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PROCESSO PENAL OAB

Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

ÍNDICE

CAPÍTULO I - PRISÃO PROCESSUAL........................................................................................... 4


INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 4
PRISÃO EM FLAGRANTE: Relaxamento de prisão/liberdade provisória.................................................. 5
PRISÃO PREVENTIVA: Revogação da prisão preventiva .................................................................... 30
PRISÃO TEMPORÁRIA (Lei n. 7960/89): Revogação da prisão temporária .......................................... 46
CAPÍTULO II - PROCEDIMENTOS ............................................................................................. 55
CAPÍTULO III – AÇÃO PENAL, QUEIXA-CRIME E QUEIXA-CRIME SUBSIDIÁRIA ................... 58
QUEIXA-CRIME ............................................................................................................................. 60
QUEIXA-CRIME SUBSIDIÁRIA ........................................................................................................ 67
CAPÍTULO IV - FASE JUDICIAL: PROCEDIMENTO COMUM ...................................................... 71
DA DENÚNCIA E REJEIÇÃO DA DENÚNCIA ...................................................................................... 71
CITAÇÃO ...................................................................................................................................... 74
RESPOSTA À ACUSAÇÃO ............................................................................................................... 76
AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO ........................................................................................................... 93
MEMORIAIS .................................................................................................................................. 94
EMENDATIO LIBELLI E MUTATIO LIBELLI – PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO E PRINCÍPIO DA
CONSUBSTANCIAÇÃO.................................................................................................................. 110
CAPÍTULO V - RECURSOS ........................................................................................................ 117
RECURSO EM SENTIDO ESTRITO ................................................................................................. 117
RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO ............................................................................... 131
CONTRARRAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO ................................................................. 138
APELAÇÃO .................................................................................................................................. 142
RAZÕES DE APELAÇÃO ................................................................................................................ 155
CONTRARRAZÕES DE APELAÇÃO ................................................................................................. 163
REFORMATIO IN PEJUS ............................................................................................................... 168
CAPÍTULO VI – RECURSO ESPECIAL E EXTRAORDINÁRIO ................................................... 171
CAPÍTULO VII - COMPETÊNCIA .............................................................................................. 184
PADRÃO DE RESPOSTAS ......................................................................................................... 199

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01 CAPÍTULO I – PRISÃO PROCESSUAL

1) Introdução

A prisão processual, também chamada de prisão cautelar ou provisória, ocorre


por força da necessidade de segregação cautelar do acusado da prática de um delito durante as
investigações ou no curso da ação penal nas hipóteses previstas na legislação processual penal.

É aquela que ocorre antes do trânsito em julgado da sentença penal


condenatória.

Não visa a punição do agente, mas de impedir que volte a praticar novos delitos
ou que adote conduta voltada a influenciar na instrução criminal ou na aplicação da sanção decorrente da
prática delituosa.

Nos termos do artigo 283 do CPP, três são as espécies de prisão provisória:
prisão em flagrante (art. 301 a 310 CPP), preventiva (art. 311 a 316 CPP) e temporária (Lei
7.960/89).

ESPÉCIES DE PRISÃO PROVISÓRIA

PRISÃO EM FLAGRANTE – artigo 301/310 do CPP

PRISÃO PREVENTIVA – artigo 311/316 do CPP

PRISÃO TEMPORÁRIA – Lei 7.960/89

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2) PRISÃO EM FLAGRANTE

2.1) CONCEITO

Trata-se de medida restritiva de liberdade, de natureza cautelar e processual,


consistente na prisão, independente de ordem escrita do juiz competente, de quem é surpreendido
cometendo uma infração penal ou quando acabou de cometê-la, ou quando perseguido, logo após, em
situação que faça presumir ser autor da infração, ou, ainda, quando encontrado, logo depois à prática da
infração, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser o autor da infração.

Em síntese, a prisão em flagrante ocorre quando presente uma das hipóteses


previstas no artigo 302 do Código de Processo Penal.

A Lei nº 12.403/2011 introduziu o artigo 310, inciso II, do CPP, suprimindo a


possibilidade de a prisão em flagrante prender por si só, na medida em que, se presentes os requisitos do
artigo 312 do CPP e inadequada ou insuficiente a aplicação das medidas cautelares diversas da prisão, o
juiz deverá converter a prisão em flagrante em prisão preventiva.

Logo, forçoso concluir que a prisão em flagrante passou a assumir natureza


precautelar, com duração limitada até a adoção pelo juiz de uma das providências do artigo 310 do CPP
(relaxar a prisão em flagrante, convertê-la em prisão preventiva ou conceder a liberdade provisória).

2.2) ESPÉCIES DE FLAGRANTE – Art. 302 CPP

ESPÉCIES DE PRISÃO EM FLAGRANTE

Art. 302, inciso I, do


CPP.
a) PRÓPRIO Preso praticando o
) delito ou quando
acabou de
cometê-lo Art. 302, inciso II, do
CPP.

IMPRÓPRIO Perseguição Art. 302, inciso III, do CPP. Ver art. 290, CPP.
b) ININTERRUPTA
)

PRESUMIDO Encontrado – Art.


c) 302, IV, CPP
)

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a) Flagrante próprio – Art. 302, I e II, CPP

Trata-se de prisão efetivada no momento em que o sujeito está praticando uma


infração penal, ou quando acabou de cometê-la.

A prisão deve ocorrer de imediato, sem qualquer intervalo de tempo entre a


prática da infração e a detenção. Ocorre, pois, quando o agente ainda está no local do crime.

Ex: prisão em flagrante no exato instante em que o agente criminoso busca sair da agência bancária onde
praticava o delito de roubo.

b) Flagrante impróprio (QUASE-FLAGRANTE) – Art. 302, III, CPP

Trata-se da hipótese em que o agente é perseguido, logo após a infração, no


contexto que faça presumir ser o autor do fato.

A definição da expressão “logo após” traduz uma relação de imediatidade, com


perseguição iniciada em momento bem próximo da infração. Aqui o agente já deixou o local do crime.

É o tempo que decorre entre a prática do delito e as primeiras coletas de


informações a respeito da identificação do autor e a direção seguida na fuga, iniciando-se, logo após,
imediatamente a perseguição. Uma vez cessada a perseguição, cessa a situação de flagrância. Ou
seja, a perseguição deve ser contínua, sem interrupções.

A concepção de perseguição pode ser extraída do art. 290, § 1º, do CPP,


notadamente das alíneas “a” e “b” do parágrafo primeiro.

Não confundir início da perseguição com duração da perseguição. O início da


perseguição deve ser logo após o fato; a perseguição, no entanto, pode perdurar por muitas horas e até
dias, como, por exemplo, em crime de roubo a banco, em que a polícia chega imediatamente ao local, faz
o primeiro levantamento e, de imediato, sai em perseguição dos suspeitos, que se embrenharam numa
mata por mais de 30 horas, por exemplo. Nesse caso, considerando que a perseguição deflagrada logo
após à prática da infração penal foi ininterrupta, eventual prisão em flagrante será legal.

Se o agente for preso após cessada a perseguição, sem mandado judicial, a


prisão será ilegal, devendo, pois, ser relaxada.

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CUIDADO: a perseguição deve ser ininterrupta. Uma vez cessada a


perseguição, não há mais situação de flagrância, devendo-se, a partir
de então, efetivar-se a prisão somente munido de mandado judicial
(prisão preventiva ou temporária, conforme o caso).

c) Flagrante presumido – Art. 302, inciso IV, do CPP

Aqui o agente não é “perseguido”, mas “encontrado”, logo depois da prática da


infração penal, na posse de instrumentos, armas, objetos ou papéis em situação que permita presumir ser
ele o autor da infração.

Quanto ao alcance da expressão “logo depois”, a jurisprudência tem admitido


prisões ocorridas várias horas depois do crime. Não aceita, no entanto, prisão muitos dias depois ao do
crime.

2.3) OUTRAS VARIAÇÕES DAS ESPÉCIES DE PRISÃO EM FLAGRANTE

A) FLAGRANTE PROVOCADO OU PREPARADO

O flagrante preparado ou provocado ocorre quando uma pessoa, policial ou


particular, provoca, induz ou instiga alguém a praticar uma infração penal, somente para poder prendê-la.
Nesse caso, não fosse a ação do agente provocador, o sujeito não teria dado início à prática do delito, pelo
menos nas circunstâncias pelas quais foi preso.

Trata-se, na verdade, de hipótese de crime impossível, já que, por força da


preparação engendrada pelo policial ou terceiro para prendê-lo, seria impossível a consumação do crime.
Em síntese, simultaneamente à indução à prática do crime, o agente provocador do flagrante age para
evitar a consumação.

É o que diz a Súmula 145 do STF: “Não há crime quando a preparação do


flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação”. Trata-se de hipótese de crime
impossível, que não é punível nos termos do artigo 17 do Código Penal.

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Ex: Policial disfarçado encomenda de um suspeito de praticar crime de falsidade de documento uma
carteira de identidade fictícia, e, no momento combinado para a entrega do dinheiro e o recebimento do
documento falsificado, realiza a prisão em flagrante.

Em que pese a súmula mencionar somente o flagrante pela polícia, a ilegalidade


também pode decorrer de flagrante preparado por particular.

Ex: Suspeitando que a empregada doméstica esteja furtando objetos da residência, dona de casa deixa
uma joia na mesa de centro da sala, ficando à espreita. No momento em que a empregada pega a joia, a
dona de casa, auxiliada ou não por outras pessoas, a detém, prendendo-a em flagrante. Trata-se de prisão
ilegal, já decorrente de flagrante preparado.

Em suma, o flagrante provocado é ilegal, devendo, pois, a prisão ser relaxada.

* Flagrante provocado x usuário de drogas

No contexto de droga, deve-se verificar o caso concreto e as informações que


constam no enunciado.

Imagine-se na hipótese de um policial se disfarçar de usuário de drogas. Esse


policial se aproxima do suspeito e solicita determinada quantia de drogas, que lhe é entregue pelo
suspeito. Em relação ao verbo "vender" não há dúvidas de que se trata de flagrante provocado. Todavia, o
artigo 33 da Lei de Drogas (Lei 11343/2006) prevê 18 condutas. No caso, embora seja flagrante provocado
em relação à conduta vender, a prisão será legal em relação às condutas, por exemplo, "trazer consigo",
"guardar", "ter em depósito", uma vez que em relação às demais condutas (trazer consigo, guardar, etc..),
o suspeito não foi provocado ou influenciado a praticar. Ou seja, quando o policial disfarçado se
aproximou, o agente já trazia consigo a droga, sendo, em razão disso, possível sua prisão em relação a
essa conduta de trazer consigo.

Agora, se o policial induz o suspeito a fornecer-lhe a droga que, no momento,


não a possuía, ou seja, que não trazia consigo, e por conta da insistência do policial empregou esforço
para conseguir, aí sim se pode falar em flagrante provocado e, portanto, ilegal, uma vez que o suspeito
somente trouxe consigo a droga, porque foi induzido pelo policial a conseguir para ele.

B) FLAGRANTE ESPERADO

O flagrante esperado ocorre quando a autoridade policial, tomando


conhecimento, por fonte segura, de que será praticado um delito, desloca-se até o local indicado, fica de
campana e realiza a prisão quando iniciado os atos executórios do delito

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O flagrante esperado não se confunde com o flagrante provocado, uma vez que,
ao contrário deste, no flagrante esperado não há indução ou instigação da autoridade policial para que o
agente dê início à execução do delito.

O flagrante esperado constitui modalidade de flagrante válido, regular e,


portanto, legal.

C) FLAGRANTE FORJADO

O flagrante forjado se caracteriza pela criação de provas para forjar a prática de


um crime inexistente. Aqui a ação da autoridade policial ou de um particular visa a simular um fato típico
inexistente, com o objetivo de incriminar falsamente alguém.

Ex: policial coloca/enxerta droga no interior do veículo de determinada pessoa para prendê-la pelo delito
de tráfico ilícito de entorpecentes.

Trata-se de hipótese de flagrante absolutamente nulo/ilegal, merecendo, pois,


ser relaxado. Nesse caso, o único infrator será o agente forjador, que pratica o delito de denunciação
caluniosa (art. 339 do CP), e, se for agente público, também abuso de autoridade (Lei 4.898/65).

D) FLAGRANTE RETARDADO OU DIFERIDO OU AÇÃO CONTROLADA

Caracteriza-se pela possibilidade de retardar o momento da prisão em flagrante,


não obstante estar o delito em curso, justamente para buscar maiores informações ou provas contra
pessoas envolvidas em organizações criminosas ou tráfico ilícito de entorpecentes.

O flagrante retardado ou diferido funciona como autorização legal para que a


prisão em flagrante seja retardada ou protelada para outro momento, que não aquele em que o agente
está em situação de flagrância. Trata-se, pois, de uma autorização legal para que a autoridade policial e
seus agentes, que, a princípio, teriam a obrigação de efetuar a prisão em flagrante (art. 301, 2ª parte,
CPP), deixem de fazê-lo, visando a uma maior eficácia da investigação.

Há previsão de ação controlada, com destaque ao flagrante retardado ou


diferido, por exemplo no art. 53, II, da Lei 11.343/2006 (Lei de Drogas) e art. 8º da Lei 12.850/2013 (Lei
das Organizações Criminosas).

Nos termos do artigo 53, II, da Lei 11.343/2006, a não atuação policial na prisão
imediata em flagrante depende de autorização judicial e manifestação do MP. Essa autorização judicial está
condicionada ao conhecimento do itinerário provável e à identificação dos agentes do delito ou de
colaboradores.
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Conforme o artigo 8º, § 1º, da Lei 12.850/2013, o retardamento da intervenção


policial não exige prévia autorização judicial, mas mera comunicação ao juiz competente que, se for o
caso, fixará os limites da atuação e comunicará ao MP.

De acordo com o artigo 53, II, da Lei de Drogas, a não atuação imediata da
autoridade policial exige autorização judicial e manifestação prévia do MP.

A Lei nº 9613/98, que trata da Lavagem de Dinheiro, também prevê o instituto


da ação controlada no seu artigo 4º-B, sendo possível suspender a ordem de prisão poderá ser suspensa
pelo juiz, com prévia manifestação do MP, quando a sua execução imediata puder comprometer as
investigações.

DIFERIDO/
RETARDADO Cumpre no futuro

Para aprofundar INVESTIGAÇÃO


* artigo 53, inciso II, da Lei n. 11.343/2006;
* artigo 4º, B, da Lei 9.613/98, com redação dada pela Lei 12.683/2012;
* artigo 8º da Lei 12.850/2013 (Lei das Organizações Criminosas).

ESPERADO espera a prática do delito para prender em flagrante. Prisão LEGAL.

Prisão ILEGAL
PREPARADO/
PROVOCADO provoca, induz ou instiga

Súmula 145 STF. CRIME IMPOSSÍVEL (artigo 17 do CP)

FORJADO acusa INOCENTE Prisão ILEGAL

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2.4) PROCEDIMENTO PARA A LAVRATURA DO AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE

Auto de prisão em flagrante é o documento elaborado, via de regra, sob a


presidência da autoridade policial, contendo as formalidades que revestem a prisão em flagrante, tendo
por objetivo precípuo retratar os fatos que ensejaram a restrição de liberdade do agente e, ainda, reunir os
primeiros elementos de convicção acerca da infração penal que motivou a prisão.

Uma vez preso em flagrante, por policial ou particular, o acusado deve ser
conduzido à presença da autoridade policial. Se a autoridade policial considerar se tratar de situação de
flagrância e que o fato constitui crime, determinará a lavratura do auto de prisão, incumbindo-lhe proceder
da seguinte forma:

a) oitiva do condutor:

O condutor é a pessoa que levou o preso até a Delegacia de Polícia e o


apresentou à autoridade policial. Pode ser policial ou qualquer pessoa. Embora na maioria das vezes o
condutor seja quem procedeu à prisão, não precisa necessariamente ser o responsável pela detenção do
suspeito.

Ex: seguranças de determinada loja prendem em flagrante uma pessoa pela


prática do delito de furto e acionam a polícia militar, que conduzem o preso à Delegacia de Polícia. Será
um dos policiais, portanto, quem apresenta o preso ao delegado de polícia, figurando, assim, como
condutor.

b) oitiva de testemunhas:

Em seguida, devem ser ouvidas as testemunhas que acompanharam o condutor,


que, pelos arts. 304, caput, e 304, §1º, do CPP, devem ser, no mínimo, duas (referem-se a “testemunhas”,
no plural).

Não há vedação a que sirvam como testemunhas agentes policiais.

O condutor também pode ser considerado como testemunha numerária.

A falta de testemunhas da infração não impedirá a lavratura do auto de prisão


em flagrante, mas, nesse caso, com o condutor deverão assinar a peça pelo menos duas pessoas que
tenham testemunhado a apresentação do preso à autoridade (art. 304, § 2º, do CPP). Considera-se,
portanto, testemunha de apresentação aquelas que presenciaram o momento em que o condutor
apresentou o preso à autoridade policial.

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c) Interrogatório do preso.

O interrogatório deve observar as mesmas formalidades exigidas para o


interrogatório judicial, previstas nos arts. 185 a 196 do CPP, dentre as quais se destaca a advertência ao
preso do seu direito constitucional ao silêncio, sem que isso possa ser interpretado em seu desfavor (art.
5º, LXIII, da CF1).

d) Nota de culpa:

Nos termos do artigo 306, § 1º e § 2º, do CPP, superadas essas etapas, cumpre
à autoridade policial, em até 24 horas após a realização da prisão, encaminhar o auto de prisão em
flagrante devidamente instruído ao juiz competente, bem como entregar ao preso, no mesmo prazo,
mediante recibo, a nota de culpa, assinada pela autoridade, com o motivo da prisão, o nome do condutor e
os das testemunhas.

Trata-se a nota de culpa de documento por meio do qual a autoridade policial


cientifica o preso dos motivos de sua prisão, do nome do condutor e das testemunhas.

Se não for entregue nota de culpa, o flagrante deve ser relaxado por falta de
formalidade essencial.

Além disso, a Lei 13.257/2016, incluiu o § 4º ao artigo 304, segundo o qual “Da
lavratura do auto de prisão em flagrante deverá constar a informação sobre a existência de filhos,
respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos
cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa.”

2.5) GARANTIAS LEGAIS E CONSTITUCIONAIS DO PRESO

A) Da comunicação imediata ao juiz competente e ao Ministério Público

De acordo com o artigo 306 do CPP, a prisão de qualquer pessoa e o local onde
se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente, ao Ministério Público e à família
do preso ou à pessoa por ele indicada.

1
Esse dispositivo é fundamental para qualquer interrogatório, seja na fase de investigação ou no curso da ação penal:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no
País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de
advogado;

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O artigo 5º, LXII, da CF/88 dispõe que a prisão de qualquer pessoa e o local
onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa
por ele indicada.

A ausência da comunicação imediata da prisão em flagrante ao juiz competente e


ao Ministério Público torna a prisão ilegal, devendo, portanto, ser relaxada.

B) Da comunicação imediata da prisão à família do preso ou à pessoa por ele indicada.

Nos termos do artigo 306 do CPP e artigo 5º, LXII e LXIII, da CF/88, cumpre à
autoridade policial providenciar a comunicação imediata da prisão em flagrante à família do preso ou à
pessoa por ele indicada, garantindo-lhe, assim, a assistência da família.

Essa comunicação tem por objetivo certificar familiares acerca da localização do


preso, bem como viabilizar ao preso o apoio e a assistência da família.

A comunicação à família ou à pessoa pelo preso indicada constitui direito


subjetivo do flagrado. Se não for observada essa formalidade pela autoridade policial, a prisão em
flagrante será ilegal, devendo, pois, ser relaxada.

C) Da assistência de advogado ao preso

Nos termos do artigo 5º, inciso LXIII, parte final, da Constituição Federal, o preso
tem direito à assistência da família e de advogado.

A presença de advogado não é imprescindível à lavratura do auto de prisão em


flagrante. De outro lado, se o preso constituir/contratar advogado, não cabe, à evidência, à autoridade
policial vedar a presença do advogado constituído nos atos que integram a lavratura do auto de prisão em
flagrante, podendo o profissional acompanhar a oitiva do condutor, das testemunhas, bem como o
interrogatório do flagrado.

Se o flagrado não informar o nome do seu advogado, deverá a autoridade policial


encaminhar, em até 24 horas, cópia integral do APF à Defensoria Pública, nos termos do artigo 306, § 1º,
do Código de Processo Penal.

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Em síntese, a inobservância de qualquer dessas formalidades gera a ilegalidade


da prisão em flagrante, devendo o juiz, ao receber os autos, deixar de homologar o auto de prisão em
flagrante e determinar o relaxamento da prisão por ilegalidade formal.

GARANTIAS LEGAIS e CONSTITUCIONAIS DO PRESO

COMUNICAÇÃO AO JUIZ (imediata)

COMUNICAÇÃO AO MINISTÉRIO PÚBLICO A falta é


ilegal
COMUNICAÇÃO FAMÍLIA ou QUEM INDIQUE

ACESSO A ADVOGADO (DPE se não indicar adv.)

2.6) PROVIDÊNCIAS JUDICIAIS AO RECEBER O AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE – Art. 310


do CPP

Ao receber o Auto de Prisão em Flagrante, o Juiz deverá adotar uma das


providências previstas na nova redação do artigo 310 do CPP:

A)
RELAXAR O FLAGRANTE

B) CONVERTER A PRISÃO EM FLAGRANTE EM PRISÃO PREVENTIVA

CONCEDER LIBERDADE PROVISÓRIA (com ou sem fiança ou


C)
medidas cautelares)

Nesse sentido, num primeiro momento, o Magistrado deverá analisar o


aspecto formal, a legalidade do auto de prisão em flagrante, bem como se há situação de flagrância,
conforme as hipóteses do artigo 302 do CPP. Se observadas as formalidades, o Juiz homologa; na hipótese
de alguma ilegalidade, seja formal ou material, o Juiz deverá relaxar a prisão em flagrante.

Num segundo momento, uma vez homologado o auto de prisão em flagrante, o


Juiz deverá verificar a necessidade de conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva ou a
concessão de liberdade provisória, com ou sem fiança e a eventual imposição de medida cautelar diversa.

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Em sendo legal a prisão em flagrante, o juiz deve verificar se concederá a


liberdade provisória ou se converterá a prisão em flagrante em prisão preventiva2.

Convém ressaltar, por pertinente, que a prisão preventiva somente poderá ser
decretada em substituição da prisão em flagrante se estiverem presentes os requisitos do art. 312 do CPP3
e se não for suficiente outra medida diversa da prisão, bem como se presente uma das hipóteses do artigo
313 do CPP.

Assim, pela leitura do artigo 310, II, CPP, verifica-se que a prisão preventiva é
a última ratio das medidas cautelares. Ela somente deve ser decretada quando todas as demais medidas
cautelares se revelarem inadequadas e insuficientes para o caso concreto. Em outras palavras, a
insuficiência das medidas cautelares diversas da prisão (aquelas previstas no artigo 319 do CPP) passou a
ser mais um requisito para o cabimento da prisão preventiva.

Além disso, por ser medida de caráter excepcional, o juiz somente poderá
converter a prisão em flagrante em prisão preventiva se estiverem presentes os requisitos do artigo 312 e
313 do CPP.

Em síntese: O juiz, ao receber o auto de prisão em flagrante, deverá,


fundamentadamente, converter a prisão em flagrante em preventiva (inciso II, primeira parte), desde que:

a) a prisão seja legal (inciso I);

b) as medidas cautelares diversas da prisão se revelarem inadequadas ou insuficientes (inciso II, parte
final);

c) o agente não tenha praticado o fato ao amparo das causas de exclusão da ilicitude previstas no art. 23,
do CP;

d) estejam presentes os requisitos dos artigos 312 e 313 do CPP.

Caso contrário, será concedida liberdade provisória (com ou sem fiança ou


cautelar diversa da prisão).

2
Antes da Lei nº 12.403/2011, o agente ficava preso em decorrência da prisão em flagrante. O Juiz simplesmente homologava o APF e
mantinha a prisão em flagrante. Com a alteração, o juiz, se presentes os requisitos, deverá converter a prisão em flagrante em prisão
preventiva. Eis a razão do caráter precautelar da prisão em flagrante (pois dura até ser convertida em preventiva ou concedida a liberdade
provisória).
3
Garantia da ordem pública, garantia da ordem econômica, conveniência da instrução criminal e aplicação da lei penal.
Será estudado oportunamente.
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Questão 04 – XXII EXAME


Diego e Júlio caminham pela rua, por volta das 21h, retornando para suas casas após mais um dia de aula
na faculdade, quando são abordados por Marcos, que, mediante grave ameaça de morte e utilizando
simulacro de arma de fogo, exige que ambos entreguem as mochilas e os celulares que carregavam. Após
os fatos, Diego e Júlio comparecem em sede policial, narram o ocorrido e descrevem as características
físicas do autor do crime. Por volta das 5h da manhã do dia seguinte, policiais militares em patrulhamento
se deparam com Marcos nas proximidades do local do fato e verificam que ele possuía as mesmas
características físicas do roubador. Todavia, não são encontrados com Marcos quaisquer dos bens
subtraídos, nem o simulacro de arma de fogo. Ele é encaminhado para a Delegacia e, tendo-se verificado
que era triplamente reincidente na prática de crimes patrimoniais, a autoridade policial liga para as
residências de Diego e Júlio, que comparecem em sede policial e, em observância de todas as formalidades
legais, realizam o reconhecimento de Marcos como responsável pelo assalto. O Delegado, então, lavra auto
de prisão em flagrante em desfavor de Marcos, permanecendo este preso, e o indicia pela prática do crime
previsto no Art. 157, caput, do Código Penal, por duas vezes, na forma do Art. 69 do Código Penal. Diante
disso, Marcos liga para seu advogado para informar sua prisão. Este comparece, imediatamente, em sede
policial, para acesso aos autos do procedimento originado do Auto de Prisão em Flagrante. Considerando
apenas as informações narradas, na condição de advogado de Marcos, responda, de acordo com a
jurisprudência dos Tribunais Superiores, aos itens a seguir.
A) Qual requerimento deverá ser formulado, de imediato, em busca da liberdade de Marcos e sob qual
fundamento? Justifique. (Valor: 0,65)
B) Oferecida denúncia na forma do indiciamento, qual argumento de direito material poderá ser
apresentado pela defesa para questionar a capitulação delitiva constante da nota de culpa, em busca de
uma punição mais branda? Justifique. (Valor: 0,60)
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não
confere pontuação.

Questão 02 - XII EXAME DE ORDEM


Ricardo é delinquente conhecido em sua localidade, famoso por praticar delitos contra o patrimônio sem
deixar rastros que pudessem incriminá-lo. Já cansando da impunidade, Wilson, policial e irmão de uma das
vítimas de Ricardo, decide que irá empenhar todos os seus esforços na busca de uma maneira para
prender, em flagrante, o facínora.
Assim, durante meses, se faz passar por amigo de Ricardo e, com isso, ganhar a confiança deste. Certo
dia, decidido que havia chegada a hora, pergunta se Ricardo poderia ajudá-lo na próxima empreitada.
Wilson diz que elaborou um plano perfeito para assaltar uma casa lotérica e que bastaria ao amigo seguir
as instruções. O plano era o seguinte: Wilson se faria passar por um cliente da casa lotérica e, percebendo
o melhor momento, daria um sinal para que Ricardo entrasse no referido estabelecimento e anunciasse o
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assalto, ocasião em que o ajudaria a render as pessoas presentes. Confiante nas suas próprias habilidades
e empolgado com as ideias dadas por Wilson, Ricardo aceita. No dia marcado por ambos, Ricardo,
seguindo o roteiro traçado por Wilson, espera o sinal e, tão logo o recebe, entra na casa lotérica e anuncia
o assalto. Todavia, é surpreendido ao constatar que tanto Wilson quanto todos os “clientes” presentes na
casa lotérica eram policiais disfarçados. Ricardo acaba sendo preso em flagrante, sob os aplausos da
comunidade e dos demais policiais, contentes pelo sucesso do flagrante. Levado à delegacia, o delegado
de plantão imputa a Ricardo a prática do delito de roubo na modalidade tentada.
Nesse sentido, atento tão somente às informações contidas no enunciado, responda justificadamente:
A) Qual a espécie de flagrante sofrido por Ricardo? (Valor: 0,80)
B) Qual é a melhor tese defensiva aplicável à situação de Ricardo relativamente à sua responsabilidade
Jurídico penal? (Valor: 0,45)

17
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2.7) PEÇAS PRÁTICAS NO CONTEXTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE

2.7.1) RELAXAMENTO DA PRISÃO

I) BASE LEGAL

BASE LEGAL: art. 310, inciso I, CPP e art. 5º, LXV da CF/88

II) IDENTIFICAÇÃO

O pedido de relaxamento de prisão guarda relação com PRISÃO ILEGAL.

PRISÃO ILEGAL RELAXAMENTO DA PRISÃO


III) CONTEÚDO

PEDIU PRA PARAR

PALAVRA MÁGICA: PEÇA:


PRISÃO ILEGAL RELAXAMENTO DA PRISÃO

PAROU!
A prisão ilegal pode decorrer de ilegalidade formal e/ou material.

A) ILEGALIDADE FORMAL

Ocorre quando o auto de prisão em flagrante não observou as formalidades


procedimentais previstas no art. 304 e 306 do CPP e dos incisos do art. 5º da Constituição Federal,
notadamente LXI, LXII, LXIII, LXIV.

As ilegalidades formais podem ocorrer durante ou depois da lavratura do auto de


prisão em flagrante.

18
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Além da inobservância das formalidades no art. 304 e 306 do CPP e dos incisos
do art. 5º da Constituição Federal, notadamente LXI, LXII, LXIII, LXIV, pode incidir a ilegalidade pelo
excesso de prazo da prisão, como, por exemplo, na conclusão do inquérito policial além do prazo previsto
em lei, sem justificativa plausível ou, ainda, não oferecimento da denúncia de réu preso (prazo 05 dias).

ALGUMAS ILEGALIDADES FORMAIS

* Inobservância das formalidades legais e constitucionais na lavratura do APF.


* Não comunicação imediata da prisão à autoridade judiciária.
* Não comunicação imediata ao Ministério Público
* Não encaminhamento do APF à Defensoria Pública, quando o autuado não informa
nome de advogado.
* Não entrega da nota de culpa no prazo de 24 horas.
* Não viabilizar assistência de advogado.
* Não comunicação imediata à família.
* Falta de representação do ofendido, sendo hipótese de prisão decorrente de crime de
ação penal pública condicionada à representação.
* Ausência de requerimento da vítima na hipótese de prisão em flagrante por crime de
ação penal privada;
* Inversão da ordem de oitiva prevista no artigo 304 do CPP.
* Falta de laudo de constatação da natureza da substância entorpecente (art. 50, §1º,
da Lei 11.343/2006)

B) ILEGALIDADE MATERIAL

Além das formalidades legais e constitucionais para a lavratura do APF, devem


estar presentes situações autorizadoras da prisão em flagrante.

Nesse sentido, se a prisão realizada não se enquadra em nenhuma das hipóteses


do artigo 302 do CPP, a prisão será materialmente ilegal. Em outras palavras, se não estiver configurada
nenhuma das hipóteses de flagrância, a prisão é ilegal.

Assim, em tese, a ilegalidade da prisão em flagrante, na forma material, ocorre


invariavelmente antes do início da lavratura do auto de prisão em flagrante.

ALGUMAS ILEGALIDADES MATERIAIS

* Preso sem estar em situação de flagrância (artigo 302 do CPP)


* Flagrante preparado/provocado – Súmula 145 do STF
* Flagrante forjado
* Preso por fato atípico
* Condutor veículo no trânsito se prestar socorro à vítima (art. 301 do CTB).
* Delito menor potencial ofensivo – comprometimento de comparecer à audiência. Artigo 69
da Lei 9.099/95. 19
* Preso por posse de drogas – Vedação usuário (art. 48, §2º, da Lei 11.343/2006).
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A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI


DA COMARCA...... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)

B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ...VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA


SEÇÃO JUDICIÁRIA...... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)

C) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...VARA CRIMINAL DA COMARCA......(SE


CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)

D) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ...VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA


DE......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)

Autos nº

Fulano de Tal, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG nº...,


residente e domiciliado ..., por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem,
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência requerer o RELAXAMENTO DA PRISÃO EM
FLAGRANTE, com base no art. 310, inciso I, Código de Processo Penal e art. 5º, LXV da
Constituição Federal/88, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos

I) DOS FATOS4

II) DO DIREITO5

III) DO PEDIDO

Ante o exposto, requer:

a) o RELAXAMENTO DA PRISÃO EM FLAGRANTE, a fim de que possa


responder a eventual processo em liberdade;

b) a expedição do respectivo alvará de soltura;

c) vista ao Ministério Público6.

Nestes termos,

pede deferimento.

Local..., data...

______________________

ADVOGADO...

OAB...

4
Fazer um breve relato dos fatos. Não inventar dados. Relatar como ocorreu a prisão.
5
Buscar no enunciado informações que permitam desenvolver teses voltadas à ilegalidade formal e/ou material.
6
Alguns autores consideram desnecessária vista ao MP. Por cautela, até porque não ensejará perda de pontos, pode-se
adicionar o pedido de vista ao MP.
20
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FAÇA VOCÊ MESMO!

Para exercitar a peça acima,


consulte o material disponível na
pasta “Exercitando Peças”,
constante no Sistema EAD. O
enunciado correspondente está
na apostila “caderno de peças –
para resolver”, na pág. 52. Já a
resolução consta na apostila
“caderno de peças - padrão de
respostas”, na pág. 61 e
seguintes.
Após realizar a peça, assista à
respectiva aula de estruturação!

21
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2.7.2) LIBERDADE PROVISÓRIA

I) CONSIDERAÇÕES GERAIS

Entende-se por liberdade provisória o instituto destinado a conferir ao acusado o


direito de responder ao processo em liberdade, mediante o cumprimento ou não de determinadas
condições.

Nas palavras de Avena, com o advento da Lei 11.719/2008, modificada a redação


do art. 408 (que restou substituído pelo atual art. 413) e revogado o art. 594, ficou o instituto da liberdade
provisória limitado à prisão em flagrante.7

Esse também é o entendimento de Nucci8, segundo o qual “a liberdade


provisória, com ou sem fiança, é um instituto compatível com a prisão em flagrante, mas não com a prisão
preventiva ou temporária. Nessas duas últimas hipóteses, vislumbrando não mais estarem presentes os
requisitos que a determinam, o melhor a fazer é revogar a custódia cautelar, mas não colocar o réu em
liberdade provisória, que implica sempre o respeito a determinadas condições”.

A liberdade provisória está prevista no artigo 310, inciso III, do CPP, segundo o
qual ao receber o auto de prisão em flagrante, o juiz poderá, fundamentadamente, conceder a liberdade
provisória, com ou sem fiança. Está prevista ainda no art. 5º, LXVI, da CF/88, ninguém será levado à
prisão ou nela mantido quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança.

Além disso, o artigo 321 do CPP dispõe que, ausentes os requisitos que
autorizam a decretação da prisão preventiva, o juiz deverá conceder liberdade provisória, impondo, se for
o caso, as medidas cautelares previstas no art. 319 do CPP e observados os critérios constantes do art.
282 do CPP.

Segundo Lopes Júnior, a liberdade provisória é disposta como uma medida


cautelar (na verdade, uma contracautela), alternativa à prisão preventiva, nos termos do art. 310, III, do
CPP. No sistema brasileiro, situa-se após a prisão em flagrante e antes da prisão preventiva, como medida
impeditiva da prisão cautelar [...] É a liberdade provisória uma forma de evitar que o agente preso em
flagrante tenha sua detenção convertida em preventiva.9

II) BASE LEGAL

BASE LEGAL: art. 310, inciso III, CPP, art. 321 do CPP e art. 5º, LXVI da
CF/88
77
AVENA, Norberto. Processo Penal Esquematizado. São Paulo: Método. 2013. p. 973.
88
NUCCI, Guilherme Souza. Código de Processo Penal Comentado. São Paulo: RT. 2016, p. 785.
9
LOPES JÚNIOR, Aury. Direito Processual Penal. 9ª ed. São Paulo: Saraiva. 2016, p. 703.
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III) IDENTIFICAÇÃO

Cabe pedido de liberdade provisória nas hipóteses de prisão flagrante legal.

PEDIU PRA PARAR

PALAVRA MÁGICA: PEÇA:


PRISÃO FLAGRANTE LIBERDADE PROVISÓRIA
LEGAL

PAROU!
IV) CONTEÚDO

Se a prisão em flagrante se revestir de legalidade, pode o magistrado conceder a


liberdade provisória sem nenhuma restrição, ou, ao contrário, impor ao agente a prestação de fiança e/ou
outra medida cautelar diversa da prisão.

Nos crimes afiançáveis, ausentes os requisitos que autorizam a prisão preventiva,


é possível a concessão da liberdade provisória com fiança.

Convém registrar, por pertinente, que há crimes inafiançáveis, tais como os


crimes de racismo, tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo, crimes hediondos,
bem como crimes cometidos por grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o
Estado Democrático. É o que se extrai do artigo 323 do CPP e art. 5º, XLII e XLIII, CF/88. Nesses casos, se
ausentes os requisitos da prisão preventiva, será possível a concessão da liberdade provisória vinculada a
fixação de uma medida cautelar diversa da prisão, salvo a fiança. Eis as hipóteses de liberdade provisória
sem fiança:

A) AUSÊNCIA DOS FUNDAMENTOS DA PRISÃO PREVENTIVA (ART. 321 DO CPP)

Nos termos do artigo 321 do CPP, ausentes os requisitos da prisão preventiva, o


juiz deverá conceder a liberdade provisória, sendo-lhe facultado, com a observância dos critérios da
necessidade e da adequação previstos no art. 282 do CPP, exigir a prestação de fiança com a finalidade de
assegurar o comparecimento a atos do processo, evitar a obstrução do seu andamento ou em caso de
resistência injustificada à ordem judicial, bem como aplicar outras medidas cautelares diversas da prisão
previstas no art. 319 do CPP.

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Se o crime for inafiançável racismo, tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e


drogas afins, terrorismo, crimes hediondos, bem como crimes cometidos por grupos armados, civis ou
militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. É o que se extrai do artigo 323 do CPP e
art. 5º, XLII e XLIII, CF/88, busca-se a liberdade provisória, com pedido subsidiário de fixação de medida
cautelar diversa da prisão.

B) QUANDO HOUVER INDICATIVOS DE QUE O AGENTE PRATICOU A INFRAÇÃO PENAL


ABRIGADO POR EXCLUDENTES DE ILICITUDE (ART. 310, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPP)

Trata-se da hipótese em que os elementos constantes no auto de prisão em


flagrante indicam ter o agente praticado o fato em situação de legítima defesa, estado de necessidade,
exercício regular do direito ou estrito cumprimento do dever legal.

Nesses casos, deverá o juiz conceder a liberdade provisória ao agente,


independentemente se o fato praticado caracteriza delito afiançável ou inafiançável.

Embora não esteja previsto no artigo 310, parágrafo único, do CPP, parte da
doutrina entende possível a concessão da liberdade provisória nas hipóteses de excludente de
culpabilidade (embriaguez acidental completa, coação moral irresistível, erro de proibição, etc), uma vez
que, ao final, o agente não será privado de liberdade.

QUESTÃO 4 – XXIV EXAME10


Pablo, que possui quatro condenações pela prática de crimes com violência ou grave ameaça à pessoa,
estava no quintal de sua residência brincando com seu filho, quando ingressa em seu terreno um cachorro
sem coleira. O animal adota um comportamento agressivo e começa a tentar atacar a criança de 05 anos,
que brincava no quintal com o pai. Diante disso, Pablo pega um pedaço de pau que estava no chão e

10
Ao exigir expressamente a medida para evitar a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, fica evidente
que a banca examinadora direcionou o candidato a responder que o pedido cabível seria de liberdade provisória. Além
disso, o fato narrado se enquadra na hipótese de estado de necessidade, causa excludente de ilicitude, ensejando, por
isso, liberdade provisória, nos termos do artigo 310, parágrafo único, do CPP. Logo, considerando as informações que
constam no enunciado, considera-se correto o pedido de liberdade provisória, como consta no padrão de resposta.
Todavia, o crime previsto no artigo 32 da Lei 9605/98 é de menor potencial ofensivo. Nos termos do artigo 69,
parágrafo único, da Lei 9099/95, tratando-se de infração de menor potencial ofensivo, não deverá ser efetuada a
lavratura do auto de prisão em flagrante se o agente comparecer imediatamente ao juizado ou assumir o compromisso
de a ele comparecer, sob pena de ilegalidade, com o consequente relaxamento da prisão.
De outro lado, se o agente se recusar a comparecer imediatamente ao Juizado ou a assumir o compromisso de a ele
comparecer, será possível a autoridade policial proceder à lavratura da prisão em flagrante. Nesse caso, a medida
cabível para a soltura do acusado seria a liberdade provisória.
E aqui reside a segunda impropriedade da questão, já que o enunciado não esclarece se o acusado se negou ou não a
comparecer imediatamente ao Juizado ou que não assumiu o compromisso de a ele comparecer.
Diante da omissão dessa informação e também como forma de privilegiar o conhecimento demonstrado pelo candidato
acerca do assunto, entendemos que a FGV deveria também considerar como correta a resposta do candidato que
mencionou como medida cabível o relaxamento de prisão, com base no artigo 310, I, do CPP.”

24
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desfere forte golpe na cabeça no cachorro, vindo o animal a falecer. No momento seguinte, chega ao local
o dono do cachorro, que, inconformado com a morte deste, chama a polícia, que realiza a prisão em
flagrante de Pablo pela prática do crime do Art. 32 da Lei nº 9.605/98. Os fatos acima descritos são
integralmente confirmados no inquérito pelas testemunhas. Considerando que Pablo é multirreincidente na
prática de crimes graves, o Ministério Público se manifesta pela conversão do flagrante em preventiva,
afirmando o risco à ordem pública pela reiteração delitiva. Considerando as informações narradas, na
condição de advogado(a) de Pablo, que deverá se manifestar antes da decisão do magistrado quanto ao
requerimento do Ministério Público, responda aos itens a seguir.
A) Qual pedido deverá ser formulado pela defesa de Pablo para evitar o acolhimento da manifestação pela
conversão da prisão em flagrante em preventiva? Justifique. (Valor: 0,60)
B) Sendo oferecida denúncia, qual argumento de direito material poderá ser apresentado em busca da
absolvição de Pablo? Justifique. (Valor: 0,65)

C) QUANDO, EMBORA AFIANÇÁVEL O CRIME, NÃO POSSUI O FLAGRADO CONDIÇÕES


ECONÔMICAS PARA PEGAR A FIANÇA (ART. 350 DO CPP)

V) LIBERDADE PROVISÓRIA X TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES

A jurisprudência e a doutrina oscilavam em relação ao artigo 44 da Lei


11.343/2006, que veda a concessão de liberdade provisória no crime de tráfico ilícito de entorpecentes.

Todavia, o STF, no julgamento do HC 104.339/SP, considerou inconstitucional o


disposto no artigo 44 da Lei 11.343/2006 também na parte que veda a concessão da liberdade provisória,
sob o fundamento de que o dispositivo viola o princípio da presunção da inocência e da dignidade da
pessoa humana, bem como que a Lei 11.464/2007, ao excluir dos crimes hediondos e equiparados a
vedação à liberdade provisória, sendo posterior à Lei de Drogas, revogou, tacitamente, o artigo 44 desta
Lei, que proibia o benefício ao crime de tráfico de drogas.

Assim, é possível conceder a liberdade provisória ao agente preso em flagrante


pelo delito de tráfico ilícito de entorpecentes, desde que ausentes os requisitos que autorizam a decretação
da prisão preventiva.

Inconstitucionalidade do artigo 44 da Lei n. 11.343/2006 na parte que veda a concessão da


liberdade provisória

Ofensa ao princípio da presunção da inocência, previsto no artigo 5º, inciso LVII, da CF/88.

Ofensa ao princípio da dignidade da pessoa humana, previsto no artigo 1º, inciso III, da CF/88.
..

Ofensa ao princípio do devido processo legal, previsto no artigo 5º, inciso LIV, da CF/88.
25
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QUESTÃO 4 - XVI EXAME

Wesley, estudante, foi preso em flagrante no dia 03 de março de 2015 porque conduzia um veículo
automotor que sabia ser produto de crime pretérito registrado em Delegacia da área em que residia. Na
data dos fatos, Wesley tinha 20 anos, era primário, mas existia um processo criminal em curso em seu
desfavor, pela suposta prática de um crime de furto qualificado. Diante dessa anotação em sua Folha de
Antecedentes Criminais, a autoridade policial representou pela conversão da prisão em flagrante em
preventiva, afirmando que existiria risco concreto para a ordem pública, pois o indiciado possuía outros
envolvimentos com o aparato judicial. Você, como advogado(a) indicado por Wesley, é comunicado da
ocorrência da prisão em flagrante, além de tomar conhecimento da representação formulada pelo
Delegado. Da mesma forma, o comunicado de prisão já foi encaminhado para o Ministério Público e para o
magistrado, sendo todas as legalidades da prisão em flagrante observadas. Considerando as informações
narradas, responda aos itens a seguir.

A) Qual a medida processual, diferente de habeas corpus, a ser adotada pela defesa técnica de Wesley?
(Valor: 0,50)
B) A representação da autoridade policial foi elaborada de modo adequado? (Valor: 0,75)

Responda justificadamente, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal


pertinente ao caso.

ESTRUTURA LIBERDADE PROVISÓRIA

A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...VARA CRIMINAL DA COMARCA......(SE


CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)

B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ...VARA CRIMINAL DA SEÇÃO


JUDICIÁRIA.......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL) 11

C) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI


DA COMARCA......(SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)

D) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ...VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA


SEÇÃO JUDICIÁRIA......(SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)

Autos nº...

7 a 10 linhas

Fulano de Tal, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG nº...,


residente e domiciliado..., por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem,

11
Competência da Justiça Federal – Ver art. 109 da CF/88.
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respeitosamente, à presença de Vossa Excelência requerer a LIBERDADE PROVISÓRIA, com base no


art. 310, inciso III, Código de Processo Penal, art. 321 do Código de Processo Penal, e art. 5º,
LXVI, da Constituição Federal/88, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos

I) DOS FATOS12

II) DO DIREITO13

* Fazer referência, se for o caso, a fiança e/ou medidas cautelares diversas da prisão previstas no artigo
319 e 320 do CPP.14

III) DO PEDIDO

Ante o exposto, requer:

a) a concessão da LIBERDADE PROVISÓRIA, a fim de que possa responder


a eventual processo em liberdade;

b) a expedição do respectivo alvará de soltura;

c) fixação de fiança15 e/ou medida cautelar diversa da prisão16;

d) vista ao Ministério Público.

12
Narrar os fatos, fazendo um breve relato. Não inventar dados. Relatar como ocorreu a prisão.
13
Ausência dos requisitos da prisão preventiva (art. 321 CPP) e/ou hipótese de excludente de ilicitude (art. 310,
parágrafo único, CPP), presunção da inocência (art. 5º, LVII, CF/88)
14 Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão
I - comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições fixadas pelo juiz, para informar e justificar atividades
II - proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o
indiciado ou acusado permanecer distante desses locais para evitar o risco de novas infrações
III - proibição de manter contato com pessoa determinada quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o
indiciado ou acusado dela permanecer distante;
IV - proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conveniente ou necessária para a investigação ou
instrução;
V - recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga quando o investigado ou acusado tenha residência e
trabalho fixos;
VI - suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira quando houver
justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais;
VII - internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com violência ou grave ameaça, quando os
peritos concluírem ser inimputável ou semi-imputável (art. 26 do Código Penal) e houver risco de reiteração;
VIII - fiança, nas infrações que a admitem, para assegurar o comparecimento a atos do processo, evitar a obstrução do
seu andamento ou em caso de resistência injustificada à ordem judicial;
IX - monitoração eletrônica.
§ 1o (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011).
§ 2o (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011).
§ 3o (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011).
§ 4o A fiança será aplicada de acordo com as disposições do Capítulo VI deste Título, podendo ser cumulada com
outras medidas cautelares.
Art. 320. A proibição de ausentar-se do País será comunicada pelo juiz às autoridades encarregadas de fiscalizar as
saídas do território nacional, intimando-se o indiciado ou acusado para entregar o passaporte, no prazo de 24 (vinte e
quatro) horas.
15
Se o crime for afiançável.
16
Extrair do enunciado a mais adequada ao caso concreto.
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Nestes termos,

pede deferimento.

Local... e data...

ADVOGADO...

OAB...

Em suma:

Quando não for caso de conversão da prisão em flagrante em


preventiva

Se indeferido,
PRISÃO LIBERDADE HABEAS Se denegado,
LEGAL PROVISÓRIA CORPUS ROC

Ausência dos requisitos preventiva – art. 321 CPP e


FLAGRANTE excludentes ilicitude – art. 310, parágrafo único do CPP
DELITO Medidas cautelares – art. 319 do CPP

PRISÃO RELAXAMENTO Se indeferido,


DA HABEAS CORPUS Se denegado,
ILEGAL
PRISÃO ROC

Formal ou material
ma

ou material

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FAÇA VOCÊ MESMO!

Para exercitar a peça acima,


consulte o material disponível na
pasta “Exercitando Peças”,
constante no Sistema EAD. O
enunciado correspondente está
na apostila “caderno de peças –
para resolver”, na pág. 58. Já a
resolução consta na apostila
“caderno de peças - padrão de
respostas”, na pág. 65 e
seguintes.
Após realizar a peça, assista à
respectiva aula de estruturação!

29
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3) PRISÃO PREVENTIVA: Revogação da prisão preventiva

3.1) CONCEITO

Trata-se de modalidade de prisão processual decretada exclusivamente por juiz


competente quando presentes os pressupostos e as hipóteses previstas em lei (arts. 312 e 313 do CPP).

Possui natureza cautelar, uma vez que visa a tutela da sociedade, da investigação
criminal e garantir a aplicação da pena. Por se tratar de medida cautelar, pressupõe a coexistência do
fumus bonis iuris (ou fumus comissi delicti) e do periculum in mora (ou periculum libertatis).

Como repercute na esfera da liberdade do acusado, que constitui direito e garantia


fundamental do cidadão, a possibilidade de decretação da prisão preventiva encontra embasamento também
no artigo 5º, especificamente no inciso LXI, da Constituição Federal, que permite a prisão provisória, antes
do trânsito em julgado da sentença condenatória, desde que precedida de ordem escrita e fundamentada da
autoridade judiciária competente. Em síntese, somente é possível decretar a prisão

preventiva “por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente”.

Necessita de Mandado

Conforme dispõe o art. 283, §2º, do CPP, a prisão poderá ser efetuada em
qualquer dia e a qualquer hora, respeitada a garantia fundamental da inviolabilidade do domicílio, prevista
no artigo 5º, inciso XI, da Constituição Federal, segundo o qual salvo na hipótese de prisão em flagrante, a
prisão somente pode ser efetivada mediante ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária
competente.

De acordo com o artigo 293 do CPP, durante o período noturno, no caso de


prisão preventiva e temporária, em que se exige mandado de prisão expedido por juiz competente, é
vedado à autoridade policial ingressar em domicílio alheio para efetivar a prisão do suspeito. Todavia,
nesse caso, se o morador consentir com o ingresso no seu domicílio, a autoridade policial, desde que
munida de mandado, poderá efetivar a prisão.

Durante o período noturno, se o morador não permitir o ingresso no seu


domicílio, a autoridade policial deverá aguardar o amanhecer, com os primeiros raios solares, para invadir,
com ou sem consentimento do morador, a residência e aí sim efetivar a prisão. Se invadir sem permissão
do morador, a prisão será ilegal, devendo ser relaxada.

30
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O mandado de prisão deverá preencher os requisitos do artigo 285, parágrafo


único, do CPP.

3.2) LEGITIMAÇÃO

Diante do que dispõe o art. 5º, LXI, CF/88, no sentido de que ninguém será
preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária
competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei, resta
claro que a prisão preventiva somente pode ser decretada por ordem judicial.

Nesse caso, o Magistrado decreta, durante a investigação criminal ou ação penal, a


prisão preventiva, que deve ser cumprida mediante a expedição do respectivo mandado. A prisão preventiva
pode ser decretada em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal.

Conforme se extrai do artigo 311 do CPP, durante a investigação policial, o juiz não
pode decretar a prisão preventiva de ofício, mas apenas a requerimento do Ministério Público ou
representação da autoridade policial.

Durante a ação penal, a decretação da prisão preventiva pode ser decretada de


ofício ou mediante requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente de acusação, ou
representação da autoridade policial.

Se, na fase de investigação, o juiz decretar de ofício a prisão preventiva, a prisão


será ilegal, sendo, nesse caso, cabível relaxamento de prisão.

3.3) PRESSUPOSTOS
Nos termos da parte final do artigo 312 do CPP, a prisão preventiva somente é
possível, se, no caso concreto, houver indícios suficientes de autoria e prova da materialidade:

Como o dispositivo se refere expressamente a “crime”, forçoso concluir que não


cabe prisão preventiva nas contravenções penais.

31
PROCESSO PENAL OAB
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3.4) FUNDAMENTOS DA PRISÃO PREVENTIVA – Art. 312

De acordo com o artigo 312 do CPP, a prisão preventiva pode ser decretada
como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, para
assegurar a aplicação da lei penal ou em caso de descumprimento das obrigações impostas por força de
outras medidas cautelares.

a) Garantia da ordem pública

A prisão preventiva para garantia da ordem pública somente deve ocorrer em


hipóteses de crimes que se revestem de especial gravidade no caso concreto, seja pela pena prevista, seja,
sobretudo, pelos meios de execução utilizados. Cabe, ainda, prisão preventiva para garantia da ordem
pública diante do risco de reiteradas investidas criminosas e quando presente situação de comprovada
intranquilidade coletiva no seio social ou de uma determinada comunidade.

A gravidade em abstrato do crime não autoriza a prisão preventiva. O juiz deve


analisar a gravidade de acordo com as circunstâncias do caso concreto. Se não fosse assim, todo crime de
homicídio ou de roubo, por serem abstratamente graves, autorizariam a prisão preventiva compulsória.

32
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Em suma: a gravidade em concreto que autoriza a prisão preventiva é aquela


revelada não só pela pena abstratamente prevista para o crime, mas também pelos meios de execução,
quando a perversidade e o desprezo pelo bem jurídico atingido, reclamem medidas imediatas para
assegurar a ordem pública, decretando-se a prisão preventiva. Diante disso, a gravidade em abstrato não
constitui motivo idôneo a embasar um decreto de preventiva, devendo o Magistrado fundamentar sua
decisão, nos termos do artigo 93, IX, da CF/88, art. 5º, LXI, da CF/88, bem como artigo 315 do CPP.

Embora os tribunais superiores utilizem, em determinadas decisões, a


expressão revogação da prisão preventiva, a FGV, no exame de 2010/03 e XIV Exame, sinalizou no sentido
de considerar, nesse caso, a ilegalidade de prisão, na medida em que, após constar no enunciado que o
juiz decretou a prisão preventiva considerando a gravidade em abstrato do crime, no padrão de resposta
da prova de 2010/03 constou a expressão “Ilegalidade na decretação da prisão preventiva”. No XIV
Exame, após constar no enunciado que “Cristiano foi denunciado pela prática do delito tipificado no Art.
171, do Código Penal. No curso da instrução criminal, o magistrado que presidia o feito decretou a prisão
preventiva do réu, com o intuito de garantir a ordem pública, “já que o crime causou grave comoção
social, além de tratar-se de um crime grave, que coloca em risco a integridade social, configurando
conduta inadequada ao meio social.”, a questão seguiu com a seguinte redação, “O advogado de Cristiano,
inconformado com a fundamentação da medida constritiva de liberdade, impetrou Habeas Corpus perante o Tribunal
de Justiça, no intuito de relaxar tal prisão, já que a considerava ilegal”.

Ressalta-se, por pertinente, que o clamor público, por si só, não autoriza o
decreto da prisão preventiva, servindo como uma referência adicional para o exame da necessidade da
custódia cautelar, devendo, portanto, estar acompanhado de situação concreta excepcional, que justifique
a prisão processual.

b) Conveniência da instrução criminal

É empregada quando houver risco efetivo para a instrução criminal e não meras
suspeitas ou presunções. Ou seja, simples receio ou medo da vítima ou testemunha em relação ao
acusado, não autoriza o decreto da prisão preventiva.

Não cabe prisão preventiva com fundamento na conveniência da instrução


criminal quando se pretende interrogar ou compelir o acusado a participar de algum ato probatório
(acareação, reconstituição ou reconhecimento), sobretudo pela violação ao direito ao silêncio.

Se a prisão preventiva foi decretada exclusivamente com base na conveniência da


instrução criminal, uma vez encerrada a instrução, não há mais motivo para subsistir o decreto, impondo-se,
então, a revogação, conforme se infere dos arts. 316 e 282, § 5º, ambos do CPP. Do contrário, passa a
preventiva a se constituir uma forma de execução antecipada de pena, configurando constrangimento ilegal.

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c) Garantia da aplicação da lei penal

Significa assegurar a finalidade útil do processo penal, que é proporcionar ao


Estado o exercício do seu direito de punir, aplicando a sanção devida a quem é considerado autor da
infração penal.

É a prisão para evitar que o agente empreenda fuga, tornando inútil a sentença
penal por impossibilidade de aplicação da pena cominada.

Todavia, o risco de fuga não pode ser presumido. Tem de estar fundado em
circunstâncias concretas. Logo, não havendo nenhum elemento concreto, mas mera suspeita de fuga, não
há motivo suficiente para o decreto da prisão preventiva.

d) Garantia de ordem econômica

Nesse caso, visa-se, com a decretação da prisão preventiva, impedir que o


agente, causador de seriíssimo abalo à situação econômico-financeira de uma instituição financeira ou
mesmo de órgão do Estado, permaneça em liberdade, demonstrando à sociedade a impunidade reinante
nessa área.

Equipara-se o criminoso do colarinho branco aos demais delinquentes comuns,


na medida em que o desfalque em uma instituição financeira pode gerar maior repercussão na vida das
pessoas, do que um simples roubo contra um indivíduo qualquer.

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e) Descumprimento de obrigações impostas por força de outras medidas cautelares

Nos termos do art. 312, parágrafo único, do CPP, a prisão preventiva também
poderá ser decretada em caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de
outras medidas cautelares (art. 319 do CPP), conforme art. 282, § 4º, do CPP.

Nesse caso, é imprescindível que o juiz atente para a proporcionalidade, devendo


sempre priorizar a cumulação de medidas cautelares ou adoção de outra mais grave, optando pela prisão
preventiva em último caso.

Em síntese, o Juiz deve priorizar a aplicação de medida cautelar diversa da prisão


caso entenda adequada e suficiente diante do caso concreto. Ex: Suponha que o juiz determine a proibição
do acusado de estabelecer contato com pessoa determinada (art. 319, III, CPP) e ele descumpre a
medida. Nesse caso, o juiz deve, primeiro, optar por substituir a medida ou aplicar outra em cumulação,
para só então, se persistir o descumprimento, decretar a preventiva, conforme dispõe o art. 312, parágrafo
único, c/c o art. 282, § 4º, CPP.

3.5) CONDIÇÕES DE ADMISSIBILIDADE DA PRISÃO PREVENTIVA – Art. 313

Não se mostra suficiente a presença de um dos fundamentos da prisão preventiva,


devendo, além disso, ser decretada somente em determinadas espécies de infração penal ou sob certas
circunstâncias. Trata-se das condições de admissibilidade previstas no artigo 313 do CPP.

A) NOS CRIMES DOLOSOS PUNIDOS COM PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE MÁXIMA SUPERIOR
A 4 (QUATRO) ANOS:

Nos termos desse inciso, somente é cabível a prisão preventiva para os crimes
dolosos com pena máxima, privativa de liberdade, superior a quatro anos.

O limite de 04 anos tem a sua razão de ser, porquanto, se condenado


definitivamente, o agente poderá, se preenchidos os requisitos do artigo 44 do Código Penal, ter substituída
sua pena privativa de liberdade em restritiva de direitos. Nesse sentido, se condenado o agente não irá, a
princípio, para prisão, com muito mais razão não poderá ser mantido preso quando incide a seu favor a
presunção da inocência.

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Além disso, se condenado a pena não superior a 04 anos, o agente poderá cumprir
a pena privativa de liberdade em regime aberto, podendo sair para trabalhar durante o dia e retornar ao
cárcere à noite.

São inúmeros os crimes que, em razão deste inciso, não comportam prisão
preventiva, tais como furto simples (art. 155 CP), apropriação indébita (art. 168 CP), receptação simples
(art. 180 CP), descaminho (Art. 334 do CP), dentre outros.

No caso de concurso material de crimes, somam-se as penas para fins de prisão


preventiva. Nos casos de concurso formal de crimes e crime continuado, considera-se a causa de aumento
no máximo e a de diminuição no mínimo. Em qualquer caso, se a pena máxima for superior a 04 anos,
poderá, em tese, ser decretada a prisão preventiva.

Tratando-se de causas de aumento de pena e de diminuição da pena, deve-se


considerar a quantidade que mais aumente ou que menos diminua, respectivamente, a fim de se chegar a
pena máxima cominada ao delito.

Ex1: Furto noturno, previsto no artigo 155, § 1º, CP, a pena é aumentada em 1/3.
O furto simples não autoriza o decreto da prisão preventiva, pois a pena máxima cominada é de 04 anos.
Todavia, se for praticado durante repouso noturno, a pena é aumentada em 1/3, superando os 04 anos e,
por conseguinte, autorizando o decreto da prisão preventiva.

Ex2: Tentativa de estelionato. Conforme o artigo 171 do CP, a pena máxima


cominada ao delito de estelionato é de 05 anos. Na hipótese de tentativa de estelionato, esta pena poderá
ser reduzida de 1/3 a 2/3, conforme dispõe o art. 14, parágrafo único, do Código Penal. Se aplicada sobre a
pena de 05 anos a redução mínima (1/3), a pena resultará em 03 anos e 04 meses, quantidade, portanto,
incompatível com o disposto no artigo 313, inciso I, do CPP, o decreto da prisão preventiva.

Assim, se uma pessoa primária está sendo processada por crime cuja pena
máxima não excede 4 anos, descabe inicialmente a prisão preventiva, ainda que existam provas de que ela,
por exemplo, está ameaçando testemunhas, podendo, nesse caso, ser aplicada uma das medidas cautelares
previstas no art. 319 CPP. Somente se descumprida a medida cautelar, pode-se aventar a possibilidade de
decreto da preventiva, com base no artigo 282, § 4º, c/c art. 312, parágrafo único, CPP.

B) SE O RÉU OSTENTAR CONDENAÇÃO ANTERIOR DEFINITIVA POR OUTRO CRIME DOLOSO NO


PRAZO DE 05 ANOS DA REINCIDÊNCIA

Trata-se da hipótese do réu reincidente em crime doloso. Nesse sentido, ainda que
se trate de crime com pena máxima não superior a quatro anos, poderá ser decretada a prisão preventiva se
o réu for reincidente em crime doloso, desde que presente um dos fundamentos do art. 312 do CPP.

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C) SE O CRIME ENVOLVER VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER, CRIANÇA,


ADOLESCENTE, IDOSO, ENFERMO OU PESSOA COM DEFICIÊNCIA, PARA GARANTIR A
EXECUÇÃO DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA

Por fim, cabe preventiva se o crime envolver violência doméstica e familiar contra
a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das
medidas protetivas de urgência.

Além das medidas protetivas previstas na Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), a
nova redação do artigo 313 do CPP incluiu os casos de violência doméstica, não só em relação à mulher,
mas à criança, adolescente, idoso, enfermo ou qualquer pessoa com deficiência.

Essas medidas protetivas estão previstas no art. 22 da Lei 11.340/2006 (Lei Maria
da Penha), arts. 43 a 45 do Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003), e arts. 98 a 101 do ECA (Lei 8069/90).

Convém registrar que, neste caso, a prisão preventiva será decretada apenas para
garantir a execução das medidas protetivas de urgência, indicando, assim, a necessidade de imposição
anterior das cautelares protetivas de urgência.

Questão 01 – XX EXAME DA OAB


Fausto, ao completar 18 anos de idade, mesmo sem ser habilitado legalmente, resolveu sair com o carro do seu
genitor sem o conhecimento do mesmo. No cruzamento de uma avenida de intenso movimento, não tendo
atentado para a sinalização existente, veio a atropelar Lídia e suas 05 filhas adolescentes, que estavam na
calçada, causando-lhes diversas lesões que acarretaram a morte das seis. Denunciado pela prática de seis
crimes do Art. 302,§ 1º, incisos I e II, da Lei nº 9503/97, foi condenado nos termos do pedido inicial, ficando a
pena final acomodada em 04 anos e 06 meses de detenção em regime semiaberto, além de ficar impedido de
obter habilitação para dirigir veículo pelo prazo de 02 anos. A pena privativa de liberdade não foi substituída por
restritivas de direitos sob o fundamento exclusivo de que o seu quantum ultrapassava o limite de 04 anos. No
momento da sentença, unicamente com o fundamento de que o acusado, devidamente intimado, deixou de
comparecer espontaneamente a última audiência designada, que seria exclusivamente para o seu
interrogatório, o juiz decretou a prisão cautelar e não permitiu o apelo em liberdade, por força da revelia.
Apesar de Fausto estar sendo assistido pela Defensoria Pública, seu genitor o procura, para que você, na
condição de advogado(a), preste assistência jurídica. Diante da situação narrada, como advogado(a), responda
aos seguintes questionamentos formulados pela família de Fausto:
A) Mantida a pena aplicada, é possível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos?
Justifique. (Valor: 0,65)
B) Em caso de sua contratação para atuar no processo, o que poderá ser alegado para combater,
especificamente, o fundamento da decisão que decretou a prisão cautelar? (Valor: 0,60)

Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não pontua

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QUESTÃO 4 – XX EXAME PROVA REAPLICADA EM PORTO VELHO/RO (por conta da falta de luz no
dia da prova geral da 2ª fase)

Maria, primária e com bons antecedentes, trabalha há vários anos dirigindo uma van de transporte de crianças.
Certo dia, após mudar o itinerário sempre observado, resolve fazer compras em um supermercado, onde
permaneceu por duas horas, esquecendo de entregar uma das crianças de 03 anos na residência da mesma. Ao
retornar ao veículo, encontra a criança desfalecida e, desesperada, leva-a ao hospital, não conseguindo, porém,
evitar o óbito. Acabou denunciada e condenada pela prática do injusto do Art. 133, § 2º, do Código Penal
(abandono de incapaz com resultado morte) à pena de 04 anos de reclusão em regime aberto. Apesar de ter
respondido ao processo em liberdade, não foi permitido à Maria apelar em liberdade, fundamentando o juiz a
ordem de prisão na grande comoção social que o fato causou. A família dispensou o advogado anterior e o(a)
procurou para que assumisse a defesa de Maria. Considerando apenas as informações narradas na situação
hipotética, responda aos itens a seguir.

A) Qual a tese de direito material a ser alegada em eventual recurso defensivo para evitar a punição de Maria
pelo crime pelo qual foi denunciada? Justifique. (Valor: 0,65)

B) Qual a medida que deve ser adotada na busca da liberdade imediata de Maria e com qual fundamento?
Justifique. (Valor: 0,60)

Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere
pontuação.

Questão 02 - XVII EXAME

Glória, esposa ciumenta de Jorge, inicia uma discussão com o marido no momento em que ele chega do
trabalho à residência do casal. Durante a discussão, Jorge faz ameaças de morte à Glória, que, de imediato
comparece à Delegacia, narra os fatos, oferece representação e solicita medidas protetivas de urgência.
Encaminhados os autos para o Ministério Público, este requer em favor de Glória a medida protetiva de
proibição de aproximação, bem como a prisão preventiva de Jorge, com base no Art. 313, inciso III, do CPP. O
juiz acolhe os pedidos do Ministério Público e Jorge é preso. Novamente os autos são encaminhados para o
Ministério Público, que oferece denúncia pela prática do crime do Art. 147 do Código Penal. Antes do
recebimento da inicial acusatória, arrependida, Glória retorna à Delegacia e manifesta seu interesse em não
mais prosseguir com o feito. A família de Jorge o procura em busca de orientação, esclarecendo que o autor é
primário e de bons antecedentes. Considerando apenas a situação narrada, na condição de advogado(a) de
Jorge, esclareça os seguintes questionamentos formulados pelos familiares:
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A) A prisão de Jorge, com fundamento no Art. 313, inciso III, do Código de Processo Penal, é válida? (Valor:
0,60)

B) É possível a retratação do direito de representação por parte de Glória? Em caso negativo, explicite as
razões; em caso positivo, esclareça os requisitos. (Valor: 0,65) Obs.: o examinando deve fundamentar suas
respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação

QUESTÃO 02 XV EXAME

Durante inquérito policial que investigava a prática do crime de extorsão mediante sequestro, esgotado o prazo
sem o fim das investigações, a autoridade policial encaminhou os autos para o Judiciário, requerendo apenas a
renovação do prazo. O magistrado, antes de encaminhar o feito ao Ministério Público, verificando a gravidade
em abstrato do crime praticado, decretou a prisão preventiva do investigado. Considerando a narrativa
apresentada, responda aos itens a seguir.

A) Poderia o magistrado adotar tal medida? Justifique. (Valor: 0,65)

B) A fundamentação apresentada para a decretação da preventiva foi suficiente? Justifique. (Valor: 0,60)

O examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação.

QUESTÃO 3 – EXAME DE 2010/03

Jeremias é preso em flagrante pelo crime de latrocínio, praticado contra uma idosa que acabara de sacar o
valor relativo à sua aposentadoria dentro de uma agência da Caixa Econômica Federal e presenciado por duas
funcionárias da referida instituição, as quais prestaram depoimento em sede policial e confirmaram a prática do
delito. Ao oferecer denúncia perante o Tribunal do Júri da Justiça Federal da localidade, o Ministério Público
Federal requereu a decretação da prisão preventiva de Jeremias para a garantia da ordem pública, por ser o
crime gravíssimo e por conveniência da instrução criminal, uma vez que as testemunhas seriam mulheres e
poderiam se sentir amedrontadas caso o réu fosse posto em liberdade antes da colheita de seus depoimentos
judiciais. Ao receber a inicial, o magistrado decretou a prisão preventiva de Jeremias, utilizando-se dos
argumentos apontados pelo Parquet. Com base no caso acima, empregando os argumentos jurídicos
apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso, indique os argumentos defensivos para atacar a
decisão judicial que recebeu a denúncia e decretou a prisão preventiva.

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3.6) PEÇAS PRIVATIVAS DE ADVOGADO NO CONTEXTO DE PRISÃO PREVENTIVA

3.6.1) REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA

I) BASE LEGAL

BASE LEGAL: art. 316 do CPP

II) IDENTIFICAÇÃO

Prisão preventiva legal. Quando não mais subsistir o motivo que ensejou o decreto
da prisão preventiva. Trata-se de peça privativa de advogado.

III) CONTEÚDO

Buscar no enunciado informações no sentido de que não mais subsistem os


motivos que ensejaram o decreto da prisão preventiva, previstos no artigo 312 do Código de Processo
Penal, ou seja, que o agente não representa risco à ordem pública, à ordem econômica, à conveniência da
instrução criminal, bem como à aplicação da lei penal.

PEDIU PRA PARAR

PRISÃO PREVENTIVA REVOGAÇÃO


LEGAL DA PREVENTIVA

PAROU!

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ESTRUTURA DE PEDIDO DE REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA:

A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....VARA CRIMINAL DA COMARCA ......(SE


CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)

B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ....VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE


......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL) 17

C) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI


DA COMARCA ...... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)

D) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ....VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA


SEÇÃO JUDICIÁRIA ......(SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)

Autos nº...

Fulano de Tal, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG nº...,


residente e domiciliado..., por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem,
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência requerer a REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA,
com base no art. 316 do Código de Processo Penal, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir
expostos

I) DOS FATOS18

II) DO DIREITO

* Mencionar, por cautela, o disposto no art. 5º, LVII, da CF/88 (princípio da presunção da
inocência).

* Demonstrar que cessaram os motivos que ensejaram a prisão preventiva (a ausência dos
fundamentos do artigo 312 do CPP).

* Fazer, se for o caso, referência a medidas cautelares, invocando os artigos 282 e 319 e 320 do
CPP19.

17
Competência da Justiça Federal – Ver art. 109 da CF/88.
18 Narrar os fatos, fazendo um breve relato. Não inventar dados. Relatar como ocorreu a prisão.
19
Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão
I - comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições fixadas pelo juiz, para informar e justificar atividades
II - proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o
indiciado ou acusado permanecer distante desses locais para evitar o risco de novas infrações
III - proibição de manter contato com pessoa determinada quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o
indiciado ou acusado dela permanecer distante;
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III) DO PEDIDO

Ante o exposto, requer:

a) A REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA, a fim de que possa responder a


eventual processo em liberdade;

b) A expedição do respectivo alvará de soltura;

c) Subsidiariamente, aplicação de medida cautelar diversa da prisão;

d) Vista dos autos ao Ministério Público.

Nestes termos,

Pede deferimento.

Local..., data...

Advogado...

OAB...

IV - proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conveniente ou necessária para a investigação ou
instrução;
V - recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga quando o investigado ou acusado tenha residência e
trabalho fixos;
VI - suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira quando houver
justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais.
VII - internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com violência ou grave ameaça, quando os
peritos concluírem ser inimputável ou semi-imputável (art. 26 do Código Penal) e houver risco de reiteração;
VIII - fiança, nas infrações que a admitem, para assegurar o comparecimento a atos do processo, evitar a obstrução do
seu andamento ou em caso de resistência injustificada à ordem judicial;
IX - monitoração eletrônica.
§ 1o (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011).
§ 2o (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011).
§ 3o (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011).
§ 4o A fiança será aplicada de acordo com as disposições do Capítulo VI deste Título, podendo ser cumulada com
outras medidas cautelares.
Art. 320. A proibição de ausentar-se do País será comunicada pelo juiz às autoridades encarregadas de fiscalizar as
saídas do território nacional, intimando-se o indiciado ou acusado para entregar o passaporte, no prazo de 24 (vinte e
quatro) horas.

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FAÇA VOCÊ MESMO!

Para exercitar a peça acima,


consulte o material disponível na
pasta “Exercitando Peças”,
constante no Sistema EAD. O
enunciado correspondente está
na apostila “caderno de peças –
para resolver”, na pág. 64. Já a
resolução consta na apostila
“caderno de peças - padrão de
respostas”, na pág. 70 e
seguintes.
Após realizar a peça, assista à
respectiva aula de estruturação!

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3.6.2) RELAXAMENTO DE PRISÃO PREVENTIVA

I) BASE LEGAL

BASE LEGAL: art. 5º, LXV, CF/88

II) IDENTIFICAÇÃO E CONTEÚDO

O relaxamento da prisão no contexto da prisão preventiva poderá ocorrer quando


a prisão for ilegal. Trata-se de peça privativa de advogado.

Exemplos:

* Prisão preventiva decretada em crime não listado no rol do art. 313 CPP.

* Nos casos de Contravenções Penais.

* Inobservância dos requisitos essenciais do mandado de prisão (art. 285, p. único, do CPP).

* Prisão preventiva sem fundamentação.

* Prisão preventiva decretada de ofício pelo juiz na fase investigatória.

