Vous êtes sur la page 1sur 14

O fim do renascimento e da liberdade ou a Revolução

protestante não terminou

Max Weber estudou as conseqüências históricas da

reforma protestante.Pode-se dizer com tranqüilidade que a

reforma foi o fim do renascimento e a sua liberdade de

investigação.

A Reforma protestante é um fato interessante como

problema cultural,religioso e político,mas acima de tudo

como problema de como conceituar uma revolução,porque

ela tem aspectos extraordinários de avanço,mas

também,de recuo.

Hannah Arendt ,com suas reflexões,mudou o conceito de

Reforma para o de Revolução ,ampliando o seu

significado para além da religião.

A revolução foi sempre tida como um fato

concreto,político.A sua definição provém da política,mas


adquiriu em Hannah Arendt um significado

cultural,inclusive para trás,reformulando o seu conceito,na

História,desde as revoluções inglesas até as revoluções

atuais.

Mas o que avulta em importância é que a revolução é

sempre identificada com o progresso, o “avanço”,uma

evolução.Mas será que mudança é sempre para a frente?O

que é andar para a frente?

Os nazistas sempre consideraram o seu movimento uma

“revolução nacional”, o “ levante alemão”.Mas todos

repudiam esta classificação,menos os teóricos e lideranças

nazistas.O que diferencia a opinião destes últimos dos

intelectuais considerados não é senão a ciência política(se

existe)e a teoria política.


De qualquer forma,em princípio, há uma distinção entre

mudança e revolução.Toda a revolução é mudança,mas

nem toda mudança é revolução?

Estas considerações são importantes para identificar a

questão do progresso associada à mudança e à

revolução,porque em muitos sentidos a liberdade(conceito

chave de toda a revolução)do renascimento ,acabou com a

reforma e suas conseqüências.

Então parece que o conceito de Reforma Protestante é

melhor do que Revolução,a menos que se entenda este

último como idêntico a qualquer mudança.

Do ponto de vista político a definição de Revolução é uma

mudança violenta nos fundamentos políticos de classe de

um determinado lugar.Quando uma classe toma o poder de

outra há uma revolução.


A reforma é um meio pacífico,que atinge os fundamentos

da sociedade ,mas não a modifica inteiramente.Com os

conceitos referidos de Hannah Arendt o papel da

transformação cultural e do pensamento humano,a

pequeno e longo prazos ,modifica um pouco esta definição

clássica.

O termo revolução vem exatamente da revolução

copernicana,que mudou radicalmente o pensamento

humano.A partir dele uma polissemia se forma.Mas estes

dois aspectos distintos ,o político e o cultural disputam

primazia ou relacionamento.

André Gorz cunhou a expressão “ reformismo

revolucionário” confirmando esta última possibilidade e

ampliando as conseqüências das novas premissas de

Arendt.
A reforma não significou,de pronto,uma mudança geral na

relação de classes .Este capitulo é para discutir esta

realidade,porque Lutero,como sabemos,ficou do lado das

classes dominantes(e já era contra Copérnico e as

mudanças culturais de sua época[em termos de costumes

ele era um medieval]{exceto pela atitude contra a

superstição e o diabo,coisa que analisaremos em outro

capitulo}).Ficou contra as conseqüências sociais,políticas

e culturais de sua pregação.Era,poderíamos dizer,um

reacionário,em muitas coisas,mas

revolucionário,culturalmente falando(mudando a

religião[o pensamento humano nesta mediação]).

Estas conseqüências não modificaram a estrutura de

classes senão ao longo de um extenso período

histórico,desencadeado por sua prédica.Se consideramos

,com o mesmo Max Weber,que a Reforma vai até ao

século XVIII e ajudou na ascensão mundial da


burguesia,nós podemos fazer esta associação.Mas o ato de

Lutero valia como uma reforma e auto-reforma da

Igreja,que se tornou uma extensa revolução.

Este primeiro ato,como fenômeno cultural, era

revolucionário,mas como político se tornou regressivo.

Se é verdade que a revolução pode ser cultural , a

ascensão da burguesia,com a ajuda do

protestantismo,marcou também uma mudança

progressiva,nas consciências,mas não in totum,não em

todo o lugar.

A mediação decisiva da revolução cultural do

protestantismo foi a dissolução da unidade do

cristianismo,que permitiu a múltipla construção de

discursos religiosos e políticos pela sociedade.Também

justificou a formação dos estados nacionais modernos,para

além do cristianismo católico,que havia feito a unidade de


Portugal,Espanha e França,países que ainda comungavam

do “ universalismo cristão”.Neste sentido a revolução

cultural é real também,juntamente com a revolução

política.

O problema é que o renascimento,a liberdade,são

substituídos por comportamentos culturais e políticos

regressivos,denominados de racionalização do mundo do

conhecimento e do trabalho.

Toda esta questão começa fundamentalmente na discussão

sobre a relação do protestantismo com o capitalismo,que é

um dos elementos que tomamos aqui como parte da “

Revolução protestante”.O mundo progrediu com o

capitalismo,mas a liberdade do renascimento não

continuou.

