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CONFIGURAÇÃO INTERNA DO DIENCÉFALO

DIENCÉFALO

 Consiste no 3º ventrículo e todas as estruturas relacionadas com as suas


paredes
 Pode ser dividido em:
o Epitálamo
o Tálamo
o Subtálamo
o Hipotálamo
Linha de Separação Porção Estruturas Função
Glândula Pineal (Epífise)
Habénulas
Regulação do ritmo circadiano
Epitálamo Comissura habenular
Sulco diencefálico Conexão do sistema olfactivo com o TC
Estria medular do tálamo
dorsal Comissura epitalâmica (branca posterior)
Tractos sensitivos, sinapses e projecção no
córtex (excepto tracto olfactivo)
Tálamo (tálamo dorsal) Tálamo Envia aferências para os diversos núcleos
Sulco diencefálico motores
médio Participa na regulação da motricidade
Núcleo subtalâmico (corpo de Luys)
Subtálamo (tálamo ventral) Zona Incerta Zona motora somática do diencéfalo
Globus Pallidus
Quiasma óptico
Sulco diencefálico Tuber cinerium e Infundíbulo
ventral (sulco Parte da via óptica
Tracto óptico
hipotalâmico*) Hipotálamo Coordena o SNA com o sistema endócrino
Neurohipófise
Controlo do SNA
Corpos mamilares
Núcleos hipotalâmicos (hipotálamo)
*Sulco hipotalâmico – sulco localizado na parede externa do 3º ventrículo, que descreve uma curva de concavidade superior desde o extremo
superior do aqueduto de Sylvius até o buraco de Monro. Separa o tálamo do hipotálamo

Tálamo

 2 núcleos ovóides de substância cinzenta que formam a maior parte do diencéfalo


 Constitui porção superior das paredes externas do 3º ventrículo
 Região de grande importância, pois serve de ponto de passagem para todos os grandes sistemas sensitivos (excepto o
olfactivo)
 Funções do tálamo em estrita relação com o córtex cerebral
 Lesão talâmica pode originar grandes perdas nas funções cerebrais

Configuração Exterior
 Corpos ovóides de extremidade posterior grossa
 3 cm comprimento (ântero-posterior), 2 cm altura e 1,5 cm
de espessura
 4 faces e 2 extremidades
 Face superior:
o Convexa, de forma triangular de vértice anterior
o Limitada externamente pelo sulco talamoestriado ou opto-
estriado, que separa o tálamo do núcleo caudado. Este
sulco é percorrido pela veia opto-estriada/talamoestriada e
pela fita semi-circular (stria terminalis), pertencente às vias
olfactivas
o Limitada internamente pela habénula

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o Percorrida pelo sulco coroideu, relacionado com os plexos coroideus
laterais, que divide a face em 2 segmentos:
 Interno – relacionado com a tela coroideia do 3º ventrículo e com o
fórnix através da fenda de Bichat. Internamente a este segmento está a
habénula e póstero-internamente está o trígono da habénula.
 Externo – coberto por epêndima, formando parte do pavimento do
ventrículo lateral através da lâmina afixa (lâmina derivada da pia-máter
que no início do desenvolvimento embrionário recobri todo o segmento
externo da face superior do tálamo). Apresenta ainda à frente o
tubérculo anterior do tálamo.
 Face inferior
o Relacionada com a região subtalâmica, com os núcleos infra-opto-estriados
e com as formações da calote/tegmentum do mesencéfalo
 Face externa
o Convexa
o Unida ao núcleo caudado, em cima;
o Unida ao segmento posterior da cápsula interna, em baixo, a qual separa o
tálamo do núcleo lenticular.
 Face interna
o Relacionada atrás com os colículos.
o Nos seus 2/3 anteriores forma a porção superior da parede externa do 3º
ventrículo, acima do sulco hipotalâmico e abaixo da habénula.
o Liga-se à face interna do tálamo contralateral pela comissura
intertalâmica/cinzenta, que atravessa na cavidade de 3º ventrículo
 Extremidade anterior
o Estreito e arredondado
o Parcialmente livre
o Limita atrás o Buraco de Monro (separa tálamo, atrás, das colunas do fórnix, à
frente)
 Extremidade posterior
o Mais grossa
o Constituída por uma dilatação – pulvinar
o Sobre a face inferior do pulvinar, o tálamo apresenta os corpos geniculados
interno e externo, unidos aos colículos do mesencéfalo pelos braços conjutivais.

Configuração Interna
 Tálamo encontra-se coberto nas faces superior e interna por uma
fina camada de substância branca – stratum zonale
 Coberto na sua superfície externa pela lâmina medular externa
(camada de substância branca).Esta lâmina individualiza o
núcleo reticular do tálamo, relativamente aos restantes núcleos)
 Matéria cinzenta do tálamo dividida em 2 metades por uma
lâmina vertical da substância branca – lâmina medular interna.
 Lâmina medular interna – consiste em fibras nervosas que
passam de um núcleo talâmico para outro. Ântero-
superiormente esta lâmina divide, formando um “Y” (visto de
um corte horizontal)
 Assim, o tálamo é subdividido em 3 partes principais:
o Parte anterior – entre os braços do “Y” da lâmina medular
interna, corresponde ao tubérculo anterior do tálamo. Contém
os núcleos anteriores

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o Parte interna – por dentro da lâmina medular interna. Contém os núcleos internos
o Parte externa- por fora da lâmina medular interna. Contém os núcleos laterais e o pulvinar.
 Estas lâminas de substância branca só se observam nos ¾ anteriores do tálamo. O ¼ posterior forma um núcleo
posterior – pulvinar – que pertence à parte externa do tálamo.
 O tálamo não é uma estrutura homogénea. Cada parte do tálamo
contém grupos de núcleos talâmicos. Além disso, grupos
nucleares mais pequenos estão situados dentro das lâminas
medulares e nas superfícies externa e interna do tálamo
 O tálamo representa um conjunto de cerca de 120 regiões
nucleares que processam informações sensitivas. Podemos
categorizar estes núcleos em 2 tipos:
o Núcleos específicos – possuem conexão directa com as
regiões específicas do córtex cerebral, através das
radiações talâmicas. São designados de paliotálamo.
o Núcleos inespecíficos – não possuem qualquer ligação
directa com o córtex cerebral, mas sim com o TC, com
outros núcleos diencefálicos e com o corpo estriado. São chamados de troncotálamo.

Núcleos da Parte Anterior do Tálamo


 Contém os Núcleos Talâmicos Anteriores.
 Recebem o tracto mamilo-talâmico (feixe olfactivo de Vicq-d’Azyr),
proveniente dos núcleos mamilares
 Recebe conexões recíprocas com o hipotálamo e circunvolução do corpo
caloso
 Função associada com o sistema límbico, associada ao tom emocional e
mecanismos de memória recente.

