Vous êtes sur la page 1sur 169

ADMINISTRAÇÃO

DE CONFLITOS E
RELACIONAMENTOS

Professor Me. Marcelo Filippin


Professora Me. Patrícia Rodrigues da Silva
Professora Me. Renata Emy Koyama

GRADUAÇÃO

Unicesumar
Reitor
Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de Administração
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de EAD
Willian Victor Kendrick de Matos Silva
Presidente da Mantenedora
Cláudio Ferdinandi

NEAD - Núcleo de Educação a Distância


Direção Operacional de Ensino
Kátia Coelho
Direção de Planejamento de Ensino
Fabrício Lazilha
Direção de Operações
Chrystiano Mincoff
Direção de Mercado
Hilton Pereira
Direção de Polos Próprios
James Prestes
Direção de Desenvolvimento
Dayane Almeida
Direção de Relacionamento
Alessandra Baron
Head de Produção de Conteúdos
Rodolfo Encinas de Encarnação Pinelli
Gerência de Produção de Conteúdos
Gabriel Araújo
Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais
Nádila de Almeida Toledo
Supervisão de Projetos Especiais
Daniel F. Hey
Coordenador de Conteúdo
Luciano Santana Pereira
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação Design Educacional
a Distância; FILIPPIN, Marcelo; SILVA, Patrícia Rodrigues da; Fernando Henrique Mendes, Nádila de Almeida
KOYAMA, Renata Emy.

Toledo, Rossana Costa Giani
Administração de Conflitos e Relacionamentos. Iconografia
Marcelo Filippin, Patrícia Rodrigues da Silva, Renata Emy Koyama. Amanda Peçanha dos Santos
Reimpressão
Maringá-Pr.: UniCesumar, 2018. Projeto Gráfico
168 p. Jaime de Marchi Junior
“Graduação - EaD”. José Jhonny Coelho

1. Desenvolvimento de pessoas. 2. Conflitos. 3. Negociação. Arte Capa
4. EaD. I. Título. André Morais de Freitas
Qualidade Textual
ISBN 978-85-8084-571-6
CDD - 22 ed. 658.3 Hellyery Agda
CIP - NBR 12899 - AACR/2 Jaquelina Kutsunugi, Keren Pardini, Maria Fernanda
Vasconcelos, Nayara Valenciano
Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário Ilustração
João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 Thayla Daiany Guimarães Cripaldi
Viver e trabalhar em uma sociedade global é um
grande desafio para todos os cidadãos. A busca
por tecnologia, informação, conhecimento de
qualidade, novas habilidades para liderança e so-
lução de problemas com eficiência tornou-se uma
questão de sobrevivência no mundo do trabalho.
Cada um de nós tem uma grande responsabilida-
de: as escolhas que fizermos por nós e pelos nos-
sos fará grande diferença no futuro.
Com essa visão, o Centro Universitário Cesumar –
assume o compromisso de democratizar o conhe-
cimento por meio de alta tecnologia e contribuir
para o futuro dos brasileiros.
No cumprimento de sua missão – “promover a
educação de qualidade nas diferentes áreas do
conhecimento, formando profissionais cidadãos
que contribuam para o desenvolvimento de uma
sociedade justa e solidária” –, o Centro Universi-
tário Cesumar busca a integração do ensino-pes-
quisa-extensão com as demandas institucionais
e sociais; a realização de uma prática acadêmica
que contribua para o desenvolvimento da consci-
ência social e política e, por fim, a democratização
do conhecimento acadêmico com a articulação e
a integração com a sociedade.
Diante disso, o Centro Universitário Cesumar al-
meja ser reconhecida como uma instituição uni-
versitária de referência regional e nacional pela
qualidade e compromisso do corpo docente;
aquisição de competências institucionais para
o desenvolvimento de linhas de pesquisa; con-
solidação da extensão universitária; qualidade
da oferta dos ensinos presencial e a distância;
bem-estar e satisfação da comunidade interna;
qualidade da gestão acadêmica e administrati-
va; compromisso social de inclusão; processos de
cooperação e parceria com o mundo do trabalho,
como também pelo compromisso e relaciona-
mento permanente com os egressos, incentivan-
do a educação continuada.
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está
iniciando um processo de transformação, pois quan-
do investimos em nossa formação, seja ela pessoal
ou profissional, nos transformamos e, consequente-
Diretoria de
mente, transformamos também a sociedade na qual
Planejamento de Ensino
estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando
oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capa-
zes de alcançar um nível de desenvolvimento compa-
tível com os desafios que surgem no mundo contem-
porâneo.
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de
Diretoria Operacional
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo
de Ensino
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem dialó-
gica e encontram-se integrados à proposta pedagó-
gica, contribuindo no processo educacional, comple-
mentando sua formação profissional, desenvolvendo
competências e habilidades, e aplicando conceitos
teóricos em situação de realidade, de maneira a inse-
ri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais
têm como principal objetivo “provocar uma aproxi-
mação entre você e o conteúdo”, desta forma possi-
bilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos
conhecimentos necessários para a sua formação pes-
soal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de cres-
cimento e construção do conhecimento deve ser
apenas geográfica. Utilize os diversos recursos peda-
gógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possi-
bilita. Ou seja, acesse regularmente o AVA – Ambiente
Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e en-
quetes, assista às aulas ao vivo e participe das discus-
sões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de
professores e tutores que se encontra disponível para
sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de
aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui-
lidade e segurança sua trajetória acadêmica.
AUTORES

Professor Me. Marcelo Filippin


Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Administração da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Possui graduação e
mestrado em Administração pela Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Tem experiência na área de Administração e atua profissionalmente como
professor de cursos de graduação e pós-graduação..

Professora Me. Patrícia Rodrigues da Silva


Graduada e Mestre em Administração pela UEM - Universidade Estadual de
Maringá. Especialista em Recursos Humanos pela UniCesumar. Formação em
Dinâmica de grupos pela SBDG - Sociedade Brasileira de Dinâmica de Grupo.
Professora Universitária nas modalidades presencial e a distância. Professora
convidada em cursos de pós-graduação. Atuante na área de recursos
humanos, especificamente com os seguintes processos: recrutamento e
seleção, treinamento e desenvolvimento, avaliação de desempenho e gestão
por competência.

Professora Me. Renata Emy Koyama


Possui graduação em Psicologia pela Universidade do Sagrado Coração (2000)
e mestrado em Psicologia Clínica (Psicossomática) pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (2006). Tem experiência na área de Psicologia, com
ênfase em Psicologia Clínica, Psicopedagogia e Organizacional.
APRESENTAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO DE CONFLITOS
E RELACIONAMENTOS

SEJA BEM-VINDO(A)!
Caro(a) acadêmico (a), é com grande satisfação que apresento a você o livro de Admi-
nistração de Conflitos e Relacionamentos. O material que será apresentado procurará
demonstrar a importância dessas temáticas não somente para o desenvolvimento do
conhecimento no universo acadêmico, mas principalmente para o uso dos elementos
apresentados nas temáticas desenvolvidas como ferramentas do mundo corporativo.
O manejo de conflitos e relacionamentos são uma constante em nosso dia a dia. Pro-
ponho a você uma reflexão antes mesmo da leitura do material: “Em quantos relaciona-
mentos me envolvo todos os dias de minha vida?”
Tenho certeza que se torna difícil explicitar em números essa resposta. Isso porque, prin-
cipalmente no atual momento em que vivemos, existe um emaranhado de relações liga-
das às atividades de cada um. E compreender algumas formas adequadas de conduzir
melhor tais relações torna-se essencial. Essa é a premissa básica deste livro: mostrar as
essencialidades da administração de conflitos e relacionamentos independente do con-
texto em que estamos inseridos.
Vamos agora estudar um pouco de cada unidade do livro que você está prestes a co-
nhecer.
Na unidade I, intitulada “Características Individuais”, serão apresentadas especificações
de cada pessoa voltando-se, especificamente, para o ambiente organizacional. Nesse
ínterim será abordada a importância dos valores e convicções de um modo de conduta
que possui um elemento de julgamento baseado no que a pessoa acredita ser o correto.
Será trabalhado também nessa unidade a questão do comportamento ligado à atitude
de cada um, como também a questão da personalidade relacionada à aprendizagem
nos espaços organizacionais.
Já na unidade II, que tem como título “O Indivíduo na Organização”, o autor propõe que
você faça uma viagem histórica para compreender o papel do indivíduo nas organi-
zações. Logo de início você será instigado(a) a refletir a partir da Revolução Industrial,
descrevendo o surgimento da grande indústria e a sistemática de trabalho que predo-
minava naquela época. Será abordada a importância do desenvolvimento de pessoas
para as organizações, como também o conceito de socialização, muito importante para
o entendimento do comportamento humano nas organizações que você irá estudar na
unidade III.
A unidade III, intitulada “Comportamento Organizacional”, fecha o primeiro ciclo de tra-
balhos deste livro por estar voltada a mostrar a importância de conhecermos a dinâmica
organizacional e todo o conjunto de características, normas, regras, cultura e segredos
que influenciam nas relações existentes nesse ambiente. O foco maior dessa unidade
será tratar do comportamento organizacional como um campo de desenvolvimento de
estratégias para melhorar a qualidade de vida das pessoas e dos grupos, e propiciar
condições para a organização se tornar mais eficaz.
APRESENTAÇÃO

Na unidade IV, que traz como tema “Conflitos, Negociação e Poder”, será abordado
o conteúdo voltado ao o conflito e seus desdobramentos; a gestão de conflitos e
suas perspectivas e o processo de negociação. Você será instigado(a) a refletir sobre
como tratar os conflitos nos ambientes organizacionais, sem deixar de lado a pers-
pectiva do poder, preservando o bem-estar das pessoas, e ainda assim, atingindo os
objetivos instaurados.
Por último, a unidade V, tratará da “Liderança, Organizações e Gestão de Qualida-
de de Vida no trabalho (QVT)”, no intuito de apresentar a você algumas questões
voltadas aos processos existentes dentro das organizações. Serão tratados temas
que vão desde os tipos e estilos de liderança até como propiciar ambientes mais
saudáveis aos trabalhadores.
O objetivo maior da organização deste livro está em instigá-lo(a) não somente sobre
a questão dos conflitos e relacionamentos, mas, principalmente, sobre as transfor-
mações nos ambientes organizacionais e também nas relações pessoais, que aca-
bam por atrapalhar, e muito, o desenvolvimento de qualquer tipo de processo.
Além disso, não tem como intuito trazer receitas para que você utilize em seus
ambientes de relacionamentos, mas sim mostrar caminhos, por meio de práticas
e ferramentas, para que possa tratar e desenvolver as suas próprias estratégias no
manejo de conflitos e relacionamentos.
Espero que, por meio dos materiais tratados pelos professores, possamos cumprir
com o papel de instigadores e fomentadores do conhecimento, para que você, es-
tudante da Educação a Distância do CESUMAR, tenha um crescimento reflexivo, in-
telectual e profissional satisfatório e adequado.
Grande abraço e bons estudos!
Professora Me. Patrícia Rodrigues da Silva
SUMÁRIO

UNIDADE I

CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS

15 Introdução

16 Características Individuais

17 Valores

20 Atitudes

21 Percepção

23 Aprendizagem

24 Personalidade

27 Relacionamento

34 Considerações Finais

UNIDADE II

O INDIVÍDUO NA ORGANIZAÇÃO

39 Introdução

40 O Capital Humano na Organização

45 Socialização

51 Dinâmica Organizacional

53 Desenvolvimento de Pessoas

61 Considerações Finais
SUMÁRIO

UNIDADE III

COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL

67 Introdução

68 Comportamento Organizacional

70 Características do Comportamento Organizacional 

72 Os Três Níveis do Comportamento Organizacional

77 Variáveis do Comportamento Organizacional

81 Sociedade da Informação e do Conhecimento 

85 Sociedade da Informação

89 Sociedade do Conhecimento

93 Considerações Finais

UNIDADE IV

CONFLITOS, NEGOCIAÇÃO E PODER

99 Introdução

99 O Conflito e seus Desdobramentos

109 A Gestão de Conflitos e suas Perspectivas

115 O Processo de Negociação

128 Considerações Finais


UNIDADE V

LIDERANÇA, ORGANIZAÇÕES E GESTÃO DE QUALIDADE DE VIDA NO


TRABALHO (QVT)

135 Introdução

135 A Liderança

140 O Estilo e as Teorias Sobre Liderança

145 O Papel da Liderança nas Organizações

154 A Gestão e Qualidade de Vida no Trabalho (QVT)

159 Considerações Finais

163 CONCLUSÃO
165 REFERÊNCIAS
Professora Me. Renata Emy Koyama

CARACTERÍSTICAS

I
UNIDADE
INDIVIDUAIS

Objetivos de Aprendizagem
■■ Apresentar as características individuais da pessoa como os
valores, atitudes, percepção e aprendizagem e sua importância no
comportamento individual.
■■ Compreender a personalidade humana e seus determinantes no
comportamento individual.
■■ Entender como ocorre os relacionamentos e sua importância nas
relações interpessoais.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Características Individuais - aborda a pessoa com toda sua
bagagem psicológica, valores, atitudes, percepção, aprendizagem e
personalidade
■■ Valores - elemento de julgamento baseado no que a pessoa acredita
ser o correto, bom
■■ Atitudes- são afirmações avaliativas em relação a objetos, pessoas ou
eventos
■■ Percepção - processo pelo qual uma pessoa seleciona, organiza e
interpreta informações sobre o ambiente
■■ Aprendizagem- ocorre pela lei do efeito
■■ Personalidade - modo de a pessoa ser, agir, reagir, suas características
■■ Relacionamentos -discute as relações interpessoais
15

INTRODUÇÃO

Caro(a) aluno(a), nesta primeira unidade você estudará as características individu-


ais da pessoa, enfatizando o ambiente organizacional. Foi abordada a importância
dos valores, que são convicções de um modo de conduta que possui um ele-
mento de julgamento baseado no que a pessoa acredita ser o correto, bom. Os
valores podem ser classificados como terminais e instrumentais de acordo com
Milton Rokeach.
Os valores terminais referem-se às metas que uma pessoa gostaria de atin-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

gir. E os valores instrumentais são os modos preferenciais de comportamento


para cumprir as metas dos valores terminais.
Ainda discutindo sobre valores e sua influência cultural, foram abordadas
duas gerações, geração X e os nexters.
Em seguida, foi descrito o comportamento de atitude, que reflete como a
pessoa se sente em relação a alguma coisa e sua relação com a satisfação no tra-
balho, envolvimento com o trabalho e o comprometimento organizacional.
E depois foi explanado o tema percepção, sendo um processo pelo qual uma
pessoa seleciona, organiza e interpreta informações sobre o ambiente, atribuindo-
lhe, portanto, significado pessoal.
Complementando as características individuais, aborda-se a aprendizagem
que ocorre pela lei do efeito, sendo que aprendemos de duas formas: por for-
mação e por modelagem. A formação é um processo gradativo, a modelagem
ocorre por imitação.
Dessa forma, é abordado o tema personalidade, que é o modo de a pessoa,
ser, sentir, agir, reagir, junto com suas características físicas e psicológicas. A
psicologia do estudo do comportamento organizacional enfatiza alguns traços
de personalidade para compreender o comportamento das pessoas na organi-
zação como o centro de controle que identifica onde as pessoas consideram que
reside o controle em suas vidas: neles próprios ou em forças ambientais. A ética
no trabalho, que engloba um conjunto de crenças, incluindo o respeito pela dig-
nidade de todo trabalho, desprezo pela ociosidade, autoindulgência e a crença de
que o trabalho árduo será recompensado. O estilo cognitivo refere-se a quatro
maneiras de colher e avaliar informações: introvertido/extroversão, pensamento/

Introdução
16 UNIDADE I

sentimento, sensação/intuição e julgamento/percepção. E a maturidade moral


diz respeito ao estágio de julgamento ético em que se encontra a pessoa.
Finalizando a unidade, é abordado o relacionamento interpessoal no ambiente
de trabalho, enfatizando os dois tipos de relacionamentos, florescentes e felizes
e os fracos e poucos saudáveis. E assim, como ter um relacionamento interpes-
soal saudável.
Dessa maneira, percebe-se que esta unidade irá explanar os aspectos que
influenciam o comportamento individual na organização e seu relacionamento
no ambiente de trabalho.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS

A pessoa, ao entrar na organização, traz consigo sua “bagagem psicológica”,


características, atitudes, percepção, experiências anteriores que afetam o compor-
tamento da pessoa no contexto organizacional e acaba contribuindo na relação
com outros profissionais e clientes.

CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS
17

Assim, para compreender o comportamento individual, iremos abordar as


contribuições da psicologia para o estudo do comportamento organizacional.
Dessa forma, estudaremos os seguintes conceitos: valores, atitudes, percepção
e aprendizagem.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

VALORES

Os valores são convicções de um modo de conduta que possui um elemento de


julgamento baseado no que a pessoa acredita ser o correto, bom. Já sistemas de
valores é uma hierarquização dos valores individuais, pela importância que atri-
buímos a ele. Como a honestidade, justiça, liberdade, respeito e outros.
Milton Rokeach criou a RokeachValue, que consiste em dois conjuntos de
valores, os terminais e os instrumentais.
Os valores terminais contêm valores finais desejáveis, referem-se às metas
que uma pessoa gostaria de atingir. E os valores instrumentais são os modos
preferenciais de comportamento para cumprir as metas dos valores terminais,
como mostra a tabela 01.

Valores
18 UNIDADE I

Tabela 01: Valores Terminais e Instrumentai


VALORES TERMINAIS VALORES INSTRUMENTAIS
Vida confortável (próspera) Ambição (dedicação ao trabalho)
Sentido de realização Capacidade (competência)
Um mundo em paz (livre de guerras) Alegria (contentamento)
Um mundo de beleza (beleza da
Limpeza (arrumação)
natureza e das artes)
Igualdade Coragem (defesa de seus ideais)
Segurança Familiar Espírito Prestativo

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Liberdade (liberdade de escolha) Honestidade (sinceridade)
Felicidade Imaginação (criatividade)
Harmonia Interior Lógica (racionalidade)
Prazer (vida com alegria e lazer) Afetividade (carinho, ternura)
Salvação (redenção, vida eterna) Obediência (zelo, respeito)
Reconhecimento Social (respeito) Polidez (cortesia, boas maneiras)
Amizade Verdadeira Responsabilidade (comprometimento)
Fonte: Adaptado de M. Rokeach in Robbins (2009)

Muitos estudos mostram que os valores variam de um grupo para o outro, por
exemplo, as pessoas na mesma categoria como executivos, sindicalistas, pais,
estudantes, apresentam valores semelhantes.
Robbins (2009) acrescenta em seus estudos que outro grupo a se destacar é a
geração X, que teve sua vida moldada pela globalização, carreira profissional do
pai e da mãe, pela MTV, pela AIDS e pelos computadores. Essas pessoas valori-
zam a flexibilidade, um estilo de vida equilibrado e a obtenção de satisfação no
trabalho. A família e os relacionamentos são muito importantes para esse grupo
que aprecia o trabalho em equipe. O dinheiro tem importância como indicador
da qualidade de seu desempenho profissional, mas eles estão dispostos a trocar
os aumentos de salário, os títulos, a segurança e as promoções por uma vida com
mais tempo livre e um leque mais amplo de opções de estilo de vida. Buscando o
equilíbrio, essa geração não está disposta a fazer sacrifícios pelos seus emprega-
dores como as gerações precedentes.

CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS
19

Acrescenta Robbins (2009) que os nexters, os mais recentes na força de traba-


lho, cresceram em tempos prósperos, eles enfrentam a insegurança em relação as
suas ocupações e carreiras, contudo, buscam um sentido no seu trabalho. Desde
crianças estão habituados a DVDs, telefones celulares e internet. São pessoas
orientadas pelo dinheiro, querendo tudo que ele pode comprar, buscam o sucesso
financeiro. Valorizam os valores terminais como a liberdade e a vida confortável.
Apresento o quadro abaixo sobre os valores dominantes na força de traba-
lho atual, segundo Robbins (2009).
Quadro 01: Valores Dominantes na Força de Trabalho
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

INGRESSO NA FORÇA IDADE ATUAL VALORES PROFISSIONAIS


GRUPO
DE TRABALHO APROXIMADA DOMINANTES
Década de 1950 ou Acima de 65 Trabalho árduo, conservadorismo,
Veteranos
início de 1960 anos submissão; lealdade à empresa.
Sucesso, realização, ambição,
Boomers 1965-1985 Entre 40 e 65 rejeição à autoridade; lealdade à
carreira.
Equilíbrio na relação trabalho-vida,
Geração Mais de 25
1985-2000 trabalho em equipe, rejeição às re-
X até 40
gras; lealdade aos relacionamentos.
Autoconfiança, sucesso financeiro,
Nexters A partir de2000 Menos de 30 trabalho em equipe; lealdade a si
mesmo e aos relacionamentos.

Os valores individuais variam entre si, mas estes acabam refletindo na sociedade
em que a pessoa foi criada, podendo ser uma importante referência para expli-
car e prever certos comportamentos das pessoas.
Outro ponto a se considerar é que os valores diferem de uma cultura para
outra, assim, o conhecimento dessas diferenças culturais pode explicar e prever
também o comportamento de colaboradores de diferentes países.
Dessa forma, por que é importante conhecer os valores de um profissional?
Apesar dos valores não exercerem um impacto direto sobre o comportamento,
eles influenciam as atitudes das pessoas. Assim, o conhecimento dos valores de
alguém ajuda no entendimento de suas atitudes, com isto, desde o momento da
seleção, deve-se preocupar com o sistema de valores da pessoa, avaliando se é
compatível com a da organização.

Valores
20 UNIDADE I

Isso explica o porquê de as pessoas da mesma geração achar mais fácil tra-
balharem juntas do que pessoas de gerações diferentes, pois uma vez que possui
a mesma faixa etária, experiências semelhantes, compartilham valores pareci-
dos em relação ao trabalho.

ATITUDES

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
As atitudes são afirmações avaliativas em relação a objetos, pessoas ou eventos.
Ela reflete como a pessoa se sente em relação a alguma coisa. Pesquisadores
apontam que as atitudes possuem três componentes: cognição, afeto e
comportamento.
A cognição é uma descrição ou crença de como as coisas são. O afeto é o sen-
timento que provoca determinado comportamento. O comportamento é a ação
para uma determinada situação. Por exemplo, um colaborador com cargo de ven-
dedor não consegue a promoção, pois não teve ajuda de sua chefia. Cognição:
de que merecia a promoção; afeto: raiva da chefia e da organização; comporta-
mento: pedir demissão do cargo e ir trabalhar em outra empresa. Assim, esse
colaborador teve uma atitude.
Uma pessoa pode ter centenas de atitudes, mas o estudo do comportamento
organizacional foca somente aquelas ligadas ao trabalho. São aquelas atitudes
relacionadas à satisfação no trabalho, envolvimento com o trabalho e o compro-
metimento organizacional (ROBBINS, 2009).
Assim, começaremos a abordar a satisfação no trabalho, que significa de modo
geral os sentimentos que a pessoa possui em relação ao seu trabalho. Quando
uma pessoa possui um alto nível de satisfação no trabalho, ela apresenta atitu-
des positivas em relação a ele, mas, quando possui um baixo nível de satisfação
no trabalho, a pessoa apresenta atitudes negativas.
Dentre os fatores determinantes para que ocorra a satisfação no trabalho
estão um trabalho desafiante, recompensas justas, condições de trabalho esti-
mulantes e colegas colaboradores.

CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS
21

Outro ponto a se considerar é que a satisfação no trabalho favorece o com-


portamento de cidadania organizacional. Pessoas satisfeitas são mais propensas a
falar bem da empresa, ajustar os demais, superar as expectativas em relação ao seu
trabalho. Acabam possuindo uma percepção de justiça, sentindo confiança na orga-
nização, no empregador e sentem boa vontade para colaborar de maneira voluntária
em comportamentos que vão além de suas atribuições regulares (ROBBINS, 2009).
A atitude de uma pessoa determina o que ela faz; assim, as atitudes mais
importantes para a pessoa tende a ter uma relação com o comportamento, prin-
cipalmente se a pessoa tem experiência direta com esse objeto.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Administradores e profissionais da área devem buscar conhecer as atitu-


des de seus colaboradores, uma vez que elas influenciam o comportamento.
Colaboradores satisfeitos e comprometidos apresentam índices baixos de absen-
teísmo e turnover nas organizações, dessa forma, gestores devem gerar atitudes
positivas no trabalho.
É importante também diminuir a dissonância cognitiva entre os colabo-
radores quando estes precisam realizar atitudes incoerentes com suas próprias
atitudes, deve-se mostrar que as recompensas são significativas o suficiente para
superar a dissonância.

PERCEPÇÃO

A percepção é o processo pelo qual uma pessoa seleciona, organiza e interpreta


informações sobre o ambiente e, portanto, lhe atribui significado pessoal. Em
virtude de o ambiente e dos sistemas fisiológicos e psicológicos da pessoa serem
complicados, a percepção é um processo extremamente complexo. A pessoa
assume um papel ativo na eliminação dos estímulos irrelevantes e na estrutu-
ração cuidadosa dos relevantes, em mensagens significativas que se aplicam à
situação imediata. Isso é realizado de acordo com uma configuração mental ela-
borada com base em experiências anteriores. Assim, a pessoa elabora sua própria
versão do ambiente (VECCHIO, 2008).

Percepção
22 UNIDADE I

Dessa forma, pessoas diferentes podem perceber o mesmo objeto ou situação de


modo diferente, pois cada pessoa interpreta de acordo com seu processo perceptivo.
O fato de que as pessoas percebem de formas diferentes irá depender do
observador, no objeto da percepção e do contexto da situação que se percebe.
Quando se refere ao observador, a sua interpretação é influenciada pelas
características pessoais do observador como a motivação, atitude, interesse,
experiências passadas e expectativas.
Mas quando se retrata no objeto da percepção, irá depender de suas carac-
terísticas, além do cenário que inclui o objeto observado, pois temos a tendência

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
de agrupar coisas parecidas.
No entanto, o contexto em que percebemos o objeto também é relevante,
influenciando tanto a atenção como a localização, iluminação e temperatura
(ROBBINS, 2009).
A teoria da atribuição explica que o observador acredita que o evento é cau-
sado por uma pessoa ou pelo ambiente; e muitas vezes julgamos as pessoas de
maneira diferente dependendo do sentido que damos a um dado comportamento.
Muitas vezes acabamos fazendo simplificações frequentes no julgamento das
outras pessoas, por exemplo, como não podemos observar tudo que se passa a
nossa volta acabamos utilizando uma percepção seletiva, percebemos o que é de
nosso interesse, tendo uma leitura rápida dos outros, mas de forma imprecisa.
Podemos utilizar também a similaridade assumida, achar que as pessoas é
igual ao observador, não como as pessoas são na verdade. Por exemplo, esco-
lher para o outro o que gostaria de fazer também, mas o outro pode não gostar
do que o observador gosta.
Em outro momento podemos julgar alguém de acordo com nossa percep-
ção social, chamada estereotipagem. Por exemplo, achar que pessoas casadas são
mais responsáveis que as pessoas solteiras.
E o último fator, o efeito halo, quando construímos a impressão de uma pes-
soa em uma única característica. Por exemplo, numa seleção, o entrevistador
julgar a pessoa como irresponsável pela sua aparência descuidada.
Conclui-se, dessa forma, que existem muitos obstáculos para uma percepção
precisa, desde suas características pessoais, ambiente, crenças, cultura, experi-
ências anteriores e expectativas.

CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS
23

E os administradores e profissionais da área devem prestar muita atenção


em como os colaboradores percebem seu trabalho e as práticas da administra-
ção, pois os colaboradores reagem às percepções e não à realidade.

APRENDIZAGEM
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O aprendizado acontece o tempo todo, desde o momento que estamos acorda-


dos estamos aprendendo alguma coisa, assim, todo comportamento humano é
aprendido de acordo com a teoria behaviorista.
A aprendizagem é importante em nossa vida, pois ela nos ajuda na adaptação
ao ambiente que nos cerca, para assim podermos dominá-lo. Ao modificarmos
nosso comportamento para nos adaptarmos à mudança das condições, nos tor-
namos responsáveis e produtivos.
O processo da aprendizagem acontece pela lei do efeito, em que o compor-
tamento é função de suas consequências. Quando o comportamento é seguido
de uma consequência favorável como elogio, gratificação, dinheiro, sorriso, pro-
moções, esse tende a ser repetido e aprendido, mas quando o comportamento é
seguido de uma consequência desfavorável como uma crítica da chefia, perdas,
a pessoa não voltará a expressá-lo.
Aprendemos de duas formas, por formação ou por modelagem. Quando a
aprendizagem ocorre em etapas graduais, podemos dizer que é uma aprendiza-
gem por formação. Como exemplo, a um colaborador recém-contratado, a cada
dia, é atribuída uma tarefa nova para que ele aprenda e, em três meses, ele con-
seguirá exercer todas as atribuições que lhe foram ensinadas gradativamente.
Já a aprendizagem por modelagem, ocorre quando observamos outras pessoas
e imitamos seu comportamento. Por exemplo, um colaborador novo na empresa
busca alguém bem-sucedido e respeitado e começa a imitar seu comportamento.
Níveis de análise do comportamento organizacional de Robbins (2009).

Aprendizagem
24 UNIDADE I

Formação

Ambiente Lei do Efeito COMPORTAMENTO

Modelagem
Figura 01: Comportamento Organizacional
Fonte: Robbins (2009)

Assim, no que se refere à aprendizagem, os colaboradores podem aprender o tra-


balho de duas formas, aleatoriamente ou administrada por recompensas e por

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
meio dos exemplos de seus administradores. Se um colaborador não produtivo
for recompensado com aumento salarial e promoções, ele não terá razões para
modificar seu comportamento. Do mesmo modo que os colaboradores devem
ver os chefes como modelo. Se esse chega atrasado, usa o material da empresa
para seu uso próprio, os colaboradores vão ler a mensagem e irão modelar seus
comportamentos de acordo com o exemplo da chefia (ROBBINS, 2009).

PERSONALIDADE

Personalidade é o modo constante e peculiar de perceber, pensar, sentir e agir


da pessoa. Incluindo suas habilidades, crenças, atitudes, emoções e desejos, o
modo de comportar-se e os aspectos físicos da pessoa. E o modo como todos
esses aspectos se integram, se organizam, confere peculiaridade e singularidade
ao indivíduo (BOCK, 2006).
Podemos dizer que a personalidade da pessoa é formada por centenas de
traços que se organizam formando as características das pessoas. Os traços
podem ser iguais de pessoa para pessoa, por exemplo, uma pessoa extrovertida,
encontra-se centenas de pessoas com esse traço, mas a personalidade não, pois
a personalidade é única, irrepetível.
Assim, a estrutura da personalidade é formada por três áreas, podemos clas-
sificar como:

CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS
25

A Autoeducação, que é formada pela


autoimagem (como eu me vejo), a autoestima
(o quanto me valorizo) e a autoidentidade
(minha marca pessoal, identidade).
A segunda área é a hereditariedade, estu-
dos mostram relevância de disposição da
pessoa se comportar de determinada forma
devido a suas características hereditárias como:
biotipologia, sexo, tipo sanguíneo, temperamento e inteligência.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A terceira área é o ambiente, incluindo o ambiente psíquico-afetivo, fami-


liar, físico-cultural, educacional e trabalho.
A autoeducação e o ambiente são áreas da personalidade que se modificam
com o tempo. Dessa forma, a personalidade não é estática, ela se modifica, mas
as mudanças são lentas, por exemplo, para a pessoa adquirir maturidade precisa
desenvolver um conjunto de traços que necessita de tempo e autoconhecimento
para que isso ocorra.
Constata-se que existem muitas técnicas para medir os tributos da persona-
lidade, as mais comuns são as avaliações, testes situacionais, análises e técnicas
projetivas.
Muitos aspectos da personalidade recebem atenção nas pesquisas de com-
portamento organizacional, pois as pessoas ingressam na organização com sua
personalidade formada, e ela afeta seu comportamento no trabalho de forma
significativa na organização.
Conforme Vecchio (2008), dentre os traços de personalidade que recebem
atenção nas organizações temos:
O centro de controle, que identifica onde as pessoas consideram que reside
o controle em suas vidas: neles próprios ou em forças ambientais. Pessoas com
orientação interna diferem das de orientação externa em termos de reação às
pressões do grupo, de sucesso na escola, renda, status profissional, velocidade de
ascensão na carreira e preferência por tipos específicos de retribuição.
A ética no trabalho engloba um conjunto de crenças, incluindo o respeito
pela dignidade de todo trabalho, desprezo pela ociosidade, autoindulgência e a
crença de que o trabalho árduo será recompensado.

Personalidade
26 UNIDADE I

O estilo cognitivo refere-se a quatro maneiras de colher e avaliar informa-


ções: introvertido/extroversão, pensamento/sentimento, sensação/intuição e
julgamento/percepção.
A maturidade moral diz respeito ao estágio de julgamento ético em que se
encontra a pessoa. A atenção se concentra em cinco dimensões: simpatia, cons-
cientização, ajuste emocional, extroversão e curiosidade.
Robbins (2010) menciona que estudos mostram que, durante trinta anos, as
organizações se preocupavam com a personalidade para fazer com que as pes-
soas se identificassem com o trabalho, recentemente essa ideia se expandiu e

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
inclui a questão da adequação da personalidade e dos valores da pessoa à orga-
nização. Por quê?
Porque atualmente os gestores não se preocupam com a habilidade de um
candidato em desempenhar um trabalho específico, mas sua preocupação é na
flexibilidade para enfrentar situações de mudança e em seu comprometimento
com a organização.
Principais variáveis que afetam o comportamento individual

Valores

Motivação

Atitudes

Percepção
COMPORTAMENTO
INDIVIDUAL
Personalidade
Aprendizagem

Capacidade

Figura 02: Variáveis do Comportamento Organizacional


Fonte: Robbins (2009,p.32)

Resumindo nossa discussão sobre o comportamento individual, podemos dizer


que a pessoa entra na organização com um conjunto de valores, atitudes e uma

CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS
27

personalidade estabelecida. Apesar de não serem imutáveis, esses valores, ati-


tudes e personalidade estão definidos quando a pessoa entra na empresa. A
interpretação dos colaboradores de seu ambiente de trabalho – percepção – vai
influenciar seu nível de motivação, o que aprenderão no trabalho e, por fim, seu
comportamento individual. Inclui-se também a capacidade da pessoa já que o
comportamento é influenciado pelos talentos e habilidades que a pessoa traz
consigo ao chegar à organização. E assim, a aprendizagem vai alterar essa vari-
ável com o passar do tempo (ROBBINS, 2009).
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

RELACIONAMENTO

Sabemos o quanto é complexo um relacionamento interpessoal, seja na família,


com os amigos ou no ambiente de trabalho. Somos seres sociais, temos neces-
sidade de nos relacionarmos, interagir uns com outros, e é nessa interação que
descobrimos nossas capacidades e as exercitamos.
Desde que nascemos somos seres individuais e interpessoais, e a comunica-
ção possui um papel importante nesse processo de relacionamento. Pois é com
a comunicação que trocamos experiências, aprendemos, resolvemos problemas,
entendemos o mundo modificando-o e nos modificando.
Podemos dizer que existem dois
tipos de relacionamentos, os relacio-
namentos florescentes e felizes, que se
caracterizam por experiências saudáveis,
encontram significado e objetivo em ami-
gos, famílias e colegas de trabalho. As
energias fluem de uma pessoa para outra.
Os relacionamentos tendem a ser
abertos, criativos e gratificantes. Por
exemplo, um elogio de seu chefe,
tende a aproximar sua relação com ele.