Em suma:

PEDIDO DE
REVOGAÇÃO DA DA DECISÃO
PRISÃO LEGAL HC DA DECISÃO ROC
PREVENTIVA QUE INDEFERE QUE DENEGA

JUIZ DECRETA
A PRISÃO
PREVENTIVA

PEDIDO DE DA DECISÃO DA DECISÃO


PRISÃO ILEGAL RELAXAMENTO QUE INDEFERE HC ROC
QUE DENEGA
DE PRISÃO

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ESTRUTURA DE PEDIDO DE RELAXAMENTO DA PRISÃO PREVENTIVA:

A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...VARA CRIMINAL DA COMARCA......(SE


CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)

B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ...VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA


DE......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)

C) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI


DA COMARCA...... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)

D) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ...VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA


SEÇÃO JUDICIÁRIA...... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)20

Fulano de Tal, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG nº...,


residente e domiciliado... por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem,
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência requerer o RELAXAMENTO DA PRISÃO
PREVENTIVA, com base no art. 5º, LXV da Constituição Federal/88, pelos fatos e fundamentos
jurídicos a seguir expostos

I) DOS FATOS21

II) DO DIREITO22

III) DO PEDIDO

Ante o exposto, requer:

a) o RELAXAMENTO DA PRISÃO PREVENTIVA, a fim de que possa


responder a eventual processo em liberdade;

b) a expedição do respectivo alvará de soltura;

c) Vista ao Ministério Público.

Nestes termos,

pede deferimento.

Local... e data...

ADVOGADO...

OAB...

20
Competência da Justiça Federal – Ver art. 109 da CF/88.
21
Fazer um breve relato dos fatos. Não inventar dados. Relatar como ocorreu a prisão.
22
Buscar no enunciado informações que permitam desenvolver teses voltadas à ilegalidade da prisão preventiva.
45
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4) PRISÃO TEMPORÁRIA (Lei n. 7960/89)

4.1) CONCEITO

É prisão cautelar de natureza processual destinada a possibilitar as investigações


a respeito de crimes graves, durante o inquérito policial.

4.2) HIPÓTESES PARA A DECRETAÇÃO

A prisão temporária pode ser decretada em relação aos crimes previstos no art.
1º da Lei n. 7960/89 e nas seguintes hipóteses:

a) Imprescindibilidade para as investigações do inquérito policial:

Quando a autoridade policial, atualmente, representa pela prisão temporária, é


obrigada a dar os motivos dessa necessidade, expondo fundamentos que serão avaliados, caso a caso,
pelo magistrado competente.

b) Residência fixa e identidade conhecida

Esses dois elementos permitem a correta qualificação do suspeito, impedindo que


outra pessoa seja processada ou investigada em seu lugar, evitando-se, por isso, o indesejado erro
judiciário.

Aquele que não tem residência (morada habitual) em lugar determinado ou que
não consegue fornecer dados suficientes para o esclarecimento da sua identidade (individualização como
pessoa) proporciona insegurança na investigação policial.

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4.3) DECRETAÇÃO POR AUTORIDADE JUDICIAL

No caso de prisão temporária, não pode o magistrado decretá-la de ofício. Há,


invariavelmente, de existir requerimento do Ministério Público ou representação da autoridade policial.

4.4) PRAZO

Prazo de 05 dias, prorrogáveis por mais 05 dias.

47
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No caso de prisão temporária pela prática de crime hediondo e equiparados, o


art. 2º, § 4º, da Lei 8072/90, estabelece que o prazo de prisão temporária pode atingir 30 dias,
prorrogáveis por igual período, em caso de extrema e comprovada necessidade.

4.5) PROCEDIMENTO

A prisão temporária pode ser decretada em face da representação da autoridade


policial ou de requerimento do MP. Não pode ser decretada de ofício pelo juiz.

No caso de representação da autoridade policial, o juiz, antes de decidir, tem de


ouvir o MP.

O juiz tem o prazo de 24 horas, a partir do recebimento da representação ou


requerimento, para decidir fundamentadamente sobre a prisão.

O mandado de prisão deve ser expedido em duas vias, uma das quais deve ser
entregue ao iniciado, servindo como nota de culpa.

Efetuada a prisão, a autoridade policial deve advertir o preso do direito


constitucional de permanecer calado.

Ao decretar a prisão, o juiz poderá (faculdade) determinar que o preso lhe seja
apresentado, solicitar informações da autoridade policial ou submetê-lo a exame de corpo de delito.

O prazo de 5 dias (ou trinta) pode ser prorrogado uma vez em caso de
comprovada e extrema necessidade.

48
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4.6) REVOGAÇÃO DA PRISÃO TEMPORÁRIA

Base Legal: art. 316 do CPP e art. 282, § 5º do CPP

Como não há previsão expressa, considera-se como base legal, por analogia, o
artigo 316 do CPP, podendo, ainda, ser considerado o artigo 282, § 5º, do CPP, que trata da revogação de
medida cautelar.

A revogação da prisão temporária ocorre no contexto de prisão temporária legal.

4.7) RELAXAMENTO DE PRISÃO TEMPORÁRIA

Base Legal: art. 5º, LXV, da CF/88

O relaxamento da prisão temporária guarda relação com prisão ilegal, que


ocorre, por exemplo, quando o juiz decreta a prisão temporária de ofício; decreta prisão temporária na
fase judicial; quando decreta em face de crime que não consta no rol do artigo 1º, inciso III, da Lei
7.960/89.

Em síntese, alguns exemplos:

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50
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ESTRUTURA DE PEDIDO DE REVOGAÇÃO DA PRISÃO TEMPORÁRIA:

A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....VARA CRIMINAL DA COMARCA ......(SE


CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)

B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ....VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE


......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL) 23

C) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI


DA COMARCA ...... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)

D) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ....VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA


SEÇÃO JUDICIÁRIA ......(SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)

Autos nº

Fulano de Tal, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG nº...24, por


seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa
Excelência requerer a REVOGAÇÃO DA PRISÃO TEMPORÁRIA, com base no art. 316 do Código de
Processo Penal e 282, § 5º, do Código de Processo Penal, pelos fatos e fundamentos jurídicos a
seguir expostos

I) DOS FATOS25

II) DO DIREITO

* Fundamentar o pedido de revogação da prisão temporária com o disposto no art. 5º, LVII, da
CF/88 (princípio da presunção da inocência).

* Demonstrar a que não subsistem os motivos que ensejaram a prisão temporária.

* Por cautela, se for o caso, fazer referência a medidas cautelares, invocando os artigos 282 e 319 e
320 do CPP.

III) DO PEDIDO

Ante o exposto, requer:

a) a REVOGAÇÃO DA PRISÃO TEMPORÁRIA;

23
Competência da Justiça Federal – Ver art. 109 da CF/88.
24
Não inventar dados. Utilizar somente os disponibilizados no enunciado da peça.
25
Narrar os fatos, fazendo um breve relato. Não inventar dados. Relatar como ocorreu a prisão.
51
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b) com a expedição do respectivo alvará de soltura;

c) subsidiariamente, a aplicação de medida cautelar, como medida de inteira


justiça;

d) vista ao Ministério Público.

Nestes termos,

pede deferimento.

Local... e data...

______________________

ADVOGADO...

OAB...

52
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ESTRUTURA DE PEDIDO DE RELAXAMENTO DA PRISÃO TEMPORÁRIA:

A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI


DA COMARCA...... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)

B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ...VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA


SEÇÃO JUDICIÁRIA...... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)26

C) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...VARA CRIMINAL DA COMARCA......(SE


CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)

D) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ...VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA


DE......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)

Fulano de Tal..., nacionalidade..., estado civil..., profissão..., residente e


domiciliado..., RG nº..., por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem,
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência requerer o RELAXAMENTO DA PRISÃO
TEMPORÁRIA, com base no art. 5º, LXV, da Constituição Federal/88, pelos fatos e fundamentos
jurídicos a seguir expostos

I) DOS FATOS27

II) DO DIREITO28

III) DO PEDIDO

Ante o exposto, requer:

a) o RELAXAMENTO DA PRISÃO TEMPORÁRIA, a fim de que possa


responder a eventual processo em liberdade;

b) a expedição do respectivo alvará de soltura;

c) Vista ao Ministério Público.

Nestes termos,

pede deferimento.

Local... e data...

______________________

ADVOGADO...

OAB...

26
Competência da Justiça Federal – Ver art. 109 da CF/88.
27
Fazer um breve relato dos fatos. Não inventar dados. Relatar como ocorreu a prisão.
28
Buscar no enunciado informações que permitam desenvolver teses voltadas à ilegalidade da prisão temporária.
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QUESTÃO 02 - XX EXAME
Lúcio, com residência fixa e proprietário de uma oficina de carros, adquiriu de seu vizinho, pela quantia de
R$1.000,00 (mil reais) um aparelho celular, que sabia ser produto de crime pretérito, passando a usá-lo como
próprio. Tomando conhecimento dos fatos, um inimigo de Lúcio comunicou o ocorrido ao Ministério Público, que
requisitou a instauração de inquérito policial. A autoridade policial instaurou o procedimento, indiciou Lúcio pela
prática do crime de receptação qualificada (Art. 180, § 1º, do Código Penal), já que desenvolvia atividade
comercial, e, de imediato, representou pela prisão temporária de Lúcio, existindo parecer favorável do
Ministério Público. A família de Lúcio o procura para esclarecimentos. Na condição de advogado de Lúcio,
esclareça os itens a seguir.
A) No caso concreto, a autoridade policial poderia ter representado pela prisão temporária de Lúcio? (Valor:
0,60)
B) Confirmados os fatos acima narrados, o crime praticado por Lúcio efetivamente foi de receptação qualificada
(Art. 180, § 1º, do CP)? Em caso positivo, justifique. Em caso negativo, indique qual seria o delito praticado e
justifique. (Valor: 0,65)
Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere
pontuação.

QUESTÃO 03 - VI OAB
Caio, Mévio, Tício e José, após se conhecerem em um evento esportivo de sua cidade, resolveram praticar um
estelionato em detrimento de um senhor idoso. Logrando êxito em sua empreitada criminosa, os quatro
dividiram os lucros e continuaram a vida normal. Ao longo da investigação policial, apurou-se a autoria do delito
por meio dos depoimentos de diversas testemunhas que presenciaram a fraude. Em decorrência de tal
informação, o promotor de justiça denunciou Caio, Mévio, Tício e José, alegando se tratar de uma quadrilha de
estelionatários, tendo requerido a decretação da prisão temporária dos denunciados. Recebida a denúncia, a
prisão temporária foi deferida pelo juízo competente.
Com base no relatado acima, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a
fundamentação legal pertinente ao caso.
a) Qual(is) o(s) meio(s) de se impugnar tal decisão e a quem deverá(ão) ser endereçado(s)? (Valor: 0,6)
b) Quais fundamentos deverão ser alegados? (Valor: 0,65)

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02
CAPÍTULO II – PROCEDIMENTOS – IDENTIFICAÇÃO

1) NOTA INTRODUTÓRIA

Os procedimentos constituem a forma de desenvolvimento do processo, delimitando e


prevendo os passos e as sequências de atos que deverão ser seguidos ao longo de uma ação penal.

A ação penal pública é deflagrada com o oferecimento da denúncia. A ação penal


privada, por sua vez, será deflagrada por meio de uma queixa-crime.

2) PROCEDIMENTO COMUM

Nos termos do art. 394 do CPP, a disposição do procedimento comum ocorre da


seguinte forma:

a) Ordinário: pena máxima igual ou superior a quatro anos de pena privativa de liberdade.

b) Sumário: pena máxima cominada maior de dois anos e inferior a quatro anos de pena privativa
de liberdade.

c) Sumaríssimo: Pena máxima até 02 anos. Para as infrações de menor potencial ofensivo, na
forma da Lei 9.099/95, por exemplo, crime de lesão corporal leve, previsto no artigo 129, “caput”, do CP,
cuja pena máxima não supera dois anos.

Para a definição do procedimento devem ser consideradas as qualificadoras, bem


como as causas de aumento de pena e de diminuição da pena, porquanto repercutem no montante da
pena máxima abstrata prevista na lei.

Nesse caso, a definição do procedimento tem especial relevância, por exemplo:

a) no endereçamento da peça, por exemplo. Isso porque se incidir o procedimento sumaríssimo, a peça
deverá ser direcionada para o Juiz do Juizado Especial Criminal; incidindo o procedimento sumário ou
ordinário, a peça deverá ser direcionada para o Juiz de Direito da Vara Criminal.

b) no recurso cabível na hipótese de rejeição da denúncia ou queixa-crime. Se o procedimento for


sumaríssimo, o recurso cabível será apelação, conforme artigo 82 da Lei 9.099/95; se for procedimento
sumário ou ordinário, o recurso cabível será o recurso em sentido estrito, nos termos do artigo 581, inciso
I, do CPP.

55
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No caso de concurso de crimes, também devem ser considerados os critérios do


cúmulo material (concurso material e concurso formal impróprio) e da exasperação da pena (concurso
formal perfeito e crime continuado).

No concurso material, nenhum problema se apresenta, já que basta somar as


penas. Se a soma das penas ultrapassar dois anos, não será adotado o rito sumaríssimo, previsto na Lei
9099/95. Se a soma das penas for superior a quatro anos, o procedimento será o ordinário, afastando-se a
procedimento sumário.

DICA: Se a causa for de aumento de pena, considera-se a fração


máxima, a fim de que incida a pena máxima; na hipótese de causa de
diminuição da pena, diminui-se o mínimo possível, também para se
obter a pena máxima abstrata no caso.

Ex: Crime de associação criminosa (art. 288, “caput”, do CP) segue o procedimento sumário, porquanto
a sua pena máxima é de 03 anos. Todavia, se o crime é de associação criminosa armada, a pena aumenta até
metade (art. 288, parágrafo único, do CP), passando a pena máxima a 04 anos e 06 meses. Logo, nesse caso,
adota-se o procedimento ordinário, pois a pena máxima superou 04 anos.

Da mesma forma, o crime de furto simples (art. 155, “caput”) adota o procedimento ordinário, pois a
pena máxima é de 04 anos. Todavia, no crime de tentativa de furto simples, considerando a redução de 1/3
(fração mínima), a pena máxima ficará em 02 anos e 08 meses, adotando-se, nesse caso, o procedimento
sumário. Note-se que a redução pela tentativa é de 1/3 a 2/3 (art. 14, parágrafo único). No caso, diminui-se o
mínimo possível, a fim de atingir a pena máxima.

56
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QUESTÃO 1 - V EXAME
Antônio, pai de um jovem hipossuficiente preso em flagrante delito, recebe de um serventuário do Poder
Judiciário Estadual a informação de que Jorge, defensor público criminal com atribuição para representar o seu
filho, solicitara a quantia de dois mil reais para defendê-lo adequadamente. Indignado, Antônio, sem averiguar
a fundo a informação, mas confiando na palavra do serventuário, escreve um texto reproduzindo a acusação e
o entrega ao juiz titular da vara criminal em que Jorge funciona como defensor público. Ao tomar conhecimento
do ocorrido, Jorge apresenta uma gravação em vídeo da entrevista que fizera com o filho de Antônio, na qual
fica evidenciado que jamais solicitara qualquer quantia para defendê-lo, e representa criminalmente pelo fato. O
Ministério Público oferece denúncia perante o Juizado Especial Criminal, atribuindo a Antônio o cometimento do
crime de calúnia, praticado contra funcionário público em razão de suas funções, nada mencionando acerca dos
benefícios previstos na Lei 9.099/95. Designada Audiência de Instrução e Julgamento, recebida a denúncia,
ouvidas as testemunhas, interrogado o réu e apresentadas as alegações orais pelo Ministério Público, na qual
pugnou pela condenação na forma da inicial, o magistrado concede a palavra a Vossa Senhoria para apresentar
alegações finais orais.
Em relação à situação acima, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a
fundamentação legal pertinente ao caso.
a) O Juizado Especial Criminal é competente para apreciar o fato em tela? (Valor: 0,30)
b) Antônio faz jus a algum benefício da Lei 9.099/95? Em caso afirmativo, qual(is)? (Valor: 0,30)
c) Antônio praticou crime? Em caso afirmativo, qual? Em caso negativo, por que razão? (Valor: 0,65)

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03 CAPÍTULO III – AÇÃO PENAL, QUEIXA-CRIME E QUEIXA-CRIME


SUBSDIÁRIA

1) AÇÃO PENAL

1.1) CONCEITO

É o direito de agir exercido perante juízes e tribunais, invocando a prestação


jurisdicional, que, na esfera criminal, é a existência da pretensão punitiva do Estado.

1.2) AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA – Art. 24

É aquela em que o Ministério Público poderá propor a ação penal,


independentemente da manifestação de vontade do ofendido ou do seu representante legal. Em outras
palavras, o Ministério Público poderá oferecer a denúncia de ofício.

Quando o tipo penal silenciar em relação à natureza da ação penal, será pública
incondicionada.

1.3) AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA – Art. 24, parte final

a) CONCEITO

É aquela cujo exercício se subordina a uma condição. Essa condição tanto pode
ser a manifestação de vontade do ofendido ou de ser representante legal (representação), como também a
requisição do Ministro da Justiça.

O MP só pode dar início à ação se a vítima ou seu representante legal o


autorizarem, por meio de uma manifestação de vontade. Mais ainda: sem a permissão da vítima, nem
sequer poderá ser instaurado inquérito policial.

A ação penal pública, seja incondicionada, seja condicionada, é promovida pelo


Ministério Público por meio de denúncia, que constitui sua peça inicial (art. 100, § 1º, e art. 24 CPP).

b) NATUREZA JURÍDICA DA REPRESENTAÇÃO

A natureza jurídica da representação é a de condição de procedibilidade da ação


penal pública. Sem ela, o órgão do MP não pode iniciar a ação penal mediante o oferecimento da
denúncia.

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Os crimes de ação penal pública condicionada à representação são aqueles em


que consta no tipo penal a expressão “somente se procede mediante representação”.

c) TITULAR DO DIREITO DE REPRESENTAÇÃO

A representação pode ser exercida pelo ofendido ou representante legal.

Se o ofendido contar com menos de 18 anos ou for mentalmente enfermo, o


direito de representação cabe exclusivamente a quem tenha qualidade para representá-lo.

Ao completar 18 anos e não sendo deficiente mental, o ofendido adquire o direito


de representar.

No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão judicial,


o direito de representação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão (art. 24, § 1º, do CPP).

d) PRAZO – Art. 38

O direito de representação pode ser exercido dentro do prazo de 06 meses,


contados do dia em que o ofendido ou seu representante legal veio a saber quem é o autor do crime (art.
38 CPP).

Trata-se de prazo decadencial, que não se suspende nem se prorroga, e cuja


fluência, iniciada a partir do conhecimento da autoria da infração, é causa extintiva da punibilidade do
agente (art. 107, IV, CP).

e) IRRETRATABILIDADE – Art. 25

Nos termos dos arts. 25 do CPP e art. 102 do CP, “a representação será
irretratável depois de oferecida a denúncia”. Assim, se o ofendido exerce o direito de representação, pode
retirá-la antes de iniciar-se a ação penal com o oferecimento da denúncia.

1.4) AÇÃO PENAL PRIVADA

a) CONCEITO

É aquela em que o Estado, titular exclusivo do direito de punir, transfere a


legitimidade para a propositura da ação penal à vítima ou a seu representante legal.

A ação penal privada é promovida mediante queixa-crime do ofendido ou de seu


representante legal.

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São aqueles crimes em que no tipo penal consta a expressão “somente se


procede mediante queixa”.

2) QUEIXA-CRIME

2.1) CONCEITO

Trata-se, em síntese, da petição inicial da ação penal privada oferecida, via de regra,
pelo ofendido ou seu representante legal.

2.2) BASE LEGAL

Base Legal: art. 30, 41 e 44, do CPP e art. 100, §2º, do CP

2.3) IDENTIFICAÇÃO

O ofendido/vítima de um crime de ação penal privada procura advogado para adotar a


medida cabível.

Exemplo da peça queixa-crime do XV Exame da OAB, : “(...) Enrico procurou seu


escritório de advocacia e narrou os fatos acima. Você, na qualidade de advogado de Enrico, deve assisti-lo.”

PEDIU PRA PARAR

PALAVRA MÁGICA: PEÇA:


Ação penal privada – QUEIXA-CRIME
ofendido procura
advogado

PAROU!

2.4) LEGITIMIDADE – Arts. 30/31 CPP

OFENDIDO
Art. 30 do CPP

REPRESENTANTE LEGAL (menor)

CADI (morte ou ausência do Art. 31 do CPP


ofendido)
CADI (morto)
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PROCESSO PENAL OAB
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A queixa-crime é ajuizada por um advogado contratado pelo ofendido ou seu


representante legal, detentores da legitimidade para ajuizar a ação penal privada.

Se o ofendido morre ou é declarado ausente, o direito de oferecer queixa, ou de


dar prosseguimento à acusação, passa ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão (art. 31 do CPP),
ressalvado o caso dos art. 236, parágrafo único, do CP, cuja legitimidade será somente do cônjuge enganado.

2.5) PRAZO DA AÇÃO PENAL PRIVADA – Art. 38 do CPP e 103 do CP

DA CIÊNCIA DA AUTORIA
6 meses
Art. 38 CPP e art. 103 CP

PRAZO DECADENCIAL
Artigo 10 CP

O prazo para o oferecimento da queixa-crime é de 06 meses, contados a partir da


data do conhecimento da autoria do crime pelo ofendido ou seu representante legal (art. 38 CPP e
103 do CP).

O prazo é decadencial, conforme o art. 10 do CP, computando-se o dia do começo e


excluindo-se o dia final. Assim, se, por exemplo, o ofendido do crime de calúnia toma conhecimento da autoria
do fato no dia 12 de março de 2015, a queixa-crime deverá ser oferecida até o dia 11 de setembro de 2015,
sob pena de decadência e consequente extinção da punibilidade.

Tratando-se de ação penal privada subsidiária, o prazo será de 06 meses a contar do


encerramento do prazo para o Ministério Público oferecer a denúncia (art. 29 CPP e 100, § 3º, do CP).

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2.6) REQUISITOS DA QUEIXA (IMPORTANTE) – Art. 41 CPP

Descrição do FATO e circunstâncias Pedido de condenação

Identificação/Qualificação Rol de testemunhas

Qualificação jurídica Valor mínimo indenizatório


Artigo 387, inciso IV, do CPP.
Pedido de citação
Pedido produção de provas

A) Descrição do fato em todas as suas circunstâncias:

• Descrever o fato de forma clara e objetiva, mencionando o autor da ação (ofendido/querelante) e o


ofensor (querelado), a data, local do fato, os meios e instrumentos empregados, a forma como foi
praticado o crime e o motivo.

• Mencionar que a conduta do querelado constitui crime de ação penal privada, destacando e
descrevendo, ainda, eventuais agravantes, qualificadoras ou causas de aumento de pena.

• Na hipótese de concurso de agentes, a queixa deve especificar a conduta de cada um. Assim, no caso
de coautoria e participação, deverá ser descrita, individualmente, a conduta de cada um dos coautores
e partícipes.

B) Qualificação do acusado ou fornecimento de dados que possibilitem sua identificação

Qualificar é apontar o conjunto de qualidades pelas quais se possa identificar o


querelado, distinguindo-o das demais pessoas: nome, nacionalidade, estado civil, RG, etc...

OBS: Na prova da OAB, colocar na qualificação única e exclusivamente os dados fornecidos no enunciado
da questão, sob pena de ter a peça zerada (podem interpretar que o candidato esteja se identificando).

C) Classificação jurídica do fato

O autor deverá indicar o dispositivo (artigo) que se aplica ao fato imputado, não
bastando a simples menção ao nome da infração.

D) Rol de Testemunhas

O momento adequado para arrolar testemunhas, consoante o disposto no art. 41 do


CPP, é o da propositura da ação.

E) Pedido de condenação

2.7) DICAS:

I) Alguns crimes de ação penal privada previstos no Código Penal:

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Arts. 138 (calúnia), 139 (difamação) e 140 (injúria), ressalvada a hipótese do art. 145 e parágrafo único, bem
como disposto na Súmula 714 do STF.

Art. 161, § 1º, incisos I e II – Alteração de limites (se não usar de violência e a propriedade for particular).

Art. 163, “caput”, inciso IV do parágrafo único e art. 164 c/c art. 167 (crime de dano)

Art. 179 e parágrafo único – fraude à execução

Art. 184, “caput” – violação de direito autoral

Art. 236

Art. 345 (exercício arbitrário das próprias razões – VIII Exame da OAB)

II) Na peça, importante mencionar que a queixa-crime está instruída com instrumento de procuração com
poderes especiais (art. 44 do CPP).

PROCURAÇÃO COM PODERES ESPECIAIS


ARTIGOS 41 e 44 do CPP

III) Além disso, deve ser feita referência ao disposto no art. 387, IV, do CPP, que dispõe sobre a fixação do
valor mínimo para a indenização da vítima.

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ESTRUTURA DA QUEIXA-CRIME:

a) Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da .....Vara Criminal da Comarca ........(se crime da
competência da Justiça Estadual)

b) Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da .....Vara Criminal da Seção Judiciária de ........(se crime da
competência da Justiça Federal)29

c) Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito do Juizado Especial Criminal da Comarca de ........(se a infração
for de menor potencial ofensivo – Lei 9.099/95)

FULANO DE TAL, nacionalidade..., estado civil, profissão, RG..., residente e


domiciliado.... , por seu procurador infra-assinado, mediante procuração com poderes especiais em anexo,
30

vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, oferecer QUEIXA-CRIME, com base nos artigos 30,
41 e 44, ambos do Código de Processo Penal, e artigo 100, § 2º, do Código Penal, contra CICLANO
DE TAL, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG..., residente e domiciliado...31, pelos fatos e
fundamentos jurídicos a seguir expostos:

I) DOS FATOS32

1º Parágrafo: localizar (data, hora, local)33 e verbo nuclear do tipo

2º Parágrafo: descrever como foi praticado o delito

3º Parágrafo: eventuais agravantes, causas de aumento de pena ou qualificadoras

II) DO DIREITO

Mencionar o fato e atribuir o respectivo tipo penal.

III) PEDIDO

Ante o exposto, requer o querelante:

a) o recebimento da queixa-crime;

b) a citação do querelado;

c) produção de provas, com a oitiva das testemunhas arroladas;

d) a procedência do pedido, com a consequente condenação do querelado nas penas dos artigos ...do CP;

29
Art. 109 da CF/88 – Competência da Justiça Federal
30
Não inventar dados.
31
Não inventar dados.
32 Deve-se narrar o fato criminoso de forma clara, objetiva e detalhada, com todas suas circunstâncias, sem inventar dados e somente reproduzir o
enunciado da questão.
33
Se o enunciado disponibilizar essas informações.
64
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e) a fixação de valor mínimo de indenização, nos termos do artigo 387, IV, do CPP.

Nestes termos,

Pede deferimento.

Local..., data...

ADVOGADO...,

OAB...

ROL DE TESTEMUNHAS: (somente dados fornecidos no enunciado)

1. Nome...

2. Nome...

OBS 1: Se for ajuizada a queixa-crime perante o Juizado Especial Criminal, formular pedido também de
designação de audiência preliminar ou de conciliação, conforme constou no XV Exame, quando caiu queixa-
crime.

OBS 2: Como regra, a competência para processar e julgar os crimes contra a honra será do Juizado
Especial Criminal (pois a pena máxima é a do crime de calúnia e não supera 2 anos), seguindo o rito lá
disposto;

OBS 3: contudo, havendo concurso de crimes entre calúnia e difamação e/ou injúria será excedida a
competência do JECCrim (a pena máxima superará dois anos), devendo o processo seguir o rito estabelecido
nos arts. 519 e seguintes do CPP.

OBS 4: Jamais esquecer de apresentar o rol de testemunhas (sem inventar nomes e dados. Colocar somente
os fornecidos pelo enunciado).

65
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FAÇA VOCÊ MESMO!

Para exercitar a peça acima,


consulte o material disponível na
pasta “Exercitando Peças”,
constante no Sistema EAD. O
enunciado correspondente está
na apostila “caderno de peças –
para resolver”, na pág. 70. Já a
resolução consta na apostila
“caderno de peças - padrão de
respostas”, na pág. 74 e
seguintes.
Após realizar a peça, assista à
respectiva aula de estruturação!

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3) QUEIXA-CRIME SUBSIDIÁRIA - AÇÃO PENAL PRIVADA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA

3.1) CABIMENTO DA AÇÃO PRIVADA SUBSIDIÁRIA

A ação penal privada subsidiária é proposta nos crimes de ação pública, condicionada
ou incondicionada, quando o Ministério Público deixar de requisitar diligências, promover pelo arquivamento ou
oferecer denúncia no prazo legal. O MP, via de regra, tem o prazo de 05 dias, réu preso, e 15 dias, réu solto,
para oferecer a denúncia, conforme art. 46 CPP.

É a única exceção prevista no próprio art. 5º, LIX, da CF, à regra da titularidade
exclusiva do MP sobre a ação penal pública.

Não tem cabimento nos casos de arquivamento do Inquérito Policial ou das peças de
informação ou, ainda, quando o Promotor Público requerer a devolução dos autos à autoridade policial,
requisitando a realização de diligencias imprescindíveis para o oferecimento da denúncia.

Portanto, a ação privada subsidiária só pode ser intentada no caso de inércia do órgão
do Ministério Público, ou seja, quando o Promotor de Justiça ou Procurador da República (se Justiça Federal)
não oferece denúncia no prazo legal, não promove pelo arquivamento do inquérito policial ou não requisita
diligências.

3.2) BASE LEGAL

Base Legal: art. 29, 41 e 44, do CPP e art. 100, §3º, do CP, e
artigo 5º, inciso LIX, da CF/88

3.3) IDENTIFICAÇÃO

Verificando-se a inércia do Ministério Público, ou seja, que o Ministério Público, dentro


do prazo do artigo 46 do CPP, não ofereceu denúncia, não promoveu pelo arquivamento do inquérito policial e
não requisitou diligências, o ofendido/vítima de um crime de ação penal pública procura advogado para adotar
a medida cabível.

PEDIU PRA PARAR

PALAVRA MÁGICA: PEÇA:


INÉRCIA DO MP QUEIXA-CRIME
SUBSIDIÁRIA

PAROU!

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3.4) PRAZO

O ofendido ou seu representante legal tem o lapso de 06 meses para intentar a


ação penal subsidiária por meio de queixa substitutiva, contados a partir do dia em que se esgotou o
prazo para o Promotor de Justiça iniciar a ação penal pública (art. 38, parte final do CPP, e art.
103, in fine, CP).

do dia que esgotou o prazo


6 meses para o MP oferecer a denúncia

68
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ESTRUTURA DA QUEIXA-CRIME SUBSIDIÁRIA:

a) Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da .....Vara Criminal da Comarca de ........ (se crime da
competência da Justiça Estadual)

b) Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da .....Vara Criminal da Seção Judiciária de ........ (se crime da
competência da Justiça Federal)34

c) Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito do .....Juizado Especial Criminal da Comarca de ........(se a
infração for de menor potencial ofensivo – Lei 9.099/95)

FULANO DE TAL, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG..., residente e


domiciliado.... , por seu procurador infra-assinado, mediante procuração com poderes especiais em anexo,
35

vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, oferecer QUEIXA-CRIME SUBSIDIÁRIA, com base
nos artigos 29, 41 e 44, todos do Código de Processo Penal, artigo 100, § 3º, do Código Penal e art.
5º, LIX, da Constituição Federal/88, contra CICLANO DE TAL, nacionalidade..., estado civil..., profissão...,
RG..., residente e domiciliado....36, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos:

I) DOS FATOS3738

1º Parágrafo: localizar e verbo nuclear do tipo

2º Parágrafo: descrever como foi praticado o delito

3º Parágrafo: eventuais agravantes, causas de aumento de pena ou qualificadoras

II) DO DIREITO

Mencionar o fato e atribuir o tipo penal respectivo.

III) PEDIDO

Ante o exposto, requer o querelante:

a) o recebimento da queixa-crime;

b) a citação do querelado;

c) produção de provas, com a oitiva das testemunhas arroladas;

d) a procedência do pedido, com a consequente condenação do querelado nas penas dos artigos ...do CP;

e) a fixação de valor mínimo de indenização, nos termos do artigo 387, IV, do CPP.

34
Art. 109 da CF/88 – Competência da Justiça Federal
35
Não inventar dados.
36
Não inventar dados.
37 Deve-se narrar o fato criminoso de forma clara, objetiva e detalhada, com todas suas circunstâncias, sem inventar dados e somente reproduzir o
enunciado da questão.
38
Fazer referência à inércia do MP
69
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Nestes termos,

Pede deferimento

Local... e data...

______________________

ADVOGADO...
OAB...

ROL DE TESTEMUNHAS: (somente dados fornecidos no enunciado)

1. Nome....

2. Nome....

INCONDICIONADA

PÚBLICA
(DENÚNCIA)
CONDICIONADA

AÇÃO PENAL

Exclusiva

PRIVADA
Personalíssima
(Queixa-crime)
Art. 236, parágrafo único,
do CP

Subsidiária da Pública
Art. 29 do CPP

70
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04 CAPÍTULO IV – FASE JUDICIAL

1) DA DENÚNCIA E REJEIÇÃO DA DENÚNCIA

1.1) INTRODUÇÃO

A Denúncia é a petição inicial da ação penal pública, oferecida pelo Ministério


Público contra o agente do fato criminoso.

Ao receber o inquérito policial ou peças de informação, o Ministério Público, por meio


do seu agente (Promotor ou Procurador da República), verificando a existência de prova da materialidade de
fato, que caracteriza crime em tese, e indícios de autoria, em decorrência do princípio da obrigatoriedade, deve
oferecer a denúncia.

Para fins de prova dissertativa da OAB, convém sejam analisadas as causas de


rejeição da denúncia, previstas no artigo 395 do CPP.

1.2) REJEIÇÃO DA DENÚNCIA OU DA QUEIXA – ART. 395

Causas de rejeição da denúncia ou queixa:

a) for manifestamente inepta

b) faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal

c) faltar justa causa para o exercício da ação penal

a) for manifestamente inepta

Ocorre inépcia da denúncia quando a peça apresentada pelo Ministério Público não
contém relato compreensível dos fatos ou não observa os requisitos exigidos no artigo 41 do CPP.

Algumas hipóteses que podem ensejar a inépcia da denúncia, dentre outras:

a) Descrição dos fatos de forma incompreensível, incoerente, que inviabiliza a produção da defesa.

b) Descrição extensa, sem pormenorizar o objeto da acusação.

c) Falta de pedido claro da acusação.

d) O MP não descrever a conduta de cada um dos acusados, na hipótese de concurso de pessoas.

71
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b) faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal

Pressupostos processuais são elementos que repercutem na própria existência e


validade do processo (necessidade de ter juiz competente, capacidade postulatória, ausência de litispendência,
coisa julgada)

As condições da ação são:

a) possibilidade jurídica do pedido: fato narrado não constitui crime

b) interesse de agir – estar prescrita a ação – evidente perdão judicial

c) legitimidade para agir

Com relação à legitimidade para agir, particularmente em relação à queixa, pode ser
rejeitada se oferecida diretamente pela vítima e não por meio do seu procurador; se oferecida por advogado
sem procuração outorgada pela vítima; se, em caso de morte do ofendido, apresentar-se como querelante
pessoa que não consta do rol do art. 31 do CPP.

Haverá ilegitimidade ativa se for oferecida denúncia em crime de ação penal privada
ou queixa em crime de ação penal pública (sem que se trate de hipótese de ação privada subsidiária).

c) faltar justa causa para o exercício da ação penal

Consiste na ausência de qualquer elemento indiciário da existência do crime ou de sua


autoria. Em outras palavras, para haver justa causa, a inicial acusatória deve estar acompanhada de um
suporte probatório mínimo que demonstre a materialidade do delito e indícios suficientes de autoria.

* Ex: não haver prova suficiente de autoria; ou, ainda, a denúncia apontar autoria
localizada a partir de prova ilícita, que, uma vez verificada, deve ser desentranhada dos autos (art. 157 do
CPP). Em sendo considerada ilícita, a prova da autoria será desentranhada dos autos, não restando, portanto,
nenhum elemento para subsidiar o oferecimento da denúncia.

A incidência de prescrição ou outra causa de extinção da punibilidade também podem


induzir falta de justa causa para ação penal.

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QUESTÃO 01 – IV EXAME OAB


Maria, jovem extremamente possessiva, comparece ao local em que Jorge, seu namorado, exerce o cargo de
auxiliar administrativo e abre uma carta lacrada que havia sobre a mesa do rapaz. Ao ler o conteúdo, descobre
que Jorge se apropriara de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), que recebera da empresa em que trabalhava para
efetuar um pagamento, mas utilizara tal quantia para comprar uma joia para uma moça chamada Júlia.
Absolutamente transtornada, Maria entrega a correspondência aos patrões de Jorge.
Com base no relatado acima, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a
fundamentação legal pertinente ao caso.
a) Jorge praticou crime? Em caso positivo, qual(is)? (Valor: 0,35)
b) Se o Ministério Público oferecesse denúncia com base exclusivamente na correspondência aberta por Maria,
o que você, na qualidade de advogado de Jorge, alegaria? (Valor: 0,9)

QUESTÃO 4 - V EXAME OAB


João e Maria iniciaram uma paquera no Bar X na noite de 17 de janeiro de 2011. No dia 19 de janeiro do
corrente ano, o casal teve uma séria discussão, e Maria, nitidamente enciumada, investiu contra o carro de
João, que já não se encontrava em bom estado de conservação, com três exercícios de IPVA inadimplentes, a
saber: 2008, 2009 e 2010. Além disso, Maria proferiu diversos insultos contra João no dia de sua festa de
formatura, perante seu amigo Paulo, afirmando ser ele “covarde”, “corno” e “frouxo”. A requerimento de João,
os fatos foram registrados perante a Delegacia Policial, onde a testemunha foi ouvida. João comparece ao seu
escritório e contrata seus serviços profissionais, a fim de serem tomadas as medidas legais cabíveis. Você, como
profissional diligente, após verificar não ter passado o prazo decadencial, interpõe Queixa-Crime ao juízo
competente no dia 18/7/11.
O magistrado ao qual foi distribuída a peça processual profere decisão rejeitando-a, afirmando tratar-se de
clara decadência, confundindo-se com relação à contagem do prazo legal. A decisão foi publicada dia 25 de
julho de 2011.
Com base somente nas informações acima, responda:
a) Qual é o recurso cabível contra essa decisão? (0,30)
b) Qual é o prazo para a interposição do recurso? (0,30)
c) A quem deve ser endereçado o recurso? (0,30)
d) Qual é a tese defendida? (0,35)

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2) CITAÇÃO

Não sendo caso de rejeição da denúncia, deve o juiz recebê-la, determinando, a


seguir, a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias, se não for o
caso de suspensão condicional do processo (previsto no artigo 89 da Lei 9.099/9539).

No processo penal, a regra é citação pessoal e por mandado, observando-se os


requisitos do art. 351, 352 e 357 CPP.

Se o réu se oculta para não ser citado, o artigo 362 prevê a possibilidade de citação
por hora certa, oportunidade em que o oficial de justiça certificará a ocorrência e procederá à citação com
hora certa, na forma estabelecida nos arts. 227 a 229 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de
Processo Civil.

Todavia, a partir da entrada em vigor do novo CPC, a citação por hora certa na esfera
penal segue o procedimento previsto nos artigos 252/254. Assim, quando, por 2 (duas) vezes, o oficial de
justiça houver procurado o citando em seu domicílio ou residência sem o encontrar, deverá, havendo suspeita
de ocultação, intimar qualquer pessoa da família ou, em sua falta, qualquer vizinho de que, no dia útil imediato,
voltará a fim de efetuar a citação, na hora que designar.

Nos termos do artigo 253 do Novo CPC, No dia e na hora designados, o oficial de
justiça, independentemente de novo despacho, comparecerá ao domicílio ou à residência do citando a fim de
realizar a diligência. Se o citando não estiver presente, o oficial de justiça procurará informar-se das razões da
ausência, dando por feita a citação, ainda que o citando se tenha ocultado em outra comarca, seção ou
subseção judiciárias.

A citação com hora certa será efetivada mesmo que a pessoa da família ou o vizinho
que houver sido intimado esteja ausente, ou se, embora presente, a pessoa da família ou o vizinho se recusar a
receber o mandado.

Da certidão da ocorrência, o oficial de justiça deixará contrafé com qualquer pessoa


da família ou vizinho, conforme o caso, declarando-lhe o nome.

O oficial de justiça fará constar do mandado a advertência de que será nomeado


curador especial se houver revelia.

Conforme o artigo 254 do novo CPC, feita a citação com hora certa, o escrivão ou
chefe de secretaria enviará ao réu, executado ou interessado, no prazo de 10 (dez) dias, contado da data da
juntada do mandado aos autos, carta, telegrama ou correspondência eletrônica, dando-lhe de tudo ciência.

39
Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério
Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja
sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão
condicional da pena (art. 77 do Código Penal).
(...)
74
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Na hipótese de o réu encontrar-se em local incerto e não sabido, a citação será


feita por edital, suspendendo-se o processo e o prazo prescricional se o réu não comparecer ou não nomear
advogado, conforme artigo 366 CPP.

Ressalta-se: somente quando o réu for citado pessoalmente e não apresentar


resposta à acusação é que o juiz poderá nomear um defensor para realizar a defesa técnica e continuar o
processo. Se não for caso de citação pessoal, mas citação por edital, deve-se aplicar a regra do art. 366 do
CPP, suspendendo-se o processo e a prescrição.

Cuidado:

Nos termos da Súmula 415 do STJ, “O período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo
máximo da pena cominada”.

Ou seja, na hipótese de um crime com pena máxima de 02 anos o prazo prescricional é de 04 anos. Com
o recebimento da denúncia, o prazo de prescrição é interrompido, passando a correr novamente o prazo
de 04 anos. Considere que entre o recebimento da denúncia e a decretação da suspensão do processo e
do prazo prescricional (em decorrência da citação por edital) tenha se passado 06 meses. A ação ficará
suspensa por 04 anos se o réu não for localizado. Findo o período de suspensão, o prazo prescricional
volta a correr pelos 03 anos e 06 meses restantes. Ao término deste período, deverá ser decretada
extinta a punibilidade do réu pela prescrição da pretensão punitiva.

A ausência de citação ou vícios insanáveis no ato citatório constitui causa de nulidade


absoluta do processo.

75
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3) RESPOSTA À ACUSAÇÃO – Art. 396 e 396-A CPP

3.1) PEÇA OBRIGATÓRIA

A resposta à acusação constitui peça obrigatória, pois, se não apresentada, deverá o


juiz nomear defensor para oferecê-la, nos termos do artigo 396-A, § 2º, CPP.

Assim, não apresentada a resposta no prazo legal, ou se o acusado, citado, não


constituir defensor, o juiz nomeará defensor para oferecê-la, concedendo-lhe vista dos autos por dez dias. A
ausência de nomeação de defensor pelo juiz para oferecimento da resposta à acusação gerará nulidade
absoluta.

3.2) BASE LEGAL

Base Legal: art. 396 e 396-A do CPP

3.3) IDENTIFICAÇÃO DA PEÇA

PEDIU PRA PARAR

PALAVRA MÁGICA: PEÇA:


CITAÇÃO RESPOSTA A ACUSAÇÃO

PAROU!

A resposta à acusação é oferecida após a citação do acusado. Antes, por óbvio,


da audiência de instrução.

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Logo, deve haver denúncia, o recebimento da denúncia e a citação do réu. Não


poderá ter sido realizada audiência de instrução e julgamento.

DICA: Nem sempre consta expressamente no enunciado toda a sequência dos atos (“foi
oferecida denúncia e recebida”). Basta, para identificar a peça resposta à acusação, que no
enunciado conste como último ato processual a CITAÇÃO.

Exemplos:

Peça XXI Exame: “Diante disso, em 16 de março de 2015, segunda-feira, sendo terça-feira dia útil em todo o
país, Gabriela e o advogado compareceram ao cartório, onde são informados que o processo estava em seu
regular prosseguimento desde 2011, sem qualquer suspensão, esperando a localização de Gabriela para
citação. Naquele mesmo momento, Gabriela foi citada, assim como intimada, junto ao seu advogado, para
apresentação da medida cabível. Cabe destacar que a ré, acompanhada de seu patrono, já manifestou
desinteresse em aceitar a proposta de suspensão condicional do processo oferecida pelo Ministério Público.
Considerando a situação narrada, apresente, na qualidade de advogado(a) de Gabriela, a peça jurídica cabível,
diferente do habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas de direito material e processual pertinentes.
A peça deverá ser datada no último dia do prazo. (Valor: 5,00)” Pediu para parar, parou na citação: resposta à
acusação

Peça VIII Exame: “(...) Recebida a inicial pelo juízo da 5ª Vara Criminal, o réu é citado no dia 18 de janeiro
de 2011.(...)” PEDIU PARA PARAR, PAROU AQUI!!!

3.4) PRAZO

Devidamente citado, cumpre ao réu oferecer resposta escrita, por escrito, no prazo
de 10 dias. O Código de Processo Penal não aponta a partir de quando começa a correr o prazo de citação.
Por isso, adota-se, por analogia, o art. 406, § 1º, CPP e Súmula 710 do STF, segundo o qual o prazo será
contado a partir do efetivo cumprimento do mandado e não da juntada do mandado aos autos.

A CONTAR DO
EFETIVO
CUMPRIMENTO DO
MANDADO

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Defensor Público: prazo em dobro.

O prazo processual guarda relação, invariavelmente, aos prazos para praticar atos
processuais. Ex: apresentar resposta à acusação, memoriais, interposição de recursos.

O prazo processual é disciplinado no artigo 798 do CPP.

O prazo começa a correr a partir do 1º dia útil da citação. Assim, se a citação ocorreu
na sexta (dia 05/08), o prazo começará a correr no dia 08/08 (segunda-feira, que será o primeiro dia útil).

Se o prazo vencer num sábado, domingo, ou feriado, será prorrogado para o 1º dia
útil.

Tomemos como o exemplo o prazo considerado no XXI Exame, quando caiu resposta
à acusação. A ré foi citada no dia 16/03/2015, numa segunda-feira. O prazo começa a correr a partir do 1º dia
útil (17/03/2015, terça-feira) - 18/03/2015 (quarta) – 19/03/2015 (quinta) – 20/03/2015 (sexta) – 21/03/2015
(sábado) – 22/03/2015 (domingo) – 23/03/2015 (segunda) – 24/03/2015 (terça) – 25/03/2015 (quarta) –
26/03/2015 (quinta).

O último dia do prazo para apresentar a resposta à acusação seria o dia 26/03/2015.

Se o dia 26/03/2015 tivesse caído num sábado ou domingo, o prazo deveria ser
prorrogado para o 1º dia útil. Logo, se o dia 26/03/2015 tivesse caído no sábado, o último dia do prazo seria
28/03/2015 (segunda-feira).

3.5) CONTEÚDO DA RESPOSTA À ACUSAÇÃO

Na resposta à acusação, deve-se buscar eventuais informações que permitam


desenvolver teses preliminares e de mérito.

É o momento destinado ao denunciado arguir nulidades, em matéria preliminar,


consistente, inclusive, em defeitos de natureza processual constantes na peça acusatória e, até mesmo, na
fase de inquérito (nulidade de provas produzidas no Inquérito), bem como toda matéria de defesa, visando
à absolvição sumária (art. 397 CPP), oferecer documentos, especificar as provas que pretende produzir e
arrolar testemunhas.

Assim, no caso da resposta à acusação, as teses de mérito guardam relação com


as hipóteses que ensejam a absolvição sumária, previstas no artigo 397 do CPP.

Em síntese, na resposta à acusação, assim como nas outras peças, deve-se


desenvolver uma tese que, ao final, viabilizará o correspondente pedido. Ou seja, a tese invariavelmente
guarda relação com o objeto de pedido.

78
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Nesse sentido, considerando que o pedido correspondente à resposta à acusação


é de ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA, com base no artigo 397 do CPP, as teses de mérito na resposta à acusação
envolvem, via de regra:

I) causa excludente de ilicitude

II) excludente de culpabilidade, salvo a inimputabilidade por doença mental

III) excludente de tipicidade

IV) causas extintivas de punibilidade

Portanto, na resposta à acusação, deve-se buscar no enunciado:

A) Preliminares:

Vícios processuais e procedimentais decorrentes da inobservância de exigências


legais que podem levar à nulidade do ato e dos que dele derivam e, até mesmo, do processo.

* Alguns exemplos de preliminares

a) Incompetência absoluta do juízo

b) Rejeição da denúncia (art. 395)

c) Nulidade da citação

d) Nulidade/ilicitude de prova produzida no inquérito policial

e) Nulidades – art. 564 CPP, I, II, III (“a”, “b”, “c” e “e”) e IV

f) Nulidade do processo por não ter sido adotado o procedimento adequado.

B) Mérito

Corresponde, basicamente, em invocar causas excludentes de ilicitude,


culpabilidade, salvo a inimputabilidade e tipicidade. Na resposta à acusação, a extinção da punibilidade
79
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integra uma das hipóteses de pedido de absolvição sumária, sendo, por isso, excepcionalmente, tratada
como se mérito fosse.

I) Algumas causas excludentes de ilicitude

ESTADO DE NECESSIDADE
art.24, CP

CAUSAS LEGITIMA DEFESA


EXCLUDENTES art.25, CP
DE ILICITUDE
ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL
art.23, III, CP
art. 397, I do
CPP
EXERCÍCIO REGULAR DO DIREITO
art.23, III, CP

CONSENTIMENTO DO OFENDIDO
Causa Supralegal

II) Algumas causas excludentes de culpabilidade

INIMPUTABILIDADE PELA
EMBRIAGUEZ COMPLETA E ACIDENTAL
art. 28, § 1º, CP

FALTA DE POTENCIAL
CAUSAS ERRO DE
CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE
EXCLUDENTES PROIBIÇÃO
DE art.21, CP INEVITÁVEL
CULPABILIDADE
art. 397, II do COAÇÃO MORAL
CPP IRRESISTÍVEL
INEXIGIBILIDADE DE
CONDUTA ADVERSA
art.22, CP ILICITUDE
OBEDIÊNCIA
HIERÁRQUICA

ILICITUDE

ILICITUDE

80
PROCESSO PENAL OAB
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III) Alguns exemplos de excludentes da tipicidade que podem ensejar absolvição sumária

SÚMULA VINCULANTE Nº 24

FATO ATÍPICO

CAUSAS COAÇÃO FÍSICA IRRESISTÍVEL


EXCLUDENTES
DE
TIPICIDADE CRIME IMPOSSÍVEL
art.17, CP
art. 397, III do
CPP ERRO DE TIPO ESSENCIAL
art.20, CP

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA

IV) Alguns exemplos de causas de extinção da punibilidade40

HIPÓTESES DO ART. 107,CP

PRESCRIÇÃO
art.109 a 117 CP

CAUSAS DE RESSARCIMENTO DO DANO NO PECULATO CULPOSO


EXTINÇÃO DA
art.312 § 3º CP
PUNIBILIDADE

PAGAMENTO INTEGRAL DO TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO


SOCIAL, INCLUSIVE ACESSÓRIOS

RESSARCIMENTO DO DANO ANTES DO RECEBIMENTO DA


DENUNCIA NO CRIME DE ESTELIONATO MEDIANTE EMISSÃO DE
CHEQUE SEM PROVISÃO DE FUNDOS

art. 171, § 2º, VI, CP e Súmula 554 STF

40
Tratada aqui, excepcionalmente, como mérito, já que o seu reconhecimento enseja absolvição sumária (Art. 397, IV,
CPP).
81
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3.6) PEDIDO: ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA – Art. 397 CPP

Na resposta à acusação, o pedido é de absolvição sumária,


com base no artigo 397 do CPP.

No campo destinado aos pedidos, deve-se formular pedido expresso acerca de


cada tese desenvolvida. Por exemplo, se foi desenvolvida tese que envolva preliminar (incompetência do
juízo, por exemplo), deve-se pedir expressamente que seja declarada a incompetência do juízo.

Além disso, após o oferecimento da resposta escrita, abre-se a possibilidade de o


juiz absolver sumariamente o réu, encerrando o processo, quando incidir, no caso, causa manifesta de
exclusão da ilicitude do fato; causa manifesta de exclusão da culpabilidade (exceto a inimputabilidade por
doença mental, seguindo-se o processo nesse caso); o fato narrado evidentemente não constituir crime
(causas excludentes de tipicidade, por exemplo); ou causa extintiva de punibilidade.

I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato

O juiz estará autorizado a julgar antecipadamente a lide penal quando estiver


comprovada a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato, prevista, via de regra, nos
artigos 23, 24 e 25 do Código Penal. Ou seja, para a decretação da absolvição sumária é necessária a
existência de prova que permita ao juiz, desde logo, em cognição sumária, obter plena certeza de que o réu
agiu em legítima defesa, estado de necessidade, estrito cumprimento do dever legal ou exercício regular do
direito.

II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo


inimputabilidade

Trata o dispositivo, por exemplo, das causas de exclusão da culpabilidade


consistente na embriaguez completa acidental (art. 28, §1º, do CP), a falta de potencial consciência da
ilicitude (erro de proibição inevitável, artigo 21 do CP), coação moral irresistível e obediência hierárquica
(art. 22 do CP).

Na hipótese em que a inimputabilidade se encontra comprovada por exame de


insanidade mental, o Código de Processo Penal não autoriza a absolvição imprópria do agente, pois esta
implicará a imposição de medida de segurança, o que poderá ser prejudicial ao réu, já que não lhe será
possível comprovar por outras teses defensivas a sua inocência, sem a imposição de qualquer outra medida
restritiva.

82
PROCESSO PENAL OAB
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III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime

Se o juiz não rejeitar a denúncia e, por conta dos argumentos e provas juntadas
com a resposta escrita, se convencer que o fato narrado não constitui crime, poderá, agora, absolver
sumariamente o réu.

Alguns exemplos:

Ex: Acusado pela prática de crime contra a ordem tributária apresenta documento demonstrando que o
tributo supostamente sonegado ainda não havia sido lançado (Súmula Vinculante nº 2441).
Ex2: erro de tipo essencial invencível.
Ex3: crime impossível.
Ex4: princípio da insignificância
Ex5: fato atípico

IV – extinção da punibilidade do agente

Aqui há uma impropriedade do legislador, pois, nos casos de extinção de


punibilidade, não há análise de mérito, mas causa impeditiva da sua análise. Além disso, o artigo 61 do
CPP permite que o juiz, em qualquer fase do processo, reconheça a extinção da punibilidade, inclusive de
ofício.

De qualquer modo, para fins de resposta escrita, o juiz declara extinta a


punibilidade e absolve o réu, com base no art. 397, inciso IV, do CPP.

V – Produção de provas e rol de testemunhas

Também deve constar pedido expresso de produção de provas, com designação


de audiência de instrução e julgamento e oitiva das testemunhas arroladas

3.7) RECURSOS

A absolvição sumária faz coisa julgada material, resolvendo, pois, definitivamente


o mérito da causa.

Por isso, da decisão que absolve sumariamente o réu com base no artigo 397,
incisos I, II e III, cabe apelação.

41
Súmula vinculante nº 24: “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV,
da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo”.
83
PROCESSO PENAL OAB
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Quanto à decisão que declara a extinção da punibilidade, impropriamente


considerada como hipótese de absolvição sumária, a doutrina é uníssona no sentido de que o recurso cabível
é o recurso em sentido estrito, com base no artigo 581, VIII, do CPP.

Não há recurso cabível contra a decisão que não acolhe o pedido de absolvição
sumária. Nesse caso, assim como na hipótese de recebimento da denúncia ou queixa, a medida cabível é a
impetração de habeas corpus visando ao trancamento da ação penal.

3.8) DICAS

A) Aliado às preliminares e questões de mérito, cumpre ao acusado na resposta escrita oferecer documentos
e justificações, especificar as provas pretendidas, arrolar testemunhas qualificando-as e requerendo sua
intimação, quando necessário.

B) Embora não seja comum neste momento processual, cremos ser possível a desclassificação do delito em
sede de resposta à acusação, como, por exemplo:

a) desclassificação ensejar incompetência absoluta do juízo (arguida em preliminar);

Ex: Denúncia pela prática do delito de moeda falsa (art. 289 CP) perante a Justiça
Federal. Acolhida a tese da falsificação grosseira, alegada na resposta à acusação, haverá desclassificação para
o delito de estelionato (art. 171 do CP), cuja competência é da Justiça Estadual, nos termos da Súmula 73 do
STJ.

b) desclassificação para crime de ação penal pública condicionada à representação ou de ação penal privada,
que, ao final, redundará na decadência e pedido de absolvição sumária, pela extinção da punibilidade (art. 397,
inciso IV)

Ex: Conforme admitido no VIII Exame da OAB, possível postular a desclassificação do


delito, com consequente extinção da punibilidade se desclassificado para crime de ação penal privada, com
prazo decadencial expirado. No caso do VIII Exame, exigiu-se a desclassificação do crime de extorsão (art. 158)
para exercício arbitrário das próprias razões (art. 345), que se trata de crime, via de regra, de ação penal
privada.

84
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

3.9) ESTRUTURA DA RESPOSTA À ACUSAÇÃO

BASE LEGAL:
ART. 396 E 396-A PEDIDO:

a) seja reconhecida a
incompetência do juízo;

b) seja rejeitada a denúncia;

c) nulidades (referir todas as


nulidades enfrentadas na peça);

d) seja o réu absolvido


sumariamente, com base no
artigo 397 (apontar o inciso
correspondente);

e) a produção de provas, com


designação de audiência de
instrução e julgamento e oitiva
das testemunhas arroladas.

NO MÉRITO:
PRAZO: 10 DIAS
- Causa excludente de ilicitude
- Causa excludente de
culpabilidade
- Causa excludente de tipicidade
- Causa excludente de
punibilidade

A) Endereçamento: juiz da causa

B) Preâmbulo: nome e qualificação do acusado (não inventar dados), capacidade postulatória (por seu
procurador infra-assinado), fundamento legal (art. 396 ou 396-A), nome da peça (resposta escrita ou
resposta à acusação), frase final (pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos);

C) corpo da peça (teses defensivas)

D) pedidos: pedidos articulados conforme as teses desenvolvidas. Ex: nulidades, absolvição sumária, com
base no artigo 397 do CPP e, subsidiariamente, a produção de provas, com designação de audiência de
instrução e julgamento e oitiva das testemunhas arroladas.

E) parte final (local, data, advogado e OAB)

F) rol de testemunhas

85
PROCESSO PENAL OAB
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SUGESTÃO ESTRUTURA DA RESPOSTA À ACUSAÇÃO:

A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....VARA CRIMINAL DA COMARCA ......(SE CRIME
DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)

B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ....VARA CRIMINAL DA SECÃO JUDICIÁRIA DE


.......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)42

Processo nº ....

FULANO DE TAL, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com
procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência apresentar RESPOSTA À
ACUSAÇÃO, com base nos artigos 396 e 396-A do Código de Processo Penal, pelos fatos e
fundamentos jurídicos a seguir expostos:

I) DOS FATOS43

II) DO DIREITO

A) DAS PRELIMINARES44

B) DO MÉRITO

* Após identificar e arguir eventuais preliminares contidas no enunciado, deve-se atacar o mérito,
buscando a absolvição sumária do réu, com base no artigo 397 do CPP.

* No mérito, busca-se, invariavelmente, no enunciado causas excludentes do crime: ilicitude,


culpabilidade, tipicidade e, excepcionalmente na resposta à acusação, causas extintivas de punibilidade.

* O VIII exame da OAB também considerou a desclassificação de um crime para outro. Extorsão (art.
158) para Exercício arbitrário das próprias razões (art. 345), com posterior decadência do direito de queixa, pois
desclassificado para crime de ação penal privada.

III) DO PEDIDO45

Ante o exposto, requer o denunciado:

a) seja reconhecida a incompetência do juízo;

b) seja rejeitada a denúncia;

42
Competência da Justiça Federal – Art. 109 CF/88
43
Narrar o fato, fazendo um breve relato. Não inventar dados nem transcrever o enunciado. Relatar o crime pelo qual o réu foi denunciado.
O oferecimento e recebimento da denúncia. Que o réu foi citado
44
As preliminares são questões que envolvem vícios formais processuais e procedimentais. São questões que levam à nulidade do ato
ou do próprio processo. Não guardam nenhuma relação com a absolvição (que trata de matéria de mérito)
45
Deve-se elaborar os pedidos de modo articulado, seguindo-se a ordem das teses desenvolvidas, desde as preliminares
até o mérito.
86
PROCESSO PENAL OAB
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c) nulidades (referir todas as nulidades enfrentadas na peça);

d) Absolvição sumária, com base no artigo 397 (apontar o inciso correspondente);

e) A produção de provas, com designação de audiência de instrução e julgamento e oitiva das


testemunhas arroladas.

Nestes termos,

Pede deferimento.

Local...e data...46

______________________
ADVOGADO...
OAB...

ROL DE TESTEMUNHAS47

A) FULANO DE TAL
B) CICLANO DE TAL

Cuidado: No procedimento crimes de responsabilidade dos funcionários públicos


(art. 514 do CPP) e tráfico ilícito de entorpecentes (art. 55 da Lei 11.343/2006) há previsão de defesa
preliminar (que não se confunde com a resposta escrita do art. 396 do CPP).

A defesa preliminar desses procedimentos especiais visa, em síntese, a convencer


ao juiz a rejeitar a denúncia ou queixa. Ou seja, tem cabimento antes do recebimento da denúncia ou
queixa, e o réu é notificado (e não citado) para apresentá-la.

O equívoco no fundamento legal pode levar a zerar e peça.

46
cuidado com o prazo. A FGV pode pedir para que seja apontado o último dia do prazo
47
colocar somente os nomes e dados fornecidos pela banca. não inventar nada.
87
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

PEÇA PROFISSIONAL XXI EXAME

Gabriela, nascida em 28/04/1990, terminou relacionamento amoroso com Patrick, não mais suportando as
agressões físicas sofridas, sendo expulsa do imóvel em que residia com o companheiro em comunidade
carente na cidade de Fortaleza, Ceará, juntamente com o filho do casal de apenas 02 anos. Sem ter
familiares no Estado e nem outros conhecidos, passou a pernoitar com o filho em igrejas e outros locais de
acesso público, alimentando-se a partir de ajudas recebidas de desconhecidos. Nessa época, Gabriela fez
amizade com Maria, outra mulher em situação de rua que frequentava os mesmos espaços que ela. No dia
24 de dezembro de 2010, não mais aguentando a situação e vendo o filho chorar e ficar doente em razão
da ausência de alimentação, após não conseguir emprego ou ajuda, Gabriela decidiu ingressar em um
grande supermercado da região, onde escondeu na roupa dois pacotes de macarrão, cujo valor totalizava
R$18,00(dezoito reais). Ocorre que a conduta de Gabriela foi percebida pelo fiscal de segurança, que a
abordou no momento em que ela deixava o estabelecimento comercial sem pagar pelos bens, e apreendeu
os dois produtos escondidos. Em sede policial, Gabriela confirmou os fatos, reiterando a ausência de
recursos financeiros e a situação de fome e risco físico de seu filho. Juntado à Folha de Antecedentes
Criminais sem outras anotações, o laudo de avaliação dos bens subtraídos confirmando o valor, e ouvidos
os envolvidos, inclusive o fiscal de segurança e o gerente do supermercado, o auto de prisão em flagrante
e o inquérito policial foram encaminhados ao Ministério Público, que ofereceu denúncia em face de
Gabriela pela prática do crime do Art. 155, caput, c/c Art. 14, inciso II, ambos do Código Penal, além de
ter opinado pela liberdade da acusada. O magistrado em atuação perante o juízo competente, no dia 18 de
janeiro de 2011, recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público, concedeu liberdade provisória à
acusada, deixando de converter o flagrante em preventiva, e determinou que fosse realizada a citação da
denunciada. Contudo, foi concedida a liberdade para Gabriela antes de sua citação e, como ela não tinha
endereço fixo, não foi localizada para ser citada. No ano de 2015, Gabriela consegue um emprego e fica
em melhores condições. Em razão disso, procura um advogado, esclarecendo que nada sabe sobre o
prosseguimento da ação penal a que respondia. Disse, ainda, que Maria, hoje residente na rua X, na época
dos fatos também era moradora de rua e tinha conhecimento de suas dificuldades. Diante disso, em 16 de
março de 2015, segunda-feira, sendo terça-feira dia útil em todo o país, Gabriela e o advogado
compareceram ao cartório, onde são informados que o processo estava em seu regular prosseguimento
desde 2011, sem qualquer suspensão, esperando a localização de Gabriela para citação. Naquele mesmo
momento, Gabriela foi citada, assim como intimada, junto ao seu advogado, para apresentação da medida
cabível. Cabe destacar que a ré, acompanhada de seu patrono, já manifestou desinteresse em aceitar a
proposta de suspensão condicional do processo oferecida pelo Ministério Público. Considerando a situação
narrada, apresente, na qual idade de advogado(a) de Gabriela, a peça jurídica cabível, diferente do habeas
corpus , apresentando todas as teses jurídicas de direito material e processual pertinentes. A peça deverá
ser datada no último dia do prazo. (Valor: 5,00) Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de
Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do
dispositivo legal não confere pontuação.

88
PROCESSO PENAL OAB
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PEÇA PROFISSIONAL XXI EXAME

PEÇA OAB – 2010-02

A Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Sul recebe notícia crime identificada, imputando a Maria Campos
a prática de crime, eis que mandaria crianças brasileiras para o estrangeiro com documentos falsos. Diante
da notícia crime, a autoridade policial instaura inquérito policial e, como primeira providência, representa
pela decretação da interceptação das comunicações telefônicas de Maria Campos, “dada a gravidade dos
fatos noticiados e a notória dificuldade de apurar crime de tráfico de menores para o exterior por outros
meios, pois o ‘modus operandi’ envolve sempre atos ocultos e exige estrutura organizacional sofisticada, o
que indica a existência de uma organização criminosa integrada pela investigada Maria”. O Ministério
Público opina favoravelmente e o juiz defere a medida, limitando-se a adotar, como razão de decidir, “os
fundamentos explicitados na representação policial”.
No curso do monitoramento, foram identificadas pessoas que contratavam os serviços de Maria Campos
para providenciar expedição de passaporte para viabilizar viagens de crianças para o exterior. Foi gravada
conversa telefônica de Maria com um funcionário do setor de passaportes da Polícia Federal, Antônio
Lopes, em que Maria consultava Antônio sobre os passaportes que ela havia solicitado, se já estavam
prontos, e se poderiam ser enviados a ela. A pedido da autoridade policial, o juiz deferiu a interceptação
das linhas telefônicas utilizadas por Antônio Lopes, mas nenhum diálogo relevante foi interceptado.
O juiz, também com prévia representação da autoridade policial e manifestação favorável do Ministério
Público, deferiu a quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados, tendo sido identificado um depósito
de dinheiro em espécie na conta de Antônio, efetuado naquele mesmo ano, no valor de R$ 100.000,00
(cem mil reais). O monitoramento telefônico foi mantido pelo período de quinze dias, após o que foi
deferida medida de busca e apreensão nos endereços de Maria e Antônio. A decisão foi proferida nos
seguintes termos: “diante da gravidade dos fatos e da real possibilidade de serem encontrados objetos
relevantes para investigação, defiro requerimento de busca e apreensão nos endereços de Maria (Rua dos
Casais, 213) e de Antonio (Rua Castro, 170, apartamento 201)”. No endereço de Maria Campos, foi
encontrada apenas uma relação de nomes que, na visão da autoridade policial, seriam clientes que teriam
requerido a expedição de passaportes com os nomes de crianças que teriam viajado para o exterior. No
endereço indicado no mandado de Antônio Lopes, nada foi encontrado. Entretanto, os policiais que
cumpriram a ordem judicial perceberam que o apartamento 202 do mesmo prédio também pertencia ao
investi gado, motivo pelo qual nele ingressaram, encontrando e apreendendo a quantia de cinquenta mil
dólares em espécie. Nenhuma outra diligência foi realizada.
Relatado o inquérito policial, os autos foram remeti dos ao Ministério Público, que ofereceu a denúncia nos
seguintes termos: “o Ministério Público vem oferecer denúncia contra Maria Campos e Antônio Lopes, pelos
fatos a seguir descritos: Maria Campos, com o auxílio do agente da polícia federal Antônio Lopes, expediu
diversos passaportes para crianças e adolescentes, sem observância das formalidades legais. Maria tinha a
finalidade de viabilizar a saída dos menores do país. A partir da quantia de dinheiro apreendida na casa de
Antônio Lopes, bem como o depósito identificado em sua conta bancária, evidente que ele recebia
89
PROCESSO PENAL OAB
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vantagem indevida para efetuar a liberação dos passaportes. Assim agindo, a denunciada Maria Campos
está incursa nas penas do artigo 239, parágrafo único, da Lei n. 8069/90 (Estatuto da Criança e do
Adolescente), e nas penas do artigo 333, parágrafo único, c/c o artigo 69, ambos do Código Penal. Já o
denunciado Antônio Lopes está incurso nas penas do artigo 239, parágrafo único, da Lei n. 8069/90
(Estatuto da Criança e do Adolescente) e nas penas do artigo 317, § 1º, c/c artigo 69, ambos do Código
Penal”.
O juiz da 15ª Vara Criminal de Porto Alegre, RS, recebeu a denúncia, nos seguintes termos: “compulsando
os autos, verifico que há prova indiciária suficiente da ocorrência dos fatos descritos na denúncia e do
envolvimento dos denunciados. Há justa causa para a ação penal, pelo que recebo a denúncia. Citem-se os
réus, na forma da lei”. Antônio foi citado pessoalmente em 27.10.2010 (quarta-feira) e o respectivo
mandado foi acostado aos autos dia 01.11.2010 (segunda-feira). Antônio contratou você como Advogado,
repassando-lhe nomes de pessoas (Carlos de Tal, residente na Rua 1, n. 10, nesta capital; João de Tal,
residente na Rua 4, n. 310, nesta capital; Roberta de Tal, residente na Rua 4, n. 310, nesta capital) que
prestariam relevantes informações para corroborar com sua versão.
Nessa condição, redija a peça processual cabível desenvolvendo TODAS AS TESES DEFENSIVAS que
podem ser extraídas do enunciado com indicação de respectivos dispositivos legais. Apresente a peça no
último dia do prazo.

QUESTÃO 3 – XVII EXAME


Ruth voltava para sua casa falando ao celular, na cidade de Santos, quando foi abordada por Antônio, que
afirmou: “Isso é um assalto! Passa o celular ou verá as consequências!”. Diante da grave ameaça, Ruth
entregou o telefone e o agente fugiu em sua motocicleta em direção à cidade de Mogi das Cruzes,
consumando o crime. Nervosa, Ruth narrou o ocorrido para o genro Thiago, que saiu em seu carro, junto
com um policial militar, à procura de Antônio. Com base na placa da motocicleta anotada por Ruth, Thiago
localizou Antônio, já em Mogi das Cruzes, ainda na posse do celular da vítima e também com uma faca em
sua cintura, tendo o policial efetuado a prisão em flagrante. Em razão dos fatos, Antônio foi denunciado
pela prática do crime previsto no Art. 157, § 2º, inciso I, do Código Penal, perante uma Vara Criminal da
comarca de Mogi das Cruzes, ficando os familiares do réu preocupados, porque todos da região sabem que
o magistrado, em atuação naquela Vara, é extremamente severo. A defesa foi intimada a apresentar
resposta à acusação. Considerando que o flagrante foi regular e que os fatos são verdadeiros, responda,
na qualidade de advogado(a) de Antônio, aos itens a seguir.
A) Que medida processual poderia ser adotada para evitar o julgamento perante a Vara Criminal de Mogi
das Cruzes? Justifique. (Valor: 0,65)
B) No mérito, caso Antônio confesse os fatos durante a instrução, qual argumento de direito material
poderia ser formulado para garantir uma punição mais branda do que a pleiteada na denúncia? Justifique.
(Valor: 0,60)

90
PROCESSO PENAL OAB
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QUESTÃO 3 – XV EXAME
A Receita Federal identificou que Raquel possivelmente sonegou Imposto sobre a Renda, causando
prejuízo ao erário no valor de R$27.000,00 (vinte e sete mil reais). Foi instaurado, então, procedimento
administrativo, não havendo, até o presente momento, lançamento definitivo do crédito tributário. Ao
mesmo tempo, a Receita Federal expediu ofício informando tais fatos ao Ministério Público Federal, que,
considerando a autonomia das instâncias, ofereceu denúncia em face de Raquel pela prática do crime
previsto no Art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90.
Assustada com a ratificação do recebimento da denúncia após a apresentação de resposta à acusação pela
Defensoria Pública, Raquel o procura para, na condição de advogado, tomar as medidas cabíveis.
Diante disso, responda aos itens a seguir.
A) Qual a medida jurídica a ser adotada de imediato para impedir o prosseguimento da ação penal? (Valor:
0,60)
B) Qual a principal tese jurídica a ser apresentada? (Valor: 0,65)
O examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere
pontuação.

QUESTÃO 1 – VIII OAB


Em determinada ação fiscal procedida pela Receita Federal, ficou constatado que Lucile não fez constar
quaisquer rendimentos nas declarações apresentadas pela sua empresa nos anos de 2009, 2010 e 2011,
omitindo operações em documentos e livros exigidos pela lei fiscal. Iniciado processo administrativo de
lançamento, mas antes de seu término, o Ministério Público entendeu por bem oferecer denúncia contra
Lucile pela prática do delito descrito no art. 1º, inciso II da Lei n. 8.137/90, combinado com o art. 71 do
Código Penal. A inicial acusatória foi recebida e a defesa intimada a apresentar resposta à acusação.
Atento(a) ao caso apresentado, bem como à orientação dominante do STF sobre o tema, responda,
fundamentadamente, o que pode ser alegado em favor de Lucile. (Valor: 1,25)

91
PROCESSO PENAL OAB
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FAÇA VOCÊ MESMO!

Para exercitar a peça acima,


consulte o material disponível na
pasta “Exercitando Peças”,
constante no Sistema EAD. O
enunciado correspondente está
na apostila “caderno de peças –
para resolver”, na pág. 31. Já a
resolução consta na apostila
“caderno de peças - padrão de
respostas”, na pág. 36 e
seguintes.
Após realizar a peça, assista à
respectiva aula de estruturação!

92
PROCESSO PENAL OAB
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4) AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO

Em não sendo caso de absolvição sumária, o Magistrado designará audiência de


instrução e julgamento, aonde a produção de prova é concentrada, ou seja, toda prova oral deverá, em
regra, ser produzida em única audiência.

Na audiência de instrução, deve-se respeitar a ordem estabelecida pelo


procedimento legal.

Primeiramente, ouve-se o ofendido; depois, as testemunhas de acusação; após,


as testemunhas de defesa e, por fim, proceder-se-á ao interrogatório do réu. Note-se que, para
viabilizar a ampla defesa, o interrogatório do réu passou a ser o último ato instrutório.

Se a inversão da ordem de inquirição for determinada pelo juiz sem concordância


do réu, gera-se nulidade relativa.

Durante a audiência de instrução e julgamento pode haver, ainda,


esclarecimentos de perito, acareação, reconhecimento de pessoas e coisas.

No procedimento comum ordinário, as partes podem arrolar, sem justificar ou


motivar, até 08 testemunhas cada uma.

Encerrado o interrogatório, passa-se à fase das diligências, passíveis de serem


requeridas pelas partes cuja necessidade ou conveniência se origine de circunstâncias ou de fatos
apurados na instrução.

Ordenada diligência considerada imprescindível, de ofício ou a requerimento da


parte, a audiência será concluída sem as alegações finais. Realizada a diligência determinada, as partes
apresentarão, conforme artigo 404, parágrafo único, do CPP, no prazo sucessivo de cinco dias, suas
alegações finais, por memorial, e, no prazo de 10 dias, o juiz proferirá a sentença. Trata-se, portanto, de
hipótese em que será autorizada a cisão da audiência única.

