A RAZÃO POR QUE SE FEZ ESTE LIVRO
O jornalista A N T Ó N I O FEIO, sonhou um dia, arquivar em livro, a vida dos Pioneiros
portugueses, espalhados pelos cinco continentes, e m u i t o principalmente, nos territórios de Á f r i c a .
Nada havia arquivado até agora, que nos falasse deles. Arquivados, somente os feitos militares,
mas quanto aos Pioneiros, os principais obreiros das grandes realidades actuais, no campo da
colonização, tudo se ia perdendo com o rodar dos anos . . .
A N T Ó N I O FEIO entendia, e m u i t o justamente, que se historiasse a vida desses Pionei-
ros, em todos os seus sectores, que pudesse vir a servir de estímulo para os vindouros, e t a m -
bém, para não deixar cair no olvido o nome e a obra desses bravos portugueses!
Assim pensando, decidiu que cada Província tivesse o seu volume, e a obra chamar-se-ia
«0 LIVRO DE OURO DO M U N D O PORTUGUÊS», seguido do nome da Província a que se
referisse o volume.
Este sonho que A N T Ó N I O FEIO t a n t o desejava concretizar, exigia alguém, que tivesse
interesse em realizá-lo, fosse jornalista e conhecesse um pouco de Á f r i c a , e se dedicasse, por
largo tempo, ao trabalho de pesquisa, indispensável em tal caso, levando anos a sua confecção.
Um dia, fui à Redacção do seu j o r n a l — o semanário « A C T U A L I D A D E S » — p o r motivo
de colaboração f u t u r a . Nesse dia tivemos uma larga troca de impressões sobre trabalho, e eu
pedi a A N T Ó N I O FEIO, que me mandasse em serviço para qualquer ponto longe de Lisboa.
É então que surge a sua proposta para ser eu a fazer «O LIVRO DE OURO DO M U N D O
PORTUGUÊS», por etapas. A c e i t e i , pondo apenas uma condição : iniciar esses livros começando
por Moçambique, pois desejava imenso voltar à Província onde já estivera a trabalhar, onde
deixara amigos, e tinha saudades de tudo voltar a ver : lugares e pessoas! A minha condição
foi aceite, e pronto passei aos indispensáveis preparativos, partindo para Moçambique logo que
fosse possível. Em M a i o de 1964 chegava a Lourenço Marques com o f i m de iniciar os trabalhos.
Percorri toda a Província, de Lourenço Marques a Porto A m é l i a , pesquisando, contactando,
observando, no que gastei quase dois anos!
Em meados de Fevereiro de 1965, encontrava-me na Redacção do « N O T Í C I A S » — q u e
era o meu quartel-general de trabalho — quando sou surpreendida por uma terrível notícia,
trazida pelo Manuel Pombal, que me d i z : — «Lena, tenho uma notícia m u i t o triste para lhe
dar! M o r r e u , às portas de Paris, num grave acidente de viação, o jornalista A n t ó n i o Feio!» Tal
notícia deu-me um grande choque, e pensei com mágoa, que os seus olhos já não veriam as
terras de Á f r i c a , que ele t a n t o desejava conhecer, nem veria editar a obra que ele havia so-
nhado! No meu coração, porém, estava escrita a promessa de cumprir, custasse o que custasse!
Meses depois, regressei a Lisboa, onde me surgiram mil um problemas, que a sua morte
inesperada, me acarretou! Mas eu estava empenhada em cumprir! Cumprir perante a sua me-
mória e a gente de Moçambique, que sempre me tratara com t a n t o carinho e amizade, e o
meu desejo, de com esta modesta obra, poder contribuir para um mais profundo conhecimento
da vida dos que, espalhados por esta vasta Província, têm lutado e labutado para a tornar fértil
e civilizada!
Este trabalho não está tão completo como desejaria, mas razões alheias à minha vontade
assim o determinaram, pois nem todas as pessoas com quem contactei acederam a dar a sua
colaboração, outros ainda, por qualquer impossibilidade no momento próprio. Espero que me
relevem essas falhas, pois tudo fiz para que resultasse num trabalho honesto e sério.
Não interessa agora evocar os muitos prejuízos que tal encargo me acarretou, nem as
arrelias sofridas para levar a cabo esta obra. Apenas interessa que a tenha feito.
Neste momento, em que escrevo estas palavras, sinto uma grande satisfação por ver a
minha promessa, f i n a l m e n t e , cumprida! A m i n h a palavra dada a A N T Ó N I O FEIO e ao povo
de Moçambique, cumpriu-se!
— 3 —
UM AGRADECIMENTO
A q u i desejo formular e deixar expresso o reconhecimento e agradecimento, extensivo a
todos quantos me a j u d a r a m , por qualquer f o r m a , a levar a bom termo este trabalho.
Às entidades oficiais — de que menciono as p r i n c i p a i s — : o Comandante Peixoto Cor-
reia, então M i n i s t r o do U l t r a m a r ; à Força Aérea Portuguesa; à DETA, que generosamente
me transportou através desta imensa Província, numa colaboração altamente valiosa; aos meus
camaradas jornalistas, que me deram elementos e muita assistência; ao jornal « N O T Í C I A S »
e a todos quantos lá trabalhavam nesse tempo pela excelente a j u d a ; aos repórteres f o t o g r á -
ficos Carlos A l b e r t o , Ludgero Bispo, A r m i n d o Afonso, Silva, que deram a sua colaboração gra-
t u i t a ; aos meus camaradas de «O J O R N A L PORTUGUÊS», de Toronto (Canadá), onde uma
parte deste livro foi f e i t a ; e a todos quantos em Moçambique me deram a sua prestimosa
colaboração. Para todos vai o meu agradecimento e a minha gratidão! Sem ela eu nada
poderia ter feito. Bem h a j a m !
A todos quantos tenham contribuído para o engrandecimento desta parcela da terra
portuguesa — M O Ç A M B I Q U E — a minha homenagem sincera, a quem dedico este poema.
MARIA HELENA BRAMÃO
— 4 —
"ÁFRICA"
África . . .
Terra descoberta nos confins dos mares
por Homens que não t i n h a m medo!
África : : :
com Docas apinhadas de navios
que despejam gente cheia de esperanças . . .
e de sonhos!
África : : :
com urbes
que se erguem altaneiras e vigorosas,
criadas pela força e tenacidade
do homem branco!
África . . .
obra do homem civilizado,
arrojado . . .
que deu ao M u n d o novos Mundos,
cultivando o trigo onde só havia capim . . .
África : : :
lugar da terra
onde o Sol brilha com mais fulgor,
com noites de luar branco . . .
e poentes de fogo . . .
incendiando as almas!
África . . .
terra de permanente chamada ao Sonho
e à Aventura . . .
numa mistura de etéreo e de real,
de anseios e de lutas!
África . . .
com seu «segredo-feitiço»,
que se entranha . . . nos corações
e cria raízes . . .
África . . .
de beleza ímpar,
promissora de fecundidades e grandezas,
— pedra rara que os portugueses burilaram
com sua a l m a e sangue!
Homem branco, meu irmão,
que por um sonho todo Ideal
ergueste e construíste um Pedestal,
— qual símbolo heróico —
e nele ficarás perpetuado!
A terra virgem, agreste e bela,
fecundaste com o teu labor,
e t u d o lhe ofertaste :
o Sonho . . . a Vida . . . o A m o r !
—5 —
GOVERNADOR-GERAL DE MOÇAMBIQUE
ALGUMAS NOTAS BIOGRÁFICAS
DR. BALTAZAR REBELLO DE SOUZA
O Dr. Baltazar Rebello de Souza é licenciado em Medicina e Cirurgia pela Universidade de
Lisboa, possuindo os cursos superiores de Medicina Sanitária e Medicina Tropical.
Figura das mais representativas da sua geração, foi dos primeiros filiados da Mocidade
Portuguesa, organização em que ingressou logo após ter sido criada, em 1936, e onde exerceu
grande actividade, tendo ascendido, sucessivamente, a todos os postos da hierarquia de gra-
duado e dirigente.
Ao cumprir o serviço m i l i t a r , nas fileiras do Exército, no Batalhão de Caçadores 5, foi
louvado, por ter "revelado qualidades que constituem a estrutura das virtudes militares e o clas-
sificam como um oficial com que se pode contar e como homem que, pelo seu aprumo, pode ser
apontado como exemplo".
i
—6—
•
Quando estudante, tomou também parte na actividade de vários organismos da juven-
tude católica, e foi secretário-geral da Associação dos Escuteiros de Portugal e comandante do
Centro Universitário de Lisboa da M O C I D A D E ^ PORTUGUESA.
Em 22 de Julho de 1955, assumiu o alto cargo de subsecretário de Estado da Educação,
no qual permaneceu cerca de seis anos, e em que revelou excepcionais qualidades de orienta-
dor e políticas, mais tarde novamente afirmadas no desempenho de outras importantes f u n -
ções, nomeadamente como vice-presidente, em exercício, do Conselho U l t r a m a r i n o , lugar que
actualmente ocupava.
Deputado à Assembleia Nacional em várias legislaturas, o Dr. Baltazar Rebello de Souza
foi também secretário do sr. prof. Marcello Caetano, quando este ilustre homem público serviu
no Governo como M i n i s t r o do Ultramar.
Especialmente identificado com os problemas das pronvíncias ultramarinas, que por diver-
sas vezes visitou, o Dr. Rebello de Souza é autor de numerosos trabalhos, na sua maior parte
consagrados a questões de educação e cultura popular.
Instituidor com o Dr. João Havelange (da Confederação Brasileira de Desportos) dos Jogos
Desportivos Luso-Brasileiros, chefiou as delegações portuguesas aos 2.0S Jogos e ao II Congresso
Luso-Brasileiro de Educação Física, no Brasil, em 1964, tendo visitado o Brasil pouco antes de
ser nomeado para o cargo de Governador-Geral de Moçambique, onde proferiu uma importante
conferência na sessão realizada no salão nobre do Ginásio Clube Português, do Rio de Janeiro,
enquadrada nas comemorações do Dia de Portugal.
Publicou vários trabalhos, entre os quais, "A QUESTÃO F U N D A M E N T A L " , "A RELIGIÃO
E A V I D A " , " F Ó R M U L A S E CRITÉRIOS DA C U L T U R A POPULAR", " C H A M A DA M O C I -
D A D E " e o " A M O R PLENITUDE DA L E I " .
Entre outras condecorações, o Dr. Baltazar Rebello de Souza possui a grã-cruz da Ordem
do Infante D. Henrique, e os grandes oficialatos das Ordens de Cristo, da Instrução Pública,
do Cruzeiro do Sul e de Cisneros.
O Doutor Baltazar Rebello de Souza chegou a Moçambique em 23 de Julho de 1968, para
iniciar o seu mandato de Governador-Geral, lugar que ocupou até Janeiro de 1970, a l t u r a em
que foi nomeado M i n i s t r o das Corporações e Previdência Social e da Saúde e Assistência.
O seu governo caracterizou-se por uma notável acção de realizações, em todos os sectores
da vida moçambicana, sobre os quais se debruçou com devotado carinho e interesse, não esque-
cendo a A r t e nas suas diversas formas, fomentando certames artísticos, espectáculos c u l t u -
rais, promovendo reuniões para intercâmbio social entre artistas, a que o Governador se
associava, presidindo com sua Esposa, que no capítulo da promoção social e benemerência igual-
mente desenvolveu notável actividade!
Também o património histórico-artístico da Província não foi esquecido pelo Doutor Re-
bello de Souza, promovendo restauros e beneficiações.
Era um Governador que se dava por inteiro à tarefa de governar e fazer progredir! Sua
Esposa, a Senhora Dona M a r i a das Neves, seguia, em cópia f i e l , a acção de seu marido. Por
isso, Moçambique sentiu, simultaneamente, alegria e tristeza, quando recebeu a notícia de que.
o seu Governador fora nomeado M i n i s t r o do Governo Central. É que o Doutor Baltazar Re-
bello de Souza ganhara o coração e estima da gente que governava, sem distinção de classes.
Foi apoteótica a sua p a r t i d a , em que o povo de Lourenço Marques e Beira lhe proporcio-
naram uma despedida inesquecível, tão grande e calorosa f o i !
Tais provas de consideração e apreço, de que foi alvo, j u n t a m e n t e com sua Esposa, devem
tê-los sensibilizado profundamente! Moçambique também o recordará como tendo sido, até ao
presente, um dos seus mais notáveis governantes!
PRESIDENTE DA CAMARÁ MUNICIPAL
DE LOURENÇO MARQUES
ENG.° EMÍLIO EUGÉNIO DE OLIVEIRA MERTENS
O actual Presidente da Câmara M u n i c i p a l de Lourenço Marques, é uma individualidade
que tem m u i t o da sua actividade profissional indelevelmente ligada à Província de Moçambique
— nomeadamente à obra do Limpopo — região a que se devotou com todo o seu entusiasmo e
saber, ajudando-a a desbravar!
A l g u é m disse, referindo-se ao Eng.° Emílio Mertens, que «ele era um dos homens obreiros
do Limpopo». Efectivamente assim é, pois c o n t r i b u i u , poderosamente, não só com os seus conhe-
cimentos profissionais, mas também ,com devotado interesse e carinho por essa obra de povoa-
mento, e que é hoje, a imagem do que o homem pode fazer, quando a vontade é f i r m e : a obra
do Vale do Limpopo! A ela ficará ligado o seu nome, j u n t a m e n t e com outros prestigiosos.
E agora que estas palavras surgiram em primeiro plano na sua biografia, à laia de
« i n t r ó i t o » , vamos iniciar uma retrospectiva.
igualmente tem desempenhado variadíssimas missões especiais. o cargo de Presidente da Junta Provincial de Povoamento de Moçam- bique. Iniciou os seus estudos universitários na Universidade de Coimbra. por certo que. se associa ao surto de desenvolvimento que se processa por toda a Província. vindo a concluí-los na Universidade de Lisboa. A 10 de Fevereiro de 1969 é designado para exercer. é contratado para prestar serviço como Adjunto do Chefe da Brigada Técnica de Fomento e Povoamento do Limpopo. nele se podendo depositar grandes esperanças. realizado em Julho de 1968. dentro e fora do país. em 1943. vindo em seguida. e por vezes. tendo tomado posse em seguida. de espectáculos no recinto da Câmara — criação de novas secções. ocupando. Dado o crescimento constante de Lourenço Marques. criteriosa e dedicada como conduziu esses trabalhos. A t é ao presente. tendentes a assegurar uma maior eficiência nos seus serviços. nomeado para a Comissão Coordenadora Portuguesa do Congresso Sul-Africano para o avanço das Ciências. Em Março de 1953. e inteligente critério seguido pelo Pre- sidente da Câmara. Quem ajudou — com «pioneiro» espírito de sacrifício a desbravar terras moçambicanas — não deixará.0 Emílio Mertens. m u i t o virá a beneficiar a cidade. que assim. O Eng. Em Outubro de 1967 foi nomeado para desempenhar. de que destacamos algumas das mais recentes. o Eng. prestando serviço na Junta Autónoma das Obras de Hidráulica Agrícola. 0 Emílio Mertens. nasceu nos arredores de Lisboa. g r a t u i t a . das quais tem sido incumbido oficialmente. tão complexos problemas! Por tudo quanto já foi dito em referência à personalidade do Eng. a 20 de Fevereiro. em Salisbúria. vários cargos. debruçando-se sobre os seus variados. Em 1968 chefiou a Delegação Portuguesa à reunião da «SARCCUS». por «na qualidade de membro da Comissão dos Rios Internacionais de Moçambique. em Setembro de 1963. foi nomeado Inspec- tor Provincial dos Serviços Geográficos e Cadastrais da Província de Moçambique. ou ainda pelo bom desempenho de missões fora do país. com igual interesse e carinho a esta nova missão de dirigir e governar o Município lourenço-marquino. por «ter exer- cido o cargo com m u i t a dedicação. passou a exercer. Algumas inovações já s u r g i r a m . pela forma inteligente. Ao dinamismo. visão exacta do tempo presente. em Engenheiro Geógrafo e em Ciências Matemáticas." Emílio Eugénio de Oliveira Mertens. as funções de Engenheiro Chefe. para Moçambique. em comissão de Serviço. de que recebeu louvor. o de Secretário do Subsecretário de Estado do U l t r a m a r . na mesma Brigada. como por exemplo. sucessivamente. o cargo de Presidente da Câmara M u n i c i p a l de Lourenço Marques. t a m b é m . O Eng. Em 17 de Dezembro de 1953. zelo e competência». . tudo leva a supor que melhor escolha não poderia ter sido f e i t a . impunha-se ter à frente do município alguém capaz de corresponder a esse progresso de se devotar a ele. tendo tomado posse em 26 de Fevereiro de 1968. em comissão de serviço. Dez anos depois. de se dedicar. 0 Emílio Mertens. zelo e competência técnica». tendo tomado posse em Novembro de 1963. entre eles. entre elas no capítulo c u l t u r a l — a apre- sentação. o Eng. a cargo da referida comissão». em Algés. 0 Emílio Mertens teve numerosos louvores. Também durante o ano de 1968 foi o Presidente da Sociedade de Estudos de Moçambique. sempre por «muita dedicação. formando-se simultaneamente. A sua vida pública começou na Metrópole.
Iniciou.° João Fernandes Delgado foi nomeado Inspector Provincial dos Serviços Geográficos e Cadastrais de Moçambique. a figura de relevo do Eng. na Suíça. e dado o grande desenvolvimento da capital da Província. possui o curso de Fotogronometria. sendo t a m b é m . Angola e Guiné. tendo-se licenciado em Ciências M a t e m á t i c a s . sempre desempenhando com competência e zelo os cargos de que era incumbido. Precisamente porque é o primeiro a exercer tal cargo quisemos arquivar neste livro. desde 1942. traçando em resumo a sua biografia. em V i l a Real de Santo A n t ó n i o . a sua carreira pública. tendo estado em Moçambique. É instrutor de Topografia M i l i t a r Aplicada do Serviço Geográfico do Exército. muito jovem. Em 1963. tendo colaborado nas I e II Jornadas de Engenharia do U l t r a m a r . o primeiro Vice-Presidente agora nomeado.° João Fernandes Delgado nasceu na Metrópole. Além destes.° João Fernandes Delgado. em 1965 e 1969. tirado na Escola Politécnica Federal de Zurique. em 1937. e terminando o curso de Engenheiro Geógrafo. — 10 — . reali- zadas em Lourenço Marques e Luanda. O Eng. lugar que tem desempenhado até à actualidade. acaba de ser criado o lugar de Vice-Presidente. em 1938. VICE-PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE LOURENÇO MARQUES JOÃO FERNANDES DELGADO Pela primeira vez. em missões de serviço pelo U l t r a m a r . com as classificações de «Bom». na Universidade de Lisboa. respectivamente. o Eng. o Presidente da Sociedade de Estudos de Moçambique.
principalmente. pela maneira franca e aberta com que os portugueses recebem as suas visitas. pelas especialidades gastronómicas de cada um dos seus restaurantes. Lourenço Marques é um j a r d i m multiplicado por mil jardins. constituem uma zona turística de invulgar interesse. quase na foz de três rios que desaguam na Baía do Espírito Santo — o Tembe. E. pela excelência dos nossos vinhos. que põem manchas de verdura à beira dos passeios e p u r i f i c a m o ar que se respira. LOURENÇO MARQUES «A capital da Província. onde a municipalidade mandou construir as tão conhecidas «palhotas maticas» que servem de residência de férias aos turistas. o Umbelúzi e o M a p u t o . de perfume. é-o pela amenidade do seu clima. Um aspecto parcial da cidade Cidade-jardim. em espectáculos públicos de que o «bull-fight» é o maior cartaz de propaganda. porque Lourenço Marques tem um padrão de vida diferente e é uma cidade limpa. é-o pelo seu palmar à beira da Baía. pelos passeios na Baía e pela pesca desportiva. é-o pelos divertimentos que pode oferecer ao estrangeiro. entre todas as cidades portuguesas. É-o. É-o por virtude da sua famosa praia da Pólvora. As suas águas são de temperatura m u i t o agradável. sem a frieza do mar que ali se j u n t a com as correntes dos rios mencionados. Seja sob que prisma se pretenda olhar a sempre jovem e bela Xilunugíne.» — 11 — . Lourenço Marques. de aspecto próprio. é-o pelas provas de vela e pelos desafios de futebol ou pelos combates de boxe. a verdade é que Lourenço Marques. assim classificaram os próprios visitantes a capital moçambicana. pela beleza da própria cidade. é a mais arrojada na concepção urbanística e a mais florida que o génio lusitano criou. é-o pela categoria dos seus cinemas. e os seus arredores. diferentes uns dos outros mas todos igualmente maravilhosos do cor. real- mente.
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os Laboratórios de Física. foi inaugurada a Residência Universitária «Alferes Dr. foram solenemente inaugurados a 8 de Novembro de 1963. Química e Ciências. ESTUDOS GERAÍS UNIVERSITÁRIOS DE MOÇAMBIQUE Alocução do Governador-Geral. Tal criação m u i t o veio contribuir para o desenvolvimento da cultura na Província. . Almirante Sarmento Rodrigues Os Estudos Gerais Universitários de M o ç a m b i q u e . A 19 de Novembro de 1963 foi solenemente inaugurado. A i n d a em 1963. foram inaugurados em A b r i l de 1964. a ]0 de Novembro. anexo aos Estudos Gerais U n i - versitários. Os Estudos Gerais iniciaram os seus trabalhos com os seguintes Cursos: CIÊNCIAS — M E - D I C I N A E CIRURGIA — E N G E N H A R I A C I V I L — E N G E N H A R I A DE M I N A S — E N G E N H A R I A M E C Â N I C A — E N G E N H A R I A ELECTROTÉCNICA — E L E C T R Ó N I C A — V E T E R I N Á R I A E AGRO- NOMIA. portanto um mês depois da solene inauguração dos Estudos Gerais Universitários. José Car- los Godinho Ferreira de A l m e i d a » . A m p l i a n d o sempre e melhorando as condições de ensino. o Centro de Estudos Humanísticos.
T. 0 carácter informal dominará t a n t o o conjunto como as construções. — 19 . técnicos. e da maior capacidade de ajustamento ao sentido da evolução que o f u t u r o exige de uma Universidade. e seus familiares. Alocução do Magnífico Reitor. o M a g n í f i c o Reitor dos Estudos Gerais Universitários de Moçambique.T. delimitado de acordo com a Câmara Municipal e constituída pela parcela actualmente ocupada pelo Centro de Tele- comunicações dos C. O Professor Doutor José Veiga Simão. e por uma área adjacente a esta. Prof. na pro- cura do máximo de eficiência no tempo presente. 0 conjunto das Instalações Universitárias foi concebido plenamente integrado no tecido urbano e social da cidade para estímulo de contacto constante e fecundo entre todos os seus habitantes e a população universitária. é desde o início. No plano das próprias instalações está implícito o desejo de promover e fomentar o con- vido diário intenso entre a população escolar e os docentes. assumirão um forte sentido funcional e racionalmente económico. que dispersas no parque Botânico. Doutor José Veiga Simão A FUTURA CIDADE UNIVERSITÁRIA As Instalações Universitárias que se projectam erguer na Cidade de Lourenço Marques virão ocupar uma área de terreno situado na zona de Sommerschieid.
INSTALAÇÕES A C A D É M I C A S — Comportando locais para recreio. 60 por cento dos estudantes e do pessoal docente. I N S T I T U T O SUPERIOR DE A G R O N O M I A E S I L V I C U L T U R A — Com os seus diversos depar- tamentos e laboratórios. dan- do-se prioridade absoluta às edificações docentes. Botânica e Mineralogia. estão previstas instalações para os seguintes serviços: FACULDADE DE CIÊNCIAS — Com os seus Institutos de M a t e m á t i c a . desporto e actividades culturais. Em virtude de actualmente serem os Institutos mais deficientemente instalados. esperando-se que o primeiro a estar concluído seja o I n s t i t u t o de Física. é imposível prever embora se a d i - vinhe que nos surpreenderão. os p r i - meiros edifícios a construir destinam-se à Faculdade de Ciências. Física.000 alunos. Química. A maleabilidade da concepção permite esperar poder fazer-se face a todas as solicitações e exigências que o f u t u r o nos reserve e que. REITORIA E SERVIÇOS A D M I N I S T R A T I V O S As construções que se integram na Cidade Universitária serão erguidas por fases. FACULDADE DE M E D I C I N A — Com os seus diversos Institutos e Hospital Escolar. técnico. Desde j á . Após a sua conclusão calcula-se que possam viver no área das instalações Universitá- rias. adminis- t r a t i v o e menor. número que se julga seja atingido dentro de 20 a 25 anos. — 20 — . Zoologia. As instalações Universitárias foram projectadas para servir uma população escolar de cerca de 5. de momento. ESCOLA SUPERIOR DE M E D I C I N A V E T E R I N Á R I A — Com os diferentes Institutos que a integram.000 a 6. aproximadamente.
Prof. Doutor Veiga Simão. Luís Ribeiro Soares. na Sala dos Actos Grandes. Alexandre Lobato. Alexandre Lobato pronunciou uma conferência subordinada ao tema: Problemática dos Estudos Humanísticos n u m a perspectiva portuguesa 0 Centro de Estudos Humanísticos. criado j u n t o da Universidade de Lourenço Marques por deliberação do Senado. 21 . Prof. e o Director do Centro. foi solenemente inaugurado. o M a g n í f i c o Reitor. tendo usado da palavra além do Governador-Geral. Dr. SESSÃO SOLENE INAUGURAL DO CENTRO DE ESTUDOS HUMANÍSTICOS O Dr. no dia 19 de Novembro de 1963. dr. No acto da inauguração proferiu uma conferência o deputado da Nação e insigne histo- riador moçambicano. Almirante Sarmento Rodrigues.
o C o n t r a .A l m i r a n t e Manuel M a r i a Sarmento Rodrigues. O actual Presidente é o Eng.4 5 ) .6 0 ) . Medalha de Ouro de Serviços Distintos da cidade de Lourenço Marques (1960) e Palma de Ouro da Academia das Ciências de Lisboa (1960). Foram nomeados Sócios Beneméritos. Sucederam-lhe o Eng. publicados pela Portaria n. SOCIEDADE DE ESTUDOS DE IVfOÇAMBIQUE UMA INSTITUIÇÃO CULTURAL PIONEIRA A Sociedade de Estudos de Moçambique foi instituída em 6 de Setembro de 1930. contribuir para o estudo e valorização económica de M o ç a m b i q u e .° 1185. As publicações da Sociedade de Estudos são permutadas com as de numerosas instituições nacionais e estrangeiras em todo o M u n d o . dedicação e inteligência têm vindo a realizar com persistência os objectivos da Sociedade. o Coronel João José Soares Z i l h ã o (1935 e 1 9 4 0 . José Cardoso ( 1 9 3 9 ) .4 9 ) . a Fundação Calouste Gulben- kian e a Câmara M u n i c i p a l de Lourenço Marques. desde 1930. em especial. a Sociedade de Estudos tem promovido a rea- lização de estudos. tendo-se feito a versão inglesa. Dentro da acção desenvolvida desde 1930. — 22 — . mencionava A n t ó n i o Joaquim de Freitas. exposições e sessões de cinema. que conta cerca de 25 0 0 0 volumes.° Joaquim Jardim Granger ( 1 9 3 2 . que com esforço. o Eng. a propor a fundação da Sociedade. que a dedicou ao C o n t r a . muitos outros. o Dr. convenientemente escolhidos. moral e físico dos seus habitantes em geral. Eng. dos seus associados. cursos. A A n t ó n i o Joaquim de Freitas juntaram-se 101 Sócios Fundadores. daquela data.° M á r i o José Ferreira Mendes (1936-38 e 1 9 4 6 . é o Eng. e uma biblioteca juvenil.° João Fernandes Delgado. A Sociedade de Estudos foi agraciada com o grau de Oficial da Ordem M i l i t a r de Sant'lago da Espada (1956). Desde 1931 que se publica o «Boletim da Sociedade de Estudos de M o ç a m b i q u e » . «1500-1860» da autoria do ilustre historió- grafo Comte. A n t ó n i o Esquivei ( 1 9 5 0 .A l m i r a n t e Sarmento Rodrigues e a ofereceu à Província de Moçambique.6 2 ) . Na Circular-Convite que dirigiu aos intelectuais de Moçambique.3 4 ) . Os Estatutos aprovados d e f i n i r a m como objectivos da Sociedade de Estudos.° 1. A edição foi custeada por subsídio especial concedido pelo Governo-Geral de Moçambique. e contribuir para o desenvolvimento inte- lectual. A n t ó n i o Joaquim de Frei- tas. Foi o primeiro Presidente da Direcção da Sociedade de Estudos o Coronel Eduardo Augusto da A z a m b u j a M a r t i n s . com perto de 1500 volumes. pelos relevantes serviços prestados à Sociedade de Estudos.° João Fernandes Delgado. Tem editado outras publicações entre as quais se destaca «A Cartografia A n t i g a da Á f r i c a Central e a Travessia entre Angola e Moçambique. o Eng. ser um dos objectivos «estabelecer um convívio intelectual necessário às pessoas que vivem pelo cérebro».A l m i r a n t e João Moreira Rato ( 1 9 6 1 . o Comte. data em que foram superiormente aprovados os seus Estatutos.4 1 ) . e o Prof. o C o n t r a . conferências. lições. e. Foi assim organizada progressivamente uma Biblio- teca de carácter enciclopédico.° M a n u e l Gomes Guerreiro (1963). Resultou de um movimento inspirado pelo Engenheiro de M i n a s . E depois. O actual Presidente. que é presentemente t r i m e s t r a l . congressos. Avelino Teixeira da M o t a . grau de Oficial da Ordem de Instrução Pública (1960).° A n t ó n i o Joaquim Freitas ( 1 9 4 2 . que veio a ser o seu Sócio Fundador n.
Eng. com filmes educativos e recreativos. no país e no estrangeiro. Na sua estrutura a c t u a l . Ciências Sociais. figura o seguinte resumo das sessões públicas realizadas naquele a n o : 21 conferências. Os encargos foram suportados por subsídio. segundo projecto do arquitecto Marcos Guedes e o Eng. 18 sessões de cinema para jovens.° Carlos Pó. cujos meios de trabalho e conforto irá sucessivamente aumentando. que se realizaram em Lourenço Marques. Ciências Exactas. por quotização suplementar por parte dos sócios. Medicina. tendo sido inaugurado oficialmente em 21 de A b r i l de 1964. Veterinária e Farmácia. con- cedidos pelo Governador-Geral de Moçambique. e por um empréstimo a amortizar anualmente. Econo- mia e Finanças. 39 conferências ou lições incluídas em cinco ciclos de conferências e cursos. assim como para o seu desenvolvimento moral e intelectual. 6 exposições diversas. foi finalmente decidia a construção do novo Edifício-Sede em 1962. pelo Governador-Geral de Moçambique. pela Fundação Calouste Gulbenkian. O edifício.A l m i r a n t e João Moreira Rato. Agro-Pecuária. A Sociedade de Estudos de Moçambique m u i t o tem contribuído para o estudo e valoriza- ção da Província de Moçambique. Engenharia e A r q u i t e c t u r a . 7 sessões de cinema. tendo colaborado na Organização dos Congressos de 1948 e de 1958. sob a orientação da Direcção presidida pelo Prof. Já nos Estatutos aprovados em 1930 se previa a necessidade de se conseguir «uma sede suficientemente a m p l a .A l m i r a n t e Sarmento Rodrigues. Ciências N a t u r a i s . a Sociedade de Estudos compreende as seguintes secções: Artes e Humanidades. Estudos Brasileiros. — 23 — . Legislação e Jurisprudência. Estudos Franceses. Vista geral do edifício da Sociedade de Estudos A Socideade de Estudos tem-se feito representar em diversos congressos e reuniões de carácter c u l t u r a l . relativo a 1964. e de I n i - ciação Cultural. por forma a tornar a sua frequência cada vez mais agradável». que desenvolveu valiosa acção para tornar viável a realização. No relatório da Direcção. C o n t r a . foi exe- cutado em 1963. por reservas criadas. C o n t r a . Desde 1934 que participa nos congressos anuais da Associação Sul-Africana para o Progresso da Ciência.A l m i r a n t e Sarmento Rodrigues. Etnologia A f r i c a n a . sendo Presidente da Direcção o C o n t r a . Feminina. Depois de grandes esforços.° Manuel Gomes Guer- reiro. Registam-se também as numerosas e várias ofertas recebidas de diversas entidades para o apetrechamento do novo Edifício-Sede.
o presidente do Centro Cultural dos novos. veio para Moçambique com seus pais. « C I V I L I Z A Ç Ã O » . É membro efectivo da Sociedade de Geografia de Lisboa. em 1963. por exemplo. saíram das suas i n f a - tigáveis mãos». do « D I Á R I O de L U A N D A » . até. em M o ç a m b i q u e . em Goa. durante muitos anos. Foi. Rodrigues Júnior editou até ao presente. entre Ensaios. escrevendo para o «BRADO A F R I C A N O » . para o que realizou. em 1919. que descende de uma família madeirense. iniciou-se nas lides jornalísticas. Foi. Pouco depois da chegada a Moçambique. o representante. do Porto. em A n g o l a . através de toda a Província. 42 obras. na Freguesia do Socorro — um bairro popular do centro da capital do Império. Cola- borou na revista «SEARA N O V A » . o « N O T Í C I A S » . de Lisboa. — 24 — . sócio da Sociedade Por- tuguesa de Escritores. de mais de 40 anos de labor intenso. trabalhos de sociólogo. coíocou-se nos Caminhos de Ferro. da revista de arte e crítica « M I R A G E M » . Falando da sua obra. Como jornalista convidado. Foi chefe de Redacção d e : «O E M A N C I P A D O R » . ESCRITOR. . de economista. diremos que durante a sua longa vida profissional. destes últimos t r i n t a anos. de colonialista. durante mais de 20 anos. e muitas das melhores páginas da nossa nove- lística e da nossa reportagem. e por ú l t m o . Letras e Actividades Culturais e Jornalismo. bem como proprietário. e vice-presidente do Grupo de A r t e s . ENSAÍSTA O ESCRITOR MAIS REPRESENTATIVO DE MOÇAMBIQUE O «Patriarca do jornalismo e das letras moçambicanas» — assim o designa um crítico m e t r o p o l i t a n o — . Quase toda a sua actividade de escritor e jornalista tem sido dedicada ao estudo dos problemas de M o ç a m b i q u e . e redactor principal. na Alemanha Ocidental. t a m b é m . de moralista e. «O J O R N A L » . Na opinião da crítica metropolitana «os seus estudos sobre Moçambique são. Rodrigues Júnior. nasceu em Lisboa. e simulta- neamente. a par de notáveis obras literárias. da Secção de Estudos Brasileiros da Sociedade de Estudos de Moçambique. e outras. RODRIGUES JÚNIOR JORNALISTA. Damão e D i u . t i n h a então 18 anos. viagens de inquérito económico-sociais. esteve na Holanda.
sempre forte em qualquer dos géneros que solicitem a sua necessidade de criação.° PRÉMIO DE J O R N A L I S M O . da Classe Letras. o mesmo espírito agudo de romancista. sempre seguro. Isso.» Quando em 1967. produziu um trabalho que fica a enriquecer a lite- ratura portuguesa com um depoimento m u i t o lúcido. Nuno Silveira. Romances e Reportagens. em 1945. Alguns desses valiosos trabalhos foram galardoados com diplomas e prémios nacionais. escreve a propósito e referindo-se a «MÃE NEGRA»: «0 maior escritor vivo de Moçambique. em 1950.» E mais adiante a f i r m a : «Escrito com aquela clareza meridiano que Descartes aconselhava para as ideias claras. de imensa capacidade de vivência dos problemas com que o homem contemporâneo se confronta.Estudos. já todos o sabemos. em 1961. aconselhando.e de revisão de erros sociais e políticos. recebe da Academia de Ciências. em 1969. sociólogo. o romance «ERA O TERCEIRO D I A DE V E N T O SUL». de Lisboa. D I P L O M A DE H O N R A do Con- curso de Literatura U l t r a m a r i n a .» — 25 — . nas diferenciações e ramificações dos problemas. tirar a ganga da erudição demonstrada. Daí a importância deste estudo a que desejou. sabiamente preparado para a leitura provei- tosa. do jorna! luandense. Que o diga o nosso Eça . o que a crítica tem d i t o a seu respeito. m u i t o difícil de cerzir. estimulando. assinalada e vazada numa experiência que era a dele próprio. repórter. «Província de A n g o l a » . contribuíram para o engrandecimento da Província. A m â n d i o César referiu-se elogiosamente a esta obra. da sua obra. nacional. Graças a este conjunto de virtudes. de espírito crítico. areja estas páginas com um largo sopro de lírica emoção. corrigindo. E só me consta que os grandes escritores sejam capazes desse milagre: darem como aparentemente simples de elaborar aquilo que foi d i f í c i l . grandemente oportuno e todo refulgente daquela beleza a que Platão chamou o esplendor da verdade. por qualquer f o r m a . com a competência de um intelectual m u i t o culto e com a emoção bem característica do seu enternecido coração de português. Referindo-se ao seu trabalho «ENCONTROS». em 1949. PRÉMIO DE LITERATURA U L T R A M A R I N A . indispensável livro saído do incansável labor intelectual do mais representa- tivo escritor ultramarino. E por ú l t i m o . ensaísta. que passamos a mencionar: DIPLOMA DE H O N R A do Núcleo de A r t e . . como subsídio histórico. como através do dia a dia em que chefiou redacções. que ficam no presente e para o f u t u r o . PRÉMIO «AFONSO DE B R A G A N Ç A » . de Literatura Ultramarina. Rodrigues Júnior publicou o estudo «MÃE NEGRA». o estudo de Rodrigues Júnior lê-se e relê-se com o mesmo interese de uma primeira leitura e com a emoção de se estar diante de um t e x t o . é oficinagem. para nos apresentar um texto com erudição. » Reis Ventura. intencionalmente. Mas a oficinagem também é uma característica do virtuo- sismo de um escritor. O que é e o que vale a obra literária de Rodrigues Júnior. D I P L O M A DE H O N R A do Concurso de Lite- ratura Ultramarina. o PRÉMIO «RICARDO MALHEIROS» que premeia a sua ú l t i m a obra. da imensa gratidão de uma geração inteira que ele soube comandar. em 1 9 5 1 . no seu estilo directo e comunicativo. Mais um belo. era um daqueles que necessitavam de meditação e investigação maior do que lhe poderia dar numa novela. nacional. de Jornalismo. dizendo: «Rodrigues Júnior — um dos raros escritores de Moçambique que conhece a gama toda da sua Província. escreve: «A mesma f i n a sensibilidade. PRÉMIO «FERNÃO MENDES P I N T O » . tão ade- quado à alta dignidade do assunto. bem o sei. Rodrigues Júnior conseguiu conquistar um raro equilíbrio: o da harmonização do seu lirismo e do seu espírito polémico. em 1945. verificou que o problema da «mãe negra». em 1960. t a n t o através do exemplo da sua probidade intelectual. Nós saudamo-lo da forma que nos parece mais indicada: falando em breves linhas de Rodrigues Júnior. . valorizando aqueles para os quais foi sempre e acima de tudo mestre e camarada. daqueles que. no entanto parece-nos interessante arquivar nestas páginas. 1. O escritor está sempre bem. fala da mãe africana com a justiça de um homem bom. num romance ou numa crónica.
catedrático da Universidade de Sevilha. Massachussets. afirmado pela «moçambicanidade» da sua vasta obra.» Ela projectou-se para além das fronteiras de Portugal. Geraid M. catedrático da Harvard University. da Pennsylvania University. O laureado escritor é oficial da Ordem do Infante Dom Henrique e Cavaleiro da Soberana Ordem dos Cavaleiros de Colombo. Bra- sil. que citam largamente. o Estudo «PORTUGUESE A F R I C A » . Eis a traços largos. de São Paulo. Rodrigues Júnior. do Prof. que d i z : «Entendemos. Com a mesma exactidão que vemos em Rodrigues Júnior o escritor de Moçambique. — 26 — . Terminamos com algumas palavras insertas na revista « A N H E M B I » . Moser. com relevo. de Cambridge. o Estudo crítico e histórico «AFRI- C A N LITERATURE IN THE PORTUGUESE L A N G U A G E » . a biografia do maior e mais representativo escritor de M o ç a m b i q u e : RODRIGUES JÚNIOR. para lá das catalogações momentâneas. Assim o comprovam o Ensaio « M O Z A M B I Q U E . que Castro Soromenho é o escritor de A n g o l a . PUEBLO NUEVO» da autoria de Francisco Elias Tejada. de James D u f f y .
no I n s t i t u t o I n f a n t i l . Anos mais tarde. CONCHITA BRETON Conchita Breton. procurando elevar o nível cultural da juventude. apresentando-se. Com oito anos iniciou a sua aprendizagem na arte de bailar. na Escola de «Ballet» Clássico Espanhol. para a Escola de M í m i c a de Flora Rossini. ou mais precisamente. as suas alunas se apresentam num grande espectáculo. céle- bre casa de espectáculos. através de todos estes anos. que além do êxito artístico que sempre alcançam. para a Escola do Maestro M a r t i n e z — consagrado Mestre — e depois. em sua casa. aluna do Mestre Montesinos. passando mais tarde. pai da conhecida artista de cinema. começou por dar lições em sua casa. a biografia da a r t i s t a que introduziu a A r t e do «Ballet» em Lou- renço Marques. visitou Portugal. no Casino de Espi- nho. do carinho e interesse com que Conchita Breton se t e m dedicado. de Barcelona. apresentou-se pela primeira vez. em Angola. apresentou-se no T e a t r o A l h a m b r a . t a m b é m . no T e a t r o da Ópera de M a d r i d . num dos Bairros castiços da bela capital de Espanha. em Lourenço Marques. tendo estado t a m b é m . Em Portugal permaneceu oito anos. deu lições no Clube Naval. Depois de ter frequentado o T e a t r o Liceu. a primeira a ensinar a A r t e do Bailado. durante meses. nos Velhos Colonos. Conchita Breton continua a leccionar. são ainda uma prova da tenacidade. em Lourenço Marques. Em Paris. mantendo-se a trabalhar durante seis meses. radicando-se. tornou-se bailarina profissional. no Teatro Real de Madrid. e depois. t a m b é m . per- correndo as principais cidades de Espanha. leccionou durante 10 anos. e simultaneamente. Em 1956 abriu a Escola de «Ballet» no Clube Ferroviário. De início. — 27 — . por tal f a c t o . pela primeira vez. Apenas com 14 anos. C O N C H I T A BRETON com um grupo de alunas Todos os anos. onde continua a ensinar a arte do bailado. Veio a casar-se com um português. onde se manteve a trabalhar com sucesso. ao «Ballet». Foi. Depois. por contrato artístico. Rita Hayworth. Além da Escola de «Ballet» do Ferroviário. em Moçambique. e ajudando-a a desenvolver-se em linhas harmoniosas. Eis a traços largos. Conchita Breton veio para Moçambique em 1949. nasceu em Madrid.
noite. (Que prossigo descalça e permanece ainda. incompreendido. e t a n t a coisa que não se indaga nem m u r m ú r i o perdido A i . Como fios que há nos linhos. Tecidos O Nada é só o resto. Fica pairando. é como o g r i t o d u m cristal puro que se estilhaça. Serei apenas eu que irei contigo. Glória de SanfAna Glória de SanfAna 28 . I Poetas de MOÇAMBIQUE TIMBRE EU. irei contigo. Não serei estrela nem abrigo. Ânsias ocultas. M í n i m o sou. A minha elementar realidade.) na palidez tranquila da madrugada. num ritmo agudo. Parecidos Entre nós como dois molhos. irei contigo. Morreu. Reinaldo Ferreira Somos do tempo de viver aos molhos Para morrer sozinhos Reinaldo Ferreira BATUQUE A dissonância que rompe a noite contém mensagens duma alegria rude e desnuda que me trepassa. nem m u r m ú r i o perdido A dissonância que rompe a noite ou voz clara de linho. noite. clamores perdidos Não serei estrela nem abrigo. oculto e vivo. e sem caminho. Só há ideal Mas quando ao Nada empresto No plural. RUMO A i .
. berço. a soluçar . Na fulgurante luz do teu olhar tão doce A mágoa minha eterna. . dançam de alegria Ritmos inquietos. Um gesto de carinho ou de brandura. arrasta inteiras gerações de amaldiçoada grei. sou f i l h a de Rei . Num gesto de altivez que em onda leve. . a t u a Irma . e faço-te estes versos Pretos e pretas que no f i m do dia de sal e esquecimento Batucam. Vai com ela cantar o orgulho da t u a raça Que eu ficarei cantando o nosso eterno amor . . eu sei? Pálida irmã da noite e do luar. Quem há que roube a presa? A p o n t a . e n f i m . Á g u a de prata a cintilar os cansados flancos Onde as nuvens vulcânicas se m i r a m . Rui Knopfli Anunciação Prudente A FLORBELA ESPANCA « V i m de M o i r a m a . Pousaste. duma crueza vasta. um crocodilo a rastejar. Ao tigre dos juncais. Fechaste as asas tontas de voar Ir procurar. . que ao meu caminho trouxe Caudal imenso de uma angústia vã . sonhos dispersos. voz Fogo no Céu! Espreitas do Luar uma vontade antiga de lágrimas Quando a Terra e o Sol se despediram! e um riquexó de sono desde a Travessa da Amizade. Ilha de Moçambique. a l m a . Eu sou a t u a A m i g a .m e e eu i r e i ! Para nós. . Cruel destino o meu. . . . . A onda quer-te e passa. loucos. e sonha com impossíveis Almadias que esperam o regressar.ILHA DOURADA TARDE NO RIO ZAMBEZE A fortaleza mergulha no mar Rio calmo. Rui de Noronha Irene Gil — 29 — . Vem de séculos. Descansa e. nessa altivez madrasta. Vai. onde reinar . leito . . essa orgulhosa casta. g r i t a m . correm com destreza. Tudo mais são ruas prisioneiras e casas velhas a mirar o tédio.» Florbela Espanca GRITO DE ALMA M i n h a pobre princesa destronada Encontraste. . sensuas . tripudiando a lei. amor. naves moiras. . viram e reviram. a f i n a l . . — Romeira vagabunda e f a t i g a d a . Segue o teu destino. Gigantescos bambus e matagais. Peixes que saltam. mais dois que submergiram. dorme no caixão estreito Que para ti foi ninho. Que lhe fizeste um dia. a fronte já cansada. . a minha eterna dor. vejo-te adormecer na distância. Aigretes brancas saltam com leveza. . . . As gentes calam na À distância. Ouviu a M o r t e a prece torturada Repudiando a dor. na magia dos teus versos Rezaste inquietações. Na areia. Em pleno dia claro Macacos g u i n c h a m .
que determinou o trajecto percorrido pelo pioneiro transvaliano. na qualidade de Chefe de Secção de Turismo e Propaganda da Câmara M u n i c i p a l de Lourenço Marques. Pereira de Lima foi ajudante do historiador sul-africano. M a r i a da Conceição M o u r ã o Garcez Palha e Pereira de Lima. . Seu p a i . foi distinguido com o distintivo de prata dos « T R A N S V A A L VOORTREKKERS». Louis T r i - chardt. continuando os seus estudos na Á f r i c a do Sul. vindo a falecer no Chongoene em 1919. cuja família originária do Porto se fixou em A n g o l a . índia Portuguesa e Brasil. W i l l e m Punt. da Universi- dade de Pretória. W i l l e m Punt. descende de um casal de pioneiros. chefiada pelo historiador Dr. acompanhou em Moçambique a expedi- ção científica organizada pelo Departamento de Educação do Transval. No mesmo ano. Em 1949 foi louvado pela Organização das Nações Unidas. ESCRITOR E JORNALISTA ALFREDO AUGUSTO PEREIRA DE LIMA ALFREDO AUGUSTO PEREIRA DE LIMA A l f r e d o Augusto Pereira de Lima. A n t ó n i o Lúcio Pereira de Lima. o que não pôde fazer por f a l t a de meios. ficou em Moçambique com seu f i l h o . no ano de 1938. HISTORIADOR. Sua mãe. cursando a Facul- dade em Lisboa. Com o mesmo historiador trabalhou noutras pesquisas históricas em Lourenço Marques e Pretória. chegados a M o ç a m - bique no ano de 1914. General Tristão de Bettencourt. após a morte do seu marido. em virtude de ser órfão de pai. por serviços prestados àquela organização da juventude sul-africana. nomeado pelo Govemador- -Geral de M o ç a m b i q u e . em 1944. na Á f r i c a A u s t r a l . era Secretário A d m i n i s t r a - tivo do Distrito M i l i a r de Gaza. A sua grande aspiração era formar-se em Medicina e Cirurgia. Em 1946. Dr. desde os vinte meses He idoH^ A l f r e d o A u g u s t o Pereira de Lima. Moçambique. onde fez o Curso Complementar de Ciências dos Liceus. até Lourenço Marques. pelos serviços prestados como Secretário da Comissão Central de M o ç a m - bique da « U N I T E D N A T I O N S APPEAL FORCHILDREN». em investigações históricas sobre as ligações entre pioneiros portu- gueses e transvalianos. nasceu em Lourenço Marques em 19 de Fevereiro de 1917. no século X I X .
Inspector de Turismo e O f i c i a l de Relações Públicas do Pavilhão de Portugal. em Moçambique. nos últimos vinte anos. da classe «DEDICAÇÃO» (1960). uma vasta colaboração dispersa pela Imprensa nacional e sul-africana. à primeira Reunião Provincial do Turismo de Moçambique. Chefe da Redacção do «COMÉRCIO DE M O Ç A M B I Q U E » . ainda. reunido em Lisboa. tendo sido redactor dos jornais «LOURENÇO MARQUES G U A R D I A N » e do « D I Á R I O » . em 1963. realizado em Lourenço Marques. Comér- cio e Turismo. ao largo da Ilha de Moçambique. e corres- pondente especial em Moçambique da agência noticiosa « U N I T E D PRESS I N T E R N A T I O N A L » . Sócio da Sociedade de Estudos de Moçambique e de outros organismos culturais nacionais e estrangeiros. Em 1958 exerceu as funções de Chefe do Gabinete de Imprensa do Congresso das Câma- ras de Comércio Federadas da Á f r i c a A u s t r a l . Funções oficiais que desempenhou: Arquivista da Câmara M u n i c i p a l de Lourenço Marques. desde 1962. sendo a mais recente. possui as seguintes condecorações: Medalha de Bons Serviços da Câmara M u n i c i p a l de Lourenço Marques. Coronel Pedro Pinto Cardoso. para descoberta do local onde teriam sido massacrados os membros da coluna do pioneiro Van Rensburg. 31 de Janeiro de 1961). realizados na Á f r i c a do Sul e nas Rodésias. Vogal da Comissão de Inspecção aos Hotéis (despacho do Governador de Distrito. na Feira da Páscoa do Rand. Vogal da Comissão de Propaganda do Automóvel e T o u r i n g Clube de Moçambique. na região do Limpopo. como Secretário da Delegação da Câmara M u n i c i p a l de Lourenço Marques. de Lourenço Marques. com uma Bolsa de Estudo que lhe foi concedida pela «SOUTH A F R Í C A N BUREAU OF SOCIAL RESEARCH». no Brasil. Pereira Lima. Alfredo Augusto Pereira de Lima. Chefe da Redacção do semanário «ORIENTE». pelo que foi louvado. j u n t o de quem exerceu as funções de Secretário particular. jornalista e historiador. Sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa. Medalha Comemorativa do Cinquentenário da Linha Férrea Lourenço Marques-Pretória (1945). a representação do Automóvel e Tourinfy Clube de Moçambique. em trabalhos de investigação histórica. de 1943 a 1947. Redactor-Delegado em Lourenço Marques do « D I Á R I O DE M O Ç A M B I - QUE». de 1947 a 1948. e Redactor do jornal « N O T Í C I A S » . presidida pelo respectivo Presidente. a expedição de arqueologia submarina. em expedições científicas de investigação histórica realizadas em Moçambique. sobre o pioneiro Carolus T r i c h a r d t . e ainda. Como escritor. Vogal (representante da Câmara Municipal) da Comissão Distrital do Serviço Extra-Escolar de Lourenço Marques. M e m b r o da «LOUIS T R I C H A R D T SOCIETY». em Fevereiro de 1964. da Beira. Chefe das Secções de Turismo e da Informação do Centro de Informação e Turismo de Moçambique. próximo de M A B A L A N E (Moçambique). Chefe da Secção de Turismo da Câmara M u n i c i p a l de Lourenço Marques. órgão da Associação Comercial de Lourenço Marques. Superintendente do Museu Histórico da Cidade de Lourenço M a r - ques. colaborou com o Dr. vem colaborando com Centros Culturais da Re- pública da África do Sul e participando de Congressos internacionais sobre Economia. Foi correspondente local dos jornais sul-afrícanos « S U N D A Y EXPRESS». Actividades jornalísticas: Iniciou a sua carreira no jornalismo em 1936. Como historiador: — 31 — . de Pretória. realizada na Beira. organizada pelo Comissão de Monumentos e de Relíquias Históricas de Moçambique. Em 1957. por diversas vezes. participou no II Con- gresso Ibero-Americano de Municípios. pelo que foi louvado pela Câmara de Comércio de Lourenço Marques. em M a i o de 1959. Proposto para Sócio Correspondente Estrangeiro do I n s t i t u t o Geográfico e Histórico do Estado de São Paulo. de 1960 a 1962. Chefiou. W i l l e m Punt. Tem a i n d a . de Pretória. «DIE TRANSVALER» e «DAGBREEK». Em Setembro de 1960 fez parte de três expe- dições organizadas pelos Serviços Culturais da « N A T I O N A L PARKS BOARD OF TRUSTEES». Distinções: Sócio permanente da Fundação « S I M O N V A N DER STEL».
Do seu estudo de certos temas. com o historiador sul-africano. «O PALÁCIO MUNICIPAL». Louvores: Da sua folha de serviço. em 10 de Setembro de 1945. os dias passados e obscuros desta mesma casa. integrada nas comemorações do Centenário de M o u z i n h o . tendo merecido do eminente historiador moçam- bicano. Em preparação: «SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DO M U N I C Í P I O DE LOURENÇO MARQUES». porque santos de casa aqui não f a z i a m mila- gres. «A HISTÓRIA DE LOUIS T R I C H A R D T » / Conferências proferidas: «LOURENÇO MARQUES NASCEU A S S I M » . Colin Coetzee na descoberta do local onde os holandeses cons- truíram em 1720 a sua fortaleza. no Salão do Sindicato Nacional dos Empregados do Comércio e da Indústria de Moçambique. em Março de 1945. Publicou diversos artigos sobre o passado histórico de Lourenço Marques. é sua iniciativa. na Escola de Telegrafia e I n s t i t u t o Profissional de Lourenço Marques. no Salão da Associação dos Naturais de Moçambique. como funcionário público. o M o n u m e n t o que a Sociedade T r i c h a r d t construiu na capital de Moçambique. « N A PISTA DO TESOURO DE KRUGER» (1963). em Novembro de 1955. a vasculhar continuamente. constam seis Louvores e uma Medalha de Bons Serviços. que foi Deputado à Assembleia Nacional. durante a II Grande Guerra. «ROTEIRO DOS EDIFÍCIOS HISTÓRICOS DE LOURENÇO MARQUES». difíceis e nebulosos. do local onde foi sepultado em Lourenço Marques. Dr. fiquei há muitos anos com a ideia segura de que A l f r e d o Pereira de Lima é um investigador nato. o explorador transvaliano Louis T r i c h a r d t . Colaborou ainda. A l f r e d o Pereira de Lima. em 1944. que durante tantos anos se perdeu para a exegese viva da história. no Estuário do Espírito Santo. Alexandre Lobato. «LOURENÇO MARQUES» (Monografia — 1963). os rastos da sua presença viva. Dr. dedicado às Forças Expedicionárias Portuguesas enviadas para a libertação de T i m o r . com os modestos recur- sos da casa. «OS MILHÕES DE KRUGER» (1963). Este é o prestigioso «curriculum» do historiador laurentino. pelos jornais daqui. a seguinte apreciação em prefácio do seu livro. «A LIÇÃO DE M O U Z I N H O » . No prelo: «A DELICIOSA MENTIRA DE K U S S U M L A T A PRAGJI» (Edição da Agência-Geral do Ultramar). fragmentos do seu labor tenaz e fecundo. Deve-se-lhe a descoberta. fundador do Transval. que com as suas persistentes e laboriosas pesquisas tem engrandecido o património histórico da Província de Moçambique. e da sua tenacidade na pesquisa de fontes perdidas. — 32 — . ficar arquivado nestas páginas. bem merecendo por isso. e a dimensão cultural colectiva qualificava tudo isso de pura chinesice.» Publicações de sua a u t o r i a : «A NOSSA INTERVENÇÃO NA POLÍTICA I N D Í G E N A DE HÁ 100 ANOS» (1960). « T I M O R E A SOBERANIA PORTUGUESA NA O C E Â N I A » . «OS MILHÕES DE KRUGER» : «Sempre me chegaram a Lisboa.
Chegados à cidade. O contacto. No caldea- mento. Estabelecido o diálogo. dando lugar à aceitação da identidade de um sem-número de factores de ordem económica e social. e no peito. narrar e lamentar as desditas.. Grupo da Associação Africana de Moçambique dançando a «Marrabenta» Quando os grupos dessa gente desembarca na capital da Província. autêntica forma de expressão — que ainda é em Á f r i c a — enriquece-se com a aquisição de novos «vocábulos». Pode dizer-se. capaz de vencer o cansaço. As fronteiras entre os diversos dialectos rompem-se. a nostalgia ou a tristeza. Centro e Sul da Província de Moçambique. na necessidade de comentar. que assim nasceu a « M a r r a b e n t a » . nesta gente. no cadinho receptivo dos hábitos das gentes. surgem os novos «vocábulos» da nova linguagem «coreográfica». norteia-se na busca de maiores defesas econó- micas junto às nossas zonas industriais. processou-se na cidade de Lourenço Marques. o conceito clássico de tribo sofre uma alteração profunda. A «Marrabenta» vem da amálgama de muitas danças do N o r t e . que se revelam comum a centenas de milhar de pessoas. "MARRABENTA" UMA DANÇA DO FOLCLORE MOÇAMBICANO Vamos procurar historiar o que é e de onde veio a dança da « M a r r a b e n t a » . hoje tão popular em Moçambique e além das suas fronteiras. — 33 — . vertida sobre uma base «Ronga». surge prontamente. não conduzem. a sublinhar o espírito de observação dos africanos. traz consigo uma força rítmica. a dança. A adversidade. o ritmo da região de proveniência. a consequente penetração dessas danças. O êxodo dessas populações à capital. a força mística das consoladores esperan- ças. possivelmente construída sobre o ritmo «NTfehna». para onde anualmente convergem moçambicanos das mais diversas regiões do território. a um desajustamento social típico das populações.
r . Foram os conjuntos moçambicanos « H A R M O N I A » . através das suas interpretações. M A L U D A . Espera-a. Graças oo trabalho de moralização desenvolvido pelo Centro Associativo dos Negros de Moçambique e a Associação A f r i c a n a de M o ç a m b i q u e . obtendo foros de ritmo do momento. antes de aparecer no Europa e no A m é r i c a . que deram a conhecer a « M a r r a b e n t a » . Principiamos pelos pintores pioneiros. JORGE M E A L H A e A N T Ó N I O BRONZE. _ 34 __„ . ANTÓNIO QUADROS. No desenho: TERESA ROSA DE O L I V E I R A . depois de imperar em todo o território moçambicano. Seguem-se G A R I Z O DO C A R M O . M I R A N D A GUEDES e M A L A N G A T A N A V A L E N T E . uma carreira de êxitos. constituiu um êxito. Mencionamos a seguir os pintores com tendências estéticas de raiz europeia: ÁLVARO PASSOS — « s u r r e a l i s t a » — . Foram eles os inicia- dores do sua divulgação. . foi viajar pelos países vizinhos. A nova dança. ANTÓNIO HELENO e DUGOS BAPTISTA. A N T Ó N I O SANTANA. os Artistas Plásticos mais representativos de Lourenço Marques. assim como outro disco editado em Moçambique. ARTISTAS PLÁSTICOS Nesta obra dedicada aos pioneiros serão mencionados t a m b é m . O disco «Alvorada». Nas artes decorativas: ZECA M E A L H A . «JOÃO DOMINGOS» e «DJAMBO». nesta internacionalização da «Marrabenta». N a escultura: M A R I A ALICE MEALHA e A N T Ó N I O MOURA. vai-se registando em Lourenço Marques um movimento de interesse pelo genuíno folclore moçambicano. de tendência africana e «expressionista». BERTINA LOPES. ROSA PASSOS. editado só com « M a r r a b e n t a » . A N A M I C H A E L L I S e JORGE CHAVES. certamente. que apoiam os conjuntos já citados. a que pertencem os dois primeiros: JOÃO AYRES e JOÃO PAULO. que foi o primeiro disco editado. de «Marrabenta».
RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE 35 — .
numa das salas do Grémio N á u t i c o . E os seus estatutos. Edifício do Rádio Clube de Moçambique. No dia 1 de Agosto. A l b e r t o José de Morais e Firmino Lopes Sarmento formar com aquele um grupo de vontades fortes para vencer todas as resistências e aplainar as dificuldades. surgir descrenças. Para presidentes da Assembleia Geral e do Conselho Fiscal foram eleitos. vice-presidente. na Vila Salazar — 36 — . quem passa e olha o Palácio da Rádio. Assim. Corria o ano de 1 9 3 1 . A l b e r t o José de Morais. cuidadosamente elaborados. ainda. rea!izou-se no T e a t r o Scala a primeira Assembleia Geral para elei- ção dos Corpos Gerentes. tesoureiro. E a fundação de uma Emissora. a primeira reunião preparatória para a Fundação do que viria a chamar-se Grémio dos Radiófilos da Colónia de Moçambique. Uma o u t r a . difícil será imaginar quantas batalhas foi preciso vencer para atingir o desenvolvi- mento que hoje possui. receberam a aprovação do Gover- nador-Geral. e Ernesto de Brito. Todavia o Rádio Clube de Moçambique tem a sua história — uma longa e prodigiosa história que merece contar. Mas a tentativa não pode ir por diante. A assistência. presidente. secretário. que teriam de vencer as maiores dificuldades. que haviam de aparecer entraves. erguido no centro da cidade de Lourenço Marques. quando Augusto das Neves Gonçalves e Firmino Lopes Sarmento conceberam a ideia de criar em Lourenço Marques um posto de radiodifusão. Efectuou-se a 5 de Julho de 1932. E os resultados foram os seguintes: para a Direcção foram escolhidos os nomes de Aniano Mendes Serra. medrar invejas. pouco tempo depois. Hoje. nos lugares de comando f i c a r a m os homens a quem a iniciativa se deveu. teve e n f i m possibilidades de corporização. puderam então. porém. Firmino João Lopes Sarmento e Pedro Lúcio de Assunção. não temiam as críticas e consideravam-se precavidos contra os desânimos. Augusto das Neves Gonçal- ves. também não encontrou eco na popula- ção. e com os quais o Grémio dos Radiófilos ia começar a caminhada no f u t u r o . Coronel José Cabral. os quatro principais obreiros da radiodifusão moçambicana. A n i a n o Mendes Serra. que antes t i n h a sido inviável. A experiência dizia-lhes todavia. aproveitando o regresso a Lourenço Marques de um dos seus dedicados amigos. respectivamente. Augusto das Neves Gonçalves. mal amadurecida. Volvidos alguns meses. não deixou de acarinhar a iniciativa. d i m i n u t a embora. para realizar os grandes sonhos. previstas aliás. mas eles.
em princípio. com o pagamento da renda anual de 9. todos os receios dos menos confiados. que inevitavelmente haviam de surgir com o decorrer dos tempos. Os que tiveram conhecimento da resolução. relativa à reunião do dia 1 desse mês.° 8. que ficariam instalados em duas salas do edifício Já Assam. Ousadamente. o Grémio dos Radiófilos assumiu nesse dia o seu primeiro encargo financeiro de grande magnitude. de 5 9 0 $ 0 0 .T. Resolveu-se. mas na seguinte já aparece a primeira alusão. Levantando a cortina que encobria os trabalhos feitos em laboratório (não se fazendo contudo referência às grandes dificuldades sur- gidas com a obtenção do m a t e r i a l . Na acta n. convidar a assistir a este acto os representantes da Câmara M u n i c i p a l . o Director dos Serviços dos Correios e Telégrafos. relativa a artigos de expediente. as iniciativas surgidas. antes estimularam. considera-se o assunto resolvido: «Para início dos Programas a emitir pelo posto. se pedida fosse. a qual. que não deixaram tolher. numa sala cedida pelo vice-presidente da Direcção. amortizado o pagamento das despe- sas feitas com a aprovação dos Estatutos. na compra do material necessário para a montagem de um pequeno emissor. que marcaria. ao facto de «se ter discutido os vários assuntos inerentes à construção do emis- sor». aos olhos dos crí- ticos como estando em desproporção com as realidades ou as necessidades da Organização e. que por estar proibida a importação suscitou a necessidade de recorrer a adaptações ao serviço da radiodifusão. resolveu-se fixar o dia 18 do corrente para inauguração oficial e convidar Sua Exa. da Associação Comercial. transformando o sonho naquela certeza que requeria a maior dedicação. E esta a t i t u d e de reparo e de surpresa haveria de acompanhar por m u i t o tempo. o mais forte empenho. de Lourenço Marques. para fazer a abertura solene da Estação. os actos principais da vida da emissora moçambicana. e só depois tiveram consciên- cia do peso das responsabilidades que acabavam de contrair. tomou vulto o «aluguer do edifício para a sede e a montagem do emissor». Eram e são desculpáveis. Na reunião de 12 de Agosto foram admitidos mais cinco sócios e apareceram os primeiros resultados positivos do pedido f e i t o às casas comerciais. o de um amplificador de cinema já fora de uso) dizia-se: «estando já quase terminadas as experiências e ajusta- mento do emissor. na importância de 667$90. Na reunião seguinte foram admitidos catorze sócios..e autorizada a liquida- ção da primeira f a c t u r a . e se ouviu a voz de M á r i o Souteiro — o primeiro locutor de Moçambique — anunciando o início das emissões do Grémio dos Radiófilos. Chegou o mês de M a r ç o . ! Quando a estação foi posta «no ar». a comunicar a existência de uma pequena emissora de radiote- lefonia no Depósito dos C. todo um somatório de energias e vontades férreas para levar de vencida as contrariedades. Amanheceu quente e abafado aquele dia 18 de Março de 1933. previamente escolhido para a inauguração oficial do Grémio dos Radiófilos da Colónia de Moçambique. no seu estabelecimento comercial. antes e depois de mudar de nome. a quem a Direcção deliberou conceder o t í t u l o de Sócio Honorário. até mesmo. e assentou-se. o Director dos Serviços dos Portos. Nessa mesma data foi lida uma carta do sócio Américo Salcedas Pais. t a m b é m . pasmaram — tão despro- porcionados eram os recursos e as imprevisíveis possibilidades da jovem instituição com o encargo contraído. Na rubrica «Outros assuntos» foi resolvido oficiar às casas que já começavam a vender material de rádio e outros artigos vários. Ficou assente que se adoptaria como sede provisória aquela mesma sala. do desenvolvimento de Moçambique. porquanto a evolução do Rádio Clube foi sempre caracterizada por audaciosos rasgos de coragem determi- nada. o Governador-Geral. a pedir a concessão de bónus nas compras a fazer pelos sócios. se não para sempre. A primeira reunião da Direcção efectuou-se no dia 3 de Agosto de 1932. ainda que vaga. na Avenida da República. no coração dos presentes bateu forte a comoção. Caminhos de Ferro. uma notável etapa na vida do emissor.400$00.T. — 37 — . poderia ser cedida ao Grémio para a radiodifusão de concertos. resolveu-se contratar um quarteto pelo preço semanal de 2 5 0 $ 0 0 » . e a Imprensa». que se deviam pedir cotações para o for- necimento de impressos do expediente do Grémio. como por exemplo. Finalmente na acta de 4 de Janeiro de 1933. e que se designasse a primeira quarta-feira de cada mês para as sessões ordinárias da Direcção. Na acta desta sessão não figuravam quaisquer referências ao posto emissor.
inclinado sobre a pequena emissora. outras vezes. A decisão. a Direcção julgou de absoluta necessidade a aquisição por 25 libras esterlinas. Desanuviada a situação da emissora laurentina. Depois de se fazer o estudo pormenorizado das informações chegadas do exterior de Moçambique. o Presidente da Direcção propôs a melhoria dos programas e a admissão de uma orquestra. de consequências imprevisíveis. em Londres. Em 1 de M a i o de 1935 saiu o 1. lan- çada em boa hora. em alguns lugares da América do N o r t e . um paso em f r e n t e . acompanhando todo o desenvolvimento da referida Emissora. pois passava a dispor de um posto próprio para a radiodifusão. por conseguinte. proposta que foi aprovada por unanimidade. nomear comissões para se avistarem com o Director dos Caminhos de Ferro de Moçambique e com o Presidente da Câmara M u n i c i p a l de Lourenço Marques. A n t ó n i o de Sousa Neves. que proceder de acordo com as circunstâncias e combater o ma! pela raiz. Este seria o antídoto para o mal que estava a minar o Grémio dos Radiófilos. no permanente receio de que a vida se lhe escapasse. que a estação se fazia ouvir. por parte dos sócios. requerer ao Ministério das Colónias a isenção de direitos aduaneiros do material radiofónico destinado ao Grémio. Na reunião do mês de M a i o . publicação que sempre se tem mantido sem interrupções. na Á f r i c a do Sul. Solícitas informações acres- centavam. Estava. como medida de urgência. graves problemas administrativos e financeiros absorveram a Direcção durante alguns meses. e o incentivo para dar outros mais. Durante dois anos o pequenino posto prestou excelentes serviços. no sentido de solicitar subsídios. A compra e instalação do emissor «Colins» de 2 5 0 watts. em cualquer acidente terminal das graves lesões que sofria». Foi positiva- mente. construído por casa especializada. que mais se acentuou quando o Presidente da Direcção lamentou «ser notório o grande desinteresse. na Madeira. — 38 — . de um novo microfone. Havia pois. com modulação de alta qualidade e elevado grau de eficiência. para a compra de um novo posto emissor. Umas vezes. de 30 de Novembro de 1935. na Rodésia. n i t i d a m e n t e .° número da revista editada pela Emissora a que foi dado o t í t u l o de «Rádio M o ç a m b i q u e » . pelo Grémio. Com este transmissor o Grémio ascendeu a um nível de categoria incontestavelmente marcante. atingido o máximo objectivo. ouvida a princípio com surpresa. mesmo. provocou nos seus próprios responsáveis um sentimento de amargura. que era levar a voz de Moçambique aos ouvidos da Mãe-Pátria. o seguinte comentário elucidativo: «O técnico converteu-se em autêntico médico assistente do débil posto. Mas aquela voz. E a campanha. bem depressa se tornou familiar em todo o território de Moçambique. A propósito. o progresso que se i n i - ciava. de um momento para o outro. logo na reunião de 5 de Janeiro de 1935. amparado carinhosa- mente pelos técnicos. pois que a quotização e o número de sócios está diminuindo». começou a pensar-se em mais largos voos. com relativa intensidade. decidiu-se suspender temporariamente a actividade do emissor. uma válvula deixava de trabalhar ou havia uma peça que tinha de ser substituída — consequência da improvisação que presidiu a manufactura do emissor e a carência de material utilizável. pode ler-se em «RÁDIO M O Ç A M B I Q U E » . Assim. já habituados a ouvir os programas da «sua» Estação. procurou dar solução a assuntos de m u i t o interesse. durante as emissões. tais como: a intensificação da propaganda para angariar fundos destinados à compra de um novo posto emissor. marcou. Assim. Depois passou a ser uma preocupação constante. o Presidente da Direcção leu uma proposta a pedir autorização para o Grémio contrair o empréstimo de vinte mil escudos. Na reunião de 5 de Setembro foram aprovados 36 sócios e na de 17 de Outubro. O Dr. chamado a presidir aos destinos da colectividade. mais 43. para se proceder à beneficiação do material e tirar dele as máximas possibilidades de ser bem ouvido nos territórios vizinhos. como é fácil de calcular. e depois da sua interrupção de duas sema- nas. Pairava sobre a instituição uma pesada nuvem negra. Na Assembleia Geral realizada em 15 de Fevereiro. ecoou no coração dos moçambicanos. T a m - bém se julgou indispensável fazer apelos para a entrada de mais sócios. «não sustentava a onda e o técnico suava e tressuava para a a g u e n t a r » . na cidade de Lisboa.
dizendo: «Boas noites. a orquestra privativa actuava com inteira regularidade. Dado o franco progresso da Estação.137 quilocíclos.. organizaram-se festas radiofónicas.M. . cuja bonita voz se fez ouvir por largos anos ao serviço da Emissora moçambicana. que carinhosamente se dedicou à radiodifusão moçambicana à qual deu o melhor da sua experiência t e a t r a l . D. trabalhando na frequência de 6. A q u i Lourenço Marques. que a n u n - ciava o programa. dizendo: «Good evening. por sua vontade. Na Á f r i c a do Sul. Carlos Ahrens Teixeira. que fazia a locução dirigida aos países de língua inglesa. . passando.» A primeira locutora de inglês foi Miss Edwiges Sequeira. Passaram pelos estúdios do Grémio figuras de relevo nas artes. abriu concurso para locutoras de inglês e português. ' • • ' . para Chefe dos Serviços da Discoteca. minhas senhoras e meus senhores. ladies and gentlemens. mais tarde. abriram-se concursos i n f a n t i s .C. onda de 48 metros e 88 centímetros. A primeira locutora de português foi a Sra. a uma nova profissão para as mulheres. C R . pondo em relevo o serviço patriótico que estava a prestar a toda a Provín- cia de Moçambique. MAFH A TERESA DE S A M P A I O A R R O Z . M a r i a Emília Salvado da Costa. • ' • • . M a r i a Teresa de Sampaio A r r o z . dando origem na Província. e n t r e t a n t o . numa fotografia dessa ép oca MISS EDWIGES SEQUEIRA Em Setembro de 1935 a nova Estação Emissora foi solenemente inaugurada pelo Gover- nador-Geral. E a t u d o isto não era estranha a pertinaz actuação do novo locutor e mais tarde Chefe de Produção. . Estação Emissora do Grémio dos Radiófilos. O Governador. louvou publicamente o Gré- mio dos Radiófilos. que reorganizou com a maior eficiência. Thi is Lourenço Marques . expressa através de cartas significativas e de notícias publicadas nos principais órgãos da I m - prensa diária. Â primeira locutora de Português do R. e o sucesso da sua audição que estava a ter no estrangeiro. 39 — . D. Coronel José Cabral e outras individualidades de v u l t o . a popularidade do CR 7 AA aumentava consideravelmente. . fazendo-se transmitir pela primeira vez o Hino Nacional. 7 A A .» Depois surgiu como segunda locutora da secção portuguesa a jovem senhora D. usando da palavra.
O mesmo poderemos dizer. além dos Progra- mas vindos da Emissora Nacional de Lisboa. «A V O Z DE M O Ç A M B I Q U E » .M.M.M. a toda a Província. desde o seu início. O Rádio Clube de Moçambique também mantém intercâmbio de Programas com vários países: «A Voz da A m é r i c a » . «A Voz da Inglaterra». Congrassando todas as boas vontades da gente de Moçambique. que foram transpostas. souberam encaminhá-lo no trilho da vitória — pois vitória se pode considerar a posição que a estação laurentina ocupa entre as suas congéneres de todo o M u n d o ! O t r i u n f o do Rádio Clube de Moçambique — justo é que se diga — pertence t a m b é m . do Presidente a c t u a l . através de todos estes anos da sua labo- riosa existência. que o Rádio Clube criou um programa nativo. mantém variadas rubricas de carácter educativo e c u l t u r a l . inaugurado em 1 9 5 1 . os pequenos estúdios da Rua A r a ú j o . que serviram para iluminar o f u t u r o . tendo sido um dos que tomou a iniciativa de erguer tão meritória obra. «A Voz da Holanda». Houve dificuldades tremendas. A média semanal actual de horas de emissão é de 158. que viria a ser o f u t u r o edifício do Rádio Clube de Moçam- bique. do qual foi um grande e devotado obreiro. orgulhosa- mente. houve momentos de alegria.C. considerando-o.C. a força de vontade. «A Voz da França». que é um dos pioneiros da radiodifusão em Moçambique. que entretanto passara a denominar-se Rádio Clube de Moçambique. em parte. Sempre progredindo. O ú l t i m o Presidente do R. como hoje se i n t i t u l a toda a programação em línguas nativas — que pre- sentemente emite em 1 1 dialectos — além de programas musicais. Mas sempre a dedicação. principiavam a ser pequenos para a grande actividade do Grémio. a inteligência e o sentido das realidades dos Dirigentes do R. Esta é. que foram vencidas. — 40 — . uma das realidades mais significativas de quanto podem e sabem fazer os moçambicanos! Desde 6 de A b r i l de 1958. que presidiu aos seus destinos de 1941 a 1965. em 1949 foi iniciada a construção do Palácio da Rádio. «A Voz da Bélgica». — que se seguiu ao Capi- tão Figueiredo — Augusto das Neves Gonçalves. que sempre o acarinhou e nele confiou. «A Voz da A l e m a n h a » . «A Voz do Brasil». pouco antes do seu falecimento. houve algumas crises graves.C. foi o Capitão A n t ó n i o dos Santos Figueiredo. pois se encontra ligado ao R. em síntese um pouco da sua história.
aos sócios e seus filhos. A ASSOCIAÇÃO DOS VELHOS COLONOS Este livro ficaria incompleto se nele não se incluísse a biografia desta prestimosa colecti- vidade. Edifício da Mansão dos Velhos Colonos A Associação dos Velhos Colonos pode dizer-se que nasceu em 28 de Junho de 1919. material e moral. b) — Construção de um Mausoléu ou Ossário no novo Cemitério. considerados civilizados de maior idade. os naturais de Moçambique de cor. d) — Fundação de um jornal. m u i t o principalmente àqueles que para Moçambi- que vieram quando jovens e que com o seu esforço ajudaram a desbravar e a civilizar a terra moçambicana. A Associação foi formada por colonos com mais de 25 anos de residência na Província. na qual ficou expresso os fins a que se destinava a mesma. como sócios ordinários. considerados fundadores. com a primeira reunião que um grupo de velhos colonos efectuou no Salão Nobre da Câmara Municipal. __41 _ . c) — Criação de uma Caixa Económica. por colonos que tivessem completado 21 anos de residência na Pro- víncia. que tantos benefícios tem espalhado. residentes na Província. assim designados: a) — Protecção e auxílio. e incluindo os filhos de colonos sócios.
Cernadas. Bastos a quem aqui deixo o meu agradecimento. os seus nomes e moradas até ao dia 15 do próximo mês de Junho. 29 de M a i o de 1919. deu à jovem Assciação todo o seu apoio e carinho. A n t ó n i o de A b r e u . Caetano Dias. R. da Costa Lima. A n t ó n i o C. M. João P. da Piedade M i r a n d a . J. João P. A n t ó n i o da Silva Marques. e bem assim a primeira A C T A : ACTA N. são convi- dados pelo abaixo assinado. A l f r e d o Bastos. F. M i g u e l M. Gonzaga Gomes. dei Valle y M o n t o j o . cujos nomes vamos transcrever. C. A r a ú j o Gomes. M a n u e l L. a que expus individual- mente a minha ideia. Miguéns Jorge. pelo velho colono Albano de Mendonça foi lido o seguinte: «Senhores: V o u dar por finda a minha missão de organizador desta reunião em que fui auxiliado nos trabalhos de expediente pelo velho colono Senhor A l f r e d o A. Nicolau F. J. Rodrigues de M o u r a . para o f i m do convite de 29 de M a i o do corrente ano. A. Pierre Loze. J. M e l o Alves. M a n u e l de Paiva. Peixoto. A este convite responderam setenta e tantos colonos mandando cartas ou bilhetes com os seus nomes. de Sequeira. José C. Paul Bathoud. Pereira. Pedro F. O Governador-Geral. A n t ó n i o José. Francisco M. A d r i a n o I. dos Santos Júnior. A n t ó n i o do Nascimento. Vicente do Sacramento. Nunes de Sousa. Madaíl dos Santos. e Napoleão L. José A u g u s t o de A g u i a r . do Tanque. Joaquim M. J.° 3 6 4 . Isidro Lopes. E. A n t ó n i o G. Fernando M e l o Alves. Os meus primeiros passos f o r a m dados em procurar os colonos que assinaram o primeiro convite. A l f r e d o F. A n t ó n i o de Andrade. Rufino de Oliveira. Francisco Xavier da Silva. reuniram-se os velhos colonos: Sebastião Alves. C. José C. Francisco l. John E. a Associação fê-lo Sócio Honorário desde o início. A. caixa postal n. Nunes dos Santos. Firmo dos Santos. como se prova pelas suas assinaturas no convite original que vou ler e foi o primeiro acto público relativo a esta reunião: «Convite — Os colonos portugueses ou estrangeiros que tenham completado vinte e cinco anos de residência na Província de Moçambique se achem em Lourenço Marques. Á Ivaro T. M a r - tins Pina. G. Luís W i l y . J. A l b i n o de Sousa. Correia de Brito. Dias. Rufino dos Santos O l i - veira. A. J. que era nessa época o Doutor M a n u e l Moreira da Fonseca. Harry W i l s o n . Bernardo C. Lopes.° I Aos 28 dias do mês de Junho de mil novecentos e dezanove nesta cidade de Lourenço Marques e no Sala das Sessões da Câmara M u n i c i p a l nos Paços do Concelho. cumpre-me também agradecer aos velhos colonos a sua pre- sença a quem vou dar-lhe conhecimento do que fiz desde o seu início. da Câmara. J. e. (ass) Augusto Cardoso. M a n u e l Pedro. J. J. Como reconhecimento. V i a n a . A l f r e d o A. Abrantes. Entre estas cartas figura uma do Exmo. A Associação dos Velhos Colonos foi fundada por 70 colonos portugueses e estrangeiros. Gouveia. Pe. Paula Reis. A n t ó n i o Silva. Manuel Correia. Bastos. Augusto César Ferreira. com a indicação «VELHOS COLONOS».da Cunha. J. a f i m de se promover uma reunião em que se há-de resolver a maneira de se comemorar aquele facto. Andrews Roberts. Beltrão e Albano Mendonça. J. Francisco de Oliveira. A n t ó n i o Furtado. J. Ângelo Ferreira. Senhor Rv. Filomeno Pereira. sendo quinze horas e um quarto. de M a i o . Dias. A correspondência deve ser dirigida para os Correios desta cidade. H. Carlos Galino. M a n u e l Baião. J. Leão. t e r m i - nando por fazer votos por que alguma coisa de útil aqui se resolva e outra do colono Eduardo Franco M a r t i n s que passo a ler: — 42 — . dos Santos. Guilherme. T. Roberts. F. Lourenço Marques. G. John M i h a l e t o . com a qual concordaram. C. M a n u e l J. A l p a l h ã o . Roque de A g u i a r . Libâ- nio dos Santos. Luciano Inácio Félix. em que diz não poder comparecer a esta reunião em virtude do seu estado de saúde o não permitir. A l b a n o Mendonça. José Ribeiro. Dascalakis. A. Mesquita.
a quem devia competir. Dicca. muitos dos quais têm lutado contra as maiores indiferenças dos governos. angariarem os meios de subsistência. Um aspecío do Parque i n f a n t i l REALIZAÇÕES Em 1 de Junho de 1946. estabelecer um prémio de colonização como incentivo à estabilidade dos portugueses. onde tenho passado o melhor de vinte e oito anos. podendo afirmar-se que ele foi o obreiro dos alicerces do que é hoje a Associa- ção. e fornecia alimentação a mais 21 comensais externos. onde estive apenas cinco meses. Seria ao Governo. havendo mesmo alguns que têm passado miséria. criada para recolher os velhos colonos de ambos os sexos que vivem na indigência e que. A ele se deve a construção dos edifícios da Sede e da Mansão. Desembarquei em Lourenço Marques em M a i o de 1 8 9 1 . Portuguesa e julgo-me também velhote. Ismael Costa e Capitão Manuel Simões Vaz. R. pelo trabalho. necessitados. — 43 — . A Associação teve uma fase de grande desenvolvimento quando Ismael Costa se tornou seu Presidente. foi inaugurada a Mansão dos Velhos Colonos. esboçando um vasto programa de realizações. Exmo. pela sua avançada idade e longa permanência na Província. Senhor — Satisfazendo ao convite para a reunião dos velhos colonos. estejam fisicamente incapacitados de. O resto da minha vida tem sido a q u i . A b r i u as suas portas com 27 recolhidos sendo 13 mulheres e 14 homens. vindo pelo vapor «Luanda» da M. Sebastião Carvalho. interessando-se pela juventude moçambicana. Justo é salientar o nome de alguns sócios fundadores beneméritos: F. associo-me moral e espiritualmente à reunião projectada para comemorar a residência dos que têm lutado nesta terra há mais de vinte e cinco anos. e por ú l t i m o . Fui em Maio do ano passado a Lisboa.
para consulta e t r a t a m e n t o dos inter- nados. para onde os sócios mandam os filhos. as seguintes Secções: ARTE FOTOGRÁFICA — BILHARES — ESGRIMA — TÉNIS — X A D R E Z OUTROS DEPARTAMENTOS DA ASSOCIAÇÃO No campo da cultura física procura a Associação cumprir o melhor possível a sua missão. t e m sob a sua direcção uma Enfermaria já em actividade e outra que aguarda. devidamente apetrechado com aparelhagem eficiente e tem duas enfermarias para os recolhidos. Funcionam ainda. O médico é assistido por duas enfermeiras. é. a Senhora Dona M a r i a João Vieira de Castro Teixeira. . três campos de ténis e um de voleibol. a chegada do material requisitado à Metrópole. General José Tristão de Bettencourt. com alguns milhares de livros. SERVIÇOS DE SAÚDE Junto da M A N S Ã O funciona um Posto Médico. Na Mansão funciona um Posto Médico. uma das obras a que é dispensado um grande carinho. o Parque I n f a n t i l . A l i têm aprendido a nadar algumas centenas de crianças. m u i t o frequentada. além dos muitos livros que fornece aos sócios para os lerem em casa. sendo 43mulheres e 23 homens. cujas águas são purificadas por maquinismos especiais. Nos seus salões funciona uma Secção de X a d r e z . Em Fevereiro de 1950 foi inaugurada a Piscina. representando a Associação. tão grande como o dispensado à « M A N S Ã O » . É m u i t o frequentado pelos filhos dos sócios. uma senhora especializada. que são entregues aos cuidados da Directora. e muitas. T e m . Pratica-se a esgrima. apenas. Finalmente. é o PARQUE I N F A N T I L . que trouxe muitos benefícios para o desenvolvimento da natação em Lourenço Marques. A Biblioteca. na Associação. com bom número de jogadores. Ao acto inaugural da Mansão presidiu o então Governador-Geral. já têm tomado parte em competições da modalidade. dirigida por um mestre da especialidade. t a m b é m . O PARQUE. filhos de sócios. que reúne muitos atractivos para as crianças é dotado de uma piscina. Em Novembro de 1947 foi inaugurado pela sua patrona. sócios e suas famílias. e fornece alimentação diária a 39 comensais externos. que serve de rinque de patinagem. t a m b é m . A c t u a l m e n t e tem 66 recolhidos. t a m b é m . A l é m dos Postos de Socorros e Consultas.
