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FINALIDADE DA IMPENHORABILIDADE DO BEM DE FAMÍLIA

Inicialmente cabe instruir-se do conceito de família


hodiernamente aceito em confrontação com o conceito originalmente herdado do
direito romano, de modo que possamos transitar entre o passado, pressente e
cogitar análises futurísticas.
O núcleo familiar evoluiu do conceito pater famílias do direito
romano. Passou de instituto que tinha como objetivo gerir o patrimônio familiar
para instituição com objetivo de perquirir a felicidade e plenitude de seus
integrantes. Ao passo que, anteriormente, a família se constituía em núcleo
autônomo e com fim em si mesmo, no presente, a família classifica-se como um
meio que objetiva a um fim, veja, trata-se de um caminho para um bem maior,
qual seja, a felicidade outrora especificada.
A família, devidamente aparelhada, utiliza-se dos instrumentos
cabíveis para consecução dos objetivos de felicidade inerentes a esta. Não
esqueçamo-nos dos meios utilizados para cumprimento desse objetivo, dos
quais ocupa-se a Constituição na proteção da família, uma vez que esta ocupa
uma situação basilar na estrutura da sociedade brasileira. Um dos principais
instrumentos disso será o bem de família. Antes de mais nada cabe-nos
conceituá-lo a seguir.
Conforme conceito do autor Gostavo Teodoro Andrade PENA1, a
impenhorabilidade vem proteger esse núcleo familiar, sopesando, por um lado a
proteção à família, por outro a proteção ao credor numa relação econômica.

A finalidade da impenhorabilidade é a
de proteger a família assegurando a seus membros
uma existência digna, conforme os ditames da justiça
social, protegendo os economicamente débeis,
impedindo a miséria e a marginalização.

1 PENA, Gustavo Teodoro Andrade. Penhorabilidade do bem de família. Disponível em


<http://www.ambito-
juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=6900>. Acesso em
19/11/2016.

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Refletindo sobre essa necessidade,
bem esclarece Arnaldo Rizzardo (2006, p.855):
“No elenco dos direitos e garantias,
têm-se como da maior relevância aqueles que dizem
com a vida e a dignidade do ser humano, envolvendo
naturalmente a proteção à moradia, que deve constituir
uma das principais metas políticas do próprio Estado.
Nesta dimensão, introduziram-se leis destinadas a
proteger o patrimônio formado pelos bens utilizados
para as pessoas se abrigarem e viverem
individualmente ou no conjunto familiar”.
Vale lembrar que a Constituição
Federal, enquanto norma fundamental, passa a ser a
justificação direta de cada norma ordinária que com
aquela deve se harmonizar. Portanto, o direito privado
deve ser lido em consonância com os ditames
constitucionais, haja vista que a concepção jurídica
moderna, na qual o patrimônio era a razão de ser do
ordenamento, cede lugar para o viés pós-moderno, que
prega a socialização do direito, cujo cerne é a pessoa
humana.

Com a Constituição cidadã de 1988 houve uma acentuação da


influência da dignidade da pessoa humana, consubstanciadora dos direitos
humanos e garantias fundamentais presentes na norma jurídica fundamental,
sobre a higidez tradicionalista do código civil. Destarte, flexibilizou-se o princípio
pacta sun servanda, para que se desse maior amparo para a instituição familiar,
objeto, meio e fim da república federativa nacional. Desse modo, se protege o
bem imóvel de família para que esta não seja posta em situação de
vulnerabilidade socioeconômica.
Há, contudo, certa controvérsia nos tribunais sobre a indicação do
executado de bem de família, entre outros casos. Neste sentido a jurisprudência
mais recente do Superior Tribunal de Justiça2::