INVERSÃO ORDEM
INQUIRIÇÃO

POSSÍVEIS NULIDADES AUSÊNCIA CIENTIFICAÇÃO DO DIREITO AO


DURANTE A AUDIÊNCIA DE SILÊNCIO
INSTRUÇÃO E JULGAMENTO
AUSÊNCIA DO DEFENSOR

NÃO VIABILIZAÇÃO DE
93 CONVERSA PRÉVIA E RESERVADA
COM DEFENSOR
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5) MEMORIAIS OU ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS

5.1) INTRODUÇÃO

Declarada encerrada a instrução, passa-se à etapa dos debates orais. Todavia,


sobretudo no contexto da prova da OAB, os debates orais podem ser convertidos em memoriais escritos em,
basicamente, três hipóteses: a) complexidade da causa; b) excessivo número de réus; c) quando na audiência
for ordenada realização de diligência.

5.2) IDENTIFICAÇÃO DA PEÇA

Os memoriais são oferecidos após o encerramento da instrução e antes da sentença.

Encerramento da Instrução--------MEMORIAIS------sentença

PEDIU PRA PARAR

PALAVRA MÁGICA: PEÇA:


ENCERRADA A MEMORIAIS ESCRITOS
INSTRUÇÃO

PAROU!

94
PROCESSO PENAL OAB
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Exemplos de como identificar a peça extraídos de memoriais que já cobrados pela


FGV:

XXIII EXAME

(...) Recebida a denúncia, durante a instrução, foi ouvida Cláudia, que confirmou ter deixado seu notebook
acoplado à tomada, mas que Roberta o subtraíra, somente havendo restituição do bem com a descoberta dos
agentes da lei. Também foram ouvidos os funcionários do curso preparatório, que disseram ter identificado a
autoria a partir das câmeras de segurança. Roberta, em seu interrogatório, confirma os fatos, mas esclarece
que acreditava que o notebook subtraído era seu e, por isso, levara-o para casa. Foi juntada a Folha de
Antecedentes Criminais da ré sem qualquer outra anotação, o laudo de avaliação do bem subtraído, que
constatou seu valor de R$ 3.000,00 (três mil reais), e o CD com as imagens captadas pela câmera de
segurança. O Ministério Público, em sua manifestação derradeira, requereu a condenação da ré nos
termos da denúncia. Você, como advogado(a) de Roberta, é intimado(a) no dia 24 de agosto de
2016, quarta-feira, sendo o dia seguinte útil em todo o país, bem como todos os dias da semana
seguinte, exceto sábado e domingo. Considerando apenas as informações narradas, na condição de
advogado(a) de Roberta, redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as
teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição. (Valor: 5,00)

XX EXAME

(...) Após a juntada da Folha de Antecedentes Criminais do réu, apenas mencionando aquele inquérito, e do
laudo de exame de material, confirmando que, de fato, a substância encontrada no veículo do denunciado era
“cloridrato de cocaína”, os autos foram encaminhados para o Ministério Público, que pugnou pela condenação
do acusado nos exatos termos da denúncia. Em seguida, você, advogado (a) de Astolfo, foi intimado (a) em 06
de março de 2015, uma sexta-feira. Com base nas informações acima expostas e naquelas que podem ser
inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de Habeas Corpus, no último dia do
prazo, sustentando todas as tese s jurídicas pertinentes. (Valor: 5,00)

XVII EXAME

(...) Após, foi juntada a Folha de Antecedentes Criminais de Daniel, que ostentava apenas aquele processo pelo
porte de arma de fogo, que não tivera proferida sentença até o momento, o laudo de avaliação indireta do
automóvel e o vídeo da câmera de segurança da residência. O Ministério Público, em sua manifestação
derradeira, requereu a condenação nos termos da denúncia. A defesa de Daniel é intimada em 17
de julho de 2015, sexta feira.

95
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

XIV EXAME DA OAB

(...) A prova pericial atestou que a menor não era virgem, mas não pôde afirmar que aquele ato sexual foi o
primeiro da vítima, pois a perícia foi realizada longos meses após o ato sexual. O Ministério Público pugnou
pela condenação de Felipe nos termos da denúncia. A defesa de Felipe foi intimada no dia 10 de
abril de 2014 (quinta-feira).

Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima,
redija a peça cabível, no último dia do prazo, excluindo a possibilidade de impetração de Habeas Corpus,
sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5,0)

IX EXAME

(...) Nesse sentido, considere que o magistrado encerrou a audiência e abriu prazo, intimando as
partes, para o oferecimento da peça processual cabível. Como advogado de Gisele, levando em conta
tão somente os dados contidos no enunciado, elabore a peça cabível. (Valor: 5,0)

5.3) BASE LEGAL

Há duas hipóteses de base legal:

Base legal: art. 403, § 3º, CPP OU art. 404, parágrafo único, CPP.

A) Pela complexidade da causa ou número de acusados: Art. 403, § 3º, CPP.

B) Quando for requerido diligências em audiência: Art. 404, parágrafo único, CPP.

5.4) PRAZO

5 dias

Prazo: 05 dias

Defensor Público: prazo em dobro

O prazo processual é disciplinado no artigo 798 do CPP.

96
PROCESSO PENAL OAB
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O prazo começa a correr a partir do 1º dia útil da citação ou intimação. Assim, se a


intimação ocorreu na sexta (dia 05/08), o prazo começará a correr no dia 08/08 (segunda-feira, que será o
primeiro dia útil).

Se o prazo vencer num sábado, domingo, ou feriado, será prorrogado para o 1º dia
útil.

EX: A defesa foi intimada para apresentar memoriais no dia 14.07.2014 (terca-feira),
sendo o prazo de 05 dias. Nesse caso, como o quinto dia do prazo para a apresentação dos memoriais caiu no
dia 19/07/2014 (domingo), prorroga-se para o primeiro dia útil, nos termos do artigo 798, § 3º, do CPP, razão
pela qual o último dia do prazo será 20/07/2014 (segunda-feira).

5.5) CONTEÚDO

Os memoriais podem conter questões preliminares e/ou matérias de mérito.

A) Preliminares:
Como já referido, as questões preliminares são aquelas que não observam aspectos
formais de determinado ato processual, gerando, invariavelmente, nulidade.

Aqui, por questão de organização, recomenda-se que as causas extintivas de


punibilidade, notadamente prescrição, sejam abordadas no campo destinado às preliminares.

B) Mérito:
Conforme já mencionado, nas peças práticas profissionais deverão ser buscadas no
enunciado teses que, ao final, viabilizarão a formulação do correspondente pedido. Ou seja, aborda-se na peça
aquilo que, ao final, poderá ser objeto de pedido.

No caso dos memoriais escritos, as teses de mérito guardam relação com as hipóteses
que ensejam a absolvição, previstas no artigo 386 do CPP.

Considerando que o pedido de absolvição deve observar um dos incisos do artigo 386,
a matéria de mérito nos memoriais (aqui vale para apelação) consistirá, necessariamente, na discussão, acerca
da materialidade, autoria, tipicidade, ilicitude, culpabilidade, além de teses subsidiárias, formando aquilo que
convencionamos representar pela sigla MATICS.

M
MATERIALIDADE (incisos I e II)

A AUTORIA (incisos IV e V)

T TIPICIDADE (inciso III)

I
ILICITUDE (inciso VI)

C CULPABILIDADE (inciso VI)


97
S SUBSIDIARIEDADE
PROCESSO PENAL OAB
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C) SUBSIDIARIEDADE48

Além das preliminares e das questões de mérito, deve-se buscar no enunciado


informações que permitam identificar alguma tese subsidiária. As teses subsidiárias consistem, basicamente,
nas hipóteses em que, uma vez condenado, permitem ao réu ter sua situação amenizada.

Como forma de facilitar a identificação, convencionarmos considerar a ordem


estabelecida no art. 59 do CP. Trata-se de espécie de checklist.

c.1) na quantidade de pena: Art. 59, II: verificar o sistema trifásico (art. 68).

* buscar no enunciado informações para sustentar a pena-base no mínimo legal (afastar, por exemplo, maus
antecedentes);

* Apontar atenuantes (previstas no artigo 65 do CP); afastar agravantes (previstas no artigo 61 e 62 do CP);

* Apontar causas de diminuição de pena (ex: tentativa – art. 14, parágrafo único, do CP); afastar causas de
aumento de pena.

* Afastar qualificadoras

c.2) regime carcerário mais brando: Art. 59, III, do CP

* Verificar o artigo 33 do Código Penal e artigo 2º, § 1º, da Lei 8.072/90 ( O STF declarou inconstitucional esse
dispositivo).

c.3) Substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos: Art. 59, IV, do CP

* Verificar o artigo 44 do CP e artigo 33, § 4º, da Lei 11.343/2006 (ver Resolução nº 05 do Senado).

c.4) Sursis – Art. 77 do CP

c.5) Desclassificação do delito

5.6) PEDIDO

No campo destinado aos pedidos, deve-se formular pedido específico para cada uma
das teses desenvolvidas ao longo da peça.

Ex. Se sustentou a tese da incompetência do juízo, sob o argumento de que o


processo tramita na Justiça Estadual, ao passo que a competência é da Justiça Federal, deve-se, ao final,
formular pedido expresso de que seja declarada a incompetência do Juízo;

Isso vale também para as matérias de mérito e teses subsidiárias.

48
As teses subsidiárias serão estudadas com mais profundidade na aula de Direito Penal, na parte da teoria da pena.
98
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

Se sustentou, por exemplo, princípio da insignificância, deve-se formular pedido


expresso de absolvição, com base no artigo 386, inciso III, do CPP. Se sustentou, subsidiariamente, que o réu
não é reincidente, deve-se, ao final, formular pedido expresso para afastar a reincidência, com a consequente
diminuição da pena...e assim por diante...

O pedido de absolvição tem como base uma das hipóteses do artigo 386 do CPP.

! ATENÇÃO

MEMORIAIS DO PROCEDIMENTO COMUM

PEDIDO DE ABSOLVIÇÃO É COM


BASE NO ARTIGO 386 CPP

Na resposta à acusação (art. 396-A), o pedido é de absolvição sumária, com base no artigo 397 do CPP.
Nos memoriais do procedimento do júri, o pedido é de absolvição sumária terá por base o artigo 415
do CPP.

A sentença absolutória é aquela que julga improcedente a acusação, valendo-se


de um dos fundamentos mencionados no artigo 386 do CPP:

A) Estar provada a inexistência do fato – artigo 386, inciso I, do CPP.

Nesse caso, há prova robusta da inexistência da materialidade do delito. Ou seja,


não se trata de mera insuficiência de prova, pois restou categoricamente demonstrado que o fato não
existiu.

Ex: Vítima de estupro que admite, em juízo, não ter havido o constrangimento,
tendo imputado o delito ao réu somente para prejudicá-lo.

Ex2: vítima de furto que afirma ter encontrado os objetos, que, na verdade,
estavam perdidos.

B) Não haver prova da existência do fato – artigo 386, inciso II, do CPP.

99
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

Nesse caso, incide a dúvida acerca da existência ou não do fato criminoso. Ou


seja, o fato até pode ter ocorrido, mas a acusação não logrou comprovar a sua existência ou
materialidade.

Ex: quando não foi realizado auto de exame de corpo de delito em crime que
deixa vestígio. Agente denunciado por lesão corporal grave. Não foi realizado auto de exame de corpo
delito direto ou indireto. Nesse caso, não há prova da materialidade do delito, razão pela qual deve o
agente ser absolvido, com base no artigo 386, II, do Código Penal.

C) Não constituir o fato infração penal – artigo 386, inciso III, do CPP.

Nessa hipótese, a instrução revelou causas de exclusão de uma ou algumas


elementares do delito relatado na denúncia. Trata-se, pois, de hipótese de reconhecimento de uma das
causas excludentes da tipicidade do fato descrito na denúncia.

Ex: Sujeito denunciado por ter praticado conjunção carnal com menina de 13
anos de idade. Durante a instrução, comprova-se que a relação sexual ocorreu quando a suposta vítima já
havia completado 14 anos. Nesse caso, há exclusão do crime de estupro de vulnerável, previsto no art.
217-A.

Ex: princípio da insignificância.

D) Estar provado que o réu não concorreu para a infração penal – artigo 386, inciso IV, do
CPP.

Nesse caso, restou caracterizada a existência do delito. Todavia, restou


comprovado que o delito foi praticado por outras pessoas.

Ex: vítima reconhece o réu por fotografia como sendo o autor do roubo ocorrido
na Avenida Tenente Coronel Brito em Santa Cruz do Sul, no dia 05 de novembro de 2012, por volta das
22h. o réu consegue comprovar não ter sido o autor do delito, porque, na referida data e horário, estava
em São Luiz Gonzaga, distante 400km, visitando a família.

E) Não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal – artigo 386, inciso V, do
CPP.

O fato ocorreu. Todavia, não há comprovação segura no sentido de que o réu


contribuiu para a empreitada delituosa. Aqui a dúvida deve militar em favor do réu.

Considere o fato de a autoria ter sido apontada por meio de prova ilícita (Ex:
interceptação telefônica sem autorização judicial), uma vez alegada a ilicitude da prova e o seu
consequente desentranhamento dos autos, nada restará para apontar a autoria do delito.

100
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

F) Existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. 20, 21, 22,
23, 26 e § 1o do art. 28, todos do código penal), ou mesmo se houver fundada dúvida sobre
sua existência – artigo 386, inciso VI, do CPP.

* Absolvição com base nas circunstâncias que excluam o crime: trata-se de causas excludentes de
ilicitude, previstas nos artigos 23, 24 e 25 do CP, consistentes na legítima defesa, estado de necessidade,
exercício regular do direito e estrito cumprimento do dever legal.

* Absolvição com base nas causas que isentem o réu de pena: trata-se das causas excludentes de
culpabilidade previstas no artigo 21 (erro de proibição inevitável), 22 (coação moral irresistível e
obediência hierárquica à ordem não manifestamente ilegal), 26, “caput” (inimputabilidade por doença
mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado), e 28, § 1º (embriaguez acidental completa),
todos do Código Penal.

Na hipótese de absolvição com base na inimputabilidade decorrente de doença


mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, o juiz aplicará medida de segurança
consistente em internação ou tratamento ambulatorial (art. 386, parágrafo único, III, do CPP). Por se
tratar de sentença absolutória na qual se aplica uma espécie de sanção penal, chama-se de sentença
absolutória imprópria.

G) Não existir prova suficiente para a condenação

Constitui fórmula genérica a ser utilizada quando não for possível a aplicação dos
dispositivos anteriores.

101
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

* ESTRUTURA DOS MEMORIAIS

BASE LEGAL:
PRAZO: 05 DIAS MEMORIAIS Art. 403, §3º, CPP
OU
Art. 404, parágrafo único,
CPP

1.PRELIMINARES 2. MÉRITO 3. SUBSIDIARIAMENTE 4. PEDIDO


Art. 59 do CP

* Mesmas da resposta à *Materialidade *Quantificação da pena; Todas as teses


acusação + nulidades da *Regime inicial
audiência
*Autoria alegadas
carcerário;
*Tipicidade
* Nulidades do ato e do
processo (art. 564 do CPP)
* Extinção da punibilidade
*Ilicitude
*Substituição da PPL por
PRD;
+
*Culpabilidade *Sursis da pena (se não
* Prescrição da pretensão
punitiva em abstrato. *Subsidiariedade cabível PRD). Absolvição
art. 386, CPP

A) Endereçamento: juiz da causa


B) Preâmbulo: nome e qualificação do acusado (não inventar dados), capacidade postulatória (por seu
procurador infra-assinado), fundamento legal (art. 403, § 3º ou 404, parágrafo único, do CPP), nome da
peça (Memoriais escritos), frase final (pelas fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos);
C) corpo da peça (teses defensivas)
D) pedidos:
1) Nulidades (acompanhar a ordem das preliminares)
2) Extinção da punibilidade. Ex: seja declarada extinta a punibilidade pela prescrição, com base no artigo 107,
inciso IV, do Código Penal.
3) absolvição, com base no artigo 386 do Código de Processo Penal.
4) diminuição da pena, regime carcerário, etc
E) parte final (local, data, advogado e OAB)

102
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

ESTRUTURA DOS MEMORIAIS:

A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....VARA CRIMINAL DA COMARCA ......(SE CRIME
DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)

B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ....VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE


......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)49

Processo nº ...

FULANO DE TAL, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com
procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência apresentar MEMORIAIS, com
base no artigo 403, § 3º, do Código de Processo Penal (se complexidade da causa ou número de
réus), ou 404, parágrafo único, do Código de Processo Penal (se deferida realização de diligências
em audiência), pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos:

I) DOS FATOS50

II) DO DIREITO

A) DAS PRELIMINARES51

B) DO MÉRITO52

* No mérito, busca-se afastar a materialidade e a autoria, bem como arguir uma das
causas excludentes do crime: exclusão da tipicidade, ilicitude e culpabilidade, além das teses subsidiárias,
representada pela sigla MATICS.

Materialidade

Autoria

Tipicidade

Ilicitude

Culpabilidade

Subsidiariedade

49
Competência da Justiça Federal – art. 109 da CF/88.
50
Narrar o fato, fazendo um breve relato. Não inventar dados nem simplesmente transcrever o enunciado.* Relatar o crime
pelo qual o réu foi denunciado. O oferecimento e recebimento da denúncia. Que o réu foi citado. Apresentou resposta
escrita. Audiência de instrução. Inquirição testemunhas
51
As preliminares são questões que envolvem vícios formais processuais e procedimentais. São questões que levam à
nulidade do ato (e dos que dele derivarem) ou do próprio processo. Não guardam nenhuma relação com a absolvição, que
seria matéria de mérito.
Embora não sejam tecnicamente questões preliminares, pois não anulam o processo, recomenda-se que as causas extintivas
de punibilidade sejam arguidas antes das matérias de mérito.
52
No mérito, busca-se afastar a materialidade e autoria do delito, bem como arguir uma das causas excludentes do crime:
exclusão da tipicidade, ilicitude e culpabilidade.
103
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

C) SUBSIDIARIEDADE53

III) DO PEDIDO54

Ante o exposto, requer o denunciado:

a) preliminares

b) nulidades (referir todas as nulidades enfrentadas na peça);

c) absolvição, com base no artigo 386 do CPP (apontar o inciso correspondente);

d) diminuição da pena (pena-base no mínimo legal, reconhecimento de atenuante e/ou causa de diminuição da
pena, afastar agravante e/ou causa de aumento de pena);

e) regime carcerário;

f) substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos,

g) “sursis” (se não cabível a restritiva de direitos),

Local... e data...55

ADVOGADO...

OAB...

PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL XXIII EXAME OAB

No dia 23 de fevereiro de 2016, Roberta, 20 anos, encontrava-se em um curso preparatório para concurso na
cidade de Manaus/AM. Ao final da aula, resolveu ir comprar um café na cantina do local, tendo deixado seu
notebook carregando na tomada. Ao retornar, retirou um notebook da tomada e foi para sua residência. Ao
chegar em casa, foi informada de que foi realizado registro de ocorrência na Delegacia em seu desfavor, tendo
em vista que as câmeras de segurança da sala de aula captaram o momento em que subtraiu o notebook de

53
Dica: para facilitar a identificação dos dos pedidos voltados a melhorar a situação do réu, sugere-se seguir a sequência dos incisos do
art. 59 do CP.
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias
e conseqüências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e
prevenção do crime:
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos [buscar atenuantes (arts. 65 e 66 CP) e causas de diminuição da pena -
tentativa, por exemplo, art. 14, II CP); b) afastar agravantes e causas de aumento da pena e qualificadoras];
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade (art. 33 CP);
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível (art. 44 CP).
ART. 77 CP (SURSIS)
54
Deve-se elaborar os pedidos de modo articulado, seguindo-se a ordem das teses desenvolvidas, desde as preliminares
até o mérito e teses subsidiárias envolvendo o apenamento.
55
cuidado com o prazo. A FGV pode pedir para que seja apontado o último dia do prazo
104
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

Cláudia, sua colega de classe, que havia colocado seu computador para carregar em substituição ao de
Roberta, o qual estava ao lado.

No dia seguinte, antes mesmo de qualquer busca e apreensão do bem ou atitude da autoridade policial,
Roberta restituiu a coisa subtraída. As imagens da câmera de segurança foram encaminhadas ao Ministério
Público, que denunciou Roberta pela prática do crime de furto simples, tipificado no Art. 155, caput, do Código
Penal. O Ministério Público deixou de oferecer proposta de suspensão condicional do processo, destacando que
o delito de furto não é de menor potencial ofensivo, não se sujeitando à aplicação da Lei nº 9.099/95, tendo a
defesa se insurgido.

Recebida a denúncia, durante a instrução, foi ouvida Cláudia, que confirmou ter deixado seu notebook acoplado
à tomada, mas que Roberta o subtraíra, somente havendo restituição do bem com a descoberta dos agentes da
lei. Também foram ouvidos os funcionários do curso preparatório, que disseram ter identificado a autoria a
partir das câmeras de segurança. Roberta, em seu interrogatório, confirma os fatos, mas esclarece que
acreditava que o notebook subtraído era seu e, por isso, levara-o para casa. Foi juntada a Folha de
Antecedentes Criminais da ré sem qualquer outra anotação, o laudo de avaliação do bem subtraído, que
constatou seu valor de R$ 3.000,00 (três mil reais), e o CD com as imagens captadas pela câmera de
segurança. O Ministério Público, em sua manifestação derradeira, requereu a condenação da ré nos termos da
denúncia.

Você, como advogado(a) de Roberta, é intimado(a) no dia 24 de agosto de 2016, quarta-feira, sendo o dia
seguinte útil em todo o país, bem como todos os dias da semana seguinte, exceto sábado e domingo.

Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Roberta, redija a peça jurídica
cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser
datada no último dia do prazo para interposição. (Valor: 5,00)

Obs.: O examinando deve indicar todos os fundamentos e dispositivos legais cabíveis. A mera citação do
dispositivo legal não confere pontuação.

PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL XX EXAME OAB

Astolfo, nascido em 15 de março de 1940, sem qualquer envolvimento pretérito com o aparato judicial, no dia
22 de março de 2014, estava em sua casa, um barraco na comunidade conhecida como Favela da Zebra,
localizada em Goiânia/GO, quando foi visitado pelo chefe do tráfico da comunidade, conhecido pelo vulgo de
Russo. Russo, que estava armado, exigiu que Astolfo transportasse 50 g de cocaína para outro traficante, que o
aguardaria em um Posto de Gasolina, sob pena de Astolfo ser expulso de sua residência e não mais poder
morar na Favela da Zebra. Astolfo, então, se viu obrigado a aceitar a determinação, mas quando estava em seu
automóvel, na direção do Posto de Gasolina, foi abordado por policiais militares, sendo a droga encontrada e
apreendida. Astolfo foi denunciado perante o juízo competente pela prática do crime previsto no Art. 33, caput,
da Lei nº 11.343/06. Em que pese tenha sido preso em flagrante, foi concedida liberdade provisória ao agente,
105
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

respondendo ele ao processo em liberdade. Durante a audiência de instrução e julgamento, após serem
observadas todas as formalidades legais, os policiais militares responsáveis pela prisão em flagrante do réu
confirmaram os fatos narrados na denúncia, além de destacarem que, de fato, o acusado apresentou a ver são
de que transportava as drogas por exigência de Russo. Asseguraram que não conheciam o acusado antes da
data dos fatos. Astolfo, em seu interrogatório, realizado como último ato da instrução por requerimento
expresso da defesa do réu, também confirmou que fazia o transporte da droga, mas alegou que somente agiu
dessa forma porque foi obrigado pelo chefe do tráfico local a adotar tal conduta, ainda destacando que residia
há mais de 50 anos na comunidade da Favela da Zebra e que, se fosse de lá expulso, não teria outro lugar para
morar, pois sequer possuía familiares e amigos fora do local. Disse que nunca respondeu a nenhum outro
processo, apesar já ter sido indiciado nos autos de um inquérito policial pela suposta prática de um crime de
falsificação de documento particular. Após a juntada da Folha de Antecedentes Criminais do réu, apenas
mencionando aquele inquérito, e do laudo de exame de material, confirmando que, de fato, a substância
encontrada no veículo do denunciado era “cloridrato de cocaína”, os autos foram encaminhados para o
Ministério Público, que pugnou pela condenação do acusado nos exatos termos da denúncia. Em seguida, você,
advogado (a) de Astolfo, foi intimado (a) em 06 de março de 2015, uma sexta-feira. Com base nas informações
acima expostas e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluída a
possibilidade de Habeas Corpus, no último dia do prazo, sustentando todas as tese s jurídicas pertinentes.
(Valor: 5,00)

Obs.: O examinando deve indicar todos os fundamentos e dispositivos legais cabíveis. A mera citação do
dispositivo legal não confere pontuação.

PEÇA PRÁTICO-PROFFISIONAL DO XX EXAME DA OAB – REAPLICADA EM PORTO VELHO/RO

Bruno Silva, nascido em 10 de janeiro de 1997, enquanto adolescente, aos 16 anos, respondeu perante a Vara
da Infância e Juventude pela prática de ato infracional análogo ao crime de tráfico, sendo julgada procedente a
ação socioeducativa e aplicada a medida de semiliberdade. No dia 10 de janeiro de 2015, na cidade de Belo
Horizonte, Minas Gerais, Bruno se encontrava no interior de um ônibus, quando encontrou um relógio caído ao
lado do banco em que estava sentado. Estando o ônibus vazio, Bruno aproveitou para pegar o relógio e colocá-
lo dentro de sua mochila, não informando o ocorrido ao motorista. Mais adiante, porém, 15 minutos após esse
fato, o proprietário do relógio, Bernardo, já na companhia de um policial, ingressou no coletivo procurando pelo
seu pertence, que havia sido comprado apenas duas semanas antes por R$ 100,00 (cem reais). Verificando que
Bruno estava sentado no banco por ele antes utilizado, revistou sua mochila e encontrou o relógio. Bernardo
narrou ao motorista de ônibus o ocorrido, admitindo que Bruno não estava no coletivo quando ele o deixou.
Diante de tais fatos, Bruno foi denunciado perante o juízo competente pela prática do crime de furto simples,
na forma do Art. 155, caput, do Código Penal. A denúncia foi recebida e foi formulada pelo Ministério Público a
proposta de suspensão condicional do processo, não sendo aceita pelo acusado, que respondeu ao processo em
liberdade. No curso da instrução, o policial que efetivou a prisão do acusado, Bernardo, o motorista do ônibus e

106
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

Bruno foram ouvidos e todos confirmaram os fatos acima narrados. Com a juntada do laudo de avaliação do
bem arrecadado, confirmando o valor de R$ 100,00 (cem reais), os autos foram encaminhados ao Ministério
Público, que se manifestou pela procedência do pedido nos termos da denúncia, pleiteando reconhecimento de
maus antecedentes, em razão da medida socioeducativa antes aplicada.

Você, advogado(a) de Bruno, foi intimado(a), em 23 de março de 2015, segunda-feira, sendo o dia
subsequente útil. Com base nas informações acima expostas e naquelas que podem ser inferidas do caso
concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de Habeas Corpus, no último dia do prazo, sustentando
todas as tese s jurídicas pertinentes. (Valor: 5,00 pontos)

Obs.: O examinando deve indicar todos os fundamentos e dispositivos legais cabíveis.

A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação

PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL XIV EXAME OAB

Felipe, com 18 anos de idade, em um bar com outros amigos, conheceu Ana, linda jovem, por quem se
encantou. Após um bate-papo informal e trocarem beijos, decidiram ir para um local mais reservado. Nesse
local trocaram carícias, e Ana, de forma voluntária, praticou sexo oral e vaginal com Felipe. Depois da noite
juntos, ambos foram para suas residências, tendo antes trocado telefones e contatos nas redes sociais. No dia
seguinte, Felipe, ao acessar a página de Ana na rede social, descobre que, apesar da aparência adulta, esta
possui apenas 13 (treze) anos de idade, tendo Felipe ficado em choque com essa constatação. O seu medo foi
corroborado com a chegada da notícia, em sua residência, da denúncia movida por parte do Ministério Público
Estadual, pois o pai de Ana, ao descobrir o ocorrido, procurou a autoridade policial, narrando o fato. Por Ana
ser inimputável e contar, à época dos fatos, com 13 (treze) anos de idade, o Ministério Público Estadual
denunciou Felipe pela prática de dois crimes de estupro de vulnerável, previsto no artigo 217- A, na forma do
artigo 69, ambos do Código Penal. O Parquet requereu o início de cumprimento de pena no regime fechado,
com base no artigo 2º, §1º, da lei 8.072/90, e o reconhecimento da agravante da embriaguez preordenada,
prevista no artigo 61, II, alínea “l”, do CP. O processo teve início e prosseguimento na XX Vara Criminal da
cidade de Vitória, no Estado do Espírito Santo, local de residência do réu. Felipe, por ser réu primário, ter bons
antecedentes e residência fixa, respondeu ao processo em liberdade. Na audiência de instrução e julgamento, a
vítima afirmou que aquela foi a sua primeira noite, mas que tinha o hábito de fugir de casa com as amigas para
frequentar bares de adultos. As testemunhas de acusação afirmaram que não viram os fatos e que não sabiam
das fugas de Ana para sair com as amigas. As testemunhas de defesa, amigos de Felipe, disseram que o
comportamento e a vestimenta da Ana eram incompatíveis com uma menina de 13 (treze) anos e que qualquer
pessoa acreditaria ser uma pessoa maior de 14 (quatorze) anos, e que Felipe não estava embriagado quando
conheceu Ana. O réu, em seu interrogatório, disse que se interessou por Ana, por ser muito bonita e por estar
bem vestida. Disse que não perguntou a sua idade, pois acreditou que no local somente pudessem frequentar
pessoas maiores de 18 (dezoito) anos. Corroborou que praticaram o sexo oral e vaginal na mesma
oportunidade, de forma espontânea e voluntária por ambos. A prova pericial atestou que a menor não era
107
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

virgem, mas não pôde afirmar que aquele ato sexual foi o primeiro da vítima, pois a perícia foi realizada longos
meses após o ato sexual. O Ministério Público pugnou pela condenação de Felipe nos termos da denúncia.
A defesa de Felipe foi intimada no dia 10 de abril de 2014 (quinta-feira).
Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima,
redija a peça cabível, no último dia do prazo, excluindo a possibilidade de impetração de Habeas Corpus,
sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes.

PEÇA PROFISSIONAL - IX EXAME OAB –

Gisele foi denunciada, com recebimento ocorrido em 31/10/2010, pela prática do delito de lesão corporal leve,
com a presença da circunstância agravante, de ter o crime sido cometido contra mulher grávida. Isso porque,
segundo narrou a inicial acusatória, Gisele, no dia 01/04/2009, então com 19 anos, objetivando provocar lesão
corporal leve em Amanda, deu um chute nas costas de Carolina, por confundi-la com aquela, ocasião em que
Carolina (que estava grávida) caiu de joelhos no chão, lesionando-se. A vítima, muito atordoada com o
acontecido, ficou por um tempo sem saber o que fazer, mas foi convencida por Amanda (sua amiga e pessoa a
quem Gisele realmente queria lesionar) a noticiar o fato na delegacia. Sendo assim, tão logo voltou de um
intercâmbio, mais precisamente no dia 18/10/2009, Carolina compareceu à delegacia e noticiou o fato,
representando contra Gisele. Por orientação do delegado, Carolina foi instruída a fazer exame de corpo de
delito, o que não ocorreu, porque os ferimentos, muito leves, já haviam sarado. O Ministério Público, na
denúncia, arrolou Amanda como testemunha. Em seu depoimento, feito em sede judicial, Amanda disse que
não viu Gisele bater em Carolina e nem viu os ferimentos, mas disse que poderia afirmar com convicção que os
fatos noticiados realmente ocorreram, pois estava na casa da vítima quando esta chegou chorando muito e
narrando a história. Não foi ouvida mais nenhuma testemunha e Gisele, em seu interrogatório, exerceu o direito
ao silêncio. Cumpre destacar que a primeira e única audiência ocorreu apenas em 20/03/2012, mas que,
anteriormente, três outras audiências foram marcadas; apenas não se realizaram porque, na primeira, o
magistrado não pôde comparecer, na segunda o Ministério Público não compareceu e a terceira não se realizou
porque, no dia marcado, foi dado ponto facultativo pelo governador do Estado, razão pela qual todas as
audiências foram redesignadas. Assim, somente na quarta data agendada é que a audiência efetivamente
aconteceu. Também merece destaque o fato de que na referida audiência o parquet não ofereceu proposta de
suspensão condicional do processo, pois, conforme documentos comprobatórios juntados aos autos, em
30/03/2009, Gisele, em processo criminal onde se apuravam outros fatos, aceitou o benefício proposto. Assim,
segundo o promotor de justiça, afigurava-se impossível formulação de nova proposta de suspensão condicional
do processo, ou de qualquer outro benefício anterior não destacado, e, além disso, tal dado deveria figurar na
condenação ora pleiteada para Gisele como outra circunstância agravante, qual seja, reincidência. Nesse
sentido, considere que o magistrado encerrou a audiência e abriu prazo, intimando as partes, para o
oferecimento da peça processual cabível.

108
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

Como advogado de Gisele, levando em conta tão somente os dados contidos no enunciado, elabore a peça
cabível. (Valor: 5,0)

FAÇA VOCÊ MESMO!

Para exercitar a peça acima,


consulte o material disponível na
pasta “Exercitando Peças”,
constante no Sistema EAD. Os
enunciados correspondentes
estão na apostila “caderno de
peças – para resolver”, nas págs.
03, 24 e 45. Já as resoluções
constam na apostila “caderno de
peças - padrão de respostas”,
nas págs. 04, 28 e 53 e
seguintes. Após realizar a peça,
assista à respectiva aula de
estruturação!

109
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

6) EMENDATIO LIBELLI E MUTATIO LIBELLI - PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO E PRINCÍPIO


DA CONSUBSTANCIAÇÃO

No processo penal, o réu se defende dos fatos, sendo secundário a classificação


jurídica constante na denúncia ou queixa.

Segundo o princípio da correlação, a sentença está limitada apenas à narrativa


feita na peça inaugural, pouco importando a tipificação legal dada pelo acusador.

O princípio da correlação está regulamentado nos arts. 383 e 384 do CPP, que
dispõem, respectivamente, dos institutos da emendatio libelli e mutatio libelli.

Na verdade, o estudo desses institutos está intimamente relacionado a dois


princípios básicos em matéria de sentença penal: primeiro, o princípio da consubstanciação, segundo o
qual o réu defende-se dos fatos descritos na denúncia ou na queixa-crime e não da capitulação; e,
segundo, o princípio da correlação da sentença, traduzindo-se este como a necessidade de amoldar a
sentença aos fatos descritos na inicial acusatória. (AVENA, 2013, p. 1089).

6.1) EMENDATIO LIBELLI – Art. 383

Ao oferecer a denúncia ou queixa, o acusador deve descrever o fato criminoso e,


após, conferir a ele a respectiva classificação jurídica. O réu, como visto, defende-se dos fatos relatados e
não da classificação dada.

Nessa hipótese, pode ocorrer de o juiz considerar inadequada a classificação


jurídica atribuída ao fato narrado na inicial acusatória.

O fato delituoso descrito na peça acusatória continua sendo rigorosamente o


mesmo, cabendo ao juiz corrigir a classificação atribuída pelo Ministério Público ou querelante ao fato
descrito.

Desse modo, sem que tenha surgido ao longo da instrução nenhum


elemento novo ou circunstância capaz de modificar a descrição do fato contido na denúncia ou
queixa, o juiz poderá dar aos eventos delituosos descritos explícita ou implicitamente na denúncia ou
queixa a classificação jurídica que considerar correta, ainda que, em consequência, venha a aplicar pena
mais grave, sem necessidade de prévia vista à defesa, a qual não poderá alegar surpresa, uma vez que
não se defendia da classificação legal, mas da descrição fática da infração penal.

Ex: A denúncia narra que fulano subtraiu, mediante o emprego de fraude para
diminuir ou burlar a vigilância da vítima sobre o objeto subtraído, classificando, no entanto, tal conduta
como sendo estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal, deixando de propor a suspensão
condicional do processo pelo fato de o agente ter sido condenado pela prática de outro crime. No caso,
deve o Juiz dar definição jurídica diversa à atribuída pelo Ministério Público, condenando o acusado pela
prática do crime de furto qualificado pelo emprego de fraude (art. 155, § 4º, inciso II, do CP), sem ofensa
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ao contraditório ou ampla defesa, nem tampouco do princípio da correlação entre acusação ou sentença,
já que o acusado se defendia do fato de ter subtraído objeto mediante fraude, conforme narrado na
denúncia.

a) Nova definição jurídica do fato e suspensão condicional do processo Art. 383, § 1º

Se a nova definição jurídica do fato é viável, inclusive para a aplicação de pena


mais grave, naturalmente, o mesmo se dá para a aplicação de benefícios anteriormente não concedidos
por falta de condições.

Se o crime inicialmente imputado previa pena mínima superior a um ano, não se


podia utilizar o instituto da suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/95).

Porém, vislumbrando a possibilidade de que isto se concretize, cabe ao


magistrado, em decisão fundamentada, determinar a abertura de vista ao Ministério Público, a fim de que
possa oferecer proposta, se for o caso.

Ex: A denúncia narra que fulano empurrou a vítima e arrebatou-lhe a corrente


do pescoço, classificando tal conduta como roubo (art. 157 do CP). Após o encerramento da instrução, o
Magistrado se convence de que o fato descrito na denúncia não constitui violência ou grave ameaça,
interpretando a conduta descrita na inicial acusatória como sendo furto simples (art. 155 do CP). No
momento do oferecimento da denúncia, não era cabível a proposta de suspensão condicional do processo,
uma vez que a pena mínima do crime de roubo é de 04 anos. Ao final de instrução, considerando-se a
hipótese de furto simples, cuja pena mínima é de 01 ano, passou-se a aventar a possibilidade de
suspensão condicional do processo.

Assim, nesse caso, ao receber os autos conclusos para sentença, vislumbrando


hipótese de definição jurídica diversa da contida na exordial, que, por sua vez, poderá ensejar a suspensão
condicional do processo, o Magistrado deverá operar a desclassificação do delito, limitando-se
exclusivamente à correta tipificação da conduta, sem emitir, portanto, qualquer juízo de valor acerca do
mérito (condenação ou absolvição). Em seguida, deverá determinar vista dos autos ao Ministério Público
para que se manifeste acerca da possibilidade da proposta da suspensão condicional do processo.

Se o juiz proferir sentença condenatória pelo delito de furto, pode-se, em sede


de preliminar de apelação, arguir a nulidade da sentença, pela inobservância do procedimento do artigo
383, § 1º, do CP.

b) Desclassificação – Art. 383, § 2º

Se o juiz, ao sentenciar, por exemplo, verificar que o fato descrito, em verdade,


equivale a uma tentativa de homicídio e não a uma lesão corporal gravíssima, deve remeter o caso à Vara
Privativa do Júri.

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O mesmo ocorrerá se observar tratar-se de crime de órbita federal, determinando


a remessa dos autos à Vara da Seção Federal da sua Região.

Nesse caso, caberá ao juiz, motivadamente, realizar a desclassificação, sem,


contudo, emitir juízo de valor acerca do mérito (condenação ou absolvição), devendo, pois, limitar-se à
tipificação do delito, encaminhando, após, os autos ao juízo competente.

Ex: A denúncia narra que determinado funcionário público aceitou promessa de vantagem indevida
para retardar ato de ofício, capitulando a conduta como sendo de corrupção passiva, prevista no artigo 317
do CP. Após o encerramento da instrução, o Magistrado considera ter ocorrido, em tese, o delito de
corrupção passiva privilegiada, previsto no artigo 317,§ 2º, do CP, cuja pena varia de 03 meses a 01 ano,
sendo, pois, crime de menor potencial ofensivo, devendo, diante disso, sem emitir qualquer juízo de valor
acerca do mérito, remeter o processo ao Juizado Especial Criminal.

QUESTÃO 4 – 2010/01
Jânio foi denunciado pela prática de roubo tentado (Código Penal, art. 157, caput, c/c art. 14, II), cometido em
dezembro de 2009, tendo sido demonstrado, durante a instrução processual, que o réu praticara, de fato, delito
de dano (Código Penal, art. 163, caput).
Considerando essa situação hipotética, responda, de forma fundamentada, às seguintes indagações.
a) Em face da nova definição jurídica do fato, que procedimento deve ser adotado pelo juiz?
b) Caso a nova capitulação jurídica do fato fosse verificada apenas em segunda instância, seria possível a
aplicação do instituto da emendatio libelli?

5.2) MUTATIO LIBELLI – Art. 384

Aqui não ocorre simples emenda na acusação, mediante correção na tipificação


legal, mas verdadeira mudança, com alteração na narrativa acusatória. Assim, a mutatio libelli implica o
surgimento de uma prova nova, desconhecida ao tempo do oferecimento da ação penal, levando a uma
readequação dos episódios delituosos relatados na denúncia ou queixa.

Ex1: Um sujeito é denunciado pelo crime de furto. Ao longo da instrução, uma


testemunha afirma ter visto o réu apontando uma arma, circunstância que não estava descrita na
denúncia. O juiz não poderá condenar o réu pelo delito de roubo. Deverá dar vista dos autos ao Ministério
Público, para aditamento da denúncia e inclusão da circunstância da arma, abrindo-se, após, oportunidade
à defesa se pronunciar, procedendo-se, se for o caso, à instrução, mediante a oitiva de até 03
testemunhas, para, somente agora, o juiz proferir sentença.

a) Procedimento da mutatio libelli

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Considerando a hipótese de mutatio libelli, cumpre ao juiz abrir vista dos autos
ao Ministério Público para o aditamento da denúncia, no prazo de 05 dias, concedendo-se, após, vista dos
autos ao defensor para se manifestar também no prazo de 05 dias (art. 384, § 2º).

Em sendo admitido o aditamento da denúncia, o Magistrado designará nova


audiência para inquirição de testemunhas, novo interrogatório, debates e julgamento. Nos termos do
artigo 384, § 4º, do CPP, na hipótese de aditamento, cada parte poderá arrolar até três testemunhas.

Conforme o artigo 384, § 4º, ao sentenciar o feito, o juiz ficará adstrito aos
termos do aditamento recebido, ou seja, não poderá condenar o réu além dos limites do aditamento.

b) Exclusividade dos crimes de ação pública

Veda a lei que o juiz tome qualquer iniciativa para o aditamento da queixa, em
ação exclusivamente privada, pois a iniciativa é sempre da parte ofendida, além de não viger, nesse caso,
o princípio da obrigatoriedade da ação penal, cujo controle é de ser feito tanto pelo promotor, quanto pelo
magistrado.

Ao contrário, regendo a ação privada exclusiva o princípio da oportunidade, não


cabe qualquer iniciativa nesse sentido pelo órgão acusador. Aliás, se o querelante, por sua própria ação,
desejar aditar a queixa, em ação privada exclusiva, deve levar em conta o prazo decadencial de seis
meses.

c) Impossibilidade de aplicação da mutatio libelli em grau recursal

A mutatio libelli se aplica somente em 1ª instância, não sendo possível aplicar tal
procedimento em 2ª instância (Tribunal de Justiça). É o que diz a Súmula 453 do STF.

Súmula 453 STF: “Não se aplicam à segunda instância o Art. 384 e parágrafo único
do Código de Processo Penal, que possibilitam dar nova definição jurídica ao fato
delituoso, em virtude de circunstância elementar não contida, explícita ou
implicitamente, na denúncia ou queixa.”

QUESTÃO 1 – XX EXAME PROVA REAPLICADA EM PORTO VELHO/RO (por conta da falta de luz no
dia da prova geral da 2ª fase)

Jorge, com 21 anos de idade, reincidente, natural de São Gonçalo/RJ, entrou em uma briga com seus pais,
razão pela qual foi morar na casa de sua tia Marta, irmã de seu pai, na cidade de Maricá/RJ, já que esta tinha

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apenas 40 anos e “o entenderia melhor”. Após 06 meses residindo no mesmo local que sua tia, Jorge subtraiu o
carro de Marta, levando-o para uma favela em Niterói, onde pretendia morar no futuro. No começo, Marta não
desconfiou da autoria, porém após alguns dias, teve certeza de que o autor do crime era seu sobrinho, mas
nada fez para vê-lo responsabilizado criminalmente, em razão do afeto que tinha por ele. Apenas, então,
comunicou à seguradora que seu veículo fora furtado. Jorge, 01 ano após esses fatos, estava na direção do
veículo que havia subtraído quando foi abordado por policiais militares que, constatando que aquele bem era
produto de crime pretérito, realizaram sua prisão em flagrante. Jorge foi denunciado pela prática do crime de
receptação, mas, no curso da instrução, foi descoberto que, na verdade, o acusado era o autor do crime de
furto. O Ministério Público aditou a denúncia para adequá-la às novas descobertas e, após manifestação da
Defensoria Pública, foi o aditamento recebido. Não houve requerimento de novas provas. Jorge o(a) procura
para, na condição de advogado(a), apresentar as Alegações Finais.
Considerando as informações extraídas da hipótese, responda aos itens a seguir.
A) Qual a principal tese defensiva a ser formulada nas Alegações Finais para evitar a condenação de Jorge?
(Valor: 0,65)
B) Na condição de advogado(a) do acusado, o que você alegaria, no campo processual, caso o juiz viesse a
condenar Jorge, após o aditamento, de acordo com a imputação original de receptação? (Valor: 0,60) Obs.: o
examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação.

QUESTÃO 3 - VIII OAB

João e José foram denunciados pela prática da conduta descrita no art. 316 do CP (concussão). Durante a
instrução, percebeu-se que os fatos narrados na denúncia não corresponderiam àquilo que efetivamente teria
ocorrido, razão pela qual, ao cabo da instrução criminal e após a respectiva apresentação de memoriais pelas
partes, apurou-se que a conduta típica adequada seria aquela descrita no art. 317 do CP (corrupção passiva). O
magistrado, então, fez remessa dos autos ao Ministério Público para fins de aditamento da denúncia, com a
nova capitulação dos fatos. Nesse sentido, atento(a) ao caso narrado e considerando apenas as informações
contidas no texto, responda fundamentadamente, aos itens a seguir.
A) Estamos diante de hipótese de mutatio libelli ou de emendatio libelli? Qual dispositivo legal deve ser
aplicado? (Valor: 0,50)
B) Por que o próprio juiz, na sentença, não poderia dar a nova capitulação e, com base nela, condenar os réus?
(Valor: 0,50)
C) É possível que o Tribunal de Justiça de determinado estado da federação, ao analisar recurso de apelação,
proceda à mutatio libelli? (Valor: 0,25)

QUESTÃO 3 – 2009-03

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Júlio foi denunciado pela prática do delito de furto cometido em fevereiro de 2010. Encerrada a instrução
probatória, constatou-se, pelas provas testemunhais produzidas pela acusação, que Júlio praticara roubo, dado
o emprego de grave ameaça contra a vítima.
Em face dessa situação hipotética, responda, de forma fundamentada, às seguintes indagações.
a) Dada a nova definição jurídica do fato, que procedimento deve ser adotado pela autoridade judicial, sem que
se fira o princípio da ampla defesa?
b) O princípio da correlação é aplicável ao caso concreto?
c) Caso Júlio tivesse cometido crime de ação penal exclusivamente privada, dada a nova definição jurídica do
fato narrado na queixa após o fim da instrução probatória, seria aplicável o instituto da mutatio libelli?

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EMENDATIO LIBELLI

DENÚNCIA SENTENÇA
FATOS

MP relato dos fatos Não há fatos novos


+ +
definição jurídica Definição jurídica diversa

Princípio da Correlação
e
Congruência

MUTATIO LIBELLI
FATO NOVO

(não descrito na denúncia)

Ex. Se o Juiz condenar o réu direto, mesmo sabendo de fato novo, não descrito na denúncia,
haverá nulidade, devendo ser arguida, em termos de peça, em preliminar de apelação.

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5 CAPÍTULO V - RECURSOS

1) RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

1.1) BASE LEGAL

Base legal: art. 581 do CPP

1.2) NOÇÕES INTRODUTÓRIAS

É o recurso cabível contra decisões interlocutórias, quando se tratar de hipótese


expressamente prevista em lei (arts. 581 a 592).

O rol de hipóteses do recurso em sentido estrito é taxativo, sendo cabível,


portanto, somente nas hipóteses do artigo 581 do CPP, podendo, eventualmente, ser adotada interpretação
extensiva, que não desborde sobremaneira da natureza da decisão recorrida, como, por exemplo, recurso
em sentido estrito contra decisão rejeitou o aditamento próprio da denúncia ou queixa.

Convém registrar que algumas decisões que constam no rol do artigo 581 não
comportam mais recurso em sentido estrito, passando a ser cabível agravo em execução:

a) concessão, negativa ou revogação da suspensão condicional da pena (inc. XI),


lembrando que, quando a concessão ou negativa se der na sentença condenatória,
Hipóteses em que não cabe mais

cabe apelação;

b) concessão, negativa ou revogação do livramento condicional (XII);


RESE

c) decisão sobre unificação de penas (XVII);

d) Decisões relativas a medidas de segurança (XIX, XX, XXI, XXII e XXIII).

e) Conversão da multa em detenção ou em prisão simples (art. 581, XXIV).

A hipótese deixou de subsistir após a Lei 9.268/96, que modificou o art. 51 do CP.

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1.3) HIPÓTESES DE CABIMENTO

I) Da sentença que não receber/rejeitar a denúncia ou queixa

Cabe recurso em sentido da decisão que rejeitar a denúncia ou queixa, por conta
da incidência de uma das hipóteses do artigo 395 do CPP.

De regra, do recebimento da denúncia não cabe qualquer recurso, apenas


impetração de Habeas corpus, ante a absoluta falta de previsão legal.

DICA: No caso das infrações penais de competência do juizado especial


criminal, não cabe recurso em sentido estrito da decisão que rejeitar a
denúncia ou queixa, mas apelação, com prazo de 10 dias (art. 82, caput,
da Lei 9.099/95).

O STF firmou entendimento, por meio da Súmula 707 do STF, no sentido de


que: “Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contrarrazões ao
recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a nomeação de defensor dativo”.

QUESTÃO 4 – EXAME V – OAB


João e Maria iniciaram uma paquera no Bar X na noite de 17 de janeiro de 2011. No dia 19 de janeiro do
corrente ano, o casal teve uma séria discussão, e Maria, nitidamente enciumada, investiu contra o carro de
João, que já não se encontrava em bom estado de conservação, com três exercícios de IPVA inadimplentes, a
saber: 2008, 2009 e 2010. Além disso, Maria proferiu diversos insultos contra João no dia de sua festa de
formatura, perante seu amigo Paulo, afirmando ser ele “covarde”, “corno” e “frouxo”. A requerimento de João,
os fatos foram registrados perante a Delegacia Policial, onde a testemunha foi ouvida. João comparece ao seu
escritório e contrata seus serviços profissionais, a fim de serem tomadas as medidas legais cabíveis. Você, como
profissional diligente, após verificar não ter passado o prazo decadencial, interpõe Queixa-Crime ao juízo
competente no dia 18/7/11. O magistrado ao qual foi distribuída a peça processual profere decisão rejeitando-
a, afirmando tratar-se de clara Decadência, confundindo-se com relação à contagem do prazo legal. A decisão
foi publicada dia 25 de julho de 2011. Com base somente nas informações acima, responda:
a) Qual é o recurso cabível contra essa decisão? (0,30)
b) Qual é o prazo para a interposição do recurso? (0,30)
c) A quem deve ser endereçado o recurso? (0,30)
d) Qual é a tese defendida? (0,35)

II) Da decisão que concluir pela incompetência do juízo:

É o caso do reconhecimento ex officio da incompetência pelo próprio juiz, que


determina a remessa dos autos ao juízo competente, nos termos do art. 109 do CPP. Se o juiz se dá por
incompetente, acolhendo exceção (caso de incompetência relativa), aplica-se o inciso III do artigo 581.

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No procedimento do júri, da decisão de desclassificação do fato para crime não


doloso contra a vida (art. 419 do CPP), cabe recurso em sentido estrito com base neste inciso, pois o juiz
estará, em última análise, concluindo pela incompetência do Tribunal do Júri para julgar a causa.

Da decisão do juiz dando-se por competente não cabe qualquer recurso,


podendo a parte prejudicada intentar apenas habeas corpus.

III) Da decisão que julgar procedentes as exceções, salvo a de suspeição

Recurso voltado para a acusação.

O art. 95 do CPP enumera as cinco exceções oponíveis, a saber: suspeição,


incompetência do juízo, litispendência, ilegitimidade de parte e coisa julgada.

Note-se que o cabimento do recurso em sentido estrito está restrito à decisão


que acolher a exceção oposta pelo réu, ou seja, julgar procedente a exceção. Se rejeitada a exceção, a
decisão é irrecorrível, podendo ensejar eventual HC.

Acolhida ou rejeitada a exceção de suspeição, não cabe qualquer recurso, pois


não se pode forçar o juiz que se considera suspeito a julgar a causa.

IV) Da decisão que pronunciar

A decisão de pronúncia trata-se de uma decisão interlocutória mista não


terminativa, que encerra uma fase do procedimento, sem julgar o mérito, isto é, sem declarar o réu
culpado.

A decisão de impronúncia, com a edição da Lei 11689/2008, passou a comportar


o recurso de apelação (art. 416).

V) Da decisão que conceder, negar, arbitrar, cassar ou julgar inidônea a fiança, indeferir
requerimento de prisão preventiva ou revogá-la, conceder liberdade provisória ou relaxar a
prisão em flagrante:

Nessa parte, a lei prevê tanto situação favorável ao réu quanto desfavorável.
Assim, concedida a fiança ou fixado um valor muito baixo, pode o MP recorrer. Negada, cassada ou
considerada inidônea, cabe ao acusado apresentar o seu inconformismo.

Por outro lado, quando o juiz conceder liberdade provisória, pode o MP recorrer,
mas não cabe RESE para o réu que tem o seu pedido de liberdade provisória negado, sendo possível o
habeas corpus.

Finalmente, quando a prisão, por ser ilegal, mereça ser relaxada, caso o juiz o
faça, proporciona ao MP a interposição de recurso em sentido estrito. Quando houver a negativa ao
relaxamento, pode-se impetrar habeas corpus.

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VI) Absolvição sumária (REVOGADO)

Essa decisão era impugnada por recurso em sentido estrito. Com a edição da Lei
11689/2008, o recurso cabível passou a ser apelação.

VII) Da decisão que julgar quebrada a fiança ou perdido o seu valor

São situações desfavoráveis ao réu, sendo-lhe permitido o recurso em sentido


estrito, porque, realmente, são decisões interlocutórias, merecedoras do duplo grau de jurisdição.

Entretanto, quando houver o quebramento, implicando a obrigação de se


recolher à prisão, poder dar ensejo à impetração de HC.

VIII) Da decisão que decreta a prescrição ou julga, por outro modo, extinta a punibilidade do
acusado

Trata-se de sentença terminativa de mérito, isto é, que encerra o processo com


julgamento do mérito, sem absolver ou condenar o réu.

Cabe recurso em sentido estrito contra a decisão terminativa que, no processo de


conhecimento, declara extinta a punibilidade do acusado.

O recurso em sentido estrito relativo a este inciso tem aplicação residual, ou seja,
somente é cabível nos casos em que a extinção da punibilidade não tenha ocorrido no corpo da sentença
ou no âmbito da Vara de Execuções Criminais.

Com efeito, se ocorrer a extinção da punibilidade no corpo da sentença penal, o


recurso cabível será o de apelação, conforme dispõe o art. 593, § 4º, CPP. Ex: imagine que o réu esteja
sendo processado por dois delitos. O Juiz absolve o réu pela prática de um deles e declara a prescrição em
relação ao outro. Nesse caso, o recurso do MP ou assistente à acusação (na inércia do MP) será o de
apelação, com base no artigo 593, I, do CPP, inclusive em relação à decisão que decretou a prescrição. É o
que se extrai do artigo 593, § 4º, do CPP

Quando a decisão for proferida no curso da execução criminal, o recurso cabível


é o agravo da execução, previsto no art. 197 da LEP.

Nesse sentido, somente cabe recurso em sentido estrito quando a decisão de


extinção da punibilidade for proferida fora do âmbito da sentença penal e da execução criminal. Ex:
Extinção da punibilidade no curso do processo em face da prescrição do crime (art. 107, inciso IV, do CP).

Salienta-se que essa legitimidade é supletiva, ou seja, o assistente somente


poderá recorrer se o Ministério Público não interpuser recurso.

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* Absolvição sumária pela extinção da punibilidade (art. 397, inciso IV, do CPP)
Diante da previsão legal atípica no sentido de considerar a possibilidade de
sentença absolutória na hipótese de causa extintiva da punibilidade, parte da doutrina passou a aventar a
possibilidade de interposição do recurso de apelação contra tal decisão.

Assim, diante do paradoxo criado pelo legislador, o entendimento doutrinário


prevalente é no sentido de que o juiz deverá, simplesmente, declarar a causa extintiva de punibilidade,
independentemente do veredicto absolutório, ou seja, declara a causa extintiva de punibilidade e
simplesmente absolve o réu, com base no artigo 397, inciso IV, do CPP, cabendo, contra essa decisão,
recurso em sentido estrito.

IX) Da decisão que indeferir pedido de extinção de punibilidade

É a contraposição do inciso anterior. Negada a extinção da punibilidade, o


processo seguirá seu curso normal. Trata-se, portanto, de decisão interlocutória simples. Diante da
previsão expressa da lei, caberá recurso em sentido estrito.

Da mesma forma do inciso anterior, o recurso em sentido estrito contra decisão


que indeferir pedido de extinção de punibilidade somente poderá ser manejado de forma residual, ou seja,
quando a decisão não ocorrer na própria sentença condenatória (cabendo apelação) ou em sede de
execução criminal (quando será cabível agravo em execução).

Convém ressaltar que o Código de Processo Penal, especificamente no artigo


648, inciso VII, prevê a possibilidade de impetração de habeas corpus quando incidente causa de extinção
da punibilidade. Nesse sentido, a regra deverá ser o uso do RSE, uma vez que o habeas corpus não deve
ser usado como sucedâneo de recurso.

Todavia, em caso de evidente constrangimento ilegal, na qual o reconhecimento


da causa extintiva de punibilidade não reclama aprofundamento da prova, afigura-se possível – e na
prática é a providência mais comum – a adoção do habeas corpus.56

X) Da decisão que conceder ou negar a ordem de habeas corpus

O dispositivo refere-se à decisão do juiz de primeira instância, da qual, na


hipótese de concessão, cabe também recurso ex officio (art. 574, I).

No caso de decisão denegatória proferida em única ou última instância, pelos


Tribunais Regionais Federais e pelos tribunais dos Estados, caberá recurso ordinário para o STJ (art. 105,
II, “a”, CF).

Se a decisão denegatória for proferida em única instância (somente em única


instância) pelos tribunais superiores, caberá recurso ordinário ao STF (art. 102, II, “a”).

56
STJ, HC 91.115/RJ, DJ 04.08.2008.
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XI) Da decisão que conceder, negar ou revogar a suspensão condicional da pena

No caso da decisão encontrar-se embutida em sentença condenatória, cabe


apelação. Após o trânsito em julgado da condenação, cabe agravo em execução (art. 197 da LEP). Assim,
esse dispositivo tem aplicação prejudicada.

Além disso, se o “sursis” for concedido ou negado na sentença, caberá apelação,


por conta do disposto no artigo 593, § 4º, do CPP.

XII) Da decisão que conceder, negar ou revogar livramento condicional (REVOGADO)

Cabe agravo em execução, estando o dispositivo em questão revogado (art. 197


da LEP).

XIII) Da decisão que anular a instrução criminal no todo ou em parte

Reconhecida essa hipótese, que é típica decisão interlocutória, cabe à parte


inconformada em ter que reiniciar a instrução ou reproduzir determinados atos, impugnar a decisão
anulatória pelo recurso em sentido estrito.

De outro lado, se condenado, nada impede que o interessado argua a nulidade


em preliminar de eventual recurso de apelação.

Por interpretação extensiva ao artigo 581, inciso XIII, do CPP, é cabível o recurso
em sentido estrito contra decisão que declarar ilícita a prova juntada aos autos.

XIV) Da decisão que incluir ou excluir jurado na lista geral

Tendo em vista a imparcial formação da lista de jurados, o procedimento deve


ser de conhecimento geral, publicando-se o resultado final na imprensa e afixando-se no fórum. Logo, é
possível que qualquer pessoa questione a idoneidade de um jurado, incluído na lista (art. 426, § 1º).

Nesse caso, pode o juiz, acolhendo petição da parte interessada, excluí-lo da


lista, o que dá margem ao inconformismo daquele que foi extirpado. Por outro lado, a inclusão de alguém,
impugnada e mantida pelo magistrado, dá lugar à interposição de recurso em sentido estrito. Nesse caso,
em caráter excepcional, segue o recurso ao Presidente do TJ.

Excepcionalmente, em relação a essa decisão, o prazo para interpor o recurso é


de 20 dias, devendo ser dirigido ao Presidente do Tribunal de Justiça.

XV) Da decisão que denegar a apelação ou julgá-la deserta

No caso da apelação, o juízo de prelibação (admissibilidade) deve ser feito tanto


na primeira quanto na instância superior. Assim, o juiz a quo pode deixar de receber o apelo (o que
equivale a denegá-lo), se entender não preenchido algum pressuposto recursal objetivo ou subjetivo.
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Nessa hipótese, cabe recurso em sentido estrito contra o despacho denegatório


da apelação. Note-se que o recurso não se volta contra a sentença apelada, mas exclusivamente contra o
despacho que negou seguimento à apelação.

XVI) que ordenar a suspensão do processo, em virtude de questão prejudicial;

As questões prejudiciais estão previstas nos artigos 92 e 93 do CPP.

Questão prejudicial é aquela que deve ser decidida antes do julgamento da


questão principal de forma definitiva, no mesmo ou em outro processo com ela relacionado.

Exemplo de prejudicialidade obrigatória: ação de anulação de casamento no


crime de bigamia. Deve-se primeiro definir a questão da anulação de um dos casamentos, para depois
resolver o mérito do delito de bigamia.

Exemplo de prejudiciais facultativa: a verificação do direito de propriedade nos


crimes de furto, estelionato; da posse, no de esbulho e invasão de domicílio, etc.

Se o juiz determinar a suspensão do processo para solução da questão


prejudicial, obrigatória ou facultativa, cabe recurso em sentido estrito.

XVII) que decidir o incidente de falsidade

O incidente de falsidade está previsto no artigo 145 a 148 do CPP.

1.4) PRAZO – ART. 586 E 588

O recurso em sentido se procede em dois momentos distintos, um para


interposição (fundamental para atestar a tempestividade) e outro para apresentação das razões. Ou seja,
via de regra, primeiro o recorrente interpõe o recurso, o juiz recebe e, após, determina a intimação para
oferecimento das razões (ressalta-se, contudo, que, para fins de EXAME OAB, a peça de interposição e as
razões de recurso são apresentadas simultaneamente).

123
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1.5) LEGITIMIDADE

MINISTÉRIO PÚBLICO

QUERELANTE

DEFESA

PRÓPRIO RÉU
LEGITIMADOS

ASSISTENTE DE ACUSAÇÃO
LlellLLEJDJDJ
Ver súmula 448 do STF

O Ministério Público, o querelante (ação penal privada), a defesa, o próprio réu e,


ainda, o assistente de acusação podem interpor recurso em sentido estrito.

OBS: O assistente de acusação poderá recorrer em sentido estrito somente da


decisão que “decretar a prescrição ou julgar, por outro modo, extinta a punibilidade”, nos termos do art.
584, § 1º, c/c art. 581, VIII, já que tal decisão impede a formação de título executivo para eventual
reparação do dano.

O assistente de acusação pode ser habilitado nos autos, hipótese que, nessa
condição, será intimado de todos os atos e poderá recorrer, caso não o faça o Ministério Público, no prazo
de 05 dias.

No caso de assistente de acusação não habilitado, considerando que ainda


não tinha tomado ciência dos atos praticados no processo e, portanto, não foi intimado das decisões, terá
o prazo de 15 dias para interpor o recurso em sentido estrito (art. 584, §1º, c/c 598, parágrafo único, do
CPP).

A contagem do prazo para o assistente de acusação interpor recurso segue a


regra disposta na Súmula 448 do STF: “O prazo para o assistente recorrer, supletivamente,
começa a correr imediatamente após o transcurso do prazo do Ministério Público”.

124
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1.6) COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO


A interposição do recurso deve ser dirigida ao juiz de primeiro grau que
proferiu a decisão, para que este possa rever a decisão, em sede de juízo de retratação.

As razões de recurso devem ser endereçadas ao Tribunal competente


(Tribunal de Justiça, se da competência da Justiça Comum Estadual; ou Tribunal Regional Federal, se da
competência da Justiça Federal).

RAZÕES
INTERPOSIÇÃO
LlellLLEJDJDJ LlellLLEJDJDJ

TRIBUNAL COMPETENTE
JUÍZO DE 1ª GRAU
LlellLLEJDJDJ
LlellLLEJDJDJ

Excelentíssimo Senhor Doutor Egrégio Tribunal de Justiça


Juiz de Direito da Vara do Colenda Câmara
Tribunal do Júri da Comarca
se crime doloso contra a vida da
competência da Justiça Estadual

Excelentíssimo Senhor Doutor Egrégio Tribunal Regional


Juiz Federal da Vara do Federal
Tribunal do Júri da Secção Colenda Turma
Judiciária
se crime doloso contra a vida da
competência da Justiça Federal

Excelentíssimo Senhor Doutor


Juiz de Direito da Vara Egrégio Tribunal de Justiça
Criminal da Comarca Colenda Câmara
se crime da competência
da Justiça Estadual

Excelentíssimo Senhor Doutor


Egrégio Tribunal Regional
Juiz Federal da Vara Criminal
Federal
da Secção Judiciária de
Colenda Turma
se crime da competência
da Justiça Federal

1.7) EFEITO REGRESSIVO

Na hipótese de manutenção da decisão recorrida, ou, ainda, se houver retratação


e agora a outra parte impugnar a nova decisão, o recurso passará a ter efeito devolutivo, devolvendo a
discussão de toda a matéria ao Tribunal Competente.

Além do efeito devolutivo, o RESE possui efeito regressivo, uma vez que a
interposição do recurso obriga o juiz que prolatou a decisão recorrida a reapreciar a questão, mantendo-a
ou reformando-a, conforme dispõe o artigo 589, “caput”, do CPP.
125
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No tocante ao efeito regressivo do recurso: recebendo os autos, o juiz,


dentro de dois dias, reformará ou sustentará a sua decisão, mandando instruir o recurso com as cópias
que lhe parecerem necessárias. A falta de manifestação do juiz importa em nulidade, devendo o tribunal
devolver os autos para esta providência. O juízo de retratação será sempre fundamento. A fundamentação
deficiente do juiz também obriga o tribunal a convencer o julgamento em diligência para esse fim.

Se o juiz mantiver o despacho, remeterá os autos à instância superior; se


reformá-la, o recorrido, por simples petição, e dentro do prazo do prazo de cinco dias, poderá requerer a
subida dos autos. O recorrido deverá ser intimado, no caso de retratação do juiz.

1.8) RECURSO EM SENTIDO ESTRITO CONTRA DECISÃO DE PRONÚNCIA

I) BASE LEGAL

Se for recurso em sentido estrito contra uma decisão de pronúncia, a base legal
será o artigo 581, inciso IV, do CPP.

Base legal: art. 581, inciso IV, do CPP.

II) IDENTIFICAÇÃO

Se, ao final da 1ª fase do procedimento do júri, o juiz proferir uma decisão de


pronúncia, contra essa decisão cabe recurso em sentido estrito.

PEDIU PRA PARAR

PALAVRA MÁGICA: PEÇA:


DECISÃO DE PRONÚNCIA RECURSO EM SENTIDO
ESTRITO

PAROU!
Exemplo de como identificar a peça extraído RESE já cobrado pela FGV:

XI EXAME

“(...) Finda a instrução probatória, o juiz competente, em decisão devidamente fundamentada, decidiu
pronunciar Jerusa pelo crime apontado na inicial acusatória. O advogado de Jerusa é intimado da referida
decisão em 02 de agosto de 2013 (sexta-feira).”
126
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III) CONTEÚDO
Assim como nas demais peças, deve-se buscar no enunciado preliminares e mérito.

A) Preliminares:
Como já referido, as questões preliminares são aquelas que não observam aspectos
formais de determinado ato processual, gerando, invariavelmente, nulidade.

Aqui, por questão de organização, recomenda-se que as causas extintivas de


punibilidade, notadamente prescrição, sejam abordadas no campo destinado às preliminares.

B) Mérito
Conforme abordado, nas peças práticas profissionais deverá ser desenvolvida uma
tese que, ao final, viabilizará o correspondente pedido. Ou seja, somente se aborda na peça aquilo que, ao
final, poderá ser objeto de pedido.

No caso do recurso em sentido estrito contra decisão de pronúncia, as teses de mérito


guardam relação com as hipóteses que podem ensejar decisão de: a) impronúncia (art. 414 do CPP); b)
absolvição sumária (art. 415 do CPP); c) ou desclassificação (art. 419 do CPP).57

Eventuais teses subsidiárias podem consistir no afastamento da qualificadora e/ou de


causa de aumento de pena.

IV) PEDIDO

Quando se trata de recursos, deve-se formular pedido de REFORMA da decisão e


PROVIMENTO do recurso.

Além disso, no campo destinado aos pedidos, deve-se formular pedido específico para
cada uma das teses desenvolvidas ao longo da peça.

Ex. Se sustentou alguma preliminar, nulidade, por exemplo, deve-se, ao final,


formular pedido expresso no sentido de que seja declarada a nulidade.

No que tange ao mérito, o pedido deve guardar relação com a(s) tese(s) invocadas:
a) Impronúncia; e/ou absolvição sumária; e/ou desclassificação.

a) impronúncia, com base no artigo 414 do Código de Processo Penal; e/ou

b) Absolvição sumária, com base no artigo 415 do Código de Processo Penal; e/ou

c) Desclassificação, com base no artigo 419 do Código de Processo Penal.

d) Afastamento da qualificadora ou causa de aumento de pena.

57
Conteúdo abordado no capítulo que trata dos memoriais do Júri.
127
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1.9) ESTRUTURA DO RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

EXCEÇÃO: 15 + 2 DIAS NOS


RECURSO PEÇA DE PARA O JUIZ DE CASOS DO ART. 584, § 1º
INTERPOSIÇÃO 1º GRAU
EM EXCEÇÃO: 20 DIAS NOS CASOS
SENTIDO DO ART. 581, XVI, CPP
ESTRITO RAZÕES DO PARA O TRIBUNAL
RECURSO PRAZO:

INTERPOSIÇÃO: 05 DIAS
CABIMENTO:
RAZÕES: 02 DIAS
Art. 581, CPP
Art. 294,
parágrafo
FUNDAMENTO LEGAL: único do CTB
art. 581, (indicar o inciso)
Art. 2º, III do
DECRETO-LEI
Nº 201/67

A estrutura do RESE segue dois momentos: interposição do recurso (afirmar que


pretende recorrer) e as razões de recurso.

A) INTERPOSIÇÃO

a) Endereçamento: Juiz de Direito da Vara do Tribunal do Júri (se crime doloso contra a vida); Juiz de
Direito da Vara Criminal (se crime não doloso contra a vida da competência da Justiça Estadual) ou Juiz
Federal da Vara Criminal da Secção Judiciária (se crime não doloso contra a vida da competência da
Justiça Federal)

b) Preâmbulo: nome (qualificação), capacidade postulatória (por seu procurador infra-assinado),


fundamento legal (art. 581 e um dos incisos), nome da peça (Recurso em sentido estrito), frase final
(pelas fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos);

c) juízo de retratação, conforme artigo 589 CPP (importante)

d) parte final (Nesses termos, requer o processamento do presente recurso. Pede deferimento, data,
advogado e OAB)

Obs: cuidar hipóteses de formação de instrumento e relação de peças (é na interposição que se indica e
requer o traslado de peças para formação do instrumento).

B) RAZÕES
a) Endereçamento:
Tribunal de Justiça (se da competência da Justiça Estadual);
Tribunal Regional Federal (se da competência da Justiça Federal).
128
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b) identificação: recorrente, recorrido, nº processo


c) saudação:
Justiça Estadual: Egrégio Tribunal de Justiça – Colenda Câmara
Justiça Federal: Egrégio Tribunal Regional Federal – Colenda Turma
d) corpo da peça (I. DOS FATOS: breve relato; II. DO DIREITO: preliminares e mérito)
e) pedido: reforma da decisão + provimento do recurso + pedido específico
f) parte final: Nestes termos, pede deferimento; local, data e OAB

ESTRUTURA DA PEÇA DE INTERPOSIÇÃO: ENDEREÇAMENTO AO JUIZ DE 1º GRAU


A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA .....VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA
COMARCA........ (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA .....VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA
SEÇÃO JUDICIÁRIA........ (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)
C) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA .....VARA CRIMINAL DA COMARCA ........(SE
CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)
D) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA .....VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA
DE........(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)58

Processo nº ....

FULANO DE TAL (não inventar dados), já qualificado nos autos, por seu procurador
infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência,
inconformado com a decisão de fls., interpor o presente RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, com base no
artigo 581, (indicar o inciso), do Código de Processo Penal.
Nesse sentido, requer seja recebido o recurso e procedido o juízo de retratação, nos
termos do artigo 589 do Código de Processo Penal59. Se mantida a decisão, requer seja encaminhado o
presente recurso, já com as razões inclusas, ao Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal60, para o
devido processamento.

Nestes termos,
Pede deferimento

Local..., data...61.
____________________
Advogado...
OAB...

58
Competência da Justiça Federal – Art. 109 da CF/88
59
IMPORTANTÍSSIMO FAZER REFERÊNCIA AO JUÍZO DE RETRATAÇÃO PREVISTO NO ARTIGO 589 CPP
60
conforme competência seja da Justiça Estadual ou Federal
61
CUIDAR QUANDO O ENUNCIADO PEDIR O ÚLTIMO DIA DO PRAZO RECURSAL

129
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RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO: ENDEREÇAMENTO AO TRIBUNAL


EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO ...OU EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL
Recorrente: Fulano de Tal
Recorrido: Ministério Público
Processo nº...

RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

Egrégio Tribunal de Justiça ou Egrégio Tribunal Regional Federal


Colenda Câmara ou Colenda Turma (se Justiça Federal)

I) DOS FATOS62
II) DO DIREITO
A) DAS PRELIMINARES
B) DO MÉRITO
Ex: Se for RESE contra decisão de pronúncia, seguem hipóteses:
Mérito para pedido de impronúncia (art. 414 CPP)
Mérito para pedido de absolvição sumária (art. 415 CPP)
Mérito para pedido de desclassificação (art. 419 CPP)63
C) SUBSIDIARIEDADE
* Afastar qualificadora e/ou causa de aumento de pena
III) DO PEDIDO64
Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso, com a REFORMA
DA DECISÃO DE 1º GRAU, para o fim de que:
a) sejam reconhecidas as preliminares invocadas65
b) seja o réu impronunciado, com base no artigo 414 do Código de Processo Penal; e/ou
Seja o réu absolvido sumariamente, com base no artigo 415 do Código de Processo Penal; e/ou
Seja desclassificado o delito, com base no artigo 419 do Código de Processo Penal, remetendo-se os autos ao
juízo competente.
c) Seja afastada a qualificadora e/ou causa de aumento de pena.
Local... e data...

Advogado...
OAB...

