovação na prova oral, eu tinha cerca de
40 dias para primeira fase de defensor. Construí uma estratégia de estudos e passei.
Durante a preparação pro concurso de procurador, pesquisei e estudei a fundo técnicas de
questões e provas discursivas, em livros, cursinhos, provas, bancas... Chegando a criar
uma verdadeira teoria de como obter os melhores resultados possíveis em questões
discursivas e peças práticas.

Com isso, não tive dificuldades para ser aprovado também na segunda fase do
cargo de defensor público, concurso este que não teve prova oral.

O principal aprendizado que tive com este concurso foi a respeito do da


importância do conhecimento consolidado. Quando eu pensava na quantidade de matérias
novas que eu teria de estudar para o cargo de defensor em apenas 40 dias, já que se
distinguem em grande parte para o cargo de procurador, tive a preocupação de que talvez
não desse tempo. Mas, com a experiência, e também porque eu montei uma estratégia de
estudos vencedora e direcionada para o Prazo que eu tinha, percebi que minha
preocupação não tinha razão de ser. O fato é que mesmo após vários anos sem estudar
matérias como direito penal e direito processual penal, dentre outras, o conhecimento
consolidado que eu já detinha, de estudos e experiências práticas e mesmo notícias da
mídia, já que eu sempre me preocupei em aprender de verdade, compreendendo os
problemas e as aplicações práticas de cada conteúdo, fizeram com que eu tivesse uma
base sólida. Daí, bastou montar um cronograma de estudos voltado principalmente para
atualização e conteúdos voltados especificamente par o órgão.

PFN – procurador da fazenda nacional

A implantação da defensoria pública em Goiás tem sido um martírio. Apesar da


determinação constitucional e da grande necessidade da atuação do órgão, as forças
políticas contrárias, devido a interesses pessoais e patrimoniais, conseguiram retardar em
muito este processo. Para se ter uma ideia, enquanto eu escrevo este livro, existem
apenas 80 defensores públicos em Goiás, atuando tão somente na capital, situação
inexistente em nenhum outro estado da Federação.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 145
Como estava demorando muito para que eu fosse nomeado, e devido ao fato
de que eu já havia esgotado meu entusiasmo de trabalhar na polícia, resolvi encarar esse
novo concurso. A esta altura, meu nível de conhecimentos e de técnica para realização de
provas objetivas e discursivas já estava bastante alto. Durante estas fases, estudei
principalmente as matérias novas, voltadas par a atuação específica do órgão, mantendo
bom nível de resolução de questões e atualização.

Mas ainda estava preocupado com a prova oral, na qual eu havia reprovado em
minha primeira experiência, no concurso de procurador de Goiás. Para não correr riscos,
fui atrás de toda informação disponível na internet a respeito de provas orais, seja gratuitas
ou pagas. Mas não foi suficiente. Resolvi então investir R$ 4.000,00 em um curso
presencial fora do meu estado para complementar minha preparação. Deu certo.

Mas antes de ser convocado para procuradoria, saiu a nomeação no cargo de


defensor público. Como me identifiquei bastante com o trabalho, e especialmente porque
tive o privilégio de me tornar membro titular de uma defensoria na minha cidade, resolvi
dispensar o cargo de procurador.

Meu principal aprendizado durante este concurso foi a respeito da necessidade


de se conhecer a atuação do órgão para se realizar um estudo específico, especialmente
em se tratando dos cargos mais concorridos. Ao selecionar o conteúdo e a estratégia de
estudos de maneira direcionada para a atuação do procurador, conhecendo os problemas
atuais enfrentados pelo órgão, as demandas mais corriqueiras, a visão estratégica e
persuasiva com que demandavam na justiça, pude acertar em grande parte aquilo que
estaria nas minhas provas.

