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Engenharia Metalúrgica e de Materiais

Fratura dos Materiais – 2015/2


Prof. Bárbara Ferreira de Oliveira

MÓDULO I – Introdução à Fratura dos Materiais


1. Propriedades qualitativa dos materiais........................................................ 3

1.1 Homogeneidade .................................................................................... 3

1.2 Isotropia ................................................................................................ 3

1.3 Elasticidade ........................................................................................... 3

1.4 Linearidade ........................................................................................... 4

1.5 Rigidez .................................................................................................. 4

1.6 Plasticidade ........................................................................................... 4

1.7 Ductilidade e Fragilidade ....................................................................... 5

2. Propriedades quantitativas básicas dos materiais ...................................... 6

2.1 Propriedades de tração............................................................................. 6

2.1.1 Curva de engenharia ...................................................................... 7

2.1.1.1 Módulo de Elasticidade ............................................................ 7

2.1.1.2 Limite de proporcionalidade ..................................................... 8

2.1.1.3 Limite de escoamento .............................................................. 8

2.1.1.4 Resistência à tração ............................................................... 11

2.1.1.5 Resiliência .............................................................................. 12

2.1.1.6 Tenacidade ............................................................................ 12

2.1.1.7 Ductilidade ............................................................................. 12

2.1.2 Curva verdadeira .......................................................................... 13

2.1.3 Comportamento em tração de alguns materiais ........................... 16

2.2 Resistência à torção ............................................................................... 16

2.3 Resistência ao cisalhamento .................................................................. 17

2.4 Dureza................................................................................................. 17

2.4.1 Dureza Brinell ............................................................................... 18

2.4.2 Dureza Rockwell .............................................................................. 19

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2.4.3 Dureza Vickers ................................................................................. 20

2.4.4 Dureza por rebote (Shore) ............................................................... 20

2.5 Resistência à compressão .................................................................. 21

3. Relações entre tensão e deformação ....................................................... 21

3.1 Estado plano de tensão....................................................................... 21

3.2 Estado plano de deformação .............................................................. 22

4. Carregamento simples .............................................................................. 23

5. Fórmulas importantes................................................................................ 23

5.1 Flexão de uma viga ............................................................................. 23

5.2 Torção de um eixo circular .................................................................. 24

5.3 Cilindro de parede fina ........................................................................ 25

5.4 Cilindro de parede grossa ................................................................... 27

6. Critérios de falhas ..................................................................................... 28

6.1 Teoria de Tresca (Critério da máxima tensão de cisalhamento) ......... 29

6.2 Teoria de von Mises (Critério da máxima energia de distorção) ......... 31

6.3 Teoria de Coulomb Mohr para materiais dúcteis ................................. 35

6.4 Teoria de Mohr para materiais frágeis................................................. 37

7. Exercícios.................................................................................................. 39

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1. Propriedades qualitativa dos materiais

1.1 Homogeneidade

O material é considerado homogêneo quando tem as mesmas


propriedades em todos seus pontos. De um ponto de vista restrito, não existe
materiais homogêneos, pois todos são formados de cristais, moléculas, etc.
Contudo, do ponto de vista de análise de resistência, a maioria pode ser
enquadrada como tal. A análise de resistência e mecânica geralmente não
descende a níveis cristalinos ou moleculares em suas considerações. Os
materiais compósitos de matriz cerâmica e fibras, como o concreto armado, etc,
não são homogêneos, devido ao fato de que seus distintos componentes são
observáveis desde o ponto de vista macroscópico. Existem outros materiais que
não podem ser classificados como homogêneos, como peças fundidas cheias
de inclusões, poros, etc e portanto, deve-se estudar o efeito delas na
concentração de tensão.

1.2 Isotropia

Um material isotrópico tem as mesmas propriedades em todas as direções.


A maior parte maior porte dos materiais utilizados em aplicações estruturais
podem ser consideradas como materiais isotrópicos. Há determinados
processos de fabricação, como a forja, que produzem valores diferentes de
resistência dependendo da direção em que se mede; contudo, esta diferença
não influi somente nos métodos de cálculo. As peças de plástico fabricadas por
injeção e praticamente todos materiais compósitos, não são isotrópicos.

1.3 Elasticidade

Elasticidade é a capacidade de recuperar a forma original uma vez que são


eliminadas as solicitações que atuam sobre a peça. A linha de carga e descarga
é a mesma, tal como mostra a Figura 1. Do ponto de vista geral, pode-se afirmar
que praticamente todos os materiais utilizados nos projetos de máquinas e seus
componentes são elásticos, já que, de outra forma, serão produzidas
deformações permanentes que levarão ao mal funcionamento da máquina.

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Dependendo do material, as vezes se admite uma pequena deformação


permanente em zonas muito localizadas submetidas a solicitações estáticas.

Figura 1: Curva tensão versus deformação de materiais elásticos: a) não linear,


b) linear.

1.4 Linearidade

Um material é considerado linear quando a curva tensão deformação é uma


linha reta; não se deve confundir esta propriedade coma a elasticidade antes
citada. Muitos materiais utilizados na construção mecânica, sobretudo metais,
são lineares durante um certo intervalo de tensões. A linearidade permite a
aplicação do princípio de superposição e, portanto, os cálculos resultantes são
mais simples que em materiais com comportamento não linear.

1.5 Rigidez

A rigidez de um componente é proporcional ao seu módulo Young. Um


componente com um módulo de elasticidade elevado mostrará modificações
muito menores nas dimensões se a tensão aplicada causar somente deformação
elástica, em comparação com um material de módulo de elasticidade menor.
Quanto maior for o módulo, mais rígido será o material, ou menor será a
deformação elástica que irá resultar da aplicação de uma dada tensão.

1.6 Plasticidade

É a capacidade que possuem determinados materiais de se deformarem


sem se romper, dentro de um limite de tensão, mas de tal forma que, uma vez
eliminada a solicitação exterior, a deformação permanece. A plasticidade é, de

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certa forma, uma propriedade contrária à elasticidade. Há materiais que se


comportam de forma elástica abaixo de um limite de tensão e deformação, e de
forma plástica acima deste limite até que a deformação alcance o valor de
ruptura. Esses materiais são chamados de elastoplásticos. A Figura 2 mostra o
comportamento plástico que podem apresentar alguns materiais. Na verdade, a
segunda figura apresenta um comportamento ideal elastoplástico, não
encontrado em materiais reais.

Figura 2: Materiais plásticos.

1.7 Ductilidade e Fragilidade

Um material dúctil possui uma grande deformação 𝜀𝑢 no momento da


ruptura, que corresponde a uma zona plástica muito ampla. Um material frágil,
pelo contrário, rompe com um valor pequeno de deformação, ainda que o valor
da tensão de ruptura possa ser elevado. A diferença entre um material dúctil e
frágil não é sempre simples de definir, já que, existem fatores que podem
provocar que um material dúctil tenha um comportamento frágil. A característica
mais notável de um material dúctil está em sua capacidade de absorver
sobrecargas acima do seu limite elástico antes de acontecer a ruptura; esta
capacidade introduz um fator de segurança no comportamento das peças,
devido ao fato de que a ruptura não das mesmas com carga estática não ocorrer
de formar repentina. A ductilidade também é importante para outras questões
relacionadas com processos de fabricação. Nestes casos, a maleabilidade, que
é a propriedade que possuem alguns materiais de poder adquirir grandes
deformações de compressão sem que se produza a ruptura. Em projetos de

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máquinas, é quase sempre mais conveniente utilizar materiais com


comportamento dúctil.

2. Propriedades quantitativas básicas dos materiais

2.1 Propriedades de tração

A execução dos ensaios de tração é muito utilizada para se obter


informações básicas sobre à resistência dos materiais. Consiste em submeter
um corpo de prova a uma força trativa uniaxial que aumenta continuamente
enquanto o corpo de prova se alonga até a fratura. A máquina de ensaios de
tração consiste basicamente em duas garras, uma fixa e outra móvel.

Para que as propriedades obtidas nestes ensaios possam ser futuramente


comparadas, devem seguir normas técnicas. Abaixo são mostradas as normas
ASTM de ensaios de tração para alguns materiais:

 ASTM E8 – Materiais Metálicos

 ASTM D3039 – Materiais Compósitos de Matriz Polimérica.

 ASTM D638 – Materiais Plásticos

Na Figura 3 são mostradas a dimensões de um corpo de prova cilíndrico


padrão e menores de acordo com a norma ASTM E8.

Figura 3 – Tamanho do corpo de prova de tração de acordo com a ASTM E8.

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Os corpos de prova menores são fabricados mantendo uma proporção


entre as medidas. Estes podem ser obtidos de diferentes formas e tamanhos.

