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Num .

GAZETA

DE LISBOA OCCIDENTAL.

Com Privilegio de S. Magcstadc.

c ' í

Quinta seira 3, dc Janeiro dc 1716.

TURQJJIA.
Constantinopla 15.de Outubro. *
EM chegado dentro depoueos dias dpus Expressos da Afia
hum despachado pelo Governador de Babilónia com a no
ticia de haver entrado com o seu Exercito na Província de
Oristan, oceupando-a toda sem grande resistência dos Per
sas: outro mandado por Abdala Baxá , Coramandanted»
Exercito Otromano ^acampado nas visinhanças de Taurisio;
avisando a Corte de haver o Governador de Erserum toma
do por assalto a Cidade de Chenza , passando à espada riaó sís
a guarnição , mas todos leus habitantes ; excepto os Christáos , que implorarão,
e conseguirão a graça , e protecção do Graó Senhor.
Por ambos estes Correyos fé teve também a noticia , de que havendo marcha
do o Sophi Thamas com o íeu Exercito pára Hispahan , com a esperança de re-.
duziila a sua obediência, e oceupar o ThronO daquella Monarquia; lhe iahiraatí)
encontro Esref , que por morte do Principe de Kandahar , ficou reconhecido por
Sophi , e Soberano da Pérsia , e apresentando-lhe batalha, tivera pela sua parte a,
vitoria , vendo-se o novo Monarca precisado a ^valerse da fuga , para escapar as
mãos do vencedor.; . ,.. • :J <,.".■■ rHí'j '.. ;>.-wr"*
O Thesouro , e bens do Governador de Candia defunto foraó confiscados pa*.
ra o Sultaó , e conduzidos a esta Cidade em duas galés , que daqui partirão neste?
Veraõ , ficando dezaseis filhos que deixou pobrimmos. O novo Governador da
Ilha passa a governar o Cayro , cujo Governador lhe vem lueceder a elle. A Gia-
num Coggia se deu o governo da Cidade de Canea , e sua Diocesi na mesm*(
Ilha ce Candia , em satisfação das quatro naos de guerra, que fez fabricar para o
Sulraó.
At cartas deGaza de 2 4. de Dezembro do anno passado, dizem haver rsido taó
5202Í0 8rAnde
T
4 SUÉCIA. :
Stockholm 1 6. de Norvembro. • •
ENtendiase, que a Duqueza viuva de Mecklenburgo passaria todo o Inverno
nesta Corte ; mas agora se diz , que está determinada a sua partida } ara o fim
deste mez; e que para depois deste tempo se tem deferido huma grande montaria
de ursos, c javalis , que Sua Mag. quer tazer por exercitar a sua clemência com os
Paysanos , a quem estes animaes çauseó muitas perdas ,e se tem já mandado fa
zer as disposições necessárias. O Conde de Brancas-Cerest, Embaixador de Fran
ça nesta Corte , está muitas vezes em conferencia com os nossos Ministros febre
os negócios da presente conjuntura , assim no Norte , como em outras partes. O
Conde de Tessin , Enviado extraordinário de Sua Mag. à Corte de Vienna, partio
daqui hontem, e leva por seu Secretario da Embaixada a Mons. Rjntvvich. O
Conde de Gollowin , Ministro da Emperatriz da Rússia , tem recebido despachos
de grande importância da sua Corte ; e como tornou a tomar os criados, que já
tinha despedido, se entende,que recebeo ordem para passar aqui o Inverno. Mons.
Rumph,Ministro da Republica deHollanda, tem renovado as suss iníbneias,
para que Sua Mag. lhes mande pagar o dinheiro, q~ue os Hollandezes em presta
rão ao Rey defunto sobre as rendas da Alfandega de Riga, e a satisfação dos datm-
nos,que os Negociantes da mesma Naçaó padecerão pelos navios, que lhes tomà-
raó os corsários Suecos , durante a ultima guerra do Norte. Efpera-fe aqui hum
Ministro delRey de Prússia. Mons. Anthoir, General de batalha no serviço desta
Coroa , que aqui ficou com a incumbência dos negócios de França , desde que
Mons. de Campredon partio para Petrisburgo , está de partida rara Pariz.
DINAMARCA.
Copenhaghen ï y .de N/membro*
A Corte continua em Fredericksberg. EIRey se achaconvalecido de huim Ii-
geira indisposição, que padeceo. Efpera-fe aqui brevemente o Conde de Frei-
tag , Enviado extraordinário do Emperador , que se acha já em Hamburgo com
a Condessa sua mulher. Mons. Rantzaw de Aschberg , que EIRey manda por seu
Enviado extraordinária à Corte de Hannover , com huma commMíaÕ dé grande
importância, partio ]á para Hamburgo, e deve fazer a sua viagem éóm prefifâ-, pa
ra alcançar ainda nella a EIRey da Gráa Bretanha. Sua Mag. deu o ewlfre^o de
Presidente da Marinha ao Conde de Daneskiold ; e o de Gram BaHtín de Àrhus
eom jU.patacasdeordenadoao General de batalha l^evvenhdr } que lia muitos
annos assiste com o caracter de Enviado na Corte de Prússia.
' _ ALEMANHA.
Hamburgo 25.de N<membro. • - W i* ' ,
"\4 Ons. John, Conselheirodo Tribunal de Justiça delRey de Dmamàftía , êcvt
* fim à Commissaó , que tinha delRey seu amo- , para examinar o négócío
fcairrode Schauenburgo desta Cidade , em que pertende ter jurisdição , e o misa
Magistrado sendo informado de todas asquestoens, c repostas , que hom* rnrre
o dito Conselheiro , e os moradores do dito bairro , mandou protestar soleffine-
mente contra este procedimento, naó só de pa'avra , mas por escrito , indo execu
tar esta commissaó dous Deputados a casa de Mons. Honhenmuhlen y, Rcsicen e
de Sua Mag.Dinamarqueza.Estase imprimindo huma deducçaó moy amula des
te «egotìo , para dar huma justa idéa délie x e mostrar em que consistem os anti
gos direitos Reaes.
As cartas de Petrisburgo dizem , que o Duque de HoJsacia tem mandado- or
dem.
dtm à Regencia de Kiel , para Jhe mandar huma înformaçaó rrmy exacta de tcy-
das as contribuiçoenS , que se tiraraô do Paiz , durante a ultima guerra , e de todas
asperdas , que sc fizeraó com a demoliçaó das Fortalezas de Toningen , artelharia
que sc levou délias , e outras cousas concernentes a isto , o que tudo important
huma consideravel somma. Sabese, que a Corte de Rustla, à instancia de cena Po-
tencia, mandou declarar, oue senaóqueria intrometer por ncnhum modo nos
negocios de Polonia. Asde Dantzick de I 7. dizcm,que se espérava pelo primeiro
Gorreyo de Varsovia a noticia , de haverem sahido daquella Qdade os Ministre*
dasPotencias Protestantes , e o de França , como feu Aliado ; porque se naó fal-
Java }a em le fazer Dieta gtral do Reyno, e menos ainda em dar satisfaçaó às ditís
Porencias. ' *
Secundo alguns avisos de Vienna, a aliança, que sc tratava entre aquella Corte,
e a de Ruíïla , esta já concluida , e corre voz, que Polonia, e Hespanha de vem en-
trar nette Tratado. D. Antonio Calado j"filhosdo Marquez de Monteleon , entre-
eou já asfuascartas credenciaes de Enviado extraordinario deiRey de Hespanha
a» AUgístrado dtsta Cidade , o quai o mandou comprimentar por dous Deputa-
à$$3 tihe te z ao mesmo tempo o présente do vinho de honor , que se coítum»
-.«rirai aï aos Ministros.
Hannoter i2>.de Ncrvevìbro.
TC LRey da Gráa Bretanha voltou hontem à noite pelas cinco horas de Gohr,pá-
ra o Palacio dtsta Cidade , onde naó tstará mais que quinze dia?-. O Frir.cipe
Federico leuneto chegou do mesmo fitio pelas sete horas. O Marquez de Aix,
Ministro deiRey de Sardenha , tinha chegado aqui a 14. e esperava a S. Mag. pa
ri Ihe communicar a commissaó, que rraz delReyseu amo. Espera-fe brevemen-
tc de Varlovta Mons. Le Cocq , Ministro deiRey de Pòlonia , e se assegura , que
vcm er.carregad© de representar a S. Mag. Britannica as razoens , que occomm,
para mandar recolher daquella Corte o feu Enviado Mons. Finch, lendo a mayor
de rodas , a má vontade, q-lhe tem teda a Naçaó Polaca , e naó ier polïivel fazella
íjarstar , tem a tondiçaó de sahir primeiro do Reyno odito Ministro. O Conde
^Starcmberg j-Embaixador doEmperador, seacha já aqui outra vez com a
Coffci^ssa sua mulher, que tem entrado no meznonoda sua prenhez. O Conde de
; BrogiiostEinfcaixadordelRey ChriflianirTîmo,quecstevemuitos dias recolhido
porcaufada,g;otia,c<>rneçou j;i a apparecerem pub'ico. Depois queoBispo de
Spiga feacha ntsta Corte, se naó aperta tanto com os Sacerdotes Catho!icos iobre-
0 pertendido juramento.
V'ur.na. r 7. de Nyz<embro.
STJas Magefiades Imp. se dix ertiraó a 1 2. destc mez cm huma grande monta-
ri%.fH>-ferriioiiodeTronbach , onde se raataraó duzentes javalis. \To me'i'mo-
diít yoltou de Berlin oCondede Raluiin, eteve já duas audiencias do Empera-
. <Hm\ Asfegwra-fe , que se Jhcdara© brevemente as suas instrueçoens , para pajlâr à
■Porte de K urfia. Enrende-se , que tambemo Ministro deiRey de Pruffia le reco-
11 crácom tirevidadea Berlin. ODuque de Ripperda ,que nartiodaqui a 8. pela
ma-nhá-vd'eixoo todoo feu trem ao Paraô de Ripperda seuhlhomais veIho,com
a ncumlencia dos negocios, e titulo de Ministro Plenipotenciari© até nova or-
â w>, fi m embargo de naó termais que dtzanoveannOs.Dizem que ©s présentes,,
«jneo Emperador fez a este Duque, foraô avaliados em 5CU. florins. Entfndese/.
©;ueo Principede Furstembcrgyque ace itou- o cargo de principal Çommilìkríodo»
Etí*pc.râdorJ pararáa. scinanajiroxima para.Raiisbonna , par&onde já fez jorna-
. da.
45
da a ï 5.0 Conde de Sintzendorff, que ha <Je fazer as sunçôês'ck-Eiiviado de Bo-
hetnia. Dizem,que o Abbade Principe de Fulda passará por Embaixador de Sm
Mag. Imp. à Curia de Roma ,em lugar do Cardeal Cienfuegos. As levas , que se
fazem pará os Regimentos Imperiaes; assim de cavallo, como de pé , se cominuaõ
combomsuccesso.Hâ poucos dias,que passarãopor esta Cidade mais de mil e du
zentos cavallos, para reclutar a Cavallaria, e se esperaó ainda mais. Assegurase, que
as forças, que Sua Mag. Imp. entretém agora em tempo de paz , excedem o nu
mero de 1 70U. homens; e como os progressos dos Turcos na Pérsia daó aqui cui
dado pelo formidável poder, com que ficaráó, se conseguirem o dominio daquel-
Je Reyno,ainda se cuidará em as accrescentar mais.O Baraó de Hagen,que com
prou os Senhorios , que o Principe Ragotzy tinha na Hungria, partio para a Áus
tria superior a vender dous Senhorios, que alli tem para ir viver na Hungria. O
Conde de Windischgrat , Residente do Conselho Aulico , tomou hontem posse
do emprego de Ministro das Conferencias secretas do Emperador. Esperale aqui
brevemente o Principe Dolhorucki por Embaixador da Czarina.
Coloma i^.de Novembro. - ,;.\
Principe Eleitora! de Baviera , e o Duque Fernando seu irmaó passarão hon-
tem à noite por esta Cidade , correndo a posta para Bonna , donde se escreva^
haverem chegado antehontem o nosso Eleitor , e o Bispo de Racisbonna. As car- s
tas de Basilea daó a noticia de haver alli chegado a 16. o Conde de Konigsech,
Embaixador do Emperador , que fora recebido com huma descarga de artdha-
ria , e com as ordenanças em armas , e no dia seguinte comprimentado , e a Con
dessa sua mulher , pelo Magistrado , fazendolhes os presentes costumados ; que a
1 8. de tarde andara vendo com dous Deputados do Conlelho as cousas mais no»
tavefedí Cidade, e que no dia seguinte determina va profeguir a sua viagem para
Hespanha , tomando o caminho PAIZ de Besançon
BJA í, e X
Leaó
O.de França.
Bmxellas 2 7. de Novembro.
TJ M 1 9. do corrente, diadedicado a Santa Isabel Rainha de Hungria, se festeja-
raó com muita magnificência os nomes da Senhora Emperatríz. reinante , e da
Senhora Archiduqueza nossa Governadora , que neste dia assistio em publicona
Igreja de S. Miguel , e Santa Gudula , onde o Cardeal de Altacia , Arcebispo de '
Malinas , celebrou Missa Pontifical -, depois do que concorrerão os Ministros es
trangeiros , e a Nobreza principal ao Paço a dar os parabéns a S. Alt. O Conde de
Thaun , que o Emperador mandou a este Paiz por Governador General , em
quanto naó chegava a Senhora Archiduqueza, para descobrir as consignações ne
cessárias para a subsistência da mesma Senhora , reduzir a boa tórma o estado ci
vil , e militar , e o trabalhoso negocio da moeda , executou as luas commissoens
com tanto interesse do seu Soberano , como jà se tinha experimentado nos nove
annos, que esteue em Nápoles porVice-Rey, e Sua Mag. Imp. para prova do
quanto está satisfeito do seu procedimento , o manda passar ao Estado de Milão
com amesma incumbência, para nelle preparar todas as cousas, que forem ne
cessárias para a jornada , recebimento , e subsistência da Senhora 'Archiduqueza
Maria Magdalena , a quem o Emperador seu irmaó quer conferir aquelle gover
no , e depois voltará a Vienna , para exercitar o cargo de Governador da meima.
Cidade. O Magistrado de Bruxellas o foy comprimentar a 1 2. deste mez , com a
occasiaó da sua despedida ; e dizem que lhe respo ndeo o seguinte : Senhores , eu
sou obrigado adeixarvos , porque metiam) me ma::da i: a Milão 3 c respeito as,
suas
suas ordens em todo o tempo , mas agora as executo comje»4,por hantr reeonheci-
doabondade da*voJja Naçao ,e a fcrmqfura do Pai^Terbo a cotisolaçao ,e a boti-
ra âe borner merecido a i>ojJa e[ima. -Pecavos a todos gcralmente , e a cada hum em
particular me deis occafiao de vos fer util tia minka auser.cia. OGcneral Conde
de Vehlen, Govcrnador de Ath,que aqui chegou ha dias, ficará (fegundo dizem)
com o Governo gênerai das tropas Imperiaes neste Paiz , desde que o Conde par
tir até S. Mag. Imp. prover o dito emprego.
FRANC A.
.. Pari\ 3. deDapnbro.
SUas Magestades Christianissimas feraó Padrinhos do fiIho,que nasceo ao Con
de de Tholosa , e EIRey com a Rainha viuva de Hespanha , o scraó do que pa-
rio agora aPrinceza de Robecq ; porém esta ultima sunçnó fe naó fará se naó de-
pois , que volrar hum Expresso , que se despachou a Madrid sobre este particular,
pelo que toca às ceremonias. EIRey com a Rainha sua esposa partirao a 2 8. do
mez paslâdo de Fontainebleau para Petitbourg , casa de campo do Duque de An
tin, onde dormiraó a mesmanoite,e ai tida alli existem. A Cidade , eProvincm
deLeaó, aquem o Procurador gérai da Fazenda pedia cinco para leis milhoens,
para a feliz entrada , e Cinruraó da Rainha , conveyo em dar hum milhaó e feif-
centas mil libras para o referido , incluindo tambem nesta quantia a contribuiçaó
das outorgas , devendo hum taó grande abatimento às diltgencias , e bons omeio»1
do Maréchal de Ville-Roy. O governo da Cidade , e Principado de Sedan , que
diziaó se dava ao Marquez de Bcauvau , deu S . Mag. ao Marquez>de Coigny, Ca-
valkiro das suasOrdens , Tenente General dos feus Exercitos, e Coronel General
dos Dragées de França.Havcndofe encontrado na ellrada Real, que se faz na Pro-
vincia de Languedoc , huns grandes rochedos no territorio de Auvergne, que
atravessaô o caminho , e parecendo de grande defpeza o trabalho de os cortar , ar-
bitraraó os Engenheiros , que os fizeíîem voar por meyo de minas , e a Corte
mandou ordem para que seconduziíTe àquelle fitio, dos Armazens maisproxi-
mos, toda a polvora bombardeìra ,que fosse necessaria para este efFeiCo.
tAcha-se nesta Corte hum Principe Americano, Senhor Spberano de hum Paiz,
ficuado junto ao Rio de Miffiílìpi ; o quai terá trinta annos de idade , c rraz hum;
bonete de plumas pendentes sobre as costas , roiapas compridas , e ca Içado sente-
lhante aosdos Povos Orientaes. Dtzcm , que poderá pôr em'Cam j • > hum Exer-
cjto de 1 6U. iiomens, e dáboa razaó do que se ihe pergunta. Este foy em 1 6. do
mez passado , acompanhado de dpusPadres da Companhia , c do feu interprète,
fallar ao Duque de Orléans joquallh'e sezmuitas perguntas sobre a sua Religiaô^
qualidacfej e costumes do feuPaiz, e porque estavadepartida para Fontainebleau*
ondenou: a hum dos feus Gentis-homens lhe fìcasse aííìstindo , para lhe mostrar »
feu Palacio, e lhe dar huma collaçaó, . • ■ '- '. ■
HESPANHA. Madrid z u de Dettmbro. ■ _'J
HT Oda a Casa Real íogra. perfeira difrosiçaó , e esttve Domingo cm publico ni>
Capella Real ,arTistida de tqdosos Grandes, e Ministres Eíirangeiros. Dont
Zacharias Canal, Embaixador ordinarioda Ripublica de Vcricza^ ftz a 17..1J*
eprrente a sua entrada publica nesta Corte , introduzido pelo Conde d« Villa
Franca , Inti oductor dos Embaixadores , e acompanhado do Conde CocOrtni^
Mordomo da femana , e Védor da Casa delRey , teve audiencia de S. MagcÛade^
e fiacceflìvamente da Rainha , do Principe das Astu n^s , e djSsÍBfáiçis rînòstraB-
do grande luzimento , affim nos vestidos da £ua semilia j.como nos feus ecches.
Ao Duque de Ripperda, chegado da Corte de Vienna, onde foy Embaixador*,
c Plenipotenciário, conrerio S.Magestade o emprego de seu Secretario de Estado,
e do leu delpacho , e ao Conde de /itares rez mercê da dignidade de Grande d«
Hefpanha para a sua peiíoa , e Cala.
; V PORTUGAL.
' ' Lisboa de Janeiro.
SEgunda feira , por ser o ulumo uia do anno paliado , se cantou na Igreja de S.
Roque , com a íolemnidade , e concurso coltunudo , o hymno Te Deum Ian-
damas , em acçaó de graças , por todas as mercês, e benefícios , que Deos nosso
Senhor fez no difcurio delle.
Na quinta leira antecedente , por fer dia do Euangelista S. Joâó , se festejou no
Paço com gala o nome delRey noiso Senhor , que Deos guarde, e de noite houve
Serenata no quarto da Ramha nolïa Senhora , com aiììltencia de ambos os sexo*
da principal Nobreza.
Na feita feira le divertio a mesma Senhora , e Suas Altezas , no Picadeiro em
atirar aosganços com bala pela cabeça ; fazendo distribuir prémios aos que em-
pregavaó o tiro com acerto ; o Principe nosso Senhor matou dous , e cada huma
das mais pessoas Reaes hum. No Sabbado foy a melma Senhora com o Principe
nosso Senhor , e os Senhores Intantes , ao Real Mosteiro de Belém dos Religiolos
de S .Jeronymo. Domingo houve o mesmo di vertimento de atirar aos ganços, on
de a Rainha nossa Senhora matou tres, o Principe nollb Senhor cinco , a Senhor*
Infante D. Maria dous , e o Senhor Infante D.Fedro hum.
Além dos Ministros despachados para a Casa da Relação do Porto , de que se
deu noticia na Gazeta passada , foy S. Magcstade servido nomear para os lugares,
ue nella lè achavaó vagos , peta promoção dos Ministros, que vieraó para a Casa
ïà Supplicaçaó desta Corte , em primeiro lugar aos Desembargadores Joaó Ho
mem Freire , e Luis de Sequeira da Gama , que conipoile na dita Relação haviaõ
passado a servir na da Bahia.
Aos Doutores Luis VarelJa da Cunha, Manoel Rodrigues de Figueiredo, e Mi
guel Borges Tavares, fez S. Magestadea mercê, attendenuo aos teus annos, c ser
viços , de os aposentar com a beca , e com os mesmos ordenados , e porpinas , na
dita Relação.
Por avisos Je Malta se tem a noticia , de haver falecido Fr. Manoel de Almeida
de Vasconcellos , Cavalleiro da Ordem de S. Joaó de Malta , Commendador das :
Commendas da Vera Cruz , e de Torres Novas , Balio, e General das Galés da sua 1
Religião ; e feu irmaó Theotonio de Soveral de Carvalho e Vaseoncellos , Jhe fez
na Villa de Sernancelhe, sua Patria, hum magnifico luneral.
Nesta semana partio para o leu Governo de Cabo Verde , em hum navio In-
glez, chamado Joaó e Maria, Francisco Manoel da Nóbrega de Vaíconcelios,
^ Cavalleiro
neiro da
ua Ordem
vyrucui de
ue Chritto.
\_,nrui.u. •> •• ^
~/<cm qittxer
mn quixer comprar buma
huma quinta , fita no invar de Santa
lugar Sarit, Ar.na da Carnota,
> de Alemquer , que he da Senhora D. Meeia Maria de 7'arvora, 1 7'arvarès ; ç .
i de casas , vinhas , olivaes , terras , pomares , e lagar de a vinho , atafonasy
, hum cerrado , eJalgueiraes , vãsaliar com o Padre Manoel Dias
/lamengO de Carvalho, TheÇoureiro do Real Convento de Santos de Lisboa Vri-
mtal. ' "jn-
• ' NaOfficina de JO SEP II ANTONIO DA SYXVÃ" .
./-- Com todas as licenças nccejjarias.
Num.»;

GAZETA

OCCIDENTAL.
DE LISBOA

Com Privilegio dcS.Magcftadc

Quinta seira 10. de Janeiro dc 172^

b arb a.ru ', '


Tunes 1 8. de Outubro.
AVENDO entrado em Porto Farinha , para se concertar dd
damno recebido em huma tormenta , a Esquadra de guerra
do Graó Senhor , composta de quatro sultanas , e mandada
por Abdy Rays, lhe mandou a nossa Regência quantidade
de refrescos de vários géneros ; e depois de se haver alli de
morado oito dias , continuou a sua vaagem para Argel , sem
2Tj, os Commissarios de S.A. nem o do Emoerador dos Romanos
fazerem proposição alguma. Como já he notório o mao suc-
ceíiò , que tiveraõ , nas que foraó fazer a tArgel , se naó repete ; e sò se acerescenta
cita particularidade , que naó fomente o Divan de Argel recusou entrar em nego
ciação de paz com o CommiíTario do Empeiador , e rcstiaiir o navio de Ostende ;
mas nem ainda dar liberdade ao Capitão, e Supracarrcgadordo dito navio, ao
m;nosquese lhes naó pagassem 2 5U. patacas pelo seu resgate; o que elksnaó
acharão conveniente íszer.VoItando-depois a Esquadra a este porto, naó só a Re
gência lhe mandou outro refresco muy grande , mas recebeo aos Commissarios
de S. A. e ao do Emperador dos Romanos com a distinção , que correspondia ao
seu carácter. Ouviraó-se também com grande gosto as propostas. Entrou-se em
negociação , e depois de algumas conferencias , se conveyo em fazer hum Trata
do de tregoa entre o dito Emperador , e esta Republica , pela mediação do Grão
Senhor , que para facilitar este ajuste, prometteo mandar ao Bey , ou Presidente
da Regência , huma nao de guerra armada,.com todas as suas appendencias. Fez-
se com çsfeifQQ dito Tratado de tregoa , e se conveyo , que este será ratificado
no "spaço de 1 50. dias , e que desde o da sua aJIÏgnùtura , naó.serà permihido fa
zer preza alguma de parte a parte ; mas que sc com tudo/e houver tomado algum'
B * navio,
10 ■ ■ •-
navio , ou cativado alguma gente dentro no dito termo , será hum , e outro par
tido obrigado à restituição de tudo.
Naó se faz no dito Tratado mençaó alguma do commercio , porque se deixa
este artigo à vontade do Emperador , que conforme se assegura , mandará hum
Ministro dentro de seis mezes a esta Cidade , aílim para ratificar este Tratado, co
mo para ajustar outro de commercio , e entretanto deixou o Commiflario do
Emperador aqui huma pessoa , para cuidar dos intéresses de sua Mag. Imp. Aca
bada esta negociação na fórma que fica referida , com reciproco contentamento,
naó obstante a opposiçaó de algumas pessoas , que naó gostarão deste ajuste, se fez
a dita Esquadra à véla para Tripoli , para obrigar a Regência a seguir o exemplo
da nossa , ao que se mostrou logo inclinada , e se espera por instantes a nova da
conclusão do Tratado.
ITÁLIA. '
■ Nápoles 6. de Novembro.
A Nte-hontem , dia dedicado a S. Carlos , se festejou o nome do Emperador
com a magnificência costuma da.Todos os Generaes , Presidentes dos Tribu-
naes , e a principal Nobreza concorrerão vestidos de gala , e em ceremonia ao Pa
ço , dar o parabém ao Cardeal de Althan , nosso Vice-Rey , e todos aln^irí.ó cfe-
pois na Capella Real à Missa , e 'Te Derim , que foy cantado por muitos coros de
musica, e solemnisado còm muitas salvas de artelliaria das muralhas, Fortalezas » -
navios , que estavaó no Porto. De tarde se largou ao povo no terreiro do Paço,
hum carro carregado de paó , aves mortas , coelhos , lebres , e gamos , e de noite
luminárias , e fogos festivos por todas as ruas da Cidade. So!ciraó-se também por
ordem do Cardeal Vice-Rey alguns prezos de crimes mais ligeiros , como todos
os annos se pratica. O Cardeal Pignatelli partio no ï. do corrente para Rorná.
Apparelhaõ-se no Arsenal desta Cidade duas tartanas , em que se devem carregar
todœ os petrechos , e muniçoens necessárias , para a nova nao de guerra , que se
íabricou em Trieste , destinada para reforçar a Esquadra deste Reyno.
R0ma24.de Ntrvmbro.
/"V Papa voltou em 1 2. do corrente de Monte Mario para esta Cidade , e se ajp-
jou no Pa!í cio Vaticano , onde deu logo audiência ao Cardeal Pioîa , que na
manhãa seguinte tornou a partir para o seu Bispado de Ofimo , e conforme algúj
presumem , fez eíla viagem taó improviza , para conferir com Sua Santidade so
pre algumis matérias pertencentes aos negócios , que se trataó entre esta Corte x e
a de Turin. *;
A 1 3 . deu S. Santidade audiência ao Cardeal Pignatelli , que chegou de Nápo
les j e aos Cardeaes Davia , e Corradin! , que também aqui se achao. ' '.'
A 1 4. a deu aos seus Ministros de Estado , e entre elles ao Governador de Rp-
ma. Chegarão de Orvieto o Cardeal Gualtieri , de Frascati Fabroni , de Pezaro
Olivieri , e de Albano Ottoboni. ", 'j
Ai 5. fez exame de Bispos , e os examinados foraó o P. Mestre Bataler , Re -
ligiofo Caralaó , da Ordem Carmelitana , para a Igreja de Ugenoo ,éoP. Paulo
Collia, da Religião dos Mínimos, para a de Larino , ambas no Reyno de Nápoles.
De noite chegarão de Senna , e Gianzano os Cardeaes ZonJodari , e Imperiali.
,A 16". indo a Senhora Princeza Sobiesky ouvir Mista à Igreja das Religiosas
; de Santa Ceciliana Ordem de S. Bento , mandou chamir a Senhora Dona Isabel
Acquavi va , irmáa do Duque de Atri , que alli sê acha recolhida , e lhe declarou^
.que o seu intento era ficar desde logo naquella Clausura, e cora-effeiíoofez».
manda—
1 1
:rtandando as carruagens, e criados , que a acornpanhavaó , para casa. O.Cardea)
-Kulfi chegou de noite do seu Bispado de Ancona a esta Cidade.
A i/.chegoude Vignanello o Cardeal Coscia com toda a Casa RuspoIi.O Pa
pa deu audiência aos feus Ministros de Estado , e especialmente ao Cardeal N'ico-
iao Giudice^, que fez demifiaó do cargo de Mordomo do Sacro Palacio.
A 1 8. Sagrou S. Santidade na Capella Xistina do Vaticano ao Carde.il Albero^
ni , Bispo de Málaga , com aísistencia de Mons. Lercaro , Arcebispo de Nazian»
zo, e de Mons. Gambarucci, Arcebispo de Amazia ; e acabada esta runçaó, desceo
pela escada secreta para a Basilica de S. Pedro, onde se celebrava o Anniversarió
da sua dedicação. Neste dia deixou o Cardeal Coscia o quarto , que tinha no Pa
lacio do Quirinal,e fov dormir no do Vaticano.
A iç. houve consistório secreto , no qual S. Santidade propoz os dous Bispa
dos un dos de Ostia , e Veletri, annexos à dignidade de Deaó dos Cardeaes para o
Eminentiiîìmo Paolucci , que deixa vagas as de Porto , e Santa Ruffina. Propoz
lambem a de Larino para o Reverendo Padre Paulo Collea , a de Málaga , re
nunciada pelo Cardeal Alberoni , com a reserva de huma pensaó de i çU. cru
zados, para D. Diogo de Toro Villalobos, Cónego , e Vigário geral damel-
ma'Igreja de Málaga. A Igreja Archiépiscopal de las Chareas , cm I ndias dc Hef-
panha , para D. Luis Francisco Romero, Bilpo de Quito. A de Quito, Suffraga-
neade Lima , para D. Joaó Gomes de Neyva c Frias, Bispo de Popoyan ; esta pa
ra D. Joaó Francisco Gomes Callesa , Bispo de Canhagena , e a Igreja Episcopal
de Comajagua, ou Honduras, nas melmas índias, para o Reverendo Padre
Fr. Antonio Lopes de Guadalupe , Religioso dos Menores Observantes de S.
Francisco. O Cardeal Paolucci, depois de pedir ao Papa o seu Pallio pelas Igrejas
em que foy provido, propoz as Epifcopaes de Porto , e Santa Ruffina para o Car
deal Pignatelli ,quc as pertendeo, dimittindo a de Frascati , e esta para o Cardeal
Corsini, que a pertendeo, dimittindo o titulo Presbiteral de S. Pedro in Vincula,
que pertendeo o Cardeal Davia , renunciando o de S. Calixto , o qual pertendep
Marefofchi , renunciando o de S. Chrilbgono. O Cardeal Cienfuegos propoz a
Igreja de Nicopoli in partibus como Suffraganea de Passavia em Alemanha, pará
o Conde Francisco Luís de Lamberg. Naó le propoz a de Ugento,por haver che
gado a noticia de se achar quasi cego o Biípo eleito.
A 2 O. deu o Papa o Pallrom Episcopal das Igrejas de Ostia , e Velletri ao Car
deal Paolucci na Capella secreta do Palacio Vaticano , fazendolhe presente dos
tres alfinetes preciosos, com que se prega o dito Pallium.
A 2 ï . pela manháa cedo foy S. Santidade à Igreja da Minerva,, onde depois de
ouvir Mina sagrou o Altar da Capella de N. Senhora do Rosario , collocando nel-
la as Reliquias dos Santos Martyres Portuguezes Joaó , e Paulo , naturaes da Ci-
dade.de Bragança. Acabada esta função , foy ver a Livraria , e depois a cella , de
que se servia quando era Cardeal , e sem tomar mais que huma chicara de choco
late , se deteve ate a huma hora , em que partio a visitar as Basílicas Liberianà,
Lateranense , e S. Paulo por conta 'do Jubile o , havendo já visitado pela manhãa
a Vaticana. Neste dia partio o Cardeal Paolucci para Velletri , de cuja Cathédral
devia tomar hontem pofle.
A 2 2 . deu o Cardeal Pamphilio o Pallium Archiépiscopal , na sua Capella , as
sistido de hum Mestre de ceremonias da Pontifícia, ao lllustriflimo D. Luis Fran
cisco Romero , Arcebispo das Cliareas , por seu Procurador.
Hontem 2 que foy dia da festa de S. Clemente Par. a., e Martyr , foy S. San-
- " ' ".' ' cidade
tidaJe visit ar a sua Igreja , que he a Conventual dos Religiosos de S. Domingos
Hibernios , e aíli foy recebido pelo Cardeal Alexandre Albani } em lugar do Car
deal Camerjengo seu irmaó , que he o titular da mesma Igreja. O Cardeal Giudi
ce partio pela posta para Rignano , a esperar o Duque de Giovenazzo seu irmaó,
que vem de Madrid para tomar posse dos Estados , que tem no Reyno de Ná
poles.
Hoje houve Congregação de Ritos no Palacio Varicano , onde sepropoz a
causada Canonização do Beato Luiz Gonzaga , é se resolveo, que estavaó ap-
provados os seus milagres pelo Cardeal Capponi , e Auditores de Rota ; e que ió
íãltava proporá duvida , Sese podia proceder seguramente asua Car.onixacaõ ,e
estando o Cardeal Fabroni , Relator da caula , referindo as duvidas , que le Jhe oí-
fereciaõ , se esquentou tanto , querendo refutar as impugnaçoens de outros Car
deaes da mesma Congregação , que lhe sobreveyo hum defmayo, o qual se con-
verteo depois em hum accidente taó pezado , que até ao principio da noite esteve
taõ privado dos sentidos , que se lhe naó podia dar a absolvição , e íó tornou em
si depois de duas sangrias , e quatro cáusticos , que se lhe applicaraó ; porém os
Médicos dtsconfiaó da sua vida.
O Cardeal Ccnsuegos tomou posse de Protector do Reyno de Sicilia , (cujo
emprego se achava vago por morte do Cardeal Francisco Giudice ) na Igreja de
Santa Manha de Constantinopla ,da Naçaó Sicilíana. O Cardeal Sacripants sem
embargo de se achar em idade de 84. annos , comprou o Palacio Muti ,junto a S.
Marcello , que virá a ser de seus sobrinhos. O Cardeal Marini vendo-se apertado
pelo Papa 'para tomar Ordens Sacras , o que recusava fazer , com o pensamento
em casar , para dar successaó à sua Casa,pela naó haver tido atégora seu irmaó ; se
resolveo a tomallas , e para este effeito se retirou ao Noviciado dos Padrei da
Companhia, a fazer exercidos espirituaes. O Cardeal de Polignac recebeo hum
Expresíò da Corte de Pariz ; dizem, que com o aviso de o haver nomeado S.Mag.
Ehristianiffima para Arcebispo de Aux , Cabeça do Condado de Armagnac , na
Província de Gasconha. Este Cardeal foy na manháa de quarta feira pastada ao
locutório do Mosteiro de Santa Cecília, fallar com a Pnnceza Clementina Sobies-
Iti , a quem o Pertendente da Gráa Bretanha mandou tudo quanto era neeeflàrio,
para a lua subsistência , e serviço.
Faleceo o Abbade Scarlati , Ministro do Eleitor de Baviera , e fe lhe fizeraõ as
exéquias com grande pompa na Igreja de Santo Andre , onde se lhe deu sepul-
*ura no jazigo da sua Casa. .•• . r . :• /.I
O Papa escreveo pela sua própria maó aoEmperador, exhortarde-ora naó
consentir nunca, que se conceda 'em Polónia aos Protcstintes cousa alguma,
que possa ser prejudicial à Religião Catholica Romana. O Duque de Parma
tem mandado renovar as suas instancias ao Papa, sobre a restituição do Du
cado de Castro. Tem-sc já feito hnma Congregação sobre esta matéria ; mas
corre a voz, de que os Cardeaes se lhe oppoem ; e que antes tem proposto dar a es
te Principe hum equivalente em dinheiro. D. Felix Cornejo , Agente delRey de
Hespanha nesta Corte , teve ordem de S. Mag. Catholica , para comprar todas as
casas contíguas ao Palacio de Hespanha , e as fazer demolir , para que fique em
fórma de Ilha. Falia- se em fazer huma Congregação secreta, em que devem assis
tir os Cardeaes Tolomei , Fetra , Pipia , Coscia , e Davia , que o Papa mandou
*ir de Rimini expressamente para isso ; e que nella se haé de ponderar doze arti^
£OS;,que servirão de explicação à Bulia Unigénitas,.
Ttitnxa i o. de N&rcrr.bro.
GQueíe pode dizer do terremoto , em que se tem fallado tanto , he , que em
28. de Outubro se sentirão nesta Cidade alguns abalos ligeiros da terra , e que
a 2 p. à noite , havendo-le formado muitas nuvens negras no Orizonte , para a
parte do Levante , se ouvio bum estrondo semelhante ao de hum trovão , e se vio
de repente levantar , e abaixar o terreno com abalos taõ formidáveis , que naó só
cahiraó muitas Igrejas , e Palacios dentro na Gdade , mas ainda algumas milhas
distantes nesta circunferência , e se tem observado, que o mal foy muito mayor
nos montes, que nos valks. Na Cidade de Kiolo toy também grande o damno.
Em Fontana se fumergiraó vinte casas , em que entrarão a Paroquial, e o Colk-
gio dos Cónegos , sem sc ver signal algum conde forió. Em Santo Andre , que
naó fica distante , cahiraó tres Igrejas , e as calas do Cura. O Convento dos Reli
giosos Dominicos , e a Igreja Paroquial de Casola tiveraó a mesma sorte. Todop
campo se acha coberto de ruinas. Os moradores se tinhaó retirado das suas casas,
muitas das quaes abaladas com o terremoto cahiaõ para huma parte , e para a ou
tra , ao tempo que elles fugiaó. O rio Pó inundou muitas mil}ias nas campanhas
dos Ducados de Parma , Mantua , e Milaó , e particularmente nas de Ftrrarai cu
ja Cidade principal se houvera alagado , se se naó tivera a providencia de entu
lhar com terra as portas, e pastagens desta horrivcl inundação. Expoz-sc em to
das as Igrejas o Santissimo Sacramento , e sc mandarão fazerpreces publicas, pa
ra impetrar do Ceo algum remédio a esta calamidade.
• . Florenza 1 o. de Novembro.
E M ; . do corrente houve nesta Cidade huma grande tormenta ,e cahio huma
quantidade taó gpnde de chuva , que alguns dos- bairros baixos da Cidade es-
tiveraó inundados. Perto da noite se sentirão alguns abalos dc tremor de terra, que
durarão nove para dez minutos , mas naó causarão damno al^um. O mesmo sc
refere do território de Bolonha , onde se íentio o mesmo terrtmeto , porem em
Marradi , e nas suas visinhanças cahiraó mais de oitenta propriedades de caías. O
Graó Duque veyo aqui de Poggio Imperiale , para se achar em bum Conselho
extraordinário , e voltou depois para o mesmo sitio. A 4* dispoz S. A. Real de vá
rios governos , que se achaõ vagos , e deu o de Pitaya a Mons. A koviti , o de Cas
tro CaroaMons. de Ambra , o de Lucigniano aMons.Bonti, ode Prevê aMons.
Morelli , o de Poppi a Mons.de Berignard , e o de Barga a Mons. Forti. O Con
de de WatzdorfF, Ministro de Polónia, naó podendo conseguir nesta Corte as
suas commistoens , determina partir quarta feira próxima , pai a voltar a Dresda,
fazendo caminho por Parma. O Ministro da Republica de Luca foy continuado
por tres annos nesta residência. Por hú navio Fraficez, chegado de Tunes a Lcor-
ne ,com doze dias de viagem , se confirma a noticia da tregoa concluída entreo
Emperador , c o Bey daquella Regência ,som a circunstancia, de que se promet-
tia a sua rstificaçaõ dentro de 115. dias. O Ministro da Gráa Bretanha se acha
muy inquieto , com o cuidado de descobrir se era alguma das bahias , e portosda
costa de Toscana , se fazalgum movirnento em serviço do Pertendentev . .
Genorva i5. de Nmembrtfj .. .... , . ...
T_T Ontem sahio deste porto hum navio de guerra da Religião de Malta,^que.íi-
* nha entrado nelle a 12.) depois de haver embarcado os rendimentos das
Commend;is,qnea dira Ordem tem em Alemanha, e Italia.Estenavio hedo nu
mero dos que toruáraõaos Argelinos hum a charrua , que ellestíchaóaprezado
sobre a barra de Lisboa. Fazem-se preces publicas com o Santiffima Sacramento'
cx^ostc»
exposto , para pedir a suspensaó das e*tessivas chuvas, que tem havido, e feito
grandes damnos , assim nestas vifinhanças , como em huma , e outra ribeira. Pe
sos Patroens de duas saluas Genovezas , que vokáraó de Ceuta , e Marselha , se
tem a noticia , que no porto de Toulon , onde surgirão , se proseguia o apresto de
cinco naos de guerra,sem sc dizer o para que se deltinavaó. A eleiçaõ do novo Do- -
ge desta Republica se tem retardado até o fim da semana próxima, em razaó dos
extraordinários negócios com que se acha occupado o Senado. Por hum Capitão
Inglcz chegada de Tunes , se tem a noticia de se acharem actualmente a corso
trinta embarcaçoens daquclle porto entre galeotas , e brigantins ; além de huma
nao de guerra de 5 00. homens de equipagem , e que estava para se fazer à vela
outra , e huma barca bem armada^, lem porém haverem mandado preza alguma.
. . Milão 7. de Novembro.
/"\ Conde de Colloredo , nosso Governador , tem recebido ordens reiteradas de
^-^ partir para a Corte de Vienna, e dizem que partirá a 1 o. e que a Condessa sua
mulher, e leus filhos devem partir primeiro. Achaósejá aqui as equipagens, e cria
dos do Conde de Thaun , que se espera brevemente do Paiz Baixo. O General
Colmenero,Castellaó da Fortaleza, voltou de Lago Magiore. D. Marcos Marigno-
ne tomou posse do cargo de Graó Chancelier deste Estado por Patente , que che
gou da Corte de Vienna. O Principe de Ccllamare , novamente Duque de Gio-
venazzo , passou por aqui vindo de Turin , e tomou o caminho de Parma para ir
a Roma , e dalli a Nápoles. Escrevesc de Bolonha acharse naquella mesma Cidade
0 Coronel Carlos Manoel Besser, Esguizaro de Naçaó , fazendo reclutas para cin
co batalhoens , que le devem compor de 800. homens cada hum.
Vennç ij.de Novembro.
A Grande multidão de continuas chuvas , que linhaó incommodado desde o
mezdc Outubro as terras desta Republica , fazendo encher os rios , inundar
as terras , e dilatar os Correyos , com grande estrago dos campos, damno dos ga
dos , e prejuízo d o commercio , cessou , depois que a devoção dos Fieis fez huma
1 Prociflaó de preces , e expoz na Igreja Ducal de S. Marcos a milagrosa Imagem
da Virgem N. Senhora , pintada por S. Lucas , restituindo-se a este Paiz a screnir
dade dclejada. O Pó rompeo os marachoens da parte do Ducado de Eerrara^obrir-
gando os habitantesa estar de dia , e de noite em guarda délies. O Adige os rom
peo em sete partes junto aFigara , e Cavarzere , alagando hum grande espaço de
iJaiz. O mesmo fizeraó os rios Trafino , e Brenta.
Falla-fe em se lazer hu m Conselho extraordinário de guerra brevemente , em
que deveassistir o General Conde de Schuylemburgo , e confukarem-ie negócios
de grande importância. O Agente da Rússia tem mandado partir daqui para.o leu
Paiz muitos fabricantes de estofos de feda , e láa, e tem ordem para se ajustar com
famílias , cujas cabeças tenhaó engenho , e experiências para estabelecer manufa
cturas em Petrisburgo,e nas Villas mais principaes daquelle Império. O Princi
pe herdeiro de Modena chegou aqui a 6. de Borgoforte, com a Princeza sua nvj-
Iher. Trabalha-se no Arsenal na fabrica de i8.naos novas de guerra , queeltap
nos estaleiros. Terça feira partio para Dalmácia huma embarcação, que leva di
nheiro para as oceurrencias publicas ^Aquella Província. Na quarta reiraànoitc
partio outra para Levante , também com dinheiro , para pagamento da Armada,
«Fortalezas, ena mesma tarde se despachou hum Correyo com cartas para o
Bailio desta Republica , que assiste em Constantinopla, e com outras de vários ho
mens de negocio Venezianos para os seus correspondentes. yi-16 .
íe h) ' ALEMA
ALEMANHA.
Vitma. 24. de Ntrvembro, >
f~\ Emperador depois de haver aílìstido a 1 6. em 1mm G)nselho de Estado, deu
^-'audiência a muitas pessoas de différentes graduaçoens. A lo. dia de Santa
Isabel, Rainha de Hungria, se festejou o nome da Senhora Emperatriz reinante,
com grande magnificência. Feia manháa aslùtiraó Suas Magestades Imperiaesna
sua Capella ; e de noite houve huma grande Serenata de instrumentos. No dia se
guinte se divertirão nacaçi dos javalis , c hontem alfistio o Emperador em outro
Conselho de Estado. A Senhora Emperatriz viuva lerecolheono Mosteiro das
Religiosas de S. Francisco de Sales , de q íoy Fundadora , para alli residir algum
tempo. Chegou hum Expresso de Roma com a resolução , que se tomou em tres
Congregaçoens , que se fizeraó naquella Curia sobre o negocio de Thorn ; e se as-
legura , que Sua Santidade osfei ece mandar grossas sommas de dinheiro a Poló
nia , p.*ra se defender , no ca!ò que os Protestantes a queiraõ obrigar por meyo da
guerra a concederlhes a liberdade , que pertendem para os da sua seita. Tam! em
se assegura , que Sua Mag. Imp. mandou ordem ao Cardeal Cienfuegos, para naó
respondar a nenhuma das propostas do Papa , até naó chegar o Conde de TnauríJ
que" irá provido de instrucçoens mais amplas da intenç-aó de Sua Mag. Imp. so
bre todos os pontos , em que confitìe a differença , que ha entre as duas Cortes.
Fallase da accessaó delRey de Sardenha ao ultimo Tratado , concluido em Vien-
na ; e que EIRey de Hdpanha consente que o dito Rey possa ficar conservando
o dito Reyno de Sardenha , com o mesmo titulo , e direito, com que foy estabele
cido no de Sicilia pelo Tratado de Utreque.
Escrevese de Petrisburgo, que havendo Mons. Holtzhoffer, Secretario da Em
baixada Imperial naqu *l!a Corte , notificado a Czarina , que o Conde de Rabut-
tin estava nomeado para ir por Embaixador do Emperador à sua Corte , o que
faria brevemente , por se achar já em caminho huma parte da sua equipagem , e
comitiva; aquella Princcza mandara logo ordem ao Principe de Repnin,Go verna-
cor de Riga , para fazer todos os gastos , que fossem necessários aos criados do di
to Conde na sua passagem por Kurlandia, e Livonia ; e que ao Conde se lhe fizes
sem todas as honras correspondentes ao seu caracter. Este Conde nos Conselhos
de Estado , que ultimamente se fizeraó , se retolveo , q ue partisse dentro de quinze
dias i e se estió acabando as instrucçoens para a sua Embaixada, ,
Corre a vóz , de que o Conde Estevão de Kinski , Ministro Plenipotenciário,
que soy de S. Mag. Imp. em Petrisburgo, irájpor Embaixador a França , e que o
Baraó de Benrenrieder » que alli se acha , passará a Londres ,e o Conde de Star-
remberg a Berlin. Os Ministros de França , Gráa Bretanha, e PruflTa , tem pedi
do a S. Mag. Imp. da parte de seus amos , queira alcançar aos Protestantes a satis
fação, que lhes tem promettido , como grande Regente do Império, e tomar
nesta matéria a devida resolução. A 1 o. se fez huma conferencia sobre este pon
to, depois da qual (e despacharaó dous Expressos, hum para Hannover , outro
'-para. Varsóvia , pedindose a EIRey Augusto quizesse apressar a ÇQnyocaçaó da
Dieta. O Tratado de Hannover parece,que dá agora menos cuidado a esta Cortç,
do que duas , ou tres semanas antes. O Embaixador de Veneza fará a sua, entrada
'publica a 8. ou 1 o. do mez que vem. O Abbide.Principe de Fuldia faz aqui huma
_grande figura. O Baraó de Fin , foy nomeado Graó Bailio, de Tjrjeftçw Asilgurafe,.
que o General Conde de Bonneval alcançará breveqrai£c 3 sija itbirr^ijfc: ~

FRAN
ì6
F R A N Ç A. Pari^io.deDe^mbro.
SUas Magestades Christianillìmas chegaraó de Petit-Burgo a Versalhes no pri-
tneiro do corrente, peJas nove horas da noite, e no dia seguinte > que soy o pri-
meiro Domingo do Advento , ouviraó Miísa , eSermaó na Capella daquelle Pa-
lacio. O Principe de Kurakin , Embaixador extraordinario da Ruífia , teve au-
diencia particular deJRey a quatre. S. Mag. arcendendo aos grandes serviços , q o
Cavalleiro Bernard tem ícito a esta Coroa , lhe fez mercé do tirulo de Conde, eri-
eindo em Condado huma terra sua chamada Coubert. Horacio WalpoJe , Em
baixador delRey da Gráa Bretanha , recebeo emz(). domez pafiado humEx-
presso de Madrid , donde sahio em i <j. do dito mez , despachado por Mons. Sta-
nhope, Embaixador de S.Mag. Britannica naquella Corte, com a résulta das con
férencias , que teve no Escorial com os Ministres delRey Catholico , e Mons,
Walpole expedio logo para Hannover osdespachos, que recebeo.
H E S P A N H A. Madrid 25. de Deiçmbro.
jO Om a occafiaó de haver Sua Mag. entrado quarta feira nos 4 3 . annos da sua
idade , concorreo toda a Corte a beijarlhe a maó vestida de gala. No dia de
S.Thorac, no quarto Domingo do Advento, e hontem à noi te alRltìraó Suas Ma-
festades , e Altezas na sua Real Capella,com affistencia de todosos Grandes ,e dos
linistros estrangeit os. Dom ingo se cobrio por Grande de Hespanha , com o ti-
tulo de Duque de Avion, o Marquez de Valero, sendo feu padrinho o Duque de
Bejar ; e hontem o Conde de Oropeza , sendo feu padrinhu o Marquez de Liche,
affistindo a ambos estes actos toda a Grandeza. A 1 8. fez a sua entrada publica
nesta Corte com grande luzimento , e teve a fuà primeira audiencia delRey , D.
Agostínho Grimaldi, EnviadodaRepublicadeGenova. A 2 t. faleceo com idade
d e 44. annos o Conde de Salvaterra , Brigadeiro nos Exercitos de S. Mag.
PORTUGAL. Lisboa 10. de Janeiro.
Tf LRey noflò Senhor, que Deos gua: de, foy no primeiro dia deste anno à Con-
gregaçaó dos Padresdo Oratorio, eao Noviciado dosPadresda Compa-
nhia , aífistir aos exercicios espirituaes , que neste tempo cestumaó fazer. Quinta
feira 3 . do corrente fez a Academia Rcal a sua Conférencia , e foy a primeira do
feu sexto anno : deu principio a ella com huma Oraçaó muy erudita o Conde da
Ericeira , que era o Director do dia. O Padre D. Manoel do Tojal e Sylva , Cle-
rigo Regular da Di vina Providencia , recitou hum Elogio muito élégante das vir-
tudes,e merecimentos do Padre Fr. Bernardo de Castellobranco , Abbade gérai
da Ordem Cisterciertle neste Reyno , Efmoler mór de Sua Mag. e Chronista mór
deste Reyno , de que o haviaó encarregado os Directores ; e no íugar deste defun-
to Academico, se elegeo para eferever as memorias dos Scnhores Reys D. Pedro
I. e D. Fernando, a D. Francisco de Sousa, Capitaó da Guarda Alemáa de S.Mag,
q'foy servido approvar esta eleíçaó, dandofelhe conta délia na fórma costumuda.
" " -Nó Hofokal Real de Todos os Saritos entraraó no anno pafiado 76 ç. crianças
expostás , das quaes, e d e p 1 ^ . com que a Mesa dos Santos Innocentes estava cor-
rendo, faziàó o numero de 1 67 8. Faleceraó 40 5. e se fica correndo com a criaçaó
de 127?.
Ao Almirante D. Luis Innocencio de Castro nafceo quarta fîíha.
r Entrou decorreracostaanaode guerranofía Senhora das Ondas, de que h*
'Capitaó de mar , e'guerra Joaó Willemse t? Hooft. • •. "^-i.. . ' .
Na Officina de fO S Ë P H" A NTOVTO D A ~S \r L V A.
Com todas as licer^as necejjarias.
Quinta seira 17. de Janeiro de
.." f. <J s}
" r Constantinopla 3. de Novembro, rt / 1 ■/ - .t. >:J í

gg^vg^aP ©DAS as semanas chegaó noticias de novos progrestos das


fflÍ$ÍSiÊÊtt armas. Ottomanas , n 3 Reyno- da Pérsia. O Baxá de Baby lo •
f&f^p^\^P. "diíférideo por capitulação a Cidade dc Qrestan ; depois que
Î llifcwil os scusliabitantes expulsarão delia ao Governador Aly-Mey-
iffiH dan , que persistia em naó querer entregarse aos Turcos ; ra-
zendolhes os exemplos receyar iguaes estragos, aos que ex
perimentarão jà este anno outras povoaçoens , que obstina
das na sua constância foraó levadas por asíalto. Toda a Pro
víncia , de que esta Praça he Cabeça , se sobmereo logo inteiramente à obediên
cia do vencedor ; o qual depoisdesta conquista marchou para Hifpahan , haven*
do primeiro feito huma contrarmrchí para Baisorá , a fim de encobrir aos Persas
o seu designio. Occupou todas as pastagens por onde se podia entrar para aquel-
la Capital ; e como Miri-Esref, Cabeça dos Rebeldes, se aoha só com hum cor
po de 10U. homens de tropas pagas , se entende , que naó quererá emprender a
sua defensa , principalmente achahdose todos os seus moradores divididos em fac-
çoens , nemaventurarse a hum combate com taó pouca gente.
Abdallah -Baxá ^Commandante de outro Exercito , obrigou também a ren-
derse por capitulação a Cidade de Ardevilla , que os naturaes chamaõ Erdebif,
e he huma das principaes da Pérsia, situada na Província de Servan, vinte legoas
diíb.nte do mar Caspio , com 6o.lugares no seu território, e já taó celebre nos Sé
culos antigos , que o grande Alexandre teve nella algum tempo a sua Corte.
Mustapha Baxá , que manda hum terceiro Exercito , com o posto de Seras-
k:er , tem tomado também varias Praças entre as Províncias de Schirvan , e Ghi!-
lan. Na Geórgia ganhou por assalto ò Governador de Erzerum , naó a Cidade
C d'
de Clicnse , como se publícou , mas a de Cïa ngea , que he muy coníideravel pclo
feu commercîo, epela suasituaçaó. Confirmase pelo ultimo Correyo , que se
recebeo da Persia, a noticia, de que avançandose o Sophi Thamas com o feu Ex-
erciro para Hilpahan , na efperança de fer recebido pelo Povo , e poder occupar
o Throno de feus avós , o viera busear ao caminho o Principe Efreff de KanJa-
har , fuccessor do Rebelde Miri Mahamoutb , que apprefentandolhe bataiha , e
alcançando hurm complcta vitoria das suas tropes, o obrigara a retirarse com •
precipirada f-jgida às monisnhas , por naó cahir nas máos dtite perfido usurpador
da'fuaCoroà. Estes fucceííostaó favoraveis a esta Corte,dao efperanças ao Suí^
taó de reduzir a Persia à sua obediencia. O Graó Vizir mandou hum excellente
cavallo , e hum forro de pelles preciofas a BackBack Kykuli , hum dos mayores
Senhores Persianos , o quai se entende > que o Sultaó nomeará por feu Vizir , na-
quelle Reyno , ficando fenhor délie , ou por Sophi , com suboidinacnó a Tur-
ouia , r.o casa que os Estados queiraô Principe nacional, O Governador Ptrsiano
di Provincia de Kuradac jdeu obediencia a S. A. Ottomana rias máos de hum
dos quatro Serasfrieres , e ficou conservado no feu poílo. Em 2 5. do mez passade*
pegou o fogo no Palacio do Embaixador da Gráa Bretanha , eo rtduzio to^'o à
cinzas. Este Ministro queria pafsar logo para outro , em que habitou o Conué de
Colliers , Embaixador de Hollanda , mas a Naçaó Holkndcza o naó conkruiòj
por se estar esperando a toda a hora outro novo Embaixador daquella Republica.
R U S S 1 A.
Petrisburgo 2 8. de Ntrvtmbro.
T) Or hum novo Decreto da nossa Emperatriz fica defendido o darselhe petiçaô
algyma sobre negocios liúgiofos , se naó depais de se haverem decidido nos
Tribunaes particulares da primeira initancia. Publicou-fe ffmbtm outro da met-
ma Senhora nesta Cidade , nàde Narva,Revel, Riga.j ç outros poriosdoku
Dommio , pelo quai S. Mag. Imp. ordena , que os Mt^residos navioi , que dél
ies fìzerem véla para Lubeck , e os passageiros > que se embarcarem nos ("eus nat
vios , naó feraó visitados pelas Alfandegas Rumanas , porém com a condicaójqi; e
os Mtstres quando partirem , faraó huma declaraçaó debaixo de juramento , ua
importancia das suas carregaçoens , e que os passageiros vaó provtdos dos Passa-
portes necelîàrios. TemSua Mag. mandado Ofliciaes Generaes a varias Provin-
cias visitar os Armazens , e paffar mostra às tropas , que nellas estaó aqiicirtcladas,
e tem tomado a refoluçaó de formar huma Companhia de. 3 co. fpldadps nobres,
que se empregaráó no serviço da artelharia. Dizem , quetambem tomou a de
emprender neste anno proximo a pefca das Baleas , e que por sua ordem fe tra-
fcalha em varios portos , nas preparaçoens neccssàrias para esta pefearia. .
O Graó Duque de Moscó via , que a 2 ?, . do mez passado entrou nos onze an-
nos da fuaidade jcontiníia a se exercitar seis horas cada dia no estudo daslinguas,%
e em varias artes ; e os progressos, que faz na sua applicaçaó, daó cada dia mayories
efperanças aos Povos de virem a Iograr nelle hum grande Monarca. Todos osdias
se fazem no Paço Conselhos fecretos>fem fe poderem penetrar as refoluçoeris
quenelles se tomaó, porém corre a vozde que fe trabalhaem ajustarasdifTeren-
ças,que ha entre esta Corte ,e aRepublica de Polonia , efe diz,que o Conde de
Flemming vira brevemente aqui para seconcluir com. elle este imporUntiíïïrno
flegocro. Tambem se espéra o Conde de Rabuttin , Embaixador <J© Emperador
dos Romanos. A Emperatriz naó nomeou ainda o Embaixador, que ha de man-
«forà Corte de Vienna a mas se entende , que honrará cpm este emprego ao &h e»
mais
•9
ìmis velho do Conde de Gollofskin , Graó Chancelier deste Imperio , par havcr
sido |á empregado em muitas negociaçoens cm varias Cortes do Imper» , e oui
particular na delRçy de Prulfia. A aliança entre esta , e a de Vienna naó eltá ain-
da conciuida , mas as negociaçoens se continuaó (em quantotiaó chegaó«ï£»i-,
baixadores) com Mons. Haltzholtzer , Secretario da Embaixada de AlenwBh*,
que emregou hum délies dias à Emperatriz humacarta do Empiradorieu amq,;
cujonomc festejòunodia de S. Carlos , corn hum grande banqueté , a guettant* >
oonvidadosnaó ió os Ministros eítrangciros , e muitos Scnadores , mas omei'me
Duque de Holsácia.
fazem-se varios aprestos de guerra por terra , e por mar. Exercitaô-setodos
os dias os Regimentos , que ie achaó ncíía Cidade , e feus redores. Espérante aqiw
a toda a hora o General Hallard , chainado porordem da Cortc. O Ainurantado
procura augmenwra gente maritimaaté 10U. homens, acerefeemando ço. a
cada huma das Companhias , que atégora eraó de J CO. marinheiros. Dizem,que
se expediraó ordens a Moscow, para dalli se mandarem i oo. artilheiros , e hun»
consideravel reforço de tropas para Astrakan. i
Agora ha poucos diaschegou hum ExprelTo da nova Fortaleza de Santa Cruz»
defpachado pelo Tenente General Matouschkin,em i si. de Outubro , com a no»
ticia , de que havendo neste mesmo dia deflacado por ordem de Sua Mag. Imp.
hum corpo de 1 5U. homens de tropas pagas , com sutras de milicias , à ordem
dos Generaes de batalha Kropotofr , e Schcremetoff para irem pelejar com os
Tartaros de Daghastan, que juntos com varios Principes das Montanhas viíìnbasj
se armaraó para insultar os vassallos da Coroa Kulfiana. Estes Generaes os bulca-
raójlhes deraô batalha , e alcançaraó huma tai vitoria , que ioraó os inimigos
obrigadoï a fugir para as Montanhas , com a perda de hum dettes Principes , d*
quatro dos feus Generaes , e de si 74. homens , que fìcaraó mortos no campo 1 o.
prifioneiros , 41 . cavallos , 3. peças de artelharia de bronze , e duas de terro , e
de huma grande quantidade demuniçoens. A noíïa perda , fegundo os melmos
avisos j naó passoude iço. homens, e depois da bata)ha,aproveitando-ie a nossâ
gente da conjuntura, entrou ha Cidade deTárku , e a saqueou , e a 20. lugareS
da fuà dependençia , em que se comprehendiaó 5:640. casas jdestruindo 400.
moinhos jsete barcas , e rebsnhando hum grande numero de cavallos , e de gado.
Este bom fuçcesio soy muy festejado na Corte ; e a Emperatriz soy honttm com
todo o feu estado aífistirna Igreja da Santiífima Trindadc , ao Te Deum, que em
ácçaó de graças , mandoa cantar folemnemente. < »•■>•'•» -1 •.,:r"vm:i '."vïJ <Çf
■ -V ' •' rOLGNlA • .r.«>, r.m ... •
.', Leopoldia 18. de Nrvembro.- '■ '"'^}\ S1'
Ï5 Qr aviso do Commandante Supremo das Tropas , que estaó na Ukrania , se
' .terri o ávisojde haver huma grande divisaó nas Provincias sogeitas ao Imperie
'"itoniano ; e qúepérto de oitenta Myrfas principaes (que he o m esmo, que Prih-

niais moyo do dito Kan, e que ajùnrando alli hum numeroso Exercito , compos
ite Çfrcáflìarfòs , de Tartaros dá Tjtrtária grande, e do'Grande'Bahay , com
hitrh grande nurriçro de K^rmìltos , edeKtísàkos de Zaparow j se jpuzeraô-era
nìarcBapira-Kaffaycom ò-dcsigmo'de<^fWlsar ao dite>T^^Krk»eo,jeomao»-
'■*' ' dos
40
do; os Turcos ^ que forem da sua parcialidade 5 porérn esta no ticia carece de con-
firmaçaó. . ..
Vdrstmia. 28. de Ntrvembro.
OMinistro delRey de Prulîia recebeo hontern hum Expresso da sua Corte , e
corre a voz , que teve ordem de Sua Mag. Pruífiana , para pedir huma repos-
sta positiva sobre se se ha de fazer , ou naó a Dieta gérai do Reyno. As cartas cir-
culares , que EIRey mandou aos Senadores, e Grandes do Reyno, indicaó a aber-
tura das conférencias preliminares da Dieta gérai para 1 5. de Janeiro proximo,
sem dispensar nenhum de vir aífistir a ellas , senaó no caso de huma doença peri-
gosà. O Conde de Pocey , Graó General de Lithuania , que aqui se açha , pro
mette de affistir nellas, e o mesmo se escreve de Leopoldia.j que détermina fazer,
0 Conde Sieniawskí , Graó General do Exercito da Coroa. Os Castelloens de Lu-
blin , c de Perzamist saó falecidos.
Falla-se em huma aliança entre este Reyno , o Emperador de AJemanha , ea
Czarina deMoscovia,e se diz,queo Conde de Flemming se prépara para ira
Petrisburgo , com huma commissaó muito importante, ainda ,que outros dizem
que ira a Vienna , e que a Petrisburgo passará p Cpndé de.ManreufFel. O. Minis-
tro da Ruflìa recebeo tambem hontem hum Exprelìb , e porelle dizemfeteve
aviso , que o Sultaó dos Turcos esta resoluto a declarar a guerra a huma certa pon
tencia Chrifláa , para cuja disposiçaó tem mandado convocar o Divan , que se ha
de ajuntar no mezde Dezembro proximo.
r Em quanto n \ô chegao tempo dasconferencias,se vay EIRey divejrtindo todos
os dias com Cqmedias. A 1 9. se çelebrou no Paçq o norrie.da Emperatriz rcynan-
te com extraordinaria noagnifkencia , e houve hum baile , que durou tpda a noi-,
te. A 2 o. representaraó os Comediantesde S. Mag. huma Comedia nova. Prépa
ra-fie o quarto em que EIRey ha de affistir neste Inverno,e a grande Sala, em que
se hàó de ajuntar as mascaras do Carnaval. Os ultimos avisos, que se receberaó
de Zolkiow dizerri) » haver ypltado .alli de Silezia o Principe Constantino Sobicskí
comtodaa sua familia, , e.que fqr^.recebidodos feus vaisallos comtodas asde-
jnonstraçoefíS^.que lhes,pode infpjrar a alegriaidg,© vprem, depois de huma au-
Jsencia tam djlafada, e que alli- détermina esperar oXiraó General da Coroa3quan-
do paflar para esta Cprte. , . > • •■
.. .. . S U E C I A.
1 w -, ..• , . ó'.i -, v o . , 2 1 • de Ntmernbrp, ,
'Ë LRey tem examinado , e approyado a -planta das tortificacoens novas , que
tem mandado fazer em Abbp 3 e Jdelíìngfor j> pela direeçao do' Conde de Sta-
kelberg , Tcnente General dos lèus Ex^r,citos ^ç'Governador General do Ducado
(de Fiftlandia" , e mándpuJazer consignaçoens para satisfaçaó de 6cU. escudos,
que importa a despeza extraordinaria desta pbra.O Conde de Telíìn, cjue por
<>r4cm de S. Mag. ,yay affistjr-ga Çprte dpjE/n,r^dpr,, cqmocaracterde Envia-
4o< extr'aprdinarjq i-p^rfipA .1 5,. go ïfa(rfef}te:p^ja ÀleroanhV, è á Rainhalhe^
jfiwdeúdar- htrrp, s^y^^pjfi^pi^e^xeladeflrata^para se servir et» quanto aljj,
durera -sua aiTìstency, ^Q^^jW^icOjdo'F^dr^ju^hal-Conde de'Sparre , que
Êcpmpaoha este ^iristrp aié yienn^passara^depoi^ a ver Italia. O Conde de Gol-*
Jowin, IVIipistrp da . Emperatj-i^; da Ejuífia , ^ui.i 7, hum magnifico banqueté^
yBîqiieeprtt^PftPÊrS^
.d&.Gxáa Ârjetapha, %p |îaiç»by%,;^çf^.jBap Igycfe.rn .Tjustado.ain^a as difreren-
rio de Estsdo,deu também homem outrò banquete aos Senadores , e Ministros
estrangeiros, mas o Conde de Gollou jn sc excusou de ir a elle, com o pretexto dc
íe achar indisposto. O Embaixador de França deu hum memorial a Sua Mag.
sobre a esperança, que tinha EIRey seu amo de que este Keyno entre nas mesmas
medidas , que ïe tomarão no Tratado , concluído ultimamente cm Hannover , e
outro sobre os subsídios atrazados , que a Coi 01 deve a El Rey Stanislao , que im-
portaó em 1 8oU. libras, porém sobre o primeiro se Jhe deu huma reposta muy
equivoca , e sobre o segundo a naô teve ainda.
DINAMARCA.
Copehhagken 28. de Novembro. . ' ■
Ontinua-se a trabalhar com toda a diligencia poífivel nas novas obras da sor-
tifícaçaó do Castello desta Cidade. EIRey se acha já melhor do defluxo, que
Jhe cahio no peito. A Rainha está ainda de cama em Fredericksburgo. O Princi
pe Real se eípera a 5. nesta Cidade , para nella passar o Inverno. Hoje se feskjaó
os seus annos em Fredericksburgo ; onde a 3 0. se ham de festejar também os da
Princeza sua mulher. A revista das tropas se tem descrido até nova ordem , e se
entende, que se naó fará este anno. O Conde de Freitagt, Ministro Plenipoten
ciário do Emperador , aos Principes da Saxonia Inferior , se espera aqui esta sei-
mana de Hamburgo, e entende-se, que se naó deterá muito nesta Cidade , porque
a mayor parte das luas equipagens , que tinhaó vindo diante , paniraó já para
Stockholm.
ALEMANHA.
Hamio-xer 14. de Dezembro.
LRey da Gráa Bretanha depois, que voltou dc Gohre , faz todas as manháas
Conselho no leu cabinete , por espaço de duas horas, no qual alíìstem regu
larmente 0Visc0r.de de Townshend , Secretario de Estado , o Conselheiro prij-
vado Bernsdorff , hum Secretario do cabinete Inglez , e outro Alcmaó , edepois
vay o Visconde conferir com os Ministros estrangeiros. O Marquez de Pozo-
bueno , Embaixador de Hefpanha , determina partir desta Cidade para Inglaterra
dentro de tres dias. O Marquez de Coartance , Enviado extraordinário deJKey de
Sardenha , teve audiência de despedida de S. Mag. c partio hontem para Turin. A
3 o. do mez pasiâdo chegou de Vienna hum Expreslb , que S. Mag. tinha despa
chado à Corte Imperial , pedindo ao Emperador a noticia do que contém o Tra
tado feito entre S. Mag. lmp. e a Emperatriz da Rullìa , e allim como chegou se
fez logo hum Conselho de Estado , e sc tornou a expedir na mesma noite. Corre
a voz de que EIRey de Sardenha , e o Grao Duque de Toscana entrarão no Tra
tado de aliança, concluído em Herrenhausen , mas que naó ha esperanças de que
façaõo mesmo as Coroas de Suécia, e Dinamarca. Aqui sc acha ainda hum
Cavalheiro Polaco , mandado por EIRey Augusto , a pedir a S. Mag. Britânica
mande retirar de Varsovja a Mons. Finch, seu Enviado, porque os Senadores naq
querem concorrer às Conferencias , a que estaó convocados , sem que elle se retir
re. Também se acha Mons. de SeckendOrff, General nas tropas tio Emperador,
que aqui veyo de Cassei , em companhia do General Diemer , Ministro do Land
grave de Ha$a Cassei , . S| • :-",-.r- VI/ \
O Intendente da Casa da Correição de Zel trouxe a esta Cidade humçipae
que se s*ppoem .ser de idade de. 15. annos , o qual foy'aclìado' junto a Hamtjtn,
que dista 28. milhasdista òdade , dentro dç lijim hetsque jsndajbtre máoí,é
pés , falta de arvore em arvore , cçmo hian Lpgíó ,' come h^ryasyerimjjgo-$s arr
14
Havendo S. Mag. tido por conveniente ao seu Rea! serviço , arrematar a quem
mayor lanço der, as tres rendas geraes de todos os seus Reynos , desde o primeiro
do mez de Fevereiro deste presente anno de 1726". se passarão as ordens necessá
rias para se porem em lanços.
Em 2 8. do mez paíTàdo faleceo nesta Corte,em idade de 5- 5. annos,o Conde de
Miranda, Duque de Penharanda , e Grande de Hespanha.
PORTUGAL. Lisboa 1 7. de Janeiro.
A Rainha nossa Senhora visitou quinta feira passada com o Principe nosso Se
nhor , e as Senhoras Infernes D. Maria , e D. Francisca a Igreja dos Religio
sos Paulistas , que celebravaõ solemnemente a festa do seu glorioso Fundador S.
Paulo primeiro Eremita.
Por cartas da Cidade de Faro se tem a noticia , de que attendendo o Senhor
Cardeal Pereira , Bispo do Algarve, aos rogos dos moradores daquelle Reyno , c
n grande devoção com que escolherão por sua Protectora a gloriosa Virgem , e
Martyr Santa Barbara ,ítedicando!he huma Capella particular , com magnifico,
c especial culto, para se livrarem dos terremotos , e tempestades , quepadeciao
(cujas calamidades naó experimentarão mais) lhes concedeo, que rolle o <dia da
mesma Santa de guarda na dita Cidade , e seus subúrbios , e que neste anno , que
ultimamente acabou, se celebrara a sua festa muy solemnemente precedida de
huma devota Novena , que ordenou , e fez imprimir hum Religiolo da Compa
nhia de Jesus , seu devoto. • ' '\ . Tl
Desde o primeiro de Janeiro do anno passado de 1725s- até o ultimo dia de
Dezembro do dito anno, entrarão no porto desta Cidade de Lisboa 351. navios
Inglezes , entrando neste numero 2 5. Paquebotes , e algumas naos de guéírav 66.
-Hollandezes, entrando no mesmo numero nove naos de guerra. 57. Francezes*
1 9. Hamburguezes , 1 y. Suecos, 8.Dinamarquezes, 3 . Russianos , 1 3. ferias
Helpanholas , 4. Tartanas Genovezas , e huma Veneziana , e 1 3 9. Portuguezes,
sem contar os de guerra, que fazem por todas 717. velas, além das menores
do commercio interior do Reyno.
r Em 2 8. de Dezembro passedo dia dos Santos Innocentes pario nesta Cidade,
no bairro das Olarias, Anna da Rosa, mulher de Joaõ Alvares, Marinheiro, hum
menino , e duas meninas , todos bem nutridos, e viventes , qaeforaó bautizados
com os nomes de M.moel , Maria , e Antonia ; porém poucos dias depois salece-
'raô duas crianças ; e naó ha muito tempo , que no bairro do Mocambo .desta Ci
dade succedeo outro parto semelhante ; porém naó com taó bom iucceslo, por
que faleceo juntamente a máy com os filhos. '
Sabio a lu\ hum livro em quarto intitulado: Instrucçaó de Ordhundos , na
qualse instruem naõ só os Ordinandos no que devem sabersi)bre cada hum das Or
dens, mas os Cmfcffores , e Prégadores nas matérias de quecofvtmaoser exami-
-tiados-,n'ie comporem Italiano , o Padre Fr. Francisco Maria Campione ; tradOr
jfO cm Português , e accrescentoit com hum Mcthodo para aprenderfacilmente as
Mubricas dá Missa, o Padre Antonio dos Rcys , da Congregação do Oratorio. Ven-
de-se na Portaria da mesma Congregação. ,
vr pecasa de Guilherme Pearson ,al\ Remolares ,voon bum papagayo, cor parda,
cornadas encarnadas, que falia lngle\, e algum Portugue\: a quem aernott-
..ciasdellese daraõ boas alviçaras. __. ■ • ' ' -,
- ~~ SÛO£ncinT^7j"0 S EFH~A N T O \TJO D À S Y L V A.
-. . . : : '. Com todas as licenças nccejjarias.
Num.4»

GAZETA

T.:

DE LISBOA OCCIDENTAL.
'•V. -ï

ComPrivilcgio dcS.,Magcftadci

■!'. ! t" J. j'.y. .>

Quinta fcira 24. de Jahdçodc i7*4» ,l ,

, .1, <T U RiiQîUrL- ^;::Lài;V i- ,r>'.bob.


Conftantinopla -{Jk No*vembr9.' :, r:. !. on ; f ,1
HEGOU a esta Cartehaveré tres , ou quatro días hum
Aga de Argel , eom huma commissaó do Bey , e Regencia
daquella Cidade , para déclarât ao.SuJtaó , que, estftó prpmp-
'os a concluir humatregoa com oEinperadorídc Aiemanha;
querendò elle convir nas duas condiçoens seguintes : a saber,
hum subsidio annualpagoex?ctamenre àdita Regeríciar,(S
huma ceíT.ó formai da réltituiçaó do navio pertencente á
Companhia de Ostende jporém a exorbitancia destaspror
, j faz mais aggravante a desattençaó daquçlle Estado. S. A. Ottomana deter-
mina mandar hum Enviado à Corte de Vienna , para representar ap Emperador
as diligencias , que tem fçito , e as eseulàs i que os Argelinos fazem de convir no
Tratado , que ihes foy proposto; e se lhe estaô fazendo as jnstrucçoens , que de-
ve levar para partir logo.
O Conde de Rorhanzof, Enviado eXtraordinario da Emperatriz da Ruílìa , al-
cançou huma audiencia do jErraóiVizjt 1 na quai eílç lhe deu a enttnder , que o
Graó Senhor naó podia<expedit.os jGorrimifia.rios, jánomeadQs para sazerem a
dema;rcaçaó doá limitei das Provincias conqujstadas. na Persiaa em quanto duras-
sem as perturbaçoehs-daqueUe Reyrto. Desta insinuaçió deu lpgo o dito Conde
aviso a PetrisbûrgoporhumExpreíTo. Osprogreflos das armas Ottomar.as na
Persia começaó á fazer orgulhosos estes Povos ç" a causar desconfianças da since-
fidade do Sukaó aoslRuínanos. Naó se ouve fa}Jar,aqui em outra cousa mais , que
na iguerr^,erasespei^nçasde,ficar(erígrb(rado;ppoderdestelmperio çoraoDq-
minjodàPeriìaiy fayQrecidtasî^to daopportunidade aa conjuntura.. ; , ■. \\ y
■ .Ar'y"-l->ùtiSi'... •..so,_ &;>.-*.,<
D ITÀ.
f ITALIA.
.; ■ > ,( Napoles z o. de Novembro.
/"> Tempo tëfrï còntinuacTo ha muítos dias taô chuvoso , que se acháó estragados
os caminhos, e inundados oseampos com as cheas das ribeiras. A i o. chegou
aqui pelo caminho de Manfrëdonia , hum corpo de reclutas de i yoo. homens,
mandados de Alemanha, aosquaes se passou mostra a 1 6. e além deste,tem chega-
do a outras partes varios corpos detropas, para rcencher, e resorçar as guarni-
rùçpesdeíteReynqr,easdeSicifia. OPrinçipe de Francavilla çhegou de Koma,
para se reconciliar, por ordem do Emperador , com o Conde de Cònvérfano', na?
presença do Cardeal Vice-Rey; e depòis deste acto,partiiá o dito Conde immedia-
tamentepara a Corte de Vienna. Tambem aqu' chegou com licença dcIRey de
He/panha D. JJeljd Çarafa , irmaó do Duque de Matalone , Gentil-homera
da chave dourada de Sua Mag. Cacholica, Brigadeiro dos feus Exercitos, e
hum dos principaes OfficiâeS da sua guarda Italiana , para tomar poíïe das terras,
que se lhe devem restituir çm virtucledo ukimo Tratado.de Vienna. Achafe aqui
ao présente Filippe Capello corn* suà mulhèr, e filhos,,quê'partirâó brevemente pa
ra Corfú ; de cuja "Fortaleza , e Ilh'a o rìorsteou a Republica de Veneza Governa-
dor , e Capitaó General.
Papa defteOtia manháa âé'3'òîdo passado â BasiKca Vatieana, e depois de fa-
zer oraçaó ao Santissimo, desceo pelas escadas , que vaó para o Akar , que fica
debaixo do da Confiflaó dos StotòsApÓstolos,.pauou às Grutas da dita Balìlica, e
ouvio Missa no Altar de Sânto André, cujafesta se célébra va no mesmo dia. Dalli -
foy à Igreja do Espirito Santo,onde consagrou o Altar do Oratorio daquella Con
traria , cíediifcàndoo à Annunciaçaóda Virgem N. Senhora ,e collocando nelle ag
Reliquias dos Santos Martyres Florido , e Lilioso , que na tarde antécédente havjà;
nelle eífípofto pbr ordem de S. Santidade Mons. Valrgnani , Arcebispó de Théta-
lOnicayCommendadqr'daqnelle Hospital.ii.il,! ii»
; -Nô primèfro de Dezembro deu S.Santidadeì pela manháa audiencîa aos Car-
deaesMiftisíros; A 2. que foy oprimeiro Domingo do Advdntp,assistio à MifFayc
Sermaó na Capella Xfstina do Vaticano, acompanhado do Coilegio dos Cardeaeso
e todas as Ordéns da Prelatura.: Depois com o meimo acompanhamento levou o
Santissimo Sacramento para a Capella PauKna , que continua va o gtro do jubileo
das Quarentà horas , e pelasquatro da tàrde desceo à mesmaiGapella , onde esteve
•for espaço de mais de huma hora posto em oraçaó, fó , detraz do throno do San
tissimo. Neste mesmo lugar assistionaterça feira à Missa , e no sim délia deu a
bençaó com o Santissimo a todos os circunstantes. Na quinta feira , que era dia de
S. Nicolao , foy celebrar MiíTa no Altardo mesmo Santo,na Igreja de'S. LoUren-
ço doBurgo, dosPadrestìásEscolaspias^Naísesta'ftira 7. do corrente deu audi^
fncia ao Cardeal Cienfuegos. A 8; foyiàlgpejavde Santo Angefo da Pescarîa a sa-
i>rar o Altar moi* délia ; e acabada esta funçaÔ ^diffeineíle Missa. Voltando para o
Vaticano , se apeou juntò.aó Palació Salviaìi , palra rezar as Ave-Marias , ouvin-
~do o final desta dtfvoçaó , que aqui se pratica tambem ao meyo dia; i j l .
A 9. segunda Dominga do Advento , assistio Sua Santidade à Mislâ, e Serma5,
acompanhado de Cafdeaes , e Prelados, affistindolhe como Diacœios osCardeaes
imperialì , e Altiers. Ao ÇondestablëCofona , h^Véspêra da festa da ConceiçaD
d N. Senhora, nasceo hum filho, que foy bautizado no dia seguincena Igreja dos
Santos Apostolos , que he a sua Paroquìa.
f>* A 1 r..
*7
 1 1. deu S. Santidade audiência publica a todo ogenero de pesso s, c.dc tar
de ouvio a explicação, que fezdoCatechilmo hum Padre da Congregação do
Oratorio. A 13. ouvio incognito no mesmo Palacio Apostólico ocoitumado
Sermão do Advento. Hontem houve exame de Bispos , em que soraõ examina
dos o Abbade D. Bento de Lucca , para a Igreja Episcopar de Zeneda no Estado
Venezianno, e o Mestre Fr. Francisco Banejler jCarmclitano , para a de Ugen-
to no Recrio de Nápoles.
Hoje depois de S, Santidade ouvir quatro MilTãs na sua Capella secreta , visi
tou por conta do]ubileo a Basílica de S. Pedro , e depois foy visitar a de S. Paulo;
e corre a voz,de que ao entrar nella,vira huma mulher posiuida de hum espirito; o
que pondolheas máos na cabeça, e dizendo algumas oraçoens, a deixara livre dél
ie: continuou depois a visitara Lateranenle , c a de Santa Maria Mayor , e fere*
eolheoao Vaticano. • -• . '•. '. ■■ , : > > ,
Os Perigrinos , que no mez passado de Novembro soraõ recebidos nos Hospi-
ciosda Santiflima Trindade , chegarão ao numero de 42 867. a saber 16566*
homens s>747- mulheres , fí 3 7. pobres , e 50 1 7. convaiecentes.
Hoje vagou quarto Capello no CollcgioCardinaiicio,por morte do Cardeal Jot
seph Vallemani , Presbytero do Titulo de Santa Maria dos Anjos , natural dc Fa-
bnano,que faleceo pélas cinco horas da manháa.de huma febre catarrhal, que pa-
deceo aiguns dias^m idade de 77. annos,seis mezes,e seis dias: havendo logrado a
dignidade da purpura 1 o. annos 6. mezes e 2 8. dias por mercê do Papa Clemen
te XI. na promoção de 1 7. de Mayo de 1 jc6. ' ■
D. Camillo, Patriarca de Constantinopla tomou posse do seu novo cargo dtí
Mordomo do Palacio Apostólico. O Cardeal Paolucci , novo Deaó )do Collegio
dosGardeaes, que tomou posse por procuração do Bispado de Ostia, a foy a 2 1 .
do mez possado tomar pessoalmente do de Veletri, que lhe he annexo.Chegou de
Hespanha o Duque de Giovenazzo , a quem quarta feira convidou a jantar o Per-
rendenteda Gráa Bretanha. A Princeza Clementina Sobieski se acha ainda no
Mosteiro de Santa Cecília ;e dizem haver Sua Santidade nomeado huma Con
gregação de cinco Cardeaes , para ajustarem nos meyos de compor as différen
ds , que reynaó entre estœdous Principes. "■; ••>:.■' '. •_'
O Cardeal Imperial) teve com a meima Princeza huma larga pratica sobre esta
matéria , e D. Felix Cornejo , Ministro de Hespanha , lhe foy fallar segunda vez,
é esteve em conversação com ella mais de duas horas. O Cardeal de Polignac, Mi
nistro de França , teve em 24. do mez passado huma audiência muy dilatada do
Papa ; o qual lhe assegurou , que lhe tinha resultado hum grandiffimo sentimento
da aliança , que ElRey Christianiffimo tinha contratado ultimamente com as Po
tencias Protestantes. ' " •
: Florença 9. de Dezembros ~ ; '
(~\ Qraó Duque se achou a 24 de Novembro opprimido de hum grande catar-
V rho , que o obrigou a cuidar em se recolher de Cayano , onde estava, para es
ta Cidade. As cartas de Génova dizem , que o Duque de JRipperda , Emí aixador
de Hespanha , que foy na Corte do Empérador , se embarcara naquelle porto a
ì o. do mez passado em hum paquebote de Catalunha, depois de haver estado al
guns dias em conferencia com o Marquez de S. Filippe , e com vários Ministros
da Regência. Assegura-se, que este Ministro ficou muy descontente d?.s diíposi-
çoens , em que achou muitas das Cortes de Iralia , qué parecem muy cppofi as is
medidas , que le tomaraó nas de Vienna , e Madrid.
Tem-
i8
Tem-se publicado hum papel em forma de Manifesto, no. qual sepertènde
provar , queoGraó Duque tem direito para poder escolher , e nomear quem
succéda nos seus Estados. . 1 .-. . .-' »
O Graó Duque tem eobrado consideráveis sommas , que se estavaó devendo à
sua fazenda ; e dizem , que determina pagar dentro de pouco tempo todas as
dividas , que contrahio o Graó Duque seu pay., que importarão 1 2, até 14. mi-
Ihoens de escudos. ■.<,-'■
Falla-se também em hum Projecto , segundo o qual , cada hum dos Principes
Italianos será obrigado a dar certo numero de galés,para formarem huma Arma
da , que se empregue emaffugentar dos mares de Itália os Corsários de Barbaria.
O Conde de W atzdorff , Ministro delRey de Polónia , partio daqui para Parma,
depois de have r feito empaquetar todos os seus moveis ; e ainda que naó teve au
diência de despedida do Graó Duque , se assegura , que voltará para Dresda sem
passar por esta Corte.
. Os Pedreiros , que trabalhão no Palacio velho , que chamaõ a prizaó de Bai-
gello , acharaó os dias passados no grosso de huma parede , que demolliaõ , hum
almario cheyo de papeis , e pergaminhos antiquiffiinos , que se tem mandado in
terpretar, e transcrever em caracteres legíveis , para se íaber o que contém. Ott**
mor de terra , que houve em 2 8. de Outubro, fez m ayor damno do que ao prin
cipio se imaginou. Os abalos foraó taó violentos , que derribarão algumas Igrejas,
e muitas casas. Em Fontana se soverteo a Igreja Paroquial , e a Collegiada dos
Cónegos , sem apparecer vestígio algum. Cahiraó tres Igrejas da Villa de Santo
André , a casa do Cura , o Convento ,e Igreja Paroquial de Casola.
A vendima foy este anno abundantíssima neste Paiz ,mas o vinho de muito má
qualidade , por causa das muitas chuvas , que naó só aqui , mas em todo o Estado
da Republica de Veneza , fez estragos consideráveis.
Monf. Colman,Residente da Gráa Bretanha,tem estes dias tratado esplendida
mente a vários Cavalheiros Inglezes , que aqui chegarão de Inglaterra , e paflãô
a Roma. ....:<..
. ,., [Kene%(t 1 o. de Dezçmbro.
T"\ Epois da solemne Procissão de preces , de que ultimamente se deu noticia, co-
meçou a melhorar o tempo , e pondose o vento favorável, começarão tam
bém a entrar no porto desta Cidade muitos navios , e com elles a gale do Nobre
Antonio Marini , que voltou da Ilha de Santa Maura ,onde esteve tres annos por
Provedor. A 2 1. do passado,dia da Appresentaçaõ de N.Senhora no Temploy/oy
o Doge acompanhado do Núncio do Papa,e de todo o Senado assistir na Igreja
de N. Senhora da Saúde à festa , que alli se celebra todos os annos por voto da Re
publica, pelo livramento da peste, que padecia no anno de 1 6 30. acompanhan
do a Procissão, como he estylo , todo o Clero Secular, e Regular , e as principaes
Confrarias» , <•
Escreve-se de Mantua haver crescido de maneira o rio Oglio , com a grande
quantidade de chuva , que houve por tantos dias , que causou huma inundação
universal naquelle Ducado , e a mesma Cidade esteve em perigo grande de se ala-
far. Os caminhos deste Estado se achaó taó quebrados,e perdidos, que a Posta de
rienna,que devia chegar na quinta feira,se dilatou por esta razaó até ao Sabbado.
Turin 1 z. de Dezçmbro.
TC LRey de Polónia mandou aSMag. e ao Principe dc Piemonte 17. cavallos
fermoCilimos , e vários cajxotes de Porcelanas , fabricadas em Saxonia % que
dizem.
dizem excedem muito na fermosuraàs melhores do Japaó. Em correspondência
deste presente tem S. Mag. mandado preparar duas armaçoens de Camera , com
leitos, e cadeiras correspondentes,de veludo de flores sobre campo de ouro, e pra
ta. A occafiaó,que EIRey de Polónia teve para mandar o referido presente a Sua
Mag. dizem haver sido quererselhe mostrar obrigado , por haver aado ao Conde
deRotofcki , seu filho natural ,hum Regimento das suas tropas Piemontezas. O
Embaixador de França > que tinha ido a Pariz , voltou aqui , e a 1 7. do mez pas
sado teve huma audiência particular delRey na Veneria , e outra de Suas Altezas
Reaes. Dizem,que às instancias delRey ChriltianiJIimo se resolveo Sua Mag.e o
Graó Duque de Toscana a abraçar os interesses do Tratado de Herrenhausen , e
entrar em aliança com o mesmo Monarca , e com os Reys de Inglaterra , e de
Prússia. Por hum Correyo , que chegou de Vienna ,. se tem a noticia de haver o
Emperador nomeado o Conde de Harrach , para vir por seu Enviado extraordi
nário a esta Corte. No Reyno de Sardenha se tem 'armado por ordem de S. Mag.
algumas embarcaçoens , para darem caça aos Corsários de Barbaria ; e naó ló os
tem affugentado daquellas Costas ,que intestavaó sempre,mas tomado varias pre
zas ; e hum armador da Cidade de Cagliari tomou agora ultimamente duas ga-
leotas de Tunes, armadas em guerra, com perto de 70. Turcos de equipagem.
HELVÉCIA.,
Basiiea 15.de Dezçmbro.
TJ Screve-sc de Besançon , que o Governador da Província tinha recebido or-
*-* dem da Corte de França, para nomear quartéis para 2 oU. homens , que di
zem se destinaó para as Praças de Alsacia ; e que também se falia em formar hum
acampamento na Primavera próxima. Todos aíTeeuraó,quenaquella Província;
fè vao fazendo grandes Armazéns de forragens , e de cevada , e trigo.
As cartas de Avinhaó dizem , que sem embargo da opposiçaó , que os habitaria
testem feito com as suas reprelentaçoens , approvârao Papa o Projecto de se
abrir hum canal ,que passara pelo dito Condado, por cujo meyo se comnrunica-
ráó os rios Durando , e Rhosna , em beneficio do commercio.
ALEMANHA. ,
Mttnick^ 8. de LvçmbroT.
K Nte-hontem pelas oito horas deu à luz huma Princeza, com feliz successo, a.
■"Princeza Eleitoral de Baviera. Administrou-selhe na mesma noite o Sacra
mento do Bautismo com estes nomes Theresa, Benedita , Asaria , Barbara , An
tonia , Watburgia , Nicolina , FelUitas* E logo se despacharão quatro criados com
este aviso a Vienna , Pariz , Florença ,e Bonna. Em huma grande montaria,que
fez o Eleitor nos matos de Geissenfeld , se matarão 762. javalis , e entre estes
hum , que matou S. A. Eleitoral , que pezava 3 50. libras.
Vienna 1 5. de Dexftnbro^
/~\ Emperador foyno t. do corrente rela manháa visitar a Imagem milagrosa
V' de N. Senhora de Jetzing. A 5. assistio a hum Conselho, de Estado ; e depois
íe foy divertir na caça dos javalis com o Principe herdeiro de Lorena. Todos os
dias le fazem conferencias secretas sobre os negócios da presente conjuntura , sem
ler poílivel penetrar-se o que delias resulta. OBaraó deRipperda, Ministro de
Hespanha , recebeo hum Expresiõ da sua Corte, com despachos pertencentes ao
commercio da Companhia de Ostende ; contra a qual certaPotencia ha mandan
do fazer representaçoens por escrito na Corte de Madrid , para onde se tomou a
expedir Jogo o mesmo Expresso. Dizem , que por elle lhe chegou também,. o ca
racter'
'$*>. ...... .
4'acter de Embâixàdor , mas que o naô decJarará , fenaó depois que se fecolher z
Pariz o Duque de Richelieu. O Conde de Freitag , Embaixadordo Emperador
às Potencias do Nórte , escreve de Dinamarea , que sem embargo de todas as di-
ligcncfaS'j quë tinhâ feito para persuadir a S. Mag. Dmamarqueza a entraremali»
ahça com S. Mag. Imp. haviaó sido inuteis ; antes lêgundo todasasapparencias,
íentfafia na que se tinha concluido em Herrenhausen.Tambem se terne, que outra
■Potenciâ , que muíto lempotém seguido os intéresses desta Corte , queira abraçar
agora os de França. -. ■ '" • ■
O Cavalleiro André Corharo, Embaixador da Republica de Veneza, fez a i 3.
a sua ehtrádà' pùblicánesta Cidade com muita magnificencia, e hontem teve a sua
prirneirá audiencia de Suas Mageítades Imperiaes Reynantes , e da Senhora Em-
peratrk vkrva; O General Conde de Rabuttin partira festa teira para a sua Embai-
xadada Rússia; DÒmingó païtio para a Gráa Bretanha, -para ailistir naquella Cor
te com o caracter'de Résidente , Mons. Palm , que ha de rendes para este esfeito
Mons. HôfFman , que alli se acha. O Abbade Principe de Fulcla esteve a 3 . mais
de meya htìra com o Emperador no feu Cabinete ; e a 4. teve huma larga confé
rencia com '«/Principe Eugenio , o quai a <>.dec!arou,em nome do Emperador,por
primeiro Commissario de S. Mag. Imp. na Dieta gérai do Imperio , em Ratisbon-
na ,ao Principe Frobeniò de Furstemberg , que partira brevemente a tomar poste
deste emprego, O Principe Alexandre de Wirtemberg fera provavelmente no-
, meado para Governador de Transilvania. O Conde de W olkenílein foy eìeito
Bifpo Principë de Trento. ' , ,
Corre ímpféstò na lingua Italianao Tratado de aliança , feito entre os Reys de
França , Grâa'Bretanha , e Prulfia ; o quai traduzido ria Portu ueza contém o le-
guinte. • " ■•Y ;• >■• •'
■ ■■■ T R ATA D O.
C Uas Magestadés os Reys de França , Gráa Bretanha , e Pruiïïa havendo reco-
nhecido com fatisfaçaó propria , cjue a estreita aliança , que ainda reyna entre
elles , tem contribuido muito , naô fo para a prosperidade dos feus Reynos , e dos
feus íubditos , mas blinda para o bem , e repoufo univerfal, estaó plenamente per-
fuadidos, que naô ha meyo mais proprio para fegurar , e fazer firmes estas venta-
gens contra todas as sortes de accidentes ,.do que lustentar o mais tempo, que for
poífivel 3 huma liga , e aliança , e estabelecella iòbre hum fundamento inabalavel,
depois de haverem examinado maduramente todas asalianças, que fubsistem
ainda entre Suas Magestadés, que naô derroga o présente Tratado , julgaraó con-
veniente ajustarem entre si todas as medidasmais efficazes, naó fó para a scguran-
ça dos feus proprios Reynos , mas tambem para confervaçaó do repoufo , e tran-
quillidade publica ,'no cafo que succéda alguma perturbaçaó na Europa.
Com este designio deraó os Reys de França, da Gráa Bretanha , e Pruffia os
■feus plenos poderes , a fáber , S. Mag. Christianissima ao scnhor Conde Francisco
deBroglio,Tenente General dos feus Exerci.tos, General da Cavallaria , edos
Dragoens , Governador do Monte Delphin, e Embaixador actual aEIReyda
Gráa Bretanha. S.Mag. Britannica a Mylord Carlos Townshend, Baraó de Lym,
Tenente delRcy no Condado de Norfolck , Cavalleiro da Jarreteira, eSecretario
Ide Estado ; e S; Mag. Pruflìana ao Se nhor Joaó Christovaó de Wallenrodt , Mi
nistre de Estádo , e Enviado extraordinario a EIRey da Gráa Bretanha ; os quaes
cm virtude dos feus plenos poderes , cuja copia ferá inferta palavra por palavra no
fim deste Tratado , e depois de haver maduia s e exactamente ponderado os me-
yos
yos mais proprios , para chegarem ao fim , que Suas Ma gestades se propoem,haó
convindo nos artigos seguintes. • •.' i
- 1. Haverà desde agora , e para sempre huma paz estavel je firme , huma sînee-r
ra , e intima amisade , e huma estreiúlíìma aliança , e uniaó entre Suas ditasMa-i
gestades , feus herdeiros, e successores, feus Estados , Paizes , e Cidades, em quíd-i
quer parte que seja , e feus subditos , alfim na Europa corao nas outras partes do>
mundo , o que tudo se observará de maneira , que os sobrediios Atìados contré
buaó fielmente para a ventagem commua ; e ao contrario para impedir , e apartar
pesos meyos mais effirazes,mdo o que lhespuder fer prejudicial. i 'i.;j,.<
- II. tGomo a verdadeira intençaó desta aliança , contratada entreSuas ditasMa-
gestades seencaminha unicamentea manterapaz, ea tranq^uillidade nos. feus
Reynos, se promettem hum a outro huma garantia commua para adefensa,c
conservaçaó de todos os feus Estados , Paizes , e Cidades, aflìm na Europa, cômo
nas outras partes do mundo , que cada hum dos Aliados poffuem actualmeufce-.ao,
tempo da aíïïgnarura da présente aliança , c da rstefma sorte os direitos , liberda-
des, e ventagens , e particularmente os que tocaó ao commercio. Para este ^i»
Suas ditas Magestades convem , que fuccedendo , que alguma outra Pòtenck, ou .
Estado commetta qualquer actode hoftillidade contra esta aliança debaixo de
qualqucr pretexto, que seja,on se faça algum aggravo a hum dos sobreditos AÌia!->
dos, os outros Aliados deverâó fem tardança empregar os meyos mais promprosj
parafazerem,haverjusttçaàparteorTendida,erebateroaggresror.'^ .\ " .1
' ^Hí. ÎS*o cafo que htoi dos Aliadosseia^lcclaradamentc investido jou molesta-»
do roscasc^fabradîtosj;e^úe'senaô possa pelos caminhos das hegociaçoenspro-
curarlhe huma jttstafai^façaô , e refarrimertto., as outras partes leraó obrigadas,
dous mezes depoisida-baverem sido requieridas,a le foccorrer pelamaneira seguin-
te.S. Mag. Chriítianiilîm'a fornecerá 8U. Ireméns de Infameria , e 4U. de Caval»
fawai-Sí- Mag. Brit. darátambemem semelhante caso 8U. homensde Infanteria*
«4U. de Cavallafia., e S. Mag. Prafliana 3 U. homensde ínfanteria , e 2U. de
Cavallaria,se a parte offendida cm lugar disto': quizer antês navtos de guerra, e em*
fcarcaçoens de transporte , ou subsidios em dinheiro (o que teraó liberdade de'pc*
dir) os outros Aliados f ìmeceráó navres , ou dinheiro atc à concurrencia , e'pro*
porçaódadefoezadas tropas ,que deviaô dar ,e para que naó fique duvida algu
ma lobre estadespeza; os Aliados convem em avaliar a razaó demil florins de
Hollanda pormez , mil homensdelnfanteria , e 3 U. florins porcada mil homens
de cavallo , e regrar a esta proporçaô a conta das naos de guerra ; e quandó este
soccorro naôfeja bastante , para procurarhuma fatisfaçaó convenienteià páríe ot*
fendida , os ourros Aliados tomaráó eíltre fi as medidas , para aílìftir ao offendido
porjmodo maisefficaz ,para,o foccorrerem com todas as suas forças em easçdje
neceffidade , e ainda para declarar a guera aoaggreflbr. t
tr.;jíVíj<;.jComo Suas ditas Magestades tem resolvido fazercada vczmais firme
por todosOsatalhos imaginaveis.de huma fidelidade fìncera: , e de humaronlìan»
ça persista , a estreita uniaó, que entre ellas reyna, tem convindo de naó en:rar èrft
nenhum Tratado, figa , ou aliança , que pofla caular prejuizo algum aosfeus int-
terefles ; mas antes communicar fielmente huma Magestade à outra as propostas,
que se lhes poderáó fazer , e naó tomár partido algum sobre ellas , antes-de haveç-
Kiri unanimemente examinado > e pezado , o que fera mais ventajosb ao ^éjÇs infep
reste commum , e ao mesmo tempo à conservaçaó! da paz univerfaL —;—
V' Hâ^çpcìose Est? ty Christianilsimo obrigado em particuiar j çpmo A bo
3*
nador do Tratado dapaz dèWestphalia , a manter osdirfeítos, e liberdades do
Império de Alemanha , Suas Mag. Britannica, e Pruffiana, como membros do di
to Império, vendo com a mesma pena, que as sementes da discórdia poderáõ bro
tar-, e produzir huma guerra,que pelas suas funestas consequências, que se devem
temer , destruirâõ inteiramente a Europa , cuidando Suas Magcstadcs seriamente
em evitar tudo , o que poderá pelo tempo ao diante vir a perturbar o repouso do
Império Romano em particular , e em.geral a Europa , se obrigaõ , e promettem-
de assistir huma à outra para a conservação , e observância dos ditos Tratados , e
das outras convençoens , que devendo pela sua travaçaó com os negócios dolm-
perio fer considerados , como a pedra fundamental da paz de Alemanha, e a bafe
cos seus direitos , dos seus privilégios , e das suas liberdades, pertendem Suas Ma-
gestades , que fejaó duráveis , e fielmente executadas. -\ :
Dos mais artigos ajjim do Tratado , como separados ,se dará copia nafmanase
guinte. .
HESPANHA. Madrid 8. de Janeiro. < M,
TT Avendo Suas Magestades Catholicas assistido Domingo na sua Real Capella.
com Suas Altezas , c cortejo de todos òs Grandes de Hespanha , e Ministros!
estrangeiros ^offereceo EIRey Catholicoos tres Calices na Missa solemne, e de tar
de se mudou toda a Casa Real para o sitio dei Pardo, indo a Rainha em cadeira. A
semana' paliada se cobrirão por Grandes de Hespanha os Condes de Atarez , e dos
Arcos. Antes que EIRey partisse, mandou expedir vários Decretos, e entre, elles
hum , em que declara* que {em embargo de haver manifestado alguns mdiciosda
inclinação do seu Real animo -, a favor dos seus vassallos , mandando moderar o
preço do sal , extinguir o serviço de milícias , mandando perdoar aospovos o que
estavaõ devendo , assim da dita contribuição de milícias > como do serviço ordi?
«ario jCextraordinario^corri tudo persuadido do singular amor, c fidelidade,que
elles lhe tem sempre tributado , em quanto senaó podem pór em pratica as drt»i*
nuiçoensda sua contribuição-, fora fervido mandar a todas as Rélaçoens, Tribur
naes ,Governadores.y e Ministros de ]ustiça a administrem com pureza , e recti»
daó inviolável , aJiviando-os do intolerável prejuízo das dilaçoens voluntárias,
cortando, sem offender ©s termos legaes,a raiz das causas,que podem produzir di s-
sençoens , e litígios , e que ascontribuíçoens dos lugares lè cobrem sem violência,
e se castiguem os que nesta incumbência procederem com extorçoens , e que tor
dos os que tiverem queixa de qualquer Tribunal, ou Ministro, reccorraó ao Du>
que dé Ripperda, seu Secretario de Estado,e do I}espacho,para que o coramwú-r
que a S. Magi. que o examinará , e proverá como lhe parecer justiça.
oU ij . P O R T U G A L. Lisboa 14.- de Janeiro.
/"t Hegou a semana passada da Corte de Madrid , onde esteve por Ministro , e
v"' Plenipotenciário de Sua Magestade , Joseph da Cunha Brochado. :..
; O, Mtigado de. Oliveira festejou os annos de sua filha com huma Comedia,
que fezj-epreferaiar em sua casa ,aque convidou toda. a Nobreza de hum, e o*-
tro sexo , fazendo distribuir quantidade dejefrcfcos de todo o género ,em quan-
tp durou a festair■ .»;! ; yji .,,i"r '■ • ■: ->r ■•,>'•;;■: r:* , ' ■ ■
< Sabio dluzhumlnroèm oita<vo Breve curso de nueva Girugia , que compo\o
Doutor D: Antonio dè Mon-Rœvà y Roca', que ensina a Anatomia no Hospital
Real desta Cidade ; 'vendèseem casa "do mesim Author na rua d»s Escudeiros:
— ' i-.'-.Y " ; 1— .. ■ ■ '. u^:-.n'i ■ ->i "■ <'u ><> < .< .'i
• r - ' Na Officiná de J-O-S E P H 'ANTON IO D Á S-Y L V A. .V '
Com todas as licença* necejjarias.
G A Z E T A

DE L1SBOA OCCIDENTAL.

