Vous êtes sur la page 1sur 20

Luiz Octávio Sibahi

Sujeito [Jurídico] e Ideologia:

A tensão entre Marx e Freud

Projeto de Mestrado,
a ser desenvolvido junto ao Departamento de
Filosofia e Teoria Geraldo Direito da USP,
sob a orientação do Professor Livre-Docente
Alysson Leandro Mascaro

.
Universidade de São Paulo
São Paulo – 2016

1
Índice

1. Introdução..................................................................................................................... 3

2. Justificativa................................................................................................................... 6

3. Objetivos....................................................................................................................... 7

3.1 Objetivo Geral............................................................................................................ 7

3.2 Objetivos Específicos................................................................................................. 7

4. Metodologia.................................................................................................................. 7

5. Índice Preliminar...........................................................................................................8

6. Cronograma...................................................................................................................8

7. Bibliografia Consultada.................................................................................................9

8. Bibliografia Preliminar................................................................................................10

2
1. Introdução
À Filosofia do Direito se incumbe a tarefa de refletir sobre os grandes temas do direito.
Sua razão de ser, sua origem e eventualmente seu fim, são problemas que tocam
profundamente a teoria jurídica. Assim, a consolidação do próprio direito enquanto
estrutura normativa esteve acompanhada de uma teorização correspondente à sua própria
evolução histórica.

Da filosofia teológica medieval já é possível entrever a estrutura argumentativa em


que redundará a modernidade: a norma. (MASCARO, 2012) É, pois, o paradigma da
norma que será estabelecido como explicação primeira do direito. Em tempos medievais,
entretanto, e não à toa, a norma da qual se origina o direito provém de Deus. Dessa
argumentação, os filósofos modernos aproveitam a estrutura lógica, mas alteram seu
conteúdo: não mais de Deus, mas da Razão dos homens, é que se fundamentará o direito.

O pensamento liberal será responsável por consolidar o tratamento teórico sobre o


problema do direito. Entretanto, a concepção jurídica liberal terá a exata medida de suas
necessidades de reprodução social. Desse modo, consagram-se as idéias da universalidade
do direito, da igualdade formal ente os sujeitos e da liberdade da vontade (ou autonomia
da vontade) (PACHUKANIS, 1988).

Pachukanis apresentará um entendimento tridimensional do homem no capitalismo,


enquanto sujeito moral, jurídico e econômico, como indispensáveis à lógica capitalista.
Essas determinações, “expressam o conjunto das condições necessárias à realização da
relação de valor, isto é, de uma relação onde as mútuas relações do homem, no processo
de trabalho, aparecem como uma propriedade coisificada dos produtos trocados”
(PACHUKANIS, 1988)

Assim, o teor das filosofias liberais, que se esmeram por conceber o homem como
universal individualizado, isto é, supor uma igualdade entre todos que se manifesta apenas
na sua individualidade pessoal, surge exatamente pela necessidade das relações de
produção, enquanto uma das determinações do homem, a determinação moral.

Pachukanis explica que a determinação moral nada mais é que a necessidade de


igualdade formal entre os indivíduos, igualdade para estabelecer relações de troca com
todos. Da mesma forma, a determinação jurídica coroa a titulação de direitos,
manifestadamente o direito à propriedade, posto que o homem deve ser ao menos dono

3
de sua própria força de trabalho, e deve ser um sujeito moral para se inserir igualmente
nas relações sociais. Finalmente, enquanto sujeito econômico, expressa-se a
individualidade egoística do homem nas relações sociais, que se supõem sempre estar
agindo no máximo do seu interesse. Esses três princípios “estão indissoluvelmente
ligados uns aos outros e representam na sua totalidade a expressão racional de uma única
e mesma relação social” (PACHUKANIS, 1988)

Essas três determinações do sujeito na sociedade capitalista nada mais são que a
composição ideológica do próprio homem. Mas identificá-las enquanto ideologia não
deve impedir que se penetre concretamente no modo de existir delas.

Sobretudo, quando se analisa a filosofia liberal, fica clara a incoerência entre as


necessidades objetivas que se manifestam no discurso e a contradição que elas
engendram. Assim, as determinações do sujeito no capital não aparecem como objeto de
estudo da filosofia liberal. Antes, elas próprias determinam a filosofia liberal, seja
enquanto um pressuposto universal naturalizado ou enquanto imperativo categórico da
razão.