Relacionamento
HUMILDADE COMO FATOR RELEVANTE EM PERSONALIDADE
“Humildade pode melhorar desempenho profissional, diz estudo: segundo pesquisadores
americanos, pessoas honestas e humildes foram mais bem avaliadas por seus chefes”

Para sobreviver à selva corporativa é, real- comportamentos difíceis, como posturas


mente, preciso deixar de lado conceitos autodestrutivas ou pouco cordiais”, explica
de honestidade e humildade? Segundo Megan Johnson, uma das responsáveis pelo
um grupo de pesquisadores, a resposta estudo.
é não.
Os respectivos chefes dos participantes do
De acordo com estudo da Universidade estudo avaliaram o desempenho profissio-
Baylor (Estados Unidos), pessoas honestas nal de seus subordinados com base em
e humildes são as que alcançam os melho- uma lista de 35 habilidades profissionais.
res resultados no trabalho. Entre os critérios avaliados pelos gestores
estavam capacidade de ouvir, usar novas
Para chegar a essa conclusão, o grupo de tecnologias, responsabilidade e capacidade
pesquisadores analisou os traços de per- de se adaptar a novas situações.
sonalidade de 269 empregados de 25
companhias americanas ligadas a cuida- Os profissionais que receberam as melho-
dos de saúde. res pontuações nessas 35 habilidades foram
exatamente aqueles que, na pesquisa com-
“Todos trabalhavam com atendimento portamental, demonstraram posturas mais
domiciliar de pacientes que possuíam honestas e humildes.

Profissionais de
saúde mais hu-
mildes e honestos
tiveram melhor
desempenho no
trabalho
“Essas pessoas eram pouco ambiciosas e nais tenham que prestar atenção em seus
muito sinceras e justas”, afirma a especia- clientes ou produtos. “No setor de vendas,
lista. Em outras palavras, esses profissionais por exemplo, onde as pessoas precisam se
eram mais focados nos outros do que neles auto promover, talvez os resultados sejam
mesmos. “Por possuir essa postura positiva, diferentes”, pondera a especialista.
eles interagiam melhor com seus clientes”,
diz. E, por isso, foram bem avaliados por Quando o assunto é honestidade, o cená-
seus supervisores. rio é outro. “Há 90 estudos feitos com
mais de 18 mil empregados que mostram
Isso significa que os resultados da pesquisa que os mais íntegros são os que apresen-
estão intimamente ligados à natureza do tam melhores resultados profissionais”,
trabalho desenvolvido. De acordo com a afirma. “A honestidade sempre será um
pesquisadora, essa lógica pode ser aplicada traço de personalidade que valoriza o
apenas nas situações em que os profissio- trabalhador”.”
Fonte: Exame.com, 18 de março de 2011.
Disponível em: <http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/humildade-pode-melhorar-de-
sempenho-profissional-diz-pesquisa>. Acesso em: 19 out. 2012.

QUAL É A PERSONALIDADE DE SUA EMPRESA?

Após anos de prestação de serviços na área Carl G. Jung. Os resultados ajudaram-na a


de marketing para empresas de grande identificar e a entender padrões universais
porte, a americana Sandra Fekete confirmou de como as pessoas percebem e processam
suas suspeitas: empresários e executivos as informações.
da maioria das grandes corporações têm
uma ideia enviesada de seus negócios. Segundo a especialista, 80% dos empre-
Poucos conhecem os costumes e os traços sários têm uma percepção da empresa
de personalidade de suas empresas, que diferente dos empregados, o que pode
costumam diferir consideravelmente dos impactar, entre outros fatores, na produti-
hábitos dos líderes e de seus funcionários. vidade da equipe. Tabulando as respostas,
Para confirmar sua tese, Sandra aplicou um Sandra conseguiu identificar oito tipos de
teste em sua própria empresa de marketing, personalidades, em quatro diferentes gru-
a Fekete + Co. Baseou as perguntas no tes- pos: introvertida e extrovertida, intuitiva e
te de personalidade de Myers-Briggs, fun- silenciosa, pensadora e sensível, crítica e
damentado nos trabalhos do psicanalista perceptiva.
Fonte: Revista Pequenas EMPRESAS & Grandes NEGÓCIOS, outubro 2012.
30 UNIDADE I

Já outras pessoas possuem relacionamentos frágeis e pouco saudáveis. São


relacionamentos fechados, conflitantes e destrutivos, as mesmas experiências
inexpressivas e sem sentido tendem a repetir-se. Conflitos não resolvidos ten-
dem a aumentar e multiplicar-se, ocorrendo um esgotamento energético através
de choques verbais, sentimentos de rejeição e solidão, sem energia para produ-
zir transformações positivas (CARVALHO, 2009).
Existem também impressões significativas em que certas pessoas parecem
nos atrair e outras pessoas no repelir. Muitas razões acabam nos motivando a
atração ou rejeição de pessoas e suas explicações estão no histórico de vida de

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
cada um e que são transferidas e projetadas nos relacionamentos atuais.
A transferência e a projeção ocorre inconscientemente, ou seja, sem a pessoa
perceber. Assim, faço transferência nas pessoas quando em minhas experiências
passadas coloco meus sentimentos nas pessoas em minhas experiências presentes,
são os rótulos do passado. Por exemplo, meu gestor possui algumas caracterís-
ticas de meu avô que eu adorava, assim todo aquele sentimento de carinho que
senti pelo meu avô transfiro para meu gestor.
Também pode ocorrer a projeção, quando coloco características ou senti-
mentos que são meus em outra pessoa. Por exemplo, sou desorganizada mas não
aceito essa característica como minha e vejo essa característica minha em outra
pessoa, por exemplo, no meu cliente.
No trabalho, a vida das pessoas é composta num cenário em que atitudes,
emoções e sentimentos são manifestados de forma particular de cada pessoa ao
lidar com a realidade. A maior parte do conjunto de reações reflete a história de
vida de cada um, configura a maneira de como a pessoa lida com emoções que
permeiam as relações interpessoais (CARVALHO, 2009).
Percebe-se que grande parte dos conflitos ocorre pela dificuldade que as
pessoas possuem de ouvir o outro e considerar seu ponto de vista. Muitas pes-
soas desconsideram as diferenças individuais e acabam rotulando as pessoas de
acordo com suas crenças e avaliando-as.
Sabe-se que conviver no ambiente de trabalho exige uma postura consciente
de rever condutas pessoais e ter a coragem de aprender com o outro.

CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS
31

Quando as pessoas são mal compreendidas ficam ansiosas, estressadas e com


medo. Esse medo pode desencadear baixa autoestima e desmotivação. Percebemos
também que a hostilidade e condutas agressivas se manifestam de modo camu-
flado sobformas de queixa, falta de cortesia, postura competitiva, ironia e inveja.
Outro fator de relacionamento, de acordo com Vecchio (2008), é a ocorrên-
cia de três principais razões para a pessoa aceitar a orientação de outra pessoa
em suas relações interpessoais. A primeira razão corresponde à concordância,
o comportamento é motivado pela preocupação com a retribuição ou punição.
Exemplo, deixar de almoçar para entregar o relatório ao supervisor. A segunda
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

razão é a identificação, um processo de influência em que uma pessoa segue as


ordens de outra para manter um relacionamento satisfatório. E o terceiro pro-
cesso de influência é a internalização, quando o colaborador aceita a influência
por acreditar que o comportamento resultante é correto, movidos por um com-
promisso pessoal de valores.
Precisamos construir relações interpessoais mais saudáveis, ver o outro
como ele é, como se apresenta, sem julgamento e avaliação. Defeitos e qualidades
dependem da cultura, da situação, assim devemos ser francos e abertos em nossas
relações e promover mudanças intrapessoais (mudanças internas), pois muitos
problemas interpessoais (interação com as pessoas) podem ter como causa nós
mesmos, em outros relacionamentos com outras pessoas, ou seja, muitas vezes
temos dificuldades de nos relacionarmos com alguém pelas nossas dificulda-
des, inflexibilidade, intolerância, mau humor, indisposição, preconceito, sendo
o problema nosso nesse relacionamento e não do outro...

Relacionamento
RELACIONAMENTO INTERPESSOAL:
O PODER DAS RELAÇÕES NO AMBIENTE DE TRABALHO
Como está o seu relacionamento com os pares na empresa onde você trabalha?

Acredito que boa parte das pessoas ain- A contribuição dos pares e a forma que eles
da convive com esse tipo de problema na são tratados ajudam o colaborador atingir
organização onde atua; seria injusto gene- suas metas e desenvolver suas atribuições
ralizar e falar que todas as empresas têm de maneira eficaz. Para isso, é necessário
algum tipo de conflito interno, causado pe- saber lidar com a diversidade existente na
los indivíduos que interagem diariamente empresa, respeitando as diferenças e as
no ambiente de trabalho, mas o fato é que particularidades de cada um; com isso, é
no mundo empresarial eles existem e po- possível conquistar o apoio dos demais e
dem prejudicar o desempenho da equipe, fazer um bom trabalho, afinal, ninguém
assim como os resultados esperados pelas trabalha sozinho.
empresas, impactando inclusive no clima
organizacional. Às vezes, os problemas de O papel do gerente nesse processo é de ex-
relacionamento não são visíveis, ficam mas- trema importância, pois é de sua responsa-
carados e embutidos intrinsecamente em bilidade administrar os conflitos existentes
cada um, onde só podemos percebê-los entre as pessoas do time, e fazer com que
por meio de ações, do comportamento e o clima interno seja agradável, permitindo
no modo de agir com os outros membros um ambiente sinérgico e que prevaleça a
da equipe. união e a cooperação entre todos. Essa for-
ma de conduta está relacionada ao estilo de
A necessidade de trocar informações sobre gestão que se aplica e suas ações, e pode
o trabalho e de cooperar com a equipe per- influenciar no desempenho dos liderados;
mite o relacionamento entre os indivíduos, este gestor terá que dar o exemplo para os
o que acaba sendo imprescindível para a or- demais, saber como falar com seus colabo-
ganização, pois, as mesmas, valorizam cada radores, pois a maneira com que irá tratá-los
vez mais tal capacidade; o relacionamento poderá refletir no relacionamento entre a
interpessoal é, sem sombra de dúvida, um gerência x colaborador e, consequente-
dos fatores que influenciam no dia-a-dia e mente, nas metas e objetivos da empresa.
no desempenho de um grupo, cujo resul- No entanto, sabemos que tem gente que
tado depende de parcerias internas para não consegue lidar com pessoas adversas
obter melhores ganhos. No ambiente orga- e com opiniões diferentes da sua, e deixam
nizacional é importante saber conviver com se levar por uma impressão negativa sem ao
as pessoas, até mesmo por ser um cenário menos procurar compreendê-las e conhecê-
muito dinâmico e que obriga uma intensa -las mais detalhadamente. Outro vilão que
interação com os outros, inclusive com as pode prejudicar o relacionamento entre os
mudanças que ocorrem no entorno, seja de membros de uma equipe é o mau humor; o
processos, cultura ou até mesmo diante de que faz com que essas pessoas (mal humora-
troca de lideranças. das) criem uma espécie de escudo e fiquem
isoladas das demais. Isso impede que seus mento e atividades grupais, procurando
colegas se aproximem para pedir algum tipo valorizar a integração e focar a importân-
de ajuda, ou até mesmo para bater um papo. cia de se ter um excelente relacionamento
com os membros da equipe. O gerente
Essa dificuldade de relacionamento acaba também terá que fazer o seu papel, dan-
impactando no desempenho de uma pes- do apoio, feedbacks e fazendo coaching
soa em relação às tarefas que desenvolve com seus colaboradores, evitando, assim,
na organização, pois ela irá evitar a sua qualquer tipo de atrito que possa ocorrer
exposição e nem sempre poderá contar futuramente no time. Contudo, isso não
com alguém para auxiliá-la, e devido a isso depende somente do gestor: todos te-
acaba fazendo, na maioria das vezes, seu rão que estar envolvidos nesse processo.
trabalho de maneira individualizada. Deixa- Os funcionários também têm um papel
se, também, de ouvir opiniões diferentes importante para a construção de um am-
e de compartilhar escolhas e alternativas biente saudável, pois depende de suas
com os demais, o que pode causar certo condutas e atitudes para acabar com pro-
risco dependendo da decisão tomada. Em blemas desse tipo.
outras palavras, o mau humor certamente
causará prejuízos ao trabalho em equipe e, Para manter um clima agradável e sem
por tabela, aos resultados em geral. manifestação de atritos, é necessário que
as pessoas deixem de agir de forma indivi-
Quando a empresa enfrenta problemas de dualizada e passem a interagir como uma
relacionamento, a área de Recursos Hu- equipe, promovendo relações amigáveis e
manos junto à gerência tem a missão de fazendo com que cada um procure coope-
sanar a dificuldade o quanto antes para rar com o outro, mas, para isso, é preciso
não comprometer o clima de trabalho. É que cada um faça a sua parte, pois se todos
necessário identificar as causas para mi- não estiverem dispostos a contribuir, não
nimizar o efeito que este fator pode gerar, iremos chegar a lugar algum. Pense nisso!
assim como sensibilizar os colaboradores
para que eles não deixem que essa variável Ronaldo Cruz da Silva possui graduação em
prejudique o desenvolvimento das tarefas, Administração de Empresas é especialista
pois os clientes interno e externo podem em Administração de Recursos Humanos,
não ser atendidos com prontidão e eficá- Psicologia Organizacional e atualmente
cia, resultando em queda na qualidade do cursa um MBA em Gerenciamento de Pro-
atendimento e na produtividade. jetos, tem experiência de mais de 15 anos
na área Administrativa/Recursos Humanos.
As divergências e as “brigas” internas po- É professor universitário e atua como con-
dem ser resolvidas com um bom treina- sultor de RH em uma consultoria

Fonte: www.administradores.com.br
De 3 de outubro de 2008.
34 UNIDADE I

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para concluir todo o trabalho, vamos relembrar um pouco o que foi discutido
nesta unidade I. Foi abordada a importância dos valores, que são convicções de
um modo de conduta que possui um elemento de julgamento baseado no que
a pessoa acredita ser o correto, bom. Os valores podem ser classificados como
terminais e instrumentais de acordo com Milton Rokeach.
Os valores terminais referem-se às metas que uma pessoa gostaria de atingir
como igualdade, felicidade. E os valores instrumentais são os modos preferenciais

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
de comportamento para cumprir as metas dos valores terminais, como, ambição,
capacidade, alegria. Abordaram-se também os valores e sua influência cultural,
foram discutidas as duas gerações, a geração X e os nexters.
Logo em seguida, foi descrito o comportamento de atitude, que reflete como
a pessoa se sente em relação a alguma coisa e sua relação com a satisfação no
trabalho, envolvimento com o trabalho e o comprometimento organizacional.
E mais tarde, foi abordado o tema percepção, sendo um processo pelo qual
uma pessoa seleciona, organiza e interpreta informações sobre o ambiente e,
portanto, lhe atribui significado pessoal.
Dessa forma, tratamos do assunto aprendizagem, que ela ocorre pela lei do
efeito, sendo que aprendemos de duas formas, por formação ou por modela-
gem. A formação é um processo gradativo e a modelagem ocorre por imitação.
E assim, é abordado o tema personalidade, que é o modo de a pessoa ser,
sentir, agir, reagir, junto com suas características físicas e psicológicas. A psi-
cologia do estudo do comportamento organizacional enfatiza alguns traços de
personalidade para compreender o comportamento das pessoas na organização.
Finalizando a unidade, foi feito um apontamento sobre o relacionamento
interpessoal no ambiente de trabalho, enfatizando os dois tipos de relacionamen-
tos: florescentes e felizes, e os fracos e poucos saudáveis. Em seguida, discutimos
sobre como ter um relacionamento interpessoal saudável.
Dessa maneira, esta unidade nos vem contribuir com um esclarecimento
sobre as características das pessoas e como essas características afetam o com-
portamento individual e, consequentemente, seus relacionamentos na ambiente
de trabalho.

CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS
1. Considerando o indivíduo como a menor parte de uma organização, percebe-se
nele um conjunto de valores e atitudes, além de sua personalidade. Assim, explique
por que é importante conhecer os valores de uma pessoa?
2. O estudo do comportamento organizacional refere-se ao estudo sistemático das
ações e das atitudes que as pessoas apresentam dentro das organizações. Sobre o
estudo do comportamento individual, por que os administradores devem buscar
conhecer as atitudes de seus colaboradores?
3. O relacionamento interpessoal é complexo, seja na família, grupos sociais ou am-
biente de trabalho. Dessa forma, aponte quais podem ser as dificuldades encontra-
das nesse relacionamento que podem gerar conflitos?
MATERIAL COMPLEMENTAR

CON-VIVER EM EQUIPE - Edição Revista e Ampliada


Construindo Relacionamentos Sustentáveis
Magdalena e Gustavo G. Boog
Editora: M. Books Editora
Sinopse: Aprenda como criar uma interação harmoniosa com pessoas
e equipes. Um dos grandes desafios das pessoas é o relacionamento
em equipe. Neste livro, a partir da apresentação de quatro tipos
básicos de atuação: Rei, Guerreiro, Mago e Amante, você irá, através
da compreensão das características específicas de cada personagem,
desenvolver técnicas facilitadoras para uma perfeita interação com
pessoas em equipes. Em Con-viver em Equipe, Gustavo e Magdalena Boog, dois
consagrados autores, apresentam as dimensões profissionais e pessoais para conviver em equipe, de forma
prática e completa. A Obra tem linguagem de fácil entendimento e que apóia todos os relacionamentos.
Relacionamentos podem ser encontros e desencontros. O encontro resulta da busca de se conhecer
melhor, de conhecer os outros e achar formas equilibradas de se relacionar. Con-viver em equipe é um
grande desafio para a maioria das pessoas. Seja uma equipe de um projeto, seja em uma família ou, ainda,
em uma equipe esportiva, as equipes demandam alguns aspectos que precisam ser cultivados para que
elas sirvam aos propósitos a que vieram: nelas as relações entre as pessoas se manifestam plenamente, a
coesão com os objetivos a alcançar é testada e as habilidades de falar e ouvir devem ser continuamente
equilibradas. Este livro mostra como aumentar a capacidade de estabelecer relacionamentos pessoais
e profissionais sustentáveis, e ensina como:
• Conhecer as bases das equipes saudáveis.
• Conhecer a si mesmo, seus pontos fortes e fracos, suas formas de agir e o estilo de ação dos outros.
• Lidar com menor estresse com os diferentes tipos de pessoa.
• Evitar as armadilhas que destroem os relacionamentos e o trabalho em equipe.
• Descobrir, desenvolver e a colocar em ação os seus potenciais.
Sobre os autores: Magdalena e Gustavo G. Boog são dois experientes consultores e terapeutas
organizacionais, fundadores do Sistema Boog de Consultoria. Orientam e apóiam milhares de
participantes anualmente em todo o Brasil, com suas palestras, workshops, assessoria, coaching e
artigos. Escreveram e coordenaram muitos livros de gestão de pessoas e equipes, RH, competências e
terapias avançadas. Foram pioneiros na introdução do uso da terapia floral no ambiente organizacional,
incentivam o uso da espiritualidade no trabalho e são certificados no uso das constelações familiares
e organizacionais, sendo pessoas destacadas em projetos voltados ao desenvolvimento humano e
organizacional.

9 DICAS PARA CONVIVER NO TRABALHO


É um clip do You Tube em que são apresentados nove comportamentos adequados
para se conviver no trabalho.
<http://www.youtube.com/watch?v=x2r_Fxrdf6c&feature=fvwrel>.

CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS
Professor Me. Marcelo Filippin

O INDIVÍDUO NA

II
UNIDADE
ORGANIZAÇÃO

Objetivos de Aprendizagem
■■ Apresentar a abordagem histórica do indivíduo na organização.
■■ Explicar a importância do processo de socialização.
■■ Descrever o conceito de dinâmica organizacional.
■■ Refletir sobre a importância do desenvolvimento de pessoas.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ O indivíduo na organização
■■ O processo de socialização
■■ Dinâmica organizacional
■■ Desenvolvimento de pessoas
39

INTRODUÇÃO

Caro(a) aluno(a), depois que você conheceu as características individuais das


pessoas enfatizando o ambiente organizacional, nesta segunda unidade vamos
fazer uma viagem histórica para compreender o papel do indivíduo nas organi-
zações. Começaremos essa reflexão a partir da Revolução Industrial, descrevendo
o surgimento da grande indústria e a sistemática de trabalho que predominava
naquela época. A ideia é que você possa fazer um comparativo entre a época do
surgimento da grande indústria e os dias atuais com relação ao papel das pes-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

soas no contexto organizacional.


Na sequência, será apresentado o conceito de socialização que é muito impor-
tante para o entendimento do comportamento humano nas organizações que você
irá estudar na próxima unidade. De maneira sucinta, vamos abordar a socialização
primária e a socialização secundária, mais especificamente um tipo de socializa-
ção secundária que é a socialização organizacional.
Em seguida, vamos abordar a sistemática da dinâmica organizacional. O propósito
é descrever os elementos organizacionais que são responsáveis pela movimentação
da empresa para que você possa entender o funcionamento das organizações.
Finalizando a unidade, será abordada a importância do desenvolvimento de
pessoas para as organizações. Será apresentada a diferença entre treinamento e
desenvolvimento, e você também irá conhecer como desenvolver competências
nas pessoas no contexto do CHA (conhecimento, habilidades e atitudes).

Introdução
40 UNIDADE II

O CAPITAL HUMANO NA ORGANIZAÇÃO

A máquina, que produz em grande escala, tem provocado a escassez.


Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos. Nossa inteligência, empe-
dernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais
do que máquinas, precisamos de humanidade; mais do que de inteli-
gência, precisamos de afeição e doçura! Sem essas virtudes, a vida será
de violência e tudo estará perdido.

Charlie Chaplin

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Antes de abordar o tema capital humano, é importante fazer uma reflexão his-
tórica sobre o papel das pessoas nas organizações. Começamos essa reflexão a
partir da Revolução Industrial, descrevendo o surgimento da grande indústria.
Nessa época, a divisão do trabalho em tarefas parcelares era uma estratégia uti-
lizada pelas empresas para aumentar a produtividade. Esse modo de produção
gerou ganhos significativos de produtividade do capital, pois tomou para si, den-
tre outras riquezas, o conhecimento individual, tornando as habilidades físicas e
intelectuais do indivíduo limitadas ao seu campo de atuação, à sua especialidade.
Com o estabelecimento da grande indústria, ampliaram-se os horizontes
técnico-científicos, porém, cada vez mais sob o domínio do poder econômico.
A função da fábrica naquele momento foi fazer uma mão de obra artesã, acos-
tumada a controlar ela mesma seu processo de trabalho, obedecer a ordens,
cumprir horários, respeitar hierarquias e a controlar as palavras. Para isso, aloja-
mentos, escolas e até sociedades de lazer foram criadas para o controle de todos
os aspectos da vida operária (PERROT, 1985, p.22).
O controle heterônomo que norteava o trabalho e o próprio operário acabou
limitando suas relações pessoais, a expressão de suas ideias, de seus pensamentos
por meio das palavras, limitando, dessa maneira, o conteúdo necessário à for-
mação multilateral, isto é, em todos os sentidos. A sociedade passou a depender
da indústria, e o capitalista, percebendo tal dependência, impôs suas condições,
inclusive em relação à educação dos homens. Como detecta Perrot (1985, p. 27),
“operários capazes de discernimento não são suportáveis na empresa fundada
no princípio da autoridade [...] uma vez fragmentado o seu conhecimento, desa-
parece o seu poder de resistência”.

O INDIVÍDUO NA ORGANIZAÇÃO
41

Assim, conforme Perrot (1985), bastavam duas semanas de aprendizagem


e o operário especialista estava pronto para o trabalho. As qualidades reque-
ridas não eram a habilidade manual e intelectual, e sim a submissão, rapidez,
resistência nervosa, docilidade e passividade. Os testes psicotécnicos, que nas-
ceram nesse contexto, esforçavam-se para distinguir essas “aptidões” e evitar as
individualidades.
Diferentemente das sociedades antiga e medieval, na sociedade industrial a
capacidade de produção dos trabalhadores fica vinculada à máquina. Drucker
(1964) define essa mudança como “divórcio” entre quem produz e os meios de
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

produção. Em outras palavras, verifica-se a desintegração do saber, das especia-


lidades do operário, ou seja, o trabalho, inicialmente executado por um único
homem, é dividido em suas partes componentes.
As atividades de supervisão, registro e controle da produção se intensifi-
cam e, por conseguinte, promovem uma determinada capacidade de percepção,
de atenção e de memória. Todavia, outras tantas capacidades, em especial a de
compreensão do todo por meio das relações entre as partes ou etapas que o
compõem, ficam prejudicadas com a divisão metódica do trabalho. A desinte-
gração das especialidades do operário encontrou resistência nos trabalhadores
mais velhos que ainda garantiam o controle sobre os ritmos das máquinas. Uma
das formas de manifestação dessa resistência era o retardamento deliberado do
próprio ritmo de trabalho com o fim de diminuir a produção (CORIAT, 1985).
De certa forma, isso acontecia porque esses trabalhadores mais velhos eram os
únicos que ainda detinham o conhecimento sobre o funcionamento e a comple-
xidade de cada uma das máquinas e, para além disso, sobre boa parte da extensão
do processo produtivo. Esse conhecimento, segundo Coriat (1985, p.81), era “a
última resistência operária ao trabalho assalariado”. O domínio do ofício pelos
operários garantia-lhes a autonomia em relação ao modo operatório e ao ritmo
de execução do trabalho.
Esse processo, portanto, de reorganização do conteúdo e da forma como
se realiza o trabalho é denominado de taylorismo, representando a primeira
designação do conjunto de ideias, conceitos, ensinamentos, doutrinas, práti-
cas e procedimentos desenvolvidos pelo engenheiro Frederick Winslow Taylor.
Deste modo, vem complementar a ação do maquinismo e imprimir-lhe um novo

O Capital Humano na Organização


42 UNIDADE II

desenvolvimento. Na verdade, a ORT (Organização Racional do Trabalho) favore-


ceu o desenvolvimento da acumulação de capital segundo novas modalidades, ou
seja, a produção em massa, a dominação do capital sobre o processo de trabalho.
Nessa época, portanto, os gestores estavam bastante preocupados com a
melhoria da eficiência das empresas. Por outro lado, a preocupação com as pes-
soas concentrava-se em iniciativas latentes como, por exemplo, o estudo da
fadiga humana que era considerado um redutor da eficiência (CHIAVENATO,
2011). Nesse sentido, o enfoque de Taylor e de seus seguidores era mais técnico
do que humano, ou seja, “tentava lidar com a questão das atitudes negativas dos

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
trabalhadores resolvendo o problema dos salários e dos métodos de trabalho”
(MAXIMIANO, 2007, p.211). De certa forma, isso é justificável porque Taylor
era um engenheiro, logo estava mais preocupado com os aspectos técnicos.
Essa abordagem é considerada mecanicista por evidenciar mais os aspectos
técnicos do que humanos. Taylor recebeu muitas críticas como, por exemplo,
teoria da máquina, superespecialização que robotiza o operário e principalmente
a visão microscópica do homem tomado isoladamente como um apêndice da
maquinaria industrial. Essa última crítica é reforçada pela citação de Chaplin,
apresentada no início desta seção, que evidencia a preocupação social com rela-
ção ao tipo de sistema mecanicista.
Os críticos do taylorismo contribuíram para o
surgimento do movimento do bem-estar dos
trabalhadores nas empresas, e logo o
pensamento humanista começou a
fazer parte dos estudos organizacio-
nais. A partir de 1930, a abordagem
humana nas empresas foi inten-
sificada enfocando a análise do
trabalho e adaptação do traba-
lhador ao trabalho, e também
a adaptação do trabalho ao tra-
balhador. Nesse contexto, os temas
predominantes focavam seleção
de pessoal, orientação profissional,

O INDIVÍDUO NA ORGANIZAÇÃO
43

treinamento e métodos de aprendizagem, fisiologia do trabalho, estudo dos aci-


dentes e da fadiga humana, estudo da personalidade do trabalhador e do gerente,
motivação e incentivos do trabalho, liderança, comunicações e as relações inter-
pessoais e sociais dentro da organização (CHIAVENATO, 2011).
Os estudos relacionados ao indivíduo nas organizações evoluíram bastante.
Diversos autores das teorias administrativas evidenciam a importância das pes-
soas no contexto organizacional. Stoner e Freeman (1995, p.5) descrevem uma
definição dada por Mary Parker Follet de que “a administração já foi chamada
de a arte de fazer coisas através de pessoas”. Para Drucker (1970), administra-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ção é o processo de alcançar objetivos pelo trabalho com e por intermédio de


pessoas e outros recursos organizacionais.
Perceba que nas duas definições apresentadas anteriormente, as pessoas
são consideradas como parte integrante do processo administrativo, ou seja, as
pessoas são essenciais para o funcionamento das empresas. Nesse contexto, o
enfoque atual quando se fala em gestão de pessoas é cooperação. Isso porque
existe uma interdependência entre pessoas e empresas, pois, conforme pontua
Chiavenato (1999, p.5), “as organizações são constituídas de pessoas e dependem
delas para atingir seus objetivos e cumprir suas missões. E para as pessoas, as
organizações constituem o meio pelo qual elas podem alcançar vários objetivos
pessoais, com um mínimo de esforço e conflito”. Ao longo dos anos, diferen-
tes presunções foram definidas a respeito da natureza humana. O Quadro 02 a
seguir ilustra essas presunções.
Quadro 02: As diferentes presunções a respeito da natureza humana
CONCEITO DE TEORIA DA
CARACTERÍSTICAS BÁSICAS
PESSOAS ADMINISTRAÇÃO
Homo Administração As pessoas são motivadas exclusivamente
economicus Científica por motivos salariais e econômicos.
Teoria das
As pessoas são motivadas por necessidades
Homem social Relações
sociais e por estar junto com outras pessoas
Humanas
As pessoas são participantes de
Homem Teoria
organizações e exercem diferentes papéis
organizacional Estruturalista
em diferentes organizações.
Homem Teoria As pessoas são processadoras de
Administrativo Comportamental informações e tomadoras de decisões.

O Capital Humano na Organização


44 UNIDADE II

CONCEITO DE TEORIA DA
CARACTERÍSTICAS BÁSICAS
PESSOAS ADMINISTRAÇÃO
As pessoas são sistemas complexos de
valores, percepções, características pessoais e
Homem Teoria da
necessidades, operando no sentido de manter
complexo Contingência
seu equilíbrio interno diante das demandas
feitas pelas forças externas do ambiente.
Fonte: Chiavenato (2010, p.188)

A área de gestão de pessoas também direcionou as estratégias pautadas nessas


presunções a respeito da natureza humana. A Figura 03 a seguir ilustra como a

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
visão do RH dependeu de uma visão das pessoas dentro das organizações.
Visão das Pessoas

Pessoas como Pessoas como Pessoas como Pessoas como


Custos Restrições Ativos Capital
(Recursos) Humano

Departamento Departamento de Departamento de Equipe de


de Pessoal Relações Recursos Gestão de
Industriais Humanos Pessoas

Visão do RH
Figura 03: Os desdobramentos da área de RH
Fonte: Chiavenato (2010, p.189)

Como você pôde observar na Figura 03, na abordagem atual sobre gestão de
pessoas, os funcionários são denominados de “capital humano” que, segundo
Chiavenato (2010, p.176),
é o capital de gente, de talentos e de competências. A competência de
uma pessoa envolve a capacidade de agir em diversas situações, tan-
to para criar ativos tangíveis como intangíveis. Não basta ter pessoas.
Torna-se necessário uma plataforma que sirva de base e um clima que
impulsione as pessoas e utilize os talentos existentes. Assim, o capital
humano é basicamente constituído de talentos e competências das pes-
soas. Sua plena utilização requer uma estrutura organizacional adequa-
da e uma cultura democrática e impulsionadora.

O INDIVÍDUO NA ORGANIZAÇÃO
45

O capital humano, portanto, é a fonte de energia que move a empresa, a inteligên-


cia que nutre, o talento que dinamiza (CHIAVENATO, 2010). Cada indivíduo,
quando chega numa organização, traz consigo um conjunto de crenças e valores
que irá compartilhar com seus pares de trabalho formando uma rede de relacio-
namentos. Para compreender como os indivíduos compartilham ou divergem
em termos dessas crenças e valores, é importante conhecer como funciona o
processo de socialização desses indivíduos, afinal o indivíduo trabalha como foi
socializado. Na próxima seção, vamos estudar os conceitos de socialização pri-
mária e secundária.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

SOCIALIZAÇÃO

Todos nós somos membros de uma sociedade que já estava estabelecida quando
nascemos. Na verdade, nascemos com uma predisposição para sociabilidade e
passamos por um processo para tornar-nos membro dessa sociedade (BERGER;
LUCKMANN, 1985). O ponto inicial desse processo, portanto, é a interiorização
que, segundo Berger e Luckmann (1985, p.174), é “a apreensão ou interpreta-
ção imediata de um acontecimento objetivo como dotado de sentido, isto é,
como manifestação de processos subjetivos de outrem, que desta maneira tor-
na-se subjetivamente significativo para mim”. Essa interiorização é o momento
em que a objetivação do outro passa a ter significado, os seja, torna-se dotada
de sentido para o indivíduo. Essencialmente, a interiorização constitui a base
da compreensão entre os homens bem como a apreensão do mundo como rea-
lidade dotada de sentido. Essa compreensão possibilita ao indivíduo assumir o
mundo no qual os outros vivem e de certa forma até recriá-lo. A forma com-
plexa de interiorização possibilita ao indivíduo não só compreender o outro, mas
também o mundo em que vive, passando dessa forma a participar cada qual do
ser do outro. O indivíduo só se tornará membro da sociedade após realizar esse
grau de interiorização subjetiva.