Núcleos da Parte Interna do Tálamo


 Contém o Núcleo Dorsal Interno e outros núcleos mais pequenos
 Recebem aferências dos núcleos ventrais (parte interna) e dos núcleos Núcleos Anteriores e suas ligações (amarelo)
intralaminares, bem como do hipotálamo, mesencéfalo e do globus
pallidus.
 A partir destes núcleos são emitidas eferências para o córtex pré-motor e pré-frontal.
 A partir destas regiões do lobo frontal estendem-se aferências de volta para estes núcleos.
 Estes núcleos são responsáveis pela integração de uma grande variedade
de informação sensorial (somática, visceral e olfactiva) e pela relação
desta informação com o estado emocional e os sentimentos subjectivos
do indivíduo
 A destruição das conexões que estes núcleos estabelecem com o lobo
frontal dá origem à síndrome do lobo frontal, caracterizada pela perda
da auto-representação (o paciente começa a contar piadas infantis e, em
outras ocasiões mostra-se desconfiado e mal-humorado)

Núcleos da Parte Lateral do Tálamo


 Subdivididos em 2 fileiras: dorsal e ventral
 Fileira dorsal = núcleo dorsal lateral + núcleo lateral posterior +
pulvinar

o O Pulvinar representa o maior complexo nuclear talâmico. Recebe Núcleos internos e suas ligações (lilás)
aferências de outras regiões talâmicas (núcleos intralaminares, Núcleos da fileira dorsal da parte externa (azul + verde)
principalmente). As suas eferências terminam nas regiões de
associação dos lobos parietal e occipital, com as quais mantém conexões recíprocas
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o Os Núcleos Lateral Dorsal e Lateral Posterior recebem as suas aferências de outros núcleos talâmicos (chamados
de núcleos de integração). As suas eferências terminam no lobo parietal, nomeadamente na área somatoestésica
secundária.
o Conexões ainda com o lobo temporal e circunvolução do corpo caloso (detalhes destas ligações pouco claros).
 Fileira Ventral: constituída pelos seguintes núcleos:
o Núcleo Ventral Anterior – conectado com a formação
reticular, a substância nigra, o corpo estriado e o córtex pré-
motor, assim como outros núcleos talâmicos. Disposto entre
o corpo estriado e as áreas motoras do córtex frontal, pensa-
se que este núcleo poderá influenciar a actividade do córtex
motor.
o Núcleo Ventral Lateral – conexões semelhantes às do
núcleo ventral anterior, tendo no entanto um maior input
proveniente do cerebelo (pelo pedúnculo cerebral superior)
e um menor input do núcleo rubro. Projecta as suas
eferências nas áreas motora e pré-motora, influenciando a
sua actividade. Uma lesão neste núcleo gera lesões no
sistema motor.
o Núcleo Ventral Intermédio – recebe aferências das vias
vestibulares. Essas aferências agem na coordenação do
movimento conjugado do olhar para o mesmo lado.
o Núcleo Ventral Póstero-Interno – recebe o lemnisco
trigeminal e as vias do paladar (vias ascendentes). As suas eferências tálamo-corticais passam pelo braço
posterior da cápsula interna e corona radiata, até às áreas somatoestésicas do córtex cerebral, na circunvolução
parietal ascendente.
o Núcleo Ventral Póstero-Lateral – recebe aferências das principais vias ascendentes (lemnisco interno e lemnisco
espinhal). As suas eferências tálamo-corticais passam pelo braço posterior da cápsula interna e corona radiata, até
às áreas somatoestésicas do córtex cerebral, na circunvolução parietal ascendente. A lesão deste núcleo causa um
distúrbio contralateral nas sensibilidades superficial e profunda, com deficiências na percepção da sensibilidade e
do peso dos membros (lesão do lemnisco interno). Lesões nesta região podem também causar graves sintomas
dolorosos (“dor talâmica”, por afecção da via espinho-talâmica lateral).

Outros Núcleos Talâmicos


 Núcleo Reticular – camada fina de células nervosas entre a
lâmina medular externa e o braço posterior da cápsula interna.
Recebe aferências do córtex cerebral e da formação reticular e
emite eferências para os outros núcleos talâmicos. Função pouco
compreendida, mas pode estar relacionada com os mecanismos
através dos quais o córtex cerebral regula a actividade talâmica.
 Corpo Geniculado Externo – dilatação situada abaixo do
pulvinar. Integra a via óptica (IV neurónio da via), recebendo as terminações axonais das células ganglionares da
retina. Consiste em 6 camadas de células nervosas. Cada corpo geniculado externo recebe informação do campo
visual contralateral. As fibras eferentes deste núcleo formam a radiação óptica, que se dirige para o córtex visual
(lobo occipital).
 Corpo Geniculado Interno – dilatação da extremidade posterior do tálamo, abaixo do pulvinar. Integra a via auditiva.
Recebe informação dos dois ouvidos (mas predominantemente contralateral), através dos leminiscos laterais, que
sinapsam com os colículos inferiores antes de alcançar este corpo, através dos braços conjuntivais inferiores. As
fibras eferentes formam a radiação auditiva, que se dirigem para o córtex auditivo (1ª circunvolução temporal/
circunvolução temporal superior).

Os corpos geniculados constituem o Metatálamo.

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Núcleos Inespecíficos do Tálamo
 Além dos núcleos até agora falados (específicos), existem outros
que não estabelecem relações directas com o córtex cerebral
(núcleos independentes do córtex que possuem apenas efeito
cortical indirecto)
 Principais núcleos inespecíficos:
o Núcleos Intralaminares – pequenas colecções de células
nervosas situadas dentro da lâmina medular interna. Recebem
fibras da formação reticular, e dos lemniscos espinhal e
trigeminal. Enviam eferências para outros núcleos talâmicos
(que por sua vez comunicam com o córtex cerebral) e ao corpo Núcleos inespecíficos do tálamo, representados em 3 cortes
estriado. O maior núcleo identificado é o centromediano. Este coronais, de anterior para posterior.
núcleo recebe aferências do cerebelo, da formação reticular e do pallidus
interno. As suas eferências estendem-se para a cabeça do núcleo caudado
e o putámen. É um componente importante do sistema reticular activador
ascendente, um sistema indispensável para o estado de vigília, que tem
origem na formação reticular do TC.
o Núcleos Medianos – grupo de células nervosas adjacentes à parede
externa do 3º ventrículo, e na comissura intertalâmica. Recebem fibras
aferentes da formação reticular e dos tractos espinho-talâmicos. Funções
desconhecidas

Conexões do Tálamo
 Todos os núcleos talâmicos (excepto o reticular e os inespecíficos) enviam
axónios para partes específicas do córtex cerebral, o qual por sua vez envia Núcleo Centromediano (laranja)
fibras de volta para o tálamo (o núcleo reticular só recebe vias aferentes do
córtex, não dá fibras eferentes tálamo-corticais).
 O tálamo é um importante ponto de passagem de duas ansas axonais sensório-motoras, envolvendo o cerebelo e os
núcleos basais:
o Ansa cerebelar-rubro-talamico-cortico-ponto-cerebelar
o Ansa Cortico-estriato-palido-talamico-cortical
 Estas ansas são necessárias à realização de movimentos
voluntários normais.

