Vous êtes sur la page 1sur 52

APEC

Assessoria Pedagógica
0800 72 LIVRO ou
0800 72 54876 e
assessoria.pedagogica@grupo-sm.com

blog

AF_VAYAN_PORTUGUES CAPACurvas.indd 2 7/2/13 5:54 PM


“Vão e ensinem”
IDENTIDADE E MISSÃO
DA ESCOLA CATÓLICA
NA MUDANÇA DE ÉPOCA,
À LUZ DE APARECIDA

Tradutor: Vitor Hugo Mendes

VAYAN_PORTUGUES 001A002.indd 1 8/22/12 1:44 PM


Edição e epígrafes
Herminio Otero
Desenho
Amparo Hernández (Estúdio SM)
Capa
Carmen Corrales (Estúdio SM)
Diagramação
Grafilia SL
Fotografias
Olivier Boé; Miguel Ángel Montero;
PHOTODISC; COMSTOCK IMAGES; 123RF
Tradutor
Vitor Hugo Mendes

© CELAM 2011
Carrera 5A No. 118-31 - A.A. 51086 Bogotá DC, Colômbia
celam@celam.org
http://www.celam.org
© Ediciones SM 2011
Carrera 85K, No. 46 A - 66, Oficina 502.
Complejo logístico San Cayetano – Bogotá, Colômbia

VAYAN_PORTUGUES 001A002.indd 2 8/22/12 1:44 PM


APRESENTAÇÃO

O desafio de formar discípulos


e missionários

Quando os bispos latino-americanos e caribenhos se reuniram em


Aparecida para a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano
(2007), manifestaram que o grande desafio é “mostrar a capacidade
da Igreja para promover e formar discípulos e missionários que
respondam à vocação recebida e comuniquem por toda parte,
transbordando de gratidão e alegria, o dom do encontro com Jesus
Cristo” (DA 14).

Para vencer esse desafio, os bispos propuseram, entre outras


coisas, realizar uma Missão Continental que fosse como um desper-
tar do espírito missionário de todos os batizados. Para colocar em
prática essa definição, o CELAM projetou, para o período 2007-2011,
um Plano Global que leva o mesmo título do Documento Final de
Aparecida: “Discípulos e Missionários de Jesus Cristo para que nossos
povos, nEle, tenham vida”, e que tem como iluminação bíblica o
texto de João 14, 6: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.

O Departamento de Cultura e Educação do CELAM, por sua parte,


através da Área de Educação Geral e Média, traçou o objetivo de
promover nos centros educacionais católicos, autênticos processos
de discipulado missionário a fim de fortalecer a identidade e a missão
da escola nessa mudança de época à luz de Aparecida.

O documento que colocamos para consideração dos educa-


dores é, sem dúvida alguma, um apoio para responder ao desafio
apresentado à Igreja hoje: formar discípulos missionários de Jesus
que levem a Boa Nova a todos os campos da sociedade. No Plano
Global do CELAM 2011-2015 estamos reafirmando a oferta de uma
Vida plena em Jesus Cristo para todos e todas, que no campo da
educação se traduz em uma formação de qualidade focada na pes-
soa, ajudando-os a crescer nos valores do Reino e possibilitando a
vida em comunidade, em um espírito de serviço e entrega generosa,
de forma tal que contribua com a construção de uma sociedade
solidária e participativa.

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 11/28/11 11:12 AM


Agradecemos a Dom Juan Vicente Córdoba, Secretário Geral da
Conferência Episcopal da Colômbia que, durante o período 2007-
2011, foi o bispo responsável pela Área de Educação Geral e Média
do CELAM, pela coordenação desse trabalho de reflexão em todo
o Continente.

Esperamos que tanto os educadores, em seus diferentes âmbitos,


como pais de família, docentes, diretores, pessoal administrativo ou
alunos, aproveitem essas orientações pastorais que, se colocadas em
prática no mundo acadêmico, serão uma valiosa ferramenta para
que se viva na comunidade educacional uma Vida plena em Jesus.

Dom Santiago Silva Retamales


Bispo Auxiliar de Valparaíso, Chile
Secretário Geral do CELAM

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 4 11/28/11 11:12 AM


PRÓLOGO

Evangelizar
a partir da tarefa educacional

Frente aos desafios que a educação católica vive na América


Latina e no Caribe no contexto da pós-modernidade, onde se vive
em um mundo de secularização, de relativismo moral e ético, de
subjetividade, de ausência de Deus e de uma antropologia reducio-
nista que privilegia os sentimentos e as emoções, que mesmo sendo
uma dimensão importante do ser humano, não podem prescindir da
razão e do espírito, a Seção de Educação Geral e Média do CELAM,
consciente de sua missão iluminadora e orientadora, apresenta
esta contribuição para que a Escola Católica assuma o dever de
evangelizar na sua tarefa educacional.

A Assembleia Geral dos Bispos da América Latina e do Caribe,


realizada em Aparecida, Brasil, pediu à Igreja, que peregrina nessa
parte do mundo em estado permanente da missão, que formasse
discípulos missionários de Jesus, para que nEle todos tenham vida.
A Missão Continental é, então, a realização pastoral da exortação
dos bispos para que se leve a cabo a Nova Evangelização nessa
nova época, que requer novos agentes, meios, métodos, projetos
educacionais e novas estruturas.

A pastoral da educação deve explicitar o implícito do Evange-


lho, anunciando e vivendo Jesus Cristo com veemência e clareza,
descobrindo a ação criadora, salvadora e santificadora de Deus na
constituição e nas estruturas do ordenamento científico e académico.
O currículo não será apenas integral, mas também evangelizador,
em toda a gestão educativa.

Este documento pretende que a Missão Continental se faça


realidade na Escola Católica através de linhas de ação e propostas
concretas, ajudando a levar em frente a evangelização a partir do
mundo da educação.

Oferecemos esse guia às comunidades educacionais da Amé-


rica Latina e do Caribe para que, ao assumirem a instrução dos

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 11/28/11 11:12 AM


senhores bispos em Aparecida, tenhamos um caminho simples,
claro e pedagógico de como efetivar a Missão Continental na
Escola Católica.

O magistério dos bispos oferece uma privilegiada oportunidade


para que os agentes de formação da Escola Católica promovam e
construam a comunidade eclesial, unificando critérios e linhas de
ação em tom de comunhão missionária, para conduzir a comuni-
dade educativa à sua identidade de discípula missionária de Jesus
Cristo – o Caminho, a Verdade e a Vida.

Agradecemos aos senhores bispos presidentes dos departamentos


de educação das conferências episcopais, aos seus representantes,
aos especialistas e aos peritos que colaboraram nesse trabalho de
quatro anos. Este documento, que não pretende ser mais do que
um simples guia, auxiliará diretores de escolas católicas e aqueles
que trabalham nos centros de formação a partir da fé a conduzir
e acompanhar suas comunidades educacionais rumo à realização
da Missão Continental.

Agradecemos à OEI (Organização dos Estados Ibero Americanos),


às Edições SM e à editora PPC pela sua generosa colaboração para
a elaboração desse documento. Valorizamos sua participação, que
será de grande proveito para a Missão Continental nas Escolas
Católicas da América Latina e o Caribe.

Colocamos nas mãos de Jesus Cristo, o Mestre por excelência,


nossas escolas católicas e suas comunidades educacionais.

Pedimos ao Senhor que nos assista a todo momento no cum-


primento de nossa missão de formar discípulos missionários seus, a
quem nos encomendou educar. Pedimos a Maria Santíssima, a Estrela
da Evangelização, que nos coloque com seu Filho Jesus.

+ Juan Vicente Córdoba Villota, SJ


Secretário Geral da Conferência Episcopal da Colômbia.
Responsável pela Seção de Educação
Geral e Média do CELAM (2007–2011)

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 11/28/11 11:12 AM


 PÔR EM PRÁTICA A
MISSÃO CONTINENTAL
NA ESCOLA

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 11/28/11 11:12 AM


Pôr em 01. Este documento pretende ajudar a responder o chamado dos
prática bispos da América Latina e do Caribe, para que as comunidades
a Missão educacionais católicas e quem trabalha no âmbito da educação
Continental
a partir do Evangelho coloquem em prática a Missão Continental
proposta em
Aparecida
proposta em Aparecida. Trata-se de:
“confirmar, renovar e revitalizar a novidade do Evangelho
arraigada em nossa história, a partir de um encontro pes-
soal e comunitário com Jesus Cristo, que desperte discípulos
e missionários…, homens e mulheres novos que encarnem
essa tradição e novidade, como discípulos de Jesus Cristo e
missionários de seu Reino, protagonistas de uma vida nova
para uma América Latina que deseja reconhecer-se com a
luz e a força do Espírito.” (DA 11)
Orientações 02. Frente aos desafios que a mudança de época apresenta para a
para uma educação católica na América Latina e no Caribe, o CELAM, à
autêntica luz de Aparecida e no contexto da Missão Continental, anseia
conversão
dar orientações para uma conversão pastoral autêntica. Tanto
pastoral
S.S. Bento XVI quanto os bispos da América Latina e o Caribe
lembram que nesse continente se vive “uma particular e delicada
emergência educativa.” (DA 328)
Atualizar a 03. Para isso, nessa nova época é necessário atualizar, reforçar ou
identidade da resgatar a identidade da Escola Católica, na qual, através da
Escola Católica
transmissão sistemática e crítica das ciências, do saber e das
culturas, Jesus Cristo seja conhecido, amado, seguido e anun-
ciado com ardor, como o homem perfeito e fundamento de
tudo, em quem todos os valores humanos encontram sua plena
realização, para promover e transformar o sentido da existência,
para pensar, querer e agir segundo o evangelho. (DA 335, 337)
Assumir o 04. Formar para humanizar, libertar e construir sociedades e mundos
compromisso novos continua sendo uma proposta fundamental da educação
evangelizador nos tempos que correm, mas que, na educação católica, adquire
sua plenitude quando assume explicitamente o compromisso
evangelizador.
Favorecer 05. A meta da Escola Católica é favorecer um processo de formação
um processo integral e permanente sobre as bases de uma antropologia cris-
de formação tã que conduza “ao encontro com Jesus Cristo vivo, Filho do
integral
Pai, irmão e amigo, Mestre e Pastor misericordioso, esperança,
caminho, verdade e vida” (DA 336). E é essa dignidade a que
eleva e enobrece a pessoa humana com deveres e direitos para
a construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária, a
partir da perspectiva do Evangelho.

