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METODOLOGIA DA

PESQUISA EM DIREITO

SATINA PRISCILA MARCONDES PIMENTA MELLO

1ª edição
SESES
rio de janeiro  2017
Conselho editorial  roberto paes e gisele lima

Autor do original  satina priscila marcondes pimenta mello

Projeto editorial  roberto paes

Coordenação de produção  gisele lima, paula r. de a. machado e aline karina rabello

Projeto gráfico  paulo vitor bastos

Diagramação  luís salgueiro

Revisão linguística  bernardo monteiro

Revisão de conteúdo  ana luiza da gama e souza

Imagem de capa  sergebertasiusphotography | shutterstock.com

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida
por quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em
qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Editora. Copyright seses, 2017.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip)

M527m Mello, Satina Priscila Marcondes Pimenta


Metodologia da pesquisa em direito / Satina Priscila
Marcondes Pimenta Mello.
Rio de Janeiro : SESES, 2017.
182 p.
ISBN: 978-85-5548-497-1.

1. Pesquisa científica. 2. TCC. 3. Ética.


4. Elementos textuais. I. SESES. II. Estácio.

CDD 340.072

Diretoria de Ensino — Fábrica de Conhecimento


Rua do Bispo, 83, bloco F, Campus João Uchôa
Rio Comprido — Rio de Janeiro — rj — cep 20261-063
Sumário

Prefácio 7

1. A pesquisa e o conhecimento científico 9


Introdução 10

História do conhecimento 10

Importância e aplicação da pesquisa científica 17


O que é Conhecimento? 17
O que é Método e Metodologia? Qual a diferença delas
para a Ciência? 23

O que é a pesquisa científica e qual a importância dela? 27


Tipos de pesquisa 30
Instituições de apoio à Pesquisa 39

2. O problema científico 47
Introdução 48

Escolha do tema 49
Delimitação do Tema 54

Problema de pesquisa 57

Realização da pesquisa bibliográfica e sua discussão 61

Hipótese 66

Justificativa 69

3. A construção do projeto de pesquisa 75


Introdução 76

Objetivos 76

A construção de um embasamento teórico 81


O desafio da leitura para construção do embasamento teórico 85
Etapas da leitura 88
Começar a escrever o embasamento teórico 92

A legitimidade do saber e a ética nos trabalhos científicos 95


Ética na Ciência 101

4. O trabalho de conclusão de curso 111


Introdução 112

Importância do trabalho de conclusão de curso 112


Diferença entre TCC, Dissertação e Tese 115

Estrutura e formatação do projeto de tcc 116


Elementos Pré-Textuais do Projeto 119
Elementos Textuais do Projeto 120
Elementos Pós-Textuais do Projeto 126

Estrutura e formatação de artigos científicos 128


Elementos Pré-Textuais do Artigo 129
Elementos Textuais do Artigo 131
Elementos Pós-Textuais do Artigo 137

5. Formatação de conteúdo, citações


e referências 147
Introdução 148

Formato do papel 148

Margens 148

Fontes de digitação 149

Espaçamento 150

Estrutura 150

Paginação 155

Recuo 155

Citação 155
Sistema Autor, Data ou Alfabético 155
Sistema Numérico 162

Notas de rodapé 164

Referências 165
Autoria 168
Título 169
Edição 169
Local 169
Editora 169
Data (Ano da Publicação) 169
Páginas e Folhas 170
Formatação de Referências 170
Exemplos de Referências 170
Prefácio

Prezados(as) alunos(as),

Na grande maioria das Instituições de Ensino Superior, existe um grande


“tabu" que assusta todo graduando na reta final de seu curso: o Trabalho de
Conclusão de Curso, o famoso “TCC”. Este livro didático vem com a intenção
de desmitificar o TCC, objetivando a criação de um manual prático, rico em
exemplos, para conduzir o pesquisador iniciante na tarefa de desenvolver a pes-
quisa, o projeto e o seu TCC.
Para que fosse possível compreender a importância do TCC e de artigos
científicos quanto à produção do saber científico, este livro traz em seu primeiro
capítulo uma “História do Conhecimento” até a contemporaneidade. O ho-
mem, entre todos os animais, talvez seja o mais fraco e vulnerável fisicamente;
no entanto, supera essa fraqueza com o conhecimento, desde a época da Idade
da Pedra Lascada até os dias de hoje. E é justamente por isso que a humanidade
preza a produção de conhecimento.
Este livro traz orientações práticas, principalmente para o pesquisador ini-
ciando o caminho da pesquisa acadêmica. Através dele, será direcionado em
como estabelecer e delimitar um tema, além de definir de maneira específica o
“problema" que norteará seu trabalho. Em forma de manual prático, o segundo
capítulo mostrará os caminhos para identificar as fontes, fazer o levantamento
bibliográfico e criar hipóteses para o desenvolvimento de sua pesquisa.
O pesquisador será capaz também de alcançar a importância do embasa-
mento teórico, compreender o “passo a passo” do processo de comunicação
científica, assim como organizar, identificar e desenvolver etapas de leitura para
compreender melhor a “legitimidade do saber”.
Com isso, têm-se todas as bases necessárias para desenvolver o TCC, faltan-
do apenas uma orientação quanto à formatação, às normas da ABNT e às demais
especificações técnicas científicas, e é isso justamente que traz o quarto capítulo.
No seu quinto e último capítulo, se encontra em forma de exemplos e imagens
tudo que normalmente gera dúvidas na atividade do pesquisador iniciante.
Todo este livro foi produzido pensando em você, pesquisador iniciante, que,
por muitas vezes, precisa dirimir muitas dúvidas, ter um direcionamento práti-
co, um suporte de apoio, para desenvolver o trabalho de pesquisa – e não tem.

7
Este livro é para auxiliar a redação, organização e desempenho da atividade
de pesquisa.

Bons estudos!

8
1
A pesquisa e o
conhecimento
científico
A pesquisa e o conhecimento científico

Introdução

Neste capítulo, iremos analisar o conhecimento científico partindo de sua his-


tória e desenvolvimento ao longo do tempo até o momento em que hoje vivemos,
em que existem órgãos governamentais que estimulam e fomentam tais pesquisas
e produção de conhecimento.
É necessário compreender a importância da pesquisa científica ontem e hoje
antes de se questionar o porquê de ser obrigatório nos cursos de graduação o tão
temido TCC, e é justamente isso que este capítulo irá elucidar. Para tal, aqui você
obterá esclarecimento sobre os diversos tipos de conhecimento que existem, as-
sim como esse conhecimento relaciona-se com a pesquisa científica e a produção
de conhecimento.
Perceberá também que qualquer pesquisa ou trabalho científico deve ser em-
basado em um método científico que será desenvolvido justamente para apontar os
caminhos que se deverá trilhar no desenvolvimento do seu Trabalho de Conclusão
de Curso, Dissertação de Mestrado ou até mesmo Tese de Doutoramento. Aqui
você encontrará respostas e apontamentos para os percursos que deverá trilhar
antes de se enveredar pelos caminhos da produção do conhecimento.

OBJETIVOS
•  Compreender a relevância do uso de técnicas para pesquisa científica;
•  Entender o que é conhecimento, diferenciando os diversos tipos de conhecimento;
•  Compreender também a importância do método para as pesquisas científicas, assim como
ser capaz de diferenciá-los e classificá-los;
•  Compreender e classificar as pesquisas de acordo com seus objetivos, métodos e abordagens.

História do conhecimento

Desde as civilizações antigas, o conhecimento era inerente ao homem. O do-


mínio do fogo, a pedra lascada, a utilização de peles de animais para se aquecer
no frio e até mesmo a produção de armas, como lanças e “tacapes”, são grandes
exemplos do conhecimento produzido pelo homem. Mas isso não significou uma

capítulo 1 • 10
produção do saber; apenas eram conhecimentos de notória utilidade para sobrevi-
vência do homem e, posteriormente, de suas respectivas civilizações.
Muitas dessas civilizações antigas possuem mitos e histórias que comprovam
que o homem sempre teve sua mente voltada para experimentos, e muitos deles
inusitados, que despertam nosso olhar para as seguintes questões: como tal conhe-
cimento era concebido? Havia métodos científicos? Como esse saber era passado?
O conhecimento que hoje produzimos tem como base a Antiguidade greco-roma-
na que fora resgatada no advindo do Humanismo. Muitos de nossos saberes matemá-
ticos, geométricos, trigonométricos e filosóficos foram produzidos por intelectuais da
civilização grega e perenizados pelos Romanos, e posteriormente pela Igreja Católica,
até chegarem a nós, do mundo contemporâneo. Hoje, o conhecimento e o saber são
institucionalizados pelas universidades.

CONCEITO
Humanismo: O humanismo é comumente tido como um empreendimento moral e inte-
lectual que colocava o homem no centro dos estudos e das preocupações espirituais, bus-
cando construir o mais alto tipo de humanidade possível. É preciso ressaltar, no entanto, que
os humanistas não seguiam uma única logica, ou seja, não formavam um grupo homogêneo.
Em comum, compartilhavam apenas o entusiasmo pelo estudo dos clássicos gregos e latinos.

Renascimento: Significava o momento histórico que se inicia e tem seu apogeu nas
cidades italianas do século XV, de renovação das expressões artísticas ligadas às mudanças
de mentalidade do período, com a ascensão da burguesia. Ele está em conexão com o huma-
nismo, ou seja, com a retomada dos estudos sobre a antiguidade clássica, apesar de hoje a
maioria dos autores não considerar mais o humanismo a lógica acadêmica do renascimento.

Revolução científica: a dessacralização do mundo a partir de sua matematização e


manipulação científica.

Iluminismo: vem de esclarecimento (aufklärung, no original alemão), usado para de-


signar a condição para que o homem, a humanidade, fosse autônomo. Isso só seria possível
se cada indivíduo pensasse por si próprio utilizando a razão. O iluminismo abarcou tanto a
filosofia quanto as ciências sociais e naturais, a educação e a tecnologia.
(Fonte: SILVA; SILVA, 2007)

capítulo 1 • 11
O primeiro passo da civilização moderna, objetivando o resgate da cultura
clássica no mundo cristão ocidental, foram o Humanismo e o Renascimento
Cultural dos séculos XIV, XV e XVI. Logo depois, no século XVII, a Revolução
científica e suas descobertas permitiram chegarmos hoje aonde estamos do ponto
de vista intelectual, cultural e até mesmo científico-tecnológico.

ATENÇÃO
Deve-se ressaltar que esse conhecimento não é apenas produzido nas universidades e
muito menos é restrito aos intelectuais do mundo acadêmico. Existem muitos conhecimentos
populares que fazem parte de nossa cultura e são muito eficazes, desde o chá de boldo para
o fígado até o senhor dono de um empreendimento de sucesso que nunca fez faculdade
de administração e não sabe sequer mexer em um computador com programas e planilhas.

A tríade Renascimento, Revolução Científica e Iluminismo foram os


grandes responsáveis pela construção do homem, do seu conhecimento e do
saber que temos nos dias de hoje. O primeiro resgatou a cultura e o conhe-
cimento clássico produzido pelos gregos e romanos, o segundo rompeu com
a sacralização do conhecimento e saber, tornando-o metodológico, empírico
e científico, e o último é:

(...) a saída do homem de sua menoridade. Menoridade esta que é a


incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de
outro indivíduo. E o culpado dessa menoridade é o próprio indivíduo. O
homem é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não se
encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem
de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. Sapereaude! Tem
coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do
Aufklärung [Esclarecimento/Iluminismo]. (KANT, 2005, p. 63-64,
tradução nossa)

Nesse contexto do Iluminismo, a Pesquisa Científica e Metodológica surge


primeiramente como uma tentativa do homem de atestar a veracidade das teorias
de “geração espontânea”.

capítulo 1 • 12
Em seguida, o homem não se dava mais por satisfeito e acelerou as grandes
descobertas que marcavam as explicações para a origem do homem, natureza, ge-
nética, física, química, biologia etc. Entre tantos cientistas, destacamos o cientista
francês Louis Pausteur, que, nascido em 27 de Dezembro de 1822, teve grande
relevância nos estudos e experimentos na área de Química e da Medicina, prin-
cipalmente por trazer ao mundo descobertas acerca dos micro-organismos. Além
dele, temos outros que merecem destaque, como Mendel, Fracis Bacon Diderot
e D’Alambert, que marcaram, junto com outros mais famosos, como Da Vinci
(anatomia), Charles Darwin (evolucionismo) e Isaac Newton (física), o campo
científico e intelectual contemporâneo.
Nessa época, a pesquisa científica e produção intelectual eram poucas. Hoje
em dia, a cultura letrada é predominante e uma parcela significativa da sociedade
tem acesso à universidade, o que não significa que as cifras de acesso ao ensino
superior sejam significativas, pois ter o acesso não significa que a população irá
ascender a ele.

REFLEXÃO
Temos de refletir acerca do que de fato foi o Iluminismo. Foi um movimento único? Todos
seguiam o modelo clássico francês? Temos de ter muita atenção e entender o Iluminismo
como um movimento plural praticado de diversas formas na Europa do século XVIII e XIX,
que se concretizou como um constructo cujo início no século XI coincidiu com o surgimento
das universidades.
"Neste sentido, deve-se levar em consideração que passaram a surgir diversas
denominações para formas diferentes de interpretar a nova realidade dos Setecentos,
ou seja, o Iluminismo. Compreendido como um novo contexto social do pensamento
europeu que produziu expressões como Lumeriés na França, Aufklärung na Alemanha,
Enlightment na Inglaterra”.
(Fonte: PIMENTA, 2015, p. 12)

CURIOSIDADE
Olho por olho, dente por dente: com certeza, você já ouviu essa expressão e até pode ter
a utilizado ao planejar uma ‘‘vingacinha’’ inocente para alguém, algo parecido também com a

capítulo 1 • 13
famosa “pagar na mesma moeda”. De fato, a frase é amplamente conhecida mundialmente,
mas você sabe de onde ela surgiu?
As antigas leis que exigiam penalidades similares ao crime cometido são frequentemen-
te consideradas como bárbaras e excessivamente punitivas. No entanto, muitas sociedades
seguiam esse caminho, pois elas foram estabelecidas a fim de conter, e não promover, a
vingança desproporcional.
O princípio da justiça capturado pela expressão "olho por olho, dente por dente" é cha-
mado de lei de talião (ou lei de retaliação), que foi criada na mesopotâmia. Em resumo, a lei
exige que o agressor seja punido em igual medida do sofrimento que ele causou.
(Fonte: BORGES, 2014)

Segundo pesquisas estatísticas sérias e oficiais, as cifras de efetivação de acesso


ao Ensino Superior vêm aumentando significativamente nos últimos 10 anos. Mas
será que ter mais faculdades e vagas em ensino superior significa diretamente um
aumento de pesquisas?
Atualmente, no Brasil muito se fala que a maior disponibilidade de cursos de
Ensino Superior seja a dos cursos de Direito. E, no campo jurídico, como funcio-
na a pesquisa hoje no Brasil?

CURIOSIDADE
Pois é, os celtas sempre aparecem com algo impossível de explicar, seja Stonehenge,
sejam as ciências druidas ou tantas outras. Talvez por isso, os historiadores não gostem
muito de estudá-los, pois não dá para explicar tudo sobre eles. Um desses mistérios é um
documento escrito por volta de 1.000 d.c., mas que se refere a uma lenda que deveria ter
pelo menos 2.000 anos. Essa lenda refere-se a uma rainha, Boadicea, que era grande
heroína, pois tinha a capacidade de gerar muitos e muitos filhos, vários de uma vez. Isso se
dava, pois ela se banhou enquanto grávida no cálice da vida. Pois acontece que, um dia, já
com a avançada idade de 30 anos, o seu coração para de bater. Por sorte, um druida está
ao seu lado e logo toma providencias.
Primeiro, ele faz com que ela respire brumas para que não sinta dor; depois, ele pega uma
escrava e faz com que ela respire as mesmas brumas; então, corta o peito da escrava, retira
o seu coração, corta o peito da rainha e retira o coração dela. Por fim, ele coloca o coração
da escrava na rainha, costura com fios de ouro lavados naquele mesmo recipiente da vida,
lança pequenos raios no coração, e ele começa a bater novamente. Por fim, fecha o tórax da
rainha com os mesmos fios de ouro.

capítulo 1 • 14
O espetacular nesta narrativa não é simplesmente a ideia do transplante, que, até
onde eu sei, nunca apareceu em outra cultura antes disso, mas a técnica, o saber que
era preciso acabar com a dor, que era preciso costurar, que essa costura deveria ser
feita com higiene – e não me pergunte como se sabia que era preciso lançar uns raios
(choque) no coração para que ele voltasse a bater.
Há quem diga que engolir as brumas para não sentir dor e muito semelhante a nossa
anestesia de hoje; acho exagero afirmar, mas só a ideia já é genial para um período em que
os gregos não faziam nem ideia do que era escrita.
Dizer se tal operação foi feita ou não e muito difícil. E claro que jamais iriam aceitar que
isso seria possível até se provar com muita certeza, mas alguns indícios dizem que sim.
Primeiro, a morte da escrava: em uma cultura da época, era mais do que comum
que, para salvar a rainha, a escrava morresse. Segundo, 1.000 anos antes disso, ou
seja, em 2.000 a.C., os egípcios já faziam operações no cérebro. Os incas também
aprenderam a fazer operações no cérebro, e claro que a maioria delas dava errado, mas
algumas davam certo, e temos pelo menos três casos, entre egípcios e incas, que a
operação no cérebro foi um sucesso. Mas, no caso do cérebro, dá para saber por que e
preciso fazer um buraco no crânio. Mesmo assim, nunca houve qualquer indício de que
os celtas realmente pudessem ter feito tal operação.
Fonte: (UOL, 2017)

Vamos primeiro ao surgimento do Direito. A primeira civilização a tra-


zer um código de leis escritas foram os Mesopotâmios, com o “código de
Hamurabi"; depois deles, tivemos os Egípcios, os indianos, os chineses, os
Hebreus, os Gregos, os Romanos e, por fim, os iluministas, esses considerados
Romanos ocidentalizados. Isso sem levar em consideração aqueles povos cujas
leis não eram escritas e apenas eram baseadas em seus costumes, como, por
exemplo, os Povos Germânicos. Mas, entre todos eles e a pesquisa jurídica, há
uma grande distância a ser percorrida.
De fato, ela nasceu junto com o surgimento da disciplina História do
Direito, que só surgiu no século XIX, quando se tornou obrigatória para a
formação do Bacharel em Direito. Mas qual a verdadeira função dela e da
pesquisa jurídica afinal?

capítulo 1 • 15
A função precípua da história do direito na formação dos bacharéis encontra-se
na desnaturalização da permanência ou evolução, em fazer o jurista observar que o
direito relaciona-se com o seu tempo e contexto (social, político, moral) e que o direito
contemporâneo não é uma nova versão do direito romano ou uma evolução do direito
medieval, mas sim fruto de um complexo de relações presentes na sociedade e que
progride a par das forças indutoras capazes de modificá-lo, transformá-lo, revolucioná-lo.
(MACIEL; AGUIAR, 2007, p. 22)

Em outras palavras, a função da pesquisa jurídica é estimular o estudo da rela-


ção do homem com a manutenção do status quo ao longo do tempo, analisando e
compreendendo sua lógica, com o objetivo de sempre adaptá-lo a novas realidades
sociais e compreendendo suas mudanças.

REFLEXÃO
Será que devemos apenas nos ater aos índices quantitativos de acesso ao ensino supe-
rior? Na verdade, devemos relativizar tais índices para entender como isso funciona na práti-
ca. No Brasil, por exemplo, "os estudantes de 18 a 24 anos que frequentam ensino superior
no Brasil somavam 58,5% do total de estudantes nessa faixa etária em 2014. O percentual
e 25 pontos percentuais maior que o de dez anos antes.
Os dados foram divulgados hoje (4/12/2015) pelo instituto brasileiro de geografia e
estatística (IBGE) e mostram que, em 2004, esse número era de 32,9%. De acordo com
a pesquisa, em 2004, 54,5% dos estudantes do ensino superior na rede pública perten-
ciam à parcela 20% mais rica da população brasileira – com renda média por pessoa da
residência de R$ 2,9 mil. Dez anos depois, esse grupo ocupava 36,4% das vagas nas
universidades públicas.
Já a proporção de estudantes pertencentes aos 20% mais pobre da população, com
renda per capita média de R$ 192, era 1,2% em 2004 e chegou a 7,6% dos alunos de
faculdades públicas em 2014”. Será que, de fato, as coisas estão mudando? Aparentemente
sim, mas, se parar para perceber, será que 7,6% da população pobre com acesso efetivado
ao ensino superior são cifras satisfatórias?
(Fonte: LISBOA, 2015)

capítulo 1 • 16
LEITURA
BRANDÃO, F. H. de V. A história do Direito como disciplina fundamental. In: Âmbito
Jurídico, Rio Grande, XIII, n. 73, fev. 2010. Disponível em: https://goo.gl/xWpOfd. Acesso
em jan. 2017.
GALLIAN, D. M. C. Visão histórica da pesquisa científica. Disponível em: https://goo.
gl/0DStuo. Acesso em: Jan. 2017.
AZEVEDO, L. C. de. Introdução à história do Direito. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005.
CASTRO, F. L. de C. História do Direito Geral e Brasil. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007.
NASCIMENTO, W. V. do. Lições de história do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2008.
PEDROSA, R. L. Direito em História. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2006.
WOLKMER, A. C. (Organizador). Fundamentos de história do Direito. Belo Hori-
zonte: Del Rey, 2006.
LUNA, S. V. de. Planejamento de pesquisa: uma introdução. São Paulo: EDUC, 2000.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 35. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2003

Importância e aplicação da pesquisa científica

O que é Conhecimento?

Mas, em meio a toda a discussão, fica uma pergunta que, se fizermos para a
maioria dos alunos universitários, apesar de a resposta ser simples, a maior parte
deles hesita na hora de responder: o que é conhecimento?
Alguns vão responder que é tudo aquilo que aprendemos ao longo de nossas
vidas. Não podemos dizer que essa resposta esteja equivocada; no entanto, o cor-
reto seria responder com outra pergunta: de que conhecimento estamos falando?
Existem vários tipos de conhecimento, cada um com suas características e
conceitos muito bem definidos, e cada um deles dará explicações diferentes para o
mesmo evento. Vejamos abaixo um exemplo dos tipos de conhecimento explican-
do o mesmo acontecimento, neste caso, a “morte”.

capítulo 1 • 17
EXPLICAÇÃO SOBRE A MORTE
CONHECIMENTO
Oposição à vida, com ausência de consciência.
FILOSÓFICO

CONHECIMENTO TEOLÓGICO
Vontade de Deus.
(RELIGIOSO)

CONHECIMENTO EMPÍRICO
(EXPERIMENTAÇÃO - Morreu de velhice, foi atropelado etc.
CONHECIMENTO POPULAR)

CONHECIMENTO
Justificativa clínica, morte cerebral etc.
CIENTÍFICO

Mas o que de fato são cada um desses tipos de conhecimento? O saber cientí-
fico é o único correto? O Religioso não é valido? Nem uma coisa, nem outra. Ao
longo de nossa existência, enquanto seres humanos, ou seja, seres racionais, temos
de nos apropriar de todos esses tipos de conhecimento e utilizá-los na forma e no
momento que lhes são convenientes.

CURIOSIDADE
Também conhecida como abiogênese, essa teoria existe pelo menos desde Aristóteles.
De acordo com ela, a vida poderia surgir espontânea e continuamente da matéria bruta. Algu-
mas observações feitas por pessoas comuns, no dia a dia, pareciam reforçar essas ideias: o
fato de aparecerem larvas de insetos sobre o lixo em decomposição, por exemplo, alimentou
a ideia de que as larvas teriam “brotado” do lixo (não se conheciam, na época, os detalhes da
reprodução dos insetos). A circunstância de girinos surgirem na água de uma poça, de um
dia para outro, parecia ser a prova de que tinham se originado diretamente da lama da poça.
A descoberta dos micro-organismos, depois da construção do microscópio pelo holan-
dês Anton va Leeuwenhoek, no século XVII, representou mais um argumento a favor da ge-
ração espontânea: não se podia imaginar que seres tão simples pudessem possuir qualquer
método de reprodução.
A situação chegou a tal ponto que, por volta do século XVII, o belga van Helmont anun-
ciou uma famosa “receita” para obter ratos a partir da mistura de roupa suja com sementes
de trigo…! Pouco tempo depois, no entanto, o italiano Francesco Redi demonstrou, por meio

capítulo 1 • 18
de um engenhoso experimento, que o surgimento de larvas na carne em decomposição não
se dava espontaneamente, mas sim a partir de moscas que ali depositavam seus ovos.
(Fonte: ALBERKLEY, 2012)

Conhecimento Filosófico

É o saber inerente ao campo da Filosofia. São conhecimentos gerados pela


lógica filosófica, normalmente resultado de hipóteses que não podem ser atestadas
experimentalmente por serem, de certa forma, metafísicas, restritas ao campo re-
flexivo e deduzidas a partir de valores.
No exemplo utilizado acima, a morte é entendida pelo conhecimento filosófico de
maneira lógica, ou seja, em oposição à vida: afinal, se não está vivo, logicamente está
morto. E, por conseguinte, a mesa, que não tem vida e não tem consciência; logo, por
um encadeamento lógico,“morte” também é ausência de consciência.
Esse conhecimento filosófico teve sua origem na Grécia Antiga de Sócrates,
Parmênides, Tales de Mileto etc. Segundo Odília Fachin, é o conhecimento que
“conduz a reflexão crítica sobre os fenômenos e possibilita informações coerentes".
(FACHIN, 2006, p. 11)
Existem basicamente duas vertentes na Filosofia que tratam especificamente
do "conhecimento": uma denominada realismo e a outra, idealismo. A última
foi proposta inclusive por René Descartes, que, de certa forma, revolucionou o co-
nhecimento filosófico ao afirmar que o homem só conhece o próprio pensamento
e que tudo está apenas no campo das ideias.
Já o Realismo afirma que o homem reconhece, além do próprio pensamento,
as coisas reais. O Realismo é muito criticado pelo Idealismo; afinal, o que é real,
como, por exemplo, a “morte”, só existe em nosso pensamento. Já os realistas
defendem que existem coisas inerentes ao “mundo externo” e que o pensamento
humano apenas o reconhece.

Conhecimento Teológico

O conhecimento Teológico, diferentemente do Filosófico, é advindo da fé reli-


giosa do indivíduo, em que tudo, de certa forma, pode ser interpretado como algo
de origem divina. É como se Deus fosse a resposta para todas as coisas. Por isso,

capítulo 1 • 19
a explicação para a “morte” com base no conhecimento Teológico ou Religioso
consiste em vontade de Deus.
Perceba que, para essa explicação, não importa qual é a sua crença religiosa nem de
qual Deus estamos falando, mas sim a sua fé na existência de um "Deus" para aceitá-la.
As explicações fideístas, ou seja, com base na fé, acabaram por gerar respostas
interessantes para as aspirações e anseios do Homem em relação a uma das coisas
que mais inquieta a sua consciência, a vida. Na explicação teológica, por exemplo,
o Homem foi feito do barro e a mulher, da costela de Adão, tal qual está na Bíblia.
Você não pode questionar isso: ou você acredita, ou não. Outro exemplo
interessante foi o que ficou conhecido como “Teoria da Geração Espontânea”,
que dizia que seres primitivos e simples, como ratos, baratas, moscas e ou-
tros, não possuíam método reprodutivo e, por isso, se multiplicavam por
meio da vontade divina.
Esse tipo de conhecimento é 100% baseado em dogmas religiosos que são
inquestionáveis e, por isso, acaba recebendo muitas críticas.
Foi o conhecimento teológico, por exemplo, que levou à conjuntura históri-
ca do obscurantismo, ou Idade das trevas, período de aproximadamente 1.000
anos controlado social e intelectualmente pela Igreja, que, com seus dogmas, im-
punha as explicações com base nesse conhecimento, e qualquer um que fosse de
encontro a isso poderia ser punido com a morte.
Obscurantismo e Idade das trevas são denominações que nos remetem a
escuridão, falta de conhecimento, logo fica fácil deduzir que essa denominação
fora dada pelos cientistas contemporâneos como uma forma de trazer uma ideia
pejorativa para esse momento do conhecimento humano em que vigoraram as
ideias teológicas. E é claro que agora você sabe que essa afirmação e a ideia de
ausência de conhecimento estão erradas, pois existem vários tipos de conheci-
mentos, e na Idade das trevas não havia uma ausência de conhecimento, mas
sim a falta de produção de conhecimento científico, o que não quer dizer que
não havia conhecimento, até porque foi o período em que mais se produziu o
conhecimento do tipo teológico.

Conhecimento Empírico

Tudo que nós aprendemos e conhecemos na vida cotidiana, com nossos ami-
gos, pais, fora da escola e sem estudos e pesquisas, são denominados de “conhe-
cimentos empíricos”. A base desse conhecimento é a vivência: por exemplo, a

capítulo 1 • 20
senhora idosa de 85 anos morre; com base no conhecimento empírico, a explica-
ção dessa “morte" é a velhice.
Mas temos de tomar muito cuidado para não desprezar esse conhecimento
“popular”, pois muitas vezes ele nos faz caminhar por caminhos certos; é ele que,
desde muito cedo, nos faz não colocar nem deixar nossos filhos porem o dedo na
tomada, não ficar molhado sem camisa no vento frio etc.
Afinal, todos esses conhecimentos fizeram a humanidade sobreviver e chegar
até aonde chegamos, principalmente num tempo em que não havia Medicina nem
pesquisas médicas. Isso tudo ocorre porque:

O primeiro nível dos contatos entre o intelecto e o mundo sensível se faz


sentir pelo conhecimento empírico, pois ele se contenta com as imagens
superficiais das coisas, com a visão ingênua do contexto exterior. Por
suas características, é um conhecimento que não estabelece relações
significativas de suas interpretações, proporcionando uma imagem
fragmentária da realidade. (FACHIN, 2006, p. 14)

Mas, apesar do exposto por Fachin, eles não podem ser desconsiderados por
serem um conhecimento prático em relação direta com as experiências humanas
ao longo do tempo e passados de geração em geração.
Há de se entender que é a partir do conhecimento empírico que se iniciam as
indagações que levam ao conhecimento científico.

Conhecimento Científico

Esse tipo de conhecimento é o que mais nos interessa aqui. É justamente


aquele que é produzido por intermédio de aplicações metodológicas de pesquisa
científica, por meio de sistematizações e estudos aprofundados sobre o tema a ser
pesquisado, testado, sintetizado e, por fim, teorizado, de forma a ser disponibili-
zado nas escolas e nas universidades em seus cursos de graduação e pós-graduação.
A primeira forma de conhecimento que a humanidade conheceu foi o filosófi-
co, mas, apesar de todo o esforço empreendido pelos filósofos, desde os pré-socrá-
ticos até Nietzsche, o conhecimento científico muito se difere do filosófico.
Tal conhecimento surgiu entre os séculos XVI e XVII, em meio à Revolução
Científica, e foi propagado por Nicolau Copérnico, Francis Bacon e outros

capítulo 1 • 21
pensadores que passaram a se utilizar de “métodos científicos” para produzir
o conhecimento.
O Conhecimento Científico é objetivo, homogêneo, diferenciador, libertador
e reflexivo. Ele procura sempre transformar-se e modificar-se de forma que garanta
a continuidade do saber, tendo como característica o dinamismo pertinente ao seu
processo de construção:

Com a utilização de métodos rigorosos, a Ciência passou a atingir um


tipo de conhecimento sistematizado, preciso e objetivo, o que veio a
possibilitar o estudo, a descoberta e o desenvolvimento das relações
entre os objetos, fatos e as coisas existentes no mundo. Isso permitiu
que o homem passasse a prever os acontecimentos, possibilitando
a ação humana de forma mais eficiente e segura sobre as leis da
natureza. (MEZZAROBA, 2009, p. 42)

Inclusive, ao longo do tempo, esse conhecimento científico foi se especializan-


do e fazendo surgirem novas áreas especificas, como a física, a química, a medici-
na, a robótica, a história e o direito.
É esse tipo de conhecimento que não aceita outra resposta para “morte" que
não seja clínica! A velhinha de nosso exemplo não morreu de velhice, mas sim de
morte cerebral, infarto agudo do miocárdio etc. E essa resposta só pode ser alcan-
çada depois da aplicação do método científico de “autópsia" em que, a partir daí,
se poderá chegar à causa mortis.
No Direito, ou melhor, nas Ciências Jurídicas, o que está no cerne do problema
não é a “morte” propriamente dita, mas sim se ela foi causada intencionalmente ou
não por alguém, se existem herdeiros ou não, quais são os herdeiros legítimos e os
necessários, quais os direitos eles têm sobre os bens daquela pessoa que morreu. Ele
se preocupa em estudar o comportamento humano, objetivando estabelecer e defen-
der normas de convívio social aplicadas a situações cotidianas.

Dentre as ciências humanas ou sociais, a ciência jurídica é a ciência normativa


e aplicada. Comunga com as demais a natureza de um saber voltado para as
preocupações não naturalísticas, mas sim valorativas. O que está em jogo é o
comportamento humano. (BITTAR, 2012, p. 67)

capítulo 1 • 22
O que é Método e Metodologia? Qual a diferença delas para a Ciência?

Quando falamos de conhecimento científico, mencionamos por diversas vezes


que é o saber e o conhecimento produzidos através de métodos científicos. Mas,
afinal, o que é Método Científico?
A resposta encontra-se em qualquer livro ou site de internet – e, inclusive, ao
pesquisar em sítios da internet o significado de Método Científico, a resposta é
idêntica e simples: o conjunto das normas básicas que devem ser seguidas para a
produção de conhecimentos que têm o rigor da ciência, ou seja, é uma metodolo-
gia usada para a pesquisa e comprovação de um determinado conteúdo.
Mas será que isso deixa a questão clara? Estaríamos satisfeitos com essa respos-
ta? E o pior: isso responde o porquê de estudarmos metodologia?

O método é, sobretudo, uma seleção de fontes de pesquisa, pois, como


é sabido, a fonte de informação determina os resultados reflexivo e
conclusivo de qualquer pesquisa. Trata-se de uma verdadeira arte
de, entre textos, construir o conhecimento, valendo-se de fontes de
pesquisa disponíveis. (BITTAR, 2012, p. 22)

Figura 1.1  –  Fonte: https://goo.gl/eHGHMb

capítulo 1 • 23
Em outras palavras, pense em um advogado: quando o cliente adentrar em seu
escritório pedindo para assumir uma causa, antes de qualquer coisa ele terá de apli-
car um método de pesquisa para verificar leis, jurisprudências e outras fontes. Para
tal, primeiramente ele irá averiguar se as referidas fontes são cabíveis ou não ao caso
específico para, posteriormente, utilizá-las como for necessário para fazer seu cliente
lograr êxito na demanda judicial em questão.
O método é um esforço empreendido em prol da construção de um conhecimento
científico e é muito mais do que um raciocínio lógico e compreensível cognitivamente.
Ele é composto por etapas que vão desde a observação do fato que gera o
problema a ser resolvido, a partir da fase investigativa e coleta de dados, até a ve-
rificação da hipótese e a consequente consolidação do conhecimento construído
a partir dos resultados obtidos. Via de regra, os resultados sempre permitem a
elaboração de um novo problema a ser investigado, pois, como já foi dito anterior-
mente, o saber científico é dinâmico.
Apesar de ter aparência estática e engessada, existem diversos tipos de métodos com
definições e características próprias; segundo Eduardo C. B. Bittar (2012), são eles:

MÉTODO DEFINIÇÃO CARACTERÍSTICA


Corresponde à extração
Procede do particular
discursiva do conheci-
para o geral.
INDUTIVO mento a partir de evidên-
cias concretas passiveis
de serem generalizadas.

Corresponde à extração
Procede do geral
discursiva do conheci-
para o particular.
mento a partir de pre-
DEDUTIVO missas gerais aplicáveis
à hipótese.

Corresponde à apreen-
Retira evidências inde-
são direta e discursiva
monstráveis imediatamente
da essência da coisa
INTUITIVO conhecida por contato
da coisa conhecida.

sensível ou espiritual.

capítulo 1 • 24
Corresponde à apreen-
Procede de modo crítico, pon-
são discursiva do
derando polaridades opostas
conhecimento a partir
DIALÉTICO de análise dos opostos
até o alcance da síntese.

e da interposição de
elementos diferentes.

Corresponde à constru-
Parte da evidência de que
ção do conhecimento
não existe uma verdade
compartilhado, pelo
estanque e pondera sobre
diálogo interdisciplinar.
DIALÓGICO diversos conhecimentos
adquiridos para construir con-
venções transitórias úteis ao
conhecimento e à aplicação.

