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IV CICLO DE PALESTRAS EM CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS

Oportunidades e desafios nas ciências sociais aplicadas: relações interorganizacionais, trabalho e renda.
Sinop, MT, Brasil, 18 a 22 de outubro de 2010.

Sistema de controle de custos no confinamento de bovinos: um estudo


de caso na região médio-norte mato-grossense

Vandersézar Casturino (UNEMAT) vandersezar@yahoo.com.br


Andriélli Silva dos Santos Stanghilin (UNEMAT) andrielli_santos@hotmail.com

Resumo
O presente estudo teve como objetivo pesquisar, analisar e interpretar o controle de custos
utilizado em um confinamento de bovinos no município de Sinop, região médio-norte do
estado de Mato Grosso. Para tanto, utilizou-se as metodologias descritiva, qualitativa,
bibliográfica e o estudo de caso. Para fundamentar o estudo, foi desenvolvido um
embasamento teórico adequado para atender todos os objetivos da pesquisa. Dentre os
assuntos abordados, pode-se citar a contabilidade geral, a contabilidade rural, a
contabilidade da pecuária, confinamento de gado de corte e sistema de controle interno. O
modelo de controle desenvolvido na execução do estudo teve como principal finalidade
auxiliar a empresa analisada no controle de seus custos de uma forma que, se aplicado
corretamente, a empresa possa identificar a participação de cada custo na atividade do
confinamento, tanto dos fixos quanto dos variáveis. Essa evidenciação dos custos se faz
necessária para facilitar possíveis tomadas de decisões dentro da atividade de confinamento
da empresa. Se a empresa conseguir implantar dentro de sua estrutura, o modelo de controle
de custo na atividade de confinamento de gado de corte desenvolvido neste trabalho, ela
poderá obter resultados positivos no decorrer das atividades. Além do modelo de controle de
custo, foram criados modelos de controles auxiliares, os quais foram desenvolvidos com o
intuito de servir como suporte para a empresa realizar o preenchimento de seu controle de
custos, ou seja, esses controles, depois de devidamente preenchidos, irão fornecer à empresa
valores que poderão ser utilizados para preencher o controle de custos.
Palavras-chave: Confinamento; Custos; Pecuária de Corte; Sistema de Controle dos Custos.

1. Introdução
A pesquisa apresenta a análise do sistema de controle de custos utilizado por uma
entidade, localizada no município de Sinop-MT, que explora a atividade de pecuária, mais
especificamente o confinamento de gado de corte.
A atividade pecuária foi escolhida como tema desta pesquisa, por apresentar uma
influência socioeconômica expressiva em nosso País. Só no estado de Mato Grosso possui,
segundo os dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas - (2007),
referente ao ano de 2007, cerca de 12,9% do rebanho encontrado em todo o Brasil. Por esses
motivos, essa atividade necessita de uma administração eficiente, confiável, ágil e útil para
auxiliar seus gestores na tomada de decisão, necessária para o sucesso de qualquer atividade,
mas principalmente, de atividades que dependem do ambiente externo na comercialização de
seus produtos e/ou serviços.
Atualmente, as entidades que trabalham na área de confinamento de gado de corte
apresentam muitas dificuldades no controle dos custos relacionados diretamente à
produção/criação, isso ocorre porque, na maioria das vezes, as entidades não possuem um
sistema de controle de custos na sua atividade e, quando possuem, não é um sistema adequado
para a atividade, uma vez que a pecuária é muito complexa em relação à separação dos gastos

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relacionados à criação do gado confinado e aos gastos administrativos das entidades.


Na maioria das situações, os pecuaristas, para calcular os custos da atividade no
período, não separam os gastos administrativos dos gastos na produção. Esse fator causa um
aumento elevado de custos do período na produção.
Nesse aspecto, para a execução desta pesquisa, serão colocados em prática os
procedimentos do estudo de caso e a pesquisa bibliográfica. O estudo de caso se caracteriza
pelo estudo realizado em um único caso. Esse tipo de estudo auxilia o pesquisador a
aprofundar seus conhecimentos em relação a um caso específico e possibilita ao pesquisador
reunir inúmeras informações sobre um determinado assunto, facilitando, assim, posteriores
tomadas de decisão (BEUREN, 2009).

O estudo de caso é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de


poucos objetos, de maneira a permitir conhecimentos amplos e detalhados do
mesmo, tarefa praticamente impossível mediante os outros tipos de delineamentos
considerados (GIL, 1999, p. 73).

A pesquisa bibliográfica é parte obrigatória de qualquer pesquisa científica a ser