62
Fazer breve relato dos fatos ocorridos, conforme os dados do enunciado (não inventar nada nem simplesmente transcrever o enunciado).
63
Atentar para possibilidade de adoção de teses envolvendo nexo de causalidade (art. 13, § 1º, CP) e desistência voluntária e
arrependimento eficaz (art. 15), já que podem resultar em fatos que não se coadunam com crimes dolosos contra a vida, persistindo,
por exemplo, como crime remanescente lesão corporal leve, grave ou gravíssima, levando, por conseguinte, à desclassificação do delito
e declinação de competência.
64
CONFORME O ENUNCIADO DA PEÇA OU DA QUESTÃO, OS PEDIDOS PODEM SER CUMULATIVOS
65
Referir novamente todas as preliminares, articulando o pedido na ordem que foram invocadas.
130
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1.10) RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

I) INTRODUÇÃO

Em todas as oportunidades em que cobrou a peça recurso em sentido estrito, a


FGV exigiu que o candidato fizesse a interposição e, de forma concomitante, já apresentasse as razões de
apelação.

Todavia, se considerado o procedimento previsto para o recurso em sentido


estrito, pode-se aventar a possibilidade de a FGV cobrar do candidato a peça RAZÕES DE RECURSO EM
SENTIDO ESTRITO.

Isso porque, nos termos do artigo 586 do CPP, se não concordar com a decisão
proferida, a parte irresignada deverá apresentar a petição de interposição de recurso em sentido estrito no
prazo de 05 dias. Após, o juiz de 1º grau fará o primeiro juízo de admissibilidade, recebendo ou não recurso
em sentido estrito. Recebendo o recurso, o recorrente será intimado para apresentar as respectivas razões
de recurso em sentido, no prazo de 02 dias.

Ou seja, poderá constar no enunciado que o juiz proferiu decisão e que a parte
interpôs recurso em sentido estrito, exigindo, após, que o candidato apresente a peça correspondente,
qual seja, RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO.

E, nesse caso, deve-se apresentar a petição de juntada e depois as razões do


recurso em sentido estrito.

II) IDENTIFICAÇÃO NO CASO DE DECISÃO DE PRONÚNCIA

O Recurso em sentido estrito é interposto, sendo, na sequência, o recorrente


intimado para apresentar as respectivas razões.

PEDIU PRA PARAR

PALAVRA MÁGICA: PEÇA:


INTERPOSIÇÃO DO RECURSO RAZÕES DE RECURSO EM
E INTIMAÇÃO PARA SENTIDO ESTRITO
APRESENTAR A PEÇA

PAROU!
III) BASE LEGAL

Base legal: art. 588 do CPP

131
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IV) PRAZO

Conforme o artigo 588 do CPP, o prazo para razões de recurso em sentido estrito é
de 02 dias.

V) CONTEÚDO
Como visto, em se tratando de recurso em sentido estrito contra decisão de
pronúncia, deve-se buscar no enunciado informações relacionadas a preliminares e mérito, que, no caso,
consiste, basicamente, em informações que permitem desenvolver tese envolvendo impronúncia e/ou
absolvição sumária e/ou desclassificação.

As teses subsidiárias giram, basicamente, em torno do afastamento da qualificadora


e/ou causa de aumento de pena.

VI) PEDIDO

Quando se trata de recursos, deve-se formular pedido de REFORMA da decisão e


PROVIMENTO do recurso.

Além disso, no campo destinado aos pedidos, deve-se formular pedido específico para
cada uma das teses desenvolvidas ao longo da peça.

Ex. Se sustentou alguma preliminar, nulidade, por exemplo, deve-se, ao final,


formular pedido expresso no sentido de que seja declarada a nulidade.

No que tange ao mérito, o pedido deve guardar relação com a(s) tese(s) invocadas:

a) impronúncia, com base no artigo 414 do Código de Processo Penal; e/ou

b) Absolvição sumária, com base no artigo 415 do Código de Processo Penal; e/ou

c) Desclassificação, com base no artigo 419 do Código de Processo Penal.

d) Afastar qualificadora e/ou causa de aumento de pena.

132
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ESTRUTURA DA PETIÇÃO DE JUNTADA66


A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA .....VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL
DO JÚRI DA COMARCA.......... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA
ESTADUAL)
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA .....VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO
JÚRI DA SEÇÃO JUDICIÁRIA......... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA
JUSTIÇA FEDERAL)
C) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA .....VARA CRIMINAL DA COMARCA
.......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)
D) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA .....VARA CRIMINAL DA SEÇÃO
JUDICIÁRIA DE ..........(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)

Processo nº ...

FULANO DE TAL (não inventar dados), já qualificado nos autos, por seu procurador
infra-assinado, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com procuração em anexo, apresentar
as presentes RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, com base no artigo 588 do Código de Processo
Penal, requerendo sejam recebidas, com posterior remessa dos autos ao Egrégio Tribunal de Justiça (ou
Egrégio Tribunal Regional Federal)

Nestes termos,
Pede deferimento

Local..., data67...
____________________
Advogado ...
OAB...

66
As razões de recurso em sentido estrito também são compostas de petição de juntada e outra de razões para
manutenção da decisão.
67
CUIDAR QUANDO O ENUNCIADO PEDIR O ÚLTIMO DIA DO PRAZO RECURSAL)

133
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RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO: ENDEREÇAMENTO AO TRIBUNAL


EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO ___OU EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL
Recorrente: Fulano de Tal
Recorrido: Ministério Público
Processo nº...

RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

Egrégio Tribunal de Justiça ou Egrégio Tribunal Regional Federal


Colenda Câmara ou Colenda Turma (se Justiça Federal)

I) DOS FATOS68
II) DO DIREITO
A) DAS PRELIMINARES
B) DO MÉRITO
Ex: Se for RESE contra decisão de pronúncia, seguem hipóteses:
Mérito para pedido de impronúncia(art. 414 CPP)
Mérito para pedido de absolvição sumária (art. 415 CPP)
Mérito para pedido de desclassificação (art. 419 CPP)69
C) SUBSIDIARIEDADE
* Afastar qualificadora e/ou causa de aumento de pena
III) DO PEDIDO70
Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso, com a REFORMA
DA DECISÃO DE 1º GRAU, para o fim de que:
a) sejam reconhecidas as preliminares invocadas71
b) seja o réu impronunciado, com base no artigo 414 do Código de Processo Penal; e/ou
Seja o réu absolvido sumariamente, com base no artigo 415 do Código de Processo Penal; e/ou
Seja desclassificado o delito, com base no artigo 419 do Código de Processo Penal, remetendo-se os autos ao
juízo competente.
c) Seja afastada a qualificadora e/ou causa de aumento de pena.
Local... e data...

Advogado...
OAB...

68
Fazer breve relato dos fatos ocorridos, conforme os dados do enunciado (não inventar nada nem simplesmente transcrever o enunciado).
69
Atentar para possibilidade de adoção de teses envolvendo nexo de causalidade (art. 13, § 1º, CP) e desistência voluntária e
arrependimento eficaz (art. 15), já que podem resultar em fatos que não se coadunam com crimes dolosos contra a vida, persistindo,
por exemplo, como crime remanescente lesão corporal leve, grave ou gravíssima, levando, por conseguinte, à desclassificação do delito
e declinação de competência.
70
CONFORME O ENUNCIADO DA PEÇA OU DA QUESTÃO, OS PEDIDOS PODEM SER CUMULATIVOS
71
Referir novamente todas as preliminares, articulando o pedido na ordem que foram invocadas.
134
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XI EXAME OAB
Jerusa, atrasada para importante compromisso profissional, dirige seu carro bastante preocupada, mas
respeitando os limites de velocidade. Em uma via de mão dupla, Jerusa decide ultrapassar o carro à sua
frente, o qual estava abaixo da velocidade permitida. Para realizar a referida manobra, entretanto, Jerusa
não liga a respectiva seta luminosa sinalizadora do veículo e, no momento da ultrapassagem, vem a atingir
Diogo, motociclista que, em alta velocidade, conduzia sua moto no sentido oposto da via. Não obstante a
presteza no socorro que veio após o chamado da própria Jerusa e das demais testemunhas, Diogo falece
em razão dos ferimentos sofridos pela colisão. Instaurado o respectivo inquérito policial, após o curso das
investigações, o Ministério Público decide oferecer denúncia contra Jerusa, imputando-lhe a prática do
delito de homicídio doloso simples, na modalidade dolo eventual (Art. 121 c/c Art. 18, I parte final, ambos
do CP). Argumentou o ilustre membro do Parquet a imprevisão de Jerusa acerca do resultado que poderia
causar ao não ligar a seta do veículo para realizar a ultrapassagem, além de não atentar para o trânsito
em sentido contrário. A denúncia foi recebida pelo juiz competente e todos os atos processuais exigidos
em lei foram regularmente praticados. Finda a instrução probatória, o juiz competente, em decisão
devidamente fundamentada, decidiu pronunciar Jerusa pelo crime apontado na inicial acusatória. O
advogado de Jerusa é intimado da referida decisão em 02 de agosto de 2013 (sexta-feira).
Atento ao caso apresentado e tendo como base apenas os elementos fornecidos, elabore o recurso cabível
e date-o com o último dia do prazo para a interposição.
A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não pontua.

QUESTÃO 3 - IX EXAME OAB


Mário está sendo processado por tentativa de homicídio uma vez que injetou substância venenosa em
Luciano, com o objetivo de matá-lo. No curso do processo, uma amostra da referida substância foi
recolhida para análise e enviada ao Instituto de Criminalística, ficando comprovado que, pelas condições de
armazenamento e acondicionamento, a substância não fora hábil para produzir os efeitos a que estava
destinada. Mesmo assim, arguindo que o magistrado não estava adstrito ao laudo, o Ministério Público
pugnou pela pronúncia de Mário nos exatos termos da denúncia. Com base apenas nos fatos
apresentados, responda justificadamente.
A) O magistrado deveria pronunciar Mário, impronunciá-lo ou absolvê-lo sumariamente? (Valor: 0,65)
B) Caso Mário fosse pronunciado, qual seria o recurso cabível, o prazo de interposição e a quem deveria
ser endereçado? (Valor: 0,60)

QUESTÃO 4 - 2010-03
Caio, professor do curso de segurança no trânsito, motorista extremamente qualificado, guiava seu
automóvel tendo Madalena, sua namorada, no banco do carona. Durante o trajeto, o casal começa a
discutir asperamente, o que faz com que Caio empreenda altíssima velocidade ao automóvel. Muito
assustada, Madalena pede insistentemente para Caio reduzir a marcha do veículo, pois àquela velocidade
não seria possível controlar o automóvel. Caio, entretanto, respondeu aos pedidos dizendo ser perito em
direção e refutando qualquer possibilidade de perder o controle do carro. Todavia, o automóvel atinge um
buraco e, em razão da velocidade empreendida, acaba se desgovernando, vindo a atropelar três pessoas
que estavam na calçada, vitimando-as fatalmente. Realizada perícia de local, que constatou o excesso de
velocidade, e ouvidos Caio e Madalena, que relataram à autoridade policial o diálogo travado entre o casal,
Caio foi denunciado pelo Ministério Público pela prática do crime de homicídio na modalidade de dolo
eventual, três vezes em concurso formal. Recebida a denúncia pelo magistrado da vara criminal vinculada
ao Tribunal do Júri da localidade e colhida a prova, o Ministério Público pugnou pela pronúncia de Caio,
nos exatos termos da inicial.
Na qualidade de advogado de Caio, chamado aos debates orais, responda aos itens a seguir, empregando
os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso.
a) Qual(is) argumento(s) poderia(m) ser deduzidos em favor de seu constituinte? (Valor: 0,4)
b) Qual pedido deveria ser realizado? (Valor: 0,3)
c) Caso Caio fosse pronunciado, qual recurso poderia ser interposto e a quem a peça de interposição
deveria ser dirigida? (Valor: 0,3)

135
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QUESTÃO 03 – OAB – 2010-02


Pedro, almejando a morte de José, contra ele efetua disparo de arma de fogo, acertando-o na região
toráxica. José vem a falecer, entretanto, não em razão do disparo recebido, mas porque, com intenção
suicida, havia ingerido dose letal de veneno momentos antes de sofrer a agressão, o que foi comprovado
durante instrução processual. Ainda assim, Pedro foi pronunciado nos termos do previsto no artigo 121,
“caput”, do Código Penal. Na condição de Advogado de Pedro:
I. Indique o recurso cabível;
II. O prazo de interposição;
III. A argumentação visando à melhoria da situação jurídica do defendido.
Indique, ainda, para todas as respostas, os respectivos dispositivos legais.

QUESTÃO 1 – 2009-02
Edson, condenado à pena de 8 anos de reclusão pela prática do crime de atentado violento ao pudor
contra sua genitora, e seu defensor foram intimados da sentença em 8/5/2009, sexta-feira. Inconformada
com a sentença, a defesa interpôs recurso de apelação em 15/5/2009, antes do final do expediente
forense. O juiz, contudo, alegando intempestividade do apelo, não recebeu o recurso, tendo sido essa
decisão publicada em 1.//6/2009, segunda-feira, data em que Edson e seu advogado compareceram em
juízo e tomaram ciência da denegação.
Considerando a situação hipotética apresentada, esclareça, de forma fundamentada, com a indicação dos
dispositivos legais pertinentes, se o juiz agiu corretamente ao denegar a apelação e se o Código de
Processo Penal prevê algum recurso contra a decisão proferida. Em caso afirmativo, indique o recurso
cabível e o último dia do prazo para sua interposição.

136
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

FAÇA VOCÊ MESMO!

Para exercitar a peça acima,


consulte o material disponível na
pasta “Exercitando Peças”,
constante no Sistema EAD. O
enunciado correspondente está
na apostila “caderno de peças –
para resolver”, na pág. 76. Já a
resolução consta na apostila
“caderno de peças - padrão de
respostas”, na pág. 78 e
seguintes.
Após realizar a peça, assista à
respectiva aula de estruturação!

137
PROCESSO PENAL OAB
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2) CONTRARRAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

2.1) INTRODUÇÃO

Nos termos do artigo 586 do CPP, se não concordar com a decisão proferida, a
parte irresignada deverá apresentar a petição de interposição de recurso em sentido estrito no prazo de 05
dias. Após, o juízo a quo fará o primeiro juízo de admissibilidade, recebendo ou não recurso em sentido
estrito, intimando-se o recorrente para apresentar, no prazo de 02 dias, as respectivas razões de recurso em
sentido estrito, se não apresentadas simultaneamente à interposição.

Na sequência, intima-se o recorrido para oferecer suas CONTRARRAZÕES ou


RAZÕES DO RECORRIDO, voltada à MANUTENÇÃO da decisão recorrida.

2.2) IDENTIFICAÇÃO

O Recurso em sentido estrito é interposto e arrazoado pelo recorrente, sendo, na


sequência, o recorrido intimado para oferecer as contrarrazões.

PEDIU PRA PARAR

PALAVRA MÁGICA: PEÇA:


RECORRENTE OFERCEU AS CONTRARRAZÕES DE RECURSO
RAZÕES E INTIMAÇÃO PARA EM SENTIDO ESTRITO
APRESENTAR A PEÇA

PAROU!
2.3) PRAZO

Conforme o artigo 588 do CPP, o prazo para contrarrazões é de 02 dias.

2.4) CONTEÚDO

Deve-se buscar no enunciado informações que permitem desenvolver teses


voltadas à manutenção da decisão recorrida, bem como refutar os argumentos lançados pelo Ministério
Público.

138
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

ESTRUTURA DA PETIÇÃO DE JUNTADA72


A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA .....VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL
DO JÚRI DA COMARCA.......... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA
ESTADUAL)
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA .....VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO
JÚRI DA SEÇÃO JUDICIÁRIA......... (SE CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA DA COMPETÊNCIA DA
JUSTIÇA FEDERAL)
C) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA .....VARA CRIMINAL DA COMARCA
.......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)
D) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA .....VARA CRIMINAL DA SEÇÃO
JUDICIÁRIA DE ..........(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)

Processo nº ...

FULANO DE TAL (não inventar dados), já qualificado nos autos, por seu procurador
infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, apresentar
as presentes CONTRARRAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, com base no artigo 588 do Código
de Processo Penal, requerendo sejam recebidas, mantendo-se a decisão recorrida, conforme artigo 589 do
Código de Processo Penal, com posterior remessa dos autos ao Egrégio Tribunal de Justiça (ou Egrégio Tribunal
Regional Federal)

Nestes termos,
Pede deferimento

Local..., data...
____________________
Advogado...
OAB...

72
As contrarrazões de recurso em sentido estrito também são compostas de petição de juntada e outra de razões para
manutenção da decisão.
139
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO ........OU EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL

Recorrente: Ministério Público


Recorrido: Fulano de Tal
Processo nº _____________

CONTRARRAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

Egrégio Tribunal de Justiça ou Egrégio Tribunal Regional Federal


Colenda Câmara Criminal ou Colenda Turma (se Justiça Federal)
2 linhas
I) DOS FATOS73

II) DO DIREITO74

III) DO PEDIDO75
Ante o exposto, requer o NÃO CONHECIMENTO do recurso e, no mérito, seja
IMPROVIDO o recurso em sentido estrito interposto, MANTENDO-SE, por conseguinte, a decisão recorrida nos
seus exatos termos.

Local...e data...

______________________
ADVOGADO...
OAB...
CUIDADO: SE FOR CONTRARRAZÕES DE RECURSO INTERPOSTO PELA ACUSAÇÃO CONTRA
DECISÃO DE IMPRONÚNCIA OU ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA, AS CONTRARRAZÕES SERÃO DE
APELAÇÃO, UMA VEZ QUE O RECURSO CABÍVEL CONTRA AQUELAS DECISÕES É O DE APELAÇÃO,
CONFORME ART. 416 DO CPP.

73
Fazer breve relato dos fatos ocorridos, conforme os dados do enunciado (não inventar nada), bem como da decisão
recorrida.
74
Pode-se dividir em preliminares e mérito. Em preliminar, buscar, invariavelmente, informações no enunciado para
desenvolver tese para o não conhecimento do recurso (Ex: intempestividade do recurso interposto). No mérito, buscar
informações para desenvolver teses voltadas a Expor argumentos contrários aos invocados nas razões de RESE (informados
no enunciado da questão), defendo, em síntese, a manutenção da decisão recorrida.
75
REQUERER O NÃO CONHECIMENTO, IMPROVIMENTO DO RECURSO EM SENTIDO ESTRITO E A MANUTENÇÃO DA
DECISÃO RECORRIDA.
140
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

FAÇA VOCÊ MESMO!

Para exercitar a peça acima,


consulte o material disponível na
pasta “Exercitando Peças”,
constante no Sistema EAD. O
enunciado correspondente está
na apostila “caderno de peças –
para resolver”, na pág. 113. Já a
resolução consta na apostila
“caderno de peças - padrão de
respostas”, na pág. 105 e
seguintes.
Após realizar a peça, assista à
respectiva aula de estruturação!

141
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

3) APELAÇÃO

3.1) CONCEITO
É o recurso interposto da sentença definitiva ou com força de definitiva, para a
segunda instância, com o fim de que se proceda ao reexame da matéria, com a consequente modificação
parcial ou total da decisão.

3.2) IDENTIFICAÇÃO

PEDIU PRA PARAR

PALAVRA MÁGICA: PEÇA:


SENTENÇA RECURSO DE APELAÇÃO

PAROU!

Exemplos de como identificar a peça extraídos de apelações já cobradas pela FGV:

XXII EXAME

Em sentença, o juiz julgou procedente a pretensão punitiva estatal. No momento de fixar a pena-base,
reconheceu a existência de maus antecedentes em razão da representação julgada procedente em face de
Leonardo enquanto era inimputável, aumentando a pena em 06 meses de reclusão. Não foram reconhecidas
agravantes ou atenuantes. Na terceira fase, incrementou o magistrado em 1/3 a pena, justificando ser
desnecessária a apreensão de arma de fogo, bastando a simulação de porte do material diante do temor
causado à vítima. Com a redução de 1/3 pela modalidade tentada, a pena final ficou acomodada em 4 (quatro)
anos de reclusão. O regime inicial de cumprimento de pena foi o fechado, justificando o magistrado que o crime
de roubo é extremamente grave e que atemoriza os cidadãos de Belo Horizonte todos os dias. Intimado, o
Ministério Público apenas tomou ciência da decisão. A irmã de Leonardo o procura para, na condição de
advogado, adotar as medidas cabíveis. Constituída nos autos, a intimação da sentença pela defesa ocorreu
em 08 de maio de 2017, segunda-feira, sendo terça-feira dia útil em todo o país.

XVIII EXAME

No dia 25 de junho de 2015 foi proferida sentença pelo juízo competente, qual seja a 1ª Vara Criminal da
Comarca de Natal, condenando Caio à pena privativa de liberdade de 10 anos e 06 meses de reclusão, a ser
cumprida em regime inicial fechado. Na sentença consta que a pena base de cada um dos crimes deve ser
aumentada em seis meses pelo fato de Caio possuir maus antecedentes, já que ostenta em sua FAC duas
142
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

condenações pela prática de crimes, e mais 06 meses pelo fato de o acusado ter desrespeitado a liberdade
sexual da mulher, um dos valores mais significativos da sociedade, restando a sanção penal da primeira fase
em 07 anos de reclusão, para cada um dos delitos. Na segunda fase, não foram reconhecidas atenuantes ou
agravantes. Afirmou o magistrado que atualmente é o réu maior de 21 anos, logo não estaria presente a
atenuante do Art. 65, inciso I, do CP. Ao analisar o concurso de crimes, o magistrado considerou a pena de um
dos delitos, já que eram iguais, e aumentou de 1/2 (metade), na forma do Art. 71 do CP, justificando o
acréscimo no fato de ambos os crimes praticados serem extremamente graves. Por fim, o regime inicial para o
cumprimento da pena foi o fechado, justificando que, independente da pena aplicada, este seria o regime
obrigatório, nos termos do Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90. Apesar da condenação, como Caio respondeu ao
processo em liberdade, o juiz concedeu a ele o direito de aguardar o trânsito em julgado da mesma forma. Caio
e sua família o (a) procuram para, na condição de advogado (a), adotar as medidas cabíveis, destacando que
estão insatisfeitos com o patrono anterior. Constituído nos autos, a intimação da sentença ocorreu em 07 de
julho de 2015, terça-feira, sendo quarta-feira dia útil em todo o país.

XIII EXAME

O Juiz, então, proferiu sentença em audiência condenando Diogo pela prática do crime de violação de
domicílio em concurso material com o crime de furto qualificado pela escalada. Para a dosimetria da pena o
magistrado ponderou o fato de que nenhum dos bens subtraídos fora recuperado. Além disso, fez incidir a
circunstância agravante da reincidência, pois considerou que a condenação de Diogo pelo crime de estelionato
o faria reincidente. O total da condenação foi de 4 anos e 40 dias de reclusão em regime inicial semi-aberto e
multa à proporção de um trigésimo do salário mínimo. Por fim, o magistrado, na sentença, deixou claro que
Diogo não fazia jus a nenhum outro benefício legal, haja vista o fato de não preencher os requisitos para tanto.
A sentença foi lida em audiência. O advogado(a) de Diogo, atento(a) tão somente às informações descritas no
texto, deve apresentar o recurso cabível à impugnação da decisão, respeitando as formalidades legais e
desenvolvendo, de maneira fundamentada, as teses defensivas pertinentes. O recurso deve ser datado com
o último dia cabível para a interposição. (Valor: 5,0)

XII EXAME

Finda a instrução criminal, o magistrado proferiu sentença em audiência. Na dosimetria da pena, o


magistrado entendeu por bem elevar a pena base em patamar acima do mínimo, ao argumento de que o
trânsito em julgado de outra sentença condenatória configurava maus antecedentes; na segunda fase da
dosimetria da pena o magistrado também entendeu ser cabível a incidência da agravante da reincidência,
levando em conta a data do trânsito em julgado definitivo da sentença de estelionato, bem como a data do
cometimento do furto (ora objeto de julgamento); não verificando a incidência de nenhuma causa de aumento
ou de diminuição, o magistrado fixou a pena definitiva em 4 (quatro) anos de reclusão no regime inicial

143
PROCESSO PENAL OAB
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semiaberto e 80 (oitenta) dias-multa. O valor do dia-multa foi fixado no patamar mínimo legal. Por entender
que a ré não atendia aos requisitos legais, o magistrado não substituiu a pena privativa de liberdade por pena
restritiva de direitos. Ao final, assegurou-se à ré o direito de recorrer em liberdade. O advogado da ré deseja
recorrer da decisão. Atento ao caso narrado e levando em conta tão somente as informações contidas no
texto, elabore o recurso cabível. (Valor: 5,0)

3.3) CABIMENTO DA APELAÇÃO NAS SENTENÇAS DO JUIZ SINGULAR – Art. 593

A) DAS SENTENÇAS DEFINITIVAS DE CONDENAÇÃO OU ABSOLVIÇÃO PROFERIDAS POR JUIZ


SINGULAR (artigo 593, inciso I, do CPP)

Fundamento legal: art. 593, inciso I, do CPP

Cabe apelação nas sentenças definitivas de condenação ou absolvição. São as


decisões que põe fim à relação jurídica processual, julgando o seu mérito, quer absolvendo, quer
condenando o acusado.

Com o advento da Lei 11.689/2008, caberá apelação contra a sentença de


absolvição sumária (art. 416), tanto as proferidas nos processos de competência do juiz singular (art. 397),
exceto a decisão que declara extinta a punibilidade (inciso IV do art. 397), como as proferidas nos
processos de competência do júri, na 1ª fase do procedimento (art. 415 do CPP).

B) DAS DECISÕES DEFINITIVAS, OU COM FORÇA DE DEFINITIVAS, PROFERIDAS POR JUIZ


SINGULAR NOS CASOS NÃO PREVISTOS NO CAPÍTULO ANTERIOR (artigo 593, inciso II, do
CPP)

Cabe, ainda, apelação das sentenças que, julgando o mérito, põe fim à relação
jurídica processual ou ao procedimento, sem, contudo, absolver ou condenar o acusado.

Logo, no caso, consistem na hipótese de decisões interlocutórias mistas


(definitivas ou com força de definitivas), que não integram o rol do art. 581, sendo, assim, cabível, na
forma residual, portanto, o recurso de apelação, previsto no inciso II do art. 593.

* DECISÕES DEFINITIVAS: também denominadas terminativas de mérito, são


aquelas que encerram o processo, incidental ou principal, com julgamento do mérito, sem, no entanto,
absolver ou condenar.

Ex: procedência ou improcedência da restituição de coisa apreendida (art. 120, §


1º); decisão que autoriza levantamento do sequestro; que concede a reabilitação.

144
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* DECISÕES COM FORÇA DE DEFINITIVAS: são aquelas decisões que encerram o processo, sem
julgamento do mérito (decisão interlocutória mista terminativa) ou uma etapa procedimental (decisão
interlocutória mista não terminativa).

Ex: decisão de impronúncia, que é apelável (art. 416 CPP).

3.4) PRAZO – Art. 593 e Art. 600

O prazo para interposição é, em regra, 05 dias (art. 593), a contar da intimação,


sendo 08 dias para arrazoar o recurso (art. 600).

Nos termos da Súmula 710 do STF: “No processo penal, contam-se os prazos da
data da intimação, e não da juntada aos autos do mandado ou carta precatória ou ordem”.

No caso do réu, devem ser intimados ele e seu defensor, iniciando-se o prazo
após a última intimação.

5 DIAS 8 DIAS

15 DIAS
Para o assistente da
acusação não habilitado

10 DIAS
No JECrim, já com as razões

3.5) LEGITIMIDADE DO ASSISTENTE À ACUSAÇÃO

A legitimidade do assistente de acusação está prevista no artigo 598 do CPP. O


assistente à acusação, pode ser:

a) habilitado nos autos: quando já atuava nos autos, razão pela qual vinha sendo
intimado dos atos processuais, podendo, nessa condição, interpor recurso no prazo de 05 dias.

b) não habilitado nos autos: quando passa a atuar nos autos a partir da
sentença, não sendo até então, portanto, intimado dos atos processuais, razão pela qual terá o prazo mais

145
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dilatado para interpor recurso de apelação, qual seja, 15 dias, nos termos do artigo 598, parágrafo único,
do CPP.

A contagem do prazo para o assistente de acusação interpor recurso segue a


regra disposta na Súmula 448 do STF: “O prazo para o assistente recorrer, supletivamente,
começa a correr imediatamente após o transcurso do prazo do Ministério Público”.

3.6) CONTEÚDO

O recurso de apelação pode exigir do candidato desenvolver teses relacionadas a


preliminares e/ou matérias de mérito.

A) Preliminares:
As questões preliminares são aquelas que não observam aspectos formais de
determinado ato processual, gerando, invariavelmente, nulidade. Aqui, por questão de organização,
recomenda-se que as causas extintivas de punibilidade, notadamente prescrição, sejam abordadas no campo
destinado às preliminares.

B) Mérito:
Conforme já mencionado, nas peças práticas profissionais deverão ser buscadas no
enunciado teses que, ao final, viabilizarão a formulação do correspondente pedido. Ou seja, aborda-se na peça
aquilo que, ao final, poderá ser objeto de pedido. No caso da apelação contra decisão proferida por juiz
singular, as teses de mérito guardam relação com as hipóteses que ensejam a absolvição, previstas no artigo
386 do CPP.

Considerando que o pedido de absolvição deve observar um dos incisos do artigo 386,
a matéria de mérito consistirá, necessariamente, na discussão, acerca da materialidade, autoria, tipicidade,
ilicitude, culpabilidade, além de teses subsidiárias, formando aquilo que convencionamos representar pela sigla
MATICS.

M MATERIALIDADE (incisos I e II)

A AUTORIA (incisos IV e V)

T TIPICIDADE (inciso III)

I ILICITUDE (inciso VI)

C CULPABILIDADE (inciso VI)

S SUBSIDIARIEDADE

No XXII exame, caiu também como tese a desistência voluntária.

146
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C) SUBSIDIARIEDADE76

Além das preliminares e das questões de mérito, deve-se buscar no enunciado


informações que permitam identificar alguma tese subsidiária. As teses subsidiárias consistem, basicamente,
nas hipóteses em que, uma vez condenado, permitem ao réu ter sua situação amenizada.

Como forma de facilitar a identificação, convencionarmos considerar a ordem


estabelecida no art. 59 do CP. Trata-se de espécie de checklist.

I) na quantidade de pena: Art. 59, II: verificar o sistema trifásico (art. 68).

* buscar pena-base no mínimo legal (afastar, por exemplo, maus antecedentes);

* Apontar atenuantes (previstas no artigo 65 do CP); afastar agravantes (previstas no artigo 61 e 62 do CP);

* Apontar causas de diminuição de pena (ex: tentativa – art. 14, parágrafo único, do CP); afastar causas de
aumento de pena.

* Afastar qualificadoras

II) regime carcerário mais brando: Art. 59, III, do CP

* Verificar o artigo 33 do Código Penal e artigo 2º, § 1º, da Lei 8.072/90 ( O STF declarou inconstitucional esse
dispositivo).

III) Substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos: Art. 59, IV, do CP

* Verificar o artigo 44 do CP e artigo 33, § 4º, da Lei 11.343/2006 (ver Resolução nº 05 do Senado).

IV) Sursis – Art. 77 do CP

V) Desclassificação para delito mais brando.

3.7) PEDIDO

No campo destinado aos pedidos, deve-se formular pedido específico para cada uma
das teses desenvolvidas ao longo da peça.

Ex. Se sustentou a tese da nulidade da sentença, deve-se, ao final, formular pedido


expresso de que seja declarada a nulidade da sentença.

Se desenvolveu tese acerca da prescrição, ao final deve formular pedido expresso de


extinção da punibilidade, com base no artigo 107, IV, do Código Penal.

Isso vale também para as matérias de mérito e teses subsidiárias.

76
As teses subsidiárias serão estudadas com mais profundidade na aula de Direito Penal, na parte da teoria da pena.
147
PROCESSO PENAL OAB
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Se sustentou, por exemplo, princípio da insignificância, deve-se formular pedido


expresso de absolvição, com base no artigo 386, inciso III, do CPP. Se sustentou, subsidiariamente, que o réu
não é reincidente, deve-se, ao final, formular pedido expresso para afastar a reincidência, com a consequente
diminuição da pena...e assim por diante...

O pedido de absolvição tem como base uma das hipóteses do artigo 386 do CPP.

! ATENÇÃO

APELAÇÃO CONTRA DECISÃO DE JUIZ SINGULAR

Pedido de absolvição é com base no artigo 386 CPP

3.8) ESTRUTURA DO RECURSO DE APELAÇÃO


A estrutura do recurso de apelação segue dois momentos: interposição do recurso
(afirmar que pretende recorrer) e as razões de recurso.

A) INTERPOSIÇÃO – para juiz de 1º grau

a) Endereçamento: Juiz de Direito da Vara Criminal (se crime não doloso contra a vida da competência
da Justiça Estadual) ou Juiz Federal da Vara Criminal da Seção Judiciária (se crime não doloso contra a
vida da competência da Justiça Federal); Juiz de Direito da Vara do Juizado Especial Criminal (se for
infração de menor potencial ofensivo)

b) Preâmbulo: nome (desnecessário qualificar, pois já qualificado nos autos), capacidade postulatória
(por seu procurador infra-assinado), fundamento legal (art. 593, inciso __, 416 se absolvição
sumária ou impronúncia, ou artigo 82 da Lei 9.099/95, se tratar de infração de menor
potencial ofensivo), nome da peça (Recurso de apelação), frase final (pelas fatos e fundamentos
jurídicos a seguir expostos);

Obs: se for apelação contra decisão do Tribunal do Júri, não esquecer de indicar o inciso contra o
qual está recorrendo. Nesse sentido é a Súmula 713 do STF: “O efeito devolutivo da apelação contra
decisões do júri é adstrito aos fundamentos da sua interposição”.

c) parte final (Nesses termos, requer o processamento do presente recurso. Pede deferimento, data,
advogado e OAB)

Obs: o recurso de apelação não tem efeito regressivo.


148
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B) RAZÕES

a) Endereçamento: para Tribunal ou Turmas Recursais (se for infração de menor potencial
ofensivo)

Tribunal de Justiça (se da competência da Justiça Estadual);

Tribunal Regional Federal (se da competência da Justiça Federal).

Turmas Recursais (Se for infração de menor potencial ofensivo)

b) identificação: apelante, apelado, nº processo

c) saudação:

Justiça Estadual: Egrégio Tribunal de Justiça – Colenda Câmara

Justiça Federal: Egrégio Tribunal Regional Federal – Colenda Turma

d) corpo da peça (I. Dos fatos: breve relato; II. DO DIREITO: preliminares, mérito e teses subsidiárias)

e) pedido: reforma da decisão + provimento do recurso + pedido específico

f) parte final: termos em que pede deferimento, local, data, advogado e OAB

149
PROCESSO PENAL OAB
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PEÇA DE INTERPOSIÇÃO: ENDEREÇAMENTO: Juiz de 1º grau


A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....VARA CRIMINAL DA
COMARCA......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ....VARA CRIMINAL DA SEÇÃO
JUDICIÁRIA DE ......(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)77

Processo nº ...

FULANO DE TAL (não inventar dados), já qualificado nos autos, por seu
procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa
Excelência, inconformado com a decisão de fls., interpor o presente RECURSO DE APELAÇÃO, com
base no artigo 593, (indicar o inciso), do Código de Processo Penal.
Assim, requer seja recebido e processado o recurso, já com as razões anexas,
remetendo-se os autos ao Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal.

Nestes termos,
pede deferimento

Local..., data...78
____________________
Advogado...
OAB...

77
Competência da Justiça Federal – Art. 109 da CF/88
78
CUIDADO: O ENUNCIADO PODE PEDIR A INTERPOSIÇÃO NO ÚLTIMO DIA DO PRAZO
150
PROCESSO PENAL OAB
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RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO: Endereçamento ao Tribunal Competente


EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO ...... (se da competência da Justiça Estadual);
EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA ....REGIÃO (se da competência da Justiça Federal).
Apelante: Fulano de Tal
Apelado: Ministério Público
Processo nº

RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO

Egrégio Tribunal de Justiça ou Egrégio Tribunal Regional Federal


Colenda Câmara (Justiça Estadual) ou Colenda Turma (Justiça Federal)

I) DOS FATOS79
II) DO DIREITO80
A) DAS PRELIMINARES
B) DO MÉRITO81
C) SUBSIDIARIAMENTE82
III) DO PEDIDO
Ante o exposto, requer seja REFORMADA A DECISÃO DE 1º GRAU, com o
consequente PROVIMENTO do presente recurso, para o fim ......:
I) preliminares (nulidades, incompetência, prescrição, etc – acompanhar a ordem das preliminares)
II) absolvição, com base no artigo 386, inciso ....., do CPP
III) diminuição da pena, regime carcerário, substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de
direitos, “sursis” (se não cabível a restritiva de direitos),

Local... e data...
______________________
ADVOGADO
OAB

79
Fazer breve relato dos fatos ocorridos, conforme os dados do enunciado (não inventar nada nem simplesmente
transcrever o enunciado).
80
Aqui também sugere-se dividir os fundamentos jurídicos em preliminares e mérito.
81
No mérito, busca-se afastar a materialidade e autoria do delito, bem como arguir uma das causas excludentes do
crime: exclusão da tipicidade, ilicitude e culpabilidade. MATICS
82
Dica: para lembrar dos pedidos voltados a melhorar a situação do réu, sugere-se seguir a sequência dos incisos do art. 59 do CP.
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias
e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e
prevenção do crime:
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos [buscar atenuantes (arts. 65 e 66 CP) e causas de diminuição da pena -
tentativa, por exemplo, art. 14, II CP); b) afastar causas de aumento da pena e qualificadoras];
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade (art. 33 CP);
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível (art. 44 CP).
ART. 77 CP (SURSIS)
151
PROCESSO PENAL OAB
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ESTRUTURA DE APELAÇÃO NO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL


PEÇA DE INTERPOSIÇÃO: ENDEREÇAMENTO: Juiz de 1º grau
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL DA
COMARCA ......
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL DA
SEÇÃO JUDICIÁRIA DE ......

Processo nº ....

FULANO DE TAL, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado,


vem, respeitosamente, a presença de Vossa Excelência, inconformado com a decisão de fls., interpor o
presente RECURSO DE APELAÇÃO, com base no artigo 82 da Lei 9.099/95.
Assim, requer seja recebido e processado o recurso, já com as razões anexas,
remetendo-se os autos às Turmas Recursais.

Nestes termos,
pede deferimento.

Local..., data...83.

Advogado...
OAB...

83
CUIDADO: O ENUNCIADO PODE PEDIR A INTERPOSIÇÃO NO ÚLTIMO DIA DO PRAZO
152
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RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO: Endereçamento às TURMAS RECURSAIS


EGRÉGIA TURMA RECURSAL
Apelante: Fulano de Tal
Apelado: Ministério Público
Processo nº ....

RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO

Egrégia Turma Recursal


Eméritos Julgadores

I) DOS FATOS84
II) DO DIREITO
A) DAS PRELIMINARES
B) DO MÉRITO85
C) SUBSIDIARIAMENTE86
III) DO PEDIDO
Ante o exposto, requer seja REFORMADA A DECISÃO DE 1º GRAU, com o
consequente PROVIMENTO do presente recurso, para o fim ......:
I) preliminares (nulidades, incompetência, prescrição, etc – acompanhar a ordem das preliminares)
II) absolvição, com base no artigo 386, inciso ....., do CPP
III) diminuição da pena, regime carcerário, substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de
direitos, “sursis” (se não cabível a restritiva de direitos),

Local... e data...

ADVOGADO...
OAB...

84
Fazer breve relato dos fatos ocorridos, conforme os dados do enunciado (não inventar nada nem simplesmente
transcrever o enunciado).
85
No mérito, busca-se afastar a materialidade e autoria do delito, bem como arguir uma das causas excludentes do
crime: exclusão da tipicidade, ilicitude e culpabilidade. MATICS
86
Dica: para lembrar dos pedidos voltados a melhorar a situação do réu, sugere-se seguir a sequência dos incisos do art. 59 do CP.
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias
e conseqüências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e
prevenção do crime:
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos [buscar atenuantes (arts. 65 e 66 CP) e causas de diminuição da pena -
tentativa, por exemplo, art. 14, II CP); b) afastar causas de aumento da pena e qualificadoras];
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade (art. 33 CP);
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível (art. 44 CP).
ART. 77 CP (SURSIS)
153
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

FAÇA VOCÊ MESMO!

Para exercitar a peça acima,


consulte o material disponível na
pasta “Exercitando Peças”,
constante no Sistema EAD. Os
enunciados correspondentes
estão na apostila “caderno de
peças – para resolver”, nas págs.
10, 38 e 107. Já as resoluções
constam na apostila “caderno de
peças - padrão de respostas”,
nas págs. 12, 43 e 100 e
seguintes.
Após realizar a peça, assista à
respectiva aula de estruturação!

154
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

3.8) RAZÕES DE APELAÇÃO

I) INTRODUÇÃO

Em todas as oportunidades em que cobrou a peça apelação, a FGV exigiu que o


candidato fizesse a interposição e, de forma concomitante, já apresentasse as razões de apelação.

Todavia, se considerado o procedimento previsto para interposição do recurso de


apelação, pode-se aventar a possibilidade de a FGV cobrar do candidato a peça RAZÕES DE APELAÇÃO.

Isso porque, conforme dispõe o artigo 593 do CPP, se não concordar com a
sentença proferida, a parte irresignada deverá apresentar a petição de interposição da apelação no prazo
de 05 dias. Após, o juízo de 1º grau, onde foi proferida a sentença, fará o primeiro juízo de
admissibilidade, recebendo ou não a apelação. Na sequência, conforme dispõe o artigo 600 do CPP, se
recebida a apelação, intima-se o apelante para apresentar suas RAZÕES PARA REFORMA da decisão
recorrida.

Ou seja, poderá constar no enunciado que o juiz proferiu sentença e que a parte
interpôs recurso de apelação, exigindo, após, que o candidato apresente a peça correspondente, qual seja,
RAZÕES DE APELAÇÃO.

E, nas razões de apelação, deve-se apresentar, no caso, a petição de juntada e


depois as razões de apelação propriamente dita.

II) IDENTIFICAÇÃO

O Recurso de apelação é interposto pelo apelante, sendo, na sequência, o apelante


intimado para oferecer as razões de apelação.

PEDIU PRA PARAR

PALAVRA MÁGICA: PEÇA:


INTERPOSIÇÃO DO RECURSO E RAZÕES DE APELAÇÃO
INTIMAÇÃO PARA APRESENTAR A
PEÇA

PAROU!

155
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

III) BASE LEGAL

Base legal: art. 600 do CPP

IV) PRAZO

Conforme o artigo 600 do CPP, o prazo para razões de apelação é de 08 dias.

V) CONTEÚDO

O recurso de apelação pode exigir do candidato desenvolver teses relacionadas a


preliminares e/ou matérias de mérito (MATICS), conforme visto acima.

VI) PEDIDO

No campo destinado aos pedidos, deve-se formular pedido específico para cada uma
das teses desenvolvidas ao longo da peça.

Ex. Se sustentou a tese da nulidade da sentença, deve-se, ao final, formular pedido


expresso de que seja declarada a nulidade da sentença.

Se desenvolveu tese acerca da prescrição, ao final deve formular pedido expresso de


extinção da punibilidade, com base no artigo 107, IV, do Código Penal.

Isso vale também para as matérias de mérito e teses subsidiárias.

Se sustentou, por exemplo, princípio da insignificância, deve-se formular pedido


expresso de absolvição, com base no artigo 386, inciso III, do CPP. Se sustentou, subsidiariamente, que o réu
não é reincidente, deve-se, ao final, formular pedido expresso para afastar a reincidência, com a consequente
diminuição da pena...e assim por diante...

O pedido de absolvição tem como base uma das hipóteses do artigo 386 do CPP.

156
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

PETIÇÃO DE JUNTADA RECURSO DE APELAÇÃO87


A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA .....VARA CRIMINAL DA
COMARCA.....(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA .....VARA CRIMINAL DA SECÇÃO
JUDICIÁRIA DE..... (SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)

Processo nº ....

FULANO DE TAL (não inventar dados), já qualificado nos autos, por seu
procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa
Excelência, apresentar as presentes RAZÕES DE APELAÇÃO, com base no artigo 600 do Código de
Processo Penal, requerendo sejam recebidas, com posterior remessa dos autos ao Tribunal de Justiça do
Estado... (ou Tribunal Regional Federal)

Nestes termos,
Pede deferimento

Local..., data...

____________________
Advogado...
OAB...

87
As razões de recurso de apelação também são compostas de petição de juntada e de razões para manutenção da
decisão.
157
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO: Endereçamento ao Tribunal Competente


EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO ...... (se da competência da Justiça Estadual);
EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA ....REGIÃO (se da competência da Justiça Federal).
Apelante: Fulano de Tal
Apelado: Ministério Público
Processo nº

RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO

Egrégio Tribunal de Justiça ou Egrégio Tribunal Regional Federal


Colenda Câmara (Justiça Estadual) ou Colenda Turma (Justiça Federal)

I) DOS FATOS88
II) DO DIREITO89
A) DAS PRELIMINARES
B) DO MÉRITO90
C) SUBSIDIARIAMENTE91
III) DO PEDIDO
Ante o exposto, requer seja REFORMADA A DECISÃO DE 1º GRAU, com o
consequente PROVIMENTO do presente recurso, para o fim ......:
I) preliminares (nulidades, incompetência, prescrição, etc – acompanhar a ordem das preliminares)
II) absolvição, com base no artigo 386, inciso ....., do CPP
III) diminuição da pena, regime carcerário, substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de
direitos, “sursis” (se não cabível a restritiva de direitos),

Local... e data...
______________________
ADVOGADO...
OAB...

88
Fazer breve relato dos fatos ocorridos, conforme os dados do enunciado (não inventar nada nem simplesmente
transcrever o enunciado).
89
Aqui também sugere-se dividir os fundamentos jurídicos em preliminares e mérito.
90
No mérito, busca-se afastar a materialidade e autoria do delito, bem como arguir uma das causas excludentes do
crime: exclusão da tipicidade, ilicitude e culpabilidade. MATICS
91
Dica: para lembrar dos pedidos voltados a melhorar a situação do réu, sugere-se seguir a sequência dos incisos do art. 59 do CP.
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias
e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e
prevenção do crime:
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos [buscar atenuantes (arts. 65 e 66 CP) e causas de diminuição da pena -
tentativa, por exemplo, art. 14, II CP); b) afastar causas de aumento da pena e qualificadoras];
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade (art. 33 CP);
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível (art. 44 CP).
ART. 77 CP (SURSIS)
158
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL - XXII EXAME

Desejando comprar um novo carro, Leonardo, jovem com 19 anos, decidiu praticar um crime de roubo em
um estabelecimento comercial, com a intenção de subtrair o dinheiro constante do caixa. Narrou o plano
criminoso para Roberto, seu vizinho, mas este se recusou a contribuir. Leonardo decidiu, então, praticar o
delito sozinho. Dirigiu-se ao estabelecimento comercial, nele ingressou e, no momento em que restava
apenas um cliente, simulou portar arma de fogo e o ameaçou de morte, o que fez com ele saísse, já que a
intenção de Leonardo era apenas a de subtrair bens do estabelecimento. Leonardo, em seguida, consegue
acesso ao caixa onde fica guardado o dinheiro, mas, antes de subtrair qualquer quantia, verifica que o
único funcionário que estava trabalhando no horário era um senhor que utilizava cadeiras de rodas.
Arrependido, antes mesmo de ser notada sua presença pelo funcionário, deixa o local sem nada subtrair,
mas, já do lado de fora da loja, é surpreendido por policiais militares. Estes realizam a abordagem,
verificam que não havia qualquer arma com Leonardo e esclarecem que Roberto narrara o plano criminoso
do vizinho para a Polícia. Tomando conhecimento dos fatos, o Ministério Público requereu a conversão da
prisão em flagrante em preventiva e denunciou Leonardo como incurso nas sanções penais do Art. 157, §
2º, inciso I, c/c o Art. 14, inciso II, ambos do Código Penal. Após decisão do magistrado competente, qual
seja, o da 1ª Vara Criminal de Belo Horizonte/MG, de conversão da prisão e recebimento da denúncia, o
processo teve seu prosseguimento regular. O homem que fora ameaçado nunca foi ouvido em juízo, pois
não foi localizado, e, na data dos fatos, demonstrou não ter interesse em ver Leonardo responsabilizado.
Em seu interrogatório, Leonardo confirma integralmente os fatos, inclusive destacando que se arrependeu
do crime que pretendia praticar. Constavam no processo a Folha de Antecedentes Criminais do acusado
sem qualquer anotação e a Folha de Antecedentes Infracionais, ostentando uma representação pela
prática de ato infracional análogo ao crime de tráfico, com decisão definitiva de procedência da ação
socioeducativa. O magistrado concedeu prazo para as partes se manifestarem em alegações finais por
memoriais. O Ministério Público requereu a condenação nos termos da denúncia. O advogado de Leonardo,
contudo, renunciou aos poderes, razão pela qual, de imediato, o magistrado abriu vista para a Defensoria
Pública apresentar alegações finais. Em sentença, o juiz julgou procedente a pretensão punitiva estatal. No
momento de fixar a pena-base, reconheceu a existência de maus antecedentes em razão da representação
julgada procedente em face de Leonardo enquanto era inimputável, aumentando a pena em 06 meses de
reclusão. Não foram reconhecidas agravantes ou atenuantes. Na terceira fase, incrementou o magistrado
em 1/3 a pena, justificando ser desnecessária a apreensão de arma de fogo, bastando a simulação de
porte do material diante do temor causado à vítima. Com a redução de 1/3 pela modalidade tentada, a
pena final ficou acomodada em 4 (quatro) anos de reclusão. O regime inicial de cumprimento de pena foi o
fechado, justificando o magistrado que o crime de roubo é extremamente grave e que atemoriza os
cidadãos de Belo Horizonte todos os dias. Intimado, o Ministério Público apenas tomou ciência da decisão.
A irmã de Leonardo o procura para, na condição de advogado, adotar as medidas cabíveis. Constituída nos
autos, a intimação da sentença pela defesa ocorreu em 08 de maio de 2017, segunda-feira, sendo terça-
feira dia útil em todo o país. Com base nas informações expostas acima e naquelas que podem ser
inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de habeas corpus, no último dia
do prazo para interposição, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5,00) Obs.: a peça
deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão.
A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação.

PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL - XVIII EXAME


Durante o carnaval do ano de 2015, no mês de fevereiro, a família de Joana resolveu viajar para
comemorar o feriado, enquanto Joana, de 19 anos, decidiu ficar em sua residência, na cidade de Natal,
sozinha, para colocar os estudos da faculdade em dia. Tendo conhecimento dessa situação, Caio, vizinho
de Joana, nascido em 25 de março de 1994, foi até o local, entrou sorrateiramente no quarto de Joana e,
mediante grave ameaça, obrigou-a a praticar com ele conjunção carnal e outros atos libidinosos diversos,
deixando o local após os fatos e exigindo que a vítima não contasse sobre o ocorrido para qualquer
pessoa. Apesar de temerosa e envergonhada, Joana contou o ocorrido para sua mãe. A seguir, as duas
compareceram à Delegacia e a vítima ofertou representação. Caio, então, foi denunciado pela prática como
incurso nas sanções penais do Art. 213 do Código Penal, por duas vezes, na forma do Art. 71 do Estatuto
Repressivo. Durante a instrução, foi ouvida a vítima, testemunhas de acusação e o réu confessou os fatos.
Foi, ainda, juntado laudo de exame de conjunção carnal confirmando a prática de ato sexual violento
159
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

recente com Joana e a Folha de Antecedentes Criminais (FAC) do acusado, que indicava a existência de
duas condenações, embora nenhuma delas com trânsito em julgado. Em alegações finais, o Ministério
Público requereu a condenação de Caio nos termos da denúncia, enquanto a defesa buscou apenas a
aplicação da pena no mínimo legal. No dia 25 de junho de 2015 foi proferida sentença pelo juízo
competente, qual seja a 1ª Vara Criminal da Comarca de Natal, condenando Caio à pena privativa de
liberdade de 10 anos e 06 meses de reclusão, a ser cumprida em regime inicial fechado. Na sentença
consta que a pena base de cada um dos crimes deve ser aumentada em seis meses pelo fato de Caio
possuir maus antecedentes, já que ostenta em sua FAC duas condenações pela prática de crimes, e mais
06 meses pelo fato de o acusado ter desrespeitado a liberdade sexual da mulher, um dos valores mais
significativos da sociedade, restando a sanção penal da primeira fase em 07 anos de reclusão, para cada
um dos delitos. Na segunda fase, não foram reconhecidas atenuantes ou agravantes. Afirmou o
magistrado que atualmente é o réu maior de 21 anos, logo não estaria presente a atenuante do Art. 65,
inciso I, do CP. Ao analisar o concurso de crimes, o magistrado considerou a pena de um dos delitos, já
que eram iguais, e aumentou de 1/2 (metade), na forma do Art. 71 do CP, justificando o acréscimo no fato
de ambos os crimes praticados serem extremamente graves. Por fim, o regime inicial para o cumprimento
da pena foi o fechado, justificando que, independente da pena aplicada, este seria o regime obrigatório,
nos termos do Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90. Apesar da condenação, como Caio respondeu ao processo
em liberdade, o juiz concedeu a ele o direito de aguardar o trânsito em julgado da mesma forma. Caio e
sua família o (a) procuram para, na condição de advogado (a), adotar as medidas cabíveis, destacando
que estão insatisfeitos com o patrono anterior. Constituído nos autos, a intimação da sentença ocorreu em
07 de julho de 2015, terçafeira, sendo quarta-feira dia útil em todo o país.
Com base nas informações acima expostas e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a
peça cabível, excluída a possibilidade de Habeas Corpus, no último dia do prazo para interposição,
sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5.00 pontos)

Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere
pontuação.

PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL - IV EXAME OAB


Tício foi denunciado e processado, na 1ª Vara Criminal da Comarca do Município X, pela prática de roubo
qualificado em decorrência do emprego de arma de fogo. Ainda durante a fase de inquérito policial, Tício
foi reconhecido pela vítima. Tal reconhecimento se deu quando a referida vítima olhou através de pequeno
orifício da porta de uma sala onde se encontrava apenas o réu. Já em sede de instrução criminal, nem
vítima nem testemunhas afirmaram ter escutado qualquer disparo de arma de fogo, mas foram uníssonas
no sentido de assegurar que o assaltante portava uma. Não houve perícia, pois os policiais que prenderam
o réu em flagrante não lograram êxito em apreender a arma. Tais policiais afirmaram em juízo que, após
escutarem gritos de “pega ladrão!”, viram o réu correndo e foram em seu encalço. Afirmaram que, durante
a perseguição, os passantes apontavam para o réu, bem como que este jogou um objeto no córrego que
passava próximo ao local dos fatos, que acreditavam ser a arma de fogo utilizada. O réu, em seu
interrogatório, exerceu o direito ao silêncio. Ao cabo da instrução criminal, Tício foi condenado a oito anos
e seis meses de reclusão, por roubo com emprego de arma de fogo, tendo sido fixado o regime inicial
fechado para cumprimento de pena. O magistrado, para fins de condenação e fixação da pena, levou em
conta os depoimentos testemunhais colhidos em juízo e o reconhecimento feito pela vítima em sede
policial, bem como o fato de o réu ser reincidente e portador de maus antecedentes, circunstâncias
comprovadas no curso do processo.
Você, na condição de advogado(a) de Tício, é intimado(a) da decisão. Com base somente nas informações
de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, redija a peça cabível,
apresentando as razões e sustentando as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5,0)

V EXAME OAB - PEÇA


Em 10 de janeiro de 2007, Eliete foi denunciada pelo Ministério Público pela prática do crime de furto
qualificado por abuso de confiança, haja vista ter alegado o Parquet que a denunciada havia se valido da
qualidade de empregada doméstica para subtrair, em 20 de dezembro de 2006, a quantia de R$ 50,00 de
seu patrão Cláudio, presidente da maior empresa do Brasil no segmento de venda de alimentos no varejo.
160
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

A denúncia foi recebida em 12 de janeiro de 2007, e, após a instrução criminal, foi proferida, em 10 de
dezembro de 2009, sentença penal julgando procedente a pretensão acusatória para condenar Eliete à
pena final de dois anos de reclusão, em razão da prática do crime previsto no artigo 155, §2º, inciso IV, do
Código Penal. Após a interposição de recurso de apelação exclusivo da defesa, o Tribunal de Justiça
entendeu por bem anular toda a instrução criminal, ante a ocorrência de cerceamento de defesa em razão
do indeferimento injustificado de uma pergunta formulada a uma testemunha. Novamente realizada a
instrução criminal, ficou comprovado que, à época dos fatos, Eliete havia sido contratada por Cláudio havia
uma semana e só tinha a obrigação de trabalhar às segundas, quartas e sextas-feiras, de modo que o
suposto fato criminoso teria ocorrido no terceiro dia de trabalho da doméstica. Ademais, foi juntada aos
autos a comprovação dos rendimentos da vítima, que giravam em torno de R$ 50.000,00 (cinquenta mil
reais) mensais. Após a apresentação de memoriais pelas partes, em 9 de fevereiro de 2011, foi proferida
nova sentença penal condenando Eliete à pena final de 2 (dois) anos e 6 (seis) meses de reclusão. Em
suas razões de decidir, assentou o magistrado que a ré possuía circunstâncias judiciais desfavoráveis, uma
vez que se reveste de enorme gravidade a prática de crimes em que se abusa da confiança depositada no
agente, motivo pelo qual a pena deveria ser distanciada do mínimo. Ao final, converteu a pena privativa de
liberdade em restritiva de direitos, consubstanciada na prestação de 8 (oito) horas semanais de serviços
comunitários, durante o período de 2 (dois) anos e 6 (seis) meses em instituição a ser definida pelo juízo
de execuções penais. Novamente não houve recurso do Ministério Público, e a sentença foi publicada no
Diário Eletrônico em 16 de fevereiro de 2011.
Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto
acima, redija, na qualidade de advogado de Eliete, com data para o último dia do prazo legal, o recurso
cabível à hipótese, invocando todas as questões de direito pertinentes, mesmo que em caráter eventual.
(Valor: 5,0)

PEÇA PRÁTICO‐PROFISSIONAL – VII OAB


Leia com atenção o caso concreto a seguir:
Grávida de nove meses, Ana entra em trabalho de parto, vindo dar à luz um menino saudável, o qual é
imediatamente colocado em seu colo. Ao ter o recém‐nascido em suas mãos, Ana é tomada por extremo
furor, bradando aos gritos que seu filho era um “monstro horrível que não saiu de mim” e bate por
seguidas vezes a cabeça da criança na parede do quarto do hospital, vitimando‐a fatalmente. Após ser
dominada pelos funcionários do hospital, Ana é presa em flagrante delito.
Durante a fase de inquérito policial, foi realizado exame médico‐legal, o qual atestou que Ana agira sob
influência de estado puerperal. Posteriormente, foi denunciada, com base nas provas colhidas na fase
inquisitorial, sobretudo o laudo do expert, perante a 1ª Vara Criminal/Tribunal do Júri pela prática do crime
de homicídio triplamente qualificado, haja vista ter sustentado o Parquet que Ana fora movida por motivo
fútil, empregara meio cruel para a consecução do ato criminoso, além de se utilizar de recurso que tornou
impossível a defesa da vítima. Em sede de Alegações Finais Orais, o Promotor de Justiça reiterou os
argumentos da denúncia, sustentando que Ana teria agido impelida por motivo fútil ao decidir matar seu
filho em razão de tê‐lo achado feio e teria empregado meio cruel ao bater a cabeça do bebê repetidas
vezes contra a parede, além de impossibilitar a defesa da vítima, incapaz, em razão da idade, de
defender‐se.
A Defensoria Pública, por sua vez, alegou que a ré não teria praticado o fato e, alternativamente, se o
tivesse feito, não possuiria plena capacidade de autodeterminação, sendo inimputável. Ao proferir a
sentença, o magistrado competente entendeu por bem absolver sumariamente a ré em razão de
inimputabilidade, pois, ao tempo da ação, não seria ela inteiramente capaz de se autodeterminar em
consequência da influência do estado puerperal. Tendo sido intimado o Ministério Público da decisão, em
11 de janeiro de 2011, o prazo recursal transcorreu in albis sem manifestação do Parquet.
Em relação ao caso narrado, você, na condição de advogado(a), é procurado pelo pai da vítima, em 20 de
janeiro de 2011, para habilitar‐se como assistente da acusação e impugnar a decisão.
Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto
acima, redija a peça cabível, sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes, datando do último dia
do prazo.
(Valor: 5,0)

161
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

QUESTÃO 2 - IV EXAME
Caio é denunciado pelo Ministério Público pela prática do crime de homicídio qualificado por motivo fútil.
De acordo com a inicial, em razão de rivalidade futebolística, Caio teria esfaqueado Mévio quarenta e três
vezes, causando-lhe o óbito. Pronunciado na forma da denúncia, Caio recorreu com o objetivo de ser
impronunciado, vindo o Tribunal de Justiça da localidade a manter a pronúncia, mas excluindo a
qualificadora, ao argumento de que Mévio seria arruaceiro e, portanto, a motivação não poderia ser
considerada fútil. No julgamento em plenário, ocasião em que Caio confessou a prática do crime, a defesa
lê para os jurados a decisão proferida pelo Tribunal de Justiça no que se refere à caracterização de Mévio
como arruaceiro. Respondendo aos quesitos, o Conselho de Sentença absolve Caio.
Sabendo-se que o Ministério Público não recorreu da sentença, responda aos itens a seguir, empregando
os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso.
a) A esposa de Mévio poderia buscar a impugnação da decisão proferida pelo Conselho de Sentença? Em
caso positivo, de que forma e com base em que fundamento? (Valor: 0,65)
b) Caso o Ministério Público tivesse interposto recurso de apelação com fundamento exclusivo no artigo
593, III, “d”, do Código de Processo Penal, poderia o Tribunal de Justiça declarar a nulidade do julgamento
por reconhecer a existência de nulidade processual? (Valor: 0,6)

QUESTÃO 1 – XIX EXAME


João estava dirigindo seu automóvel a uma velocidade de 100 km/h em uma rodovia em que o limite
máximo de velocidade é de 80 km/h. Nesse momento, foi surpreendido por uma bicicleta que atravessou a
rodovia de maneira inesperada, vindo a atropelar Juan, condutor dessa bicicleta, que faleceu no local em
virtude do acidente. Diante disso, João foi denunciado pela prática do crime previsto no Art. 302 da Lei nº
9.503/97. As perícias realizadas no cadáver da vítima, no automóvel de João, bem como no local do fato,
indicaram que João estava acima da velocidade permitida, mas que, ainda que a velocidade do veículo do
acusado fosse de 80 km/h, não seria possível evitar o acidente e Juan teria falecido. Diante da prova
pericial constatando a violação do dever objetivo de cuidado pela velocidade acima da permitida, João foi
condenado à pena de detenção no patamar mínimo previsto no dispositivo legal. Considerando apenas os
fatos narrados no enunciado, responda aos itens a seguir.
A) Qual o recurso cabível da decisão do magistrado, indicando seu prazo e fundamento legal? (Valor: 0,60)
B) Qual a principal tese jurídica de direito material a ser alegada nas razões recursais? (Valor: 0,65)

162
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

5) CONTRARRAZÕES DE APELAÇÃO

5.1) INTRODUÇÃO

Nos termos do artigo 593 do CPP, se não concordar com a sentença proferida, a
parte irresignada deverá apresentar a petição de interposição da apelação no prazo de 05 dias. Após, o juízo
de 1º grau, onde foi proferida a sentença, fará o primeiro juízo de admissibilidade, recebendo ou não a
apelação. Na sequência, conforme dispõe o artigo 600 do CPP, se recebida a apelação, intima-se o apelante
para apresentar suas RAZÕES PARA REFORMA da decisão recorrida e, após, o apelado para oferecer suas
CONTRARRAZÕES ou RAZÕES DO APELADO.

5.2) PRAZO

Conforme o artigo 600 do CPP, o prazo para contrarrazões é de 08 dias.

5.3) IDENTIFICAÇÃO

O Recurso de apelação é interposto e arrazoado pelo apelante, sendo, na


sequência, o apelado intimado para oferecer as contrarrazões.

Exemplo de identificação considerando a peça que caiu no XIX Exame.

PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL XIX EXAME

“ (...) Ao final da instrução, após alegações finais, a pretensão punitiva do Estado foi julgada
procedente, com Rodrigo sendo condenado a pena de 05 anos e 04 meses de reclusão, a ser cumprida
em regime semiaberto, e 13 dias-multa. O juiz aplicou a pena-base no mínimo legal, além de não
reconhecer qualquer agravante ou atenuante. Na terceira fase da aplicação da pena, reconheceu as
majorantes mencionadas na denúncia e realizou um aumento de 1/3 da pena imposta. O Ministério Público
foi intimado da sentença em 14 de setembro de 2015, uma segunda-feira, sendo terça-feira dia útil.
Inconformado, o Ministério Público apresentou recurso de apelação perante o juízo de primeira instância,
acompanhado das respectivas razões recursais, no dia 30 de setembro de 2015, requerendo: i) O aumento
da pena-base, tendo em vista a existência de diversas anotações na Folha de Antecedentes Criminais do
acusado; ii) O reconhecimento das agravantes previstas no Art. 61, inciso II, alíneas ‘h’ e ‘l’, do Código
Penal; iii) A majoração do quantum de aumento em razão das causas de aumentos previstas no Art. 157,
§2º, incisos I e II, do Código Penal, exclusivamente pelo fato de serem duas as majorantes; iv) Fixação do
regime inicial fechado de cumprimento de pena, pois o roubo com faca tem assombrado a população do
Rio de Janeiro, causando uma situação de insegurança em toda a sociedade. A defesa não apresentou
recurso. O magistrado, então, recebeu o recurso de apelação do Ministério Público e intimou,
no dia 19 de outubro de 2015 (segunda-feira), sendo terça feira dia útil em todo o país, você,
advogado(a) de Rodrigo, para apresentar a medida cabível. Com base nas informações expostas
na situação hipotética e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluída
a possibilidade de habeas corpus, no último dia do prazo, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes.
(Valor: 5.00)”

163
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

5.4) CONTEÚDO

Deve-se buscar no enunciado informações que permitem desenvolver teses


voltadas à manutenção da decisão recorrida, bem como refutar os argumentos lançados pela acusação.

ESTRUTURA DAS CONTRARRAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO92


PETIÇÃO DE JUNTADA
A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA .....VARA CRIMINAL DA
COMARCA.....(SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA .....VARA CRIMINAL DA SECÇÃO
JUDICIÁRIA DE..... (SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)

7 a 10 linhas

Processo nº ....

FULANO DE TAL (não inventar dados), já qualificado nos autos, por seu
procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa
Excelência, apresentar as presentes CONTRARRAZÕES DE APELAÇÃO, com base no artigo 600 do
Código de Processo Penal, requerendo sejam recebidas, com posterior remessa dos autos ao Tribunal
de Justiça do Estado... (ou Tribunal Regional Federal)

Nestes termos,
Pede deferimento

Local..., data...

Advogado...
OAB...

92
As contrarrazões de recurso de apelação também são compostas de petição de juntada e de razões para manutenção da
decisão.
164
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EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO....OU EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL

Apelante: Ministério Público


Apelado: Fulano de Tal
Processo nº ....

CONTRARRAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO

Egrégio Tribunal de Justiça ou Egrégio Tribunal Regional Federal


Colenda Câmara ou Colenda Turma (se Justiça Federal)

I) DOS FATOS93
II) DO DIREITO94
III) DO PEDIDO95
Ante o exposto, requer NÃO SEJA CONHECIDO o recurso e, no mérito, seja
IMPROVIDO o recurso de apelação interposto, MANTENDO-SE, por conseguinte, a decisão recorrida nos
seus exatos termos.

2 linhas
Local... e data...

ADVOGADO...
OAB...

93 Fazer breve relato dos fatos ocorridos, conforme os dados do enunciado (não inventar nada), bem como da decisão recorrida.
94 Pode-se dividir em preliminares e mérito. Em preliminar, buscar, invariavelmente, informações no enunciado para desenvolver tese para o não conhecimento do recurso
(Ex: intempestividade do recurso interposto). No mérito, buscar informações para desenvolver teses voltadas a Expor argumentos contrários aos invocados nas razões de
apelação (informados no enunciado da questão), defendo, em síntese, a manutenção da decisão recorrida.
95 REQUERER O NÃO CONHECIMENTO, IMPROVIMENTO DO RECURSO DE APELAÇÃO E A MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.

165
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PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL– XIX EXAME


No dia 24 de dezembro de 2014, na cidade do Rio de Janeiro, Rodrigo e um amigo não identificado foram
para um bloco de rua que ocorria em razão do Natal, onde passaram a ingerir bebida alcoólica em
comemoração ao evento festivo. Na volta para casa, ainda em companhia do amigo, já um pouco tonto em
razão da quantidade de cerveja que havia bebido, subtraiu, mediante emprego de uma faca, os pertences
de uma moça desconhecida que caminhava tranquilamente pela rua. A vítima era Maria, jovem de 24 anos
que acabara de sair do médico e saber que estava grávida de um mês. Em razão dos fatos, Rodrigo foi
denunciado pela prática de crime de roubo duplamente majorado, na forma do Art. 157, § 2º, incisos I e
II, do Código Penal.
Durante a instrução, foi juntada a Folha de Antecedentes Criminais de Rodrigo, onde constavam anotações
em relação a dois inquéritos policiais em que ele figurava como indiciado e três ações penais que
respondia na condição de réu, apesar de em nenhuma delas haver sentença com trânsito em julgado.
Foram, ainda, durante a Audiência de Instrução e Julgamento ouvidos a vítima e os policiais que
encontraram Rodrigo, horas após o crime, na posse dos bens subtraídos. Durante seu interrogatório,
Rodrigo permaneceu em silêncio. Ao final da instrução, após alegações finais, a pretensão punitiva do
Estado foi julgada procedente, com Rodrigo sendo condenado a pena de 05 anos e 04 meses de reclusão,
a ser cumprida em regime semiaberto, e 13 dias-multa. O juiz aplicou a pena-base no mínimo legal, além
de não reconhecer qualquer agravante ou atenuante. Na terceira fase da aplicação da pena, reconheceu as
majorantes mencionadas na denúncia e realizou um aumento de 1/3 da pena imposta.
O Ministério Público foi intimado da sentença em 14 de setembro de 2015, uma segunda-feira, sendo
terça-feira dia útil. Inconformado, o Ministério Público apresentou recurso de apelação perante o juízo de
primeira instância, acompanhado das respectivas razões recursais, no dia 30 de setembro de 2015,
requerendo:
i) O aumento da pena-base, tendo em vista a existência de diversas anotações na Folha de Antecedentes
Criminais do acusado;
ii) O reconhecimento das agravantes previstas no Art. 61, inciso II, alíneas ‘h’ e ‘l’, do Código Penal;
iii) A majoração do quantum de aumento em razão das causas de aumentos previstas no Art. 157, §2º,
incisos I e II, do Código Penal, exclusivamente pelo fato de serem duas as majorantes;
iv) Fixação do regime inicial fechado de cumprimento de pena, pois o roubo com faca tem assombrado a
população do Rio de Janeiro, causando uma situação de insegurança em toda a sociedade.

A defesa não apresentou recurso. O magistrado, então, recebeu o recurso de apelação do Ministério
Público e intimou, no dia 19 de outubro de 2015 (segunda-feira), sendo terça feira dia útil em todo o país,
você, advogado(a) de Rodrigo, para apresentar a medida cabível.

Com base nas informações expostas na situação hipotética e naquelas que podem ser inferidas do caso
concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de habeas corpus, no último dia do prazo,
sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5.00)

166
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FAÇA VOCÊ MESMO!

Para exercitar a peça acima,


consulte o material disponível na
pasta “Exercitando Peças”,
constante no Sistema EAD. O
enunciado correspondente está
na apostila “caderno de peças –
para resolver”, na pág. 17. Já a
resolução consta na apostila
“caderno de peças - padrão de
respostas”, na pág. 20 e
seguintes.
Após realizar a peça, assista à
respectiva aula de estruturação!

167
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6) EFEITO EXTENSIVO – Art. 580 CPP


Conforme dispõe o artigo 580 do CPP, havendo dois ou mais réus, com idêntica
situação processual e fática, se apenas um deles recorrer e obtiver benefício, será este aplicado também aos
demais que não impugnaram a sentença ou decisão.

Ex: Theo e Russo são condenados por terem praticado crime de roubo majorado por
emprego de arma de fogo não apreendida, considerando o magistrado desnecessária a perícia na arma. Theo
interpõe recurso de apelação buscando também afastar a majorante do emprego de arma de fogo. O
provimento do recurso, afastando a majorante, se estende a Russo, que não havia apelado.

O efeito extensivo não se aplica quando a matéria recorrida envolver somente


circunstância de caráter pessoal. Ex: Na situação acima, Theo interpõe recurso de apelação voltado à
diminuição da pena, porque não foi considerada a sua menoridade (menor de 21 anos) à época do fato.
Eventual provimento do recurso não alcançará Russo, pois se trata de circunstância pessoal, nada relacionada
ao fato praticado.

Esse efeito extensivo não se restringe unicamente à apelação, sendo cabível também
nos demais recursos.

7) REFORMATIO IN PEJUS
Todos os recursos possuem efeito devolutivo. Significa que a interposição de um
recurso viabiliza a análise total ou parcial da matéria impugnada em primeiro grau. Em síntese, a interposição
do recurso reabre a discussão da decisão combatida no recurso por um órgão superior, cuja extensão da
apreciação pelo Tribunal depende de quem seja o recorrente, ou seja, se o recurso foi interposto pela acusação
ou defesa.

Especificamente em relação à reformatio in pejus, convém seja feito um estudo


articulado considerando quem foi o recorrente: recurso da acusação ou recurso da defesa.

7.1) Recurso da acusação:

A) Extensão do efeito devolutivo visando a agravar a situação jurídica do réu condenado:

O efeito devolutivo do recurso da acusação é bastante limitado quando voltado a


piorar a situação do réu. Isso porque não pode o Tribunal, por exemplo, reconhecer contra o réu nulidade não
postulada no recurso da acusação.

É nesse sentido, aliás, o teor da Súmula 160 do STF, segundo a qual é nulo o acórdão
que reconhece contra o réu nulidade não arguida no recurso da acusação, excetuados os casos de reexame
necessário (já que no caso de reexame necessário, a devolução é sempre na íntegra).

7.2) Recurso da defesa:

A) Extensão do efeito devolutivo visando a beneficiar o réu condenado

168
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Neste caso, a devolução que se opera pelo recurso defensivo é, em regra, integral,
podendo ser decididas em seu favor, no juízo ad quem, temas não enfrentados na impugnação.

B) O efeito devolutivo do recurso da defesa em face da reformatio in pejus:

Art. 617. O tribunal, câmara ou turma atenderá nas suas decisões ao disposto nos arts.
383, 386 e 387, no que for aplicável, não podendo, porém, ser agravada a pena,
quando somente o réu houver apelado da sentença.

Ocorre a reformatio in pejus quando o Tribunal agrava a situação do réu em face de


recurso interposto exclusivamente pela defesa. A reformatio in pejus pode ser direta ou indireta.

* REFORMATIO IN PEJUS DIRETA

Ocorre quando o próprio Tribunal profere decisão agravando a situação jurídica do réu
ao julgar recurso exclusivo da defesa.

Embora a apelação permita o reexame da matéria decidida na sentença, o efeito


devolutivo não é pleno, ou seja, não pode resultar do julgamento decisão desfavorável à parte que interpôs o
recurso.