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 8 11/28/11 11:12 AM


06. É parte fundamental da educação formar para a vida em todas Nova
as suas manifestações, especialmente a do ser humano, da sua epistemologia
concepção até sua morte natural. Para isso, é necessária uma iluminada
pela ética
nova epistemologia iluminada pela ética e pelo respeito pela
pessoa que aborde a ciência e os diversos saberes, desde a
multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinari-
dade. Defender e promover a vida exige um diálogo respeitoso
que harmonize todos os discursos: o científico, o tecnológico,
o ético e moral, o político, o cultural e o religioso. (DA 123,
124, 464)
07. Essa nova maneira de encarar o compromisso da educação e Conversão das
a função das escolas católicas para uma nova época requer a comunidades
conversão de professores, famílias e comunidades educacionais. educativas
A explicitação do Evangelho deve se fazer presente na cons-
tituição e estrutura do ordenamento científico e acadêmico,
bem como em toda a produção e transmissão da cultura. (DA
337, 338)
08. Nesse contexto urge aprofundar e esclarecer o papel de dis- Trabalhar
cípulos missionários de todos os agentes da Escola Católica juntos na mesma
para trabalharem juntos na mesma linha pastoral: estudantes, linha pastoral
pais de família, docentes, diretores e equipes de direção,
sacerdotes e religiosos, pessoal administrativo e de serviço,
e ex-alunos.
09. Devemos reconhecer e acolher o profundo compromisso e o Acolher o
esforço educacional contínuo que realizam bispos, sacerdotes, esforço e o
religiosos e leigos em cada uma das dioceses da América Latina compromisso
educacionais
e do Caribe, e o trabalho responsável de diretores, docentes e
pessoal administrativo e de serviço na educação de inúmeros
estudantes que vão às escolas católicas do Continente, bem como
a significativa presença dos pais de família que acompanham,
respaldam e ajudam a construir um sólido projeto de educação
institucional, que, na Escola Católica, deve ser considerada um
trabalho pastoral. (DA 346)
10. Esse é um documento elaborado por bispos e secretários execu- Motivar uma
tivos da Área da Educação das diversas Conferências Episcopais profunda
da América Latina e o Caribe. Seu conteúdo responde a um renovação da
Escola Católica
processo de reflexão em que, ouvindo a palavra de especialis-
tas, os participantes expuseram seu pensamento, observações,
experiências e propostas em cada um dos encontros realizados:
Colômbia (2007); Uruguai (2008); Paraguai (2009); Santo Domingo
(2010) e Nicarágua (Maio 2011).

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 11/28/11 11:12 AM


A convocatória, organização e animação de cada um desses
encontros ficou a cargo do Departamento de Educação e
Cultura do CELAM, através de sua seção de Educação Geral
e Media. Portanto, este documento expressa as diretrizes
dos Bispos da América Latina e do Caribe para motivar no
Continente uma profunda renovação da Escola Católica e
atualização de sua identidade (DA 337) e assim, em tanto
centro de evangelização, “assuma sua função de formadora
de discípulos missionários em todas as suas instâncias”.
(DA 338)
Acompanhar as 11. Este material se suma aos valiosos documentos sobre educação
transformações produzidos pela Igreja nos últimos tempos e que têm sido trabal-
dos sistemas hados explicitamente como fonte e referência. Ao mesmo tempo,
educacionais
pretende acompanhar as transformações realizadas nos sistemas
educacionais do Continente e do mundo.
Interlocutores: 12. Tem como interlocutores todos os que trabalham no campo
as comunidades educacional (formal e não), especialmente as comunidades
educacionais educacionais católicas. E também homens e mulheres de fé
que trabalham em outras escolas e que querem compartilhar
com todos a riqueza da educação iluminada pelos princípios
evangélicos.
A voz 13. O documento coleta a experiência e vivência da escola, a voz
da escola silenciosa de tantos educadores, estudantes e pais de família
que, no dia a dia, se comprometem com uma autêntica formação
de discípulos missionários, a riqueza teórica das reflexões e o
magistério da Igreja.
As partes 14. O documento consta de três partes:
do documento
1. Contextualização da Escola Católica na mudança de época.
2. Educação e Escola Católica.
3. A Missão Continental de Aparecida nos agentes da Escola
Católica.
Valor da 15. Não se pode desconhecer o valor quantitativo e qualitativo da
educação educação e das escolas católicas em todos os países do Conti-
nas escolas nente, que atendem a todos os níveis educacionais e aos diversos
católicas
setores sociais, especialmente os mais carentes, a fim promover
a educação como instrumento de humanização, socialização
e evangelização. Uma quantidade significativa de educadores
sacerdotes, religiosos e leigos oferecem seu profissionalismo e
sua vocação a crianças, adolescentes e adultos, e compartilham
suas responsabilidades com pais de família e com a sociedade.

10

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 10 11/28/11 11:12 AM


16. A Escola Católica, como discípula missionária, deve estar em Ficar em
estado de missão permanente. O documento final de Aparecida estado de missão
– cuja leitura e estudo são imprescindíveis – aponta: permanente

“Assumimos o compromisso de uma grande missão em todo


o Continente, que de nós exigirá aprofundar e enriquecer
todas as razões e motivações que permitam converter cada
cristão em discípulo missionário. Necessitamos desenvolver a
dimensão missionária da vida de Cristo. A Igreja necessita de
forte comoção que a impeça de se instalar na comodidade,
no estancamento e na indiferença, à margem do sofrimento
dos pobres do Continente. Necessitamos que cada comunida-
de cristã se transforme num poderoso centro de irradiação
da vida em Cristo. Esperamos em novo Pentecostes que nos
livre do cansaço, da desilusão, da acomodação ao ambiente;
esperamos uma vinda do Espírito que renove nossa alegria
e nossa esperança.” (DA 362)
17. Colocamos nas mãos de Jesus Cristo Mestre e de Maria, a Estre- Busca de
la da Evangelização, a Escola Católica de América Latina e do caminhos
Caribe que busca caminhos autênticos de evangelização para autênticos de
evangelização
as crianças e os jovens de nossos povos.

11

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 11 11/28/11 11:12 AM


VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 12 11/28/11 11:12 AM
 CONTEXTUALIZAÇÃO
DA ESCOLA CATÓLICA
NA MUDANÇA DE ÉPOCA

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 1 11/28/11 11:12 AM


Fragmentação 18. Em Aparecida, os bispos indicam:
e crise “Os povos da América Latina e do Caribe vivem hoje uma
de sentido
realidade marcada por grandes mudanças que afetam pro-
fundamente suas vidas.” (DA 33)
Hoje, na opinião dos bispos, fica difícil perceber a unidade de
todos os fragmentos dispersos que resultam da informação que
coletamos. (…)
“Quando as pessoas percebem essa fragmentação e limitação,
costumam sentir-se frustradas, ansiosas, angustiadas. A rea-
lidade social parece muito grande para uma consciência que,
levando em consideração sua falta de saber e informação,
facilmente se crê insignificante, sem ingerência alguma nos
acontecimentos, mesmo quando soma sua voz a outras vo-
zes que procuram ajudar-se reciprocamente. Essa é a razão
pela qual muitos estudiosos de nossa época sustentam que
a realidade traz inseparavelmente uma crise do sentido. Eles
não se referem aos múltiplos sentidos parciais que cada um
pode encontrar nas ações cotidianas que realiza, mas ao
sentido que dá unidade a tudo o que existe e nos sucede na
experiência.” (DA 36-37)
Mudança de 19. Nesse sentido, os bispos identificam ainda outros aspectos:
época cultural “Vivemos uma mudança de época, e seu nível mais profundo
é o cultural. Dissolve-se a concepção integral do ser huma-
no, sua relação com o mundo e com Deus. (...) Surge hoje,
com grande força, uma sobrevalorização da subjetividade
individual. (...) Deixa-se de lado a preocupação pelo bem
comum para dar lugar à realização imediata dos desejos
dos indivíduos, à criação de novos e muitas vezes arbitrários
direitos individuais…” (DA 44)
Complexidade 20. Por outro lado, a riqueza e a diversidade cultural dos povos da
cultural América Latina e do Caribe se tornam evidentes:
e cultura
“Existem em nossa região diversas culturas indígenas, afro-
globalizada
americanas, mestiças, camponesas, urbanas e suburbanas. (...)
A essa complexidade cultural se deveria acrescentar também
a de tantos imigrantes europeus que se estabeleceram nos
países de nossa região.
Essas culturas coexistem em condições desiguais com a cha-
mada cultura globalizada. Elas exigem reconhecimento e
oferecem valores que constituem uma resposta aos antivalores
da cultura que se impõem através dos meios de comunicação
de massas: comunitarismo, valorização da família, abertura
à transcendência e solidariedade.” (DA 56-57)

