Vous êtes sur la page 1sur 11

DIDÁTICA E METODOLOGIA EM ARTES VISUAIS

NA EDUCAÇÃO INFANTIL: POSSÍVEIS REFLEXÕES


Débora Marins Carvalho Almeida
Professor-Tutor Externo: Rhubia Bertolini Garcia
Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI
Curso de Licenciatura em Artes Visuais (FLS 0102) – Papper estágio Supervisionado I
18/06/2018

RESUMO

O presente trabalho busca refletir sobre didática e metodologia no ensino de artes na educação
infantil. Ao tratar o ensino de artes na educação infantil, traz uma abordagem o sobre o
Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil no contexto das políticas públicas para
educação infantil.

Palavras – chave: Didática. Metodologia de Ensino. Educação Infantil. Artes visuais.


Educação.

1 INTRODUÇÃO

A arte nas suas mais diversas formas de manifestações, “a música, a literatura, a arte
teatral, as artes visuais, etc.”, traz consigo uma importante ferramenta de transformação dos
indivíduos e do meio em que vive. Neste sentido o ensino de artes nas escolas torna-se
fundamental para o desenvolvimento dos educandos.

A partir de problematizações do que seja originalidade, autoria, representação,


intenção do artista, expressão, coletivo, etc., explorando situações e
experiências nas quais os educandos possam ser capazes de compreender,
elaborar suas próprias narrativas, investigar as relações entre a construção
cultural e a arte, refletir sobre o percurso e encontrar o seu lugar de
aprendizagem com sentido. (OLIVEIRA; PAZ, 2014, p. 125).

Na busca por uma maior compreensão acerca do conceito de arte, Kury (2001) em seu
dicionário da língua portuguesa, nos leva ao entendimento de que arte é “o conjunto das normas
mais ou menos perfeita para a execução de qual quer coisa; atividade criadora; expressão de
um ideal de beleza nas obras humanas; conjunto de obras artísticas de um país, de uma época”,
dentre outras.
2

Da mesma forma Kury (2001) traz o conceito de visual como sendo “algo relativo ou
pertencente à vista ou a visão; aparência, aspecto.

Dentro deste contexto, a arte visual está imersa em conceito de arte muito amplo, sendo
desta forma compreendida como um conjunto de artes que possuem a visão como principal
forma de apreciação e aproximação. As artes visuais em sua amplitude, envolve áreas como o
teatro, dança, pinturas, colagens, gravuras, cinema, fotografia, escultura, arquitetura, moda,
paisagismo, decoração, etc.

Segundo as PCNS - Parâmetros curriculares nacionais, a educação em artes visuais no


contexto atual, precisa proporcionar que o educando tenha contato com as mais diversas formas
de manifestações visuais, proporcionando ao mesmo posicionamento crítico e a apropriação de
um grande arcabouço conceitual.

A criação e a exposição às múltiplas manifestações visuais gera a necessidade


de uma educação para saber ver e perceber, distinguindo sentimentos,
sensações, ideias e qualidades contidas nas formas e nos ambientes. Por isso é
importante que essas reflexões estejam incorporadas na escola, nas aulas de
Arte e, principalmente, nas de Artes Visuais. A aprendizagem de Artes Visuais
que parte desses princípios pode favorecer compreensões mais amplas sobre
conceitos acerca do mundo e de posicionamentos críticos (BRASIL, 1998, p.
63).

A escola, Brasil (1998, p.63) “[...] deve colaborar para que os alunos passem por um
conjunto amplo de experiências de aprender e criar, articulando percepção, imaginação,
sensibilidade, conhecimento e produção artística pessoal e grupal”. Assim, garantido um ensino
de artes visuais que proporcione crescimento e desenvolvimento do aluno.

O ensino de artes na educação escolar, ainda na educação infantil e perdurando pelos


demais níveis de ensino, torna-se imprescindível, devido à grande importância que o ensino de
arte possui na formação e desenvolvimento intelectual dos cidadãos, pois segundo Tochetto e
Felisberto (2013, p. 11149) “a arte age como formadora de mentes pensantes, possibilitando
que qualquer cidadão que tenha acesso ou pratique algum meio artístico, consiga observar e
analisar profundamente os fatos grupais e individuais, mostrando a relevância que cada um deve
configurar dentro da sociedade”.