Com Privilcgïo de S. Magcstade.

•t:.-

Quinta seira 31. de Janeiro de 1716.

R u s s 1 A.
Petrisburgo 4. de Dezfmbro.
UERENDO a Emperatriz executar pontualmente todas
as idéas do Emperador desiinto feu marido , mandou publi-
car na semana paslada hum Edicto a favor dos estrangeiros;
no quai déclara , que confirma todos os privilegios , que lhes
foraó concedidos pelo mefmo Emperador , arnpliando-oj
com as feguintes graçasî Que gozaràó as mefmas franquezas,
que lograo os feus vaffallos Ruslìanos : Que poderáó múdsr
de domicilio , paslando-fe de huma Cidade para outra , todas
as vezes ,que bem lhes parecer , com todos os feus effeitos : Que todos es particu-
lares , q pelos feus eferitos, ou pelas suas letras poderem adiantar os progreffos das
Sciencias , e das artes neste Paiz , lograrâó huma isençaó de todas as imposiçoens
por tempo de dez annos : Que todos os Artifices lograrâó a prerogativa de ferem
admittidos nos Corpos dos Misteres , que corresponderem aos feus ofincios > fenv
detpeza alguma } nem outro encargo ; mais que o da metade do díreito > que os
naturaes do Paiz pagaó cada annoaosThefoureiros dodinheiropublico.
Por outro Edicto renovou tambem S. Mag. Imp. outro do Emperador feu ef-
pofo , em que se ordena ; que todos os Officiaes Militares da Naçaó Livoniana,
que ferviraó a Coroa de Suecia na ultima guerra contra a Ruffia , feraó admitti
dos no ferviço Impérial Ruflìano , com os mefmos postos , que occupavaó no de
Suecia. A 2 o. do mez paflado fez S. Mag. Imp. ajuntar nos jardins do feu Pala-
cio o Regimento da Ingria , de que he Commandante o Principe de Menzikoff,
e na prelença do Duque , e Duqueza de Holfacia, da Princeza Impérial sua silha,
do Graó Duque de Moscovia , dos Ministros estrangeiros , e de hum grande nu
méro de Senhores da sua Corte lhe passou mostra, correndo montada a cavallo to»
das as suas fileiras , e nwndandolhc fazer exercicio com taó boa disposíçaó., como
E * se
se fosse hum grande General , e satísfeí ta do feu manejo, promoveo a novos pos
tos vários Oíhciaes, premiou alguns soldados , e se nao recolheo se naó depois de
os ver desfilar. Tem-le mandado apressar as levas para as reclutas , assim nesta Ci
dade , como na Livonia , e nas mais Províncias visinhas , por se haver resoluto no
ultimo Conselho de guerra , que se fez na presença de S. Mag. Imp. ser muy con
veniente mandar às Províncias conquistadas na Períia hum reforço de 2 2U. ho
mens.
Acha-sc renovada a boa correspondência, que se havia interrompido entre esta
Corte , e a de Vienna de Áustria , com a occafíaó do titulo de Emperatriz , que o
Emperador de Alemanha recusava à nossa Soberana , e porque na presente con
juntura pareceo conveniente ceder esta prerogativa a intéresses mais relevantes , se
contentou Sua Mag. que o tratamento continuasse entre ambos , como atégora,
dandolhe' o Emperador o de Serenidade , e recebendo o de Magestade Cesárea.
Mons. Haltzholtzer recebeo hum Expresso de Vienna ,com despachos perten
centes (conforme se diz) à nova aliança,que se tem projectrado entre as duis Cor
tes ,cuja negociação parece naó estar . ainda taó adiantada como se publica.
Hum embusteiro , que entendeo podia persuadir aos povos de Smoienko , que
era o Principe Aleixo defunto , e foy aqui trazido prezo no mez de Março paisa-
do,havendo-selhe feito o-seu processo, e convencido o seu engano, foy sentencia •
do a se lhe cortar publicamente a cabeça , e a hum seu cúmplice , o que se execu
tou hontem. O Conde de Cedernhielm , Enviado extraordinário delRey de Sué
cia , que se preparava para partir para Stockholm , recebeo ordem por hum Ex
presso , para o naó fazer até novo aviso. Domingo deu Mons, de jagoz'nski hum
magnifico banquete a este Embaixador , a Mons. de Bassewitz , Conselheiro pri
vado do Duque de Holsacia , e a outros Senhores.
; POLÓNIA.
Farstrvia 12. de Dezembro
D Esde o Domingo primeiro do Advento se tem suspendido todos os diverti
mentos nesta Corte ; e até no Paço se fechou o theatro, em que se reprelénta-
vaó Comedias no idioma Italiano , duas vezes na semana ; mas entende-se , que o
Carnaval começará logo depois da festa do Natal, e que será hum dos m-iis mag
níficos, e mais divertido5,que tem havido n*íle Reyno; e como o Principe Real, e
Eleitoral de Saxonta alcançou permiíTaõ delRey seu pay , para vir a esta G. Jade, e
íe espera por instantes , ainda será nella rmyor o concurso. Sua Mag. mandou or
dens a todos os Monteirose Caçadores, para que prendaõ quantidade de feras d ;
varias especial nos bosques circumvisinhos , para as entregarem vi vas nesta Cort ;
quando se lhes ordenar , a fim de ter, e dar o divertimento desta montaria a to
dos os Senhores ,e Damas dentro da Cidade. Achaó-se já aqui ha dias o Gra.5
Chancelier ,c Vice-Chanceller, o Graó Thesourêiro , e mui tos Senadores dest:
Reyno. O Primaz está ainda em Lo witz ,.0 Graó General da Coroa , e o Graó
Marechal se esperaó brevemente, ainda que segundo alguns dizem, o GraóGe-
neral efereveo a EIRey , que o estado dos negócios da Republica lhe naó permit-
tia apartarsc de Leopoldia , e assim pedia a Sua Mag. o dispensasse de se achar nas
Conferencias , que tinha indicado para o mez de Janeiro próximo. O beld-Mare-
chal Conde de Flemming vay comprando muitas terras , e Senhorios na Grande
Polónia. Mons. Finch , Enviado delRey de Inglaterra , e o Ministro delRey de
Prússia tíveraó a 2 7. do mez paflãdo huma conferencia com o Conde de Wratis-
lao , Embaixador do Emperador , e em sahindo delia faraó para casa do Senhor
x • Bellinski,,
Bellinski , Copeiro da Coroa \ que os tinha convidado a cear cora alguns Sena
dores. ■ , »
As ultimas cartas de Riga dizem , que as tropas Ruífianas obfervaó ao presenÁ
na Livonia , e na Kurlandia , huma disciplina mais exacta , que nos anrjos prece?
dentés ; e que naó fazem já entrada alguma nas fronteiras daquellas Províncias.
As de Kiovia , e de Smolencko dizem , que o General Viesbach , General dQ
Exercito , que a Czarina tem na Ukrania, tivera ordem de destacar seis Regimen
tos para cobriro Paiz contra as invasoens dos Tártaros , que se entendia haverem-
se retirado para as montanhas , e que havia quinze dias tinhaó começado a appa-
recer de novo. ■ . >
EIRey trabalha por ajustar amigavelmente as differenças, que reynaõ entre es»
M Republica,e as Potencias Protestantes, porém os Grandes se oppoem sempre ao
ajUte , o que se attribue à nova aliança , contratada entre o Emperador , e a Cza*
rina -, a qual em virtude do Tratado se diz , que porá no mar huma poderosa Ar
mada na Primavera próxima , e hum Exercito de 70U. homens na noíía fronteir
ra , para a livrar de qualquer insulto , e entrar dentro na Alemanha sendo necefla-
rio ; porém os Protestantes publicaõ , que neste caso empregarão todas as suas for
ças em restaurar para a Coroa de Suécia as Províncias, que os Russianos lhe con
quistarão , privando-os do commercio do mar Balthico , e reduzindo-os ao leu
estado antigo.
SUÉCIA. -r
Stockholm z^.de Dezçmbro.
O Uas Magestades voltarão no principio deste mez da sua Casa Real de campo
^ de Ulricksdahl , para o Palacio delta Cidade , com a Duqueza viuva de Me*
ckienburgo , que te resolveo a ficar alfistindo todo o Inverno nesta Corte , com
toda a sua comitiva , e mandou chamar duas das suas Damas de honor , que ti
nhaó ficado em Buzau , onde esta Princeza faz a sua residência ordinária. m
EIRey respondeo à carta , que EIRey da Gráa Bretanha lhe escreveo , sobre às
perturbaçoens , que padecem em Polónia os Protest, ntes } mas naó se sabe atego-
ra a substancia da reposta , ainda que alguns affirme m , que se offerecerá a entrar
no Tratado , concluído em Hannover, no caso que os Ettados do Reyno concor-
raõ com o seu consentimento, do que se naó duvida. Os Ministros de França,
e Gráa Bretanha pedirão a Sua Mag. lhes nomeasse Ministros, com que podesiem
conferir as commissoens , que tinhaó recebido dss íuas Corsesre SiMagJfaes nO?
meou os Condes Ulrico Spaar, Banner, e Elckebat,Senadores, ao Bàrao Hopken,
Secretario de Estado , e a Mons. Koken , Conselheiro da Chancellaria , os quaes
entrarão já em conferencias com os ditos Ministros sobre as propostas , que elles
lhes fizeraó da parte dos seus Reys. Os dous pontos principaes , que além deste
'de vem ponderar os Deputados dos Estados do Reyno , na sua próxima Afiem-
blea , saó , o estabelecer , ou augmentar o commercio da Naçaõ S ueca nos outros
Estados da Europa , e o conceder livre exercício de Religião neste Reyno , a to
dos os Christáos de qualquer Seita que fejaó. Suspira-se muito na Corte pela che
gada do Conde de Freitag , Ministro do Emperador , para se poderem tomar com
elle as medidas convenientes em matérias de grande importância. No banquete
com que o Ministro da Emperatrizda Rulïïa , festejou o nome da mesma Senho
ra, aífistiraó m ais de duzentas pessoas de distinçaó ; efoy taõ magnifico, etaó
bem ordenado , que poucos se lhe podem igualar. - ' ■

-v DINA
ï*
DINAMARCA. Copenhagben i o. de Dezembro.
O Principe Real voltou de Herscholm , sua cala de campo , a esta Cidade cora
a Prmceza sua mulher , e hum grands numero de Senhores em do corren
te , como se esperava. EIRey , e a Rainha ficarão em Fredemburgo até o principio
do anno próximo. Passou-se mostra às tropas , que estaó de guarnição nesta Ci
dade , sem S. Mag. vir assistir a cila , como se esperava.
Mons. Golner , Secretario que foy do Tribunal das Rendas Reaes, havendo si
do denunciado , e prezo por descaminhos , foy condemnado a trabalhar nas for
jas , em quanto viver.
As obras do novo porto , que S. M. mandava fazer em AIthena,se tem suípen-
dido , e as differenças , que delias naíceraó com * Cidade de Hamburgo , se per-
tendem ajustar pela mediação dos Reys da Gráa Bretanha , e Prússia , para cujo
effeito mandou o primeiro ordens a Mons. Wich , seu Enviado extraordinário
no Circulo da Saxonia Inferior , para assistir por seu Commissario nas conferen
cias , que sobre este ponto se devem fazer com os Commi slãrios de S. Mag. e EI
Rey de Prússia nomeará outro , e do que estes Ministros acharem, mandarão avi
so as suas Cortes , e esta tomará depois a sua resolução , ou para as continuar , ou
para as fazer demolir.
ALEMANHA.
Hamburgo 2 5. de Dezembro.
Ty Elas cartas de Petrisburgo se tem a noticia de haver a Emperatríz da Rússia
* confirmado a remuneração , promettida pelo Emperador defunto às pessoas,
que tiverem navios nas Cidadesde Petrisburgo , Wyburgo , Riga , e Revelcom
ordem para continuarem em applicar as suas embarcaçoens ao commercio, a fim
de que os Russianos se affeiçoem cada dia mais à navegação , e ao commercio , e
de haver mandado estabelecer huma Companhia na Cidade do Archanjo,para ir à
pesca das Baleas à costa da Gronlandia > para o que se tem mandado fazer levas
de marinheiros em varias terras.
AsdeHannover dizem , que EIRey da Gráa Bretanha differira a sua partida
para Londres , até depois da festa , e quejaartirá certamente a 2 8. e Mylord To-
wnshenddous dias antes: que se achavao juntos os Estados daquelle Eleitorado,
para concederem hum subsidio a EIRey , e se separarão a 27. para continuaras
suas Assembleas depois do Natal. Também dizem ,que oPrincipe Federico , e o
Duque de Yorck, acompanharão S.Mag. até às fronteiras das Provindas Unidas.
As de Dresda referem , que o Principe Real, e Eleitoral de Saxonia , tinha par
tido para Varsóvia pela posta a 1 6. do corrente , pelas onze horas da manháa»
acompanhado do Conde de Luzelburgo,seu Mordomo mór , do Baraó de Gah-
Jen , sen Camerei ro môr , e de outros Ófficiaes da sua Caso ; e que Mons. Gartner,
Cosmógrafo deíRey de Polónia , havia fabricado hum relógio de huma compo-
fiçaõ muy engenhosa,de 362. demonstraçoens,com as cifras, e nomes das prin-
cipaes Provincras , Cidades , e rios do mundo , situadas pelos grãos de toda a es-
phera , e outras tantas cifras dos climas, e divisão do tempo , e horas em toda a re
dondeza do mundo , segundo o curso do Sol , com quatro demonstraçoens mais
da manháa , meyo dia , tarde , e meya noite je o havia appresentado a Sua Mag.
Poloneza , que o estimara muy particularmente.
EIRey de Prússia se achava ainda em Potsdam, e determinava partir depois do
Natal para Stitinia, a fàzer huma montaria de javalis nas suas visinhanças. Aviíá-
fe deLamberg acharíe doente era Zolckieu o Principe Constantino Sobieski.
VOMI*
V'itnm i ç. de Dnçmlro.
ASenhora Emperatriz'Amalia se ttm recoJhido no Convento de ReIigiosas,que
fundou nesta Cidade, determinando pafïar nelle o resto da sua vida ; e se afle-
gura , que daqui por diante naó virá visitar a Suas Magestades Imp. reynantes, sc-
naó incognita , e acompanhada fomente de seis Damas. A mayor parte dos Cava-
lheiros , que ònhaó cargos na sua Casa, fcraó despedidos, e remunerados. O Em-
perador , fegurdo dizem , Ihequer comprar a sua casa de campodeSchonbrun^
para a dar ao Principe herdeiro de Lorena. O Principe de Beveren , primo com
irmaó da Augustiflìma Emperatriz rcynante, se acha ainda nesta Corte a rogos do
Emperador , que sabendo se preparava para voltar às suas terras, o fez deter. O
Principe de Modena , que aqui eítava , partio a 1 2 . para voltar a Italia. Por morte
do Conde de Collonitz,ficou vagando o cargo de Guardiaó da Coroa de Hungriai
e se entende seráprovido no Conde deZotor. Faleceo fubitamente o Conde de
Souches, Maréchal de Moravia , na Cidade deOlmutz , onde feachaójuntosos
Estados da Provincia. O novo fubfidio,que o Emperador pede aosda Austria In-
ferior, he mais coníìderavel, que os dos ar.nos p recedentcs,em razaó de haver dis-
pensado a mesma Provincia de fornecer neste nenhuma recluta. A pratica, que O
Conde de Sintzendorff, Graô Chancelier da Corte , fez aos Deputados no primei-
ro dia da sua Assemblea , se formou destas exprefToens.
Sua Afag. Imp. Rey de Hespar.ha, de Htmgria, e Bokemia , Archiduque de
Auftria afíegura asua btr.ervoUncia Real ,eosen Augustofarvor aosfeusfdtliffì-
mos Efìados de Austria aaqt;m do Ens , cowpoflos de Prelados , Senhores , Ca-
•vtlkiros , Cicades , e Lugares tlttt desejatodo o gtnero defelicidades , e reçebe
grar.de praier de que hajaô ccncorrido m tao grande numéro a ejìa Dicta.
Por meyo da ditosa pa\, que as partict-lares difpofooens da PrvvideticU acabao
agora de concluir com HiJ'pai.ka yt esta Re(ider.cia Impérial ,se achao inteiramente
txtir.tas as crutis guerras ,eos mais débatts, que ttm ha<vido no difcurfo devinte
e citico annos , deforte qve toda a Europa pódejustamcnte jaclarfe de go?ar a tran-
quillidade mais perjeita. Comtudo para foyer esta felicidade mais durarvel , he ne-
cejjario que todos os Re) nos , e todos os Paiifs hereditarios eontribuao para as des-
ÍieZjts do Efiado daguérra , efubjiftncia das tropas , que por tantas , e tao afjigna-
adas •vitorias ttm conservado esta Coroa , e este Sceptro , e adquirxdo huma giori*
immortat.
Estas confìderaçoensfazçm efperar a Sua Mag. Cesarea do naturaí zelo , e co-
tihecidafdélidade destes Estados , que terao' attenqao ao que Ihes pede , e Ihe refpon-
deráa stm detnora ypcr huma resolucaô conforme com as suas intençoens.
Entre-tantofe acl:a S. Mag. Imp. muyfatisfeito de <ver , que os fubfidíos , que
por hum modo tao digno de louuorjkeforaS fornecidospelo CÎero,o poem em estado
de poder cuidar r.a defenfa das Praçasjrotiteiras , ajjegurar assuas Conquistas da
parte do Oriente ,fa\er florectr o cotrn.ircio , dar tielhorfórma às Leys , e Régi-
men tos da, poìicia , e fralmente contribuir a tudo , o que póde faiçrfeìices os Jeus
Reyncs ,e osfeusp&vos..
1 Assegurasc , que o Clero de Hungria , e Bohemia tem jâ ccmeçado a pagar a
décima dos feus bens , que o Papa concedeo ao Emperador. Dizeinj que os Esta-
dos da Austria Inferior promettem levantar hum Begimento de Infanteria de 3U.
íiomens , cujo Coronel , e Officiaes seraó Gentis-homens da'mesina Provincia.O
Conselho de guerra tem passado ordens , para que seis Batalhoens , dos que estaó
«a Hungria , paflêm a trabalhar nas foruficaçoens de Belgrado ,a fini de quese
possaõ acabar , e pór em sua perfeição com a mayor pressa todas ss obm , de que
necessita , para fazer mais defensável aquelJa Praça. Determinase formar já Casa
à Senhora Archiduqueza , filha mais velha de S.Mag.Imp. O Emperador tomou
em seu serviço as tropas Palatinas , que por ordem do Eleitor tinhaó entrado no
Ducado de Duas Pontes ; e nesta fórma ficarão nelle , em quanto se naõ ajustarem
as differenças , que sobrevieraó entre a Casa Palatina , e o Duque de Birkenfeld,
sobre a successaó do dito Ducado.
Continuação do Tratado de aliança , celebrado entre os Reys de [França , Grã»
Bretanha, e Prujjia.
VI. Durará a presente aliança o espaço de 1 5. annos , que se começarão a
contar desde o dia da assignatura deste Tratado.
VII. Convidaráó Suas Magestades Christianissima , Britannica , e Prussiana
para entrarem nelle as Potencias, e Estados , de que entre si convierem , em conse
quência do que , tem resoluto convidar principalmente os Senhores Estados das
Províncias Unidas.
VIII. Será approvado , e ratificado o presente Tratado de aliança pelos Reys
de França , Inglaterra , e Prússia , e as ratificaçoens trocadas no tfpaço de dous
mezes ,que se começaráó a contar desde o dia da assignatura do presente Tratado,
ou mais de pressa se for possivcl. Em fé do que assignamoso prelente Tratado, em
virtude dos nossos respectivos plenos poderes, e o havemos feito sellar com os
nossos scllos, feito em hknnover a 3 . de Setembro de 1 72 5. Francisco,Conde de
' Broglio 6= O Visconde Carlos de Townshend , Baraó de l.ym es Joaó Chris-
tovaó de Wallcnroodt. Os Artigosseparadosse daraó na semana próxima.
P A I Z B A I X O.
Brnxellas zj.de Da^mbro. 1
A Senhora Archiduqueza, nossa Governadora,padeceo a semana passada a quei
xa de huma erysipela , quesedecipou com osefficazes remédios, que ie lhe
applicaraó , mas ainda se acha de cama. O Bispo Principe de Liege lhe mandou
offerecer o seu primeiro Medico , que cura as erysipelas , conforme se diz , em
24. horas de tempo. Como as despezas ca Corte deita Princeza excedem muito à
quantia de 2 00U. patacas , que se pediraó às Províncias , fe falia em fazer huma
reforma na lua Caía.A semana passada concedeo o terceiro Estado,com o consen
timento dasnove Naçoensj representadas pelos seus Deoens, o subsidioordinario
de duas vintenas , e outro extraordinário de 1 50U. florins , que se satisfarão pe
lo augmento de hum imposto na agua ardente , entre os moradores do campo,
pedido pelo Conde de Thaun no mez de Abril passado ao Clero , e à Nobreza dos
"Estados de Brabante. A Província de Flandres deve adiantar a lomma de 400U.
florins, por conta do subsidio novamente pedido , para pagar o que se deve de
soldos atrazados às tropas.
Na Assembiea gérai dos interessados na Companhia_do commercio deste Paiz,
se resolveo mandar duas naos a Bengala , duas à China , e huma a Surrate , no ca
lque os Directores achem conveniente mandar também a este.Regeitou-se nella
a proposta do estabelecimento de huma pescaria de Baleas ,e Harenques , mas ap-
'provou se o de duas Feitorias em Bengala , e em Cantaõ por pluralidade de votos.
Também se resolveo fazer entre os interessados huma repartição dos lucros da
Companhia, a razaó de seis por cento, o que se naõ pagará se naõ depois de se da-
: rem as contas da ultima venda , às qúaes deve presidir hum Commisiario da parte
do Emperador , para cujo emprego propozeraó o Duque de Ursel , o Conde de
Kalem
39
Kalembtmgo , e oBaraó de Kiesegen ,dos quaes dere escolher hum a Senhora
Archiduqueza. Na noite de 18. do corrente se padeceo neste Paiz huma furiosa
tempestade , causada por hum vento Noroeste , que derribou muitas casas, ar
rancou com as raizes quantidade de arvores nas campos , e fez submergir no rio
Eskelda junto a Anveres , tres embarcaçoens carregadas de trigo.
HOLLANDA.
Haya z 8. de Dezembro.
f~\ S Estados da Província de ííollanda , e Westlrifia continuarão hontem,e
,^-^hoje as suas conferencias , que tinhaõ suspendido com a occasiaó da festa do
Natal , para dar fim aos negócios , que estaó tratando. Os de Zelanda consentirão
na imposipaõ doi direitos da entrada , e sahida na sorriu da nova tari fa , que já ti
nhaõ approvado havia muitos mezes as outras sei s Provincias.Os Estados Gcraes
mandarão pór paradas , e panar os hiactes a Wart , lugar , que fica bem fronteiro
à Cidade de Vianna , para serviço de S. M.ig. Britannica , que se espera de Han-
nover.O Conde de Koningseck,Enviado extraordinário do Emperador, entregou
na AíTembJea de S. A. P. huma copia do seu pleno poder , com hum novo Me
morial, que recebeo da Corte de Vienna ; e S.A.P.tomaraó a resolução de lhe res
ponder a elle , mas naó se sabe ainda a forma. O Ministro delRey de Hespanha
tem tido varias conferencias, com o Presidente da semana da AíTemblea dos Esta
dos Geraes, a quem entregou também hum Memorial da parte de Sua Mag. Ca-
thoíica. Voltou da sua Embaixada de França o Baraõ Hop , e deu conta das luas
negociaçoens na Assemblea de S. A.P. que ficaraó muy satisfeitos.
Faleceo na Cidade de Utreque em ï o. do corrente, em idade de setenta annos,
Nicolao Hartfocker , Hollandez , natural da Cidade de Gouda , onde nafceo em
2 6. de Março de 1656'. Associado Estrangeiro da Academia Real das Sciencias
de Pariz , Académico da Academia Real de Berlin , e Lente Honorário de Filoso-^
fia na Universidade de Heydelberg, Varaó recomendável na Republica das letras,
pelas varias obras , que deu ao préío , com o titulo de Conjeãuras filosóficas , por
num Ensayo de Z)/0/>ínV<í , pubKcado no anno de 1 694. e por outras varias me
morias nos Diários dos Sábios , e nos Ciclos dos Eruditos , que correm em Fran
cs , e em Latim. Deixou composto hum Curso complecto de Filosofia , que de
terminava imprimir, com hum extra£to das cousas mais notáveis, que scachaõ
nas Cartas de Mons. Leewenhock , para a sociedade Real de LondFes , fohre va
rias experiências feitas pelo meyo do microscópio.
F R A N Ç A.
Pari\ 3 1 . de Dezembro»
CUas MagestadesChristianiífimas affistiraõa noite de Natal na sua Capella de
^ Versalhes , onde ouvirão a Mina da meya noite ; e pelas onze do dia a Mista
Solemne,e Pontifical do Bispo da Rochella. Na Véspera havia commungado-
EJRey pela maó do Cardeal de Rohan j e tocado depois hum grande numero de
Enfermos. A Rainha admitte todos os dias à conversação as Princezas , e muitas
Senhoras da Corte. Todas as segundas feiras , e quartas ha Serenatas ,.e nos mais
dias sjakernarivanienie) Comedia Italiana, eFranceza. A visita, que a Rainha
«uva de Hespanha devia fazer a 1 5. a Suas Magestades, ficou diffèrida para ou
tro dia. Recebeo-sc por hum Expresso de Roma , hum Breve de Sua Santidade,
affignadoem 3. do corrente , no qual se queixa a S» Mag.. de fe nomearem Com»
rnissaríos Reaes , para tomarem conhecimento dos processos , que todos os dias se
movem com os ^Ordinários dos Bispados , sobre a intenção do Indulto , concer-
4° à nomeação dos Benefícios , devendo recorrersc à Santa Sé. Darscha a co
aente
pia délie na semana próxima. Faleceo a Senhora Maria Isabel de la Tour , irmáa
do Duque de Biílhon , Par , e Camereiro mór de França , em 2 4. do corrente. A
1 o. havia falecido a Senhora Charlota de Bautru-Nogent , Princeza de Montau-
ban , em idade de 84, annos. Também morreo no mesmo dia , mas de morte sú
bita , o Marquez de Souvre , Luis Nicolao le Tellier , Cavalleiro das Ordens del-
Rey, Mestre da sua Guarda roupa , Tenente General da Província de Bearne , e
Reyno de Navarra. Faleceo em Rambouillet o Marquez de Noailles , Tenente
General da Província de Guiena ; e em Canadá o Marquez de Vaudreuil , Com-
mendador da Ordem Real de S.Luiz, e Governador General daquelle Estado.
O Principe de Rohan se acha convalecido da sua queixa , e a Princeza de Conti
viuva livre do mal , que padeceo em hum olho.
PORTUGAL. Lisboay.de Janeira.
A Rainha noflà Senhora visitou terça feira desta semana a Igreja da Congrega-
■** çaó do Oratorio , konde estava o Lausperenne , e se festejava ao glorioso S. *
Francisco de Sales.
Honrem se festejou no Paço com gala os annos da Senhora Infante D. Fran
cisca. .
Havendo chegado a esta Corte a noticia da Beatificação do Venerável Fr. Sal
vador de Horta , natural da Villa de Santa Columba , na Diocefi de Girona, e Re
ligioso Leigo Observante da Ordem dos Menores , prodigioso em Virtudes , e
admirável em Santidade ; a festejarão os Religiosos do Real Mosteiro de S. Fran
cisco desta Cidade , íolcmneraente com luminárias , repiques , fogo do ar , e dous
Panegyricos das suas maravilhas , no dia 2 7. deste mez , collocando a sua Ima
gem na Capella de S. Diogo do mesmo Mosteiro.
Por cartas , que vieraó do Rio de Janeiro , se tem a noticia , de haver arribado
/ ao porto da Cidade de S. Sebastião , a fragata nossa Senhora da Oliveira , que ti
nha sahido do de Lisboa em 1 7. de Abrilpassado para a China , por haverem as
sentado os Pilotos , ser passada a monçaó de poderem chegar já naqueile anno a
Cantaó : e que dando o Capitaó de mar , e guerra parte ao Governador Luis Va-
hia Monteiro , de que na mesm a fragata se achava o Embaixador Alexandre Me
rello de Sousa e Menezes , que Sua Mag„ que Deos guarde, manda ao Emperador
da China , o dito Governador o fora logo buscar a bordo , acompanhado de
toda a Nobreza da Cidade , deixando ordem aos Regimentos , para o receberem
formados na praya, e depois de o hospedar na sua casa doúsdias, lhe fez dar alo
jamento nas casas do Coronel Manoel Pimenta Tello , que saó as melhores da Ci
dade , para onde o acompanharão o mesmo Governador , os dous filhos do Vis
conde da Aflèca,quese achaó naqueile Paiz , os Mestres de Campo pagos da-
quella guarnição , e as mais pesfoasJWilitares , e Nobres, equea Camera fora
também comprimentar em Corpo ao dito Ministro , que alli havia de esperar a
monçaó propria, para continuara sua viagem, e executara sua commissao.
Sabio novamente â luzjhum livro emfolha , quese intitula Sol nascido no Oc-
cidente, e posto ao nascer do Sol Santo Antonio Pprtuguez; be bum Epitome
Histórico , e Panegyrico de sua admirável vida , e prodigiosas accoens , que esre
née> Bras Luis de Abreu. Vende-se na rua nova.
' * Na Officina de J O S E pITXnT Ò NIODASYLyA^
Com todas as licenças necejjarias.

GAZETA

DE LISBOA OCCIDENTAL,

Com Privilegio de S. MagcfUdc

Quinta seira 7. de Fevereiro de 1716. .


'1
ITÁLIA.
Nápoles 11.de Dezembro.
ESTAÇAM tem continuado ha tanto tempo rigorosa , e
inclemente , aífím contra a natureza dos homens } como con
tra a cultura dos campos, que se tem mandado fazer preces
publicas com Jubi'e:> de Quarenta Horas , em todas as Igrejas
desta Cidade , para íè impetrar de Deos N. Senhor a mercéde
fazer parar a chuva , e suspender as tempestades , que tem
causado no mar tantos successos infelices3 que se naó ouve ou
tra cousa nas conversaçoens. O Duque de Crivelli , Regente
do grande Tribunal da Vigairaria , visitou no ï. do corrente as cadeas, e man
dou soltar hum grande numero de prezos. A i . se fez no theatro de S. Bartholo-
meu a primeira representação da Opera , intitulada Astianax, posta em solfa pe
lo famoso Vinci , Mestre da Capella Real do Palacio do Cardeal Vice-Rey , e
foy universalmente applaudida.As differenças, que houve entre D. Miguel Im
perial] , Marquez Doria , Principe de Franca Villa , e o Conde de Conversano,
da Casa de Acquavi va , sobre hum desafio, que este fez ao primeiro } para se com
baterem a tiro de pistola , por cuja razaó esteve prezo muito tempo no Castello de
Milam , se ajustaraô solemnemente em Palacio por ordem do Emperador , em
i 1 . do mez passado } na presença do Cardeal Vice-Rey , do ConselnoColktcral,
dos Presidentes dos Tribunaes } dos Generaes , e dos principaes Cavalheiros desta
Cidade , com as condiçoens regradas pelos Condes de Thaun } e Staremberg,
que S. Mag. Imp. nomeou para ajustarem esta reconciliação : depois de reconci
liados declarou o Cardeal Vice-Rey em nome do Emperador , que S. Mag. Imp.
por hum effeito da íua c!emencia,totnando sobre si todas as offensas com metridas
nesta occasuó , ordenava , que se esquecesse absolutamente tudo o que nclla se u-
F nha
nha passado , e quê naô ficasse nenhum rancor entre clous taõ bons , e taõ fieis
Vassallos seus , mas antes huma boa amifade, como convém ao seu Real serviço.
Roma n.de Tkzpnbro.
XT O Domingo it>. do corrente celebrou o Papa Missa resada na Capella do
Vaticano Velho , no Altar do Papa S. Pio V. e alli conferio Ordens de Sub-
diacono ao Conde Hermano Luis de Freyen Seybolstorff , Ba varo de naçaõ , que
se acha na Academia Ecclcsiast ica desta Curia. A 1 7. de manháa foy à Igreja dos
Santos Apóstolos dos Padres Menores Conventuaes, onde estava exposto o cadá
ver do Cardeal Vallemani , Protector , que foy da mesma Religião , e acompa
nhado de 2 5. Cardeaes assisti o à Misfà , que cantou pela sua alma o Cardeal de S.
Mattheus , no fim da qual deu a absolvição, e despedido todo o Collegio Cardina
lício , celebrou Missa resada no Altar mór pelo mesmo defunto. A 1 8. houve no
Vaticano Congregação de ritos , sobre a Canonização dos Beatos Turibio , e
Joaó da Cruz.
A 1 9. pelas oito horas da manháa desceo à Sala do Consistório , e com os pou
cos Cardeaes , que alli se achavaó , por ser muito cedo, fez Consistório secreto, no
qual propoz a Igreia Archiépiscopal de Amida , ou como vulgarmente se chama
Caramist , in partibus , para D. Domingos Valentim , Abbade de Valsayn Con
fessor da Rainha Catholica. A Episcopal de Ceneda na Marca Taivigiana , do Ei
rado Veneziano de Dalmácia , para o Abbade D. Bento de Lucca , Veneziano. A
Episcopal de Ugento no Reyno de Nápoles , suffraganea de Otranto, para o Pa
dre Mestre Fr. Francisco Battaller, Religioso Carmelitano. A Episcopal de Cuzco
na America , suffraganea de Lima, para D. Bernardo Serrada, Bispo de Paaamâ;
e a Episcopal de Panamá, suffraganea de Santo Domingo,para D.Ágcstinho Ro
drigues , Sacerdote Castelhano. 0 Cardeal Octoboni preconizou a Igreja Episco
pal de Arraz em Artois , Província do Paiz Baixo Francez , suffraganea de Cam-
bray , para o Abbade Francisco de Baglioa de la Salle , Sacerdote natural de Leaó
de França ; a Episcopal de Valença no Delfinado, suffraganea de Vienna, para o
Abbade Alexandre Millon , Sacerdote Parisiano. O Cardeal de S. Clemente pro
poz a Episcopal Arandense, in partibus,como suffraganea da Episcopal dePosna-
nia em Polónia , para Carlos Poniski , Sacerdote Polonez. O Cardeal de Polignac
dimitrindo o titulo de Santa Maria in uia, optou ode Santa Maria dos Anjos, va
go por falecimento do Cirdeal Vallemani. O Cardeal Cienfuegos preconizou a
Epi scopal de Vesprin na Hungria, suffraganea de Strigonia , para Adam Aerady,
Sacerdote Húngaro. Acabado o Consistório foy S. Santidade visitar as quatro Ba
sílicas , para' ganhar o Jubiíeo , o querepetiono dia 2 O. pela manháa, em que no
meou para Deputado das Congregaçoens de Bispos , dos Regulares, e da I mmu-
nidade Eccesiastica , além das que ja rinha , ao Cardeal Marini ; e ao Eminenris-
fimo Coscia conferio a dignidade de Protector da Ordem dos Religiosos Conven
tuaes de S. Francisco , vaga por falecimento do Cardeal Vallemani.
A 21. tornou S. Santidade , como nos dous dias precedentes , a visitar as qua
tro Basilicaspor conta do Jubileo, principiando pela de Santa Maria Mayor , e
de caminho celebrou Missa na Sacristia de S. Joaó de Laterano , vio o novo Altar
môr , e Tribuna , que se está fazendo na Igreja de S. Joaó, e S. Paulo , por ordem
do Cardeal Paolucci , e nella ficou rezando o Officio Di vino, em quanto a soa fa
mília foy jantar no Mosteiro de S. Clemente , onde lho tinha m » ndado preparar y
•e recolhendo-fe ao Vaticano pela ponte de Quatro Cappi , se deteve a veras obras
-ào Hospital de S. Gallicano dalém do Tibre , e falíar com o Architecte delias.
Hoje pela manháa desceo à Basílica Varicana , e na Capella do Coro dos Co*
negos conferio Ordens a 1 7^. pefloas ; a saber, 1 8.de Primeira Tonsura, 1 2 . do
grao de Ostiarios, 1 3 .do dc Leitores, 1 6. de Exorcistas, ï 3 . de Acolithos, 4 1 . do
Su bdiaconos , 3 4. de Diáconos , e 3 1 . de Presbyteros , durando esta função mais
de nove horas, e meya. Fazem-se iodas as preparaçoens necessárias para le fechar
a Porta Santa , e por hum Edicto do Cardeal Paolucci , Secretario de Estado , e
Vigário geral deS. Santidade , se dispõem as cousas , que devem observar as pefit
soas, que allìstirem a este acto , e o que se deve fazer na noite , e festa de Natal lòb»
pena de castigo rigoroso. Também ror outro se ordena , que na Véspera da mes
ma festividade , delde a huma hora ate a noite estejaó fechadas as logeas dos
Mercadores, e Officiaes, também debaixo de varias penas.
O Cardeal Vallemani depois de vários legados,que deixou aos seus domésticos,
e varias Capellas , que fundou cm Fabriano , sua Patria ; deixou por herdt iro dos
scies bens ao Conde Vallemani seu sobrinho. O Cardeal Tolomei se ac ha de cama
com achaque perigoso , e se começa a duvidar da sua convalecença. O Cardeal
Cienfuegos , Ministro do Empcrador , recebeo hum Expresso da Corte de Vien-
na, e depois dc lidos os seus despachos , o expedio logo para Nápoles , sem se pe
netrar a importância délies. O Cardeal Fabroni padeceo no fim domez paliado
laum accidente de apoplexia , que lhe durou cinco horas , perdendo todos os sen
tidos , que recobrou pouco a pouco com o remédio das ventosas. O Cardeal Scot»
ri foy nomeado por S. Santidade para a Congregação do Santo Ofício. Chegarsõ
de Milaõ , e de Bolonha os Cardeaes Cusani , e Rufo. O Cardeal Marini se reco»
lheo no Noviciado dos Padres da Companhia de Jesus a fazer exercícios eípiri-
tuaes,e a prepararfe para reciber Ordens Sacras.A Senhora Duqueza D.Catharin»
ZeferinaSalviari,muiherdoCondcstable Colona, deu à luz na noite de 6. do
corrente hum terceiro filho.
O Vigário gérai de Casal de Monferrato, a quem EIRey de Sardenha tinha
mandado chamar por huma carta , em vez de lhe obedecer , partio furtivamente
para esta Cidade, onde em chegando teve audiência do Papa , por intervençsó do
Cardeal Corradini, e lhe referio a causa da sua vinda , moltrandolhe a mesma car
ta , que recebera de S. Mag. Sardiniense , a cujo Ministro S. Santidade mandou
fazer varias represcntaçoens , e queixas contra o modo de proceder de Sua Mag.
com os Ecclesiasticos. .j. - ;
Florença 1 4. de Dezembro. >.
f~\ Ultimo tremor de terra , que aqui se sentio no mez de Outubro passado , naó
só fez os damnos referidos na nossa precedente, mas em Marradi foy taó vio
lento , que arruinou quasi inteiramente a Abbadia de Susiniana da Ordem de S.
Joaó Gualberto } onde os Religiosos tiveraó grande trabalho para salvaras vidas;
Na Província de Romagna do Estado Ecclesiastico se sentio outro de novo , cujos
abalos destruirão hum grande numero de Igrejas , Conventos , e casas , em cujas
ruinas ficaraó sepultadas muitas pessoas. As chuvas , que tem corítinuado neste
Paiz desde 1 o. de Novembro em grande abundância, tem causado grandes cheyas
em todos os rios , e feito os caminhos impraticáveis aos Correyos. A Eletriz Pa
latina , e a Gráa Princeza viuvas affistiraó a 3 . do corrente na Igreja dos Padres da
Companhia de Jesus, â festa do glorioso Apostolo do Oriente S. Francisco Xa
vier. A Princeza Leonor voltou da sua casa de campo para esta Cidade , para on
de se recolheo sambem o Graó Duque na véspera da festa da Conceiçaõ da Vir
gem N.Senhora ; e em quanto esteve em Poggio hia duas vezes na semana a case
do Marquez Veroni ver osensayosde húa companhia de Comediantes do cam
po , que pertendem vir representar na Corte pelo Carnaval. A Marqueza Merlini,
iòbrinha do Cardeal Paolucci , chegou aqui de Ferrara a 2. do corrente pela ma-
nháa , e logo no dia seguinte continuou a sua viagem para Roma.
• As cartas de Génova dizem , que o Marquez de S. Filippe , Ministro de Hes-
panha , depois de se haver despedido da Regência daquella Republica , tinha par
tido a io. para a sua Embaixada de Hollanda , acompanhado de seus filhos , e
netos: e que se tinhaó embarcado naquelle porto para Barcelona 200. Soldados,
que tinhaó chegado de Helvécia. s-
, Veríeis 1 5. de Dezembro.
Vento j que tem continuado contrario ha quinze dias , naó deixa chegar ne-
V*' nhum navio de Levante , com que naó temos noticias daquelle Paiz ; porém
a 1 1 . partio daqui para Corfu hum grande Comboy de muniçoens de guerra , e
mantimentos , com o qual se embarcarão também 400. homens de reclutas, que
chegarão da terra firme , os quaes se devem incorporar nos Regimentos Italianos,
que militaóem serviço desta Republica. A galé de que era Capitaó Antonio Ma
rini j havendo acabado a sua quarentena, entrou a 3. do corrente no canal do Ar
senal , pira se desarmar , e nao se sabe se se tornará a aparelhar na Primavera pró
xima , porque ainda o Conselho Grande naó fez Eleiçaó do Nobre , que a deve
comrnandar.
Algumas cartas , que se receberão de Constantinopla dizem , que os Turcoj
animados ,e orgulhosos com as suas continuas vitorias , alcançadas na Perfia , pe
dem, que se faça hum Conselho grande , que possa tomar as medidasconcernen-
tes à guerra, que determinaó declarara huma Potencia Christáa , sua confinan
te r e que se suspeita seja esta a Rússia pelo grande ciúme , que tem a Corte Otto-
mana das Conquistas , que as tropas Ruffianas tem feito além de Derbent , deíe-
jando,que todo o Domínio Persiano fique obediente ao Scetro do Sultaó.
A Prmceza deFiano Ottoboni chegou aqui os dias passados de Roma com ai
suas duas filhas ,e se alojou no Palacio de S: Severa Entende-sc, que naó voltará
a Roma se naó no principio da Quaresma. O Conde de Gergy , Embaixador de
França ,.asconvidou a jantar segunda feira , e neste banquete concorrerão tam-
èema Prmceza de Massa ,0 Núncio do Papa , o Embaixador do Emperador , e
sua mulher ,e vários Senhores , e Damas do Paiz.
As cartas de Mikc dizem , baversc exposto o SantilFmo Sacramento com Ju-
(bileo de Quarenta Horas,em todas as Igrejas daquella Cidade a 2 8. do mez passa
do ,para pedir a Deosa iuspeniaõ das chuvas , que tem causado huma inundação
.géras em todas as ribeiras do Estado ; quedo Corpo do Senado se tinhaó eleito va-
jios Ministres , pava irem sindicar de vários Tribunaes , e rever as sentenças , que
nelies se deraó sobre alguns processos >que se. prepara o Palacio de Milaó para se
*îojarMS«ije ©Conde de Thaun > havtndo-se retirado já delle para o Palacio d»
- Príncipe de Trivulcioj.0 Conde deCollQredo''seu antecessoc .,
• i 1 . . .. ALEMANHA.
Viawazi.de Dnembrtk
*J A primeira Assemblea dos Estados da Áustria Inferior, respondeo, em nome
deUes, o Conde de Harrach, se» Marechal hereditário à pratica , que lhes fez,
W&Bome doEmperador,© Conde de Sintzend©rfí,Gra© Chancelier da Corte»
ao diltoikseguinte jfaliando cem Sua Mag.Imr.
i Senhor
SENHOR.
fìSa/o/sos Jîdeli(fìmos,e obedientijjìmos Estados,os Prelados ,Senbores , Ca-
^ 'valléiros , Cidades , e Lugares défie Archiducado de Anfiria da quemdorio
Ersse dchao reanimados de huma duplicada alcgria tta alertura da Ditta gcral
Îara o atmo proxitno ; pois V. Mag. Imp. os bot;ra com asua Augufta préserva , e
be quer expor dasua propria boca quar.ro importa À ftlicidade commua , o cotice-
derlhe humsubfidio cot.^vernente , e o darJim À présente Ditta no mais brc<xe ttm-
po y que for pojjîrvei.
Nefias dijp'ofooens os <vof]osfideliffìmos , e obcdientijjìmos 'Eftados retidem mui-
to bumildemenie as gravas a V. Mag. Imp. pela hot.ra ,que It. 'es haqv.erido faîjr,
epor todasassuas demonfitaçoens de%tiervoienciaEstao perfuadidos do incanseveí
atidado , que V. Mag. Imp. toma para adiantar o km dosscus Reynos , e dosfeus
Paixçs hereditarios. Apa\ , que f• acaba de concluir com a Hespanha , he huma pro-
va bem notoria ; e os <vojJos fidciijjìmos , e obedientiffimos EJìados o recotìhecan tan-
to , que nao deixarao de difiïrir promptijjtmatr.ente as proposas de V. Mag. Imp. e
de Ibe dar logo parte dasua resoluçaó. A refiituicao da pa\ gérai lhesja\esptrar}
axe pelo paternaï cuidado de V. Magt Imp. a* rao augmtntar asfabricas , e manu-
faíluras no Pai\, e que para Ihes procurar mayores rve?itagens,se empregarao relias
mmateriaes ,e generos ,que ticlle se achao , para que undo-se osfeus habitat.tes
prwidos de tudo or.cceffario }t:aô sejao obrigadus alwar acs Paixgs efirar.hos a
moeda corrente , cuja cïrculaçao no inttrìor dos Domiuios ,parecejer o mais firme
apqyo dasua prosperidade.
Mas comoa f elicidade •verdadeira do\Jnirverso , dépende sobre tudo da conser-
vaçao dasagrada pcjjoa de F. Mag. Imp. os ^ojjos muitoficis , e muito obeditntes
EJìados nao ctjjao de a pedir a Dtos nas suas craçoens , e se recomendao bumilijsi-
mamente , como eu tawbem na cohtinv.açao dosfa-vores } e graças de V. Mag. Imp.
Espera-íe aqui hum Embaixador do Duque de Lorena 3 que tem resoluto en-
rrar no Tratado de ali; nça , ultimamente concluido cm Laxcmbu rgo. O Empe-
rador manda hum Ministro a Turin , para persuadir a EJRey de Sardtnha o que-
rer entrar no mesmo Tratado.A indisposiçaó do Conde de Rabuttin tem retarda-
do a sua partida para Petrisburgo , donde se espéra brevemente o Conde moço de
Gollofskin 5 eom o caracter de Embaixador. O estado da Europa , que se acha
ao présente em hum ponto muy eritico jdá occasiaó a se fazerem srequenies con
férencias na presetíça do F.mperador. Aiïegura-se , que^o General Conde de Bon-
neval alcançará'brevtmentearaa sokura, epaíìàra a scrvír a Coroa deFrança.
Tem-se mandad© concertar, c melhorar com pressa as estradas do Ducado déc
ria j e de outras Provincias da Casa de Auftria , a íìm de as sazer maiscommodas
para o commercio , que se entende crtscerá muito com a declaraçaó , que o Em-
perador ftz de dar em Trieste porto fr?nco a todas as Naçoens cíírangeir^s.
- A 7. do corrente fez o Emperadorexpedir hum mandado sobre asobras5que
EIRey de Dinamarca mandou saaer no rio Albif, junio a Alfhcna, para que sejaó
demolidas no espaço de dous mezes. Deuse parte por ordem de Sua Mag. Imp. ao
Duque de Richelieuj Embaixador de Frar.ça , e ao Baraó de Huldenberg3Minis-
tro deIRey da Gráa Bretanha , como Eleitor de Hannover ,da aliança,queestà
para se concluir enfre esta Certe ,e a de PetristurgoT, de cuja rroticia osditosJVîi-
nistros deraó logo aviso por ExpreíTòs aos feus Sobçranps. Os arrigos separados
da que fizeraó em Hannover os Reys de França , Gráa Bretanha ,e PruJIìa saó,es
feguintes.. . -, . ; ., - . i
ARTJV
ARTIGOS SEPARADOS.
I. Por quanto as differenças ultimamente succedidas na Cidade de Thorn , e
as consequências delias , tem feito receyar a diversas Potencias , e Estados , que
em tal conjuntura se naõ levantem algumas perturbaçoens , em prejuízo da paz
de Oliva , naó fomente em Polónia , mas ainda nos Paizes visinhos , os Reys de
França , Gráa Bretanha , e Pruslia fendo obrigados a observar todos os pontos da
paz de Oliva , como abonadores delia , prometiem fazer todas as mais fortes re-
prefentaçoens , para alcançar a satisfação , e reparo de tudo, o que se houver em-
prendido contra o dito Tratado de Oliva. Para o conseguir daraó Suas Magesta-
des unanimemente aos seus Ministros , que se achaó em Polónia , as instrucçoens
convenientes , em ordem à infracção do dito Tratado , visto fer ellc o que assegu
ra inteiramente o repouso univerlal contra os perigos, a que sem duvida ficará
exposto , se huma paz taõ solemnemente jurada , como a de Oliva , chegar a pa
decer a menor iníracçaó.
II. No caso que o Império Romano se ache , ou dé por offendido dos íoc-
corros , que S. Mag. Christianislima fornecer aos Reys da Gráa Bretanha , e de
Pruifia , para os livrar das perturbaçoens , que se poderão temer nos Paizes , que
elies possuem , e que venha a declarar a guerra a EIRey Christianisiimo , compre-
hendendo também neste caso húa tal declaração a SuasMagestades Britannica, e
Prussiana , cujo interesse será a occasiaó desta guerra , estas duas Potencias forne
cerão naõ fomente o leu contingente em tropas , ou outros semelhantes subfidibs,
ainda mesmo quando naõ sejaó nomeadas nem comprehendidas no Manifesto da
guerra ,queo Império Romano publicar contra França , mas querem proceder
cm tudo com o parecer de S. Mag. Christianislima até o restabelecimento da paz,
que por semelhante caso se haja rompido ; obrigando-se S. Mag. Britannica mui
to em particular a observar fielmente nesta occaliaó , e em toda qualquer outra
oceurrencia os Tratados , concluidos com S. Mag. Christianiifima , que promet
te o mesmo da sua parte. '
III. Se succéder , que naó obstante afirme resolução , que S. Mag. Christia
nislima tem tomado , de observar exactamente todos os Tratados feitos com o
Império Romano , a que este presente naõ derroga , o dito Império Romano ve
nha a tomar alguma resolução contra França, em prejuízo da abonaçaó com
mua dos Paizes , que ella pollue , como fe ha estipulado no T ratado , hoje con
cluído , os Reys da Gráa Bretanha , e de Pruslia se obrigaó a empregar logo sem
demora , e pelo modo mais cfficaz os seus bons orticios , o seu credito , e a sua
sruthoridade , e impedir na Dieta pelos seus votos , e pelos dos Principes seus amt-
gos , que naó faça elle coula alguma a isto contraria ; mas fe contra toda a espe
rança succèdes, que naó obstante todo o seu cuidado, o Império venha a declarar
a guerra a França , ainda que em tal caso esta naó seja defensiva , e que por con
sequência , segundo as constituiçoens do Império , naó sejaó obrigados a forne
cer o menor contingente ; com tudo Suas Magestades Britannica , e Prufliana pa
ra tirar toda a occasiaó de duvida, quando já naó possaó dispeníarse de comprir
para com o Império as suas obrigaçoens, se reservaó a liberdade de fornecer o
seu contingente de Infanteria , e Cavallaria das luas próprias tropas , ou de outros
Príncipes , fia fórma que lhes parecer , sem que por esta razaó fe possa aceusar a
Suas Magestades de haverem faltado ao Tratado presente , o qual ficará subsistin
do com todo o seu vigor. ..:»..._•
E além disto protnettem os Reys da Gráa Bretanha , e de PruiTa naó fornecer
reste
neste caso con tra S.Mag. Christianissima mayor numero de tropas , que o que íaõ
obrigados a dar pelo seu contingente , e no mais estar no primeiro caso pjela obier*
vaçaõ da liga , pelo que toca a S. Mag. Christianissima , que naó poderá pelo que
Coca a este contingente commetter acto algum de hostilidade contra os Paizes^
que EIRey de Prússia tem no Império , ou em outra parte , nem pedir , ou per-!
tender debaixo de nenhum pretexto, nem contribuiçaõ , nem forragem ,nem
alojamento , nem passagem , nem qualquer outra cousa , que possa ser pesada aos
ditos Paizes , e Estados-, e reciproca nente osditos Paizes , Fortalezas , Lugares , *
súbditos naó poderáó fornecer nenhuma das cousas sobreditas aos inimigosde S.
Mag. Christianissima , que da sua parte promette , e se obriga , no caso que o Im-r
perio Romano chegue a tomar a resolução contheuda neste artigo , em ordem
aos Reys da Gráa Bretanha , e Pruria , a tomar abertamente o seu partido , e dc
os affistir com todas as suas forças , por virtude do presente Tratado até o restaber
lecimento inteiro da tranquillidade, com a reparação dos aggravos , e damnes.
Colónia 2 8. de Dezembro.
f\ Eleitor Palatino preferindo a vivenda de Manheim a todas as mais terras dos
seus Estados , tem mandado repa irar , e augmentar as suas fortificaçoens, re-
geitando as propostas , que lhe mandarão fazer pelos seus Deputados os Estados
das Provindas de]uliers,e deBerguen. As noticias de Alsacia dizem, que na
Praça de Landau se ajunta huma grande quantidade de mantimentos, e rorra-
gem ; e que se tem reforçado a sua 'guarnição com 4U. homens. 1
FRANÇA. Parias, de janeiro.
"T Odos os Principes , e Princezas do sangue Real tiveraó a honra de comprí-
•"- mentarem a Suas Magestades sobre a entrada do novo anno no 1 . do corren
te. EIRey fez no mesmo dia a funçaõ de lançar o Cordaõ da Ordem do Espirito
Santo ao Conde de Tarlô, Cavalleiro Polaco , parente da Rainha, na Capella Real
do Palacio de Versalhes , na presença de todos os Commendadores , Cavalleiros,
e Ossiciaes mayores da mesma Ordem , que acampanharaõ a S. Mag. desde o seu
Cabinete, e a Rainha vio o mesmo acto da sua Tribuna. No dia seguinte partirão
Suas Magestades de Versalhes para Marly, onde determinaó assistir alguns dias.
O Duque de Antin acompanhado de muitas pessoas curiosas , foy no fim do
mez passado a Cachan , junto de Arcueil ver em casa de Mons. Bosfrand , Archi-
tecto deIRey , e Inspector das pontes , e calçadas do Reyno , huma nova maqui
na feita por elle , a qwal com o fogo por meyo da rarefacção , e condensação do
vapor da agua , faz ele var huma grandíssima quantidade deste elemento, e depois
veyo ver'aPariz na casa do mesmo Bosfrand omodello de outra maquina, que
pelos mesmos princípios pôde fazer sobir a agua de huma mina 3 co. pés de altu
ra , por meyo de hum instrumento , que faz mover os pistoens no corpo da bom
ba ordinária , e basta hum só homem para fazer andar estas duas maquinas. Sen-
tenceou-fe no Conselho de Estados favor da Universidade de Pariz,num proces
so , em que ella litigava com os Impressores , e Livreiros , havia cem artnos , jul-
gando-se ferem huns , e owtros obrigados a se ex aminarem na presença dos Len
tes, para poderem exercitaras suas artes.
HE S P A N HA. Madrid iz.de Janeiro.
A Corte continua a sua assistência no sitio do Pardo com boa disposição , e ajt-
■C* li se festejou Domingo passado o comprimento de annps do Infante D. Car
los , que naquelle dia entrou nos onze da sua idade. Com o motivo dos reciprocas
casamentos , ajustados entre esta Corte , e a de Portugal , nomeou S. Mag. Catho-
lica
48 , ,. . .
lica parair por sen Embaixador extraordinário aquclle Reyno > o Marquez de los
Balbazes.
Chegou de Vienna o Conde de Konigseck , Embaixador extraordinário do
Emperador , e se alojou na quinta do Conde de Aguilar , situada nas visinhanças
desta Corte ; e a 1 6. do corrente teve a primeira audiência particular de Suas Ma-
gestades , Principe , e Lisantes no mesmo sitio do Pardo.
Tem-sopassado ordens para que as guardas do corpo,que se achavaó em Cata
lunha , se recolhaõ a Madrid ,e se retirem algumas tropas da fronteira.Ordenou-
se também, que todos os estrangeiros , que quizerem estabelecer fabricas de ren
das , e linhas para ellas , papel fino , e outras manufacturas , que ainda naó eítejaó
estabelecidas em Hespanha , posíaó vir a estes Reynos , e falsar com o Duque de
Ripperda , para lhes dar a direcção do que devem seguir, para lograr o que inten-
taó. E por haver esperado o tempo^o ultimo aílento , que se fez para provimen
to do paó para as guardas de Intanteria , se tem posto também editaes , rJara que
todas as pessoas , que quizerem tomar por asiento este provimento , e o da cevada,
e palha , para os cavallos das guardas de corpo , e das cavalharissas Reaes , como
também o da vestiaria para as mesmas guardas , e o do chumbo , fallem , e confi «
raó com o mesmo Duque. Também se tem determinado ajustarse por assento o
provimento dos Hospitaes , para as tropas de Estremadura , c Castella.
O Marquez de Castellar, Secretario que foy do Despacho da guerra , (cuja Se
cretaria se aggrega à de Estado,e Despacho do Duque de RippenJa)està nomeado
por Embaixador , e 'Plenipotenciário de S. Mag. à Republica de Veneza. D. Lu
cas Espinola está feito Director General da Infanteria.
Faleceo em 1 9. do corrente em idade de 50. annos a Senhora D. Catharína de
Moscoso , Marqueza de Vilhena , e Aguilar , Duqueza de Escalona , Senhora de
muitas virtudes , e muy especial na da caridade.
PORTUGAL. Lisboa 7. de Fevereiro.
' "SJ O primeiro do corrente nomeou EIRey nosso Senhor, que Deos guarde, por
seu Embaixador extraordinário à Corte de Madrid, ao Marquez de Abran
tes , Gentil-homem da sua Camera , com a occasiaõ dos casamentos recíprocos,
que estaõ ajustados.
No mesmo dia se declarou o casamento da Senhora D. Maria Margarida de
Lorena , neta do Duque do Cadaval , filha única de seu filho segundo D. Rodrigo
de Mello , e da Senhora D. Anna de Lorena, filha do mesmo Marquez de Abran
tes , com o Conde de Penaguião seu tio.
Nomeou S. Mag. para Vedores da Casa da Rainha nossa Senhora a Pedro da
Cunha de Mendonca , Donatário de Baldijent , e a D. Pedro Joseph de Mello.
Também fez nomeação de vários sugeitos beneméritos para as Cadeiras de
Theologia , e Medicina , que se achavaó vagas na Universidade de Coimbra , e
f^e outros para condutas , igualaçoens , e jubilaçoens.
Sabio à h:\ hum livrinho em oitavo , que compo\o Padre Constantino Barreto
ffa Companhia de Jésus , que se intitula Exercícios espirituaes , do mararutlhoso
Patriarca Santo Ignacio de Loyola , redm£dos a humaJd semana , e accontmoda-
dos a toda aforte de pejjoas particularmente Religiosas ; <vende-se na portaria de S.
Roque.
NaOfficina de JOSEPH ANTONIO DA SYLVA.
Com todas as licenças necejjarias.
Num. 7* 49

GAZETA

Quinta seira 14. de Fevereiro de

RÚSSIA.
Petrisburgo ï 5-. de Dezembro.
ODAS as cartas de Constantinopla confirmaõ os grandes , ë
rápidos progreílòs dos Turcos na Pérsia , e asapparencias de
poderem conseguir brevemente a conquista de todo aquelle
Reyno , desde o mar Caspio até Hispahan. Este bom succeflò
tem augmentado muito a naniral arrogância daquella naçaõj 1
e a nona Emperatriz prevenindo os seus effeitos,tem resoluto i
» fazer neste Inverno húa leva extraordinária de 4oU.homens»
. :i para se oppor aos seus designios,no caso que oSultaó pertenda
involver com o Domínio Perliano,que hoje tem,as terras conquistadas nelle pelo
Emperador defunto, e cedidas pela mesma Corte Ottomana a esta Coroa , pelo .
Tratado concluído ha dous annos em Constantinopla, o que se colhe de naó que
rer mandar fazer a demarcação dos limites , como tinha promettido , sem embar- <
godas instancias do Conde de Romanzoff, Ministro da Emperatriz. Os últimos
avisos , que se receberão de Turquia , dizem haver chegado hum Correyo com a ,
noticia de.se achar jâ o Baxá de Babylonia sitiando a Cidade de Hispahán , com
hum Exercito de mais de 70U. homens, e que a cada instante se esperava a nova
da sua expugnaçaó. Que as principaes Cabeças dos Rebeldes da Krimea haviaõ
sido presos , e conduzidos a Constantinopla : que o Graó Vizir tinha pasiado or
dens para se aparelhar huma Armada de trinta naos de guerra , e estar prompta
para o principio de Abril próximo ; é que o Enviado , que o Sultaó determinava
mandar à Corte do Emperador dé Alemanha , estava demorado com o pretexto .
de se querer saber, antes de se pôr a caminho, o succeíToj que tinha a negociação ,
do Agà , que o Graó Vizir mandou noyamente ao Bey de Argel , para ajustar a
paz entre o mesmo Emperador, e aquella Regência. O Conde de Gollofskin mo
ço , filho do Graó Chancelier , que vay por Embaixador a Vienna , partio no
• G princ>
principio destemez , e le và'a comittva de trirtta peflbas , e scflènta cavallos , aléni
de huma carrossa , que vay carregada com os présentes, que a Emperatriz manda
ao EmperadordeAlemanha, e aos feus principaes Ministros. Este Conde fez o feu
caminho por Varfovia, onde fe ha de dilatar algum tempo. Temfe recebido dous
Correyos de Polonia dentrô de oito dias , que logo voltaraó defpachados, e se en
tende fer a materia délies a alíança , feita entre a noíïà Corte , e a de Vienna , etn
que Sua Mag. Poloneza pertende entrar-
0 Principe de Repnin,.Governadór General daLivonia , chegou a 30. do
niez paflado de Riga , para dar conta à Emperatriz do estado das tropas , que es-
taó em quarteis naquella Provincia , a-que paflbu mostra ha pouco tempo, e se
assegura , que consistem emdez Regimentos de Infanteria , de 3 U. homens cadi
hum , e em quatro de Gavallafia , cada hum de 1 500. homens, todos bem mon-
tados.
Fallase eniaugmentar'as tropas , que temos na Persia , até o numéro de 60U.
homens , e em Mofcow fe esta preparando hum grande comboy de muniçoens
de guerra para Astrakan. O corpo de tropas de Meckenburgo,que consta ao pré
sente de 4U. homens , tem recebido ordem de estar prompto a marchar, e os feus
Officiaes fazem actualmente trabalhar nas suas equipagens. O Senhor de Mote,,
Çonfelheiro privado do Duque de Kurlandia , chegou aq.ui ha poucos dias , para
Î>edir o embolço das sommas de dinheiroyque as tropas Ruffianas tiraraó dos feus
iibditos nos annos précédentes , em que eítiveraó de quartel nos feus Estados ; e
entregou ao Conde de Golfofskio'jGraó Chancelier , hum Mémorial da sua im-
portancia , que monta dous;miIhoens de florins de Polonia. Temfe manJado or-
dons ateMmistrbSi<jueaflistem nas Cortes Estrangeiras, para tomar a soído Ma-
cmheircwexperiraentados dâ pefca dasBaleas, afim de fervirem à Companhia,
qde quer^eflabelecer em Archange! para trátar deste negocio.
Todos osMosteiros dos Estado» cíêste Imperio , tém recebido ordem de man
dat à Corte hum roi exacto das suas rendas, e outro da sua despeza. Dizem, que o.
Principedtt MenzikòfFtemdefcuberto hum meyo sacil de achar os meyùs néces
saires para o pagamento j e subfistenciádas tropas* . .
A Bteperaoriz fòy no fim do mez paslàdo ao Mosteiro de Schluíïelburgo > on -
de ouvio Missa , e fez as suas devoçœns. Em 5. do corrtiate , que corresponde ao
de 1 jf« deNòvembro daxorreçaóGregoriana , dedicádo à testa deSanta Catha-
finade Afexandria> se sestejou o nome dé Sua Mag. Impique foy.cocroriimn-
lada pefos Ministros Ectrangeìros , e por todos os Senhores da Corte. No Paço>
jbftuve hum banqueté magnifie©, em que affistiraóo Duque de Holfacia,o Prkt-
(■i^edeGeorgtacomfeafiJho, efeuirmaô, todos os Ministros Estrangçir-os , e
todos osGrandes dsbRúífí». A <í. Jeu o Duque de Holfacia outro banqueté à mef-
ma compaahia. A Odade entrou tambera nette fêstejo com tres rtoites de iumi-
n&rias. A Emperatriz foy no dia 5. pela manháa dar graças a Deos na Igreja da
Sannilìma Triudade ,com a Prinoeza Ifabel sua filhá , ealli ouvro hum élégante
Sermaó , que fez o Arcebifpo de Tueria, e depoii de acabada a Mislà, volcou peio
rio N«*4 para o feu Palacio ,recebendo as sabras da Fortaleza , e'AJmiraátado^ e
de toda a mofqratam das tropas , que aqTuj dìaó de guarnîçaójque estavaiébor-
danáó etstlinha huma das ríbeiras. Toda aCòrterftavà de gala ,eyceptoa£mpe-
rftrîz,:quese conserva no meínso toto. Com esta occasraó fez SJHÏag.Imp. varias
raercés, e entre ellas a de dár a Cidade de Batourin, que he Cabeça de huma Co*
nS*rtìMíBFUkfatìia ,aa Piinçtpe de Menzikoíf, para çUe > e feussucceflòres a<p«f+ .
futïtra
suirem de juro, e herdade. Também declarou por seusConselncîics ptìvadtf
actuaes ao Principe de Kourakin , ao Conde de Matueoff, e aoBaraó deOfter-
man : por Secretario do Cabireteprivado a Aleixo de Makaroff : por Conselhei
ro privado da ChancelJariaa Mons. Stepanow , ambos com patente de Generaes
de Batalha : por Secretario do Cabinete com a de Brigadeiro a Mons. SiikazsofT:
por Contra-Almirante a Alexandre de Nariskin : e por Capitão de mar} e guerra
a Joaõ de Nariskin.
Terça feira paliada , que foy dia da festa de Santo Andre , que he o Patraõ da
primeira Ordem Militar dos Cavallciros da Rússia , foy Sua Mag. Imp. acompa
nhada da Duquezade Holsacia, à Igreja da Santiflima Trindade , onde Jogo con
torno o Duquede Holsacia, e todaaCorte com vestidos de gala, e depois de aca
bado o Sfrmaó , que fez o Bispo dc ]aroslavia , emappkulo do mesmo Santo,
conserio a honra da dita Ordem ao Conde de Cederhiekn^EmbaixadorPlenipo
tenciário de Suecia,e ao Principe Joaó Federico de Romadanouski,seu GonselbeH
ro privado ; e a da Ordem de Santo Alexandre Neefki ao Baraó de Cederkreutz,
Enviado extraordinário de Suécia , e a Mons. Gordon , Vice-Almirantç da Ar
mada. Acabadas asfunçoens da Igrejâde recolheoa Emperatriz para o Paço, on
de houve hum grande banquete , errrque assistiraó o Duque de Holsacia , e todos
os Cavallciros da Ordem de Santo André ; ojantar durou até perto danoite , era
que todos acompanharão a Emperatriz a té o Palacio da Duqueza de Holsacia,
onde esteve a Igum tempo , e depoisde reconduzida outra vez ao Paço Imp. em
pregarão os Cavalleiros todo o resto do seraó em andar por casa huns dos outros»
como he costume , e de noite houve luminárias geraespor toda a Cidade.
A Duqueza de Holsacia continua com bom successo, e perfeita dísposiçaé a sua
prenhez ; e entende-se , que a Emperatriz naô emprenderá a sua viagem de Mos
co* antes do seu parto. O Duque seprepara para fazer huma brevemente a 'Natv
va , para ver as forrificaçoens daquelsa Praça ,-e alli se dilatará alguns dias , para se
divertir com muitos Senhores da Corte ,em lazer montarias aos Lobos, e aos

POLÓNIA.
Vitrfavta 2 2.de Dezembro.
COm a noticia de haver partido de Dresda para este Reyno o Principe Eleito*
ral deSaxonia > partirão daqui haquatro dias muitos Senadores,* alguns dos
Senhores principaes desta Corte , para o irem receber na fronteira de Silezia, onde
já se tinha mandado hum destacamento das tropas do Exercito da Coroa , para,
lhe servir de escolta. S. A. Real chegou hontem pela manháa a esta Cidade , e foy
alojado no Palacio do Castello, no quarto, que em outro tempo oceupava o G raõ
Thesoureiro da Coroa.Todosos Senadores , peflôas de distinção , e Ministros es
trangeiros tem concorrido a lhe daras boas vindas» « todos se recolhem muy satis
feitos do muito agrado , com que os recebe. A Prineeza sua esposa se espera no
principio do anno próximo , e se servirá do quarto, que se concertou novamente.
Suas Altezas Eleitoraes seraó assistidas com tudo o necefiãriopor conta delRey , e
na mesma fórma toda a sua Corte. Sua Mag. continuará a fazer a sua residência
no Palacio novo , mas virá de quando em qvjando ao CasteKo,
O Conde de Wratíslao, Embaixador do Emperador,deu outro vovo projecto
de ajuste ao Primaz do Reyno , e fez novasrepresentaçoens aos Senadores , para
ospersuadir aromar a pór a Religião no mesmo estado, em que estava em THorn,
c conservar à nfteftna Cjdade os seus privilégios , e direitos , porem dizem,queO'
, tJ-:
Pri maz lhe tornara a dar o pape! , sem o haver examinado, e que os Grandes per
sistem em naó quererem escutar proposta alguma a favor dos Protestantes. EIRey
mandou expedir novas cartas convocatórias aos Senadores do Reyno, para se
acharem sem demora na Corte, e assistirem às Conferencias, que se pertendem fa
zer, sobpena de se lhes naó dar parte do que resultar das deliberaçoens , que nel-
las se tomarem ,na fórma das Constituiçoens do Reyno. Sem embargo desta com-
minaçaó se assegura , que poucos Senadores viráó a Varsóvia , com que o Conse
lho do Senado , que se deve fazer a ï 5s. de Janeiro, naó será muy numeroso. A
Dieta do Reyno deve começar as suas ÂÏÏèmbleas quinze dias depois. Corre a voz
de que os Mini stros de Inglaterra , e Hollanda se retirarão anres das Conferencias.
A gente do campo principalmente os Nao Conformados, tem por taó infallivel a
fuerra , que começaõ a levar os seus moveis de mais preço para as Praças forti-
cadas , com o i ntento de os pór em seguro.
Faleceo subitamente em 16. do corrente Mons. Ritinski , Palatino deCulm,
que como Presidente pronunciou a sentença , que se executou em Thorn ; deu S.
Mag. logo o seu posto de Palatino, que rende 1 2 U. florins Polonezes por anno,
ao Camereiro mór da Coroa ; e dizem , que também tem dado o cargo de Graó
Mestre da Artelharia,que o mesmo defunto possuhia, a Mons. Poniatowski,The-
soureiro da Lithuania. Também faleceo de morte súbita a o. deste mez Mons. Fi-*
lai n , General de Batalha, e Coronel das Guardas do Corpo delRey, e foy sepul
tado no dia seguinte , com huma pompa extraordinária. Começava a marcha
>or tres peças de artelharia. Seguiaó-se 80. Guardas do Corpo, e logo 3 OO.Guar-
as da Coroa , que precediaó immediatamente o tumulo , a quem seguiaó logo
todos os Gcncraes , e Officiaes de guerra , que se achavaó na Corte >e ao darseíhe
sepultura , se fizeraó tres salvas de toda a artelharia , e de toda a moíquetaria da
guarnição. Também dizem , que faleceo o Palatino de Sandomiria,
SUÉCIA.
Stockholm z 3. de Dezfmhrsk • .'„. . \
Ç Uas Magestades , e a Duqueza viuva de Mecklenburgo se divertem muitas.
*^ vezes em ver representar a Comedia Franœza. Os Ministros de França , e da
Gráa Bretanha tiveraõ segunda Conferencia com os Ministros , que S. Mag. lhes
nomèóu para seus Conferentes , na qual convidarão formalmente a S. Mag. para
entrar no Tratado , feito em Hannover. O Secretario da Embaixada do Empera-
dor faz todas as reprefencaçoens , que pôde para embaraçar esta convenção , e es
pera com impaciência a chegada do Cõnde de Freitagh, Enviado extraordinário
de S. Mag. Imp. para apoyar com mais força as luas diligencias , e a do Ministro
de Rússia, encaminhadas todas naó fomente a çyitar a accessaõ delRey ao dito
Tratado , mas para meter esta Coroa no que novamente se trata entre o Empera-
dor de Alemanha , e a Emperatriz da Rússia seus. amos. Naó se sabe ainda , qual
será a resolução desta Corte. . ' ;- . . _• ,
Sobre p Memorial . que o Conde de Brancas , Embaixador de França , deu a
EIRey recomendanqolhe da parte de S.Mag. Christianissima , as pertençoens del
Rey Stanislao , respondeò o Senado : Que 4 EIRey ,e ao Senado era bem notório,
que o defunto Rey Carlos XII. tinha feito huma aliança com ElRey Stanislao ; mas
que os originaes defte Tratadofetinkaò'perdido; efe nao achava mais que huma
topia , pela qual hè verdade, quese -via, que o Rey defunto iifiha. prmettido suhfi-
d;os annuats a este Principe , mas fomente com certas condiçoens , e que além difjo-
todas ejías perten^eus efiarvao extintas por morte de S.Mag. Sueca ;porém, que a ■
Coroa
Coroa de Suécia mo deixaria de empregar osseus tons ofícios com ElEey de Poló
nia ,para o persuadir , a que deixe lograr a ElRey Stanislao das rendas dosseus
EJlados , efazçndas. Com esta reposta despachou Jogo o Conde de Brancas hum
Expresso à sua Corte.
ò Conde de Gollovin , Ministro da Rússia , appresentou hum Memorial , pe
dindo se lhe mande entregar hum Architecto Francez, que aqui mandou prender,
por haver sahido,sem licença da Emperatriz da Russia,da sua Corte, onde a estava
servindo , mas o Conde de Brancas tornou a renovar as suas instancias , para que
seja mandado soltar para poder recolher-se a França , declarando naó haver sàhi-
do daquelJe Reyno , le naó com a permissão delRey Christianissimo , e por hum
certo numero de annos , que já tem expirado ; porem entende-se , que este nego
cio se naó poderá terminar se naó por huma convenção , feita entre as Cortes de
França , e Ruflia. Espera-se aqui a toda a hora o Baraô de Bullou , para pór em
ultima conclusão o ajuste das di fftrenças, que houve entre a nossa Corte, e EIRey
de Pruffia seu amo , sobre o Conde de Poste.
As tempestades , que tem feito estes dias causarão muitos naufrágios no mar
Bald co , e no do Norte. Na Costa de Dinamarca o padeceo hum navio de Ruaó,
em que vinhaõ embarcadas as equipagens do Embaixador de França. Outro,que
vinha da Scamnia com os moveis mais preciosos da Condessa de Piper^eve a mes
ma desgraça , e corre a voz de haver também perecido junto a Ilha de Rugen o
navio , em que se tinha embarcado haverá dous mezes para Stralsunda,, o filho
único do Baraó de Lillienstedt. ■ ; >. ■ r ,- ..... ;i
DINAMARCA.,
Copetihagben 2 p. de Dezembro. , .' ,
Tp LRey ,ea Rainha continuaó a sua alfistencia em Federiksberg. Hontem che-
*^ gou aqui o Conde de Freitagh , Enviado extraordinário do Emperador , e lo
go teve audiência particular delRey. Dizem , que partirá brevemente para Suécia,
para onde está também de partida o Ministro dacjuelle Reyno , que já teve audi^>
encia de despedida de S. Mag.Tem-sc passado ordem a todos os Cabos dos Regi
mentos, para estarem aparelhados para a revista geral, que S. Mag. tem derermi-»
nado fazer depoisda Pafchoa. Os Directores da Companhia da índia, estabelecia
da neste Reyno , receberão aviso de que o seu navio , mandado pelo Capitão Hof-
man , tinha chegado felizmente ao cabo de Boa Esperança , e que se di spunha a
continuar a sua derrota, para Tranquebar. r<\ ,
ALEM A N H Jk
i «/ o ffatmwer q.dejaneim <■. '
O Abbado pastado 2 o. de Dezembro concorrerão ao Palacio todos os Càvalhei-
*^ ros deste Eleitorado , que aqui se achavaõ , para se despedirem de S. Mag. e c*
comprimentarem sobre a sua viagem , a que deu principio huma, hora depois. A
despedida de S. Mag. e o Principe seu neto foy muy cheya de ternura. A Casa,
que poz a S.A. naó foy ainda completa. Todos os Cavalheiros , que assistirsó à sua
educação foraó remunerados com empregos mayores. Moqf. de Groot ,que foy
o ièu primeiro Ayo , foy feito Graõ Balio do Ducado de Lawcnburgo, e ficara
algum tempo exercitando o cargo de Mordoma mór , para lhe assistir com o seu
Conselho. Messieurs de Neuburgo , c de Sertieres- , seus Governí dores em segun
do lugar , foraó feitos Conselheiros ,-e Gentis-homens da Camera de S..A. MonC
Khunel j seu Mestre, foy também feito .Conselheiro , e Thcsoureiro do Bolsi
nho. Tanto que EIRey partio , S. A. Rea 1, e o Príncipe GuilheJmo de HaisiarCa/r
• "' * ' U
Mie spraó divertir na caça , e naó voltarão a esta; Cidade , se naó pelas duas horas
dajtarde^Ó Principe de Hailia pardo daqui no uJdmOide Dezembro. O Conde de
Lippa irá brevemente a Manheim com huma commiflaó de S. Mag. Brir. Mons.
Thom , que era hum dos Secretários Alemaens delRey, passou a servir ao Duque.
Reynante de Brunswick-Lunenburgo , que o fez leu Conselheiro , e mandou
por seu Residente a Londres, para onde pardo no primeiro do corrente.
Berlin 4. de Janeiro. 1
E LRey de Prússia mandou novamente aiíegurar ao Primaz , e mais Senadores
[de Polónia , pelo Minittro , que tem naquelle Reyno^ que o seu intento , e »
das mais Poçencias Protestantes naó he outro mais, que de conservar a paz cora
aquelle Reyno , e só desejarão achar meyos de accoramodar amigavelmente as
queixas ,;que ha sobre matérias de Religião ; porém temsc observado , que depois
da chegada de hum Expresso , fez S. Mag. hum Conselho privado, e mandou ex
pedir ordens, aos seus Gener aes , para terem as tropas promptas a marchar na mes
ma hora , em que lhes for ordenado , e corre a voz , que o Residente de Sua Mag.
que assiste em Dresda , voltará para esta Corte , e o de Saxonia , que aqui reside,
ie recolherá a Dresda.
... ... Vienna 29, de Dezembro.
COmo os negócios da Europa crescem cada dia mais , e se achaõ mais embru-
, , - ; lhados que nunca , se duplicaó também os Conselhos , e Conferencias de Es
tado. O Emperador assistio a.dous, Sabbado, e segunda feira , em que se tomarão
algumas resoluçoens. Tem-se mando ordens circulares a todos os Capitaens ,a£»
sim de Infanteria, como de Gavallaria, para terem as suas Companhias completas,
antes do fim de Março próximo, sobpena de as perderem."1 Dizem , que determina
S. Mag. Imp. ajuntar hum Exercito de J 6 U. homens sobre o Rheno na Pri ma-
vera próxima , outro de 3 oU. no Paiz Baixo , e hum de 40U. no Estado de Mt-
Jaó , e que tem resoluto mandar hum Ministro à Corte de Baviera. O Conde de;
Harrach está de partida para a de Turin. Ode Raburin espera hum Expresso, que
se mandou à de Petrisburgo , antes de fazer jornada ; mas o Residente da Ruffia,
dizem , que recebeo por outro hum pieno poder daCzarina , para concluir , eaf-
fignar o Tratado , que se negocea entre estes dous Impérios. Mons, de S. Sapho-
rino , General , e Ministro delRey da Gráa Bretanha , chegou aqui de Helvécia,
eemultímo lugar de Munick , ondefoy propor hum negocio da parte desetíV
amo ao Eleitor de Baviera. As cartas de Manheim dizem , que o Ekitor Palatino
mandara chamar todos os seus Generaes , e Governadores das suas Praças, para
assistirem a hum grande Conselho ; e que tem resoluto mandar hum Ministro a.
Londres. O Duque de Sultzbach se acha (conforme dizem) incognito nestã
Corte , para solicitar a successaó do Ducado de Duas Pontes , e dos de Berguen, e
juliers, sobrevivendo ao Eleitor Palatino.
A Republica de Veneza tem mandado offerecer ao Emperador , que fará fa
bricar à sua custa huma nao nova de guerra , em lugar da que se queimou no seu
porto , pertenecate à Companhia Oriental de Trieste , por culpa de alguns many
íiheiros Venezianos.
FRANÇA* ;•
Pari\ lyie Janeiro.
S Uas Magestades Christianissimas continuaó a sua residência em Marty : os Se
nhores, e Damas , que ròraó nomeados para esta viagem, saó o Duque de Or
léans, o Duque de Bourbon f o Conde de Charolois , o Conde «k Qctmor* , e o
'->; Principe
Principe de Còntí , que saó os Principes do sarigue. O Duque de Maine,© Ùxiàè
deTholosa, oPrincipe deDombes, eo CondedeEu. OCardealdeReriart,b
antigo Bispo de Frejuz , e os Bispos de Met7 , e de Rennes. Os Principes de-Roi
han , e de Egmont , o Principe Carlos de Carignano , ó Principe de Taírhòiit. O
Duque de Aumont , o Duque de la Rochefoucault ,[o Duque deTaflard ,oOti-
que de Duraz , o Duque de Biron , o Duque de Gramont , o Dâijue'.dè' Antin, à
Duque de Charost , o Duque de Gesvres , o Duque de Rochegukm. O Maréchal
d1 Etrées , o Maréchal de Villars, o Maréchal de Roquelaure. O Conde de Bit*
viera , o Conde de Arpajoux ,o Conde de Gramont , o Conde de Suse , o Conde1
de Dreux , o Conde de TetTé , o Conde de Gaesbriand , o Conde de Maurepas,^
Conde de Merode , o Conde de Artaignan , o Conde de Frauslé , ó Marquer do
Courtanvaux , o Marquez de Sovré , o Marquez deCroiflì , o Marquez de Be-
thune , o Marquez de Breteuíl , o Marquez~de Alincourt , p Marquez de .Vjjlars,
o Marq uez de Matignon , o Marquez de Nesle , o Marquez de Puíffieuxi Mes
sieurs Dodun , deGonraut , de Chalais , d3 Epernon , de Seignelay , d' Elpíhay*
de Lasie , de Coigny filho , de Clermont-Do , de Pesé, de Viuaeerr, de BuurféVSjí
de Retz , de Rufec , de Prie , de Humieres , de Montaran , de Pont , de Lròtìne,-
(k Manon , d3 Autray , de Saillant ,<rTessc , eoutros.
. Madama Real de Orléans , a Duqueza de Orléans , Madama a'Duquëzií de*
Bourbon , Madamoiselle de Clermont a Princéza de Conti , MadaitìoiíeiJe'dd là
ftoche-suryoru Mesdames a Marecha la de Bourìers,de Pont, dé Bcllaij de M»fflí^
de Prie , de Egmont , a Duqueza de Tallard , a Princéza de Carignan , a-Mare-
chala de Etrées , a Duqueza de Gramont , a Duqueza de Bdhon , a Duqueza de.
Vrillars , as Marquezasde Livri , de Morville , de la Vrilliere , de Villars , de Má-
rignon, de NesJe, de Alincourt; e as Condeflas de S. Florentin» de Grâces d* Eper
non , d3 Espinai , de Potier , de Mareille , de Clermont , de Chafot , de Bòissi , de
Sésane, de Dodun , dé Rupelmonde, deGontaut,de Chalaye, de Villeneuve, cfe!
Ribeirac , de Sordaille , e deTavanez. Tôdos os TVibunacsdósMinístròs'de'Ef-
tado ficaraô em Verlálhes.
As carras de Alsaci.i dizem , que o Govemador de Landau, e os das outras Fra-»
çaîdaquellaProvincia ,tinhaó recebidoordem para virem àCorte affistira aigu-'
nus Conférencias, em que se devem tomar as medidas necessarias para sustentar o'
Tratado da paz de VVestphaKa no Imperio. Entre tanto as tropas , que estaó na:
mesina Provincia íè completaraô , e reíorçaráó com algurts Regimentbs velhos,
parafe poderpórern campanha na Primavera proxima hum Exercito de 5 oÚ.
homens , sem debiiitar as guarniçoéns das Praças. Fazcm-se tambem naqueUa'
fronteifa grandes Armazensde muniçoens de guerra , e mantimentos , para o que'
sc-tem prohibid*>n«vamenrc-o poderem sabir alguns do Paiz para os CantoenS
deHelvecia.
Fakceonesta CSdade em 4. do corrente em jdadé dt ftí arirìos o Padre An-
gelo, Religioso Agostinho Desealço, que trabalhavaem huma nova ediçaó da
Historia Genealogîca , e Chronologica das Casas Reaes de França , e das dos-
Grandes Qmciaes da Coroa , e a tinha accrescentado considéravelrôentew
j t m li t S P A N H A. Madrid zç. & $4Wro,
Á Corte cóh'tirina'com boa dirposiçaé nosiìfodo Pàrdo. *uá Mag; para evîtaj- x>
grave prejuizo de se levar para fóra destes Reynos a moeda correirte, princi-
palmentea de ouro, attendendo ao bem dos seus-vaflÊriios , foyfervîdodarmais
valor à moeda , que 0 intrinseco ; mandandopor Décret© de 1 4. deste mez , que
os dobroens , que ategora eorriaô por 1 6. reales de prata doble , valhaó 1 8. bs de
dous escudos ? 6. os de quatro j z . e os de oito 1 44. e a esta proporção o que cor
responder em cobre para o curso do commercio; e que assim se observe sem a mí
nima alteração , e^que os empréstimos , que se houverem feito por escrituras , ef-
criras de obrigação , ou em qualquer outra fórma , se devaõ satisfazer na proprit
moeda, respeãi<vè ao valor, que tinha ao tempo do defembolço. Também Sua
Mag. Catholica foy servido nomear a D. Joseph Patinho, para ir a Bruxellas, e re
sidir naquella Corte , para negócios do seu Real serviço ; e attendendo ao zelo , e
desinteresse com que o serve o Marquez de Castcl-Fuerte , actual Vice-Rey , e
Capitão General do Reyno do Peru , lhe fez mercc de 2 oU. patacas cada anno,
por modo de ajuda de custo,além do soldo, que lhe toca pelo cargo de Vice-Rey.
PORTUGAL.
Lisboa 14.de Fevereiro.
A Rainha nossa Senhora foy a 5. do corrente à Paroquial de N. Senhora dos
Martyres, em que folemnemente se festejava ao glorioso S. Braz;e quarta fei
ra passada à Igreja de N. Senhora dos Remédios das Religiosas Trinas de Campo
lide , onde estava o Laus percnne , e depois andou vendo o Mosteiro.
Sahio com efFwito no dia 6. do corrente a frota , que estava aparelhada para os
portos do Brasil ; a qual^nstava de 1 4. navios mercantis para o Rio de Janeiro,
7. para a Bahia , hum par\ Pernambuco , 2. para a Costa da Mina , e hum para
Angola , tudo à ordem do Capitão de mar, e guerra Joseph de Semmedo , na fra
gata N. Senhora da Assumpção , que lhe ferve de Comboy.
Achaóie surtos ao presente no rio desta Cidade 44. navios Inglezes , 1 $ . Hol-
landezes , 8. Suecos , 7. Francezcs , 6 . Hamburguezes , 4. Dinamarquezes , 2 . fé
rias Hefpanholas , e 2. Genovezas , além das embarcaçoens Nacionaes.
Em 3. de Fevereiro fajeceo no Hospício do Menino Deos, da Ordem Tercei
ra de S. Francisco de Xabregas , o P. Fr. Thomc de Santo Antonio, Religioso da
Província dos Algarves , Varaó de insignes virtudes, bem conhecido nesta Corte,
aonde com a noticia da sua morte se juntou muita parte da Nobreza,e Pòvo,huns
tocando contas , outros tirando parte do habito , e fendo levado nessa noite para o
Convento de S. Francisco de Xabregas , concorreo no outro dia , em que o sepul
tarão , grande numero de pesiòas a fcazer a mesma diligencia , ficando o seu corpo
flexível, comos olhos taó claros j como se estivesse vivo. .:
Huma creatura possessa , que elle regia , achandose na Igreja do mesmo Hos
pício , a tempo que para ella traziaõ o corpo , se enfureceo de tal sorte o demo-,
nio, que sérvio de espanto aos circunstantes ; e mandando hum Religioso por
obediência lhe beijasse os pés, o fez com muita resistência ; mas logo se achou ali
viada tanto , que ao outro dia assistio ao seu enterro , sem ter sentido algum mo
vimento.
. No dia 5-. lhe fez a mesma Ordem Terceira Exéquias nó Convento de Xabre
gas , com assistência de toda a Mesa, e Nobreza desta Corte.

Na Oficina Ferreirianasahio turvamente imprefjo o qtiarto tomo da Monarchi*


Português , aCcrescentado. Vendese na mesma Oficina , aonde se açbara toda *

NaOfficina dejOSEPH ANTONIO DA SYLVA.


Com iodas as licenças neceffarias.
N um. 8»

GAZETA

Quinta seira 2i, dc Fevereiro de 1716,

TUR QJJ I A.
Constantinopla 7. de Deiftnbro.

EPOIS do grande Conselho , que se fez sobre os negócios da


conjuntura presente , se naó ouve fallar em outra cousa mais,
que em preparaçoens de guerra por terra , e por mar , e saó as
mayo res , que se tem visto ha muito tempo. Como Mons.de
Andrezel , Embaixador delRey d e França nesta Corte, com-
municou ao Graó Vizir o ulúmo Tratado , concluído em
Hannover entre a Coroa Franceza , e as da Gráa Bretanha , e
Pruffia , expondolhe as consequências, que delle se podiaó el-
perar , e o Graõ Vizir mostrou hum grande contentamento desta noticia , se tem
.por certo que esta esperança , e o orgulho , em que tem entrado esta Çorte com
os felices progressos , que tem feito na Pérsia as suas armas , lhe influem as ideas
de intentarem huma di versaó a favor dos ditos Aliados , e que para effeito de po
derem empregarfe nella com mais desembaraço , pertendem concluir primeiro a
guerra da Perlia , e tomar a Cidade dé Hispahan , antes que o Graõ Mogor possa
chegar com.o seu Exercito a soccorrella em favor dos Rebeldes, cujo partido até-
gora sustenta ; e a este fim puxou o Baxá de Babylonia por tropas dos outros cor
pos, e com hum Exercito de 1 1 oU.homèns se poz a caminho com grandes mar
chas para a sitiar. - ... ''}
. No mesmo Divan se tomou a resolução de aparelhar para a Priihavera pró
xima huma Armada dej.o. até 40. naos de guerra , além de hum grande nume
ro de galés. Algumas cartas da Pérsia dizem , que muitas das Províncias , que esta-
vaõ pelos Rebeldes , fe começaô a declarar a favor do jSophi. O Embaixador de
França , que aqui logra ao presente huma grande estimação, despachou hum Ex-»
gresso à sua Çorte , com a noticia, de tudo o que passou na conferencia , que.tevc
i . H com
5* ,
com o Graó Vízir , e das ventagens > que elle lhe communicou da sua presen t
guerra.
BARBARIA.
Argel 14. de Novembro.

H Um dos nossos corsários , chamado o Gazella, tomou em 2.domez de


Agosto passado quatro navios Hollandezes , hum chamado Anna , que tinha
carregado em Bayonna , lans, assucar, e aguas ardentes.Outro chamado a Rainha,
que depois de tomado,o restaurou huma nao de guerra da sua Naçaõ.OMargari-
da,que voltava de Lisboa , e depois de despojado o meteo a pique, e o S. Joaõ, car
regado com trigo, e aveya em Hamburgo para Nantes; e querendo recol herle co n
estas duas prezas, foy obrigado a largallas,cncontrandoduas naos de guerra , e re-
colherse a este porto só com $ 5s.escravos,que nellasprizionoujporém a equrpagen
Moura , com que as prezas se mareavaô , trveraõ a fortuna de as salvar dos inimi
gos j e entrarão aqui huma a 8. outra a p. de Setembro com grande trabalho. A
lua carga consistia em 150. balas de láa de Hespanha , r 2 barris de agua arden
te, i :$o. balas de pez refinado , 24. caixas de assucar , 50. fardos de linho ,35.
rolos de tabaco, 50. sacos de pennas, 5-0. quintaes de alvayade, 1 50. de cera , 80.
de chumbo »e cinco balas decoquilhos. Outro corsário nosso chamado o Capallo
branco entrou a 27.com a equipagem de hum navio Hamburguez, que tinha
carregado em Málaga , e algumas mercadorias , que lhe 'havia tirado de borJo,
antes que lho reprezafTem duas naos de guerra Hollandezas , que lhe deraó caça,
levando nelle cativos 5 o, homens noslbs ,que lhemeteode guarnição. A 1 8. de
Setembro entrou outro dos nossos corsários chamado Chialack com jo.homens,
e algumas fazendas de outro navio Holkndez , chamado Santa Helena , que hu
ma nao de guerra Malteza lhe reprezou icom 'ï 8. Turcos , que lhe liavia metido*
para sua guarda. Por cartas de Tetuam se tem a noticia , de que outro navio mer
cantil, que voltava de Lisboa carregado para Amsterdam , depois de haver sida-
tomado por hum navio Argelino, fora este encontrado, e combatido por huma,
nao de guerra Hespanhola , que metera ambos a pique naquella Costa , e que ha-
vendo-le salvado do naufrágio o Capitaó HoJlandez, chamado Pedro Haver,com
osHollandczes,que trazia no seu navio, experimentou na terra segunda desgraça,
porque ficaraó cativos , e foraó levados a Mequinez por ordem do Emperador de
Jjfcíarrocos.
ITÁLIA.
(Nápoles 1 8. de Dezembro*.
t
#*"\ Tempa continua ha tantos dias chu voso, que receandofe já perigo às femen-
*k-^ teiras , se fazem preces publicas por todas as Igrejas desta Cidade , para que
Deos N. Senhor o queira suspender. Tem-se feito a som de tambores huma leva
de ^co. homens, para reenehercom gente Nacional o Regimento Napolitano do
Conde de Marsilhi, que está de guarnição em Hungria. A Camera Real deu hon-
tem a faculdade , de se poder estabelecer aqui huma lotaria ao modo de Génova,
cor tempo de quatro annos , mediante o donativo de 1 57U. ducados era cada
pum.
* Roma it.de Janeiro.
O Hegand*o-sè o tempo de fe haver de fechar a Port» Santa , aberta na Vespe-
^ ra da. festa do Nascimento de Cbristo Senhor Nwdo anqo de 1 7 2 4. ao indulto
' ••> ■* «/pirituaí
«spiritual dos fieis, procurando o Papa com reiteradas graças facilitar os meyos,
de se poderem aproveitar todos deste aberto thesouro da Igreja concedeo , que no
dia do glorioso Apostolo S. Thomé pudessem todos ganhar o Jubilco Univertal,
com huma só visita da Basílica Patriarcal de S. Joaó de Laterano , como se com
pletamente houvessem visitado todas as outras i e sendo Sua Santidade hum dos
concorrentes, conhecendo a impolfibilidade de poderem satisfazerie tantas al
mas em hum só dia , sendo infinito o numero das que alli se achavaõ , dis
pensou, que se pudeste administrar a Sagrada Communhaó ate ao tempo das Ave
Marias , e que todo o Sacerdote pudesse confessar , e administrar o Santilsimo Sa
cramento.
Na manháa de segunda feira 24-do passado o administrou S .Santidade a toda a
sua ramilia, na Capella jsecreta do seu quarto,e de tarde depois das duas horas des
cendo à Casa dos Paramentos,onde já se achavaó com capas os Cardeaes,se reves-
tio de Pontifical, e foy levado em Cadeira portátil à Basílica Vaticana , preceden-
do-o em Procissaó todo o Collegio dos Cardcaes, e Ordens de Prelatura; foy rece
bido à entrada do adro pelo Carde.il de S. Clemente , Arcipreste da dita Basilica,
acompanhado do seu Cabido , cantando os Músicos a A ntiphona Tu es Petrus , e
entrando com a Procissaó pela Porta Santa, e pela nave,que fica em direito da Ca
pella do Santíssimo, que estava exposto, deiceo da cadeira, e fez oraçaó no Genu
flexório , q lhe estava preparado , e logo proscguio a Prociflaó para o Altar , cha
mado d» Confissão dos Santos Aj ostolos,onde esteve orando al&um tempo no seu
Faldistorio , e subindo ao Throno, admiuio ao osculo da maó os Cardeacs , assis-
tindolhe como Diáconos os Eminentissimos Imperiaíi , e Altieri, e no Sólio como
Príncipe delle oCondestable Colona. Acabado ctte acto depuzeraó os Cardeaes as
capas, e cada hum vestio os ornamentos , correspondentes as luas Ordens, e se en
trarão às Vésperas do Natal , fazendolhe as funçoens de Bispo assistente o Cardeal
Pignatelli , que era o mais antigo entre os presentes. Acabadas as Vésperas d iiírrr
buiraõ os Mestres das ceremonias as velas'; a todos os Cardeaes], Arcebiipos , Bis
pos , Protonotarios Apostólicos , Penitenciários de S. Pedro , e Geraes das Keli-
gioens ; e tomando a Cruz Monsenhor Cenci , Auditor de Rota , foy S. Santidade
em Procissaó fazer a clausura da Porta Santa , o q se executou com as ceremonias
costumadas em semelhante acto , e dando a bençaó solemne ao pov o, publicarão
os dous Cardeaes Diáconos assistentes, hum cm Latim, outro na lingua vulgar , a
Indulgência plenária , que S. Santidade concedeo em fórma de jubileo a todas as
pessoas , que se acharão presentes.
Pelas nove horas e meya benzeo Sua Santidade o estoque , e chapeo que colr-
tuma mandar aos Príncipes , e Grandes Generaes, que pelejaó em defeza , c aug-
mento da Religião , em huma calajunto à Capella Sixtina.
Vindo para a dita Capella assistio às Matinas , e no fim delias cantou a primeira
Missa , e amstio às Laudas , c se deteve na mesma Capella à oraçaó de joelhos , até
que diflè segunda Missa , e acabando esta ouvio a primeira rezada , que disse o
Cardeal Camerlengo,e no fim desta cantou o mesmo Cardeal a segunda Missa,
a que Sua Santidade também assistio. Pelas dez horas da manháa desceo re
vestido à Basílica Vaticana , onde no Altar da Confissão dos Santos Apóstolos
celebrou a sua terceira Missa Pontificalmente , com assistência dos Cardeaes
Paolucci , Imperiali , e Altieri , e depois de consumir, administrou a Commu-'
nhaó a todos os Cardeaes Diáconos, ao Principe do Sólio, e aos Conservadores,*
; •. fVior
PriordoPovo Romano. Acabada a Miflà , foy comtodo o acompanhamento
até àTribuna grande, que fica sobre oPortico de S. Pedro, donde deu a sua
bençaó solemne a huma innumeravel multidaó de Povo , que tinha concorrído
para a receber. Repicaraóse todos os linos da Curia, e diípararaófe os canhoensdo
Çastello de Santo Angelo. Os Peregrinos , que concorreraô a esta Cidade , com a
devoçaó de ganhar o Jubileodo Anno Santo , desde 24. deDezembro de 1 724.
até 2 8. de Dezembra pasíado de 172 5:. foraó em tac grande numero , que só as
raçoens , que se dilpenderaó no Hospital da Santissima Trindade , chegaraó a
382U140.
Para a clausura das Portas Santas das Basilìcás de S. Paulo , S. Joaô de Lataraó,
e Santa Maria Mayor , foraó nomeados os mesmos Cardeaes Legados , que no
anno précédente fizeraó a lua abertura, a saber, para, a primeira O Cardeal Paoluc-
cj , para a segunda o Cardeal Pamphilii feu Arcipreste, e para à terceira o Cardeal
Ottobpni tambem Arcipreste , aos quaes se mandaraó rrecedentcmente bilhetes
da Secretaria de Estado , com faculdade depubJicarem Indulgcncia plenaria, e
dispensa de pompa ,e acompanhamento.
No ulrimo de Dezembro conferio o Papa , na Capella fecreta do quarto siipe-
rior do Vaticano , Ordens de Presbytero ao Conde Hcrmano-de Frèycn Seybol-
thítorff, B»varo de Naçaó. No primeiro do corrente affiûio na Capella Sixtinaà
Mlflà solemne, que cantou o Cardeal Zondodari, e admittio à sua prdença os
novos Conservadores do Povo Romano, Prior, e mais, Orïìciaes, que haó de servir
neste présente anno , que '.odos fizeraó o costumado juramento , e Ihe beijaraó o
pé. A ç.afsistio às Vefperas da festa da Epiphania na Capella Sixtina ; e a 6. foy da
Estancia dos Paramentos para a Sala Ducal , acompanhado de todos os Cardeaes,
Prelados,eSuperioresdasReligioens, eallisentado nolèu Throno, fe cantou
a Hora da Terça , e acabada,foy em Procissaó para a Capella Xistina , onde disse a
Missa solemne da Epiphania. A 7. deu audiencia ao Cardeal Davîa. A 8. ao Em-
baìxador de Veneza , que foy com habito Senatorio , e entrou pela eseada sécréta
ao quarto de S. Santidade. No mesino dia houve huma Congrcgaçaó parrieular
do Santo Officio sobre rrarcriasdaBulla Unigemtus', emque asfistiraó osCar-
deaes Ottoboni ,Davia , Corradini , Scoli , Orighi , e Fakonieri , Slonsenho-
res Ansidei , e Lambertini , o Padre D. Leandro de Porcia , Abbade de S. Paulo,,
e o Padre Mestr.e BaJdrasi , Gérai dos Religiosos Menores Conventuaes..