14

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 14 11/28/11 11:12 AM


21. Apesar da “perda do sentido” e da “sobrevalorização da subjeti- Aspectos
vidade individual” não se podem deixar de reconhecer aspectos positivos da
mudança cultural
positivos segundo também apontam os Bispos em Aparecida:
“Entre os aspectos positivos dessa mudança cultural apa-
rece o valor fundamental da pessoa, de sua consciência e
experiência, a busca do sentido da vida e da transcendência.
Para dar resposta à busca mais profunda do significado da
vida, o fracasso das ideologias dominantes permitiu que a
simplicidade e o reconhecimento do fraco e do pequeno na
existência surgissem como valor, com grande capacidade e
potencial que não podem ser desvalorizados. Essa ênfase na
apreciação da pessoa abre novos horizontes, onde a tradição
cristã adquire renovado valor, sobretudo quando a pessoa se
reconhece no Verbo encarnado que nasce em um estábulo e
assume uma condição humilde, de pobre.” (DA 52).
22. Frente a essa realidade, os mesmos Bispos em Aparecida sustentam. Emergência
“A América Latina e o Caribe vivem uma particular e deli- educativa
frente à mudança
cada emergência educativa. Na verdade, as novas formas global
educacionais de nosso continente, impulsionadas para se
adaptar às novas exigências que se vão criando com a mu-
dança global, aparecem centradas prioritariamente na
aquisição de conhecimentos e habilidades e denotam claro
reducionismo antropológico, visto que concebem a educação
preponderantemente em função da produção, da competi-
tividade e do mercado. Por outro lado, com frequência, elas
propiciam a inclusão de fatores contrários à vida, à família
e a uma sadia sexualidade. Dessa forma, não manifestam os
melhores valores dos jovens nem seu espírito religioso; menos
ainda lhes ensinam os caminhos para superar a violência
e se aproximar da felicidade, nem os ajudam a levar uma
vida sóbria e adquirir as atitudes, virtudes e costumes que
tornariam estável o lar que venham a estabelecer, e que os
converteriam em construtores solidários da paz e do futuro
da sociedade.” (DA 328)

15

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 1 11/28/11 11:12 AM


Linhas de ação:
identificar, revisar e gerar estratégias
23. Esta realidade nos obriga a formular as seguintes linhas de ação
para as instituições e os diversos atores da educação nas escolas:
1. Identificar e descrever na própria realidade escolar (e no seu
contexto) os sinais e as manifestações da mudança de época.
2. Revisar e atualizar o Projeto de Educação Institucional da
Escola Católica à luz dos desafios da mudança de época na
própria realidade e formular os compromissos que dele de-
correm.
3. Gerar estratégias para que a comunidade conheça e aprofun-
de o documento de Aparecida e a missão continental à que
somos chamados pelos nossos pastores.

16

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 1 11/28/11 11:12 AM


 EDUCAÇÃO
E ESCOLA CATÓLICA

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 1 11/28/11 11:12 AM


Uma educação 24. A educação, para ser tal, deve ser uma educação de qualidade
de qualidade à qual tem direito, sem distinção, todos os estudantes de nossos
povos; por isso, é necessário insistir no autêntico fim de toda
escola. É chamada a se transformar, antes de mais nada, em
lugar privilegiado de formação e promoção integral, mediante
a assimilação sistemática e crítica da cultura, fato que consegue
mediante um encontro vivo e vital com o patrimônio cultural.
“Isso supõe que tal encontro se realize na escola em forma
de elaboração, ou seja, confrontando e inserindo os valores
perenes no contexto atual. Na realidade, a cultura, para
ser educativa, deve inserir-se nos problemas do tempo
no qual se desenvolve a vida do jovem. Dessa maneira,
as diferentes disciplinas precisam apresentar não só um
saber por adquirir, mas valores por assimilar e verdades
por descobrir.” (DA 329)
Um novo modelo 25. Não podemos desconhecer que, como produto da modernidade,
de escola a escola pode evidenciar desajustes a respeito da moral, dos
valores e dos costumes dos novos estudantes que habitam as
grandes cidades e os territórios da nossa América. O esforço
dos técnicos e pesquisadores, de quem tem decisões políticas
e dos educadores é redefinir e criar um novo modelo de escola
que responda às demandas atuais de seus interlocutores, às
expectativas das famílias e que facilite o compromisso de cada
um dos seus diretores e docentes.
Isso é particularmente peremptório nos setores mais carentes,
porque frente a uma estrutura escolar que consegue atraí-los,
contê-los e oferecer possibilidades reais de promoção terminam
fora do sistema e, geralmente, excluídos e às margens da socie-
dade. A inclusão não deveria acontecer sem operar verdadeiras
transformações no interior das escolas e com o apoio político e
econômico da sociedade. Nesse sentido, a Igreja, que soube dar
forma à escola no auge da modernidade, deveria virar pioneira
na hora de definir os novos formatos que os tempos reclamam.

Pôr em destaque 26. Os bispos de Aparecida resumem:


a dimensão “A educação humaniza e personaliza o ser humano quando
ética e religiosa
consegue que este desenvolva plenamente seu pensamento
da cultura
e sua liberdade, fazendo-o frutificar em hábitos de com-
preensão e em iniciativas de comunhão com a totalidade
da ordem real. Dessa maneira, o ser humano humaniza seu
mundo, produz cultura, transforma a sociedade e constrói
a história.” (DA 330)

18

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 18 11/28/11 11:12 AM


“Constitui responsabilidade estrita da escola, enquanto ins-
tituição educativa, destacar a dimensão ética e religiosa da
cultura, precisamente com o objetivo de ativar o dinamismo
espiritual do sujeito e ajudá-lo a alcançar a liberdade ética
que pressupõe e aperfeiçoa a psicológica. Mas não se dá
liberdade ética, a não ser na confrontação com os valores
absolutos dos quais dependem o sentido e o valor da vida
do ser humano.” (DA 330)
27. Esta concepção integral da educação – educação que incorpora Uma escola com
todas as dimensões do ser humano e que encontra na verdade clara identidade
revelada e na pessoa de Jesus Cristo sua plenitude – requer uma católica
escola com uma clara identidade católica. A escola não é uma
instituição formal que simplesmente satisfaz a obrigatoriedade
e a universalidade proclamadas pelos estados modernos e refo-
rçadas pelas transformações dos últimos tempos. Toda escola,
para ser tal, deve ser um âmbito de crescimento efetivo de todos
seus membros e não só um cumprimento formal de prescrições.
Embora não representem a totalidade da educação, nem excluam
outras propostas e outros agentes ou atores responsáveis, as
escolas católicas constituem um lugar de privilégio para a
maturidade da personalidade de cada um dos seus estudantes
e a possibilidade de definir um projeto de vida centralizado na
pessoa de Jesus.
28. A educação católica deve ser uma proposta de qualidade em Orientar e estimular
educação e em pastoral. Tem como propósito a orientação e os processos
animação de todos os processos acadêmicos e de formação acadêmicos e
de formação
dos membros da comunidade educacional à luz dos princípios
evangélicos e dos documentos da Igreja.
29. No projeto educacional da Escola Católica, Jesus Cristo é o Atuar segundo
fundamento, em quem todos os valores humanos encontram o Evangelho
sua realização plena e sua unidade. Esse projeto não somente é
elaborado e divulgado, mas sim é vivido em corresponsabilidade,
ou seja, compromete a todos os membros da comunidade edu-
cacional. Desta forma, Jesus Cristo revela e promove o sentido
novo da existência e a transforma, capacitando o homem e a
mulher para viver uma vida nova, ou seja, para pensar, querer
e agir segundo o Evangelho, fazendo das bem-aventuranças a
norma de sua vida.

19

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 1 11/28/11 11:12 AM


Currículo 30. O desafio da Escola Católica é fazer presente a tarefa evangeliza-
evangelizador dora no mais próprio de seus afazeres, a transmissão curricular.
A Escola Católica exige um currículo evangelizador para con-
formar uma comunidade capaz de anunciar e desenvolver de
forma orgânica e sistemática, desde seus diversos componentes
e âmbitos (projeto educacional, ambientes, convivência, setores
de aprendizados, planos e programas, práticas pedagógicas,
regulamentos, experiências, etc.), as atitudes e competências
reveladoras daqueles valores propostos por Jesus Cristo no
Evangelho. Desse modo, todo educador, a partir do específico
de sua profissão docente, deve oferecer um serviço para a
evangelização de seus estudantes, sendo corresponsável com a
missão da Igreja. Assim, os grandes objetivos da Escola Católica
são anunciados diariamente, de forma orgânica e sistemática,
nos diferentes âmbitos do currículo e, por tanto, pela totalidade
dos agentes educadores.
Riqueza 31. A riqueza da educação continental reflete o esforço histórico e
educativa contínuo da Igreja, que, através de múltiplos agentes, plantou
da Igreja escolas e educação em cada uma das nações do continente e
nos mais diversos territórios. A riqueza não só é quantitativa
(número de instituições, de docentes, de estudantes, de ex-
alunos e de famílias associadas), mas também qualitativa (pela
variedade de obras, carismas e interlocutores).
A partir dessa riqueza dupla é necessário pensar e projetar
a Missão Continental de Aparecida, porque há uma po-
tencialidade comum, um esforço de todos, comprometidos
pelos mesmos princípios. E essa fecundidade educacional é
também uma fonte de recursos para promover um Conti-
nente diferente: a defesa da vida, construção de famílias
mais estáveis, participação cidadã responsável, sistemas
democráticos evoluídos, qualidade de vida, construção
de sociedades mais justas, inclusão de vastos setores da
população, a vigência real, coerente e comprometida dos
valores do Evangelho.
Resgatar 32. Todas as escolas católicas devem tender a uma verdadeira con-
a identidade versão à luz de Aparecida, onde Jesus Cristo seja o centro.
católica
“Devemos resgatar a identidade católica de nossos centros
educativos por meio de um impulso missionário corajoso
e audaz, de modo que chegue a ser uma opção profética
plasmada em uma pastoral da educação participativa.”
(DA 337)