Desta forma, este trabalho através de uma pesquisa bibliográfica, se propõe refletir
sobre didática e metodologias de ensino empregadas no ensino de artes visuais na educação
infantil. Para tanto, utilizando-se do volume 3 da RCNEI - Referencial Curricular Nacional para
3

a Educação Infantil, busca construir um entendimento no âmbito das políticas públicas sobre o
que o documento propõe para o ensino de artes na educação infantil.

2 AREA DE CONCENTRAÇÃO: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

É importante conceber a arte como componente curricular importante e imprescindível


para o desenvolvimento dos cidadãos. “O processo de criação artística, ao mesmo tempo, que
contribui para a formação intelectual da criança, promove a aperfeiçoamento do seu domínio
corporal, desenvolve seu processo de expressão e de comunicação e favorece seu
relacionamento interpessoal, tornando-a mais participativa e flexível” ((NASCIMENTO;
TAVARES, 2009, p.177).

A importância do significado da Arte na Educação se dá desde os primórdios da


civilização, o que a torna um dos fatores essenciais de humanização, é fundamental,
portanto entender que a Arte se constitui de modos específicos de manifestação da
atividade criativa dos seres humanos ao interagirem com o mundo em que vivem ao
se conhecerem e ao conhecê-lo (NASCIMENTO; TAVARES, 2009, p. 173).

O desenvolvimento da capacidade artística e criativa deve estar apoiado, também, na


prática reflexiva das crianças ao aprender, que articula a ação, a percepção, a sensibilidade, a
cognição e a imaginação (BRASIL, 1998, p. 89). O autor a seguir evidencia a importância da
ética na prática educativa, ao evidenciar o descaso que ensino de artes na educação infantil vem
sofrendo ao longo dos séculos, demandando, que professoras busquem por mais informação na
área e é importante que essa informação se transforme em conhecimento e sejam empregados
na prática pedagógica.

A presença das Artes Visuais na educação infantil, ao longo da história, tem


demonstrado um descompasso entre os caminhos apontados pela produção teórica e a
prática pedagógica existente. Em muitas propostas as práticas de Artes Visuais são
entendidas apenas como meros passatempos em que atividades de desenhar, colar,
pintar e modelar com argila ou massinha são destituídas de significados (BRASIL,
1998, p.86).

O RCNEI - Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil expõe que


ensino de artes na educação infantil está imerso em uma realidade histórica de recorrente
descaso com as práticas de ensino, que muitas vezes é utilizado para ilustrar cartazes, convites,
datas comemorativas, decoração de paredes, negligenciando a grande importância do ensino de
artes visuais para o desenvolvimento dos educandos.
4

2.1 O REFERENCIAL CURRICULAR NACIONAL PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL


(RCMEI) E O ENSINO DE ARTES VISUAIS

O RCNEI - Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil foi promulgado


em 1998, com o objetivo de “tornar visível uma possível forma de articulação, a estrutura do
Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, relaciona objetivos gerais e específicos,
conteúdos e orientações didáticas numa perspectiva de operacionalização do processo educativo”
(BRASIL, 1998, p. 43).

Este documento foi organizado em três volumes: Introdução; Formação pessoal e


social e Conhecimento do mundo. O primeiro volume do RCNEI, denominado “Introdução”,
neste volume é possível identificar a presença de conceitos importantes para a área, e utilizados
recorrentemente na educação infantil. São eles: criança, educar, cuidar, brincar, relações creche-
família, professor de educação infantil, educar crianças com necessidades especiais, a
instituição e o projeto educativo. Atentam ainda para condições internas e externas com
destaque para a organização do espaço e do tempo, parceria com as famílias, entre outros
aspectos.

O volume 2 - Formação pessoal e social, que contempla os processos de construção da


identidade e autonomia das crianças, e o volume 3 - Conhecimento do mundo, que apresenta
seis sub-eixos: música, movimento, artes visuais, linguagem oral e escrita, natureza e sociedade
e matemática. Esses volumes foram organizados em torno de uma estrutura comum, na qual
são explicitadas as ideias e práticas correntes relacionadas ao eixo e à criança e aos seguintes
componentes curriculares: objetivos, conteúdos, orientações didáticas, orientações gerais para
o professor e bibliografia.