E se agora disséssemos que Método é diferente de Metodologia? A diferen-


ça não é tão complexa; na verdade, é muito simples. Metodologia é o estudo
do Método, logo "a metodologia nasce a serviço da pesquisa científica, con-
sistindo no estudo das práticas do saber e das práticas do exercício do saber”.
(BITTAR, 2012, p. 39)
Metodologia Jurídica ou do Direito nada mais é, então, do que o estudo dos
métodos de investigação que está a serviço da pesquisa do Direito.

ATENÇÃO
Apesar de podermos conceituar de maneira mais sucinta a pesquisa como sendo uma
forma de estudo sistemático de um tema ou objeto, ela não pode ser entendida como sinô-
nimo de investigação.

Mas temos de ressaltar que, se você se utilizar da aplicação de métodos


pura e simplesmente, não estará fazendo ciência. “A ciência é, em verdade,
o conhecimento sistematizado, testado, organizado, diluído em trama de
postulados metodológicos” (BITTAR, 2012, p. 49), o que implica na prática
de uma racionalidade em busca de uma aceitação universal e comprovação
estabelecida e reconhecida.

capítulo 1 • 25
ATENÇÃO
Não confunda! Método e ciência são coisas diferentes apesar de estarem em constante
relação dialética.

Além do mais, a ciência é impossível de ser produzida por uma única pessoa;
para tal, é necessário que vários estudiosos se proponham a estudar, investigar,
aplicar métodos e, então, escolherem entre as metodologias constituídas para,
através dela, discutirem, trocarem informação, formando, assim, uma ou mais
áreas e subáreas específicas.
Assim sendo, podemos afirmar que a ciência, assim como o método e a me-
todologia, possui divisões e classificações próprias. Vejamos a de Bunge (1980):

Vale ressaltar que, além dessa divisão clássica muito bem trabalhada na obra
do intelectual Mario Bunge, a ciência foi alvo de classificação de diversos intelec-
tuais ao longo da História. Vejamos:
a) Aristóteles: a classificou de acordo com suas finalidades em teóricas,
práticas e poéticas;

capítulo 1 • 26
b) Francis Bacon: primeiro a classificá-la de acordo com as faculdades huma-
nas em memorativas, imaginativas e racionais;
c) Augusto Comte, positivista do século XIX e um dos primeiros cientistas da
sociologia, a classificou em matemáticas, astronômicas, físicas, químicas e fisiológicas;
d) Bunge: As classificações modernas foram várias, como, por exemplo, a já
demonstrada classificação no quadro acima.

Além dessas, existe ainda uma forma mais simplificada de classificá-las que,
inclusive, nós temos mais intimidade: a classificação das ciências em exatas, natu-
rais e humanas – e essas, segundo estudiosos da metodologia do século XXI, estão
assim subclassificadas:

Formal
99 exatas
99 tecnológicas

Factual
99 naturais
99 humanas

Nessa lógica, o Direito então seria uma ciência factual humana, enquanto a
Computação é uma ciência formal e exata, e a Biologia, uma ciência factual natu-
ral, e assim sucessivamente. (FACHIN, 2006, p. 21-26)
Logo, segundo a classificação das Ciências, o Direito é uma ciência social
por se ater, como já mencionado anteriormente, às relações sociais. É factual por
tratar da relação dos homens com ele mesmo e as coisas que lhe pertencem, sejam
objetos ou ideias. É também uma ciência por ser sistematizado, estudado e prati-
cado por diversos indivíduos a partir de princípios, conceitos e hipóteses que são
reconhecidas universalmente.

O que é a pesquisa científica e qual a importância dela?

A pesquisa científica tem como concepção primeira o que o próprio nome


sugere: é uma pesquisa com objetivo de se chegar ao conhecimento científico.
No entanto, sabemos muito bem que, assim como nas perguntas anteriores, as

capítulo 1 • 27
respostas que parecem simples são as mais difíceis de chegar; então, afinal, o que
é a pesquisa?

A pesquisa é o procedimento prático da produção de conhecimentos;


então, por sua finalidade, ela deve representar uma aliada dos sistemas
sociais, culturais, políticos e econômicos. Trata-se de uma questão de
estratégia de desenvolvimento e reconhecimento público das práticas
científicas (…) É a pesquisa que faculta a preservação de recursos,
a reserva de dados, a descoberta de informações, a crítica social e
política, tendo-se como consequência a politização da sociedade.
(BITTAR, 2012, p.167-168)

A pesquisa possui elementos básicos que a diferenciam da investigação. Ela só


existe a partir da formulação de um problema para que seja possível a determina-
ção do que de fato é necessário para alcançarmos as respostas para o referido pro-
blema. Para isso, tem-se de selecionar fontes apropriadas e definir um cronograma
de ações (cronograma de pesquisa) objetivando a obtenção de respostas ao proble-
ma; além disso, deve-se selecionar quais serão os critérios adotados para dialogar
com as fontes selecionadas, assim como para o emprego do referencial teórico que
servirá de base argumentativa para a hipótese de sua pesquisa – e. somente então.
poderá chegar enfim às respostas para as perguntas que elaborou frente ao proble-
ma que encontrou no início do processo.
A pesquisa é muito importante e é uma das principais formas de executar o
artigo 43 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9394/96) em
seus incisos I, III e IV:

Art. 43 [...]
I - Estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do
pensamento reflexivo;
[...]
III - Incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando ao desenvolvimento
da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver
o entendimento do homem e do meio em que vive;

capítulo 1 • 28
IV - Promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de
publicações ou de outras formas de comunicação.

A Lei de Diretrizes e Bases propõe que toda comunidade acadêmica vivencie em seu
dia a dia um ambiente de constante troca de conhecimento, cultura e saberes, produ-
zindo e mantendo, dessa forma, o corpus do patrimônio da humanidade conforme está
explícito no inciso IV. Mas será que isso ocorre dessa forma na prática? Será que o am-
biente universitário é realmente de trocas e relações dialéticas de ensino-aprendizagem?
Se você acha que não está sendo, só depende de você para ser; pode não estar
ocorrendo com o professor "x" ou o colega “y”, mas você, em contrapartida, não
deve se acomodar e buscar essa relação plena de troca, e a melhor forma de isso
ocorrer é através da pesquisa acadêmica. Nela, haverá um professor orientador,
haverá apresentação de seu trabalho de pesquisa em congressos e seminários onde
é possível o contato com outros pesquisadores de outras instituições de Ensino
Superior, de outros estados ou até mesmo de outros países.
Esse saber produzido através da pesquisa é libertador. Podemos inclusive afirmar que
a pesquisa científica é um processo sociolibertário. Os alunos que, em sua maioria, che-
gam à universidade com uma leitura da realidade do oprimido passam a “desenraizar”,
deixando essa leitura de ser alienada, escravizada, determinada pelas mentalidades que
convêm ao opressor. (BITTAR, 2012. p .186) Esse determinismo estrutural do ensino
em sala de aula ocorre desde o processo de aprendizagem em tenra idade até algumas
salas de aula de ensino superior, mas, quando os sujeitos entram em contato com a
pesquisa acadêmica, se libertam, rompendo os grilhões e indo em busca de um saber
construído por eles de maneira a dialogar com todo o ambiente de pesquisa que o cerca.
Segundo Paulo Freire:

Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses afazeres se


encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino, continuo buscando,
re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me
indago. Pesquiso para constatar constatando, intervenho intervindo, educo
e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar
ou anunciar a novidade. (…) a curiosidade que, tornando-se mais e mais
metodicamente rigorosa, transita da ingenuidade para o que venho chamar
de ‘‘curiosidade epistemológica’’ (FREIRE, 2002. p. 32)

capítulo 1 • 29
Mas vale ressaltar que a pesquisa só cumpre essa função quando funciona
como ferramenta de conscientização da realidade, mobilizando e modificando pa-
radigmas social e profissionalmente, e é justamente essa a prerrogativa que justifica
o amparo e apoio à pesquisa acadêmica de qualidade.

Tipos de pesquisa

Também em “pesquisa”, você encontrará diversos tipos de pesquisa científica de


acordo com sua área de conhecimento, sua finalidade, seus objetivos e métodos adotados.

Classificação quanto à área de conhecimento

A base dos parâmetros classificatórios que adotaremos aqui será a mesmo utilizada
pelo CNPq (Conselho Nacional de desenvolvimento Científico e Tecnológico), ou seja,
sete grandes áreas: Ciências Exatas e da Terra, Ciências Biológicas, Engenharias, Ciências
da Saúde, Ciências Agrárias, Ciências Sociais Aplicadas e Ciências Humanas.
Cada uma delas possui as suas subáreas. O Direito, por exemplo, é uma área
das Ciências Sociais Aplicadas, e nele ainda teremos quatro linhas de pesquisa.
Veja abaixo:

6.00.00.00-7 CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS

6.01.00.00-1 DIREITO

6.01.01.00-8 TEORIA DO DIREITO

6.01.01.01-6 Teoria Geral do Direito

6.01.01.02-4 Teoria Geral do Processo

6.01.01.03-2 Teoria do Estado

6.01.01.04-0 História do Direito

6.01.01.05-9 Filosofia do Direito

capítulo 1 • 30
6.01.01.06-7 Lógica Jurídica

6.01.01.07-5 Sociologia Jurídica

6.01.01.08-3 Antropologia Jurídica

6.01.02.00-4 DIREITO PÚBLICO

6.01.02.01-2 Direito Tributário

6.01.02.02-0 Direito Penal

6.01.02.03-9 Direito Processual Penal

6.01.02.04-7 Direito Processual Civil

6.01.02.05-5 Direito Constitucional

6.01.02.06-3 Direito Administrativo

6.01.02.07-1 Direito Internacional Público

6.01.03.00-0 DIREITO PRIVADO

6.01.03.01-9 Direito Civil

6.01.03.02-7 Direito Comercial

6.01.03.03-5 Direito do Trabalho

6.01.03.04-3 Direito Internacional Privado

6.01.04.00-7 DIREITOS ESPECIAIS

Tabela 1.1  –  https://goo.gl/2fkWrT

capítulo 1 • 31
Classificação quanto a finalidade ou Natureza

A classificação quanto a finalidade tem como base os resultados pretendidos, e


dessa forma haveria duas categorias que também possuem suas subdivisões.

A primeira, denominada básica, reúne estudos que têm como propósito preencher
uma lacuna no conhecimento. A segunda, denominada pesquisa aplicada, abrange
estudos elaborados com a finalidade de resolver problemas identificados no âmbito das
sociedades em que os pesquisadores vivem. (GIL, 2010, p. 26)

CLASSIFICAÇÃO DE PESQUISA QUANTO A FINALIDADE (GIL, 2010, P. 27)

Pesquisa destinada unica-


mente à ampliação do co-
BÁSICA BÁSICA PURA nhecimento, sem qualquer
preocupação com seus
possíveis benefícios.

Pesquisa voltada à aqui-


sição de novos conheci-
mentos direcionados às
BÁSICA BÁSICA ESTRATÉGICA
grandes áreas com vistas
à solução de reconhecidos
problemas práticos.

capítulo 1 • 32
Pesquisas voltadas à aqui-
sição de conhecimento com
APLICADA PURA
vistas à aplicação numa
situação específica.

Trabalho sistemático, que


APLICADA utiliza conhecimentos
derivados da pesquisa ou
experiência prática, com
DESENVOLVIMENTO
vistas à produção de novos
EXPERIMENTAL
materiais, equipamentos, po-
líticas e comportamentos, ou
à instalação ou melhoria de
novos sistemas e serviços.

Classificação quanto aos objetivos

Pesquisa sem objetivos definidos não é pesquisa (como veremos no Capítulo


3 deste material didático), então nada mais óbvio do que existir um sistema de
classificação de pesquisas pelos seus objetivos norteadores.
Quanto aos objetivos, a pesquisa pode ser classificada em três categorias: ex-
ploratórias, descritivas e explicativas.
A pesquisa exploratória é definida pela sua proximidade com o problema-
-base de sua pesquisa. Se você pesquisa “História do Direito” e tem como obje-
tivo estudar o surgimento das faculdades de Direito no Brasil, por exemplo, sua
pesquisa terá como fonte bibliográfica livros e artigos que tratam desse assunto.
Assim, a pesquisa tem por finalidade “explorar” o tema surgimento da História
do Direito no Brasil.
A pesquisa descritiva tem como objetivo principal a descrição de um determi-
nado elemento-problema a ser explicado. De acordo com Gil (2010, p. 27), “po-
dem ser elaboradas também com a finalidade de identificar possíveis relações entre
variáveis. São em grande número pesquisas que podem ser classificadas como des-
critivas, e a maioria das que são realizadas com objetivos profissionais provavel-
mente se enquadra nessa categoria”. No Direito, se você estiver pesquisando quais

capítulo 1 • 33
os crimes cometidos por mulheres no Espírito Santo, por exemplo, estará fazendo
uma pesquisa descritiva.
A pesquisa explicativa é aquela que busca encontrar respostas aos problemas
que direcionam o objeto de pesquisa. Pode-se dizer que o conhecimento científico
constituído é, em sua maioria, formado pelos resultados de pesquisas explicativas.
Nem sempre é fácil e possível a realização de pesquisas explicativas em ciências
sociais. Elas ocorrem como, por exemplo, quando sua pesquisa está voltada para o
porquê do surgimento de leis com características de ações afirmativas, como, por
exemplo, a lei Maria da Penha e a lei de cotas para negros.

Classificação quanto aos métodos empregados ou procedimentos

Outra forma muito recorrente de classificação das pesquisas é quanto aos mé-
todos aplicados, levando em consideração também a abordagem teórica, assim
como a forma que serão coletados os dados para a realização da pesquisa, além do
problema a ser discutido por ela.
Quanto aos métodos, as pesquisas podem ser classificadas, segundo Antônio
Carlos Gil (2010), como: bibliográfica, documental, experimental, ensaio clínico,
estudo caso controle, estudo de corte, levantamento de campo, estudo de caso,
pesquisa etnográfica, pesquisa fenomenológica, teoria fundamentada nos dados,
pesquisa-ação e pesquisa participante.
Toda pesquisa científica possui uma etapa que é composta por uma pesquisa
bibliográfica: para se ter uma visão da importância dessa pesquisa, em qualquer
dissertação de mestrado ou tese de doutorado, existe obrigatoriamente um capítu-
lo inteiro dedicado aos resultados da pesquisa bibliográfica, e ela tem de ser muito
bem fundamentada. “A principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no
fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito
mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente.” (GIL, 2010, p. 30)
Na maioria das pesquisas da área de Ciências Sociais e Ciências Humanas,
existe também uma fase que é praticamente obrigatória: a pesquisa documental
ou de fontes, principalmente nos campos da História e Economia, e pode ser fa-
cilmente confundida com a pesquisa bibliográfica; todavia, a principal diferença
encontra-se na natureza das fontes. Enquanto esta será fundamentada na procura
por documentos, as chamadas fontes primárias, aquela são fundamentada na pro-
cura de livros, revistas, dissertações e teses.

capítulo 1 • 34
ATENÇÃO
A pesquisa bibliográfica possui vantagens, mas também riscos, sendo que isso pode
comprometer bastante a qualidade do trabalho; afinal, se seu levantamento e/ou pesquisa
bibliográfica não for coerente, e se os dados não forem compatíveis entre si, o trabalho será
mal avaliado! Ao fazer uma pesquisa bibliográfica, é necessário saber dialogar com a biblio-
grafia pesquisada e, acima de tudo, saber escolher aquela que dialogue bem com sua base
teórico-metodológica.

Na pesquisa documental, o mais comum é a procura por documentos insti-


tucionais, documentos de arquivos públicos ou privados, cartas, diários, folders,
catálogos, convites, registros estatísticos, documentos jurídicos, como certidões,
escrituras, testamentos, inventários e documentos iconográficos, como fotografias,
quadros, imagens e outros tipos de registros de estilo ou de arte.
A prática do Direito obriga a realização rotineira de uma pesquisa documental,
a pesquisa jurisprudencial. Ela é uma das fontes de argumentação que o advogado se
utiliza, junto com a lei e a doutrina, para defender seus argumentos jurídicos.
Já a pesquisa experimental ou empírica é aquela em que “as variáveis são ma-
nipuladas de maneira preestabelecida e seus efeitos suficientemente controlados
e conhecidos pelo pesquisador para observação do estudo”. (FACHIN, 2006, p.
43.) Normalmente possui a função de testar modelos empíricos, descobrindo e
demonstrando resultados. Os resultados obtidos não são facilmente questionáveis,
a não ser pelos métodos, pois apresentam uma realidade. As pesquisas empíricas
em Ciências Sociais e Humanas, contudo, podem ser reaplicadas quando houver
mudanças que possam influenciar em seus resultados, como, por exemplo, o tem-
po; afinal, os resultados sobre uma sociedade da década de 1920, provavelmente,
não serão os mesmos daqueles de 2017.
Existe também a pesquisa de ensaio clínico, comumente utilizada em pes-
quisas médicas, químicas e farmacológicas, e é muito semelhante às pesquisas
experimentais; no entanto, o ensaio clínico está voltado para a eficácia de cer-
to medicamento, tratamento médico, farmacológico e/ou intervenção clínica.
Diferentemente da experimentação, em que é possível a manipulação e o teste de
modelos empíricos diferenciados, o ensaio clínico está limitado à comprovação de
resultado de determinado tratamento e/ou substancia/medicamento.

capítulo 1 • 35
A pesquisa de estudo de corte ocorre quando seu objeto normalmente é um
grupo de pessoas com características comuns a serem observadas e/ou acompanha-
das, objetivando analisar seu comportamento delineado por um recorte temporal.
Por exemplo, a população carcerária que cometer homicídio (artigo 121, Código
Penal de 1940) durante os seus primeiros três meses de reclusão. Ou seja, de todo
o universo de presos de uma determinada cadeia, você irá separar somente aqueles
condenados pelo artigo 121, e, entre eles, você só observará aqueles que chegam
condenados por homicídio por um período de três meses. Esse recorte deve ser
justificado pelo problema que se vai analisar, como, por exemplo, a reação deles
frente à nova realidade e a continuação do delito dentro da casa de reclusão.
Muito semelhante à pesquisa de estudo de corte está a pesquisa de caso-con-
trole: está se difere daquela por ser uma observação feita após o fato ocorrido.
Numa pesquisa médica, por exemplo, começaria se estudando a malária numa
determinada região para somente depois falar sobre a exposição da população à
doença propriamente dita. É como no Direito você estudar um caso de denúncia
de homicídio para depois analisar a aplicabilidade do artigo 121 do Código Penal.
Quando a pesquisa é realizada a partir da interpelação de pessoas com ob-
jetivo de se analisar uma situação-problema, teremos o que é denominado pela
maioria dos teóricos como pesquisa de levantamento. Segundo Antônio Carlos
Gil, por exemplo:

As pesquisas deste tipo caracterizam-se pela interrogação direta


das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Basicamente,
procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de
pessoas acerca do problema estudado para, em seguida, mediante
análise quantitativa, obterem-se conclusões correspondentes aos
dados coletados. (GIL, 2010, p. 35)

Observe que, depois do levantamento de dados da pesquisa, é necessária uma


fase de análise desses dados, e isso pode ser feita de duas maneiras: a quantitativa e
a qualitativa. Basicamente, a diferença entre elas está no tipo de abordagem dada
na interpretação dos dados (números) levantados.
Enquanto a quantitativa se volta para os percentuais absolutos das respostas A,
B ou C de um questionário aplicado em meio a uma pesquisa, a qualitativa tentará

capítulo 1 • 36
entender o porquê desses números, relacionado-os, inclusive, ao contexto que fora
aplicado e até mesmo elaborado e aplicado o questionário.

Uma distinção mais acentuada entre a pesquisa qualitativa e a pesquisa


quantitativa diz respeito à interação dinâmica entre o pesquisador
e o objeto de estudo. No caso da pesquisa quantitativa, dificilmente
se escuta o participante após a coleta de dados. Uma inclusão de
acontecimentos e conhecimentos cotidianos na interpretação de
dados depende, no caso da pesquisa quantitativa, da audiência e
do meio de divulgação. Ao mesmo tempo em que um nível maior de
abstração pode impedir a inclusão do cotidiano, qualquer passo na
direção de uma aplicação de resultados necessariamente inclui o
dia a dia. O mesmo se aplica para a questão do contexto. A reflexão
continua, obviamente, não é especifica da pesquisa qualitativa; deve
acontecer em qualquer pesquisa científica. (GÜNTHER, 2006, p. 203)

Quando você delimita um assunto investigado a uma recorrência dele em es-


pecífico e o contrapõe frente a uma teoria, testando-o e/ou interpretando-o como
uma possível resposta a um problema, tem-se uma pesquisa de estudo de caso.
“No método do estudo de caso, leva-se em consideração, principalmente, a com-
preensão, como um todo, do assunto investigado. Todos os aspectos do caso são
investigados, (…) podem até aparecer relações que, de outra forma, não seriam
descobertas.” (FACHIN, 2006, p, 45)
Antônio Carlos Gil (2010) contribuiu em listar inclusive os propósitos em
que as pesquisas de caso são bem eficientes: explorar situações da vida real que não
estão muito bem determinadas e definidas; verificar o caráter unitário do objeto
a ser analisado e estudado; descrição de contextos de determinadas investigações;
formulação de hipóteses e desenvolvimento de teorias; explicação de variáveis cau-
sais de fenômenos e situações complexas que não podem ser determinadas por
experimentações e nem levantamentos.
Existe também aquela pesquisa que tem como método aplicado a interpreta-
ção formulada pelos sujeitos acerca das experiências vividas, tendo como objeto
o fenômeno em si. (GIL, 2010) Ela é denominada de pesquisa fenomenológica.

capítulo 1 • 37
Na pesquisa fenomenológica, a atenção do pesquisador volta-se,
portanto, para a relação sujeito-objeto, o que implica a extinção da
separação entre sujeito e o objeto. Assim, a pesquisa fenomenológica
torna-se radicalmente diferente dos delineamentos de pesquisa
fundamentados no pensamento positivista, como os experimentos e
levantamentos. Por esta razão é que a fenomenologia constitui muito
mais como uma postura, um modo de compreender o mundo, do que
como uma teoria, um modo de explicá-lo. (GIL, 2010, p. 39)

Há a pesquisa etnográfica, que, de certa forma, é restrita à antropologia,


mas que, em termos conceituais, é todo o estudo feito acerca de uma popula-
ção. Estudar a tribo de botocudos no Espírito Santo seria um estudo etnográ-
fico, assim como estudar os quilombolas também o é. Vale ressaltar que essa
população deve ser estudada no próprio ambiente, não podendo, por exemplo,
ser tirada da selva ou do quilombo para uma cidade e/ou laboratório a fim de
ser estudada; afinal, na pesquisa etnográfica é observado todo o comportamen-
to da população estudada em seu cotidiano, e de preferência sem interferência
ou direcionamentos por parte do pesquisador.

CURIOSIDADE
Botocudos foi uma denominação genérica dada pelos colonizadores portugueses a dife-
rentes grupos indígenas pertencentes ao tronco macro-je (grupo não tupi), de diversas filia-
ções linguísticas e regiões geográficas, cujos indivíduos, em sua maioria, usavam botoques
labiais e auriculares. Também chamados aimorés, eram numerosos na época das primeiras
incursões do homem branco, distribuindo-se pelo Sul da Bahia e região do Vale do Rio Doce,
incluindo o Norte do Espírito Santo e Minas Gerais. Ainda há grupos remanescentes nas
bacias dos rios Mucuri e Pardo.
(Fonte: https://goo.gl/t4M6Yu)

Quanto à pesquisa citada acima, apesar de se ter uma série de vantagens, é


também muito criticada pela subjetividade do pesquisador, que tem toda a liber-
dade de ignorar e tampouco mencionar comportamentos que não corroborem o

capítulo 1 • 38
que ele pretende escrever ou analisar. Em outras palavras, esse tipo de pesquisa
acaba não sendo produtora de resultados objetivos.
Existem trabalhos fundamentados numa base de dados muito extensa que
passarão por uma análise sistemática a fim de se comprovar fatos e comportamen-
tos, normalmente sociais que são muito difíceis de serem comprovados empirica-
mente. Essa é a pesquisa fundamentada em dados ou grounded theory. O resulta-
do dessa pesquisa sempre é uma teoria fundamentada 100% nos dados levantados.
Aquela pesquisa que visa a identificar situações-problema específicas em
contextos e situações específicas é chamada de pesquisa-ação, que pode ser
definida como:

Um tipo de pesquisa com base empírica que é concebida e realizada em


estreita associação com uma ação, ou ainda, com a resolução de um
problema coletivo, onde todos os pesquisadores e participantes estão
envolvidos de modo cooperativo e participativo. (THIOLLENT, 1985, p. 14)

E, por fim, a última classificação que iremos trabalhar, a pesquisa participante,


que nada mais é do que aquela cujos participantes são auxiliados pelo pesquisador
a identificar seus problemas e mudar os próprios paradigmas. Esse tipo de pesquisa
tem objetivo e caráter emancipador do entrevistado-participante, diferentemente
de todos os outros tipos de pesquisa.

Instituições de apoio à Pesquisa

Voltando à questão da pesquisa relacionada à LDB, o governo, justamente por


ter o compromisso legal de comprometimento com a produção de saber, possui,
em âmbito federal e estadual, agências de fomento e apoio à pesquisa; afinal, a
pesquisa gera custos ao pesquisador!
O governo federal possui duas grandes agências de fomento, a CAPES e o CNPq.
O último, inclusive, fomenta a pesquisa e a produção de conhecimento desde a iniciação
científica até a realização de pesquisas e produção de teses de pós-doutoramento.
O CAPES também é uma agência de fomento e apoio à pesquisa em nível
federal; no entanto, o seu envolvimento é maior com os cursos de pós-graduação

capítulo 1 • 39
por eles serem seu objetivo principal. É uma fundação vinculada ao MEC que,
em 2016, completou 65 anos de existência e, hoje, é uma das maiores responsá-
veis pela promoção de cooperação internacional, promovendo e incentivando os
chamados “doutorados sanduíches”, aqueles que são feitos metade no exterior e
outra metade no Brasil. A maioria das pesquisas em nível de pós-doutorado, por
exemplo, é fomentada pela CAPES.
Em nível estadual, temos também agências de fomento e incentivo à pesquisa:
são as FAP (Fundação de Apoio à pesquisa), que, no Espírito Santo, denominam-
-se FAPES; em Minas Gerais, FAPMIG; em São Paulo, FAPESP; Rio de Janeiro,
FAPERJ; e assim sucessivamente. São de responsabilidade dos governos estaduais
e têm sua atuação mais ampla, atuando inclusive na distribuição de bolsas para en-
sino médio e fundamental; afinal, é de responsabilidade dos Estados e municípios
oferecerem ensino de qualidade.
Tanto as agências estaduais quanto as federais funcionam com base em
editais de livre participação do estudante, dos pesquisadores e professores,
sejam eles da rede de ensino pública ou privada. Elas atuam em projetos de
pesquisa, financiamento de projetos, apoio financeiro em congressos e semi-
nários até mesmo internacionais, trazendo palestrantes, enviando estudantes
e pesquisadores etc.
Atua também no financiamento e divulgação de livros, revistas, jornais, bole-
tins e outros meios de divulgação do conhecimento produzido por seus estudan-
tes e pesquisadores que estejam vinculados às respectivas fundações, sendo eles
cumpridores dos prazos e metas estabelecidas para a manutenção, propagação e
constante transformação do conhecimento.
Além das agências e fundações de apoio e amparo à pesquisa já menciona-
das, o Brasil possui institutos que realizam pesquisas e alimentam bancos de
dados que são publicizados e constantemente atualizados. Tais dados são utili-
zados pelo governo, por professores, por pesquisadores e por todo e qualquer
cidadão para tomada de decisões e para ampliação do conhecimento. Os mais
famosos são o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e o IPEA
(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

capítulo 1 • 40
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE se constitui no principal provedor
de dados e informações do País, que atendem às necessidades dos mais diversos
segmentos da sociedade civil, bem como dos órgãos das esferas governamentais federal,
estadual e municipal. O IBGE oferece uma visão completa e atual do País através do
desempenho de suas principais funções: Produção e análise de informações estatísticas;
Coordenação e consolidação das informações estatísticas; Produção e análise de
informações geográficas; Coordenação e consolidação das informações geográficas;
Estruturação e implantação de um sistema de informações ambientais; Documentação
e disseminação de informações; Coordenação dos sistemas estatístico e cartográfico
nacionais. (IBGE, 2017)
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) é uma fundação pública federal
vinculada ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Suas atividades
de pesquisa fornecem suporte técnico e institucional às ações governamentais para
a formulação e reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento
brasileiros. (IPEA, 2017)

Para além dos órgãos, fundações e institutos públicos federais e estaduais, já exis-
tem hoje no Brasil diversas IES (Instituições de Ensino Superior) que apoiam e incen-
tivam a pesquisa acadêmica, promovendo editais internos de bolsas de iniciação cien-
tífica, de financiamento e apoio para participação de eventos e congressos até mesmo
internacionais para seus professores e pesquisadores. A Estácio é uma delas.

CURIOSIDADE
A ideia de criar uma entidade governamental específica para fomentar o desenvolvimen-
to científico no país surgiu bem antes da criação do CNPQ. Desde os anos 1920, integrantes
da academia brasileira de ciências (ABC) falavam no assunto ainda como consequência
dos anos que sucederam a primeira guerra mundial. Em 1931, a abc sugeriu formalmente
ao governo a criação de um conselho de pesquisas. Em maio de 1936, o então presidente
Getúlio Vargas enviou a mensagem ao congresso nacional sobre a "criação de um conselho
de pesquisas experimentais".
Nessa proposta, tinha-se por objetivo a concepção de um sistema de pesquisas que
viesse a modernizar e aumentar a produção do setor agrícola, especificamente. Entretanto,
a ideia não foi bem recebida pelos parlamentares (…) em maio de 1946, o almirante Álvaro
Alberto da Motta e silva (engenheiro de formação), representante brasileiro na comissão de

capítulo 1 • 41
energia atômica do conselho de segurança da recém-criada organização da nações unidas
(ONU), propôs ao governo, por intermédio da abc, a criação de um conselho nacional de
pesquisa. "em maio de 1948, um grupo de cientistas e de amigos da ciência decidiu fundar,
no Brasil, uma sociedade para o progresso da ciência sem fins lucrativos nem cor político-
-partidária, voltada para a defesa do avanço científico e tecnológico e do desenvolvimento
educacional e cultural do Brasil". (*trecho extraído da publicação nº 3 da SBPC, de 1951:
"SBPC - fundação, evolução e atividades", reproduzido nos cadernos SBPC nº 7, 2004) a
criação da SBPC (sociedade brasileira para o progresso da ciência) veio reforçar os ideais da
necessidade de aparatos institucionais para o desenvolvimento da ciência no brasil. Álvaro
Alberto tinha como empreitada a criação de uma instituição governamental, cuja principal
função seria incrementar, amparar e coordenar a pesquisa científica nacional.
Ainda em 1948, o projeto da criação do conselho era apresentado na câmara dos deputados,
mas foi somente em 1949 que o presidente Eurico Gaspar Dutra nomeou uma comissão especial
para apresentar o anteprojeto de lei sobre a criação do conselho de pesquisas. Houve reunião da
comissão nomeada pelo presidente Eurico Gaspar Dutra para elaborar o projeto que resultou na
lei de criação do CNPq em abril de 1949. A partir da esquerda, em primeiro plano, Álvaro Osório
de Almeida, Jose carneiro Felipe, Jorge lactou e Álvaro Alberto. Depois de debates em diversas
comissões, finalmente em 15 de janeiro de 1951, dias antes de passar a faixa presidencial a
Getúlio Vargas, o presidente Dutra sanciona a lei de criação do conselho nacional de pesquisas
como autarquia vinculada à presidência da república. A lei nº 1.310 de 15 de janeiro de 1951, que
criou o CNPq, foi chamada por Álvaro Alberto de "lei áurea da pesquisa no Brasil”.
(Fonte: CNPQ, 2017)

RESUMO
Neste capítulo, tratamos da história do surgimento do conhecimento, de sua evolução e clas-
sificação até os dias de hoje. Vimos também a importância e aplicação da pesquisa para a ciência,
assim como suas classificações quanto aos métodos e às abordagens. Entendemos que conheci-
mento é diferente de ciência e dialogamos com diversos autores a respeito do tema, enriquecen-
do nosso conhecimento acerca dos métodos de pesquisa e do estudo de metodologia científica,
que á a principal base para o desenvolvimento de pesquisas científicas.
Compreendemos também a pesquisa como um processo sociolibertário e de responsa-
bilidade do Estado, nos âmbitos federal e estadual, em sintonia com as Leis de Diretrizes e
Bases de Educação, que norteiam as ações de fundações e institutos de apoio à pesquisa,
como CNPQ, CAPES, FAPs, IBGE e IPEA. Além disso, relacionamos todo esse conhecimento

capítulo 1 • 42
de maneira que estabelecesse uma relação dialógica com a realidade daqueles que fazer
curso de Direito.

ATIVIDADE
1- Toda e qualquer pesquisa empírica utiliza a:
a) experimentação.
b) observação de eventos.
c) correlação de variáveis.
d) manipulação de variáveis.
e) participação

2- Entre as etapas da pesquisa, estão o planejamento, a coleta, análise e interpretação dos


dados, assim como a redação do relatório. Analisando as etapas sobre a formulação do pro-
blema, é correto afirmar que:
a ) a relevância de um problema científico envolve sua prática.
b) problemas de valor são questões instigantes a serem verificadas, constituindo-se em bons
problemas de pesquisa.
c) um problema de pesquisa deve ser passível de verificação por intermédio de métodos
científicos e filosóficos.
d) o problema a ser pesquisado deve envolver variáveis passíveis de observação ou manipulação.
e ) o problema deve necessariamente ter como objetivo testar uma hipótese

3- Maria Teresa é uma atriz. Ela foi convidada para representar a personagem de uma modelo
que trabalha em uma agência de moda. Maria Teresa nunca representou esse tipo de perso-
nagem, de forma que ela começa a frequentar o maior número de desfiles para verificar como
as modelos se comportam. Durante seis meses, Maria Teresa passa a frequentar o mundo
da moda, observando e registrando o comportamento das modelos. De certa forma, Maria
Tereza realizou um estudo empírico. Que metodologia Maria Tereza utilizou nesse estudo?
a) experimental
b) quase experimental
c) correlacional

capítulo 1 • 43
d) observação naturalística
e) estudo de caso
4- Analise as alternativas abaixo:
I- Uma correlação positiva indica que os respondentes que obtiveram escores altos na variá-
vel X tendem a obter também altos na variável Y.
II- Uma correlação positiva indica que os respondentes que obtiveram escores baixos na
variável X tendem a obter escores também baixos na variável Y.
III- Uma correlação negativa indica que os respondentes que obtiveram escores altos na
variável X tendem a obter escores baixos na variável Y.
Assinale a alternativa correta.
a) I, II e III
b) I e II somente
c) I e III somente
d) II e III somente
e) I somente

5- Relacione a 2ª coluna de acordo com a 1ª, indicando o tipo de pesquisa a que se refere, e,
a seguir, assinale a alternativa que contém a sequência correta.
Coluna 1
I - Pesquisa Descritiva
II - Pesquisa Experimental
Coluna 2
( ) Pesquisa de opinião.
( ) Informa por que causas o fenômeno ocorre.
( ) Informa os processos que constituem o fenômeno.
( ) Pesquisa documental.
( ) Envolve variáveis dependentes e independentes e controle.
( ) Grupo único comparado "antes" e "depois".
A melhor sequência é:
a ) I - I - II - II - II - I
b) II-II-I-II-II-II
c) II-II-II-I-I-I
d) I-II-I-I-II-II
e) I-II-I-I-II-I

capítulo 1 • 44
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
__________. CNPQ. Institucional. Disponível em: https://goo.gl/sBCX8v. Acesso em: 08 jan. 2017.
__________. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A instituição. Disponível em:
https://goo.gl/EkwCS2. Acesso em: 08 jan. 2017.
__________. IPEA. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Quem somos. Disponível em: https://
goo.gl/ed2yC6. Acesso em: 08 jan. 2017.
__________. UOL. Transplante de coração em 1000 a.C. Disponível em: https://goo.gl/Mct6Vz. Acesso
em: 07 jan. 2017.
AGUIAR, R.; MACIEL, J. F. R. História do Direito. São Paulo: Saraiva, 2007.
BITTAR, E. C. B. Metodologia de Pesquisa Jurídica: teoria e praticada monografia para os cursos de
direito. São Paulo: Saraiva, 2012.
BORGES, C. Conheça a origem da expressão 'olho por olho, dente por dente'. In: Mega Curioso:
História e Geografia. Disponível em: https://goo.gl/CDyLfR. Acesso em: 07 jan. 2017.
BUNGE, M. A ciência: seu método e sua filosofia. [s./l.], [s./n.], 1980.
CHAUÍ, M. Convite a Filosofia. São Paulo: Ática, 1994.
FACHIN, O. Fundamentos de Metodologia. São Paulo: Saraiva, 2006.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2002.
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GÜNTHER, H. Pesquisa qualitativa versus Pesquisa quantitativa: esta é a questão. In: Psicologia:
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KANT, I. Resposta a pergunta: Que é Iluminismo? Textos Seletos. Petrópolis: Vozes, 2005. p. 63-71.
LISBOA, V. Número de estudantes no ensino superior aumenta; maioria ainda é branca e rica.
Agência Brasil. Disponível em:
https://goo.gl/KSRK7s. Acesso em: 07 jan. 2017.
MEZZAROBA, O.; MONTEIRO, C. S. Manual de metodologia da pesquisa em Direito. São Paulo:
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PIMENTA, R. M. M. Vão-se os anéis, ficam-se os dedos: a educação da mocidade e a ilustração
portuguesa nas obras de Luis Antônio Verney, Martinho de Mendonça de Pina e Proença e Antônio
Nunes Ribeiro Sanches. Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, 2015.
SILVA, M. H.; SILVA, K. V. Dicionário de conceitos históricos. Disponível em: https://goo.gl/2FJ3rh.
Acesso em: 07 jan. 2017.
THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa ação. São Paulo: Cortez, 1985.

capítulo 1 • 45
capítulo 1 • 46
2
O problema
científico
O problema científico

Introdução

É correto afirmar que as ciências jurídicas e seus cursos de graduação não ins-
tigam os pretendentes a bacharéis a enveredar no ramo da pesquisa. Nos primeiros
dias do curso de Direito, há sempre um professor que questiona o que se busca no
curso e a grande maioria afirma que a intenção com a formação é a realização de
concursos públicos ou a atuação na advocacia.
A pesquisa é engolida pelo dia a dia do estudante ou profissional da área
jurídica, que acaba por não ver na academia uma forma de apreender no-
vos conhecimentos, quando, não raro, acredita que se trata de uma perda de
tempo! Por tais motivos, a pesquisa acaba se tornando algo menosprezado no
Direito, e assim mais e mais conhecimentos a priori são construídos, mais e
mais juristas tomam decisões que influenciam todo um país sem ao menos
o conhecerem (politica, social, economicamente) e conhecerem o seu povo
(como próprio fenômeno social que são).
Tal quadro necessita ser modificado, pois, como já foi explicado no primeiro
capítulo deste material didático, a pesquisa tem a função transformadora e de que-
bra de paradigmas. Neste capítulo, vamos estudar como se produz um projeto de
pesquisa, quais as suas etapas e as ferramentas que os pesquisadores podem utilizar
a fim de terem êxito no trabalho proposto.