No ensaio de tração, inicialmente a deformação é uniforme a seção do


corpo de prova. Logo, a deformação não sofreria influência do comprimento útil
(G) do corpo de prova. No entanto, após a estricção, a deformação é localizada
no pescoço, sendo assim, quanto menor o comprimento útil, maior será o
alongamento calculado.

2.1.1 Curva de engenharia


A curva tensão versus deformação de engenharia não mostra os resultados
verdadeiros de um ensaio de tração, pois no decorrer do ensaio a área da seção
transversal do corpo de prova diminui e a tensão se concentra quando ocorre a
estricção. Em nossos cálculos para a plotagem da curva de engenharia,
utilizamos no cálculo da tensão a área inicial (A0).

Apesar de não ser “verdadeira”, a curva de engenharia fornece resultados


muito importantes. A seguir serão discutidas algumas dessas propriedades
obtidas através do ensaio de tração.

2.1.1.1 Módulo de Elasticidade

O módulo de elasticidade de um material pode ser calculado a partir da


tangente da curva tensão-deformação na região elástica, também conhecida
como módulo de Young, E.

𝜎
𝐸=
𝜀

O módulo de elasticidade está relacionado à inclinação da curva força-


distância. Uma inclinação mais abrupta, que corresponde a uma energia de
ligação maior (em módulo) e a um ponto de fusão mais elevado, indica que é
preciso uma força maior para afastar os átomos. Por tanto, o material tem módulo
de elasticidade mais elevado.

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Figura 4: Curva força-distância (F-a) interatômica de dois materiais mostrando a


relação entre ligação atômica e módulo de elasticidade. Uma inclinação dF/da
mais abrupta corresponde a um módulo mais elevado.

O módulo de elasticidade é uma dessas propriedades que não são


sensíveis à microestrutura, pois está estreitamente relacionado às energias de
ligação atômica, conforme mostra a Figura 4. Esta propriedade pode variar de
acordo com a direção cristalográfica. No caso das cerâmicas, o módulo de Young
depende do nível de porosidade, e no caso de um compósito, da rigidez e das
quantidades dos componentes individuais.

2.1.1.2 Limite de proporcionalidade

Também conhecido como limite de linearidade, corresponde ao valor


máximo da tensão para qual pode-se considerar que o comportamento do
material é linear, a partir deste valor, o material não obedece a lei de Hooke. Há
materiais não lineares em que esse limite é zero. Em materiais frágeis lineares,
esse valor é quase coincidente com o valor da tensão de ruptura.

2.1.1.3 Limite de escoamento

É o valor da tensão a partir da qual começa a deformação plástica. O limite


de escoamento pode ser encontrado usualmente pela interseção de uma linha

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paralela à reta elástica, a partir de uma pré-deformação de 0,2%. Será indicada


como 𝜎𝑌 .

Alguns materiais, como aços baixo carbono, apresentam um limite de


escoamento descontínuo. Esses materiais apresentam uma transição de
deformação elástica para plástica heterogênea. Isto é, existe uma região em que
o material se deforma de forma heterogênea.

O gráfico da Figura 5 mostra a curva Carga x Elongação de um material


hipotético que apresenta escoamento descontínuo. O material passa a ter, como
pode ser um observado, uma região de escoamento descontínuo, limitada pelo
limite superior de escoamento e pelo limite inferior de escoamento.

Figura 5: Curva carga versus alongamento.

Quando é atingido o limite superior de escoamento, forma-se uma banda


devido a concentração de tensões e durante o limite inferior de escoamento
essas bandas se propagam. A teoria de Cottrel explica porque este fenômeno
ocorre. Para alguns elementos de liga, tais como carbono e nitrogênio, pode ser
energeticamente mais favorável se posicionar nas discordâncias se o tamanho
do átomo for muito grande para o tamanho do interstício já ocupado. Este efeito
é particularmente encontrado em aços de baixo carbono, onde átomos de
carbono tendem a segregar nas arestas das discordâncias. Esta segregação é
acompanhada pelo decréscimo da energia de deformação elástica devido ao fato

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de as deformações de rede associadas com os átomos de solutos serem


parcialmente compensadas pelas deformações de redes associadas com as
discordâncias. Tal atmosfera de soluto ao redor das discordâncias é conhecida
como atmosfera de Cottrel, a qual tende a bloquear as discordâncias, impedindo
seu movimento. Após ser superado este efeito, a energia do sistema aumenta o
que causa o fenômeno de envelhecimento por deformação, responsável pelo
aumento da resistência e queda da ductilidade sob determinadas condições.

a)
b)

c)
Figura 6: Esquema ilustrativo do bloqueio de uma discordância em aresta
responsável pelo escoamento descontínuo dos materiais.

Se o envelhecimento for realizado com baixas taxas de deformação a


temperaturas relativamente altas, este fenômeno será chamado de
envelhecimento dinâmico por deformação. Este fenômeno é causado pela
inibição esporádica da deformação plástica a temperaturas elevadas e baixas
taxas de deformação devido ao equilíbrio dinâmico entre o bloqueio das
discordâncias pela atmosfera de Cottrel e sua liberação pelo fenômeno
termicamente ativado. É também chamado de efeito de Portevin-Le Chatelier e
é amplamente observado em aços tipo bake hardening (envelhecidos por
deformação). Quando o aço é levado a temperaturas médias, entre 200 e 400ºC,

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os átomos intersticiais são suficientemente móveis para alcançar as


discordâncias, impedindo o seu movimento e ancoram-as, sendo necessária
uma maior tensão para que o deslizamento continue. Sob estas condições, uma
série repetida de quedas da tensão de escoamento pode ser observada durante
o ensaio de tração como mostra a curva tensão-deformação de um aço doce da
Figura 7.

Figura 7: Efeito Portevin-Le Chatelier num aço doce, deformado a 10 -4 sec-1 em


várias temperaturas.

O envelhecimento dinâmico por deformação e o envelhecimento por


deformação são resultantes da interação das discordâncias com os solutos
intersticiais, mas a interação no primeiro ocorre no curso da deformação,
enquanto no último, ocorre após a deformação.

O escoamento descontínuo é prejudicial, principalmente no caso de aços


de baixo carbono que precisam de um ótimo acabamento após o processo de
conformação mecânica. Em alguns casos, como na fabricação de capôs e
tampas de porta-malas, são utilizados aços interstitial free, que possuem alta
conformabilidade em estampagem profunda, alta qualidade superficial e grande
ductilidade.

2.1.1.4 Resistência à tração

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Indicada como 𝜎𝑢 , corresponde ao valor máximo da tensão que o material


pode suportar, antes de se romper, no caso de materiais frágeis. Nos materiais
dúcteis, essa tensão corresponde ao ponto máximo da curva no qual é iniciada
a estricção do corpo de prova. A deformação verdadeira na estricção é igual ao
expoente de encruamento.

2.1.1.5 Resiliência

É a medida da capacidade de um material absorver energia elástica. Pode


ser obtida a partir do diagrama tensão versus deformação. Para um material
dúctil, seu valor é igual a:

𝜎𝑌 . 𝜀𝑌 𝜎𝑌2
𝑈𝑅 = =
2 𝐸

2.1.1.6 Tenacidade

Constitui uma propriedade que mede a capacidade de absorção de energia


de um material até a sua ruptura. É designada por 𝑈𝑇 (J/m³ = Pa). Pode ser
calculada, para materiais dúcteis, seguindo a seguinte equação:

𝜎𝑌 + 𝜎𝑟
𝑈𝑇 = . 𝜀𝑓
2

Para materiais frágeis, como ferro fundido cinzento, a tenacidade pode


ser obtida pela seguinte equação:

2
𝑈𝑇 = 𝜎 .𝜀
3 𝑟 𝑓

2.1.1.7 Ductilidade
A ductilidade é a medida do grau de deformação plástica que o material
suportou até a fratura, isto é, esta propriedade avalia a capacidade dos materiais
serem alongados ou dobrados de forma permanente, sem quebrar.

Pode ser expressa de acordo com o alongamento percentual (%AL) ou


redução percentual na área (%RA).

𝑙𝑓 − 𝑙0
%𝐴𝐿 = ( ) 𝑥100
𝑙0

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𝐴𝑜 − 𝐴𝑓
%𝑅𝐴 = ( ) 𝑥100
𝐴0

2.1.2 Curva verdadeira

Como foi observado na curva de engenharia, a partir do pescoço, a área


inicial decresce e então a carga requerida para deformar o material também
diminui. Considerando que a curva de engenharia é baseada na área transversal
inicial do corpo de prova, a carga vai diminuindo e a tensão também diminui. Na
realidade, o material continua encruando até a sua fratura. Logo, as tensões
necessárias para produzir deformações após a resistência de tração (ponto
máximo da curva), também aumentam. Se a tensão verdadeira é baseada no
comprimento instantâneo e na área da seção transversal instantânea, tem-se a
curva verdadeira.