Ger.&va 2 6~. de DeTçmbro;.

K Tnda. o Sènado naô pode achar meyos para procéder à eleiçaó de hum novo
**Ddge , pela corflancia em que feachaóos partidosdosîtres concorrentes à
pertençaó cîesta suprema dignidade , fendo todos fem duvida muito merecedores
eella. Ha vendofe tido aviso da Cidade de Savona.de haverem feito grande estrago
no feu territorio cem lobos y que desceraó das montanhas , mandou a Regcncia
paííar ordens para se armarem os Paizanos , e fazerem contra elles huma monta-
ria. As uitimas caftas de Ferrara dizem , que o rio Pó rompera no principio deste
déste mez os feusdiques em tres partes , a saber em Colonia, que he huma peque-
na Cidade poucodistante de Verona onde sé teve a cautela de murar as portas,
paraevitarostataes effeitosdainundaçaô,em Brigantino,e em Arrrano, onde
fcy muv consideravel o esirago rpcrque pereceraó inundados os mais dos mora-
dòìesdiiìa-ViJIàcoHì cs feus gados e ©grovimento dos frigos, abatidos os celei-
rosì
r©s,em que se guardavaô,seguìoo mesmo caminho da torrtnte. Os territorios de
Pisa , Cremona ,. c Brescia estiveraó no mtsmo tempo cotcrtos de agua. Aqui
houve no dia 6. hum notavel furacaó,que causou coi.sìderavcisperdas ros cam
pos ,enesteporto, onde muitas embarcaçoens ficaraó comas proas qvtbradas,
outras ptrderaó os cabos ,e allumas cscaciaraó ,e ficaraó corn as ancoras penden-
tes. Mo d a antécédente havia chegado a esta Cidade Com Bernardo Espekta3qUe
vem íuct eder ao Marquez de S. r ilippe no emprego de Enviado delRey de Hes-
panha a esta Republica. Arma-se aqui huma nao de 80. peças de artelharia , que
ie vendeo a S. Mag. Catholica , para ajuntar à Armada, que quer ter prompta pa
ra pór nomar. OCapitaódehumnavio Inglez , que chcgou de Cadiz , référé,
que antes de sahir daquelle porto,tinha entrado nelle a Esquadrà do Marquez Ma
il com hum navio de corso , que tínha tomado aos Salcntinos. Chegou de Roma
o Gérai dos Carmelitas Deícalços para viíìtaros Mosteiros , que a lua Ordem
tem neste Paiz , e depois passará a fazer o mefmo cm Fronça.
Flores:$d 26. de Deitmbro.
T"*V Epoisque S. A. Real se recolheo a tsta Cidade, deu audiencia ao Ministro do
Emperador , e desde entaó coitco a voz,queoieu designio tra ficarneutro
nas difFerenças , que ha entre as maisPottncias da Furopa, imitandoo que já cm
scmelhante ccnjuntura havia feito o Graó Duque Cosme III. scu pay , c que as-
iìm era inutii repetirlhe as instanci as de entrar no Tratado , conciuido em Vienna
entre S. M ag. Imp. e EIRty de Hespanha.
As cárcás de Modena de 1 5. do corrente clizem , que o Duque de Modena se
tornara a achar. mal dos feus o!hoi ; e que defconfiando-fe já dos rtmedios huma-
nos, se lhetinhaapplicado huma Rtliquia da gloriosa Virgcm , e Martyr Santa
Luzia ; que esta queixa o obrigara a fazer testsmerto , e a mandar recolher à sua
Corte o Principe feu fìlho segundo , que se achava im Vienna; que era voz cons
tante , que se esperava naqueíla Cidade o Infante D.Ccrlos naPrimavera proxi-
ma , e que entre as mais preparaçoers , que fc faziaó para o feu recebimento , era
hum precioso leito , em que se trabalhava pela direcçaó do Marquez 1 hadeo Bo-
lognmi.- , .
A Grande Princeza Violante de Bavière recebeo huma carta dclRcy de Polo-
nia , muy cheya de exprefloens deagradecimento, eonrra doConde deWatz-
dorfî , pay do Enviado, que esteve nesta Corte. Nas duas tcmpeítades, que houve.
no porto de Leorne no présente mez , naufragaraó cinco navios , dous France*
zes , e tres Inglezes..
Venetç 2 8. de Dejembro;.
Tempo se temserenado ha oito dias. Asaguasdo rio Adige, que tinhaó sahi-
do dos feus ordinarios limites, fecomeçaó a recolher , e íe espera,que a inun*
daçaónaó haja feito tantoprejuizo3como se temia nas sementeiras. Porhum Ex-
prefo chegado de Constantinopla por terra , se tem a noticia de se haver tomado
resoJùçaó no Divan daquella Corte , de se aparelhar huma poderosa Armada,
para sahir ao mar na Primavera proxima , e como naô pódc haver outra Poten-
cia maritima , contra quem se encaminhe este apresto , se n?.ó esta Republica , se
começa rambem nella a cuidar nas dispc.fiçoens neceffàrias para se lhé oppor,po
rcin sem inquietaçao,nem susto,porque nòsachamos em estado de poder pór
no mar dentro de pouco tempo huma Armada de 52 . naos de guerre , 2 8. galés,,
e 1 z. galeotas. A 2 r. le mandou partir daqui huma salua , com o dinheiro necef-
fâriéparapagar 0 foldo das equipagens da Esquadra , que ternes em Corfu , e
Ilhas do Levante. Na Véspera do Natal o Primicieiro da Igreja Ducal de S. Mar
cos , celebrou nella Missa Pontifical pelas 6. horas da noite , segundo he costume,
na presença dos principaes Senadores. No dia do Natal aísistio o Doge em publi
co na melma Capella , acompanhado, de Mons. Siampa , Núncio de S. Santidade,
e de todo o Senado. O mesmo Núncio , e o Recebedor de Malta compimentaraó
pessoalmente o Senado comja occasiaó da resta;porém os[Embaixadores Jo Empe-
rador, c de França mandarão fazer o mesmo comprimento pelos seus Secretários.
Turin 26. de Dejçmbro.
ELRey , e a Rainha de Sardenha chegarão aqui da Veneria em 1 5. do corrente
com o Principe do Piemonte , e com a Princeza sua esposa , que se acha pre-
nhada de alguns mezes. Todos se vestirão de luto pela morte do Landgrave de
Haífia Rothemburgo , avó da mesma Princeza. O Conde de Cambise, Embaixa
dor delRey de França , fará a sua entrada publica nesta Corte em $ 1 . deste mez.
Tem SJSlag.dado ordens aos Oifíciaes da sua Cavallaria, para remontarem as suas
tropas , c aos de Infanteria, para reclutarem as suas Companhias, e as conservarem
complctas.Tem-se proposto mandar ao Reyno de Sardenha hum batalhão de Si<-
ciiianos, e outro, que aqui se formou de soldados já estropeados, o que se entende
ser bastante para guarda daquella Ilha , porque cada hum he de 509. homens , e
que daqui por diante se naò mandem mais destacamentos dos Regimentos , que
aqui, se achaó servindo , para serem rendidos por outros , como ategora se costu
mava.
Escreve-se de Milaó, que osconcertos,que se faziaó na grande sala dos banque
tes do Castello desta Cidade , em que se trabalhava ha dous annos , se achaõ aca
bados, e na mesma forma todos os mais ornamentos exteriores de arquitectura, t
que se haviaó posto sobre a porta principal do mesmo Castello as Armas do Em»
perador , e debaixo delias as do Conde de Colloredo , Governador daquelle Esta*
do , o qual indo ver estas obras , acompanhado dos mais Generaes , que alli mili-
taó, em 7. do corrente , foraó todos hospedados^pelo Conde de Colmenero com
hum magnifico jantar.
HELVÉCIA.
Lucerna to.de Dezembro.
O Nosso Magistrado escreveo a semana passada aos tres Cantoens pequenoslfeus
Aliados, dandolhe parte de]se haver retirado o Núncio do Papa para Astorfi
e que fana estabelecer em hum délies o Tribunal da Legacia , e elles em receben
do este aviso, convocarão huma Dieta em Treil, para ponderarem a reposta , que
se devia dar a esta carta. Naó falta quem assegure, que se lhes mandou também in
sinuar secretamente , que naó recebessem ao dito Núncio, antes lhe rogassem, que
fosse residir em Solor , ou em Friburgo. Estas differenças , que ha entre o nosso
Magistrado , e o Núncio , e Bispo de Constância , continuao no mesmo estado;
mas em Roma se tem nomeado já huma Congregação para examinar a causa
delias , e se espera , que nella se ache algum meyo , para temperar os ânimos des
ta Regência ; porque se manifestaó taó azedos que se teme , ,quc no caso que to
mem alguma resolução áspera, tomem elles outra mais terrível; pois querendo
os quatro Cantoens Catholieos de Ury , Schwitz , Underwalden , e Zug ser me
dianeiros desta concórdia , os naó tem querido admittir , dizendo que naó que
rem deixar ao arbítrio de outrem a sua soberania , e o seu direito ; e se tem man
dado imprimir hum Manifesto , em quç sc expõem os.fundamentos da sua res
tendida razaó , e queixa contra o Bispo.
Naó sé salla ao presente na renovação da aliança entre França , e os Cantoens
Protestantes , nem da negociação , em que estes cstavaó com o Abbade de S. Braz,
Ministro do Emperador , e se entende , que he por naó haver ainda o dito Abba
de recebido resolução da Corte Imperial fobre a reposta , que os mesmos Can
toens lhe deraó. Segundo as cartas de Berne, tomou o Conselho Grande a resolu
ção de fazer algumas representaçoensporescritoaElRey de Prússia fobre o Prin
cipado de Neucastel.
Antehontem houve nesta Cidade huma horrível tormenta de vento , trovoens,
relâmpagos , e pedra j e naó ha quem se lembre de ver outra assim ern semelhante'
Estação. A perda,que causou em casas, e arvores foy grandissima.

Scbajbuysm z 6". de Dnçmbro.


OBaraó de Gruth , Embaixador do Emperador , se acha em Coira , onde tem
tido varias conferencias com os principaes Ministros da Regência dos Gri-
foens , para ospersuadir a entrar em Tratados , e convençoens com S. Mag. Impv
A renovação da aliança entre EIRey Christianissimo , c os Cantoens Protestantes
está quafi concluída, e corre a voz de que os Cantoens Catholicos faraó o mesmo.
O Cantaó de Lucerna está cada dia mais opposto às pertençoens do Núncio , que
te acha retirado cm Asdorff com toda a sua família.
»
ALEMANHA.
Berlin 4. dejaneiro.

E LRey tem resoluto au£m:ntar assuas tropas, para poder pór em campanha
naPrimavera próxima, lendo necefiario, hum Exercito de 80U. homens.
Corre a voz, de que se dará o governo desta Cidade aoPríncipe de Anhal-DeiTau,
e que o General [de Grumbkow será promovido a Graó Marechal da Corte. O
Príncipe moço de Valdeck , que serve ha pouco tempo nas tropas de Sua Mag;
foy feito Capitão de huma kCorrtpanhia no Regimento do Marckgrave Alberto
de Brandemburgo.
As cartas de Anhalt de 3 o. dc Dezembro dizem^ que se esperavaõ naquelk Ci
dade o Landgrave , e Landgravina de HassiaRhinfelds, coma Princeza Joanna
soa irmáa, Coriega de Thorn, e os Príncipes Joseph , e Cònstantmo seus filhos, pa
ra assistirem aos despoíbrios do dito Príncipe Joseph , que he o seu primogénito, e
irmaõ Via Princeza Real do. Piemonte , com a Princeza Christma , filha terceira
do Principe de Salrn.
Escrevese de Hannover , que o rapaz , que se achou no bosque de Hammeserr,
vendo descuidadas as pelsoas , que tfnhaó a incumbência da sua educação, fugira
outra vez para o mesmo bosque , onde novamente o apanharão fobre huma ar
vore»
H O L L A N D A.
Jftya 11.de Janeirth
■p LRey da Gráa Bretanha chegou a 4. do corrente ao lugar de HeTeroetsIuyS
junto a Roterdam , nos hiactes , que esta Republica lhe mandou a Waert , e
atìi se achava ainda a o. o Visconde de Townshend , e c* Ministros eftrangerrosi,
que aqui unhão vindo , para se embarcarem na mesma Esquadra de guerra , «uaet
ha de escoltar Sua Mag. a Londres , partirão na madrugada do dito dia 4. a espe
64
rallo naquelle sitio , onde todos se demoraõ por estar o vento contrario à sua pas
sagem. .
Os Estados da Província de Hollanda , e Westfrizia , que se tirthaó separado
a 5. se tomarão a ajuntar hontem. O Principe Alexandre de Kourakin , Gentil-
homem da Camera da Emperatriz da Rumi , e Embaixador Plenipotenciário,
que foy da mesma Senhora na Corte de Franja,se embarcou quinta feira em hum
hiacte para Amsterdão , donde continuará logo a sua viagem.para Petrisburgo. O
Marquez de Fenellon, Embaixador de França, despachou hum Expresso à sua
Z Corte; o Conde deTaroucajMinistro Plenipotenciário da Coroa deJ2ûrmgal,tem
feito as suas despedidas dos Senhores deita Regência , e dos Ministros estrangei
ros , e partira qualquer dia para a Corte de Vienna. Chegou hum Expresso de
Madrid , despachado pelo Coronel Stanhopc para EIReydiGrái Bretanha; e
daqui se despachou outro a Londres , com a noticia de haver chegado Sua Mag.
çestePaiz, , 1
. . _ . G R A N B R E T A N H A.
... .., Londres 2 i. de Janeiro,

TD LRey pardo de Helevoetsluys Sabbado 1 2.do"corrente , e no dia seguinte ao


■í-1 romper da manháa chegarão os hiactes, e Comboy junto a Dovre, pelo meyo
dia entrou S. Mag. em Rye , e hontsm à noite passou por esta Cidade , e chegou
ao Palacio de S. Jayme com perfeita saúde. Hoje foy o Presidente , e Senado de
Londres em Corpo dar os parabéns a S.Mag. de se haver restituído a este Reyno, e
S. Mag. fez mercc de soro de Cavalleiros aos Vereadores , e Xerifes.
Por hum extracto tirado dos livros dosBautismos, edos Óbitos de todas as
Paroquias desta Cidade constaõ , haveremse bautizado nella desde 2 6At Dezem
bro de 1724. até outro tal dia de 1725. 1817859. crianças, das quaes eraó
ÇÍU661. meninos, e pUip 8. meninas ;e haverem falecido 25U525. peGoas,
« si saber 12U847. homens, e rapazes ,e 1 2U676. mulheres, e raparigas.

P O R T U G AL.
Lisboa 21. de Fevereiro.
A Rainha nossa Senhora se acha totalmente livre de huma leve febre, que te-
** ve a semana passada.
/ O Marquez de Capecciolatro , Embaixador delRey Catholico, visitou em
,ví6rma publica ao Marquez de Abrantes, pela occasiaó de se achar nomeado Em-
/ baixador extraordinário à Corte de Madrid. . '.
Faleceo de idade de dez para onze annos Francisco de S. Payo , filho primogé
nito de Manoel de S. Payo, Senhor de Villa Flor, e se lhe deu lepultura no jazigo,
que a sua Casa tem no Mosteiro do Carmo desta Cidade. v
Nasceo mais huma filha ao Conde da Torre.
Nesta semana passada entrarão no porto desta Cidade tres naos de guerra Hòl-
landezas da Esquadra do Vice-Almirante Marquez de Sommelsdyck , e huma da
Gráa Bretanha , de que he Capitão de mar e guerra Jorge Purvis , todas vindas do
Estreito. : . - . ■ ....

Na Officina dejOSEPH ANTONIO DA SYL VA.


f... .., - * C«m todas as licenças, necessárias. „
Nutn.c?,

GAZETA

OE.LISBOA ENTAL.

Com Privilegio de S. Magestade.

■- 1

Quinta feira 28. de Fevereiro de 1726.

RU S S ÏA.
Petrisburgo 1 6. de Dezembro*
CORREYO, que aqui chegou com os últimos despachos
do Conde de Romanzoff , Enviado extraordinário da Empe-
ratriz na Corte de Constantinopla , voltou agora despachado
por esta Corte , e com presentes de grande valor para o Suí-
taó , e para o Graó Vizir; mas ao mesmo tempo se manda re
forçar o nosso Exercito nas terras conquistadas na Pérsia , e
se nomearão para Commandantes delle,em lugar do Tenente
General Mathousquin5os Tenentes Generaes Bohne , e Staff.
AlTegura-se , que o Feld-Marechal Conde de Flemming , primeiro Ministro del-
Rey de Polónia , virá a esta Corte ao mesmo tempo , que aqui chegar o Conde
cie Rabuttin, Ministro do Emperador de Alemanha , para ambos trabalharem na
negociação da aliança , que se tem proposto. Ao menos o Ministro de Sua Mag.
Poloneza na ultima audiência , que teve da Emperatriz lhe aflêgurou , que EIRey
ieu amo mandaria brevemente aqui hum dos principaes Senhores da sua Corte,
com os plenos poderes necessários, para tratar vários negócios de grande impor
tância..- '
O Príncipe Georgiano Wachtang se acha muy bem visto nesta Corte , e as
siste em todos os festejos públicos. Falla-Te no Paço em que o Príncipe mais velho
de Haífia-Homburgo , casará com a filha segunda do Principe de Menz'koff. O
Postilhão , que levava as cartas daqui para Stockholm, foy detido em Finlândia
por duas peflòas mascaradas , que lhe levarão a mala. A tempestade , que aqui se
experimentou no ï . deste mez , fez sahir tanto dos seus limites o rio Neva , que
muitas das ruas desta Cidade,e muitos Armazéns de fazendas estiveraó debaixo de
agua alguns dias ,e he mayor o prejuízo , do que foy o que causou 'a inundação,
que houve ha dousannos. Logo se lçguio hum grandilfimo frio,çoni hum vento
I - Sueste
Sueste de tal qualidada, que-os navios estrangciros foraó obrigados* sahir prece-i
pitadamente ad porto , por naó ficarem embarassados no gelo. As cartasdo Ar-
chanjo de 7.^0 correntedizem, ápie o tempo scmudára tambemr-e que a ribeira
Duina se achava já congckda : que dous navios , hum pertencente a Harnburgo,
ourro a Amsterdaó , foraó. preci fados a varar em terra , tjrando-Ihe algumas daí
suas fazendas , e chegandp-se_para traz do Casteljb, para a|lt invernarem. Os né
gociantes daquelle porto estaó preparados, para emprertderem no anno proximo
a pesca das Baleast ecn vîrrude doprivilegio jqtìea.Empcravz,lhe^çoncedeo, e
elpera3a toisa- a hofa MStrjríheiros experimentados nesta "pesearia > de que lé'en
tende tirará a Naçaó huma grande venugem.Todo este Imperio logra hum gran
de soccego , etodosos subditos délie se achaó plcnamente satisfeitos do présenté
governov • - .v ' ' . ■ ■ -,
^ • P O L O N I A.
VarÇarvld 3. Je Janeiro.
HT Odosos Ministrosestrangeiros ,e todos os Ofîìciaes da Coroa , emaís Sena-
dores, que se achaó nésta Çidade, concorreraó no primeiro dia deste anno a
comprimentar Sua Mag. e depois foraó ao quartodo Principe Eleicoral de Saxo-
nia , que os recebeo com muita affabilidade ; e o mesmo fizeraó tambem na pri-
meira Oitava do Natal. OGraó Gerjíral^o Exercrtpdja Coroa fazefperar, que
vira a esta Ctdade antes dé seprincipiarem as conférenciai,-onde se devem tratar
os preliminares da Dieta gérasse onde dízem , que EIRey f ará proposiçoens de
fumma importancta. Tambem seeíperà Conjlmpactencia a résulta délias, para se
sabero quesê resolve íobreaakernayva y que sóy proposta a EIRey por huma
Potencia Protestante , erernetrda por S. Mag^.dtecisaódo Senado. Dtzem , que
felhesdarâprincipioa 1 y.docorrenteie queesta akernati va consiste em nomear
Commiíîâriosde huma re outra, parfa j para íê examinar o negocio de Thorn , e
as maisqueixas dosAf<tm-C<»//bnH(í<íí)í doReyno ,para seaçcommodíírjtudò m*
eonformidade do Tratadode Olivai o*j a"se remeteremaoíirhitrio'de algumas
Potencias , que se escolheráópor amhos os parttdos, Entnetanto os Ministres das
Poteneïas Protestantes cotninuaô a pedir huma, resoluçaó final sobre os negoçioj
dos Nao-Confarmados deste Rcyno. O Conde de Flemrmngtem com elles varia?
conférencias sobre este particular,. mas enteíìde-se que sereúraráó ,,se antesd*
Dieta se naó der reposta positiva a feus amosì. ,;• J.k: ; , "1 - r«,i
As festas , que se preparap para divertir o Principe Eleitoraí de Saxonia , e a.
Princeza sua muHier,queaqui se espéra brevemente ,iem atrahidoaqui muitos
Sénadores com as suas famjlfas. A z 8. dornezpasïâdo se d'euprincipio noPaça
ao Carnaval com huma nvignifìca cea , seguida de hum. baile , e de huma Serena-r
ta, no quarto de Sua Alteza EtekoraJ, N.aó falra quem asiêgure , que ainda que es
tas festas tenhaó o pretexto da vinda deste Principe *o motivo he rhais imj ortantej
porque se pertení'e defeobrir com eílás carninbos de verteer hum negocio , que
eneontra muitasopposiçoens , e que este se concertou na prefenpa de S< Ali. Eicir
toraIranres de partir de Dre£dayonde fe rizeraó varios Conselhos de Cabinete, sor
bre os despachos, que lhe foraó destaCdrte.. •; . ,'".„'-,■..,■■
- Sua Mag. rem feito estes dias, varios provimentos de emprégos , que se aehavaó
vagosneste Reyno. Stanislao Chomentowski , Palatino de Mafovia , Embaixa-
dor que foy delRey , e da RepublícaemConstanunopla,.eemPétrisburgp»soy
provido no eargo de Vìce-Marechal da Coroa , que vagou haveráoitomezes por
Mons. Dorjski. O Principe de Lubomirski zému^nfcâàGxmxW Esta-
-"'-••^ 1 tostia
'tostia de Mons. Ribmskï , Palatino de Culm ; mas ainda naõ dispoz deste Palatj.-
■ «ado, nem doposto de General da Artelharia, e do Regimento de Ca vaJlaria,quc
o dito Palatino também possuhia. O Palatino de Plocki foy promovido a Mare
chal da Corte do Principe Eleitoral , para o instruir nas matérias de estado , e iór-
ma da regência deste Reyna Também Sua Mag. nomeou para General da In-
fenteria das suas tropas ao Principe de Wiitemberg. ■ \
As cartas da Fronteira dizem , que os Tártaros da Krimea se acbavaó actual
mente em marcha, em numero de ï ooU. homens, para a Ukrania , c que o Ge
neral Weisbach, General das tropas Ruffianas naquella Fronteira, se vira obriga
do a fazer ajuntar todas as tropas , que cstavaó aquarteladas pelos lugares do Paiz;
e que o Graõ General do Exercito da Coroa , mandara desfilar para a Ukrania
Po/oneza as bandeiras , que estavaõ em Volhinia , e em Podoha , procurando
hur>9 , e outros opporse às invafoens , que os Bárbaros poderio fazer nas luas ter
ras. O Correyo de Kamenieck traz a noticia , de haverem os Turcos feito novas
descargas de artelharia em Bender, Cl oczim, e outras Praças daquella Fronteira,
para festejarem huma nova vitoria alcançada dos Persianos. O Khan de Koflouy,
* os Tártaros de Zaporow mandarão hum Deputado a Mons. Mitowirz , para lhe
'perguntar a razaó, que houve , para se lhes naó dar reposta às cartas , que escreve
rão a ElRey , e à Republica , com a declaração de se quererem subordinar ao Do
mínio de Sua Mag. e pede o dito Deputado , que se queira este Reyno compade
cer do miserável estado eni que se achaõ , pois ha perto de dez annòs , que pelas
discórdias civis , que entre elles tem havido , se achaó os ditos Tártaros de Zapo
row t sem General , nem Capitão , e prcfentèmente perltguidos pelos Turcos , ç
pelos Tártaros de Krimea. ■ • « , i> > ■ '
• , s*.!;i" ;*i> DINAMARCA..
■//'■• o--? «-4i> ,*>(*/ Coptnkagben ç. de Janeiro., ,n v -
TJ LRey , e a Rainha receberão .terça fieira os comprimentos dos bons annos na
st» caia de campo de Fredericksberg , onde estaõ residindo. O General de
batalha Leu^enhor parrio outra vez para Berlin , para alli residir com o emprego
de Enviado extraordinário de SuaMag. OGeneral de batalha Adlerseld , Envia
do da Coroa de Suécia, está de partida para o seu Paiz, e ficará com a incumbên
cia dos negócios daquelle Reyno nesta Corte, Mons. Silbershhiold , Secretario da
Enviatura. O Conde de Freitagh, Ministro do Emperador, que deve paliar a Sue^
cia, te acha ainda nesta Cidade , e dizem, que naó partirá antes de 1 5. do corren
te. Aqui se còntinuàó tom muito cuidado as preparaçoens militares. Os Officiaes
ausentes tiveraó ordem , para se acharem incorporados nos seus Regimentosno
principio de Abril próximo , em que Sua Mag. determina sozer a resenha das suas
tropas, e os Capitaens foraó advertidos, para mandarem sem demora à Secretaria
de guerra , huma lista dos soldados das suas Companhias , com a declaração das
irais idades > e lugares do seu nascimento. r<: ' -.vi ; * ' ,.',.\
£-' As cartas de Suécia dizem , que por ordem delRey se tinha publicado hum
-Edito em Stockholm , pelo qual se ordenava com a comminaçaó de rigorofiffir
mas penas , que nenhuma peflba das que tem tavernas , tendas , ou casa dc bebi-
das , ás possa ter abertas desde o Sabbado às seis horas, até ao Domingo á mesma
hòraíé que o mesmo se praticará nos dias Santos de guarda < desde as suas Véspe
ras; que no dia de Natal havia chegado hum Expresso de Cassei , com cartas do
Landgrave de Haffia , pày delRey , que deraó occasiaó a se fazer logo hum Coo*
selho extraordinário , rio fim do qual se tornara a despachar o mesmo Expreslp:
63
è que em Orebo era falecido o famoso Artifice , qoe entre outros inventos, de
que tora author , tinha achado o segredo de affeiçoar os vidros de modo , quere»
prescataó os objectos mil vezesmayores,doque na verdade safe; > . \ •. t
. ''■ A L E M A N H Ak 1 .., , , '
■,, Fiem* (). de ^sar.eiro. . «ir..., S .,
f~\ Emperador foy no Sabbado do pafiado visitar com a sua coflumada de-
voçaó , a Imagem de N. Senhora de Jetzing. No Domingo 30. aflistio com a
Senhora Empcratriz aos Officios Divinos, na Capella grande da Cortej.com affis-
tencia do Núncio do Papa , c dos Embaixadores de França ,,c de Veneza. Na se
gunda feira de manháa esteve em hum Conselho de Estado , em que se pondera
rão vários negócios da conjuntura presente ; e de tarde foy com a Senhora Empe-
ratriz divertisie na caça emStatguth , que he huma Ilha do Danúbio. No primei
ro dia deste mez concorrerão todos os Ministros , e Senhores da Cone „ a dar os
bons annos a Suas Magestades Imperiaes , e depois foy o Emperador acompanha
do de todos os Ca valleiros da Ordem do Thusaó , Conselheiros privados , Gen-
tis-homens da Camera , !Nuncio Apostólico , e Embaixadores dc França , e Ve
neza affist ir na Igreja Aulica Imperial , à festa da Circuncisão. A 2. allistio o Em-
perador no Conselho de Estado. A 3 . fez outro de manháa ; e de tarde se divertio
com a Senhora Empcratriz , e com a Senhora Archiduqueza Maria Magdakna
cm a tirar ao alvo , no Baluarte ,que fica visinho ao Paço» ;
Os Estados da Áustria Inferior concederão a S.Mag.Imp. os subsidios, que
lhes pedio , e o Clero dos Paizes hereditários da Augustiflìma Casa , promette par
gar exactamente a decima dos seus bens ,. concedida pelo Papa , com a condição,
que a sua importância se empregará em por as fronteiras em estado de defensa,
para sua segurança , no caso que o Sultão emprenda na Primavera próxima per
turbar o soccego da paz. O Conde de Rabuttin, achando-se já convalecido da sua
queixa , e capaz de fazer viagem , se prepara para partir paja Petrisbnrg© , e der
ve fazer caminho por Berlin, para naquella Corte executar huma commiûaó par
tículas do Emperador. Mandou-se ordem ao Baraó de Kirchner , segundo Coro>-
mifiàrio de Sua Mag. Imp. na Dieta de Ratisbonna , para mandar ao mesmo Ser
nhor huma relação exacta de todas as queixas , que ha no Império por causa da
Religião. O-Barão de Ripperda , que tem a incumbência dos negócios delRey de
Hespanha nesta Corte , recebeo os diaspafiãdos novos despachos de Madrid , so
bre os quaes tem conferido muitas vezes com o Conde de Sintzendorff,ecom
outros Ministros do Emperador* O Conde de Wratislao avisa de Varsóvia , que
depois do ajuste do Tratado, convindo entre Sua Mag. Imp. e a Czarina de Mosr
«ovia , se mostríõ os Polacos mais longe dé quererem dar satisfação aos Protes
tantes; antes tem declarado aos Ministros das Fotencias,'que os persegem,que
■se immediatamente naó sahirem do Reyno , buscarão caminho de os fazer sahin.
Assegura-le,que o Conde de Freitagh,Enviado extraordinário do Emperador nas
Cortes do Norte, um instrucçoens particulares, para poder concluir Tratados de
còmmercio com os Reys de Dinf marca , e Suécia. O Baraõ de Huldenberg , MS»
nistro delRey da Gráa Bretanha como Eleitor de Hannover ,tem repetido as suas
instancias, para que o Emperador acabe de dar a investidura dos Ducados de Brer
mia, e Verdhenia a Sua Mag. Britannica ; e parece, que este negocio he huma das
matérias condicionadas no Tra tado de Hannover ; perque depois da sua conclu
são y se falia aqui nelle cem mais aperto. O Duque.de Bolsacia Rewieh , dizerrir
que deteimina vir a. esta Corte , para icstar sobre a extcuçsc dos Decretos, q»e
, . se
-fé Ihepaflãraó do Conselho Aulico Imperial , para effeiro de o meterem de poise
do Ducado de Ploen. Chegou de Sicilia o General Conde de Wallis. Naó íc sa
be ajnda quem irá por Ministro à Corte de Baviera. Falla-se cm fazer o Fmpera-
dor huma viagem na Primavera próxima até Trieste , para ver os portos do mar
Adriático ,e que nella o acompanhará o Principe Eugénio. Com este Principe te
ve huma larga conferencia o Conde de Harrach , que vay por Enviado de S.Mag.
lmp. à Corte de Turin. Com a occaCaó da entrada do anno novo, se fizeraó mui
tas Poesias com deprecaçoens ao Ceo, para conceder hum filho Varaóa Suas Ma-
geûades Imperiacs , e entre os Chronograficos , teve lugar o seguinte*
aVgeatVr MasCVLaDeVs
AVj\rla prole
Varec/nando pelo valor das letras numéricas Romanas , que neste presente anno
de 1/26. nascerá hum Archiduque de Áustria,
Francfort ic.de Janeiro. -
DE Strazburgo se confirma a noticia de se fazerem Armazéns de mantimentos}
e grandes provifoens de guerra em toda a Allacia , e que se tem paílãdo or
dens para se formar humExercito de 30U. homens na Primavera próxima; e
que também se mand&õ aparelhar ijuaruis no Condado de Borgonha , para
aoU. homens. As cartas de Helvécia dizem , que a aliança entre EIRey Christia-
niffimo , c os Cantoens Protestantes está quaii concluida , e que estes entrarão sem
duvida no Tratado de Hannover-
As cartas de Berlin dizem , que EIRey de Pruífia , que tinha chegado de Porf
iam no dia antecedente , havia recebido no primeiro deite mez os comprimentos
costumados sobre a entrada do novo anno , co Principe Real , e dos mais Princi
pes ,e Princezas seus filhos, com os quaes jantara naqnelle dia em publico : que a
3<. partira com os Principes seus filhos psra Cclbatz , no Ducado de Pomerania,
onde determinava affistir |quinze dias : que o General de batalha Schwerin tinha
Îartido para Varsóvia , com o caracter de segundo Enviado extraordinário de S.
íag. Pnaffiana ao-Rey , e Republica de Polónia , e se assegura ,quc leva as ulti
mas resoluçoens , sobre o negocio dos Protestantes , e ordem de voltar aqui com
O seu Collega , quando se lhes naó dé reposta positiva sobre o projecto de concer
to, que se tem proposto.
Eícreve-se de Dresda , haver passado por aquella Cidade a 4. do corrente , o
Conde de Teífin , Embaixador delRey de Suécia , fazendo caminho para a Corte
de Vienna , acompanhado do Conde de Spaar ; e que se manda recolher de Ber
lin Mons. Van-stim , Ministro delRey de Polónia , por haver também ordem de
Sua Mag. Prussiana , para se retirar o Ministro , que tem naquella Corte.
PAIZ BAIXO.
Uruxellas 1 5. de janeiro. ; ■ • '
A Sereniífima Archiduqueza nofla Governadora , foy a 8. com rodo o seu esta-
do assistir na Igreja Collegiada,e Matriz disiaCid?de, à festa da gloriosa San
ta Gudula, nossa Padroeira, onde cantou Misiã Pontifical ,e muy íolemnemente,
o Bispo de Tricalé'. No dia antecedente se tinha festejado com muita magnificên
cia o anniversario do seu nascimento , cuja festa se tinha retardado por causa da
sua indisposiçaó, e comocompria 4^. annos, repartio por outras tantas donzel/as
pobres , o mesmo numero de medalhas de ouro , e peças de prata. Em quanto jan
tou, houve huma grande musica de vozes, e instri mentos , e à noite deu o Conde
Visconti j Mordomo mor de S. Ait Sereniífi. na , huma grande cea aos Ministres
■ -. >■ ■ ■■• ■ • cstran
5 «firrahgcirosí*Senhores cia principal Nobrèza. Dbraiógb pàïïkdo assisttoinitíH
-peía da Rlàcia'à^Miílámayor.^e Seraaó Akmaó ,que lez oPadre Amiôtda
-Companhiadc Jefus,s«lCótìseífor,ede larde foy àlgrejad» Conegas Regulares,
•: da Ordem de Santo Agostinho , onde aJfiltío às Velperas , c saudação do Santis,
íimo Sacramento, com que se deu fim ao Oitavario da festa dos Santos Reys.
Por ordem de S. Alt. baixou hum Decreto ao Conselho da Fazenda , para que
- se ponhaó em lanços , todas as rendas dos Domínios do Emperador nestes E(w-
dos » as quaes segundo o rol , que se mandou a S. Mag. Imp. naó saó sufficientes
para fornecerem a subsistência das tropas , o gasto da Caia da Senhora Arcbidue-
?ueza Governadora , e paga dos ordenados dosOificiaes de Justiça , e fazenda. O
'rincipe de la Tour tem feito pagar a meya paga dos 8 oU. florins por anno , que
i prometteo dar ào governo pela propriedade do otíicio de Correye mór , e General
das Postas, e este dinheiro fe mandou para Hollanda, por conta dos interesses do
que os Hollandezes empreitarão ao Emperador, sobre as rendas dosCorreyos, no
,tempo da ukima guerra. . - ' ^'i - sj* •■• •-i ' .4 w j ty
- Hontem com a chea do rio Senna , que passa por esta Cidade , fe inundou to
da a parte inferior delia, e quasi todas as Villas desta visinhança fe achaó no mefi-
mo estado , particularmente da parte de Çondé , e da de Bruges , todo o bairro
do Norte esta debaixo da agua, Fallâ*fe em levantar huma estatua dc bronze ao
Emperador , defronte do Palacio para a parte do Parque. Monsi de Beauve, En
genheiro gérai , Coronel , e Tenente Governador de Dendermunda ,eftéi prt»-
- movido a General de batalha , c Governador de Lier. Tem-fe reforçado as guar-
niçoens da Praça de Ostende , e do Forte de Slyke. Os CommiiTarios de guerra
parúraó daqui a 4.' para passarem mostra a todas as tropas Imperiaei,nos mesmos
•quartéis em que est ó. > : . * '• 1 1 > . •;
, A reposta , que o governo deu à propofiçaó da Companhia de Ostehde, foy
favorável , mas como o tempo naó permitie armar duas naos de guerra de <»©.
.'peças, fe determinou mandar por esta vez duas fragatas ligeiras der 30. cada hur
ma , para conduzir até às Ilhas Canárias os quatro , ou cinco navios , que devem
partir no fim deste mez , ou no principio de Fevereiro , e dalli iraó fazer algum
commercio nas costas do Brasil , ou nas índias dc Hefpanha , em quanto naõ che»
gaó às mesmas Ilhas os navios, que a Companhia espera da índia, para voltarem
• lunios a Ostende.
HOLLANDA. /T • t!
Haya 1 8. de "Janeiro. ' »■
f~\ Conde de Koníngfeck , Enviado extraordinaríodo Emperador , deu quinto
^-^ memorial ao Baraó de Ameronge , Presidente da semana da Assemblea dos
Estados Geraes , sobre os negócios da presente conjuntura , persuadindo- os a en
trar no Tratado de Vienna; põrém iílegurafe, quenelle lhe insinuou logo, que a 5
Republica naó podia darlhe 1 eposta favorável , nem difpensarse de escutar as ván- '
íajofas proposiçoens , que fe lhe tem feito por parte dei Rey da Gráa Brétafíhï.
; Monf. Olivieri, Secretario da Embaixada de Hefpanha,deu também a S.Á.P.óù*-
tromemorial sobre a mesma matéria. Q Cand&de Tarouca, Embaixador de Por* 1
/ tugal , partio a 1 6, do corrente pela manháa paraVJenna. Diogo de NTéhdonÇâ 1
h Corte-Real , Enviado extraordinário do, mesma Coroa , esteve hum destes dia»
L^emjconferenciacom oPresidente da Aflgmblead estes EstadosjO Marquez de
Filippe , que vem por Embaixã3or dê Hefpanha a esta Corte , chegou no primei-
, xo deste mez a Leaó de França, onde defeançou alguns dias, para continuar a soa
.viagem para este Paiz, "As
71-
- As ca'rtasde Italia, vindas por Helvecia ,dizemhaver chegadoa Milaó.eoi-
24. de Dezembro , o Conde de Xhaun , novo Govemador daquelle Ducado.,
Asde Vienna referem , que o Emperador tem. intentos de formar hum Coase-
II30 de Marinha , o quai se comporà de varios Ministros da Chancellaria priunda
de A«stria ,e do Conselhoda Fazenda , com alguns Secretaríos, e Olficiaes ; que ,
fera Présidente délie o Conde de Oedt ; e que os ordenados de todos seraó pagos',
mecade pelo Conselho da Fazenda ,e a outra parte pela Companhia Oriental, a
quai poderá nomear atguns dos feus Directores , para aflistirem neste novo Tri-]
bunal ; e que tambem em Vienna se esperaó grandes projectos da parte do famo-;
fc> ]oaó Lau , que já deu tantos arbitrios na Corte de l'Yança , entendendo-se , que,
fará entrarconfideraveis sommas dedinheiro 110S cofresdeSua Mag. Imp. que,
se quer servir do feu talento.
Âs de Prustìa asieguraó haverem paíTâdo por Dantzick varios Generaes , Cojj
roneis , e Oíficiaes Pruflìanos, que se vaó incorporar com os feus Res
que estaó no Reyno de Pruffìa ; que se diz , que S. Mag. Pruflìana tem
marenar dezasete Regimentos , para se poremem alguns postos ventaj
tronteira de Polonia , da parte de Marienwerder ; que t imbem détermina .
hum campo volante , para cujo efféito tem mandado comprar 1 oU. ca vallos , e
que o feu Ministro , que afliste em Varsovia , tivera huma audiencia particuíar
delRey de Polonia \ na quai }ihc entregara a reposU da carta , que o mesrn##nii-
ctpe tinha escrito a feu amo, com data do primeiro de Outubro; e hum memocti
em que se responde a oqtro , que se Ibe tínha daydo sobre as queixas , que a l\ej?«-f
blica de Polonia dil ter de Sua Mag. Pruflìana- ,!,,. . , ç
-I- -.. • ... FR A N Ç A»- •.
Pari\ 16.de Janeiro. ' [
A Corte se- achaaisida em Marlyydecujo sitioaRaínha gofta muítp. Na ves-
pera cîo dia de anno bom lhelevou Mc^sJeFevre^Thífoureirodosgastos
fecretos delRey , da parte de Sua Mag. por estreas r 8, bolças,ern cada huma das
quaes hávia mil libras em ouro ,que correfponcUm a 200. mil reis poituguezes,e
todasijuntas fâzem oU. cruzadoa A Raitjha deu por estreas à Duqueza de Or
léans, hum cofre cheyode peças de ouro , como caixaî, frafqurnhos , e outras ga-
lantariasi e com a mefrm occasiaó mandou à Rainha sua máy hum magnifico tou-
eador. No primeiro dia do anno fez a mefma Senhora na sua Caméra ,.(onde se
achavaó mais de cem CavaIheiros,e Damas) hum pedidoa favor dos ppbres^que
importou em 1 5:0. Iuizes de.ouro, quepelo valor^uç hoje tem^ímportaé (íôoU.
reis. Na vespera dos Reysandou pailêando a pcpelos jardins } e boiques com hûa
roupa de veludocor de fogo^forrada de pelés à Polaca. EIRey fbynoproprio dia
à caça ao bosque de Bolonha ; onde tambem foy a 7. e ao reeolhersc houve no
quarto da Ramfia huma Serenata. Todas as noites se diverte a Corte com varios
geuerosde jogonofalaó■ gfande daquelle Pa4acio<, alumtado semprecor«4oov
vêlas » entrando neste numéro as qaje estaónas suas quatro entradas. O Duque dç
Bourbon largou à Duqueza de Orléans oqmrto ,que oecupavá nomefmo Pala-
cio^Esta Senhora tem declarado fentirse prenhada defde 1 S. do mez païïado.To-
dos os dias tem mefa pubfica para doze , ou dezoito pesfoas ,e Madama Real ou
tra para oito; Asguardas doCorpo sahiraó vestidas de novo no primeiro dia do>
«nno^de azul comgafoensde prata portodas ascosturas.Os Americanos naruraes
da Luisiana , queaqui seachaó, volcaráó brevementear>seu Paiz -r S. Mag. fez f
cadahurrt (sellés hum présente y que constava de hum relogio de a%i!ieira , de
huma cai» para tabaco , e de huma medalha de ouro com o feu retrato. O tribu
to dos moradores de Pafiz , naó comprehendendo ás.Communidades, importar
hum milhaó neste anno corrente.
O Conde de Broglio , Embaixador de Sua Ma», a EIRey da Grãa Bretanha,
3uc ajustou o Tratado de Aliança , que se fez em Hannover , e deve voltar a resi-
ir em Londres , havendo chegado a este Reyno , edado conta a EIRey da sua
Begociaçaó , Sua Mag. lhe fez logo mercê da dignidade de Cavaileiro da Ordem
do Espirito Santo. EIRey virá no primeiro de Fevereiro á Versalhes , para assistir
no dia seguinte à sesta de nossa Senhora , e prociíïàó , que costumaõ acompanhar
osCavallciros da sobredita Ordem , e logo a j. se recolherá a Marlv. Ao Conde
de Tarló, parente da Rainha , deu EIRey por estreas a patente de Tenente Gene
ral dos seus Exércitos , no primeiro dia do anno , e a partio elle para Chanv
bord a fãllar com EIRey Stanislao, e levarlhe da parte da Rainha sua filha , huma
preciosa Cruz de diamantes , com a divisa da Ordem do Espirito Santo , metida
îrh huma boceta de ouro> sambem guarnecida de diamantes , e com os retratos
delRey , e da Rainha , esmaltado da parte de dentro. Também o mesno Conde
levou as joyas ,e toucador, que a mesma Senhora manda â Rainha sua máv.
H ES PA NUA.
Madrid 1 4. de Fevereiro.
K Corte continua ainda no sitiosdo Pardo , logrando Suas Magestades , e Alte-
zas perfeita disposição. Havendo Sua Mag. resolvido annexar à Secretaria do:
Duque de Ripperda ido despacho da Marinha , e índias , dé que era proprietá
rio D. Antonio Sopenha , se krviodtí o promover a Conlelheirò noConselho de
índias ; e nomeou para Superintendente Geral da rendajdo tabaco a Jeronymo de
©cio Salazar.
Faleceo D. Joaó Villet , Tenente General dos Exercitosde Sua Mag. e do seu
Conselho de guerra , e em Zaragoça , com 74. annos de idade, o Padre Fr. Anto
nio Arbiol , Religioso da Ordem de S. Francisco ,' e muy conhecido pelas muitas
•bras doutas , c de piedade , que imprimio.' ■""
Por Decreto de Sua Mag. dado no Pardo a 2 2 . de Janeiro palãdo, (ë advertia .
ao Bispo Governador do Conselho Real , que naó era o seu Real animo prover
as Dignidades de Almirante, nem Condestable de Castella ; e para governo , e di
recção do Thesoureiro general , que novamente mandou estabelecer, fez impri
mir , e publicar na Gazeta da Corte huma inítrucçaó.
•> \\\ P O R T U G A L.-'-' • : • .v>i>v. r.ii'
J'. : Lisboa 2 8. de Fevereiro.
U LRey nosso Senhor , que Deos guarde , partio Domingo para a sua Caía
Real de Campo de Salvaterra, e ò Sènhor Infante D. Antonio , a di vertiremse
alguns dias na montaria dos Javalis. A Rainha nossa Senhora tinha ido na festa
feira antecedente visitar a Igreja , e Convento das Religiosas Agostinhas Descalças
do sitio do Grilo : antehontem se divertio na Tapada de Alcantara com o Principe
nosso Senhor ,e a Senhora Infante D. Maria no exercicio da caça ; e hontem foy
â quinta do Marquez da Fronteira no sitio de Bemfica. -'
Ceiebraraõse esta semana os despoforios de D. Joaó Manoel de Menízes , filho
único varaó de D. Francisco Furtado de Mendonça , com a Senhora D. Maria
Rosa dej^Ienezes , filha segunda de Joaó Gonçalves da Camara Coutinho , A1-.
motacel mór do Reyno.
^0ffian7"dé7O 5 EPH A"N T O N IO DA SYLV A. 3
Com todas 4$ licenças necejjarias.
Num,io. 75

G A ZE T A

DE L1SBOA OCCIDENTAL.

Corn Privilcgio dcS.Magcstade*

Quinta seira 7. de Mar^ode 172$.

C H I N A. ,'.
Pekim 5. de Janeiro de 1725. - . '
OR falecimento do JEmperador Cham-Hi , que no dilatado
dominio de 6 1 . annos foy a delicia dos povos deste Imperio,
empunhou nelle o Sceptro feu filhoo Principe Yon Tchin,
nacido da Rainha Te,je nomeado expreflàmente pelo mesmo
defunto para feu Successor, attendendo às inveleradas, e con
tinuas enfermidades de feu filho fegundo , a quem dtz annos
antes havia destinado para occupar o Throno , tomando pof-
fe délie no vigeffimo dia da undecima Lua , que fegundo o
euylo da Correcçaó Gregoriana, corresponde ao dia 2 7. de Dezembro de 1 7 2 2 .
e como fegundo a doutrina do famoso Filosofo Chinenfe Confucius , fe naó de-
vc alterar o governodos predeceffores nosprimeiros tres «annos depois da sua mor
te , nao quiz o novo Emperador neste tempo alterar a minima circunstancia do de
feu pay, confesiando, que tudo o que elJe obrara defde o principio do feu Reyna-
do arc a sua morte , podia servir de rnodelo nos feculos futuros , ac* que melhor
quizeffem governar as suas Monarquias , eainda acabados os tres annos, orde-
nou por hum Edito publico , promulgado em todas as Provincias do feu Domi
nio, quesé continuasse o mesmo methodo de procéder nas coufas civis , juridi-
cas , e miiitares , fazendo admoestaçoens a íodos òs Tribunaes , e Ministros , que
andem pelo caminho da.verdade , fejaó limposde máos, e amantes da Juftiça ; e
accrefcentando algumas Leys^queachou serem convenientes.ao refpeito da Re-
'
gencia , eao beneiício dosPovo's, L.,m-i ao favordos
entre as quaes he huma Airr^r Arts l^avrado-
I .avrado*
«s , em que déclara, que fendo a lavoura o principal fustento do Imperio , orde-
na , que em cada Gdade , nos lugares dos desterrados, eem todaa parte onde po-
Jer haver Lavradores , os animem a trabalhar , e que os Mandarins, ou Gover-
aadorcs dos ílugare* os prçmeem , para excitar entre elles o gostó._do traballjo.
74
Ordena também , que em quanto aos sacrifícios das cinco principaes montanhas,
e quatro rios principaes , e nos mais, a que segundo os ritos sinicos se deviaó man
dar Mandarins para Presidentes , seguardaflem os costumes antigos. No mesind
Edíto acima mencionado declarou o Emperador,que o seu desígnio he exceder
em benefícios o Reynado precedente, e para prova disto começou a fazer mercês,
e gratifkaçoens às filhas, e netas do Emperador, assim às que estavaóem Pala
cio , como às que vivem fóra delle : gratificou a todos os soldados das oito bandei-
r2s,que fazem a guarda exterior do Palacio ,a todos os Efoingardeiros , Artilhei
ros , e a toda a gente dc pé , c de cavalJo , assim dos Tártaros Ôrientaes , e Occi-
dentaes, como Chinens«s,mandandolhes dar de mereço soldo de hum mez. A
todas as pessoas , que se acharão voluntariamente na ultima guerra , que houve
contra os Mogores , para fazerem merecimento, assim Tártaros, como ChinsJhes
per'oau o dinheiro , que tinhaó tomado de empréstimo no Thesouro Real para
os seus aprestos , e os juros , que delle deviaó. Aos soldados das oito bandeiras,que
jà tinhaó fervido no Exercito , e por falta de hum grao de serviço , naó podiaó al
cançar a dignidade de Mandarins, attendendo aferem todos pessoas de mere
cimento, e haverem exposto as suas vidas por serviço da Patria t ordenou ao
Tribunal das Armas, que corresponde ao Con selho de Guerra, que examinasse os
que se achavaó neste caso , e lhe mandasse os seus nomes em hum rol. Mandou
também , que se lhe fizessem presentes as acçoens de todoî os que se acham© no
Exercito , e pelejarão contra o Graó Mngor , ou Rey do Indostão , para os pre
miar. A todos os que antigamente servirão na guerra , e se achavaó velhos , e re
formados sem soldo ; se a- seus filhos, ou netos se lhes naó tinha affignado por pre-
fstioò dito' soldo i mandou j que se cuidasse na sua subsistência , e se lhe desse , fa*.
zendó-felhe presente a S. Mag. Perdoou todos os crimes , que estivessem commet-
tidos por Mandarins de qualquer classe , por soldados , e por gente do povo ; ex
cepto os dè rebelião parricidios , incestos , homicídios , por engano , por ódio*
por peçonha lenta , ou forte , malefícios , roubos , mortes , e aceufaçoens de mu
lheres çontrá seus maridos , e de escravos contra seus senhores ; declarando, que os
authores destas maldades ,e outras semelhantes merecem justamente a morte , e
que também naó inclue neste perdaó os traidores, que daó aviso aos inimigos con
tra a sua Patria. Ordena , que todos os Povos , que vivem sobre montanhas , em
Ilhas , ou Lugares fortes pela sua-situaçaõ , substrahidos ao seu Domínio , queren
do vir fubmtterse à sua obediência., naó somente lhes perdoará o passado, mas
os elevará às dignidades , e lhes fará outras gratificaçoens. Declara , que se todos
os que por naó terem que comer , nem que vestir , deraó em ladroens , quizerém
mudar de vida , e sogertarsc voluntariamente , promette perdoarlhes. Passou no
vas ordens a favor dos estudantes , que cursaó as escolas para as suas graduaçoens
de Doutores , Licenciados , e Bacharéis , e tem feito outras muitas cuspofiçoens,
com que se foz amar cada dia mais dos seus súbditos. ■ • '-" - . **
T U 8 Q.U I A.. • • ' y» ;
<t '- Conjfantittoptd 15.de Dezembro. f >
ID Xpediraô-se ordens aos Commandantesdas tropas , que fervem na Pérsia, pa-
ra as meterem a defcánçar em quartéis de Inverno do grande trabalho , que
neste annotent rido, para effeito de se acharem na Primavera em melhor estado
dc poderem continuar as suas conquistas. Antes de se despachar este Expresso , se
tinha recebido por outro a noticia de se haver rendido a Achmet , Baxã de Baby-
-4onia , a Gdade de Laurestan » a cuja entrega elle a persuadio com hum grande
'•' ■> numero*
numéro de bolças , e com IHe affirmas , que o Sultaô se naô apoflàva do Reyno da
Persia , se naó para o entregar a hum Principe Persiano , que elle julgasle mais
digno de raó relevante Sceptro ; e que havendo Abdula Baxa feico pubïicar , que
elle reccberiaas mais Praças daPerfiacom as mesmas condiçoens ; oGoverna-
dorde Aderbil, Cidade da Provinciade AderbeitZan (vinte e cinco legoas dis
tante do mar Calpio) lha entregara , e o mesmo fìzera o Governador da Gdade
deSultania,situadano Paiz de Erack-Atzem. Ambas estas povoaçoens ioraóre-
cebidas ,etratadasmuito humanamentepckt General Turco , que lhes conccdco
a protecçaó daCorte Ottomai a , c derxou ficar nellas a mesma guarniçaé Persia-
na, sem outras tropas. • ».
O Baxá de Babylonia ganhou tambem com grandes promessas hum sobnnho
do Sophi defunto , e o ir.andou a esta Coite , onde se ac ha já vestido à Turquesea,
e he tratado aqui com todas as honrss , e disti nçotns de Principe. Ccrre a voz, de
[uc Sultan Esref j sobrinho , e succeíior do Pnncipe de Kandahar , n;f nda liuma
anbaixada-à esta Corte , propondolhc huma parniha do Reyno da Perli. . Os ne-
gociosda Ruflìa parece,que vaó cada dia em mayor dethmento, Mandouie adu-
zir de 6 o. escudos a dez a porçaó, que se dava ao Conde de Romanzos, Enviado
extraordinario daquella Coroa , com o pretexto de se haveracabado a sua com-
miuaó. Elle tem pedido varias vezes audiencia ao Graó Vizir , c este ihe mandou
dizer , que lha concédera brevemente , e que lhe aconleJha le deixe fìcar nesta Ci-
dade,ate se receber aviso certo do estado , em que se acha o Paiz , onde se deve fa-
Zer a demarcaçaó dos limites , mas naó falta quem entends } que esta esperança se
encaminha só a ganhar tempo , para se tmpregar com mais utiJidade nos novos
defigmostlo Sultaô.- ■"• ' -■■■'■<* f r ' • v.>\ ■> >i>j.'-r- n:- 1 ■>* ■ .. n ■'. ■ j .\i
ô Patnarcada Georgiase acha aqui ha mezes, solicitando substrairse daRe-
genciados Turcos;enaó fomente hebem recebido'sempre peloGraô Vizir jaiiá»
ihe tem prometrido de o repôr na sua dignidade, e jurildiçaó , sem que o Govcr-
110 se meta nas cousas , que pertencem à Religiaó Christáa , e que aos Senhores do
feu Paiz lhes farà restituir os feus titulos , dignidades , e bens com a condiçaó de
que tornaraó para as tuas casas , de que andaó rttirados , e obedeceraó às ordens
áa Corte Ottomana ,aquai isentará tambem osGeorgianos de todas as contribuH
çoens , eXcepto a dos tres escudos por cheminé. Dtaenv^queo mesmaPatriarcaj
em troco delta graça tem promctido,que os Georgianos tornaraó todos j ara suas
casas. «fúobs 'Tij- »' ii.cj. f." itir» :»•> '.< •}« ■/..< 3.' : -mAn . -oc q
Mons.Stanian yEmbaixadorde!Rey chGráaBretanha,recebeohum Exprefi<>'
de Hannòver jcom defpachosdc grande importancia/ Agora ao partir dcsteCorl
reyo se espalha aqui a voz , de que ás tropas Ottomanas se assenhorearaó de His->
pahan , Corte da Persia , porém ainda eíta nova carece de confirmaçaó. O nova
Sophi se acha com muy pouca gente, por causa da má disposiçaó do feu govemo.
.1 • -...'.W :• -a.:' I T A L ■rA.--5...':.r o.»-/-- ■. ,
■ Napoles 1. de Janeiro. ' -
A S inundaçoens do mez pasfado causarao grande dam no em varias partes deste
Reyno. As Villas jCUjosterritorios padeceraó mayor estrago,mandaraóDe-
putados ao Cardeál Vice-Rey , pedindolhe quizeslè cortimovello esta grande cala-
midade a diminuirlhe alguma parte das suas imposiçoens ordinarias, mas naó pu-
deraó alcançar reposta favoraveJiEsperaó-fcnèUe Reyno quatro Regimentos lm-
periaes de Infanteria ;fc doûs de CaYálfarja jíque se repartira© por diíTwntesqsèA
(os y segundo as ordens, que se receberaó da Corte de Vitnna. Muitos Judeos ricos
de fItaltá se tem intereflàdo na Cdrnpanhia Oriental de Trieste j com que o sea
commcrcio secoméça-a estabelecer com mais feliz succeflo , que osannos précé
dentes, e faz aprestar duas naos,para começar eite anno a fazello rias escalas do Le
vants. ; hr ■ ■■■■-'„
->■■■.< >■■... ! ..'^ Ronut 25. de Janeiro. ' . .. \
P 'Or huma carta (ou Brève) cícrito aos Fieis Catholicos dos Paizes Ba ixos,com
data de 6. de Dezembrodoanno passado , declarou o Papa por nulla, e sem vi-
for a eleiçaô , que algunsClerigoSjCom o titulo de Conegos de Utreque , fizeraó
a péflba de Cornelio Joaó Barehman > para Arcebispoda mesma Cidade , anate-
matizandoj e excommungando a este,e a todos os que concorreraó para a sua elei
çaô , é Sagráçaó. Na Çongregaçaó dos Ri tos se approvaraó as Canonizaçoens dos
Bearos Joaó da Cruz } e TurrbiojArcebispo de Lima. Os Alumnos do Colkgio da
Propdgmda flzerap a x 3. do corrente acostumada Academia ,,em honra dqstres
San tos Reys Magos , com aflìstencia de nove Cardeaes y e S. Santidade lhes-man-
éo& sei s grandes bandejas de doces,com o todos os annos se costuma. Mandouse
pubKcar hum Brève , com data de 1 8. de Dezembro , pelo quai S. Santidade deu
©spoderesnecestarios aoGeral dos Religiosos Menores Conventuaesj, para des;
membrar da Pròvincia de Genova $ 4. Convenios dos Estados de Saboya , e Pie-
monté , c fazerdeUes huma Pròvincia com oiitulo deTaurinense >ou de .Turin*
-.- N* mapnháa de 2 2. depois de Sua Santidade tlar audieneia âoCafdeal dfrPo^i
lignac^ foy â Igreja deS. Joaó e Si Paulo dos Padresrda Missaó >e.sendo nelfa'fie*i
cébido pelo Cardeal Paolucci feu bemfékor ? depois defazer oraçaó, abrio a cai&t
de chnmbo ,emque seconservaóas ReliqUias daqueUcsgloriosos Santés, e Mar
tyres Portuguezes ; as quaes di vidio por varios vasos de prata , e vidro , ajudada •
eo mesmo.eardeaÌ> dœ Arcébispos de Nazianzo , Iconiq, e Aniafia, e d«BispO'de
Giovenáazò i'eJDS cqUocon cm eutEacaixintìvadechumbo, que osditoePrela-
dos fecharaô , e .seljaraó '9 ei» quanto Sua Santidade posto de joelhos, « ajudadjï.cít
hum feu Capelkó fecreto y recjtóttalguns Pselrnos , jt Qraçoens , fazçndbse hum
mstniment»deaido,axógo4é MonîcnhorGanibarucci, primeiro Mestre de Cé
rémonial daCapella Poptiíìcia. j<t hontem concedeo por humEdictpIndulgenci*
pleriaria;,je remiffaó de todos ospeccados aos Fieis , que com a dévida disposiçaó
«ffistinemia 27. (ííworrente naquella Igreja , à íssta da elevaçaó da. messna çajxa.i,>
í; Pdkssete horàs da>neBtede qçz<)ttodcstemezfakceq ,<ispo«dekuma Jarg% e
penosa enfermidadè de retençaó de ourîna , com setentà e doùs anhos, hum me2à
«quinzë'diasderdade i, e trezçannosô oito mézes de Cardeal.* ^Eroirìentiffimo
Joaó Baufista Tolomei»da Companhia dé Jesus,do tiçulo de Santo Estevaô Redon-
do, e fc lhedeu scpulturaa 2 1. nalgreja,de Santo Ignacio do Collegio Rornano
da mesmajéompanhia , onde esteyefixp^sto/WèsdiáSQseueoi^^
pa cc»n 2* CaWsaesaó seju se
zem,que tinha perfeito conheciment|> dô dozétlii-çuas , e entre estas das Orientaes.
Tirou S. Santidade a Président» da CongregaçaS.dos Viveres ao Cardeal Al-
ba1ú',-e-:atìeu'ào CardeaJ Góscra.:Dizém ,que estaó ajuiftadas.as diílbrçnçâí ertr
tre àsti Corte , e. a de Turin , © que o Papa quer impor huma taixa em todos os
Bifpados.do Reyno de Napoles , para emprcgar a s^írnpxjr/aftcia ;era concèrtar
es PsílaeiesiEpiáopàes^ ^e^uaff sffiiitintmib & ,hcb'. *
•%•'''« !»íti;^«J ■. rí><>h.u M^MeWtioïfá KÍÍo -tr tsorr^sí :.r. ^

ftfj Myûtyo%eii<%,<mW*'^i4^fílWftï^rí;QCcjiçar eífe fo$wst/»lu&zê*i


iì' Repu-
Republica , Alexandre Saluzzo, por pluraKdade de votos. Elegeraó-se tambem a
semana paslada os novos Senadorcs , que íaó Joaó EstevaóSpinola , Joaó André
Domingos Saoli , e Antonio Invrea ; os novos Procuradores Ámbrosio Negroni,
ejoaó Jaques Imperiali, e os principaes membres do Conielho Grande ^Filippc
Maria Lomellino } Pedro Maria Justi niani , Nicolao Spinola , e Joaó Bautistade
Franchi.O Doge seapplica com grande disveloao govtrnoda Rtpublica,c sees-
peraómuy ventajoios acertos da sua Regencia , pelo gKnde conceito , que tcm
grangeado nos povos as suas raras prendas. Elegeo-se tambtm a Antonio Negro
ni , para Governador General da Ilha de Corsega , de cuja cultura , contra a pra-
xe antiga , se começa a tratar com algum cuidado.
Milao 2 . de Janeiro.
O Conde de Thaun , Feld-Marechal dos Exerckos do Emperador , cnegDu em
24-do mez passado de Bruxellas a Vapriocom a Condcssa sua mulher, ealli
foraô rccebidos , e regalados com varios rerrescos , pelo Conde Carlos de Archin?
to , Senhor daqueile Castello , e metendofe pelas duas horas da tarde cm huma
magnifica barca , que lhe tinhaó preparada no rio Adda , desccraó navegando atc
Pomi, que he huma casadecampo sìtuada duasmilhasdesta Cidade, onde o
Conde foy recebido pelo Baraô de Kismar , Capitaó da guarda Esguizara , que o
Conde de Colloredo tinha mandado com os feus coches a espcrallo. Entrpu nest»
Cidade pelas seis horas da noite , salvado com varias descargas de artelharia das
muraJhas , e Castello , e se apeou no Paço , onde os Ministres , e os principaes da
Nobreza o receberaó ao pé da escada. A 26. tomou poste do governo com as ce-
remonias costumadas na presença do Conselho privado , e nos dous dias seguinteg
tevt varias conférencias com o Conde de Colloredo seupredecessor, sobre os des-
pachos , que Mons, de Schmerling,Conselheiro Aulico, unha trazido de Vienna,
para onde logo fez viagem o Conde de Colloredo» ,><.,,
. As grandes cheas tem seito hum graviffimo damno neste Paiz , cm cuja confi-
deraçaó osPaysanos requerem seJhes perdoem codas as imposíçoens , quedevem
pagar este anno , para poderem resarcir as perdas , que receberaó nos seus bens»
Todo s os criminofbs condemnados nos quatre mezes précédentes às galés , pelos
TnbunaesdestePaizjOsempregaraóemi^baihar no concerto dosDiques, que
©rio Pó destruhio da parteide Cremona, ., ; . :,. ' ., y.>: . - r;o;, .
.■»■..>•?•. .... .f Moreau 5. de Janeiro. >;.:-_ .•'..-.-./
OGraó Duquc deTofóirii » que tinha pariidoa 28» para Bobili , sua casa do
«ampo, çomintento de alli, residir quinze dias, voltoulogo porcomeçar a
fentîrse molestado ; e ainda a 3 1 . naó pode aslìstir por causa da mesma, queixa aot
Te Z)e»rn, que fecantou solemnemente na IgrejadeS.Lourenço,com affistencia
do Nuncio do Papa, dosMagistrados, e Nobreza, em aççaó de graças pelos bene>f
ficios alcançados da Divine maó , no dil'curfo do anno passade A Gráa Princezá,
viuva Violante de Baviera,yoltou do Mosteire de Santa Thereíàjonde esteve reco-»
Ihida algum tempojpara oseu Palaeio, enelíe deuaudiençia Domingo à noité
ao Nuncio,na segunda feira áo Ministro de França, e na quarta ao da Gráa Brcta-
nha , que todos concorreraó a comprimentalla sobre a entrada donovoanno.
Aqui se assegura , que as Cortes de Vienna , e de Madrid tem escrito ao Graô
Duqte s persuadmdo-o á que reconheça o Infante D.Carlos por feu légitime fuc-
ceflbr. Faleceoemidadede 70. annosoConde LuisFantoni , Ministro Plenipo-
teneiario , que foy do Duque- òt puastallano Congreíïp de Utçeque , e çonheci-!
de entre todos os Sabios de Italia pela sua grande crudipaó. . -.\
7» •"- . Vmrç n.de Janeiro.' ., f :. • -p'i
O Doge acompanhado do Senado aihìtio no primeiro do corrente em publied
na Igreja Ducal de S. Marcos, onde l'eachava exposto o Santiíîïmo Sacra-
menco às preces , que se mandaraó fazer nas principaes Igrejas deíb Cidade,para
alcançar a esta Republica a bcnçaó deDeos nofíoS'enhor nodiscurso doanno
présente. A 4. se publicou em todas as Igrejas huma ordem do Con fol ho des Dez,
pela quai fe prohibe o andar com mascaras nos dias de feita d; guard' , senaô de-
pois de anoitecer ; e que o mesmo se observará na vespera , e felta da >°urificaçaó
de N. Senhora 3 nos quaes se fecharáó todos os theacros de Opéras , eOomedias,
e naó haverà Alíemblea alguma de jogo , nem alv um dos di vertimenros do Car
naval. _ ■ -
1 OMinistroda Rnflìa , que aqui relide, tem propostohuma aliança com a Re
publica contra os Turcos , e que se começará a entrar nella , tanto que se con'clus'r
aqmese tem proposto aoEmperador,eaEIReydePolonia. N'oukimo dia do1
mezpaísado íe palsou, na Uha de S. Jor^e^ mostra a huma Comj ;nhia Italiana,'4
duas estrangeiras , que chegaraó da terra tirme , e devem passar para as Pracas do
Levante. • '* ' ' , ; ♦ ■"■ •: ' '■
Depois que as chuvas ceffaraó , começou o frio a crescer , e a gear tao fofte-
mente y que le achaó congeladas as aguas das nofìàs lagoas , tazendo esta Cidaíde'
communicavel com aterrafirmei ' - r j . \ ? rV.J
-:t-i. \i<ÉV V E © fr Ar >•» .' •* ■ ,
■ Schafhuysen 16.de Janeiro. iv •'« r.: vf *.í
AS differenças } que havia entre o Nuncio do Papa , e o Magistradò de Lucef1
na * se dizque estaó accommodadas amigavelmente. O Estado de Berné naô
quiíí consentir, que se mecenemtìóDicciònarioHistòrico,que se imprime em Bá-
íiJea por subscripçaó ? as Genealogias dé nenhuma1 farmlia do feu Cantaô. O Bis-
pádo de Coira alcançoU permissaó de Roma para poder vender as Alfandégàs da-
quella Gidade , que ie achavaó hypothecadas por 1 /U.fi'orins.OCabfdo dâ meí*
ma Cathédral ie ajuntou a 1 4. para deiibérar sobre o capiíuladó de Milaó , e recea
ber os votos do Povo. Chegaó a meis dé 2 5U. pes de Cârvalhos os que cahiraó
com a força da ukima tempestade , no&éïque , que fica entre Arau , e Saffingue.
Segundoascartas de Plorença, le achava o Qraó Duqûe de|Tofcanâmuy con^
valecido da sua ultima indifpbfiçáó , é tinha feko vàrios Conselhos , e Conferen-

As de Berne dizem que em 6. do corrente se tinha publtcado dospulpitos


htim mandado do Conselrfo Soberanb , pelo quai se défende a todos os sobditdsv
daquelle-Cantaó o interessárse em nenhuma lòtaria estrangeira ,ern consideraçaó
de quepor este genero de commeréio sahem, e riaó eritraó maisnó Paiz as moev
dás.de melhor efpecie,e que tambem Té detérmirïaya próhibír a entrâda dotfluizes
fingelos , e dobrados , ou reduzillos a menor preço. " :,e
-on. . :i r ,a LWAN H "Ai •• - »' «:« \" ' 1
< ) '■'■<Ji'"'? !r' ,! Wt " 1 P&nriìí'fS.de Janèiré.^ ' ^"/^ ,ìv" '\-
p Or hum1ì*prerîo defpathadq de Pems^urgo se rèfe'ebéraS «artigós ptelrrfii-1
*■ pàres dos Tratadp , qué se hëgócèá 'entre estas çldasCortés, editém eonfistir-1
e* huma áliançà òfKnftva , e deferisiva contra ós Tutcdi, k (à defensivapeloque1
toca às Potencias da Europa; A ^ î . dó méz paslâdo se fez hama Genferenda fo*
\- , t,rt
bre esta aliança , em casado Principe Eugénio. Alguns dizem, que a Czarina per-
tende : Que S. Mag. Imp. e os Estados do Império a reconheçaó por Emperatriz
Soberana de toda a Ruíïïa : que trabalhe em restabelecer a antiga amisade,
que havia entre ella, e EIRey da Gráa Bretanha: que se restitua ao Duque de Hol-
saciao Ducado de Selesvicia , que ao presente seacha indevidamente possuído por
EIRey de Dinamarca , e que em consideração do referido , se offerece também a
solicitar a succclsaó do Reyno de Polónia, para o Principe Eleitoral , filho delRey
Augusto : que cedera todas as pertençoens , que tem contra aquella Republica , e
que empregará as suas forças em beneficio dos interesses de S. Mae. Imp. porém
agora corre huma voz , que diz , que a Corte de Rússia faz disficuldadc de aisig-
nar alguns artigos separados do Tratado desta nova aliança.
O Príncipe Eugénio deu ordem ao Commissario gérai de guerra , de remetter
sem demora alguma aos Oificiaes dos Regimentos ,|o dinheiro necessário para as
reclutas; e já com efFeito íe fazem levas em todos os Paizes hereditários para levan
tar 7U. homens, que faltaó para reencher a lotação dos Regimentos , e os Oifi-
ciaes délies alcançarão licença para as fazerem onde puderem , a fim de conseguir
o ter este numero completo no tempo , que se lhes deu de prazo. Os Estados d*
Áustria Inferior concederaójao Emperador os subsídios, que se lhes pediraó , e o
Qetodos Paizes hereditários da Augustiffima Casa , promette pagar exactamente
a decima, concedida pelo Papa, com a condição, que a importância delia sc em
pregue em pór as fronteiras de Hungria , e Servia em estado , que se possaó de-
fenderbem , no calo que o Graó Senhor emprendainlultallasna Primavera pró
xima , o que parece se poderá ver , porque Mons. Dierling , Residente do Empe
rador em Constantinopla , escreveo a esta Cone, que se continuavaó em Turquia
as preparaçoens de guerra, e se dizia, que S A. Ottomana tinha resoluto fazer va
rias emprezas da parte da Europa , na Primavera próxima. O Conde de Rabucirri
tem oroern. para apressar a sua viagem de Petrisburgo , aonde se diz , que a Corte
de Hespanha mandará também hum Ministro do primeiro caracter.
Confirmase , que o Conde de Freitagh, Enviado extraordinário do Emperador
nas Cortes do Norte, tem plenas instrucçoens,para concluir Tratados de com mer-
cio com as de Suécia , e Dinamarca , desejando esta estender o dos seus vasiallos
por toda a parte. Esperase aqui no mez próximo o famoso Joaó Law , de cujos
projectos se concebem esperanças de grandes ventagens» Os Directores da Com
panhia de Trieste presumem fazer hum grande commercio no Levante, com de
trimento do que os Francezes fazem naquelles Paizes ha muito tempo. O com
mercio daquella Cidade sc augmenta cada dia mais por meyo dos Judeos , que se
tem interessado nelle , e para mais o facilitar, eattrahira elle os estrangeiros, se
raandaõ concertaras estradas dos Ducados de Istria,e Carnio!a,e as doArchiduca-
do de Austrta.O Emperador tem resoluto ir ver Trieste no fim de Abril próximo»
1 GR AN BRETANHA.
Londres 1 <j. de Fe-veniro. •
U LRey desembarcou em Rye a 14. pela huma hora depois do rneyo di a , de-
pois de haver tido huma perigoíìflima viagem, porque havendose embarcado
emïHefwetsîuys a 1 2. pelo meyo dia, e havendose feito ao mar com favorável
vento , lhe ibbreveyo de noite da parte do Norte huma tempestade , que durou
todo o dia seguinte , e separou oí navios da Esquadra huns dos outros para a par
te do Sul y excepto a nao de guerra mandada pelo Capitão Dancy, que ainda ven-;
do/e no perigo. d,e cortar todos os seus mastros, naó quiz deixar só o hiacteeni
8o
que EIRey vinha. A 1 4. se achou S. Mag. com á mayor parte dos hiactes , e naos
de guerra da sua conierva , na altura de Dovre , mas por estar a agua muy baixa
naõ pode entrar naquelle porto , e íoy obrigado de ir surgir a Rye , porto do Con
dado de Susièx , donde despachou aqui hum Expresso para se llie mandarem car
ruagens , como se fez, e havendo descançado naquelle sitio dous dias do trabalho
que padeceo por tempo de 40. horas , em que naó comeo cousa alguma , partio
a 1 7. e chegou aqui azo. havendo feito oy. milhas de Inglaterra de caminho
por terra. ■ :
No primeiro de Fevereiro se deu principio a Aslemblea do Parlamento^ quem
Sua Mag. fallou na fórma , que se dirá na semana que vem.
PORTUGAL. Lisboa?, de Março.
T? LRey nosso Senhor , que Deos guarde , chegou Sabbado pelas cinco horas da
tarde de Salvaterra com perfeita disposição. A Rainha nossa Senhora tinha ido
no mesmo Sabbado à Tapada de Alcantara a caçar com o Principe nosso Senhor,
e com as Senhoras Infantes D. Maria , e D. Francisca.
Segunda feira se celebrarão osjdeiposorios de D.Joseph Lobo da Sylveira,quar-
io Conde de Oriola , decimo Baraó de Alvito , senhor destas duas Villas , e das de
Villanova , e Aguiar, com a Senhora D. Theresa de Assis Miscarenhas, Dama do
Paço da Rainha nossa Senhora , e irmáa de D. Manoel Mascarenhas , quarto
Conde de Óbidos. .. .
No Real Convento do Santo Crucifixo, onde se tinha criado de idade de tres
annos, tomou o habito de Religiosa , a Senhora D. Catharina de Menezes , filha
de D. Pedro Alvares da Cunha ,Trinchante de Sua Mag. Senhor do morgado de
Tabos, e da Villa de Ouguella, Commendador de S.Miguel de Nogueira na Or
dem de Christo,e de sua segunda mulher a Senhora D.Maria Theresa de Vilhena.
Escrevefe de Villaviçosa haver falecido em 2 3. do mez de Fevereiro deste an-
no , no Mosteiro de N. Senhora da Esperança , pelas dez horas da manháa , com
82. annos de idade, a Madre Brites de S. Joaó , natural da Villa de Moura , que,
duas vezes havia sido Abbadessa do mesmo Convento ; e que se observarão notá
veis maravilhas na sua morte ; porque ficando o seu corpo flexivel , e emanando
frangancias , fora sangrada tres vezes em tres dias différentes , e de todas lançara
sangue , que se expuzera todo este tempo o seu corpo no Coro à vista dos Fieis , e
de toda a Nobreza daquelles contornos , e que no dia 2 6. em que se lhe deu. sepul
tura , se fizera terceira junta de Médicos na presença do Reverendo Padre Vigário
Manoel Infante de Acha , dos Religiosos da Companhia , Gracianos , Paulistas, e
Capuchos,e muitos Cónegos daCoflegiada da mssma Villa, que todos viraõ o re
ferido , e foy depositada no Capitulo em lugar separado.
• Faleceo quinta feira passada a Senhora D. Joaquina de Bourbon, filha de D.
Luís de Almeida, terceiro Conde de Avintes, irmaó do Senhor Patriarca , Dama
que foy da Rainha nossa Senhora , estando ajustada a casar com Francisco Luis
ô.rneirode Sousa , quarto Conde dallha do Principe.
• ; Sabio a imji terceira farte do Fios Sanãorum Atigufiiniauo ,Autbor o P.M.
Fr. Joseph de Santo Antonio : contém entre outras vidas pndigiosas a do grande
Patriarca Santo Agoflinho. Vendese na portaria da Graça.
Tambem sábio a ht\a Novena' de S. Joseph , com os Hynmos , e Antífonas
em canto chaô; vendese ao arco de Jesus^unto.aS.Nicolao^m casa do Paire Ma
noel da Sylva de Moraes. ■ ' - '■•■**
■■ir "Nã"OfS3rã"dêj O 3¥PH7£ÍJ T O \' IO DA SYLV A.
Cem todas as licenças neteflarias.
Num.i ï;

GAZETA

DE LISBOA ENTAL.

Com Privilegio

Quinta seira 14. de Março de 1716,

TUR QJJ IA.


Constantinopla 24. de Dezpnbro.
TRATADO de aliança, que se negocea entre o Empera-
dor de Alemanha , e a Emperatriz da Rússia , começa a dar
susto nesta Corte. O Graó Vizir declarou a Mons. de Dier»
ling , Residente Cesareo , que o Sultaó determinava observar
inviolavelmente o Tratado dePossarowitz, na esperança de
que o Emperador seu amo faria o mesmo da sua parte ; e que
da dita aliança se lhe naó seguiria prejuízo. Assegura-se , que
o dito Ministro teve ordem para lhe declarar , que o Empe ra-
dor quer também observar os Tratados, feitos com S. A. Ottomana ; eque para
desvanecer toda a suspeita do contrario , lhe mandaria mostrar o mesmo Tratado
em ,e achando concluído.
As noticias , que aqui tem corrido dos progressos da armas Ottomanas , parece
se inventarão expressamente para causarem respeito aos Européos , porque ha.
quem assegure , que depois da expugnaçaó da Cidade de Taurisio , se naõ empre
garão mais , que em ganhar alguns Fortes situados na circunferência delia , e que
logo poucos dias depois entrara o Exercito em quartéis de Inverno. Também se
assegura haverem-le perdido na Pérsia depois delta empreza , mais de tíoU.Tur-
cos , assim por deserção, como por doenças. O novo Sophi Xá Thamas , que se
dizia estar quasi desamparado dos Persas , se refere agora , que depois da morte do
Principe dé Kandahar , foy proclamado Rey , c se lhe aggregou hum grande nu
mero de gente ; e marchando com ella para a parte do Monte Tauro , fora causa
de que os Turcos entrassem taõ antecipadamente cm quartéis, por se naó acharem
com forças capazes de se lhe oppôr. O Graó Vizir para effeito de as augmentar,
tem dado ordens para se fazer marchar para aquella fronteira hum grande nume
ro de tropas , e fez partir huma considerável quantidade de dinheiro , para paga
is mento
mento das que lá se achaó. Affirrna-se , qae o novo Rey da Pérsia mandou hum
dos seus confidentes à riosia fronteira , para falJar com o Baxà Commandante , e
entregarlhe huma carta para o Graó Vizir , a quem elle a remetteo logo por hum
Expresso. Dizem , que nella faz proposiçoens de paz a esta Corte , pedindo a per
missão de poder mandar a ella Embaixadores; e que entre as razoensj que dá,
para se lhe admittirem , he huma certa difficuldade , que ha na interpretação de
hum texto da doutrina de Haly, sobre que deseja o parecer do Moufti ; e este pon
to foy o que] fez conseguir a admiHaó, porque este Moufti da Seita Ottomana,
querendo lograr este reconhecimento da superioridade do seu lugar, entre os Per
sas , votou nella com todos os do seu partido. Mandou-se ordem à fronteira para
deixarem entrar os ditos Embaixadores , e os conduzir a esta Corte com toda a se
gurança ; e dizem , que com elles vem incognico hum irmaó mais moço do mes
mo Sophi.
Sultaó Deli , que esta Corte pertendeo expulsar do Throno de Krimea , para
pór nelle hum seu irmaó mais affeiçoado aos Turcos , soube interessar no seu par
tido os Tártaros de Circaffia , os de Nogay , e os Kalmukos , e espera ainda hum
soccorro da grande Tartaria , que o poderá pór em estado de o sustentar na sua
empreza de querer ficar Soberano , e independente do Sultaó , o que todos aqusl-
les povos delejaó. Estas novas rem causado huma notável inquietação ao Graó
Vizir , que fez ajuntar duas vezes o Conselho , no qual se resolveo, que se rnandai-
se propor hum concerto àquelle Principe ; e que no caso , que elle o naó queira
aceitar , se mandará marchar contra elle tres corpos de tropas, mandados por tres
Baxás , que logo se nomearão. No ultimo Divan houve grandes debates entre o
'Graó Vizir, e o Moufti, sobre a proposta de se haver de emprender a expugnaçaó
das terras , que os Ruífianos tem conquistado na Pérsia. Estes novos accidentes
embaraçaó as ideas , que se poderiaó haver formado courra a Europa , nem se fa
zem preparaçoens extraordinárias de guerra , como se divulga , contra os Chris-
táos. Apparelhaó-se fomente algumas sultanas ; mas estas , dizem > ser destinadas
para irem conduzir o tributo a nnual ordinário do Archipelago.
RÚSSIA.
Petrisbttrga ï <r. de ^faneii 0.
■VT A manháa de 1 2 . do corrente , que segundo o estylo observado nesta Naçaõ
*^ he o primeiro dia deste annode 1726. a Emperatriz depois decomprimen-
tada com esta occafiaõ pelos.Senadores , e mais pessoas de distinçaó , foy acompa
nhada da familia Imperial à Igre ja da Santiflima Trindade , onde aífistio ao Ser
mão , que fez o Bispo de Biligrodià , e ao Tc Deum , que se cantou com a solem-
nidade de varias salvas de artelharia do Almirantado , e Fortaleza ; e para festejar a
entrada do novo anno, convidou para huma magnifica ceya a todos os Principes,
Ministros estrangeiros , Senhores , e Damas principaes , porém naó assistio nella
por cansa do seu luto, que ha de continuar até Fevereiro próximo ; porém vio o
fogo de artificio , que se fez sobre o rio Neva , defronte do Paço , depois do qual
lhe deraó os parabéns da entrada do novo anno o Duque de Hollacia , as Du-
quezasde Mecklenburgo , e Kurlandia , o Príncipe de Geórgia , e os Ministros
estrangeiros.
A Academia das Sciencias , novamente fundada nesta Corte , fez a 7. do cor
rente a sua primeira Asfemblea publica , na presença do Duque de Holsacia ,dos
Senadores, das Dignidades do Synodo, e de alguns Ministros estrangeiros. Os no
mes dos Lentes , ou Mestres delia íaõ estes. Herman , Bernoullij de Lille , e Gold
bach , para as Mathematicas : Martini , e Mayer , para a Filosofia : Bulsinger , pa
ra a Fiiìca géra] : Honinger , du Vernoy , Bruycr , e Bernouille , para Medicin a:
Lautman , para Mechanica , e Gross, Kohi , Bayer , e Bekkenstein , para Histo
ria , antiguidades, Humanidades , e Direito Civil. Deu principio ao acto da A£
semblea Mons. Bulfinger com huma Oraçaõ Latina , que foy muy appiaudida,
mostrando nella o fim , a obrigação , e a utilidade de huma Academia , e fazendo
hum Elogio ao Emperador detunto seu fundador , e outro à Emperatriz sua pro -
tectora ; e depois fez huma DitTertaçaó sobre as longitudes , tratando esta questão:
Se efta-vaS os Mathematicos taS adiantados no conhecimento das propriedades do
Trrnn , e nas agulhas cevadas nejiapedra , quese pudejje tirar humasoluçãofun
dente dosamojo Problema da longitude na terra ,e no mar. Imprimirscha breve
mente este papel , que foy approvado por toda a Academia , e se asiegura , que da
qui por diante se imprimirão todos os papeis ,que delia sahirem na língua Ruflia-
na, para instrucçaõ dos Nacionaes , e em Latim , e Francez,para se fazerem com-
municaveis aos estrangeiros. O Duque de Holsacia deu na mesma tarde huma
magnifica collaçaó aos Académicos , que recebem todos os dias novas mercês da
Emperatriz , e entre outras a de os mandar alojar por sua conta cm calas magnifi
cas , em quanto se naó acaba o edifício publico , em que cada hum ha de ter o seu
quarto ;e a incumbência de darem ospallãportes a todos os homens scientes , que
quizerem vir a este Paiz, ou sahir delle para se recolherem às suas casas. A sua Bi-
bliotheca hcjá muy considerável , e cad a dia vay em mayor augmento ; e aílìm a
Corte , como a Cid ade,estaõ plenamente satisfeitas desta fundação.
A Emperatriz teve a semana passada dous grandes Conselhos , sobre os negó
cios da marinha , e a 5. do corrente mandou ordem ao Almirante Kruytz , que he
o Director General , para mandar fazer em Riga , e em Cronsloot as preparaçoens
necessárias , para que a Armada se ponha em estado de sahir logo ao mar no prin
cipio da Primavera próxima. Falla-se em reforçar o Exercito Ruffiano na Pérsia
até o numero de 100U. homens. A Emperatriz tem formado hum Regimento
c'e Cavalheiros Ruslianos para lhe servir de guarda de Corpo , e outra guarda par
tie ular d e Cavalleiros , que naó iervirâó se naó junto à sua pesiba. Também orde-
r ou , que os Ministros Assessores do Conselho de Guerra , sirvaó em quanto vive
rem de Conselheiros de Guerra,sem poderem trocar este cargo por outro. Dizem,
que o Baraó de Mardefeld , Enviado delRey de Prulsia , lerá condecorado pela
Emperatriz com a ordem da Cavallaria de Santo André ; c que o Embaixador de
Suécia voltará brevemente para a lua Corte. Alugou-íe a casa de Mons, de Ville-
bois , para o Conde de Rabuttin , Ministro do Emperador, por 600. ducados ca
da anno , que fazem perto de 2400. cruzados. Em 2 p. do passado, em que com-
prio annos a Princeza Isabel , filha segunda da Emperatriz , lhe deu esta depois de
acabados os OrEcios Divinos , a que assistiraó,o Colar da Ordem de Santa Catha-
rina, e a mesma Princeza lhe deu hum jantar na sua Camera , de que também
participarão o Duque , e Duqueza de Holsacia , e algumas pessoas de distinção
dos dous sexos.
POLÓNIA.
VarsonÁa 21.de janeiro.
NQ dia 1 ç-do corrente , destinado para a A ssemblea dos Senadores do Reynoj
passou ElRey do seu novo Palacio para o do Castello desta Cidade , pelas no
ve horas da manháa ; e achandose nelle juntes o Arcebispo de Gnesna , Primaz do>
Reyno j os Bispos de Cujavia , de Posnania , de Varmia , de Luccovia , e de Ka-
minieck;
84
mineck ; o Graó General de Lithuania , o Palatino de Vilr a, o Princips CaWaS
de Vi Ina , os Palatinos de Plock , de Culm , e de Marienburgo ; os Castellocns de
Plock , de Belsclc , e de Berzesc em Lithuania, e ode Visticia , o Graó Marechal,
o Graó Chancelier , e o Vice-Chanceller da Coroa , o Principe Vice-Chancelier,
e o Graó Theíòureiro de Lithuania, e o Marechal da Corte , os fez entrar no seu
quarto , onde communicou ao Graó Chancelier } em hum papel escrito na lín
gua Franceza ,oque tinha para lhes dizer, eclle o participou depois aos Senado
res na fórma seguinte.
A promptidaS com que aqui vos ajuntastes ^satisfazendo o desejo delRey , con
firma em Sua Mas. a voa opinião , quesempre teve do zelo , que tendes do bempu-
blico ; e como este fa\ augmentar o vosto merecimento para com a Patria, podeis es
tarseguros,de que S, Magestade mostrará nas occajioens , quese oferecerem , quan
to o reconhece.
■ jfi tendes viflo pela carta de S. Mas. os motivos , que o obrigarão a desejar,
que <vos ajuntásseis nasua Corte , e por enes mesmos julgareis quanto he necefjario
tia conjuntura presente cuidar no bem da Republica.
Os Chanceliéres vos informarão de tudo , o que se tempasjado depois da ultima
Dieta , em ordem aos negócios públicos , por ondesabereis mais individualmente o
de que se deve tratar ao presente. Espera S. Mag. que lhe deissobre estes particu
lares osvojjos pareceres ,e conselhos com a vossasabedoria , e prudência ordinária,
assim no que toca aos negócios exteriores com as Cortes estrangeiras , como em ordem
às disposicpens , queJe devemfazer ,eàs medidas , que he necessário tomar no inte
rior ao Reyno paraseguranca da Republica , e para a continuação da Dieta , que
ficou limitada , ou suspensa no anno pajjado.
ElRey tem tanta confiança no zelo , e ajseão , que tendes do bem do Reyno , de
que haveis dado provas em tantas occafioens , que se assegura , que continuareis a
fazer o mesmo r.efla , que he huma das mais importantes ; e comosempreje\gosto de
tomar os vojjossaudáveis avisos , os escutará nesta na mesma fórma , nem terá ou
trofim nas resoluçoens , que sobre elles tomar, mais que evitartodo o mal do Reyno,
€ adiantar o bem publico , que he o em que consiste a unicasatissaçaS , que Sua Ma
gestade deseja.
Acabado este discurso , fallou o Primaz em nome de toda a Assemblea , com
a sua eloquência ordinária , rendendo as graças a ElRey pelo incansável cuidado,
que tem do bem publico do Reyno , como hum Rey grande , como hum amo
generoso , e como hum pay benéfico : aflegurando a S. Mag. que o Senado pre
sente estava prompto a dizer o que entendesse sobre a presente conjuntura mas
que pedia a S. Mag. lhe desse tempo para le deliberar , e lhe aflignasse o lugar, em
que devia ajuntarle p;ra o fazer. Como depois da limitação de huma Dieta se naó
pode fazer hum Senatus concilium , com todas as formalidades costumadas , os
Senadores faraó as suas Assembleas com o nome de Congresso , para as quaes lhes
nomeou S. Mag. huma fala no Palacio do Castello , e supposto se ajustasse , que a
primeira conferencia se faria a 1 8. ficou depois differida para 2 2. na esperança
de poderem chegar para affistirem nella os outros Générées , e Senadores > que ef-
taó ausentes ; etaí vez , que pela mesma razaó se diffira até $0. 0 Bispo de Cracó
via chegou a esté instante ; e se espera a roda a hora o Graó General da Coroa.
O Primaz do Reyno teve logo em chegando de Lowitz, huma larga conferen
cia com os Ministres deiRey , na presença de S. Mag. e a 1 x . foy comprimenta-
do por todos os das Potencias estrangeiras» O General de Batalha Schwerin , se-
gu ndo
gundo Enviado extraordinário delRey de Prulfia , chegou de Berlin ali. cem
proposiçoens novas da parte do feu Principe.
Deufe principio ao Carnaval em 6. deste mez ; e o primeiro divertimento deJIe
foy hum grande baile , a que EIRey convidou todos os Senhores , e Damas da
Corte. No dia seguinte naó teve effeito a festa , que devia fazer o Graó Marechal
da Coroa , por lhe sobrevir de repente huma queixa. A 8. deu o Conde de Flem-
ming hum grande banquete. A ï o. houve outra festa em Palacio ; e aJlím se vaô
continuando as sociedades, e banquetes, que duraráó com as mais festividades até
o fim de Fevereiro. Os Duque de Kurlandia , e de Mecklenburgo se achaó aqui
incognitos para participar delias , e para reco mendar a EIRey os seus intéresses.
Momeou S. Mag. para servir de Ministro assistente do Principe Real , o Conde
Pojijasowsiri.Deu o cargo de General da Artelharia do Reyno ao Palatino de Po-
doiia , e o Regimento de Infanteria , que vagou por morte do Palatino de Culm,
ao General das tropas da mesma Província, naó o havendo querido aceitar o Prin
cipe de LubomirsJti , por ser com huma condição , que fazia prejuizo ao direito,
que a Princeza íua esposa tem sobre as Alfandegas. Monf. Novosielsky , Castellaõ
de Novogorodia , teve a desgraça de cahir de hum cavallo , andando à caça per
seguindo hú urso , de cuja queda faleceo brevemente ; e dizem , que toda a equi
pagem da caça deste Cavalheiro , que era magnifica, se comprará para o Principe
Real , a fim de poder ir divertirse na caça em Lithuania. Hum destes dias pegou
O fogo na CavallariçadelRey ,e antes , que se lhe pudeste applicar remédio , se
vio reduzido 'em cinzas todo o edifício , com huma grande quantidade de forra
gens , e 2 6. cavacos.
SUÉCIA. Stockholm i de Janeiro.
A Inda nesta Corte se naó tem tomado resolução sobre haver de abraçar o Tra-
tado de Vienna , nem o de Hannover , sem embargo das instancias , que fa
zem ambos os partidos. O Baraó de Bullow , Ministro delRey de Prússia , que
chegou ha poucos dias, foy admittido às conferencias , que de hum mez a esta
parte fazem os Ministros dos Reys de França , e Inglaterra com os que EIRey no
meou para receber as suas propostas. O Expresso , que íe disse haver trazido car
tas a EIRey do Landgrave de Haflia feu pav , era hum Official de guerra , e este
ve perto de duas horas com S. Mag. no seu Cabinete ; mas naó se sabe o que conti
nha a sua commissaó : socorre a voz, de que chegaráó aqui brevemente dous Re
gimentos das tropas Haífianas , que se mandaó augmentar ás do Reyno , e que se
reforçará a guarnição de Stralsunda.
D I N AM ARCA.
; . Copenhaghen 2 p. de Janeiro: ......
ELRey se acha cabalmente convalecido do grande catarrho que teve, ejá hon*
tem vevo a est a Cidade ver as naos de guerra , que se estaó fabricando nos es
taleiros. O frio continua neste Paiz com grande força. Todo o mar doZonte se
acha congelado de forte, que tem chegado estes dias vários Soldados Suecos deser
tores , atravessando as aguas a pé enxuto , como por huma ponte de cantaria. O
Conde de Freitagh , Enviado extraordinário do Emperador , determina partir es
ta semana para Suécia. O Principe Real se tem divertido duas vezes com o giro
dos trenós sobre a neve. Recebeo-se a .semana passada hum Expresso de Petrisbur-
go , despachado pelo Ministro de S. Mag. que alli reside , e se rompeo a nova , de
que as preparaçoens de guerra ,que se fazem por todaa Rusfia,excedem ás que o
Czar defunto fez no seu tempo i <jue se trabalha cora incanskvej calor em levan
tar
Î6
tar £,ente de novo ; que a tcrceria parte dos Kofaltos tinha ordem de estar promp-"
ta a marchar j e que o Almirante Kruys, Director General da Marinha , a tivera
também para ter prompio em Petrisburgo, Cronsloc t, eRevel tudo quanto he ne-
ceflario , para poder pór no mar huma Armada todts as vezes , que a Czarina or
denar. Os Commissarios, que daqui foraó a Althena, para aílìlhrem por parte de
S. Mag. à vestoria , que le devia lazer naquelle novo porto com Mons, de W yck,
Enviado delRey da Grâa Bretanha aos Principes do Circulo da Saxonia Inferior,
se recolherão a esta Cidade , depois de haverem escrito ao dito Ministro } que S.
Mag. os mandava chamar }e que se naó podia attribujr a elles a culpa de se naõ
haver feito a dita diligencia.
ALEMANHA. Vietma 23. de Janeiro.
QUasi todos os dias regularmente assiste o Emperador em Conselhos de Esta-
do , e fazem Conferencias os seus Ministros em casa do Principe Eugenio.Os
Ministros de Rússia , e de Polónia fazem todas as representaçoens possiveis a favor
do Duque de Mecklenburgo. Fallase em que o Duque de Lorena virá a esta Cor
te depois da Páscoa. Dizem que se mandara hum reícripto da parte do Emperador
à Dieta do Império contra o Tratado, concluído em Hannover. O Núncio do Pa
pa teve quarta feira passada audiência do Emperador, a quem fez varias represen
taçoens sobre as differenças , que ao presente ha entre S. Santidade , e esta Corte.
Segundo huma listà , que ha poucos dias se publicou das tropas , que o Empe
rador entretém ao presente , consistem estas em 47. Regimentos de Infanteria, e
dous de Heyduques de 2 U. homens cada hum , cm 2 1. de Couraças, e 11.de
Dragoens de 957. homens cada hum, e dous de Hussares, que tem ambos 1 2 00.
soldados. Deitas se achaó em quartéis na Hungria , Servia , e Temeswar 1 2. Re
gimentos de Infanteria , 6. de Cavallaria ,e 2. de Hussares : na Transilvania 3. de
infanteria , e 3 . de Cavallaria. Na Áustria ,Bohemia , Silczia, Moravia , e mais
Províncias hereditárias 5. de Infanteria , e 6. de Cavallaria. No Rheno Superior
3. de Infanteria. No Paiz Baixo Austríaco , 8. de Infanteria , e 3 . de Cavallaria.
Nos Ducados de Milaõ , c de Mantua , 6. de Infanteria , 2 . de Cavallaria , e 1 . de
Heyduques. No Reyno de Nápoles , 5. de Infanteria , e 2.de Cavallaria. Em Sici
lia, 5. de Infanteria , e i.de Heyduques. Além destas tropas entretém mais Sua
Mag. Imp. 24. Companhias livres , ou independentes, de 200. homens cada hu
ma, que ie achaó de guarnição com alguns Regimentos de Dragoens em Vienna,
Brun, Gratz , Passau , Breslavia , Raab , Comorra , Grana , e Erlavia. *'-
Nomeou S. Mag. Imp. em 8. do corrente ao Conde de Caimo , para| ir residir
com o caracter de seu Enviado na Corte de Toscana ; e no dia seguinte nomeou
para ir a Génova com o mesmo caracter o Conde Guieciardi, que tem residido
nesta Corte dezaseis annos continuados , com o de Enviado extraordinário do
Duque de Modena.
Em consideração dos relevantes serviços , que tem feito à Augustissimâ Casa de
Áustria D. Pedro Martins Romo,Cavalleiro da Ordem de Christo,Sargento mór,\
e Governador , que foy no politico , e miltiar da Praça de S. Felices de los Galle
gos , de Abadengo , e Ribeira , e Superintendente geral das Rendas Reaes , foy S.
Mag.Imp. servido fazerlhe mercê do titulo de Marquez de la Caravina no Reyno
de Nápoles, de juro/e herdade para sempre,em quanto durarem seus descenden
tes por linha masculina , ou femenina, com todas as honras correspondentes a este
tjtulo;e já no anno de 1 7 1 o.lhe havia feito a mercê de lhe conceder Armas novas. .
v Falêecoem i 2.do corrente pelas duas horas depois da meya noite com 77.an-
aí nos
nos de idade, Hercules Joseph Luis de Turinetti , Marquez de Prie , Cavalleiro da
Ordern da Annunciada, Grande de Hefpanha, Confelheiro de Estado de S. Mag.
Imp. feu Embaixador ao Papa Clémente XL c Ministro Plcnipotenciario para o
Governo gérai dos Paizes Baixos Austriacos , durante o do Principe Eugenio , ç
CommilTario gérai , que foy do Exercito Impérial na Italia.
Mons, de S. Saphorino, Ministro delRey daGráa Bretanlia, depois que voltou
da Helvecia tem tido varias conférencias com o Principe Eugensoj sobre os nego-
cios da conjuntura présente.
GRAN BRETANHA.
Londres i y. de Fe^cereiro.
T) AiTando ElRey no primeiro do corrente ao Palacio de Westminster , onde se
achava junto o Parlamento da Gráa Bretanha , entrou na Casa dos Pares , e af-
íèntado no feu Throno com todas as insignias Reaes , mandou chamar aos Com
muns , e fez a huns , e outros a pratica seguinte.
Mylords , e Memeurs.
Tenho taó fréquente experiencia da prudencia,e zelo desteParIamento,em tan-
tas occafioens importantes , que venho com gosto a vervos , e naó duvido , que os
vossos esforços para o bem3e ferviço da volía Patria,sejaó tambem fuccedidos co-
moatégora.
A inseliz fituaçaó de alguns dos noíTos "irmáos Protestantes estrangeiros , e as
negociaçoens , e empenhos em que entraraó algumas Potencias , que parece
haverem aberto oj alicerces a novas revoluçoens, e disturbos na Europa[;e amea-
çaô os meus fubditos corn a perda de varios ramos > muy ventajosos do feu com-
mercioj me obrigaraó a sem perda de tempo , tomar com outra? Potencias
aquellas medidas , que pareciaó bastmtes acontrastar os feus ambiciosos deíìg-
nios, encaminhados a se fazerem formidaveis, e a fìm de fazer parar os progreiìos
de taó perigofos designios, tenho entrado em huma aliança defensiva com ElRey
Christianislìmo , e com ElRey de Pruíîìa , na quai foraó convidados a entrar ou
tras vari is Potencias , e particularmente os Estados Geraes , e naó tenho a menor
razaópara duvidar da faa concurrencia. Eíte Tratado se vos fará présente dentro
de pouco tempo.
Por estes meyos , e peso vosiò apoyo , e affistencia espero em Deos me habilite,
naó fó para fegurar aos meus proprios subdi ros o logro dos muy valiofos direitos,
c pri viicgioSj adquiri Jos por muitos Tratados lolemnes, mas tambem para preser-
var effectivarnente n paz , e a balança da Europ a , que he o unico designio , e fini
de todasas minhasdiligencias.
Nobres da Casa dos Communs.
Tenho ordenado se preparem , e ponhaó nas vossas prefenças , os rois do que se
entende ser necesiario para o ferviço deste anr.o, o quai muito contra vontade vos
exponho , porque fempre senti fazer huma despeza extraordinaria aos meus fub
ditos pari prevençoens desneceííarias ainda , que formado sobre o pé de naó em-
pregar m^yornumero de forças, do que as que foraó neceíTariaso annopalsado;
porque dandoms este subsidio pleno , e effc'cti vo , me acharey em estado de ter
huma poderosa Armada no mar logo no principio da Primavera; e se a fituaçaó
dos negocios em algum tempo fìzer necesiario o augmentaremse as nosias forças
maritimas , confio taó inteiramente no zelo, e affeiçaó do meu Parlamento , que
posio estarfegurode que vos me habilitarcis , aiEm para augmentar o numéro
dos marinheirosj corao para haver as confignaçoens necefTarias para esta despeza .
Mylords^
88
1 Mylords , e Meilleurs.
Naó se duvida , que os inimigos do meu governo ,haj aã concebido esperanças
de que huma opportunidade taó favorável para renovar os feus accentados, lhes
póde offerecer occafiaó de novos disturbos , e revoluçoens ; elles se achaó já muy
occupados pelos feus instrumentos, e Emissários naquelias Cortes, onde fe tem to
mado medidas muy favoráveis às suas intençoens , follicitando , e promovendo a
causa do Pertendente ; mas eu me persuado , que naó obstante a sua pertinácia , e
o alento, que elles tem recebido , e efperaó , a prevençaó,que vós tendes feito para
conservação , e defensa do Reyno , nos segurará effecti vãmente de quaesqucr in
tentos, dos nossos inimigos externos > e fará desvanecer, e abortar todas as suas
idéas.
Quando o Mundo vir, que vós naó sabeis sofrer que se ameace, e insulte a Co
roa , e a Naçaõ Britannica , aquelles, que tanto invejaó a presente fortuna , e tran
quilidade deste Reyno,e trabalhão pelas sacrificar à sua ambição , veraó frustra
dos os seus interesses , e ventagens , antes que emprendaó desígnio algum contra
hum taó bravo povo reforçado , e apoyado por prudentes ,e poderosos Aliados,
3ue ainda que desejosos de conservar a paz , estaó capazes , e promptos para se
efenderem a fi mesmos,contra os esforços de todos os seus agressores. Semelhan
tes resoluçoens , e semelhantes medidas tomadas a tempo , eu vos fico , que faõ os
mais effectivos meyos de prevenir huma guerra , e de nos continuar a benção da
paz , e da prosperidade.
HESPANHA. Madrid 26. de Fevereiro.
A Rainha Catholica continua felizmente a sua prenhez. Em hum Decreto de S.
Mag. de 2 5 . do corrente , que se mandou publicar, se diz , que havendo sido
servido o mesmo Senhor por Decretos de 1 4. de Janeiro passado , e 8. deste mez,
augmentar o valor do ouro , e da prata , mandando que cada escudo de ouro, que
antes corria por 1 6. reales de prata doble , valesse 1 o. e a esta proporção subisse o
dobraó singelode 4. e de 8,e que cada escudo de prata (ou pataca) que corria por
oito reales de prata doble, valesse nove reales e meyo de prata da mesma moeda, e
que havendose offerecido a duvida de haver de ter o mesmo augmento o ouro
em pasta , barra, ou pó, e as patacas , e meyas patacas fabricadas em Hespanha,
era fervido declarar , que a todo o ouro de 2 2 . quilates , q uer seja em pasta , bar
ra ,ou pó , se ha de considerar o augmento , que lhe corresponde , segundo o va
lor , que tinha dado aos dobroens,e escudos no dito Decreto de Janeiro passado ; e
que os pezos , e meyos pezos fabricados em Hespanha , correrão com o valor dc
nove reales e meyo de prata , na forma do Decreto de 8. deste mez.
Para o emprego de Auditor geral do Exercito de Catalunha,foy Sua Mag. fer
vido nomear a D. Joseph de Ameller.
PORTUGAL. Lisboa 14.de Março.
O Uas Magestades , que Deos guarde, sizeraó a Novena do glorioso S. Francisco
^ Xavier na Igreja de S. Roque da Casa Professa dos Padres da Companhia de
Jesus , e na Basilica Patriarcal a do grande Patriarca S. Joseph.
Faleceo nesta Corte com 76. annos de idade , em terça feira 2 6. de Fevereiro
pelas oito horas da noite , Sebastião de Castro de Caldas , do Conselho de S. Ma-
gestade,Commendador da Igreja Matriz da Covilháa na Ordem de Christo,Go-
vernador , e Capitão General , que foy das Províncias do Rio de Janeiro , e Per
nambuco. ______
" Ma Offìcina de J OTEl-TOTN TON ïO~IXA S Y L V A.
Cem todas as licenças necejarias.
Num. 1 2, 8o

GAZETA

DE LISBOA OCCIDENTAL»

Com Privilegio dcS. Magestadtí,

Quinta feira li, de Março de 1716.