2 STJ - AgRg no REsp: 1292098 SP 2011/0255463-1, Relator: Ministro PAULO DE TARSO

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AGRAVO REGIMENTAL NO
RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE TERCEIRO.
EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. PENHORA
DE BEM CONSIDERADO COMO DE FAMÍLIA.
HIPOTECA CONSTITUÍDA PELO COMPANHEIRO DA
EMBARGANTE COMO GARANTIA DE DÍVIDA DA
PESSOA JURÍDICA DA QUAL COMPÕE O QUADRO
SOCIETÁRIO. IMPENHORABILIDADE. NÃO
INCIDÊNCIA DA EXCEÇÃO PREVISTA NO ART. 3º, V,
DA LEI N. 8.009/90. ÔNUS DA PROVA DO
EXEQUENTE. 1. Segundo o entendimento dominante
da Segunda Seção, é impenhorável o bem de família
dado em hipoteca como garantia de dívida contraída
por terceiro. 2. A exceção à garantia do direito à
habitação, corporificada na Lei 8.009/90, prevista no
inciso V do art. 3º da Lei n. 8.009/90, incide quando o
bem é dado em garantia de dívida da própria entidade
familiar. 3. As razões articuladas no agravo não
infirmam as conclusões expendidas na decisão
agravada. 4. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

Em sentido oposto, também do referido STJ 3 , encontramos


decisões que vão de encontro ao decidido anteriormente, de modo a fazer
prevalecer a renúncia sobre a proteção do bem.

Processual civil. Recurso especial.


Bem absolutamente impenhorável. Alegação de
nulidade da penhora. Renúncia do direito à
impenhorabilidade. - A nomeação à penhora pelo
devedor de bem absolutamente impenhorável por força
do art. 649 do CPC importa renúncia do direito à

SANSEVERINO, Data de Julgamento: 14/10/2014, T3 - TERCEIRA TURMA, Data de


Publicação: DJe 20/10/2014
3 STJ - REsp: 470935 RS 2002/0123547-7, Relator: Ministra NANCY ANDRIGHI, Data de Julgamento:
10/12/2003, S2 - SEGUNDA SEÇÃO, Data de Publicação: --> DJ 01/03/2004 p. 120

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impenhorabilidade. Precedente da Terceira Turma
(REsp 351.932). - É vedado o reexame do acervo
fático-probatório carreado aos autos em sede de
recurso especial. - Não se conhece do recurso especial
pelo dissídio jurisprudencial quando não evidenciada a
similitude fática entre os casos confrontados. Recurso
especial não conhecido.

O que se depreende desse vai e vem jurisprudencial é que a


matéria referente à proteção do bem imóvel de família desperta opiniões
conflitantes e diametralmente opostas, e que permitem exceções, a serem
interpretadas conforme carga empírica adquirida pelo magistrado no decorrer de
sua carreira profissional.

REQUISITOS PARA CARACTERIZAÇÃO DO BEM DE FAMÍLIA

Inicialmente, pensa-se que o requisito principal e sine qua nom


para a caracterização do bem de família seja que, neste bem imóvel, seja
abrigada uma família, no sentido estrito do termo, qual seja, um casal
heterossexual, sob a égide do matrimônio cível e religioso, com descentes
resultantes do referido matrimônio e laços consanguíneos. Entretanto, uma leve
verificação do entendimento jurisprudencial, vai contradizer esse senso comum,
de modo a estender essa proteção aos solteiros também, e, assim, às outras
configurações de família.
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça 4 vai no sentido
da proteção do núcleo familiar:

PROCESSO CIVIL. LEI N.


8.009/1990. RECURSO ESPECIAL. DOAÇÃO DO
IMÓVEL À FILHA. NÃO CONFIGURAÇÃO DE
FRAUDE À EXECUÇÃO. IMPENHORABILIDADE DO

4 REsp 1227366 RS 2011/0000140-0, Orgão JulgadorT4 - QUARTA TURMA, PublicaçãoDJe


17/11/2014, Julgamento21 de Outubro de 2014, RelatorMinistro LUIS FELIPE SALOMÃO.