OBJETIVOS
•  Estabelecer e delimitar um tema de pesquisa;
•  Definir o problema de pesquisa;
•  Identificar as fontes de dados da pesquisa científica em Direito;
•  Realizar a pesquisa bibliográfica de qualidade;
•  Criar hipóteses;
•  Justificar sua pesquisa.

capítulo 2 • 48
Escolha do tema

Para iniciarmos um trabalho de pesquisa, é necessário que saibamos que o


mesmo deve respeitar etapas e que cada uma delas deve ser elaborada de maneira
eficaz para que tenhamos um trabalho de sucesso e obviamente de relevância. Tais
etapas podem ser organizadas em um PROJETO DE PESQUISA.
Abaixo, apresentamos uma tabela que pode servir como direcionadora
das ações que devem ser realizadas em um projeto de pesquisa.

A pesquisa nasce de uma angústia, de algo que a pessoa viu, ouviu, leu e
que de alguma forma lhe tocou, gerando curiosidade sobre o TEMA.
Mas o que seria o TEMA de uma pesquisa? De acordo com Monteiro e
Borba (2009), o tema seria o próprio objeto de pesquisa.

capítulo 2 • 49
REFLEXÃO
“Assim, quando se diz que a ciência é uma prática social engajada e prenhe de ideolo-
gia, sobretudo a ciência jurídica, uma vez que, lida diretamente com o fenômeno do poder
instituído, das normas estatais, dos imperativos de conduta, com estruturas institucionais,
com sanções e mandamentos de ordem de repressão da conduta humana em sociedade... O
mecanismo para o jurista teórico intervir nesse processo são suas reflexões de meios e fins,
vistas com engajamento crítico-social, tendente à solução de conflitos formais (jurídico-nor-
mativo) e materiais (socioinstitucionais).” (BITTAR, 2012, p. 66)

O mundo do Direito nasce da relação social: quando estudamos, no início do


curso de Direito, a questão da formação do Fenômeno Jurídico, aprendemos que
o mesmo nasce do fenômeno social; portanto, seu objeto de uma pesquisa, seja ela
para conclusão de curso (TCC) ou ainda para busca de títulos stricto ou lato sensu
(mestrado, doutorado e pós-graduação, respectivamente), estará no mundo que
rodeia o pesquisador. Olhe ao seu redor! Seu tema estará à sua espera! Afinal, já
preceituava Miguel Reale que o fenômeno jurídico é determinado por fato, valor
e norma, conforme sua Teoria Tridimensional do Direito.
O tema então seria o ponto crucial para o início dos trabalhos, porém muitos
ficam perdidos quanto às suas escolhas, haja vista que, como há muitos assuntos
a se tratar no mundo atual, aonde as informações chegam de uma forma muito
rápida e em uma quantidade exacerbada, o pesquisador acaba por ficar perdido
em meio a tantas ofertas.
Uma dica essencial para iniciar a escolha do tema do seu projeto de pesquisa
em Direito é determinar qual o ramo do âmbito jurídico se gostaria de traba-
lhar: Direito Civil, Processo Civil, Direito Eletrônico, Direito Ambiental, Direito
Constitucional, Psicologia Jurídica?
Normalmente, a escolha está relacionada ao grau de afinidade que se tem com
o ramo do Direito, ou seja, se durante os seus estudos houve uma identificação
com Direito Internacional Privado, por que não pensar em um tema que esteja
engendrado a ele?
Falar e pesquisar sobre assuntos que gostamos é instigante; assim sendo,
quando se for escolher um tema, é necessário colocar em questão o fator
emocional, pois não há nada pior para um pesquisador do que não se sentir
estimulado em sua pesquisa.

capítulo 2 • 50
Abaixo, apresentamos exemplo de temas elaborados a partir dos trabalhos
publicados no XXV Encontro Nacional do CONPEDI (Conselho Nacional de
Pesquisa e Pós-Graduação em Direito), realizado em Brasília no ano de 2016, que
podem ser trabalhados por ramo do Direito.

Direito da Pessoa com Deficiência (Estatuto da


DIREITO CIVIL
Pessoa com Deficiência)

PROCESSO CIVIL Modificações do Novo Código de Processo Civil (2015)

DIREITO PENAL Direito penal do inimigo e lei dos crimes hediondos

PROCESSO PENAL Precedentes Judiciais

DIREITO PÚBLICO OU PRIVADO


Direito dos Refugiados
INTERNACIONAL

Julgamentos controvertidos do STF e o controle de


DIREITO CONSTITUCIONAL
constitucionalidade

DIREITO DO DESPORTIVO Direito de Arena

DIREITO ADMINISTRATIVO Arbitragem e Administração Pública

DIREITO EMPRESARIAL Compliance

DIREITO TRIBUTÁRIO Dupla tributação Internacional

DIREITO PREVIDENCIÁRIO “Rombo da Previdência"

DIREITO ELEITORAL Investigação Judicial Eleitoral

capítulo 2 • 51
DIREITO ELETRÔNICO OU DIREITO
Redes sociais e a constituição de provas no Direito
E TECNOLOGIA

DIRETO DO TRABALHO OU
Sucessão Trabalhista
PROCESSO DO TRABALHO

HERMENÊUTICA JURÍDICA Conceitos Jurídicos Indeterminados

DIREITO DO CONSUMIDOR Danos morais coletivos do CDC

DIREITO AMBIENTAL Advocacia ambiental

Lembramos que alguns temas, como, por exemplo, a Violência, perpassam por
diferentes ciências (no exemplo: Direito, Psicologia, Sociologia, Ciências Sociais
etc.). É possível que o pesquisador do Direito realize uma pesquisa interdisciplinar
agregando conceitos do Direito aos de outras ciências.

CONCEITO
A interdisciplinaridade caracteriza-se pela intensidade das trocas entre os especialistas
e pelo grau de interação real das disciplinas no interior de um mesmo projeto de pesquisa.
(JAPIASSU, 1976, p. 74)

A Resolução 09 de 2004 do Conselho Nacional de Educação inclui nas


Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Direito as
matérias de Antropologia e Psicologia, sendo elas agregadas às já incluídas:
Ciências Políticas, Ética, História do Direito e Economia (BRASIL, 2004).
Assim, torna-se claro que o conhecimento de tais ciências agrega ao conhe-
cimento jurídico.

capítulo 2 • 52
Abaixo, mais exemplos do congresso citado, com alguns temas interdisciplina-
res para melhor visualização:

PSICOLOGIA JURÍDICA Perícia em casos de alienação parental

HISTÓRIA DO DIREITO O constitucionalismo na história do Brasil

SOCIOLOGIA JURÍDICA Jurisdição indígena

FILOSOFIA JURÍDICA Ética tomista e Justiça Social

ECONOMIA JURÍDICA Criminalidade econômica e organizada

ANTROPOLOGIA JURÍDICA Memoria e identidade quilombola

BIODIREITO Genética e processo penal

As disciplinas do próprio Direito também podem trabalhar de forma con-


junta, principalmente na atualidade, em que há uma concepção acadêmica e
doutrinária da necessidade de analisarmos o Direito material e processual a
partir da Constituição Federal. Quando estudamos, por exemplo, a matéria
de Contratos (Direito Civil), trabalhamos junto com ela os princípios consti-
tucionais que os regem. Devemos sempre lembrar que a Constituição é nossa
Carta Magna, e a palavra “magna” não a acompanha meramente: ela possui
significado de magnitude. Assim, todo ramo de Direito deve se remeter aos
dogmas constitucionais para ser efetivo e válido.

capítulo 2 • 53
IMAGEM
Para descontrair

CONEXÃO
Há disponível, na internet, sites que trazem possibilidades de temas na área jurídica. Um
deles é o http://maismonografia.com.br, que indica temas em diversos ramos do direito.

Delimitação do Tema

Se o tema é o objeto da pesquisa, então a delimitação do tema é um RECORTE


desse tema, ou seja, um aprofundamento do mesmo. Até porque imagine o pes-
quisador ter de falar tudo sobre violência? É preciso que consigamos especificar o
tema da melhor maneira possível para obtermos o resultado positivo do trabalho.
Assim sendo, algumas etapas são necessárias para que possamos delimitar o tema de
forma eficaz. Elas podem ser realizadas através da resposta às seguintes perguntas:

A) Há subtemas?
O tema pode ter uma ampliação tal que seja necessário realizar uma decom-
posição do mesmo.

capítulo 2 • 54
Ex: Violência -> Violência Institucional
-> Violência Simbólica -> Violência Doméstica
-> Violência de Gênero
-> Violência Étnica
-> Violência Religiosa
-> Violência Estrutural

Percebam que temos o tema Violência que se divide em subtemas (tipos) e


que posteriormente se ramifica em itens.
Após responder a essa pergunta, a primeira ação a ser realizada é a busca por
informações! Um estudante do Direito (em qualquer dos níveis acadêmicos) deve
ser uma pessoa que esteja antenada ao que acontece ao seu redor, assim como
na forma como o Direito está se portando quanto a alguma temática ou ainda
evoluindo como ciência. Só a partir de um conhecimento prévio da temática será
possível passar para a segunda etapa do Recorte.

B) Quem são os atores da pesquisa?


No caso do Direito Material, esses atores são os sujeitos ao qual o ele é destinado.
Ex: Consumidor, vítima ou agressor, cônjuge, criança, empresa, organização etc.
Já no caso do Direto Positivo, podemos nos remeter à própria estrutura nor-
mativa e aos procedimentos de aplicação desses ordenamentos por órgãos oficiais.
Ex: Os três poderes, Tribunais regionais e superiores, Novo Código de Processo
Civil ou outra lei de cunho processual, procedimentos jurídicos etc.

C) Em qual contexto o tema encontra-se?


O tema pode ser determinado por um contexto temporal (intervalo de tempo)
e por um contexto espacial (país, estado, município, por exemplo). A delimitação
tem de ser imbuída de bom senso: não se realizará uma pesquisa com um espaço
temporal de uma semana, por exemplo, pois os dados que serão coletados não
serão suficientes para uma análise.
No Direito, o contexto temporal é muito importante, pois, como as modifi-
cações legislativas são constantes, é preciso que o pesquisador se atente ao vigor
ou não da lei quando estiver de frente com artigos científicos, livros, decisões e
qualquer outra fonte. Citar, por exemplo, em seu projeto ou trabalho de conclu-
são uma decisão baseada em uma lei que perdeu sua validade formal e dá-la como
fundamento para algo à qual ela não mais se aplica prejudica o pesquisador.

capítulo 2 • 55
Devemos lembrar também que, no caso de uma pesquisa bibliográfica de
cunho dogmático, pode não haver uma determinação temporal ou espacial, pois
a mesma destina-se a refletir sobre a doutrina. Por exemplo, queremos falar
sobre Ética! Podemos usar pensadores como Aristóteles, com Ética a Nicômaco
(escrita em 322 A.C), até ou doutrinador, José Renato Nalini, com seu livro
Ética Geral e Profissional (2006).
O pesquisador ainda pode delimitar seu tema escolhendo um autor/doutrina-
dor como base do mesmo; por exemplo, utilizar a concepção de Violência a partir
dos estudos de Hannah Arendt.

AUTOR
Hannah Arendt
Conhecida como a pensadora da liberdade, Hannah
Arendt viveu as grandes transformações do poder político
do século XX. Estudou a formação dos regimes autoritá-
rios (totalitários) instalados nesse período — o nazismo
e o comunismo — e defendeu os direitos individuais e
a família contra as "sociedades de massas" e os crimes
contra a pessoa.

(Fonte: https://goo.gl/1famWu)

Além do procedimento realizado acima, é preciso nos atermos a três requisitos


para um trabalho científico de excelência: Importância para o campo do saber
científico, Viabilidade (espaço, tempo e recursos financeiros e humanos) para a
realização da pesquisa e Originalidade do tema proposto.
Ou seja, a delimitação do tema trará ao pesquisador a viabilidade da reali-
zação da pesquisa que se propõe no projeto, porém o recorte não pode retirar a
importância e a originalidade do mesmo.

capítulo 2 • 56
REFLEXÃO

Figura 2.1  –  (Fonte: http://www.frasesparaoface.com/nunca-de-um-passo-maior/)

Problema de pesquisa

Alguns autores, como Odilia Fachin (2006), Antonio Carlos Gil (2002) e
Eduardo C. B. Bittar (2012) entendem que o Tema e o problema de pesquisa
fazem parte do mesmo processo, ou seja, após a determinação de uma temática, é
necessária problematizá-la a partir de questionamento(s), ou seja, de pergunta(s):

O tema escolhido deve ser questionado, portanto, pela mente do


pesquisador, que deve transformá-lo em problema de pesquisa mediante
seu esforço de reflexão, sua curiosidade ou talvez seu gênio. Descobrir os
problemas que o tema envolve, identificar as dificuldades que ele sugere,
formular perguntas ou levantar hipóteses significa abrir a porta através da
qual o pesquisador pode penetrar no terreno do conhecimento científico.
(CERVO; BERVIAN; DA SILVA, p. 75-76, 2002)

Então vejamos um exemplo desse trabalho de questionamento.

capítulo 2 • 57
Ana é uma aluna de Direito da Estácio de Sá de Vitória, no Espírito Santo.
A mesma decidiu que o seu tema será Violência Doméstica, porém possui enten-
dimento que o mesmo já fora debatido de diversas formas e quer observá-lo de
maneira original em seu TCC. Ana, então, passa a buscar na internet informações
sobre o tema e depara-se com a seguinte reportagem:

Figura 2.2  –  (Fonte: https://goo.gl/ZCW1Ng)

Ela começa a se questionar:


•  Será que há outras decisões acerca do tema?
•  Será que há contradições doutrinárias e judiciais sobre o tema?
•  Será que os Tribunais de Justiça região Sudeste possuem qual entendimento
sobre a questão?

Vejam que a continuidade de perguntas feitas por Ana pode nos ofer-
tar, ao final, um problema de pesquisa: quais as concepções dos Tribunais
Superiores da Região Sudeste acerca da aplicação da Lei Maria da Penha às
relações homoafetivas?
E, consequentemente, há um tema delimitado com as características que
preceituamos anteriormente: a concepção dos Tribunais Superiores da Região
Sudeste quanto à aplicação da Lei Maria da Penha nas relações homoafetivas.

Percebam, então, os constructos do tema:


•  Ramo do Direito: Direito Penal e Processual Penal;
•  Tema ->Violência -> Violência Doméstica;
•  Sujeitos: Tribunais Superiores e relações homoafetivas;
•  Contexto espacial -> Região Sudeste do Brasil;
•  Contexto temporal -> da promulgação da Lei 11.340/2006 até os dias atuais.

capítulo 2 • 58
CONEXÃO
Esteja antenado!
Para isso, indicamos que o estudante de Direito seja um ávido leitor de revistas especia-
lizadas, haja vista que nas mesmas há a possibilidade de visualização de temas que, até se
transformarem em livros, demorarão bastante devido a todos os procedimentos inerentes à
publicação de obras doutrinárias.
Outra dica para se manter antenado é utilizar as redes sociais para acompanhar perfis
de doutrinadores, entidades conceituadas que tratam sobre o Direito (Conselho Federal da
OAB, por exemplo), órgãos como STJ, STF, MPF, DPU, TST, TSE, Tribunais Superiores Re-
gionais, PROCON, CNJ, órgãos governamentais (Ministérios, por exemplo), Defensorias e
Ministérios Público Estaduais, entre outros!
Mas cuidado! Veja a procedência daquilo que você está lendo. Verifique se conteúdo lido
encontra-se em local confiável. Afaste-se de blogs e perfis que apresentam apenas opiniões
escassas e superficiais sobre temas que merecem maiores problematizações e sem funda-
mentação teórica.

É necessária atenção quanto à diferenciação entre título e tema, pois são coisas
diferentes. O tema é algo generalizado e amplo, já o título tem de aguçar a curio-
sidade dos leitores. Em algumas ciências, o título pode ser constituído por poucas
palavras. Por exemplo: Alienação Parental. Todavia, de acordo com Debora Bonat
(2009, p.14), “… o autor deve procurar títulos que já exponham ao leitor, a partir
do índice, algo do conteúdo que o espera e que individualizem o trabalho”.
Se temos um problema, precisamos resolvê-lo! A resposta à pergunta formu-
lada então precisa ser respondida no decorrer do seu trabalho através do levanta-
mento de dados e da análise dos mesmos.

ATENÇÃO
Cuidado com a constituição de valores e com a vontade de querer resolver todos
os problemas do mundo!
Fica claro que nem todo problema é passível de tratamento científico. Isso significa que,
para se realizar uma pesquisa, é necessário, em primeiro lugar, verificar que o problema cogi-
tado se enquadra na categoria científica.

capítulo 2 • 59
Como fazer isso?
Para um dos mais respeitados autores no campo da metodologia das ciências sociais, a
maneira mais prática para entender o que é um problema consiste em considerar primeira-
mente aquilo que não é (KERLINGER, 1980). Sejam os exemplos:
“Como fazer para melhorar os transportes urbanos?”, "O que pode ser feito para melho-
rar a distribuição de renda?”, "Como aumentar a produtividade no trabalho?”. Nenhum deles
constitui rigorosamente um problema científico, pois, sob a forma em que são propostos, não
possibilitam a investigação segundo os métodos próprios da ciência.
Esses problemas são designados por Kerlinger como problemas de engenharia, pois
referem-se a como fazer algo de maneira eficiente. A ciência pode fornecer sugestões e in-
ferências acerca de possíveis respostas, mas não responder diretamente a esses problemas.
Eles não indagam como são as coisas, suas causas e consequências, mas indagam acerca
de como fazer as coisas.
Também não são científicos estes problemas: “Qual a melhor técnica psicoterápi-
ca?”, “É bom adotar jogos e simulações como técnicas didáticas?”, “Os pais devem dar
palmadas nos filhos?”. São antes problemas de valor, assim como todos aqueles que
indagam se uma coisa é boa, má ou desejável, indesejável, certa ou errada, ou se é
melhor ou pior que outra. São igualmente problemas de valor aqueles que indagam se
algo deve ou deveria ser feito.
Embora não se possa afirmar que o cientista nada tem a ver com esses problemas, o
certo é que a pesquisa científica não pode dar respostas a questões de “engenharia" e de
valor, porque sua correção ou incorreção não é passível de verificação empírica.
Com base nessas considerações, pode-se dizer que um problema é de natureza
científica quando envolve proposições que podem ser testadas mediante verificação
empírica. Sejam os exemplos: “Em que medida a escolaridade influencia na preferên-
cia político-patidária?”, "A desnutrição contribui para o rebaixamento intelectual?”, "A
modalidade predominante de liderança tem a ver com a cultura organizacional?”. Esses
são problemas que envolvem variáveis suscetíveis de observação. É possível, por exem-
plo, identificar a preferência político-partidária dos integrantes de um grupo social, bem
como seu nível de escolaridade, para depois verificar em que medida esses fatores
estão relacionados entre si.
GIL, Antonio Carlos,
Como elaborar Projetos de Pesquisa.
2010, p. 8.

capítulo 2 • 60
Realização da pesquisa bibliográfica e sua discussão

Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma!


Antoine Lavoisier

A PESQUISA BIBLIOGRÁFICA é uma etapa da pesquisa (tanto descritiva


quanto experimental) que deve ser vista com muita seriedade. As temáticas surgem
da reflexão sobre o mundo como apontamos acima, e esse mundo já fora observa-
do por diversos estudiosos ou, no caso do Direito, por pensadores e doutrinadores.
A pesquisa deve caminhar nessa perspectiva, pois mesmo que ela tenha de
trabalhar com a Originalidade do tema (esse requisito é muito mais cobrado no
âmbito da pós-graduação stricto senso do que na lato senso e na graduação), as
ideias ou são originárias de ideias já existentes, ou se construirão a partir da junção
de conhecimentos existentes.

Todo tipo de estudo deve, primeiramente, ter o apoio e o respaldo da


pesquisa bibliográfica, mesmo que esse se baseie em outro tipo de
pesquisa, seja de campo, de laboratório, documental ou outra, pois a
pesquisa bibliográfica tanto pode conduzir um estudo em si mesmo
quanto construir-se em uma pesquisa preparatória para outro tipo de
pesquisa. (FACHIN, 2006, p. 121)

A pesquisa bibliográfica, então, será produzida a partir de diferentes fontes. No


Direito, temos como principais fontes a doutrina, a jurisprudência, os informativos,
o contrato, o costume, a equidade e o princípio da analogia. Percebam que essas são
as mesmas fontes formais do Direito que você estudou desde o primeiro período do
curso. Mas também podemos buscar informações em fontes informais, como notícias
de jornais (impressos, online ou televisivo), discursos, figuras, vídeos etc.

CONCEITO
A pesquisa bibliográfica, em termos genéricos, é um conjunto de conhecimentos reuni-
dos em obras de toda natureza. Tem como finalidade conduzir o leitor à pesquisa de determi-
nado assunto, proporcionando o saber. (FACHIN, 2006, p. 120)

capítulo 2 • 61
É preciso ter muita atenção quanto à veracidade da informação coletada.
As bibliotecas são de grande valia para essa busca; todavia, não se limite às
bibliotecas físicas! As bibliotecas virtuais, ou mais conhecidas como base de da-
dos, são constituídas por dados que trabalham temas atuais do Direito, e algumas
delas, como a Revista dos Tribunais, além de ofertarem artigos científicos, ainda
apresentam jurisprudências e comentários sobre acórdãos proferidos.
Abaixo, apresentamos uma tabela de Base de Dados que pode ser acessada
pelo pesquisador jurídico:

TABELA DE BASE DE DADOS

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de


Nível Superior (CAPES) disponibiliza uma biblioteca
digital com o grande acervo da produção científica
internacional. O Portal de Periódicos da CAPES possui
um acervo de mais de 37 mil periódicos com texto
completo, além de milhares de livros, enciclopédias e
PERIÓDICOS CAPES
obras de referência.
Em se tratando de Direito, há mais de 9 mil artigos
científicos disponíveis, com diversas opções de refi-
namento da Consulta. O acesso é livre e gratuito para
professores, pesquisadores, alunos e funcionários
vinculados às instituições associadas à CAPES.

O JSTOR foi criado em 1995, nos Estados Unidos, com


o objetivo de ajudar as bibliotecas a organizar o cada vez
maior número de periódicos acadêmicos. Mantido por
uma organização sem fins lucrativos, o JSTOR reúne, em
seu acervo digital, mais de 2.000 periódicos (disponíveis
desde o primeiro volume).
JSTOR (JORNAL STORAGE)
Sobre o Direito, há mais de 800 títulos cadastrados, entre
“journals”, livros e documentos. Alguns deles, frise-se,
foram publicados no século XIX. O JSTOR também fran-
queia o acesso do seu conteúdo a professores, pesquisa-
dores, alunos e funcionários vinculados às instituições a
ele associadas.

capítulo 2 • 62
A SciELO é fruto de uma parceria entre a Fundação de
Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP) e o Centro
Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências
da Saúde (BIREME). As entidades desenvolvem uma
metodologia comum para a preparação, armazenamen-
SCIELO (SCIENTIFIC ELEC-
to, disseminação e avaliação da produção científica em
TRONIC LIBRARY ONLINE)
países em desenvolvimento.
Estão disponíveis para consulta no acervo digital do
projeto mais de 450.000 artigos científicos publicados
em periódicos de alto impacto. Desses, aproximadamente
3.600 tratam de variados temas jurídicos.

O Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em


Direito (CONPEDI) organiza dois dos maiores eventos
da pós-graduação jurídica no Brasil. O melhor é que os
artigos apresentados nesses eventos são disponibilizados
gratuitamente, em formato de livros, no site do CONPEDI.
CONPEDI
Embora não haja um mecanismo de busca no site, é
possível pesquisar os artigos pelos grupos de trabalho em
que eles foram apresentados. Sem dúvida, é uma ótima
forma de verificar quais temas têm sido objeto de discus-
são nas diversas áreas do Direito.

O LexML é um projeto conjunto entre países que buscam


o estabelecimento de padrões abertos para intercâmbio,
identificação e estruturação de informações legislativas
e jurídicas. Participam atualmente dessa iniciativa alguns
dos países que integram o sistema jurídico romano-ger-
LEXML BRASIL
mânico: Alemanha, Brasil, Espanha, Itália. No Brasil, o
LexML reúne leis, decretos, acórdãos, súmulas e projetos
de leis das esferas federal, estadual e municipal dos três
Poderes, revelando-se uma excelente opção para a con-
sulta de legislação e jurisprudência.

O GlobaLex é um premiado portal organizado pelo Hau-


ser Global Law School Program, vinculado à New York
University School of Law. No GlobaLex, o pesquisador
GLOBALEX pode encontrar valiosas informações sobre o sistema
jurídico dos mais diversos Estados. É uma base de dados
especialmente indicada para pesquisadores de Direito
Internacional e Direito Comparado.

capítulo 2 • 63
Neste sistema, a CAPES cataloga os trabalhos defendi-
dos em programas de pós-graduação no Brasil e informa,
entre outros dados, os respectivos resumos, palavras-cha-
BANCO DE TESES CAPES ve e linhas de pesquisa. Embora nem todos os autores
disponibilizem o arquivo com a versão integral de seus
trabalhos, é possível contatá-los pelo e-mail fornecido no
site, o que viabiliza o salutar networking acadêmico.

Google Scholar é a versão acadêmica do maior busca-


GOOGLE SCHOLAR dor da internet. Tem como principal ferramenta indicar a
(ACADÊMICO) quantidade de vezes que cada trabalho foi citado e sugerir
outros relacionados ao que se consultou.

Revista Brasileira online, idealizada e coordenada por


doutrinadores e juristas renomados (Advogados, Minis-
tros, Juízes, tem). Possui, à disposição, artigos científicos,
REVISTA DOS TRIBUNAIS jurisprudências, legislação atualizada e acórdãos comen-
(RTONLINE) tados. Tem parceria com a agência de notícias Reuters.
Possui um sistema inteligente onde o pesquisador insere
na busca o tema a ser pesquisado e toda a base indicada
acima lhe é oferecida conjuntamente.

Exclusiva para alunos e colaboradores da instituição.


Possui obras completas em diversas áreas do conheci-
BIBLIOTECA ONLINE mento, podendo o aluno acessá-las online de qualquer
ESTÁCIO dispositivo. Tem o pesquisador a facilidade de realizar
anotações online nas obras disponíveis e ainda oferta
cotas de impressão.

Tabela 2.1  –  (Fonte Adaptada: https://goo.gl/V0Os2C)

Na atualidade, os artigos científicos estão sendo considerados mais seguros


que os livros impressos. Devido à facilidade de publicação de livros mediante pa-
gamento a qualquer editora, é possível que haja obras publicadas de pessoas que
são meros aventureiros na reflexão da temática. Uma dica é que o pesquisador, ao
deparar-se com uma obra, busque saber um pouco mais sobre o autor na mesma!
Nos artigos científicos, é importante que se verifique a qualidade do periódico
ou revista que está se acessando. As revistas científicas são classificadas no Brasil
pelo QUALIS- PERIÓDICOS. De acordo com o portal da Fundação CAPES

capítulo 2 • 64
(Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), o mesmo “… é
um sistema usado para classificar a produção científica dos programas de pós-gra-
duação no que se refere aos artigos publicados em periódicos científicos”.

CONEXÃO
Para visualização da classificação de periódicos brasileiros, acesse: https://goo.gl/kvnCdP.
E, para artigos internacionais, https://goo.gl/2DT8Mk.

(2017) A classificação é: A1- qualidade mais elevada, A2, B1, B2, B3, B4, B5
e C- índice zero.
A partir do momento que se sabe onde procurar pelo conteúdo e escolher
aquilo que possui qualidade científica, o pesquisador deve se lembrar de que uma
pesquisa científica (qualquer que seja) deve ser apresentada com isenção de valo-
res. Ou seja, se há duas doutrinas que falem sobre um tema, o pesquisador não
pode negar tal duplicidade. Ele pode até optar por basear o seu estudo em uma
linha de pensamento, mas não pode negar a existência do que já se foi discutido
sobre o assunto.
No Direito, aprendemos que doutrinas minoritárias podem se tornar ma-
joritárias com as mudanças dos fenômenos jurídicos; assim sendo, o pesqui-
sador que as nega reconhece sua parcialidade e prejudica a cientificidade do
trabalho produzido.
Caso o pesquisador tenha dificuldade em encontrar material bibliográfico,
indicamos que o mesmo observe o que os artigos científicos trazem em sua refe-
rência. Se as obras se repetirem em diferentes artigos encontrados, elas possuem
um nível de significância elevado para o tema, e então há a possibilidade de se estar
frente a artigos seminais ou doutrinas básicas.
Em um projeto de pesquisa, podemos indicar textos e obras ainda não li-
das de maneira integral nas referências, porém novamente deve ser observada a
questão da qualidade desse conteúdo e do nível de significância que ele possui
para o tema. Outro ponto a se destacar é que o projeto é algo prospectivo, ou
seja, é aquilo que se deseja fazer; contudo, se na produção do trabalho final
for observada a necessidade de dispensa de alguma referência apresentada no
projeto, a mesma poderá ser feita.

capítulo 2 • 65
Hipótese

Após o levantamento de dados bibliográficos acima descrito, é possível


que o pesquisador acredite já possuir a resposta para o seu problema e, a partir
desse ponto, possa formular hipóteses que respondam à sua pergunta.

CONCEITO
Em termos gerais, a hipótese consiste em supor conhecida a verdade ou explicação que
se busca. Em linguagem científica, a hipótese equivale, habitualmente, à suposição verossí-
mil, depois comprovável ou denegável pelos fatos, os quais hão de decidir, em última instân-
cia, sobre a verdade ou falsidade dos fatos que se pretende explicar.
(CERVO; BERVIAN; DA SILVA, 2002, p. 77)

Ou, no caso do pesquisador iniciante, que ainda caminha para o conhecimento mais
aprofundado do tema, o próprio conhecimento empírico (explicado no capítulo ante-
rior) pode ser um ótimo ponto de partida. O pesquisador é um observador do mundo ao
seu redor, e, por não ser isento ao mesmo, interagindo de forma constante, o pesquisador
acaba por formular possíveis certezas sobre aquilo que o rodeia. O problema de formular
hipóteses a partir do conhecimento empírico é que facilmente elas poderão ser respondi-
das na revisão teórica, e, assim, o processo de elaboração da hipótese deverá ser reiniciado.
Há uma maior aplicação da produção de hipóteses nas pesquisas quantitativas,
em que normalmente são realizadas análises de variáveis, que utilizam de técnicas
de mensuração para serem respondidas. De acordo com Fachin (2006), trata-se de
um processo sistemático em que se formula uma hipótese, coletam-se dados, os
dados são analisados e, a partir dessa análise, refuta-se ou comprova-se a hipótese.
As variáveis caracterizam-se por apresentar correlações e intervenções à causa e
ao efeito entres os fenômenos. Veja como exemplificam Cervo, Bervian e Da Silva
(2002, p. 79) as possibilidades de formulação de hipóteses:

Se x, então y, quando se quer lidar com apenas uma variável.


Se x1, x2 e x3, então q, quando se quer utilizar três variáveis.

capítulo 2 • 66
Se x, presente m, então y, quando se quer utilizar uma única variável junto com uma
variável moderadora.
Onde p (ou x) representam a causa e o q (ou y), o efeito.

Vamos apresentar alguns exemplos para tentarmos entender essas relações.


Pense na primeira proposta (se x, então y): podemos dar o exemplo da relação
entre escolaridade (x) e criminalidade (y); de forma paradigmática, podemos ter a
hipótese de, quanto menor a escolaridade, maior e criminalidade. Pode-se dizer,
então, que a variável x é uma variável independente, enquanto y é dependente.
Incluiremos aqui mais variáveis. Vamos ao exemplo: a escolaridade, o conhe-
cimento das leis e o reconhecimento do papel de cidadão (todas como variáveis
x) influenciam de forma positiva o comportamento reivindicatório do direito ao
acesso à Justiça pelo cidadão (y). E, por último, se for mulher trabalhadora (x),
grávida (m), então possui direito à auxílio-maternidade (y).
Alguns estudantes de Direito, em todos os níveis, são avessos à realização
da pesquisa de análise quantitativa, haja vista que consideram a mesma mais
trabalhosa pela necessidade de levantamento de dados e análises estatísticas.
Quanto ao levantamento de dados, é possível a sua realização com ferramentas,
como, por exemplo, o Google Forms (Ferramenta da Google para a criação de
formulários e questionários que podem ser encaminhados e respondidos onli-
ne: a ferramenta adiciona as respostas a uma planilha de dados e formula grá-
ficos por meio da mesma). Para análises estatísticas mais complexas, que, por
exemplo, analisam as relações entre as variáveis, há programas especializados,
como o Stata, no qual a planilha produzida pelo Google Forms (ou qualquer
outra planilha de Excel e equivalentes) pode ser analisada como facilidade.

REFLEXÃO
O que acha de se aventurar em uma revolução científica?
O texto abaixo faz parte do artigo de Daniel Nicory do Prado (2007, p. 1459) intitulado
“Ouso de Hipótese na Pesquisa Jurídica”. O mesmo traz a possiblidade de formulação de
hipóteses inéditas a partir do trabalho de Thomas Kuhn. Vejamos:
“…Thomas Kuhn define como ‘ciência normal’ a atividade de pesquisa que se desenvol-
ve no interior de um paradigma, partindo de marcos teóricos coerentes com as premissas
fundamentais daqueles, orientada à resolução de problemas que se entende poder solu-

capítulo 2 • 67
cionar com o instrumental paradigmático disponível. Kuhn esclarece que a ‘ciência normal’
é a atividade a que a esmagadora maioria dos pesquisadores dedica quase toda a sua vida
acadêmica e sua produção intelectual.
Contrapondo-se à ideia de ‘ciência normal’, Kuhn afirma que podem ocorrer ‘revoluções cien-
tificas’ quando o paradigma vigente não consegue dar respostas satisfatórias aos problemas do
conhecimento. Tais problemas, quando resistentes à explicação paradigmática, são vistos como
‘anomalias’, cuja multiplicação leva à crise daquele paradigma. Nesse momento, explicações alter-
nativas para toda uma classe de problemas podem surgir para, caso sejam aceitas pela comuni-
dade científica, substituir o paradigma em declínio, passando a servir como pontos de partida para
novas investigações da ‘ciência normal’, como novos paradigmas.
Nas revoluções cientificas, a intuição e a criatividade serão cruciais, visto que a educa-
ção científica forma o pesquisador para desenvolver ‘ciência normal’, e não para subverter o
paradigma que influenciou a própria formação.
O que seria uma revolução científica para o Direito? Um excelente exemplo parece ser a
grande discussão, hoje em curso, acerca do Direito Animal. Com efeito, diante do amplíssimo
problema ‘animais podem ser considerados sujeitos de direitos? Em caso afirmativo, quais
deles?’, se o pesquisador partir do paradigma dominante (antropocêntrico) para formular a
hipótese, ela será, com altíssima probabilidade, negativa. Para uma resposta que vise a com-
preender animais como titulares de direitos subjetivos, talvez seja necessária uma reformula-
ção tão grande das premissas que a ‘ciência normal’ não consiga dar conta.
Desse modo, intuição e criatividade pesarão enormemente e o pesquisador estará se
propondo a iniciar uma ‘revolução científica’, com todos os riscos e dificuldades envolvidos,
desde a resistência da comunidade acadêmica às inovações paradigmáticas à desconfiança
de alguns dos próprios partidários da ideia.”