TUR QJJ I A.
Constantinopla 2 . de Janeiro.
AVENDO o Suluó sido informado de que no combate d«
Hamedan , em que o Seraskicr de Babylonia deltroçou hum
corpo de Persianos , ficou prisioneiro hum sobrinho do ulti
mo Sophi , o mandou conduzir a esta Corte , onde já se acha;
e movido das persuaçoens do Moufti , tem abraçado a Reli
gião Mahometana , segundo o systema de Iman Hasen , que
he o q aqui se professa ; e anda também já vest'do à Turc . ST.
Alt. deseja muito ganhar ao seu partido , e ver reduzido ao
jnesmo estado o Principe Thamas , a quem aqui se naó quer dar o titulo de Xa,
nem o de Sophi , mas até ao presente naó ha appartneias de que o poíTa conse
guir. Sultan Êíref , naó le achando com forças de se oppor à conquista de Bispa-
han , procura evitar a tempestade, de que se vé ameaçado, com prometias de
submillâõ. A noticia, que correo de haverem as tropas Ottomanas ganhado já
aquella Cidade , se tem por menos verdadeira ; mas dizem, que o Exercito grarde
se achava ao partir do Correyo,distante delia dous dias de marcha , e que a iodo o
momento pôde chegar a nova da sua entrega.
. O Conde de Romanzofí , Enviado extraordinário da Ruília , está de prtida
para voltar a Petrisburgo. Mons. Stadian , Embaixador da Gráa Bretanha , teve
huma audiência particular do Graó Vizir , a quem deu huma copia do Tratado,
concluído em Hannover , entre o seu Rey , e os de França , e Prússia. Espera-se,
que o Visconde de Andrezel , Embaixador delRey Christianislìmo , que já tinha
dado esta noticia ao mesmo Vizir , lhe participe outra copia do mesmo Tratado
da parte da lua Corte , para o Conselho tomar a resolução , que mais convier aos
interesses do Graó Senhor na presente conjuntura. O Commissario , que o Em pe-
rador de Alemanha mandou a Tunes , Tripoli , e Argel, para negociar huma tre-
M goa
90
goa com estas Regências , partio daqui a 24. do passado para Vienna , com o
Tratado , que concluhio com a primeira.
ITÁLIA.
Nápoles 8. de Janeira.
JAques Businello , Residente d.i Republica de Veneza neste Reyno , hv/endo
sido nomeado desde Agosto passado , para ir residir com o mesmo caracter no
Estado de Milaó , teve a semim passada audiência de despedida do Cardeal Vice-
Rey , e se prepara para fazer brevemente a sua jornada. O Principe de Sansevero,
da Casa de Sangro , Cavalleiro da Ordem do Thusaõ de Ouro, e Grande de Hes-
panha da primeira classe,:faleceo os dias passados no seu Castello de Torre magio-
re, em huma idade muy avançada. O Duque de S.Cypriano, e o Marquez Serra
esta© perigosamente enfermos. O Duque de Gravina , que esteve Sacramentado,
se acha já perfeitamente convalecido. No fim do mez passado chegarão a esta Ci
dade o Duque de Populi moço , o Principe de Cellamare , e ode Santo Buono,
e outros grandes Senhores , que vieraó de Madrid para tomar posse das terras,que
se lhe devem restituir , em virtude do ultimo Tratado , concluído entre o Empe-
rador , e EIRey Catholico;e se esperaó ainda outros muitos Senhores, que vem ao
mesmo efíèito. O Conde de Converzano partio para Vienna azj. do pastado.
Roma 1 o. de Fevereiro.
A Trasladação dos gloriosos Martyres Bragancezes S. Joaõ , e S. Paulo , se fez
** no dia 2 8. do mez passado, com toda a íoJemnidade, transladandofe as suas
sagradas Relíquias para huma nova caixa de chumbo, que se meteo em huma no
tável urna de porfido, cuja collocaçaó fez S.Santidade vestido dos paramentos Sa-
frados, na presença dos Cardeaes Paolucci , Pignatelli , S. Clemente , Scotti , Bel-
íga , S. Mattheus , Marefoschi , Orighi , Marini , e Albano , e de hum grande
numero de Arcebispos , Bispos , e outros Prelados , entoando o Hymno Adejl»
Deus , &c. que os Músicos continua raó ; e pregando depois por espaço de meya
hora (subindo ao púlpito) sobre a veneração , que se deve às Sagradas Relíquias»
e fazendo todas as mais ceremonias , que para semelhantes actos tem disposto o
Ritual Romano , o que se acabou já perto da noite, sem S.Santidade haver toma
do em todoo dia mais,que huma chicara de chocolate.
D. Estevão Conti , sobrinho do Papa InnocencioXIII. renunciou a vida Ec-
clesiastica , e habito de Prelado , para casar com huma Senhora muito rica de Gé
nova , a fim de poder continuar a successaó da Casa Conti ; c em 3 1 . de Janeiro te
ve a primeira audiência do Papa como Duque de Guadanholo. Antonio Ban-
chieri , Governador de Roma , reeebeo em 1 4. do dito mez Ordens Menores das
IrtSosdo Cardeal Nicolao Spínola. O Cardeal Alberoni fezhuma visita àSenho-
ra Princeza Sobieski , com quem esteve em conversação mais de cinco horas. As-
segura-se , que o Papa consignou 1 çU. cruzados cada anno nas rendas da Camera
Apostólica , para a subsistência desta Princeza , em quanto assistir no Mosteiro de
Santa Cecília , aonde lhe assistiráó duas Damas de honor, quatro criadas da Came
ra , e tres para a cosinha , dous moços da Camera , e hum criado de libré , para as
cousas de fora do Mosteiro. Só 2 1 . Cardeaes a visitaraó com a occasiaó da festa da
Natas , todos os outros lhe mandarão fazer este comprimento pelos seus Mestres-
Salas , excepto os Cardeaes Scotti , e Cienfuegos , que por algumas razoens parti
culares , e politicas, nem mandarão , nem foraõ. O Cardeal Alberoni lhe mandou
huma bolça com mil escudos de ouro. A Princeza de Piombíno jantou hum dia
com S* A, no Mosteiro, e sobre a tarde, foy visitarão Pertendente da Gráa Breta
nha»

nha , para o persuadir a «tongraçarse com a Princeza sua mulher , o que tem repe
tido muitas vezes, porém ate o presente sem nenhum effeito , pelo muito que sen-
tio o haver ella posto em publico o desagrado, que entre ambos reynava , iem que
elle lhe déílê outro motivo mais , que o querer dispor dos seus negócios , e da lua
familia,como lhe parece.Tem-se impreílo hum papeUem fórma de Manifesto,so-
bre esta matéria, no qual se achaó duas cartas, em que o mesmo Principe,com ex-
prellbensmuy moderadas, emuycheyas derazaó, pertendia dissuadilla de se
melhante intento.
Em 8. de Janeiro se fez huma Congregação particular de sete Cardeaes,no Col-
legio de Propaganda Fide , sobre negócios da índia Oriental ; e na mesma tarde
houve outra no Vaticano,de sete Cardeaes , e três Prelados,sobre a Bulla Unigeni-
tus. Aflegurasc , que o Papa está totalmente resoluto a sustentar a Bulla paliada
contra o Tribunal da Monarquia de Sicilia , e que assim o declarou expreflamen-
te na ultima audiência , que deu ao Cardeal Cienfuegos , como Ministro do Em-
perador , e todos cstaó com grande attençaõ para ver , qual será o fim de hum ne
gocio taõ considerável.
Florença 12. de Janeiro.
Ç\Gnó Duque com o beneficio das medicinas, que se lhe tem applicado , se
v-' acha muy convalecidò da sua queixa ; mas como o grande frio , que ao pre
sente faz, lhe he muy prejudicial à laude, naó dá audiência a ninguém, nem sahe
fóra da sua Camera, onde se entretém com varias curiosidades , e galantarias , que
manda vir à mostra , de que tem comprado muitas. A Nobreza de Sena vendo,
que na sua Universidade sàó falecidos todos os Lentes , que nella havia de Medi
cina; e que só se achaó nas Cadeiras dous Doutores moços,escreveo ao Conde Be-
rignocci , Mestre Sala de Sua Alt. Real , pedindolhe conseguisse daGráa Princeza
Violante de Baviera , que desse licença ao Doutor Boselli, seu Fifico mór , para ir
ler Medicina naquella Cidade, o que Sua Alt. lhe outorgou. O Marquez de Ron-
tidella , que na ultima guerra de Itália emprestou grandes sommas de dinheiro a
EIRey Catholico , foy agora embolçado de todas, por ordem do mesmo Monar-
cha.Resolveose em hum Conselho mandar extinguir as caías de emprestimos,que
havia com o nome de Lombardos , e entregar outra vez aos particulares o seu di
nheiro, que fazia hum principal de 2 00U. escudos; e isto dentro no termo de dez
dias para os moradores desta Cidade , e de vinte para os forasteiros ; e em lugar
deste negocio , que se naó acha conveniente ao publico , se diz , que pertende a
Corte formar hum banco à imitação do de Vienna , do qual, além dos interesses,se
pôde seguir huma grande utilidade aos particulares.
Génova ifj. de Janeiro. ,
A Noticia, que se deu da eleiçaó do novo Doge, naó foy verdadeira ; porque
nem foy eleito em 17. do mez passado, nem he Alexandre Saluzzo , ainda
que muy benemérito, mas Jeronymo Venerozo , Magistrado de grande mereci
mento , e de muita reputação na Republica , o qual foy eleito por unanime con
senso do Conselho grande, em 5. do corrente.
As cartas de Milaó de p. dizem,que o Conde de Thaun , novo Governador , e
Capitão General daquelle Ducado, tinha dado audiência publica ao Conselho
privado , e a todos os mais Tribunaes ; e que estes tinhaó feito juramento de fide
lidade nas suas mãos ; que o Cardeal Odelcalchi , Arcebispo da^uella Cidade , o
fora visitar , e darlhe as boas vindas ; e que o mesmo fizeraó os Ministros estran
geiros , que alli residem; que confirmara a D. Balthasar de Araujo no exercício
9* - „•
do seu no"0 cargo de Secretario de Estado , e o conservara na repartiç«.ô da guer
ra , como tinha de antes ; que nomeara por seu Mestre Sala ao Capitão do Castello
de S. Pedro , em lugar do Capitão Marinho ; e para Capitão da guarda Esguizara
o Capitão Salieni.
As de Roma dizem haveremse aberto a 8. os theatros d?.s Operas, e Comedias,
para se dar principio aos divertimentos do Carnaval , e que se representara no de
Capranica o Triunfo de Camila Rainha dos Folfcos ; no de Rufcellai a Prisioneira
fel ; no da Paz a Competidora generosa ; e no do Principe Pamphilio o Verdadeiro
herdeiro do throno. Qjre se trabalha com grande desvelo na reconciliação doPer-
tendente da Gráa Bretanha , com a Princeza sua mulher, que a Princeza de Picm-
bino a frequenta muitas vezes a este fim ; e que o Confessor do Papa , e o Padre
Thomas Closeimoli , muito favorecido do Pertendente , applicaó a este negocio
todo o seu cuidado , e que sè assegura, que naó se podendo conseguir, este Princi
pe está resoluto a ir fazer a sua residência em Luca , quando se lhe naó permitia
fazella em Veneza.
Turin o. de Janeiro.
QUinta seira se vestio a Cbrte de luto pelo falecimento do Landgrave de Haffia
Rhinfeís-Rothemburgo. O Conde de Cambise , Marechal de campo nos Ex
ércitos delRey de França, Lugar Tenente das suas Guardas do Corpo, Graó Cruz
da Ordem Real ,e Militar de S. Luis, e Embaixador de S.Mag. Christkniffima,
fez a sua entrada publica nesta Corte , no ultimo dia do anno passado , com hum
magnifico acompanhamento , que se ajuntou em huma casa de campo , distante
húa legoa desta Ódade , pelo caminho de Rivoli , onde S.Excellencia se achava.A
marcha começou pelo seu Porteiro , e gente de pé , que era numerosa , e com hu
ma libré magnifica r seguia-se o Estribeiro , e a elle seis pagens vestidos de veludo
amarelo, gatoado de prata , com vestias de tela branca. O Conde Embaixador vi
nha em hum coche delRey, seguido dos da Rainha , do Principe , e Princeza do
Piemonte, e das Princezas do sangue Real , nos quaes vinhaõ os Gentrs-homens
do Embaixador , e muitos Officiaes de guerra Francezes, que aqui vitraóparalhe
fazer este cortejo. Seguiaó-se a estes os coches do Embaixador , que erao tres; o
primeiro forrado de veludo cramesijbordado de ouro,a oito cavallos ajaezados so
berbamente , o segundo , e terceiro a seis , mas com ricos adornos , e de muito
bom gosto. Ultimamente vinhaõ os coches dos princrpaes Senhores da Corte,que
depois de haverem atravessado em seguimento dos mais huma parte da Cidade,
chegarão ao Palacio do E mbaixador , onde elle n?quella noite, e nos dous dias se
guintes deu banquete em duas mesas , magnificamente servidas : havendo tido na
ï. do corrente audiência publica de Suas Magestades, e. Altezas. Por ordem del
Rey passará a visitar as fortificaçoens , e Armazéns do Reyno de Sardenha o Ca-
valfeirode Castclau-fier , a quem S.Mag. promoveo a General de Baralha , e Co
ronel de Artelharia.Naó se confirma a voz,que correo da prenhez da Princeza;, '
HELVÉCIA. Schashuysen 7.. de Fevereiro.
Çy S cavallos para Dragoenscomeçaó a se vender bem neste Paiz. Alguns Com-
missarios Francezes tem comprado 5C0. ate tfoo. para serviço da artdlwa,
e segundo corre voz ha em Berne huma commissaó , para se comprarem mil. Os
GrizotniCatholicos Romanos estaõ firmes na resolução de renovar os seus Tra
tados particulares com o Ducado de Milaó , separandofé dos Grizocns Protestan
tes. Tem fe feito em Lucerna frequentes Conselhos de guerra,e resolvido au^men-
t r as fortificações da Cidade, pela direcção do Doutor. Cor erell, que scrvio mui
to tempo na guerra de Itália. O Papa esereveo ao Magistrado daquellc Cantaó,in-
tirnandolhe a indispensável obrigaçaó,em que está de obedecer ao Núncio Apos
tólico , e ao Bispo Diocesano ; porque o meímo seria regarlhes a obediência , que
faltar à que deve à Santa Sé Apostólica ; porem o Magistrado persiste em naó que
rer perdera minima das suas prerrogativas, e depois da sua persster.cia 3 aflim o
Núncio j tomo o Bisp o de Constância , le mostraó com alguma inclinação a en
trar em huma composiçaó amigável. . .
Em Neuchatel le tem movido huma disputa , que causa inquietação naquelle
Principado. Mons. Chambrier , Conselheiro de Estado , Presidente da Cidade , e
Juiz em razaó deste emprego pelo estado da Nobreza , havendo entrado em que
rer sustentar algúas liberdades do stu Paiz,contra pertensaó do Baraó de Stronke-
àe } Plenipotenciário delRey de Fruffia , Sua Mag. Prusiíana o mandou suspender
por hum anno de todos os seus empregos. Com o motivo desta ordem se ajuntou
o Conselho , e se resolvco nelle , que cemo este procedimento tocava nos artigos
geraes , e nas liberdades do Estado , era necessário mandar Deputados à primeira
Dieta dosCantoens, eem particular ao Magistrado de Berne , para o informar
deste negocio , a fim de soldar esta queixa , e todas as mais differenças > que na
quelle Principado havia contra EiRey de Pruflia seu Principe Soberano. Os De
putados chegarão com effeito a Berne a 2 1 . de Janeiro, e a 2 2. começarão a con
ferir com os daquelle Estado , sobre a relerida matéria. OsBemezes prometteraõ
interceder com S. Mag. Pruíììana, para que admitt.\ na sua graça a Mons. Cham
brier , mandando revogar o Decreto , que contra elle se pastou , e naó persista nos
artigos, sobre que se disputa , e com estas promessas, e com as muitat honras com
que foraó tratados , se recolherão a Neuchatel muy satisfeitos.
ALEMANHA. Muúck^ú.áe Fevereiro.
f~\ E-leitor de Bavicra,r,osso Sol erano,se achou a 1 1 . taõ doente, que toda a Cor*
te andou inquieta , e se fizeraó preces pela sua faude, com o Santissimo Sacra*
mento exposto em todss as Igrejas. Sangrarão no meimo dia duas vezes a S. Alt»
Eleitoral , e com este remédio começou a cobrar algum alivio.Alguns dias depois
se tornou a sentir taõ mal , que deu cuidado , mas ao presente reconhece muitas
melhoras na sua queixa. Aqui se acha o famoso Joaõ Law , e lhe tem offerecido*
cinco milhoens , se lhe permittir a licença de estabelecer huma espécie de Banco
nos seus Estados Eleitoraes. .... v. ,. «
. .. Viennâ, 2 . de Fevereiro., . . . . . - ;•
f~\ Emperador continua a assistir regularmente aos Conselhos , que sc fazem to-
^-^ dos os dias sobre os negócios da conjuntura presente. Continuaó- se também;
as negociaçoens para cenduiro Tratado, que se pertende fazer entre esta Certe,er
a de Rússia , mas naó fe sabe quando se concluirá , nem quando o Conde de Ra-
buttin partirá para Petrií;burgo,sem embargo de haver recebido já as suas instruc-
çoens , e huma considerável somma, de dinheiro , para sustentar a honra do seu
caracter. Mar.daríó-se ordens aes Ministros Cesáreos , que ali stem ra Dieta de
Eatisbor.na , para proporem aos mais IVíinifiros, que persuada© seus amos a naó
entrar na aliança do Tratado de Hannover , por ser expressamente feito para des
truir tudo o que se concluhío entre o Emperador , e Império com Hespanha, de
vendo advertir , que nenhum Principe , ou Estado do Império pôde entrar sem
erirr.e em alguma aliança rqne seja prejudicial ao Corpo Germânico. EIRey de
Sardenha ainda ncó tem declarado o partido ,-que ha de segoir,°esperando frimei—
•ro ver o que responde o Parlamento da Gráâ Bretanha , e o que a Republica (íe
HoJlanda resolve. * GR AI*
G R A N B R E T A N H A.
Londres z 8. de Fevereiro.
T"\ Epois que EIRey se retirou no dia 3 i . de Janeiro5resolveraó as duas Caméra*
do Parlamento unanimemente appresentarlhe cada huma feu Mémorial de
agradecimento , pelo asfccto , que moilrou ni sua pratica à Naçaó , e pelo zelo,
•que tem dassuas ventagens.No primeiro do corrente ordenaraó os Comuns, que
le lhes appresentasse hum roi da producçaó annual da taxa , que se impoz sobre as
terras } e iobre a cevada grelada, desde o anno de 1 7 1 o. até o de 724. Os Senho-
res foraó no mefmo dia ao Palacio de S. Jayme , apprelentar a S. Mag. o Mémo
rial da sua Caméra , no quai se continha o leguinte.
Clementifjìrno Sobera.no.
Nós os muito hitmildcs , e mtútofieis vajjallos de Foffa Magestade , os Senhores
Ecclefiasticos , e Scailares ,'jnntos em Parlamento, pedìmos a permiJJaS derender os
nosjos mais jìnceros agradecimcntos a V. Mag. pela clcmentijjimajalla , que nosfe\
dofeu throho , e de Ibe dar corn os coraçoens , penetrados de huma inexpltcavel alc-
gria , osparabetis dafuafelï\ restitukaÓ ao Jeu Reyno.
Nao podemos ponderarfem huma grandijjima satisfaçao 0 interejjarse F. Mag.
pelos nojjos irmâos Protestantes , afflidos nos Paizes estrangeiros , e nao deixaremos
de empregarj'empre as nojjas mais zelojas diligencus ,para que apiedosa interpofi-
çaÓ de F. Mag. pojja pradtajr emJeusavor os mais defejados ejfeitos.
Reeonhecemos muy agradecidos a extrema bondade , e condcfcendencia de FoJJa
Mag. em nos informar da aliança desenfiva , que proximamentese\ para prévenir
as mas consequencias , que de outro modopoderiao ter as negociacoens , e empenhos,
em que outras Potencias tem entrado, corn évidente prejuizp dejìe Reyno , e em nos
ajjegurar , que esta aliança nos séria communicada corn toda abrevidade. NenhTta
cbújapodia fer mais vâa do que quererem nutrirse as Potencias ejlra,;geiras das es
pérants deJe fazçrctnformidaveis ÀGrâa Bretanha , havendoje V. Mag.fortifi-
cado com tao poderofas alianças ; sendo a constancia , efidelidade dos vajjallos de
V. Mag. tao conbecidas ; e naoJe havendo ainda esquecido as ultimas demonstra-
çoens dojeuvalor. Rogamos aV. Mag. bumildijjimamente queira crer , que nos
naoseraS mais caras as nojjas vidas , que a gloria de V. Mag. e que em todo 0 tem
poJe pddesegnrar , de quesaremos os nofjos mais poderosos esforços paraJustentar,
e dejender a V. Mag. contra quaesquer Potencias , que padecerem a ilujao de ima-
ginar , quepodemjemperigo certo infultar, ou ameaçar a Coroa, ou a NaçaÓ Bri-
tannica.
Nao nos admiramos de que os immigos dasacra pejfoa de V. Mag. e dofeu go-
verno , trabalhempor perturbar a pa\aeste Reyno ,fefe podemjaiïar da apparencia
de alguns novos dtsturbos, e emocoes na Europa ; efacilmente podemos crer , que em
femelhante conjunturasaçao , os que fe achao mais proflituidos todos os dias,novos
projeclos , e instanciasparafaierem reviver a causajá agonizftnte do Pertendente;
mas eftamos certos de que todosse encaminharáo a aprejjar asua destruiçao , e a in-
teira ruina dosfeus perstdos adhérentes.
As constantes , e tncansaveis diligencias de V. Mag. para nos perpetuar as ven-
tagens desta tranquillidadefeli\, que gayimos ,para manter a pa\geral, e a balan
ça da Europa, para conservar 0 commercio desta Nacao, e para asseguraraofeu po-
vo os pfeciosos direitos ,e privilégias , que tem adquirUlo pelos Tratados mais f(h>
lenwes , nos obrigao a todos' os imaginaveis reconhecin.entos do dever ,e da graû-
daô 3 e qmndo çonstderamos asprudentes medidas , que V.Mag. tomoit parache-
gar
gar a este grandefim , nos naôfica lugar algum para durvidar, que todas as dili
gencias de V. Mag. naS obstante todos os atentados , quese poderáo commetter em
contrario ,'nao sejaS com a benção de Deos, coroadas de humfeli^succejso.
A este Memorial respondeo EIRey na íórma seguinte.
. Mylords. Agradeço-vos de todo o coração este Memorial taõ cheyo de afeão, e
de lealdatle; e que de^x convencer todo o niundo de quanto estaisfirmes, e immo-veis
em todos os mostos desígnios , e resoluçoens , parasustentar a minha gloria , e adian
tar os -verdadeiros interesses da nsofla \patria. Podeis estar certos de que serão muy
con fiantes os meus esforços em manter a Religião Protestante, em conservar apa\i e
a balança do poder na Europa , em prevenir toda asorte de uÇurna>'aõ ao commercio
Aos meus 'vàjjallos , e augmentar em toda a occafiao asuafelicidade.
A z . foraó os Communs também em corpo apprescntar a EIRcy o seu Memo-
rialjde que se dará a traducçaó na semana seguinteje a 4. resolverão em húa gran*
de junta conceder a EIRey num subsídio para o anno corrente , o que foy appro-
vado a 6. pela Camera , que depois resolveo pedir a S. Mag. varias contas , e rois
do dinheiro neceíTãrio para as despezas deste anno. A 6. se começou a trabalhar
em huma Junta no negocio do subsidio; e se resolveo dar a EIRey 1 cU. marinhei
ros çara este anno de 1726. a razaó de quatro libras esterlinas, ou i2U8oo.reis
por meïa cada hum, comprehendendo neste numero a gente da artelharia, o que
faz 520U. libras esterlinas , ou quatro milhoens , e 1 60U. cruzados , contando
treze mezes no armo , segundo o costume de Inglaterra. A 7. se approvou esta re
solução. A 8. resolveo a mesma Camera , que o numero dos Soldados effecti vos
para as guardas , e guarniçoens da Gráa Bretanha , Jersey, e Guernefey neste pre
sente anno (comprehendidos os Oificiaes , inválidos , e os 42 4. homens > de que
constaó as seis Companhias independentes,que servem nas montanhas de Escócia)
scraó i8U226\ q se daraó a S. Mag. para subsistência destas tropas 655U1 78.
libras esterlinasjq fazem cinco milhões 241 U424.cruzados,alèm de 1 52U6 3 7.
fibras esterlinas para as guarniçoens da America , Menorca , e Gibraltar , compre-
hencKdas as munições de guerra, 112U440. cruzados para os pensionarios de
Chelsea , 42 cruzados, para varias despezas extraordinárias, e serviços,
que o Parlamento naó prevê , e 5 84U. cruzados para os Omciaes de meyo soldo
de mar , e terra.
FRANÇA. Pari\ 1 6. de Fevereiro.
Q Uas Magestades , que tinhaó vindo no primeiro do corrente para o Palacio dè
^ Versalhes com toda a sua Corte , voltarão a 8, para Marly. As noticias de Ma
drid dizem , que EIRey Catholico tem resoluto augmentar o numero das suas tro
pas até 1 1 oU. homens , encher os seus Armazéns, e melhorar as fortificações das
íuasP raças, c que rinha mandado marchar alguma gente para o Condado de Ur-
gel. Aqui se tem tomado também a mesma resolução, e se está actualmente traba
lhando em repairar as fortificações das Praças daAIlacia,e se diz,que EIRey irá ver
a de Strazburgo na Primavera proxima.Fazem-se levas de gente em todas as Pro
víncias ; e segundo a voz que corre,haverá no Veraõ hum Exercitona AlsaciajOu-
tro em Flandres. O Conde de Tholosa teve ordem , para fazer aparelhar algumas
naos , e fragatas de guerra , e 1 6. galés , que se devem achar promptas a servir no
principio de Abril. Falla-sc em se fazer brevemente huma promoção de OfficiaeS
Generaes; e que oDuque de NoaiIhes,o Conde de Còi gny, e o Conde de Broelío»
Embaixador em Londres, scraó feitos Marechaes de França. Monf. de Marsilha.c,
que esteve quatro» ou cinco annos em serviço da CoroadeKeípanhajse acha
5*
aqui ao presente. O Régir..». # ilRey Stanislao^estaja muyadiá-
xado. Manda-se pagar o lòJdo por inteiro - _ ificiaes Militares. Esperaó se todos
os dias do Norte 100. embarcaçoens carregadas de trigo ,para provimento dos
Armazéns , c do Reyno , porque a farinha, que se mandou vir de Barbaria , tem
feito adoecer muita gente.
Por cartas do Conde de Brancas-Cerest , Embaixador desta Coroa na Corte de
Suécia , se recebe o aviso , de que em virtude dos despachos , que havia recebido
daqui no ï . do corrente , tinha entregue ao Conde de Horne , primeiro Ministro
de S. Mag. Sueca , a declaração seguinte „ Que EIRey Christianistimo seu amo
„ estava ao mesmo tempo admirado , e suspenso , de que naó obstante a aliança
„ taó firmemente estabelecida ha muitos annos , entre as Coroas de França, e Sue-
„ cia , esta tenha recusado atégora admittir as propostas, que elle Embaixador lhe
„ tem feito da sua parte , de entrar no Tratado , concluído em Hannover , e satis-
„ fazer os subsídios devidos a EIRey Stanislao. Que havendo França sempre tra-
balhado por adiantar os intéresses da Coroa de Suécia , tinha razaô para desejar,
„ que EIRey, e o Senado se declarassem dentro de hum mez, que se começaria a
3, contar de ï 8. de Janeiro , dandolhe huma reposta cathegorica , e positiva, por-
„ que aliás expirado o dito termo,tinha ordens desta Corte para se retirar. Esta de
claração naõ póie deixar de pór em huma grande preplexidaóa Corte de Suécia,
porque se recusa o entrar no dito Tratado , se poem no perigo de perder os tres
milhoens de libras , que EIRey lhe dá todos os annos; e se entra nelle como se per-
tende , deixa osfendida a Corte de Ruífia , com quem deseja guardar grandes at-
tençoens.
Por aviso chegado de Chambord se tem a noticia de se achar doente , e com
perigo de vida a máy dcJRey Stanislao.
PORTUGAL. Lisboa ii.de Março.
G Uas Magestades , e Altezas, que Deos guarde , viraó sella feira passada do Pa-
. keio da Inquisição, a Procissão dos Passos, que se tez com a costumada devo
ção. No mesmo dia se vestío a Corte de gala , por comprir annos o Senhor Infan
te D. Antonio. E terça feira dia do Patriarca S. joseph, fez o mesrno, em obsequio
do nome do Principe nosso Senhor. O Senhor Infante D. Francisco voltou de
Salvaterra para Zamora-Correa a semana passada.
Foy aceita para Dama do Paço a Senhora D. Marianna Joaquina dc Mendon
ça , filha do Conde de Villaflor , Copeiro mór de S. Mag.
Celcbraraó-se era 4. de Março os desposorios de D. Vasco da Camara , filho
. do Conde da Ribeira Grande ,D. Joseph Rodrigo da Camara , com a Senhora D.
Margarida Luiza de Lancastro , Dama da Rainha nossa Senhora , e filha mais
velha de Pedro de Figueiredo de Alarçaô.
A semana paisada entrarão no porto desta Cidade4 1 . navios ; a saber z ji.Ingle-
zes quasi rodos com trigo, arroz, legumes, e outros géneros, 4. Francezes com va
rias fazendas, tres setias Hespanholas , duas tartanas Genovczas , huma charrua
Hollandeza com cavallos , e dous navios Portuguezes. Sahiraó a dar caça aos cor
sários de Barbaria tres naos de guerra Hollandezas , que aqui se achavaó á ordem
do Vice-Almirante Marquez de Sommelsdyck ; para cuja subsistência chegou
também a 1 5. de Roterdão hum navio Inglez carregado dc mantimentos. A tro
ta Portugueza , que estava prompta para partir para a Bahia de Todos os Santos
Sabbado passado , ficou deferida para partir hontem.
NaOfsiciardeJOS E P H ANTON IODA ,S Y L V A.
Com todas as licenças neçejjarias.
97

GAZETA

DE LISBOA OCCIDENTAL.

Com Privilegio de S. Magestade.

Quinta seira 28. dc Março dc 1716, !

RÚSSIA.
Petrisburgo 20. de Janeiro,
LE5M da sumptuosa cea , e magnifico fogo de artificio , com
que a Corte celebrou em 1 2 . do corrente o principio do no
vo anno , o festejou o povo com luminárias por toda a Cida
de , e a gente militar com varias salvas de artelharia de 6 1.
peças de canhaó, da Fortaleza, e Casa do Almirantado, e com
i toda a mosquetaria de 500p. homens,de que constaó as duas
Companhias das Guardas do Corpo, que todos cstavaõ com
fardas novas. No mesmo dia fez a Emperatriz huma promo
ção de Generaes , e Orficiaes de guerra ; a saber , dous Tenentes Generaes estran
geiros ,15. Generaes , em que entrarão tres estrangeiros ,11. Brigadeiros , dos
cjuaes eraõ cambem estrangeiros tres , e vários Coronéis , Tenentes Coronéis , Sar
gentos móres , e Capitaens.
A 1 7. que segundo o estylo antigo observado neste Paiz , he o dia em que. se
celebra a adoração dos Santos Keys , foy a Emperatriz pela manháa à Igreja da
Santiílima Trindade , acompanhada de toda a família Imperial , e de toda a Cor
te ; e durante o Officio Divino, deu em ceremonia as insígnias da Ordem de San
ta Catharina (de que foy Instituidora) à Duqueza reynante de Mecklenburgo , à
Duqaeza viuva de Kurlandi i , e à Princeza Imperial Proscovia Joanna , filha ul
tima do Czar Joaó Alexeowitz. Conferio também a Ordem de Santo André ao
Baraó de Mardefeldt, Ministro Plenipotenciário delRey de Prússia ; e a de Santo
Alexandre a Mons. Municie, Tenente General dos seus Exércitos. Acabada a
Missa , acompanhou Sua Mag. Imp. a Procissão, que fizeraó todos os Arcebispos,
Biípos , Prelados , e Clero ao rio Neva , onde sobre o gelo , que em grande gros
sura cobria acorrente das aguas , se tinha levantado hum pavilhão ,'e aberto com
alvioens hum poço , por cuja abertura o Arcebispo mais antigo benzeo as aguas
N com
9*
corn as ceremonias , que se observaô em semelhante acto, o quai se pratica todos
os annos neste dia, em memoria do Bautifmo de Christo Sennor N. no Jordaó ; e
foy muy solemne, porquealém de se achar a Corte muy numerosa , estivaó for-
madas sobre o gelo em circuito do pavilhaó , em batalhoens quadrados , todas as
guardas do Corpo , e as mais tropas , que aqui estaó em guarniçaó , que faze m o
«umero de 1 2U. homens , com suas peças de campanha na fronte , e acabada a
funçaó, fizeraó tres descargas de mosquetaria, eartelharia , a que respondeo a das
muralhas , Fortaleza , e Almirantado ; e de noite houve luminarias por toda a G-
dade.
Continuaó-se com vigor as preparaçóes de guerra, aílìm para a terri, como pa
ra o mar ; e como se tem resoluto conservar as conquistas, que se fizeraó na Persia,
se paílàraó ordens ao General Staff, para partir com toda a brevidade para As
trakan , com varios Officiaes de guerra , e 1 6U. homens de tropas pagas ; e ò Ge
neral Bohn o seguirá brevemente. Assegura-se , que o Exercito , que eltá naquel-
la sronteira serà reforçadoatc onumero de 1 2oU.homens; e que esta Corte con
tinua a se achar mal fatisfeita do procedtmento dos Turcos.
Tem-se achado no mar Caspio muitas cousas raras , com que se tem enriquecí-
do o Cabinete Impérial , e com que os Academicos , que se applicaó à Fifica tem
accrefcentado os feus estudos ; e naó falta em que exercitem a sua sciencia , por-
que os Estados deste Imperio saó abundantes de monstruosidadeSyOu extravagan-
ciasda natureza. Dizem , que EIRey de Poíonia ,informado destcs defcobrimen-
10s tem pedido à Emperatriz algumascuriofidades para ofeuCabrnece Real de
Dresda , em que se achaó muitas coufas raras. A Academia das Scienci is continua
as fuis AlTembkiscom bom íucceíTo. Espera-se,que fera muy util ao Paiz, onde»
OS genios , que se appKçaó mostraó que saó sutis , e engenliofòs ; o que fe prova.
Com o exemplo de hum artifice Ru'îiárto, que nunca vio Paizes estrangeiros , o
quai appresentou agora à faculdade da Mathematica, humaobra, que elle fez por
fxia curiofidade , e confia de dous globos , hum terraqueo , outro céleste, os quaes1
Mons, de Lille achou muy bem feitos ; e a Emperatriz para o animar a cuítivar
mais a sua habilidade, e caufar emulaçaó aos mais naturaes , )he concedeo hunt
notavel privilegio. Efpera-fe aqui Mons. Leutman , Saxonio , Mestre iJe Filosofia
Natural , que faTÍi grandes defcobrimentos no Paiz. Mons. Martini,AIemaó,Mes-
tre de Filo(ofia3começará brevemente a dar algumas liçoens sobre as taboas Logar
rithmicas.
Aflêgura-sc , que o Conselheíro privado Osterman tem fëitoafgumasrepre-
fentaçoensao Ministro de Dinamarca, sobre a pafTagem dosnavios Ruffianos pe-
ío Zonte. OTenente General Munck chegou hum destes dias paflàdos de Lado
ga , e affirma estar muy adiantada a grande obra daquelle Canal.
P O L O N I A.
Varso'via 6. de Fcvereiro.
Tp LRey ,e o Principe Electoral feu fîlho affistiraóao baile , que deu no feu Pala-
*-* cio o Arcebifpo Primaz do Reynoà toda a Nobrcza , que fe acha congregada
nesta Corte ; e fobrevindolhe depois hum grande frio, esteve reclufo aFguns dias
fla (ua Caméra , applicandofelhe varios remedios , mas já ante-hontem deu audt-
«nciaao General de Bátalha Swerin , Ministro extraordinario delRey dePruflìa.
O Congreflò dos Senadores , e Ministres , que ficou defcrido de 1 8. para 22.
de Janeiro, se fez no mefmo dia aprazado, em huma das Salas doCastello; e o Pri
maz > depois de se haver diJatado muito em louvores deJRey > pedioaoGraô
Chaii
Chancelier communicasïê à Assemblea,na fórma dasinstrurçoens de S. Mag. tu
do o que se tem passado com as Cortes estrangeiras , depois cia ultima Dieta , e o
dito Mnistro applaudindo primeiro o paternal cuidado ,com que S. Mag. se tem
havido , para desviar o mal de que a Patria se via ameaçada , por causa da execu
ção de Thorn ; diste , que tinha trazido todos os actos, e papeis, que podiaó dar as
insormaçoens necessárias , sobre o estado presente dos negócios públicos , para
que os Senadores pudessem dar o seu parecer sobre as medidas , que em tal caio se
devem tomar. Começaraó-se a ler os papeis; e se deu principio à leitura pelosquc
contém o que se passou com o Núncio do Papa , que duraraó até o fim da As-
lembiea ,ç (c ajustou, que se faria outra a 2 5. para se examinarem os mais. Neste
dia íe ieraó os Memonaes do Ministro do Emperador de Alemanha sobre as dif-
fcrenças , que ha entre os dous Estados , por causa dos limites na fronteira de Si*
Jezia. A 2 6. as pertençoens da Czarina de Moscovia , e as replicas da Republica.
O que se passou nas Conferencias , que se fizeraõ com o Principe Dolhorucki, so
bre pertender o Czar defunto , que a Republica o reconhecesse por Emperador
da Grande Rússia , e restituisse ao Clero Grego todos os bens , que se lhe haviaó
tirado. A 2 8.e a 2p. as pertençoens , e queixas da Corte de Berlin , e as repostas,
que a Republica lhe tem dado. A $ 1 . as instancias , que EIRey de Suécia fez ao
Emperador de Alemanha , em favor dos Naó-Conformados de Polónia , e Li-
thuania , e especialmente sobre restabelecer a Cidade de Thorn nos seus antigos
direitos , e privilégios de que foy privada ; e a reposta , que o Emperador lhe deu.
Huma carta do Emperador a EIRey ; outra delKey de França. Os Memoriaes de
Mons. Finch , Ministro delRey da Gráa Bretanha , e as cartas de S. Mag. Britan-
nica para EIRey ; huma representação do negocio de Tl.orn, ea replica da Repu
blica. As instancias delRey de Dinamarca feitas a S. Mag. e as repostas, que se dc-
raõ a todas estas Potencias pela Chancellaria da Coroa. No primeiro do corrente se
naó tratou da Conferencia mais, que só do negocio da Igreja de S. Lindo em
Prússia. A 4. chegou aqui hum Expresso de Vienna com outra carta do Empera
dor para S. Mag. sobre o particular de Thorn ; e alguns entendem , que se aceita
rá a sua mediação, para ajustar amigavelmente este negocio. No mesmo dia che
gou hum Correyo extraordinário de Dreida com despachos, que ficarão em se
gredo.
O numero dos Senadores cresce todos os dias nesta Cidade; e entre outros o
Marechal , e Vice-Marechal do Tribunal de Petrikau ; e dizem , que viraó tam
bém os Senhores doPalatinado de Rulfia.Mons. Radomiki, filho do Palatino de
Polnania, tomou juramento de fidelidade como Palatino de Brescese , e General
da Grande Polónia , cujos empregos renunciou nelle leu tio. Também chegou o
Staroste , ou Governador de Zozidow , filho do Conde de Sapieha , Starolte de
Bobrusk ; porém veyo fomente a beijar a maõ a EIRey , e pedirlhe licença para ir
aPetrisburgocaíar com a filha do Principe de Menzikoff ,com quem esta ajusta
do. O Graó [General de Lithuania partio já para as suas terras , e o Bispo de Lu-
ceovia para a sua Diocesi. Também , segundo se escreve de Leopoldia , o Graó
General do Exercito da Coroa,naõ tem feito disposiçaô alguma para fazerjorna
da , e se entende , que se naó quer achar no congresso dos Senadores. O Palatino
de Podolia tem já começado a exercitar o seu novo cargo de General da Artelha-
ria» EIRey deu o Palaiinado de Massovia ao Alferez mór da Coroa , e este cargo
Sio Principe de Lubomirski , Staroste de Brezowicc.
>-, ÇUE-
S U E C I A. Stockholm 6. de Fevereiro.
f~\ Barió de B alow , Ministro delRey de Prulíìa, depois de haver tido a sua pri-
m eira audiência delRey , entrou ms conferencias , que os Ministros de Fran
ça , e Gráa Bretanha fazem todos os dias com os da nosià Corte , sobre o Trata
do de H innover , communicandolhes huma copia da parte delRey seu amo je
convidando juntamente a S. Mag. a entrar nelle , e as tem continuado também
com |os Senadores; mas parece, que a Corte naó está de animo de se declarar, até
naó ouvir o voto da Chancellaria doReyno. O Embaixador de França se tem
•queixado desta falta de resolução , e declarado , que tem ordem do seu Rey para
se retirar, se dentro de hum mez S. Mag. se naó declara. Também se diz , que por
esta mesma causa se retirará a Berlin o dito Baraõ.Falla-se com tudo em augmen-
tar o numero das tropas deste Reyno , e a guarnição de Siralfunda , que se com
punha de 2U400. soldados , se acerescentarâ até ficar" de 4U000.
:. . DINAMARCA.
Copettbaghen*!). de Fevereiro
Essou nos fins de Janeiro o tempo húmido , e tornou a entrar o frio com tan-
ta força , que o gelo se acha com doze polegadas de grossura. A Companhia
dos Seguros , que se pertende formar nesta Cidade , vay tendo taõ bom success»,
que parece se effeituará. Temse descuberto na Noruega huma dilatada campina,
de qualidade propria para se plantar , e produzir nella bom tabaco , o que seria de
huma grande utilidade para o Paiz. A voz , que correo , de que[E!Rey estava dis
posto a entrar em ajuste com o Duque de Holíacia,sobre o Ducado de Selesvicia,
obrigou a S. Mag. a mandar declarar o contrario , naó fomente pelo seu Ministro,
cjiie tem em Ra tisbonna , mas também pelo que está em Stockholm , com a aíTe-
vençaó, de que se naó apartará nunca do Tratado, concluído Jsobre este particu
lar com a Coroa de Suécia. O Conde de Freitagh, Ministro do Emperador , e o
JBaraó de Bothmar , que o he delRey da Gráa Bretanha , como Eleitor de Han
nover , naó só tiveraó audiência delRey , mas tem tido cada hum particularmen
te varias conferencias com os Ministros do Conselho privado de S. Mag. e dizem,
que aílim hunijcomo o outro tem feito algumas representaçoens sobre o Tratado
ue Hannover. ' .-,.>.
ALEMANHA. Vienna 9. de Fevereiro.
Ç\ Emperador tem tomado a resolução de pôr os seus Regimentos com o mes-
'^ rao numero de soldados , que tinhaó no tempo da guerra ,e este augmento
importará em z oU. homens mais. EIRey de Sardenha, segundo os a visos de Tu
rin , se naó tem determinado ainda a seguir nenhum dos dous Tratados. O Ge
neral Conde deRabuttin partio hontem para Petrisburgo. O Conde de Starem-
berg , Embaixador de Sua Mag. Imp. na Corte Britannica , que aqui chegou de
Hannover em 2 6. do pasiado , parece, que naó tomará a Londres , e ficará fendo
Graó Marechal da Corte,cujo emprego se acha vago pela morte do Conde de Co-
loredo , que faleceo na noite de hum para dous do correnteThavendo pouco tem-*
po, que tinha vindo de governar o Estado de Milaó. Naó faltei quem a(Tegure,que
o Emperador 'tem esperanças de evitar a guerra ; e que a esse fim tem determina
do fazer dar satisraçaó a todas as queixas , que ha no Império por causa da Reli-
■giaó , t emprega todos os seus bons officios na Cortè -de Polónia , para que a Re
publica a delambem às Potencias Protestantes , sobre o negocio de Thorn; por*
que sem isso se tem por inevitável o rompimento. O Conde de Teílín, Embaixa
dor de Suécia, mó tem ainda visitado os Ministros de França, Inglaterra, Prússia,
Hannover , e Hollanda. O Principe Eugcnîo em du3$"conferencias,que'teve com
o Ministre da Pruflìa , lhe fez novas propofiçocns , para se ajuítarcm amigavel-
mente as differenças , que ha entre o feu Principe , e a Rcpublica de Polonia, tan»
to pelo que toca à Religiaó ,como a outras materias.
Em 29. do mez passado nomeou o Emperador para Generaes de Batalha ao
Baraó de Liebenberg ,Governador da Fortaleza de Javarin,no Conde de Loque-
te , Vifconde de Hombefch, Governador da Cidade, e districto de Malinas , e ao
Baraó de Teuffcnbac Administrador dojGeneraladode Carlestadt , e Capitaé
Commandante de Zeng. O Abbadc de Fulda , que aqui efteve muito tempo com
huma numeroía comitiva, fazendo humalarga defpeza, ferecolheo jáiara'a
sua residencia.
H O L L A N D A, (
Haya 28. de Fcvèretro.
T) Or hum Expresfb chegado de Madrid em 5. do corrente recebeo Mons, de
* Oliveira, Secretarioda Embaixada de Hcspanha, huma carta delRey Catholi-
co para os Estados Geraes , a cujo Présidente elle a entregou logo , e S.A.P. acom-
municaraóaos Estados da Provincia de Hollanda, que a leraona sua Alíemblca
a 7. e continha o seguinte.
Muito Caros , e grandes Amigos.
(T) Ara àar huma no<va prouva à Repuilica ,eseus subditos da fíncera affcicaS , e
fitl amizdde que Ikes profejjo; r.ao quero dcixar de partteipar a Vosjas Senborias
D grande desejo , que tettbo de cotiser<zar , t montera snspirada tranqtiilìidade xe
fax^, tae neceffaria a toda a Europa. Para efieJim tcr.ho dado injlrucçocns ao meu
Mmistro , que way refidir ra Haya, para propor a Vofjas Senborias a minha Real
mediaçao , e ajustar amgarveìmente as differénças , que ha entre 0 Emperador , e a
*vo(Ja Republica sobre 0 commercio deOJitndè: representando aomcsmo tempo a
Voffas Senborias, q asua accejjaó ao Traudo de Hanno^ver poderá prodnyr algrt>-
ma alteraçao na boa correfpondencia , e e(irrita amnade , que atéqui îaò fcliìfnente
temsubfiflido em benejicio dossubditos dos meus Reynos , e dos tvffos jDominios ; e
como eù dese\o da minha parte conser<z-ar huma tao cftreita , e preciofa amixadejun-
dada fias militas <ventagens do coir.mercio , me pareceo conicniente notíciar a Fof~
sas Senborias , que eu me acho obrigado a afftfttr a S. Mag. Imp. r.o cafo quese l!:e
trurca guerra , ousaça insulto , e a <vingar as offensas', que S. Mag. ìmp. nceber
dos feus b: imigos ; 0 que quero executar inteira , e exaclamcr.te por todos os medos,
faxfndo huma causa commua com S. Mag. Imp. em todo , epor todo ; declarando t,
guerra contra os que lha déclarent , e tendo por ínimigos os que o fonm feus ,ser.do
certo comofou , que 0 Emperador fará 0 mefmo da sua parte, para que por meyo nos"
s° se poffa conseguír na Europa huma paxsegura , e duratel ,e poremhumjuft»
equilibrio as Potencias da Europa ,pera^verdadeira fegurar.ca da liberdade àe to-
áos osfeus pwos , tao defejada , e tao estintanel : efperar.do que Vofjas Senborias,
como tao grandemente interejsados xella, e tao amantes da pvblica tranquíllidadtj
quererao contribrir da sua parte para a peferi'acao de hum tao estin:&<z el ícw/ok-
certando , eaptftando comigo paraefte pnTratàdcs , e alianças , quefejao coinve-
mentes , e uteis a hum ,eoutrossubditos ; e conclno roçar.do k Deostènhaa Vofjas
Senborias, muito Caros , e Amados Amigos , emsua fitta guard*. NoPardo t $♦
de Janeiro de 1726,
DtFoffas Senborias muito hom Amig9 •
. . . . • E» ElRey.
... ; 1 EAt
ÏOX
, Esta carta , e o tcrcciro Mémorial do Conde de Konigseck,Míhistro do Empef*»
dor, deixaraó preplexos, e indeterminadosos Deputados de algumas Cidatfes da
melma Frovincia , que ainda faltavaó em convir na accesiâó , que as mais tinhaó
teito ao Tratado de Hannover. Chegou a 1 1 .o Marquez de S. Filippe, Embaixa-
dor extraordinario de Hespanha , e ie alojou na casa em que vi via o Conde de Ta-
rouca, em quanto le lhe guarnecia o Palacio proprio dos Embaixadores da Coroa
Hcípanhola. A 1 6. entregou as luas cartas credenciaes ao Baraó de Linden , que
aquella scmana era Présidente da Aslêmblea dos EstadosGeraes ; a cujos Deputa
dos assegurou depois nas fréquentes Conférencias, que com e iles teve , que EIRey
feu amo o tinha encarregado de propor a esta Republica humas ventagens taó
grandes pelo nolso commercio coni Hespanha , que poderiaó reiarcir qualquer
prejuizo , que pudesse ter por caulà da Companhia eitabelecida pelos vasfallos do
Emperador em Ostende : dizendo em fórma de dilcurlb, quepoderia S.Mag.Ca-
tholica diminuiraos Hollandezes osdireitosda entrada , e lahida em Hespanha , e
permitrirlhes o commercio nas Indias Occidentaes com as melmas condicoens,
que aos Inglezes ; porém fem embargo destas , e outras promelìas ventajosas, e de
todas as diligencias do Conde de Konigfeck, Ministro do Emperador, pertenden-
do já com propostas de intereíìes, já com ameaças, já com a satisfaçaó de 800U.
florins , que S. Mag. Imp. estava de vendo aos lubditos destes Estados , sobre as
rendas das suas minas de azougue, que a Republica naó entrasse no Tratado, con-
cluido em Hannover entre os Reys de França , Gráa Bretanha , e Prufïïa , o naó
poderaó confeguir i antes rendendose às continuas reprelentaçoens dos Ministros
Francezes , e Britannicos se declararaó pelo feu partido , de cuja noticia huns , e
ouiros delpacharaó Correyos extraordinarios às suas Cortes.
GRAN BRETANHA.
Londres 5. de Marco, ~-
/"\ Mémorial , que a Caméra dos Communs em corpo offereceo a EIRey em
z. do niez paíìâdo , traduzido em Portuguez, contem'o seguinte.
CiementiJJìmo Soberano.
Hós os mtfito bumildes, e muitofiels <vaJJallos de V. Mag. os Communs da Grâa
Bretanhajuntos em Parlamento ,pidimos apermiffao dedarmuy Jinceramente os
parabens a V. Mag. dasuafeli\chegadaaosJeus Reynos.
Nao póde baver cûuja,que se iguale aosujto, rem à inquietacao,que tvverao os
bons <vajJallos de V. Mag, cm quanto afuafagrada pejjoa este-le expofia aos péri-
ges de hum mar tempestuofo,fe nao a universal aiegria , que logofi diffundiopor
todo 0 Rejno, com a agradarvel noticia dofeli\defembarque de V.Mag. em Ingla-
terra.
Rendemos a V.Mag. os maisJinceros agradecimentos pela clementifitnma falla,
que nosfez dofeu Throno ; e nao podemos reconhecer bajlantemente a grande atten
tai , e cuidado , que V. Mag. applicapara a confervaçM da pax , e profperidade
défia Naçao , e para a tranquûlidade gérai da Europa.
O piedofo fentimento , e compaixao, que V. Mag. mofira ter dos Protestantes af-
flitos nos Paixes estrangeiros , deixaraó grandemente fatisfeitos a tòdos , os que d
' prostïïao da mefma Religiao deve infpirar humjujlo refeniimento das injufticas , «
peìfiguiçpens, quefofrem-por causa dasua Religiao. .'■
A yigilancia , que V. Mag. tem tido em obfer-var , e defioncertar as idéas , e os
umbiciofis defignios, dos que procurao faxerfeformida-veis ; afua prudcnáa em for-
mar,e conduit aliancas cm as Potencias mais capazes dese oppor ao perigo cômum>
îT'* esus
efujpender os progressas das negociaqoens , que outras Potettcias sazfm, e o feu par-
ticular cuidado do eommercio défia NaçaS}nos obrigao a todas as retribuicoens pof-
Ji'veis do nojlo denxr ,eda noffa gratidao.
E afim de que as incanfarveisdiligencias de V. Mag. para os intéresses parti cu-
lares dosf'us proprios subditos nefies Reynos ; c para provenir huma grierra , pojjaó
ter ofeu defejado effeito ; nos os m>úto humildes , e nvato fieis Communs promette -
mos , e ajseguramos a V. Mag. que corn a mayor alegria, unanimidade , e prompti-
dao tirât emos tao efficazptente osfubsidios deste anno, que V.Mag. se acharáem ef-
tado de ternomar , no principio da Primax>era,huma poderosa Armada narval,sus-
jjeiente para protéger , e defender o Reyno , para faxer defvanecer as ejpcranças dos
inimigós do grverno de V. Mag. e para se -vingar dos infultos , e attentados , que
'vâamente se puderao projedar ,e emprender.
Nao deve caxsar admiraçao que nomaieflado ,aquese acbao redtnidos ost:e-
gocios di Pcrtendente , nao busquem os feus Emijsarhs , e Agentes todas as occa-
(ìoens , que tem apparencia defer favorarveis à sua moribunda pertençaô ; e como e/-
ïesfazpn muitos morvimemos nas Cônes ellrançeiras , os mal intencionados , e 'des-,
contentes défie Reyno nao tem fìdo menos hidujlriofos para comfalsos mmores,e fu-
gestœns encher os animas dos prvos de temores , e rebatcs mal fundados , para d'tmi-
nuirem o credito publico ; e caufando embaraços ao go-verno j dar alentos aos inimi
gós da nojja pa\.
Masnásnos promettemos , que a prudencia , unanimidade , e confiancia dos que
tem<verdadeiramente nocoraçao os feus proprios intéresses ,e defejao obem da sua
Patria , pre^oeniráó por bmtia parte as desgracas, que poderúo adquirirpela sua
grande credulidade , e viis temores ; e de outra parte efiamos refrìutos a con<x:encer
o mundo , que se osque mais invejao a felicidade , e tranquilìidade, que atiualmen-
te gor^mos,tfifx^o ainda continuar corn assuas medidas defefperadas, sabendo quan- •
to conhecemos , e eflimamos estas preciofàs bençaos , por nmito defejo , que tenhamos
da pœ\,nao fofreremos, queV. Mag.nem a NaCao Inglezafejao insuitadas ,mas
fìtstentaremos , e mantctrmos a V. Mag. corn todo onofjo poder ,fegundo o reque-
rer a neceffidade dos negocios, contra todas as emprexits , queJe puderem maqumar
contra o nojjo repoufo publico.
* Sua Ma*. Ibcs respondco nesta forma.
Messieurs. Ewvìs agradeqp este refpctuoso , e fiel Mémorial. Nao drc-vida, que
•zejais nmito bre-vemente os bons ejfeitos desta-vîgorofaye necejjaría rejôlùcaa. Po-
deis eftar certos de que naofarey outro ufo da cmfiança , que tendes em mm , mais
que para nos conferi/ar afelicidade dapa\, e accrefcentar agloria , e intéresse des-
ta Naçao .
Todos os OíRciaes cîe gtrcrra dos Regîmentos de Gibraltar» e Portomahon,
que seachavaó nesta Cidade no principio do mez de FèvereirOj ttveraó ordem pa
ra se recollierem sem mais demora aos Ceas posto% sobpena de os perderem; c por-
que falrava mecade da gente da Cm lotaçaó às 1 8. nao» deguerra , que estavaó
mandadasaprestar } se paslòu ordem para que os seusCapjtaens rivessem complé
tas as suas equipagens , e a ç.do proprio mez se expedirao 5 00. commisîôens pa
ra se tomarem marinheíros por força , e em virtude délias dizem , que se fizera»
naqueíle dia y eno seguînte mais de zooo. Estes 1 S. navios saó destinados para
guarda das costas do Reyno, edestes oCommandante he de 680. praçasydbusdç
<T 2 o. onze de 440. equatrode 565V que sazcm por todas 7945V praças; AFérn
destes se roandaraó armar doze, dos quaes. saó dou$ de 440. praças , e os der de
280. que fazem j 68o. Esta Armada será commandada pelo Almirante Jonnings,'
pelo Vice-Aimirante VVager, epelo Contra-Almirante Walter.
Chegou a esta Corte o General Diemer, Ministro do Landgrave de Haslia Cas
sei , e se assegura , que este Principe eftá disposto a entrar no Tratado de Hanno-
ver j como já fezaProvincia deHollanda, cuja noticia aqui trouxe pela posta a
1 1 . de Fevereiro Henrique Finch , irmaó do nosso Enviado extraordinário , e se
espera, que as outras Províncias daquella Republica sigaó o seu exemplo. Corre a
voz, de que sè mandaráó duas naos de guerra ao porto de Ostende, a notificar to
dos os Oíficiaes de marinha, e marinheiros Inglezes, que se achaõ servindo nos
navios da Companhia do Paiz Baixo , para que voltem ao serviço de S.Mag. Bri-
■tannica , sobpena de ferem declarados por rebeldes , e traidores a EIRey , e à sua
Patria.
HESPANHA. Madrid n.de Março,
rr Oda 'a Casa Real continua a sua assistência no Bom Retiro com perfeita sau-
de.EÍRey Catholico sendo informado dos graves, e notórios abufos,que com-
mettiaó algús Ministros subalternos da justiça ,com evidente prejuízo dos povos , e
querendo applicar remédio a este damno , tomou a resolução de ordenar sallarios
a cada hum dos que devem assistir nos dous juízos da Corte , e Villa , e a este fim
pastou hum Decreto em 4. do corrente para o Conselho Real , a fim de íè expedi
rem por clle as ordens convenientes à sua observância; mandando juntamente çom .
o dito Decreto , hum Regimento assignado pelo Duque de Ri pperda,feu Secreta
rio de Estado , e do Despacho , da quantia dos seus ordenados.
Faleceo em idade de 60. annos o Marquez de Campo florido , D. Joaó do Rio
Gonçalves , Governador , que foy do Conselho da Fazenda , em cujo emprego,
como em outros,que teve muy consideráveis , sérvio a S. Mag. com grande satis
fação.
PORTUGAL. Lisboa iS.de Março. ,
QUarta seira da semana passada dia de S. Joaquim,foy a Rainha nossa Senhora
comoPrincipe nosso Senhor, o Senhor Infante D. Pedro, eas Senhoras In
fantes D.Maria,e D. Francisca a Alcantara visitar huma Ermida, dedicada ao mes*
mo Santo , e encontrando no caminho o Santissimo Sacramento , que o Pároco
da Igreja dos Santos Martyres de Lisboa levava a humi enferma , se apearão , e o
acompanharão todos com exemplarilfima devoção ; e na quinta feira dia de S.
Bento foraó todos visitar a Igreja deste glorioso Patriarca; o que EIRey nosso Se
nhor , que Deos guarde , tinha feito na Véspera. Segunda feira desta semana vi-
sitaraó também a Igreja Paroquial de N. Senhora da Encarnação , onde estava o
Laus perenne.
A frota,que sahio em 2 o.do corrente deste porto para a Bahia deTodos os San
tos, se compunha de 1 8. navios mercantins , comboyados pela nao Santa Rosa
à ordem do Capitão de mar, e guerra Bartholomeu Freire. Com ella partirão jun
tamente o navio N. Senhora da Luz ,para o Rio de Janeiro , N. Senhora do Ro
sario, para Pernambuco , e N. Senhora de Penha de França , para Angola.
Sahio novamente h Irc^hum jogo de Cantatas , com letra Castelhana , e Italianas
que consta de dous livros ; hum da partitura , e outro do acompanhamento. Ven-
(lem-s' na Officina da Mujica na rua dos Gallegos.
' Na Officina de } O S E P H~ÃN f ONIO DA.SYLVA,
Com todas as licenças neceftarias.
G AZET A

OCCIDENTAL.

Com Privitegio de S. Magcstadf»

:r-, JÇpìmr'

Qqînta scira 4. de Abril de i?i6.


• .- . <• .s... ...if V ■ . ... ■ j
I TA L I A. . «
Napoles ii.de Janeiro, '' •

EM sido taô véhémente o frio na Provincia de Apulía , que


tem feito perectr ú gelo humgrande numero de rezes, e eau-
fado aòs frutos'da terra hum confidcravel damno. O vento ,
que aqui se semio os dias palìados , fez com a tua violcncià
perder multas b..rças.na coda de Calabria. Com a voz , que
correo de querer^ Papa vir ver o feu Arcebifpado de Bena-
vente de pois daPafcoa, nomeou a principal Nobreza deste
Reyno DepUtadoS > para o irem receberna fronteira delIe;po-
1 alguns se persuader , que ha"erà embaraços , que defviem a Sua Santidade
emtento. Fazem-te foldadosppr varias partes, para reencher o Regimetjto
>litano, que ierreem Hungria ; e coin o primeiro vento favor-.vel.le embar-
> 400. para Triefib.O nuArcro dos pobres, que naó estaó )á eni eitado de tra-
ba'lhar , tena crefeido tanto , que naó podendo caber no Holpita! de S. Januario,
impetraraó os Direstores délie a permuLió , de íazerem huma collecçaô de efmo-
laspublicas pelaCidade, paraíepoder acçrclcentar aquelle eclákio. O ultimolan-
ço , que houve sobre asrendas dos direitos das loiarias , ou jogos de Genova , foy
de ìj j\J. cicudos.' . ;
Roma 2 3. de Fcvereiro. . iV .

A Congregaçaó , que se fez oí dias pafsados sobre a Bulla Utligettitus , exami-


noúosparecercs,qaefemíndaraó da parte do Cirdeal dcNoailhes OdePo-
lignac obrigou a se recolherrm a Pariz Varios Dd atorcî |cíç Sorbonna , que aqui
tirifaaó vmdoíem permiiíaó drl'iu Corée.- ,-">."
A 1 i.se fez no Vacicanoy.nn prcfenfa de S.Santidade3huma Congregaçaó paf-
O ucular
iofí * î ' sT' * *
ricular sobre o Concilio Rotftano ia'que ìntervîeraô os Cardeaes Barberino , Po
lignac , Marefoschi , e Coscia , com Monsenhores Lambertini , Fîny , e Bras-
chi. • " " - " t
Em i <?, sc publìcou , e fìxou nos Iugares costumados,buma Constiturçaó de S.
Santidade , pela quai prohibe , que nenhuma pessoa , que professar qualquer Ins-
titutaRegular, ou Claustral, possa por nenhuma causa que seja, pafïara fazer
profiflaó da Regra de nenhuma outra Ordem ,em que naó haja obiervancia Re»
Î^ilfcrinem Claustral; c que o mesnao se entenda nas de qualquer Ordem Hospita-»)
aria , ou Militar , ou juntamente Militar , e Hospitalaria , em que haja observan-'
cia Regular , e Claustral ,■ ficando porém refervada a faculdade deste tranfito , sa
inente aos Summos Ponn'fkes,e naó a outra alguma pelToa.
A 2 o. houve Consistorio secreto no Vaticano , no quai S. Santidade, depois de*
dar audiencia aos Cirdea«s , que nelle aslìstiraó , propoz varias Tgrejas ; e éntfe ét-
las a Episcopal de Guadàlaxara em incitas de Hespanha, pari D. Nicolao Carlos
Gomes de Cervantes , Bispo de Guatirrula ; e esta , que íïe sufFraganea de Mexp-,
co , para D. Joaó Bautista AI vares de Toledo , Biípo de* Guadalaxara , que já de
antes havia fido Bispo da mesma Diocëfide GuJtimàla. A de Carthagena tambem '
emlndias, sufFraganea de Santo Domingo, para D. Antonio Gomes da Sylva,
Deaó da Sé de Lima no Reyno de Perú) e a Épiscopaj de /iuronAÌn partìbuSycha.- '
mada vulgarníente Vallona , páraO. Gregârio 'Qhílfnat» ^ Sgcefclote Aragonez*
que ficará Bispo suffraganeo de Çaragoça. O Cardeal Ottoboni propoz varias.
Igrejas de França , e o Cardeal GfenFuegashîirna in partibusyp.\ri hum suffraga
neo de Erford. O Cardeal Salêrntf jdimitttrtd'o otítolo de Santa Prisca, pedio o
de Santo Este vaô Redòndo , que vagôu peso Cardeal Tolomei , e o Cardeal Bel»
hlga pedioode Santa Prisca , dímittirtdo.o de'Satwa Maria Tranipontina. - -n
Das quatrctAbbadtas , que possuhia o Çardea) TjoJomei,fez JS», Satuidade mer-
cé , da de Mann» ao CardeátAitieti , da dte Mifeá á<xCardeal Marefoschi ,,da de.
FerrariaoAbbade Sciarra Golonna-, nlrrodcrPrincipe de.Carbognana , com hu-
tfia pensaôaoi Cardeal Pipîa-, e dinde- Armliaa&Caraeal: Coscia ; e o emprego de
ProtectordosReligiososTrinitarioj(feRèdeTHpcaó^osG*tivos,que tinhaomes-
ífto Cardeal dëfunto, sôy ctínférido- aoCaVdëal Olivier».. • £*
. O Cardeal Alberoni , e a Princes' de Ptombino trabalhao por restabelecer a
paz , e uuiaôentre oPertendentedafGrâ» BfíranKa, eu.Priric€za;S©bieiskt jiuíi mu»
îher,e ha algumas apparen.ctas de qucs€'p^âtfazéï'bre.vemente esta reconciljaçaô.
Em 1 1 . do mez passado mandou Si Sitntìdadefctiarnar segunda vez o Padrs
Eústachio , Procurador gérai da CangregaÇítëdotf'Reli^iasos Aáostinhos Descal-
çosde França ; e lhe decìarouqual he o seainiento, sobre a B»ffa de uniformisai
ue , que paslou , para que as diffírentesCongrcgaçoens, que hadésta Ordem em
varias partes da Christandade , convenhaó todas , e obfçrvem certos póntos , qtf* ■
atégora as di veríírtcavaó ; entre os quaes tem lugar estes tres. I. Que uasíuas tgre»
jas , e Corosusem do cantaGregoriano. U. Que se. tirem os Capellojcoïiip-.-idos,
e ponti-agudos , de que usaô os de Italia , e os tragaó redondos* XII. Que naó tra.-
gaó as barbas creicidas, como os Capuchinhos Francilcanos.

JFlorença i. de FevçnìrQ*. .
GGraó Duque seacha pçríeitamente coivalecido da sua ultima ratíispesiçaóye
cem apparecido já varias vezes em publico , e dado audiencia aos kus Mini f-
tros*
éras. A z do paflàdo se sestejou em Palacio o compp'mento deannos daGráa
Priaceza viuva, que entrou nos ciocoenta e tres da lua idade ; çjairím o Nunci o do
Papa, como os mais Ministres eitrangeiros, e a Nobreza principal , concorrcraó
a darlhe os parabens.O Carnaval teve principio nesta Corte a f j. dp mez passado,
cóm varias mascaras de grandillìma magnihcencia ; mas no dia seguinte ie public
«ou huma Ley , pela quai se manda coin commioaçaó de rigoroliffimas penas,
3ue ninguem use de mascara neste Carnaval; e o Marquez AJbizi , Supennten-
ente das Opéras , teve ordem para impedir., que naó çntre ninguem mascarade»
a ver os deseniados publiços , iem embargo de se haver tolerado nos annos pré
cédentes. ,vr;
Os Moradores da Cidade de Pisa alcançaraó de S. A. Real a permissaQ de po-
derem represcntar em 1 7. de Janeiro , na festa de Santo Antaó Abbade , os pro-
greíïòs,que os feus antepassados obraraócom as armas, cujo uso , que antiga-
mente foy muy decantado , se achava araortecido. Os de Leorne mandaraó aq.ui
Deputados , para pedir ao Graó Duque queira instar com .0 Papa , que crie hum
novo Biipadonaquella Cidade , scpar.andq-a do ArcebiipàJp de Fija«;, !
O CavaJleiro Perserti , que o anno paiìado eitjeye em Roma ,e foy laureado
Îor grande Poeta no Capitoíio , teve agora huma grande herança , por morte de
lunu Senhora da Casa Fortini. Faleceo de huma idade muy avancada Fernaó Xi-
«nenes , Majquez de Saturnia, Senhor de Sanrnezano, Commendador da Ordem
Mii'irar , e Ducal de Santo Estevaó , e nclla Graó Prior hereditarip de.Romagna^
Tambem faleceo o Marquez Filippe Strozzï-Squarcilupi , cuja successao palìa ao
rConde seu irmaó > exceprohuma foníìderayel quantia de dinheiro , que deixou
ao fiJho unico do Senhor Minerletti , que estudava pireitd Civil , com a condi-
çzò de usar do appelido da Squarcilupi ; o que elle fezcom authoridade , e appro-
yaçaó do Magiíisrado de Florença,em 19. do passado. ,-' -: -n " ^
i ' : ' ■. . : wu}
Cencnja, ip. de Fevereiro. ;*-' ». . '."
A Primeira vez, que D. Jeronymo Veneroio appareceo em publíço , depois dé
elevado à dignidade de Doge desta Republica , foy a 2 o. do mez passado^em
que aflìiiio na Capella Ducal , à festa dos Santos Martyres Stbastiaó , e Fatiao ; e
acompanhou a Frocissaó } que te costuma hztr neste dia. De noitç houve hurna,
Serenata no (eu Paiacio. As suas ordejns , que se executaó com o ultin.o rigor,
,vaó cornpriWndo oactrto da iua ekiçaç ; porque tem ceííado os roubp$,quefej
çommettjaó de noite , e se acha rcítituida .^o povo a fegurança publica. ,
O Marquez de Susa , fiJFo natural de'Rey de Sardenha , que aqui tinha chega-
dpde Çagiiari , partio a 2 2. do passado para Turin; donde se elcreve,.que oMarr
quez de Entraives, tinha partido por ordem de S. Mag. Sardeniensc,para visitai- as.
lortificaçoens , e Armazens dos feus Estados; eje tinhaó mandado acabar com
loda a pressa as obras do Forte de la Brunetra , junto a Susa. Celtbraraó-se as vo-
das do filbo de D.Carlos Doiia, com a filha unicado Marquez Gnmaldo. Faleceo.
a 2 o. do passado Dom Filippe Spinqla.

ALEMANHA. .
Htmburgo 1 5' de Fevereiro. .

AQutcqrre ayez, de que o Emperadoir détermina das os Estados de Ausiria


cm, faadft % &lìh,QW.faffotâuayfi&» A» Pia igajt vi^% , ç ^fi fm ne.me da
- . ■» . mesraa
lot
mesmiSehhora,receberá a investidura dcfieíb Condèâe'Sfeiîehdtoj'fFjMordónîé
mór de S. Ma». Imp. Tambem se diz, queb-mefmo Emperadorajuntârá breve*»
mente buma-.Dieta gérai dos Principes do Imperio , para nella fazer approvar as
disposiçoens , que "tem fcrto sobre a succesiaódos feusEstados heredkarios , no
calo, que venha a faltar sem filhovaraó. ■ :y,i. u •■ .: u.t «
Esçreve-fe de Dinamarca^ com cartas de 1 2. de Fevereiro , que aquella Corte
<îetermraava pôr no mar3no mez de Mayo proximo, huma Armada de 40. naos
de guerra" , 5 6. fragatas , e hum grande numero de galés , que serviràó no Balthi*
ca% e no rio Albis ; parém parece ,que este numero de naos se preíarà com a Es-
quadra de guerra , que se espéra daGráa Bretanha. .»
As cartas ;de PóJonia dízem , que os mais moderados dos princípaes Senhòres
daquelle Reynb , tinhaó proposto ebnfervaraos Naó-Conformados os feus privi
légiés: reporos Magistrados daCidadede Thorn ria Kberdade de fazer as suas
elciçoens } depois da morte dos Confclheircfc Gatftolieos , que actualmente exif-
tem : entrar cm ajuste^ por via do éfcambo, sobre a Igreja de Santa Maria , que si
tirou aos Lutheranosî e concéder huma amnistia gérai ,4 huma-inteira liberdade
- de consciencia; porém que este Project» fora regeitado pelos Prelados do Reyno,
e por hum grande numerb de Senhores , que reprefentaraóvj que este ajuste des*
Hourav* a kepublica ; porqúe fè ditìa 5 que havia sido obrigada por temor de hu
ma gueVra, ateder àsinstancias das-Poténcias estrangeiras , na deciíaó de hum ne»
goïio j que fera a sua concurrença podiá terminar.
«x;.i ìUfi^yti- J.-.ÍJ , ; • .. is. ■ . ■ ■ ■> .,
HOLL AND A. >' . %
Haya 28. Ai Fvvereiro. »
■ i; .q* . •o:-«í>i><*ti .... .»*..!>-■.•;...'■ . • . >.
/"\ S moradores dasCidaides deGouda,e de Waerden se viraóna noite de l<>»
para 1 7. no perigo de morrerem tpdos affogados , por se haver rompido o
Dique de Linsçhooten , e hsvier pertetrado â iriuridaçaó até o sitio chamado Pol
der de Snel. Os estrágos, que as aguas tem feito neste anno j e no fim do paíTado,
naó se podem repréfentar em theatro taó pequeno.
Corre aqaí impreflo o Mémorial , que o Baraó Vander Meer , Embaixadof
desta Républ ica na Corte de Madrid jdeu a EIRey CatbolieQ j sobre o Trat'ad»
de cormnercioj concluido em Vienna, entre S. Mag. e o Emperador , pelo quai se
▼é , que o dito Mirristrò' Ihe reprefentou com todasas exprefsoens do leu rèfpeito
» Óye fendo os Tratados atRftdidos tomo base , e fundamento da réeonciliaçaô
i, das Naçoens , e dasPotencias ; he justo , que cada huma das partes contratanres
f, os observe , como bumá friviblave! ley , naó fó raó os qucbrantando publica-
íj mente ; mas nem ainda permittindo , que os. feus Ministres fe fìrvaó de fubter-
n folios , para darem aos feus artigos outro fentido opposto áquelle, com que fo-
>5 r?.& formados , quando reciprocamente se conveyô nèfles : QuèS. A. P. em to-
j^do o tempo exfccutàraó muy religiosamcnte tudo o que fè ajustéu , e contratou
«com a sua Republica , sem quebrantar , nem mudar.a menor partedçs feus ar-
îi tigos;e que além-disto tinhaó-dado mostias bem évidentes do affecto ,que tem
» aos intéresses de S. Mag. regeitándo unanimemfcnte todas as ventagens , que se
jj lhes ofFereceraó3para entrar na Quadruple aliançajem cuja confideraçaó efpera-
>} vaó achar «m S.Ma^. naó f6 Aliado , mas Defensor ,contra todos , os que em
»} feu prejuizo procuraítem fazer alguma mudança 'nos Tfatados; e que àflìm náo
» podsaó deixar de ver ao présente com grande sentim«nto}mudar de tal modo os
f*1-- n ego
iÕ9
m negócios de fac/ j que tem longe de S. Mag. Catholica manter os sens indispu-
3, taveis direitos , pelo que toca ao feu commercio nas índias, achaôna sua Real
pessoa o defensor de huma Companhia,cujo commercio naó p óde sulsisiir, sjm
destruir o dos súbditos , e habitantes da lua Republica ; porque por mais, queos
,, Ministros de Sua Mag. dissessem , que se naó havia concedido aoEmperador
„ cousa, que naó fosse conforme aos antigos Tratados, era fácil provir, que o naó'
podiaó dizer sem huma explicação violentada , c exposta aos termos dos artr-
»5 gos 5 porque tomandofe no sentido literal , e no com que foraó formados, todo*
„ vem claramente , que este novo Tratado de commercío cítá muy distante da
„ fim , com que as Potencias concluirão os Tratados deMunsier,e.UtrccjUe,de-
„ pois de sustentarem taó porfiadas guerras, e de se haver derramado tanto sangue
„ para manter os direitos da Republica , tanto pelo que toca à sua navegação dá»
„ índias, como ao seu commercio em gérai: Que peio Tratado de commercío,
„ fek o entre S. Mag. e o Emperador , se concede tos súbditos de S. Mag. ïmp. a
„ negociar nas índias; o que he direitamente opposto ao fim, e intenção dosTra-
„ tados de Munster , e Utreque : Que pelo mesmo Tratado obtiveraó os súbditos
„ do Emperador a permissão de frequentar as Cidades , e portos de S. Mag. Ca-
tholica nas índias , com o pretexto de nelles tomar refrescos , &c. o que sempre
„ íe recusou aos navios de S.A.P. e por consequência em virtude dos Tratados se
naó podia conceder a nenhuma outra Naçaó tm seu prejuízo : Que S. Mag.fo-
merra , e authoriza o estabelecimento de huma Companhia, formada pelos ha-
„ bitartes de hum Paiz, que havendo tilado em outro tempo debaixo do seu Do-
3, minio , he espec ialmente compi ehtrdido na prohibiçaó , que se poz a todos os
„sufcditcs da Coroa de Heipanha ;*xcepto Hefpanhocs , o que he muy opposto
„ ao conteúdo nos Tratados , cm que se declara , que naó fomente S. Mag. impe-
„ diria às Naçoens estrangeiraso negociar rfci índias, mas que manteria a S.A. P5.
„ em rodos os seus direitos, e privilégios relativos ao dito negocio ::Qu< fendo Sua,
,, Mag. e S. A. P. obrigados a se mantert m mutuamente ,para impedirem ás ou-
„ tras Naçoens o traficar nas índias ; bem claro fica, que nenhuma das partes con-
, , tratantes ficava com dirtito para mudar os artigos , ou apartai le délies , sem no»
„ ticia , e consentimento da outra ; e que sendo taó justo o lundamento das quei-
3, xas de S. A. P. naó podiaó expíicaro quanto ellavaó admirados , de que os Mi-
„ nistros deS. Mag. esquece ndo-se desta reflexão 3 pudessem conceder ventagens
taó consideráveis aos fubditosdo Paiz Baixo Aultriaco , cem taó grande prejuí-
« zo da Republica de Hollanda ; e ainda da fazenda , e vassalios de S. Mag. que' nq
s, caso , que continue esta nova Companhia (taó expressamente agora protégi-
33 da ) íe veraõ frustrados das ventagens do seu próprio commercio , e que assim
„ p-dia a Sua Mag. em nome de S. A. P. quizefïe mandar ponderar esta repre-
J5 sentaçaó,como ton vem à importância do negocio, attendendo,que esta contra-
„ vençaõ dos Tratados de Munster , e Utreque , poderá produzir com o tempo
33 terríveis consequências 3 e excitar na Europa novas perturbaçoens, .
Os Ministros das Potencias estrangeiras continuaó a fazer frequentes conferen
cias com os da Regência, e a receber, e expedir Correycs extraordinários. Os Es
tados Geraes mandarão destinar o dia 1 3 , de Março proximo,para jejum univèr*i
sal em todos os Domínios da Republica , e preets para conseguir o bela sucetsso
dos seus desígnios.

- PAIZ
ì>ru&\\$i 2 j. //f FtrvWfíTO. ■ • f-•

, A Senhpra Ajchiduajafza nossa Gpyernadora se acha taó restituida da sua quei?


•** xa j que affistip já a 1 7. aos Officios I)iyinps na Tribuna da Capella ReaJ,
O subsidio} que a Provincia de Flandres concéds© para oanno présente, hede
hum miJhaó , e 460. mil florins. jBento Pauwens , que foy nomeado para Secre-
.larip dp Coriselho Soherano de Bradante , recebçp a 1 8. a sua patente ; pela quaj
pagou 1 8U. florins à fazenda Impieria}. ÔCpnsçlhp da Fazenda mandou entre-
.gar ao Conde Vjscont*, Mordomomôr,e primeirp Ministro da Senhora Arr
çhiduqueza , a planta das cpndiçoens , que tormou para se arrematarem pe'o ma-
ypr lanço as rendas Senhoreaes deste Paiz. O meímo Conseiho se offerecea
adiantar huma somma muy consideravel de dinheiro , a quem se quizer obrigar
a fornecer dentro de cerfo termo 50c. reparps , para hum igusl numero de ca-
jnhoens, que se mandaó fabrjcar para guarnecer as Praças do Paiz Baixo Austría-
co , q naó tem battante artelharia.Como a Coroa de França fortifica as íuasguar-
niçoensda parte de Luxemburgo, seordenouao Regimento de Infanteria dp
ï'nncipe de Li gne , marchasse para aquella parte a 2 p. do corrtnte , e o de Dra-
goens de Bareyth , que se acha em Austria , lè espéra no Paiz de Limburgo , pa
ra estar mais prompto a se meter em Luxemburgo , sendo neceííario , ou no cen-
trp do Paiz Baixo Austriacp. Tem-ie defendidpp tazerem-sc leyas , 11cm reclu-
tas para nenhuma Pptencianeste Pajz, sem permiiTaódogovcrno.
j 7*em-se resoiuto formar Armazens por todp o Paiz Baixo Austriaco , e repol-
ìp npsepestádo amigo. Tem-te íeitp duas plantas para semelhoraroporto de
Ostende, huma feira com eclusas , proposta por hum Zelandez chamado André
Kahne ; outra sem eclusas ofTerecida por Mons, de la Merveille , Capitaó Vttera-
no da maripha,,.e se entende,que o Govemo escolherá esta ultima ; porque se pô-
aeexeçutar çpm rrjais facilidade. Falla-se; no Çonde de Lannoy , Administrador
da Cidade , e Condadp de Namur, para Govemador da Prpvirjcia.de Limb)ii>
tp ; .f rieste caso se cónterirá o sçu emprçgo ao Principe Claudio de Ligne. O
imperadpr mandou supprimir no Paiz Baixo Auítriaco os cargos de Auditor
Çíéral } Auditor da Cavallaria , e tódos os mais Audkpres , e feusj subalternes}, aos*
jguaes se dará metade. dos lems ordenadps e propinas , em quanto naó ion.m pror
yidos de putfos empregos, proporcionados ao feu merçcimen to, e. feryiços. - „
Em observancia das ordens do Empçradpr,chegadas ulrimaimente çeVien-
na , partiraó a 1 5. deste mez do poripde Ostende , e no dia seguinte da sua Bar
{>ia , as cinco naos , que os Directores da Companhia de commerçjp ùnhaó apa»
rel^adas para mandar à ì^ndia. As duas principaes chamadas a Paz , e a Eiperan-
ja , y^ô a Bengala. As putras tres , cujos nomes sap Ag¥»a , Leaó, e Tigre ,iraó
„^qrr^ ejjas, ale Çujp^ çèrta ^ltqra , edeixapdp a sua conserva, ieg^iráp outros rur
mos. Nas duas primeiras yaó fetenta granadeiros, ernuitps Oftjcia^ efçpllii^ps
d^s. trqpas^dí^e, Pajz , ç }fvaráó amh^s 75.0. pra^ras. Br^veraente saberemps , se
âs paos ínglfzas 5 que andap cruza/ido no Canal , emprer,dçm tjrar por íprça,
^çpmo se, puplica) ps Marinheiros Inglezes , quç neílas vaó.
. Em Anvïerej (e tem fçrrr^a^p a^pra huma opaa Cpmparjbj,a , a. qqti (edá p ti-
túló deTJore , para refiriar o affucar , que os noflbs navios trojjxerem dp Bsêíl?
e se intenta dallo mais barato , que o que vem de Hollanda. Tambefn se salla em
outra Companhia, que quçremprender o fabricar marinhas, e embranquecer
^C-v ' GRAN
1 i . ii i
h: t' " G R A N Ô R E TAN H A.
• Londres 6. de Mar^o.