10 maiores erros que podem te afastar do sucesso em concursos

Acreditar em duendes (sucesso sem esforço) – mindset

Só passa em concurso público quem acredita que o sucesso vem através do


esforço pessoal e da dedicação. Pois o que você pensa guiará suas ações e suas ações
dirão quais serão seus resultados. Para vencer nessa área, é preciso acreditar na
revolução pela educação, que um indivíduo pode ser alguém melhor e obter melhores
posições na sociedade quando sabe mais.

Pessoas que têm a mentalidade de que o êxito em concursos possui qualquer


outra condicionante, seja ela uma benção divina, alguma condição inata no DNA, sorte,
ajuda de terceiros, fraudes, estará perdendo o seu tempo caso fique envolvido com
concursos. É melhor tentar outra área.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 146
Ignorar o funcionamento do cérebro (fé, memória).

É preciso entender como nosso cérebro funciona. Logo de início, a própria


pretensão de obter determinado cargo e não outro é algo que não está no nosso
subconsciente por acaso. Muitos não têm coragem de ousar ter acesso a determinados
patamares no setor público porque suas experiências pobres de vida lhe criaram um
bloqueio que lhe diz que aquilo não é para eles. É preciso entender isso para romper com
tais amarras.

Quanto ao aprendizado, é necessário compreender como o cérebro armazena


as informações. Saber que quando se entende verdadeiramente um assunto, os problemas
que ele resolve e suas aplicações práticas a absorção pela memória é muito mais perene.
Entender que a leitura é o melhor caminho para que o cérebro aprenda os mecanismos da
inteligência linguística. Que a repetição e a prática de exercícios são fundamentais para
aprender seja a técnica seja de resolução de questões seja o conteúdo.

Importante ainda compreender que tanto o processo de armazenamento na


memória quanto sua recuperação, na hora que se precisa da informação, depende da fé. É
preciso ter fé que você está aprendendo, fé de que vai se recordar. Onde mora a dúvida, a
coisa não flui, nem em uma ponta nem na outra.

Não ter o preparo adequado antes do edital – português

Já foi o tempo em que se passava em concursos estudando apenas após o


lançamento do edital. É preciso compreender que o edital dá largada apenas à reta final de
estudos. para ter chances reais de aprovação, especialmente nos principais cargos, é
necessário começar uma preparação bem antes. Se possível, antes mesmo de se entrar
na faculdade e durante ela, já se deve começar um planejamento da carreira de concursos.
Não há mais lugar para amadores, se é que um dia houve.

Exemplo maior disso é a base no português. Costumo dizer que quem não tem
uma boa base em leitura e interpretação de texto, um bom vocabulário e sabe as
aplicações práticas da gramática pode ir fazer concurso público no Japão. Pois, tanto aqui
quanto lá, não entenderá muita coisa, seja enquanto estuda, seja durante a prova. Não há
milagre que faça um candidato analfabeto funcional – e existem milhões deles no Brasil –
passar em um concurso de alto nível sem antes resolver esse gravíssimo defeito. De nada
adianta possuir diplomas e certificados. Como diz o dito popular, aqui é o preto no branco,
a hora que o filho chora e a mãe não vê.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 147
Nosso país possui um dos piores sistemas de educação do planeta. Jovens
saem até mesmo da faculdade sem compreender o básico. Mas, para quem quer de
verdade, para quem está disposto a mudar de trajetória, nunca é tarde para fazer a coisa
certa.

Estudar com material inadequado

Existem alguns milhares de livros e apostilas no mercado voltadas para


concursos públicos, seja físicos ou digitais, gratuitos ou pagos. Vivemos a big data dos
materiais de concursos. Basta uma rápida pesquisa no Google para se ter acesso a mais
conteúdo que se consegue ler ou assistir em dez anos. Big data é um termo que designa a
imensa quantidade de arquivos na internet não organizados de maneira inteligível e
otimizada. Para se ter ideia, apenas no Youtube são postados cerca de 400 horas de vídeo
por minuto. Se uma pessoa decidisse assistir a todas as 576 mil horas que são postadas
no site em um único dia, precisaria de passar nada menos que 65 anos na frente do
computador ininterruptamente.