realizada, pois é, através deste embasamento teórico, que será possível tomar conhecimento
de pesquisas científicas existentes e reconhecidas. A pesquisa bibliográfica é realizada
mediante materiais já existentes e elaborados. Dentre esses materiais, estão os livros e artigos
científicos publicados e revistas conceituadas (GIL, 1999).
Esta tipologia é parte integrante, pois ela servirá de ponto de partida para o
levantamento do problema e a forma com que ele poderá ser solucionado. A pesquisa
bibliográfica será realizada em acervos bibliográficos, meios eletrônicos (Internet), revistas
que abordam temas sobre a pecuária e através de artigos publicado.
Toda a pesquisa será desenvolvida da seguinte maneira: primeiramente, será realizado
um levantamento do referencial teórico, envolvendo principalmente a contabilidade rural e de
custos, tópicos relevantes para o desenvolvimento da pesquisa; em um segundo momento,
será realizada a visita na empresa de confinamento de gado de corte, na qual será realizada
uma entrevista com questionário sobre a atividade e a forma de controle dos custos da
entidade; a etapa seguinte consiste em analisar as informações do sistema de controle de
custos da atividade de confinamento de gado de corte e, depois de realizada essa análise,
propor um modelo adequado dentro da realidade da atividade.
2. Referencial teórico
2.1 Contabilidade geral
A contabilidade é uma ciência que estuda, controla e interpreta os fenômenos que
integram o patrimônio de uma entidade. Um dos objetivos principais da contabilidade é
permitir o estudo e o controle dos fatores decorrentes da gestão do patrimônio das entidades
(RIBEIRO, 2002).
Segundo Marion (2007, p. 27), “A contabilidade é o instrumento que fornece o
máximo de informações úteis para a tomada de decisões dentro e fora da empresa”.
Segundo Franco (1996, p. 19),
A função da Contabilidade é registrar, classificar, demonstrar, auditar e analisar
todos os fenômenos que ocorrem no patrimônio das entidades, objetivando fornecer
informações, interpretações e orientação sobre a composição e as variações desse
patrimônio, para a tomada de decisões de seus administradores.

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Seu objetivo de estudo é, pois, o patrimônio, e seu campo de aplicação o das


entidades econômico-administrativas, assim chamadas àquelas que, para atingirem
seu objetivo, seja ele econômico ou social, utilizam bens patrimoniais e necessitam
de um órgão administrativo, que pratica os atos de natureza econômica e financeira
necessários a seus fins. Daí se conclui que somente os patrimônios ociosos, não-
produtivos e não-administrados podem dispensar a ação controladora, informativa e
orientadora da Contabilidade.

Pode-se estudar a contabilidade de duas formas: a primeira é estudar a contabilidade


de uma forma geral, ou seja, uma contabilidade para todas as empresas, que pode ser chamada
de contabilidade geral ou contabilidade financeira; a segunda, é quando a contabilidade é
aplicada para um determinado ramo de atividade. Essa forma de se estudar a contabilidade
será denominada de acordo com o ramo de atividade aplicada a cada empresa como, por
exemplo, a contabilidade rural, que é aplicada a entidades que desenvolvem ações voltadas
para a agricultura, pecuária, entre outros (MARION, 2002).
2.2 Contabilidade rural
Contabilidade rural é o ramo da contabilidade aplicada a empresas que tenham como
atividade econômica o setor rural. “Empresas rurais são aquelas que exploram a capacidade
produtiva do solo por meio do cultivo da terra, da criação de animais e da transformação de
determinados produtos agrícolas” (MARION, 2002, p. 24).
Conforme Marion (2002), considera-se como atividade rural a exploração de
atividades agrícolas, zootécnicas e agroindustriais, ou seja, produção vegetal, animal e
indústria rural. Essas atividades rurais são:
a) atividade agrícola: é a atividade que trabalha com os vegetais, que são as hortícolas
(pimentão, verduras em geral), as ferrageiras e as arbiculturas (florestamento); a atividade
agrícola é a arte de cultivar a terra;
b) atividade zootécnica: é o ramo da atividade que estuda a criação dos animais em geral,
como, por exemplo, a criação de abelhas (apicultura), a criação de rãs (ranicultura), a
criação de bovinos (pecuária), entre outros tipos de criação;
c) atividade agroindustrial: esse tipo de atividade é desenvolvido através da realização do
beneficiamento dos produtos agrícolas ou pela transformação desses produtos como, por
exemplo, a transformação da soja em óleo, ou também a transformação de produtos
zootécnicos, um exemplo bem conhecido desse tipo de atividade é o casulo de seda.

2.3 Contabilidade na pecuária


A contabilidade na pecuária é o termo aplicado às empresas que exploram a atividade
pecuária. As entidades pecuárias são aquelas que se dedicam à cria, recria e engorda de
animais para fins comerciais (MARION, 2004).
O objetivo central da contabilidade na pecuária é a interpretaçãoo e a análise da
avaliação do estoque vivo, conhecido também como plantel. É importante ressaltar que
existem duas formas de avaliação do plantel: pelos valores de custo e pelos valores de
mercado (MARION, 2004).
Pecuária é a arte de criar e tratar o gado. Gados “são animais geralmente criados no
campo, para serviços de lavoura, para consumo doméstico ou para fins industriais e
comerciais” (MARION, 2004, p. 20).
Muitas vezes, quando a pecuária se refere a gado, as pessoas associam somente aos
bovinos, mas é importante lembrar que gado se refere a vários outros tipos de criação. Pode-se
citar como gado: os bovinos, bubalinos, caprinos, equinos, ovinos, muares, entre outros tipos

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de criações (MARION, 2004).


A parte da pecuária abordada neste trabalho será somente os bovinos, mais
especificamente os de corte. A atividade da pecuária de corte, relacionada com os animais que
são destinados ao abate, separa-se em três partes diferentes: cria, recria e engorda (MARION,
2004).
Segundo Marion (2004, p. 21, grifos do autor):

Cria: a atividade básica é a produção e a venda de bezerros, que só serão vendidos


após o desmame. Normalmente, a matriz (em época de boa fertilidade) produz um
bezerro por ano.
Recria: a atividade básica é, a partir do bezerro adquirido, a produção e a venda do
novilho magro para a engorda.
Engorda: a atividade básica é, a partir do novilho magro adquirido, a produção e a
venda do novilho gordo.