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BEM DE FAMÍLIA. BEM INCINDÍVEL.
IMPENHORABILIDADE DA TOTALIDADE DO BEM.
1. A impenhorabilidade do bem de
família, via de regra, sobrepõe-se à satisfação dos
direitos do credor, ressalvadas as situações previstas
nos arts. 3º e 4º da Lei n. 8.009/1990, os quais devem
ser interpretados restritivamente. Precedentes. 2. O
reconhecimento da ocorrência de fraude à execução e
sua influência na disciplina do bem de família deve ser
aferida casuisticamente, de modo a evitar a
perpetração de injustiças - deixando famílias ao
desabrigo - ou a chancelar a conduta ardilosa do
executado em desfavor do legítimo direito do credor,
observados os parâmetros dos arts. 593, II, do CPC ou
4º da Lei n. 8.009/1990. 3. Quando se trata da
alienação ou oneração do próprio bem impenhorável,
nos termos da Lei n. 8.009/90, entende-se pela
inviabilidade - ressalvada a hipótese prevista no art. 4º
da referida Lei - de caracterização da fraude à
execução, haja vista que, consubstanciando imóvel
absolutamente insuscetível de constrição, não há falar
em sua vinculação à satisfação da execução, razão
pela qual carece ao exequente interesse jurídico na
declaração de ineficácia do negócio jurídico.
Precedentes. 4. O parâmetro crucial para discernir se
há ou não fraude contra credores ou à execução é
verificar a ocorrência de alteração na destinação
primitiva do imóvel - qual seja, a morada da família - ou
de desvio do proveito econômico da alienação (se
existente) em prejuízo do credor. Inexistentes tais
requisitos, não há falar em alienação fraudulenta. 5. No
caso, é fato incontroverso que o imóvel litigioso, desde
o momento de sua compra - em 31/5/1995 -, tem
servido de moradia à família mesmo após a separação
de fato do casal, quando o imóvel foi doado à filha, em
2/10/1998, continuando a nele residir, até os dias atuais,
a mãe, os filhos e o neto; de forma que inexiste

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alteração material apta a justificar a declaração de
ineficácia da doação e a penhora do bem. 6. A proteção
instituída pela Lei n. 8.009/1990, quando reconhecida
sobre metade de imóvel relativa à meação, deve ser
estendida à totalidade do bem, porquanto o escopo
precípuo da lei é a tutela não apenas da pessoa do
devedor, mas da entidade familiar como um todo, de
modo a impedir o seu desabrigo, ressalvada a
possibilidade de divisão do bem sem prejuízo do direito
à moradia. Precedentes. 7. Recurso especial provido.

Depreende-se da análise do julgado retro que, do sopesamento


dos direitos, há a preponderância da família. Não poderia ser diferente, sob pena
de haver uma inconstitucionalidade da decisão.
A lei que disciplina a impenhorabilidade do bem de família é a
número 8.009 de 29 de março de 1990, que converteu a medida provisória
número 143 de 1990.
Não podemos crer que esse conceito de família se dê de maneira
restrita. Não faria sentido que essa proteção à dignidade da pessoa humana se
dê apenas sobre o conjunto familiar e exclua as pessoas que moram sozinha ou
que não se enquadrem no conceito familiar jurídica e socialmente aceito. O
jurista Rainer CZAJKOWSKI5 explicita bem como o princípio da isonomia irradia
os efeitos dessa impenhorabilidade para indivíduos que, na luz da interpretação
restritiva, não se encaixariam no conceito de família.

Com relação ao princípio da


isonomia, é no mínimo duvidoso que uma pessoa
solteira e morando sozinha, por exemplo, não seja
beneficiado pela lei. Numa interpretação textual, parece
que indivíduos sozinhos (solteiros, divorciados ou
separados judicialmente) não são merecedores do
argumento da dignidade humana, para garantia do seu

5 CZAJKOWSKI, Rainer. A impenhorabilidade do bem de família: comentários à Lei 8.009/90./ Rainer


Czajkowski./ Curitiba: Juruá, 1998, 3ª edição., p.26

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direito de habitação. É fácil perceber que podem estar
em condições sociais e econômicas similares àqueles
que têm ao seu lado uma esposa, uma companheira,
uma ascendente etc. A distinção legal entre sujeitos em
situações iguais é absolutamente injustificável.