Nesse aspecto, o menos é mais. Quanto mais conteúdo você precisar de


garimpar nos estudos para descobrir algo de útil para o seu concurso, menor está sendo a
sua produtividade. O único ativo absolutamente igual para todos os concurseiros é o
tempo, pois o dia possui 24 para todos. Por isso, quanto mais direcionado para o seu
concurso, mais adequado ao tempo que você possui e mais atualizado for o material,
também maiores serão suas chances.

O material de estudos pode ser comparado a um carro de corrida. Se você quer


disputar o grande prêmio da Fórmula 01, é preciso que você tenha um carro daquele tipo.
Existem milhões de automóveis por aí, que inclusive possuem a sua utilidade, mas não são
adequados para aquelas corridas. O melhor piloto da terra nada poderá fazer nas pistas de
F1 com um carro comum. Para se ter uma ideia, a evolução nessa modalidade de corridas
é tão grande, que se uma equipe de ponta utilizasse um carro vencedor, mas do ano
anterior, sem que fossem feitos melhoramentos, já não teria a menor chance de vencer
uma única corrida no ano seguinte. Tal é comparável ao material necessário aos
concursos mais concorridos.

Estudar sem estratégia e tática

Como eu disse no capítulo x, estratégia é a visão da sua preparação como um


todo e tática é a expertise, atuar com a melhor técnica possível para realizar com eficiência
máxima cada etapa do projeto. Como eu explicitei em diversos exemplos de minha própria
Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 148
trajetória nos concursos, ter uma atuação estratégica é essencial para a obtenção de bons
resultados, aproveitando melhor o tempo e alcançado o máximo de conhecimento
direcionado àquilo que verdadeiramente estará na sua prova. Além de, durante a prova,
extrair de si próprio o máximo possível, alcançar o seu 100%.

Embora em acredito que tenha deixado claro que não existe um passe de
mágica ou uma pílula da aprovação, sendo preciso trabalho duro e contínuo para passar
em concursos, também penso ter demonstrado que estudar de qualquer jeito e qualquer
material não resolve. Não é a quantidade de esforço apenas, mas para onde está
direcionado esse esforço. Boas estratégias de preparação funcionam como uma alavanca,
que multiplica a força produzida para se chegar mais facilmente ao resultado desejado.

A definição do cargo, definição do plano de estudos, cronograma, material,


como estudar e como fazer a prova são elementos que demandarão atenção especial, pois
uma pequena variação na eficiência de qualquer deles afetará gravemente o resultado.

Sentar-se e esperar a motivação chegar

A motivação não é um sentimento, mas uma condição mental que pode e deve
ser estimulada continuamente. Quem não faz o que deveria por não estar motivado, na
verdade deveria estar fazendo algo em prol da sua motivação, jamais ficando parado.

É preciso descobrir seus motivos, aquilo que te faz ter vontade de crescer na
vida e coloca-los diariamente na sua frente. Se aproximar de pessoas que já conquistaram
aquilo que você quer e que pensem como você, para que sirvam de esteio e referência na
sua vida. Ao mesmo tempo, se afastar de pessoas negativas que só te puxam para baixo.

Tudo acontece primeiro na mente. Quem tem uma mentalidade de derrotado,


quem só reclama de tudo e de todos, arruma desculpa para todos os seus fracassos no
governo, na crise, no sistema, na família, na sorte ou no destino não têm como vencer. É
preciso assumir o protagonismo da própria vida, admitindo que é responsável pelos
próprios resultados. Quem não assume os fracassos, não pode receber os aplausos das
vitórias.

Qualquer pessoa, independentemente de onde veio ou está e de quanto


dinheiro possui no bolso pode se tornar um vitorioso na carreira dos concursos. Aqui vige o
princípio da isonomia e do mérito que, embora não sejam perfeitos, é o que de melhor se
conseguiu até hoje para distribuir oportunidades iguais às pessoas. Mas é preciso
arregaçar as mangas, acreditar em si mesmo, se motivar todos os dias, e partir para a luta.