Assim, as propriedades pecuárias podem ser classificadas em fazendas de cria, recria e


engorda (conhecido como ciclo completo), somente cria, cria e recria, recria e engorda, cria e
engorda. Essa classificação vai depender de qual ou quais atividades a entidade pecuária
desenvolve em sua propriedade (BARBALHO, 2005).
A seleção do gado de corte refere-se à possibilidade de reprodução com qualidade de
determinados animais, ou seja, através desta seleção serão verificados quais animais servirão
para reprodutores e matrizes e por quanto tempo esses animais apresentarão um
desenvolvimento satisfatórios para poder, assim, continuar a reproduzir (MARION, 2004).
Para poder escolher esses reprodutores é levado em conta os seguintes caracteres: o
grau de fertilização, a habilidade materna apresentada pelas fêmeas, a taxa de crescimento
apresentada até o ponto de abate, eficiência alimentar e rendimento de carcaça (MARION,
2004).
Segundo Marion (2009, p. 81):

O gado que será comercializado pela empresa, em forma de bezerro, novilho magro
ou novilho gordo, deverá ser classificado no estoque. O gado destinado à procriação
ou ao trabalho, que não será vendido (reprodutor-touro ou matriz-vaca), será
classificado no Ativo Permanente Imobilizado.

Os animais recém-nascidos deverão ser classificados no estoque (Ativo Circulante),


somente depois que for constatado que o animal possui habilidades reprodutivas e poderá ser
transferido para o Imobilizado (Ativo Permanente) (MARION, 2009).
Lembrando que, se o plantel estiver avaliado a preço de custo, faz-se necessária a
reavaliação na hora de realizar a transferência do Circulante para o Permanente (MARION,
2009).
Conforme Marion (2004, p. 37), “a divisão de bovinos em grupos obedece aos
seguintes critérios: finalidade, sexo, idade e peso”. Manter esse controle é muito importante,
pois proporciona um controle mais adequado, facilitando, assim, o manuseio da pastagem, dos
nascimentos, vacinações, entre outros benefícios.
A pecuária possui hoje uma grande parcela no sucesso econômico do Brasil, através de
suas produções e exportações de produtos como a carne, o leite e subprodutos. Esse sucesso
econômico deve-se ao grande controle e assistência higiênica-sanitária, que progrediu muito
através da vacinação contra diversas moléstias que se encontravam no país, tais como: febre

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aftosa, brucelose, raiva, carbúnculo sintomático, entre outras (MARION, 2004).


2.4 Contabilidade de custos
A contabilidade de custos é o ramo da contabilidade que produz várias informações
destinadas a auxiliar a entidade em diversos níveis gerenciais. A contabilidade de custos tem
como função principal coletar, classificar e registrar os dados operacionais das atividades
desenvolvidas pela entidade, denominados dados internos (MARTINS, 2008).
Esse ramo da contabilidade nasceu da contabilidade financeira, na época em que se
estabeleceu a necessidade de se avaliar os estoques dentro das indústrias. Foi depois da
revolução industrial que a contabilidade de custos mudou o seu enfoque principal, avaliar os
estoques, para as diferentes técnicas de custeio (MARTINS, 2008).
Conforme Kroetz (2001, p. 08), “A contabilidade de custos aparece pela primeira vez
com técnica independente e sistemática, nos Estados Unidos, envolvendo a produção
industrial, sobretudo estudando os problemas de mão-de-obra e repercussões no custo
industrial” e tem uma função mais gerencial, por isso precisa sempre atualizar os sistemas de
custos das empresas. É importante que a contabilidade de custos, além de atualizar seus
dados, possua critérios de avaliação dos custos adequados para cada ambiente de produção
(LEONE, 2000).
Leone (2000, p. 56) classifica os principais sistemas:
a) custos diretos: aqueles custos que podem ser diretamente identificados aos seus portadores
sem precisar passar por rateio;
b) custos indiretos: não podem ser diretamente identificados aos seus portadores, para ser
identificados necessitam passar pelo processo de rateio;
c) custos-padrão: é predeterminado e leva em conta as condições consideradas normais de
operação;
d) custos estimados: são aplicados em planos alternativos, em atividades e em situações em
que não se podem padronizar os custos, são apenas estimados;
e) custos variáveis: são aqueles que variam de acordo com o volume das atividades
realizadas pela entidade;
f) custos fixos: permanecem iguais, independente do volume das atividades desenvolvidas;
g) custos de oportunidade: representam vantagens ou oportunidades perdidas na realização
de uma alternativa e não de outra, utilizado somente para tomada de decisão;
h) custos por atividade: esse é o sistema utilizado pela contabilidade de custos mais
complexo, uma vez que ele é muito detalhado e exige muito esforço burocrático. Baseia-
se em alocações e utiliza normalmente os rateios, por isso seus resultados são
considerados bastante poluídos;
i) custos semivariáveis ou semifixas: são os que, após “serem analisados, verifica-se que
possuem uma parte variável que se comporta como se custo variável fosse, e uma parte
fixa que se comporta como se fixo fosse”.