Determinação de 𝝈𝑽 a partir da curva 𝝈𝒆𝒏𝒈 − 𝜺𝒆𝒏𝒈:

Partindo do princípio que o volume do corpo de prova deve ser conservado


durante o ensaio, temos que:

𝐴𝑜 𝐿𝑜 = 𝐴𝑖 𝐿𝑖

𝐴0 𝐿𝑜 𝐴0 𝐿𝑜
𝐴𝑖 = =
𝐿𝑖 𝐿𝑜 + ∆𝐿

Onde ∆𝐿 = 𝐿𝑖 − 𝐿𝑜

Então:

𝑃𝑖 𝑃𝑖
𝜎𝑉 = =
𝐴𝑖 𝐴0 𝐿𝑜
𝐿𝑜 + ∆𝐿

𝑃𝑖 (𝐿𝑜 + ∆𝐿)
𝜎𝑉 =
𝐴0 𝐿𝑜

𝑃𝑖 𝐿𝑜 + ∆𝐿
𝜎𝑉 =
𝐴0 𝐿𝑜

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𝑷𝒊
𝝈𝑽 = (𝟏 + 𝜺𝒆𝒏𝒈 )
𝑨𝟎

𝒍𝒊
𝒅𝒍
𝜺𝑽 = ∫ = 𝐥𝐧(𝟏 + 𝜺 )
𝒍𝟎 𝒍

Curva corrigida:

 Na estricção são introduzidos outros componentes de tensão além do uniaxial,


tendo-se um estado triaxial de tensões.

 A tensão axial corrigida devido à estricção é ligeiramente menor que a tensão


verdadeira.

Expressões matemáticas para a curva de escoamento.

Na região plástica uniforme, a tensão aumenta devido ao encruamento ao


longo da deformação plástica. A equação construtiva que descreve este
comportamento é chamada Equação de Hollomon (lei de potência):

𝜎𝑉 = 𝐾𝜀𝑉𝑛

onde n é o expoente de encruamento (adimensional) e K é o coeficiente de


resistência (constante MPa).

O coeficiente de encruamento avalia a resposta de um metal ao


encruamento. A constante K é igual à tensão quanto 𝜀𝑣 = 1. Considerando o
logaritmo natural de ambos os lados da equação de Hollomon, temos:
𝑙𝑛 𝜎𝑉 = ln 𝐾 + 𝑛 𝑙𝑛 𝜀𝑉

Os logaritmos naturais da tensão verdadeira e da tensão verdadeira são


representados na Figura 8, e o coeficiente de encruamento é a inclinação da
parte plástica. Maiores graus de encruamento são obtidos para determinada
deformação à medida que n aumenta, conforme mostra a Figura 8. Além disso,
a estricção durante um ensaio de tração começa quando a deformação
verdadeira é igual ao coeficiente de encruamento n.

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Figura 8
O expoente de encruamento pode exibir valores de n = 0 para sólidos
perfeitamente plásticos a n = 1 para sólidos elásticos (por exemplo, diamante).
Para a maior parte dos metais encontra-se um valor entre 0,10 e 0,50.

Para metais, o encruamento por deformação é resultado da interação e


multiplicação das discordâncias. O coeficiente de encruamento é relativamente
baixo para metais HC, porém é mais alto para metais CCC e ainda maior para
metais CFC, conforme pode ser visto na Tabela 1. Metais com baixo coeficiente
de encruamento endurecem pouco com trabalho a frio. Devido ao encruamento,
um arame de cobre dobrado é mais resistente que na condição anterior, isto é,
sem a deformação plástica.

Tabela 1: Coeficientes de encruamento de resistência típicos.

Metal Estrutura cristalina n K (MPa)


Titânio HC 0,05 1207
Aço-liga recozido CCC 0,15 641
Aço médio-carbono temperatura e revenido CCC 0,10 1572
Molibdênio CCC 0,13 724
Cobre CFC 0,54 317
Cu-30%Zn CFC 0,50 896
Aço inoxidável austenítico CFC 0,52 1517

Um alto valor de K indica que o material precisa de um esforço maior para


deformar-se. Portando, necessita de uma máquina de maior capacidade durante
o processo de conformação. Um metal com alto valor de n, mas baixo valor de

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K irá alcançar um alto nível de resistência após uma grande quantidade de


deformação.

2.1.3 Comportamento em tração de alguns materiais


A Figura 9 ilustra, de forma esquemática, curvas tensão versus deformação
para diferentes materiais. Tanto os materiais metálicos como os termoplásticos
possuem uma região elástica inicial, seguida por uma região plástica não linear.
Inclui-se também uma curva separada para os elastômeros (borrachas e
silicones, já que o comportamento destes é diferente do observado em
polímeros. No caso dos elastômeros, grande parte da deformação é elástica e
não linear. Por outro lado, os materiais cerâmicos e vítreos possuem apenas
uma região elástica linear, e praticamente nenhuma deformação plástica ocorre
à temperatura ambiente.

Figura 9: Curvas de tensão-deformação em tração, relativas a diferentes


materiais.

2.2 Resistência à torção


𝑇 .𝑟
𝜏=
𝐽

Onde

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𝑀𝑇 = momento de torção

r = raio do corpo de prova

𝜋𝑟 4
𝐽 = momento polar de inércia, que para seções circulares é igual a 2

2.3 Resistência ao cisalhamento


A Tabela 2 mostra a relação existem entre a resistência ao cisalhamento a
resistência à tração de vários materiais.

Tabela 2

Material Relação com a tensão de ruptura


Aço 0,75 𝜎𝑢𝑡
Ferro fundido Maleável 0,90 𝜎𝑢𝑡
Ferro fundido 1,30 𝜎𝑢𝑡
Alumínio 0,60 𝜎𝑢𝑡
Cobre 0,90 𝜎𝑢𝑡

2.4 Dureza
Ensaios de dureza medem a resistência à penetração de uma superfície de
um material por um objeto duro. Pode representar a resistência à endentação ou
uma medida qualitativa da resistência do material. Em geral, a carga aplicada
para medir DUREZA é de aproximadamente 2 N.

Os ensaios de dureza podem apresentar as seguintes finalidades

1) Pode representar a resistência à indentação ou uma medida qualitativa da


resistência do material.

2) Conhecer a resistência ao desgaste;

3) Controle de qualidade de tratamentos térmicos;

4) Controle de qualidade em processos de conformação plástica e em processos


de soldagem.

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Na Tabela 2 são mostrados os respectivos indentadores, cargas e aplicações


de cada ensaio.

Tabela 3: Características dos ensaios de dureza.

2.4.1 Dureza Brinell

Ensaio de Dureza Brinell consiste na lenta compressão de uma esfera de


aço, de diâmetro (D), sobre a superfície plana, polida e limpa da peça a ser
ensaiada, através de uma carga (Q), durante um tempo (t), conforme mostra a
Figura 10. A carga aplicada gera uma impressão permanente na peça ensaiada
com o formato de uma calota esférica de diâmetro (d). O valor de (d) deve ser
medido com a média de duas leituras feitas a 90° uma da outra e pelo uso de
um micrômetro óptico, microscópio ou lupa graduada, após remoção da carga
aplicada.

Figura 10 – Esquema ilustrativo do ensaio de dureza Brinell.

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A dureza Brinell deve ser calculada a partir da seguinte fórmula:

2F
HB = (Kgf/mm2)
πD[D−√D2 −D2i ]

Onde F é carga, D e Di são os diâmetros da esfera e da impressão em


milímetros, respectivamente.

O ensaio de dureza Brinell segue as seguintes etapas:

1) Aplanar, lixar e polir superfície.

2) Comprimir a esfera de diâmetro D por uma força F, durante um determinado


tempo (por exemplo: 10-15 segundos);

3) Medir por meio de uma lupa graduada ou micrômetro óptico acoplado ao


durômetro, o Di impressão.

A partir da dureza Brinell, pode-se calcular a resistência à tração pela equação:

Resistência à tração (psi) = 500.HB

2.4.2 Dureza Rockwell


O esquema ilustrativo do ensaio de dureza Rockwell é mostrado na Figura
11. Este ensaio pode ser classificado em normal ou superficial dependendo da
carga utilizada.

Figura 11 – Esquema ilustrativo do ensaio de dureza Rockwell.