HAvendose apprestntado da parte deIRey nas duas Caméras do Parlarstento


os Tratados da paz , e commercio feitos em Vienni , entre o Emperadqr , e
EIRey deHelpanhai eodaaíianç.i dcfensiva, concluido entre Sua Mag. eos
Reys de França , e Pruflïa , etn ríannover ; a dos Sehhores , precedida do Graó
ChancïHer , foy em corpo ao Palacio de S. Jayme no primeiro do corrente appre-
sentar humr Mémorial a Sua-Mageíhde, em que Ihe rendia muy cordialmente as
graças , por lhe haver feito a msrcc de Hios nundar communicar , e o mesmo fez
no dia seguinte a dosCommuns ; a quai resolveo dar mais a EIRey 74U 5-64. li-
brasesterJinas, que fazenv fpfíQç n~ cruzados, para as deípezos da Secretaria
do dçípacho , e 4UX47. libras elïerlinas ,ou fòÚyjá. cruzadoápara asdéspe-
Zas extraordinarias da vtesma Secretarïa , que o Pariamento íiaó'havia ainda pro
vida, r . ..
Como o numéro das moedas de ouro deste Reyno , chafàtâ&sGtiíriés , se terrt'
diminuido consider4veImente , por iC'ie'v.ifem naraosPaizés estrcîngíircs-, com
o intéresse de ganharcm neJles dons , ou très foldos , que importa mais o feu valor1
intrìnsecp; se assegura vque se lh;s levantará brevcmence o preço a visite e hum'
c&elins,e meyo ,<jue he o que valiaó ímoutro tempo.
Escreve-fe de Boston, haver Guilhelme Dummer} Governador da nova Frtgîa-"
terrayçoncraido, a paz corri os IndtosOicntacs ; ó qi*e' se teWjJor hiim fiiccélíb.
de gtartde imporíahcia para os vatíaUos de S. JVíag. que habiuó , da fréquent tó a;
Jlmeriça. Falla-seem fa^r nerte ReyíO'o huina manusadVura de pendas ftna? , co--
moasde Mdinas , e BruxeilaS', oque tarádiminuir o grande lucro , qúte esta* fa-
hrica dâ ao Paiz Baixo Auitriaco;
> ' , • * > ' ' ,
■ -t.'' . ■ ■ F R AN Ç A. ■•
l*ari{ i . de Mdrçp.. ♦ 1

/^Hegoude FïoBanda petaposta'oGâvadfeiiWs FefigHon., irmaô do Embaira-


^"*dordest»'Coroa naqueiia Corte j^ue :o>mandUu aS. Mátg.-com a norkia de
Baverentrado aqaadla- Republíca rio Tratado de sï-miíover.. Este avi ib. se recebeo*
aqni com. hum* e;ctt^ordmwíia'alegrfa.vpcia esperatíça, que nos dá'de naô haver
gusrra., à vista do. respcKo , que deve- causaf.ao. parti do contrario o ver tant.is Po-
tençias juntas , e codas poderoias ; e aJÎLn. se naô faila já taó scriamente nella co-
moós dTás'pàsiàdòs. ; •; *
A Rainha Ghristianisflnia' se fangrou a- r 1 . pot preveriçaôj e aslîm naô pode vie
á esta Gdade no dia r4, como ti nha detcrminadb > para vifitar o.corpo.de Santa.
CKtievieya; fkando deserida esta jornada para outra occasiaó , e se entende , que
yirâ inpognita , para evitar o.cmbaraçoda nwkidaô do povo. Sangrousetambem.
a I3uq ueza. de-OrIéans,.pòr causa da. sua.píenliez.Soube-se por segundo. Correyo*
clicgado.de Chambord, acharséjí livre do. perigo aSenhoraCorufc^L.ecezins»-
Èi >raáy deIRey Stanislao, que chegoaaestar desconfiada dos Medicos. Acha-se
já ajustjdo. o Cérémonial que se deve observar quando a Raínhà vinva deHes-
panha vier visitas a EIRey, e a Rainha , o que far'úanro que Suas Miigestades vol--
tarem de, Marly para Versaih.es. S; Mag^Gathoiica continua íemprea sua residen-
<?ia em VinceneS j onde a. 7^ do corrente nomeoii para saa Camaeiramôr ^a.Du-
queza.
quezá de Ssorcia, para Capitaó das fiias Guardas , o Marquez de Roehechovart , e
para Capitaó da sua Guarda dos Efguizaros , ao Marquez de Varenne.
O vento , que Mons, flasteur prognosticou , que haveria a p. deste mez , foy
taó violente, que derribou hum muro na rua das boucheries , matando tres pes-
soaSje ferindo perigosamente duas. ■ ■-. - A .
: ' .• ■ • . {
PORTUGAL.
Lisboa 4. de Jbril. . " ■& . >
Á Rainha rtolîa Senhora foy quinta teira da semana paíTada a Belem , visirar a
** milagrosa Imagem do Senhor Jésus dos Passos , no Real Mosteiro -dos Reli-
giosos de S. jeronymo.
Terça feira se celebrou o Bautismo da terceira filha do Morgado deOli veira t mi
que se deu o nome de Domingas. . ■ ;i-:.<r.ó
■ Ao Conde da Torre faleceo de pouca idade o feu ultimo filho. A Francisco de .
Almada, Senhor de Carvalhaes, faleceo outro logo depois de bautizado ; e dentròv
de poucosdias huma filha tambem menina. ■' ?<',■( '■ . • •r r 1 'V , ,
Tambem faleceo Fernaó Martins de Soufa Coutinho" e Teive , decimo Se
nhor do Consclho de Bayaó , e do Morgado dos Tei ves ; e Manoel Lopes de La-'
vre, Fidalgo da Casa de Sua Magestade , Cavalleiro da Ordem de Christo , De-
putado da Junra do Tabaco , e toy iepultado no feu jazigo de Santo Antonio dos
Capuchos. .
Da Alcaidaria mór da Cukde de Silves no Reyno do Algarve , que vagou por
morte de Ruy da Sylva 3 fez a.Rainha nossa Senhora mercéa D. Diogoae Mc-
nezesdeTavora , Senhor da Patameira ,e Védor da sua Casa.
Na manháa de 2 6. -de Março appresentou a ElRey nofso Senhor oCortv-
mendador da Ordem de Milta Manoel de Tavora de Noronha , conduzido
por D. Lopo de Almeida, Commcndador da Vera-Cruz, o présente annual dos
Falcoens, que oGraó Mestre da mesma Religiâó mandou por elle a Sua Ma
gestade. •■-■*', . .
Entrou neste porto a semana passada hWna nao de guerra da Gráa Bretanha,
chamada Cokhester , de que he Capitaó Jorge Clinton , e chegou de Gibraltar
em quatro dias. Entraraó tambem dez navios da mesma Naçaó com varias fa-
zendas , tres fetias Hespanholas de Malaga , e Almeria , huma embarcaçaó Fran-
ceza corn trigo , e maná , huma Pormgueza da Ilha do Fayal ; e sahiraô quinze de
vanas Nnço;ns3 com gencrosdo Paiz. ./..!■• •.(..; 1

A~D V E R T E N C I A. ; /'
' Reimprímio-fe nefta C\dade a<vida da glmosa Santa Rpsa de Santa Maria,
escrita ekgantemente em Latim , corn 0 titiáo de Rosa Peruàna em oita<vo. Ven-
de-se na rua nova na logea de Tbomé Carvalha Mercador de livras.
Stihio à lu\ 0 segundo tomo de Cimrgia , em folba , que se intitula CasteJIo
Forte ^contra todo 0 ger.ero deser'nlas , chagas , deslocaçoens , e fracturas , no quai-
se achat! remédias communs , e pmictáans para todas ellas , Author Joao Lopes
* Correa , Cirurgiao do Hospital Real de Todas os Santos ; <vende-se na rua nova,
va logea de Antonio Gornes Claro Mercador délivras.
-' NaOfficinadejO SEPH ANTONIO DA .S Y L^V A.
Cemtodàsaslicefjçasneceflarias,
Quinta seira n. de Abril de 1716,

TUR QJJ I A.
Constantinopla 16. de Fevereiro.
EXPRESSO , que chegou a Morts. Stanian , Embaixador
delRey da Gráa Bretanha , com a copia do Tratado concluí
do em Hannover , voltou jà despachado para Londres , com
a reposta , que esta Corte deu às luas proposiçoens , mas naó
se sabe o que elJa contém. He verdade ,que por algumas ap-
parencias se entende ? que o animo dos Turcos sempre pro-
pendente para a guerra , naõ deixará de le querer aproveitar
da presente conjuntura ; e muiio mais acliandose favorecidos
da fortuna com tantas ventagetis , alcançadas na Pérsia , onde tem determinado
segurar as suas conquistas. O Principe Ragotzi recebeo alguns despachos , que
deraó novo alento as suas esperanças. ■ t- ' -,:/.. .;
( Ha quinze di as , que naó chegaó noticias da Pérsia , por cuja razaó se ignora
ainda o que haverá succedido na empreza de Hispahan. Sultaó Esref , succeiTor
dos Estados , e designíosdo Principe de Kandahar , achandose com menos forças
das que lhe eraó necessárias , para íe oppor às Ottomanas , tem entrado na :déa de
projectar huma partilha ao G raô Senhor., ajcujo fim manda hum Embaixadora,
esta Corte , onde chegará à mínháa.
-r-- :.iV:.-- - : .-■-■/•;: • R V S S I A. '"-.:'> . :., . .
•!•>'••• : : Pétrisburgo 9. de Fevereiro.
1LT Ontem , em que se prefez o armo , que este Império padeceo a perda do seu
* * grande Monarcha } foy a Emperatriz pela manháa com toda a família Impe
rial , e o Duque de Holsacia, à Igreja de S. Pedro , eS. Paulo , onde à vista do tu*
mulo da Magestade defunta, fez o Clero hú Oitkio sokmne , na forma da Cons
tituição da Igreja Rulsiana , a que presidio o Arcebispo de Novogorodia, aflistido
de outros Prelados j entoando todas .as Anliíbflas , e Oraçoens da lua Lithurgia; e
P * B9
vi\ y
no fim do Omcio , fez o Bispo de Troitza !ium.i Oraçaó funèbre , tecida com o
panegyrico do mesmo Emperador , referindo nclle as suas heróicas , egloriosas
acçoens. Toda a Corte se vestío neste dia de luto apertado.
Os últimos avisos, que se receberão de Derbent dizem,que o Exercito do Graõ
Senhor j que tinlia marchado para Hispahan, com intento de a bloquear, fora
obrigado a retirarse por causadas continuas chuvas , que por haverem estragado
os caminhos , faziaó retardar a chegada dos comboys das muniçoens , e manti
mentos; e por haver sabido pelas suas espias o Baxá Commandante , que os mo-,
radores daquella Cidade tinhaó Armazéns de viveres, emuniçoens de guerra para
mais de hum anno , e estavaô resolutos a defenderse atè a mayor extremidade , o
que também se confirmara por alguns desertores : que além disto o Exercito do
novo Sophi se tinha augmentado taô consideravelmente , que este Principe se
achava em estado de soccorrer aquella Praça, que era a Cabeça do Reyno de seus
avós , e impedir aos Turcos o continuar os seus progressos. Estas noticias nos daõ
occasiaõ para esperarmos, que naõ cuidarão elles neste anno mais , que emcon-
servar o que no passado conquistarão.
p* A } o. de Janeiro chegou aqui hum Correyo de Constantinopla , com cartasdo
Conde de Romanzoff, e deviaõ conter matéria importantilïïma; porque logo se
fez na presença da Emperatriz hum Conselho privado , que durou quatro horas;
e no dia seguinte voltou este despachado com instrucçoens novas ; e outro com
ordens da Emperatriz para Astrakan, e Derbent. fio primeiro de Fevereiro se ex-
pedio também hum expresso aMòscow , com ordens ao General Matouskin, pa
ra fazer marchar para aquellas duas Praças,sem demora alguma,seis Regimentos
de Infanteria , a que se haó de seguir 10U. Tártaros, com o fim de manter ás
conquistas , que na Pérsia tem feito as armas Rustianas.
As cartas, que ultimamente chegarão de Constantinopla dizem , que depois da
chegada do Correyo , que levou o Tratado de Hannover y~Cc tinhaó feito muitos
Conselhos, e o Graó Vizir havia tido repetidas conferencias com os Ministros de
França , e Inglaterra : eque se accrescenta , que o Kan dos Tártaros da Krimea,
tivera ordem do Graõ Senhor, para estar prompto a marchar com todas as suas
Hordas.
Tem-se feito frequentes conferencias sobre a aliança , que se trata com o Em
perador dos Romanos , em que se encontrão algumas dificuldades , que de parte
a parte se eítimariaó ver ajustadas ; e se escreveo a EIRey da Pruilia para mandar
levantar o embargo, que se fez no fato do Conde de Rabuttin, Embaixador do
mesmo Emperador , na Alfandega de Konigsberg , por naõ haverem querido os
seus criados perniittir,que se abrissem os seus baús. Mons.de Westphalen , Envia
do delRey de Dinamarca , tem estado muitas vezes em conferencia com o Conde
de Gollofskin , Graó Chancelier , exom a Baraõ de Osterman, sobre a passagem
do Zonte. • - - •"• . - ■ - . v ' *- j '•■
O Principe de Menzikoff fez a í iZ e 2 do mez passado "a revista das tro
pas, que se achaó em guarnição nesta Cidade , e consistem em dous batalhoens de
Guardas do Corpo,quatro Regimentos de Infanteria, e tres Efquidroens de Dra-
goens , que fazem juntos o numero de ï zU. homens; e a 16. partio daqui para
h- fazeromesmoàsguarniçoensdeCronstidt, e Cronslooti A Emperatriz no
meou para General supremo da Infanteria, com o augmento do soldo de 6\J.
roubles (que fazem 1 8U. cruzados) cada anno ao Principe mais velho de Haffia
Homburgo : mandou expedir ordens para se fabricarem em Riga quartéis para
7U.
7U. homens, além dos qne jã alli ha feitos para mil Dragoens , ë aíîìgfiou hu
ma consignação para a despeza da remonta , que se manda tazer na Cavallaria.
O Clero receando o } rejuizo , que te lhe rôde seguir da diligencia da averi
guação , que se tem mandado fazer das suas rendas por ordem da Corte , tem fei
to a proposta de pagar todos os annos à Camera Imperial huma considerável
somma de dinheiro, por modo de donativo gratuito; mas parece, que a Corte naó
quer deixar de seguir o projecto de reduzir as rendas Eccksiasticas a outro esta
do , reservando aos Mosteiros , e Cabidos fomente as que torem bastantes para a
sua sustentação, e vestiaria. Tem-se estabelecido nesta Cidade huma fabrica de re*
finar o aflucar , e em seu favor se tem acerefeentado a todo o que vitr refinado de
fora , os direitos da entrada. Tem-se declarado com grande alegria de toda a Cor
te a prenhez da Du queza de Holsacia.
1- A 3. celebrou o Baraó de Cederhielm , Embaixador, e Plenipotenciário da
Coroa de Suécia , o coniprimerrto.de annos da sua Rainha , com hum magnifico
banquete , e baile , a que convidou a Duqueza , e Duque de Holsacia , a Prince?»
Imperial Isabel , as Duquezas de Mecklenburgo , e Kurlandia , e a todos os Mi
nistros estrangeiros , e Senadores Ruífianos.
POLÓNIA.
Varjvvia 26. de Fevereiro.
' Avendo-se acabado de ler na Aíicmblea dos Senadores em $. do corrente to
das as cartas , actos, e memoriaes pertencentes aos negócios da Republica,
rogou o Arcebispo Primaz a todos , que declarassem os seus pareceres ; o que lo
go se executou , dizendo cada hum o que entendeo ser mais conveniente.
Em quanto às proposiçoens , feiías pelo Conde deUratislao , Embaixador do
Emperador, sobre as diíferenças dos Limites , diste o Bispo de Cujavia ,que
era necessário responderlhe , que a Republica naó pode deliberar nesta maté
ria , antes de se estabelecer a commissaõ pedida ha muitos annos ; e de se haverem
posto em liberdade os Cavalheiros Polonezes , que por ordem do Emperador fo-
raô prezos em Silezia.
Que sobre o que pedem nos seus memoriaes os Ministros da Czarina de Mos-
çovia j respective ao Ducado de Kurlandia , e à Livonia , le lhes naó podia tam
bém responder; pois se haviaó jã dado instrucçoens ao Marechal da Coroa , para
írtratar deste negocio na Corte de Petrisburgo , com o caracter de Embaixador;
é os mais Senadores disseraó , que se devia pedir a EJRey se servisíe de dar novas
instrucções ao dito Marechal , para continuar esta negociação , que se tinha prin
cipiado antes do falecimento do ultimo Czar com o leu IViinisiro, e para lazer di
ligencias por alcançar nella algumas ventagens mais para a Republica.
Que em ordem às differenças , que havia entre a mesma Republica , e EIRey
de Pruífia (disse o mesmo Bispo ) se devia esperar , que as ultimas convençoens,
-que se tinhaó feito com aquelle Principe , impediriaó os eÍTeitos das luas ameaças>
sobre o particular de Thorn,e que se devia ir;struir o Graó Theícureiro da Co
roa , para proieguir as conferencias com os leus Ministros ; a que os reais Senado
res acerescentaraó , que se naó concluísse ntste negocio cousa alguma , mas fole
ajustaste hum preliminar, ou Projecto relativo à ratificação da Ditta ; e que se 'naô
"projectasse nada stm parecer dos Senadores , que assistem ao lado delP ey ; e que
ao mesmo tempo sedevia representar aos Ministros dePrúflia, que EIRey fea
'amo se servisse de observar daqui por diante melhor os precedentes Ti8tídas»e
pôr sm sua liberdade todos os súbditos da Republica , que- és-féus Oftkiaes-rinhaó
listado
ï *6
listado por força para servirem nas suas tropas ; e que quando assim se naó fizefle^
se mandassem avançar algumas Companhias para a Prússia , e se rebaresse a força
com a força.
No particular do negocio dc Thorn disse o mesmo Prelado , que o seu parecer
era , que se podia ajustar amigavelmente pelas diligencias delRey , ou remetello
à próxima Dieta geral , com a condição , que conçedendose a liberdade do exer
cício da sua Religião aos Naó-Conformados em Polónia , se pediria às Potencias
Protestantes outra semelhante liberdade para os Catholicos, que vivem nos seus
Estados ; e que a Corte de Prússia promettesse especialmente supprimir todas as
innovaçoens , qué tem feito- em prejuízo dos Biipados de Cujavia,, e Ermelan-
dia j como também da Cidade de Eibing ; e que se alguma Potencia estrangeira
formasse algum desígnio contra a Republica , se rogaria a EIRey fizesse ajuntas
Jogo a Dieta , e ao mesmo tempo huma convocação geral de toda a Nobreza Po
laca, dentro de certo prazo , para se lhe oppor , e se deviaó obrigar os Gçneraes a
pór em segurança as fronteiras ; declarando porém , que a Republica naõ estava -
disposta a tomar as armas sem forçosas razoens. f
Aí.ca 7. se continuou a mesma Assemblea , e assim os Bispôs,corno.a mayor
parte dos Senadores leigos , foraõ do mesmo parecer , e só o Graó Theloureiro
insistio sobre a necessidade de ajuntar a Dieta geral , e de expedir cartas circulares
para as Dietinas , ou Dietas particulares dos Palatinados. Com isto defpedio o Pri
maz do Reyno a Assemblea , depois de haver rendido as graças aos Senadores por
esta conclusão , de que prometteo darparte -i EIRey ,oque effectivamenteexe- .
cucou a 9. Ainda que segundo as Leys do Reyno , se naó pôde tomar resolução
em nenhuma matéria , quando a Dieta está limitada , e. que assim os Senadores
naó podem dar os seus votos,le naó por modo de conselho; com tudo já. deste mo
do Sua Magestade fica auth-orizada pela Republica , para fazer montar a Nobre
za a cavallo , marchar os Exércitos , quando a necessidade o pedir , e ajuntar os
Estados em Dieta , quando lhe parecer ; porém parece , que se acha muito neces
sário differilla até o S. Miguel próximo , em que com huma só convocação, se
continuarão duas Dietas : a que ficou limitada para Grodno o anno passado 5 e a
que neste se devia congregar na sórma das leys.
EIRey, naõ obstante os di vertimentos do Carnaval , assiste muitas vezes nas con
ferencias , que se fazemiobre os negócios da prese nte conjuntura , e tem nomea
do ao Principe Real seu filho por seu primeiro Ministro , naõ só para os despa
chos , que tocaõ a Saxonia, mas ainda para os deste Reyno , e os Polacos, quando
tem alguma cousa que pedir a Sua Mag. se encaminhaó primeiro a Sua Alteza,
que a nenhum outro Ministro.
Por hum Expresso chegado de Leopoldia se tem a noticia , de haver falecido
uaquella Cidade , depois de huma dilatada doença > o Graõ General do Exercito
da Coroa. Os avisos da Ukrania Poloneza dizem , que havendo Sultaó Dely re
cusado submetersè às ordens do Graó Senhor, havia S. A. Ottomana dado or
dem , para ferem degoÙadós tres filhos seus , que se achavaó em Constantinopla.
Ealla-se em que EIRey , e o Principe partirão para Saxonia , tanto que se acabar,
o Carnaval. Imprimio-se hum papel em que se diz , que muitos dos Grandes do
Reyno estaó resolutos a entrar antes em huma guerra , do que a ceder cousa al
guma aos. Protestantes : que se tem dJdo ordens a muitos Palatinados para fazer
»en&p»lissaid»S4.e..iinhas de communicaçaõ nos seus Castellos ; e^ue se fará breve
mente montar toda a Nobreza a cavallo. O certo lie , que as tropas da Coroa , e as
'.■uhi de
117
de Lithuahìa tem recebido ordens para marchar para as fronteiras, e estar promp-
taspara mdooque puder succéder. A mayor parte dos Senadores tem voltado
para os feus Paizcs.
ó, . S U E C I A.
Stockholm 2 . de Março.
HAvendofe ponderado no Tribunal da Chanceliaria ás propostas, feitas da par
te do Emperador, pelo Secretario da Embaixada dp Conde de Freitagh, que
aqui se espera ; e as que fizeràó os Ministros de França, òrãa Bretanha , e Piuma,
com as ventagens , que estes representarão em muitas conferencias aos de S.Mag.
se votou a favor da acceísaô do Tratado de Hannover ; cujo parecer approvou o
Senado , depois de examinado nelle por duas vezes , no dia z 6. do mez pafTad©,e
actualmente se estaô preparando as repostas , que se haó de dar aos Ministros das
tres Coroas Aliadas.
Por hum Correyo despachado pelo Senado deste Reyno a Mons. Kraff , Mi
nistro delRey em V arsovja ,se lhe mandarão novas instrucçoens ;para fazer huma
feria representação àquella Republica , e a EIRey , do mao estado, em que se acha
a Religião Protestante naquelle Reyno , e pedirlhes huma inteira , e prompta sa
tisfação às suas queixas>na conformidade do Tratado de Oliva ; porque naõ con-
■ vindo nisto , Sua Mag. se acharia obrigado a unir as luas forças com as das outras
Potencias , abqnadoras do dito Tratado , em ordem a se repor tudo no estado an
tigo , e destruir as innovaçoens , que se tem feito em algumas Cortes.
Temse dado ordens precisas, para estar prompta a servir no fim deste mez a
Armada do Reyno, que constará de trinta e pito naQsde Jinha,além de hum gran
de numero de fragatas. Fallafe em levantar oito Regimentos -novos de Infanteria.
Os Marinheiros , e Officiaes marítimos , que tinhaó licença para irem às suas ter
ras, receberão, ordem para se acharem promptamente em Carlescroont r.os prin
cípios do corrente. Também oColkgip doAlmirantado resolveo aprtstar tres
fragatas para as mandar à Incfia. Temie convindo em arrematar por lanços *t ren
das dos direitos da entrada por mar; oqiie se entende será de grande augrtfento
para as rendas do Reyno. O Conde de Brancas-Cerest , que celebrou com grande
magnificência em 7. de Fevereiro os desposorios de S. Mag; Christianissima nesta
Corte , com banquetes , fogo de artificio , baile, e jogos, a^ue convjdou todos
os Ministros estrangeiros ,e a principal Nobreza da Corte, assim Cavalheiros, co
mo. Damas, havendo corç&guido o principal ponto da sua Embajxada,vokarà bre
vemente a França. ~ . -. ,,r-
D I N A M A R C A. , ...
Copetihagheti 1 9. de Fevereiro. , .
"D LRey tem determinado pôr no mar no mez de Mayo próximo huma Arma-
*-* da de 40. naos de guerra , 36. fragatas , 7. pramos , e hum bom numero de
gales , que serviráó no Bajthico , e no rio Albis , nomeando para Commandante
supremo delia ao Senhor de Schestedt, seu Conselheiro privado -T e como desta
nomeação resultarão vários desaBrimentos , e differenças entre elle, e o Commis-
sariato geral , Almirantad o , e Almirante Judicker , nomeou Sv Mag. para as exa
minar ao Baraó de Rantzau ,ao Contra -Almirante Paulfén , e Mons. Nevcn , e
Wysen , Conselheiros de Justiça. Quinta feira pasiada foy S. Mag. com o Princi
pe Real, ver pastar mostra aos marinheiros, que cstaó todos vtstidosde novo , c
vio também com grande satisfação sua as naos , que se echaó ainda nos estaleiro»
por acabar. O Conde de Reventlau) Conselheiro de Estado de S. Mag. será breve
mente
11$
■mente nomeado para Presidente do Tribunal de Althena. Corre voz dè alguns dias
a esta parte, de que irá EIRey paliar a Primavera em Holsacia. O Baraó de Both-
mar , Tenente Gênerai , e Enviado de Inglaterra , teve huma audiência particular
de Sua Mag. na semana passada; o Conde de Freitagh, Ministro, e Plenipotenciá
rio do Emperador,teve outra , e havendo recebido novas instrucçoeris da Corte de
Vienna , partio com sua mulher para Eisennor Domingo passada , e esta manháa
devia atravessar o Zonte para Suécia , onde já tem a mayor parte da sua família.
Os principaes Negociantes desta Cidade resolverão formar nella huma Com-
.panhia de Seguros , pondo em banco a somma de 1 50U. patacas; e antehontem
aifignaraó já cincoenta pelloas , que prefizeraó a somma de 1 ocU. e por este ca
minho se espera evitar a sahida do dinheiro, que se remetia às Companhias dos Se
guros de Hollanda , e de Hamburgo.
ALEMANHA.
-T Vienna 23. de Fe<vereiro. ■ t "
Ç\ Emperador continua a prevenirsc para huma guerra , obrigando-o a fazer es-
V tas disposiçoens com mais cuidado a falia, que EIRey da Gráa Bretanha fez ao
seu Parlamento , os seguros , que este lhe tem dado de sacrificar as suas vidas , e as
suas fazendas em defensão da sua pessoa , e do seu governo ; e acharemse os Mv-
nistros de França , Gráa Bretanha , e Prússia dispondo as suas cousas,para sahirem
desta Corte. O Principe Eugénio teve huma conferencia secreta os dias paliados
com Mons, de S. Saphorino , Ministro delRey da Gráa Bretanha , a quem disse,
que o Emperador naó duvidava,que as negociaçoens, em que estava , deflem ciú
me a algumas Potencias ; mas que elle lhe assegurava em nome de Sua Mag. Imp.
que no Tratado se naô metia clausula alguma prejudicial aos seus Aliados ; que S.
Mag. Imp. estimava tanto a amizade , e aliança de Sua Mag. Britannica , que ne
nhuma cousa o poderia separar delia ; que da sua parte esperava , que EIRey da
Gráa Bretanha estaria dá mesma opinião; e que náo haveria cousa em Alemanha,
nem em Polónia, que ainda supposto o Tratado de Hannover, fosse capaz de per
turbar a tranquilidade publica. A's instancias do mesmo Ministro da Gráa Breta
nha , se mandou pôr em Kbéndade hum Inglez > chamado Eduardo , que foy pre
zo em Belgrado , voltando dé Turquia , sem embargo de se saber , que foy o mes
mo, que daqui partio enganosamentevpara levar a Constantinopla a copia do Tra
tado de Hannover , pedindo hum passaporte a Mons. Brockhauzen , Referendá
rio do Conselho de Guerra,com o pretexto de ser traficante, e ir àquelle Paiz cora
hum negocio seu particular. • . • '•
Fallaíè aqui muito em hum Tratado secreto , feito entre o Emperador , e Hes-
Eanha , pelo qual se promettem assistir mutuamente em caso de se fazer guerra a
um , ou a outro ; e Sua Magestade Catholica lhe dará huma certa somma de di
nheiro de subsidios todos os annos , e lhe pagará ' os soldos da gente , que militar
em {erviço de ambas as Coroas em Itália , e em Flandres , com a condição de re
partirem entre si as conquistas , que fizerem. Aslegurase, que esta Corte recebeo já
o primeiro pagamento do subsidio , e se esperaó brevemente mayores quantias , e
que neste sentido se fazem levas muy consideráveis , e se determina augmentar o
numero das tropas Imperiaes até 1 8 oU. homens. Fazemse marchar para oPaiz
Baixo Austríaco 8U. de tropas Palatinas , e de Wurtzburgo , que dizem saó pa
gas por Helpanha. Assegurase,que o Duque de Lorena conservará em casodfe
guerra huma absoluta neutralidade , como seu pay^ e avó. O Núncio do Papa re
cebeo de Roma hum Expreslò , com ordem de aslegurar ao Emperador , que &
3 : Sua
Sua Santidade Ihe naó veyo nunea ao penfamento entrar em aliança com certa
Coroa ,ecom alguns Principes de Italia, contra a Casa de Austria. Na aliança,
que se trara com a Czarina de Moscoyia , seenconrraó ai ^umas difficuldades , que
retardaó a sua conclusaó. Corre a voz,de que o Emperador deve razer huma via-
gem ho principio de Mayo proximo às fronteiras de ícalia 3 e que ievará comsigo
ao Principe Eugenio , e a oiuros Ministres de Eltado , e Guerra.
... Afmick^2^. de Fe<vereiro.
TC Ntre as fête, e as oito horas da noite de 1 6. deste mez, faleceo depois de huma
larga enrermidade , e de haver recebido os Sacramentosda Igreja com huma
noxavel resignaçaó, o Eleitor de Baviera Maximiliano Manoel , em idade de fes-
senta e cinco annos , setemezes , e quinze-dias, com huma lamentaçaó gérai de co
da a sua Corre j e de todos os feus vaíïàllos. Este Principe era o terceiro Eleitor de
Baviera, eCondire£tor<b Circulo domesmo nome, GraóMestre, eVigario
do Imperio. Entrou no governo dos feus Dominios em Julho de 1 6 8o. Galou a
primeiravez noannode 1685. com a Senhora Arcbiduqueza Maria Antonia,
filha do Augusto Emperador Leopoldo I. de quem teve tres filhos , que faleceraó
meninos. Pafïou a fe^undas vodas noanno de 1694. com Thérèse Kunigunda
Sobieski, filha de Joao III. do nome Rey de Polonia , de quem teve Carlos Al
berto Caetano , Principe Eleitoral de -Baviera , que agora Ihe succède na dignida-
de,enaGasa , jícasado, e com filhos: scgundo , Fernao Maria , que tambem se
acha jácasado: terceiro, Clémente Augufio , Arcebispo , e Eleitor de Colonia,
Bispo Principe de Munster , e Paderborn : e quarto, Theodoro, Bispo Principe de
Ratisbonna. Havia feito máis gloriofo o feu nome com o feu valor na guerra de
Hungria contra os Turcos, e nas que depois houve na Europa, onde foy hum dos
mayores Generaes do feu tempo. Os Estados deste Eleitorado faó todos unjdos,
enaó (ò muy ricos, mas ta&populofos, que mandando o Eleitor defunto nume-
ràlksnoannode 1609. se achou haver nelles tres milhoens 361U200. aimas,
de quepodia pórem armas trrnta até quarenta mil homensde boas tropas.
-àiônc^tu^!: a&iA~& Ì.B.R -E -T -A N H A.:
Londres 1 o. de Março. .u . ■ " . s
TVEpois que EIRey mandou às duas Caméras do Parlamento as copias dos Tra-
jtados , ajustados em Vienna , ejHannover , se leraó hum , e outro publica-
menie ernamhag. jie tavsendo-fe começado,a ponderar nâ dos Senhores em 2 8.do
mez que aeabau jcenfroH, o Ck)nde Towrdshend.na individuaçaó do que feti-
nha pafíâdo sobre elles , e osCfondts de Lechmere , e Strafîord propuzeraó , que
se'dîvia- déliberarsobreasua materia' em fórma dejunta , para que os Pares pu-
dessemdizer mais livremente os feus pareceres ; e havendo-se aflim resoluto , oc»
cupou Mylord de Laware a cadeira de Présidente , je o Duque de Neucastle, Se*
cretario de Estado , tftahâmá. éarta'í/i^ué hàviàsTecébido na yesperado Coronel
Stanhape,Ernba?xaiordeSúa Mag>. na Corte de Madrid , ha quai se continha:
Que o Duque de Rìpperda, primeiro Ministro de Hespanha , Ihe harvia dito ,'que
Je harvia cmclmdo outro noz/o Tratadocomo Emperador, peto quai Sua Álag.
Imp.se obriga-va asa\er reflituir Gibraltar a Hespanha por forçade armas ; no cd-
so que por outro caminho se naó pudefle consegmr ; e para este effeito de%>ia mandat
30LÀ homens de tropas suas a Hespanha, queferiao pagaspor Sua Mag. Catho-
liea , e por outra partese obriga-va ElRey de Hespanha a sujlentar a Compmhia
de Oflende. (Lida esta carta , propoz Mylord Lechmere , que se dífreriíse o tomar
resoluçaó íobrejesta materia, até se communicar àCaaieraeste novoTrarado;
porque
1*°
porque talvez o que o Duque de Neucastie acabava de reserir , serià somente'hn-
mi cousa /aliada ; mas este Duque replicou , que ElRey lhe havia expressamente
ordenado , que communicasse à Camera a dita carta ; e o Conde de Scarborough,
fez depois memoria de vários Tratados, que se tem feito com Hespanha de cem
annos a esta parte > e mostrou.estirem quebrantados todos por este ultimo , e de
pois de se haver alargado sobre a ingratidão, com que o Emperador se havia com
aNiçaõ Britannica, propoz de se appresentar hum Memorial a ElRey , sobre o
que Mylord Lechmere disle , que se tomasse cuidado de se naõ obrigar riellea
Naçaó a defender os Dominios» que S. Mag. tem em Alemanha, no caso que fos
sem invadidos pelos Imperiaes ; porém o seu parecer foy regei tado com a plurali
dade da 94. votos contra 1 ç< e esta. clausula inserta no Memorial da dita Camera.
Assegurafc,que se passará hum Decreto no Parlamento , pelo qual se defenderá
a entràda*das rendas de Flandres , e pano de Cambray neste Reyno , e que o Al*
nr.raag£}o passou ordens aos navios de guarda Costa, para visitarem certos navios.
ElRey fez presente à Prkiceza de Galles sua nora,do rapaz salvaje , que foy acha
do no Bosq utí de Zel , donde foy levado a Hànnover , e virá a este Reynò , onde
se trabalhará para o ensinarem a fallar,e a ter trato humano. - '*>
HESPANHA.
Madrid 26.de Março. : ;! . -•ït.'ù t •
TOia a Casa Real logra perfeita disposiçaó, e ie acha fazendo as devoções pre
cisas, para ganhar o Jubileo do Anno Santo, que o Summo Pontífice conce-
deo por .tempo de dous mezes a todos os Fieis desta Monarchia , visitando quinze'
vezes,em quinze dias différentes ^ quatro Igrejas , que' lhes forem nomeadas pelo í
Prelado. As que o Arcebispo de Toledo-nomeou nesta Corte saó , a Paroquia de
Santa Cruz , a dos Trinitarios Calçados , e as dos Collegios de Santo Thomas , e
imperial para os povos; e para Suas Magestadés,e-Altezas , e seus- criados as de
§. Jeronymo , N. Senhora da Tocha iá Paroquia ido. Retiro , e o feu Oratorio'
- Real. Todas as Religioens , Gongregaçoens , e Irmandades que _visirarem eni-
Procissão as primeiras quatro Igrejas nomeadas , ganharão o dit o Jubileo no ter
mo de quatro dias. ,s .0 t v,-'\5»^7.
-PORTUGAL, .n ví^-r - : : -''7
. .-1 1 ....... JLisboa i r.ãe/itimL" ' t > ;- , •-. •v'
C Ua Magestade , que Deos guarde , fez varias mercês a soldados , que o eftaS '
•^servindo na índia, e a outros, quevaró agora para o mesmos Estado nas nãos,'
<jue estaó promptas a partir com o primeiro bom ventas-' at K'->3" ^-rî ítV., f-rt •
Ajustou- se o caíãmento de Silverio'daSyl va da Eonsetía , Alcaide mor da Villa
de Alsazeiraó , com a Senhora Dona Joanna de Távora , filha de D. Alvaro Pe
reira Forjaz Coutinho. "*'-' • '' ■ ' ■ ■
Nasceo segundo filho a Dom Luis de Portugal daGamav - ' ' í«í. ' ..'•>.
: ■ Em ç. do corrente entrou no porto desta Cidade huma nao de guerra Frances
za , mandada pelo Capitaó Beaumont de Beauharnois , virtdâida Ilha dé Si Do
mingos na America com cinco mezes de viagem , e se recolherá brevemente a
Rochefort. Entrarão nesta semana passada cinco navios Inglezes , e tres setias
Hespanholas; e fahiraõ para varias partes com sal , e outras fazendas , cinco na
vios Inglezes , quatro Dinamarquezes dous Francezes , e huma setia Genoveza .
NaOfficinadejOSEPH ANTONIO DA Sï\L VA, x .
i'/\£<i.í r ■ Com todas 4s liçer^as neceffarias, . .. . ,. t
Numii6| .121

ETA

OCCIDENTAL,

Com Privilegio de S. Uagcstadc.

Quinta sei ra 1 8, dc Abril de 1726.

TUR QJJ I A.
Constantinopla 16.de Fevereiro.
S Embaixadores de França , e da Gráa Bretanha receberão ë
3. e a 4. do corrente Correyos extraordinários das suas Cor-
tesjcom despachos(ao que pí.rete) muy importantes; porque
a montarão a cavallo , e vieraó pedir audiência aoGraõ
Vizir , que logo lha concedeo, e contra o estylo durou huma
,, hora inteira. OConde de RomanzofF, Ministro da Ruffia,
teve também outra particular domelmo Vizir, na qual lhe
representou, que a vinda de hum En viado do Uebelde da Per-
su a est » Corte , naó podia deixar de Ihedar a suspeita , de eme traria proposições
prejudiciaes aos interesses da Empcratriz sua ama ; e que assim ie lhe naó devia
conceder audiência , sem offender a fé dos Tratados concluídos entre odeiunto
Emperacior da Ruffia, e oGraó Senhor,; porem o Graó Vizir lhe respondeo, que
segundo as leys do Império Ottomano , se naó podia dispensar de ouvir a todos
OS Musulmanes , que tinhaó negócios, que tratar com o Sultaó ; e porque o Con
de dc Romanzosflhe fez novas instancias sobre esta materja,clle lhe prometteo de
lhe comunicar tudo o que se tratasse com o dito Enviado. Aifcgurase 5 que sc tem
quasi concluído hum Tratado de paz com o Sophi , e que esta Corte manda des
tacar scU. homens dos seus Exércitos da Pérsia , e os faz marchar para as fron
teiras da Geórgia , se naó he pretexto para os pôr visinhosda Europa.
ITAL I A.
Nápoles 6. de Fevereiro.
T" OJas as noitesde certo tempo a esta parte se tem visto hum Cometa, que lan-
ça huma grande claridade para a parte Oriental , e sc corneçaó a fazer vários
discursos sobre a sua appariçâó. Qà Padres do.Oratorio cie S. Filipe Ne ri com
prarão por huma grande somma de dinheiro a Bibliotheca de Valcu^-Chegou de
Roma
Roma o Cardeal Pígnatellí hoflb Arcebîfpo. Hum filko do Principe Ragotzy>
queestudava, e fazia os feus cxercicios de íRontar aeavallo, dançar ,ejugaras
armas nesta Cidade , havendo ido a Ancona , com o pretexto de ver o feu porto,
se embarcou nelle , para paíïar a Albania ; porém scndoa embarcaçaó, em que
hia , constrangida pesos ventos contraries a arribar à mefma Bahia , foy prezo af-
sim como poz o pé em terra ,por se entender, que era pessoa , que hia fugida , c
sendo leyado à presença do Cardeal Rush", Qovernador daquella Cidade , foy co-
nhecido do íobrinho do mesmo Cardeal , e elle mesmo deseobrio quem era. Sua.
Éminencia o fez por na sua liberdade, debaixo dapalavra,queellélhè"dëud&
partir para Roma , e voltar a Napoles; porém logoperto da noite tornou ao por*
to 3 e fe fez à véla para Dalmacia , quatro , ou cinco horas antes de chegar de Ro
ma hum Expresso , com ordens para se prender , e fer conduzido a Milaó o dito>
Principe. Entendese, que »feu intentohe paflar a Constantinopla, e talvez por or-
dem de feu pay , que se aeha ao présente muy favorecidanaquella Corte , indicia
certo de quererem os Turcos aproveitarfe da présente conjuntura,,emaq,uinaren*
a feu favor alguma rebeliaó na Hungria , ou Tranfilvania , com o pretexto do di-
reito > q^ue pertende ter ao dito Principadoi
Roma 9. de Marcaí.
£\ Papa se recolheo de Monte Mario , onde esteveretírado pendente a mayor
força dbsdiverrimentosdc» Carnaval', naterçaseira 5*. dorcorrente pelas sete
horas da manháa y e depois de celebrar Milìa na Càpella do feu quarto do Vâ tica—
no , defeeo à Capella Sixtina , onde affistio comos-Càrdeaes ao Anniverfario da
morte do Papa Innocenciò XIíï. feu antecesior, cantando a Miflà o Cardeal Con—
ti ,ìrma5 do mesmo Pontifice defimto rarrteeipandose esta íunçaó, por serem oc-
cupados os dias seguintes com as da Quareftna.
A 6. foy à Igreja de S. Sabina, c Isavendo celebradoMiíïâ naCapella deS. Do-
mi ngos , sescom aflìstencia dos Cardeaes a feençaó , e distribuiçaó- da-Cinza. As-
sistio-àMiífajjQUvîo oSermaó, quefezoPadre Roífy, Procurador gérai dos
Theatinos , c-jantou com os Religioso&Dominicos daquelle Mosteiro no seu Re-
feitorio commum. Hontcnvsoy celebrar Miíïa à Igrejìdos Religiofos Hofpitala-
rios de S. Joaó de Deos ,.ende oGeral desta Ordem lhe apprefentou humRelrca-
rio de cristalde Rocha, com hum*pedaço dodedòdomeimoSanto, cuja festa cé
lébra a Igreja neste dia. A3 instanciœdo Gérai dos Religiofos Francifcanos confir—
mou, eamplíou os privilegios concedidos rra Balte doPapa>S. Pio V. emque
ifenta as quanxj OrdensMtudicantesdetodOsosdireitos deentrada ,gabellas,e-
portes de cartaê. . "»
TemSua Santidáde declarado,, que détermina prover hum dos Càpellos de
Cardeaes , que se achaó vagos , em hum. Rcligiofo- de S.. Francisco , e se falla no^
Fadre Roiralli , natural de Bergamo , que foy já Gérai dà mefma Ordem , e no
Padre de kGrozze, que o he actualnsentc. Como oobstaculo> que se encontra
ht ©•naôferefn estes-Religiosos bens para sustentai? a» pompa da Purpura; enaó
havsrao présenté bene&ios vagos , que S. Sàrítidade Ihes possa dar , se aproveita,
©Cardeal Cienfuegos dest'e embaraçO', para recomendar oPadre Burgos , que o
Emperador tem nomeido para Bifpo* de Cátania em Sícilia , com. o pretexto de-
«|Ue naó lhe seraó necessarias rendas mais grossas, que as do dito Bispado; mas co
mo se entenda , que esta recomendaçaó he seita porordem da Corte de Vienna,
H»í queraugmentarporeite aniialio/ onumexcí das sua*creaturasi,.parece, que-
«ië seiá auendi4a<- '.- ••
Eï&sy
EIRey de Sardenhá èstá em preço com a Bibliotheca da Casa Conti , corn o in
térim de fazer présente délia à Universidade , que tem fundado em Turin.
A 3. saleceo nesta Cidade em idade de si 2. annos a Senhora Marqueza Pctro-
nilha Paulini , viuva do Marquez Francisco Maffimi, Senhora t|ue pela sua vastis-
(ïma erudiçaô estava aggregada a varias Acadcmias de Italia ; e no dia scguinte
foyexposto o feu cadaver na Igreja das Religioías de Santo Egidio, ondetmha
mandado lavrar huma scpultura para o leu jazigo.
Tem trabalhado quanto he poflìvel ná reconciliaçaô do Pertendente daGrla
BretanhaosCardeaes Imperiaii , Octoboni , Barbarigo , c Origo , a Princeza de
Piombino ,eo Duque de Giovenazzo ; e como à viíta dos meyos , que para eila
se propoem, se naô póde confcguir, declarando a Princeza sua efposa,que esta de-
termimdz a acabar os feus diasna clausura de hum Convento , le começa a sus-
peitar , que todo este desabrimento he iingido, e outros divulgaó , que o Principe
Jaques Sobieski feu pay vira a esta Corte no mez de Abrih. e que a levará comsigo
para Silezia.
Preparase o Palacio, que ps Duques de Parma tem nesta Corte, para hofpedar
a Senhora Rainha de Heipanha D. Marianna de Neuburgo , viuva deIRey Car
los 11. que vem por sua devoçaó a esta Curia. Na tempestade , que fez em 1 5. do
mez paffado de trovoens, e relarupagos, calao hum rayo sobre o zimborio da Ba-
íìlica de S. Pedro , que desfez o varaó de ferro , que sustentava pela parte intcrior
oglobo, edepois gastou huma admiravcl pinturado famofo Miguel Angelo
Buonarota/jue estava no Templo. Outro cahio na torre da Basilica de Santa Ma
ria Mayor , onde o feu calor deixou desfeitas algumas pedras. k
Flor&Ka z^.de Fevereiro.
f\ Graó Duque continua a lograr boa l'aude depois da sua ultima îndisposïçaó,
e tem dado varias vezes audiencia aos feus Ministres, e fez publicar hum Edi -
tal, pelo quai èximio.à todos oslavradores,coeheiros,c criadosde lodos os feus
Estados da imposiçaó , que paççavaô todos os annos por cabeça , metendo no mef-
mo indulto todos os partkulares , cujas rendas naó paParem de cem mil reiï , o
•que tem caufado huma uni versai alegria 110 povo. Os Duques de Modcna , e de
Parma fazem grandes preparaçoens , para reetberem a Rainha primeira viuva de
Hefpanha , que vema Roma , eha de.passar nomez de Mayo proximo pelos feus
Eltados. Efcrevesc de Genova, que paísando Horacio Justiniani àllha de Corfega,
de que foy nomeadoGo vernador pela Republica , naufragara na alaira de Cabo
Coriô, perdendose com toda a sua familia, de que só escapou seufilho mais
velho.
Vernis 26. de Fcvereiro.
f~\ S divertimentosdo Carnaval conrinuaó com grande affluencia deestrangei-
^-^ ros , e fem defordem. Tcmfe formado nesta Cidade,com a protecçaó do Do
ge , huma fociadacle de gente de letras , que tomou o nome de Sociedade Albrì- ■
ciamm^ç se compoem de trinta Academicos , que fizernó a sua primeira AíTem-
blea em o. deste mez , na presença da principal Nobreza desta Cidade , de mui-
ìos Prelados de confideraçaó , e de hum grande numero de pefíoas feientes , aflìm
naturaes, como estrangeiros. Leraóse helîa mukas dislèrtaçovns Historicas , e Fisi-
cas , que foraó.geralmente applaudidas. Houve depois huma íícTenata de vozes , e
instrumentes , e ultimamente mima magnifica illuminaçaó. A fegunda Aflemblea
se ha de fezer no principio da Quaresma em huma Sala> que 0 Doge tem manda
do preparar para este effeko,
12 A.
O Magiftrado das Armis fez â i E deste meta rcvtflà"da>équipageto dalr^a»
taSanto Àndréjque se acabo.ii de armar , edeve psartir pa'ra Lçyapie com q pri«
mîiro vento favoravel. Trabalhase com grande calor ru fabrica de vari&s naos de
guerra , e se prcpara hui» grande corrçboy de mantimehíoa , e muniçóes de guer-
ra pira Corfú. As cartas de Milaó de z. do corrente dizem , que se falla cm for--
mar hum commercio daquellaCidade paraJFhjme » e.que eílc se.ha de, fazer peJ»
rioPó. ■; u >: oîr.-t v»»i:r/««:-« s.rjl i„r.- ,i r>í'-..j.Wii
•r ' • ALE M -A -N H te*?*'* ^■-.ï^.m .r.T-

AS noticias, que vem de Constanrinopla dos aprestos, que o« Tqrcos fazfitn.pt»


ra se aproveitarem da conjuntura présente , «pois que o V iieotide de Andrew
zei j Embaixador de França , lhe communicou oTratad* de Haxtnovcr ; os avis
fos da prarica , que EIRey da Crr.la Bretanha fez ao feu Parkmerjto-, e as .repofp
tas das duas Caméras , tao conformes aordçfiejos do mvl'mo Principe ,fO(ii: fié
baver a Republica 3e Hollanda declarado a favor do dito Tratado , tern feito re-
petir com mais frequencia osConselhos , e fezenhuroa grande doiifcrenci» em ca
sa do Principe Eugenio de Saboya , a que aflìstiraó o Ministro.Je Hdpjanha, e to-
dos oâ Offieiaes Generaes > que se achaó nefta Cidade j.e quarta ieira paíîadSi »fì> '
sistio o mesmo Emperador a.huni, ConíèJho prtvado. Corre a voZj»deque o B»>
raó de Ripperda tem ordem para alcançar do Emperador permifíaé , parque a
Conde Guido de Starrembergse queira encarregar do mando <k*ttopas de Su»
Mag. Catholica ,no caso qoefeja forçoso enroar cm guerra. contra qualqucr Po+
tencia. Temse dado ordens muy précisas aos Governadores dasPraças de Hun»
gria , e Transilvania , para observar os Pavas -daquelles Paizes , e principalmtnte
os Protestâmes ; por se terner conservem intejligencias secretas com aCorte Otto*j
marcu. \[ ■ .■:> >,?;. : . * ?.'.ì»ofc t.brré'lk's î.#.. . / •'•.v.-,- >. • a "~
O Conde de Tarouca , Emb^xadorextraoTdihario dePortugal, cbegou aqoi
a i p. do mez pafladojoom huma comitiva muy nurneroila.e se alojou no Palactó
do Marquez de Rofrano desunto y que tinha mandado aJugar, ondeorectbeo
hum de feus fìJhos , que tinhá cbegado na vefpera. Mons. Grimaldo , Nuncio do>
sapa j se queixa do procedimento do» Ministros desta Corte nosReynosde 6h»
pôles , e Sicilia , por se naó quererem respeitar neíles as Bullas Apostolicas ^'opor Cé
naó attender aqni a estas representaçoens. i^izemyque o'Dbqùe de RkhèJicu),
Embaixador de França , tem descuberto 'aigufna negociaçaô de grande ímpor-
tancia,que setratava nesta Corte j.de que deu parte por humEncpreflo a Pariz^
donde recebeo cem mil libras de ajuda de custo para a uespeza , que ulumamente
fez com a festa , com c^ue celebrou tres diasmagnificamente os despolorios de/-
Réyseuamo. ' . ,3 ' ..cirvi.- 'wr'D : 'y '~:im-.:-
Sem embargo de todo o cuidado , quisé applica àsdîsposiçoenspreciíks da pre-
iênre situaçaó,naó saltaó divenmientDsnaÇorteJSiíasMagestadesIroperiaes Reya -P
naniesviraó nanoite de quarta foira paslada^ «'segunda representaçaô de huma
nova Opéra ; na quinta jantaraó einpubhco , edenoiie houve huma mascaradá
cm Pakcio. Hontem se diverriraó em tiranao4lvo.iO"Conde de Harrach , Marc-
chai da Auûna Inferior , deu a i p. no^cu Patócio;tòum magnifie© baile > em que
houve hum grande numero de mascarat Títhsc recçbido grossas rënwflas de di-
nheiro da Corte de Heípanha , e se esperaó dentro-dt pouco tempo outras maya-
res. O Conde de Surremberg , Embaixador de Sua Mag. bnp. a EIRey da Gráa
Bretanha , rcctttiá à manháa as luasuiÓHWS iníirucçosns para partirlogo para •
ton-
Londres, fazendo caminho pelaHaya, cnde ha de executar huma importante
ctimmiílaó. Esperafe corn impacitnciaavohade hum Correyo,que sedelpachov
ha poucas semanas a Constanuropla , com ordens para o Rehdente de Sua Mag,
Imp. notificar na Corte do Sultaó a afiança, tratada enrre esta Corte, e a da RuffiíL
FRANÇA. Pm\ 16.de Afarão.
CO n a noticia chegada de Munick de fer falecido cm 26. do mez passado o
Eleitor de Baviera , irmaõ da Senhora Delphina Marianna Victoria, avó pa
terna delRey , ie tomou a reíoluçaó de se vestir a Corte de lut o por tempo de sei*
semanas.
As vigorosas resoluçoens do Parlamento da Gráa Bretanha nos fazem persua
dir , que naó haverá guerra na Europa , pelo grande pezo , que ha de fa zer na ba-
Jança dcíla , mas sempre da nofla parte se continua no cuidado de pôr o Reyna
em dtado de sustentar a aliança feita em Hannover , no caso que seja preciso o
rompimento, e se tem approvado o projecto ,que le fez para levantar 6 c U.homé»
de milícias, para o que le expedirão já para as Provindas as ordens necessárias.
Dizem ,que os 1 2. bataJhoens, que tinhaó ordem para marchar do Delphinado
para Aliada , tiveraó outra para fisspender a marcha. Outros dizem , que o rtollò
Exercito terá hum augmento de 1 o. homens por companhia , além do que ulti
mamente teve. Todos os Intendentes tem ordens para fazerem nas suas Provín
cias respectivas provimento para hum grande numero de milícias. Os Estados d»
Província tie Languàdócjftúe se achaó juntos em Mompelher,deraó hum donati
vo gracioso a EIRey de tres milhoens de libras , e consentirão na imposiçaó de
huma taixa de dous por cer.to.
Mandoule lupprimir a Casa da moeda , que havia na Cidade de LiJIa , porqut
como está situada na fronteira , fica muy fácil a sahida da moeda antiga para os
Paízes estrangeiros. O ConieiTor da Rainha partio de Marly para Chambord em
24. do mez passado com 5CU. libras , que a mesma Senhora manda a EIRey seu
pay ,e algumas joyas'para à Rainha sua máy , que importarão em 1 2U. Tem-sc
dado a EIRey vari.rs plantas, para demolir o Palacio velho de S.Germain en Laye,
•'e fazer outro cm foi lugar, deixando conservado o novo para alojar huma parte
da Corte. Escolheo-se o Collegio de Harcourt , para pórneilea Bibliotheea da
Universidade , em quanto se naó fabrica hum edifício mais próprio para a sua
erecção ; e S. Mag. querendo contribuir para a sua grandaza lhe concedeo , que se
Jhedéde emolumento hum exemplar de todas as Impressoens, que se fizerem nr*
Reyno. A partida do Abbade de Livry para Polónia , fica deferida para depois da.
Páscoa.
Achaó-fe já reconciliados , e com boa ínteJligertcía entre si os Duques de Oc
leans , e de Bourbon , tratandose com a mesma amizade , que tinhaó ante» da sua
differcEça. Os avisos de Turin dizem , haver falecido em 22. domezpassadoa
Princeza de Soíssons, irmáa do Principe Eugénio de Saboya, Maria JoannaBau-
-tistaemidadede 6i.annos.
H E S P A N .H A. Madrids.de Abril. o ,„
T~\ Omingo passado assistiràó Suas Magestades, e Altezas na Igreja de S.Jerohy-
mo à Sagraçaõ de D. Domingos Valentim Guerra, Abbade da Igreja Colle-
giáda d e San to Ildefonso, e Confessor da Rainha, e da Senhora Infante, para
Arcebispo de Amida. Fez esta sunçaó o Cardeal D. Carlos de Borja com alSstea-
cia dos Bispos de Siqn , e Laren , concorrendo a este acto hum grande nvanero de
Nobreza» Avisa-
ix6
Avisa-se de Hollanda haver O Marquez de S. Filippe , Embaixador de S. Mag.'
dado hum largo Memorial em 7. do mez passado , aos Estados Geracs daqueha.
Republica , sobre os negócios da prelente situação ; dizendolhesem elle,, Que
-. „ supposto haver reservado todaa representação para quando fossem servidos refi-
„ ponder à carta de S. Mag. Catholica , que lhe fora entregue em 6. de Fevereiro
„ pelo Secretario da Embaixada D. Nicolao Antonio de Oliveira , as novas or»
dens , que tinha recebido de S. Mag. o precisavaó a lhes expor , e repetir a sin-
„ ceridade do seu Real animo , c o zelo , que tem da quietação publica da Euro-
'„ pa , procurada sempre de S. Mag. com o mayor cuidado, para ver descançar os
- „ povos da sanguinolenta , e dilatada guerra , que psecedeo â paz de Utreque.
„ E porque ainda com esta se naõ pode conseguir } sem embargo de a antepor
„ a Real clemência de S. Mag. a muitos interesses seus, por ficar existindo sempre
o fundamento da guerra , nas encontradas pertençóes de Sua Mag. e do Senhor
„ Emperador, que deraó motivo à ineviuvei ruina, e infelicidade de grande parte
.,, da Europa,e se tornou de novo a accender nella a guerra; S.Mag.pela mediação
' j5 dos Principes,authores da Quadruple aliança se inclinou a entrar nella,e em há
„ Tratado, concluído em Londres, e Pariz; porque o grande zelo de SuasMages-
„ tades Christianilfima , e Britannica entrarão com grande actividade a compor
os oppostos direitos das Casas de Áustria , e Hespanha ; naó recusando S. Maç.
„ Imp.aceitar por medianeiro para a paz de Cambray,a hum Principe da Casa de
„ Borbon, com quem tinha guerra, nem S.Mag. ao Rey da Gráa Bretanha, Alia-
do publico do Emperador , pois com as suas armas pode introduzir as Austría
cas em Jjicilia ; porque na summa rectidão dos Principes , ainda que disputem
„ com tanta heroicidade o seu direito, naõ he de presumir, que se perca a sobera-
„ na indifferença , quando se trata da mediação , ainda que fosse contra a sua pro-
pria Casa ; nem que para isso obste a amizade, que entretém com ambas as par-
tes; porque naó pôde ser medianeiro senaóaquelle , em quem ambos confiem:
e que nesta consideração se offerecera , e offerece S. Mag. Cath. novamente para'
„ Medianeiro das differenças , que poder haver entre S.Mag. Imp. e os Senhores
w Estados Geraes , e que para este effeito o tinha nomeado para leu Embaixador •
5, àquella Republica. '
„ Que nunca S.Mag. presumira , que naõ fosse a sua mediação aceita por húa ,
,,Republica,que tantas provas tem da sua propicia vontade,da sua amizade cons-
tante; e da fe com que guarda os feus Tratadis; e mais quando nem a paz com o
„ Emperador , nem os Tratados concluídos em Vienna embaraçaó a S. Mag. pa- ,
,, ra naó poder concluir com a Republica outros mais estreitos , que poflaõ ses
„ para ella , e para toda a Europa da mayor utilidade ; nem para deixar de fazer
„ justiça nos feus Reynos,quando se justifique estar a Republica gravada no com-
3, mercio , seja dentro , ou fóra da Europa , assim como Suas Senhorias o tinhaó
y, declarado na reposta , que deraó ao Secretario da sua Embaixada em 2 4. de Ja-
„ neiro , de que naó embaraçaria qualquer accessàõ dos Estados Geraes ao Tratae
do de Hannover , para ouvir as proposições, que elle Embaixador lhe fizesse em
,, Chegando , de cuja prudentissima reposta le entende, que a Republica quer
„ conservar a sua justa liberdade; e que naõ faz adita accessaó com o effeito de
„ odió, mas de prevenção , dando também exemplo a S.Mag. de que hum Tratt*
» do naó embarace outro ; porque a Soberana liberdade .dos Principes naófalie
«fóra dos termos justos, e razonaveis; e aifim pódiaS.Mag. convir cm muita»
«cousas coma Republica , compatíveis com g Tratado de Vienna , e sem alterar
aestrei-
Î2f
„a estreitâ amizade, que conserv ará corn o Scnho. Fmperador , e perrendia con -
5, servar com a Repnblica , e com quantos consribuirtm para o socce^o pXiblico.
„ Que estas rinceras expressées íe fundavaó em fe perluadir S.Mag.que o Tra-
j, tado de Hannover naó tem por objecto mais , que a paz da Europa , como ode
„ Vienna ;pois naó he crivel , que com el!e a impugnem os mdmos Principes, -
j, que a estabeleceraó com a sua Quadruple aliança,em que se deckraraó por Me-
dianeiros, quando he certo que o de Vienna naó fô confirma, mas tem por fun-
„ damento os artigos do de Londres ; e tudo ornais , que nclk se c stipula ra foraó
„intereiTesparticuIaresdas du?.sCa!as ,sem se nertender vioíar nenluimTratado
„ interior , nem fazer prejuizo ao commercio alheyo; mas conservando semprey
como he jnsto , a sua Soberana indepsndencia.
„ Que na boa fé , e rcligiosidaJe com que S.Mag. procède , he conscquencia
,,dapazhuma estreita, e constante amizade com S. Mag.imr* masque esta se
„ naó oppoem à que professa com os Estados Geraes, por cuja razaó queria entrar
„ com elles em negochçaó,na quai usando da sua Real magnanimidade,podia fa-
w cilitar muito a conveniencia do commercio dos subditos délia ; send® notorio,
„ que nenhum outro Principe lhes poderâ. fazer mayores partidos , oirequrvalt n-
„ cias ,todasas vezes , que íe Ihe mostrarem violádos em qualquer ponto , naó só
5, osTratados précédentes , que Heípanha tivesse afîignado , mas a menor idéa da
„.utilidadeda Repnblica ;e que se todo o tropeço consistiano cómercio da Com-
j(,panhia de Ostende na Indk Orientas , S.Ma^. fevia com o Senhor Emperador,
„ que odito commercio naó foíîe prejudicial à Repablica ; nem ao présente , nem
„ parao futuro ; e que se Sua&Senhorias considerassem o poder de S. Mag. Ca«
tholica na America, conheeeriaó,q5îeningiiem podialer Medianeiro,ncm abo-
n nador emqualquer acordo, como hum Monarcha, que taó vastos Reynos po£»
„ sue , e de quemhe proprio o mayor negocio das Indias.
„ Que he verdade , que S. Mag. se oppuzera em Londres à dî ta Companhia de
» Ostende> por D. Jacintode Pozobueno feu Ministre,, como SuasSenhorias no»
„.tavaó na sua citada. reposta ;poréniqïîeisto fora emTerr.po , que naóestava fei—
„taa paz ,. nem S. Mag. se tin ha declaradopor amiga do Senhor Emperadctt>
„com que Ihe ficava licitoprocuraracalharlhe qualquer conveniencia , íem exa-
» minar se eramuita , ou ponça.
m Qi*e S. Mag. naó offerecera a suamediaçaó, se naó efperara da amizade de
„S. M-ig. Imp. qucporîa a-dita Companhia de Ostende em termos de naéfazef
„ prejuizo à Reroublica , e q»s por neanuma média çaó, como -pela sua usara Sua
„ Mag. Imp. dé tanta generosidade , porque nem Ihe fica decorofo.(sem preceder
„ rog i , e riegeciaçaó) fazer á Rapublica as utilidádes , quepóde sobre o com—
mercio de Ostende , fó pelas quasi ameaças de en trar em huai Tratado defensi-
5, vo , nem aindà que fé chegáffeàs armas-, que séria o meyode rirar a polírbilida»
„dea hum ajuste conveniente , fiandose na contingencia , que involve muitos'
á, inconvetsientes , e taivez naó previstosv
E qwe naó chegando nunca tarde para ajustifícaçaóre prudencia de SuasSe-
MrrrhoTiàs aVsuas proposiçoens , ihe oíferecia. no Real nome de S.Mág.,hum Tra-
tado, que continha' dous pontos dependenreshwm do outro; ó primeiro dire—
M ctamentè com S.Mag»para reparar qualquer damno , ou prejuizo que asEf-
,,.rados pertendiaó padecer de qualquer précédente refolú'çaó'siiK; o fegundo nie—
yt diar com S. Mag.Tmp. íobre qualquer queixa da Repuhlica ; e comopar* estes
s, pontos amb'©s,eïa-£ieeiso> que Suas Sonhorias explisassertî'-os fandamena» <fc
„ sua razaó , «fá ftarúral , qtíe 6s expuzeíTerrì à ÊIRéy , fìì pòï éaVtá , Õtí pôr ofïî-
cio do Embaixador, que tínhaó em Madrid , poÍ3 sempre tirariaó mais favora-
veis condiçoetis , tratando-o immediatamente comS. Mag. e affim esperava,
que suspendendo qualquer ulterior resolução > que respeice o Tratado de Han-
. J3 n j/er (o que faria difficultoso depois o ajuste entre S. Mag. Imp. e esta Repu-
„ blica) ieriaó servidos entrar em'negociaçaó sobre os pqntos referidos com Sua
„ Mag. Catholica ; porque lhes pqdia assegurar, que çonseguiriaõ condiçoens
„ mais ventãjosas aos seus súbditos com o amigável ajuste de hum Tratada ; qua
w com a resolução mais violenta , que lhes podeiTe inspirar o seu poder , ou a su»
9^ induit ria 8cc.
Faleceo da hum pleuriz malino no Mosteiro de N. Senhora de los Angeles dc
Moeda , da Ordem de S. Francisco , em idade de 47. annos , o Reverendo
Padre Fr. Joaó Blasque* dei Barco , Religioso da mesma Ordem, Pregador de S.
Mag. Catholica ,e Miífiouario Apostólico nosReynos de Portugal ,e Hespanha,
havendo predicto a brevidade da sua morte no ultimo Sermão , que pregou na
Villa de Mirabel : Varaó de grandes letras , e virtudes, e dc tanto zelo do bem dss
almis, como se mostra no seu grande livro, que compoz intitulado Trombeta
Euangelica ; foy taõ geral o choro , e sentimento da sua morte , que concorrerão
tres povos di fferentes no seu enterro ; alem de outras muitas peíToas,que vieraõ das
VtUas circumvisinhas.
POR T U G A L,
Lisboa 1 8. de AbriU
O Abbado 1 }.do corrente partirão do porto desta Cidade para a índia, duas naoa
. ds guerra chamadas Santa Theresa, e Madre de Deos, e porCapitaens de mar,
e guerra ,d\ primeira Jeror.ymo Roquete,da segunda Agostinho de Mello Lobo,
Fidalgo da Casa Real, que já tinha militado naquelle Estado: nove de coramercio
para Pernambuco, para o Maranhão, 3. para a Bahia de Tódoê os Santos,hum
para a Paraíba , e outro pira a Iiha da Madeira , todos comboyados pela fragata
tle guerra S. Lourenço, ã ordem do C ipitaõ de mar, e guerra Joaó Alvares Barraf-
sas. No mesmo dia se embarcarão para Missionários do Oriente treze Religiosos
da Provinda da Madre de Deos dos Reformados do Seráfico Patriarca S. Fran
cisco, enviados pelo Padre Pregador Fr. Affonfo da Madre de Deos Guerreiro,
Procurador gérai., e Commislario assistente da dita Província , Académico da
Academia Real da Historia Portuguezije pelo Padre Fr. Antonio das Chagas,
Procurador gérai da mesma Província , indo por Superior d osditos Missionários,
O Padre Fr. Sitnaô do Espirito Santo , Religioso da mesma Ordem.
Bautizousc na Igreja Collegiada de noíli Senhora da Oliveira em ;$ 1 . do mez
passado com os nomes de Gonçalo , joseph , Thomas, Fran cisco, Antonio , o pri-
mriro filho, que nafceo a Thadco Luis Antonio de Carvalho,Senhor de Abadim,
t Negrellos , fendo seu padrinho o Marquez de Angeja , e madrinha a Senhora
D. Marianna.Luiza de Valladares sua avo , e se fez este acto com muita magni
ficência.
Em casa de Manoel 'de Oliveira Barreto morador na rua do Teixeira aS. Pedro
de Alcantara , se •vende hum 1'vvro em folio manuscrito ; que contém mais de oito
centas obras em cifra para <viola ,co.npoJías pelos melhores A/ithores modernos.

MiOfficiaa dejOSEPH ANTONIO QASYj-VA.


Com todas as licenças neçeflarias.
Num. 17.

GAZETA

DE LISBOA OCCIDENTAL.

Com Privilegio de S. Magcstade.

Quinta feira 1 dc Abril de 1726.

RÚSSIA.. ;
Petrisburgo z . de Março.
UIDANDO sempre a nossa Emperatriz nas ventagens dos
seus Estados, e na melhor adminiltraçaó do seu governo, aca
ba de formar agora hum novo Conselho , que será intitulado
do Cabinete , c se fará na sua presença , para nelle se tratarem
os negócios estrangeiros, e os principaes deste Império, fican
do subordinados às suas deciíoensnos negócios de considera
ção os Conselho* de Guerra, do Almirantado, e do Commer-
cio. Os Ministros , que Sua Mag. Imp. nomeou para elle , faó
o Principe de Menzikoff, General Supremo das tropas do Estado, o General
Principe de Gallitzin , o Conde de Apraxin , Grande Almirante,o Conde de Gol-
lofskin , Graó Chancelier , o Baraó de Ostcrman , Vice-Chancelier , e o Conde
de Tolstoy , Conselheiro privado. Os negócios de menor importância se remete
rão; ao Conselho dos Senadores , para o qual foraó nomeados proximamente para
Ministros o Principe Sergio Gregorio Dolhoruchi , o Principe Circaski , e os Ge-
neraes de Batalha Mammonoff, Saurikoff, e Devier ,que tomarão já posse dos
seus lugares no principio do mez passado. Também fez S. Mag. Imp. merec do
emprego de seu Estribeiro mór ao General Jagozinsky.
O Conde Carlos de Bielke chegou aqui de Stockholm , para passar depois a
Kurl ndia , onde tem negócios particulares. A Condessa de Gollofskin , mulher
do Conde deste titulo , que está por Ministro desta Coroa em Hollanda , chegou
aqui de Moscow , e se deve embarcar brevemente para passar a Haya. O Secreta
rio , Estribeiro , e alguns criados do Conde de Rabiutin , Embaixador do Enipc-
rador de Alemanha , chegarão a z z. do mez passado , com o seu fato , e equipa
gens; e a'Corte tem mandado alguns Trenós a Narva , para serviço deste Minis
tro , e da sai comitiva , com ordens para se pagar toda a sua deiptza delde Riga
• - . " ' R àté
atcestaCort& Assegtffa-se , que o Vice-Chancelier Baraó dc.Oílerman esta no-
meado para ir por Embaixador a Suecia ; e que o Principe Dolhorucki , que estâ
em Polonia, passarààCorte de Vienna. Dizem,queo Tratadode AHança, que ha
mezes se tratava entre estas duas Cortes , se communicou ao Senado , e que este o
naó approvara > antes alguns dos Senadores representáraó , que lhes pareck muito
mais conveniente aos interesses de Sua Mag. Imp. e dos feus fubditos , o entrar no
TratadodeHannoverjporém parece, que a negociaçaó naó está taó adiantada
comofe publica , pois naó ha mais de doze dias , que se mandou plenopoder a
îîons. Lanczinski , nosso Ministro em Vienna , para podertratar sobre este parti-
cularcom os Ministros daquelle Ëmperador, peloque toca fomente emnuma.
aliança contra os Turcosiporque agora se rompeo a nova de que a Einperatriz por
Conselho do Senado-, terri resotvido observât na présente conjuntura numa exa-
£fa neutralidade com as mais Potencias da Europa.
AsnoticiaSj que vemnascartasdeConstantinopIa, de haverem as tropas Ot-
tomanas Iargado a empreza dositio de Hjfpahan, e terem ordem para marchar na
Primavera proxima para as frónteiras da Georgia , por se achar já feito hum ajus
te entre o Sultaó , e o novo Sophi , parecem falías , e suppostas pelos Turcos pa
ra atgum fim *pois ao contrario se tem aqui recebido aviso,de que aquelle Princi
pe se tem metido na protecçaô danossaEmperatriz , e se acha já em ítecku.Tem-
se mandado rëforçaroExercito , quetemos na Perík , eoPrincipe Bafilio Volo-
dimirio Doígorucki esta de parada, para ir tomar o governo fupremo de todas as
tropas Ruffianas.O Conde de Rdmanzoff,que esta por Pknipotenciario em Cons-
tantinopla , tem ordem para se recolher a esta Corteí, seoGraó Vizir dentrode
irân meznaó fizerpattirosComDiissarios,quetem «omeado para iremdemar-
«ar os limites das Provincias conquiftadas por humas , e outras armas na Persia.,
Continuaô-se com omesmo caloras preparaçoens militares pormar,epor
«erra. Os Inspectores Gerteraes recebera,© ordens para fazerem todos os mezes nas
•Provincias a revista dos Regimenros, que nellas se achaó aquartelados , e manda-
rem hum rolao Principe de Menzikoflv A mostra gérai esta determinado fazerse
-noprimeirodeMayoje nomesmo tempo se formaráó 6. Regimentosnovosde;
Infanteria , e i z . de Cavallaria , das novas levas rque se vaô continuando por to-
ida a parte com bom fuccesso. Temse mandado partirmuifos Officiaes, Generaes,
■é Commissarios para estabelecerem Armazensno Ducado de Kurlandia^ uitima-
tmentefe tem mandado ordem às tropas, para estarem promptas a marchar no-
Îrincipio do mezproximo,e destas se mandaô ayançar pp.ra esta Cídade z8U.
omens , além dos i 5U*que já aqui se achaó , e em Cronsloot. O Almirantado
■tem tambem ordem para aparelhar toda a Armada na Primavera proxima , epa-
ttano. mez de Mayo pórno mar huma Esquadra de naviosdasegUDda ,e tereeira
©rdem , aìém de 70. galés , e 2 00. embarcaçoens pequenas~
O Tribunal do. Commercio examina actualtnente a nov» tarifa, para dàr fohre-
tflaro seu parecer antes de se publicar »e semandaouvir priraeiro os homens de
negocio , para declararem o prejuizo , que délia lhes resulca para-ia«vitaf-.Os Mi-
fcistrcedosReys de Suecia , e Dinamarca tiveraô audiencia partìcutarda Empe-
ïatriz , na quai Ihe pediraô huma reposta fatisfatoria ao Mémorial , que lhe dèraô
■os tempos passados sobre o commercio ; aûègurandolhe , que os, Reysseusarnos
Ttaô* entrariaó nunca em aliança alguma contraria aos feus interesses, mas que
«©htinaariaô em tomar todaa as medidas oonvenieRtes , para entreter a paz> e tían~
«uiUidade-noNofte.
Feste
< Festejonfc com muita tmgniftcencia o dia do nome da Duqueza de Hol sacia, e
•afcmdamusica , e fogos de artificio houve hum banquete no Paço, çuja mesa
formava a figura de hum grande A ; ficando a Emperatriz assentada na ponta do
angulo » e a família Imperial repartida nas duas hastes. A cuberta da fruta , e doces
^representava huma frota com hum grande numero de flâmulas , e bandeiras da
Rússia , e de Holsacia. A primeira saúde , que o Duque de Holsacia fez à Empera
triz , foy com hum grandíssimo copo de ouro. Com a mesma occasíaó fez S.JVÍag.
Imp. presente à Duqueza sua filha dc hú toucador de ouro,tudo macisso, em qtie
havia hum espelho com a moldura guarnecida de diamantes, de valor de 3CIX
cruzados , e ao Duque de huma grande taça de ouro , também macisso , que po
derá levar onze botelhas, e peza mais de 6"U. cruzados. No mesmo dia fez mercê
de vários empregos do serviço Real , e entre estes deu o de Copeiro mor ao Coro
nel Brumer, sobrinho do General Ducker, que já era Gentil-hontem da Camera.
POLÓNIA,
Varfrvia o- de Afarço.
/~\ Conde de Rabutrin , Ministro do Emperador , chegou a 2 1 . do mez passado
^■y a esta Corte , e logo no dia seguinte de njanháa teve audiência, delRey , e do
Principe Real ,e de tarde foy buscar o Principe Dolhorucki , Ministro da Rússia,
com quem teve huma dilatada conferencia. Dizem , que vem encarregado de ai
gumascommissoens importantes, pertencentes às differenças da presente conjun
tura , na esperança de ajustar hum concero com as Potencias , e esta Republica , a
fim de evitar huma guerra,que naó pôde deixar de ser perigosa; e que partirá bre*
vemente para a Corte da Rússia. EIRey lhe mr.ndou communicar, e aos Ministros
da Rússia , Prússia , e Hollanda , como também ao Núncio do Papa , as resolu-
Çoens , que osSenadores tomarão nasuliimas conferencias, em ordem a poderem
entrar em negociação com os Commissarios, que para isso se nomearão , e a que
se convenha com elles, se for possivel, emcondiçoens,que scpossaó expor na
Dieta geral , a qual unicamente tem a authondade de as approvar , e ratificar.
Os Senadores tem representado a S.Mag. que será inutil convocalla, se primei»
ro se naó ajustarem com as Potencias estrangeiras as clausulas , com que se deve
fazer esta composição ;e assim naó sobrevindo alguma urgente necessidade, senaõ
convocará a Dieta antes do principio do mez de Outubro , que he o tempo de
terminado pelas leys para a convocação de todas as Provincias do Reyno. Com
que os negócios desta Republica se achaó ainda muy expostos , e incertos ; e assim
parece que fora melhor seguir o parecer , que o Palatino de Plolco deu no ultimo
Congrefib , o qual continha em substancia „ Que era tempo , que a Republica
» defoertasse , sem efoerar que Hannibal chegasse à vista d^s luas portas ; porque
nao podefle o inimigo tomar todas as ventagens contra as suas tropas , como já
„ tinha succedido muitas vezes: que se naó deviaó attender , nem consideraras
s, leys, que algumas Potencias estrangeiras procuravaó dar aos Polacos , para as
„ convencer de que huma Republica livre , e Soberana tem o direito incontesta-
» vel de dispor , e julgar os seus negócios internos : que pois , que as tropas pagas,
„ que ao presente ha > naó passaõde 4siU. homens, e naó saó bastantes para pôr as
5, fronteiras do Reyno em segurança contra huma força estrangeira , e formida-
•», vel, íeria necef&rio,que o terço da Nobreza estivesse sempre prometo a reforçar
», o Exercito-, e queem caso de guerra seria bom obrigar a Cidade de Dantzick a
^naópermittir , que nella fizessem os inimigos Armazéns : que feria conveniente
■9,pedir aJ£lR1ey,qw naó fe^pacu deste Reyno na presente situaçaó; e que naó
»3*
„ permitta , que se chamem em seu soccorro tropas estrangeirai, pois mediante a
„ bando para a Nobreza tomar as armas, pode suficientemente fazer cara aos ini-
j,mt gos. > : ;•
O Carnaval se passou em magnificos divertimentos, A 1 8. do mez passado deu
hum banquete o Arcebispo Primaz. A iy. deu outro o Marechal da Corte, que
de antes foy Palatino de Massovia, no Palacio do Bispo de Cracóvia, em doze me
sas de vinte e cinco pessoas cada huma , fervidas todas com tanta delicadeza , co
mo abundância , e se acabou a festa com hum baile , que EIRey , e o Principe
Eleitoral honrarão com a sua presença até perto das tres horas da manháa. A 2 6*
deu outro o Conde de Menizieck,Graõ Marechal da Coroa,no seu novo Palacic»,
feito pela architectura mais moderna, e propria para a grande illuminaçaõ ds que
estava revestido. No jardim havia hum infinito numero de tochas , e lampioens
dispostos em tal fórma nos seus quadros , que em hum formavaó a cifra do nome
Real j em outro a figura da Águia branca , insígnia da Ordem Militar de Polónia,
com outra quantidade de invençoenS , e figuras emblemáticas. No fim do jardim
se tinha formado huma Sala grande de ramos , adornada toda pela parte interior
de espelhos, que pela sua reverberação faziaó ver a EiRey do lugar em que estava
iodo este illuminado artificio. A mesa em que S.Mag.esteve foy fervida com hum
esplendor degenerado em prodigalidade, Tinhase mandado vir dos Paizes mais
distantes,tudo o que podia contentar ao gosto mais exquisito. Havia outras muitas
mesas todas magnificamente fervidas. Nos últimos tres dias se fizeraó os diverti
mentos no Palacio Real do CasteUo , cujas anteeameras estavaó soberbamente ar
madas, e iliuminadas. Na terça feira houve quatro quadrilhas, compostas dos
principaes Senhores , e Damas, que foraó recebidas à entrada da Sala do ajunta
mento por EIRey ,e pelo Principe Real , com muito agrado. O Graô Marechal
da Coroa era cabeça da primeira , que vestia toda de melania branca de prata. Da
segunda o era o Marechal da Coroa, e vestia toda de tafetá verde. Da terceira,
«[ue era a mais magnifica , e mais brilhante (porque vestia de veludo cor de fogo,
guarnecido de renda de prata , e forrada de tela branca) era cabeça o Conde de
ílemming. O Conde de Manteuffel o era da quarta , que vestia de nobreza azul
bordada de ouro. Cada quadrilha se compunha de doze pares , fóra os guias. Os
seus estribeiros , pagens , lacayos, cocheiros , postilhoens , e palafreneiros vestiaó
da mesma cor , que seus amos , mas menos ricos , e a musica na mesma fórma*
Todas as quadrilhas affistiraõ à Comedia, que representarão no theatro do Palacio
3 6. Cavalheiros , e Damas da Corte , e depois de acabada com feliz successo , fo
raó para outro quarto , em que havia dez mesas para trezentas pessoas: cada qua
drilha teve sua mesa à parte. Durou o divertimento até as sete horas da manháa»
Acharaóse também nella outras duas quadrilhas, huma deOfficiaes de guerra,
outra de Cidadãos disfarçados em Payfanos. EIRey tornou no dia seguinte com
toda a sua Corte para o seu Palacio ordinário , onde logo se continuarão as con
ferencias , e a mayor parte dos Senhores se recolherão às suas terras. Naó se sabe se
EIRey irá a Dresda antes da abertura da Dieta; mas assegurase , que O Principe
Eleitoral partirá para Saxonia no fim deste mez» >'■-•■;.• *".'.' • •
S U E C I A. Stockholm 14. de Marco.
g LRey pardo a 2 o. do mez passado paraUpsalia a divertirse em huma monta
ria nos bosques daquella vifinhança , onde matou dous grandes Ursos , vários
Elanos ,. e muius outras feras , e se recolheo a 2 5. a esta Cidade , para onde tam
bém, volurió dc Carlcsberg , e de Ulrikfdal a Rainha y e a Duqueza de Mecldert-
burgo.
ï?3
burgo. No mesmo dia em que EIRey chegou, se examinou segunda vez no Sena
do , e se approvou o parecer do Tribunal da Chancellaria sobre a aecessaó do Tra
tado de Hannover , e perto da noite foy o Conde de Horne dar parte desta resolu
ção aos Ministros dos Reys de França, de Inglaterra, e Prússia. O Conde de Frey-
tagh , Embaixador do Emperador,que aqui chegou pouco tempo depois, está to
dos os dias em conferencias , assim com os Ministros estrangeiros, como com 09
de S. Mag. mas naó se sabe em que consiste a sua negociação. Ha ordem para se
começar a aparelhar a Armada desta Coroa, tanto que cessar o gelo., ; 1f ,
DINAMARCA. Copenhaghen 1 6. de Março.
rr Em-se declarado com geral contentamento de, todo o Reyno a prenhez d*
Princeza Real. O Conde de Freytaeh, Ministro do Emperador , partio desta
Corte para Suécia , sem haver podido alcançar , que EIRey sc declarasse a favor
do Tratado de Vienna , como pertendeo com as suas negociaçoens. Toda a Ar
mada deste Reyno , que consiste em 2 o.naos de guerra ,12. fragatas, muitas ga
lés, e grande numero de embarcaçoens sem quilha, se porá este anno no mar.Os
4U. marinheiros , que le esperaó de Noruega para a sua mareaçaó", tiveraó or
dem para se embarcarem em seis fragatas , que daqui foraó para os conduzir , po
rém as ultimas cartas daquelle Reyno dizem , que se achaó retidas no porto pelos
ventos contrários. Os Commandantes dos oito Batalhoens, e dos tres Regimentos
de Cava!laria,que tinhaó ordem para estarem promptos a marchar com a primei
ra ordem, foraó advertidos para le proverem de tudo o que he necessário parajiu-
ma campanha. S. Mag. mandou declarar á Corte de Suécia , que naó devia entrar
em cuidado por causa dos seus aprestos ; porque os naó fazia com outro fim, mais
que para defender os seus próprios Estados, nojeaso que lhe fosse preciso , com
que se entende que as tropas , que mandou pór promptas a marchar , se emprega
rão no serviço de algsia Potencia estrangeira. A nova Companhia dos Seguroses-
colheo quatro Directores , para ordenarem o seu Regimento , e tem admittido
as subscripçoens de outros negociantes , que querem entrar nella ; mas resolveo
naó receber o dinheiro , com que le querem interessar no seu lucro , se naó depoi s
de haverem alcançado delRey o privilegio exclusivo , que lòlicitaõ. Hum navio
Sueco , que estava carregado para os portos de França na bahia desta Cidade, e
retido nella pela congelação dos mares , havendose feito à vela mais cedo do que
devia, se vio precisado a dar à costajuntoaElsenor;porém ainda com a fortuna
de se salvar toda a sua equipagem. • .
A L E M A N H A. Vienna 13. de Março, ;., .. .,
Aliio tanta quantidade de neve nos dias ç. e 6. do corrente, que se naó tem re-
cebido Correyos pelo embaraço dos caminhos , e as ruas desta Cidade , c dos
ftus arrabaldes íè achavaó taó impraticáveis , que foy necessário mandar alimpallas
ror hum grande numero de trabalhadores. Depois disto começou subitamente a
humedecer o tempo, e a descer pelo Danúbio serras de agua ainda congelada, que
batendo com a sua corrente.na ponte, que fica junto a estaCidade,lhe levou tres ar-
cos,e se entende,que as mais pontes,que tem este rio, padeceruó mayor estrago. O'
Conde de Tarouca, Ministro de Portugal , se acha nielhor da indisposição , que
padeceo, causada dos incommodos da viagem. O General Conde de Bonneval,
que partio para Dresda, depois de haver cobrado os atrazados da pensaõ , que Io-
trava antes que o prendessem , alugou humas casas por hum anno em Brin , Ci-
ade Capital do Marquezado de Moravia ; o que faz presumir que este General
poderá entrar outra vez no serviço do Emperador*. ;'\ -
O*
sis
tea^ôíâeCbtistantìnopfe dizem,que á Còrte Ottoman* continua a u*^
• grandes prèpsftftcoci» desierra; é que o Sulraó tinha ordenado ao Khan dos Tar-
taroï dâ Knnwa, que ponteas suas tropas prorriptas a marchar à primeira ordem,
que receberem para o íazov Esta noueia , e a présente situaçaó dos negocios da
Eutòpa, obrigataóa fozerdous grandes Conielhos de gnerra a semana pahada,em
casa do Principe Eagenio de Saboyá , c tres dias depois se mandaraó ordens a to*
dos 03 Commandantes dos Regimcntos , que estaó de guarniçaó nos Paizes here-
ditarios > para estarem promptos a marchar , e o General Waliis a teve para par
tir sem deráoraaJguma para SictHa , a govçrnar astropasdaquelle Reyno, em Ju-
gardô GeneralZumjungen,que se elperaaqui asemana proxima. Aflègurafe,
que détermina o Emperador convocar depois dePascoaahuma Assemblea na
CidadedePraga,ounadeBamberg, todos os Principes do Imperio , para que
îodos ponderém os negocios da conjuntura présente, e se tomem iòbre elles as me-
didas convenientes. Chegou oMarquezde Eleury , novo Embaixador delRey de
Polonia, que dizem traz os poderes necessanos para atíìgnar a acceslaó do Trata-
dó de Vienna , e teve a 1 1 . a sua primeira audiencia pubJica do Emperador, com
cujos Ministres tem já entrado em conférencia. O Conde Federico de Harrac,que
Vay por Enviado extraordinario à Corte deiRey de Sardenha , se prépara para
partir na semanâ proxima para Turin. Corre a voz ha dias , de que a aliança pro-
jectada entre o Emperador , e a Czarina naó terâ effeito.
Toda a Corte Impérial se vestio pela morte do Eleitorde Baviera de lucoaper-
lado , que se trará por tempo de seis mezes , e se Ihe fez hum Officio solemnena
fgreja Impérial dos Religioios Deseaiços tleiianto Agostinho ;onde se lhetem
fconlh-uido hum soberbo mausoleo : e ie détermina mandar hum Ministro a Mu-
nick , para dar o pezame , e o parabem ao novo Ekitor.
Mtmick^i. de Março.
ESta noite se fez o enterro do noflo Eleitor dehinto , cujo cadaver soy condu-
zido com grande pompa para a Igreja dos Padres Theatinos , onde esta o ja-
zigo da familia Eleitoral, e collocadojunto ao tumulo do Eleitor Fernando Maria
feu pay. Faleceo com todos os Saeramentos , que se lhe adminîstïaraó a z 5. do
paslado pelas dez horas da noite , na presença de toda a Serenillima familia , c da
■principal Nobreza, manifestando huma grande reíìgnaçaóna vontadede Deos,
éxhòrtando feus fithos a viver como bonsChristács , e recomendando-se nas suas
oraçoens. Perdeo duas horas depois a falla; mas sempre Hie ricou oconhecimen-
to atéoultimo suspiro. O'BleitordíCòloniachegoude Munster pela posta no
riíà '26. pelas oito horas ficou com taô grande íusto de ver leu pay cm tal esta?-
do , que teve hum defmâyo ; e tornando em si , lhe deu a ablòlviçaó gérai. Este
Principe , e feus irmáos ajfistiraó todos a esta funèbre ceremonia.
N? caixaó em que foy metido se vé gravado o seguinte Epicafio.
frfaxinúlidHus Eimmmtiel}
Ferdimndi M&r'w Filius, < . •
Ulriusqìje Báfvuri/C ac Palmmtm Superions Dwx ,
r L: ' Contes Palatinm Rhexi)
Sacri Rom. hnp. Jlrchidamfer , & EUShr^
, ■ ■ Létndgpxviits Lkmentbergiii.
jfoim M. DC> LXII Jttiii Xi. mm Memcbii
1 ,.t. J . !.. Ibiikmmanm M.DCC.XXVI.f^.XXfl.
HortjHftmridiïm J«w VIL.
? Prìmeps
, àgf
Grincess vm<lmet» yWte futdttit ,/ttcjjteMttgtìaimiwf \, ' ,
Obfeanmar ìNatur^c Dotes
Tetterrimèamatus Àfetis, ,
Miré tfiimatus ab amico , & hoste.
Exercituum ad Rhenum , in Hungaria, Italia y& Be\gi$ ?
Summiis Imperator. ,
Ottomannos tioti ma cladefudit ,
Impertcrrìtus ,& gloriofus. '.. • . .- .
Fortijstmus pro Deo, & Religïone Miles ,. \ ■■ ".
Sub armis , & galeâ incanuit; ,
Cuiatmos folum X. ultimos inven licuit
wPatria,&Paçe
Jteliqttit
Filìos quatuor . , >
. Duos tonjugatos faluti Imperiï, .- , t
Duos consecratos bono Eccìefu ,
. Filíam in vmafterio defponsaUm Chrifio r
Et •vidit benedicttonem Doniini
. Ex Caralo œmpe
Meiïorttus y Patertiarum ditionum , & 'virtutum hœrede r -
Neptes duas , ' -i ■
Ex Fcrdinando cum Nepte , nepotesdups.
Çkmentem , Eleílorali pileo ,& Mitra quadrupìitï
.Emimntìffmmm Sacerdotem.
Xheçdorum Epifcopatu gemim, tum datum r
Tum Àejïinatum , Atítijiùm. . » «
i Hic.<vir ,bic est . .,
Gujus animant chriflunijjimè compojitam:
Çcelum sibi affemit ,
Memoriam pajleris mmo eripiet.. ,
P Á I Z BAI X O.
£ruxel(as ti. de.MariP'
X 5ta Gprte est«ve mars magnifica en» tpdp.o.tempo, que durou ©Carnaval.- Gfc-
'^;diyertimentpsfpra5continnos,ede grande pompa.. A Senbora Arçhiduque-
za noíla Goyernadora deu scgunda seira outro baile a coda a Nobrcza. Na íerça
feira se representou segunda vez no theacro da Cprte as Mtthatuorpbpses de jírler
quin tolo^esabio. No nœsmo-dia deu;o Conde.Visconti ,< Mordomo mpr , e pri-
,meiro Minirtrp detS,.Alt.,Serppiflin^a^
aosfestejos-do Carnaval. Nò-diad^^ reçebeo de Ronja a perrpiflaó .de çor
mer carne t durantça Quaresraa. -îyàriQitc der 3 8. de Fever»iroy em que houye
putro grande baile.npPaçp, fízeraó osFaitpresdos Contratadores das rendasge-
xaes destc Paiz huma tomadia <}e çz U«, JúizesT chamados Mirlitoens > que. aquí
yalém a $c...,escalins cada hum/, os quaes hiaó de Pariz para Amsterdam, corn
huf» FajQ^çivffit^ <(3^e?^-^|f^^a^companh9d6S'de guardas, e.dc hum Cor*
rcyp;d<>Çàlj«ete T que dévia tomar neíb Cidádè putro pgssapprte do gpvçrnoj
cOmO'(HBafm/e;{^(icQa>çoii^tie; naô havia a rnenor. apparjïnçia ^ de.que quL»
z?slèni fraudar os direitos do Paiz. Ô Marquez du Rolíy, Ministro de França^co--
clamou^o^ dirJ^eirp^pbreque sçajurrtQu,o^
-'a O-dfe:
126
o dc Estado , e resolverão remctello ao da Justiça. Despachouse hiim Expresso a
Pariz , que voltou com reposta ; e se fez segundo Conselho de Estado extraordi
nário, e o Governo se achou algum tanto embaraçado , porque Mons. Vander
Gothem, Presidente do Conselho da Fazenda, sustentavà,que a tomadia fora bem
feita , e se determinava mandar hum próprio à Corte de Vienna , para saber a in
tenção do Emperador por naó dar mais queixas na presente conjuntura ; mas ha
vendo recebido o Conde de Visconti huma carta do Conde de Morville, Secreta
rio de Estado de França , sobre este negocio , fez a Senhora Archiduqueza ajun
tar terceira vez o Conlelho de Estado , e ainda que pela pluralidade dos votos se
devia remeter a decisão à Justiça, resol veo S.Alt. Sereníssima mandar relaxalla , e
concedcrlhe huma escolta até Moerdyck, o que se executou homem com grande
sentimento do Contratador geral , que fez hum protesto contra esta resolução.
Escreve-se de Ostende,que a nao Esperança , destinada para Bengala pela nosia
Companhia da índia , que tinha arribado ao mesmo porto para se concertar , se
tornara a fazer à vela a 4. do corrente , para seguir a sua viagem com as outras
quatro , que sempre a haó de esperar em Cabo Verde. Para o restabelecimento do
porto de Ostende se haó de lançar 2 00U. florins à Provincia de Flandres.
PORTUGAL.
Lisboa 15.de Abril.
NOs primeiros tres dias desta semana, e nos tres últimos da pafiada-esteve o Se
nhor Patriarca presente a todos os Otficios Divinos na Basílica Patriarcal , ce
lebrando no dia de Quinta feira , e fazendo os mais Officios da manháa deste dia;
depois do? quaes lavou os pés a treze Sacerdotes , assistindo S. Mag. e os Senhores
Infantes D. Francisco , e D. Antonio , que no principio da noite toraó a pé visitar
varias Igrejas ; e o mesmo executou a Rainha nossa Senhora com o Principe , e as
Senhoras Infantes D. Maria, e D. Francisca. Na Sexta feira fez o Omcio deste dia
o Senhor Patriarca na mesma Basílica , e celebrou no de Domingo , aífistindo no
primeiro Sua Mag. e os Senhores Infantes.
Terça feira desta semana toy a Rainha nossa Senhora com o Principe nosso Se
nhor , e os Senhores Infantes D. Pedro, D. Carlos, e D. Alexandre , e as Senhoras
Infantes D. Maria , e D. Francisca ao Convento de S. Bento no sitio de Xabregas.
A Academia Real da Historia Portugueza continua com toda a,regularidade as
suas Conferencias , e na de 2 1 .do mez paíTado deraó conta dos seus estudos , c es
tado dos seus escritos , o Padre D. Manoel Caetano de Souía , o Doutor Manoel
Dias de Lima , o Marquez de Alegrete Manoel Telles da Sylva , e o Inquisidor
Nuno da Sylva Telles , e o primeiro deu parte de haver composto hum Catalogo
Histórico dosSummos Pontífices , Cardeaes, Arcebispos , e Bispos Portuguezes,
que tiveraó Diocescs,ou Títulos de Igrejas fóra de Portugal, e suas Conquistas, nó
«uai se achaó dous Summos Pontífices , e hum Antipapa , 1 7. Cardeaes , e 1 70;
Arcebispos , e Bispos , observando em tudo a ordem Chronologica. [O Marquez
de Alegrete disse haver acabado o primeiro tomo da Historia da Academia, e que
fora approvado pelos Marquezes de Abrantes , e Valença , e Nuno da Sylva refe
ri© haver descuberto para ò Catalogo dos Bispos do Porto, muito mayor numero
de Prelados , do que deu no que compoz , e imprimio o Arcebispo D. Rodrigo da
Cunha ; e ainda que entre estes observava alguns por suppostos, havia sempre sete
.verdadeiros , e cinco provaveis,dos quaes hia examinando os documentos.

, Na Ofsicina de J-O SE P H ANTO MIO DA SYLVA, .


X * Com todas as licenças necejjarias.
GAZETA

DE LISBOA OCCIDENTAL.

Com Privilegio lÊMl dcS. Magcstadc.

Quinta seira i. dc Mayo de 1726.

TUR QJJ I A.
Conftantinopla i o. de Fevereiro.
MINISTRO , que aqui chegou em ï S. de Janeiro da parte
de Sultaó ElVeí' , successor da rebelião , e idéas do Principe de
Kmdahar, teve já audiência do Graõ Vizir,e se deu commis-
saõ a do is Ministros para ouviras suas propostas; e porque
humi delias era , que seu amo fosse reconhecido com o titulo
de Sophi da Pedia , le encheo de tanto desgosto esta Corte,
que logq se fez hum Conselho de guerra , no qual unanime
mente ie resolveo , que se lhe fizesse guerra ,ea todos os seus
adhérentes a ferro , e fogo. Passaraó-se as ordens necessarias,para se mandar refor
çar o Exercito Ottomanocom hum considerável corpo de tropas ; e se prohibio
sobpena de castigo rigoroso , o darse titulo , nem honras de Embaixador ao dito
M;nistro. Também se assegura , que o Graó Senhor mandou dar parte desta reso
lução à Emperatriz da Ruilia , exhortando-a a tomar também as armas , para
proleguir a guerra contra o dito Rebelde com mayor vigor, prometendolhe a
continuação da sua amizade em termos mais ventajosos.
Mons, de Dierling , Residente do Emperador de Alemanha , recebeo estes dias
passados hum Expresso de Vienna , com a ratificação de S. Mag. Imp. ao Trata
do concluído com a Regência de Tunes ; e a 2. do corrente teve huma audiência
particular do.Graó Vizir , para fazer a troca ; porém este Tratado naó he pro
priamente mais , que huma iufpensaõ de armas ; e as condiçoens saó pouco ven-
tajosas aos Imperiaes ; porque a Regência pertende , que r.s naos de guerra A le-
raáas , que entrarem no seu porto , salvem primeiro as suas Fortalezas , e que pa
guem as suas fazendas dez por cento , fendo que os Franc ezes , e Inglezes naó pa
gão mais que ti cs.
Aqui corre agora a voz de ter havido huma grande batalha na Pérsia, entre o
S Exercito
Exercito Turco , e o do Sophi , em que o primeiro ficou com a vehtagem ; mas
esta noticia carecc de confirmaçaó.
I T A L I A.
Napoles 5. de Marçp,
s\ Terrivel tempo , que ha muitos dias corre , naó ío neík Cidade , mas em to-
do o Reyno com chuvas, vento , e neve , tem embaraçado os Correyos, e fez
retardar a funçaô do carro do triunfo, que todos os annos costumaó largar ao po-
vo cheyo de peixes , e frucos, os vendedores do peixe , como todos osofíìcios fi-
zeraó no discurso do Carnaval, cujos divertimentos se conrinuáraó sem desordem.
O Cardeal Vice-Rey tem estabelccido carruagens publicas para irem a Vienna , e
voltarem , o que faraó dentro no tempo de oitenta dias, e a primeira partira nó
princ ipio da Quaresma , e daqui por ûiante no de cada mez.
Publicouse a 1 5s. do passado, com a solem-iidade coílumada , o Decreto da su»
tura Canonizaçaô do Beato ]acome de la Mirca ; e os Religiofos Franciscanos de
Santa Maria a Nova , que estaó de poíTè do feu corpo , cantaraó com esta occafiaó
o Te Deum, a cujo acto aflìstio o Cirdeal Vice-Rey com os Présidentes dos Tri-
bunaes.
Por carias da Ci dade de Santa Cruz , de 2 4. de Janeiro se recebeo tambem no
ticia , de que os Montanhezes do Reyno de Sús se achaó em armas contra as tro-
pas delRey de Mequinez , para fe li vrarem da oppreíTió , e infolencias , que lhes
faziaópadecer,e que sem embargo deterhavido mui tas mortes em différentes
enconcros , persistem sempre obstinados contra os Miiitares, e tem posto sitio a
TafFalar , que he huma Cidade , que fica ao pé das montanhas : que todo o Paiz
se acha em constemaçaó com estes movimentos , e que se tem mandado lançar
hum cordaô às montanhas, para embaraçar,que chegue a Santa Cruz o furor dos
Montanhezes.
Ronu 23. de Marçp.
rTl Odas as feftas feiras , e Domingos desta Quarefmi tem o Papa affïstido com
o Collegio dos Cardeaes aos Sermoens , que fe fazem no Palacio Vaticano , e
Ra Gapeíla Sixtina. Na primeira Dominga íagrou SuaSantidade para Bifpode
Catania ao Rev. Fr. Alexahdre de Burgos , ajadado do Arcebifpo deChieti,
edoBifpodeGiovenazzo, ambos da OrJëm de St Damingòsi N 1 fegundà fa-
grou a Mons. Thioldi , Mi fanez > para Bifpo de Chirifonda ifi partibus , e dia do
gloriofo Patriarca S. Jofeph,toy sa^rar na I-^reja Maíional de S. Luis dos France-
zesao Cardeal de Polignac,para Arcebifpod* Auch,acuja funçaóamstiraó como-'
Presbytero o Cardeal B Jrberino, por Diaconos Amstentcs do Throno os Cardéaes "
Origo , e Marini , porBisposAíîîstentes à Consagràçaó os Cardeaes Ottoboni , e'
Gualtierî , e para a Missa por Di acono o Cardeal Altieri, e por' SúbdiaèOrio o Au--
ditor de Rota Nums y Flores. Neste mesmo dia pela rmnháa foy visicar os enfer-
rrlos do Háfpital do Efpirito Santo^onde administrou a doasaSacfam?nto da Ef-
trema-Unçaô , e ajudou oatro a b*rrftftéfrer<; e recolhendoíe ao'Vaticano, deU-
Jîum sumpraofo banqueté aosCardcaes,que lha alfistiraó n»S&gra£áó'do de Pòlig* '
nac, os-quaescomeraó na sua prefença com as fermalidádéstcwùníadíls.-
A 20. aflîstio a huma Gongre^açaó particulàr , que se fez nom«ìfhVtffl%l*ribii
em que intervieraó os Cardeaes DípurádÓ9' do San» Oíficio, e dêpoísféz-Cort'siíï'*
torro secreto em que se propuzeraó , c precônizàfaó- varias Bifpadòr; pOrérit a-,
promoçaô dos C rdeaes se remetteapara outro, que se fará depoisdà- fltfstja-. Aí
a*, de manlwa affistioa huma Congregacaó do Sttrttf Officiôj é-hojfdèu'audi-
encia
Sjîciapek manhaa aos feus Ministros, í de tarde fedivereo oopííTeyo dos jar
dins.
A 1 1 .do corrente se celebraraô na Basilica de SLPedro as Exequias do Papa In*
íîocencio XIII. por anm vcrlario , a que allilliraó varios Gardeaes recebidos , e
cornprimentados pelo Cardeal Conti leu irmaô; e a 18. se fizeraó namelma Bafí*
lica as do Papa Clémente XI. fazendo os melmos coaiprimentoi o Cardeal de S»
Clémente íeu fobrinho.
O Mimstro delRey de Hespanha pedio ao Papa,em nome de S. Mag. CathoE*
ca, pertnilïaó para poder cobrar a décima dasrendas Eccldìasticas nosieus Domi»
nios da America,com o Rindamento de se servir délias contra os Mouros,quecon*
ti nuaó ainda no sitio da Praça de Ceuta. O Baraô Scarlati , Ministro do Iileitor de
Biviera , deu parte da morte daquelle Principe a S. Santidade , que mostrou huai
sentimento muito grande desta noticia. Afìegurase , que EIRey de Polonia, corno
Eleitor deSaxonia, tem recomendado ao CardeaJ Albani , Protector daquelle
Reyno , alcançar de S. Santidade o erigir huma Sé Archiépiscopal na sua Carte de
Dreídi ; e dizem , que se Ihe concédera , de baixo da condiçao de patrocinar > «
favorecer a Religiao Catholica Romanatios seusEstados.
. j. Florença 9. de A4arço. . ,
/"\Graó Duque , que por causa da sua indifpofiçaó esteve alguns mezes sem fa-
hir do Paço, appareceo jà em publico , e no primeiro do corrente sahio fóra}
e soy com a Princeza Violante de Baviera ver representar húa Comedia no thea-
trodoHospitalde Santa Maria a Nova. Houve huma grande affluencia depovo
por todas as ruaspor onde passou , que com reiterados vivas , e acclamaçoens, tes»
temunbou o gosto , que tinha de ver restaurada a sua sayde ; porém logo na mes-
ma noite se recebeo por hum Expreflò despachado de Munick a triste noticia , de
fer falecido o Eleitor de Baviera , que cauíou nesta Corte hum grandiffimo pezar;
« a rnestna Princeza Violante sua irmáa, affim como o feu ConseíTor lha commu-
nicou,se retirouao feu quarto a tomar o noio com huma afflieçaó taó grande,
que cahio com hum accidente, de tal qualidade, que soy neceflârio sangralla par»
tornaremfi.OCondedeWatzdorff, Enviado extraordinario delRey de Polo*
nia, voltou aqui de Veneza para findar os feus negocios particulares , antes de fe
recolher a Drefda ;mas naó teve ainda audiemia doGraó Duque ,nem das Prin-
cezas , nem conrsrencia-alguma com os Ministros dtita Corte. A5 instancia de Sua
Alt. Real concedeo o Papa aos Cavalleiros da Ordem deSanto Estevaó a prero-
gati va de íerem admktidos à sua audiencia com elpada , e com as meimas hon*
ras , que se concedem aos Cavalleiros de Malta.
As-instancias , que as Certes de Vienna , e Madrid fazem , para que o Gra5
Duque entre no Tratado , que ambas tem feuo , iaô taó fortes , que íe aflegura,
que S. Alt. Real le inclina a abraçallo. -
Gencrva 9. de Afarça.
Ç\ NovaDoge Jeronymo Venerolo tomou a (émana paflâda pofíe da fuadig*
nidade Ducal, e com cite motivo se fizeraó grandes testejos nesta Cidade. Es-
perase nella a toda a hora a nao de guerra Napolitana Santa Barbara , que deve
conduzir de Messna o General Zumjunger, , e outros muitos Officiaes das tropas
do Emperador, qoe oacompanharáó-até Vienna. Embartafaó-se osdiaspafìadòá
para BarcelonaemnaviosHefjaniîOC* o resto dosEsguizaros, que vaó servir a
EIRey de Hespanha. Nararde de 3. do corrente concorreo a principal Nobneza
défia JfapMbticttftO Palgcio dp Duqvft de Turf» , a- darihe p parabei» do cafatnen
i4° -
to da Condessa de Lovano sua filha uhica , com o neto do Principe Doria : e de
noite houve no mesmo Palacio hum baile , que durou até pela manháa.
. .] Veríeis 1 6. de Marco.
RÈccbeose pelo Capitão de hum navio , que aqui chegou de Albânia , a noti
cia de haver hum corsário de Dulcigno tomadojunto a Vaiona , e conduzido
ao porto deDurazzo hum navio mercantil , que navegava com bandeira Impe
rial. Nomeou o Senado para Provedor general da Cidade , e Fortaleza de Palma
a Pedro Grimines.Os Religiosos da Santissima Trindade da Redempçaó dos Ca
tivos , que se estabelecerão ha poucos annos nas terras desta Republica , havendo
recebido quantidade de esmolas consideráveis , sepreparaó para irem a Barbaria
na Primavera próxima, e empregarem a sua importância no resgate dos Venezia
nos , que estaó escravos dos Mouros. Achaósc aqui dous Principes da Caía de S'a-
xonia Gotha , que vieraó de Milaó para lograrem os divertimentos do Carnaval.
Escrevese de Modena acharse outra vez prenhada a Princeza Eleitoral , c haver o
Duque mandado por seu Enviado a Milaó Mons. Gerardi ni , para dar ospara-
bens ao Conde de Thaun , de vir por Governador daqutlle Estado. As cartas de
Mantua dizem , haver recebido ordem a guarnição AÍcmáa da Fortaleza de Son-
cino , para estar prompta a marchar brevemente, sem le dizer para onde.
. . Turin 1 6. de Marco.
FAzemse levas com grande força nestes Estados. O Baraó de S. Remigio foy
nomeado segunda vez para Vice-Rey de Sardenha , e partirá brevemente pa»
ra Villa Franca , para onde também sefizeraó marchar do Piemonte i çoo. ho
mens, aííim de Infanteria, como de Cavallaria; entrando neste numero quatro
Companhias de Artelkeiros, para todos paslãrem a reforçar as guarniçoens da-
qucile Reyno , onde se tem feito bastante provimento de viveres, e muniçoena
de guerra, e se acha já hum trem de artelharia assaz considerável. Faleceo nesta
Corte em 2 2. do mez passado , com 50. annos de idade , a Princeza LuÍ2(i Filis-
berta de Saboya-, irmáa do Principe Eugénio , e filha ultima do Conde de Sois-
sons , que faÍeceo em 7. de Junho de 1 67 3. e naó a Princeza Maria Joanna Bau
tista , como com menos certeza se escreveo em huma das precedentes.
HELVÉCIA.
Sthajfhausen 2 1. de Março.
A Proposta da renovação da aliança do Emperador com os ï $. Cantoens,se tem
remettido à próxima Aflemblea geral do S. Joaó. Os Grizoens reformados
pertendem com a morre do Baraó de Gruth,Ministro do Emperador,ganhar tem
po para naó concluir taó depressa a negociação era que estavaó com o Estado de
Milaó, esperando , que a conjuntura lhes produza mayores ventagens; porém
confirma- se haverse estipulado já ,3 Que os OfHciaes Grizoens , que estiverem,
servindo algumas Potencias estrangeiras , das que fizerem guerra ao E.mpera-
„ dor , poderáó continuar nella com toda a liberdade. Trabalhase em Berne em
hum magnifico edifício junto à porta ,que chamaó de Goliath, para rielle se esta
belecer hum Hospital.
ALEMANHA.
Vienna 23. de Março. <.■
Duque de Richelieu , Embaixador de França ,teve osdias passados audien-
cia do E mperador ; porem naó foy de despedida como se dizia. Assegura-sc
agora , que a terá na semana próxima , e que logo se recolherá a Pariz. Este Mi
nistro recebe® a 1 4. despachos de Constantinopla , que se prezume contém maté
rias
rías de grande importância , pois os trouxe pela posta o Secretario do Visconde
de Andrezel , Embaixador da mesma Coroa naquella Corte , e Jogo voltou des
pachado no dia seguinte ; o que na presente conjuntura tem dado motivo a varias
especulaçoens.A guerra se tem aqui quasi por intallivel ; sem embargo de haver o
Emperador excogitado todos os meyo$,que parecem poffiveis para a evitar. Sua
Mag. Imp. se acha muito mal satisfeito da Corte de Petrisburgo , e na mesma for
ma da de Turin , por se estar EIRey de Sardenha em dispcsiçoens de se declarar
pelo Tratado de Hannover. Dizem , que determina escrever huma carta de maõ
Eropria a EIRey da Gráa Bretanha sobre a presente situação dos negócios , e que
ia levará o Conde de Staremberg. Os Conselhos saó muy frequentes , e a semana
passada houve em casa do Principe Eugénio de Saboya , segunda conferencia en
tre os Oíficiaes Generaes , e os Ministros do Emperador sobre o augmentodas
tropas Cesáreas. Tem-se por certo , que as remestas de dinheiro , que tem feito a
Corte de Madrid , tm iatisfaçaó de dividas antigas , e por conta dos novos íubsi-
diosjimportaõ tre« milhoens de patacas. O Marquez de Fleury,novo Embaixador
de Polónia , reve a 1 1, a sua primeira audiência publica do Emperador, aquém
appresentou as suas cartas de crença ; e tem começado a entrar em negociação
com os Magistrados de S.Mag. Imp. O Conde de Tarouca,Ministro de Portugal,
teve já audiência particular, mas até 1 6. naó tinha dado parte da sua chegada aos
Ministros estrangeiros.
Tem-se mandado ordem a todos os Generaes, para terem os seus Regimentos
completos até ï 5. de Abril , e que neste tempo venhaó à Corte. O Principe Ale
xandre de Wirtemberg , chegou já aqui do leu governo de Belgrado , e ie espe
ra a toda a hora o Baraó de Zumjungen , de Sicilia. -
Foy tanta a neve, que cahio em si. do corrente , que ficarão tapadas pelo rneyo
dia as portas da Cidade , e se empregarão em cada huma duzentos homens para
lhe abrirem a passagem.
Faleceo em 7. do corrente com sisi. annos dc idade o Conde Carlos Leopoldo
de Herbersteyn , Graó Prior da Ordem dc Malta no Reyno de Bohemi a , Mora
via, Silesia, Áustria , Carinthia , Tirol , e Polónia, Commendador dc Losten-
Meylberg, e de Topau, Conselheiro ordinário no Conselho de Estado , e Lugar-
Tenente do Emperador no Reyno de Bohemia , e mais Províncias dependentes
delle.
Berlin 1 5. de Março. ' C-.--<-
TTf LRey de Prulïïa deu a onze do corrente audiência particular ao Conde dí
Golofekin , Ministro da Emperatriz da Ruffia , que chegou no primeiro des
te mez , e lhe entregou huma carta da mesma Senhora,com hum presente de pel
les preciosas. Tem-se mandado marchar para a Pruflia dous Regimentos de Ga-
vaJÍaria, e si. Batalhoens , a quem seguirão outros depois da revista geral , que EI
Rey determina fazer das suas tropas em Konigsberg , para onde partirá acompa
nhado do Principe de Anhalt-Dcssau. Os Magistrados das Cidades, e Villas dos
Dominios de S. Mag. em execução das suas ordens, lhe mandarão huma listá exa
cta dos moços solteiros, que neilas habitaó , de idade de 20. annos ate 3 si. e che
ga o seu numero a 1 4U. naó entran do nesta conta os que vivem nas Aldear , e lu
gares campestres , de que se espera outra lista. Mons. Brardt , Ministro deiRéy na
Corte de Vienna , tem ordem de naó sahir delia , antes de partir o Enviado del-
Reyda Gráa Bretanha.
O Baraó de Bullaw , General supremo das tropas do Eleitorado de Hannover,
Kl*
14*
tím paffaJoiíK>straaosRegimemostiafiona«s, que alli se acha6eniqtttrteís;é
. km cniMr^o de os aclur compietos , paisou ordem aos Coroneis , para accrescen^
far terto ngjstero de soidados a cada Companhu ; e k diz , que tambem os cttro»
peados, que est ó rcpart;dos pelas Coimuas , k emprs^arao na Primavera ^roxir
ïïXa cm retorsar a$ guarniçœns das iJraças mais expolwj.