Tomar a decisão de fazer concursos não é tão difícil. A diferença entre os que
fazem concurso com profissionalismo aqueles que são apenas a boiada é o compromisso
diário com seus estudos. Sem enrolação, sem desculpas, sem poréns.
Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 149
Perder o foco

São muitas as oportunidades e possibilidades que a vida nos oferece, sendo a


carreira de concurso apenas uma delas. Muitos querem, admiram e sonham em ocupar um
cargo público, enquanto outros, por um motivo ou por outro, não possuem tal interesse. Se
fazer concursos é algo bom para você, se ocupar determinado cargo público representa
algo verdadeiramente relevante em sua vida, você precisa tratar disso como uma
prioridade no campo profissional e se dedicar a ela de maneira contínua até chegar onde
quer.

Inúmeras pessoas até se interessam em algum momento de maneira genuína


pela carreira pública, mas não possuem a resiliência necessária para trabalhar no médio e
longo Prazos. Querem tudo do dia para a noite, e não é assim que funciona. No meio do
caminho, outras propostas podem aparecer. É preciso observar se não são apenas o canto
da sereia, algo para te afastar do seu objetivo.

Qualquer candidato que, seguindo minimamente os ensinamentos que eu dou


nesse livro, e que mantenha o foco nos estudos, sem se deixar desviar, pelo tempo
necessário, chegará onde quer.

Fazer concursos é uma atividade de alto rendimento. Ninguém consegue obter


alto rendimento em duas coisas ao mesmo tempo. Assim, atividades como a carreira
acadêmica, empreendedorismo, crescimento profissional no setor privado, dentre várias
outras são logicamente incompatíveis de serem exercidas ao mesmo tempo.

Além disso, durante a sua preparação, muitas serão as pedras no caminho. Seja
por parte das crises ou do governo, da família e amigos, dinheiro e problemas pessoais ou
familiares os mais diversos podem fazer você pensar em desistir. Tal sentimento é natural
e humano. Mas é nesse momento em que é mais necessário estar centrado no seu
objetivo e manter o foco. A recompensa certamente virá.

Descuidar da saúde

Debaixo da terra, a saúde é o maior bem que qualquer pessoa pode ter, pois a
sua falta faz qualquer outra coisa perder importância. E eu não tenho dúvidas, e aqui
permitam-me filosofar um pouco, de que saúde é algo que se deve preservar, jamais
confiar que pode ser restaurada. Tudo o que dizem a respeito da suposta possibilidade de

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 150
recuperação da saúde, no fim das contas não passa de marketing do mercado médico
farmacológico.

Como a carreira de concursos é algo em que se pensa essencialmente no


futuro, no longo Prazo, só faz sentido percorrê-la se for para ter saúde para poder usufruir
de uma vida mais confortável no futuro. Daí, é fundamental cuidar da saúde desde já.

Hábitos como dormir bem, ter boa alimentação, fugir do açúcar, do cigarro, do
excesso de carboidratos, do excesso de álcool, praticar exercícios físicos, dentre outros,
podem inclusive ajudar na própria preparação pois, ao associar tais atitudes aos estudos,
além de ter maior disposição e energia, seu subconsciente estará recebendo a informação
de que você está verdadeiramente comprometido em ter um futuro diferente, te motivando
ainda mais a estudar.

É o que eu chamo de ter um estilo de vida de concurseiro. Que deve incluir


momentos de lazer, convívio com a família e amigos. Mesmo priorizando os estudos, é
possível organizar sua agenda de modo a separar algum tempo para estas coisas.

Além disso, é preciso cuidar para não estudar demais. Nosso cérebro possui um
limite ideal de estudos, é preciso que você encontre o seu. A melhor receita para não
passar da conta é observar se, após um dia de estudos, a noite de sono foi suficiente para
recarregar as energias, de modo que no dia seguinte você esteja pronto para outro. Caso
perceba que o cansaço de um dia está se acumulando no outro, é sinal de que está indo
além da conta. O corpo pode até aguentar por um tempo, mas logo cobrará a fatura, que
pode ser bastante alta, podendo chegar até mesmo a causar doenças.