Uma vez que não há distinção entre os sujeitos protegidos pela


lei da impenhorabilidade do bem de família, cuida-se de distinguir o que se
protege, além do imóvel propriamente dito. Por puro bom senso há que se
proteger também os móveis que guarnecem a casa, uma vez que, se se pudesse
penhorar todos os bens dentro desta, ela ficaria inabitável, pois uma casa sem
camas, sem eletrodomésticos nas cozinhas, sem o mínimo de suporte, perde
drasticamente a força no amparo ao bem jurídico “dignidade da pessoa”.
Essa proteção destinada ao bem imóvel e aos bens móveis que o
guarnecem, tem o caráter de irrenunciabilidade, uma vez que destina-se à
proteção do ente jurídico família. Cabe destacar que essa proteção não se faz
presente se for identificado que o imóvel fora adquirido de má-fé, conforme
entendimento dos professores Sérgio ARENHART e Luiz Guilherme MARINONI 6.
Nada mais do que justo, tendo em vista que a proteção não é
para acobertar condutas reprováveis tampouco incentivar fraudes, mas para
resguardar um instituto que é muito caro para a ordem pública nacional, qual seja,
a família.

EXCEÇÕES À IMPENHORABILIDADE

Importa lembrar que o instituto da impenhorabilidade que confere


proteção ao bem de família não objetiva o incentivo à inadimplência. O principal
objetivo é o da proteção ao patrimônio mínimo dos sujeitos envolvidos. Não
obstante, cabe destacar que essa proteção não atinge aqueles bens que
ultrapassem os necessários à vida digna, porém módica, do grupo familiar.

6 MARINONI, Luiz Guilherme. Curso de processo civil, volume 3: execução / Luiz Guilherme Marinoni,
Sérgio Cruz Arenhart. - 6. ed. rev. E atual. - São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014.p.260

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Conforme o artigo 2º da lei 8.009/90, essa impenhorabilidade não
abarcará veículo de transporte, obras de arte e adornos suntuosos. Não seria
diferente, uma vez que esses objetos não condizem com a situação de uma
família que sofre um processo de cobrança de dívidas. Faz bem lembrar que o
processo é um meio para que se busque a satisfação de uma dívida não paga,
neste caso. E não é razoável que se proteja a posse de bens supérfluos em
detrimento do direito de um credor de receber aquilo que de boa-fé lhe é direito.
Destaca-se que a impenhorabilidade aqui estudada é relativa e
não absoluta, como bem explicita o jurista Araken de ASSIS7:

Como quer que seja, as regras


demonstram que a impenhorabilidade da residência
familiar tem estatura geral, imunizando o respectivo
objeto contra qualquer execução, independentemente
da natureza do crédito, salvo os casos expressamente
arrolados nos incisos do art. 3º da lei 8.009/1990. O
fato de a residência familiar comportar constrição, em
algumas hipóteses, apresenta uma consequência
segura. Cuida-se de impenhorabilidade relativa,
conforme a classificação usual desses limites à
responsabilidade patrimonial (art. 591, in fine) no direito
brasileiro, e não impenhorabilidade absoluta – geral e
irrestrita. As exceções à impenhorabilidade, inspiradas
por fatores heterogêneos, exigem análise atenta.

A impenhorabilidade descrita, portanto, não é irrestrita, comporta


as exceções do rol taxativo do artigo 3º da referida lei, além daquelas do artigo
2º.
Nesse compasso, o professor da UFRJ, Bruno Garcia
REDONDO 8 entende que a impenhorabilidade deve ser restringida para o

7 ASSIS, Araken de. Manual da execução / Araken de Assis. - 17. ed. rev., atual. E ampl. - São Paulo :
Editora Revista dos Tribunais, 2015. p.297
8 REDONDO, Bruno Garcia. Novo CPC doutrina selecionada, v. 5: execução / coordenador geral,
Fredie Didier Jr.; organizadores, Lucas Buril de Macêdo, Ravi Peixoto, Alexandre Freire. - Salvador :

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estritamente mínimo e reduzido que possa ser possível ao executado sobreviver
com dignidade, além de afirmar que a impenhorabilidade como existe hoje é algo
tido como inadequado, posto que protege demasiadamente o inadimplente e
desampara o credor.