Lutero era uma personalidade,apesar de tudo,do

passado(medieval).Diante de um mundo cujas


possibilidades se põem claramente ,Lutero,segundo

Weber,aponta o conceito de vocação(o chamado interior[a

voz interior]).O “ novo homem” não é mais determinado

pela vocação imposta pela hierarquia católica,mas por esta

“ voz interior” que o conduz a Deu,e fundamenta

profissões seculares,válidas por si mesmas.Contudo ,diz

Weber,em Lutero esta vocação ,que se expressa nas

profissões seculares(ethos do trabalho[escolha profissional

mundana])mantém uma submissão a Deus,que limita a

atividade (escolha)deste novo homem em direção a uma

prática de trabalho e de poupança(entesouramento).

A questão,como sabemos,é a da posição do crente cristão

reformado diante do mundo e da natureza.O católico(até

hoje)é supersticioso e temente à natureza,criada por

Deus.O “ novo” cristão(o novo

homem[demiurgia{diferente do renascimento/porque

calcada na religião/}]),busca uma justificação teológica


para manipular a natureza criada por Deus.Neste sentido a

submissão a Deus é ruim,porque Deus criou a natureza e a

sua manipulação tem uma fundamentação ,no

mínimo,duvidosa.

Foi somente depois,com a doutrina da predestinação de

Calvino que esta submissão acaba e o ideal

ascético,austero,de trabalho e poupança,pode se

constituir.Quer dizer,a partir de Calvino(e alguns

subseqüentes),a relação do homem com Deus se dá

plenamente pelo coração,pela fé e a decisão da graça se dá

por decisão de Deus.Como Deus não muda,ele predestina

alguns à salvação e o que o homem pode fazer é confiar

nele(confiança, um dos elementos ideológicos

fundamentais do capitalismo[Fukuyama])e nos seus

iguais,nos crentes da comunidade(eid

genossen[companheiros iguais]{huguenotes na França}.


Ao atuar na natureza,este novo demiurgo,não encontra

nela a presença de Deus.

Este é o esquema clássico que Max Weber faz da relação

do protestantismo com o capitalismo,mas o que

procuramos mostrar aqui é que esta atitude nova impõe

uma racionalização da vida,um controle totalmente

contrário ao espírito do renascimento,o que põe o

problema de como caracterizar isto tudo como algo

revolucionário e progressista.

Ora, uma revolução tem sempre um programa,que pode

ser completado ou não.As revoluções inglesas atingiram

os seus objetivos de estabelecer a hegemonia da

burguesia.A revolução russa não atingiu o seu e até se

perverteu.

Admitimos que a revolução pode ser um fenômeno só

cultural ou relacionando a cultura e os fatos


políticos.Contudo se a revolução ,para sê-la,precisa se

completar ,como caracterizar a “ Revolução

protestante”?E um programa que não consagre a

liberdade,é revolucionário e progressista?Se a questão do

programa é indiferente,o que aconteceu na Alemanha o

foi?

Respondendo afirmativamente que as revoluções podem

ser culturais e políticas,ou ambas,o caráter repressivo da

“revolução protestante” a nega.

Nós poderíamos usar os critérios próprios da chamada

revolução restauradora(Gramsci[a partir de Croce])ou o

conceito de modernização conservadora,mas ainda assim

não dá para adequá-lo ao princípio da revolução e uma de

tipo regressivo teria que ser admitida no plano da teoria

política,o que é inadmissível.Revolução ,no sentido


político,não é só mudança,mas mudança orientada a uma

finalidade de progresso.

O fato é que a revolução protestante não terminou,nem

culturalmente nem realmente (como a de Cristo?) .A

atitude solitária não muito repercutida(inicialmente) de

Lutero na Igreja de Wittenberg desencadeou fenômenos

históricos e políticos;influenciou revoluções e abriu o

mundo moderno em seus múltiplos

aspectos,filosóficos,políticos de cidadania e

culturais/religiosos,cujas conseqüências ainda se sentem e

que são a base para mais transformações.

Contudo esta opinião não é de fato compartilhada por

todos,principalmente aqueles que criticam o papel da

religião(é o meu caso também).

Chegou a hora de superar o seu papel orientador.Chegou a

hora de aprofundar-lhe as possibilidades e isto significa o


laicismo.A revolução protestante não terminou.O seu

término é a sua superação e a sua superação é este

aprofundamento.

Ela não terminou na medida em que a escolha se tornou

uma relação do homem com a mediação institucional da

religião e outras instituições.

A superação do mundo medieval católico hierárquico(de

cima para baixo)se deu de diversas formas:por influência

do comércio nascente,que ocasionou as primeiras

descobertas científicas modernas;a liberdade política na

Itália desunida;a peste negra.A religião reflete estas

mudanças,mas se opõe a algumas delas.Contudo o direito

humano,cidadão de interagir com a religião por

escolha(embora ,na prática isto não se desse sempre[tanto

na catolicidade]{como no protestantismo}),é uma


possibilidade de ampliação da democracia moderna ,que

continua até hoje.

O “ Eis-me aqui,não posso agir de outro modo” que

Lutero disse na Dieta de Worms,põe a possibilidade de

construir discursos,inclusive,não religiosos.Se a Reforma

permitiu isto culturalmente põe-se contra a liberdade

política de ir além ,no que é a contradição das revoluções

,mas o seu significado de abertura do novo.