Vias Aferentes
 Ponto de Sinapse de todas as vias sensitivas e sensoriais
(excepto a olfactiva).
 Vias divididas consoante o local de origem:
o Medula Espinhal
 Via neoespinho-talâmica  Tracto espinho
talâmico lateral  Lemnisco espinhal  Núcleo
ventral póstero-lateral (Via termo-álgica da dor
rápida, aguda e bem localizada).
 Via paleoespinho-talâmica  Tracto espinho-
reticular  Formação Reticular  Núcleos
intralaminares e medianos (Via termo-álgica da dor
crónica e difusa)
 Tracto espinho-talâmico anterior  Lemnisco Espinhal  Núcleo ventral póstero-lateral (Via da Pressão e do
Tacto Protopático).
 Feixes de Goll e Burdach  Núcleos de Goll e Burdach (bulbo)  Lemnisco Interno (Fita Mediana de Reil)
 Núcleo Ventral Póstero-Lateral (Via da propriocepção consciente, tacto epicrítico e sensibilidade
vibratória)
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o Tronco Cerebral
 Lemnisco Trigeminal  Núcleo Ventral Póstero-Interno (Via da sensibilidade geral da cabeça).
 Vias Vestibulares Ascendentes  Feixe Longitudinal Interno  Núcleo Ventral Intermédio (Via do
Equilíbrio).
 Lemnisco Lateral  Colículos Inferiores  Corpo Geniculado Interno (Via da Audição)
 Formação Reticular (formação bulbo-protuberencial)  Tálamo (vários núcleos)
 Núcleo Rubro (formação reticular)  Tálamo (vários núcleos)
 Fibras do núcleo gustativo de Nageotte (Núcleo Tracto Solitário)  Núcleo ventral póstero-interno (Via
Gustativa)
 Núcleo Tracto Solitário (restantes)  Fibras feixe solitário  Núcleo ventral póstero-interno
o Cerebelo
 Núcleo Dentado  Via dento-rubro-talâmica (passa pelo pedúnculo cerebelar superior)  Núcleo Ventral
Póstero-Lateral (Constitui uma ligação com a Propriocepção Inconsciente)
o Diencéfalo
 Corpos mamilares  Tracto mamilo-talâmico (feixe olfactivo de Vicq-d’Azyr)  Núcleos Anteriores
(Sensações olfactivas, tom emocional, associado ao sistema límbico)
 Núcleos Hipotalâmicos  Feixe hipotálamo-talâmico (sensibilidade visceral)
 Globo Ocular (considerado prolongamento do diencéfalo)  Nervo óptico  Quiasma óptico  Tracto
óptico  Corpo Geniculado Lateral (Via óptica)
o Corpo Estriado
 Corpo estriado  Via estriato-talâmica (atravessa cápsula interna)  Núcleo dorsal interno
o Córtex Cerebral
 Córtex Cerebral  Via cortico-talâmica  Núcleo dorsal interno (e outros não específicos).

Vias Eferentes
 A partir dos núcleos do tálamo vão emergir as vias eferentes,
as quais escapam pelos diferentes segmentos da cápsula
interna.
 3 contingentes:
o Contingente menor – formam as fibras talâmicas
constitutivas do feixe central da calote/tegmentum, em
associação com as fibras com origem no núcleo rubro, e
dirigem-se para o complexo nuclear olivar.
o Contingente Subcortical
 Fibras tálamo-estriadas – para o globus pallidus.
Marcam o regresso ao corpo estriado da via aferente
estriato-talâmica
 Fibras tálamo-hipotalâmicas vegetativas
o Contingente Cortical – sai em leque pela Cápsula interna e corona radiata.
Formado pelas radiações/ pedúnculos tálamo-corticais:
 Pedúnculo anterior (ântero-externo)  Braço anterior da cápsula interna 
Sensibilidade dolorosa para o córtex frontal
 Pedúnculo súpero-externo ou superior  Braço posterior da cápsula interna 
Lobo parietal (áreas somatoestésicas - 3º neurónio das vias sensitivas)
 Pedúnculo Posterior ou radiações ópticas de Gratiolet  Segmento retro-lenticular da cápsula interna (por fora
do núcleo caudado)  Córtex visual no lobo occipital (3º neurónio da via óptica)
 Pedúnculos Inferiores:
 Ínfero-Externo (feixe tálamo-temporal de Arnold)  Segmento sub-lenticular da cápsula interna (entre o
núcleo lenticular, em cima, e a cauda do núcleo caudado, em baixo) Córtex temporal (sensações auditivas)
 Ínfero-Interno  Segmento sub-lenticular da cápsula interna (por dentro da cauda do núcleo caudado) 
Córtex rinencefálico (sensações olfactivas e vegetativas)

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Núcleos Talâmicos Aferências Eferências Função
Anterior Tracto mamilotalâmico Circunvolução do corpo caloso Tom emocional
Circunvolução do corpo caloso Hipotálamo Mecanismos de memória recente
Hipotálamo
Dorsal Interno Córtex pré-frontal Córtex pré-frontal Integração de informação somática,
Hipotálamo Hipotálamo visceral e olfactiva
Outros núcleos talâmicos Outros núcleos talâmicos Relação com os sentimentos e estados
subjectivos
Lateral Dorsal, Lateral Córtex Cerebral Córtex cerebral Desconhecida
Posterior e Pulvinar Outros núcleos talâmicos Outros núcleos talâmicos
Ventral Anterior e Formação Reticular Formação Reticular Influencia actividade do córtex motor
Ventral Lateral Corpo Estriado Corpo Estriado
Cerebelo Cerebelo
Córtex pré-motor Córtex pré-motor
Outros núcleos talâmicos Outros núcleos talâmicos
Ventral Póstero-Interno Lemnisco Trigeminal Córtex Somatoestésico primário (B1, Torna a sensibilidade da cabeça
(VPM) Fibras Gustativas 2 e 3) consciente
Ventral Póstero-Lateral Lemnisco Interno Córtex Somatoestésico primário (B1, Torna a sensibilidade consciente
(VPL) Lemnisco Espinhal 2 e 3)
Intralaminares Formação reticular Córtex cerebral (via indirecta, através Influencia os níveis de consciência e
Tractos espinho-talâmicos de outros núcleos talâmicos) alerta
Tracto trigémino-talâmico Corpo Estriado
Medianos Formação Reticular Desconhecido Desconhecido
Reticular Córtex cerebral Outros núcleos talâmicos Intervém nos mecanismos que permitem
Formação Reticular o córtex cerebral controlar o tálamo
Corpo geniculado Colículos inferiores Radiação auditiva para circunvolução Audição
interno Lemniscos laterais dos 2 temporal superior
ouvidos (mais do contralateral)
Corpo geniculado Tracto óptico Radiação óptica para o córtex visual Informação visual do campo visual
externo (lobo occipital) contralateral

Representação Somatotrópica dos Núcleos do Tálamo


 O princípio da somatotropia dos núcleos específicos do tálamo é explicado com o exemplo do grupo nuclear ventral
lateral.
 As aferências para o tálamo provenientes da medula espinhal, TC e cerebelo apresentam um agrupamento
somatotrópico. Esta somatotropia mantém-se até ao córtex cerebral
 No núcleo ventral lateral terminam axónios provenientes do pedúnculo cerebelar superior. Informações sobre o
posicionamento corporal, coordenação e tónus muscular são conduzidas por esta via até ao córtex motor, que por sua
vez também apresenta uma organização somatotrópica
 No núcleo ventral lateral situam-se externamente os neurónios eferentes para a condução dos impulsos provenientes
dos membros e internamente os neurónios para a condução dos impulsos provenientes da cabeça
 Este núcleo faz relação directa com o núcleo ventral intermédio, que recebe as suas aferências dos núcleos
vestibulares.
 As grandes vias sensitivas, provenientes da medula espinhal terminam no núcleo ventral póstero-lateral, Já no núcleo
ventral póstero-interno termina o sistema sensitivo da cabeça proveniente do nervo trigémio. Aqui também prevalece
a somatotropia como princípio de organização.