Socialização
46 UNIDADE II

Esse processo é denominado de socialização e é definido como ampla e


consistente introdução de um indivíduo no mundo objetivo de uma sociedade
(BERGER; LUCKMANN, 1985). De acordo com Motta (1993, p.73), “a socia-
lização, pode ser entendida como o processo global pelo qual um indivíduo,
nascido com potencialidades comportamentais de espectro amplo, é levado a
desenvolver um comportamento bem mais restrito, de acordo com padrões de
seu grupo”. Para Gallino (2005, p. 565), socialização é
...o conjunto de processos através dos quais um indivíduo desenvolve
durante toda a vida, no curso da interação social com um número in-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
definido de coletividades – normalmente a partir da família ou de uma
organização que substitua nos primeiros anos de vida, quando a criança
é física e psiquicamente dependente dos outros -, o grau mínimo e,
sob certas condições, graus cada vez mais elevados de habilidade co-
municativa e de capacidade de ação, compatíveis com as exigências de
sua sobrevivência psicofísica dentro de uma determinada cultura e em
determinado nível de civilização.

O curso da interação social citado anteriormente é, de acordo com Gallino (2005,


p.386), “a relação entre dois ou mais sujeitos individuais coletivos, breve ou dura-
doura, no curso da qual cada sujeito modifica reiteradamente seu comportamento

O INDIVÍDUO NA ORGANIZAÇÃO
47

ou ação social em vista do comportamento ou da ação do outro”. Para Giddens


(2005, p.82), a “interação social é o processo pelo qual agimos e reagimos em
relação àqueles que estão ao nosso redor”.
O processo de socialização, portanto, realiza-se sempre no contexto de
uma estrutura social específica e pode ser distinguida em socialização primária
e socialização secundária (BERGER e LUCKMANN, 1985; VAN MAANEN e
SCHEIN, 1979 apud REINERT et al., 2012). Por socialização primária entende-se
habitualmente aquela que se dá nos primeiros anos de vida, em que o indivíduo
experimenta na infância, e em virtude da qual se torna membro da socie-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

dade, enquanto que a socialização secundária compreende todos os processos


seguintes, ou seja, qualquer processo em que um indivíduo, já socializado prima-
riamente, seja introduzido em novos setores do mundo objetivo de sua sociedade
(GALLINO, 2005; BERGER e LUCKMANN, 1985).
Para o contexto desta disciplina de administração de conflitos e relaciona-
mentos, é importante compreender o significado de socialização organizacional,
pois conforme já comentado, o indivíduo trabalha como foi socializado. Segundo
Reinert et al. (2012, p.30),
a socialização organizacional é um tipo de socialização secundária. Ela
é a adaptação do indivíduo em determinada ocupação de posição na
organização, a qual, segundo Motta (1993), deve ser vista como um
processo contínuo, que começa antes mesmo da entrada neste sistema,
já que outros sistemas sociais inculcam, desde o nascimento, valores e
normas concernentes aos comportamentos aceitáveis em organizações
complexas. Nela, o indivíduo adquire as capacidades, habilidades, ati-
tudes, valores e comportamentos esperados para ele atuar e desempe-
nhar seu papel na organização (VAN MAANEN e SCHEIN, 1979;
HASKI-LEVENTHAL e BARGAL, 2008).

Perceba que a socialização organizacional é essencial para integração dos indiví-


duos nas empresas. De acordo com Motta (1993, pp. 70-71), ao entrar em contato
com a cultura organizacional, o indivíduo “internaliza os símbolos e padrões
existentes e se expressa no mundo social, reinterpretando e recriando estes sím-
bolos de acordo com padrões anteriores. A realidade organizacional é construída,
então, a partir deste processo dialético”. Esse processo ocorre em três fases: 1)
chegada; 2) confronto; 3) mudança/aquisição. Na fase da chegada, o indivíduo
traz para uma nova organização ou posição, um conjunto de valores, atitudes

Socialização
48 UNIDADE II

e expectativas, conjunto este que será reconstruído no interior da organização.


A fase de confronto ocorre quando um conjunto de atitudes e predisposição do
indivíduo encontra os desejos e valores prevalentes na organização. É a fase em
que o indivíduo se submete a reforço e confirmação, a ausência de reforços, ou
ainda a reforços negativos, isto é, a reações de aprovação, indiferença ou puni-
ção por ele percebidas como vindas da organização. Por fim, a fase de mudança
e aquisição ocorre quando o indivíduo começa a agir de forma a aprender e a
desenvolver comportamentos e ideias modificadas (MOTTA, 1993, p.73).
Nesse processo, portanto, o indivíduo não é apenas um ser passivo; ele par-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ticipa adquirindo informação, compreendendo e dando sentido ao ambiente que
encontra (HASKI-lEVENTHAL; BARGAL, 2008, apud REINERTet al., 2012). “O
processo de socialização é responsável pela lealdade, comprometimento, produti-
vidade e nível de rotatividade. A estabilidade organizacional depende bastante da
socialização, o que implica forte transmissão de ideologia” (MOTTA, 1993, p.73).
Importa destacar que depen-
dendo como foi a socialização
primária do indivíduo, essa forte
transmissão de ideologia pode não
ser eficaz. Isso porque quanto mais
divergente for a cultura da orga-
nização em relação às crenças e
valores assumidos por um indiví-
duo na sua socialização primária,
mais difícil será a terceira etapa
da socialização secundária men-
cionada anteriormente, ou seja, a
fase de mudança e adaptação. Na
próxima seção, nosso estudo será
sobre dinâmica organizacional.

O INDIVÍDUO NA ORGANIZAÇÃO
LEGIO PÁTRIA NOSTRA

John A. Wagner III e John R. Hollenbeck

Era uma noite fria e chuvosa de outubro socialização claramente voltadas a insti-
de 1993 em Sarajevo. Refugiados bós- lar nos novos membros uma resposta de
nios estavam fugindo para salvar suas conservação.
vidas das forças sérvias, quando um me-
nino de 14 anos foi atingido. Sem hesi- A tarefa de socialização enfrentada pela
tar, Bruno Chaumont saltou para fora da legião estrangeira é colossal. Os recrutas
proteção da área arborizada em que es- provêm de mais de 100 países diferentes
tava e rastejou por 40 metros de campo e precisam ser reunidos em um todo co-
aberto e lamacento sob o fogo de arti- eso, com seus membros dispostos a ar-
lharia pesada para chegar até a criança. riscar suas vidas em favor de estranhos.
Chaumont estancou as feridas do meni- Longe de ser a “nata da safra”, a maioria
no, colocou-o nas costas e então rastejou dos candidatos à legião estrangeira é
à proteção das árvores. Chaumont não de criminosos foragidos, ex-detentos,
era parente do menino nem pertencia membros desonrosamente desligados
às forças de defesa bósnia – nem mes- de exércitos regulares, ex-mercenários
mo era membro das forças de paz das e outros homens que, por uma razão ou
Nações Unidas. Esse ato de heroísmo só outra, fogem de seu passado. A legião
poderia ser creditado a um membro da estrangeira provavelmente é o único
legião estrangeira francesa. empregador do mundo que não exige
nenhuma prova formal de identidade
Muitas organizações empresariais se antes da contratação. Na verdade, o pri-
queixam de sua incapacidade de inte- meiro passo do programa de socializa-
grar pessoas de nacionalidades diferen- ção é atribuir novos nomes e nacionali-
tes numa cultura organizacional comum, dades a todos os recrutas. Além de suas
bem como de sua incapacidade de con- identidades anteriores, a maioria dos ho-
seguir que seus membros atuem com mens deve dizer adeus também a língua
eficácia em países estrangeiros. Algu- nativa, porque o multilinguismo não é
mas dessas empresas poderiam apren- bem-vindo. Há apenas um idioma oficial
der uma lição com a legião estrangeira nessa organização: o francês.
francesa, cujo lema – Legio pátria nostra
– significa “A legião é nossa pátria”. Essa Os novos recrutas são então despacha-
organização tem uma história de 150 dos para treinarem em lugares exóticos
anos de excelência competitiva num se- – as selvas da Guiana Francesa ou os de-
tor no qual o sucesso é medido em vida sertos do Chade – e distantes de seus
e morte e não em dólares e centavos. lares, familiares e amigos. Esse treina-
Grande parte do sucesso dessa organiza- mento inclui o máximo de habilidades
ção pode ser atribuída a suas práticas de de combate, mas os padrões de profici-
ência são muito mais elevados do que os coragem e disciplina que ainda deve ser
dos exércitos da Organização do Tratado defendida por todos os recrutas.
Atlântico Norte (OTAN). Muitos não con-
seguem suportar as agruras deste trei- Embora poucos empreendimentos pos-
namento e desistem, deixando apenas sam desejar imitar todas as táticas de
um pequeno núcleo de membros mais socialização praticadas pela legião es-
dedicados. Além de receber esse treina- trangeira, existem nela lições a serem
mento técnico, porém, os legionários são aprendidas por organizações, cujas me-
também imersos na cultura e tradição tas de socialização implicam infiltrar
histórica da legião estrangeira. Os recru- mudanças nos recrutas. Transformar re-
tas são levados a conhecer o museu da crutas em membros adequados à orga-
legião estrangeira, onde ouvem histórias nização exige a substituição das velhas
como a de Jean Danou, que perdeu a identidades e padrões de comportamen-
mão e depois a vida no México, em 1863, to por novas. A organização não alcança
quando ele e duas dúzias de legionários esse objetivo facilitando as coisas ao má-
conseguiram defender uma posição con- ximo para o novo membro. Ao contrário,
tra dois mil inimigos. Os recrutas atuais ela instila mudança desvinculando os
passam a conhecer a mão mumificada novos membros do seu passado e desa-
de Danou, que simboliza a tradição de fiando-os para um novo futuro.

Fonte: Comportamento Organizacional: criando vantagem competitiva


Editora Saraiva (2009), páginas 201 e 202.
51

DINÂMICA ORGANIZACIONAL

Antes de estudar o conceito de dinâmica organizacional, leia o seguinte trecho


do livro Imagens da Organização de Garet Morgan:
Por volta do ano 500 a.C., o filósofo grego Heráclito observou que “não
se pode pisar duas vezes no mesmo rio, já que as águas continuam cons-
tantemente rolando”. Foi um dos primeiros filósofos ocidentais a con-
ceber a ideia de que o universo se encontra em constante transformação,
incorporando tanto características de permanência, quanto de mudança.
Conforme observou, “tudo flui e nada permanece igual; tudo se desinte-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

gra e nada continua, (...) O frio se torna quente e o quente, frio; o úmido
se torna seco e o seco umedece, (...) É ao mudar que as coisas entram em
repouso”. Para Heráclito, os segredos do universo seriam descobertos
nas tensões ocultas e nas conexões que simultaneamente criam padrões
de unidade e mudança (MORGAN, 2007, p.239).

As organizações podem ser comparadas com esse universo, descrito por Heráclito,
como algo que se encontra em constante transformação, incorporando tanto carac-
terísticas de permanência, quanto de mudança. Na verdade, existe uma dinâmica
básica que origina e mantém as organizações e os seus respectivos ambientes
como formas sociais concretas, ou seja, o constante movimento de construção
e reconstrução da realidade social. Mas o que significa dinâmica? De acordo
com o Dicionário Caldas Aulete, dinâmica é a parte da mecânica que trata
do estudo das forças, relativo ao organismo em atividade. A sociologia dinâ-
mica estuda as variações, a mudança, o
desenvolvimento de um estado a outro,
dos principais tipos de agrupamento
social – sociedade, comunidade, ins-
tituições, grupos, associações
– junto com o estudo dos seus
fatores (GALLINO, 2005).
A dinâmica organizacional
por sua vez é a denominação
dada aos elementos organi-
zacionais que são responsáveis
pela “movimentação da empresa”.

Dinâmica Organizacional
52 UNIDADE II

Ribeiro (1997, p. 82) refere-se à organização como um ser vivo que “pensa,
sente, se move e se organiza de maneira previsível, embora, como em todo grupo
humano, processos conscientes e inconscientes estejam atuando a todo instante”.
Segundo Hehn (1999), para compreender a dinâmica organizacional, é impor-
tante explicar a interação entre os principais elementos presentes na organização:
modelos mentais, resultados, estrutura organizacional e processos produtivos.
A seguir são apresentados cada um desses elementos:
Modelos mentais são imagens e histórias que os indivíduos carregam sobre
si mesmos, outras pessoas, instituições e cada aspecto do mundo. Nossos mode-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
los mentais determinam não apenas a forma como entendemos o mundo, mas
também como agimos. Geralmente, uma organização possui vários modelos men-
tais que moldam as ações e comportamentos de seus membros, por exemplo, a
forma utilizada para motivar os membros; o modo de organizar e distribuir as
tarefas; e o meio pelo qual a informação deve ser distribuída etc. (SENGE, 2009).
Resultados podem ser relativos às pessoas (ex.: motivação), à organização
(ex.: flexibilidade) ou ao negócio propriamente dito (ex.: lucros e custos).
Estrutura organizacional é a forma pela qual as atividades de uma organi-
zação são divididas, organizadas e coordenadas (STONER; FREEMAN, 1995).
Dependendo dos valores assumidos por um conjunto de características orga-
nizacionais, é possível determinar um tipo específico de estrutura funcional,
divisional, híbrido, matricial ou orientado a processo. Além disso, a estrutura é
refletida em um organograma que representa um “diagrama da estrutura de uma
organização, mostrando as funções, os departamentos ou as posições na organiza-
ção, e como estes elementos se relacionam” (STONER; FREEMAN, 1995, p.231).
Processo é qualquer atividade que recebe uma entrada (input), realiza uma
transformação (uso de recursos para mudar o estado ou condição de algo) agre-
gando-lhe valor e gera uma saída (output) para um cliente externo ou interno.
Processos fazem uso dos recursos da organização para gerar resultados concre-
tos. Processo produtivo é qualquer processo que entra em contato físico com
o produto ou serviço que será fornecido a um cliente externo, até o ponto em
que o produto é embalado (por exemplo, preparação de alimento para consumo
em massa). Aqui não estão inclusos os processos de transporte e distribuição.
Processo empresarial está relacionado com as atividades que geram serviço e/ou

O INDIVÍDUO NA ORGANIZAÇÃO
53

dão apoio aos processos produtivos (por exemplo, processos de atendimento de


pedido). Basicamente, um processo empresarial consiste num grupo de tarefas
interligadas logicamente, que fazem uso dos recursos da organização, para gerar
resultados definidos, em apoio aos objetivos da organização (SLACK et al., 1996).
Esses elementos interagem numa sistemática dinâmica e interdependente.
É essa sistemática que permite o funcionamento e o crescimento das organi-
zações. Essencialmente são as pessoas que movem as empresas. Para que você
possa entender melhor como é o funcionamento das organizações, como elas
desenvolvem estratégias, alcançam resultados, contribuem para o bem-estar da
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

sociedade e da comunidade, produzem e distribuem riqueza, abrigam pessoas


que nelas trabalham e proporcionam o dinamismo das nações, dedicamos a ter-
ceira unidade para falar sobre comportamento organizacional. A seguir, você
irá estudar sobre desenvolvimento de pessoas que também faz parte da dinâ-
mica organizacional

DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS

“O homem não é a soma do que ele tem, mas a totalidade do que ainda
não tem, do que poderia ter.”
Jean-Paul Sartre

Aprimorar competências, conhecimento técnico, talento, cultura, criatividade e


capacidade de inovação dos funcionários tem sido uma preocupação constante
das empresas. Segundo Felippe (2006, p.7), “trata-se de um ato intencional de
fornecer meios que possibilitem a alavancagem de competências organizacio-
nais e humanas”. Isso pode ser feito por meio do treinamento e desenvolvimento
de pessoas.
Primeiramente é importante você saber que existe diferença entre treinamento
e desenvolvimento. Segundo os especialistas da área de Recursos Humanos, o trei-
namento é mais focalizado e orientado para questões concernentes a desempenho

Desenvolvimento de Pessoas
54 UNIDADE II

no curto prazo, enquanto o desen-


volvimento é mais orientado para
ampliar habilidades dos indivíduos
para futuras responsabilidades. “O treina-
mento prepara o homem para a realização
de tarefas específicas, enquanto um pro-
grama de desenvolvimento gerencial oferece
ao treinando uma macrovisão business, preparan-
do-o para voos mais altos, a médio e longo prazo” (MARRAS, 2000, p.167).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
O treinamento está relacionado com formação, educação, capacitação ou
desenvolvimento que visa garantir oportunidade a pessoa de ser aquilo que pode
SER (habilidades inatas ou adquiridas). Isso compreende:
a. transmissão de informações: aumentar o conhecimento/nível de infor-
mações das pessoas;
b. desenvolvimento de habilidades: melhorar as habilidades e destrezas,
execução de tarefas;
c. desenvolvimento de atitudes: desenvolver/modificar comportamentos,
atitudes negativas, conscientização;
d. desenvolvimento de conceitos: elevar o nível de abstrações, desenvolvendo
ideias e conceitos para pessoas pensarem em termos globais e amplos .
O treinamento é um processo cíclico e contínuo composto de quatro etapas: 1)
diagnóstico: levantamento das necessidades de treinamento a serem satisfeitas
(podem ser passadas, presentes ou futuras); 2) desenho: elaboração do programa
de treinamento para atender às necessidades diagnosticadas; 3) implementação:
aplicação e condução do programa de treinamento e; 4) avaliação: verificação
dos resultados de treinamento. Segundo Marras (2000, p.161), o resultado do
treinamento pode ser mensurado pelos seguintes critérios:
■■ aumento da produtividade;
■■ melhoria na qualidade dos resultados;
■■ redução dos custos (retrabalho);

O INDIVÍDUO NA ORGANIZAÇÃO
55

■■ modificação percebida (atitude/comportamento);


■■ elevação do saber (conhecimento, conscientização);
■■ redução do índice de acidentes;
■■ melhoria do clima organizacional;
■■ redução do turn-over etc.

O desenvolvimento de pessoas, por outro lado, é voltado para o crescimento


pessoal do empregado e visa à carreira futura e não apenas ao cargo presente.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Desenvolver pessoas não é apenas dar-lhes informações para que elas


aprendam novos conhecimentos, habilidades e destrezas e se tornem
mais eficientes naquilo que fazem. É, sobretudo, dar-lhes a formação
básica para que elas aprendam novas atitudes, soluções, idéias, concei-
tos e que modifiquem seus hábitos e comportamentos e se tornem mais
eficazes naquilo que fazem. Formar é muito mais do que simplesmente
informar, pois representa um enriquecimento da personalidade huma-
na (CHIAVENATO, 1999, p.290).

Desenvolver, portanto, engloba treinar, pois considera a formação de indiví-


duos numa projeção de longo prazo. Segundo Chiavenato (1999, pp.323-324),
há diversos métodos de desenvolvimento de pessoas, a saber:
■■ Rotação de cargos: significa movimentação de pessoas em várias posições
na organização no esforço de expandir suas habilidades, conhecimentos
e atitudes (que será explicado mais adiante);
■■ Posições de assessoria: significa dar a oportunidade para que uma pessoa
com elevado potencial possa trabalhar provisoriamente sob a supervisão
de um gerente bem-sucedido em diferentes áreas da organização;
■■ Aprendizagem prática: é uma técnica de treinamento através do qual o
treinado se dedica a um trabalho de tempo integral para analisar e resol-
ver problemas em certos projetos ou em outros departamentos;
■■ Atribuição de comissões: significa uma oportunidade para a pessoa par-
ticipar de comissões de trabalho, compartilhando da tomada de decisões
aprender pela observação dos outros e pesquisar problemas específicos
da organização;

Desenvolvimento de Pessoas
56 UNIDADE II

■■ Participação em cursos e seminários externos: é uma forma tradicio-


nal de desenvolvimento através de cursos formais de leitura e seminários
porque oferece a oportunidade de adquirir novos conhecimentos e desen-
volver habilidades conceituais e analíticas;
■■ Exercícios de simulação: é uma técnica de treinamento e desenvolvimento
que utiliza exercícios de simulação e incluem estudos de casos, jogos de
empresas, simulação de papéis (role playing) dentre outros;
■■ Treinamento fora da empresa: são treinamentos externos, muitas vezes
relacionados com a busca de novos conhecimentos, habilidades e atitu-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
des que normalmente não existem dentro da organização;
■■ Estudo de casos: é um método de desenvolvimento no qual a pessoa se
defronta com uma descrição escrita de um problema organizacional para
ser analisado e resolvido;
■■ Jogos de empresas: também denominados de management games ou
business games, são técnicas de desenvolvimento nas quais equipes de
funcionários ou de gerentes competem umas com as outras tomando deci-
sões com a utilização de softwares que simulam realidades empresariais;
■■ Centros de desenvolvimento interno: são métodos baseados em centros
localizados na empresa para expor aos gerentes e às pessoas, exercícios
realísticos para desenvolver e melhorar habilidades pessoais (ex. univer-
sidades corporativas);

Importante mencionar que, nos últimos anos, o coaching ganhou destaque


expressivo no meio corporativo e é considerado essencial no desenvolvimento
de pessoas. Segundo o IBC (2012), coaching é um processo de desenvolvi-
mento humano, pautado em diversas ciências como: Psicologia, Sociologia,
Neurociências, Programação Neurolinguística, e que usa de técnicas da
Administração de Empresas, Gestão de Pessoas e do universo dos esportes
para apoiar pessoas e empresas no alcance de metas, no desenvolvimento ace-
lerado e em sua evolução contínua. Esse processo, portanto, visa aumentar o
desempenho de um indivíduo (grupo ou empresa), aumentando os resultados
positivos, por meio de metodologias, ferramentas e técnicas conduzidas por
um profissional (coach), em uma parceria sinérgica e dinâmica com o cliente
(coachee).

O INDIVÍDUO NA ORGANIZAÇÃO
57
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

De acordo com Paiva et al. (2011, p.8), a metodologia do coaching compreende


a facilitação da mudança que vai levar aos resultados desejados: “facilitação do
movimento a partir de um estado atual (A) para o estado futuro mais desejável
(B)”. Nesse contexto, os domínios nos quais o coaching facilita a mudança incluem:
■■ Aprendizado – processo, habilidades.
■■ Desempenho – atividades, resultados.
■■ Realização – profissional, pessoal.
Vale a pena destacar que existem algumas abordagens similares ao coaching,
portanto, a seguir é apresentado o significado de cada abordagem, segundo o
Instituto Brasileiro de Coaching (IBC):
■■ Mentoring: é quando um colega sênior, considerado mais entendido e
possuidor de mais sagacidade e conhecimento de mundo, dá conselhos
e atua como modelo. O mentoring envolve discussões amplas que podem
não se limitar apenas ao contexto do trabalho. O mentor é um patroci-
nador, com grande experiência profissional no campo de trabalho de
seu cliente que transmite sua experiência ao cliente. Tanto o mentoring
quanto o coaching relacionam-se principalmente com as realizações no
presente e no futuro. Essencialmente ouvimos o mentor e fazemos o que
ele indica. No coaching a resposta vem “de dentro”, ou seja, o coach nos
ajuda a encontrar as respostas.

Desenvolvimento de Pessoas
58 UNIDADE II

■■ Counseling (aconselhamento): essa abordagem trabalha com clientes


que se sentem constrangidos ou insatisfeitos com suas vidas. Eles buscam
orientação e conselhos. O counselor (conselheiro) trabalha para sanar o
problema de um cliente. Como exemplos, podemos citar nossos pais ou
um padre de uma igreja.
■■ Terapia: trabalha com o cliente que busca alívio de sintomas psicológicos
ou físicos. O cliente quer uma cura emocional e o alívio do sofrimento
mental. A terapia lida com a saúde mental do cliente. O coaching lida com
o crescimento mental do cliente. A razão para o cliente buscar terapia ou
aconselhamento (counseling) normalmente é livrar-se de algum sofrimento

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ou desconforto, mais que avançar rumo a metas desejadas. O coaching
não é corretivo, mas gerativo. Tanto a terapia quanto o aconselhamento
(counseling) têm mais possibilidades de envolver o discernimento e tra-
balhar com as experiências passadas do que o coaching.
■■ Treinamento: é o processo de adquirir habilidades ou conhecimentos
por meio de estudo, experiência ou ensino. O treinador, por definição,
é o especialista e o treinamento provavelmente se focará em habilidades
específicas para resultados imediatos. Além disso, o treinamento possi-
velmente funciona na base de “um para muitos”, mais que “um para um”.
■■ Consultoria: o consultor fornece conhecimento especializado e soluciona
problemas do negócio, ou desenvolve um negócio de maneira global. O
consultor lida com a organização como um todo ou com partes dela, e
não com indivíduos dentro dela. Os consultores só afetam os indivíduos
de maneira indireta.
■■ Ensino: é a transmissão de conhecimento do professor para o aluno. O
professor sabe algo que o aluno não sabe. O coaching é exatamente ao
contrário. O cliente é o especialista, e é o cliente quem tem as respostas,
e não o coach.

Para que você possa compreender de maneira resumida as diferenças entre trei-
namento e desenvolvimento, apresentamos a Tabela 02 a seguir que ilustra de
maneira simples essas diferenças.

O INDIVÍDUO NA ORGANIZAÇÃO
59

Tabela 02: Diferenças entre treinamento e desenvolvimento


TREINAMENTO DESENVOLVIMENTO
Visa ao crescimento integral da pessoa,
Visa suprir carências específicas de um
de maneira que ela desenvolva ou
funcionário para o desempenho de seu
aprofunde competências importantes
cargo.
para ela e para a organização.
Tem função corretiva: o funcionário Tem função preventiva: no futuro, será
deveria apresentar determinadas com- bom que a pessoa apresente aquelas
petências hoje, mas não as apresenta. competências.
Tem foco no curto prazo. Tem foco no médio e longo prazo.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Voltado ao cargo Voltado à pessoa.


Específico e pontual. É holístico e abrangente.
Fonte: Vizioli (2010, p. 149).

A palavra coaching significa “treinamento”, tem origem na língua inglesa


(Coach) e foi utilizada pela primeira vez na cidade de Kócs, na Hungria, para
designar carruagem de quatro rodas. No século XVIII os nobres universitá-
rios da Inglaterra iam para suas aulas, conduzidos em suas carruagens por
cocheiros chamados – Coacher. Por volta de 1830 o termo coach passa a ser
utilizado na Universidade de Oxford como sinônimo de “tutor particular”,
aquele que “carrega”, “conduz” e “prepara” os estudantes para seus exames.
Fonte: Instituto Brasileiro de Coaching (IBC)
Disponível em: <http://www.ibccoaching.com.br>.

Diante do exposto, é possível afirmar que treinamento está voltado para o con-
dicionamento da pessoa no sentido da execução de tarefas, enquanto que o
desenvolvimento refere-se ao crescimento da pessoa no nível relacionado às
competências (CHA) conhecimento, habilidades e atitudes. Segundo Brandão
(2009, p.28), essas competências “podem ser entendidas como fatores disposi-
cionais da pessoa, constituindo bases para seu desempenho ou para a expressão
de competências no trabalho”. A Figura 04 ilustra um modelo de competências.

Desenvolvimento de Pessoas
60 UNIDADE II

Conhecimentos
Informação
Saber o que e por que fazer

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Habilidades Atitudes

Técnica Interesse
Destreza Determinação
Saber como fazer Querer fazer
Figura 04: As três dimensões da competência
Fonte: (BRANDÃO, 2009, p.10)

De acordo com Durand (2000 apud BRANDÃO, 2009, p.11), “o conhecimento


corresponde a uma série de informações assimiladas e estruturadas pelo indiví-
duo, as quais lhe permitem entender o mundo”. Refere-se ao saber que a pessoa
acumulou ao longo da vida. A habilidade refere-se ao saber como fazer algo
(GAGNÉ et al. 1998 apud BRANDÃO, 2009, p.11). Diz respeito à capacidade
de a pessoa de fazer uso produtivo do conhecimento que detém, isto é, de ins-
taurar conhecimentos armazenados em sua memória e utilizá-los em uma ação
(DURAND, 2000 apud BRANDÃO, 2009, p.11). A atitude como terceiro elemento
ou dimensão da competência pode ser definida como uma predisposição do indi-
víduo para reagir – positiva ou negativamente – a um estímulo (BOWDITCH;
BUONO, 1992 apud BRANDÃO, 2009, p.12). A competência, portanto, acontece
quando existem os três critérios do CHA (conhecimento, habilidades e atitudes).
As empresas procuram desenvolver pessoas em busca de vantagem compe-
titiva. Segundo Chiavenato (2010, p. 204), a vantagem competitiva “é constituída
por todos os fatores que fazem diferenciar seus produtos e serviços dos seus
concorrentes e ampliar a sua posição no mercado”. Um desses fatores que pode
diferenciar uma organização de outra é a competência de seus funcionários, por-
tanto, desenvolver pessoas pode ser uma fonte de vantagem competitiva.

O INDIVÍDUO NA ORGANIZAÇÃO
61

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Caro(a) aluno(a), nesta segunda unidade, você teve a oportunidade de compre-


ender o papel do indivíduo nas organizações. No contexto atual, as pessoas são
consideradas como parte integrante do processo administrativo sendo essenciais
para o funcionamento das empresas. Por isso a abordagem utilizada para falar
sobre pessoas nas organizações é o capital humano, que basicamente é constitu-
ído de talentos e competências das pessoas.
Para que o capital humano seja fonte de energia que move a empresa e man-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

tenha a estabilidade organizacional, é importante que os gestores façam um bom


processo de socialização organizacional. Lembre-se que a socialização organiza-
cional é essencial para integração de um novo funcionário. Isso ajuda a reduzir
conflitos e melhorar o desempenho da empresa à medida que o funcionário
internaliza os símbolos e padrões existentes da empresa.
Depois de conhecer o processo de socialização, você estudou a sistemática
da dinâmica organizacional, ou seja, a denominação dada aos elementos organi-
zacionais que são responsáveis pela “movimentação da empresa”. Esse conteúdo
foi importante para que você pudesse entender melhor como é o funcionamento
das organizações, como elas desenvolvem estratégias e alcançam resultados.
Finalizamos a unidade destacando a importância do desenvolvimento de
pessoas para as organizações. Agora você sabe que existe diferença entre trei-
namento e desenvolvimento e que, para desenvolver competências nas pessoas,
é importante trabalhar no contexto do CHA (conhecimento, habilidades e ati-
tudes). Nesta última unidade, você também teve a oportunidade de conhecer
brevemente o coaching, que atualmente é considerado essencial no desenvolvi-
mento de pessoas. Na próxima unidade, você irá conhecer o comportamento
organizacional que também é uma dinâmica organizacional.

Considerações Finais
1. Procure informações sobre o processo de socialização de uma empresa qual-
quer e descreva de maneira resumida como funciona esse processo.
2. Que tipos de conflitos podem ser evitados quando as empresas fazem um pro-
cesso de socialização eficaz?
3. Descreva quais são suas competências no contexto CHA (conhecimento, habi-
lidades e atitudes). Qual(is) delas você precisa melhorar? O que você pretende
fazer a partir de hoje para melhorar essas competências?
MATERIAL COMPLEMENTAR

A construção social da realidade: tratado de


sociologia do conhecimento
Peter L. Berger e Thomas Luckmann
Editora: Vozes
Sinopse: O livro aborda o assunto de uma subdisciplina
sociológica que, desde Max Scheler e Karl Manheim, ficou
conhecida como sociologia do conhecimento – campo que
foi interpretado como enfoque sociológico da história das
ideias, mas vem aqui redefinido como o estudo de “tudo
aquilo que se considera conhecimento na sociedade”, mediante
o conhecimento do senso comum que constitui a realidade cotidiana para
o membro comum da sociedade. Interação social dos indivíduos e o processo de
socialização são temas de destaque nesta obra.

Assista o vídeo de uma animação, criada por Coach Meg & Wellcoaches, que explica de forma
extremamente fácil e efetiva como funciona o processo de coaching.
<http://www.youtube.com/watch?v=ZnL1o2cpjq4&feature=related>.

Material Complementar
Professora Me. Renata Emy Koyama

COMPORTAMENTO

III
UNIDADE
ORGANIZACIONAL

Objetivos de Aprendizagem
■■ Apresentar e mostrar a importância do comportamento
organizacional e suas implicações para a organização.
■■ Compreender as relações das pessoas, grupos e dinâmica
organizacional no estudo do comportamento organizacional.
■■ Analisar os diferentes momentos da sociedade, enfatizando a
sociedade da Informação e a sociedade do conhecimento.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Comportamento organizacional, enfatizando a importância de seu
estudo para compreender como ocorrem os relacionamentos na
organização
■■ Características do Comportamento Organizacional, no intuito de
compreender o funcionamento das organizações
■■ Os Três Níveis do Comportamento organizacional, abordando o
comportamento micro-organizacional, meso-organizacional e
macro-organizacional
■■ Variáveis Independentes do Comportamento Organizacional,
Variáveis Dependentes do Comportamento Organizacional, Variáveis
Intermediárias e Variáveis Resultantes
■■ Sociedade da Informação e do Conhecimento, destacando os
momentos históricos da sociedade
■■ Sociedade da Informação e Sociedade do Conhecimento,
apresentando suas características e implicações para as organizações
67

INTRODUÇÃO

Caro(a) aluno(a), nessa terceira unidade você estudará o Comportamento


Organizacional e a Sociedade da Informação e do Conhecimento.
No estudo do Comportamento Organizacional, busco mostrar a importância de
conhecermos a dinâmica organizacional, pois cada organização possui suas carac-
terísticas, normas, regras, cultura e segredos. E conhecendo esses aspectos iremos
saber como nos relacionar e trabalhar na organização de uma forma adequada.
O comportamento organizacional é um estudo voltado para prever, com-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

preender e modificar o comportamento humano no contexto organizacional.