2.5 Custos na pecuária


Na pecuária, o método de custo utilizado como base de valor é o custo histórico.
Crepaldi (1998, p. 212) define método de custo como “o método que considera para efeito de
registro os valores de aquisição ou os valores relativos ao custo de produção dos ativos a
serem incorporados à entidade”.
Conforme Marion (2009, p. 99), “o custo histórico é uma medida impessoal, isto é,
não depende de quem esteja avaliando os ativos”. Ele conclui dizendo, “qualquer valor do
ativo, por meio de exame e qualquer tempo a por qualquer pessoa, poderá ser verificável,

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constatando-se o mesmo valor”.


As entidades rurais utilizam-se de formulários, mapas e relatórios próprios para
realizar o controle de nascimento, mortes, transferências e outras possíveis movimentações do
rebanho (CREPALDI, 1998).
Esse controle é necessário para que a entidade tenha dados exatos da movimentação de
seu rebanho no período. Nesses relatórios são registrados os dados do rebanho no início do
mês, a movimentação ocorrida, o rateio do custo de manutenção e a situação do rebanho no
final do mês (CREPALDI, 1998).
2.6 Confinamento de gado de corte
O confinamento de gado é o sistema de criação de bovinos em que lotes de animais
são encerrados em piquetes ou currais em áreas separadas. Em confinamento, os animais
recebem os alimentos e água em cochos (CARDOSO, 2000).
Este é utilizado também como fase de terminação de bovinos, que é a fase da produção
que antecede o abate dos animais. Bons produtos de confinamento são obtidos a partir de
animais sadios, fortes, obtenção de alta quantidade de carne e gordura suficiente para dar
sabor à carne e proporcionar boa cobertura da carcaça (CARDOSO, 2000).
3. Estudo de caso
O estudo de caso será realizado em uma empresa agropecuária localizada no
município de Sinop – MT, cujo ramo de exploração é a atividade de pecuária e agricultura.
A empresa atua há mais de 4 (anos) com o confinamento de gado de corte. Vem
explorando esse ramo de atividade para suprir as deficiências e necessidades do mercado no
período da entressafra de boi, ou seja, nessa fase diminui a demanda do gado solto por falta de
pasto (que se intensifica na época da seca) e necessita de uma alternativa para suprir as
necessidades do mercado. Um dos principais motivos do confinamento, de uma forma geral, é
fomentar o mercado da indústria.
As atividades desenvolvidas pela empresa são: cultivo de soja e milho e gado de corte,
tanto em confinamento quanto em pasto. O gado confinado, em sua grande maioria, é
adquirido na forma de Parceria, ou seja, a empresa compra do pecuarista o gado que se
encontra na fase de engorda, controlando o valor e o peso do animal (em arroba), dando ao
pecuarista a oportunidade de escolher quando fechar efetivamente o negócio, seguindo o que
determina o contrato de parceria.
Esse gado ficará confinado por um período médio de 90 dias. Durante esse período, é
realizado o controle da alimentação, dos medicamentos, do aumento de peso, da qualidade da
carcaça do animal. Depois de pronto para a comercialização (abate), são agregados aos custos
do animal, além dos já citados acima, o valor gasto com transporte, rastreabilidade, despesas
administrativas e diárias dos peões.
Inicialmente, realizou-se uma visita na empresa, mais especificamente no local onde
funciona o confinamento do gado. Durante a visita, foi realizada uma entrevista (em forma de
questionário) com o coordenador/supervisor do confinamento da empresa, momento que foi
possível recolher alguns dados da empresa e do negócio por ela praticado.
Após coletar todas as informações referentes aos custos incorridos na empresa e o
controle de gastos utilizado por ela, podendo-se observar que esse controle de gastos,
individual, ou seja, por animal confinado, é executado através de sistemas operacionais,
demonstrando o custo do boi, da ração/dia e se o animal representa um rendimento satisfatório
(dado estipulado no planejamento da empresa).