Ademais, é bom lembrar que a boa saúde física e mental e, em alguns casos,
até mesmo o teste físico, são requisitos obrigatórios para assumir qualquer cargo público
no Brasil.

Não saber jogar o jogo

Concurso é um jogo. Mas não um jogo de azar, mas do tipo que envolve um
misto de memória, inteligência e estratégia. Memória é a quantidade de conhecimento
armazenado. Inteligência é a capacidade de aplicar esse conhecimento com eficiência em
provas. E estratégia é a expertise de fazer essas duas outras coisas com a maior eficiência
possível.

No jogo de xadrez, por exemplo, não adianta o jogador tentar imaginar todas as
possíveis jogadas do adversário, pois são quase infinitas. Mas, por outro lado, se o jogador
levar em consideração apenas as possibilidades de um único movimento, sem pensar nos
próximos, não passará jamais de um jogador medíocre. O bom enxadrista observa o
padrão de jogo de seu oponente e, adivinhando seus possíveis movimentos, analisa
Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 151
diversas possibilidades de combinações futuras para aqueles movimentos específicos.
Quanto mais preciso e distante, melhor tenderá a se sair.

Do mesmo modo, nenhum candidato conseguirá estudar todos os conteúdos


possíveis para um concurso, pelo menos é o que ocorre seguramente nos concursos de
mais alto nível. As possibilidades a serem utilizadas pela banca de combinação de leis,
doutrinas, jurisprudências, notícias e suas aplicações a problemas práticos beiram ao
infinito.

Na verdade, as bancas verdadeiramente preparadas estruturam as provas com


uma combinação de questões fáceis, médias e difíceis. Pois, assim, conseguem de fato
diferenciar os melhores candidatos. Em 2010, em um concurso para promotor de justiça da
Paraíba, nenhum dos 3733 candidatos foi aprovado na primeira fase. O motivo óbvio não
foi a falta de qualidade dos candidatos, mas o erro de calibragem pela banca do nível de
dificuldade das questões.

Assim como no xadrez alguém poderia dizer que é impossível adivinhar o


próximo movimento do adversário, já que, por definição, ele é livre para jogar como quiser,
muitos também pensam que não se pode prever a prova com antecedência. Contudo,
considerando algumas variáveis relevantes em cada concurso, que apontam fortes
tendências, tal qual no xadrez, é possível, com base na lei das probabilidades, fazer uma
antecipação que, embora, evidentemente, não seja exata, reduz o campo de conteúdos,
aumentando, em consequência a eficiência.

Além disso, ainda de maneira semelhante ao xadrez, a memorização é apenas


parte da estratégia. Em 1996 foi organizada uma partida de xadrez entre aquele o maior
jogador de todos os tempos, o russo Gerry Kasparov, e um supercomputador da IBM,
batizado de Deep Blue. Apesar de o computador ser capaz de calcular mais de cem
milhões de jogadas por segundo, Kasparov venceu. Um anos depois, após melhorarem a
capacidade do supercomputador para 250 milhões de jogadas por segundo, bem como
colocar em sua memória os jogos de mais de 700 mestres enxadristas, incluindo o próprio
Kasparov, o computador levou a melhor em uma série de seis partidas, com 1 vitória para
o humano, 2 vitórias para a máquina e três empates. Kasparov declarou que à época que a
IBM não seguiu as regras previstas, pois, segundo ele, houve uma interação não permitida
entre a máquina e homens que faziam contínuas adaptações no software no decorrer das
partidas. Para um terceiro desafio, Kasparov exigiu que ele também tivesse acesso a todos
os jogos armazenados na máquina, o que não foi aceito.