Sabemos que muitos dos comportamentos sociais não se explicam como resultado
de comportamentos individuais, uma vez que comportamentos de grupos ou de
organizações não se comportam da mesma maneira como uma pessoa isolada.
Veremos que as áreas do comportamento organizacional – sistema orga-
nizacional, grupo e pessoas – condicionam o comportamento organizacional e
provocam consequências no nível de desempenho individual e grupal, no absen-
teísmo, turnover, satisfação no trabalho e cidadania organizacional.
Dessa forma, tem-se como resultado do comportamento organizacional o
alcance dos objetivos organizacionais, renovação e crescimento da organização.
Assim, compreender o comportamento organizacional nos faz visualizar siste-
maticamente o comportamento das pessoas, dos grupos num trabalho integrado e
com isto poderemos desenvolver estratégias para melhorar a qualidade de vida das
pessoas e dos grupos e propiciar condições para a organização se tornar mais eficaz.
Em seguida, será contextualizada a história da sociedade para entendermos
as transformações que ocorreram nas organizações. Inicia-se na primeira onda
a da agricultura, seguida da segunda onda, a industrial, consecutivamente a ter-
ceira onda, a da informação, e o surgimento da quarta onda, a do conhecimento.
Com isto, será enfocada a terceira onda, a da informação e a quarta onda,
do conhecimento.
A terceira onda, a da informação, ocorrida neste século é marcada por mui-
tas transformações na sociedade devido à escassez de produtos, à concorrência
entre as organizações, à descoberta de várias invenções e ao desenvolvimento da
informática que fizeram com que a informação aumentasse aceleradamente e per-
mitisse a globalização.
Introdução
68 UNIDADE III

A quarta onda, a do conhecimento, é a valorização do homem como um dife-


rencial competitivo para a organização. Um homem preparado tecnicamente,
emocionalmente e psicologicamente. Um homem que sabe trabalhar em equipe
e possui um conhecimento diferencial dentro delas.
Com isto, percebemos que vivemos em uma fase de transição, uma sociedade
da informação e do conhecimento, o que nos faz entender todo esse processo
de explosão da tecnologia e a valorização do conhecimento humano, passando
a ser o diferencial competitivo das organizações.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL

Caro(a) Aluno(a), atu-


almente constata-se a
necessidade de conhe-
cermos a dinâmica
organizacional, de forma
que cada uma possui suas
características peculia-
res, segredos, culturas e
normas, pois ao conhe-
cermos saberemos como
funcionam as organiza-
ções e assim poderemos
nos relacionar, viver e tra-
balhar nelas, uma vez que a maior parte da nossa vida, em que estamos acordados,
passamos dentro das organizações ou em relação com elas.
Independente da profissão – administrador, contador, enfermeiro, advogado,
biólogo, fisioterapeuta – conhecer o comportamento organizacional se tornou
uma das peças fundamentais para o sucesso profissional, pois o trabalho profis-
sional se realiza dentro ou por meio das organizações.

COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL
69

As organizações não funcionam sem as pessoas, o sucesso ou fracasso das


organizações depende do fator humano, por isso que é importante saber enten-
der e se relacionar com as pessoas, o que chamamos de desenvolver habilidades
interpessoais.
Dessa forma, o comportamento organizacional é um campo de estudo voltado
a prever, compreender e modificar o comportamento humano no contexto das
empresas, no qual encontramos três considerações importantes. A primeira diz res-
peito ao comportamento organizacional, enfoca comportamentos observáveis como
conversar com os colegas de trabalho, utilizar equipamentos. E com as ações inter-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

nas como pensar, perceber, decidir que acompanham as ações internas. A segunda
refere-se ao estudo do comportamento das pessoas como indivíduos enquanto
membros de unidades sociais maiores. E a terceira analisa o comportamento des-
sas unidades sociais maiores – grupos e organizações – por si (WAGNER, 2009).
Assim, sabe-se que muitos eventos sociais maiores não se explicam como
resultado de comportamentos individuais, uma vez que comportamentos de
grupos ou de organizações não se comportam da mesma maneira como uma
pessoa isolada.
Dessa maneira, o comportamento organizacional é o estudo de pessoas e grupos
atuando em organizações, ele se preocupa com a influência das pessoas e grupos
sobre as organizações e com a influência das organizações sobre as pessoas e grupos,
retratando a contínua interação entre as pessoas e organizações que se influen-
ciam reciprocamente. Sendo uma importante área de conhecimento para toda
pessoa que necessite lidar com as organizações, seja para criar uma nova organiza-
ção, mudar organizações, trabalhar, investir ou dirigi-las (CHIAVENATO, 2010).
O comportamento organizacional está relacionado com as ações das pes-
soas no trabalho em organizações. Ela teve sua origem no final dos anos de 1940
com uma contribuição predominante dos psicólogos, pois é uma área que traba-
lha com o comportamento individual, ou seja, com a personalidade, percepção,
atitude, aprendizado e motivação. Também está relacionado com o comporta-
mento grupal, isto é, normas, papéis, construção de equipes e conflito. Contudo,
deve-se levar em consideração que o comportamento grupal é diferente do com-
portamento individual, pois as pessoas podem agir de forma diferente quando
estão em grupos ou sozinhas.

Comportamento Organizacional
70 UNIDADE III

O desafio para compreender o comportamento organizacional é que existem


aspectos visíveis e superficiais como as estratégias adotadas pela organização, a
fixação de objetivos globais a serem alcançados, as políticas e os procedimentos
adotados, a estrutura organizacional, a autoridade formal, cadeia de comando
e a tecnologia utilizada. Entretanto, os aspectos invisíveis e profundos do com-
portamento organizacional são as percepções e atitudes individuais, normas
grupais, interações informais, conflitos interpessoais e intergrupais que dinami-
zam e influenciam o comportamento de pessoas e grupos (CHIAVENATO, 2010).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
CARACTERÍSTICAS DO COMPORTAMENTO
ORGANIZACIONAL

Com o intuito de conhecer o Comportamento Organizacional vale ressaltar que


este possui características peculiares, sendo uma área de conhecimento humano
vital para compreender o funcionamento das organizações. De acordo com
Chiavenato (2010), as suas principais características são:
1. O comportamento organizacional é uma disciplina científica aplicada.
Ela está ligada às questões práticas que ajudam pessoas e
organizações a alcançar níveis elevados de
desempenho e se aplica em buscar aumen-
tar a satisfação das pessoas no trabalho e
elevar padrões de competitividade e sucesso
da organização.
2. O comportamento organizacional adota
uma abordagem contingencial. Ela
procura identificar as diferentes situa-
ções organizacionais para que se possa
extrair o máximo proveito delas. Assim, uti-
liza a abordagem situacional, pois depende das
circunstâncias e nada é fixo.

COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL
71

3. O comportamento organizacional utiliza métodos científicos. Desenvolve


e testa empiricamente hipóteses e generalizações sobre a dinâmica orga-
nizacional nas organizações. Utiliza o método de pesquisa sistemático.
4. O comportamento organizacional ajuda a lidar com as pessoas nas orga-
nizações, proporcionando elas a se entenderem cada vez melhor.
5. O comportamento organizacional recebe contribuições de várias ciên-
cias comportamentais, como:
a. Ciências Políticas: conceitos sobre poder, conflito, política organizacional e
outros.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

b. Antropologia: conceitos sobre cultura organizacional, análise cultural, valo-


res, atitudes e outros.
c. Psicologia: conceitos de diferenças individuais, personalidade, sensação, per-
cepção, motivação, aprendizagem e outros.
d. Psicologia Social: conceitos sobre grupo, dinâmica de grupo, interação, lide-
rança, comunicação, atitudes, tomada de decisão grupal e outros.
e. Sociologia: status, prestígio, poder, conflito e outros.
f. Sociologia Organizacional: teoria organizacional, dinâmica organizacional
e outros.

Constata-se que o comportamento organizacional é uma área interdisciplinar uti-


lizando várias ciências sociais para se aplicar em pessoas, grupos e organizações.
6. O comportamento organizacional está intimamente relacionado com
vários campos de estudo, como a teoria das organizações, desenvolvi-
mento organizacional e a gestão de pessoas.

Assim, o comportamento organizacional é um estudo multidisciplinar com o


objetivo de prevenir, entender, modificar e ajudar as pessoas e a organização a
alcançar níveis elevados de desempenho e satisfação no trabalho.

Características do Comportamento Organizacional


72 UNIDADE III

OS TRÊS NÍVEIS DO COMPORTAMENTO


ORGANIZACIONAL

Com o intuito de levá-lo a compreender o estudo do comportamento organi-


zacional, este foi dividido em três áreas distintas, cada uma com suas próprias
bases nas ciências sociais, conforme Chiavenato (2010) e Wagner (2009): o
comportamento micro-organizacional, comportamento meso-organizacional e
comportamento macro-organizacional.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Organização: Comportamento
Macro-organizacional – Dinâmica
Organizacional
Grupo ou Equipe:
Comportamento
Meso-organizacional
Pessoa: Comportamento
Micro-organizacional

COMPORTAMENTO MICRO-ORGANIZACIONAL (PESSOA)

O comportamento micro-organizacional ocupa-se da pessoa ao trabalhar sozi-


nha na organização. É formada por três áreas da psicologia como vertentes do
comportamento micro-organizacional. Como já foi mencionado na unidade
anterior - a pessoa - não será desenvolvido cada assunto novamente.
A primeira vertente é a psicologia experimental. Ela contribui com as teo-
rias sobre aprendizagem, como esse processo ocorre nas pessoas; as teorias de
motivação, clássica (hierarquia de Maslow, Teoria X e Y, teoria dos dois fatores
e de McClelland) e as contemporâneas (avaliação cognitiva, do estabelecimento
de objetivos, autoeficácia, reforço, equidade e expectativa) e estresses.
A segunda vertente é a psicologia clínica com suas teorias da personalidade
(psicanálise, teorias humanistas e sócio-históricas), percepção humana e suas
peculiaridades, emoções, sentimentos e desenvolvimento humano.

COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL
73

A terceira vertente é a psicologia industrial fundamentando com as teorias


sobre seleção das pessoas atitudes no local de trabalho, satisfação com o traba-
lho e avaliação de desempenho.
Conclui-se, assim, que o comportamento micro-organizacional possui uma
orientação psicológica da pessoa.

COMPORTAMENTO MESO-ORGANIZACIONAL (GRUPO OU EQUIPE)


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O comportamento meso-organizacional concentra-se na compreensão dos


comportamentos das pessoas que trabalham em equipes e em grupos. Ele se
desenvolveu a partir de pesquisas nos campos da comunicação, psicologia social
e da sociologia interacionista, que forneceram tópicos sobre socialização, lide-
rança (Teoria dos traços, teorias comportamentais, teorias contingenciais, teoria
de troca entre líder e liderados, Liderança carismática, transformacional e autên-
tica), equipes empowerment e dinâmica de grupo.
Ao nos referirmos sobre o comportamento de grupo, serão abordadas suas
características e formação.
O grupo é uma entidade psicossociológica que é encontrado nas organi-
zações. Desta forma, os grupos possuem uma forma de interação entre seus
membros, objetivos, padrões e normas de comportamentos estabelecidos espe-
cíficos, e essas características são identificadas nos diferentes níveis e áreas de
qualquer organização.
Atualmente constata-se uma preocupação dos profissionais gestores sobre a
importância e a influência do grupo/equipe na organização, uma vez que estes
possuem uma força poderosa e de impacto na dinâmica do trabalho em grupo/
equipe para a organização.
A psicologia social estuda o fenômeno grupal e esta entidade é vista de forma
diferente por várias teorias, como a de Kurt Lewin, Dinâmica de grupo e Teoria
de Interação, mas o termo grupo é entendido por elas como a formação de duas
ou mais pessoas que possuem um conjunto de normas, crenças e valores, e que,
implicitamente ou explicitamente, mantêm relações definidas de tal forma que o
comportamento de cada um traz consequências para os demais.

Os Três Níveis do Comportamento Organizacional


74 UNIDADE III

Com isto, o grupo enfatiza a necessidade de um objetivo comum, a capacidade


de o objeto satisfazer às necessidades dos membros do grupo, a interação entre os
membros do grupo como fator fundamental da definição de grupo (AGUIAR, 2005).
Quando se fala de grupo, se relaciona a liderança com o desempenho e a
produtividade do grupo, pois o predomínio de um ou outro tipo de liderança
depende da importância atribuída pelo grupo à tarefa.
O papel que o líder assume no grupo é determinado pelas necessidades do
grupo, também pelos atributos de personalidade, capacidades e habilidades que
caracterizam o líder e que são percebidos pelos demais membros. Dependendo

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
da necessidade desaparece o atual líder e aparecem outros. Assim, para os grupos
serem produtivos devem ser flexíveis, e seus diversos membros devem exerci-
tar a liderança.
O líder pode exercer várias funções como: coordenador das atividades do
grupo, como planejador, definidor de políticas, um especialista, representante
externo do grupo, controlador das relações internas, depositário de recompensas e
punições, exemplo e símbolo do grupo, substituto da responsabilidade individual,
define a ideologia para o grupo, figura paterna e bode expiatório (AGUIAR, 2005).
Dessa maneira, o exercício das funções de liderança no grupo está relacionado
com o poder social, que é a capacidade da pessoa de influenciar uma ou mais pes-
soas para agirem de uma determinada maneira, sendo uma influência interpessoal.
O poder pode ser baseado em diversos fatores como: de recompensa, coa-
ção (punição), legítimo (hierarquia de autoridade), referência (desejo de ser
semelhante ao outro) e especialista (conhecimento percebido pelos demais)
(AGUIAR, 2005).
Com isso, também podem ser utilizados mecanismos psicológicos para anu-
lar a influência do poder no grupo, como a desmoralização da pessoa no grupo,
podendo ser de forma profissional ou pessoal; fazendo com que os integrantes
do grupo o desconsidere devido a essas características relevantes.
Dessa forma, o estudo do comportamento organizacional grupal ou com-
portamento meso-organizacional vem contribuir para que os profissionais da
organização possam buscar encontrar formas para incentivar a cooperação,
melhoria da produtividade em grupo e as combinações de aptidões entre mem-
bros de uma equipe para aumentar o desempenho do grupo ou equipe.

COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL
75

O artigo do psicólogo Geofilho Ferreira Moraes, “Grupos e equipe de trabalho


nas organizações” (2011) considera que quanto mais periférico o indivíduo,
mais facilidade ele tem em mudar de comportamento em relação ao grupo
ou ao poder exercido pelo grupo. Em consequência, o seu poder de influên-
cia é pequeno. No entanto, ele pode servir de aliado a outros inconformados
para pressionar mudanças na estrutura de poder. Esse movimento muitas ve-
zes deságua na ruptura do grupo, ou na modificação do poder antigo, cujos
membros que permanecem no grupo passam agora a representar o que cha-
mamos de grupo minoritário, e começa tudo outra vez. Todos já assistimos
a isso, e vamos assistir sempre. Se olharmos a política e os comportamentos
dos políticos, veremos que exemplares aulas práticas eles nos dão sobre es-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

sas relações de poder. Há organizações que, por não haver mudança na es-
trutura de poder, muitas vezes morrem, quebram, entram em falência. Essa
dinâmica é fundamental, tanto para preservar a democracia política quanto
para garantir a flexibilidade necessária à sobrevivência das organizações.

COMPORTAMENTO MACRO-ORGANIZACIONAL
(SISTEMA ORGANIZACIONAL)

O comportamento macro-organizacional diz respeito à compreensão dos compor-


tamentos organizacionais de forma inteira, uma totalidade. A sua origem se deu
em quatro disciplinas: a sociologia, com as teorias sociais sobre estrutura, status
social e relações institucionais; a ciência política, com sua teoria de conflito, poder,
negociação e controle; a antropologia, teoria sobre simbolismo, influência cultu-
ral e análise comparativa; e a economia, sobre a teoria de competição e eficiência.
Assim, deve-se considerar que a estrutura interna da organização contribui
para explicar e prever o comportamento dos colaboradores, pois organizações
com altos níveis de formalização, especialização, estrita adoção de cadeia de
comando, pouca delegação de autoridade e pequena amplitude de controle pro-
porcionam pouca autonomia para seus colaboradores e, desta forma, quando o
controle é rígido, o comportamento tem pouco espaço para variação.
No entanto, nas organizações estruturadas, com pouca especialização, baixa
formalização, grande amplitude de controle, que oferecem maior liberdade aos
seus colaboradores e às pessoas, apresentam uma variação muito maior de com-
portamento (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2010).

Os Três Níveis do Comportamento Organizacional


76 UNIDADE III

Entretanto, a cultura organizacional é uma variável interveniente, uma vez


que os colaboradores formam uma percepção geral subjetiva da organização
baseando-se em fatores como o grau de tolerância aos riscos afetando o grau de
desempenho e a satisfação dos colaboradores. Quanto mais forte for a cultura
da empresa, maior é seu impacto.
Dessa maneira, quando gestores precisam ajustar a cultura da empresa com
o ambiente, percebe-se que em organizações com uma cultura forte encontram
grande dificuldades, mas sabe-se que a cultura organizacional pode ser modifi-
cada aos poucos ao mesmo tempo em que ela molda seus colaboradores.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Acrescenta-se também que as políticas e as práticas de recursos humanos
como as práticas de seleção, programas de treinamento e desenvolvimento, sistema
de avaliação de desempenho de uma organização representam forças importantes
para moldar as atitudes e comportamentos de seus colaboradores para que estes
apresentem uma maior facilidade em se ajustar às atribuições da organização,
aperfeiçoem suas habilidades necessárias para realizar suas tarefas com sucesso
e com isso aumente seu desempenho nas tarefas organizacionais com sucesso.
Conclui-se com isto que o comportamento macro-organizacional possui for-
ças internas que podem modificar o comportamento de seus colaboradores. Ela
se baseia em como comunicar, liderar, proporcionar decisões, lidar com estres-
ses e conflito, proporcionar negociação, tipos de poder e política e coordenar
atividades de trabalho.
Assim, essas três áreas de estudo do comportamento organizacional - indi-
vidual, grupal e organizacional - funcionam como variáveis independentes do
comportamento organizacional e irão determinar as outras variáveis que ire-
mos ver a seguir.

COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL
77

VARIÁVEIS DO COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL

VARIÁVEIS INDEPENDENTES DO COMPORTAMENTO


ORGANIZACIONAL

As três áreas do comportamento organizacional - sistema organizacional, grupo


e pessoas - possuem variáveis independentes do comportamento organizacional
que podemos classificar como:
a. Variáveis no nível do sistema organizacional representam as variáveis loca-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

lizadas na organização como um todo, o desenho organizacional, cultura


organizacional, processos de trabalho e outros. Considerando que o todo
é diferente de suas partes constituintes.
b. Variáveis no nível do grupo, que são localizadas no comportamento gru-
pal, lembrando que o comportamento em grupo é diferente do individual.
c. Variáveis no nível individual, formada pelas características individuais das
pessoas que trabalham na organização, que são as personalidades, histó-
ria pessoal, educação, competências, aprendizagem, motivação e outros
(CHIAVENATO, 2010).

Essas variáveis independentes condicionam o comportamento organizacional e


configuram as variáveis dependentes apresentadas a seguir.

VARIÁVEIS DEPENDENTES DO COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL

As variáveis independentes do comportamento organizacional provocam con-


sequências nas variáveis dependentes em sua interação, que são:
a. Nível de Desempenho individual afeta o desempenho grupal e este con-
diciona o desempenho organizacional. Assim, o bom desempenho pode
facilitar o sucesso da organização como o mau desempenho não agregar
valor à organização.
b. Absenteísmo na organização está ligado ao engajamento no trabalho, e a ausên-
cia de pessoas faz com que não sejam atingidos os objetivos organizacionais.

Variáveis do Comportamento Organizacional


78 UNIDADE III

c. O Turnover ocorrido na organização está ligado à fidelidade das pessoas


para com a organização, um alto nível de turnover promove um alto custo
para a organização e dificulta o atingimento de suas metas e objetivos.
d. Satisfação no Trabalho está ligada à atração e manutenção de talentos na
organização, assim manter um clima sadio motiva as pessoas e estimula
seu comprometimento.
e. Cidadania organizacional incentiva um comportamento individual que
vai além dos deveres e exigências da organização, promovendo fidelidade
e comprometimento das pessoas com os objetivos, regras e regulamentos

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
organizacionais (CHIAVENATO, 2010).

VARIÁVEIS INTERMEDIÁRIAS

As variáveis independentes e dependentes do comportamento organizacional


produzem variáveis intermediárias nessa relação sistêmica. As variáveis mais
importantes são:
a. Produtividade, que é uma medida de desempenho que inclui a eficiência
e a eficácia. A eficiência significa o uso adequado dos recursos disponí-
veis e a eficácia o alcance de metas e objetivos definidos.
b. Adaptabilidade e flexibilidade refletem a capacidade de manobrar situa-
ções novas e diferentes na organização.
c. Qualidade em atender às necessidades dos clientes internos e externos,
no padrão de vida organizacional, nos produtos e serviços e adequação
a um determinado padrão tomado como referência.
d. Inovação é um diferencial competitivo da organização.
e. Satisfação do cliente, capaz de atender às expectativas e aspirações do
cliente sendo um indicador do sucesso organizacional (CHIAVENATO,
2010).

COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL
79
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

VARIÁVEIS RESULTANTES

Dessa forma, as variáveis resultantes ou finais são os resultados das variáveis


intermediárias. As variáveis resultantes mais significativas são:
Alcance dos objetivos organizacionais, quando ocorre um melhor desem-
penho da força de trabalho, adaptabilidade, flexibilidade das pessoas, inovação
constante e a satisfação do cliente, ajudam no alcance dos objetivos organizacionais.
Valor econômico agregado é a riqueza incorporada à organização em decor-
rência dos resultados que produzem um emergente sistêmico como forma de
capital financeiro ou intelectual.
Renovação organizacional com constante revitalização da organização por
novas práticas e processos.
Crescimento resulta do valor econômico agregado quando permite condi-
ções para que a organização aumente suas competências e seus recursos.
Dessa forma, observa-se que o comportamento organizacional está relacio-
nado com a maneira como as organizações se comportam nesse mundo dinâmico e
mutável, e este comportamento depende dos grupos e das pessoas que os formam.
Diariamente o comportamento organizacional se defronta com as novas e
mutáveis realidades do mundo do trabalho, pois o mundo está mudando com
uma rapidez incrível, a globalização permitiu uma mudança rápida e profunda.

Variáveis do Comportamento Organizacional


80 UNIDADE III

O ambiente de negócios também se modificou, e o conhecimento se tor-


nou a moeda mais importante neste terceiro milênio. A força de trabalho hoje
se caracteriza por aspectos diversos, mudança e desenvolvimento.
Assim, as expectativas dos clientes e consumidores também estão se modifi-
cando em todo momento e as organizações precisam acompanhar ou antecipar
as expectativas e necessidades dos clientes.
Conclui-se então que as organizações estão mudando para viver e prospe-
rar em um ambiente de negócios complexo e mutável, os gerentes e dirigentes
estão percebendo a necessidade de constantes ajustes e mudanças pessoais e

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
organizacionais para assegurar a competitividade em um contexto de desafios e
incertezas. E assim, o conhecimento humano se tornou o principal fator de pro-
dução de riquezas para a organização.
A utilidade do comportamento organizacional consiste em permitir uma
maneira de pensar sistematicamente sobre o comportamento de pessoas e de
grupos em um trabalho integrado, oferecer termos e conceitos para comparti-
lhar, discutir e analisar a experiência do trabalho, propor um conjunto de técnicas
para lidar com problemas no trabalho, desenvolver estratégias para melhorar a
qualidade de vida no trabalho e criar condições para tornar as organizações mais
eficazes e competitivas (CHIAVENATO, 210).
Em seguida, será abordado o assunto sociedade da informação e do conhe-
cimento para entendermos e compreendermos o momento social que as
organizações estão vivenciando.

COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL
81
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO

Prezado(a) aluno(a), inicialmente foi contextualizada a história da sociedade


para compreendermos as transformações que ocorreram nas empresas devido
às necessidades de adequação a cada nova sociedade.
Alguns autores (SAVAGE, 1996; KORDIS, 1998; TOFFLER, 1980 apud
ANGELONI, 2010) denominam essas transformações como onda. Conforme
esses autores, a onda surge à medida que as crenças, valores e comportamentos
vão se acumulando e assim são disseminados no interior e entre as sociedades.

i CÉREBRO
MÚSCULO
n
f
o
r 4ª Onda
Conhecimento
m
a 3ª Onda
Informação
ç 2ª Onda
Industrial
ã 1ª Onda
o Agricultura

tempo
Gráfico 01: Evolução da Sociedade

Sociedade da Informação e do Conhecimento


82 UNIDADE III

Para entendermos a evolução da sociedade neste contexto organizacional, pre-


cisamos analisar quatro variáveis importantes, que são:
a. Ondas de mudança.
b. A duração de cada uma das ondas.
c. A curva da informação.
d. A separação entre ondas do músculo e do cérebro.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
A. ONDAS DE MUDANÇA

Podemos classificar as principais ondas de mudanças em ordem cronológica


como a onda da agricultura, a onda industrial, a onda da informação e a onda
do conhecimento.
A primeira onda, da agricultura, surgiu há aproximadamente cinco mil anos
e perdurou até o século XIX com o surgimento da industrialização. Nesta fase,
os dominadores eram os detentores de terra e os explorados foram escravos e
depois os serviçais, não modificando a forma de exploração, somente modifi-
cando a nomenclatura, de escravos para serviçais
A segunda onda, a industrial, surge no início do século XX, com o surgimento
das indústrias principalmente nos países industrializados, os dominadores eram
os donos das indústrias que possuíam as máquinas e o capital. Os explorados são
os operários, pessoas que migraram da zona rural para a zona urbana vindo a
constituir a cidade oferecendo sua mão de obra braçal. A negociação ocorria de
forma que a maior parcela do valor de venda do produto ficava com quem trans-
formava o produto e não com quem plantava ou extraía o produto da natureza.
Na terceira e quarta onda, denominadas como a da informação e do conhe-
cimento, domina quem possui a informação e o conhecimento e os utiliza para
seus fins lucrativos. Nessas ondas, fica com a maior parcela final do produto
quem cria a informação e o conhecimento, de acordo como OCDE – Relatório
anual de 2001, quem produz o conhecimento fica com 55% do valor do pro-
duto, enquanto que 30% é do capital financeiro e 15% da força de trabalho.

COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL
83

Vale ressaltar que as ondas não são lineares, uma onda perde a sua domi-
nação na sociedade para uma outra onda, mas seus resquícios são encontrados.
Acrescento que também pode acontecer delas se complementarem, por exemplo,
a incorporação da onda do conhecimento com a onda industrial para melhorar
a qualidade do produto.
Nessa passagem da onda industrial para a onda do conhecimento, a valo-
rização se modifica dos bens ativos tangíveis para os bens ativos intangíveis.
Os bens ativos tangíveis são os bens encontrados na organização como
as construções, as máquinas, equipamentos. Os bens ativos intangíveis são as
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

pessoas, suas competências, a propriedade intelectual, os processos de negó-


cios e outros.
Angeloni (2010) considera que os bens intangíveis são denominados tam-
bém de capital intelectual, que possui quatro componentes:
■■ Ativos centrados no humano, que compreendem as habilidades cole-
tivas, capacidade criativa, liderança, empreendedorismo, capacidade
de comunicação e habilidades gerenciais incorporadas nas pessoas da
organização.
■■ Ativos de propriedade intelectual, que incluem know-how, direitos auto-
rais, registro de patentes e outros direitos.
■■ Ativos de infraestrutura, que se referem às tecnologias, metodologias e
processos, os quais permitem o funcionamento da organização, incluindo
métodos de gerenciamento das forças de venda, base de dados, de infor-
mações, clientes, sistemas de comunicação.
■■ Ativos de mercado, que definem o potencial da organização em termos
de ativos intangíveis relacionados ao mercado, incluindo marcas, atendi-
mento ao mercado, posicionamento e valor de mercado.

Assim, os bens ativos intangíveis valorizados na onda da informação e do conhe-


cimento são vistos e utilizados como fontes de riqueza entre os bens econômicos
que geram inovação e agregam conhecimento aos produtos e serviços.

Sociedade da Informação e do Conhecimento


84 UNIDADE III

B. A DURAÇÃO DE CADA ONDA

Constatamos que a duração das ondas foi sendo gradativamente menores com
o passar do tempo. A primeira onda, da agricultura, durou aproximadamente
cerca de cinco mil anos, a segunda onda, a industrial, teve uma duração aproxi-
mada de trezentos anos, a terceira onda, a informação, algumas décadas e hoje
se apresenta a onda do conhecimento.
Podemos encontrar em algumas literaturas que não se separam as ondas da
informação e do conhecimento, e outras literaturas acrescentam outras ondas como

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
a do espírito e sabedoria, mas ficaremos na análise das quatro ondas principais.

C. A CURVA DA INFORMAÇÃO

Atualmente, na sociedade percebe-se que a quantidade de informações dispo-


níveis aumentou e tem aumentado de forma avassaladora na última década,
permitindo que pessoas de qualquer lugar do mundo se comuniquem e rece-
bam informações a todo o momento sobre o que acontece no mundo, é o efeito
da globalização na vida das pessoas, organizações e sociedade.
Um administrador há 50 anos possuía pouco conhecimento para ter uma
decisão frente a uma negociação, hoje, esse mesmo administrador pode ter
acesso a uma imensidão de dados, conhecimento para gerenciar e tomar deci-
sões mediante algumas negociações.
Assim, constata-se que a curva da informação cresce de forma acelerada
transformando a vida das pessoas e organizações, e cabe a elas saberem como
utilizar estas informações.

D. A SEPARAÇÃO ENTRE ONDAS DO MÚSCULO E DO CÉREBRO

Na onda agrícola e na onda industrial havia uma separação de papéis da organi-


zação daqueles que investiam seu pensamento e os que investiam seus esforços
braçais. Podemos visualizar isso claramente no filme de Charles Chaplin, “Tempos
Modernos”, este filme mostra claramente a fase da onda industrial e as divisões
de papéis na organização.

COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL
85

Já na onda da informação e do conhecimento, em que a sociedade possui


uma grande quantidade de informação e conhecimento, os gestores são incapazes
de processá-las sozinhos, necessitando da participação de todos os profissionais
envolvidos na organização, assim, os profissionais que investem sua mão de obra
braçal também participam com seu conhecimento.
Hoje, as organizações percebem que, para sobreviver nesse mercado globa-
lizado, competitivo e instável, necessitam não apenas de profissionais com sua
mão de obra, músculos, mas também precisam de profissionais pensantes, gera-
dores de ideias e de conhecimentos.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

Para tratarmos da sociedade da informação, será conceituada a informação para


um melhor entendimento.
Informações são dados com significados, dotados de relevância e propósito.
São dados contextualizados que visam fornecer uma solução para uma determi-
nada situação de decisão (ANGELONI, 2010).
Complementa Carvalho (2001) que a informação não é só o escrito, o con-
creto, o fato, mas também o sensitivo, o que se capta através de nossa sensibilidade
e o que estabelecemos com os nossos pares como válido para os grupos aos quais
pertencemos e que se relacionam com a nossa necessidade de aceitação pessoal.
Dessa forma, percebe-se que os processos de trabalho são sempre a princi-
pal fonte de informações no ambiente interno da empresa.
Assim, é denominada Sociedade da Informação o período do final do século
XX que está em processo de formação até hoje.
Essa fase se caracteriza pelas constantes mudanças imprevistas e inespera-
das. A facilidade de acesso à informação, fornecendo uma gama de informações
num curto período de tempo e quase em tempo real, permitiu uma mudança
global em todos os setores e na vida da sociedade.

Sociedade da Informação
86 UNIDADE III

A produção de informa-
ção ocorre a todo momento,
em casa, na escola, no trabalho,
mas ela precisa ser disseminada
para a sociedade por meio da
comunicação e, com o desen-
volvimento da tecnologia, a
internet está propiciando isso
a todo momento.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Assim, hoje, presenciamos
uma explosão da tecnologia,
explosão da ciência, explosão
da informação e de acesso à informação, vivemos a era da Informação. E foi a
informatização que transformou o mundo, a vida das pessoas e das organiza-
ções de modo globalizado.
A tecnologia da informação forneceu condições para a globalização da eco-
nomia e, desta forma, a economia internacional transformou-se em economia
mundial e global. Assim, o mercado de capitais ficou mais volátil podendo inves-
tir em qualquer lugar no mundo e assim trouxe uma competitividade intensa
para as organizações.
Neste momento em que todos possuem informações em tempo real, as orga-
nizações mais bem-sucedidas transformam-nas em oportunidades de um novo
produto e serviço.
Dessa forma, o capital financeiro deixa de ser o mais importante recurso da
organização, e hoje está em seu lugar o conhecimento, este se tornou o recurso
diferencial de todas as organizações, cabe a elas saber como usá-las e aplicá-las
de modo rentável.
Os fatores tradicionais de produção como terra, mão de obra e capital torna-
ram-se menos rentáveis, e o conhecimento do capital humano tornou-se básico,
necessário e de responsabilidade gerencial.
Nesta sociedade da informação, o emprego migrou do setor industrial para o
setor de serviços, o trabalho manual substituído pelo mental, uma era baseada no
conhecimento e no setor terciário.

COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL
87

Dessa maneira, constata-se que neste período de turbulência, de volatili-


dade, de mudanças rápidas para as pessoas e para as organizações, conforme
Chiavenato (2010), muitos paradigmas foram se modificando, como:
a. A revolução digital, que trouxe a tecnologia da informatização e da comu-
nicação, eliminou fronteiras políticas e organizacionais.
b. Uma nova visão cosmopolita do mercado global, nascendo uma globa-
lização dos mercados, concorrências, capital financeiro e necessidade
de inovação gerencial a todo momento para sobrevivência no mercado
organizacional.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

c. A substituição da economia manufatureira e exploração de recursos natu-


rais pela a economia baseada no valor do conhecimento, na informação
e na inovação.
d. Diferenciação da economia global da economia virtual nas transações
mundiais e instrumentos sintéticos.
e. Reequilíbrio geopolítico decorrente da nova economia mundial.
f. Gradativa incapacidade dos governos nacionais em controlarem seus pró-
prios destinos político-econômicos.
g. Crescente terceiro setor formado pela sociedade civil e ampla variedade de
cidadãos baseada na cooperação e nas fusões torna difícil uma distinção
entre o setor público e privado.
h. Surgimento de formas inéditas de organizações dentro de e entre empresas,
com equipes interdisciplinares não hierárquicas, proliferação de alianças
estratégicas, organizações virtuais e megaconcorrência entre rivais como
as indústrias automobilísticas, aeroespacial e chips de computadores.
i. Substituição no centro de gravidade econômica do mundo empresarial,
das grandes empresas multinacionais para empresas menores, mais ágeis
e empreendedoras.
j. Aumento da importância comercial, política e social do ambiente e pre-
ocupação ecológica.