20

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 20 11/28/11 11:12 AM


33. Nesse processo de conversão, muitas escolas católicas, entre Revisar
elas, algumas de reconhecida trajetória e merecido prestígio em os projetos
cada um dos países do continente, devem rever seus projetos educacionais
educacionais e responder ao novo chamado da Igreja, porque
nem sempre o lugar que ocupam na sociedade e na educação
tem como suporte e fundamento os valores do evangelho em
todas suas dimensões, nem uma proposta pastoral comprometida
com a força da verdade. Cresceram e conquistaram reconhe-
cimentos, negociando as demandas do mercado, obedecendo
políticas incompatíveis com os critérios educativos da igreja e
sem uma clara definição a respeito dos valores e a cultura con-
temporânea, perdendo a identidade católica e missionária. Essas
instituições se desentenderam – nos feitos – de vastos setores
da população que requerem de sua atenção e de sua presença
educativa e evangelizadora.
34. Esta conversão exige uma nova pedagogia. A Escola Católica Uma nova
trabalha com uma pedagogia atualizada que sabe beber das pedagogia
fontes mais purificadas e dos pensamentos mais críticos, e que
não teme articular toda a força da renovação no conhecimento
e na ciência com as riquezas da educação cristã e do Evange-
lho. Os novos discursos educativos não devem ser rejeitados,
mas, sim, incorporados à luz dos princípios da pedagogia
cristã. Por isso, a Escola Católica advoga por oferecer uma
pedagogia onde se debatam os temas da agenda educativa
de nosso tempo, onde os pensamentos novos sejam gerados e
aceitos, mas, ao mesmo tempo, seja anunciada a Verdade que
nos propõe a mensagem revelada e o magistério da Igreja. São
seus diretores e docentes os que devem crescer nessa síntese
de fé e ciência.
35. A pedagogia de Jesus é o caminho para que a comunidade A pedagogia
educacional ajude as novas gerações a elaborarem seu pro- de Jesus
jeto de vida pessoal e comunitário. Como se desprende do
diálogo de Cristo ressuscitado com os discípulos de Emaús
(Lc 24), a Escola Católica deve pôr em prática uma pedagogia
do encontro, do discernimento, do acompanhamento e do
testemunho.
36. Esta pedagogia de Jesus é a do Mestre:
– que se aproxima existencialmente do outro;
– que sabe se adaptar aos processos pessoais (pedagogia da
humildade e da paciência);
– que reconhece e valoriza a riqueza e a experiência dos outros;

21

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 21 11/28/11 11:12 AM


– que manifesta uma atitude de escuta;
– que instrui;
– que educa na liberdade responsável;
– que acompanha na definição do projeto existencial;
– que – em cada comunidade – descobre e desfruta da multipli-
cidade e diversidade dos talentos e carismas pessoais;
– que ensina iluminando com a Palavra e o testemunho de vida.
Educação na 37. Em síntese: A Escola Católica é chamada a realizar sua transfor-
fé de forma mação conforme a exigência apresentada em Aparecida quando
integral aponta:
“A conversão pastoral de nossas comunidades exige que se
vá além de uma pastoral de mera conservação para uma
pastoral decididamente missionária.” (DA 370)
Nesse sentido, a Escola Católica deve deixar de ser uma escola
com pastoral (ou seja, que se define como católica somente por
atividades religiosas e litúrgicas isoladas e pontuais) para ser
uma escola em pastoral.
Esta escola desenvolve a educação na fé de maneira “integral
e transversal em todo o currículo, levando em consideração
o processo de formação para encontrar a Cristo e para viver
como discípulos e missionários e inserindo nela verdadeiros
processos de iniciação cristã”. (DA 338).
Missão eclesial 38. Finalmente, em estreita ligação ao supramencionado, está a di-
da Escola mensão eclesial da Escola Católica. Ela não é uma característica
Católica
justaposta, mas parte fundamental de sua identidade (EC 11).
Daí decorre sua necessária inserção na pastoral orgânica paro-
quial e diocesana, e a urgência de promover nas comunidades
paroquiais e diocesanas um sentido de responsabilidade pela
educação e a escola. (EC 12).

22

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 22 11/28/11 11:12 AM


Linhas de ação:
Elaborar o projeto educativo e revisar
a prática pedagógica
39. Para concretizar o apresentado até momento propomos as
seguintes linhas de ação:
1. Revisar ou elaborar ou projeto educativo para certificar se
contém práticas curriculares evangelizadoras à luz dos critérios
de Aparecida.
2. Implementar um currículo evangelizador em sintonia com o
projeto educativo institucional.
3. Avaliar se a escola consegue atingir um nível de qualidade tal
consiga um desenvolvimento integral de todos e cada um de
seus estudantes.
4. Revisar o funcionamento das Escolas Católicas em todos seus
afazeres e motivar a conversão das comunidades educativas
para que sejam verdadeiras discípulas missionárias.
5. Revisar as práticas pedagógicas, à luz da pedagogia de Jesus
Mestre.
6. Avaliar em que grau a comunidade avança na construção de
uma Escola Católica em pastoral.
7. Fomentar a relação das escolas católicas com as paroquias
e as dioceses, para promover a pertença viva à Igreja como
Povo de Deus e participar nos planos pastorais diocesanos.

23

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 2 11/28/11 11:12 AM


VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 24 11/28/11 11:12 AM

A MISSÃO CONTINENTAL
DE APARECIDA
NOS AGENTES
DA ESCOLA CATÓLICA

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 2 11/28/11 11:12 AM


Evangelizar a 40. A Missão Continental é um chamado de nossos pastores a to-
partir do mundo dos os católicos e pessoas de boa vontade da América Latina
educacional e do Caribe, o qual deve ser atendido por todas as instâncias
pastorais da Igreja Católica. A Escola Católica não está à
margem desse chamado; pelo contrário, tem de atender a este
convite com responsabilidade e entusiasmo por ter a mesma
essência de sua missão, que é evangelizar a partir do mundo
educacional.
Comprometer-se 41. Na Escola Católica, todos os agentes da comunidade educacional
com esta tarefa devem ser sujeitos e protagonistas dessa missão continental.
evangelizadora Por isso, propomos algumas reflexões e linhas de ação para que
cada um desses agentes se comprometa com essa tarefa evan-
gelizadora no dia a dia, considerando seu papel de educador e
sua identidade cristã.

EDUCADOR DIRETOR
Liderança 42. Entendemos por educador diretor quem tem a responsabilidade
do educador de dirigir e gerir a instituição, ou seja: reitor, vice-reitor, diretores
diretor e membros de equipes diretoras. São líderes que acompanham e
orientam quem faz parte da comunidade educacional no desen-
volvimento do projeto educativo da instituição. Nesse sentido,
e considerando o espírito da Missão Continental, o educador
diretor católico deve exercer uma liderança que estimule a
essência pastoral na escola.
Modelo 43. A imagem evangélica do Bom Pastor, que busca e cuida de cada
de identidade: uma de suas ovelhas e não tem medo de dar a vida por elas, é
a imagem do um modelo da identidade do educador diretor católico. (Jo 10,
Bom Pastor
11-16 e Lc 15, 3–7). Como o Bom Pastor, o diretor é aquele que
assume a missão de liderar, conduzir, administrar, gerir e cuidar
de sua comunidade educacional; terá uma preocupação especial
em buscar a ovelha perdida e devolvê-la com amor ao rebanho.
Líder 44. Na Escola Católica, esta realidade exige que o educador diretor
da ação opte claramente por liderar a ação evangelizadora na comuni-
evangelizadora dade educacional, a fim de que ela seja uma autêntica discípula
missionária.
Perfil do 45. O educador diretor, que pode ser um sacerdote, um religioso,
educador uma religiosa ou um leigo, por seu papel de liderança, respon-
diretor sabilidade e importância na comunidade educacional e na
sociedade civil, deve necessariamente adequar-se a um perfil
que contemple características íntegras de maturidade humana
e espiritual, bem como aptidões administrativas e pedagógicas.

26

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 2 11/28/11 11:12 AM


46. A maturidade humana tem a ver com uma alta capacidade de Maturidade
assumir a frustração, sem perder a compostura nem entrar sé- humana:
aceitação de
rios estados de descontrole; resiliência, que confere equilíbrio
si mesmo e
emocional e psíquico com capacidade suficiente de autocontrole dos demais
para administrar as emoções na tomada de decisões pessoais,
sociais e comunitárias frente a situações de alta complexidade.
Essas pessoas devem ser capazes de iniciar relações pessoais e
sociais independentes e produtivas, sem dar espaço a condutas
desequilibradas causadas pelo trato difícil com pessoas confli-
tuosas e imaturas.
A afirmação anterior será impossível se a imaturidade do indiví-
duo não permitir uma aceitação objetiva de si mesmo, com suas
qualidades e defeitos, o que o abre o caminho para a aceitação
dos demais, com paciência e compreensão.
Suas decisões serão livres, responsáveis e autônomas, buscando
sempre a iluminação por valores objetivos, éticos e morais.
47. A maturidade pessoal lhe dará precisão naquilo que se faz, ou Ter capacidade
seja, com uma determinada capacidade de gestão, consegue-se de gestão
conquistar os objetivos propostos, esquivando-se dos obstáculos
que surgirem, sem atropelamentos e imposições, em clima de
diálogo e resguardando seu dever de decidir. A perseverança, a
paciência e a tolerância serão seus aliados para que sua gestão
não perca o rumo.
48. Como um bom líder, terá autoridade perante os membros de Autoridade perante
sua comunidade por comprovação de sua maturidade e da sua os membros de
forma de agir, transformando-o em referência e conquistando sua comunidade
o apreço, o afeto, a valorização e o respeito dos que o rodeiam.
49. Uma pessoa com esse perfil de maturidade humana criará um Criar um
ótimo clima de convivência escolar com alto desempenho pro- ambiente
dutivo, grande interesse de participação, compromisso e per- propício para
a formação
tencimento institucional, o que será o ambiente ideal para a
formação íntegra dos estudantes.
50. A maturidade espiritual é o conhecer, o amar e o seguir a Jesus Maturidade
Cristo em seu sacrifício de morte e ressurreição, de modo que seu espiritual:
estilo de vida
estilo de vida condiga com os valores do Evangelho. A oração,
coerente com
a vida sacramental e sua delicada caridade cristã no convívio os valores do
com os outros O ajudaram a agir em prol dos mais fracos e evangelho
necessitados em suas diversas expressões a partir de sua missão
educadora.