Francfort 2 8. de Março.
A S fronteiras de França fervem em dhpoiicoens militares : marchaô tropas, re-
sorçao-se guarniçoens , lortihcaó-íe fracas. Mandaraó-tc por ordem aa Cor
te repairar , e augmentar as rortiricaçoens de 1 raarbach , e de codas as mais For-
talezas , que ficaó ao lcai;;o do Mosela. No Condado de Borgonha ha mais de qua-
centatnil soidados de tropas pagas}que devem destilar para a Aisacia. Tem-se
fliandado fazer cm Metz a mollrade i 2 U. cavallos jque ie nvindaraó compraf
para a remonta da Cavallaria , e se deve paíìar nó principio de Mayo , cm que to«-
dos os Capitaens haó de concorrer àquella Cidade , para tomarcin coeca dos que
Jhes forem repartidos ; km embargo d esta disposiçaó tem afsegurado o Duque de
Richelieu , Emb.iixador delRey Canitian; tìimo na Corte de Vienna , aos Minis»
tros de J>. Mag. Imp. em nome de leu srao ; que ainda que tem mandadu nopa;
%^iraas tronteiras j helcm outro penlamento mais, que o de ^revenirse contiaal-
guma invasaó ; porque o scu deli^nio he naó procéder ofíenliva , mas Jeknuva-'
mente,
Qa parte do Empcrador tambem sc fazem algumas preparaçoens. O Principe
de Oetingenj FeId-MarechalGeneral3eslájá em Phiiipsbur^o, e t<-*rn toraado pol-
se do governo daquella Praça , que km embargo da sua ìrnportancia , por lér a
ehavçdo Imperioda parte do Rheno , neceíhtd demuitos repairos na sua forti-
fiçaçaó ; e porque a mayor parte dos Principes j e Eludos, que íaô obrigados a
tazer elta despeza , recuíaó dar o que Jhes toca; o Eleitor de Mo^uncia movido
do zeio, mandou offerecer pelo feu Mirulbo na Dicta de Raiitbonna, que elle só'
îornecerá o dinheiro } que lor neceílario para a reformaçaó daquella Fortaleza , e
da Kel , que tambem he muito importante. O Eleitor Palattno tem reuo ajuntar
«nManheimtodososmateriaesneceflariosparaacatarasobras, que k manda
té accrefeentar à sorti ficaçaó daquella Cidade , e mandou ordem à Regencia de
Duheldorff , para le trabalhar na daquella Praça com tanto calor , que poiía ficaf
acabada nette anno. Corre a voz de le haverem declarado a favor do 1 ratado de
Vienna os Elertares de Coloniale de Baviera , e naó ha duvida cm queElRey de
Poionia como Eleitor de Saxonia tara o melmo.
G Abbade de Eatda , Principe doSacro Romanolmperio, Archicancellario
da Alem nha , e Primaz Titular das Gallias , que este anno esteve na Corte de
Vienmcom grandiffimoIuzimento,faleceo de hum accidente de apoplexia ern
t J . do eorrencej poucos dias depois de haver voltado à lua residencia.
. '- - i- ■ Strazfrurgo i j. de Março.

f\ S Inspectons delRey de França tem provido os Armazentdefta fronteîra,as-


fini de mantimènroSjCorBodemuniçoensde guerra ;e se aflègura , que noi
«■es Bispadosde Mecz , Tnl , e Verdun se tem feito^roesroo. Nefta tronteiraas»
sim nas Praças, como nos Ingares fe achaó perto de 8cU.homens de tropas Fïao*
«e2a« , alcmdas mj}k»s5 « di&W , qu« «ofim de-Abtil ,<hj prinòpiod« May se
come
comçç^ôaaíuírtáf.Ch Ai'iftazertsnáAflaciá , d ifteiras do KfteriG , sciíiz esta-
rem taó abundantemente providos de tudo o nec'éfsario , q podéráó sustentas hur*
Exercito de fc< para 8oU. hom'ens pôr tempo de emeo , o'u fïíin mezes. Gs Ju-
deos de Metz rem comprado' n'esté Inverno ém Aléminha , niais de 4U. cavalloS
para as tropas Francezas. Toidi Os Regisrientos estaó eofripíetctí ; 6 afuVn os de In-
fanteria,como os de Ca vallaria se exercitaó coJos os dias no manejo > e ha ordens
delRey Christianilïïmo para os Inspectores passirem mostra no principio de Abril
a todasas milicias, aflim desta Gdadè, com'O das circunvisinhas.
ì
F R A N Ç A.
Pari\6. de Abril.

K Rainhá viuva deHespanha partioá ;'à.doPaIacio de Viácehnespate'ddeSt'


■** Cloud , donde no dia segoihre soy a Versalhes fazer a sua prïmeira visita i
Suas M igestades Christiartissirrns : levava comsigo no coche a Duquezá dé Sfor-
cia sua Camireira nior , e immedîanrhente na íua vangarda hum dethcátírentoî
das suas guardas de Corpo a cavalìo, á que precediaó outros muitos coches cheyoi
dos O nciaes mayores dâ sua Casa', e das suas Dam is> Açhou forrrudas cm baca-
lhac>nas arrmsrias rnáos, e tocandoxaijca asguardas Francezas, eEsguízafesf
déIRey. As guarlaï db Corpo , é os Cem Esguízaros estavaó em armas, e em ála'
nos feus postos ordinarios , de que cedêraó â parte direita à guarda do Corp» d'à;
rtlesmi Rainha ,&ïos feus Esguízaros. Foy récebida aodéfeer do coché porriiur-'
tosCirandes , e pelos principaes Q KciaesdelRìy , eSua Kïag.- a^veyo reeefcer ntf
alto da eseada , e depois de a saudir, Ihe detsa ma5", ía conduzio ao sen quarto.
Acabada esta visita, a conduzio ÊlRéy áo quarto da Rainharque yeyo até à Gala.-
ria para a receber ; e depois de sehaverem faudàdo, fóy a'RaiiiHà de Heipanfti^
andandoentrC SuasMágestades , para 6 quarto dá Rainhá Christìàhiffrrha ,óndc
tinhaó formida huiri circtïlb ts Prih'cezas do sánâuc }c ás Damás dàCorte. SenAÎ
toit-Ce entre EIRey, ea Rainha; e ácabáda a visita, á rèconduziraô Suas Mágefta*
des: »désde ô (Wartb'da Rairtiu a á^òfàpariharaó atc o coche1 as mesmas'pefíoas,.
que na jiTelle lugar a haviaó recebido ; e ao. partir de Versalhes, se lhe fizéraS atf
mesrbas bonras , qi'tô se Iftíf tinlia'Sseîto.' quiri ttfcl-tégoû. Voîtouao'Palacia dfc'S.
Cloud , dòridiî rìo'diasegiiíhtése'recòfhéoa^ VíncénneS.
Faillise em'fqriturdôos campos v'dame^ para é^ércitár a's trbpas",hû na* Aífe-
ciayoutro-' tírnConipiegne. A Cbmp'ârihià de hornéns die stégòcio , que se bbri góu?
a'iê'vatírarnb RëynO'líbU; sòJdàdds auxiliaires, se terri cbnrràtadô coriiôgbverrio.1
a Ihes sorriecer^artrias novàs , vestidos , e tôdaá ás riiìi's cotisas ?q'uê lhe fûrém ne^
cenariasdebaixodeceftatfCbiidiÇ'oîná. Estas milicïas' seraò capitanea'das >c-cótn*'
rriandadas poV OfKciàes refbrmados , qilèsé nbmfeió seguhdo a aníiguida*d% dasí
sttas pâterités: A1 rtíàVbf pitié dòs Alfayatéí déstVCidàdé trafeaíhàô nás ferda'íy,1
que sehaôde daraestasm'licias,asquaespor assentb jque se torrióiì naCôíise'*
Ihrrde-E-ttadueiníTo*, de'Março y sehaô d'Crtguîîf'à (^arériraeeinëcífitTrâscâcri'
huma:- EiitertìMè >tjùe as lévas cìfetesìttffîcîás cùïfefao-perto de tfè srM Ihoéns', e
líieyo". PÌáo'dìï se cttrrípor dé hòmèriiToftéiros y. e casadós, dèidade de dezasefe'"
fnno&até quarenta}que tenhaô ao menos cinco^pés^'de drirrát A'vÒ'zda'grierTa bref*'
cíTclda dià'maís >e dé tòdàs as Procincias vàô marchando tròpàspára Alsàcîav
Fallajfe etemaridaf rénovât o EcUiQ» do mez aV^gosttJrdê tf^ ; ^tío>epxa,f
debaixo de rigorosas pen^^yWb^a^oYO^h^1à«rideík Reynaiointiereí^
farse
*4+
sarse de nenhum modo na Cofflpanhia de Ostende , nem servir nos feus tâvìos,
tropas , Fonalezas , ou Tribunaes.
Recebeo-se aviso de Calez de se haverem rompido em huma grande tempes-
tade , que hou ve naquelle porto >as suas principaes eclusas, com o lastimoso eíìra-
go de ie alagarem 6. ou 7. Paroquias circunvifinhas.

H E S P A N H A.
Madrid 1 6. de Abril.
ELRey, e oSereniífitno Principe das Austurias aflìstiraó Domingo aoOfficio
de Ramos na Igrcja de S. Jeronymo , com aífiitencia de todos os Grandes , e
acompanharaó a Procilsaô , que se fez pelos claustros daquel.'e Mosteiro , estando
a Rainha com os Infantes na sua Tribuna. Ao Marquez del Castellar , em confi-
deraçaó dos feus ferviços, tez Sua Magjnercé do titulo de Gen til-homem da sua
Caméra com chave de entrada , mas sem exercicio. <
Natardede 1 1. docorrecite entre as seis,eassete horascahio subitamenteto-
daa nova fabrica daCapella mòr, e Zimborio da Igreja do Collegio deSanto
Thom'is de Aquino delta Cidade , chamado vulgarmente de Atocha , fepultando
rias suas ruinas a mayor parte dos Oihdaes , que nella trabalhavaó , aos que esta-
vaó occupados cm araiar o Sepulchro na Igreja velha , e algumas pestoas das que
faziaó oraçaó para ganharem o Jubileo do Anno Santo; por fer huma disqua-
tro,queo Arcebispo deToledo tinha nomeado para as suas estaçóes; havendo
permetúdo a Divina Providencia, que naó sosie mais cedo ; porque séria sem du-
vida ainda mais déploravel o estrago.
PORTUGAL.
Lisboa i . de Mayo.
ARainha noffa Senhora , coin o Principe noiloSenhor, e as Senhoras Infantes
D. Maria , e D. Francilca , visuaraó Domingo paffado a Parochial \>p reja de
noffa Senhora da Encarnaçaó , onde se findava a Novena , e fazia a felfa de S.
Vicente Ferrer com a solemnidade costumada.
Hoje , em que cumprc dez annos o Senhor Infante D. Carlos , se veftio de
gala coda a Corte.
As tres naos de guerra Hollandczas , que andavaó correndo a Costa , e dando
caça aos Mouros, tornaraó a entrar a 1 9. neste porto , onde tambem cntraraó de
14. até 2 7. de Abril trinta e tres navios de commercio Inglezes, tres Hollande-
zes , tres Portuguezes , tres Francezes , hum Hespanhol, hum HamburgueZj e
huma séria Genoveza; e fahiraô délie para variaspartes, huma nao de guerra da
Gráa Bretanha , vinte e hum navios mercantis da mcfma naçaó , quatro embar-
caçoens de Hofpanha , tres de França , tres deste Reyno , e huma de Hambur^o.
Ficaó surtas ao présente neste Rio setenta e seis Inglezes. , dez Francezes , onze
Hollandezes , fête Hefpanhoes , dous Genovezes > e dous Hamburguezes , além
dos Nacionaes.

Sabio 4 Ìu\ofegrtndotomo dos Ramos Emngelicos do Padre M. Fr.IgM'


cio Ramos , Religbso de nofja Senhora do Carim. Fendese na portaria dofeu Con-
•vemo } como tambem 0prìmeiro tomo.

NaOfficina dejO SEP H ANTONIO DA S Y LVA,


. Com todas as luinçjU neceflarias.
G A Z ET A

DE LISBOA

Com Privilegio * wdk deS.Magestade.


!

Quinta feira g, de Mayo de 1726,

R u s s 1 A.
Petrisburgo o. de Março.
NOVO Conselho, instituido pela Emperatriz,se tem já ajun
tado esta semana algumas vezes ; e sempre o Duque de Hol-
sacia aísistio nelle. AíTegura-se , que o Conde de Gollosskin
o moço , nomeado para ir por Embaixador à Corte de Vien-
na, para onde havia já partido , tivera ordem para suspender
a sua viagem ; o que parece confirmar as primeiras vôzeSjque
correrão de que o Tratado de aliança , projectado comos
Ministros doÊmperador,naõ terá eff"eito:e alguns entendem,
que o Principe Dolgoruchi , que esta em Varsóvia será encarregado desta Em
baixada. O Principe Basilio Volodimiro Dolhorouki , nomeado para ir mandar
hum corpo de tropas da parte do mar Caspio , está prompto a partir ; e com elle
voltará para Daghestan o Principe de Geórgia , que aqui se acha.
Continuaó-se as disposiçoens de guerra , sem que atégora se posta saber contra
quem se destinaó. Os Gcneraes,na conformidade das ordens da Emperatriz , vaõ
fazendo marchar para estas visinhanças 2 8. até 3 oU. homens , alem dos 1 jU.
que já se achaó de guarnição nesta Cidade , em Cronsloot , e em Cronstadt. Asie-
gura-se , que no sim do mez próximo se formará junto a esta Corte huni campo
de 3 oU. Infantes , e 8U. Cavallos ;e que o resto das tropas, que estiverem nestes
contornos se embarcarão na Armada , que o Almirantado deve ter aparelhada
para o mez de Mayo.Trabalha-se sem cesiar na fundição de Olonitz a fazer 300.
canhoensde bronze, de différentes calibres, e 2 óoU. baks para uso délies ; o
Îue se diz ser destinado para os portos de Hespanha. Dizem , que a guarnição de
íoscow se augmentará até preîàzer o numero àc 1 oU. hpmens. Toda a Corte
está com grande sentimento da perigosa doença , que padece o Almirante Kruy-
tz, por ser hum Cabo de grandes experiências •'noTíerviço do 'mar.
" AMoas. Sapiêha,
■ Ova
Cavalheiro Lîthaahd , c Senhor de huma grande Casa , se acfca ha dias nesta Ci-
dade com feu filho.
Tem-se esperanças de ver brevemente renovada a boa harmonia entre esta
Corte > e a da Gráa Bretanha. A Emperatriz mandou declarar pela Graó Chan
celier ao Baraó de Mardefeld , EnviadodeíRey de Pruffia , que havendo conside-
rádo sobre este particular , pedia a S. Mag. Pruflkna quizefle fer medianeiro deP
te concerto ; podendo asicguraraElRey da Gráa Bretanha, que a sua intençaó
«h* contribuir, tudo quanto Ihe for postìvel, para o restabelecimento da sua mutua
amìzade ; e assegura-se , que S. Mag» Imp. chegou já a dizer x que desejava de to-
io o coraçaó ver nesta Corte hum Embaixa lor daquelk Reyno. A EIRey Chris-
«aniffimo mandou a mesma Senhora varias caixas cheas de curiosidades, trazt-
«kl do, mar Cafpio . e- das suas visinhança&
P O L O N I A.
Varsorvìa 20. de Afarço*
AS. equipagens do Principe Eleitoral de Saxonia estaójá emcaminho par*
Dreída, para onde S. A-Real partirá brevemente.EIRey ficará nefta Cidade
até o fim da Dieu gérai , que terá prineipk) no primeiro dia de Setembro proxi-
mo>decujarefoIuçaô mandou dar parte aoNunciodoPapa,eaos maisMinis-
tros estrangeiros. O Primaz do Reyno foy paflàr a Quarefma na sua casa de cam-
po de Lowitzìe a mayor parte dos outros Senadorcs, affim Eecfesiasticos ,coim
Seculares tem vokado para as suas terras , e aîguns foraô a Poczeran junto a.
Leopoklra , para affîstirem àsexequfasdoGraô General do Exercito daCòroav
EntretantoS. Mag- vay diîpondoas couses pertencentes aogoverno , e defens»
do Reyno. Mandou expedir ordens aos Generaes , para fazerem ajuntar todas as=
bandeíras das tropas do Reyno em tres partes différentes^ a saber , nas fronteiras.
da Grande Poton» , da Lithuania , e da Prallìa Poloneza. Proveo pro tntermto.
cargo dç Graó General doExcrcitoda Coroa em Stanistao Rezewuski ,Vice-
'General, e Palatino de Ptófackia, o de General da A rtelharia da Coroa em Mons,
'KpntskiJEnsifero da Coroa ,e Generalde Podolia , e o de Více-General ao Vay-
vodade KiovV, mercê a Estevaô Potockî t Referendarioda Coroa ,eMa-
■ rechaj tfatímmíìfHeta géra f , da Starostia (ou governo civil) de Leopoldîa ,, e d*
Pafatinadb de Mafòvia r havendoîargad» o de Postnanra cm favor de Mons. Ce-
zopski , Cástellaô de Cufma » e o feuxargo de Refetencîario se conferio a Jaques
Dunin , Régente da CòWÈh Bufcaô-íè actualrnente rendas> que fe poflâó consig
nar para pagamento do que se d«ve às tropas. Mons. Janeck y Architecte. delRey,.
ííere ordem sua para tr&Grodiioafltgnaros quartera , que ha de occuparS. Mag.
ma sua Cbrte, en quanto dyraraDiet*yc<^aJií(edeve fazenOsMnistrosPo-
'fonezeSjeSixaiios íè sen> afuntadomúítas vezesenvconíl'lho ,a queaflïïìeco-
■bo JPrefcîenls o- Principe Ereïtprol- Os Minittros Proristiatcsconrinuaô as, suas
instancias , para que se aprelTe a Dieta..
OCbnded'e RgbumnJEixú&xaàcir cfo Emnmdorâ Cz«.rià3> partiohonter»
yara a Corte de Peírisburgo, e oacompanhaiao duas segc£> de eaminho oConde
ée \rratíslau,>MTnt<ïifode S. Mag- Imp*. e oPrincipe Do&orucki , Embaixadbr
da Ruflu.Est* ufcimo teve a 1 y. docorrente huma Iarga conlèrencra com oGraô
Chancelier- .Eípera-fe brevemente hum Ministro de França , de quem fe acha já:
aquihuma parte da bagagem- Nanoitedè r 5-. para iíTxhegou hnmexpresior.
áespachado de Londres por Mon £ Cocq- , Ministre de S. Mag- na Corte Brttanni—
4th»«Bfe2 Q>. à» pasiado* A 17. jeT» manhaa paruraó defta para Asemanha, o Prin
éîpe de Wurtemberg , e ó Baraô Gai. Falh-se em querer EIRey mandai- împri-
mir hum Manifesto jpara fazer cel&rx»:«Jaaa8fe$ dos vaflàJlosj que tem temor
da guerra.
Avisa-se dasFronteiras, que os Tartaros deKrimea feeomeçaóaajnntar; e
que se suspeita ,que tem formado o designio de taxer este amo aigumaiarafitô
na Ukrania pertencentea Moscovia. -
S U E C 1 A, Stockholm io.de Março..
Onrinua-se a trat" '?- ar ccm pressa em todos os portos deste Reyno no âpres*
V* to das naos de guerra , par*, cíîeito de que se ache prompta a Armada , par»
se fazer à véla no mez de Mayo proximo , e poder com as outras Potencias , fia-
doras do Tratado de Oliva , ehtrar cm acçaó contra os Polacos > ho caíb qúe elle»
connnuem em negar aos Protestantes a iàtisfaçaó , que pertendem as suas queí-
xas. Os Ministros de França , Qráa Bretanha j e Pruilìa vaó continuando as sua»
Conférencias com os Commissarios da Corte, porém o Gonds de Freitagh , fem
embargo do que feci'creveo na semana précédente, ejde baveralcançado delRey
o nomear Commissarios, para examinarem asjsropostas de que vem encarregado>
naó entrou aindacom elles cm conférencia, por sobrevirem algumasdiificulda-
des , no que toca ao cérémonial. O Enviado delRey da Gráa Bretanha despa*
chou a i j . hum Expresso a Londres com cartas de grande iniportancia. OCon?
de de Taube , Governador destàQdade, querendoévitaroescandaltt,quedá3
no povo muitos dos feus moradores , e ioldados , frequentando em tempo de
Quareíma as casas de bebidas , ordenou , que andaflê sempre huma patrulha exa-
cta , para prender os que contravierem às suas ordens.
DINAMARCA. Copenhaghen pp. de Marçóï
T) Or ordem de S. Mag. fe continua com todo o calor nos aprestos da Armadá
* deste Reyno , e em pór todás ac Praças , e portos dellè em estado de defenfa.
Mandoo-íe publicar hum Edisto , pelo quai fe prohibe o tirar cavallos da Fro»
vincia de Jutlandia , nem dos Ducados de Holfacia , e Sekfvicia para os Paizesel-
îrangeiros. Arma-sc huma fragata de guerra delRey ,para levar aRevel hum.
Correyo da Corte com defpachos, e novas instrueçoens para Mons, de W estphaip
len , Ministro de Sua Mag. em Petrisburgo.
P A I Z B A ï X O. :
Bruxellas ìi.de Março.
tj M 2 1 .deste mez se ajuntou extraordinariamentè o ConselftodeEstado
*^ sençada nossa Sereniffimar.Governadora, e duroudefde ay cinco horas da-
tarde até as nove , mas até ao présente se naó sabe asmaterias, que nelte fë tratá»
raó. Nomesmo dia ftzeraôosEftadosdeBrabante a sua Afîèmblea,na;quarpOrt
ordem do governoypropoz o Chancelier em nome do SoberarKM«!tres.rx>ntos se*
guintes : a laber I. Hum irripostq deduas vezes i*o: por cento. H» A conrinuaçaó.
de outro sQbre-as quatro principaes espeGÌescòmesti\!eis por tempo de íeis mezes*
emlugar detres, e III. O emtolço dodinhéiropedidodeemprestimo , fobrea,
rendàdos Correyos.Osdousprimeirosnaóenconrrai5 nerihurhadrfficddade,mas
orerceirosim,porduasrazocns:reaprímeïrá hè>queíeòs£ftados fe encarregaó,
deste errìbolço , deverri ter- a direcçaô dos Córreyos, e Postas , que estknasTnâo*
do Principé de la Taup; e corao- este dlcctriçôu dousComniiflarios^da,parte do.
j^ôverri© , para cortferìrem em seu nome com outres oito Deputadospsra este et»-.
tofà'rpelà&óifó àì&BSkKàbfiyfy efrttfidé j que-se achará modode fe ajustar. A.
ftgund* Ré»aíc<l«^rrtn«i»>dwoutì^ Prwindasípmieïirçarémnestaadmmistra^
. .: çaô
çaó; ainda que segundo todas as apparencías será só a de Barbante, a que sc en
carregue do em bolço- do dinlieiro;emprestado. No me (mo dia 21 . tiveraó os sete
DireAoreS da Companhia de Ostende, e os tres príncipaes interessados neJJa au
diência de S. A. Serênilsima ^ dandolhe as boas vindas a este Paiz; o que ainda naó
tinhaó feito formalmente. A 2 2 . recebeo a Senhora Archiduqueza hum Correyo
de Vienna , com despachos importantes , sobre os quaes se ajuntarão logo os Mi
nistros do governo.. A 2 2. . deuaudiencia publica ao Conde de Stanian , Ministro
do Eleitor de Moguncia, que chegou de Pariz para a comprimentar , e dar os pa
rabéns da sua entrada neste governo 'da parte deS. A. Eleitoral. A 24. se vestio
de luto com toda a sua Cor te , e toda a Nobreza , e Ministros pela morte do Elei
tor de Baviera. Publicouse ha poucos dias hum Edicto, com a data de 2 1 . de Ja
neiro ; pelo qual com pena de morte se ordena , que em nenhuma das Cidades do
Paiz Baixo Áustriaco se contrafaça o cunho dos Principes estrangeiros , ainda
3ue se lhes dé o seu titulo , e o seu valor intrínseco. Passou por este Paiz ha pouco*
ias outra carga de Luizes de ouro da mesma somma , que a de que se tem fajk-
do, mandada de pariz para Amsterdaô.
HOLLANDA,
Haya 5. de Abril,
MOns. Preys , Enviado extraordinário da Coroa de Suécia , deu parte aos ES-
udos Geraes, que EiReyieuamo tem resolvido em pleno Senado de pro
curar juntamente com os Reys de França ,Gráa Bretanha , e Prússia a conserva
do da paz , e soccego da Europa , e tomar as mesmas medidas , que estes Prínci
pes tomarem para o conseguir. O Marquez de S. Filippe, Embaixador de Hespa-
jiha, recebeo hum Expresso da sua Corte , e deu np primeiro do corrente outro
Memorial a S. A. P. Mons, de Gansinot, Ministro dos Eleitores de Baviera , e
Colónia, entregou ao Presidente da semana da Assem blea dos Estados Geraes,
huma carta do novo Eleitor de Baviera , na qual dá parte a S. A. P. da morte do
Eleytor seu pay , e da sua entr.ida na Regência ; e o mesmo Ministro lhe deu jun
tamente as íuas novas cartas credenciaes. Mons. Grys , Ministro delRey de Dina
marca , teve também audiência do Presidente dos Estados Geraes , a quem s» diz,
que dera hum Memorial sobre os que deu o Conde de Konigseck-Erps , Envia
do extraordinário do Emperador em 2 8. de Janeiro, e 14. de Fevereiro passado.
Depois de examinados por Mons. de Lintello,e outros Deputados dos Estados
Geraes, resolverão S. A. P. tm 19.de Março mandar responder ao dito Enviado
„ Que vi sto haver mandado a S. Mag. Imp. a sua resolução de 2 4. de Janeiro, es-
tavaõ na esperança de que S. Mag. Imp. teria a bondade de se dar por contentei
,-, quc além dilTò entendiaó, que <e lhes daria tempo conveniente para poderem
ler alguma ckreza , antes de responderem aos ditos Memoriaes , que por estas
# razoais por ''feaverenresperado, que o Marquez de SssFisippe fizesse algumas
„. propostas, e vissem- a ■natureza, -delias , respondem mais tarde do que aliás fa-
^riaóyapfqucseicpaíéiTi rioiditos Memoriaes.,,. ":i. ■ » . ,
■ . , Que receberão com grandiisimo prazer as aíTcveraçoens , que o dito Conde
^,de Koniseck lhe fazia de novo, d^ S. Mag. Imp. continuar à Republica a sua be-
„ ncvolencía , e os intentos-, que tem de conservar com ella boa amizade , e intellí-
„gcncia>,,e convir cm hum ajuste fobre as diífcrenças, que se tem movido por
penosa do commercio^fe iásentem,que o dito Conde infira da resolução de S.A.P.
„de 24. de Janeiro , que a Republica naó corresponde àsboas intenções, edispo-
jjli^ócs de S.Mag. Imp. tnaõ raostraó,a mesma vontade de terminar amiga vei-
„ mente
149
J, mente as ditas differenças , pois parece naõ quererem entrar sobre este particu-
9, lar cm negociação. -.
, „ Que havendo S. A. P. feito sempre huma altíssima estimação da amizade , e
j, affecto , que S. Mag. Imp. tem à Republica , como se persuadem haver mostra-
„ do bastantes vezes , naó deíejaó ao presente mais , que continuar a viver em boa
intelligencia , e harmonia com Sua Mag. e tem hum grande desprazer de have-
», rem sobrevindo incidentes , que posiaó esfriar de algum modo a sua antiga con-
>, fiança , mas que estavaõ com o animo soccegado , por naó haver procedido a
„ occasiaõ da sua parte ; que desejavaó , que tudo se rtstabèlecefle como de antes,
para o que contribuiriaó quanto razonavelmente podessem.
„ Que a respeito do commercio dos Paizes Baixos Austriãcos na India^ S.A P.
„ naó podem deixar de o ter naó fomente por contrario aos Tratados , mas co-
„ mo encaminhado com as suas consequências a hum grandillimo prejuízo , e
„ ruina da Republica ; c se persuadem , que as ventagens , que S. Mag. Imp. e seus
„ súbditos esperaó deste commercio , se naó podem de nenhum modo comparar
com o extremo damno , que a Republica , e seus súbditos padecem > e com os
„ mais , que deste se lhe podem seguir. *
S, Que por esta causa , ainda que S.A. P. se inclinem a entrar em negociação , e
„ terminar amigavelmente estas differenças, lhes naó parece, que o podem fa-
j, zer, sobre o que propõem o dito Conde de Konifeck ; pois fnppoem, que o dito
j, commercio do Paiz Baixo Austríaco deve subsistir , e que a negociação se en-
' a buscar algum tempero , ou modificaçoens , nas quaesS. A.P. naõ
atégora alguma segurança ; pois desta maneira se fica conservando
: raiz do seu commercio , c so se lhe decotarão os ramos , que depois
„ com o tempo poderão brotar com mayor foi ça.
.'b<*j Que também naó podem comprehender o pensamento , com que o dito
Conde diz , que huma negociação , em que se suppoem a subsistência do dito
j, commercio , lhes naõ fará prejuízo algum , porque ainda que seja verdade que
f, no caso , que a negociação naó cheguei ter bom effeito , ficará cada hum co-
M mo de antes , com tudo S.A. P. saó de opmiaó , que relaxariaó muito do seu di-
„ reito, suppondo a subsistência do commercio do Paiz Baixo Austríaco na índia,
e suppondoa primeiro por fundamento da negociação , o que naó poderiaó fa-
»zer , sem mostrar , que reconhecem de algum modo o direito deste commer-?
>, cio; o que ainda naó faberaó fazer. < . .. . ■■•< i appïi.f w. • *Dt<
„ Que S. Ai P. naõ difputaõ de nenhum modo o poder , e faculdade , que Sn*
y, Mag.Imp.tem de poder erigir nos seus Domínios Companhias para navegar , e
commerciar em todas as partes do mundo; mas só representaõ, que este poder, e
„ esta faculdade le achaõ restringidos porTratados precedentes , e naó podem fi-
» car de acordo de que o de Munster os naó restrinja , nem confoimarse com o
i) sentido , que lhe procura dar o dito Conde. . 'S'. :. v ■
í : » Que o quinto artigo do dito Tratado^m ordem às índias Orientaes,diz bem
á claramente , que os súbditos delRey de Hefpanha , expressos debaixodo nome
„ de Hespanhoes , conservarão a sua navegação na maneira , que entaó a tinhíó
.„ nas índias Orientacs/em a poderem extender mais longe. Que esta clausula ex-?
clue notoriamente os súbditos dos Paizes Baixos Austriãcos , naquelle tempo
„ vaslàJtlos delRey de Hefpanha, da navegação em todas as Praças das índias Ori-
entaes, que entaó naõ uaó possuídas por Hefpanha. Que a S. A.P. parece muy
0 incongru» , e destituida de todo o fundamento a explicação , que se pertende
dar
„ dar à pafevn Hespavhots , querendo tomalla em hom sentido estreito » e limita»
„ do ; e que nclla le naõ comprehendaó todos os que eraó súbditos da Monarquia
„ de Heipanha , e naó chamados propriamente Hífpanhoens ; porque desla ma-
w neira vinha a conceder EiRey dc Hespanha àquelics súbditos, que eítavaó total*
,, mente excluídos da navegação nas índias Orientaes , mayor ventagem , que aos
Heípanhoes , que eraó os que íó tinhaó d"eito de gozar desta navegação : de
„ (orce , quede nenhum modo se deve considerar coma menor apparencia do
„ probabilidade , que esta explicação seja conforme ás intençoens dos Reys de
Hespanha , nem de S. A. P. estipulantes do Tratado de Munster ; o que se con-
„ tirma bastantemente pela immutavel pratica, que se observou por taó largos an»
„ nos. Que padecem hum grande desprazer de ter a desgraça , de que a iua opi-
„ niaõ naó teja a mesma , que S. Map. [mp. tem sobre o sentido do dito Tratado,
,, e direito , que delle lhes resulta ; c que achando-sc inteiramente persuadidos do.
„ leu direito ; e fendo este taó eslcncial para a Republica crem , que teriaó hum
., grande prejuizo se consentitsem, que por fundamento da negociação sobre o
commercio dos Paizes Baixos Auftriacos na índia, se puzefle, que deve iubfistrr
„ a dita Companhia , particularmente depois de huma declaração taó forte, feita.
„ naó fomente pelo dito Conde de Konigieck, mas também por E 1 Rey de Hefpa-
„ nha , do empenho em que e1taó Suas Magestades Imperial, e Catholica de marv-
w terem juntos o dito commercio em tudo; declaração, que lhes naó deixa grand*
„ esperança de ter bom succetlo em tal negociação ; e que ao mesmo tempo os
„ poz em hum legitimo escrúpulo de aceitar a mediação delRey de Hespanhado-
„ bre hum ponto cm que elle mesmo declara ter tanto empenho; e que S. A.
„ P. entendem ser contrario aos Tratados , e mesmo contra o que S. Mag. Cathc-
„ lica sustentou de tantos tempos atégora ; ao que se devia ajuntar ,que as venta-
„ joías proposiçoens , que se di zia havia de fazer o Marquez de S. Filippe , depois
„ dc chegar, e de que se tinhaó dado taó grandes elperanças a Seus Altos Poderes,
naó conhuiraó mais,que em propor huma negociação em termos taó geraes^uo.
,j se naó pode concluir cousa alguma certa ; e cm huma offerta da mediação del-
„ Rey de Hespanha , deque S. A. P. com tanta razaó podem fazer escrúpulo.
„ Que alem disto naó podem deixar de notar , que a inclinação , que S.Mag.
1 mp. mostra ter de entrar em huma negociação , para ajustar as difrerenças so-
„ brevindas , parece affecta à condição , de que S. A. P. naó entrarão no Tratado
„ de Hannover , e que se achaóobrigados a conservar a sua inteira liberdade de
entrar , ou naó entrar nelle ; e que qualquer résolujaó , que tomem neste parti-
,, cular , os naó embaraçará o tratar de ajustar as ditas difTcrençasj quando se lhes
„.fizerem propostas , que sejaó aceitáveis.
,, E que em quanto ao diroTraudo S. A. P. naõ formaô delle a mesma idéa>
„ que o Conde de:Kon!gfeck p?receter; pois na conformidade do quejá tem al-
,j legado nas suas precedentes repostas , o tem por puramente defensivo ; e que se
„ naó encaminha a- ofTenr,<"'* ninguém ; e que ainda se conformarão mais nesta
„ opinião , depois que viraóemhum Memorial do Marquez deS. Filippe, que*
„ Elftey de Hespanha o considera também.por- hum Tratado , que tem por obje-
„ cto-a-conservsç?ô'd»paz; e naó ser erivek, que os Principes , que o concluirão,
„ qiiaraó perturbaFo-i cpoufo da Europa*
feemnm^iu<?qtmkpjeFresoluçaé)qúè S.A.P. tomertPÍlbre a>acce(íl4rih im
„ es» Trata J 0 vtempre-acmscrvtfi^patv-Ã^^-h^ e para a sua precio amizi-,

Mag.
» AÎag.Imp.etnTm.: perfeía harmonia^ boa íntelïïgencTa^ de * nktar tambem
n entre os subcHtos de huma , e outra parte f mas que esta se nao-entretenr nunca
melhof , que pesa exacta obfervaçaó dosTratados, entendertdo-os. no sentid»
,}com que sempre foraô interpretados dépôts da sua estipulaçao.
Tambem S. A. P. mandaraô responder porescrito aos Memoriaes do Marquer
de S. Filippe j por sua rcsolufaó de 1 6. do paflad», coja fubftancia sejeserira cm
outra occafìaó. Ha muitos annos , que os negocïos da Europa se naó viraé era- se-
melhante criíi, sem que os povosentendaô o caminho ,que tomarâó > porque ain-
daqueas mais das Potencias searmaó, toJas declaraó, que o íazcm para! conser-
varapaz.
G R A N BRETANHA.
Loniret 7. de AiriL
rj Avendose notificado sormalmente a S. Mag. a morte doEIeitorde Bavierav
" se resotveoque aCorte Bornasse lutopor quinze-dias , efe ihe de» principi»
noukimo" do mezpassado. O'Baraô de Palm , novo Résidente do>Emperadorv
bavendo recebido outra carta credenciaf para EIRey emltafiano,, com> o> trata-
mento-de Magestade , tevea sua primeiraaudiericia emque Biaappresentouysen-
dointroduzicfeperoVyconde deTovvnshend^ A Marquez* cfè Aix ynrolber áo
•Embaixador diekley deSardenha nefta Corte j-chegot* de- Turin com magnifica's:
eqœpagpns. O BrigadeirO'Sutton>nomea4opor ElRey para ir por Eaviado- ear>
traordínartaàCortedeíReyde Pruílîa, em, lugar do Coronel Dubouigay, beijomi
já a maô a Sua Mag. por esta mercé.
Continua-se atrabalharcomtoda a prefìâ poffivel'em aparelbasr a Armada- , e
oCavalfeir» Wagerse farâ brevemente à veia eonv huma forre Eíqaadra , para
por * Ilha de Menorca lîvc: de todb o insulto» Myjord Càrpenter voftará sem- de*
mont para a rnesmallbaagovernaira^ eparael& partiajáoCòronel Montagne*,
irnwé db Cònde de Halifax, que he Governadordo Forte S.Fiïíppe» Tambem es^
tâ de parada. o>AJmiranteHoíser>com.aEfcj«adra d'eÉinada para asItadiae-Occi»-
dénraes. O Coronel Gor Jon foy províd'oporS.. Mag.no govemo.d'a Penfilvania,.
Provinciada AmerkaSeptentrionar, porcujamercé Ihe beijou ja a maó.
Preparaô-semuitas gaeotas para bombas emDeptrbrdV e em outros cíïaleiV
-ros par» scrviçode Sua Mag» Parti rao os Officiaes re as» redutas para rseneher os
Regjmemos^queestaS de guamiçaoen*Gibrakar>e'emí Porto Mahon. As carias
«se Dublin dizem ^que havendo»se ajuncado'0<Pairlamentodáquefle Reyno-, refoí-
«cbcq os Communs render a S. Mag-,.a» graças^pelà Benigniffima repostï , que
«feus aasètt Mémorial ; e pedírlhe queira mandàrdistribuir pesos 0meiaes;refor*
mados a somma dé-oblT. cruzados r além do-que se Ihes dève atre^d©-,. paiaog-
a«tmarr e por as sorçasde Manda em estadb de se poderem oppep vige- osamehte
•* roda a ferte dé-in&rfto.. Partio 'p para Cratamhomar parte dasL-à!*gensdb €£>•
vaireíisyjfenningSj para semeterem abord» danao Almiranta„
OPariarrienta temdeterminado ordénar que nenhuma, pcslóa de^ailquer
qoaRdàdV que fejar pesta traíer armas de fogoínesía Cìdade ,de rkixo> dé graves
penas. Na Cameradbs Communs feordènou na sessaô de íp: d'eSîárr^er, qu*
todò>o<dîhheirojque produzir cm Eseociaa taxa daxevadà|relàdà,-aîérK ììÂX
Ksi-as esterKhas t ft emprega rá em adian tar b corrttrrercio; aaquellè Rey."U.
Cfiegou de Coníîantîhopfà ,com defpaehos do>Gbnde àt Stanian rEmbaixa-
dor deSuaMag. emTurquia,. o Còrreyodoí CS^ete-.AwHT^^ájçcR» de oha-
Chegou hum Expresso despachado pôr Mons. Finch , Embaixador desta Cóí
roa em Varsóvia , com as propostas que se lhe fizeraó , para hum ajuste da parte
delRey de Polónia , que se mostra muy desejoso de restabelecer a boa inteliigencia
entre S. M i". Britannica , e aquella Republica. Também se recebeo outro de Sué
cia , com a confirmação da noticia da accessaó de Sua Mag. Sueca ao Tratado de
Hannover , e particularidades com que o fez. Mandaõ-se aprestar mais dez naos
de guerra.
A 1 9. subio mais alta a maré do que o esteve ha vinte annos.O Tamise tresbor-
dou em muitas partes : os cais entre a ponte , e a torre ate Lunihouse estiveraó de
baixo da agua , e muitas casas se alagarão.
Pescouse húa balea.de <io.para 70.pes de comprimento,na altura de Foulksto-
ne. Em 20. do mez passado pela manháa houve hum grande incêndio no bairro
de Wappíng , em que se reduzirão a cinzas mais de cem moradas de casas, e qua
tro , ou cinco navios , que estavaó em seco na margem do rio Tamise ; perecerão
nesta fatalidade varias peiïoas. , ... ... -
PORTUGAL.. ,
. ' • - Lisboa 9. de Mayo.
Tf LRey nosso Senhor , que Deos guarde, partio hontem acompanhado do Se-
■'-'nhor Infante D. Antonio para Azeitão , a di vertirse no exercício da caça. No
mesmo día foy a Rainha nossa Senhora, com o Principe nosso Senhor , e com
os Senhores Infantes, e Infantas à Villa de Bellas, e deixando nella ao Senhor
Infante D. Carlos , proleguiraõ a sua jornada ate Cintra , donde se recolherão de
noite a Lisboa. ; .
ElRey nosso Senhor , commovido da deplorável escravidão , que padecem al
guns de seus vassallos cativos na Cidade de Argel , e seus contornos , foy fervido
ordenar pelo seu Tribunal da Consciência , e Ordens , se publicaste hum resgate
geral ; e em observância desta ordem mindaraó os Padres Fr. Joseph de Paiva,
cFr. Simaõ de Brito, Pregadores geraes , Religiosos da Ordem da Santíssima
Trindade,e Redemptores geraes dos Cativos,pôr edictaes por todo o Reyno,para
que todos os Fieis Chnstáos , movidos da piedade, concorraõ com as suas esmo
las para poder chegar o dinheiro, que se acha no cofre da Redempçaó, ao resgate
do grande numero de pessoas, que estaó sofrendo a aspereza daquella dura escra
vidão , até o ultimo do presente mez de Mayo , em que os ditos Padres haõ de
partir do porto desta Cidade para Barbaria. r

O Curso de Filosofia Experimental, que Luis Baden Filosofo Ingle\ ad-


tertio queria injlituir nesta Cidade , nas casas do Ç'onde de S. Miguel , fitas n&
rua da Cordoaria •velha , naõ teve efeito no tempo, que (e astgnou aos curiososy
por Ibe naóha-verem chegado os instrumentos, que tinha mandado rvir de Ingla
terra; e porque já tem vindo, determina faxer asua primeira liçaõ introduãoria nat
Jestáseira 1 7. do coí rente , a qualserá publica, e gratis para todas as pessoas , que a
qttherem ouvir., efe continuará nas nuis sestasfeiras doannopelas quatro horas da.
parde,atése acabar todo o curso das experiências naturaes. Toda a pejfoa,que se qui
ser applicar a este estudo ,fallará primeiro com o dito Luis Baden , efe lhe dará bi
lhete,paraseradmittida , o quese ha de observar em todas as postilas deste curso.

NaOfsicinadejOSEPH ANTONIO DA.SYLVÀ.


Com todas as licenças nteefrarias*
Num.zo.

GAZETA

DE LISBOA

Com Privilegio de S* Magestade.

Quinta feira i6\ de Mayo de 1726,

TUR QJJ IA.


Conjlatttinopla 4. de Março,

EM embargo de haver tido audiência publica do Graõ Vizir


o Ministro de Sultaó Efref , as suas proposiçoens irritarão de
tal sorte esta Corte , que se resolveo a mover declaradamente
guerra contra elle; e ainda que por maxima militar se naõ
tem publicado esta resolução , se vaó mandando marchar Ja-
nitzaros , e Spahis , e outras tropas pagas para as fronteiras da
Pérsia , a fim de engrossar mais o Exercito Ottomano , para
que a declaração ache já prevenidas as mais disposiçoens con
venientes à execução dos desígnios , que se tem projectado.
Mons, de Dierling , Refidente do Emperador de Alemanha , recebeo por Ex
presso huma carta do Principe Eugénio de Saboya para o Graó Vizir , em que
lhe assegurava que a aliança , que se tratava entre as Cortes de Vienna , e Petris-
burgo , naõ causaria alteração alguma à amizade cultivada com aOttomanaje
hoje despachou o mesmo Refidente outro com a reposta do Graó Vizir a esta car
ta. O Marquez de Andrezel , Embaixador de França , expedio também outro
para a sua Corte } com a reposta do mesmo Vizir a huma carta , que lhe tinha en^
tregue da prte do Duque de Bourbon. Naõ se confirma a noticia , que aqui se
publicou de huma batalha,dada entre o Exercito Turco>e o do Sophi; com que se
eniende7 que naõ foy verdade.
ITÁLIA.
Nápoles 12.de Março'.

Ç\ Cardeal Více-Rey celebrou quarta feira passada Missa na sua Capella , e de-
pois de haver dado cinza a todos 95 Officiaes , e domésticos da sua Casa , deu
V audien.
audiência aos Ministros , e Presidentes dos Tribunaes. No mesmo dia partio para
Roma com sua mulher , e toda a sua família o Principe de Monte Mileto , sobri
nho do Papa ; a fim de exercitar as funçoens do posto de Capitão dos Cavallos li
geiros das guardas de S. Santidade. Mons. Bufinello , Refidente da Republica de
Veneza , se tem despedido dos Ministros do governo , e da principal Nobreza
desta Cidade , e partirá na semana próxima para Milaó , onde vay residir com o
mesmo caracter. Faleceo hum dos dias passados nesta Cidade huma Religiosa da
Ordem de S. Domingos, que fendo venerada na sua Comunidade por muy cheya
de virtude , em quanto viva, a confirmou nesta opinião depois de morta ; porque
vinte e quatro horas depois de expirar , a sangrarão tres vezes nos braços , e de to
das lançou sangue em abundância , com que se fez deposito do seu corpo em lu
gar separado das mais Religiosas defuntas , e se tem em veneração.
Prendeo-se hum Alquimista, que distnbuhia moeda falsa , e se lhe acharão em
cala vários instrumentos particulares , de que se servia para a fabricar i e ha muita»
pessoas embaraçadas neste crime.

Roma 6. de Abril.

.Ç Ua Santidade continua nos seus louváveis exercícios. No Domingo 24. de


^ Março sagrou na Capella dcS. Pio do Vaticano a Mons. Joaó Ghirardi para
Bispo de Caracamis i» partibus, e Coadjutor, e futuro succelTor do Bispo de'Mon-
te-Marano , e depois affistio na Capella Sixtina à Missa, e Sermaó. A 2 5. em que
os Pontifices costumaõ ir em cavakata publica à Igreja de Santa Maria sobre M i-
nerva,por estar o dia summamente chuvoso,e se compadecer do discommodo dos
queodeviaó acompanhar, mandou suspender esta ceremonia , e foy em huma
cadeira de mãos ao dito Conventos entrando pela porta dujardim,se encaminhou
logo à Sacristia, aonde já o esperavaõ trinta e dous Cardeaeí. Revestido pontifical-
mente, foy em Procissaõ para a Igreja , como acompanhamento dos Cardeaes , e
Preladas , e depois de assistir à Missa , que cantou o Cardeal de Santa Ignez , e á
distribuiçaó de trezentos c setenta dotes, dados a outras tantas donzellas para os
seus casamentos , pelos Deputados da Confraria da Annunciada , fez a função
de dar o Pallio da Igreja Archiépiscopal de Auch ao Cardeal de Polignac , fazen-
dolhe presente de tres alfinetes guarnecidos de diamantes , e rubins , de que até»
gorá fe fervia. Depois entrou no Convento , e jantou no refeitório com os Reli
giosos , e com Monsenhores Lercaro , e Finy. Repousou algum espaço na cella>
ae que se servia quando vinha de Benavente a Roma , e voltou de tarde à Igreja,
onde expoz na Capella de S. Domingos as Relíquias dos Santos Martyres Di»
Jecto y e Fiel , para a sagraçaó do Altar de Santa Maria Magdakna , que determi
nava fazer (como fez) na manháa seguinte, para o que prenoirou no dito Con
vento, ena mesma ceíla. A 27. deu. audiência particular ao Embaixador de
Veneza. A,2 8. affistio de manháa a huma Congregação do Santo Qííicio , e de '
tarde se foy divertirão Hospício dos seus Religiosos de Monte-Mario. -,
A 2j^. ouvio o Sermaó , que fez aos Cardeaes o Padre Barberino, Capuçhi»"
nho ,e Pregador ApostoHco. A f o. deu audiência aos seus Ministros i ede taFde
se andou divertindo pelos jardins. A 21, fez a funçaê de benzer a Rosa de Ouro»
que os Papas costumaõ mandar a algumas Princezas Reaes , ou Igrejas insignes»
Nó primeiro de Abril deu audiência ao Cardeal de Polignac , Mihifiro de Fran»
ça5 que lhe communiccu as novas commifloens > que unha recebico da sua.
Corta.
Corte. A 2. se fez "na sua presença huma Congregação dos sagrados Ritos sobre
a Canonização do Beato Luis Gonzaga , e a Beata Ignez de Montepulciano,
Dominica. Hontem fez exame de Bispos , de que se infere haverá Consistório se
creto na semana que vem. Passoule o Decreto para a Canonização do Beato
LuisGonzaga,e acabada a Congregaçaójassilno com os Cardeaes no Palacio Vati
cano ao Sermaó Apostólico.
Concedeo S. Santidade aos Religiosos Dominicos do Collegio de Capranica a
authoridadede dar grãos até o de Doutor inclusivamente ; o que faz diminuir o
numero dos estudantes nos outros Collegios.Estaó para se imprimir as Homilias,
ou Sermoens , que o Pontífice Reynante pregou fendo Arcebispo de Benavente. í
O Cardeal dei Giudice partio com o Duque de Giovenazzo seu irmaó para
Nápoles, donde chegou com toda a iuafamilia o Principe de Monte Miletto.
O Cardeal Coscia está nomeado Protector deAvinhaó, a instancia do Magis
trado daquella Cidade , e partirá qualquer destes dias para Benavente; e leva húa
grande copia de Vestimentas Sagradas de brocado,que se acharaó na casa da guar-
daroupa Apostólica, e hum Pluvial, que mandou de presente a Sua Santidade
a Princeza Eleitoral de Saxonia , para fazer as funçoens da semana Santa , e da
Paschoaj eSua Santidade manda para a Igreja deS. FilippeNeri de Nápoles,
donde o dito Cardeal voltará brevemente a Albano , onde achará a Sua Santi*
dade.
D. Felix Cornejo, Agente delRey de Hespanha, recebeo a 1 7. do paliado hum
Correyo Extraordinário de Madrid , com despachos do Núncio para o Cardeal
Secretario de Estado , e outro para o CardealGiudice, e depois foy ter huma con
ferencia com o Pertendente da Gráa Bretanha , que também recebeo hum Ex-
prélio do Duque de Ormond , que depois de lhe entregar ajs cartas , que trazia,
tontinuou a sua viagem para Hollanda, para pastar (segundo as apparencias) a In
glaterra. O Papa naó tem approvado o procedimento deste Principe com a Prin
ceza lua mulher , e lhe mandou fallar em termos menos agradáveis por dous , ou
tres Cardeaes. A Camera Apostólica recusou darlhe hum quartel da sua pensaô or
dinária , mas naó fez dificuldade de a pagar à Princeza. Dizem , que elle determi
nava ir viver no território da Republica de Veneza , ou na de Luca ; mas que am
bas fazem reparo em o receber , por naó desgostarem a Corte da Gráa Bretanha,
pelo que faz instancias com o Emperador , para que lhe conceda a permiflâó de
ir fazer a sua residência em Bruxellas. 1 ambem le diz , que o mesmo Principe irá
* Veneza elperar ao Principe Jaques Sobieski seu sogro , que vem a Roma ; e que
chegando a esta Curia/ahirá do Mosteiro de Santa Cecília a Princeza sua esposa,
que se acha em termos de convir nesta reconciliação , para o que se tem feito as
mais notáveis diligencias.
Florença 16. de Março.

HA trespara quatro dias , que tem cahido quantidade de neve nas montanha*
vifinhas, e o ar está taó frio , que o Graõ Duque se naó atreveo a apparecef
em publico , e desde entaó tem falecido nesta Cidade perto de 60. pcflbas, c entre
estasalgumasde qualidade. O Marquez Corsini , Capitão das guardas de Sua Alt.
Real , partio para Roma , com instrucçoens particulares sobre os negócios de Itá
lia. Jaques Businello , Residente , que foy da Republica de Veneza tm Nápoles,
gastou por esta Cidade para Milaó , onde vay residir com o mesmo caracter.

. ...... « Mitô
. .Mkto-4.de jbril. t s. ;■■;)

AS novas fortificaçoens de Mantua , e de Pizzighitone se achaô ao présente ná


ultima pcrfeiçaó , e se vay trabalhando agora nas de Cremona , onde oCaf-
tello antigo se converterá em huma Cidadella , para o que mandou o Conde de
Thaun partir daqui quatrocentos gastadores , com alguns Soldados. O General
Zum'jungen chegou aqui de Sicilia , e partio a 24. do mezpassado paraVienna,
donde irâ a Bruxellas a commandar as tropas Imperiaes , que servirera no Paiz
Baixo Austriaco.
Venetç 6. de Abr'ù.

Ç\ Conde de Colloredo , Embaixador do Emperador , fez a sua entrada pubiica


nesta Cidade terça feira de tarde , em que o foraó buscar à Iiha de S. Secun
do , para o conduzirem ao feu Palacio , que tem nesta Cidade Francisco Doria,
Embaixador que foy desta Republica na Corte deVienna, e sessenta Senadores
vestidos emroupas vermelhas, cada quai nafua gondola aquatro remos. Ti-
nhafe armado de fronte do feu Palacio huma fonte , sobre a quai íe via a figura
da Aguia Impérial , de que corria vinho branco , e tinto. De noite esteve illumi-
nado todo o Palacio , e houve dous fogos de artificio. No dia feguinte teve a sua
audiencia pubiica do Doge, e Senado , e acompanhou as suas carras credenciaes
de hum elegantiíEmo discurfo em Italiano. Qumta feira foy nomeado Mons. So-
ranzo , para ir succéder no cargo de Embaixador desta Republica na Corte de
França , a Barbon Morcsíni. A 26. seexpedio daqui hum Express© para Mons.
Gritti , Bailio desta Republica. Os dous Principes de Saxonra-Gotha., que aqui es-
tiveraó vendo os di vertimentos do Carnaval , partiraó para Rorna a ver as cere-
moniasda femanaSanta. Avifase delstria,que o navio Francez , mandado pelo
Capitaó Brunet , que se tinha por perdido ha perto de seis mezes^ fora visto na
ponta do Itfmo.
Começoufe a calçar a grande praça de S. Marcos desta Cidade , com humas
pedras particuiares, e acabada esta obra, se larâ outra semelhante no listaó do meyo>
da praça pequena , e se vaó lavrando os marmores para renavar a escada dos Gi-
gantes. .
Turin 24. de Afarçoi.

X/f Ons. Palavieino , Baraó de S. Remigio , aquem EIRey norneou para Vice-
Rey deSardenha , emlugar do Marquez delMaro , partio daqui a 17. do
çorrente paraGenova > donde se avisa haverse embarcado. lego em hum navio
Francez para aquêlla Uha , onde esta Corte manda augmentar considcravelmentc
as guarnrçoens , e prover as Praças de toda a forte de bastimentos. Mons. Brasi-
cardi deve pafiàr tambem à mesma Uha para mandar astropas , que nella ha, com
© posto de Capitaó GeneraJ , e juntamente o Conde de Morette, que vay para Ce
ntral da Cavailaria. Enttndcfe, que se dará o Regimento^ue tinha Mons. Brafi-
cardi ao Marquez de Carail. Mandaraó-se dar vestidos novos aos dez Batalhoens
de MHicias ,que se mandaó fazer completos. Temse mandado fazer 1 2U. tendas
para as tropas pagas , que fe achaô em Saboya , e n© Piemonte, e rreparar 20U.
hayonetas y e igual riumero de efpingardas em Bergsmo, e Brefeia. Tambem.se
mandaó repairar as ©bras arruinadas das fortificaçoens de Verrua , de Chivas^ e
de Villa nova de Affilées Araiazens de Alexandrie, eCorii seraó providos de mu-
niçoens
. . - >57
iniçoers de guerra , è de toca. Mandão-se guarnecer de paliflãdas esta Cidade, e to
das as mais Praças deste Estado. Reccberao-se estes dias alguns ExpresTòs de Lon
dres , que logo voltarão despach ados para a meíma Corte. O Conde de Cambife,
Embaixador de França, tem frequentes conferencias com o Manquez de Broglio,
e o General Rebinder, Ministros de Sua Mag. e se naó duvida que seja sobre abra
çar o Tratado de Hannover, e que se declare brevemente. Elperase muito cedo
nesta Corte o Conde de Harrac , que vem por Enviado extraordinário do Empe-
rador , e já aqui se achaó alguns criados seus. Esta semana passou ror esta Cidade
hum Expresïo de Vienna , que vay com despachos de summa importância para
o Governador de Milaó , e para os Vice-Reys de Nápoles, e Sicilia. Ef\ erase, que
asdifferenças , que ha entre EIRey , e a Curia de Roma , se comi onhaó breve
mente , e que Sua Mag. será reconhecido Rey de Sardenha pelo Papa.

HELVÉCIA. . "
Scbaffiausm 8. de Abril
Magistrado de Lucerna fez ajuntar todos os seus Cidadãos , e lhes pergunrou
se queriaõ defender as suas liberdades , e privilégios , átjue responderão que
estavaõ prOmptos a expor pela conservação délies as suas vicks , e as suas fazendas.
•Com esta reposta escreveo o Magistrado aos Cantoens Catholicos Romanos , per-
gv.ntandolhes se por virtude da íua aliança, e confederação promettiaó assistirlhes
no caso , que a Corte de Roma os queira obrigar por força a ceder das suas pré
rogatives; ao que lhe responderão favoravelmente os de.Ury, Underwalden,
Zug,e Friburgo.As différer.ças deste ultimo com EIRey Christianillimo, sobre o
pagamento das suas tropas , que servem em França, se achaó ainda no mesmo ci
tado ;easpensoens ficaõ suspendidas com esta occasiaõ. As propostas doAbbade
de S.Braz , Ministro do Emperador , ficarâó deferidas, para a AÍTemblea ordinária
de S.Joaõ. Tem-se reduzido em Berne as novas moedas de França ao seu valor
intrínseco.
Temse levantado Milícias por toda a Alsacia , que se repartirão já em corpos
com bons Officiaes ; e corre por França a voz,de que estas tropas-seraõ de taó bom
•serviçojcomo as regulares. Foy eleito para Bispo de Trento , a, que anda annexa a
dignidade de Príncipe do Sacro Romano Império , o Conde Antonio Domingos
de Wolckenstein. Com as cartas de Modcna se tem a noticia.de se achar pejada a.
Princeza hereditária.
FRANÇA. .:.
-•. . ■ Pari\io.deAbriL . ■_■

HA vendo a Corte sido informada, de que nos Paizes estrangeiros , e principal


mente em Alemanha se publicava, que Sua Mag. se havia separado da alian
ça de Hannover , e ajustado com a Coroa de Flespanba ; mandou escrever ao seu
Secretario , que assiste naDietadeRatistenna^quedecipafie estes falsos ruides,
expressamente espalhados para semear desconfianças entre Sua Mag.Christianifll-
ma , e os Reys da Gráa Bretanha , e Prússia , com os quaes Sua Mag. km resoluto
viver com boa amizade , e intelligencia , sem se apartar nunca da aliança , estipu
lada com elles em Hannover»
A Rainha Christianiffma accrr.parbada de Madrmoisele deCleirrcr.t,ede
Madamoisele de la Roche-sur-yon, Princezas co sngue Real, das sca& Lamas
do Paço , de outras muitas Damas da Corte, e dos f rir.cipaei Cfficiaes da sua Ca-
, ... . ' ■ ' û,
;í*8
sa , foy a 24. cîo corrente do Palacio de Versalhes ao de Vincennes , visitar a Rai
nha viuva de Hespanha , e paíTou pelas muralhas desta Cidade , depois de haver
sido recebida , e comprimentada defronte da porta de Santo Honorio, pelo Se
nado , e pelo Duque de Tremes leu Governador, que lhe roy appresentado pelo
Marquez de Breté , Graó Mestre de ceremonias ; ao passar peia porta de Santo
Antonio, foy salvada com a artelharia da Bastilha , e chegando ao Palacio de Vin
cennes, recebida pela Rainha de Hespanha, e pelos principaes Officiaes da sua Ca
sa , com as mesmas honras, que tefizeraóa ElKey quando no mez de Agosto
passado a foy visitar , e com as mesmas ceremonias , que se observaraó com a pró
pria Senhora em Verlaiihes , quando toy visitar a Suas Magestades. Os Grandes
de Hespanha , e os Cavallciros do Thusaó de ouro , que aqui se achaó, toraó nesta
occasiaóa Vincennes, e acompanharão a Rainha de Heipanha, quando íàhio a
receber a deite Reyno , e quando a reconduzo. Nesta jornada tez a Rainha lan
çar muito dinheiro ao Povo , que tinha concorrido em grande multidão ao ca
minho por onde havia de paíiar,rompendo os ares com acclarnaçoens continuas,
e chegaria a 1 5U. libras , o que nisto se dispendeo. No dia seguinte foy a Vin
cennes o Duque de Gevres , Governador delta Cidade , com o Presidente da Ca
mera , e Senadores islla , para comprimentarem a Rainha Catholica , e lhe offe-
recerem hum presente da parte da Cidade , que constava de vinhos , doces , e ou
tras cousas , que se costunuó mandar em semelhantes occasioens.

HESPANHA.
Madrid 3 o. de Abril.

H Ontem voltou toda a Família Real do sitio do Bom Retiro para o Palacio
desta Villa , onde se tem determinado , que paira a Rainha , que continua
com feliz succeííò a sua prenhez.
A 1 o. deste mez entrarão no porto de Cadiz o paquebote nossa Senhora do
Rosario , que partio de Carthagena da America em 1 1 . de Novembro passado,
com aviso das Províncias da Terra firme;e a fragata nossa Senhora da Esperança,
que sahio em 5. de Dezembro de Guayra,jurisdiçaó de Caracas,com 2 509. tan
gas , e vinte e leis libras de cacao, e dezaleis caixoens, com setenta e cinco arrobas
do mesmo em pasta , e 1402. patacas em moeda de prata.
Por Extraordinário despachado de Ceuta te tem a noticia , de <pe vendo o
Conde de Charny , Governador daquella Praça , o empenho com que os Mou
ros (sempre obstinados em lhe continuar o sitio) trabalhavaó em fortificar o Re-
ducto dos Colorados , que a predominava pela parte direita do campo , intentara
•encaminhar contra elle huma mina para o destruir ; e achando-íejâ em estado
de se lhe dar fogo pela grande actividade, e boa direcção de Dom Filippe de Tor-
tosa , Capitão dos Minadores , dilpoz huma sahida de dous destacamentos , a cu
jos Cabos deu as instrucçoens do que deviaó executar. O primeiro se compunha
dc quatro Companhias de Granadeiros , dos Regimentos de Ceuta, Flandres, pri
meiro Batalhão de Saboya , e segundo de Africa ; de duas Companhias de alter
nação , que se formarão dos Regimentos de Saboya , Africa , c Badajoz , e de
oitenta homens com chuços , e artifícios de fogo ; e para sustentar esta gente seis
Piquetes. Eraõ Capitaensdas primeiras quatro Companhias Dom Braz Ybanhes,
Dom Carlos More , Dom Joaó Vela Carrasco , e Dom Thomásde Vilhegar, das
duas ultimas D. Lburenço Buresta , e D. Joaó Estevão Rodrigues , e Comman-
f ' dante
IJQ
danteJe todos D. André Petit , Ténénte Coronel do Regimento de Flandres. O
segundo destacamento se compunha de tres Companhias de Granadeiros dos Re-
gimentos de Badajoz , Corsega , e segundo Batalhaó de Saboya , de hutm Com-
panhiadedestacamentos, que se formou dos Regimentos de Corsega , e Flan
dres , de hum Piqueté à ordem de D. Joaó Domingos de Aredo , Capitaó do Re
gimento de Saboya , e de cincoenta homens corn chuços , e artisicios de fogo ; e
para sustentar este corpo quatro Piquetés. Eraó Capitaens das quatro Compa
nhias D. Joaó Gallego , D. Francisco Espitalete , D. Joaó Pacheco , e D. Agosti-
nho Vimacarti , e por Cabo deste segundo destacamento D. Manoel da Palma,
Tenente Coronel do Regimento de Ceutá. Promptas estas tropas, e lançandolhes
o Illustriíîì no Bispo a absolviçaó , sahiraô da Praça por quatro partes différen
tes , pelas fête horas e meya da manháa do dia 7. do corrente , todos ao mesmo
tempo corn final dado de tiro de hum morteiro. Levava o primeiro ordem de
atacar o reducto des Colorados. O segundo o da Piçarra , e o da Rocha. O pri
meiro atacou pela srente , c costado da Marinha o dito reducto , ou Forte dos
Colorados , e fe apoderou délie , e das barracas , onde os Mouros tinhaó os feus
retens, discorrendo pelos feus anquesaté o reducto doAlcaidc, eChafariz. O
segundo caminhando pela parte efquerda , se fez senhor dos mencionados redu-
ctos da Rocha , e Piçarra , ediscorreo pelos ataques inimigosatéomesmosicio
doChafanz , e reducto do Alcaide , onde se uniraó ambos , pondo em precipita-
dafu^ida aos Mouros, que pertenderaó refistirlhes , eque receosos de que os
Christáos passastem a diante , se retíraraó com mulheres , filhos } e roupa , para a
montanha. A estcitempo chegaraó os Engenheiros D. Jeronymo de S. Martin , e
D. Domingos Arbnnies com os trabalhadorcs , e dcsfizeraó os ataques-da Rocha,
e da Marinha ; e a gente , que hia com os chuços , e artisicios de fogo , o applica-
raó a toda a parte , queimando as fachinas de toda a obra dos ataques , eas barra
cas dos infieis com muitos , que ainda se conservavaó dentro nellas. Foy taó gran
de o fusto em que os poz este naó esperado ûiccelsoj que chegando ao feu campo
o rebate , naó poderao osCabos confeguir que volcallem a fazer cara aos nolTos,
sem embargo de acompanharem as vòzes com golpes , e pancadas , e tudo quan-
tochegaraoa fazer, foyporemfe alguns nos altos , e outras nasfaldas de/les a
observarnos. Executado tudo o que o Govcrnador ordenara, mandou este que
se retiraflem todos . o que fizeraó com taó boa forma, que os Mouros íe naó atre-
veraó a carregailos,nem a chegaremse a elles,em quanto os naó viraó no caminho
coberta Recobrados entaó do feu terror,vienó em grande numero a reconhecer
as ruinas, que Ihes resultaraó desta acçaó ; e vendo oGovernador a multidaó,que
tinha conconidoao fitio do reducto dos Colorados , mandou dar fogo à mina,
que fe tinha prevenido , com taó feliz fuccesso para os Christáos , que em hum
instante virao voar pelos ares muitos corpos, cujas aimas déploravelmente de setaô
aolugar mais infeiicCienaósófoy este o estrago, porqœ ficoudestruida tam-
bem grande parte do ataque , e cegada toda a sua primeira linha , e costado do>
mar, dilatandose as ruinas por mais de cincoenta braças de comprimento. A
este darano se ajuntou outro , porque concorrendo rouitos a petto defeoberto,
movidos dosdogmas da suafatía Religrsó, para desenterFar, edar fepulturá
mais décente aos que fìcaraó envoítos nas ruinas , se empregou nelles com mayot
effeito todo o fogo da artelharia , mosquetes , e morteiros , perecendo infirriros,
e entre elies alguns de diftinçaó. Naô nos euftoa nette fuccesio mais que a morte
de hum Soldadoj e asferidas de seis3 havendo todos os Officiaes , e Soldados
obrado
i6o
obrado de maneira , que os graduou a sua destrezî na faculdade militar , e naõ
ficou o seu valor devendo nada à honra. O Governador aífistio pessoalmente
aos rastrilhos da parte direita , e o Tenente de Rey D. Gaspar de Antona nos da
esquerda , para darem as ordens , que lhes parecessem convenientes. Os Marque-
zes de Torre mayor , e de Val de Canhas , que se achavaó na Praça , o primeiro
com o posto de Brigadeiro para tazer a rcvilta da sua guarnição , o segundo com
o de Capitaõ , e voluntário , desempenharão, como se esperava, as obrigações doi
seus nascimentos. Durou toda a acçaó pouco mais de quatro horas.

PORTUGAL. ' :
Lisboa 1 6. de Mayo.

ELRey nosso Senhor , que Deos guarde , que a semana passada ti nha ido di-
vertirsecom os Senhores Infantes Dom Francisco , eDom Antonio em hu
ma montaria na serra da Arrábida , e prenoitou na quarta feira em Calh .riz , ca
sa de campo de Dom Francisco de Sousa , se restituhio na quinta feira a esta Ci
dade pelas oito horàs da noite.
Esta ajustado o casamento de Manoel Joaquim Correa de Lacerda Sá e Me
nezes , com a Senhora Dona Bernarda Gabriela de Vilhena e Sottomayor , fi
lha de Rodrigo de Sousa da Sylva , Senhor da Casa<ie Villapouca , e da Senhora
D. Isabel Marinho de Loubeira e Andrade.
Os Monges de S.Bernardo celebrarão Capitulo geral no primeiro do corren
te , no Real Mosteiro de Santa Maria ds Alcobaça , e elegerão unanime , e cano
nicamente para Dom Abbade do mesmo Mosteiro , Esmoler mor de Sua Mages-
tade , Geral, e Reformador da Congregação de S. Bernardo nestes Reynos,ao
Padre Mestre Dom Fr. Bento de Mello , Lente na Universidade de Coimbra , e
Dom Abbade , que havia sido do Collegio de S. Bernardo da mesma Cidade, que
actualmente exercitava o cargo de Progeral, por morte dc seu. predecessor 9
Rev. Fr. Bernardo de Castellobranco. ', _ • .
A nao de guerra Franceza , mandada pelo Capitão Beaumond dé Beauhar-
nois,que se achava surta neste rio, pardo já a 28. do mez passado :para França.
No mesmo dia se fez à vela paraHollanda a nao de guerra Hollahdeza Oostcr-
wyck , mandada pelo Capitaõ Gisberto de Lange ; e o Comboy da mesma Naçaõ
deve partir para o seu Paiz em 2 8. do corrente na conserva das tres naos de guer
ra Lepelaer , Rossum , e Vredenhoff , que se achaó neste porto , commandadas
pelo Fiscal Jacobo Vancopçren.

Imprimio-fe novamente o Epitome das vidas de Santo Antonio de Noto ,e S.


Benedião , pretos , da Ordem de S. Francisco ; vendese na logea de jfCrfõ Rodri
gues Às portas de Santa Catbarina , ena Oficina de Pedro Ferreira ao Arco de
jesusaS.Nicolao.
Sabio a lu\o segundo tomo dos Ramis Ettangelicos do Padre Mejlre Fr. Igna
cio Ramos , Religioso de nossa Senhora do Carmo. Vendese na portaria doseu Con
vento , como também o primeiro tomo.

NaOfûcina dejOSEPH ANTONIO DA SYLVA.


Com todas as licenças necessárias.
Num.zi. t6i

G A Z ETA

OCCIDENTAL,

de S. Magestadc

Quinta seira 13. de Mayo de 1716,

TUR QJJ I A.
Constantinopla 5. de Março.

PRIMEIRA proposta , que o Enviado do Sultaó Estes fez a


esta Corte para preliminar do Tratado da paz , foy esta r Que
o Graô'Senhor restituirá aseu amo todas as conquistas, que tem
feito no Reyno da Perjia , e que todos os Persas , quefe retira
rão deite depois das ultimas perturbacoens ,Jeraõ reftttuidos li
vremente As suas casas , se lhes entregarão assuas fazendas , e
todos go%aráS dosseus privilégios, naõ consentindo, pelo amor
que tem a Nacaõ , que vivaõ desterrados , e dependentes do
favor dos estrangeiros : a que acerescentou , que no caso , que nesta Corte se naõ
aceitassem estas propoíiçoens , tinha ordem para declarar, que íeu amo se empe-;
nhará em se oppor a todos os desígnios , que ella puder formar contra a Pérsia,
com todas as suas forças , e que no caso de necellidade as ajuntará com as do ve- ■
lho Soplii , que naõ he morto , como se divulgou , mas vive , e está à ordem de
íeu amo , para juntamente com elle lançar os surcos de todos os Domínios da-
quelle Reyno. Depois destas propostas , que parecerão exorbitantes ao Sultaó , se
tem mandado fazer preparaçoens , para continuar com mais vigor aquella guerra
14esteanno, e se está dispondo hum grande comboy tic aitelharia , que se ha de
mandar para aquella fronteira; e p.ira o fazer com mais desembaraço , se man
dou assegurar a todos os Ministros das Potencias Christáas, que o Sultaó estàre-,
soluto a observar religiosamente em quanto viver os Tratados de paz , ou tregoa,
que com ellas tem feito. Temse mandado marchar hum grande corpo de tropas,
para reforçar o Exercito Ottomano naquelle Paiz , e se devem fazer tedas as di
ligencias pofliveis para expugnar a Cidade de Hispahan nesta campanha.

X IXGRIA.
ï 6*
I N G R ï a:
Petrisburgo 2. de Abril.
SEgundo os avisos, que se receberão da Pérsia, o Exercito do Sultaó Esres, suc-
ceísor do Principe de Kandahar, augmenta todos os dias a sua força , para fa
zer cara ao dos Turcos , no caso que se naó possa convir em hum ajuste. O que a
nossa Emperatriz tem mandado formar pela parte do mar Caspio consiste em,
8oU. homens , e em lugar dos Regimentos , que para fazer este numero se tira
rão daUkrania Moscovita , se mandarão com a brevidade possível outros para
aquella fromeira , onde se entende que será necessário hum considerável corpo
de tropas , para observar o movimento dos Turcos , que dizem determinaó fazer
huma expedição na Europa com hum Exercito de 2 00U. homens; e que o rom
pimento com este Império he inevitável. Ao menos assim correo aqui por certo
estes dias pa ssados , e se fallava em que o Conde de Romanzoff , nosso Enviado
extraordinário em Constantinopla , se recolheria logo a este Paiz ; porém com o
ultimo Correyo , que se recebeo delle , parece que se mudou de projecto ; e que
o Graõ Senhor persiste na resolução de naó emprender nada contra o teor dos
Tratados con:luidos com a nossaCorte.
Continuaó-se nella osaprestos militares por mar, e por terra. A Armada se
apresta com arnayor pressa , que se pôde imaginar, e será composta, como se as
segura, de 22. naos de guerra, 6. fragatas, e 75. galés de 44. remos cada huma.
Preparase biscouto para 3 oU. homens, que haó de andar embarcados nas ditas
galés por tempo de tres mezes. Tudo estará prompto para sahir no mez de Mayo
próximo. Importará a despeza deste apresto hum milhão e 500U. rubles, que
chega a mais de seis milhoens de cruzados. Dizem , que naõ ha outro designio
mais , que exercitar os Marinheiros , e Soldados , como nos annos precedentes;
mas como se diz tambem,quc devem marchar 1 5. para 1 siU. Cavallos, que faraó
caminho por Polónia , commandados pelo Principe de Gallitzin , que se acha ao
presente na Ukrania , se suspeita , que se f;.r\ projectado alguma expedição con
tra Dinamarca que persiste em naó que,-°r lirgar ao Duque de Holsacia o Duca
do de Selesvicia , que lhe tem usurpado desde o tempo da sua menoridade.
Mons.de Campredon,Ministro de França,teve a 2 o. do mez passado audiência
publicada Emperatriz , e lhe entregou huma carta de Sua Mag. Christianissima.
A 2 1. foy a mesma Senhora acompanhada das Prtncezas suas filhas , edos prin-
cipaes Senhores , e Damas da sua Corte , vestidos de luto apertado , à Igreja de S.
Pedro , e S. Paulo assistir a hum Oficio solemne , que alli fez o Clero do Llcyno
pela alma do Emperador defunto , diante do seu tumulo. No mesmo dia chegou
a esta Cidade o Conde de Rabuttin , Embaixador do Emperador de Alemanha.
A Emperatriz lhe mandou pôr huma guarda à sua porta , e que se lhe façió as
mesmas honras , que até ao presente se tem feito aos Ministros do seu caracter.
Ainda se naó viraó fazer no Paço preparaçoens semelhantes às que se fazem para
o dia da sua primeira audiência publica. Naó se sabem com certeza os negócios
de que vem encarregado, mas entendesc, que conlillem em tratar huma alian
ça offensiva , e defensiva contra os Turcos , cujo grande poder dá já muito ciú
me a estes dous Impérios. A 22. O foy visitar o Barsó deOsterman, Conse
lheiro privado de Sua Magestade Imperial, e no dia seguinte os Ministros , a
quem elle fez notificar a sua chegada. No mesmo dia 22. deu a Emperatriz au
diência de despedida ao Conde de Cedemhiclm , Embaixador delRey.de Sué
cia.
r A 24. se celebrarão solemnemente no Palacio do Principe de Menzikoff as
vodas da Princeza sua filha mais velha , com o Conde de Sapieha moço , Cava
lheiro Polaco de huma grande Casa de Lithuania,filho do Conde de Sapieha, Sta-
roste de Bobruski. Todos os Ministros estrangeiros } e os da Cone aslistiraó nel-
las j e a mesma Emperatriz as honrou com a lua augusta presença ; e ao tempo
que lhes deu 03 parabéns, lhes fez pres ente de dous preciosos anéis, que havia ben
zido o Arcebispo de Novogorodia. Depois roy com toda a familia Imperial para
a fala grande , onde estava armada huma magnifica mesa. Sentouse à maó direita
de Sua Mag. a Duqueza de Holsacia , e à esquerda o Duque. Junto à Duqueza a
Princeza lua irmáa , e ao lado do Duque a Duqueza de Mecklcnburgo. Sentada
a família Imperial mandou a Emperatriz convidar para a sua mesa a noiva, ea
fez assentar entre as duas Princezas luas filhas, depois convidou a Princeza dc
Menzikoff máy da noiva , a Embaixatriz de Suécia , ea alguns Ministros. Nas
antecameras visinhas havia muitas mesas magnificamente preparadas para varias
pessoas de distinçáó. Em quanto durou a cea houve huma excellente musica, e
as saúdes foraó solemnizadas com descargas dc artelharia. Depois das dez horas se
levantou a Emperatriz ; e permittio , que se dançasse na sua presença ; o que naõ
tinha visto em todo o tempo dx sua viuvez. O Palacio dó Principe de Menzikoff
estava todo armado de divilas bem illuminadas , e entre ellas havia huma com as
Armas da sua familia,outra com as da Casa Sapieha. O Conde de Sapieha,a quem
a Emperatriz em obsequio deste casamento , deu huma patente de Feld-Mare
chal dos seus Exércitos , deu a 2 6. outro banquete muy sumptuoso ; e neste dia
fez a Emperatriz honra ao Embaixador,e à Embaixatriz de Suécia de os pór à sua
mesa , e deu ao Embaixador por despedida huma bolça com ^U.ducados de ou
ro, e à Embaixatriz o seu retrato guarnecido de diamantes. Ajo. conferio a Em
peratriz a Ordem de Sarna Catharína à Princeza de Menzikofr.O Baraó de Scha-
phiroff está de partid i para Archangel, e Kolla, onde terá a direcção da pesca das
baleas. Hum dos Académicos da Academia Real das Sciencias desta Corte, tem
emprendído escrever nas línguas Latina , e Rusíìana a vida , e acçoens do Empe-
rador Pedro Alexeo vvitz, para o que le lhe tem fornecido muitos documentos dos
Archivos de Mosco*. Mòns. Osterman passará a Suécia com o caracter de Em
baixador. A Duqueza viuva de Kurlandia partio no mez passado para Mitau, on
de faz a sua residência. Também partio o Principe de Daghestan para a Geórgia^
com o Príncipe Basilio Dolhorucki , que vay mandar as tropas Ruífianas nas ri
beiras do mar Caspio. Naó se falia por hora nos movimentos dos Tártaros da
Krimea.
POLÓNIA.
Farjmia 20. de Abril.
ELRey continuará a sua residência neste Reyno até à Dieta geral , que se ha de
fazer em Grodno no mez de Setembro próximo. Também o Principe Elei
toral naó irá antes deste tempo a Saxonia , easfim mandou voltar do caminho o
seu fato ; e por persuaçaõ deS. Mag. tem mandado convidar a Princeza sua Es
posa para vir a este Rcyno, e residir nelle até o fim do Veraó, e se espera aqui bre
vemente. Parece, que se naó podem ajustar por composição amigável as disse-»
renças deste Reyno com os Protestantes; porque nenhum dos partidos quer ceder.
Os Depurados , que os Senadores nomearão para conferir com os Ministros es
trangeiros sobre este ponto , o nró querem fazer , sem que clks preliminarmente
dem
Ácm satisfação às queixas dos Polacos , e em particular as que pertencem às levai,
da gente, que os Pruffianoscotirinuaó a fazer por força nas terras da Republica;
Os Protestantes deThorn também recusaó entrar em nenhuma negociação, sem
que primeiro se lhes restitua a sua Igreja , e a sua escola. As tropas Prulíianas con-
tinuaó a marchar para as nossas fronteiras. Os Grandes deste Reyno exasperados
contra os Protestantes pela sua exorbitância , desejaó obrigallos pela força das ar
mas a proceder com mais moderação. Temse mandado marchar alguns destaca
mentos para o território de Dantzick , cujo Magistrado tem mandado pôr guar
das- avançadas , para os observar , e reforçallas com algumas Milícias. EIRey as
sinou em 5. do corrente ascartas circulares para os Senadores, e Nobreza dos Pa-
latinados do Reyno , a fim de que os seus habitantes se provejaõ de armas , e este-
jaõ promptos com as mais cousas necessárias, para marcharem com o terceiro avi
so para a parte, que se lhes apontar, entendendo, que esta prevenção causará mais
xeipeito aos inimigos da Republica.
O Principe Dolhorucki , Embaixador daRuffia, depois de haver insistido
fortemente sobre a restituição das Igrejas Gregas , e que este negocio se termine
com preferencia aos mais, teve audiência de despedida delRey , e se prepara para
fe recolherão seu Paiz, tanto que se lhes derem as suas cartas recredenciaes. Mons.
Finch, Ministro da Gráa Bretanha, sem embargo de se achar com grande estima
ção nesta Corte , naó podendo conseguir a sua audiência publica antes da Dieta,
deu parte a EIRey seu amo , que por hum Expresso escreveo a Sua Mag. pedin-
dolhe huma reposta positiva da razaó , que havia para naó admittir ao seu Minis
tro em audiência publica. O Conde de Swerin, Ministro daPruísia, entregou
huma carta delRey seu amo ao Primaz; e dizem, que Sua Mag. Prujsiana,depoif
efe assegurar à Republica da sua amizade , pedio, que se estabelecesse huma Junta,
para dar huma justa satisfação aos negócios da presente conjuntura.
O Conde de Sapieha , Gram Mestre da artelharia do Ducado de Lithuania,
deu parte a Sua Mag. do ajuste do seu casamento comaPrinceza deRaedzivil,
cunhada do General Conde de Flemming, e S. Mag. naó só lho confirmou, mas
em obsequio desta aliança,fez à família de Raedzivil a honra de a pôr à sua mesa.
Ao Principe de Wisno w ieski fez a mercê da Castellania de Cracovia,mas naó de
clarará este titu!o,a que anda annexa a dignidade de primeiro Senador do Reyno,
iena5 na próxima Dieta. O Principe seu irmaõ , que he Graó Chancelier 'da Li
thuania , se acha também nesta Corte, donde partio já o Principe Luis deWir-
temberg para Saxonia ,e partirá o Conde de Saxonia, filho natural delRey, bre
vemente para Pariz. Sua Mag. tem disposto de outros cargos , que se achavaó
vagos, c se vestio de luto apertado com toda a sua Corte, no ultimo do mez passa
do , pela morte do Eleitor de. Baviera. Faleceo o Bispo deZamosckna sua Dio-
cesi na noite de ï 2. para ï 3. de Março , e se referem cousas maravilhosas , fuc-
eedidas na hora do seu transito, que o fazem Venerável na opinião commua..

SUÉCIA.
Stockholm 1 o. de Abril'.

TJ LRey foy a t do passado fazer huma montaria aos Elanos-, nos bosques vi—
sinhos desta Cidade , e matou hum. A 2 5.. se vestio toda a Corte de luto pela
morte de huma Princeza , fliha do Markgrave Alberto de Brandenburgo, tio del-
Reyde fcruffia , c os Miniitros estrangeiros , que aqui se. achrá, fizeraó o mesmo..
No»
No primeiro do corrente partíoSua Mag. paraCnrlesberg a divertirse na caça , e
dizem, que dalli passará a Scania. O gelo tem cessado ha hum mez , e a bahia ,e
porto .desta Cidade se achaõ desembaraçados da congelação , que impediaó a
entrada a vários navios carregados de trigo , e de outros géneros , cuja falta co
meçava a augmentar o seu preço.
Mandouse sahir huma fragata de guerra para Stralsunda , com huma somma
considerável de dinheiro , assim para le continuarem as levas de Soldados , que se
fazem naPomerania Sueca , como para acabar as sorti ficaçocns daquella Cida
de, e da Ilha de Rugen. O Correyo, que o Conde de Freitagh, Ministro Plenipo
tenciário do Emperador , despachou a Vienna , voltou aqui a 2 8. do mez passa
do , e no mesmo dia teve huma conferencia com os Deputados do Senado.
Os Ministros de França, e Gráa Bretanha , depois de naó haverem sido ad-
mittidas as suas propostas nas conferencias, que tiveraó com os nossos Ministros,
pedem outra de novo , mas entendese que EIRey ,e o Senado attendendo às gran
des calamidades, que padeceo o Reyno com huma guerra taó dilatada, cujo dam-
no depende de muitos annos de soccego, naó quererão entrar em Tratado algum,
que obrigue a perdello.
Mons. Rumph , Enviado extraordinário dá Republica de Hollanda , continua
as instancias de se lhe pagarem 1 8oU. escudos, que a Republica emprestou ao
defunto Rey Carlos XII. sobre as Alfandegas de Riga , e os juros vencidos-, a que
respondem os Senadores feus con ferentes , que a Coroa de Suécia naó pôde pagar
estes juros lenaõ do tempo , que logrou as rendas da dita Alfandega > e que para
os mais, devia a Republica recorrer à Emperatriz da Rússia.

D I N A M A R C A.
Copenhaghen 2 o. de Abril..

TT Avendo EIRey tido a noticia , dè que em varias Cortes da Europa se publi-


* cava , que Sua Mag. estava disposto a entrarem ajuste com o Duque de Hol-
sacia , e tinha feito actualmente propostas sobre o Ducado de Seleívicia , man
dou ordens expressas aos seus Ministros , para declararem ser esta voz totalmente
falsa-, e que taó longe se acha dointento de lhe largar o dito Ducado , que nem o
menor lugar delle determinava darlhe. Continuase a preparar a Armada deste
Reyno. Achaóse jápromptas na bahia desta Cidade cinco naos de guerra de li
nha. No fim deste mez sicaráó aparelhadas outras cinco , com duas fragatas, e
tres prahmos , e as mais atéy 5*. de Mayo próximo. Sua Mag. nomeou para Al
mirante General ao Almirante Seestedt , que se incorporará com huma Esquadra
de 2 1 . naos de guerra , que se espera todos os dias de Inglaterra-, Confirmase a
prenhez da Princeza Real. Esperase aqui brevemente Mylord Glcnorchy, Envian
do extraordinário delRey da Gráa Bretanha.

ALEMANHA^
Ham burgo z$.de Abrili , -

Principe Ghristiano Augusto , Duque de Holsacia , falecco repentinamente


na Cidade de Eutin em 2 3. do corrente , de idade de cincoenta e dous an~
nos ; fendo casado com a Princeza Albertina Federica de Baden Durlach , d<
que lhe ficaraõ dous filhos. A noticia, que corria por certa da accessaó da Corei
de
i66
de Suécia ao Tratado de Hannover , se contradiz com a que agora fez o Em»
perador , ao que se tinha feito de aliança defensiva entre a mesnu Coroa , e a da
Rússia , para mutuamente ie abonarem , e defenderem os Estados , que cada
huma poilue, e se entende , que a este se seguirá outro particular, feito entre as
Cortes de Vienna , e Petrisburgo.
- Com o aviso , que se recebeo em Berlin das preparaçoens , que se fazem em
■Polónia , e de se haver formado huma espécie de acantonamento de tropas na
fronteira da Prússia , resolveo Sua Magestade Prussiana , mandar marchar 16U.
homens para aquella parte , e reforçar as guarniçoens de Elbing , Marienburgo,
e outras Praças. As cartas de Hannover dizem , que todas as tropas daquelle Elei
torado tem ordem para se preparar para numa revista , que o General Bulíau de
ve fazer no presente mez.
Vienna 20. de Abril.

O Egundo os avisos , que faz Mons, de Dierling , Residente do Emperador em


P Constantinopla , o Sultaó parece está resoluto a observar huma inteira neutra
lidade , pelo que roca aos Tratados de Vienna , e de Hannover; e naó tem táS pou
co , que fazer na Pérsia , que possa desembaraçar as suas tropas para as empregar
contra os Europeos ; è porque deraõ suspeita de algumas ncgociaçoens particula
res , em prejuízo deita Cone , os muitos Correyos , que a de França manda para
Turquia , mandou S. Mag. insinuar ao Duque de Richelieu , que naó queria con
sentir mais , que os Correyos, que fossem de França para aquelle Paiz , passassem
pc ! os seus Estados.
Recebeo-se aviso de Turin, de haver EIRey de Sardenha abraçado o Tratado
de Hannover , e tem resoluto augmentar as suas tropas até o numero de 40U.
homens , em ordem a pôr hum Exercito em campanha, se tiver occasiaó para
o fazer.
. Sua Magestade Imperial tomou a resolução de querer entrar no Tratado dc
aliança defensiva , concluido em Stockholm, entre a Rússia , e Suécia , em 2 2.
de Fevereiro de 1 7 2 4. e sendo admittido a fazello por aquellas Potencias , fez as-
íignar o acto da sua accessaó a 1 6. do corrente pelos seus Ministros , o que tam
bém fez o Plenipotenciário de Suécia no mesmo dia , e o Ministro da Rússia no
seguinte, ficando por virtude delle estas tres Potencias obrigadas a lazer boa huma
a outra mutuamente a posse dos seus Reynos , Estados , e Províncias.
' Fazem-íe actualmente reclusas em Brisgovia , e Suevia , e se mandaó reforçar
as guarniçoens deFriburgo, e Brisac Fez-se hum contrato com hum homem
de negocio , pelo qual se obriga a fornecer quatro mifeavallos , para remontar a
nossa Cavallaria. O General Baraó de Zumjungen chegou de Sicilia a esta Corte
em 5, do corrente , e se trabalha nas suas instrucçoens para ir mandar as tropas
Imperiaes no Paiz Baixo Austríaco , com a patente dc General supremo delias.
Faleceraõ na noite de 9. para 1 o. do corrente de hum accidente de apo
plexia, em idade de sessenta e hum annos, Francisco Sebastião deThierheim,
Conde do Sacro Romano Império , Baraó de Bibrachzell , e de outras terras,
Conselheiro privado actual de Sua Magestade Imperial,seu Marechal de Campo,
e Gommissario geral das Galés, havendo poucos dias, que tinha alfignádo o con-.
trato do caiamenro da sua filha comoConiledeWailis. A2<r. do passado em
idade de setentaetresannos, Jorge Pancricio Gugkeikie Veinbruc1-, Coronel nas-
tropas Imperiaes > e Commandante de Alba Real 1 a Hungria ;e no j últimos do
* " ditj
dito meZ Joaõ Bernardo, Conde de Oppersdorff , Conselheiro Aulico, e Capitaó
Commandante do Principado de Ratibor na Si lezia Alta.
Arrematou-se a renda do tabaco nos Paizes hereditários do Emperador por
tempo de quatro annos a 400U. florins em cada hum ; cuja renda se augmenta-
rá de 1 00Ù. florins mais no quinto anno. Publicou-se em Praga hum Edito do
Emperador , pelo qual ordena debaixo de rigorosas penas a denunciaçaõ de to
dos os Hereges , que viverem no Reyno de Bohemia , e que os prendaó em sen
do conhecidos. A Marqueza viuva de Pric alcançou do Emperador huma pen-
saõ de 9U. florins cada anno , e outra de tres para a sua filha mais moça , com a
qual se deve retirar para Turin sua pátria.

FRANÇA.
ÍV/X28. de Abril
Ç\ Secretario do Visconde de Andrezel, Embaixador desta Corte em Constan-
tinopla , que aqui se achava por sua ordem , partio hontem com instrucçoens
novas para Marselha , onde se ha de embarcar para Turquia em huma fragata,
que se mandou aprestar para este effeito , e se diz, que as instrucçoens se dirigem
a cultivar a boa amizade entre Sua Mag. Christianiílima ,eo Graó Senhor.
Temse noticia de Hollanda, que todas as Províncias daquella Republica tem
entrado no Tratado de Hannover, excepto Utreque, e Groninque; e que se man
dou ordem ao Vice-Almirante Sommessdyck , para se incorporar com a sua Es
quadra , à que se manda sahir de Inglaterra para aquella parte , commandada
pelo Almirante Joaõ Jennings , a que também se ha de unir Mylord Vere com as
quatro naos de guerra Inglezas , que estaõ no Mediterrâneo.
Continuaó-se as dispoliçoens de guerra na Alsacia, ele tem juntos todos osr
materiaes necessários , para fazer huma ponteSobre o Rheno. Todos os avisos
de Itália confirmaó a noticia , de que os Príncipes daquella Província tem toma
do a resolução de se conservar neutraes na presente conjuntura. O negocio da
Constituição , ou Bulla Unigenitus ,estâ na melma fórma que atégora.
Dous grandes descobrimentos se tem feito neste Reyno , hum o do segredo de
curar o mal de gotta a qualquer pessoa dentro de pouco tempo , outro o das lon
gitudes : o primeiro foy achado por hum famoso Chimico Esguizaro , muy ap-
plicado à faculdade Fisica, o qual curou com elle dentro de quarenta e oito horas
ao Marquez de Fontenas , Tenente General dos Exércitos delRcy, que havia tres
mezesquefe achava lastimosamente afflicto com este achaque, e dentro detaô
Îiouco tempo pode passear sem dor alguma. Do segundo foy inventor hum Re-
rgioíb Capucho do território de Argenteulh, que havia mui to tempo, que tra-
balhava/obre este ponto , com o desejo de ganhar o premio, que Mons, de Mes-
lay deixou à Academia Real das Sciencias , para quem o descobrisse ; e veyo aqui
para ihe communicar o invento.

H E S P A N H A.
Madrid j. de Mayo.
NO primeiro dia deste mez, houve em Palacio beijamaó , e se vestiodegala
toda a Corte , para festejar o nome delRey Catholico , que com o meimo/
motivo deu audiência aos Ministros estrangeiros ; e acabada a função , aflistio S.
Magestade em publico na sua Real Capella , acompanhado do Príncipe com as
ecremonias costumadas.
• . No
*68 . „ ,
No dia antecedente foy em corpo a Academia Real Hespanhola, apprefentar i
Suas Migestadcs o primeiro tomo do Diccisnario da língua Castelhana , que tem
composto , e dado à luz , que a âdmittiraó com a benignidade que costumaõ ; c
havendo a mesma Academia beijado a maó a Suas Magestades,passou a executar
o mesmo com o Principe, que a recebeo com igual agrado.
O governo militar , e politico da Cidade de Jaca , que se achava vago , por ter
panado para o de Ceuta o Tenente General Conde de Charny , que o governava,
Foy conferido por Sua Magestade ao Mariscal de campo D. Pedro Chateauforrj
e a Dom Nicolao do Rego Nunes, Collégial do Collegio de S. Pelayo na Univer
sidade de Salamanca, lhe feza mtrcé da Praça de Ouvidor da Real Audiência de
Canárias.
Faleceo a semana passada nesta Corte, de idade de setenta e quatro annos,Dom
Marcos de Araciel , Coronel do Regimento Real da Artelharia , e Tenente Gene
ral dos Exércitos de S. Mag. a quem sérvio muitos annos com approvaçaó t affina
em Hespanha , como no Estado de Milaõ.

PORTUGAL.
Lisboa 17,. de Mayo.
A Rainha nossa Senhora foy a semana passada a Bellas , ver o Senhor Infante
**D. Carlos, que continua a sua assistência na Casa de campo dos Condes de
Pombeiro , para lograr o ameno dos feus ares ; e hontem foy à Igreja de S. Ro
que , Casa Professa da Companhia , onde se festejava a gloriosa Santa Quitéria,
e à de N. Senhora da Boa Hora, onde se festejava Santa Rita.
Faleceo em 1 5. do corrente a Senhora D.Maria Antonia Catharina.de Loffius,
filha de Luis Peixoto da Sylva, do Conselho de Sua Magestade, seu Conselheiro
da Fazenda , e Provedor das Liziras , e Paus.
Sabbado 1 8. do corrente fizeraõ o seu Capitulo Provincial os Religiosos da
Ordem da Santíssima Trindade , e nelle sahio eleito canonicamente o P. M. Fr*
Simaõ Euangelista.
Desde 5. até 1 8. deste mez entrarão no porto desta Cidade dezanove navios
Inglezes de commercio , quatro Francezes , tres Hollandezes , tres Portuguezes,
e dous Suecos ; e sahiraó com frutos do Paiz para varias partes , vinte e tres Ingle
zes , hum Francez, hum Hollandez , hum Hamburguez, dous Portuguezes , e tres
sitias Hespanholas : ficaó surtos nelle sessenta e dous Inglezes , doze. Francezes,
dez Hollandezes , dous Suecos , hum Hamburguez , hum Genovez , e tres Heí-
panhoes,além dos Nacionaesde guerra, e commercio.