A separação entre sujeito e objeto é o parto que dá origem à teoria crítica. Até Kant,
vigorava o “cogito ergo sum”, a racionalidade cartesiana depositava no sujeito a
responsabilidade sobre toda a existência objetiva. A partir de Kant, não é mais possível
deixar de reconhecer a separação entre um sujeito pensante e um objeto externo. O sujeito
está para sempre cindido, e assim, a crítica da razão representa a saída da infância
filosófica da humanidade, com o reconhecimento do “outro”, de algo que existe fora e
além do próprio sujeito e que não está sobre seu controle.

Essa “descoberta” da filosofia, de que não existe apenas o sujeito cognoscente,


representa uma perda. A percepção de que o mundo não se encerra no próprio sujeito é,
ao mesmo tempo, o reconhecimento de que o sujeito depende do mundo e o
enfrentamento irremediável de sua própria não-completude. A não-completude é a morte
do sujeito, é o indicador de que falta algo. Algo que o Outro tem, ou que o Outro não tem,
a depender do modo como o sujeito passa pelo trauma de se inscrever na civilização.
[Tipos de sujeito: histérico, perverso, etc, e sua relação com o Outro]

De frente ao horror da falta, o sujeito sai ferido de morte, como se ele próprio tivesse
sido tirado (do lugar) de si, e uma parte essencial tivesse indo embora, atingido em seu

4
orgulho e narcisismo. Enfrentar o trauma da perda é um trabalho, o trabalho de luto, e por
mais difícil que seja, a partir de agora será para sempre impossível ao sujeito acreditar no
seu próprio mito.

Como se dá o trabalho de luto no sujeito cognoscente? O luto não é um processo de


elaboração apenas da morte, mas da perda. A perda, é claro, pode ser representada pela
morte. No caso de nosso sujeito, o luto é o caminho inevitável que se inicia com o
reconhecimento da separação do objeto. Ao perceber sua própria não-completude, o
sujeito que antes entendia que “penso logo existo”, agora é obrigado a se deparar com um
mundo totalmente novo e fora de controle. Sobretudo, esse rasgo é responsável por
inscrever o sujeito na civilização e dá origem ao mundo da cultura.

Qual foi a perda do sujeito? O que ele perdeu? A própria completude. Esse processo
está representado na psicanálise pela castração, o momento no qual o sujeito é retirado da
posição fálica (completa) e é colocado diante da falta. Não se trata, pois, de um terceiro
(como a mãe) que tolhe a potencialidade do sujeito, mas antes, é o reconhecimento do
próprio sujeito de algo essencial lhe falta, e que isso que falta, ele não pode obter sozinho.

Uma vez que o Sujeito se depara com sua própria cisão, ele passa a responder a lidar
com ela. Existem várias estruturas possíveis em decorrência desse trauma, mas de modo
geral, podemos apontar para dois tipos, em que se encara a falta, ou a recusa. A recusa
da falta em geral corresponde ao Sujeito psicótico, que vive da fantasia, ou ao perverso,
que despreza o Outro e “elege” um objeto que lhe fará completo. Aceitar a falta, então,
implica necessariamente em reconhecer o Outro, é o processo que cria o Outro, Outro
como aquele que possui o que eu, Sujeito, não possuo. De frente para o Outro, completo,
o Sujeito não se resigna. Diante do Outro, pode-se constituir uma estrutura histérica, que
se desespera diante da própria incompletude, e acredita que nada pode fazê-lo completo.
Ou ainda, um comportamento obsessivo, quando o Sujeito é tragado pela Lei, e se torna
incapaz de lidar com o próprio desejo. Como resultado, ninguém pode, como ele também
não pode, gozar. De qualquer maneira, ao enfrentar a falta, o Outro sempre emergirá como
o completo, até que se consiga pensar também no Outro a mesma falta que se é acometido.

Todas as formas de luto são um reequilíbrio entre instinto de vida (libido) que é
rompido junto com o rompimento do narcisismo, e precisa ser deslocado para o Outro.
Quando esse processo não ocorre corretamente, o equilíbrio tende a ser alcançado

5
equacionando o instinto de morte, que pode ser tanto projetado sobre o Outro quanto
sobre o próprio Sujeito.

Como trauma, o processo do luto nem sempre é bem-sucedido, e o sujeito pode ficar
eternamente preso, lutando com o objeto perdido, para se tornar capaz de aceitar sua falta.
Assim como os sujeitos reais passam pelo luto, o Sujeito filosófico também está sujeito.
E assim, em decorrência da cisão entre Sujeito e Objeto, antes que o Sujeito aceite sua
existência incompleta, ele irá passar pelo luto, e não será de maneira distinta. Por isso,
sugerimos partir da sistematização de Kubler-Ross (KUBLER-ROSS, 1996) sobre a
morte e o morrer, e transpô-la para o luto do sujeito filosófico.