27

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 2 11/28/11 11:12 AM


As condutas do 51. Suas condutas se inspirarão no Evangelho e condirão com os
educador diretor princípios da moral cristã católica que, por sua vez, servirão de
inspiradas no
exemplo para toda a comunidade educacional.
Evangelho
52. As competências administrativas e pedagógicas do educador
Profissionais
muito bem
diretor são o conjunto de qualidades, atitudes e habilidades
preparados para a condução da comunidade educacional para a conquista
dos objetivos institucionais.
A visão e a missão institucional, ou seja, o sonho e a tarefa,
respectivamente, exigem de pessoas capacitadas conhecimen-
tos essenciais que dizem respeito ao planejamento, direção e
controle de uma organização educacional. Daí, derivam:
• A relevância de sua idoneidade para dirigir, planejar e
avaliar os processos institucionais;
• Uma boa administração dos recursos humanos, materiais
e pedagógicos;
• A abertura a necessidades pessoais e comunitárias em uma
atitude de ouvinte;
• A capacidade de organização e trabalho em equipe;
• Complementando os outros itens, conhecimentos e desen-
volvimento adequado das competências para o cuidado
do currículo e da avaliação educacional.
Uma formação profissional sólida do educador diretor implica
necessariamente não apenas na capacidade de estimular toda
a comunidade educacional com sua liderança efetiva frente
às metas institucionais, mas implica também na orientação do
desenvolvimento curricular da escola com criatividade e de
forma atual.
Profissionais 53. Nos centros educacionais pertencentes a instituições religiosas
muito bem ou diocesanas, deve-se cuidar para que o pessoal ordenado que
preparados ocupa cargo de docente diretor atenda à formação adminis-
trativa e pedagógica que lhes é exigida. Na grave “emergência
educacional” em que vivemos, a condução pedagógica da
comunidade escolar exige profissionais muito bem preparados
para enfrentar os desafios de hoje.

28

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 28 11/28/11 11:12 AM


EDUCADOR DOCENTE
54. A tradição educacional da igreja construiu uma figura do edu- Pedagogia de
cador inspirada em muitas passagens das Escrituras Sagradas. Deus e pedagogia
de Jesus
No Antigo Testamento, Javé, em várias ocasiões, toma a ini-
ciativa de ir ao encontro do povo eleito para acompanhá-lo
pedagogicamente para que a vida tenha sentido.
Por outro lado, vários textos evangélicos que retratam a vida
de Jesus expressam seu estilo pedagógico e o mostram como
modelo de um verdadeiro e autêntico mestre. A partir dessa
perspectiva, ao refletir sobre a pessoa do educador docente,
é bastante válido levar em consideração a pedagogia de Jesus
retratada no encontro com os peregrinos de Emaús. Nesta
aproximação intencionada, a pedagogia de Jesus é caracteriza
nos seguintes feitos:
• A acolhida: se aproxima e se interessa pelo que conversam
no caminho;
• O discernimento: explica rapidamente as Escrituras e faz
um acréscimo à formação, explicando o que acontece;
• O acompanhamento: permanece com eles ao entardecer,
ficando ao lado deles quando a esperança de desvanece;
• Suscita nos discípulos o testemunho: infunde neles uma
força que os enche de esperança e os leva ao encontro
com outros.
A educação de nosso tempo, atenta às mudanças sofridas tanto
pelos adultos quanto pelas novas gerações, exige uma pedagogia
com essa índole.
55. No contexto da pedagogia já caracterizada, o educador docente Feitos do
de nossas comunidades educacionais deve se destacar pelos educador
seguintes feitos: docente na
promoção
• Amor pedagógico, motor de toda a sua prática educacio- dos valores
nal e demonstração vocacional, dá forma ao exercício do Evangelho
de sua profissão;
• Sábio e respeitoso acompanhamento do estudante em
função de seu crescimento e desenvolvimento integral;
• Anseio de excelência profissional, sempre buscado através
do aperfeiçoamento contínuo;
• Conhecimento e manuseio das novas tecnologias a serviço
da educação e formação das novas gerações;

29

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 2 11/28/11 11:12 AM


• Preocupação por viver e crescer em sua fé à luz de uma
autêntica espiritualidade cristã, o que o permitirá dar tes-
temunho de seu seguimento à Pessoa de Jesus, despertando
nos outros o desejo de encarnar o discipulado missionária
que surge do encontro pessoal com Jesus Cristo.
Dessa forma, o educador docente será um instrumento impor-
tante para que, além dos seus alunos, todos os integrantes da
comunidade educacional promovam a partir dela os valores
do Evangelho que tornam possível uma convivência social mais
justa, fraterna, pacífica, solidária e responsável.
Maturidade 56. Somente pessoas sãs e maduras podem servir de guia para
humana e sujeitos em crescimento. Por isso, é importante que haja uma
espiritual seleção diligente e criteriosa dos docentes das escolas católicas.
do docente
Junto com as exigências próprias de seu compromisso de fé, a
maturidade humana e espiritual do docente nestas comunidades
educacionais implica em:
• Um cuidado de sua própria pessoa e capacidade de acol-
her o outro;
• Capacidade de se aproximar do estudante, adaptando-se
à idade, mas com maturidade e sem perder sua condição
de docente;
• Equilíbrio psicológico para controlar seus impulsos, emoções
e demonstração de sentimentos;
• Autoestima equilibrada, aceitação de si mesmo, com
qualidades e defeitos;
• Capacidade de gerar confiança através de uma liderança
aberta e democrática; sensibilidade perante todos os
seres humanos;
• Simplicidade e criatividade;
• Competência intelectual;
• Coerência e transparência nas relações humanas e em suas
práticas pedagógicas.
Relação do 57. Além disso, é fundamental levar em consideração que o educador
docente com docente é chamado a refletir seu compromisso de fé, que surge da
os estudantes vocação cristã através do exercício da docência e que, indubita-
velmente, implica em uma relação interpessoal com seus alunos;
relação esta que certamente ultrapassa a mera transmissão de
conhecimentos. Sobre isso, o magistério da Igreja afirma:
“Na Escola Católica, ‘os educadores cristãos, como pessoas
e como comunidade, são os primeiros responsáveis por criar
o peculiar estilo cristão’. A docência é uma atividade de

30

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 0 11/28/11 11:12 AM


extraordinário peso moral, uma das mais altas e criativas
do homem: Com efeito, o docente não escreve sobre uma
matéria inerte, mas sobre a própria alma dos homens. Por
isso, a relação pessoal entre educador e aluno adquire um
valor de extrema importância, que não se limita a um simples
dar e receber. Além disso, é necessário ser cada vez mais
consciente de que os docentes e educadores vivem uma vo-
cação cristã específica e têm uma participação também um
tanto específica na missão da Igreja e «que deles depende,
sobretudo, o que as escolas católicas possam realizar seus
propósitos e iniciativas.” (EC 19)

PESSOAL TÉCNICO-PEDAGÓGICO,
ADMINISTRATIVO E DE SERVIÇOS
58. Todo integrante da comunidade escolar tem uma responsabi- Cooperar
lidade educacional. Para a Escola Católica, todo o pessoal da ativamente
comunidade escolar – não docente, docente e docente diretor no processo
de formação
– deve cooperar ativamente – a partir de seus papéis e funções
dos alunos
específicas – no processo de formação dos estudantes. Seu pro-
fissionalismo, cooperação e respeito aos alunos e suas famílias
são exigências fundamentais para o sucesso de um ambiente
educacional que permita o desenvolvimento de todas as capa-
cidades de crianças e jovens a que se propõe a escola.
59. A Escola Católica deve cuidar para que todo o pessoal técni- Cuidar do
co-pedagógico, administrativo e de serviços que trabalha na pessoal técnico-
comunidade educacional atenda também às características, -pedagógico,
qualidades e critérios de maturidade já mencionados. Deve-se administrativo
e de serviços
ter uma preocupação especial com aqueles que têm um contato
frequente e direto com os alunos. O trabalho desses profissionais
deve ser acompanhado com diversos tipos de capacitação e
aperfeiçoamento para transformá-los em agentes atuantes nas
comunidades educacionais. É dever também da Escola Católica
cuidar do crescimento na fé de cada um deles, sabendo também
que seu testemunho é uma importante ação educativa.

31

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 1 11/28/11 11:12 AM


ESTUDANTES
Mudança 60. A mudança de época traz consigo importantes modificações nas
de épocas: condutas de consumo de todos:
modificações
“A avidez do mercado descontrola o desejo de crianças,
nas condutas
das pessoas
jovens e adultos. A publicidade conduz ilusoriamente a
mundos distantes e maravilhosos, onde todo desejo pode
ser satisfeito pelos produtos que têm caráter eficaz, efême-
ro e até messiânico. Legitima-se que os desejos se tornem
felicidade.” (DA 50)
Nessa mudança de épocas, não se pode deixar de reconhecer
que “as novas gerações são as mais afetadas por esta cultura
de consumo em suas aspirações pessoais profundas”.
“Crescem na lógica do individualismo pragmático e narci-
sista, que desperta nelas mundos imaginários especiais de
liberdade e igualdade.
Afirmam o presente porque o passado perdeu relevância
diante de tantas exclusões sociais, políticas e econômicas.
Para elas, o futuro é incerto. Assim mesmo, participam da
lógica da vida como espetáculo, considerando o corpo como
ponto de referência de sua realidade presente.
Têm nova atração pelas sensações e crescem na grande maio-
ria sem referência aos valores e instâncias religiosas.” (DA 51)
Conhecer 61. Frente a esta realidade da juventude, a Escola Católica deve ter
as culturas uma preocupação especial em conhecer as culturas juvenis e
jovens e ir ao ir ao encontro delas com a mensagem do Evangelho. Diferente
encontro delas
disso, constata-se que a tarefa evangelizadora é persistente no
uso de “linguagens pouco significativas para a cultura atual e,
em particular, para os jovens”.
“Muitas vezes as linguagens utilizadas parecem não levar
em consideração a mutação dos códigos existencialmente
relevantes nas sociedades influenciadas pela pós-moderni-
dade e marcadas por amplo pluralismo social e cultural.”
(DA 100 d)
A Escola Católica “É chamada a se transformar, antes de
mais nada, em lugar privilegiado de formação e promoção
integral, mediante a assimilação sistemática e crítica da
cultura, fato que consegue mediante um encontro vivo e
vital com o patrimônio cultural. Isso supõe que tal encon-
tro se realize na escola em forma de elaboração, ou seja,
confrontando e inserindo os valores perenes no contexto
atual.” (DA 329)