Conforme afirma Prado (2007, p. 1454-1455), há autores que possuem uma


visão restrita da pesquisa em Direito, acreditando que não há levantamento de
hipóteses em pesquisas bibliográficas, documentais e jurisprudências. O autor in-
dica que essa possiblidade existe a partir do aprofundamento do tema escolhido:
em seu livro, traz como exemplo a forma com a qual se pode averiguar a posição
predominante na década anterior à promulgação do Código Penal de 1940, na
Teoria Geral do Direito, quanto ao enquadramento da Culpabilidade, ofertando
duas hipóteses excludentes: a) trata-se de elemento do crime; b) trata-se de pressu-
posto de aplicação de pena. Observe a técnica do autor no exemplo abaixo:

capítulo 2 • 68
Qual seria o procedimento do cientista? Primeiro, identificar todos os doutrinadores
que tenham publicado manuais de Direito Penal, textos específicos sobre a teoria do
crime ou trabalhos monográficos sobre a culpabilidade naquela década (30); segundo,
e aqui começam as possibilidades de contestação de uma ou de outra hipótese,
relacionar os autores por sua importância, de acordo com as funções exercidas
em tribunais superiores, com o reconhecimento obtido na advocacia, com as cátedras,
os cargos de coordenação e de direção exercidos nas faculdades de Direito, com o
número de livros vendidos e de edições publicadas, com a frequência com que as obras
apareciam na bibliografia dos programas das disciplinas de Direito Penal das faculdades
de Direito da época etc.; terceiro, observar a posição de cada um dos autores
quanto à questão da culpabilidade na teoria do crime; quarto, decidir, diante das
evidências levantadas, qual hipótese (predomina a culpabilidade como elemento
do crime, predomina a culpabilidade como pressuposto da pena) foi rejeitada com mais
veemência e, por consequência, qual deve ser provisoriamente aceita. (grifo nosso)

A intenção com a criação de uma hipótese é justamente esta: confirmá-la ou


refutá-la. Se, ao final do seu trabalho, o pesquisador não alcança essa tarefa, algo
saiu errado na estrada aonde caminhou e ele deve reavaliar os passos tomados.

Justificativa

Neste ponto da pesquisa, é importante que o pesquisador realmente, como


diz o ditado popular, “venda seu peixe”. Remetemo-nos, então, ao início de nosso
capítulo, quando delimitamos o tema e afirmamos que o mesmo deve ser rele-
vante. A questão é: relevante para quem? Para a comunidade acadêmica ou para a
sociedade. Para os dois!
O projeto deve apresentar uma justificativa que produza uma interferên-
cia na ciência estudada, não necessariamente uma interferência de revolução
científica, mas pelo menos movimentá-la com reflexões, compressões, aplica-
ções, sínteses e avaliações (tais ações coadunarão com os objetivos que traba-
lharemos no próximo capítulo). Se o projeto não vislumbrar a contribuição à
academia, ele não vale a pena.
Assim, se o trabalho, realizando efetivar as ações acima citadas, não influenciar
em nada a sociedade em que o fenômeno jurídico se dá, ele também não é justificável.
Se, por exemplo, usarmos o tema de pesquisa que estamos trabalhando
até aqui (A concepção dos Tribunais Superiores da Região Sudeste quanto à

capítulo 2 • 69
aplicação da Lei Maria da Penha nas relações homoafetivas), temos as seguin-
tes considerações:

a) Pense que academicamente o assunto já foi extremamente debatido, que as ju-


risprudências estão em consonância e que inclusive os tribunais superiores do Brasil já
tenham decidido pela aplicação da Lei Maria da Penha nas relações homoafetivas. Não
valerá a pena discutir sobre isso se nada de novo houver sobre o assunto;
b) Ou, ainda que o tema seja relevante e que contribua para a área jurídica, se
o pesquisador, por exemplo, usar como delimitação espacial uma pequena comar-
ca que teve dois casos de violência doméstica em relações homoafetivas, a pesquisa
não terá relevância para a sociedade e para os atores envolvidos.

Então podemos fazer as seguintes perguntas para formular a nossa justificati-


va: por que se escolheu o tema? Para quê (função do projeto)? A quem ele importa?
Outro alicerce importante para a justificativa é o seu conteúdo teórico,
ou seja, a justificativa teórica. Nesse campo da justificativa, o pesquisador
apresenta ao leitor quais são as bases teóricas que ele possui que demonstram
a necessidade de o projeto ser realizado. A justificativa pode ser embasada
pela descoberta de uma lacuna nas pesquisas sobre o tema. Por exemplo: Se
quiser estudar sobre as concepções acerca da redução da maioridade penal no
Brasil, há diversos estudos que apresentam a percepção de estudiosos, juristas,
magistrados e outras personalidades do Direito; todavia, não há estudos que
analisem a concepção dos adolescentes infratores sobre a PEC (lacuna).

IMAGEM
Justificativa = Venda o seu peixe!

Figura 2.3  –  (Fonte: https://goo.gl/JUSHa3)

capítulo 2 • 70
O pesquisador, no projeto de pesquisa, tem de ter em mente que a justifica-
tiva deve ser coerente, lógica e concisa, não ultrapassando um parágrafo com no
máximo 200 palavras. As pessoas que se depararem com ela devem compreender
corretamente o que o pesquisador quer dizer; se ele conseguir realizar essa etapa, o
peixe foi vendido com sucesso.

RESUMO
Realizar uma pesquisa não é um trabalho fácil, e é preciso se preparar. Essa preparação nos
leva à realização de etapas que fazem parte de um projeto de pesquisa. A delimitação do tema é
uma das etapas mais importantes de qualquer pesquisa, pois responder às perguntas como, onde e
quando traz ao pesquisador garantias de viabilidade, originalidade e importância do tema.
O problema de pesquisa faz o pesquisador formular uma pergunta sobre o seu tema que
deverá ser respondida ao final do trabalho que se projeta (TCC, dissertação, tese etc.); assim,
questionando, o pesquisador cria hipóteses a serem avaliadas a partir de variáveis. Lem-
bramos aqui que a literatura brasileira em Direito possui certos receios quanto à produção
de hipóteses em pesquisas documentais, bibliográficas e jurisprudenciais, porém elas são
perfeitamente possíveis.
A revisão de literatura é fase obrigatória em qualquer projeto ou pesquisa, seja ela como
meio ou como fim deles. A busca em bases de dados por literaturas - no caso do Direito, as
doutrinas que versem sobre o tema escolhido - embasa o pensamento que se busca apreen-
der ou ainda produzir.

ATIVIDADE
1) O artigo publicado pelo advogado Vital Borba de Araújo Junior chamado “Divergência en-
tre os enunciados das súmulas do TST e STF sobre a prescrição intercorrente em oposição
à função uniformizadora dos Tribunais Superiores” traz o seguinte resumo:

A aplicabilidade ou não da prescrição intercorrente junto ao processo do trabalho é tema


que encontra uma divergência entre enunciados das súmula 114 do TST, que entende
pela não aplicabilidade, e da súmula nº 327 do STF, que entende pela aplicabilidade.

capítulo 2 • 71
Esse tipo de divergência entre entendimentos pacificados de Tribunais Superiores traz
ao jurisdicionado insegurança jurídica, levando à não conformação social e fugindo
da função uniformizadora dos Tribunais Superiores. O objetivo desse trabalho não é
demonstrar quem tem razão dentro da divergência citada, mas sim demonstrar que esse
tipo de antagonismo jurisprudencial traz prejuízos ao processo.

Escreva qual o ramo do Direito estudado, o tema trabalhado e sua delimitação, o proble-
ma que se busca analisar e, por último, a justificativa para a realização do trabalho.
Seria interessante a leitura do texto completo para melhor compreensão do conteúdo do
mesmo: https://goo.gl/OHlNZy.

2) Busque na internet três artigos científicos sobre o tema Direito Ambiental. Verifique a
QUALIS da revista ou periódico escolhidos para que os mesmos sejam ao menos B2.

3) (ESCOLA DE CONCURSOS) Observe o problema sugerido no texto abaixo e marque a res-


posta que melhor expressa a ideia central apresentada pelo autor.

Por onde se começa a solução de um problema? Imagine que você é um escoteiro


e se perdeu numa floresta. Seu problema é voltar ao acampamento. Qual seria seu
procedimento? O que significa encontrar a solução para o problema? A solução é o
caminho que o levará de onde você está ao lugar aonde você deseja ir. Imagine que
você não sabe para onde ir: não poderá fazer nada inteligente. Gritará, chorará, andará
a esmo. O procedimento inteligente é o seguinte: pegue seu mapa, identifique o ponto
para onde ir, o ponto onde você se encontra e, a partir do primeiro, trace um caminho. A
inteligência segue o caminho inverso da ação. E é somente isso que a torna inteligência.
Começando do ponto ao qual se deseja chegar, evita-se o comportamento errático e
desordenado a que se dá o nome de tentativa e erro. (ALVES, 2007, p. 35-6)

A) O texto fala do conhecimento filosófico presente no saber do senso comum.


B) O texto fala do método presente no conhecimento científico.
C) O texto fala do método indutivo no conhecimento filosófico.
D) O texto fala do senso comum presente no conhecimento filosófico.
E) O texto fala da reflexão presente no saber do senso comum.

capítulo 2 • 72
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
_________. CAPES. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. História e
Missão. Disponível em: https://goo.gl/weZ3Y2. Acesso em: 07 fev. 2017.
_________. CONPED. Conselho Nacional de Pesquisa e Pós Graduação em Direito. In: XXV Encontro
Nacional do CONPED. Disponível em: https://goo.gl/MUXor2. Acesso em: 07 fev. 2017.
_________. INFOPÉDIA. Antoine Laurent de Lavoisier. Disponível em: https://goo.gl/GRKuW7. Acesso
em: 26 ago. 2012.
ADEODATO, J. M. Bases para uma metodologia da pesquisa em Direito. In: Revista CEJ. v. 3, n. 7, p.
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BERVIAN, P. A.; CERVO, A. L.; SILVA, R. da. Metodologia científica. São Paulo: Pretence Hall, 2002.
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FACHIN, O. Fundamentos de metodologia. Rio de Janeiro: Saraiva, 2006.
JAPIASSU, H. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Rio de Janeiro: Imago, 1976
MEZZAROBA, O.; MONTEIRO, C. S. Manual de metodologia da pesquisa no Direito: atualizado de
acordo com as últimas normas da ABNT. São Paulo: Saraiva, 2009.
BITTAR, E. C. B. Metodologia da pesquisa jurídica: teoria e prática da monografia para os cursos de
Direito. São Paulo: Saraiva, 2012.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2002. v. 5, p. 61.
PRADO, D. N. do. O uso de hipóteses na pesquisa jurídica. In: Congresso Nacional do Conselho de
Pesquisa e Pós-Graduação em Direito. 2007. p. 1040-1060. Disponível em: https://goo.gl/3akKuc.
Acesso em: 07 jan. 2017.

capítulo 2 • 73
capítulo 2 • 74
3
A construção do
projeto de pesquisa
A construção do projeto de pesquisa

Introdução

Saber o que desejamos é o ponto essencial para qualquer caminhada, haja vista
que, se não tivermos um objetivo, não saberemos aonde ir. Isso ocorre na vida e se
replica na produção científica. O presente capítulo, então, apresenta uma reflexão
quanto à importância dos objetivos científicos (Geral e Específico) e como o pes-
quisador poderá construí-lo.
Como já foi pontuado por aqui, “na ciência, nada se cria, tudo se transforma”
(Lavoisier); portanto, o embasamento teórico para o pesquisador será a base de
seu trabalho. Assim, a construção do embasamento teórico é um processo que
deve ser realizado com muito comprometimento pelo pesquisador, haja vista que
o mesmo ofertará à pesquisa realizada o reconhecimento técnico necessário para
que um trabalho seja considerado científico. Neste capítulo, busca-se apresentar
técnicas para a escolha e construção desse embasamento teórico que será o norte
para a construção da escrita científica.

OBJETIVOS
•  Identificar os objetivos geral e específico do seu trabalho de pesquisa;
•  Apreender o conceito e a importância do embasamento teórico;
•  Compreender o processo de comunicação da produção científica;
•  Identificar as etapas de leitura;
•  Compreender a importância da legitimidade do saber.

Objetivos

Objetivo significa, em termos simples, o alvo que se quer alcançar. Na pesqui-


sa científica, esse objetivo será determinado a partir da possibilidade metodológica
que o viabilize.
Se não houver a clareza do objetivo a ser seguido, o pesquisador pode se per-
der em meio às informações que lhe são apresentadas pelo mundo e pela própria

capítulo 3 • 76
ciência, não conseguindo chegar a lugar nenhum. Uma frase célebre de Francis
Bacon (fundador da ciência moderna) deixa claro o “se perder” do pesquisador:

Começam os homens a vagar sem rumo fixo, deixando-se guiar pelas


circunstâncias, veem-se rodeados de uma multidão de fatos, mas sem
nenhum proveito; ora se entusiasmam, ora se distraem; presumem
sempre haver algo mais a ser descoberto. (ORGANUM, 2002)

Assim sendo, o pesquisador deve deixar claro o que pretende fazer em relação
ao tema que escolherá e ao problema que compôs nas etapas anteriores.

CURIOSIDADE
Francis Bacon nasceu em Londres, em 22 de janeiro de 1561, e morreu na mesma cida-
de em 9 de abril de 1626. Sua educação orientou-se para a
vida política, na qual alcançou posições elevadas. Filho de
Nicholas Bacon e Ann Cooke Bacon, a mãe de Francis Ba-
con falava cinco idiomas e foi considerada como uma das
mulheres mais eruditas de sua época.
A obra de Bacon representa a tentativa de realizar o vas-
to plano de "instauratio magna" ("grande restauração") de
acordo com o prefácio do novum organum ("novo método"),
publicado em 1620.
Embora bacon não tenha realizado nenhum progresso
nas ciências naturais, ele foi o autor do primeiro esboço racional de uma metodologia cien-
tífica. E sua teoria dos "ídolos" antecipa, em germe, a moderna sociologia do conhecimento.
(Fonte: https://goo.gl/StJ18U)

No dia a dia, também construímos objetivos, como: viajar, se casar, comprar


uma casa ou um carro da moda, se formar. Perceba que todos esses objetivos cons-
tituem-se por ações: viajar, casar, formar. Na pesquisa, os objetivos também são
constituídos por ações que determinarão o objetivo de seu trabalho.
Para melhor compreendermos a formação dessas ações, vamos apresentar a ta-
xonomia de Benjamim S. Bloom. Ele foi um psicólogo americano que desenvolveu

capítulo 3 • 77
a taxonomia dos objetivos educacionais, que trazia em seu bojo a elaboração de
três domínios específicos de desenvolvimento: cognitivo, afetivo e psicomotor.

CONCEITO
Taxonomia e o estudo científico responsável por determinar a classificação sistemática
de diferentes coisas em categorias.
(Fonte: https://goo.gl/wPFrzO)

O domínio cognitivo é o que nos interessa aqui, pois, de acordo com Ferraz e
Belhot (2010, p. 422-423), o mesmo está relacionado ao “… aprender, dominar
um conhecimento. Envolve a aquisição de um novo conhecimento, do desenvol-
vimento intelectual, de habilidade e de atitudes".

Figura 3.1  –  (Fonte: https://goo.gl/sjVBPS)

A partir dessa taxonomia, Bloom, então, propõe seis etapas para o alcance desse
domínio: Conhecimento, Compreensão, Aplicação, Análise, Síntese e Avaliação.
Para cada uma dessas etapas, ele indica ações a serem realizadas, ou seja, verbos.
O objetivo de uma pesquisa perpassa justamente por esses verbos. O que o
pesquisador quer fazer com o seu tema? Conhecer? Se sim, os verbos que deve-
rão fazer parte da delimitação do seu objetivo serão: apontar, definir, relatar etc.

capítulo 3 • 78
Porém, se ele quiser compreender algo que já conhece, poderá: explicar,
descrever ou analisar.
A taxonomia de Bloom segue uma constância. O pesquisador só pode com-
preender se, primeiro, conhecer. Acaba por ser, então, formado de etapas de apro-
fundamento do tema escolhido.
Com essa base, podemos começar a determinar nossos objetivos. Fala-se no
plural, pois possuiremos objetivo geral e objetivos específicos em uma pesquisa.
O objetivo geral é aquilo que nos propomos a fazer, já o objetivo especiíico é
como vamos alcançar o objetivo geral.
Vejamos o exemplo descrito neste capítulo. Nosso problema é: quais as con-
cepções dos Tribunais Superiores da Região Sudeste acerca da aplicação da Lei
Maria da Penha às relações homoafetivas?
Como objetivo geral, pode-se apresentar as concepções dos Tribunais
Superiores da Região Sudeste acerca da aplicação da Lei Maria da Penha às rela-
ções homoafetivas? Ou, ainda, analisar ou comparar tais concepções?
Suponhamos que o pesquisador opte pela ação/verbo apresentar. A pergunta que
ele tem de se fazer é “Como eu vou fazer isso?”. O pesquisador, então, deverá iniciar uma
tabulação de questões norteadoras que lhe remetem de volta ao objetivo geral.
Ex: (1) Do que trata a Lei Maria da Penha?; (2) O que são relações homoafe-
tivas e como elas são concebidas pelas fontes de Direito?; (3) Quais os tribunais
competentes para o julgamento de ações referentes a Violência Doméstica?; (4)
Quais as decisões apresentadas por esses tribunais quanto à possiblidade de aplica-
ção da lei em caso de relações homoafetivas?
Após determinarmos as questões norteadoras, poderemos transformá-las em
objetivos específicos, incluindo ações/verbos para respondê-las.
Ex: (1) Relatar sobre o conteúdo da Lei Maria da Penha; (2) Definir o que
são relações homoafetivas e apontar como elas são concebidas pelo Direito; (3)
Enunciar de quem é competência para julgar as ações de Violência Doméstica;
(4) Apresentar as decisões emitidas por esses tribunais quanto à possiblidade de
aplicação da lei em caso de relações homoafetivas.

LEITURA
FERRAZ, A. P. do C. M.; BELHOT, R. V.
Taxonomia de Bloom: revisão teórica e apresentação das adequações do instrumento
para definição de objetivos instrucionais.

capítulo 3 • 79
Gest. Prod.[online].2010, v. 17, n. 2, p. 421-431. ISSN 0104-530X. Disponível em:
https://goo.gl/B1n5wI.

Vamos para um segundo exemplo a fim de deixarmos mais claro o que traba-
lhamos até aqui. O ramo de Direito escolhido será Processo Civil; o tema, Tutela
Antecipada. Queremos estudá-la no Código de Processo Civil de 2015 e já temos
o conhecimento de que houve modificações em relação ao código anterior. Nosso
problema de pesquisa é: por que houve modificações do instituto da tutela anteci-
pada na formulação do CPC/2015?
Estamos, então, falando de uma pesquisa que se encontra na fase de com-
preensão, ou seja, temos como objetivo geral compreender os motivos que levarão
a essas modificações.
Quais seriam as perguntas norteadoras?

a) O que é tutela antecipada?;


b) Como o Código de Processo Civil de 1973 previa o instituto?;
c) Como foi processo de construção do Novo Código de Processo Civil?;
d) Como o Código de Processo Civil de 2015 prevê o instituto?;
d) Quais foram os argumentos utilizados pela Comissão de Juristas do NCPC
quanto à necessidade de modificações no instituto trabalhado?

Vamos transformá-las em objetivos específicos:

a) Definir tutela antecipada;


b) Apresentar como o Código de Processo Civil de 1973 previa o instituto;
c) Relatar como foi o processo de construção do Novo Código de Processo Civil;
d) Apresentar como Código de Processo Civil de 2015 prevê o instituto;
d) Esclarecer quais foram os argumentos utilizados pela Comissão de Juristas
do NCPC quanto à necessidade de modificações no instituto trabalhado.

Portanto, as questões norteadoras têm a função realmente de nortear o cami-


nho que deve ser seguido pelo pesquisador para que o mesmo possa alcançar o
objetivo específico e conseguir uma conclusão para o seu trabalho.

capítulo 3 • 80
É importante informarmos que as questões norteadoras não são estáticas, haja
vista que, no decorrer da revisão de literatura, o pesquisador pode vir a encontrar
novos conceitos, posicionamentos ou teorias que contribuam para o alcance do
objetivo geral, podendo incluir em seu trabalho novas questões.

LEITURA
ADEODATO, J. M. Bases para uma metodologia da pesquisa em direito. In: Revista CEJ,
v. 3, n. 7, p. 143-150, 1999.

A construção de um embasamento teórico

As questões sobre o homem e sobre o mundo eram debatidas desde a


Grécia Antiga, onde, em Atenas, mais especificamente na Ágora (praça pú-
blica da foto abaixo), os cidadãos se reuniam para vislumbrar teorias sobre
tudo. Desses debates surgem pensadores, como Platão, Aristóteles e Socrátes,
que influenciaram e influenciam o mundo até hoje com seus manuscritos.
Tais conhecimentos não são deixados de lado; muito pelo contrário, os mes-
mos embasam novas reflexões e fazem insurgir novos conhecimentos. Essa é
a dinâmica que está inserida nas ciências.

Figura 3.2  –  A escola de Atenas (1509-1510), de Rafael Sanzio.

capítulo 3 • 81
Além do fato de a ciência ser dinâmica, temos ainda a característica do pesqui-
sador/cientista que a persegue. O pesquisador/cientista é uma pessoa curiosa, que
observa o mundo à sua volta, o questionando a todo o momento.
O conhecimento científico, então, se torna algo amplo, em que é improvável
que um tema nunca tenha sido estudado. São esses estudos que farão parte de um
ponto-chave para que o trabalho produzido seja reconhecido como de qualidade:
o embasamento teórico.
O embasamento teórico ofertará ao pesquisador conceitos, teorias, experimen-
tos e modelos já firmados que sustentarão aquilo que o trabalho deseja apresentar.
Ele será encontrado nas fontes de dados que elucidamos no Capítulo 2, princi-
palmente quando quisermos informações atuais sobre os temas nas bases de dados
tabuladas. Porém alguns podem estar se perguntando: como eu começo a pesquisa?
Podemos seguir algumas etapas para responder a essa pergunta!
A primeira etapa é a escolha do local onde buscaremos as fontes primárias e se-
cundárias do trabalho. No Capítulo 2 deste material didático, falamos um pouco
sobre as bibliotecas físicas e as bases de dados encontradas na internet, chamando
atenção inclusive para as formas de avaliação dos mesmos.
A segunda etapa, a escolha da palavra-chave, aparentemente é um traba-
lho fácil de ser realizado; todavia, traz obstáculos ao pesquisador quando do
início de seu trabalho.
As palavras-chave são as palavras que conseguem descrever um tema
de maneira sintética. Nos sistemas das bibliotecas físicas, as utilizamos para
encontrar livros sobre a temática a ser pesquisada, e no ambiente virtual as
utilizamos nos sites de busca para encontrar conteúdos que versem sobre
o assunto.

CONCEITO
O uso das palavras-chave potencializa o acesso ao conteúdo dos documentos para além
da informação que é representada pelo título e resumo; traduz o pensamento dos autores e
mantém o contato com a realidade da prática quotidiana, acompanhando a evolução científi-
ca e tecnológica, que é refletida pelos documentos.
(Fonte: MIGLEIS et AL., 2013)

capítulo 3 • 82
Um primeiro passo para a busca de um conteúdo é a delimitação do tema.
Quando conseguimos delimitá-lo, conseguimos verificar conteúdos mais es-
pecíficos que tratam sobre ele. Por exemplo, trabalhamos o tema violência
doméstica no capítulo anterior. Se utilizarmos as palavras-chave “violência"
e "doméstica”, percebam o que encontraremos inicialmente na Base de dados
do site Google Acadêmico (Quadro 1): obteremos cerca de 88.900 resultados
referentes a essas palavras-chave; contudo, será que todos eles são importantes
para a nossa pesquisa?
Por tal motivo, precisamos fazer o recorte temático, em que o nosso tema nos
trará outras palavras importantes à busca. No caso, poderemos usar as palavras
“violência”, “doméstica”, “homoafetivas”. A nova busca delimita a nossa pesquisa,
nos ofertando 2610 resultados (Quadro 2).
Não estamos aqui afirmando que os resultados da primeira pesquisa deverão
ser descartados. Pelo contrário. É justamente desses resultados que poderão ser
extraídos os conceitos mais genéricos sobre o tema que responderão, inclusive, a
algumas de nossas questões norteadoras.

Figura 3.3  –  Busca Google Acadêmico palavras chaves: violência doméstica

capítulo 3 • 83
Figura 3.4  –  Busca Google Acadêmico palavras chaves: violência, doméstica, homoafetiva

Algo interessante do uso das Bases de Dados é que a maioria dos sites traz a
ferramenta “Artigos Relacionados”, em que o pesquisador poderá obter artigos
que possuem conteúdos equiparados àqueles selecionados. Contudo, outra estra-
tégia a ser utilizada é a do reconhecimento do referencial teórico de obras/artigos
selecionados, em que, após a visualização do texto, pode o leitor buscar nas refe-
rências do texto lido novas fontes de conhecimento.
A terceira etapa constitui-se como uma etapa de delimitação contextual dos
artigos. Essa delimitação pode ser referente ao tempo ou de contexto espacial.
Quanto ao tempo, pode-se “filtrar" fontes que versem sobre o espaço de tem-
po que se deseja. Por exemplo, falamos sobre o instituto da Tutela Antecipada
e o CPC de 2015. Ao buscar fontes que versem sobre ela, obviamente devemos
nos ater à data de publicação da obra: provavelmente, obras de 2013 para trás
não serão de grande valia para o trabalho. Colocamos a data de 2013, pois, no
ano de 2014, a comissão de juristas já estava trabalhando na produção do novo
CPC; então, é possível que alguns doutrinadores tenham escrito algo que seria
de interesse do trabalho.
Já em relação ao contexto espacial, há também limitações. Se não estamos
trabalhando com Direito Comparado e queremos analisar a posição das cortes
brasileiras sobre um tema, uma fonte que traga jurisprudências americanas não
auxiliará em nosso trabalho.

capítulo 3 • 84
Sobre a terceira etapa, devemos nos atentar a uma questão importante: exis-
tem conteúdos que não se limitam ao tempo ou ao espaço. É possível a replicação
de uma experiência realizada na Alemanha na década 1980 nos dias de hoje, uti-
lizando-se do mesmo referencial teórico e da mesma metodologia, apenas para se
analisar se ela ainda é capaz de predizer “verdades”. Assim como há conceitos e
classificações no Direito que são atemporais e sem fronteiras.
A quarta etapa visa à seleção de artigos que tenham grande impacto no mundo
acadêmico. Isso é possível de se verificar a partir da análise do número de vezes que
o mesmo foi citado por outras fontes científicas (no caso do Google Acadêmico,
utiliza-se a ferramenta “citado por”). Um exemplo: no Quadro 2, o livro da dou-
trinadora Maria Berenice Dias, intitulado Lei Maria da Penha na justiça: a efe-
tividade da Lei 11.340/2006 de combate à violência doméstica e familiar contra a
mulher: o mesmo fora citado em 222 outros artigos que se encontram nessa base
de dados. Demonstrando ser um artigo de referência sobre o tema, pode ser utili-
zado tranquilamente pelo pesquisador.
Para se saber se um artigo ou livro pode contribuir para a produção de seu
projeto de pesquisa ou ainda para o seu trabalho final, o interessante seria que o
pesquisador possuísse tempo para ler tudo aquilo que encontra; todavia, sabemos
que essa não é a realidade do mundo contemporâneo. Assim, iniciamos a fase da
leitura dos textos.

O desafio da leitura para construção do embasamento teórico

“Tanta gente equivocada faz mal uso das palavras; falam, falam, falam,
mas não têm nada a dizer”
Charlie Brown Junior

Ler é um ato simples, porém compreender o que o autor quer passar ao leitor
é algo complexo. Tomamos emprestada aqui a Teoria da Comunicação para com-
preendermos como esse processo se dá.
De acordo com Severino (2014, p. 25), a comunicação ocorrerá “quando da
transmissão de uma mensagem entre um emissor e um receptor”. Contudo, a
transmissão de qualquer mensagem (científica ou não) é complexa, pois muito há
entre a produção da mensagem do emissor e a recepção da mensagem, já que a
própria mensagem recebe influências que a modificam no decorrer deste processo
(canal e código).

capítulo 3 • 85
Figura 3.5  –  (Fonte: https://goo.gl/5TXh6Y)

O CANAL é forma como a mensagem é passada. Por exemplo, o abraço de uma


pessoa quando a outra está triste é uma mensagem (cuidado/compaixão) passada pelo
canal natural (o corpo, órgão sensorial); já o radialista em sua locução, ou o jornalista
na televisão, utiliza-se do canal espacial; os cientistas, contudo, utilizam-se do canal
temporal. Portanto, o canal garante o contato entre emissor e receptor.
O CÓDIGO será a forma escolhida pelo receptor de organizar os sinais de sua men-
sagem. No caso do abraço de cuidado/compaixão descrito acima, o código utilizado é
não verbal. Já a publicação de um artigo científico utiliza-se do código verbal escrito, e se
o autor desse artigo for apresentá-lo em um congresso, teremos um código verbal falado.
Até aqui, tudo parece fácil: o problema é que a escolha dos canais e dos códigos
influencia diretamente na relação entre comunicador e recebedor, pois ambos devem
compreendê-los da mesma maneira; caso contrário, teremos a perda da mensagem ou a
recepção equivocada da mesma, estando presentes os RUÍDOS da comunicação.
Os ruídos podem se apresentar tanto no lado do emissor quanto do receptor. Um
exemplo muito interessante na área jurídica quanto a esses ruídos e às falhas de comuni-
cação é o uso do juridiquês ou do latim em decisões judiciais, haja vista que os mesmos
prejudicam a garantia de acesso à justiça a quem mais importa: o demandante.

É claro que o profissional do Direito não pode se esquecer nunca da


função social da linguagem nesta área, pois muito mais do que produzir
uma peça o profissional deve ter em foco o outro, o qual é destinatário de
sua mensagem, que deseja saber que direitos estão sendo defendidos
ou violados. Assim, o operador do Direito precisará dosar o seu texto,
de forma que a linguagem técnica não deverá sacrificar nunca a clareza
do que está sendo dito. Não é um campo fácil, mas é algo que se pode
realizar. (ANDRADE, 2012, p. 2)

capítulo 3 • 86
Portanto, é necessário que os ruídos sejam resolvidos para que a comunicação
se dê de maneira correta e clara.

IMAGEM
Para descontrair

Figura 3.6  –  (Fonte: https://goo.gl/PcGRSc)

capítulo 3 • 87
Quando estamos realizando um trabalho de pesquisa, nada podemos fazer
em relação à mensagem que estamos utilizando; afinal, quem a busca somos nós,
pesquisadores. Assim, é necessário um trabalho de compreensão dos símbolos que
nos são apresentados, principalmente aqueles que constituem a base do nosso
trabalho, como os conceitos, por exemplo.
O uso de dicionários especializados na área de pesquisa é importante para a
garantia da compreensão da mensagem. No caso do Direito, além dos dicionários
físicos, podemos nos remeter aos dicionários disponibilizados em sites de alguns
tribunais superiores, como o Supremo Tribunal Federal, ou ainda aplicativos que
podem ser adquiridos para acesso contínuo.

CONEXÃO
Link glossário STF: http://www.stf.jus.br/portal/glossario/.

Outras estratégias, como o destaque de palavras (grifar), o parafraseamento do


texto e a leitura de outros textos menos densos para acostumar-se com o vocábulo,
são muito válidas no processo de compreensão.

LEITURA
ANDRADE, V. da S. R. O juridiquês e a linguagem jurídica: o certo e o errado no dis-
curso. 2012. Disponível em: https://goo.gl/HnQNBh. Acesso em: 01 mar. 2017.
SANTANA, S. B. P. A linguagem jurídica como obstáculo ao acesso à justiça: uma análise
sobre o que é o direito engajado na dialética social e a consequente desrazão de utilizar a lin-
guagem jurídica como barreira entre a sociedade e o direito/justiça. In: Âmbito jurídico. Rio
Grande, XV, n. 105, 2012. Disponível em: https://goo.gl/ezJ5qT. Acesso em: 01 mar. 2017.

Etapas da leitura

Depois, então, de realizarmos uma busca mais detalhada a partir da delimita-


ção do tema, de entendermos que poderão haver complicações na transmissão de
mensagens entre o emissor e o receptor, iniciaremos as leituras.

capítulo 3 • 88
E pode vir a pergunta: encontrei cerca de 200 livros e artigos que versam sobre
o meu assunto, terei de ler todos? A resposta é não! Existem etapas de leitura que
devem ser seguidas por um bom pesquisador, e a primeira delas (de caráter elimi-
natório) é a leitura dos RESUMOS.
A leitura dos RESUMOS, no caso dos artigos científicos, é de fundamen-
tal importância, haja vista que os mesmos, quando bem formulados, possuem
em seu conteúdo: contextualização, objeto de pesquisa, justificativa, metodologia
utilizada e conclusão do trabalho a ser apresentado. Tais informações ofertam ao
pesquisador uma observação ampla sobre o trabalho e se ele deve ser lido ou não.
Nos livros, os resumos acima descritos podem ser substituídos pela observação
do sumário, folha de rosto, índices, referências, prefácio, conclusão, introdução e
outros elementos. Aqui estamos falando de uma etapa de pré-leitura. (CERVO;
BERVIAN; DA SILVA, 2014)
Em uma etapa posterior, o pesquisador verificará se os textos escolhidos conse-
guem responder às perguntas norteadoras e ao problema de pesquisa. Logicamente,
alguns dos textos apresentarão respostas para certas perguntas, e não para a tota-
lidade delas; caso isso ocorra, o pesquisador deve se questionar quanto à origina-
lidade de seu tema. Se nenhuma pergunta for respondida nessa etapa de leitura
seletiva, descarte o material.
Já a leitura analítica é uma leitura mais aprofundada do texto. É quando se
começa a fazer o que chamamos de fichamento. Nele, o pesquisador registrará os
seguintes dados: (GIL, 2010, p. 61)

a) identificação da obras consultadas;


b) registro dos conteúdos relevantes da obra consultada;
c) registro dos comentários acerca da obra;
d) organização das informações para a organização lógica do trabalho;
e) anotação das ideias que surgiram durante a leitura.

As etapas A e B são o que se busca na fase da leitura analítica; contudo, as


etapas C, D e E fazem parte da leitura interpretativa, a última etapa do nosso
processo de pesquisa bibliográfica.
De acordo com Cervo, Brevian e Da Silva (2014), há três julgamentos neces-
sários para a realização da leitura interpretativa:

capítulo 3 • 89
1) Crítica Objetiva: o pesquisador deve procurar no texto lido o que o au-
tor quer afirmar, quais dados está apresentando e as informações apresentadas;
além disso, deverá verificar o seu problema e quaisquer outros elementos que se-
jam relevantes;
2) Avaliação da relação: O pesquisador deverá avaliar se o que foi lido o auxilia
a responder àquilo que deseja, ou seja, responder ao seu problema de pesquisa;
3) Critério da Verdade: O pesquisador deve verificar se aquilo que está sendo
lido traduz uma “verdade" para aquela ciência estudada.

Abaixo, apresentamos um modelo de fichamento, agregando às ideias de Gil


(2010) mais duas etapas significantes: novos textos e lacunas.