Teremos, como resultado, 5 etapas, que não respeitam ordem lógica ou cronológica,
para a forma como o sujeito irá lidar com a perda, até que finalmente consiga aceitar o
que significa a separação do objeto de si: a negação, a raiva, a barganha, a depressão e a
aceitação.

A primeira etapa é a negação, no caso, a negação do objeto e o retorno (diríamos, da


libido) para o próprio sujeito, ou para outro objeto. A perda, contudo, dificilmente pode
ser substituída, especialmente quando se trata de uma parte fundamental do sujeito.
Podemos ver, nesse horizonte, o retorno teórico do sujeito para a própria subjetividade,
ainda que ele saiba que existe algo além. Naturalmente, esse caminho está fadado ao
fracasso, ainda que tenha o seu charme. O retorno ao sujeito sempre apela ao seu
narcisismo, ao quão especial é o sujeito, e como a transformação do mundo depende da
subjetividade. Mas, como que descobrindo que há um Outro, ele prefere (escolhe) não
enfrentar o desconhecido, e se voltar para si. Essa volta, contudo, nunca fará com que as
coisas voltem a ser como antes. Após a cisão, o Sujeito nunca mais será como antes, e a
negação é a defesa usada para não precisar lidar com a angústia da não-completude, e
então, com o próprio Objeto.

Uma vez que o Sujeito passe da negação, e de alguma maneira conheça existência do
Outro, a angústia pode prevalecer. Nesse caso, um dos caminhos para lidar com a angústia
da falta é a destruição, do Objeto ou do próprio Sujeito. Essa etapa é chamada raiva, e se
constitui justamente de uma tentativa de resolver a cisão que tornou o sujeito incompleto.
Aqui, a falta é preenchida pela destruição do Objeto, que, ao negar ao Sujeito o gozo, e
fazer dele terceiro, deve ser destruído para reestabelecer o estado inicial das coisas. A
energia deslocada contra o objeto pode se voltar para o Sujeito, que na verdade, Sujeito e

6
Objeto, são duas faces da mesma relação que o Sujeito precisa lidar. A energia pode se
voltar contra o próprio Sujeito, dando origem à outra etapa do luto. A destruição do objeto
pode representar, filosoficamente, um certo caminho para a transformação. Contudo, há
muitas perdas, decorrentes sobretudo do desvio no olhar o objeto, e, apesar se constituir
num grande poder crítico, acaba sempre falhando no seu intento.

Ao perceber que destruir o Objeto não irá fazê-lo retornar ao estado inicial de
completude, toda aquela energia volta para o próprio Sujeito. A angústia da perda, então,
ao invés de ser elaborada sobre a forma de destrutividade, ela, que se volta contra o
Sujeito, recebe a forma da depressão. O Sujeito que vive a dor da perda, nos parece, não
representa uma posição filosófica. É, antes, a falta de posição, um certo niilismo agressivo
que perde as potencialidades abertas pela raiva, para padecer sobre o horizonte do nada.

Talvez, uma das posições mais interessantes do ponto de vista filosófico seja a
barganha. Aqui, o Sujeito já está de fato tentando lidar diretamente com o Objeto.
Entretanto, o que temos aqui é ainda é a suposição de que é possível dominá-lo. Como se,
aceitando que houve a perda, na verdade, é preciso estabelecer algumas condições, para
então o Objeto retornar à posição inicial, e o Sujeito voltar ao estado de completude.
Certamente trata-se de um engodo, mas as possibilidades teóricas se expandem muito, na
medida em que o Sujeito se dispõe a negociar. Essa posição do Sujeito, em geral, se
desenvolve com a criação de condições para o Objeto. Assim, se tornaria possível
dominá-lo sem mediações, e o Sujeito se satisfaria com uma completude repaginada, pois
fez o Objeto depender do Sujeito. O grande avanço que essa etapa representa é a aceitação
da não completude, de que há de fato um Outro além de mim. Mas, sem obstar, faço desse
Outro depender de mim, das regras que imponho sobre ele como condição para sua
existência.