Recorrendo apenas o réu, não é possível haver reforma da sentença para agravar sua
situação; recorrendo a acusação em caráter limitado, não pode o tribunal dar provimento em maior extensão
contra o apelado.

* REFORMATIO IN PEJUS INDIRETA

Trata-se da anulação da sentença, por recurso exclusivo do réu, vindo outra a ser
proferida, devendo respeitar os limites da primeira, sem poder agravar a situação do acusado.

Assim, caso o réu seja condenado a 5 anos de reclusão, mas obtenha a defesa a
anulação dessa decisão, quando o magistrado – ainda que seja outro – venha a proferir outra sentença, está
adstrito a uma condenação máxima de 5 anos.

Se pudesse elevar a pena, ao proferir nova decisão, estaria havendo uma autêntica
reforma em prejuízo da parte que recorreu.

Em tese, seria melhor ter mantido a sentença, ainda que padecendo de nulidade, pois
a pena seria menor.

Em síntese: Imagine-se que o réu, condenado a cinco anos de reclusão, recorra


invocando nulidade do processo. Considere-se, outrossim, que o Ministério Público não tenha apelado da
decisão para aumentar a pena. Se o tribunal, acolhendo o inconformismo da defesa, der-lhe provimento e
determinar a renovação dos atos processuais, não poderá a nova sentença, como regra, agravar a situação em
que já se encontrava o réu por força da sentença, sob pena de incorrer em reformatio in pejus indireta, ou seja,

169
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o juiz, na nova sentença, estaria limitado a cinco anos. Se fixar pena superior a cinco anos, poderá ser alegado,
em preliminar de apelação, nulidade da sentença.

QUESTÃO 02 – XIV EXAME DA OAB


Gustavo está sendo regularmente processado, perante o Tribunal do Júri da Comarca de Niterói-RJ, pela
prática do crime de homicídio simples, conexo ao delito de sequestro e cárcere privado. Os jurados
consideraram-no inocente em relação ao delito de homicídio, mas culpado em relação ao delito de sequestro
e cárcere privado. O juiz presidente, então, proferiu a respectiva sentença. Irresignado, o Ministério Público
interpôs apelação, sustentando que a decisão dos jurados fora manifestamente contrária à prova dos autos.
A defesa, de igual modo, apelou, objetivando também a absolvição em relação ao delito de sequestro e
cárcere privado.
O Tribunal de Justiça, no julgamento, negou provimento aos apelos, mas determinou a anulação do
processo (desde o ato viciado, inclusive) com base no Art. 564, III, i, do CPP, porque restou verificado que,
para a constituição do Júri, somente estavam presentes 14 jurados.
Nesse sentido, tendo como base apenas as informações contidas no enunciado, responda justificadamente
às questões a seguir.
A) A nulidade apresentada pelo Tribunal é absoluta ou relativa? Dê o respectivo fundamento legal. (Valor:
0,40)
B) A decisão do Tribunal de Justiça está correta? (Valor: 0,85)
Utilize os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso.

QUESTÃO 2 – XI EXAME
Daniel foi denunciado, processado e condenado pela prática do delito de roubo simples em sua modalidade
tentada. A pena fixada pelo magistrado foi de dois anos de reclusão em regime aberto. Todavia, atento às
particularidades do caso concreto, o referido magistrado concedeu-lhe o benefício da suspensão condicional
da execução da pena, sendo certo que, na sentença, não fixou nenhuma condição. Somente a defesa
interpôs recurso de apelação, pleiteando a absolvição de Daniel com base na tese de negativa de autoria e,
subsidiariamente, a substituição do benefício concedido por uma pena restritiva de direitos. O Tribunal de
Justiça, por sua vez, no julgamento da apelação, de forma unânime, negou provimento aos dois pedidos da
defesa e, no acórdão, fixou as condições do sursis, haja vista o fato de que o magistrado a quo deixou de
fazê-lo na sentença condenatória.
Nesse sentido, atento apenas às informações contidas no texto, responda, fundamentadamente, aos itens a
seguir.
A) Qual o recurso cabível contra a decisão do Tribunal de Justiça? (Valor: 0,55)
B) Qual deve ser a principal linha de argumentação no recurso? (Valor: 0,70)
A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não pontua.

170
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06 CAPÍTULO VI – RECURSO ESPECIAL E EXTRAORDINÁRIO


73
1) RECURSO ESPECIAL
1.1) CONCEITO

Conceitua-se o recurso especial como o recurso destinado a devolver ao Superior


Tribunal de Justiça a competência para conhecer e julgar questão federal de natureza infraconstitucional,
suscitada e decidida perante os Tribunais Federais e pelos Tribunais dos Estados e do Distrito Federal.

Daí o enunciado corrente na doutrina de que o recurso especial, a exemplo do


recurso extraordinário, não devolve ao STJ o conhecimento de questões de fato, mas tão-só de direito.
Perfeita adequação possui, nessa sede, o enunciado da Súmula 279 do STF: “Para simples reexame de
prova não cabe recurso extraordinário”.

Enquanto couber algum recurso, não cabe recurso especial. Esse pressupõe o
exaurimento das vias recursais. Essa regra inclui, também, os embargos infringentes.

1.2) BASE LEGAL

Base legal: art. 105, inciso III, da CF

Com a vigência do novo CPC, os artigos 26 a 29 da Lei nº 8.038/90, que


disciplinavam o processamento do recurso especial e extraordinário, foram revogados, passando a ser
conduzida a matéria no contexto do novo CPC, especificamente nos artigos 1029 a 1041.

1.3) CABIMENTO

Conforme dispõe o artigo 105, inciso III, da Constituição Federal, o recurso


especial será cabível contra as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais
Federais ou pelos Tribunais dos Estados e do Distrito Federal.

A) Decisão que contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência

Decisão contrária é aquela que viola a lei federal, enquanto a que nega vigência
é a que deixa de aplicar a lei federal ou aplica outra norma. Entende-se por lei federal aquela emanada do
Congresso Nacional (art. 22 da CF/88). Assim, não cabe recurso especial contra decisões que tenham
violado resoluções administrativas, portarias, resoluções, ainda que editadas por órgãos federais.

Também não cabe recurso especial quando a norma violada decorrer do


legislativo estadual ou municipal.

171
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Ex: Se o acórdão do Tribunal de Justiça considerar válida a perícia realizada por


apenas um perito não oficial em processo por crime de lesões corporais graves, estará contrariando o
disposto no art. 159, § 1º, do CPP.

B) Decisão que julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal

Há, nessa hipótese, um conflito entre uma lei federal e um ato editado por
autoridade municipal ou estadual. Trata-se de hipótese rara no âmbito penal, uma vez que compete à
União legislar sobre direito penal e processual penal.

Conforme exemplifica Avena (2013, p. 1229), há alguns anos, o Governo do


Estado do Rio Grande do Sul editou portaria estabelecendo que desenvolver velocidade superior a 96 km/h
(20% da máxima permitida no País à época) importava em prática de direção perigosa. A condenação do
motorista com base nessa portaria estadual, quando mantida em grau de recurso, ensejou dezenas de
recursos especiais sob o fundamento de que, ao assim proceder, estava o tribunal validando um ato de
governo local contestado em face da Lei das Contravenções Penais (à época, direção perigosa não era
crime, mas contravenção), lei esta que estabelecia o critério velocidade como elemento ou circunstância do
tipo penal.

C) Decisão que der à lei federal interpretação divergente da que lhe tenha atribuído outro
tribunal

Trata-se da hipótese de recurso especial fundado na divergência jurisprudencial


entre tribunais diversos. Não cabe recurso especial se a divergência ocorrer entre órgãos do mesmo
tribunal, conforme a Súmula 13 do STJ: “A divergência entre julgados do mesmo tribunal não enseja
recurso especial”.

Nos termos da Súmula 83 do STJ, também não cabe recurso especial com base
no dissídio jurisprudencial se, apesar da divergência na interpretação da lei federal por tribunais diferentes,
já tiver o Superior Tribunal de Justiça se firmado no sentido da decisão recorrida, ainda que não haja
súmula a respeito.

1.4) PRAZO, INTERPOSIÇÃO E PROCESSAMENTO

O prazo para a interposição é de 15 dias, a partir da publicação do acórdão.

A petição, que deve ser dirigida ao presidente do tribunal que proferiu a decisão
recorrida, deve ser fundamentada e conter a exposição do fato e do direito, a demonstração do cabimento
do recurso e as razões do pedido de reforma da decisão. Simultaneamente com a petição de interposição,
apresentam-se as razões, que devem ser dirigidas ao Superior Tribunal de Justiça.

Recebida a petição pela Secretaria do Tribunal, o recorrido será intimado para


apresentar as contrarrazões no prazo de 15 dias, nos termos do artigo 1030 do novo CPC.

172
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Com as contrarrazões, os autos serão conclusos ao presidente do tribunal a quo


para a realização do juízo de admissibilidade (juízo de prelibação), destinado à verificação do cabimento do
recurso, que deverá ser feito dentro do prazo de 5 dias. No juízo de prelibação, o julgador deve conhecer
de todos os fundamentos do recurso, sendo que a admissão por apenas um deles não prejudica o seu
conhecimento por qualquer outros (Súmula 292 do STF).

1.5) PREQUESTIONAMENTO

O prequestionamento também é requisito de admissibilidade do recurso especial,


ou seja, é indispensável que o acórdão recorrido tenha apreciado a questão que constitui objeto do
recurso.

Se o Tribunal que proferiu a decisão recorrida se omitiu na apreciação da


matéria, cabe à parte interessada opor embargos de declaração sob pena de não conhecimento do recurso
especial (Súmula 211 do STJ).

Acerca do prequestionamento, afigura-se interessante o disposto no artigo 1025


do novo CPC, segundo o qual se consideram incluídos no acórdão os elementos que o embargante
suscitou, para fins de prequestionamento, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou
rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade.

1.6) ESTRUTURA DO RECURSO ESPECIAL


A) INTERPOSIÇÃO
Endereçamento: Ao Presidente do Tribunal que proferiu a decisão recorrida
a) Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado (se
crime da competência da Justiça Estadual)
c) Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Federal Presidente do Egrégio Tribunal Regional Federal
da __ Região (se crime da competência da Justiça Federal)
b) Preâmbulo: nome (desnecessário qualificar, pois já qualificado nos autos), capacidade postulatória
(por seu procurador infra-assinado), fundamento legal (art. 105, inciso III, alíne – indicar a alínea - ,
da Constituição Federal), nome da peça (Recurso Especial), frase final (pelas fatos e fundamentos
jurídicos a seguir expostos);
c) parte final (Nesses termos, requer o processamento do presente recurso. Pede deferimento, data,
advogado e OAB)

B) RAZÕES
a) Endereçamento: para o Superior Tribunal de Justiça
b) identificação: recorrente, recorrido, nº recurso recorrido
c) saudação:
Colendo Superior Tribunal de Justiça – Douta Turma – Eméritos Ministros
d) corpo da peça (breve relato, expor a admissibilidade do recurso extraordinário e a repercussão geral e
o mérito propriamente dito)
e) pedido: reforma da decisão + provimento do recurso + pedido específico
f) parte final: termos em que pede deferimento, local, data e OAB
173
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PEÇA DE INTERPOSIÇÃO
A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO....... (SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR FEDERAL PRESIDENTE DO
EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA ........REGIÃO (SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA
JUSTIÇA FEDERAL)

7 a 10 linhas

FULANO DE TAL, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado,


vem, respeitosamente, a presença de Vossa Excelência, interpor o presente RECURSO ESPECIAL, com
base no artigo 105, inciso III, alínea (indicar a alínea), da Constituição Federal, requerendo seja o
recurso recebido e processado e, ao final, remetido ao Superior Tribunal de Justiça.

Nestes termos
Pede deferimento

Local... e data...

____________________
Advogado...
OAB...

174
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RAZÕES DE RECURSO ESPECIAL


COLENDO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Recorrente: Fulano de Tal

Recorrido: Ministério Público

RAZÕES DE RECURSO ESPECIAL

Douta Turma

Eminentes Ministros

I) DOS FATOS

II) DO DIREITO

Lembrar que a matéria discutida envolve questão de direito. Não se discute matéria de fato,
que reclama análise de provas.

III) DO PEDIDO

Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso especial,


para o fim de que seja reformado o acórdão e, consequentemente, ........(pedido específico)

Local... e data...

______________________

ADVOGADO...

OAB...

175
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PEÇA RESOLVIDA - Adaptado da Questão 2 –XI EXAME


Daniel foi denunciado, processado e condenado pela prática do delito de roubo simples em sua modalidade
tentada. A pena fixada pelo magistrado foi de dois anos de reclusão em regime aberto. Todavia, atento às
particularidades do caso concreto, o referido magistrado concedeu-lhe o benefício da suspensão
condicional da execução da pena, sendo certo que, na sentença, não fixou nenhuma condição. Somente a
defesa interpôs recurso de apelação, pleiteando a absolvição de Daniel com base na tese de negativa de
autoria e, subsidiariamente, a substituição do benefício concedido por uma pena restritiva de direitos. O
Tribunal de Justiça, por sua vez, no julgamento da apelação, de forma unânime, negou provimento aos
dois pedidos da defesa e, no acórdão, fixou as condições do sursis, haja vista o fato de que o magistrado a
quo deixou de fazê-lo na sentença condenatória. Atento ao caso apresentado e tendo como base apenas
os elementos fornecidos, elabore o recurso cabível.

176
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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL


DE JUSTIÇA DO ESTADO.......

Recurso recorrido nº ....

DANIEL, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, vem, respeitosamente, a
presença de Vossa Excelência, interpor o presente RECURSO ESPECIAL, com base no artigo 105,
inciso III, alínea “a”, da Constituição Federal, requerendo seja o recurso recebido e processado e, ao
final, remetido ao Superior Tribunal de Justiça.

Termos em que

pede deferimento

Local... e data...

____________________

Advogado...

OAB...

177
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COLENDO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA


Recorrente: DANIEL
Recorrido: JUSTIÇA PÚBLICA/MINISTÉRIO PÚBLICO
Recurso nº....

RAZÕES DE RECURSO ESPECIAL

Colendo Superior Tribunal de Justiça


Douta Turma
Eminentes Ministros

I) DOS FATOS
Daniel foi denunciado, processado e condenado pela prática do delito de roubo simples em sua
modalidade tentada. A pena fixada pelo magistrado foi de dois anos de reclusão em regime aberto,
concedendo-lhe o benefício da suspensão condicional da execução da pena, não fixando nenhuma
condição.
Somente a defesa interpôs recurso de apelação, pleiteando a absolvição de Daniel com base na tese
de negativa de autoria e, subsidiariamente, a substituição do benefício concedido por uma pena restritiva
de direitos.
O Tribunal de Justiça, por sua vez, no julgamento da apelação, de forma unânime, negou
provimento aos dois pedidos da defesa e, no acórdão, fixou as condições do sursis, haja vista o fato de
que o magistrado a quo deixou de fazê-lo na sentença condenatória.
II) DO DIREITO
O recorrente foi condenado pela prática do delito de roubo simples tentado, sendo-lhe concedido o
benefício da suspensão condicional da pena, sem, no entanto, ter sido fixado condições. Todavia, em
recurso exclusivo da defesa, o Tribunal de Justiça negou provimento ao pedido formulado e, ainda, fixou
as condições do sursis, violando o disposto no artigo 617 do Código de Processo Penal, já que a fixação
das condições cabia ao juiz de 1º grau.
Como não houve impugnação por parte do Ministério Público, a decisão proferida pelo Tribunal
configura verdadeira reformatio in pejus, vedada pelo artigo 617 do Código de Processo Penal.
III) DO PEDIDO
Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso especial, para o fim de que seja
REFORMADO O ACÓRDÃO e, consequentemente, mantida a decisão que concedeu o sursis, sem
estabelecer as condições do benefício.

Local... e data...
______________________
ADVOGADO...
OAB...

178
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2) RECURSO EXTRAORDINÁRIO

Reitera-se que, com a vigência do novo CPC, os artigos 26 a 29 da Lei nº


8.038/90, que disciplinavam o processamento do recurso especial e extraordinário, foram revogados,
passando a ser conduzida a matéria no contexto do novo CPC, especificamente nos artigos 1029 a 1041.

2.1) CONCEITO
Trata-se de recurso destinado a impugnar qualquer decisão proferida em única
ou última instância que afronte a Constituição Federal. Em outras palavras, é aquele interposto perante o
STF das decisões judiciais em que não mais caiba outro recurso.

Entende-se por decisão final, para fins aqui propostos, aquela proferida após
esgotadas, por quem a impugna, todas as vias recursais ordinárias. Desta forma, não se conhece de
recurso extraordinário contra acórdão em recurso de apelação do qual ainda caibam embargos de
declaração, ou embargos infringentes.

Este o teor da Súmula 281 do STF: “É inadmissível o recurso extraordinário


quando couber, na justiça de origem, recurso ordinário da decisão impugnada”.

Na medida em que o art. 102, III, da CF dispõe seu cabimento apenas em


relação às causas decididas em única ou última instância, não fazendo menção à origem do julgado,
revela-se adequado esse recurso para impugnar qualquer acórdão, não apenas aqueles oriundos dos
Tribunais de Justiça e Tribunais Regionais Federais, como também os provenientes de Turmas Recursais
dos Juizados Especiais Criminais (AVENA, 2013, p. 1225).

2.2) BASE LEGAL

Base legal: art. 102, inciso III, da CF

2.3) CABIMENTO/CONTEÚDO
Para que o recurso extraordinário possa ser conhecido pelo STF, é preciso que a
causa decidida em única ou última instância suscite questão federal de natureza constitucional. A própria
CF, no art. 102, III, cuida de arrolar as questões que ensejam o julgamento do recurso em tela. São as
chamadas hipóteses de cabimento do recurso extraordinário, que, para fins de OAB, merecem destaque as
hipóteses das alíneas “a” e “b” do artigo 102, III, da CF/88

A) contrariar dispositivo desta Constituição

179
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A decisão de instância inferior contraria dispositivo constitucional sempre que


afrontar regra ou princípio, implícito ou explícito, de natureza constitucional.

B) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal

É preciso, portanto, que a decisão recorrida de extraordinário expressamente os


afirme incompatíveis com a Constituição.

Qualquer juiz ou tribunal tem competência para exercer o controle incidental de


constitucionalidade (ou difuso), afastando a incidência de leis ou atos normativos sob o fundamento de
que violam dispositivo, princípio ou garantia constitucional.

2.4) PRAZO E INTERPOSIÇÃO


O prazo para a interposição é de 15 dias, a partir da publicação do acórdão.

Recebida a petição pela Secretaria do Tribunal, o recorrido será intimado para


apresentar as contrarrazões no prazo de 15 dias.

Com as contrarrazões, os autos serão conclusos ao presidente do tribunal a quo


para a realização do juízo de admissibilidade (juízo de prelibação), destinado à verificação do cabimento do
recurso, que deverá ser feito dentro do prazo de 5 dias. No juízo de prelibação, o julgador deve conhecer
de todos os fundamentos do recurso, sendo que a admissão por apenas m deles não prejudica o seu
conhecimento por qualquer outros (Súmula 292 do STF).

2.5) PREQUESTIONAMENTO
Pressuposto específico jurisprudencial, que, em verdade, deflui do acima
analisado. A ele respeitam as Súmulas 282 e 356, ambas do STF.

Pelo prequestionamento, como requisito de admissibilidade do recurso


extraordinário, entende-se que não pode ser objeto desta questão que não haja sido expressamente
conhecida e decidida pela instância inferior.

Se, por exemplo, o apelante, ao oferecer suas razões, solicitou do Tribunal o


pronunciamento sobre determinada questão federal constitucional e o acórdão a omitiu, é necessário, para
que se possa interpor recurso extraordinário, que o sucumbente oponha embargos de declaração, a fim de
alcançar o prequestionamento. Esse é o conteúdo da Súmula 356 do STF.

2.6) REPERCUSSÃO GERAL DAS QUESTÕES CONSTITUCIONAIS

Como repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso, deve-se


entender somente aquelas que transcendam os interesses meramente particulares e individuais em
discussão na causa, e afetem um grande número de pessoas, surtindo efeitos sobre o panorama político,
jurídico e social da coletividade.

Trata-se de um requisito de admissibilidade previsto no art. 102, § 3º, da


Constituição Federal, quando prevê que o “recorrente deverá demonstrar a repercussão geral das questões

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constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o Tribunal examine a admissão do
recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de seus membros”.

2.7) ESTRUTURA DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO

A) INTERPOSIÇÃO

Endereçamento: Ao Presidente do Tribunal que proferiu a decisão recorrida

a) Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado (se
crime da competência da Justiça Estadual)

c) Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Federal Presidente do Egrégio Tribunal Regional Federal
da __ Região (se crime da competência da Justiça Federal)

b) Preâmbulo: nome (desnecessário qualificar, pois já qualificado nos autos), capacidade postulatória
(por seu procurador infra-assinado), fundamento legal (art. 102, inciso III, indicar a alínea, da
Constituição Federal), nome da peça (Recurso Extraordinário), frase final (pelas fatos e fundamentos
jurídicos a seguir expostos);

c) parte final (Nesses termos, requer o processamento do presente recurso. Pede deferimento, data,
advogado e OAB)

B) RAZÕES

a) Endereçamento: para o Supremo Tribunal Federal


b) identificação: recorrente, recorrido, nº recurso recorrido
c) saudação:
Colendo Supremo Tribunal Federal – Douta Turma – Eméritos Ministros
d) corpo da peça (breve relato, expor a admissibilidade do recurso extraordinário e a repercussão geral e
o mérito propriamente dito)
e) pedido: reforma da decisão + provimento do recurso + pedido específico
f) parte final: termos em que pede deferimento, local, data e OAB

181
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SUGESTÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO:


A) PEÇA DE INTERPOSIÇÃO
Endereçamento: Ao Presidente do Tribunal que proferiu a decisão recorrida
A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO....... (SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL)
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR FEDERAL PRESIDENTE DO
EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA ..... REGIÃO (SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA
JUSTIÇA FEDERAL)

7 a 10 linhas

FULANO DE TAL(não inventar dados), já qualificado nos autos, por seu


procurador infra-assinado, vem, respeitosamente, a presença de Vossa Excelência, interpor o presente
RECURSO EXTRAORDINÁRIO, com base no artigo 102, inciso III, alínea (indicar a alínea), da
Constituição Federal, requerendo seja o recurso recebido e processado e, ao final, remetido ao Supremo
Tribunal Federal.

Nestes termos,
Pede deferimento

Local... data...

____________________
Advogado...
OAB...

182
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COLENDO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Recorrente: Fulano de Tal


Recorrido: Ministério Público

RAZÕES DE RECURSO DE EXTRAORDINÁRIO

Colendo Supremo Tribunal Federal


Douta Turma
Eminentes Ministros

I) DOS FATOS
* expor a admissibilidade (cabimento) do recurso extraordinário e a repercussão geral e o mérito
propriamente dito
II) DO DIREITO
1º parágrafo: Indicar a tese
2º parágrafo: fundamentar a tese
Lembrar que a matéria discutida envolve questão de direito. Não se discute matéria de fato,
que reclama análise de provas.
III) DO PEDIDO
Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso, para o fim
de que seja reformado o acórdão e, consequentemente, ........(pedido específico)

Local... e data...
______________________
ADVOGADO...
OAB...

183
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07 CAPÍTULO VII - COMPETÊNCIA


73

1.1) CONCEITO

Competência é a delimitação do poder jurisdicional (fixa os limites dentro dos


quais o juiz pode prestar jurisdição).

1.2) ESPÉCIES DE COMPETÊNCIA

A doutrina tradicional distribui a competência considerando três aspectos


diferentes:

a) ratione materiae: estabelecida em razão da natureza do crime praticado.

b) ratione personae: em razão da qualidade das pessoas acusadas.

c) ratione loci (art. 69, I e II): em razão do local.

1.3) CRITÉRIOS DE FIXAÇÃO DA COMPETÊNCIA

Não sendo hipótese de foro por prerrogativa da função, deve-se estabelecer


critério para fixação da competência. Nesse particular, necessário seguir os seguintes passos de forma
articulada:

1º) Identificar qual a Justiça Competente

2º) Identificar o foro competente

3º) Identificar o Juízo competente

Em relação à matéria, existe, basicamente, as de competência das Justiças


Especiais (Justiça Militar e Justiça Eleitoral) e da Justiça Comum (Federal e Estadual).

Nesse sentido, em primeiro lugar, deve-se verificar se o crime é da Justiça


Especial Militar; num segundo momento, se não for da competência da Justiça Militar, analisar se é da
competência da Justiça Eleitoral; para somente ao final, em não sendo da competência de nenhuma das
justiças especializadas, passar à análise se é da competência da Justiça Comum Federal ou Estadual.

1.4) JUSTIÇA FEDERAL

A competência da Justiça Federal é residual em relação às especiais; prevalece,


por outro lado, sobre a Justiça Estadual, nos termos do art. 78, III, do CPP e Súmula 122 do STJ.

A competência da Justiça Federal está prevista no artigo 109 da Constituição


Federal.

I) Os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou


interesse da união ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as
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contravenções e ressalvada a competência da justiça militar e da justiça eleitoral – art. 109,


IV, da CF/88

Qualquer delito que atinja bens jurídicos de interesse da união será da


competência da Justiça Federal.

Não abrange as contravenções. Dispõe-se a súmula 38 do STJ que “compete à


Justiça Estadual Comum, na vigência da Constituição de 1988, o processo por contravenção penal, ainda
que praticada em detrimento de bens, serviços ou interesses da União ou de suas entidades”.

Há que se ressaltar o previsto na Súmula 147 do STJ no sentido de que é


competente a Justiça Federal para processar e julgar os crimes praticados contra funcionário federal,
quando relacionados com o exercício da função.

Evidentemente, por lesarem serviços da União, são também da competência da


Justiça Federal os crimes praticados por funcionários federais no exercício da função.

Por se limitar o art. 109, IV, da CF, às autarquias e empresas públicas, assentou-
se no STJ que “compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar causas cíveis em que é parte
sociedade de economia mista e os crimes praticados em seu detrimento” (Súmula 42 do STJ).

Por isso, não são da competência da Justiça Federal, mas da Justiça Estadual, os
crimes praticados contra o Banco do Brasil, por exemplo.

II) Crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando teve a execução iniciada
no Brasil, consumando-se ou devendo consumar-se no exterior, ou vice-versa – Art. 109, V, da
CF/88

Compete, ainda, à Justiça Federal o processo e julgamento dos “crimes previstos


em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no país, o resultado tenha ou devesse
Ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente” (art. 109, V).

Ex: Súmula 522 do STF: “Salvo ocorrência de tráfico para o Exterior, quando,
então, a competência será da Justiça Federal, compete à Justiça dos Estados o processamento dos crimes
relativos a entorpecentes”.

III) Causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º do art. 109 – Art. 109, V-A,
CF/88

Estipula o parágrafo 5º que nas hipóteses de grave violação de direitos humanos,


o Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes
de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o
Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de
competência para a Justiça Federal

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Nesta hipótese, o deslocamento de um crime para a Justiça Federal somente


deve dar-se quando realmente houver grave violação de direitos humanos, de caráter coletivo (como, por
exemplo, um massacre produzido por policiais contra vários indivíduos).

Tal medida teria a finalidade de assegurar o desligamento do caso das questões


locais, mais próprias da Justiça Estadual, levando-o para a esfera federal, buscando, inclusive, elevar a
questão à órbita de interesse nacional e não somente regional.

IV) Crimes contra a organização do trabalho, quando envolver interesses coletivos dos
trabalhadores – Art. 109, VI, da CF/88

V) Crimes contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira – Art. 109, VI, da


CF/88

Como previsto no art. 26, caput, da Lei 7.492/86.

Também compete à Justiça Federal apreciar “os crimes contra organização do


Trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem econômica e financeira”
(art. 109, VI, da CF).

VI) Crimes cometidos a bordo de navios e aeronaves, excetuados o da Justiça Militar – Art.
109, IX, da CF/88

Segundo o STF e STJ, navios são embarcações de grande cabotagem ou de


grande capacidade de transporte de passageiros, aptas a realizar viagens internacionais.

Logo, somente as embarcações de grande porte envolvem a Justiça Federal.

As demais (lanchas, botes, iates, etc) ficam na esfera da justiça estadual.

Os crimes cometidos a bordo de aeronaves terão competência sempre da Justiça


Federal, pois a CF mencionou os crimes cometidos a bordo de aeronaves e não de aviões de grande porte.

Houve divergência no STF em caso de apreensão de drogas ilícitas, quando os


agentes já estavam em solo, no aeroporto de Brasília, porém em conexão para um voo entre Cuiabá e São
Paulo.

Prevaleceu o entendimento de que a competência seria da Justiça Estadual, pois


a referência feita pela CF, fixando a competência da Justiça Federal, ter-se-ia voltado à aeronave em voo
pelo espaço aéreo brasileiro, não se saberia ao certo onde o crime se deu.

Estando a aeronave em solo e os agentes, igualmente, fora dela, incompetente a


Justiça Federal.

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QUESTÃO 03 - XXII Exame


Na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Maurício iniciou a execução de determinada contravenção
penal que visava atingir e gerar prejuízo em detrimento de patrimônio de entidade autárquica federal, mas a
infração penal não veio a se consumar por circunstâncias alheias à sua vontade. Ao tomar conhecimento dos
fatos, o Ministério Público dá início a procedimento criminal perante juízo do Tribunal Regional Federal com
competência para atuar no local dos fatos, imputando ao agente a prática da contravenção penal em sua
modalidade tentada, oferecendo, desde já, proposta de transação penal. Maurício conversa com sua família
e procura um(a) advogado(a) para patrocinar seus interesses, destacando que não tem interesse em aceitar
transação penal, suspensão condicional do processo ou qualquer outro benefício despenalizador. Com base
apenas nas informações narradas e na condição de advogado(a) de Maurício, responda:
A) Considerando que a contravenção penal causaria prejuízo ao patrimônio de entidade autárquica federal, o
órgão perante o qual o procedimento criminal foi iniciado é competente para julgamento da infração penal
imputada? Justifique. (Valor: 0,65)
B) Qual argumento de direito material deverá ser apresentado para evitar a punição de Maurício? Justifique.
(Valor: 0,60) Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não
confere pontuação.

QUESTÃO 03 - XIV EXAME OAB


Daniel, Ana Paula, Leonardo e Mariana, participantes da quadrilha “X”, e Carolina, Roberta, Cristiano,
Juliana, Flavia e Ralph, participantes da quadrilha “Y”, fazem parte de grupos criminosos especializados em
assaltar agências bancárias. Após intensos estudos sobre divisão de tarefas, locais, armas, bancos etc.,
ambos os grupos, sem ciência um do outro, planejaram viajar até a pacata cidade de Arroizinho com o
intuito de ali realizarem o roubo. Cumpre ressaltar que, na cidade de Arroizinho, havia apenas duas únicas
agências bancárias, a saber: uma agência do Banco do Brasil, sociedade de economia mista, e outra da
Caixa Econômica Federal, empresa pública federal. No dia marcado, os integrantes da quadrilha "X"
praticaram o crime objetivado contra o Banco do Brasil; os integrantes da quadrilha "Y" o fizeram contra a
Caixa Econômica Federal. Cada grupo, com sua conduta, conseguiu auferir a vultosa quantia de R$
1.000.000,00 (um milhão de reais).
Nesse caso, atento tão somente aos dados contidos no enunciado, responda
fundamentadamente de acordo com a Constituição:
A) Qual a justiça competente para o processo e julgamento do crime cometido pela quadrilha
"Y"? (Valor: 0,65)
B) Qual a justiça competente para o processo e julgamento do crime cometido pela quadrilha
"X"? (Valor: 0,60)

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QUESTÃO 1 - EXAME 2010-03


Caio, na qualidade de diretor financeiro de uma conhecida empresa de fornecimento de material de
informática, se apropriou das contribuições previdenciárias devidas dos empregados da empresa e por esta
descontadas, utilizando o dinheiro para financiar um automóvel de luxo. A partir de comunicação feita por
Adolfo, empregado da referida empresa, tal fato chegou ao conhecimento da Polícia Federal, dando ensejo
à instauração de inquérito para apurar o crime previsto no artigo 168-A do Código Penal. No curso do
aludido procedimento investigatório, a autoridade policial apurou que Caio também havia praticado o crime
de sonegação fiscal, uma vez que deixara de recolher ICMS relativamente às operações da mesma
empresa. Ao final do inquérito policial, os fatos ficaram comprovados, também pela confissão de Caio em
sede policial. Nessa ocasião, ele afirmou estar arrependido e apresentou comprovante de pagamento
exclusivamente das contribuições previdenciárias devidas ao INSS, pagamento realizado após a
instauração da investigação, ficando não paga a dívida relativa ao ICMS. Assim, o delegado encaminhou os
autos ao Ministério Público Federal, que denunciou Caio pelos crimes previstos nos artigos 168-A do Código
Penal e 1º, I, da Lei 8.137/90, tendo a inicial acusatória sido recebida pelo juiz da vara federal da
localidade. Após analisar a resposta à acusação apresentada pelo advogado de Caio, o aludido magistrado
entendeu não ser o caso de absolvição sumária, tendo designado audiência de instrução e julgamento.
Com base nos fatos narrados no enunciado, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos
jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso.
a) Qual é o meio de impugnação cabível à decisão do Magistrado que não o absolvera
sumariamente? (Valor: 0,2)
b) A quem a impugnação deve ser endereçada? (Valor: 0,2)
c) Quais fundamentos devem ser utilizados? (Valor: 0,6)

QUESTÃO 3 – EXAME 2010-03


Jeremias é preso em flagrante pelo crime de latrocínio, praticado contra uma idosa que acabara de sacar o
valor relativo à sua aposentadoria dentro de uma agência da Caixa Econômica Federal e presenciado por
duas funcionárias da referida instituição, as quais prestaram depoimento em sede policial e confirmaram a
prática do delito. Ao oferecer denúncia perante o Tribunal do Júri da Justiça Federal da localidade, o
Ministério Público Federal requereu a decretação da prisão preventiva de Jeremias para a garantia da
ordem pública, por ser o crime gravíssimo e por conveniência da instrução criminal, uma vez que as
testemunhas seriam mulheres e poderiam se sentir amedrontadas caso o réu fosse posto em liberdade
antes da colheita de seus depoimentos judiciais. Ao receber a inicial, o magistrado decretou a prisão
preventiva de Jeremias, utilizando-se dos argumentos apontados pelo Parquet.
Com base no caso acima, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal
pertinente ao caso, indique os argumentos defensivos para atacar a decisão judicial que recebeu a
denúncia e decretou a prisão preventiva.

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1.5) JUSTIÇA ESTADUAL

É a competência mais residual de todas, pois o crime somente será julgado na


Justiça Estadual quando não for da competência da Justiça Especial (Militar ou Eleitoral) e da Justiça
Comum Federal.

A propósito, havendo conflito entre a Justiça Comum Federal e Estadual,


prevalece a Justiça Federal, nos termos do art. 78, III, CPP e Súmula 122 do STJ.

Súmula 122 do STJ: “Compete à Justiça Federal o processo e julgamento


unificado dos crimes conexos de competência federal e estadual, não se aplicando a regra do Art. 78, II,
"a", do Código de Processo Penal.”

1.6) DETERMINAÇÃO DO FORO COMPETENTE

Estabelecida a Justiça competente, deve-se, agora, proceder à análise do foro


competente, que se traduz na competência em razão do lugar.

1.6.1) REGRA GERAL – Art. 70 CPP

Para a determinação da competência lugar do crime é o lugar da consumação,


ou seja, onde terminam por se reunir todos os elementos da definição do crime.

No caso de tentativa, a competência é determinada “pelo lugar em que for


praticado o último ato de execução” (art. 70, caput, segunda parte).

1.6.2) COMPETÊNCIA CRIME CONTINUADO E PERMANENTE – Art. 71 CPP

Tratando-se de infração continuada ou permanente, praticada em


território de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção (art. 71).

1.6.3) COMPETÊNCIA PELO DOMICÍLIO OU RESIDÊNCIA DO RÉU – Art. 72, 73 CPP

Duas são as hipóteses:

A primeira delas encontra-se no art. 72, caput: Não sendo conhecido o


lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou residência do réu.

A Segunda hipótese refere-se à ação privada exclusiva, em que o


querelante poderá preferir o foro do domicílio ou residência do réu, ainda quando conhecido o lugar
da infração (art. 73, caput).

Não sendo possível a aplicação das regras acima mencionadas por não ter o réu
domicílio ou residência certa, sendo ignorado o seu paradeiro, é competente o juiz que primeiro tome
conhecimento do fato (art. 72, § 2º).

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QUESTÃO 3 - XVII EXAME


Ruth voltava para sua casa falando ao celular, na cidade de Santos, quando foi abordada por Antônio, que
afirmou: “Isso é um assalto! Passa o celular ou verá as consequências!”. Diante da grave ameaça, Ruth
entregou o telefone e o agente fugiu em sua motocicleta em direção à cidade de Mogi das Cruzes,
consumando o crime. Nervosa, Ruth narrou o ocorrido para o genro Thiago, que saiu em seu carro, junto
com um policial militar, à procura de Antônio. Com base na placa da motocicleta anotada por Ruth, Thiago
localizou Antônio, já em Mogi das Cruzes, ainda na posse do celular da vítima e também com uma faca em
sua cintura, tendo o policial efetuado a prisão em flagrante. Em razão dos fatos, Antônio foi denunciado
pela prática do crime previsto no Art. 157, § 2º, inciso I, do Código Penal, perante uma Vara Criminal da
comarca de Mogi das Cruzes, ficando os familiares do réu preocupados, porque todos da região sabem que
o magistrado, em atuação naquela Vara, é extremamente severo. A defesa foi intimada a apresentar
resposta à acusação. Considerando que o flagrante foi regular e que os fatos são verdadeiros, responda,
na qualidade de advogado(a) de Antônio, aos itens a seguir.
A) Que medida processual poderia ser adotada para evitar o julgamento perante a Vara Criminal de Mogi
das Cruzes? Justifique.(Valor: 0,65)
B) No mérito, caso Antônio confesse os fatos durante a instrução, qual argumento de direito material
poderia ser formulado para garantir uma punição mais branda do que a pleiteada na denúncia? Justifique.
(Valor: 0,60)
Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere
pontuação.

QUESTÃO 2 – EXAME 2010-03


Caio, residente no município de São Paulo, é convidado por seu pai, morador da cidade de Belo Horizonte,
para visitá-lo. Ao dirigir-se até Minas Gerais em seu carro, Caio dá carona a Maria, jovem belíssima que
conhecera na estrada e que, ao saber do destino de Caio, o convence a subtrair pertences da casa do
genitor do rapaz, chegando a sugerir que ele aguardasse o repouso noturno de seu pai para efetuar a
subtração. Ao chegar ao local, Caio janta com o pai e o espera adormecer, quando então subtrai da
residência uma televisão de plasma, um aparelho de som e dois mil reais. Após encontrar-se com Maria no
veículo, ambos se evadem do local e são presos quando chegavam ao município de São Paulo.
Com base no relatado acima, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos
apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso.
a) Caio pode ser punido pela conduta praticada e provada? (Valor: 0,4)
b) Maria pode ser punida pela referida conduta? (Valor: 0,4)
c) Em caso de oferecimento de denúncia, qual será o juízo competente para processamento da ação
penal? (Valor: 0,2)

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QUESTÃO 01 - XII EXAME


Carolina foi denunciada pela prática do delito de estelionato, mediante emissão de cheque sem suficiente
provisão de fundos. Narra a inicial acusatória que Carolina emitiu o cheque número 000, contra o Banco
ABC S/A, quando efetuou compra no estabelecimento “X”, que fica na cidade de “Y”. Como a
conta corrente de Carolina pertencia à agência bancária que ficava na cidade vizinha “Z”, a
gerência da loja, objetivando maior rapidez no recebimento, resolveu lá apresentar o cheque, ocasião
em que o título foi devolvido.
Levando em conta que a compra originária da emissão do cheque sem fundos ocorreu na cidade
“Y”, o ministério público local fez o referido oferecimento da denúncia, a qual foi recebida pelo juízo da
1ªVara Criminal da comarca. Tal magistrado, após o recebimento da inicial acusatória, ordenou a
citação da ré, bem como a intimação para apresentar resposta à acusação.
Nesse sentido, atento(a) apenas às informações contidas no enunciado, responda de maneira
fundamentada, e levando em conta o entendimento dos Tribunais Superiores, o que pode ser arguido em
favor de Carolina. (Valor: 1,25)

QUESTÃO 01 - XXI EXAME

Paulo e Júlio, colegas de faculdade, comemoravam juntos, na cidade de São Gonçalo, o título obtido pelo
clube de futebol para o qual o primeiro torce. Não obstante o clima de confraternização, em determinado
momento, surgiu um entrevero entre eles, tendo Júlio desferido um tapa no rosto de Paulo. Apesar da
pouca intensidade do golpe, Paulo vem a falecer no hospital da cidade, tendo a perícia constatado que a
morte decorreu de uma fatalidade, porquanto, sem que fosse do conhecimento de qualquer pessoa, Paulo
tinha uma lesão pretérita em uma artéria, que foi violada com aquele tapa desferido por Júlio e causou sua
morte. O órgão do Ministério Público, em atuação exclusivamente perante o Tribunal do Júri da Comarca
de São Gonçalo, denunciou Júlio pelo crime de lesão corporal seguida de morte (Art. 129, § 3º, do CP).
Considerando a situação narrada e não havendo dúvidas em relação à questão fática, responda, na
condição de advogado(a) de Júlio:

A) É competente o juízo perante o qual Júlio foi denunciado? Justifique. (Valor: 0,65)
B) Qual tese de direito material poderia ser alegada em favor de Júlio? Justifique. (Valor: 0.60)

Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar as respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere
pontuação.

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1.7) CAUSAS MODIFICADORAS DA COMPETÊNCIA (CONEXÃO OU CONTINÊNCIA)

1.7.1) COMPETÊNCIA POR CONEXÃO – Art. 76

A conexão existe quando duas ou mais infrações estiverem entrelaçadas


por um vínculo, um nexo, um liame que aconselha a junção dos processos, propiciando, assim,
ao julgador perfeita visão do quadro probatório.

São efeitos da conexão: a reunião das ações penais em um mesmo


processo e a prorrogação da competência.

I) CONEXÃO INTERSUBJETIVA – Art. 76, I

a) CONEXÃO INTERSUBJETIVA POR SIMULTANEIDADE

Diante da primeira parte do art. 76 (CONEXÃO INTERSUBJETIVA POR


SIMULTANEIDADE), há conexão se, ocorrendo duas ou mais infrações, “houverem sido praticadas, ao
mesmo tempo, por várias pessoas reunidas”. NÃO HÁ LIAME PSICOLÓGICO.

Ex. o exemplo clássico é o de diversos expectadores de um jogo de futebol,


ocasionalmente reunidos, praticarem depredações no estádio.

b) CONEXÃO INTERSUBJETIVA POR CONCURSO

Pelo art. 76, I, 2ª parte, há conexão se as infrações forem praticadas “por várias
pessoas em concurso, embora diverso o tempo e lugar”. É a hipótese de concurso de pessoas em
várias infrações. Ex. quadrilha que trafica entorpecentes em vários pontos da cidade.

c) CONEXÃO INTERSUBJETIVA POR RECIPROCIDADE

Pelo art. 76, I, última parte, há conexão se os crimes forem praticados “por
várias pessoas, umas contra as outras”. EX: agressões entre componentes de dois grupos de pessoas
em um baile.

II) CONEXÃO OBJETIVA, LÓGICA OU MATERIAL: Art. 76, II

Nos termos do artigo 76, II, a competência é determinada pela conexão se, no
caso de várias infrações, “houverem sido umas praticadas para facilitar ou ocultar as outras, ou para
conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas”.

III) CONEXÃO INSTRUMENTAL OU PROBATÓRIA – Art. 76, III

1.7.2) COMPETÊNCIA POR CONTINÊNCIA – Art. 77

Diz que há continência quando uma coisa está contida em outra, não sendo
possível a separação.

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I) CONTINÊNCIA EM RAZÃO DO CONCURSO DE PESSOAS – Art. 77, I

Justifica-se a junção de processos contra diferentes réus, desde que eles tenham
cometido o crime em conluio, com unidade de propósitos, tornando único o fato a ser apurado. Difere
da conexão por concurso, porque nesta há vários agentes praticando vários fatos.

II) CONTINÊNCIA EM RAZÃO DO CONCURSO FORMAL DE CRIMES – Art. 77, II

O art. 70 refere-se ao concurso formal de crimes, em que, com uma mesma


conduta o agente pratica dois ou mais crimes.

O art. 73, 2ª parte refere-se ao erro de execução (aberratio ictus), em que, por
acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, além de atingir a pessoa que pretendia ofender
lesa outra.

O art. 74, 2ª parte, refere-se ao resultado diverso do pretendido (aberratio


criminis), em que fora da hipótese anterior, o agente além do resultado pretendido, causa outro.

Em todos os casos, está-se diante de concurso formal, razão pela qual, na


essência, o fato a ser apurado é um só, embora existam dois ou mais resultados.

1.7.3) FORO PREVALENTE

I) COMPETÊNCIA PREVALENTE DO JÚRI – Art. 78, I

Dispõe o art. 78, I: “no concurso entre a competência do júri e a de outro


órgão da jurisdição comum, prevalecerá a competência do júri”.

II) JURISDIÇÃO DA MESMA CATEGORIA – Art. 78, II

Considera-se jurisdição da mesma categoria aquela que une magistrados


aptos a julgar o mesmo tipo de causa.

Ocorre, porém, que pode haver um conflito real entre esses magistrados. Ex:
furto e receptação (conexão instrumental). Cada inquérito foi distribuído a um juiz diferente. Havendo
conexão instrumental, torna-se viável que sejam julgados por um único juiz.

Como ambos são de idêntica jurisdição, estabelecem-se regras para escolha do


foro prevalente:

A) FORO ONDE FOI COMETIDA A INFRAÇÃO MAIS GRAVE

Art. 78. Na determinação da competência por conexão ou continência, serão


observadas as seguintes regras:
(...)
Il - no concurso de jurisdições da mesma categoria:
a) preponderará a do lugar da infração, à qual for cominada a pena mais
grave;

193
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(...)

Tendo em vista que o primeiro critério de escolha é o referente ao lugar da


infração, é possível que existam dois delitos sendo apurados em foros diferentes, tendo em vista que as
infrações originaram-se em locais diversos (como no furto e receptação).

Assim, elege-se qual é o mais grave para a escolha do foro prevalente: se for um
furto qualificado e uma receptação simples, fixa-se o foro do furto qualificado (pena mais
grave) como o competente.

B) FORO ONDE FOI COMETIDO O MAIOR NÚMERO DE INFRAÇÕES

Art. 78. Na determinação da competência por conexão ou continência, serão


observadas as seguintes regras:
(...)
Il - no concurso de jurisdições da mesma categoria:
(...)
b) prevalecerá a do lugar em que houver ocorrido o maior número de
infrações, se as respectivas penas forem de igual gravidade;
(...)

Ex: Imagine-se que três delitos de furto simples (art. 155 do CP) estejam sendo
apurados em Santos/SP, enquanto um delito de receptação simples (art. 180 do CP), praticados, em tese,
em conexão, esteja sendo apurado em Bauru/SP. Embora a pena do furto e da receptação sejam
idênticas, o julgamento dos quatro crimes deve ser realizado em Santos/SP, onde foi praticado maior
número de infrações.

C) FORO RESIDUAL ESTABELECIDA PELA PREVENÇÃO

Art. 78. Na determinação da competência por conexão ou continência, serão


observadas as seguintes regras:
(...)
Il - no concurso de jurisdições da mesma categoria:
(...)
c) firmar-se-á a competência pela prevenção, nos outros casos;

Neste caso, havendo magistrados de igual jurisdição em confronto e não sendo


possível escolher pela regra da gravidade do crime (ex: furto simples e receptação simples), nem pelo
número de delitos (em ambas as comarcas foram praticados um delito), elege-se o juiz pela prevenção,
isto é, aquele que primeiro conhecer de um dos processos torna-se competente para julgar
ambos, avocando da Comarca ou Vara vizinha o outro.

194
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1.8) COMPETÊNCIA POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO

1.8.1) INTRODUÇÃO

Determinadas pessoas, por exercerem funções específicas, possuem a


prerrogativa de serem julgadas originariamente por determinados órgãos. Trata-se de foro por
prerrogativa da função exercida e não privilégio da pessoa.

Antes da análise das funções contempladas com a prerrogativa de serem


julgadas originariamente por um tribunal, convém estabelecer o momento em que tal prerrogativa vigora.

Nesse particular, se o crime é praticado antes de tomar posse de um mandato


eletivo, cargo ou função pública, o agente passará a adquirir foro por prerrogativa de função quando
assumir o mandato, cargo ou função.

Se o crime foi praticado durante o exercício do cargo ou função pública, por


evidente o agente detém a prerrogativa de foro.

Em qualquer circunstância, cessado o exercício do cargo ou função, cessa


também o foro por prerrogativa da função, devendo o processo ser remetido para a Justiça competente,
no primeiro grau de jurisdição.

Em síntese, o agente só terá foro por prerrogativa de função se estiver


exercendo a função. Cessada a função, cessa a prerrogativa.

É o que se extrai da Súmula 451 do STF: “A competência especial por


prerrogativa de função não se estende ao crime cometido após a cessação definitiva do exercício da
função”.

Passa-se, agora, à análise de algumas hipóteses de foro por prerrogativa de


função:

1.8.2) COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – Art. 102, § I, “b” e “c”, CF/88

O STF já firmou entendimento de que a expressão “infrações penais comuns” do


art. 102, I, “b” e “c” abrange todas as modalidades de infrações penais, inclusive os crimes eleitorais,
militares e as contravenções penais.

1.8.3) COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA – Art. 105, I, “a”, CF/88

Nos termos do artigo 105, inciso I, “a”, da CF/88, compete ao Superior Tribunal
de Justiça processar e julgar, originariamente, nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do
Distrito Federal, e, nestes e nos de responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos
Estados e do Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os
dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros dos
Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante
tribunais
195
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1.8.4) COMPETÊNCIA DOS TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS – Art. 108, I, “a”, CF/88

Aos Tribunais Regionais Federais competem processar e julgar originariamente os


juízes federais da área de sua jurisdição, incluídos os da Justiça Militar e da Justiça do Trabalho, nos crimes
comuns e de responsabilidade, e os membros do Ministério Público da União, ressalvada a competência da
Justiça Eleitoral.

Na parte final do artigo 108, inciso I, “a”, contém a ressalva em relação aos
crimes eleitorais, de modo que, se um desses agentes praticar um crime eleitoral, será julgado pelo
Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

1.8.5) COMPETÊNCIA DOS TRIBUNAIS DE JUSTIÇA – Art. 96, III, CF/88

Nos termos do artigo 96, inciso III, da CF/88, compete aos Tribunais de Justiça
dos Estados julgar juízes estaduais e do Distrito Federal, bem como os membros do Ministério Público dos
Estados. Contudo, a Constituição faz expressa ressalva à Justiça Eleitoral, de modo que, se qualquer
desses agentes praticar crime eleitoral, será julgado no TRE.

Os magistrados e os membros do MP devem ser julgados pelo Tribunal ao qual


estão vinculados, pouco importando a natureza do crime praticado (se federal ou doloso contra a vida) e o
lugar da infração, seguindo-se a competência estabelecida na Constituição Federal.

Assim, caso um juiz estadual cometa um delito de competência da justiça federal


será julgado pelo TJ do seu Estado.

O mesmo se dá com o juiz federal que cometa um crime da esfera estadual: será
julgado pelo TRF da sua área de atuação.

Frise-se que pouco importa o lugar da infração penal. Se um juiz estadual de São
Paulo cometer um delito no Estado do Amazonas, será julgado pelo TJ de São Paulo.

Em se tratando de crime de competência do Tribunal do Júri continua


prevalecendo a competência por prerrogativa de função, pois também prevista na Constituição Federal, ou
seja, o Juiz que praticar crime doloso contra a vida será julgado pelo Tribunal de Justiça.

1.8.6) COMPETÊNCIA PARA JULGAR PREFEITOS – Art. 29, X, CF/88

Se o prefeito cometer um crime de competência de Justiça Comum Estadual, será


julgado no Tribunal de Justiça, mesmo na hipótese de crime doloso contra a vida.

Contudo, se praticar um crime eleitoral, será julgado pelo Tribunal Regional


Eleitoral (TRE).

Se o delito for de competência da Justiça Federal será julgado pelo Tribunal


Regional Federal (TRF).

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É o que se extrai da Súmula 702 do STF: “A competência do Tribunal de Justiça


para julgar prefeitos restringe-se aos crimes de competência da Justiça Comum Estadual; nos demais
casos, a competência originária caberá ao respectivo tribunal de segundo grau”.

Ver, ainda, as Súmulas 208 e 209 do STJ.

1.8.7) PRERROGATIVA DE FUNÇÃO E CONCURSO DE PESSOAS

Se um agente que não detém prerrogativa comete crime comum junto com
agente com prerrogativa de função, o processo poderá ser reunido para julgamento simultâneo. Assim,
mesmo que não tenha foro por prerrogativa de função, o particular passará a tê-lo por extensão, cabendo
ao Tribunal competente o julgamento dos dois agentes.

É o que dispõe a Súmula 704 do STF: “Não viola as garantias do juiz natural, da
ampla defesa e do devido processo legal a atração por continência ou conexão do processo do co-réu ao
foro por prerrogativa de função de um dos denunciados”.

1.8.8) FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO E TRIBUNAL DO JÚRI

Compete sempre ao Tribunal do Júri o julgamento dos crimes previstos nos


arts. 121, § 1º, 121, § 2º, 122, parágrafo único, 123, 124, 125, 126 e 127 do CP, consumados ou tentados
(art. 74, § 1º).

Todavia, não obstante a competência do júri estar prevista na Constituição


Federal, se a prerrogativa de função também estiver prevista na Constituição Federal, prevalece a
prerrogativa de função, porquanto, em sendo ambas as competências constitucionais, prevalece a
jurisdição superior do tribunal.

Se a prerrogativa de função estiver prevista em Constituição Estadual ou lei


ordinária, prevalece a competência do Tribunal do Júri, por estar prevista na Constituição Federal.

É nesse sentido a Súmula 721 do STF: “A competência constitucional do Tribunal


do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição
estadual.”

É o teor da Súmula Vinculante nº 45 do STF: “A competência constitucional do


Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela
Constituição Estadual.”

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QUESTÃO 4 - IX EXAME
Laura, empresária do ramo de festas e eventos, foi denunciada diretamente no Tribunal de Justiça do
Estado “X”, pela prática do delito descrito no Art. 333 do CP (corrupção ativa). Na mesma inicial
acusatória, o Procurador Geral de Justiça imputou a Lucas, Promotor de Justiça estadual, a prática da
conduta descrita no Art. 317 do CP (corrupção passiva). A defesa de Laura, então, impetrou habeas corpus
ao argumento de que estariam sendo violados os princípios do juiz natural, do devido processo legal, do
contraditório e da ampla defesa; arguiu, ainda, que estaria ocorrendo supressão de instância, o que não se
poderia permitir. Nesse sentido, considerando apenas os dados fornecidos, responda,
fundamentadamente, aos itens a seguir.
A) Os argumentos da defesa de Laura procedem? (Valor: 0,75)
B) Laura possui direito ao duplo grau de jurisdição? (Valor: 0,50)

QUESTÃO 3 - IV EXAME
Na cidade de Arsenal, no Estado Z, residiam os deputados federais Armênio e Justino. Ambos objetivavam
matar Frederico, rico empresário que possuía valiosas informações contra eles. Frederico morava na cidade
de Tirol, no Estado K, mas seus familiares viviam em Arsenal. Sabendo que Frederico estava visitando a
família, Armênio e Justino decidiram colocar em prática o plano de matá-lo. Para tanto, seguiram Frederico
quando este saía da casa de seus parentes e, utilizando-se do veículo em que estavam, bloquearam a
passagem de Frederico, de modo que a caminhonete deste não mais conseguia transitar. Ato contínuo,
Armênio e Justino desceram do automóvel. Armênio imobilizou Frederico e Justino desferiu tiros contra ele,
Frederico. Os algozes deixaram rapidamente o local, razão pela qual não puderam perceber que Frederico
ainda estava vivo, tendo conseguido salvar-se após socorro prestado por um passante. Tudo foi noticiado à
polícia, que instaurou o respectivo inquérito policial. No curso do inquérito, os mandatos de Armênio e
Justino chegaram ao fim, e eles não conseguiram se reeleger. O Ministério Público, por sua vez, munido
dos elementos de informação colhidos na fase inquisitiva, ofereceu denúncia contra Armênio e Justino, por
tentativa de homicídio, ao Tribunal do Júri da Justiça Federal com jurisdição na comarca onde se deram os
fatos, já que, à época, os agentes eram deputados federais. Recebida a denúncia, as defesas de Armênio e
Justino mostraram-se conflitantes. Já na fase instrutória, Frederico teve seu depoimento requerido. A
vítima foi ouvida por meio de carta precatória em Tirol. Na respectiva audiência, os advogados de Armênio
e Justino não compareceram, de modo que juízo deprecado nomeou um único advogado para ambos os
réus. O juízo deprecante, ao final, emitiu decreto condenatório em face de Armênio e Justino. Armênio,
descontente com o patrono que o representava, destituiu-o e nomeou você como novo advogado.
Com base no cenário acima, indique duas nulidades que podem ser arguidas em favor de Armênio.
Justifique com base no CPP e na CRFB. (Valor: 1,25)

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OAB 2ª FASE

PROCESSO PENAL

PADRÃO DE RESPOSTAS

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Sumário

CAPÍTULO I – PRISÃO PROCESSUAL .......................................................................................... 201


1) PRISÃO EM FLAGRANTE ........................................................................................................... 201
2) PRISÃO PREVENTIVA ............................................................................................................... 204
3) PRISÃO TEMPORÁRIA (Lei n. 7960/89) ..................................................................................... 208
CAPÍTULO II – PROCEDIMENTOS – IDENTIFICAÇÃO ................................................................ 211
CAPÍTULO IV – FASE JUDICIAL – PROCEDIMENTO COMUM ..................................................... 212
1) DENÚNCIA E CAUSAS DE REJEIÇÃO DA DENÚNCIA .................................................................... 212
2) RESPOSTA À ACUSAÇÃO – Art. 396 e 396-A .............................................................................. 213
3) MEMORIAIS ............................................................................................................................ 220
4) EMENDATIO LIBELLI E MUTATIO LIBELLI - PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO E PRINCÍPIO DA
CONSUBSTANCIAÇÃO .................................................................................................................. 230
CAPÍTULO V - RECURSOS............................................................................................................ 234
1) RECURSO EM SENTIDO ESTRITO.............................................................................................. 234
2) APELAÇÃO .............................................................................................................................. 239
3) CONTRARRAZÕES DE APELAÇÃO .............................................................................................. 250
4) REFORMATIO IN PEJUS ........................................................................................................... 251
CAPÍTULO VI - COMPETÊNCIA .................................................................................................... 253
COMPETÊNCIA POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO ....................................................................... 259

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1 CAPÍTULO I – PRISÃO PROCESSUAL

1) PRISÃO EM FLAGRANTE

Questão 04 – XXII EXAME


Diego e Júlio caminham pela rua, por volta das 21h, retornando para suas casas após mais um dia de aula
na faculdade, quando são abordados por Marcos, que, mediante grave ameaça de morte e utilizando
simulacro de arma de fogo, exige que ambos entreguem as mochilas e os celulares que carregavam. Após
os fatos, Diego e Júlio comparecem em sede policial, narram o ocorrido e descrevem as características
físicas do autor do crime. Por volta das 5h da manhã do dia seguinte, policiais militares em patrulhamento se
deparam com Marcos nas proximidades do local do fato e verificam que ele possuía as mesmas
características físicas do roubador. Todavia, não são encontrados com Marcos quaisquer dos bens
subtraídos, nem o simulacro de arma de fogo. Ele é encaminhado para a Delegacia e, tendo-se verificado
que era triplamente reincidente na prática de crimes patrimoniais, a autoridade policial liga para as
residências de Diego e Júlio, que comparecem em sede policial e, em observância de todas as formalidades
legais, realizam o reconhecimento de Marcos como responsável pelo assalto. O Delegado, então, lavra auto
de prisão em flagrante em desfavor de Marcos, permanecendo este preso, e o indicia pela prática do crime
previsto no Art. 157, caput, do Código Penal, por duas vezes, na forma do Art. 69 do Código Penal. Diante
disso, Marcos liga para seu advogado para informar sua prisão. Este comparece, imediatamente, em sede
policial, para acesso aos autos do procedimento originado do Auto de Prisão em Flagrante. Considerando
apenas as informações narradas, na condição de advogado de Marcos, responda, de acordo com a
jurisprudência dos Tribunais Superiores, aos itens a seguir.
A) Qual requerimento deverá ser formulado, de imediato, em busca da liberdade de Marcos e sob qual
fundamento? Justifique. (Valor: 0,65)
B) Oferecida denúncia na forma do indiciamento, qual argumento de direito material poderá ser apresentado
pela defesa para questionar a capitulação delitiva constante da nota de culpa, em busca de uma punição
mais branda? Justifique. (Valor: 0,60)
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere
pontuação.

Gabarito comentado
A) A defesa de Marcos deverá formular requerimento de relaxamento da prisão, tendo em vista que não
havia situação de flagrante a justificar a formalização do Auto de Prisão em Flagrante. Narra o enunciado
que, de fato, Marcos, mediante grave ameaça, inclusive com emprego de simulacro de arma de fogo,
subtraiu coisas alheias móveis de Diego e Julio, logo praticou dois crimes de roubo. As vítimas reconheceram
o acusado, de modo que há justa causa para o oferecimento de denúncia. Todavia, não havia situação de
flagrante a justificar a prisão do acusado. Isso porque o reconhecimento e prisão de Marcos ocorreram mais
de 07 horas após o fato, sendo certo que não houve perseguição e nem com o agente foram encontrados
instrumentos ou produtos do crime. Dessa forma, nenhuma das situações previstas no Art. 302 do Código
de Processo Penal restou configurada. Em sendo a prisão ilegal, o requerimento a ser formulado é de
relaxamento da prisão. Insuficiente, no caso, o examinando apresentar requerimento de liberdade
provisória. Primeiro porque, em sendo a prisão ilegal, sequer deveriam ser analisados os pressupostos dos
Artigos 312 e 313 do Código de Processo Penal nesse momento. Além disso, a princípio, não seria caso de
reconhecimento de ausência dos motivos da preventiva, já que foi praticado crime com circunstâncias
graves e o agente é triplamente reincidente. B) O equívoco a ser alegado em relação à capitulação delitiva
refere-se ao concurso de crimes. Sem dúvidas, confirmados os fatos, houve crime de roubo, já que foram
subtraídas coisas alheias móveis e houve emprego de grave ameaça, ainda que apenas através de palavras
de ordem e emprego de simulacro de arma de fogo. Da mesma forma, dois foram os crimes patrimoniais
praticados. Isso porque dois patrimônios foram atingidos e presente o elemento subjetivo, tendo em vista
que Marcos sabia que estava subtraindo pertences de duas pessoas diversas. Todavia, com uma só ação,
mediante uma ameaça, foram subtraídos bens de dois patrimônios diferentes. Assim, deverá ser reconhecido
201
PROCESSO PENAL OAB
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o concurso formal de delitos, aplicando-se a regra da exasperação da pena, e não o concurso material, com
aplicação do cúmulo material de sanções.

Tabela de Pontos

ITEM PONTUAÇÃO

A. O requerimento a ser formulado é de relaxamento da 0,00/0,30/0,35/0,65


prisão (0,35), tendo em vista que não está presente
nenhuma das situações de flagrante elencadas no Art. 302
do CPP (0,30).
B. O argumento é que houve concurso formal de crimes 0,00/0,15/0,25/0,35/0,45/ 0,50/0,60
(0,35), tendo em vista que, com uma só ação, foram
praticados dois delitos (0,15), nos termos do Art. 70 do CP
(0,10).

Questão 02 - XII EXAME OAB

Ricardo é delinquente conhecido em sua localidade, famoso por praticar delitos contra o patrimônio sem
deixar rastros que pudessem incriminá-lo. Já cansando da impunidade, Wilson, policial e irmão de uma das
vítimas de Ricardo, decide que irá empenhar todos os seus esforços na busca de uma maneira para prender,
em flagrante, o facínora.
Assim, durante meses, se faz passar por amigo de Ricardo e, com isso, ganhar a confiança deste. Certo dia,
decidido que havia chegada a hora, pergunta se Ricardo poderia ajudá-lo na próxima empreitada. Wilson diz
que elaborou um plano perfeito para assaltar uma casa lotérica e que bastaria ao amigo seguir as
instruções. O plano era o seguinte: Wilson se faria passar por um cliente da casa lotérica e, percebendo o
melhor momento, daria um sinal para que Ricardo entrasse no referido estabelecimento e anunciasse o
assalto, ocasião em que o ajudaria a render as pessoas presentes. Confiante nas suas próprias habilidades e
empolgado com as ideias dadas por Wilson, Ricardo aceita. No dia marcado por ambos, Ricardo, seguindo o
roteiro traçado por Wilson, espera o sinal e, tão logo o recebe, entra na casa lotérica e anuncia o assalto.
Todavia, é surpreendido ao constatar que tanto Wilson quanto todos os “clientes” presentes na casa lotérica
eram policiais disfarçados. Ricardo acaba sendo preso em flagrante, sob os aplausos da comunidade e dos
demais policiais, contentes pelo sucesso do flagrante. Levado à delegacia, o delegado de plantão imputa a
Ricardo a prática do delito de roubo na modalidade tentada.
Nesse sentido, atento tão somente às informações contidas no enunciado, responda justificadamente:
A) Qual a espécie de flagrante sofrido por Ricardo? (Valor: 0,80)
B) Qual é a melhor tese defensiva aplicável à situação de Ricardo relativamente à sua responsabilidade
jurídicopenal? (Valor: 0,45)

GABARITO COMENTADO
A situação narrada configura hipótese de flagrante preparado (ou provocado). Tal prisão em flagrante é nula
e deve ser imediatamente relaxada, haja vista o fato de ter sido preparada por um agente provocador, que
adotou medidas aptas a impedir por completo a consumação do crime.
Inclusive, o Verbete 145 da Súmula do STF disciplina que nas situações como a descrita no enunciado
inexiste crime.
Aplica-se, também, o Art. 17 do Código Penal: o flagrante preparado constitui hipótese de crime impossível.
Sendo assim, a melhor tese defensiva aplicável a Ricardo é aquela no sentido de excluir a prática de crime
com base no Verbete 145, da Súmula do STF, e no Art. 17, do Código Penal.
Note-se que o enunciado da questão deixa claro que busca a melhor tese defensiva no campo jurídicopenal.
Assim, eventuais respostas indicativas de soluções no âmbito processual (tais como: prisão ilegal que deve
ser relaxada), ainda que corretas, não serão consideradas para efeito de pontuação, haja vista o fato de não
responderem ao questionado.

202
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QUESTÃO 4 - XVI EXAME


Wesley, estudante, foi preso em flagrante no dia 03 de março de 2015 porque conduzia um veículo
automotor que sabia ser produto de crime pretérito registrado em Delegacia da área em que residia. Na
data dos fatos, Wesley tinha 20 anos, era primário, mas existia um processo criminal em curso em seu
desfavor, pela suposta prática de um crime de furto qualificado. Diante dessa anotação em sua Folha de
Antecedentes Criminais, a autoridade policial representou pela conversão da prisão em flagrante em
preventiva, afirmando que existiria risco concreto para a ordem pública, pois o indiciado possuía outros
envolvimentos com o aparato judicial. Você, como advogado(a) indicado por Wesley, é comunicado da
ocorrência da prisão em flagrante, além de tomar conhecimento da representação formulada pelo Delegado.
Da mesma forma, o comunicado de prisão já foi encaminhado para o Ministério Público e para o magistrado,
sendo todas as legalidades da prisão em flagrante observadas. Considerando as informações narradas,
responda aos itens a seguir.
A) Qual a medida processual, diferente de habeas corpus, a ser adotada pela defesa técnica de Wesley?
(Valor: 0,50)
B) A representação da autoridade policial foi elaborada de modo adequado? (Valor: 0,75) Responda
justificadamente, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao
caso.
GABARITO COMENTADO
A) Considerando que o enunciado narra que foi realizada validamente a prisão em flagrante de Wesley pela
prática do crime de receptação simples, a medida processual a ser formulada é o pedido de liberdade
provisória, evitando que seja decretada a prisão preventiva do indiciado.
B) A representação da autoridade policial não foi elaborada de maneira adequada em relação à sua
fundamentação, pois não estão preenchidos os requisitos do Art. 313 do Código de Processo Penal, sendo
estes indispensáveis para a conversão da prisão em flagrante em preventiva. O crime praticado pelo
indiciado não tem pena privativa de liberdade máxima superior a 04 anos. Ademais, não é o acusado
reincidente na prática de crime doloso, devendo ser destacado que a existência de ação em curso não afasta
a ausência de configuração do inciso II do Art. 313. Os requisitos do inciso III também não estão atendidos,
sendo incabível a prisão preventiva, independentemente da fundamentação com os pressupostos do Art. 312
do CPP.
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS
A. Formulação de pedido de liberdade provisória (0,40), com fundamento no Art. 321 do CPP ou no Art. 310,
III, do CPP (0,10). Obs.: a mera citação do dispositivo legal não será pontuada. 0,00/0,40/0,50
B. A representação da autoridade policial não foi elaborada de maneira adequada em relação à sua
fundamentação, pois não estão preenchidos os requisitos para a decretação da prisão preventiva (0,65), do
Art. 313 do CPP (0,10).
Obs.: a mera citação do dispositivo legal não será pontuada. 0,00/0,65/0,75

QUESTÃO 4 – XXIV EXAME


Pablo, que possui quatro condenações pela prática de crimes com violência ou grave ameaça à pessoa,
estava no quintal de sua residência brincando com seu filho, quando ingressa em seu terreno um cachorro
sem coleira. O animal adota um comportamento agressivo e começa a tentar atacar a criança de 05 anos,
que brincava no quintal com o pai. Diante disso, Pablo pega um pedaço de pau que estava no chão e
desfere forte golpe na cabeça no cachorro, vindo o animal a falecer. No momento seguinte, chega ao local o
dono do cachorro, que, inconformado com a morte deste, chama a polícia, que realiza a prisão em flagrante
de Pablo pela prática do crime do Art. 32 da Lei nº 9.605/98. Os fatos acima descritos são integralmente
confirmados no inquérito pelas testemunhas. Considerando que Pablo é multirreincidente na prática de
crimes graves, o Ministério Público se manifesta pela conversão do flagrante em preventiva, afirmando o
risco à ordem pública pela reiteração delitiva. Considerando as informações narradas, na condição de
advogado(a) de Pablo, que deverá se manifestar antes da decisão do magistrado quanto ao requerimento
do Ministério Público, responda aos itens a seguir.

203
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

A) Qual pedido deverá ser formulado pela defesa de Pablo para evitar o acolhimento da manifestação pela
conversão da prisão em flagrante em preventiva? Justifique. (Valor: 0,60)
B) Sendo oferecida denúncia, qual argumento de direito material poderá ser apresentado em busca da
absolvição de Pablo? Justifique. (Valor: 0,65)

GABARITO COMENTADO
A) A defesa de Pablo deverá formular pedido de liberdade provisória, tendo em vista que, apesar de ostentar
diversas condenações pela prática de crimes graves, na situação apresentada, com base nas informações
constantes do auto de prisão em flagrante, poderá o juiz verificar que Pablo agiu amparado por causa
excludente da ilicitude, de modo que poderá conceder liberdade provisória, mediante termo de
comparecimento a todos os atos do processo, conforme previsão do Art. 310, parágrafo único, do CPP.
B) O argumento de direito material a ser apresentado é que Pablo deverá ser absolvido do crime imputado
porque agiu amparado por estado de necessidade, que é causa excludente da ilicitude. Todos os requisitos
estabelecidos pelo Art. 24 do CP estão preenchidos, tendo em vista que havia situação de perigo atual ao
seu filho, não provocada por Pablo, e não tinha ele outra maneira de agir para proteção, tendo em vista que
o cão adotava comportamento agressivo e tentava atacar a criança. Além disso, em que pese a relevência
da vida de um cachorro para o seu dono, o sacrifício da vida de uma criança não era razoável exigir nas
circunstâncias do caso concreto. Não há que se falar em legítima defesa, porém, pois esta pressupõe injusta
agressão, o que, por sua vez, somente se configura com um comportamento humano.

DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS


A. Liberdade provisória (0,35), nos termos do Art. 310, parágrafo único, do CPP (0,10), já que o juiz pode
verificar, com base nas informações do auto de prisão em flagrante, que Pablo agiu amparado em causa
excludente da ilicitude (0,15).
B. A existência de estado de necessidade (0,40), nos termos do Art. 24 do CP OU Art. 23, inciso I, do CP
(0,10), que funciona como causa excludente da ilicitude (0,15).

2) PRISÃO PREVENTIVA

Questão 01 – XX EXAME DA OAB

Fausto, ao completar 18 anos de idade, mesmo sem ser habilitado legalmente, resolveu sair com o carro do
seu genitor sem o conhecimento do mesmo. No cruzamento de uma avenida de intenso movimento, não
tendo atentado para a sinalização existente, veio a atropelar Lídia e suas 05 filhas adolescentes, que
estavam na calçada, causando-lhes diversas lesões que acarretaram a morte das seis. Denunciado pela
prática de seis crimes do Art. 302, § 1º, incisos I e II, da Lei nº 9503/97, foi condenado nos termos do
pedido inicial, ficando a pena final acomodada em 04 anos e 06 meses de detenção em regime semiaberto,
além de ficar impedido de obter habilitação para dirigir veículo pelo prazo de 02 anos. A pena privativa de
liberdade não foi substituída por restritivas de direitos sob o fundamento exclusivo de que o seu quantum
ultrapassava o limite de 04 anos. No momento da sentença, unicamente com o fundamento de que o
acusado, devidamente intimado, deixou de comparecer espontaneamente a última audiência designada, que
seria exclusivamente para o seu interrogatório, o juiz decretou a prisão cautelar e não permitiu o apelo em
liberdade, por força da revelia. Apesar de Fausto estar sendo assistido pela Defensoria Pública, seu genitor o
procura, para que você, na condição de advogado(a), preste assistência jurídica. Diante da situação narrada,
como advogado(a), responda aos seguintes questionamentos formulados pela família de Fausto:

A) Mantida a pena aplicada, é possível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de
direitos? Justifique. (Valor: 0,65)

204
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B) Em caso de sua contratação para atuar no processo, o que poderá ser alegado para combater,
especificamente, o fundamento da decisão que decretou a prisão cautelar? (Valor: 0,60) Obs.: o examinando
deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação.

Gabarito Comentado

A) Tratando-se de crime culposo, o fato de a pena ter ficado acomodada em mais de 04 anos, por si só, não
impede a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, sendo certo que o
encarceramento deve ser deixado para casos especiais, quando se manifestar extremamente necessário.O Art.
44, inciso I, do Código Penal, afirma expressamente que caberá substituição, independente da pena aplicada,
se o crime for culposo. No caso, como o fundamento exclusivo do magistrado foi a pena aplicada, é possível
afastá-lo e, consequentemente, buscar a substituição em sede de recurso.