32

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 2 11/28/11 11:12 AM


62. Os estudantes devem ter um protagonismo significativo na Escola Escutar e
Católica. Ela deve ser um espaço em que, justos, os jovens possam dialogar com
os estudantes
expressar suas ideias, encontrando também espaços para sua
expressão. Somente com o diálogo entre as culturas juvenis e a
cultura escolar, será possível realizar uma verdadeira educação.
“Na realidade, a cultura, para ser educativa, deve inserir-
se nos problemas do tempo no qual se desenvolve a vida do
jovem. Dessa maneira, as diferentes disciplinas precisam
apresentar não só um saber por adquirir, mas valores por
assimilar e verdades por descobrir.” (DA 329)
Neste processo de escutar e dialogar com os estudantes, a
Escola Católica deve velar por uma educação de qualida-
de, com igualdade e inclusão, para que, em igualdade de
oportunidades, os jovens possam progredir em seus estudos,
ingressando no mundo de trabalho e desenvolvendo seu
projeto de vida. (DA 65)
Tudo isso se transforma em um imperativo moral mais urgente ao
tomar consciência de que se vive no contexto de uma sociedade
da informação e do conhecimento.
63. Os estudantes esperam obter da Escola Católica ferramentas para Jesus: resposta
se desenvolverem adequadamente na sociedade em constante a todas as
demandas
mutação em que vivem. Em seus educadores, buscam formação
juvenis
para exercerem com responsabilidade a liberdade nesse mundo
de tanto relativismo; anseiam por uma educação cidadã, que
lhes permita participar da sociedade de forma crítica e reflexi-
va; e querem ser educados na experiência da solidariedade e
do diálogo intercultural para enfrentar adequadamente um
mundo repleto de individualismo e de invisibilidade de tudo o
que é diferente. A juventude clama por encontrar testemunhos
de vida, modelos que iluminem seu caminhar, e esperam que
seus processos de formação os ajudem a descobrir o sentido
da vida.
Frente a esse clamor da juventude, Jesus é a resposta a todas as
demandas juvenis.
Jesus Cristo, “eleva e enobrece a pessoa humana, dá valor
à sua existência e constitui o perfeito exemplo de vida. É a
melhor notícia, proposta pelos centros de formação católica
aos jovens.” (DA 335)

33

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 11/28/11 11:12 AM


Pais de família
O valor 64. Mesmo quando a mudança de épocas gera crises familiares,
da família a instituição familiar, de acordo com o magistério da Igreja,
continua tendo como modelo a família de Nazaré. Por outro
lado, independentemente de suas diversas configurações, não
se deve desconhecer, que em seu seio, a pessoa descobre com
maior clareza os motivos e o caminho para pertencer à família
de Deus.
“Deus ama nossas famílias, apesar de tantas feridas e divisões”
(...). Tanto que “Muitos vazios de lar podem ser atenuados
através de serviços prestados pela comunidade eclesial,
família de famílias.” (DA 119)
Através da família, recebe-se o dom da vida, a primeira expe-
riência do amor gratuito e da fé.
“O grande tesouro da educação dos filhos na fé consiste na
experiência de uma vida familiar que recebe a fé, a con-
serva, a celebra, a transmite e dá testemunho dela. Os pais
devem tomar nova consciência de sua alegre e irrenunciável
responsabilidade na formação integral dos filhos.” (DA 118)
Missão 65. Além disso, em nosso meio há circunstâncias especiais:
da família “A família é um dos tesouros mais importantes dos povos
na sociedade
latino-americanos e caribenhos e é patrimônio da humanidade
e na Igreja
inteira. Em nossos países, parte importante da população
está afetada por difíceis condições de vida que ameaçam
diretamente a instituição familiar. Em nossa condição de
discípulos e missionários de Jesus Cristo, somos chamados
a trabalhar para que tal situação seja transformada e a
família assuma seu ser e sua missão no âmbito da sociedade
e da Igreja.” (DA 432).
A Escola deve ter consciência de que a realidade socioeconômi-
ca e cultural da família é um fator poderoso de explicação do
sucesso escolar dos estudantes; não obstante, essa situação não
é desculpa para seus resultados acadêmicos, se não um desafio
para a criatividade e profissionalização possibilitam reverter a
situação.
Pais, 66. Os pais são os primeiros e principais educadores:
os primeiros “Pelo fato de haver dado a vida aos filhos, os pais assumiram
educadores
a responsabilidade de oferecer a eles condições favoráveis
para seu crescimento e a séria obrigação de educá-los. A so-
ciedade precisa reconhecê-los como os primeiros e principais
educadores. O dever da educação familiar, como primeira

34

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 4 11/28/11 11:12 AM


escola de virtudes sociais, é de tanta transcendência que,
quando falta, dificilmente pode ser suprida. Esse princípio
é irrenunciável.” (DA 339)
Os filhos têm o direito de poder contar – sempre que possível –
com o pai e com a mãe para que cuidem deles e os acompanhem
até a plenitude da vida.
67. Não obstante, o direito inalienável da família na educação de seus Restaurar
filhos, um importante vínculo histórico entre a família e a escola, o vínculo entre
continua sendo o respaldo necessário para o desenvolvimento a família
e a escola
de todas as escolas. As mudanças sociais, familiares, estudantis
e escolares enfraqueceram esse vínculo nas últimas décadas,
de modo que é absolutamente necessário restabelecê-lo. Sem a
família, a escola perde seu respaldo: seus ensinamentos não têm
onde serem processados, reforçados e, por fim, internalizados.
Pelo contrário, a família desvinculada à Escola pode ser onde
o que é passado pelos professores, seus ensinamentos e valores
são debatidos, questionados, negados e até eliminados.
“A tarefa educacional valoriza sinais e tradições e precisa
de lugares críveis: antes de tudo a família, com seu papel
peculiar e irrenunciável.” (Bento XVI, Emergência educacional)
68. Para educar, especialmente no seio familiar, é necessário que A tarefa
os pais e educadores não renunciem à sua tarefa em relação a dos pais e
seus filhos e/ou alunos, de corrigi-los, adverti-los e orientá-los; educadores
mas, também, e de uma forma muito especial, de acompanhá-
los na definição de seu projeto de vida e de amadurecimento da
fé. Não se trata apenas de um grande amor aos filhos e alunos,
mas, sim, de querê-los bem e de querer o bem que os favorece
no crescimento humano e cristão.

EX-ALUNOS
69. Os ex-alunos são os egressos das escolas católicas que levam as Parte ativa
riquezas do ensino e da vivência da comunidade escolar na qual da comunidade
educacional
estudaram. Os ex-alunos, após entrarem para o nível superior ou
para o mercado de trabalho, têm seus modos de vida e formas
de inserção na sociedade transformados em um importante
referencial da qualidade do trabalho de formação empreendido
pela Escola Católica. Por isso, os ex-alunos devem ser atuantes
na comunidade educacional, não apenas porque colaboram
com ela em muitos projetos, mas, sim, porque contribuem para
melhorar a qualidade do trabalho educacional ao compartilhar
seu olhar crítico e suas propostas de renovação.

35

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 11/28/11 11:12 AM


Atualizar o 70. A Escola Católica, em seu contato permanente com os ex-alunos,
compromisso de deve manter um vínculo vivo com eles. Não basta celebrar a
sua missão nostalgia do passado. Deve-se manter um contato que permita
que os ex-alunos, através da escola, aprofundem e atualizem o
compromisso e a coerência que os mantenham fiéis à missão e à
conversão proposta por Aparecida. A Escola Católica deve se ver
como uma importante responsável pelo discipulado missionário
de seus ex-alunos.

Linhas de ação:
Avaliar, formar, protagonizar
71. Esta realidade nos obriga a formular as seguintes linhas de ação:
a. Avaliar se os Educadores Diretores exercem sua tarefa com
a devida maturidade humana e cristã, e se sua liderança é
própria de uma autoridade que estimula e acompanha o
crescimento de todos;
b. Implementar planos de reciclagem e/ou formação para que
todos os Educadores Diretores, inclusive os ordenados e or-
denadas que desempenha essa tarefa, estejam devidamente
preparados e profissionalmente formados para o exercício
da função que desempenham;
c. Gerar instâncias de avaliação, encontros de reflexão sobre
a prática docente e cursos de formação à luz da Pedagogia
de Jesus, o Mestre, aquele que vai ao encontro, ajuda a
discernir, acompanha e suscita o testemunho aos discípulos
de Emaús;
d. Envolver todo o pessoal técnico-pedagógico, administrativo
e de serviços nos trabalhos pastorais de educação da Escola;
e. Rever o perfil de seleção, assim como seu cumprimento,
de todo o pessoal diretor, docente, técnico-pedagógico,
administrativo e de serviços que trabalha na comunidade
educacional, a fim de garantir que cada um deles atenda
às características, qualidades e critérios de maturidade
necessários para trabalhar em uma Escola Católica;
f. Estabelecer em cada comunidade educacional um plano de
formação permanente que favoreça o aperfeiçoamento do
corpo docente e não docente, obtendo-se as atualizações
necessárias que possibilitem o avanço proposto na qualidade
do ensino;

36

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 11/28/11 11:12 AM


g. Cuidar para que o pessoal ordenado responsável pelas ta-
refas de direção nos centros educacionais que pertencem
a instituições religiosas ou diocesanas tenha a formação
administrativa e pedagógica necessária;
h. Conhecer a realidade dos jovens e aprender a vê-la com os
olhos da juventude, assumindo-a como ponto de partida do
processo educacional;
i. Permitir que o estudante seja o protagonista na escola,
proporcionando a ele uma experiência de formação; cer-
tamente, isso exige acompanhamento e reflexão de tudo o
que for experimentado;
j. Promover entre os pais de família o exercício dos direitos e
das obrigações na educação de cada um de seus filhos;
k. Criar propostas de formação dos pais de família a fim de
fortalecer sua presença e participação ativa na educação
dos filhos;
l. Promover a presença de ex-alunos na comunidade edu-
cacional das escolas católicas, proporcionando formação
permanente e intervenção como agentes nos projetos e na
missão da escola;
m. Incorporar a avaliação dos ex-alunos às práticas da escola,
funcionando como uma importante referência da qualidade
do trabalho educacional que é feito nela.