Este ensaio segue as seguintes etapas:

1) Pré-carga para garantir um contato firme do penetrador com a superfície


ensaiada.

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2) Aplicação de carga maior que, somada à pré-carga, resulta a carga total ou


carga nominal do ensaio.

3) Retira-se a carga: neste momento a profundidade da impressão é dada no


mostrador.

Antes de realizar este ensaio deve-se:

1) Limpeza da peça e da mesa de apoio do durômetro.

2) Perpendicularismo entre o penetrador e a peça pode ter desvio máximo de


7º.

2.4.3 Dureza Vickers


1) Utilizado em todos materiais metálicos;

2) Indicado para verificar profundidade de tratamentos superficiais como


têmpera e cementação;

3) Escala de dureza contínua;

4) Reformação do penetrador é nula;

5) Grande precisão;

6) A superfície deve ser muito mais cuidada;

7) Menos econômico.

2.4.4 Dureza por rebote (Shore)


Utiliza equipamento leve e portátil, sendo adequado à determinação de
dureza de peças grandes. Exemplos de aplicações: borrachas, polímeros,
elastômetros e ensaios de campo. A superfície do material deve estar limpa e
lisa e aparelho na posição vertical e perpendicular à superfície.

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Figura 12: Durômetro Shore.

2.5 Resistência à compressão


Muitos materiais estruturais possuem diferentes propriedades de
resistência à tração e compressão. Os corpos de prova utilizados nos ensaios
de compressão são diferentes. Geralmente utilizam-se corpos de prova de
compressão cilíndricos que devem seguir relações de comprimento/diâmetro
adequadas para que não ocorra flambagem e outros efeitos prejudiciais. Outros
valores, como módulo de Young, coeficiente de Poisson, tensão de escoamento,
etc., costumam ser considerados iguais para tração e compressão.

3. Relações entre tensão e deformação

3.1 Estado plano de tensão

O estado de tensões bidimensional ou biaxial, é também chamado de


estado plano de tensões. O estado plano de tensões requer que uma das
tensões principais seja igual a zero. Geralmente, considera-se que a tensão no
eixo z é igual a zero. Essa condição é bastante comum em algumas aplicações.
Por exemplo, uma chapa fina pode apresentar um estado de tensão plano em
regiões distantes de suas extremidades (contornos) ou ponto de fixação. Esses
casos podem ser tratados pela abordagem simples.
placa fina: L < 10
vezes sua maior
dimensão
Figura 13: Representação da deformação
no estado plano de tensão.

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Para o estado plano de tensão onde 𝜎𝑧 = 𝜏𝑥𝑧 = 𝜏𝑦𝑧 = 0, temos as


seguintes relações entre tensão e deformação.
1 𝐸
𝜀𝑥 = 𝐸 (𝜎𝑥 − 𝜈𝜎𝑦 )  𝜎𝑥 = 1−𝜈2 (𝜀𝑥 + 𝜈𝜀𝑦 )

1 𝐸
𝜀𝑦 = 𝐸 (𝜎𝑦 − 𝜈𝜎𝑥 )  𝜎𝑦 = 1−𝜈2 (𝜀𝑦 + 𝜈𝜀𝑥 )

𝜏𝑥𝑦
𝛾𝑥𝑦 =
𝐺
𝜈
𝜀𝑧 = − (𝜎 + 𝜎𝑦 )
𝐸 𝑥

3.2 Estado plano de deformação

Essa condição ocorre para geometrias em particular. Por exemplo, uma


barra prismática sólida e longa carregada somente em uma direção transversal,
as regiões internas à barra, distantes de qualquer uma das extremidades desta,
estarão, essencialmente, submetidas a um valor de deformação igual a zero, na
direção ao longo do eixo da barra (longitudinal); isto é, encontra-se em um estado
plano de deformações. Entretanto, a tensão não se anula na direção de
deformação igual a zero. Considera-se que não ocorre deformação ao longo do
eixo z. A placa quando é grossa não encolhe.

Para o estado plano de deformação onde 𝜀𝑧 = 𝛾𝑥𝑧 = 𝛾𝑦𝑧 = 0, temos as


seguintes relações entre tensão e deformação.

(1+𝜈) 𝐸
𝜀𝑥 = [(1 − 𝜈)𝜎𝑥 − 𝜈𝜎𝑦 ]  𝜎𝑥 = (1−𝜈)(1−2𝜈) ((1 − 𝜈)𝜀𝑥 + 𝜈𝜀𝑦 )
𝐸

(1+𝜈) 𝐸
𝜀𝑦 = [(1 − 𝜈)𝜎𝑦 − 𝜈𝜎𝑥 ] 𝜎𝑦 = (1−𝜈)(1−2𝜈) ((1 − 𝜈)𝜀𝑦 + 𝜈𝜀𝑥 )
𝐸

𝜏𝑥𝑦
𝛾𝑥𝑦 =
𝐺

22
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4. Carregamento simples

5. Fórmulas importantes

5.1 Flexão de uma viga

Considere uma viga retangular da Figura 14. A profundidade da viga é igual


a d. A largura da viga é denotada como b. Um momento externo é aplicado a
viga. Um momento resistor deve ser formado para que seja balanceado com o
momento externo. É assumido que a tensão de flexão na viga varia linearmente
da linha neutra até a superfície, sendo tracionado em uma superfície e
comprimido em outra superfície. A distância da linha neutra do eixo paralelo a d
é chamada de y. O valor máximo de y é d/2.

Linha neutra

Figura 14

Considere uma variação da camada da altura do material dy e uma


espessura b. O momento resistor associado com a camada é dMR. dMR é dada
pela força dF atuando nesta camada:

𝑦
𝑑𝐹 = (𝑑 ) 𝜎𝑚á𝑥 𝑏𝑑𝑦
2

Multiplicada pelo momento y, isso é,

𝑦²
𝑑𝑀𝑅 = ( ) 𝜎𝑚á𝑥 𝑏𝑑𝑦
𝑑
2

23
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O momento resistor total é obtido integrando a expressão abaixo entre os


limites -d/2 e d/2.

𝑑/2 𝑑/2
2𝑦 2
𝑀𝑅 = ∫ 𝑑𝑀𝑅 = ∫ 𝜎𝑚á𝑥 𝑏𝑑𝑦
−𝑑/2 −𝑑/2 𝑑

𝑑/2 𝑑 3
2𝑦3 2 (2) 𝜎𝑚á𝑥 𝑏𝑑 2
𝑀𝑅 = [ 𝜎 𝑏] = 2𝑥 𝜎𝑚á𝑥 . 𝑏 =
𝑑 𝑚á𝑥 −𝑑/2 3𝑑 6

6𝑀
𝜎𝑚á𝑥 =
𝑏𝑑 2

5.2 Torção de um eixo circular

Considere um eixo circular de raio R; um torque externo T é aplicado a este


eixo, conforme mostra a Figura 15. Um torque resistor deve ser formado para
manter o equilíbrio.

Figura 15

Assume-se que a tensão de cisalhamento desenvolvida no eixo varia


linearmente de zero no centro do eixo até um máximo na superfície do eixo. A
distância radial a partir do centro do eixo é r. O valor máximo de r é R. Considere
uma área de raio r e espessura dr. O torque RESISTOR associado com esta
área é 𝑑𝑇𝑅 .

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𝑟
𝑑𝑇𝑅 = (𝜏𝑚á𝑥 2𝜋𝑟𝑑𝑟)𝑟 ( )
𝑅

𝜏𝑚á𝑥 2𝜋𝑟 3
𝑑𝑇𝑅 = ( ) 𝑑𝑟
𝑅

𝑅
𝜏𝑚á𝑥 2𝜋𝑟 3 1
𝑇𝑅 = ∫ ( ) 𝑑𝑟 = 2𝜋𝜏𝑚á𝑥 𝑅 3
0 𝑅 2

𝑟𝑇
𝜏𝑚á𝑥 =
𝜋𝑅 3

5.3 Cilindro de parede fina

Um cilindro de parede fina está submetido a uma pressão interna p,


conforme mostra a Figura 16. O cilindro possui um diâmetro interno de D e
espessura de t. O componente da tensão normal na seção transversal é
conhecido como tensão longitudinal, que é denotada como 𝜎𝑙𝑜𝑛𝑔 . O componente
da tensão normal na seção longitudinal é conhecido como tensão circunferencial
e é chamada de 𝜎𝑐𝑖𝑟𝑐 .

Figura 16

O diagrama de corpo livre usado para determina a tensão longitudinal é


mostrado na Figura 17 a.

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Figura 17

Considere uma condição de equilíbrio de forças na direção longitudinal.

