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Letras

Literatura brasileira e portuguesa I


Teleaula 3
O Realismo - Naturalismo: características e
principais autores portugueses e brasileiros
Prof.ª Amanda Crispim Ferreira Valerio
Doutoranda em Letras (UEL)
Mestre em Estudos Literários (UFMG)
Graduada em Letras (UEL)
OBJETIVO:

Pretende-se que ao final da aula o aluno


reconheça as características do movimento
literário Realismo-Naturalismo, bem como seus
principais representantes em Portugal e no Brasil.
REALISMO - NATURALISMO:
Olhar objetivamente a realidade

Os britadores de pedra, Gustave Courbet. (


França, 1849)
REALISMO - NATURALISMO:
Reação a subjetividade romântica
Revolução Industrial;
Aumento das fábricas e da mão-de-obra assalariada;
Divisão de classes: burguesia dominante, controlava as
empresas visando o lucro; proletariado, submetido a
duríssimas condições de trabalho por salários
miseráveis;
Cientificismo;
Positivismo;
Determinismo;
REALISMO - NATURALISMO:
Reação a subjetividade romântica
Marxismo;
Antiburgueses;
Anticlericais;
Antimonárquicos;
Presente contra a volta ao passado;
Universalismo contra o egocentrismo;
Evolucionismo;
Descrição de pessoas comuns;
Animalização do homem;
Foco na vida cotidiana.
REALISMO X NATURALISMO

Thérèse Raquin (1867), Emile Zola;


Madame Bovary (1857),
Romance de tese;
Gustave Flaubert.
Descrição rigorosa/ exagerada/
Romance com análise
linguagem coloquial;
psicológica;
Narrativa dinâmica;
Descrição objetiva;
Retrata personagens pertencentes às
Narrativa lenta;
classes baixas/ Tipos humanos.
Retrata personagens
Determinismo;
pertencentes à burguesia;
Personagens
Espaços urbanos;
patológicos;
Animalização
do homem.
VÍDEO

Sobre Madame Bovary

https://www.youtube.com/watch?v=NC3_e-Acvpk
REALISMO - NATURALISMO EM PORTUGAL:
Arte como meio de denúncia social

Questão Coimbrã
Conferências
(1865): querela entre
democráticas do
os românticos e os cassino lisbonense;
realistas.

Poesia engajada,
revolucionária (arma Prosa antiburguesa e
de combate e anticlerical.
denúncia
social),cotidiana.
ESCRITORES PORTUGUESES DA GERAÇÃO
DE 70
ANTERO DE QUENTAL (1842-1891)

Expressa em seus sonetos a sua inquietação religiosa e


metafísica constituindo a parte mais importante de sua obra.
É considerado, ao lado de Bocage e Camões, os grandes
sonetistas da literatura portuguesa.
Poesia divide-se em:
De juventude (-1864): sem unidade
temática, predomina ideologia romântica.
De combate (1865), Odes modernas:
ideologia realista.
ANTERO DE QUENTAL
“Hino à razão”

Razão, irmã do Amor e da Justiça,


Mais uma vez escuta a minha prece.
É a voz dum coração que te apetece,
Duma alma livre só a ti submissa.

Por ti é que a poeira movediça


De astros, sóis e mundos permanece;
E é por ti que a virtude prevalece,
E a flor do heroísmo medra e viça.
ANTERO DE QUENTAL
“Hino à razão”

Por ti, na arena trágica, as nações


buscam a liberdade entre clarões;
e os que olham o futuro e cismam, mudos,

Por ti podem sofrer e não se abatem,


Mãe de filhos robustos que combatem
Tendo o teu nome escrito em seus escudos!
ATIVIDADE 1

Analise o poema de Antero de Quental em questão


e aponte as características individuais do poeta bem
como sua relação com o estilo de época.
EÇA DE QUEIRÓS
(1845-1900)

Sua obra é considerada a mais importante do Realismo


português e é dividida em 3 fases:

a) influência romântica
b) caráter realista/naturalista
c) pós-realista
EÇA DE QUEIRÓS
O CRIME DO PADRE AMARO (1875)
Primeiro romance realista – naturalista de Portugal;
Pertence à segunda fase da produção de Eça de Queirós;
Chocou a sociedade da época com sua denúncia da
hipocrisia social e religiosa;
Crítica ao comportamento religioso dos membros do
clero;
Romance de tese – meio de comprovar as teorias
científicas da época e corrigir;
O meio determina o
comportamento humano (darwinismo).
VÍDEO

O crime do padre amaro

http://www.youtube.com/watch?v=tHo9b4_0RdM
ATIVIDADE 2

Analise o trecho de O crime do padre Amaro e aponte


as características realistas mais evidentes.
REALISMO - NATURALISMO NO BRASIL

Fortalecimento dos Crítica aos padrões


movimentos conservadores da
abolicionistas e
republicanos; época;

Realidade concreta
do país, afastando- Grande número de
se das idealizações obras em prosa.
dos românticos;
MACHADO DE
ASSIS
(1839-1908)

“O ESCRITOR
CARAMUJO”
MACHADO DE ASSIS (1839-1908)
“O ESCRITOR CARAMUJO”
Preocupado com a
expressão e com a Possui uma vasta
técnica de obra, porém
composição e destacam-se os
romances e os contos.
articulação dos temas.