O volume 3 - Conhecimento do mundo, nos permite conhecer melhor quais as


orientações que o eixo Artes Visuais traz sobre o ensino de artes na educação infantil. O RCNEI,
Brasil (1998, p. 89) adverte que “as Artes Visuais devem ser concebidas como uma linguagem
que tem estrutura e características próprias cuja aprendizagem, no âmbito prático e reflexivo,
se dá por meio da articulação” do fazer artístico, reflexão e apreciação, como podemos ver a
seguir:

• fazer artístico — centrado na exploração, expressão e comunicação de produção de


trabalhos de arte por meio de práticas artísticas, propiciando o desenvolvimento de
um percurso de criação pessoal;

• apreciação — percepção do sentido que o objeto propõe, articulando-o tanto aos


elementos da linguagem visual quanto aos materiais e suportes utilizados, visando
5

desenvolver, por meio da observação e da fruição24, a capacidade de construção de


sentido, reconhecimento, análise e identificação de obras de arte e de seus produtores;

• reflexão — considerado tanto no fazer artístico como na apreciação, é um pensar


sobre todos os conteúdos do objeto artístico que se manifesta em sala, compartilhando
perguntas e afirmações que a criança realiza instigada pelo professor e no contato com
suas próprias produções e as dos artistas (BRASIL, 1998, p. 89).

Dentre as variadas formas de arte que devem ser exploradas pelo professor, o desenho
se destaca, pois, o desenvolvimento do desenho indica a mudança de significações e o
desenvolvimento progressivo da criança. “por meio do desenho, a criança cria e recria
individualmente formas expressivas, integrando percepção, imaginação, reflexão e
sensibilidade, que podem então ser apropriadas pelas leituras simbólicas de outras crianças e
adultos” (BRASIL, 1998, p. 92).

As atividades em artes plásticas que envolvem os mais diferentes tipos de materiais


indicam às crianças as possibilidades de transformação, de re-utilização e de
construção de novos elementos, formas, texturas etc. A relação que a criança pequena
estabelece com os diferentes materiais se dá, no início, por meio da exploração
sensorial e da sua utilização em diversas brincadeiras. Representações bidimensionais
e construção de objetos tridimensionais nascem do contato com novos materiais, no
fluir da imaginação e no contato com as obras de arte (BRASIL, 1998, p. 93).

Ao tratar o perfil desejável para um professor da educação infantil o documento


declara que este profissional precisa ser flexível e dotado de múltiplos conhecimentos e estar
sempre em busca de novos conhecimentos, exalta ainda, a importância do diálogo e trabalho
em equipe, como podemos ver a seguir:

O trabalho direto com crianças pequenas exige que o professor tenha uma
competência polivalente. Ser polivalente significa que ao professor cabe trabalhar
com conteúdo de naturezas diversas que abrangem desde cuidados básicos essenciais
até conhecimentos específicos provenientes das diversas áreas do conhecimento. Este
caráter polivalente demanda, por sua vez, uma formação bastante ampla do
profissional que deve tornar-se, ele também, um aprendiz, refletindo constantemente
sobre sua prática, debatendo com seus pares, dialogando com as famílias e a
comunidade e buscando informações necessárias para o trabalho que desenvolve. São
instrumentos essenciais para a reflexão sobre a prática direta com as crianças a
observação, o registro, o planejamento e a avaliação (BRASIL, 1998, p. 41).

O professor de Artes Visuais precisa estar atento às diferenças! sociais, culturais e de


níveis de ensino. As aulas e os conteúdos precisam ser muito bem estruturados e pensados para
cada grupo (faixa etária) e pessoa, levando em conta as necessidades individuais e de grupo, se
negligenciado pode diretamente interferir na qualidade e aproveitamento do ensino.

O trabalho com as Artes Visuais na educação infantil requer profunda atenção no que
se refere ao respeito das peculiaridades e esquemas de conhecimento próprios à cada
faixa etária e nível de desenvolvimento. Isso significa que o pensamento, a
6

sensibilidade, a imaginação, a percepção, a intuição e a cognição da criança devem


ser trabalhadas de forma integrada, visando a favorecer o desenvolvimento das
capacidades criativas das crianças (BRASIL, 1998, p. 91).