No sector da Asistência Social aos Velhos Colonos têm as Direcções dispensado grande interesse e carinho. franceses. A l é m dos internados. sabe que vai viver na sua CASA. onde vivem os velhos colonos. todos têm encontrado na « M A N S Ã O » — q u e consideram o seu ú l t i m o lar — a paz e sossego merecidos. considerando-se modelar a sua instituição a M A N S Ã O . do seu conforto. gregos. italianos. durante estes largos anos da sua existência! Tal obra bem merece ser acarinhada e ajudada por todos quantos o possam fazer! — 45 — . pela Câmara M u n i c i p a l . Uma perspectiva da bela piscina A M A N S Ã O é subsidiada pelo Estado — cujo interesse por esta Associação é deveras notável —. que se acolhe- ram à sombra da sua prestimosa Associação. que mais não pedem que comida e assistência médica. A visita que fizemos à « M A N S Ã O » deixou-nos francamente bem impressionados com o ambiente acolhedor que ali se respira. rodeados de carinho e conforto. muitos colonos. no momento em que se comemoravam os cinquenta anos da Associação dos Velhos Colonos. tranquilidade e carinho. onde a palavra esmola não é conhecida. que a todos é prodigalizado! Assim o deve ter sentido o Senhor Governador-Geral. ainda. a « M A N S Ã O » senta à sua mesa. que tantos e tão valiosos serviços tem prestado. sírios e indianos. se acolhe à M A N S Ã O . evidenciar a « M A N S Ã O » . ali terminando a ú l t i m a etapa da sua existência. O colono que. pela Assistência Pública e pela própria Associação. Dr. quando ali esteve. Merece. Baltazar Rebello de Souza. e só o termo solidariedade tem significado. Portugueses nascidos em Moçambique ou em Portugal continental. f i n d a uma vida de trabalho por Moçambique. t a m b é m .
r u b r a » . e assim. LUÍS GOMES J A R D I M .° DE MAIO O MAIS ANTIGO DOS CLUBES DESPORTIVOS DE LOURENÇO MARQUES O Grupo Desportivo 1. foi o primeiro Clube desportivo a existir em Lourenço Marques.° de M a i o . o Clube foi singrando. envidaram-se esforços nesse sentido. muitos esforços se despenderam. numa casa de um só piso. fundado a 1 de M a i o de 1917. Tenente M á r i o de A l m e i d a Machado. Este Clube nasceu da tenacidade e boa vontade de alguns adeptos do Desporto. que foi o 1. ter um edifício conveniente. JOSÉ R. a quem o Grupo Desportivo 1. em 1956. mercê do esforço dos seus dirigentes e sócios. A q u i salientamos a acção do seu Presidente da Direcção. GRUPO DESPORTIVO 1. o Clube inicia a construção da nova Sede. e algumas boas vontades se conjugaram.° de M a i o «é devedor de toda a gratidão e reconhecimento pela execução da obra que extraordinariamente valoriza o património do Grupo e constitui o sím- bolo indestrutível de união de toda a Família a l v i . M A N U E L V I T O R I N O . e quase premente.° Presidente da Direcção. A sua primeira sede era no A l t o M a é . que forma- ram o grupo fundador: A R T U R J O A Q U I M M A I A . A R T U R DA CRUZ e M A N U E L DA SILVA QUITÉRIO. A MAQUETE DA NOVA SEDE Lutando com inúmeras dificuldades. FERREIRA. em moldes adequados de modo a servir eficientemente os seus desportistas e sócios. Para a realização de tão grande como dispen- diosa aspiração. Como se tornava neces- sário. —46 — .
por ser t a m b é m .° de M a i o . Andebol de 7. aquando da sua fundação. Ciclismo. o Clube teve uma secção de A u t o - mobilismo. 26 Galhardetes e 9 Salvas de prata.° de M a i o . Basquetebol. Esgrima.° de M a i o . de m u i t o trabalho e de elevado grau de dedica- ção ao serviço de uma causa. segundo estatísticas do seu «Boletim». de que eram praticantes entusiastas.° de M a i o . criou um Cine- -Clube. só mercê de m u i t a carolice. «o Cinema é a arte que mais facilmente pode elevar a cultura de um agregado populacional. E realmente. a que sobreviveu mercê da extraordinária dedicação de um grupo de sócios para quem o clube era tudo no vida. Fox-Ball. Na vanguarda das realizações culturais. o Grupo Desportivo 1. cuja situação é hoje um exemplo para todos os clubes desta cidade!» — 47 — . Ténis de Mesa. de forma verdadeiramente espectacular como é o caso do 1. Em 1 9 6 1 . o que revela que a sua Direcção interpreta o Cinema como um valor educativo e como Arte. o Grupo Desportivo 1. Motociclismo. Mais tarde. praticavam-se as seguintes modalidades: Futebol. interessando nelas a quem ele assista». foi possível lograr resistir a mil e uma contrariedades e terminar por vencer. T i r o aos Pratos. 6. vamos transcrever algumas palavras que lhe dedicou o jornalista A r m a n d o Valério. Ciclismo. Voleibol. distribuídas pelas várias moda- lidades: Futebol. Hóquei e Ginástica. tem ocupado sempre uma uma posição de relevo. dois sócios-fundadores: Manuel Alves Car- diga e Bartolomeu Baptista Picolo. «Sou dos que desde há t r i n t a anos tem acompanhado a par e passo a activdade desse prestigioso clube que é o Grupo Desportivo 1. Tiro ao Alvo. Hóquei em Patins.° de M a i o tinha conquistado 180 Taças. e diversos. No Clube. Segundo a opinião de Faria de A l m e i d a . o mais antigo dos clubes ecléticos de Lourenço Marques. o meio mais acessível de fazer compreender todas as artes. Basquetebol. Para terminar esta biografia feita a «traços largos» do Grupo Desportivo 1. quando o Clube comemorou os seus 44 anos de existência. com as quais julgamos finalizar da melhor forma. mesmo em épocas d i f í - ceis por que passou. pois completa agora 44 anos de labuta em prol do progresso desportivo da capital moçambicana.
Hernâni Lourenço. denominada «Clube Desportivo Ferroviário». Carlos Alves M i l i t a r . . A r m a n d o Francisco V i l a M a i o r .» Eis o teor da 1 . a A c t a : «Aos 13 dias de Outubro de 1924.» Edifício Sede do Clube Ferroviário. . mais deliberou nomear uma comissão composta de sete indivíduos. e ali se reunia. Joaquim do Nascimento Galha e Nicolau Dias Cardoso. é composta pelos seguintes ferroviários: Jacinto Francisco V i l a M a i o r . todos ferroviários para elaborar os estatutos e regulamentos pelos quais se deve reger a mesma. nas horas vagas.» «Um dia do mês de Setembro de 1924. José da Silva Teixeira. o pessoa! de Tracção que cultivava aquela modalidade de jogo. um grupo de ferroviários que deliberou fundar em Lourenço Marques uma associação desportiva. «Junto do M a t a d o u r o (velho) havia uma cantina onde se jogava o chinquilho. A n t ó n i o Ferreira M o u c o . segundo a vontade dos indivíduos que reuniram.° 13 de V i l a Mousi- nho. José M a r i a de Freitas Júnior. destinada a exercer o desporto e bene- ficência.° de Maio») onde se disputavam os campeonatos da Associação local. em Lourenço Marques — 48 — . José da Silva Teixeira e Luiz Couto do Amaral.» «Da compra da bola nasceu a ideia de se fundar o Clube . à porta dessa mesma cantina. abria-se uma quota entre indivíduos para a compra de uma bola e respectiva bomba. reuniu-se na casa n. Nicolau Dias Cardoso. São eles: A n t ó - nio Joaquim Lourenço. CLUBE FERROVIÁRIO DE MOÇAMBIQUE Como e quais as razões que levaram à fundação do Clube Ferroviário de Moçambique. A n t ó n i o Ferreira M o u c o . Perto havia o campo de futebol do Sporting Clube de Lourenço Marques («mais tarde campo de treinos do 1. «A Comissão. pelas 20 horas. Neste momento não posso deixar de mencionar os nomes desses indivíduos que foram os primeiros a dar o impulso para a fundação do Clube Desportivo Ferroviário («como se escrevia então»).
no nome. t a m b é m . pelo momento que se vive. G Ô N D O L A . . Todas as Delegações possuem instalações próprias. equipas femininas. à tenacidade forte desse grupo de carolas que nunca perdeu a fé de ver o seu «Ferroviário» chegar a ser ainda alguma coisa em Lourenço Marques. Sede e Parques Desportivos. São as seguintes as modalidades a que o Clube se dedica: ATLETISMO Com atletas dos dois sexos e de todas as categorias previstas nos regulamentos. I N H A M B A N E . só existe a bem dizer . em fins de 1925. todas elas. que comporta um Pavilhão de Desportos e uma Piscina. Em N a m p u l a . MUTA- RARA. I A P A L A .° Freitas e Costa». MOAMBA. CALDAS X A V I E R . MOATIZE. MALVÉRNIA. constituindo. VILA MACHADO e VILA PINTO TEIXEIRA. este.» «E se não deixa de existir (o Clube de todo. como várias outras colectividades que por cá tem havido. situada na Avenida da República e Luciano Cordeiro. nem recursos para isso. . uma Piscina. L U M B O . Destacamos: As instalações da Beira. 1929. Não faz provas nem entra em competições. BASQUETEBOL O mesmo que para o atletismo e. N A C A L A . em Dezem- bro de 1944 é inaugurada a sua actual e magnífica Sede. Q U E L I M A N E . TETE. A Delegação de Gôndola t e m . Pela ordem alfabética são as seguintes delegações. Em 1944 o campo recebe o nome «Eng. 0 PRIMEIRO CAMPO A Câmara M u n i c i p a l concedeu o terreno necessário para nele o Clube construir o seu campo de jogos que veio a ser iluminado por quotização dos sócios (tal como foi o «Estádio Salazar»). juniores e seniores. Isto aconteceu no ano de 1 9 3 1 . M A N G A . N A M P U L A . m u i t o unicamente. o con- junto de instalações. Passado aquele período. Iniciados. t a m b é m .» E assim. DELEGAÇÕES DO CLUBE FERROVIÁRIO O Clube tem espalhadas pela Província várias delegações que são um prolongamento da sede. com acção pre- ponderante na área que servem. em Lourenço Marques. ACTIVIDADE DESPORTIVA DO CLUBE O Clube m a n t é m em actividade diversas secções com equipas nas diversas provas dos calendários oficiais. e então já falecido. Pode-se dizer que o maior Parque Desportivo da Provín- cia é o do Clube Ferroviário de Moçambique. a colectividade entrou na senda do progresso e a sua acção veio a ser reconhecida e veio a fazer «interessar a Administração Ferroviária na educação física dos seus funcionários. porque não possui nem elementos. num total de 21 : BEIRA. por um sucesso anormal que abala profundamente a classe ferroviária e se reflecte directamente na vida do Clube. como hoje podemos verificar. MAGUDE. a vontade dos homens de então venceu a dura batalha. JOÃO BELO. CICLISMO Categorias regulamentares. — 49 — . Porém. deve-se isso unicamente. que incluem um Pavilhão de Desportos. participando ainda em outras competições a nível inter-clube ou inter- -sócios. desde essa d a t a . numa homenagem àquele que foi dos mais dedicados dirigentes do Clube Ferroviário. «Começou-se a trabalhar e os primeiros êxitos no campo desportivo surgiram com o Futebol. até. Durante muitos anos as Sedes do Clube foram demasiado modestas. A partir de então o clube foi «crescendo» para melhor servir o desporto de Moçambique. MACHIPANDA. MALEMA. elementos válidos no desporto da Província. até que. juvenis. delegando no Clube essa missão». envolvendo tudo centenas de atletas dos dois sexos.
CAMPOS DE JOGOS Há junto da Sede do Clube. esta secção esteja inactiva. Houve. Fim de A n o e outras. que se revestiu de grandiosidade. tal como o orfeão. quer no valor material quer na variedade. O festival inaugural. HÓQUEI EM PATINS Actividades em todas as categorias. muitas altas individualidades dos países vizinhos e repre- sentantes do corpo consular. Rui Patrício. Escuteiros. Dr. dos dois sexos. medalhões. delegações de todos os Clubes da Província. também. TÉNIS DE MESA De momento esta actividade está limitada aos sócios. em representação do Chefe do Estado. que engloba campos de Futebol. grande largada de pombos e balões. Do festival fez parte um grandioso e colorido desfile. em homenagem ao Ferroviário. MINI-BASQUETE Em funcionamento classes para os dois sexos. Matos Correia. O Clube tem um passado verdadeiramente brilhante no teatro Laurentino. São taças. em que t o m a r a m parte filiados da Mocidade Portu- guesa. ACTIVIDADE RECREATIVA E CULTURAL Para atender os sectores recreativo e cultural o Clube m a n t é m : Uma Biblioteca — Secção de Xadrez — Escola de Ballet — Banda de Música. TÉNIS Actividades inter-sócios. Na Machava está situado o magnífico «ESTÁDIO S A L A Z A R » — o r g u l h o dos ferroviários — que foi solenemente inaugurado em 30 de Junho de 1968. creditados em Lourenço KAarqu&s. OS TROFÉUS É grande o património do Clube em troféus. colocada à entrada da T r i b u n a de Honra do Estádio. e. e a terceira. descerrada pelo chefe da embaixada da Federação Portuguesa de Futebol. são actividades de referir. o descerramento de três placas. A piscina do Ferroviário será a nossa próxima realização. bem como recinto para Feira Popular. NATAÇÃO É mantida uma escola de aprendizagem que funciona na piscina do Desportivo. embora. pelo Subsecretário de Estado do Fomento U l t r a m a r i n o . por ser passageiro e eclipse. Festas na Sede: de Aniversário. um conjunto de instalações depor- tivas. A bênção do Estádio foi lançada pelo Arcebispo de Lourenço Marques. A primeira assinalando a inauguração oficial do Estádio descerrada pelo Dr.FUTEBOL Participação em todas as provas oficiais. entre elas. João Havelange. em homenagem do desporto brasileiro. galhardetes. um interessante grupo de Marjoretes sul-africanas. sessões de cinema e a publicação do boletim mensal. assim como de algumas agre- miações da Metrópole. Ténis. Rui Patrício. etc. Páscoa. estatuetas. Hóquei patinado e Basquetebol. a segunda descerrada pelo Presidente da Confederação Bra- sileira de Desportos. TIRO Por f a l t a de «carreira» a acção limita-se a participar nas provas que se organizam. plaquetes. — 50 — . GINÁSTICA DESPORTIVA São mantidas classes de infantis e adultcs. placas. teve várias cerimónias. em Lourenço Marques. medalhas. de momento. Estiveram presentes. t a m b é m . Dr. Dr. e a i n d a . como pode ser observado numa visita à sala dos troféus.
José Magalhães. pelo que lhe foi dado o epíteto de «O Homem do Estádio». Conduziu o facho com a chama da Pátria — vinda da cidade do Porto. Caminhos de Ferro de Moçambique. pois que ao serviço do Estádio desenvolvera grande actividade.° Albano de Sousa Dias. O nome do Eng. O festival terminou com um encontro de futebol entre as selecções de Portugal e do Brasil. pelo representante do Chefe do Estado.° Sousa Dias já havia marcado posição de relevo.° Pinto Teixeira. fez um brilhante discurto no acto inaugural. O Director dos Serviços dos Portos. Coube a honra de hastear a Bandeira Nacional. patrono deste Estádio: «Temos de reagir pela verdade da vida que é o trabalho : : : e dar aos portugueses.» Vista aérea do «ESTÁDIO S A L A Z A R » — 51 — . figura de grande prestí- gio em Moçambique. testemunho de uma valiosa acção desenvolvida pelo Clube Ferroviário. pela disciplina na cultura física. repentinamente. que veio a falecer. ex-Director dos Caminhos de Ferro. tornou possível tão magnífico empreendimento! Terminamos a biografia com algumas palavras do Presidente Salazar. ao Eng. berço da nacionalidade.° Fernando Seixas. o segredo de fazer duradoura a sua mocidade em benefício de Portugal. Nas cerimónias da inauguração foi condecorado o Eng. e ali acesa pelo Chefe do Estado em significativa cerimónia — o con- sagrado atleta do Ferroviário. Eng. dando-lhe o impulso decisivo para uma mais breve conclusão. tendo tido uma assistência «recorde» de 50 mil pessoas! O dia 30 de Junho de 1968 constitui um marco a assinalar uma progressiva etapa no desporto moçambicano. que por tal facto.
Moreira da Fonseca. sócio fundador n. devido aos esforços incansáveis de José Correia Borges. O «Grupo N á u t i c o » . tendo obtido grande ê x i t o ! O relatório da Direcção. apresentado em Assembleia Geral de 14 de Janeiro de 1914. diz que o material que o «Grémio Náutico» possuía se resumia a uma canoa. na noite de 2 de Outubro de 1918 realiza-se um memorável Sarau no TEATRO V A R I E T Á . tendo sido a primeira quota de cinquenta centavos. Dr. foi possível à Direcção conseguir com que o Governador-Geral de então.° 1 e seu vice-comodoro honorário. Isto quer dizer que o rendimento das quotas do «GRÉMIO» não chegava a ser de cem escudos mensais! Mesmo assim. A festa redundou em verdadeiro sucesso. passando a um escudo quando foram aprovados os Estatutos. embora os seus Estatutos só tivesem sido aprovados por A l v a r á de 25 de de Agosto de 1913. sob a direcção entusiasta de José Correia Borges. conseguem que o Con- selho de Turismo lhe construa o edifício para a sua Sede. por um pequeno grupo de rapazes. em 27 de Dezembro de 1919. se interessasse pelo «Grémio» e lhe concedesse o subsídio de 1200 libras para mobilar o seu edifício. vice-comodoro. Presidente da Direcção. Em Janeiro de 1919 o número de sócios ainda não a t i n g i a uma centena. A inauguração da nova sede fez-se com grande pompa. As reuniões. E assim. faziam-se nos quartos dos mais entusiastas. NJooLjelee tempos distanfes os monífesfações desportivas começavam a despertar.° J. que se efectuou ao longo da Ponte-cais Gorjão. Fachada principal do edifício do Clube Naval — 52 — . com o f i m de angariar f u n - dos para mobilar o edifício. ainda tinha embarcações e um barracão onde as guardava. que lhe tinha sido entregue. CLUBE NAVAL DE LOURENÇO MARQUES O Clube Naval de Lourenço Marques — o antigo Grémio N á u t i c o — pode dizer-se que foi fundado em 1912. o que mostrava que o «Grémio» sabia cumprir a sua missão. e do Eng. dois «inrrigers» e 14 remos. Em Julho de 1913 o Clube realizou a sua primeira Regata. nesse tempo. em 1917. V a z M o n t e i r o . Desta f o r m a .
que teve bastantes concorrentes nacionais e estrangeiros. o desporto toma o seu lugar e o «Grémio Náutico» passa a denominar-se «Clube N a v a l » . «505»/ «0» e «FD». Presidente do Conselho Provincial de Educação Física e Desportos. que fez deslocar à capital da Província numerosos estrangeiros que vieram acompanhados de suas famílias. Em Julho de 1969. a f i r m o u : Aspecto geral do Clube «Lourenço Marques deve todo o prestígio e atracção de que desfruta à sua situação perante o mar e o Clube Naval sempre prestou. a Câmara M u n i c i p a l . Com os votos de pleno êxito para as suas organizações. a que concorrem iates de Cruzeiro. O Clube N a v a l .° Emílio Mertens. n a t u r a l m e n t e . na Inhaca. através dos tempos. passando a limitar a sua acção às actividades para que fora criado: Remo e Vela. Nasceram outros Clubes. o que é. nem sempre f o i . além de promover um Concurso Internacional de Pesca. T a m b é m se vem efec- tuando desde 1968. tendo sido ganha por um sul-africano. entidades oficiais e particulares. o Clube Naval de Lourenço Marques apresentou um vasto Programa de comemorações do seu 56. a t i n - gindo cerca de um milhar de visitantes. Em 1920 o número de sócios passou para 5 2 8 . sem os quais não lhe seria possível vir a cumprir a missão para que fora criado o Clube. às boas vontades e m u i t o trabalho. Para isso m u i t o tem contribuído o auxílio e simpatia que lhe têm dispensado os Governa- dores-Gerais da Província. para 5 0 $ 0 0 . Na mensagem que dirigiu ao Clube N a v a l . a Regata Oceânica «Vasco da Gama». O Clube Naval t a m - bém promoveu uma competição de M o t o n á u t i c a . garante uma extremosa simpatia extensiva a todos os habitantes desta nossa terra. os seus sócios. o que. endereço a todos os velejadores e cor- pos directivos as minhas calorosas saudações.» Também o Dr. logrou alcançar a posição de relevo que hoje ocupa em Moçambique.° aniversário. Eng. referindo-se ao Clube N a v a l . pasando a quota para 10 escudos. diz no sua mensagem: — 53 — \ . O Clube promoveu campeonatos de: SNIPES. Lourenço Marques-Durban. proporcionando um interessante espectáculo. participar nas várias Regatas. Depois. uma destacada c o n t r i - buição para a sua valorização turística. Clases de «Spearhead». e mais tarde. o actual Presidente da Câmara Municipal de Lourenço Marques. Noronha Feio. a cidade foi evoluindo. obtendo grande êxito. devido principalmente. através da sua longa existência. se representa motivo de orgulho para os seus sócios. que a população da cidade pode apreciar g r a t u i t a m e n t e .
Não contestemos nem uma vez tamanha lição de generosidade e de vida plenamente realizada nestes encontros da juventude com o sol e o mar! Dias de m u i t o trabalho e de preocupações sem conta. raras vezes igualada no espaço português e em tudo dignas das tradições do Clube.» Com as elogiosas referências de duas ilustres entidades oficiais. terminamos a história deste simpático Clube lourenço-marquino. a cidade de Lourenço Marques que na maravilhosa quadra de Julho encontra nos festejos do Naval uma expressão em tudo digna da sua beleza.° aniversário da sua fundação com uma série brilhantíssima de realizações de nível nacional e internacional. dias felizes de missão cumprida — há jovens e velas na Baía do Espírito Santo. Entrega de prémios aos vencedores das Regatas Internacionais. de modo m u i t o especial. «O Clube Naval de Lourenço Marques comemora o 56. O Desporto e o Turismo da Província de Moçambique estão mais uma vez de parabéns e. em 1969 — 54 — . paz e juventude.
o Clube pôde contrair dois empréstimos à Caixa Económica Postal. Exa. A n t ó n i o da Polana e toda a zona «A» do Bairro dos Cronistas. Em 1963 foi inaugurado um parque i n f a n t i l com piscina para a pequenada. o Governador- Geral de Moçambique. Santos Gil e os depósitos da Caltex. O CLUBE MAIS ANTIGO DE LOURENÇO MARQUES CLUBE DE GOLFE DA POLANA Edifício do Clube de Golfe Fundado em 1895. Telégrafos e Telefones. com 18 buracos. — 55 — / . talvez. a nova Sede. . Leitura. Em 1914 mudou-se para a zona de Sommerschield da Polana. nos terrenos onde actualmente se encontram as instalações fabris da firma P.° Lopes Duarte. O plano de urbanização que criou o Bairro dos Cronistas obrigou o Clube de Golfe da Polana a procurar novamente outras instalações. Director dos Correios. etc. Bar. a prestigiosa colectividade tem singrado e subsistido. Em 1964 foi construído um «Court de S q u a s h » — a única instalação em Moçambique para a prática de squash. no plano d a : esperanças . sem os quais a construção da Sede continuaria. Comandante Pedro Correia de Barros. Na ala esquerda do edifício situa-se o Gabinete da Direcção. Durante alguns anos o Clube continuou a fazer uso da Sede antiga ao lado do actual Clube de Lourenço Marques. cami- nhando progressiva e t r i u n f a n t e m e n t e . filhos de sócios. mercê da união de todos os sócios e da boa vontade de simpatizantes. Em 1955 começou-se a construção do novo campo tendo ficado completados os trabalhos em 1956. Também devido à compreensão e ajuda do Eng. ocupando o campo de golf a área onde presentemente se encontra a Igreja de Sto. . E assim. mas em 9 de A b r i l de 1961 foi inaugurada por S. Sala de Jogo.
o Presidente da Direcção do Clube. incluindo 10 jogadores internacionais de grande categoria. É. incluindo os* melhores amadores da Á f r i c a do Sul. Todos os anos é disputado nos Campos de Golfe o Campeonato de Moçambique com a par- ticipação de grande número de jogadores dos países vizinhos. actualmente. Em 31 de_ Dezembro de 1964 o Clube de Golfe da Poiana tinha 3 0 8 s ó c i o s — 190 de golfe — 63 da secção Social e 55 Correspondentes e Juniores. João Ferrão. Sala de convívio do Clube — 56 — / . Em 1964 inscreveram-se 60 jogadores estrangeiros.
A n t ó n i o José de Sousa A m o r i m . José Mendes Felizardo M a r t i n s . A l b e r t o Gonçalves T ú b i o . — 57 — . Joaquim Duarte Saúde. M a n u e l Sousa M a r t i n s . José Roque de A g u i a r . M a n u e l Dias. Júlio Belo. A n t ó n i o Pimenta Freire. José Nicolau A r g e n t . A n t ó n i o M a r i a Veiga Peres. Peter Mangos. A b í l i o Carmo. Estádio coberto do Sporting MODALIDADES PRATICADAS E NÚMERO DE ATLETAS A t l e t i s m o — Andebol de 7 — Badminton — Basquetebol — Automobilismo — Ciclismo — Futebol — Futebol de Salão — Judo — Ténis de Mesa — T i r o — Voleibol e Hóquei em Patins. João de Freitas e Fernando de Fi- gueiredo Magalhães. João Carvalho. José Miguens Jorge. o Clube t e m cerca de 1300 sócios. Edmundo Dantes Couto. Augusto Gendre Ferreira. A l f r e d o Carlos Sequeira. num total de 6 0 0 atletas. Na actualidade. SPORTING CLUBE DE LOURENÇO MARQUES O Sporting Clube de Lourenço Marques foi fundado em 3 de M a i o de 1920 e pelos seguin- tes sócios: Jorge Belo. José Lopes.
Foi vencedor do Campeonato U l t r a m a r i n o . campeão de 1 9 6 0 Em 1962 foi o vencedor da « T A Ç A DE PORTUGAL». Em 1964 foi o vencedor do Campeonato Nacional de Basquetebol. TAÇAS E CAMPEONATOS GANHOS PELO CLUBE Em 1961 o Sporting Clube de Lourenço Marques foi o campeão do Campeonato de Fute- bol de Moçambique. Igualmente foi vencedor de diversos Campeonatos Provinciais e Distritais em diversas modalidades e categorias. disputada em Lisboa. . também o vencedor do «I TORNEIO I N T E R N A C I O N A L DA ÁFRICA AUS- T R A L » . O Sporting Clube de Lourenço Marques. Nesse mesmo ano também foi o campeão de ciclismo em Lourenço Marques. Em 1962. em 1963. em Basquetebol. f o i . e vencedor da eliminatória do Ultramar para a « T A Ç A DE PORTUGAL». na categoria de Juniores. em Futebol. na categoria de Seniores. em Basquetebol. na categoria de Seniores.
Campeão Ultramarino em 1963 As instalações do Clube ocupam uma área de cerca de t r i n t a e quatro mil metros qua- drados. Tesoureiro: Manuel de A l m e i d a Saraiva. O Sporting Clube de Lourenço Marques m u i t o t e m contribuído para o desenvolvimento e prestígio do Desporto na Província. d i r i g i r a m os destinos deste prestigioso Clube. M a n u e l Lourenço Real. — 59 — .° Joaquim Cabral Jacobetty. Vice-Presidente das Actividades Desportivas: Luís José M a r i n h o Falcão. os seguintes Senhores: Presidente da Direcção: Eng. Secretário-Geral: Rolando M a i a Vinhos. O seu Pavlihâo de Desportos tem capacidade para cinco mil pessoas.° Luís Júdice Folque. Na Província. Vice-Presidente das Relações Públicas: Eng. Vice-Presidente A d m i n i s t r a t i v o : Dr. é a mais importante Filial do Sporting Clube de Portugal. Em 1965. sendo considerada uma instituição de utilidade pública.
Porém. • CLUBE DE PESCA DESPORTIVA DE LOURENÇO MARQUES O belo edifício do Clube de Pesca Desportiva Considerada como prática generalizada a pesca desportiva tem passado pouco remoto em Moçambique. é bem mais antiga do que muitos dos seus actuais praticantes poderão supor. esse pequeno grupo não fez escola e não deixou continuadores. com material aperfeiçoado. poucos. pelo menos em Lourenço Marques. frequentemente ridicularizados — os seus componentes não souberam. com linhas de algodão ou de linho enroladas em primitivos carretos «center- -pin» ou «Sacarborough». a quem durante m u i t o tempo coube a honra de ter. ou não quiseram. é certo. constituiu o primeiro grupo de aficionados que deu origem ao seu actual desen- volvimento. em número reduzido e sempre os mesmos que. A esse grupo pertenceram o velho Sprackett. insu- flando-lhes a chama sagrada e criando entre si e nos novos o necessário «espírito de grupo» para que o desporto evoluísse. sucessivamente. quer em número quer em tamanho. alheios às «piadas» dos «mirones» e indiferentes aos conceitos que deles f a z i a m amigos e desconhecidos. já falecido. cujas capturas de tubarões. em 1952. ainda vivo mas afastado das lides. data em que pode situar-se o começo do afluxo de gente interessada que. os componentes desse reduzido número de pioneiros — não mais de meia dúzia — cometeram verdadeiras proezas que muitos praticantes de hope. tendo a t i n g i d o Moçambique aí por volta de 1947-48. de saudosa memó- ria. Todos esses primeiros praticantes se dedicavam à pesca pesada e. não desdenhariam de averbar nos seus palmarés. por isso. passaram horas sem conta na prática da modalidade. porém. — 60 — . interessar outros. Fechados em si mesmos — talvez por serem tidos como mais ou menos lunáticos e. a sua introdução. munidos de longas canas de bambu n a t u r a l . e o Romeu Casaleiro. que especados na muralha m a r g i n a l . quer de cima da velha ponte do Pavilhão da Polana. Foi só depois da ú l t i m a guerra mundial que a pesca desportiva alastrou explosivamente ao mundo inteiro. se tornaram famosas. pescado as maiores garoupas gigantes até então vistas. como epidemia impossível de conter. Aí por volta de 1924-25 já existiam aficionados.
na Beira (que ainda hoje m a n t é m essas secções em plena actividade). os conhecimentos que iam obtendo. pas- sando a pescar mais com a cabeça do que com os músculos. por ordem cronológica. Mas dentre esse grupo inicial alguns houve que não se contentaram com apenas «tirar» peixe de qualquer f o r m a e quiseram saber mais. possui embarcações próprias para a pesca grossa de alto mar. contribuíram para a evolução deste desporto entre nós. foi pioneiro o Clube de Pesca de Moçambique. o Clube de Pesca Desportiva. como é n a t u r a l . f o r a m espalhando entre os confrades. que aqui deu proveitosas lições e acendeu o fogo sagrado quando por aí andou f i l m a n d o « C h a i m i t e » . o desporto era praticado de qualquer modo. A doca do Clube O rápido desenvolvimento da pesca desportiva conduziu ao necessário agrupamento dos aficionados que. em toda a Província. entre os quais se con- t a m alguns dos mais destacados praticantes. Primeiro em Lourenço Marques e depois. Seria ingrato não mencionar a influência que neste grupo exerceu. e o Clube N á u t i c o . George Wooler e W. N o r m a n M a r c h a i I . van Rooyen. directa ou indirectamente. de Lourenço Marques e o Clube de Pesca de Gaza. nessa a l t u r a . para só citar alguns entre os mais notáveis que nos têm visitado e que. em Lourenço Marques. criou já reputação internacional que m u i t o t e m honrado o clube e a Província. A partir de 1952 a pesca desportiva evoluiu rapidamente em Moçambique. aprenderam e. Howard e os contactos com cam- peões como Joe Brooks e com praticantes de experiência internacional como A l b e r t V a n der Riet. começando por formar «secções» especializadas dentro de alguns clubes de desportos náuticos. em João Belo. Deste. ambos em plena actividade. foram aparecendo cada vez mais adeptos deste desporto que hoje t e m entre nós alguns milhares de praticantes. desajeitadamente. A princípio. corrigindo-se e aperfeiçoando-se. com mais de seiscentos associados. criado na Beira mas de efémera duração. — 61 — . criaram relações. Estabelece- ram contactos. ao qual se seguiram. os proveitosos ensinamentos sobre pesca grossa que nos proporcionou o falecido coronel John K. Jorge Brun do Canto. uma doca privativa e uma grandiosa sede. culminaram por fundarem clubes da especialidade. grande pescador entre os maiores. à maneira de «arranca-nabos». como o Clube N á u t i c o . O Clube de Pesca Desportiva. mais lentamente. mais em «souplesse» do que em forca. o que é mais i m p o r t a n t e .
Este facto.f r o n t e i - ras. xaréus e barracudas. à pesca grossa em poderosos barcos como os «srikers» do Clube de Pesca Desportiva. onde este desporto tem tradições estabelecidas. — 62 — . em poucos anos. que culminou na realização ali do primeiro concurso de pesca. embora perdendo. f i n a l m e n t e . passaram a adoptar-se as regras internacionais de pesca desportiva em todos os concursos e o regulamento daquela com- petição foi-se tornando cada vez mais rígido e apertado. através dos quais tem procurado estabelecer contactos com a fraternidade do resto do mundo. adquiriu foros de tradicional. Esta projecção deve-se não só à actuação de alguns dos nossos pescadores mais desta- cados como. da Á f r i c a do Sul. sul-africanos e rodesianos. da Á f r i c a do Sul e de Moçambique. t a n t o nacionais como estrangeiros. pro- prietário da organização que tem o seu nome e que explora o turismo no arquipélago. ao lado de americanos. apercebendo-se das possibilidades das nossas águas. à acção do Clube de Pesca Desportiva de Lourenço Marques. é hoje tradicionalmente presidido por um delegado de Moçambique. veleiros e espadins (marlins). mas quase simultaneamente) das enormes possibilidades haliêuticas das águas do Bazaruto consolidaram entre nós o estabelecimento da pesca desportiva de alto mar. Com a nomeação de representantes em Moçambique da International Game Fish Associa- tion e a filiação dos nossos clubes nesta organização internacional. no Cabo Blanco. Entretanto. começaram a visitar-nos com frequência e a contactar cada vez mais com os nosos praticantes que rapi- damente iam absorvendo todos os conhecimentos experimentando todas as novas práticas que : podiam. embora convidados. um troféu f l u t u a n t e que designaram por «THE HENRY. A partir de então o concurso de pesca-grossa do Bazaruto que se tem realizado regular- mente há dozes anos sem uma falha graças à iniciativa do velho colono Joaquim Alves. que reúne entre os seus membros alguns dos mais conhecidos pescadores de Á f r i c a . Assim. u l t i m a m e n t e . alguns des- portistas experimentados. nos internacionais. na Europa. aos tubarões. dourados-do- -alto e atuns. não só entre os nossos vizinhos como também na América do Norte. douradinhas e carapaus. no Cabo e na Nova Zelândia. Em Melinde (Quénia) onde Moçambique se fez representar antes da independência da- quele t e r r i t ó r i o . O prestígio criado pelas equipas portuguesas que têm disputado os concursos da Cidade do Cabo — onde se reúnem os mais experimentados «springbocks» — levou os organizadores a considerar o Clube de Pesca Desportiva como «convidado permanente» nos prélios entre c l u - bes e. O concurso do Bazaruto t e m sido várias vezes ganho por equipas moçambicanas. das tainhas. em Wedgeport. As possibilidades da pesca desportiva das nossas águas são hoje conhecidas a l é m . Moçambique não pôde voltar a fazer-se representar. em botes a remos. para futuras competições.m a r . a equipa de Moçambique como um «must». de que fazem parte delegados dos territórios vizinhos. a nossa equipa foi favorita e. no Hawai. às cavalas (serras). THE N A V I G A T O R ' S TROPHY». os organizadores deram-nos a honra de instituir. aberto a equipas de clubes da Rodésia. dando-lhe o nível internacional que lhe trouxe fama e que a ele atrai pescadores experimentados nas Bahamas. da pesca no estuário e canais. aliado às descobertas feitas por Alexander e por van Rooyen (independente- mente um do outro. os nossos desportistas foram-se graduando da pesca nas mura- lhas e nas praias à pesca de estuário e a l t o . australianos. dos bonitos. à pesca nas barras em «ski-boats» com motores fora de borda e. na A u s t r á - lia e Nova Zelândia. Infelizmente. sendo de notar que o júri destes concursos.
à Vela. Esta é mais uma agremiação desportiva moçambicana. — 63 — . um Bar para Homens. Balneários para ambos os sexos. onde construí- ram a sua nova sede. CLUBE MARÍTIMO DE DESPORTOS Aspecto exterior do Clube Marítimo de Desportos Em Lourenço Marques. m u i t o principalmente. um Hangar coberto para t r i n t a embarcações e uma esplanada para cem embarcações. seis quartos de cama para alojar embaixadas desportivas. um Bar para Senhoras. que ao Desporto de Moçambique tem dado valioso contributo. M u i t o s anos depois. foi fundado em 3 de M a i o de 1948. A sua sede e campo de jogos teve lugar nos terrenos da Capitania. sala para Direcção e Conselho Técnico. mudaram as suas instalações para a Praia do Polana. Esta consta de um grande Salão de Festas. por oficiais e mais funcionários da Capitania d o > o r t o de Lourenço Marques. Futebol e outros. Caça Submarina. Pesca. No presente. o CLUBE M A R Í T I M O DE DESPORTOS. Remo. o Clube dedica-se somente aos desportos náuticos. cozinha e copa. Ski aquático e M o t o n á u t i c a . Praticavam-se os desportos da Vela. Remo.
acabando por se fixar na Província. grangeando-lhe louros e merecidos elogios. trabalhando com os melhores realizadores portugueses. e M a x Nosseck. . ANTÓNIO MELO PEREIRA O PIONEIRO DO CINEMA EM MOÇAMBIQUE A n t ó n i o M e l o Pereira desde a juventude que se dedica à Sétima A r t e . Desde que se f i x o u em Moçambique. Depois o seu sonho cresceu . como por exem- plo. entre as quais. profissão que iniciou na Metrópole. M e l o Pereira tem produzido diversos Documentá- rios de elevado nível técnico e artístico. ou mais propriamente. e há cerca de dois anos montou um laboratório. acabando por se prender aos encantos da capital. Sonhando sempre com projectos cinematográficos. inicia em Agosto de 1955 a feitura de um jornal mensal. que desde então aparece regularmente nos écrans dos principais territórios portugueses. em Lourenço Marques. assim como com equipas estrangeiras que se deslo- caram a Portugal para produzirem filmes. na Secção de Televisão da BBC. estudar. . de actualidades da Província. O produtor de « A C T U A L I D A D E S DE M O Ç A M B I Q U E » nasceu próximo de Leiria — a linda princesa do Liz — tendo ido depois. no qual labora o seu jornal e Todos os trabalhos cinematográficos idênticos. Leitão de Barros e Brun do Canto. Em 1 9 5 1 . A n t ó n i o Melo Pereira também esteve em Londres. para Lisboa. onde sstagiou durante seis meses. a que foi dado o t í t u l o de « A C T U A L I - DADES DE M O Ç A M B I Q U E » . dos realizadores Alejandro Perla. A n t ó n i o Melo Pereira vem para Moçambique integrado na equipa cinemato- gráfica que ia produzir o filme « C H A I M I T E » . — 64 — . espanhol. focando diferentes aspectos da Província. mo- dernamente apetrechado. americano.
JOÃO TERRAMOTO O primeiro representante da Televisão Portuguesa. iniciando a sua vida profissional na Beira. a f i l m a r as Corridas de Automóveis. em Julho de 1969. em Lourenço Marques. no A u t ó d r o m o de Lourenço Marques. quando se encontrava em serviço. Viera para Moçambique em 1959. fixando-se. falecido num brutal desastre. foi o malogrado colega João T e r r a m o t o . pouco depois. João Terramoto num momento de reportagem — 65 — . em Moçambique.
abraçou com carinho a ideia dos seus amigos e em 1913 inaugurava o seu primeiro teatro já de v u l t o . MANUEL AUGUSTO RODRIGUES PIONEIRO DO CINEMA E DO TEATRO Em Janeiro de 1897. Vencidos que foram os obstáculos quase intransponíveis. repassada de amor pela arte por- tuguesa e de sentimentos patrióticos. seis anos volvidos. era assinada por uma centena de vultos de destaque de então e que hoje ainda lembramos com saudade ao ver os seus nomes invocados para designar algumas das Avenidas de Lourenço Marques. M a j o r Freire de Andrade e a que lhe deram o nome de «Salão Edison». o que havia de ser mais tarde o grande pioneiro da indústria do cinema e teatro em Moçambique. que levaram Manuel Augusto Rodrigues a sentir uma maior aspiração. Essa carta. e com o espanto geral da população ante t a n t a tenacidade e arrojo. para aqueles tempos. saiu Lourenço Marques do seu marasmo. Presidiu à inauguração o Go- vernador-Geral daquele tempo. que nestas paragens a todos irmanava. Esse orgulho foi tão elevado que. e com eles. Passaram-se os anos. Na reali- dade. tendo como chefe de gabinete. na construção duma já moderníssima e ampla casa de espectáculos que a todos orgulhava. Manuel Augusto Rodrigues. os vindouros o sentem ao ler uma carta dos mais proeminentes velhos colonos dirigida a Manuel Augusto Rodrigues pedindo-lhe que ao novo teatro fosse dado o nome de «Gil V i c e n t e » . o desenvolvimento da cidade evoluiu na rotina própria daquela época. que havia de legar a Moçambique um dos melhores exemplos de colono e p a t r i o t a . — 66 — . e devido a tenacidade forte desse pioneiro. que pertencia também a essa mocidade exuberante. com a inauguração da sua primeira sala de espectáculo. assistida pelo seu Gover- nador-Geral. Ferreira dos Santos. cheia de uma vontade incomensurável de vencer. o seu já agora modesto salão. não correspondia a digna sala de visitas que a terra merecia. Sr. Manuel Rodrigues e que ali se finou no ano de 1944. o Comandante João Belo. desembarcava em Lourenço Marques. ainda hoje. qual V i l a de hoje. então. A cidade era. «Teatro Gil V i c e n t e » . um pequeno aglomerado de amigos. É tal o amor pela terra que o acolheu e tal a boa vontade dos amigos que o rodeavam. Dr. lança-se Manuel Augusto Rodrigues. Não eram passados dez anos. o primeiro teatro em terras de Moçambique e já um dos melhores de toda a Á f r i c a .
Senhor Tenente- -coronel Soares Z i l h ã o . Noite momerá- vel. à custa de tantos trabalhos e canseiras! Nós. tudo muda. por que Manuel Augusto teria de passar para alcançar os seus objectivos: apresentar o melhor. vê a cidade de Lourenço Marques. porém. sua família e seus amigos. arrebatando-lhe o seu sonho. de que só o arrojado e desprendido empresário. correios aéreos. a alindar-se. este homem. porém. em que nem sequer o seguro lhe valeu por o mesmo não ter sido renovado. ao profundo golpe sofrido. que ainda viveu até 1944. Em poucos minutos. é que avaliamos bem o trabalho exaustivo e privações até. para o empresário de larga visão que se agigantava na adversidade e que não passava de uma sombra modesta dos seus triunfos. luz e alegria para todos os que a ela assistiram. . E ao findar o ano de 1933 inaugura o novo e elegante teatro da Avenida A g u i a r . nos anais do progresso citadino! Estava realizado o sonho do velho colono e pio- nero. M a n u e l A u g u s t o Rodrigues. brilhan- tismo. alguma coisa da sua personalidade tem de legar à cidade a que t a n t o quis. seria capaz. quanto mais não fosse para patentear a sua satisfação e homenagem ao persistente pioneiro do teatro de Moçambique e a quem a cidade já t a n t o devia Noite de comoção forte para Manuel A u - gusto Rodrigues. pois sente que ao findar da sua vida alguma coisa de seu. lança-se na construção do novo «Gil V i c e n t e » . Manuel Augusto Rodrigues. A l i acorreu a população em peso. Que momentos de f e l i c i - dade e alegria deu. do melhor daqueles tempos . Escudado no seu ânimo forte e persistente. toda uma vida de trabalho e honestidade. O que foi a noite de estreia. Em 1 9 3 1 . que o não de- samparam e o encorajam a prosseguir. Há amigos. Manuel Augusto Rodrigues. a terra dos seus filhos que também já é sua. aos seus compatriottas. aquela. contra a maré norma! do seu ritmo de t r i u n f o . nesta época dos telefones. Noite de distinção. faiam-nos os periódicos daquele tempo. e mil uma facilidades de agora. . na sua alma já abalada pelos anos que avançam e f a t i g a m as vontades mais fortes. Lembra-se com saudade de seu pas- sado de lutas e contrariedades vencidas. daquele tempo. Seguem-se dias de desalento amargo. o seu novo «Gil Vicente». Para a estreia do primeiro teatro de Moçambique veio também a primeira companhia de teatro da Metrópole. — 67) — . um incênido destruiu por completo todo o edifício e recheio do Gil V i c e n t e » . uma vaga de pouca sorte. empreendimento e organização esta. os vindouros. presidida pelo Encarregado do Governo. então. a povoar-se cada vez mais.
. deixou reflexos o impulso da sua natural vocação. onde tudo é com gosto e sobriedade. um dos mais luxuosos e delineados teatros modernos. na sua ampla Avenida 24 de Julho. resolvem dotar Lourenço Marques. ao seguimento do t r i l h o encetado. decidem dar-lhe o nome de «Teatro Manuel Rodrigues». continuadores da obra orgulhosa do p a i . Como preito de homenagem ao autor dos seus dias e ao justo e valoroso pioneiro da i n - dústria teatral de Moçambique. seus filhos. somente. com mais um novo t e a t r o . E assim. não se limitando. em 1 9 5 6 Deixou raízes a sua vontade indómita. César e M a n u e l . A representante da « M G M » entrega uma placa de homenagem aos Irmãos Rodrigues.
até ser concedida. M . onde organizou e amestrou em pelotão de Cavalaria da Polícia. e t a m b é m taquígrafo do Conselho do Governo. Foi encarregado da missão de proceder ao reconhecimento do vale do rio Rovuma. Nasceu em 9 de Setembro de 1889. Em fins de 1914 foi nomeado ajudante de Campo do Governador-Geral. No mesmo ano voltou a Moçambique como subchefe do Estado-Maior da expedição coman- dada pelo coronel de A r t i l h a r i a M o u r a Mendes e de que era chefe do Estado-Maior o major L i - berato Pinto. como defensor oficioso dos Conselhos de Guerra. CAPITÃO MANUEL SIMÕES VAZ FUNDADOR DO "NOTÍCIAS" O PRIMEIRO JORNAL DIÁRIO DE MOÇAMBIQUE O capitão Simões V a z a ser galardoado pelo Presi- dente da Câmara de L. tendo elaborado um levantamento expe- dito do percurso f e i t o a t é uma localidade de nome Chivinde no ponto em que o rio saía do nosso território. Fez esse reconhecimento. em 26 de Setembro de 1 9 6 1 . sendo promovido a alferes em 15 de Novembro de 1910. e gastou nele. . no que respeitava a recursos alimentares da região e vaus possíveis para passagem de tropas. frequentou a Escola Politécnica e depois as Escolas do Exército e Prática de Cavalaria. apenas acompanhado de carregadores e seus cipaios. General Joaquim José Machado. Foi promovido a tenente em 23 de Setembro de 1911 para seguir para S. — 69 — . onde foi tomar parte n u m concurso hípico internacional sem vencimento e sem contagem de tempo de serviço. depois de 14 de M a i o de 1915. cerca de um ano. a demissão ao Governador- -Geral que acompanhou no seu regresso a Lisboa. T o m é em comissão ordinária. no Quartel General. homenageando os seus 40 anos ao serviço da cidade. ficando colocado depois em Moçambique. lugares que desempenhou c u m u - lativamente. numa ex- tensão de cerca de 5 0 0 quilómetros. Seguiu em Junho de 1913 para Lourenço Marques.
teve de deitar mão de trabalho a ele estranho para obter recursos para a sua manutenção e assim foi professor de inglês e desenho no Liceu 5 de Outubro. — 70 — . f o i . com instruções para ir ao encontro duma formação alemã que se encontrava já em território português. e publi- cação num dos primeiros dias desse ano. assunto duma campanha que se prolongou durante anos. e n f i m dando sempre toda a cooperação. ocupações que foi deixando à medida que o «Notícias» ia obtendo popularidade e firmando-se financeiramente. em Palma. para seu delegado j u n t o do Conselho de Administração dos Portos. iniciou a publicação do «Notícias». sem auxílo ou subsídio de qualquer natureza. Regressando mais tarde à Base. defendendo os interesses legítimos da população e das suas actividades. Em 1938 foi eleito vogal do Conselho do Governo pelo distrito de Gaza. a de um jornal diário noticioso. como jornalista profissional. como em artigos sucessivos pedia o desaparecimento dos Prazos da Z a m b é z i a . o que finalmente se conseguiu em benefício do interesse nacional. e no mesmo ano escolhido. eleito pelos maiores contribuintes. Nas colunas do «Notícias» das edições publicadas nos 37 anos da sua existência encon- tram-se assinados e não assinados. Em 15 de A b r i l de 1926. publicado regular- mente até hoje. eleito por Gaza. no desejo de satisfazer uma necessidade que surgia na popula- ção. ou do Conselho Legislativo. Caminhos de Ferro e Transportes. voltou a Moçambique em fins de 1919. nesse Conselho.ligeiras observações» e este mesmo tema serviu de assunto para dezenas de artigos escritos nos anos que se seguiram. intérprete oficial do T r i b u n a l . perto de uma povoação chamada N h i c a . Com a aproximação desta coluna as forças alemãs retiraram para a margem esquerda sem terem dado combate. entrando como director da sec- ção portuguesa do bisemanário «Lourenço Marques Guardian». apesar de ser capitão de Cavalaria e subchefe do Estado-Maior. O primeiro artigo que escreveu para esse periódico. Debateu em centos de artigos os problemas administrativos. aos Governos de Moçambique. tendo então entrado em licença registada e pouco depois em licença ilimitada. na margem direita do Rovuma. Em Janeiro de 1920 abraçou definitivamente o jornalismo. dando simultaneamente lições de português a estrangeiros residentes em Lourenço Marques. não só pugnou enérgica e persistentemente pela colonização portuguesa da Província. nomeado para comandar um batalhão de Infantaria constituído por uma companhia europeia e uma indígena. pugnando pelo progresso e desenvolvimento de Moçambique. Durante os 42 anos de jornalismo profissional. iniciado com pequeníssimo capital e limitados recursos. foi subordinado ao t í t u l o «Colonização . hoje «Diário». Além disso foi contratado como redactor de actas do Conselho do Governo. a passagem para a administração directa do Estado dos territórios na posse das Companhias Magestáticas do Niassa e de Moçambique e a nacionalização dos servi- ços de estiva do porto de Lourenço Marques. lugar que desempenhou durante alguns anos! Desde essa data nunca mais deixou de fazer parte do Conselho do Governo. Terminada a guerra ficou em Lourenço Marques e depois duma missão a Singapura de que foi encarregado pelo Governador Massano de A m o r i m . Para a manutenção desse diário. económicos e de instrução. depois da queda de Nevala. muitos centos de artigos t r a t a n d o da necessidade de se pro- mover o desenvolvimento agrícola e pecuário.
M. de ser simultaneamente vogal do Conselho do Governo. presidente da Câmara do Comércio e director do principal jornal diário de Moçambique. do Conselho de A d m i - nistração dos C. nunca anterior ou posteriormente t i d a por qualquer outra pessoa.. Actual edifício do « N O T Í C I A S » Durante alguns anos teve a honra. seu desenvolvimento e prosperidade. . __ 7i _..F. tendo durante esse período defendido e pugnado pelos interesses da Província.
Uma visto aérea do Porto Em 1 de Janeiro de 1953. até à Aldeia da Barragem. concluindo-se'em 1937. — 72 — . com 53 quilómetros de extensão. tendo em vista a intenção de alargar a zona de colonização europeia. o caminho de ferro para além das fronteiras. no dia 1 de Agosto às 16. em 1888. chegando à Estação fronteiriça. Em 13 de M a i o de 1952 a linha foi prolongada mais 24 quilómetros. que se concluiu mais rápido que o previsto. prolon- gando-se a t é Ungubana. cuja linha férrea se prolongou até lá. O segundo troço foi inaugurado em 5 de Outubro de 1914. devendo-se à visão inteligente do Governador Freire de Andrade. centro do Plano de Fomento e Povoamento do Limpopo. O primeiro comboio de Mercadorias para a Ro- désia do N o r t e .35.° troço do caminho de ferro Lourenço Marques-Pretória. Esta via foi a percursora do Caminho de Ferro do Limpopo. TRANSPORTES DE MOÇAMBIQUE A história dos Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique inicia-se com a construção do 1. saiu de Lourenço Marques às 19 horas do dia 31 de Julho de 1955. foi iniciada a ú l t i m a etapa deste grande empreendimento. do Pafúri. ligando Lourenço Marques à M o a m b a . em território rodesiano. os portugueses. construindo. no ubérirmo vale do Guijá.
Hoje existe um troço. Em 1922 formou-se a Transzambézia-Railway. que teve a sua conclusão em 1896. a liga- ção directa da Niassalândia com o Porto da Beira. Depois de construída a Ponte sobre o rio. f i n a l m e n t e . Estação Nova dos Caminhos de Ferro. a N i a s s a l â n d i a — hoje M a l a v i — d e s e j a v a possuir um fácil acesso ao litoral. Cais do M i n é r i o DISTRITO DE MANICA E SOFALA Outro troço importante dos Caminhos de Ferro é a linha Beira-Machipanda. que liga o Porto da Beira à Rodésia do Sul. Companhia particular. Dondo-Rio Zambeze. Por sua vez. medindo 3702 metros de comprimento. que entroncando no Dondo. na margem direita do rio Zambeze. estabeleceu-se. A Ponte que atravessa o rio Zambeze é uma das maiores do mundo. alcança a povoação de M u r r a ç a . na Beira . que passou a explo- rar uma linha. através do Porto da Beira.
que deveria constituir um ramal da linha Quelimane-Chire. em A b r i l de 1939 iniciou a construção da linha férrea de Tete. locais privilegiados para a fixação europeia. i Porfo de Quelimane DISTRITO DE TETE A Direcção dos Serviços de Portos. mas não f e i t a . Caminhos de Ferro e Transportes. Só em 1914 se deu início à construção dessa linha. Parte de D. onde entronca com a linha transzambézia e assegura a ligação da rica região mineira do M o a t i z e com o Porto da Beira. DISTRITO DA ZAMBÉZIA Em 1 de Junho de 1912 o Estado iniciou a construção da linha férrea de Namacurra a Mocuba. Esta linha foi inaugurada em 29 de Julho de 1949. A n a . projectando-se o seu prolongamento até aos Planaltos da Angónia e Furancungo. a partir de Quelimane. em Tere — 74 — . várias vezes estudada. que se prolonga até Mocuba. Edifício dos Correios.
desde 3 de Março de 1964. Esta linha férrea irá até ao Lago Niassa.° Fernando Seixas. A Barragem de Nampula A chefia e direcção dos Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique tem estado entregue ao Eng. destinado a receber o tráfego do M a l a w i . e dali até V i l a Cabral. em 1949. — 75 — . até ao Catur. no local denominado Porto Arroio. Em 1922. fizeram-se novos estudos e a linha prolongou-se até N a m p u l a . num primeiro troço. em 1889. bem como de outros pontos da Á f r i c a Central. onde será construído um porto. em 1969. Prosseguindo-se na sua construção. e depois. só veio a ser realizada em 1912. DISTRITO DE MOÇAMBIQUE A linha que começou a ser ventilada por Serpa Pinto. a linha foi prolongada até Nova Freixo. indo do Lumbo ao Rio Monapo e Nacala. concluindo-se no ano de 1930. lugar que tem desempenhado com pro- vada competência.
quando era Director dos Ser- viços dos Caminhos de Ferro de Moçambique. iniciando a exploração em 1937. impondo-se ao público como meio de transporte corrente e imprescin- dível na vida moderna. 0 primeiro avião da DETA Hoje a « D E T A » . mas antes alargando a sua acção onde a relevância dos factores de carácter social e polí- tico assim o aconselham a manter ligações aéreas e por vezes certas de frequências semanais. feito por simpáticas e gentis hospedeiras. A «DETA» tem correspondido às crescentes necessidades do transporte aéreo regular. o Engenheiro Francisco dos Santos Pinto Teixeira. equipadas com a apa- relhagem da mais moderna para inspecção. não só dos aviões e mo- tores. proporcionando agradáveis viagens. e a bordo um serviço impecável. de todos os seus pertences e acessórios. que tem a seu cargo a Aviação Comercial. A "DETA"—TRANSPORTES AÉREOS DE MOÇAMBIQUE «DETA» é a abreviatura por que é conhecido o Departamento dos Serviços dos Portos. Também as oficinas da «DETA» podem ser consideradas modelares. — 76 — . de que justamente se deve prestar homenagem ao seu presti- gioso fundador. com mais de 30 anos ao serviço de Moçambique. Tem excelentes Pilotos. N u m território como Moçambique. com dois aviões. mas t a m b é m . que com a maior afabilidade t r a t a m os passageiros. Caminhos de Ferro e Transportes. possui avultada e e f i - ciente f r o t a de aviões. para um total de cinco lugares. onde as distâncias entre os principais centros contam por muitas centenas de quilómetros — se não por milhares a aviação encontrou todas as con- dições para t r i u n f a r . que cruzam a Província de lés-a-lés. reparação e calibração. A «DETA» foi criada em Novembro de 1936. em todas as direcções. colocando-se na honrosa posição de pioneira. não se limitando à exploração das linhas onde é possível e até fácil assegurar rentabilidade conside- rável.
Uma panorâmica do Aeroporto Gago Coutinho 77 — . os mais distantes pontos da Província. Eng. quando Director da DETA. o que m u i t o contribui para o seu desenvolvimento e progresso. a c t u a l - mente em número de 5. O pequeno transporte aéreo. Dispõem no seu conjunto de 25 aviões.° ABEL DE A Z E V E D O . geralmente sem carácter regular. dos quais alguns bimotores. o actual Director Deste modo a «DETA» cumpre a sua missão de ligar entre si. realizado pelas chamadas empresas de táxi-aéreo. O Tenente-Coronel A R M A N D O CERQUEIRA DA SILVA PAIS. já a t i n g i u em Moçambi- que um notável desenvolvimento. e com a maior rapidez. segurança e conforto. colocando um emblema de ouro ao Subdirector. e cerca de vinte pilotos.
m O Comandante Branco ao ser-lhe imposta pelo General Costa Almeida. através de Lourenço Marques ou da Beira. ligando pontos onde o transporte regular da «DETA» ainda não pode dirigir-se. Com a conclusão das obras de adaptação do aeroporto da Beira. a Comenda da Ordem do Infante Dom Henrique Desnecessário será encarecer a importância dos serviços prestados à Província por estas organizações. muitas vezes. O tráfego de longo curso é transportado principalmente nos aviões da T A P . constituindo. e em m u i t o menor volume. verdadeiras rotas adjuvantes das rotas regulares. competindo à «DETA» fazer as ligações imediatas com a capita!. O antigo edifício do Âeraporío de Mavalane — 78 — . os jactos da TAP passaram a escalar aquele aeroporto. o que se tornou desnecessário a partir de 1 de Junho de 1970. as operações dos grandes jactos. via Joanesburgo ou Salisbúria.
durante as cerimónias que se efectuaram no Aeroporto Gago Coutinho. Após a cerimónia do baptismo. Virgílio e Ferreira da Costa. Caminhos de Ferro e Transportes de Moçambique. bem como numerosos convidados Os elementos da fábrica «Boeing». Em seguida efectuaram-se dois voos turísticos. os pilotos Jorge Marques. presidido pelo Arcebispo de Lourenço Marques. que se deslocaram a Moçambique. em que participaram altas individualida- des civis. A l m e i d a . J. usou da palavra o Eng. ofereceram lem- branças aos pilotos e mecânicos que se deslocaram aos Estados Unidos para estagiar. a «DETA». a «DETA». para continuar a oferecer o que de melhor existe no transporte aéreo. Desta f o r m a .° Fernando Seixas. seguindo-se o Secretário Provincial de Obras Públicas e Comunicações. Fortuna e Castro. Senhora Dona M a r i a das Neves Rebello de Souza. prossegue na sua senda de progresso e renovação. a Esposa do Governador-Geral. Primavera. tendo assistido ao acto as mais altas individualidades da Província. cujo lema é: SEGURANÇA — EFICIÊNCIA — REGULARIDADE. sendo considerado o mais moderno e versátil da grande família «Boeing». Fidalgo. Director dos Serviços de Portos. e por M a d r i n h a . com capacidade para 95 passageiros.° Brazão de Freitas. Os dois aviões — a que foi dado os nomes de « A N G O L A » e «MOÇAMBIQUE» — tive- ram o seu baptismo solene naquela d a t a . Eng. militares e religiosas. A DETA NA ERA DO JACTO A 10 de Janeiro de 1970. Convidados desembarcando do «Boeing 7 3 7 » — « M O Ç A M B I Q U E — após o voo inaugural — 79 — . entra na era do jacto com a aquisição de dois aviões de puro jacto «Boeing 7 3 7 » . Matos e J. e corresponder à confiança nela depo- sitada. os mecânicos M a r t i n s . Foram contemplados os Coman- dantes Branco.
COMO NASCEU UM GRANDE BANCO O NACIONAL ULTRAMARINO Sede do Banco. assim. datado do dia 10 do mesmo mês. Luís. vindo. na A Y . em Lourenço Marques. da República A Carta de Lei «dada no Paço de Sintra aos 16 de M a i o de 1864». por El-Rei D. — 80 — . autorizou a criação do Banco Nacional U l t r a m a r i n o . sancionar o Decreto das Cortes Gerais.
ao qual ligou o seu nome a sua f o r t u n a . — 81 — . o Banco atravessou vicissitudes m u i t o diversas. em virtude do seu programa. ele foi o fundador do Banco Nacional U l t r a - marino. desde a d a t a da sua fundação. Defron- tou-se com incompreensões. em 1864. nos nossos territórios. o seu primeiro Governa- dor. como em levar capitais e estender a sua actividade às Ilhas Adjacentes e a todos os nossos territórios de A l é m . favoráveis umas. O que ficou demonstrado. Esta iniciativa teve o mais caloroso acolhimento. foi uma alavanca poderosíssima para o seu desenvolvimento. Arrojado e dinâmico. que t i n h a exercido no Porto e passara a exercer em Lisboa. Atravessava-se uma época em que se instituíram muitos Estabelecimentos Bancários. actividade m u i t o saliente na vida comercial. através dos tempos. até 1888. e confirmado por observadores dos mais categorizados. com a consciência da importância que para o domínio português representava a exis- tência activa de uma organização bancária nacional. Dadas as circunstâncias. tendo sido. ano em que morreu. pode-se dizer que a História do Banco Nacional Ultramarino acompanha. por parte do M i n i s t r o da M a r i n h a e U l t r a m a r de então. no Continente português. desde a sua chegada ao nosso U l t r a m a r . nos cento e seis anos desde então decorridos. assim como os da evolução mundial. t a m b é m . Como facilmente se compreende.M a r . mas este. alguns prestados por homens da maior estatura moral e política do nosso País. distinguiu-se de todos. desfavoráveis outras. que o ampararam dedicada- mente. que consistia não só em realizar ope- rações da sua especialidade. Aspecto do interior do rés-do-chõo A criação deste Estabelecimento Bancário deve-se à iniciativa do Conselheiro Francisco de Oliveira Chamiço. mas t a m b é m se lhe depararam apoios generosos. reflectindo os acontecimen- tos da sua evolução. a do País. é que a intervenção do Banco Nacional U l t r a m a r i n o .
ajudas para fazer face a despesas extraordinárias. de altíssimo relevo. subsídios a cantinas. Tão extensa e vultuosa organização não pode deixar de ser servida por um quadro nume- roso de colaboradores. em 1962 ascendeu a 2335 e cuja remuneração absor- veu 38 por cento dos lucros brutos. que proporciona leitura. tem-lhe sido concedido anualmente o nivelamento com os dividendos. — 82 — . assistência médica. m u n d i a l - mente uma forte organização. na sua especialidade. Nessa acção se inserem: a concessão de empréstimos. Desta maneira. no custo dos medicamentos. Em princípio. Átrio do rés-do-chão e escadaria Em 1962. lhes assiste nas diversas circunstâncias. é um exemplo da consciência equitativa e moderna atenção aos interesses sociais. em percentagem elevada. o Banco Nacional U l t r a m a r i n o . por deliberações sucessivas da Assembleia Geral. curativa e de enfermagem. para facilitar a construção ou aquisição de moradias. e o mesmo acontece com os que completam 50 anos. t a m b é m de ser consideradas as necessidades recreativas e a promoção c u l t u r a l . já par- ticipando nelas o Banco. Desde o ano de 1920. pois um Serviço Social. colónias de férias ou subsídios de viagens de férias aos empregados que não podem aproveitar daquelas colónias. até por constituir. tecnicamente planeado e progressivamente realizado. honra o País. independente- mente da sua categoria. Não deixam. e assim. como instituição b a n c á r i a . No plano nacional. a juro estatístico. a qual pode ser domiciliária. para o que criou «títulos de t r a b a l h o » . que são atribuídos nomi- nalmente. no U l t r a m a r . tem sido f o r t e m e n t e coadjuvado um grupo desportivo e foi cons- tituída uma biblioteca de milhares de espécies. cuja totalidade. já concedendo crédito. também a juro estatístico. diagnostica. Os empregados com 40 anos de serviço têm recebido um prémio pecuniário. Não f i c a m por aqui as provas de atenção do Banco Nacional U l t r a m a r i n o para com os seus servidores. além de comparticipação. segundo o número de anos de serviço. o Banco Nacional U l t r a m a r i n o vem concedendo ao seu pessoal uma participação nos seus lucros. estes títulos vencem 1/5 do dividendo distribuído aos accionistas. também o Banco investiu 7 0 6 2 contos em casas especialmente destinadas ao pessoal. mas de f a c t o .
tem o Banco múltiplas dependências. e sempre tem en- contrado j u n t o deste os melhores propósitos de engrandecimento da Nação. foi ele o criador do Banco Nacional U l t r a m a r i n o . patente em todas as parcelas do território nacional. dão ideia da categoria do Banco Nacional U l t r a m a r i n o : Depósitos. da sua parte. que desde há m u i t o pre- side à governação do Banco Nacional U l t r a m a r i n o . a t é 1888. No Continente Europeu e nas Ilhas Adjacentes. A sua História é um quadro de serviços da mais transcendente importância. apoio prático. É seu Governador. e numerosos Agentes e Correspondentes. Foi Governador do Banco desde 1864. um grande Banco serve Portugal! — 83 — . nestes cento e seis anos. ao qual ligou o seu nome e a sua f o r t u n a . do balanço do ano de 1962. Lucros líquidos. 153 mil contos. durante mais de um século. nos territó- rios do U l t r a m a r Português. contribuiu poderosamente para o já apreciável fomento -económico. No tempo e no espaço. tem este Banco. deixou de ter. em que o Banco Nacional U l t r a m a r i n o actua. A c t u a l m e n t e . ano em que morreu. o Banco tem 28 dependências no Ultramar. que asseguram ao Banco uma acção que m u i t o vem contribuindo para o fomento económico de Portugal C o n t i n e n t a l . preocupação valorativa do património económico da Nação — una. distribuída pelas sete partidas do M u n d o — o conselheiro Francisco de Oliveira Chamiço bem merece a a d m i r a - ção dos portugueses. Com a sua actividade metódica e cuidada. 4 milhões e 2 8 6 mil contos. ao longo de mais de um século laborioso. Arrojado e dinâmico. visão larga das potencialidades do ultramar. O Estado é um importante accionista do Banco Nacional U l t r a m a r i n o . delegações. nenhum empreendimento importante. Insular e Ultramarino. data da sua fundação. FRANCISCO DE OLIVEIRA CHAMIÇO Propósitos de engrandecimento da Pátria Portuguesa. franco e eficaz. o DOUTOR FRANCISCO V I E I R A M A C H A D O . Algumas cifras. de significado f u n d a m e n t a l . T a m b é m .
Alguns anos atrás teve a honra de receber a visita do Professor Doutor Jacinto Ferreira e um grupo de vinte e cinco Médicos Veterinários. mas t a m b é m . . percentagens de nascimentos e mortes. e t c . ao N o r t e . — 84 — . a Ribeira de Changalane ao Sul. . de Lisboa. tendo nesta data entrado para a Sociedade os três filhos de Manuel Alves Cardiga: V L A D I M I R O . Desde o início. mas acima de tudo. LDA. O capital inicial era de mil contos. e já depois da saída do sócio Benjamim Cacho. a Empresa. fertilidade. A luta foi grande. o Rio U m b e l ú z i . apenas com três anos de idade. trabalhou sempre com o objectivo de melhorar as suas mana- das. era a criação de gado. Eis a razão da Empresa se ter radicado nessa área. A área de C H A N - G A L A N E . Formou com sua esposa. como: temperaturas. que uma organização congénere pode enfrentar: o terreno adequado para uma criação eficiente. possuía pouco ou quase nenhum gado bovino. e os irmãos Ben- j a m i m e João Cacho. Em 1952. riquíssima em pastagens naturais. etc. para ali obterem dados técnicos. Lda. a noventa quilómetros de Lourenço Marques. e o objectivo. mas alguns anos volvidos a empresa possuía o terreno quase necessário. introduzindo e adquirindo reprodutores. não só dos países vizinhos. que anualmente envia os seus alunos para uma pequena estadia. a Empresa Pecuária do Sul do Save. De início teve esta empresa um dos maiores problemas. . VASCO e VERA. MANUEL ALVES CARDIGA Em 16 de M a i o de 1944. seu comércio e o aperfeiçoamento por selecção e cruzamento de Raças. A Empresa é visitada constantemente por Técnicos nacionais e estrangeiros estando a mesma à disposição da Universidade de PRETÓRIA. Ema Teixeira Cardiga. com pastagens em proporção às cabeças existentes na manada. que a esta Província chegou em 1897. dos Es- tados Unidos da A m é r i c a . EMPRESA PECUÁRIA DO SUL DO SAVE. um comboio d i á r i o . Manuel Alves Cardiga. Boas pastagens. o sócio João Cacho cedeu a sua cota. sendo em parte concedido pelo Estado e parte adquirido por compra aos seus vizinhos. a sua situação.
cinquenta cercados para o bom controlo de pastagens. e pela vasta Empresa que V. e tendo o Sr. efectiva- mente. e ficamos grandemente impressionados pela qualidade dos animais que nos foi dado ver. Director dos Serviços de V e t e r i n á r i a . construíram durante estes anos. Leite produzido: Dois milhões de litros. Exas.S. podemos estar certos. Em A b r i l de 1964. principalmente no que se refere a melhorar muitas das espécies. com a intenção única de obter reprodutores para as suas manadas.R. Nós achamos que a sua grande propriedade é algo que o Governo de Moçambique pode ter orgulho em mostrar aos seus visitantes.» O resultado obtido foi de tal ordem. sendo a mesma inaugurada pelo Sr. possuindo a c t u a l m e n t e .A. o valor económico.U. importante factor da valorização da Pecuária. que há nítida indicação da existência de uma mentalidade que é.» Passaremos. Governador do Distrito. Gado existente: Nove mil cabeças. que representa para Moçambique.. cerca de duas mil pessoas. A Empresa leva a efeito. ao Sul do Save. devidamente vedados. a actividade da Empresa aperfeiçoou-se a tal ponto. a f i r m a d o : «Quando a Feira é orga- nizada por iniciativa do criador. Pesagem do gado Desde essa d a t a . igualmente. Ordenados pagos: V i n t e mil contos. todos os anos. como seja: Dispendido até 1964: V A L O R — quarenta m i ! contos.C. numa simples análise. que depois da Feira e nas semanas seguintes a Em- presa foi procurada por muitos dos Criadores ao Sul do Save. — 85 — . uma Feira Agro-Pecuária.»—recebeu do seu Secretário-Geral este agradecimento: «Foi realmente um privilégio para nós. À primeira Feira — organizada pela Empresa Pecuária do Sul do Save — estive- ram presentes. Exas. A área hoje ocupada pela Empresa: T r i n t a mil hectares. Gado a b a t i d o : V i n t e mil cabeças. passar algumas horas com V. Pessoal ao serviço: Duzentos homens. Esta iniciativa teve o apoio da Repartição de Veterinária e da Cooperativa dos Criadores de Gado. Esta inicia- tiva teve por f i m resolver certos problemas de criação de gado. que em 1958 e quando da visita oficial da Comissão Regional da «África Austral para a conservação e u t i l i - zação do solo» — «S. realizou a Empresa. uma Feira Pecuária. a transcrever alguns números que indicam.
como até. que há anos Moçambique perdeu! Manuel Alves Cardiga. Resta-nos falar da personalidade de M a n u e l Alves Cardiga. na madrugada de 10 de Fevereiro de 1964. enchendo de tristeza e de luto quantos o estimavam — e muitos e r a m ! Corredor de tratamento O gigante t o m b a r a ! Aquele Homem de pensamentos rectos e desassombrados.» — 86 — . no que se planificava na cena política dos nossos dias. que se fez representar na sua maior força. após uma intervenção cirúrgica. que nascido na capital do Império português. e admiradores que m u i t o o respeitavam. desde o mais humilde servente. que passara a ser a sua t e r r a ! O articulista do jornal «Diário». as entidades governativas. bondoso. t a m b é m . E f o r a m inúmeras as pessoas que quiseram acompa- nhá-lo à ú l t i m a morada. que se f i z e r a m representar. Homem de grande inteligên- cia. referindo-se a M a n u e l Alves C a r d i g a : — «Homem para quem a luta fazia parte da própria vida. espírito combativo e recto. foi uma verdadeira manifestação colectiva de apreço e saudade. t a n t o contribuíra para o engrandecimento de Moçambique. M a n u e l Alves Cardiga. célere se espalhou por toda a Província. a população de Chan- galane e Goba. actvidade. Pessoas de todas as classes sociais. colaboradores. numa verdadeira e sentida homena- gem de saudade. figuras ligadas às diversas actividades económicas da Província. não mais viria à liça! O seu f u n e r a l . A notícia da sua morte. deixa em todo o Moçambique verdadeiros amigos. n u m trabalho constante que se desdobrava em actvidades que t a n t o o envol- viam nos problemas económicos da Província. numa clí- nica daquela cidade sul-africana. que tantas vezes pusera a sua pena ao serviço dos seus ideais. d i z i a . em derra- deira homenagem ao Homem. Não o esqueceram. faleceu em Joanesburgo.
um desejo que f i c a . sem jamais ter dobrado a cerviz. até por um dever indeclinável de consciência. apesar da sua morte. que o jornal da cidade. «Tribuna» transcreveu na íntegra. Que todos os que f i c a m mantenham aceso o mesmo desejo. Almeida Santos. onde pontificou e se prestigiou. entendendo que este mundo tão abalado que nos rodeia deveria sofrer grandes remodelações. um verdadeiro homem e um exemplar cidadão. a transformação de um homem em pequeno gigante. quanto ele desejaria encontrar. de verdadeiro homem. sem transigências e sem medo. se compreendessem melhor e. a f i n a l . e sabem-no todos que em vida se honraram de ser amigos e correligionários de M a n u e l Alves Cardiga. Desejou que a vida. de inquietações e de incertezas. não tivesse sido tão silenciosa. teve o prazer e deu o prazer aos seus amigos. porque sofre . industriais e agrícolas. a mesma von- tade f i r m e .» Foi um pioneiro exemplar cidadão. Sempre se sabendo conservar em sua posição vertical. para exemplo nosso. Para que todos fossem mais felizes. harmonia e justiça pudessem ser resolvidos todos os problemas. e que ele melhor merece. Esta homenagem é a homenagem de todos os homens bons. Sempre o acompanhou um desejo enorme. nesta terra que t a n t o a m o u ! — 87 — . tudo fazendo para o trans- formar em realidade. . e que r i . Foi para além de tudo. em paz. dignamente soube tombar de pé. Limitarei as minhas palavras ao indispensável para exprimir. pelo advogado Dr. em cada um de nós. Sei. a sua vida e a vida de todos nós. seus coreligionários e amigos. quanto dele possam dizer. O elogio fúnebre foi feito em pleno cemitério. Homenagem sincera e imorredoura de democratas que f i c a m de pé a um democrata que. entendemos nós. quantas vezes para não chorar. num momento e num lugar que é mais de recolhimento e de medita- ção e em que as nossas atitudes poderiam porventura ser mais caracterizadas pelo silêncio dos nossos sentimentos e pela certeza muda dos anseios de todos nós. de sempre ter vividc de pé tendo sido surpreendido pela morte. através de uma vida de lutas. figura conhecida nos meios comerciais. ficar calados. a mesma energia e a mesma combatividade que sempre o acompanharam na luta de todos os dias pelas causas que considerava justas. o respeito e a veneração que foi dado experimentar apreciando. a melhor homenagem a Manuel Alves Cardiga. Pode chamar-se-lhe um pequeno gigante que fica de pé. que não poderíamos. a admiração. Esta é. porém. v i - vendo em todos nós: o de ver modificadas as condições de vida difícil e asfixiadora de grande parte da humanidade que chora. resistindo a ameaças e a aliciações. neste momento em que dele nos estamos despedindo. . Por isso entendi eu. e com o qual finaliza esta Biografia: «Sinto-me confuso.
Na cidade. que nessa época era a capital da Província. ao qual ainda hoje se dedica. o Eng. ainda. vindo a formar em 1922 a Sociedade Pecuária A. voltando a ficar único proprietário em 1944. tendo desembarcado na Beira. e em M a r ç o de 1910 estabeleceu-se. deu sociedade a um cunhado. com a ajuda de alguns amigos. tendo ficado isento. . que lhe permitisse abrir um novo estabelecimento. através de toda a sua vida — Abel Azevedo acaba de completar 88 anos — mantendo-se com excelente saúde física e m e n t a l . coragem e força de ânimo não f a l t a v a m ao jovem pioneiro. acrescentou-lhe a venda de sobressalentes para automóveis. após seis meses da inauguração. — 88 — . a vida comercial. so- frendo. era a segunda a existir neste género. A l i se conservou cerca de um ano. situado na A v . que recomeçou de novo. A m a d e u Luís Neves. em Freixo de N u m ã o . em conjunto com seu genro. Sempre desenvolvendo larga actividade. a 17 de Junho de 1 8 8 1 . do Trabalho. Mais tarde. o fundador da grande e conhecida f i r m a «STEIA». Em seguida colocou-se como funcionário da A l f â n d e g a . Em 1917. Depois. onde continua desde essa época até à actualidade. A g n o Azevedo. o pioneiro f u n d o u . um estabelecimento para venda de Automóveis e Camiões. e começa a dedicar-se à A g r i c u l t u r a . Distrito da Guarda. somente. desligando-se da organização em 1953. Abel Azevedo. em 1912. Empre- gando-se no comércio. 19 anos. Aos 20 anos veio para Lourenço Marques para cumprir o serviço m i l i t a r . Desenvolvendo enorme actividade. tendo ido prestar serviço na Ilha de M o ç a m b i q u e . ficou sem n a d a ! Contudo. Para o efeito con- cederam-lhe um empréstimo. O primeiro estabelecimento situava-se na rua que hoje se chama Salazar. e seu f i l h o . Foi. proprietário da «CASA SPORT». T i n h a então. resolve alargar as suas actividades. sem sócios. hoje V i l a de hÁanlca. que tudo destruiu. A sua chegada a Moçambique verificou-se em 1900. onde teve um incêndio. Neves e Companhia. ABEL ACÁCIO AZEVEDO O pioneiro Abel Acácio Azevedo. foi trabalhar para Macequesse. nasceu na M e t r ó - pole. Como Abel Azevedo não possuía seguro. de marca japonesa. t a m b é m .° Flausino M a c h a d o . algumas remodelações. o que veio a fazer na Rua Consiglieri Pedroso. com uma casa de artigos de des- porto.
A sua produção de citrinos — a que se dedica em exclu- sivo na parte agrícola — é de cem mil caixas por ano. Na parte pecuária. Na Herdade t r a b a l h a m cerca de 4 0 0 empregados. t e m uma produção diária. e t e m a extensão de 8264 hectares. apesar da sua avançada idade! Em 1954. ficando seu único proprietário. de mil litros de leite. Um aspecto do interior do Estabelecimento É ele quem dirige a «CASA SPORT». Esta fica situada a 8 quilómetros de Boane. »«iHH Vista parcial dos Pomares de Citrinos — 89 — . passando a organização a denominar-se «HERDADE DO FREIXO». é ainda Abel Azevedo quem toma a direcção t o t a l da f i r m a pecuária.
A l b a e Agno. o filho mais velho. pela primeira vez. Resta-nos ainda dizer. de Lisboa. actualmente. Mais tarde. voltou a casar. de que é. em 12 de Dezembro de 1914. que com o seu esforço e tenacidade. por seu filho Agno. m u i t o contribuiu para o progresso da Província. t a m b é m com uma metropolitana. de quem teve três filhos: A i d a . Abel Azevedo é coadjuvado. A c t u a l m e n t e . com uma jovem metropolitana. a esposa falecia atacada pela epidemia da «pneumónica». sócio da «CASA SPORT» e no estabelecimento de venda de automóveis. m u i t o especialmente. cujos pomares nos oferecem belas panorâmicas. estudou Engenharia Civil até ao 3. jovem professora. Quatro anos após o casamento. D. A l d a e Abel. dando também a sua colaboração. A todos os filhos procurou dar uma boa educação. que a a t i n - gira. seu filho Eng.° A n o . Catedrático do I n s t i t u t o Superior de Agronomia. Ário. em 1 9 2 1 . A b e l . que m u i t o têm contribuído com a sua criteriosa orientação para um maior e mais eficaz desenvolvimento da propriedade. A g n o . o filho mais novo. o segundo f i l h o . que o pioneiro se casou. Ester de Sousa Lobo. de quem teve mais três f i l h o s : Á r i o . a história de mais um pioneiro. Eis a traços largos. é Engenheiro Agrónomo e Silvicultor — doutorado com 19 valores — e actualmente Prof. dedicando toda a sua actividade às organizações paternas. Neste sector.° A b e l . — 90 — . — Engenheiro de Máquinas e Electricidade — é o actual Director da DETA.
BREYNER & WIRTH, LDA.
No panorama económico de Moçambique há firmas que, pela sua grande e meritória a c t i -
vidade, t ê m jus ao reconhecimento público. A esse número pertence, sem favor, a f i r m a Breyner
& W i r t h , Lda., que já tem mais de setenta anos de existência, tendo sido fundada em 1898
por D. Francisco de Melo Breyner e Fritz O t t o W i r t h .
Entraram posteriormente como sócios o Dr. Francisco Ferrão, Dr. A l f r e d o Reis, A n t ó n i o de
Azevedo, Pedro Gaivão, Luís Costa, Eng.° Manuel Prata Dias e Dr. Theodorino Sacadura Botte,
que t a n t o contribuíram para prestigiar o nome do comerciante lourenço-marquino. A socie-
dade é hoje pertença dos seguintes sócios: — D. Helena Ferrão, Dr. A l f r e d o Reis, D. M a r i a Ber-
nardino Salema Reis, D. M a r i a José Salema Reis de A l m e i d a Garrett, Álvaro Ferrão de Castelo
Branco, A l b e r t o M a n u e l da Gama Lobo Salema Reis, Manuel Ferrão de Lencastre, Manuel da
O edifício actual da BREYNER & W I R T H , LDA.
Gama Lobo Salema Reis, Eng.° M a n u e l Prata Dias (Herdeiros), Dr. T. Sacadura Botte e João
Ferrão de Castelo Branco, dos quais o ú l t i m o j u n t a m e n t e com o Eng.° A m â n d i o Borges, cons-
t i t u e m a Gerência da Firma em Á f r i c a .