Evidentemente que nenhum ser humano é capaz de analisar tantos dados


quanto um computador. E o porquê até hoje em inúmeras áreas a inteligência humana é
mais eficiente? Basicamente, porque a máquina considera todas as possibilidades como
igualmente relevantes, enquanto nós temos a capacidade de irmos direto ao ponto
verdadeiramente importante. No entanto, é preciso dizer que, nos últimos anos, a
inteligência artificial evoluiu justamente no sentido de copiar a forma de trabalhar do

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tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 152
cérebro humano. Hoje, sistemas como os do Google são projetados para intuir seus gostos
e interesses com base nos seus próprios comportamentos e de pessoas iguais a você.

Assim, para se dar bem no jogo dos concursos, é preciso compreender que,
embora, em tese, o examinador possa cobrar quaisquer conteúdos entre milhões de
possibilidades, podemos nos colocar no lugar dele e selecionar alguns conteúdos
principais, que, conforme os interesses próprios da contratação, tendem a serem cobrados.
Do mesmo modo, em vez de apenas armazenar conteúdos na memória, devemos prever e
nos qualificar em relação às possíveis estratégias a serem utilizadas pelos examinadores,
com base nos próprios históricos deles, para cobrar esses conteúdos de modo a selecionar
os melhores candidatos, em termos de linhas de raciocínio e aplicações práticas tendentes
a serem cobradas.

Desistir no meio do jogo

Há mais pessoas que desistem que pessoas que fracassam – Henri Ford.

Eu não sou do tipo dos que falam que desistir não é uma opção. É sim. O
problema é desistir pelos motivos errados. Acredito sinceramente que só deve desistir de
fazer concursos públicos aqueles que se sentirem mais realizados e felizes fazendo outra
coisa na vida que não seja ser servidor público, como ser um empresário, artista,
esportista, missionário, etc.

Primeiro, porque não existe nada no mercado assalariado de trabalho onde


alguém possa conquistar e manter uma colocação dependendo genuinamente de seus
próprios esforços, sem precisar de jeitinhos e indicações de quem quer que seja e sem se
sentir discriminado por qualquer condição que possua. Segundo porque, além de pagar os
melhores salários, não há lugar melhor que o setor público para quem pretende servir a
sociedade com integridade, fazer a diferença e contribuir para um futuro melhor do país.

E se eu não me esgotar de tanto tentar e nunca passar? Calma, existe uma


saída inteligente e para isso. De início, é preciso se questionar se você está trabalhando
com eficiência ou descarregando um caminhão de cimento por dia na casa errada. Se está
trabalhando de acordo com os princípios elementares da eficiência – e com isso não estou
dizendo que existe uma fórmula exata, mas apenas que sua preparação precisa seguir
minimamente um rumo adequado – você precisa se confrontar com a realidade, pois pode
ser que esteja se avaliando acima do seu real valor de mercado.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
tanto em relação à linguagem quanto relativamente ao conteúdo. Página 153
Sim, porque o setor público também é um mercado. Em cada concurso, os
órgãos buscam contratar os melhores profissionais disponíveis, dentre aqueles que se
dispõem a se inscrever e fazer provas. A questão, é que, diferentemente de uma entrevista
de emprego comum, ir para prova com terno um terno alinhado e com a revista the
economist e possuir um MBA em Harvard não irão impressionar a banca.

Daí pode acontecer de existir atualmente uma discrepância entre o cargo que
você pretende ocupar e aquilo que você já é capaz de transferir de conhecimentos para um
gabarito. Nesse caso, é preciso ter humildade para aceitar, temporariamente, um cargo de
menor nível, mesmo que inferior à sua qualificação formal. O que importa aqui é sua
qualificação real e, mais que isso, sua qualificação especificamente voltada para a
aprovação no cargo que pretende ocupar.