Sociedade da Informação
88 UNIDADE III

Todas essas tendências fazem com que ocorra uma transformação intensa na
velocidade, complexidade e imprevisibilidade em todas as áreas organizacio-
nais e em toda sociedade.
A sociedade é mutável, mas na fase da sociedade da informação essa muta-
ção é constante, criando novos paradigmas para a sociedade se baseando na
informação.
A informação se tornou uma ferramenta importantíssima na busca de conhe-
cimento, produção de riquezas, contribuição para uma melhor qualidade de
vida das pessoas. E para essa sociedade avançar, todos devem ceder às tecno-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
logias da informação e comunicação para suas relações interpessoais, vida no
trabalho e lazer.
No entanto, esta sociedade da informação pode gerar grandes diferenças
sociais, pois seu grau de exigência é elevado. Constata-se cada vez mais a neces-
sidade de qualificações profissionais para sobrevivência no mercado. Nesta
sociedade, onde vive-se do poder da infomação, é necessário e primordial a atu-
alização constante de novas tecnologias nos países, empresas e entre as pessoas.
A sociedade da informação exige pessoas com formação ampla e especializada,
proativas, empreendedoras e criativas, além de dominar no mínimo duas línguas,
requisitos que a maioria da população não possui devido à dificuldade de acesso
ao conhecimento, que tem como principal responsável os fatores econômicos.
Mas não se pode negar que a informatização trouxe uma melhora na qualidade
de vida das pessoas. Surgiram máquinas e robôs nas indústrias, mas em contra-
partida isso aumentou a taxa de desemprego com o desaparecimento de várias
profissões, mas se teve a reconversão de outras.
As facilidades e praticidades que a tecnologia trouxe aumentaram o nível
de complexidade da informação e a economia também foi influenciada por este
processo.

COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL
89

SOCIEDADE DO
CONHECIMENTO

Para compreendermos melhor a sociedade


do conhecimento, será conceituado conheci-
mento para um melhor esclarecimento desta
sociedade.
O conhecimento pode ser entendido
como informação significativamente orga-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

nizada, acumulada e incorporada no processo


de criação de conhecimento ou da sua apli-
cação objetivando uma ação (MAIER apud
ANGELONI, 2010).
Complementa Angeloni (2010) que
conhecimentos podem ser considerados
como as informações processadas pelos indivíduos. O valor agregado à informação
depende dos conhecimentos anteriores dos mesmos. Adquirimos conhecimento
por meio do uso da informação das nossas ações, ou seja, o uso dos índices finan-
ceiros na tomada de decisão gera o conhecimento.
Assim, o conhecimento é formado a partir da informação, existe todo um
trabalho intelectual, científico sobre o objeto estudado.
Desta forma, nestes últimos anos em que vivemos a era da Informação, sabe-
mos que a informação que temos hoje é imensa e para ela se transformar em um
conhecimento depende de todo um contexto, saber interpretá-las e traduzi-las
em uma nova realidade.
Todo nosso conhecimento está vinculado à emoção, motivação, sentimen-
tos que nos direcionaram para produzir aquele conhecimento.
O homem não vive sozinho, ele é um ser social, precisa de uma sociedade
para entender-se como pessoa. Assim, seja na família, escola, empresa, estamos
aplicando o entendimento sobre a produção do conhecimento.
Dessa forma, muitos falam de uma nova era, a Era do Conhecimento, estamos
vivendo um período de transição em que estão presentes os fatos da informa-
ção e do conhecimento.

Sociedade do Conhecimento
90 UNIDADE III

Nas organizações, para sobreviver nesse mercado competitivo, mutável, ins-


tável, iniciou-se um processo de mudança no foco de investimento, que antes se
direcionava ao produto e no cliente, passando agora a investir também nas pes-
soas que fazem parte de sua organização, em seu capital humano, necessitando
que eles disponibilizem seu arsenal de informação para que a organização possa
utilizar desse elemento de forma criativa em seus produtos e serviços.
Assim, exige-se que o capital humano da organização esteja em constante
desenvolvimento, autoconhecimento desenvolvendo seu talento constantemente,
pois é o diferencial de cada organização. Essa é a era do conhecimento, um estado

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
de constante formação intelectual, capacitação e aperfeiçoamento.
Muitas organizações estão investindo na gestão do conhecimento nessa era
do conhecimento. Pois o homem preparado para a organização do conhecimento
não é só preparado tecnicamente, é preparado emocional e psicologicamente
para a troca e o compartilhamento, para ensinar e aprender com o outro. As
organizações do conhecimento trabalharão em equipe, os processos de traba-
lho deixarão de ser propriedades dos gerentes e passarão a ser grandes cadeias
produtivas, em que cada um agrega aquilo que conhece, tendo características
multidisciplinares, com os mais diversos níveis de conhecimento.
Assim, a gestão do conhecimento é complexa, pois envolve variáveis que englo-
bam o indivíduo (inteligência, atitude, experiência e maturidade), o meio ambiente
onde se está inserido e o tipo de conhecimento utilizado (explícito), e essa base de
conhecimento deve ser compreendida principalmente como fonte de competências
para aprendizagem contínua da inteligência competitiva no mercado organizacional.

Caro(a) Aluno(a), nestes links você poderá compreender melhor o assunto vi-
sualizando o comportamento organizacional grupal, em que são apresentadas
as características de grupo/equipe, e a quarta onda que estudamos, a socie-
dade do conhecimento. O consultor de empresas Waldez Luiz Ludwig relata a
importância da gestão do conhecimento que abordamos nesta unidade.
<http://www.youtube.com/watch?v=h6gwbwP53mc>.
<http://www.youtube.com/watch?v=Qsm4YrgnWUU&feature=related>.

COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL
A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NO CONTEXTO ORGANIZACIONAL
Marta Ligia Pomim Valentim*

A informação e o conhecimento têm papel O indivíduo corporativo gera, compartilha


fundamental nos ambientes corporativos, e usa informação e conhecimento e, por
porque todas as atividades desenvolvidas, meio dessas ações, alimenta a estrutura
desde o planejamento até sua execução organizacional, que o retroalimenta. Essa
propriamente dita, assim como o processo dinâmica é inerente ao indivíduo corpora-
decisório, são apoiadas por informação e tivo e à organização. Daí a importância da
conhecimento. Esse fato é conhecido dos informação e do conhecimento e da ne-
gestores que, de certa forma, tentam, por cessidade de gerenciá-los eficientemente.
meio de sistemas informacionais, resolver
ou amenizar as questões inerentes à infor- Para isso, é necessário que os gestores
mação e ao conhecimento. tenham clareza quanto aos aspectos ine-
rentes à informação e ao conhecimento.
Primeiramente, é importante compreen- A gestão da informação e a gestão do co-
der a organização como núcleo da socie- nhecimento são modelos de gestão que
dade, no sentido de que ela congrega pes- fornecem as condições necessárias para
soas, sustenta a economia, gera empregos, gerenciar eficazmente esses dois elemen-
profissionaliza e especializa a atuação dos tos tão importantes para a organização.
indivíduos, em suma, influencia a cultura No entanto, é preciso entender a gestão
e a própria sociedade. Para Morin1 a “em- da informação e a gestão do conhecimen-
presa é colocada num meio ambiente ex- to na sua complexidade.
terno que por sua vez integra um sistema
eco-organizado ou ecossistema”. Compre- Para muitos gestores, gestão da informa-
ender a organização em sua complexidade ção e gestão do conhecimento resume-se
redimensiona o papel da informação e do à implantação de uma tecnologia ou de
conhecimento neste contexto. várias tecnologias que darão maior agi-
lidade às questões informacionais, não
Compreende-se a organização, por meio observando outros elementos funda-
do enfoque sistêmico, de que é uma to- mentais para esse gerenciamento, como
talidade integrada através de diferentes por exemplo, a cultura organizacional, a
níveis de relações, sua natureza é dinâmi- comunicação, a estrutura (formal e infor-
ca e suas estruturas não são rígidas, mas mal), a racionalização (fluxos e processos),
sim flexíveis embora estáveis. Ela é resul- as redes de relacionamento etc. É um erro
tante das interações e interdependência acreditar que a gestão deve focar um úni-
de suas partes2, a informação e o conhe- co elemento, porquanto todos os elemen-
cimento podem ser considerados como o tos inerentes à informação e conhecimen-
sangue que circula nesta estrutura. to precisam fazer parte da gestão.
Da mesma forma, é preciso ter clareza como um conjunto de estratégias para
quanto ao papel da gestão da infor- criar, adquirir, compartilhar e utilizar
mação e da gestão do conhecimento, ativos de conhecimento, bem como es-
pois são coisas diferentes, porém com- tabelecer fluxos que garantam a infor-
plementares. Entende-se gestão da mação necessária no tempo e formato
informação como um conjunto de es- adequados, a fim de auxiliar na geração
tratégias que visa identificar as necessi- de idéias, solução de problemas e toma-
dades informacionais, mapear os fluxos da de decisão4.
formais de informação nos diferentes
ambientes da organização, assim como A informação e o conhecimento, insumos
sua coleta, filtragem, análise, organi- do fazer organizacional, precisam ser mais
zação, armazenagem e disseminação, bem gerenciados, para isso os gestores
objetivando apoiar o desenvolvimento devem ter um olhar macro das questões
das atividades cotidianas e a tomada que envolvem esses insumos, assim como
de decisão no ambiente corporativo3. devem perceber a complexidade que en-
A gestão do conhecimento é entendida volve as organizações no mundo atual.

* Doutora em Ciências da Comunicação (ECA/USP). Docente da UNESP/Marília. Coordenadora da


Coordenadoria Geral de Bibliotecas da UNESP. Vice-Presidente da Associação de Educação e Investigação
em Ciência da Informação da Iberoamerica e Caribe / Asociación de Educación e InvestigaciónenCiencia
de la Información de Iberoamérica y el Caribe (EDICIC). Coordena o Grupo de Trabalho “Gestão da
Informação e do Conhecimento nas Organizações” (GT-4), da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-
Graduação em Ciência da Informação (ANCIB). Autora de livros na área.
MORIN, E. Introdução ao pensamento complexo. Porto Alegre: Sulina, 2005. 120p.
1

CAPRA, F. O ponto de mutação. São Paulo: Cultrix, 2002. 28.ed. p.260-61


2

VALENTIM, M. L. P. Inteligência competitiva em organizações: dado, informação e conhecimento. DataGra-


3

maZero, Rio de Janeiro, v.3., n.4, ago. 2002.


VALENTIM, M. L. P. et al. O processo de inteligência competitiva em organizações. DataGramaZero, Rio de
4

Janeiro, v. 4, n. 3, p. 1-23, 2003.


93

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para concluir todo o trabalho, vamos relembrar um pouco o que foi discutido
nesta unidade III. O estudo do comportamento organizacional é necessário para
compreender a dinâmica organizacional, pois suas características são peculiares,
além de suas normas, cultura e valores. A sua importância se dá para compre-
endermos como a organização funciona e assim poder se relacionar e trabalhar
nela de forma eficaz.
O comportamento organizacional é estudado também para prever e
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

modificar o comportamento humano no contexto das empresas, seja esse com-


portamento de forma individual, ao qual chamamos de micro-organizacional,
em grupo ou equipe, chamado de meso-organizacional, e de forma holística,
macro-organizacional.
Em seguida, foi abordado o histórico da evolução da sociedade para com-
preendermos suas transformações e suas implicações nas organizações. Temos a
sociedade agrícola, a sociedade industrial, a sociedade da informação e a socie-
dade do conhecimento.
Na sociedade agrícola e industrial, havia uma separação de papéis das pes-
soas que investiam seu conhecimento e os que investiam seus músculos. Já na
sociedade da informação e do conhecimento, as organizações percebem que
precisam da participação de todas as pessoas que fazem parte de sua organiza-
ção para processar as informações e contribuírem com seu conhecimento, pois
somente dessa forma, com a participação conjunta, poderão sobreviver nesse
mercado globalizado e competitivo.
Assim, o estudo do comportamento organizacional e o entendimento das
transformações que vivemos atualmente são de grande valia para os profissionais
que atuarão nas organizações sabendo lidar e entendendo seus relacionamen-
tos com os colegas de profissão, grupos e equipes e por fim com a organização.

Considerações Finais
1. De acordo com os estudos realizados nesta unidade III, escreva a importância
de os gestores conhecerem o comportamento organizacional de sua empresa.
2. Podemos classificar as mudanças da sociedade como sociedade agrícola, so-
ciedade industrial, sociedade da informação e sociedade do conhecimento.
Dessa forma, descreva três influências que transformaram sociedade industrial
na sociedade da informação.
3. Muitos autores apresentam a sociedade da informação junto com a socieda-
de do conhecimento, uma vez que vivemos uma fase de transição entre estas
duas sociedades. Assim, apresente duas características que identificam a so-
ciedade do conhecimento.
MATERIAL COMPLEMENTAR

Sociedade da Informação – Os Desafios da Era da Colaboração


e da Gestão do Conhecimento
Adalton M. Osaki e Domerval Polizelli
Editora: Saraiva, 2007
Sinopse: No Brasil ainda se usa a expressão Sociedade da Informação de
uma maneira genérica, até mesmo imprecisa. “Sociedade da Informação -
Os Desafios da Era da Colaboração e da Gestão do Conhecimento” propõe
um enfoque mais elaborado: compreender essa expressão como um
produto de diversas ações articuladas por políticos e agências específicas
em cada país ou regiões econômicos. Os projetos de Sociedade da
Informação integrando simultaneamente inovações tecnológicas, novos
desenhos de colaboração e competição entre empresas (redes de negócios
e desenvolvimento), programas de inclusão digital para setores de risco,
políticas de colaboração internacional e, principalmente, experiências de
desenvolvimento de capital humano.

A Gestão do Conhecimento Como Solução


Clauss Jorge Suffert
Editora: Qualitymark
Sinopse: No decorrer das páginas deste livro, Claus vai relatando, num
estilo quase coloquial, experiências vividas em sua carreira profissional,
relacionadas com o que hoje estamos chamando de Gestão do
Conhecimento. O autor se deu conta de que, ao longo de quase 50 anos
de atuação em organizações de diversas naturezas, foi migrando de
funções eminentemente técnicas, como a de engenheiro, até se tornar um
especialista em gestão pela qualidade - sempre guiado pela necessidade
de encontrar soluções para problemas reais do dia-a-dia. O relato serve
para mostrar que a gestão do conhecimento é quase que rotina básica de
muitas carreiras administrativas e técnicas, nas quais se apresentam belas
oportunidades para agregar importante valor à organização, seja através
da criação de soluções inovadoras, até a simples e prosaica divulgação
de pequenas instruções, enfrentando e resolvendo os problemas que, no
aqui-e-agora, fazem a diferença. Nada de heróico, de glorioso, de erudito
- apenas uma história real, como tantas outras que, somadas, contribuem
para o progresso da qualidade de vida sobre a Terra...’’

Material Complementar
Professora Me. Patrícia Rodrigues da Silva

CONFLITOS, NEGOCIAÇÃO

IV
UNIDADE
E PODER

Objetivos de Aprendizagem
■■ Conhecer os conceitos de conflitos, negociação e poder.
■■ Descrever os desdobramentos e as especificidades de cada conceito.
■■ Entender as relações de poder presentes nos relacionamentos e suas
concepções principais.
■■ Compreender o uso dos processos de negociação para a resolução
de conflitos e melhora nos relacionamentos.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ O conflito e seus desdobramentos
■■ A gestão de conflitos e suas perspectivas
■■ O processo de negociação
99

INTRODUÇÃO

Caríssimo(a) aluno(a), esta unidade foi elaborada com o intuito de explorar mais um
conjunto de temáticas de extrema importância para a sua prática em Administração
de Conflitos. Buscando o melhor desenvolvimento do trabalho, como também
tratar dos eixos principais voltados à questão de conflitos, negociação e poder, a
unidade foi subdividida em três abordagens: o conflito e seus desdobramentos; a
gestão de conflitos e suas perspectivas; e o processo de negociação.
Em um primeiro momento, foi tratado o tópico “O conflito e seus desdo-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

bramentos”. Nessa seção, procurarei evidenciar as principais definições sobre


conflitos, abordando também as suas características principais. Em um segundo
momento, falaremos da “Gestão de conflitos” em busca do entendimento sobre as
habilidades do administrador de conflitos para estabelecer bons relacionamentos.
Em seguida, vamos discutir “O processo de negociação”. Em muitos momen-
tos a negociação não é realizada de maneira adequada, e por esse motivo neste
tópico falaremos sucintamente da ética e também do poder.
É importante destacar ainda, que além das temáticas desenvolvidas, é neces-
sário desenvolver a reflexão individual ao iniciar e finalizar cada seção, pois essa
ação proporcionará melhor desenvolvimento do processo de aprendizagem sobre
o conteúdo em questão.

O CONFLITO E SEUS DESDOBRAMENTOS

Ao iniciar a nossa unidade sobre conflito, proponho a você a seguinte reflexão:


O que é conflito? Como o conflito influencia a vida de uma pessoa e também
daqueles que a cercam?
Podemos dizer que o conflito está associado a aspectos pessoais/individu-
ais, relacionamentos entre duas ou mais pessoas, relacionamentos entre grupos,
organizações, países e muito mais. Para que fique mais clara essa concepção, asso-
ciaremos então a possibilidade de existência de um conflito a qualquer tipo de
relacionamento estabelecido. Mesmo que esse relacionamento seja intrapessoal.

Introdução
100 UNIDADE IV

Mas o que isso quer dizer? Vamos lá!


Quando falamos em conflito, estamos falando também em uma divergência de
opiniões, pontos de vista que ocasionam disputas por espaços, sejam esses espaços
territoriais, organizacionais ou pessoais. Uma pessoa pode entrar em conflito con-
sigo mesma no momento de uma tomada de decisão, em um momento de pressão,
o que origina os conflitos intrapessoais. Duas ou mais pessoas podem entrar em
conflito umas com as outras, buscando defender seus ideais e crenças pessoais a
respeito de um assunto, são os conflitos interpessoais. Grupos de pessoais podem
entrar em conflito com outros grupos, em decorrência de diferentes ideologias, von-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
tades ou perspectivas. Podemos chamar esses de conflitos intergrupais. Também
não é incomum para nós visualizarmos conflitos entre países, grandes organiza-
ções, governos, partidos políticos e outras instituições maiores. Conflitos esses
que ocorrem principalmente devido à disputa por poder. Chamaremos essa cate-
goria de conflitos institucionais. Abordaremos a questão do poder mais adiante.
Essa subdivisão de alguns tipos de conflito tem como foco fornecer um
panorama para aqueles que se interessam pelo assunto, mas que em determi-
nados momentos não conseguem enxergar a presença de situações de conflitos.
Segundo Andrade, Alyrio e Macedo (2010), a palavra conflito provém do latim
conflictus, do verbo confligo do radical grego flag, que tem o significado de chocar
ou chocar-se. Os autores ainda dizem que por meio de
uma análise da literatura sobre o assunto, o conflito
é apresentado em sentidos diversos. O conflito é
visto como um processo de socialização quando
busca solucionar dualismos divergentes; pode
ser também uma competição ou um processo
dissociativo, pois pode caracterizar uma suspen-
são da comunicação entre as partes oponentes.
Mesmo com diversas definições, os autores
destacam a seguinte definição para o conflito: “[...]
traduz uma situação de divergência com a conotação
de tensão, de violência, ou, pelo menos, de iminên-
cia de ruptura de um equilíbrio tornado precário”
(ANDRADE; ALYRIO; MACEDO, 2010, p. 24).

CONFLITOS, NEGOCIAÇÃO E PODER


101

O que percebemos então é que o conflito, em sua essência, pode ser visto
como um processo de dissensão entre duas partes ou mais, que acaba de alguma
forma modificando a realidade vivenciada. Asseveram Andrade, Alyrio e Macedo
(2010) que a ocorrência do conflito decorre da incompatibilidade entre os propó-
sitos que se exteriorizam por meio das ações das pessoas. Ações essas que estão
associadas as suas percepções, culturas, valores, crenças e saberes.
Complementando o exposto, para Montana e Charnov (2006), o conflito
pode ser definido como a divergência entre duas ou mais partes, ou entre duas
ou mais posições sobre determinado assunto ou tema. Complementando essa
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

afirmativa cabe a concepção de Daft (1997) de que conflito significa que há um


desacordo e uma oposição fundamental entre as partes envolvidas.
Daft (1997) ainda complementa que o conflito é semelhante a uma compe-
tição, porém com características mais fortes. Enquanto a competição pode ser
vista com uma rivalidade entre as partes em busca de um prêmio comum, o con-
flito presume interferência direta com a realização de metas.
É possível perceber que os autores focam a questão do conflito voltada aos
ambientes organizacionais. Contudo, é possível analisar ambas as definições voltadas
não somente para os ambientes organizacionais, mas também para as relações exis-
tentes fora da empresa. Por exemplo, atualmente quando assistimos a um programa,
ouvimos uma música, lemos uma matéria sobre determinado assunto, podemos
também divergir com o que é tratado. Não estamos nesse caso em um embate com
alguém específico, mas com uma causa, que pode gerar um conflito intrapessoal, ou
até mesmo servir de “combustível” para um conflito com outras pessoas ou grupos.
Buscando ainda explorar o que é o conflito em si, Montana e Charnov (2006)
subdividem o conceito em: conflito interno, entre indivíduos, entre indivíduos
e grupos, entre grupos e entre organizações. Os tópicos a seguir buscarão escla-
recer o que significa cada uma dessas definições.
■■ Conflito interno: ocorre quando duas opiniões opostas ocorrem em um
único indivíduo. Por exemplo, quando o sistema de valores da pessoa
entra em conflito com o sistema de valores da organização.
■■ Conflito entre indivíduos: vistos dentro das organizações, são, na maio-
ria das vezes, o resultado de diferença de personalidades em decorrência
de uma disputa por recursos organizacionais ou projetos pessoais.

O Conflito e seus Desdobramentos


102 UNIDADE IV

■■ Conflito entre indivíduos e grupos: originam-se principalmente quando


uma pessoa é inserida em um grupo maior e não concorda com as nor-
mas de comportamento do grupo ou com os valores encontrados na
cultura organizacional.
■■ Conflitos entre grupos: similar ao conflito entre indivíduos, mas em
uma perspectiva maior, ocorre principalmente pela competição por
recursos escassos e pelos diferentes estilos gerenciais de cada área e/ou
departamento.
■■ Conflito entre organizações: decorrente principalmente da iniciativa

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
privada, que é caracterizada por uma competição vigorosa, já que cada
empresa procura o dinheiro do consumidor no mercado, “tirando-o” da
concorrência.

Montana e Charnov (2006) corroboram o que foi tratado anteriormente sobre


os tipos de conflitos. Os autores fazem menção às divergências pessoais, aos
contrastes existentes entre grupos, entre as pessoas e os grupos e também entre
organizações. Torna-se importante conhecer essa perspectiva, pois percebemos
que o conceito de conflito não é de todo diferente. O que existe são mudanças
de nomenclaturas, mas as definições estão sempre voltadas para a divergência
de opiniões, valores, metas e objetivos.
Voltando-se ainda para a perspectiva de Montana e Charnov (2006), os
autores destacam, e com muita maestria, que os conflitos não são de todo ruim,
pois podem ser vistos também como fonte de inovação e mudança. A partir do
momento em que as pessoas entram em “embate” também negociam e buscam
soluções que podem otimizar, modificar ou até mesmo criar novas formas de
desenvolvimento do trabalho que acabam por beneficiar a todos.
A perspectiva “pessimista” do conflito está voltada para o seu gerenciamento
de forma equivocada, o que será discutido posteriormente nesta mesma unidade.

CONFLITOS, NEGOCIAÇÃO E PODER


103

O exemplo exposto a seguir apresenta como uma divergência de opiniões


de departamentos dentro de uma organização pode causar um conflito:
O departamento de projetos de uma empresa deseja instalar uma bateria
de R$ 130,00 em um novo carro porque ela é menor e deixa mais espaço
para o motor no compartimento dianteiro. O departamento responsável pe-
los sistemas de manutenção de carros deseja uma bateria de R$230,00, que
dispensa manutenção e dura mais. Contudo, esta última bateria é um terço
maior do que a anterior, e exigirá um desenho diferente do motor.
Cada uma das divisões tem um ponto de vista e meta de desempenhos vá-
lidos, com o resultado final de que as próprias metas das unidades estão em
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

conflito.
Como gerenciar essa situação?
Adaptado de Montana e Charnov (2006)

Até o momento discutimos bastante sobre a definição de conflito, e espero que tenha
ficando claro para você. O próximo ponto que precisamos tratar, e que está intima-
mente ligado ao desenvolvimento do conflito nas organizações, são as fontes desses
conflitos. Convido-lhe então a fazer mais uma reflexão: quais são as fontes de con-
flito? Sabemos que o conflito se origina de divergências, mas que tipo de divergências?
Sempre uma das partes está errada? Como podemos gerenciar esse processo?
Ressalto que é necessário fazer algumas reflexões, pois somente dessa forma
podemos alcançar o entendimento sobre o assunto tratado.

COMO NASCEM OS CONFLITOS NAS ORGANIZAÇÕES

Até o momento falamos sobre as definições do conflito e algumas de suas especifi-


cidades. Nesse tópico, abordaremos as fontes de conflito, partindo do pressuposto
de que, a partir do momento que se conhecem tais fontes, torna-se possível tra-
balhá-las, gerando e abrandando as consequências do conflito gerado, ou até
mesmo evitando-o.

O Conflito e seus Desdobramentos


104 UNIDADE IV

Mas antes de falar das fontes de conflito em si, vamos falar da proatividade.
A proatividade pode ser definida como a capacidade de análise e tomada de deci-
são por parte de pessoas, grupos ou organizações de forma antecipada, ou seja,
antes que as consequências sejam geradas. É como se as pessoas desenvolvessem
uma potencialidade de se adiantar aos fatos que vão ocorrer, principalmente, se
tais fatos suscitarem prejuízos ou consequências negativas.
Abordar a proati-
vidade quando se fala
de fontes originárias de

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
um conflito, torna-se
pertinente porque a iden-
tificação de tais fontes é
uma atitude proativa. A
partir do momento em que
conseguimos encontrar
a origem de um con-
flito, deixamos de correr
o risco de tratar somente
dos “sintomas” do problema e passamos a focar na causa (origem). E ainda mais,
desenvolvemos a capacidade de sanar o problema em suas raízes, de forma que
não ocorra novamente.
Segundo Carvalhal et al. (2006), existem algumas condições nas organi-
zações que propiciam os conflitos e que são inerentes à sua natureza. O autor
chama tais condições de antecedentes ao conflito, que são: (1) a diferenciação
dos grupos, (2) os recursos compartilhados, (3) as atividades interdependentes.
Abordando cada uma dessas condições, têm-se:
■■ Diferenciação dos grupos: a partir de seu crescimento as organizações
subdividem-se em subgrupos de áreas específicas e, consequentemente,
tornam-se mais complexas. Essas áreas são os departamentos, que cada
qual com a sua especificidade trabalha em prol de suas metas. Por exemplo,
o pessoal de marketing foca a especialização em vendas e relacionamento
com o cliente, enquanto o pessoal de controle aprofunda-se em análise
de informações e custos (contadores).

CONFLITOS, NEGOCIAÇÃO E PODER


105

■■ Recursos Compartilhados: também devido à departamentalização, os


recursos para os grupos são, geralmente, limitados, e quaisquer mudan-
ças excepcionais podem gerar mudanças na alocação de recursos. O que
tende a gerar uma situação de que, para um grupo (departamento) plei-
tear aumento de recursos, o outro precisará abrir mão de uma parte dos
recursos de que dispõe.
■■ Atividades interdependentes: essa condição estabelece que os indiví-
duos e grupos em uma mesma organização podem ser dependentes uns
dos outros para desempenhar as suas atividades, ou seja, um grupo não
pode realizar o seu trabalho a menos que outro realize o seu. Um exem-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

plo seria o departamento de produção que não pode começar a produzir


até que receba os pedidos da administração de vendas.

Essas perspectivas apontadas por Carvalhal et al. (2006) mostram algumas fon-
tes originárias dos conflitos. Um elemento importante que podemos levar em
consideração é o de que quaisquer que sejam as fontes que suscitam a origem do
conflito, o “humano” está muito presente. Por esse motivo, há uma necessidade
muito grande de participação adequada e condução por parte das lideranças da
empresa durante a condução do conflito.
Independentes da área que atuem, os líderes precisam estar envolvidos dire-
tamente com os conflitos manifestados em seus departamentos ou entre outros
departamentos, pois o todo organizacional não pode ser esquecido, as metas da
organização devem ser focadas como o escopo principal das atividades desen-
volvidas por todos que dali fazem parte.
Maia (2007) corrobora essa concepção ao afirmar que o contexto organizacional
é formado por um emaranhado situacional em que os gestores precisam ter muita
habilidade em identificar e solucionar problemas. Para isso, torna-se imprescindí-
vel lidar com seu pessoal, que é formado por pessoas com concepções formadas.
Essa não é uma tarefa fácil. Mas também não é impossível de fazer. Tudo depen-
derá da forma como o conflito for identificado e conduzido até a sua solução.
Complementando o exposto, Montana e Charnov (2006) apontam cinco fontes
potenciais que podem ser originárias dos conflitos nos ambientes organizacionais:
(1) diferenças de metas, (2) competição pelos recursos, (3) falha na comunicação
e má interpretação de informações, (4) desacordo quanto aos padrões de desem-
penho e (5) incongruências da estrutura organizacional.

O Conflito e seus Desdobramentos


106 UNIDADE IV

Dentre essas fontes potenciais que podem ser originárias dos conflitos nos
ambiente organizacionais, citadas por Montana e Charnov (2006), percebemos
uma semelhança com a concepção de Carvalhal et al. (2006), pois a “diferença
de metas” e a “competição pelos recursos” também foram citadas por este autor
como condições nas organizações que propiciam os conflitos e já foram deta-
lhadas anteriormente. As demais fontes de conflito serão detalhadas a seguir.
A falha na comunicação e má interpretação de informações, apontadas
por Montana e Charnov (2006), estão voltadas principalmente para os confli-
tos gerados entre departamentos (interdepartamentais). Os autores partem do

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
pressuposto de que as informações, bem como suas interpretações não ocorrem
de maneira igualitária em todos os departamentos da empresa, o que levam ao
desentendimento e conflito entre os departamentos.
O desacordo quanto aos padrões de desempenho também está voltado para
a perspectiva interdepartamental. Este elemento pode ser originário de con-
flito, segundo Montana e Charnov (2006), se não houver alinhamento entre

CONFLITOS, NEGOCIAÇÃO E PODER


107

os padrões dos departamentos interdependentes. Se existir incompatibilidade


entre os padrões de desempenho, isso poderá gerar reflexos negativos em um
ou ambos os departamentos.
E, por fim, as incongruências da estrutura organizacional são citadas como
possíveis fontes de conflito por Montana e Charnov (2006), principalmente
quando apresentam diferenças de poder entre os funcionários de uma organiza-
ção, mais especificamente, o poder entre os funcionários de linha e de assessoria.
Pois, enquanto os funcionários de linha têm autoridade e responsabilidade, que
são geradas pelo organograma hierárquico, os funcionários de assessoria acon-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

selham suas tomadas de decisão.


Se não houver cuidado na condução dessas relações, suscitando-se um
ambiente de cooperação, podem tornar-se um fator gerador do conflito entre
os membros que detêm esse papel.
Na concepção de Daft (1997), as fontes de conflito podem estar focadas ainda
nas relações entre trabalhadores e gerência. Dentre os motivos para que estes
conflitos ocorram, se destacam: (1) distância psicológica, (2) poder e status, (3)
ideologia, (4) recursos escassos.
Assim como na concepção de Carvalhal et al. (2006) e Montana e Charnov
(2006), a questão de compartilhamento/escassez de recursos é manifestada.
Sendo assim, chamaremos a atenção para os demais elementos apontados por
Daft (1997).
A distância psicológica apontada por Daft (1997) é caracterizada como um
sentimento de não pertencimento ao grupo, ou seja, os trabalhadores não se
sentem envolvidos na organização e observam que suas necessidades não estão
sendo atendidas. É nesse momento, por exemplo, que esses trabalhadores aca-
bam recorrendo aos sindicatos e tentam conseguir ganhos por meio dele. Essa
situação, na maioria das vezes joga o sindicato e a organização em uma situação
de conflito tipo perde-ganha.
O poder e status na concepção de Daft (1997) estão ligados àqueles trabalha-
dores que estão na base da hierarquia e acabam por se sentir sem poder, pois não
detêm de força suficiente para intervir nas decisões sobre os aspectos que influen-
ciam a sua “vida” no ambiente organizacional, tais como, salários e benefícios. Já
a ideologia representa uma forma de concepção a respeito de valores, objetivos

O Conflito e seus Desdobramentos


108 UNIDADE IV

e metas da organização e dos sindicatos. Ou seja, enquanto as empresam focam


aspectos voltados para um sistema livre empresarial, os membros do sindicato
acreditam no tempo de serviço, no direito de greve e na segurança do sindicato.
Diante das perspectivas dos autores citados Carvalhal et al. (2006), Montana
e Charnov (2006) e Daft (1997), em resumo, as fontes de conflito trabalhadas
nesta seção foram:
A diferenciação dos grupos, os recursos compartilhados, as atividades inter-
dependentes (CARVALHAL et al., 2006).
Diferenças de metas, competição pelos recursos, falha na comunicação e má

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
interpretação de informações, desacordo quanto aos padrões de desempenho e
incongruências da estrutura organizacional (MONTANA; CHARNOV, 2006).
Distância psicológica, poder e status, ideologia e recursos escassos (DAFT, 1997).
Os aspectos abordados, quando se fala da origem dos conflitos, envolvem
em diversas maneiras as relações entre pessoas e grupos. Mas, se não conseguir-
mos evitar, é possível gerenciar os conflitos? É claro que sim! Esse é o assunto
do qual falaremos a seguir.