— 91 —
Desenvolvendo sempre os seus negócios de forma a acompanhar o progresso de M o ç a m -
bique, a Firma, tem vindo a expandir a sua actividade comercial, de forma que é hoje sub-
dividida nas seguintes secções independentes: — Seguros, Armazenagem e Trânsito Interna-
cional, Técnica, Comércio Geral, Farmacêutica e Firestone.
«NAVETUR» — Depois de representar durante mais de cinquenta anos a Companhia N a -
cional de Navegação no Porto de Lourenço Marques, a Breyner & W i r t h tornou ainda mais
estreita esta velha ligação associando-se com a própria C . N . N . , numa f i r m a fundada em Agosto
de 1969, N A V E T U R — Sociedade de Agências de Turismo e Transportes de Moçambique, Lda.,
que passou a ser Agente Geral da C . N . N . em Lourenço Marques e com Sucursal na Beira.
SEGUROS — Agentes Gerais, desde 1956 para toda a Província de Moçambique, da grande
Seguradora Portuguesa, Companhia de Seguros «IMPÉRIO».
A R M A Z E N A G E M E T R Â N S I T O I N T E R N A C I O N A L — Para que os exportadores e impor-
tadores dos territórios vizinhos sejam bem servidos no trânsito das mercadorias por Lourenço
Marques, necessitam de ter neste porto quem lhes trate da recepção, armazenagem e expedi-
ção. É este um dos principais negócios das firmas estrangeiras aqui estabelecidas que o fazem
ainda hoje, quase em regime de monopólio. M a s a f i r m a Breyner & W i r t h montou estes serviços
há uns t r i n t a anos com armazéns próprios servidos por desvios de linha férrea, e é hoje uma
das duas transitárias nacionais em Lourenço Marques. As suas estâncias, em terreno próprio,
distam um quilómetro e meio do Cais Gorjão.
O edifício aniigo, engalanado e iluminado, por ocasião da visita
do Presidente da República, Marechal Carmona, em 1 9 3 9
COMÉRCIO GERAL — A Secção de Comércio Geral trabalha com produtos das mais varia-
das origens, em que predominam algumas importantes mercadorias de produção e fabricação da
própria Província, como seja o conhecido «Chá Licungo», da Companhia da Zambézia - Queli-
mane, o Álcool Puro e Desnaturado da Companhia do Búzi, S.A.R.L. - Nova Lusitânia (Beira)
e Sacaria, Serapilheiras e Fios de J u t a , da Companhia T ê x t i l do Púngoè.
Dos produtos de origem nacional metropolitana em que esta Secção negoceia podemos
destacar toda a vasta gama de fabrico e especialmente os Adubos da sua representada Com-
panhia União Fabril, de Lisboa, a Caixotaria de Madeira da Socomina, de Viana do Costeio e
Tintas C . I . N . - Corporação Industrial do Norte.
— 92 —
Um importante ramo de negócio desta Secção é o de produtos Agro-Pecuários em que
prodminam os Adubos da CUF e toda a vasta gama de carracicidas, insecticidas, desinfectan-
tes e tudo o mais destinado à Pecuária de que a Cooper £r Newphew S.A. (Pty) Ltd. da África
do Sul é fabricante.
Já há muitos anos esta Secção se tem dedicado à venda de mobiliário de aço de fabrico
nacional e estrangeiro. Em 1965, todavia, a Breyner £r W i r t h associou-se com a fábrica local,
L. Duarte dos Santos, Lda., adquirindo metade do capital social, continuando a comercializa-
ção dos produtos fabricados a ser trabalhada por esta Secção. O mobiliário fabricado local-
mente rivaliza já com o que de melhor se produz em qualquer outra parte, e dia a dia vai
conquistando o mercado.
A Fábrica L. D. Santos também se dedica ao fabrico de casas pré-fabricadas e de estru-
turas metálicas, tendo u l t i m a m e n t e executado os contratos das novas instalações da SICOMO
e SOCAJU, em Nacala.
Esta Secção negoceia também noutras linhas que por serem de menor projecção julgamos
desnecessário referir especialmente.
SECÇÃO T f C N I C A — Sob a orientação de dois engenheiros e outro pessoal especializado,
é promovida a venda para o Estado e entidades particulares, de produtos de fabricantes na-
cionais e estrangeiros que nesta Província a Firma representa, dos quais os principais são:
C O M P A N H I A U N I Ã O FABRIL — E S T A L E I R O S N A V A I S DE LISBOA (LISNAVE) — EMPRESA
ELECTRO C E R Â M I C A — SIEMENS — DEMAG — PRATT & W H I T N E Y — DEGRÉMONT —
BARBIER BERNARD & TURENNE — D O R M A N , LONG — PETTERS — MERRY WEATHER —
A D D I S O N — A . O . S M I T H — U N I T E D A I R C R A F T — BRITISH STEEL P I L L I N G — J . STONE
— SIGMUND — HALL THERMOTANK — A L L A M — CHRISTIAN & NIELSEN — THE
N I S S H O - I W A I CO. e SUPERHEATER CO.
A diversidade da gama de produtos coberta por estas representações é traduzida pelos
fornecimentos que têm sido feitos de material de via fixo (carris, travessas, croximas, eclisses,
mudanças de v i a ) , sinalização ferroviária «Siemens», guindastes eléctricos e carregadores me-
cânicos de navios «Demag», motores e subressalentes «Pratt £r W h i t n e y » , para os aviões da
DETA, Dragas e Rebocadores da Lisnave para os Serviços de M a r i n h a , equipamento «Stone» de
ar condicionado e iluminação para locomotivas e carruagens, instalações frigoríficas « H a l l » ,
instalações de t r a t a m e n t o de água e centrais eléctricas, e t c , etc.
É também depositária de «stocks» de motores e grupos geradores «Petters»; motores eléc-
tricos, alternadores, transformadores, centrais telefónicas, teleimpressores, aparelhagem de corte
e protecção «Siemens», lâmpadas Osram, material eléctrico da Electro Cerâmica, aparelhos de
ar condicionado «Addison», artigos domésticos, também da «Siemens», gás «Freon», bombas de
água e vibradores « A l i a m » .
SECÇÃO F A R M A C I U T I C À — As representações desta Secção são as seguintes: V I C K —
G L A X O - Á L L E N B U R Y S — INFAR — LAKESIDE — LUS OM — ^ S C I E N T I A — ASTRA — HAR-
RIET HUBBARD AYER e M A R C E L ROCHAS.
SECÇÃO FIRESTONE — Em fins de 1965, foi a Firma nomeada Agente da FIRESTONE
PORTUGUESA, S.A.R.L., cujo negócio tem sido desenvolvido através de uma rede de Subagen-
tes, de maneira a tornar esta Secção uma das mais valiosas da Firma.
M I N E LABOUR ORGANISATIÓNS (WENELA) L I M I T E D — A Breyner & W i r t h é repre
sentante em Moçambique, há mais de sessenta anos, da M I N E LABOUR ORGANISATIÓNS
(WENELA) L I M I T E D .
B E I R A — N a capital do Distrito de M a n i c a e Sofala a Breyner & W i r t h , (Beira) Lda.,
montada em 1956, é consttuído pelos mesmos Sócios da sua associada em Lourenço Marques,
sob a Gerência do Dr. Aires V i t e r b o de Freitas.
Trata-se, como se vê, de uma organização grande e complexa que há 72 anos se tem
vindo a desenvolver, acompanhando o r i t m o de progresso desta parcela de Portugal, e com a
preocupação de manter no f u t u r o , o seu prestígio como comerciantes nesta Província.
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FIRMA MARTHA DA CRUZ & TAVARES
ALEXANDRE MARTHA DA CRUZ
A Firma M a r t h a da Cruz & Tavares, foi fundada em 1902, por Alexandre M a r t h a da Cruz,
com um pequeno estabelecimento na Rua Francisco Ferrer, hoje Rua Salazar. O nome então
usado era o de Alexandre M a r t h a da Cruz.
Foi em 1912, que vindo da Metrópole, acompanhado de sua esposa, o pioneiro Francisco
Tavares Duarte, foi admitido como guarda-livros da Firma, tornando-se sócio da mesma em
1915. Foi nessa altura que a Firma modificou a sua designação social para M a r t h a da Cruz
& Tavares, constituindo-se sociedade em nome colectivo.
Francisco Tavares, natural da Covilhã, alguns anos decorridos, chamou para seus cola-
boradores, os irmãos, Sebastião e A n t ó n i o , que residiam no sua terra n a t a l , chegando a M o -
çambique em 1928.
Alexandre M a r t h a da Cruz, o fundador da Firma, cedeu a sua posição em 1930, ficando
os irmãos Tavares como únicos propretários. Nessa época, a Firma já ocupava posição de relevo
na/ comércio local.
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SEBASTIÃO TAVARES ANTÓNIO TAVARES
95 —
Em Novembro de 1949, todo o activo e passivo da Firma passou a designar-se por Tava-
res (Irmãos), Lda. Firma que pertence à propriedade «Pote» e terrenos anexos. Os três irmãos
Tavares, desenvolveram grande actividade comercial, dispondo de um armazém de Tecidos, que
abastecia a região do Sul da Província, além de possuir um estabelecimento de Modas, situado
na «Baixa» laurentina, na Avenida da República — onde existe o seu grande estabelecimento
de Modas — e um de Máquinas e Ferramentas, bem como uma Agência de Automóveis. São,
ainda, os representantes do Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa, e há cerca de quarenta
anos, os Agentes da Companhia Colonial de Navegação, em Lourenço Marques.
A f i r m a possui sólidos alicerces financeiros, f r u t o do seu trabalho. Constituída pelos irmãos
Tavares, a Firma tem hoje como colaboradores os seus descendentes. Hoje, o irmão mais novo
dos fundadores, M a n u e l Tavares, é também sócio, assim como um dos descendentes, Manuel
Lopes Tavares.
Deve ainda, acrescentar-se, que os irmãos Tavares, foram e são, muitíssimo trabalhado-
res, e sempre de atitudes modestas, prestigiando-se com a sua conduta exemplar, no cumpri-
mento dos seus encargos comerciais.
A c t u a l m e n t e , a Firma, continua a manter os mesmos ramos de negócios, valorizando a
Província.
Aspecto da fachada do Estabelecimento Martha da Cruz & Tavares
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COMPANHIA DE SEGUROS NAUTICUS
A pioneira dos Seguros, em Moçambique, foi a C O M P A N H I A DE SEGUROS N A U T I C U S ,
fundada em 1 de Julho de 1943, com a base financeira de 10 mil contos.
A iniciativa foi tomada por um grupo de pioneiros, tendo por objectivo principal, evitar
a fuga de divisas para o estrangeiro, nomeadamente, a Á f r i c a do Sul, em cujas Companhias
as organizações moçambicanas seguravam as suas mercadorias, por não existir nenhuma Com-
panhia portuguesa.
Já t i n h a havido, por duas vezes, a t e n t a t i v a para formar uma companhia seguradora
moçambicana, que f a l h a r a m .
O grupo que fundou a N A U T I C U S procurou fazê-lo em bases seguras, e para o efeito,
fez primeiro, uma consulta a todos os comerciantes dispersos pela Província, para que assim,
através dessa consulta, o grupo fundador pudesse avaliar do interesse da iniciativa e saber
com o que poderia contar no f u t u r o .
Como essa consulta foi bastante animadora, prosseguiu-se nos trabalhos para a sua
efectivação. Esse grupo fundador era constituído por: P A U L I N O SANTOS G I L , DR. M A N U E L
MOREIRA DA FONSECA, Á L V A R O DE SOUSA, CARLOS TEODORO M A R T I N S , C A P I T Ã O
M A N U E L SIMÕES V A Z e C A P I T Ã O A N T Ó N I O FIGUEIREDO.
A primeira Direcção foi constituída pelos seguintes fundadores: DR. M A N U E L MOREIRA
DA FONSECA, CARLOS TEODORO M A R T I N S e C A P I T Ã O M A N U E L SIMÕES V A Z .
Edifício da Companhia de Seguros NAUTICUS
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A Companhia dá passagens à Metrópole de 5 em 5 anos. A Companhia de Seguros « N A U T I C U S » tem a sua Sede. a Companhia é constituída por um Conselho de Administração. com Biblioteca e variados jogos. Os empregados beneficiam. Em 1958. Dr. deste modo a Companhia de Seguros Nauticus. que excede em m u i t o . Igualmente faz seguros em tcdos os ramos. o empregado recebe uma parte substancial dos seus ordenados. mensalmente. Tem um plano de reforma. se tornou na mais revelante realidade. em grande imóvel de sua propriedade. Esta é a resumida história da primeira Companhia de Seguros Moçambicana. Todos os comerciantes interessados se subscreveram com acções. as regalias que estão determinadas oficialmente. a u t e n t i c a - mente moçambicana. em 1945. no que se refere aos seus empregados. a Companhia tem representações próprias em toda a Província. o capital aumentou para 60 mil contos. e ainda. que devido ao esforço de alguns pioneiros. Um dos Regulamentos dos Estatutos. a Companhia « N A U T I C U S » tem um plano. e as empregadas aos 60. Em 1968. de «Abono de Família». t a m b é m . com 475 accionistas. estando ligada a uma das principais Compa- nhias resseguradoras mundiais. em 1966. para a reforma. A c t u a l m e n t e . A c t u a l m e n t e . A n t ó n i o Cardoso. composto pelas seguintes entidades: Companhia de Seguros Fidelidade (representada pelo Dr. com outra parte destinada a lojas. no qual os empregados são reformados aos 65 anos. aos empregados e f a m í l i a . aumentou o seu capital para 20 mil contos. o capital e reservas da Companhia ascendem a cerca de 275 mil contos. George Critikos e Serafim Rocha. a « N A U T I C U S » . da Suíça. a primeira Companhia de Seguros a constituir-se na Província de Moçambique. A Companhia tem um Centro Social para convívio. para enriquecimento da Província. Na parte social. Assim nasceu a « N A U T I C U S » . que foi construído para esse f i m . A n t ó n i o Mascarenhas Gaivão). Anos volvidos. que é concedido em função dos filhos que t ê m . para 45 mil contos. Rua Baptista de Carvalho e Rua Lapa. Sempre progredindo. À data da reforma. é de que 80 por cento das acções têm de estar em nome de portugueses. Nos planos de reforma. formando-se. — 98 — . situado na Avenida da República. os empregados comparticipam. em Lourenço Marques. escritórios e apartamentos de habitação.
— 99 — . qute era funcionário público. fixando-se em Lourenço Marques. saindo para fundar o seu próprio Estabelecimento em 1947. juntando-se a um irmão que já residia na capital da Província. onde permaneceu 1 1 anos. O seu primeiro e único emprego foi nos grandes Armazéns J O H N ORR & C O M P A N H I A . CARLOS BRAGA é natural da cidade do Porto. são os fundadores da organização denominada «O LAR M O D E R N O » . tendo vindo m u i t o jovem para Moçambique em 1937. EDIFÍCIO "LAR MODERNO" Os pioneiros CARLOS BRAGA e A N T Ó N I O M O R A I S .
ANTÓNIO MORAIS 100 — . t a m b é m . e ainda. em 1960. que ocupa o rés-do-chão e mais cinco pisos. para produzir Colchões de Molas. Trabalhando e progredindo.M. CARLOS BRAGA Seu sócio. A N T Ó N I O M O R A I S . empregando-se nos mesmos Armazéns J O H N ORR & C O M P A N H I A . uma f i l i a l . criando as marcas moçambicanas «L. com uma Secção de Estofaria.» e «MORFEU». O Estabelecimento que f u n d a r a m . Em 1958 inauguram uma Fábrica para fabrico de mobiliário de madeira e ferro. onde se fixou em 1930. inauguraram um Edifício de 13 pisos. também fundador. situado no centro da cidade. onde permaneceu 17 anos. Seis meses após a abertura do Estabelecimento. este foi ampliado para o dobro do seu tamanho inicial. os escritórios da organização. é natural de Celorico da Beira. fundaram na cidade da Beira em 1 9 5 1 . onde se s i t u a m . Depois. era o primeiro a dedicar-se exclusivamente a Móveis e Decorações. vindo para Lourenço Marques. desti- nado às várias Secções de Móveis e Decorações.
a que foi dado o nome de «NOVO LAR». sendo equipada com maquinaria moderníssima. a sua produção. pois foram os primeiros neste ramo de a c t i - vidade. se tornou florescente e grandiosa. . A organização despende em ordenados anuais. Desta forma se conclui o que hoje representa na economia da Província a organização «O LAR M O D E R N O » . Do 6. que honra a Indústria portuguesa nesta parcela do território português. em 23 anos de actividade comercial e industrial. que se encontra na fase de conclu- são. A organização emprega nos seus Estabelecimentos. que «O LAR MODERNO» aluga mobilados. na cidade da Beira. a organização fundou mais um Estabelecimento do género. apta a corresponder a esse grande desenvolvimento industrial. A n t ó n i o Morais e Carlos Braga decidiram fazer uma nova unidade f a b r i l . Férias à Metrópole de cinco em cinco anos. A nova fábrica. assim como no fabrico de Colchões de Molas. mercê do trabalho e perseverança dos seus fundadores. que iniciada há 23 anos. a fábrica de Colchões e M o b i l i á r i o triplicou entretanto. Ao Edifício foi dado o nome de «PRÉDIO O LAR MODERNO». Estas são as realizações efectuadas pelos pioneiros CARLOS BRAGA e A N T Ó N I O MORAIS. escritórios e Fábricas. Por tal f a c t o . Em M a i o de 1965.° andar ao 13.°. «O LAR M O D E R N O » . Acontece que. iguala ao do que há de melhor na Europa. será inaugurada em 1970. Férias anuais. em terrenos anexos ao já existente. que se não supera. Seguros contra Acidentes de Trabalho. 7 mil e 500 contos. e ocupa uma área de 13 2 0 0 metros quadra- dos com 75 metros de fachada e 175 de fundo. é uma organização ao serviço da Província de Moçambique. Todos os empregados têm assistência médica. com passagens e orde- nados pagos pela Firma. criando uma indústria Moçambicana. todos os andares são constituídos por «Apartamentos» para habita- ção. 60 europeus e 300 nativos.
Em 1953. 02 . a f i r m a «F. gelo e armazenagem frigorífica.. nasceu em 1922 por intermédio da f i r m a «F. Lda» vendeu a sua posição à Companhia Iniciativas Econó- micas de Moçambique. foi de 500 0 0 0 litros. Lda. Em 1960. Dicca.A. no seu capital social. e cujo objectivo era a venda e distribuição dos produtos pertencen- tes às suas associadas.». Lda». OS PIONEIROS DA INDÚSTRIA CERVEJEIRA EM MOÇAMBIQUE MITCHEL PERANDONAKIS CRETIKOS A Indústria Cervejeira da Província de M o ç a m b i q u e . Dicca.» e « V i t ó r i a . até 1935 a Fábrica Nacional pertencente àquela f i r m a .L. Lda. forma-se a empresa «Distribuidora.» e «Vitória. Assim. Lda. com o f i m de estabelecer uma orientação comum na produção e venda de cerveja na Província.L. Lda. Lda. Nesse ano. em percentagens sensi- velmente iguais.. foi d única produtora de cerveja da Província. começou a produzir cerveja em 1935. sendo suas sócias a «Fábrica de Cervejas Reunidas de Moçambique. Em 1954.» e obteve a g a r a n t i a da exclusividade do Governo por 10 anos. fundada em 1915. cuja primeira actividade foi a fabricação de r e f r i c gerantes. Lda. Dicca. Lda» com 2 / 3 de capital e a «Empresa das Águas de Montemor.». S. cujas sócias. Lda.».» é inaugurada. Em 1959. t i n h a m uma posição de 50 por cento cada uma.R. a «Fábrica de Cerveja do Beira. com 1/3.». Lda». Dicca. com um capital de 2 / 3 pertencente à Fábrica de Cervejas Reunidas de Moçambique. Em 1938 a Fábrica V i t ó r i a e a Fábrica Nacional formaram uma companhia administra- tiva com o nome de «Fábricas de Cerveja Reunidas de Lourenço Marques. o consumo total da cerveja em Moçambique. «F.R. verificou-se total fusão entre as duas Empresas e ficou assim constituída a f i r m a «Fábricas de Cerveja Reunidas de Moçambique. Lda.A. e 1/3 à Empresa das Águas de M o n t e - mor (Namaacha) S. A f i r m a « V i t ó r i a » . sendo o mercado abastecido nesse momento pelas duas firmas «F.
Foi assim que. Lda) e Filipe Dicca (F. pelas técnicas de produção e controlo u t i l i z a - zados. Dicca. «Schweppes». o que demonstra t a m b é m a qualidade dos produtos fabricados.). «Pepsi-Cola» e. como «Canada D r y » . Para além da produção de cerveja. para 11 000 000 de litros em 1963 e que duplicaram nos últimos 7 anos. As suas vendas. que a Indústria Cervejeira de Moçambique. das mais progressivas de toda a Á f r i c a . a de servir a economia de Moçambique e o público consumidor. as empresas em questão. pelos processos de gestão utilizados. Paralelamente com o seu apetrechamento industrial. pela qualidade dos seus produtos — a cerveja «Laurentino» e «Manica» obtiveram prémios de excelência nas Olimpíadas de cerveja realiza- das na A l e m a n h a em 1 9 6 3 — . através da sua história. sofreram uma estruturação em 1961 que as colocou na vanguarda das empresas da Província. são também produto da política seguida. mais recentemente. A política seguida pelas empresas cervejeiras foi sempre. que passaram de 500 000 litros em 1935. Aspecto da Fábrica Vitória. o material existente e os processos fabris utilzados. em 1 9 1 6 A Indústria Cervejeira de Moçambique percorreu através dos anos da sua existência um longo caminho desde as pequenas empresas fundadas por M i t c h e l Perandonakis Cretikos (Vi- tória. Lda. cerca de 6 0 0 0 0 0 litros. pelos processos de con- torolo empregues — possuem laboratórios que custaram cerca de 2 0 0 0 000$Ò0 —. «Reunidas». depois duma moder- nização constante das suas Fábricas. que com o seu espírito empreendedor souberam criar uma nova fonte de riqueza para a Província até àquelas existentes nos nossos dias e que são consideradas pela qualidade dos seus produtos. assim. pela orga- nização dos seus serviços de vendas — considerados por algumas firmas internacionais como das melhores senão a melhor de toda a Á f r i c a —. pelos preços que pratica — desde 1935 o preço dos seus pro- — 103 — . uma na Beira. fez-se para alguns países industrialmente mais desenvolvidos que o nosso. alguns deles especializados nos maiores centros científicos do m u n d o — . e outra em Lourenço Marques. conscientes que os objectivos próprios e de comunidade onde exercem a sua actividade só podem ser a t i n - gidos com uma organização p e r f e i t a . pelas modernas instalações que possuem. sendo a planificação daquelas. A exportação de_cerveja. pelos métodos de gestão que u t i l i z a . pelo a l t o nível dos seus quadros — 8 indivíduos com formação universitária. as empresas em questão fabricam gelo e refrigerantes de a l t a qualidade. edificaram duas novas unidades fabris. pela sua rede de vendas. Pode-se concluir. Os capitais investidos ascendem a mais de 2 0 0 000 0 0 0 $ 0 0 . terminada em 1959. dos mais evoluídos de todo o mundo cervejeiro. que a t i n g i u em 1963 cerca de 4 0 0 0 0 0 litros e que em 1964 a t i n g i u segundo opi- niões.
tem conse- guido alcançar com a sua actividade os seus oobjectivos económcos e sociais. 104 — . em 1935 dutos não foi a u m e n t a d o — . Aspecto da fachada da Fábrica Vitória. pelos altos vencimentos auferidos pelo seu pessoal.
por outros tão t e m i - dos. veio dar o apoio da indústria à cultura do trigo que então mal passava do estágio de ensaio e que já hoje produz mais de 10 0 0 0 toneladas anuais. precisamente em 28 de M a i o de 1952 a sua primeira unidade fabril —a primeira e até agora única moagem de trigo da Província que em conjunto com um silo. as instalações da Companhia Industrial da Matola constituem um conjunto do mais elevado interesse económico A Companhia Industrial da M a t o l a é ainda uma empresa jovem pois há apenas 18 anos que iniciou a sua laboração ao inaugurar. Integrada na zona industrial do Língamo. M a t o l a . mas sempre segundo as tradições bem características da nossa gente. que. t a n t o quanto às realizações técnicas como sociais. desde logo reuniu grandes e pequenas economias de cerca de 700 accionistas. sem receio de exagero. Esta empresa constitui exemplo flagrante do espírito de iniciativa que empolga os nossos irmãos ultramarinos para quem os tão falados «novos ventos de história». é considerada como um dos mais seguros e promissores investimentos. designadamente massas e bo- lachas. que só perante extremas dificuldades abdicam das suas posições no capital da empresa. — 105 — . implicam apenas uma actualização de processos. Estabelecida como sociedade anónima. a cerca de 10 km de Lourenço Marques. lançadas sob a marca «Polana» — que constitui já um símbolo de qualidade são conhe- dos e apreciados desde a Metrópole a t é Timor. que o nome da Companhia Industrial da M a t o l a e hoje conhecido em todo o território nacional. COMPANHIA INDUSTRIAL DA MATOLA Pode afirmar-se. por florescente e sempre progressiva. Os seus produtos.
cuja arquitectura. a que está anexa uma serração. embora sóbria e f u n c i o n a l .° plano. a fase do fábrica de massas. cujo valor quase alcança hoje 150 mil contos e cujo valor normalmente se inclui no roteiro de nacionais e estrangeiros de passagem por Lourenço Marques. o busto que recorda o Dr. para o que concorrem as lindas madeiras moçambicanas trabalhadas na car- pintaria. Em 1. situada nos arredores da capital. António Félix Pitta Júnior. a do Marechal Craveiro Lopes que inaugurou os refeitórios do pessoal e em 1964 a do A l m i r a n t e Américo Tomás que se dignou inaugurar a 2. também nos impressionou o ar prazen- — 106 — . constituída por duas linhas automáticas. é harmónica e alegrada por feliz combinação de cores. Por outro lado. Impressionados ainda pela grandiosidade dos edifícios. logo nos impressionou o a j a r d i n a m e n t o e arranjo das largas avenidas que cruzam o recinto e que quase nos fez esquecer que de fábricas se tratava. e o primeiro lote de 15 resi- dências do bairro do pessoal. merecem já a honra de duas visitas presidenciais: em 1956. Como não podia deixar de ser. V e m a propósito referir que as instalações fabris da Companhia. alcançou a Companhia Industrial da M a t o l a uma posição m u i t o lisonjeira no conjunto da indústria Moçambicana e que é motivo de orgulho não só para quantos ali trabalham mas que igualmente se comunica a todos os que apreciam as suas modelares instalações. fundador da Companhia Mercê de uma Administração cuidada e sempre atenta a todos os progressos que dia a dia se vão verificando no campo da técnica. Aliás. o que lhe consigna o espírito do verdadeiro indus- t r i a l . Aspecto dos edifícios das fábricas de massas e bolachas. que levam à capacidade de produção para 600 toneladas mensais. em todas as secções e oficinas constatámos sempre a mesma preocupação de a r r u - mação e limpeza. também nós visitámos as instalações da Companhia Indus- trial da M a t o l a .
um almoço custa apenas 5$00. Logo compreendemos tão simpática atitude ao veri- ficarmos a atenção que a «C. Existe um refeitório que fornece refeições gratuitas e noutro. a que igualmente são fornecidos medicamentos gratuitos ou com um subsídio.000 indivíduos dos dois sexos e todas as raças.M. já ampliada. WMMB Aspecto do imponente edifício de moagens a que está anexo o silo cuja capacidade de armazenegem. Éfacilitado o pagamento de impostos competindo à Secção do Pessoal o processamento e liquidação dos mesmos. variados. uma consulta médica diária é facultada a todos os empre- gados e seus familiares. inerente à administração de uma indústria que já ocupa hoje cerca de 1. No armazém de abastecimento a que nestas terras se dá o nome de cantina. consoante o escalão de salário que recebem. A l é m de inspecções periódicas. pode o pessoal adquirir a preços reduzidos além de géneros alimentícios.I. outros artigos de consumo corrente. desde vestuário até bicicletas. atinge 17 0 0 0 toneladas de cereais teiro com que todos os empregados nos cumprimentavam ou prestavam ufanos esclarecimentos sobre o diverso equipamento a seu cargo. — 107 — .» tem dedicado à função social.
de acordo com o esquema de orientação estabelecido pela mesma. No laboratório químico-tecnológico. montou a Casa do Pessoal uma pequena explo- ração pecuária com que se propõem abastecer os refeitórios e obter receitas que permitam alar- gar o âmbito das regalias a conceder ao pessoal. etc. primeira série com que se iniciou a construção do Bairro e em que as rendas são acessíveis. que no género se pode considerar o mais bem equipado de todo o território nacional. — 108 — . Encantou-nos visitar a Creche e ver dois garotos europeus brincarem com vários bebes negritos e passamos também pela escola onde alunos de todas as idade se preparavam para o exame de instrução primária. dirigida exclusivamente pelos próprios empregados e que em breve terá capacidade jurídica sob a forma de sociedade cooperativa. não excedendo 7 5 0 $ 0 0 as que dispõem de maior número de divisões. Finalmente. E porque «iniciativa acompanha i n i c i a t i v a » . reparando que alguns dos atentos alunos emparceiravam com os próurios filhos. A Casa do Pessoal. pudemos apreciar as 15 residências agora inauguradas que quase invejamos por tão alegres e acolhedoras. compete administrar todas as f a c i - lidades de carácter social proporcionadas pela Administração da Companhia. procede-se à análise de todas as matérias-primas utilizadas na laboração e bem assim ao controlo dos produtos laborados. além de ensaios de panificação análises de água e gás dos fornos. .
existe uma central eléctrica com dois potentes geradores que. criados inicialmente apenas para uso próprio. manganês. vendo-se a entrada do forno em que a cozedura é efectuada por meio de ondas de alta frequência. hoje de reserva. sistema revolcionário e ainda recente— esta instalação foi a terceira a ser montada em todo o mundo A Companhia Industrial da M a t o l a dispõem presentemente de 4 unidades fabris a labo- rar com pleno rendimento: moagem de trigo. de serralharia e de manutenção de viaturas. moagem de milho. fábrica de massas e fábrica de bolachas. Em estágio experimental. A l é m do laboratório modelarmente apetrechado. tem a administração da Com- panhia Industrial da M a t o l a promovido a visita dos seus técnicos à Metrópole e Estrangeiro para que possam acompanhar a evolução técnica nos mais avançados centros de produção. ouvimos algumas referências a minério de ferro. asbestos e outros artigos e. soubemos então que a Companhia Industrial da M a t o l a . Outras indústrias de carácter alimentar estão previstas e para estudo das mesmas e aperfeiçoamento das existentes em todos os sectores. este conjunto fabril é apoiado por bem equipadas oficinas de carpintaria. Prevenindo eventuais falhas do forneci- mento de energia. No decurso das conversas que tivemos com vários dos empregados desta grande empresa. manifestada a nossa estranheza. de- senvolve larga actividade como agente transitário procedendo ao desembaraço portuário e — 109 — . iniciou agora a laboração de uma instalação-piloto de moagem de mandioca. eram exigidos antes de ser estabelecida a ligação à rede geral. Existem também 3 unidades de destilação de hulha cujo gás é utilizado em várias caldeiras e também na cozedura final das bolachas. Aqui se inicia a produção de bolachas. tendo ainda sec- ções de reparações eléctricas e de construção civil. através dos seus Serviços de Navegação e Trânsito.
Sua- zilândia e Rodésia. . tem a M a t o l a agentes não só em todos os distritos de Moçambique. Para a comercialização dos seus produtos. e dispondo de um escritó- rio em Joanesburgo para mais íntimo contacto com os seus clientes. Pois. a M a t o l a é considerada como uma das mais e f i - cientes transitárias. que exporta em m u i t o larga escala. como em todas as Províncias Ultramarinas. tendo estabelecido uma delegação em Lisboa que superintende em todo o mer- cado metropolitano e ilhas adjacentes. presentemente. Neste edifício e sob administração do próprio pessoal. através de Lourenço Marques. agenciando igualmente largo número de navios. E deverá notar-se que se t r a t a de um ramo de actividade altamente especializado que anteriormente constituía um quase monopólio de empresas estrangeiras. Salão de Festas e Biblioteca alfandegário de mercadorias importadas ou exportadas pela República da Á f r i c a do Sul. situa-se o Refeitório principal.
adoptou o lema famoso: «Estudar com dúvida e realizar com fé.» . não podemos deixar de recordar o entusiasmo e dina- mismo patenteado por todos os colaboradores desta Companhia cuja Administração. com pro- funda confiança nos destinos da Província. Uma das 15 residências recentemente construídas em terreno pouco distante da zona fabril E ao terminar este apontamento.
que nessa época era um protectorado britânico. Em 1909 veio juntar-se a seus irmãos. ABDOOL K A R I M AYOB V A K I L . Vieram com o consentimento de seu pai. tendo tido início em recuados tempos. após o que regressou ao seu país. CASA COIMBRA JOSSUB ABDOOL REHMAN VAKIL Socio-gereni-e da Casa Coimbra A CASA C O I M B R A é hoje um dos estabelecimentos de Modas da cidade de Lourenço Marques. fê-lo como vendedor a m b u l a n t e . ABDOOL L A T I F A Y O B V A K I L ao iniciar a sua vida comercial em Lourenço Marques. que emigraram para Moçambique. sonhando com a possibilidade de abrir um pequeno estabelecimento. Desenvolvendo grande actividade. — 110 — . na esperança de melhores dias. Em 1887. artigos vendáveis aos indígenas. pois conseguira por intermédio de alguns patrícios. o mais jovem de todos. Fundaram a CASA C O I M B R A quatro irmãos de origem paquistanesa. A l g u m tempo depois. que lhes a b r i u um crédito de 10 mil rupias sobre a praça de Bombaim. que marca posição de relevo. A B D O O L L A T I F A Y O B V A K I L veio para Moçambique. onde permaneceu quinze meses. ABDOOL L A T I F volta para Moçambique em companhia de seus irmãos mais velhos: ABDOOL SACOOR A Y O B V A K I L e ABDOOL R E H E M A N A Y O B V A K I L . na sua primeira fase. lá ia fazendo o seu negócio a m b u l a n t e .
a que se seguiu o u t r a . FACHADA DA CASA COIMBRA No mesmo ano de 1910 trespassaram os Estabelecimentos da M a l a n g a e o da Travessa da Palmeira. ABDOOL L A T I F . pois o negócio prosperava. na companhia de seus irmãos. na Travessa da Linha. pela p r i - meira vez. Foi então. e em 1924. porém. sendo em 1913. mais três casas comerciais. em 1907. homem de génio empreendedor. data em que a b r i r a m . numa casa f e i t a de madeira e zinco. que fecharam em 1928. Em 1895 os dois irmãos — ABDOOL LATIF e ABDOOL SACOOR — haviam ampliado tanto o seu ramo de negócio. uma outra só de artigos orientais. abriu no Bairro da M a l a n g a o seu primeiro esta- belecimento. em 1915. uma casa no centro da cidade. uma casa de Câmbios. na Travessa da Palmeira. que mais o anima nos seus propósitos empreendedores de expansão comercial. que tomarem de trespasse um grande Estabelecimento situado no centro da cidade. que adquiriram outro estabelecimento. precursor do colosso que viria a ser a CASA C O I M B R A ! Depois. onde nasceu o nome da CASA C O I M B R A . onde registaram o maior desenvolvimento comercial até então nunca a t i n - gido! Este foi a Casa-Sede. é já um conhecedor da terra moçambicana. Quando regressa a Moçambique. abriram no mesmo Bairro da M a l a n g a . Foi. que juntamente com eles. secções de Modas para Senhora. e em 1910 t o m a r a m de trespasse outro estabelecimento. / — 111 — . no qual instalaram. só para homens. que abriram a primeira Casa de Modas. A i n d a t i v e r a m . abriu mais tarde. também no centro da cidade. ABDOOL L A T I F .
Jossub Abdool Reheman V a k i l . os tecidos feitos na M e t r ó - pole. daí nascendo o nome de CASA COIMBRA. e t i n h a m grande procura e preferência entre a clientela que se fornecia dos Estar belecimentos de Abdool L a t i f Ayob V a k i l e seus irmãos. que muitos clientes só lhe chamavam « C O I M B R A » . tomou uma parte da Gerência da f i r m a . O espírito progressivo dos sócios da CASA C O I M B R A não ficou restrito só àquela f i r m a . — 112 — . o filho de Abdool Rehe- man Ayob V a k i l . obra de uma família paquistanesa. Por morte dos fundadores principais — Abdool Latif Ayob V a k i l . e que são. Nesses recuados tempos de fins do século dezanove. um nome português. t a m b é m . t a m b é m . sócios da f i r m a . sobrinhos e netos dos fundadores — três dos quais são já nascidos em Lourenço Marques e com nacionalidade portuguesa. a que foi dado o nome de CASA C O I M B R A . A d q u i r i n d o um grande terreno na Avenida da República — uma das mais belas artérias da Baixa de Lourenço Marques — aí construíram um grande edifício. engrandecendo o comércio moçambicano e embelezando. e onde todas as activida- des da f i r m a se j u n t a r a m . que aqui criou raízes e se propa- gou. com o seu grande edifício de vários andares. actualmente gerindo os negócios da f i r m a . possuem. concorreu com o seu trabalho e iniciativa. noventa são portu- gueses. Abdool Saccor Ayob V a k i l e Abdool Reheman Ayob V a k i l . inaugurado em meados de Dezembro de 1940. começando a chamar ao fundador da Firma « C O I M B R A » . continuando esta as suas tradições comerciais. eram exportados para M o - çambique. as fábricas ao redor da cidade de Coimbra. cuja alcunha se enraizou por tal modo. tendo a f i r m a cento e dez empregados ao seu serviço. o PRÉDIO T I V O L I — o n d e está instalado um dos melhores Hotéis da cidade — e o PRÉDIO LOURENÇO MARQUES. Tem interesse explicar-se a razão por que foi dado a esta f i r m a paquistanesa. nomeadamente. j u n t a m e n t e com outros membros da família — filhos. A CASA C O I M B R A . para o progresso e desenvolvimento desta Pro- víncia portuguesg de Moçambique. a Baixa laurentina. pois além de serem proprietários do PRÉDIO C O I M B R A onde têm a f i r m a comercial. Todos os sócios da CASA C O I M B R A aqui construíram as suas resi- dências. dos quais.
comprando as mercadorias aprezadas aos barcos alemães. Filipe Dicca t i n h a sido estudante de Química. alistando-se para combaterão lado dos Boyers. à indústria de refrigerantes. — 113 — . dedicando-se. Filipe Dicca era de nacionalidade albaneza. FILIPE DICCA FUNDADOR DA FIRMA F. para combater na Á f r i c a do Sul. na Província. tendo vindo para Á f r i c a do Sul. até se alistar como voluntário. com a idade de 24 anos. Filipe Dicca começou a negociar. negociou. DICCA LDA. tendo obtido grandes lucros. assim como na pesquisa de minérios. data em que ele se refugiou em Moçambique. em especial. fixando-se em Lourenço Marques. que empregou. na Á u s t r i a . por ocasião da guerra Anglo-Boyer. na Província de Moçambique. Durante a primeira Grande Guerra. em especial. na compra de prédios urbanos e rústicos. Essa guerra acabou em 1898.
que qualquer pessoa deitaria fora. Augusto Bazílio de Oliveira e Dr. Lda. dedica-se à exploração de gado leiteiro. Na parte Agro-Pecuária. Lda. tendo falecido sua irmã.. Possuía uma enorme clarividência comercial. com 83 anos. sendo um dos principais abastecedores de leite para consumo da cidade de Lourenço Marques. Z l a t k o Azinovike e Savo Kadik. Álvaro Augusto de Sousa.. Dicca. a um grupo indus- trial formado pelas Fábricas de Cerveja da Metrópole. na exploração de água mineral. a quem queria como se fosse a sua. e ele conservava.. Lda. que lhe permi- t i r a m criar um pequeno empório comercial e industrial. A Gerência está normalmente confiada nos Sócios Manuel João Correia. f u n d i r a m as duas. Dicca. " N O T I O N A L C O N T A I N E R S " . que era um homem dotado de uma grande persistência. que lhe fazia prever tudo aquilo que seria negócio. ligada à organização sul-africana. Z l a t k o Azinovike. passou t a m b é m . naquele ano. Hoje. onde existia uma Fábrica de Cerveja. Paula Fekete. dando origem à organização REUNIDAS. a Firma. Este é o resumo da obra efectuada pelo pioneiro FILIPE DICCA. que t i n h a sido uma possessão alemã. A n t e r i o r m e n t e . está ligada às seguintes Sociedades : Produtos A l i m e n t a r e s . Filipe Dicca dirigiu-se ao Sudoeste africano. todas as propriedades e a quota nas REUNIDAS passaram a pertencer à Firma. a Firma F. de que foi pioneiro. dedicou quase toda a sua vida ao engrandecimento de uma terra. explorando ainda a Cervejaria Nacional e Pedreiras de Goba. que m u i t o contribuiu para que a indústria da Cerveja fosse uma realidade. Dicca. uma f i l h a .. só vindo a criar a Firma F. e t a n t o ajudou a progredir. situada na Av. — 114 — . Lda. como por exemplo. e ainda. Em 1960. esses objectos velhos eram vendidos por altos preços! Para montar a sua Fábrica em Lourenço Marques. que sendo estrangeiro. Lda. e mais tarde. Paiva Manso. que além da exploração destes bens. Metade do capital pertencia a Filipe Dicca. Dicca cedeu a sua quota nas Fábricas Reunidas. para reduzir os prejuízos existentes pela luta entre a fábrica de Cerveja N a c i o n a l . Para tal obteve uma Concessão de exclusividade de fabrico. além dos negócios já apontados. A t é 1944 Filipe Dicca tinha negociado sempre em nome individual. de mesa. Augusto Bazílio de Oliveira. comprando-a e trazendo-a com toda a maquinaria para Moçambique. guardar objectos velhos. Na actualidade. pois aquele a l t o funcionário apreciava as grandes qualidades de trabalho e iniciativa de Filipe Dicca. Pedro Dicca. e ainda contratou os respectivos técnicos dessa Fábrica. Com a formação da Firma F. a dedicar-se ao Comércio de Importação. à Fonte dos Libombos. de Filipe Dicca e a Fábrica de Cerveja V i t ó r i a . adquiriu uma fábrica de refrigerantes que tinha pertencido a um italiano de apelido Cavallari. durante dez anos. actividade. Dr. e foram essas qualidades reunidas. seus irmãos. inteligência e espírito progressivo. a Firma F. onde mais tarde veio a montar a Indústria de Cerveja. Cartonagens de Moçambique. em 1938. Lda. Mais tarde. Filipe Dicca faleceu em Janeiro de 1949. Manuel João Correia. tendo sido herdeiros dos seus bens. Hoje existe ainda seu irmão. é constituída por Pedro D : cca.. Paula Fekete. a qual lhe foi concedida pelo A l t o Comissário Brito Camacho. que se encontrava encerrada. deixando como herdeira da sua parte. Pedro Dicca e Cundegunda Dicca. em 1920. para fabrico de Caixas de cartão canelado. da União de Curtumes de Moçambique. que fizeram dele um dos grandes pioneiros de Moçambique.
foi fundada em 5 de A b r i l de 1935. a Sociedade adquiriu novos maquinismos. Como a Sociedade tinha adquirido um terreno. — 115 — . que eram agricultores e produtores de Tabaco. a Sociedade decidiu ampliar a Fábrica. para Lourenço Marques. não se tem poupado a sacrifícios e esforços. aí construíram um edifício próprio. A Fábrica possui a sua força motriz própria. A Organização dedicava-se. cada. pediram uma licença para instalar na cidade de Inhambane. por conveniências de vária ordem. moderna e eficiente. a maior produção agrícola da Grécia. criada para manipular o Tabaco das suas colheitas. dedicavam-se. na Circunscrição de Z a n g a m o . e em 1957. Lda. t a m b é m . Dependências e Armazéns. todas as Sec- ções da Fábrica estavam apetrechadas com as mais modernas máquinas. homens cheios de iniciativa e de espírito progressivo. em 1940. que é precisamente. ao Comércio Geral. que ensinaram aos nossos indígenas o cultivo do Tabaco. àcultura do Tabaco. construindo novas Salas. A m e n d o i m . no Distrito de Inhamba- ne. Em 1950. que nessa época era ainda V i l a . em especial. como hoje é. na Capital da Província. com instalações adequadas ao f i m a que se destinava.alimentada por dois Geradores de Cinquenta Kw. LDA. Os seus produtos tem apresentação e categoria. A Sociedade Agrícola de Tabacos. Manuel Macropulos e Telemachus Tsihlakis. Por f i m .. Algodão e Sisal. Projecto da nova unidade fabril A primeira Fábrica de Tabaco foi instalada na propriedade agrícola do sócio Panos M a c r o - pulos. naquela época. em 1954. SOCIEDADE AGRÍCOLA DE TABACOS. no Distrito de Inhambane. Foram os pioneiros Panos Macropulos. Sempre em franco progresso. pelos cidadãos gregos: Panos Macropulos Manuel Macropulos e Telemachus Tshi- hlakis. dedica- vam-se a outras produções agrícolas: M i l h o . e ao mesmo tempo. A l é m da cultura do Tabaco. para tornarem a sua Fábrica numa modelar unidade f a b r i l . honrando a Indústria moçambicana de Tabacos. foi pedida nova transferência da Fábrica. Por se tornar inconveniente a laboração da Fábrica j u n t o da propriedade. Os Sócios desta Empresa.
Telemachus Tshihlakis e Jorge Tshihlakis. por exemplo — oitenta e cinco por cento é adquirido da produ- ção da Província. cerca de cem toneladas de Tabaco. S. produzindo. igualmente. e mais algumas matérias primas que não existem no mercado moçambicano. celofane. Os sócios actuais da Sociedade Agrícola de Tabacos. vindo da Grécia. em 1928. espera que muito em breve. O pioneiro Telemachus Tshihlakis chegou a Moçambique. — 116 — . é uma afirmação de tenacidade e progresso. A c t u a l m e n t e a Fábrica tem doze empregados europeus e sessenta indígenas. são Manuel Macropulos. lhe seja permitido exportar para a Metrópole. Seu filho Jcrge Tshihlakis. constituindo família com uma Senhora da mesma nacionalidade. Da matéria prima que emprega — Tabaco. a enriquecer a Província de Moçambique. Cabo Verde. Tomé. A Sociedade Agrícola de Tabacos. anual- mente. Toda a sua embalagem é. Guiné e Timor. Procurando alargar a sua exportação. A Empresa exporta p a r a : Angola. nasceu em Lourenço Marques. adquirida nas Tipografias da Província. A empresa importa papel prateado. que é sócio da Empresa.
sem sócios. com o grande incremento dado à Construção Civil. Após alguns anos de laboração. e mosaicos de outros géneros. para aplicação doméstica. Banheiros. com a idade de 41 anos. figuras decorativas para jardins. assim como mosaicos granulitados e marmorizados. como seja. chegou a Moçambique no ano de 1912. a Fábrica de Ladrilhos e Mosaicos. Como tantas outras Organizaçõos industriais. no valor anual de oitocentos contos. na Província de Moçambique. juntamenre com sua mãe D. espírito construtivo e muitíssimo trabalhador. foi o cidadão grego. e i m p o r t a . O Pioneiro do fabrico de Ladrilhos e Mosaicos. ficando seu filho John a dirigir a fábrica. seis europeus. cimento. originário do arquipélago do Dodecaneso. Vassilis Gianouris. sobretudo em Lou- renço Marques. Emprega matéria prima local. areia e resíduos. mas a c t u a l m e n t e . A fábrica produz e exporta para toda a Província de M o ç a m - bique. cimento branco e granulíticos. viveu muitos anos na sua labuta e direcção. corantes. Estabeleceu-se em Lourenço Marques. Vassilis Gianouris. a l t u r a em que inaugurou a sua fábrica. — 117 — . ladrilhos. Lavatórios. A Fábrica de Ladrilhos e Mosaicos emprega no seu serviço de Escritório. no valor anual de duzentos contos. ao fabrico de Mosai- cos hidráulicos para pavimentos. a sua produção é praticamente. Mausoléus. também. absorvida pela capital da Província. como Lava-loiças. de que hoje é proprietário. Foi em Lourenço Marque que lhe nasceram os seus únicos filhos: Irene e John. Elefftheria Gianouris. dedicou-se à construção Civil até ao ano de 1 9 3 1 . Vassilis Gianouris faleceu com setenta e um anos. que acompanhado de sua esposa. sem se ausentar. Mesas. obreiro incansável da sua fábrica. permanecendo longos anos sem visitar o seu País. de utilização doméstica e para construção civil. Tanques. A produção anual de material produzido pela fábrica. eleva-se a dois mil e quatrocentos contos. dedicada exclusivamente. a Fábrica passou a produzir. e mais de cem operários indígenas. desempenha im- portante papel na economia da Província.
exerce. é uma das muitas organizações moçambicanas pioneiras. procura honrar o nome de seu Pai. John Gianouris. ainda. o cargo de Cônsul Honorário da Grécia. con- tinuando e aumentando a Obra deixada por ele. A Fábrica de Ladrilhos e Mosaicos. que contribuiu para o engrandecimento da Província de Moçambique. Trabalhos executados pela fábrica De atitudes simples e modestas. Fora da sua fábrica. em Lourenço Marques. — 118 — .
GARNET PENDRAY--O FUNDADOR DAS ORGANIZAÇÕES PENDRAY. LDA.. Oficinas e Salão de Exposição em Lourenço Marques — 119 — . GARNET PENDRAY GEORGE PENDRAY Escritórios. SOUSA & CA.
tem concorrido de forma apreciável para o desenvolvimento dos negócios das restantes firmas. encontra-se à frente da Direcção das Organizações Pendray. Tete. contando 88 anos de idade. L d a . " . George Pendray. foi criada para a construção exclusiva das Organiza- ções Pendray. As Organizações Pendray têm em Lou- renço Marques cerca de trezentos empregados. de Sociedade com um português — Joaquim de Sousa. "A Predial de Moçambique L d a . em Camborne. L d a . Terminada a Guerra. durante uma estadia de t r a t a m e n t o numa clínica de M o n t r e u x . tencionando regressar à Inglaterra. deixando uma das maiores e mais prósperas Organizações comerciais de Moçambique. Garnet Pendray nasceu em Inglaterra. assim como para a compra e vendo de propriedades. foi um trabalhador incansável e de fino t r a t o . "A Predial de M o - çambique. " . Garnet Pendray tinha a profissão de Engenheiro Mecâ- nico. noutros pontos da Província. tendo vindo para Á f r i c a — a então Á f r i c a Oriental Inglesa — como combatente na Grande Guerra de 1 9 1 4 . Quelimane. no entanto. sob vários aspectos — e particularmente no dos Transportes — para o seu progresso e engrandecimento. acabando por não regressar à sua pátria. Isto passa-se no ano de 1920. L d a . Oficinas da firma. "A Predial de Moçambique. Todas as Firmas dispersas pela Província representam uma das maiores Organizações mundiais do ramo automóvel — a General Motors. contribuindo. sucessivamente. Joaquim de Sousa ainda é vivo. Independentemente desta função. como t a m b é m . foram estabelecidas novas Firmas. não só em Louren- ço Marques. que estava estabelecido na capital moçambicana. " . na Beira — 120 — . e nas Firmas dispersas pela Província o mesmo número. de nome Hugo Lemay. que faleceu em 1963. Depois. Garnet Pendray aceitou esse lugar. A l g u m tempo depois. Garnet Pendray veio a Lourenço Marques. " . sua aquisição e venda. estabelece-se com a sua primeira Firma.1 8 . O fundador das Organizações Pendray. seu digno representante e continuador da grandiosa obra de seu pai. o filho do fundador. tem a seu cargo negócio de prédios. e sucursais na Beira. onde tinha um amigo. As Organizações Pendray tem um médico privativo para prestar assistência a tcdo o seu pessoal. também de nacionali- dade inglesa. construindo prédios para as instalações dos escritórios e das oficinas. Na actualidade. em Lourenço Marques. também em Lourenço Marques: "Agências Modernas. de forma notável. Duas razões. na Suiça. sendo m u i t o estimado por todos os seus colaboradores e amigos. e fixando-se em Moçambique. N a m p u l a e Porto A m é l i a . e o seu amigo ter-lhe oferecido um lugar na Firma. fizeram modificar o seu des- t i n o : ter gostado de Lourenço Marques. com a indústria de Automóveis e metalúrgica.
contando então 20 anos de idade. Nessa época recuada eram navios alemães que f a z i a m carreiras de pas- sageiros na costa de Moçambique. e para se juntar a um irmão mais velho que viera para a cidade da Beira. que Giuseppe B. Esse irmão tinha o Curso da Escola de Belas Artes da Itália. Buccelatto veio para Moçambique. pois a Alemanha possuia colónias no Tanganica e m u i t o do seu tráfego fazia-se através do Índico. Viera para o Egipto trabalhar em grandes obras que se efectuavam naquele país. vindo da I t á l i a . e resolveu ir à aventura. GIUSEPPE BUFFÁ BUCCELATTO. quando o seu trabalho f i n a l i z a r a . leu num jornal egípcio uma notícia sobre obras que se iriam realizar na Beira. GIUSEPPE BUFFA BUCCELATTO Giuseppe Buffa Buccelatto chegou a Lourenço Marques em 2 de Dezembro de 1902. Província de Moçambique. onde vivia com sua f a m í l i a . Província de Moçambique. Foi por sugestão sua. e quando as obras mencionadas no anúncio t e r m i n a r a m . A í . iniciando aí o seu trabalho. e verificando que. tão cedo nada teria para fazer resol- veu ir para Lourenço Marques onde ficou. a ser condecorado pelo Presidente da República quando da sua visita em 1 9 6 4 Chegado à Beira não ficou decepcionado. — 121 — .
Na sua vida profissional. " P A R I S O T " . Buccelatto exibiu-se nesse Sarau. " H O DICK Y O N G " . CARDOSO E REIS. G. B. CAJU I N D U S T R I A L E SONEFE. regressando com a esposa a Moçambique. — 122 — .. passando a ser os únicos sócios. Quando o jovem Príncipe D. Buccelatto. até a terra firme. Buccelatto & Filhos. à sua casa de Lourenço M a r - ques. " P A B L O PEREZ". R. Lda. L. o jo- vem siciliano. com pequenas pontes de madeira e havendo um barracão que servia de Capitania. iniciou a sua vida como Construtor Civil. Este. Esgrima e Hóquei em Patins. Futebol. a que não fica alheio o seu dinamismo de trabalhador incan- sável. B. Buccelatto & Filhos. Chegado a Lourenço Marques. Giuseppe B. FÁBRICA DE CERVE- JA REUNIDAS. São numerosas as obras executadas pela f i r m a de G. Gaspare. um grande a t l e t a . G. SHELL M O Ç A M B I Q U E . A 16 de Novembro de 1912 casa no seu país com uma italia- na. Luís Filipe visitou a Província houve um Sarau Desportivo em honra do régio visitante. AMPLIAÇÕES : C O M P A N H I A DE CIMENTOS DE M O Ç A M B I Q U E . " H O K A K U I " . Giuseppe Buffa Buccelatto. e que ainda hoje recorda com satisfação. Do seu casamento nasceram cinco filhos: Giuseppina. tendo o Príncipe ido depois.. Giuseppe B. "JOSÉ M A R I A " . parte na construção da Câmara M u n i c i p a l . Giuseppe Buccelatto é oriundo de Castellamare dei Golfo — Trapani — na Sicília. cumprimentar o jovem ginasta italiano. Só em M a i o de 1946 é que seus filhos entraram para a Sociedade. Dois formaram-se em Engenharia Civil. B. Lda. Buccelatto Construtores. Pierino e Ignázio Giuseppe B. é hoje. Buccelatto. Lda. Seguidamente foram-se criando. Buccelatto desembarcou de um desses navios alemães para uma bateira e desta para as costas dos indígenas. cons- truída em terreno da Empresa. CASAS : ALGODOEIRA DO SUL DO SAVE e BRIGADA DE FOMENTO e P O V O A M E N T O DO LIMPOPO — GUIJÁ. atitude essa que o emocionou profundamente. iniciada com dois sócios. a sua filial da Beira. cujos filhos se tornaram os seus melhores continuadores e colaboradores. Foi em 1919 que formou a Sociedade que hoje tem o nome G. cabendo-lhe. — está commais de duas centenas de accionistas. e Igná- zio em Contabilidade. e Electromecânica. Em homenagem carinhosa à terra que o recebeu e acolheu. a Sociedade M e t a l ú r g i c a Portuguesa. especiali- zada em materiais de construção. A. estabelecendo-se sem sócios. além das já mencionadas. serviam para trazer os poucos portugueses que nessa época vinham para a Á f r i c a . e M u r a l h a do que hoje é o Clube N a v a l . SOCIEDADE N A C I O N A L DE REFINARIA DE PETRÓ- LEOS. CENTRAL T É R M I C A . Buccelatto deu aos filhos a nacionalidade portuguesa. tendo sido Capitão da primeira equipa de Hóquei Patinado que existiu em Lourenço Marques.. possuindo várias medalhas ganhas no Desporto. Lda. fez Natação. Foi um praticante de Ginástica aplicada. B. Pierino em Mecânica. Nesse tempo os navios de guerra portugueses existentes. Giuseppe B. contando-se : PRÉDIOS : " A F R I C A N L I F E " . adoptando a mesma profissão de seu Pai. foi t a m b é m . MOGÁS. A n t o n i n o . bem como a M u r a l h a da Doca seca. vai progressivamente desenvolvendo a sua Empresa de Construção Civil. sendo sua f i l h a apenas sócia. e a Companhia Industrial de Fundição e Laminagem S.. o desdobramento fantástico da pequena Empresa iniciada nos princípios deste século pelo pioneiro siciliano. pois nada existia então. senão as margens da baía que constituíam praias. M O N T E P I O DE M O Ç A M B I Q U E . que é! São obra da sua Empresa a primeira fase da Ponte Cais de Lourenço Marques. Francesca Lipari. em 1929.
FÁBRICAS : COMPANHIA I N D U S T R I A L DE F U N D I Ç Ã O E L A M I N A G E M . com a Comenda de C O N S T A N T I N I A N O ORDINE M I L I T A R E Dl SAN GIOR- GIO Dl A N T I O C H I A . está certo por isso. e PAFURI. a FASES — C O N S E L H O DE C Â M B I O S . e agraciado pelo Go- verno de I t á l i a . que com seus filhos formou uma família unida. JOÃO DE DEUS. BARRAGEM. Buccelatto. em Lourenço Marques. por duas vezes. Ele amou t a n t o a terra moçambicana como a sua terra n a t a l . NOVAS O F I C I N A S GERAIS DOS C A M I N H O S DE FERRO DE M O Ç A M B I Q U E . R. Buccelatto com a ORDEM DE MÉRITO A G R Í C O L A ^ E I N D U S T R I A L . o Governo premiar a Obra deste pioneiro de Moçambique. É interessante salientar. quis assim. a que veio juntar-se a energia jovem de seus filhos. desempenhando papel de relevo no engrandecimento e economia da Província de Moçambique. Faleceu quando esta obra se encontrava no prelo. em Moçambique. N O V O HOSPITAL CENTRAL DE LOURENÇO MARQUES. pelo seu t r a t o simples. OBRAS DO ESTADO : O F I C I N A S DOS C A M I N H O S DE FERRO DE LOURENÇO M A R - QUES. e COMENDADORE DELLA STELLA AL MÉRITO. a e 2. A sua acção relevante teve um justo prémio. — 123 — . Presidente da República a Moçambique. Com esta condecoração dada pelo mais a l t o Magistrado da Nação. é o Cônsul Honorário da Finlândia. Con- decorado como sócio mais antigo dos Caminhos de Ferro de Moçambique. quando da visita do Sr. e consideração em todos os sectores. o seu labor intenso. que Giuseppe B. à terra portuguesa se dedicou como se fosse sua. Giuseppe B. M A P A I . Por tudo quanto fica d i t o se conclui. DEPÓSITO ELEVA- DO DOS CAMINHOS DE FERRO DE M O Ç A M B I Q U E — G U I J Á . que seu filho Ignazio. GRAU O F I C I A L . da continuação da obra por ele iniciada. CLASSE DE M É R I - TO I N D U S T R I A L . Buccelatto f o i . L. A. HOSPITAL : ORDEM HOSPITALEIRA DE S. falando numa linguagem onde se adivinha um coração bondoso. MORGUE — l . Giuseppe B. SILOS : COMPANHIA INDUSTRIAL DA MATOLA. que condecorou Giuseppe B. foi um grande obreiro. a f á - vel. S. Giuseppe Buffa Bucce- latto soube grangear amigos. que embora estrangeiro. Bucelatto. DEPÓSITOS DE Á G U A : DEPÓSITO DE Á G U A DE M A X A Q U E N E . Cônsul da I t á l i a .
por conta própria. destinada a pôr em merecido realce o que tem sido o esforço dos pioneiros que fizeram Moçambique. numa audaciosa jornada por terra. nasceu na aldeia de A N K E S W A R . com uma pequena loja de artigos de mercearia. Os seus primeiros contactos com os ingleses que dominavam a Colónia do N a t a l . pois além de satisfazer as necessidades de consumo de óleos no Dis- t r i t o de Lourenço Marques. na índia. por ancestralidade de ariano puro. Cedo a sua dedicação e a sua inteligência começaram a revelar-se. Seus irmãos haviam estado em Moçambique de 1882 a 1885. em 1907. Entretanto — já no final do s é c u l o — dá-se a grande conflagração entre ingleses e Boyers. passou a fornecer. por motivo de perseguições regiliosas. mas no interior do Distrito. Isso levou o jovem Sorabjee a sonhar com Moçambique. em 1895. como guarda-livros da f i r m a D A D A A B D U L L A . era principalmente.p r i m a que Moçambique possuía. uma pequena livraria. e a embarcar um d i a . que dirigida pelo General Joaquim José Machado havia sido inaugurada pelo Presidente Kruger. a corta-mato. de sacrifício e de amor por esta boa terra moçambicana — também se pode sentir orgulhosa a Província. e no regresso ao País onde a a família se f i x a r a . Tinha no seu sangue. O seu objectivo não era apenas comerciar. estabe- lecer contactos humanos com raças diferentes da sua. que o seu espírito aventureiro levou a adquirir no Porto de Sofala e na histórica Ilha de Moçambique. Homem de contas limpas e negócios rectos. há muitos séculos fixada naquele subcon- t i n e n t e . Isso tornou-se possível devido à conclusão dos trabalhos da Linha Férrea de Lourenço Marques a Pretória. — 124 — . em 1 8 6 1 . da qual Durban era então o principal porto de mar.1902. A q u i conseguiu o seu primeiro emprego. devido a importação de mão-de-obra indiana para o cultivo da cana sacarina e sua industrialização. Guerra cruel. A sua larga visão enca- minhou-o para a Indústria e com vontade de ferro. não levou m u i t o tempo a instalar em Lou- renço Marques. descendente de uma distinta família de origem Persa. Por essa a l t u r a Sorabjee. que para a História ficou designada pela de Guerra Anglo-Boyer de 1899. que lhe permitissem ser-lhe útil em convívios como em produtividade. em breve prosperou. SORABJEE ADALJEE G I N W A L A . a Colónia Indiana de Durban. e ainda copra. já há bastantes anos. contavam maravilhas do continente onde haviam estado e da hospitali- dade portuguesa que tão generosamente haviam recebido em Moçambique. num «Pangaio» árabe que deman- dava a Costa Oriental de Á f r i c a . desse produto. t a m b é m . A Fábrica prosperou. a primeira Fábrica de extracção de óleos vegetais. desafiando as incle- mências do tempo e as incertezas dos caminhos. o amor pela aventura e uma intransigência absoluta pelos conceitos filosóficos contidos na Religião que professava e com a qual ZOROASTRO imprimira uma feição de moral pura e incor- ruptível para seus adeptos e que ele seguia com devoção absoluta. tendo anexa. não em Lourenço Marques. SORABJEE EDALJEE GINWALA Do Pioneiro que nos vamos ocupar — exemplo perfeito de determinação. que opôs contra o poderio da Inglaterra Imperial um pequeno povo cioso da sua liberdade. Deixaram-no em Durban. já então numerosa. instalada no pequeno burgo que era então Lourenço Marques. não lhe agradou. O seu trabalho e o seu esforço merecem ser destacados nesta publicação. a disponibilidade da m a t é r i a . Seus Pais haviam instalado na índia a primeira Fábrica de descaroçamento de algodão. decidiu estabelecer-se em Lourenço Marques. tendo por Chefe um homem de vontade de granito — PAULO KRUGER. Lembrando-se das conversas que seus irmãos t i n h a m ao serão. deixando a f i r m a onde trabalhava. utilizando unica- mente. pôs-se afoitamente a cami- nho de Lourenço Marques. Ao princípio.
que produziam maior rendimento na extracção de óleos. até então dominado pelo Porto de Marselha como seu escoadouro natural. um batalhador i n f a t i g á v e l . já no ano seguinte. este já nas- cido em Lourenço Marques — e seus netos. monta em Lou- renço Marques. e com ele funda a Fábria de óleos e sabões denominada « M O Ç A M B I Q U E SOAP A N D 01L C O M P A N Y » . continuando a tradição respeitabilíssima que lhes legou. A l é m de pioneiro da Indústria de extracção de óleos. mandou vir seus filhos GODREJ e KEKOBAD. cujo sangue irrequieto lhe corria nas veias. Em Moçambique — pelo seu génio inventivo e espírito de audácia — criou e perdeu. a sério. que grande tenha sido o amor que votou por esta terra de adopção. ao Egipto. quase inteiramente. LDA. não só as suas instalações. E. um dos pilares em que assenta a economia florescente de Moçambique. a f i r m a . pelo princípio. KEKOBAD e N A S S A R W A N .p r i m a . em Moçambique a campanha da cultura do Algodão. Teimosamente não se importou em começar de novo. e ainda renovar a Fábrica. que entranhadamente queria como sua e para cujo desenvolvimento t a n t o contribuiu.. substituindo os obsoletos moinhos de tipo indiano por prensas hidráulicas. o português Paulino dos San- tos G i l . grandes fortunas. e com ela dar prosseguimento em bases mais sólidas à indústria que já vinha honrando a Província de Moçambique. tais como de copra e amendoim. a f o i t a m e n t e . até ao dia em que. Foi. G I N W A L A . Carecia não só da sua colaboração como ainda desejava incutir neles o seu amor pela Indústria que realizara com esforço da sua inteligência e por esta boa terra portuguesa de Moçambique. E. pela sua técnica original de industrialização. surge a Grande Guerra. já f i x a d o definitivamente em Lourenço Marques. Lutou denodadamente. como os métodos de trabalho. Sorabjee. de recente inventiva americana. e venceu! N ã o a d m i r a . supõe-se que Sorabjee tenha sido. a mais moderna e melhor apetrechada Fábrica de prensagem e descaroçamento do Algodão. Em 1909. levou-o a mais esta aventura. cujo monopólio dos mer- cados internacionais cabia. várias vezes. Tradição essa. a colocação dos seus produtos nos grandes mercados mundiais. de M O Ç A M B I Q U E se orgulha de arquivar nestas páginas. associa-se a outro pioneiro. Em Moçambique ficaram seus filhos — GODREJ. que m u i t o ficou devendo ao esforço de um homem notável. O seu espírito empreendedor. no ano de 1937. que em vida se chamou SORABJEE ADALJEE G I N W A L A e cuja biografia o « L I V R O DE OURO». Entretanto. conseguindo esse útil pioneiro moçambicano. pode modernizar. e para se defender da concorrência que se lhe depara no campo industrial a que se dedicou.. Mas o pioneiro não descansa sob louros tão dificilmente conquistados. com o concurso dos filhos. com o concurso dos dois industriais pioneiros. pois. FILHOS. conse- gue manter abastecido um mercado deficiente durante todo o período da Grande Guerra. — 125 — . industrialização essa. adquirindo aparelhagem mais moderna. em toda a sua vida. Quando em 1923 se inicia. t a m b é m . a morte o veio buscar. que era em época tão recuada totalmente des- conhecida fora do ambiente botânico e industrial. uma vez assegurada a m a t é r i a . que eles cultivam e se m a n t é m bem expresa na Firma S. o pioneiro no aproveitamento industrial da moagem da semente da m a f u r r a . dando desta forma continuidade ao espí- rito aventureiro dos seus corajosos antepassados. Deste modo.
vindo da sua terra natal para Lourenço Marques com 16 anos. que João A n t ó n i o de Carva- lho. Deste modo. há que nos reportarmos aos seus p r i - meiros anos de vida em Moçambique. Sempre aumentando os seus conhecimentos. come- çou a mandá-los vir da Metrópole. em que a Política era uma das razões dominantes da vida africana. situada a poucos quilómetros da cidade de Aveiro. como o nome indica. a ele se ficando a dever esta iniciativa de divulgar a cultura através do livro. nele se vendiam e vendem. iniciando-se assim a primeira publicação moçambicana de carácter oficial. ligou-se pelo casamento. Todavia o primeiro número da Gazeta O f i c i a l . cultivando cada vez mais o gosto pelo literatura e divulgan- do-a. Para a t e n - der alguns pedidos de fregueses que desejavam adquirir livros. Nesses recuados tempos — como ainda hoje acontece no m a t o . e se cria- vam pequenos jornais com o f i m principal de servirem como arma de combate e defesa dos seus interesses económicos. incluindo os jornais desse tempo. a uma família já enraizada na Província e de relevo social. Referimos. João A n t ó n i o de Carvalho nasceu na freguesia do Eixo. através da leitura pro- veitosa que f a z i a . Neste meio heterogénio formou ele a sua mentalidade. i n i - ciando a sua actividade com a abertura em 14 de A b r i l de 1908. que era propriedade de um seu parente. em parte. A PRIMEIRA LIVRARIA DE MOÇAMBIQUE A "MINERVA CENTRAL" JOÃO ANTÓNIO DE CARVALHO A Indústria Gráfica de Moçambique. Para se apreender o que foi a acção desenvolvida em prol do livro português e da cultura. o comerciante Clemente Nunes de Carvalho e Silva. dando primazia às obras portuguesas. apenas. e para trabalhar num Estabelecimento de Comércio Geral. mais se ia arreigando no seu espírito a ideia de criar um Estabelecimento dedicado exclusivamente ao ramo de livraria e papelaria. coincidindo a inauguração do seu Estabelecimento com o nas- cimento do seu primeiro filho. As diversões. que — 126 — . nas cidades e vilas do interior — os Estabelecimentos de Comércio Geral. e livros não existiam à venda. do pioneiro João A n t ó n i o de Carvalho. eram m u i t o poucas. os mais variados artigos. cujo sonho veio a concretizar. da « M I N E R V A CENTRAL». foi criada por um Decreto saído em 7 de Dezembro de 1836. nessa época. João A n t ó n i o de Carvalho. Nessa a l t u r a era já casado. a t í t u l o de curiosidade. só em 13 de M a i o de 1854 é que foi publicado. adquiridos. João A n t ó n i o de Carvalho iniciava a venda e divulgação do livro português no Província de Moçambique. de um modo geral.
eram difíceis e morosas. a sua inteligência e dedicação! Logo de começo. foram devotados à divulgação do livro em Moçambique. em que a escritora Sarah Beirão. a cerca de cinquenta metros para a direita do Estabelecimento actual. que adquiriu posição de relevo no meio social dessa época. de dez mil habitantes. era. sempre. hoje chamada Consiglieri Pedroso. Luís. ela é sobretudo. o qua- dro do seu pessoal e os seus serviços. muitos sem convívio com europeus. a vida dos seus próprios trabalhadores. levar a toda a parte o livro português! Para muitos desses colonos do interior. então. longe do mundo civilizado. Quando abriu o seu pequeno Esta- belecimento de livraria e papelaria. contava 29 anos. outros vivendo em pequenas comuni- dades mal servidas pelo telégrafo e pela navegação. que. lançou-se na grande aventura do que fez um verdadeiro ideal. Era preciso servi-los. incluindo europeus. A história de uma casa comercial é mais alguma coisa do que a narração dos seus traba- lhos. basta considerar que a população da cidade de Lourenço Marques.é a Família Furtado. i n s t i t u i u em 1936. por todo o território de Moçambique. nunca aí seriam conhecidos. levou a terras de além-mar o nome dos que. de um só piso. por preços mínimos. Sua esposa era D. os livros. a modesta livraria da Rua D. e quando falava da sua obra. sinceridade e j u s t i ç a : « . que foi a difusão do livro português. Consiglieri Pedroso. ao pequeno Estabelecimento se juntasse uma oficina de tipografia que. que lhe con- sagram a sua actividade. mais com o f i m de desenvolver na população o gosto pela leitura e facultar-lhe a aquisição de livros. rele- gando para um plano secundário a ideia do lucro. Ficava quase em frente à Rua A n t ó n i o Furtado. para si. Estas dificuldades de comunicação levaram João A n t ó n i o de Carvalho a pensar com inte- resse e simpatia na situação do colono do interior. Margarida Furtado.» Foi. pode dizer-se. . um livreiro. entusiasmo e vigor. Luís. diria com apreço. sem a sua actividade. na verdade. e que as comunicações com os Distritos e territórios majestáticos de I^Aan\ca e Sofala e Niassa. jornais e revistas da Minerva Central eram o único elo que os m a n t i n h a ligados à Metrópole e à civilização! Um dia viria. com colunas de ferro. Para nos certificarmos disso. aproximadamente. Não tardou m u i t o que. chamou a si uma tarefa demasiado pesada para as suas possibilidades. As perspectivas não eram animadoras para tão delicado quão difícil ramo comercial. como tantos outros construídos nessa época. sem revistas. a que se conservou fiel até aos seus derra- deiros dias: fazer chegar às mãos dos colonos as publicações que recebia. asiáticos e africanos. Seguindo a prática dos editores do Porto e Lisboa. a que se dá o nome de «tipo colonial». referia-se à acção que tinha desenvolvido durante quarenta e cinco anos. f o r t u n a e progresso. O Estabelecimento constava de um edifício de pedra e cal. Esta iniciativa teve entusiástico acolhimento por parte de todos os sectores da população da cidade. situado na Rua D. f i l h a do pioneiro A n t ó n i o Furtado. com o decorrer dos anos. e o jovem livreiro com optimismo. acima de tudo. coberto de telha. a Feira do Livro. se transformou e cresceu melhorando o seu equipamento. sem jornais ou livros. . é um pouco mais que a resenha dos seus negócios e o inventário dos seus bens. vicissitudes. sem exagero. Conside- rou-se. — 127 — . a parte mais simpática e querida da sua actividade. a qual se tem realizado todos os anos nos Salões do seu Estabelecimento da R. ao apreciar o seu labor de livreiro.
cha- mando-o afectuosamente pelo d i m i n u i t i v o de «Carvalinho». que por morte do fundador. e que o levou a a t r i b u i r a si mesmo a missão de levar a Cartiha de João de Deus e as jóias da nossa litera- tura a todos os pontos da Província. equipada com as mais modernas máquinas. servindo a sua população. acompanhando o progresso industrial. E é por sentir tudo isto que sofrendo com um tal estado de coisas. o seu amor à instrução. — 128 — . vinte e nove anos! Popularidade que conquistara com a lhaneza do seu espírito alegre. numa demonstração de desenvolvimento e progresso notáveis. seu irmão. entre eles. A sua casa comercial abriu sob os auspícios da sua já grande popularidade. uma tradição da Minerva Central. assistindo ao seu progresso e desenvolvimento. como sempre. seguiram na mesma rota idealista e progressiva. como por exemplo : Regedor. e alguns antigos colaboradores. hoje. estimado e respeitado. . a terra dos meus filhos. T e r m i n a esta biografia sumária do pioneiro João A n t ó n i o de Carvalho. italiano e inglês. As Feiras do Livro constituem. a estudantes sem recursos. desassossego e dificuldades económicas. Sebastião de Carvalho e Constantino de Castro Lopo. Jurado do Tribunal do Contencioso.» Estas duras e enérgicas palavras seguiam-se à análise da grave situação desse momento. Nestes cinquenta e oito anos de existência. e num artigo i n t i t u l a d o «AS M I N H A S RAZÕES». João A n t ó n i o de Carvalho ocupou vários lugares de destaque. que procura manter no mais elevado nível. dando-lhe. deu nova ordem à sua casa. que era prestável. a sua quota de trabalho. E tudo isto acontecia a um homem jovem. A sua Tipografia está. jornalista. que manteve sempre inalterável. apenas. e mostrar que nem todos se afastam do caminho do dever com uma cobardia que enoja. partilhando das suas alegrias e das suas horas de a n - siedade. resolvi reeditar a « P R O V Í N C I A DE M O Ç A M B I Q U E » . f a c i l i t a n d o a sua aquisição. são mandados vir da Metrópole e do Brasil. foi sem dúvida. O seu Estabelecimento está instalado num edifício de cinco andares. t a m b é m . . e possuindo pessoal europeu especializado para todos os géneros de trabalhos. g r a t u i t a m e n t e . sim- patia e auxílio. em que Lourenço Marques viveu horas de ansiedade.l o para defender os meus haveres. o precário ramo de livraria. João A n t ó n i o de Carvalho. apesar de ter. distinguindo-o com apreço. a todas as iniciativas altruístas! Era um jovem que todos conheciam. d i m i n u i t i v o que o acompanhou até ao f i m da sua existência. com a saudável disposição que o levava a ser ú t i l e o tornou prestável. João A n t ó n i o de Carvalho f o i . e registaram no seu «LIVRO DE OURO» as suas impressões. E f i . as últimas edições dos melhores livros. Para isso. Hoje. fornecendo livros de ensino. francês. associando a si seus filhos. ocupando dois pavi- mentos de um edifício situado noutra rua paralela ao do Estabelecimento. a f i r m a : «. com as declara- ções de algumas personalidades que visitaram a « M I N E R V A C E N T R A L » . sem olhar a despesas. a « M I N E R V A CENTRAL» acompanhou a cidade no seu maravilhoso crescimento. a « M I N E R V A CENTRAL» encara o f u t u r o com o mesmo optimismo e com confiança. Em 1943. hoje. Técnico A d u a n e i r o . traçada por ele. com a sua bon- dade que o f a z i a atentar no que se passava à sua volta e a prestar a sua solidariedade. O Governador Freire de Andrade era seu amigo. O que levou João A n t ó n i o de Carvalho a escolher para seu negócio. Da mesma forma são importados livros em espa- nhol. com entusiasmo.
» Lourenço Marques. 30 de Agosto de 1945 Aspecto do edifício da «MINERVA CENTRAL» — 129 — . que o livro merece. em geral.E. precisam de se cultivar ou de recrear e não são ricos.» Lourenço Marques. sem a mesquinha preocupação dos grandes lucros imediatos e com o respeito devido àqueles que querem aprender. este João A n t ó n i o de Caxvalho. DELEGADO DA «U. quando M i n i s t r o das Colónias: «Tive ocasião de verificar o papel que a Minerva Central tem desempenhado na difusão do livro na Colónia — especialmente na expansão do livro português.» Lourenço Marques. De Gilberto Freyre: «Admirável figura de bom português.N.S.C. o prestígio. um centro de c u l t u r a . A Minerva é. 18 de Janeiro de 1952 De Philipp Soupault. a dignidade. Je suis per- suade que tous ceux qui considerent que le livre est un des meilleurs moyens d eduquer les hommes et de les rendre meilleurs seraient d'accor avec moi pour leur dire notre admiration. 24 de M a i o de 1951 Do Doutor Mareei lo Caetano. e da cultura lusíada — inclusive a luso-brasileira — em particular. que soube dar ao livro em Lourenço Marques.O. É assim que se trabalha. O que mais aprecio nesta acção benemérita é o largo espírito que a a n i m a .» : «Je suis heureux de pouvoir feliciter le fondateur et les Directeurs de Minerva Central car j'estime qu'ils ont f a i t depuis 1908 une oeuvre qui merite toute 1'attention. lis ont aidé precisament a repandre la culture dans un pays qui commençait a penser a vivre. sob sua orientação.
SIPAQ (COMERCIAL).) com probabilidades mais amplas e o objectivo firme de melhor servir e valorizar a economia de Moçambique. sua composição e valores de consumo. dessa associação de boa vontade. a PROTAL iniciou imediatamente a sua actividade de relevante interesse económico para a colectividade. nasceu a PROTAL (Produtos A l i m e n - tares. — resolveram associar-se para que. LDA. com uma notável contribuição válida já prestada para o desenvolvimento industrial de Moçambique — F. LDA. sob os mais promissores auspícios. no que respeita à produção própria. LDA. Desenho do aspecto geral do complexo fabril da PROTAL Uma vez estruturados os destinos da nova indústria de fabrico. LDA. — 130 — . e V I T Ó R I A . ' P R O T A L " — PRODUTOS ALIMENTARES. DICCA. resultassem maiores perspectivas para uma indútsria de lacticínios à escala nacional. de esforços combina- dos. Lda. COMO NASCEU A "PROTAL" Em 1963/ três dos mais importantes firmas locais. Foi assim que. preparação e transfor- mação de manteigas e queijos.
além do investimento de elevadas somas de c a p i t a l . sem paralelo na Metrópole. recorrendo àquela que. A experiência combinada da especialização em indústria de frio e de conservação de alimentos e de produtos químicos de base de aplicação alimentar. estudado por forma a acompanhar. A poderosa organização industrial holandesa trouxe para Moçambique. é reconhecida como a mais perfeita — a técnica holandesa. E ninguém poderá negar — basta fazer uma visita à unidade fabril para o confirmar — que se fez um esforço notável de industrialização com a PROTAL em ocasião oportuna. e de elevado custo de instalação — é o produto de uma já longa experiência no meio da indústria manufactureira local. a PROTAL foi buscar a técnica especializada que lhe f a l t a v a . Essa associação teve por objectivo principal e imediato o fabrico. nos limites do individual. O elevado grau de industrialização atingido já pela PROTAL. bem cedo. Para a inteira satisfação a padrão inter- nacional. com uma vasta gama de estudos e conhecimentos técnicos adquiridos à luz de princípios que se enunciaram e exemplificaram. de Leewarden. 131 — . além de outras. de leite condensado da sua patente. que se vem proces- sando aceleradamente. para a consecução da qual se contou. deste modo. intensamente. p e r m i t i u a esta organização lançar-se a outra arrojada iniciativa — o fabrico em Lourenço Marques. em curto espaço de tempo. cada f i r m a associada trouxe para a nova unidade criada. procurando realizar uma obra que nos tem orgulhado. mundialmente. o programa económico de desenvolvimento. contribuiu decisivamente para que a PROTAL se tornasse. em que os empreendimentos fabris deixaram de situar-se em Moçambique. para entrarem nos domínios dos grandes trabalhos de conjunto. de leite condensado. a contribuição inestimável da sua técnica no fabrico de toda a linha de lacticínios. A COOPERATIVE CONDENSFABRIEK «FRIESLAND». numa nova unidade de alto mereci- mento no espaço nacional. que se asso- ciou à PROTAL. nesta Província. LDA. e que. desde o início.. feita nos mais modernos moldes da técnica moderna. de há anos a esta parte. por sua vez. Laboratório da Fábrica O planejamento desta importante unidade fabril está. é um dos maiores fabricantes mundiais de lacticínios. Holanda. em Lourenço Marques. A PROTAL — unidade f a b r i l . que goza de justificado alto prestígio no campo da indústria mundial do género.
» responsável por sessenta por cento da produção holandesa. que deu o seu nome à raça especial. — um Banco associado. E é assim. quarenta por cento cabe à Holanda. A COOPERATIVE CONDENSFABRIEK «FRIESLAND» resultou. contribuindo para a valorização e progresso de M o ç a m b i q u e ! Uma organização pioneira. da associação livre de cerca de vinte mil criadores de gado das zonas mais ricas da produção do gado leiteiro do M u n d o — a província de Friesland. com sólida confiança no f u t u r o e o apoio firme encontrado por parte do consu- midor. que t a n t o tem estimulado a iniciativa. man T teiga. além de Cooperativas associadas — de produção de queijo. na Ho'anda. Um aspecto 6a laboração Da produção mundial de leite condensado. etc. e outras operações bancárias de rotina.C.F. por sua vez. que ontem era uma promessa. e hoje é uma realidade! — 132 — . A organização m a n t é m . de sólida garantia financeira. sendo a «C. para transacções e investimentos. assim denominada na pecuária internacional. leite condensado. que a PROTAL caminha para a realização plena da sua obra. leite em pó.
O Governador-Geral. José Avelino Gomes Ferreira. No Brasil constituiu f a m í l i a . A l g u m tempo depois de ter saído da Missão. pois iniciara a sua vida tendo. no no de 1920. iniciava a sua actividade industrial. De espírito empreendedor. região de Por- t u g a l . que era a sua profissão. dedicava todo o seu tempo disponível à leitura. — 133 — . começando por uma pequena Fábrica de Olaria — que teve início em Agosto de 1 9 3 3 — q u e foi sucessivamente aumentando. Na ânsia de adquirir mais conhecimentos. Igualmente procurou aperfeiçoar-se na A r t e de Ceramista. Comandante Gabriel Teixeira. onde pro- curou todas as oportunidades para adquirir uma maior instrução. onde o Artesanato e a Olaria estão rica e largamente difundidas. em 1926. que dirigia a Secção de Olaria na Missão Católica de São Jerónimo de M a g u d e . D. junto de Júlio Gomes Ferreira Júlio Gomes Ferreira chegou a Moçambique em 8 de Fevereiro de 1927. Concelho de Barcelos. a Instrução Primária. Manteve-se seis anos na Missão de São Jerónimo. uma cultura que lhe abriu novos horizontes espirituais. emigrou m u i t o jovem para o Brasil. Rosa Benvenuta. Em fins desse ano regressa a Portugal. que o convidara para vir trabalhar nessa Missão como seu auxiliar. com o f i m de vir fixar-se em Moçambique onde t i n h a um irmão. com a idade de 24 anos. durante uma visita à Fábrica. no Sul do Save. até ocupar hoje um lugar de relevo na Indústria Moçambicana. JÚLIO GOMES FERREIRA Júlio Gomes Ferreira nasceu na Freguesia de Lama. casando com uma jovem de Belo Horizonte. apenas. conseguindo assim.