FICHA DE LEITURA

Informações sobre a fonte da leitura:


a) nome completo do autor; b) título do artigo; c) nome e núme-
ro da revista; d) volume; e) mês e ano; f) página inicial e final.
INDICAÇÃO
(ABNT, 2011)
BIBLIOGRÁFICA
No caso de fontes encontradas na internet, é necessário se
copiar o link de acesso, assim como a data na qual o link foi
acessado.

Descrever com suas palavras do que se trata a fonte, não dei-


RESUMO xando de enfatizar os conceitos que são apresentados, os sub-
temas trabalhados, as conclusões a que os autores chegaram.

Incluir transcrições da obra que sejam significativas para o trabalho


do pesquisador.
CITAÇÕES
Importante realizar a transcrição integral (sem modificações) e
anotar o número da página em que se encontra o trecho escolhido.

COMENTÁRIOS Reflexão crítica da obra pelo leitor (leitura Interpretativa).

IDEIAS Anotar as novas ideias que surgiram a partir da leitura do texto.

capítulo 3 • 90
No decorrer do texto lido, pode o pesquisador deparar-se com
uma referência que possa vir a auxiliar o seu trabalho. Essa re-
NOVOS TEXTOS
ferência deverá ser anotada para passar pelas etapas de leitura
na qual será verificada a sua utilidade.

Anotar caso o texto apresente lacunas que possam ser estu-


LACUNAS dadas posteriormente, ou, ainda, se é um texto que apresenta a
justificativa teórica do trabalho do pesquisador.

Da gama de textos lidos, serão retirados aqueles escolhidos para fazer parte do
referencial teórico de seu trabalho. Algumas obras acabam por se tornar leituras
obrigatórias em alguns temas: são o que chamamos de artigos seminais (onde se
nasce a discussão sobre o tema) ou, no caso do Direito, doutrinas básicas.

REFLEXÃO
Abaixo trazemos um texto de aconselhamento do doutrinador Guilherme de Souza Nucci.

Conselho de um professor, magistrado e amigo. Leciono há 25 anos, tempo em que


também estou na judiciatura, agora no tribunal de justiça. Dou aulas em cursos prepara-
tórios há quase 20 anos. Meus caros, concursos são imperfeitos, tanto quanto os seres
humanos que elaboram as provas. Devemos nos conformar com erros, pois vamos tam-
bém nos valer dos acertos. Meu conselho é que jamais se deve argumentar, em direito,
com posição majoritária ou minoritária, como fonte absoluta. Há erros nisso também.
Ninguém consegue elaborar, com precisão, exatamente qual é o entendimento de todos
os doutrinadores do Brasil sobre um tema. Nem quanto a toda a jurisprudência brasileira.
Temos alguns horizontes. Temos as súmulas. Enfim, temos que estudar muito, sempre e
todos os dias. É o que eu faço, sinceramente, há mais de duas décadas. Não há um único
dia em que deixo de estudar. Não é demérito a ninguém. Vivo aprendendo o tempo todo,
inclusive com meus alunos e com a rede social. Além disso, o que parece minoritário,
hoje, torna-se majoritário amanhã e vice-versa. Confiem no estudo que vocês fazem.
Confiem no acúmulo de conhecimento.
(Fonte: https://goo.gl/KJRYBP3)

capítulo 3 • 91
Começar a escrever o embasamento teórico

Agora, o pesquisador muda de lugar: em vez de ser receptor de sinais, o mes-


mo se torna emissor, pois iniciará o processo de escrita do trabalho de pesquisa.
Diversas são as maneiras com que nos expressamos ao escrevermos, e por
esse motivo a linguagem acaba por ser classificada quanto à sua função e à
sua forma.

CLASSIFICAÇÃO DA LINGUAGEM QUANTO À FUNÇÃO

EXPRESSIVA Comunicação e expressão de emoções, sentimentos e vivências

Adequada ao discurso com a intenção de direcionar a conduta


PERSUASIVA
de alguém

INFORMATIVA Transmissão de conhecimento e informação

CLASSIFICAÇÃO DA LINGUAGEM QUANTO À SUA FORMA

COLOQUIAL Linguagem comum

LITERÁRIA Visa a objetivos estéticos

TÉCNICA Linguagem científica

Tabela 3.1  –  (Fonte Adaptada: CERVO; BREVIAN; DA SILVA, 2014, p. 113)

Assim sendo, se estamos falando de produção de conhecimento científico,


nos parece óbvio que a linguagem científica utilizada pelo pesquisador possuirá
caráter informativo e técnico em seu escrever.
Como o pesquisador não escreverá um texto qualquer, e sim científico, algumas
exigências deverão ser cumpridas; por isso, algumas exigências lhe são feitas, deven-
do ser evitadas as deformações. (CERVO; BREVIAN; DA SILVA, 2014, p. 113)

capítulo 3 • 92
CARACTERÍSTICAS DA LINGUAGEM CIENTÍFICA

EXIGÊNCIAS DEFORMAÇÕES

Impessoal Pessoal

Objetiva Subjetiva, ambígua

Modesta e cortês Arrogante, dogmática

Informativa Persuasiva, expressiva

Clara e distinta Confusa, equívoca

Própria ou correta Figurada

Técnica Comum

Frases simples e curtas Frases longas e complexas

Compreendendo como deverá ser a forma de sua linguagem escrita, o pesqui-


sador iniciará o processo efetivo do escrever.
Um dos principais problemas que o pesquisador se depara no embasamento
teórico é a construção lógica do seu desenvolvimento, ou seja, qual a sequência
de informações deverá seguir.
Para solucionar essa questão, o pesquisador pode se remeter ao trabalho an-
teriormente realizado: a construção das questões norteadoras. Essa construção,
quando feita de maneira correta, apresenta uma sequência lógica que pode deli-
near o embasamento teórico.

capítulo 3 • 93
Voltemos para o exemplo da Tutela Antecipada e do CPC de 2015 descrito
no início deste capítulo:

a) O que é tutela antecipada?;


b) Como o Código de Processo Civil de 1973 previa o instituto?;
c) Como foi processo de construção do Novo Código de Processo Civil?;
d) Como o Código de Processo Civil de 2015 prevê o instituto?;
e) Quais foram os argumentos utilizados pela Comissão de Juristas do NCPC
quanto à necessidade de modificações no instituto trabalhado?

A sequência da escrita é a mesma das perguntas. O pesquisador buscará, en-


tão, no processo de leitura e no fichamento anteriormente realizado as possíveis
fontes que vislumbrem uma resposta às perguntas realizadas e as apresentará como
embasamento teórico.
Fica claro que nem todas as perguntas nessa fase de projeto de pesquisa
terão respostas definitivas; afinal, estamos na etapa inicial de pesquisa. Há
inclusive a possibilidade de, no decorrer do aprofundamento teórico e meto-
dológico, as questões serem modificadas, pois a pesquisa não é estanque: ela é
dinâmica a todo tempo.
Quanto à escrita em si, o pesquisador deve lembrar que o trabalho que está
realizando é de sua autoria e, por isso, devem constar, no mesmo, informações
que serão conquistadas pelo pesquisador; todavia, no embasamento teórico, a
pesquisa é referenciada, ou seja, há pessoas que escreveram sobre o assunto pes-
quisado, e essas deverão ser citadas no decorrer do texto.

CONCEITO
A citação é o apontamento realizado no decorrer do texto quanto à autoria de um
conteúdo apresentado.
Ex: faz-se necessário distinguir as medidas protetivas das medidas socioeducativas. As
medidas protetivas podem ser aplicadas tanto à criança quanto ao adolescente que se en-
contre em situação de risco. Já as medidas socioeducativas se restringem à situação de risco
prevista no artigo 98, III, quando e o adolescente que se coloca nessa condição em razão da
própria conduta pela prática de ato infracional. (DUPRET, 2010, p. 171)

capítulo 3 • 94
A referência é a descrição da localização da obra utilizada pelo pesquisador. Ela vem no
final de todo trabalho escrito.
Ex: DUPRET, C. Curso de direito da criança e do adolescente. Belo Horizonte: IUS, 2010.

No Capítulo 4 deste material didático, serão apresentadas as formas


de citação e referência, além das normas que devem ser aplicadas às mes-
mas, principalmente as Normas da Associação Brasileira Normas Técnicas
(ABNT) utilizadas de forma constante na formatação de Trabalhos de
Conclusão de Curso (TCC), Monografias, Dissertações de Mestrado e Teses
de Doutorado.
Porém é preciso que seja apontada aqui a importância da legitimidade do
saber e da ética na realização de um trabalho de pesquisa.

A legitimidade do saber e a ética nos trabalhos científicos

A escrita contida em um trabalho científico representa aquilo que pensa quem


a produz. É um trabalho árduo com procedimentos contínuos de busca, com-
preensão, assimilação e análise do mundo (científico e acadêmico); por tal motivo,
é de elevada importância a legitimidade do saber.
De acordo com o Dicionário Online Léxico, legitimidade significa denomina-
ção de autenticidade ou veracidade àquilo ou àquele que apresenta conformidade
com a razão; que tem direito, por justiça. (acesso em 07 mar. 2017)
Dessa forma, ter legitimidade do saber é possuir autenticidade e veracida-
de sobre o conteúdo do mesmo. Aquele que não possui a característica aqui
apresentada não passa de um plagiador, ou seja, uma pessoa que “rouba" a
ideia de outra.
Na faculdade, é possível que o estudante que se depare com a obrigato-
riedade da realização de um Trabalho de Conclusão de Curso ou Monografia
para concluir sua graduação pense consigo “Eu não vou conseguir fazer isso!”
e, então, engendre pelo caminho da busca de artigos acadêmicos em sites de
internet e livros nas bibliotecas da faculdade, copiando-os como se seu fosse,
ou pior, pagando alguém para fazer tal tipo de ação.

capítulo 3 • 95
IMAGEM
Para descontrair

Figura 3.7  –  (Fonte: https://goo.gl/917WXYl)

O que o mesmo estará fazendo é violação do direito autoral do autor, ou


seja, estará realizando plágio.
Plágio, de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro, seria então:

(…) a reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto


ou indireto, por qualquer meio ou processo, de obra intelectual,
interpretação, execução ou fonograma, sem autorização expressa do
autor, do artista intérprete ou executante, do produtor, conforme o
caso, ou de quem os represente. (BRASIL, 1940)

Pode-se afirmar, portanto, que existem dois tipos de plágio previstos no


Código Penal Brasileiro: parcial ou integral, sendo o primeiro a seleção de conteú-
do de diferentes autores (constitui-se como uma “colcha de retalhos”) e o segundo
a cópia integral de um trabalho científico. Porém a literatura em metodologia ain-
da traz um terceiro tipo de plágio: o plágio conceitual, em que o plagiador toma a
essência da obra e a reproduz de maneira diferente como se sua fosse.
Vamos exemplificar os plágios parciais e conceitual para haver uma me-
lhor compreensão.

capítulo 3 • 96
Texto original: A vitimologia acaba dando força para uma análise machista e
mesquinha do comportamento dessa. Esquecem que ninguém, independente de
profissão, idade, roupa e passado, compactua e quer ser violada de forma tão cruel.
Devemos mudar e parar de julgar a real vítima e atentar para as consequências que
esse crime devastador faz com a mulher, para que tenhamos, enfim, um direito
justo, igualitário e menos patriarcal, dando voz às mulheres. (PAZO, MELLO e
DE SOUZA, 2016, p. 126)
Plágio parcial: Quando falamos da utilização da vitimologia na análise do
crime do estupro, deve-se, para mudar, parar de julgar a real vítima (a mu-
lher) e atentar para as consequências que esse crime devastador faz com a
mulher, para que tenhamos, enfim, um direito justo, igualitário e menos
patriarcal, dando voz às mulheres.
Plágio conceitual: As consequências do crime de estupro são devastadoras: é
necessário que a sociedade compreenda que a mulher não pode ser julgada, pois é
a principal vítima aqui. Combater esse cenário é garantir um direito justo, iguali-
tário e menos patriarcal. É necessário se dar voz às mulheres.
Fica muito claro que certos conteúdos necessitam de maior atenção quanto ao
plágio. Por exemplo, quando estamos realizando um trabalho de Direito Penal e que-
remos falar sobre a história das penas, logo nos vem à mente falar sobre o Código de
Hamurabi. Até esse ponto, tudo certo: o código pode estar fazendo parte do seu em-
basamento teórico, porém, se o pesquisador escreve que o mesmo era baseado na Lei
do Talião, “Olho por olho, dente por dente”, e não indica em qual fonte bibliográfica
ele acessou essa informação, temos um problema de plágio.
Vejamos o dispositivo do Código Penal Brasileiro (BRASIL,1940) que versa
sobre a Violação dos Direitos Autorais:

capítulo 3 • 97
ATENÇÃO
Há dois tipos de licenças que são utilizadas em conteúdos.
Copyright: em que “todos os direitos são reservados”, e, para que o pesquisador usufrua des-
se direito, deverá pedir diretamente ao seu autor, ne-
cessitando da autorização do mesmo para tal ação.
Para identificar conteúdo com copyright, é só
observar se o mesmo possui o símbolo ao lado vin-
culado a ele.
Creative commons: o pesquisador só poderá
utilizar aquilo que o autor permitir previamente. O
símbolo ao lado identificará os trabalhos que pos-
suem esse tipo de licença. Tal licença já especifica o limite da publicação, não sendo neces-
sário entrar em contato com o autor da obra.

LEITURA
Obras de domínio público
A Lei 9610/98 (lei de direitos autorais), nos seus artigos 41 a 45, versa sobre as obras
de domínio público.
A tais obras não incidiram os direitos autorais previstos no ordenamento brasileiro.
No link a seguir, o pesquisador pode encontrar exemplos de obras que se encontram
em domínio público (como todas as obras de Sigmund Freud e Machado de Assis), além
dos sites indicados abaixo, que possuem uma gama de conteúdos com essa característica:
http://link.estadao.com.br/noticias/geral,respeitavel-publico,10000038463.

capítulo 3 • 98
Sites com conteúdos de domínio público:
www.internetarchive.org
www.dominiopublico.gov.br
www.publicdomainworks.net

Além da responsabilidade criminal, há ainda a responsabilidade civil do pla-


giador. O ordenamento jurídico traz, na norma constitucional (Art. 5, incisos
XXVII a XIX da Constituição Federal Brasileira de 1988) e infraconstitucional
(Lei 9610/1988 e Lei 10.406/2002), instrumentos que protegem o autor, ou seja,
“a pessoa física criadora de obra literária, artística e científica”. (BRASIL, 1988)
O problema aqui não é só o fato de plágio constituir crime: trata-se de um
problema ético. A ideia é simples: pense que você construiu algo inovador e que,
para isso, despendeu um grande esforço intelectual, deu seu tempo, teve de limitar
suas relações sociais (contato com familiares e amigos), gastou dinheiro para con-
seguir as fontes relevantes para a sua pesquisa e ainda outros investimentos. Então,
você, satisfeito com o que produziu, publica seu trabalho concluído e outra pessoa
o usurpa, não reconhecendo diante dos outros a sua autoria. Isso é uma situação
séria que está envolvida com a questão ética da pesquisa.
Pithan e Vidal trazem, em seu artigo “O plágio acadêmico como um pro-
blema ético, jurídico e pedagógico”, a necessidade de uma visão ética sobre a
constituição do plágio.

A questão ética deve ser levada em conta quando tratamos


do tema “plágio” no ambiente acadêmico. Na elaboração
de monografias, dissertações e teses, os acadêmicos
têm a oportunidade de exercitar técnicas de elaboração
de investigação científica. Entretanto, a dimensão ética,
notadamente na publicação dos resultados da pesquisa, deve
estar presente para garantirmos o que se tem denominado como
“integridade científica” ou “integridade na pesquisa”.
(…) quem comete um plágio intencional não furta apenas
palavras, e sim algo muito mais valioso no consciente coletivo da
sociedade, que é a confiança na produção científica. (PITHAN;
VIDAL, 2013, p.78-79)

capítulo 3 • 99
E, para não dizer que somente no mundo acadêmico há plágio, abaixo apre-
sentamos ementa de decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) acerca de
denuncia de plágio realizada contra um magistrado:

EMENTA: PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR EM FACE DE MAGISTRADO.


PLÁGIO. PENA DE DEMISSÃO APLICADA A MAGISTRADO EM VIAS DE
VITALICIAMENTO. EXISTÊNCIA DE ATENUANTES. REFORMA DO JULGADO.
Tratam os autos de processo administrativo disciplinar instaurado em face de juiz do
trabalho substituto que teria incorrido em plágio pela citação de trechos doutrinários
disponíveis na internet para compor a fundamentação de suas decisões, sem que
fossem indicados os respectivos autores, além de utilizar-se dos trechos copiados como
única fundamentação das sentenças. Houve, por tais razões, a adoção da pena de
demissão em face dessa conduta. A controvérsia gravita entre os limites da probidade
do juiz e os efeitos drásticos que vem a braços com a demissão de um juiz vitaliciando
por alegada conduta ímproba. Diante dos fatos existentes nos autos, da prova
produzida e da fundamentação de que se valeu o Tribunal Regional para a aplicação da
penalidade, não há como rechaçar o fato de que ocorreu um comportamento reprovável
do magistrado quando se utilizou de fragmentos de textos doutrinários disponíveis na
internet para compor a fundamentação de suas decisões sem esclarecer que o fazia
e quem eram afinal os autores desses textos. Todavia, do relato de infrações que teria
motivado a pena máxima, a conclusão é de que não subsiste um relevante fundamento
entre aqueles adotados para tal penalidade, qual seja: a omissão do magistrado
quanto ao dever de decidir, indicando os fundamentos de sua decisão. O Regimento
Interno do TST, no art. 69, II, q, preconiza que compete ao Órgão Especial, em matéria
administrativa, julgar os recursos interpostos contra decisões dos Tribunais Regionais do
Trabalho em processo administrativo disciplinar envolvendo magistrados, estritamente
para controle de legalidade. Se carece a sanção adotada pelo TRT de uma de suas
premissas fundantes e tal aspecto é inferível do texto do decreto que estabelece a
pena, cabe a intervenção do Órgão Especial do TST para adequar a punição disciplinar
aos fatos que a motivaram, pois do contrário perseverará a administração judiciária em
manifesta ilegalidade, qual seja, a de aplicar punição mais severa em razão de conduta
que, segundo a lei, comporta pena menos grave.

capítulo 3 • 100
É de se converter, portanto, a penalidade de demissão em censura, nos termos do art.
42, II, e, parágrafo único, e 43 da Lei Complementar nº 35/79, bem como art. 3º, I, e
4º da Resolução nº 135 do CNJ. Recurso administrativo conhecido e provido. (TST,
RecAdm 7053220135140000, Órgão Especial, Ministro relator Augusto César Leite
de Carvalho, Dj 06/04/2015, DP 20/04/2015)

No mundo, possuímos diversas processos relacionados ao plágio, e eles não


se dão apenas no âmbito acadêmico, como mostramos; eles se dão em diferentes
relações, como na tecnologia (Apple Computer x Appel Corps), no marketing
de bebidas (Uísque Johnnie Walker X Cachaça João Andante), na publicidade
(Strategas x McGowan), na música (Pharrell Williams e Robin Thicke x Marvin
Gaye), entre outros.
Se visualizamos tais práticas com tanta frequência, realmente devemos estar
preocupados com a ética que está sendo construída; como aqui versamos sobre o
mundo acadêmico, iniciaremos um debate sobre a ética na ciência.

Ética na Ciência

Um dos exemplos mais clássicos sobre a ética na ciência é da responsabilidade


dos cientistas que trabalham com física nuclear, pois o mesmo conhecimento pode
gerar um reator nuclear que oferta energia a toda uma cidade ou uma bomba atô-
mica, como a de Hiroschima.
Porém há outro exemplo também impactante: os experimentos realiza-
dos na Segunda Guerra Mundial pelos cientistas nazistas sob o comando de
Adolf Hitler. De acordo com Rezende (2016), os prisioneiros de campos de
concentração eram entendidos como cobaias e facilmente morriam de frio
para servirem de dado para o estudo da hiportemia. Após o final da Segunda
Guerra, foi criado o Código de Nuremberg, que versa sobre princípios mí-
nimos a serem aplicados em experiências realizadas com seres humanos;
tal código tornou-se referência para a produção legislativa nessa área em
diversos países.

capítulo 3 • 101
Abaixo, indicação de filme: Homo Sapiens, de Peter Cohen.

Refletimos que a ciência é um processo que explica e modifica a realidade que vive-
mos, e por isso é necessário compreendermos que fazer ciência é nos responsabilizarmos
por esse processo, pois afetamos não somente a nós, mas os outros envolvidos.
O pesquisador da área do Direito pode estar se perguntando: mas o que te-
nho eu a ver com isso? O Direito, como ciência social, produz resultados que
influenciam diretamente na sociedade, pois apresentam dados que poderão mo-
dificar a concepção da realidade e da produção legislativa. Lembre-se da Teoria
de Lombroso publicada no livro O Homem Delinquente, que trazia a percepção
de que alguns homens já nasciam predispostos à criminalidade e que era possível
identificá-los por suas características físicas. Quanto à influência dessa teoria no
Direito Penal:

Com o surgimento do criminoso nato, será necessária uma nova


fundamentação para o poder de punir. A responsabilidade penal
deixa de ser pessoal (em razão dos fatos praticados) para ser social
(decorrente do simples fato de se viver em sociedade). O direito penal
desprende-se do fato para apegar-se à periculosidade do criminoso.
(SANTOS, 2017, p. 1)

capítulo 3 • 102
Atualmente, possuímos mais cuidado com a ciência; todavia, ainda uma ca-
racterística é visualizada. Assim como os cientistas nazistas trabalhavam em con-
formidade com o que desejava o Terceiro Reich, hoje os cientistas se veem ligados
a agentes sociais (governamentais ou não), políticos e econômicos. E na medida
da necessidade de cada um. Um bom exemplo são os editais das agências de fo-
mento à pesquisa após o desastre de Mariana/MG, quando uma barragem privada
rompeu-se e originou a maior tragédia ambiental no Brasil até então. As agências
de fomento abriram editais ofertando milhões para financiar pesquisas que trou-
xessem soluções para as áreas atingidas.
Ocorre, então, um processo complexo que deverá estar munido de ética a
todo o momento. As pessoas que se encontram nesse processo (incentivadores eco-
nômicos ou sociais e cientistas) deverão pautar suas decisões tendo a ética como
principal requisito.
Hebert Marcuse, grande influenciador da juventude na década de 1960
e 1970 nos Estados Unidos, afirma veementemente que “a ciência (isto é, o
cientista) é responsável pelo uso que a sociedade faz da ciência; o cientista é
responsável pelas consequências sociais da ciência”. (2009, p. 161) Isso porque
o autor acredita que as consequências negativas sobre a produção científica
influenciarão diretamente a ciência como um todo, aprimorando-a ou a regre-
dindo. É uma ligação direta!
Veja o que nos apresenta o autor:

A intenção do cientista é pura: ele é motivado pela "pura"


curiosidade; busca o conhecimento pela busca do conhecimento.
Mas seu trabalho, uma vez publicado, insere-se no mercado,
torna-se mercadoria para ser avaliada pelos compradores
e vendedores em potencial e, em virtude dessa qualidade
social, seu trabalho satisfaz necessidades sociais. Além
disso, através de sua relação com as necessidades sociais
prevalecentes, o trabalho do cientista adquire um valor social;
seu trabalho incorpora as características das tendências sociais
predominantes e torna-se progressivo ou regressivo, construtivo
ou destrutivo, libertador ou repressivo em termos da proteção e
melhoramento da vida humana. (MARCUSE, 2009, p. 16)

capítulo 3 • 103
AUTOR
Hebert Marcuse
Herbert marcuse nasceu em Berlim, filho de pais judeus. Estudou literatura e filosofia em
Berlim e Freiburg, onde conheceu filósofos como Martin Heidegger, que posteriormente foi
seu orientador de doutorado sobre o filósofo Hegel.
Ele argumentava que a sociedade industrial avançada
criava falsas necessidades que integravam o indivíduo ao
sistema de produção e de consumo. Comunicação de mas-
sas e cultura, publicidade, administração de empresas e mo-
dos de pensamento contemporâneos apenas reproduziriam
o sistema existente e cuidariam para eliminar negatividade,
críticas e oposição.
Suas críticas à sociedade capitalista, em especial
na obra Eros e civilização, de 1955, e em O homem uni-
dimensional, de 1964, fizeram eco nos movimentos estudantis de esquerda dos anos
1960. Dessas ideias na década de 190, eclodiu a revolução inesperada. Falece em visita
à Alemanha com 81 anos.
(Fonte: https://goo.gl/XbKgG7)

O problema é que os cientistas já calejados cada vez menos saem de seus ga-
binetes, ou seja, cada vez menos observam o mundo real a ser estudado! A conse-
quência dessa estagnação é a criação contínua de “mais do mesmo". Eles replicam
experimentos com modificações mínimas de variáveis, obtendo resultados irrele-
vantes socialmente, somente para se dizer que está se fazendo ciência.
O pior é que esse comportamento vem sendo replicado a todo tempo nas
universidades, e os estudantes, desde a Iniciação Científica, aprendem que
devem escolher uma teoria e lutar até a morte para defendê-la. Quem morre
nesse contexto é o avanço da ciência, pois a dialética (aprendida na Grécia
Antiga) deixa de ser aplicada e as pessoas não conseguem pensar fora da sua
caixa limitadora de saberes.
Segundo Pimenta (2016), com base em seu estudo acerca do capital científico
de Pierre Bourdier, as revistas (as de antes e as de agora) se tornaram ferramentas
que (re)afirmam um poder (capital) sobre um campo da ciência. Os pesquisadores,

capítulo 3 • 104
inclusive, quando querem submeter seus artigos a alguma revista cientifica, preci-
sam primeiramente saber se essa revista aceita ou não sua visão de mundo.
A ética, então, não se limita a plagiar ou não um conteúdo: ela vai além. É
necessário pensar as éticas nas relações e neste campo de poder, que é o meio
acadêmico científico.
Rosana Pinheiro Machado, cientista social, antropóloga e professora do
Departamento de Desenvolvimento Internacional da Universidade de Oxford, solicita
que os leitores do seu artigo “Precisamos falar sobre a vaidade na academia” (2016) refli-
tam sobre como o mundo acadêmico tem se apropriado do saber alheio e colocado nos
universitários os arrimos das teorias determinantes pelos seus laboratórios.

Precisamos falar sobre a vaidade na academia


Por Rosana Pinheiro Machado (2016)

A vaidade intelectual marca a vida acadêmica. Por trás do ego inflado, há uma máquina
nefasta, marcada por brigas de núcleos, seitas, grosserias, humilhações, assédios,
concursos e seleções fraudulentas. Mas em que medida nós mesmos não estamos
perpetuando esse modus operandi para sobreviver no sistema? Poderíamos começar
esse exercício autorreflexivo nos perguntando: estamos dividindo nossos colegas entre
os “fracos” (ou os medíocres) e os “fodas” (“o cara é bom”)?
As fronteiras entre fracos e '’fodas’' começam nas bolsas de iniciação científica da
graduação. No novo status de bolsista, o aluno começa a mudar a sua linguagem. Sem
discernimento, brigas de orientadores são reproduzidas. Há brigas de todos os tipos:
pessoais (aquele casal que se pegava nos anos 1970 e até hoje briga nos corredores),
teóricas (marxistas para cá; weberianos para lá) e disciplinares (antropólogos que
acham sociólogos rasos generalistas na mesma proporção em que sociólogos acham
antropólogos bichos estranhos que falam de si mesmos).
A entrada no mestrado, no doutorado, e a volta do doutorado sanduíche vão
demarcando novos status, o que se alia a uma fase da vida em que mudar o
mundo já não é tão importante quanto publicar um artigo em revista qualis A1
(que quase ninguém vai ler).
Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, dizíamos que, quando alguém entrava
no mestrado, trocava a mochila por pasta de couro. A linguagem, a vestimenta e o ethos
mudam gradualmente. E essa mudança pode ser positiva, desde que acompanhada por
maior crítica ao sistema e maior autocrítica – e não o contrário.

capítulo 3 • 105
A formação de um acadêmico passa por uma verdadeira batalha interna em que
ele precisa ser um gênio. As consequências dessa postura podem ser trágicas,
desdobrando-se em dois possíveis cenários igualmente predadores: a destruição do
colega e a destruição de si próprio.
O primeiro cenário engloba vários tipos de pessoas: (1) aqueles que migraram para uma
área completamente diferente na pós-graduação; (2) os que retornaram à academia
depois de um longo tempo; (3) os alunos de origem menos privilegiada; (4) ou que têm
a autoestima baixa ou são tímidos. Há uma grande chance de essas pessoas serem
trituradas por não dominarem o ethos local e tachadas de “fracos”.
Os seminários e as exposições orais são marcados pela performance: coloca-se a mão
no queixo, descabela-se um pouco, olha-se para cima, faz-se um silêncio charmoso
acompanhado por um impactante “ãaaahhh”, que geralmente termina com um “enfim”
(que não era, de fato, um “enfim”). Muitos alunos se sentem oprimidos nesse contexto
de pouca objetividade da sala de aula. Eles acreditam na genialidade daqueles alunos
que dominaram a técnica da exposição de conceitos.
Hoje, como professora, tenho preocupações mais sérias com esses alunos que
acreditam que os colegas são brilhantes. Muitos deles desenvolvem depressão,
acreditam em sua inferioridade, abandonam o curso, e não é rara a tentativa de suicídio
como resultado de um ego anulado e destruído em um ambiente de pressão que deveria
ser construtivo, e não destrutivo.
Mas o opressor, o “foda”, também sofre. Todo aquele que se acha “bom” sabe que,
bem lá no fundo, não é bem assim. Isso pode ser igualmente destrutivo. É comum
que uma pessoa que sustentou seu personagem por muitos anos chegue na hora
de escrever e bloqueie.
Imagine a pressão de alguém que acreditou a vida toda que era foda e agora se
encontra frente a frente com seu maior inimigo: a folha em branco do Word. É “a hora
do vâmo vê”. O aluno não consegue escrever, entra em depressão, o que pode resultar
no abandono da tese. Esse aluno também é vítima de um sistema que reproduziu sem
saber; é vítima do próprio personagem que lhe impõe uma pressão interna brutal.
No fim das contas, não é raro que o “fraco” seja o cavalinho que saiu atrasado e faça
seu trabalho com modéstia e sucesso, ao passo que o “foda” não termine o trabalho.
Ademais, se lermos o TCC, dissertação ou tese do “fraco” e do “foda”, chegaremos à
conclusão de que eles são muito parecidos.

capítulo 3 • 106
A gradação entre alunos é muito menor do que se imagina. Gênios são raros.
Enroladores se multiplicam. Soar inteligente é fácil (é apenas uma técnica, e não uma
capacidade inata), difícil é ter algo objetivo e relevante socialmente a dizer.
Ser simples e objetivo nem sempre é fácil em uma tradição “inspirada” (para não dizer
colonizada) na erudição francesa que, na conjuntura da França, faz todo o sentido, mas
não necessariamente no Brasil, onde somos um país composto majoritariamente por
pessoas despossuídas de capitais diversos.
É preciso barrar imediatamente esse sistema. A função da universidade não é anular
egos, mas construí-los. Se não dermos um basta a esse modelo, a continuidade dessa
carreira só piora. Criam-se antiprofessores que humilham alunos em sala de aula,
reunião de pesquisa e bancas. Antiprofessores coagem para serem citados e abusam
moral (e até sexualmente) de seus subalternos.
Antiprofessores não estimulam o pensamento criativo: por que não Marx e Weber?
Antiprofessores acreditam em Lattes e têm prazer com a possibilidade de dar um
parecer anônimo, em que a covardia pode rolar às soltas.
Disponível em: https://goo.gl/GegkoM)

RESUMO
Não há possibilidade de se trabalhar qualquer pesquisa sem se ter um objetivo. A
construção e a determinação dos mesmos (gerais ou específicos) nos trarão o norte para
formularmos perguntas que responderão ao nosso problema de pesquisa. Para isso, são
necessárias ações que, transformadas em verbos, darão corpo ao trabalho.
A partir do momento em que construímos os objetivos, poderemos alinhar o embasa-
mento teórico que trará o aprofundamento do conhecimento do pesquisador. Saber onde
buscá-lo, com as palavras-chave necessárias, é uma arte!
As três etapas da leitura e a diminuição dos ruídos da comunicação entre pesquisador e
textos são essenciais para a maior aderência do conhecimento, e para isso deve o pesqui-
sador usar de estratégias, como a leitura dos resumos dos artigos encontrados e se dar a
importância das palavras chaves.
A ética permeia toda a pesquisa. Saber dar valor ao trabalho de outras pessoas, reali-
zando citações diretas ou indiretas, evita que o pesquisador caia em plágio, que, além de ser
crime, é um ato de extrema ilegitimidade do saber.

capítulo 3 • 107
ATIVIDADE
1 - Citação direta é a transcrição textual de parte da obra do autor consultado. A ABNT- NBR
10520 apresenta mais dois tipos de citação. Assinale a opção correta:

A) Citação indireta e citação cruzada.


B) Citação relativa e citação indireta.
C) Citação indireta e citação da citação.
D) Citação indireta e citação corrente.
E) Citação da citação e citação inversa.

2 - Observe o texto:
Korman (1968, citado por PASQUALI et al., 1981) afirma que outra variável que tem impor-
tância especial como característica de personalidade é a autoestima, isto é, a extensão em
que o indivíduo se percebe como competente, capaz e que pode prover a satisfação de suas
necessidades. Pode-se dizer que no exemplo houve:

A) citação direta de até 3 linhas.


B) citação de citação.
C) citação indireta.
D) citação direta longa.
E) citação com supressão.

3 - A importância dos periódicos científicos para o atendimento à sociedade pode ser


considerada em termos de:

A) Apresentar conteúdos semelhantes aos encontrados em revistas comerciais.


B) Promoção do progresso da ciência.
C) Promoção de desconfiança e competitividade entre os cientistas.
D) Auxiliar na renda financeira dos autores dos artigos neles publicados.
E) Garantir que qualquer tipo de conhecimento seja veiculado.

4 - A revisão de literatura constitui-se na fundamentação teórica do projeto de pesquisa e do


trabalho acadêmico, contribuindo para:

A) A definição do objetivo geral e dos objetivos específicos do projeto de pesquisa ou trabalho.


B) A definição das técnicas de pesquisa que deverão ser utilizadas em função das variáveis.

capítulo 3 • 108
C) A obtenção de informações sobre a situação atual do tema ou problema pesquisado.
D) A definição das variáveis dependentes e independentes utilizadas no problema de pesquisa.
E) A obtenção de subsídios para a formulação da(s) hipótese(s) da pesquisa e correlação
entre as variáveis.

5 - Uma pesquisa só será considerada científica:

A) se for objeto de investigação planejada, desenvolvida e redigida conforme as normas


metodológicas consagradas pela ciência.
B) se for usado apenas o processo que envolva os fatos e sua interpretação.
C) se gerar conhecimentos, para a aplicação prática, dirigidos à solução de problemas es-
pecíficos.
D) se for motivada basicamente pela curiosidade.
E) se remeter para as contribuições de diferentes autores sobre o tema, atentando para as
fontes secundárias.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
_______________. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10520: informação e
documentação – citações em documentos - apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2002.
_______________. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 14724: trabalhos
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_______________. UOL EDUCAÇÃO. Bibliografia Francis Bacon. Disponível em: https://goo.gl/eixaah.
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_______________. UOL EDUCAÇÃO. Bibliografia Herbert Marcuse. Disponível em: https://goo.gl/
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SANTOS, B. M. de M. S. Lombroso no Direito Penal: o destino d’O Homem Delinquente e os perigos
de uma ciência sem consciência. Disponível em: https://goo.gl/WZZMQB. Acesso em: 20 mar. 2017.
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez Editora, 2014.

capítulo 3 • 110
4
O trabalho de
conclusão de curso
O trabalho de conclusão de curso

Introdução

Neste capítulo, o pesquisador perceberá a importância do trabalho de conclu-


são de curso, o famoso TCC. É necessário saber que será justamente nesse mo-
mento de sua graduação que o seu conhecimento será avaliado de forma prática
enquanto pesquisador e colaborador para a produção do conhecimento científico
no campo escolhido para desempenhar suas funções profissionais.
Muitas vezes, a grande dificuldade em desenvolver esse TCC está na formata-
ção e desenvolvimento do projeto em si, uma vez que, entre a ideia e a execução
dela nos moldes acadêmicos, existe uma larga distância. Se for bem elaborado, o
projeto irá conduzir o seu trabalho, que acabará sendo desenvolvido de maneira
bem fluida e tranquila até a sua conclusão.
Como a grande intenção é a finalização do seu curso de graduação com uma
colaboração efetiva para o campo científico, será necessário o pesquisador se aten-
tar também para a estrutura e formatação de artigos e trabalhos científicos, garan-
tindo dessa forma a concretização desse objetivo de maneira plena.

