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li.ma

história

das

SIDNEY CHALHOUB

U!SÓES DA LIBERDADE,

últimas

décadas

da

escravid3:o

na. Corte.

DA LIBERDADE, últimas décadas da escravid3:o na. Corte. Tese so de apresentada doi.l tor-ado ao em

Tese

so

de

apresentada

doi.l tor-ado

ao

em

ria

da

Universidade

cur-

hLst,:::,-

Est:c

-

dual

parte

de

dos

a

obten;~o

C:ampi nas

re,;.:iuisi tos

do

título

Dou t.c,r

ert1 História.

cor\lO

p:;u-a

de

Orientadbr:

Professor

ROBERT

W.

SLEMES.

Dr.

UNIUERS!DADE

ESTADUAL DE CAMPINAS

Instíhitc,

de

Filosc,fia

e

Departamento

de

C::i.mpinas

1989

Ciêr1cias

História

Humanas

C35v

V.1

10718/BC

UNICAMP

BIBLIOfECA

CENTRAL

Para

meus

pais~

Nabih

e

Ermelinda:

por

tudo~

Para

meus

avós

Norival

e

llka:

por"1ue

Sl~:as

histórias

sempre

emb:a-

la.rar.-1

meu

i nleresse

pela

história.

"1GRADECIMENTOS:

A

mator

roalizada.

no

fúo

de

Janeiro

parte

1::."\rqui•

(APTJ)

da

Jo

e

pesquisa

que.

,jeu

origem

do

Primeiro

TribLlnal

do

a

esta

Jú.ri

da

no

Arquivo

Nacional

(AI-D.

Mo

tese

cidade

APT

~.•

foi

do

Nacional (AI-D. M o tese cidade A P T ~ .• foi do :agradecer primein,.ment.e ao

:agradecer

primein,.ment.e

ao

juiz

presidente

de,

tribi

lnal

()r,

Carlos

Augusto

Lopes

Filho,.

pesquisar

os

autos

criminais

qL\e

me

concedeu

arquivados~

a

a.u toriza,;:tic,

O escrivão

Luiz

para

da

Costa

Gllimar:§:es

e

os

funcionários

Aílton

Alves

de

Mello

e

Cícero

Hóbrega

mínimas

!;;:;ales

fizeram

de

trabalho

no

o

possível

jdri~

No

para

AN,.

me

proporc"ion·ar

foram

tantas

as

cc;nd i ,;ôes

pessoas

ciue

mGi

~ue

atenderam,.

e

g1.le

seria

impossível

se

desdobraram

agradecê-las

para

localizar

meus

pedidos,.

nominalmente.

agradecê-las para localizar meus pedidos,. nominalmente. sra tid:[o a historiadores todos que coro tem uma men,;á:o

sra tid:[o

a

historiadores

todos

que

coro

tem

uma

men,;á:o

honros:a:

passado

pela

sal:a

de

toda

i.~ma

consulta

geral';::ío

do

A~·.J

do:

r1c,s

últimos

anos

saberá

reconhecer

o

que

deve

ao

conhecimento

e

ao

profissionalismo

de Eliseu

de

Araújo

Lima,

o

''Seu''

Eliseu.

No

capf tulo

dos

agradecimentos

aos

le·i tores

cri ti cos,.

a

lista

poderia

ser

muito

longa.

 

Desculpando-me

antecipadamente

pelas

omissões,

agrade,;o

aos

amigc,s

que

leram

e

comentaram

artigos

e

versões

preliminares

de

capítulos:

Michael

Hall .•

Edgar

de

Decca,.

Maria

Stel la

8rE!!sci:ani

e

Luiz

Marques

est~o

entre

ele:=:.

Maria

Clementina

Pereira

Cunha

leu

e

comento1

1.

a

tese

inteira .•

i

n ce n ti •.Jou

sempre,

riu

da

tese,.

às

~)ezes

riu

do

autor

·~,.

sem

saber,.

a.judeu

em

níveis

assim

a

razoáveis

manter

o

mesmo

meu

nos

hi.~mor

--e

mc,mentos

o

hu.mor

mais

do

te~<tc,--

difíceis

da

trajetória~

D1.~as

outras:

amigas

continuam

a

Ser

para

mir1)

p,:,nt:.,:,s

necessários

de

referência.,.

e

sempre

acodem

a

meus

ped idc,s

de

:;::ocorro

i ntelechlal =

Gla,.:!,,

is

Ribeiro

e

Mart.ha

E:s:teves.