Funções do Tálamo
 Uma grande variedade de informação sensorial de todos os tipos (excepto
olfacto) converge para o tálamo e presumivelmente é integrada através de
interconexões entre os seus núcleos. Daí a informação é distribuída a outras
partes do SNC.
 A visão está relacionada com o corpo geniculado externo
 A audição está relacionada com o corpo geniculado interno
 O paladar está relacionado com o núcleo lateral póstero-interno
 Os tactos superficial e profundo estão relacionados com os núcleos ventrais
póstero-lateral e póstero-interno (face)
 É provável que a informação olfactiva seja primeiramente integrada em níveis inferiores, juntamente com o paladar e
outras sensações, sendo depois direccionada para o tálamo a partir dos corpos amigdalóides e do hipocampo, através
dos tractos mamilotalâmicos.
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 Anatomicamente e funcionalmente, o tálamo e o córtex cerebral estão intimamente relacionados. Se removermos o
córtex, o tálamo consegue apreciar sensações de forma grosseira. Contudo, o córtex cerebral é necessário para a
interpretação das sensações, baseada em experiências passadas. Por exemplo, um indivíduo com o córtex
somatoestésico danificado consegue apreciar a presença de um objecto quente na mão; contudo, este indivíduo não
consegue fazer a apreciação da forma, peso e temperatura exacta do objecto.
 Os núcleos ventral anterior e ventral lateral integram o circuito dos núcleos basais e, por isso, estão envolvidos na
realização de movimentos voluntários.
 O núcleo dorsal interno integra a via relacionada com os sentimentos, estados subjectivos e personalidade de um
indivíduo
 Os núcleos intralaminares (e os não específicos, no geral) estabelecem relações íntimas com a formação reticular,
recebendo grande parte da informação por esta fonte. A sua posição estratégica permite-lhes controlar o nível de
actividade geral do córtex cerebral. Estes núcleos são capazes de influenciar os níveis de consciência e de alerta de
um indivíduo.
 O tálamo é assim o local de integração das funções visceral, sensitiva e somática.

Lesões do Tálamo
 O tálamo pode ser invadido por tecido neoplásico, sofrer degeneração ou ser danificado por hemorragia ou por falta
de suprimento sanguíneo

Perda da sensibilidade
 Esta patologia resulta de trombose ou hemorragia de uma das artérias que nutrem o tálamo
 Lesões nos núcleos ventrais póstero-interno e póstero-lateral levam à perda de todas as formas de sensibilidade,
incluindo tacto protopático, propriocepção, sensibilidade vibratória e tacto epicrítico do hemicorpo contralateral
 O tálamo está centralmente localizado, perto de outras estruturas nervosas importantes. Assim, uma causa de lesão
talâmica pode também afectar estruturas vizinhas. Por exemplo, uma lesão vascular que afecte o tálamo pode
também envolver o mesencéfalo (resultando em coma) ou estender-se lateralmente até à cápsula interna (produzindo
défices motores e sensitivos extensos)

Alívio cirúrgico da dor por cauterização talâmica


 Os núcleos intralaminares estão envolvidos no transporte das sensações de dor crónica/difusa até ao córtex cerebral
 A cauterização destes núcleos tem possibilitado o alívio da dor severa e intratável, associadas a cancro.

“Dor talâmica”
 Pode ocorrer na sequência da recuperação de um enfarte talâmico
 Dor espontânea, normalmente excessiva, ocorre no lado oposto do corpo (hiperalgesia)
 Esta dor pode suscitada pelo toque leve ou o frio e tende a não responder eficazmente aos analgésicos mais potentes.

Movimentos involuntários anormais


 A coreioatetose com ataxia pode surgir de lesões vasculares do tálamo (não é certo se esta patologia se deve só a uma
lesão no tálamo, ou se também se associa a lesões de estruturas vizinhas, como o corpo estriado)
 A ataxia pode surgir devido à perda de apreciação dos movimentos musculo-articulares, causada por lesão talâmica
que afecte por exemplo os núcleos ventrais.

Mão talâmica
 A mão contralateral está disposta de forma anormal em pacientes com lesões talâmicas
 O punho está em pronação e flectido, as articulações metacarpofalângicas estão flectidas e as interfalângicas estão
em extensão
 Os dedos podem ser movidos activamente mas estes movimentos são lentos
 Esta patologia deve-se a alterações do tónus muscular nos diferentes grupos musculares.

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Epitálamo

 Composto por:
o Glândula Pineal ou Epífise
o Habénulas com os núcleos habenulares
o Comissura habenular
o Estria medular do tálamo
o Comissura epitalâmica ou branca posterior

Glândula Pineal ou Epífise Cerebral


 Órgão neuro-glandular de forma cónica (“forma de pinha”)
 Localizado na fronteira entre o diencéfalo e o mesencéfalo (por cima/atrás do
mesencéfalo)
 Situado à entrada da fenda de Bichat, ao nível do debrum do corpo caloso
 Orientada da frente para trás, repousando sobre o sulco médio/ântero-posterior
dos tubérculos quadrigémios anteriores
 O seu vértice é livre e está orientado para trás
 A base corresponde ao 3º ventrículo (união da parede superior com póstero-inferior), está ocupada por um
divertículo ventricular – recesso pineal - compreendido entre 2 pregas (superior e inferior)
 A prega superior chama-se comissura habenular.
 A prega inferior é a comissura epitalâmica ou branca posterior e une a glândula pineal ao tecto do mesencéfalo (e à
extremidade superior do aqueduto de Sylvius)
 Anteriormente à glândula pineal pode observar-se na parede superior do 3º ventrículo a tela coroideia do 3º
ventrículo
 A tela coroideia do 3º ventrículo fixa-se de cada lado das habénulas. Anteriormente une-se às colunas do fórnix.
Posteriormente, reflecte-se sobre a parte média da face superior da glândula pineal para se continuar com o epitélio
ependimário que reveste a base da glândula pineal.
 A parte posterior da tela coroideia limita com a metade anterior da face superior da glândula pineal o recesso
suprapineal (divertículo do 3º ventrículo)

Composição
 Apresenta uma cápsula de tecido conjuntivo vascular
 Parênquima dividido incompletamente por septos de tecido
conjuntivo provenientes da cápsula
 Parênquima constituitdo por pinealócitos, células específicas
destinadas à secreção de melatonina, circundados por células
gliais
 A epífise não tem células nervosas mas recebe fibras simpáticas
adrenérgicas que derivam do gânglio superior cervical simpático e aferências retinais indirectas.
 Apresenta por vezes calcificações (acérvulos ou areia cerebral), sem valor patológico e que se acumula com a idade.

Função
 A actividade da glândula pineal exibe um ritmo circadiano influenciado pela luz
 Está mais activa durante a noite (escuridão)
 Via nervosa provável da retina até à epífise cerebral: Retina  Via retino-hipotalâmica  Núcleo Supraquiasmático
 Tegmentum mesencéfalo  Glândula pineal (para estimular as suas secreções). O último troço desta via
(tegmentum  glândula pineal) pode incluir tractos adicionais nomeadamente aferências reticulares, vias simpáticas
provenientes da porção torácica da medula espinhal, do gânglio cervical superior e de fibras nervosas pós-
ganglionares que viajam até à epífise cerebral através dos vasos sanguíneos

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 Elevados níveis de melatonina e suas enzimas associadas são encontrados neste órgão. A melatonina é produzida
após estímulo noradrenérgico das terminações simpáticas da glândula pineal ou por estímulo das vias provenientes
da retina.
 A melatonina exerce um papel na regulação do ritmo circadiano e na regulação da actividade sexual sazonal. O nível
desta hormona atinge níveis mais elevados durante a escuridão e é mínimo durante o dia.
 Influencia a acção da hipófise, dos ilhéus de Langerhans, das paratiroideias, das glândulas adrenais e das gónadas
 A glândula pineal não possui barreira hematoencefálica
 O LCR (do 3º ventrículo) e o sangue são os principais meios que conduzem as secreções pineais aos órgãos-alvo
 A acção desta glândula é sobretudo inibitória e pode processar-se de 2 formas:
o Indirectamente – inibe a secreção de factores de libertação (“releasing factors”) pelo hipotálamo
o Directamente – inibe a produção de hormonas
 A perda/lesão da glândula pineal na infância pode levar à puberdade precoce (melatonina inibe actividade
esteroidogénica das gónadas, por inibição da produção de GnRH pelo núcleo arqueado do hipotálamo, o que por sua
vez inibe a libertação de FSH e LH pela hipófise).