OBJETIVOS
•  Demonstrar a importância do Trabalho de Conclusão de Curso;
•  Apresentar os tipos de trabalhos científicos por etapa acadêmica;
•  Orientar quanto à estrutura e à formatação do projeto de TCC;
•  Orientar quanto à estrutura e à formatação de artigo Científico.

Importância do trabalho de conclusão de curso

Antes de falar propriamente sobre o Trabalho de Conclusão de Curso, temos


de deixar claro alguns aspectos que para muitos podem parecer óbvios, mas para
outros nem tanto. O TCC é um trabalho científico, ou seja, ele é uma das ferra-
mentas que produz conhecimento científico, e para ele valem todas as ressalvas que
recaem sobre uma dissertação de mestrado ou até mesmo uma tese de doutorado.

capítulo 4 • 112
Ele é uma das modalidades de trabalho científico, e quase todos os cursos de
graduação o exigem como condição sine qua non para obtenção do grau, ou seja,
para conclusão do ensino superior.
Mas os pesquisadores já se perguntaram por quê. As Instituições de Ensino
Superior têm como função principal a produção de conhecimento. Em outras
palavras, seria como se o pesquisador passasse todos os anos e períodos de seu cur-
so sendo preparado para ser capaz de produzir conhecimento, e será justamente no
seu TCC que o pesquisador mostrará que o alcançou e fez a Instituição de Ensino
Superior alcançar esse objetivo.
Sem o TCC, não seria possível aferir se o objetivo da Instituição de Ensino
Superior foi alcançado, ou seja, se o dinheiro público investido na educação de
ensino superior foi bem investido no elemento pesquisa e ainda se as instituições
privadas cumprem o mesmo papel.
Quanto às instituições de ensino superior privadas, deve-se lembrar sempre
que o aluno está realizando um investimento, e não a compra de um diploma.
Ao sair da faculdade, o futuro profissional do Direito deve estar apto para exer-
cer a vida prática e a continuação da vida acadêmica através de um mestrado ou
doutorado, por exemplo.
Ocorre que quase sempre os alunos e as próprias instituições em que eles
se localizam dão mais importância para créditos, coeficientes de rendimento,
aprovações na OAB e diplomas, deixando de lado a pesquisa e a produção de
conhecimento quando, na verdade, esse deveria ser o foco do ensino superior.
Necessitamos de mais pensadores e menos replicadores de ideia obsoletas.
De nada adianta se ter o diploma se o conhecimento não foi gerado pelo
pesquisador. E nesse momento fica a pergunta: e por que então que se deve ter
o diploma para exercer determinadas funções? A resposta não está no campo
do conhecimento, mas sim no burocrático formativo. Precisamos do diploma
porque a burocracia exige isso, o mundo em que vivemos exige isso, e acaba
dando margem para que as atenções se desviem para ele, o diploma, mais do
que para o conhecimento.
Tendo em vista essa questão, muitos cursos e profissões exigem outros níveis
de certificação de conhecimento para habilitação em determinadas profissões e
funções. Por exemplo, na medicina, depois dos longos 5 ou 6 anos de curso, há
a formatura, porém isso não habilita o médico recém-formado a atuar no campo
que desejar: ele precisará fazer uma “residência" para efetivar o seus sonhos.

capítulo 4 • 113
No próprio curso de Direito, o título de bacharel não lhe garante nada no
sentido de exercer de fato a funções relativas ao Direito. Brincamos que, após
nos formarmos, somos um “não jurídico”, pois precisamos realizar provas diversas
para exercer a profissão que escolhemos na prática. De qualquer forma, para ad-
vogarmos, nos tornarmos magistrados ou ainda darmos aula em uma Faculdade, é
necessário que passemos por provações, como OAB e Concursos.
Como aluno do curso de Direito, que tem como objetivo a prática jurídica,
você pode estar agora se perguntando: e o TCC? Onde ele entra no meio disso
tudo? Para que ele existe, afinal de contas, se terei de fazer a “prova da ordem”?

O trabalho de Conclusão de curso [TCC] é parte integrante da atividade


curricular de muitos cursos de graduação, constituindo assim uma
iniciativa acertada e de extrema relevância para o processo
de aprendizagem dos alunos. Para a grande a maioria, ele
apresenta a primeira experiência de realização de uma pesquisa. Como
vivência de produção de conhecimento, contribui significativamente
para uma boa aprendizagem. Deve ser entendido e praticado como um
trabalho científico (…). (SEVERINO, 2007, p. 202, grifo nosso)

Figura 4.1 – (Fonte: https://goo.gl/PlBvzg)

capítulo 4 • 114
Com a orientação adequada e voltada 100% para o saber, o aluno de gradua-
ção transitará por todo conteúdo adquirido, promovendo um diálogo interdisci-
plinar e articulando o seu conhecimento no sentido de formular um Projeto de
Pesquisa que seja capaz de representar aquilo que, para ele, foi mais valioso em
termos de aprendizagem em meio ao processo.

Diferença entre TCC, Dissertação e Tese

É necessário diferenciar os três tipos de produção científica, pois, apesar de


terem aparentemente o “mesmo" formato, são muito diferentes, principalmente
quanto aos seus conteúdos e objetivos finais.
O trabalho de conclusão de curso, realizado no âmbito da graduação e da
pós-graduação lato sensu, se difere por ser o mais simples em nível de complexida-
de teórica e metodológica. Não há outra forma de defini-lo quanto a isso que não
seja como um trabalho em que o pesquisador deve escrever para a comunidade de
graduandos, expondo os resultados dos dados que coletou ao longo do percurso
de sua pesquisa, apresentando uma descrição e análise clara sobre o objeto e tema.
(LEITE, 2001) Não há necessidade aqui de se fazer elaborações complexas no
âmbito do embasamento teórico, pois a função é estritamente a demonstração da
efetividade do saber quanto à pesquisa.
Já em nível de pós-graduação scricto sensu, teremos dois tipos de trabalhos:
Dissertação e Tese.
A dissertação de mestrado, que é reconhecidamente o trabalho que lhe
conferirá o título de mestre em uma área e tema especifico de conhecimento.
Acerca do tema, deverá haver uma discussão aprofundada das bases teóricas
que sustentem o seu trabalho, assim como a aplicação de uma metodologia
que, além de “casar" com o referido embasamento, terá que lhes servir de fer-
ramenta de comprovação de uma hipótese acerca do tema e objeto escolhido
para sua pesquisa.
Numa dissertação de mestrado, não há a obrigatoriedade de se trabalhar
um tema e objeto inéditos, podendo inclusive ser um estudo de caso ou até
mesmo a aplicação de uma metodologia para se testar uma teoria especifica
acerca de um tema A e objeto B. Ao contrário da tese de doutoramento, que
precisa ter alguma contribuição inédita para a área, efetivando a construção do
saber científico do campo.

capítulo 4 • 115
Estrutura e formatação do projeto de tcc

Antes de o pesquisador começar a escrever sobre seu trabalho e estruturá-lo,


devemos lembrar que etapas anteriores deverão ser seguidas. A investigação cien-
tífica, a delimitação mediante a definição da natureza do trabalho, os objetivos es-
tabelecidos para a pesquisa e o cronograma de atividades, que são imprescindíveis
para isso, são partes integrantes do projeto de TCC do pesquisador.
A partir daí, o pesquisador, para redigi-lo, deve estabelecer os seus objetivos,
conforme trabalhado no Capítulo 3, nunca deixando de avaliar futuras dificulda-
des que vá enfrentar, tendo essa reflexão como direcionamento para estabelecer a
metodologia do trabalho de conclusão de curso e as coletas de dados. Agora sim
é possível se estruturar o TCC.
Como já foi tratado anteriormente, o trabalho de TCC, assim como o seu
projeto de pesquisa, é, em sua essência, um artigo científico, e como tal possui
uma estrutura própria definida pela NBR-ABNT e seguida pelo regulamento de
sua Instituição de Ensino Superior. Mas, afinal, o que é a ABNT (Associação
Brasileira de Normas Técnicas)?

CURIOSIDADE
ABNT, o que é?
Quando surge a necessidade da normalização de determinado tema, a ABNT encaminha o as-
sunto ao comitê técnico responsável, no qual será exposto aos diversos setores envolvidos. Uma vez
elaborado o projeto de norma com o assunto solicitado, ele é então submetido à consulta nacional.
Nesse processo, o projeto de norma, elaborado por uma comissão de estudo represen-
tativa das partes interessadas e setores envolvidos com o tema, é submetido à apreciação
da sociedade. Durante esse período, qualquer interessado pode se manifestar, sem qualquer
ônus, a fim de recomendar à comissão de estudo autora a aprovação do texto como apre-
sentado; a aprovação do texto com sugestões; ou sua não aprovação, devendo, para tal,
apresentar as objeções técnicas que justifiquem sua manifestação.
Sendo assim, é muito importante contarmos com a sua opinião sobre o conteúdo dos
projetos em consulta nacional para que possamos ter normas brasileiras que realmente re-
presentem os interesses da sociedade, bem como possam ser plenamente aplicadas e gerar
todos os benefícios inerentes à normalização.
(Disponível em: https://goo.gl/tFsKtZ. Acesso em: 8 mar. 2017)

capítulo 4 • 116
Cada área de conhecimento possui os parâmetros estabelecidos para publicação
de projetos, trabalhos e artigos científicos; a área de Saúde, por exemplo, utiliza de
forma constante o padrão “Vancouver” para realização de seus trabalhos de conclu-
são de curso, assim como dos artigos científicos a serem publicados na área.
Porém a maioria das Instituições de Ensino Superior do Brasil, no que tange às
suas produções acadêmicas e científicas, respeita a base de diretrizes estabelecidas
pela ABNT, a Associação Brasileira de Normas e Técnicas de Pesquisa. Podem tais
instituições estabelecer também os próprios parâmetros, porém deverão divulgá-lo
de forma ampla e acabarão prejudicando o aluno que se prepara para a submissão
de artigos de cunho acadêmico.

IMAGEM
Para descontrair
No ano de 2016, na rede social Twiter, foi publicado um boato que as normas da ABNT
seriam opcionais. Não demorou muito para que, na internet, se encontrassem diversos me-
mes sobre o tema.

capítulo 4 • 117
A importância da aplicação de normas é padronizar a forma com a qual o
conhecimento é produzido e repassado. Lembra-se da teoria da comunicação do
Capítulo 3? Então é necessária a diminuição de ruídos entre o que comunica e o
que recebe a mensagem para que não ocorram interpretações equivocadas.
A estruturação do projeto de TCC é composta de três etapas: pré-textuais, tex-
tuais e pós-textuais. Os elementos, alguns obrigatórios e outros não, dessas etapas
são apresentados a seguir:

ELEMENTOS ELEMENTOS ELEMENTOS


PRÉ-TEXTUAIS TEXTUAIS PÓS-TEXTUAIS

Título e subtítulo do artigo Introdução Cronograma

Autor (breve currículo


em nota de rodapé indi- Apresentação do Problema Referências
cado por asterisco)

Resumo Justificativa

Palavras-chave Hipótese

Sumário Resultados Esperados

Essa estrutura, em tese, possui como lógica auxiliar o leitor a compreender


melhor o trabalho que será desenvolvido. Deve o pesquisador discorrer dentro de
cada uma na busca de uma lógica de pensamento.
Caso o pesquisador deseje realizar uma monografia, dissertação ou tese de-
verá incluir novos elementos ao trabalho, como: Lombada (opcional), Folha de
rosto (obrigatório), Ficha catalográfica (obrigatória), Folha de aprovação (obri-
gatório), Dedicatória (opcional), Agradecimento (opcional), Epígrafe (opcio-
nal), Lista de ilustrações (opcional), Lista de abreviaturas e siglas (opcional) e
Lista de símbolos (opcional).

capítulo 4 • 118
A CAPA é item necessário tanto para o trabalho em si como para o projeto e
deverá conter nome da instituição de ensino, nome do autor, título e subtítulo,
local e ano de entrega.
Para melhor compreensão sobre o conteúdo que deve constar em cada ele-
mento, estaremos esmiuçando os mesmos nos capítulos posteriores.

Elementos Pré-Textuais do Projeto

Os elementos pré-textuais são aqueles que vão preceder o projeto de TCC do pes-
quisador com o objetivo de localizar o leitor quanto ao trabalho a ser desenvolvido e
que está sendo exposto a partir do projeto. É composto por diversos elementos:

a) Título: O pesquisador deverá apresentar um título que realmente aponte para


o que será lido. Deve evitar construções abstratas ou poéticas ao extremo, pois o título
muitas vezes é o que vai atrair o leitor para a leitura do trabalho de pesquisa. Por isso, é
importante que o título já diga algo do trabalho, por exemplo, “os impactos do crime
de estupro na população carcerária”: fica claro para o leitor do que se tratam a pesquisa
e o artigo. Agora imagine se fosse algo como “presídio sem um amanhã”: esse trabalho
poderia ser sobre qualquer coisa, e o leitor pode não dar importância ao conteúdo do
trabalho, nesse caso sendo necessário, assim, um subtítulo;
b) Subtítulo: Antes de elaborar o título, o pesquisador tem de ter em mente que
o seu artigo servirá para outros pesquisadores e leitores desenvolverem seus trabalhos;
por isso, pode optar por um título que venha acompanhado de um subtítulo. Trata-se
de um título complementar, como uma ampliação da explanação da obra. Por exem-
plo, “Presídio sem amanhã: os impactos do crime de estupro na população carcerária”;
dessa forma, conseguirá atingir melhor o leitor pesquisador;
c) Autor: Aqui o pesquisador deve colocar seu nome completo sem nenhuma
abreviação e em caixa alta, com uma nota de rodapé explicativa (indicada por um
asterisco), onde deverá constar um breve currículo do pesquisador;
d) Resumo: Nele serão apresentadas para o leitor, de maneira sucinta, clara, coesa
e coerente, as ideias principais que nortearão seu trabalho de pesquisa, assim como
uma breve explicação de como se pretende trabalhar a ideia (metodologia) e os resulta-
dos esperados. Redigido sempre em forma de parágrafo dissertativo, o resumo deverá
ser capaz também de estimular o leitor, haja vista que por ele se terá uma breve noção
do que será pesquisado, analisado e discutido pelo pesquisador. Importante frisar que é
comum nas pesquisas que o resumo não tenha mais que 500 palavras em TCC e mais
de 250 em artigos para submissão;

capítulo 4 • 119
e) Palavra-chave: abaixo do resumo, o pesquisador deve colocar no mínimo 3
(três) e no máximo 5 (cinco) palavras-chave que ajudarão a classificar o seu artigo.
Cuidado para não colocar frases em vez de palavras. Ex: discricionariedade do juiz da
causa. O correto é como se pontua no exemplo acima;
f) Sumário: Tem por objetivo auxiliar a compreensão do projeto de forma esque-
matizada, passando uma visão geral do que será lido e permitindo o acesso direto a um
tópico que se deseja ler e estudar com mais atenção.

EXEMPLO
Sumário
1. Introdução
2. Apresentação do problema
3. Justificativa
4. Hiopótese
5. Objetivos
6. Resultados esperados
7. Cronograma
8. Referências

Dessa forma, estarão cumpridos todos os elementos da parte pré-textual, que,


se bem feita, permite uma visão geral esquematizada, assim como oferta ao leitor a
compreensão de forma sucinta do trabalho realizado pelo pesquisador.

Elementos Textuais do Projeto

Os elementos textuais são divididos em três partes: a Introdução, o desen-


volvimento e a exposição dos resultados esperados. Iremos desmistificar alguns
pontos sobre cada um deles.

a) Introdução: Nesse elemento textual, tem-se uma apresentação do que se


pretende verificar e desenvolver ao longo do trabalho. Dessa forma, a maneira
mais coerente de redigi-la é após a redação do desenvolvimento, pois na “introdu-
ção" o pesquisador deve conduzir o leitor para o que seguirá.

capítulo 4 • 120
Mas não é tarefa impossível iniciar a redação do seu projeto pela introdução; con-
tudo, nesse caso, deve-se ter cuidado de depois o desenvolvimento seguir o mesmo
encadeamento lógico que foi colocado nessa primeira etapa. De forma prática, se na
introdução o pesquisador falar primeiro da população carcerária para depois falar sobre
a continuidade do ato criminoso de estupro dentro dela, no desenvolvimento, então,
ele não poderá inverter a ordem e falar primeiro da continuidade do ato criminoso de
estupro para só depois disso falar da população carcerária:

A introdução é o primeiro elemento a aparecer no trabalho definitivo,


ainda que seja o último a ser redigido, pois ‘‘deixando para o fim,
teremos condições de cumprir aquilo que a caracteriza e aos seus
objetivos, com mais facilidade’’. (KÖCHE, opcite LEITE, 2001, p. 159)

Se buscar conversar com um pesquisador veterano, perceberá que, sem ex-


ceção, os mesmos optam por escrever a introdução por último por acreditarem
que, dessa forma, o trabalho e/ou projeto fica mais bem redigido e com um en-
cadeamento lógico e esquemático mais coerente, permitindo, assim, uma melhor
compreensão do texto e da ideia central a ser defendida pelo pesquisador.
São apresentados os seguintes itens em uma introdução:

•  Contextualização e delimitação de tema;


•  Problema da pesquisa;
•  Objetivos (Geral e específico);
•  Metodologia;
•  Breve resumo de como o trabalho será desenvolvido (opcional).

Lembramos que não é ainda o momento de aprofundar o assunto. Muitos


pesquisadores iniciantes cometem equívocos e acabam desequilibrando seu texto
e até mesmo tornando-o repetitivo quando caem na “tentação” de se aprofundar
na introdução sobre o assunto.
No quadro 2, abaixo, poderemos perceber nitidamente essa delimitação do
assunto feita da forma que se considera ideal justamente por ser sucinta e clara,
não deixando o leitor confuso acerca do assunto e muito menos em dúvida sobre
o mesmo. Para tal, o ideal é que seja redigido em um único parágrafo. A utilização

capítulo 4 • 121
de dois só ocorre quando o assunto é muito complexo e merece uma apresentação
mais detalhada.
Perceba que se trata de uma das justificativas práticas que nos levam a iniciar
a redação pelo desenvolvimento e deixar a introdução por último, pois o pesqui-
sador já falou sobre o assunto e agora só mostrará de forma sucinta o mesmo,
colocando-se, dessa forma, numa “zona de segurança”.

Introdução: contextualização e delimitação do tema


Recentemente, o tema Alienação Parental vem tomando espaços nas discussões
sociais. O comportamento inadequado dos pais em relação aos filhos, no momento da
separação, tem ganhado pauta, mas, apesar de não ser um assunto novo, e de ser até
bastante comum nas relações familiares, ainda é pouco conhecido e discutido pela
maioria da população.
A alienação parental geralmente ocorre quando casais separam-se e disputam a guarda
dos filhos. Quando acontece a ruptura conjugal, percebe-se o sentimento de perda de
objeto que de alguma forma correspondeu ou corresponde à fantasia da completude
representada pelo parceiro, de um ideal de formação de família feliz e estável.

Normalmente, para cumprir tal especificidade de delimitação do tema, é neces-


sário ao pesquisador escrever de 2 a 3 parágrafos dissertativos; afinal, o leitor deve ser
“conduzido” para o tema delimitado e não “jogado” de qualquer forma nele.
Depois de determinar o assunto e delimitar o tema, o pesquisador deve obri-
gatoriamente realizar a apresentação do problema a ser trabalhado. Esse é de fato
um dos aspectos principais do elemento textual “introdução" e deve ser feito com
a maior clareza possível; afinal, quem se propõe a pesquisar e desenvolver um tra-
balho na área de Ciências Sociais, como é o caso do Direito, está escrevendo sobre
um problema percebido inserido em um determinado assunto:

Outro aspecto que deverá constar na introdução é o levantamento da


problemática, ou questionamento, que apresenta o estágio atual do
desenvolvimento do assunto mediante referencial que já se escreveu
a respeito. (LEITE, 2001, p. 163)

capítulo 4 • 122
Introdução: breve resumo da divisão do trabalho
Serão verificados o amparo jurisdicional, que é dado pelo ordenamento jurídico, em que
é feita uma breve explanação sobre os direitos positivados no Estatuto da Criança e do
Adolescente, Lei nº 8.069/90, e sobre a Lei de Alienação Parental, nº 12.318, aprovada
em agosto do ano de 2010, assim como obviamente as ponderações do Novo Código
de Processo Civil sobre o tema.

Introdução: problema de pesquisa


A criança ou o adolescente será reconhecido como vítima da Alienação Parental
e passa a ser necessária a intervenção analítica de técnicos de saberes
multidisciplinares para a garantia do atendimento dessa criança quando das
alegações da Alienação Parental. Ocorre que, mesmo sendo descrita como necessária
na Lei 12.318/2010, o juiz da causa possui discricionariedade para determinar ou
não essa intervenção.
O novo Código de Processo Civil, que passa a vigorar em 2016, no art. 699 dispõe
que o Juiz deverá ter ao seu lado especialista no momento do depoimento do menor
quando for o caso de Alienação Parental, porém não apresenta a forma de ação
desse profissional e não retira a discricionariedade do Juiz quanto à vinculação ou
não ao laudo pericial, algo considerado no mínimo controverso desde o Código de
Processo Civil de 1973.

Após a apresentação do problema de pesquisa, o pesquisador deverá informar


o que deseja realizar a partir do fenômeno apresentado, ou seja, precisa delimitar
os seus objetivos. Assim como quais serão os meios utilizados para alcançá-los, ou
seja, a metodologia.
Lembramos que os aspectos metodológicos são essenciais e devem ser tra-
tados com o maior rigor possível tanto pelo pesquisador como pelo orienta-
dor; afinal, o projeto de TCC se tornará um trabalho a ser redigido que é, em
sua essência, um artigo científico.
Outro componente do elemento textual “introdução" que às vezes se faz
necessário, dependendo do tema, é a localização espaço-temporal, normal-
mente quando o trabalho versa sobre temas ligados à história do Direito. Esse

capítulo 4 • 123
componente complementar se torna condição sine qua non à introdução do
trabalho do pesquisador.
Assim, o que deve ser priorizado é a organização da ideia a ser desenvolvida ao
longo do trabalho. Existem várias formas de fazer isso; no entanto, a mais coeren-
te é, ao fim da introdução, fazer uma esquematização explicando como se dará o
desenvolvimento da ideia ao longo do texto; aliás, o desenvolvimento é o segundo
elemento textual a ser tratado neste capítulo.

Introdução: objetivos e metodologia


O trabalho a ser desenvolvido pretende ser uma revisão bibliográfica descritiva
analítica do tema, debruçando-se na concepção psicológica jurídica sobre a Alienação
Parental, assim como a Síndrome da Alienação Parental, e, a partir dessas, demonstrar
a necessidade fática de atuação de equipe multidisciplinar nos processos judiciais
desse cunho e realizar uma crítica quanto à manutenção da discricionariedade do Juiz
da causa no tocante à atuação dessa equipe no Novo Código de Processo Civil.

b) Apresentação do problema: Nesse item, o pesquisador, para contemplar


todas as questões que cercam o problema de forma correta, deve:
•  contextualizar o problema;
•  explicar as bases teóricas que abordam o problema apresentado;
•  e apontar as diretrizes que nortearão o lidar do pesquisador com o problema.

c) Justificativa: Após apresentar o problema, o pesquisador terá de dar a


justificativa para o desenvolvimento de sua pesquisa. Nesse item do desenvol-
vimento, o pesquisador deve convencer o leitor de que é necessário o desen-
volvimento da pesquisa proposta. Para isso, tem de, de maneira clara, sucinta e
objetiva, evidenciar:
•  a importância do tema apresentado na introdução;
•  os motivos que levaram a escolha do tema e problema;
•  outros autores e textos que tratam do tema e problema a ser trabalhado
na pesquisa;
•  o porquê dos objetivos que pretendem ser alcançados com o desenvolvi-
mento do trabalho.

capítulo 4 • 124
d) Hipótese: A apresentação da hipótese deve ser muito bem definida e clara
para o leitor. A maioria das bancas avaliadoras de projetos de pesquisa dá muita
atenção a isso para poder avaliar se há coerência, aplicabilidade e fundamentação
teórica acerca do que o pesquisador está se propondo a trabalhar.

e) Objetivos: Outro item obrigatório de fundamental importância para o de-


senvolvimento do projeto de pesquisa são os objetivos. Eles devem ser divididos
em objetivos gerais e objetivos específicos. Cada objetivo geral deve ter um des-
dobramento com 1 ou 2 objetivos específicos. Todos eles, listados de forma orde-
nada e com verbos imperativos no início de cada um deles. Via de regra, o ideal
é se ter, em nível de trabalho de TCC, um único objetivo geral com, no máximo,
dois objetivos específicos. Veja o exemplo abaixo:

OBJETIVOS
Geral
Analisar a questão da aplicabilidade de penas alternativas no sistema carcerário brasileiro.
Específicos
1- Discutir o papel da Ressocialização na aplicação das penas alternativas;
2- Analisar as funções e objetivos das execuções penais;
3- Demonstrar que a utilização de penas alternativas no caso das presas em estágio de
amamentação pode ser um viés para ressocialização da mesma.

f ) Resultados esperados: Virá após demonstrar as suas análises e seus argu-


mentos no elemento textual denominado “desenvolvimento”, pois é necessário
que o pesquisador demonstre, também de maneira clara, os resultados esperados
para sua pesquisa.

Para auxiliar nessa tarefa, o pesquisador deve levar em consideração que a


expectativa de resultados; sendo assim, tem de deixar claro que nem sempre os
resultados esperados são alcançados; pelo contrário, o pesquisador deve evidenciar
que suas ideias e resultados esperados são passíveis de diálogo com o que poderá
ser encontrado ao longo do desenvolvimento do trabalho e, além disso, permitir
que se continue dialogando com a produção do conhecimento a partir do que ele
puder vir a perceber ao fim e ao cabo com o seu trabalho de pesquisa.

capítulo 4 • 125
É necessário que o debate não se extinga no projeto de TCC, pois a função do
conhecimento é justamente permitir o debate, diálogo, contraposição de ideias e
até mesmo utilização das mesmas por outros pesquisadores que venham a concor-
dar ou discordar do que era esperado.
Além disso, nunca pode deixar de lado a tarefa árdua de fazê-lo de forma re-
sumida, mas sem que se perca a importância do trabalho a ser desenvolvido, em
outras palavras, para que o pesquisador não dispense a necessidade da pesquisa por
já estar certo do resultado.

Elementos Pós-Textuais do Projeto

Também conhecido como elementos de apoio ao texto, os elementos pós-textuais


servem para auxiliar na exposição de ideias e argumentos acerca de seu projeto de pesqui-
sa e são compostos por “Cronograma" e "Referências".

a) Cronograma: O cronograma deve ser a parte onde o pesquisador mostra


que já possui uma estratégia para a execução de todas as atividades necessárias para
a pesquisa. No caso do projeto, esse item deve estar obrigatoriamente localizado
após o término do desenvolvimento dos elementos textuais do pesquisador e antes
mesmo das referências bibliográficas.

Importante ressaltar que esse cronograma deve estar compatível com as tarefas
a serem desenvolvidas, não podendo haver, por exemplo, o planejamento do le-
vantamento de dados por um período de uma semana, pois essa tarefa é impossível
de ser realizada num curto espaço de tempo.
Em projeto de mestrado, esse cronograma deve ser de 24 meses; já no
projeto de tese, deve ser de 48 meses; e, no projeto de TCC, mais especi-
ficamente, 12 meses. Em outras palavras, o cronograma deve ser feito de
acordo com o tempo que o pesquisador terá para a realização do trabalho
de pesquisa.
Se observar o exemplo abaixo, perceberá que o cronograma deve ser feito de
maneira bem específica, no entanto objetivo e sucinto.

capítulo 4 • 126
Cronograma para 12 meses

12 MESES
ETAPAS
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

1. REVISÃO
x x
BIBLIOGRÁFICA

2. LEITURA SIS-
TEMÁTICA DA x x
BIBLIOGRAFIA

3. LEVANTAMEN-
TO DE DADOS x x x
EMPÍRICOS

4. ORGANIZA-
ÇÃO E SISTE-
x x
MATIZAÇÃO
DOS DADOS

5. ANÁLISE
x x x
DOS DADOS

9. ANÁLISE
DAS FONTES
x x x
E DADOS
COLETADOS

10. ESCRITA DA
x x
INTRODUÇÃO

11. ESCRITA
DOS DEMAIS
x x x
ELEMENTOS
TEXTUAIS

12. ELABORA-
ÇÃO E REVISÃO
x x x
DA REDAÇÃO
FINAL

capítulo 4 • 127
b) Referências bibliográficas: Afinal, o que seria “referência bibliográfica”?
Qual seria o seu conceito? Para que ela de fato serve? Ela realmente é "o conjunto
padronizado de elementos descritivos, retirados de um documento, que permite
sua identificação individual”. (NBR6023, 2002, item 3.9)

As referências são indicadas após citações diretas e indiretas de forma específi-


ca estabelecida e padronizada pela NBR (normas brasileiras), de forma contraída,
sendo apenas indicativa de autoria nesses casos. Elas também devem ser colocadas
ao fim do texto em capítulo específico para elas antes dos anexos.
As Referências Bibliográficas são feitas de maneira a indicar na íntegra a publicação
utilizada para leitura, a compreensão de ideias, para fazer citações ou indicar leituras e ar-
gumentos utilizados no texto, e devem ser feitas de maneira específica determinada pelo
manual da Instituição de Ensino Superior com base nas normas da ABNT.
No Capitulo 4 deste material didático, serão apresentados diversas formula-
ções de referências que auxiliarão o pesquisador iniciante a realizar o seu trabalho.

EXEMPLO
Referência:
ÚLTIMO SOBRENOME, Início do nome e sobrenomes intermediários. Título da obra
em negrito: subtítulo sem negrito se houver, assim como todas as observações, como, por
exemplo, edição revisada traduzida e outras coisas a mais. Estado da editora que publicou
(podendo ser Sigla): Nome da editora, ano de publicação.
ou seja…
MELLO, Satina Priscila M. Pimenta. Psicologia Jurídica hoje: novas perspectivas.
Espírito Santo: RM, 2011.

Estrutura e formatação de artigos científicos

Depois de iniciado o trabalho de pesquisa, chegará o momento em que o


pesquisador deverá passar para a redação do artigo científico, ou seja, o TCC
em si. Via de regra, ele também é composto por elementos pré-textuais, textuais
e pós-textuais que, de maneira geral, são muito semelhantes aos do “projeto de
pesquisa”. Veja a seguir:

capítulo 4 • 128
ANÁLISE CRÍTICA QUANTO À IMPORTÂNCIA DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR
EM AÇÕES DE ALIENAÇÃO PARENTAL CONFORME O NOVO CÓDIGO DE
PROCESSO CIVIL

SÁTINA PRISCILA MARCONDES PIMENTA MELLO*


FABIANA CAMPOS FRANCO *
————
*Mestre em Gestão de Pessoas, Advogada, Psicóloga, Professora da Faculdade Estácio
de Vitória-ES.
E-mail: satina.mello@estacio.br
*Dra. em Comunicação de Saúde, Professora da Faculdade Estácio de Vitória-ES
E-mail: ........

Elementos Pré-Textuais do Artigo

Os elementos textuais do artigo são idênticos aos do “projeto de pesquisa” com


exceção do sumário, do abstract e das Key words. Para facilitar o direcionamento e
a diferenciação dele com o que é utilizado nos elementos pré-textuais do projeto,
seguem abaixo exemplos que ilustram na prática os elementos pré-textuais.

a) “Título”, "subtítulo” e “autor”:

ELEMENTOS ELEMENTOS ELEMENTOS


PRÉ-TEXTUAIS TEXTUAIS PÓS-TEXTUAIS

Título e subtítulo do artigo Introdução do artigo Referências

Autor (breve currículo


Apêndice e Anexo
em nota de rodapé indi- Desenvolvimento
(opcionais)
cado por asterisco)

Notas explicativas
Resumo Conclusão
(opcional)

capítulo 4 • 129
Palavras-chave

Sumário

ABSTRACT: The article deals with the topic of Parental Alienation and the importance
of carrying out the multidisciplinary investigation as to the investigation of the same
absent in the New Code of Brazilian Civil Procedure that will come into force in 2016. It
is a descriptive bibliography review analytical, where A criticism as to the maintenance of
the discretion of the Judge of the cause as to the performance or not of multidisciplinary
team in the actions of Parental Alienation.

KEY WORDS: Parental Alienation, New Code of Civil Procedure, Expert


Report, Discretionary.

b) “resumo” e “Palavras-Chave”:

c) Abstract e Keywords: Em algumas instituições ou revistas, é necessário que


se faça a tradução do resumo e das palavras-chave para uma lingua estrangeira,
normalmente o inglês.

d) Sumário: Tem o mesmo objetivo quando aparece no projeto de TCC, ou


seja, dar suporte

SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO; 2 ALIENAÇÃO PARENTAL; 2.1 CONCEITO DE ALIENAÇÃO
PARENTAL; 2.2 CONCEITO DE SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL (SAP);
2.3 DIFERENÇA ENTRE ALIENAÇÃO PARENTAL E SÍNDROME DA ALIENAÇÃO
PARENTAL; 2.4 CAUSAS DA ALIENAÇÃO PARENTAL; 2.5 COMPORTAMENTOS DO
AGENTE ALIENADOR; 3 O MENOR VÍTIMA DA ALIENAÇÃO; 3.1 IMPORTÂNCIA DE
IDENTIFICAR A CRIANÇA, ADOLESCENTE OU JOVEM VÍTIMA DA ALIENAÇÃO; 3.2
EFEITOS E CONSEQUÊNCIAS DA SÍNDROME DE ALIENAÇÃO PARENTAL NO MENOR;

capítulo 4 • 130
3.3 IMPLANTAÇÃO DE FALSAS MEMÓRIAS; 3.4 NÍVEIS DA SÍNDROME DE
ALIENAÇÃO PARENTAL; 4 AMPARO JURISDICIONAL; 4.1 ESTATUTO DA
CRIANÇA E DO ADOLESCENTE; 4.2 LEI 12318/2010 - LEI DA ALIENAÇÃO
PARENTAL; 4.2.1 DEFINIÇÃO JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DOS ATOS DE
ALIENAÇÃO PARENTAL; 5 DA PERÍCIA NO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO
CIVIL; 6 CONCLUSÃO

RESUMO: O artigo versa sobre o tema Alienação Parental e a importância da


realização da perícia multidisciplinar quanto à averiguação da mesma ausente no
Novo Código de Processo Civil Brasileiro que entrará em vigor no ano de 2016.
Trata-se de revisão bibliográfica descritiva analítica, em que se realizará uma
crítica quanto à manutenção da discricionariedade do Juiz da causa relativa à
atuação ou não de equipe multidisciplinar nas ações de Alienação Parental.

Palavras chave: Alienação Parental, Novo Código de Processo Civil, Laudo


pericial, Discricionariedade.

Elementos Textuais do Artigo

a) Introdução: Da mesma forma que ocorreu com os “elementos pré-tex-


tuais”, e da mesma forma que a da introdução do ARTIGO CIENTÍFICO, tem
o mesmo direcionamento do evidenciado e ilustrado no tópico 4.2, item "a", deste
mesmo capítulo. O que o pesquisador deve ficar atento é que, no caso do artigo
científico, ele deve incluir já os dados levantados ao longo do projeto e apontar
para a conclusão.
b) Desenvolvimento: Depois dessa etapa introdutória, finalmente chega-se
ao “miolo” do trabalho: o desenvolvimento.

Ele constitui não somente na parte fundamental do trabalho do pesquisa-


dor como também na parte mais extensa, justamente por ser nesse componen-
te de elemento textual que o pesquisador irá discorrer sobre as ideias trabalha-
das, sobre as análises realizadas, sobre a aplicação do método e os resultados
obtidos a partir dele.

capítulo 4 • 131
Além disso, podem integrar o desenvolvimento as considerações e descobertas
feitas ao longo da pesquisa que corroborem ou contestem a hipótese central.
O desenvolvimento deve ser feito de maneira em que os parágrafos dis-
sertativos sejam claros e com as ideias escalonadas. Para isso, seguem alguns
conselhos importantes:

•  parágrafos curtos;
•  evitar os apostos, ou seja, interromper uma ideia e iniciar uma nova discussão;
•  utilizar mais pontos do que virgulas, ou seja, períodos simples e diretos;
•  apresentação de ideias simples, coesas e coerentes;
•  utilizar sempre a terceira pessoa do singular.