"Por

mais

que

eu

tente,.

nâ:O

consigo

pensar

esta

tese

,:or"o

Ltm

rebento

i nd i•-.'idual º

Pos:3::0

dade

pelos

seus

err,:,s,.

a:Ssumi r

n~o

pelos

individualmente

seus

acertos.

a

respon:i.:abi li-

Desde

o

i r1í cio,.

foi

essencial

a

coni

•it

•éncia

i ntelect.ual

cc,m

os

companheiros

da

linh~

de

pesquisa

sobre

escravid~o

no

departamento

de

história.

da

UNICAMPº

E1.l

era

um

neófito

no

as:s:Lrnto

e

de

repente

roe

vi

cercado

por

,

,~rio::::

pesquisadores

experientes

com

mui tos

a.nos

de

+_rabal ho

sobre

a

história

da

escravid~oº

Célia

Azevedo

e

Lei la

Algranti

leram

e

comentaram

comigo

parte

do

textoº

Rebecca

Scott

visitou

o

departamento

em

1986

ministrou

um

semi nàrio

importante,.

e

me

ajudou

no

processo

de

defini~~º

do

temaº

Peter

Eiser1berg

lia

sempre

meus

te~<tos,.

fazia

seus

comentários

por

escrito,.

e

depois

repassava

comigo

os

textos

e

os

comentários.

Suas

cartas-

comentários

estiveram

sempre

comigo

e

me ajudaram

inclusive

no

esfor,;o

final

de

re•

Jis:iom

Si l•

"ia

Lara

foi.,.

nos

últimos

anos,.

uma

interlocu.tora

constante

 

Sua

contribui <;tio

nãc,

está

neste

ou.

naquele

ponto

específico

do

texto.,.

 

mas

na

própria

maneira

de

conceber

todo

o

problema.

Como

sempre,.

ela

terá

su.as

críticas

e

discordâncias

em

rela,;:io

a

esta

t.'ers'§'.o

final.,.

 

mas

eu

n"ão

teria

chegado

até

aqui

sem

estas

críticas

e

discordâncias

e .•

certamente.,.

precisarei

delas

para

ir adiante.

 

(>esta.

vez

talvez

seja

mais

fá.c:il

agradecer

a

Robert

Slenes

meLl

orientador

em

duas

teses

e

:a.o

longo

de

mais

de

oi to

anos.

Seria

desnec:essáric,

 

dizer

•=iue

o

discípulo

aproveitou

ao

m:;bdmo

todo

o

,:c,nhecimento

e

:a.

erud i ,;~o

do

mestre

a

res:pei to

do

tema

do

trabalho.

Seria

desnecessário.,.

porque

é

6b~)ic,,.

e

:ainda

s-.eria

pou. co.

O

qL•.e

:a.gradl=!,;o

ao

Bob

é

aqui lo

que

um

discípulo

de•,.•e

:a.o

o

Jerdadei

ro

mestre:

obri,aado

por

me

ter

ensinado

o

seu

of:í cio

e

a 1 tu r:a

de

selJ.S

e ns i name n tos.

 

n

t'amí 1 ia

me

brindou

com

o

apoio

i ncor1d i cior1al

de

s.;;;,mpre.

(luanto

à

Sandra .,.

Bem,

o

que

dizer?

você

conhece

"a

outra

história''

 

de

duas

teses,

e

você

soube

l id:a.r

cc,m

isso

cor,·,

i

tma

generosidade

e

quando

o

cansa,;o

eleg~ncia

chegou

a

impressionantes.

Nos

Li. l ti mos

abalar

a

minha

garra

habitua!,

meses

foi

•,J,:,cê

quem

me manteve

em

Agradeço

ainda.

ao

CNPq

::i,

pesquisa

num

período

em

pel:a

que

ajuda

financeira

que

viabilizou.

as autoridades

estaduais

em

:3P

pareciam

seriamente

empenhadas

em

destroçar

 

a

universidade.

Infelizmente,.

o

CNPq

desistiu

de

prestar

seu

ai

u::í

l io

na

r-eta

final;

felizmente,

eu

estava

embalado

o

suficiente para

conse-

guir

terminar

o·texto.