B) O fato de o acusado não ter comparecido ao interrogatório, por si só, não justifica o decreto prisional,
devendo ser entendida a sua ausência como extensão do direito ao silêncio. Hoje, o interrogatório é tratado
pela doutrina e pela jurisprudência não somente como meio de prova, mas também como meio de defesa. Por
sua vez, o direito à ampla defesa inclui a defesa técnica e a autodefesa. No exercício da autodefesa, pode o
acusado permanecer em silêncio durante seu interrogatório. Da mesma forma, poderá deixar de comparecer ao
ato como extensão desse direito, sendo certo que no caso não haveria qualquer prejuízo para a instrução nesta
ausência, já que a audiência seria apenas para interrogatório. A prisão, antes do trânsito em julgado da decisão
condenatória, reclama fundamentação concreta da necessidade da medida, não podendo ser aplicada como
forma de antecipação de pena. A banca examinadora considerou como adequada a alegação do não cabimento
da prisão preventiva pelo fato de o crime praticado por Fausto ser culposo, não atendendo, assim, o requisito
do art. 313, inc. I, do CPP. A mera alegação, em abstrato, de ausência dos requisitos da prisão preventiva foi
considerada insuficiente, bem como a mera citação do dispositivo legal acima destacado.

QUESTÃO 4 – XX EXAME PROVA REAPLICADA EM PORTO VELHO/RO (por conta da falta de luz
no dia da prova geral da 2ª fase)

Maria, primária e com bons antecedentes, trabalha há vários anos dirigindo uma van de transporte de crianças.
Certo dia, após mudar o itinerário sempre observado, resolve fazer compras em um supermercado, onde
permaneceu por duas horas, esquecendo de entregar uma das crianças de 03 anos na residência da mesma. Ao
retornar ao veículo, encontra a criança desfalecida e, desesperada, leva-a ao hospital, não conseguindo, porém,
evitar o óbito. Acabou denunciada e condenada pela prática do injusto do Art. 133, § 2º, do Código Penal
(abandono de incapaz com resultado morte) à pena de 04 anos de reclusão em regime aberto. Apesar de ter
respondido ao processo em liberdade, não foi permitido à Maria apelar em liberdade, fundamentando o juiz a
ordem de prisão na grande comoção social que o fato causou. A família dispensou o advogado anterior e o(a)
procurou para que assumisse a defesa de Maria. Considerando apenas as informações narradas na situação
hipotética, responda aos itens a seguir.

A) Qual a tese de direito material a ser alegada em eventual recurso defensivo para evitar a punição de Maria
pelo crime pelo qual foi denunciada? Justifique. (Valor: 0,65)

B) Qual a medida que deve ser adotada na busca da liberdade imediata de Maria e com qual fundamento?
Justifique. (Valor: 0,60) Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo
legal não confere pontuação.

Gabarito comentado

A) Deveria o advogado buscar a absolvição de Maria pelo fato de não ter praticado dolosamente o abandono de
incapaz ou, ao menos, a desclassificação para homicídio culposo. O crime de abandono de incapaz somente
pode ser praticado de forma dolosa, não admitindo a responsabilização criminal do agente a título de culpa. Na
hipótese, de acordo com o texto apresentado, Maria não teve a intenção de abandonar a criança no veículo,
tendo, de forma negligente, a esquecido no interior do carro. Dessa forma, não há como ser mantida a
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PROCESSO PENAL OAB
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condenação pelo crime de abandono de incapaz. O Art. 133, §2º, do Código Penal, apesar de ser aplicável
quando o resultado morte decorrer de culpa, exige que haja dolo na conduta antecedente, qual seja, abandono
de incapaz, o que não ocorreu na presente hipótese.

B) Para garantir a liberdade imediata de Maria, o advogado deveria impetrar habeas corpus visando
restabelecer a liberdade da ré até o trânsito em julgado da sentença condenatória. A regra geral, que
obviamente admite exceções, é a de que o acusado deve apelar na mesma condição em que se encontrava no
curso da instrução. Estando solto, apela solto; estando preso e sendo condenado em primeira instância, em
especial à pena em regime de cumprimento fechado, poderá ser mantida a prisão. No caso concreto deveria ser
combatida a decisão que decreta a prisão preventiva de Maria. Alguns argumentos poderiam ser apresentados
pelo examinando. Primeiramente, poderia ele alegar que não houve circunstância fática nova a justificar a
decretação da prisão preventiva, que é medida cautelar e não antecipação do cumprimento da pena. Da mesma
forma, poderia esclarecer que a motivação pela comoção social é insuficiente, pois não confunde com o risco
para a ordem pública, ademais, de acordo com jurisprudência firme dos Tribunais Superiores, comoção social
não enseja prisão cautelar. A sentença condenatória não inovou a situação de modo a justificar a alteração do
status libertatis. Por fim, poderia o examinando alegar que Maria foi condenada a 04 anos de reclusão, em
regime inicial aberto. A imposição de prisão preventiva, que é medida cautelar, acabaria sendo mais gravosa do
que a medida final aplicada, o que violaria o princípio da homogeneidade. Distribuição dos Pontos ITEM
PONTUAÇÃO A.A tese a ser alegada é que Maria deve ser absolvida ou ter sua conduta desclassificada para o
crime de homicídio culposo (0,30), pois o abandono decorreu de culpa e não de dolo (0,35). 0,00 / 0,30 / 0,35
/ 0,65 B.O advogado deveria impetrar habeas corpus (0,25), alegando que não houve alteração fática a
justificar o decreto prisional OU que a comoção social não é motivação idônea, OU porque com a aplicação do
regime aberto, a medida cautelar acabaria sendo mais gravoso que a definitiva (0,35). 0,00 / 0,25 / 0,35 / 0,60

Questão 02 - XVII EXAME

Glória, esposa ciumenta de Jorge, inicia uma discussão com o marido no momento em que ele chega do
trabalho à residência do casal. Durante a discussão, Jorge faz ameaças de morte à Glória, que, de imediato
comparece à Delegacia, narra os fatos, oferece representação e solicita medidas protetivas de urgência.
Encaminhados os autos para o Ministério Público, este requer em favor de Glória a medida protetiva de
proibição de aproximação, bem como a prisão preventiva de Jorge, com base no Art. 313, inciso III, do CPP.
O juiz acolhe os pedidos do Ministério Público e Jorge é preso. Novamente os autos são encaminhados para
o Ministério Público, que oferece denúncia pela prática do crime do Art. 147 do Código Penal. Antes do
recebimento da inicial acusatória, arrependida, Glória retorna à Delegacia e manifesta seu interesse em não
mais prosseguir com o feito. A família de Jorge o procura em busca de orientação, esclarecendo que o autor
é primário e de bons antecedentes. Considerando apenas a situação narrada, na condição de advogado(a)
de Jorge, esclareça os seguintes questionamentos formulados pelos familiares:

A) A prisão de Jorge, com fundamento no Art. 313, inciso III, do Código de Processo Penal, é válida? (Valor:
0,60)

B) É possível a retratação do direito de representação por parte de Glória? Em caso negativo, explicite as
razões; em caso positivo, esclareça os requisitos. (Valor: 0,65) Obs.: o examinando deve fundamentar suas
respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação

GABARITO COMENTADO

A) Deveria o examinando demonstrar que a prisão preventiva decretada em desfavor de Jorge, com base no
Art. 313, inciso III, do Código de Processo Penal, não é válida no caso concreto. De início, é possível
perceber que os requisitos previstos no Art. 313, incisos I e II, do CPP não estão presentes, pois a pena
máxima para o crime praticado é inferior a 04 anos e Jorge é primário e de bons antecedentes. Em relação
ao inciso III do Art. 313, não basta que o crime seja praticado em situação de violência doméstica e familiar
contra mulher. Para regularidade da prisão, é preciso que seja aplicada para garantir execução de medida
protetiva de urgência. Dessa forma, somente será cabível caso exista uma medida protetiva anteriormente
aplicada e descumprida ou, ao menos, que, após aplicação da medida protetiva, exista risco concreto de
descumprimento. No caso, de imediato o magistrado, após requerimento do Ministério Público, decretou a
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prisão preventiva, sem que houvesse medida protetiva de urgência previamente aplicada. Assim, não foi
válida a prisão.

B) Deveria o examinando esclarecer que o crime de ameaça é de ação penal pública condicionada à
representação, nos termos do Art. 147, parágrafo único, do Código Penal, de modo que é possível a
retratação do direito de representação. Como o crime foi praticado em situação de violência doméstica e
familiar contra a mulher, contudo, alguns requisitos são trazidos pela lei de modo a garantir que essa
manifestação foi livre de pressões. Tais requisitos são trazidos pelo Art. 16 da Lei 11.340/06, que admite a
retratação antes do recebimento da denúncia, desde que realizada em audiência especial, na presença do
magistrado, após manifestação do Ministério Público.

QUESTÃO 02 - XV EXAME
Durante inquérito policial que investigava a prática do crime de extorsão mediante sequestro, esgotado o
prazo sem o fim das investigações, a autoridade policial encaminhou os autos para o Judiciário, requerendo
apenas a renovação do prazo. O magistrado, antes de encaminhar o feito ao Ministério Público, verificando a
gravidade em abstrato do crime praticado, decretou a prisão preventiva do investigado. Considerando a
narrativa apresentada, responda aos itens a seguir.
A) Poderia o magistrado adotar tal medida? Justifique. (Valor: 0,65)
B) A fundamentação apresentada para a decretação da preventiva foi suficiente? Justifique. (Valor: 0,60)
O examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação.

GABARITO COMENTADO
A questão em análise busca extrair conhecimento acerca do tema prisão preventiva. Durante muito tempo
se controverteu sobre a possibilidade de o magistrado decretar a prisão preventiva de ofício, em especial
durante as investigações policiais. A lei 12.403 conferiu novo tratamento ao tema. Na hipótese narrada, o
juiz, ainda durante a fase de investigação, sem ação penal em curso, decretou a prisão preventiva do
indiciado de ofício, o que não é admitido pelo artigo 311 do Código de Processo Penal, tendo em vista que
violaria o princípio da imparcialidade, o princípio da inércia e até mesmo o sistema acusatório. Ainda que a
decretação da prisão preventiva de ofício neste momento fosse admitida, a fundamentação apresentada
seria insuficiente, pois a gravidade em abstrato do crime não pode justificar a aplicação de medidas
cautelares pessoais. O juiz não fundamentou a prisão preventiva, medida excepcional considerando o
princípio da presunção de inocência e o direito à liberdade, com circunstâncias em concreto do caso.
Nesse sentido, perceba-se que a questão em análise dividiu-se em dois itens distintos.
Para receber a pontuação relativa ao item ‘A’, considerando-se o comando da questão (“Poderia o
magistrado adotar tal medida? Justifique.”), o examinando deveria responder que o magistrado não poderia
ter agido daquela forma, calcando-se no sistema acusatório que norteia o processo penal brasileiro desde
sua expressa adoção pela nossa Magna Carta. Consoante o sistema acusatório o juiz deve ser inerte e
imparcial, de sorte que a decretação de uma prisão cautelar de ofício por parte do magistrado fere
frontalmente tais postulados. Ademais, interpretando-se o art. 311 do CPP, resta claro que o juiz não pode
decretar prisão preventiva de ofício na fase de inquérito. Tal interpretação decorre, obviamente, de uma
leitura baseada no sistema acusatório. Nesse ínterim, é oportuno destacar que eventuais respostas calcadas
no art. 311 do CPP, necessariamente, deveriam demonstrar que tal dispositivo veda a decretação de prisão
preventiva de ofício pelo juiz na fase de inquérito policial; a tal constatação somente se chega a partir de
uma interpretação principiológica, razão pela qual não merecem pontuação as respostas que se limitarem a
indicar como fundamento da negativa o art. 311 do CPP, simplesmente, sem qualquer análise mais
aprofundada.
Por fim, para fazer jus à pontuação relativa ao item ‘B’, considerando-se o comando da questão, o
examinando deveria indicar que a fundamentação apresentada pelo magistrado não foi suficiente, pois a
gravidade em abstrato do delito, segundo entendimento pacífico, não é argumento idôneo, capaz de
justificar uma prisão cautelar. Mais uma vez, a simples indicação de dispositivo legal não deve ser pontuada,
sendo necessário, tal como manda o enunciado, que o examinando justifique sua resposta.

DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS


A) Não poderia, sob pena de violação do princípio da imparcialidade OU princípio da inércia OU
sistema/princípio acusatório (0,55), com base no Arts. 311 ou 282, §2º do CPP ou Art. 129, I, da CRFB/88
(0,10)
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OU
Não, com base no fato de que o juiz não pode decretar prisão preventiva de ofício na fase de inquérito
(0,55), com base no art. 311 ou 282, §2º do CPP ou Art. 129, I, da CRFB/88 (0,10)
OU
Não, com base no fato de que o juiz só poderia decretar prisão preventiva de ofício na fase processual
(0,55), com base no art. 311 ou 282, §2º do CPP ou Art. 129, I, da CRFB/88 (0,10).
Obs.: a mera citação do artigo não pontua.
0,00/0,10/0,55/0,65
B) A fundamentação não foi suficiente porque a gravidade em abstrato do crime não é argumento hábil a
fundamentar uma prisão (0,60)

QUESTÃO 3 – EXAME 2010-03


Jeremias é preso em flagrante pelo crime de latrocínio, praticado contra uma idosa que acabara de sacar o
valor relativo à sua aposentadoria dentro de uma agência da Caixa Econômica Federal e presenciado por
duas funcionárias da referida instituição, as quais prestaram depoimento em sede policial e confirmaram a
prática do delito. Ao oferecer denúncia perante o Tribunal do Júri da Justiça Federal da localidade, o
Ministério Público Federal requereu a decretação da prisão preventiva de Jeremias para a garantia da ordem
pública, por ser o crime gravíssimo e por conveniência da instrução criminal, uma vez que as testemunhas
seriam mulheres e poderiam se sentir amedrontadas caso o réu fosse posto em liberdade antes da colheita
de seus depoimentos judiciais. Ao receber a inicial, o magistrado decretou a prisão preventiva de Jeremias,
utilizando-se dos argumentos apontados pelo Parquet.
Com base no caso acima, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal
pertinente ao caso, indique os argumentos defensivos para atacar a decisão judicial que recebeu a denúncia
e decretou a prisão preventiva.
GABARITO COMENTADO
a) Não, pois a competência para processamento e julgamento é de uma vara comum da justiça estadual,
por se tratar de crime patrimonial e que não ofende bens, serviços ou interesses da União ou de suas
entidades autárquicas.
b) Não, pois a jurisprudência é pacífica no sentido de que considerações genéricas e presunções de que em
liberdade as testemunhas possam sentir-se amedrontadas não são argumentos válidos para a decretação da
prisão antes do trânsito em julgado de decisão condenatória, pois tal providência possui natureza
estritamente cautelar, de modo que somente poderá ser determinada quando calcada em elementos
concretos que demonstrem a existência de risco efetivo à eficácia da prestação jurisdicional.
c) Tribunal Regional Federal, pois a autoridade coatora é juiz de direito federal.
Em relação à correção, levou-se em conta o seguinte critério de pontuação:

Item Pontuação
Incompetência da Justiça Federal para julgar o caso (0,15), por não se enquadrar 0 / 0,15 / 0,3
nas hipóteses do art. 109 da CRFB (0,15).

Incompetência do Tribunal do Júri (0,15), considerando que o crime de latrocínio 0 / 0,15 / 0,3
tem natureza patrimonial (0,15).

Ilegalidade na decretação da prisão preventiva (0,2), com base na impossibilidade 0 / 0,2 / 0,4
de fundamentar a prisão na gravidade abstrata do crime OU na presunção de que
as vítimas se sentiriam amedrontadas (0,2).

3) PRISÃO TEMPORÁRIA (Lei n. 7960/89)

QUESTÃO 02 - XX EXAME
Lúcio, com residência fixa e proprietário de uma oficina de carros, adquiriu de seu vizinho, pela quantia de
R$1.000,00 (mil reais) um aparelho celular, que sabia ser produto de crime pretérito, passando a usá-lo
como próprio. Tomando conhecimento dos fatos, um inimigo de Lúcio comunicou o ocorrido ao Ministério
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Público, que requisitou a instauração de inquérito policial. A autoridade policial instaurou o procedimento,
indiciou Lúcio pela prática do crime de receptação qualificada (Art. 180, § 1º, do Código Penal), já que
desenvolvia atividade comercial, e, de imediato, representou pela prisão temporária de Lúcio, existindo
parecer favorável do Ministério Público. A família de Lúcio o procura para esclarecimentos. Na condição de
advogado de Lúcio, esclareça os itens a seguir.
A) No caso concreto, a autoridade policial poderia ter representado pela prisão temporária de Lúcio? (Valor:
0,60)
B) Confirmados os fatos acima narrados, o crime praticado por Lúcio efetivamente foi de receptação
qualificada (Art. 180, § 1º, do CP)? Em caso positivo, justifique. Em caso negativo, indique qual seria o delito
praticado e justifique. (Valor: 0,65) Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação
do dispositivo legal não confere pontuação.

Gabarito comentado

A) No caso concreto, a autoridade policial não poderia ter representado pela prisão temporária de Lúcio. De
início, deve ser destacado que o crime de receptação, ainda que em sua modalidade qualificada, não está
previsto no rol de delitos estabelecido pelo Art. 1º, inciso III, da Lei nº 7.960/89. Isso, por si só, já afastaria
a possibilidade de ser decretada a prisão temporária. Ademais, os outros requisitos trazidos pelos incisos I e
II do Art. 1º do mesmo diploma legal também não estão preenchidos, uma vez que Lúcio possui residência
fixa e a medida não se mostra imprescindível para as investigações do inquérito policial. Ressalta-se que a
prisão temporária não se confunde com a preventiva, de modo que a fundamentação com base nos artigos
312 e 313 do CPP será considerada insuficiente. B) O crime praticado por Lúcio foi o de receptação simples
e não em sua modalidade qualificada. Prevê o Art. 180, § 1º, do Código Penal, que a pena será de 03 a 08
anos, quando o agente “Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar,
montar, remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no
exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime”. A ideia do
legislador foi punir mais severamente aquele comerciante que se aproveita de sua profissão para ter um
acesso facilitado ou maior facilidade na venda de bens produtos de crimes. Assim, para tipificar a
modalidade qualificada, é necessária que a receptação tenha sido praticada pelo agente no exercício de
atividade comercial ou industrial. Não basta que o autor seja comerciante. No caso concreto, apesar de
comerciante, Lúcio não teve acesso ao celular produto de crime em razão de sua atividade comercial, pois o
adquiriu de seu vizinho. Além disso, essa mesma atividade comercial não facilitaria eventual revenda do
bem, já que sua intenção foi ficar com o celular para si. Dessa forma, configurado, apenas, o crime de
receptação simples.

DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS ITEM PONTUAÇÃO


A. Não poderia a autoridade policial ter representado pela prisão temporária, pois o crime de receptação não
está previsto no rol de crimes que admitem essa modalidade de prisão (0,50), na forma do Art. 1º, inciso
III, da Lei nº 7.960/89 (0,10). 0,00 / 0,50 / 0,60

B. Não, pois o crime praticado foi de receptação simples (0,35), tendo em vista que Lúcio não adquiriu o
bem no exercício de atividade comercial (0,30). 0,00 / 0,30 / 0,35 / 0,65

QUESTÃO 03 - VI OAB
Caio, Mévio, Tício e José, após se conhecerem em um evento esportivo de sua cidade, resolveram praticar
um estelionato em detrimento de um senhor idoso. Logrando êxito em sua empreitada criminosa, os quatro
dividiram os lucros e continuaram a vida normal. Ao longo da investigação policial, apurou-se a autoria do
delito por meio dos depoimentos de diversas testemunhas que presenciaram a fraude. Em decorrência de tal
informação, o promotor de justiça denunciou Caio, Mévio, Tício e José, alegando se tratar de uma quadrilha
de estelionatários, tendo requerido a decretação da prisão temporária dos denunciados. Recebida a
denúncia, a prisão temporária foi deferida pelo juízo competente.
Com base no relatado acima, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados
e a fundamentação legal pertinente ao caso.
a) Qual(is) o(s) meio(s) de se impugnar tal decisão e a quem deverá(ão) ser endereçado(s)? (Valor: 0,6)
b) Quais fundamentos deverão ser alegados? (Valor: 0,65)

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Gabarito Comentado:
a) Relaxamento de prisão, endereçado ao juiz de direito estadual.
OU
Habeas corpus, endereçado ao Tribunal de Justiça estadual.
b) Ilegalidade da prisão, pois não há formação de quadrilha quando a reunião se dá para a prática de
apenas um delito. Não há que se falar em formação de quadrilha, subsistindo apenas o delito único de
estelionato. Nesse sentido, não se poderia decretar a prisão temporária, pois tal crime não está previsto no
rol taxativo indicado no artigo 1º, III, da Lei 7.960/89. Ademais, a prisão temporária é medida exclusiva do
inquérito policial, não podendo, em hipótese alguma, ser decretada quando já instaurada a ação penal.

Pontuação
Distribuição dos Pontos Item
a) Relaxamento da prisão (0,3), endereçado ao juiz de direito estadual (0,3) 0 / 0,3 / 0,6
OU
habeas corpus (0,3), endereçado ao Tribunal de Justiça estadual (0,3).
b1) Ilegalidade da prisão, pois não há formação de quadrilha quando a reunião se deu 0 / 0,2 / 0,25 /
para a prática de apenas um delito. (0,25) Não se poderia decretar a prisão temporária, 0,45
pois estelionato não está previsto no artigo 1º, III, da Lei 7.960/89. (0,2)
b2) A prisão temporária é medida exclusiva do inquérito policial. (0,2) 0 / 0,2

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02 CAPÍTULO II – PROCEDIMENTOS – IDENTIFICAÇÃO

QUESTÃO 1 - V EXAME
Antônio, pai de um jovem hipossuficiente preso em flagrante delito, recebe de um serventuário do Poder
Judiciário Estadual a informação de que Jorge, defensor público criminal com atribuição para representar o
seu filho, solicitara a quantia de dois mil reais para defendê-lo adequadamente. Indignado, Antônio, sem
averiguar a fundo a informação, mas confiando na palavra do serventuário, escreve um texto reproduzindo a
acusação e o entrega ao juiz titular da vara criminal em que Jorge funciona como defensor público. Ao
tomar conhecimento do ocorrido, Jorge apresenta uma gravação em vídeo da entrevista que fizera com o
filho de Antônio, na qual fica evidenciado que jamais solicitara qualquer quantia para defendê-lo, e
representa criminalmente pelo fato. O Ministério Público oferece denúncia perante o Juizado Especial
Criminal, atribuindo a Antônio o cometimento do crime de calúnia, praticado contra funcionário público em
razão de suas funções, nada mencionando acerca dos benefícios previstos na Lei 9.099/95. Designada
Audiência de Instrução e Julgamento, recebida a denúncia, ouvidas as testemunhas, interrogado o réu e
apresentadas as alegações orais pelo Ministério Público, na qual pugnou pela condenação na forma da
inicial, o magistrado concede a palavra a Vossa Senhoria para apresentar alegações finais orais.
Em relação à situação acima, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados
e a fundamentação legal pertinente ao caso.
a) O Juizado Especial Criminal é competente para apreciar o fato em tela? (Valor: 0,30)
b) Antônio faz jus a algum benefício da Lei 9.099/95? Em caso afirmativo, qual(is)? (Valor: 0,30)
c) Antônio praticou crime? Em caso afirmativo, qual? Em caso negativo, por que razão? (Valor: 0,65)

GABARITO COMENTADO
a) Não, pois, de acordo com o artigo 141, II, do CP, quando a ofensa for praticada contra funcionário
público em razão de suas funções, a pena será aumentada de um terço, o que faz com que a sanção
máxima abstratamente cominada seja superior a dois anos.
b) Sim, suspensão condicional do processo, nos termos do art. 89 da Lei 9.099/95.
c) Não. Antônio agiu em erro de tipo vencível/inescusável. Conforme previsão do artigo 20 do CP, nessa
hipótese, o agente somente responderá pelo crime se for admitida a punição a título culposo, o que não é o
caso, pois o crime em comento não admite a modalidade culposa. Vale lembrar que não houve dolo na
conduta de Antônio.

Distribuição dos Pontos


Item Pontuação
a) Não, pois, de acordo com o artigo 141, II, do CP, (0,1) quando a ofensa for praticada 0 / 0,1 / 0,2 /
contra funcionário público em razão de suas funções, a pena será aumentada de um terço, 0,3
o que faz com que a sanção máxima abstratamente cominada seja superior a dois anos.
(0,2)

b) Sim, suspensão condicional do processo (0,2) Art. 89 da Lei 9.099/95 (0,1). 0 / 0,1 /0,2 /
0,3
c) Não. Antônio agiu em erro de tipo OU ausência de dolo (0,5), nos termos do art. 20 0 / 0,50 / 0,65
(não existe modalidade culposa) (0,15)

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04 CAPÍTULO IV – FASE JUDICIAL – PROCEDIMENTO COMUM

1) DENÚNCIA E CAUSAS DE REJEIÇÃO DA DENÚNCIA

QUESTÃO 01 – IV EXAME OAB

Maria, jovem extremamente possessiva, comparece ao local em que Jorge, seu namorado, exerce o cargo
de auxiliar administrativo e abre uma carta lacrada que havia sobre a mesa do rapaz. Ao ler o conteúdo,
descobre que Jorge se apropriara de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), que recebera da empresa em que
trabalhava para efetuar um pagamento, mas utilizara tal quantia para comprar uma joia para uma moça
chamada Júlia. Absolutamente transtornada, Maria entrega a correspondência aos patrões de Jorge.
Com base no relatado acima, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados
e a fundamentação legal pertinente ao caso.
a) Jorge praticou crime? Em caso positivo, qual(is)? (Valor: 0,35)
b) Se o Ministério Público oferecesse denúncia com base exclusivamente na correspondência aberta por
Maria, o que você, na qualidade de advogado de Jorge, alegaria? (Valor: 0,9)

Padrão de resposta

a) Sim. Apropriação indébita qualificada em razão do ofício.


b) Falta de justa causa para a instauração de ação penal, já que a denúncia se encontra lastreada
exclusivamente em uma prova ilícita, porquanto decorrente de violação a uma norma de direito material
(artigo 151 do CP).

Item Pontuação
a) Sim. / Apropriação indébita qualificada em razão do ofício, (0,2) / art. 168, § 1º, 0 / 0,15 / 0,2 / 0,35
III, do CP (0,15).
b) Falta de justa causa para a instauração de ação penal, (0,3) / já que a denúncia 0 / 0,3 / 0,6 / 0,9
se encontra lastreada exclusivamente em uma prova ilícita, (0,3)/ porquanto
decorrente de violação a uma norma de direito material (art. 151 do CP OU art. 395,
III, do CPP OU art. 5º, XII e LVI, da CRFB) (0,3).

QUESTÃO 4 - V EXAME OAB

João e Maria iniciaram uma paquera no Bar X na noite de 17 de janeiro de 2011. No dia 19 de janeiro do
corrente ano, o casal teve uma séria discussão, e Maria, nitidamente enciumada, investiu contra o carro de
João, que já não se encontrava em bom estado de conservação, com três exercícios de IPVA inadimplentes,
a saber: 2008, 2009 e 2010. Além disso, Maria proferiu diversos insultos contra João no dia de sua festa de
formatura, perante seu amigo Paulo, afirmando ser ele “covarde”, “corno” e “frouxo”. A requerimento de
João, os fatos foram registrados perante a Delegacia Policial, onde a testemunha foi ouvida. João comparece
ao seu escritório e contrata seus serviços profissionais, a fim de serem tomadas as medidas legais cabíveis.
Você, como profissional diligente, após verificar não ter passado o prazo decadencial, interpõe Queixa-Crime
ao juízo competente no dia 18/7/11.
O magistrado ao qual foi distribuída a peça processual profere decisão rejeitando-a, afirmando tratar-se de
clara decadência, confundindo-se com relação à contagem do prazo legal. A decisão foi publicada dia 25 de
julho de 2011.
Com base somente nas informações acima, responda:
a) Qual é o recurso cabível contra essa decisão? (0,30)
b) Qual é o prazo para a interposição do recurso? (0,30)
c) A quem deve ser endereçado o recurso? (0,30)
d) Qual é a tese defendida? (0,35)

212
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

PADRÃO RESPOSTA
a) Como se trata de crime de menor potencial ofensivo, o recurso cabível é Apelação, de acordo com o
artigo 82 da Lei 9099/95.

Vale lembrar que a qualificadora do art. 163, parágrafo único, IV, do CP, relativa ao motivo egoístico do
crime de dano, caracteriza-se apenas quando o agente pretende obter satisfação econômica ou moral.
Assim, a conduta de Maria, motivada por ciúme, não se enquadra na hipótese e configura a modalidade
simples do delito de dano (art. 163, caput). Cabe ainda destacar que não houve prejuízo considerável a
João, já que o carro danificado estava em mau estado de conservação, o que afasta definitivamente a
qualificadora tipificada no art. 163, parágrafo único, IV, do CP. Assim, o concurso material entre o crime
patrimonial e a injúria não ultrapassa o patamar máximo e 2 anos, que define os crimes de menor potencial
ofensivo e a competência dos Juizados Especiais Criminais, sendo cabível, portanto, apelação (art. 82 da Lei
9.099/95).
b) 10 dias, de acordo com o §1º do artigo 82 da Lei 9099/95;

c) Turma Recursal, consoante art. 82 da Lei 9099/95;

d) O prazo para interposição da queixa-crime é de seis meses a contar da data do fato, conforme previu o
artigo 38 do CPP. Trata-se de prazo decadencial, isto é, prazo de natureza material, devendo ser contado de
acordo com o disposto no artigo 10 do CP – inclui-se o primeiro dia e exclui-se o último.

Distribuição dos Pontos Item Pontuação


a) Apelação. 0 / 0,3
b) 10 dias. 0 / 0,3
c) Turma Recursal. 0 / 0,3
d) O juiz contou de forma equivocada o prazo 0 / 0,35
decadencial.

2) RESPOSTA À ACUSAÇÃO – Art. 396 e 396-A

PEÇA PROFISSIONAL XXI EXAME


Gabriela, nascida em 28/04/1990, terminou relacionamento amoroso com Patrick, não mais suportando as
agressões físicas sofridas, sendo expulsa do imóvel em que residia com o companheiro em comunidade
carente na cidade de Fortaleza, Ceará, juntamente com o filho do casal de apenas 02 anos. Sem ter
familiares no Estado e nem outros conhecidos, passou a pernoitar com o filho em igrejas e outros locais de
acesso público, alimentando-se a partir de ajudas recebidas de desconhecidos. Nessa época, Gabriela fez
amizade com Maria, outra mulher em situação de rua que frequentava os mesmos espaços que ela. No dia
24 de dezembro de 2010, não mais aguentando a situação e vendo o filho chorar e ficar doente em razão da
ausência de alimentação, após não conseguir emprego ou ajuda, Gabriela decidiu ingressar em um grande
supermercado da região, onde escondeu na roupa dois pacotes de macarrão, cujo valor totalizava
R$18,00(dezoito reais). Ocorre que a conduta de Gabriela foi percebida pelo fiscal de segurança, que a
abordou no momento em que ela deixava o estabelecimento comercial sem pagar pelos bens, e apreendeu
os dois produtos escondidos. Em sede policial, Gabriela confirmou os fatos, reiterando a ausência de
recursos financeiros e a situação de fome e risco físico de seu filho. Juntado à Folha de Antecedentes
Criminais sem outras anotações, o laudo de avaliação dos bens subtraídos confirmando o valor, e ouvidos os
envolvidos, inclusive o fiscal de segurança e o gerente do supermercado, o auto de prisão em flagrante e o
inquérito policial foram encaminhados ao Ministério Público, que ofereceu denúncia em face de Gabriela pela
prática do crime do Art. 155, caput, c/c Art. 14, inciso II, ambos do Código Penal, além de ter opinado pela
liberdade da acusada. O magistrado em atuação perante o juízo competente, no dia 18 de janeiro de 2011,
recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público, concedeu liberdade provisória à acusada, deixando de
converter o flagrante em preventiva, e determinou que fosse realizada a citação da denunciada. Contudo, foi
concedida a liberdade para Gabriela antes de sua citação e, como ela não tinha endereço fixo, não foi
localizada para ser citada. No ano de 2015, Gabriela consegue um emprego e fica em melhores condições.
Em razão disso, procura um advogado, esclarecendo que nada sabe sobre o prosseguimento da ação penal
a que respondia. Disse, ainda, que Maria, hoje residente na rua X, na época dos fatos também era moradora
213
PROCESSO PENAL OAB
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de rua e tinha conhecimento de suas dificuldades. Diante disso, em 16 de março de 2015, segunda-feira,
sendo terça-feira dia útil em todo o país, Gabriela e o advogado compareceram ao cartório, onde são
informados que o processo estava em seu regular prosseguimento desde 2011, sem qualquer suspensão,
esperando a localização de Gabriela para citação. Naquele mesmo momento, Gabriela foi citada, assim como
intimada, junto ao seu advogado, para apresentação da medida cabível. Cabe destacar que a ré,
acompanhada de seu patrono, já manifestou desinteresse em aceitar a proposta de suspensão condicional
do processo oferecida pelo Ministério Público. Considerando a situação narrada, apresente, na qual idade de
advogado(a) de Gabriela, a peça jurídica cabível, diferente do habeas corpus , apresentando todas as teses
jurídicas de direito material e processual pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo.
(Valor: 5,00)
Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à
pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação.

GABARITO COMENTADO
Considerando a situação narrada, o(a) examinando(a) deve apresentar Resposta à Acusação, com
fundamento no Art. 396-A E/OU Art. 396, ambos do Código de Processo Penal, em busca de evitar o
prosseguimento do processo em desfavor de Gabriela. A peça deveria ser encaminhada para uma das Varas
Criminais da Comarca de Fortaleza, Ceará, local onde foi praticado o último ato de execução. Diante das
informações constantes do enunciado, caberia ao advogado da denunciada pleitear a absolvição sumária de
sua cliente, tendo em vista que o fato evidentemente não constitui infração penal, que há causa manifesta
de exclusão da ilicitude e causa de extinção da punibilidade. Em um primeiro momento, é possível perceber
a existência de causa de extinção da punibilidade, qual seja, a ocorrência de prescrição da pretensão
punitiva estatal. Isso porque os fatos ocorreram em 24 de dezembro de 2010, ocasião em que Gabriela tinha
apenas 20 anos, já que nascida em 28 de abril de 1990. Nos termos do Art. 115 do Código Penal, o prazo
prescricional do menor de 21 anos na data dos fatos deverá ser computado pela metade, sendo tal
disposição aplicável ao caso concreto. Foi imputada a Gabriela a prática do crime de furto simples em sua
modalidade tentada. A pena máxima em abstrato prevista para o delito imputado é de 04 anos (com a causa
de diminuição, seria de 02 anos e 08 meses de reclusão); logo, o prazo prescricional de 08 anos, previsto no
Art. 109, inciso IV, do Código Penal, cairá para 04 anos na hipótese. Desde a data do último marco
interruptivo do prazo prescricional, qual seja, o recebimento da denúncia em 18 de janeiro de 2011, já se
passaram mais de 04 anos, de modo que se impõe o reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva
estatal, com a consequente extinção da punibilidade, com fulcro no Art. 107, inciso IV, do Código Penal.
Menciona-se que o Código de Processo Penal trata a causa de extinção da punibilidade como hipótese de
absolvição sumária, nos termos do Art. 397, inciso IV, do CPP. Ademais, deveria o(a) advogado(a) alegar
que o fato narrado evidentemente não constitui crime, porque adequado ao caso o reconhecimento da
atipicidade material da conduta pela aplicação do princípio da insignificância. A jurisprudência e a doutrina
pátrias, de maneira absolutamente majoritárias, reconhecem que a tipicidade é formada por um caráter
formal e por um caráter material. A tipicidade formal é adequadação da conduta praticada àquela prevista
no tipo. No caso, Gabriela subtraiu coisa alheia móvel; logo, sua conduta é formalmente típica. Já a
tipicidade material seria a significativa lesão ao bem jurídico protegido pela norma. Nesse contexto, as
lesões ínfimas, insignificantes, não seriam suficientes para atingir o bem jurídico protegido e, com base no
princípio da lesividade, tais condutas sequer seriam materialmente típicas. Como conclusão, a aplicação do
princípio da bagatela leva ao reconhecimento da atipicidade da conduta. Gabriela subtraiu dois pacotes de
macarrão que totalizavam R$ 18,00 (dezoito reais). O valor subtraído por Gabriela permite a aplicação do
princípio da bagatela, afastando a tipicidade material da conduta e justificando sua absolvição sumária com
base no Art. 397, inciso III, do CPP. Cabe mencionar as circunstâncias do caso: poderia Gabriela subtrair
mais bens; o valor era ínfimo para um grande supermercado da cidade; e a autora nunca praticara tais fatos
anteriormente. Se isso não fosse suficiente, ainda deveria o advogado destacar a existência de manifesta
causa de exclusão de ilicitude, qual seja, o estado de necessidade. Prevê o Art. 24 do Código Penal que atua
em estado de necessidade aquele que pratica fato descrito como crime para salvar de perigo atual, que não
causou por sua conduta, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício não era razoável exigir naquelas
circunstâncias. Claramente, Gabriela estava com seu direito e de seu filho em situação de risco atual e
concreto, em especial porque a criança estava ficando doente em razão da ausência de alimentação.
Ademais, a situação de perigo não fora por ela criada, já que expulsa do imóvel por seu ex-companheiro que
lhe agredia, além de não conseguir emprego ou ajuda financeira de outras pessoas. Por fim, não era
razoável exigir que Gabriela sacrificasse a integridade física de seu filho em detrimento de lesão de ínfimo
valor para grande supermercado da região. Assim, diante do estado de necessidade, deve ser formulado
214
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pedido de absolvição sumária com fundamento no Art. 397, inciso I, do CPP. Após os pedidos, deve o(a)
examinando(a) apresentar rol de testemunhas, indicando Maria para o caso de não acolhimento do
requerimento de absolvição sumária. O prazo para elaboração da peça processual, nos termos do Art. 396
do CPP, é de 10 dias, sendo que a citação/intimação da ré e de seu advogado ocorreu em 16 de março de
2015, iniciando-se o prazo em 17 de março de 2015 e terminando em 26 de março de 2015. A petição
deverá ter indicação de local, data, assinatura e número de inscrição na OAB.

DISTRIBUIÇÃO DE PONTOS:
ITEM PONTUAÇÃO
RESPOSTA À ACUSAÇÃO
1. Endereçamento: Vara Criminal da Comarca de 0,00/0,10
Fortaleza, Ceará (0,10)
2. Fundamento legal: Art. 396-A OU Art. 396, 0,00/0,10
ambos do Código de Processo Penal (0,10)
Teses jurídicas de direito processual e 0,00/0,25/0,30/ 0,35/0,40/0,55/0,65
material:
3. Reconhecimento da causa de extinção da
punibilidade (0,25), em razão da ocorrência de
prescrição da pretensão punitiva estatal (0,30).
Citação do art. 107, IV, do CP (0,10)
3.1. Prescrição em razão de entre a data do 0,00/0,15/0,20/0,25/ 0,30/0,35/0,45
recebimento da denúncia e a manifestação do
advogado ter sido ultrapassado o prazo prescricional
de 04 anos (0,20), já que Gabriela era menor de 21
anos na data dos fatos, devendo o prazo ser
computado pela metade (0,15). Citação do art. 109,
IV E do art. 115 do CP (0,10)
4. Arguição de que a conduta narrada 0,00/0,40/0,80/1,20
evidentemente não constituir crime em razão da
atipicidade (0,40), diante da aplicação do princípio
da bagatela/insignificância (0,80)
5. Arguição da existência de manifesta causa de 0,00/0,40/0,50/0,70/ 0,80/1,10/1,20
exclusão da ilicitude (0,40), pois Gabriela agiu em
estado de necessidade diante da situação de fome e
risco para a saúde de seu filho (0,70), nos termos
do Art. 24 do Código Penal (0,10).
Pedidos: 0,00/0,50/0,60/ 0,70/0,80
6. Absolvição Sumária (0,50), com fundamento no
Art. 397, inciso I, (0,10), no Art. 397, inciso III,
(0,10) e no Art. 397, inciso IV, todos do CPP (0,10).
7. Rol de testemunhas (0,30) 0,00/0,30
Fechamento 0,00/0,10
8. Prazo: 26 de março de 2015 (0,10)
9. Local, data, advogado(a) e OAB (0,10) 0,00/0,10

PEÇA OAB – 2010-02


A Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Sul recebe notícia crime identificada, imputando a Maria Campos
a prática de crime, eis que mandaria crianças brasileiras para o estrangeiro com documentos falsos. Diante
da notícia crime, a autoridade policial instaura inquérito policial e, como primeira providência, representa
pela decretação da interceptação das comunicações telefônicas de Maria Campos, “dada a gravidade dos
fatos noticiados e a notória dificuldade de apurar crime de tráfico de menores para o exterior por outros
meios, pois o ‘modus operandi’ envolve sempre atos ocultos e exige estrutura organizacional sofisticada, o
que indica a existência de uma organização criminosa integrada pela investigada Maria”. O Ministério Público

215
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opina favoravelmente e o juiz defere a medida, limitando-se a adotar, como razão de decidir, “os
fundamentos explicitados na representação policial”.
No curso do monitoramento, foram identificadas pessoas que contratavam os serviços de Maria Campos
para providenciar expedição de passaporte para viabilizar viagens de crianças para o exterior. Foi gravada
conversa telefônica de Maria com um funcionário do setor de passaportes da Polícia Federal, Antônio Lopes,
em que Maria consultava Antônio sobre os passaportes que ela havia solicitado, se já estavam prontos, e se
poderiam ser enviados a ela. A pedido da autoridade policial, o juiz deferiu a interceptação das linhas
telefônicas utilizadas por Antônio Lopes, mas nenhum diálogo relevante foi interceptado.
O juiz, também com prévia representação da autoridade policial e manifestação favorável do Ministério
Público, deferiu a quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados, tendo sido identificado um depósito de
dinheiro em espécie na conta de Antônio, efetuado naquele mesmo ano, no valor de R$ 100.000,00 (cem
mil reais). O monitoramento telefônico foi mantido pelo período de quinze dias, após o que foi deferida
medida de busca e apreensão nos endereços de Maria e Antônio. A decisão foi proferida nos seguintes
termos: “diante da gravidade dos fatos e da real possibilidade de serem encontrados objetos relevantes para
investigação, defiro requerimento de busca e apreensão nos endereços de Maria (Rua dos Casais, 213) e de
Antonio (Rua Castro, 170, apartamento 201)”. No endereço de Maria Campos, foi encontrada apenas uma
relação de nomes que, na visão da autoridade policial, seriam clientes que teriam requerido a expedição de
passaportes com os nomes de crianças que teriam viajado para o exterior. No endereço indicado no
mandado de Antônio Lopes, nada foi encontrado. Entretanto, os policiais que cumpriram a ordem judicial
perceberam que o apartamento 202 do mesmo prédio também pertencia ao investi gado, motivo pelo qual
nele ingressaram, encontrando e apreendendo a quantia de cinquenta mil dólares em espécie. Nenhuma
outra diligência foi realizada.
Relatado o inquérito policial, os autos foram remeti dos ao Ministério Público, que ofereceu a denúncia nos
seguintes termos: “o Ministério Público vem oferecer denúncia contra Maria Campos e Antônio Lopes, pelos
fatos a seguir descritos: Maria Campos, com o auxílio do agente da polícia federal Antônio Lopes, expediu
diversos passaportes para crianças e adolescentes, sem observância das formalidades legais. Maria tinha a
finalidade de viabilizar a saída dos menores do país. A partir da quantia de dinheiro apreendida na casa de
Antônio Lopes, bem como o depósito identificado em sua conta bancária, evidente que ele recebia vantagem
indevida para efetuar a liberação dos passaportes. Assim agindo, a denunciada Maria Campos está incursa
nas penas do artigo 239, parágrafo único, da Lei n. 8069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente), e nas
penas do artigo 333, parágrafo único, c/c o artigo 69, ambos do Código Penal. Já o denunciado Antônio
Lopes está incurso nas penas do artigo 239, parágrafo único, da Lei n. 8069/90 (Estatuto da Criança e do
Adolescente) e nas penas do artigo 317, § 1º, c/c artigo 69, ambos do Código Penal”.
O juiz da 15ª Vara Criminal de Porto Alegre, RS, recebeu a denúncia, nos seguintes termos: “compulsando
os autos, verifico que há prova indiciária suficiente da ocorrência dos fatos descritos na denúncia e do
envolvimento dos denunciados. Há justa causa para a ação penal, pelo que recebo a denúncia. Citem-se os
réus, na forma da lei”. Antonio foi citado pessoalmente em 27.10.2010 (quarta-feira) e o respectivo
mandado foi acostado aos autos dia 01.11.2010 (segunda-feira). Antonio contratou você como Advogado,
repassando-lhe nomes de pessoas (Carlos de Tal, residente na Rua 1, n. 10, nesta capital; João de Tal,
residente na Rua 4, n. 310, nesta capital; Roberta de Tal, residente na Rua 4, n. 310, nesta capital) que
prestariam relevantes informações para corroborar com sua versão.
Nessa condição, redija a peça processual cabível desenvolvendo TODAS AS TESES DEFENSIVAS que podem
ser extraídas do enunciado com indicação de respectivos dispositivos legais. Apresente a peça no último dia
do prazo.

Gabarito comentado – PROVA OAB – 2010/02

• O candidato deverá redigir Resposta à Acusação endereçada ao Juiz de Direito da 15ª Vara Criminal de
Porto Alegre, RS, com base nos artigos 396 e/ou 396-A do Código de Processo Penal. É indispensável a
indicação do dispositivo legal que fundamenta a apresentação da peça. Peças denominadas “Defesa Previa”,
“Defesa Preliminar” e “Resposta Preliminar” sem indicação do dispositivo legal não serão aceitas. Peças com
fundamento simultâneo nos artigos 406 e 514 do Código de Processo Penal, ou em qualquer artigo de outra
lei não serão aceitas. Quando se indicava os artigos 396 e/ou 396-A, as peças eram aceitas independente do
nome, salvo quando também se fundamentavam no art. 514 do Código de Processo Penal ou em outro
artigo não aplicável ao caso.
Admitiu-se a resposta acompanhada da exceção de incompetência, pontuando-se os argumentos constantes
de ambas as peças.
216
PROCESSO PENAL OAB
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• A primeira questão preliminar que deverá ser arguida é incompetência da Justiça Estadual para processar
o feito, eis que o crime é de competência federal, nos termos do que prevê o artigo 109, V, da Constituição
Federal. Relativamente a esse tema, admitiu-se também a arguição de incompetência com base no inciso IV
do art. 109, da Constituição. Em ambos os casos, será considerada válida a indicação da transnacionalidade
do crime ou a circunstância de ser uma acusação de crime supostamente praticado por funcionário público
federal no exercício das funções e com estas relacionadas. Admite-se também a simples referência ao
dispositivo da Constituição, ou até mesmo à Súmula n. 254, do extinto mas sempre Egrégio Tribunal Federal
de Recursos. Não será aceita, por outro lado, a referência ao art. 109, I da Constituição nem às Súmulas
122 e/ou 147 do STJ.
• A segunda questão preliminar que deverá ser arguida é nulidade na interceptação telefônica. Aqui, foram
pontuados separadamente os dois argumentos para sustentar a nulidade: (a) falta de fundamentação da
decisão nos termos do que disciplina o artigo 5º, da Lei n. 9.296/96 e artigo 93, IX, da Constituição da
República; no mesmo sentido; (b) impossibilidade de se decretar a medida de interceptação telefônica como
primeira medida investigativa, não respeitando o princípio da excepcionalidade, violando o previsto no artigo
2º, II, da Lei n. 9.296/96. Na nulidade da interceptação não se aceitará o argumento do art. 4º, acerca da
ausência de indicação de como seria implementada a medida. Também não se aceitará a nulidade
decorrente da incompetência para a decretação, eis que o argumento da incompetência era objeto de
pontuação específica.
• A terceira questão preliminar que deverá ser arguida é a nulidade da decisão que deferiu a busca e
apreensão nula, eis que genérica e sem fundamentação, fulcro no artigo 93, IX, da Constituição da
República.
• A quarta questão preliminar que deverá ser arguida é a nulidade da apreensão dos cinquenta mil dólares,
eis que o ingresso no outro apartamento de Antônio, onde estava a quantia, não estava autorizado
judicialmente. Relativamente a este ponto, era indispensável que se associasse a ilegalidade ao conceito de
prova ilícita e consequentemente requerendo-se a desconsideração do dinheiro lá apreendido.
• A quinta questão preliminar que deverá ser arguida é a inépcia da inicial acusatória, eis que a conduta é
genérica, sem descrever as elementares do tipo de corrupção passiva e sem imputar fato determinado. Isso
viola o previsto no artigo 8º, 2, ‘b’, do Decreto 678/92, o qual prevê como garantia do acusado a
comunicação prévia e pormenorizada da acusação formulada. Além disso, limita o exercício do direito de
defesa, em desrespeito ao previsto no artigo 5º, LV, da Constituição da República. Por fim, há violação ao
artigo 41, do Código de Processo Penal.
• Em relação ao crime de corrupção passiva, previsto no artigo 317, §1º, do Código Penal, o candidato
deverá apontar a falta de justa causa para a ação penal. Afirmações genéricas de falta de justa causa não
serão consideradas suficientes para obtenção da pontuação. Com efeito, é preciso que o candidato faça um
cotejo entre o tipo penal (com seus elementos normativos, objetivos e subjetivos) e os fatos narrados no
enunciado da questão. São exemplos de argumentos: não há prova suficiente de que o réu recebia
vantagem indevida para a emissão de passaportes de forma irregular; não há nenhuma prova de que os
passaportes fossem emitidos de forma irregular; nenhum passaporte foi apreendido ou periciado na fase de
inquérito policial; não há prova de que os passaportes supostamente requeridos por Maria na ligação
telefônica foram, efetivamente, emitidos; não há prova de que houve o exaurimento do crime, nos termos
do que prevê o §1º do artigo 317, do Código Penal, ou seja, que Antônio tenha efetivamente praticado ato
infringindo dever funcional.
• No que tange ao crime previsto no artigo 239, parágrafo único, da Lei n. 8.069/90 (Estatuto da Criança e
do Adolescente), não há qualquer indício da prática delituosa por parte de Antônio, eis que não há sequer
referência de que ele tivesse ciência da intenção de Maria. Em outras palavras, o candidato deverá indicar
que não havia consciência de que Antônio estivesse colaborando para a prática do crime supostamente
praticado por Maria, inexistindo, dessa forma dolo. Assim como no caso do crime anterior, afirmações
genéricas de falta de justa causa não serão consideradas suficientes para obtenção da pontuação. Com
efeito, é preciso que o candidato faça um cotejo entre o tipo penal (com seus elementos normativos,
objetivos e subjetivos) e os fatos narrados no enunciado da questão. Dessa forma, relativamente à
atipicidade do crime do art. 239, é indispensável que o candidato apontasse a ausência de dolo ou falasse
do elemento subjetivo do tipo. Argumentos relacionados exclusivamente ao nexo causal não serão
considerados aptos.
• Ao final, o candidato deverá especificar provas, indicando rol de testemunhas. Os requerimentos devem
ser de declaração das nulidades, absolvição sumária e, alternativamente, instrução processual com produção
da prova requerida pela defesa. Para pontuar o pedido não é necessário que o candidato faça todos os
pedidos constantes do gabarito, mas que seus pedidos estejam coerentes com a argumentação desenvolvida
217
PROCESSO PENAL OAB
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na peça. Por outro lado, se houver argumentos flagrantemente equivocados em maior número do que
adequados, o pedido deixará de ser pontuado. No pedido, não foi admitida absolvição com fulcro no art. 386
e do 415 do Código de Processo Penal, já que ele trata das hipóteses de absolvição após o transcurso do
processo, e não na fase de resposta.
• O último dia do prazo é 08.11.2010, eis que a contagem inicia na data da intimação pessoal. Não serão
aceitas datas como 06 ou 07 de novembro, pois o enunciado é claro ao especificar que a petição deveria ser
protocolada no último dia do prazo, o qual se prorrogou até o dia útil subsequente. Erros como 08 de
outubro e 08 de setembro (ou qualquer outra data) serão considerados insuscetíveis de pontuação.
• Por fim, o gabarito não contempla nenhuma atribuição de pontuação para as argumentações relativas à:
(1) ausência de notificação para apresentar resposta preliminar (art. 514, Código de Processo Penal); (2)
nulidade da decisão que decretou a quebra do sigilo bancário. Também não será atribuída pontuação á
simples narrativa dos fatos nem às afirmações genéricas de que não havia justa causa para a ação penal.

Questão 03 – XVII EXAME


Ruth voltava para sua casa falando ao celular, na cidade de Santos, quando foi abordada por Antônio, que
afirmou: “Isso é um assalto! Passa o celular ou verá as consequências!”. Diante da grave ameaça, Ruth
entregou o telefone e o agente fugiu em sua motocicleta em direção à cidade de Mogi das Cruzes,
consumando o crime. Nervosa, Ruth narrou o ocorrido para o genro Thiago, que saiu em seu carro, junto
com um policial militar, à procura de Antônio. Com base na placa da motocicleta anotada por Ruth, Thiago
localizou Antônio, já em Mogi das Cruzes, ainda na posse do celular da vítima e também com uma faca em
sua cintura, tendo o policial efetuado a prisão em flagrante. Em razão dos fatos, Antônio foi denunciado pela
prática do crime previsto no Art. 157, § 2º, inciso I, do Código Penal, perante uma Vara Criminal da comarca
de Mogi das Cruzes, ficando os familiares do réu preocupados, porque todos da região sabem que o
magistrado, em atuação naquela Vara, é extremamente severo. A defesa foi intimada a apresentar resposta
à acusação. Considerando que o flagrante foi regular e que os fatos são verdadeiros, responda, na qualidade
de advogado(a) de Antônio, aos itens a seguir.
A) Que medida processual poderia ser adotada para evitar o julgamento perante a Vara Criminal de Mogi
das Cruzes? Justifique. (Valor: 0,65)
B) No mérito, caso Antônio confesse os fatos durante a instrução, qual argumento de direito material
poderia ser formulado para garantir uma punição mais branda do que a pleiteada na denúncia? Justifique.
(Valor: 0,60)

GABARITO COMENTADO
A) A medida processual é exceção de incompetência. Pela narrativa apresentada no enunciado é possível
concluir que o crime foi praticado, inclusive consumado, na cidade de Santos, logo, na forma do Art. 70 do
Código de Processo Penal, o juízo competente será o da comarca de Santos e não o de Mogi das Cruzes.
Considerando a incompetência territorial existente, deveria o advogado de Antônio formular uma exceção de
incompetência, no prazo de defesa, nos termos do Art. 108 do Código de Processo Penal.
B) Envolvendo o mérito, deve o examinando expor que, ainda que confessados os fatos, não houve emprego
de arma na hipótese, de modo que deveria ser afastada a majorante do Art. 157, § 2º, inciso I, do Código
Penal. A hipótese narrada deixa claro que Antônio abordou Ruth e empregou grave ameaça, mas que, em
momento algum, utilizou, mencionou ou mostrou a arma que portava quando de sua prisão em flagrante. O
argumento de que a faca, por ser arma branca, não é suficiente para o reconhecimento da causa de
aumento não é adequado. O que se exigia era a demonstração de que, no caso concreto, não houve efetivo
emprego da arma, como exige o dispositivo supramencionado.

QUESTÃO 3 – XV EXAME
A Receita Federal identificou que Raquel possivelmente sonegou Imposto sobre a Renda, causando prejuízo
ao erário no valor de R$27.000,00 (vinte e sete mil reais). Foi instaurado, então, procedimento
administrativo, não havendo, até o presente momento, lançamento definitivo do crédito tributário. Ao
mesmo tempo, a Receita Federal expediu ofício informando tais fatos ao Ministério Público Federal, que,
considerando a autonomia das instâncias, ofereceu denúncia em face de Raquel pela prática do crime
previsto no Art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90.
Assustada com a ratificação do recebimento da denúncia após a apresentação de resposta à acusação pela
Defensoria Pública, Raquel o procura para, na condição de advogado, tomar as medidas cabíveis.
Diante disso, responda aos itens a seguir.

218
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

A) Qual a medida jurídica a ser adotada de imediato para impedir o prosseguimento da ação penal? (Valor:
0,60)
B) Qual a principal tese jurídica a ser apresentada? (Valor: 0,65)
O examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação.

GABARITO COMENTADO
Para auferir a pontuação relativa ao item ‘A’, considerando-se o comando da questão, o examinando deve
indicar que a medida jurídica a ser adotada para impedir de imediato o prosseguimento da ação penal é o
Habeas Corpus, devendo fundamentar sua resposta no artigo 5º, LXVIII, CRFB/88, ou no art. 647 do CPP,
ou no art. 648, incisos I ou VI, do CPP. Ressalte-se que em virtude da celeridade na tramitação inerente ao
Habeas Corpus, tal medida é aquela que de imediato atenderia os interesses em jogo, sendo, portanto, a
mais acertada ao caso narrado.
Cumpre destacar que o Habeas Corpus deveria ter por objetivo o trancamento da ação penal, tendo em
vista que o fato praticado ainda não era típico. Além disso, não serão pontuadas as respostas que indicarem
duas ou mais medidas jurídicas a serem adotadas, ainda que uma delas seja o Habeas Corpus, isso porque
o comando da questão era claro ao pedir a indicação de apenas uma.
Por fim, no tocante ao item ‘B’, destaca-se que a situação narrada pelo enunciado representa um
constrangimento ilegal a Raquel. Nesse sentido, levando-se em conta o comando da questão, resta evidente
que a principal tese jurídica a ser apresentada é aquela calcada no verbete 24 da Súmula Vinculante do STF,
segundo a qual não se tipifica crime material contra a ordem tributária antes do lançamento definitivo do
tributo. Inclusive, dessa forma, vêm entendendo os Tribunais Superiores que, antes do esgotamento da
instância administrativa com lançamento do tributo, não pode ser oferecida denúncia pela prática do crime
(Art. 1º, incisos I ao IV, da Lei nº 8.137).
Ressalte-se que a mera indicação do verbete sumular não será pontuada, tampouco a resposta que indicar
apenas a atipicidade ou a falta de lançamento definitivo do tributo, sem qualquer outra justificativa ou
desenvolvimento. Esclareça-se: o fato praticado por Raquel é atípico porque não houve o efetivo lançamento
definitivo do crédito tributário, sendo certo que tal justificativa é essencial para a atribuição dos pontos. De
igual modo, o lançamento definitivo do tributo e/ou a necessidade de esgotamento da via administrativa
e/ou a falta de justa causa para a propositura da ação penal, são teses alegáveis desde que calcadas no
verbete 24 da Súmula Vinculante do STF.

A) Habeas Corpus (0,50). / Art. 5º, LXVIII, CRFB/88 OU Art. 647 do CPP OU Art. 648, incisos I ou VI do CPP.
(0,10)
Obs.: a mera citação do artigo não pontua. 0,00/0,50/0,60
B) A principal tese defensiva é a atipicidade da conduta (0,55), / nos termos do verbete 24 da Súmula
Vinculante do STF (0,10).
OU
A principal tese defensiva é a de que primeiro deveria ocorrer o esgotamento da via administrativa (0,55), /
nos termos do verbete 24 da Súmula Vinculante do STF (0,10).
OU
A principal tese defensiva é a de que não há crime, pois ainda não ocorreu o lançamento definitivo do
tributo (0,55), / nos termos do verbete 24 da Súmula Vinculante do STF (0,10).
OU
A principal tese defensiva é de que não há justa causa para a propositura da ação penal (0,55), / nos termos
do verbete 24 da Súmula Vinculante do STF (0,10).
Obs.: a mera indicação de verbete sumular, sem nenhuma interpretação de seu conteúdo, não pontua.
0,00/0,10/0,55/0,65
QUESTÃO 1 – VIII OAB
Em determinada ação fiscal procedida pela Receita Federal, ficou constatado que Lucile não fez constar
quaisquer rendimentos nas declarações apresentadas pela sua empresa nos anos de 2009, 2010 e 2011,
omitindo operações em documentos e livros exigidos pela lei fiscal. Iniciado processo administrativo de
lançamento, mas antes de seu término, o Ministério Público entendeu por bem oferecer denúncia contra
Lucile pela prática do delito descrito no art. 1º, inciso II da Lei n. 8.137/90, combinado com o art. 71 do
Código Penal. A inicial acusatória foi recebida e a defesa intimada a apresentar resposta à acusação.
Atento(a) ao caso apresentado, bem como à orientação dominante do STF sobre o tema, responda,
fundamentadamente, o que pode ser alegado em favor de Lucile. (Valor: 1,25)

219
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

Gabarito comentado:
O examinando deverá desenvolver raciocínio acerca da atipicidade do fato, eis que, conforme entendimento
pacificado no STF, não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV,
da Lei n. 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo (verbete 24 da Súmula Vinculante do STF).
Diante da inexistência de crime, em sede de resposta à acusação, deve-se alegar hipótese de absolvição
sumária, conforme art. 397, III do CPP.
Por fim, cumpre destacar que em virtude de o enunciado da questão ser expresso ao exigir fundamentação
na resposta, a mera transcrição da referida Súmula (seja de forma direta, seja de forma indireta, dos termos
da frase), bem como a mera indicação do art. 397 do CPP, não autorizam a pontuação integral.
Distribuição dos Pontos:
Quesito Avaliado Valores
A1) O fato é atípico (0,40) nos termos da súmula vinculante 24 do STF (0,40) OU o fato é atípico (0,40) pois
não se tipifica o crime do art. 1ª, incisos I a IV, da Lei n. 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo
(0,40)
OBS.: A mera reprodução do texto da Súmula Vinculante 24 do STF não permite pontuação integral.
0,00/0,40/0,80
A2) Absolvição (0,20) OU absolvição sumária (0,45), OU absolvição nos termos do art. 397, III do CPP
(0,45)
OBS.: A mera indicação do dispositivo legal não pontua.
0,00/0,20/0,45

3) MEMORIAIS

PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL XXIII EXAME OAB

No dia 23 de fevereiro de 2016, Roberta, 20 anos, encontrava-se em um curso preparatório para concurso na
cidade de Manaus/AM. Ao final da aula, resolveu ir comprar um café na cantina do local, tendo deixado seu
notebook carregando na tomada. Ao retornar, retirou um notebook da tomada e foi para sua residência. Ao
chegar em casa, foi informada de que foi realizado registro de ocorrência na Delegacia em seu desfavor, tendo
em vista que as câmeras de segurança da sala de aula captaram o momento em que subtraiu o notebook de
Cláudia, sua colega de classe, que havia colocado seu computador para carregar em substituição ao de
Roberta, o qual estava ao lado.
No dia seguinte, antes mesmo de qualquer busca e apreensão do bem ou atitude da autoridade policial,
Roberta restituiu a coisa subtraída. As imagens da câmera de segurança foram encaminhadas ao Ministério
Público, que denunciou Roberta pela prática do crime de furto simples, tipificado no Art. 155, caput, do Código
Penal. O Ministério Público deixou de oferecer proposta de suspensão condicional do processo, destacando que
o delito de furto não é de menor potencial ofensivo, não se sujeitando à aplicação da Lei nº 9.099/95, tendo a
defesa se insurgido.
Recebida a denúncia, durante a instrução, foi ouvida Cláudia, que confirmou ter deixado seu notebook acoplado
à tomada, mas que Roberta o subtraíra, somente havendo restituição do bem com a descoberta dos agentes da
lei. Também foram ouvidos os funcionários do curso preparatório, que disseram ter identificado a autoria a
partir das câmeras de segurança. Roberta, em seu interrogatório, confirma os fatos, mas esclarece que
acreditava que o notebook subtraído era seu e, por isso, levara-o para casa. Foi juntada a Folha de
Antecedentes Criminais da ré sem qualquer outra anotação, o laudo de avaliação do bem subtraído, que
constatou seu valor de R$ 3.000,00 (três mil reais), e o CD com as imagens captadas pela câmera de
segurança. O Ministério Público, em sua manifestação derradeira, requereu a condenação da ré nos termos da
denúncia. Você, como advogado(a) de Roberta, é intimado(a) no dia 24 de agosto de 2016, quarta-feira, sendo
o dia seguinte útil em todo o país, bem como todos os dias da semana seguinte, exceto sábado e domingo.
Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Roberta, redija a peça jurídica
cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser
datada no último dia do prazo para interposição. (Valor: 5,00)
Obs.: o examinando deve indicar todos os fundamentos e dispositivos legais cabíveis. A mera citação do
dispositivo legal não confere pontuação.
Gabarito Comentado
220
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

O examinando deve redigir Alegações Finais na forma de Memoriais ou Memoriais, com fundamento no Art.
403, § 3º, do Código de Processo Penal, devendo a petição ser direcionada ao juiz de uma das Varas Criminais
da Comarca de Manaus/AM.
De início, deveria o examinando, na condição de advogado, requerer a nulidade dos atos processuais realizados
durante a instrução probatória ou encaminhamento dos autos ao Ministério Público, tendo em vista que não foi
oferecida proposta de suspensão condicional do processo. Prevê o Art. 89 da Lei nº 9.099/95 que caberá ao
Ministério Público oferecer proposta de suspensão condicional do processo quando a pena mínima cominada ao
delito imputado for de até 01 ano, abrangidas ou não por esta Lei, preenchidos os demais requisitos legais,
dentre os quais se destacam a primariedade e a presença dos requisitos do Art. 77 do Código Penal.
Roberta era primária, de bons antecedentes e as circunstâncias do crime não justificam a recusa na formulação
da proposta de suspensão condicional do processo. Ademais, o delito de furto simples tem pena mínima
prevista em abstrato de 01 ano, logo irrelevante o fato da infração não ser de menor potencial ofensivo. Assim,
não estamos diante de mera faculdade do Promotor de Justiça, mas sim de um poder-dever limitado pela lei, de
modo que deveria ter sido oferecida a proposta do instituto despenalizador.
Em seguida, quanto ao mérito, deveria o examinando alegar a ocorrência de erro de tipo. Prevê o Art. 155 do
Código Penal que pratica crime de furto aquele que subtrai coisa alheia móvel. Ocorre que Roberta estava em
erro em relação a uma das elementares do tipo, qual seja, a coisa alheia, tendo em vista que acreditava estar
levando para casa o seu próprio notebook, o que não configuraria crime.
De acordo com o Art. 20 do Código Penal, o erro sobre elemento constitutivo do tipo exclui o dolo, mas permite
a punição do agente a título de culpa, caso previsto em lei. Inicialmente deve ser destacado que o erro de tipo,
na hipótese, era escusável, de modo que não há que se falar em dolo ou culpa. Ademais, ainda que assim não
fosse, não existe previsão da modalidade culposa do furto, logo, ainda assim, Roberta deveria ser absolvida.
Com base no princípio da eventualidade, o examinando deveria enfrentar eventual pena a ser aplicada em caso
de condenação da ré. Na aplicação da pena base, deveria o candidato destacar que deveria ser fixada no
mínimo legal, tendo em vista que a agente possui bons antecedentes e as circunstâncias do Art. 59 do CP são
favoráveis.
Na determinação da pena intermediária, deveria ser solicitado o reconhecimento da atenuante da confissão
espontânea, prevista no Art. 65, inciso III, alínea d, do Código Penal, assim como da menoridade relativa, uma
vez que Roberta era menor de 21 anos na data dos fatos, conforme o Art. 65, inciso I, do CP.
Não havia causas de aumento a serem reconhecidas. Todavia, considerando que houve restituição do bem
subtraído antes do recebimento da denúncia, que tal ato decorreu de conduta voluntária da denunciada e que o
delito não foi praticado com violência ou grave ameaça à pessoa, cabível o reconhecimento da causa de
diminuição do arrependimento posterior, prevista no Art. 16 do CP.
Em caso de aplicação de pena privativa de liberdade, deveria ser requerida a substituição desta por restritiva de
direitos, pois preenchidos os requisitos do Art. 44 do Código Penal.
O regime inicial de cumprimento de pena a ser buscado é o aberto.
Diante do exposto, deveriam ser formulados os seguintes pedidos, requerendo:
a) Nulidade da instrução, com oferecimento de proposta de suspensão condicional do processo;
b) Absolvição do crime de furto, na forma do Art. 386, inciso III ou inciso VI, do CPP;
c) Aplicação da pena base no mínimo legal;
d) Reconhecimento das atenuantes da menoridade relativa e confissão espontânea;
e) Aplicação da causa de diminuição do arrependimento posterior;
f) Substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos;
g) Aplicação do regime aberto.
A data a ser indicada é 29 de agosto de 2016, tendo em vista que o prazo para Alegações Finais é de 05 dias.
Por fim, deve o examinando finalizar a peça, indicando o local, data, assinatura e OAB.

221
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

Item Pontuação

1) Endereçamento: Vara Criminal da Comarca de Manaus/AM (0,10). 0,00/0,10

2) Fundamento legal para apresentação de Alegações Finais por Memoriais: 0,00/0,10


Art. 403, §3º do CPP (0,10).

3) Preliminarmente, reconhecimento da nulidade dos atos da instrução OU requerimento de 0,00/0,20/0,40


aplicação, por analogia, do art. 28 do CPP (0,20), diante do não oferecimento de proposta de
/0,60
suspensão condicional do processo, pois preenchidos os requisitos do Art. 89 da Lei 9099/95
OU pois irrelevante o fato do delito imputado não ser infração de menor potencial ofensivo
(0,40).

4A) No mérito, absolvição de Roberta (0,30). 0,00/0,30

4B) Reconhecimento da ocorrência de erro de tipo (0,90), previsto no artigo 20 do Código 0,00/0,90/1,00
Penal (0,10).

4C) O reconhecimento do erro de tipo tem como consequência a exclusão do dolo ou 0,00/0,20
atipicidade da conduta (0,20).

5) Subsidiariamente, aplicação de pena base no mínimo legal, já que as circunstâncias do 0,00/0,20


Art. 59 são favoráveis (0,20).

6) Reconhecimento da atenuante da menoridade relativa, já que menor de 21 anos na data 0,00/0,20/0,30


dos fatos (0,20), conforme Art. 65, inciso I, do Código Penal (0,10).

7) Reconhecimento da atenuação da confissão (0,20), nos termos do Art. 65, inciso III, 0,00/0,20/0,30
alínea d, do CP (0,10).

8) Reconhecimento da causa de diminuição do arrependimento posterior (0,40), tendo em 0,00/0,15/0,25/


vista que houve restituição da coisa subtraída (0,15), nos termos do Art. 16 do Código Penal
0,40/0,50/0,55
(0,10).
/0,65

9) Aplicação do regime inicial aberto (0,20), nos termos do Art. 33, §2º, alínea c, do Código 0,00/0,20/0,30
Penal (0,10).

10) Substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos (0,20), já que 0,00/0,20/0,30
preenchidos os requisitos do Art. 44 do Código Penal (0,10).

11) Pedidos: Nulidade dos atos da instrução em razão do não oferecimento de proposta de 0,00/0,05
suspensão condicional do processo OU encaminhamento dos autos ao Ministério Público para
oferecimento de proposta de suspensão condicional do processo (0,05).

11.1) Absolvição de Roberta (0,10), em razão da atipicidade da conduta (0,10). 0,00/0,10/0,20

11.2) Aplicação da pena no mínimo legal OU reconhecimento das atenuantes (0,05). 0,00/0,05

11.3) Reconhecimento do arrependimento posterior OU aplicação da causa de diminuição do 0,00/0,05


Art. 16 do CP (0,05).

11.4) Substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos (0,05) 0,00/0,05

11.5) Aplicação de regime inicial aberto (0,05). 0,00/0,05

222
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

12) Prazo: 29 de agosto de 2016 (0,10). 0,00/0,10

13) Fechamento (Data, local, assinatura, OAB) (0,10). 0,00/0,10

PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL XX EXAME OAB

Astolfo, nascido em 15 de março de 1940, sem qualquer envolvimento pretérito com o aparato judicial, no
dia 22 de março de 2014, estava em sua casa, um barraco na comunidade conhecida como Favela da
Zebra, localizada em Goiânia/GO, quando foi visitado pelo chefe do tráfico da comunidade, conhecido pelo
vulgo de Russo. Russo, que estava armado, exigiu que Astolfo transportasse 50 g de cocaína para outro
traficante, que o aguardaria em um Posto de Gasolina, sob pena de Astolfo ser expulso de sua residência e
não mais poder morar na Favela da Zebra. Astolfo, então, se viu obrigado a aceitar a determinação, mas
quando estava em seu automóvel, na direção do Posto de Gasolina, foi abordado por policiais militares,
sendo a droga encontrada e apreendida. Astolfo foi denunciado perante o juízo competente pela prática do
crime previsto no Art. 33, caput, da Lei nº 11.343/06. Em que pese tenha sido preso em flagrante, foi
concedida liberdade provisória ao agente, respondendo ele ao processo em liberdade. Durante a audiência
de instrução e julgamento, após serem observadas todas as formalidades legais, os policiais militares
responsáveis pela prisão em flagrante do réu confirmaram os fatos narrados na denúncia, além de
destacarem que, de fato, o acusado apresentou a versão de que transportava as drogas por exigência de
Russo. Asseguraram que não conheciam o acusado antes da data dos fatos. Astolfo, em seu interrogatório,
realizado como último ato da instrução por requerimento expresso da defesa do réu, também confirmou
que fazia o transporte da droga, mas alegou que somente agiu dessa forma porque foi obrigado pelo chefe
do tráfico local a adotar tal conduta, ainda destacando que residia há mais de 50 anos na comunidade da
Favela da Zebra e que, se fosse de lá expulso, não teria outro lugar para morar, pois sequer possuía
familiares e amigos fora do local. Disse que nunca respondeu a nenhum outro processo, apesar já ter sido
indiciado nos autos de um inquérito policial pela suposta prática de um crime de falsificação de documento
particular. Após a juntada da Folha de Antecedentes Criminais do réu, apenas mencionando aquele
inquérito, e do laudo de exame de material, confirmando que, de fato, a substância encontrada no veículo
do denunciado era “cloridrato de cocaína”, os autos foram encaminhados para o Ministério Público, que
pugnou pela condenação do acusado nos exatos termos da denúncia. Em seguida, você, advogado (a) de
Astolfo, foi intimado (a) em 06 de março de 2015, uma sexta-feira. Com base nas informações acima
expostas e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluída a
possibilidade de Habeas Corpus, no último dia do prazo, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes.
(Valor: 5,00) Obs.: O examinando deve indicar todos os fundamentos e dispositivos legais cabíveis. A mera
citação do dispositivo legal não confere pontuação. Obs.: O examinando deve indicar todos os
fundamentos e dispositivos legais cabíveis. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação.