Será através desses parágrafos que o pesquisador ordenará “sistematicamente


as diversas partes que compõem a matéria de estudo, sem esquecer que a ela-
boração do plano não equivale a propor uma organização arbitrária de ideias”.
(CERVO; BERVIAN; DA SILVA, 2007, p. 117)
A recorrência dessas ideias expostas e colocadas de maneira desordenada, con-
forme mencionado, fará com que o texto do pesquisador seja comprometido na
questão do nexo e da compreensão como um todo. A impressão que o leitor terá
é de que se lê e não se entende nada, colocando em risco a exposição do conheci-
mento construído ao longo da pesquisa. Para isso, o desenvolvimento:

Deve ser sempre dividido em partes, refletindo o escalonamento


das dificuldades encontradas ou ainda em função das parcelas que
comporta cada dificuldade. À medida que se progride na investigação,
recolhem-se muitas ideias que serão selecionadas e ordenadas do
mais simples ao mais complexo. A decomposição do assunto em suas
partes constitutivas é condição indispensável para sua compreensão.
É bem mais fácil compreender o assunto quando este tiver dividido,
pois sem divisão não se pode identificar claramente o tema central,
tampouco distinguir o que se quer atribuir ao todo ou somente a uma
ou outra das partes. (CERVO; BERVIAN; DA SILVA, 2007, p. 117)

Indicamos, então, mediante o exposto, a elaboração de um plano de desenvol-


vimento para evitar que sejam colocadas no papel as ideias em efeito brainstorm,

capítulo 4 • 132
ou seja, um turbilhão de ideias ainda sem muita objetividade, pois, se assim o
pesquisador o fizer, será muito provável que incorra em todos os erros e ressalvas
que expusemos até agora.
Um bom plano de desenvolvimento depende do pesquisador lograr êxito na
divisão das ideias de seu trabalho. Para tal, ele deverá ter como parâmetros a “es-
trutura lógica” e hierarquizar as ideias de acordo com ela.
As perguntas norteadoras podem ofertar ao pesquisador tal organização: cada
pergunta, se bem elaborada, vai determinar os capítulos que farão parte do desen-
volvimento do pesquisador.
Voltemos ao exemplo do Capítulo 2 deste material didático:

a) O que é tutela antecipada?;


b) Como o Código de Processo Civil de 1973 previa o instituto?;
c) Como foi processo de construção do Novo Código de processo Civil?;
d) Como o Código de Processo Civil de 2015 prevê o instituto?;
e) Quais foram os argumentos utilizados pela Comissão de Juristas do NCPC
quanto à necessidade de modificações no instituto trabalhado?.

Assim, o primeiro capítulo trará o conceito de tutela antecipada; o segundo, a


descrição do instituto no CPC/1973; e assim por diante.
Somente após a exposição de todos esses fatores é que o pesquisador deve pas-
sar a colocar a sua reflexão acerca de todo o exposto, seguindo algumas “normas
práticas”. (CERVO; BERVIAN; DA SILVA, 2007) Para isso, seguem mais dicas:

a) O pesquisador deve dividir o seu desenvolvimento em partes. Indicamos no


mínimo duas partes;
b) Deve trazer em seu desenvolvimento tanto argumentos opostos à sua ideia
e hipótese quanto argumentos favoráveis à sua ideia. Tal ação deve ser realizada de
forma progressiva e organizada para favorecer a linha de raciocínio na busca pela
comprovação ou não de sua hipótese ou ideia defendida;
c) O pesquisador deve evitar planos fáceis, haja vista que ideias muito simpli-
ficadas tendem a perder sua força de argumentação.

Ao final, o sumário que apresentamos nos trará a visão lógica, hierarquiza-


da e organizada que pretendemos. No modelo de sumário apresentado acima,

capítulo 4 • 133
encontramos aquilo que Cervo, Bervian e Silva (2007) apontam como aspectos
principais e aspectos secundários.

ASPECTO PRINCIPAL ASPECTOS SECUNDÁRIOS

2.1 CONCEITO DE ALIENAÇÃO PAREN-


TAL; (secundário)
2.2 CONCEITO DE SÍNDROME DA ALIE-
NAÇÃO PARENTAL (SAP);
2.3 DIFERENÇA ENTRE ALIENAÇÃO
2 ALIENAÇÃO PARENTAL
PARENTAL E SINDROME DA ALIENAÇÃO
PARENTAL;
2.4 CAUSAS DA ALIENAÇÃO PARENTAL;
2.5 COMPORTAMENTOS DO AGENTE
ALIENADOR.

Vejam que, no exemplo dado, o aspecto principal é a Alienação Parental, e os


aspectos secundários são os subtítulos que se desdobram do primeiro. Somente
após esse desdobramento, o aspecto principal terá sido amplamente discutido.
É possível também se utilizar de uma divisão por progressão clara, na qual
o pesquisador conduz o leitor em seus argumentos de forma a concordar com
sua ideia principal. No exemplo abaixo, o tema é a aplicação da Lei da Primeira
Infância (Lei nº 13.257/2016) a presas grávidas.
Mesmo que a proposta seja de uma progressão, é preciso que o pesquisador
das ciências do Direito se atente quanto à necessidade da manutenção do critério
objetivo da ciência. O Direito nos traz diferentes pontos de vista doutrinários para
os fenômenos a ele apresentados. Isso não pode ser negado pelo pesquisador.
Em meio a estas partes, é necessário que o pesquisador se atente para realizar
de maneira criteriosa, sob o risco de perder toda sua linha argumentativa, a orde-
nação de suas ideias através da:

•  Construção de um histórico do problema ou apresentação de seu conceito;


•  Fundamentação teórica, conforme trabalhado no Capítulo 3 deste livro;
•  Análise dos fatos e argumentos de forma aprofundada.

capítulo 4 • 134
Haja vista o exposto, o pesquisador logrará êxito na tarefa de convencer o lei-
tor de que sua ideia e seu argumento são válidos – e, dessa forma, sua contribuição
estará perto de se efetivar, restando apenas o desfecho em forma de conclusão.

c) Conclusão: Após demonstrar as suas análises e argumentos no elemento


textual denominado “desenvolvimento”, é necessário que o pesquisador demons-
tre, também de maneira clara, a sua conclusão.
Para auxiliar nessa tarefa, o pesquisador deve levar em consideração que uma con-
clusão, depois de analisadas todas as evidências, aplicado o método e dialogado com a
base teórica, não necessariamente deva ser a mesma que se tinha no início do projeto.
Afinal, ao longo do desenvolvimento do trabalho, o pesquisador poderá:

•  Invalidar ou confirmar sua ideia ou hipótese inicial;


•  Modificar ou adaptar sua ideia ou hipótese inicial devido aos resultados obtidos.

Mas, em ambos os casos, "é importante traçar um esquema de explica-


ção significativo” e, “quando possível, generalizar a conclusão”. (LAVILLE;
DIONNE, 1999, p. 228)

A análise de dados e a interpretação que a segue ou acompanha


não vem concluir o procedimento de pesquisa. Deve-se ainda tirar
conclusões: pronunciar-se sobre o valor da hipótese, elaborar um
esquema de explicação significativo, precisar-lhe o alcance bem como
os limites e ver que horizontes novos se abrem à curiosidade dos
pesquisadores. Este é o propósito da última etapa a aparecer no quadro
que nos guia desde o começo. (LAVILLE; DIONNE, 1999, p. 228-9)

Sendo assim, a conclusão não encerra a discussão; pelo contrário, ela evi-
dencia suas ideias de forma a dialogar com o que já foi produzido e permite
que se continue dialogando com a produção do conhecimento a partir do que
o pesquisador concluiu.
É necessário que o debate não se extinga no TCC, pois a função do conheci-
mento é justamente permitir o debate, o diálogo, a contraposição de ideias e até
mesmo a utilização das mesmas por outros pesquisadores que venham a concordar
ou discordar do que foi apresentado.

capítulo 4 • 135
Modelo: conclusão
A efetiva instalação da Alienação Parental atinge vários direitos que são assegurados às
crianças e aos adolescentes por meio da Constituição Federal e do Estatuto da Criança
e do Adolescente. Diante de tal prática, a criança se vê infringida na sua dignidade
de pessoa humana; afinal, essa não vê sua moral respeitada pelo próprio genitor
quando esse tenta denegrir a imagem do outro progenitor. Com o advento da Lei nº
12.318/2010, o ordenamento jurídico pátrio veio mostrar para toda a sociedade que a
Alienação Parental é uma realidade que efetivamente existe e que deve ser combatida
para melhor interesse social e desenvolvimento das nossas futuras gerações. Porém,
enquanto o Poder Judiciário não tiver consciência da sua limitação de saberes e não
reconhecer a necessidade de busca de novos saberes em outras ciências, a efetivação
da Justiça e decisões mais equânimes não serão práticas nas ações que versam sobre
a Alienação Parental.

Observe conclusão no texto abaixo:


O que deve ser feito in loco é fechar um círculo de ideias para se abrirem no-
vos horizontes. (LAVILLE; DIONNE, 1999) Nesse sentido:

A conclusão deve ser também a ocasião de um retorno critico


às escolhas metodológicas e sua operacionalização. Essas se
revelaram adequadas tanto nos planos da estratégia adotada, dos
instrumentos e ferramentas selecionadas, quanto das modalidades
da análise? Vieses puderam introduzir-se no processo de verificação?
Dificuldades especiais surgiram que teriam influenciado os
resultados? (…) Colocados esses julgamentos, torna-se possível
para o pesquisador determinar o alcance e os limites de seu estudo,
precisar o que esse permite afirmar e o que é preciso evitar que ele
expresse. Depois disso, ele pode falar dos novos horizontes que se
abrem graças a seu trabalho. (LAVILLE; DIONNE, 1999, p. 229)

Uma boa orientação para saber se foi de fato bem redigida a conclusão é o pes-
quisador se perguntar se as seguintes questões listadas abaixo foram respondidas;
se foram, o objetivo da conclusão foi alcançado. Faça o checklist:

capítulo 4 • 136
PERGUNTA
Sua pesquisa resolveu o problema?

Amplia a discussão sobre ele ou mostra novas perspectivas?

Sua ideia ou hipótese, ao fim, foi confirmada ou derrubada pela sua pesquisa?

Os objetivos foram alcançados?

A metodologia atendeu às perspectivas? Se não, por quê?


Qual a provável solução para isso?

A bibliografia e o embasamento teórico atenderam às expectativas? Se não, por quê?

A sua postura e/ou posição frente aos outros autores e textos sobre o tema e o
problema trabalhados ficou bem definida?

Se conseguir responder às perguntas acima pontuadas na conclusão, poderá


ficar mais fluido o texto e, dessa forma, mais claro, coerente e coeso.
Além disso, nunca pode deixar de lado a tarefa árdua de fazê-lo de forma
resumida, mas sem que se perca a importância do resultado; de forma, clara mas
sem que se transmita a ideia de simplicidade; e, por fim, realçando de forma es-
pecial a sua contribuição na construção do conhecimento acerca do assunto e do
tema trabalhados.

Elementos Pós-Textuais do Artigo

Para pesquisa na área de Exatas e pesquisas médicas, eles são praticamente


imprescindíveis, pois são mostrados muitos gráficos e tabelas que demonstram os
resultados obtidos mediantes as experimentações e testes.
Na área do Direito, especificamente, esses gráficos e tabelas também podem
ser utilizados, principalmente em pesquisas quantitativas, pois será através deles
que o leitor perceberá melhor os resultados.
Temos de deixar claro que, além de dar suporte aos argumentos do pesqui-
sador, esses elementos “pós-textuais” podem lograr êxito no sentido de realçar

capítulo 4 • 137
determinadas análises e mostrar de forma visual aquilo que até poderia ter sido
evidenciado em forma de texto. Por exemplo, o pesquisador pode simplesmen-
te escrever que 56% da população carcerária feminina apoiam penas alternativas
para mulheres lactantes ou poderá mostrar um gráfico “pizza" com todo o resulta-
do em percentuais obtidos através das entrevistas realizadas ao longo do trabalho
no presídio feminino “XYZ”.
Existem também aqueles elementos “pos-textuais” que apoiam os argumentos,
como, por exemplo, notas e comentários, assim como as referências de outros autores,
sendo necessário se seguir a norma determinante, como as normas da ABNT.

Quais seriam, então, os chamados elementos pós-textuais?


•  Referências;
•  Apêndices e Anexos;
•  Tabelas;
•  Quadros;
•  Gráficos;
•  Imagens;
•  Notas Explicativas.

Passaremos a tratar de cada um deles para que você, pesquisador, possa


fazer uso deles de forma correta e, dessa forma, saber utilizar essas ferramentas
de apoio ao texto.

a) Referências: deve se seguir toda orientação já passada conforme tratado


no item “b" do item 4.2 deste mesmo capítulo;
b) Apêndices e Anexos: existem elementos pós-textuais que vêm comple-
mentar as ideias e a linha de argumento expostas em palavras ao longo do
elemento textual denominado “desenvolvimento”. São eles:

•  Tabelas;
•  Quadros;
•  Gráficos;
•  Imagens.
Tais elementos vêm consubstanciar o que o pesquisador está expondo em pa-
lavras, ou seja, ilustram de outras formas as ideias do pesquisador.

capítulo 4 • 138
Para esses elementos, o pesquisador deve se ater também ao fato de que a
apresentação dos mesmos é normatizada por regras que devem ser respeitadas exa-
tamente como aquelas que direcionam a parte textual de seu trabalho; com relação
a isso, devemos considerar que:

As normas da ABNT tratam deste elemento apenas de forma tangencial,


remetendo sempre às Normas de apresentação tabular, do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 1993), documento que
realmente normatiza a matéria. (…) não há um limite mínimo nem máximo
para o número de inserções desses elementos gráficos, cabendo ao autor
avaliar a oportunidade, a necessidade e a conveniência. Se o número de
inserções for expressivo em relação ao texto escrito, torna-se obrigatória
a construção de um índice para indicação de sua localização. (CERVO;
BERVIAN; DA SILVA, 2007, p. 129)

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é um dos produtores


das maiores fontes de dados no Brasil. O mesmo avalia indicadores econômicos,
sociais e geociências que facilitam o cruzamento de dados apresentados com a
ideia do pesquisador, fundamentando o seu trabalho.
A melhor forma de expor os resultados e análises é através de tabelas que
os ilustram.

PESO X ESTATURA Y IDADE Z


35 128 13

38 140 13

45 140 14

52 150 15

50 130 13

capítulo 4 • 139
38 110 14

30 140 14

Tabela 4.1 – Relação: Estatura x peso x idade (masculino).


Fonte: Duarte (1985, p.19, https://goo.gl/H44PHM)

O pesquisador precisa apenas saber que tabelas devem representar em núme-


ros os dados coletados e tomar cuidado para não gerar tabelas desnecessárias, ou
seja, se são tabelas de simples compreensão, não precisam ser colocadas.
Os gráficos nos permitem observar visualmente as informações inseridas nas
tabelas; normalmente, são utilizados em TCCs, pois as tabelas demandam uma
compreensão de análise quantitativa maior do leitor, o que pode causar o ruído
que tanto estamos alertando.
Eles são representações visuais de tendências e orientadas por escalonamentos
distinguidos por cores e/ou formas geométricas que auxiliam na percepção dessas
referidas tendências.
Vejamos, por exemplo, o IBGE (2001), que realizou uma pesquisa a pedido
do Ministério da Justiça sobre a faixa etária e as causas de morte (naturais ou não)
de homens no ano 2000. Veja o gráfico abaixo:

capítulo 4 • 140
Os quadros devem seguir a NBR 14724:2011; sendo considerados uma ca-
tegoria de ilustrações, terão como diferença da tabela a formatação e o conteúdo,
que não é determinante. Veja o exemplo abaixo.

Normas usadas na elaboração de um artigo científico

AUTOR TÍTULO DATA

NBR 6023: Elaboração de


ABNT 2002
Referências

ABNT NBR 6028: Resumos 2003

NBR 10520 citação


ABNT 2002
em Documento

Normas de Apresentação
IBGE 1993
Tabular. 3. Ed

Tabela 4.2  –  Fonte: ABNT. NBR 6022 (2003,p. 01)

Os quadros são mais livres e podem ser construídos de maneira mais sub-
jetiva, com arranjos sistematizados pelo pesquisador. (CERVO; BERVIAN;
DA SILVA, 2007)

c) Notas Explicativas: As notas de rodapé são apenas aquelas denominadas


“explicativas” e são igualmente consideradas partes integrantes dos elementos pós-
-textuais apesar de se encontrarem no rodapé das páginas da redação dos elemen-
tos textuais, quando as referidas “notas explicativas” se fazem necessárias. Segundo
a norma NBR 6029:2006:

capítulo 4 • 141
Indicações bibliográficas, observações ou adiantamentos ao texto
feitos pelo autor, tradutor ou editor. Podem aparecer no pé da página,
na margem esquerda ou direita da mancha ou no final de capítulos,
de partes ou do próprio texto. (NBR 6029:2006 opcite CERVO;
BERVIAN; DA SILVA, 2007, p. 127)

Se bem trabalhadas, podem ser inclusive muito úteis para explicar, de fato,
determinados conceitos, tornando o texto do pesquisador mais fluido ou até
mesmo indicar leituras complementares à ideia trabalhada e/ou aos autores que
podem ser lidos que defendem as mesmas ideias e argumentos utilizados pelo
pesquisador, sem ser preciso citá-los direta ou indiretamente.
Nesse sentido, a nota explicativa serve de suporte ao argumento, sendo neces-
sária para elucidar questões, principalmente as inerentes ao aporte teórico ou me-
todológico, sem a necessidade de adentrar na discussão de maneira aprofundada
e, dessa forma, apoiar literalmente o argumento pretendido.

capítulo 4 • 142
Outra perspectiva que deve ser ressaltada é que ela servirá também de estra-
tégia para realizar encadeamentos lógicos sem prejudicar a coesão e coerência do
texto, pois, apesar de a mesma se encontrar ao longo das páginas a serem redigidas
para os elementos textuais, ela pertence aos elementos pós-textuais.

LEITURA
SILVA, S. F. da S. Princípio da Insignificância: uma analise iformétrica da jurisprudência
do Supremo Tribunal Federal. Brasilia/DF, 2012. Disponível em: https://goo.gl/alh3tc. Aces-
so em: 20 mar. 2017.

RESUMO
A intenção deste livro, mais especificamente deste capítulo, é direcionar o pesquisador
em busca do grau de bacharel em Direito na redação de seu Trabalho de Conclusão de Cur-
so. Longe de ter a pretenção de elucidar todos os elementos que compõem o mesmo, temos
o objetivo de dar um direcionamento prático.
Nesse sentido, as páginas que se seguiram trouxeram observações práticas que serão
capazes de concluir essa tarefa de forma objetiva, elucidando questionamentos que normal-
mente afligem o pesquisador na realização dessa tarefa.
Além disso, faz-se necessário uma consulta também muito esclarecedora às informa-
ções e documentações da Associação Brasileira de Normas e Técnicas de Pesquisa, pois
pode ser, e muito provavelmente será, necessário elucidar outras questões práticas que
surgirem especificamente de acordo com a demanda de cada trabalho.
O que foi feito aqui foram apenas apontamentos que tinham como objetivo tornar mais
coerente e coesa a tarefa de redigir tanto o projeto de TCC quanto o próprio ARTIGO CIEN-
TÍFICO, o TCC em si, além de desmistificar o mesmo como sendo algo árduo e impossível ao
pesquisador, que normalmente o vê como um “castigo” de final do curso. Para eles, desejo
que façam bom proveito.

capítulo 4 • 143
ATIVIDADE
1- Podemos conceituar o resumo como um texto que se limita a condensar o conteúdo de
um livro, de um capítulo, de um filme, de uma peça de teatro ou de um espetáculo, sem qual-
quer crítica ou julgamento de valor.
Trata-se de um texto informativo, pois o objetivo principal é informar o leitor. Partindo dessa
afirmação, podemos dizer que: I. O resumo é um texto reduzido e exato. II. Em um resumo,
consta a ideia do autor e a crítica de quem resume. III. O resumo é um texto em que o leitor
pode saber, de forma concisa, o conteúdo do artigo, livro etc. IV. Para bem fazer entender o
leitor, um resumo deve conter comentários ou avaliações.

A) II e IV estão corretas.
B) I e II estão corretas.
C) I e III estão corretas.
D) II e III estão corretas.
E) Todas as afirmações estão corretas.

2- Todo trabalho científico organiza-se na forma de elementos pré-textuais, textuais e pós-


-textuais. Identifique, a seguir, o elemento pré-textual.

A) Desenvolvimento
B) Resumo
C) Introdução
D) Referências
E) Conclusão

3- A produção científica na universidade tem como objetivo o exercício da nossa capacidade


de pensar e discernir direcionada para análises de ambientes, dados e situações diversas, o
que exige procedimentos intelectuais e técnicos. (GIL, 1991) No procedimento técnico, está
incluída a pesquisa acadêmica, cujo objetivo é construir:

A) Um conhecimento ingênuo, simples, preciso, verificável e eficaz da realidade.


B) Um conhecimento empírico verificável que interfira de forma indireta na realidade.
C) Um conhecimento inteligível, complexo, preciso, definitivo e aplicável à realidade.
D) Um conhecimento informal que interfira nas teorias preexistentes.
E) Um conhecimento inteligível, simples, preciso, verificável e eficaz na realidade.

capítulo 4 • 144
4- Ao elaborar um trabalho acadêmico ou científico, uma parte importantíssima pode ser atri-
buída às Referências. Elas são utilizadas para dar fundamentação ao trabalho desenvolvido.
Considerando a definição de Referência, assinale a opção correta acerca da sua estrutura:

A) Elementos essenciais e elementos complementares são as partes que compõem a referência.


B) A estrutura da referência está formada por elementos essenciais e por elementos alternativos.
C) A referência está dividida em três partes: a parte pré-textual, textual e pós-textual.
D) A junção dos elementos complementares com a dos elementos facultativos descreve a
composição da referência.
E) A referência está dividida em duas partes: a parte que abriga o título da obra e a parte que
define os autores da obra, conforme observado na aula.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
___________________. Associação Brasileira de Normas e Técnicas. Informação e documentação
- Referências - elaboração: NBR6023. São Paulo: ABNT, 2002.
___________________. Associação Brasileira de Normas e Técnicas. Informação e documentação
- Referências - elaboração: NBR6029. São Paulo: ABNT, 2006.
ANDRADE, M. M. de et al. Introdução à metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 1999.
BARROS, A. J. da S.; LEHFELD, N. A. de S. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo:
Pearson, 2007. v. 2.
CERVO, A.; BERVIAN, P. A. Metodologia científica. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.
LAVILLE, C.; DIONNE, J. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em ciências
humanas. Belo Horizonte: Artmed, 1999.
LEITE, E. de O. A Monografia Jurídica. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001.
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez, 2007.
TOMASI, C.; MEDEIROS, J. B. Comunicação científica: normas técnicas para redação científica. São
Paulo: Atlas, 2000.
VIANA, I. O. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: EPU, 2001.

capítulo 4 • 145
capítulo 4 • 146
5
Formatação de
conteúdo, citações
e referências
Formatação de conteúdo, citações e referências

Introdução

Conversamos sobre a necessidade de termos normas que formalizem os tra-


balhos científicos como um todo. Assim, a estrutura de um trabalho de pesquisa
também estará submetida a essa lógica. Há regramentos tanto para o tipo de folha
a ser usado quanto para a disposição de certas palavras no decorrer do texto.
Portanto, serão apresentados neste capítulo modelos e modos de formatação
de conteúdos, de citações e de referências.

OBJETIVOS
•  Apresentar ao leitor a formatação correta de um trabalho de pesquisa;
•  Refletir sobre a necessidade de uma formatação direcionada;
•  Conhecer as normas da ABNT.

Formato do papel

O papel a ser utilizado para a realização de qualquer trabalho acadêmico será


papel branco ou papel reciclado claro, formato A4 (21 cm x 29,7 cm), com texto
digitado em tinta preta. Algumas instituições permitem a reprodução do conteú-
do no anverso (frente) e no verso do papel. A NBR 14274-2011 deixa em aberto
essa possiblidade.

Margens

A ideia da margem é permitir o melhor encadernamento do trabalho a ser


desenvolvido; assim, a mesma possuirá 3 cm nas margens superior e esquerda e 2
cm nas margens inferior e direita.

capítulo 5 • 148
Fontes de digitação

As fontes mais escolhidas pelas Instituições de Ensino são Arial e Times News
Roman. Certo é que a fonte do seu trabalho precisa ser única, não sendo viável se
colocar, por exemplo, em todo o texto uma fonte, e nas tabelas ou nos títulos ou
subtítulos utilizar-se de outras.
É necessário que se tome cuidado com a formatação dos tamanhos das fontes.
Nesse caso, há tamanhos diferentes para situações diferentes:

99 12 (doze) para a digitação do texto;


99 10 (dez) para o caso de citações diretas com mais de 3 linhas, paginação,
legendas de tabelas e ilustrações, assim como nota de rodapé;
99 14 (quatorze) para titulação de seções.

As seções são progressivas de acordo com a NBR 6024-2003, em que o texto


subdivide-se em seções, sendo elas formatadas conforme tabela abaixo:

SEÇÃO PRIMÁRIA SEÇÃO SECUNDÁRIA SEÇÃO TERCIÁRIA


2.1.1 Mudança do papel
2.1 CONCEITO
2. DIREITO DE FAMÍLIA social dos integrantes
DE FAMÍLIA
da família

capítulo 5 • 149
Espaçamento

Utilizam-se dois tipos de espaçamento entre os parágrafos do texto:


Simples ou 1,0: As citações diretas longas, o resumo, as referências, as notas de
rodapé, as legendas das ilustrações e tabelas;
1,5: No decorrer do texto, quando não em situações como a descrita acima.
É necessário se colocar no espaçamento de 1,5 também um espaçamento “de-
pois do parágrafo” de 12 pontos (12 pt).
Atenção: Os títulos das seções e subseções devem ser separados do texto por
dois "enter". O título da seção seguinte deve ser separado do texto da seção ante-
rior por três “enter”.

Estrutura

A contagem das páginas dar-se-á a partir da folha de rosto; as folhas de traba-


lho devem ser contadas sequencialmente, mas não numeradas.
A NBR 15287:2011, que versa sobre a estrutura do Projeto de Pesquisa, afir-
ma que há uma parte interna e uma parte externa do projeto, constituindo-se da
seguinte forma:
•  parte externa: capa e Lombada (ambas elementos opcionais)

A capa possui a seguinte ordem:

a) nome da entidade para a qual deve ser submetido, quando solicitado


(fonte 12, negrito, caixa alta);
b) nome(s) do(s) autor(es) (fonte 12, negrito, caixa alta);
c) título (fonte 14, negrito, caixa alta);
d) subtítulo: se houver, deve ser precedido de dois pontos, evidenciando a sua
subordinação ao título (fonte 14, negrito, letra minúscula);
e) local (cidade) da entidade onde deve ser apresentado, em que, no caso de
cidades homônimas, se recomenda o acréscimo da sigla da unidade da Federação
(fonte 12, negrito, caixa alta);
f ) ano de depósito ou da entrega (fonte 12, negrito, caixa alta).

capítulo 5 • 150
A lombada é mais utilizada em trabalhos de TCC, Dissertação e Teses, quan-
do os mesmos são encadernados em brochuras de capa dura. Abaixo, eis o modelo
da mesma na vertical para compreensão.

Cidade
TÍTULO DO TCC Autor do Trabalho SIGLA (2 CM)
2017 (3 CM)

•  parte interna: é dividida em elementos pré-textuais, elementos textuais e


elementos póstextuais.

a) elementos pré-textuais: Folha de Rosto, Lista de Ilustrações, Lista de


Tabelas, Lista de Abreviaturas e Siglas, Lista de Símbolos e Sumário.

É importante afirmar que, dos elementos acima apresentados, apenas a Folha


de Rosto e o Sumário são obrigatórios, sendo que o sumário foi trabalhado no
capitulo anterior deste material didático. Abaixo, o modelo de Folha de Rosto.

capítulo 5 • 151
•  Lista de Ilustrações (opcional)
Ilustrações são desenhos, esquemas, fluxogramas, fotografias, gráficos, mapas,
organogramas, plantas, quadros, retratos e outros.
A lista dever ser elaborada de acordo com a ordem que aparece no texto. Utiliza-
se a seguinte descrição, conforme exemplo apresentado pela NBR 15287:2011.
Ex.: Quadro 1 – Valores aceitáveis de erro técnico de medição relativo para
antropometristas iniciantes e experientes no Estado de São Paulo.
•  Lista de tabelas (opcional)
Elaborada de acordo com a ordem apresentada no texto, com cada item de-
signado por seu nome específico, acompanhado do respectivo número da folha ou
página. (ABNT, 2011, p. 5)
Ex.: Tabela 1 – Perfil socioeconômico da população entrevistada no período
de julho de 2009 a abril de 2010.

capítulo 5 • 152
•  Lista de abreviaturas e siglas (opcional)
Consiste na relação alfabética das abreviaturas e siglas utilizadas no texto segui-
das das palavras ou expressões correspondentes grafadas por extenso. Recomenda-
se a elaboração de lista própria para cada tipo. (ABNT, 2011, p. 5)
Ex.:
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas
Fil. Filosofia
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
INMETRO Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial
•  Lista de Abreviaturas (opcional)
Elaborada de acordo com a ordem apresentada no texto, com o devido signi-
ficado. (ABNT, 2011, p. 6)
Ex.:
dab Distância euclidiana
O(n) Ordem de um algoritmo

b) Elementos textuais: tais elementos foram trabalhados no capítulo anterior,


em que informamos que o mesmo deve ser constituído por uma introdução na
qual devem constar o tema, o problema, a hipótese, quando couber, objetivo e
a justificativa. Terão que constar também o referencial teórico, a metodologia,
assim como os recursos e o cronograma necessários à sua consecução.

c) Elementos pós-textuais: Referência, Glossário, Apêndice e Anexo.


Aqui vamos trabalhar os quatro últimos, pois teremos um item apenas para o
conhecimento da produção da referência.

•  Glossário (opcional)
De acordo com o Dicionário Online Significados (acesso em: 30 mar. 2017), tra-
ta-se de “dicionário de palavras de sentido obscuro ou pouco conhecido; elucidário”.
O mesmo deverá ser disposto em ordem alfabética e não em ordem de apre-
sentação das palavras no texto.
•  Apêndice (opcional)
O apêndice é usado para apresentar textos elaborados pelo próprio autor.
Indicado por letras consecutivas do alfabeto antes do título.

capítulo 5 • 153
•  Anexo (opcional)
Nesse caso, o texto não é de autoria do autor, e sim de terceiros. Utilizamos
no Direito de forma recorrente os Anexos para apresentar jurisprudências volup-
tuosas, pareceres de grande teor, gráficos, tabelas e questionários que não foram
dispostos dentro do projeto ou do trabalho de pesquisa.

capítulo 5 • 154
Paginação

A contagem das páginas dar-se-á a partir da folha de rosto; as folhas de traba-


lho devem ser contadas sequencialmente, mas não numeradas. Apenas a partir da
introdução será apresentada a numeração da página, sendo que a mesma deve estar
a 2 cm da borda superior da folha, com fonte 10.

Recuo

O recuo durante o texto é opcional, porém, quando houver a escolha por


fazê-lo, o mesmo precisa ser de um TAB apenas. Todavia, existe outro recuo obri-
gatório: citação direta com mais de três linhas. Mas vamos entender primeiro o
que é citação.

Citação

Falamos em diversos capítulos deste material didático da necessidade de se


dar o devido crédito àqueles que o pesquisador estudar para formular suas ideias.
Assim, no Capítulo 3 deste material, falamos sobre a questão do plágio em um
exemplo de citação. Vamos agora nos aprofundar no tema.
A norma da ABNT indica dois sistemas de chamada ou citação:
Autor, data ou alfabético: no texto;
Numérico: nota de rodapé.
Explanaremos sobre o primeiro inicialmente, pois é o mais utilizado na pro-
dução de projetos de pesquisa e TCC pelas Instituições de Ensino Superior.

Sistema Autor, Data ou Alfabético

De acordo com a NBR:10520, o texto citado será acompanhado do registro


do sobrenome do autor, ou da instituição responsável pela obra, ou do título (essa
sequência só ocorrerá quando houver a ausência do anterior, ou seja, no caso da
ausência do sobrenome do autor, utiliza-se o nome da instituição responsável), se-
guido da data de publicação do documento e paginação. Vejamos como isso se dá.
As referidas normas da ABNT afirmam que existem dois tipos de citações:
indireta e direta.

capítulo 5 • 155
A citação indireta é aquela que o pesquisador lê um ou mais conteúdos, inter-
preta e escreve no papel aquilo que ele entendeu sobre o assunto.
Exemplo: o pesquisador leu o seguinte texto: “O princípio da igualdade de-
termina que seja dado tratamento igual aos que se encontram em situação equi-
valente e que sejam tratados de maneira desigual os desiguais, na medida de suas
desigualdades. Ele obriga tanto o legislador quanto ao aplicador da lei ( igualdade
na lei e igualdade perante a lei)”.
O texto acima faz parte do livro Direito Constitucional Descomplicado, de
Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino, publicado no ano de 2014, constando a
referida frase na página 110 do livro.
O pesquisador pode, então, compreender o seguinte:
O princípio da igualdade que se encontra disposto na Constituição Federal
não pode ser lido de maneira simplista. Vicente de Paulo e Marcelo Alexandrino
(2014) refletem a necessidade de se observar as desigualdades dentro da igualdade,
em que só podem ser tratados igualmente aqueles que realmente são iguais entre
si, e ainda relatam que essa concepção deve limitar a ação tanto do Legislativo, na
produção das leis, quanto do Judiciário, na aplicação delas.
Perceba que o pesquisador não copiou o texto, e sim o compreendeu e o
apresentou com suas palavras. Todavia, ele, o pesquisador, não deixa de louvar os
doutrinadores que ensinaram o que aprendeu – e, assim, os cita.
No caso de realizarmos a leitura de dois ou mais textos e construirmos um
novo texto com os mesmos, a citação indireta será realizada da seguinte forma:
(COELHO, 2013; PAULO, ALEXANDRINO, 2014). O que o exemplo nos
demonstra é que, para a construção do parágrafo, foram usados dois textos dife-
rentes. O pesquisador pode utilizar-se de quantos textos forem necessários para
construir o seu entendimento: só precisa citá-los.
A citação direta é aquela em que o pesquisador lê o conteúdo de um texto,
acredita que o mesmo é relevante da maneira que está e o copia ipsis litteris, ou
seja, da mesma maneira que esta no texto, sem modificar inclusive eventuais erros
gramaticais ou de pontuação. Trata-se de uma paráfrase ou condensação.
Ex: “Pelo disposto na Lei de Duplicatas, portanto, o comerciante estava obri-
gado a emitir fatura sempre que se tratasse de venda a prazo, sendo-lhe facultada
a emissão desta nas vendas não a prazo”.
O texto acima faz parte do livro Manual de Direito Comercial: Direito das
empresas, do autor Fabio Ulhoa Coelho, publicado no ano de 2013, constando a
referida frase na página 329 do livro.

capítulo 5 • 156
Na citação direta, podemos utilizar a frase acima exemplificada da seguinte forma.
Ex.: Ao se estudar a duplicata mercantil, percebe-se que a mesma, no decor-
rer do tempo, sofre algumas modificações em função do interesse político fiscal.
Fabio Ulhoa Coelho informa que, “pelo disposto na Lei de Duplicatas, portanto,
o comerciante estava obrigado a emitir fatura sempre que se tratasse de venda a
prazo, sendo-lhe facultada a emissão dessa nas vendas não a prazo”. (2013, p. 329)
Percebeu que a citação direta está disposta no corpo do texto do pesquisador?
Sem tirar nem pôr nenhuma informação! Há uma exceção a isso: quando a citação
direta possuir mais de três linhas, é necessário que o pesquisador realize um recuo
de 4,0 cm à direita do texto, não sendo necessário aqui a colocação de aspas, pois
o próprio recuo demonstra que se trata de citação direta. Veja o exemplo abaixo:
Para os adolescentes, poderão ser aplicadas, além das medidas socioeducativas,
as medidas protetivas previstas no art. 101, I a VI, do ECRIAD. (inciso VII do art.
112, ECA) A doutrinadora Dupret entende que:

Faz-se necessário distinguir as medidas protetivas das medidas


socioeducativas. As medidas protetivas podem ser aplicadas tanto
à criança quanto ao adolescente que se encontre em situação de
risco. Já as medidas socioeducativas se restringem à situação de
risco prevista no artigo 98, III, quando é o adolescente que se coloca
nessa condição em razão de sua própria conduta, pela prática de ato
infracional. (DUPRET, 2010, p. 171)

Perceba também outra diferença: quando falamos de citação indireta, o for-


mato de citação apresenta autor, data; porém, no caso de citação direta, é neces-
sário se informar autor, data e página. Sendo que, no caso de citação na qual
constam o autor e a data entre parênteses, como no caso acima, o nome do mesmo
sempre será em letra maiúscula, e no caso do autor estar compondo a lógica do
parágrafo, como no caso de Vicente de Paulo e Marcelo Alexandrino, o nome será
com letra minúscula.
Há ainda a possiblidade de citação de citação, ou seja, quando o pesquisa-
dor lê um texto em que Fulano cita Beltrano e deseja citar o ultimo também.
Por exemplo, se o Vicente de Paulo e Marcelo Alexandrino citarem o Fábio
Ulhoa Coelho e o pesquisador desejar utilizar o texto do Ulhoa. O que o pes-
quisador utilizará para identificar essa citação de citação é o termo conhecido

capítulo 5 • 157
como APUD, que nada mais é do que “citado por”. Assim, no exemplo dado,
a citação ficará desta forma: Fábio Ulhoa Coelho apud Vicente de Paulo e
Marcelo Alexandrino (2014). Caso seja uma citação direta, será incluída a
página após o ano.