Abordagens Cooperativas na Gestão de Conflitos


A realidade econômica atual conduziu trabalhadores e gerência a uma abor-
dagem mais cooperativa do que de confronto no que diz respeito às suas
relações. Essas mudanças têm se acentuado a partir da necessidade dos sin-
dicatos de evitar a perda de empregos e da necessidade das empresas de
restringir os custos da mão de obra e de produção. Algumas das novas abor-
dagens para resolver conflitos entre os sindicatos e a gerência são: partici-
pação nos lucros, equipes gerência-trabalhadores, segurança de emprego. São
práticas que melhoram os relacionamentos e evitam o desenvolvimento de
conflitos entre as partes.
Adaptado de Daft (1997)

CONFLITOS, NEGOCIAÇÃO E PODER


109

A GESTÃO DE CONFLITOS E SUAS PERSPECTIVAS

A necessidade de gerenciar os conflitos é uma vertente de suma importância,


principalmente nos ambientes organizacionais. É a gestão de conflitos que busca
fortalecer as relações entre os membros da organização, pois trabalha na medida
exata as situações que ocorrem na dinâmica organizacional.
Para Montana e Charnov (2006), o conflito se mostra como um compo-
nente universal da vida das organizações. E, assim, é necessário que os dirigentes
descubram técnicas para administrar tais conflitos, pois somente assim torna-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

-se possível aumentar a competência da organização e também a sua própria


competência.
Em busca de apresentar a importância da gestão de conflitos, vejamos a con-
cepção do Fernandes Neto (2005, p. 3):
A gestão de conflitos tende a crescer de importância dentro das organi-
zações contemporâneas, tendo em vista a importância, cada vez maior,
dada às pessoas que nelas trabalham; já que um dos axiomas gerenciais
atuais consiste no fato de os indivíduos constituírem o fator diferencial
entre as empresas, os conflitos que os envolvem passam a ser um pro-
blema, uma vez que podem reduzir a produtividade, conseqüentemen-
te, afetando a lucratividade e rentabilidade da instituição.

A partir dessa perspectiva do autor, podemos notar que a gestão de conflitos


não é uma opção para as organizações, mas sim uma habilidade que precisa ser
desenvolvida entre o seu pessoal. Habilidade essa que não pode ser mais dispen-
sada, mas sim necessariamente aumentada e amadurecida nos indivíduos, nos
grupos, nos departamentos, ou seja, em todo o contexto organizacional.
Fernandes Neto (2005) ainda complementa que há uma necessidade de
conhecer algumas características das pessoas, para que assim seja possível iden-
tificar os indivíduos que se mostrarem aptos a determinadas tarefas, assim como
a trabalhar na gestão de conflitos.
Sendo assim, elementos de suma importância na gestão de conflitos são as
diferenças individuais de comportamento. Cada pessoa é dotada de um con-
junto de valores, crenças, aptidões, suposições e realidades. E essas características
individuais, se não trabalhadas da maneira correta, podem ser “o combustível”
para que ocorra o conflito. Mas se os dirigentes souberem explorar de maneira

A Gestão de Conflitos e suas Perspectivas


110 UNIDADE IV

adequada as características de cada pessoa, podem explorar também seus poten-


ciais em prol das necessidades da organização.
Essa seria uma tarefa fácil? De jeito algum!
Mas destaco aqui para você que é possível de se desenvolver. O que preci-
samos fazer é ter uma visão macro diante das situações existentes no ambiente
organizacional, e enxergar as pessoas como fontes potenciais para o tratamento
dessas situações. É claro que para isso é necessária uma dose extra de conheci-
mento em boas relações interpessoais e uma aproximação maior das pessoas que
fazem parte da organização para conhecê-la e aproveitar as suas potencialidades.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
HABILIDADES DE ADMINISTRAÇÃO DE CONFLITOS

O gerenciamento de conflitos está em sua maior parte nas mãos dos encarrega-
dos, supervisores, coordenadores, gerentes, executivos, gestores, presidentes, ou
seja, os que estão em cargos de chefia e liderança.
Segundo Robbins (2005), a expressão “administração de conflitos” é usada
muitas vezes de maneira equivocada, pois vem associada à “solução de conflitos”.
O autor apresenta as duas concepções de forma diferente, pois parte da pers-
pectiva de que se os conflitos fossem sempre disfunções, o trabalho dos gestores
seria simplesmente de eliminá-los ou solucioná-los.
Vamos entender essa perspectiva do autor!
Já abordamos anteriormente que o conflito não tem somente aspectos ruins,
podendo também ser visto como força motivadora para a inovação, criatividade,
mudança de perspectivas etc. Sendo assim, é importante que nos atentemos às
formas de condução dos conflitos. Por esse motivo falamos em administração
de conflitos e não em solução de conflitos. Em busca de melhor entendimento
sobre esta abordagem, explica-se:
A administração de conflitos requer a conservação de um nível óti-
mo de conflitos em um grupo. Pouco conflito gera estagnação. Muito
conflito cria rupturas e brigas internas. Ambos os casos são negativos
porque prejudicam o desempenho do grupo. Dessa forma, o trabalho
do gerente é equilibrar essas forças utilizando técnicas de resolução e
estimulação de conflitos (ROBBINS, 2005, p. 430).

CONFLITOS, NEGOCIAÇÃO E PODER


111

A partir desta perspectiva do autor, passamos a observar o conflito como algo


necessário para sustentação do grupo. Um grupo que sempre se dá bem tende
a cair em um círculo vicioso, em que as pessoas tornam-se acomodadas e não
fazem nada de novo. É claro que um nível elevado de conflito pode atrapalhar
as atividades de uma organização, mas se houver e for administrado de maneira
adequada, pode contribuir, e muito, para o sucesso organizacional.
Façamos a seguinte analogia para que possa compreender melhor: imagine
que você está fazendo uma viagem de automóvel. Está indo tudo bem. Você está
aproveitando a paisagem, a estrada está em boas condições, tudo perfeito! Mas de
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

determinado ponto em diante, não existem mais curvas, subidas ou descidas. Você
entra em uma “linha reta” na estrada que percorre. Tudo bem, isso pode mudar
logo. Mas já se passaram 3 horas e meia, e você ainda em linha reta. Qual será
a sua reação? Será que continua na mesma animação? Acredito que não, pois, o
cansaço e monotonia começam a tomar conta, pois não há mudança nenhuma no
trajeto. Com certeza um dos pensamentos seria: “Seu eu ligasse no piloto auto-
mático e tirasse um cochilo, não faria diferença”.
É disso que estou falando a você! Um local que permanece no mesmo ritmo,
que não há divergências, não há contraposições, torna-se um lugar propenso ao
marasmo, à apatia e ao “piloto automático”.
Bem, agora que já compreendemos a importância da administração de confli-
tos, vamos continuar a conhecer a percepção de autores que tratam sobre o tema.
Ainda na concepção de Robbins (2005), a habilidade para administrar con-
flitos, sem dúvida alguma, torna-se uma das mais importantes para aqueles que
estão em cargos de chefia e liderança. A importância de saber administrar con-
flitos pode ser considerada mais importante, inclusive, que a tomada de decisões,
condução das pessoas ou habilidades de comunicação.
Ademais, complementa Robbins (2005) que para administrar conflitos é
necessário conhecer o próprio estilo de tratamento de conflitos, o estilo das par-
tes conflitantes, entender da situação que gerou o conflito e estar consciente de
suas opções.
Complementando o que foi tratado até o momento, a concepção de Daft
(1997) apresentada a seguir está voltada para a má administração de conflitos,
que pode gerar algumas perdas provenientes de conflitos, principalmente quando
ligados a ambientes que envolvem grupos organizacionais.
A Gestão de Conflitos e suas Perspectivas
GESTÃO DE CONFLITO

O conflito normalmente surge a partir de às pessoas e a organização. Muitas das


opiniões antagônicas entre as pessoas. O doenças organizacionais estão na inca-
que de certa forma pode-se considerar pacidade do gestor observar esses mo-
até certo ponto, algo saudável, pois são vimentos.
dos conflitos que surgem grandes ideias
e se bem gerenciados dentro das orga- - Avaliem os envolvidos dos conflitos.
nizações, tornam-se um excelente instru- Se optar em gerenciar uma situação de
mento para a implantação de mudanças. conflito, é importante que dedique al-
gum tempo para conhecer os envolvi-
Vejamos algumas formas eficazes de re- dos. Quem está envolvido no conflito?
solução de conflitos: Que interesses cada parte representa?
Quais são os valores, personalidades,
- Qual é o seu estilo no de tratamento de sentimentos e recursos dos envolvidos?
conflitos? O gestor tem capacidade para Suas chances de sucesso na gestão do
variar as respostas aos conflitos de acor- conflito serão grandemente aumenta-
do com a situação, mas cada um tem das, se você puder ver a situação de con-
um estilo preferido para lidar com eles. flito pelos olhos das partes conflitantes
Descubra o seu estilo, analise se está envolvidas, ou seja, a empatia e a resili-
proporcionando o resultado almejado, ência são habilidades essenciais nesses
caso contrário, busque conhecer-se me- momentos. Pratique-as.
lhor e também conhecer sua equipe de
trabalho e se for possível, crie uma nova - Avalie a nascente do conflito. Os confli-
abordagem. tos não surgem a esmo. Eles têm causas.
Uma vez que seu tratamento para solu-
- Seja ponderado na escolha dos con- cionar um conflito tende a ser determi-
flitos que deseja gerenciar: Priorize, nado em grande parte por essas causas,
nem todo conflito merece sua atenção. você precisa determinar a fonte do con-
Alguns poderiam não valer o esforço; flito. As fontes de conflito geralmente
outros podem ser incontroláveis. Men- podem ser de diferenças de comunica-
sure-os, observe quais são as causas dos ção, diferenças estruturais e diferenças
conflitos e se estão causando prejuízos pessoais.

Fragmentos do texto de Rosa Almeida Freitas Albuquerque.


Texto completo disponível em: <http://www.rh.com.br/Portal/Grupo_Equipe/
Artigo/6366/gestao-de-conflito.html>. Acesso em: 23 out. 2012.
113

O autor afirma que, quando os conflitos são muito fortes e não administrados
de maneira apropriada, podem surgir consequências para a organização. Tais
como: dispersão de energia, bom senso alterado, efeitos do perdedor e coorde-
nação inadequada.
Assevera Daft (1997) que a situação ideal para a maioria das organizações
seria ter um nível de conflito moderado entre os seus departamentos. Essa é uma
meta possível de se cumprir, desde que os gerentes não deixem que os confli-
tos tornem-se tão intensos a ponto de ocorrerem perdas (para os envolvidos e
para a empresa).
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Neste ínterim os gerentes precisam estimular a cooperação, por meio do


incentivo e ênfase nas tarefas produtivas e na realização das metas organiza-
cionais. É necessário trabalhar o comportamento e a atitude dos membros dos
grupos envolvidos em conflitos. A partir daí, consegue-se criar um tipo de con-
cepção em que as pessoas não pensem em si mesmas, mas sim no todo, na
organização (DAFT, 1997).
Já para Montana e Charnov (2006), existem quatro formas de se administrar
os conflitos que são: afastamento, desconsideração, separação parcial, separação
total, abrandamento, dominação ou intervenção de poder, meio termo e con-
fronto. Vejamos a seguir as especificidades de cada uma delas:
■■ Afastamento: os dirigentes evitam lidar com o problema, algumas vezes
acreditando que o problema desconsiderado se resolverá por si só. É uma
prática voltada para conflitos em que suas causas não sejam vitais para
a organização.
■■ Desconsideração: a administração ignora totalmente o conflito e jamais
trata as suas causas. Similar ao afastamento, alguns dirigentes acreditam
que, se o problema for totalmente ignorado, como se nunca tivesse exis-
tido, ele desaparecerá. Os dirigentes acabam por focar a harmonia na
organização.
■■ Separação parcial: quando se identifica o conflito, principalmente entre
dois departamentos, mas não quer tratar as suas causas, separam-se então
os envolvidos, buscando minimizar o impacto e a expressão do conflito
mediante a rigorosa limitação do contato entre as partes em disputa.

A Gestão de Conflitos e suas Perspectivas


114 UNIDADE IV

■■ Separação total: vista como uma técnica final de afastamento de que dis-
põe a administração, que consiste na total separação física das partes em
disputa. Torna-se viável quando nenhuma interação é necessária para o
funcionamento organizacional.
■■ Abrandamento: parte do reconhecimento de que existe um problema e a
administração enfatiza mais as similaridades e características em comum
entre os grupos em conflito. Assim os dirigentes buscam criar um con-
senso entre os envolvidos no conflito para que eles percebam que aquilo
que possuem em comum é maior do que as suas diferenças.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
■■ Dominação ou intervenção de poder: consiste em um gerente de nível
mais alto impor uma resolução sobre as duas partes, a intervenção usando
de seu poder hierárquico. Neste tipo de tratamento, o dirigente de nível
mais alto domina as partes envolvidas no conflito.
■■ Meio termo: é uma estratégia de administração de conflitos que busca
uma resolução do problema de forma que satisfaça ao menos em parte a
posição de cada elemento envolvido no conflito. O foco está em encon-
trar uma forma de gestão do conflito em que as partes envolvidas não se
sintam plenamente vencedoras ou perdedoras.
■■ Confronto: considera as causas do conflito como também as metas maio-
res da organização. As metas individuais ou grupais são colocadas em
segundo plano. O confronto pode ser útil quando as partes envolvidas
estão dispostas a entrar no processo, caso contrário, o confronto não pode
ser forçado. É necessário que haja predisposição à tentativa de compre-
ender as outras partes envolvidas.

O que podemos aprender com as concepções dos autores é que para trabalhar
a administração de conflitos, os dirigentes precisam promover uma mudança
de comportamento entre os indivíduos e também dos grupos. Essa mudança de
comportamento suscitará uma mudança de atitude das pessoas, que passam a ter
novas percepções e sentimentos em relação aos outros indivíduos e outros seto-
res, que se torna a base para uma organização cooperativa verdadeira.
Sendo assim, a administração de conflito pode ser apresentada da seguinte
forma:

CONFLITOS, NEGOCIAÇÃO E PODER


115

Quadro 02: Estratégias para o Gerenciamento de Conflitos entre Grupos

Reduzir o Estratégias de Gerenciamento


Comportamento de Conflitos
de Conflitos
1. Autoridade Formal
2. Comunicações Limitadas
3. Dispositivos de Integração
4. Confrontação e Negociação
5. Consultores Externos
6. Rotação de membros
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

7. Metas Superiores
8. Treinamento Intergrupo
Aumentar as
atitudes
Cooperativas
Fonte: Daft (1997, p. 322).

Diante do quadro apresentado, é possível identificar algumas formas manifesta-


das para a administração de conflitos, em que a presença dos gestores e demais
dirigentes da organização é indispensável.
Outra “ação” de extrema importância na administração de conflitos é o pro-
cesso de negociação. Abordaremos essa temática na seção seguir.

O PROCESSO DE NEGOCIAÇÃO

Proponho a você iniciar essa seção refletindo sobre as seguintes questões: O que
é negociar? Em que está baseado o ato de negociar? O quanto negociamos
em nosso dia a dia?
Bom, a partir de tais reflexões, provavelmente você percebe que a negocia-
ção está contida em nossas vidas em todos os momentos. Negociamos a todo
o momento, desde que somos crianças até hoje em nossas vidas profissionais.
É a partir daí que questiono: se é tão importante, por que, por diversas vezes, a
negociação não é tão valorizada entre as pessoas?

O Processo de Negociação
116 UNIDADE IV

Para responder essa questão,


antes mesmo de falar dos concei-
tos sobre negociação, enfatizo a
necessidade de se considerar os
comportamentos individuais. Não
é novidade para você a importância
do comportamento, pois estudou
isso em unidades anteriores.
Pois é, a questão é que o

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
comportamento (individual prin-
cipalmente) está intimamente
ligado à negociação. As pessoas
negociam em função de suas percepções, preferências, valores e, principal-
mente, de acordo com a forma como encaram esse processo.
Cada pessoa é dotada de um conjunto de habilidades que a definem como
única. Esses conjuntos de habilidades são as características individuais que deter-
minam o comportamento individual.
Para Maximiano (2004), essas características podem ser distribuídas da
seguinte forma: percepção, atitudes, aptidões, inteligência, personalidade e vari-
áveis biográficas. Vejamos cada uma delas.
■■ A percepção trata da forma como cada pessoa interpreta as mensagens
que recebe e dá sentido a ela. Pode ser colocado como um processo de
seleção, organização e interpretação dos estímulos que o ambiente oferece.
■■ As atitudes podem ser definidas como uma predisposição que reage a
um estímulo e se manifesta por meio de opiniões. É uma característica
facilmente mutável a partir do momento que o estímulo ou o comporta-
mento em relação a ela também mude.
■■ As aptidões referem-se ao potencial para a realização das tarefas e ativida-
des, ou seja, a habilidade para realizar determinadas tarefas. Distinguem-se
de pessoa para pessoa e podem ser agrupadas em três categorias: intelec-
tuais, físicas e interpessoais.
■■ Inteligência é a capacidade de lidar com a complexidade. Pode ser consi-
derada uma aptidão geral que governa as demais aptidões.

CONFLITOS, NEGOCIAÇÃO E PODER


117

■■ Personalidade é um conceito dinâmico que procura descrever o cresci-


mento e desenvolvimento do sistema psicológico individual. Abrange
todos os traços do comportamento e as características fundamentais de
cada pessoa.
■■ Biografia trata das características pessoais como experiência, idade, sexo
e situação conjugal.

Essas características formam o comportamento individual, devendo ser obser-


vadas, analisadas e coordenadas de maneira imparcial para que a organização
obtenha sucesso ao mesmo tempo em que proporciona a realização pessoal a
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

seus funcionários.
Agora que retomamos a importância do comportamento individual no pro-
cesso de negociação, voltemos ao foco principal da nossa seção!
Muitas vezes a negociação está associada ao sentido de disputa. Quando visto
dessa maneira, nenhuma das partes deseja perder o embate. Daí a principal relação
sobre o comportamento com a negociação. Ou o contrário, quando as duas partes
são solidárias ao extremo e não defendem suas posições por não quererem preju-
dicar uma à outra. Percebem como o comportamento está associado à negociação?
É por isso que vemos a negociação aqui como um processo. Um processo
que é composto por etapas que precisam ser minimamente cumpridas, para que
os objetivos definidos (previamente) sejam atingidos. Vamos conhecer agora as
perspectivas dos autores a respeito do tema.
Na concepção de Carvalhal et al. (2006), a negociação é algo intensamente
presente na vida das pessoas, principalmente na sociedade contemporânea. Para
os autores, ao negociar as pessoas se envolvem em trocas, concessões e barganhas,
nas quais estão em jogo também questões substantivas que, inclusive, colocam
em risco as relações, mas também criam oportunidades para relacionamentos.
Ainda para Carvalhal et al. (2006), competir ou colaborar constituem os prin-
cipais dilemas nas negociações. Isso porque o processo de negociação ocorrerá
de acordo com o posicionamento das partes envolvidas. Se o estilo dos negocia-
dores for de cooperação, o processo ocorrerá de uma forma, mas se for um estilo
competidor, o processo terá outro desfecho, e, ainda, se o estilo dos negociado-
res for cooperativo e competitivo, todo o processo de negociação terá desfechos
ainda mais diferentes.

O Processo de Negociação
118 UNIDADE IV

Assevera Carvalhal et al. (2006) que para se alcançar o êxito nas negocia-
ções, é fundamental a capacidade de planejar e organizar, além de comunicar-se
e estabelecer vínculos baseados na credibilidade. Para que as negociações sejam
positivas, as estratégias e táticas precisam articular o uso da informação, do
tempo e do poder, de forma que se busque maximizar os relacionamentos e os
resultados alcançados.
Segundo Mello (2010), a negociação pode ser vista como um processo social
que tem como objetivo maior fazer acordos, resolver ou evitar conflitos. Na con-
cepção desse autor a negociação ocorre quando as partes interessadas desejam

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
estabelecer regras de relacionamento mútuo ou também, quando desejam mudar
as regras de um acordo pré-existente. E ainda complementa:
Quando duas empresas estão negociando um contrato de fornecimento
elas estão simplesmente estabelecendo regras de relacionamento. Essas
regras podem tomar a forma de um documento onde estão descritos
itens como preços, quantidades e prazos de pagamento e de entrega,
e isso nada mais é que um conjunto de regras de relacionamento esta-
belecidas utilizando o processo de negociação (MELLO, 2010, p. 26).

O que se percebe então, de acordo com a concepção do autor, é que a negocia-


ção é um processo corriqueiro nos ambientes organizacionais, já que torna-se
parte das ações da organização. Independente do ramo de atividade, tempo de
existência ou tamanho da organização, a negociação se faz necessária para que
a empresa continue operando com suas atividades estabelecidas.
Complementando o que foi exposto até o momento Oliveira, Prado e Silva
(2005) afirmam que um dos fatores que interferem no processo de negociação
e não pode ser deixado de lado é o relacionamento.
Para esses autores, o relacionamento de trabalho é o elemento que mais
causa ansiedade em uma negociação. E para conseguir um bom relaciona-
mento, as pessoas precisam ter a capacidade de lidar com suas diferenças de
maneira eficiente. Ou seja, não é necessário que as partes envolvidas na nego-
ciação gostem uma da outra, nem que tenham os mesmos valores e interesses,
o necessário é que mantenham a razão e a emoção equilibradas e se aprimore
a comunicação.
Ainda sobre a questão do relacionamento, Oliveira, Prado e Silva (2005, p.
198) afirmam:

CONFLITOS, NEGOCIAÇÃO E PODER


119

As pessoas frequentemente confundem questões de relacionamento


com o assunto em pauta e acabam tentando resolver problemas de re-
lacionamento fazendo concessões ao que está em jogo e vice-versa. Ao
não se abordar cada aspecto separadamente, ensina-se a outra parte a
manipular o relacionamento, a fim de obter concessões [...] um nego-
ciador deve preparar-se para abordar de forma independente o relacio-
namento – confiabilidade, aceitação mútua, emoções, etc. – e o assunto
em questão – dinheiro, prazos, datas e condições.

Ao tratar da questão do relacionamento, Oliveira, Prado e Silva (2005) destacam


a importância de os negociadores separarem as suas relações pessoais dos seus
objetivos com o processo de negociação.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A preparação rápida se concentra em quatro elementos de uma negociação


– interesses, opções, legitimidade e alternativas – respondendo a cinco
perguntas:
Interesses
1. Com que realmente me importo – meus desejos, necessidades, preocupa-
ções, esperanças e temores?
2. Com que, em minha opinião, a outra parte realmente se importa – seus
desejos, necessidades, preocupações, esperanças e temores?
Opções
1. Quais são todos os acordos possíveis a que podemos chegar?
Legitimidade
1. Quais são os padrões externos ou precedentes que poderiam convencer
um de nós ou ambos de que o acordo proposto é justo?
Alternativas
1. O que posso fazer para obter o que quero de outra forma, se não conse-
guir chegar a um acordo?
Adaptado de Oliveira, Prado e Silva (2005, p. 192).

O Processo de Negociação
120 UNIDADE IV

O que podemos notar então é que, quando se está em um processo de negocia-


ção, as “vontades” e acepções pessoais devem ser colocadas em segundo plano.
As partes envolvidas no processo de negociação precisam colocar os objetivos
estabelecidos em primeiro plano.
A partir das concepções acerca do processo de negociação, notamos que
se trata de uma ação contínua e com diversos desdobramentos. Além disso, é
necessário compreender os elementos e etapas do processo de negociação para
que os objetivos sejam atingidos de maneira adequada.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
DIFERENTES FORMAS DE NEGOCIAR

Continuando nossa construção sobre o processo de negociação, torna-se neces-


sário falarmos de algumas especificidades do processo de negociação. Para isso
destaco aqui: as formas de negociar e o estilo de negociadores.
Estes dois elementos – formas de negociar e estilo de negociadores – estão
intensamente ligados, já que um é decorrência do outro. Ou seja, a forma de
negociar é definida pelo estilo do negociador e vice-versa. Para que entendamos
melhor, veremos a seguir a percepção dos autores sobre tais questões.

CONFLITOS, NEGOCIAÇÃO E PODER


121

Segundo Mello (2010), o negociador se utiliza de premissas como: contato com


a outra parte envolvida, interesses em relacionamentos futuros, resgate de um
relacionamento, ganhar ou não dinheiro, para adotar um estilo no processo de
negociação. Sendo assim, nota-se que o estilo do negociador está ligado ao obje-
tivo que ele deseja atingir.
Para melhor entendimento desta questão, Mello (2010) criou a matriz da
estratégia que procura exemplificar como os estilos do negociador estão liga-
dos aos seus objetivos com o processo de negociação.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Quadro 03: Grau de conflito que se deseja assumir

Importância do
relacionamento Relacionamentos Cooperação (preocupações
futuro Equipes de trabalho balanceadas)
Negócios com amigos Parcerias
Alta Namoro Sociedades
Investimento Casamento

Indiferença Competição (transações)


Banco estatal Compra e venda
Baixa Divórcio
Compra em lojas

Baixo Alto
Fonte:
Fonte: Mello
Mello (2010,(2010,
p.18) p. 18).
A partir da matriz elaborada por Mello (2010), é possível identificar então qua-
tro estilos diferentes de negociação: competição, cooperação, relacionamentos
e indiferença. Esses estilos são adotados de acordo com o tipo de relaciona-
mento futuro que se pretende com a outra parte, como também com o grau de
conflito que se deseja assumir.
Dentre as formas de negociar apresentadas, Mello (2010) destaca que são
foco principal as estratégias de cooperação e competição.
Na estratégia competitiva, os negociadores lutam para obter a maior fatia
possível, aumentando sua parte em detrimento da parte do outro negociador.

O Processo de Negociação
122 UNIDADE IV

Quando se fala em estilo de negociador, a 7ª arte colabora e muito para que


possamos conhecer e refletir sobre a postura tomada em cada processo de
negociação. Sendo assim, recomendo os seguintes filmes sobre essa temática:
- O negociador. Filme com Samuel L. Jackson e Kevin Spacey.
- Tróia. Filme épico com Brad Pitt.
- Justiça Vermelha. Filme com Richard Gere.
- O troco. Filme com Mel Gibson.
- O Senhor das Armas. Filme com Nicolas Cage.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
O ambiente normalmente é antagônico, cheio de truques, sem transparência e
quase sempre de desconfiança. Sendo assim, ocorre um jogo de forças, vence
aquele que tiver mais poder. Falaremos do poder posteriormente.
No andamento da negociação, quando se utiliza a estratégia competitiva
consideram-se algumas táticas que buscam pressionar a outra parte envolvida e
obter o êxito no processo de negociação. As táticas apresentadas por Mello (2010)
são: táticas pessoais, de associação, para obter informações, de surpresa, compara-
ção, autoridade, pressão e tempo.
Na estratégia cooperativa, se parte do princípio oposto, de que os recursos não
são finitos e que é possível chegar ao acordo por meio da cooperação entre os
negociadores, com o aumento do valor total do negócio e, consequentemente,
da parte de cada um.
No caso da estratégia cooperativa, não se envolve barganha de propostas e
extração de concessões, sendo muito mais um processo de aprendizado e res-
peito mútuos. Para isso é necessário que os negociadores envolvidos estejam
atentos e tomem algumas atitudes que são essenciais.
■■ A troca de informação legítima.
■■ A construção da relação de confiança.
■■ A percepção correta do outro negociador.
■■ A atenção às concepções diferentes de justiça.

CONFLITOS, NEGOCIAÇÃO E PODER


123

Além desses elementos, Mello (2010) destaca a importância dos envolvidos terem
controle emocional. Na negociação cooperativa, as partes envolvidas buscam um
acordo mútuo, então a “irritabilidade” e falta de paciência devem ser deixadas de lado.
Destacamos a importância de se escolher a estratégia de negociação que se
adeque ao estilo do negociador. Um negociador com um estilo mais “agressivo”
acaba optando pela estratégia competitiva. Um negociador de estilo mais pas-
sivo prefere a negociação cooperativa. O que notamos então é uma necessidade
alinhada entre estilo do negociador e estratégia de negociação.
E os resultados obtidos de acordo com o estilo do negociador, segundo
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Mello (2010), podem ser:


■■ Ganha x Perde –Perde x Ganha: é o resultado em que um lado ganha e o
outro perde. Quem perde se sente frustrado e desenvolve atitudes negativas
em relação a quem ganha. Essas atitudes podem interferir e comprometer
o relacionamento das partes (seja no presente ou no futuro). A situação
contrária também é verdadeira.
■■ Perde x Perde: as partes não conseguem chegar a um acordo. Daí desen-
volve-se atitudes negativas que comprometem a relação entre as partes e
não se chega a nenhum acordo.
■■ Ganha x Ganha: nesse resultado, todos ganham, solidificam-se as rela-
ções e se obtém a satisfação em realizar futuras negociações. Estabelece-se
a relação de confiança. Esse é o resultado das verdadeiras negociações,
pois criam-se laços cooperativos que beneficiarão a todos.
O que notamos a partir de tais concepções é que a partir de uma combina-
ção adequada entre estilos e estratégias de negociação, torna-se mais fácil
enfrentar a situação de mudança contínua do mercado existente na sociedade
contemporânea. Ademais, se a negociação é vista enquanto um processo, as
etapas desenvolvidas precisam ser dotadas de condutas básicas dos negocia-
dores, pois a maneira pela qual se desenvolve o processo define o desfecho
da negociação.
Mas, além do que foi tratado anteriormente, falaremos sucintamente de
outro elemento de suma importância que influencia, e muito, no processo de
negociação: a ética.

O Processo de Negociação
124 UNIDADE IV

A QUESTÃO DA ÉTICA NO PROCESSO DE NEGOCIAÇÃO

Segundo Andrade, Alyrio e Macedo (2010), a ética é definida como uma ciên-
cia dos costumes, ou atos humanos, que tem por objetivo maior a moralidade.
A moralidade pode ser entendida como a caracterização dos atos e costumes
humanos como bem ou mal. Observamos assim que a ética está voltada aos prin-
cípios instaurados sobre as relações humanas.
Quando abordada no processo de negociação, a ética pode ser vista como
algo crítico de ser tratado, mas, mesmo assim, precisamos reforçar a necessidade

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
de preservar os valores, a moral e a retidão nas relações estabelecidas durante
a negociação. Os negociadores precisam então ter princípios éticos que devem
ser lembrados durante toda a atividade de negociação.
Segundo Andrade, Alyrio e Macedo (2010), a ética de um negociador depende
de questões pessoais que envolvem a sua formação filosófica e religiosa, a sua
experiência profissional e seus valores pessoais. E um dos principais motivos
para que as pessoas tenham comportamentos não éticos é a busca de vantagem
em termos de poder.
Andrade, Alyrio e Macedo (2010) ainda complementam que, embora tenha
se falado de ética em diversos contextos da sociedade, pouco se tem feito para tor-
narem mais éticas as negociações conduzidas em nome de empresas que afirma
tê-la como um de seus principais valores.
Diante de tais acepções percebe-se a necessidade de revisitar o conceito
de ética, pois o desenvolvimento sus-
tentável se faz por meio do progresso
socioeconômico, político e social.
Contudo, as pessoas em busca do
sucesso pessoal se esquecem de “outras
pessoas” que acabam sendo prejudi-
cadas todos os dias (ANDRADE;
ALYRIO; MACEDO, 2010).
Notamos então uma necessidade
de mudança ou “resgate” dos princípios
morais e éticos de cada um. É necessário

CONFLITOS, NEGOCIAÇÃO E PODER


125

Questão de Ética
Revista Você S/A
Quatro dilemas comuns do mundo do trabalho com os quais você deve
aprender a lidar para se manter cada vez mais distante do mar de lama que
se tem visto por aí.
Dilema 1 - Fiquei sabendo de “maracutaias” envolvendo a empresa. Peço de-
missão imediatamente?
Dilema 2 - Trabalho em uma empresa que polui o meio ambiente. Isso é
antiético?
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Dilema 3 - Sei que um colega será demitido por corte de custos. Devo contar
antes do comunicado oficial?
Dilema 4 - E se eu souber de uma fraude que a empresa não sabe, devo
denunciar?
As questões são destinadas a proporcionar reflexão sobre algumas ações
percebíveis no dia a dia.
Texto completo disponível em: <http://planetasustentavel.abril.com.br/noti-
cia/atitude/conteudo_247317.shtml>. Acesso em: 24 out. 2012.

compreender que, embora precisemos muitas vezes alcançar a vitória, esse alcance
não precisa ocorrer em detrimento de outro. É necessário preservar os valores. É
necessário incluir a ética nas relações do dia a dia.
Assim sendo, a ética torna-se elemento essencial para o processo de nego-
ciação, pois influencia no desenvolvimento das atividades e principalmente no
resultado final. Na seção a seguir, falaremos do poder.

A QUESTÃO DO PODER NO PROCESSO DE NEGOCIAÇÃO

Como estamos tratando do processo de negociação, um elemento que não pode-


mos deixar de tratar é o poder. Mais uma vez, convido-os a fazer uma reflexão:
o que é poder para você? Como você definiria poder?
As concepções de poder podem ser tratadas em dimensões diversas. Aqui
abordaremos a questão do poder voltada para o processo de negociação. Sob tal

O Processo de Negociação
126 UNIDADE IV

perspectiva, podemos ver o poder como a


capacidade de influenciar o comportamento
de outras pessoas de modo a levá-las a fazer
algo que desejamos.
Mas o poder é muito mais que isso.
Vejamos o que alguns autores falam sobre isso.
Segundo Srour (1998), o poder pode ser
visto como a capacidade de intervir sobre a von-
tade das pessoas ou sobre os seus interesses. Sendo

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
assim, o poder torna-se uma relação social em que
a sua fonte originária está na capacidade de coagir ou
de estabelecer uma relação de domínio para obter os
efeitos desejados ou controle sobre as ações de outrem.
Pode-se dizer então, de acordo com Srour (1998),
que o poder está ligado às relações sociais e atu-
ando sobre os processos de controle, de articulação,
de arbitragem e de deliberação. E as diferentes manei-
ras de alcançar os efeitos desejados ocorrem por meio da condução de opiniões
alheias ou pela ascendência sobre outras consciências.
Complementando o exposto, Motta (2002, p. 156) define o poder como “a
capacidade de influenciar outra pessoa ou grupo a aceitar ideias diferentes e a se
comportar de maneira adversa do que usualmente faria”. Notamos então que o
conceito é similar ao que tratamos anteriormente, sendo voltado também para
a capacidade de influenciar pessoas.
Assevera Motta (2002) que o poder está presente em todas as relações sociais,
mas que adquire maior importância na vida organizacional, pois os ambientes
das organizações preestabelecem relações de imposição e dependência para o
desempenho de papéis e funções. Além disso, o autor ressalta que a capacidade
de influenciar a tomada de decisão e ações depende do poder que indivíduos e
grupos possuem uns sobre os outros.
Imaginem isso em um processo de negociação. A partir do momento em
que se controla a outra parte e se consegue conduzir as suas opiniões, é possí-
vel “convencê-la” a fazer o que desejamos. Mas você pode estar se perguntando:

CONFLITOS, NEGOCIAÇÃO E PODER


127

mas e a ética como fica? Quando tratamos da questão poder, precisamos sem-
pre resgatar valores éticos, pois a linha que separa esses dois elementos é muito
tênue e fácil de ser ultrapassada.