Assim, no estágio da barganha, temos uma posição filosófica na qual o Sujeito


encaixota o objeto para dominá-lo, mas continua se tratando de um impossível, uma vez
que o objeto, enquanto fora do Sujeito, é indominável, e só pode ser acessado de modo
mediado. O insucesso da barganha em geral é revelado pelo princípio de realidade, que
se impõe sobre o constructo do sujeito. Mas é preciso reconhecer que aqui se desenvolvem
complexas construções, como resultado da busca pelo Objeto, que, na medida em que se
relacionam com o Sujeito, revelam as formas de mediação do Sujeito com o com o Objeto.

7
Não é certo, em obstante, que essas reflexões consigam estabelecer um ponto seguro para
acessar o Objeto, ainda que se esforcem para tanto.

A última etapa é a aceitação, que não é um resultado necessário do processo do luto,


posto que o Sujeito pode ficar eternamente entre os 4 momentos anteriores. Podemos
entender essa etapa em dois pontos fundamentais. Por um lado, há a resignação do Sujeito
perante a sua própria incompletude, sendo assim, ele aceita – e por isso aceitação – que
ele não é completo. Em vista da sua própria incompletude, resulta também a própria
incompletude do Objeto, isto é, o Outro não é também completo. Assim, a angústia da
falta encontra a plenitude, pois se revela agora tanto no seu Sujeito, quanto no Objeto.
Isso quer dizer, do ponto de vista filosófico, que o mistério do Sujeito não será resolvido
pelo Objeto, pois o Objeto também é incompleto. Esse é o ponto fundamental em que o
estado de barganha trava, pois lá, pressupõe-se que o Objeto fará o Sujeito completo, e
todo o esforço empreendido só faz sentido porque o Objeto é (seria) completo, e
dominando-o, o Sujeito também se completa.

Aceitar que tanto Sujeito quanto Objeto são faltantes ainda aceitar que o Objeto não
é capaz de responder os problemas do Sujeito. Por isso, sempre vai faltar algo na filosofia.
A resposta para o mundo só pode estar mais além do próprio do mundo, pois a cisão entre
sujeito e objeto não estabelece um horizonte que consiga ir além de seus próprios termos.
Assim, a transformação do Sujeito está além do Objeto, e a transformação do Objeto está
além do Sujeito. Objeto, no nosso caso, o mundo.

Reside precisamente aqui, aliás, a dificuldade da reflexão marxista. Ela parte da


posição mais difícil possível, a qual está o tempo todo lidando com incompletude do
Sujeito e do Objeto, um em relação ao outro. Há um desespero terrível em encarar que
não há resposta para o mundo, e pensar a partir da posição da falta é exatamente o que a
filosofia não faz. A filosofia sempre pressupõe a completude, por isso o auto-engano é
um engodo recorrente. Como o próprio Althusser sugeriu, decorre da peculiaridade do
Sujeito filósofo, que, incapaz de dominar o mundo com as próprias, tenta dominá-lo
através das ideias.

A falta recíproca entre Sujeito e Objeto nos coloca diante de um aparente vazio, que
nos inquere sobre o que, ou quem, pode resolver o impossível dilema que se instaura
diante da dupla incompleta. A resposta para esse problema saída própria noção do Sujeito,
que, para se constituir como Sujeito, a partir de sua castração, depende da Lei do Pai. A

8
entrada do Sujeito na civilização implica na constituição de uma moralidade, mas não
qualquer moralidade. Uma relação transformadora entre Sujeito e Objeto só é possível se
inscrita dentro de uma moralidade revolucionária. Esse ponto, razoavelmente abondando,
sobretudo em vista da complexidade das experiências concretas, do problema da
revolução, é fundamental para as possibilidades dessa relação. É verdade que pode ser
qualquer moral, isto é, a relação entre Sujeito e Objeto, independente da noção que se
faça dela, irá se estabelecer conforme alguma moral. O ponto é que, para que se estabeleça
uma relação de transformação, é preciso que se constitua uma moral revolucionária. Este,
contudo, não é objeto do presente estudo. Nossa preocupação está ainda atrás, em
entender como se pode abordar e delimitar o Sujeito e o Objeto.

Entendemos que tanto Sujeito como Objeto são cindidos e incompletos, e não
conseguem se alcançar. Sua relação, então, se dá sempre por mediação. Assim, o Sujeito
não se relaciona diretamente com o Objeto, mas com a representação que ele cria do
Objeto que o permite articular dentro do seu próprio domínio. Do ponto de vista da
psicanálise, diríamos que a consciência é constituída como linguagem, e a única forma
dela acessar a realidade é mediada pela linguagem, o que, obviamente, não esvazia a
realidade da sua objetividade, mas posiciona a capacidade do Sujeito de conhece-la dentro
de um contexto específico, na forma de símbolos.