Habénulas e Núcleos Habenulares


 Das extremidades laterais da comissura habenular nascem 2
tractos brancos de denominados habénulas.
 Dirigem-se primeiro para fora e depois para a frente até às
colunas do fórnix
 Continuam no tálamo ao longo da linha de separação das faces
superior e externa do 3º ventrículo
 Na região póstero-interna da face superior do tálamo observa-se
uma zona triangular branca denominada trígono habenular (2),
limitado internamente pela habénula, externamente pelo sulco da habénula e atrás pelo colículo superior
correspondente
 Cada trígono da habénula apresenta na sua porção posterior uma saliência determinada por um núcleo subjacente de
substância cinzenta – núcleo da habénula.
 As habénulas formam, com as suas regiões nucleares, um local de sinapses para os impulsos olfactivos aferentes.
 Após as sinapses nos núcleos habenulares, as eferências estendem-se para os núcleos salivatórios e motores
(músculos da mastigação) do TC.
 Os núcleos habenulares são o centro de integração das vias aferentes olfactivas, viscerais e somáticas

Aferências
 Impulsos aferentes provenientes da substância perfurada (área olfactiva), dos núcleos septais e da região pré-óptica
chegam aos núcleos habenulares por meio da estria medular do tálamo
 Algumas fibras da stria medularis cruzam a linha média para alcançar o núcleo habenular contralateral. Estas fibras
formam a comissura habenular
 Os núcleos habenulares recebem
adicionalmente impulsos do corpo amigdalino,
através da fita semicircular (stria terminalis)
 Outros impulsos aferentes provenientes da
formação hipocâmpica atingem estes núcleos
através do fórnix.

Eferências
 Tracto habenulotectal – termina na lâmina
superior do tecto, suprindo-a com impulsos
olfactivos
 Tracto habenulotegmental – termina no núcleo
tegmental posterior (formação reticular), onde se continua com o feixe longitudinal posterior, com as conexões com
10
FG
os núcleos salivatórios e motores dos nervos cranianos (responsável pelo facto do cheiro da comida causar fluxo
salivar e secreção de suco gástrico)
 Tracto habenulopeduncular (retrorreflexo de Meynert) – termina no núcleo interpeduncular que, em seguida, faz
conexão com a substância reticular.
 Outras possíveis eferências com o tálamo

Comissura Habenular
 Constitui a prega superior do recesso pineal (por cima da glândula
pineal)
 Situada sobre o bordo posterior da tela coroideia do 3º ventrículo
 Permite a união dos dois núcleos habenulares
 Local de cruzamento de fibras aferentes contraleterais provenientes
da área pré-septal, região pré-óptica do hipotálamo. Estas fibras
integram a stria medularis

Comissura Epitalâmica ou Branca Posterior


 Constitui a prega inferior do recesso pineal (por baixo da glândula pineal)
 Situado na extremidade superior do Aqueduto de Sylvius
 Constituída pelas seguintes fibras:
o Fibras que unem os pulvinares entre si
o Fibras que unem o pulvinar de um lado com o colículo superior, corpo geniculado lateral e núcleos do nervo
MOC e troclear contralaterais
o Fibras que unem o núcleo pré-tectal de um lado com o núcleo vegetativo (Edinger-Westphal) do MOC
contralateral, para o reflexo fotomotor consensual
o Fibras do tegmentum mesencefálico que unem as substâncias nigras e os núcleos rubros.

Estria Medular do Tálamo


 Constitui um conjunto de fibras aferentes provenientes da área pré-septal, área pré-óptica e substância perfurada
anterior, que se dirigem para os núcleos habenulares
 Parte do seu trajecto (ao nível da face superior do diencéfalo) confunde-se com as habénulas epitalâmicas
 Esta estria também recebe algumas fibras provenientes da stria terminalis (fita semi-circular), um conjunto de fibras
provenientes dos núcleos amigdalinos.

Subtálamo

 Região situada inferiormente ao tálamo, estando separada


deste pelo sulco diencefálico médio
 Espécie de prolongamento superior do tegmentum do
mesencéfalo
 Repousa sobre a extremidade superior dos pedúnculos
cerebrais, que a este nível continua a porção sublenticular
da cápsula interna

Elementos Constituintes da Região Subtalâmica


 Globus Pallidus – núcleo principal deslocado externamente
pela cápsula interna. Dividido pela lâmina medular interna
do núcleo lenticular num segmento interno e noutro
externo.
 Extremidade superior dos núcleos rubro
 Porção mais superior da substância nigra
11
FG
 Várias massas de substância cinzenta, entre as quais se destacam, de cima para baixo:
o Zona incerta – lâmina de substância cinzenta. É uma espécie de prolongamento inferior dos núcleos
intralaminares do tálamo, apresentando funções semelhantes.
o Núcleo subtalâmico (corpo de Luys) – massa biconvexa intermédia, entre o globus pallidus e a substância nigra.
Parece ser o centro dos movimentos de balanço e da locomoção. Local de integração dos movimentos suaves de
diferentes partes do corpo
o Pequenas regiões nucleares, internamente à zona incerta e núcleo subtalâmico
 Diversos feixes de fibras que separam entre si as massas de substância cinzenta:
o Alça lenticular (fibras pallidofugais) – fibras que passam inferiormente ao núcleo subtalâmico, contornando-o, e
depois inflectem para cima em direcção ao tálamo
o Feixe lenticular (fibras pallidofugais) – constituída por fibras provenientes das lâminas medulares do núcleo
lenticular. Passa pelo subtálamo (campo H2 de Forel) e distribui-se até ao tálamo, zona incerta, núcleo rubro,
núcleo subtalâmico, substância nigra e núcleos vegetativos hipotalâmicos.
o Feixe talâmico – união dos feixe e alça lenticulares (campo H1 de Forel)
o Feixe subtalâmico/ pallidosubtalâmico (fibras pallidofugais) – dirige-se do globus pallidus até ao núcleo
subtalâmico
o Feixe pallidotegmental (fibras pallidofugais) – fibras que terminam no tegmentum inferior do mesencéfalo.
o Feixe mamilotegmental – une corpos mamilares ao núcleo tegmental posterior
o Lemnisco Interno – estas fibras passam por esta região para depois terminarem no núcleo ventral póstero-lateral
do tálamo.
o Feixe de fibras motoras do crus cerebri – feixe branco e largo que
ocupa a porção inferior da região subtalâmica, por baixo da
substância nigra. É um prolongamento superior do crus cerebri e
continua-se em cima com a cápsula interna.
 Fibras comissuras diencefálicas:
o Comissura subtalâmica posterior (Forel) – une as 2 regiões
subtalâmicas e atravessa a linha média posteriormente aos corpos
mamilares (a roxo)