Gabarito Comentado
O candidato deveria redigir Alegações Finais por memoriais ou Memoriais, com fundamento no Art. 403, §
3º, do Código de Processo Penal, aplicado subsidiariamente ao procedimento especial previsto na Lei
11.343/06, diante do disposto no Art. 394, §5º do CPP, sendo a peça endereçada a uma das Varas
Criminais da Comarca de Goiânia/GO. No mérito, deveria o candidato pleitear, em um momento inicial, a
absolvição do acusado por inexigibilidade de conduta diversa. Para que determinada conduta seja
considerada crime, deve ela ser típica, ilícita e culpável. Um dos elementos da culpabilidade é a
exigibilidade de conduta diversa, sendo, portanto, a inexigibilidade de conduta diversa uma causa de
exclusão da culpabilidade. Deveria o examinando alegar que Russo, estando armado, ao exigir o transporte
das substâncias entorpecentes por parte de Astolfo, um senhor de 74 anos de idade, sob pena de expulsá-
lo de sua casa e da comunidade da Favela da Zebra, sem ele ter outro local para residir, praticou uma
coação moral irresistível. Diante das circunstâncias e das particularidades do caso concreto, em especial
considerando a idade de Astolfo e o fato de não ter familiares para lhe dar abrigo, não seria possível exigir
outra conduta do acusado. Conforme previsão do Art. 22 do Código Penal, no caso de coação irresistível,
somente deve responder pela infração o autor da coação. Assim, na forma do Art. 386, inciso VI, do
Código de Processo Penal, deveria o réu ser absolvido. Caso se entenda que o fato foi típico, ilícito e
223
PROCESSO PENAL OAB
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culpável e que a coação foi resistível, o examinando, com base no princípio da eventualidade, deveria
passar a enfrentar eventual sanção penal a ser aplicada. Inicialmente deveria solicitar a aplicação da pena
base em seu mínimo legal, pois, na forma do enunciado 444 da Súmula de jurisprudência do STJ, a
existência de inquéritos policiais ou ações penais em curso não são suficientes para fundamentar
circunstâncias judiciais do Art. 59 do Código Penal como desfavoráveis. Na fixação da pena intermediária,
deveria o examinando requerer o reconhecimento da atenuante do Art. 65, inciso I, do Código Penal, já
que o réu era maior de 70 anos na data da sentença, e a atenuante da confissão, prevista no Art. 65,
inciso III, alínea d, do Código Penal, cabendo destacar que a chamada confissão qualificada, ou seja,
quando, apesar de confessar o fato, o acusado alega a existência de causa de exclusão da ilicitude ou da
culpabilidade, vem sendo reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça como suficiente para justificar o
seu reconhecimento como atenuante. Deveria, ainda, ser alegada a atenuante da coação resistível, já que
o crime somente foi praticado por exigência de Russo (Art. 65, inciso III, c, do CP). Considerando que o
acusado é primário, de bons antecedentes, e que não consta em seu desfavor qualquer indício de
envolvimento com organização criminosa ou dedicação às atividades criminosas, cabível a aplicação do
redutor de pena previsto no Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343. As circunstâncias da infração tornam até
mesmo possível a aplicação da causa de diminuição em seu patamar máximo. Em sendo reconhecida a
existência do tráfico privilegiado do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06, cabível o requerimento de
substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, pois não mais subsiste a vedação
trazida pelo dispositivo. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade dessa vedação em
abstrato, por violação ao princípio da individualização, além de a Resolução nº 05 do Senado, publicada
em 15/02/2012, suspender a eficácia da expressão “vedada a conversão em penas restritivas de direito”
do parágrafo acima citado. Da mesma forma, o STF também reconheceu a inconstitucionalidade da
exigência da aplicação do regime inicial fechado para os crimes hediondos ou equiparados trazida pelo Art.
2º, § 1º, da Lei nº 8072 por violação do princípio da individualização da pena, de modo que nada impede a
fixação do regime inicial aberto de cumprimento da reprimenda penal. Diante do exposto, deveriam ser
formulados os seguintes pedidos: a) absolvição do crime de tráfico, na forma do Art. 386, inciso VI, do
Código de Processo Penal; b) subsidiariamente, aplicação da pena base no mínimo legal; c)
reconhecimento das atenuantes do Art. 65, incisos I e III, alíneas “c” e “d”, do Código Penal; d) aplicação
da causa de diminuição do Art. 33, § 4º da Lei nº 11.343; e) aplicação do regime inicial aberto de
cumprimento da pena; f) substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. A peça
deveria ser assinada, além de constar como data 13 de março de 2015, pois o prazo só se iniciou na
segunda-feira seguinte à intimação.

DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS


ITEM PONTUAÇÃO
1) Endereçamento: Vara Criminal da Comarca de Goiânia/GO (0,10). 0,00/0,10

2) Fundamento legal: Art. 403, §3º, do CPP OU Art. 404, parágrafo único, do CPP OU Art. 57 da Lei
11.343/06 c/c 403, §3º do CPP c/c 394, §5º do CPP (0,10). 0,00/0,10

3) No mérito: Absolvição do crime imputado de tráfico de drogas (0,40), com fundamento na existência de
coação moral irresistível (0,90), prevista no Art. 22 do Código Penal (0,10)
0,00/0,40/0,50/0,90/1,00/1,30/1,40
3.1) Ausência de culpabilidade em razão da inexigibilidade de conduta diversa (0,40) 0,00/0,40

4) Subsidiariamente, em caso de condenação: fixação da pena base no mínimo legal, pois a existência de
inquérito policial não pode configurar circunstância judicial desfavorável (0,25), em atenção ao Princípio da
presunção de inocência (0,10).

5) Reconhecimento de atenuante pelo fato de o réu ser maior de 70 anos na data da sentença (0,15), nos
termos do Art. 65, inciso I, do CP (0,10) 0,00/0,15/0,25

6) Reconhecimento da atenuante da confissão (0,15), nos termos do Art. 65, inciso III, alínea d, do CP
(0,10) 0,00/0,15/0,25

7) Reconhecimento da atenuante da coação resistível (0,15), na forma do Art. 65, inciso III, alínea c, do
CP (0,10). 0,00/0,15/0,25
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PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

8) Aplicação da causa de diminuição do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343 OU reconhecimento do tráfico
privilegiado (0,30), pois o réu era primário, de bons antecedentes, não se dedicando a atividade criminosa
nem integrando organização criminosa (0,10) 0,00/0,10/0,30/0,40

9) Substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos (0,20), pois o STF reconheceu a
inconstitucionalidade da vedação trazida pelo Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06 OU porque a Resolução 05
do Senado Federal suspendeu a eficácia dessa vedação (0,15). 0,00/0,15/0,20/0,35

10) Aplicação do regime inicial aberto para cumprimento de pena (0,15), pois a fixação do regime inicial
fechado obrigatório para crimes hediondos e equiparados trazida pelo Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8072 foi
considerada inconstitucional pelo STF por violação do princípio da individualização da pena (0,10).
0,00/0,10/0,15/0,25

11) Pedidos: Absolvição (0,10), na forma do Art. 386, inciso VI, do CPP (0,10) 0,00/0,10/0,20
11.1) Subsidiariamente, aplicação da pena base no mínimo (0,10) 0,00/0,10
11.2) Reconhecimento das atenuantes do Art. 65, incisos I e III, alíneas “c” e “d” do CP (0,10); 0,00/0,10
11.3) Aplicação da causa de diminuição do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343 (0,10); substituição da pena
privativa de liberdade por restritiva de direitos (0,10); aplicação de regime inicial aberto (0,10).
0,00/0,10/0,20/0,30

12) Prazo: 13 de março de 2015 (0,10). 0,00/0,10

13) Estrutura – Local, data, assinatura, OAB (0,10). 0,00/0,10

PEÇA PRÁTICO-PROFFISIONAL DO XX EXAME DA OAB – REAPLICADA EM PORTO VELHO/RO

Bruno Silva, nascido em 10 de janeiro de 1997, enquanto adolescente, aos 16 anos, respondeu perante a
Vara da Infância e Juventude pela prática de ato infracional análogo ao crime de tráfico, sendo julgada
procedente a ação socioeducativa e aplicada a medida de semiliberdade. No dia 10 de janeiro de 2015, na
cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, Bruno se encontrava no interior de um ônibus, quando encontrou
um relógio caído ao lado do banco em que estava sentado. Estando o ônibus vazio, Bruno aproveitou para
pegar o relógio e colocá-lo dentro de sua mochila, não informando o ocorrido ao motorista. Mais adiante,
porém, 15 minutos após esse fato, o proprietário do relógio, Bernardo, já na companhia de um policial,
ingressou no coletivo procurando pelo seu pertence, que havia sido comprado apenas duas semanas antes
por R$ 100,00 (cem reais). Verificando que Bruno estava sentado no banco por ele antes utilizado, revistou
sua mochila e encontrou o relógio. Bernardo narrou ao motorista de ônibus o ocorrido, admitindo que
Bruno não estava no coletivo quando ele o deixou. Diante de tais fatos, Bruno foi denunciado perante o
juízo competente pela prática do crime de furto simples, na forma do Art. 155, caput, do Código Penal. A
denúncia foi recebida e foi formulada pelo Ministério Público a proposta de suspensão condicional do
processo, não sendo aceita pelo acusado, que respondeu ao processo em liberdade. No curso da instrução,
o policial que efetivou a prisão do acusado, Bernardo, o motorista do ônibus e Bruno foram ouvidos e
todos confirmaram os fatos acima narrados. Com a juntada do laudo de avaliação do bem arrecadado,
confirmando o valor de R$ 100,00 (cem reais), os autos foram encaminhados ao Ministério Público, que se
manifestou pela procedência do pedido nos termos da denúncia, pleiteando reconhecimento de maus
antecedentes, em razão da medida socioeducativa antes aplicada. Você, advogado(a) de Bruno, foi
intimado(a), em 23 de março de 2015, segunda-feira, sendo o dia subsequente útil. Com base nas
informações acima expostas e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a peça cabível,
excluída a possibilidade de Habeas Corpus, no último dia do prazo, sustentando todas as teses jurídicas
pertinentes. (Valor: 5,00 pontos)

Obs.: O examinando deve indicar todos os fundamentos e dispositivos legais cabíveis. A mera citação do
dispositivo legal não confere pontuação.

225
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

Gabarito Comentado
O examinando deve redigir Alegações Finais, na forma de memoriais, com fundamento no Art. 403, §3º,
do Código de Processo Penal, devendo a petição ser direcionada ao juiz de uma das Varas Criminais da
Comarca de Belo Horizonte/MG. No mérito, deve o examinando defender a absolvição de Bruno, tendo em
vista que nenhum crime de furto foi praticado. Prevê o Art. 155 do Código Penal que configura furto a
subtração de coisa alheia móvel. A doutrina leciona que a coisa perdida, conhecida como res desperdicta,
em princípio, não pode ser objeto do crime de furto, pois ela não está na posse de outra pessoa para ser
subtraída. Cabe destacar, porém, que a coisa só é considerada perdida quando está em local público ou de
uso público, como efetivamente ocorreu com o relógio de Bernardo. O relógio por Bruno encontrado no
interior do coletivo e guardado em sua mochila era uma coisa perdida, tendo em vista que encontrado no
chão do transporte público e que o seu proprietário, Bernardo, sequer estava no interior do ônibus quando
Bruno nele ingressou. Não houve subtração. Em tese, quando uma pessoa se apodera de uma coisa
perdida, possivelmente será configurado o crime de apropriação de coisa achada, previsto no Art. 169,
inciso II, do Código Penal. Contudo, na hipótese, nem mesmo cabível a desclassificação para esse delito,
mas tão só a absolvição de Bruno, tendo em vista que uma das elementares do Art. 169, inciso II, do
Código Penal não foi realizada. Isso porque o crime de apropriação de coisa achada somente se configura
após o agente não restituir a coisa apropriada ao dono ou ao legítimo possuidor após 15 dias. Trata-se de
infração penal conhecida como delito a prazo. Como Bruno havia pegado o relógio poucos minutos antes,
não estava configurado o delito do Art. 169, inciso II, do Código Penal, pois ele ainda poderia decidir por
devolver o bem ao seu proprietário ou na Delegacia dentro do prazo previsto em lei. Diante disso, deve ser
requerida, nas Alegações Finais, a absolvição de Bruno. Além disso, deve o candidato, com base no
princípio da eventualidade, caso se entenda que houve subtração, alegar a atipicidade material da conduta
por força do princípio da insignificância, eis que bastante reduzido o valor da coisa e da lesão (1/8do
salário mínimo, aproximadamente). Ainda com base na subsidiariedade, o examinando deve enfrentar
eventual pena a ser aplicada em caso de condenação do réu. Na aplicação da pena base, deve o
examinando destacar que deve ser fixada no mínimo legal, tendo em vista que o agente é primário e de
bons antecedentes, não tendo como assim não ser, já que havia acabado de completar 18 anos na data
em que foi preso em flagrante. O fato de o réu já ter sido punido com medida socioeducativa pela prática
de ato infracional análogo ao crime de tráfico não permite o reconhecimento de maus antecedentes ou
qualquer outra circunstância judicial desfavorável. Na determinação da pena intermediária, deveria ser
solicitado o reconhecimento da atenuante da confissão espontânea, prevista no Art. 65, inciso III, alínea d,
do Código Penal, assim como da menoridade relativa, com base no Art. 65, inciso I, do CP, uma vez que
Bruno era menor de 21 anos na data dos fatos. Já na terceira fase de aplicação da reprimenda penal, o
advogado deveria solicitar o reconhecimento do furto privilegiado, pois Bruno era primário e a coisa
furtada era de pequeno valor, já que o relógio foi adquirido pela quantia de R$ 100,00 (cem reais) apenas.
Assim, poderia o examinando pleitear a aplicação de alguma das medidas previstas no Art. 155, §2º, do
Código Penal, quais sejam, substituição da pena de reclusão pela de detenção, diminuição de 1/3 a 2/3 da
reprimenda penal ou aplicação somente da pena de multa. Em caso de aplicação de pena privativa de
liberdade, deveria ser, ainda, requerida a substituição desta por restritiva de direitos, pois preenchidos os
requisitos do Art. 44 do Código Penal. O regime inicial de cumprimento de pena a ser buscado é o aberto.
Por fim, em caso de não substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos por entender
não preenchidos seus requisitos, deve o examinando solicitar a aplicação da suspensão condicional da
pena, na forma do Art. 77 do Código Penal. Diante do exposto, dever ser formulado pedido requerendo: a)
absolvição do crime de furto, na forma do Art. 386, inciso III, do CPP; b) aplicação da pena base no
mínimo legal; c) reconhecimento das atenuantes da confissão espontânea e da menoridade relativa; d)
aplicação da forma privilegiada do furto, prevista no Art. 155, §2º, do Código Penal; e) substituição da
pena privativa de liberdade por restritiva de direitos; f) aplicação do regime aberto; g) subsidiariamente,
suspensão condicional da pena. A data a ser indicada é 30 de março de 2015, tendo em vista que o prazo
para Alegações Finais é de 05 dias, mas o dia 28/03/2015 é um sábado.

Distribuição dos Pontos


ITEM PONTUAÇÃO
ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS

1) Endereçamento: Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte/MG.(0,10). 0,00/0,10

226
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

2) Fundamento legal: 403, §3º, do CPP(0,10). 0,00/0,10

3) No mérito: absolvição do crime de furto (0,50), pois a coisa perdida (res desperdicta) não pode ser
objeto de tal crime (0,70). Deve, ainda, ser mencionado que a hipótese não é de desclassificação para o
crime de apropriação de coisa achada, pois a elementar de apropriação pelo prazo de 15 dias não foi
realizada (0,10). 0,00 / 0,10 / 0,50 / 0,60 / 0,70 / 0,80 / 1,20 / 1,30

4) Aplicação do princípio da bagatela ou insignificância (0,40), afastando a tipicidade material (0,20)


0,00/0,20/0,40/0,60

5) Subsidiariamente, em caso de condenação: aplicação da pena base no mínimo legal (0,20), destacando
que a condenação em ação socioeducativa não gera maus antecedentes ou circunstância judicial
desfavorável (0,10). 0,00/0,10/0,20/0,30

6) Reconhecimento da atenuante da menoridade relativa (0,20), na forma do Art. 65, inciso I, do CP


(0,10). 0,00/0,20/0,30

7) Reconhecimento da atenuante da confissão espontânea (0,20), na forma do Art. 65, inciso III, alínea d,
do CP (0,10). 0,00/0,20/0,30

8) Requerimento de aplicação do furto privilegiado, pleiteando a adoção de alguma das medidas previstas
em lei (ou substituição da reclusão por detenção ou causa de diminuição de pena ou aplicação
exclusivamente da pena de multa) (0,20), na forma do Art. 155, §2º, do CP (0,10). 0,00/0,20/0,30

9) Substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos (0,20), pois preenchidos os
requisitos do Art. 44 do CP(0,10). 0,00/0,20/0,30

10) Aplicação do regime aberto para início do cumprimento da pena (0,20), na forma do Art. 33, §2º,
alínea c, do Código Penal (0,10). 0,00/0,20/0,30

11) Caso não seja substituída a pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, aplicação da
suspensão condicional da pena, na forma do Art. 77 do CP (0,10). 0,00/0,10

12) Pedidos: absolvição do crime de furto (0,10), na forma do artigo 386, III, CPP (0,10);
subsidiariamente, aplicação da pena base no mínimo legal (0,10); reconhecimento das atenuantes da
confissão espontânea e da menoridade relativa (0,10); reconhecimento da forma privilegiada do furto
(0,10); substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos (0,10); fixação do regime
aberto (0,10); sursis da pena (0,10). 0,00/0,10/0,20/0,30/ 0,40/0,50/0,60/ 0,70/0,80

13) Indicação da data correta: 30 de março de 2015(0,10). 0,00/0,10

14) Estrutura – endereçamento, local, data, assinatura e OAB (0,10). 0,00/0,10

PEÇA PROFISSIONAL XIV EXAME


Felipe, com 18 anos de idade, em um bar com outros amigos, conheceu Ana, linda jovem, por quem se
encantou. Após um bate-papo informal e troca de beijos, decidiram ir para um local mais reservado. Nesse
local trocaram carícias, e Ana, de forma voluntária, praticou sexo oral e vaginal com Felipe. Depois da noite
juntos, ambos foram para suas residências, tendo antes trocado telefones e contatos nas redes sociais. No
dia seguinte, Felipe, ao acessar a página de Ana na rede social, descobre que, apesar da aparência adulta,
esta possui apenas 13 (treze) anos de idade, tendo Felipe ficado em choque com essa constatação. O seu
medo foi corroborado com a chegada da notícia, em sua residência, da denúncia movida por parte do
Ministério Público Estadual, pois o pai de Ana, ao descobrir o ocorrido, procurou a autoridade policial,
narrando o fato. Por Ana ser inimputável e contar, à época dos fatos, com 13 (treze) anos de idade, o
Ministério Público Estadual denunciou Felipe pela prática de dois crimes de estupro de vulnerável, previsto
no artigo 217- A, na forma do artigo 69, ambos do Código Penal. O Parquet requereu o início de
cumprimento de pena no regime fechado, com base no artigo 2º, §1º, da lei 8.072/90, e o reconhecimento
da agravante da embriaguez preordenada, prevista no artigo 61, II, alínea “l”, do CP. O processo teve início
227
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

e prosseguimento na XX Vara Criminal da cidade de Vitória, no Estado do Espírito Santo, local de residência
do réu. Felipe, por ser réu primário, ter bons antecedentes e residência fixa, respondeu ao processo em
liberdade. Na audiência de instrução e julgamento, a vítima afirmou que aquela foi a sua primeira noite, mas
que tinha o hábito de fugir de casa com as amigas para frequentar bares de adultos. As testemunhas de
acusação afirmaram que não viram os fatos e que não sabiam das fugas de Ana para sair com as amigas. As
testemunhas de defesa, amigos de Felipe, disseram que o comportamento e a vestimenta da Ana eram
incompatíveis com uma menina de 13 (treze) anos e que qualquer pessoa acreditaria ser uma pessoa maior
de 14 (quatorze) anos, e que Felipe não estava embriagado quando conheceu Ana. O réu, em seu
interrogatório, disse que se interessou por Ana, por ser muito bonita e por estar bem vestida. Disse que não
perguntou a sua idade, pois acreditou que no local somente pudessem frequentar pessoas maiores de 18
(dezoito) anos. Corroborou que praticaram o sexo oral e vaginal na mesma oportunidade, de forma
espontânea e voluntária por ambos. A prova pericial atestou que a menor não era virgem, mas não pôde
afirmar que aquele ato sexual foi o primeiro da vítima, pois a perícia foi realizada longos meses após o ato
sexual. O Ministério Público pugnou pela condenação de Felipe nos termos da denúncia. A defesa de Felipe
foi intimada no dia 10 de abril de 2014 (quinta-feira).
Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima,
redija a peça cabível, no último dia do prazo, excluindo a possibilidade de impetração de Habeas Corpus,
sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5,0)

Gabarito Comentado

O examinando deve redigir alegações finais na forma de memoriais, com fundamento no art. 403, § 3º, do
Código de Processo Penal, sendo a petição dirigida ao juiz da XX Vara Criminal de Vitória, Estado do Espírito
Santo. Conforme narrado no texto da peça prático-profissional, o examinando deveria abordar em suas
razões a necessidade de absolvição do réu diante do erro de tipo escusável, que colimou na atipicidade da
conduta. Conforme ficou narrado no texto da peça prático-profissional, o réu praticou sexo oral e vaginal
com uma menina de 13 (treze) anos, que pelas condições físicas e sociais aparentava ser maior de 14
(quatorze) anos. O tipo penal descrito no artigo 217- A do CP, estupro de vulnerável, exige que o réu tenha
ciência de que se trata de menor de 14 (quatorze) anos. É certo que o consentimento da vítima não é
considerado no estupro de vulnerável, que visa tutelar a dignidade sexual de pessoas vulneráveis. No
entanto, tal reforma penal não exclui a alegação de erro de tipo essencial, quando verificado, no caso
concreto, a absoluta impossibilidade de conhecimento da idade da vítima. Na leitura da realidade, o réu
acreditou estar praticando ato sexual com pessoa maior de 14 (quatorze) anos, incidindo, portanto, a figura
do erro de tipo essencial, descrita no artigo 20, caput, do CP. Como qualquer pessoa naquela circunstância
incidiria em erro de tipo essencial e como não há previsão de estupro de vulnerável de forma culposa, não
há outra solução senão a absolvição do réu, com base no artigo 386, III, do CPP. Por sua vez, o examinando
deveria desenvolver que no caso de condenação haveria a necessidade do reconhecimento de crime único,
sendo excluído o concurso material de crimes. A prática de sexo oral e vaginal no mesmo contexto configura
crime único, pois a reforma penal oriunda da lei 12.015/2009 uniu as figuras típicas do atentado violento ao
pudor e o estupro numa única figura, sendo, portanto, um crime misto alternativo. Prosseguindo em sua
argumentação, o examinando deveria rebater o pedido de reconhecimento da agravante da embriaguez
preordenada, pois não foram produzidas provas no sentido de que Felipe se embriagou com intuito de tomar
coragem para a prática do crime, também indicando a presença da atenuante da menoridade. Por fim, por
ser o réu primário, de bons antecedentes e por existir crime único e não concurso material de crimes, o
examinando deveria requerer a fixação da pena-base no mínimo legal, com a consequente fixação do regime
semiaberto. Apesar do crime de estupro de vulnerável, artigo 217- A do CP, estar elencado como infração
hedionda na lei 8.072/90, conforme artigo 1º, IV, o STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 2º, § 1º
desta lei, sendo certo que o juiz ao fixar o regime inicial para o cumprimento de pena deve analisar a
situação em concreto e não o preceito em abstrato. Assim, diante da ocorrência de crime único, cuja pena
será fixada em 8 (oito) anos de reclusão, sendo o réu primário e de bons antecedentes, o regime semiaberto
é a melhor solução para o réu, pois o artigo 33, §2º, alínea “a”, do CP, impõe o regime fechado para crimes
com penas superiores a 8 (oito) anos, o que não é o caso. Ao final o examinando deveria formular os
seguintes pedidos: a) Absolvição do réu, com base no art. 386, III, do CPP, por ausência de tipicidade;
Diante da condenação, de forma subsidiária: b) Afastamento do concurso material de crimes, sendo
reconhecida a existência de crime único. c) Fixação da pena-base no mínimo legal, o afastamento da
agravante da embriaguez preordenada e a incidência da atenuante da menoridade. d) Fixação do regime
semiaberto para início do cumprimento de pena, com base no art. 33, § 2º, alínea “b”, do CP, diante da
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PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

inconstitucionalidade do artigo 2º, § 1º, da lei 8.072/90. Por derradeiro, cabe destacar que o texto da peça
prático-profissional foi expresso em exigir a apresentação dos memoriais no último dia do prazo.
Considerado o artigo 403,§ 3º, do CPP, o prazo será de 5 (cinco) dias, sendo certo que o último dia para
apresentação é o dia 15 de abril de 2014.

PEÇA PROFISSIONAL - IX EXAME OAB


Gisele foi denunciada, com recebimento ocorrido em 31/10/2010, pela prática do delito de lesão corporal
leve, com a presença da circunstância agravante, de ter o crime sido cometido contra mulher grávida. Isso
porque, segundo narrou a inicial acusatória, Gisele, no dia 01/04/2009, então com 19 anos, objetivando
provocar lesão corporal leve em Amanda, deu um chute nas costas de Carolina, por confundi-la com aquela,
ocasião em que Carolina (que estava grávida) caiu de joelhos no chão, lesionando-se. A vítima, muito
atordoada com o acontecido, ficou por um tempo sem saber o que fazer, mas foi convencida por Amanda
(sua amiga e pessoa a quem Gisele realmente queria lesionar) a noticiar o fato na delegacia. Sendo assim,
tão logo voltou de um intercâmbio, mais precisamente no dia 18/10/2009, Carolina compareceu à delegacia
e noticiou o fato, representando contra Gisele. Por orientação do delegado, Carolina foi instruída a fazer
exame de corpo de delito, o que não ocorreu, porque os ferimentos, muito leves, já haviam sarado. O
Ministério Público, na denúncia, arrolou Amanda como testemunha. Em seu depoimento, feito em sede
judicial, Amanda disse que não viu Gisele bater em Carolina e nem viu os ferimentos, mas disse que poderia
afirmar com convicção que os fatos noticiados realmente ocorreram, pois estava na casa da vítima quando
esta chegou chorando muito e narrando a história. Não foi ouvida mais nenhuma testemunha e Gisele, em
seu interrogatório, exerceu o direito ao silêncio. Cumpre destacar que a primeira e única audiência ocorreu
apenas em 20/03/2012, mas que, anteriormente, três outras audiências foram marcadas; apenas não se
realizaram porque, na primeira, o magistrado não pôde comparecer, na segunda o Ministério Público não
compareceu e a terceira não se realizou porque, no dia marcado, foi dado ponto facultativo pelo governador
do Estado, razão pela qual todas as audiências foram redesignadas. Assim, somente na quarta data
agendada é que a audiência efetivamente aconteceu. Também merece destaque o fato de que na referida
audiência o parquet não ofereceu proposta de suspensão condicional do processo, pois, conforme
documentos comprobatórios juntados aos autos, em 30/03/2009, Gisele, em processo criminal onde se
apuravam outros fatos, aceitou o benefício proposto. Assim, segundo o promotor de justiça, afigurava-se
impossível formulação de nova proposta de suspensão condicional do processo, ou de qualquer outro
benefício anterior não destacado, e, além disso, tal dado deveria figurar na condenação ora pleiteada para
Gisele como outra circunstância agravante, qual seja, reincidência. Nesse sentido, considere que o
magistrado encerrou a audiência e abriu prazo, intimando as partes, para o oferecimento da peça processual
cabível.
Como advogado de Gisele, levando em conta tão somente os dados contidos no enunciado, elabore a peça
cabível. (Valor: 5,0)

Gabarito comentado

O examinando, observando a estrutura correta, deverá elaborar MEMORIAIS, com fundamento no Art. 403,
§3º, do CPP.
A peça deve ser endereçada ao Juiz do Juizado Especial Criminal.
Preliminarmente, deve ser alegada a decadência do direito de representação. Os fatos ocorreram em
01/04/2009 e a representação apenas foi feita em 18/10/2009 (Art. 38, CPP).
Também em caráter preliminar deve ser alegada a nulidade do processo pela inobservância do rito da Lei
9.099/95, anulando-se o recebimento da denúncia, com a consequente prescrição da pretensão punitiva.
Isso porque os fatos datam de 01/04/2009 e a pena máxima em abstrato prevista para o crime de lesão
corporal leve é de um ano, que prescreve em quatro anos (Art. 109, inciso V, do CP). Como se trata de
acusada menor de 21 anos de idade, o prazo prescricional reduz-se pela metade (Art. 115, do CP),
totalizando dois anos. Com a anulação do recebimento da denúncia, este marco interruptivo desaparece e,
assim, configura-se a prescrição da pretensão punitiva.
No mérito, deve ser requerida absolvição por falta de prova. A materialidade do delito não restou
comprovada, tal como exige o Art. 158, do CPP. O delito de lesão corporal é não transeunte e exige perícia,
seja direta ou indireta, o que não foi feito. Note-se que não foi realizado exame pericial direto e nem a
perícia indireta pôde ser feita, pois a única testemunha não viu nem os fatos e nem mesmo os ferimentos.
Também no mérito, deve ser alegado que não incidem nenhuma das circunstâncias agravantes aventadas
pelo Ministério Público. Levando em conta que Gisele agiu em hipótese de erro sobre a pessoa (Art. 20, §
229
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

3º, do CP), devem ser consideradas apenas as características da vítima pretendida (Amanda) e não da
vítima real (Carolina), que estava grávida. Além disso, não incide a agravante da reincidência, pois a
aceitação da proposta de suspensão condicional do processo não acarreta condenação e muito menos
reincidência; Gisele ainda é primária.
Ao final, deve elaborar os seguintes pedidos: a extinção de punibilidade pela decadência do direito de
representação; a declaração da nulidade do processo com a consequente extinção da punibilidade pela
prescrição da pretensão punitiva; a absolvição da ré com fundamento na ausência de provas para a
condenação.
Subsidiariamente, em caso de condenação, deverá pleitear a não incidência da circunstância agravante de
ter sido, o delito, cometido contra mulher grávida; a não incidência da agravante da reincidência; a
atenuação da pena como consequência à aplicação da atenuante da menoridade relativa da ré.
Distribuição dos Pontos
Quesito Avaliado Valores
1) A peça deve ser endereçada ao Juiz do Juizado Especial Criminal. (0,25) 0,00/0,25
2) Indicação do dispositivo legal que fundamenta a peça: Art. 403, § 3º, do CPP (0,20). 0,00/0,20
3) Arguição da preliminar de decadência do direito de representação (0,50).
Desenvolvimento fundamentado no sentido de que os fatos ocorreram em 01/04/2009 e a representação
apenas foi feita em 18/10/2009 (Art. 38, do CPP).(0,75) OBS: A mera indicação do artigo não pontua.
0,00/0,50/1,25
4) Também em caráter preliminar deve ser alegada a nulidade do processo pela inobservância do rito da Lei
n. 9.099/95 (0,25), anulando-se o recebimento da denúncia (0,25) com a consequente prescrição da
pretensão punitiva.(0,25) 0,00/0,25/0,50/0,75
5) Desenvolvimento fundamentado acerca da absolvição por falta de prova (0,25), bem como da ausência
de materialidade do delito (0,50), 0,00/0,25/0,50/0,75
6) Desenvolvimento fundamentado acerca da não incidência da agravante de crime praticado contra mulher
grávida, pois a hipótese é de erro quanto à pessoa(0,30) na forma do Art.20, § 3º do CP (0,10),
OBS: A mera indicação do artigo não pontua. 0,00/0,30/0,40
7) Desenvolvimento fundamentado acerca da não incidência da agravante da reincidência (0,35). 0,00/0,35
8) Pedidos:
A) extinção de punibilidade pela decadência do direito de representação (0,20);
B) declaração da nulidade do processo (0,10) com a consequente extinção da punibilidade pela prescrição
da pretensão punitiva (0,10);
C) Absolvição (0,10) por falta de provas para a condenação OU por não haver prova da existência do fato
(0,10);
0,00/0,10/0,20/0,30/0,40/0,50/0,60
D) Subsidiariamente, em caso de condenação:
d1) não incidência da agravante de crime cometido contra mulher grávida (0,10);
d2) não incidência da agravante da reincidência (0,10);
d3) incidência da atenuante da menoridade relativa da ré (0,10) 0,00/0,10/0,20/0,30
9) Estrutura correta (indicação das partes/ local/ data/ assinatura). 0,00/0,15

4) EMENDATIO LIBELLI E MUTATIO LIBELLI - PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO E


PRINCÍPIO DA CONSUBSTANCIAÇÃO

QUESTÃO 4 – 2010/01
Jânio foi denunciado pela prática de roubo tentado (Código Penal, art. 157, caput, c/c art. 14, II), cometido
em dezembro de 2009, tendo sido demonstrado, durante a instrução processual, que o réu praticara, de
fato, delito de dano (Código Penal, art. 163, caput).
Considerando essa situação hipotética, responda, de forma fundamentada, às seguintes indagações.
a) Em face da nova definição jurídica do fato, que procedimento deve ser adotado pelo juiz?
b) Caso a nova capitulação jurídica do fato fosse verificada apenas em segunda instância, seria
possível a aplicação do instituto da emendatio libelli?

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No caso, o juiz deverá remeter os autos para o juizado especial competente. Isso porque o delito de dano
(CP, art. 163, caput) é considerado de menor potencial ofensivo (Lei n.º 9.099/1995, art. 61), razão pela
qual é aplicável, então, o comando do § 2.º do art. 383 do CPP.

Não existe qualquer impedimento legal para a aplicação do instituto da emendatio libelli em segunda
instância (CPP, art. 383), pois não há que se falar em surpresa para as partes, na medida em que não há
alteração do contexto fático narrado na inicial acusatória (Nesse sentido: Fernando Capez. Curso de
processo penal. 16 ed., São Paulo: Saraiva, p. 466).

QUESTÃO 1 – XX EXAME PROVA REAPLICADA EM PORTO VELHO/RO (por conta da falta de luz
no dia da prova geral da 2ª fase)

Jorge, com 21 anos de idade, reincidente, natural de São Gonçalo/RJ, entrou em uma briga com seus pais,
razão pela qual foi morar na casa de sua tia Marta, irmã de seu pai, na cidade de Maricá/RJ, já que esta
tinha apenas 40 anos e “o entenderia melhor”. Após 06 meses residindo no mesmo local que sua tia, Jorge
subtraiu o carro de Marta, levando-o para uma favela em Niterói, onde pretendia morar no futuro. No
começo, Marta não desconfiou da autoria, porém após alguns dias, teve certeza de que o autor do crime era
seu sobrinho, mas nada fez para vê-lo responsabilizado criminalmente, em razão do afeto que tinha por ele.
Apenas, então, comunicou à seguradora que seu veículo fora furtado. Jorge, 01 ano após esses fatos, estava
na direção do veículo que havia subtraído quando foi abordado por policiais militares que, constatando que
aquele bem era produto de crime pretérito, realizaram sua prisão em flagrante. Jorge foi denunciado pela
prática do crime de receptação, mas, no curso da instrução, foi descoberto que, na verdade, o acusado era
o autor do crime de furto. O Ministério Público aditou a denúncia para adequá-la às novas descobertas e,
após manifestação da Defensoria Pública, foi o aditamento recebido. Não houve requerimento de novas
provas. Jorge o(a) procura para, na condição de advogado(a), apresentar as Alegações Finais.
Considerando as informações extraídas da hipótese, responda aos itens a seguir.
A) Qual a principal tese defensiva a ser formulada nas Alegações Finais para evitar a condenação de Jorge?
(Valor: 0,65)
B) Na condição de advogado(a) do acusado, o que você alegaria, no campo processual, caso o juiz viesse a
condenar Jorge, após o aditamento, de acordo com a imputação original de receptação? (Valor: 0,60) Obs.:
o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação.
Gabarito comentado
A) O enunciado narra a prática de um crime de furto simples consumado, praticado por Jorge contra sua tia
Marta, com quem ele coabitava. Diante dessa relação de coabitação e parentesco, a ação penal pela prática
de tal delito tem natureza de ação pública condicionada à representação. Isso porque o Art. 182, inciso III,
do Código Penal prevê que somente se procede mediante representação a ação penal pela prática de crime
contra o patrimônio em desfavor de tio, com quem o agente coabita. Não houve violência ou grave ameaça
e a vítima não era maior de 60 anos, logo inaplicável o Art. 183 do Código Penal. Sendo a ação condicionada
à representação, e não tendo ocorrido no prazo de 06 meses, ocorreu a decadência, de modo que a
punibilidade de Jorge deve ser extinta (Art. 107, inciso IV, do Código Penal).
B) Não poderia o magistrado condenar o denunciado nos termos da imputação original, pois tal conduta
violaria os princípios da ampla defesa e do contraditório, além, do princípio da correlação. Ademais, de
acordo com Art. 384, §4º, do Código de Processo Penal, o juiz ficará adstrito aos termos do aditamento.

ITEM PONTUAÇÃO
A. Extinção da punibilidade pela decadência (0,20),pois a ação penal no caso de 0,00 / 0,20 / 0,30 /
furto praticado por sobrinho contra tio com quem coabite é pública condicionada à 0,45/ 0,55 / 0,65
representação (0,35), na forma do Art. 182, inciso III, do CP (0,10).
B. Deveria ser alegada a impossibilidade de condenação na imputação originária, 0,00 / 0,60
pois o juiz está adstrito aos termos do aditamento (Art. 384, §4º, do CPP) OU
porque não foram observados os princípios da ampla defesa e do contraditório OU
houve violação ao princípio da correlação (0,60).

QUESTÃO 3 - VIII OAB


João e José foram denunciados pela prática da conduta descrita no art. 316 do CP (concussão). Durante a
instrução, percebeu-se que os fatos narrados na denúncia não corresponderiam àquilo que efetivamente
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PROCESSO PENAL OAB
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teria ocorrido, razão pela qual, ao cabo da instrução criminal e após a respectiva apresentação de memoriais
pelas partes, apurou-se que a conduta típica adequada seria aquela descrita no art. 317 do CP (corrupção
passiva). O magistrado, então, fez remessa dos autos ao Ministério Público para fins de aditamento da
denúncia, com a nova capitulação dos fatos. Nesse sentido, atento(a) ao caso narrado e considerando
apenas as informações contidas no texto, responda fundamentadamente, aos itens a seguir.
A) Estamos diante de hipótese de mutatio libelli ou de emendatio libelli? Qual dispositivo legal
deve ser aplicado? (Valor: 0,50)
B) Por que o próprio juiz, na sentença, não poderia dar a nova capitulação e, com base nela,
condenar os réus? (Valor: 0,50)
C) É possível que o Tribunal de Justiça de determinado estado da federação, ao analisar recurso
de apelação, proceda à mutatio libelli? (Valor: 0,25)

Gabarito comentado:
Para garantir pontuação à questão, o examinando deverá, no item “A”, responder, nos termos do
questionado, que a hipótese tratada é de mutatio libelli, instituto descrito no art. 384 do CPP.
Não serão admitidas respostas que tragam emendatio libelli, tendo em vista que o enunciado da questão é
claro ao dispor que “os fatos narrados na denúncia não corresponderiam àquilo que efetivamente teria
ocorrido”. Tal expressão, por si só, ainda afastaria a incidência do disposto no art. 383, do CPP, uma vez que
aquele dispositivo legal traz explicitamente restrição à sua utilização para hipóteses em que não ocorra
modificação na “descrição do fato contida na denúncia ou queixa”.
Quanto ao item “B”, para garantir a pontuação pertinente, o examinando deverá responder que o juiz não
poderia, na sentença, dar nova capitulação (e com base nela condenar os réus) porque deve obediência aos
princípios da imparcialidade e inércia da jurisdição.
De maneira alternativa e com o fim de privilegiar a demonstração de conhecimento jurídico, será admitida
resposta no sentido de que tal conduta, por parte do magistrado, feriria o sistema/princípio acusatório ou,
ainda, no sentido de que tal conduta feriria o princípio da correlação/congruência entre acusação e
sentença.
Ressalte-se que no tocante ao item “B” a questão solicita análise acerca da conduta do magistrado que, na
sentença, daria nova capitulação aos fatos em decorrência de elemento ou circunstância da infração penal
não contida na acusação.
Nesse sentido, cabe destacar que à luz do sistema acusatório adotado pela Constituição da República
Federativa do Brasil, o julgador deve ser imparcial e, por isso, suas decisões devem estar balizadas pelo
contexto fático descrito na peça acusatória (princípio da correlação entre acusação e sentença).
Assim, caso o magistrado viesse a condenar os réus com fundamento em fatos não narrados na denúncia –
tal como descrito no enunciado - não só estaria substituindo-se ao acusador (a quem pertence a atribuição
de determinar quais fatos serão imputados aos acusados), mas também estaria violando as garantias do
contraditório e ampla defesa dos réus, uma vez que lhes teria subtraído a possibilidade de debater as
eventuais provas de tais fatos.
Por fim, para garantir a pontuação relativa ao item “C”, o examinando deverá responder que NÃO é possível
que o Tribunal de Justiça, ao analisar o recurso de apelação, proceda à mutatio libelli pois, nos termos do
verbete 453 da Súmula do STF, verbis: “não se aplicam à segunda instância o art. 384 (...).”.
Tal conclusão, no item “C”, decorre do reconhecimento de que, advindo inovação no contexto fático que
envolve a conduta imputada ao réu no curso da instrução, não pode haver julgamento com base nesse novo
contexto fático antes que as partes possam exercer o contraditório em sua plenitude.
Nessa esteira, cabe destacar que a sede própria do contraditório acerca dos fatos e das provas é o primeiro
grau de jurisdição, sob pena de supressão de instância. Tomadas essas duas premissas, alcança-se a
conclusão de que eventual modificação da definição jurídica do fato decorrente de elemento ou circunstância
da infração penal não contida na acusação não pode ser realizada diretamente pelo segundo grau de
jurisdição.

Distribuição dos Pontos:


Quesito Avaliado Valores
A) A hipótese é de mutatio libelli (0,35), instituto descrito no art. 384 do CPP (0,15). 0,00/0,15/0,35/0,50
B) Porque deve obediência aos princípios da imparcialidade e inércia da jurisdição OU Porque tal conduta
feriria o sistema/princípio acusatório.
OU
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Porque tal conduta feriria o princípio da correlação/congruência entre acusação e sentença. 0,00/0,50
C) Não, nos termos do verbete 453 da Súmula do STF (0,25).
OU
Não, pois nesse caso haveria supressão de instância. 0,00/0,25

QUESTÃO 3 – 2009-03

Júlio foi denunciado pela prática do delito de furto cometido em fevereiro de 2010. Encerrada a instrução
probatória, constatou-se, pelas provas testemunhais produzidas pela acusação, que Júlio praticara roubo,
dado o emprego de grave ameaça contra a vítima.
Em face dessa situação hipotética, responda, de forma fundamentada, às seguintes indagações.
a) Dada a nova definição jurídica do fato, que procedimento deve ser adotado pela autoridade
judicial, sem que se fira o princípio da ampla defesa?
b) O princípio da correlação é aplicável ao caso concreto?
c) Caso Júlio tivesse cometido crime de ação penal exclusivamente privada, dada a nova
definição jurídica do fato narrado na queixa após o fim da instrução probatória, seria aplicável
o instituto da mutatio libelli?

Gabarito Comentado
A primeira indagação deve ser respondida com base no art. 384 do CPP, que assim dispõe:
“Encerrada a instrução probatória, se entender cabível nova definição jurídica do fato, em consequência de
prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação, o
Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa, no prazo de 5 (cinco) dias, se em virtude desta
houver sido instaurado o processo em crime de ação pública, reduzindo-se a termo o aditamento, quando
feito oralmente. (...) § 4.º Havendo aditamento, cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas, no
prazo de 5 (cinco) dias, ficando o juiz, na sentença, adstrito aos termos do aditamento.”(Redação dada pela
Lei nº 11.719, de 2008)
Dessa forma, deverá o juiz dar aplicabilidade ao comando do art. 384, e parágrafos, do CPP, para
encaminhar os autos ao Ministério Público, a fim de que haja o aditamento da denúncia, propiciando ao réu
a oportunidade de se defender da nova capitulação do fato.
No que se refere à segunda indagação, deve-se responder que,segundo o princípio da correlação, deve
haver uma correlação entre o fato descrito na denúncia ou queixa e o fato pelo qual o réu é o condenado.
Aplica-se no processo em questão para explicar que o acusado não se defende da capitulação legal dada ao
crime na denúncia, mas sim dos fatos narrados na referida peça acusatória. (Nesse sentido:, Fernando
Capez. Curso de processo penal.16 ed., São Paulo: Saraiva, p. 465)
A resposta à terceira indagação deve ser negativa. O procedimento previsto no art. 384 do Código de
Processo Penal somente se aplica na hipótese de ação penal pública e ação penal privada subsidiária da
pública, sendo inadmissível o juiz determinar abertura de vista para o Ministério Público aditar a queixa e
ampliar a imputação, na ação penal exclusivamente privada, conforme clara redação do dispositivo:
“(...) o Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa, no prazo de 5 (cinco) dias, se em virtude
desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública (...).”

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5 CAPÍTULO V - RECURSOS

1) RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

QUESTÃO 4 – EXAME V OAB


João e Maria iniciaram uma paquera no Bar X na noite de 17 de janeiro de 2011. No dia 19 de janeiro do
corrente ano, o casal teve uma séria discussão, e Maria, nitidamente enciumada, investiu contra o carro de
João, que já não se encontrava em bom estado de conservação, com três exercícios de IPVA inadimplentes,
a saber: 2008, 2009 e 2010. Além disso, Maria proferiu diversos insultos contra João no dia de sua festa de
formatura, perante seu amigo Paulo, afirmando ser ele “covarde”, “corno” e “frouxo”. A requerimento de
João, os fatos foram registrados perante a Delegacia Policial, onde a testemunha foi ouvida. João comparece
ao seu escritório e contrata seus serviços profissionais, a fim de serem tomadas as medidas legais cabíveis.
Você, como profissional diligente, após verificar não ter passado o prazo decadencial, interpõe Queixa-Crime
ao juízo competente no dia 18/7/11.
O magistrado ao qual foi distribuída a peça processual profere decisão rejeitando-a, afirmando tratar-se de
clara Decadência, confundindo-se com relação à contagem do prazo legal. A decisão foi publicada dia 25 de
julho de 2011.
Com base somente nas informações acima, responda:
a) Qual é o recurso cabível contra essa decisão? (0,30)
b) Qual é o prazo para a interposição do recurso? (0,30)
c) A quem deve ser endereçado o recurso? (0,30)
d) Qual é a tese defendida? (0,35)

GABARITO COMENTADO
a) Como se trata de crime de menor potencial ofensivo, o recurso cabível é Apelação, de acordo com o
artigo 82 da Lei 9099/95.

Vale lembrar que a qualificadora do art. 163, parágrafo único, IV, do CP, relativa ao motivo egoístico do
crime de dano, caracteriza-se apenas quando o agente pretende obter satisfação econômica ou moral.
Assim, a conduta de Maria, motivada por ciúme, não se enquadra na hipótese e configura a modalidade
simples do delito de dano (art. 163, caput). Cabe ainda destacar que não houve prejuízo considerável a
João, já que o carro danificado estava em mau estado de conservação, o que afasta definitivamente a
qualificadora tipificada no art. 163, parágrafo único, IV, do CP. Assim, o concurso material entre o crime
patrimonial e a injúria não ultrapassa o patamar máximo e 2 anos, que define os crimes de menor potencial
ofensivo e a competência dos Juizados Especiais Criminais, sendo cabível, portanto, apelação (art. 82 da Lei
9.099/95).

b) 10 dias, de acordo com o §1º do artigo 82 da Lei 9099/95;

c) Turma Recursal, consoante art. 82 da Lei 9099/95;

d) O prazo para interposição da queixa-crime é de seis meses a contar da data do fato, conforme previu o
artigo 38 do CPP. Trata-se de prazo decadencial, isto é, prazo de natureza material, devendo ser contado de
acordo com o disposto no artigo 10 do CP – inclui-se o primeiro dia e exclui-se o último.

Distribuição dos Pontos


Item Pontuação
a) Apelação. 0 / 0,3
b) 10 dias. 0 / 0,3
c) Turma Recursal. 0 / 0,3
d) O juiz contou de forma equivocada o prazo 0 / 0,35
decadencial.

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XI EXAME OAB – PEÇA PRÁTICA


Jerusa, atrasada para importante compromisso profissional, dirige seu carro bastante preocupada, mas
respeitando os limites de velocidade. Em uma via de mão dupla, Jerusa decide ultrapassar o carro à sua
frente, o qual estava abaixo da velocidade permitida. Para realizar a referida manobra, entretanto, Jerusa
não liga a respectiva seta luminosa sinalizadora do veículo e, no momento da ultrapassagem, vem a atingir
Diogo, motociclista que, em alta velocidade, conduzia sua moto no sentido oposto da via. Não obstante a
presteza no socorro que veio após o chamado da própria Jerusa e das demais testemunhas, Diogo falece em
razão dos ferimentos sofridos pela colisão.
Instaurado o respectivo inquérito policial, após o curso das investigações, o Ministério Público decide
oferecer denúncia contra Jerusa, imputando-lhe a prática do delito de homicídio doloso simples, na
modalidade dolo eventual (Art. 121 c/c Art. 18, I parte final, ambos do CP). Argumentou o ilustre membro
do Parquet a imprevisão de Jerusa acerca do resultado que poderia causar ao não ligar a seta do veículo
para realizar a ultrapassagem, além de não atentar para o trânsito em sentido contrário. A denúncia foi
recebida pelo juiz competente e todos os atos processuais exigidos em lei foram regularmente praticados.
Finda a instrução probatória, o juiz competente, em decisão devidamente fundamentada, decidiu pronunciar
Jerusa pelo crime apontado na inicial acusatória. O advogado de Jerusa é intimado da referida decisão em
02 de agosto de 2013 (sexta-feira).
Atento ao caso apresentado e tendo como base apenas os elementos fornecidos, elabore o recurso cabível e
date-o com o último dia do prazo para a interposição.
A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não pontua.

Gabarito comentado

O examinando deverá elaborar um recurso em sentido estrito com fundamento no Art. 581, IV do CPP.
A petição de interposição deverá ser endereçada ao Juiz da Vara Criminal do Tribunal do Júri.
Deverá, o examinando, na própria petição de interposição, formular pedido de retratação (ou requerer o
efeito regressivo/iterativo), com fundamento no Art. 589, do CPP.
Caso não seja feita petição de interposição, haverá desconto no item relativo à estrutura da peça, além
daqueles relativos aos itens de referida petição.
As razões do recurso deverão ser endereçadas ao Tribunal de Justiça.
No mérito, o examinando deve alegar que Jerusa não agiu com dolo e sim com culpa. Isso porque o dolo
eventual exige, além da previsão do resultado, que o agente assuma o risco pela ocorrência do mesmo, nos
termos do Art. 18, I (parte final) do CP, que adotou, em relação ao dolo eventual, a teoria do
consentimento. Nesse sentido, a conduta de Jerusa amolda-se àquela descrita no Art. 302 do CTB, razão
pela qual ela deve responder pela prática, apenas, de homicídio culposo na direção de veículo automotor.
Em consequência, não havendo crime doloso contra a vida, o Tribunal do Júri não é competente para
apreciar a questão, razão pela qual deve ocorrer a desclassificação, nos termos do Art. 419, do CPP.
Ao final, o examinando deverá elaborar pedido de desclassificação do delito de homicídio simples doloso,
para o delito de homicídio culposo na direção de veículo automotor (Art. 302 do CTB).
Levando em conta o comando da questão, que determina datar as peças com o último dia do prazo cabível
para a interposição, ambas as petições (interposição e razões do recurso) deverão ser datadas do dia
09/08/2013.

QUESTÃO 3 - IX EXAME OAB


Mário está sendo processado por tentativa de homicídio uma vez que injetou substância venenosa em
Luciano, com o objetivo de matá-lo. No curso do processo, uma amostra da referida substância foi recolhida
para análise e enviada ao Instituto de Criminalística, ficando comprovado que, pelas condições de
armazenamento e acondicionamento, a substância não fora hábil para produzir os efeitos a que estava
destinada. Mesmo assim, arguindo que o magistrado não estava adstrito ao laudo, o Ministério Público
pugnou pela pronúncia de Mário nos exatos termos da denúncia. Com base apenas nos fatos apresentados,
responda justificadamente.
A) O magistrado deveria pronunciar Mário, impronunciá-lo ou absolvê-lo sumariamente? (Valor: 0,65)
B) Caso Mário fosse pronunciado, qual seria o recurso cabível, o prazo de interposição e a quem deveria ser
endereçado? (Valor: 0,60)

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PROCESSO PENAL OAB
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Gabarito comentado
A) Deveria absolvê-lo sumariamente, por força do Art. 415, III, do CPP. O caso narrado não constitui crime,
sendo hipótese de crime impossível.
B) É cabível recurso em sentido estrito (Art. 581, IV, do CPP); deve ser interposto no prazo de cinco dias
(Art. 586 CPP); a petição de interposição deve ser endereçada ao juiz a quo e as razões deverão ser
endereçadas ao Tribunal de Justiça.

Distribuição dos Pontos


A1) Deveria absolvê-lo sumariamente, por força do Art. 415, III, do CPP (0,35).
Obs.: a mera indicação de artigo não pontua. 0,00/0,35
A2) A hipótese é de crime impossível (0,30). 0,00/0,30
B1) Recurso em sentido estrito (Art. 581, IV do CPP) (0,15); 0,00/0,15
B2) deve ser interposto em 5 dias (Art. 586, do CPP) (0,15); 0,00/0,15
B3) a petição de interposição deve ser endereçada ao juiz a quo (0,15) e as razões deverão ser endereçadas
ao Tribunal de Justiça (0,15).
0,00/0,15/0,30

QUESTÃO 4 - 2010-03
Caio, professor do curso de segurança no trânsito, motorista extremamente qualificado, guiava seu
automóvel tendo Madalena, sua namorada, no banco do carona. Durante o trajeto, o casal começa a discutir
asperamente, o que faz com que Caio empreenda altíssima velocidade ao automóvel. Muito assustada,
Madalena pede insistentemente para Caio reduzir a marcha do veículo, pois àquela velocidade não seria
possível controlar o automóvel. Caio, entretanto, respondeu aos pedidos dizendo ser perito em direção e
refutando qualquer possibilidade de perder o controle do carro. Todavia, o automóvel atinge um buraco e,
em razão da velocidade empreendida, acaba se desgovernando, vindo a atropelar três pessoas que estavam
na calçada, vitimando-as fatalmente. Realizada perícia de local, que constatou o excesso de velocidade, e
ouvidos Caio e Madalena, que relataram à autoridade policial o diálogo travado entre o casal, Caio foi
denunciado pelo Ministério Público pela prática do crime de homicídio na modalidade de dolo eventual, três
vezes em concurso formal. Recebida a denúncia pelo magistrado da vara criminal vinculada ao Tribunal do
Júri da localidade e colhida a prova, o Ministério Público pugnou pela pronúncia de Caio, nos exatos termos
da inicial.
Na qualidade de advogado de Caio, chamado aos debates orais, responda aos itens a seguir, empregando os
argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso.
a) Qual(is) argumento(s) poderia(m) ser deduzidos em favor de seu constituinte? (Valor: 0,4)
b) Qual pedido deveria ser realizado? (Valor: 0,3)
c) Caso Caio fosse pronunciado, qual recurso poderia ser interposto e a quem a peça de interposição deveria
ser dirigida? (Valor: 0,3)

GABARITO COMENTADO
a) Incompetência do juízo, uma vez que Caio praticou homicídio culposo, pois agiu com culpa consciente, na
medida em que, embora tenha previsto o resultado, acreditou que o evento não fosse ocorrer em razão de
sua perícia.
b) Desclassificação da imputação para homicídio culposo e declínio de competência, conforme previsão do
artigo 419 do CPP.
c) Recurso em sentido estrito, conforme previsão do artigo 581, IV, do CPP. A peça de interposição deveria
ser dirigida ao juiz de direito da vara criminal vinculada ao tribunal do júri, prolator da decisão atacada.

Em relação à correção, levou-se em conta o seguinte critério de pontuação: Item Pontuação

a) Incompetência do juízo, uma vez que Caio praticou homicídio culposo (0,2), pois agiu com culpa
consciente, na medida em que, embora tenha previsto o resultado, acreditou que o evento não fosse ocorrer
em razão de sua perícia (0,2) 0 / 0,2 / 0,4

b) Desclassificação da imputação para homicídio culposo OU declínio de competência (0,15), conforme


previsão do artigo 419 do CPP (0,15). 0 / 0,15 /
0,3
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PROCESSO PENAL OAB
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c) Recurso em sentido estrito (0,15), conforme previsão do artigo 581, IV, do CPP. A peça de interposição
deveria ser dirigida ao juiz de direito da vara criminal vinculada ao tribunal do júri (0,15), prolator da decisão
atacada. 0 / 0,15 / 0,3

QUESTÃO 03 – OAB – 2010-02


Pedro, almejando a morte de José, contra ele efetua disparo de arma de fogo, acertando-o na região
toráxica. José vem a falecer, entretanto, não em razão do disparo recebido, mas porque, com intenção
suicida, havia ingerido dose letal de veneno momentos antes de sofrer a agressão, o que foi comprovado
durante instrução processual. Ainda assim, Pedro foi pronunciado nos termos do previsto no artigo 121,
“caput”, do Código Penal.
Na condição de Advogado de Pedro:
I. Indique o recurso cabível;
II. O prazo de interposição;
III. A argumentação visando à melhoria da situação jurídica do defendido.
Indique, ainda, para todas as respostas, os respectivos dispositivos legais.

GABARITO COMENTADO
I – Recurso em sentido estrito, nos termos do artigo 581, IV, do Código de Processo Penal. (0,2)
II – 5 dias, nos termos do artigo 586, do Código de Processo Penal. (0,2)
III – deveria ser requerida a desclassificação do crime consumado para tentado, já que a ação de Pedro não
deu origem a morte de José. Trata-se de hipótese de concausa absolutamente independente pré-existente.
(0,4)
Artigo 13 do Código Penal. (0,2)
Distribuição dos pontos
Recurso em sentido estrito (art. 581, IV, CPP) 0/0,2
5 dias (art. 586, CPP)
0/0,2
Consumado para tentado (art. 13 CP)
0/0,2/0,4/0,6

QUESTÃO 1 – 2009-02
Edson, condenado à pena de 8 anos de reclusão pela prática do crime de atentado violento ao pudor contra
sua genitora, e seu defensor foram intimados da sentença em 8/5/2009, sexta-feira. Inconformada com a
sentença, a defesa interpôs recurso de apelação em 15/5/2009, antes do final do expediente forense. O juiz,
contudo, alegando intempestividade do apelo, não recebeu o recurso, tendo sido essa decisão publicada em
1.//6/2009, segunda-feira, data em que Edson e seu advogado compareceram em juízo e tomaram ciência
da denegação.
Considerando a situação hipotética apresentada, esclareça, de forma fundamentada, com a indicação dos
dispositivos legais pertinentes, se o juiz agiu corretamente ao denegar a apelação e se o Código de Processo
Penal prevê algum recurso contra a decisão proferida. Em caso afirmativo, indique o recurso cabível e o
último dia do prazo para sua interposição.

GABARITO COMENTADO
O juiz não agiu corretamente ao denegar a apelação visto que o recurso era tempestivo. O art. 593 do CPP
dispõe que “caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: I – das sentenças definitivas de condenação ou
absolvição proferidas por juiz singular”. Por seu turno, o art. 798 do CPP prevê que “todos os prazos
correrão em cartório e serão contínuos e peremptórios, não se interrompendo por férias, domingo ou dia
feriado”. O §1.º do citado artigo dispõe que “não se computará no prazo o dia do começo, incluindo-se,
porém, o do vencimento”.

Desse modo, intimados da sentença em 8/5/2009, sexta-feira, o prazo para apelação começaria a contar na
segunda-feira seguinte, 11/5/2009, e se encerraria em 15/5/2009, sexta-feira.
É previsto recurso em sentido estrito. O Código de Processo Penal, no artigo 581 prevê que “caberá recurso,
no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença: XV – que denegar a apelação ou a julgar deserta”.

237
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

Sendo cabível o recurso em sentido estrito (art. 581, XV, do CPP), o prazo de interposição será de 5 dias,
nos termos do art. 586 do CPP (“o recurso voluntário poderá ser interposto no prazo de 5 (cinco) dias”).
Assim, tendo sido o sentenciado e sua defesa intimados da decisão que denegou a apelação no dia 1.o de
junho de 2009 (segunda-feira), o último dia do prazo para a interposição do recurso seria 8 de junho de
2009 (segunda-feira).
Importante registrar que, apesar de os 5 dias terminarem em um sábado, o art. 798 do CPP dispõe que
“todos os prazos correrão em cartório e serão contínuos e peremptórios, não se interrompendo por férias,
domingo ou dia feriado”. O §3.º do citado artigo dispõe que “o prazo que terminar em domingo ou dia
feriado considerar-se-á prorrogado até o dia útil imediato”.

238
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

2) APELAÇÃO

PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL XXII EXAME


Desejando comprar um novo carro, Leonardo, jovem com 19 anos, decidiu praticar um crime de roubo em
um estabelecimento comercial, com a intenção de subtrair o dinheiro constante do caixa. Narrou o plano
criminoso para Roberto, seu vizinho, mas este se recusou a contribuir. Leonardo decidiu, então, praticar o
delito sozinho. Dirigiu-se ao estabelecimento comercial, nele ingressou e, no momento em que restava
apenas um cliente, simulou portar arma de fogo e o ameaçou de morte, o que fez com ele saísse, já que a
intenção de Leonardo era apenas a de subtrair bens do estabelecimento. Leonardo, em seguida, consegue
acesso ao caixa onde fica guardado o dinheiro, mas, antes de subtrair qualquer quantia, verifica que o único
funcionário que estava trabalhando no horário era um senhor que utilizava cadeiras de rodas. Arrependido,
antes mesmo de ser notada sua presença pelo funcionário, deixa o local sem nada subtrair, mas, já do lado
de fora da loja, é surpreendido por policiais militares. Estes realizam a abordagem, verificam que não havia
qualquer arma com Leonardo e esclarecem que Roberto narrara o plano criminoso do vizinho para a Polícia.
Tomando conhecimento dos fatos, o Ministério Público requereu a conversão da prisão em flagrante em
preventiva e denunciou Leonardo como incurso nas sanções penais do Art. 157, § 2º, inciso I, c/c o Art. 14,
inciso II, ambos do Código Penal. Após decisão do magistrado competente, qual seja, o da 1ª Vara Criminal
de Belo Horizonte/MG, de conversão da prisão e recebimento da denúncia, o processo teve seu
prosseguimento regular. O homem que fora ameaçado nunca foi ouvido em juízo, pois não foi localizado, e,
na data dos fatos, demonstrou não ter interesse em ver Leonardo responsabilizado. Em seu interrogatório,
Leonardo confirma integralmente os fatos, inclusive destacando que se arrependeu do crime que pretendia
praticar. Constavam no processo a Folha de Antecedentes Criminais do acusado sem qualquer anotação e a
Folha de Antecedentes Infracionais, ostentando uma representação pela prática de ato infracional análogo
ao crime de tráfico, com decisão definitiva de procedência da ação socioeducativa. O magistrado concedeu
prazo para as partes se manifestarem em alegações finais por memoriais. O Ministério Público requereu a
condenação nos termos da denúncia. O advogado de Leonardo, contudo, renunciou aos poderes, razão pela
qual, de imediato, o magistrado abriu vista para a Defensoria Pública apresentar alegações finais. Em
sentença, o juiz julgou procedente a pretensão punitiva estatal. No momento de fixar a pena-base,
reconheceu a existência de maus antecedentes em razão da representação julgada procedente em face de
Leonardo enquanto era inimputável, aumentando a pena em 06 meses de reclusão. Não foram reconhecidas
agravantes ou atenuantes. Na terceira fase, incrementou o magistrado em 1/3 a pena, justificando ser
desnecessária a apreensão de arma de fogo, bastando a simulação de porte do material diante do temor
causado à vítima. Com a redução de 1/3 pela modalidade tentada, a pena final ficou acomodada em 4
(quatro) anos de reclusão. O regime inicial de cumprimento de pena foi o fechado, justificando o magistrado
que o crime de roubo é extremamente grave e que atemoriza os cidadãos de Belo Horizonte todos os dias.
Intimado, o Ministério Público apenas tomou ciência da decisão. A irmã de Leonardo o procura para, na
condição de advogado, adotar as medidas cabíveis. Constituída nos autos, a intimação da sentença pela
defesa ocorreu em 08 de maio de 2017, segunda-feira, sendo terça-feira dia útil em todo o país. Com base
nas informações expostas acima e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a peça cabível,
excluída a possibilidade de habeas corpus, no último dia do prazo para interposição, sustentando todas as
teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5,00)
Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à
pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação.
Gabarito Comentado
O candidato deve elaborar, na condição de advogado, um Recurso de Apelação, com fundamento no Art.
593, inciso I, do Código de Processo Penal. Em um primeiro momento, deve ser redigida a petição de
interposição do recurso, direcionada ao Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte/MG,
requerendo o encaminhamento do feito para instância superior. A petição de interposição deve ser
devidamente datada, contendo as expressões “assinatura” e “número da OAB”. Posteriormente, devem ser
apresentadas as respectivas razões recursais, peça essa endereçada diretamente ao Tribunal de Justiça do
Estado de Minas Gerais. No conteúdo das Razões Recursais, preliminarmente, deveria o advogado alegar a
nulidade da sentença, devendo os atos desde a apresentação das alegações finais pela defesa serem
anulados. Isso porque Leonardo tinha advogado constituído nos autos que veio a renunciar. Diante disso,
deveria o magistrado intimar o réu, que estava preso, para informar se tinha interesse em constituir novo

239
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

advogado ou ser assistido pela Defensoria Pública. A decisão do juiz de, de imediato, encaminhar os autos
para Defensoria Pública viola o princípio da ampla defesa na vertente da defesa técnica. Certamente houve
prejuízo, pois as Alegações Finais foram apresentadas sem qualquer contato do Defensor com o acusado e
este foi condenado. Superada a preliminar, no mérito deve o advogado requerer a absolvição de Leonardo
com fundamento na desistência voluntária. Prevê o Art. 15 do Código Penal que o agente que,
voluntariamente, desistir de prosseguir na execução só responde pelos atos já praticados. A desistência
voluntária não se confunde com a tentativa. Nesta, o agente inicia atos de execução, mas não consuma o
crime por circunstâncias alheias à sua vontade. Naquela, por sua vez, o agente tem possibilidade de
prosseguir na empreitada criminosa, mas antes de esgotar todos os meios que tem à sua disposição, desiste
voluntariamente de prosseguir e consumar o delito. A particularidade da desistência voluntária é que ela é
uma chamada “ponte de ouro” de volta para legalidade, pois o agente somente responderá pelos atos já
praticados e não pela tentativa do crime que pretendia cometer originariamente. No caso, claramente
Leonardo poderia prosseguir na empreitada criminosa, mas optou por desistir. Iniciada a execução, teve
acesso ao caixa do estabelecimento comercial contendo dinheiro, mas, ao verificar que o funcionário do local
possuía dificuldades de locomoção, se arrependeu e abandonou a empreitada criminosa. Leonardo nem
mesmo tinha sido visto pelo funcionário, logo poderia prosseguir. Restaria, apenas, os atos já praticados, no
caso uma ameaça ao cliente que estava no local. Ocorre que o crime de ameaça é de ação penal pública
condicionada à representação e como esta nunca ocorreu, não poderia Leonardo ser por este delito
condenado neste momento. Diante do exposto, Leonardo deve ser absolvido do roubo que lhe foi imputado.
Com base na eventualidade, em sendo mantida a condenação, deve o examinando, como advogado,
requerer revisão da dosimetria da pena. Em um primeiro momento, deve requerer a aplicação da pena base
em seu mínimo legal. A existência de representação pela prática de ato infracional não justifica o
reconhecimento de maus antecedentes, pois a punição de Leonardo quando inimputável não pode prejudica-
lo penalmente, gerando o aumento de sua pena. Na segunda fase, deve ser considerada a atenuante da
menoridade relativa, pois Leonardo era menor de 21 anos na data dos fatos, assim como a atenuante da
confissão, nos termos dos Artigos 65, inciso I e inciso III, alínea d, CP.
Na terceira fase, o advogado deve pleitear o afastamento da causa de aumento pelo emprego de arma de
fogo, tendo em vista que não há prova de sua utilização. O enunciado apenas narra que o agente simulou
estar portando arma de fogo, sendo certo que a vítima nem mesmo foi ouvida e não foi apreendida qualquer
arma de fogo com o mesmo. O objetivo do legislador ao prever a punição mais severa em caso de emprego
de arma foi que a integridade física da vítima é colocada em maior risco. A simulação de porte de arma,
contudo, não traz este incremento do risco, além de nem mesmo se adequar ao princípio da legalidade, já
que não houve prova de emprego de arma de fogo, mas tão só Leonardo simulou estar armado para
configurar a grave ameaça. Deve, ainda, o examinando requerer a redução máxima da tentativa, o que
permitiria aplicação do sursis da pena. Por fim, deve requerer a aplicação do regime aberto ou semiaberto a
depender da pena aplicada, pois a fundamentação do magistrado para aplicação do regime fechado foi
insuficiente. Nos termos dos Enunciados 718 e 719 da Súmula de Jurisprudência do STF (ou 440, STJ), a
gravidade em abstrato do crime não justifica o reconhecimento de regime inicial de cumprimento de pena
mais severo do que aquele de acordo com a pena aplicada. Por fim, deve o advogado pleitear o provimento
do recurso, com consequente expedição do alvará de soltura. Em relação ao prazo, deve a peça ser datada
em 15 de maio de 2017, tendo em vista que o prazo para apelação é de 05 dias, mas o dia 13 de maio de
2017 é um sábado, logo o prazo é prorrogado para segunda-feira.
Tabela de Pontos
ITEM PONTUAÇÃO
Petição de interposição

1) Endereçamento correto: Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca de Belo 0,00/0,10


Horizonte-MG (0,10).

2) Fundamentação legal: Art. 593, inciso I, do CPP (0,10). 0,00/0,10

Razões de apelação

3) Endereçamento correto: Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais 0,00/0,10

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Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

(0,10).

4) Preliminarmente: Nulidade da sentença ou de todos os atos processuais 0,00/0,15/0,25/0,40


desde as alegações finais apresentadas pela Defensoria Pública (0,25),
tendo em vista que não houve intimação do réu para manifestar interesse
em indicar novo advogado OU tendo em vista que houve prejuízo para
ampla defesa (0,15).

5) No mérito: absolvição de Leonardo OU desclassificação para o delito de 0,00/0,40


ameaça com consequente reconhecimento da decadência (0,40)

5.1) Houve desistência voluntária (0,80), nos termos do Art. 15 do CP 0,00/0,80/0,90


(0,10)

5.2) Leonardo deve responder apenas pelos atos já praticados OU não 0,00/0,45
deve responder pela tentativa (0,45).

6) Subsidiariamente: a pena base deve ser fixada no mínimo legal (0,20), 0,00/0,15/0,20/0,35
pois a existência de ação socioeducativa julgada procedente não justifica o
reconhecimento de maus antecedentes (0,15)

7) Reconhecimento da atenuante da menoridade relativa (0,15), nos 0,00 / 0,15 / 0,25


termos do Art. 65, inciso I, do CP (0,10).

8) Reconhecimento da atenuante da confissão (0,15), nos termos do Art. 0,00/0,15/0,25


65, inciso III, alínea d, do CP (0,10)

9) Afastamento da causa de aumento do Art. 157, §2º, inciso I, do CP 0,00/0,20/0,30/0,50


(0,30), pois houve apenas simulação de porte de arma de fogo, sem
incremento do potencial lesivo OU pois não existe prova do emprego de
arma de fogo (0,20).

10) Redução da tentativa em seu patamar máximo (0,10), permitindo 0,00/0,05/0,10/0,15


aplicação da suspensão condicional da pena (0,05)

11) Aplicação do regime inicial semiaberto ou aberto do cumprimento de 0,00/0,15/0,20/0,25/


pena (0,20), pois a gravidade em abstrato não justifica regime de pena 0,30/0,35/0,45
mais severo OU a fixação de regime de cumprimento mais severo exige
motivação concreta (0,15), nos termos da Súmula 718/STF OU 719/STF OU
440/STJ (0,10).

12) Pedido de provimento do recurso (0,30), com expedição de alvará de 0,00/0,10/0,30/0,40


soltura (0,10).