Ironia, pessimismo,
Propõe-se à análise do crítica à burguesia,
caráter e do análise das
comportamento contradições e
humano; hipocrisia humana.

Observação
Conversa com o leitor.
das “entrelinhas”.
MACHADO DE ASSIS
MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS (1881)
Capítulo primeiro / óbito do autor
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias
pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar
o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar
seja começar pelo nascimento, duas considerações me
levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não
sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor,
para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o
escrito ficaria assim mais galante e mais novo.
Moisés, que também contou a sua morte,
não a pôs no intróito, mas no cabo:
diferença radical entre este livro e o Pentateuco. Dito isto,
expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de
agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns
sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía
cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por
onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas
nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava uma chuvinha
miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou
um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa
ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova:
— “Vós, que o conhecestes, meus
senhores, vós podeis dizer comigo
que a natureza parece estar chorando
a perda irreparável de um dos mais
belos caracteres que têm honrado a
humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas
nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo,
tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à Natureza as mais
íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso
ilustre finado.”
VÍDEO

Memórias póstumas de Brás Cubas

https://www.youtube.com/watch?v=iUQGsMsC6UE
SUGESTÃO DE ATIVIDADES EM SALA DE AULA:
CONHEÇA O FACEBOOK DO BRÁS CUBAS

http://digital.ftd.com.br/conheca-objetos-
infograficos.php
ALUÍSIO DE AZEVEDO
O CORTIÇO (1890)
Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os
olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. Um
acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete
horas de chumbo. Como que se sentiam ainda na indolência de
neblina as derradeiras notas da ultima guitarra da noite
antecedente, dissolvendo-se à luz loura e tenra da aurora, que
nem um suspiro de saudade perdido em terra alheia. (...)
Entretanto, das portas surgiam cabeças congestionadas de
sono; ouviam-se amplos bocejos, fortes como o marulhar das
ondas;
pigarreava-se grosso por toda a parte;
começavam as xícaras a tilintar; o
cheiro quente do café aquecia,
suplantando todos os outros;
trocavam-se de janela para janela as primeiras palavras, os
bons-dias; reatavam-se conversas interrompidas à noite; a
pequenada cá fora traquinava já, e lá dentro das casas
vinham choros abafados de crianças que ainda não andam.
No confuso rumor que se formava, destacavam-se risos, sons
de vozes que altercavam, sem se saber onde, grasnar de
marrecos, cantar de galos, cacarejar de galinhas. De alguns
quartos saiam mulheres que vinham pendurar cá fora, na
parede, a gaiola do papagaio, e os louros, à semelhança dos
donos, cumprimentavam-se ruidosamente, espanejando-se à
luz nova do dia. Daí a pouco, em volta das bicas era um
zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos
e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara,
incomodamente, debaixo do fio de água
que escorria da altura de uns cinco palmos.
(...)
ATIVIDADE 3

Observe o texto em questão e analise-o, apontando as


características naturalistas presentes.
(...)Pobre mulher! Chegara ao extremo dos extremos. Coitada!
já não causava dó, causava repugnância e nojo. Apagaram-se-
lhe os últimos vestígios do brio; vivia andrajosa, sem nenhum
trato e sempre ébria, dessa embriaguez sombria e mórbida
que se não dissipa nunca. O seu quarto era o mais imundo e o
pior de toda a estalagem; homens malvados abusavam dela,
muitos de uma vez, aproveitando-se da quase completa
inconsciência da infeliz. Agora, o menor trago de aguardente a
punha logo pronta; acordava todas as manhãs apatetada,
muito triste, sem animo para viver esse dia, mas era só correr à
garrafa e voltavam-lhe as risadas frouxas, de boca que já se
não governa. (...)
CONCLUSÃO
Nesta aula pudemos conhecer as características do
Realismo e seus principais representantes em Portugal e no
Brasil.
RESUMO

Nesta aula trataremos das características do Realismo -


Naturalismo, bem como seus principais representantes em
Portugal e no Brasil.

PALAVRAS-CHAVE: Realismo - Naturalismo; escritores


realistas - naturalistas portugueses; escritores realistas -
naturalistas brasileiros.
REFERÊNCIAS
ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: FTD,
1991.
AZEVEDO, Aluísio de. O cortiço. São Paulo: Editora Ciranda Cultural,
2010.
BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo:
Cultrix, 1997.
CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira. São Paulo:
Cultrix, 1989.
MASSAUD, Moisés. História da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix,
1983.
________________. A Literatura portuguesa.
São Paulo: Cultrix, 2008.
________________. A Literatura portuguesa
através dos textos. Cultrix, 1986.
QUEIRÓS, Eça de. O crime do padre Amaro.
15.ed. São Paulo: Editora Ática, 2004.