é o Presidente da Secção de Estudos Brasileiros. Para além da sua vida industrial. nomeou Júlio Gomes Ferreira M e m b r o Correspon- dente. agraciado com a Medalha de Ouro daquela instituição brasileira. em Lourenço Marques. a «SALA BRASIL». Este ilustre brasileiro providenciou sobre o assunto. A l é m de Sócio da Sociedade de Estudos. do Jornal «A V O Z DE PORTUGAL». Presidente da Academia Belo Horizontina de Letras. lançou o fabrico de manilhas de grés. devendo-se a ele a criação do Consulado do Brasil em Lourenço Marques. é criado o Consulado do Brasil em Lourenço Marques. e espe- cialmente. em prol do inter- câmbio luso-brasileiro. Júlio Gomes Ferreira queixou-se dessa f a l t a de uma entidade brasileira em território moçambicano. Já no Brasil. A sua Fábrica chegou a atingir uma produção m u i t o grande. vindo ocupar o lugar um diplomata brasileiro. t a m b é m . Alguns anos após ter inaugurado a sua Fábrica. também para a Constru- ção C i v i l . atingido a sua produção anual o valor de cerca de três mil contos. na parte de Olaria. enriquecendo a economia da Província. bem como Sócio Correspondente do I n s t i t u t o Histórico e Geográfico de Belo-Horizonte. a visitar as novas instalações da Sociedade de Estudos de Moçambique. departamento diplomático que m u i t o fazia sentir a sua f a l t a . normalmente. tendo sido. e que por sua iniciativa se inaugurou em 2 de Novembro de 1956. É Correspondente em Moçambioue. matérias- -primas. Por estes números se avalia do interesse despertado pelos trabalhos exe- cutados pelas mãos de A r t i s t a de Júlio Gomes Ferreira. onde as suas cerâmicas eram m u i t o apreciadas e se tornaram famosas. Júlio Gomes Ferreira. de carreira. Júlio Gomes Ferreira tem desempenhado papel relevante nas relações luso-brasileiras. Esse apogeu foi atingido no período da segunda Grande Guerra. pois a sua expansão estende-se até aos mercados dos países vizinhos de Moçambique. Quando Júlio Gomes Ferreira convidou o Cônsul-Geral do Brasil. ao Dr. e falando da necessidade urgente da criação de um Consulado em Lourenço Marques. Desenvolvendo sempre uma benéfica e progressiva actividade c u l t u r a l . Dr. na a c t u a l i - dade. também o cargo de Tesoureiro da Direcção da Sociedade de Estudos de M o ç a m - bique. presentemente. a qual se dedica em grande escala. solicitou que fosse criada uma Secção de Estudos Brasileiros na Sociedade de Estudos de Moçambique. Em 1953. que até então era importado da Á f r i c a do Sul e da Bélgica. Júlio Gomes Ferreira. Os visitantes estrangei- ros continuam a a f l u i r em grande número pois a Fábrica há m u i t o que se tornou conhecida e famosa pelas suas cerâmicas m u i t o apreciadas além-fronteiras. Por sua vez. Júlio Gomes Ferreira quis deslocar-se ao Brasil com sua esposa para visitar seus familiares e seus amigos. sempre no ânsia de progredir. fabricando telha para cobertura de casas — que nesse tempo. esses turistas também adquiriam objectos. por carência de entidades competentes em M o ç a m b i q u e . a sua obtenção demorou três longos meses. usando da palavra. Júlio Pinto Gualberto. Emprega cento e dez indígenas e dezassete empregados europeus. pelos serviços prestados desinteressadamente ao Brasil para um maior intercâmbio cultural luso- -brasileiro. produz outros géneros de cerâmicas para a Construção Civil. Desde que se tornaram conhecidas as cerâmicas de Júlio Gomes Ferreira. Paga de mão-de-obra anualmente. A Fábrica de Cerâmica de Júlio Gomes Ferreira foi a pioneira desta indústria. no valor de cento e t r i n t a contos. a i f r m o u : — 134 — . a 3 de Outubro de 1953. expor- tando largamente para a Á f r i c a do Sul e outros países vizinhos. criou uma secção dedicada à Construção Civil. Minas Gerais. do Rio de Janeiro. eram cober- tas de zinco — e mais tarde. Importa. depois de várias «démarches» e trocas de correspondência feitas através do Consulado do Brasil na Á f r i c a do Sul. Júlio Gomes Ferreira. atingindo essas visitas anuais. Júlio Gomes Ferreira. que constituíam lembranças que serviam de ofertas. que foi cedida para a Secção de Estudos Brasileiros. e assim. altura em que foi criado o Consulado-Geral. A y r t o n Dinis. Por estes números se avalia o que representa na economia da Província. mil setecentos e cinquenta contos. e desempenha. anualmente. A Fábrica. A Fábrica emprega matérias-primas nacionais no valor anual de setecentos e cinquenta contos. que a Fábrica passou a ser m u i t o visitada por turistas. entre sete a oito mil pessoas. A Academia Belo-Horizonte de Letras. e para obter os «vistos» necessários a essa deslocação. por decreto do Presidente Getúlio Vargas. sendo nomeado Cônsul Honorário do Brasil em Moçambique. que exerceu o cargo até 31 de Dezembro de 1 9 6 1 .
» Continuando a dar o seu contributo noutros sectores. Prof. embora esteja há pouco menos de um mês em Lourenço Marques. de homem de acção. na sua decoração e mobiliário. foi igualmente nomeado e por unanimidade. tem em seu f i l h o . conta-se a Secção de Estudos Brasileiros que foi criada por proposta minha. desejo mais uma vez. Salomão de Vasconcelos e Roberto Pereira de Vasconcelos. é suficientemente elucidativo da obra pioneira de um português. viu a sua ideia vingar e f r u t i f i c a r . os confrades Drs. Alves Pinheiro. feliz- mente. patriota e íntegro que é seu Pai. um apelo solicitando o seu valioso apoio para a diligência já encetada nesse sen- tido. viu-se enriquecida com variada e valiosa literatura brasileira. Júlio Pinto Gualberto. Para os nossos irmãos brasileiros que por aqui passassem e viessem visitar a «SALA DO BRASIL». Dr. Srs. os votos que formulo pelo maior fortalecimento das relações luso-brasileiras em terras de Moçambique. A nossa biblioteca. George Agostinho da Silva. onde o elo da língua e da religião mais nos estreitam. ter-se-ia a ideia do progresso e grandeza do Brasil. E há bem pouco tempo outro ilustre brasileiro. fizeram desta parcela de Portu- gal. Para finalizar desejo agradecer à actual Direcção desta Sociedade e às Direcções anteriores por todo o carinho que dispensaram às minhas diligências em prol do estreitamento dos laços fraternos luso-brasileiros. Júlio Gomes Ferreira foi Membro directivo da Associação Comercial e é Vogal da Junta Distrital do Sul do Save. já grangeou muitas simpatias. Sócio Correspondente da nossa Sociedade. o Sr.° Manuel Pimentel dos Santos e a minha modesta pessoa. Neste estrei- tamento de mais íntimas relações é que foram nomeados sócios correspondentes da nossa Sociedade os Exmos. Na sucessão das suas actividades industriais. Para todos vai o meu m u i t o obrigado. sentir-se-iam como que em sua casa. a partir de então. Mas. Aurélio Gomes Ferreira. Exa. Cônsul. a bela e florescente terra que é hoje. Copér- nico Pinto Coelho. a obra singrou e está à vista nesta grande realização. por um grupo de entusiastas em prol do progresso social e cultural de Moçambique. os de cá. em 2 de Novembro de 1956. Júlio Gomes Ferreira. Para nós. o distinto jornalista Dr. A n t ó n i o Esquivei. que a juntar a tantos outros de rija têmpera. embora houvesse de início certas dúvidas a tal respeito. Exa. — 135 — . Sabemos. Eng.. Exa. teve como p r i - mordial obreiro. Ao terminar esta singela e despretenciosa saudação. T a n t o eu como os demais membros desta Secção gostaríamos que a «Sala» fosse apetre- chada condignamente. fundada em 7 de Setembro de 1930. é de toda a conveniência que este intercâmbio se avive e se f o r t a - leça cada vez mais. não esquecendo a Imprensa e a Rádio que igualmente me apoiaram nesta cruzada de aproximação. estou certo. visto que já em Lisboa criou um ambiente de muitas amizades e simpatias. para que tal desejo se materialize. de forma a traduzir um ambiente e estilo tipicamente brasileiros. pois sempre me a n i m a r a m . eu ouso d i r i - gir a V. que ainda foi honrada com a nomeação de Sócio Correspondente da Academia Belo-Horizontina de Letras. predicados que V. persistente e confiante. Drs. pelo seu f i n o t r a t o e lhaneza de maneiras. reúne e com os quais. expressar a V.° A n t ó n i o Joaquim de Freitas que. Exa. E entre os de cá também foram nomeados Sócios Correspondentes do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Cremos que tudo quanto atrás fica d i t o . que V. Cónego Jerónimo de Alcântara Guerreiro. sem dúvida. Sr. Mas. o seu melhor colaborador. Entre as várias Secções exis- tentes no seu seio. Pode-se a f i r m a r que foi desde então que se começou a desen- volver de forma saliente o intercâmbio cultural entre Moçambique e o Brasil. progressivo. Presidente da Academia Belo-Horizontina de Letras e ainda o muito conhecido homem de Letras. a Província de Moçambique. conquistará entre nós a amizade e o carinho de que é merecedor. que será o continuador da obra de pioneiro. membros do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e o Dr. — «A Sociedade de Estudos de Moçambique. Estou certo de que não será em vão o desejo que nos anima e a confiança que nos alenta. o que aliás outra coisa não era de esperar. pois estou certo de que o Governo Brasileiro não deixará de dar o seu contributo. Eng. No entanto.
o seu pacto social foi alterado.A. Eurico M a r i n h a de Can pos e Dr. com o capital de quatrocentos e vinte e cinco conto dividido em quatro quotas pertencentes a Dr. Em 21 de A b r i l de 1948. .R.». passando a denominar-se.». Maurício Luís Neves. «En presa das Águas de M o n t e m o r (Namaacha) Lda. a d m i t i n d o novos sócios. e aumentando o se capital para quatro mil e quinhentos contos.L. EMPRESA DAS AGUAS DE MONTEMOR (NAMAACHA) S. na N A M A A C H A A Empresa das Águas de M o n t e m o r foi fundada em 7 de Setembro de 1944. Vista geral da Fábrica C A N A D Á DRY. com a den< mi nação de «Fonte de Montemor Lda. Jaime Luís Neves e Luz da Aurora Neves.
Eis a traços largos. situada na povoação da Namaacha. Esta Empresa constituiu-se para explorar uma nascente de Água de Mesa. por nova escritura. e mais tarde.». etc. Eng. refere-se que. A capacidade de produção da Fábrica da Namaacha. enveredou pelo fabrico de refrigerantes de renome m u n d i a l . açúcar. distribuidores e Agentes. que representa cerca de dez por cento do custo do produto. e «União Fabril de Refrigerantes.° Aníbal da Ascen- são Rodrigues V a l e n t e . D i . m u i t o boa e bacteriològicamente pura. e na sua maio- ria de produção moçambicana. e ainda. a Empresa elevou o seu capital para nove mil contos.. era composto pelos seguintes administradores : Carlos Theodoro M a r t i n s .p r i m a importada é apenas as dos extractos. Lda. Em 17 de Outubro de 1950. no local denominado « M o n t e - mor». Fabrico e Transporte. propriedade do velho pioneiro. João Marques Negrão. a marca «Canada Dry» e também. assim como a pasteuriza- ção dos xaropes. Lda. de refrigerantes e sodas. transformou-se em Sociedade A n ó n i m a . denominada «A Distribuidora Lda. todos de origem moçambicana. caixas de madeira. em representação da Sociedade Civil da Quinta de M o n t e m o r . — 137 — .». José Diogo de Mascarenhas Gaivão e Manuel Nunes. em representação da f i r m a P. em t r i n t a e cinco mil contos. cinquenta e dois auxiliares africanos. tratando-se de águas e esterilização de vazilhame. perante o mercado interno.». «Fábrica de Cerveja da Beira. é bastante satisfatória e a sua produção é toda con- sumida no mercado da Província. A m a t é r i a . Para se avaliar da extensão e grandeza desta f i r m a . Lda. é de dois milhões e quinhentos mil litros anuais.. através de quatrocentos e setenta e um accionistas. e em 20 de Fevereiro do mesmo ano. sendo f e i t a por meio de venda directa. garrafas. a biografia de uma f i r m a que m u i t o tem contribuído para o progresso da Indústria moçambicana. Esta Empresa foi a pioneira em todo o território português. A Empresa começou por explorar a água no estado natural e gazificado. Lda. os capitais investidos pelo Balanço de 1963 eram na importância de quarenta e quatro mil contos. Administrador-dele- gado : Eurico M a r i n h a de Campos.». com exercício até 31 de Dezembro de 1966. Santos Gil Cr Ca. As restantes matérias-primas são de origem nacional. «Pepsi Cola». A Empresa tem o seu estabelecimento industrial na Namaacha e Sede em Lourenço Marques. A comercialização dos produtos é feita através de uma orga- nização comercial. «Fábrica de Refrigeran- tes de Gaza. na modernização da indústria de refrigerantes. com fábricas em Quelimane e Nampula. A mão-de-obra utilizada é toda portuguesa e composta por dezassete empregados nos Ser- viços de Administração. Eurico M a r i n h a de Campos. Inácio Bragança.». Lda. e em 17-1-1952. A posição. A m a d e u Luís Neves. Presidente. do refrigerante de fama m u n d i a l . O processo de fabrico é todo mecânico e do mais moderno. sendo ainda associada de «A Distribuidora. elevando o seu capital para doze mil quinhentos e dez contos. cápsulas. (gás carbónico. O Conselho de Administração.
no ramo automóvel. natural de Macedo de Cavaleiros. A organização é. Província de Trás-os-Montes. — 138 — . Iniciou a sua vida de trabalho. mas albergando no coração. pres- tando a sua colaboração em mais que uma. com 25 anos. Após esse tempo. e foi-lhe dado o nome da « M A Q U I N A G . carrocerias. por ele orientada. A n t ó n i o A u g u s t o Gemelgo estabelece-se. foi ele o pioneiro. as nobres tradições da gente lusa. A n t ó n i o Augusto Gemelgo. em 1948. de largas tradições espirituais. mantendo-se nessa actividade até 1954. A sua intenção. empregando-se em empresas dedicadas à mecânica.montando uma Fábrica para produzir material agrícola. durante os primeiros dos anos e meio de estada na Província. mobiliário de aço e embalagens metálicas. atrelados. Neste género de indústria. ANTÓNIO AUGUSTO GEMELGO A n t ó n i o Augusto Gemelgo. era fixar-se e progredir. estabeleceu-se sem sócios. veio para Moçambique m u i t o jovem. igualmente. pois grandes eram os seus anseios e sonhos. que o seu sonho de expansão começa a concretizar-se. onde a sua gente é rude como as serranias. em busca de melhores condições de vida. chegando à Província em 1944. É nesse ano.
numa demons- tração de progressiva vitalidade. no mesmo ano. À tenacidade e esforço de A n t ó n i o A u g u s t o Gemelgo. do M A L A W I e da S U A Z I L Â N D I A . onde as várias dependên- cias da Fábrica poderiam ter as condições necessárias à sua constante expansão. povoação a 10 quilómetros da cidade. a « M A Q U I N A G » divide-se em quatro edifícios. a t i n g i r a m a cifra de quase vinte mil contos. de modo a bem servir o f i m a que se destina. Graças ao esforço dos seus pioneiros. fica-se a dever esta iniciativa de vasto alcance económico. A primeira Fábrica. a enriquecer a economia da Província. tendo sido transferida mais tarde. Para se avaliar do valor económico desta organização industrial. e hoje. tGmbém em 1964. com todos os requesitos modernos. A c t u a l m e n t e . e d i m i n u i r as suas importações. a maior unidade f a b r i l . tem mais de quinhentos. teve início em Lourenço Marques. cinco mil seiscentos e setenta e três contos. de ano para ano. só no ano de 1964. a sua produção. Sempre em contínuo progresso e crescimento. a « M A Q U I N A G » iniciou a sua produção com doze empregados. Em 1957. a t i n g i r a m cerca de quatro mil e quinhentos contos. assim como para os mercados estrangeiros vizinhos. em 1960. e os vencimentos. entre europeus e indígenas. basta dizer que foi des- pendido em compra de matérias-primas nacionais. tendo construído em terrenos próprios. para a M A C H A V A . A Fábrica tem vindo sempre a aumentar. As vendas. Moçambique vai procurando criar as suas indústrias para prover às suas necessidades. a « M A Q U I N A G » exporta para a Província de Angola material agrícola e mobiliário metálico. — 139 — .
a sua maneira de ser inspirava confiança. contam-se a do C H Á . estabeleceu-se. aí permane- cendo durante t r i n t a anos! Durante todos esses anos foi estendendo a sua actividade e associan- do-se a outros empreendimentos de v u l t o . tem a Sede de todas as suas actividades em Lourenço Marques. estando associado a quatro PLANTAÇÕES DE C H Á na Circunscrição do GÚRUÈ e do LUGELA. sendo natural da Freguesia de Fânzeres. Na actualidade. O seu nome está ligado a várias grandes Organizações moçambicanas. A Firma denomina-se. chegou a Moçambique. O seu estabelecimento de Inhambane dedicava-se ao Comércio Geral — que ainda hoje existe e continua no mesmo ramo de negócio — do qual são sócios sua esposa e alguns filhos. mais de quarenta anos — uma extraordinária actividade. das quais desta- camos : — 140 — . M A N U E L NUNES. próximo da cidade do Porto. em Fevereiro de 1922. trazendo consigo abundância de esperanças e o desejo de vencer ! Dinheiro pouco t r a z i a . Porém. com a ajuda de alguns amigos. despendeu durante todos estes anos de permanência na Província — até ao presente. Entre as Indústrias e Organizações a que se ligou. e por isso. o pioneiro Manuel Nunes. na Província. para onde veio residir em 1 9 5 1 . o que o tornou uma figura de relevo no Comércio e na Indústria. fixando-se então na V i l a de Inhambane. M A N U E L NUNES. LDA. Laboratório da Fábrica MANUEL NUNES M A N U E L NUNES nasceu na Metrópole. Com a idade de vinte e seis anos.
LDA. EMPRESA INDUSTRIAL DE CONTRAPLACADOS COMPANHIA GERAL DO FOMENTO. LDA. — INHAMBANE. LDA. CHÁ METI LI LE. LDA. ter uma existência mais sossegada. LTD. — JOHANNESBURG EMPRESA MINEIRA DO ALTO LIGONHA — LOURENÇO MARQUES EMPRESA DAS ÁGUAS DE MONTEMOR—LOURENÇO MARQUES MANUEL NUNES. Por esta breve resenha de Firmas. LDA. dada pelo Rei da Noruega. MANUEL NUNES. e já numa altura da vida. em que bem podia e devia. L D A . que hoje lhe é tão querida como a terra que o viu nascer! — 141 — . — (INDÚSTRIAS INÇAR) METI LI LE AGRÍCOLA. "THE DELAGOA BAY LANDS SYNDICATE. EMPRESA DE MADEIRAS DO ULTRAMAR. COELHO & SOUSA. Da sua prodigiosa actividade. CHÁ TACUANE. LDA. — QUELIMANE MANUEL NUNES. — JOÃO B E L O — . — L. com a mesma eficiência de sempre. LDA. se avalia da enorme e vasta actividade que Manuel Nunes tem desenvolvido e continua a desenvolver. LDA. menos activa. LDA. LDA. COMPANHIA DOS TRANSPORTES DE MOÇAMBIQUE — M A T O L A SOCIEDADE CONSTRUTORA DE SERRALHARIA— MATOLA MECÂNICA. CHÁ MOÇAMBIQUE. COMPANHIA INDUSTRIAL ALGODOEIRA. LDA. LDA. MARQUES FARMÁCIA COLONIAL— LOURENÇO MARQUES CARVALHO. LDA. como tem sido sempre a sua vida de autêntico "BUSINESSMAN"! Manuel Nunes possui a Comenda da Ordem de Santa Eulália. L D A . CHÁ GÚRUÈ. muito tem beneficiado a Província de Moçambique. — V I L A JUNQUEIRO — M A N U E L NUNES. MANUEL NUNES. LDA — M A X I X E MANUEL NUNES.
fundada em Lourenço Marques. possuindo as seguintes Meda- lhas: " M e d a l h a de O u r o " da Exposição Internacional de Paris. B. a Fábrica foi tomada pelo Banco Nacional Ultramarino. pelo contributo dado ao progresso da Província. As suas quotas t r a n s i t a r a m para os respectivos herdeiros. constituída por outros pioneiros: José Teixeira Catarino. e " G r a n - de P r é m i o " na Exposição Colonial Portuguesa. o cidadão italiano. para outra Sociedade. e ainda por um cidadão sul-africano. em 1932. Foram seus fundadores alguns pioneiros. e são: Paulino Santos Gil. Giuseppe Giuste. que a alugou a uma Sociedade constituída por: Osman Abobakar. " M e d a l h a de O u r o " p " M e d a l h a de P r a t a " da Grande Exposição Industrial Portuguesa de Lisboa. Com esta Sociedade. Nessa data passou. e são seus principais Administradores. Em 1927. A FÁBRICA N A C I O N A L DE M O A G E M E MASSAS A L I M E N T Í C I A S . LDA. G. Madeira e Portugal C o n t i n e n t a l . Esta Organização industrial pioneira. Alcino V i - cente Pinheiro e Hermes Petiz. em 1925. por compra ao Banco Nacional U l t r a m a r i n o . é uma organização pioneira. Fachada da primeira fábrica de Massas Alimentícias de Lourenço Marques A Fábrica abastece Moçambique e exporta para A n g o l a . a história desta Organização industrial moçambicana. que a enriquece e valoriza. São Tomé. sendo constituída em regime de Sociedade A n ó n i m a . Manuel Teixeira Ca- t a r i n o . Timor. pela superior qualidade dos seus produtos e apresentação. e m u i t o tem contribuído para o progresso da Província. Justino de A b r e u . Na actualidade. efectuada no Porto. Encontram-se à frente da Organização. cujos nomes estão desde há m u i t o ligados a Moçambique. a Fábrica produz Massas Alimentícias e várias qualidades de farinha de M i l h o para variados fins. que são os actuais proprietários e administradores da Fábrica. em 1 9 3 1 . FÁBRICA NACIONAL DE MOAGEM E MASSAS ALIMENTÍCIAS. A n t ó n i o Vicente Pinheiro e Manuel Ferreira dos Santos. já falecidos. honra a indústria moçambicana. Jorge Cadete. — 142 — . a Fábrica la- borou a t é fins de 1929. em 1933. Dr. Buccelatto e Costa e Cordeiro. A Fábrica Nacional de Moagem e Massas Alimentícias foi galardoada em várias exposi- ções. A sua capacidade de produção anual pode atingir as seiscentas tone- ladas de Massas Alimentícias e nove mil toneladas de Farinha de M i l h o . Eis a traços largos.
pioneira do fabrico de Fermentos. culinária e pastelaria. fixando-se de início. estendendo e progredindo as suas actividades faz hoje J parte de varias Organizações industriais moçambicanas. EDIFÍCIO DA «SIPAQ» Esta importante Firma moçambicana. Zacarias Falas. M a n u e l Macropulos. Joaquim Gouveia P i n t o — já falecido — e pelo Dr.denominação abreviada da Firma — é constituída por uma Fábrica que produz Fermentos para panificaçao. "SIPAQ" — SOCIEDADE INDUSTRIAL DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS QUÍMICOS LDA. que veio da Grécia para a Província de Moçambique no ano de 1926. Em 1962. no Distrito de Inhambane. Esta Fabrica foi inaugurada em 20 de Agosto de 1940.uma fabrica de fermentos secos. Manuel Macropolus e o Dr. de que é abastecedora da Província Os seus Fermentos são frescos. é ainda exportadora em larga escala de produtos alimentares. Lacticínios e seus derivados.na Província de A n g o l a . Com o falecimento de Joaquim Gouveia Pinto. Os seus fundadores foram Manuel Macropulos. a " S i p a q " iniciou a Indústria do Queijo F u n d i d o — a ela se ficando a dever tombém mais uma iniciativa de a l t o interesse e valor económico : a de produzir manteigas Leite Condensado e outros produtos lacticínios. — 143 — . Zacarias Falas formado em Quimica pela Universidade de Viena de Á u s t r i a . Continuando a sua acção expansiva. que servirá para abastecer aquela Província e para exportação. ficaram como sócios únicos da Firma. a «Sipaq» pediu e obteve uma autorização para instalar na progressiva cidade do Lobito . possuindo frigoríficos para armazenar produtos frescos. prensados e secos. foi iniciada pelo Pioneiro de nacionalidade grega. A «Sipaq». M a n u e l Macropulos. A " S i p a q " .
em toda a cidade. A l i se concentram: a fábrica. foi até hoje. a maior obra eléctrica executada. material eléctrico. construídos nos moldes mais modernos. há t r i n t a anos. com distribuição de Corrente A l t a e Baixa Tensão. sendo a área coberta. bem como do novo Edifício do Banco Nacio- nal U l t r a m a r i n o . a sua vida ser sempre ascensional. a secção de anúncios L u m i - nosos. com a extensão de 12 mil metros. As instalações industriais de Justo Menezes. A i n d a naquela cidade. Eis a traços largos. a biografia de Justo Menezes. foi a sua Organização que fez a instalação da Rede de Corrente A l t e r n a . não lhe foi d i f í c i l . Justo Menezes iniciou a sua vida industrial. as suas actividades industriais em Moçambique. T a m b é m foram obra da Organização industrial de Justo Menezes. graças a essas qualidades. Em Lisboa. embora de menos v u l t o . Igualmente tem executado obras em Portugal insular. aliado a uma inteligência viva. cuja obra. — 144 — . em Lourenço Marques. em Lourenço Marques. armazéns e escritórios. guindando-o a pontos altos da sua indústria. construídas dentro da cidade. t a n t o em Portugal Continental como U l t r a m a r i n o . iniciou há 17 anos. apenas com excepção de Timor e M a c a u . em Lourenço Marques. pelo seu grande volume. ocupam uma área de 18 mil metros quadrados. na área da Pontinha. Jorge. fazen- do a electrificação do Grande Hotel da Beira. A l é m destas. Justo Menezes. a electrificação dos Campos de Aviação de Lourenço Marques e Beira. Mais tarde. em Lisboa. no valor de 180 mil contos. A Organização Justo Menezes tem executado obras eléctricas em todas as Províncias U l - tramarinas. fez a electrificação do Banco Nacional U l t r a m a r i n o e o Cinema S. que tem dado largo contributo ao progresso de Moçambique. JUSTO MENEZES Fachada do Edifício da Empresa Justo Menezes é um metropolitano ligado a grandes realizações efectuadas na Província de Moçambique. estão instaladas as suas organizações fabris. Dinâmico e persistente. muitas outras obras foram executadas. pela sua Organização.
feitas pelo Coronel Engenheiro Lopes Galvão — ele cita o seguinte: «Cheguei à conclusão de que o assunto não interessava ao Conselho. portanto. dono do HOTEL CARDOSO. a que estão ligados alguns nomes grandes dos que ajudaram a civilizar esta parcela da terra portuguesa e.» — 145 — . Ouvi-o. e. Vista aérea do Hotel Polana De variadíssimas insistências para que o Conselho tratasse de arranjar para Lourenço Marques. de alguns que a bem governaram. e levei o caso ao conhecimento do General M A S S A N O DE A M O R I M . O Engenheiro Lopes Galvão — que foi Inspector Superior das Obras Públicas — exercia em 1917. t a m b é m . O primeiro nome a figurar. ouvi as condições. em Lourenço Marques. vem o do Coronel de Engenharia. HOTEL POLANA O PRIMEIRO DA CIDADE DE LOURENÇO MARQUES O HOTEL P O L A N A — inconfundível marco de turismo da cidade — tem uma história interessante. JOÃO A L E X A N D R E LOPES G A L V Ã O — M e m b r o Superior da Sociedade de Geografia de Lisboa. em determi- nadas condições. ocupam lugar de relevo na História de Lourenço Marques. À realização desta obra estão ligados nomes ilustres de pessoas há m u i t o desaparecidas. Apareceu-me nessa altura o A D R I A N O M A I A — comerciante categorizado dessa época — que me disse que os seus amigos do Transval estavam dispostos a fazer um grande hotel em Lourenço Marques. Este achou bem e autorizou-me a negociar. e que. um hotel decente. da Província de Moçambique. por sua vez. o cargo de Inspector Provincial de Obras Públicas e era Vogal do Conselho de Turismo. que me pareceram aceitáveis. onde pontificava o C O M A N D A N T E AUGUSTO CARDOSO.
a já refe- rendados. que desaguam na sua vasta baía. abrindo-lhe um serviço permanente de correio e telégrafos. Leão Cohen. que os hotéis e casas de hóspedes multiplicaram-se. V. das suas indústrias e da riqueza pública.. pela bela arquitectura e solidez da construção. fábrica de sodas. Esta grande iniciativa ficou a dever-se. A l t o Comissário. qual deles o mais pitoresco e acessível. A assinalar data tão festiva. em grande parte ao Coronel Lopes Galvão e ao Governador-Geral de Moçambique. Exa. na Sala de Jantar do novo H o t e l . que fez a f l u i r àquele porto o turismo do «Hinter Land» e com t a n t o êxito. com o fomento da Comissão de Turismo e outras medidas acertadas que decerto. estou convencido que com outros diplomas por V. e as suas receitas. o melhor de toda a Á f r i c a do Sul. frigorífico. fazer referência ao a r q u i t e c t o . Aos brindes. Sr. Massano de A m o r i m . A l t o Comissário e meus Senhores. dos mesmos benefícios que auferiu o N a t a l . Dos contactos estabelecidos entre o Engenheiro LOPES G A L V Ã O e o comerciante A D R I A N O M A I A . quando lhe fizeram ciente da campanha movida. m u i t o em breve rivalizará com qualquer cidade ao Sul do Equador. e aos construtores. ofereceu nesse dia um almoço a 131 convidados de honra. a que assistiu o A l t o Comissário Brito Camacho. que em 1906 eram de 391 0 0 0 . A l t o Comissário. em seguida. garan- t i a o juro de seis por cento do capital a despender com a construção e mobiliário do Hotel e comprometia-se. Sr. a apresentar directamente à entidade competente as suas propos- tas. pois o turismo trouxe àquela colónia o mínimo de um milhão de libras anuais de receita para a sua população. o melhor porto do Sul de Á f r i c a . e trago a exemplo a cidade de Durban. Nessa altura o custo do Hotel Polana estava avaliado em cinquenta mil libras. Tem ele vida própria para a sua laboração: máquinas geradoras de electricidade e aque- cimento. e as adua- neiras. ainda. O General Massano de A m o r i m . assim como um aumento das receitas públicas. Cabe-me. foram cres- cendo de tal forma que em 1921 a t i n g i r a m a importante soma de 1 135 000 libras. A inauguração do Hotel Polana efectucu-se no dia 1 de Julho de 1922.» — 146 — . tAr. cujo custo anda m u i t o próximo de 300 000 libras. se deslo- caram a Lourenço Marques. W A L T E R REI D. para a construção do Hotel Polana. estabeleceu a comissão das praias. o aumento de forasteiros será sucessivo. Senhores EAST COAST ENGINIERS. resultou que os capitalistas transvalianos interessados no assunto. é das mais perfeitas e modernas e não tem rival nos portos do Sul havendo m u i t o poucos hotéis na Europa que o igualem nas condições em que está montado. O Governo. as suas esplêndidas estradas e arredores. Hollander. igualmente. telefones e água quente em todos os quartos — e para que tudo seja mais completo — vai fazer colocar o Hotel em comuni- cação directa com o M u n d o inteiro. que representava a f i r m a construtora. entre outras individualidades. e hoje dotado com este magnífico H o t e l . e o Conselho Legislativo adoptarão. e o resultado foi a expansão do seu comércio. E o hotel fez-se! No contrato ficou estipulado um mínimo de 100 quartos. passaram para 1 537 000 libras em 1920. isto é. o que lhe fez ter uma frase brusca com a qual pôs termo a tcda essa trapalhada. encontrava-se nessa altura no Norte da Província. não vejo razão para que a nossa cidade não venha a compartilhar de f u t u r o . e com a abertura deste H o t e l . Sr. em Julho de 1918. A construção deste Hotel. cinco rios. Daí chegou a um acordo entre o Governo e a «DELAGOA BAY LANDS S I N D I C A T E » . quando o seu Mayor. Estava neste caso o Comandante Cardoso — dono do Hotel que tem o seu nome — fazendo publicar um «manifesto patriótico» ao povo de Lourenço Marques. dotada com as belezas naturais que possui. Ex. o que virá a dar uma nova vida a esta cidade e ao seu comércio. Levantou-se. lavandaria eléctrica. tendo sido um acontecimento de grande relevo na vida da cidade. enorme a g i t a - ção por parte daqueles que se consideravam mais lesados pela construção do novo hotel. a «DELAGOA BAY LANDS S I N C I D A T E » . t r i p l i c a r a m . disse em determinada a l t u r a do seu discurso — onde o magno problerncrtlo Turismo já começava a aflorar — o seguinte: «Sr. por sua vez. protestando veementemente contra a construção do Hotel. que em 1907 eram de 863 0 0 0 libras. Era estabele- cida a cláusula de não poder durante os primeiros dez anos construir-se qualauer outro hotel na área da Polana. a macadamizar a estrada que deveria servir o Hotel — hoje a Avenida A n t ó n i o E n e s — e «empregar os necessários esforços no sentido de conseguir da Companhia Concessionária a expansão da Linha dos «Tramways» eléctricos. cujas receitas municipais em 1906 se achavam bem precárias. até àquele local.
mais próximas da nossa Província. Constatei especialmente. tenha o prazer especial de visitar a Á f r i c a do Sul». Espera-se a l i . m a s . bom gosto e . O Hotel Polana criou fama em todas as regiões de Á f r i c a . a União Sul-Africana. o mais belo Hotel da Província. vendo-se a piscina e o jardim Completaram-se j á . Era uma cidade pequena. e grandioso em qualquer parte. que é um sentimento nobre. continuando a ser. A finalizar todos os discursos. Brito Camacho frisou ainda. características diferentes. quem no Europa tiver dinheiro. e de. . clima. A certa altura © f i r m o u : «Tive ocasião de percorrer nos últimos dias uma parte do país vizinho. falando-se dele como de* um padrão de beleza hoteleira. sociabilidade. era Lourenço Marques»! Um aspecto geral do Hotel. — 147 — . . que. para o Hotel Polana. e. que o Governo previdente daquele País progressivo. . não direi invejar. delícia de quantos por lá passam. «que Lourenço Marques era uma cidade pequena mas com condições geográficas diferentes. na Europa. Lourenço Marques sendo Lourenço Marques. e tendo voltada para a baía a sua magnífica piscina. as improvisações inteligentes que se estão fazendo no País que temos à porta. t i n h a características diferentes. cuida dê desenvolver o turismo. não enjoar. que foi acolhido com uma vibrante e prolongada salva de palmas. que seria uma sentimento baixo. mas de admirar. era superior a qualquer das outras cidade. rodeado de belos jardins. em Moçambique. levantou-se o A l t o Comissário Brito Camacho. . do que o seria se fosse uma caricatura do Cabo ou de Durban. t a m b é m . quarenta e sete anos de existência. de f u t u r o .
que foi autor do grandioso Palá- cio dos Ministérios. tem vindo a sofrer beneficiações de forma a modernizar o que se tornava necessário. em Pretória a « U N I O N B U I L D I N G S » — q u e t a n t o se orgulha a capital administrativa da vizinha República da Á f r i c a do Sul. aqueles que aos seus tectos se acolhem. relacionado com o Hotel Polana. o Hotel Polana mudou de dono. os grandes acontecimentos citadinos a ele ficaram ligados. mas a garantir as tradições da sua fidalga hospitalidade. — 148 — . justificadamente. o Hotel Polana. A c t u a l m e n t e . o Hotel Polana. foi o celebrado «SIR» A R T H U R BAKER. Armando de M a t o s Ribeiro. Deste modo. O u t r o apontamento curioso. estará a pessoa do seu Gerente. que dará continuidade às altas tradições daquele verda- deiro marco de turismo. de que a cidade. é que o arquitecto. técnico de hotela- ria e de turismo dos mais competentes. para bem continuar a servir e a receber. autor do projecto da fachada. se orgulha. ajudando sobremaneira ao desenvolvimento do turismo na capital moçambicana. continua a servir condignamente os fins para que foi criado. De 1922 para cá. Sucessivamente.
Foi seu marido. tendo A i d a 25 anos. Ela fizera o Curso de Professora do Magistério. casaram. que levou Giuseppe e a jovem A i d a . pela primeira vez. viera fixar-se em Lourenço Marques. AIDA SORGENTINI A pioneira A i d a Sorgentini nasceu na Aldeia de TREIA. o primeiro a pisar a terra moçambicana. Isto passava-se no ano de 1919. orgulho e prestígio da capital moçambicana! Vista geral do Hotel Cardoso — 149 — . na I T Á L I A . e anos depois manda vir o irmão GIUSEPPE. e a sua viagem de núpcias foi de Itália para Moçambique. onde permaneceu mais dois ou três anos. voltando nova- mente a Itália. também outros dois irmãos mais novos de Giuseppe Sorgentini. Este. Na sua terra natal é-lhe apresentada por uma sua irmã. mais tarde. Pouco depois de se conhecerem. o C O M A N D A N T E CARDOSO. vieram fixar-se. Alguns anos depois. m u i t o jovem. Fixaram-se em Lourenço Marques. regressou a Moçambique. verificou-se em 1905. uma jovem amiga. teve de regressar à Itália. mais velho. e Giuseppe. pois nem sequer cumprira o ser- viço militar. então. onde se vinham fixar. Um seu irmão. Uma vez cumprido o serviço m i l i t a r . no Litoral A d r i á t i c o . e para onde. juntamente com esses dois irmãos. ao casamento. A sua chegada a Moçambique. próximo da cidade de A N C O N A . Daquele conhecimento resultou uma forte simpatia. 36. Quando G I U - SEPPE SORGENTINI chegou à idade m i l i t a r . t i n h a terminado o ano obrigatório de tiro- cínio — a que são sujeitos os novos Professores antes de iniciarem a sua vida profissional definitivamente. era um velho edifício e existia no mesmo local onde hoje se ergue uma bela e mo- derna unidade hoteleira. o cidadão italiano GIUSEPPE SORGENTINI. onde seu marido t i n h a negócios. que era. tomaram de trespasse um Hotel — chamado HOTEL CARDOSO — a que tinha sido dado o nome do seu primeiro proprietário.
os cunha- dos pretenderam mandar para Itália a jovem viúva. agora de uma outra f o r m a . com 27 anos. O HOTEL CARDOSO foi trespassado aos irmãos Sorgentini no ano de 1924. A verdadeira razão era o u t r a . Fácil lhe foi compreender que teria de lutar pela sua sobrevivência e de seus filhos. em 1939. após a morte do marido — ela conseguiu vencer! Deu aos cunhados a parte que lhes cabia nas partilhas. ela teria de ficar com o Hotel. necessária para poder adquirir o Hotel. Após grande luta com seus c u n h a d o s — durou mais de um ano. par despacho do T r i b u n a l . Porém.' A i d a Sorgentino. tomando ela conta do H o t e l . Outro pormenor do Hotel Cardoso — 150 — . Foi então que. era nessa época. reagindo de forma contrária. em que era necessário uma grande economia para solver os encargos! Em 1932 terminava o prazo de arrendamento do Hotel feito aos Sorgentini. e para isso. ela compreendeu quanto era necessário modificar aquele velho prédio. pois o Hotel seria vendido e não mais arrendado. uma jovem. Novas d i f i - culdades surgiram para a Senhora Sorgentini. e corajosamente. vindo a falecer em 3 de Outubro de 1925. foi começado a deitar abaixo uma das alas do H o t e l . Quando a sua dívida foi saldada. Giu- seppe Sorgentini sobreviveu apenas um ano. pois dese- javam ficar eles senhores do Hotel. era uma mulher de ânimo f o r t e . poucos meses antes de rebentar a Segunda Grande Guerra. que se pronunciiou a seu favor. pois sabia que se regressasse a Itália teria de sofrer uma readaptação à sua vida de Professora' com evidentes inconvenientes. pessoa amiga lhe emprestou uma avultada q u a n t i a . fazendo partilhas e alegando que era m u i t o nova para tomar a direcção do Hotel e seus encargos. E a luta continuou. no entanto. Em virtude disso. A i d a Sorgentini. para ser f e i t o em bases sólidas e modernas. além de ter a seu cargo dois filhos pequeninos.
em que foram construídos quatro a n - dares e um quinto andar. com largas tendências artísticas para a Decoração — dedica-se a um sector. assim. Piscina e Jardim. e logo no dia seguinte. Em Fevereiro de 1940 é inaugurada a parte nova. Hoje.B A R » . Na primeira fase da sua renovação. uma pioneira que bem merece o respeito e consideração de quantos a conhecem. A I D A S O R G E N T I N I . No f i m de 1941 a segunda parte do Hotel era concluída. os martelos começaram a derrubar a outra metade velha. Os hóspedes que existiam transitaram para a parte nova. e Jorge — o mais novo — a outro sector. onde foi construído o Restaurante e Boite. O Hotel possui cento e dez quartos. de nome G a d i n i — q u e estudara A r q u i t e c t u r a — e que fizera o projecto do Clube Naval de Lourenço Marques. e de figurar nas páginas do «LIVRO DE OURO DO OURO DO M U N D O PORTUGUÊS» neste volume dedicado a M O Ç A M B I Q U E ! 151 . luta e coragem! É pois. Daí se disfruta um panorama maravi- lhoso sobre a cidade e a sua extensa baía. O novo Hotel levou fundações. tenacidade e espírito de sacrifício de A I D A SORGENTINI. Esta ú l t i m a fase foi inaugurada em Agosto de 1965. grande Sala de Estar. pela simpatia e respeito que lhe merecia esse velho m i l i t a r das Campanhas de pacificação. Graças à força de vontade. Quem fez o projecto do novo Hotel foi um italiano. o turismo moçambicano e enri- quecendo a cidade com um belo imóvel! Grande é o prestígio grangeado por esta Senhora. metade do Hotel. A terceira fase de construção foi iniciada em 1948. servindo as duas modalidades simultaneamente. a ci- dade de Lourenço Marques possui um dos melhores Hotéis de requintado ambiente e clientela. recentemente remodelado. ou seja. que era o C O M A N - D A N T E CARDOSO. de modo a poder levar vários andares. Um Bar denominado «PÔR-DO-SOL». A Senhora Sorgentino conservou o antigo nome do HOTEL CARDOSO. um requintado « S N A C K . tem em seus filhos os mais directos colaboradores: ítalo — o mais velho. somente no vértice do edifício. apenas ficou c o m u m piso — o rés-do-chão. de onde se disfruta um belo panorama sobre a cidade e a Baía. a que os turistas dão grande preferência. servindo. mercê da sua obra.
e foi fundada pelas seguintes entidades: "Sociedade Pecuária. vendeu e transformou 6. transformados. 9 5 5 .065.308.070 (Mfros). Quanto ao bovino. A Cooperativa dos Criadores de Gado foi i n t i t u í d a com a finalidade de valorizar.035. coelho. Sousa Costa e Ismael Costa — criadores de gado do Sul do Save. peru. M a r i n h o da Silva. cabrito. beneficiar e seleccionar o gado pertencente aos seus sócios. N a t a s : 17.224 litros. — s ã o expostas em condições de higiene e de arranjo agradável à vista.526. " . porco. A p o n t a - remos alguns números elucidativos do seu movimento. Padre Vicente. Sorve- t e : 109.743. Chocolate: 297. igual a qualquer estabelecimento congénere de Paris. mercê da excelência dos seus produtos. Toda a gama de carnes — vaco. A. Carne de vaca: 566. Neves & C a . Masse: 437. e em 1964 12. alguns números reveladores da grande actividade da Cooperativa.013 reses. 0 0 0 . 0 5 3 . situada na Matola — 152 — . sendo vendidos ao natural — em 1964 — 3.924 (litros). carneiro. todos eles preparados e presentados para o consumo nas melhores condições de higiene. com o peso de 2. Iogurte: 43. traduzem-se pelos seguintes números: em 1963 foram abatidas 12 398 reses. Fábrica de Lacticínios da Cooperativa. Chupas: 3 9 0 . Em 1963 a Cooperativa recebeu. em 1964. Merecem especial referência os talhos da Cooperativa. Não foi necessário m u i t o tempo para que a Cooperativa consolidasse a sua reputação pe- rante o público. onde as carnes estão expostas com apresentação esmeradíssima. melhorar as raças. 3. em 1964: Pacotes de m a n t e i g a : 3 5 8 . galinha.723 litros de leite.165 (litros). Queijinhos: 3 7 2 . 7. bor- racho. p COOPERATIVA DOS CRIADORES DE GADO A Cooperativa dos Criadores de Gado teve o seu início em 1956.525 Kg. num total de 2 131 401 Kg.866 (quilos). Londres ou Genebra. A seguir apresentamos ainda..850 (litros). idênticas às adoptadas nos países mais avançados. e t c .081 (litros). promover e organizar a exportação do gado. que possuem as melhores instalações que nos foi dado observar em território nacional. no que respeita a carnes vendidas através da Cooperativa. pato.055.304 litros.
cremos que essas contingências poderão vir a ser m u i t o atenuadas. se forem tomadas medidas adequadas. Todos esperam a continuação do desenvolvimento da Cooperativa. ou até mesmo eliminadas. acção que é de louvar. A Cooperativa dos Criadores de Gado pela acção que tem desenvolvido. Fábrica de Salsicharia da Cooperativa. pois ela constitui a maior organização no seu género. Por vezes. pois a prosperidade da Pecuária m u i t o pesa na balan- ça da economia moçambicana e. A Cooperativa tem tido a dupla missão de bem servir o público e amparar os criadores com a sua orientção e empréstimos. os criadores de gado têm atravessado tremendas dificuldades. da Província. construindo duas modernas e bem apetre- chadas Fábricas de lacticínios e salsicharia. foi reconhecida como sendo de utilidade pública. Todavia. portanto. situada na Marola — 153 — . que são das mais importantes de todo o território português. para bem da economia e prosperidade de Moçambique. situadas na M a r o l a . do espaço português. A Cooperativa executou um grandioso plano. por quem de direito. Tal assunto certamente que não será descurado. devido às contin- gências do clima.
tetinas. que mais tarde se elevou para doze mil contos. dos quais destacamos: Calçado de lona vulcanizada e prensado. câmaras de ar para bicicletas. bolas. etc. nao so em organizações particulares.V. chupetas. Os produtos da Facobol.C. têm grande preferencia. sendo os seus materiais largamente utilizados em importantes construções feitas na Província. referentes ao ano de 1964 demonstram o seu vasto contributo económico: — 154 — . FACOBOL FÁBRICA COLONIAL DE BORRACHA FACHADA DO EDIFÍCIO DA FACOBOL A FACOBOL — p i o n e i r a da sua i n d ú s t r i a — foi fundada em 1942. uma grande variedade de artigos para as mais diversas industrias. tubos para irrigadores. pela sua excelente qualidade e perfeito acabamento. Na Facobol fabricam-se variados produtos. com o capital de seis- centos contos.pasta para recauchutagem. etc . para aviões. caminhos de ferro.artigos para tarmacra. tais como sacos. sapatos de cabedal com sola sintética. como do Estado. Alguns números que a Facobol nos forneceu. A Facobol também tem uma secção de plásticos com variados artigos de polietileno e em P.
Bolas — 69 mil. m u i t o contribuindo para a sua valorização e progresso. aos quais presta toda a assistência médica. se poderá orgulhar. — 155 — . Aos empregados são concedidas férias na Metrópole. Pasta de borracha — 790 toneladas. Vendas feitas em 1964: 42 mil contos. Calçado de lona vulcanizado — pares produzidos: 133 m i l . Botas para pescador — pares produzidos 8787. Calçado de lona prensado pares produzidos: 6 0 2 mil Calçado de cabedal — pares produzidos : 103 m i l . Ordenados despendidos no mesmo a n o : 5 3 2 6 contos. m u i t o justamente. Câmaras de ar para bicicletas: 321 m i l . sendo exten- sivo a suas famílias o serviço clínico e de enfermagem. com médico. Por tudo quanto fica exposto se avalia do lugar de relevo que a Facobol ocupa no campo industrial e económico da Província. do q u a l . a Facobol emprega algumas centenas de operários. enfermagem e medicamentos. Na laboração dos seus produtos. Pasta para recauchutagem: 82 toneladas.
visitando os grandes centros de Modas e Costureiros da Á f r i c a do Sul e. Esta é a briografia — a traços largos — da pioneira da Elegância e da M o d a . Pequenina ainda. abrindo algum tempo depois. j u n t o ao Cinema M a n u e l Rodrigues. A i n d a em Lisboa. Em T e t e . com um M a - nequim privativo. emprega no seu A t e l i e r . e aí iniciou a sua aprendizagem em Costura e Chapéus. Aprendeu Corte e Costura numa Modista francesa — que teve m u i t o nome nessa época na capital portuguesa. em M o ç a m - bique. chamada Madame M a r t i n . A t é hoje. foi Laurentino B o r g e s — d e seu nome completo Laurentino Bárbara M a r i a Silva Carvalho Borges — natural da região do Bombarral. que era A d m i n i s t r a t i v o . já casada. depois transferida para o Prédio Nauticus. ou mais. no Norte da Província. Laurentino Borges está a apresentar duas «Passagens de Modelos» por ano. Laurentino Borges. onde abriu a sua Loja. o seu p r i - meiro A t e l i e r . Laurentino Borges iniciou as «Passagens de M o d e l o s » — e m Lourenço Marques e na Beira — que de princípio foram encaradas com certo cepticismo. onde Laurentino Borges — nome que adoptou para a sua profissão de M o d i s t a — s e iniciou nos misteres da M o d a . foi colocado em T e t e . seu marido foi transferido para Lourenço Marques. para o embelezamento e elegância da Mulher moçambicana. Veio para Moçambique com vinte anos. Em 1949. — 156- . durante os anos que lá permaneceu. exerceu o mister de Modista. acabando por se imporem. Seu marido. tal qual como se procede nas Casas de A l t a Costura das grandes capital. dedicou-se só à confecção de Chapéus. Sempre a par do progresso. Para estimular o gosto pela A l t a Confecção. em Moçambique. para apresentação e escolha das suas criações. pelas clientes. Foi em 1951 que transferiu o seu A t e l i e r para a Praça 7 de M a r ç o . entre vinte a vinte e cinco costu- reiras. isto é. Laurentino Borges não se tem poupado a eforços para servir o público feminino. pensa em vir a ter na sua residência — que se situa na «Baixa» — uma parte dela dedicada à apresentação diária dos seus modelos. apresentados por manequins sul-africanos e portugueses. ter um Salão onde as Senhoras pudessem admirar e escolher as toilettes. criação que mais a atraía. na M e - trópole. LAURENTINA BORGES A pioneira de Modas. no ano de 1935. contribuindo e estimulando de modo notável. Laurentino Borges. Laurentino Borges. algumas vezes. normalmente. na Avenida 24 de Julho. já efectuou mais de 45 «Passagens de Mode- los». foi residir para Lisboa. capital do mesmo D i s t r i t o . da Europa.
tendo-se fundado em 1898. O primeiro estabelecimento teve lugar na Praça 7 de M a r c o . por dois antigos empregados dos Armazéns Grandela. foi o primeiro Estabelecimento do género dedicado a Modas e Confecções. CASA EDUARDO SILVA A PIONEIRA DAS CASAS DE MODAS EM LOURENÇO MARQUES Aspecto das modernas instalações da Casa Eduardo Silva. na Avenida da República A Casa Eduardo Silva & C. de Lisboa. — 157 — . num edifício onde primitiva- mente se encontravam as instalações da A l f â n d e g a da República da Á f r i c a do Sul passando em seguida para a esquina da mesma Praça com a Rua da Lapa.. José Fernandes Cardoso e Eduardo Silva. no mesmo sítio onde hoie se encontra o Prédio Fonte A z u l .a Lda.
e esquina da Travessa da Catembe. onde ainda hoje se encontra. — 158 — . No entanto nunca deixou de figurar o nome do seu fundador. com a entrada e saída de sócios. a Firma abriu uma sucursal no Prédio Nauticus. ainda fazendo parte da Sociedade. José Fernandes Cardoso. sempre teve sócios portugueses. cujo imóvel faz esquina para a Ave- nida da R e p ú b l i c a — h o j e a principal artéria da «Baixa» de Lourenço Marques — e a Rua Baptista de Carvalho. Sofreu algumas modificações na sua Sociedade. Esta f i r m a fundada por dois portugueses. Avenida D. Luís. Senhora D. a viúva. O seu capital social é de dois mil e quinhentos contos. Em 26 de Outubro de 1906. Henriqueta Nunes Cardoso. É um estabelecimento moderno e dos melhores no seu género. da capita! de Moçambique. Em Dezembro de 1958. passou para a Rua Consiglieri Pedroso. propriedade da Companhia de Seguros de Moçambique do mesmo nome. que nessa época se chamava.
A sua fama passou além fronteiras. alugado para o efeito. o jovem soldado colocou-se como funcionário dos Correios de Moçambique. e por esse facto poucos se aventnuravam a trazer da Metrópole as suas famílias. pois nessa época já se t i n h a concluído a linha férrea até à f r o n t e i r a . apenas com nove anos de idade. gozando de boa saúde. em 1895. passando por isso. nasceu em Lisboa. um Casino — que teve m u i t a fama — a que deu todos os requisitos de beleza e conforto. Judite Reis de Oliveira Belo. Reside em Lourenço Marques. é hoje um comerciante m u i t o conhecido e conceituado. UM CASAL DE PIONEIROS D. Como distração. em 1 8 9 2 .amigos. havia somente. Judite Belo. como Chefe dos Caminhos de Ferro. Seu pai fora colocado na Província. conta presentemente 87 anos. conservan- do excelente memória. Terminadas a Campanhas de pacificação e ocupação. na Freguesia de São Mamede. que viera para Moçambique com 18 anos — Eduardo Lino de Oliveira Belo — e se oferecera para combater nas Campanhas con- t r a o Gungunhana. — 159 — . uma meia dúzia de casais. a ser m u i t o frequentado pelos grandes homens de negócios dos países vizinhos. e ainda o Gerente de uma grande f i r m a lourençomarquina — a CASA C O I M B R A — além de pertencer a outras organizações de vulto. Trata-se de Ernesto Belo. D. sendo integrado nas forças de M o u z i n h o . o que causava grande admiração naquela época. Nessa época. Deste casal nasceram três filhos varões. faz " T r i c o t " . Depois. tendo ido ocupar o seu lugar na Estação fronteiriça de Ressano Garcia. Lourenço Marques. que vinham jogar e divertir-se. come- çava a dar início às suas expansões urbanísticas. Com seus pais e irmãos veio para M o ç a m b i q u e . reformando-se quando ocupava o lugar de Chefe de M o v i m e n t o . luxuosamente decorado. que fizeram dela uma das mais belas cidades da África Oriental! Conta D. JUDITE REIS DE OLIVEIRA BELO E EDUARDO LINO DE OLIVEIRA BELO D. desenvolvendo larga actividade comercial e industrial. M a i s tarde transitou para os Caminhos de Ferro. tendo montado n u m prédio da Rua A r a ú j o . relatando factos remotos passados na Província. Um deles. Esta Senhora veio a casar com um jovem metropolitano. que quando chegou a Lourenço Marques. J u d i t e . que continuaram radicados em Moçambique. Chamava-se «CASINO BELO». e aprecia receber a visita dos seus familiares e. pois nessa época as condições sanitárias eram m u i t o precárias. ligando M o ç a m b i q u e com a Á f r i c a do Sul. que está viúva. uma vez que os colonos e Chefes de Serviços dos organismos do Estado viviam sem as famílias. dedicou-se a nego- ciar.
o ú l t i m o dos mamíferos a pisar a terra no f i m da era quaternária. profundas transnfor- maçoes ao longo de milénios. considerando por esta designação as espécies que não lhe eram imediatamente úteis. explicativo das razões da criação da reserva do M a p u t o : «O reino animal sofreu. o Director dos Serviços de Veterinária Dr E de Castro A m a r o . pela sua oportunidade vamos reproduzir algumas passagens de disser- tação que fez perante o Governador-Geral. relíquias de um passado longínquo e que para os naturalistas são por vezes pre- ciosidades de incalculável valor quando procuram ligar os elos de uma cadeia perdida na t e n t a - tiva de buscarem a linha ancestral das formas coevas. RESERVA DE ELEFANTES DO MAPUTO (RESERVA DE PROTECÇÃO) No dia 19 de A b r i l de 1966 foi inaugurada ofcialmente pelo Governador-Geral Almirante Sarmento Rodrigues. aquelas que reconhecia serem de difícil domesticação. tornou-se sem duvida. A chacina foi a sua obra indecorosa nos fins do século passado UMA MANADA DE ELEFANTES — 160 — . apresentando nos nossos dias uma fase da sua evolução processo biológico tao complexo que o homem. prever a sua sequência. Contra estes cataclismos somos impotentes e nada mais nos resta do que conformarmo-nos Ora o homem. _ Sobre este aspecto. n ã o ' logra ainda senão hipoteticamente. Hecatombes naturais varreram para sempre da crosta terrestre inúmeras espécies que apenas por circunstâncias fortuitas surgem de novo aos olhos do homem como achados pré- -histoncos. um dos maiores flagelos da fauna bravia. Tal cerimónia pode considerar-se como início da obra proteccionista que o Estado tem a executar para salvar as espécies faunísticas de Moçambique. a reserva especial para protecção dos elefantes no M a p u t o . como todos os outros elementos da natureza. sujeito às mesmas leis da natureza. ou por melhor expressão.
No acto de inauguração da Reserva. Castro A m a r o . Prof Dr. Foram os Serviços de V e t e r i n á r i a . de modo que o valor que. são imcompatíveis com a fauna selvagem visto esta ser o reservatório de tripanosomas que d i z i m a m o gado. É este ú l t i m o c caso da reserva de elefantes do M a p u t o . Projecta-se. os Serviços de Veterinária. denominadas internacionalmente com integrais. renovada em Bukavu no ano de 1953». e se reservam para tcdo o f u t u r o . promulgaram medidas proteccionistas. Noutras reservas é permitida a visita. Os elefantes que escaparam refugiaram-se na área compreendida ao norte da povoação de Sialamanga. segundo o estudo feito pelo cientista. Como complemento resolveu-se ainda limpar de animais bravios prejudiciais à a g r i c u l t u r a . ainda. quer esteja ameaçado de se perder. em que se escolhem áreas que repre- sentam o aspecto característico da região. e estabeleceram reservas para conservação não só da fauna como da flora. chefe da Missão Zoológica. Depois de citar uma série de factos. grande parte do seu solo é bastante f é r t i l . que diminuíam os perigos em favor de uma eficiência mortífera a longa distância. Frade.° 40 0 4 0 . termina dizendo : «Por tudo isto. que coordenou e regulamentou a protecção de Natureza nas pro- víncias ultramarinas. como sejam os Parques Nacionais onde os animais vivem no seu meio natural e têm simultaneamente um carácter educacional e turístico. o homem. A l m i r a n t e Sarmento Rodrigues descerrou uma lápide. Esta reserva pode ser visitada pelo público e. e t a n t o mais de ver. Deve-se ao A l m i r a n t e Sarmento Rodrigues — quando M i n i s t r o do Ultramar — a publica- ção do Decreto n. — 161 — . A i n d a outras se destinam a preservar espécies que estão em risco de desaparecimento. Para sua preservação. toda a zona para sul do Umbelúzi até à fronteira era m u i t o rica em caça existindo numerosas espécies de herbívoros. muitas nações criaram departamentos especiais para a protecção da N a t u r e z a . peles. nas quais se vão observando os fenómenos da evolução em consociação biológica da vegetação e dos animais sem intromissão do homen. longe de serem considerados como artigos de primeira necessidade mas antes para satifação f ú t i l de certos caprichos. além de que as espécies herbívoras são naturalmente devastadoras das culturas. que no mórbido e simples prazer de matar. a reserva foi mais tarde levantada e os caçadores foram dizimando animais. em particular quanto à cinegé- tica. Como resultante destas reuniões. sob o ponto de vista faunístico. A l m i r a n t e Sarmento Rodrigues a constituição duma reserva especial para os elefantes. apropriado a muitas culturas. o Dr. que tomaram a iniciativa de constituir a Reserva de Protecção dos elefantes no M a p u t o . melhorar a reserva quer sob o aspecto turístico quer faunístico. Como se sabe. que perpetuará a materialização do seu superior pensamento. para isso. Por outro lado. Ora a agricultura e a pecuária. pertencem a uma raça diferente dos outros elefantes. em particular as baixas aluviais dos rios. resultou da Conferência Internacional de Londres em 1933. Por isso são vedadas ao público e só inspeccionadas para estudo pela equipa dos biólogos delas encarregados. uma Convenção para a protecção da Flora e Fauna Africanas. ou na mira de lucros avantajados à custa dos despojos e troféus das suas vítimas. Para este ú l t i m o caso tenciona-se prover com mais algumas espécies que não sejam prejudiciais à agricultura e pecuária e está reguardada e deli- mitaa por uma vedação de arame farpado. Há aquelas. com o cuidado de não prejudicar a A g r i c u l t u r a . como sejam penas. Para mais estes animais. Na posse de armas e meios. tinha essa reserva foi desaparecendo. o Governador-Geral. m a r f i m e outros. toda a região da margem esquerda do rio M a p u t o . causou tal mortadade que as espécies que Icgraram escapar à sua fúria mais não são hoje do que fósseis vivos. quer florístico quer faunístico. cons- truíram miradouros e acampamentos para os visitantes. Estas reservas têm várias finalidades dentro do espírito de preservação da Natureza. foi então determinado pelo Governador-Geral. Por isso. a cujo cargo se encontra a protecção da Fauna. entre os quais o elefante.
quase na fronteira com a Rodésia. Fica situada a meia hora do a p e a d e i r o — d a linha férrea que serve a Rodésia — onde grandes morros feitos pela f o r m i g a . que é enorme e m u i t o bonita. Caçadores profissionais acompanham os Safaris da Coutada. por acharem que é um animal vincadamente manhoso e traiçoeiro. chegam a ter três metros de altura. de forma a transformá-lo num forno de pão. A Coutada. estão decorados com caveiras de elefantes. dispõe de um Acampamento-Base. porque outros animais só o fazem quando obrigados a isso. No Acampmento-Base houve a originalidade prática de escavar um morro.» Pertence esta organização ao caçador Jcsé Ruiz. as pessoas capricham em alimentar-se com a caça que m a t a m durante os Safaris. preferem os búfalos. Estes morros. tornando-se uma organização. participando num Safari — 162 — . e foi preparada para o turismo cinegético. De forma geral todos os caçadores adoram os animais. Vera. Por isso. quando têm de matar caça. isto é. para os «Safaris». e sabemos que o pão ali cozido fica uma delícia! Em C H I C U A L A C U A L A . moderno e mesmo principesco. por vezes. a que foi dado o nome de « N Y A L A L A N D D SAFARIS. A COUTADA DE CHICUALACUALA A Coutada de C H I C U A L A C U A L A fica situada na M a l v é r n i a . José Ruiz e sua esposa D. Os proprietários da C H I C U A L A C U A L A . LDA.
uma grande floresta composta exclusivamente de acácias. o rinoceronte. São árvores lindíssimas. e os jabirus passeiam por entre os nenúfares brancos e azuis. L D A . possui coça grossa. LDA. A Coutada da « N Y A L A L A N D SAFARIS. rodesianos e de outros pontos do mundo. A organização de « N Y A L A L A N D SAFARIS.t! A Princesa ABDORREZA. participando num Safari Nesta Coutada existe. airosas. Quando a luz do dia se despede em ténues claridades. Toda a Coutada de C H I C U A L A C U A L A é um deslumbramento. que foram destinados a um museu de Teerão. e sempre alargando os seus âm- bitos comerciais. as acácias põem reflexos suaves nas superfícies das águas das lagoas. entre elas a girafa e o avestruz. elegantes. Assim. esta organização.» é uma das melhores de Moçambique e tombem das melhores apetrechadas para proporcionar os mais espectaculres safaris. l. cunhada do Xá da Pérsia. t a m b é m . À Coutada de C H I C U A L A C U A L A têm vindo numerosos turistas americanos. o Príncipe persa. Abdorreza Pahalavi — irmão do Xá da Pérsia — que esteve acompanhado de alguns mem- bros de f a m í l i a . onde os animais se vêm por toda a parte em grande abundância. Abdorreza Pahalavi. m u i t o leves. e possuindo inúmeras lagoas que dão imensa beleza à paisagem. como por exem- plo.itf . como por exemplo. » . é já bastante conhecida em várias partes do mundo. O Príncipe Abdorreza Pahalavi é membro do «CONSELHO I N T E R N A C I O N A L PARA A PRESERVAÇÃO DA F A U N A » . tem contribuído para o fomento da indústria cinegética na Província. com a folhagem m u i t o leve e os troncos cor de mostarda. dentro das suas possibilidades. bem como todas as espécies cinegéticas existentes na Província de M o ç a m - bique. É uma paisagem de sonho! Vale a pena ir a C H I C U A L A C U A L A só para admirar o paradisíaco das suas lagoas! Esta Coutada. sul-africanos. Quando regressou à Pérsia levou cinco troféus excep- cionais. — 163 — . além das suas surpreendentes paisagens.
em Lourenço Marqi 164 — . VISITOU A PROVÍNCIA Chegada ao Aeroporto Gago Coutinho. A CALOROSA RECEPÇÃO QUE A GENTE DE MOÇAMBIQUE FEZ AO PRESIDENTE DO CONSELHO.EM IMAGENS. QUANDO EM ABRIL DE 1969.
À saída do Aeroporto Gago Coutinho. o Presidente do Conselho C n S e h 0 e carinhosamente saudado pela população ° ' — 165 — .
Prestando homenagem aos que deram a vida pela Pátria — 166 — .
Um aspecto da apoteótica recepção. na cidade da Beira — 167 — * .
reeditando nela os mandamentos da vida e da honra que são timbre do orgulho português. Conservemos assim o reconhecimento sempre vivo daquela brilhante f i g u r a da nossa epopeia u l t r a m a r i n a e glorifiquemos eternamente.» Palavras do General Luís A. é tão bela que enobrece com rutilante esplendor as páginas da História de Portu- g a l . A GRANDE FIGURA DA PÁTRIA EM MOÇAMBIQUE MOUZINHO DE ALBUQUERQUE «A vida de M o u z i n h o . i — 168 — . de Carvalho Viegas. o nome sem mácula de J O A Q U I M AUGUSTO M O U Z I N H O DE ALBUQUERQUE. comemorativa do centenário do nascimento de M o u z i n h o de Albuquerque. na fidelidade inquebrantável dos nossos corações. com que terminou a sua brilhante con- ferência. tão meritória e digna como exemplo de elevado e esclarecido na- cionalismo.
enfermarias. No plano do fomento. postos sanitários. Veio para a Província de Moçambique em 1940. t a m b é m . no aspecto social. durante o tempo que d i r i g i u o seu Distrito. que tem prejudicado a cultura do arroz. Aldeia Circular e ainda um terceiro aldeamento. a escola e a formação sanitária.. procurou resolver o magno problema do abastecimento da água às populações rurais. da fixação e racial idade. em especial. A carreira deste Governador teve início em 1932. Para isso se envidam esforços no sentido de vencer a salinidade do rio Limpopo. natural de Cabo Verde. a ponte sobre o rio Limpopo. na altura da sua visita a Província. No campo da instrução. o Governador Barbosa Matos f o m e n t o u a construção de novas escolas. que se situa entre o de Coleia e a sede da circunscrição de Manjacaze. passando pela Guiné. a que o Governador Barbosa Matos prestou o maior apoio. e a abertura de poços para abastecimento da população. GOVERNADOR DO DISTRITO DE GAZA Na faina de levar água às populações rurais Era Governador do Distrito de Gaza — n o momento de escrevermos esta obra — o Inspec- tor João Moreira Barbosa M a t o s . inaugurada em Julho de 1964 pelo Presidente Américo Tomás. em Cabo Verde. antes de presidir aos destinos do Distrito de Gaza. aldeamentos.é uma obra de grande alcance económico-social e político. O Inspector Barbosa M a t o s . procurou fomentar o desen- volvimento da cultura do arroz e do trigo. o Governador Barbosa Matos promoveu. O Colonato do Limpopo. os aldea- mentos de Coleia. há a destacar. — 169 — i . sendo colocado como Chefe de Posto Estagiário em Cabo Delgado. etc. N u m ano de direcção. A par disso. como aliás a todo o seu Distrito. entre outras. para o gado. A esses aldeamentos é levada a água. e que veio beneficiar extraordinariamente as comunicações entre as várias zonas do Distrito de Gaza. que governou. tendo sido. realização do Engenheiro Trigo de Morais. mandando fazer represas de terra batida. de instala- ções sanitárias. bem como todo o trânsito que se dirige para o Distrito de Inhambane. servindo sucessiva- mente noutros pontos da Província. Governador de Quelimane e Inham- bane.
O distrito tem ainda zonas que produzem amendoim. que pôs cobro às incursões das hordas que. a região foi incorporada no Distrito de Lourenço Marques. FALANDO DA HISTÓRIA DO DISTRITO DE G A Z A Gaza foi elevada à categoria de Distrito M i l i t a r após a Campanha de Pacificação em 1895. era estabelecido pelo Decreto n.° 39 858. Circunscrições : Guijá. vindas do exterior. Gaza. o Distrito de Gaza tem hoje uma área de 82 937 quilómetros quadrados e a seguinte divisão a d m i n i s t r a t i v a — Concelhos : Baixo Limpopo. existindo algumas fabricas de descasque. Chibuto. há a da castanha de c a j u . Em 1918 foi definida como Distrito C i v i l . que tem originado o aparecimento de uma «virose — a «roseta» — que danifica a planta. Bilene. Gaza e Muchopes. prevê-se que não haja quebra de produção. trigo e arroz. de 20 de Outubro. pro- d u t o rico que não tem t i d o o necessário desenvolvimento em virtude das secas sucessivas. Na faina de levar água aos centros rurais No Distrito de Gaza também se cultiva o algodão e com a vinda do Instituto do Algodão. Pelo Decreto 35 7 3 3 . de 4 de Julho de 1946 voltou a ser criado o Distrito de Gaza. o Governador Barbosa Matos procurou desenvolver todos aqueles sectores que mais precisavam do seu auxílio. Em 1907. criando assim novas riquezas que elevam a economia do distrito e. simultaneamente. o Governo do Dis- t r i t o com sede na Cidade de João Belo. M a n h i ç a . Em 1954. havendo no distrito duas fábricas de descaroçamento e prensagem de algodão e seis fábricas de des- casque de arroz. 170 — . Chibuto. escravizavam e aterrori- zavam as populações locais. Bilene. Muchopes e Sabié. para elevar a economia do Distrito. pois o coco tem várias aplicações indus- triais. Guijá. Consciente das necessidades do seu d i s t r i t o . Vive neste Distrito uma população de cerca de 70 000 almas (censo oficial de 1960). englobando as seguintes áreas : A l t o Limpopo. voltando a ser integrada no Distrito de Lourenço Marques em 1928. procurando fomentá-los. Assim. Presentemente procede-se à distribuição da semente de coco. constituindo fonte de riqueza. a da Província. O Distrito de Gaza é dos mais ricos no capítulo da Pecuária. Limpopo e Magude. A agricultura da região de Gaza baseia-se em duas grandes culturas : algodão e arroz. M a g u d e . A l é m desta.
Entre outros edifícios.° Trigo de Morais de que resultou o Colonato do Limpopo e o Plano da Brigada Técnica de Fomento Hidroagrícola. Foi dirigido com a maior competência e entusiasmo pelo saudoso Eng. está situada nas margens do rio Limpopo. s u í n o — 11 324. caprino — 63 2 1 2 . a 7 quilómetros. destacam-se os Paços do Concelho. A cidade. Foi o seguinte. Clube de Gaza. A nova Ponte sobre o rio Limpopo Próximo do antigo cais. — 171 — .° 1. A primeira designação da localidade foi X a i . importante ponto de atracção turística. entre o Chibuto e João Belo. Clube Ferroviário e Aero-Clube de Gaza. Em 10 de Março de 1928 a designação foi alterada para V i l a de João Belo. A pecuária tem também condições favoráveis para o seu desenvolvimento. servida por uma boa estrada e um bom hotel. situa-se outra estância de turismo — o Chongoene. o Banco Nacional Ultramarino e o Colégio-Liceu Nossa Senhora do Rosário. A cidade possui um aeró- dromo servido por carreiras regulares e daqui parte um caminho de ferro com a extensão de 90 quilómetros que liga esta povoação a V i l a Álvaro de Castro e Mauele. o Hospital de Tavene (moderno e bem equipado). Uma das faces deste j a r d i m confronta com o edifício dos Paços do Concelho. o resultado do arrolamento pecuário efectuado em 1961 : bovino — 445 747 (correspondendo a cerca de metade de toda a Província). no d i s t r i t o . existe um amplo e bem cuidado j a r d i m . Este plano encontra-se em execução há alguns anos e tem por finalidade o aproveitamento das terras alagadiças do rio Limpopo. Todos os Serviços Públicos se encontram instalados na cidade com Repartições Distritais. estendendo-se até à margem do Limpopo.X a i ou Chai- -Chai. sendo atra- vessada pela Estrada Nacional n. A cidade possui alguns bons edifícios e artérias traçadas com larga visão. ovino — 23 3 3 6 . Em 2 de Dezembro de 1922 passou a chamar-se V i l a Nova de Gaza. com a fixação de alguns milhares de famílias autóctones em pequenas propriedades. com um coreto onde a Banda M u n i c i p a l de Gaza executa concertos públicos. a magnífica Praia Sepúlveda. Cerca de 20 quilómetros ao N o r t e . em homenagem ao ministro e oficial óa A r m a d a com o mesmo nome. Associação dos Desportos do Distrito de Gaza. a sede do Governo D i s t r i t a l . capital do Distrito de Gaza. a Direcção Distrital de Fazenda. > -= Existem na cidade de João Belo as seguintes associações : AssocraeÕo Comercial de Gaza. A maior parte do leite consumido em Lourenço Marques provém de Gaza. João Belo possui. o Plano da Brigada de Fomento e Povoamento do Limpopo. Associação Agrícola de Gaza. Merecem referência.
A crescente importância turística de S. beijado quase pelas ondas do Índico. em turnos que funcionam a partir do encerramento das aulas. surge a beleza azul do Índico. As centenas de turis- tas que vêm da Á f r i c a do Sul e da Rodésia dispõem de dois excelentes hotéis. a cerca de uma centena de metros da praia transforma o local numa original piscina sem medidas. a cerca de 188 quilómetros de Lourenço Marques fica o pri- meiro centro de veraneio. S. já cons- t i t u i u uma estância de turismo com projecção internacional. graças a ousadas iniciativas. a Barra do Limpopo é uma zona de pesca privile- giada.° Manuel Dias da Silva. considerando as características da praia. que está ligada ao Índico por um canal. O Clube de Pesca de João Belo possui ali um pequeno abrigo. o peixe dos campeões. A q u i .X a i . Nos ú l t i - mos anos foram construídas no Bilene muitas moradias para férias de residentes na capital de Moçambique. anco- radouro privativo. João Belo oferece outra bela praia no Chongoene. dispondo de barcos para os seus sócios. A l é m de uma abundância extraordinária de corvinas. agora reforçada com uma rede a garantir ainda mais a segurança do banhista. que em grande número visitam aquela região. JOÃO BELO E A SUA M A G N Í F I C A Z O N A T U R Í S T I C A Para quem viaja por estrada. Tem sido notável a acção da actual vereação. . Entre outras realizações destaca-se o melhoramento da captação das águas para fornecimento à população. Mas os turistas da Á f r i c a do Sul e da Rodésia. também dispõem de um conjunto de mo- radias. através do Clube Ferroviário. Os C T T . pois estão sendo construídos rondáveis e outras instalações para os acolher convenientemente. tradicio- nal e internacionalmente conhecida por X a i . incluindo organização. Os Caminhos de Ferro de Moçambique. que dispõe de um hotel. parque para «camping» para atrelados e tendas. tais como um m o t e l . um dos quais se debruça sobre a praia. esmagando-se as vagas do oceano em belíssimos cachões de espuma. . A cerca de 22 quilómetros. serras e muitas outras espécies. também não são esquecidos. hAerece especial referência um excelente parque de turismo — sem dúvida o melhor e o mais completo da P r o v í n c i a — o «Parque Flores» possuidor dos melhores requisitos. Uma linha de rochas e coral. A praia é baixa. O seu grande atractivo é uma longa praia formada por uma lagoa de água salgada. na presidência da qual se encontra o Eng. ao largo encontra-se com facilidade o m a r l i n . t a m b é m nesta praia. com cerca de 25 quilómetros. rodados num asfalto da mais moderna técnica de estradas. — 172 — . cinema ao ar livre e até mesmo um excelente restaurante «self-service» e muitas outras coisas mais . beijando um areal branco e macio. fica a Praia de Sepúlveda. A estrada termina numa encosta de exuberante vegetação que quase esconde as belas vivendas. A uma escassa dezena de quilómetros da cidade de João Belo. M a r t i n h o do Bilene levou o Governo a determinar a construção ali de um areporto. Quem vem de longe. A baixa- -mar forma inúmeras piscinas naturais. numa defesa natural contra tuba- rões. ergueram uma «colónia de fé- rias» da Província. Existe na Praia Sepúlveda uma juvenil «colónia de férias» da Mocidade Portuguesa. Depois. hangar de barcos de recreio e um restaurante. encontra no Bilene pousadas e organizações que alugam tendas e bar- cos mesmo j u n t o das margens. sem o mínimo perigo para as crianças. M a r t i n h o do Bilene que hoje. E o a t r a c t i v o da pesca completa-se com a possibilidade da apanha de ostras e mexilhões. dois sectores deveras importantes na vida de qualquer comunidade. e que sem receio pode ser considerado o mais moderno e audacioso da Província. Também m u i t o próxima de João Belo. O peixe que abunda nas suas águas leva os pescadores desportivos a atraentes jornadas de barco pela calma lagoa. uma linha de rochas resguarda a zona de banhos. bem como a modernização da iluminação da cidade.
provocaria um incremento extraordinário no turis- mo das regiões do Bilene. Chongoene. para a maior parte dos turistas estrangeiros que visitam estas regiões.M a g u d e . pois encurtaria de maneira extraordinária a distância a percorrer. Os Marimbeiros de Zavala — 173 . de Inhambane. O arranjo da estrada M o a m b a . e até mesmo. X a i .X a i .
constitui um fascinante oásis nessa imensa extensão arenosa. o Turismo está na ordem do dia. a pureza das suas águas e sobretudo ao esforço de homens conscientes que dela fizeram um verdadeiro paraíso terrestre. o mar sempre ondulado e ruidoso. afluem constantemente a esta bela estância balnear. encontram um cantinho tranquilo para descansar o corpo e o espírito. até se sente fascinado por estas maravilhas. sempre pron- ta a acolher os veraneantes. De uma maneira geral. milhares de turistas. MARTINHO DO BILENE HÉLDER FLORES Moçambique desfruta actualmente de um enorme prestígio turístico graças às condições suaves e amenas do seu clima. Na «season». 174 — . M a r t i n h o do Bilene com o seu «Parque Flores». dos países vizinhos. o Parque Flores representa por si só. desde a natação às corridas de barcos. Esta praia difere um pouco das restantes praias da Província : areia doirada. que são uma tentação para os amantes dos desportos náuticos! A t é mesmo os menos entusiastas por estas distracções não podem resistir ao prazer de dar um mergulho e de se deixar arrastar ao sabor das ondas! Ao largo. A vila de S. deixando ver o fundo do mar. vem rebolar-se na areia suavemente. é possível praticar aqui toda a sorte de desportos náuticos. A q u i como em Portugal. O MOTEL PARQUE FLORES EM S. as suas magníficas praias. mar calmo j u n t o à praia. a beleza da sua paisagem. Hélder Flores. Obra de um só homem. e m u i t o de mansinho. à custa de muitos sacrifícios e contra- riedades. um grande cartaz e reclame do Turismo M o ç a m - bicano. nestas terras africanas. Inúmeros atractivos constituem prazer e deleite para os visitantes. que a esta grandiosa construção dedicou os melhores anos da sua vida e bens. águas puras e cristalinas. que neste j a r d i m florido. A sua fama ultrapassa já fronteiras e c seu interesse aumenta dia a dia. como que a espreitar.
Um aspecro da Praia do Bilene — 175 — . pondo à disposição dos turistas os mais diversos apa- relhos de pesca. sem dúvida uma das melhores estâncias balneares do Sul do Save! Para o forasteiro. Para o interior. e um sem-número de material marítimo. Dividido em três partes. esta região constitui hoje. verdadeira continuação do mar. M a r t i n h o do Bilene conta actualmente com uma moderna e bem apetrechada estância balnear e de férias. Dunas caprichosamente disseminadas ofe- recem um espectáculo real e emocionante. com 32 apartamentos. Edifício especialmente construído para várias famílias. está construído de forma a proporcionar aos turistas a acomodação que mais lhe convenha : uma área destinada a barracas e campismo. de aluguer. para todos aqueles que queiram passar umas férias por pouco dinheiro. uma grata surpresa surge ante seus olhos o Motel Parque Flores. barcos a motor. que se afaste um pouco da vila. de dois pisos. com as dependências necessárias Graças a Hélder Flores. para os turistas mais exigentes. S. Um lago de água doce em pleno deserto. para os que pretendem uma estadia cómoda e económica e ainda apartamentos luxuosos. para praticar esqui aquático. um nunca mais acabar de areia. mas semelhante nas ondulações. aparece aos olhos do visitante como um delicioso oásis! A i n d a há poucos anos quase desabitada. a grande obra de Hélder Flores. ou que prefiram instalações no estilo campista : um edifício. j u n t o à praia. diferente quanto a natureza.
se a morte traiçoeira o não viesse ceifar. em 1969. a praia do Bilene. em todas as «seasons»! Hélder Flores deu grande incremento à sua bela estância balnear e turística. as maravilhas da sua paisagem ou o ar puro e sadio do mar. * —176 — . o qual ladeia estupendas avenidas alcatroadas. adentro de um ambiente elegante e esmerado. onde imperam as etiquetas. oferece a todos quantos a procuram. as diversas distracções. de forma trágica. certamente. oferecendo assim. A l é m de todos estes atractivos está dotada ainda de campos de ténis e de rinques de p a t i - nagem. aos turistas. O "Self-Seryice No edifício do restaurante existe um serviço m u i t o bem montado de «Self-Service». em que são férteis os portugueses. Hélder Flores é um símbolo de tenacidade. embelezada por uma profunda e encantadora baía. dando valia à obra da natureza. Nasceu Lourenço Marques. não f a l t a n d o o cinema ao ar livre. que será f u t u r a m e n t e ampliado. pela sua paisagem verdadeiramente paradisíaca e pela c o n t r i - buição valiosa que dá à economia da Província A obra de Turismo que Hélder Flores ali fez é digna dos maiores elogios pelo extraordinário esforço que representa. obra que bem merece ser ajudada pelas entidades competentes. uma oportunidade única e agradável para se libertarem dos incómodos e aborrecidos atavios. no primeiro piso. M a r t i n h o merece m u i t o . a caça submarina é outro passatempo atraente e apaixonante. a alindar. que inundam por completo as praias de S. Hélder Flores é filho da Província. um estabelecimento para fornecimento dos veraneantes. M a r t i n h o do Bilene. que se vêem obrigados a usar nas cidades civilizadas e pro gressivas. que durante as «seasons» servem t a m b é m de «Boite». Dotada de um campo de aviação. c Clube Ferroviário de Lourenço Marques. A l é m de todos estes prazeres e distracções. em instalações eficientes e modernas. que possui ali um bloco de uma vintena de moradias. uma espaçosa sala de jantar. Assim. Para essas obras contribuirá. Necessita ser macadamizado o troço de estrada que vai da Macia a S. O Bilene fê-lo sonhar uma obra de Turismo. Novos blocos habitacionais estão a ser construídos de forma a poderem abrigar essa fantás- tica avalanche de forasteiros. S. melhor o fez. num desastre de viação. para passar as suas férias. M a r - tinho. Se bem pensou. No segundo piso existem duas salas e um bar. M u i t o havia a esperar de Hélder Flores. tendo ainda. vindo há anos a desbravar terrenos.