37

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 11/28/11 11:12 AM


CONCLUSÃO

Em sua tarefa evangelizadora, a Igreja Católica conta com a


educação como um instrumento potente e pertinente à sua missão,
anunciando o Evangelho de Jesus Cristo através da Escola Católica
e do trabalho de educadores católicos em outras instituições edu-
cacionais que não professem explicitamente a religião.

A responsabilidade de evangelização não se restringe aos dire-


tores ou aos dirigentes pastorais das escolas, mas, sim, divide-se
igualmente entre toda a comunidade educacional, sendo ela mesma
discípula missionária de Jesus Cristo – o Caminho, a Verdade e a Vida.

O documento que acabamos de apresentar como instrumento


guia para levar e vivenciar a Missão Continental na Escola Cató-
lica, por exortação feito pelos Senhores Bispos da América Latina
e do Caribe em Aparecida, nos mostrou de forma pedagógica o
espírito, o conteúdo e a metodologia de como atualizar e viver
esta responsabilidade.

O esforço empreendido pela Seção de Educação Geral e Média


do CELAM nos proporcionou uma aproximação prática e real às
responsabilidades de cada um dos agentes da comunidade educa-
cional, a fim de que seja levada à prática a nova evangelização em
nossos meios.

A clareza da identidade da Escola Católica no mundo de hoje


e os desafios que a nova época lhe impõe ajudam a acompanhar
de perto as ameaças, os critérios e as linhas de ação que devem
ser adotadas pelos diretores, professores, pessoal administrativo
e de serviços gerais, bem como os pais e estudantes dos centros
educacionais na vivência da Missão Continental.

Pedimos que os diretores das escolas se aprofundem neste instru-


mento, socializando-o e compartilhando-o com suas comunidades.
Assim, a comunhão eclesial, pouco a pouco, passa por uma reciclagem
e passa a ser vivida, de modo que instituições e seus integrantes se
identifiquem como discípulos missionárias de Jesus Cristo.

38

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 8 11/28/11 11:12 AM


A Missão Continental é um dom de Deus para a Igreja peregrina
na América Latina e no Caribe. Em contrapartida, é uma tarefa de
cada um de nós que, unidos a Cristo pelo Batismo e enviados a
evangelizar pelo Crisma, com a vocação específica de educadores,
devemos assumi-la com paixão para acompanhar nossos estudantes
no processo de transformá-los em discípulos missionários de Jesus
Cristo.

Com a ajuda de Deus e da intercessão da Santíssima Virgem


Maria, unamo-nos aos esforços da Igreja empreendendo uma ati-
tude de conversão pastoral e de comunhão eclesial, como nos pede
Aparecida, deixando de ser uma pastoral de conservação para ser
uma pastoral realmente missionária.

39

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 11/28/11 11:12 AM


GLOSSÁRIO

Atitudes
Predisposições ao trabalho; mostram-se no indivíduo que “está
disposto e preparado para”, “está sempre aberto a”, “se coloca vo-
luntário a”, “está interessado em”. São respostas habituais, estáveis,
seguras que temos em nosso desempenho cotidiano. É um estado
neural e mental que gera uma resposta imediata – de acordo com
determinados valores – mediada pela experiência (hábito, exercício).
É uma conduta que se torna habitual e, para isso, exige uma progres-
sividade (desenvolvimento no tempo), uma iluminação intelectual
(conhecer, saber) e vontade (querer).

Carismas
Dons especiais que o Espírito Santo derrama sobre a Igreja para o
reavivamento da fé nas diversas comunidades eclesiais. Através desses
dons peculiares, o Espírito convoca e anima diversos setores da Igreja
– em especial, associações de leigos, ordens religiosas e congregações
–, para o cumprimento da tarefa missionária, que se expressa através
do trabalho pastoral, da nova evangelização e da missão ad gentes.

CELAM
Conselho Episcopal Latino-Americano. É um organismo de
comunhão, reflexão, colaboração e serviço criado pela Santa
Sé a pedido do Episcopado Latino-Americano, servindo como
sinal e instrumento do afeto colegial, em comunhão com a Igreja
Universal. Agrupa todos os bispos da Igreja Católica da América
Latina e do Caribe. Sua constituição formal se deu em 1955 pelo
Papa Pio XII, e sua sede se localiza em Bogotá, Colômbia. O CELAM
realiza suas Assembleias Ordinárias a cada dois anos, além das
Reuniões Anuais de Diretores, Secretários Gerais de Conferências
Episcopais e da Coordenação de atividades pastorais.
Sede:
Bogotá D.C. Colombia
Carrera 5a No. 118-31
A.A. 51086 (57 1) 587 9710
celam@celam.org
http://www.celam.org

40

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 40 11/28/11 11:12 AM


Comunidade educacional
Conjunto de pessoas que formam a escola, convocados e
reunidos pelo mesmo fim: a educação. Cada um assume seu pa-
pel e sua função e, juntos, buscam a formação, a promoção e o
amadurecimento humana e espiritual de todos os seus membros.
A comunidade não é igual à soma de seus membros, mas, sim,
um projeto comum animado pelo mesmo espírito.

Conferência Episcopal
Instituição de caráter permanente que congrega todos os
bispos de um país ou de um território mai amplo (como no caso
das Antilhas). As primeiras Conferências organizadas foram as da
Colômbia (1908) e do México. O Concílio Vaticano II formalizou
sua existência no decreto Christus Dominus (38); depois, Paulo
VI, no motu proprio Eclesiae sanctae (1966), e João Paulo II, no
motu proprio Apostolos suos (1998) definiram sua natureza e sua
autoridade magisterial. Os bispos se reúnem periodicamente em
Assembleias e se organizam em Comissões para tratar de temas
relacionados ao estudo da realidade, ao discernimento à luz do
Evangelho e à definição de linhas de ação para uma evangelização
que responda aos sinais dos tempos atuais.

Conversão pastoral
Consiste em abandonar antigas estruturas pessoais, insti-
tucionais e eclesiais para criar novas estruturas que mantêm a
fidelidade à tradição, mas sabem dialogar com os novos tempos.
Implica em sair da comodidade do que sempre se está acostumado
a fazer para começar a fazer o que deve ser feito, mesmo que
implique em maior compromisso e esforço.

Currículo e projeto institucional


Toda atividade educacional e de formação de uma escola
gira em torno de um projeto curricular e de uma organização
institucional que gerencia as intervenções e responsabilidades de
cada um dos agentes. Enquanto o projeto institucional ordena
o funcionamento da Instituição, definindo seus princípios, seus

41

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 41 11/28/11 11:12 AM


fins, o papel de seus agentes, as prioridades e os critérios de
funcionamento, o projeto curricular ordena e orienta à mesma
essência da escola: a transmissão sistemática da cultura e dos
valores vigentes.

Currículo evangelizador
Desenvolvimento dos conteúdos culturais que são ordena-
dos, sistematizados e sequenciado para facilitar a transmissão
no decorrer dos diversos níveis do sistema educacional, mas
que, mantendo a fidelidade aos conhecimentos e ao saber,
constrói e comunica os valores do Evangelho em uma síntese
ativa entre cultura, fé e vida. Se, além disso, o currículo for
considerado como a totalidade das atividades educacionais
de uma escola, sua linguagem total deve transpassar a relação
entre fé, cultura e vida.

Documento de Aparecida
Documento conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado
Latino-Americano, realizada no Santuário de Nossa Senhora da
Conceição Aparecida, no Brasil, em maio de 2007.

• O documento traz uma introdução, uma conclusão e três


partes:

a) A vida de nossos povos hoje (Ver);


b) A vida de Jesus Cristo nos discípulos missionários (Julgar);
c) A vida de Jesus Cristo para nossos povos (Atuar).

• O título do documento é Discípulos e missionários de Jesus


Cristo para que nossos povos nEle tenham vida, tendo como
iluminação bíblica o texto de João 14, 6: “Eu sou o Caminho, a
Verdade e a Vida”.

• Com a aprovação dos bispos latino-americanos e caribenhos


conferida no dia 30 de maio de 2007, hoje, é o documento
que orienta a ação pastoral da Igreja no Continente.

42

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 42 11/28/11 11:12 AM


Documentos anteriores ao de Aparecida
Em cada Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano é
redigido um documento que recebe o nome do lugar onde foi realizada
a reunião. Há documentos mais conhecidos e difundidos que outros:
• DOCUMENTO DO RIO DE JANEIRO (1955);
• DOCUMENTO DE MEDELLÍN (1968);
• DOCUMENTO DE PUEBLA (1979);
• DOCUMENTO DE SANTO DOMINGO (1992);
Educação íntegra
Educação que se propõe a oferecer um desenvolvimento em
todas as dimensões constitutivas da pessoa, obtendo paulati-
namente, não apenas a aquisição sistemática da cultura, mas
a maturidade da pessoa e o desenvolvimento harmonioso de
todos os elementos constitutivos do ser humano. A educação
íntegra é o pressuposto necessário para que, além de escola, ela
seja uma Escola Católica.

