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Para abrigar os famintos da seca, o Governo criou as Frentes

de
Serviço
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. Em 1932, conforme aponta Kênia Sousa Rios (2004), sete “campos
de concentração”: Crato, Quixeramobim, Ipu, Senador Pompeu, São
Mateus e
dois em Fortaleza. Provavelmente, for
am criadas mais de uma frente de
serviços para abrigar os flagelados que chegavam à capital.
Nos “campos de concentração”, os cearenses que sofriam com a seca
recebiam alimentos do governo em troca da construção de obras
, como
estradas e palhoças,
que
favore
ciam as camadas dominantes
. Além disso, os
campos de concentração, para as camadas dominantes, eram
uma forma de
controlar os flagelados e impedi
r que
invadisse
m
a capital cearense.
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Conhecidas também como “Campos de Concentração do Ceará” ou “Currais do
Governo”,
as Frentes de Serviços foram criados pelo Governo do Estado para retirar os
milhares de
sertanejos
que sofriam com as secas que castigavam o estado, que saiam de suas
cidades
para a capital Fortaleza. Em 1932, as Frentes de Serviços foram criadas pelo
governador
Roberto Carneiro. A intenção, portanto, era a de evitar o convívio da massa faminta e
do
ent
e
com as camadas mais abasta
das de Fortaleza, pois, sem perspectivas, os flagelados saiam do
sertão em direção à capital, como tentativa de sobreviver à seca.
De acordo com Rios, a criação dessas frentes foi motivada com o intu
ito
de separar os retirantes da seca das
pessoas que compunham as
classes
dominantes
,
em ascensão no período. As fundadas no interior do Ceará tinham
como objetivo impedir a ida dos sertanejos para Fortalez
a. Entre abril e maio
de 1932, m
uitos flagelados n
ão mais chegaram à capital porque ficaram presos
nos campos do interior (RIOS, 2004: p. 54) E as duas que
existiam em
Fortaleza serviam par
a isolar as classes mais abasta
das dos retirantes que já
estavam lá.
Os campos de concentração,
para eles, significavam a certeza da morte e do abandono por parte das autoridades,
que em
nenhum momento se preocuparam em conter o sofrimento desses retirantes. Conf
orme explica
Kênia de Sousa Rios:
“No momento em que a seca de 1932 é declarada, a capital começa a
tecer uma rede de relações com as quais se cria um cenário de terror. A
imagem da
preocupação com a seca e mais ainda com o flagelo dava respaldo e legitimi
dade aos projetos
das elites para o controle da situação. Os poderes públicos bem como a
burguesia de
Fortaleza entendiam que era urgente conter a força demolidora da multidão que
chegava de
todas as partes do Estado. Os retirantes vinham de muitos municíp
ios do Ceará e até de
Estados vizinhos. Ocupavam os municípios do interior e Fortaleza. Vale
destacar que a
periferia da cidade ficou muito maior durante esta seca. O risco de ter seguido da
compreensão
de que a situação é trágica, portanto merece a atençã
o da burguesia caridosa e civilizada. No
meio de várias polêmicas,
a construção de „Campos de Concentração‟
foi uma das idéias
colocadas em prática pelos poderes públicos, para tentar salvar a cidade e os
flagelados”
.

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