Depois. E todos os que depois vieram a fazer estudos e pesquisas no Vale do Limpopo. foi o Dr. o Eng. acerca das condições de navigabilidade dessa via f l u v i a l » . Um dos Governadores de Moçambique. um engenheiro inglês. «e de certeza o único que fez estudar o problema e que arrecadou receitas para começar a obra». ele deveria ser considerado um dos precursores da colonização do Limpopo. e se entusiasmou t a m b é m . fazendo o seu reconhecimento hidrográfico e estudos. da A r m a d a . as estações competentes. o engenheiro inglês percorreu toda a região. foi o Limpopo que lhe mereceu especial atenção. subiu c rio Limpopo. o coronel John Aylmer Balfour. que contou com o Vale do Limpopo no seu Plano de Fomento da Província.° Civil Trigo de Morais — a c a b a d o de se Vista geral da Ponte-Barragem do Limpopo — 177 — . como via de penetração. Aceite o convite. que o Rio Limpopo — um dos maiores do extremo meridional do continente africano — começou a despertar as atenções. t i n h a m opiniões unâni- mes quanto à valia daquelas terras. Mais tarde.° Tent. o Professor do Instituto Superior de A g r o n o m i a . Dos estudos a que procedeu. pele fertilidade do Vale do Limpopo.° Balfour. de forma a que «se habi- litassem com dados certos. Moreira da Fonseca. a pronunciar-se sobre a irrigação nos vales dos principais rios do Sul do Save. Segundo um contemporâneo do Governador Freire de Andrade. Álvaro Soares de Andrea. a quem o Governador Massano de A m o r i m convida. Este ú l t i m o mereceu «a aprovação das instâncias superiores. mereciam ter uma colonização estu- dada e dirigida. Por coincidência. foi encarregado de elaborar o projecto definitivo da irrigação». em 1919. foi o Governador Freire de Andrade — q u e m u i t o se interessou pelas terras férteis de Gaza. que por esse facto. passa por Moçambique a caminho do Oriente. O COLONATO DO VALE DO LIMPOPO UMA OBRA NOTÁVEL DE ORGANIZAÇÃO Foi em 1895. fez novos estudos. Foi nesse ano de 1895. e por isso em 1924. Incomáti e Limpopo. depois das campanhas que se desenvolveram nas regiões de Lourenço Mar- ques e Gaza. Depois. segundo palavras do Comandante João Belo. fazendo um reconhecimento dos rios M a p u t o . Eng. para conhecimento do interior. na mesma a l t u r a .° Ruy Mayer e o Eng. que veio a apresentar em 1921 e 1922. em 1920. que o 1. nome famoso em assuntos de Hidráulica Agrícola. U m b e l ú z i .
no decurso daqueles trabalhos. Estes estudos foram realizados no decurso dos anos de 1919 e 1920.° Trigo de Morais foi contratado pelo Governo da Província para. durante um ano. o Eng.° António Trigo de Morais — 178 — . prestar a sua colaboração técnica ao Engº Balfour. foi encarregado pelo Alto Comissário de Moçambique. Numa ocasião em que ele passou por Lourenço Marques a caminho do Búzi. e mais tarde. convidou-o a participar nas estudos do aproveitamento hidro- agícola do Limpopo. O Eng. Aceite o convite. de estudar o problema de valorização do Vale do Limpopo e elaborar um contra projecto de irrigação de 20 mil hectares de terreno.formar . Porém. de proceder a estudos no Vale do Búzi. o Governador-Geral.º Trigo de Morais tomou contacto com Moçambique e simultaneamente. Crê-se que foi assim. Dr. Moreira da Fonseca. o Engº Trigo de Morais discordou dos planos do engenheiro inglês. com os seus problemas de fomento. Comandante Vítor Hugo de Azevedo Coutinho. tarefa de que se desempenhou entre Agosto de 1924 e Outubro de 1925. sendo o relatório apresen- tado em Lisboa. que o Eng. por sugestão do Director dos Caminhos de Ferro. em Abril de 1921.são encarregados pela Companhia do Búzi.
Assim. quem chama de novo a atenção do assunto. emitiu o seu parecer favorável ao projecto do Eng. Depois do projecto ser debatido. Segue-se um período de adormecimento . num extenso e importante artigo publicado na reviste «PORTUGAL C O L O N I A L » . que elaborara há 25 anos! Depois. o seu parecer é que ambos os projectos são bons. Fábrica de Lacticínios. Submetidos os projectos ao Conselho Superior de Obras Públicas e Minas. em 1933 o projecto volta a ser falado. chefiada por aquele engenheiro. que a f i r m a : «Não há razão para recear pelo sucesso da Barragem projectada pelo Eng. por ser mais barato.° Trigo de Morais. «tendo em vista os fins políticos e económicos a alcançar». parte para Moçambique uma missão. procedeu-se a novo relatório apresentado pelo Chefe da Bri- gada de Estudos. . . É o Dr. mas só em 10 de Setembro de 1950. que era nessa a l t u r a o Director Geral dos Serviços Hidráulicos. o M i n i s t r o das Colónias resolve que sejam os organis- mos económicos da Província a fazer a escolha dos projectos.° Trigo de Morais nem pelo seu plano de irrigação». Escola Prática de Agricultura — 179 — . em Leonde Em M a i o de 1935 — 10 anos d e p o i s — o Conselho Superior Colonial. Francisco Vieira Machado. mas o do engenheiro inglês tem preferência. para o abandono em que se encontrava o Sul do Save. Por f i m . em 1934. por deter- minação do M i n i s t r o do U l t r a m a r . que t i n h a sido encarregado de rever o seu projecto. a esse projecto foram introduzidas algumas alterações feitas pelo seu autor.
um grande edifício situado no centro da V i l a . mais do que o Tejo. pela sua inclusão no I Plano de Fomento Nacional. e t c . os Correios. de reconhecida competên- cia. iniciando-se assim. que possui uma boa sala de espectáculos — p a r a Cinema e T e a t r o — . Doutor Oliveira Salazar. Denominam-se : Barragem. Freixiel. por Portaria M i n i s t e r i a l . o Hospital. Sala de Jogos. em 3 de Março de 1 9 5 1 . Câmara M u n i c i p a l . e t c . eram alentejanas. seguindo-se-lhe outros grupos vindos. a construção e projecto do mo- derno edifício da Associação Recreativa e Cultural do Limpopo. Biblioteca. Ourique. t a m b é m . Senhora da Graça. percorrendo no nosso território 561 quilómetros. A área reservada ao Colonato do Limpopo estende-se por uma faixa de terreno ao longo da margem direita do rio dos Elefantes até defronte da lagoa Chingua. com o seu casario num estilo bem português. A ele se devendo. Conservatória e Registo C i v i l . lugar onde se manteve até 26 de Fevereiro de 1953. enorme impulso a este magno e discutido projecto do irrigação do Vale do Limpopo. com ligação ferroviá- ria com a Rodésia. Fazenda. — 180 — . é criada a Brigada Técnica de Fomento e Povoamento do Limpopo. parecendo trazidas das longínquas províncias metropolitanas. O primeiro grupo de colonos. determina a construção da Barragem e do projecto do Caminho de Ferro do Limpopo. Folgares. já próximo da V i l a do Chibuto. Santana. Hospital da Vila Trigo de Morais Encontra-se em adiantada construção. constituído por 10 famílias vindas do Metrópole. desti- nado à instalação conjunta. em Março de 1953. S. para ser executada no sexénio compreendido entre 1953 e 1958. Depois. da Administração do Concelho. quer na arquitectura quer na decoração do interior. Em 17 de Agosto de 1 9 5 1 . tendo dado durante esse tempo. Madragoa. o Eng. chegando a Lourenço Marques em 2 de Agosto de 1954. igualmente. o Presidente do Conselho. a vasta e valiosa obra. obra que foi projectada pelo grande obreiro do Limpopo. As 13 aldeias de que se compõe o Colonato estão dispersas pelo extenso Vale. a Escola Prática de A g r i c u l t u r a . dois Bares e amplo Salão de Festas. de 28 de Novembro de 1952. O rio Limpopo nasce a oeste de Pretória. da Metrópole. o Eng. Sagres. a quem m u i t o se ficou a dever. Leonde. a uma a l t i t u d e de 1500 metros.° Trigo de Morais toma posse do cargo de Subsecretário de Estado do U l t r a m a r .° Trigo de Morais. a Brigadc insta!a-se no Vale do Limpopo. que se torna possível. convertendo em realidade o grande projecto que antes tinha sido conside- rado u t o p i a ! As primeiras empreitadas são dadas a duas firmas do Metrópole. até preencher o número previsto. Este rio caracteriza-se por ter uma bacia hidrográfica de 415 000 quilómetros quadra- dos. Pegões e V i l a T r i g o de Morais — a c t u a l m e n t e a Sede do jovem concelho do Baixo L i m p o p o — onde se situam todos os organismos oficiais. que t o m o u a superintendência técnica e administrativa da obra. T r i b u - nal. Finalmente. Finalmente. Correios. dos quais 19 por cento estão em território nacional e 81 por cento nos territórios da Repú- blica da Á f r i c a do Sul e da Rodésia do Sul. em terras portuguesas. José de Ribamar. todos os anos. e onde se centraliza a vida comercial do Colonato.
T a m b é m por iniciativa do Eng. sendo oriundas da Espanha. o primeiro edifício desti- nado ao Colégio do Carmelo de Santa Teresinha. durante uma visita ao Colégio do Carmelo — 181 — . cujos trabalhos já foram iniciados. e com Internato para meninas. sendo aí construída uma pis- cina. com todos os requisitos para bem servir o f i m a que se destina : instruir e educar. Um aspecto do edifico do Colégio O Colégio é dirigido pela Superiora. m u i t o contribuindo para a cultura e formação moral da juventude de toda aquela região. Os terrenos fronteiros ò Associação estão a ser ajardinados. Este ano.° Trigo de Morais. enquanto se edificava em terrenos fronteiros. que vieram inaugurá-lo em Novembro de 1964. destinado a ambos os sexos. Baltazar Rebello de Souza. ao iniciar-se o novo ano lectivo de 1 9 6 9 . sem o qual a missão do Colonato não estaria completa. cumprimenta a Madre Superiora Santa Clara. Hoje o Colégio é uma bela realidade.° ciclo liceal. destinada a novos dormitórios para as alunas internas — q u e afluem em grande n ú - m e r o — um novo refeitório. As Irmãs professoras iniciaram no Convento as primeiras leccionações. o Colégio inaugurou uma extensão do complexo. Irmã Santa Clara.7 0 . salas e outras dependências. O Govcrnador-Geral. instalado em bem delineado e moderno edifício. um Convento destinado às Irmãs Carmelitas. foi construído na V i l a . Dr. que possui o Curso de Música. A l i se ministra o ensino até ao 2. que reputamos de modelares.
luzerna.». em Julho de 1964. uma fábrica de descaroçamento e pren- sagem de algodão. Tecnicamente bem apetrechada. A fábrica é ampla e possui exce- lente equipamento. Uma Fábrica de Lacticínios. Vicente de Paulo. A i n d a neste capítulo. leite em pó — t i p o s gordo. Os produtos obtidos — n a sua maioria concentrados d u p l o s — são vendidos no mercado interno e para a Rodésia. etc. com capacidade para 12 mil toneladas anuais. em moldes rentáveis. podendo laborar 500 quilos por hora. incluindo o aspecto de promoção social da m u - lher. valorizando-a. apetrechada com o mais moderno equipamento. milho. cuja utilidade des- necessário se torna encarecer. desde que seja suficientemente abastecida. o soro. Uma destinada à farinacão de trigo e m i l h o . Presentemente. Uma Fábrica de Salsicharia —a mais recente de t o d a s — construída na zona fabril da aldeia. ensino que representa uma ó p t i m a ajuda e estímulo para as jovens. que se encontra a sede da Cooperativa Agrícola do Limpopo. A fábrica está apetrechada para produzir diversos tipos de queijos. construída em moldes simples. trevo. possui condições de boa renta- bilidade. uma fábrica de descasque de arroz. A t é ao presente só tem sido produzido manteiga e queijo do tipo holandês. apta a proporcionar os conhecimentos necessários aos jovens que pretendem dedicar-se à A g r i c u l t u r a . capins de várias espécies. Corte e Bordados. . situada próximo do Caminho de Ferro da V i l a Trigo de Morais. podendo laborar com cana-de-açúcar. fora das actividades agrícolas do Colonato. Lda. Existe. divididas em dois turnos. É t a m b é m . produzindo manteiga e queijo. nesta aldeia. diremos que existe na Aldeia de Folgares uma Missão de Irmãs de S. beterraba. Um grupo de alunas Ainda no campo do Ensino. modernos e funcionais. Na aldeia de Leonde — o n d e se situa a zona mais industrial do C o l o n a t o — estão instaladas três f á b r i - cas. as Irmãs têm 26 alunas. A sua capacidade de produção é para duas mil e quinhentas toneladas. tendo iniciado a sua laboração em meados de 1965. inaugurada em Julho de 1965. — 182 — % . tendo sido inaugurada pelo Presidente da República. embora só iniciasse a laboração — a i n d a expe- r i m e n t a l — em M a i o de 1965. seja para ficar no Colonato ou não. Na aldeia da Madragoa foi instalada a Fábrica de Concentrados de T o m a t e . Na aldeia de Folgares foi instalada a Fábrica de Desidratação de Forragens e Farinacão. que é pro- priedade da empresa «Algodoeira do Sul do Save. o Colonato tem a sua Escola Prática de A g r i c u l t u r a . por f a l t a de leite. m u i t o gordo e m a g r o — assim como um subproduto. situadas nas seguintes aldeias : Em Sagres. feijão. com várias aplicações. O Estado instalou no Colonato seis Fábricas. sorgos. que ministram o ensino de Costura. que só assim pode fomentar a riqueza compensadora.
frente à Barragem. construída na V i l a Trigo de Morais —a «Pou- sada Limpopo» — com dois pisos e capacidade para 50 pessoas. A outra — «Pousada da Barragem» — situa-se na aldeia do mesmo nome. abrir Delegações em todas^as a l d e i a s — e f a c i l i t a n d o . Pousada da Barragem — 183 — . desde 9 de Julho de 1966. Em edifício de linhas modernas e simples. transferências e outras operações. U m a . vindo desde essa data a fomentar notável acção no campo bancário. sendo o mobiliário em vários estilos portugueses. que o Banco de Crédito Comercial e Industrial abriu uma Delegação na V i l a Trigo de Morais. facilitando empréstimos. e oferecendo um serviço semanal itinerante. está decorado com bom gosto e sobriedade. para evitar aos colonos a deslocação à Vila para tal efeito. de depósitos. É interessante mencionar que. Edifício da «Pousada do Limpopo» No Colonato existem duas Pousadas. deste modo. os depósitos e evitando perdas de tempo. Bar e Res- taurante. uma vez que não é possível — p a r a j á . desde o mais simples ao mais requintado. tendo um só piso. além de ter Café.
é certo. apego ao trabalho. Aspecto geral do edifício c!a Associação Recreativa e Cultural do Limpopo No início do I Plano de Fomento. N ã o há semelhante em toda a Á f r i c a . com propósitos sociais que levam aos mais sólidos laços de n a t u - reza afectiva. Na actualidade. que o maior número possível de famílias brancas da Metrópole se instale nas aldeias do Limpopo. de associação de raças com os mesmos objectivos económicos. da ajuda que cada um deve ao seu próximo». à colaboração que o homem carece sempre do outro homem. servindo de exemplo para os irmãos de África. «definem um programa e a f i r m a m o sentido humano que se i m p r i m i u à obra realizada. uma vez mais. bem arreigadas ao solo. exer- cendo ali as tradicionais virtudes do agricultor português — tenacidade.» Estas foram palavras do Presidente Salazar. o Colonato do Limpopo é uma grandiosa realidade económico-social pondo à prova a capacidade dos portugueses. para colonizar e civilizar! — 1 84 — .» «Para cada braço uma enxada. possuindo a terra onde l a b u t a m . Para cada família um lar. de combinação simpática de indivíduos de cor diferente. que segundo Rodrigues Júnior. Para cada boca o seu pão. diz-se em certo passo : «Queremos. sobriedade.
Seguidamente. onde existem condições naturais privilegiadas A estrada servira as praias de Z a v a l a . a classe. Em 1949. Paralta sempre se tem debruçado com o maior interesse para os variadíssimos problemas do seu Distrito. da Barra e do Poméne — próxima de Massinga. Moçambique. Este plano será. t a m b é m .já quase concluída — que liga Lourenço Marques a Beira. de Delegado de Saúde de Inhambane" Chefe Distrital de Saúde e. do T o f o . José Dinis P. Assim. continuando a estar à frente dos destinos deste Distrito. o Governador. etc. e da m a f u r r a . o Dr. servindo. baseado no fomento da agricultura arbórea do coqueiro do ca- jueiro. — 185 — . por ú l t i m o . é o Dr. Esse plano é feito à base das técnicas do desenvolvimento comunitário Pensa-se fazer povoamentos organizados dentro dos princípios da mesma técnica sendo os n a t i - vos a construir a sua escola. maternidade. dos quais nos falou detalhadamente e para eles tem procurado obter as melhores soluções. S. tem estado a estruturar um plano de desenvolvimento económico. a i n d a . Em 1962 é promovido a médico de 1 . o turismo cinegético nas regiões de Mambone — o n d e existe já há anos uma organização do género. depois em Ribauè e na Beira. está em construção a Estrada Nacional 1 . Jangamo. no Mossurize. É licenciado em Medicina e Cirurgia pela Faculdade de M e d i - cina de Lisboa e diplomado. A nova estrada passará a cerca de 25 quilómetros de Vilanculos e a 40 de M a m b o n e . de 1960 a 1963. a sua casa. José Dinis Paralta concorreu ao Quadro dos Médicos do Ultramar tendo prestado serviço. Uma vez aberta ao tráfego produzirá um incremento extraordinário ao turismo do Distrito. depois de concluído apresentado as entidades superiores da Província que o estudarão para ser aprovado. a «Safarilândia» — do Funhalouro e Panda. funções que assumiu em 15 de M a i o de 1963. Závora. foi Presidente da Câmara Municipal de Inhambane. No capítulo de comunicações rodoviárias. com os cursos de Medicina Tropical e Medicina Sanitária. de início. GOVERNADOR DO DISTRITO DE INHAMBANE k O Governador do Distrito de Inhambane a ser cumprimentado por um regedor O Governador do Distrito de Inhambane. O Dr. Em A b r i l de 1963 é nomeado em comissão para o cargo de Governador do Distrito de Inhambane. exerceu funções de Chefe Distrital de Saúde do Niassa. José Dinis Pereira Salvador Paralta nas- cido em V i l a Pery.
O Distrito de Inhambane está. pequena e graciosa. tangerina. Algumas empresas nacionais e estrangei- ras pretendem montar organizações turísticas em determinadas zonas marítimas para a prática de vários desportos. entre eles a pesca. Três empresas já fizeram requerimentos para montarem fábricas para a sua industrializa- ção para o aproveitamento da f i b r a . acompanhado do Padre Fernandes e do Irmão André da Costa. e outra já existente irão aproveitar os restos da castanha de caju para extrair outros sucedâneos. o Padre Gonçalo da Silveira. nunca foi esque- cido. das regiões nortenhas de Monomotapa. que f a z i a m por estas regiões os seus resgates de m a r f i m e porventura de ouro. Sebastião. Ofanato e Colégio de Nossa Senhora da Conceição HISTÓRIA DE INHAMBANE A cidade de Inhambane. no decurso da tormentosa viagem do descobrimento m a r í t i m o para a índia. desde o Cabo da Boa Esperança até Inhambane. trazido pelos mucarangas. Só a 7 de Outubro de 1763 é que Inhambane tem o seu «Registo de Instrução. Vai ser insta- lada na M a x i x e uma fábrica. Marechal Craveiro Lopes. por ocasião da visita a Moçambique do Venerando Chefe do Estado. em compota e sumos. Passaram os anos e Inhambane. assim. que D. Também a industrialização do coco se está a esboçar. Inspirando sempre grande interesse comercial. que segundo a tradição. tem como divisa «Terra da Boa Gente» doada por Vasco da Gama. dos seguintes frutos : laranja. T a m b é m está em vista a industrialização dos citrinos : enlatados em fresco. ananás e caju.f a n . Inhambane passa a ser melhor conhe- cido pelas viagens dos navios chamados do Cabo das Correntes. em vias de entrar num grande desenvolvimento em todos os seus sectores. ali aportou a 10 de Janeiro de 1498. sendo-lhe por carta Régia de 9 de M a i o de 1761 dada a faculdade de se erigir em V i l a . Ern 1560 ali desembarcou. copra e da água. Foi primeiramente um Reino absoluto. também por ordem de D.M o r de C a p i t a n i a » . a que o seu Governador não deixará de dar todo o apoio possível e estímulo. ao fazer a divisão do Governo do Impé- rio O r i e n t a l . — 186 — . e mais tarde feitoria-presídio. com o f i m de espalhar a fé e radicar a moral cristã naquelas para- gens. o descasque do caju está a tomar grande incremento. na viagem que fez em 1575. para por ele se reger o Governador e Capi- t ã o . nomeadamente óleo.h a . Sebastião. tendo sido objecto de estudo e observações por M a n u e l Mesquita Perestrelo. Foi elevada a cidade em 12 de Agosto de 1956. deixou na parte que ia desde o Cabo das correntes a D j a r . Dentro da indústria.
Por ali passaram em 1552, os náufragos do naufrágio do «Sepúlveda» que iam a caminho
de Sofala. Em Inhambane, também esteve por duas vezes A n t ó n i o Cardim Fróis, encarregado
pelos Reis de Portugal de impedir a influência comercial dos Holandeses, obtendo a simpatia
dos régulos do interior, que em 1727 lhe pediram que os nossos navios ali viessem mais fre-
quentemente trazer-lhes fazendas e outros artigos do seu comércio.
Inhambane foi um padrão de ocupação, de domínio e de trabalho, de que deve ter justi-
ficado orgulho, ainda que, muitos anos depois, tenha sido vencida pelas circunstâncias várias
e determinadas pelo tempo e lugar, que a colocaram em inferioridade de condições, quanto a
actividades progressivas no campo político e económico. A soberania portuguesa em Inhambane,
pelos recuados tempos da segunda metade do século X V I I I , era protegida pela praça de Nossa
Senhora da Conceição e pelo forte de S. João da Boa V i s t a , ambas as fortificações completa-
mente desaparecidas.
Entregue aos seus parcos recursos, Inhambane, nem sempre estimulada, soube manter com
elevação em todos os tempos, o domínio português, cheia de fidelidade, persistência e patrio-
tismo. Já em nossos dias, teve Inhambane um papel importante nas Guerras Vátuas de 1895,
contra o potentado Gungunhana. Daqui saiu M o u z i n h o de Albuquerque com a cavalaria, a ca-
minho de Coolela.
Praia do «Tofo»
Os arredores de Inhambane são prodigiosamente dotados de condições naturais para fomen-
tar o seu turismo. À sua volta há muitas e belíssimas praias, destacando-se entre elas, a Praia
do T o f o , onde além das transparentes e aniladas águas para banhos, se pode praticar a pesca,
t a n t o à linha como submarina. Somente é necessário dotá-la de habitações e das comodidades
necessárias e imprescindíveis. A própria baía de Inhambane tem boas condições para a pesca.
A Cidade de Inhambane é a capital do Distrito do mesmo nome. Situada j u n t o da ampla
baía de Inhambane, que tem cerca de 9 milhas de comprimento por 5 de largura.
A área urbana da cidade de Inhambane é de 120 hectares, sendo a área suburbana de
1880 hectares. A cidade de Inhambane fica a cerca de 15 milhas da entrada da barra, tendo
uma rede de distribuição eléctrica, em corrente alternada, e a iluminação das suas ruas, por
meio de lâmpadas de vapor de mercúrio. Tem também uma rede de distribuição de água potá-
vel, considerada m u i t o boa, captada do Guiua.
Os edifícios mais importantes são : Escola Industrial e Comercial «Vasco da Gama», resi-
dência do Governador, Escolas Primárias, Edifício do Governo e Repartições, Câmara M u n i c i p a l ,
Colégio de Nossa Senhora da Conceição, Hospital, Caminhos de Ferro, Direcção de Obras Pú-
blicas, Direcção e Repartição dos C.T.T., Paço Episcopal, um cinema e um hotel. É testa do
caminho de ferro Inhambane-lnharrime.
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O porto é tranquilo e seguro, possuindo uma ponte-cais, em cimento armado para atracação
de navios de a l t o bordo, dando possibilidade t a m b é m , a todos os navios costeiros. Inhambane
alia à benignidade do seu clima, que levou muitos a chamá-la de «Sintra de Á f r i c a » , uma linda
baía, aonde o pôr-do-Sol, de magníficos cambiantes de cor, constitui um espectáculo de sonho,
verdadeiramente maravilhoso.
Na cidade existem dois clubes : o Clube Ferroviário de Inhambane e o Clube Desportivo
de Inhambane. No Clube Ferroviário praticam-se várias modalidades : f u t e b o l , hóquei patinado,
classe de «ballet» e patinagem artística, leccionadas pela professora Pilar Sampaio.
Classe de Ballet
HISTÓRIA DA CÂMARA MUNICIPAL DE INHAMBANE
Vamos falar de alguns ilustres Presidentes da Câmara, cujas figuras são de maior relevo.
Aos primeiros livros de Registo da Câmara M u n i c i p a l de Inhambane falta-lhes as primeiras 40
fclhas, que foram dadas como desaparecidas. Assim, o primeiro presidente assinalado, data de
1788, tendo sido A n t ó n i o M a n u e l Fernandes. Segue-se, por ordem cronológica, José de Sousa
Teixeira, presidente de 1863 a 1874, voltando à presidência da Câmara M u n i c i p a l , de 1885 a
1886. Este presidente foi casado com uma senhora descendente do General Fornasini — o f i c i a l
do exército italiano, que se refugiou em Inhambane por motivos p o l í t i c o s — tendo chegado a
ocupar cargos de relevo, pois naturalizara-se português, e ingressara no nosso exército. O Gene-
ral Fornasi — c u j o nome completo era Cario A n t ó n i o Fornasini — nasceu em Bolonha, na I t á l i a ,
tendo sido, t a m b é m , Presidente da Câmara M u n i c i p a l de Inhambane, cargo que desempenhou
de 1852 a 1858.
O General Fornasini desenvolveu relevante actividade em prol do engrandecimento da
«Terra da Boa Gente», o que levou o Governo a agraciá-lo com a Comenda de Cavaleiro áa
Ordem de Cristo. Foi casado com uma natural de Inhambane, D. Augusta Carolina, da qual
houve descendentes, assim se iniciando a Família Fornasini, que foi aumentando de geração
para geração.
O u t r o Presidente da Câmara, figura de relevo, foi João Tamagnini de Sousa Barbosa, o f i -
cial do Exército, que exerceu o seu mandato de 1914 a 1916, desempenhando t a m b é m , as f u n -
ções de Engenheiro Chefe das Repartições de Obras Públicas; Eng. Director dos Caminhos de
Ferro e Administrador-Delegado da Comissão de Melhoramentos. Foi um homem de acção notá-
vel, que desenvolveu grande actividade não só em Inhambane como por todo o distrito, digna
de ficar arquivada nestas páginas.
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O seu actual presidente, Dr. A r m a n d o M a r i a Dionísio, foi nomeado Presidente da Câmara
de Inhambane em M a i o de 1963, lugar que continua ocupando. Nascido na Metrópole — e m
Penafiel — fez a sua f o r m a t u r a em Farmácia na Universidade de Coimbra. O Dr. Armando
M a r i a Dionísio foi para Moçambique em Janeiro de 1944, como oficial miliciano do Exército,
com o posto de Tenente, fazendo parte da Companhia existente em Porto A m é l i a ; mais tarde,
em 1947, foi transferido para Inhambane, onde terminou a comissão de serviço, após o que
iniciou a sua vida profissional, naquela cidade.
Em 10 de Fevereiro de 1951 foi nomeado vogal efectivo da Junta Provincial do Sul do
Save, lugar que ocupou até à sua extinção. Depois, em A b r i l do mesmo ano, foi nomeado vogal
suplente da Comissão A d m i n i s t r a t i v a da Câmara Municipal de Inhambane. Em 15 de Junho de
1955 foi chamado à efectividade até à exoneração da mesma, tendo sido nomeado nessa ocasião
para vogal efectivo, lugar que ocupou até à sua nomeação — por eleição — para o mesmo
cargo, e deste para Presidente da Câmara M u n i c i p a l de Inhambane, tendo tomado posse em
22 de M a i o de 1963.
O Dr. A r m a n d o Dionísio ocupa também o lugar de Vogal do Conselho Legislativo, como
representante do Distrito de Inhambane, o qual foi eleito para o quadriénio de 1964-68. E ainda
vogal eleito da Junta Distrital de Inhambane, lugar que ocupa desde 1964. Sempre atento
aos interesses do seu município, o Dr. A r m a n d o Dionísio tem desenvolvido larga acção no sen-
tido de promover o progresso da cidade, que dia a dia cresce e se embeleza, acompanhando
o grande desenvolvimento que se verifica por toda a terra moçambicana.
Clube Ferroviário de Inhambane
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ALFREDO LOPES TOMÉ
A l f r e d o Lopes Tomé nasceu na V i l a do M a t o , Concelho de Tábua, na Beira A l t a .
Veio para Moçambique com a idade de 17 anos, tendo-se colocado numa f i r m a de Inham-
bane, de nome M a n u e l Branco Rafael, Lda. Manteve-se nessa f i r m a , como empregado, durante
treze anos, ao f i m dos quais passou a ser o dono, tomando-a de trespasse. A f i r m a dedicava-se
ao comércio geral, continuando a manter o mesmo género de negócio o pioneiro A l f r e d o Lopes
Tomé.
Trabalhador incansável, ao f i m de três anos de estar estabelecido, lançou a ideia da cons-
trução de um hotel em moldes modernos, cuja f a l t a m u i t o se fazia sentir, pedindo Alfredo
Lopes Tomé a colaboração de outros comerciantes da cidade, para que fosse f e i t a uma proposta
ao Governador do Distrito. A sugestão foi bem aceite, mas tudo ficou em projectos, caindo no
marasmo, e sem se dar solução a esse magno problema. Foi então que A l f r e d o Lopes Tomé, que
possuía um terreno no centro àa cidade, tomou a iniciativa de, pelos seus próprios meios, cons-
t r u i r um edifício que servisse de hotel. Assim se transferiu o velho Hotel de Inhambane para
a primeira unidade hoteleira da cidade, construída com esse f i m , tendo sido dado ao novo hotel
o mesmo nome do antigo. Este foi inaugurado em 1962, tendo-se construído mais uma ala.
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O pioneiro A l f r e d o Lopes Tomé conseguiu levar a cabo este empreendimento, graças a um
empréstimo que lhe foi concedido pelo Barkiays Bank, sem o qual não teria sido possível dotar
Inhambane desse melhoramento, que tão indispensável era ao desenvolvimento e progresso da
cidade. Se não fora o espírito empreendedor de A l f r e d o Lopes Tomé, talvez Inhambane ainda
estivesse à espera do novo h o t e l , que servisse convenientemente todos quantos demandam a
«Terra da Boa G e n t e » !
Há vinte anos que A l f r e d o Lopes Tomé chegou a Inhambane, e durante este longo espaço
de tempo ainda não voltou a ver a sua terra n a t a l , sempre agarrado ao trabalho, debruçado so-
bre os seus negócios, no justo sonho de tornar c sua vida numa independência desafogada! A
obra do hotel já concluída, custou mil e quinhentos contos, e a segunda ala mais quinhen-
tos contos.
Este é, sem dúvida, um Pioneiro cuja actividade progressiva tem vindo a enriquecer a terra
que o recebeu.
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JOAQUIM ALVES — O PIONEIRO DO TURISMO
Ao Turismo de Moçambique ainda na sua a d o l e s c ê n c i a — está ligado o nome de Joa-
quim Alves, o seu iniciador, que há quarenta anos veio fixar-se na paradisíaca região de V i l a n -
culos, que tornou na mais encantadora Estância Turística de Moçambique, mercê do seu tenaz
esforço, ajudado por sua esposa, D. A n a , de espírito tão empreendedor como seu marido.
Joaquim Alves, natural da Metrópole, nasceu na região de Torres Vedras, vindo m u i t o
jovem para a Á f r i c a , apenas com 17 anos. Há quarenta anos, vindo da Beira, chegou a V i l a n -
culos, Joaquim Alves, acompanhado da esposa, ambos m u i t o jovens — ela com 18 anos e ele
com 20 incompletos.
Joaquim Alves a ser condecorado pelo Sr. Presidente da República
quando da sua visita a Moçambique, em 1 9 6 4
Nessa época, Vilanculos não era mais que floresta virgem, que era necessário desbravar
e onde nada havia que pudesse lembrar civilização! Foi preciso que D. A n a Alves começasse
a ensinar os nativos ali existentes a cozer pão, a cozinhar, a costurar, e n f i m , a civilizar.
Após terem construído a primeira casa e seus anexos, assim como uma rudimentar estra-
da, apareceu-lhes certo dia um amigo inglês, residente na Rodésia, que lhes solicitou aloja-
mento para poder permanecer naquela bela zona m a r í t i m a , de que ele sabia ser, também,
excelente para a prática da pesca. Joaquim Alves, gentil e hospitaleiro, acedeu ao pedido. Esse
amigo regressou fascinado e entusiasmado com as belezas naturais de Vilanculos e do seu a r q u i -
pélago, falando aos seus amigos desta região de Moçambique, iniciando assim a sua propaganda.
Mercê dessa mesma propaganda, as visitas sucederam-se continuamente, pois cada visitante
era mais um propagandista da região de Vilanculos que ia ganhando adeptos e fama além-
-fronteiras.
Em princípio, o alojamento era constituído por barracas de campanha. Quando estas a t i n -
giram algumas dezenas, Joaquim Alves pediu ume licença para a construção de «Bungalows»
para assim poder corresponder à afluência, cada vez maior, de turistas e poder proporcionar-lhes
um maior número de comodidades. Porém, os meses passavam e a necessária licença não vinha.
Um simples pormenor burocrático, que uma vez resolvido visava em maior escala os interesses
económicos da Província, e soluciando um problema de carácter geral. Os turistas pergunta-
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vem qual a razão por que Joaquim Alves não construíra os «Bungalows» do que lhes havia
falado, não sabendo que resposta dar! Por f i m , depois de terem passado dois anos à espera da
licença de construção, e envergonhado, sem saber que explicação dar aos turistas — q u e ca
de ano afluem em maior número a V i l a n c u l o s — decidiu iniciar, mesmo sem licença, as constru-
ções, vindo esta, f i n a l m e n t e , quando se completava três anos que tinha sido pedida!
A luta despendida por Joaquim Alves para realizar a sua obra gigantesca, que é, sem som-
bra de dúvida, tem sido enorme! Joaquim Alves tornou num verdadeiro paraíso toda a zona de
Vilanculos que se estende, hoje, até ao Inhassoro e Ponta de Bartolomeu Dias, bem como a
todas as iíhas que formam o Arquipélago do Bazaruto, assim constituído : a ilha de maior
extensão, Santa Carolina; Denguera e Magaruque ou Ilha de Santa Isabel.
Restou/ante — Pousada de Vilanculos
Para se poder avaliar da obra turística, gingantesca, feita nestes quarenta anos, por Joa-
q u i m Alves, é necessário falar do que hoje está feito. A l é m do p r i m i t i v o hotel, construído no
centro da povoação de Vilanculos, existe, j u n t o à praia, uma série de casas, t i p o «Bungalow»,
e um h o t e l , que após a sua conclusão, foi aumentado quase para o dobro, e ficou concluído
nesta segunda fase, d e f i n i t i v a m e n t e , em M a r ç o de 1965. A i n d a na parte continental, o Inhas-
soro possui um hotel de primeira classe, com salões de amplas vistas para o mar, moradias e
vivendas para alojamento dos visitantes.
O Inhassoro serve t a m b é m de base para a pesca do alto, proporcionando passeios ao longo
da sua praia, cuja extensão é de setenta quilómetros, e tendo nas suas margens, aldeias de
pescadores constituindo motivo de interesse apreciar a sua faina piscatória. O Inhassoro fica a
cem quilómetros de Vilanculos, e como meio de transporte, pode usar-se o avião ou o automó-
vel. A norte do Inhassoro, ao longo da costa numa língua de terra ladeada pelo mar e por uma
grande baía de águas tranquilas, onde desagua o rio Govuro, situa-se a chamada Ponta de Bar-
tolomeu Dias. A í , a diversidade de tons das águas e de maravilhosos cambiantes, tornando o
local paradisíaco! Nas suas águas há abundância de peixe, oferecendo aos desportistas aliciante
distracção, além de haver, t a m b é m , grande abundância de ostras e caranguejos. Em Bartolomeu
Dias construíram-se «bungalows» que ficaram aptos a receber turistas em M a r ç o de 1965.
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que é Joaquim Alves. por «Pérola do Índico». pertencentes à Organização de Joaquim Alves. gran- diosa. nome que se ajusta à sua beleza. com cerca de dois quilómetros de extensão e de uns escassos trezentos metros de largura. O a'ojamento é pro- porcionado por «Bungalows». a uma hora de barco. Possui um hotel. A ilha possui frondosa vegetação. que compreende as espécies mais notáveis do género : espadartes. tal qual como as outras ilhas. é a maior e dista do continente 20 quilómetros. forne- cendo a Organização os serviços de cozinheiro para cada grupo de turistas. Para alojamento. que asseguram banhos em condições de segurança a crianças e adultos. assim como os alimentos. fica situada em frente de Vilanculos. além de táxis aéreos. protegidas por recifes coralíferos. os pa'ses nossos vizinhos. Justo é salientar uma obra que merece a melhor atenção do poder gover- nativo. «Santa Carolina possui deslumbrantes areias de coral branco e as suas águas são cristalinas e cálidas. onde a ilha oferece baías abrigadas. A Ilha de Santa Carolina. e fomentando assim uma riqueza imensa de carácter econó- mico e de progresso. com exce- lentes condições para banhos e natação. veleiros. moradias e vivendas mobiladas com todos os requisitos modernos. Santa Isabel. dada a sua proximidade do Cana\ de Moçambique. e mais recentemente. chamam-lhe a «Ilha do Paraíso». Falando do arquipélago. a Ilha do Bazaruto.m a r e submarina. que íhe dá o nome. De Vilanculos e toda a sua zona turística irradiam todos os transportes para as ilhas. É o centro por excelência da pesca do alto-mar feita do lado do Canal de Moçambique. tendo de extensão quase t r i n t a . Por tudo atrás descrito se avalia — a i n d a que a traços l a r g o s — a obra turística. sendo de todas a mais próxima. Não há restaurantes. para que ela continue a crescer e possa servir condignamente o Turismo de M o ç a m b i - — 194 — . é denominada pela gente a n t i g a . como os já existentes em Vilanculos. quer seja por mar. canalizando um grande afluxo turístico para a Província. terra ou ar. igualmente oferece óptimas condições para a pesca submarina. oferece excelentes condições para a pesca do a l t o . O restante percurso até Vilanculos aguardava-se a sua conclusão. "Bungalows" no Inhassoro Santa Carolina. existem «Bun- galows» e são fornecidos cozinheiros para cada grupo de turistas. A Ilha de Santa Isabel ou M a g a r u q u e . criada pela tenacidade de um homem. sendo esta feita do lado do continente. A DETA e a Rhodesian A i r Services fazem as ligações directas com a Rodésia e Á f r i c a do Sul. a pesca de terra e as praias completam os a t r i b u t o s desta ilha. espadins. etc. A pesca submarina é outro dos prazeres ofere- cidos. Existe uma estrada em boas condições até Macovane. A l é m disso.
que. há um movimento anual de mais de dez mil turistas! A terminar. que tende a aumentar cada vez mais. natural de Moçambique. a Comenda de M é r i t o Agrícola e Industrial. Para melhor se avaliar da importância desta zona turística. com que foi distinguido pela sua meritória obra de pioneiro. outras estâncias em idênticas condições. quando da sua visita à Província. A n a Alves. no estrangeiro.. Joaquim Alves foi. agraciado pelo Senhor Presidente da República. sacrificando toda uma vida ao mato e suas lutas. que ao longo destes quarenta anos tem sido uma companheira admirável e a melhor colabora- dora da obra de seu marido. em Julho de 1964. igualando Vilanculos e o seu arquipélago :. queremos ainda salientar a acção de D. — 195 — . para civilizar s fazer progredir. tendo recebido das mãos do Supremo Magistrado da Nação.
em Agosto de 1 9 4 1 . Este ilustre Governador foi condecorado. em 1939. foi depois transferido para Cabo Verde (comarca de Sotavento). Em Novembro de 1945 é colocado na índia. em Junho de 1943 foi colocado em A n g o l a . sendo colocado na comarca de S. c u m u - lativamente com as de Conservador do Registo Predial e Comercial. Na actualidade. Em Março de 1961 é nomeado Inspector Superior de Justiça. na comarca de Ilhas de Goa. onde exerceu o cargo desde 25 de Janeiro de 1 9 5 1 . com a Ordem de M é r i t o Civil com Placa. Em Janeiro de 1957 é colocado em Moçambique. Tomé. exercendo as mesmas funções até Agosto de 1945. FRANCISCO CASTELO-BRANCO GALVÃO Na a l t u r a de iniciarmos esta obra. tendo procedido à inspecção das comarcas de Angola. Nos anos de 1947 e 1949 exerceu t a m b é m . em 1964. governa este distrito o Coronel Sousa Teles. tendo-se licenciado em Direito no Universidade de Lisboa. Em Fevereiro de 1954 é novamente colocado em A n g o l a . as de Procurador da República j u n t o do T r i - bunal da Relação de Nova Goa. a V a r a — sendo promovido em 1960. na comarca da Beira — Tribunal da 1 . na comarca de Nova Lisboa. GOVERNADOR DE MANICA E SOFALA DR. o cargo de Chefe de Gabinete do Governador-Geral do Estado da índia. a V a r a — . — 196 — . pelo Chefe de Estado de Espanha. natural de A r g a n i l . na Comarca de Reguengos de Monsaraz. Depois. era Governador do Distrito de Manica e Sofala o Doutor Juiz Dezembargador Francisco Castelo Branco Galvão. Em 27 de Outubro de 1961 toma posse do lugar para o qual fora nomeado. no comarca de Luanda — T r i b u - nal da 3. com sede na cidade da Praia. de Presidente do Tribunal da Relação de Luanda. em comissão. A 6 de M a i o de 1942 foi nomeado Delegado do Procurador da República para o U l t r a m a r . Em 5 de Fevereiro de 1963 toma posse do cargo de Gover- nador de M a n i c a e Sofala. por distinção. Promovido a Juiz de Direito e colocado na comarca de Damão. iniciando essas funções em 5 de Setem- bro desse ano. Iniciou a sua carreira profissional como Delegado do Procurador da República. onde exer- ceu as referidas funções e cumulativamente ainda. a Juiz-Desembargador e colocado no Tribunal da Relação de Lourenço Marques.
° Comandante do Posto Militar do Aruângua LUÍS INÁCIO Posto Militar do A R U Â N G U A . IMAGENS DA BEIRA ANTIGA O 1. Célula-Mãe da futura cidade da Beira. em 1890 Isto era a Beira em 1 8 9 2 — 197 — .
Isto era a Beira em 1892 Aspecto da Avenida D. na Beira. Carlos. em 1 8 9 9 .
construída em 1 9 0 1 . para festas de gala e variadas mannifestacões artísticas — 199 — . em 1905 A primeira casa de espectáculos. o «VICTORIA MEMORIAL HALL». Praça Luís Ignácio. que era utilizada também.
na Beira. em 1 9 1 8 BEIRA CIDADE DO FUTURO Centro da cidade moderna — 200 — . no Largo Conselheiro Almeida.Quiosque e Coreto.
já por si. a cidade airosa. como é no presente. embora eles. nas mais precárias condições! Era n a t u r a l . o primeiro Posto M i l i t a r do A R U Â N - GUA. areia e mangal debruando um enorme lameiro líquido. puderam jamais pensar que daquelas terras houvesse a possibilidade de nelas construir e fazer surgir uma urbe bela e moderna. a segunda cidade da Província! Não podemos querer mal a esse extraordinário homem. criando no areal. numa periferia de algumas dezenas de quilómetros. encarnassem o símbolo da tenacidade e da têmpera portuguesa. aqui fica arquivado. cheios de vontade e de fé em melhores dias vieram. cidade do f u t u r o ! Iluminações no centro da cidade. que descressem das possibilidades futuras da Beira. no recuado ano de 1887! Era de tal modo inóspita a região à volta do Posto M i l i t a r . operaram verdadeiro milagre. naquela época recuada. mercê desse esforço heróico. nem àqueles heróicos militares de 1887. que fazem perder o pé aos hipopótamos!» Nem A N T Ó N I O ENES. que nesta parcela do território de Moçambique. que defendiam o seu Posto. Outros como eles. erguendo dos «pântanos» e das areias. que A N T Ó N I O ENES dissera num seu relatório acerca da Beira : «Custa-me a crer que a Beira fosse aquilo. à beira do mar. que vem desde o estabelecimnto da autoridade portuguesa. que é hoje a capital de M A N I C A E SOFALA! Crescendo. quando a Beira comemorou o seu cinquentenário — 201 — . e à custa dos maiores sacrifícios. em que o PÚNGUÈ e o BÚZI vão dissolver as próprias margens laceradas por correntes. A cidade do Beira é um testemunho perene do força civilizadora e colonizadora dos portu- gueses. fizeram uma cidade! E dela. nem os homens que defendiam no Posto de A R U Â N G U A a soberania portuguesa. dia-a-dia. que foi A N T Ó N I O ENES. imagens do passado e do presente da Beira.
Três aspectos da Beira actual — 202 — .
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do Governo do Território. a aprovar a forma definitiva que então tive- ram os Estatutos. e vêm publicados no seguimento daquela ordem. Fundada dois anos depois do decreto de 11 de Fevereiro de 1 8 9 1 . subscrita pelo Governador. acompanhou intimamente o evoluir do cidade e do Território e prestou a sua colaboração em todos os actos em que a mesma se tornou oportuna e ú t i l . A i n d a hoje. como foram os estudos. Edifício da Associação Comercial da Beira — 204 — . do Governo do Território sob administração da C O M - P A N H I A DE M O Ç A M B I Q U E . veio o decreto de 25 de Janeiro de 1904. desde o recuado ano de 1893 até esta segunda metade do Século. etc.° 18. . caminhos de ferro. em grande número de problemas de ordem económica emergentes do gradual desen- volvimento da cidade da Beira e do Território. depois DISTRITO DE M A N I C A e SOFALA. encargos do porto. constante. Constam aqueles Estatutos de 49 artigos. ainda que m u i t o resumidamente. Boletim n. informações e representações sobre licenças. impostos de selo e outros. Seria longo descrever. Entre aqueles muitos problemas avultam questões do mais a l t o interesse. que concedeu poderes majestáticos à C O M P A N H I A DE M O Ç A M B I Q U E para a Administração do Território de M A N I - CA E SOFALA. concessões de terrenos. mão-de-obra indígena. tudo quanto consta dos seus arquivos a tal respeito. de 2 de Outubro de 1893. nas suas linhas gerais as regras por que se governa a ASSOCIAÇÃO. foros e contribuições. e t c . são as mesmas. de 14 de Setembro de 1893. Após algumas modificações de detalhe. tarifas. General Joaquim José Machado. porque. na verdade. ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DA BEIRA Aprovou os primeiros Estatutos com que esta Associação se constituiu sob a denomina- ção da ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DA BEIRA. como sendo a data oficial da fundação da ASSOCIAÇÃO. passados sessenta e oito anos. a ordem nº 1 6 7 . direitos aduaneiros. só naquela data o Governo Central lhe deu existência com a sua aprovação. Tomou a ASSOCIAÇÃO parte activa. decreto de 25 de Janeiro de 1904 acima citado. Tem-se considerado q Carta Régia.
B. É Presidente da Assembleia Geral o Eng. a saber : Madeiras. M E D A L H A DE OURO DO I N S T I T U T O DE SOCORROS A NÁUFRAGOS e SÓCIO DE H O N R A DA C Â M A R A DE COMÉR- CIO DE S. Transitórios. de «A M U N D I A L DE M O Ç A M B I Q U E » . H. vamos transcrever o pedido de aprovação dos Estatutos. M A N U E L SALEMA. Agentes de Transportes.1 9 5 3 . A ASSOCIAÇÃO construiu a sua primeira sede em 1923. Considerando que esta Associação tem por f i m a protecção ao comércio e indústria que m u i t o convém auxiliar e cujo desenvolvimento produzirá benéficos resultados concorrentes para o progresso deste território. no Beira. FRANCISCO DA C A L I F Ó R N I A . LDA. a criação do Governo do Território pela C O M P A N H I A DE M O - Ç A M B I Q U E . FREDERICO MARQUES M A N O . Tendo em atenção o parecer do Dr. que se mantêm em função durante as horas comuns de expediente em cada d i a . Ferragens e Materiais de Construção. presentemente. Comissionistas. — 205 — . Nestes últimos anos a actividade da ASSOCIAÇÃO desenvolveu-se consideravelmente. A função destas secções tem sido utilíssima porque tende a coordenar e orientar as res- pectivas actividades. que foi formulado por nove indivíduos — d o s quais só um era português — a t í t u l o de curiosidade : «Ordem n.1 8 8 7 — dia em que desembarcou nas praias da baía de M A Z A N Z A N I a pequena força que constituiu o POSTO DE A R U Â N G U A .° 50 de 12 do corrente. DIEPWEEN. J. E. Dr. Turismo. D. Além dos serviços de Secretaria. A M A V E T . SHELDRICK. O Governador. Construção C i v i l . M Á R I O ROCHA DE A L M E I D A . conforme acima se diz. Mercearias. J. JOSEPH V A N P R A A G H . M A N U E L DE JESUS FILHO e JOSEPH ROBBERT. Delegado do Procurador. dado sobre tal assunto em Ofício n. A ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DA BEIRA é galardoada com as seguintes condecorações : C O M E N D A DA ORDEM DE MÉRITO I N D U S T R I A L . M E D A L H A DE OURO DO C I N Q U E N T E N Á - RIO DA C I D A D E . foram criadas diversas secções. e sucedeu. Machado. E para terminar a história da ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DA BEIRA. M A N U E L G A M I T O . da f i r m a «STEIA». tendo sido reeleito em 1964. São vice-presidentes : Eng/58 JOÃO DE MENESES C A I A D O C A B R A L e M A N U E L SOARES DE RESENDE. da Coroa e Fazenda desta Comarca. 14 de Setembro de 1893. M E D A L H A C O M E M O R A T I V A DE 2 7 . da firma G. buscando melhor serviço ao público e melhor defesa dos seus interesses. de ENTREPOSTO COMERCIAL DE M O Ç A M B I Q U E . Papelaria. M A R T I N I . da f i r m a SALEMA & C A R V A L H O . H A N S I N G . Desde 8 de M a r ç o de 1962 que foi eleito Presidente da ASSOCIAÇÃO COMERCIAL. requerido a este Governo a aprovação dos Estatutos que formularam para uma Asso- ciação que pretendem constituir e que se denominará Associação Comercial da Beira.I V . da f i r m a SIMEL. SAUL B R A N D Ã O . A d r i a n o M o r e i r a .° JORGE PEREIRA J A R D I M . Fazem parte do Conselho Director : DR. Secretaria do Governo do Território de M a n i c a e Sofala. Administrador-Delegado da LUSALITE DE M O Ç A M B I Q U E . em pouco mais de dois anos. EDENBOROUGH & BAR. Importadores de Automóveis e Garagistas. a PRAÇA GAGO C O U T I N H O a oeste e PRAÇA DO COMÉRCIO a leste. BUCCELLATO. etc. apenas. W. A R M I N D O DE BRITO. quando da sua visita a Moçambique.° 167 : Tendo A.» O actual edifício da ASSOCIAÇÃO C O M E R C I A L DA BEIRA foi inaugurado em 1961 pelo então M i n i s t r o do U l t r a m a r . e substituiu-a em 1960 pelo sump- tuoso edifício que orna. dando início à actual cidade da Beira. DR. A sua fundação apenas dista seis anos da data da ocupação destas terras — 2 0 de Agosto de. Hei por conveniente aprovar os referidos Estatutos que contêm 49 artigos e baixam assi- nados pelo Conselheiro Secretário-Geral. e FRANCISCO SA- R A I V A BARRETO.
que era necessário percorrer. Na segunda viagem que empreenderam foi tão mal sucedida. em Lourenço Marques. onde trabalhava como recrutador de nativos para as Minas do Rand. É necessário esclarecer. pois t i n h a m empregado todo o seu dinheiro na compra daquela manada. em 1900. Constando-lhe que seria bom negócio comprar gado aos indígenas da Z a m b é z i a . através da selva inóspita. Seu espírito era intrépido e aventureiro. colocou-se na cidcde da Beira. que da região zambeziana. indo depois para Tete. até à V i l a de M a n i c a . Em determi- nada a l t u r a o recrutamento foi proibido com a saída de uma nova lei. ficando os dois homem arruinados. na Beira O primeiro negócio fez-se. ia uma distância enorme. de nome Faria. . Lda. no ano seguinte. resolveu — 206 — . em seguida. Então. que lhe facilitasse ali a sua colocação. sujeitavam o gado a gra- ves perigos e inconvenientes. para depois ser negociado no V i l a de M a n i c a — q u e então se chamava de Macequece — terra situada no fron- teira com a Rodésia. onde se empregou no comércio. tendo sido bem sucedidos. FUNDADORES DA EMPRESA COMERCIAL DE MEGAZA O português João Lopes. em cuja região havia m u i t a falta de gado. como era. o que além de demorar m u i t o tempo. e por essa ocasião o seu A c a m p a m e n t o da Organização. povoação j u n t o à fronteira com a Niassalôndia — hoje M A L A W I — isto sucedia no ano de 1909. onde iam comprar o gado. João Lopes. João Lopes. Chegado a Moçambique. Aspecto parcial do edifício da Empresa Comercial de Megaza. natural do Concelho da Sertã. era em M e g a z a . levando as manadas pelo seu pé. mesmo sem possuir qualquer conhecimento naquela Província. BIOGRAFIA DOS IRMÃOS LOPES. pois não havia outra forma de transporte. e próximo da cidade rodesiana de U n t á l i . que o gado morreu todo pelo caminho. sendo acom- panhado de um outro português. João Lopes tomou a resolução de ir verificar pessoalmente. tomou a resolução de ir até à Província de Moçambique. na Á f r i c a do Sul. empregou-se.
o que foi aceite. — 207 — . que passou a denominar-se LOPES & IRMÃOS. como o movimento em Megaza aumentasse consideravelmente. fértil sob vários a s p e c t o s — cultivando feijão e uma pequena área de algodão. houve uma seca tão grande. no Distrito de Quelimane. e que. Os irmãos Lopes fizeram uma obra colonizadora notável. para poderem promover o progresso agrícola e comercial. o João empregou-se numa plantação de algodão. A SENA SUGAR. tantos quantos eram os irmãos Lopes. continuando o A n t ó n i o empregado. a colonização efec- tuada naquela região foi totalmente f e i t a pelos irmãos Lopes. já t i n h a vindo para a Província mais outro irmão. No f i m do ano de 191 1. que as colheitas perderam-se todas. João Lopes mandou vir da Metrópole um seu irmão mais novo. voltou às suas terras de Megaza. indo juntar-se aos irmãos em 1918. Porém. para as voltar a cultivar. Como as propriedades —concessões a g r í c o l a s — haviam sido pedidas ao Estado em nome do irmão João —o mais velho e o i n i c i a d o r — resolveram entre si. e o A n t ó n i o na organização açucareira SENA SUGAR. o Sebastião abandonou a SENA SUGAR para ir ajudar o irmão. Depois. fornecendo-os e financiando-os em tudo quanto necessitavam. financiando os pequenos agricultores do Vale do Chinde. que m u i t o apreciava António Lo- pes. ficando sem nada os dois irmãos. ali grangeando muitas amizades. enviando para o irmão tudo quanto podia economizar e se destinava a custear as despesas do cultivo e pro- gresso das terras. enquanto o seu irmão A n t ó n i o continuava na SENA SUGAR. Igualmente. que dividissem as conces- sões em três partes iguais. denominada «EMPRESA COMER- C I A L DE M E G A Z A » . deixando o gado que ainda possuíam e as alfaias agrícolas entregues ao cuidado de um empregado nativo. Lda. e por uma escritura feita em 1919. chamado A n t ó n i o .dedicar-se à agricultura — t a l v e z prevendo e pressentindo a riqueza enorme do solo zambe- ziano. Também na circunscrição de M o r r u m b a l a . deram o nome à sua organização agrícola de «EMPRESA A G R Í C O L A » . na esperança de mais tarde poderem voltar a cultivá-las. Dos três irmãos pioneiros. que iam alargando. para com ele trabalhar. situada na região do Charre. pelos seus dotes de trabalho e carácter. morreram os dois mais velhos : o João e o Sebastião. Deste modo. na circunscrição de M u t a r a r a . graças ao seu esforço. onde perma- neceu seis anos. o João. M u i t o s dos europeus que vieram fixar-se a l i . os filhos e netos do Sebastião. são também sócios da empresa. Como a organização foi sempre aumentando e progredindo — hoje é uma das maiores organizações m o ç a m b i c a n a s — criaram uma outra empresa. Em dada a l t u r a . amortizando-os ou pagando-os com as colheitas. Assim. que se encontrava colocado em Lourenço Marques. e que algumas vezes o obrigou a fazer empréstimos que se destinavam ao mesmo f i m . tudo quanto os dois irmãos ganhavam era enviado para o irmão que estava em Megaza a dirigir as propriedades. pois ajudaram a fomentar a agricultura no riquíssimo Vale da Z a m b é z i a . de nome Sebastião. Na actualidade. Por esse motivo abandonaram as suas terras em busca de trabalho. que deste modo. com algum dinheiro amealhado. pois era um jovem honesto. sabendo que estava em Lourenço Marques outro irmão. que providenciaram para que muitos dos seus conterrâneos viessem para Moçambique e se pudessem ali f i x a r . no ano se- g u i n t e . que sucessivamente iam aumentando e valorizando-se. que é formada pelos sócios da f i r m a Lopes & Irmãos. ofereceu-lhe emprego j u n t o de seu irmão A n t ó n i o . Para isso sacrificavam tudo quanto lhes era possível para o fazerem em benefício das suas terras. os irmãos Lopes. os quiseram agregar à sua expansão colonizadora e económica. Entretanto. é hoje um dos centros mais importantes da Z a m b é z i a . de nome Sebastião. trabalhador e enérgico. que t i n h a nessa a l t u r a 21 anos. LDA. fazem parte dos primeiros pioneiros que iniciaram a cultura de algodão em Moçambique. tendo-lhes dado todo o apoio m a t e r i a l . são parentes dos irmãos Lopes.
FERNANDO e A L E X A N D R E . para. cuja inauguração se efectuou em 1959. cerca de 750 toneladas de chá. A c t u a l m e n t e . Móne e Derre. onde possui todas as secções de escritório. Missuássua. Á f r i c a do Sul e Portugal Metropolitano. dois m i l . na Beira. As Organizações Lopes & Irmãos têm a sua sede na Beira. que exportam para Inglaterra. em alvenaria. num esforço verdadeiramente heróico. na circunscrição de M A G A N J A DA COSTA. com capacidade para dois mil trabalhado- res. sucursais — a i n d a na Z a m b é z i a — em : M u r i r e . em : Baué. cerca de três mil e quinhentos contos anuais. Curvamo-nos em sentida homenagem a ele e seus irmãos. e é consumido pela Província. Chirombe. cuja vivacidade física e espiritual nos dá uma ideia do homem extraordinário que ele foi e ainda é. Sinjal e Chindio. teve quatro filhos : A R T U R . no GÚRUÈ. uma FÁBRICA DE C H Á . com vários andares. circunscrição de V i l a Junqueiro. A n t ó n i o Lopes. poder comuni- car com todas as suas filiais dispersas pelos Distritos da Zambézia e de Tete. Silva. anualmente. Possui assistência médica. Gasta com alimentação e assistência médica aos trabalhadores. Pinda. As duas empresas agrícolas de chá produzem. contribuíram para a civilização e progresso económico das terras de M o ç a m b i q u e ! — 208 — . Possui seis acampamentos nativos. no Distrito de M a n i c a e Sofala. um pequeno posto de rádio. o único pioneiro vivo. a organização possui as seguintes propriedades agrícolas : EMPRESA AGRÍ- COLA DE M E G A Z A . M o r r u m b a l a . A biografia destes pioneiros foi-nos contada por A n t ó n i o Lopes. bem como um «stand» de exposição de automóveis. A empresa criou. em N a n t e . A N T Ó - N I O . diariamente. FÁBRICA DE A R R O Z . A fábrica de arroz produz cerca de mil toneladas anuais. As Organizações Lopes Cr Irmãos ainda englobam Importação. f i l i a l em Megaza — Zambé- z i a . que de forma tão notável. Representações — Comércio Geral e A g r i c u l t u r a . dos três irmãos. Holanda. Paga em salários anuais : quinze mil e cem contos. Empregam cento e oitenta empregados europeus. Ao filho primogénito quis pôr o nome do seu amigo A r t u r Paiva Raposo — q u e foi gerente geral da SENA S U G A R — como prova de amizade e para o homenagear. Exportação. no Narre. co- nhecido pelo nome de Prédio M e g a z a . e nativos. A empresa também construiu um prédio na cidade da Beira.
Inicialmente. Conde de A l t o M e a r i m . iniciando-se a labo- ração em 1 9 5 1 . Teve como primeiro Director Técnico o Eng. Manuel José Lucas de Sousa. Carlos Duarte Silva. A primeira Administração era cons- tituída por três elementos : Miguel de Oliveira. Eng. um Director-Técnico. Manuel Joaquim Récio e M a x i m i a n o Baptista Leiria. Ao historiarmos a vida desta grande empresa.° Jorge Pereira J a r d i m . Dois anos foram necessários e gastos na construção da unidade f a b r i l . a cerca de 30 quilómetros da cidade da Beira — num local onde apenas existia pântano e f l o r e s t a — aí foi iniciada e erguida. Dr. em 1949. "LUSALITE DE MOÇAMBIQUE" Fachada principal da complexa fabril da LUSALITE Na vila do Dondo. pois o Dondo é um entron- camento ferroviário de m u i t a importância. Eng. servida por porto de mar demandado por barcos de todos os calados e de todas as nacionalidades.° José A b u d h a r a n Abecassis. Na actualidade. imprescindível se torna assinalar os nomes daqueles que mais de perto contribuíram para a sua concretização : Raul Abecassis. aquela que é hoje uma grande unidade fabril ao serviço da Província de Moçambique : a LUSALITE DE M O Ç A M B I Q U E . com ligações para todos os territórios circunvizinhos e a poucos quilómetros da cidade da Beira — centro geográfico de Moçambique.° José João Roque de Pinho e O t t o Barbosa da Silva.° Sousa Monteiro. a Lusalite tem uma A d m i n i s t r a ç ã o em Lisboa e um Administrador-Dele- gado no Dondo. que hoje estão totalmente utilizados pela empresa. feito pela «Cor- poração M e r c a n t i l Portuguesa» e pela «Sociedade Portuguesa de Fibrocimentos». a Lusalite principiou com um investimento de 60 mil contos. A escolha do local para este empreendimento foi propositada. exercido pelo Eng. a qual ocupa uma área de 5 000 000 de metros quadrados. — 209 — . M a x i m i a n o Baptista Leiria e um Director-Administrativo. que foram os fundadores do que viria a ser a «Lusalite de M o ç a m b i q u e » .
Armazéns da fábrica — 210 — . à base do fibrocimento — uma mistura sabiamente estu- dada de cimento e a m i a n t o desfibrado. reservatórios para água. desmontáveis e funcionalmente estudados para resolver. mobílias para j a r d i m . rega. A Lusalite u t i l i z a essas casas para habitação do seu pessoal menor. chapas onduladas. casas pré-fabricadas e armazéns curvos. higiénicas e refractárias ao calor ou ao f r i o . esgotos e drenagens. É interessante focar. são saudáveis. lisas e complementares de cobertura. imediatamente. O cimento utilizado é produzido na Província e os amiantos adquiridos na Rodésia. extraídos de minas de que a própria «Corporação M e r c a n t i l Portuguesa» é a proprietária. A seguir enumeramos alguns dos principais produtos fabricados pela Lusalite : Tubos para pressão. que as casas pré-fabricadas em fibroci- mento. resistentes ao sol e à chuva. a instalação do agregado f a m i l i a r . Aspecto interior da fábrica A Lusalite tem dedicado a sua actividade à fabricação de materiais de construção civil e artefactos de utilidade doméstica. de qualquer medida e capacidade.
com prémios pecuniários estabelecidos pela Administração da empresa. Laboratórios O bairro residencial da Lusalite ocupa cerca de 100 mil metros quadrados. embelezamento e conservação dos canteiros. bem como do aproveitamento dos quintais. Cuidado com gosto. arranjo no alinhamento. Casa do Bairro Operário — 211 — . pela profusão de flores. é um jardim pleno de cor. com vista ao melhor t r a t a m e n t o de relvados. num ambiente de tranquilidade repou- sante! O a r r a n j o dos jardins de cada residência é objecto de concurso a n u a l .
com salas de festa. Casa do Bairro Residencial No bairro vivem cerca de 300 pessoas. palco. No bairro. e outro constituído pela sede do movimento escutista. «Stand» de T i r o aos Pratos. Futebol. Parque I n f a n t i l . de Patinagem. Futebol de Salão. Ringue. Edifício da Sede do Clube — 212 — . Pingue- -Pongue. Patinagem A r t í s t i c a . Campo de V o l e i b o l . e um Campo de Aviação. Car- reira de T i r o ao A l v o . ainda. uma Escola de Pilotagem. Este possui Campo de Futebol. Na parte desportiva. praticam-se as seguintes modalidades : Hóquei em Patins. Ténis. Campo de Ténis. bar. funcionando como uma secção do Aero-Clube da Beira. ainda existem dois edifícios próprios para convívio social. V o l e i b o l . salas de bilhar e pingue-pongue. um acampamento permanente para as práticas escutistas. T i r o aos Pratos. de carácter particular. H á . T i r o ao A l v o . cinema.
oscilam entre os 30 e 40 mil contos. A empresa gasta em salários anuais. Sala de Jogas da Clube Os grupos desportivos da Lusalite têm conquistado numerosos troféus e taças. Quelimane e N a m p u l a . A Lusalite tem delegações em Lourenço Marques. Na área ocupada pela Lusalite há estradas que somam cerca de oito quilómetros. ganhas em competições em que têm participado. Vila Pery. além de numerosos agentes espalhados por toda a Província. com a Assistência Social. As vendas. A fábrica tem 400 empregados. mil e quinhentos contos anuais. sete mil contos. também anuais. cerca de 15 por cento destes estão ocupados na manutenção da Acção Social. Taças disputadas no Torneio de Tiro aos Pratos — 213 — .
Assim. a fábrica produz somente um pouco mais de um terço da sua capacidade. A visita. pois na Lusalite nada foi descurado. logo de início. com capacidade de produção tendo em vista um f u t u r o de maior expansão. Na actualidade. que m u i t o contribuirá para o progresso de Moçambique. pois foi construída. que fizemos a esta empresa. uma vasta acção de ccrácter social de repercussão presente e f u t u r a . de que «trabalha melhor quem vive melhor». deixou-nos as melhores impressões. Os seus dirigentes têm sempre presente o lema. realizando simultaneamente. a Lusalite de Moçambique desempenha um papel importantíssimo no desenvolvimento da economia moçambi- cana. sob todos os aspectos. longa e pormenorizada. — 214 — .
situada na Manga. A f i r m a pagou em salários. Desenvolvendo sempre uma grande actividade comercial. da Província. de roupas para se- nhora homem e criança. possuindo várias secções. LDA. os dois irmãos vão prosperando e aumentando as suas actividades.. para a ele se juntar. O que incitou José Lopes Bulha a vir conhecer Moçambique. consequentemente. do velho estabelecimento — d e um só piso de madeira e zinco. homem e criança. — 215 — . como eram todas as antigas construções — ergueram um prédio próprio. bem como a SOCIEDADE DE CONFECÇÕES DA BEIRA — i n t i m a m e n t e l i g a d a s — p o s s u e m a c t u a l m e n t e . que passou a denominar-se ALVES CORREIA & B U L H A . Assim. de que são proprietários. que se dedica ao comércio geral por j u n t o . criando novas organizações que. foram as boas referências que lhes haviam sido feitas na Metrópole. Edifício da CASA BULHA Criaram ainda uma outra f i r m a . Os irmãos Bulha criaram em 1950 a SOCIEDADE DE CONFECÇÕES DA BEIRA. consultórios médicos e «flats». de três andares. que foi inaugurado em 1952. cinquenta emprega- dos europeus e nativos cento e cinquenta. à cidade e à T r o v í n c i a trazem os benefícios de progresso e riqueza. fomentando riquezas com que t ê m contribuído para aumentar o progresso da ci- dade da Beira. com a intenção de se fixar. e cujo rés-do-chão ficou totalmente ocupado pelos Es- tabelecimentos Bulha. A f i r m a ALVES CORREIA & B U L H A . sua economia e.. com fabrica de contraplacado. os sócios fundadores da Empresa Portu- guera de Madeiras. igualmente. N u m a parte do primeiro andar do prédio ficaram os escritórios da f i r m a ALVES CORREIA & B U L H A . fixando-se na Beira no ano de 1926. não faltando a secção de perfumarias e do «pronto a vestir». onde são confeccionadas todas as confecções apresentadas nos seus estabelecimentos. modas e confecções para senhora. Em Dezembro de 1929. chegou à Beira seu irmão Manuel Lopes Bulha. e criaram uma nova f i r m a . Lda. LDA. Por estes números se concluiu do valor económico que representam as actividades dos irmãos Bulha. Os estabelecimentos ALVES CORREIA & B U L H A . Os restantes andares são ocupados por escritórios. entre elas. pró- ximo da Covilhã. LDA. Os irmãos B U L H A são. LDA. JOSÉ E MANUEL LOPES BULHA Os pioneiros JOSÉ e M A N U E L LOPES B U L H A são naturais da freguesia de Teixoso. LDA. que se encontrava quase em liquidação.. construído no coração da cidade. Em 1928. no ano findo — incluindo a fábrica de confecções — três mil e quinhentos contos. onde eram comerciantes. José Lopes Bulha foi o primeiro a vir pare a Província de Moçambique. LDA. possui ainda sucursais nas cidades de QUELI- M A N E e TETE. tomou a f i r m a CAEIRO. denominada BULHAS.
Em M a i o de 1 9 6 1 . f a c t o que significa uma valiosa contribuição ao nosso plano económico. trabalhando no fabrico de fios e cabos eléctricos apropriados para transmissão de luz e energia. sujeitos aos mais variados acabamentos. telefones e telecomunicações. e ainda. a CELMOQUE iniciou a sua prcdução. teve lugar a inauguração oficia!. Lda. como é digno de nota o seu moderníssimo complexo electromecânico. rádio e T. telégrafos. é notável. etc. — C A T — que a f u n - daram. automóveis. sinalização. para o que basta aientar-se no estancamento de divisas que a sua actividade representa para a Província.F.S.. Uma vez terminada a sua fase de fabrico e antes de serem enviados aos mercados. modernas e funcionais. Nasceu da compreensão e do espírito de iniciativa dos homens da Fábrica Nacional de Condutores Eléctricos — CEL — e Cabos Armados e Telefónicos. Vista parcial da fábrica " C E L M O Q U E " O conjunto arquitectónico das suas instalações. com a fábrica já em laboração. embora ainda em fase experimental. pois não goza de qualquer protecção. A CELMOQUE iniciou a sua produção com 15 máquinas fabris e grande número das mais diversas máquinas auxiliares e de oficina. embora simples. Construída no parque industrial da M a n g a . a CELMOQUE é uma empresa que se impôs no mercado moçambicano pelos seus produtos. Estes fios e cabos são revestidos a substâncias termo-plásticas sintéticas e conforme as exigências da sua aplica- ção. f "CELMOQUE" FABRICA DE CONDUTORES ELÉCTRICOS DE MOÇAMBIQUE A Fábrica de Condutores Eléctricos de Moçambique — C E L M O Q U E — é uma das mais modernas unidades industriais de toda a Província. a satisfação de fazer colocar em Moçambique pessoal especializado. passam por variadas provas de ensaio que confirmarão a sua — 216 — . contribuir para um Moçambique melhor. e assim. nem possui exclusivo para o caudal da sua produção. A sua contribuição para o equilíbrio da balança de Moçambique é importante. instalações térmicas. que veio criar raízes de f a m í l i a . Em 1960. reclames luminosos.
Pormenor da fabricação de cabos eléctricos 217 — . os mercados de Moçambique. a CELMOQUE dispõe de um laboratório equipado com o que há de melhor na técnica moderna. alta tensão. onde os seus produtos são submetidos a ensaios mecânicos. deste modo. Aspecto geral da secção de expedição eficiência. etc. de resistência de isolamento. com produtos de primeira qualidade. Para este f i m . resistência eléctrica. t é r m i - cos. A CELMOQUE está. inteiramente. equipada com condições de satisfazer.
Vendas anuais : entre doze e treze mil contos. férias pagas e no f i m de cada ano. Ténis e T i r o a Chumbo. na Beira. e as condições de reparação dos acidentes no trabalho. são das mais van- tajosas. que orçará por dois mil contos e a terceira e ú l t i m a fase. Equipa de futebol da fábrica " C E L M O Q U E " A CELMOQUE possui. — 218 — . Dada a fase de desenvolvimento e progresso que a Província atravessa. Por tudo quanto fica exposto. a fazem caminhar na senda do progresso. cuja iniciativa é um exemplo. que atingirá o valor de dois mil e quinhentos contos. a CELMOQUE pro- jecta ampliar as suas instalações fabris. Tal como as grandes indústrias europeias. A CELMOQUE tem delegações em Lourenço Marques e Quelimane. O Grupo Desportivo da Celmoque tem-se feito representar em diver- sas actividades desportivas : Futebol.° Borges Coelho. o Eng. Voleibol. Na laboração e outros serviços. Esta ampliação prevê-se rea- lizada num espaço de cinco anos. a CELMOQUE desenvolve uma acção social de grande valor. são-lhes atribuídas gratificações equivalentes a um mês de salário. A Administração é em Lisboa. constará de mais um pavilhão. As normas de segurança do pessoal são rigorosas. na Beira. e numa festa realizada para tal f i m . Despesa a n u a l . t a m b é m . a segunda. sem distinção de raças ou de credos. São realizações como esta. Essa ampliação fazer-se-á em três fases : a primeira. que valorizando c património da Província. em m u i t o . A l é m do fornecimento de fatos de trabalho a todo o pessoal f a b r i l . Os salários dos seus empregados. uma secção desportiva e recreativa. pelo N a t a l . os empregados t ê m direito a transporte em autocarros da empresa. num valor global de três mil contos. são distribuídos brinquedos aos seus filhos. e o Director Técnico. Futebol de Salão. t e m 50 empregados nativos e 25 europeus. O seu Director-Geral. com assistência médica aos empregados : cento e cinquenta contos. armazéns e expedição. com campos de jogos. com um grupo de cinco máquinas. são. sala de leitura e cantina. Salá- rios anuais despendidos : dois mil e quinhentos contos. superiores aos mínimos estabelecidos pelas leis em vigor. verifica-se que a CELMOQUE é uma empresa que se impôs pela qífalidade dos seus produtos. é A r t u r Silva de A l m e i d a M a r t i n s . A CELMOQUE exporta para a Á f r i c a do Sul e M a l a w i .
A. situada na Praça A l m i r a n t e Gago Coutinho. igualmente possui uma sucursal em Vila Pery. Foi na capital da Pro- víncia que iniciou os estudos tendo-os completado em Joanesburgo. a posição deste sócio foi tomada pela f i r m a de Lourenço Marques. CAR- V A L H O & C O M P A N H I A . iniciou a sua a c t i - vidade trabalhando em diversas firmas comerciais de Lourenço Marques até ao ano de 1929. Em 1940. e m 1930. — d o n o s da M I N E R V A C E N T R A L — pioneiros do livro em Moçambique. J. A pequena f i r m a nascida no ano de 1930 — h o j e denominada M. tendo a sua sede no Largo Luís de Camões. papelaria e equipamentos de Es- critório. Depois. — 219 — . onde tem os ramos de livraria. A finsna. LDA. altura em que veio para a cidade da Beira e se estabeleceu de sociedade com o pioneiro BEN- J A M I M Z A F R A N Y . onde se encontram as secções de t i p o g r a f i a . material fotográ- fico e escolar. SALEMA & C A R V A - LHO. todo? na primeira infância. PIONEIRO MANUEL XAVIER DA GAMA LOBO SALEMA MANUEL XAVIER DA GAMA LOBO SALEMA no seu gabinete de trabalho O pioneiro M A N U E L X A V I E R DA G A M A LOBO SALEMA nasceu em Lisboa e veio para Lourenço Marques com seus pais e irmãos. ocupando uma vasta área do prédio da Associação Comercial da Beira. e da sucursal. LDA. — converteu-se na florescente organização que hoje é.
é genro de M A N U E L SALEMA. SALEMA & CARVALHO» M A N U E L X A V I E R DA G A M A LOBO S A L E M A casou com uma filha do seu primeiro sócio. o pioneiro B E N J A M I M Z A F R A N Y — q u e viera para a Beira nos finais do século passado — aqui tendo nascido dele três qeracões. que a Moçambique e ao seu progresso tem dedicado toda uma v i d a ! — 220 — . A q u i arquivamos —a traços l a r g o s — a obra de um pioneiro. Um aspecto do estabelecimento da moderna livraria «M. um dos actuais sócios da f i r m a . Hoje. JOSÉ G O N Ç A L - VES.
Na nova f i r m a . na circunscrição de C H E R I N - GOMA. pois quando abandonou a casa paterna. LDA. no comércio geral. a oitenta quilómetros da cidade da Beira As suas instalações são modelares. a sua f i r m a associa-se a um cidadão italiano. só é substituído. a serração pcssa a ser t o t a l m e n t e da sociedade CARDOSO. As Serrações do Inhansato estão instaladas em plena floresta. que possuía uma serração. à indústria de madeiras. como empregado da firma «F. até que em 1919 veio de abalada a t é Moçambique. em 1937. tractores. o sócio Diamantino Galamba Vieira. L. — 221 — . LDA. leva a sua sociedade comercial a dedicar-se. que ainda hoje existe em florescente laboração. saindo para se estabelecer no comércio. a l t u r a em que é criada a nova f i r m a denominada SERRAÇÕES DO I N H A N S A T O . LOPES. Aí permaneceu durante seis anos. Simões & Companhia». para ir em busca de melhores e mais rasgados horizontes onde o seu precoce espírito empreendedor começava já a demonstrar o que viria a ser. Em 1945. LDA. sempre activo e empreendedor. em que toma o seu lugar. j u n t a m e n t e com outro pioneiro — J O S É C A R D O S O — nascendo assim a f i r m a CARDOSO. C A E T A N O LOPES. t i n h a apenas 12 anos! Aí trabalhou e estudou. cada uma delas. em direc- ção à capital do Império. Após onze anos dedicando-se ao comércio. ingleses residentes na Á f r i c a do Sul. caterpilares e outros maquinismos. que cedo deixou. Assim.. quando vai de férias para a Europa.ndo-se na Beira. sua aldeia. formando. — nome que lhe é dado pelo local onde existe. e à frente dela. laborando com ele cerca de três anos. Nas suas funções de gerente. t a m b é m . Caetano Lopes. Caetano Lopes.. tal qual como anteriormente. LOPES. onde pulsa um r i t m o febril e constante de t r a b a l h o ! As serrações situam-se nas terras do «RÉGULO G A L I N H A » . possuindo dezenas de camiões. sendo um dos sócios principais. ligaram-se à serração. terra metropolitana. Após esse período. continua a exercer as f u n - ções de gerente. gerindo-a. coloa. CAETANO LOPES O pioneiro C A E T A N O LOPES nasceu na Sertã.
produzidas nas melhores madeiras. que a m u t i l a . e tendo seis empregados mistos e cinco europeus. Todo o pessoal está bem instalado. As suas concessões flores- tais são. além dos Caminhos de Ferro de Moçambique e da Trans-Zambezia Railways. todos os dias se arranca riqueza à floresta imensa. São despendidos em salários anuais. As Serrações do Inhansato possuem escritórios na Beira e em Joanesburgo. t a m b é m . que homens como o pioneiro C A E T A N O LOPES se prendessem às belezas das terras de Moçambique. e o restante gasto na Província. Alemanha. uma escola. fonte de inesgotável beleza e riqueza imensas. tendo um médico privativo e enfermeiros. construídas com toda a segurança. fazendo-o esquecer a civilização! Nas Serrações do Inhansato. As Serrações do Inhansato são especialistas no fabrico de travessas para os caminhos de ferro e «parquet». grandes e importantes empresas da Beira. Cada aldeia possui. e em assistên- cia médica. que são. fica ainda plena de seiva e de arvoredo. de cerca de oitenta quilómetros quadrados. Na Europa. ao mesmo tempo. possuindo cada aldeia um posto de socorros perma- nente. e que. e t c . alimentação. A empresa fornece. Oitenta por cento da sua produção é exportada. em casas tipicamente construídas de madeira. cujas frequências oscilam entre setenta e oitenta alunos. Não nos a d m i r a . Rodésia e Á f r i c a do Sul. mesmo assim. que oscilam entre seiscentos e m i l . que o deixaria maravilhado. utilizando pontes de madeira. e qualquer europeu ali passaria umas óptimas férias. em contacto com a beleza selvagem da floresta. que extasiam e prendem aqueles que com ela tomam contacto! Assim. Por dentro. mil trezentos e oitenta e cinco contos. que não se cansa de dar-se ao homem. são confortáveis. C A E T A N O LOPES tem já uma permanência na Província de cinquenta e um anos. em plena região florestal de M a n i c a e Sofala. que o seu génio empreendedor e trabalhador. sendo servidas por mais de duzentos quilómetros de estradas bem traçadas. vestuário. aproximadamente. dois mil oitocentos e quarenta contos. ajudou a progredir e a civilizar! — 222 — . que fazem lembrar as construções de alguns países europeus onde caem grande nevões. A empresa tem ao seu serviço operários nativos. fornece para : Inglaterra. Irlanda e Holanda. Aos empregados é dada toda a assistência médica.
a ele se deve a criação dos Serviços de Viação denominados « A U T O - -TRANSPORTES.I N D U S T R I A L . O edifício tem seis andares. tendo vindo para a Beira no ano de 1936. situada no 5. que se dedica à cons- trução civil. dotando- -a com uma magnífica unidade hoteleira. criou uma sociedade destinada à explo- ração de madeiras. Lda. c que foi dado o nome de «SOCIEDADE DE SA- FARIS DE M O Ç A M B I Q U E . que lhe fizeram alcançar uma posição de destaque na Província. » . de linhas modernas e todos os requisitos modernos. fez progredir as suas activida- des comerciais. a riqueza cinegética de M o ç a m b i - que. f u n - cionando todas as noites. com a finalidade de agrupar as várias coutadas existentes no Distrito de M a n i c a e Sofaia. tendo em vista dar um maior incremento ao Turismo Cinegético e levar ao conhecimento dos grandes centros europeus e americanos. Situado no centro da cidade.° andar. trabalhando com afinco. neste distrito. que é o HOTEL E M B A I X A D O R . Desenvolvendo notável actividade. SAUL BRANDÃO SAUL B R A N D Ã O é natural de A r g a n i l . Igualmente foi o f u n - dador da f i r m a « A U T O . após o que se dedicou ao comércio. tendo Saul Brandão sido convidado para exercer as funções de Administrador-Delegado dessa organização. e em conjunto serem administradas. » . nomeadamente. L D A . Também o maior hotel da cidade da Beira é um empreendimento de Saul Brandão. colo- cando-se como funcionário da C O M P A N H I A DE M O Ç A M B I Q U E . » . ampla sala de jantar. que se dedica ao ramo de automóveis. Fundou ainda uma nova organização. onde permaneceu alguns anos. L D A . denominada Sociedade de Transportes Lenha. dedicadas aos SAFARIS. assim como fundou também a f i r m a denominada «PREDIAL U L T R A M A R I N A » . Juntamente com portugueses residentes na Beira. — 223 — . bem como o bar e salas de leitura. posição con- quistada com o seu esforço e dotes de carácter. que servem a área urbana da cidade e seus bairros suburbanos. Pleno de iniciativa. uma acolhedora «boite». L D A . para bem servir aqueles que visitam a Beira.
0 HOTEL E M B A I X A D O R abriu as suas portas a 13 de Agosto de 1958. Bar do Hotel Embaixador — 224 — . O belo edifício do Hotel Embaixador Ao HOTEL E M B A I X A D O R ficam ligados muitos dos actos sociais da cidade. E porque t e m interesse biográfico. almoços. «cocktails» e com grande movimento de viajantes em trânsito. jantares. vamos falar de alguns hotéis que existiram na Beira de outros tempos — pois foi sempre um centro de grande movimento de viajantes em trânsito que o seu porto de mar e as várias terminais de linhas férreas fizeram convergir. pois é nas suas salas que se realizam com bastante frequência.
Os hotéis mais antigos e de fama foram o «QUEENTS HOTEL» — talvez o maior de há cinquenta anos. possuía três andares! — e o « V I T O R I A HOTEL». de ano para ano. «ROYAL HOTEL» com tradições na Beira de há meio século — 225 — . cresce e embeleza-se. que aqui se f i x a r a m . Saul Brandão pertenceu também ao Conselho Legislativo de Moçambique. como Saul Brandão. que apesar de ser de madeira e zinco. graças ao esforço de um punhado de portugueses de rija têmpera e espírito progressivo e empreendedor. existindo na mesma época. do qual oferecemos uma imagem. A l é m de ter sido o Presidente da Associação Comercial da Beira. Saul Brandão faleceu quando esta obra se encontrava no prelo. A Beira. onde participou activamente. cujas iniciativas ficam ligadas ao seu nome e ao progresso da Beira.