𝜋𝐷2
𝜋𝐷𝑡𝜎𝑙𝑜𝑛𝑔 = 𝑝
4

𝑝𝐷
𝜎𝑙𝑜𝑛𝑔 =
4𝑡

O diagrama de corpo livre usado para determina a tensão circunferencial é


mostrado na Figura 17 b.

2𝑠𝑡𝜎𝑐𝑖𝑟𝑐 = 𝑝𝐷𝑠

𝑝𝐷
𝜎𝑐𝑖𝑟𝑐 =
2𝑡

Para um vaso de pressão de parede fina, uma aproximação da máxima


tensão tangencial é:

𝑝(𝐷 + 𝑡)
𝜎𝑡 𝑚á𝑥 =
2𝑡

As tensões principais no cilindro de parede fina de um vaso de pressão é


igual a:

𝑝(𝐷)
𝜎1 = 𝜎2 = 𝑒 𝜎3 = −𝑝
4𝑡

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Observação: Sempre que r/t >10, o cilindro pode ser


considerado um cilindro de parede fina.

5.4 Cilindro de parede grossa

Os valores das tensões radial e tangencial desenvolvidas em vasos de


pressão cilíndricos, canos de armas e tubos carregando fluidos a altas pressão
dependem do raio do elemento considerado. Ao determinar a tensão radial ou
circunferencial 𝜎𝑐𝑖𝑟𝑐 e a tensão tangencial 𝜎𝑡 , utilizamos a hipótede de que a
elongação longitudinal é constante ao redor da circunferência do cilindro. Em
outras palavras, uma seção reta do cilindro permanece plana após
tensionamento.

Referindo-se ao raio interno do cilindro como ri e ao raio externo como ro, a


pressão interna pi e a pressão externa por po. Podemos então verificar que as
componentes radial e tangencial de tensão existem e que suas magnitures são
fornecidas por:

𝑝𝑖 𝑟𝑖2 − 𝑝𝑜 𝑟𝑜2 − 𝑟𝑖2 𝑟𝑜2 (𝑝𝑜 − 𝑝𝑖 )/𝑟 2


𝜎𝑡 =
𝑟𝑜2 − 𝑟𝑖2

𝑝𝑖 𝑟𝑖2 − 𝑝𝑜 𝑟𝑜2 + 𝑟𝑖2 𝑟𝑜2 (𝑝𝑜 − 𝑝𝑖 )/𝑟 2


𝜎𝑐𝑖𝑟𝑐 =
𝑟𝑜2 − 𝑟𝑖2

Como habitualmente, valores positivos indicam tração e valores negativos,


compressão. O caso especial em que po = 0,
𝑝𝑖 𝑟𝑖2 𝑟𝑜2
𝜎𝑡 = 2 (1 + 2 )
𝑟𝑜 − 𝑟𝑖2 𝑟

𝑝𝑖 𝑟𝑖2 𝑟𝑜2
𝜎𝑐𝑖𝑟𝑐 = 2 (1 − 2 )
𝑟𝑜 − 𝑟𝑖2 𝑟

As equações estão representadas graficamente na Figura 18 para mostrar a


distribuição de tensões através da espessura de parede. Deve-se compreender
que tensões longitudinais existem quando as reações de extremidade à pressão
interna são absorvidas pelo próprio vaso de pressão. Essa tensão é encontrada
a partir de:

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𝑝𝑖 𝑟𝑖2
𝜎𝑙𝑜𝑛𝑔 =
𝑟𝑜2 − 𝑟𝑖2

a) b)
Figura 18: Distribuição de tensões em um cilindro de parede espessa sujeito a
pressão interna.

6. Critérios de falhas

Os elementos estruturais e os componentes de máquinas são projetados


de modo que o material que os compõem, sendo material dúctil, não venha a
escoar pela ação dos carregamentos esperados. Quando o elemento ou
componente está sob ação de estado uniaxial de tração, o valor da tensão
normal 𝜎𝑥 que vai provocar escoamento do material pode ser obtido
imediatamente de um ensaio de tração executado em corpo de prova do mesmo
material, uma vez que o elemento ou componente e o corpo de prova estão sob
o mesmo tipo de solicitação, e sob o mesmo estado de tensões. Assim, mesmo
não levando em conta os mecanismos reais que levam o material ao
escoamento, podemos estabelecer que a peça estrutural está segura quando a
tensão normal é menor que a tensão de escoamento do material no teste de
tração.

Por outro lado, quando o elemento estrutural ou componente de máquina


está submetido a um estado plano de tensões, não é possível predizer
diretamente desse ensaio se o material que compõe o elemento estrutural em
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estudo vai se romper ou não. É necessário, antes disso, estabelecer algum


critério que leve em conta o real mecanismo de ruptura do material, que permita
comparar os efeitos dos dois estados de tensões a que está sujeito o material.

Existem várias hipóteses de falhas e não uma teoria universal de falha dos
materiais. Tipicamente, o comportamento dos materiais é classificado como
frágil ou dúctil, embora, em algumas situações, um material dúctil possa falhar
de maneira frágil. Os materiais dúcteis são normalmente classificados por terem
𝜀𝑓 ≥ 0,05 e uma resistência ao escoamento identificável, que com frequência é
a mesma sob tração e compressão (𝜎𝑦𝑡 = 𝜎𝑦𝑐 = 𝜎𝑦 ). Os materiais frágeis têm 𝜀𝑓 <
0,05, não exibem uma resistência ao escoamento identificácel e são tipicamente
classificados segundo as resistência à tração e à compressão.

As teorias de falha geralmente empregadas são:

Materiais dúcteis

 Tensão máxima de cisalhamento (critério de Tresca)


 Energia de distorção (critério de von Mises)
 Coulomb-Mohr dúctil

Materiais frágeis

 Tensão normal máxima


 Coulomb-Mohr frágil

6.1 Teoria de Tresca (Critério da máxima tensão de cisalhamento)

A teoria de Tresca, também conhecida como teoria da tensão máxima de


cisalhamento, prevê que o escoamento começa sempre que a tensão de
cisalhamento em qualquer elemento iguala-se ou excede à tensão máxima de
cisalhamento.

À medida que um material dúctil é submetido à um ensaio de tração,


durante a deformação heterogênea, são formadas bandas de Lürdes que
formam um ângulo de aproximadamente 45º com o eixo de carregamento. Essas
linhas representam o início do escoamento, ao passo que, quando carregadas à

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fratura, linhas de fratura também são observadas. Uma vez que a tensão de
cisalhamento máxima é a 45º com o eixo de tração, faz sentido considerar esse
mecanismo de falha.

𝐹
Para tensão de tração simples, 𝜎 = 𝐴, de modo que a tensão máxima de

cisalhamento ocorre em uma superfície a 45º da superfície de tração, com


𝜎
magnitude 𝜏𝑚á𝑥 = 2 . Portanto, a tensão máxima de cisalhamento no momento
𝜎𝑦
do cisalhamento é igual a 𝜏𝑚á𝑥 = . Para um estado geral de tensão, três
2

tensões principais podem ser determinadas e ordenadas de modo que 𝜎1 ≥ 𝜎2 ≥


𝜎1 −𝜎3
𝜎3 . A tensão máxima de cisalhamento é então 𝜏𝑚á𝑥 = . Logo, para um
2

estado de tensão geral, a teoria da tensão máxima de cisalhamento prevê


escoamento quando:

𝝈𝟏 − 𝝈𝟑 𝝈𝒚
𝝉𝒎á𝒙 = ≥
𝟐 𝟐

ou

𝜎1 − 𝜎3 ≥ 𝜎𝑦

Observe que a hipótese também afirma que a resistência ao escoamento


em cisalhamento (𝜎𝑠𝑦 ) é fornecida por 0,5𝜎𝑦 . Na verdade, este valor é cerca de
15% menor (conservador).

𝜎𝑠𝑦 = 0,5𝜎𝑦

Para propósitos de projeto, pode-se incorporar um fator de segurança n.