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Todos esses dados são controlados via sistemas interligados, criados exclusivamente
para o manuseio do confinamento da empresa em estudo. Os dados, depois de coletados no
curral, são lançados em quadros criados no software excel. Depois de conferidos, são
transferidos para o programa TGC (Tecnologia e Gestão Agropecuária), elaborado
especificamente para o modelo de confinamento desenvolvido pela empresa. Para que esse
controle obtenha resultados positivos, é necessário que a equipe que trabalha no
confinamento, de forma geral, seja composta por pessoas comprometidas com seu trabalho, de
forma a estar sempre dispostas a passar por treinamentos para que, assim, a empresa possa
contar sempre com funcionários qualificados para a realização do trabalho.
Os gastos com o confinamento são lançados em registros contábeis separados,
lembrando que, como a atividade da agricultura é destinada exclusivamente para a
alimentação dos animais, todos os seus gastos são alocados como, por exemplo, com a
alimentação do gado confinado, estes são registrados desde o plantio até o processo de
silagem, realizado com os grãos produzidos nas lavouras, inclusive a mão de obra utilizada
durante o desenvolvimento do trabalho.
Para facilitar todo o processo de controle dos custos do confinamento, cada animal que
dá entrada na empresa para ser confinado, recebe um número de registro, constando todos os
dados do animal, como a data em que ele entrou no confinamento, com quantos quilos, o
quanto de ração foi consumida, quantas vacinas recebeu, quando e com quantos quilos está
deixando o confinamento. Para que seja possível a implantação desse registro e a sua leitura,
os funcionários contam com um Tronco Pneumático, que serve para trancar e neutralizar o
animal e garantir a segurança tanto do animal, quanto dos funcionários que lidam com ele.
A empresa trabalha com uma forma de controle de custos baseada praticamente em
dados estatísticos. Ou seja, o controle de custos do confinamento não demonstra 100% do que
ele realmente está consumindo em sua produção no período, pois seus valores são, na grande
maioria, mais ilustrativos do que reais.
A seguir, será apresentado um modelo de controle de custo adaptado e desenvolvido
especificamente para a empresa em análise, com base em dados fornecidos por ela, mas que
também poderá ser aplicada a outras empresas que trabalham com a atividade de
confinamento de gado de corte. O modelo desenvolvido mostrará todos os custos
desenvolvidos na organização durante o processo do gado confinado. Esses gastos são
demonstrados por animal, trazendo como base, para a realização do preenchimento do quadro,
a quantidade gasta de cada produto/serviço, o seu valor unitário, o valor total gasto pelo
animal e a participação em percentagem de cada item constante do controle, em relação ao
custo total do período.
O quadro de controle desenvolvido será desfragmentado de acordo com cada gasto.
Essa desfragmentação se faz necessária para facilitar a explicação de cada função do quadro e
para oferecer um melhor entendimento para quem irá utilizá-la.
A parte A do modelo desenvolvido apresenta todos os custos variáveis da empresa. Os
dados para a elaboração desse modelo foram adquiridos durante o processo de coleta de dados
e análise do controle de custos da empresa. Essa fase foi importante para que fosse possível
elaborar um modelo que atendesse todas as necessidades da empresa diante dos gastos
oriundos da atividade do confinamento.
O quadro de custos variáveis tem informações sobre a mão de obra, que tem variação
de acordo com a quantidade/diária trabalhada dentro, ou em função do confinamento. O
modelo traz como exemplo de mão de obra variável, o diarista, que é a pessoa prestadora de
serviço da empresa, em forma de diárias, ou seja, ela recebe de acordo com o serviço que

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prestou. É importante ressaltar que esse serviço não pode ser prestado de uma maneira
contínua, pois acabará se caracterizando como vínculo empregatício e não mais como diarista,
pois não será mais um gasto variável e sim fixo, uma vez que a empresa se obrigará a pagar
todo mês aquela pessoa.
IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA
CONTROLE DE CUSTOS
Número do Animal: Data: N° Folha:
A - Custos Variáveis Unidade Quantidade Valor Unit. Valor Total Participação em %
A - 1 Mão-de-obra
Diarista Diária
QUADRO 1 - Controle da mão de obra da atividade de confinamento de gado de corte.
Fonte: Adaptado de Zoofort, 2001.
Conforme pôde-se perceber, o quadro abaixo apresenta os gastos da empresa com
insumos e produtos utilizados no preparo da alimentação do animal confinado. Como já relato
no trabalho, a maioria dos insumos utilizados na manipulação da alimentação do gado
confinado é extraída de plantação própria da empresa, ou seja, a empresa planta alguns grãos
utilizados na alimentação do gado. Depois de colhido, os grãos são encaminhados para serem
beneficiados e transformados em alimento para gado. Todos os gastos oriundos desse
processo são contabilizados dentro da colheita e, depois, transferidos para gastos com
alimentação do gado, uma vez que o confinamento paga para a agricultura todos os gastos que
se originaram do processo dos grãos utilizados para seu consumo.
Outros insumos, como a suplementação mineral, são adquiridos de terceiros, pois
somente os grãos produzidos na empresa não são suficientes para o sucesso no período de
engorda dos animais confinados.
Participação em
A - Custos Variáveis Unidade Quantidade Valor Unit. Valor Total
%
A - 2 Insumos/Alimentação
Silagem de Sorgo kg
Núcleo kg
Sorgo Moído kg
Torta de Algodão kg
Res. Soja kg
Ração Tonelada
Suplementação Mineral Sacos
Suplementação Proteico Sacos
QUADRO 2 - Controle dos gastos com a alimentação do gado no confinamento.
Fonte: Adaptado de Zoofort, 2001.
Os gastos com medicamentos para o gado no período confinado será controlado pelo
quadro que segue. Alguns desses medicamentos são aplicados no animal para prevenir alguma
praga/doença no lote, outros são aplicados para curar algum tipo de praga/doença já existente,
que pode acabar comprometendo o rebanho, ou até mesmo um único animal. Contudo, é
importante ressaltar que a perda de um único animal representa um prejuízo grande para a
empresa, impactando futuramente nos resultados da atividade.
O controle dos medicamentos utilizados na atividade é importante, pois através dele a
empresa pode realizar o controle de possíveis epidemias ou proliferação de alguma doença e,
até mesmo, para a valorização do lote na hora da sua venda. A Poli-Star é uma vacina