AS FONTES DE PODER NAS ORGANIZAÇÕES


As fontes de poder dão aos membros da organização uma variedade de
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

meios para ampliar os seus interesses, resolvendo ou perpetuando os con-


flitos organizacionais. São elas:
1. Autoridade formal.
2. Controle sobre recursos escassos.
3. Uso da estrutura organizacional, regras e regulamentos.
4. Controle do processo de tomada de decisão.
5. Controle do conhecimento e da informação.
6. Controle dos limites.
7. Habilidade de lidar com a incerteza.
8. Controle da tecnologia.
9. Alianças interpessoais, redes e controle da organização informal.
10. Controle das contra-organizações.
11. Simbolismo e administração do significado.
12. Sexo e administração das relações entre os sexos.
13. Fatores estruturais que definem o estágio da ação.
14. Poder que já se tem.
Fonte: Oliveira, Prado e Silva (2005, p 242).

Na concepção de Mello (2010), o uso do poder está associado à estratégia de


negociação competitiva e possui as seguintes características: é instável, depende
da percepção (das duas partes) e pode ter origem no nada.

O Processo de Negociação
128 UNIDADE IV

O poder instável seria aquele que muda de mãos o tempo todo, durante todo
o processo, o que enfraquece as partes envolvidas. Mas o negociador que souber
melhor administrar essa instabilidade ganha poder. A percepção é a capacidade
de captar como se sente a outra parte, se ela sente ter poder ou não. E quando
tem origem do nada quando se caracteriza por uma situação momentânea que
pode ser assumida por qualquer pessoa.
Embora tratada de maneira sucinta, a questão do poder é algo extremamente
importante no processo de negociação e gerenciamento de conflitos nas organi-
zações. Ao analisar o conflito pela perspectiva do poder, podemos encontrar a

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
maneira mais adequada e eficaz para administrá-lo. Sendo assim, para aqueles
que estão ou futuramente estarão envolvidos em processos de negociação, reco-
menda-se o aprofundamento no conhecimento deste conceito.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao terminar esta unidade, vamos relembrar um pouco sobre o que foi discutido.
O conflito é algo presente no nosso dia a dia, em relações pessoais e de trabalho.
Não existe uma maneira única de tratar o conflito, pois é necessário levar em con-
sideração uma série de elementos, e alguns deles foram tratados nesta unidade.
Falamos sobre o conflito e seus desdobramentos, a gestão de conflitos e suas
perspectivas e também do processo de negociação. Abordamos também a questão
da ética e do poder, como elementos essenciais na administração de conflitos. O
intuito de falar de alguns de tais elementos está em prepará-lo para situações que
você pode enfrentar em seu cotidiano, bem como incentivar a pesquisa sobre os
referidos temas em busca de novos desdobramentos e concepções.
Enfim, espero que você tenha adquirido os conhecimentos propostos nesta
unidade acerca da gestão de conflitos.

CONFLITOS, NEGOCIAÇÃO E PODER


1. Estudamos que o conflito é presente em diversos momentos de nossas vidas,
isso porque sempre estamos envolvidos em relacionamentos que contam com
posicionamentos diferentes. Sob tal perspectiva, qual a importância de se tra-
balhar a gestão de conflitos nos ambientes organizacionais?
2. Vimos que nem sempre o conflito precisa ser resolvido ou solucionado, na
maioria das vezes, ele precisa ser administrado. Diante dessa afirmação, qual
a importância do processo de negociação para a Administração e gestão de
conflitos?
3. Como os conceitos de ética e poder estão ligados ao processo de negociação e
gestão de conflitos?
4. Reflita e analise a sentença seguinte de acordo com o conteúdo abordado, pro-
curando criar argumentações relacionadas entre si: “O conflito aparece sempre
que os interesses colidem”.
5. Case para estudo:
■■ A empresa Kroks é uma pequena fábrica de biscoitos com atuação na região Sul
do Brasil, existente há aproximadamente 15 anos. A empresa é uma empresa
familiar com a seguinte estrutura:
■■ Sr. José – o pai e fundador do negócio detém o poder de decisão em suas
mãos, tomando conta de “toda” a empresa.
■■ Sra. Izabel – a mãe, auxilia o marido na parte administrativa da empresa.
■■ Natanael – o filho mais velho, formado em Administração. Trabalha com o pai
na empresa desde bem pequeno e entende bastante do processo de produção.
■■ Ana Carla – segunda filha do fundador está finalizando a Faculdade de Design.
Também trabalha na empresa, principalmente porque o pai colocou como
condição para que custeasse os seus estudos.
■■ Fernando e Fabrício – os gêmeos que estão ajudando na empresa, mas em
período parcial, pois estão estudando para o vestibular. Ambos querem o
curso de Direito.
■■ Ainda trabalham na empresa: Fernanda, esposa de Natanael, contadora que
cuida do RH da empresa; e Felipe, sobrinho do Sr. José, cuida do marketing
da empresa.

Até o momento a empresa estava caminhando muito bem, mas o Sr. José precisará
se ausentar da empresa por um longo período de tempo, devido a sua saúde. Ele
precisa passar o comando a outra pessoa, mas não sabe como fazê-lo, principalmente
por ser uma pessoa muito centralizadora.
Natanael está disposto a assumir o negócio da família, mas já propõe alterações que
o pai não aprova. Ana Carla observa como uma oportunidade para sair da empresa.
Fernando e Fabrício não se manifestam, mas estão dispostos a ajudar. Sra. Izabel
também precisará se ausentar para acompanhar o marido.
O problema é que esses fatos refletem também em suas vidas pessoais, na família.
Eles se falam pouco e estão tentando procurar soluções de maneira isolada. Além
disso, as discussões tornaram-se constantes, e apenas a Sra. Izabel se abstém de
tecer comentários. O que fazer?
a. Baseando-se nos princípios de negociação, como poderiam ser administra-
dos esses relacionamentos?
b. Em vista do envolvimento pessoal dos membros da família, como fica a
questão do poder no caso da empresa Kroks?
c. Se você tivesse a oportunidade de solucionar o problema, o que faria? Como
utilizar os conceitos de gestão de conflitos, negociação e poder para tratar
essa questão?
MATERIAL COMPLEMENTAR

Negociação de conflitos: estratégias para o sucesso


Jean Carlos Lima
Editora: LTR
Sinopse: O livro ensina algumas técnicas
de negociação e gestão de conflitos,
voltando-se para orientações de postura
pessoal para negociar acordos, lidar
com pessoas difíceis e argumentar sobre
pontos de vista.

O bom conflito: juntos buscaremos a solução


Maria Tereza Maldonado
Editora: Integrare
Sinopse: O livro aborda formas
de usar o poder para transformar
desentendimentos, divergências e
conflitos. Além disso, o livro foca trabalhar
a essência do problema sem atacar as
pessoas, desenvolver com clareza e
eficácia a comunicação, entre outras
características.

Material Complementar
Professora Me. Patrícia Rodrigues da Silva

V
LIDERANÇA, ORGANIZAÇÕES

UNIDADE
E GESTÃO DE QUALIDADE DE
VIDA NO TRABALHO (QVT)

Objetivos de Aprendizagem
■■ Explicar o processo de liderança e seus desdobramentos.
■■ Descrever os estilos básicos de liderança e suas variantes.
■■ Compreender a relação da liderança e feedback com o controle de
atividades.
■■ Apresentar a qualidade de vida no trabalho (QVT) como componente
do exercício da liderança.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ A liderança
■■ O papel da Liderança nas organizações
■■ A gestão e qualidade de vida no Trabalho (QVT)
135

INTRODUÇÃO

Caríssimo(a) aluno(a), esta unidade foi elaborada focando principalmente no


seu desenvolvimento do conhecimento acerca da Liderança e Qualidade de Vida
nos ambientes organizacionais. Buscando melhor condução do processo de ensi-
no-aprendizagem, a unidade foi subdividida em três momentos que abordam:
A liderança; O papel da Liderança nas organizações; e, por fim, a gestão e qua-
lidade de vida no Trabalho (QVT).
Na primeira seção da unidade, intitulada “A liderança”, serão evidenciados os
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

principais aspectos da liderança, focando no uso das definições e construção dos


conceitos pelos autores. Posteriormente, na segunda seção, falaremos sobre “O
papel da liderança nas organizações”, serão evidenciados elementos importantes
e presentes nos ambientes organizacionais contemporâneos, independentemente
do tipo de atividade desenvolvida como a motivação, o controle e o feedback.
Por fim, na última seção, que trata da “Gestão e qualidade de vida no
Trabalho (QVT)”, serão abordados os principais aspectos dos programas de
qualidade de vida e como estes podem funcionar enquanto ferramentas que
possibilitem maior satisfação dos trabalhadores nos ambientes organizacionais.
Além dos assuntos trabalhados em cada seção, é importante que haja um
processo de reflexão ao longo da leitura e estudo. Aproveitem os complementos
“Saiba mais”, “Reflita”, “Sugestão de Vídeo” e “Leitura complementar” presentes
nesta unidade para auxiliar neste processo.
Bons estudos a todos! Vamos conhecer agora as especificidades de cada
temática.

A LIDERANÇA

Ao abordar a liderança, vamos trabalhá-la como um dos grandes papéis do


administrador. Isto porque a liderança pode ser concebida como a capacidade
de influenciar o comportamento de pessoas em prol de objetivos maiores, não
se esquecendo também dos objetivos individuais.

Introdução
136 UNIDADE V

Segundo Maximiano (2004), as


pessoas que desempenham o papel
de liderança influenciam o papel de um
ou mais liderados, e esta capacidade de
liderar está intimamente ligada ao processo
de motivação. As partes envolvidas (líderes
e liderados) se envolvem em um processo de dependência
mútua, em que os motivos dos liderados são os seus interesses entre
as suas necessidades, valores e aspirações, além, é claro, das proposições do líder.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Em busca de definições sobre liderança, Maximiano (2004) chega a algu-
mas concepções, que são:
■■ Uma pessoa ou grupo exerce liderança quando consegue conduzir as
ações ou influenciar o comportamento de outras pessoas.
■■ Liderança pode ser vista como a realização de metas organizacionais por
meio da direção de colaboradores.
■■ A liderança ocorre quando há líderes que conduzem seguidores a rea-
lizar certos objetivos que representem também os seus valores e suas
motivações.
■■ Liderança é o uso da influência não coercitiva para dirigir as atividades dos
membros de um grupo, levando-os à realização de seus próprios objetivos.

Tais apontamentos descrevem como pode ser observado o processo de liderança,


o que é de suma importância para que gestores entendam o real significado do
conceito. Podemos perceber também que a liderança não tem uma única defi-
nição, mas sim um conjunto de definições que explicam o real significado do
conceito. Continuemos conhecendo as concepções dos autores.
Para Robbins (2005), a liderança é apresentada como um processo de influên-
cia pelo qual os indivíduos, por meio de suas ações, facilitam o movimento de um
grupo de pessoas rumo a metas comuns ou compartilhadas. A partir de tal pre-
ceito, pode-se dizer que a liderança é um processo de influência, já que se baseia
no convencimento e persuasão de outrem para se atingir objetivos definidos.
Ainda segundo Robbins (2005), o ato de liderar deve ser visto como uma
habilidade para inspirar pessoas, pois enquanto o puro gerenciamento está vol-
tado para a condução de áreas e objetos concretos (coisas), a liderança objetiva

LIDERANÇA, ORGANIZAÇÕES E GESTÃO DE QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT)


137

elevar o potencial humano. A partir dessa concepção, cabe a reflexão de que os


líderes formais – aqueles que detêm a autoridade – nem sempre exibem com-
portamentos de liderança. O emprego da palavra líder é designado a pessoas
que desenvolvem atitudes de condução de outras pessoas, mesmo que não ocu-
pem cargos formais de liderança, que são os líderes emergentes ou informais.
Já na concepção de Vergara (2007), podem ser apresentados três argumen-
tos acerca do tema liderança, que são: (1) a liderança como uma competência
para exercer influência sobre indivíduos e grupos; (2) tal competência constitui
um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes expressos por meio de
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ações; (3) esses conhecimentos e habilidades resultam de aprendizagem contínua.


Vergara (2007) afirma ainda que a liderança é a competência que alguém
tem de exercer sua influência sobre outros indivíduos e grupos, de modo que as
tarefas, estratégias, objetivos e missões sejam realizados e resultados sejam obti-
dos, e, para exercer essa competência, é necessário que o líder se envolva em um
processo de aprendizagem contínua.
A partir das percepções de Maximiano (2004), Robbins (2005) e Vergara
(2007), podemos dizer que os autores apresentam muitos pontos de convergên-
cia em suas definições de liderança. O principal deles está voltado para o fato
de a liderança ser vista como a capacidade de influenciar indivíduos e grupos
em prol de objetivos definidos. Outro ponto que também é concordância entre
os autores é que a liderança pode ser vista enquanto um processo que se desen-
volve a partir de etapas distintas e objetivos definidos.
Percebemos ainda que o conceito de liderança está imbricado nas relações do
dia a dia das organizações, e, para que as atividades organizacionais sejam exerci-
das de maneira eficiente e eficaz, é necessário que exista uma unidade de comando.
Unidade de comando esta que precisa estar ciente das novas necessidades e acep-
ções das pessoas no atual mundo do trabalho.
Conseguem perceber essa necessidade de conduzir as pessoas de forma que
seus valores e percepções individuais também sejam valorizados? Em outros tem-
pos, nos estudos sobre administração, quando se falava em unidade de comando,
o destaque estava em relações coercitivas e punitivas para aqueles que não faziam
o que lhes era “mandado”. Atualmente o “mandonismo” é um elemento degene-
rativo das relações interpessoais e de toda a dinâmica organizacional.

A Liderança
138 UNIDADE V

O líder, na verdade, não é o super-homem ou a mulher maravilha que muitos


imaginam ou querem demonstrar ser. Esse é um mito criado para atender
as expectativas da sociedade, que são especialmente fortes nos países onde
a cultura enaltece o fazer, a agressividade, a ousadia e as relações de poder.
Não resta dúvida de que o desafio do verdadeiro líder é transferir respon-
sabilidades aos membros de seu grupo para estimular a autoconfiança e a
autoestima, criando um contexto marcado pela justiça no qual as pessoas se
sentem estimuladas e, portanto, geram resultados empresariais sustentáveis.
Extraído de Especial Liderança – RAE EXECUTIVO.
Texto na íntegra disponível em: <http://rae.fgv.br/sites/rae.fgv.br/files/arti-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
gos/4725.pdf>. Acesso em: 24 out. 2012.

Complementando o exposto, Maximiano (2004) destaca ainda que a lide-


rança precisa ser vista como um processo social em que interage um conjunto
de variáveis. Essa abordagem do autor é uma concepção de McGregor, um dos
grandes pensadores sobre as teorias da liderança, falaremos nele posteriormente.
McGregor divide esse conjunto que interage entre si em quatro variáveis que são:
(1) as motivações dos liderados, (2) as tarefas ou missão, (3) o líder e (4) a con-
juntura ou contexto dentro do qual ocorre a relação entre o líder e os liderados.
A partir dos elementos elencados por McGregor, notamos que a liderança
pode ser vista como um conjunto de elementos interligados que compõem
o ambiente organizacional. Sendo
assim, para conduzir a organização é
necessário o exercício da liderança em
seu sentido completo, para que dessa
forma se conduza a empresa de acordo
com os seus objetivos e a sua missão.
Os estilos e as teorias sobre lide-
rança serão abordados na seção a
seguir.

LIDERANÇA, ORGANIZAÇÕES E GESTÃO DE QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT)


INSIGHTS SOBRE LIDERANÇA

Alguns meses atrás, na mesa redonda de É diferenciado, pois o próprio grupo o


um evento, me perguntaram como eu de- colocou em uma posição de evidência ou
finiria liderança. porque ele mesmo se posicionou como tal
e foi aceito pelo grupo.
“Liderar é fazer com que alguém faça hoje
o que ontem achava que era impossível” Não existe liderança sem aceitação por
parte do grupo
Desmembrar essa definição ou qualquer
outra das várias existentes sobre o assunto Como a liderança não tem relação direta
(e melhores que a minha) nos traz alguns com posição hierárquica é muito impor-
insights importantes que servem de maté- tante que aquele que exerce uma posição
ria bruta para a reflexão daqueles que estão de influência no grupo consiga ser aceito
assumindo essa posição de líder agora ou como tal. A aceitação muitas vezes esta
mesmo por quem já exerce esse papel e relacionada com o êxito na condução da
quer revisitar seus conceitos.   relação de forma e conteúdo que envolve
todas e quaisquer atribuições do dia a dia
Só existe liderança se houver grupo corporativo.  

Liderar significa influenciar um grupo em Líder é quem organiza, estrutura e modela


busca de um objetivo comum, portanto, o trabalho.
se não houver grupo, não existe liderança.
O líder tem que entender que além de in-
Liderança não tem relação direta com cargo fluenciar ele precisa organizar, projetar e
ou posição hierárquica mostrar todas as etapas do trabalho a ser re-
alizado. Além disso, precisa zelar e acompa-
O líder é aquele que influencia, que ajuda a nhar para que essas etapas sejam seguidas.
conduzir, que tem sua voz ouvida no grupo. O líder não tem a obrigação de saber quais
É aquele que pela persuasão ou pelo con- são as etapas de um trabalho, pois ele não
senso direciona o trabalho para o caminho precisa ser o grande conhecedor técnico
que acredita ser o mais adequado. É aquele do assunto, mas ele precisa ter a humildade
que leva o grupo a ação. para entender isso e a habilidade para se
cercar desses conhecedores técnicos.
O líder é um elemento diferenciado dentro
de um grupo Por fim, o líder tem que gerar resultados.

Por Fábio Jorge Celeguim. Disponível em: <http://vocesa.abril.com.br/blog/gestao-estrate-


gica/2011/05/29/insights-sobre-lideranca/>. Acesso em: 24 out. 2012.
140 UNIDADE V

O ESTILO E AS TEORIAS SOBRE LIDERANÇA

Vamos falar nesta seção sobre alguns estilos e teorias da liderança. Você perceberá
que existem concepções diferentes entre os autores, principalmente no que diz
respeito à nomenclatura e terminologias. Conhecer tais pontos de vista é impor-
tante para que dessa forma possam entendê-los e, por meio de uma combinação,
encontrar a forma mais adequada de liderar no contexto em que estivermos inse-
ridos. Então, vamos lá saber o que os autores têm a dizer sobre tais aspectos.
Ao abordar os estilos de liderança, Stoner e Freeman (1999) afirmam existir

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
duas linhas de funções de liderança, uma voltada à tarefa e outra à manutenção
do grupo, que podem ser expressas em dois estilos de liderança: orientado para
a tarefa e orientado para as pessoas.
O estilo orientado para a tarefa tem como objetivo principal fazer com que
o trabalho seja realizado, o crescimento ou satisfação pessoal dos funcionários
está em segundo plano. Por isso, a liderança exercida sob esse estilo supervisiona
de perto os trabalhadores para que se certifique de que a tarefa seja executada
satisfatoriamente (STONER; FREEMAN, 1999).
Já aqueles que exercem uma liderança com estilo orientado para as pessoas
buscam relações amigáveis, confiantes e respeitosas com os empregados, que fre-
quentemente participam das decisões que os afetam. Os que exercem a liderança
orientada para as pessoas tentam motivá-las, em vez de controlar os subordina-
dos (STONER; FREEMAN, 1999).
Segundo Maximiano (2004), ao se falar de estilo de liderança, fala-se tam-
bém em autocracia e democracia. Esses dois termos são empregados para definir
dois estilos básicos de liderança que se caracterizam de acordo com a maneira
pela qual o líder se relaciona com os liderados.
Neste momento, você deve estar se questionando: mas a autocracia pode ser
chamada de um estilo de liderança? Pode sim. Vamos à explicação!
Como uma série de termos que fazem parte do conjunto de definições de
atividades do ambiente organizacional, a autocracia por vezes sofre distorções
que a caracterizam como algo totalmente ruim. O que precisamos entender é que
dependendo de algumas variáveis, como maturidade do grupo, ramo de ativi-
dade, processo de produção etc., o estilo de liderança precisa variar, e um deles é
a liderança autocrática. A figura a seguir ajudará no entendimento dessa questão.
LIDERANÇA, ORGANIZAÇÕES E GESTÃO DE QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT)
141

TIRANIA AUTOCRACIA DEMOCRACIA DEMAGOGIA

LIDERANÇA LIDERANÇA
ORIENTADA PARA ORIENTADA PARA
A TAREFA AS PESSOAS

Figura 05: Estilos de Liderança e suas orientações


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Fonte: Maximiano (2004, p. 294)

A partir da figura apresentada, observamos que tanto a autocracia quanto a


democracia são formas de liderança. A diferença entre as duas está no enfo-
que principal dos dois estilos: orientado para a tarefa ou para as pessoas. Para
melhor entendimento, vamos ver a explicação do autor:
Autocracia, liderança diretiva e liderança orientada para a tarefas são os
nomes mais comuns para indicar os estilos em que o poder de tomar
decisões está concentrado no líder [...] democracia, liderança participa-
tiva e liderança orientada para as pessoas são nomes que indicam algum
grau de participação dos funcionários no poder do chefe ou em suas
decisões. Quanto mais as decisões do líder forem influenciadas pelo
grupo, mais democrático é o comportamento do líder (MAXIMIA-
NO, 2004, p. 294).

Isso significa que, na perspectiva de Maximiano (2004), não há como definir um


estilo único ou ideal. O enfoque principal do processo, os objetivos instaura-
dos, assim como o perfil do grupo determinará o estilo de liderança necessário.
Diante dessa abordagem de que o estilo de liderança é regido por variáveis
ligadas ao foco principal da atividade a ser desenvolvida, desenvolve-se o con-
ceito de liderança situacional.
Segundo Maximiano (2004), a liderança situacional corresponde à ideia de que,
para ser eficaz, o estilo de liderança precisa estar apropriado à situação. Mais uma
vez notamos o fato de não existir o modelo ideal, mas sim o exercício da liderança
a partir do ambiente, dos objetivos e das pessoas envolvidas no processo.
Para Stoner e Freeman (1999), a liderança situacional é uma das princi-
pais abordagens contingencias à liderança, pois o estilo mais eficaz de liderança

O Estilo e as Teorias Sobre Liderança


142 UNIDADE V

acaba por variar de acordo com a


maturidade dos subordinados. Os
autores afirmam que a liderança
situacional é uma abordagem
desenvolvida por Paul Hersey e
Kenneth Blanchard, que descrevem
como os líderes devem ajustar o seu estilo de liderança
em resposta ao comportamento de seus subordinados.
Asseveram Stoner e Freemann (1999) que o estilo de liderança

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
situacional gerou grandes interesses porque indica uma liderança mais
dinâmica e flexível, ao invés de estática. Ademais, a motivação, a capaci-
dade e a experiência dos subordinados podem ser constantemente avaliadas
para determinar que combinação de estilos é mais apropriada sob condições de
mudança e transformação.
Maximiano (2004) destaca ainda os estilos de liderança carismática e
transacional. O autor descreve a liderança carismática como inspiradora ou
transformadora. É um tipo de liderança em que o líder oferece recompensas de
conteúdo moral e tem seguidores fiéis, que superam os seus próprios interesses
e trabalham excepcionalmente para realizar a missão, meta ou causa.
Mas, para que alcance esse grau de comprometimento e realização, os líderes
de estilo carismático dispensam especial atenção para as necessidades e poten-
cialidades de seus seguidores.
Os líderes carismáticos afetam profundamente as emoções de seus se-
guidores, encorajando-os e dando-lhes inspiração para que eles vejam
os problemas de maneira diferente, dêem o máximo de si e apresentem
novas idéias. A liderança carismática consiste em estabelecer valores e
padrões e criar os meios para guiar os esforços coletivos na direção das
metas (MAXIMIANO, 2004, p. 304).

Buscando a compreensão da percepção do autor, notamos que na liderança caris-


mática a capacidade de influência do líder recorre às emoções dos seguidores
criando um estilo de comprometimento em relação aos objetivos definidos. Além
disso, vale ressaltar que os líderes carismáticos direcionam suas recompensas com
promessas de desenvolvimento das competências individuais, do crescimento, par-
ticipação em novos projetos, em busca de uma satisfação intrínseca dos liderados.

LIDERANÇA, ORGANIZAÇÕES E GESTÃO DE QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT)


143

Já o estilo de liderança transacional é um tipo de liderança negociador,


que recorre aos interesses e necessidades dos seguidores. É um estilo de lide-
rança que promete recompensas para que os subordinados trabalhem em prol
das metas estabelecidas. Baseando-se no princípio de que o desempenho e a
competência devem ser recompensados, a liderança transacional “enxerga”
o trabalho como um sistema de trocas entre contribuições e recompensas
(MAXIMIANO, 2004).
Sob essa mesma percepção, Stoner e Freemann (1999) afirmam que o líder
carismático ou transformacional é aquele que, por meio de sua vida pessoal e
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

de sua energia, inspira os seus seguidores acarretando em um impacto signifi-


cativo na organização da qual faz parte.
Sobre o líder transacional, para Stoner e Freemann (1999), “são aqueles que
determinam o que os subordinados precisam para realizar seus objetivos e os
da organização, ajudando-os a confiar em que despendendo os esforços neces-
sários, é possível alcançar tais objetivos”.

O Estilo e as Teorias Sobre Liderança


144 UNIDADE V

Independente do estilo praticado, a liderança é vista como um processo que


exige a participação plena dos envolvidos – líderes e liderados. Mas, princi-
palmente dos líderes, que são a força motora de todo o processo, já que o
conduz de acordo com o estilo escolhido a prática de envolver pessoas no
seu dia a dia de trabalho em busca dos objetivos organizacionais, mas sem
esquecer os individuais.
No Brasil temos exemplos de grandes líderes que se destacam por sua forma
de conduzir os negócios. Abaixo, sugiro alguns trechos de entrevistas, da
série “Grandes Líderes de Hoje” da Revista Exame, que tratam de entrevistas
realizadas com líderes brasileiros que podem auxiliar nos estudos sobre li-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
derança.
<http://www.youtube.com/watch?v=MvxxYuNwUzA&feature=relmfu>.
<http://www.youtube.com/watch?v=sVa1FSJsFUE>.
<http://www.youtube.com/watch?v=bDgl8gNFjrY&feature=relmfu>.
<http://www.youtube.com/watch?v=SppE6l1Pl7c&feature=related>.

LIDERANÇA, ORGANIZAÇÕES E GESTÃO DE QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT)


145

Na matéria de capa da Revista Você S/A, edição 164 de Fevereiro de 2012,


Abílio Diniz expõe o que ele chama de “Os 17 segredos de Abílio” para o
exercício de uma boa liderança, que a seguir serão apresentados:
1. Seja humilde.
2. Pergunte sempre o que move você , o que o motiva e o que quer.
3. Não improvise.
4. Não reinvente a roda.
5. Não tenha prioridades imutáveis.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

6. Lidere com sentimento, carinho e atenção.


7. Exija o melhor.
8. Ajude as pessoas a ser felizes.
9. Estude sempre.
10. Antecipe cenários.
11. Contrate bem.
12. Ouça.
13. Seja rápido.
14. Gerencie o processo e as pessoas.
15. Mantenha o inimigo ao seu lado.
16. Encare os problemas.
17. Agradeça.

Vale acrescentar, ainda na percepção de Maximiano (2004), que os estudos da


liderança estão intimamente ligados ao entendimento dos mecanismos de influ-
ência entre líderes e seguidores. Isto porque o objetivo final destes estudos está
em desenvolver habilidades de liderança em gerentes, de modo a torná-los mais
eficazes em suas tarefas que envolvem a condução e direcionamento de pessoas.
A partir das concepções apresentadas nesta seção, é possível fazer a seguinte
reflexão: O que aprendemos até o momento sobre a liderança?
Afirmo a você que a liderança precisa ser vista a partir de um conjunto de ati-
vidades, que alinhadas, possibilitarão que empresas, grupos e indivíduos atinjam

O Estilo e as Teorias Sobre Liderança


146 UNIDADE V

os seus objetivos de maneira acertada e harmoniosa. O que precisamos nos dias


de hoje é de pessoas (gestores) que sejam capazes de perceber que estamos em
constante mudança, então, não é possível mantermos nossos velhos paradigmas,
acepções ou certezas.
Para desenvolver a lide-
rança com maestria, é necessário
entender de técnicas, ferramen-
tas e práticas organizacionais,
mas principalmente entender de

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
como conduzir “gente”, de como
valorizar as pessoas e de como
integrar-se às pessoas.

O PAPEL DA LIDERANÇA NAS ORGANIZAÇÕES

Conforme apresentado até o momento, podemos resumir o conceito de liderança


em “a capacidade de conduzir e influenciar pessoas”. A partir de tal acepção é
possível afirmar que o exercício da liderança está presente em todos os ambien-
tes das organizações, formal ou informalmente. Partimos do pressuposto de que
onde há um grupo, há liderança, pois é necessária uma “força” que conduza as
pessoas a atingir seus objetivos previamente definidos.

LIDERANÇA, ORGANIZAÇÕES E GESTÃO DE QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT)


147

Segundo Wagner III e Hollenbeck (2009), poucas tarefas ou metas impor-


tantes podem ser realizadas por uma pessoa que trabalha sozinha, e essa é a
razão principal da existência de tantas organizações na sociedade em que vive-
mos. Mas os grupos não caminham por si só, poucos podem realizar grandes
ações sem a ajuda de um indivíduo que atue como líder.
Sendo assim, a liderança é a forma ativa que conduz os grupos, tornando-se
uma função presente nos ambientes organizacionais e com vários desdobramen-
tos acerca do processo de conduzir, desenvolver e influenciar pessoas. E ainda,
em todos os âmbitos da sociedade, existem pessoas que se sobressaem às outras,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

que exercem maior domínio e/ou maior destaque, como se fosse algo natural ao
processo de desenvolvimento de qualquer tipo de atividade.
Em busca de maior entendimento desse preceito, vamos conhecer a per-
cepção do autor.
Em todos os grupos, existirão indivíduos com uma propensão ou capa-
cidade maior que os demais de exercitar a liderança. Essa propensão ou
capacidade pode dever-se tanto a tendências inatas no indivíduo quan-
to às oportunidades que ele pode aproveitar para exercer o comando de
pessoas (MAXIMIANO, 2000, p. 2).

O que notamos a partir dessa afirmação de Maximiano (2000) é que


a unidade de comando é necessária para se atingir os objetivos de
maneira organizada, e o líder tem o papel de fomentar esse processo.
Segundo Maximiano (2004), todas as organizações são sistemas
de recursos em busca de objetivos, então, o desempenho de qualquer
organização pode ser avaliado pela medida em que os objetivos são
realizados e pela forma que os recursos são utilizados.
A partir dessa afirmação do autor, partimos do pressuposto de
que o exercício da boa liderança influencia diretamente no desem-
penho da organização. Pois, se o líder tem o papel de conduzir a

O Papel da Liderança nas Organizações


148 UNIDADE V

sua equipe em prol de objetivos que foram previamente definidos, ele se torna
responsável também pelo todo organizacional, por seus processos, por suas prá-
ticas, por seu desenvolvimento.
São as pessoas que administram as organizações, e por esse motivo tornam-
-se responsáveis pela realização de objetivos e pela forma que os recursos são
utilizados. O líder tem o papel de aproveitar ao máximo seu capital intelectual,
pois somente dessa maneira é possível explorar melhor os recursos disponíveis
para se atingir os objetivos.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
A QUESTÃO DA MOTIVAÇÃO NO EXERCÍCIO DA LIDERANÇA

Ao enfocar o papel da liderança nas organizações, estamos estudando um con-


teúdo voltado para a ação de conduzir pessoas. Sendo assim, é importante
abordamos, mesmo que sucintamente, a motivação humana como elemento
essencial desse processo.
Segundo Bergamini (2006), antes da Revolução Industrial, a principal maneira
de motivar consistia no uso de punições, criando assim um ambiente generali-
zado de medo. As punições não eram apenas de natureza psicológica, podendo
aparecer sob a forma de restrições financeiras, chegando a se tornar reais sob a
forma de prejuízos de ordem física.
Ainda para Bergamini (2006), se no início deste século, o desafio era desco-
brir aquilo que se deveria fazer para motivar as pessoas, mais recentemente tal
preocupação muda de sentido. O que se torna perceptível nas organizações atu-
ais, no que diz respeito à motivação de seus colaboradores, é que cada um desses
indivíduos trazem dentro de si suas próprias motivações. Sendo assim, o desafio
das organizações está em encontrar e adotar recursos organizacionais capazes de
não sufocar as forças motivacionais inerentes a cada pessoa (BERGAMINI, 2006).
A importância de não reprimir as forças motivacionais de cada pessoa está
intimamente ligada a sua forma de atuação na organização, pois na concepção de
Bergamini (2006), as pessoas quando percebidas em seus ambientes de trabalho
tornam-se naturalmente motivadas, prestativas, idealistas e assumem a respon-
sabilidade por estarem sempre envolvidas em causas importantes.

LIDERANÇA, ORGANIZAÇÕES E GESTÃO DE QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT)


149

Assevera Bergamini (2006) que a partir de tais perspectivas da importân-


cia das pessoas para as organizações, nestas últimas três décadas, é notório
que o interesse pelo comportamento motivacional no trabalho tenha atin-
gido níveis elevados. A maneira de lidar com as pessoas ganha maior ênfase
para se obter resultados satisfatórios, pois percebeu-se que os trabalhado-
res reagem de acordo com a forma pela qual são tratados pelas organizações
(BERGAMINI, 2006).
Ademais, Bergamini (2006, p. 122) aborda algumas situações que podem
trazer satisfação ou insatisfação motivacional:
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

a. Satisfação motivacional:
■■ Poder seguir orientação grupal.
■■ Consultar pessoas e ser consultada por elas.
■■ Usar os seus talentos pessoais para o desenvolvimento da organização.
■■ Promover o desenvolvimento dos talentos daqueles com os quais trabalha.

b. Insatisfação motivacional:
■■ Tratamento impessoal.
■■ Ser forçada a desenvolver atividades sem significado.
■■ Sentir que as suas intenções não são reconhecidas.
■■ Ter que conviver em meio a um clima de falsidade em que as pessoas não
são levadas a sério.