A despeito da forma como se constitui a subjetividade, o Objeto se desenvolve em sua


própria história, com sua lei própria.

nedepois que

Depois de falar das 5 etapas:

- sedução da teoria crítica

- essa proposta não visa delimitar estaticamente um filósofo ou uma específica teoria,
mas jogar luz para o movimento que a própria elaboração teórica passou em sua narrativa,
na medida em que é uma auto-narrativa que nunca olhou para o espelho, e não pôde ver
os mecanismos à que está submissa. Todo reflexão parte da cisão entre sujeito e objeto se
faz inscrita nos termos acima, mesmo que de modo não linear. A passagem da barganha

9
para a negação, ou da negação para a raiva, são sempre formas de lidar com a dificuldade
de dominar um objeto impossível, qualquer objeto, que é exterior ao sujeito. Isso cria,
correspondentemente, a impossibilidade do próprio sujeito, que estará sempre em falta,
incompleto. A pretensão da filosofia, em sua origem platônica, é conceber o Um, o Todo,
e é exatamente a impossibilidade disso que temos demonstrado.

O possível existe na medida em que estabelecemos referências. O jogo entre sujeito e


objeto, que nunca irão entrar em contato diretamente, será sempre mediado, e é
justamente aqui que reside o perigo e a saída para o problema. O campo em que ocorre é
essa partida, é o que em geral se chama de Ideologia.

[A perda do falo, o falo é a completude?]

(o luto do sujeito pensante)

2. Justificativa

a) Do método:

É possível classificar as escolas jusfilosóficas em três diferentes correntes, a partir de


uma leitura crítica. “Os três caminhos da filosofia do direito contemporânea representam,
também, três abordagens quanto à extensão do fenômeno jurídico." (MASCARO, 2012)
Esses três caminhos se materializam nas perspectivas juspositivistas, não
juspositivistas e críticas de entender o direito. A cada método corresponde, portanto, a
um determinado nível de profundidade da apreensão da realidade, e, portanto, da
capacidade de entendê-la e de explicá-la.
Já foi demonstrada a incapacidade das perspectivas analíticas de apreender a realidade
objetiva e, portanto, de explicá-la. Por outro lado, é patente a carência na academia de
uma abordagem metodológica crítica, como a marxista, capaz de chegar ao núcleo duro
do direito. É um método negligenciado na academia, ou ignorado, mas capaz de responder

10
aos grandes temas da atualidade, por não se negar a investigar os nexos históricos e
estruturais do direito com o todo social, sem se limitar ao espectro da norma jurídica e
chegar ao campo profundo das relações de poder.(MASCARO, 2012).
O presente projeto opta, portanto, por se alinhar à escola jusfilosófica crítica para
propor uma análise da constituição do sujeito jurídico a partir da problemática da
ideologia. Esse estudo deverá se alinhar com outras matrizes do pensamento crítico,
especificamente a sistemática teórica trazida pela psicanálise, notadamente nas obras de
Freud e Lacan, que deverão compor a presente reflexão.
O problema do sujeito na história da filosofia já foi objeto de inúmeras reflexões. Sem
obstar, entendemos que há dois rasgos na história que trouxeram uma abordagem
absolutamente distinta no estudo do objeto.
Marx, ao inserir o sujeito no todo social e compreendê-lo a partir sua inserção nas
relações sociais, i.e., o sujeito é sempre sujeito dentro um relação, uma relação específica
que lhe conforma e determina uma serie de peculiaridades. Ao apresentar essa proposta,
temos em evidência um sujeito determinado pela sociedade, que só pode ser entendido
partindo da forma social em que está inserido. Do ponto de vista jurídico, temos que o
maior legado do pensamento crítico foi deixado por Pachukanis, que deverá nortear nosso
estudo, assim como o legado de Althusser, que foi o grande pensador da filosofia
marxista.
Freud, por seu turno, inaugurou uma ciência cujo objeto é a própria subjetividade, não
do ponto de vista relacional, i.e., de como a subjetividade se constitui e se conforma
dentro de uma determinada forma social, mas desenvolveu o estudo sobre a própria
constituição da subjetividade enquanto objeto independente da relação social. Os estudos
do autor, contudo, não chegaram a estabelecer uma sistemática geral e abstrata sobre seu
objeto, apesar de ter lançado as bases e principais fundamentos para entender a
subjetividade. Emulando Althusser, em sua interpretação sobre o Capital de Marx,
poderíamos dizer que a teoria de Freud está em sua obra em “estado latente”, seu
pensamento é a própria prática teórica de uma reflexão que não está explícita. O
desenvolvimento teórico do pensamento de Freud teve mais sorte do que a de Marx, foi
passada a diante e ficou a cargo de Lacan elaborar teoricamente o que em Freud estava
em “estado prático”.