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utilizada para proteger o gado contra as clostridioses, inclusive o botulismo, doenças no rim
polposo e o carbúnculo sintomático.
A - Custos Variáveis Unidade Quantidade Valor Unit. Valor Total Participação em %
A - 3 Medicamentos
Poli Star Doses
Vermífugo Litros
Vacinas diversas Doses
QUADRO 3 - Controle dos medicamentos utilizados na Atividade de confinamento.
Fonte: Adaptado de Zoofort, 2001.
O quadro seguinte demonstra os gastos que a empresa obteve com a rastreabilidade do
animal confinado e serve para auxiliar a empresa no controle de todos os gastos com o animal,
inclusive o ganho ou perda de peso, realizado da seguinte maneira: quando o animal dá
entrada no confinamento, recebe um brinco e um boton constando o seu número de registro e
é, através desse número, a empresa faz o controle de todas as atividades desenvolvidas com
esse animal.
A - Custos Variáveis Unidade Quantidade Valor Unit. Valor Total Participação em %
A - 4 Rastreabilidade
Brinco Unidade
Boton Unidade
Despesas R$
QUADRO 4 - Controle da rastreabilidade utilizada na atividade de confinamento.
Fonte: Adaptado de Zoofort, 2001.
Os gastos de energia e combustíveis são apresentados no quadro abaixo e variam de
acordo com a quantidade de animal confinado em cada período. Essa energia é, por exemplo,
aquela utilizada no curral onde os animais são pesados, vacinados e carregados para a venda.
Combustível é, por exemplo, aquele utilizado na locomoção dos veículos do administrativo
até o curral, ou do curral até a mangueira onde são localizados os lotes confinados. Também
se encontra nessa classificação os óleos utilizados nos motores que abastecem toda a estrutura
do confinamento.
A - Custos Variáveis Unidade Quantidade Valor Unit. Valor Total Participação em %
A - 5 Energia e Combustível
Óleo diesel Litros
Óleo lubrificante Litros
Energia Elétrica R$
QUADRO 5 - Controle da energia e combustível utilizados na atividade.
Fonte: Adaptado de Zoofort, 2001.
A realização do controle dos gastos com reparo de máquinas e equipamentos
utilizados para manter e auxiliar no manejo do animal confinado fará parte do quadro
seguinte. Constará no quadro a aquisição de peças para reparos com equipamentos
diretamente ligados à atividade do confinamento e o mecânico que irá mantê-las. O mecânico
mencionado no quadro poderá também fazer parte do quadro de mão de obra variável, uma
vez que ele será um prestador de serviço que receberá da empresa pelo serviço realizado.
Porém, esse mecânico está mencionado no quadro de reparos, pois ele somente será solicitado
para realizar reparos nas máquinas e equipamentos do confinamento.

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A - Custos Variáveis Unidade Quantidade Valor Unit. Valor Total Participação em %


A - 6 Reparos de Máquinas/Equipamentos
Peças Peças
Mecânico Diária
QUADRO 6 - Controle dos reparos de máquinas e equipamentos utilizados na atividade.
(Fonte: Adaptado de Zoofort, 2001.
No quadro seguinte, evidenciam-se os impostos incidentes quando da realização da
venda do gado confinado. Esses impostos só incidirão quando da efetiva venda ou compra do
gado. Esse controle de impostos auxiliará a empresa no controle dos impostos derivados de
cada animal, podendo, assim, obter a percentagem paga de imposto por animal confinado.
A - Custos Variáveis Unidade Quantidade Valor Unit. Valor Total Participação em %
A - 7 Impostos
Funrural R$
FETAB R$
FEFA R$
GTA R$
Outros R$
QUADRO 7 - Controle dos impostos incidentes na atividade.
Fonte: Adaptado de Zoofort, 2001.
Observa-se no quadro a seguir os gastos com o transporte do gado, que apresenta para
a empresa, juntamente com a alimentação, uma participação consideravelmente alta em
relação aos gastos gerais do confinamento. Nesse quadro, será possível controlar o valor com
frete de cada animal, tanto na hora da compra quanto na realização da venda.
A - Custos Variáveis Unidade Quantidade Valor Unit. Valor Total Participação em %
A - 8 Transporte
Frete R$
Outros R$
QUADRO 8 - Controle com o transporte utilizado na atividade.
Fonte: Adaptado de Zoofort, 2001.
Na última parte do quadro de custos variáveis, encontra-se a assistência técnica do
confinamento, esta ocorre normalmente por mudanças anormais na rotina do gado confinado e
é prestada por profissionais formados e qualificados para cuidar da saúde do gado e de seu
ambiente.
A - Custos Variáveis Unidade Quantidade Valor Unit. Valor Total Participação em %
A - 9 Assistência Técnica
Médico Veterinário R$
Zootecnista R$
Outros R$
TOTAL CUSTO VARIÁVEL
QUADRO 9 - Controle da assistência técnica da atividade.
(Fonte: Adaptado de Zoofort, 2001.
A parte B do modelo de controle de custos apresenta o controle de custos fixos da
empresa, onde serão apresentados os gastos considerados pela empresa como fixo, ou seja,
aqueles gastos que, independente da quantidade de gado confinado, permanecerá o mesmo

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valor.
Para iniciar o controle de custos abaixo, demonstra-se a depreciação de máquinas e
equipamentos adquiridos pela empresa para a realização de serviços dentro do confinamento.
Esse quadro é importante para que a empresa acompanhe a depreciação e desvalorização de
seus maquinários no decorrer do desenvolvimento da atividade.

IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA
CONTROLE DE CUSTOS
Número do Animal: Data: N° Folha:
Participação em
B - Custos Fixos Unidade Quantidade Valor Unit. Valor Total
%
B - 1 Depreciação
Máquinas/equipamentos R$
QUADRO 10 - Controle da depreciação na atividade.
Fonte: Adaptado de Zoofort, 2001.
Dentro do quadro a seguir, encontram-se todos os custos ligados à administração do
confinamento. Dentre eles, podem-se citar gastos com viagens, telefones e despesas médicas,
esses gastos são fixos, pois a empresa necessita fixar valores limites para serem gastos com
cada item da administração.
É possível observar que nesse controle consta o item combustível, que faz parte
também do quadro de custos variáveis, mais especificamente na de energia e combustíveis,
porém, aqui o combustível é aquele gasto pela administração para deslocamento cidade-
fazenda fazenda-cidade, por isso é considerado custo fixo.

Participação
B - Custos Fixos Unidade Quantidade Valor Unit. Valor Total em %
B - 2 Administração
Energia R$
Equipamentos de Proteção
Individual R$
Viagens R$
Telefone R$
Seguros e Licenciamentos R$
Manutenção Pátio R$
Maquinário R$
Combustível R$
Despesas Médicas R$
Alimentação dos
Funcionários R$
Serviços de Terceiros R$
QUADRO 11 - Controle dos custos fixos administrativos na atividade.
Fonte: Adaptado de Zoofort, 2001.
O quadro seguinte traz todos os gastos com a folha de pagamento dos funcionários
ligados à atividade de confinamento. Entre eles, estão os encargos trabalhistas como 13º
salário e férias. Através desse quadro ficam evidente os gastos da empresa com cada
funcionário, o que proporciona ao administrador um acompanhamento eficaz de sua folha de

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pagamento.

Participação em
B - Custos Fixos Unidade Quantidade Valor Unit. Valor Total %
B - 3 Folha de Pagamento
Salário R$
13º Salário R$
Férias R$
1/3 Férias R$
FGTS R$
INSS Patronal R$
QUADRO 12 - Controle da folha de pagamento da atividade.
Fonte: Adaptado de Zoofort, 2001.

Apresenta-se a seguir o quadro de impostos que são considerados fixos pela empresa,
como o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), que deverá ser recolhido
anualmente. O valor recolhido dependerá se a estrutura do confinamento fica localizada em
área denominada rural pelo município de sua sede.

B - Custos Fixos Unidade Quantidade Valor Unit. Valor Total Participação em %


B - 4 Impostos
ITR R$
Outros R$
QUADRO 13 - Controle dos impostos fixos da atividade.
Fonte: Adaptado de Zoofort, 2001.

No último quadro de custos fixos serão registrados aqueles que não se classificam em
nenhum dos itens apontados anteriormente.
Depois de anotados todos os custos, tanto os fixos quanto os variáveis no controle,
será realizada a soma do total geral dos dois custos para encontrar o custo total apresentado
pelo confinamento no período.

B - Custos Fixos Unidade Quantidade Valor Unit. Valor Total Participação em %


B - 5 Outros
Diversos R$
TOTAL CUSTO FIXO

CUSTO TOTAL DA ATIVIDADE (A+B)


QUADRO 14 - Controle dos demais custos fixos da atividade e resultado geral dos custos do período.
Fonte: Adaptado de Zoofort, 2001.
O quadro geral de controle de custo representa a somatória dos itens pertencente dos
quadros anteriores.

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IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA
CONTROLE DE CUSTOS
Número do Animal: Data: N° Folha:
A - Custos Variáveis Valor Total Participação em %
A - 1 Mão-de-obra
A - 2 Insumos/Alimentação
A - 3 Medicamentos
A - 4 Rastreabilidade
A - 5 Energia e Combustível
A - 6 Reparos de Máquinas/Equipamentos
A - 7 Impostos
A - 8 Transporte
A - 9 Assistência Técnica
TOTAL CUSTO VARIÁVEL
B - Custos Fixos
B - 1 Depreciação
B - 2 Administração
B - 3 Folha de Pagamento
B - 4 Impostos
B - 5 Outros
TOTAL CUSTO FIXO

CUSTO TOTAL DA ATIVIDADE (A+B)


QUADRO 15 - quadro geral de custos.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2010.
O quadro desenvolvido na execução deste trabalho tem como principal finalidade
auxiliar a empresa analisada no controle de seus custos de uma forma que se possa identificar
a participação de cada custo na atividade do confinamento, tanto dos fixos quanto dos
variáveis.
Esse quadro servirá também para a empresa entender porque está separando os custos
fixos dos variáveis e como separá-los. Essa identificação dos custos se faz necessária para
facilitar possíveis tomadas de decisões por parte da gerência administrativa da empresa. É
importante ressaltar que os dados constantes desses quadros podem ser alterados a qualquer
momento de acordo com a necessidade da empresa.
Para que o controle de custos desenvolvido acima apresente resultados positivos para a
empresa, necessita-se desenvolver controles auxiliares, ou seja, que vão auxiliar a empresa no
preenchimento do controle de custos.
O desenvolvimento dos controles apresentados no decorrer da pesquisa, de uma forma
geral, foram elaborados de acordo com as necessidades encontradas na empresa durante o
período de análise realizada em seus controles. Essas necessidades, ou falta de informações,
ocasionavam falhas no período de avaliação de desempenho da atividade de confinamento
dentro da empresa.
Os modelos de controle de custos poderão auxiliar a empresa no momento em que ela
for realizar a avaliação de desempenho de sua atividade, uma vez que esses controles
apresentam todos os dados extraídos durante a realização da atividade de confinamento da