José Alexandre Marques. Saul Brandão. Fernando Ferreira Duarte. Eng. COMPANHIA DE SEGUROS "A MUNDIAL DE MOÇAMBIQUE" ALGUMAS NOTAS SOBRE A FUNDAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DA COMPANHIA O moderno edifício da Companhia de Seguros «A MUNDIAL DE MOÇAMBIQUE» Por escritura pública lavrada em 12 de Dezembro de 1956. Saul Brandão. Com a orientação de «A M u n d i a l » . Caetano Lopes.° Fernando Frade. Gastão de M o u r a . A l b e r t o Alves. M a r i n o Moreira e Eduardo Ferreira. Eng. Eng.° Jorge Pereira Jardim. D i a m a n t i n o Galamba V i e i r a . Dos seus Conselhos de Administração têm f e i t o parte : Eng.° Fernando A n t ó n i o da Veiga Frade. deu a ainda jovem Companhia os seus primeiros pas- sos no ano de 1957 que constituiu o seu primeiro exercício. A n t ó n i o Queirós da Cunha e Manuel da M a i a Júnior. foi definitivamente constituída a Companhia de Seguros «A M u n d i a l de Moçambique» e foram seus accionistas fundadores a Companhia de Seguros «A M u n d i a l » . M a n u e l da Veiga Frade.° Jorge Jardim. — 226 — . Manuel Frade. os senhores D i a m a n t i n o Galamba V i e i r a .
E é à competente administração destes homens que a Companhia deve não só o extra- ordinário desenvolvimento que se vem processando através dos seus 13 anos de idade como o enorme prestígio que goza no mercado segurador de Moçambique. Inhambane. em empréstimos para construções. destinar 2 0 0 0 contos de capital (exercício de 1963 e 1964) para amortizar o capital ainda não realizado pelos se- nhores accionistas. onde está instalada a sua sede na Beira e poder afirmar que. Poderá. — 227 — . com a distribuição de d i v i - dendos (a partir de 1961). com efeito. se atentarrmos em que até hoje foram reguladas indemnizações em montante superior a 70 000 contos e as suas reservas técnicas ultrapassam os 50 000 contos. Vila Pery. fazer- -se u m a ideia do que tem sido a evolução de "A Mundial de Moçarmbique». «A M u n d i a l de Moçambique» dá trabalho a muitas dezenas de portugueses. E assim se pensa conseguir a liberação das acções. foi possível j á . Queli- mane e N a m p u l a . Sem prejuízo para a justa remuneração do capital accionista. orientação que aliás foi tomada desde o começo. E é conso- lador ver hoje o imponente e moderno imóvel. cria a confiança de todos os seus segurados. concedeu a Companhia aos inúmeros mutuários mais de 50 OCO contos. «A M u n d i a l de Moçambique» aqui tem aplicado todas as suas reservas. espalhados por toda a Província. contribuindo para o seu progresso económico. mercê de sóiida administração. Correspondendo cabalmente à esperança com que Moçambique viu constituir mais uma companhia. Na sua sede e nas suas delegações de Lourenço Marques. e através de uma rede de agentes idóneos.
foram em 1958-59. Para a presente campanha estão cultivados 7 mil hectares. mas feita sem continuidade e não apoiada numa organização agro- -industrial que lhe assegurasse o êxito. Nos mesmos períodos. Em 1968-69. do Continente Africano. sendo uma Sociedade A n ó n i m a . substituto da j u t a . que se dedicaria ao fabrico de artefactos de j u t a e fibras similares. houve anteriormente à existência da Companhia. o kenaf. dando realidade a essa sugestão. desde a campanha de 1958-59. o que constitui a maior área de cultura deste tipo. na Beira. Em relação ao kenaf. onde desenvolve a cultura de sucedâneos da j u t a . Distrito de Manica e Sofa'a. A fábrica iniciou a sua labo- ração em 1958. As áreas cultivadas para produção da fibra e semente. foi quem promoveu o início da expansão das fibras que hoje tem Moçambique. Vista geral da fábrica — 228 — . nomeadamente o kenaf. as suas instalações na M a n g a . O grupo CUF. que teve início em 1956. num total de 524. COMPANHIA TÊXTIL DO PÚNGUÈ A C O M P A N H I A T Ê X T I L DO PÚNGUÈ surgiu de um desejo manifestado pelo Governo. A Companhia dispõe de uma exploração agrícola no Vale do Púnguè. que foi de cento e sessenta e três hectares. apenas um europeu. nomeada- mente naquelas regiões mais propícias a determinadas culturas. que é o centro da sua produção de fibras. o número ascendeu a 121 agricultores europeus e 403 africanos. entre elas. uma tentativa para lançar a sua produção. estando apetrechada com a mais moderna maquinaria de fiação e tecelagem. ocupando uma área t o t a l . que é de grande alcance e valor económico. resolveu criar a C O M P A N H I A T Ê X T I L DO PÚNGUÈ. por agricultores estranhos à Com- panhia. feito aos industriais metropolitanos para criarem grandes indústrias em Moçambique. têm evoluído consoladora e progressivamente. de doze mil metros quadrados. A C O M P A N H I A T Ê X T I L DO PÚNGUÈ t e m agricultados 4 6 0 0 hectares de cultura anual. A C O M P A N H I A T Ê X T I L DO PÚNGUÈ aproveitando a experiência que o grupo CUF já tinha adquirido em A n g o l a . Em 1957 teve início a construção da fábrica. agricul- tores interessados.
já o maior produtor africano em cultura planificada. ao integral abastecimento de Moçambique. Os sacos de j u t a — o u dos seus similares e d e r i v a d o s — constituem a embalagem mais corrente e própria — p o r t a n t o a mais procurado e u t i l i z a d a — para o transporte e comerciali- zação de uma enorme e variada gama de produtos. pilosos. a esta d a t a . é o primeiro produtor de kenaf do Continente A f r i c a n o . Brasil e. com seguras possibilidades de garantir o abastecimento de matéria-prima à nossa indústria têxtil de sacarias e grossarias e de vir a tornar-se um sólido esteio de exportação. A fibra encontra-se encerrada na casca que envolve o caule. que dela carecem. Egipto. podendo atingir quatro metros de a l t u r a . do kenaf. L . Planta herbá- cea. dado que Moçambique. O kenaf —Hibiscus cannabirtus. sendo o mais generalizado. mais ou menos lisos. conforme a variedade e época de sementeira. Cuba. nomeadamente os agrícolas. em Moçambique. indistintamente. A sua realização teve lugar de 29 de Março a 3 de A b r i l de 1965. importados na sua totalidade. Parece-nos interessante darmos aqui uma explicação sumária do que é o kenaf e qual o seu valor económico. Espa- nha. Originário da índia. com pare- ceres técnicos sobre a escolha de terrenos e aquisições de alfaias e fornecimentos de sementes comprovadas. com visitas repetidas aos agricultores. como por meio de difusão de instruções escritas sobre métodos de cultivo. prevendo hoje. teve a participação de t r i n t a e oito delegados. o auxílio financeiro prestado pela C O M P A N H I A T Ê X T I L DO PÚNGUÈ a todos os agricultores. ainda. Esta reunião. praticamente. com o seu conjunto agro-industrial. — 229 — . principalmente na Tailândia (designado por j u t a do Sião). de fácil adap- tação às diversas regiões da Província. V i e t n a m e . modificou essa situação nitidamente desfavorável. Por estes dados se conclui que a C O M P A N H I A T Ê X T I L DO PÚNGUÈ tem sido a fomen- tadora da cultura das fibras têxteis — p r ó p r i a s para o fabrico de s a c a r i a — nomeadamente. simples. O kenaf constitui um valor económico de grande interesse para Moçambique. onde encon- tra condições ecológicas ideais para a sua cultura. Rússia. agora. representando treze países e três con- tinentes. Os sacos de j u t a eram. A cultura do kenaf em Moçambique apareceu como um substituto da j u t a . não só através dos seus serviços de assistência técnica. da Pe- nínsula Industânica — a índia é o maior produtor mundial. Coube à C O M P A N H I A T Ê X T I L DO PÚNGUÈ realizar e promover em Moçambique e no cidade da Beira. influência decisiva. na expansão da c u l t u r a . Caules erectos. a « I V R E U N I Ã O DA COMISSÃO T É C N I C A DO INSTITUTE EUROPEAN POUR L'ÉTUDE DES FIBRES INDUSTRIELLES». China. o de maceração bacteriológica. desenvolvendo-se entre oitenta a cento e cinquenta dias. até há meia dúzia de anos. a primeira realizada no Continente A f r i c a n o . Tem tido. Um aspecto parcial do complexo fabril A C O M P A N H I A T Ê X T I L DO PÚNGUÈ. sendo extraída por diferentes processos. Pérsia. — pertence à família das malváceas. anual. o kenaf cultiva-se em diversas regiões do mundo. que pode ter lugar em qualquer exploração agrícola. e constituiu uma jornada plena de interesse.
Em primeiro lugar mencionamos o DR. sendo setenta e dois mil na parte industrial e vinte e oito mil no sector agrícola. de cultura f á c i l . o kenaf garante largas perspectivas. Facilmente adaptável a uma grande variedade de condições ecológicas. o kenaf pode considerar-se a cultura f a m i l i a r ideal. FREDERICO DA CRUZ RODRIGUES — o Presidente Outra secção de tecelagem —• Tear automático — 230 — . Secção de tecelagem da fábrica A importância do kenaf justifica-se na medida em que se t r a t a de uma planta boa produtora de fibra e menos exigente. para o agricultor autóctone. A Companhia eleva a sua produção anual de artefactos a oito mil e quinhentas toneladas. cujos nomes é justo salien- tar. pela facilidade e natureza que requer. m u i t o resistente a pragas e doenças — o kenaf garante ao agricultor uma certeza de êxito. para o pequeno agricultor. Os seus investimentos actuais são de cerca de cem mil contos. Tem ao seu serviço cento e dez empregados europeus e três mil operários africanos. dispondo de meios que permitam uma mecanização quase t o t a l . em solo e clima. que a j u t a . À frente desta grande organização encontram-se dois obreiros. é uma rentabilidade assegu- rada. Ao agricultor evoluído. Consome nove mil toneladas de fibra por ano. A cultura do kenaf é do mais alto interesse para a lavoura de Moçambique.
° A N T Ó N I O SEROMENHO. orientando e conduzindo a Companhia durante os primeiros anos da sua actividade.do Conselho de Administração da C O M P A N H I A T Ê X T I L DO P Ú N G U È — que presidiu aos a l i - cerces da sua fundação. Por tudo quanto fica exposto se verifica que a C O M P A N H I A T Ê X T I L DO PÚNGUÈ — pioneira neste s e c t o r — é uma grandiosa realidade ao serviço da economia da Província de Moçambique e de todo o território nacional. o Eng. que exerce as funções de A d m i - nistrador-Delegado. — 231 — . Na Beira.
Com doze anos foi para Paris com seus pais. por sua exclusiva iniciativa. Após dois anos de laboração. fez os seus estudos. j u n t a m e n t e com mais três. e em breve será para quase todo o mundo. » . bem como muitas outras matérias-primas produzidas em Á f r i c a . vizinhos de Moçambique. na capital da França. Desde que a sua organização. as madeiras. nasceu na Ilha de Rhodes. c fábrica exporta para alguns países africanos. onde t i n h a f a m í l i a . Não gostando do ambiente. já não como m a t é r i a . L D A . com carác- ter experimental. eram exportadas em bruto —e ainda s ã o — enquanto que o «parquet» segue pronto a ser aplicado sem a necessidade de mais manufacturação. — 232 — . SAMI COEN decide-se a ir até à Rodésia do Sul. onde se f i x a r a m . Para mais amplo conhecimento das vantagens que advêm da sua exportação. organização que fundou j u n t a m e n t e com alguns portugueses residentes na Beira.p r i m a . Em 1939. e de tal modo lhe agradou o ambiente português. A fábrica foi dado o nome de « M O Z A M B O » e ao «parquet» a marca de «PARQUET M O Z A M B O » . que o decidiu a fixar-se em Moçambique.. e t a m b é m para a Europa. S A M I COEN dedicou-se à indústria da madeira. tendo-se associado em 1942 à f i r m a SERRAÇÃO DA COTA. SAMI COEN no seu gabinete de trabalho De então para cá. LDA. é interessante esclarecer que as encomendas de «parquet» vão directas e acabadas para os mercados consumi- dores europeus. Em 1960. SAMI COEN S A M I COEN. vai para a cidade da Beira. A serração situa-se na circunscrição de Cheringoma. onde rapidamente faz amizades. cidadão italiano. fundaram a Fábrica de Contra- placados em 1955. cuja a l t a qualidade de madeiras com que é produzido lhe confere a posição de ser considerado como um dos melhores do mundo. e aí. na cidade da Beira. iniciou a construção de uma fábrica de «parquet» — de que é proprietário ú n i c o — tendo começado a laboração da mesma em 1963. Em épocas recuadas. SAMI COEN passou a dedicar-se à indústria dos contraplacados. denominada" «INDÚSTRIAS PORTUGUESAS DE M A D E I R A . e onde permanece alguns me- ses.
Esta organização participou na Feira Internacional de M i l ã o de 1964. e as suas instalações fabris ocupam uma área de dois hectares. igualmente com tendência para aumentar. com certezas de aumento para os próximos anos. — 233 — . e que c tornou um pioneiro no sector das suas actividades industriais. A sua produção anual está prevista para duzentos mil metros quadrados. onde obteve grande êxito. sendo a área coberta de quatro mil metros quadrados. Vista aérea das instalações da M O Z A M B O Os salários despendidos anualmente pela organização elevam-se a dois mil e quatrocen- tos contos. A fábri ca « M O Z A M B O » emprega duzentos operários nativos e doze europeus. Deste resumo da vida e actividade do pioneiro SAMI COEN se conclui rapidamente da sua notável contribuição para o progresso e enriquecimento da Província de Moçambique.
L D A . uma serração no Panja. que se havia deslocado à Província de Moçambique. possuindo. Foi em A b r i l de 1955 que f o i . LDA A f i r m a INDÚSTRIAS PORTUGUESAS DE M A D E I R A S . É evidente que tal processo. f i n a l m e n t e . ampliando mais tarde. LDA. com a presença do Senhor M i n i s t r o do U l t r a m a r . carpintaria e marcenaria mecânicas. dotar a Província de uma u n i - dade industrial cuja lacuna estava por preencher. tem as suas instalações f a - bris de folheados. L D A . por seu t u r n o . apenas possuía a carpintaria e mobiliário. » .» e «ALVES CORREIA & B U L H A . trazendo imensos inconvenientes. a « I P M A L » é uma pioneira. L D A . Vista geral da « I M P A L » A empresa surgia da feliz iniciativa das firmas «MADEIRAS C O L O N I A I S . A "IMPAL" — INDÚSTRIAS PORTUGUESAS DE MADEIRAS. a dez quilómetros da cidade da Beira. No seu género. Esta empresa foi criada no ano de 1948 — em cuja primeira fase de organização. LDA. » . » . inaugurada a fábrica de contraplacados. com as secções que hoje possui. com o seu empreendimento. «SERRAÇÃO DA D O T A . concelho do Búzi. — 234 — . que. devolviam a madeira trabalhada. além de anacró- nico. A t é então. contraplacados. que pretenderam. bem como a serração do Panja. «EXPLO- RAÇÃO FLORESTAL DA BEIRA. t a m b é m . os toros de madeira eram exportados para a Rodésia e Á f r i c a do Sul. no Búzi. era anti-económico.
Despende com a assistência social e médica. em ligação com o Caminho de Ferro da Beira e a Trans-Zambezia Railways. a Alemanha e a Inglaterra. pois igualmente exporta madeiras para os países africanos. Está inteiramente equipada com maquinaria de origem alemã. o que estimulou o progresso nos ramos de carpintaria naval e civil. assim como a fabricação de mobiliário. No Distrito de M a n i c a e Sofala. sendo uma grande parte coberta. para o progresso e desenvolvimento não só deste distrito como de toda a Província de Moçambique. sendo considerada. A l é m de satisfazer as exigências do mercado interno. instalações de vapor e t r a t a m e n t o de águas. que até então permaneciam desconhecidas no seio da floresta. A fábrica e suas instalações possuem uma área de cem mil metros quadrados. acidentalmente tem ex- portado para as Ilhas Maurícias e a Bechuanalândia. a « I P M A L » veio incentivar de forma notável. fornecem. vizinhos de Moçambique. a « I P M A L » exporta em grande escala para a Rodésia. do mais recente fabrico. dispondo de instalações para europeus e nativos. com enfermeiros permanentes. no género. trezentos contos. e um desvio privativo. a mais importante unidade industrial ao Sul do Equador. No campo social. A i n d a dentro do plano de assis- tência. a empresa possui escolas para os operários indígenas. principalmente. Possui um posto de socorros. Malawi e Suazilândia. Criando a indústria de contraplacados. a empresa tem desenvolvido grande acção. Na Euro- pa. a n u a l . anualmente. Á f r i c a do Sul. de salá- rios. Paga. a « I P M A L » veio contribuir em grande escala. isto no que diz respeito a contraplacados. a quem é dada toda a assistência médica e englobadas as respectivas f a m í - lias. — 235 — . Capitais investidos : t r i n t a mil contos. A « I P M A L » possui central eléctrica privativa. Um aspecto da serração A empresa emprega cerca de mil operários nativos e t r i n t a e cinco empregados europeus. tornando possível o aproveitamento e divulgação de espécies. rico de potencialidades de vária espécie. Z â m b i a . a construção civil. seis mil e quinhentos contos. de madeiras serradas. de ensino g r a t u i t o .
no f u t u r o . com tendência para aumentar. tendo-se formado err Engenharia C i v i l . ENG. toda a produção é para abastecer a Província. No ano de 1944 veio para Moçambique. durante cerca de três anos. com uma secção especializada em elaboração de projectos e cálculos. Um pormenor da fabricação de plásticos Neste género de indústria.° João Meneneses Caiado Cabral nasceu na Ilha da M a d e i r a . Em 1962. ficando-se a dever esta iniciativa ao Eng. a FÁBRICA DE PLÁSTICOS DE M O Ç A M B I Q U E é a pioneira no Distrito de M a n i c a e Sofala. e possuindo. Paga de salários anuais. na Faculdade de Engenharia do Porto. Tem ao seu serviço sete empregados europeus e vinte e sete em- pregados nativos. para prosseguir nos seus estudos. com uma área de dois mil metros quadrados. para onde veio contratado pelo Gabinete de Estudos do Plano de Urbanização da Beira. Por enquanto. para a expansão da f á b r i c a . Terminado esse con- t r a t o foi chefiar a Repartição Técnica da Câmara M u n i c i p a l . na linda povoação de Santa Cruz. A sua pro- dução anual é de cerca de três mil contos. Em fins de 1965 foi montada uma nova linha de fabrico. Em 1949 montou um escritório técnico de engenharia. cerca de seiscentos e cinquenta contos. o Eng. uma área de terreno de seis mil metros. ferramentas e moldes. e outra secção de empreitadas de construção civil.° João Meneses Caiado Cabral. Esta possui três secções de fabrico : e x t r u z ã o . em continuação. da secção de extruzão. — 236 — . a fábrica tem empregado em máquinas. inaugurando a sua fábrica de plásticos. fixando-se na cidade da Beira. para fabricar folha plástica para a confecção de sacos. A c t u a l m e n t e .° João Cabral deu realidade a um seu empreendimento industrial de grande interesse económico. que exerce ainda o cargo de vice-presidente da Associação Comercial da Beira e a gerência de algumas firmas comerciais. o capital de três m i l e seiscentos contos. Cedo p a r t i u para a Metrópole. injecção e soldagem a alta frequência.° JOÃO MENESES CAIADO CABRAL O Eng.
foi para a cidade da Beira gerir a sucursal da f i r m a . Alguns anos depois. com a idade de 16 anos. tendo vindo para Moçambique em 1922. A l é m desta. Na capital. em três horas. No ano seguinte. passando a denominar-se « V U L C A N O M E R C A N T I L . j u n t a - mente com outros sócios. então.». à qual deu grande impulso. indo depois para a sede da f i r m a . o pioneiro Carlos Ferrão é sócio da f i r m a beirense «CASA N O V A . A t é 1924 manteve-se a trabalhar com seus tios. a sua ida para Moçambique foi proposta por eles. levava. associou-se a uma f i r m a já existente. LDA. foi estar isolado pelas águas. durante dois meses. a l t u r a em que pediu a demissão do seu lugar para se estabelecer. que deixou de pertencer à f i r m a de Lourenço Marques. duas vezes! Carlos Ferrão é mais um pioneiro de vontade férrea. » . Carlos Ferrão comprou a sucursal. onde permaneceu até Dezembro de 1938. LDA. Lda. uma indústria na Beira. Durante a sua longa permanência em Moçambique — 4 5 a n o s — apenas se deslocou à Metrópole. colocou-se na f i l i a l de Inhambane da f i r m a lourenço-mar- quina «Delagoa Bay Agency». devido às cheias de verão. a que foi dado o nome de « F U N D I Ç Ã O DA BEIRA. que iniciou a sua laboração no final desse ano. Em 1925 colocou-se numa f i r m a — e n t ã o i n g l e s a — «Delagoa Plantations». em férias. L D A . Carlos Ferrão. hoje m u i t o conhecida. três dias! O baptismo no mato. que tem contribuído para o pro- gresso e valorização da Província de M o ç a m b i q u e ! — 237 — . Em 1965 f u n d o u . Situava-se no Bilene — h o j e local f a m o s o — cujo percurso entre a capital da Província e o Bilene se faz. sempre fremente de actividade. que então t i n h a m criado naquela cidade. Como tinha em Lourenço Marques uns tios. que o colocaram numa propriedade agrícola que possuíam conjuntamente com uma can- tina. CARLOS FERRÃO O pioneiro Carlos Ferrão nasceu em Lisboa. aí se conser- vando até 1928.». Em Janeiro de 1955. a Agência Mer- c a n t i l . onde se conservou até 1947. deste pioneiro. actualmente..
índia. Em 1912. A R M A N D O DIAS M O N T E I R O foi mandado por seu pai para Bombaim. O primeiro emprego que teve A r m a n d o Dias M o n t e i r o foi no National Bank of South A f r i c a . hoje o actual Barclays Bank. onde frequentou uma escola. onde seu pai se tinha fixado. em 1928. Ao f i m de um ano ingres- sou na Companhia de Moçambique. ao f i m dos quais veio para a cidade da Beira. próximo da Fi- gueira da Foz. 0 Cinema Nacional da Beira — 238 — . Seu pai veio para Moçambique nos princípios deste século. í' ARMANDO DIAS MONTEIRO O pioneiro A R M A N D O DIAS M O N T E I R O nasceu na freguesia de Lavos. onde se manteve até se dedicar ao ramo de exploração de cinemas. tendo tido outros empregos. ali permanecendo três anos. um dos quait foi na f i r m a East A f r i c a Shiping Agency. na secção comercial.
que vive na Beira há quarenta e oito anos. que em 1957 decidiram fundir-se numa só organização. de nome PARASKEVA — construíram um cinema a que foi dado o nome de SÃO JORGE». na Beira. tendo sido ele quem trouxe à Beire o primeiro filme sonoro. de que ele foi um dos principais obreiros. e adaptando. A vida do pioneiro A r m a n d o Dias M o n t e i r o está ligada à história das empresas explorado- ras de cinema. um dos quais é o pioneiro A r m a n d o Dias M o n t e i r o . LDA. um grupo de cidadãos gregos. já com condições próprias. e por ele explorado. a Empresa de Edificações da Beira. umas dependências da Câmara M u n i c i p a l . explorado pelo pioneiro A n t ó n i o Moreira. constituído por seis irmãos — j á naturalizados portugueses. Na mesma época do cinema «Olympia» existia o cinema «Excelsior». respectivamente. Lacerda. que continuou com o mesmo nome. chamado RIO RITA. Também foi edificado um pequeno cinema. Nessa a l t u r a . Foi então que A R M A N D O DIAS M O N T E I R O se decidiu a adaptar o Pavi- lhão de Desporto do Sport Lisboa e Beira. Existiu no mesmo local onde hoje se situa o C I N E M A O L Y M P I A . existiam na Beira três empresas exploradoras. mais tarde. Lda. O primeiro ardeu em 1918. de belas linhas arquitectónicas. legadas pelo pioneiro Dr. Alguns anos depois. sendo então explorado pelos pioneiros — j á f a l e c i d o s — Barreiros e Crusse Gomes. Esse cinema veio a arder no ano de 1 9 3 1 . em 1954 e 1956. O moderno Cinema S. Na mesma altura. a que foi dado o nome de N A C I O N A L . o «Edison Hall». Os primeiros cinemas que existiram na Beira foram o «Vitoria Hall» e o «Edison H a l l » . com capacidade para cerca de mil e duzentos lugares. feito em moldes modernos. e onde se mante ve até 1940. e foi mais tarde adaptado para uma dependência dos Correios. — 239 — . Essa organização é dirigida por três representantes dos capitais investidos. que funcionou num prédio a n t i g o . que foi inaugu- rado em 1942. O SÃO JORGE e o N A C I O N A L foram inaugurados. Em 1942 outro cinema foi inaugurado —o C I N E M A REX — hoje também convertido em repartições dos Correios.» que administra todos os cinemas existentes. a que deram o nome de «CINEMAS DA BEIRA. Jorge Assim. ano em que iniciou a construção do actual C I N E M A O L Y M P I A . a cidade ficou privada de cinema durante seis meses. para exibição de filmes. e era construído de madeira e zinco — u m b a r r a c ã o — e a sua cons- trução fora feita em 1 9 0 1 . proporcionando aos bei- renses essa agradável diversão. em terras de tão exíguas distracções. construía outro cinema.
o Aero-Clube da Beira. t r i p u - lado pelo Comandante Roboredo e como navegador Saul Nogueira. EM MOÇAMBIQUE Entre as agremiações beirenses. X. Conselho Fiscal : Dr. — 240 — . comércio local e de uma maneira geral a população da Beira. Sport Lisboa e Beira. Notícias da Beira. logo se pensando HG compra de um avião. Em homenagem à cidade que contribuiu para a sua compra. sócios. com 1664 horas de voo. Lançada a ideia. AERO-CLUBE DA BEIRA U M A AGREMIAÇÃO AO SERVIÇO DE PORTUGAL. teve os seus Estatutos aprovados por alvará de 30 de Novembro de 1936. de Carvalho e Eurico Santos. chegou à Beira em 23 de Setembro de 1937. Elísio R.M o t h » . Bem recebida a formação desta agremiação. até que. Fernando Félix de Faria. Saul Nogueira W. Fundado em 1936 por alguns entusiastas. Braancamp e Manuel V. foi adquirido em Salisbúria. Dias dos Santos. Fernando Nunes da Silva. Joaquim Gomes Rascão. foi ela bem acolhida e mercê do auxílio da Companhia de M o ç a m b i q u e . Câmara Municipal da Beira. Carlos Picolo e Telmo Nogueira. tendo-se m a n t i d o ao serviço por quase 1 1 anos. o avião que recebeu a ma- trícula C R . um « T i g e r .A A G foi baptizado — c e r i m ó n i a a que se deu então o devido relevo. José Rodrigues. com o número de série 3 6 0 6 . que ficaram assim constituídos : Assembleia Geral : Dr. sem dúvida alguma. como aliás merecia — com o nome de Beira. não tardou que à sua volta se juntasse ele- vado número de entusiastas. Conselho Técnico : Comandante Armando Roboredo. Bênção do primeiro avião adquirido pelo Aero-Clube Este. uma das mais destacadas pela sua acção é. Em 8 de Janeiro de 1937 teve lugar a suo primeira assembleia geral para eleição dos corpos gerentes. Direcção : Dr. ficou destruído num acidente em M a i o de 1948. do Governo do Território de Manica e Sofala (Companhia de Moçambique). Manuel Magalhães. conseguiu-se o montante necessário para a compra do primeiro avião. João Moinhos e Carlos Silva. entre os quais o Comandante A r m a n d o de Robo- redo e Saul Nogueira. José Maldonado Horta do Vale. Cinema Olímpia.
personalidade bem conhecida. forma actualmente a Força Aérea V o l u n t á r i a n. se não é. no género a mais importante.° Sérgio Medeiros e A l b e r t o Garizo. Com a ideia em mais e melhor. assistido pelo piloto instrutor Saul Nogueira. Dias dos Santos e Joaquim Picardo. sob a direcção do Comandante A r m a n d o de Roboredo. A AVIADORA MAIS JOVEM DO A E R O . que através do éter tem levado a voz da Beira além-fronteiras. quer em buscas. e em Dezembro de 1965 fez o exame para receber o «brevet» de piloto. Olímpia do Espírito Santo. o Aero-Clube da Beira. e agora mais do que nunca. Por tudo. honrando Moçambi- que e Portugal. Logo 25 interessados se inscreveram. e continuando a formar pilotos civis. Abílio Antunes dos Santos. que começou a funcionar em 1938. uma agremiação que honra a Beira. hoje como o n t e m . ofereceu este o seu posto emissor.° 10. tendo sido «largada» em voo no dia 28 de M a r ç o de 1964. Da segunda escola de pilotagem. A simpática jovem é filha primogénita do Engenheiro Jorge Pereira Jardim. A n t ó n i o M a r i a da Silva Ramos e D. Mas a sua acção não se limitou somente a formar pilotos. houve que fazer-se um sorteio. Continua assim o Aero-Clube da Beira." Jorge Jardim após ter sido homenageada com flores Isabel M a r i a de Sousa Pereira Jardim é a mais jovem «brevetada» do Aero-Clube da Beira. nascendo assim a Emissora do Aero-Clube da Beira. A i n d a em 1937 abriu o Aero-Clube da Beira a sua primeira Escola de Pilotagem. cabendo a honra a José de Maga- lhães. também radioamador. lançando medicamentos e víveres ou buscando feridos. o Aero-Clube da Beira não mais parou. foi também cultural e altruísta. adquirindo mais aparelhos. — 241 — . mas nenhum destes con- seguiu ser brevetado. a que se seguiu pouco depois Francisco Dias dos Santos. Mercê do entusiasmo e dedicação do então seu presidente da Direcção.° 3 0 1 . fizeram já parte 10 alunos. Os seus aviões onde quer que sejam necessários têm estado presentes. agre- gada à Base Aérea n. A sua apreciável frota aérea.C L U B E DA BEIRA A jovem «breverada» junto de seu pai. ficando a cargo de Manuel V. o Eng. certamente é das mais importantes. para ver quem seriam os três primeiros alunos. mantendo bem alto e vivo o seu lema : SERVIR V O A N D O . mas por haver um só instrutor. tendo nestes 33 anos brevetado cerca de 150 pilotos. e dela saíram os dois primeiros brevetados do Aero-Clube da Beira : Eng.
física e espiritualmente. com seu pai. Voava amiudadas vezes com seu p a i . ser útil num momento de emergência. — 242 — . O saber não ocupa lugar e o «brevet» de piloto pode. Parecida. Isabel M a r i a confidenciou-nos o seu desejo de se formar em Engenharia Química. tornando-se uma adepta da Aviação. inteligente e de irradiante sim- p a t i a . para c que ia ingressar na Universidade. que possui avião particular. uma vez que já tinha concluído o 7° ano do Liceu. Desde pequenina que se habituou a voar. vindo daí o seu entusiasmo e interesse. irrequieta. É muito natural que o exemplo e entusiasmo desta jovem sirva de estímulo a outras jovens moçambicanas. às vezes.
entre 1941 e 1960. depois. Manuel Rodrigues Pinho. Em 1963. na sec- ção da Beira. JORNALISTA E HISTORIADOR Manuel Rodrigues Pinho nasceu em Ovar. o que continua. em diversas Associações. que aceitou com a condição de ser suplente. cargo que. foi investido no cargo de presidente da Comissão A d m i n i s t r a t i v a dos Serviços Municipalizados. as quais se impunham e eram de toda a justiça. Assim. «Poeira dos Arquivos». Por ú l t i m o . Em 1936 regressa à Beira e pouco depois coloca-se na Shell. Praticou desporto até aos 24 anos. que em alguns casos. tem tido sempre uma vida muito activa. MANUEL RODRIGUES PINHO DESPORTISTA. fazendo também parte de inúmeras comissões para elaboração de Estatutos e Regulamentos. Manuel Rodrigues Pinho foi convidado para o cargo de vereador da Câmara M u - nicipal da Beira. a colaborar diariamente e sobre outros assuntos. e um grande coração sempre pronto a dar-se a boas obras. ocupou. tendo ido para a Beira com a idade de 15 meses. em 1965. No f i m desse ano teve de passar à efectividade. notas. a 1 de Outubro de 1918. iniciou em 1946 a sua colaboração no jornal «Notícias». e t c . «A Beira P r i m i t i v a » . em que teve de despender grandes esforços para que a secretaria desses sindicatos desse determinadas rega- lias para o seu pessoal. A t é à terceira classe estudou na Beira. homem recto. Durante dois anos consecutivos escreveu artigos intitulados : «Subsí- dios para a História da Beira». onde seus pais se radicaram. — 243 — . No entanto. onde permaneceu até concluir o Curso dos Liceus. t i n h a de ser ocupado por um dos membros da Câmara. multiplicando-se. precisamente num período agudo. de curioso espírito. depois. por força de lei. De A b r i l de 1957 a M a i o de 1960 foi presidente do Conselho Geral do Sindicato dos Ferroviários de M ó - nica e Sofala e do Pessoal do Porto da Beira. abandonando-o por motivos de força maior. razão pela qual foi levado a ter de aceitar mais essa espinhosa tarefa. elevados cargos. Resta ainda dizer que Manuel Rodrigues Pinho é um inveterado coleccionador. Paralelo a este período. para a Metrópole. onde continua a ser funcionário. C o n j u n t a m e n t e . Principiou por escrever sobre assuntos desportivos. autógrafos e outras curiosidades valiosas. continuou ligado a ele e aos seus problemas. passando. sem a sua interferência. começou a interessar-se pela História da Beira e do seu Distrito. seguindo. possuindo colecções de moedas. «Coisas de Tempos Idos». se teriam perdido. contribuindo de modo notável para a conservação e conhecimento da História daquele Distrito. «A Beira de Outros Tempos». na actualidade. o que conseguiu.
em Lisboa. referindo-se a JOSÉ P Á D U A : «Felicitamos sinceramente a feliz iniciativa. pela pena de M á r i o de Oliveira. exposição que constituiu o seu primeiro sucesso. e m u i t o bem. a Case dos Estudantes do Império. Nessa primeira exposição. composta por desenhos e pinturas. com o patrocínio do Centro de Cultura e A r t e e o Cine-Clube da Beira. Depois. A sua primeira exposição individual foi em 1960. que é ainda pelas actividades estéticas. em Á f r i c a . no ano de 1934. na Beira. que constituiu um êxito. José Pádua junto de um seu trabalho O «Diário de Notícias» de Lisboa. — 244 — . desenhos e óleos. de 13 de Fevereiro. compreendeu. orga- nizou numa das suas salas uma exposição do artista moçambicano JOSÉ PÁDUA. JOSÉ PÁDUA UM ARTISTA PLÁSTICO BEIRENSE José Pádua nasceu na Beira. expôs em 10 exposições. porquanto aquela casa dos Estudantes Ultramarinos. por onde passaram alguns dos valores mais representativos da nossa actual c u l t u r a . em conjunto com outros artistas. que melhor se pode entender a linguagem universal do fenómeno humano». apresentou-se com gravuras. diz. Em princípios de Fevereiro de 1964.
E o jornalista t e r m i n a . Uma participação primeiramente afec- tiva. de modo a per- m i t i r . Mas há. não só de Moçambique. muitos dos trabalhos expostos nos impressionaram fortemente. numa crítica de A l f r e d o Margarido : «Os problemas propostos por José Pádua são. um desejo pre- mente de se expandir. depois combativa. que lhe abririam novos horizontes. efectivamente. que é. em escolas europeias e contactar com outros artistas plásticos. comunicando a angústia que existirá na base desses movimentos e trabalhos. que a f i r m a ao mesmo tempo a sua capacidade criadora e a sua potencialidade estética». o mesmo jornalista diz : «Tivemos oportunidade de tomar contacto com um dos melhores desenhadores. onde a inspiração ditada. o seu mundo». com êxito. uma grandiosa obra de acção c u l t u r a l . Eis porque se deve sondar em José Pádua não só um extraordinário desenhador. fixando-a na tela. Nesta exposição de que damos alguns passos da crítica. o mundo restrito em que vive. em nenhum momento. de se comunicar por meio da sua p i n t u r a . diz ainda : «A participação do A r t i s t a nesse mundo fica assim bem patente. dizendo : «Temos esperanças de que a Fundação Gulbenkian. estudar. e é impossível de destrinçar deste conjunto de desenhos. com os proble- mas que lhe são sugeridos por esse homem e cujc resolução plástica vai tentando. O seu grande desejo seria conseguir uma Bolsa de Estudo. . a quem se deve já em M o - çambique. a f i n a l . Continuando a referir-se a JOSÉ PÁDUA. se avalia do real valor deste jovem artista beirense. o que lhe permite apreender a beleza do mundo em que vive. considerado já não como elemento exótico. Em M a i o de 1965. é um mundo completamente normal. JOSÉ P Á D U A é um valor jovem na vida cultural de Moçambique. Já alguns quadros seus foram levados para a América do N o r t e . que lhe permitisse ir aperfeiçoar-se. O que mais nos impressiona nos trabalhos de PÁDUA é o seu entendimento da unidade do seu mundo emocional. seduzir-nos com uma representação de um mundo falsa- mente exótico. e isso dá-lhe esperanças . mas também um artista conscientemente moçambicano». os trabalhos que exigem a coordenação de muitos braços. Por estas críticas metropolitanas. acima de tudo. já hoje um dos melhores desenhadores portugueses». de 12 de Fevereiro. uma linha de continuidade na sua obra — os grandes movimentos que focam o homem. da sua A r t e . incontestavelmente. a «Testa de Ponte» da revolução do ambiente cultural português. como de uma reali- dade humana. a união de muitas vontades. Pádua elimina volunta- riamente qualquer presença supérflua para se defrontar apenas com o homem. reflectir e interpretar uma verdade humana. «MÃE» e « I N F Â N C I A » . ainda no limiar da sua carreira artística. E a terminar. Esta exposição permitiu constatar que o artista evoluiu no sentido de um maior número de temas. O artista interpreta esses fenómenos transmitindo um sentimento trágico. uma ponte de matéria entre uma alma e outra». pelos diversos esta- dos de espírito. uma visão profunda e sem limites. mas antes como único elemento que importa à visão do pintor. chame a si mais esta realidade artística moçambicana. Porém. assim mesmo. como também da Metrópole. JOSÉ P Á D U A é tímido. nos dá em cada obra um tão forte sentimento humano aue é capaz de levar qualquer observador atento a dizer : A obra de arte é. t a n t o da própria p i n t u r a . os seus voos! Merecia uma ajuda. destacando desses. JOSÉ PÁDUA voltou a expor individualmente no Centro de A r t e e Cultura da Beira. que não pode ser ocultada nem traída pelo t r a j o .l h e ir conhecer os grandes centros artísticos mundiais. por um dinamismo válido. Também o jornal «Artes e Letras». José Pádua não procura. a realidade de um homem negro moçambicano. pois que o mundo por ele considerado. O crí- tico do jornal «Diário de Moçambique» a f i r m a a propósito desta exposição de Pádua : «José Pádua é um artista plástico de acentuada sensibilidade. JOSÉ PÁDUA. Sentimos nas suas palavras. onde serão expostos. mas já francamente prometedora. colectivamente. pela paisagem ou pela cor da pele. na medida em que lhe importa. de certo modo. Gostámos desta exposição. como é lógico. — 245 — . uma ânsia enorme. cerceia. . sobretudo o seu esforço no sentido de uma evolução que pode traduzir-se por vitalidade. se refere a essa exposição de JOSÉ PÁDUA.
outras precedendo até as iniciativas oficiais. foi proclamado sócio honorário n. desde o seu início a t é hoje. Joaquim Nunes de Carvalho. Na primeira assembleia efectuada. Foi seu primeiro presidente da Assembleia Geral. e Secretário. estamos certos de que. que umas vezes secundando. da A r t e e da Música têm passado pelo Centro. Desenho. A c t u a l m e n t e é presidente da Assembleia Geral o Dr. D. além destas actividades. mercê do esforço e boa vontade de alguns beirenses. O Centro de Cultura e A r t e da Beira tem promovido conferências.d i a . «Ballet».° 1 o coronel de A r t i - lharia A l b e r t o Macedo Pinto. m a n t é m cursos de Escultura. cujo progresso e desenvolvimentc tem bases na tenacidade e na iniciativa auda- ciosa dos seus habitantes. João Peixe Dias e Valdemiro Brito Dias. etc. Este teve início em Novembro de 1959. tendo como secretários. Pintura e Música. Por isso. têm levado por diante projectos e realizações do mais diverso teor. os dirigentes actuais do Centro de A r t e e Cultura da Beira. O Centro também mantém contactos com outras organizações culturais portuguesas e estrangeiras. e como secretários. mercê de um esforço contínuo e colectivo. o A r q u i t e c t o Paulo de Melo Sampaio. nestas terras que crescem d i a . principalmente. então Governador do Distrito de M a n i c a e Sofala. Numerosas personalidades no mundo das Letras. continuarão no seu caminho para um maior progresso e alargamento espiritual em terras de M a n i c a e Sofala. A d o l f o Arez da Silva. João Afonso dos Santos. presidente do Conselho Fiscal. o Dr. M a r i a Emília Pomba Delgado Baltazar e capitão A n t ó n i o Octávio Dias Machado. exposições de arte plás- t i c a . — 246 — . música. Padre Manuel Ferreira da Silva. numa antecipação que tem o seu quê de alucinante. de que a Beira tem sido f é r t i l . Tomé dos Santos Júnior. poesia. que além de serem a mais legítima consagração e perpetua- ção dos heróicos pioneiros do velho A R U Â N G U A .a . são cinda os criadores daquela vida e da- quele esforço luso-tropical que há-de ser sempre a característica mais saliente da nossa lusita- nidade. pois é uma cidade com pouco mais de cinquenta anos. O Centro de Cultura e A r t e da Beira j u n t a a sua acção cultural a muitas outras m a n i - festais de progresso. o Dr. O Centro. À Assembleia Geral presidiu o Dr. Vice-Presidente. A Direcção era composta por : Presidente. e presidente da Direcção. Jaime Salinas de M o u r a . CENTRO DE CULTURA E ARTE DA BEIRA O Centro de Cultura e A r t e da Beira é já uma bela realidade no plano cultural da cidade da Beira. espectáculos culturais de teatro. M á r i o Isaac.
o seu fundador principal. bem como o saudoso Bispo da Beira. que m u i t o contribuíram para o desenvolvimento e progresso. depois Bispo de I n h a m b c n e . Padre A n t ó n i o Gonçalves — q u e à RÁDIO PAX se dedicou vários a n o s — e Carlos Costa. foi criada a Liga dos Amigos do RÁDIO P A X . com a presença das autoridades da Beira. a trans- missão da Missa para os doentes. o Rev. Depois. Padre Afonso Simões. em 31 de Julho de 1953. o seu fundador Rev. e t c . em 1954. onde funciona a RÁDIO PAX A sua inauguração teve lugar a 30 de O u t u b r o . Padre Afonso Simões. Sebastião Soares de Resende. criteriosamente distribuída e esco- lhida. respectivamente. A programação é variada. As emissões iniciaram-se com duas horas por dia. Com efeito. todas as despesas foram suportadas pela Ordem Franciscana. depois. ela nasceu nos vãos de uma escada cia Escola de Artes e Ofícios da Beira. São dignos de especial relevo na obra de RÁDIO P A X . Embora a fundação da Emissora tivesse sido solicitada ao Governo-Geral. de manhã. RÁDIO PAX EMISSORA CATÓLICA DA BEIRA RÁDIO PAX —a primeira Estação Emissora Católica de radiodifusão do Ultramar Portu- g u ê s — completa em Outubro próximo. no início. tendo pronunciado uma saudação. Pa- dre Afonso Simões — q u e f o i . 16 anos. Hoje. onde foram montados dois emissores de 50 e 375 watts. e vieram. aonde não chegasse a actividade missionária. conta com 9 horas de emissão diária e com 16 horas de emissão aos domingos e feriados. monta- dor. A t é 1959 deram a sua colaboração g r a t u i t a - mente. — 247 — . outros auxílios. no acto. colaborando como programador. D. foi a f a l t a de receitas. De princípio. Ernesto Costa. só a 4 de Outubro de 1954 começaram as emissões experimentais. então pároco de Nossa Senhora do Rosário —a Catedral da B e i r a — que viu numa emissora o único meio de levar Cristo a muitas regiões do interior da Província. que era então D. Vista aérea da CATEDRAL. de forma a satisfazer os mais variados gostos. havendo ao domingo. O problema mais difícil de resolver. o Delegado Provincial dos Franciscanos em Moçambique — o Rev. A iniciativa partiu do Rev. técnicos e locutores. Rev. t a m b é m .
A emissora possui um terreno para construção do seu f u t u r o edifício. que o assumiu em 1964. numa evocação d i á r i a . diariamente. Emissora Católica!» O RÁDIO PAX é obra dos Missionários Franciscanos. O «sonho» do Padre Manuel Carreira das Neves é que RÁDIO PAX se faça ouvir na Europa. composto de variadas rubricas : Formação Cristã. Noticiários. um programa nativo. Como subdirector e chefe de produção encontra-se o Padre Manuel Carreira das Neves. — 248 — . assumindo a Direcção em Outubro de 1963. Por enquanto t r a b a l h a m em instalações provisórias. pois é muito escutada pelas populações nativas. nas dependências da Escola de Artes e Ofí- cios da Beira. falado nos dialectos «Xissena» e «Maxangane». A RÁDIO PAX t e m . desde Agosto de 1964. O actual director de RÁDIO PAX é o Rev Dr. que em 1965 baixou para 3 0 0 . RÁDIO PAX t i n h a um subsídio do Governo-Geral de 600 contos anuais. Des- porto. Higiene. neste simples «slogan» : «Aqui Beira. desenvolvendo notável acção e servindo-a com o maior carinho. na Á f r i c a ! Estão a escutar a RÁDIO P A X . Manuel dos Reis M i r a n d a . da RÁDIO PAX. que foi um dos locutores da primeira hora da vida da Emissora Católica beirense. cuja acção civilizadora desnecessário se torna encarecer. M o ç a m b i q u e ! Província de Portugal. etc. Esta emissão atinge o f i m em vista. onde serão instaladas todas as secções necessárias à sua missão. principalmente cristã e c u l t u r a l . lembrando a acção civilizadora de Portugal em Á f r i c a . Medicina Social.
o princípio de uma grande unidade hoteleira. possuidoras de tudo quanto é necessário para se passarem umas boas férias! É um acampamento moderno. a f i n a l . pois tem uma enorme extensão de praia. Em 1958 estava construída uma casa ao lado da sua. deve-se a CARLOS BRITO.° andar. que preten- diam passar fins-de-semana j u n t o ao mar. cuja extensa praia lhes proporcionava belas férias. a l i . sentiam-se atraídos por esta parte da Beira. Esta grande obra de aproveitamento turístico. que foi aumentando progressivamente —e continua a aumentar. j u n t o do mar. e no 1. local aprazível da Beira. Junto à praia nada havia. a recepção e a sala de j a n t a r . fazia do rés-do-chão da antiga moradia. Aspecto do MOTEL ESTORIL Esses estrangeiros sugeriram a CARLOS BRITO — h o m e m de ideias l a r g a s — que e d i f i - casse um hotel. Como aquele local é óptimo. embelezando a orla da extensa praia. fez um acampamento próprio para os turistas que t r a z i a m as suas «roulotes». Assim. que por simples acaso. Como cada vez era maior a afluência de turistas. os rodesianos em especial. MOTEL ESTORIL — UM VALOR TURÍSTICO DA CIDADE DA BEIRA O MOTEL ESTORIL é um empreendimento turístico notável. — 249 — . no capítulo de aloja- mentos. frente ao mar. porque o afluxo de turistas não p á r a — até ser o que hoje já é. Utilizando as duas habitações simultaneamente. uma elegante e requintada «boite». Isto aconteceu em 1956. CARLOS BRITO começou por alojar em sua casa amigos estrangeiros. o escritório. que muito veio contribuir para valorizar a zona da beira-mar da cidade da Beira. construiu a sua habitação particular na zona marítima do M a c ú t i . porque os hotéis f i c a m distantes — no centro da c i d a d e — o que decerto modo era incómodo. pos- suindo 14 quartos — e que seria. com duzentas casinhas airosas e colo- ridas.
Com esta obra turística. do M a l a w i e da Á f r i c a do Sul. pequenos estabelecimentos de «souvenirs». Em fins de 1958. pois a Beira é o centro da grande Província. o «self-service». o MOTEL ESTORIL tem um movimento anual de quarenta e dois mil turis- tas. vindos.d o - -chão e três pisos — onde ficam situados os Apartamentos. tabacarias. da Rodésia. modelarmente decorados. na capital de Manica e Sofala. num total a'e duzentos. cinquenta empregados europeus e cem nativos. muitíssimo valorizada ficou a zona da beira-mar da progressiva e bonita cidade da Beira — q u e pela tenacidade e vontade dos p o r t u g u e s e s — nasceu e cresceu dos pântanos. foi dado início à primeira fase da parte maior do novo motel — r é s . CARLOS BRITO merece a consideração de todos pela obra já realizada. o «snack-bar». como por milagre! O afluxo turístico é cada vez maior. cujo porto serve a continuação das rotas terrestres dos paízes vizinhos. café e esplanada. principalmente. que muito veio fomentar o turismo em Moçambique. No rés-do-chão do edifício situam-se o restaurante. O M O T E L ESTORIL t e m ao seu serviço permanente. — 250 — . Presentemente.
seguindo. em virtude da riqueza da fauna em conjunto com um «habitat» pródigo de belezas. podemos dizer que a ideia do turismo cinegético p a r t i u . poderá dizer-se que o pioneiro da cinegética turística em Moçambique foi A l b e r t o Novaes de Sousa A r a ú j o . e t a m b é m . Os primeiros estudos foram feitos em Lourenço Marques. em primeiro lugar. N e n h u m . foi ele. para fomentar riqueza. Seu pai t i n h a sido colocado na Beira com as funções de Comandante da Polícia. no Serviço Urbano da Cidade. frequentando os colégios de Joanesburgo. se lembrou de aproveitar a cinegética-turismo.l h e sugestões para tal iniciativa. Por informações colhidas. todavia. de Gustav Gueix. Pousada do Acampamento de « K A N G A N'THOLE» Assim. porém. fanzendo-lhe ver as vantagns normes que daí podiam advir. depois. A CINEGÉTICA NO DISTRITO DE MANICA E SOFALA O DISTRITO COM MAIOR NÚMERO DE COUTADAS-SAFARIS A Caça desde sempre que constituiu diversão m u i t o apreciada por ambos os sexos. outros fazendo dela profissão. quem a incutiu no espírito de outro pioneiro — A l b e r t o Novaes de Sousa A r a ú j o — d a n d o . É em Á f r i c a que a Cinegética atinge o seu ponto a l t o . muitos pioneiros dedicaram os seus primeiros tempos de adaptação à prática da caça. uns por prazer. Seguidamente vamos traçar uma sumária biografia deste pioneiro. Em Moçambique. para a África do Sul. Nasceu na Metrópole. — 251 — . Deste modo tudo se conjuga para oferecer aos praticantes da caça momentos inesquecíveis. que embora nunca o tivesse praticado a sério. apenas com 5 anos. vindo com seus pais para Moçambique em 1905. que nessa época correspondia ao cargo actual de Presidente da Câmara. onde a possibilidade de caçadas emocionantes são fáceis de efectuar. embora com predomínio no homem.
este pioneiro tem os seguintes palmarés : matou 99 leões. Como caçador. Ao safari foi dado o nome de K A N G A N T H O L E SAFARI — u m a denominação indígena. um dos seu divertimentos. tendo morto algumas centenas de perdizes. iniciando-se na sua prática aos 16 anos. foi convidado pelo Governador do D i s t r i t o . onde permaneceu durante 19 anos. — 252 — . e tão-sòmente pelo prazer que lhe proporcionava. Hoje. muitas vezes. a sua coutada faz parle da Sociedade de Safaris de Moçambique. que quer dizer «galinha do m a t o azul da floresta». Faleceu quando este livro se encontrava no prelo. Lda. participando. 103 elefantes. O Almirante Sarmento Rodrigues num «Safari» com Alberto Araújo A cinegética bem cedo o a t r a i u . o advo- gado Dr. como funcio- nário dos Caminhos de Ferro da Beira. Joaquim Teles da Silva Palhinha. A l b e r t o Novaes de Sousa A r a ú j o iniciou a sua vida de trabalho em 1919. Este safari possui um acampamento com edifícios e acampamentos móveis. outro pioneiro. para Superintendente da «Trans- -Zambezia Railways». no local denominado Cheringoma. rolas. que na Beira vive há muitos anos. Foi em 1951 que ele fundou o primeiro safari de cinegética turística numa coutada situada na região de Inhaminga. galinhas do m a t o . era ir nos fins de semana para as planícies da M u n h a v a . M a i s tarde. A l b e r t o Novaes de Sousa A r a ú j o foi sempre um bom atirador. pombos verdes. em caçadas. Igualmente foi um grande atirador de chumbo. em 1940. Há já muitos anos atrás. coelhos e narcejas. cuja concessionária era uma companhia inglesa. caçar narcejas. umas largas centenas de búfalos e outras espécies. 141 leopardos. Acompanhava-o. uma vez por outra.
o Banco Nacional Ultramarino tomou a decisão de formar uma sociedade constituída por todos os proprietários de coutadas que a ela quisessem associar-se. ficando o Banco como principal accionista. Garcia. OS CONDES DE C I N Z A N O — Pai e Filho — e m 1959 — 253 — . Beck. Lda. Treze ingressaram na Sociedade de Safaris de Moçambique. duas ficaram a trabalhar independentemente. Lda. Porém. LDA. V i e i r a . num «Safari» em 1 9 5 7 M a n i c a e Sofala tem no seu distrito quinze coutadas dedicadas ao Turismo Cinegético. Simões com o Dr. A t é 1965 eram todas independentes. Das coutadas exis- tentes. Fajardo e Amílcar Coelho.. São as de A. José Joaquim Simões. E OUTRAS ORGANIZAÇÕES SIMILARES J. a partir daquele ano. A r m a n d a . D. SOCIEDADE DE SAFARIS DE MOÇAMBIQUE. Francisco Salzoni e Agência de Viagens e Turismo. de que fazem parte : Alberto Novaes de Sousa A r a ú j o .
em 1964 A terminar. José Joaquim Simões — g r a n d e c a ç a d o r — possuidor de três cou- tadas. Todas as coutadas se encontram optimamente apetrechadas. por tal forma é visível. Juan Carlos. de todo o mundo. por forma a servirem o me- lhor possível o f i m a que se destinam. Um turismo bem organizado poderá levar. De entre esses visitantes. — 254 — . D. o actor de cinema americano Henry Fonda. desnecessário se torna encarecê-lo. Duquesa de A l b a . abatendo os animais mais corpulentos. diremos que altas personalidades estrangeiras têm participado em safaris moçambicanos. 0 período de caça no Distrito de M a n i c a e Sofala ínicia-se a 1 de A b r i l estendendo-se até 31 de Dezembro. O valor de divisas que tal incremento pode trazer à Província. José Joaquim Simões tem um grande palmarés. o conhecido toureiro espanhol Luis M i g u e l D o m i n g u i n . predominando os americanos. seguidos dos espanhóis. Em 1959 bateu o recorde de caça. A MARQUESA DE VILAVERDE e SENHORA AZNAR. filho dos Condes de Barcelona. que tem sido um activo impulsionador da cinegética turística em Moçambique. Justo é salientar a q u i . citaremos ao acaso alguns nomes que nos ocorrem : Marqueses de V i l a Verde. Grande entusiasta da caça. todos os anos. em cada época. mais de uma centena de turistas a todas as coutadas. uma irmõ e cunhado do Xá da Pérsia. que m u i t o lhe deve já.
do M a p u t o . permitindo admirar os mais variados contrastes : floresta. onde o visitante não pode caçar. com 560 quilómetros. e da circunscrição de M a r r u p a . Dispõe de uma via de fácil acesso. o parque é atravessado por uma rede de «picadas». por possuir a maior concentração de animais bravios de todo o m u n d o ! Acampamento do C H I T E N G O A sede do parque é no Acampamento do Chitengo. agradavel- mente decorado com troféus de caça e artesanato indígena. jogos. e ainda quatro casas tipo «bungalow». planície. 100 dos quais são de estrada asfaltada. no Distrito de M a n i c a e Sofala. situado num local muito aprazível. era de início. A s moradias-dormitórios — e m número d e 8 — são construídas à moda das palhotas indígenas. em M a r r o m e u . Para poder proporcionar uma extensa visita. O Parque Nacional da Gorongosa é considerado o «melhor parque de Á f r i c a » . lagoas e rios.U m t á l i . um pavilhão para leitura. dê quatro quartos cada. estendendo-se por vasta área ajardinada. e a Reserva dos Elefantes. assim como aviões de tipo DC-3. Está situada no Distrito de Manica e Sofala. e t c . de mil quilómetros quadrados. hoje conhecida pela denominação de Parque Nacional de Caça da Gorongosa. O cuidado posto na protecção às espécies existentes na Província. A quarenta quilómetros deste A c a m p a m e n t o foi construído outro. O Acampamento tem duas lojas de artesanato indígena e dispõe de serviço telefónico e postal. providos de electricidade e água corrente. próximo da estrada internacional Beira- . e dispondo de facilidades — 255 — . e uma piscina. uma reserva de caça. A área da Reserva da Gorongosa. de luxo. com dois quartos cada e quarto de banho. denominado por Bela V i s t a . O PARQUE NACIONAL DA GORONGOSA Em 2 de M a r ç o de 1 9 2 1 . ali existentes. a área foi aumentada para 5300 quilómetros quadra- dos. As Reser- vas são : a dos T A N D O S . sob a jurisdição dos Serviços de V e t e r i n á r i a . em número de 15. mas encontra motivos de grande interesse. Em 1935. com a publicação do Decreto n. É constituído por um amplo restaurante — c o m e s p l a n a d a — tendo serviço de bar. uma abundante e variadíssima fauna. com o f i m de assegu- rar a conservação das valiosíssimas fauna e flora.° 26 0 7 6 . fez com que. mais quatro Reservas de Caça. que é formado por quatro edifícios. no Distrito de Lourenço Marques. Há quartos simples. fossem criados em Moçambique. festas. No parque existe um aeródromo muito utilizado por aviões ligeiros. podendo-se admirar. igualmente. foi criada na região da Gorongosa. Da Beira à Reserva e ao seu Acampamento — denominado do C H I T E N G O — são 156 quilómetros. possuindo todas elas o conforto moderno.
que j u n t a mente com o Estado tem colaborado em todos os melhoramentos efectuados. As suas datas de abertura e fecho não são absolutamente exactas porque dependem das chuvas. e com m u i t a frequência. proporcionando um espectáculo emocionante e inesquecível a quem o visita. é justamente considerado uma das mais belas Reservas de Caça de todo o continente africano. e servindo assim. valorizando-o de modo notável. O Parque Nacional da Gorongosa é m u i t o visitado por estrangeiros de todos os pontos do mundo. A sua época turística estende-se de 1 de M a i o a 31 de Outubro. IMAGENS DA GORONGOSA para os visitantes. e uma óptima situação geográfica. por sul-africanos e rodesianos. — 256 — . por possuir uma grande riqueza de fauna e f l o r a . A f i r m a concessionária do parque é a Agência de Viagens e Turismo da Beira. um dos cartazes turísticos de maior valia de Moçambique. loja para aquisição de géneros de primeira necessidade e «snack-bar». só para estudos. bem como belos panoramas. possui cozinhas ao ar livre. O Parque Nacional da Gorongosa. O parque possui reservas inte- grais.
a Companhia possui as seguintes : Na circunscrição de Mocoque 311 hectares Na circunscrição de Sofala 3 250 hectares Na circunscrição do Govuro 16 550 hectares A C O M P A N H I A DO BÚZI foi constituída com o capital de 450 0 0 0 $ . COMPANHIA DO BUZI Uma das mais antigas companhias moçambicanas. representado por 100 000 Acções de £ 1 cada. ° — O direito de cobrar o imposto de palhota. datado de 1 de A b r i l de 1898. ouro. ouro. comércio e indústria." — O direito exclusivo de caça em toda a circunscrição. 135 2 0 0 hectares. Do contrato realizado com a Companhia de Moçambique. 1. 2 .° — A livre exploração de todas as florestas da circunscrição do Búzi em terrenos não concedidos a terceiros.° — O livre exercício da a g r i c u l t u r a . e as que adquiriu t o t a l i z a m . por iniciativa do Dr. a C O M P A N H I A C O L O N I A L DO B Ú Z I . nos terrenos do seu contrato. que abrangia toda a circunscrição do Búzi. em toda a área da sub- concessão. por hectare. capital que foi sucessivamente aumentando. mediante o foro de $ 0 1 . Busto. 4. e a Companhia de Moçambique. sendo os restantes 40 por cento entregues à Companhia de Moçambique. 5. é. 3. colonial a cujas invulgares qualidades rendemos o preito das nossas devo- tadas homenagens. com o f i m de pôr em execução o contrato celebrado entre a f i r m a A r r i a g a & Ca. A l é m daquelas concessões. erigido em Vila Guilherme Arriaga. Guilherme de Oliveira A r r i a g a . em memória do fundador da Companhia Dr.° — A preferência quanto a serem desempenhados por empregados seus os cargos oficiais exercidos na área da subconcessão. Os seus Estatutos foram aprovados por decreto de 3 de Setembro do mesmo ano. resultaram para a C O M P A N H I A DO BÚZI direitos e privilégios de que foi detentora até ao dia 18 de Julho de 1942. 6.° — O direito de demarcar dentro da circunscrição do Búzi todos os terrenos que preten- desse. no Búzi. As concessões demarcadas no Búzi pela Companhia. Guilherme de Oliveira Arriaga — 257 — . constituída por escritura pública de 13 de Setembro de 1898. sem dúvida. de cuja totalidade lhe ficou pertencendo 60 por cento. com larga projecção na Província.
uma das mais importantes do interior do distrito. de Moçambique. oficinas e estaleiros. — 258 — . A fábrica adquirida à companhia inglesa foi depois ampliada e aperfeiçoada. A C O M P A N H I A DO BÚZI tem contribuído de modo notável para o progresso e desen- volvimento económico do Distrito de Manica e Sofala. Vamos dar. tendo esta passado para V i l a Guilherme A r r i a g a . em resumo. — de tal modo transformando em centros de progresso terras outrora inóspitas. sob a denominação de «lllovo Sugar Estates». na circunscrição de Govuro. no local onde hoje. bem como a sede da circunscrição. onde a Companhia principalmente exerce a sua actividade. A C O M P A N H I A DO BÚZI pode considerar-se como a mais importante e mais completa de todas as organizações agrícolas e industriais. na margem esquerda do rio Búzi. a C O M P A N H I A DO BÚZI passou a dispor de uma fábrica açucareira com capacidade para produzir 12 mil toneladas por campanha. com capacidade para 5 mil toneladas. de modo que em 1942 tinha uma capacidade de 20 mil toneladas por campanha. centrais eleva- tórias. que mais tarde foi transferida para a propriedade de Nossa Senhora da Graça. Actividades diversas : Zona algodoeira Pecuária Cultivo de milho e algodão Águas-de-colónia Refrigerantes Fabrico de gelo Abastecimento do pessoal A circunscrição do Búzi. de nacionalidade portuguesa. incultas e completamente alheias à civilização. das diversas actividades a que se dedica esta importantíssima organização moçambicana pioneira : CIRCUNSCRIÇÃO DO BÚZI Indústria açucareira : Cana sacarina Extracção do açúcar Outras indústrias : Destilaria Moagem Cerâmica Fornos de cal SERVIÇOS DE SAÚDE Serviços auxiliares : Oficinas gerais Centrais eléctricas Construção civil Construção naval Explorações florestais Serração mecânica de madeiras. se havia estabelecido na margem direita do rio Búzi. ter absorvido. se encontra Vila Guilherme Arriaga. tem cerca de 4 9 4 0 quilómetros quadrados de superfície. Criou importantes núcleos de actividades agrícolas e industriais. As povoações mais importantes são : N O V A L U S I T Â N I A . centrais eléctricas. Em virtude de tal transacção. em 1920. por compra. algumas indicações de carácter geral. montou fábricas. Pouco mais de um quilómetro a jusante de Nova Lusitânia encontra-se a povoação comer- cial Feira. j u n t o a margem direita do rio Save. além da fábrica que já possuía em Nova Lusitânia. uma impor- tante companhia inglesa congénere que. carpintaria e marcenaria Transportes e comunicações As oficinas que a C O M P A N H I A DO BÚZI possui são as mais completas da Província. precisamente. abriu estradas e instalou caminhos de ferro. onde a Companhia inicialmente se estabeleceu e onde teve a sede até 1943. Tem a caracterizá-la a particularidade de. etc.
farmácia e sala de operações. periodicamente. . arrecadação. A circunscrição dispõe de uma regular rede de estradas que proporcionam comunicações com Lourenço Marques. desde Nova Lusitânia até ao Grudja. estaleiros. Anexas a estes pavilhões. tem uma sala para infecções intestinais e outra para doenças infecto-contagiosas. há cozinhas para europeus e indígenas. O rio Búzi constitui. habitações do pessoal. V I L A GUILHERME A R R I A G A . pois nela está a maior parte das suas instalações. quatro enfermeiros indígenas. O pavilhão-enfermaria norte. com setenta camas. apenas é acessível a pequenas embarcações de fundo raso e. A vila possui também uma capela. armazéns. para fabrico de cal e para aplicar em construções. No hospital trabalham um enfermeiro europeu. como culturas principais. etc. este ú l t i m o produ- zido sob o regime de zona algodoeira de que a Companhia é concessionária. através destas três últimas. Em V i l a Guilherme A r r i a g a há um posto de socorros. a mais importante via de comunicação. erigida pela Companhia. denominado «Hospital Conselheiro A l m e i d a » . Com as marés. Não é conhecida a existência de jazigos de minério. secretaria e aceitação de doentes. Nova Sofala. oficinas. SERVIÇOS DE SAÚDE A Companhia do Búzi possui um hospital em alvenaria. onde os reverendos Padres Missionários. o milho. especialmente nos pontos em que o leito é constituído por areia ou pedra. Na parte sul do pavilhão principal estão instalados o consultório médico. com sala de curativos. Destacam-se. O pavilhão-enfermaria sul consta de duas salas. há dez postos volantes de socorro. Beira. as funções de ajudante de Farmácia. na margem direita do rio Búzi. um balneário para indígenas. para batelões de trezentas toneladas de carga ou mais. e três enfermeiros ajudantes. com a Rodésia. Junto da enfermaria sul. a mapira e o algodão. em alvenaria. Neves Ferreira. laboratório. I TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES Caminhos de ferro — A Companhia possui duas redes servindo as propriedades das duas margens do rio Búzi. que desempenha. Distribuídos por vários centros agrícolas e industriais. Mas tais estradas são apenas utilizáveis durante a estação seca. O hospital está localizado em Nova Lusitânia e compreende um pavilhão principal e dois pavilhões-enfermarias. como fábricas. Mossurize e Manica e. outro ao sul. havendo além disso o depósito de medicamentos. de um recinto ocupando uma área de 13 mil metros quadrados. celebram Missa. através da qual tem lugar importante tráfego de mercadorias. uma que pode comportar quarenta doentes de cirurgia e tem anexo um compartimento pare curativos. fronteira a Nova Lusitânia. na parte norte. A caça é abundante e variada. funciona o banco de curativos. a restante sala dispõe de t r i n t a e cinco camas para hospitalização de doentes pulmonares. dois quartos particulares e instalações sanitárias. um quarto para doentes e instalações sanitárias. o rio é navegável até Nova Lusitânia. em condições tão precárias que deixa de ser económica a sua utilização para qualquer género de transportes. t a m b é m . Há na circunscrição do Búzi vários agricultores europeus e a agricultura indígena tem apresentado nos últimos anos incremento apreciável. é o centro industrial da Companhia. em homenagem àquele seu antigo e ilustre director. Possui a fauna própria dos rios africanos do seu tipo e é abundante em peixe de óptima qualidade. porém. mesmo assim. Os serviços clínicos da Companhia e os de saúde são dirigidos por um médico privativo da Companhia. Apenas a Companhia explora pedrei- -as de calcário na sua propriedade da Estaquinha. Há na circunscrição florestas com madeiras preciosas e também abundante quantidade de trepadeiras «Landolphia» que noutros tempos foram exploradas em larga escala para obtenção de borracha. cada um dos quais tem ao serviço um enfermeiro indígena e dispõe de material sanitário para curativos ligeiros e socorros de urgência. Chimoio. Para m o n t a n t e . um ao norte.
construído em 1 8 9 9 . luz. instalações sanitárias. um químico e dois comercialistas. além disso. Construiu acam- pamentos de alvenaria. três engenheiros. na Beira. que foi completado. Telefones — A rede telefónica tem cerca de oitenta quilómetros de extensão e. serve vinte postos telefónicos destinados a estabelecer comunicações entre todos os serviços da Companhia. um agrimensor. entre V i l a Guilherme A r r i a g a e Beira. mas já não existe . lenha. Presta assistência médica g r a t u i t a a todos os indígenas da circunscrição. Edifício «CASA Z A M B É Z I A » . acessível a aviões da DETA e frequente- mente visitado pelos aviões do Aero-Clube da Beira. dotados com cozinhas e amplos refeitórios. cujo valor excede dois mil contos. as seguintes regalias : habitação. assistência médica e medicamentos. água. Na Companhia do Búzi trabalham duas centenas de empregados europeus e assimilados. com uma nova faixa de aterragem perpendicular à inicial. A Companhia concede ao seu pessoal licenças periódicas na Metrópole. e com os meios de transporte de que dispõe. um balneário. abrangen- do as duas margens do rio. com 50 por cento dos ordenados. incluindo um médico. bem como açúcar. Era propriedade da Companhia do Búzi. etc. Aeródromos — A Companhia do Búzi possui em V i l a Guilherme A r r i a g a um campo de aterragem com as dimensões de 800 X 250 metros. sempre tem atendido prontamente a todos os pedidos de socorro provenientes do interior da circunscrição. em segunda fase. Ao seu pessoal indígena tem a Companhia dedicado os melhores cuidados. e. A frota da Companhia. é principalmente destinada ao transporte das suas mercadorias.
@ 3$65 62 4 1 5 $ 0 0 20 340 kgs. por ano (farinha) — não laborou 1 — Fábrica de descaroça- mento e prensagem de algodão (e) — 8800 quilos em 8 horas — 1 852 841 kgs. . ALGUNS NÚMEROS REFERENTES AO ANO DE 1964 CULTURAS EUROPEIAS ( C A N A S A C A R I N A ) — Esta Companhia colheu das suas planta- ções 120 938 965 quilos de cana e adquiriu ainda a plantadores particulares 87 973 193 quilos no valor de 19 mil contos. f) — Para consumo interno e exportação. b) — Para consumo na Província. INDÚSTRIA T R A N S F O R M A D O R A : CAPACIDADE 1 — F á b r i c a de açúcar ( a ) — 4 5 0 0 0 t o n . @ 3$75 3 736 800$00 4 4 0 0 280 kgs. 14 982 870 quilos Açúcar amarelo 11 703 650 quilos 26 686 520 quilos REGA — Mantém-se em actividade 5 estações elevatórias e um grupo de rega por aspersão. c) e d) — Labora consoante as necessidad2s do consumo interno. por ano 674 859 kgs. VENDAS DE PRODUTOS Metrópole : Açúcar branco 996 480 kgs. @ 3$25 194 805$00 79 920 kgs. e) — Para consumo da Província e Metrópole. . @ 3 $ 9 0 311 688$00 Consumo a bordo (Navios de longo curso) 17 100 kgs. 1 — F á b r i c a de álcool ( b ) — 2 0 0 0 0 0 0 Its. @ 2$85 4 802 292$75 9 002 580 kgs.5 m 3 a) — Para consumo na Província e Metrópole. por campanha — 26 686 520 kgs. @ 4 $ 4 0 19 361 2 3 2 $ 0 0 Açúcar amarelo 1 685 015 kgs. produziram na nossa fábrica as seguintes quantidades de açúcar : Açúcar branco . @ 4 $ 3 0 87 4 6 2 $ 0 0 Melaço Para a Holanda 2 701 500 kgs. Não negoceia a sua pro- dução. @ $8. @ 3$35 30 158 643$00 Outros destinos : Açúcar branco Angra do Heroísmo 59 9 4 0 kgs. O total de 2 0 8 912 158 quilos de cana. 1 — S e r r a ç ã o de madeiras (f) — 6500 m 3 por ano — 5015. 1 — F á b r i c a de tijolo ( c ) — 4 500 000 unidades por ano — não laborou 1 — Fábrica de moagem (d) — 3500 ton.40 dólares/lOOOkgs 655 587$25 .
.64 . @ 3$18. @ 4 $ 1 0 35 461 847$ 10 Acócor amarelo 3 000 kgs. 39 352$04 Me!aco 25 231 kgs. «D>: Total de trabalhadores — 4 5 1 0 T o t a l dos salários pagos 14 4 1 4 835$42 Por tudo quanto fica exposto se pode avaliar do papel que esta Companhia pioneira repre- senta na economia e progresso da Província de Moçambique. @ 3$45 6 398 918$55 8 649 231 kgs. @ 2 $ 6 8 . @ $65 16 4 0 4 $ 0 5 PESSOAL E U R O P E U — G r u p o «A» 2 0 5 empregados — Vencimentos pagos em 1954 9 745 813$90 PESSOAL A U T Ó C T O N E — Grupos «B». «C». Província Açúcar branco 1 8 5 4 759 kgs. 6 4 8 059$20 12 350 kgs.
uma Escola Comercial e Industrial. um ponto de paragem para quem viaja. Cinema. O seu nome foi-lhe dado para homenagear um ilustre oficial do Exército. com os olhos postos no f u t u r o ! Monumento aos pioneiros — 258-A — . o nome de V I L A PERY. É a mais jovem cidade de Moçambique — situada no Planalto do Chimoio. A cidade do Planalto cresce e alinda-se dia a dia. uma Escola de Regentes Agrícolas. bonitos esta- belecimentos comerciais. Bancos. Avenida principal A cidade é hoje um centro urbano de linhas modernas. e belas as paisagens circundantes. por isso. que foi Governa- dor do Distrito de Manica e Sofaia e muito fez por ela. colégios. Hospital. É uma terra que sempre progrediu desde a nascença. o que foi motivo de grande regozijo pcra todos os seus habitantes. com belos edifícios. Clube. V I L A PERY fica a caminho da Rodésia. sendo. o seu clima é óptimo. etc. cujo nome era Pery-de-Linde. Daí dar ao tão lindo rincão moçambicano. VILA PERY — A CIDADE MAIS NOVA DE MOÇAMBIQUE Em 17 de Julho de 1969 que foi elevada a cidade.
fixou as condições em que poderia ser outorgada a respectiva concessão. entre as curvas de nível de 100 e 700 metros. ligadas à política da energia do U l t r a m a r Português.° 35 7 4 4 . Pelo Decreto n.L.A. Teve a sua origem num pedido de concessão da Sociedade Algodoeira de Por- t u g a l . vindo mais tarde a ser-lhe igualmente atribuído o esta- belecimento e a exploração de subestações e de linhas de transporte de energia. Assim se u t i l i z o u o desnível de. Desenho da Barragem da Chicamba Real — 258-B — . para alimentação da fábrica têxtil que iria instalar em Vila Pery. por isso. decidiu que o Estado devia tomar parte activa em realizações como esta. antevendo a larga projecção e a enorme influência que tal empreendimento viria a ter no fomento da região central de Moçambique. aproximadamente. assim. SOCIEDADE HIDROELÉCTRICA DO REVUÈ A SOCIEDADE HIDRO-ELÉCTRICA DO REVUÈ. S. cujo nome passou a designar a Central Eléctrica ali instalada. subscrito em partes iguais pelo Estado Por- tuguês e pela Sociedade Algodoeira de Portugal. foi outorgado à SOCIEDADE HIDRO- -ELÉCTRICA DO REVUÈ o aproveitamento da energia do rio Revuè e seus afluentes. o rio M a v u z i . pelo Decreto n° 39 2 3 7 . e. entendendo. 2 0 0 metros existente na zona de rápi- dos denominada «Quedas do Revuè». O capital inicial f o i . acompanhada por um grupo financeiro ligado à mesma Sociedade. em face do alto interesse público que oferecia o aproveitamento das águas do rio Revuè. de 10 de Julho de 1946. imediatamente a jusante da foz do seu afluente. foi constituída em Lisboa. Professor Doutor Marcelo Caetano. de 6 de Junho de 1953. com sede no Porto.R. a 1 de Julho de 1946. 0 M i n i s t r o das Colónias de então. de 30 mil contos.
Com base nos projectos elaborados pelo Gabinete de Estudos da Hidro-Eléctrica do Zêzere. correspondendo a uma receita bruta de 3 0 0 000 contos. razão por que já está prevista a construção da central de pé de barragem da Chicamba. Está. indo de encontro aos desejos manifestados pela «Electricity Supply Commission» —o organismo oficial que. seguidamente.5 M V A cada u m . a energia vendida quase triplicou de 1956. que ficará equipada com 35 M W . e foi ampliada a central do M a v u z i para insta- lação de três novos grupos turbogeradores. é lógico admitir-se que a potência máxima solicitada à central do M a v u z i . destinada à regularização inter-anual dos caudais do Revuè. o que fará subir a capacidade da albufeira para cerca de 2000 milhões de metros cúbicos. venha nos próximos anos a sofrer # u m acréscimo da ordem dos 1 1 % ao ano. a qual foi projectada e construída em menos de um ano. considerados suficientes para ocorrer às necessidades dos anos mais próximos. Assim. noutros mercados. as quais concluíram pela assinatura. Também na exploração. com 53 metros de altura. ao longo de dez anos. o ritmo das últimas betonagens da Barra- gem da Chicamba chegou a exceder dez mil metros cúbicos por mês. que iniciar novos escalões. ao longo de alguns anos. é de 20 vezes o aumento verificado. houve que elevar sucessivamente o capital da SOCIEDADE HIDRO-ELÉCTRICA DO REVUÈ. Concluídas em 1953 as obras desta primeira fase e construída a linha de transporte a 66 K V . bem como a construção de uma central de pé de barragem que poderá atingir a potência de 35 M W . Ao analisar. retrospectivamente. de 12 MW cada um. que tornou possível a realização de empreendimentos de tão grande vulto por tcdo o país — e s t á construída apenas a primeira fase. Para este f i m construiu-se uma nova linha com 172 quilómetros de extensão para o trans- porte da energia à tensão de 1 10 KV até à cidade da Beira. de um contrato para um fornecimento da ordem dos 1500 G W h de energia. c prosseguem os estudos para determinar as soluções economicamente mais vantajosas para um f u t u r o mais distante. supe- rintende na produção e distribuição da energia eléctrica — encetaram-se negociações com vista à exportação de grandes quantidades de energia para abastecimento da cidade e região de U m t á l i . p o r t a n t o . . motivo por que o actual sistema terá de ser a m - pliado novamente dentro de alguns anos. Enquanto que 20 milhares de metros cúbicos de betão se colocaram peno- samente no primitivo açude. por emissões de acções e de obrigações até ao montante de Esc. diligenciou-se obter colocação para a energia disponível. como para levar a cabo mais rapidamente a obra de fomento económico na região de M a n i c a e Sofala que justificara as concessões outorgadas. foi construída uma barragem na garganta denominada «Chicamba Real». Em relação ao início da exploração e durante os cinco anos já decor- ridos. hoje ampliado por meio de uma linha de 22 KV através da zona industrial da Manga e do concelho do Dondo até à central elevatória de abastecimento que logo se verificou corresponder inteiramente às esperanças nele depositadas. no f i m daquele ano. sem prejuízo das necessidades da Província. Para a efectivação de tão vasto programa. onde foi localizada uma subestação equipada com dois transformadores de 12. Na zona do antigo aproveitamento foi aumentada a capacidade de embalse do açude. iniciando-se no ano de 1956 o forne- cimento à cidade e ao porto da Beira. entre a Central do M a v u z i e a Subestação de Vila Pery. na cidade de Lisboa. a que foi dado o nome de «Marcelo Caetano» — o ministro que promoveu a constituição da empresa e lhe assegurou condições de bem poder cumprir a sua m i s s ã o — instaladas novas condutas e os grupos turbogeradores já referidos. na Federação das Rodésias e da Niassalândia. de igual modo surpreende a comparação do tempo despendido na montagem da linha de U m t á l i . fornecer energia ao concelho do Chimoio. que deixa a perder de vista as previsões mais optimistas dos primeiros tempos da sua actividade. sob c qual foi construída uma ponte. em homenagem ao Presidente do Conselho. há que acentuar a quase chocante aceleração com que os empreendimentos têm sido realizados. prevista a sua elevação em mais 20 metros. Ao mesmo tempo. Não só porque o elevado custo das obras realizadas o exigia. porém. com 47 quilómetros de extensão. 4 2 0 0 0 0 0 0 0 $ 0 0 que correspondem ao actual valor do investimento. a alimentação da fábrica da Sociedade Algodoeira e. foi possível iniciar. com o que foi gasto na montagem da linha de alta tensão destinada à alimentação de V i l a Pery. Em breve haverá. cujo valor de ponta a t i n g i u os 20 MW no período de 1957-58. atingindo aproximada- mente o dobro em 1958. em 1955. asse- gurando um armazenamento da ordem dos 450 milhões de metros cúbicos de água. a evolução da actividade da SOCIEDADE HIDRO-ELÉC- TRICA DO REVUÈ. Da grande barragem —a que foi dado o nome de «Oliveira Salazar».
que corre próximo da área da concessão da SOCIEDADE HIDRO-ELÉCTRICA DO REVUÈ e que pelas suas características oferece perspectivas de certo modo complementares das facultadas pelo Revuè. que constituiu o seu campo de acção. Ponte açude «Marcelo Caetano» Admite-se ainda a hipótese de intercalar entre quaisquer destes empreendimentos o apro- veitamento das águas do rio Púnguè. continua empenhada com redobrado entusiasmo. acompanhando a SOCIEDADE HIDRO-ELÉCTRICÀ" DO REVUÈ. o progresso da Província de Moçambique. de f u t u r o . a SOCIEDADE HIDRO-ELÉCTRICA DO REVUÈ pode contemplar com legítimo desvanecimento o caminho percorrido e. atodo o momento. . numa afirmação con- creta de quanto vale a amizade e o bom entendimento entre as nações. necessidade que se não satisfaça. ao mesmo tempo que continue aprestar colaboração eficaz para a satisfação das necessidades e para um maior desenvolvimento dos territórios vizinhos. não haja pedido viável que se não atenda. em contribuir tão largamente quanto lhe seja possível para o fomento económico da região de Manica e Sofala. certa de haver correspondido à confiança dos poderes pfúblicos que lhe outorgaram concessões e tornaram viável a sua actuação bem como à das entidades particulares que prontamente acorreram a demonstrar-lhe a melhor compreensão e interesse por tão grande empreendimento. iniciativa que se não anime ou auxilie. Ao cabo de 17 anos de intenso labor. Esperamos que. tal como até agora.
quer em produção. acampamentos para trabalhadores nativos e residências para todo o restante pessoal. As plantações possuem estra- des. com capitais suíços. na região de V i l a Pery. A empresa emprega nas suas plantações. Plantação de Sisal f Nos últimos dois anos. Leenhouts. A ZEMBE P L A N T A T I O N S é uma das grandes empresas agrícolas da região de V i l a Pery que m u i t o contribui para o engrandecimento e progresso agrícola não só de M a n i c a e Sofala como da Província de Moçambique. C. era gerente das plantações um irmão do fundador da orga- nização. ZEMBE PLANTATIONS. A venda t o t a l . e sete empregados europeus portugueses e um holandês. com tendência para aumentar. PIONEIROS DO SISAL ZEMBE P L A N T A T I O N S é uma organização agrícola que foi criada pelo pioneiro Otto Schneebeli. A ZEMBE P L A N T A T I O N S exporta para os mercados da Ho- landa. Na época da sua fundação. alguns deslocaram-se à ZEMBE P L A N T A T I O N S para tomarem conhecimento desses no- vos métodos e. América do Norte e Japão. escritórios. A actual gerência das plantações é dirigida pelo cidadão holandês A. Por esse facto. o cidadão suíço Gustav Linck. A l e m a n h a . devido ao emprego de métodos recentes. como gerente. sendo uma no Vale de Ceres e a outra no lugar da Boa V i s t a . A ZEMBE P L A N T A T I O N S dedica-se à plantação de sisal. Todos os empregados com direito a férias na Europa. e os empregados usufruem o seu vencimento por inteiro. a produção anual das plantações é calculada em duas mil toneladas de sisal. Todos os empregados da empresa têm assistência médica g r a t u i t a . A empresa possui duas fábricas. Em construção estão uma escola e uma igreja. de ano para ano. no ano de 1964. Bélgica. A despesa a n u a l . que permaneceu na gerência durante quinze anos. — 258-C — . no ano de 1930.. poderem aumentar as suas produções de sisal. uma cantina para abastecimento dos seus empregados. têm passagens pagas. foi de onze mil e cem contos. pontes e linhas «décauville». Mais tarde sucedeu-lhe. no valor de dez mil contos. As plantações foram sempre progredindo. assim. A c t u a l m e n t e . LTD. e também o seu primeiro director. e pertencem ao Distrito de M a n i c a e Sofala. entre oitocentos e mil operários nativos. bem como a sua f a m í l i a . do qual tiveram conhecimento os sisaleiros do norte da Pro- víncia. é de cinco mil e duzentos contos. quer em tamanho. com salários. diversos arma- zéns. França. onde se situam as plantações. graças ao emprego de sistemas mais actualizados: A área total das plantações é de seis mil trezentos e noventa e dois hectares. as plantações têm estado a produzir mais.
inteligência.. É devido ao espírito empreendedor e activo do Eng. deste modo. até 2 8 0 metros abaixo da superfície. após a sua formatura em Portugal — que a abandonada mina é explorada. de um empreendimento de grande envergadura. Trata-se. Eng. uma das primeiras beneficiadas com o incremento que a E D M U N D I A N INVESTIMENTS. que se transformará em grande fonte de riqueza. com maior desenvolvimento no fundo da mina. lhe proporcionará. 0 Bettencourt Dias. há grandes probabilidades de se encontrarem outros filões de m i - nérios que não afloram à superfície. EDMUNDIAN INVESTIMENTS. saber e dinamismo do Eng. mas que apresentam regularidade e persistência em exten- são. Bettencourt Dias Situada na serra da Isitaca. Ao entusiasmo." Bettencourt Dias. que se estendem lateralmente por cerca de quatrocentos metros. 0 Bettencourt Dias — a l i a d o a profundos conhecimentos adquiridos em curso especializado nos Estados Unidos. Trata-se de um empreendimento de grande vulto. que vai. naquela re- gião que é particularmente rica de outros minérios nos quais se inclui o ouro. sem dúvida. Nesta mina existem sulfuretos de cobre. de 180 para 25 libras por tonelada. e em profundidade. LDA. — 258-D — . LDA. que esteve abandonada durante quarenta e dois anos e encontrada pelo Eng. a 13 quilómetros da histórica V i l a de M a n i c a — n a fronteira de Moçambique com a Rodésia — existe uma mina de cobre. LDA. A bonita e progressiva V i l a de M a n i c a será. que só foi possível graças ao auxílio financeiro que o Eng. 0 Bettencourt Dias obteve j u n t o de entidades sul-africanas. já reconhecidos. A actual empresa vai efectuar sondagens para estabelecer as riquezas dos novos filões. que a ele se associaram. A mina foi abandonada no ano de 1922. como facilmente se conclui. que indicam que além dos filões já conhecidos e explorados pelos antigos proprietários. ter grande projecção f u t u r a na vida económica e industrial do Distrito de M a n i c a e Sofala. permitindo. em 1963. em filões verticais. os trabalhos de geoquímica. Já foram iniciados pelos técnicos que prestam serviço na E D M U N D I A N INVESTIMENTS. ficamos a dever esta importantíssima iniciativa. por certo. a exploração da enorme riqueza do subsolo. quando o preço do cobre baixou nos mercados mundiais.
em Vila Pery 258-E . TEXTAFRICA UMA GRANDE ORGANIZAÇÃO PIONEIRA Vista geral do complexo fabril.