b) Do objeto de estudo:

11
A ideologia é certamente o problema mais atual dentro do campo crítico, sobre o qual
ainda reside a pergunta, mais atual e mais antiga de toda, sobre como, depois de um
período de experiências sociais tão profundas, e na qual os limites e deficiências do nosso
sistema social padece, pode ainda a subjetividade se conformar e se submeter a ele?
Nesse contexto, a subjetividade é o ponto nodal sobre o qual se descarrega toda a
complexidade da vida social, e é ao mesmo tempo a responsável pela sustentação e
manutenção do sistema social, colocando para o estudioso um aparente paradoxo.
Assim, nos parece que eleger o sujeito e a ideologia como objetos do presente estudo
oferece o limite preciso para identificar o modo como se dá sua relação.

3. Objetivos

3.1. Objetivo geral

Problematizar, através da reflexão da reflexão de Marx, Althusser, Freud e Lacan, o


tema da ideologia e, a partir do pensamento de Pachukanis, investigar a constituição da
subjetividade jurídica e como opera nesse processe a intermediação da ideologia.

3.2. Objetivos específicos

Identificar, dentro da sistemática da psicanálise, a constituição do sujeito e sua relação


com o objeto.

A partir da separação entre sujeito e objeto, delimitar a possibilidade de conhecimento


do objeto pelo sujeito, e as formas que o sujeito possui de se apropriar (dominar) o objeto
que lhe é externo.

Entender como a ideologia se insere na relação de intermediação entre sujeito e objeto,


e conforma essa relação. A parti daí, estabelecer um ponto de referência que permita
avançar sobre o objeto, mesmo que ele só possa ser conhecido dentro de um contexto
ideológico.

12
Delimitar o direito como objeto, conforme as considerações feitas acima, e como o
direito está constituído e intermedia as relações sociais, i.e., a ideologia jurídica.

Ao mesmo tempo que a forma social se constitui, ela se impõe sobre os elementos que
a integram, e então, iremos caracterizar como uma forma social específica (capitalista) se
impõe sobre os sujeitos, e de que modo se dá a constituição da subjetividade jurídica.

4. Metodologia

Para a execução dos objetivos da pesquisa proposta, a metodologia de trabalho requer


três eixos principais de estudo, que se relacionam e se interpenetram na medida do próprio
trabalho: objeto, método e reflexão. A separação desses três caminhos permite
sistematizar o projeto, sem entretanto perder a união entre eles. Enquanto
interdependentes um só existe em função do outro.

a) No âmbito do objeto:

 Levantamento de dados bibliográficos que versem sobre a relação entre sujeito e


ideologia, dentro do recorte proposto, notadamente a partir Althusser, Lacan e Zizek.
 Fichamento e análise crítica dos textos

b) No âmbito do método:

 Levantamento bibliográfico de livros que versem sobre o método crítico de análise. A


riqueza de trabalhos nessa área permite uma maior circunscrição, de sorte que iremos
fundamentalmente partir das reflexões de Marx e Freud.
 Fichamento e análise crítica dos textos

13
5. Cronograma

Atividade/Mês 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24
1 Levantamento bibliográfico sobre
Althusser
2 Leitura e fichamento
3 Levantamento bibliográfico sobre
Marx
4 Leitura e fichamento
5 Redação de primeira versão
6 Levantamento bibliográfico sobre
Freud
7 Leitura e fichamento
8 Levantamento bibliográfico sobre
Zizek
9 Leitura e fichamento
10 Revisão e redação de segunda versão
11 Levantamento bibliográfico sobre
Lacan
12 Leitura e fichamento
13 Revisão e redação de última versão

14
6. Índice Preliminar

I. Introdução
II. O luto do sujeito e o parto do objeto
III. O paradoxo do objeto
IV. O impossível sujeito
V. Ideologia e a paralaxe entre sujeito e objeto
VI. Direito e forma valor
VII. Ideologia jurídica e sujeito de direito
VIII. Conclusão

7. Bibliografia consultada

HIRSCH, Joachim. Teoria Materialista do Estado. São Paulo, Revan, 2010.