Na logea de Antonio Nunes Correa na rua nova se <vendem os livrosseguin


tes. Os Sermoens do Bispo de Martyria Dom Fr. Chrifto vao de Almeida , qua
tro tomos de quarto, accrescentados nejla ultima imprejjaó com alguns Sermõem.Se-
raõ Politico de quarto , DiálogosApologaes , Aula Politica , e Curia Militar , Ar
te Cabalística, tres tomos de quarto, compoftos por Dom Francisco Manoel de Mel
lo , Arte Espiritual de Meditaçoens, hum tomo. de quarto , Cabo da enganosa es
perança, dous tomos de quarto, compostos pelo Padre Nicolao Fernandes Caliaresy
Prior que foy de S. ChriJipvaS.

NaOtsicina de J O S E P H A NT O N IO D A .S Y L V A, -
Com todas as licenças neçeflarias.
[169

GAZETA

Com Privilegio { dcS.Magestadc

Quinta seira 30. dc Mayo dc 1716»

* ITÁLIA.
Nápoles i. de Abril.
H OM a noticia , de que o Papa determinava vir à Cidade de
Benavente (cuja Prelatura Archiépiscopal ainda em si con
serva) se ajuntou extraordinariamente o Conselho Collatéral
delta Cidade em 16. do mez passado, para deliberar o modo,
com que Sua Santidade devia ser recebido nas fronteiras des
te Reyno , e corre a voz de que nelle se resolveo , que o Car
deal Vice-Rey, que se achava presente, o iria receber na raya:
que se fabricaria huma ponte sobre o rio de Giuriliano , corá
hum arco de triunfo de cada parte , e que Sua Eminência iria acompanhado de
hum destacamento das tropas do Emperador , de dous Cavalheiros Regentes,
dos Secretários de guerra , e Justiça , e de quinze Senhores dos mais qualificados
deste Reyno : que o Papa feria conduzido de Fondi a Gaeta ; e depois por Sesta,
Capua , Matalone , e Montefarchio até Benavente , e que em todos estes lugares
se mandariaó fazer feiras nos dias, em que Sua Santidade estivesie nelles; a fim de
concorrer tudo o necessário para o bom provimento da comitiva, sem custar tan
to a despeza. Mandaraó-se também concertar os caminhos , e fazer outras dispo-
siçoens para o seu recebimento ; porém a semana passada chegou de Roma o Áb-
bade de Akhan , sobrinho do Cardeal Vice-Rey , que deu parte a Sua Eminên
cia da resolução , que Sua Santidade tinha tomado de retard..r esta viagem , e as
sim se mandarão voltar os obreiros , que tinhaó ido a fabricar a ponte , e repairar
as estradas. Os Rendei ros das hervagens^Reaes da Província de Àpuilia mandarão
aqui Deputados , a pedir alguma diminuição da somma , que devem pagar no
Conselho Real da Fazenda no anno presente, segundo o seu lanço, representando
que a grande rriortandade, que houve nos gados , procedida da muita quantidade
oe ne ve que choveo este In/ern?, os tem posto era estado de naõ poderem satis»
fazella. " Y * Aí
*7°
As cartas de Malta de f4. do passado dizem, que o'Graó Mestre tem dado tan
to calor às obras , que se fazem nas fortificaçoens da Cidade , e na Ilha de Gozo,
que ficarão acabadas no Estio próximo ; e que havendo tido noticia de que nas
bahias de Tripoli , e Argel se achavaó aprestando muitas embarcaçoens , para fa-
hirem a corso, passara Sua Emin. ordens para se aparelharem com toda a pressa
todas as naos de guerra , galés, e brigantins da Religião, para dar caça àquelles
bárbaros.
Roma i^.de Abril.
f\ Papa ,que desejava ir residir alguns dias na sua Igreja Archiépiscopal de Be-
^-'navente noReynode Nápoles, deferio a sua viagem para quando estiver
acabado , e prompto para a sua sagraçaó o Templo , que mandou edificar naqueí-
la Gdade, em honra do glorioso S. Filippe Neri ; porém o Cardeal Coscia , que
Sua Santidade nomeou por seu Coadjutor naquella Diocesi , partio daqui a 5. de
tarde para Albano , a ver o Cardeal Paulucci , que alli se acha indisposto , e no
dia seguinte tomou a posta para Benavente com Mons. Genaro , Caudatário, e
Capellaó Secreto de Sua Santidade ; e leva vários ornamentos sagrados para o
novo Templo, e a incumbência de repartir pelos pobres do Arcebispado 1200.
ducados,que para este effeito ha de adiantara Nunciatura de Nápoles. O Cardeal
Marescotti tem renovado as suas instancias ao Papa, para que lhe faça a graça de
lhe deixar ver na sua vida posta no numero dos Santos a Beata Margarida Ma
rescotti sua tia,e dizem se lhe prometteo,que se fará a declaraçaóteom a de outros
Santos no mez de Mayo próximo. A Rosa de ouro , que o Papa benzeo em } 1 .
do mez passado, foy entregue no dia seguinte a D. Placido Pizzangri , Bispo dc
Imeria, e primeiro Abbade dos Religiosos de la Trapa , estabelecidos no Ducado,
de Toscana , para a mandar ao Cardeal Nicolao Carraccioli , Bispo de Capua.
Aehaóse nesta Curia os Principes Joaó Augusto , e Christiano Guilhelroa de
Síxonia-Gotha, que aqui chegarão a 2 . do corrente de Veneza, com hum Prin -
cipedaCasa de Holsacia-Gotorp. O Duque de Guadagnolo , sobrinho do Papa
tnnocencio XIII. tomou posse do cargo de Mestre do Sacro Hospício , que a
Casa Conti exercita ha mais de oitenta annos.
Florença ï 3. de AbriL
C Alla-se muito nesta Corte em huma neutralidade a favor dos Príncipes de Ita»
* lia , e que as Potencias estipulantes do Tratado de Hannover consentem nella.
Dizem , que o Marquez Corsini , que o Graõ Duque mandou a Roma com o ca
racter de Enviado extraordinário * levou particular commissaõ para tratar este ne
gocio com Sua Santidade , e com os Cardeaes Cienfuegos , e Polignac , com os
quaes consta ,que tem tido varias conferencias. Também se diz > queVeneza tstâ
lá declarada neutral , pelo que toca às dependências dos Tratados deVienna,,e
Jíannover. S. A. Real mandou suspender a partida docomboy de muniçoensde
guerra , e boca , que se preparava em Leorne , para se mandar a Porto Ferrayo.0
Embaixador de França teve a sete audiência do GraóDuque,e das Priacezas, com
a occafiaó dopezame da morte do Eleitor de Baviera. Por hum navio chegado de
Alexandria se tem a noticia , de que o novo Baxá do Graó. Cairo foy deposto da
governo , e lestabelecido nejle o antigo..
Milão 14.de Abril..
p Alíava-seem que neste Veraõ se havia de formar neste Paiz juntoa Albo Rhe-
* no hum acampamento de JCU. bomeins de tropas Imperiaes; porém agora se
ftíz j que ss que milittê neste Ducado se naê augmcntaráó já este anno ; e que as
reclu-
«chitas , que se efperaó de Alemanha saó destinadas para os Regimentos , que se
^chaó de guamiçafi nas Praças dos Reynos de Nápoles , e Sicilia. Espera-ie aqai
esta semana o Conde deHarrac , que vay por Enviado extraordinário do Empe
rador à Corte delRey de Sardenha , e a Marqueza de Pric , que íe recolhe.com
sua filha mais moça para a mesma parte. O Marquez de Melei toy elevado por S.
Mag. Imp. à dignidade de Principe do Império , e corre a voz de que alcançará
também o orneio d<.*Correyo môr , e General das Postas de Itália , que vagou por
morte do Marquez de Lofrano.
Á Companhia Oriental de Trieste mandou dous Agentes a esta Cidade , com
procuração para lançarem na arrematação das rendas do tabaco deite Ducado , e
se entende , que se arrematarão no seu lanço , e que também fo rco o nu Imo com
as do sai. O Senado continua a se ajuntar (obre huma Bulla , que se recebeo do
Papa, concernente às immunidades Ecclesiasticas; e naó se cre, que seja recebida
nos Estados de Itália , que o Emperador domina , nem alguns dos Decretos da
Concilio Romano , que ultimamente se fez em S. Joaó de Latrano , cuja publica
ção defendeo já o governo do Reyno de Nápoles.
Turin ï de Abril.
r\ Conde Grossi, Ministro delRey à Republica de Génova , donde foy manda-
do chamar , e chegou aqui pela poíla a 8. do corrente ; partio hoje para Mi-
Jaõ com instrucçoens de S. Mag. para alli com o Marquez Clemente Doria , que
paílã por Embaixador da mesma Republica à Corte do Emperador, intervindo a
mediação do Conde de Thaun , em nome de S. Mag. Imp. ajustar as difíerenças,
*jue ha entre EIRey , e os Genovezes , sobre o que succedeo no porto de Génova
tntreos naturaes, e as embarcaçoens de Onegiia , Cidade marítima de 6". Mag.
na meíma costa do mar Ligurico.
OsGenebrcnses , que se tinhaõ estabelecido nesta Cidade , tiveraó ordem para
entregarem as cartas, que haviaó alcançado de naturalização , e de Cidadãos, e
q ue daqui por diante os q ue quizerem ficar nella ,mandaráó suas mulheres , e kus
filhos para Genebra , e viviraó nas Ostiarias , como os outros commerçantes es
trangeiros , e lò lhes ierá permittido alugar Armazéns, para guardar as suas mer
cadorias , e fazer dormir nelles os leus feitores. A morte do Eleitor de Baviera foy
íiotificada formalmente a esta Corte , e Sua Mag. nomeou logo hum dos Gentis-
•homens da sua Camera para ir a Munick , dar o pezame ao novo Eleitor seu fi
lho , e felicitallo ao mesmo tempo de lhe haver íuccedido na Regência do seu
Eleitorado. A Pnnceza do Piemonte continua felizmente a sua prenhez.
HELVÉCIA.
Berne 20. de Abril.
/"V Conselho grande deste Cantaó se ajuntou a 1 5. do corrente , e propoz fazer
^*/.huma promoção de Ministros de que (e compõem, o que toy regeitaco cora
a pluralidade de 1 44. votos contra O de guerra nomeou dous Inspectores
para irem passar moárra às milícias do Paiz de Vaux, e ver se se achaô bem exerci
tadas. Segunda feira próxima irá o Magistrado em ceremoriaà Casa doConsc-
Iho,para nella receber o juramento de fidelidade de cada Ministro dclle, como he
<ofiúme. OsOfhciaes deste Cantaó, que militaõ em França, partirão no fim
deste mez para os seus postos. As tropas Imperiaes, que deviaó marcher para
Frichtal a reforçar as que alliestaó já, tiversõ orc'em para suspender a marcha;
o que faz persuadir, que naó haverá já guerra este anno ; porque no íempo que a
a ha , ecstumaó os Imperiais guarnecer bem aqv-dla fronteira. As Ç'-rtas de Be-
..j sançoa
*7*
sançon dizem também, se suspendeo no Condado de Borgonha a compra dos ca*
yallos , que se fazia para remontar os Efquadroens, e conduzir o irem da artelha-
ria. Na, Alsacia tudo está com tranquillidade , esóse falia na troca de algumas
guarniçoens. Também naó ha apparencias de que se renove a aliança da Coroa
de França com os Cantoens Protestantes.
Escrevese de Torberg haver alli huma moça , que se tem por beata , da qual
fe conta , que sete annos naó tomou,outro algum alimento mais que leite , eque
ha quatro para cinco mezes , que naó tem comido , nem bebido ; accrescenta-
fe , que mandandose Médicos para examinar a verdade , referirão, que naó faz as
funçoens ordinárias da natureza ; e que affim como fe lhe razia tomar por força
algum caldo , ou carne , vomita tudo com tanta força, que lança languç.Tem-ie-
lhe posto guardas com juramento dado para a vigiarem continuamente , e Monf.
Fischer , que he oGraó Bailio do lugar , teve ^ordem para a observar com muita
exacçaèv :
• ALEMA N H A.
Vunr.a 20. de Abril.
Q Uas Magestades Imperiacs aíliíiiraó com grande devoção às funçoens desta
semana Santa , e a Senhora Emperairiz fez na quinta feira a de lavar os pés a
doze mulheres pobres. O Marquez dei Broglio , Ministro dtlRey de Sarc'enha,
que fez muitas diligencias nesta Corte para persuadir ao Emptrador , que le inté
ressasse pelo seu Soberano na differença , que tinha para ajuítar com a Republica
de Génova sobre o embargo , que esta fez ms embarcaçoens de Oneglia no mez
de Janeiro pjissado , alcançou de Sua Mag, lmp. a offerta da sua mediaçaó; En»
tendese ,que por este meyo virá a terminarse este negocio com satisfação de am
bos os Estados. «
A 1 6. partio desta Cidade hum Official da Corte , para receber , e conduzir a
ella hum Agá Turco , que o Graó Senhor manda residir aqui para cuidar nos seus
■ interesses , e requerer cs que pertencem ao commercio dos seus vassallos. Assegu-
rase,queo General Conde de Mercy partirá brevemente para Siltzia , onde fe
falia em formar hum acampamento de tropas Imperiaes.O cargo de Commiffa-
rio geral de guerra , que tinha o defunto Conde de Thierheim , foy conferido ao
General Conde de Nesselrodt. Corre a voz em Palacio, que o Conde de Wmdis-
gratz, Plenipotenciário que foy do Emperador no Congresso dc Cambray,alcan-
çara o officio de Graó Marechal da Corte , vago por morte do Conde deColio-
redo. O Duque de Richelieu , Embaixador de França , arrendou agora de novo
o magnifico Palacio , e jardim , que tinha o Conde de Thierheim no arrabalde de
Guniendorp. Chegou quarta feira o Marquez Clemente Doria , Enviado da Re
publica de Génova. Mons, de Lancezinsíci , Ministro da RuHia , recebeo novos
plenos poderes da sua Corte para o Tratado, que se negoceya cqm esta , cuja con
clusão naó tem ainda certeza..
PAIZ BAIXO AUSTRÍACO..
BruxeWas 3 o. de Abril.
ESperase aqui ate 1 5. do mez próximo o Marechal Baraó de Zumjungen, que
vem commandar as tropas Imperiaes neste Paiz , e oceuparà o Palacio de Ég-
mond , em que morou o Marquez de Prié defunto. Assegura-fe , que à vista da
presente situação dos negócios da Europa, virá encarregado de instvucçoens muy
particulares para este Paiz , e que logo immediatamente depois da sua chegada se
fará a mudança ordinária , e annualdas guarniçoens. Mandaraó-se a Hollanda. os
Ííflaportes RecesTarios para as equipagens , e movei de Guilhelmo Bofeel , que os
.stados Geraes das Províncias Unidas nomtáraó por íeu Embaixador à Corte de
França. Acabousc já o assento da calçada , que se mandou fazer entre a Cidade de
Ath , e a de Mons , e se espera que fique acabada antes do fim do anno , o que se
rá de grande ventagem para os habitantes do Paiz de Haynault. Haõ-le de formar
nelia tres barreiras , nas quaes se pagarão certos direitos : a importância de hum
servirá para satisfazer o principal , e juros dos ï oU. florins , que as pessoas , que
emprenderaó esta obra pediraó emprestados, para f^zer o assento ; e os outros
dous em pagar a mais delpeza da obra , que chegará a <ícU. florins. A Cidade de
Tournay pede ao governo outra outorga semelhante para fazerem huma calçada,
que vá desde Tournay a Ath. O Projecto, que ttz André Kahne ZclandeZ , para
repairar o porto de Ostende , se naó porá em efftito , e se contentará ao presente
de aprofundar os fossos , e fazer alguns outros reparos nas sorti fica çoens daquella
Cidade , e da de Neuporto , em que se empregarão os ï OoU. florins , que adian
tou o Presidente Fraula , e para este efftito panio jâ daqui o Engenheiro mór
Mons. de Blaussé. Naó obstantes-as dificuldades, que se encontrão em fazer hum
arrendamento geral das rendas do Soberano , se cré , que o governo , a quem che-
gáraó novas ordens da Corte de Vienna , sobre este particular , tornará a prose-
guir este intento. A Senhora Archiduqucza nossa Governadora contir.úa a sua re
gência com muita docilidade, sem que asoccupàçoens do governo lhe embara
cem o exercício dos actos de de voçaó; Na quinta feira Santa lavou os pés a doze
mulheres pobres , das quaes a mais moça tinha ktenta e se te annos , e entre todas
faziaó o computo de 979. Na festa seira mandou soltar das prizoens os culpados
em crimes ligeiros. No Domingo de Fascoa comeo em publico , depois de haver
ido visiur com hum grande cortejo a Igreja de Santa Gudula , e de tarde foy ver.
a milagrosa Imagem de nosia Senhora de Lake.. '
HGLLAN D A.
Haya 5-. de Mayo.
Ç\ S Estados da Província de Hollanda le ajuntarão no ï . do corrente. \roltáraõ
os Deputados, que por parte dos Estados Gcraes foraõ às Pro vincizs de Gro-
ningue , e de Frisia , e deraó parte na sua Assemblea do modo , com que executa»
raó a sua commissaó. Os Embaixadores de Hefpanha , e França , tem tido separa
damente varias conferencias com alguns dos Ministros-da Regência , e o ultimo
despachou na noite de $ o. do passado hum Expresso pára a sua Corte. Mons. Bo*
réel , que vay por Embaixador desta Republica a Pariz, tem já mandado os íeus
coches , e cavallos para aquelle Peyno , e determina partira 6. do corrente. Os
Ministros da Gráa Bretanha , e Pruísa também tem tido varias conferencias com
os Deputados de S. A.P. Faleceo em Orangenstein,com sessenta annos de idade, a
Princeza Henriqueta Amália de Anhalt , viuva do Principe Henrique Casimiro
de Nassau-Dietz , Stathouder de Frisia , avó paterna do Principe Federico Gui*
Ihermo de Oranje , e Nassau , Stathouder das F rovincias de Friíia , Groninguc , c
Gueldres , filha de João Jorge , segundo Principe de Arhíilt-Dessau. Eallaseaqui
cm formar outro congreflo ,para accommodar as différentes pertençoens das Po
tencias da Europa.
G R A N BRETANHA.
_ Londres 9. de Mayo. •
ELRey foy no dia de Páscoa acompanhado do Principe de Galles, e de muitos
Senhores Cavalleiros das Ordens da Jarreteira , e do Banho > com os grandes
collareS
collarcs delias, à Capella Real do Palacio de S. Jayme, onde fizeraó as filas devcv
çocns, ouvindo o Serma5 da Resurreiçaó, que pregou o Arcebispo de Yorck,Es-
mo!cr , e Capellaõ mór de S.Mag. e commungando pela maó do mesmo Prelado.
Antonio Galvaó de Casteliobrinco , Enviado extraordinário de Portugal , fez
celebrar na sua Capella todos os Oífiuos da semana Santa com muita solemnida*
de ; e cantar o Orneio das Trevas na quarta , quinta, e festa feira por todos os Mú
sicos da Opera , a que concorreo hum grande numero de Nobreza , e peíioas de
distinção. O Parlamento se tornou a ajuntar logo no primeiro dia depois das Oi
tavas , e a Camera dos Communs resolveo appresentar a S.Mag. dous Memoriaes;
hum para que se servisse de lhes mandar a ettimaçíó da despeza , que se poderá fa
zer com edificar , e repairar os quartéis dos toldados, e as fortificaçoens no Rey-
no de Escócia : outro para lhes mandar hum rol do gasto, que S.Mag. fez na com
pra da casa do Conde de Ciarendon , e demolição da galaria , que interrompe a
passagem de S. Mag. para a Camera do Parlamento , para cujo effeito as com
prou; ea 2<í. do passado, fazendo huma grande junta sobre o subsidio, resolveo
conceder a EIRey 60U2 3 5. libras esterlinas , para prefazer a diminuição , que
•houve nas quebras da consignação geral de 724U849. do anno , que acabou pe
lo S.Miguel de 1725. Tomaraó-se na mesma Camera as reloluçocns de fazer
desterrar , e conduzir para Paizes distantes aos malfeitores ; e impedirlhes o pode
rem tornar ao Reyno : de se venderem os restos dos bens confiscados em Escócia,
de que se acha de posse a Coroa : de fabricar outra nova ponte sobre o Rio Tami
se: de repairar as estradas publicas; e outras concernentes ao bomgovemo,eâ
commodidade dos povos.
Além das quarenta naos de guerra , que se aprestarão, vinte e huma para o mar
Balthico , doze para o Mediterrâneo, e sete para America, se falia em armar maia
oito da terceira ordem , de quejá se dizem os nomes. O Almirante Francisco Hor
fier se fez à véla a 1 9. do mez passado para as índias Occidentaes , com a sua Es
quadra; e a opinião geral hc, que leva ordem para tomar alguns navios Hespa-
Ohoes , em represália das pyraterias, e damnos, que os da lua guardacosta tem fei
to nos nossos de commercio. Mylord Carpenter , novo Governador da Ilha de
Menorca , partio daqui a 2 2. acompanhado de alguns Ornciaes, para se embar*
cai em em Douvre, e passarem a Gdés , donde proleguiràó a íua viagem por terra
até Marselha, em cujo porto acharáó Mylord Vere,com a sua nap de guerra pa
ra os tomar a bordo , e os conduzir a Porto Mahon.
O Cavalleiro Carlos Wager, Vice-Almirante da Esquadra Vermelha, depois
de haver recebido as suas iníírucçoens, se despedio delRey a 2 3 . do mez passado,
e no dia seguinte partio para Buoy de Nore , donde se fez à véla a 26. com a sua
Esquadra , para o mar Balthico, onde dizem se incorporará com adelRey de Di
namarca , para juntos se opporem a quaesquer emprezas , que intentarem fazer
os Ruífunos. Os vinte c quatro navios ,que a Companhia domar do Sul fez ar*
mar este anno, para irem aGronlandia à pesca das baleas, partirão a 18. para
aquelle Paiz. Dizem , que a mesma Companhia tem emprendido também a pes
ca dos harenques ; e mandado fabricar doze embarcaçoens pequenas para empre
gar nesta empreza. O Cavalleiro Jorze Walton , Contra-Almirante da Esquadra
Azul , se embarcou na nao de guerra Winchester , e passou a Spithead , para se
ajuntar com as outras naos da sua Esquadra.
Pelo Capitaó de huma nao , que chegou de Bombain , e do Forte de S. Jorge,
íe tem a noticia , q ue jqb pyratas , que se tinhaó estabelecido naIlha úc Madagas
car,
<aí ] pot outro nome S. Lourenço , começarão a tratar aos naturaes da terra taõ
cruelmente , que elles exasperados tomarão as armas para se livrarem di.stejugo,
e os matarão todos , excepto doze , que puderaó escapar fugindo para os matos,
onde pouco a pouco virão a perecer; e que havendo chegado huma nao Hollan-
deza , carregada em Batavia, perto do Forte de S. Jorge, Te amotinara a lua equi
pagem , e matando os seus Officiaes , elegera por Capitão a hum Inglez , e se en
tende que viraó a viver como pyratas. O Mestre de outro navio chegado da costa
de Africa , refere o lastimoso succelTò de haver voado com morte de muitas pes
soas o Forte , que tínhamos em Gambea , havendo pegado o fogo casualmente
no Armazém.
Em 1 2 . do mez passado appareceo no Palacio de S. Jayme o rapaz , que foy
achado no bosque de Alemanha , que S. Mag. por exercitar a sua piedade , man
dou trazer a Inglaterra , e ter cuidado delle. Tem a figura humana , e só o nariz
chato como de bogio , os cabellos crespos , e a estatura pequena. Naó le lhe tem
ainda ouvido articular huma só voz , o que faz persuadir, que he surdo ; o Dou
tor Harburthnot , Medico , tem emprendido ensinallo a fallar, para o «me o levou
de Palacio para sua casa.
Fez-sc o enxerto das bexigas na Princez* Maria , filha quarta de Suas Altezas
Reaes , que tem de idade perto de tres anos , c lhe tem já começado a sahir com
muito bom successo , sem febre , nem outro accidente mao.
O Enviado extraordinário delRcy de Marrocos , foy a 1 1 . do mez passado,
com os Duques de Mõntaigue , e de Richemont ver os gabinetes de curiosidades
da Sociedade Real das Sciencias ;e depois ícy recebido por membro da mel ma So
ciedade. Por aviso de Madrid se tem a noticia de que o Duque d e W harton, que
sahio deste Reyno , com o pretexto de ver Mundo, tinha abraçado publicamente
o partido do Pertendente da Grâa Bretanha , que o criou Duque de Northumber*
landia , e Cavalleiro da Ordem da Jarreteira , c o nomeou por leu Embaixador na*
Corte de Hespanha.
Esta manháa pelas oito horas partío desta Cidade Horácio Walpoíe , Embai
xador extraordinário de Sua Mag. a EIRey Qiriftiauiffimo, para se embarcar em
Douvre com sua mulher , e familfa , e voltar a Pariz , donde tinha vindo com li
cença. Sua Mag. passará no princípio da semana próxima para o Palacio de Ken-
fingtou. Espera-se a todo o momento o Conde dê Starremberg , Embaixador do
Emperador , o que dá esperanças de fe achar ainda algum expediente , que poflk.
decipar a. tempestade , de que se vé ameaçada a Europa..

FRANÇA.
Pari\ 5 . de Mayo.
E LR ey determina ir brevemente para Bamboulhet , casa de campo do Conde
cie Tolosa , onde determina affistir algum tempo. A Rainha viuva de Hespa
nha foy a Banhóiet , onde também concorreo Madarna Duqutza deOrleans sua;
máy , qne tem feito, muitas obras novas naqwella casa , e determina aagmentalla
consideravelmente. Esta Rainha determina fazer huma considerável refocma m.
sua Casa , parti cularmente na Cava lhari síã ,, e nas G uardas do Còrpo.
O Duque de Bourbon mandou declarar por Mons. Dodun , Contraio* gene
ral da Fazenda ,, que brevemente se começará a pagar huma grande parte das.dí-
*idas do Estado » para oque-ieach«ójá consipaçoens promptas.Trabalhase era
«arias Pravincias.ao,Reynoem encher de provimentos os Armazéns e os Êispe-
ctores
stóres'de Infantaria tivenóofdensj pará passarem husttì MÕstra geral âsrropasî
posto que se naó ouve já fallar na guerra.
O Conde de Hautfort , Lugar Tenente General da Armada , partio a semana
paíìada para Brest. Entendem alguns , que o Duque de Arenberg , que chegou
de Brabante os dias passados , vem encarregado de algumas commisioens secre
tas. Elperase a toda a hora de Londres Horácio Walpole , Embaixador delRey
da Gráa Bretanha. O Conde de Massey , Embaixador delRey de Sardenha, ti
nha determinado fazer hoje a sua entrada publica. Assegurase , que o Conde de
Ho ym , Embaixador delRey de Polónia , se recolherá brevemente à sua Corte.
O Conde de Bolinville , Enviado do Duque de Lorena , naó espera mais , que a
chegada do Marquez de Steville seu successor , para se restituir ao seu Paiz.
A raridade do dinheiro tem feito levantar consideravelmente o cambio para os
Paizes estrangeiros. Fallase em se buscarem alguns meyos para remediar esta fal
ta , como também o preço da carne , que os marchantes querem vender a tostaó
a libra.
Vários homens scientes de Marselha , tem feito o Projecto de instituir huma
Academia de Sciencias naquella Cidade , de cuja refoluçaõ deraó parte à Corte
por hum Deputado , e Sua Mag. naó só lha approvou , mas os estimula a exe-
cutalla , e o Marechal de Villars lerá o seu Protector.
HESPANHA.
Madrid 14. de Mayo.
Tf Azemse as Preces costumadas em todos os Conventos do Padroado Real , pe-
^ lo feliz successo do parto da Rainha , a cujo fim o Cardeal de Borja visitou
também as nove Casas de nossa Senhora. Em }. do corrente se cobri o na presença
deSua Mag. a primeira vez, como Grande de Hespanha, o Marquez de Valpa-
raiso j sendo seu Padrinho o Duque de Alva , e concorrendo a esta função a
ftiayor parte da Grandeza.
Por Decreto de 2 7. do passado , dirigido ao Conselho de Castella , foy S. Mag-,
servido mandar prorogar por mais tres mezes, que secompriráõ no ultimo de
Agosto deste anno , o termo prescripto , para recolher nas Casas da Moeda os rea-
les , médios reales , e moedas de dous reales de prara antiga , que naó correspon
dem na ley , pezo , e figura aos novamente fabricados , e da mesma sorte toda a
prata , que tem o valor de nova, e corria com este nome ; e os reales de a ocho , e
de a quatro , fabricados em Sevilha no anno de 1 7 1 8. a fim de atalhar os incon
venientes, e prejuízos, que causava a limitação do prazo , que fcconcedeo no
primeiro Decreto.
FORTUGAL
Lisboa $ o. de Mayo.
/"\ Senhor Infante D. Francisco compri o trinta e cinco annos Sabbado passados
por cuja occasiaó se vesti o a Corte de gala , e beijarão a maó a Sua Alteza
muitos Grandes ,e Senhores da Corte.
Foy aceita para Dama da Rainha nossa Senhora, a Senhora D. Marianna Jose
fa de Menezes , filha primeira de D. Diogo de Menezes de Távora, Vedor da
Casa de S. Mag. e fez a sua entrada no Paço no mesmo Sabbado 2 5. do corrente.
Sahiraó a 20. para correr a costa as tres naos de guerra Hollandezas , que se
achavaóneste porto, à ordem do Fiscal Jacobo van Kooperen. '
*~ NâOiïT;ina~de7 O S EP H~A 'N T O N IO~D A S ï L V A.
Com todas as licenças necessárias, ■' '■ - ■ *
ETA

DE LISBOA OCCIDENTAL.
r...s!D :;: * /fiurr^K >
T .?&ns!érJ'fào33 ,j!ôrtí*Y
Com Privilegio
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:vwò? ri m
5*

Quinta feira 6*. dc Junho de


TUR QU IA , ■■>' o
Conftantinopla io*. & Março.
INDA nesta Corte se acha o Ministro do" Sultão Esref; po
rém aslegurase, que partirá brevemente; eque • Graô Vizir
o encarregará de huma carta para seu amo , na qual dizem o
exhorta , naó só a defistir totalmente das suas injustas perten-
çoensj mas a largar todasas conquistas, que tem feito na Pér
sia ; porque de outro modo se verá o Graó Senhor obrigado
a dobrar as forças das suas armas , para se oppor à sua usur
pação, e livrar aquelle Reyno da oppressaô, em que as suas te
merárias idéas o tem posto. O que este Príncipe pertendia com esta Embaixada
«e,que se restituissem à Coroa da Pérsia todas as conquistas , que os Turcos, c
os Rustianos tem feito , com o pretexto de que seu tio o Principe de Kandahar
Miri-Mahamouth, havia sido reconhecido por Cabeça da Regência , naó só pelo
povo , mas ainda pelo Sophi velho , e elle fora o seu legitimo successor ; e que
por consequência naõ devia consentir, que se fizesse desmembramento algum dm
dito Reyno , mas que ficasse inteiramente restabelecido na sua anti gafórma. Es
tas pertençoens,acompanhadas de algumas ameaças , irritarão de tal maneira esta
Corte , que tem resoluto naó ter já com elle nenhuma attençaõ , quando à vista da
carta do Oraó Vizir naó mude de pensamentos , e como a altiveza do seu animo
naó dá esperanças , de que elle se sugeite , se naó à decisão das armas , fé fazem
extraordinárias preparaçoens de guerra, para ie dar fim à conquista de toda a Pér
sia ; porém algumas noticias dizem , que Sultaõ Esref se acha com hum Exercito
taõ poderoso , que he capaz de cobrir a Cidade de Hispahan , Capital daquelle Es
tado. Também corre a voz de que o Principe Tiumas, novdjSophi, le tem sub
metido às condiçosns , que a seu resoeito se estipularão no Tratado , que se con-
cluhio entre esta Correge a da Rullii.0 Agà', que o Sultaó manda a Vienna , vay
Z residir
residir naquelfe Cortceomo Cabeça do eommercio » com poder àe estabelecer
Cônsules na Fronteira ; e partio já a i o. deste mez para Alemanha. ;
MX . .. RÚSSIA. A «■
Petrisburgo 1 6. de Abril.
COntinuaóse com grande frequência as Assembleas do Senado, sobre os negó
cios da presente conjuntura , na presença da nossa Emperatriz, e do Duque de
Holsacia. O Conde de Rabuttin, Embaixador do Emperador de Alemanha , que
faz extraordinárias preparaçoens para a sua entrada publica, também tem tido va
rias audiências particulares de Sua Mag. Imp. e hurm muy dilatada do Baraó de
Osterman , Graõ Chancelier da Rússia , que podem ser a occasiaó de tantos Con
selhos, e Conferencias. Trabalhase com grande calor no apresto da Armada n:vaf,
para que possa sahir ao mar, tanto que as aguas se virem desembaraçadas do gelo.
O numero das galés, que se tem aparelhado este anno em vários portos deste Rey-
no , chega quau a duzentas. Temse mandado fabricar no rio Duna huma nova es
pécie de embarcaçoens, quasi semelhantes a galés , mas com mayor commodWa-
de , para le poderem embarcar em cada huma duzentos ate trezentos homens. A
mayor parte dasnaosde guerra , que se apare ihaõ em Cronsloot , e Cronstadt , se-
achaó ja em estado de se fizerem à vék. Assegurase , que se embarcarão nesta Ar
mada $ oU. homen s de Infanteria , mas naó se divulga a empreza ,a que se enca
minha esta expedição ; só parece excessiva a despeza deste apresto , quando se ou
ve, que se fez só para exercitar Marinheiros , e Soldados. A Emperatriz deu or-
densao Principe de Menzikoff , para fazer marchar para as visinhanças desta Ci
dade , antes do fim do presente mez , trinta Regimentos de Infanteria , e tres de
Cavallaria,que se meterão em quartéis para descançarem, em quanto se naó abre a
campanha. Dizem, que se mandarão marchar brevemente- 1 5. ou 1 6U. homens,
à ordem do Principe de Gallitzin , e que continuarão a sua derrota pelas frontei
ras de Polónia. A Emperatriz fez exercitar repetidas vezes na sua presença os Re
gimentos , que aqui se achaó, e sempre fica muy satisfeita da sua destreza nos mo
vimentos, e manejos.
Osquatro Regimentos, que fe mandarão marchar da Ingermania, chegarão
jà aos quartéis de Riga , aonde se devem encorporar com outros corpos de tropas,
qoeestaó actualmente em marcha. O Conde de Sapieha , que a Emperatriz fez
em 2 1 .do mez passado, seu Feld-Marechaí General, partio para as suas terras , que
*em ho Ducadode Líthuania, donde voltará no principio do Veraó a tomar poflè
deste posto , e exercitallo no Exercito de Sua Mag,
Refôrçafe também todos os dias o nosso Exercito da Pérsia , para onde se tem
mandado muitos Officiaes Generaes , e Engenheiros , para pôr as Fortalezas da-
quesle Paiz era estado, que se possaõ defender bem. O Principe Dolhorouki ,que
ha de ser o seu Commandante Supremo, partio a 4. com o Principe de Daghestan»
e a ^1 . do passado tinhaõ partido para Astrakan trezentos Marinhei ros , que se ti
rarão das nãos da Armada , para irem reforçar a Esquadra , que temos no mar

Os noffesulti-mos avisos de Moscow dizem, que o Comboy, que naquella Ci


dade fe preparava para Astrakan , estavà prempto a se embarcar no rio Volga,
Fazemse marchar também vários Regimentos , para reforçar as tropas, que estão
naUfcrani» ; a fim de poderem fazer cara aosTártaros j que se vaõ ajuncando em
grande numero naquella fronteira. ~j
OConde de Cederahielm t Emhaixador delRey de Suécia , partio daqui para
Sio~
&ôckhòím no primeirodò cotfèwe^èáléffldds préfet
se tazem nesta Corte aos Ernbaixadores > lhe m andou à Einperatûï hum gra ndfc
numero depelles , e éstofos de grande préço ; e a Duqueza dé Hbîfebiaí matitfoui
Condeíïâ lua mulher hum co]ar de perolas , avaliado etn cinco mil rubles, - ' '
P O L t6.
'"■■■t*rf&ti* O N de IJbril.
A 1: ' • O-rìâbo3d«>,
«s
© LRèy p&deceo rit» ptiheipios dette mez alguma sebre repètîdà em rariás séi
** zœris , que o obrigaraó a nàó fahir do feu quarto ; e pendente á soa intíirpoíî*
çaó , deu o Principe Eleitoral feu filho as audiencias costumadas aos Ministros , 6
aos Senadores. S. Mag. scnrio summamente a perda do Condc de Witzdum , seo
Camereiro mór , morto em hum desafio pelo Marquez de S. Gil } tres legoas des-
ta Corte , e sabendo que este se refugiou no Convento dos Padres Theatinos , o
mandou cercar por 1 50. soldados delta guarniçaó, para naó poder escapar ao caf-
rigo; e o Condc de Castelli feu no , General de Batalha das tropasde S. Mag. por
lhe haver emprestado hum cavaîld,teve ordempára fahir do Palacio Real de Sen-
domiría , onde vivia , e se ausentar da Corte. O Principe de Philomarini , Coro-
nel das Guardas do Corpo,tambem pelo mesmo morivo incorreo na desgraça de
S. Mag. que encomendou ao Maréchal da Coroa , fizesse todas as diligencias pos-
siveis pçk> enrregar nas máos da Justiça , e fazer executar nelle as Lcys do Reyno.
O corpo do dehmto mandou EIRey levar para o Cástello Real de Vrabon , don*
de fera conduzido a Saxonia , para se lhe dar sepultura nò jazigo da sua Casa* que
He huma das mais principaes , e a mais rica de Saxonia. Sua Mag. prometteo à
Princeza de Lubomirski sua filha , detomar particular cuidádo da sua Casa.
Publicaraó-sc em Leopoldia , e Lublin as cartas circulares , para a convocaçaô
da Dieta gérai ; e asparticularesdestes dous Palatinadbs se ajtiritâráô no principio
do mez proximo. Os Gencraes fizeraóajuntaralgumastropas nas fronteiras dá
Pruffia,porcautela; e Sua Mag. Pruffiana com este pretexto fezdesfilar outras
lantas para a mefma parte ; c paslbu órdens para logo le reforçarem as guárniçócs
de Elbinga , Mariemburgo , e outras Praças. As tropas de Polonia , e Lithuania
ifcrn ordem para estarem promptas a marchar ; e se diz , que formaràó dous t ou
Cfes corpos >quc paslaráô mostra na presença delHey.
O Principe Dolhoroucki , Embaixador da Ruina, havendolhe chega do pâ
li feu succeísor neste emprego , o Principe setí iobrírtho , teve audiencia de des-
pedida delRey 5 para voftar corií todâ a brèvidade a Petrísburgo. Dizem , que o»
Ministros das Potencias Protestantes tiveraô ordtm de feus amos"? para lahirerri
délia Corte ; e que EIRey os perfuadiò a' sè dilatarem mais algum tempo3 dando-
Ihes esperanças dequè breveménte se p^eráó' fátisfaz er asïûasqueïxas; e que
entretanto se tratá de perlu'adii' á'&s'rh'òrádbres1 de Thorn , à que tóÔ c^ùéirEO infis-
tîr na restituiç&ó da meíma Igrejà'. è dais suas éscolas; S. Mag. dërérmiriá nomear
nissariós',párà'rëgrár', eâjúítáiròs limités d'este Rêyno , Vdti Ducádo dë St-
pettencente á&Empëjsâdor, sèguirido á dèïnárcaeao , q&fëféz' «tfataty

elô Général Bâudít_.


~ ' P K Û- S' S' VA: DàMMï. dtMM
fVfFtll&fâ'ft adiào'ja cfcïri aë' súííVrb^à's'ri'tstî vifínhanca , e J&éifi 'atgotítàí
^ çntradas até o territ«. rio desta Cidadc : 0 nosfo Mágistr'aifô' ésta cóïri grande
vi^ilan-
i8o
vigilância , e tem reforçado as guarniçóens dos fitiosmais expostos. Astropal
Prussianas , que os estaó observando, se tem augmentado até o numero de ï oU.
homens. A Nobreza dos Palatinados de Massuria , e da Polónia Alca , se acha já
montada a cavallo , e fará com os seus criados o numero de 3 oU. peuoas : naó se
sabe o desígnio, que pôde haver formado ; porque nestes redores naó ha forragens
para tanta Cavallaria. O Duque de Mecklenburgo assim como recebeo hum Ex
presso da Corte da Rússia , se começou a aprestar para partir daqui. Entende-)
que haverá sem duvida rompimento } e que a guerra principiará brevemente nc
tas partes.
- ^ y ^ ^ ï A'i ..
Stockholm 2 7. de Abril.
TJ Sta Corte tem sido todos este anno hum Liceo, em que armados de razoens, e
de industrias tem contendido os Ministros das Potencias estrangeiras , procu
rando cada hum grangear para o seu partido a accessaó desta Coroa.Os Ministros
da Rússia , ede Holsacia insistem fortemente , que esta Corte revogue a abonaçaó
prometrida a Dinamarca da poííè,em que está do Ducado de Selelvicia. Ode Di
namarca apoyado dos de França, edaGraa Bretanha representaó pelo modo
mais ferio , que está S. Mag. e o Reyno obrigado a sustentalla ; porque de outro
modo he faltar à fé dos Tratados, e se naó poderá fiar futuramente délies, Huns, e
outros tem tido frequentes conferencias com o Conde de Horne,primeiro Minis-
trode S.Mag. Este se retirou huns dias para huma sua casa de campo, e lá toraó os
Ministros de França , e Gráa Bretanha ter com elle huma conferencia particular}
pertendendo,que ElRey se declare peloTratadode Hannover. O Conde de Spar-
re , que era o seu Ministro conferente,nomeado por Sua Mag. querendo dilatar as
suas negociaçoens , se retirou para as suas terras , com opretexto de querer passar
nellas a festa. O Conde de Freitagh , Embaixador do Êmperador , que se dizia
naó estar ainda em termos de entrar em negociação, por nao querer tratar de Ex»
celjencia mais que ao Conde de Horne >tevea 1 1. huma audiência particular dei- .
Rey , e logo immediatamente expedio dous Correyos , hum para Vienna , outro
para o Conde de Rabuttin,Embaixador Cesareo na Corte da Rússia. Corre a voz,
que brevemente se ouvirá huma noticia de grande importância , e alguns dizemj
que o Êmperador fez accessaó do Tratado da paz concluído em Nydstat , entre
está Coroa, e a da Rússia. A nossa Armada se vay aparelhando com a mayor pres
sa , que ategora. EJRey a foy ver , acompanhado, do Vice-Almirante Toube , e
do Senador Lieven , e deu ordens para se empregar toda a diligencia possivel > a
fim de estar prompta a sahir ao mar no fim de Mayo próximo. Todas as nossas
tropas a tem para estarem promptas a marchar no mesmo tempo. Os Ossiciaes
reformados 3 queestavaõ sem emprego depois da paz, se tem encorporado nos
Regimentos , que se querem fazer completos no principio de Mayo. Os Soldados
novos das reclutas , que se fazem ras Províncias , se nao daraó por listados, e obri
gados às tropas , senaó depois de appresentados ao Deputado , que nomearem os
Estados do Reyno. O General de Batalha Louwen , Director general das forrifi-
caçoens , que partio ha dous mezes para ver o estado das que ha em vários sítios
da Costa, mandou a ElRey , e ao Senado huma memoria dos concertos , que en-
lendeo saó necessários em algumas. ElRey convocou o Senado para saber, se. a
i8i
}ui a copia de Hum Memorial, que deu êm 1 8. de Fevereiro passado
ïag. o Secretario da Embaixada de Dinamarca , no qual lhe dizia Ter
„ ordem delRey seu amo para lhe representar , que tinha aviso certo de que o
5, Duque de Holsacia determinava executar neste Veraó com assistência da Cza-
„ rina da Rússia por mar , e por terra , o pernicioso designio , que tem projectado
„ ha muito tempo contra Sua Magestade Dinamarqueza ; e que assim se achava
„ obrigado a tomar as medidas convenientes para se oppor a esta tmpreza ; mas
que declarava , que as preparaçoens , e aprestos, que tem mandado fazer se naó
encaminhaó a mais , que a evitar os effeitos das ameaças do dito Duque , e que
„ fendo o intento delRey seu amo viver sempre em boa inteliigencia com S. Mag.
Sueca , e observar exactamente os Tratados , concluídos entre os dous Reynos,
„ naó duvidava, que Sua Mag. naó estivesse também do mesmo acordo, e lhe dés-
„ se novas provas da sua amizade; naó dando attençaó alguma às reprefentaçoens,
„ e instancias do dito Duque , e principalmente naó lhe concedendo nada , que
3, podesse ser em prejuízo da Coroa de Dinamarca , e quebrantar por algum mo-
„ do os Tratados , que entre ambos existem.
A este Memorial mandou Sua Mag. responder em 2 8. de Março , e a sua re
posta em substancia dizia Que estimava muito este sinal de amizade , que Sua
,,Mag. Dinamarqueza lhe dava , e a confiança , que delle fazia , communicando -
lhe o motivo dos seus aprestos marciacs; e que estando sempre disposto a ob
servar religiolamenteos Tratados de paz, e convençoens , que tem concluído •
-,,com outras Potencias , podia também segurar a Sua Mag. Dinamarqueza , que
„ executaria pontualmente tudo , o que se tinha estipulado por Tratados entre os
„ dous Reynos , e em toda a occasiaó lhe daria provas de huma amizade , e con-
fiança reciproca , porque também estava persuadido , que Sua Mag. Dinamai—
queza faria da sua parte por contribuir tudo quanto poaesse , para conlervar *
tranquilidade no Norte.
DINAMARCA.
Copmhaghen 7. de May 0.
"P LRey, que se acha ainda com a casa Real em Federicksburgo, veyo a tf, do
■"■"* mez passado a esta Cidade ver o quarto , que se anda armando em Palacio pa
ra a Rainha , que está nas vésperas do seu parto , e quer parir nelle. A í 6\em que
a mesma Senhora comprio annos, se naô fizeraó as festas costumadas, por naó per
turbar as devoçoens da semana Santa, deixandoas reservadaspara depois da Pás
coa. A 4. do corrente de noite lançou ferro nesta bahia com a lua Esquadra, com
posta de2 3.naos de guerra o Cavalleircv Carlos Wager , Vice-Almirante da
Gráa Bretanha. A 6. teve audiência delRey , e lhe appresentou ao Cavalleiro Jor
ge Walton , e aos mais Commandantes , que S. Mag. recebeo com grande cari
nho , convidando ao Vice-Almirante a jantar à sua mesa. Os mais Cabos come
rão também no Paço assistidos dosOtsiciaes de S. Mag. A 8. chegou Mylòrd
Glenorchy , Embaixador delRey da Gráa Bretanha , que gustou nove dias desde
Utreque a est» Cidade ,«5. pela manháa teve audiência dtlRey. Logo que che
gou esta Esquadra , se começou a trabalhar com mayor ânsia em yôr corrente a
Armada Dinamarqueza , de que só havia nove naos aparelhadas. Os Officiât-s do
mar , e Marinheiros- vaó chegando de Noruega, e das outras Prcvincias do Rey-
no. A de Inglaterra está prompta para se fazer à vela para o Balthico com o j ri-
meiro vento favorável, que atégpra esteve contrario ;'e a nossa se iiá incorporar
com ella. Todas as tropas delRey tem ordem para estarem promptas a marchar
até
tê j de hum Senhorio eftl Transylvanie qoe rende tada anno 40U. patâcas.Deai
fe ocargodeCfemiriislario geràlde guerraaoCondedeNeírelíxjth. O Baraó de
Jodicy , que era Enviado da Austrià Baixa na Dieta dos Principes do Imperio,
deve passar a Helvecia com huma commissaó particular.
F R A N Ç A. Pariai $. de Afajo.
LRey Christianiffimo foy a 8. dormir a Ramboulhet; mas voltou a Versalhes
W>3\z 9. à noire. O Gonde de Maffey, Graó Mestre da Artelharia, e Embaixador
extraordinariodelRey deSardenhanesta Corte,feza 5. dò corrente , como se
dizía,a sua entrada publicantsta Cidade, conduzido pelo Duque de Roquelaure,
Maréchal de França, epelo Conde de Monconfeil, Introductor dos Embaixado-
res nos cochesdelRey. Osdo Embaixador eraó quatro muy magnificos , as Jibrés
dos homens de pé o eraó na mesina forma , o feu Estribeiro , e os feus pagens vi-
nhaó a cavallo , e todos ricamente vestidos. Foy hofpedado , e servido tres dias no
Pahcio dos Embaixadores extraordinarios , pelos Officiaes da Casa delRey } com-
primenradoda parte de Sua Mag. pelo Duque de Aumònt , primeïrô Gentil- ho-
mem da sua Caméra ; e da pane da Rainha pelo Marquez de Viilacerf , sefc pri-í
meiro Mordomo. A 7. teve audiencia publica de ambas as Magestàdes , conduzi
do pelo Principe de Lambefc , com o mesmo Introductor ; e depois de haver jan-
tado em Verfalhes,fòy reconduzído a sua casa com as ceremonias costumadas.
As bandeiras das guardas Francezasrbraó bentas pelo Gardeal de Noailhes, Ar-
cebispo desta Gidade,na,Igreja CathedràL Assegurase,-que no caso qôôhajà guer-
ra j o Duque de Berwick ierá querri governe o Exércitodeste Reyno;e que o Du*
que de Bourbon tem achado meyos de tírar 3 o; milhoens de libras para esta des-
peza. O Marquez de Mailleboisj queElReynomeou para iràCorte do Eleitor de
Baviera , com o caracter de feu Enviado extraordinario , partio daqui a 2 . do
corrente ; e dentro de poucos dias partira para Rarisbonna , Mons, de Chavignyi
que S. Mag. Ghrìstianiffima tem nomeado para feu Ministro na Dieta gérai dos
Principes dô Imperio. Trabalhafe no H&fpitai dos Invalrdosem 3 oU.vestidos pa
ra fardar as Mdic,ia&, que de hovo fe formáraó; Vestiraó-se tambem de novo o»
Regiiuentos das guardas Franceza , c Ësguizara , a que se ha de passar mostra bre-
vemente na presença delRey , havendo-o já feito na do Duque de Maine na plena;
de Sablons. O Regimento de Brie , que se aehava vago , se deu aofilho do Prin
cipe dfc TaJmòn t. ; tv-iuH e&vOiwìi v. . ^vjfrjfoqfl. tfr'flfflMBgte.

TT Ojcft célébra em Palacío o arìniveffario do nafcimíetito do Principe nosso St^


"^■-nhor, que entra nos treze annos da sua idade, em cujo obsequio se vestio to-
da a Corte de gala , e todos os Grandes , e Ministres beijaraó as máos a Suas Ma
gestàdes j e Altezas: de noite havetáSerenata publica em Palacio.
:OsReligiòsos Eremitasde Santo' Agostinho tem erigido na sua Igreja de N.Se-
nhora daGraça de Lisboá Oriental ^ huma nova Irmandade, com o tirutode Or--
detn îerceira Aíigustïnianay: que -já emoUtro tempo floreeeo com grande* pro-
gressos,e nomeado paraCorttrttissariodella aoP.M. Fr. Joseph de Santo Antonio,
determihando celebrar esta nova ereçaó com toda a solemnidade no Domingo dò
Esj>iriro Santo , na stja mesma Igreja de N. Senhora da Oraça.
Sahio impreffo,e se <veride no Corvvsnto de N.S.da Graça hum livro, em que Je
tratà dâ origan,? progreffos da attiquiflima. GûïèúTëWirà'Augnfìiniana , cor.i-
velo P.MFr.Joseph de S, Antonio, Cómiffario'd^mesrMÒrd^ì em quarto.
NaOttíoiu dc'jO^ËPH ANTONIO D'A'SJÏÍM*»
Com todas as licenças neceflarias .
G AZ ET A

DE LISBOA OCCIDENTAL.

Com Privilegio dcS.Magcstadc.

Quinta seira 13. de Junho de 1726,

ITÁLIA.
Nasoies 1 6. de Abril.
ELEBROUSE corn grande solemnidade em 2. do corrente
a festa do glorioso S. Francisco de Paula , Fundador da Or*
dem dos Minimos , natural deste Reyno , e Padroeiro delìe,
na Igreja de S. Luis da sua Ordem , onde o Cardeal Vice-
Rey aflïstio ao Sermaó panegyrico dos feus applausos; e naó
foy menos magnifica a festa deste Santo na Fortaleza de Caf-
, tellonovo, na casa onde elle hahitou , e resplandeceo com mi-»
lagres,nosReynadosdos Reys D.Fernando Il.e III.Tem che
gado a Fiume muitos soldados de reclutas para reenchecer os Regimentos Ale
mães , que estaó de guarnição nas- Praças do Reyno de Sicilia.
Escreve-se de Malta , que as naos de guerra , e galés da Religião se achavaõ já
cm estado de sahir do porto , para ir dar caça aos Corsários de Barbaria.
Por cartas de Smirna se tem a noticia , de se haver publicado naquella Cidade,
e na Ilha de Chio , huma ordem do Graó Senhor , pela qual se achaó obrigados
todos os Gregos, e Arménios quealli habitaó, a naõ frequentar outras Igrejas
mais , que as luas Nacionaes ; e que por virtude delia se tinha prezo algumas pes««
soas destas duas Naçoens,que sem embargo da prohibiçaó,tinnaõ assistido ao ser
viço Divino nas dos Catholicos Romanos , e asnaó soltarão sem pagarem huntt
cond emnaçaõ pecuniária : que o Governador de Chio tinha mandado prender, e
carregar de ferros ao Reverendíssimo Bakstiele , Bispo Catholico Romano , que
se achava na mesma Ilha, que também naó cobrou a lua liberdade , sem fazer pri
meiro hum donativo em dinheiro; e que o pretexto da sua priz*ó fora , que des
cendendo de pays Gregos, naturaes daquella Ilha, e naó tendo a protecção de ne
nhuma Potencia Chriltáa , devia ler considerado como súbdito do Graó Senhor,
e affim por consequência obrigado a submeterse às suas ordens.0 Consul de Fran-
Aa ; ça
i86
ça residente emSmírna, deu parte destas violências ao Visconde de Andrezel,
Embaixador delRey Christianissimo em Constantinopla], para se queixar ao Sul-
taõ , e pedirlhe , que mande abrogar a dita ordem.
Roma zy. de Abril, .
O Papa, depois de haver dito Miflâ na Capella de S.Pio do Palacio Vaticano,no
dia 14, do corrente., passou à Capella Sixtma, benzeo , e distribuhio as pal
mas , e ramos, achandose nesta funçaó dezanove Cardcaes, dos quaes foy o Emi-
nentissimo Cienfucgos^uem cantou a Missa. A 1 5. foy visitar o Hospital do Espi
rito Santo , onde confessou alguns enfermos. A 1 6. visitou o Cardeal Paolucci seu
Vigário , e Secretario de Estado , que tinha voltado de Albano no dia precedente ,
e depois o Hospital de N. Senhora da Consolação , onde deu a bençaó do artigo
da morte a hum agonizante. A 1 7. deu a Communhaõ da Pafchoa aos Prelados,
Omciaes , e mais domésticos do Palacio ; e com este exemplo fizeraó os C irdeaes
o mesmo em suas casas. De tarde affistio ao oScio das Trevas. Na Quinta feira
Santa benzeo os Santos Óleos na Capella Sixtina , donde depois de haver celebra
do Missa, levou o Santiflìmo'Sacranento para a Capella Paulina , e passando de
pois à tribuna do Pórtico de S. Pedr>r, se leo na sua presença a Bulla da Cea, e deu
a bençaó ao Povo,que se tinha ajuntado naquella praça. Passou à Sala Ducal, on
de lavou os pés , e sérvio à mesa a doze Sacerdotes pobres , estrangeiros. Na festa
feira affistio na Capella Sixtina à adoração da Cruz , e a todo o Oííicio , acompa
nhado dc dezanove Cardeaes , e do Condestable Colonna , que ficáraó jantando
em]Palacio , como no dia antecedente. No Domingo de Pafchoa , depois de ha
ver consagrado hum Cálix novo de ouro, guarnecido de diamantes , e outras pe
dras preciosas", desceo à Basílica Vaticana , onde celebrou a Missa assistido de vá
rios Cardeaes , do Condestable Coknna, Principe do Sólio , do Duque de Gua-
dagnolo , Mestre do Sacro Hospício Apostólico, do Prior , e Conservadores da
Povo Romano , e do Embaixador de Bolonha ; e acabada a'Missa foy em Procis
são à tribuna do Pórtico lançar a bençaó ao Povo com Indulgência plenária.
Mandou S. Santidade ordens a Civitavechia para se armarem duas galés, e pas
sarem à costa de Toscana , a esperar a Rainha viuva de Hespánha D. Marianna
de Neuburgo , que se espera nesta Corte. Assegurasè , que o Pertendente daGráa
Bretanha está disposto a despediro Conde , e Condessa de Invernessà , para facili
tar a reconciliação com a Princeza sua mulher , que da sua parte despedirá tam
bém Madamoiselle de Scheldon. Doze Cardeaes visitarão a este Principe, e depois
a Princeza sua mulher para lhes darem as boas festas. O Embaixador de .Malta
teve huma larga audiência de Sua Santidade. ODaquedeGuadagnolotomou
pode dos feudos de Poli , e Catena , de que o Cavalleiro de Malta, seu irmaõ niais
velho , fica conservando os títulos de Duque. Achaó-se ao presente vagos sete Ca-
pellos de Cardeaes.
Florença 19. de Abril.
/"\ Graõ Duque continua a lograr perfeita disposiçaó , e na semana Santa visitou
^varias Igrejas, e fez muitos actos de piedade. Também Sua Alt. Real foy a
Monte Oliveto ver a feira , e a Princeza Leonora se acha em Villa de Campo. O *
Conde de Watzdorff , Ministro de Polónia, voltou de Leorne a esta Corte, onde
se tem sentido tres, ou quatro tremores na terra aflaz consideráveis, e o ultimo foy
st i 9. de noite , mas naó fizeraó damno considerável. Com atartanaS.Cietano,
chegada de Tripoli , se tem a noticia , de que indo para aquelle porto com passa
porte do Bey j hum barco pequeno dc Malta cora dezoito Turcos , que se tinhaõ
manda
187
mandado resgatar pela Regência, fora obrigado por huma tempestade a lançar
serro em hum lugar daquella costa ao Leste de Tripoli , onde os mesmos Turcos
lhe pedirão , que os puzessem em terra para proseguirem dalJi ajornada para suas
casas; mas que havendo chegado a Tripoli , c dando parte deste successo , se fize-
raó logo à vela dous corsários a buscar a embarcação Malteza , e sem embargo
do passaporte a tomarão, e fizeraó escravas todas as pessoas da lua equipagem. Por
via de Tunes se receberão cartas de Argel dc 1 3. de Março , as quaes dizem , que
tres dos seus corsários se haviaó recolhido, depois de cinco semanas de corso, lem
preza alguma , mas que ficavaó tres , ou quatro aparelhandose para sahir ao mar.
As ultimas cartas dascostas de Barbaria dizem , que todos os navios corsários de
Tri poli , c Tunes se achavaó desarmados nos seus portos.
Genina 7. de Mayo.
TJ M 14. do m ez passado partirão deste porto duas galés da Republica , para fe-
*-* varem à Ilha de Córsega os novos Omciaes, que este annoforaó eleitos para o
sctí governo, e reconduzirem aqui os que acabarão os dous annos , que alli costu-
maõ ter de duração os empregos. Moni. de Mari se aproveitou desta occasiaó,para
voltarpara o seu Bispado de Adiazzo. No primeiro do corrente faleceo nesta Ci
dade , em idade de oitenta e quatro annos , o Cardeal Lourenço Fiesehi, noflo na
tural , e nosso Arcebispo, que no dia 5. foy sepultado com grande pompa em húa
Capella, que a sua família tem na Igreja Metropolitana, na qual ie lhe construhio
hum magnifico mausoleo, e todo o Templo citava adornado de hieroglificos , e
in seripcoens , assisti ndo ao seu funeral o Doge , e todos os Ministros do governo.
Também se tem a noticia de haver falecido em Faenza,com sessenta e tres annos de
idade, o Cardeal Julio Piazza, natural de Forli, e Bispo da mesma Cidade de Facn-
za , creado Cardeal pelo Papa Clemente XI. em 1 p. de Mayo de 1 7 1 2.
Escrevese de Marselha , acharse alli armando a galé Patrona Real com toda a
pressa , para íe embarcar nella a Rainha de Hespanha , viuva delRey D. Carlos II.
que determina vir « Parma , ver a Duqucza sua irmáa ; passar depois em romaria
a Casa do Loreto , e dalli a Roma , para ficar vivendo naquella Cidade.
Feneza 2 7. de Abril,
h Festa do Euangelista S. Marcos , Protector desta Republica , se celebrou an-
tehontem na Igreja Ducal , que lhe he dedicada, com as ceremonias costuma
das, affistindo a ella publicamente o Doge , acompanhado do Núncio do Papa,
do Embaixador do Emperador , e do Senado. Todas as Confrarias grandes foraó
neste dia em Procissaó à mesma Igreja, e depois de acabados os Orhcios Divinos,
deu o Doge hum magnifico jantar , achandosc o Palacio armado com as ricas ta-
pessarias , e moveis da sua casa , o que fez concorrer a elle hum grande numero de
Povo, e de mascaras. A 2 2. se ajuntou o Conselho grande, e elegeo para Provedor
General da Armada naval desta Republica, a Jorge Grimani, que já teve o posto
de Capitão das galeassas.
Recebeosc aviso de Constantinopla por via de Vienna , em cartas de 1 8. de
Março passado , que dizem , que se trabalhava nos arscnaes daquella Cidade , por
ordem do Graó Senhorim hum considerável apresto naval ; que o Graõ Vizir ti
nha mandado vários Engenheiros averasfortificaçoensdasPraças,qae S. Alt.
pbssue da parte da Europa , e particularmente as da Moldávia , e Valaquia , que se
tem mandado ordem ao Baxá de Babilónia , para marchar com o seu Exercito
contra Hispahan, e aos Baxás Abdula , e Cuproli , para fazerem avançar as tro
pas , que commandaô para a parte de Casbin , Gdade situada entre a de Taurisio ,
cfrdeHispâhan. MM
■ 88
Mila!) $ o. de Abril.
O Conde de Thaun nosso governador , sem embargo de se achar de'cama , por
causa do achaque de gotta que padece, naó deixa de applicar todo o seu cui«
dado ao governo ; e nomeou para ir por Enviado à Corte do Duque de Parma o
Conde Arconati , e para ir à de Modena o Conde de Besorri com o mesmo cara
cter , ambos para agradecerem a estes Principes os parabéns , que lhe mandarão
de vir governar este Estado. Mons. Zucatto , Residente da Republica de Veneza,
teve já audiência de despedida do Conde Governador , e se despedio também do
Arcebispo desta Cidade , com que naó espera mais , que a chegada de Jaques Bu-
scnello leu succeflbr, para se recolher a Veneza. A Camera Real desta Cidade teve
ordem da Corte de Vienna, para naó fazer pagamento a nenhuma pessoa ,sem es
pecial ordem aífignada por S.Mag. Imp.Assegura-se,que o Emperador tem cedi
do a EIRey de Sardenha a suprema jurisdição, e soberania de dez feudos Impe-
riaes neste Estado , no destricto que chamaó dos Langues , mediante a iòmma de
5 ooU. patacas. . , -.- ■■*•
Turin 27. de Abril.
TJ LRey se acha inteiramente convalecido do grande accidente de gotta,que pa—
deceo , e affistio a todos os OíRcios da semana Santa. Quarta feira foy com o
Principe Real para a sua casa de campo da Veneria , onde S. A. Real se andou di
vertindo na caca , e hontem à noite se restituiraó a esta Cidade. A Princeza do Pie
monte tem entrado nó mez oitavo da sua prenhez. Receberão- se vários despachos;
de Sardenha por huma falua daquella Ilha , que chegou a Génova. Dizem, que o
Governador de Milaõ tem ordem de fizer offertas ventajosas a esta Corte , para.
ã persuadir a entrar no Tratado de Vienna. . t
ALEMANHA.
Vienna. 4. de Mayo.
/*\ Eniperador tem ajuntado varias vezes o seu Conselho em Laxemburgo.VoI-
v>/ tou despachado para Madrid o Expresso , que tinha chegado daquella Corte.-
O Conde de Sinrzendorffpartio para Munick , com quatro ieges de post*, c húa~
grande comitiva. Chegou outro novo Expresso de Lorena , sobre cujos despachos
se tem feito algumas represcntaçoens ao Duque de Richelieu , Embaixador de
França. Publicase, que a 2 8. deste mez aHiaaráó os Ministros de Rufïïa , e Suécia
hum acto de accessaó ao Tratado de Vienna ; e que os Eleitores de Colónia ,e de
Baviera entrarão também no mesmo Tratado. Os Ministros de França , de Gráa
Bretanha , e Prusiia , tem renovado as suas queixas nesta Corte , sobre os papeis,
que continuamente le publicaó contra o Tratado de Hannover.
Em 2 o. do mez passado pela manháa pegou o fogo na Olharia do Cordeiro,
no arrabalde de Itália ,.e communicandoie as casas visinhas , consumio no espaço
de dous dias , que durou , dezoito propriedades. O Conselho Aulico propõem
annullar a sentença , que deraõ osConimissarios dcIRey de Dinamarca contra o
Conde de Rantzau , e deve nomear Commissarios para terminar a contestação
deste Principe com o Magistrado de Hamburgo , sobre as novas obras, que elle.'
faz no porto de Althena.
O conselho de guerra approvou o contrato , que se tem feito com dous Judeos
commerciantes , para o fornecimento de 4U. cavallos, que se devem repartir por
vários Regimentos , e novamente se lhes encarregarão mais 8U. que devera for-; .
necer antes do fim de Julho»
. - 183
- Ratisbonm p. de Mayo.
A Vifase de Munick, que na primeira audiência solemne, que o Conde deSint»
** zendorf , Embaixador do Emperador , teve do Eleitor de Baviera , veyoSua
Alt. Eleit. esperallo à ultima Camera , e em quanto duraraó os comprimentos , e
proposta estiveraó ambos cubertos , na conformidade do cérémonial , que se fez.
noannode 1662. Dizem, queajoya , que sedará a este Embaixador valerá
50U. patacas. As cartas de Leypsick referem, que terça feira paflâda houvera
hum grande incêndio na Cidade de Gorlitz, no qual se reduzirão em cinza 170.
moradas de casas , e em huma delias hvu máy com hum filho de quatorze annos.
As de Heydelberg dizem, que na Alsacia Alta estaó todas as tropas aparelhadas
para entrar em campanha , e que se tem cortado huma grande quantidade de ar
vores para fazer estacas. Hontem passou hum Expresso por Francfort para Ma-
nheim , a levar a noticia ao Landgrave de Halfia-Darmltad , e ao Principe herdei
ro seu filho , de haver parido a Prínccza sua mulher hum Principe com bom suc-
cesso.
Os avisos de Mecklemburgo dizem, que o Commandante da Fortaleza de Do-
mitz , tivera ordem do Duque leu Soberano , para fazer tanta gente quanta fosie
possível , para reforçar a guarnição daquella Praça , que se compõem ao presen
te de }U. homens. Os affeiçoados a este Duque dizem , que os seus negócios mu
darão brevemente de semblante , com hum considerável ioccorro de certa Poten
cia estrangeira ; e que S. A. se preparava em Dantzick para. partir daquella Cida
de com toda a sua comitiva , mas que se naõ lábia se era para voltar aos seus Esta
dos, ou para ir a Mittau ,onde ao presente se acha a Duqueza sua mulher.
HOLLANDi
Haya 1 7. de Mayo.
Ç\ S Estados de Hollanda , e Frizia Occidental se scparáraó ali. do corrente,.
^-^ ficando ajustados para se ajuntarem outra vez a 2 9. em cujo tempo se espe-
raó aqui Deputados extraordinários de Zelanda , para se proceder à nome.içaõ de
hum novo Secretario de Registo do alto Conselho. Esta-íe imprimindo' hum De
creto dos Estados Geraes , o qual se ha de mandar a todas as Províncias desta Re
publica , para fc publicar nellas , e a sua matéria he esta ; que attendendo S.A.P. às-
rigorosas leys estabelecidas em França , contra as succeflòens , ou heranças per
tencentes aos Francezes , que depois do Edito do anno de 1 66 o. deixáraõ aquelle
Reyno , e se refugiarão neste Paiz, ou aos filhos , que nelle lhes nascerão , houve-
raó por bem renovar , e amplificar a sua ordenação de 5 I* de Outubro de 1 709.
pela qual os súbditos delRey Chnflianissimo naõ podem herdar nada dos seus pa
rentes , que viverem neste Paiz. Escreve-se de Francker , que o Principe de Nas
sau-Orange , Stadhouder hereditário de Frizia , chegou a 2. do corrente àquella
Cidade ,onde fora recebido pelo Magistrado delia , e salvado com toda a sua ar-
telharia , e dspois convidado a jantar na casa do Senado , que logo no dia seguinte,
entrara na Universidade com a resolução de ficar estudando nella.Mons. Boreel,.
que a Republica nomeou para seu Embaixador na Corte de França,partia daqui a
6. para Pariz. Mons, de Oliveira,Secretano da Embaixada de Hespanha,csiá de
partida para Helvécia , onde vay residir com o caracter de Residente de Sua Ma-
gestade Catholica.
A reposta, que S.A.P. deraó ao Marquez de S.Fílippe , sobre o Alemorial que
lhes tinha dado , com renovação das osfertas da mediação de S. Mag. para cem-
pofiçaõ das differenças , que existem entre o Emperador , e S. A. P. lebre o com^
mercifl|
mercio do Paiz Bi xo Austríaco nas índias, de que se tem promettido notícia,conï
tinha em substancia „ Que S.A.P. sentiaó , que sem o saberem, hajaó dado otca-
„ fiaó a se verem privados alguns dias, de mais representacoens do dito Marqut z,
„ o que naó houvera succedido,se tiveílém dado reposta a cana com que S. Mag.
Catholica os quiz honrar ; que a razaó porque logo o naó fizeraó , naó fora tan-
„ to , porque ella naó vinha eicrita na lingua , em que S. Mag. e os Rtys seus pre-
„ deceslbres coítumavaó escrevera S. A. P. nem por vir aífignada na tórma, que
„ os Reys de Hespanha costumaó aílígnar as ordens , que mandaó aos seus lubdi-
„ tos , e naó como costumaó aílígnar as cartas que escrevem a Principes , e Esta-
do s Soberanos , e por estar aslignada de outro modo do que S. Mag. o razia em
,, outro tempo , e o tinhaó feito sempre os seus Sereniffimos predeceslores nascar-
„ tas , que elcreveraó a S. A. P. (dous defeitos nas formalidades , que S. A.P. naó
podiaó deixar de notar, como humacousa extraordinária , ainda que maisde-
„ preslã attribuida a algum abuso , que houve na Secretaria , que a algum intento
j, de fazer injuria à Republica) porém que a verdadeira razsó fora o considera-
„ rem , que tinha sido escrita quasi no mesmo tempo , que S. A.P. pela sua resolu-
„ çaó de 24. de Janeiro reíponderaõ aos Memoriaes do Secretario Oliveira , cuja
substancia era a mesma , que o theor da dita carta , persuadindose , que em che-
„ gando à noticia de S. Mag. se daria por respondido ; porque em quanto ao que
a dita carta contém de mais , que he ló huma declaração ca estreita aliança , em
„ que S. Mag. tem entrado com o Emperador para em todas as occafioens em tuâo)
5, e em ordem a todos , r.aõfazer mais que huma causa commt. a cem S. Mag. Imp.
e da intenção de S. Mag. satisfazer a estes empenhos , S. A. P. 1 aó poderaó con-
„ siderar esta declaração mais, que como huma noticia, que S. N'ag. lhes quiz dar,
„ para que sobre ella podeslem fazer as suas reflexoens , e tomor as suas medidas,
sem que Sua Mag. como elles suppoem , esperase sobre isto a sua reposta ; e que
„ sendo o referido a verdadeira razão , porque S. A.P. naó responderão à dita car-
„ ta, estimaõ saber, que disto lhe naó resultou algum outro inconveniente, se naó
„ o receberem alguns dias mais tarde a representação contheuda no Memoriai,
„ que o Marquez lhes appresentou.
„ Que tem visto com muito gosto a nova asseveração , que lhes faz do sincero
,, intento , e zelo de Sua Mag. para conservação da tranquillidade publica da Eu-
„ ropa , e da sua amizade para a Republica , como também a sua exacçaó na ob-
,, servancia dos Tratados ; que S. A. P. eíperaó , e se persuadem , que nem Sua
„ Mag. nem ninguém possa ter délies outra opiniaó , fenaó que a conservação do
„ repouso publico está tanto nos feus coraçoens ,'como no dos que mais a desc-
„ jao ; que S. A. P. se alegrarão quando souberaó , que estava concluída a paz en-
„ tre o Emperador , e Sua Mag. sem entrarem em nenhum ciúme , nem susto ; e
„ que ainda que Sua Mag. Catholica quiz sacrificar alguns dos seus propnos in-
teressès à tranquillidade publica , S. A. P. tem este sacrifício por hum effeito do
„ pacifico animo de Sua Mag. e por huma acçaómuy louvável , Je desejaó de
„ todo o coraçaó , que esta paz , e o repouso publico possaó subsistir dilatados
„annos; que naó he esta paz, nem o Tratado porque ella seconcluhio, o que
,, lhes causa a sua inquietação ; que esta lhes procede do Tratado de commercio,
j. concluído depois da dita paz , entre o Emperador, e Sua Mag. Catholica , e dos
„ empenhos , que a ella se lhe seguirão , pois por elle relòlveo Sua Mag. sacrificar
„ naó só os seus próprios interesses , mas também os dos outros ; e particularmente
,,' os da Republica, e isto em hum ponto taó essencial , e taó sensive! , como he 0/
' - j,com
comniercio do Paiz Baixo Austríaco nas índias, o quê se encaminha a hum
prejuízo extremo da Republica, tanto em ordem ao damno , que cila padece,
„ como pelo que toca à contravenção do Tratado de Munster, e do que secon-
4, cluhio em Utreque entre S. Mas. e S. A. P. em 16. dé Junho de 1 7 1 4. o qual
„ tem por fundamento o de Munster ; e ainda que no dito Memorial se allègue,
j,,que Sua dita Mig. a respeito desta contravenção, naó estivesse já domeîmo
acordo , em que estava antes da paz concluída com o Emperador, que com tu*
do este ponto naó mudou de natureza , como também, que S. A. P. naó podem
mudar de parecer , com que olhaõ a mencionada navegação nas índias , como
», huma contravenção , que lhes he prejudicial a elles, aos Tratados , e aos que
„ existem entre S. Mag. Catholica , e a sua Republica , como expressamente se diz
no artigo nono do Tratado de Utreque , Que nem Sua Mag. nem S. A.P. con-
nsentirao em nenhum Tratado , que pojja fazer prejuízo a hum , ou a outro , ap
„ que S. A.P. crem ser contrario o empenho, que Sua Mag. tomou em ordem ao
commercio de Ostende nas índias.
A continuação desta repostase dará nas Gazetasseguintes.
G R A N BRETANHA.
Londres 21.de Mayo. >
ELRey partio do Palacio de S. Jayme com as Princezas Anna , Amália , e Ca
rolina suas netas para o de Kesington , o le determinaó passar o Veraó. A
Corte de Suas Altezas Reaes Principe , e Prinzeza de Galles , também se mudará a
2. de Junho doPalaciode Lsycester para ode Richemond. Segunda feira se fez
no Hydepark a revista de varias tropas de Cavallaria , e das Guardas dos Grana
deiros Je Cavallo, e festa feira huma mostra geral do Regimento deDragqens do
General Evans, a quem o Civulieiro Carlos vViNs vio fazer exercício a pé,e a ça-
vallo , e os achou bem disciplinados. Estes fahiraó de Chre wsbury , divididos em
varias Esquadras , e partirão por différentes caminhos para Honslow , onde Sua
Mag. os verá também exercitar. Qiurta feira da semana passada se embarcou no
rio desta Cidade o Sargento mayor Gordon para o seu governo de Pensilvânia.
O Cavalleiro Joaó Jennings , e o Almirante Hopfon estaó promptos a se fazer à
véla para o Mediterrâneo com huma Esquadra de dezaseis navios de guerra. O
Mestre de hum navio chega lo de Málaga refere , haverem encontrado a 1 2. do
corrente , vinte legoas a Oeste do Cibo de Finisterre , a Esquadra do Almirante
Francisco Hossier , destinada para a America , seguindo o rumo do Sulsudoeste
com vento Norte.
Defoachousc hum Mensageiro de Estado à Corte de Madrid, com huma catta
fechada para o Duque de Warton, pela qual lhe ordena Sua Mag. que logo sem
demora parta para este Reyno , porque aliás o haveràó por banido delle.
Tem se recebido aviso por cartas de Porro Bello, escritas cm 1 3 . de Dezembro
passado , de que se esperava alli a frota do Perú , e corria a voz de trazer a bordo
vinte milhoens em patacas , entrando neste numero as que pertencem a EIRey de
Hespanha, e que hum navio de guardacosta, mandado armar no porto de Calhao
pelo Vice-Rey do Perú , havia tomado hum navio Hollandez , cuja carga se esti
ma va em 500U. patacas; e que outros dous navios da mesma Naçaó ha viaõ sido
tomados também junto a Panamá , de cujas prezas resultava huma perda grande
aos particulares de HoIIanda ; e as mercadorias , que se tomarão nestas embarca
ções foraó vendidas publicamente pelos Commandantes das nãos Hespanholas.

FRAN
to*
£ R A a: . •
Pari\20. de Mayo.
ELReyChristianissimo fez em 1 ï. deste mez a revista dos Regimentos das
Guardas Francezas , e Esguizaras junto ao Palacio de Versalhes, andando a
cavallo por entre as suas fileiras. A 1 3. foy dormir ao Palacio de Ramboulher,
donde voltou no dia seguinte a Versalhes. Como Suas Magestades determinaõ ir
assistir algum tempo do Estio em Chantilhy , o Duque de Bourbon tem mandado
accrescentar naquelle Palacio hum novo quarto para a Rainha, que comprehen-
de vinte e quatro casas. EIRey tem declarado, que havia de fazer dezoito caçadas
em Ramboulhet antes de ir para Cuantilhy, de que já tem feito algumas, c na ul
tima irá também a Rainha, para fazerem a funçaó de Padrinhos do Bautismo do
Duque de Ponthievre , filho único do Conde de Tholosa.
O Conde de Jumel, Engenheiro delRey , que foy nomeado para terraplenar o
sitio em que se deve abrir hum canal, para conduzir as aguas pelos redores desta
Cidade , desde o Arsenal até Chaliot, o tem examinado, e o acha faítivel ; e se co
meçará esta obra brevemente , empregando nella os pobres , que se acharem em
estado de trabalhar. Temse resoluto no Conselho de Estado , mandar fazer celei
ros nesta Cidade , e nelles provimento de trigo ao menos por humanno , e entre
tanto se vaõ enchendo muitas íalas grandes de différentes Conventos, e se acha já
çhea a dos Religiosos de Santa Genoveva. O Cardeal de Rohan , que está de par
tida para o seu Bispado de Strazburgo , foy a 2 7. do passado a Chambord a des-
pedirse delRey Stanislao , e da Rainha sua mulher.
v HESPANHA.
Madrid zx. de Mayo.
f~\ Rdenou S. Mag.Catholica por hum Decreto seu , que o Marquez de Castel-
lar torne a servir a Secretaria do despacho de guerra , e que seu irmaó D.
Joseph Patinho exercite a do despacho da Marinha; e índias ; também por ordem
do mesmo Senhor tornou a entrar no emprego de Superintendente da sua Real
Fazenda D.Francisco de Arriagaje no da Superintendência da renda do tabaco D»
Jacobo de Flon , e Zurberan.
PORTUGAL.
Lisboa i^.de Junho.
tf M todas as Casas da Companhia de Jesus desta Cidade se celebrou, com tres
dias de luminárias , a noticia do Decreto para a Canonização do Beato Luis
Gonzaga , Religioso da mesma Companhia : na Casa Profeíïà de S. Roque, e no.
Collegio de Santo Antaó se cantou o Te Deum com grande magnificência.
Domingo se celebrou no Convento dos Religiosos Graçianos muy solemne-
mente,a promoção da antiquiffima Irmandade de nofiã Senhora da Graça ao es
tado dc Ordem Terceira de Santo Agostinho , sendo eleito para Prior delia o
Conde de Val de Reis , para Subprior Rodrigo Antonio de Figueiredo e Alar
cão , e para Procurador geral Lourenço Filippe de Mendonça. De tarde profes-
saraó na mesma Ordem varias Senhoras, e foy nomeado para Priorezá delia a Se
nhora Condessa de Val de Reis , e para Subprioreza a Senhora D. Brites Antonia
Coutinho de Menezes.
Em 9. do corrente faleceo a Senhora Dona Isabel , fiHia segunda do Coride de
AÍTumar Dom Pedro de Almeida , e da Senhora Dona Maria de Lancastrp, com
dous annos e meyo de idade; e foy sepultada na Igreja da Madre deDleoft»;
NaOlIdna deJÕSEP H ANTONIO DA S VL VÁ.
Com todas as licenças necessárias.
Num.*/.

GAZETA

DE LISBOA OCCIDENTAL,

Com Privilegio de S. Magcstade*

Quinta feira 20. dc Junho de 1726.

RÚSSIA.
Petrisburgo ï . de Mayo.
O dia 1 6. do mez passado , em que a nossa Emperatriz en
trou nos trinta e nove annos da sua idade , se vestio a Corte de
gala , mas naó houve banquete , nem divertimento publico,
por concorrer esta festa com as devoçoens da semana Santa,
reservandose para o dia da Paschoa , em que depois de Sua
Magestade se recolher da Igreja da Santiífima Trindade, on-
, de affistio aos Officios Divinos , concorrerão a darlhe os pa-
bens os Ministros estrangeiros , e os da Corte; e no mesmo dia
declarou Sua Mag.Imp. ao Principe de Menzikoff por Marechal do Império. No
seguinte conferio a Ordem de Santo André ao Conde de Sapieha o moço , Gen»
til-homem da sua Camera , futuro marido da filha mais velha do dito Principe.
A 2 5. foy Sua Mag. em hum soberbo coche meyo descoberto , veílida como
Amazona com huma casaca de veludo verde , cabelleira branca, chapeo com plu*
mas, espadim guarnecido de diamantes, charpa militar, ebastaóde Comman*
dante. Diante do coche marchavaó acavallo Mons. Jagouzinski , Ajudante Gene»
ral , e Estribeiro mór da Duqueza de Hollacia, Monl. Nariskin , e outros muitos
Cavalheiros da Corte , todos a cavallb com riquissimas equipagens, seguidos por
alguns Granadeiros das Guardas do Corpo. A's estribeiras do coche hisó dousPa*
gens da Camera , e oito Pagens mais , dous lacayos da Camera , e outros dez Ia-
cayos , seis Heiduques , quatro negros , e dous corredores, todos vestidos de gala,
e atraz do coche outro destacamento de Granadeiros a cavallo. Chegando à praça
do Almirantado , onde estava formado em batalha o seu Regimento das Guardas
do Corpo , sahiraó a receber a Sua Mag. osGeneraes de Batalha Mons. Uzupoff,
Uzchakoff, e Solticoff, que estavaó na sua vanguarda , e com huma excellente
musica , pelo Principe de Menzikoíf, Feld-Marechal General, Ao apear a salvou
Bb todo
todo o Regimento com huma descarga de mosquetaria; e pòndoseS. Mag. Imp.
na sua vanguarda , como Coronel, e Commandante, declarou por Tenente Coro
nel delle ao Duque de Holsacia , dandolhe a charpa que trazia posta , com hum
anel, e huma partasana , o que o Regimento festejou com outra salva geral de
mosquetaria ; e Sua Mag. nomeou para o posto de Tenente o Principe moço de
Menzikoff , q era Alferez , e para Capitão da Companhia de Granadeiros ao Con
de de Bonde , Camereiro mór do Duque de Holsacia. Dalli foy Sua Mag. ao Pi
lado do mesmo Duque , onde foy recebida pela Duqueza , e pela Princeza Isa
bel suas filhas , ealli ficou jantando , e divertindosc até as oito horas da tarde. To
dos os Oiïìciaes mayores do Regimento jantarão no Paço do Duque, e em quan
to durou a mesa houve huma excellente musica , e varias descargas de arteiharia.
Homem , que comprio annos o dito Duque , houve também falias de arteiharia
da fortaleza do Almirantado , e dos dous hiactes , que eltaõ no rio diante do Pa
lacio de Sua Alt. Real. Asiègurase , que este Principe mandará as tropas Russianas
na campanha próxima , é que já tem feito escolha dos seus Ajudantes de Campo»
A mayor parte dos Regimentos, que le mandarão vir para estas visinhanças , tem
já chegado, e le preparaõ para a campanha. Os que se devem embarcar na Arma
da saõ vinte e dous , e tem ordem dc estarem promptos para o fazer a qualquer
hora, que se lhes der aviso ; naó se permittindo a nenhum Officiai o ausentarse,.
sem especial ordem da Corte. Temse por couíà sem duvida o partir a Emperatriz.
brevemente para Riga, e fazer naquella Praça a sua residência até o Outono* O
Exercito , que se fórma na Livonia , se deve augmentar até o numero de 6oU-
homens , e depois marchará para ir acampar no Ducado de Kurlandia.
Terrile resoluto eítabelccer em Lubeck hum deposito , ou feitoria de todas as>.
mercadorias destes Estados, o que naô poderá interromper a liberdade da nave-,
gaçaó , e commercio dos Estrangeiros nos outros portos da Russiaj e hum ho
mem de negocio rico da melma Cidade , se tem encarregado de fazer este estabe
lecimento , na conformidade do projecto, do Emperador defunto..
POLÓNIA.
Varsvvia 8. de Mayo*
A Nobreza da Polónia Alta , aue Masovia , e a de aígúas outras Provindas des
te Reyno, começa já a ajuntarse ; o que faz temer o rompimento. Manda-
raõ-se reforçar com dous Regimentos mais as tropas do Exercito da Coroa , que
oçcupaõ alguns postos além do Vistuia ,,e corre a voz, de que o Conde Rezeus—
ky , Graõ Marechal do dito Exercito , se irá incorporar neile no íim do corrente,
para o commandai". EIRey fez a revista do segundo Batalhão das suas guardas,,
que he hum corpo composto de tropas Estrangeiras, em serviço da Republica , e
ao seu soldo , commandado pelo General Pomatowski , e consiste em 1632. ho
mens , entrando neste numero os Qfficiaes , dividido em dous Batalhoens de do
ze Companhias cada hum, a scllenta e oito h imens por Companhia. Deste Regi
mento se acha aqui o primeiro Batalhão com sete Companhias do primeiro, as
•utrascirjco seachaó na Prússia Poloneza , e na Lithuania. O Eeld-Marechst*
Conde de Fleiming pardo a 5. do corrente para Aquiigran com a Princeza sua >
mulher.
Os Ministros de Prússia entrarão em dous do corrente em conferencia com o
Graõ Thesoureiro da Coroa , e declararaõ ao Arcebispo Primaz , que EIRey seu
amo , attendendo à intercessão de Sua Alt. tinha mandado dar satisfação a.oSã-
«tdute CkthoJico, Romano de Konigsberg, e que estava também resoluto a. fazer
k . evacuar
rracúar o forte, que sé tinha feito no território de Elbing ,'naó querendo a Re
publica opporse a paisar o sal ce Halle pela dira Cidade , para os feus Estados da
Pruifia ; e ao mssmo tempo lhe representarão , que a publicação das cartas circu
lares, para a Nobreza do Reyno montar a cavallo , podiaó ter consequências pe».
rigosas. Sua Alt. lhes aíTègurou , que o intento da Republica naó era quebrantar
por nenhum modo os Tratados; mas fomente porse em estado de defensa contra
qualquer insulto; e os exhortou a dar satisfação às mais queixas da Republica, pa
ra poderem continuar as conferencias sobre as pertençóes de Sua Mag. Pruiliana.
Tem chegado a Kaminieck hum Agá , despachado de Constantinopla pelo
Graó Vizir , para fazer varias propostas a EIRey , e à Republica. Espera-se tam
bém a toda a hora hum Enviado do Kan dos Tártaros , que já paslou por Leo-
poldia. Os avisos da fronteira de Turquia dizem , que a Corre Ottomana tem re
soluto ratificar o Tratado , feito com a de Petrisburgo. No ultimo de Abril passou
por esta Cidade hum Expresso de Petrisburgo para Vienna , e outro de Viertna
para Petrisburgo. Naó se tem ainda certeza do tempo em que continuará em
Grodno a Dieta geraL
DINAMARCA.
Copenbaghen 14.de May 0.
/~\ Almirante Wager tomou pofic do Commandamento da Armada Real deste
Reyno , e a formou em batalha em 8. do corrente , em que teve a honra dé
dar de jantar a bordo da sua nao á EIRey, e ao Príncipe Real, e a alguns Minist ros
da Corte , que tinhaó ido ver esta funçaó. No mesmo dia chegou Mylord Gle*
norchy Embaixador delRey da Gráa Bretanha , que depois de haver dado hum
esplendido banquete ao Vice-Almirante , e mais cabos de guerra Inglezes ,aia
do corrente foy ver asnaosda nosía Esquadra.A 1 1 . íàhio huma noiía fragata de
guerra chamada a Águia Branca , acompanhada de outra fragata Ingleza para
cruzarem no mar Balthico. Honrem pela manháa se fez à véla para a mesma pari
té a Esquadra Ingleza , e a seguirá brevemente a nossa , que consiste actualmente
só em 15. naos de linha , e qustro fragatas , nas quaes se devem embarcar os. Re*
gimentos dos Coronéis Gristcr , e Bermer , que aqui se achaó já , mas trabalhase
com toda a pressa no apresto de duas , ou tres naos de guerra , que se haõ de ir in
corporar com as outras , e ambas as Esquadras navegarão unidas. As tres fragatas
Ruífianas , que voltarão de Cadiz , pasiaraó a semana ultima pelo Zonte , sem fa
zerem dificuldade alguma de pagar os direitos costumados , como as mais embar-
caçoens estrangeiras. Corre a voz de haver falecido de hum accidente o Conde de
Rantzau , que aqui chegou prezo com huma partida de doze cavallos.
ALEMANHA.
Hamburgo 1 7. de Mayo.
TTJ LRey de Dinamarca mandou ordem ao Ministro, que tem na Dieta do Im-
perio , para declarar , que tinha tomado poíïe do Condado de Rantzau , em
virtude de huma convenfaó solemne , feita no anno de 1 66 8. com o Conde de
Ramzau-Detleff; pela qual os Reys de Dinamarca devem succéder no dito Con
dado , no caso que se extinga a varonia da dita Casa , e que como o Corde de
Ranrzàujque foy condemnado a prizaó perpetua, por haver feito matar ao Condé
seu irmaó , he o ultimo da familia , e se deve considerar como morto civelmente,
se acha chegado o caso , que se estipulou , e que assim lhe pertence por direito a
fosse do dito Condado.
O Principe de Oíttingen , Governador de Philisburgo , mandou represai»
.:. . " tar
lar à Dicta do Império , o mio estaJo , em que está aquella Praça ; e que se logo
lhe naó mandaó a somma de 50U. pitacas para 05 concertos precisos, cahirá bre
vemente em ruina, como o Forte de Ksi ; e ficará por aquella parte sem defensa
alguma a fronteira do Império. Assegurasc , que EIRey de Prússia partirá dentro
de poucos dias para a Prulîia , e que naó levará nenhum outro Ministro , mais
que o Baraó de Kniphauscn , mas que o Conde de Rottenburgo , Ministro de
frança, o seguirá nesta viagem.
Fienna 11.de Mayo.
COm o aviso , que se recebeo, de que EIRey de Prussiasazia marchar 40U.no-
mens para as fronteiras de Polónia , refolveo esta Corte mandar para a mes
ma parte outro tanto numero de gente : começase a fallar em sahirem desta Corte
os Ministros de França , e Inglaterra. Conti nua-fe a assegurar , que os Eleitores de
Colónia , e Baviera tem resoluto entrar no Tratado de Vienna , com a condição,
que em caso de guerra seraó soccorridos os seus Estados pelo Emperador , e por
EIRey de Hespanha ; que Sua Mag. Catholica lhes dará huma penseó durante &
guerra; e que a Corte Imperial fará os mais efficazes officios com o Cabido de Tre-
vires 5 para que o Principe Theodoro seu irmaõ , ao presente Bispo de Ratisbon-
na , seja eleito Coadjutor do Eleitorado de Trevires ; e que os dous Eleitores da
sua parte fornecerão , sendo necesíario , 24U. homens na mesma forma, e com
às mesmas condiçoens , que se tem convindo por hum Tratado particular com a
Casa Eleitoral de Saxonia. Em virtude do Tratado de Stockholm , e da accesíãõ
do Emperador , a Emperatriz da Rusiu fornecerá em caso de guerra 4U. cavai-
los , 1 2 U. Infantes , nove naos de guerra , e tres fragatas. EIRey de Suécia 2 U.
cavallos , 8U. Infantes , leis naos de guerra , e duas fragatas; e o Emperador 4U.
cavallos, e 1 1 U. Infantes , e em lugar dos navios , outro equivalente em tropas.
Temse recebido aviso,de haver EiRey de Dinamarca entrado no Tratado de Han-
nover ; e que tem convindo de ajuntar a sua Armada com a da Gráa Bretanha,
para andar no mar Balthico , e se oppor às emprezas, que poderáó intentar os con
trários. Esperase com impaciência o successo , que terá huma carta , que o Prín
cipe Eugénio mandou a Turin por hum criado seu de muita confiança , para a
entregar em maó propria a EIRey de Sardenha, sobre a accessaó daquelle Prin
cipe ao Tratado de Vienna.
O Coronel Doxat , Inspector , e Director General das fortificaçoens em Hun
gria , partio a 2. do corrente para Belgrado , com huma considerável somma de
dinheiro , que se deve empregarem aperfeiçoaras obras da fortificação daquella
Praça, para o que o Emperador destina 400U. florins. Esperase nesta Corte hum
Agá , com o caracter de Commisíario doGraó Senhor , que terá os mesmos or
denados, que tem o Residente de S. Mag. Imp. em Constantinopla ; e procurará
executar as convençoens particulares do Tratado de Poílarowitz. Chegou hum
Enviado da Republica de Tunes , com a comitiva de cinco , ou seis pessoa? , pa
ra assignar hum Tratado de tregoa com o Emperador, e outro decommercio
com a Companhia Oriental , seguindo o exemplo da Republica de Tripoli.
Ratisbonna 1 6. de Maya.
"VT A Corte de Vienna se vende publicamente hum papel intitulado Amlifa do
_ Tratado de Hanwver , em que se discorre sobre as idéas com que o forma
rão as Potencias , que nelle convieraó ; sem embargo das queixas , que tem feito
•os seus Ministros contra esta género de escritos , que tem por injuriosos; e nesta
Cidade se tem espalhado copias de huma carta , que dizem ser escrita pelo Empe
rador
radar ao segundo Commissario Imperial ; o qual , dizem os do partido Hannovc-
liano , se encaminha juntamente a dividir cada vez mais os Estados do Império,
e a traducçaó delia he a seguinte.
Por este Correyo recebereis todos os aãos em que vereis , que os Príncipes do Im
pério nelles nomeados )pertendem oppor-senos por bum modo inaudito , apartando
da nojjapefjoa , e dos nossos interesses os ânimos dos Estados do Império , e da mes-
ma vuneira os noffos parentes ,eas Potencias estrangeiras ; e excitando ao mesmo
tempo o Turco , e Kagotij contra a nojja Casa de Áustria , e contra a Christanda-
de. Dareis parte aos Estados bem intencionados do procedimento destes Príncipes,
exercitando a vojfa capacidade ,já experimentada nas revoluçocns , que howveso
bre o negocio do Eleitorado de Hannover,e no Tratado ila Coroa Prujjtana ; po
rém direis aos outros , que temos porsuspeitos , que haxmdo chegado já ao cabo a
no[fa paciência paternal, naõ podemos ixr com olhos de indiferença os desígnios des
tes Príncipes ,jeitos contra ofeuj uramento ,eoseu dever ; e que também naS que
remos fdaqui por diante observar a forma do Império. Esperamos ao mesmo tempo
a voffa proposta , para ganhar para o nojjo partido a.. .. Em quanto ao mais ha
veisjeito bem de trazer 4 memoria aN.o exemplo do Chancelier de Saxonia-Go-
tha , degollado no anno dc 1567. para que daqui por diante seja mais prudente , c
mais moderado. Vienna 1 o. de Março de iyi6.
HOLLANDA.
Haya 24.de Mayo.
S Ministros de França, daGráa Bretanha , e de Pruíïïa , tem frequentes con-
ferencias com os Deputados dos Estados Geraes , sobre aaccessao de S. A. P.
ao Tratado de Hannovcr. Voltou dePariz a Pagem , que o Marquez de Fene-
lon , Embaixador de França , despachou por Expresso àquella Corte. Chegou dc
Gueldres o Baraó de Hekeren ; e de Overyssel o Baraó de Ysselmuyden , para as
sistirem como Deputados das suas Províncias na Assemblea dos Estados Geraes.
Mons, de Oliveira, que teve algum tempo a incumbência dos negócios de Hespa
nha nesta Corte , partio a 20. para Bruxellas, a cuidar de alçuns particulares seus,
edalli continuará a sua viagem para Helvécia , onde vay afiiítir com o caracter de
Residente da mesma Coroa.
A reposta dos Estados Geraes , dada ao Marquez de S. Filippe , Embaixador
de Hespanha , na fórma que foy lançada no registro das suas resoluçoens , conti*
nua na fórma seguinte.
„ Que S. A.P.pela sua resolução de 24. de Janeiro do anno passado , testemu-
„ nharaó a alta ettimaçaõ , que fazem da amizade de Sua Mag. Catholica , o que
repetem pela presente , e a procurarão conserv ar por todo o modo , que lhes for
w poífivel; que em quanto ao que no dito Memorial se diz , sobre a exacçaó com
» que Sua Mag. observa os Tratados, S.A. P.o tem como hum effeito da sua equi-
« dade taó conhecida, e das suas louváveis intençoens; mas que com tudo tem oc-
„ casiaó para se queixarem , que a respeito da Republica se naõ vem exactamente
„ executadas estas louváveis intençoens de Sua Mag. nos Reynos,e Paizes dos seus
„ Domínios, porque se assim fosse, mó sèriaó obrigados a queixarse tantas vezes,
„ do que os seus Oiftciaes fazem por muitos modos aos seus súbditos , e mercado-
„ res , assim em Hespanha, como no mar, depois da paz ultima, sem haverem po-
„ dido obter a satisfação , que deviaó esperar da grande equidade de Sua Mag, e
„da sua exactidão na observância dos Tratados; mas que com tudo quertm crer
>, que esta exactidão , supposta no paflâdo » lhes servirá de abonaçaó psra outra
» mayor no futuro. 3* Qi.e
I«3
„ Que S. A. P. com tudo tem' esta reiterada offerta da mcdiajáô de Sua Afa *;
para ajustar as differenças , que tem sobre o commercio de Ostende n as índias,
„ como hum sinal <le amor , que S. Mag. tem à paz , e da amizade , que ttm para
5j a. Republica ,.ao que lhe ficaó obrigadilîìmos ; mas que o escrúpulo , ou a diffi-
3, culdade , que tem tido, fica sempre existindo,^ saber , se Sua Mag. poderá em*
S, pregar a sua mediação , com a imparcialidade , que se requere em h um media-*
3, neiro, depois de haver entrado em hum empenho taó forte, c taó estreito com
«Sua Mag. Imp. para manter o commercio de Ostende nas índias, sendo este
3, commercio , e a infracção , que com elle se faz aos Tratados , o principal moti*
3, vo da sua queixa. Que naó será necessário examinar se o caso da mediação de
», França , e da Gráa Bretanha, allegado no dito Memorial, quadra com o de que
», aqui se trata , mas que dado , que concorde em todas as suas partes com o pre-
„ sente , Sua Mag. Catholica acaba de dizer a S. A.P. quaó dificultosamente po-
„ dia effeituarsc esta mediação , pois que deixando Sua Mag. a de França, e Gráa
„ Bretanha , depois de a haver aceitado , e depois de estar já em pratica , resolve©
„ fazer as suas condiçoens com o Emperador , sem se servir delia ; que além disto
„ S. A. P. naó podem sem hum grandiffimo prejuízo seu , entrar em negociação
v „ para ajustar as ditas differenças , sobre hum fundamento, pelo qual se suppoem,
„ Qjtea queixaficará; mas queseprocurarão equivalentes ,pelos quaes poderá di-
„ minuir , ou cessar o prejuizp , que por ella padece o Estado. Que S.A. P. tem a in-
j, fracção dos Tratados como hum artigo, que se naó pôde fazer bom com al-
„ gum equivalente, pois da observância , e da execução dos Tratados depende to-
„ da a segurança , que os Principes , c Estados tem a respeito huns dos outros; e
„ que se naó poderá fazer segurança nas convençoens , que se fizerem, se se naó
lustentaõ asque estaõ feitas; que além disto S, A.P.amYmaó,que ospreceden-
„ tes Tratados naó impedem , que se naó possaó fazer outros de novo , visto que
3, se ponha por fundamento, que por estes novos se naó mude nada nos preceden-
3, tes j se naó com o consentimento dos que saõ interessados nelles , sem o que to-
„ dos os Tratados seriaó inúteis que além disto também convém de boa vontade,
„ era que Sua Mag. Catholica tem hum taó grande poder ( particularmente pelo
„ que toca aos leui ricos Domínios nas índias) como qualquer outro Principe,pa-
3, ra poder resarcir toda a sorte de damno, se se naó tratasse mais , que da repara-
„ çaõ de algum damno; mas que como se tem já dito,sc naó trata aqui unicamen-
„ te de alguma perda , ou damno. Que também querem crer, que a presente ami-
„ zade entre o Emperador , e S. Mag. Catholica he taó grande , que S. Mag.Imp.
3, pela amizade de S. Mag. Catholica quererá fazer muito ; e que por esta razaõ S.
„ A. P. pela sua resolução de z 4. de Janeiro, rogaraó , como agora tornaó a fazer,
„ amigavelmente a Sua Mag. queira ter a bondade de empregar os seus poderolos
,, officios com Sua Mag. Imp. para que o commercio dos Paizes Baixos Austria-
3, cos venha a cessar , a fim de que fique satisfeita a queixa , que causa as difficul-
3, dades presentes ; e que se para o conseguir he nece sario , que se dem alguns pas-
sos , e se façaó algumas diligencias , S. A. P. naó pertendem , que seja o Empe
rador o primeiro , que as faça; mas elles seraó os primeiros, que se adiantem,
,, naó só até ao meyo , mas até ao cabo do caminho, visto que possaó por este mo-
„ do chegar a hum bom fim ; porque S. A. P. naó labem que haj tó nunca falrado
„ em fazer a Sua Mag. Imp. as honras , que lhe saó devidas , e todas quantas pôde •
,, esperar de qualquer Estado Soberano , e sempre lhe ficaráó conservando o mes- :
,) mo rcípeito.
FRAN
FRANÇA. *
Pari\ 2 5. íÍp Mayo.
ELRey Chrìstianillìmo tornou a 2 2 . a Ramboulher , donde se recolheo no dia
seguinte. Começase a dizer , que ha grandes apparencias de estar prenhada a
Rainha ; ao menos quando S.Mag. vay à Missa, a segue sempre huma cadeira de
mãos , para se poder meter neila no caso, que se sinta incommodada. Chegou da
Giáa Bretanha Horácio Walpole, Embaixador daquella Coroa , que tinha id»
a Londres com licença , e Guiihelme Boreel , novo Embaixador da Republica dc-
Hollanda Também se acha aqui de volta da Corte de Lorena o Conde de Stein-
ville , Embaixador do Duque deste nome , que continua a insistir em ficar neu
tro nas diferenças, que ha ao presente na Europa ; porém a Corte lhe tem limi
tado certo termo para se declarar pro , ou contra , passado o qual se mandaráó'
marchar alguns Regimentos para os seus Estados , assim para segurança délies,,
eomapara evitar a execução dos desígnios , que poderá formar o partido contra
rio.
Os Académicos da Academia Real das Sciencias foraó a 1 1 . do corrente a Paf-
si , onde examinarão huma maquina , que alli se tem feito, para se levantar a agua
por meyc* do fo;o-, e pela experiência , que fizeraó se acha , que no tempo de 24-
norasse podem, levantar 20925-. almudes.
tì E S P A N H A.
Madrid 4. de Junho.
rT". Oda a família Real assistioquinta feira em publicona sua Rial Capella à ses—
ta da Alcençaó do Senhor ; e por concorrer no mesmo-dra a de S. Fernando*
Rey de Hespanha , se festejou.com gala, e beijamaó o nome do Sereniffimo Prin
cipe das Aiiurias*
O novo edifício-, que se está fazendo nesta Villa para Hospiciados pobres, pe
la direcção dalrmandadc da Ave Maria ,e do Santo Rey D. Fernando , he capaz
de conter dclde agora. 1 500. mendicantes. Temse concluido c* sumptuoso pórti
co, que se fez na principal tachada desta obra , e Sabbaío se collocou nelle huma
eitiiua.de pedra do mesmo Santo Rey , que oSerenissi no Principe das Astúrias,
mandou esculpirá suacusta , por hum primoroso Arcifke Hespanhol ; e para fa-
2-r maissolem.ie a sua collocaçaó , foy assistir a cila com o Infante D. Filippe seu*
irmaó.. ,
PORTUGAL.
Lisboa, 2 o. de Junho-.
•ir Erça feira da semana passada entrou no porto desta Cidade com 88. dias de;
*• navegaçaõ a nao Concórdia, , pertencente aos Contratadores do Tabaco, que
«emda Bahia de Todos oí Santos com licença , e por ella se receberão asnoticias.
le^uintts.
Que na noite da segunda feira 2 6. de Novembro entrara naquella Cidade a
naode guerra, que partio desta a 16. de Setembro ; e como levava a bordoo-Illus-
trissimo D.Luis Alvares de Figueiredo,Árcebispo daquella Diocesi,de cujas partes,
e virtudes corria já alli huma grande fam3,mandara o Vice-Rey Vasco Fernandes,
Gesar de Menezes preparar o seu recebimento com grande pompa , c o tora bus
car a bordo na tarde de 2 S. do dito mez , trazendo-o no seu bargantim até à ri
beira , aonde em hum Altar, que se tinha levantado , se revestio nos ornamentos
Pontificaes, e debaixo de hum Pallio, em cujas varas pega vaõ as pesToas de máyòr
diûinçaó daquelle Senado, foy levado em ProciíTaá à sua Igreja Metropolitana,
fazendo
Fazendo caminho pela Ladeira dâ Conceição até às portas de S. Bento, onde se
tinha erigido hum arco de triunfo , por entre duas alas de Soldados postos em ar
mas , e desde alli até à porta da Igreja ; e os Officiaes dos Regimentos ostentando
numa vaidosa competência no custoso das suas galas ; que todas as ruas por onde
pastou estavaó decentemente ornadas } e em toda a Cidade se festejou a sua che
gada com tres noites de luminárias, em que se fez grande despeza; que a j . de De
zembro tomara o Arcebispo o Pallio na Sé , e desejando fazer esta funçaõ em se
gredo , naó pode deixar de outorgar ao Cabido o gosto , que teve de a celebrar
com mayor pompa ; que quando o Arcebispo fora pagar as visitas ao Vice-Rey,
sahira este fóra do seu Palacio até ao meyo da praça a recebello , e quando se des
pedira, o acom panhara até â casa da Moeda , que fica na mesma praça ; que lhe
mandara de presente em huma salva de ouro huma Cruz , e hum anel de muito
preço ; e que a z p. de Janeiro mandara lançar bando , para que toda a pessoa , em
toda a parte ajoelhasse ao Arcebispo.
Que o Vice-Rey continua o seu governo com grande satisfação dos povos
que os Regimentos estaó inteiramente completos , e fardados; que as ordenanças
pelos muitos exercicios , que lhes tem feito fazer , se achaó destras, e bem discipli
nadas ; que as Fortalezas estaó reparadas, e bastantemente providas ; que em toda
a costa do Brasil naó apparece pirata algum , pelos haverem affugentado as naos
de guerra , que EIRey nosso Senhor , que Dcos guarde, faz andar sempre cruzan
do aquelles mares; que todo ò destricto daquelle governo se acha soccegado , e
abundante ;e da mesma sorte a Província das Minas ; e só se tem a noticia , que no
Rio de Janeiro , e no Reyno de Angola se padece alguma falta de mantimentos.
O Enviado extraordinário da Gráa Bretanha festejou a semana passada o dia
de annos de S.Mag. Britannica com grande magnificência ; e todas as naos da mes
ma Naçaó se adornarão de bandeiras , flâmulas , e galhardetes , e fizeraó varias
descargas de artelharia.
Sabbado receberão o sagrado Bautismo na Basilica da Santa Igreja Patriarca!,
com todas as ceremonias do Ritual Romano , dous Mouros , dos que servem nas
galés Reaes , havendo feito primeiro abjuração da sua Seita. Administroulhes este
Sacramento , impondo' a hum o nome de Pedro , e a outro o de Manoel , o Ulus-
trissimo Gonçalo de Sousa Coutinho, Cónego da Santa Igreja Patriarcal , sendo
seus padrinhos o Marquez de Marialva , e Nuno da Sylva Telles, do Conselho ge
ral do Santo Officio.
Chegou do Reyno do Algarve, com licença de Sua Mag. o Conde de Unhaõ,
Governador , e Capitão General daquelle Reyno.
Está ajustado o casamento de Nuno da Sylva Telles , filho segundo de Manoel
Telles da Sylva , terceiro Marquez de Alegrete , com a Senhora D. Maria da Ga
ma , filha herdeira de D. Vasco Luis da Gama , terceiro Marquez de Niza , scti-
timo Conde da Vidigueira.
Escreve-se da Villa das Pias , que em duas Freguezias do seu destricto cho
vera a semana passada grande quantidade de pedra , da grossura de ovos de galli-
nha , que em partes ficara em altura de cinco palmos , e fizera huma grande des
truição nos campos , e frutos , porque estragou totalmente as cearas , deixando só
às oliveiras os troncos , e às vinhas as cepas ; e que algumas pessoas correrão peri-
go de vida. _____
NaOfficuu de J Õ S E P HTN T O N ÍO D A SYLVÀ,
Com todas as licenças necessárias,
GAZETA

OCCIDENTAL*

Com Privilegio de S. Magcstadc*

Quinta seira 27. de Junho de 1726,

BARBARIA.
Argel 21. de Abril.