O seu «Time» de futebol e treinadores Piscina do Grupo Desportivo e Recreativo da TEXTÁFRICA .
Foi louvado pelo Governador do Distrito de M a n i c a e Sofala. pelo desempenho das funções de Secretário Distrital. Foi louvado pelo Governador do Distrito da Z a m b é z i a . que larga actividade tem desenvolvido em prol do progresso da cidade. tendo vindo para a Província em 1923. procurando com o maior interesse resolver os múltiplos problemas do seu município. foi designado para exercer o cargo de Secretário Distrital de Administração Civil da Z a m b é z i a . Nesta mesma d a t a . fixando-se em Lourenço Marques. em 5 de Fevereiro de 1962. Foi louvado pelo Governador do Distrito da Z a m b é z i a . PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE QUELIMANE Manuel Danilo Fernandes da Costa. Durante quatro anos trabalhou na repartição de pessoal. Nos concursos do Quadro A d m i n i s t r a t i v o a que teve de se submeter. cargo que desempenhou durante cerca de ano e meio do qual transitou para 'a Administração do Concelho de Quelimane. onde o pai se dedicou à indús- tria de barbearia. foi transferido para o Distrito de Manica e Sofala. Promovido a Administrador de Circunscrição em 26 de Novembro de 1960. Desde a sua investidura. prestando serviço no Distrito de Tete. em 20 de Outubro de 1945. donde. em 19 de Janeiro de 1953. assim como à a g r i c u l t u r a . pelo desempenho das funções de Administrador do Concelho de Quelimane. há já alguns anos à frente dos destinos da Câmara M u n i c i p a l de Quelimane. uma vez concluídos os seus estudos. Inhambane e Lourenço Marques. obteve sempre as melhores classificações. M A N U E L D A N I L O FERNANDES DA COSTA. tomou posse do cargo de Presidente da Câmara Municipal de Quelimane. na circunscrição do Báruè. da Direcção dos Serviços de Administração Civil. por desempenho das funções de Secretário e Administrador. ingres- sou no Quadro A d m i n i s t r a t i v o da Província. em 8 de Março de 1956. interino. Ascendeu à categoria de Chefe de Posto em 21 de Junho de 1949. nasceu em Lourenço Marques. Seus pais — D . por promoção a Secretário de Circunscrição. tendo inicialmente prestado serviço nos Distritos de T e t e . em 28 de A b r i l de 1964. Adelina Fernandes e Virgílio F e r n a n d e s — são metropolitanos. Câmara Municipal — 259 — .
depois de Moçambique. onde as linhas do f u t u r o hão-de fazer acorrer. nas suas lendas. as riquezas do seu fertilíssimo ventre. esta persona- lizada Z a m b é z i a . o maior centro de toda a costa moçambicana. M a l decorrera um século e já os portugueses saídos desse Tejo glorioso se haviam fixado em Quelimane. A t é onde a imaginação das «Donas -—as celebradas «Donas de Q u e l i m a n e » — foi a t i - çada pela fama das riquezas e grandezas de antigos monarcas. HISTÓRIA DE QUELIMANE A vetusta Q U E L I M A N E já constituía povoação quando o f u t u r o Conde de Vidigueira mo- lhou ferro nas águas que ele próprio apelidou de Rio dos Bons S i n a i s — 2 2 de Janeiro de 1498. tem em Quelimane o seu Salão Nobre e o seu celeiro previdente. se conseguiu dar que fazer a muitos através de um sem-número de realizações sobretudo no aspecto agrícola e comercial. Vista aérea do porro e da cidade — 260 — . de governadores poderosos que ficaram nas lendas t a n t o pela sua sabedoria como pelo seu fausto? Os «festins zambezianos» não seriam o derradeiro eco daquele reboar da lenda? Sempre enorme na sua força. muitas vezes sem grandes ajudas ou facilidades. é a capital de um dis- t r i t o onde. cidade desde 21 de Agosto de 1842. para todo o Moçambique e para todo o mundo. Nela começava a aventura do misterioso Zambeze — a grande via de penetração até ao Z u m b o . aquela Quelimane que ao tempo da carta de D. com os seus «Prazos da Coroa». Quelimane. mercê do esforço de alguns. José —9 de Maio de 1761 — era. no seu potencial económico. e por ele se lançavam na milenária quimera do oiro os que imaginavam beijados pelas suas águas os territórios onde se situavam os filões que proporcionaram as aurifulgentes colunas do tempo salomónico e as gemas magníficas que adornam o diadema da rainha do Sabá no dia longínquo em que foi gerado — d i z a l e n d a — o primeiro rei da Etiópia. uma das suas formas e fontes de v i t a l i - dade.
o açúcar nas margens do Zambeze (Luabo. É óbvio que tal densidade re- sulta das necessidades de pessoal afecto à indústria. no A l t o Ligonna e no Gilé. agora com a sua ponte acostável ampliada e melhorada a zona portuária. e obtém-se. em todo o litoral dos distritos — perto da Maganja da Costa situa-se o maior Palmar do m u n d o — o chá no Guruè. — 261 — . A par destas culturas. etc. aproximadamente. Se consultarmos o mapa demográfico da Província. no Socone. Palácio do Governo Nestes factores — a elevada densidade demográfica e a riqueza das terras do seu «interland» — há que «filhar» a maior ocupação t e r r i t o r i a l . num raio de 150 quilómetros. o feijão. o desenvolvimento de várias culturas que podemos classificar de ricas verbi gratia e copta. é o escoamento natural de grande parte dos produtos da Zambézia.Z a m b é z i a . o sisal em Naciáia e em M o c u b a . com raízes de séculos no solo zambeziano. habitação e à zona portuária e às actividades que com esta se relacionam. o que conta maior número de almas. a mandioca. em Mocuba. constituem fontes de riqueza que muito contribuem para uma valorização económica. estabelecido entre Quelimane e Mocuba. Com esta fixação à terra obteve-se. e outras mais pobres a constituírem a base da alimentação da maior parte da população : o milho. não só a nível distrital mas até a nível nacional. o aproveitamento das madeiras da região e a exportação do subsolo. constatamos que o Distrito da Z a m - bézia é. Tal concorre para que a densidade populacional na área circundante da cidade de Quelimane. o algodão na M o r r u m b a l a . no extracção de minérios que abundam na A l t a . em Mocubela. a t i n j a um dos valores mais altos em toda a Província de Moçambique : mais de 40 habitantes por quilómetro quadrado. no Tacuane e em M i l a n g e . Pena é que o caminho de ferro existente seja só um troço de 145 quilómetros. a batata-doce. comércio. depois do Distrito de Moçambique. o arroz. mas sobretudo da fertilidade das baixas da Zambézia às culturas essenciais à alimentação da população que nela habita. continentais ou indianos. Marromeu e Mopeia). quer por africanos. sendo também certo que se apoia numa rede de camionagem automóvel com centro em Mocuba donde irradia para outros pontos do distrito. O desenvolvimento da cidade de Quelimane é pois consequência do que se fez e do que se fizer no interior do distrito até porque o porto que a serve.
madeiras. Paço do Bispo A pecuária é outro valor económico que já avulta na economia da Zambézia que pratica- mente se iniciou e desenvolveu por iniciativa de algumas empresas radicadas na exploração dos palmares e com vistas fundamentalmente à fertilização das terras afectas à cultura do coco. amêndoa. milho. porém. porém. copra. salientando-se a de transformação de produtos extraídos à terra (açúcar. algodão (descaroçamento). incorporando sobretudo nos produtos exportados. mandioca. A fauna africana. uma boa fonte de receita. o maior volume possível de trabalho humano. com carinho. mas sobretudo para aproveitar os imensos recur- sos em que a Zambézia é pródiga. ainda está em fase inicial. chá. Hoje. por ora bastante rotineira.li 5li Cinema Águia — 262 — . já se dedicam à pecuária. sobretudo certas espécies concentradas em determinados pontos do dis- t r i t o . obtidos de produções primárias. ' Jf I" l i -i" "1 * ' :• '. muitas mais se poderiam aqui instalar não só como apoio a uma a g r i c u l t u r a . pode constituir um motivo de atracção turística e. vários criadores europeus e africanos. consequentemente. Se bem que existam iá algumas instala- ções industriais. argila (cerâmica) e extracção de minérios. óleos e f i b r a ) . A indústria.
e consequentemente o rápido desenvolvimento agrícola e industrial de que t a n t o se carece. no e n t a n t o . muito há que rea- lizar ainda para alcançar razoável satisfação d a i suas imensas necessidades. há já firmas constituídas com capitais portugueses e estrangeiros interessadas em estabelecer na Z a m b é z i a . encarando-as como meio de rentabilidade indirecta. de toda a Zam- bézia e importante para a economia da Província. dado que o sua solução é vital para o desenvolvimento de Quelimane e. Recorrendo-se. e mercê talvez do propósito demonstrado em encontrar-se uma solução para o problema de produção e fornecimento de energia eléctrica. cie forma alguma. — 263 — . t e m já adjudicados os respectivos anteprojectos à f i r m a SOFRELEC (Société Française d'Études et Réalizations Électriques-Paris) pela impor- tância de escudos 33 3 2 0 0 0 0 $ 0 0 . Edifício «Ferreira & Faria» O problema da energia eléctrica está a ser estudado com afinco e interesse. Como resultado de estudos recentes. não pode. obter-se energia barata. Tem a Zambézia pugnado pela resolução definitiva da sua rede v i á r i a . que aqui chega a preços m u i t o elevados. e limite com o Distrito de N a m p u l a . que num período próximo as principais vias de comunicação tenham o arranjo d e f i n i t i v o que o seu tráfego já j u s t i f i c a . a par do reconhecimento mais profundo das potencialidades do terreno para diversas culturas. teve a cidade nestes últimos anos um grande impulso com a criação de um Liceu — com frequência de cerca de 3 4 0 alunos. hoje já com os três ciclos em funciona- mento — uma Escola Técnica em edifício próprio e moderno — com frequência de cerca de 810 alunos. neste d i s t r i t o . Os dois grandes pilares necessários ao desenvolvimento de qualquer território — energia eléctrica e boas vias de comunicação — têm sido o verdadeiro "Calcanhar de A q u i l e s " a vencer. encara-se a hipótese da construção de aproveita- mentos hidroeléctricos. como sucede actualmente em quase toda a Z a m b é z i a . a centrais térmicas alimentadas a diesel. m u i t o próximo de Quelimane. simultaneamente. alguns dos quais — conjunto Luo-Lugela e sistema L ú r i o — . No campo do ensino. Esperancemo-nos. U l t i m a m e n t e . o que redundará em benefício para a cidade.
à habitação do tipo tradicional — casas de madeira revestidas a argila e cobertas a folha de palmeira. A resolução do abastecimento de energia eléctrica à cidade em melhores condições de preço. Hotel Vera Cruz — 264 — . e está já em construção um outro colégio para rapazes. tal como sucedeu na cidade da Beira. O r i t m o de construção não acompanhou a evolução social do meio. Edifício Monteiro e Giro A l é m destes estabelecimentos de ensino continua em funcionamento o Colégio Nuno Álvares com leccionação até ao 5. o que. lutando-se ainda com bastante f a l t a de habitações. quase exclusivamente. aliás. sobretudo para as classes média e economicamente débeis. que recorrem. será sem dúvida o factor determinante do seu desenvolvimento.° ano dos Liceus e com a frequência de cerca de 300 alunos. as preserva do calor.
O cais. destacando-se o grandioso edifício da f i r m a M o n t e i r o & Giro. possuindo os maiores palmares do m u n d o ! É o segundo d i s t r i t o da Província em população. Namacurra. deverá ficar com 2 1 0 metros de extensão. além dos aviões da DETA. escalados pelos aviões de uma Empresa de Aero-Táxis. Quelimane é o ponto de convergência das riquezas do distrito e as suas condições actuais permitem que os habitantes vivam com todo o conforto da vida moderna : possui cinema uma piscina. além de outros. campos de ténis. conser- vando as suas tradições de uma já m u i t o longa integração entre as raças que ali vivem. a construção foi terminada em 1954 e permite a acostagem a embarcações até 18 pés de calado. Calisto Rangel de Sá. presen- temente sofrendo ampliação. M i l a n g e . milho e castanha de caju. A cidade possui já um cais acostável com 120 metros de extensão e 1 5 de largura. Macuse e Pebane — todos frequentados pela navegação costeira. Entre as associações e clubes. É hoje uma cidade moderna e em constante desenvolvimento. futebol e outros desportos e numerosos clubes sociais e desportivos. O actual Governador do Distrito da Zambézia é o Tenente-Coronel Beça Múrias. e de solo riquíssimo. está situada na margem esquerda do Rio dos Bons Sinais. Mopeia. Gúruè. Chinde. capital do Distrito da Z a m b é z i a . HISTÓRIA DOS DISTRITO DA ZAMBÉZIA Quelimane. Lugela. Chinde. o Sport Quelimane e Benfica e o Sporting Clube de Quelimane. por carta régia dirigida ao Governador e Capitão-General da Praça de Moçambique. Quelimane. que servem Quelimane. O distrito tem as seguintes divisões administrativas : Quelimane. incluindo o urbanístico. No sector da pecuária tem : gado bovino. Namarrói e Pebane. Quelimane. que talvez possa ser considerado o maior de toda a Província. a 18 milhas da barra do Tangalane. He. não se deixou paralisar na contemplação do seu passado pitoresco. — 265 — . Existem no distrito quatro portos naturais : Quelimane. um dos centros populacionais mais vastos e antigos de Moçambique. Em 9 de M a i o de 1 7 6 1 . sisal. depois de concluídas as obras. sua c a p i t a l . Tem a copra e o coco. A l t o Molócuè. Em 1942 foi elevada a cidade por portaria do M i n i s t r o do Ultramar. atravessada por boas artérias e possuidora de construções de vulto. a cidade de Quelimane é o centro de uma região de grande interesse turístico. foi a povoação elevada à categoria de vila. A Zambézia é o distrito que maior número de divisas dá à Província. A Zambézia é uma região agrícola de notável riqueza. No Distrito da Zambézia cultivam-se o chá. Quase todos os centros possuem pequenos aeródromos. registamos a Associação de Fomento. o Clube Ferroviário. M a g a n j a . açúcar. caprino e suíno. M o r r u m b a l a . Rodeada de grandes bosques de palmeiras. é uma cidade em constante progresso e desenvolvimento. Mocuba. algodão.
Nas áreas dos concelhos de Quelimane e Chinde. — 266 — . Como produtor de chá. Cuf. também a importação dos mais diversos artigos. nos postos de Inhassunge e Micaune e na circunscrição da M a g a n j a da Costa. centralizada em Quelimane. nos concelhos de Quelimane. cultiva a em- presa uma área de 7 5 0 hectares. do Mónaco — e conjuntamente. na sede da Sociedade. possui a empresa 1 464 166 palmeiras das quais 980 551 em produção plena. pretendendo aumentar para 25 mil cabeças. * SOCIEDADE AGRÍCOLA DO MADAL Instalações da M A D A L A SOCIEDADE A G R Í C O L A DO M A D A L . dos produtos Ford. na circunscrição do Lugela e no posto do Tacuane. e ainda como Agente de Navegação M a r í t i m a e Aérea na praça de Quelimane. É Agente Distribuidor. no Distrito da Z a m b é z i a . no distrito. no porto de Quelimane. dos quais mais de 500 em produção e com uma média. A Sociedade. Micaune e Inhassunge e exerce. pecuária. por hectare. estende-se às filiais de M o c u b a . Chinde e Mocuba e nas circunscrições da M a g a n j a da Costa e do Lugela. A actividade comercial. como criador de gado e nas mesmas divisões administrativas mantém a Sociedade 13 390 cabeças de gado bovino além de outras espécies. considerada recorde em Moçambique. utilizando cerca de 2 0 0 empregados com carácter permanente e empregando 5000 trabalhadores rurais. Michelin e outros. a c t u a l m e n t e . sendo também Agente Transitário. o Príncipe A l b e r t o de Mónaco — bisavô do Príncipe Rainier. M o b i l . dedica-se às seguintes actividades : agrícola. comer- cial e industrial. bem como o A g e n t e de Seguros em representação das Companhias Império e Lloyds. estabelecida em Quelimane desde 1903. no posto do Bajone. além da exportação dos artigos da sua produção. Nestlé. teve como fundadores. como agricultor de copra. capitais marselheses. Basf.
to- das em alvenaria. em Quelimane. além do telefone. 20 tanques carracicidas. nos pontos de maior concentração. de pessoas e mercadorias. bem como centenas de alfaias como charruas. «jeeps» e «land-rovers». integrados de 40 tractores. Várias moagens para consumo próprio. entre as várias propriedades. para abastecimento de energia a todas as suas actividades daquela área. 42 estufas para secagem da copra. mantém a empresa 4 campos de aviação. No campo social. servidos por 6 enfermeiros diplomados. Distribuídos pelas várias propriedades da empresa. além da estrada e da via f l u v i a l . e no Tacuane está a pro- ceder à montagem de uma central hidroeléctrica. Possui várias oficinas de serralharia e de reparação de veículos. etc. Os transportes fluviais. Para g a r a n t i a de comunicações entre os vários sectores da empresa. quase uma centena de motos e motorizadas e ainda vários centos de carros de bois. Para os seus serviços agrícolas. para o que dispõe de 7 rebocadores movidos a diesel. quando existente. bem como para cima de um milhar de pequenas moradias para o pessoal eventual. a M A D A L possui uma fábrica de chá no Tacuane. dispõe a empresa de diversos parques de maquinaria e alfaias. dotada de maquinaria de mais moderna. niveladoras. Micaune e M a t u l u n e . 40 atrelados basculantes e fixos. são feitos por um conjunto de duas dezenas de lanchas de ferro. espalhadas por diversos locais. e uma oficina de reparações navais em M a r r u b u n e . nos melhores moldes de técnica. Como industrial. com maternidades e mais instalações sanitárias apropriadas. possui a Sociedade cerca de 35 camiões e camionetas. possui a Sociedade quase uma centena de armazéns de alvenaria. bem como instalações para armazenagem de combustíveis e óleo. estando as sedes das diversas plantações ligadas cem Quelimane por 7 postos de rádio. dispõe a Sociedade de mais de uma centena de residên- cias. quase que diariamente. O Conde de Babone junto de alguns elementos da equipa de futebol da M a d a l . mais de uma centena de poços de bebedouro para gado. segurança e economia. servidos. grades. com uma tonelagem de quase 1000 toneladas de deslocação. por aviões com quem a Sociedade mantém avenças. Para instalação dos empregados. Inhangulue. Para transportes por terra. ceifeiras e o mais diverso material. escavadoras. diversos currais de t r a t a m e n t o de gado. com instalações todas dotadas de geradores próprios de energia eléctrica. a Sociedade possui diversos postos médicos. dirigidos por um médico contratado pela empresa e por 3 médicos avençados e duas enfermeiras regionais. — 267 — . estando projectada a construção de uma outra unidade.
e para os filhos dos empregados vivendo no interior. 15 escolas primárias. As principais exportações da SOCIEDADE A G R Í C O L A DO M A D A L são a copra e o chá. Por tudo quanto fica descrito acerca desta grande e prestigiosa organização moçambi- cana. que se radicou na Província de Moçambique há 33 anos. para Israel. Para educação dos filhos dos seus empregados e até para as crianças das populações rurais limítrofes das suas actividades. por mais de 1000 crianças. por vezes. actualmente. A copra é exportada para o Médio Oriente. a i n d a . que é de nacionalidade inglesa. a quando das competições inter-regionais. se avalia o seu contributo para o progresso económico e social da Z a m b é z i a . Este é exportado para a Europa. Uma pequena parte da produção é exportada para os Estados Unidos da América. exibições de cinema e folclore regionais. pagando os empregados uma pequena verba. cujas equipas são orientadas por empregados com alguns conhecimentos desportivos. isto é. um terceiro Administrador. e frequentadas. festivais desportivos e recreativos. organiza a Sociedade. Finalmente. na cidade de Quelimane. com exi- bições do agrado das populações. que frequentam na cidade o ensino primário e o secundário oficiais. O valor dessas exportações anuais oscila entre 75 a 80 mil contos. com professores habilitados nas Missões Católicas. possui a empresa dois internatos para albergar crianças. — 268 — . sendo de sua conta o fornecimento de todo o equipamento desportivo e os transportes. sendo na sua maior parte para a Inglaterra. em geral. seguida da Ale- manha. Na sede da empresa. mormente para f u t e b o l . de ambos os sexos. A empresa mantém cerca de 20 campos de jogos. e da Pro- víncia. há dois Administradores : o português João Bobone e o suíço Henri Hubert. são mantidas pela empresa. Em Quelimane. etc. não servido por esco- las oficiais. que se encontra na fábrica de chá. em Tacuane. Há.
como a Áustria e o Egipto. Portugal que se bastara a si próprio e fora exportador para as refinações da Inglaterra. que podia honrar-se de ter sido precursor da cultura e da industrialização da cana sacarina em terras do Ocidente. Flandres e A l e m a n h a . primeiro a M a d e i r a . è — 269 — . que tivera na Madeira os mais aprecia- dos açúcares. E já então a importação subia a mais de 27 mil toneladas. Portugal. o vastíssimo Brasil. fora decaindo na produção. PIONEIRO DA INDÚSTRIA AÇUCAREIRA EM MOÇAMBIQUE JOHN PETER HORNUNG Portugal. pela independência do Brasil. a A l e m a n h a e a França. longe de receber os nossos açúcares. q u e m . depois S. Em fins do século X I X eram já a Inglaterra. Tomé e por f i m . e vira-se passar de exportador a importador. não só devido ao progresso da cultura na América Cen- t r a l . fornecia o mercado interno português. a seguir os Açores. como t a m b é m .
como reconhecimento pelo seu notável empreendimento. Unido pelo casamento com a ilustre senhoru D. a primeira fábrica açucareira de Moçambique. que t a n t o veio valorizar a Província de Moçambique e a economia nacional. acarretando materiais. para em luta contra o meio. Pelo notável esforço despendido e pela obra que ia criando. tendo sido condecorado pelo Gover- no com a Ordem M i l i t a r de Cristo. Era necessário reatar a tradição açucareira portuguesa. J O H N PETER H O R N U N G recebeu os maiores louvores das autoridades portuguesas. iniciado. o que em 1893 já exportava para a M e - trópole o açúcar ali produzido. Laura de Paiva Raposo — f a m í l i a p o r t u - guesa de nome bem conhecido na ocupação da Z a m b é z i a — traz consigo todo o dinamismo. num reatamento da tradição açucareira portuguesa. a 120 q u i l ó m e t r o s — e m linha r e c t a — d a costa. A produção de Moçambique viria a ser decisiva na nacionalização da produção e do con- sumo do açúcar português. Escritórios no Luabo —270 — . Estava. reunindo o capital esquivo. meteu ombros J O H N PETER H O R N U N G . assim. o ciclo do açúcar moçambicano. T a r e f a quase sobre-humana impôs a si mesmo. com arrojo e inte- ligência. plantando cana. contra o clima. a que o ligava já o sentimento e a que em breve quereria como se a sua própria terra natal fosse. montar em Mopeia. aquele que viria a ser o pioneiro da indústria açucareira em Moçambique. de então. a de desbravar a selva. A essa t a r e f a . Chegou à Zambézia por alturas de 1890 J O H N PETER H O R N U N G . denodado batalhador e pioneiro. o tempo e o espaço. todo o entusiasmo pelo progresso daquela terra lusitana.
ainda que bastante incompleta. os seguintes quadros : Campa de aviação — 271 — .. durante longos anos. E. seu pai.C. Do que hoje vale o empreendimento sob os aspectos económico e social de Moçambique. M. dão ideia. OB. D. . cujo nome todos ainda recordam como grande amigo de Portugal. como já anteriormente o fizera. grande impulsionador da empresa. Clube do Luabo A tudo preside hoje com o mesmo entusiasmo e dinamismo o neto do fundador : Coro- nel J. o Coronel CHARLES H O R N U N G . H O R N U N G .
Assistência médica e f a r m a c ê u t i c a — 1964 Hospitais centrais — Luabo e M a r r o m e u . M a r r o m e u e M a t i l d e . Hospitais regionais — Luabo. futebol — 390 0 0 0 $ 0 0 . A l i m e n t a ç ã o — 44 241 780$00. Hospital do Luabo Vestuário — 3 3 4 0 895$00 A l o j a m e n t o — 4 691 0 1 2 $ 0 0 . — 272 — . Recrutamento e transportes — 21 097 4 5 0 $ 0 0 .DESPESAS C O M RECREIO : Clubes. Despesa em 1964 — 6 2 7 4 848$00. Trabalhadores indígenas—1964. Número m é d i o — 18 594. N u m t o t a l de 122 521 0 1 0 $ 0 0 . ténis. Vencendo : Salários e gratificações — 49 150 873$00. cinema e desporto : golfe. Enfermarias e postos sanitários em todos os acampamentos.
2 dragas. Embarcado para a Metrópole e outras Províncias Ultramarinas — 60 3 8 0 toneladas. 5 escavadoras. — 273 — . No porto do Chihde — Rebocadores. Outras actividades em exploração— 1964 Copra — Palmar na M a t i l d e . Apetrechamento mecânico : 109 tractores. Vencimentos pagos — 33 5 0 0 0 0 0 $ 0 0 . oficinas de reparações. dois pontões. 2 grupos motobombas. 24 locomotivas a vapor. 2 0 0 0 vagões e zorras diversas. 13 locomotivas a diesel. D i s t r i b u i ç ã o — 1964 (ano civil) : Vendido na Província — 41 471 toneladas. Capacidade de produção : À data do Decreto-Lei n. Açúcar produzido Em 1964 — 96 7 9 4 toneladas. 30 locomotivas e automotoras.Transportes e mecânica a g r í c o l a — 1964 Caminhos de ferro — 350 quilómetros. estaleiros.° 38 701 (Março de 1 9 5 2 ) — 6 5 0 0 0 toneladas. Pessoal civilizado ( 1 9 6 4 ) — 6 0 0 empregados com 1450 familiares. 1 9 6 4 — 1 3 0 000 toneladas Área plantada 1964 — 21 3 5 9 hectares Área cortada 1 9 6 4 — 16 211 hectares com 805 838 toneladas de cana. espa dores de adubos. 30 charruas e grades de discos e valadores. Frota do Zambeze — 9 vapores com os respectivos batelões. Comunicações telefónicas ou radiofelefánicas privativas : Entre as diversas propriedades e acampamentos. etc. alfaias.
etc. não só na economia de Moçambique. T o t a l de Escudos 53 2 0 0 0 0 0 $ 0 0 . atravessou todas as crises do país neste extenso período. M a t i l d e e M a r r o m e u . Refinaria em Lisboa. Subsídios de família — 5 215 0C0$00. como também da Nação. em ligação com o Trans-Zambezia. Por tudo que atrás fica apontado se depreende o lugar de relevo que a SENA SUGAR ESTATES. seguindo os altos e baixos da indústria açucareira. Capitação média mensal — Escudos 8 800$00.C a i a .) — 5 154 0 0 0 $ 0 0 . — 274 — . Caminho de ferro : M a r r o m e u . LTD ocupa. Despesas de alojamento (casa mobilada) —2 084 300$>00. Pessoal civilizado : Benefícios de carácter social •— 1964. marcando lugar de destaque na linha avançada das grandes açucareiros mundiais e o primeiro lugar entre as empresas açucareiros portuguesas. Mopeia. Benefícios de carácter social no valor de Escudos 19 700 0 0 0 $ 0 0 . Despesas de viagem (férias. Gado : Exploração pecuária — Caoxe. orgulhandc-se a SENA SUGAR ESTATES de haver reatado ft servido a longa tradição açucareira lusitana. Sempre adaptada às condições de vida nacional. reconstituída na esteira das ousadas iniciativas dos pioneiros zambezianos. Subsídio de e s t u d o — 1 410 0 0 0 $ 0 0 .
no quadro da soberania. O novo barco «Zomba» na doca do Chinde Formada para servir o público português. pelo exemplar cumprimento dos deveres que a sua posição de colonizadora lhe impunha perante as populações indígenas. no Chinde — 275 — . centros de irradiação da vida e da cultura portuguesa. nunca deste objectivo se afastou e a ele permanece fiel. com cuidado e pertinácia. da política e da admi- nistração portuguesa. pelo largo investimento dos capitais que o mercado recla- mava e reclama. Procurou ser no U l t r a m a r um elemento ú t i l . pelo desenvolvimento ininterrupto das suas actividades agrícolas e industriais. fazer das suas povoações. Casa do Director e escritório. pelo emprego dos mais avançados processos técnicos de cultura e fabrico. Procurou sempre. plantações e fábricas.
no Luabo Seguiu sempre. sabe perfeitamente que. na sua produção. sem que. a SENA SUGAR ESTATES sente poder declarar-se apetrechada moral e m a t e r i a l m e n t e . num alto nível de civilização.° 38 7 0 1 . Neste ano de 1966. se deixasse levar por inovações que muitas vezes seduzem os teóricos. contudo. os avanços da técnica agrícola e fabril açucareiros. Integrada no momento que passa. para os aplicar. nos seus laboratórios e campos de experiências. para continuar o seu esforço na linha da sua orientação de sempre : «ABAS- TECER PORTUGAL C O M A Ç Ú C A R PORTUGUÊS»! — 275 — . aumentando em mais de cinquenta por cento a sua produção efectiva. mais do que do interesse ime- diato. o público deve consumir. com sentido prático. Soube corresponder ao que dela exigira o Decreto-Lei n. as formas de vida superior que vão ganhando direito e. no contacto com as populações nativas. Interior da fábrica do açúcar. apenas por- que trazem a graça da novidade. pela perfeição dos processos de trabalho. o f u t u r o de todas as-empresas depende do rigoroso desempenho do seu dever nacional e social : não se afastará deste para atingir. a quali- dade e quantidade de um produto que.
Columbo. A EMPRESA M I N E I R A DO A L T O L I G O N H A foi a primeira no seu género. cuja sociedade por quotas se cha- mava Empresa M i n e i r a do N a i p a . no valor nominal de mil escudos cada. tendo sido adquiridas cerca de quatro mil acções. Adrião de Faria Gonçalves e O t t o Barbosa da Silva. passou a denominar-se EMPRESA M I N E I R A DO A L T O L I G O N H A . a empresa obtém. Ao elevar o seu capital social para t r i n t a mil contos. fazendo-se uma emis- são de 10 mil acções. cristais de quartzo. concessão t i t u l a d a a favor de Faria Gonçalves. A c t u a l m e n t e . lepidolite.° A n t ó n i o Balbino Ramalho Correia. Lorindo Adélio dos Santos Garcia. aproximadamente. laborando há 23 anos consecutivos. mais propriamente denominados por «claimes». o Eng. Deste modo. A Sociedade tinha por objectivo principal a lavra e exploração dos jazigos existentes na mina de N a i p a . mica. Foram aqueles sócios que. A administração da nova Sociedade passou a ser exercida pelos sócios Estêvão Guerreiro de Almeida Lima. Essa primeira t e n t a t i v a de exploração teria durado uma década. São vogais : Dr. em conjunto com Estêvão Guerreiro de Almeida Lima e Jacinto M a r i a Ribeiro. Dr. que ficaram sendo gerentes até novo mandato dado por Assembleia Geral. sobretudo mine- ração do ouro. a concessão de exclusivo e o direito de exploração e aproveitamento de todos os jazigos minerais — c o m excepção de petróleos e quaisquer óleos minerais. cassiterite. A EMPRESA M I N E I R A DO A L T O L I G O N H A explora os seguintes minérios : Berilo industrial. Essa concessão foi celebrada em Lisboa na Secretaria-Geral do Cartório Ultramarino. em território português. Em 1906 teve início a montagem da primeira estação hidroeléctrica do rio Tristão. e já muito conhecidas nos mercados da A l e m a n h a e da Suíça. LDA. administrador da empresa por parte do Estado. a empresa deixou de ser uma sociedade por quotas para se transformar em sociedade anónima de responsabilidade limitada. berilo transparente.. em 4 de Janeiro de 1947. Distrito da Zambézia. que se cons- Yítuiu com possibilidades de continuidade. As turmalinas exploradas por esta empresa mineira são de m u i t o boa qualidade. No ano de 1948 foi aumentado o capital para quarenta mil contos. produtos betuminosos e gases hidrocarbona- dos que os acompanhem — existentes na Circunscrição do A l t o Molócuè. A sua utilização destinava-se a trabalhos de exploração mineira. Desde 1 de Janeiro de 1963 que o presidente do Conselho de Administração é o General Carlos A l b e r t o Barcelos do Nascimento e Silva. Por decreto publicado em 9 de Dezembro de 1946 pelo Ministério do U l t r a m a r . Calisto M a r t i n s Baptista. lamarskite. — 277 — . por escritura de 6 de Setembro de 1947. ouro. Os primeiros sócios foram : Dr. o número de empregados nas minas e na sede é de dezasseis europeus e trezentos indígenas. As vendas de minérios a t i n g i r a m em 1961 a importância líquida de sete mil e oitocentos e cinquenta contos. polucite. berilc cristalizado. monazite. Lda. Ernesto Porfírio de A r a ú j o e Adrião de Faria Gonçalves. no mesmo Conselho. com o capital de 10 mil contos. fundindo-se e sendo ampliada com novos sócios. Esta empresa. Foi desta Sociedade que p a r t i u a ideia da constituição da EMPRESA M I N E I R A DO A L T O L I G O N H A . EMPRESA MINEIRA DO ALTO LIGONHA A história desta organização mineira teve o seu início num conjunto de parcelamentos explorados. a EMPRESA M I N E I R A DO A L T O L I G O N H A deve considerar-se a pioneira. t a n t a l i t e e t u r m a - linas. bismuto. Supõe-se que esta foi a primeira no seu género. no Distrito de M a n i c a e Sofala. A n t ó n i o A l m i r o do Vale e Manuel Nunes. combinaram formar a nova empresa com a incorporação das conces- sões tituladas a favor destes últimos e da t i t u l a d a a favor de Adrião de Faria Gonçalves. como delegado do Governo.
entre outras. vendas. iodos os anos. e t c . O Grémio só iniciou as suas actividades em Fevereiro de 1956. pelas quais são elucidados todos os interessados. O Grémio publica. em que tem lugar de relevo o mercado londrino. Um belo aspecto do Gúruè — 278 — . com a inclusão da promoção de vendas nos mercados internacionais. preços dos mercados internacionais. GRÉMIO DOS PLANTADORES DE CHÁ DO DISTRITO DA ZAMBÉZIA O GRÉMIO DOS PLANTADORES DE C H Á DO DISTRITO DA Z A M B É Z I A tem a sua sede na capital do distrito — Q u e l i m a n e — . estatísticas sobre a pro- dução do chá. A missão do Grémio. tendo sido aprovados os seus Estatutos em Dezembro de 1954. é a de zelar pelos interesses dos produtores e planta- dores de chá.
Sequeira. Dinamarca. em 1964 — 7 7 8 2 7 7 . pois trata-se de um sector económico que m u i t o pesa na balança da economia da Província. também. estamos certos. agradecemos penhorados todas as gentilezas recebidas e as facilidades proporcionadas para uma visita às regiões do chá. A u s t r á l i a Nova Z e l â n d i a . Tomé e M a d e i r a . A todas as pessoas que nos acompanharam nas regiões do chá. os nossos agradecimentos. Quénia. Escandinávia. A n g o l a . em 1964 — 696 3 1 2 . Por quilos — 996 806. Sr. Área p l a n t a d a — 1 2 2 6 hectares. S. Holanda. À Direcção do GRÉMIO DOS PLANTADORES DE C H Á e ao seu secretário. Singapura. Socone : Produção por hectares. M a l á s i a . — 279 — . T a i l â n d i a . Por quilos — 6 4 6 8 744. Tunísia. a dedicar-se com o maior interesse aos problemas da produção do chá e daqueles que à sua produção se dedicam. Área p l a n t a d a — 1 8 4 5 hectares. Milange : Produção por hectares. Canadá. aqui patenteamos. E s t r a n g e i r o — I n g l a t e r r a . Japão. M a l a w i . em 1964 — 451 853. Por q u i l o s — 1 4 3 5 9 2 1 . sem as quais a nossa missão ficaria incompleta. e outros. Irlanda. a importância da produção do chá nas quatro importantes regiões : Gúruè : Produção por hectares. Sudão. Alguns números que revelam. Ceilão. Estados Unidos da A m é r i c a . Por q u i l o s — 1 164 877 Área plantada — 2 5 7 8 hectares. Nestes anos de existência. Área plantada — 9 2 9 0 hectares. A l e m a n h a . continuando. o Grémio t e m procurado a t i n g i r os fins para que foi criado. Tacuane : Produção por hectares. França. nomeadamente a do Gúruè. Somalilândia. Á f r i c a do Sul. Cabo Verde. concretamente. Exportação (por destinos) : Portugal — Metrópole. em 1964 — 8 1 3 0 5 5 .
entre outras de grande projecção. era de 1150 hectares. tal como aconteceu com tantos outros pioneiros. nesse mesmo ano. numa obra dedicada aos pioneiros. diremos que iniciou as suas plantações de chá em 1929. A produção de chá. A área cultivada em 1964. encontrou a morte num desastre de aviação em 1 9 5 1 . Durante a nossa visita às Plantações de Chá do Gúruè. em que teimosamente ia sempre caminhando em frente. bem como medicamentos para todo o pessoal. observámos. Na mão-de-obra. as plantações criadas por Manuel Saraiva Junqueiro — que uma tarde já longínqua tivemos ocasião de conhecer num encontro ocasional na redação de um jornal de Lourenço Marques. até que encontrou o t r i u n f o . tendo nos escritórios e outras secções. 23 empregados europeus. que lhes é ministrada por um médico privativo. seria imperdoável. diariamente. incluindo suas famílias. a organização emprega. — 280 — . foi de 1 051 736 quilos. depois de anos de árdua luta e labor. Os seus em- pregados e trabalhadores têm toda a assistência médica. entremeados de horas de desânimo e esperança. grandes batalhadores e vencedores das terras de Gúruè. ainda m u i t o novo. Um acampamento indígena Continuando a historiar a vida deste pioneiro. 2 2 0 0 nativos. precisamente numa altura em que a vida lhe sorria. cheia de esperanças. M A N U E L S A R A I V A JUNQUEIRO. MANUEL SARAIVA JUNQUEIRO UM DOS MAIORES PIONEIROS DA CULTURA DO CHÁ NO GÚRUÈ Deixar de mencionar o nome de M A N U E L S A R A I V A JUNQUEIRO.
contribuindo para a sua valo- rização. passaram a ser pertença da viúva. uma escola e uma creche. Canadá. t a m b é m . A organização dedica-se. Holanda e Irlanda. Em homenagem à memória de M A N U E L S A R A I V A J U N - QUEIRO. além de cinema periódico. perpetuando assim o nome de um dos grandes pioneiros que desbravaram as terras do Gúruè. uma das quais funcionando nos mais mo- dernos sistemas. Os Acampamentos do pessoal nativo são todos de alvenaria. Quénia. O chá produzido pelas plantações é exportado para a Metrópole e mercados da Inglaterra. Estados Unidos da A m é r i c a . à produção de aleurites e à pecuária. a V i l a do Gúruè passou a denominar-se V i l a Junqueiro. As P L A N T A - ÇÕES M A N U E L S A R A I V A JUNQUEIRO. Á f r i c a do Sul. pos- suindo 800 cabeças de gado bovino. por morte do seu dono e fundador. sua f i l h a e genro. economia e civilização. As plantações são servidas por duas fábricas. parque de desportos e i n f a n t i l . A organização possui uma enfermaria. que fizeram delas a «Suíça de M o ç a m b i q u e » ! — 281 .
que era no Ile. Quando em 1929 criaram essa sociedade. LDA. como f u n - cionário. o que d i f i - cultava a criação e estabelecimento de agricultores individuais ou de pequenas sociedades. Foi ali aue conheceu o pioneiro A m é r i c o Colaço Felizardo. resolveram dedicar-se só às plantações de chá. Américo Colaço Felizardo possuía plantações de tabaco e dedicava-se. No primeiro ano iniciaram as plantações com 20 hecta- res. a que deram o nome de C H Á M O Ç A M B I Q U E . que usufruíam grande monopólio. cujo início foi em 12 de A b r i l de 1936. e criaram uma nova sociedade. JOSÉ F A R I N H A M I G U E L veio para Moçambique em 1 9 2 1 . Mais tarde. e um seu companheiro de trabalho. José Aires Esperança Ferreira. Só no quinto ano de trabalho é que obtiveram a primeira colheita de chá. Fixou-se em princípio em Lourenço Marques. filho de agricultores. t a m b é m . à criação de gado. tendo 19 anos de idade. porque as plantações de tabaco lhes estavam a dar prejuízo por f a l t a de poder de compra. e se iniciou em 1929. na f i r m a Lopes & Irmãos. não sendo mais afortunado. que era empregado de Manuel Saraiva Junqueiro. no segundo ano com 50 hectares no terceiro ano com 100 hectares e no quarto ano com 130 hectares. mas devido a crise de emprego foi até ao Chai-Chai em busca de emprego. ao f i m de quatro anos. Mais tarde. com quem fez sociedade. o que fez. onde f u n d a r a m uma f i l i a l .. JOSÉ F A R I N H A M I G U E L fixou-se no Ile'. t i n h a m em vista dedicar-se à plantação de chá na região do Gúruè. ven- Vista aérea da fábrica — 282 — . Pouco tempo depois colocava-se em Megaza. A criação desta sociedade só foi possível em virtude de nesse ano terem terminado em Moçambique todas as Companhias Majestáticas. UM GRANDE PIONEIRO DO GÚRUÈ — JOSÉ FARINHA MIGUEL N a t u r a l da Sertã. que então iniciava as suas actividades. tomando uma velha lancha que o levou até Tete. Foi então que decidiu tentar a sorte pela costa. Essa sociedade adoptou o nome de AGRÍCOLA DE M O G A D E » .
mas também de todos nós. despesa de alimentação com o pessoal. incluindo roupas. portugueses! — 283 — . C H Á M O - Ç A M B I Q U E produz. Para aqueles que desconhecem. colheitas. etc. entrou para a socie- dade. ficando concluída em 1940. sem gozar quaisquer férias. criando uma das mais belas e vastas plantações de chá do mundo. que foi a primeira organização Agrícola do Gúruè a possuir uma fábrica. por hectare. As dificuldades que inicialmente tiveram foram muito grandes e de toda a ordem. A organização emprega nas plantações e na fábrica. A n t e r i o r m e n t e . desde o desbravar a densa m e t a . ainda sem dar colheita. o pioneiro M a n u e l Nunes. porque as zonas baixas eram infestadas de leões. assistência médica. isto é. nc Província ou na M e t r ó p o l e ! Bem hajam pela riqueza que f o m e n t a r a m . A l e m a n h a . Hoje a organização cul- tiva dois mil hectares de chá. O seu total eleva-se a mil e setecentas toneladas. elucidamos que cada plantação nova que se faz leva cinco anos até começar a produzir chá. As despesas anuais elevam-se a mais de t r i n t a mil contos. O valor dessas exportações anuais oscila entre 45 a 50 mil contos. cerca de três mil nativos e t r i n t a europeus. que não é só deles. Canadá e Á f r i c a do Sul. laborando já com as colheitas obtidas nesse ano. incluindo plantações novas. e a população nativa somente se fixara nos cumes dos montes. Só com m u i t o sacrifício. Foram aumentando sempre as plantações até que em 1939 foi iniciada a construção da fábrica. anualmente. cerca de mil quilos de chá. Em 1955 a quota de José Aires Esperança Ferreira foi comprada pelos outros dois sócios. Nestes números estão englobados os salários. De então para cá. A u s t r á l i a . que os pioneiros de chá foram os primeiros europeus a fixarem- -se naquela região. É interessante acrescentar. Estados Unidos. em 1 9 5 1 . a fábrica tem sido continuamente aumentada. A JOSÉ F A R I N H A M I G U E L e seus companheiros se deve todo este admirável empreendi- mento agrícola da A l t a Z a m b é z i a . dedicação e persistência esta obra foi possível! JOSÉ FARI- N H A M I G U E L esteve agarrado à sua plantação mais de vinte anos. Holanda. na cultura do chá. tendo t i d o que ensinar os trabalhadores nativos. como serem os próprios técnicos da fábrica. Preparação da chá dendo-a à Companhia da Z a m b é z i a . Exporta para Inglaterra. um por u m .
COMO NASCEU A COOPERATIVA AGRÍCOLA DO GÚRUÈ E A FABRICA DE CHÁ
O edifício actual da fábrica
Cooperativa e fábrica foram concluídas há dois anos. A construção da fábrica de chá foi
feita a expensas do Estado e entregue a funcionar à Cooperativa dos pequenos agricultores da
região. É um edifício amplo, com capacidade para uma produção mensal de 140 toneladas de
folha verde. Está delineada, no e n t a n t o , de forma a receber mais maquinismos, de maneira a
poder operar maior tonelagem de chá para exportação.
Pormenor do edifício
— 284 —
A fábrica começou a laborar em 22 de Dezembro de 1964. O chá, depois de manipulado,
é enviado para Londres, onde aguarda venda. Depois desta efectuada e apurados os resultados
líquidos, estes são distribuídos proporcionalmente pelo valor das colheitas dos seus associados.
O coeficiente líquido em sobra é encontrado após as percentagens atribuídas à manipula-
ção da f o l h a , despesas de conservação, laboração, depreciação, etc. Quando o agricultor entrega
a sua folha verde à pesagem, é-lhe creditado em conta especial «x» escudos por quilo, impor-
tância que pode ser levantada na sua totalidade, se assim o desejar.
O P R E S I D E N T E DA COOPERATIVA AGRÍCOLA DO GÚRUÈ
DR. H E N R I Q U E DE O L I V E I R A JÚNIOR
0 G R A N D E I M P U L S I O N A D O R DA COOPERATIVA
O Dr. Henrique Augusto de Oliveira Júnior é natural da Figueira da Foz, tendo cursado
Medicina na Universidade de Coimbra. Veio para Moçambique, colocado como médico na Com-
panhia d a Zambézia — n o G ú r u è — e m 1943.
Afeiçoando-se à t e r r a , desde então que ali se conserva a exercer a sua actividade como
médico. Possui uma plantação de chá, de sociedade com mais quatro irmãos.
Tendo adquirido vastos conhecimentos no Gúruè, no que respeita à agricultura da região,
e estando a par dos seus problemas económicos, o Dr. Henrique de Oliveira Júnior foi uma
das pessoas que mais influência teve na organização da COOPERATIVA DO GÚRUÈ, cuja
função principal é agrupar e ajudar os pequenos plantadores de chá da região, fabricando
o chá com a folha colhida e promovendo o financiamento e também a colocação nos mercados.
Da Direcção da Cooperativa fazem parte, ainda, José Correia A l e m ã o , como tesoureiro,
e Joaquim Francisco Pereira, como secretário.
A criação desta Cooperativa m u i t o veio beneficiar os pequenos agricultores, possibili-
tando uma mais ampla e próspera cultura do chá, uma das maiores riquezas daquela região
zambeziana.
/
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OS COLONATOS DE ALVERCA E MANGONE
SÃO E X E M P L O S E S T I M U L A N T E S DA F O R M A COMO O H O M E M SE FIXA À TERRA
Sob a direcção da Brigada do Povoamento da Cultura do Chá, estas duas aldeias alber-
g a m cerca de duas dezenas de fogos, estando nelas incluídas, dois casais nativos, com nume-
rosa prole.
Cada concessão t e m uma área de 50 hectares, previsto para as culturas do chá e outras
culturas anuais, como o milho, feijão e quenafe, cujas produções têm colocação assegurada
através dos serviços comerciais da Brigada.
Casas de Colonos
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Militares construindo as suas futuras residências
A l é m das culturas, são distribuídas a cada colono quatro cabeças de gado bovino, além
de outras espécies, como a caprina, ovina e porcina, que alguns colonos já possuem para
sustento do lar.
Donos de uma bela casa em alvenaria, tendo três salas, cozinha e sanitários, com os
requisitos necessários, servida por um depósito privativo de água e respectiva fossa séptica.
Estas habitações dão um encanto especial, fazendo lembrar aldeias metropolitanas.
Alguns rapazes que foram prestar serviço m i l i t a r para Moçambique, fixaram-se a l i , pre-
ferindo as terras prometedoras da A l t a Zambézia a regressarem à Metrópole.
Uma grande parte das casas dos colonatos de Alverca e Mangone foram construídas por
soldados destacados no Gúruè, conforme documenta a fotografia que ilustra este apontamento.
—287 —
ALBERTO PINTO CARNEIRO
ALBERTO P I N T O CARNEIRO é natural de Resende, chegando a Moçambique em 1938.
Iniciou as suas actividades na região de Quelimane, colocando-se numa serração no mato,
no Licuóri, circunscrição de Namacurra. Aí se manteve até 1940.
Depois empregou-se numa organização agrícola, transitando, mais tarde, para a Compa-
nhia do M a d a l , onde se conservou durante 15 anos.
Em 1955 foi para o Gúruè, colocado como gerente da f i r m a Felizardo, onde se manteve
até à inauguração da sua pousada, que se efectuou em Agosto de 1963. Anexo à parte da
pousada, ALBERTO P I N T O CARNEIRO possui, t a m b é m , um estabelecimento dedicado ao comér-
cio indígena, e ainda uma sapataria e uma barbearia, cuja exploração não é sua.
Um aspecto geral da Pousada
ALBERTO P I N T O CARNEIRO, homem cheio de tenacidade e iniciativa, deliberou dotar a
vila do Gúruè —a que foi dado o nome de V i l a Junqueiro, o nome desse grande pioneiro das
terras do Gúruè, em homenagem à sua memória — de uma pousada moderna, que acolhesse
3 recebesse confortavelmente quem visitasse as terras do chá. Assim, como já dissemos, em
Agosto de 1963, a vila passou a contar com a POUSADA MONTEVERDE, em edifício cons-
truído para o efeito. A Pousada possui 16 quartos, com quarto de banho privativo, quatro sem
quarto de banho. Tem ampla sala de jantar, sala de estar e jogos, bar e uma esplanada.
ALBERTO P I N T O CARNEIRO dedica-se exclusivamente à exploração da sua Pousada, sen-
do ajudado por seu f i l h o , A n t ó n i o Pinto Carneiro
Graças à iniciativa deste pioneiro, a linda terra do chá pode receber, confortavelmente,
todos aqueles que a v i s i t a m , quer seja em viagem de negócios, quer seja para admirar as suas
belezas.
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CLUBE DO GÚRUÈ
O CLUBE DO GÚRUÈ, simpática agremiação da gente de Vila Junqueiro, é o ponto de
reunião dos seus residentes, que se reúnem para descansar e se distraírem, quer praticando
variados jogos e desportos, quer reunindo-se em alegres repastos.
É também no salão de festas do CLUBE DO GÚRUÈ que se realizam as sessões de cine-
ma, dirigidas por Gilberto Rodrigues, enquanto não se constrói um edifício próprio.
Este pioneiro tomou o encargo de construir um cinema em V i l a Junqueiro, em modernos
moldes e com todos os requisitos, capaz de bem servir a progressiva vila, indo, assim, preencher
uma lacuna que t a n t o se faz sentir.
É uma iniciativa digna de louvores.
Uma Plantação de Chá na maravilhosa paisagem do Gúruè
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PIONEIROS DA INDÚSTRIA DO CHÁ EM MOÇAMBIQUE
S O C I E D A D E AGRÍCOLA DO M I L A N G E E SOCIEDADE CHÁ O R I E N T A L
Padrão comemorativo da Ocupação de Milange feita por JOÃO DE AZEVEDO
COUTINHO. Soldados Landins fazem a «Guarda de Honra», quando em 1943
visitou a Província, o Ministro das Colónias, Dr. Francisco Vieira Machado.
Para falarmos destas empresas, que t a n t a projecção têm hoje na vida económica da
Z a m b é z i a , é necessário recuarmos no tempo, e fazer um pouco de história.
A EMPRESA A G R Í C O L A DO LUGELA, LDA., sociedade por quotas, explorava outrora os
«prazos» de M i l a n g e , Lugela e Lomué, de que era arrendatária. Na a l t u r a em que estes «pra-
zos» f o r a m devolvidos ao Estado, em 1928-29, o empresa resolveu restringir as suas explora-
ções agrícolas à cultura do chá em M i l a n g e .
Como se sabe, na região do M a l a w i — a n t i g a N i a s s a l â n d i a — , que confina com o nosso
actual concelho de M i l a n g e , separada daquela pelo rio Melosa, encontram-se florescentes plan-
tações de chá.
Sendo o regime de chuvas do nosso M i l a n g e quase análogo ao da região de M i l a n g e no
M a l a w i , era de calcular que se o chá se dava bem para além do nosso Melosa, o mesmo
sucederia aquém do mesmo rio. E assim, a EMPRESA DO LUGELA, LDA. começou a explo-
rar a cultura do chá, no local onde se encontrava a actual plantação, e para esse objectivo
começou a fazer viveiros, em 1915. Em 1916 havia 20 hectares de chá plantado e em 1932
este número subiu para 2 7 0 hectares.
A preparação do chá foi iniciada em Novembro de 1924, e na campanha de 1924-1925
fabricaram-se, aproximadamente, 43 toneladas de chá, quase todo exportado para Londres.
Desde 1924 a 1932, a produção aumentou de 45 toneladas a 115 toneladas com excepção
de a l g u m ano em que a f a l t a de chuvas se tenha f e i t o sentir.
— 290 —
na actualidade. Só em 1953 houve uma redu- ção sensível na produção devido à circunstância de naquele ano se ter registado uma seca sem precedentes. tendo conseguido impor as suas marcas em todos os territórios nacionais e no exigente mercado de Londres. de parceria agrícola com a SOCIEDADE AGRÍCOLA DO M I L A N G E . O chá vendido para Portugal M e t r o - politano adoptou o nome de «Chá Celeste» e o chá para venda exclusiva na Província de Moçambique o de «Chá O r i e n t a l » . a sua sucessora na exploração do chá. Em 1953. as áreas plantadas com chá. estando. A produção de 1933-34 a 1941-42 teve um enorme incremento. Assim. a produção foi de 1052 toneladas. L D A foi a primeira a cultivar e a preparar várias qualidades de chá na Á f r i c a Oriental Portuguesa. que ali t ê m a sua actividade assegurada. a explorar em conjunto as plantações de chá exis- tentes em M i l a n g e e Melosa. assim. — 291 — . e nela estão instaladas duas grandes f á b r i - cas. Cerca de dois mil nativos t r a b a l h a m . passando as plantações para a SOCIEDADE C H Á O R I E N T A L . A empresa continua a modernizar as suas fábricas. desde o pessoal técnico ao dos escritórios. De 166 toneladas subiu para 396 toneladas. nesta cultura e dezenas de europeus t a m b é m . numa notável contribuição para a economia de Moçambique. Em 1933 esta empresa é e x t i n t a . Acampamento de trabalhadores indígenas A EMPRESA A G R Í C O L A DO LUGELA. Assim. ao mesmo tempo que continua a a u m e n t a r . A área destas plantações orça por 810 hectares. eficientemente apetrechadas. em 1964. gradualmente. A SOCIE- DADE C H Á O R I E N T A L entra n u m acordo. no sentido de obter as melhores q u a l i - dades. e t u d o isto devido ao cuida- doso critério com que são feitas as respectivas selecções e misturas. que se t o r n o u . a SOCIEDADE A G R Í C O L A DO M I L A N G E e a SOCIEDADE C H Á O R I E N T A L con- t i n u a m a sua marcha de progresso. regularmente. Este progresso continuou nos anos seguintes.
É em Fevereiro de 1955 que o Inspector CRAVEIRO LOPES é colocado na Intendência de Tete. Em 1960 foi para T e t e . a classe. onde a sua acção lhe grangeou muitas amizades. iniciou a sua vida no funcionalismo em Junho de 1927. No ano seguinte foi promovido a Inspector A d m i n i s t r a t i v o e colocado em A n g o l a . e em 1948 promovido a A d m i - nistrador de 1 . incluindo quase todas as do Distrito de M a n i c a e Sofala. cargo que exerceu a t é 1956 e promovido em Junho desse ano a Intendente do Distrito. GOVERNADOR DO DISTRITO DE TETE Inspector António Carlos Craveiro Lopes O Governador do Distrito de Tete era o Inspector A d m i n i s t r a t i v o A N T Ó N I O CARLOS CRAVEIRO LOPES quando visitámos aquele distrito. No ano seguinte inicia as funções de Encarregado do Governo de M a n i c a e Sofala. porém. cargo que desempenhou até M a r ç o de 1959. Em Dezembro de 1942 foi promovido a Administrador de 2. Serviu várias circunscrições. tendo continuado. Nesse ano foi chefiar a Circunscrição da Angónia e em 1951 para c. Em Dezembro de 1957 é colocado na Secretaria Distrital da Administração Civil de M a n i c a e Sofala. — 292 — . tendo sido nomeado Governador Interino do Distrito. de Cheringoma. seguindo pouco tempo depois para a Circunscrição de Neves Ferreira. a exercer o cargo de Governador do Distrito de T e t e . Nascido em Lisboa." classe. tendo sido colocado como Secretário da Circunscrição da Chupanga.
que. A acção notável que o Inspector CRAVEIRO LOPES desenvolveu em prol de Tete e do seu Distrito foi vibrantemente a f i r m a d a pela gente de Tete. Escola Pnmária Baptista Coelho O Inspector A N T Ó N I O CARLOS CRAVEIRO LOPES foi numerosas vezes louvado e conde- corado. tal como o seu antecessor. zelo e dedicação inte- ligência e bom senso notáveis e perfeita lealdade com que tem exercido o carqo de Gover- nador do Distrito de Tete». que o homenageou significativamente quando em 1965 se despediu. abandonando a chefia do seu cargo para passar à reforma Palácio do Governo Sucedeu-lhe na chefia do d i s t r i t o . Recebeu a Medalha de Prata e Medalha de Ouro de assiduidade de serviço no Ultramar tm Junho de 1949 foi louvado pela acção desenvolvida na Angónia «por ter demonstrado uma rara actividade. a que veio juntar-se a obra grandiosa de Cabora-Bassa. o Coronel CECÍLIO GONÇALVES. t e m despendido valiosa acção para o progresso do distrito. Um dos últimos louvores recebidos foi em 1961 «pela competência. — 293 — . inexcedível competência e grande patriotismo demonstrado na forma como se houve na preparação para a realização da integração completa da nossa Administração dos territórios que vão'desde M'Phati a o ' m o n t e C a p n u t a e desde este à balsa com a Circunscrição da Macanga». que se encontra numa fase de grande desenvolvimento. grande espírito de discipline e aprumo moral.
foi Secretário do Governador de M a n i c a e Sofala. Desde Julho de 1964. onde permaneceu até 1962. aos 10 anos. simultaneamente. sendo colocado na V i l a da M a n h i ç a como aspirante. a l t u r a em que foi ocupar o lugar de A d m i n i s t r a d o r de Concelho da cidade de Tete. No presente é Administrador do Concelho da M a n h i ç a . tendo vindo para Moçambique com seus pais. — 294 — . Em 1960 foi colocado como A d m i n i s t r a d o r de M o r r u m b a l a . Em 1942 ingressou no Quadro A d m i n i s t r a t i v o de Moçambique. vários Postos da Província. De 1957 a 1959. a pedido do Governador do Distrito Inspector A n t ó n i o Carlos Cra- veiro Lopes. É natural de Lisboa. seguidamente. o Presidente da Câmara M u n i c i - pal de Tete e o Administrador do Concelho. o então Coronel Macedo Pinto. Presidente da Câmara Municipal Em 1959 foi promovido a administrador. passou a exercer t a m b é m o cargo de Presidente da Câmara de Tete. servindo. PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE TETE E ADMINISTRADOR DO CONCELHO FERNANDO DE SOUSA LADEIRA f o i .
. a população do distrito era de 4 7 4 0 2 4 indivíduos. 14 0 3 8 . f o i . Macanga. Mágoè. 5 8 0 0 t o n . Em meados desse século. um decreto restituiu o distrito à sua anterior posição. Tete era o centro da penetração comercial para o interior. a existência pecuária era a seguinte : gado bovino. Um aspecto parcial da cidade Pelo censo de 1960. que estava integrado na antiga província da Z a m b é z i a . HISTÓRIA DO DISTRITO DE TETE O Distrito de Tete tem a capital na cidade do mesmo nome e é limitado ao norte pela Rodésia do Norte e M a l a w i . —295 — . tendo regiões saudáveis e planálticas a mais de 1500 metros acima do nível do mar. M o a t i z e . Em Outubro de 1954. a sul pelos rios Zambeze e Luenha. a oeste pela Z â m b i a e pela Rodésia. M u - tarara e Z u m b o . M a r á v i a . O d i s t r i t o conta com 2 8 6 4 quilómetros de estradas. milho. A agricultura empresarial é m u i t o reduzida. 79 8 5 6 . incorporado em Manica e Sofala. No século X V I I . Ansenga e Nhúngué. Tonga. caprino. A penetração destas regiões pelos portugueses data do começo do século X V I . por decreto de A b r i l de 1942. O relevo do distrito é acentuado. Pelo arrolamento de 1962. predominando os seguintes grupos étnicos e suas subdivisões : M u n g u n o ou Angone. com governo próprio. O Distrito de Tete. a este pelo Malawi e pelo rio Chire. assinala-se a presença de missionários que acompanham as expedições de Fran- cisco Barreto. São as seguintes as divisões administrativas do Distrito : Tete. A n g ó n i a . em grande parte. suíno. O caminho de ferro que liga Moatize a M u t a r a r a deu impulso económico à região e possibilitou. mas na agricultura tradicional salientam-se os seguintes números referentes a produção comprados durante 1962 : algodão em caroço. 6 1 0 0 t o n . 125 2 2 4 . o transporte do carvão das minas de M o a t i z e a t é ao litoral.
Museu Biblioteca Municipal Franco Rodrigues — 296 — . de carvão. níquel. com prioridade. Nos recursos do Zambeze há a destacar os do escalão de Cabora-Bassa. ou seja.-. A potencialidade enorme de recursos da bacia do rio Zambeze levou o Governo a encarar. paralelamente efectuou-se o estudo climático. crómio e asbestos. beneficiando deste pro- jecto todo o Distrito de Tete e parte dos Distritos da Zambézia e de Manica e Sofala. por métodos aerofotogrométricos e estudou-se a região no seu aspecto pedológico. com a primeira. t o t a l i z a m mais de 182 000 km 2 . A área em estudo abrange. além da bacia hidrográfica portuguesa do Zambeze. várias zonas co-interessadas que. O es- quema de arranque por investimento público totalizará 5 350 0 0 0 contos. Foram iniciadas as bacias hidrográficas e os locais para eventual construção de barragens e seleccionados zonas que se apresentam como mais propícias à existência de jazigos mineiros. designada generica- mente por «Vale do Zambeze». além da existência de ferro verificada na região de Messeca-Fingoé. que só por si permitirá a produção anual de 1 5 X IO9 Kwh a custo extremamente baixo. O aproveitamento hidroeléctrico do Zambeze permitirá uma produção total de energia eléctrica da ordem dos 30 a 35 X IO9 Kwh anuais. Existem também jazigos de cobre em Massamba- -Chidué e reconheceu-se a presença de fluorite e de jazigos de manganês. Já se procedeu ao levantamento topográfico de todo o vale. encontrando-se concluídos os reconhecimentos dos recursos silvícolas e pecuários. Em 1957 foi criada a Missão de Fomento e Povoamento do Zambeze para proceder ao reconhecimento e inventariação dos recursos existentes com vista à programação do desenvolvimento da região. Localizaram-se também jazigos de titano-magnetites na zona de Machédua-Massamba e um promissor jazigo de ferro em Muende. Localizaram-se ocorrência. um quarto da superfície de Moçambique ou duas vezes Portugal M e t r o p o l i t a n o . o estudo do plano de desenvolvimento regional da zona. considerando-se de primordial im- portância a bacia carbonífera que se estende entre a Chicoa e o Z u m b o e que deixa prever a existência de enormes reservas.
Grupo Desportivo de T e t e . etc. consideravelmente encurtado através do território de Moçambique. Estão em actividade as seguintes associações : Associação de Comércio e Indústria de T e t e . Tiago M a i o r . A cidade dispõe de um aeródromo servido por carreiras regulares da DETA. Clube de T e t e . Tete é hoje uma cidade de agradável aspecto. A população do concelho. Centro A f r i c a n o de Tete e Aero-Clube de T e t e . pelo censo oficial de 1960. esten- dendo-se até aos areais do Z a m b e z e . asseada e arrumada. Estabelecida sobre solo agreste e penhascoso. como o forte de D. Luís I. fundado pela população da cidade. em especial entre aqueles que por força de serviço. Associação I n d o . T e t e . excelente local de repouso ou de escala para quem efectua o percurso entre a Niassalândia e a Rodésia. fica situada na margem direita do rio Zambeze e foi elevada à categoria de cidade pela portaria de 21 de M a r ç o de 1959. É centro de uma região mineira de f u t u r o m u i t o prometedor e dispõe de um bom h o t e l . era de 66 700 almas. para lá eram transferidos. A região possui atractivos que lhe conferem um interesse turístico apreciável : as ruínas de Sena e curiosos monumentos. Pelo esforço dos seus habitantes. Lar da Criança — 297 — . a Praça de S. capital do distrito do mesmo nome. Tete apresenta hoje um aspecto bem dife- rente daquele de há uns anos atrás e que lhe grangeou reputação pouco invejável.M a o m e t a n a .
Rio Zambeze — Local onde será construída a Barragem de «CABORA BASSA» — 298 .
— 299 — . no m a t o . V I C E N T E RIBEIRO E CASTRO. Em 1958 era Governador do d i s t r i t o Franco Rodrigues — d e quem se a f i r m a m u i t o ter contribuído para o progresso daquele d i s t r i t o — . possuiu minas de urânio e ouro. Aí permaneceu até 1932. homem de iniciativa e poder combativo. que explorou durante 10 anos. resolveu tomar o rumo de Moçambique. vogal da Câmara M u n i c i p a l de Tete e seu vereador de 1961 a 1962. que mais tarde vendeu. Também possuiu 5 estabelecimentos. Iniciou a sua vida de trabalho. ocupou vários lugares de carácter o f i c i a l . M u i t o jovem a i n d a . desistindo da sua exploração por f a l t a de apoio. nesta Província. Nessa rica região. VICENTE RIBEIRO E CASTRO e sua Esposa Foi presidente do Clube de Tete — agremiação cultural das mais antigas da cidade —. Era o ano de 1937. em Vila Nova de Famalicão. aliado a um ca- rácter bondoso. como comerciante em Lourenço Marques. que foi grande amigo e admirador da obra construtiva de V I C E N T E RIBEIRO E CASTRO. risonha vila m i n h o t a . onde se conservou durante cinco anos. VICENTE RIBEIRO DE CASTRO O pioneiro Comendador VICENTE RIBEIRO E CASTRO nasceu na Metrópole. Depois foi para a cidade sul-africana de Joanesburgo. Desta vez foi para o Distrito de Tete. para depois se voltar a fixar em Moçambique. onde chegou em 1928.
com o seu traçado moderno. pediu-lhe que fosse ele a construir o hotel. tendo j u n t o dela um dos seus filhos. iniciando-se a sua construção. Hotel Zambeze A morte veio surpreender o grande pioneiro. a Áustria — e descansar das lutas já sofri- das! Mas tal não aconteceu. O pedido foi aceite — conforme o Governador já esperava —. O Governador Franco Rodrigues. A senhora D. o HOTEL Z A M B E Z E foi concluído nos fins de 1965. W i l h e l m i n a podia ter regressado à sua terra natal — país bem conhecido pelas suas belezas n a t u r c i s . A obra era grande e. sabendo do que ele era capaz. na viagem que efectuou pela Província em 1956. preferindo lutar e sofrer mais. de iniciativa. ainda m u i t o jovem. que pudesse receber conve- nientemente quem visitasse a cidade. fixando-se na capital de Moçambique. Tete. conhecendo bem o seu amigo Ribeiro e Castro. Aí se conheceram e se enamoraram. a nossa homenagem. — 300 — . sem ter podido ver concluída a sua obra. se t a n t o fosse necessário. que quis seguir as pisadas de seu pai. de que t a n t o necessitavam. quando o Presidente Craveiro Lopes esteve em T e t e . Mas alguém ficou para a continuar. para concluir a obra que fora iniciada — sonho de dois homens combativos e bons : seu marido e o Governador Franco Rodrigues. tomasse sobre si tal encargo. com muitas lutas e canseiras. O casal teve três filhos : dois rapazes e uma rapariga. teria de ser f e i t a em várias fases. nesse ano de 1958. que ficará a perpetuá-los e a uni-los pelos tempos f o r a ! Resta ainda dizer que. W i l h e l m i n a Castro foi uma companheira dedicadíssima. t a m b é m . prestigiando a sua memória. e passou a contribuir para o progresso turístico do distrito. também falecido quase ao mesmo tempo que o seu amigo. ainda não possuía um hotel condigno. passando ao lado de seu marido as horas boas e más. É que a senhora D. em 1962. devo- tando-se ao engrandecimento da terra onde nasceu. valorizando a fisionomia da cidade. E assim. que viera para Moçambique em 1922. À viúva de VICENTE RIBEIRO E CASTRO prestemos. nela englobando o seu filho. por isso. agraciou VICENTE RIBEIRO E CASTRO com a Comenda de M é r i t o Industrial. É esta senhora a continuadora da obra iniciada pelo marido. Era necessário que alguém. Estamos certos que a gente de Tete lhe está grata pela conclusão do HOTEL Z A M B E Z E . Chamar-se-ia HOTEL Z A M B E Z E . VICENTE RIBEIRO E CASTRO casou com uma senhora de nacionalidade austríaca.
vindo para Moçambique em 1926 e fixando-se em Lourenço Marques. construiu um prédio no centro da cidade. passando algum tempo no Distrito de Manica e Sofala. no Distrito de Tete. foi fixar-se no Furancungo. AGOSTINHO LOPES REGO O pioneiro Comendador A G O S T I N H O LOPES REGO é natural de V i l a Nova de Gaia. abrindo um estabelecimento com o nome de F U R A N C U N G O COMERCIAL. Nesse ano. deixou aquela região para se ir fixar na cidade de Tete. na povoação de Entaca. naquela localidade. ainda no ano de 1930. a b r i u . onde passou a ser a nova sede de toda a sua grande organização comercial. onde possui um estabelecimento de comércio geral com loja e armazéns. Porém. Agostinho Lopes a ser condecorado pelo General Craveiro Lopes — 301 — . A l a r g a n d o sempre o círculo das suas actividades. mais tarde. Desenvolvendo continuamente grande actividade. No rés-do-chão desse imóvel situam-se o estabelecimento comercial e escritórios. Nesse ano empreendeu nova jornada. No ano de 1947 foi fixar-se na A n g ó n i a . o Comendador A G O S T I N H O LOPES REGO construiu um edifício na V i l a de Caldas Xayier. onde esteve a t é 1930. tempos depois. LDA. fazendo aí a sede da sua vasta rede comercial. Espalhadas por essa área. assim. sede da Circunscrição da hAacanga. o seu espírito irrequieto fê-lo ir mais além. a b r i u . A í . oito estabelecimen- tos. e. a sua vida comercial. iniciando nessa a l t u r a . O primeiro e segundo pisos são constituídos por apartamentos para habitação. três outros estabele- cimentos na área da M a c a n g a . mantendo em Entaca a sede até 1 9 6 1 .
em 1956. estes homens de vontade inquebrantável. Quando o General Craveiro Lopes. e são. sendo concedida a Comenda de M é r i t o Industrial. de rija têmpera. na qualidade de Presidente da República. Justo prémio a quem deu valiosa contribuição para o desenvolvimento da terra mo- çambicana! Foram. Em 1962 passaram a fazer parte da f i r m a os seus quatro filhos. como obreiros intrépidos e desbravadores da selva moçambicana! A G O S T I N H O LOPES REGO foi um dos agraciados. Em Tete. também possui um outro dedicado somente a artigos eléctricos. visitou o f i c i a l - mente a Província de Moçambique. além do estabelecimento de comércio geral. muitos pioneiros foram agraciados pelo mais a l t o Magistrado da Nação pela grande obra de progresso e civilização por eles efectuada. que construiu. tornaram possível o desenvolvimento e civilização da rica e bela Província de M o ç a m b i q u e ! — 302 — . A i n d a em Tete possui outro estabelecimento de panificação. como A G O S T I N H O LOPES REGO. que.
Mais tarde passou para o Quadro A d m i n i s t r a t i v o . durante dois anos. Em 1930 abriu a sua casa comercial. por várias vezes. foi por duas vezes Presidente da Câmara M u n i c i p a l . — 303 — . 1. estabelecimento esse que é dedicado ao comércio geral. na cidade de Santarém. tendo sido colocado em Tete. tendo vindo para Moçambique em M a r ç o de 1920. EMÍLIO MENDES CEREJO O pioneiro Comendador E M Í L I O MENDES CEREJO nasceu na Metrópole. como Chefe de Posto. Daí transitou para a Circunscrição da Chicôa. em 1956. Vice- -Presidente e Presidente da União N a c i o n a l . a Legislatura. vindo a iniciar a sua vida de comer- ciante em princípios de 1928. E M Í L I O MENDES CEREJO foi agraciado pelo Presidente Craveiro Lopes. com a Comenda de M é r i t o Industrial. efectivo.° Vogal eleito pelo Distrito de Tete e reeleito para a 2. premiando a acção notável por ele desenvolvida. integrado numa comissão de serviço na Província. quando visitou Moçambique. que ainda hoje existe no mesmo local do seu início. sendo colocado na antiga Intendência de Báruè. Presentemente é Vogal eleito da Junta Distrital de Tete. como m i l i t a r . de 1957 a 1964. em Tete. no Posto de Mágoè. Também fez parte do Conselho Ultramarino para estudo das alterações à Carta Orgânica das Províncias Ultramarinas. Em 1927 pediu a exoneração do seu cargo. E M Í L I O MENDES CEREJO t e m exercido vários cargos o f i c i a i s : foi Vogal da Câmara M u n i - cipal.
permanecendo em Inglaterra de 1939 até Junho de 1940. como aspirante interino. tendo ido para a Metrópole frequen- tar a Escola Superior Colonial. e durante os últimos anos de curso. que nasceu na cidade de Bragança. em Nampula — 304 — . na Província do Sul do Save. GOVERNADOR DO DISTRITO DE MOÇAMBIQUE Quando visitámos o d i s t r i t o . Ao mesmo tempo que frequentava aquele estabelecimento de Ensino Superior. em Março de 1943 foi nomeado secretário interino e promovido. foi também professor auxiliar daquela escola. lugar que ocupou durante quatro anos. na freguesia da Sé. Ao Governador GRANJO PIRES foi ainda concedida uma bolsa de estudo pelo British Council e pelo I n s t i t u t o para a A l t a C u l t u r a . Em 1935 foi-lhe concedida uma licença para estudos. Sempre em ascensional carreira a d m i n i s t r a t i v a . Foi em 1930 que iniciou a sua car- reira administrativa na Província de Moçambique. em Agosto do mesmo ano. era seu Governador o Inspector JOÃO GRANJO PIRES. Em Setembro do mesmo ano regressou a Moçambique. concluindo o curso em 1939. Hospital EGAS M O N I Z . d e f i n i t i v a m e n t e . tendo sido colocado no Posto de Uanetze. Em Julho de 1942 foi promovido a Chefe de Posto Estagiário. retomando o seu lugar de aspirante até novo concurso para promoção.
na Conferência Inter-Africana de Trabalho. Secretários e Administradores de Circunscrição. Foi louvado pelos Governadores de M a n i c a s Sofala e Lourenço Marques. É promovido a Intendente em Setembro de 1 9 6 1 . em fins de 1947. Em M a r ç o de 1950 participa na Conferência do Trabalho. A 26 de Setembro de 1962 é nomeado Governador do Distrito de Moçambique. em 1955. respectivamente. Só numa campanha. o Governador GRANJO PIRES foi nomeado administrador de 1 . lugar que ocupou até 1948. na cidade da Beira. A i n d a em 1943. vende- ram-se. tendo sido transferido para a circunscrição de Marracuene. fez parte do concurso para Chefes de Posto. e nomeado Inspector da Acção Psico-Social em 29 de Dezembro de 1 9 6 1 . o Governador GRANJO PIRES desenvolveu grande acção contra a nudez e o pé descalço. Em M a i o de 1951 é nomeado para a Comissão de Rectificação de Fronteiras com a Niassalândia. no Distrito de Tete. em Elisabettville.° Assistente do Centro de Estu- dos Políticos e Sociais das Juntas das Missões do U l t r a m a r . em M a r ç o de 1953. em comis- são. Depois. da circunscrição de Sena. em 1954 e 1959. entrou de licença ilimitado para se dedicar a uma actividade de carácter particular. é nomeado Administrador. Entre outros. É nomeado Administrador do Concelho de Lourenço Marques no ano de 1960. Palácio do Governo — 305 — . Em Agosto de 1945. interino. tomando posse d e f i n i t i v a a 14 de Dezembro de 1962. t a m b é m . o Governador GRANJO PIRES voltou ao Quadro Administra- tivo. data em que foi promovido a Administrador e colocado na circuns- crição da M a c a n g a . a classe. numa circunscrição a do E r á t i — mais de oitenta e seis mil pares de sapatos! Esta é uma forma de levar os nativos a trabalhar. em Julho de 1954. Durante o período em que dirigiu os destinos do seu d i s t r i t o . Em Novembro de 1958. O Governador GRANJO PIRES tomou parte. 1958 e 1960. criando-lhes necessidades. e ainda chamado a Lisboa para participar nas Conversações sobre a Rectificação da mesma f r o n t e i r a . hoje M a l a w i . para proceder ao estudo do Absen- tismo e Assiduidade ao Trabalho. ocupando o posto de Secretário em Inhaminga.* classe. a l t u r a em que é promovido a a d m i - nistrador de 2. nos anos de 1957. como dele- gado representante da então Colónia de Moçambique. e foi nomeado 1.
dois colégios- -liceus. Igualmente se procedeu à construção de casas para régulos. no campo da indús- t r i a . com dezasseis salas de aula. que foram iniciadas em 1 9 6 1 . com uma população escolar de oitocentos alunos. para cada sexo. Promoveu a construção de cento e dez pontes e passagens de água. e três escolas primárias. na construção de edifícios escolares. Escola Técnica — 306 — . em 1965. etc. concluída em 1962. onde são ministradas aulas nocturnas. assim como dedicou a sua melhor atenção às obras do novo hospital de Nampula. com ensino até ao 5. Igualmente a sua acção se fez sentir noutros sectores do seu distrito. Murrupula — Residência do Regedor NAMPUIO N a m p u l a possui uma Escola Técnica moderna. ficou a ser um dos melhores hospitais da Província. um Liceu. do desenvolvimento rodoviário. e com a sua conclusão.° ano. g r a t u i t a m e n t e . feitas com os recursos do distrito.
e a cidade de Moçambique. havendo grandes esperanças. O Distrito de Moçambique é aquele onde o municipalismo está mais desenvolvido. de riquezas minerais. fomentando de forma considerável o intercâmbio comer- cial entre a nossa Província e os países vizinhos. amendoim e mandioca. num f u t u r o próximo. uma fonte de riqueza. O porto de Nacala será. em 1965. que é vasto repositório das relíquias históricas. cujas românticas paisagens lhe inspiraram alguns dos seus Sonetos. bem como pedras semi-preciosas. cerca de doze m i l habitantes. pois t e m a cidade de M o ç a m b i q u e . assim como da possibilidade da existência de cobre e mercúrio. — 307 — . de passagem para a índia. e a cidade de M o - çambique cerca de dez m i l . N a m p u l a possui um Museu Etnográfico. m u i t o prometedoras. bem como o tráfego entre a nossa Província e o M a l a w i . Camões. denominado FERREIRA DE ALMEIDA. algumas pegmatites de berilo. havendo várias misturas de raças. num troço de caminho de ferro. a V i l a de N a c a l a . que se estende de Nacala até à fron- teira da antiga Niassalândia — hoje Estado do M a l a w i — e que uma vez concluído irá fomen- tar o tráfego e o escoamento de mercadorias e produtos moçambicanos. calculado em mais de dez milhões de toneladas. por lá passou. Vila de A n t ó n i o Enes. permaneceu algum tempo na maravilhosa Ilha. capital do d i s t r i t o . Existem. A L G U M A S NOTAS SOBRE O DISTRITO N a m p u l a é a primeira cidade do interior dei Província. tendo três câmaras municipais. Também o brasileiro Tomás A n t ó n i o Gonzaga. Museu FERREIRA DE ALMEIDA A capital do distrito t i n h a . sendo o principal produtor de toda a Província de : sisal. Este d i s t r i t o é essencialmente agrícola. presente e f u t u r o . É igualmente rico em minérios. num f u t u r o próximo. que pertencia ao grupo dos «Inconfiden- tes». único na Província. na área do Eráti. que deu o nome à Província e foi sua capital até 1898. oito comissões municipais e dezasseis juntas locais. É ainda no Distrito de Moçambique que mais largamente se encontra representado o passado. quase constituída por nativos. t a m b é m . saindo daquela cidade e porto de mar. assim como no seu aspecto humano. algodão. onde existe um jazigo de ferro. Este distrito t e m quatro núcleos populacionais grandes : N a m p u l a . castanha de c a j u .
que vivem para usar as mais bonitas «toilettes» e jóias. com os quais se confeccio- nam os famosos camafeus. trabalhando para o marido. Aspecto da Fortaleza e Capela de NOSSA SENHORA DO BALUARTE Também é à volta da Ilha que são apanhados os belos búzios. os sete anéis e os colares confeccionados com libras de ouro. no estilo manuelino. sendo esta que cultiva a t e r r a . denominada NOSSA SENHORA DO BALUARTE. e que é o mais populoso de todo o mundo português. contando mais de um milhão e meio de habitantes. as mulheres é que dominam o homem. que têm de trabalhar para elas. Na Ilha existem ourives. traçamos a carreira administrativa do homem que presidiu aos destinos daquele distrito —o Governador GRANJO P I R E S — que ao seu engrandecimento e progresso se devotou. que artífices italianos t r a b a l h a m . as sete pulseiras. transformando os pedaços de búzio em verdadeiras jóias artísticas. assim como sete anéis num só dedo. É de mencionar uma excepção curiosa que se verifica na Ilha de Moçambique : em toda a Á f r i c a o homem domina a mulher. companheiros de Vasco da Gama. apreciadas em todo o mundo. entre elas. e constituindo o seu comér- cio uma fonte de riqueza. Em traços largos falamos do Distrito de Moçambique. e em síntese. — 308 — . Junto da vetusta Fortaleza — p r e s e n ç a permanente do nosso passado na época das Des- cobertas — e x i s t e uma capelinha. que confeccionam as pulseiras-talismã. sendo tradicional usarem sete pulseiras num só braço. m u i t o usadas pelas n a t i - vas. que foi construída pelos primeiros navegadores. Na Ilha. situada entre o mar e a fortaleza.
e no ar. A l i . perpassam nas brisas acariciantes os versos de Camões. nesta bonita parcela da terra moçambicana! O "Riquexó". Cidade típica. que nos transporta a um passado longínquo. Paulo e estátua de Vasco da Gama Em contraste com as modernas cidades da Província — sempre em crescimento — a de Moçambique — que foi antiga capital — permanece com uma fisionomia m u i t o própria. Palácio de S. . onde o «Riquexó» põe uma nota oriental e romântica. que nos transporta aos tempos idos dos grandes navegadores da época de Quinhentos. pressente-se em tudo que olhamos e nos rodeia. que pelo entardecer afagam a velha cidade. na Ilha de Moçambique. as vozes do passado . transporte típico da Ilha — 309 — . .
Vista aérea da Ilha de Moçambique — 310 — .