Finalmente,

devo

um

obrigado

aos

meus

alunos

n:a

UHICAMP:

aqueles

dentre

eles

que

s:e

:aventurarem

pelas

páginas

•=iue

se

se9uem

certamente

ler:[o

agora

mui tas

coisas

que

OllVi ram

ar1tes.

Mas

n~o

ler~o

agora

exatamente

aquilo

que

ouviram

antes,

e

isto

porque

ti•,.Je

a

sorte de encontrá-los

no

meio

do

cami nhoD

 

Rio

de

Janeiro,

mar,;o

de

1989.

RESUMO,

O

aboli,;â:o

objetivo

da

lese

da

es,:rat,rid'â:o

na

j déi:a

de

que

é

possível

é

contar

Corte~

entender

uma

história.

A

narrati.;a

:::e

aspectos

deste

do

pr-ocesso

de

tece

:a

partir

da

processo

através

da

recuper:a,;âo

de

diferentes

i nterpreta(;ôes

ou

visões

de

ca thiei-

ro

e

de

liberdade

existentes

no

período.,.

assim

como

d:as

lutas

das

pe.rsona9ens:

históricas

ta.;ões

ou.

1 .Jisões~

produtoras

destas

diferentes

interpre-

O

atitudes

primeiro

dos

transferência

de

capítulo

:E:i.borda

o

problema

da;;:

percep,;ões

e

próprios

escravos

diante

sua

propriedade~

O an;~umento

das

situ:ai:;cies

proposto

é

o

de

havia

visôes

-t.ran$a,;ões

de

escravas

compra

e

da

1 .Jerida

escr:avid:ti.:o

de

negros

em

gue

transformavam

si tua,;ões

mui to

das

de

que

as

mais

complexas

d o

que

si mp 1es

t r-o cas

d e

mercado~

O

segunde,

c:apí tulo

é

v.ma

aná.l ise

da

ideologia

da

al for-r-ia

e

suas

transformações

na

Corte

na

segunda

metade

do

século

XIXm

Propóe-se

aqui

uma

reinterpretaç~o

suas

d ispc,si ções

da

lei

de

28

de

setembro

mais

importantes.,.

comi;-

em

de

1871:

relao:;iro

em

ao

algumas

pecúlio

de

dos

escravos

e

ao

direito

à

alforria

por

indenizaçgo

de

preço,

a

lei

do

de

o

•entre

1 i~,•re

direitos

qu.e

l"epresentc,,.t

os

cati•

'os

1

o

reconhecimento

legal

de

uma

•inham

adquir·indo

pelo

costume,

série

e

a

acei ta,;:ii:o de

al•:,:iuns

dos

objeti•

>os

das

lutas

dos. negros.

O ültimo

,:apftulo

trata

da

"cidade

negra":

os

escravos,

li bet"'tos e

negros

lil)res

p,:ibt"'es

do

Rio

instituíram

ao

longo

do

sé,:1.tlo

HD,:

uma

cidade

arredia

e

alternativa,.

poss1.\idora

de

suas

Própt"ias

t·acic,-

nal idades

e

moi

•imentc,s,.

e

cujo

sentido

fundamental

foi

fazer

d esma n ,: ha

a

i ns ti ti.ü ,;:§:e,

d a

es era.vi d :[o

na

Cor te.

SUMMARY,

This

abolition

diisertatior1

of slavery

in

i:::

a

the

histor1::1

of

city

of Rio.

+.he

The

prc,cess

text

is

of

built

the

on

the

idea

that

it

is

po:::sible

to

unders:t

and

import:a.nt

aspect:::

of

this

historical

process

thro1.lgh

lhe

reconstruction

of

the

di fferent

i rd.erpreta tions

or

visions

of

sl:avery

and

freedom

whi eh

existed

i

n

the

the

histori cal

period

as

::s:truggles

interpretations or

visions.

well

of

as

the

The

fi rst

chapter

deals

wi th

through

people

the

who

inl

the

problem

of

-•esti•;;i::1.tion

produced

the

slaves 1

,:,f

of -•esti•;;i::1.tion produced the slaves 1 ,:,f ,:,l,•n pe.rcepti.ons a.nd a t ti tudes regard i

,:,l,•n

pe.rcepti.ons

a.nd

a t ti tudes

regard i ng

propert 1

i

transa.ctions

whi eh

i nvolved

lhe sellin9

of

+

hemselves.