Núcleos do Campo Perizonal de Forel


 Ao longo do seu trajecto, o feixe lenticular separa-se e subdivide-se, para atravessar as seguintes regiões:
o Núcleo do campo ventral/campo H1 de Forel – formado pelo feixe talâmico (ansa lenticular + feixe lenticular)
o Núcleo do campo dorsal/ campo H2 de Forel – constituído por grande parte do feixe lenticular, situadas entre a
zona incerta (por cima) e o núcleo subtalâmico (em baixo).
o Núcleo do campo interno/campo H de Forel – fibras que se dirigem ao núcleo rubro

Hipotálamo

 Corresponde à parte interna da região subtalâmica, por baixo


do sulco hipotalâmico e do tálamo
 Parte do diencéfalo visível na superfície externa do encéfalo
 Forma o pavimento do 3º ventrículo e apresenta várias
estruturas visíveis na face inferior do encéfalo,
nomeadamente (de trás para a frente):
o Quiasma óptico e tractos ópticos
o Hipófise (neurohipófise)
o Infundíbulo
o Tuber cinereum
o Corpos/ Tubérculos mamilares
o Fossa Interpeduncular/Substância Perfurada Posterior
 Corresponde, então, na base do encéfalo, ao losango optopeduncular (a azul), limitado à frente/fora pelo quiasma
óptico e tractos ópticos e atrás/fora pelos pedúnculos cerebrais.
12
FG
Relações:
o À frente com a área-pré-óptica,
o Atrás com o tegmentum do mesencéfalo, e com a raiz
aparente do nervo MOC
o Por fora/frente com a cápsula interna (porção
sublenticular)
o Por fora/trás com o subtálamo
o Por cima com a lâmina terminalis, comissura branca
anterior e com o tálamo
 Apresenta no seu conteúdo um conjunto de formações de
substância cinzenta periventriculares, que formam núcleos –
hipotálamo propriamente dito. Esta estrutura inclui os
núcleos dos corpos mamilares.

Hipotálamo Propriamente Dito


 Conjunto de pequenas células nervosas dispostas em grupos de
núcleos, muitos dos quais não se encontram bem definidos e
separados uns dos outros.
 Anteriormente ao hipotálamo, está a área pré-óptica que se
estende para ale´m do quaisma óptico até à lâmina terminal e
comissura branca anterior.
 Apesar de não ter a mesma origem embriológica que o
hipotálamo (o hipotálamo é uma estrutura diencefálica enquanto
a área pré-óptica é uma estrutura proveniente das vesículas
telencefálicas), inclui-se no hipotálamo, por razões funcionais.
 Anatomicamente pode-se dividir o hipotálamo de duas formas:

13
FG
 A região interna está dividida da região externa pelas passagens do fórnix e do feixe mamilo-talâmico de Vicq
d’Azyr.
 Existe ainda uma terceira divisão possível, considerada mais complexa (ver Rouvière, Tomo 4, págs 311-314)
 No hipotálamo ainda se identifica uma região em relação íntima com as paredes do 3º ventrículo – zona
periventricular. Esta zona ascende ao longo das paredes do 3º ventrículo e relaciona-se em cima com a face interna
do tálamo, contribuindo para a formação da adesão intertalâmica.
 Abaixo do sulco hipotalâmico, esta zona contém os núcleos periventriculares
 A zona periventricular forma os órgãos ependimários, importantes componentes do aparelho secretor diencefálico
 Os corpos mamilares constituem um conjunto de vários núcleos
 Do núcleo mamilar interno parte o feixe mamilo-talâmico de Vicq d’Azyr, enquanto ao núcleo mamilar externo
chega a coluna do fórnix.
 Uma lesão bilateral dos corpos mamilares e dos seus núcleos ocorre na Síndrome de Korsakow, frequentemente
associada ao alcoolismo crónico (motivo: deficiência de vitamina B1) O distúrbio de memória gerado afecta
principalmente a memória recente, e as lacunas de memória podem ser preenchidas com acontecimentos irreais (o
paciente conta um episódio irreal, mas ele próprio não se apercebe que não é verdade). O achado neuropatológico é
uma hemorragia nos corpos mamilares.

Conexões Aferentes e Eferentes do Hipotálamo


 O hipotálamo recebe informação do resto do corpo através de
conexões nervosas, da corrente sanguínea e do LCR. Os núcleos
hipotalâmicos respondem e exercem a sua resposta pelas mesmas
vias
 O LCR pode servir de meio de condução entre as células
neurosecretoras do hipotálamo e outros locais distantes do
encéfalo.
 O hipotálamo posiciona-se no centro do sistema límbico e recebe
muitas fibras aferentes das vísceras, da membrana mucosa olfactiva, do córtex cerebral e do sistema límbico:
o Fibras aferentes somáticas e viscerais - ramos colaterais dos lemniscos interno e espinhal, do tracto solitário e da
formação reticular.
o Aferências visuais – fibras provenientes do quiasma óptico, para o núcleo
supraquiasmático (ex: vias retino-hipotalâmicas)
o Informações olfactivas – provenientes das áreas olfactivas; estendem-se
por meio do feixe telencefálico/ prosencefálico medial (via directa) até aos
núcleos pré-ópticos e tuberais laterais (hipotálamo lateral), ou por uma via
indirecta que liga o centro cortical hipocampal aos núcleos tuberais e
corpos mamilares (através das colunas do fórnix) O feixe telencefálico
medial é feixe de fibras ascendentes e descendentes que liga o córtex pré-
frontal e a área pré-septal ao hipotálamo lateral e às áreas límbicas do
mesencéfalo.
o Fibras cortico-hipotalâmicas – do córtex do lobo frontal directamente para o hipotálamo
o Fibras hipocampo-hipotalâmicas – do hipocampo até aos
corpos mamilares, através do fórnix. Possivelmente a
principal eferência do sistema límbico
o Fibras amigdalo-hipotalâmicas – do corpo amigdalino para o
hipotálamo através da stria terminalis/fita semicircular e por
uma via que passa no espaço sub-lenticular. Transporta
impulsos relacionados com a afectividade
o Fibras tálamo-hipotalâmicas – provenientes dos núcleos
dorsal interno e medianos do tálamo
o Fibras tegmentais – provenientes do mesencéfalo (formação
reticular).
14
FG
 As conexões eferentes do hipotálamo são também numerosas e complexas:
o Fibras descendentes para o tronco cerebral e medula espinhal –
influenciam os neurónios periféricos dos SNA. Descem através de uma
série de neurónios pertencentes à formação reticular. O hipotálamo está
ligado aos núcleos parassimpáticos do MOC, facial, glossofaríngeo e
vago através do feixe longitudinal posterior (de Schultz). Da mesma
forma as fibras reticulo-espinhais conectam o hipotálamo com as células
nervosas simpáticas com origem nos cornos laterais da medula espinhal
do segmento T1 a L2 e a porção sagrada parassimpática, ao nível do 2º,
3º e 4º segmentos sagrados da medula espinhal
o Tracto mamilo-talâmico (de Vicq d’Azyr) – origem no núcleo interno
dos dois corpos mamilares. Termina no núcleo anterior do tálamo. Este, por sua vez, apresenta uma ligação com a
circunvolução do corpo caloso
o Tracto mamilo-tegmental – dos corpos mamilares até às células da formação reticular no tegmentum
mesencefálico. Permitem a distribuição da informação visceral entre hipotálamo, núcleos dos nervos cranianos e
medula espinhal
o Tractos hipotálamo-hipofisários (supra-óptico hipofisal e tubero-infundibular)

Conexões do Hipotálamo com a Hipófise


 2 tipos de conexões:
o Fibras nervosas que viajam dos núcleos hipotalâmicos para a hipófise
o Sistema portal hipofisário (longo e curto) que conecta os sinusóides da
eminência mediana e infundíbulo com os plexos capilares do lobo anterior da
hipófise.