CONCLUSÕES ACERCA DAS CORRENTES DOUTRINÁRIAS


E JURISPRUDENCIAIS SOBRE IMPENHORABILIDADE DO BEM DE FAMÍLIA

Recapitulando: o instituto da impenhorabilidade do bem imóvel de


família foi implementado pela lei 8.009 de 1990. Essa lei busca proteger o imóvel
residencial próprio da entidade familiar, entendida aqui no seu sentido mais
amplo, podendo até mesmo significar a entidade em potencial, contra qualquer
tipo de dívida de qualquer natureza.
Cabe destacar que essa proteção de estende a outros casos para
proteção da família, tais quais o único bem de família alugado que sirva para a
subsistência ou moradia dessa, desemboca na irrenunciabilidade do bem de
família, em que pese a controvérsia jurisprudencial encontrada no início do
presente trabalho, dotação do instituto de caráter de ordem pública, não se
sujeitando, portanto, à preclusão, podendo ser arguida a qualquer tempo no
processo.
Há algumas exceções, claro. Alguns exemplos são: execução de
pensão alimentícia, dívida do financiamento para a compra do referido imóvel,
cobrança de impostos e taxas prediais, quando o imóvel é fruto de crime, outros
casos de má-fé, etc.
Não poderia haver apenas interpretações ampliativas da proteção,
uma vez que deve-se lembrar de que o processo serve para satisfazer aos
interesses daquele de direito, e, se há impenhorabilidade, há tentativa de
penhora, portanto há um processo de execução de uma dívida não paga onde o
credor, possivelmente, está de boa-fé.
O processo deve portanto proteger esse credor, contudo sem

Juspodvm, 2016. p.623

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perder de vista os princípios e garantias fundamentais. É nesse ponto que se
coloca na balança os direitos envolvidos, o direito do credor, de ver seu crédito
ressarcido de boa-fé e da família de ser cobrada sem que se tenha sua
dignidade atingida.
A questão maior que paira sobre toda a discussão é: essa
impenhorabilidade deve ser ampliada ou restringida? Essa proteção é um
incentivo maior à inadimplência ou deve ser enaltecida como protetora da ordem
pública consubstanciada na família?
Como a grande maioria das matérias, há bons pontos de vista
para ambos os lados. Realmente há que se acautelar com os efeitos
incentivadores de fraudes, decorrentes de qualquer tipo de proteção, mas
diminuir a lei protetora ao status de simples incentivadora de ilícitos me parece
leviano. Uma conclusão nesse sentido seria feita embasada num mundo de
conto de fadas, e não espelhado na realidade de um país com profundas e
enraizadas desigualdades e injustiças sociais.
Afirmar que deve-se restringir a proteção apenas por perigo de
fraudes é desconsiderar a desproporção de forças entre o poder econômico
médio das famílias brasileiras e os principais credores, geralmente bancos e
financeiras. Não que se deva apregoar a total desconsideração das instituições
financeiras, pelo contrário, pois são essenciais à prosperidade nacional, mas
deixar as pessoas à total mercê de instituições que visam lucro sem limites,
acima de qualquer coisa, é um equívoco severo.
Dessa forma, o que se tem é que sempre haverão indivíduos
dispostos a se aproveitarem de brechas ou situações de que possam tirar
vantagens em cima de outras pessoas, mas tornar essa prática como uma
presunção pode vir a ser mais prejudicial do que a própria prática em si, uma vez
que sobrecarrega o lado mais fraco de uma relação de crédito.

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REFERÊNCIAS

ASSIS, Araken de. Manual da execução / Araken de Assis. - 17. ed. rev., atual. E
ampl. - São Paulo : Editora Revista dos Tribunais, 2015.

CZAJKOWSKI, Rainer. A impenhorabilidade do bem de família: comentários à


Lei 8.009/90./ Rainer Czajkowski./ Curitiba: Juruá, 1998, 3ª edição.

MARINONI, Luiz Guilherme. Curso de processo civil, volume 3: execução / Luiz


Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz Arenhart. - 6. ed. rev. E atual. - São Paulo:
Editora Revista dos Tribunais, 2014.

PENA, Gustavo Teodoro Andrade. Penhorabilidade do bem de família.


Disponível em <http://www.ambito-
juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=6900>.
Acesso em 19/11/2016.

REDONDO, Bruno Garcia. Novo CPC doutrina selecionada, v. 5: execução /


coordenador geral, Fredie Didier Jr.; organizadores, Lucas Buril de Macêdo, Ravi
Peixoto, Alexandre Freire. - Salvador : Juspodvm, 2016.

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