My

argument

is

that

these

tra.ns:actions

be,:ame

increasingly

complicated

throll9hOll.t

the

1'::lth

,:entun.i

slaveso

di.te

The

to

the

pressure:s

second

ct1apter

and

e::-~pectation:s:

spel led

anal•,1zes

the

ideology

of

out

b•,1

the

m:anumission

aod

i

ts

chan9es

i n

Rio

i

n

the

:i.as:t

decade:s:

of

:Slaver•::1.

1

also

propose

a

rei nt.erpreta t.icin

of

the

Free

Bi rt.h

Lalv

of

1871:

such

law

was

in

some

es:sential

asi:iects

t.he

legal

recognitior1

c,f

a

::=eries

of

rights

t.hat

slaves

had

been

'3raduall'::I

ac'=!uiring

in

thei r

dai l•,,1 stru99les

ur1der

bond:a.·;e,

lhat

is,

in

1871

the

insti-

tutional

frame-

,c,rk

of

societ.•::1

i

1as

somewhat

enlarged

in

order

to

encompass

customary

rights

slaves

had

been

seeki ng

and

encompass customary rights slaves had been seeki ng and

obtaining

in

e•v1er::1day

social

relat.ions~

The

thi rd

chapt.er

deals

with

the

''black

city'':

that

is,.

blacks

transformed

the

urban

envi ronment

and

act.ions

historical

in

the

whichp

a9ents,.

Imperial

Court

into

an

ensemble

of

meanings

independently

or

led

to

lhe

gradual

not

of

demise

the

c,f

intent.ions

sla•,>eP,1.

of

lhe

,

SUMARIO:

J.ntroduç~o~

Zadig

e

:a.

~1istória~

Hota.s

à

I ntrod1.1,,;§:c,.

1

. ,

,.,,.,

Capítulo

I:

Neg,:11:ios

d::i.

escravid:fio.

 

30

1

I nqu.éri to

scit:,re

v.m:a

subleva,;;§.:o

de

escravc,s.

31

Fic~ões

2. do

direita e

da

história.

40

Veludo

3. e

os

negócios

da

escravid~o.

53

  61
 

61

5.

Castigos

e

aventiJ.ras:

as

vidas

de

Srául io

e

  69
 

69

6~

Os

i rm:§:os

Carlos

e

Ci riaco:

mais

confu:s.ío

na

loja

de

I.Jeludo

92

7.

Epílogo.

108

Ane:i<:o

ao

Capi ti.üo

I.

112

Notas

:ac,

Capítulo

I.

125

Capi tu.lo

II:

L.Jis,~es

da

liberdade.

131

1.

BONS

DIAS!

132

2.

JJida

de

peteca:

entre

a

propriedade

e

a

1 i-

berdade.

 

142

3.

Sed1J. tores

e

avarentos.

 

151

4.

C ha rad as

es ,: ra•,, is tas.

174

151 4. C ha rad as es ,: ra•,, is tas. 174 6. ?. Cenas 1871:

6.

?.

Cenas

1871:

do

as

cotidianc:,.

prostitutas

lei~

8. O

relc,rnc,

inglório

Mc,tas

:a.,:,

GlF·ítv.lo

II

de

e

o

José

si•;;;inificadc,

da

Mc,rei ra

I.Jelu.do.

187

207

220

235

255

Capitulo

III:

Cenas

da

cidade

ne~r:a·e

265

1~

De Bonif~cio

a

Pancrácio:

a

conclus~o

do

capítulo

anteriC•t;"

 

266

2r.

Um

"c,bjeto"

grao.,•íssirno:

":a segur:an,;a

a

;;;:e-

 

guran,;a. 11

284

3~

"Profundo

abalo

em

nossa

sociedade" e

303

4. A

cidade

esconderijo.

5. O esconderijo

li berdadei

na

cidade~

Notas

E:pí logo:

A

ao

capítulo

despedida

de

III.

Zad ig.,,

e

os

corti,;os e

a

breves

con:::idera-

324

381

~ões sobre

o

centenário

da

Aboli~~o~

394

Pontes

e

Bibliografia.