Tractos Hipotálamo-Hipofisários
 Tracto supra-óptico hipofisário
o As hormonas neurohipofisárias (oxitocina e vasopressina) não são sintetizadas
na neurohipófise, mas sim nos núcleos supra-ópticos e paraventriculares do hipotálamo.
o Alcançam a neurohipófise por meio de axónios que formam este tracto, onde as hormonas são transportadas
através de proteínas transportadoras – neurofisinas.
o São depois libertadas nas terminações axonais, na neurohipófise, quando necessárias.
o A oxitocina é produzida predominantemente pelos núcleos paraventriculares.
o A vasopressina (hormona antidiurética - ADH) é produzida essencialmente pelos núcleos supra-ópticos
o Assim, o núcleo supra-óptico funciona como um osmorregulador. Se a pressão osmótica do sangue é demasiado
alta, as células nervosas deste núcleo aumentam a sua produção de ADH, permitindo que mais água seja
reabsorvida pelos túbulos renais.
 Tracto tubero-infundibular
o A comunicação entre o hipotálamo e a adenohipófise faz-se por meio de
hormonas reguladoras transportadas pela corrente sanguínea
o As artérias hipofisárias superiores formam uma rede vascular no infundíbulo,
onde terminam os axónios de neurónios provenientes dos núcleos
hipotalâmicos
o Estes neurónios produzem e libertam as hormonas reguladoras paras esta rede
vascular
o O sangue recolhe essas hormonas, sendo que depois estas atravessam um
sistema porta-hipofisário, que lhes permite alcançar as células da adenohipófise e, assim, exercer o seu efeito
regulador.
o Os núcleos do hipotálamo associados à produção destas hormonas são o núcleo dorso-medial, ventro-medial,
arqueados/infundibulares e pré-ópticos
o Os neurónios do hipotálamo responsáveis pela produção destas hormonas reguladoras são influenciados por fibras
aferentes do hipotálamo e pelos mecanismos de feedback das hormonas hipofisárias.
15
FG
Funções do Hipotálamo
Controlo das Funções Autónomas/Vegetativas
 Influência sobre o SNA, integrando os sistemas autónomo e neuroendócrino
 Intervém na homeostasia do organismo
 Considerado o centro nervoso superior para o controlo dos centros vegetativos inferiores, presentes no tronco
cerebral e medula espinhal
 A área pré-óptica e anterior do hipotálamo influenciam as respostas parassimpáticas (diminuição da pressão arterial,
da frequência cardíaca e da contracção da bexiga, aumento da motilidade gastrointestinal e da acidez do suco
gástrico, salivação e miose)
 As áreas lateral e posterior do hipotálamo associam-se às respostas simpáticas (aumento da pressão arterial,
frequência cardíaca, cessação dos movimentos peristálticos, midríase e hiperglicemia)

Controlo Endócrino
 Através da produção de hormonas reguladoras, os núcleos
hipotalâmicos exercem controlo sobre a produção de
hormonas ao nível da hipófise e nos mais diversos eixos
hipofisários.

Neurossecreção
 A secreção de vasopressina e oxitocina pelos núcleos supra-ópticos e para ventriculares está relacionada com esta
função

Regulação da Temperatura
 A porção anterior do hipotálamo controla os mecanismos que dissipam a perda de calor. Esta área associa-se à
dilatação dos vasos sanguíneos cutâneos e à sudorese, fenómenos que permitem a perda de calor
 A porção posterior do hipotálamo associa-se à vasoconstrição dos vasos cutâneos, inibição da sudorese e aos
“arrepios”, em que os músculos esqueléticos produzem calor

Regulação da Ingestão de Comida e da Sede


 O hipotálamo lateral associa-se à sensação de fome (chamado centro da fome). A destruição bilateral destes centros
resulta em anorexia, com consequente perda de peso
 O hipotálamo medial (núcleo ventro-medial) inibe a fome e associa-se à saciedade. A destruição bilateral destas
regiões produz uma vontade incontrolável de comer, causando obesidade extrema
 Existe também uma região no hipotálamo anterior e lateral responsável pela sede (centro da sede). Além disso, o
núcleo supra-óptico exerce um controlo preciso da osmolaridade através da secreção de vasopressina

Emoção e Comportamento
 Funções acometidas ao hipotálamo, sistema límbico e córtex pré-frontal.
 O hipotálamo é o centro integrador da informação aferente recebida de outras áreas do SNC para transpor em termos
físicos as emoções sentidas: pode aumentar a frequência cardíaca, a pressão arterial, causar secura da boca, rubor
cutâneo, sudorese ou causar uma massiva actividade peristáltica gastrointestinal.
 A estimulação dos núcleos do hipotálamo lateral está associada a um aumento da agressividade. Uma lesão nesta
zona associa-se a um estado de passividade.
 A estimulação do núcleo ventro-medial pode causar passividade, enquanto a sua lesão pode gerar agressividade.

Controlo do Ritmo Circadiano


 O hipotálamo controla muitos ritmos circadianos, nomeadamente a temperatura corporal e a actividade adenocortical
 O estado de sono e vigília, apesar de dependente das actividades do tálamo, sistema límbico e formação reticular,
também é controlado pelo hipotálamo
 Uma lesão no hipotálamo anterior interfere seriamente com o ritmo do sono
16
FG
 O núcleo supraquiasmático, que recebe fibras aferentes da retina, parece desempenhar um papel importante no
controlo dos ritmos biológicos
 Os impulsos nervosos gerados em resposta a variações na intensidade luminosa são transmitidos através deste
núcleo, de modo a influenciar as actividades dos outros núcleos hipotalâmicos e de outros órgãos, nomeadamente a
glândula pineal.

Notas Clínicas
 As actividades do hipotálamo são modificadas por informação recebida através de vias aferentes provenientes de
diferentes partes do SNC (especialmente do sistema límbico e córtex pré-frontal) ou através dos níveis plasmáticos
de diversas hormonas

Patologias Clínicas Asscoiadas com Lesões no Hipotálamo


 Obesidade – associada também a hipoplasia ou atrofia genital
 Caquéxia – mais rara, é a perda de peso, atrofia muscular, fadiga, fraqueza e perda de apetite quando não intencional.
Caquéxia severa é sugestiva de uma lesão na hipófise
 Distúrbios sexuais – em crianças a puberdade pode surgir mais tarde, ou em casos raros haver precocidade sexual.
Após a puberdade, o paciente com uma lesão hipotalâmica pode experimentar impotência sexual ou amenorreia.
 Hipertermia e Hipotermia – pode resultar de traumas da cabeça ou após uma cirurgia que envolva a região
hipotalâmica.
 Diabetes Insipidus – resulta de uma lesão no núcleo supra-óptico ou de uma interrupção da via nervosa para o lobo
posterior da hipófise. O doente urina grandes quantidades de urina, o que gera uma sede intensa. Esta condição deve
ser distinguida da diabetes mellitus, em que existe glicosúria.
 Distúrbios do sono (insónias e sonolência)
 Distúrbios emocionais – ataques inexplicáveis de riso, agressividade descontrolada, reacções depressivas e
perturbações maníacas.