MASCARO, Alysson Leandro. Crítica da legalidade e do direito brasileiro. São Paulo,


Quartier Latin do Brasil, 2008.

_________, Filosofia do direito. São Paulo, Atlas, 2012.

_________, Introdução à filosofia do direito: dos modernos aos contemporâneos São


Paulo, Atlas, 2006.

_________, Introdução ao estudo direito. São Paulo, Quartier Latin, 2007.

_________, Lições de sociologia do direito. São Paulo, Quartier Latin, 2007.

_________, Utopia e direito: Ernst Bloch e a ontologia jurídica da utopia. São Paulo,
Quartier Latin, 2008.

NAVES, Marcio Brilharinho. Marxismo e direito: um estudo sobre Pachukanis. São


Paulo, Boitempo, 2008

15
PACHUKANIS, Yvgeny Branislov. Teoria Geral do Direito e Marxismo. São Paulo,
Acadêmica, 1988.

8. Bibliografia Preliminar

ALVES, Alaôr Caffé. Estado e Ideologia. São Paulo, Brasiliense, 1987

ALTHUSSER, Louis. A favor de Marx. Rio de Janeiro, Zahar, 1979.

_________, Análise crítica da teoria marxista. Rio de Janeiro, Zahar, 1967.

_________, Aparelhos ideológicos do Estado. Lisboa, Presença, 1980.

_________, La revolución teórica de Marx. Mexico, Siglo Veintiuno, 1972.

_________, Ler o capital. Rio de Janeiro. Zahar, 1979.

_________, Sobre a reprodução. Petrópolis, Vozes, 1999.

ARRIGHI, Giovanni. The Long Twentieth Century: Money, Power, and the Origins of
Our Times. London, Verso, 2006.

BOITO, Armando. Estado, política e classes sociais: ensaios teóricos e históricos. São
Paulo, Editora UNESP, 2007.

BOSSY, John; COLE, Alan; CURTIS, Mark H., et al. Crisis en Europa 1560-1660.
Madrid, Alianza, 1983.

CAPELLA, Juan Ramón. Fruta prohibida: una aproximación histórico-teorética al


estudio del derecho y del estado. Madrid, Editorial Trotta, 1997.

DOBB, Maurice. A evolução do capitalismo. Rio de Janeiro, Zahar, 1983.

DOBB, Maurice; HILL, Christopher; HOBSBAWN, Eric J., et al. A Transição do


Feudalismo para o Capitalismo. São Paulo, Paz e Terra, 2004.

DOUZINAS, Costas. The end of human rights: critical legal thought at the turn of the
century. Oxford Portland, Hart, 2002.

ENGELS, Friedrich. A origem da família, do Estado e da propriedade privada. Rio de


Janeiro, Vitoria, 1981.

16
ENGELS, Friedrich; KAUTSKY, Karl. O socialismo jurídico. São Paulo, Boitempo,
2012

HARVEY, David. O enigma do capital. São Paulo, Boitempo, 2011

HILL, Christopher. A century of revolution, 1603-1714. London, Routledge, 1993.

_________, A revolução inglesa de 1640. Lisboa, Presença, 1981.

_________, De la reforma a la revolución industrial, 1530-1780. Barcelona, Ariel, 1980

_________, O Mundo de ponta cabeça: idéias radicais durante a Revolução Inglesa de


1640. São Paulo, Companhia Das Letras, 1991.

_________, Society and puritanism in pre-revolutionary England. London, Secker &


Warburg, 1994.

HIRSCH, Joachim. Teoria Materialista do Estado. São Paulo, Revan, 2010.

HOBSBAWM, Eric J. A era das revoluções. São Paulo, Paz e Terra, 2000.

_________, A era do capital. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1996.

HOLLOWAY, John. The state and capital: a Marxist debate. London, Arnold, 1978.

JESSOP, Bob. State theory: putting the Capitalist state in its place. Cambridge, Polity
Press, 2003.

_________, The future of the capitalism state. Cambridge, Polity Press, 2005.

JESSOP, Bob; SUM, Ngai-Ling. Beyond the regulation approach: putting capitalist
economies in their place. Cheltenham, Edward Elgar, 2006.

LEFÈBVRE, Henri. Lógica formal, lógica dialética. Rio de Janeiro, Civilização


Brasileira, 1995..