 

402

I

Fontes

l'l~anuscri tas.

 

403

II~

Fontes

impressas

citadas.

417

III.

Bibliografia

citada~

419

J:ndice

Onomástico.

425

lHTRODUCÁO:

Zadig e

a

história~

L

Zad:i.g,.

s:á.bio

da

E:abi lônia

qi

\e

protagoniza

o

1

Joltaire

--intitula.de,

Zadig

ou

o

Destino,.

public:ado

pela

primeira

 

1

ve:z

em

1747

--.,.

estava

decepcionado

com

seu

casamento

e

procr_\rou

se

consolat-

poderia

ser

com

mais

o

estudo

feliz

do

da

GL\e

na tu reza.

"um

fi lóso.fo

Segur,do

qL\e

o

ele

ninguém

grande

1 ivro

~.berto

por

Deu.s

diante

dos

nossc,s

olhos".

Fascinado

idéias,.

e

cc,mo

esposa

se

tornara

mesmo

"d i c:i. l

de

por

esta.:=:

a ti.\rar",.

o

s:àbl.o

reco 1 heu-s'9!

a

uma

,:asa

d e

campo

e

exemplo.,.

segundo

em

sob

"cal cu lar

os

arcos

de

;;;::iuantas

polegadas

uma

ponte,.

ou

s@

não

se

ocupou,.

de

água

correm

no

mês

do

rato

cai

por

por

uma

linha

,:úbi ca

de

chuva

a

mais

Clt \e

c:á. l cul os

nii:o

o

ca ti • Ja• ra.m;

o

que

1 he

estu.do

das propriedades

dos

animais

no

mês

do

i nteres:s:a•,Ja

carneiro".,

:s:obretudo

e

das

plantas.

Zad i g

Tais

era

o

a ca b,:,,;.

adquiri rido

tal

sagacidade,

que

conseg1.tia

apontar·

"mi 1 d i feren,:;as

onde

os

ou t

ros

homens

•.Jiam

sé,

1.1.ni formidade".

O

passeava

mo,;o

na

esbaforidos.,.

entrou

orla

logo

de

um

eunuco

em

u.m

da

apuros

bc,sque

rainha

e

por

cau:s:a

disso.

Coar to

d ia.,.

quando

vários

vii;,

aproximarem-se.~

ofi eia is.

Os

pareciam

~ procura

de

eunuco

perg1.1.nto1J.

a

rainha."

que

estava

correr;:!1i:o:

t

ra

tava-se

prossegui li,=

·~é

tempo;

mang1.1.e.ja

da

alguma

Zad ig

se

preciosidade

perdida.

ele

nã:c,

ha•.Jia.

o 1 isto

o

Com

efei +.o.,.

o

ca

eh,:, r r·o

da

desaparecido.:

este

roaspondeu-1 he

cc,m

1.una

de

1.1.ma

cadela,.

e

n:§:o

de

um

cachort·o.

E

cachorrinh:.i.

de

pata

dianteira

c:.i.,;:.i.

qua

esguerda

e

deu

t.em

cria

há

orelhas

pouco

r,1ll i

to

cc,mprida:s:".

"IJiu.-a

er1t

~o?".,.

torric,u

a

eunuco.

"H~o".,.

respondeu

Zadig.,.

"nunca

perguntar,

a

,,,i

e

nem

impacier1to:.,

mesmo

sabia

o

q1;.e

2

~

1~ainha

t

ivesse

.Justa.roente

dest.i no

tafl).bém

e,

uma

cadela''.

naquela

ocasiic,,.

mais

belo

cavalo

e, uma cadela''. naquela ocasiic,,. mais belo cavalo d e s s e s , :

desses

,:ap ri ehc,s

da

do

rai

fu,;ii ra

para

as

,:ampi rias

cla

8abi lê,nia~

Os

persegr_üdores

do

ca•,iaJ.o

t.:1o esbafcwidos

·::iu.anto

os

da

cadela

,

os da cadela ,  
 

Vira

pass:;;,.r

o

animal~

O s::ábio

respondeu .•

e~<plicandc,:

"E·o

ca 1

':alc,

tem cinco pés da altura e os cascos mui to

tem

cinco

pés

da

altura

e

os

cascos

mui to

pequenos;

sua

cauda

mede

três

pés

de

compriment,:,

e

as

rodelas

de

seu

fn~!io

pra ta

de

s:§:o

de

ouro

de

vinte

e

c,nze denários".