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própria empresa.
Para que seja possível obter resultados positivos durante essa avaliação de
desempenho, é importante que a empresa venha a utilizar as orientações fornecidas por esse
estudo, juntamente com a experiência de seus colaboradores, para realizar o preenchimento e
aplicação dos controles. É interessante também que a empresa desenvolva uma forma de
realizar essa avaliação periodicamente, lembrando que, para obter uma avaliação real, é
importante que essa avaliação seja realizada por colaboradores que não estejam envolvidos no
seu preenchimento.
4. Considerações finais
O planejamento e controle das atividades desenvolvidas dentro de uma organização
são essenciais para garantir o seu sucesso econômico-financeiro, pois é através da análise
desses controles que a organização poderá tomar decisões importantes para garantir a sua
continuidade.
Na atividade da pecuária, o controle de custo auxilia na visualização de todos os
gastos oriundos do confinamento dos animais. A agropecuária analisada possuía uma
estrutura de confinamento adequada para atender a realidade em que está inserida. Entretanto,
faltavam alguns controles específicos para a realização de sua atividade, essa falta era bem
clara, uma vez que a empresa não sabia identificar da onde surgiu cada gasto evidenciado no
confinamento.
Para suprir essa falta, foi elaborado neste trabalho um controle de custo completo e se
encontram separadamente todos os custos oriundos do confinamento, tanto os fixos como os
variáveis e estes foram extraídos durante a análise realizada na empresa e reestruturados
dentro do que foi estabelecido pela empresa e pela contabilidade.
Esse controle servirá como alicerce para a empresa diagnosticar quais os problemas e
falhas que sua atividade está evidenciando, uma vez que ela não está conseguindo realizar
essa evidenciação somente com o controle que possui.
Todos os controles desenvolvidos no estudo foram elaborados de acordo com as
necessidades apresentadas na empresa e ocasionavam uma deficiência na tomada de decisão
por parte do administrativo. Na observação desses acontecimentos, chegou-se à conclusão de
que, se a empresa alterasse seus modelos de controle, poderia tomar decisões mais concisas
em relação ao futuro de sua atividade econômica.
Os objetivos propostos para a execução desse estudo foram alcançados com sucesso,
uma vez que foi possível realizar uma análise do controle de custo utilizado pela empresa e
depois reformular um modelo de controle de custo para futuramente ser implantado.
Como sugestão de outros estudos possíveis a serem realizados dentro da empresa são a
implantação e acompanhamento dos controles formulados neste estudo e depois um estudo
dos indicadores de desempenho alcançados pelos modelos propostos.
Referências
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continuidade - IX Congresso Internacional de Custos. Florianópolis, SC, Brasil. 28 a 30 de nov. de 2005.
Disponível em: <http://www.intercostos.org/ documentos/custos_646.pdf>. Acesso em: 24 fev. 2010.
BEUREN, I. M.; (Org.). Como elaborar trabalhos monográficos em contabilidade: teoria e prática 3. ed. 4.
reimpr. São Paulo: Atlas, 2009.
CARDOSO, E. G. Curso EMBRAPA. Confinamento de bovinos. Campo Grande – MS, 2000. Disponível em:
<http://www. cnpgc.embrapa.br/publicacoes/naoseriadas/cursosuplementacao/confinamento/>. Acesso em: 09
ago. 2009.

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CREPALDI, S. A. Contabilidade rural: uma abordagem decisorial. 2. ed. Revista, atualizada e ampl. São
Paulo: Atlas, 1998.
FRANCO, H. Contabilidade geral. 23 ed. São Paulo: Atlas, 1996.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . Produção da pecuária municipal 2007: rebanho bovino
diminui 3,0% no país e 5,0% na Amazônia Legal. Comunicação Social 26 de novembro de 2008. Disponível em:
<http://www.ibge.gov.br/ home/presidencia/noticias/noticia_impressao.php?id_noticia=1269>. Acesso em: 16
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KROETZ, C. E. S. Apostila de contabilidade de custos I. UNIJUÍ . Universidade Regional do Noroeste do
Estado do RGS, 2001. Disponível em <www.jair.fema.com.br/apostilaeartigo.htm>. Acesso em: 19 jul. 2009.
LEONE, G. S. G. Curso de contabilidade de custos. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
MARION, J. C. Contabilidade rural: contabilidade agrícola, contabilidade da pecuária, imposto de renda
pessoa jurídica. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
______. ______. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2009
______. Contabilidade da pecuária. 7. ed. São Paulo: Atlas: 2004.
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MARTINS, E. 9. ed. 7. Reimpr. São Paulo: Atlas, 2008.
RIBEIRO, O. M. Contabilidade geral fácil. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.
ZOOFORT, Agrícola & Animal. Custos de produção da pecuária bovina. Rondonópolis: Zoofort, 2001.

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