No entanto, Brasil (1998, p. 91) “O percurso individual da criança pode ser


significativamente enriquecido pela ação educativa intencional; porém, a criação artística é um
ato exclusivo da criança”. Desta forma a figura do professor atua como um mediador, ele acena
para novas possibilidades, sem interferir diretamente no ato criativo de cada criança.

2.1.1 O referencial curricular nacional para a educação infantil (RCMEI) e as orientações


didáticas

Para as orientações didáticas, o documento orienta fazendo uma separação dos alunos
na educação infantil em dois grupos, o primeiro grupo agrega as crianças em idades de 0 a 3
anos e o segundo grupo é composto pelas crianças entre 4 e 6 anos. Para esses dois grupos
também diferem os objetivos da educação. Os objetivos da educação de 0 a 3 anos:

• ampliar o conhecimento de mundo que possuem, manipulando diferentes objetos e


materiais, explorando suas características, propriedades e possibilidades de manuseio
e entrando em contato com formas diversas de expressão artística;

• utilizar diversos materiais gráficos e plásticos sobre diferentes superfícies para


ampliar suas possibilidades de expressão e comunicação (BRASIL, 1998, p. 95).

Objetivos da educação infantil de 4 a 6:

• interessar-se pelas próprias produções, pelas de outras crianças e pelas diversas obras
artísticas (regionais, nacionais ou internacionais) com as quais entrem em contato,
ampliando seu conhecimento do mundo e da cultura;

• produzir trabalhos de arte, utilizando a linguagem do desenho, da pintura, da


modelagem, da colagem, da construção, desenvolvendo o gosto, o cuidado e o respeito
pelo processo de produção e criação (BRASIL, 1998, p. 95).

Ao tratar dos conteúdos e atividades desenvolvidas para as crianças de 0 a 3 anos, o


documento chama a atenção para a delimitação do tempo utilizado no desenvolvimento de cada
atividade, pois as crianças nessa idade possuem um interesse de curta duração. Atenta ainda,
para que se trabalhe com um material diversificado, objetos, tintas e massinhas coloridas, lápis,
pincéis, tintas, papéis, cola, modelagens com massas e argilas, trabalho com estruturas
tridimensionais, desenho ou pintura, marcas gráficas e ainda, uma gama variada de variados
suportes gráficos. “Os diversos materiais para produções artísticas devem ser organizados de
maneira a que as crianças tenham fácil acesso a eles. Isso contribui para que elas possam cuidar
7

dos materiais de uso individual e coletivo, desenvolvendo noções relacionadas à sua


conservação” (BRASIL, 1998, p. 100).

O cuidado com a segurança e seleção de materiais deve estar sempre presente na ação
do educado, que também deve trabalhar com as crianças o cuidado consigo e com os outros. “A
seleção dos materiais deve ser subordinada à segurança que oferecem. Deve-se evitar materiais
tóxicos, cortantes ou aqueles que apresentam possibilidade de machucar ou provocar algum
dano para a saúde das crianças” (BRASIL, 1998, p. 99).

Quanto a apreciação em artes visuais defende a livre observação e a identificação de


imagens diversas, “deve-se eleger materiais que contemplem a maior diversidade possível e
que sejam significativos para as crianças” (BRASIL, 1998, p. 103).

Quando se retrata aos materiais e a didática utilizada com as crianças de 5 a 6 anos,


orienta para que haja um aperfeiçoamento do conhecimento e das experiencias adquiridas nos
anos anteriores; o professor deve disponibilizar o acesso a uma variada gama de materiais e
suportes é importante ainda um trabalho que propicie um fortalecimento cultural e identitário.

É aconselhável, portanto, que o trabalho seja organizado de forma a oferecer às


crianças a possibilidade de contato, uso e exploração de materiais, como caixas,
latinhas, diferentes papéis, papelões, copos plásticos, embalagens de produtos,
pedaços de pano etc. É indicada a inclusão de materiais típicos das diferentes regiões
brasileiras, pois além de serem mais acessíveis, possibilitam a exploração de
referenciais regionais (BRASIL, 1998, p. 100).

A ação e a intenção da proposta pedagógica do professor são cabíveis de variadas


intervenções possíveis, este deve utilizar-se de didáticas e metodologias variadas, visando o
melhor aproveitamento dos conteúdos e dos matérias, contribuindo também, para um maior
grau de assimilação e desenvolvimento dos educandos.