Escola missionária
Fiéis aos novos tempos e à presença de novos sujeitos, e ilumi-
nados pelas palavras de Aparecida, a escola deixa de ser um lugar
passivo e a espera de quem deseje se empenhar para educar e se
transformar em um agente ativo que – como o Bom Pastor – sai à
procura das ovelhas, especialmente das perdidas, das rebeldes, das
impedidas pela desigualdade das condições socioeconômicas ou por
vários tipos de vícios e desvios. A escola carrega esses necessitados
sobre seus ombros e os coloca em uma posição privilegiada.

Evangelização
É a missão da Igreja: anunciar as Boas Novas do Evangelho
de Nosso Senhor Jesus Cristo (DA 29). É a proclamação do Evan-
gelho com o objetivo de atrair todos a Cristo e à Sua Igreja. De
maneira específica, implica em levar a revelação cristã a pessoas
e culturas ainda não receberam o Evangelho. Ou, também, aos
lugares dessacralizados ou secularizados, que precisam de um
novo anúncio da Palavra de Deus.

43

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 4 11/28/11 11:12 AM


Identidade da Escola Católica
São características específicas que transformam instituições,
ações e agentes em uma escola; especificamente, em uma Escola
Católica. A identidade implica no reconhecimento dos próprios
membros da comunidade (interior) e no reconhecimento e na
identificação por parte da sociedade e de outras instituições
(exterior). Sem identidade, a Escola Católica reproduz as ca-
racterísticas de qualquer escola, mesmo que seja dirigida ou
administradas por pessoas da Igreja.

Inclusão / exclusão
Categorias sociais que refletem as relações estabelecidas
pelos sujeitos ou indivíduos entre si e com a sociedade, e entre a
sociedade com cada um desses sujeitos ou indivíduos. Enquanto
os incluídos são aceitos pela sociedade e podem usufruir de todos
os direitos, os excluídos são aqueles que, por diversas razões, não
podem participar ativamente da vida socioeconômica, mesmo
que formalmente tenham todos os direitos. As instituições e os
processos de socialização reforçam ou ajudam a acabar com
essa divisão.

Indicadores
Toda ação, tarefa ou compromisso deve ter um instrumento
de revisão e controle em sua formulação. Os indicadores mostram
se o trabalho – neste caso, a educação e a escola – se ajusta às
regulamentações e, idealmente, ao que foi pré-estabelecido e
acordado. Mostram ainda as tendências de progresso, estaciona-
mento ou retrocesso. Os indicadores de “boas práticas” permitem
pré-estabelecer o que é desejável em termos programa ou de
projetos, a fim de avaliar as diferentes etapas de cada projeto.

Interdisciplinaridade
Recurso metodológico e epistemológico que mescla as práticas
e suposições das disciplinas afins. Ou seja, a interdisciplinaridade
supõe um maior grau de integração entre as disciplinas. Supõe
também a existência de um conjunto de disciplinas conexas entre

44

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 44 11/28/11 11:12 AM


si, e com relações definidas, que não podem ser desenvolvidas
de forma isolada, dispersa ou fracionada.

Linhas de ação
Propostas de trabalho enunciadas através de uma formu-
lação concreta dos compromissos pessoais e institucionais. São
definidas de forma direta e permitem implementar os projetos
necessários para pôr em prática ideias e princípios.

Missão
Etimologicamente, significa “ato de enviar”, mas, em termos
gerais, consiste em confiar a alguém uma tarefa, uma função,
um fim determinado. No âmbito religioso e, em especial, entre os
cristãos, a missão é um compromisso ativo quanto ao anúncio da
Palavra de Deus e da verdade a todos os homens. Os missionários
eram e são aqueles que assumem a missão: saem de sua zona de
conforto para anunciar o Evangelho em outros lugares. A Igreja
é chamada a repensar profundamente e a rever com firmeza e
audácia sua missão nas novas circunstâncias latino-americanas
e mundiais. (DA 11)

Missão Continental
Como um dos principais resultados da Conferência, os bispos
convocaram o povo católico latino-americano e caribenho a
iniciar uma grande Missão Continental, como um novo Pente-
costes, que os impulsione a ir, de maneira especial, em busca dos
católicos afastados e dos que não conhecem ou sabem muito
pouco sobre Jesus Cristo, reforçando a fé que hoje existe no
continente americano mediante um novo e dinâmico impulso
evangelizador. A Missão Continental é um tempo de graça para
a Igreja peregrina na América Latina e no Caribe, uma ocasião de
conscientização de sua autêntica vocação cristã. É uma Missão
permanente, única e variada, que expressa a vontade da Igreja
de ser discípula e missionária de Cristo a fim de transmitir aos
demais a alegria da fé no atual processo de mudança pelo qual
toda a sociedade está passando.

45

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 4 11/28/11 11:12 AM


Multidisciplinaridade
Consiste em agregar várias disciplinas, agrupando seus esfo-
rços para a solução de um determinado problema. É uma mescla
não integradora de várias disciplinas, na qual cada uma delas
conserva seus métodos e suposições sem mudar ou desenvolver
outras disciplinas na relação multidisciplinar. Profissionais en-
volvidos em uma tarefa multidisciplinar assumem relações de
colaboração com objetivos comuns.

Novos areópagos
O termo é usado no documento de Aparecida (DA 492), mas
João Paulo II falou sobre os “novos areópagos”, onde é urgente
anunciar o Evangelho, com uma linguagem compreensível e
convincente, assim como fez São Paulo na capital grega ao
apresentar aos atenienses o “Deus desconhecido”. O Areópago
era o lugar público (praça) dos anúncios, debates e discussões
dos cidadãos da polis. Hoje, há diversos lugares em que se faz
isso, especialmente: os meios de comunicação de massa, Internet,
redes sociais virtuais, etc.

Novos tempos
A leitura profética e a interpretação dos “sinais dos tempos” nos
mostram que estamos vivendo em uma época com características
inéditas e repleta de várias riquezas e contradições, de grandes
agregações e de ameaças sub-humanas, de afirmação de diversos
direitos e destruição da vida. O Documento de Aparecida traz
uma análise detalhada em seu Capítulo 2 (33-101).

Pastoral
Se a função da Igreja é a de seguir o exemplo de Jesus, como
o bom pastor que cuida de cada uma das ovelhas e do rebanho,
a pastoral define a tarefa da Igreja e de seus pastores: anunciar
o evangelho e cuidar dos vários rebanhos que estão lhes foram
confiados. Embora todas as ações possam ser pastorais, costuma-
se distinguir os diversos setores que implicam em várias tipos
de pastoral e metodologias (entre elas, a pastoral da educação
e a escolar)..

46

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 4 11/28/11 11:12 AM


Pós-modernidade
Designação adotada pelas ciências sociais e pela filosofia a
partir da década de 1980 para se referir à crise da modernidade
e da ruptura de seus princípios fundamentais. Suas principais
características são: o relativismo, o subjetivismo, a quebra dos
grandes relatos, a confusão nos valores, a negociação dos prin-
cípios morais (crepúsculo do dever), a cultura do simulacro e a
substituição das estruturas sólidas por sociedades, instituições
e princípios líquidos.

Transdisciplinaridade
Processo cognitivo e metodológico que exige o respeito à
interação entre os objetos de estudo de diferentes disciplinas,
obtendo-se a transformação e a integração de suas respectivas
contribuições a fim de formar um todo lógico e coerente. Pro-
põe um princípio da unidade do conhecimento que vai além
das disciplinas.

Valores
Valor é uma propriedade das realidades objetivas, ideais ou
possíveis; uma qualidade de certas formas do ser e do agir pelas
quais alguns são mais ou menos apreciados, desejados, realizados,
preferidos ou postergados. Embora conhecido, o valor é algo
vivido, que o sujeito descobre e sente em seu interior frente ao
que o rodeia e frente a si mesmo. É também uma qualidade que
descobrimos fazer parte dos objetos que apreciamos (bens), com
a capacidade de despertar em nós sua vivência. Os valores – na
medida em que são devidamente esclarecidos e hierarquizados –
são princípios que nos permitem orientar nosso comportamento
em função de nossa realização pessoal. São crenças fundamentais
que nos ajudam a preferir, apreciar e optar por alguma coisa ou
comportamento em detrimento de outro. Além disso, são fonte
de satisfação e plenitude.

47

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 4 11/28/11 11:12 AM


ÍNDICE

APRESENTAÇÃO: O desafio de formar discípulos e missionários .. 3


INTRODUÇÃO: Pôr em prática a Missão Continental na Escola... 7
1. Contextualização da Escola Católica na mudança de época.. 13
2. Educação e Escola Católica .............................................. 17
3. A Missão Continental de Aparecida nos agentes da Escola
Católica .......................................................................... 25
• Educador diretor .......................................................... 26
• Educador docente ........................................................ 29
• Pessoal técnico-pedagógico, administrativo e de serviços.. 31
• Estudantes ................................................................... 32
• Pais de família .............................................................. 34
• Ex-alunos ..................................................................... 35
CONCLUSÃO ....................................................................... 38
GLOSSÁRIO ......................................................................... 40
MATERIAIS DE CONSULTA .................................................... 48

MATERIAIS DE CONSULTA
DOCUMENTO FINAL DE APARECIDA
BENTO XVI: DISCURSOS SOBRE EDUCAÇÃO
CONCÍLIO VATICANO II: GRAVISSIMUM EDUCATIONIS
RELATÓRIO DELORS
A IDENTIDADE DA ESCOLA CATÓLICA
A ESCOLA CATÓLICA NOS UMBRAIS DO TERCEIRO MILÊNIO
EDUCAR JUNTOS
PALESTRAS

48

VAYAN_PORTUGUES 00 A048.indd 48 11/28/11 11:12 AM


APEC
Assessoria Pedagógica
0800 72 LIVRO ou
0800 72 54876 e
assessoria.pedagogica@grupo-sm.com

blog

AF_VAYAN_PORTUGUES CAPACurvas.indd 1 7/2/13 5:54 PM