13) Prazo: 15 de maio de 2017 (0,10). 0,00/0,10

14) Fechamento: aposição de local, data, assinatura e OAB (0,10). 0,00/0,10

PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL XVIII EXAME


Durante o carnaval do ano de 2015, no mês de fevereiro, a família de Joana resolveu viajar para comemorar
o feriado, enquanto Joana, de 19 anos, decidiu ficar em sua residência, na cidade de Natal, sozinha, para
colocar os estudos da faculdade em dia. Tendo conhecimento dessa situação, Caio, vizinho de Joana,
nascido em 25 de março de 1994, foi até o local, entrou sorrateiramente no quarto de Joana e, mediante
grave ameaça, obrigou-a a praticar com ele conjunção carnal e outros atos libidinosos diversos, deixando o

241
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

local após os fatos e exigindo que a vítima não contasse sobre o ocorrido para qualquer pessoa. Apesar de
temerosa e envergonhada, Joana contou o ocorrido para sua mãe. A seguir, as duas compareceram à
Delegacia e a vítima ofertou representação. Caio, então, foi denunciado pela prática como incurso nas
sanções penais do Art. 213 do Código Penal, por duas vezes, na forma do Art. 71 do Estatuto Repressivo.
Durante a instrução, foi ouvida a vítima, testemunhas de acusação e o réu confessou os fatos. Foi, ainda,
juntado laudo de exame de conjunção carnal confirmando a prática de ato sexual violento recente com
Joana e a Folha de Antecedentes Criminais (FAC) do acusado, que indicava a existência de duas
condenações, embora nenhuma delas com trânsito em julgado. Em alegações finais, o Ministério Público
requereu a condenação de Caio nos termos da denúncia, enquanto a defesa buscou apenas a aplicação da
pena no mínimo legal. No dia 25 de junho de 2015 foi proferida sentença pelo juízo competente, qual seja a
1ª Vara Criminal da Comarca de Natal, condenando Caio à pena privativa de liberdade de 10 anos e 06
meses de reclusão, a ser cumprida em regime inicial fechado. Na sentença consta que a pena base de cada
um dos crimes deve ser aumentada em seis meses pelo fato de Caio possuir maus antecedentes, já que
ostenta em sua FAC duas condenações pela prática de crimes, e mais 06 meses pelo fato de o acusado ter
desrespeitado a liberdade sexual da mulher, um dos valores mais significativos da sociedade, restando a
sanção penal da primeira fase em 07 anos de reclusão, para cada um dos delitos. Na segunda fase, não
foram reconhecidas atenuantes ou agravantes. Afirmou o magistrado que atualmente é o réu maior de 21
anos, logo não estaria presente a atenuante do Art. 65, inciso I, do CP. Ao analisar o concurso de crimes, o
magistrado considerou a pena de um dos delitos, já que eram iguais, e aumentou de 1/2 (metade), na
forma do Art. 71 do CP, justificando o acréscimo no fato de ambos os crimes praticados serem
extremamente graves. Por fim, o regime inicial para o cumprimento da pena foi o fechado, justificando que,
independente da pena aplicada, este seria o regime obrigatório, nos termos do Art. 2º, § 1º, da Lei nº
8.072/90. Apesar da condenação, como Caio respondeu ao processo em liberdade, o juiz concedeu a ele o
direito de aguardar o trânsito em julgado da mesma forma. Caio e sua família o (a) procuram para, na
condição de advogado (a), adotar as medidas cabíveis, destacando que estão insatisfeitos com o patrono
anterior. Constituído nos autos, a intimação da sentença ocorreu em 07 de julho de 2015, terçafeira, sendo
quarta-feira dia útil em todo o país. Com base nas informações acima expostas e naquelas que podem ser
inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de Habeas Corpus, no último dia
do prazo para interposição, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5.00 pontos)
Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere
pontuação.
GABARITO COMENTADO
O candidato deve elaborar, na condição de advogado, um Recurso de Apelação, com fundamento no Art.
593, inciso I, do Código de Processo Penal.
Em um primeiro momento, deve ser redigida a petição de interposição do recurso, direcionada ao Juízo da
1ª Vara Criminal da Comarca de Natal/RN, requerendo o encaminhamento do feito para instância superior. A
petição de interposição deve constar o local, estar devidamente datada, contendo as expressões “assinatura”
e “número da OAB”. Posteriormente, devem ser apresentadas as respectivas razões recursais, peça essa
endereçada diretamente ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte. No conteúdo das Razões
Recursais, não haveria necessidade de o examinando pleitear a absolvição de Caio, tendo em vista que os
fatos foram provados, assim como houve confissão em juízo dos mesmos por parte do réu em seu
interrogatório. Contudo, existem questões técnicas, envolvendo o mérito, que devem ser alegadas pelo
advogado de modo a reduzir a pena aplicada ao agente, sendo certo que houve alguns equívocos por parte
do magistrado no momento de elaborar a sentença.
Inicialmente, deve o advogado alegar que a conduta de Caio, no caso concreto, configura um único crime de
estupro e não dois crimes em concurso. Desde 2009, com a edição da Lei nº 12.015, a conduta que era
prevista como crime autônomo de atentado violento ao pudor passou a ser abrangida pelo tipo penal
previsto no Art. 213 do Código Penal. Hoje, responde pelo crime de estupro aquele que constrange alguém,
mediante violência ou grave ameaça, a praticar conjunção carnal ou outro ato libidinoso diverso. A
jurisprudência entende que, de acordo com a nova redação, o Art. 213 do CP passou a prever um tipo misto
alternativo. Assim, quando praticada conjunção carnal e outro ato libidinoso diverso em um mesmo contexto
e contra a mesma vítima, como exatamente ocorreu no caso concreto narrado, haveria crime único. Dessa
forma, deveria o advogado de Caio requerer, em suas razões, o afastamento do concurso de crimes, com o
consequente reconhecimento de crime único de estupro, pois a conjunção carnal e os demais atos

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PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

libidinosos foram praticados em um mesmo contexto fático. Ademais, deve o advogado requerer que seja
refeita a dosimetria da pena, pois contém uma série de incorreções. Primeiramente, deve ser requerida a
fixação da pena base no mínimo legal. A fundamentação do magistrado para incrementar a pena base pela
existência de maus antecedentes foi inadequada, pois as ações penais em curso não podem justificar o
reconhecimento prejudicial desta circunstância judicial, nos termos do Enunciado 444 da Súmula de
Jurisprudência do STJ, sob pena de violação do princípio da presunção de inocência. O fato de existirem
sentenças condenatórias não afasta o que foi aqui defendido, tendo em vista que estas não são definitivas,
não ostentando trânsito em julgado. Ademais, o aumento pelo fato de o acusado ter desrespeitado a
liberdade sexual da vítima também deve ser afastado, tendo em vista que é inerente ao tipo penal.
Na segunda fase, deve ser reconhecida a atenuante da confissão espontânea, na forma do Art. 65, inciso
III, alínea ‘d’ do Código Penal. Além disso, incorreto o magistrado ao afirmar que não aplicaria a atenuante
da menoridade relativa pelo fato do réu, hoje, ser maior de 21 anos. O que deve ser considerado é a data
do fato e não da sentença. Em caso de ser mantida a decisão pela existência de dois crimes de estupro em
concurso, subsidiariamente deve o advogado pleitear a redução do quantum de aumento pela continuidade
delitiva. Isso porque o magistrado aplicou o aumento de metade (1/2) em razão da gravidade dos delitos
praticados. Ocorre que é pacífico o entendimento doutrinário e jurisprudencial no sentido de que a fração a
ser adotada pelo concurso de crimes deverá considerar o número de delitos praticados e não outros critérios
em abstrato. No caso, foram dois os crimes de estupro, no entendimento do magistrado, logo o aumento de
pena pela aplicação do Art. 71 do CP deveria ser de 1/6, ou seja, do mínimo legal.
Por fim, em sendo reduzida a pena aplicada para até 08 anos, o regime aplicado deveria ser o semiaberto.
Apesar de o crime de estupro, de fato, ser hediondo, o Supremo Tribunal Federal, em sede de controle
difuso de constitucionalidade, reiteradamente vem decidindo que é inconstitucional a imposição em abstrato
de regime inicial fechado trazida pelo Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90, devendo o magistrado justificar o
regime aplicado com base em fatores concretos.
Diante do exposto, deve o examinando formular os seguintes pedidos:
a) reconhecimento do crime único de estupro;
b) aplicação da pena base no mínimo legal;
c) reconhecimento das atenuantes da confissão e da menoridade relativa;
d) em caso de manutenção da condenação pela prática de dois crimes de estupro em continuidade, redução
da fração de aumento do Art. 71 do CP para o mínimo legal;
e) aplicação de regime semiaberto.
O prazo a ser indicado é o dia 13 de julho de 2015. O prazo para interposição de apelação é de 05 dias.
Ocorre que o dia 12 de julho é domingo, logo o prazo é prorrogado para segunda-feira, dia 13.07.2015.
Obs.: a falta de data em qualquer uma das peças implicará na perda de pontos pela estrutura; a colocação
de datas diferentes nas peças implicará na perda dos pontos relativos ao item “prazo”, pois a questão exige
uma única data.

DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS


Petição de interposição
1)Endereçamento correto: 1ª Vara Criminal da Comarca de Natal/RN (0,10)
2)Fundamento legal para petição de interposição: Art. 593, inciso I, do CPP. (0,10)
Razões de apelação
3)Endereçamento correto: Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte (0,10)
4)Desenvolvimento jurídico acerca da necessidade de reforma da decisão. (0,30)
5)Afastar o concurso de crimes, com o reconhecimento de um crime único de estupro (1,0), tendo em vista
que o Art. 213 do CP traz um tipo misto alternativo OU tendo em vista que os atos foram praticados em um
mesmo contexto e contra a mesma vítima (0,35).

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PROCESSO PENAL OAB
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6)Afastar o aumento da pena base pelo reconhecimento de maus antecedentes, pois ações penais em curso
não funcionam como circunstância judicial desfavorável (0,25), na forma da Súmula 444 do STJ OU em face
do princípio da presunção de inocência (0,10).
7)Afastar o aumento da pena base pela violação da liberdade sexual da mulher, tendo em vista que é
inerente ao tipo. (0,20).
8)Reconhecimento da atenuante da menoridade relativa (0,20), na forma do Art. 65, inciso I, do CP. (0,10).
9)Reconhecimento da atenuante da confissão espontânea (0,20), na forma do Art. 65, inciso III, alínea d, do
CP (0,10).
10)Subsidiariamente, em caso de manutenção da condenação por dois crimes de estupro, redução do
quantum de aumento pelo concurso de crimes para o mínimo legal (0,20), pois o critério a ser adotado é o
número de delitos e não sua gravidade em abstrato (0,15).
11)Fixação do regime semiaberto (0,30), pois a imposição trazida pelo Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072 é
inconstitucional OU viola o princípio da individualização da pena (0,15).
12.1)Pedidos: provimento do recurso (0,30).
12.2)Reconhecimento de crime único de estupro (0,10); aplicação da pena base no mínimo legal (0,10);
reconhecimento da atenuante da confissão (0,10) e da menoridade relativa (0,10); subsidiariamente,
redução do quantum de aumento pelo concurso de crimes (0,10); e fixação do regime semiaberto (0,10).
13)Prazo: 13 de julho de 2015 (0,10). 0,00 / 0,10
14)Estrutura – duas petições (interposição e razões); aposição de local, data, assinatura e OAB (0,10).

PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL IV EXAME OAB


Tício foi denunciado e processado, na 1ª Vara Criminal da Comarca do Município X, pela prática de roubo
qualificado em decorrência do emprego de arma de fogo. Ainda durante a fase de inquérito policial, Tício foi
reconhecido pela vítima. Tal reconhecimento se deu quando a referida vítima olhou através de pequeno
orifício da porta de uma sala onde se encontrava apenas o réu. Já em sede de instrução criminal, nem
vítima nem testemunhas afirmaram ter escutado qualquer disparo de arma de fogo, mas foram uníssonas no
sentido de assegurar que o assaltante portava uma. Não houve perícia, pois os policiais que prenderam o
réu em flagrante não lograram êxito em apreender a arma. Tais policiais afirmaram em juízo que, após
escutarem gritos de “pega ladrão!”, viram o réu correndo e foram em seu encalço. Afirmaram que, durante
a perseguição, os passantes apontavam para o réu, bem como que este jogou um objeto no córrego que
passava próximo ao local dos fatos, que acreditavam ser a arma de fogo utilizada. O réu, em seu
interrogatório, exerceu o direito ao silêncio. Ao cabo da instrução criminal, Tício foi condenado a oito anos e
seis meses de reclusão, por roubo com emprego de arma de fogo, tendo sido fixado o regime inicial fechado
para cumprimento de pena. O magistrado, para fins de condenação e fixação da pena, levou em conta os
depoimentos testemunhais colhidos em juízo e o reconhecimento feito pela vítima em sede policial, bem
como o fato de o réu ser reincidente e portador de maus antecedentes, circunstâncias comprovadas no
curso do processo.
Você, na condição de advogado(a) de Tício, é intimado(a) da decisão. Com base somente nas informações
de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, redija a peça cabível, apresentando
as razões e sustentando as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5,0)

Gabarito Comentado
O examinando deve redigir uma apelação, com fundamento no artigo 593, I, do Código de Processo Penal. A
petição de interposição deve ser endereçada ao juiz de direito da 1ª vara criminal da comarca de Niterói/RJ.
Nas razões de apelação o candidato deverá dirigir-se ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro,
argumentando que o reconhecimento feito não deve ser considerado para fins de condenação, pois houve
desrespeito à formalidade legal prevista no art. 226, II, do Código de Processo Penal. Dessa forma,
inexistiria prova suficiente para a condenação do réu, haja vista ter sido feito somente um único
reconhecimento, em sede de inquérito policial e sem a observância das exigências legais, o que levaria à
absolvição com fulcro no art. 386, VII, do mesmo diploma. Outrossim, de maneira alternativa, deverá
postular o afastamento da causa especial de aumento de pena decorrente do emprego de arma de fogo,
244
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

pois esta deveria ter sido submetida à perícia, nos termos do art. 158 do Código de Processo Penal, o que
não foi feito, de modo que não há como ser comprovada a potencialidade lesiva da arma.

Item Pontuação
Estrutura correta (divisão das partes / indicação de local, data, assinatura) 0 / 0,25
Indicação correta do prazo e dispositivos legais que dão ensejo à apelação, na 0 / 0,25
petição de interposição (art. 593, I, do CPP)
Endereçamento correto da interposição – 1ª Vara Criminal do Município X 0 / 0,25
Endereçamento correto das razões – Tribunal de Justiça do Estado 0 / 0,25
Desenvolvimento jurídico acerca da falta de observância da formalidade legal (0,8) / 0 / 0,2 / 0,8 / 1,0
prevista no art. 226, II, do CPP (0,2)
Desenvolvimento jurídico acerca da ausência da apreensão da arma (ou de ausência 0 / 0,4 / 0,6 / 1,0
de potencialidade lesiva), o que impede o exame pericial da arma, nos termos do
art. 158 do CPP. (0,6) / Ninguém afirmou que a arma tenha efetuado qualquer
disparo (perícia indireta) (0,4).
Pedido: 0 / 0,5
Absolvição + argumento + base legal
Pedidos (0,5 cada) – no mínimo 3 pedidos – máximo 1,5 ponto: 0 / 0,5 / 1,0 / 1,5
- redução da pena + base legal
- mudança de regime + base legal
- nulidade da prova + base legal
- afastamento da agravante + argumento + base legal

V EXAME OAB - PEÇA


Em 10 de janeiro de 2007, Eliete foi denunciada pelo Ministério Público pela prática do crime de furto
qualificado por abuso de confiança, haja vista ter alegado o Parquet que a denunciada havia se valido da
qualidade de empregada doméstica para subtrair, em 20 de dezembro de 2006, a quantia de R$ 50,00 de
seu patrão Cláudio, presidente da maior empresa do Brasil no segmento de venda de alimentos no varejo. A
denúncia foi recebida em 12 de janeiro de 2007, e, após a instrução criminal, foi proferida, em 10 de
dezembro de 2009, sentença penal julgando procedente a pretensão acusatória para condenar Eliete à pena
final de dois anos de reclusão, em razão da prática do crime previsto no artigo 155, §2º, inciso IV, do
Código Penal. Após a interposição de recurso de apelação exclusivo da defesa, o Tribunal de Justiça
entendeu por bem anular toda a instrução criminal, ante a ocorrência de cerceamento de defesa em razão
do indeferimento injustificado de uma pergunta formulada a uma testemunha. Novamente realizada a
instrução criminal, ficou comprovado que, à época dos fatos, Eliete havia sido contratada por Cláudio havia
uma semana e só tinha a obrigação de trabalhar às segundas, quartas e sextas-feiras, de modo que o
suposto fato criminoso teria ocorrido no terceiro dia de trabalho da doméstica. Ademais, foi juntada aos
autos a comprovação dos rendimentos da vítima, que giravam em torno de R$ 50.000,00 (cinquenta mil
reais) mensais. Após a apresentação de memoriais pelas partes, em 9 de fevereiro de 2011, foi proferida
nova sentença penal condenando Eliete à pena final de 2 (dois) anos e 6 (seis) meses de reclusão. Em suas
razões de decidir, assentou o magistrado que a ré possuía circunstâncias judiciais desfavoráveis, uma vez
que se reveste de enorme gravidade a prática de crimes em que se abusa da confiança depositada no
agente, motivo pelo qual a pena deveria ser distanciada do mínimo. Ao final, converteu a pena privativa de
liberdade em restritiva de direitos, consubstanciada na prestação de 8 (oito) horas semanais de serviços
comunitários, durante o período de 2 (dois) anos e 6 (seis) meses em instituição a ser definida pelo juízo de
execuções penais. Novamente não houve recurso do Ministério Público, e a sentença foi publicada no Diário
Eletrônico em 16 de fevereiro de 2011.
Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima,
redija, na qualidade de advogado de Eliete, com data para o último dia do prazo legal, o recurso cabível à
hipótese, invocando todas as questões de direito pertinentes, mesmo que em caráter eventual.
(Valor: 5,0)

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Gabarito Comentado
O candidato deverá redigir uma apelação, com fundamento no artigo 593, I, do CPP, a ser endereçada ao
juiz de direito, com razões inclusas endereçadas ao Tribunal de Justiça. Nas razões recursais, o candidato
deverá argumentar que a segunda sentença violou a proibição à reformatio in pejus – configurando-se caso
de reformatio in pejus indireta –, contida no artigo 617 do CPP, de modo que, em razão do trânsito em
julgado para a acusação, a pena não poderia exceder dois anos de reclusão, estando prescrita a pretensão
punitiva estatal, na forma do artigo 109, V, do Código Penal, uma vez que, entre o recebimento da denúncia
(12/01/2007) e a prolação de sentença válida (09/02/2011), transcorreu lapso superior a quatro anos.
Superada a questão, o candidato deverá argumentar que inexistia relação de confiança a justificar a
incidência da qualificadora (Eliete trabalhava para Cláudio fazia uma semana) e que a quantia subtraída era
insignificante, sobretudo tomando-se como referência o patrimônio concreto da vítima. Em razão disso, o
candidato deverá requerer a reforma da sentença, de modo a se absolver a ré por atipicidade material de
sua conduta, ante a incidência do princípio da insignificância/bagatela.
O candidato deve argumentar, ainda, que, na hipótese de não se reformar a sentença para se absolver a ré,
ao menos deveria ser reduzida a pena em razão do furto privilegiado, substituindo-se a sanção por multa.
Em razão de tais pedidos, considerando-se a redução de pena, o candidato deveria requerer a substituição
da pena privativa de liberdade por multa, bem como a aplicação da suspensão condicional da pena e/ou
suspensão condicional do processo.
Deveria ainda o candidato argumentar sobre a impossibilidade do aumento da pena base realizado pelo
magistrado sob o fundamento da enorme gravidade nos crimes em que se abusa da confiança depositada,
pois tal motivo já foi levado em consideração para qualificar o delito, não podendo a apelante sofrer dupla
punição pelo mesmo fato – bis in idem.
Por fim, o candidato deveria requerer um dos pedidos possíveis para a questão apresentada, tais como:
1- absolvição;
2- reconhecimento da reformatio in pejus, com a aplicação da pena em no máximo 2 anos e a consequente
prescrição;
3- atipicidade da conduta, tendo em vista a aplicação do princípio da bagatela;
4- não incidência da qualificadora do abuso da confiança, com a consequente desclassificação para furto
simples;
5- aplicação da Suspensão Condicional do Processo;
6- não sendo afastada a qualificadora, a incidência do parágrafo 2º do artigo 155 do CP;
7- a redução da pena pelo reconhecimento do bis in idem e a consequente prescrição;
8- aplicação de sursis;
9- inadequação da pena restritiva aplicada, tendo em vista o que dispõe o artigo 46, §3º, do CP.

Alternativamente, o candidato poderá elaborar embargos de declaração, abordando os pontos indicados no


gabarito 2.

Distribuição dos Pontos – Gabarito 1 Item Pontuação


Estrutura correta (divisão das partes / indicação de local, data, 0 / 0,25
assinatura)
Indicação correta dos dispositivos legais que dão ensejo à 0 / 0,5
apelação (art. 593, I, do CPP)
Endereçamento correto da interposição 0 / 0,25
Endereçamento correto das razões 0 / 0,25
Indicação de reformatio in pejus (0,20). 0 / 0,20
Desenvolvimento jurídico acerca da ocorrência de reformatio in 0 / 0,15 / 0,40 / 0,55
pejus (0,40) Art. 617 do CPP (0,15)
Incidência da prescrição da pretensão punitiva. (0,30) 0 / 0,30 / 0,45 / 0,75
Desenvolvimento jurídico. (0,45)
Não incidência da qualificadora de abuso de confiança OU 0 / 0,30 / 0,45 / 0,75
desclassificação para furto simples. (0,3) Desenvolvimento
jurídico. (0,45)
Atipicidade material da conduta OU Princípio da bagatela (0,3). 0 / 0,30 / 0,45 / 0,75
Desenvolvimento jurídico. (0,45)

246
PROCESSO PENAL OAB
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Desenvolvimento jurídico acerca da incidência, em caráter 0 / 0,25


eventual, da figura do furto privilegiado
Desenvolvimento jurídico acerca da substituição da pena 0 / 0,25
privativa de liberdade por multa OU suspensão condicional da
pena (sursis) e do processo OU diminuição da pena por bis in
idem
Pedido correto, contemplando as teses desenvolvidas 0 / 0,25

PEÇA PRÁTICO‐PROFISSIONAL – VII OAB


Leia com atenção o caso concreto a seguir:
Grávida de nove meses, Ana entra em trabalho de parto, vindo dar à luz um menino saudável, o qual é
imediatamente colocado em seu colo. Ao ter o recém‐nascido em suas mãos, Ana é tomada por extremo
furor, bradando aos gritos que seu filho era um “monstro horrível que não saiu de mim” e bate por seguidas
vezes a cabeça da criança na parede do quarto do hospital, vitimando‐a fatalmente. Após ser dominada
pelos funcionários do hospital, Ana é presa em flagrante delito.
Durante a fase de inquérito policial, foi realizado exame médico‐legal, o qual atestou que Ana agira sob
influência de estado puerperal. Posteriormente, foi denunciada, com base nas provas colhidas na fase
inquisitorial, sobretudo o laudo do expert, perante a 1ª Vara Criminal/Tribunal do Júri pela prática do crime
de homicídio triplamente qualificado, haja vista ter sustentado o Parquet que Ana fora movida por motivo
fútil, empregara meio cruel para a consecução do ato criminoso, além de se utilizar de recurso que tornou
impossível a defesa da vítima. Em sede de Alegações Finais Orais, o Promotor de Justiça reiterou os
argumentos da denúncia, sustentando que Ana teria agido impelida por motivo fútil ao decidir matar seu
filho em razão de tê‐lo achado feio e teria empregado meio cruel ao bater a cabeça do bebê repetidas vezes
contra a parede, além de impossibilitar a defesa da vítima, incapaz, em razão da idade, de defender‐se.
A Defensoria Pública, por sua vez, alegou que a ré não teria praticado o fato e, alternativamente, se o
tivesse feito, não possuiria plena capacidade de autodeterminação, sendo inimputável. Ao proferir a
sentença, o magistrado competente entendeu por bem absolver sumariamente a ré em razão de
inimputabilidade, pois, ao tempo da ação, não seria ela inteiramente capaz de se autodeterminar em
consequência da influência do estado puerperal. Tendo sido intimado o Ministério Público da decisão, em 11
de janeiro de 2011, o prazo recursal transcorreu in albis sem manifestação do Parquet.
Em relação ao caso narrado, você, na condição de advogado(a), é procurado pelo pai da vítima, em 20 de
janeiro de 2011, para habilitar‐se como assistente da acusação e impugnar a decisão.
Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima,
redija a peça cabível, sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes, datando do último dia do
prazo.
(Valor: 5,0)

Gabarito comentado:
O candidato deve redigir uma apelação, com fundamento no artigo 593, I CPP (OU art. 416 CPP) c/c 598 do
CPP.
A petição de interposição deve ser endereçada ao Juiz de Direito da 1ª Vara Criminal/Tribunal do Júri.
Na petição de interposição da apelação, o candidato deverá requerer a habilitação do pai da criança como
assistente de acusação. Acerca desse item, cumpre salientar que será atribuída a pontuação respectiva se o
pedido de habilitação tiver sido feito em peça apartada. Acerca desse item, cumpre salientar que será
atribuída a pontuação respectiva se o pedido de habilitação tiver sido feito em peça apartada.
Acerca desse item, cumpre salientar que será atribuída a pontuação respectiva se o pedido de habilitação
tiver sido feito em peça apartada.
Todavia, também resta decidido que não será pontuado o item relativo à estrutura se o indivíduo que
solicitar a habilitação como assistente de acusação não possuir legitimidade para tanto.
Por fim, a petição de interposição deverá ser datada de 31/01/2011 OU 01/02/2011.
No tocante às razões recursais, as mesmas deverão ser dirigidas ao Tribunal de Justiça.
Nelas, o examinando deve argumentar que o juiz não poderia ter absolvido sumariamente a ré em razão da
inimputabilidade, porque o Código de Processo Penal, em seu artigo 415, parágrafo único, veda
expressamente tal providência, salvo quando for a única tese defensiva, o que não é o caso, haja vista que a
defesa também apresentou outra tese, qual seja, a de negativa de autoria.

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Também deverá argumentar que a incidência do estado puerperal não é considerada causa excludente de
culpabilidade fundada na ausência de capacidade de autodeterminação. O estado puerperal configura
elementar do tipo de infanticídio e não causa excludente de imputabilidade/culpabilidade.
As duas teses principais da peça, acima citadas, somente serão passíveis de pontuação integral se
preenchidas em sua totalidade, descabendo falar-se em respostas implícitas.
Do mesmo modo, deverá o examinando, em seus pedidos, requerer a reforma da decisão com o fim de se
pronunciar a ré pela prática do delito de infanticídio, de modo que seja ela levada a julgamento pelo
Tribunal do Júri.
Ao final, também deverá datar corretamente as razões recursais.
Acerca desse ponto, tendo em vista o prazo de três dias disposto no art. 600, § 1º, do CPP, serão aceitas as
seguintes datas nas razões: 31/01/2011; 01/02/2011; 02/02/2011; 03/02/2011 e 04/02/2011 (essa última
data só será aceita se a petição de interposição tiver sido datada de 01/02/2011).
Cumpre salientar que tais datas justificam-se pelo seguinte: o dia 16 de janeiro de 2011 (termo final do
prazo recursal para o Ministério Público) foi domingo e por isso o termo inicial do assistente de acusação
será dia 18 de janeiro de 2011 (terça-feira), terminando em 1º de fevereiro de 2011. Todavia, considerando
que nem todos os examinandos tiveram acesso ao calendário no momento da prova, permitiu-se a
contagem dos dias corridos e, nesse caso, o prazo final para a interposição da apelação seria dia 31 de
janeiro de 2011.
Por fim, ainda no tocante ao item da data correta, somente fará jus à respectiva pontuação o examinando
que acertar as hipóteses (petição de interposição e razões recursais).

Distribuição dos Pontos: Quesito Avaliado Faixa de valores


Item 1 - Estrutura correta (divisão das partes / indicação de local, assinatura). 0,00 / 0,25
Obs.: a falta de legitimidade para requerer a habilitação implicará na não
atribuição de pontos nesse item.
Item 2 - Indicação correta dos dispositivos legais que dão ensejo à apelação 0,00 / 0,20 /0,30 / 0,50
(art. 593, I, do CPP OU art. 416 do CPP (0,20) E art. 598 do CPP (0,30)
Item 3 - Endereçamento correto da interposição (1ª Vara Criminal /Tribunal 0,00 / 0,25
do Júri)
Item 4 - Endereçamento correto das razões (Tribunal de Justiça). 0,00 / 0,25
Item 5 - Pedido de habilitação, na interposição, do pai da vítima como 0,00 / 0,25
assistente de acusação.
Obs.: não será pontuado o pedido de habilitação feito nas razões do recurso.
Item 6 - Desenvolvimento jurídico acerca da impossibilidade de se absolver 0,00 / 0,95 /1,25
sumariamente pela inimputabilidade por não ser a única tese defensiva
alegada na primeira fase do júri (0,95) e consequente violação ao art. 415,
parágrafo único, do CPP (0,30).
Obs.: a mera indicação do artigo não pontua.
Item 7 - Desenvolvimento jurídico acerca da impossibilidade de se absolver 0,00 / 0,95 /1,25
sumariamente pela inimputabilidade por não ser o estado puerperal
considerado como tal (0,95), já que é elemento do tipo no art. 123 do
CP.(0,30).
Obs.: a mera indicação do artigo não pontua.
Item 8 - Pedidos: 0,00 / 0,40
8.1) Reforma da sentença de absolvição sumária (0,40);
8.2) Pronúncia da ré nos exatos termos da denúncia OU pronúncia por 0,00/ 0,40
homicídio triplamente qualificado OU pronúncia da ré por infanticídio (0,40)
Item 9 - Indicação do prazo (art. 598, parágrafo único, do CPP). 0,00/0,20
Obs.: somente será atribuída pontuação se houver indicação correta do prazo
nas duas peças (interposição e razões recursais).

QUESTÃO 2 - IV EXAME
Caio é denunciado pelo Ministério Público pela prática do crime de homicídio qualificado por motivo fútil.
De acordo com a inicial, em razão de rivalidade futebolística, Caio teria esfaqueado Mévio quarenta e três
vezes, causando-lhe o óbito. Pronunciado na forma da denúncia, Caio recorreu com o objetivo de ser

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impronunciado, vindo o Tribunal de Justiça da localidade a manter a pronúncia, mas excluindo a


qualificadora, ao argumento de que Mévio seria arruaceiro e, portanto, a motivação não poderia ser
considerada fútil. No julgamento em plenário, ocasião em que Caio confessou a prática do crime, a defesa
lê para os jurados a decisão proferida pelo Tribunal de Justiça no que se refere à caracterização de Mévio
como arruaceiro. Respondendo aos quesitos, o Conselho de Sentença absolve Caio.
Sabendo-se que o Ministério Público não recorreu da sentença, responda aos itens a seguir, empregando
os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso.
a) A esposa de Mévio poderia buscar a impugnação da decisão proferida pelo Conselho de Sentença? Em
caso positivo, de que forma e com base em que fundamento? (Valor: 0,65)
b) Caso o Ministério Público tivesse interposto recurso de apelação com fundamento exclusivo no artigo
593, III, “d”, do Código de Processo Penal, poderia o Tribunal de Justiça declarar a nulidade do julgamento
por reconhecer a existência de nulidade processual? (Valor: 0,6)

Gabarito Comentado
a) Sim. A esposa da vítima deveria constituir advogado para que ele se habilitasse como assistente de
acusação e interpusesse recurso de apelação, com fundamento nos artigos 598 e 593, III, “a” e “d”. Afinal,
a defesa violou a proibição expressa contida no artigo 478, I, do CPP, ao ler trecho de decisão que julgou
admissível a acusação e manteve a pronúncia do réu. Além disso, tendo o réu confessado o homicídio, a
absolvição se mostrou manifestamente contrária à prova dos autos.

b) Não, pois a Súmula 160 do STF proíbe que o Tribunal conheça de nulidade não arguida no recurso de
acusação. Assim, a violação ao artigo 478, I, do CPP, por parte da defesa não poderia ser analisada se a
acusação não lhe tivesse feito menção no recurso interposto.

Item Pontuação
a) Sim. / A esposa da vítima poderia constituir advogado para que ele se 0 / 0,3 / 0,35 /
habilitasse como assistente de acusação e interpusesse recurso de apelação, 0,65
(0,35) / com fundamento nos artigos 598 (0,3).
b) Não,/ pois a Súmula 160 do STF proíbe que o Tribunal conheça de nulidade não 0 / 0,3 / 0,6
arguida no recurso de acusação. (0,3) / Assim, a violação ao artigo 478, I, do CPP,
por parte da defesa não poderia ser analisada se a acusação não lhe tivesse feito
menção no recurso interposto (0,3)

QUESTÃO 1 – XIX EXAME


João estava dirigindo seu automóvel a uma velocidade de 100 km/h em uma rodovia em que o limite
máximo de velocidade é de 80 km/h. Nesse momento, foi surpreendido por uma bicicleta que atravessou a
rodovia de maneira inesperada, vindo a atropelar Juan, condutor dessa bicicleta, que faleceu no local em
virtude do acidente. Diante disso, João foi denunciado pela prática do crime previsto no Art. 302 da Lei nº
9.503/97. As perícias realizadas no cadáver da vítima, no automóvel de João, bem como no local do fato,
indicaram que João estava acima da velocidade permitida, mas que, ainda que a velocidade do veículo do
acusado fosse de 80 km/h, não seria possível evitar o acidente e Juan teria falecido. Diante da prova pericial
constatando a violação do dever objetivo de cuidado pela velocidade acima da permitida, João foi
condenado à pena de detenção no patamar mínimo previsto no dispositivo legal.
Considerando apenas os fatos narrados no enunciado, responda aos itens a seguir.
A) Qual o recurso cabível da decisão do magistrado, indicando seu prazo e fundamento legal? (Valor: 0,60)
B) Qual a principal tese jurídica de direito material a ser alegada nas razões recursais? (Valor: 0,65)
Gabarito comentado
A) O recurso cabível da sentença do magistrado que condenou João é o recurso de apelação, cujo prazo de
interposição é de 05 dias e o fundamento é o Art. 593, inciso I, do Código de Processo Penal.
B) A principal tese jurídica a ser apresentada é o requerimento de absolvição do acusado, pois, em que pese
ter havido violação do dever objetivo de cuidado, essa violação não representou incremento do risco no caso
concreto, pois, ainda que observada a velocidade máxima prevista para a pista, com respeito ao dever de

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cuidado, o resultado teria ocorrido da maneira como ocorreu. Dessa forma, o examinando pode
fundamentar o pedido de absolvição com base na ausência de incremento do risco, sendo essa ausência, de
acordo com a Teoria da Imputação Objetiva, fundamento para absolvição. De qualquer maneira, o cerne da
resposta é a indicação de que não foi a violação do dever de cuidado a responsável pelo resultado lesivo, de
modo que não deveria João ser por ele responsabilizado.
A Banca também considerou como correta a resposta que indicava a inexistência de culpa, apesar da
violação do dever objetivo de cuidado, em razão da ausência do elemento previsibilidade, sob a alegação de
que João não poderia prever que uma bicicleta atravessaria seu caminho em uma rodovia de tráfego
intenso, em local inadequado.

3) CONTRARRAZÕES DE APELAÇÃO

PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL– XIX EXAME


No dia 24 de dezembro de 2014, na cidade do Rio de Janeiro, Rodrigo e um amigo não identificado foram
para um bloco de rua que ocorria em razão do Natal, onde passaram a ingerir bebida alcoólica em
comemoração ao evento festivo. Na volta para casa, ainda em companhia do amigo, já um pouco tonto em
razão da quantidade de cerveja que havia bebido, subtraiu, mediante emprego de uma faca, os pertences
de uma moça desconhecida que caminhava tranquilamente pela rua. A vítima era Maria, jovem de 24 anos
que acabara de sair do médico e saber que estava grávida de um mês. Em razão dos fatos, Rodrigo foi
denunciado pela prática de crime de roubo duplamente majorado, na forma do Art. 157, § 2º, incisos I e II,
do Código Penal.
Durante a instrução, foi juntada a Folha de Antecedentes Criminais de Rodrigo, onde constavam anotações
em relação a dois inquéritos policiais em que ele figurava como indiciado e três ações penais que respondia
na condição de réu, apesar de em nenhuma delas haver sentença com trânsito em julgado. Foram, ainda,
durante a Audiência de Instrução e Julgamento ouvidos a vítima e os policiais que encontraram Rodrigo,
horas após o crime, na posse dos bens subtraídos. Durante seu interrogatório, Rodrigo permaneceu em
silêncio. Ao final da instrução, após alegações finais, a pretensão punitiva do Estado foi julgada procedente,
com Rodrigo sendo condenado a pena de 05 anos e 04 meses de reclusão, a ser cumprida em regime
semiaberto, e 13 dias-multa. O juiz aplicou a pena-base no mínimo legal, além de não reconhecer qualquer
agravante ou atenuante. Na terceira fase da aplicação da pena, reconheceu as majorantes mencionadas na
denúncia e realizou um aumento de 1/3 da pena imposta.
O Ministério Público foi intimado da sentença em 14 de setembro de 2015, uma segunda-feira, sendo terça-
feira dia útil. Inconformado, o Ministério Público apresentou recurso de apelação perante o juízo de primeira
instância, acompanhado das respectivas razões recursais, no dia 30 de setembro de 2015, requerendo:
i) O aumento da pena-base, tendo em vista a existência de diversas anotações na Folha de Antecedentes
Criminais do acusado;
ii) O reconhecimento das agravantes previstas no Art. 61, inciso II, alíneas ‘h’ e ‘l’, do Código Penal;
iii) A majoração do quantum de aumento em razão das causas de aumentos previstas no Art. 157, §2º,
incisos I e II, do Código Penal, exclusivamente pelo fato de serem duas as majorantes;
iv) Fixação do regime inicial fechado de cumprimento de pena, pois o roubo com faca tem assombrado a
população do Rio de Janeiro, causando uma situação de insegurança em toda a sociedade.
A defesa não apresentou recurso. O magistrado, então, recebeu o recurso de apelação do Ministério Público
e intimou, no dia 19 de outubro de 2015 (segunda-feira), sendo terça feira dia útil em todo o país, você,
advogado(a) de Rodrigo, para apresentar a medida cabível.
Com base nas informações expostas na situação hipotética e naquelas que podem ser inferidas do caso
concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de habeas corpus, no último dia do prazo,
sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5.00)

Gabarito Comentado
O examinando deve elaborar, na condição de advogado, Contrarrazões de Apelação, com fundamento no
Art. 600 do Código de Processo Penal (CPP). Em um primeiro momento, deve ser redigida a petição de
juntada das contrarrazões, direcionada ao Juízo da Vara Criminal da Comarca do Rio de Janeiro/RJ,
requerendo o encaminhamento do feito para instância superior. Posteriormente, devem ser apresentadas as

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respectivas razões do apelado (e não razões de apelação) ou contrarrazões de apelação, peça essa
endereçada diretamente ao Tribunal de Justiça. No conteúdo das Contrarrazões, o examinando, em
preliminar, deve requerer o não conhecimento do recurso apresentado pelo Ministério Público, tendo em
vista ser intempestivo. Na forma do Art. 593 do CPP, o prazo para interposição de Apelação é de 05 dias. O
Ministério Público foi intimado, no caso concreto, em 14 de setembro de 2015, somente vindo a interpor
recurso no dia 30 de setembro de 2015, ou seja, mais de 15 dias após sua intimação. O enunciado deixa
claro que a petição de interposição foi apresentada junto com as razões recursais, logo, apesar do
magistrado de 1ª instância ter conhecido do recurso, o Tribunal, ao realizar nova análise, deverá não
conhecer do recurso interposto.
Contudo, pelo princípio da eventualidade, em caso de conhecimento do recurso, deverá o examinando, na
condição de advogado de Rodrigo, rebater as teses apresentadas pelo Ministério Público, buscando a
manutenção da sentença de primeira instância.
De início, em relação à pena-base, deverá ser destacado que a existência de ações penais em curso, sem
sentença condenatória com trânsito em julgado, e de inquéritos policiais não justificam um aumento da
pena-base, sob pena de violação do princípio da presunção de inocência. Antes do trânsito em julgado, não
pode um acusado ou indiciado ser considerado culpado, logo não há que se falar em maus antecedentes.
Ademais, o Enunciado 444 da Súmula de Jurisprudência do STJ impede que ações em curso sejam
consideradas não somente como maus antecedentes, mas valoradas de qualquer forma na pena-base.
Posteriormente, deverá o examinando enfrentar os argumentos apresentados pelo Ministério Público para
aumento da pena na segunda fase do critério trifásico.
Em relação à agravante da gravidez, deverá ser afirmado que ela não deve ser reconhecida, sob pena de
configurar responsabilidade penal objetiva. Apesar da vítima ser Maria, que tinha acabado de descobrir que
estava grávida, para que uma circunstância prejudicial ao réu seja reconhecida, é preciso que ele tenha
conhecimento do fato ou, ao menos, que fosse possível a ele ter conhecimento da situação. No caso
concreto, Rodrigo não conhecia Maria e ela estava grávida apenas de um mês, logo não havia como o
acusado ter conhecimento de que a vítima era mulher grávida. Assim, para evitar a responsabilidade penal
objetiva, a agravante do Art. 61, inciso II, alínea h, do Código Penal não deve ser aplicada.
Da mesma forma, não deve ser reconhecida a agravante da embriaguez preordenada. Não existe qualquer
prova nos autos de que Rodrigo se embriagou para tomar coragem para prática do crime. A embriaguez
preordenada não se confunde com a culposa ou voluntária. Nos dois últimos casos, existe imputabilidade,
mas não justificam, por si sós, o reconhecimento da agravante. Na embriaguez preordenada o agente se
embriaga exatamente para fins de reduzir sua censura pessoal e realizar um crime doloso determinado e
pretendido. Rodrigo ingeriu bebida para comemorar o Natal, não para tomar coragem e praticar o crime de
roubo.
No terceiro momento, deverá o examinando rebater a pretensão do Ministério Público de incrementar o
aumento da pena em razão do número de majorantes. Pacificado o entendimento atual, inclusive com a
edição do Enunciado 443 da Súmula de Jurisprudência do STJ, no sentido de que a mera indicação do
número de majorantes não configura fundamentação idônea para justificar a aplicação da fração de
aumento acima do mínimo previsto em lei. É necessária fundamentação concreta.
Por fim, em relação aos argumentos do Promotor de Justiça, deverá o examinando afirmar que o regime de
pena aplicado foi adequado, não se justificando a aplicação do regime fechado pelo fundamento
apresentado no recurso de apelação, pois a gravidade em abstrato do delito não pode justificar um regime
de pena mais gravoso do que o cabível de acordo com a pena aplicada. Tal entendimento é trazido pelos
Enunciados 718 e 719 da Súmula do STF e pelo Enunciado 440 da Súmula do STJ.
Assim, ao final, deverá o candidato formular os seguintes pedidos: a) Não conhecimento do recurso de
apelação em razão da intempestividade; b) Caso seja conhecido o recurso, pelo seu não provimento,
mantendo-se, integralmente, a sentença.
A data a ser indicada ao final na peça é o dia 27 de outubro de 2015. A intimação ocorreu em 19 de outubro
de 2015, uma segunda-feira, iniciando-se o prazo de 08 dias, previsto no Art. 600 do CPP, no dia seguinte.

4) REFORMATIO IN PEJUS

QUESTÃO 02 – XIV EXAME DA OAB


Gustavo está sendo regularmente processado, perante o Tribunal do Júri da Comarca de Niterói-RJ, pela
prática do crime de homicídio simples, conexo ao delito de sequestro e cárcere privado. Os jurados
consideraram-no inocente em relação ao delito de homicídio, mas culpado em relação ao delito de sequestro
251
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

e cárcere privado. O juiz presidente, então, proferiu a respectiva sentença. Irresignado, o Ministério Público
interpôs apelação, sustentando que a decisão dos jurados fora manifestamente contrária à prova dos autos.
A defesa, de igual modo, apelou, objetivando também a absolvição em relação ao delito de sequestro e
cárcere privado.
O Tribunal de Justiça, no julgamento, negou provimento aos apelos, mas determinou a anulação do
processo (desde o ato viciado, inclusive) com base no Art. 564, III, i, do CPP, porque restou verificado que,
para a constituição do Júri, somente estavam presentes 14 jurados.
Nesse sentido, tendo como base apenas as informações contidas no enunciado, responda justificadamente
às questões a seguir.
A) A nulidade apresentada pelo Tribunal é absoluta ou relativa? Dê o respectivo fundamento legal. (Valor:
0,40)
B) A decisão do Tribunal de Justiça está correta? (Valor: 0,85)
Utilize os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso.

GABARITO COMENTADO
A questão objetiva extrair do examinando conhecimento acerca da teoria geral das nulidades no Processo
Penal. Nesse sentido, para garantir os pontos relativos à questão, o examinando deve, na alternativa "A",
indicar que a hipótese é de nulidade absoluta, nos termos do artigo 564, III, alínea "i" c/c 572, ambos do
CPP. Em relação à alternativa "B", o examinando deve lastrear sua resposta no sentido de que não foi
correta a atitude do Tribunal de Justiça. Isso porque, de acordo com o Verbete 160 da Súmula do STF, o
Tribunal de Justiça não pode acolher, contra o réu, nulidade não aventada pela acusação em seu recurso.
Assim agir significaria desrespeito ao princípio da veda a reformatio in pejus indireta.
O enunciado da questão foi claro ao informar que o recurso do Ministério Público não alegou nenhuma
nulidade. Destarte, levando em conta que o réu foi absolvido em relação ao delito de homicídio, o
reconhecimento de nulidade implicar-lhe-á em prejuízo.
Por fim, com a finalidade de privilegiar a demonstração de conhecimento jurídico, a Banca convencionou
aceitar também, no item “B”, o verbete 713 da Súmula do STF como fundamento à impossibilidade de o
Tribunal acolher, contra o réu, nulidade não aventada pela acusação em seu recurso.

DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS ITEM PONTUAÇÃO


A) Nulidade Absoluta (0,30), nos termos do artigo 564, III, alínea 0,00 / 0,30 / 0,40
"i" c/c 572, ambos do CPP (0,10).
Obs: A mera indicação de artigo não pontua.
B) Não foi correta a decisão do Tribunal de Justiça, pois o Tribunal
não pode acolher, contra o réu, nulidade não arguida pela acusação 0,00 / 0,85
em seu recurso (0,85). OU
Não foi correta a decisão, nos termos do Verbete 160 ou 713 da
Súmula do STF (0,85).
OU
Não foi correta a decisão, com base no princípio que veda a
reformatio in pejus indireta (0,85).
Obs.: A justificativa é essencial para a atribuição de pontos.

QUESTÃO 02 - XI EXAME OAB


Daniel foi denunciado, processado e condenado pela prática do delito de roubo simples em sua modalidade
tentada. A pena fixada pelo magistrado foi de dois anos de reclusão em regime aberto. Todavia, atento às
particularidades do caso concreto, o referido magistrado concedeu-lhe o benefício da suspensão condicional
da execução da pena, sendo certo que, na sentença, não fixou nenhuma condição. Somente a defesa
interpôs recurso de apelação, pleiteando a absolvição de Daniel com base na tese de negativa de autoria e,
subsidiariamente, a substituição do benefício concedido por uma pena restritiva de direitos. O Tribunal de
Justiça, por sua vez, no julgamento da apelação, de forma unânime, negou provimento aos dois pedidos da
defesa e, no acórdão, fixou as condições do sursis, haja vista o fato de que o magistrado a quo deixou de
fazê-lo na sentença condenatória. Nesse sentido, atento apenas às informações contidas no texto, responda,
fundamentadamente, aos itens a seguir.
252
PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

A) Qual o recurso cabível contra a decisão do Tribunal de Justiça? (Valor: 0,55)


B) Qual deve ser a principal linha de argumentação no recurso? (Valor: 0,70)
A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não pontua.
Gabarito comentado
A) Cabível a interposição de recurso especial, com fulcro no Art. 105, III, a, da CRFB/88.
B) Deve ser salientado que não agiu corretamente o Tribunal de Justiça ao fixar as condições do sursis, pois
tal tarefa cabia ao juiz a quo e, como ele não o fez, bem como não houve impugnação por
parte do Ministério Público acerca de tal omissão, a atitude do Tribunal configura verdadeira
reformatio in pejus, vedada pelo Art. 617, do CPP.

CAPÍTULO VI - COMPETÊNCIA

Questão 03 - XXII EXAME OAB

Na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Maurício iniciou a execução de determinada contravenção
penal que visava atingir e gerar prejuízo em detrimento de patrimônio de entidade autárquica federal, mas a
infração penal não veio a se consumar por circunstâncias alheias à sua vontade. Ao tomar conhecimento dos
fatos, o Ministério Público dá início a procedimento criminal perante juízo do Tribunal Regional Federal com
competência para atuar no local dos fatos, imputando ao agente a prática da contravenção penal em sua
modalidade tentada, oferecendo, desde já, proposta de transação penal. Maurício conversa com sua família
e procura um(a) advogado(a) para patrocinar seus interesses, destacando que não tem interesse em aceitar
transação penal, suspensão condicional do processo ou qualquer outro benefício despenalizador. Com base
apenas nas informações narradas e na condição de advogado(a) de Maurício, responda:
A) Considerando que a contravenção penal causaria prejuízo ao patrimônio de entidade autárquica federal, o
órgão perante o qual o procedimento criminal foi iniciado é competente para julgamento da infração penal
imputada? Justifique. (Valor: 0,65)
B) Qual argumento de direito material deverá ser apresentado para evitar a punição de Maurício? Justifique.
(Valor: 0,60)
Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere
pontuação.

Gabarito comentado
A) Apesar de a contravenção penal causar prejuízo ao patrimônio de autarquia federal, a Justiça Federal não
é competente para julgar a infração penal, tendo em vista que o Art. 109, inciso IV, da Constituição da
República Federativa do Brasil prevê expressamente que a Justiça Federal terá competência para julgar
infrações penais patricadas em detrimento de bens, serviços ou interesses da União e de suas entidades
autárquicas e empresas públicas, excluídas as contravenções penais. Diferente da regra geral, as
contravenções penais, ainda que nas circunstâncias do dispositivo acima mencionado, devem ser julgadas
perante a Justiça Estadual, no caso, Juizado Especial Criminal Estadual.
B) Apesar de Maurício ter iniciado a execução de uma contravenção penal e a mesma não ter se consumado
por circunstâncias alheias à vontade do agente, o que, em tese, configura tentativa, que, pela regra do
Código Penal, impõe a punição pelo crime pretendido com redução de pena, na hipótese apresentada, a
infração penal que não restou consumada foi uma contravenção. Nos termos do previsto no Art. 4º do
Decreto-Lei 3.688/41, não se pune a tentativa de contravenção penal. Assim, no momento em que Maurício
não conseguiu consumar o delito por circunstâncias alheias à sua vontade, sua conduta não é punível.

Tabela de pontos:

ITEM PONTUAÇÃO
A. Não, a Justiça Federal não é competente para 0,00/0,55/0,65
julgamento de contravenções penais, ainda que
praticadas em detrimento de bens, serviços e
patrimônio de entidade autárquica da União (0,55),
nos termos do Art. 109, inciso IV, da CRFB/88 OU
Súmula 38/STJ (0,10).
B. O argumento a ser apresentado é que não se 0,00/0,50/0,60
pune a tentativa de contravenção penal (0,50), nos
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PROCESSO PENAL OAB
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termos do Art. 4º do DL 3.688/41 (0,10).

Questão 03 - XIV EXAME OAB

Daniel, Ana Paula, Leonardo e Mariana, participantes da quadrilha “X”, e Carolina, Roberta, Cristiano,
Juliana, Flavia e Ralph, participantes da quadrilha “Y”, fazem parte de grupos criminosos especializados em
assaltar agências bancárias. Após intensos estudos sobre divisão de tarefas, locais, armas, bancos etc.,
ambos os grupos, sem ciência um do outro, planejaram viajar até a pacata cidade de Arroizinho com o
intuito de ali realizarem o roubo. Cumpre ressaltar que, na cidade de Arroizinho, havia apenas duas únicas
agências bancárias, a saber: uma agência do Banco do Brasil, sociedade de economia mista, e outra da
Caixa Econômica Federal, empresa pública federal. No dia marcado, os integrantes da quadrilha "X"
praticaram o crime objetivado contra o Banco do Brasil; os integrantes da quadrilha "Y" o fizeram contra a
Caixa Econômica Federal. Cada grupo, com sua conduta, conseguiu auferir a vultosa quantia de R$
1.000.000,00 (um milhão de reais).
Nesse caso, atento tão somente aos dados contidos no enunciado, responda fundamentadamente de acordo
com a Constituição:
A) Qual a justiça competente para o processo e julgamento do crime cometido pela quadrilha "Y"? (Valor:
0,65)
B) Qual a justiça competente para o processo e julgamento do crime cometido pela quadrilha "X"? (Valor:
0,60)

GABARITO COMENTADO
A Constituição da República, em seu artigo 109, IV, estabelece que compete à Justiça Federal o julgamento
das as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas
entidades autárquicas ou empresas públicas. Trata-se de competência determinada ratione personae. Assim,
para se estabelecer a competência de julgamento dos crimes mencionados no enunciado, o examinando
deverá, em primeiro lugar, levar em consideração a natureza jurídica da pessoa lesada.
Destarte, no caso do item "A", a competência para julgamento do crime em que foi lesada a CEF é da
Justiça Federal, nos termos do art. 109, IV da CRFB/88.
Relativamente ao item "B", levando-se em conta que o lesado foi o Banco do Brasil, a competência para o
julgamento do crime praticado é da Justiça Estadual, pois, como visto anteriormente, referida instituição
está fora do alcance da regra insculpida no artigo 109, IV da CF, sendo certo que a competência da Justiça
Estadual é residual. Além disso, há o verbete 42 da Súmula do STJ sobre o tema: Compete à Justiça Comum
Estadual processar e julgar as causas cíveis em que é parte sociedade de economia mista e os crimes
praticados em seu detrimento."

DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS PONTUAÇÃO


A) Justiça Federal (0,55), conforme disposto no Art. 109, IV da 0,00 / 0,55 / 0,65
CRFB/88 (0,10).
Obs.: a mera indicação de artigo ou súmula não pontua.

B) Justiça Estadual (0,50), pois o BB está fora do alcance da regra


insculpida no artigo 109, IV da CF, sendo certo que a competência 0,00 /0,50 / 0,60
da Justiça Estadual é residual (0,10)
OU
Justiça Estadual (0,50), nos termos do verbete 42 da Súmula do
STJ (0,10).
Obs.: a mera indicação de artigo ou súmula não pontua.

QUESTÃO 1 - EXAME 2010-03


Caio, na qualidade de diretor financeiro de uma conhecida empresa de fornecimento de material de
informática, se apropriou das contribuições previdenciárias devidas dos empregados da empresa e por esta
descontadas, utilizando o dinheiro para financiar um automóvel de luxo. A partir de comunicação feita por
Adolfo, empregado da referida empresa, tal fato chegou ao conhecimento da Polícia Federal, dando ensejo à
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PROCESSO PENAL OAB
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instauração de inquérito para apurar o crime previsto no artigo 168-A do Código Penal. No curso do aludido
procedimento investigatório, a autoridade policial apurou que Caio também havia praticado o crime de
sonegação fiscal, uma vez que deixara de recolher ICMS relativamente às operações da mesma empresa. Ao
final do inquérito policial, os fatos ficaram comprovados, também pela confissão de Caio em sede policial.
Nessa ocasião, ele afirmou estar arrependido e apresentou comprovante de pagamento exclusivamente das
contribuições previdenciárias devidas ao INSS, pagamento realizado após a instauração da investigação,
ficando não paga a dívida relativa ao ICMS. Assim, o delegado encaminhou os autos ao Ministério Público
Federal, que denunciou Caio pelos crimes previstos nos artigos 168-A do Código Penal e 1º, I, da Lei
8.137/90, tendo a inicial acusatória sido recebida pelo juiz da vara federal da localidade. Após analisar a
resposta à acusação apresentada pelo advogado de Caio, o aludido magistrado entendeu não ser o caso de
absolvição sumária, tendo designado audiência de instrução e julgamento.
Com base nos fatos narrados no enunciado, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos
jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso.
a) Qual é o meio de impugnação cabível à decisão do Magistrado que não o absolvera sumariamente?
(Valor: 0,2)
b) A quem a impugnação deve ser endereçada? (Valor: 0,2)
c) Quais fundamentos devem ser utilizados? (Valor: 0,6)

GABARITO COMENTADO
a) Habeas Corpus, uma vez que não há previsão de recurso contra a decisão que não absolvera
sumariamente o acusado, sendo cabível a ação mandamental, conforme estabelecem os artigos 647 e
seguintes do CPP. No caso, não seria admissível o recurso em sentido estrito, uma vez que o enunciado não
traz qualquer informação acerca da fundamentação utilizada pelo magistrado para deixar de absolver
sumariamente o réu, não podendo o candidato deduzir que teria sido realizado e indeferido pedido expresso
de reconhecimento de extinção da punibilidade.
b) Ao Tribunal Regional Federal.
c) Extinção da punibilidade pelo pagamento do débito quanto ao delito previsto no artigo 168-A, do CP, e,
após, restando apenas acusação pertinente à sonegação de tributo de natureza estadual, incompetência
absoluta – em razão da matéria – do juízo federal para processar e julgar a matéria. Quanto à Súmula
Vinculante nº 24, o enunciado não traz qualquer informação no sentido de que a via administrativa ainda
não teria se esgotado, não podendo o candidato deduzir tal fato.
Em relação à correção, levou-se em conta o seguinte critério de pontuação:

Item Pontuação
a) Habeas Corpus (0,2), uma vez que não há previsão de recurso contra a decisão 0 / 0,2
que não absolvera sumariamente o acusado, sendo cabível a ação mandamental,
conforme estabelecem os artigos 647 e seguintes do CPP
b) Ao Tribunal Regional Federal 0 / 0,2
c) Extinção da punibilidade (0,25) pelo pagamento (0,1) do débito 0 / 0,1 / 0,25 / 0,35 /

QUESTÃO 3 – EXAME 2010-03


Jeremias é preso em flagrante pelo crime de latrocínio, praticado contra uma idosa que acabara de sacar o
valor relativo à sua aposentadoria dentro de uma agência da Caixa Econômica Federal e presenciado por
duas funcionárias da referida instituição, as quais prestaram depoimento em sede policial e confirmaram a
prática do delito. Ao oferecer denúncia perante o Tribunal do Júri da Justiça Federal da localidade, o
Ministério Público Federal requereu a decretação da prisão preventiva de Jeremias para a garantia da ordem
pública, por ser o crime gravíssimo e por conveniência da instrução criminal, uma vez que as testemunhas
seriam mulheres e poderiam se sentir amedrontadas caso o réu fosse posto em liberdade antes da colheita
de seus depoimentos judiciais. Ao receber a inicial, o magistrado decretou a prisão preventiva de Jeremias,
utilizando-se dos argumentos apontados pelo Parquet.
Com base no caso acima, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal
pertinente ao caso, indique os argumentos defensivos para atacar a decisão judicial que recebeu a denúncia
e decretou a prisão preventiva.

255
PROCESSO PENAL OAB
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GABARITO COMENTADO
a) Não, pois a competência para processamento e julgamento é de uma vara comum da justiça estadual,
por se tratar de crime patrimonial e que não ofende bens, serviços ou interesses da União ou de suas
entidades autárquicas.
b) Não, pois a jurisprudência é pacífica no sentido de que considerações genéricas e presunções de que em
liberdade as testemunhas possam sentir-se amedrontadas não são argumentos válidos para a decretação da
prisão antes do trânsito em julgado de decisão condenatória, pois tal providência possui natureza
estritamente cautelar, de modo que somente poderá ser determinada quando calcada em elementos
concretos que demonstrem a existência de risco efetivo à eficácia da prestação jurisdicional.
c) Tribunal Regional Federal, pois a autoridade coatora é juiz de direito federal.
Em relação à correção, levou-se em conta o seguinte critério de pontuação:

Item Pontuação
Incompetência da Justiça Federal para julgar o caso (0,15), por não se enquadrar nas 0 / 0,15 / 0,3
hipóteses do art. 109 da CRFB (0,15).

Incompetência do Tribunal do Júri (0,15), considerando que o crime de latrocínio tem 0 / 0,15 / 0,3
natureza patrimonial (0,15).

Ilegalidade na decretação da prisão preventiva (0,2), com base na impossibilidade de 0 / 0,2 / 0,4
fundamentar a prisão na gravidade abstrata do crime OU na presunção de que as vítimas se
sentiriam amedrontadas (0,2).

Questão 03 – XVII EXAME


Ruth voltava para sua casa falando ao celular, na cidade de Santos, quando foi abordada por Antônio, que
afirmou: “Isso é um assalto! Passa o celular ou verá as consequências!”. Diante da grave ameaça, Ruth
entregou o telefone e o agente fugiu em sua motocicleta em direção à cidade de Mogi das Cruzes,
consumando o crime. Nervosa, Ruth narrou o ocorrido para o genro Thiago, que saiu em seu carro, junto
com um policial militar, à procura de Antônio. Com base na placa da motocicleta anotada por Ruth, Thiago
localizou Antônio, já em Mogi das Cruzes, ainda na posse do celular da vítima e também com uma faca em
sua cintura, tendo o policial efetuado a prisão em flagrante. Em razão dos fatos, Antônio foi denunciado pela
prática do crime previsto no Art. 157, § 2º, inciso I, do Código Penal, perante uma Vara Criminal da comarca
de Mogi das Cruzes, ficando os familiares do réu preocupados, porque todos da região sabem que o
magistrado, em atuação naquela Vara, é extremamente severo. A defesa foi intimada a apresentar resposta
à acusação. Considerando que o flagrante foi regular e que os fatos são verdadeiros, responda, na qualidade
de advogado(a) de Antônio, aos itens a seguir.
A) Que medida processual poderia ser adotada para evitar o julgamento perante a Vara Criminal de Mogi
das Cruzes? Justifique. (Valor: 0,65)
B) No mérito, caso Antônio confesse os fatos durante a instrução, qual argumento de direito material
poderia ser formulado para garantir uma punição mais branda do que a pleiteada na denúncia? Justifique.
(Valor: 0,60)

GABARITO COMENTADO
A) A medida processual é exceção de incompetência. Pela narrativa apresentada no enunciado é possível
concluir que o crime foi praticado, inclusive consumado, na cidade de Santos, logo, na forma do Art. 70 do
Código de Processo Penal, o juízo competente será o da comarca de Santos e não o de Mogi das Cruzes.
Considerando a incompetência territorial existente, deveria o advogado de Antônio formular uma exceção de
incompetência, no prazo de defesa, nos termos do Art. 108 do Código de Processo Penal.
B) Envolvendo o mérito, deve o examinando expor que, ainda que confessados os fatos, não houve emprego
de arma na hipótese, de modo que deveria ser afastada a majorante do Art. 157, § 2º, inciso I, do Código
Penal. A hipótese narrada deixa claro que Antônio abordou Ruth e empregou grave ameaça, mas que, em
momento algum, utilizou, mencionou ou mostrou a arma que portava quando de sua prisão em flagrante. O
argumento de que a faca, por ser arma branca, não é suficiente para o reconhecimento da causa de
aumento não é adequado. O que se exigia era a demonstração de que, no caso concreto, não houve efetivo
emprego da arma, como exige o dispositivo supramencionado.

256
PROCESSO PENAL OAB
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QUESTÃO 2 – EXAME 2010-03


Caio, residente no município de São Paulo, é convidado por seu pai, morador da cidade de Belo Horizonte,
para visitá-lo. Ao dirigir-se até Minas Gerais em seu carro, Caio dá carona a Maria, jovem belíssima que
conhecera na estrada e que, ao saber do destino de Caio, o convence a subtrair pertences da casa do
genitor do rapaz, chegando a sugerir que ele aguardasse o repouso noturno de seu pai para efetuar a
subtração. Ao chegar ao local, Caio janta com o pai e o espera adormecer, quando então subtrai da
residência uma televisão de plasma, um aparelho de som e dois mil reais. Após encontrar-se com Maria no
veículo, ambos se evadem do local e são presos quando chegavam ao município de São Paulo.
Com base no relatado acima, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados
e a fundamentação legal pertinente ao caso.
a) Caio pode ser punido pela conduta praticada e provada? (Valor: 0,4)
b) Maria pode ser punida pela referida conduta? (Valor: 0,4)
c) Em caso de oferecimento de denúncia, qual será o juízo competente para processamento da ação penal?
(Valor: 0,2)

GABARITO COMENTADO
a) Não, uma vez que incide sobre o caso a escusa absolutória prevista no artigo 181, II, do CP.
b) Sim, uma vez que a circunstância relativa a Caio é de caráter pessoal, não se comunicando a ela (artigo
30 do CP). Assim, poderá ser punida pela prática do crime de furto qualificado pelo repouso noturno.
c) Belo Horizonte, local em que delito se consumou, conforme artigos 69, I, do CPP e 6º do CP.
Em relação à correção, levou-se em conta o seguinte critério de pontuação:

Item Pontuação
a) Não, uma vez que incide sobre o caso a escusa absolutória (0,2) 0 / 0,2 / 0,4
prevista no artigo 181, II, do CP (0,2).

b) Sim, uma vez que a circunstância relativa a Caio é de caráter 0 / 0,2 / 0,4
pessoal, não se comunicando a ela (0,2), com base no artigo 30 OU
183, II, do CP (0,2).
c) Belo Horizonte, local em que o delito se consumou (0,1), conforme artigos 69, I, OU 70 do CPP (0,1).

QUESTÃO 01 - XII EXAME


Carolina foi denunciada pela prática do delito de estelionato, mediante emissão de cheque sem suficiente
provisão de fundos. Narra a inicial acusatória que Carolina emitiu o cheque número 000, contra o Banco ABC
S/A, quando efetuou compra no estabelecimento “X”, que fica na cidade de “Y”. Como a conta corrente de
Carolina pertencia à agência bancária que ficava na cidade vizinha “Z”, a gerência da loja, objetivando maior
rapidez no recebimento, resolveu lá apresentar o cheque, ocasião em que o título foi devolvido.
Levando em conta que a compra originária da emissão do cheque sem fundos ocorreu na cidade “Y”, o
ministério público local fez o referido oferecimento da denúncia, a qual foi recebida pelo juízo da 1ªVara
Criminal da comarca. Tal magistrado, após o recebimento da inicial acusatória, ordenou a citação da ré, bem
como a intimação para apresentar resposta à acusação.
Nesse sentido, atento(a) apenas às informações contidas no enunciado, responda de maneira
fundamentada, e levando em conta o entendimento dos Tribunais Superiores, o que pode ser arguido em
favor de Carolina. (Valor: 1,25)

GABARITO COMENTADO
Deve ser arguida exceção de incompetência com fundamento no Art. 108 do CPP OU Preliminar de
incompetência na resposta à acusação. O estelionato é crime material e se consuma no local onde ocorreu o
efetivo prejuízo econômico. No caso em tela, o efetivo prejuízo econômico se deu no lugar onde o título foi
recusado, ou seja, na comarca “Z”. Assim, aplica-se o disposto no verbete 521 da Súmula do STF e o
verbete 244 da Súmula do STJ. Consequentemente, deve ser feito pedido de remessa do feito à comarca
“Z”, onde poderão ser ratificados os atos até o momento praticados, prosseguindo-se na instrução.

DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS


A1 - Deve ser arguida a exceção de incompetência (ou preliminar de incompetência na resposta à acusação)
(0,50)
0,00/0,50
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PROCESSO PENAL OAB
Prof. Nidal Ahmad 2ª Fase

A2 - O crime em análise se consuma no local onde ocorreu o efetivo prejuízo econômico. (0,30)
0,00/0,30
A3- Aplica-se, portanto, o disposto no verbete 521 da Súmula do STF OU verbete 244 da Súmula do STJ.
(0,45)
Obs.: A mera indicação ou reprodução do conteúdo da Súmula não pontua. 0,00/0,45

QUESTÃO 01 - XXI EXAME


Paulo e Júlio, colegas de faculdade, comemoravam juntos, na cidade de São Gonçalo, o título obtido pelo
clube de futebol para o qual o primeiro torce. Não obstante o clima de confraternização, em determinado
momento, surgiu um entrevero entre eles, tendo Júlio desferido um tapa no rosto de Paulo. Apesar da pouca
intensidade do golpe, Paulo vem a falecer no hospital da cidade, tendo a perícia constatado que a morte
decorreu de uma fatalidade, porquanto, sem que fosse do conhecimento de qualquer pessoa, Paulo tinha
uma lesão pretérita em uma artéria, que foi violada com aquele tapa desferido por Júlio e causou sua morte.
O órgão do Ministério Público, em atuação exclusivamente perante o Tribunal do Júri da Comarca de São
Gonçalo, denunciou Júlio pelo crime de lesão corporal seguida de morte (Art. 129, § 3º, do CP).
Considerando a situação narrada e não havendo dúvidas em relação à questão fática, responda, na condição
de advogado(a) de Júlio:
A) É competente o juízo perante o qual Júlio foi denunciado? Justifique. (Valor: 0,65)
B) Qual tese de direito material poderia ser alegada em favor de Júlio? Justifique. (Valor: 0.60)
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar as respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere
pontuação.

GABARITO COMENTADO
A) O(A) examinando(a) deve concluir pela incompetência do Juízo, tendo em vista que o crime praticado não
é doloso contra a vida. Nos termos do Art. 74, § 1º, do Código de Processo Penal (ou Art. 5º, inciso XXXVIII,
alínea d, da CRFB), ao Tribunal do Júri cabe apenas o julgamento dos crimes dolosos contra a vida e os
conexos. No caso, mesmo de acordo com a imputação contida na denúncia, o resultado de morte foi
culposo; logo, a competência é do juízo singular.
B) O(A) examinando(a) deve defender que não poderia Júlio responder pelo crime de lesão corporal seguida
de morte, porque aquele resultado não foi causado a título de dolo nem culpa. O crime de lesão corporal
seguida de morte é chamado de preterdoloso. A ação é dirigida à produção de lesão corporal, sendo o
resultado morte produzido a título de culpa. Costuma-se dizer que há dolo no antecedente e culpa no
consequente. Um dos elementos da culpa é a previsibilidade objetiva, somente devendo alguém ser punido
na forma culposa quando o resultado não querido pudesse ser previsto por um homem médio, sendo que a
ausência de previsibilidade subjetiva, capacidade do agente, no caso concreto, de prever o resultado,
repercute na culpabilidade. Na hipótese, não havia previsibilidade objetiva, o que impede a tipificação do
delito de lesão corporal seguida de morte. Também poderia o candidato responder que havia uma concausa
preexistente, relativamente independente, desconhecida, impedindo Júlio de responder pelo resultado
causado. Em princípio, a concausa relativamente independente preexistente não impede a punição do
agente pelo crime consumado. Contudo, deve ela ser conhecida do agente ou ao menos existir possibilidade
de conhecimento, sob pena de responsabilidade penal objetiva.

DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS


A. O Tribunal do Júri não é o juízo competente, pois o crime imputado não é doloso contra a vida (0,55),
nos termos do Art. 74, § 1º, do CPP OU do Art. 5º, inciso XXXVIII, da CRFB/88. (0,10) 0,00 / 0,55 / 0,65
B. Júlio não poderia responder pelo resultado morte (0,25), nem mesmo a título de culpa, em razão da
ausência de previsibilidade OU porque existe causa relativamente independente preexistente desconhecida
OU porque a atribuição do resultado violaria o princípio da vedação da responsabilidade objetiva (0,35).
Obs.: A mera repetição do enunciado no sentido de que o resultado decorreu de uma fatalidade em razão de
lesão em artéria desconhecida, sem qualquer fundamentação jurídica, não é suficiente para atribuição do
segundo intervalo de pontuação. 0,00 / 0,25 / 0,35 / 0,60

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COMPETÊNCIA POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO

QUESTÃO 4 - IX EXAME
Laura, empresária do ramo de festas e eventos, foi denunciada diretamente no Tribunal de Justiça do
Estado “X”, pela prática do delito descrito no Art. 333 do CP (corrupção ativa). Na mesma inicial acusatória,
o Procurador Geral de Justiça imputou a Lucas, Promotor de Justiça estadual, a prática da conduta descrita
no Art. 317 do CP (corrupção passiva).
A defesa de Laura, então, impetrou habeas corpus ao argumento de que estariam sendo violados os
princípios do juiz natural, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa; arguiu, ainda, que
estaria ocorrendo supressão de instância, o que não se poderia permitir.
Nesse sentido, considerando apenas os dados fornecidos, responda, fundamentadamente, aos itens a
seguir.
A) Os argumentos da defesa de Laura procedem? (Valor: 0,75)
B) Laura possui direito ao duplo grau de jurisdição? (Valor: 0,50)

Gabarito comentado
A. Não procedem os argumentos da defesa de Laura, com base no Verbete 704, da Súmula do STF. O fato
de Laura ser julgada diretamente pelo Tribunal de Justiça não lhe tira a possibilidade de manejar outros
recursos.
Assim, não há qualquer ferimento ao devido processo legal, nem ao contraditório e muito menos à ampla
defesa.
Por fim, também não há que se falar em desrespeito ao princípio do juiz natural, já que a atração por
conexão ou continência não configura criação de tribunal de exceção, sendo certo que não se pode
confundir “juiz natural” com “juízo de primeiro grau”.
B. Laura não possui direito ao duplo grau de jurisdição. O princípio do duplo grau assegura o julgamento da
causa em primeira instância e a revisão da sentença por órgão diverso. O recurso que traduz por excelência
o princípio do duplo grau é a apelação, a qual devolve ao Tribunal, para nova análise, toda a matéria de fato
e de direito. Como Laura será julgada diretamente pelo Tribunal de Justiça, não terá direito ao duplo grau
de jurisdição, mas isso não a impede de exercer o contraditório e nem a ampla defesa, estando-lhe
assegurado, assim, o devido processo legal.
Obs.: Não serão pontuadas respostas contraditórias.
Distribuição dos Pontos
Quesito Avaliado Valores
A1) Não, com base no Verbete 704, da Súmula do STF (0,35). 0,00/0,35
A2) O fato de Laura ser julgada diretamente pelo Tribunal de Justiça não lhe tira a possibilidade de manejar
outros recursos
OU não há que se falar em desrespeito ao princípio do juiz natural, já que a atração por conexão ou
continência não configura criação de tribunal de exceção (0,40). 0,00/0,40
B) Não, como Laura será julgada diretamente pelo Tribunal de Justiça, não terá direito ao duplo grau de
jurisdição
OU não terá direito ao duplo grau de jurisdição porque, no caso de Laura, eventual recurso interposto aos
Tribunais Superiores não avaliará matéria fática (0,50). 0,00/0,50

QUESTÃO 3 - IV EXAME
Na cidade de Arsenal, no Estado Z, residiam os deputados federais Armênio e Justino. Ambos objetivavam
matar Frederico, rico empresário que possuía valiosas informações contra eles. Frederico morava na cidade
de Tirol, no Estado K, mas seus familiares viviam em Arsenal. Sabendo que Frederico estava visitando a
família, Armênio e Justino decidiram colocar em prática o plano de matá-lo. Para tanto, seguiram Frederico
quando este saía da casa de seus parentes e, utilizando-se do veículo em que estavam, bloquearam a
passagem de Frederico, de modo que a caminhonete deste não mais conseguia transitar. Ato contínuo,
Armênio e Justino desceram do automóvel. Armênio imobilizou Frederico e Justino desferiu tiros contra ele,
Frederico. Os algozes deixaram rapidamente o local, razão pela qual não puderam perceber que Frederico
ainda estava vivo, tendo conseguido salvar-se após socorro prestado por um passante. Tudo foi noticiado à
polícia, que instaurou o respectivo inquérito policial. No curso do inquérito, os mandatos de Armênio e
Justino chegaram ao fim, e eles não conseguiram se reeleger. O Ministério Público, por sua vez, munido dos
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elementos de informação colhidos na fase inquisitiva, ofereceu denúncia contra Armênio e Justino, por
tentativa de homicídio, ao Tribunal do Júri da Justiça Federal com jurisdição na comarca onde se deram os
fatos, já que, à época, os agentes eram deputados federais. Recebida a denúncia, as defesas de Armênio e
Justino mostraram-se conflitantes. Já na fase instrutória, Frederico teve seu depoimento requerido. A vítima
foi ouvida por meio de carta precatória em Tirol. Na respectiva audiência, os advogados de Armênio e
Justino não compareceram, de modo que juízo deprecado nomeou um único advogado para ambos os réus.
O juízo deprecante, ao final, emitiu decreto condenatório em face de Armênio e Justino. Armênio,
descontente com o patrono que o representava, destituiu-o e nomeou você como novo advogado.
Com base no cenário acima, indique duas nulidades que podem ser arguidas em favor de Armênio.
Justifique com base no CPP e na CRFB. (Valor: 1,25)

GABARITO COMENTADO
Primeiramente há que ser arguida nulidade por incompetência absoluta (art. 564, I, do CPP), pois no caso
não há incidência de nenhuma das hipóteses mencionadas no art. 109 da CRFB que justifiquem a atração do
processo à competência da Justiça Federal. Ademais, o fato de os agentes serem ex-deputados federais não
enseja deslocamento de competência. Nesse sentido, competente é o Tribunal do Júri da Comarca onde se
deram os fatos, pois, cessado o foro por prerrogativa de função, voltam a incidir as regras normais de
competência para o julgamento da causa, de modo que, dada à natureza da infração, a competência é afeta
ao Tribunal do Júri de Arsenal.
Além disso, também deverá ser arguida nulidade com base no art. 564, IV, do CPP. A nomeação de somente
um advogado para ambos réus, feita pelo juízo deprecado, não respeita o princípio da ampla defesa (art. 5º,
LV, da CRFB), pois, como as defesas eram conflitantes, a nomeação de um só advogado prejudica os réus.

Item Pontuação
Indicar duas entre as seguintes. Acertando duas, + 0,05: 0 / 0,3 / 0,6 / 0,9 / 1,25
a) Nulidade por incompetência absoluta com base no art. 564, I, do CPP e
ausência de qualquer das hipóteses mencionadas no art. 109 da CRFB que
justifiquem a atração do processo à competência da Justiça Federal. (0,3) O fato
de os agentes serem ex-deputados federais não enseja deslocamento de
competência, inclusive porque o direito ao foro por prerrogativa de função já
havia cessado, já que os réus não se reelegeram. Assim, competente é o Tribunal
do Júri da comarca onde se deram os fatos. (0,3)
b) Nulidade com base no art. 564, IV, do CPP (0,3) A nomeação de somente um
advogado para ambos os réus, feita pelo juízo deprecado, não respeita o
princípio da ampla defesa consagrado no art. 5º, LV, da CRFB. (0,3)
c) Nulidade pela ausência da apreciação da causa pelo juiz natural do feito (0,3).
Fundamentar com base no art. 5º, LIII, da CRFB OU art. 413/414 do CPP (0,3).

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