Uma delas é, partindo das produções já feitas pelas crianças, sugerir-lhes, por
exemplo, que copiem seus próprios desenhos em escala maior ou menor. Esse tipo de
atividade possibilita que a criança reflita sobre seu próprio desenho e organize de
maneira diferente os pontos, as linhas e os traçados no espaço do papel. Outra
possibilidade é utilizar papéis que já contenham algum tipo de intervenção, como, por
exemplo, um risco, um recorte, uma colagem de parte de uma figura etc., para que a
criança desenhe a partir disso (BRASIL, 1998, p. 100).

É interessante propor às crianças que façam desenhos a partir da observação das mais
diversas situações, cenas, pessoas e objetos. O professor pode pedir que observem e
desenhem a partir do que viram. Por exemplo, as crianças podem perceber as formas
arredondadas dos calcanhares, distinguir os diferentes tamanhos dos dedos, das unhas,
observar a sola do pé e a parte superior dele, bem como as características que
diferenciam os pés de cada um (BRASIL, 1998, p. 101).
8

Quanto a apreciação em artes visuais, para as crianças de 4 a 6 anos, estabelece:

 Conhecimento da diversidade de produções artísticas, como desenhos,


pinturas, esculturas, construções, fotografias, colagens, ilustrações, cinema etc.
 Apreciação das suas produções e das dos outros, por meio da observação e
leitura de alguns dos elementos da linguagem plástica.
 Observação dos elementos constituintes da linguagem visual: ponto, linha,
forma, cor, volume, contrastes, luz, texturas.
 Leitura de obras de arte a partir da observação, narração, descrição e
interpretação de imagens e objetos.

Apreciação das Artes Visuais e estabelecimento de correlação com as experiências


pessoais (BRASIL, 1998, p. 103).

Várias são as ações didáticas que o professor pode utilizar como, produção artísticas
(desenhos, gravuras, pinturas, produção de arquivo e exposição de desenhos feitos com os
alunos, produções advindas de observações e situações diversas, dentre outros. Cabe a cada
professor a partir do conhecimento de sua turma basear sua ação.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As artes na contemporaneidade têm com o advento das transformações sociais e


tecnológicas absorvido elementos desta nova cultura, no entanto mantém o seu objetivo de
representar o homem e sua cultura em seu tempo. “As artes visuais da era pós-industrial vêm
se apropriando de novas linguagens, entre elas, principalmente, a gráfica eletrônica, num
relacionamento sensível entre arte e tecnologia” (DOMINGUES, 1993, p.2).

Se as novas formas de relacionamento com o conhecimento e a informação


estão mudando os modos de fazer e pensar política, se a as produções artísticas
contemporâneas desafiam insistentemente (queiramos ou não) nossas crenças
sobre o que, enfim, pode ser isso que chamamos de arte, há que se estar atento
às diferenças, há que se afinar o ouvido para a multiplicidade de perspectivas
de pensamento, às contaminações dos feminismos que não se conformam com
a fixidez das essências, das teorias aparentemente estranhas ou queer que
deslocam modos de pensar e perceber o campo no qual atuamos (LOPONTE,
2014, p.161).

Para Oliveira E Paz (2014, p. 120) os estudos da cultura visual possibilitam que [...]
na educação das artes visuais sejam exploradas experiências com a arte na qual possamos
problematizar como somos subjetivados por diferentes imagens e artefatos, assim como o que
produzimos durante esses processos.
9

[...] “passa a ser fundamental pensar a aprendizagem em artes visuais como uma relação
entre a construção da subjetividade individual e o contexto social, em que não existem
mais receptores nem leitores, mas construtores e intérpretes, situando a nós e nossos
educandos nas relações com o que vemos, nos questionando como, por que e que tipo
de conexões construímos com essas visualidades” (OLIVEIRA; PAZ, 2014, p. 120).

Em termos que regem a educação no Brasil, conhecer o processo histórico de avanços


em termos legais implica fazer uma retrospectiva desde a promulgação da Constituição Federal
de 1988, do Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990 e da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional nº 9.394/1996; e acrescenta-se a essas O RCNEI - Referencial Curricular
Nacional para a Educação Infantil foi promulgado em 1998, que sem dúvida se configura como
uma conquista para educação, principalmente para alunos e professores em de artes visuais
contribuindo para melhoria da qualidade de ensino e aprendizagem.