Hipófise
 Estrutura ímpar e mediana
 Faz parte da porção mediana do andar médio do crânio
 Ocupa a sela turca na sua totalidade, estando localizada no
interior de uma loca de dura-máter – loca hipofisária
 Esta loca tem como limites: em baixo, o seio esfenoidal;
lateralmente os seios cavernosos; e por cima o quiasma
óptico.
 Forma ovóide, estando suspensa do pavimento do 3º
ventrículo por uma haste formada pelo infundíbulo e a
eminência mediana.
 Constituído por 3 lobos:
o Lobo anterior ou adenohipófise – glandular, constituído por tecido epitelial, com origem na ectoderme
embrionária
o Lobo intermediário – muito reduzido no ser humano, um vestígio da bolsa de Rathke, formada pela ectoderme.

17
FG
o Lobo posterior ou neurohipófise – mais pequeno que o lobo anterior, de natureza nervosa, com origem na
neuroectoderme.
 Cada um dos lobos vai apresentar um conjunto de células responsáveis pela produção de determinado tipo de
hormonas.
 No lobo anterior encontram-se células somatotrópicas (produzem GH), corticotrópicas (ACTH), gonadotrópicas
(FSH e LH), tireotrópicas (TSH) e lactotrópicas (PRL)
 No lobo posterior encontram-se os axónios de células nervosas e células de suporte, como os pituícitos. Estes estão
localizados no meio das fibras do feixe hipotálamo-hipofisário e são responsáveis pelo armazenamento das hormonas
oxitocina e vasopressina.

Vascularização, Conexões e Inervação


 A hipófise é irrigada por ramos provenientes das artérias carótidas
internas. Destas partem as artérias hipofisária superior e hipofisária
inferior
 O sangue venoso é drenado através de um sistema porta-hipofisário,
constituído por 2 subsistemas:
o Sistema porta longo – do plexo capilar da eminência mediana e
infundíbulo até ao plexo capilar da adenohipófise.
o Sistema porta curto – da porção inferior do plexo capilar da eminência
mediana e infundíbulo + ramos arteriais até ao plexo inferior
adenohipofisário.
 O plexo capilar da eminência mediana e infundíbulo recebe
as hormonas libertadas no lobo posterior, provenientes dos
núcleos paraventriculares e supra-ópticos.
 O plexo capilar adenohipofisário recebe as releasing ou
non-releasing hormones, provenientes dos núcleos dorso-
medial e ventro-medial, principalmente
 A hipófise estabelece uma importante ligação com o
hipotálamo através do feixe hipotálamo-hipofisário de
Roussy e Mosinger.
 A inervação da neurohipófise é feita pelos axónios dos núcleos paraventriculares e supra-ópticos
 A inervação da adenohipófise é feita através de uma rede simpática peri-arterial.

Aparelho Secretor Diencefálico


 As paredes do 3º ventrículo não são apenas o lugar onde se agrupam os centros e as vias neurovegetativas; é também
a região do SNC onde se realizam fenómenos de secreção muito importantes fisiologicamente
 Este aparelho secretor possui um papel neurotrófico, neurorregulador e psicorregulador
 As manifestações secretoras ao nível do diencéfalo podem ser agrupadas em 3 categorias: neurossecreção,
neurocrinia e ependimocrinia

Neurosecreção
 Certos neurónios da região hipotalâmica, em particular dos núcleos supra-ópticos e
paraventriculares, apresentam alguma actividade glandular
 Estes núcleos produzem uma neurossecreção, cujo produto percorre os axónios até à
neurohipófise
 O produto secretado conflui para a neurohipófise, sendo armazenado aí, antes de
passar para o sangue.
 Assim, as hormonas neurohipofisárias (oxitocina, vasopressina) não têm origem na
hipófise propriamente dita, mas sim no hipotálamo.
 Estes núcleos hipotalâmicos conseguem igualmente secretar hormonas (releasing e

18
FG
non releasing factors), cujo trajecto transpõe a região do tuber cinereum. Estas substâncias estimulariam certas
actividades da adenohipófise, em particular a sua função corticotrópica.
 Descrevem-se também as vias de neurossecreção que seguem fibras dispersas até regiões tão distantes como a
glândula pineal, o mesencéfalo e o corpo amigdalino.

Neurocrinia
 Fenómeno de excreção para o interior do SNC, de produtos elaborados por órgãos glandulares ou secretores, como a
hipófise, a glândula pineal ou o epêndima.
 Termo neurocrinia opõe-se a hemocrinia, o modo de excreção habitual das glândulas endócrinas em que os produtos
são secretados para o sangue.
 A adenohipófise pode secretar para o SNC os seus produtos hormonais
 A glândula pineal e o epêndima são também capazes de enviar à distância os seus produtos até à habénula ou mesmo
até ao corpo amigdalino.
 Assim, a neurocrinia é um fenómeno inverso ao da neurosecreção, uma vez que parte de órgãos glandulares em
direcção ao SNC.

Ependimocrinia
 O epêndima do 3º ventrículo participa activamente nos fenómenos secretores do diencéfalo.
 Esta participação activa não se deve confundir com o papel passivo que desempenha o próprio epêndima no recesso
infundibular, isto no que se refere à substância colóide de origem
neuroglandular ou hipofisária. Neste caso, o epêndima apenas se dissocia
para deixar passar os produtos de secreção que são vertidos na cavidade
ventricular (fenómeno da hidroencefalocrinia de Collin)
 Alguns órgãos ependimários do 3º ventrículo desempenham um papel activo
nos fenómenos endócrinos encefálicos
 Estes órgãos ependimários ou glândulas neurócrinas do encéfalo são três:
o Órgão subcomissural (verde) – formado por epitélio ependimário da face
inferior/ventricular da comissura branca posterior
o Órgão subfornical (azul) – situado entra os buracos de Monro, por cima do
quiasma óptico, ao nível da parede anterior do 3º ventrículo
o Órgão paraventricular (vermelho) – porção de epêndima que recobre o núcleo paraventricular
 Estes órgãos estão, então, localizados à entrada e saída do 3º ventrículo e produzem uma substância colóide
 Também se identifica no 4º ventrículo, à frente do nódulo do cerebelo, um quarto órgão ependimário, denominado de
órgão subnodular.
 Fibra de Reissner – relacionada com o órgão subcomissural, fixando-se este órgão. Depois, atravessa o aqueduto de
Sylvius, o 4º ventrículo e o canal central da medula espinhal até à sua extremidade inferior (seio terminal). Pensa-se
que esta fita seja uma condensação da secreção do órgão subcomissural que se estira progressivamente, flutuando no
LCR. O seu papel não é passivo, participando na destoxificação e nas actividades enzimáticas do LCR que a rodeia.
 O epêndima não só apresenta uma superfície secretora como também uma superfície receptora sensitiva,
representando o lugar de elaboração e de propagação de estímulos. Assim se explicam todos os fenómenos clínicos
vegetativos (sonolência, diminuição da frequência cardíaca, vómitos, etc.) resultantes da hipertensão ventricular.

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