_________, Sociologia de Marx. Rio de Janeiro, Forense-Universitaria, 1979.

LOPES, J. R. L. O direito na história: lições introdutórias. São Paulo, Max Limonad,


2000.

17
LUKÁCS, Gyorgy. História e consciência de classe: estudos sobre a dialética marxista.
São Paulo, Martins Fontes, 2003.

MARX, Karl. A Ideologia alemã. São Paulo, Martins Fontes, 2002.

_________, Critica do programa de Gotha. Coimbra, Centelha, 1975.

_________, O capital. Livro I. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2008, v. 1.

_________, O capital. Livro I. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2008, v. 2.

MASCARO, Alysson Leandro. Crítica da legalidade e do direito brasileiro. São Paulo,


Quartier Latin do Brasil, 2008.

_________, Filosofia do direito. São Paulo, Atlas, 2012.

_________, Introdução ao estudo direito. São Paulo, Quartier Latin, 2007.

_________, Lições de sociologia do direito. São Paulo, Quartier Latin, 2007.

_________, Utopia e direito: Ernst Bloch e a ontologia jurídica da utopia. São Paulo,
Quartier Latin, 2008.

MÉSZÁROS, István. A teoria da alienação em Marx. São Paulo, Boitempo, 2007.

_________, Estrutura social e formas de consciência I. São Paulo, Boitempo, 2009.

_________, Estrutura social e formas de consciência II. São Paulo, Boitempo, 2011.

_________, O desafio e o fardo do tempo histórico: o socialismo no século XXI. São


Paulo, Boitempo, 2007.

_________, Para além do capital: rumo a uma teoria da transição. São Paulo, Boitempo,
2006.

MIAILLE, Michel. Le État du Droit. Paris, François Maspero, 1978.

_________, Une introduction critique au droit. Paris, François Maspero, 1977

NAVES, Márcio Brilharinho. Marx – ciência e revolução. São Paulo, UNICAMP, 2000.

_________, Marxismo e direito: um estudo sobre Pachukanis. São Paulo, Boitempo,


2008.

18
_________, (org.) Análise Marxista e Sociedade de Transição. Campinas, UNICAMP,
2005.

_________, (org.) O discreto chame do direito burguês: ensaios sobre Pachukanis.


Campinas, UNICAMP, 2009.

PACHUKANIS, Yvgeny Branislov. Teoria Geral do Direito e Marxismo. São Paulo,


Acadêmica, 1988.

_________, Lenin and the problem of Law. 1925. Disponível em


<http://www.marxists.org/>

_________, State and Law under Socialism. 1936. Disponível em


<http://www.marxists.org/>

_________, The Marxist Theory of State and Law. 1932. Disponível em


<http://www.marxists.org/>

PERRY, Anderson. Considerações sobre o marxismo ocidental. São Paulo, Boitempo,


2004.

_________, Linhagens do estado absolutista. Porto, Afrontamento, 1984

_________, Passagens da antiguidade ao feudalismo. São Paulo, Brasiliense, 1995.

PLEKHANOV, Georgi. A concepção materialista da História. São Paulo, Escriba, 198?

_________, Os princípios fundamentais do marxismo. São Paulo, Hucitec, 1978.

POULANTZAS, Nicos. Estado, poder e socialismo. Rio de Janeiro, Graal, 1980.

_________, Poder político e classes sociais. São Paulo, Martins Fontes, 1977.

PRADO JR., Caio. Formação do Brasil contemporâneo. São Paulo, Brasiliense, 1994.

SAES, Décio. Democracia. São Paulo, Ática, 1987.

_________, Estado e democracia: ensaios teóricos. Campinas, UNICAMP, 1994.

STUTCHKA, Piotr. Direito de Classe e Revolução Socialista. São Paulo, Instituto José
Luís e Rosa Sundermann, 2001.

19
THOMPSON, Edward Palmer. A formação da classe operária inglesa. Rio de Janeiro,
Paz e Terra, 1997.

_________, Family and inheritance : rural society in Western Europe, 1200-1800.


Cambridge, Cambridge University Press, 1978.

_________, Tradicion, revuelta y consciencia de clase: estudios sobre la crisis de la


sociedad preindustrial. Barcelona, Critica, 1989.

TIGAR, Michael E. ; LEVY, Madeleine R. O Direito e a Ascensão do Capitalismo. Rio


de Janeiro, Zahar, 1978.

VILLAR, Pierre; HILL, Christopher; BRAUM, Rudolf. Estudios sobre el nacimiento y


desarrollo del capitalismo. Madrid, Ayuso,

20