A partir desses aspectos descritos pela autora, notamos que a ação efetiva da
liderança pode influenciar, e muito, na percepção das pessoas acerca das tarefas
que lhe foram designadas. Vemos nas características de Bergamini (2006) que
a satisfação e/ou insatisfação é caracterizada por uma série de comportamentos
que podem ser desencadeados de acordo com o tratamento direcionado às pes-
soas por aqueles que estão em cargos de comando.
Complementando o exposto, Casado (2002) afirma que a motivação perma-
nece como um dos aspectos mais preocupantes do cotidiano das organizações,
pois apesar de ser um assunto bastante abordado, na realidade pouco se avança

O Papel da Liderança nas Organizações


LIDERANÇA E MOTIVAÇÃO

Os processos sociais e comportamentais conhecimentos, com o aprimoramento


da motivação e da liderança estão inter- das habilidades e com a mudança de ati-
ligados. Os liderados seguem o líder por tudes e interesses. A evolução constante
alguma razão ou motivo. O líder propõe permite que as pessoas desenvolvam po-
uma tarefa ou missão aos seguidores, tencialidades que podem ser aproveita-
porque é de seu interesse realizá-las. Os das no campo profissional ou em outras
seguidores podem concordar desde que áreas de atividades. Entre os fatores que
a realização da tarefa também seja de seu podem promover o desenvolvimento das
interesse. O líder precisa dos liderados pessoas, estão: treinamento, educação,
para realizar metas e vice-versa. interação social, experiência e ação dos
gerentes. Embora pertençam à categoria
A liderança está associada a estímulos, in- dos fatores higiênicos e não à dos moti-
centivos e impulsos que podem provocar vados, de acordo com a teoria dos dois
a motivação nas pessoas para a realização fatores, os gerentes podem influenciar
da missão, da visão e dos objetivos em- decisivamente os fatores motivacionais.
presariais. A ligação entre os processos de motiva-
ção e liderança revela que o líder sempre
Liderança, tal como motivação, nos reme- é um instrumento do grupo. O entendi-
te às questões mais subjetivas dos seres mento das motivações dos seguidores
humanos, aquelas que dizem respeito a explica o processo social da liderança e
nossas entranhas, ao que nos move ao também possibilita o desenvolvimento
que faz sentido para nós, aquilo a que de líderes. Quem quiser se candidatar a
atribuímos significado. posições de liderança deve aprender a
transmitir mensagens sintonizadas com
O limite do desempenho não é estáti- os problemas e interesses do grupo po-
co e se altera com a aquisição de novos tencial de seguidores.

Fragmentos do artigo: UMA REFLEXÃO SOBRE LIDERANÇA E MOTIVAÇÃO SOB


ENFOQUE ORGANIZACIONAL. Natália Gomes Freitas e Manoel Gonçalves Rodrigues.
Artigo completo disponível em:
<http://www.aedb.br/seget/artigos09/32_Nati_publicacao-final.pdf>
Acesso em: 24 out. 2012.
151

ao tratar deste aspecto. O que se percebe é que “[...] são inúmeras as opções para
motivar os empregados, há muitos investimentos em novos e retumbantes pro-
gramas motivacionais e, passado pouco tempo, volta-se à estaca zero (CASADO,
2002, p. 247)”.
Assevera Casado (2002) que a preocupação dos gestores com a motivação,
tal como se conhece hoje, é relativamente recente. Espera-se do gestor que pre-
encha as posições de trabalho (cargos) com trabalhadores que realmente estejam
aptos a desenvolver a função, forneça treinamento e acompanhamento para
garantir resultados. Uma vez atingidos os resultados, o gestor também deverá
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

recompensar os trabalhadores por meio da remuneração, que deverá ser satis-


fatória e adequada.
Diante disso, percebemos que o papel do gestor se limita a identificar os
princípios norteadores de comportamento de seus subordinados, de modo a
direcionar a motivação de cada um, para melhorar o desempenho profissional
no que diz respeito tanto à produtividade quanto à saúde organizacional e suas
satisfações pessoais (CASADO, 2002).
Em suma, o que observamos é que a motivação pode ser vista como um
processo que faz parte dos estudos de liderança, alcançando e influenciando mutu-
amente indivíduos, grupos e toda a organização. Embora tenha tal influência, os
processos motivacionais ainda são vistos como um fenômeno complexo por tratar
de questões subjetivas dos indivíduos e de seus comportamentos nas organizações.
É por esse motivo que associamos a motivação às relações de liderança exis-
tentes nos ambientes organizacionais. Os líderes precisam compreender sobre
tais aspectos para conseguirem exercer a influência de maneira correta sobre os
seus liderados.

A QUESTÃO DO CONTROLE E FEEDBACK


NO PROCESSO DE LIDERANÇA

Dentre os papéis da liderança no “todo” organizacional, principalmente quando


enfocamos a questão de relacionamentos que envolvem indivíduos, os seus gru-
pos e a organização em si, está o de estabelecer uma relação com o controle das

O Papel da Liderança nas Organizações


152 UNIDADE V

atividades planejadas.
O processo de controle, segundo Maximiano (2004), está voltado para um
processo administrativo em que as atividades são comparadas com o que foi
planejado. Caso haja discrepância entre os objetivos e resultados, há a necessi-
dade de praticar alguma ação corretiva e assegurar a realização dos objetivos.
Na concepção de Stoner e Freeman (1999), o controle é a ferramenta que
auxilia o monitoramento do progresso e possibilita a correção de erros ocorri-
dos. Além disso, pode auxiliar as lideranças a monitorar mudanças ambientais
e os seus efeitos sobre o progresso da organização. O controle pode ainda cola-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
borar para a gestão do trabalho em equipe, o que tornou-se uma necessidade
nas organizações contemporâneas.
Complementando o exposto, Robbins (2005) afirma que, para o controle
das atividades da organização, é necessário que os líderes tenham também apti-
dões gerenciais, de comando e voltadas para a tarefa. Os autores chamam essas
aptidões de competências gerenciais, que vão desde o controle do ambiente da
organização e de seus recursos, passando pela motivação dos funcionários e
administração de conflitos, chegando à solução de problemas estratégicos.
Robbins (2005) destaca ainda que é necessário ter sensibilidade às diferen-
ças, já que a diversidade de mão de obra exige que os gerentes sejam cada vez
mais sensíveis a essa questão. É necessário que o líder aprenda a trabalhar com
todas as pessoas de dentro ou de fora da
organização, e que possam ajudá-los a
alcançar os objetivos que buscam.
Tais características apresentadas
têm o intuito de fomentar uma reflexão
em torno da ação de liderar voltada ao
controle das atividades da organização,
pois se algo não dá certo, o líder precisa
saber conduzir a situação e orientar a
equipe para uma nova “saída” diante
do ocorrido.
É nesse ponto que pode ser come-
tido um dos maiores erros do exercício

LIDERANÇA, ORGANIZAÇÕES E GESTÃO DE QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT)


153

da liderança: a falta de feedback. Segundo Moscovici (2005), o feedback pode ser


visto como um processo de auxílio a mudanças de comportamento, pois é a comu-
nicação a uma pessoa ou grupo, no sentido de fornecer-lhe informações sobre

O Feedback é uma das muitas poderosas ferramentas que um líder pode ter,
para extrair o máximo de resultados para a organização.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Diversos líderes desconhecem ou preferem não desenvolver em suas equi-


pes essa ferramenta, que por sinal pode melhorar a comunicação entre to-
dos da organização, cabe aqui salientar que não adianta ter um ótimo pla-
nejamento se não existe um canal aberto entre as partes, a fim de corrigir
os percursos.
Vou citar algumas vantagens em se ter um canal como esse com a sua equipe:
■■ Após o planejamento, o líder vai verificando período a período os
resultados, esse momento sendo satisfatório ou não, é muito impor-
tante participar a equipe e buscar alinhar e corrigir os percursos, para
que a meta seja atingida no final;
■■ Utilizar a ferramenta para olho no olho criticar e elogiar os colabo-
radores, criando um clima de respeito e sinceridade entre todos os
componentes;
■■ Utilizar a ferramenta para receber crítica e poder melhorar a sua
liderança, ou discutir os pontos de vistas de cada colaborador em
referência às metodologias utilizadas pelo líder na parte operacio-
nal e motivacional;
■■ Utilizar a ferramenta para motivar os colaboradores e reconhecer os
comprometidos.
Para elaborar um feedback que possa obter 100% de resultados, é necessá-
rio definir uma data padrão para as reuniões individuais, preparar um docu-
mento que contenha críticas, opiniões, elogios e assuntos abordados.
Fica aqui um alerta aos líderes: quanto mais sincero for o feedback, mais
confiança e credibilidade serão criadas na relação.
Texto completo disponível em: <http://ogerente.com.br/novo/colunas_ler.
php?canal=10&canallocal=33&canalsub2=107&id=1119>. Acesso em: 24 out. 2012.

O Papel da Liderança nas Organizações


154 UNIDADE V

como a sua atuação está afetando outrem. De acordo com a autora, o feedback
eficaz auxilia o indivíduo a melhorar o seu desempenho e consequentemente
alcançar os seus objetivos.
Moscovici (2005) ainda complementa que para superar barreiras de dar e
receber feedback, é necessário:
■■ Estabelecer relações de confiança recíproca para diminuir barreiras entre
as partes envolvidas.
■■ Reconhecer que o feedback é um processo de exame conjunto.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
■■ Aprender a ouvir, a receber feedback sem reações emocionais (defensi-
vas) intensas.
■■ Aprender a dar feedback de forma habilidosa, sem conotações emocio-
nais intensas.

A partir das concepções apresentadas pela autora, percebemos que o feedback


deve ser um exercício contínuo do processo de liderança, principalmente quando
nos referimos à questão do controle. Em alguns parágrafos anteriores, apontei a
falta de feedback como um dos maiores erros que podem ser cometidos no exer-
cício da liderança. Vou explicar-lhes o motivo dessa minha afirmação.
Em muitos momentos, envolvidos pelos objetivos instaurados e pelas prá-
ticas do dia a dia, os líderes são pressionados a exigir o máximo de suas equipes
para que a organização obtenha sucesso. Mas nem sempre isso é possível. Às
vezes as metas não são alcançadas, os processos não são concluídos e os objeti-
vos não são atingidos. E nesses momentos, por vezes as equipes ficam sem saber
onde erraram, onde devem melhorar e/ou o que devem eliminar, por não terem
um retorno sobre a sua atuação. Por não terem feedback.
Conseguem compreender agora a importância do processo de feedback no exer-
cício da boa liderança? Enquanto líderes, precisamos “prestar contas” aos nossos
liderados não somente quando eles acertam, mas principalmente quando eles
comentem erros ou atuam de maneira insuficiente.
Imaginem a quantidade de conflitos que evitaríamos tendo esse tipo
de ação.
A partir do desenvolvimento adequado dos elementos tratados, desde os

LIDERANÇA, ORGANIZAÇÕES E GESTÃO DE QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT)


155

aspectos de liderança, motivação, controle e feedback, são geradas consequên-


cias positivas no que diz respeito às relações de trabalho existentes nos ambientes
organizacionais. E, principalmente, os objetivos organizacionais e individuais
podem ser atingidos.
Assim, no próximo e último tópico que vamos tratar, abordaremos a
Qualidade de vida no Trabalho (QVT) também como elemento essencial para
que se tenham bons relacionamentos nas organizações.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A GESTÃO E QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT)

Ao falarmos da qualidade de vida no trabalho, observamos um avanço das con-


cepções que constroem os meandros dos modelos de gestão, como também das
formas de organização do trabalho. Abordamos essa temática neste material
com o intuito de promover uma reflexão a respeito de como o ambiente de tra-
balho pode influenciar a vida daqueles que dali fazem parte, os trabalhadores.
Vamos conhecer agora algumas concepções sobre o tema.
O termo Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) foi cunhado por Lou-
is Davis na década de 1970 quando desenvolvia um projeto sobre dese-
nho de cargos. Para ele, conceito de QVT refere-se à preocupação com
o bem-estar geral e a saúde dos colaboradores no desempenho de suas
atividades (CHIAVENATO, 2010, p. 487).

A partir de então, os estudos sobre qualidade de vida no tra-


balho vêm ganhando expressão ao falarmos em temas que
envolvam o contexto organizacional e as pessoas. Na con-
cepção de França e Arellano (2002, p. 296) “qualidade
de vida no trabalho é o conjunto das
ações de uma empresa no sentido
de implantar melhorias e inovações
gerenciais, tecnológicas e estrutu-
rais no ambiente de trabalho”.

A Gestão e Qualidade de Vida no Trabalho (QVT)


156 UNIDADE V

Asseveram as autoras França e Arellano (2002) que existem diversas inter-


pretações de qualidade de vida no trabalho, que vão desde o enfoque clínico da
ausência de doenças no âmbito pessoal até as exigências de recursos, objetivos
e procedimentos de natureza gerencial e estratégica no nível das organizações.
O ambiente corporativo tem buscado a competitividade em decorrência das
profundas mudanças ocorridas na contemporaneidade. Mudanças de cunho tec-
nológico, social, comportamental e pessoal. Torna-se necessário então encontrar
fatores conjunturais de sobrevivência que conduzam efetivamente a melhorias de
condições de vida e bem-estar dos trabalhadores (FRANÇA; ARELLANO, 2002).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Complementando o exposto, Pilatti (2008) afirma que a qualidade de vida
no trabalho pode ser vista como um conceito que enfatiza o enriquecimento do
trabalho de forma a suscitar o crescimento individual do trabalhador proporcio-
nando-lhe desafio e satisfação profissional. A partir dessa concepção, notamos
que ao se preocupar com a qualidade de vida no trabalho, as empresas suavizam
a conotação de sofrimento que podem tomar as atividades laborais.
Vamos tentar entender melhor o que os autores falaram até o momento.
As pessoas passam a maior parte do tempo de suas vidas desenvolvendo
atividades de trabalho. Devido às mudanças ocorridas no atual mundo do tra-
balho, essas atividades podem ser desenvolvidas tanto dentro quando fora do
ambiente organizacional. Mas, independentemente dos limites físicos, a saúde
mental do trabalhador será preservada a partir do momento em que houver
manifestação de preocupação por parte da organização.
E, a partir do momento em que as organizações passam a enxergar que os
seus trabalhadores requerem cuidados que mantenham a sua qualidade de vida, a
conotação de “sofrimento”, que por vezes toma a atividade laboral, é suavizada e as
pessoas desenvolvem melhor as suas atividades.
Segundo Chiavenato (2010), a QVT pode ser ainda vista como um construto
complexo que envolve fatores como: (1) satisfação com o trabalho executado, (2)
possibilidades de futuro na organização, (3) reconhecimento pelos resultados
alcançados, (4) salário percebido, (5) benefícios auferidos, (6) relacionamento
humano dentro da equipe e da organização, (7) ambiente psicológico e físico de
trabalho, (8) liberdade de atuar e responsabilidade de tomar decisões, (9) pos-
sibilidades de estar engajado e de participar ativamente.

LIDERANÇA, ORGANIZAÇÕES E GESTÃO DE QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT)


QUALIDADE DE VIDA TAMBÉM ESTÁ PRESENTE
NO AMBIENTE DE TRABALHO

Se antes as empresas eram consideradas capital intelectual da organização.


apenas espaços físicos destinados exclusi-
vamente às atividades laborais, hoje a vi- Presente no Brasil desde 1997, o Grupo
são holística das organizações constatou AES Brasil é controlador de quatro empre-
que o local de trabalho é um ambiente sas operacionais, que atuam no setor de
pertinente a outras ações que valorizam o energia elétrica - AES Eletropaulo, AES Sul,
ser humano. Isso tem levado muitas em- AES Tietê e AES Uruguaiana. Em 2011, o
presas a investirem em várias vertentes Grupo AES Brasil realizou investimento de
que beneficiam diretamente seus profis- mais de R$ 1,3 bilhão. A maior parte dos
sionais. Um ótimo exemplo acontece no recursos destinou-se à manutenção, à ex-
dia a dia da AES Brasil - que desde 2003 pansão e à modernização do sistema de
passou a adotar ações pontuais de QVT distribuição de energia elétrica e ao aten-
com o Programa de Ginástica Laboral. Já dimento aos clientes da companhia.
em 2009, a companhia criou torneios es-
portivos e de incentivo à saúde e à ativi- Para implantar o “Viva Bem Viva Mais”,
dade física dos talentos internos. a AES Brasil optou por firmar parcerias
externas. “Recentemente temos adota-
Mas foi precisamente em maio de 2009, do uma excelente parceria com o SESI,
que a AES Brasil lançou oficialmente o que tem feito um levantamento junto
Programa de Qualidade de Vida “Viva aos colaboradores de Leitura e Entrega
Bem Viva Mais”. A iniciativa tinha como sobre questões relacionadas à qualidade
principais objetivos: buscar a melhora na de vida e indicadores de saúde, além das
qualidade de vida e na produtividade dos contratações de prestadores de serviços
colaboradores, criar a cultura de uma vida especializados. A parceria com o SESI
mais saudável, bem como reduzir os indi- tem trazido excelentes resultados e não
cadores críticos de saúde. Segundo Edi- há custos diretos envolvidos para reali-
son Meneguello, gerente de Medicina do zação do projeto”, salienta Edison Me-
Trabalho e Qualidade de Vida, o programa neguello, ao acrescentar que o progra-
está direcionado aos colaboradores pró- ma de QVT está sob a responsabilidade
prios, aos trainees e aos estagiários da da gerência de Medicina do Trabalho e
AES Brasil. Algumas ações do programa conta com o envolvimento direto de três
também são extensivas aos familiares do profissionais.
Texto completo disponível em: <http://www.rh.com.br/Portal/Qualidade_de_Vida/Mate-
ria/8121/qualidade-de-vida-tambem-esta-presente-no-ambiente-de-trabalho.html>.
Acesso em: 24 out. 2012.
158 UNIDADE V

Chiavenato (2010) expõe ainda três modelos de QVT mais importantes, que
são os de Nadler e Lawler, de Hackman e Oldhan e o de Walton. Conheceremos
sucintamente cada um deles a seguir.
Modelo de QVT de Nadler e Lawler (1983): para estes autores, a QVT está
fundamentada em quatro aspectos. Estes aspectos são: participação dos colabo-
radores nas decisões; reestruturação do trabalho através do enriquecimento de
tarefas e de grupos autônomos de trabalho; inovação no sistema de recompen-
sas para influenciar o clima organizacional; melhoria no ambiente de trabalho
quanto a condições físicas e psicológicas, horário de trabalho, etc.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Modelo de QVT de Hackman e Oldhan (1975): apresentam um modelo
dedicado ao desenho de cargos. Para eles as dimensões do cargo produzem esta-
dos psicológicos críticos que conduzem a resultados pessoais e de trabalho que
afetam a QVT. São abordadas as seguintes dimensões: variedade de habilidades;
identidade da tarefa; significado da tarefa; autonomia; retroação do próprio tra-
balho; retroação extrínseca; inter-relacionamento.
Modelo de QVT de Walton (1973): existem oito fatores que afetam a QVT.
Estes fatores são: compensação justa e adequada; condições de segurança e saúde
no trabalho; utilização e desenvolvimento de capacidades; oportunidades de
crescimento contínuo e segurança; integração social na organização; constitu-
cionalismo; trabalho e espaço total de vida; relevância social da vida no trabalho.
O que percebemos então é a quebra de paradigmas em que os trabalhadores
passam a ser mais valorizados e seus ambientes de trabalho passam a proporcionar
maior bem-estar para o desenvolvimento de suas atividades. Consequentemente
a produtividade e também objetivos terão melhores resultados.

LIDERANÇA, ORGANIZAÇÕES E GESTÃO DE QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT)


159

Complementando o que foi tratado até o momento, segundo Rosa (2006), a


qualidade de vida no trabalho precisa ser trabalhada por meio de um relaciona-
mento baseado no respeito mútuo entre os membros da organização e a própria
organização. Além disso, é necessária a participação de todos os envolvidos em
decisões que venham ser tomadas, para assim alcançar maior autonomia e satis-
fação no trabalho.
Rosa (2006) afirma ainda que a gestão de qualidade de vida no trabalho afeta
o comportamento das pessoas e, consequentemente, suas atitudes, produtividade
e alcance de objetivos. Elementos que podem ser citados como influenciáveis
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

pela gestão da QVT são a motivação para o trabalho, adaptabilidade a mudan-


ças, criatividade, iniciativa e vontade de inovar.
Na concepção de Chiavenato (2010), a QVT se preocupa com o bem-es-
tar psicológico e social do trabalhador, e tem sido utilizada como indicador das
experiências humanas no local de trabalho e do grau de satisfação das pessoas
que desempenham o trabalho.
Ainda para Chiavenato (2010), o conceito de QVT implica em um profundo
respeito às pessoas. Principalmente porque para alcançar níveis elevados de qua-
lidade e produtividade, as organizações necessitam de pessoas motivadas que
participem ativamente no desenvolvimento de trabalhos, e que sejam adequa-
damente recompensadas por suas contribuições.
A partir do que foi abordado, percebemos que a QVT poder ser observada
como um conquista dos trabalhadores. E a partir de tal perspectiva, as organi-
zações, para alcançarem melhor desempenho em seus processos, bem como
relacionamentos mais saudáveis em seus ambientes, precisam criar e implementar
ações que proporcionem e mantenham a qualidade de vida de seus trabalhadores.

A Gestão e Qualidade de Vida no Trabalho (QVT)


160 UNIDADE V

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao terminar esta unidade, vamos relembrar um pouco sobre o que foi discutido.
A liderança é um assunto que permeia as relações existentes principalmente nos
ambientes organizacionais. Estudamos aqui a liderança como um elemento pre-
sente na dinâmica organizacional que apresenta vários desdobramentos. Alguns
desses desdobramentos tratamos ao longo desta unidade.
Falamos também do papel da liderança nas organizações dando destaque aos
elementos essenciais a serem trabalhados, tais como motivação, feedback e con-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
trole. Procurei dar uma abordagem gerencial para que dessa forma o conteúdo
trabalhado agregue valor ao assunto principal do livro que é a Administração
de Conflitos e Relacionamentos.
Por fim, falamos da Gestão de Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) não
como elemento menos importante, mas como uma consequência de todas as
ações apresentadas no decorrer da unidade.
Espero que os assuntos abordados na unidade tenham contribuído para o
desenvolvimento do conhecimento acerca da Liderança e seus desdobramentos
nos ambientes organizacionais.

LIDERANÇA, ORGANIZAÇÕES E GESTÃO DE QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT)


MATERIAL COMPLEMENTAR

O Monge e o Executivo Existem diversos filmes


James Hunter que tratam o tema
abordado nessa unidade.
Editora: Sextante Segue a seguir
Sinopse: O livro narra a história alguns filmes que
de um John Daily, um executivo tratam do assunto
liderança que podem
bem-sucedido, que vai para um
fornecer subsídios
retiro num pequeno e relativamente para discussões e
desconhecido mosteiro cristão e desenvolvimento do
lá juntamente com outras pessoas conhecimento.
descobre a essência da boa liderança. - Desafiando Gigantes
- A virada
- Gladiador
- O Diabo Veste Prada
- Fomos heróis

Liderança e Motivação - Coração Valente


Harvard Business Review - Vida de Inseto
- A Fuga das galinhas
Editora: Campus
- O Rei Leão
Sinopse: O livro reúne artigos
publicados pela Harvard - O Preço do Desafio
Business Review que consolida - Invictus
em poucos capítulos temas de - Duelo de Titãs
relevância para a liderança e a - Prison Break (seriado)
motivação na empresa.

Material Complementar
162 - 163

CONCLUSÃO

1. Podemos dizer que “A essência da liderança eficaz é compatibilizar a personalida-


de do líder com o estilo de liderança dominante na organização”. Você concorda
ou não com essa afirmação? Explique o seu posicionamento a partir dos concei-
tos estudados.
2. Quais são os principais estilos de liderança? Como esses estilos estão relaciona-
dos?
3. Qual a importância do feedback em uma organização? Por que o feedback está
associado à Administração de Conflitos e Relacionamentos?
4. Qual a contribuição dos programas de Gestão de Qualidade de Vida no Trabalho
(QVT) para os empregados? E para a organização?
164 - 165

REFERÊNCIAS

Para concluir todo o trabalho, vamos resgatar um pouco do que foi discutido neste
livro. A Administração de Conflitos e Relacionamentos torna-se um elemento essen-
cial entre as habilidades a serem desenvolvidas na formação de qualquer profissio-
nal.
Mas não basta deter tal informação, é necessário saber implementá-la de manei-
ra adequada nos ambientes em que estamos inseridos. Percebemos durante o de-
senvolvimento das unidades estudadas que essa gestão de relacionamentos está
presente no nosso dia a dia, em relações pessoais e de trabalho. E, principalmente,
não há uma “fórmula mágica” para tratá-la, é necessário muito trabalho e desenvol-
vimento de estratégias para conduzir os relacionamentos de maneira acertada.
O livro Administração de Conflitos e Relacionamentos, prezado(a) aluno(a), foi
desenvolvido para proporcionar a você a possibilidade de contato com parâmetros,
ferramentas e estratégias que venham direcioná-lo no desenvolvimento de suas ati-
vidades acadêmicas e também de trabalho. Independentemente da atividade em
que você atua ou atuará, os conteúdos aqui abordados servirão como subsídio para
os diversos cenários nos quais você estará inserido ao longo de sua vida.
Espero que, com as discussões propostas neste livro, tenhamos colaborado com o
seu conhecimento e aprendizado acerca do comportamento individual e organi-
zacional, do indivíduo e o seu papel na organização, dos conflitos, da negociação e
relações de poder, das lideranças e os processos organizacionais. Enfim, espero que
você passe a enxergar “com outros olhos” a questão dos conflitos e relacionamentos
em sua vida.
Muito sucesso em sua jornada!
Professora Me. Patrícia Rodrigues da Silva
REFERÊNCIAS

AGUIAR, Maria Aparecida Ferreira. Psicologia aplicada a Administração: uma


abordagem interdisciplinar. São Paulo: Saraiva, 2005.
ANDRADE, Rui Otávio Bernardes de; ALYRIO, Rovigati Danilo; MACEDO, Marcelo
Alvaro da Silva. Princípios de negociação: ferramentas e gestão. São Paulo: Atlas,
2010.
ANGELONI, Maria Terezinha. Comunicação nas organizações da era do conheci-
mento. São Paulo: Atlas, 2010.
BERGAMINI, Cecília. W. Motivação nas organizações. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2006.
BERGER, P.; LUCKMANN, T. A construção social da realidade: tratado de sociologia
do conhecimento. Petrópolis, Vozes, 1985.
BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psico-
logias: uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: Saraiva, 2006.
BRANDÃO, H. P. (2009). Aprendizagem, competência, contexto e desempenho:
um estudo multinível. Tese de doutorado – Brasília: Universidade de Brasília, Depar-
tamento de Psicologia Social e do Trabalho.
CARVALHAL, Eugenio do et al. Negociação e administração de conflitos. Rio de
Janeiro: FGV, 2006.
CARVALHO, Gilda Maria Rocha de; TAVARES, Márcia da Silva. Informação e Conheci-
mento: uma abordagem organizacional. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2001.
CARVALHO, Maria do Carmo Nacif de. Relacionamento Interpessoal: como preser-
var o sujeito coletivo. Rio de Janeiro: LTC, 2009.
CASADO, Tania. A motivação e o trabalho. In: AUTORES, Vários. As pessoas na orga-
nização. São Paulo: Editora Gente, 2002. p. 247-258.
CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas orga-
nizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 1999.
CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos
nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.
CHIAVENATO, I. Comportamento Organizacional: a dinâmica de sucesso das orga-
nizações. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.
CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. 8. ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2011.
CORIAT, B. O taylorismo e a expropriação do saber operário. In: PIMENTEL, Duarte et
al. (Orgs.). Sociologia do Trabalho: organização do trabalho industrial – Antologia.
Lisboa: A Regra do Jogo Edições, 1985. pp. 81-107.
DAFT, Richard L. Teoria e Projeto das Organizações. Rio de Janeiro: LTC – Livros
Técnicos e Científicos Editora S.A, 1997.
166 - 167

REFERÊNCIAS

DRUCKER, P. F. A nova sociedade: anatomia do sistema industrial. Rio de Janeiro:


Editora Fundo de Cultura S.A., 1964.
DRUCKER, P.F. Uma Era de Descontinuidade. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1970.
FELIPPE, M.I. 2007. Identificação das necessidades de treinamento por competência.
In: BOOG, G. G.; BOOG, M. T. (orgs.), Manual de Treinamento e Desenvolvimento.
São Paulo, Pearson Prentice Hall, pp.6-23.
FERNANDES NETO, Alvaro Francisco. Gestão de Conflitos. Thesis, São Paulo, v. 4, n. 2,
pp.1-16, 2005. Disponível em: <http://www.cantareira.br/thesis2/v4n1/alvaro.pdf>.
Acesso em: 02 out. 2012.
FRANÇA, Ana Cristina Limongi; ARELLANO, Eliete Bernal. Liderança, poder e com-
portamento organizacional. In: AUTORES, Vários. As pessoas na organização. São
Paulo: Editora Gente, 2002. pp. 259-269.
GALLINO, L. Dicionário de sociologia. São Paulo: Paulus, 2005.
GIDDENS, A. Sociologia. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.
HEHN, H. F.; Peopleware: Como Trabalhar o Fator Humano nas Implementações de
Sistemas Integrados de Informação (ERP). São Paulo: Ed. Gente, 1999
IBC – Instituto Brasileiro de Coaching. Disponível em: <http://ibccoaching.com.br>.
Acesso em: 17 out. 2012.
MAIA, Ewerton Pereira. O problema é nosso: conflitos no ambiente de trabalho.
Brasília: Thesarus, 2007.
MARRAS, J.P. Administração de Recursos Humanos: do operacional ao estratégi-
co. São Paulo: Futura, 2000.
MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Introdução à Administração. 6. ed. São Paulo:
Atlas, 2004.
MAXIMIANO, Antonio César Amaru. Teoria geral da administração: da escola cien-
tífica à competitividade em economia globalizada. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2000.
MAXIMIANO, A.C.A. Teoria Geral da administração: da revolução urbana à revolu-
ção digital. São Paulo: Atlas, 2007.
MORGAN, Gareth. Imagens da organização. São Paulo: Atlas, 2007.
MOTTA, F.C.P. Controle social nas organizações. Revista de Administração de Em-
presas,33(5):68-87, 1993.
MELLO, José Carlos Martins F. de. Negociação baseada em Estratégia. 2. ed. São
Paulo: Atlas, 2010.
MONTANA, Patrick J.; CHARNOV, Bruce H. Administração. 2. ed. São Paulo: Saraiva,
2006. (Essencial).
REFERÊNCIAS

MOSCOVICI, Fela. Desenvolvimento interpessoal. 15. ed. Rio de Janeiro: José


Olympio, 2005.
MOTTA, Paulo Roberto. A ciência e a arte de ser dirigente. 13. ed. Rio de Janeiro:
Record, 2002.
OLIVEIRA, Jayr Figueiredo de; PRADO, Jonas; SILVA, Edilson Aurélio da. Gestão de
Negócios. São Paulo: Saraiva, 2005.
PAIVA, L.A.; MANCHILHA, J.; RICHARDS, J. Coaching: passo a passo. Rio de Janeiro:
Qualitymark Editora, 2011.
PERROT, M. Os Problemas da Mão de Obra Industrial. In: PIMENTEL, Duarte et al.
(orgs.). Sociologia do Trabalho: organização do trabalho industrial – Antologia. Lis-
boa: A Regra do Jogo Edições, 1985.
PILATTI, L. A . Qualidade de vida no trabalho e a teoria dos dois fatores de Herzberg:
possibilidades-limite das organizações. In: Roberto VILARTA; G. L. G. (Org.). Qualida-
de de vida no ambiente corporativo. 1. ed. Campinas: IPES Editorial, 2008.
REINERT, M.; MUNHOZ, G.S.; FILIPPIN, M.; CHIMELLO, G.R.; MONTELONE, G.M.; PAS-
TRO, M.G. Recrutamento e seleção como parte do processo de socialização orga-
nizacional: estudo de caso em uma ONG. Revista Base UNISINOS,v. 9, n. 1 (2012).
RIBEIRO, J.P. Gestalt-Terapia - O Processo Grupal: uma abordagem fenomenológi-
ca da teoria do campo e holística. São Paulo: Summus, 1994.
ROBBINS, Stephen P. Administração: mudanças e perspectivas. São Paulo: Saraiva,
2005.
ROBBINS, Stephen; JUDGE, Timothy; SOBRAL, Filipe. Comportamento Organiza-
cional: teoria e prática no contexto brasileiro.São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010.
ROBBINS, Stephen. Fundamentos do Comportamento Organizacional. São Pau-
lo: Pearson Prentice Hall, 2009.
ROBBINS, Stephen; JUDGE, Timothy; SOBRAL, Filipe. Comportamento organizacio-
nal: teoria e prática no contexto brasileiro. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010.
ROSA, Marco Antonio Salles. Qualidade de Vida no Trabalho: análise do caso de
trabalhadores de uma empresa do ramo de metalurgia de Ponta Grossa – Pr. 2006.
107 f. Dissertação (Mestre) - Universidade Tecnológica Federal Do Paraná, Ponta
Grossa, 2006. Cap. 2. Disponível em: <http://www.pg.utfpr.edu.br/dirppg/ppgep/
dissertacoes/arquivos/32/Dissertacao.pdf>. Acesso em: 01 out. 2012.
SENGE, P.M. A quinta disciplina: arte e prática da organização que aprende. 25.ed.
Rio de Janeiro: BestSeller, 2009.
SLACK, N.; CHAMBERS,S.; JOHNSTON, R. Administração da Produção: São Paulo:
ATLAS, 1996.
168 - 169

REFERÊNCIAS

SROUR, Robert Henry. Poder, Cultura e Ética nas Organizações. Rio de Janeiro:
Campus, 1998.
STONER, James A. F.; FREEMAN, R. Edward. Administração. Rio de Janeiro: Ltc, 1999.
STONER, J. A. F.; FREEMAN, R. E. Administração. 5. ed. Rio de Janeiro: Prentice Hall
do Brasil Ltda., 1995.
VERGARA, Sylvia Constant. A liderança aprendida. Gv Executivo: Especial Liderança,
São Paulo, v. 6, n. 1, p.61-65, 2007.
VIZIOLI, M. Administração de recursos humanos. São Paulo: Pearson Education do
Brasil, 2010.
WAGNER III, John A.; HOLLENBECK, John R. Comportamento Organizacional:
criando vantagem competitiva. São Paulo: Saraiva, 2009.
VECCHIO, Robert. Comportamento organizacional. São Paulo: Cengage Learning,
2008.