Logo,

𝜎𝑦
𝜎1 − 𝜎3 ≥
𝑛
𝜎𝑌
𝑛= 2
𝜏𝑚á𝑥

Problemas de tensão plana são muito comuns onde uma das tensões
principais é nula e as outras duas 𝜎𝑎 e 𝜎𝑏 , são determiandas pela equação:

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(𝜎𝑥 + 𝜎𝑦 ) 𝜎𝑥 + 𝜎𝑦 2
𝜎1 , 𝜎2 = ± √( 2
) + 𝜏𝑥𝑦
2 2

Assumindo-se que 𝜎𝑎 ≥ 𝜎𝑏 , há três casos a considerar quando se utilizar:

 Caso1: 𝜎𝑎 ≥ 𝜎𝑏 ≥ 0. Para este caso, 𝜎1 = 𝜎𝑎 e 𝜎3 = 0


𝜎𝑎 ≥ 𝜎𝑦
 Caso 2: 𝜎𝑎 ≥ 0 ≥ 𝜎𝑏 . Para este caso, 𝜎1 = 𝜎𝑎 e 𝜎3 = 𝜎𝑏

𝜎𝑎 − 𝜎𝑏 ≥ 𝜎𝑦

 Caso 3: 0 ≥ 𝜎𝑎 ≥ 𝜎𝑏 . Para este caso, 𝜎1 = 0 e 𝜎3 = 𝜎𝑏


𝜎𝑏 ≥ −𝜎𝑦

6.2 Teoria de von Mises (Critério da máxima energia de distorção)

Antes de tratar sobre a teoria de von Mises, será feita uma breve
abordagem sobre a energia de distorção por unidade de volume em um material.
Para uma deformação elástica de um corpo isotrópico, cada uma das seis
componentes envolvidas é linear, e o trabalho de deformação específico pode
ser expresso pela soma de seis componentes provenientes das tensões de
normais e de cisalhamento:

1
𝑢 = (𝜎𝑥 𝜀𝑥 + 𝜎𝑦 𝜀𝑦 + 𝜎𝑧 𝜀𝑧 + 𝜏𝑥𝑦 𝛾𝑥𝑦 + 𝜏𝑦𝑧 𝛾𝑦𝑧 + 𝜏𝑧𝑥 𝛾𝑧𝑥 )
2

Recorrendo as relações entre tensão e deformação:

1 1
𝑢= [(𝜎𝑥 2 + 𝜎𝑦 2 + 𝜎𝑧 2 ) − 2𝜈(𝜎𝑥 𝜎𝑦 + 𝜎𝑦 𝜎𝑧 + 𝜎𝑧 𝜎𝑥 )] + (𝜏 2 + 𝜏𝑦𝑧 2 + 𝜏𝑧𝑥 2 )
2𝐸 2𝐺 𝑥𝑦

Considerando que as tensões de cisalhamento serão nulas:

1
𝑢= [(𝜎 2 + 𝜎𝑏 2 + 𝜎𝑐 2 ) − 2𝜈(𝜎𝑎 𝜎𝑏 + 𝜎𝑏 𝜎𝑐 + 𝜎𝑐 𝜎𝑎 )]
2𝐸 𝑎

O trabalho de deformação específico u em certo ponto do material pode ser


decomposto em dois componentes, um referente à mudança do volume do

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material (𝑢𝑣 ), e outro referente à distorção (𝑢𝑑 ), ou mudança de forma, do


material no mesmo ponto. Sendo assim, temos:

𝑢 = 𝑢𝑣 + 𝑢𝑑

Tomando como 𝜎𝑎𝑣𝑔 a tensão média das tensões principais.

𝜎𝑎 + 𝜎𝑏 + 𝜎𝑐
𝜎𝑎𝑣𝑔 =
3

Figura 19: a) elemento sob estado triaxial de tensões, onde temos componentes
referentes à distorção e à mudança de volume; b) elemento sob tensões normais
hidrostática, onde temos somente mudança de volume; c) elemento com
distorção sem mudança de volume.

Considerando que:

𝜎1 = 𝜎𝑎𝑣𝑔 + 𝜎′𝑎

𝜎2 = 𝜎𝑎𝑣𝑔 + 𝜎′𝑏

𝜎3 = 𝜎𝑎𝑣𝑔 + 𝜎′𝑐

Onde 𝜎′ são as tensões distorcionais.

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Assim, o estado de tensões dado pode ser obtido por superposição dos
estados de tensão indicados na Figura 19. O estado descrito pela Figura 19 b
tende a mudar o volume do elemento, mas não a sua forma, uma vez que as
faces do elemento estão submetidas todas à mesma tensão média. Por outro
lado, podemos ver que:

𝜎′𝑎 + 𝜎′𝑏 + 𝜎′𝑐 = 0

O que indica que algumas das tensões são de tração e outras de compressão.
Então, esse estado de tensões tende a modificar a forma do elemento, sem, no
entanto, modificar o seu volume. A variação no volume por unidade de volume
e, provocada por esse estado de tensões, é

1 − 2𝜈 ′
𝑒= (𝜎 𝑎 + 𝜎 ′ 𝑏 + 𝜎 ′ 𝑐 )
𝐸

Sendo e = 0. Conclui-se que a parte de uv do trabalho de deformação específico


deve ser relacionada com o estado de tensões indicado na Figura 19 b, enquanto
a parte ud deve ser relacionada com o estado de tensões da Figura 19 c.

Sendo
𝑢 = 𝑢𝑣 + 𝑢𝑑

Temos que:

𝑢𝑑 = 𝑢 − 𝑢𝑣

1 2
𝑢𝑑 = [3( 𝜎𝑎 2 + 𝜎𝑏 2 + 𝜎𝑐 2 ) − 6𝜈(𝜎𝑎 𝜎𝑏 + 𝜎𝑏 𝜎𝑐 + 𝜎𝑐 𝜎𝑎 ) − (1 − 2𝜈)(𝜎𝑎 + 𝜎𝑏 + 𝜎𝑐 ) ]
6𝐸

1+𝜈
𝑢𝑑 = [( 𝜎𝑎 2 + 2𝜎𝑎 𝜎𝑏 + 𝜎𝑏 2 ) − (𝜎𝑏 2 + 2𝜎𝑏 𝜎𝑐 + 𝜎𝑐 2 ) + (𝜎𝑐 2 + 2𝜎𝑐 𝜎𝑎 + 𝜎𝑎 2 ) ]
6𝐸

Cada termo dentro dos parênteses é um quadrado perfeito. Como o coeficiente


em frente ao parentes é igual a 1/12G, podemos então obter a expressão abaixo
para a parte ud do trabalho específico de deformação, isto é, para a energia de
distorção por unidade de volume>

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1
𝑢𝑑 = [( 𝜎𝑎 − 𝜎𝑏 )2 + ( 𝜎𝑏 − 𝜎𝑐 )2 + ( 𝜎𝑐 − 𝜎𝑎 )2 ]
12𝐺

No caso de um estado plano de tensões, se considerarmos que o eixo c é


perpendicular ao plano de tensões, logo a 𝜎𝑐 = 0, o que reduz a equação a:

1
𝑢𝑑 = [( 𝜎𝑎 )2 + 𝜎𝑎 𝜎𝑏 + ( 𝜎𝑏 )2 ]
6𝐺

Sendo 𝜎𝑎 e 𝜎𝑏 as tensões principais e G o módulo de elasticidade transversal.


No caso particular de um corpo de prova em ensaio de tração que esteja
𝜎𝑌 2
começando a escoar, temos que 𝜎𝑎 = 𝜎𝑌 e 𝜎𝑏 = 0, sendo (𝑢𝑑 )𝑒 = .
6𝐺

Assim, o critério da máxima energia de distorção indica que o elemento estrutural


está seguro quando (𝑢𝑑 ) < (𝑢𝑑 )𝑒 , ou

2
𝜎𝑎 2 − 𝜎𝑎 𝜎𝑏 + 𝜎𝑏 2 < 𝜎′𝑌

Isto é, enquanto o ponto de coordenadas 𝜎𝑎 e 𝜎𝑏 cair dentro da elipse, teremos

𝟐
𝝈𝒂 𝟐 − 𝝈𝒂 𝝈𝒃 + 𝝈𝒃 𝟐 = 𝝈′𝒀

Quando, para o caso geral de tensões:

(𝝈 − 𝝈𝟐 )𝟐 + (𝝈𝟐 − 𝝈𝟑 )𝟐 + (𝝈𝟑 − 𝝈𝟏 )𝟐
√ 𝟏 = 𝝈′𝒀
𝟐

O fator de segurança para n é igual a:

𝝈𝒀
𝑛=
𝝈′𝒀

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6.3 Teoria de Coulomb Mohr para materiais dúcteis

O critério de Coulomb Mohr pode ser aplicado para prever falhas de


materiais cujas resistência à tração e compressão não são iguais. A ideia de
Mohr estava baseada em 3 ensaios simples: tração, compressão e
cisalhamento, ambos até o escoamento, se o material puder escoar, ou até a
ruptura.