A minha experiência nos concursos, assim como da maioria das pessoas que
conheço, foi de ir galgando cargos em nível um pouco maior, até chegar onde se sente
satisfeito. É claro que existem exceções, de pessoas que logo no primeiro ou segundo
concurso já obtém a tão sonhada colocação. Embora possível, essa não é uma estratégia
recomendada pois é imensamente mais difícil manter os níveis necessários de fé e
disposição por longos períodos de tempo em uma jornada única, que dividir o percurso em
algumas jornadas menores.

As pessoas leigas estão sempre muito preocupadas com o passar ou não


passar apenas. Mas o verdadeiro sentido de se fazer concursos é olhar para si mesmo e
medir continuamente o próprio desempenho, a própria evolução. Se você parar de evoluir,
algo realmente está errado. Mas se você está aumentando o seu poder a cada dia,
semana e mês de estudos, é tudo uma questão de manter a trajetória que a vitória é certa.

Existem pessoas que desistem até mesmo no meio de um concurso porque não
conseguiu fazer a preparação ideal. Isso é um grande equívoco. É preciso ir até o final, da
forma que der, ir para sala de provas e dar o melhor de si. Após, corrigir toda a prova,
analisar e corrigir sua estratégia e partir para próxima. Me diga o nome de uma pessoa
capaz de fazer isso continuamente que eu te falo o nome de alguém que não tem como
dar errado.

Seus filhos

Se você acha que a educação custa caro, tente experimentar a ignorância.


Derek bok

Resolvi dedicar esse pequeno título não a você, mas aos seus filhos, presente e
futuros. É bem provável que, durante a leitura desse livro, você tenha notado que tudo teria
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sido mais fácil para você se o seu mindset em educação fosse diferente. Quanto a você,
cabe correr atrás do tempo perdido e batalhar pelo seu lugar ao sol, ainda que a luta seja
um tanto mais árdua agora.

Mas você pode revolucionar a vida dos seus filhos, tornando-a muito mais fácil e
promissora. O fator que mais irá impactar no futuro dos seus filhos é a mentalidade que os
pais conseguirem implantar neles. Isso vale desde a alimentação saudável, integridade,
ética e respeito ao próximo até à importância da educação. Mas não adianta falar. Quem
apenas fala e não pratica, comete o grande equívoco de pensar que os filhos são burros.
Não são. Ele copiarão o seu exemplo. Por isso a sua luta para conquistar um cargo público
não trará benefícios apenas para você, mas fará com que você se torne um modelo a ser
seguido.

Infelizmente, nosso país está longe de possuir uma cultura de educação. Basta
dizer que a União, detentora de 70% da arrecadação tributária, em vez de investir no
ensino básico, possibilitando transferência de renda e isonomia social pela educação,
investe tão somente no ensino superior, de modo a condenar o país ao atraso. Por isso,
tanto quanto possível, você deve investir na educação dos seus filhos logo nos primeiros
anos. Se possível, pagando uma boa escola particular. Mas, no mínimo, e
independentemente do lugar onde estudem, inculcando na cabeça deles a importância da
leitura e de buscar ser sempre o melhor na sua sala. Não para aparecer, mas com
humildade. Como forma de se testar continuamente e se exigir cada vez mais.

E não apenas mandando-o para a escola. Mas estudando com ele, lendo com
ele. Conversando e explicando como é a vida. Tendo a paciência de trata-lo desde
pequeno como um ser humano que precisa se comunicar e está ávido por aprender.
Quanto mais você fizer isso, e quanto mais tenra for a idade em que você começar, mais
tenderá a ser brilhante o futuro do seu filho.

Tudo o que falo nesse livro não é de ouvir dizer, nem de ler os supostos
especialistas em educação, mas da minha própria experiência. Meus pais Praticamente
não tiveram educação formal. Mal tinham dinheiro para comprar os cadernos e os lápis
para que eu pudesse ir para a escola. Mas isso não impediu que seu Francisco e dona
Terezinha me ensinassem desde pequeno, conversando, apontando exemplos em outras
pessoas, ensinando o que sabiam e acompanhando de perto o aprendizado e o
comportamento na escola.