ATENÇÃO
É preciso que o pesquisador entenda dois pontos cruciais quanto à citação direta e à
citação da citação:
•  A citação direta não pode servir como “muleta” na produção científica, ou seja, a mesma
deve ser apresentada para corroborar ou para intensificar algo que já foi trabalhado pelo
pesquisador. Há uma preguiça de se produzir citações indiretas, pois as mesmas obrigam
o pesquisador a refletir sobre o que foi lido. Assim, cuidado! Verificar se a citação direta é
realmente necessária faz com o texto do pesquisador tenha mais a sua cara e não seja um
mero Ctrl C x Ctrl V;
•  As citações de citações só serão bem-vindas no texto se a “cópia" for de difícil acesso!
Se, por exemplo, o Vicente de Paulo e o Marcelo Alexandrino (2014) citarem o Pedro Lenza
(2014), é necessário que se busque o texto original, pois o mesmo é de fácil acesso e pode
trazer mais informações do que as citações apresentadas pelos primeiros autores.

Caso se deseje utilizar apenas parte do texto lido em citação direta, é


necessário usar:
a) supressões: [...];
b) interpolações, acréscimos ou comentários: [ ];
c) ênfase ou destaque: grifo ou negrito ou itálico.

A supressão é muito utilizada quando da citação direta de leis. Por exemplo,


o pesquisador quer citar o inciso LX do artigo 5 da Constituição Federal de 1988:

Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

capítulo 5 • 158
[…]
LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da
intimidade ou o interesse social o exigirem. (BRASIL, 1988)

Aproveitando que foi feita citação de lei, devemos aqui deixar claro que a
citação da mesma, quando for lei federal, será o país de sua jurisdição; no caso de
lei estadual, o Estado; e assim por diante, todos seguidos do ano de promulgação.
Já no caso de projeto de lei, a citação será da casa que propôs o projeto, seguido
do ano de sua propositura. A mesma lógica se aplica aos órgãos governamentais.
Há ainda outras formas de citação que dependerão da fonte na qual o pesqui-
sador obteve a informação.

a) Citação de informação obtida por meio de canais informais (Debates,


palestras, entrevistas, anotações de aula e outras)
É importante frisar que essas informações somente poderão ser utilizadas se
for possível a sua comprovação. Em caso positivo, deverão ser informados autor,
forma de comunicação, local e data.
Ex.: Franco, em palestra ministrada na Unidade da Faculdade Estácio de
Vitória-ES em 10 de abril de 2017, afirmou que o Direito vai além da lei […].

b) Citação de documento online


É preciso se ter atenção quanto aos documentos online, pois a norma da
ABNT ainda não determina ao certo como realizá-lo. Assim, para fazê-lo, utiliza-
mos de duas formas:
1- O pesquisador deve verificar se o texto que está lendo na internet identifica
o autor e o ano de postagem do mesmo; se sim, usamos o sistema autor e data,
em que, no caso de citação direta, não teremos a página;
2- Outra forma é apresentar no corpo da citação, além do autor e data, a ex-
pressão "acesso em" seguida da data de acesso ao documento.
Em ambos os casos, no momento em que o pesquisador realizar a referência,
deverá apresentar a data de acesso também.
No caso de se utilizar jornais, blogs e outros que estejam dispostos na internet,
é necessário se lembrar da primeira orientação dada sobre o sistema autor, data
ou alfabético: caso não haja o nome do autor, será utilizado o nome da instituição
ou o título. Então, se o pesquisador foi no site UOL e vai utilizar uma matéria em

capítulo 5 • 159
que não há identificação do autor, a citação ficará: (UOL, 2017) ou (UOL, acesso
em: 30 mar. 2017).
Abaixo, segue a tabela de abreviações de acordo com as normas da ABNT:

TABELA DE ABREVIAÇÕES DE MÊS ABNT

JANEIRO jan.

FEVEREIRO fev.

MARÇO mar.

ABRIL abr.

MAIO maio.

JUNHO jun.

JULHO jul.

AGOSTO ago.

SETEMBRO set.

OUTUBRO out.

NOVEMBRO nov.

DEZEMBRO dez.

capítulo 5 • 160
c) Uso de várias obras do mesmo autor com o mesmo ano
Quando se utiliza mais de uma obra do autor, porém ambas possuem o mes-
mo ano de publicação:
Ex.: Mello (2008a) e (2008b) ou (MELLO, 2008a) (MELLO 2008b).

d) Obras com diversos autores


A forma de citação dependerá do número de autores.
Quando tivermos até três autores no mesmo artigo, o pesquisador terá de citar
todos, seguido do ANO e PÁGINA (no caso de citação direta apenas).
Ex.: Mello, Silva e Franco (2017) afirmam quem… ou (MELLO; SILVA;
FRANCO, 2017)
Todavia, no caso de mais de três autores, é necessário se usar a expressão et al.
Ex.: Silva et al. (2016) discorrem que ... ou (SILVA et al., 2016).

e) Citação de jurisprudência
Primeiramente, devemos deixar claro que toda jurisprudência apresentada ne-
cessita de ementa. Quanto à citação em si, deverão ser colocadas necessariamente
na citação as informações nesta ordem: Número do Processo, Nome da Corte (ou
órgão do Judiciário competente), partes envolvidas (se houver acesso), nome do
relator, data de julgamento e data de publicação.

HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO


ADOLESCENTE. RETARDO MENTAL LEVE. TRATAMENTO PSIQUIÁTRICO.
NECESSIDADE. MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE INTERNAÇÃO. CARÁTER
MERAMENTE RETRIBUTIVO. ILEGALIDADE. ORDEM CONCEDIDA. 1. Nos termos
do § 1º do art. 112 do ECA, a imposição de medida socioeducativa deverá considerar
a capacidade de seu cumprimento pelo adolescente no caso concreto. 2. O paciente
não possui capacidade mental para assimilar a medida socioeducativa, que, uma vez
aplicada, reveste-se de caráter retributivo, o que é incompatível com os objetivos do
ECA. 3. Ordem concedida para determinar que o paciente seja inserido na medida
socioeducativa de liberdade assistida associada ao acompanhamento ambulatorial
psiquiátrico, psicopedagógico e familiar. (HC88.043, TJ/SP,MINISTRO RELATOR: Og
Fernandes, DJ: 14.04.2009, DP 04.05.2009)

capítulo 5 • 161
As citações de jurisprudência seguem a mesma lógica das citações diretas, salvo
em caso de Jurismetria: elas somente são utilizadas para reforçar um conteúdo que
já esteja sendo debatido pelo pesquisador no texto, não podendo servir de muleta.
Há de se ter o cuidado de não utilizar jurisprudências que ocupem grande parte
da página. O bom senso no mundo acadêmico nos diz que, se uma jurisprudência
ocupar mais de 1/4 de uma página, é melhor que ela seja apresentada em anexo.

Sistema Numérico

O sistema é menos utilizado no projeto e no TCC, mas amplamente utilizado


em dissertações e teses de doutoramento. A Instituição de Ensino Superior deter-
mina na maioria das vezes qual o sistema deve ser utilizado pelo aluno, mas, de
qualquer modo, quando se utiliza um não se pode utilizar o outro.
No referido sistema, é feita uma indicação em numeração única e consecutiva,
em algarismos arábicos que poderão ser encontrados ou na lista de referência ao
final do trabalho, ou no próprio capítulo, e/ou sua parte. A numeração é apresen-
tada na mesma ordem em que a citação aparece no texto
Veja o exemplo dado pela NBR 10520:2002:
Ex.:
Diz Rui Barbosa: "Tudo é viver, previvendo.” (15)
Diz Rui Barbosa: "Tudo é viver, previvendo."15
A descrição do sistema numérico se dá na maioria das vezes em nota de rodapé.
Conforme exemplo abaixo:
Ex.:
______________
1 MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia
científica. São Paulo: Atlas, 2007.
Perceba que a nota de rodapé traz a referência completa da obra estudada, po-
rém isso só acontece uma vez no decorrer do texto; após, indica-se apenas o sobre-
nome do autor, seguido do título da obra ou artigo e do número da página citada.

ATENÇÃO
Se houver notas explicativas de rodapé, o sistema numérico não poderá ser usado.

capítulo 5 • 162
Há algumas expressões latinas que poderão auxiliar o pesquisador, principal-
mente aquele que escolhe pelo sistema numérico, evitando repetições constantes
de fontes citadas anteriormente.

PALAVRAS LATINAS USUAIS E SEUS SIGNIFICADOS

PALAVRAS SIGNIFICADOS

Ibidem ou Ibid na mesma obra

Op. Cit obra citada

Idem ou Id do mesmo autor

Loc. Cit no lugar citado

Et al. ou Et alii e outros

Ed. cit. obra com mais de uma edição

Inf. ou infra abaixo, infracitado

Supra acima ou supracitado

Et seq. seguinte ou que se segue

Ad. tempora citação feita de memória

Passim aqui e ali

capítulo 5 • 163
Apud Citado por, obra citada de acordo com

Cf. Conferir ou confrontar

Sic. estava assim mesmo no original

Notas de rodapé

As notas de rodapé, como trabalhamos acima, podem ser utilizadas no sistema


numérico, assim como na inclusão de nota explicativa ou ainda nota de citação.
As notas de rodapé devem ser digitadas dentro das margens, ficando separadas
do texto por um espaço simples de entrelinhas e por um filete a partir da margem
esquerda. As mesmas são alinhadas, a partir da segunda linha da mesma nota,
abaixo da primeira letra da primeira palavra, de forma a destacar o expoente, sem
espaço entre elas e com fonte menor.
Ex:
_________________
1 Veja-se como exemplo desse tipo de abordagem o estudo de Netzer (1976).
2 Encontramos esse tipo de perspectiva na 2ª parte do verbete referido na nota
anterior em grande parte do estudo de Rahner (1962).
As notas explicativas são utilizadas de forma constante para evidenciar con-
teúdos que, no texto, se apresentariam de forma complexa ou descontextualizada.
Abaixo, o exemplo dado pela própria NBR 10520:2002:
Ex.:
No texto:
O comportamento liminar correspondente à adolescência vem se constituin-
do numa das conquistas universais, como está, por exemplo, expresso no Estatuto
da Criança e do Adolescente.1
No rodapé da página:
_________________
1 Se a tendência à universalização das representações sobre a periodização dos
ciclos de vida desrespeita a especificidade dos valores culturais de vários grupos,

capítulo 5 • 164
ela é condição para a constituição de adesões e grupos de pressão integrados à
moralização de tais formas de inserção de crianças e de jovens.
No caso de citação em nota de rodapé, a mesma sempre deverá vir entre
aspas, mesmo que possua mais de três linhas e seja uma citação direta.

Referências

Trabalhamos com afinco no Capítulo 3 deste material didático quanto à ne-


cessidade de o pesquisador sempre indicar as obras e as fontes que foram utilizadas
para a construção do trabalho de pesquisa.
As fontes podem ser classificadas em primárias, secundárias e terciárias, de-
pendendo da sua originalidade e sua proximidade com a fonte original.

TABELA DE EXEMPLOS DE FONTES PRIMÁRIAS, SECUNDÁRIAS E TERCIÁRIAS

PRIMÁRIA SECUNDÁRIA TERCIÁRIA

Anais de Congressos, •  Bases de dados e ban- •  Bibliografias (também


conferências e simpósios cos de dados podem ser secundárias)

•  Legislação •  Bibliografias e índices •  Serviços de indexação


(também podem ser e resumos
terciárias)

•  Nomes e marcas •  Biografias •  Catálogos coletivos


comerciais

•  Normas técnicas •  Catálogos de •  Guias de literatura


bibliotecas

•  Patentes •  Centros de pesquisa •  Bibliografias de


e laboratórios bibliografias
•  Dicionários e enciclo-
pédias (também podem
ser terciárias)

capítulo 5 • 165
•  Periódicos •  Dissertações ou teses •  Bibliotecas e Centros
(geralmente primárias) de Informação

•  Projetos de Pesquisa •  Dicionários bilíngues e


em andamento multilingues

•  Relatórios técnicos •  Feiras e exposições

•  Teses e dissertações
(também podem ser •  Filmes e vídeos
secundários)

•  Traduções •  Fontes históricas

•  Artigos periódicos
científicos reportando
•  Livros
resultados de pesquisa
experimental

•  Conjuntos de dados,
como estatísticas •  Manuais
do censo

•  Trabalhos de literatura •  Museus, arquivos e


(poemas e ficções) coleções científicas

•  Diários •  Siglas e abreviaturas

•  Tabelas, unidades de
•  Autobiografias
medidas e estatísticas

•  Cartas e
•  Comentários
correspondências

capítulo 5 • 166
•  Discursos •  Publicações secundá-
rias as bibliografias

•  Artigos de jornal (tam- •  Publicações ou perió-


bém podem dicos de indexação
ser secundários) e resumos

•  Documentos •  Artigos de revisão


governamentais

•  Fotografias e trabalhos
de arte

•  Documentos originais
(como certificado
de nascimento)

•  Comunicações via
Internet (e-mail, listas
de discussões)

Tabela 5.1  –  (Fonte adaptada: https://goo.gl/sgpEjJ)

No decorrer do trabalho, nós apresentamos a forma com a qual associamos o


conteúdo descrito e pesquisado no decorrer do texto: Citação.
Porém não é possível saber exatamente de qual obra estamos falando e como
encontrá-la se não tivermos mais informações sobre as mesmas; para isso, ao final
do trabalho de pesquisa, é necessária a elaboração de referências.
A norma da ABNT que versa sobre as referências é NBR 6023:2002.
Na elaboração da mesma, é possível encontrarmos a autoria do doutrinador,
pensador ou entidade; o título do texto lido; a edição observada (haja vista uma
mesma obra possuir diferentes edições no decorrer do tempo); o local de publica-
ção (extremamente importante, pois nos demonstra a produção de conhecimento
de uma regionalidade); a editora; o ano de publicação; e as páginas que foram
lidas. Na era da internet, ainda podemos identificar o local de acesso (link) e a

capítulo 5 • 167
data de acesso (haja vista que, como a internet é mutável, um dia o link pode estar
lá, e no outro não).
Cada um desses itens serão trabalhados separadamente e depois unificados
para a produção da referência como um todo.

Autoria

Se, no decorrer do texto, utilizamos o sobrenome do autor na citação, então


nas referências não poderia ser diferente, até porque a ideia é que o leitor possa ler
o texto observando a citação e, caso deseje, dirja-se à referência.
Assim sendo, a primeiro informação dada na referência será o sobrenome do
autor, em letras maiúsculas, seguido de vírgula e o prenome do mesmo, abreviado
ou não. No caso de não abreviação, o restante do nome será em letras minúsculas.
Ex: MELLO, Satina Priscila Marcondes Pimenta….ou MELLO, S. P. M. P.
No caso de até três autores, seguiremos a mesma lógica; todavia, os nomes
serão separados por ponto evírgula (;), e o primeiro sobrenome será do autor pri-
meiramente indicado na obra.
Ex: MELLO, Satina Priscila Marcondes Pimenta; PIMENTA, Rodrigo Mello
de Moraes; FRANCO, Fabiana Campos.
Foi ensinado também na citação que podemos nos utilizar do termo em latim
et al quando da existência de mais de três autores em uma obra. A mesma técnica
pode ser realizada na referência.
No caso de ausência de autoria ou responsabilidade desconhecida, será
utilizada como primeira palavra na referência a também primeira palavra do título
em letra maiúscula, seguida do restante do mesmo em letra minúscula.
Há ainda a possiblidade de utilizarmos mais de uma obra do mesmo autor
ou, ainda, do mesmo órgão; quando isso acontecer, pode-se, a partir da segunda
referência, substituir o prenome por um travessão de cinco (5) espaços. No Direito,
utilizamos muitas leis e dados de órgãos governamentais; como descrito anterior-
mente, para identificá-los citamos a jurisdição onde a mesma foi promulgada.
Ex.: BRASIL. Código Civil. 46. ed. São Paulo: Saraiva, 1995.
_____. Medida provisória no 1.569-9, de 11 de dezembro de 1997. Diário
Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 14
dez. 1997. Seção 1, p. 295.

capítulo 5 • 168
Título

Após a identificação da autoria, é necessário indicar o título da obra pes-


quisada. A sua escrita é normal, porém, se o mesmo for composto também por
subtítulo, a esse deverá preceder o sinal de dois pontos.

Edição

Nem sempre a obra pesquisada terá indicado o número da edição, porém, caso
o tenha, ele deverá constar na referência, em algarismos arábicos, seguido de ponto
e da abreviatura da palavra “edição” (ed.).

Local

Quando se fala de local de publicação, a norma está se remetendo à cidade


na qual a obra foi publicada. O mesmo deverá ser apresentado no idioma da pu-
blicação; então, se a cidade apresentada na publicação é New York, não se poderá
traduzir para Nova Iorque.
No caso de cidades homônimas, será necessária a identificação do Estado da mesma.
E, no caso de não se conseguir identificar o local de publicação, o pesquisador
poderá utilizar-se da expressão Sine Loco ou sua abreviação, [S.I]

Editora

Não é passível de modificação o nome da editora, devendo o mesmo ser des-


crito da mesma forma que aparece na obra, seguido de dois pontos e espaço.
No caso de editoras com nomes próprios, a identificação será realizada a partir
do prenome com iniciais em letras maiúsculas, seguida de ponto.
Quando a editora não é identificada, deve-se indicar a expressão sine nomine
abreviada, entre colchetes: [s.n.].

Data (Ano da Publicação)

Caso não seja possível obter a data da publicação, podem ser utilizadas as datas
de distribuição, copyright ou impressão. E se ainda assim não for possível, deverá
se registrar a data aproximada entre colchetes:

capítulo 5 • 169
Ex.:
[1981?] ou [197-]
No caso de apresentação de duas obras de um mesmo autor, será apresentada
primeiramente a obra mais antiga.

Páginas e Folhas

Podemos utilizar duas formas a identificação da paginação. No caso da refe-


rência de obra completa, deve-se indicar o número total de páginas, seguido da
abreviatura “p”.
Ex.: ... Vitória: Estácio, 2010. 156 p.
Porém, quando se utiliza apenas parte da publicação, deve-se sempre indicar
as páginas inicial e final.
Ex.: ... Vitória: Estácio, 2010. p. 22-36.

Formatação de Referências

As referências deverão ser escritas alinhadas à esquerda e digitadas utilizando


espaço simples entre as linhas, mas, entre uma referência e outra, deve-se adotar
o espaço duplo.
As referências serão apresentadas em ordem alfabética, no caso do sistema
autor, data, e não de acordo com a ordem em que aparecem no texto: isso só
ocorrerá em sequência quando da escolha do sistema numérico.

Exemplos de Referências

Todos os exemplos que seguem foram retirados da NBR 6023:2002 que versa
sobre a Informação e documentação - Referências - Elaboração.

Documentos Impressos

Livros

SOBRENOME DO AUTOR, Prenomes. Título da obra: subtítulo. Edição (se


houver). Local: editora, ano. Páginas (opcional).

capítulo 5 • 170
Ex: SILVA, D.; MURAD, J. A. Bioquímica. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara,
2006. 356 p. SOUZA, J. L. et al. Agricultura orgânica: Tecnologias para a pro-
dução de alimentos saudáveis. Vitória: INCAPER, 2005. 256 p.

Capítulo de Livro

Autor(es), título da parte, seguidos da expressão “In:” e da referência completa


do livro. No final da referência, deve-se informar a paginação ou outra forma de
individualizar a parte referenciada.
Ex: SILVA, D.; MURAD, J. A. Bioquímica da célula. In: TEIXEIRA, J.
B.; MURAD, J. A. Bioquímica. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 2006. p.
325-336.

Livro ainda no prelo (in press):

Ex.: BELLACK, A.S.; BENNETT, M.E.; GEARON, J.S. Behavioral


treatment for substance abuse in people with serious and persistent
mental illness: a handbook for mental health professionals. New York:
Routledge, 2007. (Forthcoming).

Artigo de periódico

Sobrenome do autor do artigo, Prenome(s). Título do artigo. Título do


periódico, local de publicação, número do volume [v.] (ou ano), fascículo ou nú-
mero [n.], página inicial e final do artigo, ano de publicação.
Ex: YOU, C. H.; LEE, K. Y. Electrogastrographic study of patients with unex-
plained nausea, bloating and vomiting. Gastroenterology, Philadelphia, v. 79, n.
5, p. 311-314, 1980.

Artigo de periódico ainda no prelo

Ex: LOUDON, R. P.; SILVER, L. D.; YEE, H. F. Jr.; GALLO, G. RhoA-


kinase and myosin II are required for the maintenance of growth cone polarity
and guidance by nerve growth factor. J. Neurobiol. Forthcoming, 2006.

capítulo 5 • 171
Artigo de jornal

Incluem comunicações, editoriais, entrevistas, recensões, reportagens,


resenhas e outros.
Sobrenome do autor, Prenomes. Título do artigo. Título do jornal, local de
publicação, data de publicação. Seção, caderno, paginação correspondente.
Quando não houver seção, caderno ou parte, a paginação da matéria precede
a data.
Ex.: NAVES, P. Lagos andinos dão banho de beleza. Folha de São Paulo, São
Paulo, 28 jun. 1999. Folha Turismo, Caderno 8, p. 13.
Ex.: PAIVA, Anabela. Trincheira musical: músico dá lições de cidadania em
forma de samba para crianças e adolescentes. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, p.
2, 12 jan. 2002.

Trabalho acadêmico

Incluem os TCCs, monografias, dissertações e teses (tipo de trabalho) e o grau


do trabalho (graduação, especialização, mestrado ou doutorado).
SOBRENOME DO AUTOR, Nomes. Título: subtítulo (se houver). Tipo de
trabalho (tese, monografia ou trabalho acadêmico) (grau e área de concentração) –
Unidade de Ensino, Instituição onde foi apresentado, Local e ano de defesa.
Ex.: TRAJMAN, A. Estudo das células produtoras de IgA e IgM da mu-
cosa jejual em 52 pacientes infectados pelo HIV: alterações qualitativas e
quantitativas. Dissertação (Mestrado em Gastrologia) – Faculdade de Medicina,
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1992. 63 p.

Legislação

Inclui legislação, jurisprudência (decisões judiciais) e doutrina (interpretação


dos textos legais).
Local de jurisdição (ou cabeçalho da entidade, no caso de se tratar de nor-
mas). Título ou Indicação da espécie, número e data da publicação. Ementa.
Dados da publicação. No caso de Constituições e suas emendas, entre o nome
da jurisdição e o título, acrescenta-se a palavra Constituição, seguida do ano de
promulgação entre parênteses.
Ex.: BRASIL. Código civil. 46. ed. São Paulo: Saraiva, 1995.

capítulo 5 • 172
BRASIL. Medida provisória no 1.569-9, de 11 de dezembro de 1997. Diário
Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 14
dez. 1997. Seção 1, p. 295.
BRASIL. Decreto-lei nº 2.423, de 7 de abril de 1988. Estabelece crité-
rios para pagamento de gratificações e vantagens pecuniárias aos titulares de
cargos e empregos na Administração Federal direta e autárquica e dá outras
providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, v.
126, n. 66, p. 6009, 8 abr. 1988.
BRASIL. Congresso. Senado. Resolução n.o 17, de 1991. Coleção de Leis da
República Federativa do Brasil, Brasília, DF, v. 183, p. 1156-1157, maio/jun. 1991.
SÃO PAULO (Estado). Decreto no 42.822, de 20 de janeiro de 1998. Dispõe
sobre a desativação de unidades administrativas de órgãos da administração direta
e das autarquias do Estado e dá providências correlatas. Lex: coletânea de legisla-
ção e jurisprudência, São Paulo, v. 62, n. 3, p. 217-220, 1998.
SÃO PAULO (Estado). Decreto nº 42.822, de 20 de janeiro de 1998. Lex:
coletânea de legislação e jurisprudência, São Paulo, v. 62, n. 3, p. 217-220, 1998.

Jurisprudência (Decisões judiciais)

LOCAL DE JURISDIÇÃO. Nome da corte (ou órgão judiciário com-


petente). Título (natureza da decisão ou ementa). Tipo e número do recur-
so. Partes envolvidas (se houver). Relator: nome. Local da publicação, Data.
Dados da publicação.
Ex: BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula nº 14. In: ______. Súmulas.
São Paulo: Associação dos Advogados do Brasil, 1994. p. 16.
Ex: BRASIL. Tribunal Regional Federal (5ª Região). Apelação cível no 42.441-
PE (94.05.01629-6). Apelante: Edilemos Mamede dos Santos e outros. Apelada:
Escola Técnica Federal de Pernambuco. Relator: Juiz Nereu Santos. Recife, 4 de
março de 1997. Lex: jurisprudência do STJ e Tribunais Regionais Federais, São
Paulo, v. 10, n. 103, p. 558-562, mar. 1998.

Trabalho publicado em evento

AUTOR(ES), título do trabalho apresentado, seguido da expressão In:, nome


do evento (letras maiúsculas), numeração do evento (se houver), ano e local (cida-
de) de realização, título do documento em negrito (anais, atas, tópico temático

capítulo 5 • 173
etc.), local (precedido de ...), editora, data de publicação e página inicial e final da
parte referenciada.
Ex: BRAYNER, A. R. A.; MEDEIROS, C. B. Incorporação do tempo em
SGBD orientado a objetos. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE BANCO DE
DADOS, 1994, São Paulo. Anais... São Paulo: USP, 1994. p.16-29.
Ex: MARTIN NETO, L.; BAYER, C.; MIELNICZUK, J. Alterações qualita-
tivas da matéria orgânica e os fatores determinantes da sua estabilidade num solo
podzólico vermelho-escuro em diferentes sistemas de manejo. In: CONGRESSO
BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO, 26, 1997, Rio de Janeiro. Resumos...
Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 1997. p. 443, ref. 6-141.

Documentos em meios eletrônicos

CD-ROM e DVD

SOBRENOME DO AUTOR, Prenomes. Título da obra: subtítulo (se hou-


ver). In: Título da obra principal. Local: editora, data. CD-ROM. Sistema
Operacional. Notas adicionais (se forem necessárias).
Ex: OLIVEIRA, Olga Maria Boschi Aguiar de. Monografia jurídica: orientações
metodológicas para o trabalho de conclusão de curso. In: UniSíntese: a evolução no
estudo do direito. Porto Alegre: Síntese, 1999. 1 CD-ROM. Windows 3.1.

Imagem em movimento

Incluem filmes, videocassetes, DVD, entre outros.


Título, diretor, produtor, local, produtora, data e especificação do suporte em
unidades físicas. Quando necessário, acrescentam-se elementos complementares à
referência para melhor identificar o documento.
Ex.: OS PERIGOS do uso de tóxicos. Produção de Jorge Ramos de Andrade.
São Paulo: CERAVI, 1983. 1 videocassete.
Ex.: OS PERIGOS do uso de tóxicos. Produção de Jorge Ramos de Andrade.
Coordenação de Maria Izabel Azevedo. São Paulo: CERAVI, 1983. 1 videocassete
(30 min), VHS, son., color.
Ex: CENTRAL do Brasil. Direção: Walter Salles Júnior. Produção: Martire de
Clermont- Tonnerre e Arthur Cohn. Intérpretes: Fernanda Montenegro; Marilia
Pera; Vinicius de Oliveira; Sônia Lira; Othon Bastos; Matheus Nachtergaele e

capítulo 5 • 174
outros. Roteiro: Marcos Bernstein, João Emanuel Carneiro e Walter Salles Júnior.
[S.l.]: Le Studio Canal; Riofilme; MACT Productions, 1998. 1 bobina cinemato-
gráfica (106 min), son., color., 35 mm.

Documento iconográfico

Inclui pintura, gravura, ilustração, fotografia, desenho técnico, diapositivo,


diafilme, material estereográfico, transparência, cartaz, entre outros.
Autor, título (quando não existir, deve-se atribuir uma denominação ou a
indicação Sem título entre colchetes), data e especificação do suporte. Quando
necessário, acrescentam-se elementos complementares à referência para melhor
identificar o documento.
Ex: KOBAYASHI, K. Doença dos xavantes. 1980. 1 fotografia.
Ex: KOBAYASHI, K. Doença dos xavantes. 1980. 1 fotografia, color.,
16 cm x 56 cm.
Ex.: O DESCOBRIMENTO do Brasil. Fotografia de Carmem Souza.
Gravação de Marcos Lourenço. São Paulo: CERAVI, 1985. 31 diapositivos, color.
+ 1 cassete sonoro (15 min), mono.

Documento cartográfico

Inclui atlas, mapa, globo, fotografia aérea, entre outros. As referências devem obede-
cer aos padrões indicados para outros tipos de documentos quando isso for necessário.
Autor(es), título, local, editora, data de publicação, designação específica e escala.
Ex.: BRASIL e parte da América do Sul: mapa político, escolar, rodoviário,
turístico e regional. São Paulo: Michalany, 1981. 1 mapa, color., 79 cm x 95 cm.
Escala 1:600.000.
Ex.: INSTITUTO GEOGRÁFICO E CARTOGRÁFICO (São Paulo,
SP). Regiões de governo do Estado de São Paulo. São Paulo, 1994. 1 atlas.
Escala 1:2.000.

Documento Online (Web)

SOBRENOME DO AUTOR, Prenomes. Título do documento : subtítu-


lo (se houver). Título do trabalho [site] no qual está inserido, Local [quando

capítulo 5 • 175
disponível], mês e ano da última atualização [quando disponível]. Disponível em:
<endereço URL completo>. Acesso em: data.
Ex.: FIGUEIRA, José Evaristo. O direito adquirido e o mundo jurídico.
Mapa Jurídico, jan. 2000. Disponível em: https://goo.gl/42pd29. Acesso em: 25
jun. 1998.
No caso de periódicos online, as referências devem obedecer aos padrões indi-
cados para artigo impresso, acrescidas das informações relativas à descrição física
do meio eletrônico.

Jornal

Ex.: SILVA, Ives Gandra da. Pena de morte para o nascituro. O Estado de
São Paulo, São Paulo, 19 set. 1998. Disponível em: https://goo.gl/rYtgh2. Acesso
em: 19 set. 1998.
Ex.: ARRANJO tributário. Diário do Nordeste Online, Fortaleza, 27 nov.
1998. Disponível em: https://goo.gl/4wcnhT. Acesso em: 28 nov. 1998.

Livros e relatórios

Ex.: BRASIL. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde.


Leishmaniose visceral grave: normas e condutas. Brasília (DF): Ministério da
Saúde, 2006. 60 p. (Série A. Normas e Manuais Técnicos). Disponível em:
https://goo.gl/OTFszN. Acesso em: 03 jun. 2008.

Documentos em anais/eventos

Ex: SILVA, R. N.; OLIVEIRA, R. Os limites pedagógicos do paradigma da


qualidade total na educação. In: CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA
DA UFPE, 4., 1996, Recife. Anais eletrônicos... Recife: UFPE, 1996. Disponível
em: https://goo.gl/no6Atq. Acesso em: 21 jan. 1997.

Documento jurídico

BRASIL. Lei no 9.887, de 7 de dezembro de 1999. Altera a legislação tribu-


tária federal. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 8
dez. 1999. Disponível em: https://goo.gl/iAAGip. Acesso em: 22 dez. 1999.

capítulo 5 • 176
Mensagem eletrônica pessoal

SOBRENOME DO REMETENTE, prenomes. Título do assunto ou men-


sagem [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por <endereço eletrônico do des-
tinatário> em data.
Ex: SILVA, Gustavo. Princípios de microbiologia [mensagem pessoal].
Mensagem recebida por fulano@gmail.com em: 10 jan. 2009.

Entrevista não publicada

NOME DO ENTREVISTADO, prenomes. Conteúdo da entrevista e/ou


especificação do entrevistado. Estado. Cidade, data.
Ex.: COSTA, H. Entrevista concedida pelo Chefe do Laboratório do
Instituto Paulista. São Paulo. Campinas, 2008.

Filme

TÍTULO. Diretor. Produtor. Local: Produtora, data. Especificação do suporte.


Ex.: OS PERIGOS do uso de tóxicos. Produção de Jorge Ramos de Andrade.
São Paulo: CERAVI, 1983. vídeo VHS.

RESUMO
O presente capítulo traz ao pesquisador as formatações necessárias para a realização
de um trabalho de pesquisa, sendo ele focado na elaboração do projeto de pesquisa, haja
vista que o material didático em questão trata dessa fase do processo de produção de co-
nhecimento. Foram assim abordadas neste material desde a formatação de uma página até
a produção de referências bibliográficas.

ATIVIDADE
1 - Citação direta é a transcrição textual de parte da obra do autor consultado. A ABNT apre-
senta mais dois tipos de citação. Assinale a opção correta:

A) Citação indireta e citação cruzada.


B) Citação relativa e citação indireta.

capítulo 5 • 177
C) Citação indireta e citação da citação.
D) Citação indireta e citação corrente.
E) Citação da citação e citação inversa.

2 - Os elementos essenciais e complementares da referência devem ser corretamente inse-


ridos na seguinte sequência pela ABNT:

A) Sobrenome, prenome. Título. Cidade: Editora, ano. (página na hipótese da citação direta)
B) Sobrenome, prenome. Título. Edição. Editora, ano. (página na hipótese da citação direta)
C) Prenome. Título. Edição. Cidade: Editora, ano. (página na hipótese da citação direta)
D) Sobrenome, prenome. Título. Edição. Editora: Cidade, ano. (página na hipótese da citação direta)
E) Sobrenome, prenome. Título. Edição. Cidade: Editora, ano. (página na hipótese da
citação direta)

3 - É correto afirmar, acerca de uma citação direta longa, segundo a NBR 10520/2002
da ABNT:

A) Visa a fundamentar a escrita do autor e deve ser formatada com destaque de 4 cm da


margem esquerda, espaço simples, entre outros.
B) Representa uma transcrição literal que tenha até o máximo de 3 linhas.
C) Deve ser formatada em fonte 10 e com espaçamento 1/5 entrelinhas.
D) Na transcrição, deve-se formatá-la com 4 cm da margem direita.
E) O destaque a ser dado deve ser entre aspas, seguido da chamada do autor, ano e página.

4 - A citação de citação pode ser definida como a:

A) omissão da citação sem alterar o sentido do texto.


B) transcrição das ideias de um autor usando suas próprias palavras.
C) citação de um texto a que tivemos acesso a partir de outro documento.
D) transcrição literal de parágrafo usando exatamente as palavras usadas pelo autor do
trabalho consultado.
E) transcrição textual de parte da obra do autor consultado.

5 - Observe o texto:

Korman (1968, citado por PASQUALI et al., 1981), afirma que outra variável que tem impor-
tância especial como característica de personalidade é a autoestima, isto é, a extensão em

capítulo 5 • 178
que o indivíduo se percebe como competente, capaz e que pode prover a satisfação de suas
necessidades. Pode-se dizer que no exemplo houve:

A) citação direta até 3 linhas.


B) citação de citação.
C) citação indireta.
D) citação direta longa.
E) citação com supressão.

6 - Identifique o conceito para nota de rodapé:

A) relação de fontes que é lida, porém não se citou no projeto.


B) elaboração de um modelo visando à explicação de uma realidade.
C) informação colocada no final da página com o objetivo de complementação.
D) é uma parte representativa de um todo.
E) é uma citação de citação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
_______________. Associação Brasileira de Normas e Técnicas. Disponível em: https://goo.gl/5gvQik.
Acesso em: 16 abr. 2017.
_______________. Associação Brasileira de Normas e Técnicas. NBR 6023: informação e
documentação – referências – elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2002a.
_______________. Associação Brasileira de Normas e Técnicas. NBR 10520: informação e
documentação – citações em documentos – apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2002b.
_______________. Associação Brasileira de Normas e Técnicas. NBR 14724: informação e
documentação – apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2002c.
_______________. Associação Brasileira de Normas e Técnicas. NBR 15287: informação e
documentação – apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2006.

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ANOTAÇÕES

capítulo 5 • 180
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capítulo 5 • 181
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capítulo 5 • 182
ANOTAÇÕES

capítulo 5 • 183
ANOTAÇÕES

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