Vários ainda, são os desafios a transpor na educação brasileira, como: a formação de


professores muitas vezes precária, baixos salários, evasão escolar, dentre outros. No entanto, é
possível notar avanços e retrocessos, as legislações demandam de políticas públicas que façam
com que as leis estabelecidas sejam de fato executadas.

Camillis (2002 apud ANACHE; FERNANDES, 2015, p. 50), “refletindo sobre os


processos criativos em arte como balizadores para o ensino de arte, com base na Psicologia
Histórico-Cultural, evidencia que o trabalho pedagógico do professor de arte necessita de uma
concepção sobre criatividade”. Os autores apontam para a clara necessidade de formação de
professores para o ensino de artes, visando uma maior compreensão dos processos e técnicas
no campo das artes, além de uma valorização e comprometimento social e cultural.
10

REFERENCIAS
ANACHE, Alexandra Ayach; FERNANDES, Vera Lúcia Penzo. Manifestações da
criatividade no trabalho pedagógico do professor de artes visuais. Revista Quadrimestral da
Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, SP. Volume 19, Número 1,
janeiro /abril de 2015. Disponível em: << http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-
85572015000100049&script=sci_abstract&tlng=pt>>. Acesso em: 02/09/2017.

Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: arte /


Secretaria de Educação Fundamental. Brasília - MEC / SEF, 1998. Disponível em: <<
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/arte.pdf>>. Acesso em: 10/03/2018.

Brasil. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental.


Referencial curricular nacional para a educação infantil, v. 1. Brasília: MEC/SEF, 1998.
Disponível em: << http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/rcnei_vol1.pdf>>. Acesso em:
26/03/2018.

Brasil. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental.


Referencial curricular nacional para a educação infantil, v. 3. Brasília: MEC/SEF, 1998.
Disponível em: << http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/volume3.pdf>>. Acesso em:
26/03/2018.

DOMINGUES, Diana. “Como pensar a visualidade nesse final de século? In: PILLAR,
Analice Dutra (Org.). "Pesquisa em Artes Plásticas". Porto Alegre: Ed. Universidade /
UFRGS / Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas (ANPAP), 1993.
Disponível em: <<
https://www.academia.edu/501141/Como_pensar_a_visualidade_nesse_final_de_s%C3%A9c
ulo?auto=download>>. Acesso em: 02/09/2017.

FERREIRA, Nathalia Botura de Paula; DUARTE, Newton. As artes na educação integral:


uma apreciação histórico-crítica. Revista de estudos Ibero-Americana de Estudos em
Educação, v.6, n. 3, 2011. Disponível em: file:///C:/Users/erica/Downloads/5006-12143-1-
SM.pdf . Acesso em: 20/02/2018.

KURY, Adriano Gama. Mine dicionário da língua portuguesa. São Paulo, FTD, 2001.

LOPONTE, Luciana Gruppelli. Artes visuais, feminismos e educação no Brasil: a


invisibilidade de um discurso. Repositório Digital da Universidade Federal do rio Grande do
Sul, 2014. Disponível em: << http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/110374?show=full>>.
Acesso em: 02/09/2017.

NASCIMENTO, Edna S. P.; TAVARES, Helenice Maria. As artes visuais na educação


infantil: possibilidade real de lúdico e desenvolvimento. Revista da Católica, Uberlândia, v.
1, n. 2, p. 169-186, 2009. Disponível em: <<
http://catolicaonline.com.br/revistadacatolica2/artigosv1n2/14-PEDAGOGIA-03.pdf. Acesso
em: 26/03/2018.

OLIVEIRA, Marilda Oliveira de; PAZ, Thais Raquel da Silva. Outros rumos na formação
docente em artes visuais – Para onde caminhamos? Educação (Porto Alegre, impresso), v. 37,
n. 1, p. 118-126, janeiro/abril, 2014. Disponível em: <<
11

http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faced/article/view/10591>>. Acesso em:


12/02/2018.

TOCHETTO, Andrieli; FELISBERTO, Lidiane Gomes dos Santos. O ensino de arte e a sua
finalidade: educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental. EDUCERE, IV Seminário
Internacional de Representações Sociais, subjetividade e educação. Curitiba, 2013. Disponível
em: << http://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2017/23809_11871.pdf>>. Acesso em:
25/03/2018.