"1~ue

três

qui la tesJ

ca.mi nho

toriK•U

usa

ele?"

ant~o

vi

nem

um

dos

nunca

oficiais

do

ouvi

falar

rei.

nele".

ºM:io

sei"

respondeu

ferraduras

de

per,;;u.ntou

Zadig

''n§:o

o

Za.d ig

foi

prese,,.

suspeito

 

de

ter

roubado

a

cadela

da

rainha

o

o   Os :aniroais .• t od a.vi a apa 1--e ce raro logo e r
 

Os

:aniroais .•

t

od

a.vi a

apa

1--e ce raro

logo

ern

.seguida.,

1 ivrando-se

assim

,:,

n·,o,:;:o

da

a,:1

1.s:a,;~o~

 

Apesar

d isso .•

ç,s

iu:(:zes

a.pl i caram-1 he

uma

mul t

:a

"por

d i:zer

·:::iue

nã:o

1 .Ji

ra

o

que

ti nh:a

.;isto".

Paga

a

rr,ul t:a.,

os

magistrados

fi nalr,·,ente

resc.i~

•et-am

ouvir

as

expl i ca,:;:.:ies do sábio

da

Babi 1,$nia:

 

11 juro-vos:

 

que

nunca

•.;i

a

respeitável

cadela

da

rainha

-

nem

o

sagrado

cat

Jalo

do

rei

d,:,s

reis.

Ao::iui

está

o

que

1.e

bosq1

mu.i to

me

onde

sucedeu:

depois

andava

encont_rei

et.l

passear,dc•

c,

1 ,.•ene1~:á 1 ,.<el

pelo

pe,::iu.er,,::,

eunt.lCO

e

o

ilustre

mor1tei ro-1"1·,or.

Percebi

na

an:iia

pesrei.d:."l.s

de

um

animal,.

e

fa,:i Imenti::!

concluí

serem

as

de

u.rú

c:io.

Leves

e

longos

s,.,.l cos .•

~.Jisí•-

'eis

nas

cindula,:;:ôes

da

:sr.1··1::::ia

en+_re

os

vestígios

das

patas .•

revelaram-ri1e

trat

at"-::;:e

de

uma

cadela

com

as

t_eta.s

pendentes

e

·=ii-•.e.,

portanto

deo

•ia

ter

dado

cria

pot_1.cc,s

dias

antes.

Outrcis

tra,:;:os;:

em

sent

id•::•

d i fererd:e

sempre

marcando

a

superfície

da

areia

ao

lado

das

patas

dian+.eit-as,

 

ac:•_i.sa•.;am

te1~

•.'::la

ore! has.

mu.i to

grandes;

e

cc,r11c,

aléri·,

d isso

notei

qi.,.e

:c.r.s

impress•'.:ies

de

urna

das

patas

et·s:1.m

menos

fundas

qu.~

as

,-

das 01.1.tras três,

rainha Manquejava 1.lM pou.cc,~ •• ".

deduzi

•;;:iue

a

cadela

da

nossa a.u.,:;;1u.:=:ta

Em

seguida

mesmo

mé tc,d e,,.

Zad ig

fon~.

€;!:

:pli

capaz

O

fase:( rdo

do

Zad i.9

C:Oll

aos

juízes

adl'IÜ rados

,:,:.mo

usa ndc,

e,

de

descrever

o

ca•,ialo

do

rei

sem

+.~-1 c,

de· Uol tai re

vem

resistindo

ao

tempo.

Em

de

Umbertc,

Eco.,

a

sabedoria

de

Gui l henne

de

Bask\eo!r~ •i l le

"reconhecer

2

os

livro".

Logo

p1~imei ra

firmemente

enraizada

traços

com

º"

início

qLle

nos

fala

da

narrativa,.

o

em

s1).a

mundo

capacidade

de

como

u.m

grande

Gui 1 herme

c,ferece

su.a

método

de

Zad i9.

El,.;i

e

Adso.~

pou

:o

antes

de

adentt-arem

a

aba.d ia,

se

encontraram