ODOS os nofTòs navios corsários se achaó actualmente no


mar , excepto o Cavallo Branco, e a Rosa Vermelha, que ef-
taó aparelhados para se fazerem à véla.A nao Almiranta che
cou a ï 5. do corrente de Oran , onde se tinha retirado para
e concertar do damno , que rectbeo em hum combate , que
teve com duas naos de guerra Hollandezas , mandadas pelos
Capitaens Lange , e Rovcroy , aos quaes feria obrigada a ren-
derse , a naó sobrevir huma calma de que se aproveitou , bus
cando a sua retirada a Oran com o beneficio dos remos. Por cartas dc Tetuan se-
tem a noticia de que outro dos nossos navios chamado o Sol de Ouro , de cinco-
enta peças de artelharia , mas só com quarenta e quatro montadas , mandado por
Ali Rais Barbanegra, havendo sido encontrado pelo Vice-Almirante da Esquadra
Hollandeza , e com os navios dos Capitaens W ittenhorst , e Frensel , sobre a cos
ta de Africa , entre Tetuaó , e Ceuta , a 1 6. do corrente , fizera toda a diligencia
por escapar ao combate , e se fora retirando para a Costa , onde perdeo o leme ; e-
sendo perseguido pelos navios contrários , pertendeo entrar na Bahia de Tetuaó;
mas por falta de governo tocou em hum rochedo, e se toy a pique, sendo a equi
pagem obrigada a salvarse , fugindo nas lanchas para terra , depois de lhe ver já
doze pés de agua ; e se o venro naó fora taó rijo.houvera ficado nas mãos dos Hol-
landezes. Também por Oran se tem a notici? , que outro navio chamado o La-
rangeira de cincoenta peças, e demais âs.260. homens de equipagem , havendo"
entrado em peleja com'o Ctpitaó Lan^e recebeo oito , ou nove tiros ao lume da
agua , e com trinta homens mortos , e setenta feridos , pode tambem escapar de
cr tomido jrctiranJosí a O.un.
Cc ITA
ÌT34
sou a Barcelona no paquebote dos despachos ordinários. Asiègurase , que nas ulti"
mas cartas de Hespanha chegáraõ avisos importantes.
Milaó 8. de Mayo.
C Omo as Communidades Regulares deste Estado recusavaó pagar o resto do
subsidio , que lhes foy pedido por parte do Emperador , mandou o Governa
dor intimallos , que o fizessem , com a comminaçaó de o mandar cobrar militar
mente , e os Prelados receosos da execução, tem vindo a alia Cidade , faliar ao
Conde de Thaun , e a pedirlhe lhes conceda algum tempo de prazo , para pode
rem satisfazer esta divida. S.Mag. Imp. nomeou os Senadores Aímondia ,eGu-
lini , para examinar se nos Decretos do ultimo Concilio , que o Papa fez emS.
Joaõ deLatraó, ha alguma cousa, que seja contraria ao fisco, com ordem de
mandarem à Corte de Vienna por escrito as suas annotaçoens. Hum Official das
tropas do Emperador , sohrinho do General Zumjungen , havendo chegado de
Sicilia a Génova , teve palavras com hum Mestre de Postas , a quem queria alu
gar cavallos para continuar a sua viagem,e chegou a differença a tanro,que vieraõ
as máos , e concorrendo opovo miúdo a favor do Mestre de Postas,tratàraõ fum-
mamente mal ao dito Official. O Governador desta Cidade se queixou à Regên
cia de Génova ,pedindolhe satisfação , a qual condemnou a galés treze dos que
íè acharã o mais culpados ; porém a Corte de Vienna , naõ se contentando delia,
ordenou ao nosso Governador mandasse declarar à Republica , que S. Mag. Imp.
queria , que os treze culpados fossem mandados a esta Cidade , para nellaselhes
fazer o seu processo , e fe lhes dar o castigo , que parecesse conveniente.
Turin 1 5. de Mayo.
ELReypartio a 6. do corrente com o Principe do Piemonte paraaVeneria,
com intento de se divertir alli alguns dias na caça. O Abbade dei Maro,
Vice-Rey que foy de Sardenha , chegou de Calhari por via de Génova , on
de desembarcou em hum navio Francez , que alli o conduzio. O General Su-
rampi tem feito embarcar em Villa Franca huma grande quantidade de muni-
çoens , para provimento das Praças daquelle Reyno. Mons. Verani , CommisTâ-
rio principal de S. Mag. foy promovido a Intendente General da Artelharia.Da-
se por sem duvida 3 haver cedido o Emperador a Sua Mag. a suprema jurisdição,
e soberania das terras , que ficaó situadas entre os rios Stnri, Tenaro , e Belbo, em
que estaó incluídos dez feudos Imperiaes , mediante a somma de 1 2 5U. dobrões,
que Sua Mag. lhe deve pagar dentro de certo termo. As equipagens do Conde de
Harrach , Ministro do Emperador, chegarão hoje a esta Cidade. OBaraôde
Schulemburgo, General da Artelharia , Governador de Alba , partio hontem pa
ra voltar à sua Patria. O Conde de Borghi , criado da Princeza do Piemonte , foy
feito Capitão da Companhia Picmonteza das Guardas do Corpo. Continussc em
reparar as obras de todas as nossas Fortalezas. Passouse ordem^ara q nenhumdos
súbditos delRey,que trabalhão nas manufacturas de lãa, que íe estabeleceraó neife
Paiz , se possa ausentar delle sem licença expressa de Sua Mag. e ao mesmo tempo
se prohibio a sahida de nenhum dos materiaes destinados a estas fabricas para fo
ra dos seus Estados.
Ver.eiaw.de Mayo.
£\ Tribunal das Armas faz aparelhar actualmente no Canal dos Armazéns duas
naos de guerra , que partirão depois da Ascensão para Constantinopla , onde
vaõ conduzir a }oaó Delfino , que a Republica manda por seu Balio , e Ministro
à Corte do Graõ Senhor , e Mons. Vendramino sc servirá desta occasiaó para ir a
DaJma-
•Dalmácia , onde vày exercitas o cargo de Provedor General daquella Província.
Temse fundido no Arsenal dous canhoens de bronze de huma intenção nova , de
baia de quinhentas libras , que se experimentarão na semana próxima. .
Recebeose aviso no fim da semana paliada , por huma saìua de Mons. Boldu,
Capitão do Golfo , de haver este expedido para Boyano em ï o. do mez passado»
duas galés,e duas galeotas,para investir hum corsário de Dulcigno de seis canhões,
doze pedreiros ,e oitenta homens de equipagem , que cruzava ncquelie sitio com
• pavilhão negro ; mas que este corsário depois de haver fido acanhoado por tem
po de duas horas,sc salvara a favor da noite; foubese pelas mesmas cartas, que hum
navio da Companhia Oriental de Trieste havia fido tomado, e roubado por ou
tros dous corsários de Dulcigno ; mas que o Capitão tivera a fortuna de íalvar-
íe em Scuttari , donde fora conduzido a Cattaro, ealli fazia actuaimente quaren
tena. As cartas do Levante dizem , fazer grandes estragos a peste no Graô Cairo,
em Damieta , e em Alexandria ; e que nesta ultima Cidade se tinha communica-
do o contagio ao Bairro da Naçaó Franceza , cujo Capellaó morrera dentro em
dous dias, ferido deste mal. -
HELVÉCIA, . • i
Sckaffhausen iti.de Mayo.
*T\Emse noticia por Genebra , que EIRey de Sardenha faz reclutar as suas tro-
•* pas com grande pressa , e tem para este effeito mandado fazer grande nume
ro de Jevas a Sabova. Este Principe sc acha melhorado da sua indisposição , e de
termina vir tomar os banhos das caldas de Evian , por cuja razaó a Republica de
Genebra tem mandado armar o PaJacio de Blonay , onde Sua Mag. se ha de alo
jar. Pelas cartasparticutares de Lucerna se sabe , haversealli publicado com huma
solemne Procifiaó o Jubileo universal ; mas que sem embargo disto o Papa resol-
veo excommungar o Magistrado daqueile Cantaó , e que os primeiros munito-
rios se achaó já nas mãos do Núncio Paffionei. O Magistrado deu huma noticia
muy ampla ao Cantaó de Zurick, de todas as circunstancias desta differença.
Corre huma voz na terrados Vaudezes, de que o mesmo Cantaó de Lucerna tem
posto cm Conselho sacudir totalmente o jugo, e mandar skhir do seu Paiz aos Re
ligiosos , cujas fazendas ficarão apropriadas à Soberania ; mas saó noticias vindas
por Genebra. Mons. Burlcr Avoyer, e Mons. Meyer , foraó a Brengarth , para
tratarem de ajustar as differenças do Cantaó de Glaris com ode Zug,fobre a Pre
feitura de Fraufeld , de que se temem extremamente as consequências. O Can*
taó de Berne se naó quiz meter neste negocio, nem mandar seus Deputados ao di
to lugar. Escrevese de Coura , haver alli chegado Mons. Jodoci, Enviado do Em-
perador à Republica dos Grizoens , que vem succéder ao Baraó de Gruth , que
taieceo com a mesma incumbência.
O Conde de Thaun, Governador de Milaó , mandou declarar ao Agente dos
Grizoens , que tinha instrucçoens , e ordem , para negociar huma nova capitula
ção com as tres ligas , e que desejava, que estas mandaíîem para este effeito os seus
Deputados a Milaó. As Ordenanças da Cidade de Berne se ajuntarão a fazer
exercido , c a tirar ao alvo em dez do corrente , à ordem de Mons. de Werth,
Conselheiro daqueile Cantaó , onde íe ordenou , que daqui por diante se fizesse :
este exercício cinco vezes no anno , e entraíkm nelle todos os Cidadãos de idade
de dezaseis annos até quarenta e cirno , sobptna de ferem privados , huns do voto
para a entrada do Conselho grande , outros de todo o beneficio do Estado. Mons.
dela Martiniere, Secretario da Embaixada de França em Solor, paCou a Lucerna
a faltar
ac6
a falkrem alguns negócios dos interesses deIRey feu amo , e propor a renovação
da aliança dos Cantoens de Uri , Luccrna , Zug , e Schwits , com a Republica dos
Valcsios. .
ALEMANHA. Vienm 15. de Mayo.
O Conde de Sintzendorsf, Graó Chancelier da Corte, voltou da sua Embaixada
extraordinária de Baviera, muy satisfeito do lucccsso da sua commissaó.Du-
vidase , que o Conde de Harrach o tenha taó bom no de Saboya , para onde está
nomeado , por se dizer , que EIRey de .Sardenha le tem declarado já pelo Tratado
, de Hannover ; ainda que se diz , que a cessaó q ue o Emperador faz àquelle Prin
cipe de dez feudos Irnperiaes no Ducado de Milaó , he com o intento , que elle
abrace o de Vienna. Também se diz , que se espera ganhar para o mesmo partido
o Landgrave de Hasfia-CaHel , com a promessa de erigir os seus Estados em deci
mo Eleitorado do Império ; e que EIRey de Hespanha , para persuadir maiseffi-
cazmente a EIRey de Sardenha , lhe promette dar hum considerável subsidio. O
Emperador mandou mostrar aos Ministros de França , Gráa Bretanha , e Prulfia
em huma conferencia , os últimos despachos , que recebeo de Varsóvia. FalUse na
Corte em formar hum novo acampamento de zoU. homens na fronteira de Si»
lezia junto a Glogau,para o que le tem mandado estabelecer naquella Cidade Ar
mazéns de mantimentos, e muniçoens. O Marechal Conde de Mercy está no
meado para com mandar as tropas deste Exercito , a que se devem ajuntar 1 8U.
homens das de Saxonia , à ordem do General Bauditz. Dizem , que estas disposi-
çoens obrigàraô a EIRey de Prulfia a mandar ficar nas visinhanças de Berlmaté
nova ordem os Regimentos,que alli rinha mandado ajuntar, para lhes passar mos
tra ; e que este Principe mandara hum Officiai de guerra a Silezia , para se infor
mar com certeza do numero das tropas, que alli se ajuntaó , e dos seus movimen
tos. O Príncipe de Furstemberg , primeiro CommilTario do Emperador na Dieta
do Império , teve ordem de S.Mag. Imp. para passar sem demora alguma a Ratis-
bona , e alli fazer algumas proposiçoens importantes , alfim pelo que.toca às maté
rias da Religião , como aos das conjunturas presentes. Os Ministres Irnperiaes,
que assistem naquella Cidade , fazem diligencias por descobrir o author do Decre
to Imperial, de que se deu noticia a semana passada, o qual está reconhecido por
falso , e se tem como hum libello inventado , para malquistar o procedimento da
Corte de Vienna, e como tal pertendem, que seja queimado pela maõ de hum al
goz. Os Ministros de Dinamarca representarão aos do Emperador, que £18ey seu
amo esperava , que a Corte Imperiai naó fana cousa alguma , que pudesse ser pre
judicial ao seu direito , no negocio da investidura do Duque de Holsacia, c dizem
que se lhes refpondeo ; que S. Mag. Imperial tinha tomado areioluçaó de assistir,
e soccorrer ao Duque de Holsacia em todas as suas pertençoens , que tossem ligt-
rimas , e bem fundadas. Sobre o aviso , que se recebeo de haver partido a Esqua
dra Ingleza para o mar Balthico , entrarão em conferencia os Miniltros Irnperiaes
com o da Rulfia, e da resolução, que nelia se tomou, se despachou hum Expresso
a Pctrisburgo. Havendo os Ministros de S. Mag. Imp. feito algumas propostas ao
Duque de Richelieu , Embaixador de França , a fav or do Duque de Lorena , pa
ra effeito de se permittir o ficar neutro na presente conjuntura , lhe refpondeo o
Embaixador , que este Duque faria bem em se encaminhar com este requerimen
to à Corte de França , porque Sua Mag. Chrisiianissima naó queria sofrer, que se
entendese , que ninguém lhe prescrevia Leys.
Corre a voz , que se intenta publicar huma nova ordem para defender a entra-.
IO?
da dos estofos da índia Oriental nos Estados, e Domínios de Sua Mag. Imp.naó
íendo mandados pelos Directores da Companhia de Ostende , a quem só sê con
cede esta faculdade j com o fim de favorecer a venda dos que trouxerem as naos
da dita Companhia. Assegurase , que o Agá Turco , que aqui se espera , traz or
dem para edificar huma casa nesta Cidade, em que habitem os Negociantes da sua
Naçaó , que vierem às feiras deste[Paiz , onde o Sultaé pertende estabelecer hum
Consulado , com a mesma fórma , e prerogativas, que os Ministros Estrangeiros,
que residem em Constantinopla.
Avisale de Transilvania, que havendose aventurado huma partida de Tártaros,
a fazer huma entrada naquelle Principado , os receberão os Hussares Imperiaes de
maneira , que naõ deixarão a nenhum com vida , para poder levar ao leu Paiz a
noticia do seu estrago.
HOLLANDA.
Haya 3 r. de Mayo.
S Estados de Hollanda se tornarão a ajuntar a 2 p. do corrente. Os Deputados
^-^ de Zelanda chegarão aqui homem. O Embaixador de França, e os Enviados
de Inglaterra , e de Prússia continuaó as suas conferencias com os Deputados dos
Estados Geraes. Dizem , que os Ministros dos Almirantados se ajuntarão também
aqui sesta feira próxima , para proseguirem as suas conferencias. Os Generaes
Conde de Hompesch, e Baraõ de Frieícheym , tiveraó a 2 8. pela manháa huma
com os Deputados do Conselho de Estado. O Marquez de Fenelon , Embaixador
de França , espera todos os dias a volta do Expresso , que despachou à sua Corte.
A noite passada chegou hum de Madrid com doze dias de jornada,pek> qual se te
ve a notável noticia da desgraça do Duque de Ripperda,e de haver sido sitiado na
casa do Coronel Stanope,Ministro delRcy da Grãa Bretanha, com duzentos Gra
nadeiros , por ordem delRey Catholico. >
FRANÇA. Parisi, de Junho.
Tf LRey Christi aniffimo sahio de Versalhes a 2 7 . do mez passado,para ir dormir
a Ramboulhet , donde se recolheoa 251.
Naó se confirma a prenhez da Rainha, por haverem cessado as apparencias, que
O periuadiaõ.
Tem-se mandado ordens , para que todas as Fortalezas desta Coroa, assim na
fronteira do Rheno , como na de Flandres, se ponhaó em taó bom estado de de
fensa , como sc actualmente sc houvesse declarado a guerra. Dizem , que se man
da reforçar a guarnição da Praça de Lila , com dezaseís Companhias dos Regi
men tos das Guardas de pé. Achaô-sc em Toulon seis naos de guerra promptas a
se fazerem à véla , e como se tem mandado para aquelle porto mais provimentos
do que saó necessários, para a subsistência das suas equipagens, se entende, que
fe mandaó ainda aparelhar outras. A Armada Ingleza tem posto grande terror no
mar Balthico, eduvidasc, queosRussiano? lhesqueiraõ fazer cara. Temse man
dado vários Expressos daqui para Alemanha , e para o Norte. Dizem, que sc tem
tomado a resolução de mandar hum poderoso reforço a EIRey da Grãa Breta
nha , como Eleitor de Hannover i e a El Rey de Prússia outro , no caso que o Em-
perador de Alemanha lhe faça guerra. Muitos dos homens de negocio deste Paiz,
interessados nos galeoens de Hespanha , movidos do susto , de que poderão ser to
mados pela Esquadra da Gráa Bretanha , que partio para a America , foraõ sallar
com o Conde de Morville, nosso Secretario de Estado,mas voltarão muy satisfei
tos da sua reposta. Naó falta quem segure , que naó obstante
... todo o rumor
. » que
^
aoS
ha de huma próxima guerra , e de se esperarem todos ò$ dias rrotíciâs de terem
principiado as hostilidades (principalmente no Balthico) se trabalha em segredo,
parapersuadir as Potencias contendent;s , a queconfintaó em se fazer hum Con
gresso geral , no qual se dilcutem, c íe decidaõ amigavelmente todas as suas dispu
tas*
PORTUGAL.
;■.>. Lisboa 2 7. de "Junho.
Ato. do corrente se fez aProcilsaô do Corpus Domini , com a solemnidade
costumada , levando o Santiilimo Sacramento o Senhor Patriarca , acompa
nhando Sua Mag. e os Senhores Infantes D. Francisco ,eD. Antonio.
Suas Mageitades com o Principe , e Senhores Infantes foraó festa feira , dia do
Beato Luis Gonzaga ailistir à Missa , e Te Deum, que se cantou na Igreja do Col-
legio de S inco Ancaó da Companhia de Jesus , pela occasiaó do Jubileo , concedi
do por causa do Decreto para a Canonização do mesmo Beato.
A 24. se festejou o nome de Sua Mag. e de noite no quarto da Rainha nossa
Senhora se cantou huma Serenata.
A 1 1. partio do porto desta Cidade para o de Argel hum navio Francez, da
Invo.açaó de Î^J. Senhora do Loreto, e nelle foraó embarcados , para resgatar os
Portuguezes, que feacn.iõ na escravidão dos Mouros daquella Regência , os Pa
dres Fr. Joseph de Paiva, eFr. Simaó de Brito , Religiosos da Ordem da San-
tiffima Trindade.
Os Religiosos Dominicos desta Cidade festeiaraõ em 2 2 . do corrente , e nos
dous seguintes com repiques, e luminárias a noticia , que chegou de haver p Sum-
mo Pontífice mandado passar em 1 2. de Mayo o Decreto, para a Canonização da
Beata Ignez de Monte Policiano , achandosc na Igreja das Religiosas Dorninicas
de Santi Catliarina de Sena, que celebravaõ a lesta da Beata Joanna Infante de
Portugal , depois de haver dito Milla na dita Igreja , e lançar o habito de Religio
sa à Senhora D. Ignez de Larcaro da família de Lombardes.
Com as ultimas noticias do Brasil chegarão também a de haver o Vice-Rey da
Bahia mandado foccorrer com mantimentos o Reyno dc Angola , em hum na
vio, que tahio daqudle porto em 8. de Março; e haver sahido húa nao de guerra
a correr a Costa, e a espe.ar a da índia ; haveremle festejado com tres Comedias,
e hum baile o dia deannos delRey nosso Senhor, a que assi lio toda a Nobreza
com galas de muito preço, fazendose no mesmo dia formar os Regimentos na
Pla-iicie le S. Pedro , a cujo exercício astistio o Vice-Rey montado a cavallo.
Sabio d lu\hum livro de quarto , que se intitulado Mystico , vida da gloriosa
Santa Anna, illujirada com elogios panegyricos ,e doutrinas moraes , pelo Padre
Sebastião de Aíevedo da Congregarão do Oratorio. Vende-se nas portarias das
Coryegaçoens de Lisboa Occidental , e da Cidade do Porto.
Outro em oitavo , quese intitula Manjar da alma , e verdadeira pratica da Ora
ção Mental , &c. traduzido de Italiano em Portugue\pelo Padre Mejire Fr. Es
tevão de Santo Angelo, Religioso de nossa Senhora do Carmo , e Provincial a^ltutl '
da mesma Ordem, Vendese na portaria do Convento do Carmo defia Cidade.
Em casa de Felix Joseph Machado de Mendonca}ao postigo de Santo André,se
sa\r.,ts terçasseiras,festas,e Sabbados de tarde leila'5, que consta de vários moveis.
Na Officipa de JOSEPH ANTONIO DA SYLVÃT
- Com todas as licenças neçejjarias, •-
Num.17* top

GAZ ETA

DE LISBOA OCCIDENTAL.

Com Privilegio dcS.Magestadc«

Quinta feira 4. dc Julho de 1716.

TUR QJJ I A.
Constantinopla zi.de Abril.
ENVIADO de Sultaõ Esref , a quem esta Corte naõ qufe rei
conhecer com caracter algum de Ministro de Principe Sobe
rano , mas só como portador das suas cartas , parti o daqui pa
ra o seu Paiz no principio do co trente , com a reposta , que a
Qraó Vizir fez à carta , que Sultaó Esrefescreveo ao Grao Se
nhor ; e com as que o Moasti , e os mais Ministros da ley fi-
zeraó às que receberão dos da Pérsia ; nas quaes dizem , se lhes
expoz , que segundo os dogmas da le y Mahometana , naó der
ve haver no mundo mais, que hum Graó Senhor , e Defensor da ley; e que as
sim tendo Sua Alt. Otomana taõ bem fundado o seu direito sobre o Reyno da
Pérsia ,está obrigado a estabelecer nelle a sua authoridade , e fazer guerra a to
dos , os que se lhe quizerem oppor, exhortando ao mesmo tempo o Sultaó Esref,
naó somente a desistir das suas pertençoens , mas também a largar as suas con
quistas. O Graó Vizir para ganhar a confidencia do dito Enviado , lhe mandou
dar 6U. escudos de aju ia de custo para a sua viagem.
Mjns. Stanian , Embaixador delRey da Gráa Bretanha , recebeo em 6. deste
mez hum Expresto de Londres por via de França , eSmirna, que voltou despa»
chado a 14. pela mesma via, em razaó de se haver interdicto aos Correyos Ingle-»
zes , e Francezes , a que sejiiaó pelos Estados do Emperador»
RÚSSIA.
Petrisburgo 14. de Mayo.
O Om o avisode que o Principe Thamas , filho do Sophi deposto, estava reso-
\* luto a aceitar as condiçoens do Tratado , concluído entre Rússia , e Turquia,
despachou esta Corte hum Expresso ao seu Enviado,que tem em Constantinopla,
com]ordens de instar co;n S. AkjOttomana , a que dé à execução o dito Tratado»
Di eque
e que na fórma das condiçoens délie , faça demarcas os limites dos doos Tmoê-
rios. O Conde de Rabuttin, Enviado do Emperador, dizem, que na primeira con
ferencia , que teve com os nossos Ministros, naó achou cousa, que correspondei
às suas esperanças , înas sem embargo disso, elle se naó tem contentado de pagar
as visitas aos Ministros da Corte , como os outros Enviados estrangeiros j mas ida
verosprincipaes Senhores, e Ófficiaes da Corte. O dia de annos do Duque de
Holsacia , que entrou a ? o. de Abril nos 2 7. da sua idade , se festejou solemne-
mente nesta Cidade com hurria descarga geral da artelharia , naó só doscanhoens
da Fòrtaleza , e Almirantado , mas ainda dos navios, que estavaõ surtos neste rio,
que todos arvorarão os seus pavelhóes, e o mesmo Principe os celebrou com hum
grande banquete , que deu aos Ministros estrangeiros, e aos de toda a Corte. Com
a noticia , que se teve de haver chegado a Dinamarca a Armada da Gráa Breta
nha , se fezlogo hum conselho de gabinete,noqual se resolveo mandar íuspendèr
a sabida da noíla até nova ordem ; e dizem , que naó mandarão sahir mais que
quatorze , ou quinze fragatas ligeiras com as galés. A partida da Emperatriz nossa
Soberana para Riga está determinada para 1 1. do mez próximo. OS40U. ho
mens de tropas pagas , que se ajuntaó nas viiinhanças de Revel , e Riga , se em
pregarão em huma empreza de grande consequência. Falla-se em que os Minis
tros de França , Dinamarca , e Prússia , que se achaó nesta Corte sahirâó breve
mente delia. Temse publicado hum Decreto , pelo qual se promette hum premio
considerável a quem descobrir oauthor , ou distribuidor de hum papel satyrico,
que se escreveo contra ogoverno.Tambern se falia no casamento da segunda Prin-
ceza , filha da Emperatriz , com o filho mais moço do Duque de Holsacia defun
to , Bispo de Lubeck (o qual virá brevemente de Eutin donde se acha , para esta
Corte) e que se determina darlhe em dote o Ducado de Kurlandia. OConde die
Rabuttin , Ministro do Emperador ,entregou a Mons, de Bassewitz , Presidente
do Conselho privado do Duque de Holsacia, hum acto , pelo qual o Emperador
dos Romanos o tem elevado à dignidade de Conde do Império , em reconheci
mento dos serviços, que tem feitoàCafadc Áustria, eanossa Emperatriz lhe fez
mercê de hum Senhorio de humas terras em Livonia , além de outras ,.que já lhe
tinha dado o Emperador defunto, para ter meyosde sustentar melhor esta, no v*
dignidade. EIRcy de Hespanha tem mandado comprar dez naos de guerra à nof-
fe Emperatriz ,que se lhe entregarão dentro de sete ,ou oito semanas. Mons, de
BestuchefF,que voltou de Stockolm, passará a Polónia, com ocaract.'rdeEnr
«fiado extraordinário.
POLÓNIA.
, Vars&via 12. de Afaytf.
f~\ Principe Dolhorùcki (primo doque partio os dias passados para Petri sburgo)
teve também ordem da mesma Corte , para se recolher a ella, e teve já au
diência delRey , determinando partir , ou esta noite , ou à manfaáa. As conferen
cias, que elk teve com'o Vice-Marechal da Coroa , para ajustar asdifferenças ,
3ue ha entre os dous Estados , ficáraó infrutuosas. Corre voz de que a Republica
efeja , que depois da morte do Duque Fernando, volte o Ducado de Kurlan
dia ao seu Domínio , e se reparta em Palatinados; mas que EJRey parecedispos-
to a empregar os seus bons officios , para se -deixar aos Estados de Kurlandia a.
liberdade de poderem eleger hum novo Soberano, debaixo de certas condiçoens..
A Corte da Rússia pertende o Senhorio do mesmo Ducado , com que se naõ
fode ajuizar ©fim, que terá este negocio. Falla-se novamente era huma Dieta
-'- ' • i cxt£.a
extraordinária , que se deve ajuntar nomez de Setembro, próximo.
EIRey fez a revista do segundo batalhão das suas guardas, cujo Regimento he
composto de gente estrangeira , e mandado pelo General Poniatowski.O Exerci
to de. Lithuania naó espera mais , que a ultima ordem para se ajuntar com o da
Coroa , que tem recebi do hum reforço de tropas, para formar hum acampamen
to nas fronteiras da Pruífia , e tem já occupado alguns postos, da outra parte do
Viltula. A Nobreza da Alta Polónia , do Palatinado de Masovia, e de algumas our
tras Províncias se começa a ajuntar. EIRey mandou partir para Saxonia a arte-
iharia,que comprou ao Principe Constantino Sobieski.
Sem embargo das differenças , que ha entre a Republica , e a Corte de Ruína,
naó deixa de íe observar huma boa intelligencia. entre EIRey, e a Czarina, a quem
S.Mag.mandou o collar da sua Ordem Militar da Águia Branca,com huma Cruz
guarnecida de diamantes, avaliada em 2 oU. patacas, despachando com ella hum
Expresso a Mons, le Fort, seu Enviado em Petrisburgo, para lha appresentar em
seu nome ; e corre a voz, de que S« Mag. passará a Riga a fallarllie , tanto que esta
Princeza alli chegar. O Conde Mauricio de Saxonia, filho natural de S. Mag. irá
também a Livonia a solicitar as pertcnçoens , que a familia de Konigsmark tema
Ilha de Mohn. A Naçaó com estas circunstancias augmenta todos os dias a sua
deiconfiança , suspeitando , que o Tratado ultimamente concluído entre EIRey:,
o Emperador , e a Czarina he totalmente opposto aos seus mais caros interellcs;
particularmente em querer fazer a Coroa hereditária na Casa de Saxonia, e ceder »
O Ducado de Kurlandia à Czarina para o unir aos seus Estados.
S. Mag. deu a 1 7. audiência publica a dous Principes Arabes , que aqui chega
rão ha poucos dias , e lhes concedeo o passaporte , que pediaó , para irem a Saxo
nia , donde determinaó passar a ltalia.O Enviado do Khan dos Tártaros, que aq ui
veyo reclamar certos Principes, que faltando à obediência do seu Soberano, se re
fugiarão neste Reyno , terá brevemente audiência de despedida.
SUÉCIA.
Stockholm zz.de Mayo. . :
P LRey com os principaes Senhores, e Damas da Corte foy acompanhar huma
legoa fóra desta Cidade aDuquezayiuva de Mecklenburgo sua irmãa , que :
partio a 14. para a sua residência. A resulta das conferencias, que houve entre os
Commissarios delRey ,e os Ministros Plenipotenciários dos Reys de França , In
glaterra j e Pruffia le communicou ao Senado , o qual pedio algumas clarezas so
bre a accessaó proposta por estes Ministros. O da Gráa Bretanha havendo recebi
do aviso da chegada da Esquadra lngleza a Dalroen , partio logo a lallar com o
Almirante Wager , com o qual veyo à Corte , e hontem títtve em conferencia
com o Conde de Horne. Este Almirante terá à manháa audiência delRey , para
lhe communicar a matéria da sua commissaó ,.que dizem conter proposiçwens de
grande importância , que poderàó obrigar, a Sua Mag. a declararse peiaTratado
dé Hannover 5 e depois voltará para a lua Esquadra , a qual se tem mandado dar
algum refresco. Dizem,qucesta se unirá com a Dinamarqueza, e que ambas che-
garáó até Petrisburgo , onde o Almirante Wager vay com huma eommissaó dei-.
-Btey daGràa BretánHa, encaminhada à conservação da"pazno Norte.Continua^
se a trabalhar com-muita pressa em hum comboy de muniçoens , destinado para
Stralsunda , e aparelhar oito naos de guerra da primeira , e segunda linha , com
outras,rama* fragatas. EIRey quer augmentar todos os Regimentos , para cujo es-
seito se empregaó.neHes osOjnciaes , que se reformarão os dous a»nos pastados.
DINA-
Vi*
DINAMARCA. Copenhaghen 28. de Mayo.
ELRey veyo de Frendenburgo a í emana passada ver osconcercos, e obras , que
de novo se tem seito no quarto da Rainha, para ficar mais magnifico. Os dous
Regimentos de milícias, que se fizeraó vir, ficarão de guarnição ntsta Cidade; mas
tirarschaó dezoito homens por Companhia dos outros Regimentos , para fazer
hum corpo de novecentos homens , que se ha de embarcar na Armada. Todas as
tropas dé S. Mag. estaõ promptas a marchar à primeira ordem, e dizem , que se
uniráó com as do Eleitorado de Hannover , no caso , que seja necessário opporse
a algum desembarque de tropasnaHolsacia. Sesta seira de tarde , iodos os OfE-
ciaes , e marinheiros , que estavaó em terra , tiveraó ordem para se embarcar na
Esquadra , a qual se fez à véla no dia seguinte pelo meyo dia , e pelas cinco horas
se perdeo de vista. Dizem, que vay esperar em Bornholm a Armada Inglcza, que
foy para a parte de Stockholm.No mesmo dia chegarão ao nosso porto duas naos
Inglezas, húa de setenta peças , outra de trinta, que se tornarão a fazer à véla duas
horas depois, para se irem ajuntar com a mesma Armada, levando comsigo outro
navio Inglez , que ha de servir de Hospital a toda a Armada. O Coniul Inglez,
que reside em Dantztk,tem feito grande provimento de viveres, para fornecer
todos os que forem necessários à Armada da Gráa Bretanha , em quanto estiver
no Balthico. Dizem,que S.Mag. tem tomado a resolução de se apoderar dos mais
Estados do Duque de Holsacia , no caso que haja rompimento , até que aquelle
Principe desista totalmente das pertençoens ,que tem ao Ducado de Selesvicia , e
empregar entretanto as rendas délies nos grandes aprestos, que he obrigado afa
zer por mar , e por terra , para poder rebater a força dos seus inimigos*
ALEMANHA.
Vietma ti.de Mayo.
f\ Emperador fez a 1 $ . hum Conselho de Estado , e de tarde deu audiência pu-
blica a muitas pessoas de différentes condiçoens ; dizem , que Sua Mag. Imp.
tem mandado fazer algumas propostas a EIRey da Gráa Bretanha, para terminar
amigavelmente as differenças , que ha entre ambos ; mas que a reposta , que hon
rem se recebed por hum Correyo de Londres , naó he favorável a este desígnio;
por insistir Sua Mag. Britannica sempre , em que se extinga a Companhia de Os
tende , como condição preliminar. Sobre este ponto se fez aqui huma grande con
ferencia de Estado ; e nella se resolveo regeitar esta condição. O General Mons, de
S. Saphorino , Enviado da mesma Coroa da Gráa Bretanha , tem pedido ao Em
perador huma declaração sobre hum Tratado secreto , que dizem se tem concluí
do entre Sua Mag. Imp. e EIRey deHespanha , para a restauração de Gibraltar,
e conservação da Companhia de Ostende , como o Duque deRipperda dizem,
que insinuou ao Coronel Stanhope, Embaixador delRey da Gráa Bretanha em
Madrid. Ainda se naó respondeo ao dito Ministro sobre esta matéria; mas o Con
de de Sinrzendorff lhe respondeo por ordem do Emperador a huma carta , em
que elle , às instancias desta Corte, expõem as queixas, que a da Gráa Bretanha
tem de Sua Magestade Imperial , na forma seguinte.

Carta , qut o General Mons, âe San Saphorino, En<viado deïRey da Grãa Enta*
nha, estreveo ao Conde de Sititifndorjs, Grãa C hancelier áaCcrte Imperial.
ep Ois que FoJJa Excellencia deseja , que eu lhe diga por escrito, o quejá lhe disse
-r àé palavra haverá quinzf dias , da parte dtliiey iuu «moftrey a hon rade m
-L'< . : I repe
ttpetir, que Sua Mag. Britannica,fcou muy admirada desaler, quese haja tspa-
Ihado , e ajjegurado da parte do Emptrador nafdtma mais positiva que jerpode;
?ue naôsomtnte Sua Magestademandou communicar à Corte OttomanapeloEm-
aixador , que tem em Conjíantinopla o Tratado de Hannover , tnas ainda exci-
talla aja^er gnerra ao Emperador , dhçndolbe , que ajorte liga , que acabava de
formarj'e contra elle , darva ao SultaS huma occafiaô excellente ,para rejiaurar Jsel-
grado, eTanesv>ar.
Mas aìnda S- Mag.ficou infinitamentc mais admirado desaber , que hum dos
feus Correyos, voltando de Conjtanthiopla, harvtafido prexp cm £etgrado,sem em
bargo de trazçr publicamente as divisas de Mensagtiro delRey, de trader cartas do
Enviado do Emperador em Constarainopla , para o Principe de H'irtemberg , que o
caraélerii^tvaS , e de baver decíarado , que vinha corn defpachos para S. Mag. e
para o Embaixador de Fronça ; e frtpposto , que depois de o haverem detido vinte e
oito dias,se Ihe haja dado a permiflao,para continuar asua viagem,joy corn circuns-
tancias , que aindasar^m mayor a offensa , afíim pela maneira corn que o Principe
Eugenio de Saboyase explicou ao Duqne de Richelieu sobre este particular , como
por naS haver tjuerido S. A. Serenifflma rejponder ao Ministro delRey da Grâa
£retanha,senao em nome de Mons, de BroekÇaysen, havendolhe elle escrito a S. A.
Sereniffima huma carta , além de Ihe haver dito àpefjoa, que Ihe entregoua reposia,
quesese deixara pattarao Mensageiro delRey,fora por esta vexfómente, e porque
traita huma carta de Mons de Dierlingh para o Duque de Wirtemberg.
Nao podendo ElRey meu amo deixar de ter estesprocedimentos por huma viola-
caô do direito das gentes , e por hum tratamento , quese naó praticou nunca corn ai
gum Prin cipe , corn quem amdase vive em amiïçde , espéra , que S.MagJmp. or-
denará , quese Ihe désatissaçao , e tenho ordens precizfts dasua parte para a pedir,
t tantose ajsegura em que Sua Mag. Imp. Ihe nao recusará huma proporcionada d
grande%a do insulto , quelhefoyjeito, que a nao se Ihe daraffim, nao poderâ deixar
dese persuadir , que o quese dtvulgou contraelse , e a prizço doseuCorreyo ,na$
sao mais , que a continuacao do deftgriw , que antecedentementeJetinhaformado de
romper abertamente a gucrra contra Sua Mag. em consequencta dos projecìos , que
o Duque de Ripperda declarou ao feu Embaixador, haveremfeito o Emperador
f ElRey Catholico contra elle.
Etnfim , meu Senhor^dnda que raS tenho ordem de o drz$r,por causa das desat-
tençoens , quese tem tido com S. Mag. Eu de mim em particular ajjeguroa Vofía
Excellencia , que ossados, que se tempublicadocomo verdades constantes, e induvi-
taveis , nao tem
fíï'ttu ,7iav «m ncmamenorsombra
ncrnn wmmn j wnr. ™ de». realidade,
. .—. parque S. Mag. naS mandon a
Mons Stanian » a- copia
a**3* do
Àn T~y,t*An
Tratado de
Au Hannover,
Hrtrmnmer . Mites
antes Ihe ordénou ,. que
aue nao dés-
<
fé hum pajjo , tiem largaffe huma palan/ra , que podejje dor.o n.enor motivo deciu-
me a S. Mag. Imp. e tambem os Mimstros delReyJe haveriaôsem duvidaexpli-
cado porsua ordem aos de S. Mag. Imp de mcdo , que nao deixariac de os coxven-
cer , de que tudo o quese tem dvvulgado hesem sundamento ,sese nao houveffe es-
palkado huma vo\tao odiosa , antes dese haver marÀado dher nadaa ElRey meu
amo , mas hum procedimento taS pouco esperado ha ir.terejfádo muito a gloriadel-
£ey ,para que quiiçjje dar conta a ninguem das ordens , que heservido dar aosfeus
Mimjiroi tuts tortes EJirangeiras, Deos gu4rde,&c. Viema 15. de Abril de

De SanSaphor'mo.

HOL-
H O L L A N D A. Haya 7. dejunbo.
(~\ S Estados GeraesTe ajuntáraó extraordinariamente quinta feira da semana.
passada , e despacharão hum Expreslò ao seu Embaixador , que tem na Cori,
te de Madrid.
A reposta dos Estados Gtroes para o Embaixador dé Hefpatika, continiía nafor*
maJíguinte.
3, Que S. A. P. tem examinado com attençaó as propostas , ç ofTei tas contheu-
das no Memorial , as quaes consistem nestes dous j ontos ; primeiramente , que
„ S- Mag. Caíholica íaiárefarciro damno , e prejuizo, que os iubditos do Estado
dizem padecer pela infracção de algum Tratado , feito antecedememente corri
„ Heipanna. Em segundo lugar interpor os seus ofEcios com Sua Mag. Imp. para
ajustar as differenças amigavelmente.
, , Que naõ podem deixar de notar , que nesta occasiaó se deraó a S. A. P.gran-
diííimos motivos de esperar, que quando S. Excellencia chegaste , lhe faria pro-
„ postas de tanta ventagem , que legundo todas as apparencias, tivellèm lu aar de
„ te contentarem delias; e que por esta razaó naó ttm podido deixar de se admi-
„ rar , vendo pelo theor do dito Memorial , que elle se naó encaminha majs , que
„ a propor unicamente huma negociação em Madrid ; e què as proposiçoens pa-
„ ra elle se haô de fazer da parte de S. AP. a saber , que por huma carta , ou pe-
3, lo seu Embaixador representem de novo a S.Mag. as razoens do seu desçonten-
„tamento, sem acharem no dito Memorial proposição alguma especifica, ou
3, positiva , e muito menos propostas ventajolas , com que depois da chegada de
„ Si Excelllencia se achaó S.A.P. taó pouco adiantados , e taó incertos , como es-
3, tavaõ de antes.
. » Qiie em quanto ao que toca às duas proposiçoens referidas , e em primeiro
lugar a de reparar o prejuizo , que os iubditos do Estado padecem por alguns
3, Tratados anteriores,naó comprenendem S.A. P.claramente o lcntidodella; por-
que se por ella se entende a reformação de muitos aggravos 3 de que de tempos
„ em tempos se tem queixado, a íaber3 de haverem os ieus vaslallòs em muitas 00
casioens encontrado tratamentos contrários ao theor dos Tratados, feitos entre
„ S. Mag. e a Republica , será para S. A. P. de muita estimação , que S. Mag. Ca-
„ tholica lhes queira dar huma inteira satisfação a estas queixas , na conformida-
„ de dos Tratados ; mas que se pelo prejuizo, que lhes fazem os Tratados anterio-
„ res , se entende o que se tem ajustado por alguns concluídos entre Sua Mag. e
,3 outras Potencias , S. A. P. naõ pertendem neiies nenhuma mudança ; mas que
3, como os que ha entre Sua Mag. e a Republica dizem , que a Republica , e seus
33 súbditos íeraó tratados taó favoravelmente como qualquer outra Naçaó tam-
„ quamgens amicijjima , crem haver adquirido por esta clausula , o direito de po-
,3 der pedir todas as ventagens , que se tem concedido a qualquer Naçaó que seja,
93 pois o naó ^enunciarão nunca ; e que affim naó pedem nenhumas innovaçoen^
„ mas fomente a execução , e observância do que se ha estipulado pelos Tratados»
,,4jue subsistem entre S.Mag. e a Republica ; e que as contravençoens , que ie terrç
„ promettido, se emendem , e entre ellas muy particularmente o que pejo Trata-
„ do do commercio de Vienna se acordou , a favor da navegação do Paiz Baixo.
Austríaco na índia , como se mostrou pelo Memorial de 4. de Novembro do.
„ anricf passado ,;appresentado a S.Mag. Catholica por Mons. Vander Meer, Em*
„ baixador desta Republica ,' a que ainda espera huma reposta satisfatória.
» Qíje no tocante ao segundo ponto da interposiçaó de S. Mag. com o Empe-
'^ ' - »rador,
n radof ara chégair a hum ajuste amigável das suas differenças , como S.AJP.se
„ tem já explicado sobre esta matéria ,entendem,que naó he necessário repetillo; e
„ que consideraràó como hum grandi flìmo serviço , feito à Republica , o conse-
guir S. Mag. Catholica de S. Mag. Imp. que o commercto do Paiz Baixo Aus-
triacona índia tenha fim , eque com istosejaõ decipadasas difficuldades, e in-
„ convenientes, que delle resultaó , e que teraõ este serviço por huma das mayo-
5, res provas,que S. Mag. lhespóde dar da sua amizade , o que sem duvida poderá
„ contribuir , tanto , ou mais , que nenhuma outra cousa > para a conservação do
„ repouso publico.
Que em quanto ao de que se faz mençaõ no dito Memoria! sobre o Tratado
„ de Hannover , e a sua accessaõ a elle ; estimaó saber, que S. Mag. naó está menos
„ persuadida do que S.A.P. oestaó , de que o dito Tratado naó foy feito com ou-
„ tro fim mais , que o da conservação da paz na Europa , e que naó he cri vel,que
,5 os. Principes^ que o concluirão , a quizessem perturbar , que lhes naó he menos
,5 agradável o saberem , que S. Mag. lhes faz a justiça de crer , que nas delibera-
„ çoens j que tomàraó para accéder ao dito Tratado, naó entra aversão alguma,
„ mas que só o fizeraó por prevenção ; que ainda naó sabem dizer o fim , que te»
5, raó as suasdeliberaçoens , em ordem àdita accessaõ, masque como o ditoTra-
„ tado de Hannover , (como S. Mag. e S. A. P. fe persuadem) n-ió tem outro fim
„ mais , que a conservação da paz na Europa , e a accessaõ de S. A. P. no caso, que
„ venliaõ a resolverse a sazella , naó pôde ser considerada nu is , que como huma
n prevenção legitima , naó podem S. A. P. comprehender a- razão porque se per»
„ tende >que sufpendaópor mais tempo a sua resolução sobre esta matéria , nem
», porque causa a sua declaração pelo Tratado de Hannover fará mais difficilo-
5, ajuste entre S. Mag. Imp.e a Republica ; que tal qual for o successo da sua deli»
5, beraçaó sobre a dita matéria ,declaraó novamente S. A. P. que sempre eíìaràó
,5 promptos a ouvir as propoiiçoens , que S. Mag. lhes quizer fazer vmasdesejaô
,, que nestas haja alguma cousa real , e positiva, sobreque se possaó deliberar com
„ fundamento , pois no dito Memorial íe naó propõem mais , que huma nego
ciação em termos taõ geraes , que se lhe naó pôde esperar bom successo: naó
„ obstante todas as ventajosas idéas , que S. A. P. podiaó formar , e o bem , que se
„ pódiaó prometeer , allím da amizade de S. Mag.. Cathoíica ,como di activida-
de , e amor do Duque de Ripperda para a Republica.
G R A N BRETANHA.
, . -_ Londres- j. de Junho.
HA poucas semanas , que se começou a introduzir na gente de negocio humá
espécie de terror pânico , que fez diminuir o credito as acçoens do Banco , e-
Companhias do commercior allegandose entre outras causas a visinhança de húa.
guerra inevitável , a incerteza dos motivos delia; a dos inimigos, que a devem;
fazer , e a dos Aliados , que nos podem ajudara porém já os ânimos se tem serena
do hum pouco , e as acçoens começarão a suhir , e os que conhecem as grandes
riquezas deste Reyno, esperaó com tranquilidade a dissolução dos grandes negó
cios da Europa* As tropas, que estaó em Bristol tem ordem para marchar para
Taunton ,eBridgwter , para darem lugar aos quatro Regimentos de tnfanteriar
que se mandarão vir de Irlanda ; donde viràó ainda dous batalhœns , tirados dos*
Regimentos dos Coronéis Midleton,.eAustruther;osquaeS todos passaràô logo»
■a Portímouth , para alli se embarcarem naEsquadra destinada paua o- Medi terra-
aeo 5, a fim de reforçarem; as guarniçoens, da Ilha de Menorca , por haver tepre*-
. . ftn£i.~
sentado o General Carpenter seu Governador , que tem necelKdade deste soccw*
ro para a defender , no caso que se pertenda reconquistalla. O CavaUciro Joaó
Jonnings , que ha de commandar elta Elquadra com o posto de Almirante , rece-»
beo hontem as luas ultimas ordens, e instrucçoens ; e te prepara para partir daqui,
e se embarcar na nao de guerra UniaS , para sahir com a mayor pressa , que soe
polfivel. Asscgurale, que le levantarão mau seis Regimentos novos de Infanteria.
Temie mandado aparemarmais nove naos de guerra ; mas nió le diz se saó par*
reforçar a Esquadra do Mediterrâneo , ou a do Balthico. Dizem , que Mons, de
Pointz, nosso Enviado em Stockholm, fez aviso à Corte, queElRey de Suécia
está e m termos de se declarar peio Tratado de Hannover, e ajuntar as suas naos de
guerra à nossa Esquadra. Recebeste hum Expresso de Madrid, despachado pelar
Coronel Stanhope, Embaixador de Sua Mag. com a noticia de se achar o Duque
de Ripperda dimittido de todos os leus empregos , refugiado na casa do mesmo;
Embaixador, e nella bloqueado com duzentos homens por ordem da Corte,
PORTUGAL. Lisb0a4.de Julho.
PEla relação dos gastos, que a Mesa da Santa Caia da Misericórdia fez no dis*
curío deite anno , que acabou em 2. deste presente mezde Julho , sendo Pro
vedor delia o Marquez de Alegrete Manoel selles di Sylva , consta haverem-se
mandado dizer ^6196. Missas por conta das quotidianas , que administra , alétn
de 24802. que scmandaraó dizer por tençoens particulares , e 152^5. que por
ordem da mesma Mesa se mandarão dizer na Ermida de N. Senhora do Amparo.
Dotardó se 205. orsans , e se distribuirão dotes por 1 } 6. das que estavaó dotadas.
Redimiraósc do cativeiro de Argel três pessoas , e se dotâraó mais seis com a es
mola de 2 40U. reis. Proveraósc 680. pessoas cej;as , levandolhes esmolas a suas
casas , e provendo a muitas de camas. Soccorreraole muitas pessoas pobres , e ne-
celïïcadas. Mandaraófe muitas esmolas aos Conventos pobres. Mandarão le curar
no Hospital das Caldas varias pessoas pobres. Curaraósc de tinha 42. moços po
bres. Sustentaraó-se no Hospital de Santa Anna 1 5. mulheres entrevadas ; e no de
N. Senhora do Amparo $9. cegos , e entrevados , dandose a huns , e a outros tu
do o preciso. Sustentaraõie nas cadeas 1 506. prezos , curando a muitos em suas
doenças , de que foraó soltos 5 } 4. e destes foraó comprir os seus degredos 464.
dandofelhes vestidos,e roupas.Deraóle mortalhas a \ 2 • que falecerão nas cadeas, e
a tres, que padecerão por Justiça. Enterrarão as tumbas 004. pessoas, e os esquifes
8o\ escravos; e deufe comprimento a todas as mais obrigações, que tem a Mesa.
Faleceo em 29. do mez passado Luis de Abreu de Freitas , Fidalgo da Gafa de
Sua Mag. Commendador na Ordem deChristo, Desembargador, que foy na
Casa da Supplicaçaõ , Académico , e Lente nas Academias dos Illustrados , e Ap-
plicados de Lisboa, Doutiífimo em varias Faculdades, e muy cheyo de erudição,
filho de Gaspar de Abreu de Freiras , Embaixador que foy desta Coroa na Corte
de Inglaterra ; e fica succedendo na sua Cisa a Senhora D. Josefa Maria Magda
leni Pereira , mulher de Caetano Cabral , irmaó do Alcaide mór de Belmonte;
foy sepultado na sua Ermida de S. Pedro de Alcantara.
Sabio a lu\ buma Relação de hum milagre , que Chrijlo Senhor nojjo obrou em
Parirem $i.de Mayo de 1715. segundo consta de huma Pastoral do Cardeal de
Noailbes , Arcebispo daquella Cidade. Vendest na logea de Manoel Dini\ na
Cordoaria Velha , e na de JoaS Antunes Pedroso na Rua No-va. ;
NaOfficina dej O SÊTh ANTONI O DA SYLVA.
Cem todas as licenças necejsarias.
GAZETA

Quinta seira n. de Julho de 1716.

ITÁLIA.
Nápoles 14. de Mayo.
QUI chegou a 2. deste mez o Cardeal Coscia , que voltava
de Benavente, e nesse dia foy convidado a jantar pelo Cardeal
Vice-Rey. Detarde foy visitado pelo Cardeal Pignateli, Arce
bispo desta Cidade , e na mesma noite ceou em casa da Prin-
ceza Acquavi va. Toda a Nobreza o cortejou , e muita lhe fez
companhia , no dia em que partio até à fronteira. A 8. difle
Missa nova na Capella de N. Senhora do Montedo Carmo o
Abbade de AIthan,sobrinho do Cardeal Vice-Rey,assistindo a
esta função a principal Nobreza,e os Presidentes dos Tribunaes. A 1 2 . se fez com
grande ceremoniaje magnificência a coroação da Imagem de N.Senhora da Gra
ça na Real Igreja de Santa Clara, onde o Cardeal Vice-Rey com todo o seu esta»
do , e hum grande acompanhamento assistio em publico , e depois da Missa fez a
acto de coroar a mesma Imagem , e ao Menino Jesus , que está nos seus braços j
com duas Coroas de ouro, que lhe foraó mandadas pelo Cabido da Basílica de S.
Pedro de Roma , e trazidas por hum Prelado do mesmo Cabido , chamado Fran
cisco Santoro , o que se solemnizou com tres descargas de artelharia das tres For-*
talezas , e da mosquetaria da gente Alemáa,que aqui le acha. Hontem houve hum
grande concurso de Nobreza no Paço , com a occasiaó do comprimento de annos
da Senhora Archiduqueza Maria Theresa , filha mais velha do Emperador, can- ,
tandose também o Te Deum , solemnemente m Igreja Metropolitana ; e fazea»
dose muitas descargas de artelharia das muralhas, eCastellos. >
Roma 2 5. de Mayo. ■ i
Ç\ Cardeal Paolucci continua sem melhora na sua indisposição. O Papa o visi-'
tou quarta vez em 1 1 . do corrente, e elle aproveicandose da occasiaó, lhe pe-
dio o quiZiíT; aliviar do pezido emprego de Secretario de Estado , a que naó pôde
• "" " ~". ' E<? acodir
acudir comamesma applíeaçaô qué àtégóra ipofmsa das suas enfermidades,
c lhe aceitaflè tambem a demislàó de Vigario gérai de Roma. A fundaçaó de vin-
xeestudanies, que o Papa fez no Collegio deSapiencia, foy agora provida de
hum Decreto,em q uelnes concède 50U. reis depenfaô acada hum , desde o
diaemquedefenderemConclusoenspublicasjaté íerem providos dealgum Be-
neficio. Corre a voz , de que o Conde de Lagnasco , Ministro deIRey de Polo-
nia, partira brevemente para o feu Paiz ; e que nesta Corte lhe succédera corn o
caracter de Embaixador o Palatino de Russia. O Conde Mifcheschi Polaco te-,
ve audiencia de defpedida de Sua Santidade , que o encarregou de dous Brèves,
hum para EIRey de Polonia , outro para o Principe seu silho , com varios présen
tes para S. Alt. e para a Princeza Real sua mulher ; e hum retrato seu obrado cm
ta^eflària para EIRey.
Floretiça 2 8. de Mayo.

OAbbadose celebrou o anniversario do nascimentodoGraóDuque,que en-


" trou nos 5 5. annos da sua idade. Astegurase , que teire S.AIt. Real a l 8» huma
conférencia sécréta com os Ministros de França ,.e Gráa Bretanha , de que resul-
lou despacharem ambos estes Ministros Expresses às suas Ornes. A grande quan-
tidade de Corsariosde Barbaria , que andaó prefentemente nas costas de Italia, in-
terrompendo anavegaçaó , e commercio dos feus habitantes > moveraó a S. Air.
Realafazersahirao marduasgalés,e par Cabo délias ao Gavalleiro Marefcoti,
para se ajuntarem com as do Papa , e as de Genova , e darem caça aos Barbaros.
O Conde Arconatt , que tinha ido à Corte doDuque de Parmi por Enviado ex-
traordinariodo Ducado de Milaó, chegou aqui a 1 9. Partioatomar poflè do feu
toverno de Ascoli ,Mons. Rondelmonti , em quem foy providopor S* Ait. A
letriz Palarina viuva se recolheo a 1 5. no Mosteiro das Rdigiofasdo Bom Re-
poufo , para alli palTar al^uns dias em exercicios efpirituaes. A Princeza Violante
se acha em Lapegi.
Vmett 2 5. de Maya.
s .
AS novas fortificaçoens, que fe mandáraó fazer na Praça de Zara se acabárâó,
e foraó bentas a 2 5. do mez pasiado, em que se celebrava a festa do -glonoío-
EuangelistaS. Marcos, Protectorda Republica ,pe!o Arcebifpo da melon Ci-
dade , acompanhado dos quatro Bifpos sufïraganeos , e alfistido de todo o Cler»
Secukr , e Regular , na presença do Senhor Erízzo , Provedor General de Dal-
macia , e dos Commandantes das galés. A 1 p. se ajuntou o Confelho Grande, e
elegeo por Capitaó das galeaífas a Jacome Baldu , actualmente Capitaó do Go!-
fo. No mefmo dia se mandou sahir huma salua com despachos para as Praças do
Levante , e para o Balio } que a Republica tem em Constantinopla. O Capitaó
Wartinengo > que agora chegà do Archipelago , réfère , que todoaqudllePaiz
sozafaude perfeita, e que encontràra nos feus portos muitos navios mercantis
3estaCidade,com cargasmuy importantes. Correavoz,de haveremas naos
da Religiaó de Malta tomado ha poucos dias dous Corfarios de Tripoli. O Con
de de Colloredo> Embaixador do Emperador , fe prépara para partir para Víen-
na, a tomar poste do feu novo emprego de Graó Maréchal da Corte Impérial , de
qat o Emperador lhe fez mèrcé ; e dizem , que lhe vira succéder na incumbcn-
ciade Embaixador, o filho mais velho do Conde de SintzendorfF, Graó Chan
celier do Emperadoci , ■
EEL
**9
HELVÉCIA.
Schaff'bausen z. de Jvtito.
T7 LRey de Hespanha escreveo huma carca ao noflb Cantaó , pedindolhe Iicen-
ça para levantar dous Regimentos nas terras do feu Dominio. Todos os Offi-
•ciaes deste Paiz , que fervem em Hefpanha , receberão ordem para paflar aos feu?
•foitos j excepto o Tenente Coronel Jauch , que ficará em Lucerna para affistir a
outra Aflemblea geral do povo , que se deve fazer brevemente. O Cantaó de
Schwitz se prepara para fazer a renovação da sua aliança com os Valesios.
- O Graó Duque de Toscana tem feito repetidas instancias com as Potencias dot
-dous partidos , para que , ou fazendo-se guerra , ou continuando a paz , se naó
aquartelkm tropas estrangeiras nos seus Domínios , e se lhe permita observar hu-
.ma exacta neutralidade.
Os avisos de Coura dizem, efperarse alli todos os dias Monf. Wenscr, Envia
do do Emperador , para continuar com os Grizoens a capitulação começada com
o Estado de Milaó. Os de Genebra dizem , que EIRey de Sardenha tinha partido
com toda a sua Corte para Saboya , e que algumas das suas equipagens seachao
já em Chambery : que o Príncipe João Federico , filho segundo do Duque de
Modena , depois de haver estado na Corte de Parma, e em Milaó , onde foy re
cebido com grandes honras pelo Conde de Thaun, havia partido com elle, acom
panhado de muita Nobreza para Pavia , a ver a ceremonia da bençaó dos Estan
dartes do Regimento do General Waliek , cuja funcaó fez o Bispo de Pavîa , e
dalii proseguira a sua viagem para Vienaa , a tomar posse do posto de Coronel
de hum Regimento de Couraças , que o Emperador lhe deu. Escreve-se de Re-
fio , haver alli chegado o Conde de Belgiozo , Ministro do Governador de Mi-
.:ó;eque an.de Mayo rivera audiência do Principe herdeiro, o qual tem man
dado fazer varias obras no seu Palacio de Rivalta , onde revolvendose a terra, se
descobrira huma notável galaria , que por espaço de quasi huma milha de com
primento, se communica com o rio Crostolo, pela quai a Duqueza Mathilde re
cebia mantimentos , estando sitiada por hum Exercito em Rivalta ,que naquelle
tempo era Praça , de que ainda hoje permanece huma Torre. Corre a voz , que
as differenças , que ha entre EIRey de Sardenha, e a Republica de Génova, ítnaó
poderáó ajustar lenaõ militarmente ; e aflegura-sc , que S. Magestade Sardenien-
se tem mandado demolir totalmente as fortificaçoens de Chivas , que se achavaõ
quasi arruinadas.
ALEMANHA.
Hamburgo ji. de Mayo.
XT Aô se tem nova alguma da Armada Ruffiana , nem apparencias de que este
anno saya ao mar ; dizem, que só sahiráó algumas fragatas para exercitar os
marinheiros ,e que naó se apartarão muito dos seus portos. Os amigos do Duque
de Hollacia esperaó com tudo , que ainda este anno se emprenderá alguma a seu
favor , e sobre isto se tem feito apostas de grande importância , mas parece, que a
i vinda naó esperada da Armada Ingleza ao mar Balthico, e a partida da Dinamar-
queza para se unir com ella nas operaçoens , impedirão sem duvida a execução
• dos projectos, que se tinhaó premeditado. Achao-sc alguns Engenheiros Ruflia-
nos na Ilha de Oesel , pertencente ao Duque de Holsacia , para nella fazerem no
vas fortificaçoens , e porem defensável hum porto ,em que poderáó ficar com se
gurança durante o Inverno , quinze até vinte naos de guerra.
Cem o motivo da cruel morte , que fez hum Catholico Romano soldado , que
« ,. .. foy
410
foy «las guardas Eleitoraes, a hum Predíc mte da Igreja Lntherana de Dresda.ma-
tando-o às facadas dentro da sua j ro| ria casa , sem motivo algum , se f ccendeo
tanto a raiva nos Lutlursnos contra os C»tholicos , que nenhum destes dava por
segura a sua vida ; mas pela boa ordem do Magistrado se pacificou o tumulto , e
se impedio a desordem, e tudo se acha ao presente em soccego, sem ser necessário
usar de outra violência , mais que da prizaõ do matador , que já por padecer lúci
dos intervalios no juizo , tinha fido expulso do Regimento em que servia.
Vienna i9.de Mayo.
OEmperador mudou homem de^residencia , passando do Palacio de Laxem-
burgo paraHalbturn. Achaó-se ao presente nesta Corte tres Enviados do ÍJu-
que de Wolíenbuttel , sobre negócios pertencentes à Religião , e outros de gran
de importância. Deleja-se com grande impaciência saber o succesto , que haverá
tido a notificação , que o Emperador mandou fazer na Dieta do Império da lua
accessaóao Tratado de Stockholm ,por se acharem nella alguns Principes inie-
Tessadosno de Hannover , que se poderio oppor ao seu registro. Afleguri-le , que
o dito Tratado será seguido do reconhecimento , que o Emperador fará à Czari-
na do titulo de Emperatriz da Ruffia ; e que se ha de fazer ao Impcrio a mtíma
proposta.
O Principe Alexandre de Wirtemberg , Governador "da Servia , tornou a voV>
<ar para Belgrado. O Conde de Ottingen , Governador de Feliiburgo , e o Ge
neral Roth , Commandante da Fortaleza de Kehl , tem declarado , que estas duas
Praças , no caso que haja rompimento com França, se naó achaó em estado d*
poder fazer a minima resistência.

Reposta s que o Conde de Sintzendorjs, Crãa Chancelier da Corte Imperial,


fe\por ordem do Emperador a "Mons, de San Saphorino , Mmstro del-
Rey daGrãa bretanha.

CJIAOnsteur. NafupposiçaS que as reprefentaçoens, que tendes feito por escrita,


nao continhaó unicamente mais,que o particular do Correyo detido em Bel->
grado,se tinha proposto responder a ellassuccintamente ; mas como a voffa carta de
15. deste me\ iontem outras muitas circunstancias , me tem ordenado Sua Magesta
de Imperial , e Catholica , vos declare , que até o presente se nao tem entrado dasua
parte em nenhuma das individuaçoens , quefaieis menção ,sobre a communicaçaS
feita pela <vofJa Corte à Porta Ottomana , e que na conversação , que houve entre
Mons, o Principe Euger.io\de Saboya}e Monf. o Duque de Richelieu, Embaixador
de Franca , se naó alterou a questãose o Tratado de Hamorver foy communicado
■nella por huma copia , ou geralmente excitandp-a a fater guerra ao Emperador ; e
■em fimse as ordens mandadassobre esta matéria a Monf. Stanian,lhe Joraõ legadas
por hum Correyo disfarçado , que havia pajjado por esta Corte com o nome de mer-
(ador Inglês
Neste mesmosentido se ordenou a 2. de Fevereiro a Monf. Palm , Residente na
Corte de S.Mag. Eritannica , exputefje immediatamente a ElRey, ou aosseus Afi-
mistros o theor dos avisos certos , queJe tinhaS reabido de Constantinopla , e que to
dos ditlaõ, que o Embaixador Eritatmico havia tido audiência do CraS Vh\r, e qut
queria suscitar os Turcos contra Sua Mag. Imp. Tudo o que fettm divulgado
de mais , e desde aquelle tempo até d conversação do Principe Eugénio cem o Du
que de Richelieu fsena5 dc\e imputar mais , que a fyo\publiça , às cartas de todos
OS
os Mirdstros Estrangeiros , que résident m Constontinopla; e que tem sallado
unanimemente como de huma cousa igualmente certa }epublica;e com circunstan-
cias mais hem entendidas , e mais particulares , que tudo o que aquise tem dito , ou
■ tem expojio em Londres o Rejidente Palm.
Quajise comprehtnde bem Mons, pelo que insinuais na <voJJa carta , como de <vós
fnejmo ,-esem ttr ordempara iffo, que S. Mag. Britannica nao tinha mandado a
Mons. Stanian a copia doTratado, mas Jim aprojundar esteJaclo,se vos pode
responder , que a queixa dejie procedimento (até ao présente inaudito) e quese nao
havia esperado nunca da parte delRey <vof]o amo, t.ao confise em que o Tratado de
Hamover fojje commumcado por copia; mas emse kaver verdadeiramente dada
parte délie aos Turcos , e que nejìa occafiao se tem procurado sujcitallos contra 0
Etnperador.
Maspoisse trata de dar a conhecer mais precisamente , o quese tem pajsadosibre
efia materia , vos devo dizçr Mons por ordem de S.Mag. Imp. que no me\de flo-
■vtmbro pajsado veyo aqui,como vossabeis , huma pejjoo,quese tinha encaminhado
ao Rejerer.dario Bruckpausen , corn o nome, e appamncias demercador Inglez, con-
dui\do pelovojjoSecretario;o que havéndo Jtdorepresentado ao Principe de Sa*
boya , Ihese\expedir hum pafjaporte , como se costuma , para continuar asua, via-
gem para Turquia, pelos Estados de Sua Mageftade : mas que havttiho che^ada
ejìa ptfjoa a Conjiantinopla em 1 4. de Dezçmbn , appareceo îogo , nao como mer-
caior ,mas como hum Mm^ogeiro delRey da Gr.ïa Éretanha , encarregado de or-
dens précisas para Mons. Stanian ,seu Embaixador , 0 qu'ai com effeito teve ait-
diencia do Grao Pi^r a zo.elbe notificou a alianca feno em Hannover entre El-
£eyfeu amo , e os Reys de Franco, , e Prujfiá ; evagérando muito 0 exceflìvo poder
doEmperador, e 0 perigo, quepodemcorrer os Principes ,e Ejiados daEuropa;
reprejtntandolhe , que a Corte Ottomana tinha agora huma boa occafiao para re-
Jìaurar as perdas pajjadas ; e ajsegurandolke , queje quixeffe aprovsitarfe délia , os
Aliados de Hannover nao entrariao em r.enhum ajuste , fem que 0 Sultao dasua-
porte tivejje nelle inteira satisfaçaô; e que tudo 0 referido Iheseriajuntamente com-
municado , e confirmado pelo Embaixador de Franco em nome delReyfeu amoi
que he verdade , que dous dias depois , entretendo-fe este Ministro com 0 Refidmte
Dierling , Ihe assegurou , ques• nao havia pajsado coufa alguma contra os interes
ses de Sua Mageftade Impérial na audiencia , que tiquera doGrao Vii^r; accres-
centando mais , que esperava , quesemelhantes ordensse Ihe dao mandariao nunco\
■portm que tambtm he muito verdade , que defde este mesmo tempo 0 dito Refidente
foy informado do contrario , por intelligencias , em que podia , e dévia crer,què
toda Constantwcpla estava cheya destas propostas ; e nem na Corte Ottomanasefat
Zfa júmyjterio dejallur nellas.
Avisos de semelhar.te naturetç, obrigavao necejjariamente ao Emperador osa'
%er algumas pervençoens ; e ajjìm mandou ordens «23. de Janeiro a todos os Ge-
r.eraes , e Commandantes das fronteiras de Turquia ,para nao deixar pajjarpefjoa
alguma , que fo(/e , on vokajje fem dar parte À Corte. E ajfnn bauenao chegáda
0 Mensageiro a Belgrado , iia'ó pode 0 Duque de Wirtemberg , Go-vefnador da
Servia, difpensarfe de 0 deter até nova ordem ^inda/jucvendose prezp,de[co-
brijse as divisas de Mensageiro , e Ihe entregajse as cartas , que tra^a do Refidente
Dierling , que 0 calificavao por toi
O que depois difto fisccedeo Mons, xró "0sabcis melhor do que nir.gmm. O Du
que de Richelieu bufcou 0 Principe Eugenio , e Ihepedio a relaxons défie M(rfa-
giira,
geiro } d'n.enhlhe , que traxja tombent carias para elle , ê para asm Corte. V&
tv.esmo Mons, escrcvtjlcs no diafeguinte htm bilhete ao mefmo Principe ,peditt*
doíheo mefmo ; e diifndolhe , que o ejladoda 'vojjafaude nao permittia, que
fojjes pedirlho peffoalmente. Deufe parte a Sua Magejlade Impérial , e nao obs-
tantes todas as circunftancias dofaiïo ,foy se rvido ordenar , que o dito Mensa-
geiro podejje por ejla 've^ proseguir o jeu caminho ; e ao mefmo tempo recebeo
Mons Bruckhausen ordem , comose pratica nefta Corte , para ad'vertir ao Du que
de Richelieu, e a nrís ; e elle mefmo o howvera feito ,fe Ibo nao impedifje asua in*
difpojkao, que be tao real , que se acha acìualmente maribundo ; ^vaiendo-se para
ejie ejfeito., por nao perder tempo , de hum Official da Chancellaria , ao quai <vós
waofizefles difficuldade de affirmar , que este Menfageiro era o mefmo bornent, que
aqui tirha apparecido , corn o iitulo de mercador Ingie\\ e que nefta qualidade ha~
'via pedido , e alcançado o pajjaporte , para ir a Conftantinopla , impondo a culpa
A mprudencia do 'vojjo Secrctario , como se semelhantes disfarces podiao nunca
succéder por tontijje ,ou por imprudencia ; e particularmente arefpeito de hum
''Menfageiro da Coroa da Grâa Bretanha , que le hum homtm publico , e obrigado
pelofeu emprego , a traiçrfempre defeubtrta asua dvvng , a quai nao púde occul»
tar ,semse faTer suspeito de algum mao defigtûo. %
k Julgue agora todo o mundo ,fe a detençaô de huma toi p'efìoa , em huma Praça
jronteira, <voltando dehumatal <ziagem ,e sendo comtudo relaxada dépôts em
cofifideracao de Sua Magestade Britannica,pode dor lugar a se pedir sathfaçao,
como seJe howvejje inolado o direito das gentes , ouse pelo contrario , nao tem S,
Magestade Imp. e Catholica , bomsundamento para a pertender.&c.
GRAN BRETANHA.
, Londres zi.de Junho.
Orna noticia, que se deu a S. Mag. e ao feu Conselho de haverjá 18U. ma*
■ rinheiros effectivos , e que este numero bastavapara armrosnavios ,quefe
tem resolvido pór no mar eue Veraó , revogaraó os Senhores do Almiranrado as
ordens , e commilìbens que tinhaó dado , para se continuarem as levas , e ordená-
raó aosOfficiaes,a quem setinha encarregado estaincumLencia, semetessem
logo abordo dosseus navios. As postas tropas de deíembarque scraô mandadas
por Mylord Cobham , e se assegura , que l'rança dará outro tanio numero para
humas , e outras entrarem em qualquer operaçaó , que se offerecer. Deicobrio-se
em Irlanda no porto de Sligo , hum navio carregado de grande quantidade de
polvora , de muitas caixas cheyas de armas, e de aJgumas bandeiras , e rambores.
■ Em 4. do corrente pelas duas horas da tarde toy EIRey com as ceremonias cos-
tumadas à Caméra dos Pares, e mandando chamar os Communs, deu o ku Real
consentimento a vinte e quatro actos , affim pubIicos,como particulares ; e de; ois
pela boca do feu Chancelier , fezao Parlamento a pratica feguinte:
"S- Mylords , e Mejpeurs. .-•
. Parecerame, que <vosfa7^a huma injuftiça,se défjefim a ejìasejfaô ,sem uos ren-
der cordealmente as gracas por tantas prenas , que me harxxis dado do <vojJo dczxn,
e do ajfeclo , que tendes à minhapeffoa , e ao meu go<verno , e pelo T^lo , que tendes
moftrado de manter a honra , e <verdadeiro interelje defte Reyno. ;ì
' O <vahr , ea refolnçao , que harveis testemunhado naimportante occafìaS de nos
quererem tirar os nofíos mais amados direitos , e privAlegios , con-vem perfeitameme
com 0 pezç , e authoridade de hum Parlamento Eritannico ; e os mo-xnmentos , que
se tem feup parasustentas as nwdidas contra ejìa Nd$aexde<vemfazer crera todsp
j _ mmdo,
otuxdo dsabedoria ,e prudência, com queprocurais impedir opportutiamcnte osseus
progrejjos. Espero , que as prevençoens , que me havets posto em estado desaj^r,se
roo bastantes, para comos meus Aliados deixar desvanecidos os destgnios , que se
tem formado contra nós; e que havendo osfeusfaiores pezpdo bem as suas circuns
tancias , e considerado melhor as de Nitrias Potencias , quese achai unidas para de
fensa , e tranquillidade da Europa , acharão que tem intéressé em conservar a pa\,
e que o partido mais seguro ,e mais prudente , he saiçr diststencia dosseus perigo
sos projectos. . .
: Messieurs da Camera dos Communs.
. Eu <vos rendo particularmente as graças pelossubsídios , que taõ cardeal , e efíi-
caiynente me haveis concedido ; podeis estarseguros , que todosse empregarãofiel
mente nos usos,para que os haveis destinados.
Mylords , e Messieurs.
; A occtipaçaõ constante do meu espirito ,eo desejo mai s ardente do meu coraçãose
encaminhaõ inteiramente asegurar aos meussúbditos osseusjuflos direitos , even-
tagens , e a lhes conservar , e a toda a Europa o logro de huma paz^segura , e hon
rosa; mas naó poderey acabar este discurso ,sem vos dar as mais sortes seguranças,
de que nao farey uso da confiança , que em mim tendes mais , que para chegar me
lhor a estes bons , e desejados fins.
■ Os Commi ssarios , q ue se rwn ;áraó para a direcção da ponte , que se manda
fazer no rio Thamisa entre Fulham , e Putney , tem authe: idade para haver por
via de empréstimo o dinheiro necessário para esta obra, concedendo tenças an-
nuaes pelas quantias, que lhe; parecerem convenientes , a quem as emprestar
com a condição dé que naó excedaó de ï «oo. libras por anno.
F R A N Ç A%
Parias s -de Junho.
ÏJ LRey Christianissimo tomou a resolução de governar pessòalmente a sua
. Monarquia , e suppnmir o titulo , e funçoens de Ministro principal, que exer
cia o Duque de Bourbon. O Abbade de Livry , que está nomeado para ir à Corte
de Polónia , se acha já de partida, e Mons, de Chavigny, que vay por Enviado de
Sua Mag, à Dieta do Império , partirá no fini deste mez. A Rainha continóa a to
mar banhos. El Rey lhe vez prefe-nte de huma joya de grande preço, que com
prou à DuqueZa de Ventadour. \ Rainha viuva de Hespanha , que assiste em
Vincennes, tem mandado vender huma parte dos cavallos d i sua Cavalharisíã , c
quer reformar huma parte dos Oificiaes, e cri idos da sua Casa. Faleceo em idade
C£ dezasete annos a Princeza de Monaco , quando se entendia estar fóra de peri
go , ficando o Principe de Monaco herdeiro dos bens , que lhe to cavaó da Prin
ceza sua máy , e de hum legado de cincoenta mil escudos , que a mesma Senhora
lhe tinha deixado no seu testamento.
A Academia Real das Sciencias, em comprimento de huma verba do testamen
to de Mons. Rovilhe , que instituhio rendas para dous prémios às pessoas, que me
lhor discorrerem nos assumptos , que se propuzerern na dita'Academia sobre o
Sixtema geral do mundo , e Astronomia- Fifica ; propõem por assumpto aos Sábios,
de todas as Naçoens (excluindo da conenrrencia os Académicos Regnicolas) so
bre o premio de 2U. florins, A explicação da causa geral do sobre o que po
de ráó escrever na língua que quizerem 3 que a Academia fará traduzir ï mas feria?
mais estimável aos Académicos , que fosíe na Franceza., ou na Latina , e em for
ma legivel , naó pondo os seus- nomes , mas antes hum.; ítnten ça , ou divisa nws
peseis
papeis que escreverem , e podendo pregar nos scvts escritos hum bilhíte fechadoj
e lacrado , onde com a meima sentença , ou divisa escreverão os seus nomes , títu
los , e lugar da sua residência ; os quaes se naó abriráó se naó no caso , que o dito
escrito leve opremio. As obras,que lc fizerem sobre este assumpto,se receberão até
o primeiro de Setembro de 1717- exclusive , e o premio se publicará na Aílem-
blea , que os Académicos haó de fazer depois da Páscoa do anno de 1 7 2 8.
HESPANHA.
Madrid 2 j. de Junho.
EM 1 1 . deste mez entre as seis , e as sete horas da nunháa , deu a Rainha à luz
cou feliz socceiío hurra Infante , a quem logo se administrou o Sacramento
doBautismo comos nomes Ai Maria Theresa Antonia Rajada , assistindo ao
parto em huma lala immediátaosGrandes,os O.ficiaes mayorcs das Gafas Reaes,
os Prelados , os Ministros Estrangeiros , e os desta Corte , que para isso foraó no
meados. De tarde foy ElRey em publico , acompanhado do Principe , e de todos
os Infantes ao Santuário de N. Senhora da Tocha, a renderlhe as graças ; e se cele
brou este successo com tres noites de luminárias, geraes por toda a Villa.
ElRey Catholico padeceo depois huma ligeira destemperança , que o precisou
a naó sahir do Paço ; e pela mesma causa naó pode acompanhar a Procissão geral
de Corpus ; porém já se acha totalmente livre de queixa , e taó convalecido , que
pode ir já Domingo visitar o Santuário de N. Senhora da Tocha. A Rainha con
tinua com felicidade o seu regimento.
As cartas de Bayona dizem , que a Rainha D. Marianna de Neuburgo, viuva
delRey D. Círios II. se acha livre pelo prompto beneficio dos remédios , que se
lhe applicaraó , do perigoso accidente , que padeceo , e poz a todos em cuidadoi
PORTUGAL.
Lisboa 1 1. de Julho.
QUarta feira da semana passada foy a Rainha noísa Senhora a Bellas , ver a
•Senhor Infante D. Carlos , que se acha muy convalecido da sua indispofiçaó.
Sesta feira comprio nove annos o Senhor Infante D. Pedro , que a Corte fes
tejou vestindose de gala.
Na eleição , que fez aSantaCasa da Misericórdia dos Oficiaes^ que haõ de
servir na M;fa este presente anno , sahiraó eleitos para Provedor o Marquez de
Val inça , para Escrivão Antonio Telles da Sylva, para Recebedor das Esmolas o
Conde de Tarouca , e para Visitadores D. Luis Botelho , Rodrigo de Sousa ,- «o.
Doutor M moei Alvares da Costa , Desembargador dos Aggravos.
O Tribunal do Santo Orneio da Cidade de Coimbra celebrou Auto publico
da Fé Domingo $0. do mez passado, cm que sahiraó penitenciadas noventa e
cinco pessoas por vários crimes ; também sahiraó duas em estatua, que falecerão
nos cárceres.
Faleceò o Tenente CoroneLdeCavallariaDaarteSonrédaGama, que tinha
servido na ultima guerra com a distinção de bom Official.
Achaó-se aprestando neste portoa nao noTa Senhora da Vitoria, para passar a
guardar a costa da Bahia , à ordem do Cipitaõ dc mar e guerrra Luis de Abreu
Prego ; e a nao nossa Senhora das Ondas , de que he Capitão de mar e guerra D .
Manoel Henriques, para ir com a mesma incumbência para o Rio de Janeiro;
com estas iraó alguns navios de commercio , que se estaõ aparelhando , assim pa-
ra aquellas duas Províncias , como para Pernambuco , c_Angola. ^ '
NaJiXficSraêjOSEPH ANTONI O BÂ SYL V A,
Cem todas as licenças neçeflariâ s.
GAZETA

DE LISBOA ENTJUU

Com Privilegio deS.MagestadcD

Quinta seira 18. dc Julho de 1716.

RÚSSIA.
Mosco-m 1 o. de Mayo.
S avisos , que havemos recebido de Derbent , confirmaõ as
grandes disposiçoens , que os Turcos fazem , para continuar
neste anno a guerra da Pcrsia com mais calor ; reforçando o
seu Exercito com tropas novas , que tem mandado marchar
do coração do Império Ottomano ; o que nos faz persuadir,
que intentaó conquistar nesta campanha , o que lhes resta da-
3uella dilatada Monarquia , como que faraó a sua taó formi-
avcl , que virá a dar cuidado aos Principes , que agora o naõ
tem de lhes embaraçar semelhante-projccto. O grande comboy de mantimentos,
e muniçoens de guerra,que aqui se aprestava para provimento das tropas , e guar-
niçoens das Praças , que temos naquelle Paiz , se carregara5 em mais de setenta
embarcaçoens , que segunda feira pastada partiraó pelos rios Mosca , e Volga
para Astrakan. Os dez Regimentos , que tinhaó or dem para marchar para a parte
de Pleskovia , e Livonia , receberão outra para o naó fazer; e se moverão breve
mente para a Ukrania, a opporse aos Tártaros , que intentaó fazer huraa invassó
naquella Provincia com 2C0U. homens.
Petrisburgo zq* de Mayo.
Ç\ Uerendo ElRey de Polónia dar huma prova da alta estimação , que faz da
^Vjunizade ,e pessoa da nossa Emperatriz ; resolveo recebella na ordem Militar
da Águia Branca de quR lie Graó Msstre ,instîîuida no anno de ï J 2 5-por ElRey
Ladislao V. seu antecessor, e mandarlhe o collar , e diviza da Ordem , remettido a
MonÇ le Fort , seu Enviado extraordinário nesta Corte , com huma csrta para a
mesma Senhora, e outra para o Principe de Menzikoff, que he o Cavalleiro mais
antigo da dita Ordem , que se acha nos Estados da Rússia , nomeando-o por seu
Embaixador , ç PfenipQtejiçiario , para lha conferir. Mons, k Fort teve a 4. do
" *" ' Ff cq;r«nte
corrente audiência particular da Emperatriz sobre esta matéria. O Principe de
Menzikofflhe communicou em outra , a carta , que havia recebido ; pedindolhe
nomeasse dia para esta ceremonia; e S. Mag. Imp. para manifestar o gosto, com
que recebia esta attençaõ delRey de Polónia , nomeou o dia 1 2. do corrente , em
3ue se fez'com toda a possivel magnificência por este modo. Pela manhãi man
ou o Principe deMenzikofï assuas carruagens, para conduzir ao seu Palacio
Mons. le Fort , e a Mons. Multer , Secretario da Embaixada, que levava a collar,
e diviza da Ordem , sobre huma almofada de veludo carmesi , em que estava ri
camente bordado em huma cifra o nome delRey. Pelas onze horas checarão tres
bargantins da Emperatriz à praya da Ilha , em que vive o Principe de Menzicoí,
para receber o cortejo, e no ultimo hia embarcado MonlV de Jagozimki , Estribei-
romór da Emperatriz , com a comitiva de dous Pagens da Camera , dous Hei-
duques , e dous negros ; e trouxe consigo ao Embaixador , e ao Enviado. No pri
meiro bargantim hiaó dous Cavalheiros Polacos , que aqui se achavaó , e no se
gundo o Secretario da Embaixada com o collar da Ordem, e aos seus lados os
Condes de Sapieha, e Wolowitz, também Cavalheiros Polacos. Seguiacse depois
»s bargantins do Principe com a sua comitiva ,é quantidade de outros Senhores*
c Officiaes de guerra. Affim como este cortejo chegou ao caiz do Palacio Impe
rial, descerão o Conde de Santi , Graó Mestre das ceremonias , dous Camereiros,
c os Gentis-homens da Camera , a recebello ào pé da escada ; e começou a mar
cha desta maneira. Os dsus Cavalheiros Polacos; o Secretarioda Embaixada en
tre os dous Condes Polacos ;Mons. le Fort , Enviado extraordinário só ; oPrin-
cipe de MenzickofF, que trazia à sua nuõ direita o Estribei ro mór , c à esquerda
o Graó Mestre de ceremonias. Nesta fórma atravessarão por ent re as guardas do
corpo, que tocando a marchar j lhe appreíêntáraõ as armas , e salváraô com as
suas bandeiras.Depois de haverem atravessado o pateo, em que estavaõ postos em
duas alas os homens de pé , Heiduques , negros , e Pagens até o pé da escada , os
receberão Mons. deSchipeloff, Marechal daCorte , e Messieurs de Locwenwol-
de , e Bestoujeff, Camereiros de Sua Mag.Imp. Adentrada do vestíbulo appare-
ceoo Principe de Trubetzkoi ,que comprimentou o Embaixador em nome de
Mag. Imp. Na antecamera orecebeo o Conde de Tolstoi , também Cavallciro da
mesma Ordem , e lhe fez outro tal comprimento. Introduzido o Embaixador na
fala da audiência , onde S. Mag. Imp. estava em pé , cercada de toda a sua Corte,
pomposamente vestida,e com os Cavalleirosda Ordem da Águia Branca aos dous
lados ; chegou à presença de S. Mag. levando Mons. Ie Fort à sua maõ esquerJa>
e o Secretario da Embaixada entre ambos ,com o collar, e insígnia da Ordem;
ieza sua pratica em nome delRey de Polónia,e entretanto tirou o Enviado o col
lar de cima da almofada , e o deu ao Principe , que acabando a sua pratica, o lan
çou aopeícoço da Emperatriz, fazendo a acção de abraçalla r depois Ihédeu o
Enviado a insígnia , que era huma Estrella formada de brilhantes de grande va
lor , a qual o Principe deu à Princeza sua mulher , que a atou no petto de S. Mag»
Imp. solemnizouse este acto com huma salva de trinta e hum tiros de artdhari»
da Fortaleza, co Embaixador , Enviado, e Secretario, depois de ferem admitti-
dos a beijar a maó a S. Magjmp. foraô reconduzidos com as mesmas ceremonias.
A 1 8. se celebrou com muita magnificência o anniverfario da Coroação dar
mesma Emperatriz, que depois de haver recebido os comprimentos de parabéns,
foy assistir na Igreja da Santiffima Trindade à Missaj e Sermão; e de tarde foy pe
las quatro horas do/seu Palacio, de Inverno, onde jantou, para o de Veraó , onde
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se tinha armado na sala grande hufha mesa em figwa de hom G que ht a primei
ra letra do seu nome , chea de guizados dos mais exquisitos , para a família Real;
outra grande mesa para os Ministros estrangeiros , Prelados , e Cavalheiros de
distinçaõ , e outra para Mestres de navios , e Pilotosestrangeiros dos navios de va
rias Naçoens, que se achavaó surtos no porto desta Cidade , de forte , que chega
va o numero dos convidados a oitocentos e quarenta e tantos , que todos foraó
tratados esplendidamente , e divertidos era quanto jantarão, com huma excellen
te musica de toda a forte de instrumentos ; repetindosc as descargas de artelharia
todas as vezes , que na mesa Imperial se faziaó laudes. Depois da cea, foy S. Mag.
aojardim, onde se divertio ac à meya noite, em que se começou a accender hum
fogo de artificio , que se tinha preparado sobre algumas emiarcaçoens surtas no
rio Neva ; e acompanhia se divertio depois com hum baile , até as tres horas de
madragada , em que a Emperatriz se recolheo ao seu Palacio de Invertia
Aqui correo a voz , de se haver desvanecido a viagem da Emperatriz a Riga , «
que panaria a Moscow ; mas agora se diz , que esta naó terá lugar , e que antes S.
Mag. partirá para Riga em doze do mez próximo , e que fará caminho pelas Ci«
dades de Nerva , e Rcvel , onde se deterá alguns dias. «
Com a chegada de huma fragata Ruiíiana , que se mandou a tomar informa-
çoens dos movimentos da Armada Ingieza , e referio acharse já no Bakbico Ori
ental ; e que se devia incorporar com a Esquadra Dinamarqueza , se ajuntou logo
hvm Conselho , à sohida do qual se deu ordem ao Capitão da mesma fragata, pa
ra tornar a se fazer à véla , e advertir a todos os navios Ruffianos , que encontrar,
para que façaó toda a sorte de corteziís aos de Inglaterra , e Dinamarca. Naõ dei
xa de se temer , que estas duas Armadas unidas , pollãócmprender algum desem
barque nas costas de Livonia , e Finlândia ; e assim se tem repetido o Conselho
grande ; com outro aviso, que ultimamente chegou dos designios da Aimada In
gieza , se tem feito muitos de gabinete , de que tem resultado mandaremse ordeni
<lenovoao Vice-Almirante Cruys, que se acha no mar , ao Vice-Almirante
WiJster para se preparar , e fazer à véla sem demora alguma ; e partir o Principe
de Menzickoffpara Revel , a distribuir algumasordens secretas. Além dos Regi
mentos de Infanteria já mencionados , marcharão mais dous para Riga , a fim de
reforçarem "o acampamento , que alli se tem mandado fazer. O Conde de Apra-
»n , Almirante General , partia de Revelem huma fragata de quarenta peças ,
para ver as fortificaçoens da Ilha de Hoghkuidia , e as pór em estado de defensa.
As tres fragatas Ruffianas , que daqui partirão no anno panado para os portos
de Hespanha , voltâraó na segunda semana deste mez , e huma taó destruída por
huma tempestade , que experimentou no Balthico , que foy obrigada a descar
regar logo em chegando.
O Conde de Rabuttin , Ministro do Emperador de Alemanha, naõ adianta na
da as suas negociaçoens ; e se entende , que se paflârà bem tempo , antes que se
possa convir em certosartigos , que sc di sputaõ ainda entre as duas Cortes ; nem se
falia em que esta mostre inclinação a entrar no Tratado de Vienna. A declaração,
que EIReyde Dinamarca mandou fazer pelos seus Ministros em varias Corte s,so«.
btc os Ducados de Selesvicia , e Holsacia , causou aqui grande indignação , e naõ
foy de menosdesprazer o Edicto , porque Sua Mag. Dinamarqu.eza fez chamar,
sobpena de incorrerem no crime de traição , todos os seus yadaílos > que se achaô
«m serviço das outras Potexcas.
POLO
POLÓNIA. Varsóvia u àe^unhó. ,
A Corte parece estar rauy satisfeita do modo, com que se houveraó o Conde dc
Wackerbarth , Governador de Dresda , o Magistrado da mesma Cidade , e o
Clero Lutherano ; e especialmente o Doutor Lescher , Superintendente do Con
sistório , que com as suas exhortaçoens contribuhio muito para aplacar o furor
do povo , que naõ passou de quebrar as vidraças de algumas casas de Catholicos.
EIReynaótem ainda entrado no Tratado de Vienna; e se começa a duvidar dc
que tom e esta resolução. Corre a voz , de que Sua Mag. irá a Li vonia , para fallar
com "a Emperatriz da Rússia , se vier a Riga , onde dizem se ajuntarão também
EIRey de Prusfia , e o Duque de Mecklemburgo. O General Poniatowski,Graó
Thesoareiro do Ducado de Lithuanta , partio para Grodno , com ordem de pre
parar naquella Cidade os alojamentos necessários para EIRey ,e para os Senhores
da sua Corte. Temse mandadojá a alguns Palatinados as ultimas cartas circulares
para a convocação da Dieta geral. Os avisos de Lithuania dizem,haverem alguns
Cavalheiros daquelle Ducado prezo muitos Officiaes de guerra Pruffianos , que
faziaó levas de soldados para serviço dclRey seu amo. Achase aqui hum Enviado
do Khan dos Tártaros , para reclamar hum vassallo rebelde , que se refugiou nes
te Reyno , e dizem , que poderá ter audiência de S. Mag. na semana próxima, O
Conde Mauricio de Saxonia j filho natural dei Rey, partio para Livonia , donde
dizem , que chegará à Corte da Rulfia , a solicitar huma pertenç. õ , que tçrn à
Ilha de Mohn. O Principe de Saxonia Neustad , parte para Carlesbade a tomar os
banhos. O Principe Dolhoruki , Ministro da Rússia , depois de haver tido huma
dilatada conferencia com o Marechal da Coroa, partio para Petrisburgo , a rece
ber novas instrucçoens , para continuar a sua negociação.
SUÉCIA. Stockholm 5. de "Junho.
/"*\ Almirante de Inglaterra Carlos Wager , que deixou a sua Esquadra no porto
de Elsenap , teve a 2 1 . do passado audiência deJRey , na presença de Mons.
Duben, Chancelier da Corte, de Mons. Hopken,Secretario de Estado,e de vários
Senadores, e lhe entregou huma carta dei Rey seu amo , a que acerescentou , que
tinha ordens de S. Mag. Britannica , para pôr a sua Armada em tal postura , que
nenhum navio Ruífiano podelíe chegar as costas deste Reyno ; e depois Mons.
Pointz , Enviado do mesmo Rey , representou a S. Mag. que esperava