PEDRO BAESSA ocupa ainda o cargo de vogal do Conselho Económico e Social da Província. Em 1964. pacificador do Niassa. A i n d a em 1965. em virtude de ser o vogal mais velho em exercício. de 1915 a 1922. do Arquipélago de Cabo Verde. A partir de M a r ç o do mesmo ano. Seu pai era natural da Ilha de Santiago. e de membro da Junta Distrital de Moçambique. em férias graciosas. na ausência deste. — 311 — . da ci dade de Braga. onde foi com- panheiro e amigo do grande m i l i t a r M a j o r Neutel de A b r e u . onde nasceu a 18 de Junho de 1903. Em 1964 recebeu uma a l t a condecoração do Governo Espanhol. a convite do M i n i s t r o do Interior daquele país. ficou a desempenhar as funções de substituto do Presidente da Câmara. PEDRO BAESSA foi eleito vogal da Câmara M u n i c i p a l de N a m p u l a em Fevereiro de 1962. na Metrópole. PEDRO BAESSA. PEDRO BAESSA foi um dos representantes dos municípios do Distrito de Moçambique no Colégio que elegeu o Senhor Presidente da República. Frequentou o Liceu Sá de M i r a n d a . PEDRO BAESSA foi nomeado Presidente da Câmara M u n i c i p a l de Nampula. e em 1965 visitou oficialmente o M a l a w i . PEDRO BAESSA PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE NAMPULA Foi Presidente da Câmara M u n i c i p a l de Nampula PEDRO BAESSA. tendo sido condecorado pelo Generalíssimo Franco com a Comenda da Ordem do M é r i t o Civil. seu amigo pessoal. natural de Lourenço Marques.
como que uma seta apontada a N a m p u l a . Concelho de Fi- gueiró dos Vinhos. por mo- tivos de saúde. o posto militar de Itoculo. coração da M a c u a n a . por meios pacíficos. opunham-se de azagaia em punho a que os portugueses avançassem da costa para o interior. todas de inegável interesse estratégico. conquistado nas fileiras degrau em degrau. seguiu para a Província de M a c a u em 1890 e d a l i . Em 1898. M o u z i n h o . foram infrutíferas durante consecutivos anos as tentativas que se fizeram para atingir o ubérrimo «hinterland» dos actuais Distritos de Moçambique. Paiva Couceiro. Tomé. Volvidos quatro anos regressa à terra n a t a l . não obedeciam às leis do Governo de Lisboa. e dos feitos do Bié. tribos insubmissas m a n t i n h a m a sua tradicional autonomia no interior do sertão. para a de A n g o l a . após o feito heróico de Macontene. Lourenço Justiniano Padrel e Trigo Teixeira. reduzindo à escravidão povos indefesos. mas a saudade arrasta-o de novo a Angola. Silva Porto. resgatara para Portugal o rico Distrito de Gaza. A primeira dessas tentativas deve-se a M o u z i n h o . conseguia ligar entre si. mas uma biliosa impôs- -Ihe. N u m desses postos —o do Mongincual — vamos encontrar NEUTEL DE ABREU em mea- dos de 1900. oferece-se-lhe a opor- tunidade de vir servir em Moçambique. No norte e centro. diversas povoações do interior. Concluída a instrução m i l i t a r . mas o continente fronteiro. no ano imediato. Mercê de auxílio vindo do estrangeiro. zelosos missionários e destemidos aventu- reiros percorriam a corta-mato o lendário país da M a c u a n a . quase todos numa tímida faixa da zona costeira. e alistou-se como voluntário na A r m a de I n f a n - taria contava apenas 17 anos de idade. e comandante exemplar foi ele que logo no f i m desse ano era galardoado com um louvor por importantes serviços prestados. esta ú l t i m a com sede no Itoculo. onde foi contemporâneo de A r t u r de Paiva. pouco depois. desta vez para ficar e prestar-lhe altos e relevantes serviços. e que por bastante tempo foi o mais avançado baluarte de Portugal no norte de Moçambique. No sul. M a r i a das Dores Ferreira de A b r e u . graças aos postos militares instalados ao longo das linhas de penetração. e para aqui embarca nesse ano. f i l h o legítimo de Domingos A n t ó n i o Simões e de D. Namarrais e Macuas. que em 1897 instalava. mormente da nossa principal aliada. era precário ainda o exercício da nossa soberania. como comandante. praticando atrocidades. Moçambique vivia nessa época um dos períodos mais agitados da sua história. as «terras firmes» como ao tempo se dizia. Desde os descobri- mentos que a Ilha de Moçambique se tornara a capital da jovem colónia. Com efeito. não obstante o sucesso das expedições. Humbe e Moxico. até então teatro de lutas sangrentas. NEUTEL pediu e obteve a transferência de Angola pare S. Em 1904 já se falava das capitanias do Mos- suril e da M a c u a n a . o retorno à Mãe-Pátria. o jovem coman- dante do posto m i l i t a r do Mongincual em menos de seis meses. factos que não podiam ter deixado de influenciar profundamente a sua formação de soldado. contactando superficialmente com os seus naturais. e aí veio a adoecer gravemente. a 25 quilómetros do l i t o r a l . A braços com os problemas da ocupação e pacificação do imenso território. o que originou o seu repatriamento. estando em serviço no Ministério da M a r i n h a e U l t r a m a r . De novo voltou a esta Província em 1899. o que em m u i t o viria f a c i l i t a r futuras operações. Todavia. No ano imediato ascende ao posto de alferes. mas só dois anos mais tarde é que se reconhecia a necessidade de tornar positiva a nossa autoridade para além das estreitas zonas de influência que ocupávamos. Com 25 anos e o posto de sargento. nasceu no lugar de Várzea Redonda. há séculos girando na órbita da política árabe. por meio de estradas. Certo é que afoitos negreiros e comerciantes. — 312 — . a 3 de Dezembro de 1 8 7 1 . Niassa e Cabo Delgado. APONTAMENTO HISTÓRICO SOBRE NEUTEL DE ABREU Escrito pelo Inspector Administrativo João Barros Peralta NEUTEL M A R T I N S SIMÕES DE ABREU.
e foi com o prestígio deste nome gentílico que montou sem dificuldades. mas obedecendo a um novo plano : o das linhas de penetração paralelas. temíveis mentores da resistência ao avanço das nossas forças. diz no seu relatório o Governador Forjaz : «Distinguiu-se. Mossuril-Jagaia-Meconta-Otitane e M o n - gincual-Liúpo-Corrane-Nampula. de novo. NEUTEL distingue-se u m a vez mais contribuindo por forma decisiva para a derrota das forças de Farelay. admirado e respeitado em toda a colónia. disciplina e serena coragem». assim.1 9 0 4 . Cobula e Xeque de San- gage. energia e intrepidez como se portou sempre debaixo de fogo vivíssimo do inimigo na coluna organizada para reconstituir a coluna de operações na M a t i b a n e . predicados que em breve haviam de fazer dele um dos maiores sertanejos do seu tempo. proporcionou o avanço de 1912 para as regiões ignoradas do norte e oeste. trabalhador i n - cansável e estudioso apaixonado dos usos e costumes dos negros. de conquistar a Macuana pelo sistema da ocupação por zonas sucessivas de irradiação. os golpes mortais inflingidos em potentados como o N a p a u a . A l c u n h a r a m . . começaram a tecer em sua volta uma teia de lendas. t e n d o — a meu v e r — jus à Medalha de Valor M i l i t a r » . Referindo-se a este acontecimento. ao mesmo tempo que se criava a Capitania-Mor de M e m b a . pouco depois centro da expansão política irradiando até Ribáuè e M u r r u p u l a . no comando dos auxiliares. levadas no sentido da profundidade. o insubmisso agitador do Parapato e grande «inimigo da gente portuguesa». sendo por isso —a meu v e r — digno da Medalha de Valor M i l i t a r . a quem o Governo deve já o exercício da nossa autoridade em toda a região de Namuco e Quinga. oficial este. ao passo que a do Sul. o ú l t i m o dos quais alude ao bom e enérgico procedimento no comando de uma pequena força em terras de Napipe. que t a n t o havia de f a c i l i t a r a ocupação e pacificação do norte da Província. Formaram-se. de 3 . os postos militares de Ligúria. esboçado em 1897. As linhas do Norte e Centro.». altamente elogiosos. que comanda — h á uns 4 anos — com m u i t a sensatez. apesar de vitoriosas. intrepidez e valentia. Em 1905 recebe dois novos louvores da C a p i t a n i a . comandada pelo Capitão NEUTEL DE ABREU. em que geralmente aparecia como herói. três linhas : a do N o r t e . encurtando a do Mossuril. louva NEUTEL «pelo seu m u i t o valor e coragem. são detidas uma em Imala. vai ter finalmente continuidade 9 anos depois. a do Centro e a do Sul. A 25 de Julho desse mesmo ano foi promovido a tenente e colo- cado em A n g o l a . no Posto M i l i t a r de M o n g i n c u a l . e é distinguido com a nomeação para comandante m i l i t a r do M o n - g i n c u a l . A q u i . entre o M o n g i n c u a l e Liúpo. e os pretos. adjunto do comando de auxiliares.n o . e ao comportamento do brioso oficial. de M a h o n . m u i t o concorreu para o bom resultado das operações e movimentos de combate de Macuana pela sua reconhecida coragem. Nacavala. pela sua m u i t a coragem. em que participou como comandante do comboio e chefe dos serviços administrativos. que seguiriam. . energia e impassibilidade. e Corrane. O nome de NEUTEL torna- -se conhecido. mercê das suas notáveis qualidades.5 . onde m o n t a m postos militares.M o r do Mossuril a que estava subor- dinado. que tantos e tão importantes melhoramentos lhe devia já. realizou a conquista pacífica de um vasto território em que passou desde logo a exercer benéfica influência. então. Mucapera e o salutar exemplo de obediência da sua gente contribuíram decerto para aplanar muitas dificuldades que NEUTEL enfrentou ao instalar-se em N a m p u l a e empreender a ocupação efectiva do território circunvizinho. Em Macucha. celebrou com Mucapera uma valiosa aliança. com diligência exemplar e com honradez inatacável. estes rumos : Itoculo-Rainho-lmala. A ordem do Distrito de Moçambique. revelou-se um administrador de grandes recursos. A ocupação de N a m p u l a . — 313 — . houve-se por forma que o Comandante Eduardo Lupi escrevesse no seu relatório : «Nunca vi homem que o excedesse em desembaraço. respectivamente. outra em O t i t a n e . oficial do maior prestígio no M o n g i n c u a l .e no seguinte novos e honrosos louvores ilustram a sua folha de serviço. onde se conduziu de «forma a fazer respeitar a nossa soberania e aumentar o exercício do nosso domínio». mas m a n t i d o em Moçambique por conveniência de serviço. entregando-se voluntariamente a um rito tradicional. pasmados do seu com- portamento em combate e da sua extraordinária capacidade de realizador. em que sobressaem a habilidade e serena energia. Nas operações de M a t a d a n e . O velho sonho de M o u z i n h o . o alferes do quadro acidental NEUTEL M A R T I N S SIMÕES DE ABREU. actividade. pois.
de valor. foi encarregado pelo Governador Duarte Ferreira das operações contra o Régulo Napaua. em 1910. mas um ano depois voltava à Macuana. numa pequena casa de Figueiró dos Vinhos. pela sua acção decisiva na guerra contra o Farelay e seus apaniguados de Angoche e Mogovolas. NEUTEL DE ABREU morria tão modesto como t i n h a nascido. A 8 de Dezembro de 1945. senhor do Mucubúri e Imala. A sua brilhantíssima carreira termina praticamente com a promoção a M a j o r . No ano de 1917. No seu trajecto para Imala. — 314 — . A m p u a i a e Nácar. Já como Capitão-Mor da Macuana e nesse ano de 1912 partiu o destemido oficial para Malerna. a Junta de Saúde julgava o herói incapaz de todo o serviço. ausente na Metrópole. Louvado pela submissão do Régulo T u t u a e montagem do posto de Ribáuè. a Medalha da V i t ó r i a . No impedimento do Capitão Cunha. responsável pelo desassossego na Capitania de M e m b a . povoado de gente altiva e aguerrida. de ferocidade sanguinária. que distava já 390 quilómetros do litoral e 108 do posto de Ribáuè. o que se deu em Agosto de 1918. gozando de uma fama lendária de valentia. no ano seguinte recebe a Medalha M i l i t a r de Pratc da classe de comportamento exemplar. onde fundou um posto m i l i t a r . NEUTEL exerceu interi- namente as funções de Capitão-Mor do Mossuril. lealdade e mérito. comemorativa da ocupa- ção de Angoche. seguiu para Mocímboa da Praia. e da classe de assiduidade de serviço no Ultramar. Dois anos depois. em 1908. mas a boa estrela de NEUTEL mais uma vez t r i u n f o u de todas as vicissitudes. a dispensa do tirocínio para o posto de M a j o r e mais um honroso louvor em que as suas excelsas qualidades foram destacadas com o merecido relevo. e foi fixar-se no Mongincual. comandando um contingente de auxiliares macuas. Regressando do norte. O trabalho g r a t u i t o e o pagamento de impostos repugnavam ao sentimento de indepen- dência que caracteriza esse povo de artistas. facto que tornou sobremaneira espinhosa a missão do famoso Capitão-Mor da Macuana. a Medalha M i l i t a r de Ouro da classe de comportamento exemplar. No ano imediato montou o posto do M u t u á l i . desde que detivera em Rainho e Imala a coluna do capitão José Augusto da Cunha. e uma nova conde- coração vem constelar o seu peito : a medalha de ouro da classe de serviços distintos ou rele- vantes no Ultramar. Isso lhe valeu a nomeação para comandante militar da M a c u a n a . Esse rebelde foi destroçado no primeiro combate que ofereceu a NEUTEL e veio a morrer quando. Aposen- tado. onde arrastou vida difícil como agricultor. contava 47 anos de idade e 30 de intensa vida nas fileiras. A m é l i a . diversas as dificuldades a vencer. Em Agosto é promovido a Capitão. Novos louvores enriquecem a sua já brilhante folha de serviço. tentava atravessar o rio Lúrio. NEUTEL DE ABREU. recebeu o grau de Comendador da Ordem M i l i t a r de A v i z . e ao f i m e ao cabo os Macondes estavam submetidos. Massano de A m o r i m propôs-lhe a Comenda da Torre e Espada. pouco depois em fuga para os territórios da Companhia do Niassa. nomeadamente a Comenda da Torre e Espada. que bravamente havia resistido a outras tentativas do género. a coluna de NEUTEL DE ABREU ainda submeteu os régulos Chapala. e fundou o posto de M u c u b ú r i . parceiros do Napaua na sua obstinada resistência à ocupa- ção portuguesa. Novas e altas condecorações lhe foram concedidas. em 1915. Nesse mesmo ano foram-lhe atribuídas as medalhas de prata da Rainha D. M u i t o s e renhidos foram com efeito os combates travados entre os auxiliares Macuas e os guerreiros Macondes. incumbido de abrir uma estrada de 143 quilómetros através do território Maconde.
NEUTEL DE ABREU Daquele matagal inóspito. sem condições de sobrevivência. MAJOR NEUTEL DE ABREU 7 de Fevereiro é o dia festivo da cidade de N a m p u l a . nessa d a t a . em 1907. por ali ter chegado. nasceu uma das mais bonitas cida- des de M o ç a m b i q u e ! — 315 — .
empregando-se na Com- panhia de Moçambique. na Ilha de M o - çambique. ANTÓNIO MARQUES A N T Ó N I O MARQUES é natural de Lisboa. o Hotel de Nacala. um café-restaurante. Mais tarde. Alguns anos depois. lugar que aceitou. — 316 — . na parte nova da cidade. vindo para Moçambique em 1949. construiu em 1962. nascido na freguesia dos Anjos. Henrique. o concessionário da Pousada de Moçambique. vindo depois a ser o concessionário da explo- ração do hotel. em Nampula. que pertence aos Caminhos de Ferro de Moçambique. a total direcção e concessão de exploração foi dada a A N T Ó N I O MARQUES. foi convidado para a gerência do Hotel Lumbo. a que deu o nome de Infante D. Foi na cidade da Beira que primeiro se f i x o u . e em 1961 tornou-se. na secção do contencioso da f i r m a . no porto do mesmo nome. t a m b é m . com salas de bilhares. cu . tornou-se o proprietário da Pousada M o u r a . a que foi dado o nome de Hotel Portugal. Na progressiva cidade de N a m p u l a . Pousada da Ilha de Moçambique Em 1962 torna-se concessionário de mais um hotel. na Praça do Infante D. Henrique. Em 1960 inaugurou-se em Nampula um grande hotel.
Hotel Portugal. em Nampula Hotel do Lumbo — 317 — .
a sua obra. . largou a vida. . da desesperança e. mas coração generoso. as injustiças. a ser portu- guês. quando esse pioneiro conseguiu sê-lo da maneira mais arrojada. sorrir e registar factos . as arrelias. mesmo quando os outros. quando ela já ultrapassou há muito a fase das dificuldades. rumando direito a uma Á f r i c a desconhecida. história autêntica e tão diferente da que hoje se faz por toda a Á f r i c a ! Sim. lhe suplicavam que desistisse. E na data em que o fez decorria o ano de 1897. talvez f á c i l . da luta heróica. «pontinho» que ele ajudou a ser conhecido. mas «espectacular». a família até. ou sequer imaginar! Prédio das Organizações João Ferreira dos Santos — António Enes — 318 — . O que era Á f r i c a então? M u i t o dife- rente daquilo que qualquer cidadão hoje poderá pensar. de toda o sorte de obstáculos que venceu de punhos cerrados. mas quão difícil é relatá-la com os termos próprios. falar da vitória incerta. a ser grande. quando para isso. cómoda por certo. dos prazeres garantidos de Lisboa. pois dedicava a sua mocidade a uma obra por demais gigantesca. num «pontinho» de Á f r i c a . dos sacrifícios. depois da vitória. é f á c i l . mais digna. JOÃO FERREIRA DOS SANTOS O MAIOR PIONEIRO DO NIASSA (MOÇAMBIQUE) O CRIADOR DE UMA OBRA — ORGULHO PARA PORTUGAL A história de um pioneiro. mencionar os desgostos. especialmente. Mas JOÃO FERREIRA DOS SANTOS —é dele que se t r a t a — sabia que estava a fazer história. é fácil de ser contada em palavras breves. os desenganos. do caminhar lento. a ser respeitado.
Bastará dizer que na a l t u r a . Mesmo aqueles que anos depois. numa época sobretudo em que a emigração portuguesa prevalecia para as ricas terras do Brasil. sobre a sua grande obra de pioneiro e um dia a cidade de Moçambique recebeu a visita do Governador-Geral da Província — comandante Gabriel Teixeira — proferiu as seguintes palavras. E a comprová-lo. A única importância que trazia consigo eram vinte mil réis. em que se jogava a vida dia a dia no comerciar com os nativos. as mais homenageantes palavras. pois JOÃO FERREIRA DOS SANTOS não se importava em amealhar dinheiro para regressar rapidamente à Metrópole e gastá-lo em prazeres. numa luta férrea. Ao progredir o seu negócio. de uma inteligência brilhante. As primeiras encomendas da Metrópole começaram por chegar e cada vez em maior volu- me. daqueles que fizeram um I m p é r i o » ! Já em 1939. Marechal A n t ó n i o Óscar de Fragoso Car- mona. coragem e patriotismo. consagrou os seui altos serviços. e várias f o r a m . de uma coragem sem limites e de uma persistência que era como uma obstinação. Uma delas aconteceu em 24 de Janeiro de 1947. os seus problemas. Portanto. sabiam. era uma empresa deveras d i f í c i l . como se sabe ainda hoje. o exemplo vivo de uma vontade férrea. Depois. pois tratava-se de uma batalha ordeira. Depois. viu satisfeito parte do seu desejo bem patriótico : o alarga- mento e povoamento do norte de Moçambique. tendo chegado a Moçambique em 24 de Janeiro de 1897. publicamente. dia da passa- gem do cinquentenário da sua chegada a Moçambique. a que lhe foi prestada pelas forças vivas de Moçambique. M u i t a s foram as homenagens públicas que em vida recebeu. a sua visão e inteligência fomentavam novos ramos de actividade. Durante a cerimónia. que teve lugar no salão nore dos Paços do Concelho. e da boca dessa vene- randa figura do Estado. selvagem. que nascera no Bombarral a 7 de Julho de 1877. contra as febres e tantas outras doenças tropicais. até à sua morte. virgem. tanto como o n t e m .impiedoso. os jovens desejam divertir-se sem preocupações. as suas obrigações e responsabilidades para com a nação que os serve. a 17 de Dezembro de 1896 saiu de Lisboa a bordo do « Z a i r e » . Pelo contrário. JOÃO FERREIRA DOS SANTOS. com capital a estabelecer-se nesta Província. progredia paralelamente o desenvolvimento das terras do Niassa. foi durante algum tempo. E ele. de orgulho. a sua ambição. por desbravar. pelo inteligente e denodado esforço que sempre dedicou a esta parcela do Império. empregado de comér- cio. porque falo perante um homem diante do qual o Governador-Geral se curva respeitoso : um português daqueles que têm lutado como uns bravos. evidentemente. pela magnitude das suas qualidades. Filho de gente humilde. Por isso. desde m u i t o novo ambicionava sair da sua terra natal para conhecer África. que as mãos. mas nunca em- pregando armas para vencer. de príncipos sãos. que o seu nome era. depois da luta travada e da almejada con- quista. o pensamento e o coração de um português. que ninguém. tenacidade e honradez. o então Presidente da República. mudava a sua atenção para as vastas terras do Niassa. JOÃO FERREIRA DOS SANTOS não p a r t i u . escutou JOÃO FERREIRA DOS SANTOS. após a sua chegada. e é. tomou de trespasse o próprio negócio que o empregara. frente a JOÃO FERREIRA DOS SANTOS : «Neste momento estou a falar com prazer. preservado para todo o sempre. numa idade em que hoje. quando os anos rolaram. Reali- zava assim. no seu coração negro. a lutar sempre pelo progresso. um nome que é uma lenda em Moçambique e fora desta Província Portuguesa. dando a Câmara — 319 — . ou numa velhice assegurada. aos 19 anos. f a t i g a n t e e peri- gosa. entre elas. na Á f r i c a . Foi aí. agraciando-o com a Comenda de M é r i t o Agrícola e Industrial. ao visitar Moçambique. empresa arriscada essa. nunca com ele tiveram o prazer de contactar. A l é m de homenagens públicas. o seu sonho. aliás. Era uma força imparável de saber querer. se entregaram de corpo e alma. mas pacífica. JOÃO FERREIRA DOS SANTOS. esquecendo o curso da História. e m u i t o justamente mereceu JOÃO FERREIRA DOS SANTOS. Os anos passaram e as iniciais JFS ficaram de todos conhecidas como símbolo de tena- cidade. É a conquista da terra inexplorada e contra as armas traiçoeiras dos indígenas. M o u z i n h o de Albuquerque. poderia negar que ele o merecesse.
O Presidente da República. e considerou-o cidadão honorário da cidade de Moçambique. N a m e t i l . lugares da maior pro- jecção. João Domingues Ferreira dos Santos e José Luís Ferreira dos Santos — dignos continuadores da obra de seu p a i . ficará como uma legenda e um exemplo bem vivos para os que vieram depois dele usufruir os benefícios da sua própria luta. tendo sido. e as plantações de coqueiros e cajueiros de Saua-Saua. condecorando João Ferreira dos Santos. feito de persistência. Napela e M e l u l i . JOÃO FERREIRA DOS SANTOS ocupou t a m b é m . todas em edifícios próprios das organizações. Foram concessionários de zonas algodoeiras e orizícolas das importantes zonas algodoei- ras de Geba e Saua-Saua. Nacala. aquele rapazinho de 19 anos. — 320 — . Marechal Carmona. Um sonho que teve sempre a ocupar-lhe o espírito moço e tenaz até à própria morte. em Moçambique. da indústria e da a g r i c u l t u r a . em toda a região do Niassa. Merecem especial referência. por largos anos. em 1 9 3 9 M u n i c i p a l dessa cidade o seu nome a uma das ruas da Ilha. exercem a sua actividade nos mais diversos ramos de comércio. na a g r i c u l t u r a . Nacala. em Geba e M u c h e l i a . Geba. Mossuril. que compreendem as áreas das circunscrições de M e m b a . directamente administradas pelos seus filhos — D r s . T i n h a completado o seu sonho. as enormes plantações de sisal. embarcando para Moçambique. membro do Conselho do Governo. coragem e hon- radez. que um dia deixara Lisboa. M u c h e l i a . M e z a . ocorrida em 1957. Mogincual e hoje são importantes industriais de descaroçamento de algodão e des- casque de caju. M a n t é m a sua sede na cidade de Moçambique e possuem sucursais importantes em Porto A m é l i a . Hoje as organizações JOÃO FERREIRA DOS SANTOS. um sonho grandioso. porque ele não morreu jamais! Como um símbolo daquilo que um homem pode chegar. Nampula c A n t ó n i o Enes.
Oficinas e Estação de Serviço FORD — Nampula — 321 — . talvez. Nacala e Memba. laboratórios. englobadas nas suas organiza- ções. quer europeus quer nativos. cordoaria. t a n t o nacionais como estrangeiras. Prédio de Nacala Entre outras indústrias dedicam-se. escolas. exercendo igualmente cargos de agentes distribuidores e tendo. M u c u b ú r i . t a m b é m . As organizações JOÃO FERREIRA DOS SANTOS nunca abandonaram o amparo e promoção social dos seus empregados. tabacos. as que marcam o lugar de maior destaque. sendo agentes de variadíssimas e importantes companhias. compreendendo as áreas do concelho de N a m p u l a . residências. das circunscrições de M e c o n t a . parques infantis e campos para a prática de jogos desportivos. e t c . aos ramos de padaria. As zonas orizícolas são. farmácias. Mossuril. contribuindo com bairros. entre outras iniciativas de vulto. hospitais. muitas outras fortes empresas moçambicanas. Nos centros de cada zona orizícola possuem fábricas de descasque e polimento de arroz.
para além da linha do horizonte. j u n t o destes. pelo que estes c imortalizaram com a colocação de um busto em bronze de Mestre Leopoldo de A l m e i d a . como mestre.° g r a u . eu ia a dizer sacrificados. Assim se estabeleceu a ponte no começo da luta pela realização das suas aspirações. com o seu exemplo. viuvez e doença. dar um exemplo brilhante de uma vida recta. Foram palavras de um elogio recto. que devemos conservar permanentemente em nosso espírito e nos nossos corações. foi ainda a u x i - liado monetariamente com um empréstimo que contraiu. o Dr. JOÃO FERREIRA DOS SANTOS. o seu perfil. Esta. posso dizê-lo. Espírito extremamente económico. João Ferreira dos Santos. de seriedade e de trabalho que jamais conheceu fronteiras ou cansaços. Para além de todas as dádivas. A muitos dos seus empregados e colabora- dores. que nasceram para fazer uma OBRA e. justamente sob o pretexto da f a l t a de movi- mento. e. assim fez ele toda a sua vida. Útil será. em Moçambique. em 26 de A b r i l de 1956. o retrato de seu pai e fundador da organização nos escritórios da sede. E. mesmo após o seu desaparecimento. Nesta m u i t o simples homenagem. mesmo que não tivesse necessidade de mais empre- gados. Conservou sempre o maior respeito por todos — 322 — . j u n t o à secretaria onde t a n t o trabalhou para engrandecimento da sua tão bela obra! Uma das descrições mais comoventes e mais sinceras e ternas. nasceu sob o signo da vitória. elucidativas sobre a figura de JOÃO FERREIRA DOS SANTOS. e muitas foram elas. Nunca n i n - guém lhe pediu trabalho que ele negasse. nasceu pobre. jamais recorreu à solução de reduzir o pessoal nos seus quadros. A c e i t o u de bom grado sobrecarre- gar-se com mais aquele serviço. f i r m e m e n t e . t a m b é m . Homens como o meu pai jamais morrerão. e através dela se avalia. numa das paredes desta sala de trabalho. deixou-lhes um legado. para isso. Pertenceu a um raro grupo de eleitos. 0 patrão disse-lhe : « — S e queres mais trabalho. Posso dizer que ao embarcar para esta Província. A l é m das virtudes e qualidades. a pouco e pouco criou as condições para se estabelecer com uma pequena casa de negócio. Como instrução. teve apenas o 2. conscientemente. do retrato de meu pai. tirado numa escola de ensino g r a t u i t o . apenas desejava encontrar trabalho onde exercer a sua actividade. poucas horas dormirás por noite». preito de um homem a outro d outro homem. sempre generosas e volumosas. Tendo sido. limitando-se a uma meia dúzia de fregueses por dia — à s vezes nem t a n t o s ! — que tomavam qualquer bebida ou pediam que lhes estendessem as bolas no bilhar. na sede das organizações. continuam ainda a iluminar. deu-a seu f i l h o . porque também tenho um talho. poderás t r a t a r dele. A lição que este homem nos deixou. e ela conti- nuará a acompanhar-nos. número um da p a u t a . partiu do nada e fez-se inteiramente por si próprio. Através das suas tremendas crises económicas. para isso. subsídios de invalidez. ao recordarmos a sua vida. «A sua ânsia de trabalho ú t i l não conhecia limites. evidenciou. com ela. não procurava grandeza nem f o r t u n a . Aborrecido da forçada inactividade durante uma grande parte das horas de cada d i a . O movimento era m u i t o pequeno. não esqueceu nunca os pobres. procurarei apenas focar algumas das facetas que mais marcadamente se encon- t r a m na sua invulgar personalidade e que devem servir de exemplo a todos nós. João Ferreira dos Santos. que os nossos filhos a oiçam. com a finalidade de assistirem à colocação. deve ser frequentemente lembrada por todos aqueles que o conhece- ram na pujança das suas faculdades. tal como aquelas estrelas que. João Ferreira dos Santos. teremos sempre alguma coisa de novo a aproveitar. sentiremos que a sua vida exemplar não se perdeu. Após a sua chegada à Ilha de Moçambique foi colocado num pequeno bar que possuía um bilhar. «Convidámos a reunirem-se connosco os empregados que se encontram ao serviço desta f i r m a . Em vida. antes de falecer legou dezoito mil contos a uma instituição de beneficência em Lourenço Marques. por coincidência. terás de levantar-te às quatro horas da madrugada e porque o bar encerra tarde as suas portas. foi também o número um na classificação f i n a l . permanente- mente. Este homem que ali vedes. assim continuou quando. Envolvido sempre em trabalho que mais o entusiasmava quanto mais dificuldades houvessem a vencer. um elevado espírito h u m a n i t á r i o e de solidariedade para com os outros. foi a consequência natural das suas faculdades de inteligência. pois mesmo quando a sua presença física desaparecer da terra. e no permanente trabalho do dia a dia a engrandecermos a vida e a projectá-la. mas. resolveu demitir-se. que tem o seu nome. nos ensinou. A l u n o distinto. em Moçambique. pela m u i t a grandeza de todo o seu trabalho repleto e cheio de sacrifícios. então. A Associação Beneficiente João Ferreira dos Santos mantém bolsas de Estudo para cursos superiores. ao descer- rar. quando embarcou para a Á f r i c a . pintado por Henrique Medina.
na medida em que cumpriu largamente a sua missão. A sorte que teve. e formando uma f i r m a que emprega algumas centenas de europeus e milhares de indígenas.os que desejavam ganhar honestamente o pão de cada dia. João Ferreira dos Santos simbo- lizou. sempre. Este é. foi sem dúvida um homem feliz. certamente que a não desejaríamos para nós. em traços rápidos. da minha parte. ele é que serviu o dinheiro. mas eu posso assegurar- -vos que estes nunca foram problemas de consciência. Entre todos os que trabalharam no dia a dia com João Ferreira dos Santos. cujo nome ficará gravado a letras de oiro nas páginas da sua História! — 323 — . Será isto exigir demais? Eu penso que não. Foram muitas as preocupações e os problemas que teve de resolver. através da história do capitalismo. foi um dos maiores pioneiros de Moçambique. antes pelo contrário. Desejo dizer-vos. estou certo não ter havido ninguém que tivesse sentido o mesquinho sentimento de inveja pela f o r t u n a que ele possuía. levados unicamente pela má compreensão da prosperidade alheia. contribuindo para a melhoria das condições sociais. não estarmos à a l t u r a dele ou ao seu nível. Perante a extra- ordinária grandeza do homem que foi João Ferreira dos Santos. ou então —e para estes existe. João Ferreira dos Santos não foi um homem de sorte. suor e lágrimas. o retrato do homem que fundou esta f i r m a e viveu essa obra durante decénios. Os alicerces são fortes porque foram constantemente envolvidos com o seu sangue. fomentando riqueza. se tivéssemos que fazer a sua vida de permanente renúncia e sacrifício. Encontramos. que o dinheiro nunca o serviu a ele. seus colaboradores. os não sabem utilizar. mas a mantermos. fazendo-o com seriedade e dignidade. no mais elevado g r a u . que Deus nos ajude. que os inimigos deste foram sempre de dois tipos : ou por egoísmo. o permanente respeito à sua memória. Posso afirmar que. possuindo os meios de f o r t u n a . por tudo quanto atrás fica expresso. porque isso seria imo- déstia e representaria o desconhecimento das suas qualidades e da grandeza de que a sua vida se revestiu. a todos nós. larga c o m p r e e n s ã o — por culpa apenas daque- les que. as virtudes do capitalismo.» JOÃO FERREIRA DOS SANTOS. através de todo o nosso trabalho e colaboração. na medida em que o lançou à terra. na satisfação dos prazeres materiais da vida. t a m b é m . Apesar de tudo.
foi director do jornal «A Voz do Caixeiro». Em determinada a l t u r a . mais que recordado. plantou para cima de 100 0 0 0 pclmeiras e 50 0 0 0 cajueiros. porém. quem primeiramente empreendeu no Distrito de Moçambique o descas- que e preparação da castanha de caju. Couceiro da Costa. por f a l t a de pessoal e s p e c i a l i z a d o — . um republicano de gema. amanuense da cir- cunscrição civil de Zavala. tendo criado na área de Angoche a bela propriedade de N a m a p i z a . em Tete do «Radical» — que ele e um seu companheiro de infortúnio tiveram necessidade de compor. exercendo as funções de aspirante dos Correios e Telégrafos. à sua inteligência e ao seu incontestado dinamismo. até Março de 1912. aliados a uma inigualável força de vontade. Foi ele. JOÃO RIBEIRO DE P A I V A não esmoreceu e a sua dinâmica força de vontade não encontra barreiras. hoje em plena produção. JOÃO RIBEIRO DE P A I V A . t a m b é m . A l f r e d o Magalhães. a sorte abandonou-o e devido a circunstâncias alheias à sua acção e à sua vontade. politicamente foi sempre um avançado. onde teve 32 lojas comerciais. insertas num artigo dedicado ao pioneiro. Interessou-se também bastante pela a g r i c u l t u r a . JOÃO RIBEIRO DE P A I V A chegou a ser um dos maiores comer- ciantes e industriais do Distrito de Moçambique. e em Moçambique foi director de «O N o r t e » . lugar de que não quis tomar posse. por portaria do Governador-Geral. mas sabemos que em 191 1 residia em Lourenço Marques. Dr. Em Lourenço Marques. Devido ao seu esforço. apesar de todas as ingratas contrariedades. onde se conservou. além das esplêndidas habitações que nela construiu. onde. e antes da implantação da República já pertencia ao Centro Republicano Dr. JOÃO RIBEIRO DE P A I V A — um perse- guido p o l í t i c o — foi desterrado para Tete. de onde foi expulso por m o t i - vos políticos e mandado para outro ponto da Província. Finalizamos a sua biografia com as afirmações de E.» — 324 — . data em que pôde regressar a Lourenço Marques. sendo nomeado. Pinto Soares. JOÃO RIBEIRO DE PAIVA Não sabemos ao certo a data exacta em que JOÃO RIBEIRO DE P A I V A chegou a Moçam bique. ser imitado em suas atitudes de exemplar patriota. de que era secretário quando foi expulso. publicado num jornal da Província : «João Ribeiro de Paiva foi um homem às direitas e que merece. continuando insanamente na luta de recuperar o perdido! A primeira fábrica de tabacos que se montou na cidade de Moçambique — s e u s a n t i - gos s o n h o s — foi JOÃO RIBEIRO DE P A I V A que a estabeleceu. tudo perdeu! M a s .
sendo constituída somente por accio- nistas portugueses.N. e paralelamente com o descasque da castanha.S. ultrapassará os cem mil contos. As suas infra-estruturas estão já dimensionadas para uma imediata duplicação da capaci- dade f a b r i l . nesta primeira fase. fomentando a indústria.social de Nacala. O vajor anual da SOCAJU. só foi possível mercê do apoio financeiro do Banco Nacional U l t r a m a r i n o . Este empreendimento industrial m u i t o veio contribuir para o desenvolvimento económico e.L. É. Esta fábrica foi totalmente concebida e feita por técnicos portugueses. Essa máquina encontra-se patenteada pela f i r m a portuguesa Sodescal. 1 Aspecto da unidade fabril «Socaju» — 325 — . A SOCAJU tem um capital social de 120 mil contos. e o seu desenvolvimento. veio contribuir de forma notável para o engrandeci- mento desta região e da Província. que lhe deu assis- tência técnica.) da mesma. A primeira fábrica montada pela SOCAJU. Inicialmente. p o r t a n t o . iniciou a sua laboração em Março de 1968. para entrar em nível de produção industrial. devido à utilização de uma máquina que foi concebida e desenvol- vida por técnicos portugueses. bem como o Centro de Investigação da Cuf. empre- gando. recente. para o que dispõe de uma área de terreno própria para o efeito. dispondo de instalações adequadas para a extracção do óleo (C. justifica a sua inclu- são neste livro. um número superior a mil e quinhentos. mas por ser a primeira no seu género. que desde o primeiro momento lhe dispensou o maior interesse. que se encontra numa fase de grande desenvolvimento. "SOCAJU" A SOCAJU foi a primeira organização a instalar em Nacala uma unidade fabril de grande envergadura e projecção económica para laboração de castanha de caju e extracção de óleo. entre funcionários e operários. e cujo magnífico porto de mar virá a fazer da vila uma grande e moderna urbe! A SOCAJU. em Nacala. esta unidade fabril tem uma capacidade de laboração para 15 mil toneladas anuais de castanha de caju.
exercendo funções de Subchefe do Estado Maior no Comando M i l i t a r dos Açores. o Curso do Estado M a i o r . T i r o u ainda os preparatórios na Universidade de Coimbra. Integrado em missões de Estado M a i o r . O Major Costa Matos no seu gabinete de trabalho O M a j o r COSTA M A T O S — como mais afectuosamente é conhecido pela população que governou — iniciou os seus estudos em Lourenço Marques — onde nasceu — na antiga Escola 1. visitou os estabelecimentos militares na Alemanha e na Bélgica. onde serviu nos anos mais cruciantes da agitação anti-portuguesa. Da sua brilhante folha de serviços constam 12 Louvores (dos quais 7 que lhe foram conferidos por Oficiais-Generais e 5 por Comandantes de Unidades onde serviu). de 1907 a 1940. o M a j o r CARLOS DA COSTA M A T O S . tendo frequentado o Curso de Pacificação e de Contra-Guerrilha. Capitão Rodrigo Albano de M a t o s exerceu. onde foi aluno distinto. tendo estudado cuidadosamente os seus problemas. lançada pela União Indiana. oficial distinto do nosso Exército. o vasto Distrito do Niassa. natural da Província de M o ç a m b i q u e . funções militares e civis. tomou-se necessária para se aquilatar da verdadeira estatura militar e política do M a j o r COSTA M A T O S . que conhece de ponta a ponta. onde o seu pai. atraído pela carreira das A r m a s . É condecorado com a Ordem M i l i t a r de A v i z . Frequentou. dos mais expostos de Moçambique a possíveis infiltrações de agentes inimigos que nos incomodam em Á f r i c a . Esta síntese biográfica do homem que esteve alguns anos à frente dos destinos do Distrito do Niassa. ensejo de familiarizar-se com os métodos de guerra subversiva e no combate à subversão. que seu pai servira com t a n t a distinção. que nele inteiramente confiaram. ou seja de 1948 a 1952. — 326 — . deste modo. tendo-se distinguido na Campa- nha do Niassa durante a I Grande Guerra. em missões delicadas de serviço. ingressou na Escola do Exército. Teve. M e - dalha de M é r i t o M i l i t a r e Medalha Comemorativa da Expedição à índia. com invulgar capacidade de inteligência e apurado tacto político. mas. GOVERNADOR DO DISTRITO DO NIASSA Governou durante vários anos. todo o território de Goa. posteriormente. que se m u l t i p l i c o u em actividades em benefício do progresso do d i s t r i t o que lhe esteve confiado e segurança das populações. tendo f e i t o o curso secundário no Colégio M i l i t a r . Fez ainda parte da Missão M i l i t a r portuguesa que se deslocou à Argélia em obser- vação.° de Janeiro. Durante esse período percorreu.
trabalhos de alto sentido de oportunidade. Construíram-se aeródromos. N ã o queremos terminar estas linhas. sempre a t e n t o aos problemas prementes do d i s t r i t o e sempre presente em locais onde a sua pessoa se tornava necessária. directamente observamos a obra extraordinária de valorização do Niassa. senhora D. É difícil — c o n f e s s a m o s — fazer-se o cômputo perfeito dos anos de governo do incansável Governador COSTA M A T O S . um digno prolongamento da acção governativa de seu marido e seu verdadeiro amparo nas horas difíceis de governação. Isabel Costa Matos. pelo seu bom critério. o grande Distrito do Niassa veio a conhecer um novo surto de progresso em todos os ramos de actividade humana. de colonos. ela também se dedicou. sem uma referência especial. que vieram para trabalhar a terra. Não há dúvida de que com o M a j o r COSTA M A T O S . as populações viviam confiantes e tranquilas. estradas. Cada Posto A d m i n i s t r a t i v o dispõe de tractores para a manutenção e conservação das estradas e outros serviços. que da cepa das antigas damas portuguesas. a obras de promoção social e de benemerência para elevação do nível de vida e de civilização das populações mais atrasadas. com sacrifício do seu bem-estar. Fez-se o estudo e implantação da rede de Radioco- municações. não só dos que — 327 — . um exemplo a seguir. que f i z e r a m ainda mais respeitado o seu nome e o de sua esposa. para uma mais efectiva ocupação administrativa. sentido de oportunidade. Com verdadeiros «mila- gres» de boa vontade do dinâmico Governador. Sob a sua superior orientação fez-se o estudo do reajustamento administrativo do vasto distrito. nos mais diversos campos de acção. inteligência e f i r m e z a de decisão. directamente. Fez-se a distri- buição e fixação em condições próprias. desde que. que realizou com acerto e elevado sentido de patriotismo. a quem admiramos. pois sobre si incidiram as atenções. de vir governar um distrito de uma Província onde nasceu e que. sob o seu governo austero e justo. Ela soube ser. deste modo. com o esforço produtivo do seu braço. com as quais pretendemos prestar o t r i b u t o de jus- tiça que é devido ao M a j o r COSTA M A T O S . mais pesa- das se t o r n a m as suas responsabilidades. por isso mesmo. em ocasiões que tal se torna cessário. prontas a encarar o f u t u r o com determinação f i r m e . que lhes soube inspirar o Chefe do Distrito. — Palácio do Governo Foram iniciadas as obras de abastecimento de água a M a r r u p a . Pelo que observamos. tão vasta é a sua obra. realizaram-se no vasto campo de acção social e educativa. estabelecendo. Ela reflecte a sua preocupação honesta de acertar e honrar a distinção que mereceu. pontes completadas. que j u n t o de seus maridos realizavam obra salu- tar em benefício das populações. Electrificaram-se todos os Postos Administrativos.
— 328 — . cria- ção da Escola Técnica Elementar. desta maneira. nas quais sintetizou. capital do Distrito do Niassa. não só pelos sentimentos que a n i m a m toda a população como também pela recta e isenta política social. para a Imprensa mo- çambicana.dirigem o Governo da Nação e da Província. contribuir para a valorização económica da Província e do próprio Niassa. para que se processe nas melhores condições o progresso de uma terra.» Numerosos melhoramentos caracterizaram o governo do M A J O R COSTA M A T O S . Essa afirmação sua encontramo-la em declcrações que fez. assim. Esta situação m u i t o contribui. Graças à acção desenvolvida pelo Governador COSTA M A T O S . O Niassa. essa região maravilhosa de Moçambique. como está sucedendo. no sempre delicado ccmpo das relações humanas é franca- mente boa. amando entranhadamente a terra onde nasceu. continuando e valorizando a obra de ressurgimento i n i - ciada pelo seu antecessor. o coronel Nuno de Melo Egídio. esteve por m u i t o tempo votada ao esquecimento. cujas ruas foram asfaltadas durante o ano de 1965. que. renovação total da electrificação da capital. então. desde que homens de boa vontade a ela se dediquem afincadamente. Promoveu à criação da praia de Porto A r r o i o . vindo. como os milhões de naturais de Moçambique. local m u i t o apreciado por moçambicanos e rodesianos. e à criação da Diocese de V i l a Cabral. que se está traçando e ainda pela intensa actividade de contactos que se têm estabelecido entre todos os sectores das populações. realizou uma tarefa por todos compreendida e aplaudida. nas margens do Lago Niassa. portanto. Isto é bem visível a quem visite o Niassa como já o têm f e i t o entidades estrangeiras que me têm abertamente transmitido as suas agradáveis impressões por t u d o que t ê m visto. ela encontra-se em franco desenvolvimento. 1963 — 1 . as suas preocupações governativas : «A situação actual do Niassa. para quem foi grata homenagem poder contar com o primeiro Governador do Distrito. M u i t o teríamos ainda a dizer da obra extraordinária de valorização e progresso realizada por este Governador. que igualmente tem dado o melhor do seu saber e esforço. com o pensamento fixo na Pátria. natural de Moçambique. Tudo quanto nos foi dado ver e apreciar nos deixou as melhores impressões. que tudo dará. à urbanização de M e - tangula. ' Exposiçãa-Feira de Vila Cabral Sucedeu-lhe na chefia do distrito. de que destacamos : a elevação à categoria de cidade V i l a Cabral.
que fica a cerca de 800 q u i - lómetros de distância. trigos e milhos. pelo clima ameno e pela sua situação geográfica. con- tribuíram para o desenvolvimento da capital do distrito. O arranque de desenvolvimento posto em execução pelo Governo tem justificado as esperanças postas nestes distritos. capital do Distrito do Niassa. cuja população era. electrificação dos Postos A d m i n i s t r a t i v o s . O distrito é receptivo às mais variadas actividades agrícolas : do algodão. Com a extensão do caminho de ferro de Catur até à capital do distrito. de 81 763 indivíduos. fo- ram reintegrados na administração directa do Estado. Por portaria de 23 de Setembro de 1962 foi elevada à categoria de cidade. Coronel José Ricardo Pereira Cabral. geográfica e economicamente importante. Pode dizer-se. N a m p u l a e l i t o r a l . que é «uma terra nova que se encontra na fase do arranque para o progresso». compra de tractores e alfaias para auxílio da assistên- cia técnica ao agricultor. a iniciativa particular tem colaborado com entusiasmo. e separados em dois distritos. em Setem- bro de 1929. está situada a cerca de 1300 metros de altitude e a meia centena de quilómetros do Lago Niassa O atraente e progressivo centro dos nossos dias teve a sua origem na antiga povoação de Lichinga. V i l a Cabral. tabaco. leguminosas e fruteiras. do Distrito do Niassa. recebeu o f i c i a l m e n t e a designação de Vila Cabral. mais um passo decisivo foi dado para a valorização da jovem cidade e do Concelho. ao t r i g o nos planaltos. numa homenagem ao antigo Governador-Geral. HISTÓRIA DO DISTRITO DO NIASSA Os territórios do Niassa. Em 17 de Novembro de 1945. foram já projectados os seguintes trabalhos : estudo do reajustamento a d m i n i s t r a t i v o do d i s t r i t o . ao café. Está a ser encorajada. sendo de destacar o Palácio das Repartições. que estavam sob a administração da Companhia do Niassa. em especial com a criação duma indústria de pesca que — 329 — . O Estado tem ali erguido várias construções. em Omaramba e M a r r u p a . a Escola Técnica e a Aerogare. em reconhecimento do progresso verificado e da tenacidade de todos os que. pelo censo oficial de 1962. prevê-se o apro- veitamento industrial do Lago Niassa. De Vila Cabral irradiam as estradas que a ligam com M e t a n g u l a e M a n i a m b a e que en- troncam na estrada que segue para Port Johnson. De V i l a Cabral. estudo e ampliação da rede Radiocomunicações. estando a ser efectuados ensaios com sojas. Assim ficaram constituídos os Distritos de Cabo Delgado e do Niassa. por sua vez. mereceu a distinção que lhe foi conferida. as estradas estabelecem t a m b é m ligação para Nova Freixo. com a sua presença e trabalho perseverante. dadas as condições favoráveis de que se reveste. a instalação de pequenas indústrias : enlatados de f r u t a . Hospital de Vila Cabral V i l a Cabral. salsicharia e lacticínios. Dentro deste plano de arranque. pertencente à Circunscrição de M e t o - nia. no M a l a w i . Neste campo.
Barcos na Base Naval de Metangula M e t a n g u l a . possui hoje uma Capitania de Portos com boas instalações. etc. procura-se desenvolver Porto A r r o i o (também nas margens do Lago) principalmente sob o ponto de vista turístico. plano inclinado. Está a ser incentivada em grande escala a construção de escolas e postos sanitários em vários pontos do distrito e foram instalados nc sede delegações do Instituto dos Cereais. Desenvolve-se na região conhecida por Nova Madeira um colonato formado por famílias madeirenses. no Lago Niassa. respectivamente a 120 e 160 qui- lómetros de V i l a Cabral. Praia c!e Porto Arroio — Lago Niassa terá os seus pontos de apoio em M e t a n g u l a e Porto A r r o i o . Entretanto. da Junta de Comércio Externo e dos Serviços de A g r i c u l t u r a . Coda agricultor tem a sua casa sendo tecnicamente auxiliado pelos organismos do Estado. — 330 — . oficinas.
em 1946. re- formando-se nessa a l t u r a . em virtude da região ser fecunda em caça. onde se manteve durante seis anos. dedicando-se à profissão de caçador.° Sargento. Iniciou a sua vida no U l t r a m a r . vendo que havia grandes possibili- dades de fixação. vieram muitos outros caçadores. SOUSA C R I S T I N A deu por finda a sua vida de caçador. com a patente de 1. ABÍLIO DE SOUSA CRISTINA A B Í L I O DE SOUSA C R I S T I N A é natural de Loulé. Em nova Comissão de Serviço. em M a c a u . A B Í L I O DE SOUSA C R I S T I N A . Mais tarde. província do Algarve. como m i l i t a r . após o que voltou à Metrópole. veio para Moçambique. onde esteve durante seis anos. conhecedor do Niassa. resolveu fixar-se em V i l a Cabral. em Comissão de Serviço. Estabelecimento de Sousa Cristina — 331 — .
acabou por possuir doze lojas. através de «picadas». a civilizar e a progredir. que passaram a ser parte integrante dele próprio. que ama. a não ser nas povoações grandes. havia saído uma lei que favorecia a abertura dessas lojas. sendo a maior a sede «do seu comércio. quatro lojas em diver- sos pontos da região do A l t o Niassa. Anos antes de A B Í L I O DE SOUSA C R I S T I N A ter tomado esta iniciativa. construindo casas de «pau-a-pique» — g é n e r o de construção p r i m i t i v a — montando. com o que dispunha. a c t u a l m e n t e . às terras do Niassa. resolveu montar. Iniciou a sua actividade comercial em 1947. o progresso do Algarve. um automóvel usado. e como espírito de iniciativa não lhe f a l t a v a . assim. SOUSA C R I S T I N A é um pioneiro convicto e feliz. adquirindo. e ajudou com o seu esforço. em pleno mato. numa romagem de saudade. e de verificar com os seus próprios olhos. lei com que o Estado procurava ajudar a fixação dos colonos. depois. Sempre prosperando. as distâncias que mediavam entre as suas várias lojas. A B Í L I O DE SOUSA C R I S T I N A possui. Nada mais desejando do que continuar a sua vida de comerciante. — 332 — . marca «Ford». e regressar. para poder vigiar o seu negócio. e com ele percorria. todas dispersas pelo mato. desta bela região do A l t o Niassa. Votou-se de alma e coração à terra virgem mas fecunda. sete lojas no mato e duas em Vila Ca- bral. Como nessa época não existiam lojas no mato. que ama mais do que a sua província natal do Algarve. que nessa época lhe custou sete mil e quinhentos escudos.
chamada M o t o m o n h o . tendo-lhe sido dada por seus pais a nacionalidade portuguesa. no ano de 1953. Caso Comercial de Valimamade Jamal — 333 — . que se f i x a r a m próximo da Ilha de M o ç a m b i q u e . V A L I M A M A D E J A M A L quis seguir a vida de comerciante. Nasceu a 15 de Agosto de 1927. VALIMAMADE JAMAL V A L I M A M A D E J A M A L é filho de pais paquistaneses. Seus pais são comerciantes. numa área do Mossuril. no comércio geral e a retalho. estabelecendo-se em V i l a Ca- b r a l .
O prédio onde se encontram os armazéns por atacado é sua propriedade. o que fez pelos seus próprios meios. contribuindo com o seu esforço e perseverança para o progresso da c i - dade de V i l a Cabral. U m . Casa Jamal Em 1953. V A L I M A M A D E J A M A L trabalhou. e foi concluído em Janeiro de 1964. sem a ajuda dos pais. casou com uma portuguesa da região do lapala. Iniciou a sua vida de comerciante com um estabelecimento. que atravessa um período de grande desenvolvimento. que pretende con- tinuar a aumentar a sua vida comercial. procurando economizar para se poder estabelecer. no Distrito de Moçambique. Presentemente possui três. é dedicado ao comércio para indígenas. A esposa de V A L I M A M A D E J A M A L colabora com seu marido. homem trabalhador. — 334 — . encontrando-se à frente de um dos seus estabelecimentos. sentindo-se satisfeito por se ter fixado nesta região do A l t o Niassa. a atender a clientela. três filhos. V A L I M A M A D E J A M A L é um espírito progressivo. outro a artigos orientais e para indígenas. a c t u a l m e n t e . T e m . e o terceiro a armazéns por atacado.
As suas actividades comerciais não ficaram por aí. vendas a retalho para europeus e indígenas. dividindo-se por vários sectores. que tudo tem feito para o seu progresso e desenvolvimento. nascida na mesma freguesia de Rio Ci- meiro. como assalariado. um talho e uma padaria. Moçambique é a sua terra. Igualmente se dedica à pecuária. JOSÉ GARCEZ é casado com uma metropolitana. JOSÉ GARCEZ comprava as restantes quotas. na freguesia de Rio Ci- meiro. ficando a pertencer-lhe c firma. Casa Comercial de José Garcez — 335 — . Possui. JOSÉ ALVES COTRIM DA SILVA GARCEZ JOSÉ ALVES C O T R I M DA SILVA GARCEZ nasceu na Metrópole. Após um ano de trabalho nas Obras Públicas. possuindo mais de quatrocentas cabeças. também. que ele adoptou como sua. É um homem que tem dado tudo por tudo. Sete anos volvidos. tornando-se por esta forma sócio dessa f i r m a . sonhando sempre em vê-la cada vez mais engrandecida. dedi- cando-se ao comércio geral. empregando-se nas Obras Públicas. constantemente. esse amor à terra moçambicana. Distrito de Moçambique. concelho de Ferreira do Zêzere. colocou-se numa f i r m a comercial. tendo cinco filhos. Veio para Moçambique com 25 anos de idade. e revela. em N a m a p a . Para este pioneiro das terras do Niassa. onde se manteve durante nove anos. dela falando com entusiasmo e carinho. De M a l e m a veio para V i l a Cabral. a quem vota um amor de f i l h o . onde comprou uma quota numa f i r m a existente. em M a - lema.
de sacrifí- cio e amor pátrio. de autênticos pioneiros. Prédio Garcez — 336 — . que sabe dizer o que sente e o que quer. Tem sido com homens da têmpera de JOSÉ GARCEZ. empreendimento com o qual m u i t o valorizou a cidade de V i l a Cabral. mas exprime nas suas palavras simples e claras. e serão pelos tempos fora um padrão imortal da gente lusa! JOSÉ GARCEZ construiu um prédio para habitação. que as nossas Províncias Ultramarinas se construí- ram e ergueram. manifestando de forma inequívoca o seu portuguesismo. Não é homem de letras. É um homem rude mas de alma sensível. comércio e indústria. de espírito empreendedor.
colocando-se na serração de um tio. . passou a dedicar-se à caça. i Exposição-Feira de Vila Cabral — 337 — . BRAZ DA COSTA estabeleceu-se. na intenção de continuar o comércio de madei- ras. Igualmente se dedica à pecuária. em Santo A n t ó n i o das Areias. foi caçador profissional durante nove anos. BRAZ DA COSTA tem sido um verdadeiro pioneiro do Niassa. Fixou-se na cidade da Beira. 1963 — l. comerciando em madei- ras que eram vendidas para as Rodésias. no concelho de Marvão. veio fixar-se no Niassa. Veio de Lisboa para Moçambique. Volvidos seis meses. MANUEL BRAZ DA COSTA M A N U E L BRAZ DA COSTA nasceu na província do A l e n t e j o . Nove anos depois. Assim. com sessenta cabeças. feijão e trigo. passando a trabalhar por sua conta. possuindo cento e t r i n t a cabeças de gado bovino. m u i t o contribuindo com a sua actividade para o desenvolvimento agrícola e económico deste distrito. bem como lanígero. sobretudo nas comunicações. mas em virtude das dificuldades que então existiam. Estivera empregado na capital e tinha então 23 anos. e t a m - bém as grandes distâncias existentes. M A N U E L BRAZ DA COSTA cultiva : milho. Propriedade Agrícola Braz da Costa Foi em Dezembro de 1958 que obteve uma concessão de trezentos hectares para fomento agrícola.
Lda. que se dedicava à serração de madeiras. onde traba- lhou durante quatro anos. actualmente possui duas lojas de comércio geral e uma garagem com estação de serviço e oficinas. tendo duas filhas. a mais velha. na cidade de V i l a Cabral. Vila Cabral. nomeadamente. colocou-se noutra f i r m a . empregando-se na Companhia dos Algodões. em regime de sociedade. em 1936. apenas foi uma vez à M e t r ó - pole. Este é um dos homens que igualmente t e m contribuído com o seu esforço para o pro- gresso da Província. onde se estabeleceu com comér- cio geral e uma plantação de tabaco. ÁLVARO PASSOS PORTUGAL O pioneiro Á L V A R O PASSOS PORTUGAL nasceu na freguesia de Avelar. Á L V A R O PASSOS PORTUGAL. Em 1931 foi em comissão militar para a Ilha de Fernando Pó. que nesse tempo era uma empresa luso-luxemburguesa. onde se fixou há mais de duas dezenas de anos. — 338 — . já casada. como gerente. e. onde se manteve até regressar à Metrópole. no Distrito do Niassa. A f i r m a de Á L V A R O PASSOS PORTUGAL tem a designação de «Queiroz & Portugal.». Estação de Serviço de Passos Portugal Foi no ano de 1945 que veio para o Niasso. aí se mantendo durante cinco anos. Durante estes anos que tem permanecido em Moçambique. fixou-se em Moçambique. no ano de 1959. Casou em 1940. Depois. Foi em M a i o desse ano que se veio fixar na Província de Moçambique. e a mais nova é estudante. Distrito de Leiria.
com a idade de 24 anos. ao f i m dos quais se estabeleceu sozinho. uma mercearia e papelaria. tendo dois filhos. sucessi- vamente. no comércio geral. uma casa de modas. JOAQUIM ROBALO SALVADO J O A Q U I M ROBALO S A L V A D O é natural da freguesia de M e d e l i m . A sua primeira colocação foi como empregado comercial na f i r m a de Álvaro Cruxinho. Veio para V i l a Cabral em Março de 1953. É distribuidor de : rádios «Philips» e frigoríficos «Electrolux». como seu colaborador. com mais três estabelecimentos. desdobrando. Fachada do Estabelecimento de Robalo Salvado — 339 — . pneus «Mabor» e relógios «Omega» e Tissot». Iniciou a sua vida comercial com um estabelecimento que arrendou. em V i l a Cabral. Companhia de Segundos «A M u n d i a l » . um irmão. onde se manteve durante seis anos. Tem a trabalhar. dedicado exclusivamente a material eléctrico. máquinas de costura Singer. I gualmente pertence ao Conselho Legislativo de V i l a Cabral. além de sete empregados europeus J O A Q U I M ROBALO S A L V A D O é casado. sendo u m . uma de fer- ragens e materiais de construção. É agente de : Sonap de M o ç a m b i q u e . concelho de Idanha-a- -Nova. Faz parte do seu comércio.
É casado. para uma concessão que pedira. durante dois anos. Propriedade Agrícola de França de Lima — 340 — . era tornar-se agricultor por conta própria. partiu para a Z a m b é z i a . MANUEL FRANÇA DE LIMA M A N U E L F R A N Ç A DE L I M A nasceu na Ilha da M a d e i r a . Procurando melhor oportunidade. procurando economizar durante esse tempo o necessário para poder realizar os seus sonhos. deixou a Zambézia com destino ao Niassa. e assim se estabeleceu como agricultor. Veio para M o ç a m b i - que em 1950. 0 primeiro lugar que teve. quando chegou a Moçambique. seu desejo de sempre. Em 1957. onde se fixou na propriedade da f i r m a Socigel. foi como feitor agrícola. em 1922. tendo quatro filhos nascidos na Província. alguns meses depois. no Distrito de Lourenço Marques. O seu sonho. no e n t a n t o . passando. onde trabalhou durante cinco anos. ouvindo falar nas possibilidades do planalto de V i l a Cabral.
com o pouco rendimento desse sistema. que mercê do seu espírito empreendedor. 1. o progresso e o desenvolvimento agrícola a esta região da Província de Moçambique. cultiva 100 hectares." Exposição Feira de Vila Cabral. passando. a tirar. possui. com um tractor e respectivas alfaias. conseguiu vencer todas as dificuldades que se lhe depararam. M A N U E L F R A N Ç A DE L I M A foi um homem m u i t o trabalhador e honesto. já F R A N Ç A DE L I M A t i n h a esgotado as suas economias. onde sucum- b i u . já depois de escrita a sua biografia. t a m b é m . Esta quantia t i n h a sido gasta só nos trabalhos de derruba e capinagem dos terrenos. Os três primeiros anos foram m u i t o duros. em 1963 Há dois anos antes. Devido à sua enorme persistência e grande força de vontade. de grandes lutas. por grave desastre. auxiliado por uns e encora- jado por outros. milho. considerado no meio agrícola do Niassa. conseguiu vencer todas as grandes dificuldades que se lhe depararam. grão.: com culturas de trigo. que a muitos quebraria o ânimo e desejo de prosseguir. — 341 — . Hoje. não ia além de oitenta contos. depois. que eram quarenta e seis contos. não só pelos europeus como pelos nativos. os frutos da sua propriedade e do seu labor. Após seis meses de iniciados os trabalhos agrícolas. A princípio trabalhou a terra à enxada. trazendo com o seu esforço. f i n a l m e n t e . Foi um verdadeiro pioneiro das terras do Niassa. o que tornava as culturas bastante oneradas. a lavrá-la com uma j u n t a de bois. A c t u a l - mente. um estabelecimento comercial e tem uma moagem de milho e res- pectivos armazéns. o rendimento da propriedade. após negros anos de lutas. batata e outros.
PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE PORTO AMÉLIA
O tenente T I T O X A V I E R , actual Presidente da Câmara Municipal de Porto A m é l i a , é um
jovem oficial nascido na Metrópole, que ao vir para Moçambique em 1957, cumprir o serviço
m i l i t a r , se enamorou da terra moçambicana.
0 Presidente da Câmara Municipal de Porto Amélia, Tenr. Tiro Xavier
quando assinava um contrato com o Banco de Fomento
O tenente T I T O X A V I E R cursou o Colégio M i l i t a r , e com a patente de alferes foi man-
dado para N a m p u l a , onde esteve a prestar serviço durante oito meses, sendo em seguida trans-
ferido para Porto A m é l i a , onde permaneceu quatro anos, após o que regressou à Metrópole,
em virtude de ter terminado a sua comissão. Porém, Á f r i c a ficara-lhe no coração e m u i t o p r i n -
cipalmente Porto A m é l i a , cujas belezas naturais t a n t o o cativaram.
Assim, pouco tempo se deteve na Metrópole, desejoso de voltar a Moçambique, de que,
rapidamente, ficou saudoso. Pouco depois é nomeado A d j u n t o M i l i t a r do Governador, bem como
Comandante da O.P.V., em Cabo Delgado, e é com esses novos cargos que volta à Província.
A c t u a l m e n t e , o tenente T I T O X A V I E R , além de Presidente da Câmara M u n i c i p a l de Porto
A m é l i a , é o comandante da Guarda Fiscal e comandante da F.A.V. 3 0 4 , pois possui o «brevet»
de piloto.
Em A b r i l de 1968 é convidado para Presidente da Câmara M u n i c i p a l , lugar que aceita
e pouco depois assume, o qual t e m desempenhado com o maior zelo e devoção.
Quando o tenente T I T O X A V I E R voltou a Porto A m é l i a , o terrorismo tinha começado a
deflagrar no norte da Província, e desde logo se viu ligado, por força das circunstâncias, aos
variados problemas surgidos por tal facto. De então para cá, tem desenvolvido acção notável
em todos os sectores a que se encontra ligado, c que tem merecido justos elogios.
Ele nos a f i r m o u : — «Desde que assumi a presidência na Câmara, tudo tenho feito para
que a população viva, sinta e concorra nos problemas da sua terra. Não quero uma Câmara
isolada mas a viver no meio das pessoas. Graças a Deus, tenho sido correspondido e a cidade
vai andando lenta mas segura».
Todos são unânimes em a f i r m a r que, sob a égide do seu mandato, a cidade de Porto
A m é l i a m u i t o tem progredido. É, ainda, o dinâmico e jovem Presidente da Câmara quem nos
a f i r m a : — «Tenho dois filhos aqui nascidos e o pai quer que tenham uma cidade m u i t o mais
maravilhosa do que ele conheceu».
Não pomos dúvida de que assim venha a suceder, tal qual como não duvidamos, t a m -
bém, de que ele será mais um metropolitano cujo nome e obra de progresso vão ficar, para
sempre, ligados à obra civilizadora de todos quantos t ê m , de qualquer maneira, contribuído
para o seu engrandecimento!
— 342 —
HISTÓRIA DO DISTRITO DE CABO DELGADO E SUA CAPITAL — PORTO AMÉLIA
Vista aérea do porto e da cidade
Na História de Porto A m é l i a f i g u r a , com primacial relevo, o Tenente da Armada Portu-
guesa Jerónimo Romero, que iniciou a ocupação da Baía de Pemba — s e u nome primitivo —
a 8 de Dezembro de 1857, desembarcando da escuna «Angra» e hasteando a bandeira portu-
guesa no lugar de M e t u g e , j u n t o à foz do rio Muagide.
Com Jerónimo Romero desembarcaram sessenta colonos, de ambos os sexos, que vinham
da Metrópole na escuna « A n g r a » , tendo sido a instâncias suas que foi publicada a portaria
de 7 de Fevereiro de 1857, pelo M i n i s t r o da M a r i n h a e U l t r a m a r , que era, então, o Visconde
de Sá da Bandeira.
Depois de escolhido o local, os colonos estabeleceram-se na margem ocidental da baía para
se dedicarem à a g r i c u l t u r a , local esse chamado Paquitequete, que era de mais fácil acesso.
Nos princípios de 1858, Jerónimo Romero construía, à entrada da baía, um forte, para
sua defesa, que ficou a ser conhecido pelo «Forte Romero» e que, em 1943, foi considerado
M o n u m e n t o Nacional.
Construídos alguns barracões para acomodação dos colonos e guarda dos materiais, inau-
gurou-se a ocupação nesse dia 8 de Dezembro de 1857 — d i a da Padroeira de P o r t u g a l — ,
ficando, por esse f a c t o , a denominar-se o «8 de Dezembro».
Depois, a escuna «Angra» continuou ali para proteger os colonos, por ordem do Governo
da Província, seguindo para a Ilha do Ibo, um pouco mais para cima da Baía de Porto A m é l i a ,
Jerónimo Romero.
— 343 —
Palácio do Governo
O Distrito de Cabo Delgado tem uma área de 78 374 quilómetros quadrados. É limitado :
ao norte, pelo rio Rovuma (fronteira com o Tanganhica); ao sul, o rio Lúrio, que serve de
fronteira com o Distrito de Moçambique; a leste o Oceano Índico (canal de Moçambique); a
oeste, os rios Lugenda, Lucinge e Munguaca.
As divisões administrativas do distrito compreendem : Porto A m é l i a , Ibo, Mocímboa da
Praia, Montepuez, M a c o m i a , Macondes, M e c ú f i , Palma e Quissanga. A população do distrito
era, pelo censo oficial de 1960, de 546 648 indivíduos, pertencentes aos ramos macua, maconde,
suáhili, agáua, muage, chaca, medo, maravi, maca e andonde.
Parte do distrito esteve sob a administração da Companhia do Niassa desde 1 8 9 1 , vol-
tando à administração directa do Estado em 27 de Outubro de 1929. Nessa a l t u r a , o Governo
dividiu a região do Niassa em dois distritos : Cabo Delgado e Niassa, dando-lhes governo
comum, governo que foi separado um ano depois.
O distrito conta com cerca de 3100 quilómetros de estradas.
Existem campos de aviação servidos por carreiras regulares (Porto A m é l i a e Mocímboa
de Praia), além de outros campos servidos por aeronaves de menor envergadura.
A agricultura tem vindo a desenvolver-se lentamente.
O Distrito de Cabo Delgado é m u i t o pobre em pecuária, em grande parte devido à inci-
dência da mosca tsé-tsé, que tem vindo a ser combatida peia Missão de Combate às Tripanos-
somíases, com uma divisão de trabalhos instalados em diversos pontos da região.
No campo de etnografia e do folclore, destaca-se, no Distrito de Cabo Delgado, o povo
maconde, cuja escultura em madeira constitui um dos índices mais interessantes de arte a f r i -
cana em todo o Continente.
No distrito cultiva-se o sisal, arroz, algodão, gergelim, mandioca, amendoim e castanha
de caju.
Porto A m é l i a — h o j e capital do Distrito de Cabo D e l g a d o — , cuja cidade vai crescendo
alindada por bonitos bairros residenciais, a mirar-se nas águas azuis de uma das mais belas
baías do m u n d o ! — tem-se desenvolvido com m u i t a lentidão. Assim, só em 1934 —a 19 de
D e z e m b r o — passou a ser uma v i l a , e a cidade em 18 de Outubro de 1958.
Foi com a criação do Governo do Distrito, em 1956, que Porto Amélia se começou a de-
senvolver, sofrendo, de então para cá, um grande surto de progresso e desenvolvimento.
— 344 —
Porque deixou a Baía de Pemba de ser designada pelo seu nome nativo?
Foi a Companhia do Niassa — uma Companhia Majestática — que quis prestar homenagem
às altas virtudes de Sua Majestade a Rainha D. A m é l i a , pedindo que fosse autorizado a cha-
mar àquela povoação PORTO A M É L I A , o que foi concedido por assinatura, no Paço de Lisboa, a
22 de Novembro de 1899.
Porto A m é l i a tem condições excepcionais de beleza, fazendo lembrar as famosas Ilhas do
Haway, pois a l i , a natureza é rica de cores e amena de clima.
Se se fomentar o turismo, Porto A m é l i a poderá tomar-se numa cidade de linhas moder-
nas, maravilhosa, aproveitando-se as suas condições magníficas e naturais que possui e a circun-
d a m , fazendo, ou podendo fazer-se, de Porto A m é l i a um «paraíso» de férias!
A sua beleza deslumbra a quem lá vai. A i n d a sobre o turismo nesta região, queremos
aqui deixar expresso algumas notas acerca de um artigo publicado em 1965, no jornal de
Salisbúria, o «The Rhodesie Herald», que se referia com destaque, ao facto de Porto Amélia ir
ter em breve uma pousada, o que a poderia transformar num dos mais aprazíveis locais de
turismo da costa oriental africana. Referindo-se ainda à grandiosidade da Baía de Pemba —a
terceira do M u n d o — aquele jornal rodesiano termina a f i r m a n d o «que Porto A m é l i a , devido
à sua magnífica praia do Imbe, tem condições para vir a ser um dos mais importantes centros
do turismo de Á f r i c a » .
¥;l:
Aspecto da Praia
No Ibo, a Comissão M u n i c i p a l daquela histórica v i l a , pretende construir ali uma pousada
para quantos se deslocam a Porto A m é l i a possam ir às Quirimbas gozar a maravilhosa paisa-
gem e apreciar as relíquias-monumento que atestam os primeiros passos da nossa colonização
naquelas paragens. Em toda aquela região as águas são cristalinas, sendo óptimas para a prá-
tica da pesca submarina.
Estamos crentes que Porto A m é l i a vai continuar a progredir, não só para chamar a si os
turistas e enriquecer a sua economia, como também para engrandecimento e progresso da Pro-
víncia de Moçambique, cuja orla marítima é um manancial inesgotável de belezas!
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SOCIEDADE AGRÍCOLA ALGODOEIRA — SAGAL
A SOCIEDADE AGRÍCOLA ALGODOEIRA — S A G A L — foi constituída em 15 de Dezem-
bro de 1933, tendo a sua sede em Porto A m é l i a , capital do Distrito de Cabo Delgado, com
o capital social de t r i n t a mil contos.
De acordo com os seus estatutos, a SAGAL tem por objectivo a exploração agrícola e
industrial do algodão ou de quaisquer outras culturas nas Províncias Ultramarinas, podendo,
igualmente, subscrever com capital ou participar, por qualquer forma, noutras empresas.
Aspecto da edifício da Sede da «SAGAL» em Porta Amélia
A SAGAL possui fábricas de descaroçamento e prensagem em Montepuez e M a a t e . Tem
plantações de sumaúma em N a m a r a , Meloco, Balama, Mesa e Namuno.
Em 31 de Outubro de 1963, a SAGAL desistiu da sua actividade como concessionária de
zonas algodoeiras, passando a ser produtora a u t ó n o m a ; comerciante e industrial de descaroça-
mento e prensagem de algodão, nos termos da nova legislação que, então, foi posta em vigor
quanto ao sector algodoeiro da Província de Moçambique.
É larga a projecção económica da SAGAL, em Cabo Delgado, onde a produção algodoeira
constitui a mais importante cultura de rendimento do distrito e o seu mais elevado valor de
exportação.
A l é m da sua actividade no sector algodoeiro, a SAGAL é também produtora-exportadora
de sumaúma e Agente comercial e representante de empresas nacionais e estrangeiras, como
por exemplo, de : combustíveis e lubrificantes « C a l t e x » ; Companhia de Seguros «Lusitana»;
Companhia Colonial de Navegação; pneus e câmaras-de-ar «Mabor».
A SOCIEDADE A G R Í C O L A ALGODOEIRA é uma das mais importantes do Distrito de
Cabo Delgado, que m u i t o contribui para o progresso económico da Província.
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A PIONEIRA MAIS ANTIGA DE MOÇAMBIQUE
D. MARIA DA CONCEIÇÃO NEVES
Fomos encontrar em Porto A m é l i a , a pioneira senhora D. M A R f A DA CONCEIÇÃO NEVES,
simpática senhora de 86 anos de idade — porventura a mais antiga residente moçambicana
nascida na Metrópole, de onde veio em 1907, ano em que chegou a Lourenço Marques, vindo
acompanhada de seu marido, que era m i l i t a r , e vinha para Moçambique em missão de serviço,
para a Companhia do Niassa, que mais tarde passou para o Estado.
A senhora D. M A R I A DA CONCEIÇÃO NEVES chegou a Porto A m é l i a em 9 de Abril de
1909, exercendo o mister de professora, na Companhia do Niassa. A c t u a l m e n t e vive na com-
panhia de uma f i l h a , que é também viúva, com 63 anos de idade. A senhora D. M A R I A DA
CONCEIÇÃO tem vários netos e bisnetos. Ume sua bisneta —a mais v e l h a — é aluna da
Faculdade de Letras de Lisboa.
A senhora D. M A R I A DA CONCEIÇÃO NEVES, que nasceu a 8 de Dezembro, conserva
perfeita lucidez, falando-nos de factos antigos que se passaram no distrito e em Porto Amélia,
onde já reside há 66 anos!
Esta senhora é uma das muitas portuguesas que, valentes e resolutas, vieram com sua
presença acompanhar e ajudar os seus maridos na tarefa de civilizar!
Mulheres a quem foi necessária m u i t a coragem e sacrifício, de que as gerações modernas
são, no presente, as beneficiárias e as continuadoras da sua obra!
A q u i prestamos homenagem a esta senhora, uma pioneira da terra moçambicana.
A senhora D. M A R I A DA CONCEIÇÃO NEVES faleceu em fins de Junho de 1969, quando
esta obra se encontrava no prelo.
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CLUBES DESPORTIVOS DE PORTO AMÉLIA E GRUPO CÉNICO
DE PORTO AMÉLIA
Porto A m é l i a possui alguns clubes desportivos.
O Clube Desportivo de Porto A m é l i a , onde se pratica Futebol, Futebol de Salão, Basquete
feminino, Voleibol e Ténis.
O Clube Vasco da Gama tem duas equipas de futebol e patinagem da classe i n f a n t i l .
A Associação Desportiva de Pemba, que se dedica ao futebol e possui um rinque de p a t i -
nagem. Existe, ainda, o Estádio M u n i c i p a l .
O Grupo Cénico de Porto A m é l i a estreou-se a 9 de Fevereiro de 1963.
A criação deste grupo cultural deve-se a José Silvestre Cortez e a Rafael de Bulhão
Pato — descendente do célebre escritor português, Bulhão Pato.
Revista «PÓ, CALOR . . . E MARESIA»
Deram também a sua valiosa colaboração as senhoras D. M a r i a Helena Lago Ferreira e
Fernanda Soares Guilherme, que representaram.
Igualmente fazem parte do Grupo Cénico, dois médicos : Dr. Manuel Simões Coelho e
Dr. Camilo de A r a ú j o . A c t u a r a m na direcção musical do primeiro espectáculo e, ainda, um
como autor e outro como encenador.
A primeira peça chamava-se «O Doido e a M o r t e » , de Raul Brandão, e a revista de sabor
local «Pó, Calor . . . e Maresia».
No segundo espectáculo, o Grupo apresentou a peça «O Urso», de A n t o n Tchekov, e a
revista de sabor local «Atracou o Troça N o v a » , que se efectuou em M a r ç o de 1964. 0 terceiro
espectáculo foi dado em Agosto de 1964.
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Pescador desportivo exibindo o belo exemplar pescado — 349 — .
. . . . . . . 110 Filipe Dicca 113 Sociedade Agrícola de Tabacos. . . . . .2 Banco Nacional U l t r a m a r i n o . . . .° de M a i o 46 Clube Ferroviário de M o ç a m b i q u e 48 Clube Naval de Lourenço Marques 52 Clube de Golfe da Polana 55 Sporting Clube de Lourenço Marques 57 Clube de Pesca Desportiva de Lourenço Marques 60 Clube M a r í t i m o de Desportos 63 A n t ó n i o M e l o Pereira 64 João T e r r a m o t o 65 M a n u e l Augusto Rodrigues 66 Capitão M a n u e l Simões V a z 69 Transportes de M o ç a m b i q u e 7. . . . . . Lda 115 Vassilis Gianouris 117 Pendray & Sousa • 119 Giuseppe Buffa Buccelatto 121 Sorabjee Ginwala 124 M i n e r v a Central 126 Protal 130 Júlio Gomes Ferreira 133 Empresa das Águas d e M o n t e m o r . . . . . . . . Escritor e Jornalista A l f r e d o Pereira de L i m a 30 Marrabenta 33 Rádio Clube de M o ç a m b i q u e 35 Associação dos Velhos Colonos 41 Grupo Desportivo 1. Lda 84 Abel Acácio de Azevedo 88 Breyner & W i r t h 91 Firma M a r t h a da Cruz e Tavares 94 Companhia de Seguros Nauticus 97 Lar M o d e r n o 99 Os Pioneiros da Indústria Cervejeira em M o ç a m b i q u e 102 Companhia Industrial da M a t o l a 105 Casa Coimbra . . ÍNDICE DISTRITO DE LOURENÇO MARQUES A razão por que se fez este livro 3 Um A g r a d e c i m e n t o 4 África 5 Governador-Geral 6 Presidente da Câmara M u n i c i p a l de Lourenço Marques 8 Vice-Presidente da Câmara M u n i c i p a l de Lourenço Marques 10 Lourenço Marques 11 Estudos Gerais Universitários 18 Sociedade de Estudos de Moçambique 22 Rodrigues Júnior 24 Conchita Breton 27 Poetas d e M o ç a m b i q u e . . . . 8 0 Empresa Pecuária do Sul do Save. . . . . . . . . . . . 2 8 Historiador. . . . . . . . Lda 142 . 136 A n t ó n i o A u g u s t o Gemelgo 138 M a n u e l Nunes 140 Fábrica Nacional de M o a g e m e Massas Alimentícias. . . . .
. . . . . . . . . . . . . .C l u b e da Beira 240 M a n u e l Rodrigues Pinho 243 José Pádua 244 Centro de C u l t u r a e A r t e da Beira 246 Rádio Pax 247 M o t e l Estoril 249 A Cinegética no Distrito de M a n i c a e Sofala 251 Sociedade de Safaris. . . . . . . . . Lda 253 O Parque Nacional da Gorongosa 255 Companhia do Búzi 257 V i l a Pery 258-A Hidro-Eléctrica do Revuè 258-B Zembe Plantations 258-C Edmundian Investments. 185 A l f r e d o Lopes Tomé 190 Joaquim Alves . .° João Meneses Caiado Cabral 236 Carlos Ferrão 237 A r m a n d o Dias M o n t e i r o 238 A e r o . . . . . . Lda 234 Eng. . . . . . . . . . . . . 196 Imagens da Beira 197 Associação Comercial da Beira 204 Biografia dos Irmãos Lopes 206 Lusalite de M o ç a m b i q u e 209 José e M a n u e l Lopes Bulha 215 Celmoque 216 M a n u e l Xavier da Gama Lobo Salema 219 Caetano Lopes 221 Saul Brandão 223 Companhia de Seguros — «A M u n d i a l de Moçambique» 226 Companhia T ê x t i l do Púngoè 228 Sami Coen 232 A « I P M A L » — Indústria Portuguesa de Madeiras. . . . . 269 Empresa M i n e i r a do A l t o Ligonha 277 Grémio dos Plantadores d o Distrito d a Z a m b é z i a . . . . . . . . . . . . . . . 278 Manuel Saraiva Junqueiro 280 José Farinha M i g u e l 282 . . Ltd 258-D Textáfrica 258-E DISTRITO DA ZAMBÉZIA Presidente da Câmara M u n i c i p a l de Quelimane 259 História de Quelimane 260 História do D i s t r i t o do Z a m b é z i a 265 Sociedade Agrícola do M a d a l 266 Pioneiro d a Indústria Açucareira e m M o ç a m b i q u e — John Peter Hornung .«SIPAQ» — S o c i e d a d e Industrial de Produtos Alimentícios Químicos. . . . . . . . . . . . . Lda 143 Justo Menezes 144 Hotel Polana 145 Aida Sorgentini 149 Cooperativa dos Criadores de Gado 152 FACOBOL — Fábrica Colonial de Borracha 154 Laurentino Borges 156 Casa Eduardo Silva 157 Um Casal de Pioneiros 159 Reserva de Elefantes do M a p u t o 160 A Coutada de Chicualacuala 162 A visita do Presidente do Conseího 164 DISTRITO DE G A Z A M o u z i n h o de A l b u q u e r q u e 168 Governador do Distrito de Gaza 169 Hélder Flores 174 O Colonato do Vale do Limpopo 177 DISTRITO DE INHAMBANE Governador d o Distrito d e Inhambane . . . 192 DISTRITO DE MAN1CA E SOFALA Governador d e M a n i c a e Sofalg .
318 João Ribeiro de Paiva 324 « SOCAJU » 325 DISTRITO DO NIASSA Governador do Distrito do Niassa . M a r i a da Conceição Neves 347 Clubes Desportivos e Grupo Cénico 348 .Cooperativa Agrícola do Gúruè 284 O Presidente da Cooperativa do Gúruè 285 Os Colonatos de Alverca e M a m b o n e 286 A l b e r t o Pinto Carneiro 288 Clube do Gúrué 289 Pioneiros da Indústria do Chá em M o ç a m b i q u e 290 DISTRITO DE TETE Governador do Distrito de T e t e 292 Presidente da Câmara M u n i c i p a l de Tete 294 História do Distrito de T e t e 295 Vicente Ribeiro de Castro 299 Agostinho Lopes Rêgo 301 Emílio Mendes Cerejo 303 DISTRITO DE MOÇAMBIQUE Governador do Distrito de M o ç a m b i q u e 304 Algumas Notas sobre o Distrito 307 Pedro Baessa 311 A p o n t a m e n t o Histórico sobre N e u t e l de Abreu . . . . 316 João Ferreira dos Santos . 312 A n t ó n i o Marques .' . 346 D. 326 História do D i s t r i t o do Niassa 329 V a l i m a m a d e Jamal 333 José C o t r i m da Silva Garcez 335 M a n u e l Braz da Costa 337 Á l v a r o Passos Portugal 338 Joaquim Robalo Salvado 339 M a n u e l França de L i m a 340 DISTRITO DE CABO DELGADO Presidente da Câmara M u n i c i p a l de Porto A m é l i a 342 História do D i s t r i t o de Cabo Delgado e sua Capital 343 SAGAL . . . . . . .