Mohr realizou os três ensaios e, a partir dos resultados, construiu três


círculos de para definir um envoltório de falha, representado como a linha
ABCDE da Figura 20. A teoria de Coulomb-Mohr, ou teoria da fricção interna,
assume que a linha divisória BCD é uma reta. Com tal hipótese, somente as
resistências à tração e à compressão são necessárias. Considere o
ordenamento convencional das tensões principais na forma 𝜎1 ≥ 𝜎2 ≥ 𝜎3. O
círculo maior conecta 𝜎1 e 𝜎3 como mostra a Figura 21. Interpolando o raio do
círculo de linha sólida com os raios dos círculos de linhas tracejadas,
relativamente às distâncias centrais ao ponto O, temos

𝜎1 − 𝜎3 𝜎𝑡 𝜎𝑡 𝜎1 + 𝜎3
−2
2 = 2− 2
𝜎𝑐 𝜎𝑡 𝜎𝑐 𝜎𝑡
2 −2 2 +2

Figura 20: Os três círculos de Mohr referentes aos ensaios uniaxiais de tração,
cisalhamento e compressão.

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Figura 21: Círculo de Mohr para estado geral de tensões.


A multiplicação em cruz, seguida de simplificação, reduz essa equação a:
𝜎1 𝜎3
− =1
𝜎𝑡 𝜎𝑐
Sendo que tanto a resistência ao escoamento quanto a resistência última
podem ser usadas.

Assumindo-se que 𝜎𝑎 ≥ 𝜎𝑏 , há três casos a considerar quando se utilizar:

 Caso1: 𝜎𝑎 ≥ 𝜎𝑏 ≥ 0. Para este caso, 𝜎1 = 𝜎𝑎 e 𝜎3 = 0


𝜎𝑎 ≥ 𝜎𝑦
 Caso 2: 𝜎𝑎 ≥ 0 ≥ 𝜎𝑏 . Para este caso, 𝜎1 = 𝜎𝑎 e 𝜎3 = 𝜎𝑏

𝜎𝑎 𝜎𝑏
− ≥1
𝜎𝑡 𝜎𝑐

 Caso 3: 0 ≥ 𝜎𝑎 ≥ 𝜎𝑏 . Para este caso, 𝜎1 = 0 e 𝜎3 = 𝜎𝑏


𝜎𝑏 ≥ −𝜎𝑦

Incorporando o fator de segurança, divida todas equações por n. Por


exemplo,

𝜎1 𝜎3
( − =1)÷𝑛
𝜎𝑡 𝜎𝑐

𝜎1 𝜎3 1
− =
𝜎𝑡 𝜎𝑐 𝑛

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Para cisalhamento puro 𝜏, 𝜎1 = −𝜎3 = 𝜏. A resistência torcional de


escoamento ocorre quando𝜏𝑚á𝑥 = 𝜎𝑠𝑦 , de modo que o escoamento é igual a:

𝜎𝑦𝑡 . 𝜎𝑦𝑐
𝜎𝑠𝑦 =
𝜎𝑦𝑡 + 𝜎𝑦𝑐

6.4 Teoria de Mohr para materiais frágeis

A teoria de Coulomb-Mohr é uma modificação da teoria de Mohr para


materiais frágeis. As equações apresentadas para a teoria restringe-se a tensões
planas e são destinadas a projetos, com a incorporação de fator de segurança.

Coulomb-Mohr Frágil

Caso1: 𝜎𝑎 ≥ 𝜎𝑏 ≥ 0.

𝜎𝑢𝑡
𝜎𝑎 =
𝑛

 Caso 2: 𝜎𝑎 ≥ 0 ≥ 𝜎𝑏 .

𝜎𝑎 𝜎𝑏 1
− =
𝜎𝑢𝑡 𝜎𝑢𝑐 𝑛

 Caso 3: 0 ≥ 𝜎𝑎 ≥ 𝜎𝑏 .
𝜎𝑢𝑐
𝜎𝑏 = −
𝑛

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Figura 22: Resumo do uso dos critérios de falhas.

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7. Exercícios
1) Com base nos resultados fornecidos na planilha fornecida pela máquina
de ensaios Instron disponível em https://goo.gl/fc5Z47, plote a curva tensão
versus deformação para o alumínio e o aço e calcule:

a) Módulo de elasticidade (GPa);

b) Tensão de escoamento (MPa);

c) Limite de resistência (MPa);

d) Ductilidade (%EL) – Através do gráfico;

e) Resiliência (J/m³);

f) Tenacidade (J/m³);

g) Coeficiente de encruamento;

h) Coeficiente de plasticidade.

Tabela

Dados Pré-ensaio
Material Al Aço
Lo (mm) 39,14 41
d1 (mm) 5,15 5,08
d2(mm) 4,98 5,07
d3(mm) 5,08 5,06
d médio(mm) 5,08 5,06

Tabela

Dados Pós-ensaio
Material Al Aço
rf (mm) 2,13 3,24
Lf (mm) 44,37 44,17

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2) Determine a tenacidade de um material cuja curva (tensão-deformação)


de engenharia dá a seguinte informação:

O módulo de elasticidade é E= 10,3 x 104 MPa e a sua deformação elástica


termina com uma deformação de 0,007. A deformação plástica segue a relação:
σ = kεn onde K = 1520 MPa e n = 0,15. A deformação plástica ocorre entre 0,007
até 0,6, que corresponde à deformação de fratura.

3) Num ensaio de corpo de prova metálico de 7,5 mm de diâmetro de 50 mm


de comprimento da seção útil foi obtida a seguinte informação: Para um
incremento no comprimento (ΔL) de 2mm a carga foi de 10,5 kN, enquanto para
um incremento de comprimento de 9,5 mm a carga foi de 11,1 kN. Supondo que
a curva segue o comportamento: σv = K (εv)n. Determine:

a) Os valores de K e n. b) ΔL correspondente ao ponto de carga máxima.

c) A carga máxima. d) A resistência à tração.

4) A seguir são apresentados dados de um ensaio de tração de uma barra


de cobre com D0= 0,01028 e L0= 0,0508 m.

σeng (MPa) εeng (m/m) σv (MPa) εv (m/m)


0 0 0,00 0,000
58,60 0,0005 58,60 0,000
115,00 0,001 115,00 0,001
121,00 0,002 121,00 0,002
145,00 0,05 152,00 0,049
172,00 0,10 189,00 0,095
214,00 0,20 X 0,182
248,00 0,30 322,00 0,262
269,00 0,40 376,000 0,336
258,00 0,50 Y
207,00 0,525 Z

a) Determine o valor do módulo de Young.

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b) Qual é a tensão de escoamento?

c) Qual é a resistência à tração?

d) Qual é a porcentagem de elongação na fratura?

e) Quais são os valores de σv nos pontos X, Y e Z da tabela?

f) Construa os gráficos: σv - εv e σeng - εeng

g) Construa o gráfico: ln σv - ln εv e determine o valor de n.

5) Um eixo é acionado por um motor elétrico usado para rodar um impulsor.


A conexão entre o eixo e o impulsor envolve um rasgo de chaveta e um filete, tal
como mostra a figura. Assume-se que a força total necessária para o impulsor é
de 5000 N e a resistência ao cisalhamento do fillet cilíndrico é de 400 MPa.

Figura 23

a) Um filete de diâmetro igual a 10 mm seria suficiente para prevenir


escoamento?

b) Se um fator de segurança de 4 for usado, este tamanho ainda seria suficiente?

6) Um vaso de pressão cilíndrico (Figura 24) foi construído para estudar as


propriedades de armazenamento de hidrogênio dos materiais. Em cada estudo
foi utilizado um vaso de pressão com hidrogênio a pressão de 20 MPa seguido
de esvaziamento (abaixo de 0,13 x 10² Pa) e repetição da pressurização e de
1000 esvaziamentos.

Figura 24

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O vaso de pressão é destinado a ser utilizado para, pelo menos, 1000 séries
deste tipo de experiência. O recipiente de pressão é mostrado na Figura. A
tampa foi projetada para selar o recipiente por seis parafusos. O diâmetro interno
do recipiente é igual a 25 mm.

a) Calcule a força total na tampa quando a pressão do hidrogênio é igual a


20 MPa.

b) Calcule a força (tração) exercida em cada parafuso.

c) Se a área nominal do parafuso é de 50 mm², qual é a tensão de tração


em cada parafuso?

d) Se a tensão de escoamento do parafuso é de 400 MPa, os parafusos se


deformarão plasticamente quando o vaso tiver pressão de hidrogênio de 20
MPa?

e) Se o fator de segurança de 4 for utilizado, 6 parafusos serão suficientes?

f) Qual é o benefício de apetar os seis parafusos com uma pré-tensão de


tração?