Como exemplo disso, vou contar um fato sobre minha mãe e outro sobre meu
pai. No meu primário, minha mãe se virava para ganhar algum dinheiro vendendo bijuterias
Paras amigas e vizinhas, além de produtos de revistas. Nunca teve um carro ou bons
móveis em casa. Mas pagou escola particular para mim e para minhas irmãs até a 5ª série.
Não era uma das melhores escolas da cidade, daquelas frequentadas pelas pessoas de
classe média. Mas já era algo bem melhor que a escola pública, e isso fez grande
diferença. No primário, em uma escolinha chamada Educandário Evangélico Raios
Brilhantes, tive professoras das quais me lembro com carinho até hoje. Uma delas, Rita,

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
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dava pequenos prêmios aos melhores alunos da sala. Foi ali que eu comecei nos
concursos.

Meu pai, que perdi aos 14 anos, nunca teve uma profissão regular e tinha sérios
problemas com alcoolismo. Apesar disso, era quem mais me incentivava, desde nem sei
quantos anos, a manter o hábito da leitura. Apesar de nunca ter feito um concurso público
na vida, me lembro que ele me falava que concurso público era algo muito bom,
especialmente os concursos federais ele dizia. Embora ele não tenha sido um exemplo em
termos profissionais, sua integridade e o respeito que ele tinha de todos fazia com que eu
desse muito valor nas coisas que ele falava. Ele dizia que eu deveria começar pelos
gibisparair tomando gosto, e depois passar para os livros. Sempre repetia isso e eu
sempre lhe dava a mesma resposta: porque em vez de falar, você não me compra os gibis.
Bem, ele nunca comprou, mas logo que eu comecei a ganhar dinheiro, li muitos gibis. E
depois livros, e depois os concursos federais. E não parei mais.

O que vem por aí...

Se você chegou até aqui, isso significa que é um grande vencedor. Como eu
disse lá no início, eu não espero que todos cheguem ao final desse livro e muitos menos
tenho a pretensão de agradar ou convencer a todos que as coisas que eu ensino são as
melhores. Mas se chegou até esta página é porque você se identifica em boa medida com
as coisas que eu falo.

Tenho a convicção de estar sendo transparente e de estar revelando aquilo que


eu aprendi a duras penas. Como eu gosto de dizer. Me projeto era escrever o livro que eu
gostaria de ter lido há 15 anos e que encontrei e tenho certeza que até então não existia
no Brasil.

Quero que você tenha aprendido não apenas que passar em concurso é algo
que pode se feito de forma técnica e segura, embora não sem esforço. Mas,
principalmente, meu objetivo é que você tenha a convicção da sua importância, do seu
valor, de que possui capacidade suficiente para alcançar qualquer patamar e ser quem
quiser nessa vida, sem se deixar abater ou rebaixar por quaisquer pessoas ou
circunstâncias.

Tenho a missão de levar a todas as pessoas a oportunidade dos concurso


público para que todos tenham a oportunidade que tive de melhorar na vida social e
financeira. Embora a felicidade não possa ser medida por dinheiro ou cargos, não se pode
negar que uma vida com mais conforto e realização profissional só faz bem a qualquer

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pessoa, funcionando como um combustível para que a felicidade floresça em todas as
áreas.

Me despeço dizendo que quero estar perto de você. Peço que me siga em
alguma das minhas redes sociais – meu canal do YouTube, Instagram, Facebook, abaixo
listados –. Neles trago informações sobre concursos, conteúdos motivacionais e insights
que sei que podem ajudar na sua aprovação. Prometo trazer novidades em breve, tanto
em termos de orientação especializada e até mesmo individualizada para preparação,
quanto em relação a conteúdos de estudo especificamente voltados para aprovação mais
rápida em concursos. Aguardem!

Se gostou desse livro, compartilhe esse link para outras pessoas baixa-lo:
(apenas versão final).

Muito obrigado! E que comecem os jogos.

Atenção – este livro está em construção e contém erros. Ainda serão feitas correções,
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