7) Um tanque da Figura 25 deve suportar uma pressão de 5 MPa é feito de


uma placa de aço de 5mm de espessura. Se o tanque mede 1 m de diâmetro,
qual deve ser a tensão mínima para suportar esta pressão sem deformar
plasticamente?

a) Segundo Tresca.

b) Segundo Von Mises

Figura 25

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8) A cabine de passageiros de um jato é pressurizada a um nível igual a


pressão atmosférica a uma altitude de 2,4 km. Considere que 1 atm = 1,013 x
105 Pascal. A partir da figura, a 2,4 km, a pressão atmosférica é de 0,08 MPa. À
altitude de 10 km, p = 0,027 MPa; portanto, a cabine é submetida a uma pressão
interna p1 = 0,080 – 0,027 = 0,053 MPa e a circunferência da fuselagem aumenta
0,2 m. A fuselagem pode ser aproximada como um recipiente cilíndrico de
paredes finas com diâmetro interior de 16 m. A fuselagem é feita de alumínio de
alta resistência, cujo módulo de Young é igual a 70 GPa e ν = 0,3. Determine a
tensão na direção do arco e a espessura t após aplicação da tensão.

Figura 26

9) Um corpo de prova de aço ABNT 1020 recozido, com diâmetro de 12 mm


no comprimento útil de 50 mm, foi submetido a ensaio de tração e apresentou
ductilidade de 30% e estricção de 60% na fratura. Em relação ao corpo de prova,
considere as afirmativas abaixo. Considere π igual a 3.
I - Seu alongamento foi de 15 mm;

II - Seu comprimento final alcançou 65 mm;


III - Ele sofreu uma redução de área de 65 mm²;

IV - Seu diâmetro final foi de 7,7 mm.

É correto o que se afirma em

a) I, apenas. b) I e II, apenas.

c) I, II e III, apenas. d) I, II e IV, apenas.

e) I, II, III e IV.

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10) As bandas de “Lüders” ocorrem:

a) antes do limite de elasticidade.

b) no escoamento do material.

c) no limite de resistência.

d) no limite de ruptura.

e) entre o limite de resistência e o de ruptura

11) Um técnico do laboratório realizou o ensaio de tração e apresentou as


seguintes informações:

• Material A: 525 MPa, 345 MPa e redução de área 32,0%

• Material B: 1015 MPa, 525 MPa e redução de área 11,0%

I - O material B é mais dúctil que o material A, porque apresenta um limite de


escoamento de 1015 MPa e um limite de resistência mecânica de 525 MPa.
II - O material A é mais dúctil que o material B, porque apresenta uma redução
de área de 32,0%.

III - O material A apresenta um limite de escoamento de 525 MPa e, portanto,


igual ao limite de escoamento do material B.
IV - O material B apresenta um limite de resistência mecânica de 1015 MPa,
quase o dobro do limite de resistência mecânica do material A, de 525 MPa.

Apesar de os resultados experimentais estarem corretos, o técnico se confundiu


na interpretação e concluiu corretamente APENAS o que está informado em

a) I e II , b) I e III , c) II e III , d) II e IV , e) III e IV

12) Um vaso de pressão de liga de alumínio é feito de tubos com um diâmetro


externo de 8 in e uma espessura de ¼ in.
a) Qual pressão o cilindro poderá suportar se a tensão tangencial admissível
for de 12 kpsi e a teoria para vasos de parede fina for aplicável?

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b) Com base na pressão encontrada em (a), compute as componentes de


tensão utilizando a teoria para cilindros de parede grossa.

13) Um aço laminado a quente possui limite de escoamento de 100 Kpsi e


uma deformação verdadeira na fratura de 0,55. Estime o fator de segurança para
os seguintes estados principais de tensão.
a) 𝜎𝑥 = 70 kpsi, 𝜎𝑦 = 70 kpsi, 𝜏𝑥𝑦 = 0 kpsi,
b) 𝜎𝑥 = 60 kpsi, 𝜎𝑦 = 40 kpsi, 𝜏𝑥𝑦 = -15 kpsi,
c) 𝜎𝑥 = 0 kpsi, 𝜎𝑦 = 40 kpsi, 𝜏𝑥𝑦 = 45 kpsi,
d) 𝜎𝑥 = -40 kpsi, 𝜎𝑦 = -60 kpsi, 𝜏𝑥𝑦 = 15 kpsi,
e) 𝜎1 = 30 kpsi, 𝜎2 = 30 kpsi, 𝜏𝑥𝑦 = 30 kpsi.

14) Um aço dúctil laminado a quente possui tensão de escoamento mínima


em compressão e tração de 350 MPa. Usando as teorias de Tresca e von Mises
determine os fatores de segurança para os seguinte estados planos de tensão.
a) 𝜎𝑥 = 100 MPa, 𝜎𝑦 = 100 MPa,
b) 𝜎𝑥 = 100 MPa, 𝜎𝑦 = 50 MPa,
c) 𝜎𝑥 = 100 MPa, 𝜏𝑥𝑦 = -75 MPa,
d) 𝜎𝑥 = -50 MPa, 𝜎𝑦 = -75 MPa, 𝜏𝑥𝑦 = -50 MPa,
e) 𝜎𝑥 = 100 MPa, 𝜎𝑦 = 20 MPa, 𝜏𝑥𝑦 = -20 MPa.

15) Um material dúctil possui tensão de escoamento em tração igual a 60 kpsi


e em compressão igual a 75 kpsi. Usando a teoria de Coulomb Mohr, determine
o fator de segurança.

16) Um aço AISI 4142 temperado e revenido possui tensão de escoamento


em tração e em compressão igual a 235 kpsi e 285 kpsi, respectivamente. A
deformação na fratura foi de 0,07. Para um estado plano de tensão em que 𝜎𝑥 =
-80 kpsi, 𝜎𝑦 = -125 kpsi, 𝜏𝑥𝑦 = 50 kpsi, determine o fator de segurança.

a) Para um ferro fundido ASTM 30 encontre os fatores de segurança


utilizando a teoria de Coulomb Mohr para materiais frágeis.

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Considere que para a condição 1 𝜎𝑥 = 15 kpsi, 𝜎𝑦 = 10 kpsi, 𝜏𝑥𝑦 = 0 kpsi e que


para a condição 2 𝜎𝑥 = -35 kpsi, 𝜎𝑦 = 13 kpsi, 𝜏𝑥𝑦 = -10 kpsi. Os valores de
resistência à tração e à compressão do ferro fundido são 31 e 109 kpsi,
respectivamente.

17) Um vaso de pressão esférico é feito de aço AISI 1020, cujas tensões de
escoamento e o limite de resistência são de 57 kpsi e 68 kpsi, respectivamente.
O vaso possui diâmetro de 15 in e 0,0625 in de espessura. Quais seriam as
pressões estimadas no escoamento e na ruptura?

18) Determine a resistência do componente utilizando a teoria de falha de von


Mises. Uma certa força é aplicada em D próximo à extremidade da alavanca de
15 in resulta em certas tensões em OABC, que é feito de aço AISI 1035 forjado
e tratado termicamente, cuja tensão de de escoamento mínima é de 81 kpsi.
Qual seria a força necessária para iniciar o escoamento? Desconsidere a
concentração no ponto A e que o braço DC é forte e não faz parte do problema.

Figura 27

19) Os componentes do estado de tensão num estado crítico de um aço A-36


são mostrados na Figura 28. Determine se a falha (escoamento) ocorreu com

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base a) na teoria máxima de cisalhamento e b) na teoria da máxima energia de


distorção.

Figura 28
20) O eixo maciço mostrado na Figura 29 tem raio de 0,5 pol e é feito de aço
com limite de escoamento de 36 ksi. Determine se o carregamento provocará
falha, de acordo com a teoria de tensão de cisalhamento máxima e a teoria de
energia de distorção máxima.

Figura 29

21) O estado de tensão que age sobre um ponto crítico na estrutura de um


banco de automóvel durante a colisão é mostrado na Figura 30. Determine a
menor tensão de escoamento do aço para que possa ser selecionado para

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fabricar o elemento estrutural com base (a) no critério de escoamento de Tresca;


b) no critério de von Mises.

Figura 30
22) O estado de tensão que age sobre um ponto crítico em um elemento de
máquina é mostrado na Figura 31. Determine a menor tensão de escoamento
que pode ser selecionado para fabricação de uma peça com base na teoria de
Tresca.

Figura 31
23) O vaso de pressão da Figura 32 possui diâmetro interno de 1,50 m e uma
espessura de 25 mm. O material utilizado neste vaso de pressão é o aço A-36 e
a pressão interna é igual a 5 MPa, determine o fator de segurança utilizando
Tresca e von Mises.

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Figura 32

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